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A glândula tireoide secreta dois hormônios 
metabólicos principais, a tiroxina (T4) e a 
tri‑iodotironina (T3). Ambos os hormônios 
aumentam acentuadamente a taxa metabólica 
do organismo. A glândula tireoide também 
secreta a calcitonina, um hormônio envolvido 
no metabolismo do cálcio. 
 
A glândula tireoide é composta de um grande 
número de folículos fechados. Cada folículo é 
circundado por uma única camada de células e 
preenchido por um material proteico, 
denominado coloide. O principal constituinte 
do coloide é uma grande glicoproteína, 
denominada tireoglobulina, que contém os 
hormônios da tireoide em sua molécula. As 
seguintes etapas são necessárias para a 
síntese e a secreção dos hormônios 
tireoidianos no sangue: 
Captação de iodeto de sódio‑iodeto (NIS). 
O iodo é essencial para a síntese dos 
hormônios da tireoide. O iodo ingerido é 
convertido em iodeto e absorvido no 
intestino. A maior parte do iodeto circulante 
é excretada pelos rins, e grande parte do 
restante é captada e concentrada pela 
glândula tireoide. Para executar essa função, 
as células foliculares da tireoide transportam 
ativamente o iodeto da circulação, através de 
sua membrana basolateral, para dentro da 
célula por meio do NIS. 
 
Na glândula tireoide normal, o NIS concentra 
o iodeto muitas vezes acima de sua 
concentração no sangue. 
*Diversos ânions, como o tiocianato e o perclorato, diminuem 
o transporte de iodeto por inibição competitiva. Ao fazer 
isso, eles diminuem a síntese dos hormônios tireoidianos e 
são utilizados no tratamento do hipertireoidismo. 
Oxidação do iodeto: Uma vez dentro da 
célula folicular, o iodeto difunde-se em 
direção ao ápice e atinge o lúmen folicular 
transportado pela proteína pendrina. O iodeto 
é rapidamente oxidado a iodo pela 
tireoperoxidase. 
NIS 
Pendrina 
Síntese de tireoglobulina: A tireoglobulina é 
sintetizada pelas células foliculares e 
secretada no coloide por meio de exocitose 
dos grânulos de secreção, que também contêm 
peroxidase. Ela contém, em sua estrutura, 
cerca de 140 resíduos de tirosina. A 
tireoglobulina é armazenada no lúmen dos 
folículos na forma de coloide até que a 
glândula seja estimulada a secretar 
hormônios tireoidianos. 
Iodinação (organificação): Quando o iodeto 
é oxidado a iodo, ele é rapidamente ligado à 
posição 3 das moléculas de tirosina da 
tireoglobulina para gerar monoiodotirosina 
(MIT). Em seguida, a MIT sofre iodinação na 
posição 5 para produzir di‑iodotirosina (DIT). 
Depois disso, duas moléculas de DIT são 
acopladas para formar a T4, o principal 
produto da reação de acoplamento, ou uma 
molécula de MIT e uma molécula de DIT são 
acopladas para formar a T3. 
Essas reações são catalisadas pela 
tireoperoxidase e bloqueadas por 
medicamentos. 
Proteólise, deiodinação e secreção: Na 
superfície apical das células foliculares, o 
coloide é captado a partir do lúmen dos 
folículos por meio de endocitose. As vesículas 
de coloide migram, então, da membrana 
celular apical para a basal e fundem-se com 
lisossomos. As proteases lisossomais liberam 
T3 e T4 livres, que, em seguida deixam a 
célula. 
Mais de 90% dos hormônios tireoidianos 
liberados pela glândula consistem em T4. 
Resumindo o processo: 
• O iodo ingerido é convertido em iodeto e 
absorvido no intestino. 
• Ele é levado no sangue até os folículos 
tireoidianos. 
• Ele é absorvido pela célula a partir do NIS. 
• Ao mesmo tempo, as células foliculares 
produzem tireoglobulina (que contém 
tirosina). 
• O iodo é retirado da célula pela proteína 
pedrina e convertido a iodo pela 
tireoperoxidase. 
• O iodo se liga a proteína tiroglobulina se 
transformando em MIT ou DIT 
• MIT: tirosina + iodo. 
• DIT: tirosina + 2 iodo ou MIT + iodo. 
• Depois disso, MIT e DIT são acoplados na 
tireoglobulina para formar T3 e T4. 
 
