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Tecido muscular - Resumo O tecido muscular relaciona-se com a locomoção e outros movimentos do corpo. Entre as suas principais características estão: excitabilidade, contratilidade, extensibilidade e elasticidade. Os músculos representam 40% da massa corporal. Por isso, em muitos animais o tecido muscular é o mais abundante. As células do tecido muscular são alongadas e recebem o nome de fibras musculares ou miócitos. São ricas em duas proteínas: actina e miosina. No estudo do tecido muscular, os seus elementos estruturais recebem uma denominação diferenciada. Entenda cada uma delas: Célula = Fibra Muscular; Membrana Plasmática = Sarcolema; Citoplasma = Sarcoplasma; Retículo Endoplasmático Liso = Retículo Sarcoplasmático Funções do Tecido Muscular Movimento do corpo Estabilização e postura Regulação do volume dos órgãos Produção de calor O tecido muscular é classificado em três tipos: estriado esquelético, estriado cardíaco e liso ou não-estriado. Cada tecido é formado por fibras musculares que possuem características morfológicas e funcionais particulares, como veremos a seguir: Tecido Muscular Estriado Esquelético O termo esquelético deve-se à sua localização, pois está ligado ao esqueleto. O tecido muscular estriado esquelético possui contração voluntária e rápida. Cada fibra muscular contém várias miofibrilas, filamentos de proteínas (actina, miosina e outras). A organização desses elementos faz com que se observem estriações transversais ao microscópio de luz, o que conferiu o nome estriado ao tecido. As fibras musculares estriadas esqueléticas possuem forma de longos cilindros, que podem ter o comprimento do músculo a que pertencem. São multinucleadas e os núcleos se situam na periferia da fibra, junto à membrana celular. A fibra muscular e a contração A contração muscular permite a locomoção e os demais movimentos do corpo. As fibras musculares contraem-se devido ao encurtamento das miofibrilas, filamentos citoplasmáticos ricos em proteínas actina e miosina, dispostas ao longo de seu comprimento. Esses filamentos podem ser observados em microscópio óptico, Nele podem ser observadas a presença de estriações transversais pela alternância de faixas claras (Banda I, miofilamentos de actina) e faixas escuras (Banda A, miofilamentos de miosina). A essa estrutura dá-se o nome de sarcômero, que representa a unidade funcional da contração muscular. https://www.todamateria.com.br/proteinas/ https://www.todamateria.com.br/contracao-muscular/ Uma célula muscular tem entre dezenas e centenas de sarcômeros arranjados na miofibrila. Cada sarcômero é delimitado por dois discos transversais, chamados de linhas Z. De forma resumida, a contração muscular refere-se ao deslizamento da actina sobre a miosina. Isso porque a actina e miosina formam filamentos organizados que permite o deslizamento de uns sobre os outros, encurtando as miofibrilas e levando à contração muscular. No citoplasma da fibra muscular é possível encontrar diversas mitocôndrias, que garantem a energia necessária para a contração muscular e grânulos de glicogênio. As fibras musculares são mantidas unidas devido ao tecido conjuntivo. Este tecido permite que a força de contração, gerada por cada fibra individualmente, atue sobre o músculo inteiro. Além disso, o tecido conjuntivo nutre e oxigena as células musculares e transmite a força gerada na contração aos tecidos vizinhos. Tecido Muscular Estriado Cardíaco É o principal tecido do coração. Este tecido possui contração involuntária, vigorosa e rítmica. É constituído por células alongadas e ramificadas, dotadas de um núcleo ou dois núcleos centrais. Apresentam estrias transversais, seguindo o padrão de organização dos filamentos de actina e miosina. Porém, não se agrupam em miofibrilas. Diferencia-se do tecido muscular estriado esquelético por suas estriações serem mais curtas e não tão evidentes. As fibras cardíacas são envolvidas por um envoltório de filamentos de proteínas, o endomísio. Não há perimísio e nem epimísio. As células estão unidas entre si, através de suas extremidades, por estruturas especializadas: os discos intercalares. Estas junções permitem a adesão entre as fibras e a passagem de íons ou pequenas moléculas de uma célula a outra. Quase metade do volume celular é ocupado por mitocôndrias, o que reflete a dependência do metabolismo aeróbico e a necessidade contínua de ATP. O tecido conjuntivo preenche os espaços entre as células e os seus