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Prática Contábil Prática Contábil Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Organizado por Universidade Luterana do Brasil Universidade Luterana do Brasil – ULBRA Canoas, RS 2015 Conselho Editorial EAD Andréa de Azevedo Eick Astomiro Romais, Claudiane Ramos Furtado Dóris Cristina Gedrat Kauana Rodrigues Amaral Luiz Carlos Specht Filho Mara Lúcia Salazar Machado Maria Cleidia Klein Oliveira Thomas Heimann Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil. Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem prévia autorização da ULBRA. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal. ISBN: 978-85-5639-260-2 Dados técnicos do livro Diagramação: Jonatan Souza Revisão: Marcela Machado Este livro tem por objetivo apresentar os temas que serão estudados na disciplina de Prática Contábil. O Capítulo 1 aborda o registro das tran- sações contábeis, apresentando a escrituração e os principais livros contá- beis e fiscais. Nesse Capítulo também foi apresentado o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED). O Capítulo 2 trata do Balancete de Verificação, dos registros contábeis no Diário, Razão e o Balancete que se origina a partir dos registros contábeis destas operações. Neste Capítulo contamos com a colaboração especial do Professor Pedro Edmundo Boll, que desen- volveu os exercícios propostos, com a respectiva resolução. O Capítulo 3 tem como propósito apresentar as etapas para a constituição de empresas e os registros contábeis de constituição da sociedade. No Capítulo 4, a abordagem envolve o ICMS na aquisição de mercadorias e o ICMS quan- do da aquisição do Ativo Imobilizado. No Capítulo 5, o estudo se centra no ICMS e IPI na Indústria. O Capítlo 6 trata do impacto do frete no Custo das Mercadorias e Matérias-Primas. No Capítulo 7 estuda-se o Custo das Mercadorias Vendidas e Custo dos Produtos Vendidos. No Capítulo 8, o estudo aborda as operações financeiras, tais como: descontos comerciais, descontos incondicionais, abatimentos e descontos financeiros. No Capí- tulo 9, a abordagem se desenvolve em relação às vendas de serviços. No Capítulo 10, o estudo trata das operações financeiras tais como: Aplica- ções Financeiras, Financiamentos de Capital de Giro e Finame. Apresentação Jucelaine Bitarello É Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Especialista em Administração e Estratégia Empresarial pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) e Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Foi professora nos cursos de Ciências Contábeis, Administração, Gestão da Produção Industrial e Gestão Pública na Universidade FEEVALE (FEEVALE) em Novo Hamburgo e na Faculdade Monteiro Lobato (FATO) (coordenadora do cur- so). Atualmente é professora do curso de Ciências Contábeis da Universi- dade Luterana do Brasil (ULBRA) em Canoas e da Faculdade Porto Alegren- se (FAPA) em Porto Alegre. Pesquisa os seguintes temas: gestão pública, desenvolvimento regional, DVA, responsabilidade social, espiritualidade e educação. Possui diversos artigos publicados em revistas nacionais e inter- nacionais. É autora de um livro sobre o Balanço Social. Possui experiência profissional em administrações públicas e privadas. Também é avaliadora ad hoc MEC/INEP. E-mail: jubitarello@terra.com.br Valmira Trapp Fernandes Graduação em Ciências Contábeis pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) (1985), especialização em Custos e Orça- mento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (1989), mestrado em Ciências Empresariais pela Universidade Fernando Pessoa (UFP-Porto), Portugal (2003). Coordenadora do Curso de Ciências Con- tábeis, Presencial e EAD, e professora na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Experiência na área de Ciências Contábeis, atuando, principal- mente nos seguintes temas: custos, informações contábeis, contabilidade fiscal e societária. Autores 1 Registros das Transações: Escrituração e Livros Contábeis e Fiscais ...............................................................1 2 Balancete de Verificação .....................................................27 3 Constituição de Sociedades.................................................57 4 O Icms nas Operações com Mercadorias e Ativo Imobilizado ........................................................................86 5 O ICMS e o IPI nas Indústrias ............................................107 6 O Frete no Custo das Mercadorias e Matérias-Primas ................................................................122 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos ............141 8 Operações Financeiras: Descontos Financeiros ..................176 9 Vendas de Serviços ...........................................................189 10 Operações Financeiras: Aplicações Financeiras e Financiamentos de Capital de Giro e Finame ....................206 Sumário Registros das Transações: Escrituração e Livros Contábeis e Fiscais Registros das Transações: Escrituração... Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Capítulo 1 2 Prática Contábil Introdução Vamos iniciar nosso estudo aprendendo sobre os registros das transações empresariais que envolvem a escrituração contábil e dos livros fiscais. Na Contabilidade Introdutória, estudamos sobre o plano de contas que tem por finalidade orientar os trabalhos da escrituração contábil e desempenha papel fun- damental na escrituração. Nossa abordagem sobre os livros contábeis/fiscais vai discutir a forma física e digital destes livros e o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007. Assim, contamos com a sua companhia para empreender- mos juntos esta jornada, com objetivo de torná-la produtiva. Este é um processo que vamos construir, lado a lado. Vamos em frente! 1 Escrituração Favero et al. (1997) destacam que a escrituração é o ato de efetuar nos livros empresariais as movimentações que aconte- ceram em seu patrimônio. Pode ser definida como um conjun- to de registros (lançamentos) das operações empresariais, em ordem cronológica. Para Sá (1995, p. 363), o processo de escrituração é “meio material de execução dos serviços de escrituração. Podem ser agrupados em quatro categorias: a) manuais; b) maquinizados ou semi-mecanizados; c) mecanizados; e d) computadorizados.” Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 3 Pode-se entender a escrituração como o registro dos fa- tos contábeis, em consonância com os princípios e normas técnicas-contábeis, com a finalidade de evidenciar a situação econômico-patrimonial da entidade e os resultados econômi- cos alcançados pela entidade em determinado exercício. O Conselho Federal de Contabilidade - CFC (2011), atra- vés da Resolução nº 1.330, define as formalidades da escritu- ração contábil em conformidade com a NBC TG 2000: 3. A escrituração contábil deve ser realizada com obser- vância aos Princípios de Contabilidade. 4. O nível de detalhamento da escrituração contábil deve estar alinhado às necessidades de informação de seus usuários. Nesse sentido, esta Interpretação não estabe- lece o nível de detalhe ou mesmo sugere um plano de contas a ser observado. O detalhamento dos registros contábeis é diretamente proporcional à complexidade das operações da entidade e dos requisitos de informa- ção a ela aplicáveis e, exceto nos casos em que uma autoridade reguladora assim o requeira, não devem ne- cessariamente observar um padrão pré-definido. O CFC (2011), na Resolução nº 1.330, define quetodas as entidades independentemente de sua natureza e do seu porte devem adotar o previsto na norma, quando da elaboração da escrituração contábil. 4 Prática Contábil 1.1 As formalidades necessárias à escrituração contábil Quanto às formalidades, a Resolução n° 1.330/2011 do CFC define aquelas que devem ser cumpridas quando da escritu- ração: 1. A escrituração contábil deve ser realizada com observân- cia aos Princípios de Contabilidade. 2. O nível de detalhamento da escrituração contábil deve es- tar alinhado às necessidades de informação de seus usuá- rios. Nesse sentido, esta interpretação não estabelece o nível de detalhe ou mesmo sugere um plano de contas a ser observado. O detalhamento dos registros contábeis é diretamente proporcional à complexidade das operações da entidade e dos requisitos de informação a ela aplicá- veis e, exceto nos casos em que uma autoridade regulado- ra assim o requeira, não devem necessariamente observar um padrão pré-definido. 3. A escrituração contábil deve ser executada: a) em idioma e em moeda corrente nacionais; b) em forma contábil; c) em ordem cronológica de dia, mês e ano; d) com ausência de espaços em branco, entrelinhas, bor- rões, rasuras ou emendas; e Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 5 e) com base em documentos de origem externa ou inter- na ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos contábeis. 4. A escrituração em forma contábil de que trata o item 5 deve conter, no mínimo: a) data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu; b) conta devedora; c) conta credora; d) histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro pró- prio; e) valor do registro contábil; f) informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamen- to contábil. 5. O registro contábil deve conter o número de identificação do lançamento em ordem sequencial relacionado ao res- pectivo documento de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos contábeis. 6. A terminologia utilizada no registro contábil deve expressar a essência econômica da transação. 6 Prática Contábil 7. Os livros contábeis obrigatórios, entre eles o Livro Diário e o Livro Razão, em forma não digital, devem revestir-se de formalidades extrínsecas, tais como: a) serem encadernados; b) terem suas folhas numeradas sequencialmente; c) conterem termo de abertura e de encerramento assi- nados pelo titular ou representante legal da entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente habi- litado no Conselho Regional de Contabilidade. 8. Os livros contábeis obrigatórios, entre eles o Livro Diário e o Livro Razão, em forma digital, devem revestir-se de formalidades extrínsecas, tais como: a) serem assinados digitalmente pela entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente habilitado; b) serem autenticados no registro público competente. 9. Admite-se o uso de códigos e/ou abreviaturas, nos históri- cos dos lançamentos, desde que permanentes e uniformes, devendo constar o significado dos códigos e/ou abrevia- turas no Livro Diário ou em registro especial revestido das formalidades extrínsecas de que tratam os itens 9 e 10. 10. A escrituração contábil e a emissão de relatórios, peças, análises, demonstrativos e demonstrações contábeis são de atribuição e de responsabilidade exclusivas do profis- sional da contabilidade legalmente habilitado. Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 7 11. As demonstrações contábeis devem ser transcritas no Livro Diário, completando-se com as assinaturas do titular ou de representante legal da entidade e do profissional da contabilidade legalmente habilitado. Livro diário e livro razão 12. No Livro Diário devem ser lançadas, em ordem cronoló- gica, com individualização, clareza e referência ao docu- mento probante, todas as operações ocorridas, e quais- quer outros fatos que provoquem variações patrimoniais. 13. Quando o Livro Diário e o Livro Razão forem gerados por processo que utilize fichas ou folhas soltas, deve ser adota- do o registro “Balancetes Diários e Balanços”. 14. No caso da entidade adotar processo eletrônico ou meca- nizado para a sua escrituração contábil, os formulários de folhas soltas, devem ser numerados mecânica ou tipogra- ficamente e encadernados em forma de livro. 15. Em caso de escrituração contábil em forma digital, não há necessidade de impressão e encadernação em forma de livro, porém o arquivo magnético autenticado pelo registro público competente deve ser mantido pela entidade. 16. Os registros auxiliares, quando adotados, devem obede- cer aos preceitos gerais da escrituração contábil. 17. A entidade é responsável pelo registro público de livros contábeis em órgão competente e por averbações exigidas 8 Prática Contábil pela legislação de recuperação judicial, sendo atribuição do profissional de contabilidade a comunicação formal dessas exigências à entidade. Todas essas formalidades são fundamentais para que a contabilidade forneça informações sobre o patrimônio empre- sarial e suas alterações, em determinado período, essas infor- mações devem atender aos usuários da contabilidade. 1.2 Escrituração contábil digital O SPED foi instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), e faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento do Go- verno Federal (PAC 2007-2010). A Receita Federal do Brasil (RFB) (2014) em seu sítio des- taca que o SPED se estrutura com o propósito de moderni- zar a sistemática atual para o cumprimento das obrigações acessórias, que devem ser transmitidas pelos contribuintes às administrações tributárias e aos órgãos responsáveis pela fis- calização. A utilização de certificado digital valida a assinatura dos documentos eletrônicos, o que garante a validade jurídica destes documentos apenas na sua forma digital. O SPED tem como objetivos, dentre outros:  promover a integração dos fiscos, mediante a padro- nização e compartilhamento das informações contábeis e fiscais, respeitadas as restrições legais; Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 9  racionalizar e uniformizar as obrigações acessó- rias para os contribuintes, com o estabelecimento de transmissão única de distintas obrigações acessórias de diferentes órgãos fiscalizadores;  tornar mais célere a identificação de ilícitos tribu- tários, com a melhoria do controle dos processos, a rapidez no acesso às informações e a fiscalização mais efetiva das operações com o cruzamento de dados e auditoria eletrônica. A Receita Federal do Brasil (RFB) (2014) destaca os bene- fícios do SPED:  redução de custos com a dispensa de emissão e arma- zenamento de documentos em papel;  eliminação do papel;  redução de custos com a racionalização e simplificação das obrigações acessórias;  uniformização das informações que o contribuinte pres- ta às diversas unidades federadas;  redução do envolvimento involuntário em práticas frau- dulentas;  redução do tempo despendido com a presença de audi- tores fiscais nas instalações do contribuinte;  simplificação e agilização dos procedimentos sujeitos ao controle da administração tributária (comércio exterior, regimes especiais e trânsito entre unidades da federação); 10 Prática Contábil  fortalecimento do controle e da fiscalização por meio de intercâmbio de informações entre as administrações tributárias;  rapidez no acesso às informações;  aumento da produtividade do auditor através daelimi- nação dos passos para coleta dos arquivos;  possibilidade de troca de informações entre os próprios contribuintes a partir de um leiaute padrão;  redução de custos administrativos;  melhoria da qualidade da informação;  possibilidade de cruzamento entre os dados contábeis e os fiscais;  disponibilidade de cópias autênticas e válidas da escritu- ração para usos distintos e concomitantes;  redução do “Custo Brasil;  aperfeiçoamento do combate à sonegação;  preservação do meio ambiente pela redução do consu- mo de papel. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) como órgão responsável pelo estabelecimento de normas e procedimentos técnicos a serem observados pelos profissionais contábeis emi- tiu a Resolução n° 1.299/2010 que aprovou o Comunicado Técnico CTG 2001, definindo as formalidades da escrituração contábil na forma digital com o propósito de atender ao Sis- Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 11 tema Público de Escrituração Digital (SPED). Esta normativa estabelece: Objetivo 1. Este Comunicado Técnico (CT) tem por objetivo estabelecer os procedimentos técnicos e demais formalidades a serem observados pelos profissionais de Contabilidade quando da realização da escrituração contábil em forma digital. Disposições gerais 2. A escrituração contábil em forma digital deve ser execu- tada em conformidade com os preceitos estabelecidos na Norma Brasileira de Contabilidade Técnica Geral (NBC TG 2000) que trata sobre “Escrituração Contábil”. 3. Este Comunicado Técnico (CT) estabelece o detalhamen- to dos procedimentos a serem observados na escrituração contábil em forma digital para fins de atendimento ao Sis- tema Público de Escrituração Digital (SPED). Procedimentos Execução da Escrituração Contábil 4. Em conformidade com os preceitos estabelecidos na NBC TG 2000 que trata sobre “Escrituração Contábil”, a escri- turação contábil deve ser executada da seguinte forma: 12 Prática Contábil (a) em idioma e em moeda corrente nacionais; (b) em forma contábil; (c) em ordem cronológica de dia, mês e ano; (d) com ausência de espaços em branco, entrelinhas, bor- rões, rasuras, emendas ou transportes para as mar- gens; (e) com base em documentos de origem externa ou inter- na ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos contábeis. Forma contábil 5. A escrituração ‘em forma contábil’, de que trata a alínea “b” do item anterior, deve conter, no mínimo: (a) data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu; (b) conta devedora; (c) conta credora; (d) histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro pró- prio; (e) valor do registro contábil; Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 13 (f) informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamen- to contábil. Conteúdo do registro contábil 6. O registro contábil deve conter o número de identificação do lançamento relacionado ao respectivo documento de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem os fatos patrimoniais. Lançamento contábil 7. O lançamento contábil deve ter como origem um único fato contábil e conter: (a) um registro a débito e um registro a crédito; ou (b) um registro a débito e vários registros a crédito; ou (c) vários registros a débito e um registro a crédito; ou (d) vários registros a débito e vários registros a crédito, quando relativos ao mesmo fato contábil. No que tange à essência, as determinações para a escritu- ração dos livros fiscais e contábeis, tanto em meio físico como no digital, estão alicerçadas na NBC TG 2000 o que está ex- plicitado na norma que trata da escrituração contábil digital. 14 Prática Contábil 1.3 O SPED e seu universo de atuação A RFB (2014) destaca em seu sítio, que a maior parte dos contribuintes já conta com a tecnologia da informação para seu processo de escrituração fiscal e contábil. Dessa forma, os livros em cópia física estariam apenas reproduzindo as infor- mações originadas por meio eletrônico. A RFB (2014) complementa que a facilidade de acesso à escrituração, mesmo que não aconteça em tempo real, amplia sobremaneira as possibilidades de seleção de contribuintes e reduz de forma significativa o tempo de execução quando da realização de auditorias. O universo de atuação do SPED contempla, de acordo com a RFB (2014): a) SPED contábil: A Escrituração Contábil Digital (ECD) é parte integrante do projeto SPED e tem por objetivo a substituição da escrituração em papel pela escrituração transmitida, via arquivo e, corres- ponde à obrigação de transmitir, em versão digital os seguintes livros: I – Livro Diário e seus auxiliares, se houver; II – Livro Razão e seus auxiliares, se houver; III – Livro Balancetes Diários e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. b) FCONT: Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 15 O FCONT foi disciplinado através da Instrução Normati- va RFB nº 949/2009 e se caracteriza como uma escrituração das contas patrimoniais e de resultados, em partidas dobra- das, considerando os métodos e critérios contábeis vigentes em 31/12/2007. c) SPED Fiscal: A Escrituração Fiscal Digital (EFD) é um arquivo digital, que se constitui de um conjunto de escriturações de docu- mentos fiscais e de outras informações de interesse dos fiscos das unidades federadas e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como de registros de apuração de impostos refe- rentes às operações e prestações praticadas pelo contribuinte. Esse arquivo deverá ser assinado digitalmente e transmitido, via Internet, ao ambiente SPED. d) EFD- Contribuições: EFD-Contribuições é um arquivo digital instituído no Siste- ma Publico de Escrituração Digital (SPED), a ser utilizado pelas pessoas jurídicas de direito privado na escrituração da Contri- buição para o PIS/Pasep e da COFINS, nos regimes de apu- ração não cumulativo e/ou cumulativo, com base no conjunto de documentos e operações representativos das receitas aufe- ridas, bem como dos custos, despesas, encargos e aquisições geradores de créditos da não cumulatividade. e) SPED – NF-e – Ambiente Nacional: O projeto Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) está sendo desen- volvido, de forma integrada, pelas Secretarias de Fazenda dos Estados e Receita Federal do Brasil, a partir da assinatura do 16 Prática Contábil Protocolo ENAT n° 03/2005, de 27/08/2005, que atribui ao Encontro Nacional de Coordenadores e Administradores Tri- butários Estaduais (ENCAT) a coordenação e a responsabilida- de pelo desenvolvimento e implantação do Projeto NF-e. f) Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e): O projeto Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) está sendo desenvolvido de forma integrada, pela Receita Federal do Brasil (RFB) e Associação Brasileira das Secretarias de Fi- nanças das Capitais (Abrasf), atendendo o Protocolo de Coo- peração ENAT nº 02, de 7 de dezembro de 2007, que atribuiu a coordenação e a responsabilidade pelo desenvolvimento e implantação do Projeto da NFS-e. A Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) é um docu- mento de existência digital, gerado e armazenado eletronica- mente em Ambiente Nacional pela RFB, pela prefeitura ou por outra entidade conveniada, para documentar as operações de prestação de serviços. Esse projeto visa ao benefício das administrações tributá- rias padronizando e melhorando a qualidade das informa- ções, racionalizando os custos e gerando maior eficácia, bem como o aumento da competitividade das empresas brasileiras pela racionalizaçãodas obrigações acessórias (redução do custo-Brasil), em especial a dispensa da emissão e guarda de documentos em papel. g) Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e): Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) é o novo modelo de documento fiscal eletrônico, instituído pelo Ajuste Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 17 SINIEF n° 09/2007, de 25/10/2007, que poderá ser utilizado para substituir um dos seguintes documentos fiscais: Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, mo- delo 8; Conhecimento de Transporte Aquaviário de Cargas, mo- delo 9; Conhecimento Aéreo, modelo 10; Conhecimento de Transporte Ferroviário de Cargas, mo- delo 11; Nota Fiscal de Serviço de Transporte Ferroviário de Cargas, modelo 27; Nota Fiscal de Serviço de Transporte, modelo 7, quando utilizada em transporte de cargas. O CT-e também poderá ser utilizado como documento fiscal eletrônico no transporte dutoviário e, futuramente, nos transportes Multimodais. Pode-se conceituar o CT-e como um documento de exis- tência exclusivamente digital, emitido e armazenado eletro- nicamente, com o intuito de documentar uma prestação de serviços de transportes, cuja validade jurídica é garantida pela assinatura digital do emitente e a Autorização de Uso forneci- da pela administração tributária do domicílio do contribuinte. h) Central de Balanços: A Central de Balanços brasileira é um projeto integrante do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), em fase inicial 18 Prática Contábil de desenvolvimento, que deverá reunir demonstrativos contá- beis e uma série de informações econômico-financeiras públi- cas das empresas envolvidas no projeto. As informações coletadas serão mantidas em um repositó- rio e publicadas em diversos níveis de agregação. Esses dados serão utilizados para geração de estatísticas, análises nacio- nais e internacionais (por setor econômico, forma jurídica e porte das empresas), análises de risco creditício e estudos eco- nômicos, contábeis e financeiros, dentre outros usos. A Central tem como objetivo a captação de dados contá- beis e financeiros (notadamente as demonstrações contábeis), a agregação desses dados e a disponibilização à sociedade, em meio magnético, dos dados originais e agregados. i) E-LALUR (atualmente foi substituido pelo ECF, cuja en- trega é 31.09. O objetivo do sistema é eliminar a redundância de infor- mações existentes na escrituração contábil, no Lalur e na DIPJ, facilitando o cumprimento da obrigação acessória. De forma simplificada, o funcionamento do sistema será o seguinte: Depois de baixado pela Internet e instalado, o Programa Gerador de Escrituração (PGE) disponibilizará as seguintes funcionalidades: a) digitação das adições, exclusões e compensações; b) importação: de arquivo contendo as adições e exclu- sões; de informações contábeis oriundas da Escritura- Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 19 ção Contábil Digital (ECD); de saldos da parte B do período anterior. c) cálculo dos tributos; d) verificação de pendências; e) assinatura do livro; f) transmissão pela Internet; g) visualização. j) EFD – Social: O projeto está em fase de estudos na Receita Federal e nos demais entes públicos interessados, tendo como objetivo abranger a escrituração da folha de pagamento e, em uma segunda fase, o Livro Registro de Empregado. Sugestão de leitura: GUIA_PRATICO_DA_EFD_Versao_2.0.13. pdf .disponível em: http://www1.receita.fazenda.gov.br/sistemas/ sped-fiscal/download/Guia_Pratico_da_EFD_Versao_2.0.13.pdf. 1.4 Instrumento de Registro Contábil: Conta Para cumprir seu objetivo de fornecer informações fidedignas sobre o patrimônio empresarial, a Contabilidade precisa re- gistrar todos os fatos ocorridos na entidade, esse processo é realizado com a utilização da conta que se caracteriza como instrumento utilizado para proceder aos registros dos débitos e créditos da mesma natureza. É identificada por um título que quantifica um componente do patrimônio ou uma variação patrimonial. 20 Prática Contábil Para Sá (1995, p. 85), conta significa: Instrumento de registro que tem por finalidade reunir fa- tos da mesma natureza, sendo aberta para encerrar os valores de realização passada, presente ou futura, rece- bendo um título que a identifica. O mesmo autor ressalta que a conta deve ser considerada como a expressão total ou parcial de fenômenos patrimoniais acontecidos ou por acontecer. A conta pode ser apresentada através da representação gráfica. Para estudos, explicações e resoluções de problemas utiliza-se o gráfico simplificado, denominado conta “T”, razo- nete ou razonete em “T”, conforme apresentado a seguir: Título da Conta Débito Crédito Retomando o aprendizado da Contabilidade Introdutória sabemos que as contas são classificadas como patrimoniais e resultado e podem apresentar saldos devedores ou credores. As contas exercem um papel imprescindível no processo contábil. Através das contas os fatos contábeis são registrados pela Contabilidade. A empresa está em constante movimento, realizando vendas, contraindo obrigações, pagando salários, calculando depreciações e essas operações se caracterizam como fatos contábeis e provocam alterações na sua situação Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 21 patrimonial. Quando os resultados das operações se configu- ram como positivos, haverá um aumento na Situação Líquida, se negativo se configura uma redução da Situação Líquida e existem situações que não alteram a SL, afetando apenas a estrutura patrimonial. Assim, a Contabilidade utiliza a conta para o processo de escrituração e posterior elaboração das Demonstrações Con- tábeis. O processo de escrituração está inserido no ciclo con- tábil, que segundo (Sá, 1995, p. 75) representa “Sequência de posições, movimentos, operações ou estados dos fenômenos patrimoniais”. Szuster et al (2011), descrevendo o ciclo contábil, afirmam que gerar a informação contábil envolve: a) a captação de transações e demais eventos que afe- tam o patrimônio e o desempenho das empresas; b) seu reconhecimento, c) a mensuração de seus efeitos; d) a sumarização; e) a evidenciação na forma de demonstrações contábeis e demais relatórios. 