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Imunologia - Resumão 
por: Érico Furtado 
►Parte 1: Desenvolvimento de Linfócitos e Seleção de Repertório 
- Receptores da Imunidade adaptativa: 
 
- BCR é o receptor dos Linfócitos B: - TCR é o receptor dos Linfócitos T: 
 
- A molécula do MHC se encontra em variados tipos de células. Elas apresentam antígenos (a.g.’s) de origem 
proteica. Possuem fendas de ligação que abrigam os aminoácidos. Mostram pequeno fragmento de antígeno para o 
linfócito T (ou o subtipo CD4 ou o CD8). 
- MHC de classe I: é expresso por todas as células nucleadas do corpo (ou seja, não existe nas hemácias) e interage 
com TCR de co-receptor CD8 (Tcitotóxica); o CD8 em questão se liga na porção “alfa 3” ilustrada na imagem abaixo. Sua 
fenda acomoda peptídeos com 8 – 11 aminoácidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- MHC de classe II: só é expresso nas Células Apresentadoras de Antígeno (APC’s) profissionais, ou seja, células 
dendríticas, macrófagos e Linfócitos B. Interage com TCR de co-receptor CD4 (Tauxiliar); e o CD4 em questão se liga no 
domínio “Beta 2”, ilustrado na figura abaixo.. Sua fenda abriga peptídeo com 10 – 30 aminoácidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 - Qual a diferença dos receptores da imunidade Inata e Adaptativa? 
> Os macrófagos e neutrófilos – protagonistas da imunidade Inata – expressam receptores chamados PAMP’s, que 
reconhecem padrões de antígenos e atuam de maneira rápida. Por outro lado, os Linfócitos B, por exemplo, 
possuem BCR’s iguais num mesmo linfócito, porém, linfócitos diferentes têm BCR’s diferentes entre si. Há alta 
especificidade. Quando algum deles ativa-se, geram-se clones. Todo essa cascata de eventos torna a atividade da 
imunidade Adaptativa mais lenta (levando cerca de 7~15 dias pra resposta). 
-Elementos celulares do sangue e origens: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
> A IL-7 (Interleucina 7) é responsável pela diferenciação dos tipos de Linfócito. Supondo um indivíduo que tenha 
deficiência ou mal funcionamento na molécula que reconhece IL-7, o mesmo terá uma imunodeficiência grave, 
chamada SCID (imunodeficiência severa combinada). Indivíduos acometidos têm que ficar em ambientes estéreis 
para não morrer com infecções simples. A cura para tal doença é transplante de medula. A IL-7 é mais crucial para a 
diferenciação dos Linfócitos T (se comparando com o B). 
 
- Processo geral de desenvolvimento de Linfócitos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- Existem pontos de controle do desenvolvimento, que são de difícil retorno devido a fatores de diferenciação: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
> Células B1 ou B “naturais” são produzidas no fígado fetal e se mantêm na idade adulta. O refinamento das células 
B “foliculares” e da Zona Marginal é feito na medula óssea e depois no baço. 
- Estágios de desenvolvimento dos Linfócitos B: 
 
> Lembrando que BCR tem cadeia pesada e leve. A cadeia leve (ou “substituta”) no 
pré-B é, mais tarde, substituída por permanente. Pré-linfócito B é, portanto, com 
cadeia leve não-finalizada. 
 
> Células estromais da medula óssea são fonte de citocinas que atuam na diferenciação dos linfócitos B. 
- Repertório Imunológico é o número de diferentes antígenos que o indivíduo é capaz de reconhecer e gerar 
resposta contra. No homem, chega à quantia de 109 ~1013. Mas, afinal, se o ser humano tem apenas 20.500 genes, 
como formal tal quantia de receptores?? Através de recombinação gênica somática! Nos linfócitos, ocorre a 
recombinação somática V(D)J, que se dá entre cadeias pesadas e leves. RAG-1 e RAG-2 são enzimas que 
reconhecem segmentos e ajudam na recombinação. TDT faz complemento do que está ausente na sequência de 
bases e adiciona bases que antes não existiam. Como a leitura dos códons é feita de 3 em 3 bases, então o TDT cria 
novas fases de leitura ao adicionar novas bases nas sequências, criando a diversidade juncional. Essa recombinação 
ocorre tanto com os linfócitos B quanto com os T. Mas, no caso das células B, há variação nas cadeias leves (lâmbda 
e kappa) e pesadas; enquanto que nas células T há variação nas cadeias alfa e beta. 
- Linfócitos B passam por seleção negativa e positiva, pois não podem reagir fortemente com antígenos na medula 
óssea e regiões próximas. Seleção negativa é eliminar as células B que reconheceram algum antígeno próprio com 
muita afinidade. 
 