capilares sanguíneos oferecem oxigênio e nutrientes. Os batimentos cardíacos são controlados por um conjunto de células musculares cardíacas modificadas, denominado de marca-passo cardíaco ou nó sinoatrial. A cada segundo, aproximadamente, um sinal elétrico se propaga pela musculatura cardíaca, gerando a contração. Tecido Muscular Liso ou Não-Estriado Sua principal característica é a ausência de estriações. Presente nos órgãos viscerais (estômago, intestino, bexiga, útero, ductos de glândulas e paredes dos vasos sanguíneos). Constitui a parede de muitos órgãos, sendo responsável por movimentos internos como o movimento dos alimentos através do tubo digestivo. Este tecido possui contração involuntária e lenta. As células são uninucleadas, alongadas e com extremidades afiadas. Ao contrário dos tecidos estriado esquelético e cardíaco, o tecido muscular liso não apresenta estriações. Isto porque, os filamentos de actina e miosina não se organizam no padrão regular apresentado por células estriadas. As células estão unidas por meio de junções do tipo gap e de zonas de oclusão. No tecido muscular liso não é encontrado perimísio e nem epimísio. Potenciais de membrana A atividade elétrica cardíaca provém das diferenças na composição ou concentração iônica entre os meios intra e extracelular e da sucessão cíclica de ativação celular (inversão do potencial de membrana) condicionada pelos fluxos transmembrana https://www.todamateria.com.br/tecido-conjuntivo/ desses íons. Os principais responsáveis pelos eventos da atividade elétrica cardíaca são sódio, potássio, cálcio, magnésio e cloro, sendo potássio e sódio os mais relevantes. Potencial de repouso Durante o estado de repouso da membrana celular (stead state), a distribuição iônica entre os meios intra e extracelular apresenta o íon potássio (K+) em maior concentração no meio intracelular, com tendência, portanto, a migrar para fora da célula (por diferença de concentração), e o íon sódio (Na+) em maior concentração no meio extracelular, com tendência a migrar para o interior celular. Nesse cenário, considerando o tamanho do íon e o fato de a permeabilidade ser cerca de cinquenta vezes maior que a do Na+, o K+ é considerado em seus fluxos transmembrana o principal íon para a manutenção da condição de potencial de repouso. A saída de K+ da célula, até que a força elétrica (para dentro) e a força difusional (para fora) sejam equivalentes, cria uma diferença de potencial entre o meio intracelular e o meio extracelular de cerca de –90 mV, mantendo o interior celular negativo em relação ao meio extracelular; essa diferença de potencial de –90 mV mantém a célula cardíaca em repouso com a condição polarizada. Potencial de ação Durante o repouso, todos os pontos da membrana extracelular possuem o mesmo potencial, bem como o meio intracelular, mantendo-se a diferença entre as cargas elétricas intra e extracelulares. Esse potencial de repouso é mantido pela resistência e pela condutância específicas aos íons envolvidos no processo. Quando ocorre a ativação do potencial de membrana, há redução da resistência e aumento da condutância aos íons intra e extracelulares, permitindo seu deslocamento em sintonia com seus gradientes eletroquímicos, gerando inversão da polaridade (de – 90 mV para +30 mV) e consequente despolarização celular. A despolarização celular configura o potencial de ação registrado em gráfico. O potencial de ação é dividido emcinco fases, de acordo com a ativação de canais iônicos específicos, o fluxo iônico e a consequente polaridade transmembrana, a saber: Potencial de ação de resposta rápida e de resposta lenta As células cardíacas podem apresentar dois tipos distintos de potencial de ação, o de resposta rápida e o de resposta lenta. O potencial acima descrito (que possui as fases de 0 a 4) é o de resposta rápida, encontrado nas células contráteis e nos sistemas especializados de condução. O potencial de ação de resposta lenta é o encontrado principalmente no nó sinusal e no nó atrioventricular (AV). A principal diferença é a ausência dos canais rápidos de Na+, sendo o influxo de Ca2+, através de canais especializados, o responsável pela despolarização. A repolarização ocorre de maneira semelhante, pelo influxo de K+ para dentro da célula após a interrupção do influxo de Ca2+. Outra diferença relevante está no fato de que essas células não possuem potencial de repouso fixo, havendo despolarização de maneira gradual (despolarização diastólica), que atinge potenciais