22 Prática Contábil Recapitulando No Capítulo 1 estudamos a escrituração que se constitui no registro dos fatos contábeis, em consonância com os princípios e normas técnicas-contábeis, com a finalidade de evidenciar a situação econômico-patrimonial da entidade e os resultados econômicos alcançados pela entidade em determinado exer- cício. Também foi objeto do nosso estudo o SPED cuja instituição se deu pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, o Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), e faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal (PAC 2007-2010). A Receita Federal do Brasil (RFB) (2014) em seu sítio des- taca que o SPED se estrutura com o propósito de moderni- zar a sistemática atual para o cumprimento das obrigações acessórias, que devem ser transmitidas pelos contribuintes às administrações tributárias e aos órgãos responsáveis pela fis- calização. A utilização de certificado digital valida a assinatura dos documentos eletrônicos o que garante a validade jurídica destes documentos apenas na sua forma digital. O universo de atuação do SPED abrange:  SPED Contábil;  FCont;  SPED Fiscal;  EEFD Contribuições; Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 23  NFe;  NFSe;  CTe;  Central de Balanços;  E-Lalur;  EFD Social. Referências CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE – CFC. Resolu- ção CFC nº 1.330 de 18 de março de 2011: Aprova a ITG 2000 – Escrituração Contábil.Brasília, 2011. BRASII. Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007. Institui o Sistema Público de Escrituração Digital - SPED. Disponí- vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007- 2010/2007/Decreto/D6022.htm> Acesso em 30 out. 2014. FAVERO, Hamilton Luiz, et al. Contabilidade: teoria e práti- ca. São Paulo: Atlas, 1997 – vol. 1. SÁ, Antônio Lopes de. SÁ, A.M. Lopes de. Dicionário de Con- tabilidade. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 1995. SZUSTER, Natan, et al. Contabilidade Geral: Introdução à Contabilidade Societária. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2011. 24 Prática Contábil Atividades 1) O registro dos fatos contábeis, em consonância com os princípios e normas técnicas-contábeis, com a finalidade de evidenciar a situação econômico-patrimonial da enti- dade e os resultados econômicos alcançados pela entida- de em determinado exercício, caracteriza: a) Provisão b) Demonstrações Contábeis c) Auditoria d) Escrituração e) Análise das Demonstrações Contábeis 2) O SPED consiste, modo geral, na modernização do envio das informações enviadas às administrações tributárias. O SPED tem como centro: a) As obrigações principais b) As obrigações acessórias c) O fato gerador d) Controles da empresa e) Nenhuma das alternativas anteriores 3) (Petrobrás, 2010) Arquivo digital que se constitui de um conjunto de escriturações de documentos fiscais e de ou- tras informações de interesse dos fiscos das unidades fe- Capítulo 1 Registros das Transações: Escrituração... 25 deradas e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como de registros de apuração de impostos referentes às operações e prestações praticadas pelo contribuinte. A definição corresponde ao conceito do instrumento técnico: a) CT-e b) NF-e c) NFS-e d) SPED Contábil e) SPED Fiscal 4) Instrumento de registro que tem por finalidade reunir fatos da mesma natureza, sendo aberta para encerrar os valores de realização passada, presente ou futura, recebendo um título que a identifica: a) Balancete de Verificação b) Diário Geral c) Diário Auxiliar de Contas a Receber d) Ciclo Contábil e) Conta Contábil 5) As operações devem ser lançadas, em ordem cronológica, com individualização, clareza e referência ao documen- to probante, todas as operações ocorridas, e quaisquer outros fatos que provoquem variações patrimoniais. Essa determinação refere-se ao Livro: 26 Prática Contábil a) Diário b) Entradas c) Saídas d) Razão e) Nenhuma das alternativas Gabarito 1) d, 2) b, 3) e, 4) e, 5) a Balancete de Verificação Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Capítulo 2 28 Prática Contábil Introdução Ao estudarmos sobre escrituração aprendemos que a conta é o meio utilizado pela contabilidade para proceder aos regis- tros de débitos e créditos da mesma natureza. O Balancete de Verificação representa a relação de con- tas (patrimoniais e de resultado), com seus respectivos saldos, devedores ou credores, que tem sua origem nos registros con- tábeis da entidade. O Balancete, regra geral, é elaborado ao final de cada mês e o total da coluna dos saldos devedores é igual ao total da coluna dos saldos credores, já que os re- gistros são realizados em conformidade com o método das partidas dobradas. 1 Estrutura do balancete de verificação O balancete de verificação lista todas as contas de acordo com a natureza do saldo e tem por objetivo verificar a exatidão dos registros contábeis. Independente de serem patrimoniais ou de resultado, retificadoras ou não, as contas são apresen- tadas em duas colunas, uma devedora e a outra credora. Não há necessidade de apresentar contas com saldo zerado. O balancete de verificação demonstra a correta aplicação do método das partidas dobradas. Se para cada débito em uma ou mais contas houve crédito de igual valor em uma ou mais contas, então o total devedor deve ser igual ao total cre- dor. Capítulo 2 Balancete de Verificação 29 Sá (1995, p. 47) define balancete como “Relação de con- tas apresentando o total de seus débitos, créditos e saldos, de- vedores ou credores. O Balancete é uma lista contendo cada conta do Razão com seu saldo”. O balancete reveste-se de fundamental importância como fonte para elaboração de instrumentos gerenciais. Sua perio- dicidade mensal serve como suporte para elaborar informa- ções que vão permitir aos gestores analisar o desempenho empresarial. Na sequência elaboramos o balancete de 6 colunas, com o registro contábil das operações do movimento no período como forma de exemplificar o modelo: 1) Tivemos o recebimento de clientes, em dinheiro, no valor de R$ 30.000,00. Registro contábil: D - Caixa 30.000,00 C - Clientes 30.000,00 2) A empresa contraiu um empréstimo de R$ 20.000,00. D – Bancos Conta Movimento 20.000,00 C – Empréstimos Bancários 20.000,00 3) A empresa pagou fornecedores, em dinheiro, no valor de R$ 10.000,00. D – Fornecedores 10.000,00 C – Caixa 10.000,00 30 Prática Contábil Balancete de 6 (seis) colunas: Contas Saldos Iniciais Movimento do período Saldos Finais Débito Crédito Débito Crédito Débito Crédito Caixa 10.000,00 30.000,00 10.000,00 30.000,00 Bcos. Cta. Mov. 100.000,00 20.000.00 120.000,00 Clientes 90.000,00 30.000,00 60.000,00 Mercadorias 200.000,00 200.000,00 Fornecedores 50.000,00 10.000,00 40.000,00 Emprést. Banc. 50.000,00 20.000,00 70.000,00 Capital Social 300.000,00 300.000,00 TOTAL 400.000,00 400.000,00 60,000,00 60,000,00 410,000,00 410,000,00 Essa estrutura de balancete apresenta o saldo inicial com as colunas de débito e crédito, da mesma forma, o mo- vimento com respectivos débitos e créditos e o saldo atual também com saldos devedores e credores. Salienta-se que podemos ter balancete de 2 colunas, que apresenta apenas as colunas de débito e crédito com os respectivos saldos dos razões. Também pode ser apresentado no formato de 4 colu- nas. Esse modelo demonstra em uma única coluna os saldos devedores e credores iniciais, identificando cada conta como sendo de saldo credor ou devedor. Já o movimento do período aparece em duas colunas, uma do débito e outra do crédito. Por fim, o saldo final também tem apenas uma coluna, onde consta se a conta tem saldo devedor ou credor. 2 Os registros contábeis e a elaboração do Balancete de Verificação O exercício nº 001 foi elaborado pelo Prof. Pedro Edmundo Boll, da disciplina de Prática Contábil do Curso de Ciências Capítulo 2 Balancete de Verificação 31 Contábeis, modalidade presencial, e tem por finalidade o es- tudo das principais operações de uma empresa comercial com seus respectivos registros contábeis. Depois de realizados to- dos os registros, procederemos à elaboração do Balancete de Verificação que caracteriza o tema estudado neste Capítulo. EXERCÍCIO Nº 001: EFETUE OS REGISTROS CONTÁBEIS DAS OPERAÇÕES A SEGUIR NO LIVRO DIÁRIO E NO RAZÃO E APÓS APURE O BALANCETE DE VERIFICAÇÃO: 01) Constituição de uma Sociedade Limitada com atividade Comercial, estabelecida na rua João XXIII, nº 300, Ca- noas-RS, com capital social de R$ 120.000,00 com os seguintes sócios: - Sócio “A” – 1/3 do capital social; - Sócio “B” – 1/3 do capital social; - Sócio “C” – 1/3 do capital social. 02) O Sócio “A” integralizou a sua participação em dinheiro, nesta data. 03) O Sócio “B” integralizou a sua participação, transferindo, através de escritura publica, uma loja comercial, conforme matrícula no Registro de Imóveis nº 12.854, para instala- ção da Empresa. 04) O Sócio “C” integralizou a sua participação, transferindo um veí- culo Volkswagen, Saveiro, ano 2013, chassi 9BW451YT45450, conforme termo de transferência datado desta data. 05) Pagamento à vista da NF nº 789 do Escritório de Contabi-lidade Escrita Certa Ltda., referente as despesas com ela- 32 Prática Contábil boração do Contrato Social e registro na Junta Comercial, no valor de R$ 678,00. 06) Depósito no Banco do Brasil S.A de R$ 30.000,00 confor- me comprovante de depósito. 07) Aplicação de R$ 25.000,00 no CDB (de 30 dias) do Bco do Brasil S.A. 08) Aquisição de 2 mesas, 4 cadeiras e 2 calculadoras de mesa, para a administração, no valor de R$ 4,500,00; ICMS R$ 765,00, conforme NF nº 1.245 de Comercial Canoense Ltda., sendo pago à vista R$ 1.500,00 e o res- tante em 30 e 60 dias. 09) Compra de mercadorias a prazo da Ind. e Comércio Beta Ltda., para revenda, cfe. NF nº 4.5636 no valor de R$ 15.400,00 (Mercadorias 14.000,00 + IPI R$ 1.400,00); ICMS destacado R$ 1.680,00. 10) Compra de lápis, caneta, papel, clipes, borracha etc., para uso da empresa, cfe. NF nº 456 da Livraria Globo S.A. no valor de R$ 150,00; ICMS destacado na NF 17%. Paga- mento efetuado pelo Cheque nº 001 do Bco Brasil S.A. 11) Venda de mercadorias cfe. NF nº 001, no valor de R$ 25.000,00; ICMS destacado na NF 17%, Custo das Mer- cadorias Vendidas R$ 10.500,00. Sendo recebido R$ 10.000,00 à vista e o restante a prazo. 12) Devolução de parte de nossa compra a prazo cfe n/NF 002 no valor de R$ 2.750,00 (Mercadoria 2.500,00 + IPI R$ 250,00); ICMS R$ 300,00, ao fornecedor Ind. e Comércio Beta Ltda., pois, mercadoria fora do pedido. Capítulo 2 Balancete de Verificação 33 13) Recebido devolução de parte de nossa venda à vista, do cliente Comercial JJ Ltda. no valor de R$ 1.800,00; ICMS destacado na NF 17%; Custo R$ 950,00. 14) Pago através do cheque nº 006 do Bco do Brasil S.A. da conta telefônica no valor de R$ 500,00, ICMS destacado R$ 125,00. 15) Débito em Conta Corrente do Bco do Brasil de R$ 30,00 referente a taxa de manutenção de conta. Apresentamos, inicialmente, o Livro Diário que registra to- das as operações realizadas, em ordem cronológica. O Livro Diário constitui o registro básico de toda a escrituração con- tábil, razão pela qual sua utilização é indispensavel. É obriga- tório para todas as empresas como já colocado e apresenta a escrituração contábil em rigorosa ordem cronológica. PRÁTICA CONTÁBIL - RESPOSTA EXERCÍCI 001 LIVRO DIÁRIO: 01) D: SÓCIOS CTA CAPITAL A INTEGRALIZAR C: CAPITAL SOCIAL HIST.: Vlr ref integralização Cap Social n/data 120.000,00 02) D: CAIXA C: SÓCIOS CTA CAPITAL A INTEGRALIZAR HIST.: Vlr Ref Integraliz Capital p/Sócio “A” 40.000,00 03) D: IMÓVEIS - LOJA COMERCIAL C: SÓCIOS CTA CAPITAL A INTEGRALIZAR HIST.: Vlr Ref Integraliz Capital p/Sócio “B” 40.000,00 04) D: VEÍCULOS C: SÓCIOS CTA CAPITAL A INTEGRALIZAR 34 Prática Contábil HIST.: Vlr Ref Integraliz Capital p/Sócio “C” 40.000,00 05) D: DESP C/HONORÁRIOS PROFISSIONAIS C: CAIXA HIST.: Pg NF 789 - Escrit Contab Escrita Certa 678,00 06) D: BCO BRASIL CONTA CORRENTE C: CAIXA HIST.: Pg Depósito n/data 30.000,00 07) D: APLIC FINANCEIRA - BCO BRASIL C: BCO BRASIL CONTA CORRENTE HIST.: Vlr ref Aplic financeira n/data 25.000,00 08) D: MÓVEIS E UTENSÍLIOS 4.500,00 C: CAIXA 1.500,00 C: FORNECEDORES 3.000,00 HIST.: Vlr ref NF 1245 - Coml Canoense Ltda 09) D: COMPRA MERCADORIAS C: FORNECEDORS HIST.: Vlr ref NF 45636 Ind Com Beta Ltda 15.400,00 D: ICMS A RECUPERAR C: ICMS S/COMPRA MERC HIST.: Vlr ref ICMS s/NF 45636 Ind Com Beta 1.680,00 10) D: DESP C/MAT EXPEDIENTE C: BCO BRASIL CONTA CORRENTE HIST.: Vlr ref NF 456 Livraria do Globo S/A 150,00 11) D: CAIXA 10.000,00 D: CLIENTES 15.000,00 C: VENDA DE MERCADORIAS 25.000,00 HIST.: Vlr ref n/NF venda nº 001 Capítulo 2 Balancete de Verificação 35 D: DESP C/ICMS C: ICMS A PAGAR HIST.: Vlr ref ICMS s/venda mercadorias 4.250,00 D: CUSTO MERC VENDIDAS C: TRANSF AO CMV (Cta Redutora Estoque) HIST.: Vlr ref ao Custo da Merc Vendida 10.500,00 12) D: FORNECEDORES C: DEVOL COMPRAS HIST.: Vlr. Ref devol pte compra merc nf 002 2.750,00 D: ICMS S/COMPRA MERCADORIAS C: ICMS A RECUPERAR HIST.: Vlr ICMS devol compras 300,00 13) D: DEVOL DE VENDAS C: CLIENTES HIST.: Rec devol pte venda à vista 1.800,00 D: ICMS A PAGAR C: DESP C/ICMS HIST.: Vlr ref ICMS s/Devol Vendas 306,00 D: TRANSF AO CMV (Cta Redutora Estoque) C: CUSTO MERC VENDIDAS HIST.: Vlr ref Custo Merc devolvidas 950,00 14) D: DESP C/TELEFONE C: BCO BRASIL CONTA CORRENTE HIST.: Pgto Conta Telefonica mës……./…. 500,00 15) D: DESP BANCÁRIAS C: BCO BRASIL CONTA CORRENTE HIST.: Vlr ref taxa manut conta corrente 30,00 36 Prática Contábil No Livro Diário foram lançadas, dia a dia, as operações da atividade empresarial que modificaram a situação patrimonial da entidade. Nossa próxima etapa é a elaboração do Livro Razão que se caracteriza por detalhar os registros contábeis re- alizados no Livro Diário, individualizados, por conta contábil. Segundo Favero et. AL, o Livro Razão “Representa um dos mais importantes instrumentos de registro das operações da empresa, permitindo a classificação dos fatos, de acordo com sua natureza, envolvendo elementos patrimoniais e de resultado”. Os mesmos autores afirmam que não existe um modelo obrigatório para o Livro Razão. Algumas informações são obri- gatórias na apresentação do Razão, a saber: a) Identificação da Conta; b) Data da opereração; c) Histórico; d) Coluna para lançamento a débito; e) Coluna para lançamento a crédito; f) Coluna para o saldo. No exercício proposto, o razão das contas será apresen- tado através da representação gráfica. Conforme exposto no Capítulo 1, para explicações e resoluções de problemas utili- za-se o gráfico simplificado, denominado conta “T”, razonete ou razonete em “T”, conforme apresentado a seguir: Capítulo 2 Balancete de Verificação 37 (1 ) 1 20.000,00 40.000,00 (2) 1 20.000,00 (1 ) (2) 40.000,00 678,00 (5) 40.000,00 (3) (1 1 ) 1 0.000,00 30.000,00 (6) 40.000,00 (4) 1 .500,00 (8) 1 20.000,00 1 20.000,00 - 1 20.000,00 50.000,00 32.1 78,00 - 1 20.000,00 1 7.822,00 (3) 40.000,00 (4) 40.000,00 (5) 678,00 40.000,00 - 40.000,00 - 678,00 - 40.000,00 40.000,00 678,00 (6) 30.000,00 25.000,00 (7) (7) 25.000,00 (8) 4.500,00 1 50,00 (1 0) 500,00 (1 4) 30,00 (1 5) 30.000,00 25.680,00 25.000,00 - 4.500,00 - 4.320,00 25.000,00 4.500,00 (1 2) 2.750,00 3.000,00 (8) (9) 1 5.400,00 (9) 1 .680,00 300,00 (1 2) 1 5.400,00 (9) 2.750,00 1 8.400,00 1 5.400,00 - 1 .680,00 300,00 1 5.650,00 1 5.400,00 1 .380,00 (1 2) 300,00 1 .680,00 (9) (1 0) 1 50,00 (1 1 ) 1 5.000,00 1 .800,00 (1 3) 300,00 1 .680,00 1 50,00 - 1 5.000,00 1 .800,00 1 .380,00 1 50,00 1 3.200,00 25.000,00 (1 1 ) (1 1 ) 4.250,00 306,00 (1 3) (1 3) 306,00 4.250,00 (1 1 ) - 25.000,00 4.250,00 306,00 306,00 4.250,0025.000,00 3.944,00 3.944,00 (1 1 ) 1 0.500,00 950,00 (1 3) (1 3) 950,00 1 0.500,00 (1 1 ) 2.750,00 (1 2) 1 0.500,00 950,00 950,00 1 0.500,00 - 2.750,00 9.550,00 9.550,00 2.750,00 (1 3) 1 .800,00 (1 4) 500,00 (1 5) 30,00 1 .800,00 - 500,00 - 30,00 - 1 .800,00 500,00 30,00 LIVRO RAZÃO / RAZONETES: DEVOL DE VENDAS DESP C/TELEFONE DESP BANCÁRIAS PRÁTICA CONTÁBIL - RESPOSTA EXERCÍCI 001 VENDA MERCADORIAS DESP C/ICMS ICMS A PAGAR CMV TRANSF AO CMV DEVOL DE COMPRAS FORNECEDORES COMPRA MERCADORIAS ICMS A RECUPERAR ICMS S/COM. MERC DESP C/MAT EXPED CLIENTES BCO BRASIL CTA CTE APLIC FINANC BCO BRASIL MÓVEIS E UTENSÍLIOS SÓCIOS CTA CAP A INTEGR CAPITAL SOCIAL CAIXA IMÓVEIS - LOJA COMERCIAL VEÍCULOS DESP C/HONOR PROF 38 Prática Contábil Finalmente após realizar todos os registros pertinentes, vamos ao Balancete de Verificação do exercício 001. Este balancete apresenta apenas duas colunas, ou seja, os saldos dos razões an- teriormente elaborados a partir dos registros contábeis realizados. PRÁTICA CONTÁBIL - RESPOSTA EXERCÍCIO 001 BALANCETE DE VERICAÇÃO EM .../..../........ CONTAS DÉBITO CRÉDITO CAPITAL SOCIAL 120.000,00 CAIXA 17.822,00 IMÓVEIS - LOJA COMERCIAL 40.000,00 VEÍCULOS 40.000,00 DESP C/HONORÁRIOS PROFISSIONAIS 678,00 BCO BRASIL CONTA CORRENTE 4.320,00 APLIC FINAC BCO BRASIL 25.000,00 MÓVEIS E UTENSÍLIOS 4.500,00 FORNECEDORES 15.650,00 COMPRA DE MERCADORIAS 15.400,00 ICMS A RECUPERAR 1.380,00 ICMS S/COMPRA MERCADORIAS 1.380,00 DESP C/MATERIAL EXPEDIENTE 150,00 CLIENTES 13.200,00 VENDA DE MERCADORIAS 25.000,00 DESP C/ICMS 3.944,00 ICMS A PAGAR 3.944,00 CMV 9.550,00 TRANSF AO CMV (Cta Redutora Estoque) 9.550,00 DEVOLUÇÃO DE COMPRAS 2.750,00 DEVOLUÇÃO DE VENDAS 1.800,00 DESPESA C/TELEFONE 500,00 DESPESAS BANCÁRIAS 30,00 TOTAL 178.274,00 178.274,00 Conforme estudado no início deste Capítulo, o balancete demonstra a correta aplicação do método das partidas dobra- das, quando seus saldos devedores e credores são iguais. Ve- rificamos através do Balancete de Verificação, o cumprimento Capítulo 2 Balancete de Verificação 39 do método supracitado, já que os saldos devedores e credores totalizaram R$ 178.274,00. Com a finalidade de reforçar o estudo dos registros contábeis que vão originar o Balancete de verificação, temos o exercício nº 002, também elaborado pelo Professor Pedro Edmundo Boll. 30/04/AA, 40 Prática Contábil Da mesma forma que no exercício anterior, apresenta-se na sequência o Livro Diário com todas as operações na ordem cronológica. Apesar de não estarem identificadas as datas, e sim o número do lançamento, a ordem de data obedece rigo- rasamente esta ordem. PRÁTICA CONTÁBIL - RESPOSTA EXERCÍCIO 002 LIVRO DIÁRIO: 01) D: CAIXA 2.200,00 C: DEVOL COMPRA MERC 2.200,00 HIST.: Vlr ref NF Devol Compras nº 4589 D: ICMS S/COMPRAS 264,00 C: ICMS A RECUPERAR 264,00 HIST: Vlr ICMS ref NF Devol Compras nº 4589 02) D: MÓVEIS E UTENSÍLIOS 800,00 C: CAIXA 800,00 HIST.: Vlr Ref Conh Frete nº4589445 03) D: CLIENTES 30.000,00 C: VENDA DE MERCADORIAS 30.000,00 HIST.: Vlr ref n/NF venda nº 1234 D: DESP C/ICMS 5.100,00 C: ICMS A PAGAR 5.100,00 HIST.: Vlr ref ICMS s/venda mercadorias 04) D: CAIXA 9.485,00 D: PIS A RECUPERAR 65,00 D: COFINS A RECUPERAR 300,00 D: IRRF A RECUPERAR 150,00 C: CLIENTES 10.000,00 HIST: Recebido NF Serviço nº 146 n/data 05) D: COMPRA MERCADORIAS 26.400,00 C: FORNECEDORS 26.400,00 HIST.: Vlr ref NF 12564 JJ Ind e Com Ltda Capítulo 2 Balancete de Verificação 41 D: ICMS A RECUPERAR 3.168,00 C: ICMS S/COMPRA MERC 3.168,00 HIST.: Vlr ref ICMS NF 12564 JJ Ind e Com Lt 06) D: DUPLICATA DESCONTADA 5.500,00 C: CLIENTES 5.500,00 HIST: Vlr ref recebimento Dupl descontada 07) D: BCO BRASIL C/C 3.940,00 D: DESP FINANC C/DESC DUPL (R$ 360,00 : 30d x 10d) 120,00 D: DESP FINANC C/DESC DUPL A APROPRIAR (R$ 360,00 : 30d x 20d) 240,00 C: DUPLICATA DESCONTADA 4.300,00 HIST: Vlr ref Desconto de Duplicata 08) D: EQUIP INFORMÁTICA 3.320,00 D: ICMS A RECUP S/AT IMOB CURTO PRAZO (R$ 680,00 : 48m x 21m) 297,50 D: ICMS A RECUP S/AT IMOB LONGO PRAZO (R$ 680,00 : 48m x 27m) 382,50 C: FORNECEDORES 4.000,00 HIST: Vlr ref Aquis Eq Informat cfe NF 2727 de Pauta Distrib Ltda Apropriação 1/12 ICMS D: ICMS A RECUPERAR 14,17 C: ICMS A RECUP S/AT IMOB CURTO PRAZO 14,17 HIST: Vlr ref Apropr 1/12 ICMS s/At Imob 09) D: EQUIP INFORMÁTICA 440,00 D: ICMS A RECUP S/AT IMOB CURTO PRAZO (R$ 60,00 : 48m x 21m) 26,25 D: ICMS A RECUP S/AT IMOB LONGO PRAZO (R$ 60,00 : 48m x 27m) 33,75 C: BCO BRASIL C/C 500,00 HIST: Vlr ref Frete Aquis Eq Informat cfe NF 2727 de Pauta Distrib Ltda Apropriação 1/12 ICMS D: ICMS A RECUPERAR 1,25 C: ICMS A RECUP S/AT IMOB CURTO PRAZO 1,25 42 Prática Contábil HIST: Vlr ref Apropr 1/12 ICMS sFrete At Imob 10) D:ESTOQUE FINAL 5.000,00 C: TANSF AO CMV (CTA. REDUTORA ESTOQUE 5.000,00 HIST: Vlr ref apuração Estoque Final 11) APURAÇÃO DO ICMS A PAGAR D: ICMS A PAGAR 4.279,42 C: ICMS A RECUPERAR 4.279,42 HIST: Vlr ref Apur do ICMS a Pagar no mês 12) APURAÇÃO DO C M V 12.1 D: C M V 34.400,00 C: COMPRA MERCADORIAS 34.400,00 HST: Vlr ref Transf p/Apur CMV 12.2 D: C M V 380,00 C: FRETE S/COMPRA MERCADORIAS 380,00 HST: Vlr ref Transf p/Apur CMV 12.3 D: C M V 520,00 C: OUTROS CUSTOS COMPRAS MERC 520,00 HST: Vlr ref Transf p/Apur CMV 12.4 D: ICMS S/COMPRAS MERCADORIAS 4.264,00 C: C M V 4.264,00 HST: Vlr ref Transf p/Apur CMV 12.5 D: DEVOLUÇÃO DE COMPRAS 2.780,00 C: C M V 2.780,00 HST: Vlr ref Transf p/Apur CMV 12.6 D: TRANSF AO CMV (CTA RESUTORA DE ESTOQUE) 5.000,00 C: C M V 5.000,00 HST: Vlr ref Transf p/Apur CMV A seguir são apresentados os razões em forma de “T” com os registros contábeis de todas as operações que constam do Capítulo 2 Balancete de Verificação 43 Livro Diário. Destaca-se que no exercício proposto, o razão das contas será apresentado através desta conta de represen- tação gráfica. No Capítulo 1, ressaltamos que para explica- ções e resoluções de problemas utiliza-se o gráfico simplifica- do, denominado conta “T”, razonete ou razonete em “T”, já que este simplifica sobremaneira a explanação. Considera-se que a forma de visualização gráfica auxilia o acadêmico na identificação das contas especificamente neste exercício, onde são apresentados os saldos iniciais conforme apresentado: 8.000,00 3.700,00 1 .647,50 (05) 26.400,00 (02) 800,00 34.400,00 - 4.500,00 - 1 .647,50 - 34.400,00 34.400,00 1 2.1 4.500,00 1 .647,50 - - 97,50 380,00 1 3.700,00 1 0.000,00 (04) (03) 30.000,00 5.500,00 (06) 97,50 - 380,00 - 43.700,00 1 5.500,00 97,50 380,00 380,00 1 2.2 28.200,00 - - 3.000,00 1 20,00 350,00 1 4,1 7 (08) (08) 297,501 ,25 (09) (09) 26,25 3.000,00 - 1 20,00 - 673,75 1 5,42 3.000,00 1 20,00 658,33 3.500,00 7.250,00 800,00 (02) 520,00 (01 ) 2.200,00 (04) 9.485,00 3.500,00 - 1 8.935,00 800,00 520,00 - 3.500,00 1 8.1 35,00 520,00 520,00 1 2.3 - - 1 2.500,00 500,00 (09) 450,00 2.550,00 (07) 3.940,00 (03) 5.1 00,00 1 6.440,00 500,00 450,00 - 7.650,00 - 1 5.940,00 450,00 7.650,00 1 .360,00 264,00 (01 ) 875,00 40.000,00 (05) 3.1 68,00 (08) 1 4,1 7 (09) 1 ,25 4.543,42 264,00 875,00 - 40.000,00 - 4.279,42 4.279,42 (1 1 ) 875,00 40.000,00 - - 1 0.000,00 50.000,00 1 5.000,00 30.000,00 (03) - 1 0.000,00 - 50.000,00 - 45.000,00 1 0.000,00 50.000,00 45.000,00 2.21 0,00 4.800,00 1 20,00 5.1 00,00 (03) 26.400,00 (05) 4.000,00 (08) - 7.31 0,00 - 35.200,00 - 1 20,00 (1 1 ) 4.279,42 7.31 0,00 35.200,00 1 20,00 3.030,58 3.882,50 1 .300,00 (06) 5.500,00 5.500,00 4.300,00 (07) - 3.882,50 - 1 .300,00 5.500,00 9.800,00 3.882,50 1 .300,00 4.300,00 (01 ) 264,00 1 .360,00 97,50 450,00 3.1 68,00 (05) 264,00 4.528,00 - 97,50 - 450,00 1 2.4 4.264,00 4.264,00 97,50 450,00 - - 600,00 580,00 3.1 00,00 2.200,00 (01 ) - 600,00 - 2.780,00 - 3.1 00,00 600,00 1 2.5 2.780,00 2.780,00 3.1 00,00 - - 1 .000,00 (04) 65,00 (04) 300,00 - 1 .000,00 65,00 - 300,00 - 1 .000,00 65,00 300,00 (04) 1 50,00 (07) 1 20,00 (07) 240,00 1 50,00 - 1 20,00 - 240,00 - 1 50,00 1 20,00 240,00 (08) 3.320,00 (08) 382,50 (1 0) 5.000,00 (09) 440,00 (09) 33,75 3.760,00 - 41 6,25 - 5.000,00 - 3.760,00 41 6,25 5.000,00 5.000,00 (1 0) 1 0.1 34.400,00 4.264,00 1 0.4 1 0.2 380,00 2.780,00 1 0.5 1 0.3 520,00 5.000,00 1 2.6 5.000,00 35.300,00 1 2.044,00 1 2.6 5.000,00 5.000,00 23.256,00 - - EQUIP INFORMATICA ICMS A RECUP S/AT IMOB L P ESTOQUE FINAL PIS A RECUPERAR COFINS A RECUPERAR IRRF A RECUPERAR DESP FINANC C/DESC DUPL DESP FINANC A APROPRIAR LIVRO RAZÃO / RAZONETES: ICMS A PAGAR FORNECEDORES ISSQN A PAGAR PRÁTICA CONTÁBIL - RESPOSTA EXERCÍCI 002 No exercício proposto, o razão das contas será ICMS A RECUPERAR DEVOL VENDAS IMÓVEIS VENDA DE SERVIÇOS CAPITAL SOCIAL VENDA DE MERCADORIAS VEÍCULOS CAIXA OUTROS CUSTOS COMPRAS BCO BRASIL C/C DESP C/COFINS COMPRA DE MERCADORIAS MÓVIES E UTENSÍLIOS DESPESA C/FRETE DESP C/PIS FRETE S/COMPRA MERC CLIENTES C M V TRANS AO CMV (CTA REDUT ESTOQ) DESP C/ICMS MÁQUINAS E EQUIP DESP C/ISSQN ICMS A RECUP S/AT IMOB C P NOTA PROMISS A PAGAR CTAS DIVERSAS A PAGAR DUPLICATAS DESCONTADAS ICMS S/COMPRA MERC PIS A PAGAR COFINS A PAGAR DEPREC AC MAQ E EQUIP DEVOL COMPRA MERC DEPREC ACUM VEÍCULOS SEGUROS A PAGAR 44 Prática Contábil 8.000,00 3.700,00 1 .647,50 (05) 26.400,00 (02) 800,00 34.400,00 - 4.500,00 - 1 .647,50 - 34.400,00 34.400,00 1 2.1 4.500,00 1 .647,50 - - 97,50 380,00 1 3.700,00 1 0.000,00 (04) (03) 30.000,00 5.500,00 (06) 97,50 - 380,00 - 43.700,00 1 5.500,00 97,50 380,00 380,00 1 2.2 28.200,00 - - 3.000,00 1 20,00 350,00 1 4,1 7 (08) (08) 297,50 1 ,25 (09) (09) 26,25 3.000,00 - 1 20,00 - 673,75 1 5,42 3.000,00 1 20,00 658,33 3.500,00 7.250,00 800,00 (02) 520,00 (01 ) 2.200,00 (04) 9.485,00 3.500,00 - 1 8.935,00 800,00 520,00 - 3.500,00 1 8.1 35,00 520,00 520,00 1 2.3 - - 1 2.500,00 500,00 (09) 450,00 2.550,00 (07) 3.940,00 (03) 5.1 00,00 1 6.440,00 500,00 450,00 - 7.650,00 - 1 5.940,00 450,00 7.650,00 1 .360,00 264,00 (01 ) 875,00 40.000,00 (05) 3.1 68,00 (08) 1 4,1 7 (09) 1 ,25 4.543,42 264,00 875,00 - 40.000,00 - 4.279,42 4.279,42 (1 1 ) 875,00 40.000,00 - -1 0.000,00 50.000,00 1 5.000,00 30.000,00 (03) - 1 0.000,00 - 50.000,00 - 45.000,00 1 0.000,00 50.000,00 45.000,00 2.21 0,00 4.800,00 1 20,00 5.1 00,00 (03) 26.400,00 (05) 4.000,00 (08) - 7.31 0,00 - 35.200,00 - 1 20,00 (1 1 ) 4.279,42 7.31 0,00 35.200,00 1 20,00 3.030,58 3.882,50 1 .300,00 (06) 5.500,00 5.500,00 4.300,00 (07) - 3.882,50 - 1 .300,00 5.500,00 9.800,00 3.882,50 1 .300,00 4.300,00 (01 ) 264,00 1 .360,00 97,50 450,00 3.1 68,00 (05) 264,00 4.528,00 - 97,50 - 450,00 1 2.4 4.264,00 4.264,00 97,50 450,00 - - 600,00 580,00 3.1 00,00 2.200,00 (01 ) - 600,00 - 2.780,00 - 3.1 00,00 600,00 1 2.5 2.780,00 2.780,00 3.1 00,00 - - 1 .000,00 (04) 65,00 (04) 300,00 - 1 .000,00 65,00 - 300,00 - 1 .000,00 65,00 300,00 (04) 1 50,00 (07) 1 20,00 (07) 240,00 1 50,00 - 1 20,00 - 240,00 - 1 50,00 1 20,00 240,00 (08) 3.320,00 (08) 382,50 (1 0) 5.000,00 (09) 440,00 (09) 33,75 3.760,00 - 41 6,25 - 5.000,00 - 3.760,00 41 6,25 5.000,00 5.000,00 (1 0) 1 0.1 34.400,00 4.264,00 1 0.4 1 0.2 380,00 2.780,00 1 0.5 1 0.3 520,00 5.000,00 1 2.6 5.000,00 35.300,00 1 2.044,00 1 2.6 5.000,00 5.000,00 23.256,00 - - EQUIP INFORMATICA ICMS A RECUP S/AT IMOB L P ESTOQUE FINAL PIS A RECUPERAR COFINS A RECUPERAR IRRF A RECUPERAR DESP FINANC C/DESC DUPL DESP FINANC A APROPRIAR LIVRO RAZÃO / RAZONETES: ICMS A PAGAR FORNECEDORES ISSQN A PAGAR PRÁTICA CONTÁBIL - RESPOSTA EXERCÍCI 002 No exercício proposto, o razão das contas será ICMS A RECUPERAR DEVOL VENDAS IMÓVEIS VENDA DE SERVIÇOS CAPITAL SOCIAL VENDA DE MERCADORIAS VEÍCULOS CAIXA OUTROS CUSTOS COMPRAS BCO BRASIL C/C DESP C/COFINS COMPRA DE MERCADORIAS MÓVIES E UTENSÍLIOS DESPESA C/FRETE DESP C/PIS FRETE S/COMPRA MERC CLIENTES C M V TRANS AO CMV (CTA REDUT ESTOQ) DESP C/ICMS MÁQUINAS E EQUIP DESP C/ISSQN ICMS A RECUP S/AT IMOB C P NOTA PROMISS A PAGAR CTAS DIVERSAS A PAGAR DUPLICATAS DESCONTADAS ICMS S/COMPRA MERC PIS A PAGAR COFINS A PAGAR DEPREC AC MAQ E EQUIP DEVOL COMPRA MERC DEPREC ACUM VEÍCULOS SEGUROS A PAGAR Capítulo 2 Balancete de Verificação 45 8.000,00 3.700,00 1 .647,50 (05) 26.400,00 (02) 800,00 34.400,00 - 4.500,00 - 1 .647,50 - 34.400,00 34.400,00 1 2.1 4.500,00 1 .647,50 - - 97,50 380,00 1 3.700,00 1 0.000,00 (04) (03) 30.000,00 5.500,00 (06) 97,50 - 380,00 - 43.700,00 1 5.500,00 97,50 380,00 380,00 1 2.2 28.200,00 - - 3.000,00 1 20,00 350,00 1 4,1 7 (08) (08) 297,50 1 ,25 (09) (09) 26,25 3.000,00 - 1 20,00 - 673,75 1 5,42 3.000,00 1 20,00 658,33 3.500,00 7.250,00 800,00 (02) 520,00 (01 ) 2.200,00 (04) 9.485,00 3.500,00 - 1 8.935,00 800,00 520,00 - 3.500,00 1 8.1 35,00 520,00 520,00 1 2.3 - - 1 2.500,00 500,00 (09) 450,00 2.550,00 (07) 3.940,00 (03) 5.1 00,00 1 6.440,00 500,00 450,00 - 7.650,00 - 1 5.940,00 450,00 7.650,00 1 .360,00 264,00 (01 ) 875,00 40.000,00 (05) 3.1 68,00 (08) 1 4,1 7 (09) 1 ,25 4.543,42 264,00 875,00 - 40.000,00 - 4.279,42 4.279,42 (1 1 ) 875,00 40.000,00 - - 1 0.000,00 50.000,00 1 5.000,00 30.000,00 (03) - 1 0.000,00 - 50.000,00 - 45.000,00 1 0.000,00 50.000,00 45.000,00 2.21 0,00 4.800,00 1 20,00 5.1 00,00 (03) 26.400,00 (05) 4.000,00 (08) - 7.31 0,00 - 35.200,00 - 1 20,00 (1 1 ) 4.279,42 7.31 0,00 35.200,00 1 20,00 3.030,58 3.882,50 1 .300,00 (06) 5.500,00 5.500,00 4.300,00 (07) - 3.882,50 - 1 .300,00 5.500,00 9.800,00 3.882,50 1 .300,00 4.300,00 (01 ) 264,00 1 .360,00 97,50 450,00 3.1 68,00 (05) 264,00 4.528,00 - 97,50 - 450,00 1 2.4 4.264,00 4.264,00 97,50 450,00- - 600,00 580,00 3.1 00,00 2.200,00 (01 ) - 600,00 - 2.780,00 - 3.1 00,00 600,00 1 2.5 2.780,00 2.780,00 3.1 00,00 - - 1 .000,00 (04) 65,00 (04) 300,00 - 1 .000,00 65,00 - 300,00 - 1 .000,00 65,00 300,00 (04) 1 50,00 (07) 1 20,00 (07) 240,00 1 50,00 - 1 20,00 - 240,00 - 1 50,00 1 20,00 240,00 (08) 3.320,00 (08) 382,50 (1 0) 5.000,00 (09) 440,00 (09) 33,75 3.760,00 - 41 6,25 - 5.000,00 - 3.760,00 41 6,25 5.000,00 5.000,00 (1 0) 1 0.1 34.400,00 4.264,00 1 0.4 1 0.2 380,00 2.780,00 1 0.5 1 0.3 520,00 5.000,00 1 2.6 5.000,00 35.300,00 1 2.044,00 1 2.6 5.000,00 5.000,00 23.256,00 - - EQUIP INFORMATICA ICMS A RECUP S/AT IMOB L P ESTOQUE FINAL PIS A RECUPERAR COFINS A RECUPERAR IRRF A RECUPERAR DESP FINANC C/DESC DUPL DESP FINANC A APROPRIAR LIVRO RAZÃO / RAZONETES: ICMS A PAGAR FORNECEDORES ISSQN A PAGAR PRÁTICA CONTÁBIL - RESPOSTA EXERCÍCI 002 No exercício proposto, o razão das contas será ICMS A RECUPERAR DEVOL VENDAS IMÓVEIS VENDA DE SERVIÇOS CAPITAL SOCIAL VENDA DE MERCADORIAS VEÍCULOS CAIXA OUTROS CUSTOS COMPRAS BCO BRASIL C/C DESP C/COFINS COMPRA DE MERCADORIAS MÓVIES E UTENSÍLIOS DESPESA C/FRETE DESP C/PIS FRETE S/COMPRA MERC CLIENTES C M V TRANS AO CMV (CTA REDUT ESTOQ) DESP C/ICMS MÁQUINAS E EQUIP DESP C/ISSQN ICMS A RECUP S/AT IMOB C P NOTA PROMISS A PAGAR CTAS DIVERSAS A PAGAR DUPLICATAS DESCONTADAS ICMS S/COMPRA MERC PIS A PAGAR COFINS A PAGAR DEPREC AC MAQ E EQUIP DEVOL COMPRA MERC DEPREC ACUM VEÍCULOS SEGUROS A PAGAR 46 Prática Contábil O Balancete de Verificação de resposta do exercício 002, apresentadado, no formato simplificado representa adequa- damente os saldos das contas e demonstra a correta aplicação do método das partidas dobradas. PRÁTICA CONTÁBIL - RESPOSTA EXERCÍCIO 002 BALANCETE DE VERICAÇÃO EM .../..../........ CONTAS DÉBITO CRÉDITO MÓVIES E UTENSÍLIOS 4.500,00 DESPESA C/FRETE 1.647,50 DESP C/PIS 97,50 CLIENTES 28.200,00 MÁQUINAS E EQUIP 3.000,00 DESP C/ISSQN 120,00 ICMS A RECUP S/AT IMOB C P 658,33 VEÍCULOS 3.500,00 CAIXA 18.135,00 BCO BRASIL C/C 15.940,00 DESP C/COFINS 450,00 DESP C/ICMS 7.650,00 DEVOL VENDAS 875,00 IMÓVEIS 40.000,00 VENDA DE SERVIÇOS 10.000,00 CAPITAL SOCIAL 50.000,00 VENDA DE MERCADORIAS 45.000,00 ICMS A PAGAR 3.030,58 FORNECEDORES 35.200,00 ISSQN A PAGAR 120,00 NOTA PROMISS A PAGAR 3.882,50 Capítulo 2 Balancete de Verificação 47 CTAS DIVERSAS A PAGAR 1.300,00 DUPLICATAS DESCONTADAS 4.300,00 PIS A PAGAR 97,50 COFINS A PAGAR 450,00 DEPREC AC MAQ E EQUIP 600,00 DEPREC ACUM VEÍCULOS 3.100,00 SEGUROS A PAGAR 1.000,00 PIS A RECUPERAR 65,00 COFINS A RECUPERAR 300,00 IRRF A RECUPERAR 150,00 DESP FINANC C/DESC DUPL 120,00 DESP FINANC A APROPRIAR 240,00 EQUIP INFORMATICA 3.760,00 ICMS A RECUP S/AT IMOB L P 416,25 ESTOQUE FINAL 5.000,00 C M V 23.256,00 TOTAL 158.080,58 158.080,58 Recapitulando Neste Capítulo estudamos o balancete de verificação que lista todas as contas de acordo com a natureza do saldo e tem por objetivo verificar a exatidão dos registros contábeis. Indepen- dentemente de serem patrimoniais ou de resultado, retificado- ras ou não, as contas são apresentadas em duas colunas, uma devedora e a outra credora. O balancete de verificação demonstra a correta aplicação do método das partidas dobradas. Se para cada débito em uma 48 Prática Contábil ou mais contas houve crédito de igual valor em uma ou mais contas, então o total devedor deve ser igual ao total credor. Na sequência foram apresentados exercícios que trataram da escrituração de operações no Livro Diário, Razão e elabo- ração do Balancete de Verificação. Referências SÁ, Antônio Lopes de. SÁ, A.M. Lopes de. Dicionário de Con- tabilidade. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 1995. Atividades 1) O balancete de verificação evidencia: a) os estornos efetuados no período. b) a classificação correta dos itens contábeis. c) os registros contábeis em ordem cronológica. d) através da igualdade de saldos devedores e credores, a correta aplicação do método das partidas dobradas. e) nenhuma das alternativas. 2) Relação das contas com seus respectivos saldos constantes do Livro Razão da empresa Comercial Santos & Silva Ltda., em 30 de setembro de 2014: Capítulo 2 Balancete de Verificação 49 Conta Valor 1 Caixa 10.000,00 2 Bancos Conta Movimento 34.000,00 3 Clientes 18.000,00 4 Estoques 60.000,00 5 Adiantamento a Fornecedores 7.000,00 6 Veículos 35.000,00 7 Depreciação Acumulada de Veículos 7.000,00 8 Móveis e Utensílios 14.000,00 9 Depreciação Acumulada de Móveis Utens. 1.400,00 10 Fornecedores 15.000,00 11 Adiantamento de Clientes 10.000,00 12 ICMS a Recolher 6.600,00 13 Empréstimos a Pagar Longo Prazo 28.000,00 14 Capital Social 100.000,00 15 Reservas de Lucros 20.000,00 Identifique as contas de saldos devedores e credores, nomi- nando-as e, indicando seus saldos monetários: 3) A Lucra Mais Ltda apresentou seu balancete com as se- guintes contas e seus respectivos saldos: Empresa Lucra Mais Ltda Balancete em 30/06/2014 Caixa 2.000,00 Fornecedores 4.000,00 Bancos conta movimento 3.000,00 Empréstimos a pagar 1.600,00 Encargos sociais a pagar 1.900,00 Títulos a receber 4.000,00 Estoque de mercadorias 12.000,00 Bancos conta aplicação 2.000,00 50 Prática Contábil Veículos uso da empresa 6.000,00 Depreciação acumulada de veículos 1.200,00 Móveis e utensílios 1.500,00 Depreciação acum. de móv. e utensílios 300,00 Seguros a apropriar 600,00 FGTS a pagar 1.000,00 Capital social 14.000,00 Reserva legal 800,00 Reserva estatutária 200,00 Venda de mercadorias 22.000,00 COFINS s/ Vendas 650,00 ICMS sobre vendas 3.400,00 PIS sobre vendas 150,00 Viagens 600,00 Conservação de imóveis 425,00 Depreciações 675,00 CMV - custo de mercadorias vendidas 10.000,0 47.000,00 47.000,00 Registre as seguintes operações e elabore o novo balancete de verificação com duas colunas. a) A empresa pagou, com cheque 001, fornecedores no valor R$ 2.000,00, no dia 02/07/2014; b) Foi realizado o pagamento do FGTS a Pagar, no valor de R$ 1.000,00, em 07/07/2014, com cheque 002. Capítulo 2 Balancete de Verificação 51 c) Foi calculada e registrada a Depreciação de Veículos e Móveis e Utensílios. Taxa de depreciação:Veículos: 20% ao ano e Móveis e Utensílios: 10% ao ano. 4) (ESAF 2013, adaptada) As contas escrituradas no Livro Ra- zão da empresa Alfa, em 31 de dezembro, apresentaram saldos nos seguintes valores: Caixa R$ 15.000,00 Imóveis R$ 40.000,00 Capital Social R$ 57.000,00 Mercadorias R$ 17.000,00 Receita de Vendas R$ 32.000,00 Custo da Mercadoria Vendida R$ 21.000,00 Fornecedores R$ 26.000,00 Empréstimo Bancário R$ 10.000,00 Contas a Receber R$ 18.000,00 Salários e Ordenados R$ 12.000,00 Salários a Pagar R$ 6.000,00 Juros Ativos R$ 5.000,00 Descontos Concedidos R$ 4.000,00 Reserva Legal R$ 2.000,00 Depreciação Acumulada R$ 6.000,00 Elaborando o balancete geral de verificação com os saldos apresenta- dos nestas contas, o valor encontrado será: a) R$ 143.000,00 de saldo credor b) R$ 133.000,00 de saldo devedor c) R$ 70.000,00 de saldo de contas de resultado d) R$ 59.000,00 de patrimônio líquido e) Nenhuma alternativa correta. 52 Prática Contábil 5) (CFC 2013-1) Uma sociedade empresária, composta por dois sócios, iniciou suas atividades em 1º/03/2013, com as seguintes informações: O contrato social estabelece que cada sócio integralizará R$50.000,00, até 31/12 do corrente ano. Em 15/03/2013, ambos os sócios integralizaram R$30.000,00, cada um. O sócio A integralizou a sua parcela de capital em dinhei- ro, por meio de depósito, diretamente na conta bancária da empresa. O sócio B integralizou com uma sala comercial e mercado- rias para revenda, nos valores de R$25.000,00 e R$5.000,00, respectivamente. Assinale a opção que apresenta os lançamentos para con- tabilização destes fatos: a) DÉBITO CAPITAL SOCIAL 60.000,00 CRÉDITO CAIXA 30.000,00 CRÉDITO ATIVO IMOBILIZADO 25.000,00 CRÉDITO MERCADORIAS P/REVENDA 5.000,00 b) DÉBITO BANCOS CTA. MOVIMENTO 100.000,00 CRÉDITO CAPITAl A INTEGRALIZAR 30.000,00 DÉBITO ATIVO IMOBILIZADO 25.000,00 DÉBITO MERCADORIAS P/REVENDA 5.000,00 CRÉDITO CAPITAL A INTEGRALIZAR 30.000.00 c) DÉBITO CAPITAL SOCIAL 100.000,00 CRÉDITO CAPITAL A INTEGRALIZAR 40.000,00 Capítulo 2 Balancete de Verificação 53 CRÉDITO CAIXA 30.000,00 CRÉDITO ATIVO IMOBILIZADO 25.000,00 CRÉDITO MERCADORIAS P/ REVENDA 5.000,00 d) DÉBITO CAPITAL A INTEGRALIZAR 100.000,00 CRÉDITO CAPITAL SUBSCRITO SÓCIO A 50.000,00 CRÉDITO CAPITAL SUBSCRITO SÓCIO B 50.000,00 DÉBITO BANCOS CONTA MOVIMENTO 30.000,00 CRÉDITO CAPITAL A INTEGRALIZAR 30.000,00 DÉBITO ATIVO IMOBILIZADO 25.000,00 DÉBITO MERCADORIA P/REVENDA 5.000,00 CRÉDITO CAPITAL A INTEGRALIZAR 30.000,00 Gabarito 1) d, 4) b, 5) d QUESTÃO 2 CONTAS DE SALDOS DEVEDORES: Caixa 10.000,00 Bancos Conta Movimento 34.000,00 Clientes 18.000,00 Estoques 60.000,00 Adiantamento a Fornecedores 7.000,00 Veículos 35.000,00 Móveis e Utensílios 14.000,00 54 Prática Contábil CONTAS DE SALDOS CREDORES: Depreciação Acumulada de Veículos 7.000,00 Depreciação Acumulada de Móveis Utens. 1.400,00 Fornecedores 15.000,00 Adiantamento de Clientes 10.000,00 ICMS a Recolher 6.600,00 Empréstimos a Pagar Longo Prazo 28.000,00 Capital Social 100.000,00 Reservas de Lucros 20.000,00 QUESTÃO 3 a) D – Fornecedores 2.000,00 C - Bancos conta Movimento 2.000,00 b) D – FGTS a Pagar 1.000,00 C – Bancos Conta Movimento 1.000,00 c) Cálculo e registro da depreciação de julho de 2014 Veículos: Depreciação de julho de 2014: R$100,00 REGISTRO CONTÁBIL: D – Despesas com Depreciações 100,00 C- Depreciação acumulada de Veículos 100,00 Capítulo 2 Balancete de Verificação 55 Móveis e Utensílios: Depreciação de julho de 2014: R$ 12,50 REGISTRO CONTÁBIL: D – Despesas com Depreciações 12.50 C- Depreciação acumulada de Móveis e Utens 12.50 BALANCETE de VERIFICAÇÃO EM 31/07/2014, após os re- gistros. Empresa Lucra Mais Ltda Balancete em 31/07/14 Caixa 2.000,00 Fornecedores 2.000,00 Bancos conta movimento 0,00 Empréstimos a pagar 1.600,00 Encargos sociais a pagar 1.900,00 Títulos a receber 4.000,00 Estoque de mercadorias 12.000,00 Bancos conta aplicação 2.000,00 Veículos uso da empresa 6.000,00 Depreciação acumulada de veículos 1.300,00 Móveis e utensílios 1.500,00 56 Prática Contábil Depreciação acum de móv e utensílios 312,50 Seguros a apropriar 600,00 FGTS a pagar 0.00 Capital social 14.000,00 Reserva legal 800,00 Reserva estatutária 200,00 Venda de mercadorias 22.000,00 COFINS s/ Vendas 650,00 ICMS sobre vendas 3.400,00 Pis sobre vendas 150,00 Viagens 600,00 Conservação de imóveis 425,00 Depreciações 787,50 CMV - custo de mercadorias vendidas 10.000,0 44.112,50 44.112,50 Constituição de Sociedades Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Capítulo 3 58 Prática Contábil Introdução Neste Capítulo vamos estudar a constituição de sociedade e os lançamentos contábeis relativos à constituição. Inicialmen- te, vamos identificar no ordenamento jurídico brasileiro, prin- cipalmente na Lei n° 10.406/2002 - CÓDIGO CIVIL (CC) - o direito de empresa para dar o suporte ao nosso estudo. Para que possamos avançar com segurança, vamos introduzir defi- nições legais sobre empresário, sociedade, sociedade empre- sária, contrato, dentre outros. Identificar as principais etapas para a constituição de sociedade, e finalmente apresentar os lançamentos contábeis de constituição. Uma das atribuições do profissional contábil é a constituição jurídica da sociedade, para tanto, se faz necessário ter conhecimento sobre o tema. Objetivo(s) da unidade Como objetivo desta unidade, destacam-se:  entender a estrutura empresarial no Brasil;  analisar a obrigatoriedade do registro de sociedades;  identificar as principais etapas necessárias para a cons- tituição de sociedades;  estudar a elaboração dos registros contábeis relativos à constituição de sociedades.  tomar ciência da importância das questões tributárias, quando da constituição de sociedades. Capítulo 3 Constituição de Sociedades 59 1 Estrutura empresarial no Brasil O direito de empresa insere-se no Livro II do Código Civil, a partir do art. 966, e nos fornece a base conceitual legal pri- meira para entendermos a estrutura empresarial no país. O art. 966 da Lei n° 10.406/2002 define que “Considera- -se empresário quem exerce profissionalmente atividade eco- nômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”. O Código Civil define ainda quem não se enquadra como empresário no parágrafo único do supramencionado art. 966, ora transcrito: “Parágrafo único: Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaborado- res, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”. Desta forma, são características fundamentais do empre- sário: a) exerce profissionalmente atividade econômica: este profissionalismo significa a habitualidade e o sistemático exercício da profissão e também monopólio das infor- mações (conhecimento a respeito do produto, da mer- cadoria que comercializa ou do serviço que executa); b) atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens e serviços: a atividade empresarial é considerada econômica porque tem como finalidade 60 Prática Contábil a obtenção de lucro. Devemos esclarecer que lucro pode ser a finalidade da atividade ou apenas um meio para se alcançar outros objetivos. c) atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços: coordenaçãodos fa- tores de produção destinada à criação de riqueza (são fatores de produção: capital, insumos, mão de obra e tecnologia). A empresa é uma atividade que poderá ser realizada por um empresário individual (pessoa física) ou por uma socie- dade empresária (pessoa jurídica). Logo, se empresa é ativi- dade, quem exerce essa atividade é o empresário. 1.1 Atividades econômicas civis A abrangência das atividades empresariais não abrigam todas as atividades econômicas possíveis. As atividades econômicas civis não são regulamentadas pelas mesmas disposições legais que regulamentam os empresários. As atividades econômicas civis são regulamentadas pelo Direito Civil, pelas regras civis e não pelo Direito de Empresa. O parágrafo único do art. 966 da Lei n° 10.406/2002 diz que quem exerce profissão intelectual, de natureza cientí- fica, literária ou artística, ainda que com auxiliares, não pode ser considerado empresário, exceto se o exercício profissional constituir elemento de empresa. Como exemplo dessas atividades podemos destacar os profissionais liberais, advogados, engenheiros, médicos, pro- Capítulo 3 Constituição de Sociedades 61 fissionais contábeis, dentre outros. Assim, mesmo que estes profissionais contratem auxiliares não se enquadram como empresários. Todavia, vamos analisar o que significa o termo salvo se o exercício profissional constituir elemento de empre- sa. Para tanto, temos que retomar as características fundamen- tais do empresário, ou seja, essas profissões passam a cons- tituir elementos de empresa quando exercerem uma atividade organizada, com mão de obra, capital, tecnologia, sendo o exercício da profissão somente um de seus elementos. Imaginemos um profissional contábil que prestava consul- toria a empresas, que com aumento da demanda por seus serviços propõe-se a constituir uma sociedade, contratando profissionais contábeis, recepcionistas, secretária, vários auxi- liares. Dessa forma, este profissional não estará mais exercen- do atividade civil e sim atividade empresarial organizada. 2 Registro de sociedade O art. 967 do Código Civil determina a obrigatoriedade da inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, o que deve ser feito antes do início das atividades empresariais. O art. 982 do CC afirma que se considera empresária a socie- dade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro, conforme art. 967, e simples, as demais. O parágrafo único do art. 982 define que indepen- dentemente de seu objeto é considerada empresária a socie- dade por ações, e simples, a cooperativa. 62 Prática Contábil O art. 968 do mesmo Código define que: A inscrição do empresário far-se-á mediante requerimen- to que contenha: I - o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de bens; II - a firma, com a respectiva assinatura autógrafa que poderá ser substituída pela assinatura autenticada com certificação digital ou meio equivalente que comprove a sua autenticidade, ressalvado o disposto no inciso I do § 1o do art. 4o da Lei Complementar no 123, de 14 de de- zembro de 2006; (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) III - o capital; IV - o objeto e a sede da empresa. O art. 981 da mesma Lei define contrato de sociedade assim: “Celebram contrato de sociedade as pessoas que re- ciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados”. Bem, agora que já estudamos quem é considerado empre- sário, quem não se enquadra como tal, e a obrigatoriedade de registro de sociedade, vamos identificar as etapas necessárias para a constituição de sociedade. www - Sugere-se acessar a Lei n° 10.406/2002 – Direito de Empresa. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/ L10406.htm Capítulo 3 Constituição de Sociedades 63 3 Etapas para a constituição de sociedades Antes de analisarmos as etapas necessárias à constituição de- vemos conhecer as sociedades empresárias previstas no Códi- go Civil para assim avançarmos com mais segurança no tema. O Código Civil de 2002 prevê as seguintes sociedades em- presárias: a) Sociedade em Nome Coletivo (art. 1039 a 1044); b) Sociedade em Comandita Simples (art. 1045 a 1051); c) Sociedade Limitada (art. 1052 a 1087); d) Sociedade Anônima (art. 1088 a 1089); e) Sociedade em Comandita por Ações (art. 1090 a 1092). São várias as etapas que precisam ser percorridas para a constituição de uma sociedade empresária, e estas podem variar de acordo com a modalidade de negócios: indústria, comércio ou serviços. Deve-se considerar ainda, que uma em- presa pode combinar dois ou mais negócios, exemplificando: indústria e comércio, indústria e prestação de serviços. Assim, em alguns casos o processo pode apresentar maior ou menor grau de complexidade para constituição de sociedade. Em nosso estudo, tomaremos como base uma sociedade de responsabilidade limitada. Nossa abordagem inicia-se com a elaboração do contrato social e, posteriormente identifica as inscrições obrigatórias nos órgãos competentes. 64 Prática Contábil 3.1 Constituição de Sociedade Limitada Ao se iniciar o processo de constituição de sociedade, algumas providências preliminares são imprescindíveis, pois evitam con- tratempos futuros. Após a escolha do local, se o prédio não for próprio, existe a necessidade do contrato de aluguel. Deve-se atentar para o fato que alguns municípios e/ou estados exigem a Consulta Comercial que tem por finalidade a aprovação do local de funcionamento pela Prefeitura Municipal. a) Escolha do ramo de atividade: Nesta etapa deve ser claramente identificado o ramo ou ra- mos de atividades no qual (quais) a empresa vai operar (pode existir mais de um negócio por atividade, de acordo com pa- rágrafo único do art. 982 do Código Civil). b) Consulta Comercial: Tem por finalidade a aprovação do local de funcionamen- to pela Prefeitura Municipal. A Prefeitura do município verifica a conformidade das atividades a serem desenvolvidas com a área (bairro, rua, avenida) onde a empresa será instalada. c) Elaboração do Contrato Social: O Contrato Social é o documento hábil para a constituição da sociedade limitada, e define direitos e obrigações dos só- cios e vai nortear as etapas posteriores da constituição. Qua- lificará os sócios, definirá o nome empresarial, objeto social, capital, dentre outros. O art. 997 do Código Civil determina: Capítulo 3 Constituição de Sociedades 65 A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, parti- cular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pe- las partes, mencionará: I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residên- cia dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a deno- minação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, susce- tíveis de avaliação pecuniária; IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribui- ção consista em serviços; VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas per- das; VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais. Parágrafo único. É ineficaz em relação a terceiros qual- quer pacto separado, contrário ao disposto no instru- mento do contrato. Deixamos de apresentar um modelo básico de Contrato Social, pois muitos sítios o fazem de forma detalhada. Des- 66 Prática Contábil tacamos o do Departamento de Registro Empresarial e de In- tegração (DREI)por ser um sítio oficial a ser consultado para orientações sobre modelo de Contrato Social e outras dúvi- das a respeito de procedimentos para o registro de empresas: http://drei.smpe.gov.br/legislacao/cod-civil-2002/codigo- -civil/pasta-orientacoes-e-modelos-de-instrumentos/contrato- d) Registro na Junta Comercial: A legalização da empresa inicia com o registro na Junta Comercial. Uma vez elaborado o Contrato Social este deverá ser encaminhado à Junta Comercial para o arquivamento do ato constitutivo, a partir deste registro a empresa está oficial- mente constituída, mas ainda não está apta a operar, pois de- pende da inscrição em outros órgãos. (Acessar o sítio da Junta Comercial do Estado para verificar os documentos e requeri- mentos necessários para solicitar este registro). Regra geral, os seguintes documentos são necessários:  Contrato Social;  Cópia autenticada do RG e CPF do titular ou dos sócios;  Requerimento Padrão (Capa da Junta Comercial) em uma via;  Ficha de Cadastro Nacional ( FCN) 1 e 2 em uma via;  Pagamento de DARF, referente às taxas. Os prazos de abertura variam de Estado para Estado. Uma vez arquivados os atos constitutivos, a empresa receberá o Nú- mero de Identificação do Registro de Empresa (NIRE). Capítulo 3 Constituição de Sociedades 67 e) Registro na Secretaria da Receita Federal (SRF) De posse do NIRE proceder-se-á a inscrição na SRF para obtenção do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Essa solicitação é realizada exclusivamente pela Internet, atra- vés de download de programa específico no sítio da SRF e os documentos exigidos enviados por SEDEX ou através de entre- ga direta nas unidades cadastradoras. A SRF (2013) informa em seu endereço eletrônico os documentos obrigatórios para obtenção da inscrição no CNPJ: Documentos obrigatórios em qualquer pedido perante o CNPJ São documentos do CNPJ: a) FCPJ – Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica, que po- derá ser preenchida via PGD – download e transmitida exclusivamente pela Internet por meio do Programa Re- ceitanet, ou preenchida diretamente no sítio da Secreta- ria da Receita Federal do Brasil (RFB) http://www.receita. fazenda.gov.br, por meio do Aplicativo de Coleta Web. A FCPJ deverá ser acompanhada do QSA (no caso de sociedades); b) Quadro de Sócios e Administradores (QSA); c) Ficha Específica, de interesse do órgão convenente; e d) Documento Básico de Entrada do CNPJ (DBE) ou Pro- tocolo de Transmissão, conforme modelos constantes dos Anexos I e II da IN RFB nº 1.183, de 19 de agosto de 2011. 68 Prática Contábil f) Alvará de Funcionamento: Após o cadastro no CNPJ devemos providenciar o alvará de Funcionamento junto à Prefeitura Municipal, na Secretaria da Fazenda do Município onde se localiza o estabelecimento. g) Inscrição Estadual: O cadastramento deverá ser solicitado junto à Secretaria Estadual da Fazenda. Este cadastramento, em alguns estados, está disponibilizado via Internet nas Secretarias Estaduais. Mui- tos Estados possuem convênio com SRF, permitindo obter CNPJ e CGTE num único cadastro. Sugerimos a consulta aos órgãos envolvidos para verificar a forma mais adequada para realizar a inscrição. Esse procedimento se faz necessário, em razão da velocidade das mudanças originadas pela evolução da tec- nologia e também para outros detalhamentos do processo da Inscrição Estadual, obrigatória para empresas dos setores de comércio, indústria e serviços de transportes intermunicipal e interestadual. Também estão sujeitas à Inscrição Estadual os serviços de comunicação e energia. h) Cadastro na Previdência Social (CadSinc): O cadastro previdenciário deverá ser realizado através de solicitação da inclusão do número do CNPJ no cadastro previ- denciário. Segundo o sítio da SRF, deverá ser feito presencial- mente. O registro também poderá ser realizado através do Ca- dastro Sincorizado Nacional (CadSinc). O projeto Cadastro Sincronizado Nacional representa a integração dos procedi- mentos cadastrais relativos às Pessoas Jurídicas e demais enti- Capítulo 3 Constituição de Sociedades 69 dades no âmbito das Administrações Tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos demais ór- gãos e entidades que participem do processo de formalização e legalização de empresas - denominados convenentes e po- derá ser acessado para mais informações em: https://www16. receita.fazenda.gov.br/Cadsinc/ Essas são as etapas básicas para constituição de socieda- de. Devemos estar atentos ainda para outros cadastros e licen- ças necessários, em razão da atividade que vai ser exercida, tais como licenças ambientais, sanitárias, uso de produtos quí- micos, dentre outros. 4 Registros contábeis de constituição De posse do contrato social registrado, do CNPJ, Alvará de Funcionamento, inscrição estadual, dentre outros registros, a empresa está apta a operar. Para abertura da escrita contábil da empresa deve ser realizado o registro contábil de subscri- ção do capital e, em seguida, a integralização total ou parcial do capital subscrito. Para que a empresa inicie sua operação, no mínimo, uma parcela de seu capital deve estar integrali- zada. A integralização do capital social poderá ser efetuada em dinheiro ou em bens passíveis de serem avaliados mone- tariamente. Essa possibilidade está, inclusive, prevista em lei: “As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado”. 70 Prática Contábil O capital subscrito é registrado no patrimônio líquido pelo valor constante do contrato ou estatuto social da pessoa jurí- dica. A Lei n° 6.404/1976 em seu art. 182 determina que “A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada”. Desta forma a conta do capital social será creditada pelo total do capital subscrito e se, por alguma razão, os sócios não integralizarem a totalidade do capital, tem-se uma conta retifi- cadora denominada capital a realizar ou capital a integralizar. Independentemente do tipo societário, todas as empresas apresentam, no Livro Diário, como primeiros registros os fatos contábeis praticados na fase de constituição da sociedade. Es- ses fatos são denominados como lançamentos contábeis de constituição de sociedade e serão nosso objeto de estudo nas próximas seções deste Capítulo. 4.1 Registro contábil com integralização de capital em bens e dinheiro Vamos admitir que duas pessoas com nomes fictícios de Rute da Silva e José Ramos decidam constituir uma sociedade, com nome empresarial de RJ Comercial Ltda., com capital de R$ 400.000,00, subscrevendo cada um dos sócios 50% do capi- tal e integralizando da seguinte maneira em 03/01/2014: a) A sócia Rute da Silva integralizou sua participação, en- tregando no ato R$ 150.000,00 em cheque que foi compensado no mesmo dia, e os 50.000,00 restan- tes, a sócia comprometeu-se a realizar no prazo de 30 dias; Capítulo 3 Constituição de Sociedades 71 b) O sócio José Ramos integralizou a sua parte median- te a incorporação à sociedade de um imóvel de sua propriedade, avaliado conforme laudo pericial em 150.000,00, destacando o seguinte: R$ 50.000,00 para o terreno e R$ 100.000,00 para o prédio. Os R$ 50.000,00 restantes, o sócio comprometeu-se a integralizar, também em 30 dias. Atenção especial deve ser dada ao processo de avaliação dos bens para integralização do capital. A avaliação do bem deve ser realizada por peritos devidamente credenciados e ser formalizada através de laudo pericial e só após os técnicos emitirem o laudo poderemos proceder ao registro contábil. Teremos então os seguintes registros contábeis relativos à subscriçãoe integralização do capital da RJ Comercial Ltda.: 1) Pela subscrição do capital dos Sócios Rute da Silva e José Ramos: D- Capital Social a Integralizar (PL) C- Capital Social Subscrito (PL) R$ 400.000,00 2) Pela Integralização do valor, em cheque, da sócia Rute da Silva: D- Banco A (AC) C- Capital a Integralizar (PL) R$ 150.000,00 3) Pela integralização, em bens, do sócio José Ramos: D- Terrenos (ANC – Imobilizado) R$ 50.000,00 72 Prática Contábil D- Prédios (ANC- Imobilizado) R$ 100.000,00 C- Capital a Integralizar (PL) R$ 150.000,00 AC = Ativo Circulante ANC = Ativo Não Circulante PL = Patrimônio Líquido Realizados estes registros contábeis, temos em 03/01/2014 a seguinte posição patrimonial da sociedade RJ Comercial Ltda.: Balanço Patrimonial em 03 de janeiro de 2014 – RJ Co- mercial Ltda ATIVO PASSIVO + PL Ativo Circulante Disponível Banco A 150.000,00 Ativo Não Circulante Imobilizado Terrenos 50.000,00 Prédios 100.000,00 150.000,00 Total do Ativo 300.000,00 Passivo Circulante Patrimônio Líquido Capital Social Capital Social Subscrito 400.000,00 (-) Capital Social a Integralizar (100.000,00) 300.000,00 Total do Passivo + PL 300.000,00 Vamos verificar, a seguir, os registros contábeis que deve- rão ser realizados em 03 de fevereiro de 2014, quando da integralização do restante do capital pelos sócios, conforme definido em cláusula contratual. Somente para simplificar nos- so exemplo, vamos admitir que em 03/02/2014, a posição patrimonial inicial é a mesma do dia 03/01/2014. Capítulo 3 Constituição de Sociedades 73 1) Pela integralização do valor de R$ 50.000,00 da sócia Rute da Silva, em cheque compensado no mesmo dia (03/02/2014): D- Banco A (AC) C- Capital a Integralizar (PL) R$ 50.000,00 2) Pela integralização do valor de R$ 50.000,00 do só- cio José Ramos, em cheque compensado no mesmo dia (03/02/2014). D- Banco A (AC) C- Capital a Integralizar (PL) R$ 50.000,00 A RJ Comercial Ltda., após esses registros contábeis, tem a seguinte situação patrimonial em 03/02/2014, considerando que os sócios Rute da Silva e José Ramos cumpram a cláusula contratual referente à subscrição e integralização do Capital Social da sociedade: Balanço Patrimonial em 03 de fevereiro de 2014. RJ Co- mercial Ltda. ATIVO PASSIVO + PL Ativo Circulante Disponível Banco A 250.000,00 Ativo Não Circulante Imobilizado Terrenos 50.000,00 Prédios 100.000,00 150.000,00 Total do Ativo 400.000,00 Passivo Circulante Patrimônio Líquido Capital Social Capital Social Subscrito 400.000,00 Total do Passivo + PL 400.000,00 74 Prática Contábil Analisamos nesta seção a constituição de sociedade com integralização de capital combinando bens e valores monetá- rios (moeda corrente). Exemplificaremos na próxima seção a constituição de sociedade com integralização do capital, so- mente em dinheiro. 