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1 
 
 
 
 
 
 
Monografia 
 
 
 
"UMA VISÃO GERAL SOBRE IMPERMEABILIZAÇÃO NA CONSTUÇÃO CIVIL" 
 
 
Autora: Yara de Kássia Arantes 
Orientador: Prof. Dalmo Lúcio M. Figueredo 
 
 
 
 
 
 
Dezembro/2007
 2 
YARA DE KÁSSIA ARANTES 
 
 
"UMA VISÃO GERAL SOBRE IMPERMEABILIZAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL" 
 
 
 
Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Construção Civil 
 da Escola de Engenharia UFMG 
 
 
 
Ênfase: Avaliações e Perícias 
Orientador: Prof. Dalmo Lúcio M. de Figueredo 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
Escola de Engenharia da UFMG 
2007 
 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A minha família pelo imenso amor e por sempre 
acreditar em meus sonhos. Ao Fábio pelo apoio e 
carinho. 
 
 
 
 4 
AGRADECIMENTOS 
 
 
Agradeço primeiramente a Deus pelas bênçãos sempre derramadas sobre mim. Aos 
meus pais que puderam me presentear com meus estudos. Serei sempre grata a 
vocês. Ao meu irmão pelo amor incondicional e ao meu amor Fábio, por sempre 
estar ao meu lado. Amo vocês. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 5 
 
RESUMO 
 
No constante trabalho de resistir as infiltrações, ou seja, de proteger-se contra as 
intempéries: vento, neve, sol e chuva é procurado soluções a fim de proteger a vida 
útil das construções. A água é a grande responsável por 85% dos problemas das 
edificações, assim a proteção das estruturas contra infiltrações de água é condição 
mínima e necessária a qualquer edificação. 
 
A utilização de sistemas impermeabilizantes tem como função principal proteger a 
edificação, permitindo um aumento da vida útil da construção, garantindo a 
salubridade dos ambientes e melhorando a qualidade de vida dos usuários. 
 
Assim, será feita uma pesquisa geral sobre os sistemas impermeabilizantes, seus 
processos, a importância dos projetos, os tipos, as causas mais comuns e por fim a 
aplicação dos diversos tipos de impermeabilização. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 6 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................. 7 
2. HISTÓRIA ................................................................................................... 8 
3. CONCEITOS................................................................................................ 9 
3.1 O envelope do edifício .......................................................................... 9 
3.2 O sistema de impermeabilização .......................................................... 12 
3.3 Conceito de performance .......................................................................14 
4. PROJETO – O INÍCIO DE TUDO .................................................................16 
5. GARANTIA: APLICADORES + FORNECEDORES .................................... 20 
6. SELEÇÃO DO FORNECEDOR .................................................................. 21 
7. O CONTRATO ............................................................................................ 22 
8. TERMINOLOGIA E NORMAS TÉCNICAS.................................................. 24 
9. PROCESSOS ............................................................................................. 25 
9.1 Processos preliminares........................................................................ 25 
9.2 Processos de impermeabilização.........................................................26 
9.2.1 Quanto à flexibilidade..................................................................26 
9.2.2 Quanto ao tipo do material..........................................................26 
9.2.2.1 Os asfaltos podem ser.......................................................26 
9.2.2.2 Sintéticos............................................................................27 
9.2.2.3 Cimentícios.........................................................................27 
9.2.2.4 Resinas...............................................................................27 
10. PROCESSOS COMPLEMENTARES...........................................................29 
10.1 Proteções de transição..........................................................................29 
10.2 Proteções mecânicas.............................................................................29 
10.3 Proteções técnicas.................................................................................30 
11. MATERIAIS E SISTEMAS IMPERMEABILIZANTES.....................................31 
11.1 Materiais impermeabilizantes................................................................31 
12. ANÁLISE DE DESEMPENHO........................................................................36 
12.1 Ensaios de desempenho........................................................................36 
12.2 Ensaios de caracterização......................................................................38 
13. DIMENSIONAMENTO DOS SISTEMAS..........................................................42 
13.1 Sistemas..................................................................................................42 
13.2 Dimensionamento....................................................................................42 
13.3 Conhecendo os sistemas.........................................................................43 
13.4 Preparação da base................................................................................48 
13.5 Proteção de impermeabilização..............................................................50 
14. CONHECENDO O PROJETO..........................................................................52 
14.1 Condições especiais................................................................................52 
14.1.1 Tipo de estrutura e estágio de cálculo..................................................52 
14.1.2 Condições externas às estruturas.........................................................54 
14.1.3 Detalhes construtivos............................................................................59 
15. AS PRINCIPAIS CONSEQUENCIAS DA UMIDADE.........................................61 
16.CONCLUSÃO.....................................................................................................66 
17. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS..................................................................67 
 
 
 7 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
O objetivo deste trabalho é dar uma visão geral sobre Impermeabilização na 
construção civil, devido sua grande importância frente aos inúmeros problemas 
provocados pela água na edificação. 
 
Tendo em vista que a impermeabilização é o envelope do edifício, será descrito 
neste trabalho os tipos, as causas e as soluções adotadas para cada problema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 8 
 
 
2. HISTÓRIA 
 
 
Desde muito tempo procuram-se soluções a fim de proteger a vida útil das 
construções, no constante trabalho de resistir as infiltrações, ou seja, de proteger-se 
contra as intempéries: vento, neve, sol e chuva. 
 
A água é a grande responsável por 85% dos problemas das edificações, segundo 
levantamentos realizados junto a setores ligados à construção civil. Em cada um dos 
estados físicos da água (gasoso/líquido/sólido) ela tem um grau de agressividade. No 
Brasil não se encontra água no estado sólido (neve), mas em compensação tem-se 
na forma gasosa, que é muito perigosa devido a capacidade de penetração, que é 
muito maior que no estado líquido. Apesar de sua importância vital, ela é o agente 
canalizador ou provocador da corrosão, causando deterioração e envelhecimento da 
obra. A impermeabilização é a atividade da engenharia que visa a proteção das 
obras e edificações e, ainda, visa manter a água onde se deseja, afim de evitar as 
agressões e a deterioração. 
 