diastólicos máximos de –65 mV (nas células de resposta rápida é de –90 mV) (Figura 1.9). A despolarização nessas células ocorre quando os limiares em torno de –45 mV a –40 mV são alcançados. O que são sinapses? Chamamos de sinapses as regiões de comunicação entre uma célula nervosa e outra célula envolvida na cadeia de transmissão da informação, a qual pode ser outra célula nervosa ou uma célula muscular, por exemplo. As sinapses podem ser de dois tipos: sinapses elétricas ou sinapses químicas. Nas sinapses elétricas as duas células adjacentes fazem contato físico através de suas membranas plasmáticas. Já nas sinapses químicas as membranas das células não se tocam diretamente, mas ficam um pouco afastadas entre si permitindo a existência de um espaço entre elas. A esse espaço damos o nome de fenda sináptica. Sinapses elétricas Neste tipo de sinapse a informação é transmitida de uma célula a outra pela passagem direta de corrente elétrica. Nas sinapses elétricas as membranas das células estão justapostas e estão ancoradas entre si através de junções comunicantes (gap junctions, figura 1 abaixo). Assim, a informação viaja de forma instantânea entre as células, sendo esta uma característica particular deste tipo de sinapse. Esquema representativo de uma região de junção entre duas células através de junções comunicantes em uma sinapse elétrica. As junções formam canais através dos quais os íons podem ser transportados entre as células (geralmente em um único sentido, como indica a seta negra que passa pelo interior do canal, mas há casos em que ocorre em ambos os sentidos). A abertura desses canais pode ser controlada pela célula para regular a passagem dos íons. Baseado em Aires, et al., 2012. Os canais das junções comunicantes são formados por dois hemicanais justapostos entre si (ou seja, um canal que é formado por duas metades, sendo que cada metade está associada à membrana de uma das células que fazem a sinapse). Cada hemicanal é composto por um conjunto de 6 conexinas, que juntas formam um connexon (que é outra forma de se referir a um hemicanal, figura 2). A abertura dos canais pode ser controlada pela célula, através de mudanças conformacionais sofridas pelas conexinas por mudanças no pH, concentração de cálcio intracelular, entre outros. Detalhe da organização das conexinas formando os hemicanais (connexons). No lado direito da figura enxergamos os canais vistos em corte transversal. Conforme indicado pela seta vermelha, os canais podem alternar entre um estado em que estarão abertos e outro em que estarão fechados. Baseado em Aires, et al. 2012. Sinapses químicas Nas sinapses químicas as células envolvidas não estão justapostas entre si, como ocorre nas sinapses elétricas. Há um pequeno espaço (conhecido como fenda sináptica) entre as membranas das células adjacentes onde ocorre a liberação de substâncias químicas, os neurotransmissores, que irão fazer a transferência do sinal entre as células. Esquema representativo de uma sinapse química. De um modo geral, a informação é passada de uma célula a outra pela liberação de neurotransmissores que se ligam aos receptores da célula seguinte. A seta azul no interior da célula pós-sináptica representa os efeitos decorrentes da ligação do neurotransmissor ao receptor. Baseado em Aires, et al., 2012. Na região de sinapse da célula pré-sináptica há uma grande quantidade de mitocôndrias (o que indica alta atividade metabólica) e de vesículas contendo neurotransmissores. A despolarização da célula-pré-sináptica induz a fusão das vesículas que carregam neurotransmissores à membrana da célula, o que resulta na liberação dessas moléculas na fenda sináptica. Nessa região, a membrana da célula pós-sináptica apresenta diversos receptores que irão reconhecer e se ligar aos neurotransmissores liberados, o que implicará em efeitos metabólicos subsequentes nesta célula. A transmissão da informação por sinapses químicas é mais lenta do que por sinapses elétricas, porém aquelas são muito mais versáteis e permitem um controle mais refinado pelas células. Neurotransmissores Os neurotransmissores são as moléculas que irão atuar nas fendas sinápticas ligando- se aos receptores das células. Estas moléculas podem ser de diferentes naturezas (ver tabela), e a sua ligação aos receptores podem inibir ou estimular processos metabólicos de acordo com o contexto da sinapse. Os neurotransmissores são produzidos pela célula e ficam armazenados em vesículas próximas às membranas pré-sinápticas