4.2 Registro contábil com integralização de capital em dinheiro Neste nosso exemplo, vamos partir do pressuposto que a RJ Comercial Ltda. será constituída com a integralização do ca- pital somente com dinheiro, sem a participação de quaisquer bens na integralização deste capital, assim definido: a) Sócia Rute da Silva integralizou sua participação no capital, com depósito em conta corrente do Banco A, em favor da RJ Comercial Ltda., no valor de R$ 180.000,00, com a promessa de integralizar o res- tante no dia 21/01/2014, também com depósito em conta corrente em favor da RJ Comercial Ltda.; b) Sócio José Ramos integralizou sua parte no capital com depósito em conta corrente do Banco A, em favor da RJ Comercial Ltda., no valor de R$ 170.000,00, com compromisso de depositar o restante na mesma conta no dia 21/01/2014. Teremos então os seguintes registros contábeis relativos à subscrição e integralização do capital da RJ Comercial Ltda.: Capítulo 3 Constituição de Sociedades 75 1) Pela subscrição do capital dos Sócios Rute da Silva e José Ramos: D- Capital Social a Integralizar (PL) C- Capital Social Subscrito (PL) R$ 400.000,00 2) Pela integralização do capital, com depósito em conta cor- rente, da sócia Rute da Silva: D- Banco A (AC) C- Capital a Integralizar (PL) R$ 180.000,00 3) Pela integralização do capital, com depósito em conta cor- rente, do sócio José Ramos: D- Banco A (AC) C- Capital a Integralizar (PL) R$ 170.000,00 Verificamos que neste registro contábil de constituição que só movimentamos as contas do Ativo Circulante, e neste caso a Conta Banco A. Não houve como no exemplo da seção 4.1 movimentação do Ativo Não Circulante, Imobilizado, nas contas Terrenos e Prédios, quando um dos sócios integralizou parte do Capital Social através da entrega de um imóvel. Após os registros contábeis iniciais, temos a seguinte situa- ção patrimonial na RJ Comercial Ltda. elucidada no Balanço Patrimonial estruturado no dia 03 de janeiro de 2014. 76 Prática Contábil Balanço Patrimonial em 03 de janeiro de 2014 – RJ Co- mercial Ltda. ATIVO PASSIVO + PL Ativo Circulante Disponível Banco A 350.000,00 Total do Ativo 350.000,00 Passivo Circulante Patrimônio Líquido Capital Social Capital Social Subscrito 400.000,00 (-) Capital Social a Integralizar ( 50.000,00) 350.000,00 Total do Passivo + PL 350.000,00 Conforme cláusula referente à composição e integraliza- ção do capital, prevista no Contrato Social, os sócios devem disponibilizar os recursos para integralizar o capital faltante no dia 21/01/2014. Nesta data, teremos os seguintes registros contábeis: 1) Integralização do restante do capital da sócia Rute da Sil- va, no valor de R$ 20.000,00, com depósito em conta corrente no Banco A, em favor de RJ Comercial Ltda: D- Banco A (AC) C- Capital a Integralizar (PL) R$ 20.000,00 2) Integralização dos R$ 30.000,00 restantes do sócio José Ramos, realizada através de depósito em conta corrente no Banco A, em favor de RJ Comercial Ltda: D- Banco A (AC) C- Capital a Integralizar (PL) R$ 30.000,00 Capítulo 3 Constituição de Sociedades 77 Após a integralização do total do capital social, em dinhei- ro, pelos sócios Rute da Silva e José Ramos, a RJ Comercial Ltda. apresenta nova situação patrimonial que será representa- da com a elaboração de um novo Balanço Patrimonial. Com o objetivo de simplificar, consideramos que a situação patrimo- nial inicial em 21/01/2014 era a mesma do dia 03/01/2014, ou seja, partimos do pressuposto que não aconteceram, neste período, fatos contábeis que tivessem alterado a posição patri- monial do dia 03/01/2014. Balanço Patrimonial em 21 de janeiro de 2014 – RJ Co- mercial Ltda. ATIVO PASSIVO + PL Ativo Circulante Disponível Banco A 400.000,00 Total do Ativo 400.000,00 Passivo Circulante Patrimônio Líquido Capital Social Capital Social Subscrito 400.000,00 400.000,00 Total do Passivo + PL 400.000,00 Os exemplos de lançamentos de constituição de socieda- des trabalhados, nesta unidade, são aqueles que vão originar a abertura da escrituração contábil da empresa. Constituem- -se uma amostra das várias formas possíveis de integralização do capital social e não abrangem todas as possibilidades deste processo inicial para constituição de sociedades empresárias. A integralização do capital poderá ser realizada, ainda com outros bens, tais como: veículos, computadores e acessórios, estoques dentre outros que sejam passíveis de serem avaliados monetariamente. 78 Prática Contábil 5 A constituição da empresa e os aspectos tributários Além dos aspectos jurídicos e contábeis quando da constitui- ção de sociedade, merece destaque a relevância dos aspectos tributários que se fazem presentes a partir do momento em que a empresa passa a operar.Vamos destacar aqueles que jul- gamos como prioridade alta e merecem ser cuidadosamente analisados no início da atividade empresarial: a) Busca do enquadramento tributário adequado: o em- preendedor deve estar atento à escolha da forma de tributação da pessoa jurídica, sob pena de recolher tributos a maior ou recolhê-los de forma insuficiente em razão de escolha equivocada. Recolhendo acima do necessário, a empresa está deixando de aplicar re- cursos na sua operação e, se recolher a menor, estará criando um passivo tributário que poderá comprome- ter o futuro da empresa. b) Análise e Planejamento de questões trabalhistas: outro aspecto de extrema relevância a ser discutido com es- pecialistas refere-se às questões trabalhistas. Um bom planejamento pode evitar futuros contratempos rela- cionados com passivos trabalhistas. c) Análise dos tributos estaduais e/ou municipais que in- cidem sobre mercadorias e serviços. Verificar a tribu- tação do ICMS, substituição tributária e o impacto no custo e rentabilidade da empresa. Capítulo 3 Constituição de Sociedades 79 d) Tributos e Taxas diversas: podem ser específicos de de- terminadas atividades, também devem ser analisados. Algumas atividades estão sujeitas à inscrição e taxas no IBAMA, licença para uso e manuseio de produtos químicos, outras necessitam de Licença de Operação expedida por órgãos ambientais estaduais, outros ain- da pelo município. e) Impostos e contribuições retidos na fonte e substitutos tributários: a substituição tributária é um instituto jurídi- co incluído em nosso ordenamento legal pelo Código Tributário Nacional (art.128) e pela Emenda Constitu- cional n° 3/1993. Consiste em atribuir responsabilida- de pelo pagamento do imposto a uma terceira pessoa que tenha relação com o fato gerador da obrigação tributária. Desta forma, também tem impacto na ope- racionalidade empresarial e precisa de atenção. Percebemos através do estudo de constituição de socieda- des, a complexidade do processo. Estão presentes na consti- tuição de sociedades empresárias, aspectos de direito de em- presa, legislação societária, tributária, trabalhista, ambiental, normas contábeis dentre muitos outros que permeiam o tema. Recapitulando Neste Capítulo nosso estudo foi sobre o tema constituição de sociedades. Inicialmente verificamos as definições trazidas pelo Código Civil sobre direito de empresa. Identificamos as 80 Prática Contábil etapas, envolvendo seus registros nos órgãos competentes. Foram elaborados também os registros contábeis relativos à constituição de sociedades demonstrando o registro contábil com integralização de capital em bens e dinheiro e registro contábil com integralização de capital em dinheiro. Referências BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/2002/L10406.htm> Acesso em 22 out. 2014. BRASIL. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Cadastro Na- cional da Pessoa Jurídica – CNPJ. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/TextConcat/Default. asp?Pos=1&Div=GuiaContribuinte/CNPJ/> Acesso em 15 set. 2014. Atividades Este é o nosso espaço para exercitar os temas abordados atra- vés de questões especialmente formuladas ou pesquisadas com esta finalidade. 1) Considerando a Lei n° 10.406/2002 (Código Civil), é cor- reto afirmar que: Capítulo 3 Constituição de Sociedades 81 a) Empresário é aquele que exerce atividade comercial e habitual com a finalidade de lucro. b) Empresário é aquele que exerce atividade econômica organizada para circulação de bens. c) Empresa é uma determinada sociedade, constituída sob a égide do Código Civil. d) Empresário é quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circula- ção de bens ou de serviços. 2) De acordo com a Lei n° 10.406/2002, é incorreta a afir- mação: a) Considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro e, simples, as demais. b) Celebram contrato de sociedade as pessoas que re- ciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. c) A inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis poderá ser realizada, após o início das atividades em- presariais. d) A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público. 3) Relacione a coluna da esquerda com a da direita: a) Arquivamento dos atos constitutivos da sociedade 82 Prática Contábil ( ) Receita Federal b) Inscrição estadual ( ) Prefeitura Municipal c) Inscrição no CNPJ ( ) Junta Comercial d) Alvará de Funcionamento ( ) Fazenda Estadual 4) O Balanço patrimonial a seguir indica a posição patrimo- nial após a integralização do capital pelos sócios A e B BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO + PL CAIXA 100.000,00 TOTAL 100.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Social 100.000,00 TOTAL 100.000,00 Esta posição patrimonial nos informa que: a) Parte do Capital Social não foi integralizado. b) A totalidade do Capital Social foi integralizada em bens. c) A totalidade do Capital Social foi integralizada em di- nheiro. d) O capital Social foi integralizado parte em bens, parte em dinheiro. Capítulo 3 Constituição de Sociedades 83 5) Joana Vidal e Alberta Vidal resolvem constituir uma socie- dade por responsabilidade limitada, com nome empresa- rial J.A Comércio de Roupas e Calçados Ltda. e ajustam em cláusula do Contrato Social que o capital será de R$ 30.000,00, cada sócia integralizando 50%, no ato da Constituição. A sócia Joana integralizará o capital da se- guinte forma: R$ 5.000,00 em computadores e acessórios e R$ 10.000,00 com depósito em conta corrente no Banco B, em favor da J.A Comércio de Roupas e Calçados Ltda. Já a sócia Alberta integralizará o seu valor em dinheiro com depósito em conta corrente no Banco A, em favor da Sociedade. Realize os registros contábeis de constituição e elabore o balanço. Gabarito 1) d; 2) c; 3) c, d, a, b; 4) c Questão 5: 1) Pela subscrição do capital dos Sócios Joana e Alberta Vi- dal: D- Capital Social a Integralizar (PL) R$ 30.000,00 C- Capital Social Subscrito (PL) R$ 30.000,00 2) Pela Integralização do valor, em cheque, da sócia Joana Vidal D- Banco B (AC) R$ 5.000,00 84 Prática Contábil D- Computadores e Acess(ANC-Imobilizado) R$ 10.000,00 C- Capital a Integralizar (PL) R$ 15.000,00 3) Pela integralização, em bens, do sócio Alberta Vidal: D- Banco A (AC) R$ 15.000,00 C- Capital a Integralizar (PL) R$ 15.000,00 AC = Ativo Circulante ANC = Ativo Não Circulante PL = Patrimônio Líquido Realizados estes registros contábeis, temos a seguinte posição patrimonial da sociedade J.A Comércio de Roupas e Calçados Ltda.: Balanço Patrimonial em 01.03.20XX ATIVO PASSIVO + PL Ativo Circulante Disponível Banco A 5.000,00 Banco B 15.000,00 20.000,00 Ativo Não Circulante Imobilizado Capítulo 3 Constituição de Sociedades 85 Comp Acess 10.000,00 Passivo Circulante Patrimônio Líquido Capital Social 30.000,00 Total do Ativo 30.000,00 Total do Passivo + PL 30.000,00 Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias e Ativo Imobilizado Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias... 87 Introdução O Imposto sobre as Operações relativas à Circulação de Mer- cadorias e sobre a Prestação de Serviços de Transporte Inte- restadual e Intermunicipal e de Comunicações, o ICMS é um imposto nãocumulativo, de competência Estadual. Por ser de competência estadual cada ente federativo possui legislação própria referente a este imposto, no entanto, a norma geral que o rege é a Lei Complementar nº 87/1996, mas o poder de instituir e cobrar este imposto é concedido pela Constitui- ção Federal, já que a Constituição, ao atribuir competência, confere a legalidade e a legitimidade à Legislação Infracons- titucional. Para a correta compreensão do tema estudado, vamos ana- lisar o que determina a Constituição Federal de 1988 sobre a competência dos Estados para instituir impostos. O art.155 da CF/1988 define: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal ins- tituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Cons- titucional nº 3, de 1993) I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as ope- rações e as prestações se iniciem no exterior; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 88 Prática Contábil III - propriedade de veículos automotores. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) § 1.º O imposto previsto no inciso I: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) I - relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal; II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, com- pete ao Estado onde se processar o inventário ou ar- rolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; III - terá competência para sua instituição regulada por lei complementar: a) se o doador tiver domicilio ou residência no exterior; b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domicilia- do ou teve o seu inventário processado no exterior; IV - terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Fe- deral; § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguin- te: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) I - será não cumulativo, compensando-se o que for devi- do em cada operação relativa à circulação de mercado- rias ou prestação de serviços com o montante cobrado Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias... 89 nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Dis- trito Federal; II - a isenção ou não incidência, salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o mon- tante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores; III - poderá ser seletivo, em função da essencialidade das mercadorias e dos serviços; IV - resolução do Senado Federal, de iniciativa do Presi- dente da República ou de um terço dos Senadores, apro- vada pela maioria absoluta de seus membros, estabele- cerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações, interestaduais e de exportação; V - é facultado ao Senado Federal: a) estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas, mediante resolução de iniciativa de um terço e aprovada pela maioria absoluta de seus membros; b) fixar alíquotas máximas nas mesmas operações para resolver conflito específico que envolva interesse de Esta- dos, mediante resolução de iniciativa da maioria absolu- ta e aprovada por dois terços de seus membros; VI - salvo deliberação em contrário dos Estados e do Dis- trito Federal, nos termos do disposto no inciso XII, “g”, as 90 Prática Contábil alíquotas internas, nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, não pode- rão ser inferiores às previstas para as operações interes- taduais; VII - em relação às operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado, adotar-se-á: a) a alíquota interestadual, quando o destinatário for contribuinte do imposto; b) a alíquota interna, quando o destinatário não for con- tribuinte dele; VIII - na hipótese da alínea “a” do inciso anterior, cabe- rá ao Estado da localização do destinatário o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual; IX - incidirá também: a) sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatá- rio da mercadoria, bem ou serviço; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias... 91 b) sobre o valor total da operação, quando mercadorias forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios; X - não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o ex- terior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e pres- tações anteriores; (Redação dada pela Emenda Constitu- cional nº 42, de 19/12/2003) b) sobre operações que destinem a outros Estados petró- leo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gaso- sos dele derivados, e energia elétrica; c) sobre o ouro, nas hipóteses definidas no art. 153, § 5º; d) nas prestações de serviço de comunicação nas moda- lidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita; (Incluído pela Emenda Consti- tucional nº 42, de 19/12/2003) XI - não compreenderá, em sua base de cálculo, o mon- tante do imposto sobre produtos industrializados, quan- do a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercializa- ção, configure fato gerador dos dois impostos; XII - cabe à lei complementar: a) definir seus contribuintes; 92 Prática Contábil b) dispor sobre substituição tributária; c) disciplinar o regime de compensação do imposto; d) fixar, para efeito de sua cobrança e definição do esta- belecimento responsável, o local das operações relativas à circulação de mercadorias e das prestações de servi- ços; e) excluir da incidência do imposto, nas exportações para o exterior, serviços e outros produtos além dos menciona- dos no inciso X, “a”; f) prever casos de manutenção de crédito, relativamente à remessa para outro Estado e exportação para o exte- rior, de serviços e de mercadorias; g) regular a forma como, mediante deliberação dos Es- tados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefí- cios fiscais serão concedidos e revogados; h) definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua finalidade, hipótese em que não se aplicará o dispos- to no inciso X, b; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) (Vide Emenda Constitucional nº 33, de 2001) i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias... 93 § 3º À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a ener- gia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Vamos analisar a seguir como este imposto tão presente no dia a dia das empresas e das pessoas físicas se apresenta nas práticas comerciais das entidades. 1 O ICMS na compra de mercadorias O resultado empresarial estánítidamente relacionado à com- pra, venda e prestação de serviços e sobre estas operações mercantis incidem tributos. Vamos estudar especialmente o ICMS na compra de mercadorias e seu impacto no Custo da Mercadoria Vendida e no ICMS a Recolher. O ICMS se carac- teriza como um imposto não cumulativo, dessa forma pode ser realizada a compensação do que for devido em cada opera- ção relativa à circulação de mercadorias ou prestação de ser- viços (tranporte interestadual ou intermunicipal ou de comu- nicação) com o montante cobrado nas operações/prestações anteriores. Neste contexto, valor do ICMS a recolher, em cada período de apuração, corresponderá à diferença entre o imposto devi- do sobre as operações ou prestações tributadas nas saídas do contribuinte e o cobrado relativamente às anteriores. Quando destacamos valor do ICMS cobrado nas operações ou presta- 94 Prática Contábil ções anteriores, estamos nos referindo ao valor que representa o crédito fiscal do contribuinte. Mercadorias são os bens que as empresas comerciais adquirem com a finalidade de revenda, sem que aconteça qualquer processamento, ou seja, são revendidas da mesma forma como foram adquiridas. Determinar o Resultado com mercadorias(RCM) implica analisar se houve lucro ou prejuízo nas operações de compra e venda que representa a atividade principal de toda empresa comercial. O resultado com merca- dorias é obtido pela diferença das vendas pelo custo de mer- cadorias vendidas (RCM = VENDAS – CMV). O CMV, que terá seu estudo aprofundado no Capítulo 7, pode ser calcula- do através da expressão matemática CMV = EI + C – EF ou nas empresas que adotam o sistema de inventário permanente através do saldo da Conta CMV. O exemplo a seguir pretende esclarecer o impacto dos ICMS na aquisição de mercadoria para revenda. A Cia. J.P. Ltda., empresa comercial, sediada em Porto Ale- gre, RS, adquiriu mercadorias para revenda em 1°/07/2014. A empresa comprou 200 unidades da Mercadoria “A”. As in- formações constantes da Nota Fiscal Eletrônica eram as se- guintes: Valor total das mercadorias: R$ 5.000,00. ICMS incluso no valor das Mercadorias: 12% (as mercadorias foram adquiridas em Santa Catarina). Não havia incidência de IPI. Como a Cia J.P. estava sujeita à tributação pelo Lucro Presumido (Sistema Cumulativo de PIS/ COFINS) não tem direito ao crédito de PIS/ COFINS). O frete foi pago pelo vendedor. A mercadoria Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias... 95 foi adquirida a prazo, com vencimento em 30 dias. Vamos elaborar os registros contábeis referentes à operação para elu- cidar o impacto do ICMS na compra de mercadorias. Vamos ao cálculo: Cada unidade teve um custo total de R$ 25,00, ou seja: R$ 5.000,00/200 unidades = R$ 25,00 por unidade. O ICMS cobrado na operação correspondeu a R$ 3,00 por unidade que foi encontrado através do seguinte cálculo: R$ 25,00 x 12%= 3,00. Dessa forma, o custo da mer- cadoria adqurida vai totalizar R$ 22,00 por unidade (25,00 – 3.00=22,00). Procederemos, na sequência aos registros contábeis cor- respondentes: a) Registro na conta de estoque de mercadorias: D – Estoque de Mercadorias R$ 4.400,00 D – ICMS a Recuperar R$ 600,00 C – Fornecedores R$ 5.000,00 Conforme colocado no início do Capítulo, em razão do ICMS ser um imposto não cumulativo, a empresa tem direito ao crédito do ICMS (ICMS A RECUPERAR que se caracteriza como um direito) que irá compensar com o valor do ICMS a recolher quando da venda da mercadoria. Vamos admitir que a empresa venda as 200 unidades da mercadoria “A” em 30/07/2014 por R$ 9.000,00, a prazo. Vamos aos registros contábeis: Pelo registro da receita: 96 Prática Contábil D- Clientes R$ 9.000,00 C – Receita de Vendas R$ 9.000,00 Pelo registro dos Tributos (impostos mais contribuições) ICMS: A Alíquota interna do ICMS no Estado do Rio Grande do Sul é de 17%. Então: 17% de R$ 9.000,00 = R$ 1.530,00 D – ICMS s/ Vendas R$ 1.530,00 C - ICMS a Recolher R$ 1.530,00 COFINS: A alíquota da COFINS para o Lucro Presumi- do é de 3% na venda de mercadorias (relembrando que esta modalidade não dá direito a crédito). Calculando o valor: R$ 9.000,00 x 3%= 270,00 D – COFINS s/ Vendas R$ 270,00 C – COFINS a Recolher R$ 270,00 PIS: A alíquota do PIS para o Lucro Presumido é de 0,65%. Cálculo do valor: R$ 9.000,00 x 0,65%= R$ 58,50 D – PIS s/ Vendas R$ 58,50 C – PIS a Recolher R$ 58,50 O pagamento do ICMS será realizado pela diferença entre o valor a Recolher no Passivo Circulante (obrigação) e ICMS a Recuperar no Ativo Circulante (direito). Em razão desta com- pensação o valor a ser recolhido aos cofres públicos do Es- tado do Rio Grande do Sul será de R$ 930,00, ou seja, R$ 1.530,00 – 600,00 = R$ 930,00. Não analisaremos aqui as Contribuições Sociais PIS e COFINS, por não se constituí- Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias... 97 rem objeto de estudo nesta disciplina, apenas as incluímos no exemplo para dar caráter prático ao exemplo trabalhado. 2 O ICMS no ativo imobilizado A aquisição de bens materiais para o Ativo Imobilizado precisa ser analisada sob diversos ângulos que incluem desde o aten- dimento ao CPC 27 – Ativo Imobilizado, questões técnicas, tais como vida útil, valor residual dentre outros. Um dos aspectos de extrema relevância a ser estudado refere-se às questões fiscais que envolvem a aquisição destes bens. As empresas podem se creditar do valor do ICMS relativo às aquisições de bens do Ativo Permanente desde a entrada em vigor da Lei Complementar nº 87/1996, ou seja, desde 1°/11/1996. Essa Lei, também chamada de Lei Kandir, através dos seus arts. 19, 20 e 21 garantiu, expressamente, o direi- to ao crédito de ICMS decorrente da entrada de bens para composição do Ativo Imobilizado, ante ao atendimento das seguintes condições: a) Apropriação do crédito em 48 meses observados as limitações de creditamento mensais; b) O bem não seja alheio à atividade do contribuinte ad- quirente. A partir da interpretação da Lei identificam-se duas con- dições necessárias para que o contribuinte tenha direito ao 98 Prática Contábil crédito quais sejam: apropriação em 48 meses e o bem ser necessário à atividade empresarial. 