• O processo é catalisado pela 
tireoperoxidase e ocorre no coloide da 
tireoide. 
 
• O coloide é captado por meio de endocitose 
e armazenado em vesículas. 
• As vesículas contendo a tireoglobulina são 
direcionadas para os lisossomos, onde são 
quebradas. 
• Após a proteólise, T3 e T4 são liberados da 
tireoglobulina e entram na corrente 
sanguínea. Este processo de liberação é 
facilitado por transportadores que ajudam 
na passagem dos hormônios através da 
membrana da célula tireoidiana para o 
sangue. 
• No sangue, T3 e T4 são transportados, 
principalmente ligados a proteínas 
plasmáticas, como a globulina de ligação à 
tiroxina (TBG), a transtirretina (TTR) e a 
albumina. Apenas uma pequena fração dos 
hormônios circula na forma livre, que é a 
forma biologicamente ativa. 
 
No caso dos hormônios tireoidianos, é o 
hormônio livre que é captado pelos tecidos, 
onde ele exerce seus efeitos biológicos e é 
metabolizado. 
A maior parte da tiroxina secretada pela 
glândula tireoide é convertida em 
tri‑iodotironina. 
Quando os níveis de T3 e T4 no sangue 
aumentam, eles exercem um feedback 
negativo sobre o hipotálamo e a hipófise, 
reduzindo a produção de TRH (hormônio 
liberador de tireotrofina) e TSH, e, 
consequentemente, diminuindo a síntese e 
liberação de T3 e T4 pela tireoide. 
 