Podemos dizer que os primeiros materiais usados pelo homem foram os 
betuminosos, ou seja, os asfaltos e alcatrões; produto tradicional usado nos banhos 
romanos e proteção das estacas de madeira na antiguidade.Isto deve-se a suas 
inúmeras características: aglomerante, hidrófugo, quimicamente inerte e apresenta 
sensibilidade à temperatura(o que facilita sua aplicação). Além disso, melhora a 
estanqueidade das construções (fissuras e trincas). A partir da primeira metade do 
século XIX, houve um grande avanço na área da impermeabilização através da 
Revolução Industrial. Antes as construções eram pequenas e com coberturas muito 
inclinadas para o melhor escoamento da água. Com a industrialização, começou-se 
a construir grandes vãos horizontais (lajes planas) havendo assim vazamentos 
 9 
freqüentes. Mas desde esta época o betume já era conhecido, com isso lançou-se o 
asfalto sobre as lajes planas (fábricas da Inglaterra). 
 
Começaram a surgir os primeiros problemas provocados pelas trincas devido aos 
efeitos térmicos, pois no calor a estrutura expande, e no frio ela retrai, causando 
assim fissuras e trincas. Surgiram então os primeiros estruturantes, baseados em 
produtos da indústria têxtil, que era grande necessidade de soluções de 
impermeabilização. Foi a primeira noção de um processo que aliava 
impermeabilizante e estruturante. 
 
Com o grande desenvolvimento da indústria dos polímeros sintéticos, a partir do 
início do século XX, surgiram novos materiais, cujas características de 
impermeabilidade, elasticidade, extensibilidade, etc., possibilitaram o 
desenvolvimento do sistemas de impermeabilização de desempenho comparável ao 
feltro asfáltico, apresentando, em geral, maior facilidade de execução. 
 
No Brasil as primeiras impermeabilizações utilizavam óleo de baleia na mistura das 
argamassas para o assentamento de tijolos e revestimentos das paredes das obras 
que necessitavam desta proteção. 
 
A impermeabilização entendida como item da construção que necessitava de 
normalização, ganhou no Brasil, especial impulso com as obras do Metrô da cidade 
de São Paulo, que se iniciaram em 1968. A partir das reuniões para se criar as 
primeiras normas brasileiras de impermeabilização na ABNT - Associação Brasileira 
de Normas Técnicas, por causa das obras do Metrô, este grupo pioneiro, após a 
publicação da primeira norma brasileira de impermeabilização em 1975, funda neste 
mesmo ano o IBI - Instituto Brasileiro de Impermeabilização para prosseguir com os 
trabalhos de normalização e iniciar um processo de divulgação da importância da 
impermeabilização que prossegue até os dias de hoje. 
 
 
 10 
 
 
 
3. CONCEITOS 
 
 
3.1 O envelope do edifício 
 
De acordo com Firmino Siqueira, o primeiro e principal conceito que deve ser 
assimilado é o de que impermeabilização é o envelope da edificação. Em outras 
palavras, é o sistema construtivo que protege a edificação contra as condições do 
meio em que está edificada, visando sempre três aspectos, que podem existir juntos 
ou isoladamente: 
 
• durabilidade da edificação; 
• conforto e saúde do usuário; 
• proteção ao meio ambiente. 
 
 Analisando cada um dos aspectos, encontram-se várias razões para 
justificar a importância da impermeabilização em cada um deles: 
 
• A água, como já foi dito anteriormente, é o principal elemento 
provocador da degradação das construções. Ela atua como o 
próprio agente agressivo, ou age como veículo condutor de outros 
agentes (ácidos, sais, álcalis etc.). Se é desejado, então, uma 
construção durável, deve-se avaliar toda e qualquer possibilidade de 
ataque pela água, e combatê-la radicalmente. Apesar de existir um 
juízo pré-formado de que impermeabilização é um item caro, e de 
desempenho questionável, por parte de muitos engenheiros e 
arquitetos, uma avaliação simples da relação custo-benefício 
invalida qualquer afirmativa desta natureza, já que os custos de 
 11 
reparação, não só da impermeabilização mas também das 
estruturas e elementos construtivos atacados, chegam a mais de 5 
vezes o custo inicial de uma impermeabilização. Quanto ao 
desempenho técnico de uma impermeabilização, com certeza pode 
ter seus problemas vinculados diretamente a um ou mais dos 
seguintes motivos: 
� falta de projeto específico; 
� falta de conhecimentos básicos do construtor; 
� contratação baseada em preço apenas. 
 
Resolvidos estes problemas, não há como argumentar baixo desempenho ou custo 
elevado. 
A partir deste conceito, pode-se sair da visão míope de que impermeabilização é “um 
piche sobre uma laje”, para uma visão mais abrangente, de que a impermeabilização 
alcança as fundações, sub-solos, fachadas e coberturas de uma edificação, 
possibilitando maior aproveitamento das áreas e dos equipamentos de serviço e/ou 
lazer, no verdadeiro papel de envelope da edificação. 
 
• O conforto e a saúde do usuário tem cada vez mais importância, à 
medida que a noção de cidadania e de estado de direito avança em 
nosso país e, mais do que qualquer discurso político, promessas e 
planos governamentais, é a mola mestra do desenvolvimento e 
crescimento do povo, o único parâmetro real de crescimento e 
desenvolvimento de uma nação. Não se admite mais morar sob 
uma goteira, com manchas, umidade e mofo em paredes e pisos, 
causando desconforto e problemas de saúde, principalmente de 
origem alérgica. Acrescente-se a isto o problema de conforto visual, 
que é prejudicado pelos problemas causados pela água, tornando 
os ambientes desagradáveis e desconfortáveis. 
• A proteção ao meio ambiente é o conceito mais recente que foi 
incorporado às impermeabilizações, mas cujo alcance é profundo e 
 12 
deverá se acentuar cada vez mais. Os principais setores 
beneficiados pelas impermeabilizações hoje são: 
� tratamentos de lagoas e dejetos industriais, evitando 
contaminação do solo e de aqüíferos subterrâneos; 
� criação de canais de irrigação de baixíssimo custo, que 
possibilitam não só a agricultura, mas também a 
arborização de faixas áridas do sertão, através de matas 
ciliares ou programas de reflorestamento; 
� criação de coberturas verdes, fator de altíssima 
importância na recuperação dos climas dos grandes 
centros urbanos, de alta densidade de edificações, 
população, veículos, atuando como células de 
recuperação ambiental, comparável a um sistema de 
telefonia celular, que com pequenas células em todo 
lugar, resolve um problema de comunicação. 
 