3 Cálculo e registro contábil dos créditos de icms do ativo imobilizado Identificada a possibilidade de cédito do ICMS sobre o Ativo Imobilizado o cálculo deverá ser feito conforme determinado no art. 20, parágrafo 5° da Lei Complementar n° 87/1996: a) A apropriação será à razão de 1/48, proporcional em meses ou dias da aquisição do bem; b) A primeira fração será apropriada na entrada do bem no estabelecimento; c) Este valor será obtido multiplicando-se o valor do res- pectivo crédito (valor destacado na nota fiscal) mais o valor do diferencial de alíquotas (quando o bem for adquirido em outra unidade da federação), da relação entre o valor das operações de saídas e prestações tributadas e o total das operações de saídas e pres- tações do período, considerando-se que para efeitos das saídas tributadas, as operações de exportação equiparam-se às saídas tributadas ou saídas de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. d) Ao final do quadragésimo mês da data da entrada do bem no estabelecimento, o crédito remanescente será cancelado. Observada a autonomia legislativa de Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias... 99 cada Estado, poderá ser exigida para fins de apropria- ção de crédito emissão de documento fiscal (CFOP 1.604 - lançamento de crédito relativo à compra de bem para o Ativo Permanente) será emitida em nome da empresa, com a natureza da operação “crédito do Ativo Permanente” III – para aplicação do disposto nos incisos I e II des- te parágrafo, o montantedo crédito a ser apropriado será obtido multiplicando-se o valor total do respectivo crédito pelo fator igual a 1/48 (um quarenta e oito avos) da relação entre o valor das operações de saí- das e prestações tributadas e o total das operações de saídas e prestações do período, equiparando-se às tri- butadas, para fins deste inciso, as saídas e prestações com destino ao exterior ou as saídas de papel destina- do à impressão de livros, jornais e periódicos; (Reda- ção dada pela Lei Complementar nº 120, de 2005) Vamos, através de um exemplo, calcular o valor do credi- tamento do ICMS: Admitindo que uma empresa realizou a aquisição de de- terminado equipamento para seu processo produtivo em abril de 2014. A operação foi interestadual, sujeita, portanto ao diferencial de alíquota. A empresa se situa no RS. O Valor do bem foi de R$ 120.000,00 e o ICMS destacado na Nota Fiscal totalizou R$ 14.400,00 e a empresa pagou R$ 6.000,00 de diferencial de alíquota. Para o nosso exemplo, vamos partir da premissa que a empresa financiou este bem em 12 meses com uma taxa de juros 1,860267% ao mês. Deixamos de consi- 100 Prática Contábil derar a incidência de IOF e taxa de abertura de crédito para simplificar nosso exemplo. Relativo ao IOF, iremos abordar no Capítulo 10, este tema. Inicialmente, apresentamos a planilha do financiamento do bem e, na sequência, realizaremos os registros contábeis, quando da entrada do bem na empresa e o registro contábil relativo ao crédito do ICMS sobre Imobili- zado. a) Planilha demonstrativa do cálculo do financiamento contratado do bem Imobilizado. Valor Financiado: R$ 120.000,00 Parcelas: 12 Taxa: 1,860267% ao mês Parcela Saldo inicial Juros Amortização Prestação Saldo Final 0 120.000,00 1 120.000,00 2.232,32 9.017,68 11.250 110.982,32 2 110.982,32 2.064,57 9.185,43 11.250 101.796,89 3 101.796,89 1.893,69 9.356,31 11.250 92.440,58 4 92.440,58 1.719,64 9.530,36 11.250 82.910,22 5 82.910,22 1.542,35 9.707,65 11.250 73.202,57 6 73.202,57 1.361,76 9.888,24 11.250 63.314,34 7 63.314,34 1.177,82 10.072,18 11.250 53.242,15 8 53.242,15 990,45 10.259,55 11.250 42.982,60 9 42.982,60 799,59 10.450,41 11.250 32.532,19 10 32.532,19 605,19 10.644,81 11.250 21.887,38 11 21.887,38 407,16 10.842,84 11.250 11.044,54 12 11.044,54 205,46 11.044,54 11.250 0,00 15.000,00 120.000,00 135.000 Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias... 101 a) Registro contábil do ingresso do bem na empresa: D – Máq. e Equipamentos (ANC Imobilizado) R$ 105.600,00 D – ICMS a Recuperar s/Ativo Imobilizado (AC) R$ 20.400,00 D – Juros a Apropriar (PC Conta Redutora) R$ 15.000,00 C – Financiamentos R$135.000,00 C – ICMS a Recolher (Diferencial de Alíquota) R$ 6.000,00 Através de um lançamento composto, registramos o bem no Imobilizado Ativo Não Circulante (ANC), o ICMS a Recuperar no valor de R$ 20.400,00 no Ativo Circulante (AC). Retomando que a apropriação deverá ser feita em 48 meses. Como o valor do ICMS a Recuperar totalizou R$ 20.400,00 (R$ 14.400,00 destacado na NF, mais R$ 6.000,00 de Diferencial de Alíquota) o valor máximo da apropriação mensal será de R$ 425,00. (R$ 20.400,00/ 48 meses= R$ 425,00). Foi realizado, ainda, o registro de juros a apropriar, para que sejam transferidos mensalmente para a despesa. Na conta de Financiamentos consta o valor do financiamento mais os juros contratados. Finalmente feito o registro do valor do ICMS a recolher referente ao diferencial de alíquota. b) Registro do crédito 102 Prática Contábil Informações adicionais: Saídas tributadas no mercado interno: R$ 225.000,00 em abril de 2014. Exportações realizadas no mês de abril de 2014: R$ 80.000,00 Não tributadas: R$ 40.000,00 Desta forma as saídas totais totalizaram: R$ 345.000,00 O cálculo do crédito de ICMS do Imobilizado será feito da seguinte forma: R$ 20.400,00 *(1/48*305.000,00/345.000,00) = 20.400,00*0,018418= 375,73 será o valor a ser creditado a título de ICMS do Imobilizado. O registro contábil a ser efetuado será: D – ICMS a Recolher R$ 375,72 C - ICMS a Recuperar – Ativo Imobilizado R$ 375,73 Desta forma a empresa terá uma redução de R$ 375, 73 no valor do ICMS a Recolher em razão do creditamento do ICMS do Ativo Imobilizado. Recapitulando Neste Capítulo estudamos o ICMS na compra de mercadorias que se caracteriza como um imposto não cumulativo, desta Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias... 103 forma pode ser realizada a compensação do que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços (transporte interestadual ou intermunici- pal ou de comunicação) com o montante cobrado nas opera- ções/prestações anteriores. Também neste Capítulo avaliamos o ICMS na compra do imobilizado e o registro contábil quan- do da aquisição do bem e o aproveitamento do crédito, em conformidade com a legislação vigente. Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cci- vil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm Acesso em 10 dez. 2014. BRASIL. Lei Complementar Nº 87, de 13 de Setembro de 1996. Dispõe sobre o imposto dos Estados e do Distrito Federal sobre operações relativas à circulação de merca- dorias e sobre prestações de serviços de transporte inte- restadual e intermunicipal e de comunicação, e dá outras providências. (LEI KANDIR). Disponível em: <http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp87.htm> Acesso em 13 dez. 2014. 104 Prática Contábil Atividades 1) Uma empresa comercial pagou R$ 4.000,00 pela compra de mercadorias. Foi incluído, nesse pagamento, o valor de R$ 680,00 referente ao Imposto sobre Operações relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comu- nicação (ICMS). Posteriormente, a empresa vendeu todo o estoque adquirido por R$ 6.400,00. Com base nessa situação e considerando a alíquota do ICMS de 17% para todas as transações comerciais, assinale a opção correta em que constam, respectivamente, a despesa com ICMS, e o valor do ICMS recolhido pela empresa. a) 1.080,00 e 680,00 b) 680,00 e 1050,00 c) 1.088,00 e 408,00 d) 1.200,00 e 680,00 e) Nenhuma alternativa 2) A Comercial TKM Ltda. é uma empresa comercial varejis- ta que adquiriu, da Indústria KJH Ltda., 100 unidades do produto alfa no valor unitário de R$165,00 (sem IPI). O frete foi pago pelo vendedor. Supondo-se a alíquota das operações de: IPI de 10%, ICMS de 12 %, PIS de 1,65% e COFINS de 7,6%, determine o valor do ICMS, conside- rando que a empresa recupera esse tributo, e assinale a alternativa correta: Capítulo 4 O Icms nas Operações com Mercadorias... 105 a) 1.500,00 b) 1.980,00 c) 1.000,00 d) 2.980,00 e) Nenhuma das alternativas 3) Considere que determinada empresa comercial não con- tribuinte de IPI tenha realizado, em dado período, vendas de R$ 700.000,00, sobre as quais incidiu ICMS à alíquota de 12%, e que, nesse mesmo período, tenha adquirido R$ 500.000,00 em mercadorias, incidindo sobre esse valor ICMS à alíquota de 12% e IPI à alíquota de 10%. Considere, ainda, que, no início do referido período, a empresa não apresentasse qualquer saldo de imposto a recolher ou a recuperar e que não houvesse qualquer ou- tro evento que produzisse impacto sobre tributos. Em face dessa situação, é correto afirmar que a empresa apurou, ao final desse período: a) ICMS a recolher no valor de R$ 24.000,00. b) ICMS a recolher no valor de R$ 22.000,00. c) ICMS a recuperar no valor deR$ 20.000,00 d) ICMS a recolher no valor de R$ 46.000,00. e) ICMS a recuperar no valor de R$ 22.000,00. 4) Considere que uma empresa comercialtenha adquirido mercadorias no valor de R$ 2.000,00, a prazo, com ICMS 106 Prática Contábil destacado à alíquota de 17%. Faça os cálculos do valor a recuperar de ICMS e o valor a ser registrado como estoque e elabore os registros contábeis correspondentes. 5) Considere que uma empresa tenha um saldo de R$ 5.000,00 na conta de ICMS a Recuperar – Ativo Imobili- zado e no mês de setembro de 2014. No referido mês a empresa teve saídas tributadas no valor de 50.000,00 e não tributadas de 10.000,00. R$ 5.000,00*(1/48*50.000,00/60.000,00) = 5.000,00*0,017361= 86,81 esse será o valor a ser cre- ditado a título de ICMS do Imobilizado. Realize o registro contábil referente ao aproveitamento do crédito, conforme demonstrado em nosso exemplo. (So- mente o valor do aproveitamento do crédito no mês de setembro, pois se pressupõe que, quando da aquisição do bem os registros já foram realizados). Gabarito: 1) c, 2) b, 3) a 4) Registro contábil D – ICMS A RECUPERAR 340,00 D – ESTOQUE DE MARCADORIAS 1.660,00 C – FORNECEDORES 2.000,00 5) D – ICMS a Recolher R$ 86,81 C – ICMS a Recuperar – Ativo Imobilizado R$ 86,81 Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Capítulo 5 O ICMS e o IPI nas Indústrias 108 Prática Contábil Introdução A indústria por suas especificidades e características próprias, com operações distintas das empresas comerciais apresenta diferenças, também no que se refere ao crédito de impostos não cumulativos, principalmente em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Para o comércio o IPI representa custo, já que vai integrar o Custo da Mercadoria Vendida. Já a indústria, ao adquirir matérias-primas e outros materiais, tem direito ao crédito do valor que foi pago até a etapa anterior, tal como o ICMS o IPI é um imposto não cumulativo. O ICMS caracteriza-se como um imposto por dentro, ou seja está inclu- so no preço dos produtos, o IPI tem como característica ser um imposto por fora, não integrando o preço dos produtos. É de competência federal cobrado sobre produtos industrializados, estrangeiros e nacionais. Tem como característica ser um imposto seletivo, pois sua alíquota varia de acordo com a essencialidade do produto, não cumulativo, pois em cada fase da cadeia produtiva é com- pensado o valor devido com o montante cobrado anterior- mente. Essas características foram definidas pelo art. 153 da Constituição Federal de 1988. 1 IPI: Incidência, contribuinte e fato gerador As principais hipóteses de incidência do IPI são: Capítulo 5 O ICMS e o IPI nas Indústrias 109 a) na importação: o desembaraço aduaneiro de produ- tos de procedência estrangeira; b) na operação interna: a saída de produto de estabele- cimento industrial, ou equiparado a industrial. Em seu art. 2º o Decreto n° 7212/2010 determina que: Art. 2o O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI (Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1o, e Decreto-Lei no 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1o). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação “NT” (não tributado) (Lei no 10.451, de 10 de maio de 2002, art.6º). O Decreto n° 7212/2010 define assim produto industria- lizado: Art. 3o Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industriali- zação, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º) O mesmo decreto define industrialização: 110 Prática Contábil Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acaba- mento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I – a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qual- quer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o aca- bamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produ- to, pela colocação da embalagem, ainda que em substi- tuição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondi- cionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte rema- nescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou re- condicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado Capítulo 5 O ICMS e o IPI nas Indústrias 111 para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Regulamento de Produtos Industrializados (RIPI) estabele- ce que: “Art. 8o Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4o, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei no 4.502, de 1964, art. 3o)”. Recomenda-se a leitura e análise do art. 9º do mesmo dis- positivo legal para a correta compreensão de estabelecimento equiparado a industrial. Deixamos de reproduzi-lo neste Capí- tulo pela sua extensão, uma vez que são quinze incisos, diver- sos parágrafos e alíneas. O artigo do RIPI define como contribuinte o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço adu- aneiro, o industrial, em relação ao fato gerador que decorre da saída de produto que industrializar, o estabelecimento equi- parado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos pro- dutos que deles saírem e ainda os que consumirem em outra finalidade, ou remeterem a pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, quando alcançado por imunidade. O parágrafo único do art. supracitado considera como contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importa- dor, industrial ou comerciante em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar. O art. 35 do RIPI define que o fato gerador do imposto é: 112 Prática Contábil Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I - o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II - a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso I, consi- derar-se-á ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela au- toridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação (Lei no 4.502, de 1964, art. 2o, § 3o, e Lei no 10.833, de 2003, art. 80). 2 Contabilização do IPI recuperável A determinação do custo das mercadorias vendidadas e das matérias-primas utilizadas não inclui os impostos recuperáveis por meio de créditos na escrita fiscal, como o ICMS e o IPI. As indústrias, assim como o comércio, tem direito à recupe- ração do ICMS, e assim o exemplo da Cia. J.P. Ltda, empresa comercial, apresentado no Capítulo 4 é válido também para indústria quando da aquisição dematérias-primas. Neste con- texto, vamos desenvolver um exemplo de recuperação de IPI e ICMS na compra de matéria-prima. Pressupondo que a R.M. Industrial tenha adquirido matérias-primas e os seguintes da- dos constam da Nota Fiscal Eletrônica (Nf-e): Capítulo 5 O ICMS e o IPI nas Indústrias 113 Valor das matérias-primas 20.000,00 IPI (alíquota de 10%) 2.000,00 Valor total da Nf-e 22.000,00 ICMS (alíquota 12%) 2.400,00 Admitindo que a compra tenha sido a prazo, teremos: D – Estoque de matérias-primas R$ 17.600,00 D – IPI a Recuperar (Ativo Circulante) R$ 2.000,00 D – ICMS a Recuperar (Ativo Circulante) R$ 2.400,00 C – Fornecedores R$ 22.000,00 Neste exemplo simulado, fica evidenciado que o ICMS tem característica de imposto por dentro e o IPI se caracteriza como um imposto por fora. No valor de R$ 20.000,00 de matérias- -primas havia R$ 2.400,00 de ICMS incluso, já o IPI não está computado neste valor. O IPI foi destacado e somado ao valor da Nota Fiscal Eletrônica. Pressupondo a venda de produtos que foram fabricados utilizando esta matéria-prima, (Utilização total da matéria-pri- ma), temos as seguintes informações na NF-e: Venda de produtos R$ 38.000,00 IPI (aliquota de 10%) R$ 3.800,00 114 Prática Contábil Total da Nf-e R$ 41.800,00 ICMS (alíquota de 12%) R$ 4.560,00 Registro contábil da venda, a prazo: D – Clientes R$ 41.800,00 C - Receita Bruta de Vendas R$ 41.800,00 Registro do IPI D – IPI S/ Vendas R$ 3.800,00 (Dedução da Receita de Vendas) C – IPI a Recolher (Ativo Circulante) R$ 3.800,00 Registro do ICMS D – ICMS s/ Vendas R$ 4.560,00 (Dedução da Receita de Vendas) C – ICMS A recolher R$ 4.560,00 Deixamos de realizar os registros de PIS e COFINS, por não ser objeto do nosso estudo, contudo alertamos para o fato da incidência destas duas contribuições quando da venda de produtos. As alíquotas são de 0,65% do PIS e 3% da CO- FINS, quando a empresa se submete ao Lucro Presumido, e de 1,65% do PIS e 7,6% da COFINS, para empresas tributadas pelo Lucro Real. Quando da apuração do ICMS a Recolher e do IPI a Reco- lher a empresa fará a compensação dos valores. Vamos a apuração do ICMS a recolher e do IPI a Recolher: Capítulo 5 O ICMS e o IPI nas Indústrias 115 a) Determinação do valor de ICM a Recolher: A conta de ICMS a Recolher terá um saldo de R$ 4.560,00. Para obter o valor que realmente a empresa deve pagar tere- mos que transferir o valor do ICMS a recolher para esta conta, conforme a seguir: D – ICMS a Recolher R$ 2.400,00 C – ICMS a Recuperar R$ 2.400,00 O valor que deverá ser recolhido será o saldo desta conta: ICMS a Recolher Débito 2.400,00 Crédito 4.560,00 Saldo: 2.160,00 O valor a recolher será de R$ 2.160,00, confirmando a não cumulatividade do ICMS. b) Determinação do IPI a recolher no período: A conta de IPI a Recolher terá um saldo de R$ 3.800,00. Para obter o valor que realmente a empresa deve pagar tere- mos que transferir o valor do IPI a recolher para esta conta, conforme a seguir: D – IPI a Recolher R$ 2.000,00 C – IPI a Recuperar R$ 2.000,00 O valor que deverá ser recolhido será o saldo desta conta: 116 Prática Contábil IPI a Recolher Débito 2.000,00 Crédito 3.800,00 Saldo: 1.800,00 O valor a recolher será de R$ 1.800,00, confirmando a não cumulatividade do IPI, pois o valor que havia sido pago até a etapa anterior, foi compensado. Recapitulando No Capítulo 5 estudamos o IPI e o ICMS na aquisição de matérias-primas pela indústria. As principais hipóteses de incidência do IPI são: a) Na importação: o desembaraço aduaneiro de produ- tos de procedência estrangeira; b) Na operação interna: a saída de produto de estabele- cimento industrial, ou equiparado a industrial. Foram elaborados os registros contábeis do IPI recuperá- vel quando da aquisição da matéria-prima, demonstrando seu impacto na redução do ICMS a recolher pela indústria. Capítulo 5 O ICMS e o IPI nas Indústrias 117 Referências BRASIL. Decreto Nº 7212, de 15 de junho de 2010. Re- gulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e admi- nistração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/decreto/d7212.htm > Atividades 1) (INMETRO/2010) O ICMS e o IPI são impostos que re- cebem tratamento contábil diferenciado em empresas co- merciais, industriais e de prestação de serviços. Considere a seguinte aquisição de mercadorias/matérias-primas/ma- teriais de consumo: Aquisição de 10.000 unidades, ao preço de R$ 13,00 por unidade, com IPI de 10% e ICMS à alíquota de 18%. Considere, ainda, que não há qualquer outro tributo inci- dente sobre essa aquisição nem há valores de devoluções e abatimentos a computar. aquisição 10.000 unidades preço R$ 13,00 por unidade aliquota de IPI 10% aliquota de ICMS 18% 118 Prática Contábil Com base nessas informações, assinale a opção que apre- senta a forma correta de uma empresa comercial não contri- buinte de IPI realizar o registro contábil dessa aquisição. a) debite – despesa de IPI . . . . . . . . . . . . . . R$ 10.660,00 debite – ICMS a recuperar . . . . . .. . . . . . . R$ 23.400,00 debite – estoque de mercadorias . . . . . . . R$ 95.940,00 credite – caixa/bancos ou fornecedores . . . . R$ 130.000,00 b) debite – IPI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .R$ 13.000,00 debite – ICMS a recuperar . . . . . . . . . . . . R$ 21.060,00 debite – estoque de mercadorias . . .. . . . . R$ 95.940,00 credite – caixa/bancos ou fornecedores . . . . R$ 130.000,00 c) debite – despesa de IPI . . . . . . . . . . . . . . R$ 13.000,00 debite – ICMS a recuperar . . . . .. . . . . . . . R$ 23.400,00 debite – estoque de mercadorias . . . . . . . R$ 93.600,00 credite – caixa/bancos ou fornecedores . . . . . R$ 130.000,00 d) debite – ICMS a recuperar . . . . . . . . . . . . R$ 23.400,00 debite – estoque de mercadorias . . . . . .. R$ 119.600,00 credite – caixa/bancos ou fornecedores . . . . . R$ 143.000,00 Capítulo 5 O ICMS e o IPI nas Indústrias 119 e) debite – ICMS a recuperar . . . . . . . . . .. . . R$ 21.060,00 debite – estoque de mercadorias .. . . . . . R$ 121.940,00 credite – caixa/bancos ou fornecedores . . . . . R$ 143.000,00 2) Caso os materiais citados no texto destinem-se à industria- lização em uma empresa contribuinte do IPI e do ICMS, os valores em contas de impostos a recuperar e no estoque de matérias-primas serão, respectivamente: imposto alíquota IPI 10% ICMS 18% Com base nas informações e nos dados da tabela acima, assinale a opção que corresponde aos valores registrados por essa empresa em contas de impostos a recuperar e no estoque de matérias-primas, respectivamente. a) R$ 36.400,00 e R$ 93.600,00. b) R$ 36.400,00 e R$ 106.600,00. c) R$ 36.400,00 e R$ 130.000,00. d) R$ 38.740,00 e R$ 104.260,00. e) R$ 38.740,00 e R$ 130.000,00. 3) (CFC 2011/1) Uma matéria-prima foi adquirida por R$3.000,00, incluídos nesse valor R$150,00 referentes a 120 Prática Contábil IPI e R$342,00 relativos a ICMS. O frete de R$306,00 foi pago pelo vendedor, que enviou o material via aérea, mas a empresa compradora teve que arcar com o transporte entre o aeroporto e a fábrica, que custou R$204,00. Con- siderando-se que os impostos são recuperáveis, o valor registrado em estoques será: a) R$2.508,00 b) R$2.712,00 c) R$3.018,00 d) R$3.204,00 4) Realize os registros contábeis relativos aos estoques e im- postos a recuperar, considerando as seguintes operações de uma empresa industrial. A empresa adquiriu matéria-prima, à vista, no valor de R$ 1.000,00,com destaque de ICMS de 12%, mais IPI de 10%. 5) Indique se a afirmativa é falsa ou verdadeira: I – O IPI é considerado imposto por fora e é de competência do governo federal. II – O IPI é cumulativo e à sua alíquota é única para todo e qualquer produto. III – O ICMS é um imposto por dentro, não cumulativo e de competência estadual. Capítulo 5 O ICMS e o IPI nas Indústrias 121 Gabarito 1) d, 2) b, 3) b, 5) I – V, II – F, III – V 4) D – ICMS a Recuperar R$ 120,00 D – IPI a Recuperar R$ 100,00 D- Estoque de matéria-prima R$ 880,00 C – Bancos Conta Movimento R$ 1.100,00 Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Capítulo 6 O Frete no Custo das Mercadorias e Matérias-Primas Capítulo 6 O Frete no Custo das Mercadorias... 123 Introdução Desde os primórdios, o homem tem a necessidade de trans- portar em sua vida. Como cita Gonçalves (2010, p. 342), a partir do momento que o homem começou a caçar e pescar, de certa forma, ele também aplicava, sem ter conhecimento, ferramentas de logística para transportar seu alimento até sua moradia e distribuí-los ao seu grande grupo. Donato (2010, p. 9) cita ainda que um dos primeiros dispositivos criados para transporte de grandes volumes, no qual o homem não poderia suportar o peso da carga, foi o travois, este foi criado após o homem conseguir domesticar os animais, e utilizavam tração animal para carregar. Um dos fatores que impulsionou ainda mais e evidenciou a importância da logística, foi a Revolução Industrial. Como se pode verificar conforme Gonçalves (2010, p. 342), o impulso das novas tecnologias paliçadas na manufatura de produtos, especialmente com a invenção de máquinas a vapor que foi essencial para expansão da indústria e dos negócios, permi- tiram a produção em grande escala e a busca de novos mer- cados. Se, de um lado o processo industrial começava a se tor- nar mais automatizado com a introdução de novas in- venções e aprimoramentos nas máquinas, de outro lado, os transportes se multiplicavam com uma força motriz que permitia levar grandes volumes à longas distâncias (GONÇALVES, 2010, p. 342). 124 Prática Contábil Por esse motivo as empresas estavam expandindo sua ca- pacidade produtiva e não queriam ficar restritas às cidades em que se encontravam instaladas. Neste período tudo que era produzido era consumido, levando as empresas a obterem altos lucros com vendas. Logo após este período, iniciou a Segunda Guerra mundial, e, conforme Gonçalves (2010, p. 343), novamente surge uma grande necessidade logística, na movimentação de tropas, suprimentos e equipamentos para as áreas estratégicas e de combate, levando com que as in- dústrias focassem sua produção para atender as exigências da guerra na fabricação de artefatos bélicos e materiais diversos destinados aos combates. O transporte de cargas é uma das artérias principais no crescimento e aumento do PIB no Brasil. Conforme cita Arnold (2006, p. 382), o transporte é um dos principais componen- tes do tecido econômico-social de um grupo humano, aju- dando no desenvolvimento econômico de áreas regionais. “O transporte é um ingrediente essencial para o desenvolvimento econômico de qualquer área. Reúne as matérias-primas para a produção de commodities comercializáveis e distribui os pro- dutos da indústria no mercado.” Como foi citado, tudo que é produzido, necessariamente deve ser entregue a um cliente final. Como citam Abranche et al (2006, p. 67), a movimentação de produtos cria para a so- ciedade o valor de lugar, pois permite que os produtos estejam exatamente onde os consumidores desejam, ou seja, caso o produto não esteja disponível na data e local exato acordado com o cliente, isso pode gerar perda de vendas e insatisfações por parte do cliente, podendo a empresa ter uma queda acen- Capítulo 6 O Frete no Custo das Mercadorias... 125 tuada no seu resultado por um mau gerenciamento da sua logística. Nesse sentido, a velocidade em que ocorre a circulação de materiais se torna peça chave, pois as empresas trabalham cada vez com menos estoques e o transporte acaba tendo importância acrescida, e por este motivo os esforços para o gerenciamento e controle é relevante, podendo ser percebido na fala de Abrache (2006, p. 67) “a velocidade com que a movimentação acontece é vital para a economia moderna, na qual as empresas procuram trabalhar com o menor estoque possível, seja matéria-prima, seja produtos acabados”. Essa velocidade de transporte, segundo Bowersox, Closs e Cooper (2006, p. 51), se caracteriza como o tempo exigido para completar um movimento específico, e o aspecto crítico na hora da escolha do transporte apropriado se define levan- do em consideração a velocidade da entrega e o custo do ser- viço prestado, esse equilíbrio entre os dois fatores é relevante na hora da escolha do modal. 1 Modalidades de transporte de cargas No Brasil há diversificação de modais. Esses modais são defi- nidos por Bowersox, Closs e Cooper (2006) como sendo como um método ou forma básica de transporte. No momento exis- tem cinco modalidades de transporte disponíveis para movi- mentação de cargas, são eles: Rodoviário, Ferroviário, Aéreo, Aquaviário e Dutoviário. 126 Prática Contábil O transporte rodoviário é o mais importante e expressivo, o modal mais utilizado e domina hoje segundo Alvarenga e Novaes (2000) praticamente 70% de toda carga transportada no Brasil, sua frota chega a 2.303.961 veículos de carga e sua abrangência é total. Como pode ser observado no gráfico 1, a seguir: Fonte: Ministério dos Transportes (2014) Já o modal Ferroviário foi em meados dos séculos XIX e XX era visto como o grande modal do transporte de cargas brasileiro, carregava grande parte da carga de minério e com- bustíveis, porém isso nunca se concretizou, devido aos altos Capítulo 6 O Frete no Custo das Mercadorias... 127 custos com implementação de ferrovias e também o processo abandono que o modal passou. Abranche et al (2006, p. 68) citam que “o processo de sucateamento e abandono pelo qual passou impediu qualquer utilização racional desse modal, que quase desapareceu da matriz de transporte brasileira”. Este modal é indicado para cargas que necessitam viajar grandes distancias, tem como vantagem competitiva o menor custo operacional, e é o modal mais indicado para cargas acima de 25 toneladas. No que diz respeito ao modal aéreo, após algumas pes- quisas pode-se observar que tem como sua principal caracte- rística a velocidade. Conforme cita Arnold (2006), seu tempo de trânsito é o menor de todos os modais, o mesmo está em pleno crescimento, pois é um modal teoricamente novo, as companhias aéreas começaram a pouco tempo investir neste ramo. Esse é o modal indicado para cargas leves, urgentes e de alto valor, pois como se trata de um transporte de custo mais elevado, as mercadorias por sua vez chegam mais rápi- das e diminui os riscos envolvidos no transporte terrestre, tais como roubos, extravios ou danos. No quarto modal apresentado está o Aquaviário, ou Ma- rítimo, como também é conhecimento, segundo Bowersox, Closs e Cooper (2006, p. 285) “é um dos transportes mais antigos que existe, e o pioneiro no início da movimentação de material de um ponto a outro”. O transporte aquaviário pode ser subdivido entre marítimo e hidroviário. O marítimo é caracterizado por utilizar o mar como sua estrada e também é o mais conhecido, utiliza-se no transporte internacional de cargas por meio de contêineres. Também são utilizados lagos 128 Prática Contábil e rios neste meio de transporte, neste se escoa a produção de zonas mais remotas e retiradas, e é bastante utilizado na região amazônica no Brasil, caracterizado pelo baixo custo, e pelas longas distânciasque a carga pode percorrer, outro ponto que se pode evidenciar são os ótimos prazos de descar- ga, pois atualmente há portos equipados para descarga com equipamentos de última geração. O modal dutoviario é aquele efetuado no interior de uma linha de tubos ou dutos, realizado por gravidade ou pressão sobre o produto a ser transportado ou ainda por arraste deste produto por meio de um elemento transportador. Esses dutos são tubulações especialmente desenvolvidas e construídas de acordo com normas internacionais de segurança, para trans- portar petróleo e seus derivados, como gás, álcool, produ- tos químicos diversos por distâncias especialmente longas. O transporte dutoviário pode ser dividido em oleodutos, minero- dutos e gasodutos e estes podem ser subterrâneos, aparentes e submarinos. Após essa breve apresentação dos modais de transporte de cargas, destaca-se a necessidade de compreender os efeitos das receitas e das despesas decorrentes da movimentação de materiais entre as empresas, ou seja, o frete sobre as compras e o frete sobre as vendas de mercadorias. Capítulo 6 O Frete no Custo das Mercadorias... 