 - Estágios de desenvolvimento dos linfócitos T: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
> Na imagem ao lado, observar o estado do BCR à altura do estágio “Pré-T” do 
desenvolvimento. Há cadeia alfa substituta ou invés de estar completa. 
 
 
 
 
 
 
> Baço e linfonodos são os locais ideais para que haja apresentação de antígenos das APC’s para os Linfócitos T. 
- Timo: é órgão próximo ao esterno que produz fatores que são atrativos de Pró-Linfócitos T. É composto por 
lóbulos, cada qual com seu respectivo córtex e medula. 
 
 
> Os Timócitos Duplo-positivos (CD4 e CD8 positivas) passam dias descendo pelo córtex e tendo contato com MHC 
de tipos celulares distintos (ex: mais comumente de células epiteliais do timo). Caso haja interação com êxito entre o 
MCH das Células epiteliais do timo com o TCR do Timócito, esta vira simples-positivo (ou só CD4 ou só CD8). Isso é 
seleção positiva! Caso não haja interação com êxito ocorre apoptose do Timócito em questão. Nesta seleção 
positiva, cerca de 95% das células T morrem, e, dos meros 5% restantes, há certa porção sobrevivente com co-
receptor CD4 e outra porção com co-receptor CD8 (não é equilibrado a quantidade [não é metade CD4 e metade 
CD8, um predomina sobre o outro]). 
> Células da Epiteliais da Medula do Timo expressam gene AIRE (regulador auto-imune) e apresenta com seu MHC 
auto-antígeno que equivale por todos os do corpo do indivíduo. Tal célula interage com Timócito. Caso reconheça 
com muita afinidade, o linfócito deve ser morto (seleção negativa). 
- Tolerância central de células B: caso os linfócitos B imaturos reconheçam antígenos próprios na medula óssea, eles 
são eliminados ou mudam a sua especificidade. 
 > Um dos mecanismos que pode ocorrer é a edição de receptores: caso o IgM do BCR ligue-se fortemente com auto-
antígeno (o que é indesejável, claro), o Linfócito B põe em ação o RAG-1 e RAG-2, que promovem nova 
recombinação V(D)J, há rearranjo da cadeia leve e o BCR fica, então, com nova especificidade. Essa tentativa ocorre 
um plural de vezes antes de ocorrer apoptose da Célula B. 
 > Um outro mecanismo é a deleção: caso o IgM do BCR ligue-se fortemente com auto-antígeno, há deleção de 
porções dos genes que gera rearranjo contínuo da cadeia leve, o receptor fica com nova especificidade. Caso 
continue auto-reativo sofre apoptose. 
 > O último mecanismo possível é a anergia: caso haja problemas na interação, célula B fica em estado de anergia, ou 
seja, um estado funcionalmente não-responsivo. 
- Tolerância central de células T: seleção negativa (na medula) e positiva (no córtex) do timo; e, parte das células 
auto-reativas não morrem, mas viram Treguladoras, que regula as respostas imunes. 
- ☺ Importância do gene AIRE! Sob controle da proteína AIRE, células tímicas medulares expressam proteínas 
tecido-especificas, eliminando as células T auto-reativas. Na ausência ou defeito do gene AIRE, as células T auto-
reativas amadurecem e deixam o timo, representando um grande perigo. O indivíduo pode ter uma doença chamada 
poliendocrinopatia autoimune-candidíase-distrofia ectodérmica (APECED). 
 