 
3.2. O sistema de impermeabilização 
 
“Sistemas que englobam os elementos destinados a garantir as funções do edifício 
ao longo do tempo, frente a ação dos agentes agressivos.” Impermeabilização então 
é um sistema de proteção contra a ação da água. De acordo com a NBR 9575:2003, 
é o conjunto de produtos e serviços destinados a conferir estanqueidade a partes de 
uma construção. Estanqueidade então é a propriedade de um elemento (ou de um 
conjunto de componentes) de impedir a penetração ou passagem de fluídos através 
de si. Assim, impermeabilização é um conjunto de operações e técnicas construtivas 
(serviços) que objetivam proteger as construções contra a ação deletéria de fluídos, 
vapores e umidade. É o produto (conjunto de componentes ou o elemento) 
resultantes destes serviços. Geralmente a impermeabilização é composta de um 
conjunto de camadas com funções específicas. 
 
 13 
O principal fluído atuante é a água, cuja solicitação pode se dar de formas distintas: 
a) Água por percolação (ex.: chuva, lavagem): paredes, coberturas e pisos. 
b) Umidade do solo (água capilar): fundações, cortinas, pisos sobre solo. 
c) Água por pressão (unilateral ou bilateral): piscinas e reservatórios. 
d) Água de condensação: superfícies expostas ao calor e ao frio. 
Assim o que se resta é proteger: evitando o contato com o elemento ou permitindo o 
contato, impedindo a penetração de água. 
 
Para a execução com sucesso desta proteção, é necessário um sistema de 
impermeabilização que é composto por três processos. Cada um deles tem igual 
importância na formação de um sistema impermeável, e sua correta construção evita 
que umdeterminado componente do sistema se sobrecarregue, assumindo todas as 
funções que deveriam ser compartilhadas: base, impermeabilização e durabilidade. A 
película impermeável, por exemplo, tem a função específica de evitar a passagem de 
água. Incorpora também algumas características elásticas, e pode ser mais ou 
menos durável. Porém, se a base for adequada para absorver parte das solicitações 
da estrutura, e as camadas posteriores para acomodar os esforços de cargas e os 
ataques das intempéries, o desempenho, certamente, será muito melhor. Por estes 
motivos, este sistema é dividido em três processos: 
• processos preliminares; 
• processos impermeáveis; 
• processos complementares. 
 
Cada um deles vai atuar como um anteparo para o outro, e sua perfeita montagem 
formará um sistema de alto desempenho. A falha na montagem destes sistemas é o 
principal responsável por inúmeros fracassos de impermeabilização, mesmo quando 
se adota impermeabilizantes de alto desempenho. 
 
A montagem do sistema é que deve ser contemplada na elaboração de um projeto. A 
simples descrição de uma camada impermeabilizante, como comumente vemos, não 
pode ser chamada de projeto, mas apenas de indicação de materiais, e, quase 
 14 
sempre, deixa de atacar os pontos fundamentais para composição do sistema. Os 
sistemas podem ser de extrema simplicidade, e na maioria das vezes são repetitivos. 
Os processos preliminares são aqueles que devem ser executados antes da 
aplicação do impermeabilizante, e são como que pré-requisitos. Sem eles, não vai 
dar certo. 
 
Os processos impermeáveis são aqueles em que se trata dos materiais 
impermeabilizantes propriamente ditos. 
 
Os processos complementares são aqueles que funcionam como proteções ou 
complemento dos sistemas. São os anteparos, ou barreiras que permitem que a vida 
do sistema se prolongue, estando adequadas às cargas e solicitações que lhe são 
impostas. 
 
Serviço mal feito tem conseqüências danosas para a obra. Gera atraso, custo extra, 
prejuízo financeiro e muita desconfiança por partes dos clientes. Por isso, os 
cuidados tomados com os produtos dentro da fábrica, devem se estender ao serviço 
de aplicação. 
 
 
3.3. Conceito de performance 
 
De acordo com Firmino Siqueira, alguns conceitos não são propriedade exclusivos 
do setor de impermeabilização, e de nenhum outro, mas aplicam-se perfeitamente ao 
tema, e devem ser sempre lembrados: 
 
• “Qualidade é adequação ao uso”. Isto significa que, o que é bom 
para uma situação não necessariamente é bom para outra. 
• A performance de um sistema deve ser satisfatória, atendendo os 
objetivos planejados, e permanecendo assim ao longo do tempo 
estabelecido como meta. 
 15 
• O melhor parâmetro de referência é a experiência. Quem procura 
inovar, experimentar – o que é absolutamente saudável e positivo – 
deve estar pronto para os riscos inerentes a este tipo de atitude, 
atuando de forma sistemática, e registrando os dados dos 
processos, para controles e aperfeiçoamento. (Pesquisa e 
desenvolvimento). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 16 
 
 
4. Projeto – O início de tudo 
 
 
A exemplo dos projetos de arquitetura, da estrutura de concreto armado, das 
instalações hidráulica e elétrica, de paisagismo e decoração, entre outros de uma 
obra comercial, industrial ou residencial, a impermeabilização também deve ter um 
projeto específico, um projeto que detalhe os produtos e a forma de execução das 
técnicas de aplicação dos sistemas ideais de impermeabilização para cada obra. 
 
Não se deve estabelecer regras para um projeto por se tratar de atividade 
profissional e cada um deve desenvolver o seu projeto da maneira que conceber. O 
que se propõe neste trabalho são apenas alguns passos que devem ser observados, 
frutos de experiências recolhidas. 
 
A partir do momento em que se está concebendo a arquitetura da edificação o 
especialista deve iniciar a sua participação no projeto informando ao arquiteto sobre 
as possibilidades das opções por este. 
 
Logo a seguir, quando já de posse dos primeiros estudos, inicia-se a identificação 
dos locais da edificação que serão impermeabilizados, fazendo-se, então, uma 
bateria de indicações com respeito a cotas, níveis, pontos de revestimentos, etc., 
antes mesmo, de preferência, de se entregar os estudos para o lançamento definitivo 
da estrutura de concreto. 
 
Aguarda-se então que os estudos se materializem nos projetos definitivos de 
arquitetura e estrutura (cálculo). 
 
 17 
Agora, de posse destes projetos passa-se à fase de dimensionamento dos sistemas 
e às correções necessárias, preparando então o que chamamos de anteprojeto de 
impermeabilização. 
A reunião do projeto de arquitetura, de estrutura, do ante-projeto de instalações dará 
origem ao projeto executivo da obra, cujo elaborador será o coordenador do projeto 
global e dará o sinal verde para que termine o projeto definitivo de 
impermeabilização. 
 