129 2 Frete CIF e frete FOB e a legislação tributária Nas negociações de compras ou vendas de mercadorias que envolvem o transporte, podem ser identificadas duas situações de fretes, quais sejam, frete CIF ou frete FOB. Frete CIF é uma abreviatura em inglês que significa Cost, Insurance and Frei- ght (custo, seguro e frete), isso significa que quando uma compra de mercadoria contém essa cláusula, estamos queren- do dizer que o vendedor estará arcando com o valor do frete e do seguro até o estabelecimento do comprador ou outro local por ele indicado. No entanto, se as negociações forem que o comprador é que tem a obrigação de arcar com as tais despesas, dizemos que a venda foi feita com a cláusula contratual FOB Free On Board (posto a bordo), essa cláusula diz que o vendedor tem a obrigação de arcar com o custo do seguro e do frete até o local onde a mercadoria será embarcada, correndo por conta e risco do comprador tais despesas a partir desse ponto. Dirimidas as dúvidas sobre a o frete CIF ou FOB, partimos para a compreensão da legislação brasileira sobre a incorpo- ração do valor do frete no custo da mercadoria, conforme o RIR/1999, art. 289 e seus parágrafos, que define que o custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda incluirá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos não recuperáveis devidos na aquisição ou impor- tação. 130 Prática Contábil O art. 290 do RIR/1999 define que o custo da produção dos bens e serviços compreenderá obrigatoriamente: a. o custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na pro- dução, inclusive os de transporte e seguro até o estabe- lecimento do contribuinte e os tributos não recuperáveis devidos na aquisição ou importação; b. o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive na supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c. os custos de locação, manutenção e reparo e os en- cargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d. os encargos de amortização, diretamente relaciona- dos com a produção; e. os encargos de exaustão dos recursos naturais utiliza- dos na produção. Desta forma percebe-se que tanto as despesas de fretes, quanto seguros (e demais custos) deverão ser acrescidas no custo dos produtos, lembrando que os tributos incidentes sobre essas operações são recuperados, ou seja, o ICMS, o PIS e a COFINS. Outra informação que precisa ser discutida nesse momento diz respeito à aquisição de mercadorias importadas. O cus- to de aquisição de mercadorias ou matérias-primas importa- das diretamente pela empresa compreende, além do valor da operação cambial, frete, seguro e impostos não recuperáveis, Capítulo 6 O Frete no Custo das Mercadorias... 131 todos os demais gastos com o desembaraço aduaneiro (des- pesas portuárias, honorários do despachante etc.). Para a prestação de serviço de transporte de cargas realiza- da por transportadores estabelecidos no Estado do Rio Grande do Sul, tem-se que a legislação tributária dispõe que fica dife- rido para a etapa posterior o pagamento do imposto devido, hipótese em que a responsabilidade pelo referido pagamento fica transferida ao tomador do serviço. Isso está fundamentado no disposto no inciso IX do art. 10, inciso XXI do art. 32 e art. 46 do Livro I, arts. 2º, 3º e 54 a 56 do Livro III, e item VII da Seção II do Apêndice III, todos do RICMS/RS. Para os demais serviços de transporte de cargas fora do estado do Rio Grande do Sul, aplica-se 7% (sete por cento) quando destinadas a contribuintes estabelecidos nos Estados das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, além do Estado do Espírito Santo mais o Distrito Federal. Aplica-se 12% (doze por cento) quando as prestações interestaduais forem desti- nadas a contribuintes estabelecidos na região Sul e Sudeste, exceto o Estado do Espírito Santo. Sobre o PIS e a COFINS, as Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 definem que a incidência do tributo terá como fato gerador o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil. Nesse sentido, a legislação deixa claro que o frete sobre as vendas, cujo ônus seja do vendedor, admite apropriação de créditos de PIS e de COFINS, ou seja, não há dúvida quanto ao direito creditório sobre o frete utilizado para transporte do bem vendido para o adquirente. 132 Prática Contábil Vamos a um exemplo. Aquisição de uma mercadoria para revenda com frete FOB vindo do Estado de Santa Catarina. Valor do frete R$ 4.800,00, ICMS 12%, PIS 1,65% e COFINS 7,6%. Observe que a empresa que vendeu e a que comprou a mercadoria são tributadas pelo Lucro Real. Valor do frete R$ 4.800,00 ICMS 12% R$ 576,00 PIS 1,65% R$ 79,20 COFINS 7,6% R$ 364,80 Escrituração contábil: D Fretes s/ compra de mercadorias R$ 4.800,00 C Banco/Caixa R$ 4.800,00 D ICMS a Recuperar R$ 576,00 C ICMS Frete s/ compra de mercadorias R$ 576,00 D PIS a Recuperar R$ 79,20 C PIS Frete s/ compra de mercadorias R$ 79,20 D COFINS a Recuperar R$ 364,80 C COFINS Frete s/ compra de mercadorias R$ 364,80 Capítulo 6 O Frete no Custo das Mercadorias... 133 Atenção Se a empresa que comprou fosse tributada pelo Lucro Presu- mido, haveria apenas o direto de recuperar o ICMS, estando o PIS e a COFINS não autorizadas a sua recuperação, logo seriam custo para a empresa. E se a empresa de transporte for tributada pelo Simples Nacional, a empresa que contratou o frete terá direito apenas sobre o ICMS destacado no Conheci- mento de Transporte Rodoviário de Cargas “CTRC”. O custo da compra da mercadoria será o valor da merca- doria recuperado os tributos incidentes sobre a compra, o valor do frete recuperado os tributos sobre o frete. Nesse caso, como a mercadoria veio do estado de Santa Catarina, cujo ICMS é 12%, haverá a necessidade de fazer o recolhi- mento do diferencial interestadual de alíquota do ICMS na ordem de 5%, somente sobre a mercadoria, excetuado o frete, pois no estado do Rio Grande do Sul o ICMS é 17%. Recapitulando A necessidade de transportar mercadorias foi impulsionada com a Revolução Industrial, a partir de então as empresas ex- pandiram a capacidade produtiva e não queriam ficar restritas às cidades que estavam instaladas. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi alavancado com o transporte e movimen- tação de cargas. No Brasil existem 5 modais, são eles: rodo- 134 Prática Contábil viário (estradas), ferroviário (trens), aéreo (aviões), aquaviário (rios e mares) e dutoviário (dutos). Para esses transportes é necessário que sejam negociadosvalores de fretes. Se o frete for CIF os custos incorrerão sobre aquele que envia a mercadoria e se o frete for FOB, o paga- mento do frete recairá sobre aquele que compra a mercadoria. No que diz respeito aos tributos, se o frete for dentro do es- tado do RS é diferido e se for para fora aplica-se a alíquota de 7% para as regiões do Norte, Nordeste, Centro Oeste e o Es- pírito Santo e Distrito Federal. Já para os estabelecimentos das regiões Sul, Sudeste (exceto Espírito Santo), o ICMS é de 12%. O PIS e a COFINS têm como base de calculo as receitas auferidas. Logo a receita da venda de frete é tributada e quem paga o custo do frete tem o direito de recuperar esses tribu- tos. Destaca-se que as alíquotas variam conforme a forma de tributação, Lucro Real, Lucro Presumido ou Simples Nacional. Referências ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Curso de Contabilidade In- termediária em IFRS e CPC: atende à programação dos 2° anos dos cursos de Ciências Contábeis e Administração de Empresas. São Paulo: Atlas, 2014. ALVARENGA, Antonio Carlos; NOVAES, Antônio Galvão. Lo- gística aplicada: suprimento e distribuição física. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2000. Capítulo 6 O Frete no Custo das Mercadorias... 135 ARBACHE, Fernando S. et al. Gestão de Logística, Distribui- ção e Trade Marketing. 2° ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006. ARNOLD, J.R. Tony de. Administração de materiais: uma introdução. São Paulo: Atlas, 2006. BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, Daivd J.; COOPER, M. Bixby. Gestão Logística de Cadeia de Suprimento. São Paulo: Atlas, 2006. BRASIL. Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Regu- lamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e adminis- tração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Regulamento Imposto de Renda. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000. htm > Acesso em 23 out. 2014. _____. Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Dispõe sobre a não cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Forma- ção do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), nos casos que especifica; sobre o pagamento e o parcelamento de débitos tributários federais, a compensação de créditos fis- cais, a declaração de inaptidão de inscrição de pessoas jurídicas, a legislação aduaneira, e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/2002/l10637.htm > Acesso em: 20 out. 2014. ______. Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Altera a Legislação Tributária Federal e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/2003/l10.833.htm > Acesso em: 10 out. 2014. 136 Prática Contábil ______. Ministério dos Transportes, Ministério da Defesa. PNLT-Plano Nacional de Logística e Transportes. Su- mário Executivo Nov. 2009. Disponível em: <http://www. transportes.gov.br/public/arquivo/arq1318520363.pdf> Acesso em: 24 set. 2014. CREPALDI, Sílvio Aparecido. Curso Básico de Contabilidade: resumo da teoria atendendo às novas demandas da gestão empresarial, exercícios e questões com respostas. Atualiza- da conforme as Leis nºs 11.638/2007 e 11.941/2009. 6° ed. São Paulo: Atlas, 2010. DONATO, Vitório. Introdução a Logística: o perfil do profis- sional. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2010. GONÇALVES, Marilson A. Administração no Contexto In- ternacional. São Paulo: Saraiva, 2010. GRECO, Alvísio; AREND Lauro; GÄRTNER, Günther. Contabi- lidade: teoria e práticas básicas. São Paulo: Saraiva, 2007. PADOVEZE, Clóvis Luís. Introdução à Contabilidade: com abordagens para não contadores. São Paulo: Pioneira Thomson Learnig, 2006. RIO GRANDE DO SUL. Decreto n° 37.699 de 26 de agosto de 1997. Aprova o Regulamento do Imposto sobre Ope- rações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Pres- tações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermuni- cipal e de Comunicação (RICMS). Disponível em: < http:// www.legislacao.sefaz.rs.gov.br/Site/Document.aspx?inpKey =109362&inpCodDispositive=3478363 > Acesso em 15 out. 2014. Capítulo 6 O Frete no Custo das Mercadorias... 137 WARREN, Carl S.;REEVE, et al. Fundamentos de Contabili- dade: aplicações. Tradução da 22a. edição norte-ameri- cana. São Paulo: Cengage Learning, 2009. Atividades A seguir questões que vão contribuir para exercitar a aborda- gem desta unidade: Calcule o custo unitário e total de aquisição das seguintes compras: 1) No Rio Grande do Sul uma empresa comprou 20 unidades de mercadoria de uma empresa localizada no estado de São Paulo, no valor total de R$ 20.000,00 com cláusula FOB, cujo frete da mercadoria totaliza R$ 400,00. ICMS, PIS e COFINS. Lucro Real. 2) No Rio Grande do Sul uma empresa comprou 10 unidades de mercadoria de uma empresa localizada no Rio Grande do Sul no valor de R$ 1.000,00 cada, o frete CIF. Empresa tributada pelo Lucro Presumido. 3) No Rio Grande do Sul uma empresa comprou 40 unidades de mercadoria de uma empresa localizada no estado de Santa Catarina, valor total de R$ 5.000,00, com cláusula FOB no valor de R$ 560,00. ICMS, PIS e COFINS. Lucro Real. 4) No Rio Grande do Sul uma empresa comprou 20 unida- des de mercadoria de uma empresa localizada no estado 138 Prática Contábil do Paraná, pelo valor unitário de R$ 20,00, com frete de R$ 5,00 por unidade a ser pago pelo comprador. Lucro Presumido ICMS, PIS e COFINS. Gabarito 1) (+) Compra de mercadorias 20.000,00 (-) ICMS s/ co mercad. 12% (2.400,00) (-) PIS s/ co mercadorias 1,65% (330,00) (-) COFINS s/ co mercadorias 7,6% (1.520,00) (+) Diferencial interestadual alíquota (diferença 17% - 12%=5%) 1.000,00 (-) ICMS a Recuperar s/ antecip. ICMS (1.000,00) (+) Frete s/ compra 400,00 (-) ICMS frete s/ compra 12% (48,00) (-) PIS frete s/ compra 1,65% (6,60) (-) COFINS frete s/ compra 7,6% (30.40) Custo Total 16.065,00 Custo Unitário 803,25 2) Compra de 10 unidades x R$ 1.000,00 10.000,00 (-) ICMS 17% (1.700,00) Custo Total 8.300,00 Capítulo 6 O Frete no Custo das Mercadorias... 139 Custo Unitário 830,00 3) (+) Compra de mercadorias 5.000,00 (-) ICMS s/ co mercad. 12% (600,00) (-) PIS s/ co mercadorias 1,65% (82,50) (-) COFINS s/ co mercadorias 7,6% (380,00) ( _ +) Diferencial interestadual alíquota (diferença 17% - 12%=5%) 250,00 (+) Frete s/ compra 560,00 (-) ICMS frete s/ compra 12% (67,20) (-) PIS frete s/ compra 1,65% (9,24) (-) COFINS frete s/ compra 7,6% (42,56) Custo Total 4.378,50 Custo Unitário 109,46 4) Compra de 20 unidades x R$ 20,00 400,00 (-) ICMS 12% (48,00) (+) Diferencial interestadual alíquota (diferença 17% - 12%=5%) 20,00 (-) ICMS a Recuperar s/ antecip. ICMS (20,00) (+) Frete s/ compra 20 un.x 5,00 100,00 (-) ICMS frete 12% (12,00) Custo Total 440,00 140 Prática Contábil Custo Unitário 22,00 Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 142 Prática Contábil Introdução A diferença significativa entre a indústria e o comércio no con- texto de formação de custos é que no comércio não ocorre o processo de transformação e sim a revenda de mercado- rias (existem exceções, como em certos supermercados, onde acontece a produção interna de alguns artigos). As questões que afetam a determinação do CMV, no comércio, estão re- lacionadas às questões da aquisição das mercadorias e do CPV, na indústria, depende da aquisição da matéria-prima, do custo da mão de obra direta e dos custos de fabricação. Em virtude da amplitude do assunto, abordaremos nesse momento os registros de operações com mercadorias através do Inventário Periódico e do Permanente para o cálculo do CMV e posteriormente, a compreensão e cálculodo CPV. 1 CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS (CMV) As empresas comerciais determinam o CMV, a partir da seguinte fórmula: CMV = EI + Co – EF Sendo: CMV= Custo das Mercadorias Vendidas EI= Estoque Inicial Co= Compras do Período EF= Estoque Final Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 143 As compras do período caracterizam-se como as compras líquidas, ou seja, o custo das mercadorias adquiridas mais as despesas acessórias e menos os tributos recuperáveis. O De- creto n° 3.000/1999 (RIR) define o que compõe o custo das mercadorias e das matérias-primas em seu art. 289: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das ma- térias-primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos esto- ques existentes, de acordo com o Livro de inventário, no fim do período de apuração (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 14). § 1 º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 13). § 2 º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3 º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. O CMV pode ser obtido de duas formas, sendo através do Inventário Periódico ou do Inventário Permanente, conforme determinado no caput do art. 289 do RIR /1999. 144 Prática Contábil 1.1 Inventário periódico Ocorre quando os estoques existentes são avaliados na data de encerramento do balanço, através da contagem física. Op- tando pelo inventário periódico, a contabilização das opera- ções que envolvem mercadorias pode ser efetuada utilizando a Conta Mista de Mercadorias ou a Conta de Mercadorias Desdobrada. 1.1.1 Método da Conta Mista de Mercadorias O uso deste método implica a adoção de uma conta única que registra todos os fatos relativos às operações com merca- dorias: vendas, compras, estoques e CMV. Vamos a um exem- plo prático que vai nos auxiliar na compreensão do tema. A empresa M.N. Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda. apresen- tou as seguintes informações: Estoque Inicial: R$ 30.000,00 Estoque Final: (contagem Física) R$ 25.000,00 Compras, a prazo, no período: R$ 140.000,00 Vendas do Período, a prazo: R$ 250.000,00 A partir destas informações devemos calcular o Custo das Mercadorias Vendidas, o Resultado com Mercadorias (Lucro Bruto), e apresentar os registros contábeis. (Para facilitar nosso exemplo, vamos desconsiderar os efeitos tributários nas opera- ções). Já aprendemos que: CMV= EI + Co – EF, desta forma: Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 145 CMV = 30.000,00 + 140.000 – 25.000,00 = 145.000,00 Uma vez calculado o CMV, temos condições de calcular o Resultado com Mercadorias, que assim se apresenta: RCM = Vendas – Custo das Mercadorias Vendidas Utilizando as informações da empresa M.N. Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda, temos as seguintes informações: VENDAS DO PERÍODO R$ 250.000,00 (-) CUSTO DAS MERC. VENDIDAS R$ 145.000,00 RESULTADO COM MERCADORIAS OU LUCRO BRUTO R$ 105.000,00 Na sequência faremos os registros contábeis relativos às operações da M.N. Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda. Para melhor visualização, neste exercício, vamos apresentar as con- tas contábeis no razão em forma de T. O estoque inicial tem saldo de R$ 30.000,00. ATIVO CIRCULANTE Estoque de Mercadorias S 30.000,00 146 Prática Contábil Faremos na conta de Estoque de Mercadorias, na qual já consta o saldo inicial, o registro das compras, a prazo, do pe- ríodo, no valor de R$ 140.000,00. Registro contábil das Compras: ATIVO CIRCULANTE Estoque de Mercadorias Estoque Inicial S 30.000,00 Compras (1) 140.000,00 170.000,00 PASSIVO CIRCULANTE Fornecedores 140.000,00 (1) Registro contábil das Compras a prazo (1): D – Estoque de Mercadorias (Compras) 140.000,00 C – Fornecedores 140.000,00 Descrevendo o registro contábil das Vendas (2): As vendas do período totalizaram R$ 250.000,00, teremos o seguinte registro: ATIVO CIRCULANTE Clientes 2) 250.000,00 CONTAS DE RESULTADO Receita de Vendas 250.000,00 (2) Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 147 Descrição do registro contábil das vendas a prazo: D – Clientes 250.000,00 C – Receita de Vendas 250.000,00 Registro do CMV (3) e do Estoque Final (4) Descrição do registro (3): D – CMV 170.000,00 C – Estoque de Mercadorias 170.000,00 Descrição do registro (4): (Após a contagem física e valo- rização do EF) D – Estoque de Mercadorias (EF) 25.000,00 C – CMV 25.000,00 O registro do estoque final e o ajuste no CMV são realiza- dos após a contagem física e a valoração deste estoque. Determinando o Resultado com Mercadorias: RCM = Receita de Vendas (–) Custo da Mercadoria Ven- dida RCM = 250.000,00 (–) 145.000 = 105.000,00 148 Prática Contábil Registro Contábil determinação RCM CONTAS DE RESULTADO Receita de Vendas CONTAS DE RESULTADO CMV (5) 250.000,00 250.000,00 S S145.000,00 145.000,00 (6) CONTAS DE RESULTADO RCM (6) 145.000,00 250.000,00 (5) Saldo 105.000,00 Descrevendo os registros: Descrição do registro (5) (Transferência da Receita para RCM) D – Receita de Vendas 250.000,00 C – Resultado com Mercadorias 250.000,00 Descrição do registro (6) (Transferência do CMV para RCM) D – Resultado com Mercadorias 145.000,00 C – Custo das Mercadorias Vendidas 145.000,00 O saldo é o mesmo que encontramos ao calcular o Custo das Mercadorias Vendidas e o Resultado com Mercadorias an- tes de efetuarmos o registro contábil. Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 149 1.1.2 Método da Conta de Mercadorias Desdobrada Este método consiste em desdobrar a Conta de Mercadorias em tantas contas quantas forem necessárias para realizar o re- gistro contábil individualizado de cada fato pertinente às ope- rações com mercadorias. As contas básicas são estoque, com- pras e vendas. Durante o período, a conta de mercadorias em estoque representa o Estoque Inicial (EI), pois as mercadorias adquiridas durante o período são contabilizadas na conta de compras. No final do período,o estoque inicial será encerrado a débito do CMV. Nosso exemplo será o mesmo utilizado no método anterior (conta mista de mercadorias), vamos a ele, então: A empresa M.N. Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda apresentou as se- guintes informações: Estoque Inicial: R$ 30.000,00 Estoque Final: (contagem Física) R$ 25.000,00 Compras, a prazo, no período: R$ 140.000,00 Vendas do Período, a prazo: R$ 250.000,00 A partir destas informações vamos calcular o Custo das Mercadorias Vendidas, o Resultado com Mercadorias (Lucro Bruto), e apresentar os registros contábeis (novamente, vamos desconsiderar os efeitos tributários nas operações). CMV = 30.000,00 + 140.000 – 25.000,00 = 145.000,00 150 Prática Contábil Uma vez calculado o Custo da Mercadoria Vendida, vamos determinar o Resultado com Mercadorias: RCM = Vendas – Custo das Mercadorias Vendidas Utilizando as informações da empresa M.N. Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda, temos: VENDAS DO PERÍODO R$ 250.000,00 (-) CUSTO DAS MERC. VENDIDAS R$ 145.000,00 RESULTADO COM MERCADORIAS OU LUCRO BRUTO R$ 105.000,00 Na sequência realizaremos os registros contábeis, utilizan- do a Conta Desdobrada de Mercadorias. Registro das Compras: ATIVO CIRCULANTE Estoque de Mercadorias Estoque Inicial S 30.000,00 CONTAS DE RESULTADO Compras (1) 140.000,00 PASSIVO CIRCULANTE Fornecedores 140.000,00 (1) Capítulo 7 O Custo dasMercadorias e dos Produtos Vendidos 151 Descrição do registro de compras a prazo (1) D – Compras 140.000,00 C – Fornecedores 140.000,00 Registro contábil das Vendas (2): As vendas do período totalizaram R$ 250.000,00, temos o seguinte registro: ATIVO CIRCULANTE Clientes (2) 250.000,00 CONTAS DE RESULTADO Receita de Vendas 250.000,00 (2) Descrição do registro das vendas a prazo (2): D – Clientes 250.000,00 C – Receita de Vendas 250.000,00 Registro CMV (3), Zerando a Conta Compras (4) e Estoque Final (5) CONTAS DE RESULTADO CMV ATIVO CIRCULANTE Estoque de Mercadorias (3)140.000,00 25.000,00 (5) EI S 30.000,00 30.000,00 (4) (4) 30.000,00 EF (5) 25.000,00 S 145.000,00 S 25.000,00 152 Prática Contábil CONTAS DE RESULTADO Compras (1) 140.000,00 140.000,00 (3) Descrição do registro (3), (Zerando a Conta Compras): D – CMV 140.000,00 C – Compras 140.000,00 Descrição do registro (4) (Zerando Estoque Inicial): D – CMV 30.000,00 C – Estoque de Mercadorias 30.000,00 Durante o período-base, a conta de mercadorias em es- toque representa o Estoque Inicial (EI), pois a aquisição de mercadorias no período foi contabilizada na conta Compras. Quando da determinação do CMV,o estoque inicial foi encer- rado a débito do CMV. Descrição do registro (5): (Após a contagem física e valo- rização do EF) D – Estoque de Mercadorias (EF) 25.000,00 C – CMV 25.000,00 O registro do estoque final e o ajuste no CMV são realiza- dos após a contagem física e valoração deste estoque. Determinação do Resultado com Mercadorias: RCM = Receita de Vendas (–) Custo da Mercadoria Ven- dida Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 153 RCM = 250.000,00 (–) 145.000 = 105.000,00 Registro Contábil para determinar o RCM: CONTAS DE RESULTADO Receita de Vendas CONTAS DE RESULTADO CMV (6) 250.000,00 250.000,00 S S 145.000,00 145.000,00 (7) CONTAS DE RESULTADO RCM (7) 145.000,00 250.000,00 (6) Saldo 105.000,00 Descrevendo os registros: Descrição do registro (6) (Transferência da Receita para RCM) D – Receita de Vendas 250.000,00 C – Resultado com Mercadorias 250.000,00 Descrição do registro (7) (Transferência do CMV para RCM) D – Resultado com Mercadorias 145.000,00 C – Custo das Mercadorias Vendidas 145.000,00 1.2 Inventário permanente Caracteriza-se por manter um controle de forma contínua do estoque, ou seja, todas as movimentações de estoques são registradas na conta Estoques de Mercadorias. A conta Esto- ques de Mercadorias, a qualquer momento, reflete o valor das 154 Prática Contábil mercadorias que se encontram em estoque. No Inventário Per- manente é indispensável o controle de cada item do estoque o que permite acompanhar a movimentação física e contábil das mercadorias. Esses controles ficaram sobremaneira facilitados com os Sistemas de Controle de Estoque Informatizado que atualmente estão disponíveis no mercado. Com uma base de dados integrada e com vários módulos que acessam aos ca- dastros de acordo com a operação realizada como entradas, saídas, atualizações, relatórios, dentre outros, estes sistemas oferecem instantaneamente o saldo em estoque, as saídas do período (CMV). Esse processo substituiu a antiga ficha de esto- que manual que apresentava dificuldades de operacionalida- de, pois o processo era oneroso e, muitas vezes, falho. Utilizando o exemplo da empresa M.N. Comércio de Arti- gos Eletrônicos Ltda., apresentamos as seguintes informações: (desconsideramos os efeitos tributários). Estoque Inicial: R$ 30.000,00 Estoque Final: (contagem Física) R$ 25.000,00 Compras, a prazo, no período: R$ 140.000,00 Vendas do Período, a prazo: R$ 250.000,00 Vamos admitir que as compras e as vendas tivessem acon- tecido em três datas diferentes e que a empresa utiliza o mé- todo da Média Ponderada Móvel para avaliar os estoques. A partir destas informações devemos calcular o Custo das Mer- cadorias Vendidas, o Resultado com Mercadorias (Lucro Bruto) e apresentar os registros contábeis. Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 155 Estoque Inicial: 500 unidades Custo Total: 30.000,00 Aquisições do período: O6/01/20XX 800 unidades Custo unitário 65,00 15/01/20XX 400 unidades Custo unitário 70,00 24/01/20XX 800 unidades Custo Unitário 75,00 Vendas do período: 08/01/20XX 1.100 unidades 18/01/20XX 400 unidades 27/01/20XX 700 unidades Movimentação do Estoque – Média Ponderada Móvel – M.N. Com.Ltda. Data Entrada Saída Saldo Q C. un C.Total Q Cmédio C.Total Q Cmédio C.Total 01.01 500 60,00 30.000,00 06.01 800 65,00 52.000,00 1.300 63,08 82.000,00 08.01 1.100 63,08 69.388,00 200 63,06 12.612,00 15.01 400 70,00 28.000,00 600 67,69 40.612,00 16.01 400 67,69 27.076,00 200 67,68 13.536,00 24.01 800 75,00 60.000,00 1.000 73,54 73.536,00 27.01 700 73,54 51.478,00 300 22.058,00 140,.000,00 147.942,00 156 Prática Contábil Vamos aos registros contábeis das compras, vendas, custo das mercadorias vendidas, transferência para o Resultado com Mercadorias. Registro das Compras (1), (4), (7): ATIVO CIRCULANTE Estoque de Mercadorias Estoque Inicial S 30.000,00 Compras (1) 52.000,00 Compras (4) 28.000.00 Compras (7) 60.000,00 PASSIVO CIRCULANTE Fornecedores 52.000,00 (1) 28.000,00 (4) 60.000.00 (7) Descrição do registro das compras a prazo (1) (06/01/20XX) D – Estoque de Mercadorias 52.000,00 C – Fornecedores 52.000,00 Descrição do registro das compras a prazo (4) (15/01/20XX) D – Estoque de Mercadorias 28.000,00 C – Fornecedores 28.000,00 Descrição do registro das compras a prazo (8) D – Estoque de Mercadorias 60.000,00 C – Fornecedores 60.000,00 Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 157 Registro transferência CMV (2), (5) e (8) ATIVO CIRCULANTE Estoque de Mercadorias Estoque Inicial+ Co 170.000,00 69.388,00 (2) 27.076,00 (5) 51.478,00 (8) Saldo 22.058,00 CONTAS DE RESULTADO CMV (2) 69.388,00 (5) 27.076.00 (8) 51.478,00 Descrição do registro contábil transferência CMV (2) (08/01/20XX) D – CMV 69.388,00 C – Estoque de Mercadorias 69.388,00 Descrição do registro contábil transferência CMV (5) (16/01/20XX) D - CMV 27.076,00 C – Estoque de Mercadorias 27.076,00 Descrição do registro contábil transferência CMV (8) (24/01/20XX) D – CMV 51.478,00 C – Estoque de Mercadorias 51.478,00 158 Prática Contábil Apresentamos os registros correspondentes à transferência ao CMV. Utilizando o inventário permanente a cada venda, a baixa no estoque é efetuada em contrapartida ao CMV. Registro das vendas a prazo (3), (6) e (9) ATIVO CIRCULANTE Clientes (3)120.000,00 (6) 45.000,00 (9) 85.000,00 CONTAS DE RESULTADO Receita de Vendas 120.000,00 (3) 45.000,00 (6) 85.000,00 (9) Descrição do registro das vendas a prazo (3) (08/01/20XX) D – Clientes 120.000,00 C – Receitas de Vendas 120.000,00 Descrição do registro das vendas a prazo (6) (16/01/20XX) D – Clientes 45.000,00 C – Receita de Vendas 45.000,00 Descrição do registro das vendas a prazo (9) (27/01/20XX) D – Clientes 85.000,00 Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 159 C – Receita de Vendas 85.000,00 Transferência receita para RCM (10), transferência CMV para RCM (11) CONTAS DE RESULTADO Receita de Vendas CONTAS DE RESULTADO CMV (10) 250.000,00 250.000,00 S S 147.942,00 147.942,00 (11) CONTAS DE RESULTADO RCM (11) 147.942,00 250.000,00 (10) Saldo 102.058,00 Descrição do registro contábil (10) D – Receita de Vendas 250.000,00 C – Resultado com Mercadorias(RCM) 250.000,00 Descrição do registro contábil (11) D – Resultado com Mercadorias 147.942,00 C - CMV 147.942,00 Nesta modalidade de inventário (permanente) percebemos que a cada movimentação (compra ou venda), instantanea- mente, o estoque final e o CMV podem ser identificados. 