das células (zonas ativas), até o momento em que serão liberados na fenda sináptica para ligarem-se aos receptores. O processo de liberação dos neurotransmissores envolve a despolarização da membrana da célula, o que abre canais de cálcio dependentes de voltagem provocando um influxo de íons Ca2+. O aumento da concentração de íons Ca2+ no citoplasma da célula promove a fusão das vesículas contendo neurotransmissores à membrana celular, e desse modo eles são liberados na fenda sináptica. Uma vez na fenda sináptica, essas moléculas vão desempenhar a sua função enquanto estiverem ali, e posteriormente podem ser degradadas, como é o caso da acetilcolina. Este neurotransmissor é hidrolisado na fenda sináptica por uma enzima, a acetil-colinesterase, quebrando-se em colina e acetato. A colina é recaptada e reutilizada em uma nova síntese de acetilcolina. Conhecer o modo de ação da acetil-colinesterase permitiu o desenvolvimento de um método de intervenção clínica em pacientes que apresentam a miastenia gravis. Esta é uma doença auto-imune que está relacionada com defeitos na transmissão sináptica que estimula as contrações musculares. O paciente desenvolve anticorpos contra os seus receptores de acetilcolina, de modo que quantidades menores destes receptores ficam disponíveis na superfície das células. Assim, o uso de reagentes que inibem a ação da acetil-colinesterase permite que a disponibilidade de acetilcolina nas fendas sinápticas seja maior, o que compensa um pouco a menor quantidade de receptores ativos nas células do paciente amenizando os sintomas da doença. Proteínas relacionadas ao armazenamento, transporte e fusão de vesículas Diversas proteínas desempenham papéis no armazenamento e transporte de vesículas que carregam os neurotransmissores, bem como na fusão dessa vesícula à membrana da célula para liberação de seu conteúdo na fenda sináptica. A família das sinapsinas, por exemplo, compreende um grupo de proteínas que se ligam à superfície citoplasmática das vesículas de reserva. Elas também se ligam a ATP e actina, e assim sustentam as vesículas em locais específicos no citoplasma da célula. Quando a célula é despolarizada, o influxo de íons Ca²+ promove a fosforilação das sinapsinas por uma quinase eassim elas liberam as vesículas às quais estavam ligadas, de modo que agora as vesículas podem ser transportadas até a zona ativa. Outro grupo de proteínas envolvidas na fusão da vesícula à membrana celular compõem o chamado complexo SNARE (soluble N-ethylmaleimide-sensitive factor attachment protein receptor). Este complexo é composto pelas proteínas MUNC 18, sintaxina e SNAP-25 Vemos que a proteína sinaptobrevina está associada à membrana da vesícula. O complexo SNARE (SNAP-25, MUNC 18 e sintaxina) está localizado na membrana da célula. A MUNC 18 então medeia as mudanças conformacionais dessas proteínas e elas interagem entre si de modo que a vesícula se aproxima da membrana da célula e a fusão entre as duas membranas ocorre, com a consequente liberação do neurotransmissor na fenda sináptica. Depois disso, as proteínas do complexo SNARE e a sinaptobrevina são recicladas e continuam desempenhando o seu papel na fusão de novas vesículas. Proteínas de ancoramento das sinapses As células do sistema nervoso, ao longo do seu desenvolvimento, baseiam-se em diferentes sinais que guiam o crescimento dos axônios e permitem que estes reconheçam os seus alvos específicos, de modo que as sinapses sejam estabelecidas corretamente. Quando uma nova sinapse entre duas células é formada, uma série de proteínas de membrana auxiliam no reconhecimento entre as células e na manutenção da estrutura da sinapse como um todo. Entre essas proteínas estão as caderinas; neurexinas; neuroliginas; entre outras. Proteínas de ancoramento das sinapses As células do sistema nervoso, ao longo do seu desenvolvimento, baseiam-se em diferentes sinais que guiam o crescimento dos axônios e permitem que estes reconheçam os seus alvos específicos, de modo que as sinapses sejam estabelecidas corretamente. Quando uma nova sinapse entre duas células é formada, uma série de proteínas de membrana auxiliam no reconhecimento entre as células e na manutenção da estrutura da sinapse como um todo. Entre essas proteínas estão as caderinas; neurexinas; neuroliginas; entre outras. Caso ocorram mutações que afetem alguma dessas proteínas, o estabelecimento e a manutenção das sinapses pode ser comprometido, de modo que as células alvo não são reconhecidas e as