Um projeto específico de impermeabilização, um prestador de serviço bem 
recomendado e a fiscalização constante do contratante são as três precauções 
básicas para garantir um serviço confiável. Ai vem a pergunta: o mercado oferece 
essa condições? Parte disso cabe ao próprio cliente, mas no que depender dos 
fornecedores, a resposta e sim. 
 
Tudo começa com uma boa assessoria, que pode vir dos fabricantes idôneos, 
geralmente associados ao IBI. O setor, de um modo geral, reconhece que existem 
poucos escritórios especializados, mas os que atuam têm grande experiência e são 
profundos conhecedores das características técnicas dos produtos e da aplicação, 
capazes de desenvolver o projeto ou assessorar grandes projetistas, tal como fazem 
os bons fabricantes. Consultados, técnicos de fabricantes de sistemas 
impermeabilizantes afirmam que os projetistas devem especificar os produtos por 
sua descrição técnica, deixando claras as características requeridas em projeto, isto 
posto, todo fabricante estará apto a fornecer o produto. 
 
De acordo com a NBR 13531:1995 - Elaboração de projetos de edificações - 
Atividades técnicas, aplicável em conjunto com a NBR 9575:1998 - Projeto de 
impermeabilização, e Projeto NBR 9575:2003, o projeto de impermeabilização 
compõe-se de um conjunto de informações gráficas e descritivas que definem 
integralmente as características de todos os sistemas de impermeabilização 
empregados em uma dada construção, de forma a orientar sua produção. O projeto 
 18 
de impermeabilização deverá ser constituído de dois projetos que se complementam: 
projeto básico e projeto executivo (veja tabela abaixo). 
 Desenhos Textos 
Projeto 
Básico 
• plantas de localização e 
identificação das 
impermeabilizações, 
bem como dos locais de 
detalhamento 
construtivo. 
• detalhes construtivos 
que descrevem 
graficamente as 
soluções adotadas no 
projeto de arquitetura 
para o equacionamento 
das interferências 
existentes entre todos os 
elementos e 
componentes 
construtivos. 
• detalhes construtivos 
que explicitem as 
soluções adotadas no 
projeto de arquitetura 
para o atendimento das 
exigências de 
desempenho em relação 
à estanqueidade dos 
elementos construtivos e 
à durabilidade frente à 
ação da água, da 
umidade e do vapor de 
água. 
• memorial 
descritivo dos 
tipos de 
impermeabilizaçã
o selecionados 
para os diversos 
locais que 
necessitem de 
impermeabilizaçã
o. 
Projeto 
Executivo 
• plantas de localização e 
identificação das 
impermeabilizações, 
bem como dos locais de 
detalhamento 
construtivo. 
• detalhes genéricos e 
específicos que 
descrevam graficamente 
todas as soluções de 
impermeabilização 
projetadas e que sejam 
necessários para a 
inequívoca execução 
• memorial 
descritivo de 
materiais e 
camadas de 
impermeabilizaçã
o. 
• memorial 
descritivo de 
procedimentos 
de execução e 
de segurança do 
trabalho. 
• planilha de 
quantitativosde 
materiais e 
 19 
destas. serviços. 
• planilha de 
descrição de 
ensaios de 
campo e 
tecnológicos. 
 
 
Os desenhos devem ser claros e bem detalhados, podendo chegar a escala 1:1 em 
certos detalhes, pois há situações em que se lida com detalhes de 2, 3 ou 4mm 
apenas. 
 
Um dos cuidados do projeto, é usar linguagem técnica, clara, e sem deixar margem a 
dúvidas, por interpretações duvidosas. É bom lembrar sempre que o projeto chegará 
à mão de operários que precisam de linguagem clara, objetiva, e de poucas palavras. 
 
É recomendado trabalhar com os desenhos em formato A0 ou A1, mas sempre 
trazê-los em forma reduzida, no formato A4, junto ao memorial descritivo. 
 
Os materiais e processos a adotar devem ser citados pelo tipo e norma de 
referência, e não pela marca. A menos que não haja nenhuma similaridade com 
outros produtos, deve-se indicar mais de um fornecedor. Os ensaios a serem feitos 
devem ser indicados no projeto, assim como os laboratórios independentes, 
habilitados a realizá-los. 
 
Para a execução de um bom projeto de impermeabilização, deve-se trabalhar em 
conjunto com os outros projetos de sistemas auxiliares de obras, como elétrico, 
hidráulico, paisagismo, arquitetura, estrutura etc. Quanto melhor for a análise e 
solução destas interfaces, melhor será o resultado final. 
 
 
 
 
 20 
 
 
 
5. Garantia: Aplicadores + Fornecedores 
 
Se o projeto está bem detalhado, resta procurar a empresa de aplicação. Em geral, 
os próprios fabricantes contam com uma rede de aplicadores credenciados e aptos a 
aplicar os produtos de sua linha. Além da rede, algumas empresas oferecem também 
programas de impermeabilização de condomínios. Os aplicadores sempre contam 
com orientação e acompanhamento das fabricas. Isso da ao cliente certa 
tranqüilidade, embora a garantia seja bem delimitada; os prestadores de serviços 
(Aplicadores) são responsáveis pela garantia de 5 anos e a fábrica, pela qualidade 
do produto. 
 
Muitos treinamentos técnicos são promovidos pelos fabricantes junto ao profissional-
chave no processo: o aplicador. Além de treinamentos, suporte técnico, os 
fabricantes oferecem suporte técnico e acompanhamento às obras sempre que 
necessário. A garantia de 5 anos é dada pelo fabricante ao produto por seu 
desempenho e contra defeitos de fabricação, cabendo a empresa aplicadora garantir 
a qualidade da instalação. Por fim, cabe ainda ressaltar que pelo Código de Defesa 
do Consumidor e o Procon, estabelece-se prazo de 90 dias para reclamações junto 
ao prestador de serviços. Após este prazo, se ficar caracterizado como vício de 
origem, o consumidor continua com a garantia. Porém, danos provocados por uso 
inadequado e falta de manutenção da área impermeabilizada não caracterizam a 
responsabilidade do aplicador. 
 