►Parte 2: Imunidade mediada por Linfócitos T 
- Linfócitos T não reconhecem diretamente os antígenos, estes precisam ser processados e apresentados aos LinfT 
pelas Células Apresentadoras de Antígeno (APC’s). Descobriu-se isso com experimento laboratorial com Lysteria 
monocytes radiomarcada cultivada com macrófagos. A célula dendrítica é a mais efetiva em ativar o linfócito T naive. 
Já as demaisAPC’s profissionais (macrófagos e células B), são boas para ativar células T efetoras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
----------------------------------------- 
Parênteses: 
> Há 2 vias de apresentação de antígenos, dependendo da localização do antígeno, que definirá se ocorrerá uma via 
ou outra: 
Cenário 1) Antígeno é endógeno (no citoplasma da célula), e a apresentação se dará com MHC classe I; 
geralmente ocorre com vírus ou raras bactérias que têm ação intracelular; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
> MHC-I nunca vai para a membrana vazio (ou seja, sem algum antígeno), as chaperonas atuam para impedir isso. Se 
o indivíduo/célula estiver saudável (sem infecção viral), então o a.g. apresentado será um a.g. próprio (que espera-se 
não causar reação ao ser apresentado). 
> Na célula T-CD8 (citotóxica) que se ligar ao MHC-I, há grânulos que se concentram perto da região de interação. 
Esses grânulos têm atividade citotóxica: matam a célula infectada para evitar proliferação viral. 
 
> Visão geral de um exemplo 
que ocorre em visão global em 
indivíduo com infecção: 
 
 
 
Cenário 2) Antígeno é extracelular e sofre endocitose (mais comumente fagocitose), e a apresentação se dará 
com MHC classe II; geralmente ocorre com bactérias; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- - - - - - - - - - - - - - 
►Parte 3: Célula dendrítica 
- Célula dendrítica tem maquinário propício para ativar linfócitos “naive”; 
- Célula dendrítica está espalhada por todo o corpo (mesmo que em baixas porcentagens); 
 
- Células dendríticas imaturas estão no tecido , e ainda não tiveram contato com a.g.; durante sua migração para 
rede linfática, ele amadurece. A Célula dendrítica pode eventualmente atingir o baço ou linfonodo (mais comum) – 
estes são órgões linfoides primários – e lá acha um linfócito T que reconheça o a.g. que está carregando. O dado 
linfócito se multiplica clonalmente, vai para circulação. Como a área periférica infectada provavelmente está 
inflamada, a região apresenta angiogênese e vasos dilatados, o que aumenta as chances dos clones linfocitários 
acabarem chegando no local. Se o Linfócito em questão for CD8, ele matará as células infectadas; se for CD4, lançará 
enzimas que deixam fagócitos na região mais “poderosos”. 
- O que impede célula dendrítica de causar doença auto-imune se ela estiver carregando a.g. próprio em situação de 
não-infecção e mostrar pra Célula T que passou sem querer do processo de seleção positiva/negativa? 
 R: presença de PAMPs e DAMPs em cenário de inflamação promovem a evolução de célula dendrítica imatura em 
dendrítica madura. Essa tal dendrítica madura (ao contrário da imatura) possui co-estimuladores expressos em sua 
membrana, que compõem um sinal secundário de ativação do Linfócito T. Essa molécula co-estimuladora na célula 
dendrítica chama-se B7.1 (CD80) ou B7.2 (CD86), e a respectiva molécula ligante dessa no linfócito T é o CD-28! A 
interação entre o B7.1 (ou B7.2) e o CD-28 promove indução da IL-2 (que é um fator de crescimento de efeito 
autócrino). Assim há proliferação clonal do Linfócito T. Na ausência da molécula co-estimuladora na membrana da 
Célula Dendrítica, não há 2º Sinal, e o Linfócito não responde e sofre anergia. Apenas o 1º sinal (interação MHC-
peptídeo com TCR) não é suficiente para ativar um linfócito T... 
►Parte 4: Ativação e diferenciação de Linfócitos T 
> Há cadeia de eventos intracelulares envolvendo os ITAMs da cadeia Zeta, que resulta eventualmente na produção 
da Interleucina-2 (IL-2). A interação da IL-2 é autócrina, e, para garantir que apenas os clones úteis recebam sinal de 
proliferação, a interação IL-2 e seu receptor é extremamente específica. 
 
 
 
> Ativação depende de 3 sinais: 
1) Interação do complexo [MHC + peptídeo] da APC com o TCR do Linfócito T; 
2) Interação de B7.1 (ou B7.2) da APC com o CD28 do Linfócito T; 
- Por sua vez, a diferenciação do Linfócito T depende de citocinas livres presentes na região! 
 