Os efeitos crônicos do TSH incluem aumento 
do fluxo sanguíneo para a glândula tireoide e 
indução de hipertrofia e hiperplasia das 
células foliculares. Com a estimulação 
prolongada do TSH, a glândula tireoide 
aumenta, e ocorre bócio. Na ausência de TSH, 
ocorre atrofia acentuada da glândula. 
• Frio: ativa o sistema nervoso simpático e 
aumenta a demanda de calor no corpo. Para 
manter a temperatura corporal adequada, o 
metabolismo aumenta. A tireoide responde a 
isso aumentando a produção e liberação TSH 
e, consequentemente, de T3 e T4. 
• Jejum: reduz a secreção de TRH, de TSH e 
dos hormônios tireoidianos, o que contribui 
para a diminuição da taxa metabólica e a 
conservação de energia quando os 
suprimentos alimentares estão escassos. 
Os hormônios tireoidianos ligam-se a 
receptores nucleares no DNA. Essa interação 
estimula ou inibe a transcrição de um 
grande número de genes, o que leva a 
alterações em numerosas enzimas que 
modificam a função celular. 
*As ações da T3 ocorrem mais rapidamente e são mais 
potentes do que as da T4, visto que a T3 tem maior 
afinidade pelos receptores nucleares. 
Na maioria dos tecidos do corpo, os hormônios 
tireoidianos aumentam o consumo de oxigênio 
e a produção de calor. As mitocôndrias 
aumentam de tamanho e número, ocorre o 
aumento das áreas de superfície da 
membrana das mitocôndrias e as atividades 
das principais enzimas respiratórias também 
aumentam. 
Os hormônios tireoidianos são essenciais 
para o crescimento e o desenvolvimento 
normais: desempenham um importante papel 
no desenvolvimento do sistema esquelético, 
dos dentes, da epiderme e do sistema nervoso 
central. 
Um importante efeito do hormônio 
tireoidiano consiste em promover o 
crescimento e o desenvolvimento do sistema 
nervoso central no útero e nos primeiros anos 
de vida pós-natal. 
•Aumento da termogênese e da sudorese: O 
fluxo sanguíneo cutâneo aumenta, devido à 
necessidade de eliminação de calor. 
•Aumento da frequência respiratória e da 
profundidade da respiração como resultado 
do aumento de consumo de oxigênio. 
•Aumento do débito cardíaco, visto que o 
aumento do metabolismo e da utilização de 
oxigênio nos tecidos provoca vasodilatação 
local. 
•Aumento da utilização de substratos para 
energia: aumentam a utilização dos 
carboidratos, das gorduras e das proteínas 
para energia. 
Embora os hormônios tireoidianos promovam 
a lipólise dos triglicerídios e o aumento dos 
níveis plasmáticos de ácidos graxos livres, 
eles também diminuem os níveis circulantes 
de colesterol. Essa ação decorre da formação 
aumentada de receptores de lipoproteína de 
baixa densidade no fígado, que resulta em 
aumento da remoçãode colesterol da 
circulação, secreção na bile e, em seguida, 
excreção nas fezes 
•Aumento da necessidade de vitaminas: Como 
os hormônios tireoidianos aumentam a taxa 
das reações metabólicas, a necessidade de 
vitaminas é maior, e o excesso de hormônio da 
tireoide pode levar à deficiência de vitaminas 
•Aumento da motilidade gástrica. Além do 
aumento do apetite e da ingestão de 
alimentos, os hormônios tireoidianos 
aumentam tanto a secreção de sucos 
digestivos quanto a motilidade do trato 
gastrointestinal. Com frequência, o 
hipertireoidismo resulta em diarreia, ao 
passo que a falta de hormônio tireoidiano 
pode causar constipação intestinal. 
Os hormônios tireoidianos aumentam os 
estados de vigília e de alerta e a 
responsividade a diversos estímulos. Além 
disso, eles aumentam a velocidade e a 
amplitude dos reflexos nervosos periféricos 
e melhoram a memória e a capacidade de 
aprendizagem. 
A doença de Graves é a forma mais comum de 
hipertireoidismo: É uma doença autoimune em 
que ocorre a formação de anticorpos, 
denominados imunoglobulinas estimulantes da 
tireoide. Esses anticorpos se ligam aos 
receptores de TSH na superfície das células 
da tireoide. Os anticorpos mimetizam a ação 
do TSH, ativando os receptores e 
estimulando a tireoide a produzir hormônios 
em excesso. 
Em consequência, ocorrem diversas 
alterações previsíveis: 
• Aumento da taxa metabólica; 
• Intolerância ao calor e sudorese; 
• Aumento do apetite, porém com perda de 
peso; 
• Palpitações e taquicardia; 
• Nervosismo e instabilidade emocional; 
• Fraqueza muscular; 
• Cansaço, porém com incapacidade de dormir. 
• A Doença de Graves pode causar uma 
condição chamada oftalmopatia de Graves 
ou doença ocular de Graves, caracterizada 
por proptose (olhos saltados), inchaço e 
inflamação dos tecidos ao redor dos olhos, 
que pode levar a problemas visuais e 
desconforto ocular. 
Embora o hipotireoidismo possa ter várias 
causas, ele geralmente resulta da destruição 
autoimune da glândula tireoide (tireoidite de 
Hashimoto). 
Em geral, os sintomas são opostos aos do 
hipertireoidismo: 
• Diminuição da taxa metabólica; 
• Intolerância ao frio e diminuição da 
sudorese; 
• Ganho de peso sem aumento do aporte 
calórico; 
• Bradicardia; 
• Lentidão dos movimentos, da fala e do 
pensamento; 
• Letargia e sonolência. 
Ocorre acúmulo de mucopolissacarídeos nos 
espaços intersticiais, dando origem ao edema 
do tipo sem depressões, denominado 
mixedema. Se ocorrer hipotireoidismo grave 
no útero ou durante a lactância, ocorrerão 
deficiência intelectual irreversível e 
comprometimento do crescimento 
(Cretinismo).

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