 
 
 
 
 
 21 
 
 
 
6. Seleção do fornecedor 
 
 
É necessário fixar alguns critérios para a contratação do serviço. O cliente deve abrir 
uma concorrência baseada em um projeto ou especificação que determine 
claramente o tipo de material que está sendo orçado e que este contemple a norma 
técnica aplicável. Deve também se certificar de que os produtos e sistemas 
participantes da tomada de preços são equivalentes em características e 
desempenho. Caso receba sugestões para alterar o especificado, e recomendável 
consultar o projetista. “O consumidor deve ser orientado para que analise a situação 
em nível de projeto, pois esta etapa é constituída de especificações (descrições e 
justificativas), desenhos, detalhes, planilhas com quantitativos, serviços e sugestões 
de critérios de medição, conforme preconizado pela NBR 9575/98”. 
 
Credenciado ou não, o aplicador deve ser avaliado previamente pelo contratante. 
Para isso, convém solicitar referências de obras anteriores, certificar-se de que a 
empresa possui um responsável técnico, que seja associada ao IBI, que utilize 
produtos de qualidade e seja indicada ou avalizada pelo fabricante do produto que 
pretende utilizar. No que tange à proposta comercial, deve ser clara e abrangente, 
que explicite todos os serviços e as respectivas garantias. O tempo de atividade 
também é um bom indicador para a avaliação do aplicador. 
 
 
 
 
 
 
 
 22 
 
 
 
7. O contrato 
 
 
Escolhida a empresa, vem o contrato. O contratante deve prever a fiscalização da 
execução de todas as etapas dos serviços – preparações, regularizações, ensaios de 
produtos, a impermeabilização em si, ensaios hidráulicos, proteções mecânicas e 
revestimentos. Um modelo que tem se mostrado muito eficiente é a contratação de 
fornecimento de materiais diretamente com o fabricante e de mão-de-obra com o 
aplicador, revelando vantagens para todas as partes a construtora assegura o 
fornecimento em lotes específicos, com certificado de análise, obtém alguns serviços 
associados, como especificações técnicas e quantificação de todas as áreas, 
acompanhamento e suporte técnico; já o aplicador trabalha com mais tranqüilidade, 
podendo investir seu capital de giro na excelência da mão-de-obra. Nos moldes 
tradicionais, o contrato de prestação de serviços deve ser o mais detalhado possível 
(veja tabela abaixo): 
 
Veja como deve ser a contratação dos serviços de impermeabilização 
nas situações a seguir. 
Edifício 
comercial 
A construtora deve procurar um especialista e integrá-
lo aos outros projetistas da obra. 
Com a proposta técnica na mão, pode-se buscar no 
mercado a melhor relação custo-benefício. 
Hospital 
público 
O projetista de impermeabilização é fundamental para 
compatibilizar os projetos. 
Na contratação do aplicador (subcontratado), o 
construtor deve averiguar a idoneidade e a saúde 
financeira dele. 
Condomínio 
habitado 
Fabricantes podem oferecer uma boa assessoria 
neste caso. Mas, como várias pessoas participam da 
decisão de contratar, os orçamentos (no mínimo três) 
devem ser bem detalhados. 
A própria 
residência 
Sob orientação de um especialista, a aplicação pode 
ser contratada por empreitada, mas é vital que haja a 
fiscalização. Importante: o projetista pode ser o fiscal, 
mas o aplicador, não. 
 23 
Pequena 
reforma 
Dadas as dimensões da obra, o maior problema é 
controlar a qualidade do serviço. 
Mas os próprios fabricantes podem dar uma 
assessoria e indicar aplicadores credenciados. 
 
Quanto à forma de contratação, a mais comum, na construção civil, dá-se por 
medição, mas se o serviço for muito pequeno uma opção e o preço global, a 
chamada empreitada. Profissionais do setor impermeabilizador entendem que a 
forma ideal de contratação é por preço unitário de cada etapa, conforme planilha de 
quantitativos extraída do projeto de impermeabilização. Assim, “podem ser 
adicionadas ou subtraídas quantidades conforme as necessidades do contratante, 
como preconiza a lei 8.666 de 21/06/93 – Licitações e Contratos, no caso de obras 
públicas”. Também o valor da impermeabilização admite divergências. Esses valores 
variam muito de acordo com o sistema, principalmente quando falamos em mono ou 
dupla camada e também em função da qualidade do produto, argumentam técnicos 
do setor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 24 
 
8. Terminologia e Normas Técnicas 
 
 
No Brasil, a ABNT, através do CB-22 – Comitê Brasileiro de impermeabilização e 
isolação térmica, já elaborou e publicou em torno de 35 normas de 
impermeabilização. As normas se referem a produtos, ensaios, desempenho, e 
também temos as normas de projeto e de terminologia. 
 
O IBI – Instituto Brasileiro de Impermeabilização, publicou um livro com uma 
coletânea destas normas, atualizadas até 1995. Algumas delas estão em processos 
de revisão e atualização, e há novas normas sendo elaboradas. 
 
É importante conhecer estas normas para consultá-las em casos de dúvidas. Mesmo 
sabendo que as normas às vezes servem apenas como referência, podendo se 
trabalhar com processos esistemas não normalizados, é bom ter consciência que o 
Código do Consumidor determina que “havendo normas, elas devem ser adotadas”. 
Caso contrário, independente da causa de qualquer problema, a responsabilidade 
será de quem não as seguiu, quando deveria tê-lo feito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 25 
9. Processos 
 
 
9.1. Processos preliminares 
 
Ainda segundo Firmino Siqueira, estes processos representam as etapas que 
antecedem e preparam as superfícies para aplicação das películas impermeáveis. 
 
Basicamente, são compostos pelas seguintes etapas, que podem ser executadas no 
todo ou por partes: 
 
• Preparação da superfície: limpeza, acertos de superfícies, remoções 
de restos de madeira, formas ou inserts. 
• Varrição, jateamento e ou raspagem. 
• Aplicação das camadas de aderência: chapiscos ou adesivos. 
• Execução de enchimentos: utilização de concretos leves, 
argamassas ou concretos, materiais a granel ou em blocos. Nunca 
usar escórias de alto-forno, carvão, entulhos ou lixo. No caso de 
escória ou entulho de obra, selecionado, deve ser estudado um 
traço para um concreto, em que se tenha compacidade, aderência e 
resistências compatíveis com as cargas projetadas para o local. 
• Camada de regularização, usualmente em argamassa forte, com 
acabamento liso e regular, sem ser natado ou queimado com colher, 
e com declividades para os coletores de água. Admite-se, em certos 
casos especiais, não adotar declividade. 
• Executar meias canas e rodapés elevando nos perímetros, a alturas 
compatíveis com os acabamentos. 
• Recuperar o concreto quando as falhas forem visíveis. Procurar 
localizar estas falhas quando não forem visíveis, e se tratar de 
estruturas hidráulicas. 
 26 
• Fixar os tubos e elementos passantes com argamassas e adesivos 
especiais. 
• Providenciar as fixações de bases de máquinas, equipamentos e 
postes. 
• Criar as bacias de drenagem para os coletores de água. 
 