160 Prática Contábil 2 Custo dos produtos vendidos (CPV) Como foi dito no início do Capítulo, o CPV ocorre nas indús- trias e está relacionado às questões da aquisição de Matéria- -prima (MP), ao Custo da Mão de Obra Direta (MOD) e aos Custos Indiretos de Fabricação (CIF). Importa frisar que nas indústrias, em virtude da transformação da matéria- prima em produtos, há a incidência do Imposto sobre Produtos Industria- lizados (IPI). O IPI não é cumulativo (ou seja, deve ser feita a compensação entre o imposto a recolher e a recuperar men- salmente), é cobrado em adição ao preço do produto além de não ser considerado como imposto sobre as vendas, nem integrar o valor da receita operacional bruta, sendo registrado, obrigatoriamente, em conta específica do passivo circulante, imposto a recolher, no patrimônio (Balanço Patrimonial) e não no resultado (DRE). Como forma de exemplificar o que foi expresso, observem o cálculo a seguir: Venda de Mercadorias R$ 800.00,00 (+) IPI à alíquota de 15% R$ 120.000,00 (=) Total da Nota Fiscal R$ 920.000,00 ICMS já incluso no preço à alíquota de 17% R$ 136.000,00 Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 161 O cálculo do CPV obedece a seguinte estrutura: Estoque inicial de Produtos em Elaboração (+) Consumo de Materiais Diretos (+) Custos Operacionais do Período (-) Estoque final de Produtos em Elaboração = Custo da Produção Acabada do Período ( P.Prontos) Estoque inicial de Produtos Prontos (+) Custo da Produção Acabada do Período (-) Estoque Final de Produtos Prontos = Custo dos Produtos Vendidos Atenção Consumo de Materiais Diretos + Custos Operacionais = Cus- to de Produção do Período. Para obtenção desse custo soma- mos os valores consumidos com materiais diretos e indiretos, mão de obra direta e indireta e outros custos tais como: de- preciação, energia elétrica, seguros de fábrica dentre outros, assim: Custo de Produção do Período (CP) = Materiais Diretos + MOD + CIF 162 Prática Contábil O Custo da Produção Acabada do Período (CPA) vai ser encontrado através da soma do Estoque Inicial de Produtos em Elaboração mais Custo da Produção do Período menos Estoque Final de Produtos em Elaboração, temos que: Custo da Produção Acabada (CPA) = Estoque Inicial Produtos em elaboração (+) Custo de Produção do Período (–) Estoque Final Produtos em Elaboração Vamos então ao cálculo do CPV que compreende os custos incorridos na fabricação dos produtos que foram vendidos no período. O CPV vai ser assim encontrado: CPV = Estoque Inicial de Produtos Prontos (+) Custo da Produ- ção Acabada do Período (–) Estoque Final de Produtos Prontos 3 Registro contábil de operações que afetam compras e vendas Nas relações comerciais há uma série de operações que afe- tam o valor das compras e das vendas. As devoluções de mer- cadorias, os descontos incondicionais e os abatimentos são exemplos de operações que afetam os valores de compras e vendas. Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 163 3.1 Operações que afetam as vendas Vamos analisar as operações que afetam o valor das vendas e proceder ao registro contábil destas operações: a) Devolução de Vendas A devolução de venda acontece quando um cliente após a entrada das mercadorias devolve total ou parcialmente estas mercadorias. Isso normalmente envolve a negociação entre as partes, e a mercadoria deve retornar acompanhada da nota fiscal de devolução. Vamos admitir uma devolução de mercadorias, relativas a vendas, no valor de R$ 2.000,00, com ICMS de 17%.  Pelo registro da nota fiscal de entrada Contas Contábeis Débito Crédito Devoluções de Vendas 2.000,00 Clientes 2.000,00  Pelo retorno ao estoque, admitindo um CMV de R$ 1.000,00 Contas Contábeis Débito Crédito Estoque de Mercadorias 1.000,00 CMV 1.000,00 Pelo registro do crédito fiscal do ICMS Contas Contábeis Débito Crédito ICMS a Recuperar 340,00 ICMS sobre Vendas 340,00 164 Prática Contábil No caso da empresa ser tributada pelo Lucro Real, com direito ao crédito do PIS e da COFINS, também deverá realizar o registro contábil do crédito fiscal destas contribuições. b) Desconto incondicional concedido (na Venda) O desconto incondicional é aquele concedido independen- te de qualquer condição, assim não é necessário que o adqui- rente pratique ato subsequente ao de compra para a obtenção do desconto incondicional. Vamos simular uma venda com desconto incondicional de acordo com as seguintes condições:  Valor da venda R$ 10.000,00  Desconto Incondicional: 5% concedido na própria nota Fiscal, dessa forma teremos o seguinte registro: Contas Contábeis Débito Crédito Clientes 9.500,00 Descontos Concedidos 500,00 Receita de Vendas 10.000,00 3.2 Operações que afetam as compras Analisaremos a seguir como devemos proceder ao registro contábil quando a empresa devolve compras aos fornecedo- res. Os valores que serão contabilizados e que devem ser iden- tificados são:  o valor que deve constar da nota fiscal de devolução: refere-se ao preço pelo qual a mercadoria foi adquirida; Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 165  o valor da composição do estoque: deve ser o valor pelo qual a mercadoria foi registrada no estoque o que nor- malmente inclui valor de seguros, fretes;  o valor dos tributos: ICMS, IPI, PIS, COFINS que a em- presa tenha creditado quando da entrada da mercadoria. a) Devolução de Compras Admitindo que certa empresa devolva compras efetuadas no valor de R$ 1.500,00. Quando da aquisição a empresa que é tributada pelo Lucro Real creditou-se dos seguintes tri- butos: ICMS (12%), PIS e COFINS. Vamos realizar o registro referente a essa devolução: Pelo registro da nota fiscal de devolução: Contas Contábeis Débito Crédito Fornecedores 1.500,00 Estoque 1.181,25 ICMS a Recuperar 180,00 PIS a Recuperar 24,75 COFINS a Recuperar 114,00 b) Desconto incondicional obtido (na compra) Vamos pressupor que determinada empresa adquira mer- cadorias no valor de R$ 5.000,00 e que obtenha um desconto incondicional de 3%, ou seja, R$ 150,00. Vamos realizar o registro contábil correspondente a esta operação: 166 Prática Contábil Contas Contábeis Débito Crédito Estoques 5.000,00 Fornecedores 4.850,00 Desconto incondicional obtido 150,00 Recapitulando O Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) está relacionado ao comércio. Existem duas formas de serem registras as operações com mercadorias, através do Inventário Periódico e do Inventário Permanente. Esses métodos são utilizados para o cálculo do CMV. Fórmula básica: CMV = EI + Compras – EF Inventário Periódico: o registro das compras e vendas de mercadorias é feito em contas auxiliares e, posteriormente, ao final do período transfere-se para a conta CMV. Inventário Permanente: o registro das compras e vendas de mercadorias é realizado diretamente na conta Estoques e o custo da mercadoria é calculado através de fichas de con- trole de estoque, utilizando-se os métodos Primeiro que Entra Primeiro que Sai (PEPS), ou Último que Entra, Primeiro que Sai (UEPS) ou Preço Médio. O Custo dos Produtos Vendidos (CPV) está relacionado à indústria. Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 167 Lembrar que a indústria, por transformar mercadorias em produtos, adiciona-se ao custo os valores desembolsados com matéria-prima, mão de obra direta eos gastos gerais de fa- bricação. Fórmula básica: CPV = EI MP + custos operacionais – EFMP + EIPFF + custos operacionais – EFPFF + EIPP + custos do produto acabado – EFPP Devolução de vendas e devolução de compras Se há incidência de tributos na venda de mercadoria, quando da devolução de venda de mercadorias, a empresa tem o di- reito a recuperar tais tributos. Se há incidência de tributos na compra de mercadorias, quando da devolução de compra de mercadorias, a empresa tem a obrigação de fazer o recolhimento. Referências ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Curso de Contabilidade In- termediária em IFRS e CPC: atende à programação dos 2°s anos dos cursos de Ciências Contábeis e Administração de Empresas. São Paulo: Atlas, 2014. CREPALDI, Sílvio Aparecido. Curso Básico de Contabilidade: resumo da teoria atendendo às novas demandas da gestão empresarial, exercícios e questões com respostas. Atualiza- 168 Prática Contábil da conforme as Leis nºs 11.638/2007 e 11.941/2009. 6° ed. São Paulo: Atlas, 2010. GRECO, Alvísio; AREND Lauro; GÄRTNER, Günther. Contabi- lidade: teoria e práticas básicas. São Paulo: Saraiva, 2007. PADOVEZE, Clóvis Luís. Introdução à Contabilidade: com abordagens para não contadores. São Paulo: Pioneira Thomson Learnig, 2006. VELTER, Francisco; MISSAGIA, Luiz Roberto. Manual de Con- tabilidade: teoria e mais de 700 questões. 4° ed. São Pau- lo: Campus, Elsevier, 2005. WARREN, Carl S.;REEVE, et al. Fundamentos de Contabili- dade: aplicações. Tradução da 22a edição norte-america- na. São Paulo: Cengage Learning, 2009. Atividades Este é o nosso espaço para exercitar os temas abordados atra- vés de questões especialmente formuladas ou pesquisadas com esta finalidade. 1) Sabendo-se que o saldo da conta Mercadorias, utilizada para registro de estoques, entradas e vendas, apresenta saldo credor no valor de R$ 57.000,00 ao final do perío- do e que o lucro computado foi de R$ 80.000,00, calcule o valor do estoque final: Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 169 2) (TFC/2000) A comercial S.A.T. Elite apresentava os saldos a seguir, em primeiro de maio: Caixa R$ 1.500 Mercadorias R$ 1.300 Clientes R$ 1.000 Capital Social R$ 4.200 Fornecedores R$ 1.800 Móveis e Utens. R$ 2.200 Durante o mês, a empresa realizou as seguintes operações:  comprou a prazo 400 unidades de mercadorias, a R$ 5,00 cada uma;  vendeu a prazo 300 unidades dessa mercadoria, a R$ 6,00 cada uma;  pagou dívidas de R$ 1.000,00, com juros de 10%; e  recebeu direitos de R$ 800,00, com desconto de 10%. Considerando que o estoque inicial tinha 260 unidades, e que as mercadorias são isentas de tributação, essa empresa, sem realizar nenhum outro negócio, apresentará em 31 de maio: a) lucro bruto de R$ 1.800. b) lucro líquido de R$ 300,00. c) estoque final de R$ 1.500,00. 170 Prática Contábil d) patrimônio bruto de R$ 6.000,00. e) patrimônio líquido de R$ 4.320,00. 3) As operações com mercadorias realizadas durante o exer- cício estão resumidas no razonete a seguir: Mercadorias SI 40.000 230.000,00 vendas Compras 160.000 Sabendo-se que o estoque final é de R$ 30.000, conclui- -se que o resultado com mercadorias do exercício foi de: a) Zero b) R$ 30.000 positivo c) R$ 30.000 negativo d) R$ 60.000 positivo e) R$ 60.000 negativo 4) (ESAF/TTN/1994) O Razão da conta de mercadorias, contabilizado no método da conta mista, apresentava R$ 450.000 na coluna débito e R$ 325.000 na coluna crédi- to. Sabendo-se que o valor das mercadorias existentes no final do período é de R$ 235.000, é correto afirmar que o lucro obtido nas vendas foi de: a) R$ 110.000 b) R$ 125.000 Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 171 c) R$ 360.000 d) R$ 235.000 e) R$ 215.000 5) (FISCAL ICMS/MS-2000) Indique, dentre as alternativas a seguir, aquela que melhor caracteriza o sistema de inven- tário permanente: a) Sempre que houver o controle do estoque de merca- dorias de forma contínua, dando-se baixa acumulada e anual pelo total das vendas, utilizando como base o preço de mercadoria dessas mercadorias vendidas. b) Sempre que não houver o controle do estoque de mercadorias de forma não contínua, dando-se baixa acumulada e anual pelo total das vendas, utilizando como base o preço de mercado dessas mercadorias vendidas. c) Sempre que houver o controle do estoque de merca- dorias de forma contínua, dando-se baixa, em cada venda, pelo custo das mercadorias vendidas. d) Sempre que houver o controle do estoque de merca- dorias de forma não contínua, paralela e concomitan- te, dando-se baixa do total transacionado pelo custo dessas mercadorias. 6) Assinale a alternativa correta: a) No inventário permanente, deve-se contabilizar o CMV a cada venda. 172 Prática Contábil b) O método PEPS é o que apresenta maior valor para o estoque final em economia inflacionária. c) Os valores lançados nas fichas de controle de estoque não devem ser expurgados dos tributos recuperáveis. d) O ICMS sobre vendas é receita e obrigação ao mesmo tempo para o vendedor. e) A equação de RCM é da seguinte forma: RCM= ven- das-estoques iniciais + compras – estoques finais. 7) (UnB – CESPE/STF-1999) A compra de calçados para re- venda por uma empresa atacadista por R$ 20.000,00 (valor final da nota fiscal), com crédito de ICMS de R$ 2.400,00, deve dar entrada no seu estoque por meio de um: a) Débito de R$ 17.600,00. b) Débito de R$ 20.000,00. c) Débito de R$ 22.400,00. d) Crédito de R$ 17.600,00. e) Crédito de R$ 22.400,00. 8) A Cia Alpha adquiriu matérias-prima para serem utilizadas na industrialização de seus produtos, cuja nota fiscal con- tinha os seguintes dados: Valor das matérias-primas R$ 1.000,00 IPI R$ 200,00 Valor total da NF R$ 1.200,00 Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 173 ICMS destacado na NF R$ 170,00 Sabendo-se que o IPI e o ICMS são impostos recuperá- veis para a empresa, assinale a alternativa que contém o valor que poderá ser computado no custo das referidas matérias-primas: a) R$ 630,00 b) R$ 830,00 c) R$ 1.030,00 d) R$ 1.170,00 e) R$ 1.200,00 9) No sistema de inventário periódico para controle de mer- cadorias, uma dentre as contas a seguir deve ser encerra- da no processo de apuração contábil do custo das merca- dorias vendidas. A referida conta é: a) ICMS sobre vendas. b) vendas canceladas. c) devolução de compras. d) descontos financeiros obtidos. e) descontos financeiros concedidos. 10) (ESAF/TTN – 1997) Um comerciante adquiriu um lote de mercadorias por R$ 1.000,00, incidindo sobre a compra ICMS de 17%. Revendeu em seguida por R$ 1.200,00, estando também a venda sujeita a ICMS de 17%. Consi- 174 Prática Contábil derando, respectivamente, os sistemas de inventário perió- dico, de inventário permanente e de conta mista de merca- dorias, indique o valor pelo qual a conta mercadorias foi creditada, para registrar a operação de venda: a) R$ 1.200,00 – R$ 1.200,00 – R$ 1.200.00 b) R$ 996,00 – R$ 996,00 – R$ 996,00 c) R$ 996,00 - R$ 830,00 – R$ 996,00 d) R$ zero – R$ 830,00 – R$ 1.200,00 e) R$ zero – R$ zero – R$ 1.200,00 11) (AFRF/1998) A nossa empresa identificou em seu estoque de mercadorias em 2 mil unidades, avaliadas ao custo médio unitário de R$ 60,00. Logo após, promoveu uma venda de 1.500 unidades, à vista, por R$ 150.000,00, numa operação isenta de tributação. O comprador, toda- via, mostrando-se insatisfeito com a transação, devolveu 20% da compra e ainda conseguiu obter abatimento de 10% no preço. Feita a renegociação e refeitos os registros cabíveis, a nossa empresa mantém um estoque de merca- dorias assimformado: a) 500 unidades a R$ 54,00 = R$ 27.000,00 b) 800 unidades a R$ 54,00 = R$ 43.200,00 c) 500 unidades a R$ 60,00 = R$ 30.000,00 d) 800 unidades a R$ 60,00 = 48.000,00 e) 800 unidades a R$ 90,00 = 72.000,00 Capítulo 7 O Custo das Mercadorias e dos Produtos Vendidos 175 Gabarito 1) Estoque final de R$ 23.000,00 2) e, 3) d, 4) a, 5) c, 6) a, 7) a, 8) b, 9) c, 10) d, 11) d Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Capítulo 8 Operações Financeiras: Descontos Financeiros Capítulo 8 Operações Financeiras: Descontos Financeiros 177 Introdução Nas atividades comerciais, industriais e de serviços é comum haver negociação de descontos sobre as operações. Esses descontos podem ser originários de vários fatores, tais como clientes preferenciais, lotes econômicos de compras, falhas no envio de mercadorias, renegociação das condições de paga- mentos. Os descontos podem ser financeiros ou comerciais. Na contabilidade é indispensável que se tenha clareza da diferen- ça entre esses significados, pois, para fins fiscais, desconto fi- nanceiro não traz benefícios nem para o comprador nem para o vendedor, porém é comumente utilizado no meio empresa- rial. Vamos à explicação! 1 Descontos financeiros Os descontos financeiros geralmente são praticados após as transações comerciais e acontecem quando do pagamento ou recebimento de títulos por antecipação, logo não interferem nas operações de compras e vendas, porém interferem no flu- xo de caixa da empresa. Outra importante informação é que o desconto financeiro está vinculado ao cumprimento de regras específicas, tais como o pagamento no prazo estipulado ou na fidelidade do cliente, por isso é chamado de desconto condi- cional, pois existe uma condição pré-estabelecida. 178 Prática Contábil Por ser uma negociação que se realiza após a emissão da Nota Fiscal, esse desconto não consta na nota fiscal, logo não são apurados no custo das mercadorias e não reduzem as bases de cálculos dos tributos (ICMS, PIS, COFINS, IR e CSSL) entre os compradores e vendedores. Nesse sentido é recomendado que as empresas que prati- cam o desconto financeiro revejam seus procedimentos e ve- nham a adotar o desconto comercial, tratado como desconto incondicional na legislação tributária. Item que será abordado na sequência. Vamos a um exemplo: Valor da venda de mercadorias R$ 100.000,00 CMV R$ 15.000,00 Desconto financeiro para pagamento antecipado 4% sobre o valor da duplicata, valor de R$ 4.000,00 . Utilização do sistema de inventário permanente. a) Escrituração da operação de venda a prazo de merca- doria e posterior recebimento do cliente com desconto financeiro e a incidência da tributação (sobre a venda) empresa tributada pelo Lucro Real. Capítulo 8 Operações Financeiras: Descontos Financeiros 179 RECEBIMENTO ANTECIPADO DA VENDA D Caixa R$ 96.000,00 D Desconto Financeiro concedido R$ 4.000,00 C Clientes R$ 100.000,00 VENDA DE MERCADORIAS A PRAZO D Clientes R$ 100.000,00 C Venda Mercadorias R$ 100.000,00 D ICMS s/ Venda R$ 17.000,00 C ICMS a Recolher R$ 17.000,00 D PIS s/Venda R$ 1.650,00 C PIS a Recolher R$ 1.650,00 D COFINS s/ Venda R$ 7.600,00 C COFINS a Recolher R$ 7.600,00 D CMV R$ 15.000,00 C Estoque R$ 15.000,00 b) Escrituração da operação de compra a prazo de mer- cadoria e posterior pagamento ao fornecedor com desconto financeiro e a incidência da tributação (sobre a renda) empresa tributada pelo Lucro Real. COMPRA DE MERCADORIAS A PRAZO D Estoque R$ 73.750,00 D ICMS a Recuperar R$ 17.000,00 D PIS a Recuperar R$ 1.650,00 D COFINS a Recuperar R$ 7.600,00 C Fornecedores R$ 100.000,00 RESULTADO DO EXERCÍCIO Receita. Financeira R$ 4.000,00 = Res. Líquido R$ 4.000,00 (-) IR R$ 600,00 (-) CSSL R$ 54,00 = Lucro Líquido Exercício R$ 3.346,00 PAGAMENTO ANTECIPADO DA COMPRA D Fornecedores R$ 100.000,00 C Desconto Financeiro obtido R$ 4.000,00 C Caixa R$ 96.000,00 180 Prática Contábil Observamos que tanto a empresa que compra e paga an- tecipado quanto a empresa que vende e recebe antecipado não se traduz como vantagem a concessão do desconto finan- ceiro, pois se esse houvesse sido tratado como desconto co- mercial a economia para a empresa que vendeu a mercado- ria teria sido de R$ 1.050,00 (incidente sobre a venda) e para a empresa que comprou teria sido de R$ 654,00 (incidente sobre a renda). 2 Desconto comercial O desconto comercial também é chamado de desconto incon- dicional, ou seja, não depende de condição para que se reali- ze o desconto, logo pode ser caracterizado como bonificação concedida ao cliente, devendo ser expresso no documento fis- cal. É uma operação vantajosa tanto para o vendedor quanto para o comprador, pois a dedução do valor total da nota fiscal caracteriza-se como economia fiscal (ICMS, PIS, COFINS, IR e CSSL) para ambas as partes envolvidas na negociação. Vamos a um exemplo. Valor da venda de mercadorias R$ 100.000,00 sendo desconto de bonificação no valor de R$ 4.000,00, valor total da NF R$ 96.000,00. CMV R$ 15.000,00 Utilização do sistema de inventário permanente. Capítulo 8 Operações Financeiras: Descontos Financeiros 181 a) Escrituração da operação de venda a prazo de merca- doria e posterior recebimento do cliente com desconto comercial e a incidência da tributação (sobre a venda) empresa tributada pelo Lucro Real. VENDA DE MERCADORIAS A PRAZO D Clientes R$ 96.000,00 C Venda Mercadorias R$ 96.000,00 D ICMS s/ Venda R$ 16.320,00 C ICMS a Recolher R$ 16.320,00 D PIS s/Venda R$ 1.584,00 C PIS a Recolher R$ 1.584,00 D COFINS s/ Venda R$ 7.296,00 C COFINS a Recolher R$ 7.296,00 D CMV R$ 15.000,00 C Estoque R$ 15.000,00 RECEBIMENTO ANTECIPADO DA VENDA D Caixa R$ 96.000,00 C Clientes R$ 96.000,00 c) Escrituração da operação de compra a prazo de mer- cadoria e posterior pagamento ao fornecedor com desconto comercial não havendo a incidência de tri- butação sobre a renda, pois não ocorreu receita para a empresa (empresa tributada pelo Lucro Real). 182 Prática Contábil COMPRA DE MERCADORIAS A PRAZO D Estoque R$ 70.800,00 D ICMS a Recuperar R$ 16.320,00 D PIS a Recuperar R$ 1.584,00 D COFINS a Recuperar R$ 7.296,00 C Fornecedores R$ 96.000,00 PAGAMENTO ANTECIPADO DA COMPRA D Fornecedores R$ 96.000,00 C Caixa R$ 96.000,00 3 Abatimentos incondicionais Também podem surgir eventuais negociações após as opera- ções de chamados Abatimentos Incondicionais. Geralmente esses abatimentos sobre as compras ou sobre as vendas são concedidos pelo vendedor com o objetivo de evitar devolu- ções de mercadorias, por exemplo, um risco em uma mesa de madeira, ou um vidro quebrado em um armário. Nesse caso o abatimento incondicional também se caracteriza como uma conta de despesa (para aquele que vende) sendo redutora da receita de vendas e uma conta redutora do custo de compra (ou estoque) daquele que compra. Esse exemplo pode ser vi- sualizado na sequência. Capítulo 8 Operações Financeiras: Descontos Financeiros 183 - Vendedor: em 15/01, venda de mercadorias R$ 100.000,00. CMV R$ 15.000,00. - Comprador: em 17/01, recebimento da mercadoria compra- da com avaria em 20 peças. Negociado um abatimento incon- dicional no valor de R$ 12.000,00. Utilização do sistema de inventário periódico. a) Na empresa que vendeu a mercadoria, deverá ser as- sim registrado na contabilidade: D CMV R$ 15.000 C Estoque R$ 15.000 D Caixa R$ 88.000,00 D Abatimento Incondicional R$ 12.000,00 C Vendas R$ 100.000,00 b) Na empresa que comprou a mercadoria e posterior- mente verificou avarias, deve ser assim registrado: D Compra de mercadorias R$ 100.000,00C Abatimento Incondicional R$ 12.000,00 C Caixa R$ 88.000,00 184 Prática Contábil Observa-se que independente do sistema de controle de estoque (periódico ou permanente) o registro da operação do Abatimento Incondicional se caracteriza como uma conta redutora da receita para aquele que vende ou redutora do custo para aquele que compra. Recapitulando Nas atividades comerciais, industriais e de serviços é comum haver negociação de descontos sobre as operações. Os descontos financeiros são praticados após as transa- ções comerciais e acontecem quando do pagamento ou rece- bimento de títulos por antecipação, logo não interferem nas operações de compras e vendas, porém interferem no fluxo de caixa da empresa. Por ser uma negociação que se realiza após a emissão da Nota Fiscal, esse desconto não consta na nota fiscal, logo não são apurados no custo das mercadorias e não reduzem as bases de cálculos dos tributos (ICMS, PIS, COFINS, IR e CSSL) entre os compradores e vendedores. O desconto comercial também é chamado de desconto incondicional, ou seja, não depende de condição para que se realize o desconto, logo pode ser caracterizado como bonifi- cação concedida ao cliente, devendo ser expresso no docu- mento fiscal. Abatimentos Incondicionais abatimentos sobre as com- pras ou sobre as vendas são concedidos pelo vendedor com o objetivo de evitar devoluções de mercadorias. Nesse caso o Capítulo 8 Operações Financeiras: Descontos Financeiros 185 abatimento incondicional também se caracteriza como uma conta de despesa (para aquele que vende) sendo redutora da receita de vendas e uma conta redutora do custo de compra (ou estoque) daquele que compra. Referências ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Curso de Contabilidade In- termediária em IFRS e CPC: atende à programação dos 2°s anos dos cursos de Ciências Contábeis e Administração de Empresas. São Paulo: Atlas, 2014. CREPALDI, Sílvio Aparecido. Curso Básico de Contabilidade: resumo da teoria atendendo às novas demandas da gestão empresarial, exercícios e questões com respostas. Atualiza- da conforme as Leis nºs 11.638/2007 e 11.941/2009. 6° ed. São Paulo: Atlas, 2010. GRECO, Alvísio; AREND Lauro; GÄRTNER, Günther. Contabi- lidade: teoria e práticas básicas. São Paulo: Saraiva, 2007. PADOVEZE, Clóvis Luís. Introdução à Contabilidade: com abordagens para não contadores. São Paulo: Pioneira Thomson Learnig, 2006. VELTER, Francisco; MISSAGIA, Luiz Roberto. Manual de Con- tabilidade: teoria e mais de 700 questões. 4. ed. São Pau- lo: Campus, Elsevier, 2005. 186 Prática Contábil WARREN, Carl S.;REEVE, et al. Fundamentos de Contabili- dade: aplicações. Tradução da 22a edição norte-america- na. São Paulo: Cengage Learning, 2009. Atividades A seguir questões que vão contribuir para exercitar a aborda- gem desta unidade: 1) Calcule o resultado com mercadorias e o custo das mer- cadorias vendidas considerando os saldos das contas a seguir: Contas Valores em R$ Vendas brutas 6.000 Estoques iniciais 500 Compras 1.500 Descontos financeiros obtidos 300 Abatimentos sobre compras 50 Vendas anuladas do período 200 Devolução de compras 150 Fretes pagos sobre compras 300 Fretes sobre vendas 250 Estoque final 200 Descontos incond. obtidos s/ compras 350 Fornecedores 1.550 Capítulo 8 Operações Financeiras: Descontos Financeiros 187 Abatimentos concedidos sobre vendas 100 Seguros sobre compras 150 2) Realize a escrituração contábil no livro diário dos seguintes fatos, utilizando-se o sistema de controle de estoque perió- dico. a) Venda a prazo de 15 unidades a R$ 30,00 cada, con- cedendo desconto financeiro de 10%, caso o cliente pague até 15 dias antecipado. Desconsiderar os tribu- tos. CMV R$ 300,00. b) Compra de 40 unidades a R$ 25,00 cada, diretamen- te da indústria, com desconto comercial de 5%. Des- considerar os tributos. c) Recebimento antecipado do cliente (venda letra a) por caixa. d) Pagamento por caixa. e) ao fornecedor da letra b. Gabarito 1) Receita Líquida de Vendas R$ 5.700,00, CMV R$ 1.700,00 e Resultado com mercadorias ou lucro bruto R$ 4.000,00. 2) a) D Clientes R$ 450,00 C Venda a prazo R$ 450,00 b) D Compra Mercado R$ 950,00 188 Prática Contábil C Fornecedores R$ 950,00 c) D Caixa R$ 405,00 D Desconto financeiro concedido R$ 45,00 C Clientes R$ 450,00 d) D Fornecedores R$ 950,00 C Caixa R$ 950,00 Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Capítulo 9 Vendas de Serviços 190 Prática Contábil Introdução Os setores da economia brasileira são divididos em: Primeiro Setor que são as atividades do estado, ou seja, a ação do po- der público sobre a execução das diversas atividades, seja na saúde, na educação, na segurança, na habitação, entre ou- tros tantos, em nível federal, estadual e municipal, bem como as entidades a eles ligados tais como autarquias, empresas públicas, [...]. O Segundo Setor é constituído pelo mercado, formado pelos diversos empreendimentos privados, na área da indústria, comércio, prestação de serviços, agricultura, cujo fim é o lucro. O Terceiro Setor, mais conhecido pelas Orga- nizações Não Governamentais (ONGs), tem como propósito estar onde o Primeiro Setor não tem braços para alcançar e o Segundo Setor não tem interesse em atuar. No entanto há que se destacar que atualmente esta visão vem alcançando novas ideias em que se busca uma sociedade solidária na qual todos os setores atuem conjuntamente. Outra divisão econômica que também ouvimos cotidia- namente diz respeito aos setores produtivos da economia, ou seja, as atividades que de uma forma ou outra contribuem para a formação do Produto Interno Bruto (PIB) para a eco- nomia nacional. O Primeiro Setor é a agricultura, o Segundo Setor é a indústria e o Terceiro Setor é o comércio e nesse meio envolvem os serviços prestados às diversas atividades profis- sionais e empresariais. E é sobre essa parcela da produção econômica (prestação de serviços) que estudaremos a partir de agora. Destaca-se que a atividade empresarial com maior número de empresas registradas é o da prestação de serviços. Capítulo 9 Vendas de Serviços 191 Segundo o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2012), são mais de 993 mil empresas no total. Diante do exposto e percebendo-se da necessidade de abordar especificamente as prestações de serviços, neste Ca- pítulo serão estudadas as principais características da ativida- de, sua forma de tributação e contabilização nas empresas tomadoras e prestadoras dos serviços. 