> Célula T Helper 1: secreta Intérferon-gama que é fator ativador de macrófagos e produz alguns isótopos de 
anticorpos no Linfócito B. Relacionados a patógenos intracelulares. 
> Célula T Helper 17: secreta IL-17 (fator recrutador de neutrófilos), IL-22 (promove o efeito barreira nos tecidos) e 
IL-6. Atua em bactérias extracelulares e fungos. 
> Célula T Helper 2: desencadeado por helmintos ou processos alérgicos. Produz IL-5 (ativador de eosinófilos), e IL-4 
e IL-13 que fazem possuem este leque de ações: aumentam secreção de muco no TGI, aumentam peristaltismo no 
TGI, estimulam linfócitos B a produzir anticorpos IgE que causam degranulação de mastócitos, podem ativar 
macrófagos e indiretamente estimular a proliferação de fibroblastos. 
Parênteses --------------------------------- 
- Como célula T CD8+ Citotóxica atua? 
R: pode ser via intrínseca ou extrínseca. A via intrínseca envolve a presença de grânulos na Célula T; dentre estes 
grânulos destacam-se a granzima (que induz a apoptose em si, por via de cascata da caspase), perforina (faz poro na 
membrana celular da célula-vítima) e as serglicinas. A outra via, extrínseca, envolve FAS (célula vítima) e FAS-ligante 
(na T CD8+), a interação causa apoptose da célula vítima. 
------------------------------------------------ 
- Supondo uma exposição à novo agente infeccioso, haverá após 7 dias um pico de expansão clonal de Linfócitos T. 
Depois de resolvida a infecção, certo número (basal) de células de memória persiste no organismo; no caso de 
reincidência do mesmo agente infeccioso a resposta será mais poderosa e mais eficiente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
►Parte 5: Imunidade mediada por Linfócitos B 
- Relembrando estágios de desenvolvimento dos Linf B: 
- O BCR dos Linfócitos B liga-se 
diretamente ao antígeno (ao 
contrário do TCR que exige 
processamento prévio). O a.g. 
pode ser uma proteína, 
carboidrato, lipídeo ou até mesmo 
ácidos nucleicos. 
- Isótopos de Imunoglobulinas: 
Há IgM, IgG, IgD, IgA e IgE. São diferentes classes com funções distintas. Todas as 
imunoglobulinas são bivalentes (ou seja, podem se ligar a 2 a.g.’s . Particularmente 
o IgM e IgE possuem domínios extras em relação aos demais isótopos. A célula B 
“naive” expressa somente IgM (que é secretada) e IgD (não-secretada, exceto em 
casos patológicos extraordinários). A abundáncia de cada isótopo no corpo pode 
ser observada no gráfico ao lado. 
IgM: 
- Quando circulante, apresenta estrutura de pentâmero. 
- Em qualquer infecção, sempre é o primeiro isótopo secretado. É significado de 1ª infecção por dado agente. 
- É receptor de Células B “naive”. 
- Funções: neutralização (anticorpo liga-se justamente na proteína de membrana celular do agente infeccioso que é 
responsável pela ação maléfica deste, impedindo a ação maléfica), agregação e ativação do sistema complemento 
(via clássica). 
IgD: 
- Monômero não secretado. 
- Baixa concentração sérica. 
- É receptor de Células B “naive”. 
IgG: 
- Tem subtipos 1, 2, 3 e 4. 
- É monômero. 
- Células T Helper 1 e 2 ppodem ativar IgG’s (devido à IFN-gama e IL-4). 
- Alta concentração sérica. 
- Pode ser significado de 2ª infecção por dado agente, ou infecção crônica. 
- Funções: 
  Opsonização (vários IgG’s agregam-se em microrganismos e estes são fagocitados com mais 
facilidade por fagócitos); 
  Ativação do sistema Complemento (com menos eficiência do que o IgM); 
  Citotoxicidade celular dependente de anticorpo (ADCC), ou seja, há uso de grânulos citotóxicos caso haja 
incapacidade de fagocitose; 
  Imunidade neonatal: mãe passa IgG’s para filho por via placentária; 
  Inibição por feedback das células B; 
IgA: 
- Pode ser monômero, dímero (mais comum) ou trímero. 
- Produzido em maior quantidade no organismo. 
- Vai para secreções do corpo, tais como saliva, lágrima, etc.É o único isótopo que suporta viver 
nas condições extremas das secreções. 
- Muito presente no muco intestinal. 
- IgA vai para leite, ou seja, mãe passa para filho via amamentação. 
 
 
IgE: 
- Monômero. 
- Há baixa concentração sérica de IgE em indivíduos, ao menos que esteja com alguns tipos de 
alergias. 
- Combate helmintos. 
 