 
9.2. Processos de impermeabilização 
 
Ainda de acordo com Firmino Siqueira, estes processos são classificados da 
seguintes formas: 
 
 
9.2.1. Quanto à flexibilidade 
 
• flexíveis; 
• rígidos. 
 
 
9.2.2. Quanto ao tipo de material 
 
9.2.2.1. asfálticos 
6.2.2.2. sintéticos 
6.2.2.3 cimentícios 
6.2.2.4. resinas 
 
 
9.2.2.1. Os asfálticos podem ser: 
 
• mantas: quando são pré-fabricados (estruturas com poliéster, fibras 
de vidro, polietileno e outros). 
 27 
• membranas: quando são moldados no local. 
 
 E podem ainda ser, quanto ao tipo do asfalto: 
 
• asfaltos oxidados 
• asfaltos modificados (com APP, SBS e outros) 
• emulsões (asfálticas e hidro-asfálticas) 
• soluções (puras ou com elastômeros ou outros) 
 
 Quanto à aplicação, os asfaltos podem ser: 
 
• aplicados a frio; 
• aplicados a quente; 
• aderidos; 
• flutuantes; 
• semi-aderidos. 
 
 
9.2.2.2 Sintéticos 
 
São materiais dos mais diversos tipos, sempre evoluindo, de acordo com a 
petroquímica, situando-se sempre nas famílias das borrachas sintéticas, tipo 
plastômeros ou elastômeros, termoplásticos ou termofixos. 
 Os mais comuns do mercado brasileiro são: 
• butil 
• EPDM 
• PVC 
 Em outros países, temos as mantas de vários outros materiais, mas 
que não são disponíveis no mercado nacional, exceto por importações esporádicas. 
 
 
 28 
9.2.2.3. Cimentícios 
 
São processos à base de cimentos, com areias especiais e aditivos ou adesivos que 
criam uma camada de baixa espessura, alta resistência e características das mais 
variadas. Como adesivos, os mais freqüentes são acrílico e PVA. Os mais 
conhecidos são: 
• cristalizantes 
• argamassas acrílicas 
• argamassas não retráteis (grout) 
• argamassas de pegas aceleradas (para tamponamentos) 
 
 
9.2.2.4. Resinas 
 
São resinas sintéticas altamente especializadas, sendo mais empregadas as resinas 
epóxi. Em alguns casos encontramos as resinas poliéster, e ambas têm aplicações 
específicas, bem definidas, como agentes para resistências químicas, ou pressões 
negativas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 29 
10. Processos complementares 
 
 
São aqueles processos que vão garantir a integridade dos processos impermeáveis 
e que vão permitir que o sistema tenha garantida sua durabilidade. 
 Os tipos de processos complementares são: 
 10.1. Proteções de transição 
 10.2. Proteções mecânicas 
 10.3. Proteções térmicas 
 10.4. Auto protegidas 
 
 
10.1. Proteções de transição 
 
São as primeiras a ter contato com as impermeabilizações, e se constituem de 
camadas com finalidades próprias, seja de amortecimento, seja de flutuação, de 
aderência, ou de proteção primária, ou ainda anti-puncionamento. 
 
Normalmente constituem-se de materiais lançados diretamente sobre a película 
impermeável, e os mais comuns são: 
• papel kraft 
• feltros orgânicos ou sintéticos 
• espumas químicas, plásticas 
• geotêxteis 
• argamassas fracas 
• argamassas asfálticas 
• filmes plásticos 
 
 
10.2. Proteções mecânicas 
 
 30 
São camadas com resistências adequadas para resistir às solicitações de uso da 
área. Áreas de estacionamentos, terraços, jardins, pavimentos mecânicos, e várias 
outras. 
 
Normalmente são empregadas argamassas ou concretos, moldados no local ou pré-
moldados, e de acordo com cada caso é determinado um tipo de acabamento, 
paginado etc. 
 
 
10.3. Proteções térmicas 
 
 São destinadas a atuar como barreiras térmicas, e ao mesmo tempo que diminuem 
o fluxo de calor para dentro da edificação, atuam como elemento de estabilização 
térmica da estrutura e alívio, retardando o envelhecimento das películas de 
impermeabilização. 
 São mais comuns os seguintes materiais: 
• isopor (PES) 
• styrofoam (poliestireno estrudado) 
• vermiculita 
• cinasita 
• lã de rocha 
• fibras de vidro 
• concretos celulares 
 
 
 
 
 
 
 
 
 31 
11. Materiais e sistemas Impermeabilizantes 
 
 
Existem no mercado brasileiro diversos produtos impermeabilizantes com 
características físico/químicas distintas, em função das diferentes matérias-primas 
adotadas, como já foi mencionado no capítulo 9.2.. Assim sendo, é necessário 
conhecer as características mais importantes destes produtos de forma a utilizá-los 
adequadamente para o fim que se destinam, pois, muitas vezes, os produtos 
atendem a uma determinada função e não são adequados a outras. 
 
Os produtos impermeabilizantes são baseados em uma ou mais das seguintes 
matérias-primas: asfalto de destilação direta, asfalto natural, alcatrão, polímeros, 
cimento e outros componentes químicos minerais e orgânicos. 
 