1 Caracteristicas da terceirização dos serviços - da prestação de serviços – a contabilização da nota fiscal A terceirização dos serviços se caracteriza quando a empresa contratada para realizar a atividade opera dentro das instala- ções do tomador do serviço, não podendo existir subordinação, exclusividade, pessoalidade e a mesma atividade econômica que a do tomador. Já o fornecedor de serviços desenvolve suas atividades dentro de suas instalações. A prestação de serviços é entendida como a realização de trabalho oferecido ou con- tratado por terceiros incluindo assessorias, consultorias e coo- perações. A prestação de serviços inclui não apenas pessoas que trabalham em empresas de serviços (hotéis, empresas aé- reas, bancos, telecomunicações, entre outros), mas abrange também pessoas que prestam serviços dentro das indústrias, como advogados, equipes médicas e instrutores de vendas. É bem verdade que a diferenciação entre a atividade de ter- ceirização ou de prestação de serviços recai sobre a ótica do vínculo empregatício entre o prestador e o tomador do serviço, 192 Prática Contábil porém para fins fiscais e contábeis não existem empecilhosou controvérsias jurídicas. Nesse sentido, destaca-se que a contabilidade deverá pro- ceder com os devidos controles relacionados com a formaliza- ção de um contrato de prestação de serviços, caso a atividade a ser desenvolvida seja contínua e ininterrupta, após, verificar o recolhimento dos tributos incidentes sobre a mão de obra (pessoal), bem como os tributos sobre a venda dos serviços prestados. Outro item importante a ser controlado diz respei- to à tributação dos serviços no momento do recebimento da nota fiscal do prestador. Deve ser observada a emissão de NF eletrônica, caso o município em que esteja estabelecida a em- presa prestadora de serviço disponha de tal atividade, devem ser observados os valores e os tributos destacados no corpo da Nota. Outro fator relevante a ser observado é a gestão dos custos no setor de prestação de serviços. Para as indústrias normal- mente trabalha-se com níveis de estoques significativamente altos enquanto que nas prestadoras de serviços o estoque é mínimo ou nenhum. Além disso, em sua maioria, os produtos (quando existirem) são materiais e palpáveis, tendo ciclo eco- nômico pelo qual podem sair diretamente da produção para o consumo. Segundo Aiub, Allegretti e Andreolla (1998, p. 78), “o custo dos serviços prestados é composto essencialmente pela mão de obra direta”. Considera-se, portanto, o custo do “pessoal produtivo”, isto é, aquele diretamente envolvido com a “atividade-fim da empresa”. Capítulo 9 Vendas de Serviços 193 Existem também quatro características que a prestação de serviços possui, as quais se devem observar: intangibilidade, heterogeneidade ou variabilidade, simultaneidade e perecibi- lidade. A intangibilidade dos serviços significa que eles não podem ser observados, provados, apalpados antes de serem adquiridos, sendo assim o papel do prestador de serviços é administrar as evidências (instalações, qualidade do serviço, pessoas, equipamentos, entre outros), para tornar tangível o que é intangível. Heterogeneidade ou variabilidade significa que os serviços são claramente diferentes uns dos outros. Um exemplo disso é que existem vários torneiros mecânicos, entre- tanto um pode ser melhor do que o outro. A simultaneidade, segundo Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005, p. 47), quer dizer que “os serviços são criados e consumidos simultaneamente e, portanto não podem ser estocados, o que constitui uma característica fundamental para a administração de serviços”. E a perecibilidade significa que eles não podem ser armaze- nados para venda ou utilização posterior. Alguns médicos ou manicures, por exemplo, cobram consultas e atendimentos às quais os pacientes e clientes não comparecem porque o valor do serviço existe até o fim da hora marcada. Após essa breve discussão sobre as características da pres- tação de serviços, cabe à contabilidade proceder a escritura- ção contábil e fiscal da nota. Considerando que os registros contábeis devem respeitar o Princípio Contábil da Compe- tência, que conforme a Resolução n° 750 do CFC, todas as despesas e receitas devem ser contabilizadas no período que ocorreram, independente do pagamento ou recebimento, quando for necessário, a prestação de serviços deverá ter seu valor estimado pelo tomador do serviço, sendo reconhecida a 194 Prática Contábil receita, tomando-se por base a proporção dos serviços até a data do balanço, sendo que essa estimativa deverá satisfazer as seguintes condições: 1. O valor da receita puder ser confiavelmente mensu- rado; 2. For provável que os benefícios econômicos associa- dos à transação fluirão para a entidade; 3. A proporção dos serviços executados até a data do balanço puder ser confiavelmente mensurada; e 4. As despesas incorridas com a transação assim como as despesas para concluí-la possam ser confiavelmente mensuradas (CPC 30, CPC, 2014) Existem diversas formas de mensuração dos serviços execu- tados para fim de estimativas, os métodos podem incluir: le- vantamento ou medição do trabalho executado, percentual do total dos serviços executados até determinada data, ou ainda a proporção entre os custos incorridos até a data e os custos totais estimados da transação. Apenas os custos efetivamente identificados relativamente aos serviços executados devem ser incluídos nos custos incorridos até a data de mensuração. Após a apuração do valor devido ao prestador do serviço, destaca-se a importância de conhecer os tributos incidentes sobre a venda de serviços. Em regra geral, as empresas presta- doras de serviços estão sujeitas ao recolhimento dos seguintes tributos: PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, contribuições previdenciá- rias, ICMS (sobre atividade de transporte intermunicipal e te- Capítulo 9 Vendas de Serviços 195 lecomunicações) e, obviamente, ISS. Cabe agora conhecer os tipos de serviços as suas tributações. Com a Lei n° 10.833/2003, a partir de 01/02/2004, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pes- soas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão de obra, pela presta- ção de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, ges- tão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da CSLL, da COFINS e da Contribuição para o PIS. O valor da CSLL, da COFINS e do PIS retidos será determi- nado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual total de 4,65%, (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cin- co centésimos por cento), respectivamente, sendo que a base legal encontra-se nos arts. 30, 31, 32, 34 a 36, da referida Lei. Como forma de compensar essa retenção tributária pelo contribuinte prestador de serviços, será considerada como an- tecipação do que for devido, assumindo características de um direito compensável, sendo classificado como Ativo Circulan- te, tributos a Recuperar. E na Demonstração do Resultado do Exercício a conta ISS s/Venda de Serviços será inserida como item redutor da Receita Bruta de Vendas de Serviços, obtendo- -se, dessa forma a Receita Líquida de Vendas de Serviços. 196 Prática Contábil Por outro lado, na pessoa jurídica tomadora do serviço, tem a obrigatoriedade de reter e recolher as contribuições de- vidas sobre o valor do serviço a ser pago, as retenções serão tratadas como uma obrigação, e assim será classificado no Passivo Circulante como Tributos a recolher. Somente estará dispensado a retenção IR se o valor devido for igual ou menor a R$ 10,00, das pessoas jurídicas tributadas com base no lu- cro real, presumido ou arbitrado, conforme o art. 67 da Lei nº 9.430/1996 e art. 724 do RIR/1999. O tributo mais típico para as empresas prestadoras de ser- viços é o ISS. A Lei n° 116 de 2003 elenca uma série de ser- viços, sendo que as alíquotas podem variar de 2% a 5% de- pendendo do serviço e do município em que a empresa estiver estabelecida ou prestar o serviço. Na maioria dos casos o ISS é devido ao município em que estiver situado o estabelecimento do prestador, porém em determinados tipos de serviços o tri- buto será devido ao município em que o serviço foi prestado. Como forma de demonstrar os efeitos da prestação de ser- viços na contabilidade será evidenciada a escrituração contá- bil do tomador de serviços e do prestador de serviços, respec- tivamente: Contratação de serviços de limpeza e conservação, com pagamento em 30 dias. Valor do serviço R$ 18.000,00, ISS 5%, INSS 11%, COFINS 3%, PIS 0,65%, Contribuição Social 1%, Imposto de Renda 1%. As empresas são de municípios dis- tintos. A empresaprestadora do serviço não apresentou os do- cumentos comprobatórios da folha de pagamento e compro- vante de recolhimentos de encargos. Não é SIMLES Nacional. Capítulo 9 Vendas de Serviços 197 Atenção A informação que a empresa prestadora de serviços não é tributada pelo Simples Nacional é relevante, pois conforme o art. 13, da Lei n° 123/2006, está incluso o recolhimento men- sal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: IRPJ, IPI, CSLL, COFINS, PIS/PASEP, CPP, ICMS e o ISS. ESCRITURAÇÃO PELO TOMADOR DO SERVIÇO a) Pelo reconhecimento da despesa pelo princípio da Competência D Despesa de Serviços de Limpeza 18.000,00 C ISS a Recolher 900,00 C INSS a Recolher 1.980,00 C COFINS a Recolher 540,00 C PIS a Recolher 117,00 C CSSL a Recolher 180,00 C IRPJ a Recolher 180,00 C Credores Diversos 14.103,00 b) Pelo pagamento ao fornecedor de serviços de lim- peza 198 Prática Contábil D Caixa/Bancos 14.103,00 C Credores Diversos 14.103,00 c) Pelo pagamento dos tributos incidentes sobre os serviços de limpeza C Caixa/bancos 3.897,00 D ISS a Recolher 900,00 D INSS a Recolher 1.980,00 D COFINS a Recolher 540,00 D PIS a Recolher 117,00 D CSSL a Recolher 180,00 D IRPJ a Recolher 180,00 ESCRITURAÇÃO PELO PRESTADOR DO SERVIÇO a) Pelo reconhecimento da receita pelo princípio da Competência Capítulo 9 Vendas de Serviços 199 D Clientes 14.103,00 D ISS sobre venda serviços 900,00 D INSS a Recuperar 1.980,00 D COFINS a Recuperar 540,00 D PIS a Recuperar 117,00 D CSSL a Recuperar 180,00 D IRPJ a Recuperar 180,00 C Venda de Serviços 18.000,00 b) Pelo recebimento do cliente D Caixa/Bancos 14.103,00 C Clientes 14.103,00 c) Pela compensação dos tributos 200 Prática Contábil D INSS a Recolher 1.980,00 C INSS a Recuperar 1.980,00 DCOFINS a Recolher 540,00 C COFINS a Recuperar 540,00 D PIS a Recolher 117,00 C PIS a Recuperar 117,00 D CSSL a Recolher 180,00 C CSSL a Recuperar 180,00 D IRPJ a Recolher 180,00 C IRPJ a Recuperar 180,00 Atenção Observar que o ISS caracteriza-se como despesa para a em- presa que vendeu os serviços e pelo fato de a empresa presta- dora de serviços não ter comprovado o recolhimento do INSS sobre a mão de obra. A empresa tomadora do serviço fará o devido recolhimento na GRPS no item terceiros. Outra obser- vação importante é que se ambas as empresas (tomadora e prestadora de serviços) estiverem localizadas no mesmo mu- nicípio, cabe a empresa prestadora de serviços recolher o ISS. Capítulo 9 Vendas de Serviços 201 Recapitulando A prestação de serviços é entendida como a realização de tra- balho oferecido ou contratado por terceiros incluindo assesso- rias, consultorias e cooperações. As vendas de serviços devem ser contabilizadas pelo regime de competência e, quando for necessário, a prestação de serviços deverá ter seu valor esti- mado pelo tomador do serviço para fins de contabilização. Em regra geral, as empresas prestadoras de serviços estão sujeitas ao recolhimento dos seguintes tributos: PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, contribuições previdenciárias, ICMS (sobre ativida- de de transporte intermunicipal e telecomunicações) e, obvia- mente, ISS. O valor da CSLL, da COFINS e do PIS retidos será determi- nado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual total de 4,65%, (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento). O tributo mais típico para as empresas prestadoras de ser- viços é o ISS. A Lei 116 de 2003 elenca uma série de serviços, sendo que as alíquotas podem variar de 2% a 5% dependendo do serviço e do município em que a empresa estiver estabele- cida ou prestar o serviço. Na maioria dos casos o ISS é devi- do ao município em que estiver situado o estabelecimento do prestador, porém em determinados tipos de serviços o tributo será devido ao município em que o serviço foi prestado. 202 Prática Contábil Referências AIUB, George Wilson; ALLEGRETTI, Rogério Della Fávera; AN- DREOLLA, Nadir. Plano de Negócios: Serviços. Porto Ale- gre: Sebrae, 1998. ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Curso de Contabilidade In- termediária em IFRS e CPC: atende à programação dos 2°s anos dos cursos de Ciências Contábeis e Administração de Empresas. São Paulo: Atlas, 2014. BRASIL. Lei n° 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Altera a Legislação Tributária Federal e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/2003/l10.833.htm > Acesso em: 10 out. 2014. _____. Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Regu- lamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e adminis- tração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Regulamento Imposto de Renda. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000. htm > Acesso em 23 out. 2014. _____. Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Disponível em: < http:// www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/leiscomplementa- res/2006/leicp123.htm > acesso em 7 out. 2014. ______. Lei n° 116 de 31 de julho de 2003. Dispõe so- bre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, e dá Capítulo 9 Vendas de Serviços 203 outras providências. Disponível em: < http://www.planal- to.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp116.htm > Acesso em: 10 out.2014. CFC. Conselho Federal de Contabilidade. Resolução n° 750 de 29 de dezembro de 1993. Disponível em: < http:// www.portaldecontabilidade.com.br/legislacao/resolucao- cfc774.htm > Acesso em 04 out. 2014. CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 30 – Receitas. Disponível em: < http://www.cpc.org. br/CPC/Documentos-Emit idos/Pronunciamentos/ Pronunciamento?Id=61 > Acesso em 12 out. 2014. CREPALDI, Sílvio Aparecido. Curso Básico de Contabilidade: resumo da teoria atendendo às novas demandas da gestão empresarial, exercícios e questões com respostas. Atualiza- da conforme as Leis nºs 11.638/2007 e 11.941/2009. 6° ed. São Paulo: Atlas, 2010. FITZSIMMONS, James A; FITZSIMMONS, Mona J. Adminis- tração de serviços: operações, estratégia e tecnologia da informação. Tradução Jorge Ritter. 4° ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. GRECO, Alvísio; AREND Lauro; GÄRTNER, Günther. Contabi- lidade: teoria e práticas básicas. São Paulo: Saraiva, 2007. IBGE. Instituto Brasileiro deGeografia e Estatística. Pesquisa Anual de Serviços, 2012. Disponível em < http://www. ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/imprensa/ppts/0 0000010163909192012394625287604.pdf > Acesso em 15 out. 2014. 204 Prática Contábil PADOVEZE, Clóvis Luís. Introdução à Contabilidade: com abordagens para não contadores. São Paulo: Pioneira Thomson Learnig, 2006. Atividades A seguir questões que vão contribuir para exercitar a aborda- gem desta unidade: Escriture a NF de prestação de serviço: 1) Contratação de serviços de vigilância com pagamento à vista. Valor do serviço R$ 55.500,00, ISQN 5%, COFINS 3%, PIS 0,65%, Contribuição Social 1%, Imposto de Renda 1%. As empresas são de municípios distintos. A empresa prestadora do serviço apresentou os documentos compro- batórios da folha de pagamento e comprovante de reco- lhimentos de encargos. Tributada pelo SIMLES Nacional. Gabarito Contabilizacao da despesa pelo tomador de serviço: a) Pelo reconhecimento da despesa pelo princípio da Competência D Despesa de Serviços de Limpeza 55.000,00 C ISS a Recolher 2.750,00C Credores Diversos 52.250,00 Capítulo 9 Vendas de Serviços 205 b) Pelo pagamento ao fornecedor de serviços de limpeza C Caixa/Bancos 52.250,00 D Credores Diversos 52.250,00 c) Pelo pagamento dos tributos incidentes sobre os servi- ços de limpeza D ISS a Recolher 2.750,00 C Caixa/bancos 2.750,00 Escrituração pelo prestador do serviço: a) Pelo reconhecimento da receita pelo princípio da Competência D Clientes 52.250,00 D ISS sobre venda serviços 20.750,00 C Venda de Serviços 55.000,00 b) Pelo recebimento do cliente D Caixa/Bancos 52.250,00 C Clientes 52.250,00 Valmira Trapp Fernandes Jucelaine Bitarello Capítulo 10 Operações Financeiras: Aplicações Financeiras e Financiamentos de Capital de Giro e Finame Capítulo 10 Operações Financeiras: Aplicações Financeiras... 207 Introdução As operações financeiras de aplicações ou financiamentos são realizadas entre a empresa e instituições financeiras. As aplica- ções financeiras ocorrem quando a empresa tem excedente de caixa. Já os financiamentos tem a finalidade de captar recursos para investimentos (imobilizações) ou capital de giro, mediante certa remuneração (juros). Além dos juros, em regra geral são cobradas tarifas e comissões nessas operações. Todas essas transações financeiras vão ser registradas pela contabilidade, pois tem impacto significativo no patrimônio empresarial. Todo empréstimo com prazo de vencimento até o final do exercício seguinte no passivo circulante. Quando ultrapassar esse perí- odo deve ser registrado no passivo não circulante, como obri- gações de longo prazo. Os juros e encargos incidentes devem ser registrados pelo regime de competência, independente do prazo de pagamento do contrato. Essa intermediação financeira é implementada por meio de Bancos Comerciais, de Desenvolvimento, de Fomento, de In- vestimento, Caixas Econômicas, Cooperativas de Crédito, So- ciedades Financeiras, de Crédito Imobiliário e Arrendadoras. As operações financeiras fazem parte do dia a dia das em- presas na busca de capital de giro, financiamento de imobi- lizado e na escolha da melhor aplicação para seus recursos financeiros quando há excedente em seu fluxo de caixa. Neste Capítulo vamos apresentar como realizar os registros contá- beis dessas operações. a) Aplicações Financeiras 208 Prática Contábil b) Captação de Recursos 1 Aplicações financeiras Quando a empresa tem excedente de caixa e aplica esses va- lores em renda fixa os rendimentos são tributados pelo Imposto de Renda. Essa aplicação poderá ser de curto ou longo pra- zo, o que vai depender da disponibilidade e do prazo que a empresa dispõe até a utilização dos valores. As alíquotas do Imposto de Renda serão de acordo com o Manual do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte da Secretaria da Receita Fede- ral do Brasil (2012): A partir de 1° de janeiro de 2005, aplicam-se as seguin- tes alíquotas: ♦ 22,5%, em aplicações com prazo de até 180 dias; ♦ 20%, em aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias; ♦ 17,5%, em aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias; ♦ 15%, em aplicações com prazo acima de 720 dias. Vamos admitir que uma determinada sociedade em- presária, após constatar excedente de caixa no valor de R$ 10.000,00 aplicou esse valor pelo prazo de um mês (1) em janeiro de 20XX a uma taxa de 1% a.m. Vamos ao registro contábil da operação: Capítulo 10 Operações Financeiras: Aplicações Financeiras... 209 Pelo registro da aplicação em 02/01/20XX: Contas Contábeis Débito Crédito Aplicações Financeiras Curto Prazo 10.000,00 Bancos Conta Movimento – Banco A 10.000,00 Pelo registro dos rendimentos 31/01/20XX: Contas Contábeis Débito Crédito Aplicações Financeiras 100,00 Receitas Financeiras 100,00 Pelo registro do IRRF 31/01/20XX: Contas Contábeis Débito Crédito IRRF a Recuperar 22,50 Aplicações Financeiras 22,50 2 Captação de recursos Vamos analisar nesta seção a contabilização dos empréstimos que as empresas obtêm quando há escassez de caixa. Admitindo que uma empresa obtenha um empréstimo de R$ 40.000,00 para pagar em oito parcelas fixas de R$ 5.300,00, sendo R$ 5.000,00 amortização e R$ 300,00 de encargos financeiros (sobre as operações de crédito há inci- dência de Imposto sobre Operações de Crédito). Empréstimo em 01/03/20XX. 210 Prática Contábil Imposto Sobre Operações de Crédito Alíquota: máxima de 1,5% ao dia sobre o valor das ope- rações de crédito. Alíquota reduzida vigente: Incidente sobre operações contratadas por Pessoas Jurí- dicas: a. 0,00137% ao dia para Pessoas Jurídicas optantes pelo Simples Nacional, em operações iguais ou inferiores a R$ 30.000,00; b. 0,0041% ao dia para os demais casos; c. Alíquota adicional vigente: d. Incide 0,38% sobre as operações de crédito, inde- pendentemente do prazo da operação contratadas por pessoas físicas ou jurídicas; De acordo com a Instrução Normativa RFB n° 907 (2009): Art. 2 º No caso de operações de empréstimo pagas em prestações, a base de cálculo do IOF de que trata a alínea “b” do inciso I do art. 7 º do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007 , será apurada de acordo com o sistema de amortização pactuado entre as par- tes, desde que mencionado expressamente no respectivo contrato. De acordo com o art. 7º, inciso I, alínea b, do Decreto n° 6.306/2007: Capítulo 10 Operações Financeiras: Aplicações Financeiras... 211 Quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas. Realizando o registro contábil da aplicação, teremos: Pelo registro do IOF incidente na operação 1°/03/20XX: Contas Contábeis Débito Crédito Banco Conta Movimento – Banco A 39.584,29 IOF – Imposto sobre Operações de Crédito 415,71 Empréstimos e Financiamentos – Banco A 40.000,00 Pelo registro dos encargos Financeiros da operação em 01/03/20XX: Contas Contábeis Débito Crédito Encargos financeiros a Apropriar (PC) 2.400,00 Empréstimos e Financiamentos – Banco A 2.400,00 Pelo pagamento da primeira parcela em 1°/04/20XX: Contas Contábeis Débito Crédito Empréstimos e Financiamentos – Banco A 5.300,00 Bancos Conta Movimento– Banco A 5.300,00 212 Prática Contábil Registro dos encargos financeiros em 1°/04/20XX: Contas Contábeis Débito Crédito Despesas Financeiras 300,00 Encargos Financeiros a Apropriar(PC) 300,00 3 Operações de capital de giro As operações de capital de giro também estão presentes no dia a dia das organizações e, em regra geral, são pagas em prestações iguais e consecutivas. Vamos elaborar um exercício para exemplificar esta operação. Admitimos que uma empresa faça um empréstimo de capi- tal de giro no valor de R$ 30.000,00 para pagar em 5 meses, com valor da prestação de R$ 6.500,00 e uma taxa de juros de 2,728816 a.m. Valor financiado: R$ 30.000,00 Parcelas:5 Taxa: 2,728816 Parcela Saldo inicial Juros Amortização Prestação Saldo Final 0 30.000,00 1 30.000,00 818,64 5.681,36 6.500,00 24.318,64 2 24.318,64 663,61 5.836,39 6.500,00 18.482,26 3 18.482,26 504,35 5.995,65 6.500,00 12.486,60 4 12.486,60 340,74 6.159,26 6.500,00 6.327,34 5 6.327,34 172,66 6.327,34 6.500,00 0,00 2.500,00 30.000,00 32.500,00 Capítulo 10 Operações Financeiras: Aplicações Financeiras... 213 Vamos ao registro contábil: a) Quando da contratação do empréstimo D – Bancos Conta Movimento R$ 30.000,00 D – Juros a apropriar (Cta redutora do Passivo) R$ 2.500,00 C – Financiamento Capital Giro (PC) R$ 32.500,00 b) Quando do pagamento da primeira prestação,30 dias após D – Financiamento Capital de Giro R$ 6.500,00 C – Bancos Conta Movimento R$ 6.500,000 c) Pela apropriação dos juros D – Juros Passivos (Despesa) R$ 818,64 C – Juros a Apropriar (Cta redutora do Passivo) R$ 818,64 A empresa registra a operação incluindo os juros na conta de Financiamento de Capital de Giro e em Juros a Apropriar para registro pelo Regime de Competência. 4 Operações de FINAME A denominação SAC origina-se de sua principal característica, que é amortizar o valor do empréstimo de forma constante e periódica, fazendo com que a taxa efetiva de juros incida sobre 214 Prática Contábil um saldo devedor decrescente a essa constante. Por consequ- ência, os juros e as prestações também decrescem a um valor constante, caracterizando uma progressão aritmética, cuja ra- zão é o resultado da multiplicação do valor dessa amortização constante pela taxa efetiva periódica. Os registros contábeis seguem a mesma linha das opera- ções de CDC, o que altera as formas de cálculo de juros e prestações que não são uniformes. Recapitulando Neste Capítulo, nossa abordagem foi em relação às opera- ções financeiras que fazem parte do dia a dia das empresas, tais como: capital de giro, financiamento de imobilizado e na escolha da melhor aplicação para seus recursos financeiros quando há excedente em seu fluxo de caixa. Foi demonstra- do o cálculo dos juros, prestações, saldo devedor e também como realizar os registros contábeis destas operações. Referências BRASIL. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Manual do impos- to sobre a renda retido na fonte. Disponível em: <http:// www.receita.fazenda.gov.br/publico/dirf/mafondirf2012/ mafon2012.pdf> Acesso em 1° de dez.2014. Capítulo 10 Operações Financeiras: Aplicações Financeiras... 215 BRASIL. Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007. Regulamenta o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobili- ários – IOF Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ Ato2007-2010/2007/Decreto/D6306.htm> Acesso em 12 de dez de 2014. BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 907, de 9 de janeiro de 2009. Dispõe sobre o Imposto sobre Operações de Cré- dito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF). Alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.402, de 22 de ou- tubro de 2013. Disponível em: http://www.receita.fazenda. gov.br/Legislacao/Ins/2009/in9072009.htm Acesso em 02 dez. de 2014. BRASIL. Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007. Regu- lamenta o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ Ato2007-2010/2007/Decreto/D6306.htm> Acesso em 02 de dez. 2014. 216 Prática Contábil Atividades 1) Uma empresa realizou um empréstimo de capital de giro no valor de R$ 5.000,00 para pagar em 5 vezes, confor- me planilha a seguir: Valor financiado: R$ 5.000,00 Parcelas:5 Taxa: Parcela Saldo inicial Juros Amortização Prestação Saldo Final 0 5.000,00 1 5.000,00 82,43 967,57 1.050,00 4.032,43 2 4.032,43 66,48 983,52 1.050,00 3.048,92 3 3.048,92 50,27 999,73 1.050,00 2.049,18 4 2.049,18 33,78 1.016,22 1.050,00 1.032,97 5 1.032,97 17,03 1.032,97 1.050,00 0,00 250,00 5.000,00 5.250,00 Realize os registros contábeis relativos à contratação, à apro- priação do juros e ao pagamento efetuado após 30 dias: 2) Realize o registro contábil de um empréstimo obtido pela Comercial Vera Cruz em 1°/03/2013, no valor de 10.000,00 e que deverá ser pago em 2 parcelas de R$ 5.100,00 cada uma, sendo a primeira 30 dias após a contratação do empréstimo (desconsiderar a incidência de IOF sobre a operação). 3) Elabore um exemplo de contabilização de aplicações, conforme exemplo da seção 1 deste Capítulo, como forma de exercitar este tema estudado. (Desconsidere os efeitos tributários) Capítulo 10 Operações Financeiras: Aplicações Financeiras... 217 4) Os juros de empréstimos que serão regidos pelo regime de competência deverão ser registrados a: a) Débito de juros passivos b) Débito de Juros a Apropriar c) Crédito de Juros a Apropriar d) Crédito de Empréstimos Bancários e) Nenhuma alternativa 5) No Sistema de Amortização Constante (SAC) o juros e as prestações têm como comportamento, respectivamente: a) Crescentes e decrescente. b) Decrescentes e crescentes. c) Decrescentes e decrescentes. d) Crescentes e crescentes. e) Nenhuma alternativa. Gabarito 1) a) Quando da contratação do empréstimo D – Bancos Conta Movimento R$ 5.000,00 D – Juros a apropriar (Cta redutora do Passivo) R$ 250,00 D – Financiamento Capital Giro (PC) R$ 5.250,00 218 Prática Contábil b) Quando do pagamento da primeira prestação, 30 dias após D – Financiamento Capital de Giro (PC) R$ 1.050,00 C – Bancos Conta Movimento R$ 1.050,00 c) Pela apropriação dos juros D – Juros Passivos (Despesa) R$ 82,43 C – Juros a APropriar (Cta redutora do Passivo) R$ 82,43 2) Realize o registro contábil de um empréstimo obtido pela Comercial Vera Cruz em 01/03/2013, no valor de 10.000,00 e que deverá ser pago em 2 parcelas de R$ 5.100,00 cada uma, sendo a primeira 30 dias após a contratação do empréstimo.(Desconsiderar a incidência de IOF sobre a operação) D – Bancos Conta Movimento R$ 10.000,00 D – Juros a apropriar (Cta redutora do Passivo) R$ 200,00 C – Financiamento Capital Giro (PC) R$ 10.200,00 3) Uma sociedade empresária, após constatar excedente de caixa no valor de R$ 40.000,00 aplicou este valor pelo prazo de um mês (1) em agosto de 2014 a uma taxa de 0,5% a.m. Registro contábil da operação: Pelo registro da aplicação em 01/08/2014: Contas Contábeis Débito Crédito Aplicações Financeiras Curto Prazo 40.000,00 Capítulo 10 Operações Financeiras: Aplicações Financeiras... 219 Bancos Conta Movimento – Banco A 40.000,00 Pelo registro dos rendimentos 01/09/2014: Contas Contábeis Débito Crédito Aplicações Financeiras 200,00 Receitas Financeiras 200,00 4) b, 5) c