 
 
- Atividade das células B: 
 - Plasmócito é o nome dado a células B ativadas e secretoras de anticorpos. 
 - Há 2 maneiras das Células B serem ativadas: via antígenos T-independentes e T-dependentes. 
T-independentes: 
 
- Antígenos são não-proteicos, mais comumente polissacarídeos e lipídeos; resistentes à degradação. 
- Antígenos T-independentes são antígenos que podem estimular diretamente as células B a produzirem anticorpos 
sem a necessidade da célula T auxiliar. Envolve ligação cruzada de Ig’s com antígeno. 
- Respostas com IgM de baixa afinidade, IgG e raras células de memória; C3d do complemento pode ajudar aqui. 
- A interação direta dos antígenos com a célula B causa várias respostas celulares (tais como proliferação mitótica da 
célula B, aumento do volume celular e das organelas e expressão de citocinas); 
T-dependentes: 
- Antígenos proteicos; 
- Antígenos T-dependentes são aqueles que não estimulam diretamente a produção de anticorpos se não houver a 
ajuda das células T CD4 auxiliares. 
- Respostas mais especializadas, há diversos isótopos de IgG, anticorpos de alta afinidade e há memória prolongada; 
- Envolve Linfócitos T atuando como APCs nos nódulos linfáticos, e ativando Linfócitos T CD4 auxiliares; há dupla 
interação entre o Linf T CD4auxiliar e o Linfócito B, pois o LinfB apresenta o a.g. ao LinfT, enquanto que o LinfT (via 
CD-40L) liga-se a CD-40 do LinfB e secreta citocinas IL-2, IL-4 e IL-5. 
- Há alteração de isótopos de Ig’s. 
- Maturação de afinidade: série de mutações aleatórias que alteram (pra melhor ou pior) a afinidade dos BCR’s e 
desta forma selecionam, dentre as células geradas, as que têm afinidade mais vantajosa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Parte 6: Regulação das respostas imunes e tolerância periférica 
- Respostas de hipersensibilidade são respostas imunes exacerbadas; 
- Numa visão geral, para que não haja uma resposta imune muito intensa, é preciso que a interação entre os MHC’s 
e os TCR’s/BCR’s pare em dado momento, senão a proliferação clonal seria infinita, algo inviável para a homeostase 
e para a vida. Portanto, há mecanismos bloqueadores do já mencionado “2º sinal” da interação. Em oposição à 
interação entre B7 (da APC) e CD28 (das células T) – que compõe o 2º sinal – temos a interação do B7 com o CTLA-4 
(este fica na Célula T mesmo), que é uma interação antagônica à anterior, e tem 50x mais afinidade. 
 Há basicamente 2 formas desse CTLA-4 “arruinar” a interação entre o MHC da APC e o TCR (ou BRC) da Célula T: ou 
o CTLA-4 acaba “vencendo” na competição por B7’s da APC (já que sua afinidade é 50x maior do que a afinidade 
entre B7 e CD28), ou então, já durante a interação entra CTLA-4 e B7, o CTLA-4 envia de modo intracelular um 
bloqueio à ação dos CD28 ativos que esteja ao redor (evitando a cascata e seus efeitos). Veja nas figuras: 
 
- Exclusivamente nos Linfócitos B, a regulação de sua produção de anticorpos pode 
se dar por feedback negativo. A interação do BCR + a.g. pode ser captada por uma 
molécula também da membrana da própria célula B, chamada IgFCR, que, então, 
faz uma cascata intracelular que impede que mais anticorpos sejam produzidos. 
Veja na imagem ao lado. 
 
- Linfócitos T de memória são uma baixa porcentagem dos Linfócitos que não 
regulam a apoptose direito e sobrevivem. A cada infecção (ou vacina) que nos 
submetemos, surgem alguns poucos linfócitos T de memória. Como eles dependem 
do Timo, temos a justificativa de porquê com o passar da idade (e consequente 
atrofia do Timo), somos mais susceptíveis à infecções. Tem-se duas teorias da 
formação dos Linfócitos T de memória... a primeira diz que as T-naive viram T-efetoras e, só então, parte destas 
viram T de memória; a segunda diz que, direto das T-naive, certa porcentagem já se diferencia em T de memória, 
paralelamente às T-efetoras. 
Tolerância ao próprio: 
 