 
11.1. Materiais impermeabilizantes 
 
Destas matérias-primas são elaborados os seguintes impermeabilizantes: 
 
 a) Asfalto Oxidado – É aquele produzido a partir do asfalto de 
destilação direta através da passagem de ar em temperaturas elevadas. A oxidação 
diminui a termo-sensibilidade do asfalto de destilação direta e produz um material 
com pontos de amolecimento mais altos e penetrações variáveis dependendo das 
matérias-primas e processo de fabricação. Os asfaltos oxidados não são elásticos no 
verdadeiro sentido da palavra. Deformam-se menos que 10%, são quebradiços em 
baixas temperaturas e possuem baixa resistência à fadiga. São utilizados para os 
sistemas de membranas de feltro e asfalto, mantas asfálticas bem como adesivo 
para mantas asfálticas. É um sistema de uso decrescente na impermeabilização. 
 
 b) Emulsão Asfáltica – É produzida através da emulsificação em água 
do asfalto CAP (cimento asfáltico de petróleo). Normalmente, são adicionadas cargas 
 32 
com o objetivo de melhorar sua resistência ao escorrimento em temperaturas mais 
elevadas. Possui um teor de sólidos entre 50% a 65%. Apresenta baixa flexibilidade, 
principalmente depois de envelhecido não tendo resistência à fadiga e elasticidade. 
Alguns fabricantes incorporam látex polimérico para um incremento de flexibilidade. 
Istopode, dependendo da formulação, provoca um aumento da absorção de água do 
produto. São utilizados no sistema de membrana de emulsão asfáltica com 
armaduras de véu de fibra de vidro, véu ou tela de poliéster ou nylon. Normalmente, 
é utilizado em serviços de pouca responsabilidade como terraços, pequenas lajes, 
banheiros, etc. Não deve ser utilizado em piscinas, reservatórios ou outros locais 
com água sob pressão, somente utilizado para água de percolação. 
 
 c) Solução Asfáltica – É produzida principalmente a partir da 
solubilização do asfalto oxidado em solvente apropriado, de forma a permitir a sua 
aplicação a frio. Após a evaporação do solvente adquire as propriedades do asfalto 
antes da solubilização. Seu principal uso é como primer para utilização dos sistemas 
de feltro e asfalto ou de mantas asfálticas. 
 
 d) Emulsão Polimérica – é produzida a partir da emulsificação de 
polímeros sintéticos. A emulsão mais utilizada é a acrílica. O impermeabilizante 
acrílico possui a característica de boa resistência ao ataque de raios ultravioleta do 
sol, permitindo a sua aplicação em sistemas expostos às intempéries. A grande 
maioria dos impermeabilizantes acrílicos são formulados, a partir de resinas acrílicas 
estirenadas. O estireno na formulação, artifício para menor custo, provoca diminuição 
da durabilidade do produto, tendendo a craquear, amarelar, aderir sujeira, etc. O 
mais adequado é a utilização de resina acrílica pura, pois possui excelente 
resistência aos raios ultravioleta, não retém sujeira, não amarela e não perde a 
flexibilidade. Os impermeabilizantes acrílicos de mercado possuem propriedades 
bastante diferenciadas, sendo que grande parte apresenta alta absorção d’água e 
baixo teor de sólidos. 
 
 33 
Emulsões acrílicas são utilizadas com a incorporação de telas de poliéster ou nylon 
em impermeabilizações expostas às intempéries como lajes sheds, abóbadas, etc. 
Devem sempre ser aplicadas em lajes com perfeita inclinação de forma a não ocorrer 
empoçamento d’água. Também é utilizado como pintura refletiva de 
impermeabilizações asfálticas e isolantes térmicos de poliuretano expandido, sendo 
que, neste caso, deve possuir maior capacidade de recobrimento com a 
incorporação de maior quantidade de óxido de titânio (TiO2). 
 
 e) Asfalto Modificado – É aquele modificado com polímeros, com a 
finalidade de incorporar melhores características físico-químicas ao asfalto. As 
principais características do asfalto modificado são: melhor resistência às tensões 
mecânicas, redução da termo-sensibilidade, maior coesão entre partículas, excelente 
elasticidade/plasticidade, maior plasticidade em baixas temperaturas, sensível 
melhora da resistência à fadiga e ao envelhecimento. 
 
O asfalto modificado pode ter características plásticas, quando incorporado 
polímeros dos tipos APP (Polipropileno Atático), copolímeros de etileno, ou elástico, 
com a incorporação de polímeros de SBS (Estireno-Butadieno-Estireno), poliuretano, 
etc. 
 
É considerado o sistema de maior evolução da última década, sendo o mais utilizado 
em todo o mundo, já que incorpora excelentes propriedades ao asfalto convencional. 
Suas propriedades podem ser maiores ou menores, dependendo da quantidade e 
tipo de polímero adotado, bem como da sua perfeita compatibilização com o asfalto. 
 
O asfalto modificado pode ser a quente, base solvente ou emulsão. São utilizados 
nos sistemas de membranas asfálticas com incorporação de armaduras de poliéster 
ou nylon, bem como mantas asfálticas modificadas que hoje tendem a ser a maior 
novidade no mercado brasileiro, sendo o sistema que domina o mercado europeu e 
com forte penetração no mercado norte-americano e japonês. 
 34 
São utilizados em impermeabilização de lajes, inclusive com grandes solicitações, 
jardineiras, piscinas, tanques, etc. 
 
 f) Mastique – É produzido com a finalidade de calafetar juntas de 
dilatação, juntas de retração, fissuras, bem como vedações diversas, como caixilhos, 
cerâmica, madeira, concreto e alvenaria, etc. Podem ser elasto-plástico ou plásticos, 
aplicados a frio ou a quente, mono-componente ou bicomponente tirotrópico ou auto-
nivelante. 
 
 g) Solução Polimérica – É um elastômero solubilizado em solventes 
apropriados, que possuem excelentes características de elasticidade, resistência 
mecânica, resistência à fadiga, etc. 
 
As mais utilizadas são as do tipo Neoprene-Hypalon, SBS e EPDM. As soluções de 
EPDM e Neoprene-Hypalon são resistentes aos raios ultra-violeta do sol. Sendo, 
portanto, indicadas para impermeabilização exposta às intempéries. Normalmente é 
utilizada em tanques, piscinas, etc. 
 
 h) Resina Epoxídica – É normalmente utilizada em impermeabilização 
com finalidade anticorrosiva, pois o sistema possui boa resistência a diversos 
produtos químicos. Normalmente, é utilizada em tanques de produtos químicos, de 
resíduos industriais, etc. 
 
 i) Cimentos Impermeabilizantes – São cimentos de diversos tipos, 
com incorporação de outros produtos químicos, que proporcionam características de 
impermeabilidade. Podem ser de dois tipos: osmóticos e não osmóticos. Os 
primeiros, também chamados de cristalização, possuem características de pequena 
penetração nos capilares do concreto, colmatando-os. O segundo tipo, também 
chamado de revestimento polimérico, é utilizado com resina (do tipo acrílico), possui 
melhor aderência ao substrato e maior flexibilidade. 
 35 
São utilizados para impermeabilização de reservatórios, piscinas, tanques, estações 
de tratamento de água, sub-solos e cortinas, submetidos a pressões hidrostáticas 
positivas ou negativas (lençol freático), podendo também ser utilizado em 
impermeabilização de banheiros, cozinhas, lavanderia e outros locais sujeitos à 
umidade. São sistemas considerados rígidos e, nas estruturas sujeitas a fissuras, 
necessitam de tratamento com mástiques nestes locais. 
 