sinapses não são construídas da maneira correta. Após o reconhecimento de ambas as células que estarão envolvidas na futura sinapse, uma série de outras proteínas são produzidas para compor todo o arcabouço proteico que desempenhará as mais variadas funções na fenda sináptica: canais iônicos; receptores de membrana; proteínas de ancoramento, entre outras. Junção neuromuscular X sinapses do SNC O encontro de um terminal neuronal com uma fibra muscular forma um tipo especial de sinapse denominada de junção neuromuscular, esse tipo de sinapse possui algumas características próprias que a diferenciam das sinapses típicas encontradas no SNC. Por ser relativamente mais fácil de estudar, foi através deste tipo de sinapses que os cientistas começaram a elucidar os mecanismos das sinapses químicas. A região da fibra muscular que fica em aposição ao terminal neuronal na junção neuromuscular é denominada de placa motora. Nesta região, a membrana da célula muscular apresenta diversas invaginações, de modo que uma maior área de superfície da membrana da célula muscular está em contato com a fenda sináptica. Além disso, há também uma membrana basal que recobre a fibra muscular e, portanto, também está presente na placa motora. Esquema representativo de uma junção neuromuscular. Aqui nota-se a presença de um maior número de zonas ativas, de modo que uma maior quantidade de neurotransmissores pode ser liberada. O grande número de receptores da placa motora, que tem a sua área de superfície aumentada por invaginações, se ligarão aos neurotransmissores e darão início aos eventos de contração musculas. Baseado em Bear et. al., 2008. Na membrana pré-sináptica há um grande número de zonas ativas e, além disso, na superfície da placa motora há uma grande densidade de receptores colinérgicos (receptores de acetilcolina). Essas características em conjunto permitem que um grande número de moléculas de neurotransmissores seja liberado em uma superfície bastante ampla, de modo que a transmissão sináptica na junção neuromuscular seja de grande eficiência. As sinapses do SNC ocorrem entre neurônios, sendo que um único neurônio pode inervar vários outros, bem como um único neurônio pode ser inervado por vários outros também. Neste tipo de sinapses não são encontradas as invaginações que estão presentes na placa motora da junção neuromuscular, e também não há presença de lâmina basal. Como os neurônios podem ser inervados em diferentes regiões (no axônio, no dendrito ou no corpo celular), existe uma classificação das sinapses no SNC em: axodendrítica (axônio de um neurônio inerva dendrito de outro neurônio); axossomática (axônio de um neurônio inerva corpo celular de outro) e axoaxônica (axônio de um neurônio inerva o axônio de outro). Exemplos de tipos de arranjos sinápticos encontrados no SNC Alguns neurônios especializados ainda podem formar sinapses dendrodendríticas (dendrito de um axônio inerva dendrito de outro). Além disso, as sinapses no SNC podem ter diferentes formas e tamanhos, de modo que sinapses maiores implicam em um maior número de zonas ativas na membrana pré-sináptica. Graças à microscopia eletrônica hoje sabemos que em algumas dessas sinapses há diferença de espessura entre as membranas pré e pós-sinápticas, e isto está relacionado com a natureza das sinapses. Assim, sinapses assimétricas (membrana pós-sináptica é mais espessa que a pré-sináptica), também conhecidas como sinapses do tipo I de Gray, geralmente são excitatórias. Já as sinapses simétricas (mesma espessura de membrana pré e pós-sináptica), ou sinapses do tipo II de Grey, geralmente são inibitórias. O que é impulso nervoso? O tecido nervoso é constituído por dois componentes principais: as células da glia e os neurônios. Os neurônios estão relacionados à propagação do impulso nervoso, sendo, portanto, as células responsáveis por captar e transmitir a mensagem de outras células. Sem ser estimulado, um neurônio encontra-se em repouso. Nessa situação, percebe-se que a superfície interna da membrana é mais negativa em relação à superfície da membrana externa do neurônio. A diferença de potencial elétrico é de aproximadamente 70 a 90 milivolts e é chamada de potencial de repouso. O potencial de repouso é mantido graças à bomba de sódio e potássio, que transporta íons de sódio ativamente para o exterior do neurônio e o potássio para o interior. O potássio rapidamente vai novamente para o exterior, em virtude da permeabilidade da membrana a esse íon. Isso faz com que a