- Tolerância imunológica é a não-responsividade a um antígeno, induzida pela exposição prévia a este antígeno. 
- Há 2 tipos de tolerância regentes no nosso corpo: a já explicada tolerância central, que ocorre nos órgãos linfoides 
primários (medula óssea e timo) e envolve a deleção ou anergia de clones auto-reativos; e a tolerância periférica, 
que consiste basicamente na deleção ou anergia das células auto-reativas quando há ausência de sinais co-
estimuladores (ou 2ºs sinais). 
--------Parênteses--------- 
- Como a célula TREG atua? 
 A célula T Reguladora é muito presente no intestino, pois tem que haver tolerância com antígenos externos (no 
caso, a comida que ingerimos). A T Reguladora impede que as demais células T do organismo ataquem as proteínas, 
lipídeos e afins que vêm da alimentação. Uma das vias de atuação desta célula é pela expressão de CTLA-4, que 
causa queda na ativação dos Linfócitos T. Além do mais produz citocinas reguladoras tais como IL-10 (que diminui a 
atividade de macrófagos, pois, se mal regulados, podem atacar tecidos próprios) e TGF-Beta (mesma atividade da IL-
10, muito presente no espermatozoide, para que assim não cause resposta imune). Um último mecanismo envolve a 
queda de disponibilidade de IL-2 no ambiente (é um fator de proliferação linfocitário). 
-------------------------------- 
 
- Na tolerância periférica, a apoptose pode se dar de algumas formas diferentes. Pode se dar por FAS e FASL de 
células distintas, frente à reconhecimento de auto-antígeno; ou ainda o “suicídio” do linfócito, que tem tanto FAS 
quanto FASL em sua membrana e liga um no outro, resultando em sinal apoptótico. Esse sinal pode, 
alternativamente, se dar por via mitocondrial ao invés de envolver FAS e FASL. 
- Seres humanos têm alguns sítios que são Imunologicamente privilegiados. Exs: olhos, cérebro, útero, etc. Será visto 
em detalhes na parte a seguir. 
Parte 7: Tolerância oral, ao feto e imunoprivilégio 
- MALT (Tecido Linfoide Associado à Mucosa) contém muitos linfócitos, portanto, alguma doença que afete estas 
regiões pode ter graves consequências; mas, ainda assim, um indivíduo não pode responder antagonicamente aos 
alimentos que ingere, por mais que sejam corpos estranhos. Daí a necessidade de algum tipo de tolerância 
imunológica na região. 
 
- O MALT surgiu antes mesmo dos tecidos linfoides primários e secundários, na evolução, porque estão associados à 
necessidade básica de alimentação dos seres vivos. 
- O MALT tem duas funções: 
a) Proteger a mucosa de agentes patogênicos (feito via neutralização [anticorpos]); 
b) Manter a imunossupressão para evitar respostas de hipersensibilidade a agentes não-patogênicos, o que é feito 
pela tolerância local e sistêmica (tolerância oral); 
- OBS: Microbiota do TGI (Trato Gastrointestinal) é não-patogênica. Quando tomamos antibiótico, podemos ter 
diarreia justamente porque matamos a flora natural do TGI que é, em parte, protetora; e então abrem-se portas 
para infecções de patógenos oportunistas como Clostridium. 
- Chamamos os MALT’s específicos do TGI de GALT (Tecidos linfoides associados às vísceras), e este se constitui nas: 
Placas de Peyer, nódulos linfáticos, Linfonodos mesentéricos e tonsilas (palatina, adenoide e lingual). 
- Na região epitelial (voltada para a luz), onde há Placas de Peyer abaixo, há células M. O nome deriva do 
inglês microfold cells, isto é, células com micropregas. As células M possuem sua superfície pregueada em vez de 
possuírem microvilosidades como a maioria das células que cercam a luz do intestino. Apresenta um espaço na 
porção basal. As células M captam ativamente ou permitem a passagem de antígenos os quais são acumulados no 
espaço formado abaixo das célulasM. Este fato tem uma grande importância, pois para este espaço migram 
linfócitos e células dendríticas (reconhecedoras de antígenos), permitindo ao organismo reconhecer antígenos que 
estejam no interior do tubo digestivo. Antígenos recebidos caem no folículo e, por fim, nos linfonodos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- Métodos usados pela célula dendrítica para tolerância: 
 
1) CD-103 induz a expressão de IL-10 ao invés de IL-12, ou seja, ao invés de Linfócitos se diferenciarem para T Helper 
1, viram T Reguladoras. 
 