membrana fique mais positiva externamente. A partir do momento em que ocorre o estímulo, inicia-se uma despolarização, ou seja, a superfície interna da membrana torna-se mais positiva em relação à externa. Isso acontece graças a uma alteração na permeabilidade da membrana, que faz com que o sódio entre para o interior da célula, mudando o potencial da membrana. Esse fenômeno ocorre sempre em pequenas porções da membrana, nunca em um neurônio inteiro, sendo chamado de potencial de ação. Essa inversão das cargas ocorre rapidamente e logo o estado de repouso é retomado. É a chamada repolarização. A alteração do potencial da membrana estimulará a área seguinte, fazendo com que o potencial de ação propague-se ao longo da membrana. Este é o impulso nervoso. Para que o impulso seja transmitido, o estímulo deve atingir certa intensidade. Caso contrário, ele só provocará algumas alterações na membrana da célula, não desencadeando a propagação do impulso. O estímulo forte o suficiente para propagar um impulso é denominado estímulo limiar. Lei do tudoou nada A estimulação de um neurônio segue a lei do tudo ou nada. Isso significa que ou o estímulo é suficientemente intenso para excitar o neurônio, desencadeando o potencial de ação, ou nada acontece. Não existe potencial de ação mais forte ou mais fraco; ele é igual independente da intensidade do estímulo. O menor estímulo capaz de gerar potencial de ação é denominado estímulo limiar. RESUMO – POTENCIAL DE AÇÃO O potencial de ação que se estabelece na área da membrana estimulada perturba a área vizinha, levando à sua despolarização. O estímulo provoca, assim, uma onda de despolarizações e repolarizações que se propaga ao longo da membrana plasmática do neurônio. Essa onda de propagação é o impulso nervoso. O impulso nervoso se propaga em um único sentido na fibra nervosa. Dendritos sempre conduzem o impulso em direção ao corpo celular. O axônio, por sua vez, conduz o impulso em direção as extremidades, isto é, para longe do corpo celular. 1. (EDUARDO 2018) A respeito do potencial de repouso e potencial de ação, marque a alternativa incorreta: a) Quando um neurônio está em repouso, sua membrana externa apresenta carga elétrica positiva. b) Quando um neurônio está em repouso, sua membrana interna apresenta carga elétrica negativa. c) Quando um neurônio é estimulado, ocorre a despolarização. d) A despolarização consiste na inversão das cargas elétricas da membrana. e) Após o impulso, a membrana volta ao estado de repouso, com carga positiva na membrana externa e interna. 2. FATEC - O gráfico a seguir mostra a variação do potencial da membrana do neurônio quando estimulado. O potencial de ação para um determinado neurônio: a) varia de acordo com a intensidade do estímulo, isto é, para intensidades pequenas temos potenciais pequenos e para maiores, potenciais maiores. b) é sempre o mesmo, porém a intensidade do estímulo não pode ir além de determinado valor, pois o neurônio obedece à 'lei do tudo ou nada'. c) varia de acordo com a 'lei do tudo ou nada. d) aumenta ou diminui na razão inversa da intensidade do estímulo. e) é sempre o mesmo, qualquer que seja o estímulo, porque o neurônio obedece à "lei do tudo ou nada". 3. UFSC - Em relação à condução do impulso nervoso e considerando os desenhos a seguir, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S). (01) As regiões I, II e III do desenho representam, respectivamente, o axônio, o corpo celular e o dendrito. (02) A região V do desenho é o local onde ocorre a Sinapse. (04) A região VI do desenho indica que aquela parte da fibra está polarizada. (08) A região VII do desenho mostra que aquela parte da fibra está em potencial de ação. (16) A propagação do impulso nervoso em um neurônio ocorre sempre no sentido III, II, I. (32) A região IV do desenho representa um nódulo de Ranvier. Tais nódulos são vistos somente nos neurônios mielinizados e são responsáveis pelo aumento da velocidade do impulso nos mesmos. Como a inversão da polaridade na fibra ocorre somente nesses nódulos, o impulso se propagará "saltando" de nódulo em nódulo e aumentando sua velocidade na fibra. 