2) Produzem enzima I.D.O. (indoleamina–2,3–deoxigenase) que inibem Linfócitos T e induzem Linfócitos T 
Reguladores. Esta enzima atua na tolerância ao feto. 
 - Como funciona a tolerância ao feto? 
 
R: durante a gestação, há aumento da expressão da enzima IDO. 
Há catabolização de triptofano (↓[Trp]), e, consequentemente, 
menos proliferação celular, por se tratar de um aminoácido 
essencial. Ocorre ↑[quinurenina], que é indutora de transcrição de 
genes. Em suma, há disfunção dos Linfócitos T (que é positivo no 
caso, pois protege o feto de respostas imunes). 
 
- Via para TREG “segurar” a resposta imune: expressão de IL-2 autócrino, que faz o receptor de IL-2 ficar ainda mais 
eficiente. Essa eficiência aumentada é eterna (não é transiente), portanto, ocorre muito roubo de IL-2 do meio, e 
outras células T ficam privadas de proliferar-se. 
- IgA tem grande papel na homeostase do TGI, pois têm boa atividade neutralizante. 
- Mas fiquei doente e peguei uma infecção, como meu TGI se protegerá, visto que só tem TREG? Estarei mais 
suscetível a infecção devido à tolerância? 
 R: Não! Há balanço entre TREG, TEfetoras e T de memória no TGI; se acontecer quebra de barreira (por exemplo, ter a 
mucosa rompida por ter engolido um espinho) haverá “desbalanço” e, aí sim, um resposta: microorganismos são 
eliminados e equilíbrio retorna. O rompimento de barreira culmina em secreção de IL-8 que é quimiotáxico para 
fagócitos, não existe neutrófilos na região em situações fisiológicas. 
- Como o organismo diferencia microrganismos patogênicos de microbiota residente? 
 R: a) Os residentes não são tão virulentos quanto os extrínsecos nocivos. Caso estes quebrem a barreira, na maioria 
dos casos a Resposta Inata mesmo dá conta de eliminá-los. Além do mais, a microbiota residente protege o TGI por 
causa da competição que oferecem aos microrganismos patogênicos. 
 OBS: Desequilíbrio no GALT leva à sérias doenças, tais como doença celíaca e doença de Crohn. 
 > A doença celíaca é um transtorno autoimune do intestino delgado que ocorre em pessoas geneticamente 
predispostas de todas as idades a partir de meados da infância; é causada por uma reação à gliadina, 
uma prolamina (proteína do glúten) presente no trigo. Quando exposta à gliadina, e especificamente aos 
três peptídeos presentes nas prolaminas, a enzima transglutaminase tecidular modifica a proteína e o sistema 
imunitário reage com o tecido do intestino delgado, causando uma reação inflamatória. Isto provoca a atrofia 
das vilosidades intestinais responsáveis pela absorção de nutrientes, o que está na origem da má-absorção 
intestinal. O único tratamento eficaz conhecido é uma dieta sem glúten durante toda a vida. 
 > A doença de Crohn é provocada por uma combinação de fatores ambientais, imunitários e bacterianos em 
indivíduos geneticamente predispostos. O resultado é um distúrbio inflamatório crônico, no qual o sistema 
imunitário ataca o aparelho digestivo, com o intuito de combater os antígenos microbianos. 
Imunoprivilégio: 
- Alguns tecidos e órgãos especializados do organismo são imunoprivilegiados, ou seja, são capazes de suprimir 
respostas imunes, mesmo que de forma temporária. 
 > EX: olhos (descobriu-se porque transplante de porções do olho não sofria rejeição); tecido com câncer é 
transientemente privilegiado; cérebro; útero gravídico; placenta; testículos; córtex adrenal... 
- O imunoprivilégio é mantido por barreiras físicas (ex: barreira hemato-encefálica), expressão de quimiocinas, 
citocinas (ex: IL-10 e TGF-beta) e ativamente por mecanismos de indução de morte celular (ex: FAS e FASL). 
- Mecanismos: 
 > Ambiente supressor (rico em TGF-Beta e IL-10) provome dificuldade em desencadeamento de resposta; 
 > APC leva antígeno + TGF-Beta para linfonodo, sendo assim, chegando lá, a Célula T vira TREG, inutilizando a 
resposta; 
 > Abundância de FAS/FASL, IDO e TNF que ajudam na supressão de respostas.

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