4. UFES - Analisando a figura do sistema circulatório do homem, podemos afirmar que a) cada ciclo cardíaco é iniciado em I pela geração espontânea de um potencial de ação, que se propaga diretamente para II, promovendo sua contração. b) o fato de a sístole em II ocorrer primeiro é importante, pois possibilita a IV maior enchimento de sangue antes de bombeá-lo para a circulação sistêmica. c) quando II e IV se encontram em diástole, as artérias relaxam, mantendo assim uma pressão adequada para que o sangue continue circulando até a próxima sístole. d) ao final da sístole, após o fechamento de V, a pressão em VI cai lentamente durante toda a diástole. e) a estimulação parassimpática é responsável pelo aumento das contrações em III, aumentando também o volume e a pressão de bombeamento do sangue. 5. (Ufv) O esquema abaixo exemplifica um dos tipos de transporte de membrana cuja função é fundamental para o metabolismo celular. No esquema está indicado que a concentração de K+ é maior no meio interno da célula e, ao contrário, a concentração de Na+ é maior no meio externo. De acordo com o esquema, responda: a) Que tipo de transporte permite à célula manter a diferença de concentração desses íons em relação aos meios? b) Cite o nome do principal componente químico da membrana responsável por esse tipo de transporte. c) O que poderia acontecer com esse tipo de transporte, se a respiração celular fosse bloqueada? d) Se a permeabilidade dessa membrana fosse aumentada, permitindo o livre transporte de Na+ e K+, qual seria a diferença de concentração desses íons entre os dois meios, após um certo tempo? e) Para que o esquema representasse o transporte em um neurônio em repouso, como ficaria a concentração de K+ no meio interno em relação ao externo? 6. (Cesgranrio) Os anestésicos, largamente usados pela medicina, tornam regiões ou todo o organismo insensível à dor porque atuam: a) nos axônios, aumentando a polarização das células. b) nas sinapses, impedindo a transmissão do impulso nervoso. c) nos dendritos, invertendo o sentido do impulso nervoso. d) no corpo celular dos neurônios, bloqueando o metabolismo. e) na membrana das células, aumentando a bomba de sódio. 7. (Cesgranrio) Observando o esquema anterior, que representa um neurônio em repouso, podemos afirmar que, nestas condições: a) se a membrana do neurônio for atingida por um estímulo, as quantidades de íons Na+ e K+ dentro e fora da membrana se igualam. b) devido à diferença de cargas entre as faces externa e interna, o neurônio está polarizado. c) a ocorrência do impulso nervoso depende de estímulos de natureza elétrica. d) a quantidade de íons K+ é menor na parte interna do neurônio devido à sua saída por osmose. e) as concentrações dos íons Na+ e K+ se fazem sem gasto de energia, sendo exemplo de transporte ativo. 8. (EDUARDO 2018) A respeito da sinapse representada anteriormente, é correto afirmar que: a) só está presente no sistema nervoso central. b) o impulso nervoso passa de 2 para 1. c) a liberação das substância presentes em 3 determina a passagem de impulso de um neurônio para outro. d) as substâncias presentes em 3 são produzidas exclusivamente nas células desse sistema. e) é possível haver contato físico entre 1 e 2. 9. (EDUARDO) Os neurônios são células especializadas na propagação do impulso nervoso, estímulo que garante a comunicação entre as células nervosas. Para que o impulso inicie-se, é necessário que a membrana esteja em potencial de repouso. Esse potencial é mantido quando a membrana do neurônio: a) está bombeando Na+ para o meio externo e transferindo íons K+ para o meio interno. b) está bombeando K+ para o meio externo e transferindo íons Na+ para o meio interno. c) está bombeando K+ e Na + para o meio externo. d) está bombeando K + e Na + para o meio interno. e) não está bombeando íons. 10. (EDUARDO) Durante um impulso nervoso, ocorrem mudanças de potencial na membrana do neurônio. As alterações sequenciais que ocorrem nessa membrana são chamadas de: a) despolarização. b) repolarização. c) polarização. d) potencial de ação. e) atingiu o limiar. 11. (Mack) Algumas drogas utilizadas no tratamento de alguns tipos de depressão agem impedindo a recaptação do neurotransmissor serotonina no sistema nervoso central. Assinale a alternativa correta. a) Neurotransmissores são substâncias que agem no citoplasma do corpo celular dos neurônios, provocando o surgimento de um impulso nervoso. b) Em uma sinapse, os neurotransmissores são liberados a partir de vesículas existentes nos dendritos. c) Após sua liberação, o neurotransmissor provoca um potencial de ação na membrana pós-sináptica e é recaptado pelo neurônio pré-sináptico. d) Somente as sinapses entredois neurônios utilizam neurotransmissores como mediadores. e) Neurotransmissores diferentes são capazes de provocar potenciais de ação de intensidades diferentes.