Os cimentos com incorporação de polímeros são, no entanto, menos rígidos, 
podendo, em alguns casos, ser utilizados em reservatórios elevados, devendo, no 
entanto, se reforçar os pontos críticos com incorporação de tela de poliéster ou 
nylon. 
 
 j) Aditivo Impermeabilizante – É um produto à base de estereato, 
ácido graxo, etc., que adicionado às argamassas conferem as mesmas 
características impermeáveis. Normalmente, pode ser utilizado para 
impermeabilização de reservatórios, sub-solos, etc. É um sistema rígido de 
impermeabilização e não deve ser utilizado em estruturas sujeitas a fissuras ou 
grandes movimentações. 
 
 k) Manta de Polímero – É um produto pré-fabricado à base de 
polímeros dos tipos butil, EPDM, PVC, etc., utilizada para impermeabilização de 
lajes. Estes polímeros apresentam boas características de impermeabilidade e 
durabilidade. Normalmente, não são incorporadas armaduras e geralmente aplicadas 
pelo sistema não aderido. Exige mão-de-obra especializada, pois é de difícil 
execução. 
 
 
 
 
 
 
 36 
12. Análise de Desempenho 
 
 
Para adotar um sistema de impermeabilização é importante conhecer suas 
características técnicas, isto é, analisar seu desempenho através de ensaios 
laboratoriais, para que se possa verificar suas propriedades e impropriedades. 
 
Como conceito geral, qualquer sistema de impermeabilização vai ser submetido a 
diversos esforços físicos/químicos e é necessário saber se estes sistemas atendem a 
uma determinada exigência. Através dos resultados dos ensaios e do conhecimento 
das necessidades de uma obra, é que se pode selecionar dentre uma ampla gama 
de impermeabilizantes, quais são os mais adequados. Abaixo estão resumidos os 
ensaios normalmente requeridos para se verificar as características de um material 
ou sistema impermeabilizante. 
 
 
12.1. Ensaios de desempenho 
 
 a) Ensaio de Tração: Avalia a resistência à tração e alongamento de 
ruptura do material ou sistema impermeabilizante. É utilizado um dinamômetropara o 
ensaio, com corpos de prova retangulares ou tipo borboleta. 
 
 b) Estanqueidade à água: Avalia-se a resistência à pressão 
hidrostática de um sistema impermeabilizante. Utiliza-se o permeâmetro da norma 
DIN 1048 para processos de cristalização e a DIN 16935 para impermeabilizantes 
elásticos estruturados com armadura de reforço. 
 
 c) Absorção de água por imersão: Neste ensaio avalia-se a 
resistência do produto à penetração da água. 
 
 37 
Pesa-se um filme impermeabilizante. Emerge o mesmo em água durante 168 horas. 
Retira-se o filme, seca-o superficialmente e pesa-se novamente. Por diferença de 
peso verifica-se quanto o mesmo absorveu de água. É um ensaio importante para 
produtos base água como emulsões acrílicas e emulsões asfálticas. Existem acrílicos 
que absorvem mais água que o próprio peso do filme. Isto implica que o mesmo não 
é bom impermeabilizante. O ideal é não passar de 15% para emulsões e de 4% para 
soluções impermeabilizantes. Outras metodologias exigem ensaios por mais horas 
de imersão e temperatura d’água variável. 
 
 d) Puncionamento Estático: verifica-se a resistência de um sistema 
ao esforço de sobrecarga sobre o mesmo. Ex: laje com proteção mecânica, pisos, 
pesos constantes, pressão hidrostática, etc. 
 
 e) Puncionamento Dinâmico: Avalia-se a resistência a um impacto 
dinâmico sobre um sistema impermeável. 
 Ex.: tráfego de veículos ou outros temporários. 
 
 f) Ensaio de rasgamento: Avalia a resistência do sistema 
impermeabilizante ao rasgamento. 
 
 g) Ensaio de fadiga: Avalia-se a resistência de fadiga de um sistema 
impermeabilizante a um dobramento ou uma película. 
 
É importante para avaliar, por exemplo, os ciclos de trabalho de um ponteamento de 
impermeabilização sobre uma junta de dilatação cantos vivos, etc. 
 
Em sistema asfalto com lã de vidro agüenta apenas 1 ciclo no equipamento (ASTM 
D2930), asfalto oxidado e poliéster, ao redor de 1500 ciclos, asfalto elastomérico, 
mais de 300.000 ciclos. Manta de PVC ou elastômero em solução, mais de 800.000 
ciclos. 
 
 38 
 h) Envelhecimento acelerado: Pode-se utilizar para um ensaio mais 
simples uma estufa a 110oC e maior sofisticação equipamento de C-UV (ASTM G 53) 
ou water-o-meter (ASTM D 412). Verifica-se o grau de envelhecimento do produto 
em determinado tempo. Normalmente, este ensaio é conjugado com outros ensaios 
como fadiga, resistência à tração, alongamento, flexibilidade etc., para verificar os 
parâmetros de um produto antes e depois do envelhecimento. 
 
 i) Aderência: Verifica-se a adesão de um sistema sobre o substrato 
através de ensaio de tração em dinamômetro. 
 
 
12.2. Ensaios de caracterização 
 
 a) Massa específica 
 
 b) Viscosidade – mede a consistência do material; pode-se neste 
ensaio verificar se o material é muito pastoso com dificuldade para impregnação de 
um tecido de reforço. Utiliza-se, normalmente, aparelhos tipo Stormer ou Copo Ford. 
 
 c) % de sólidos em peso: Quantifica-se qual a quantidade de sólidos 
que possuem um material impermeabilizante. Isto é, evapora-se todos os voláteis do 
produto (água ou solvente). 
 
Neste ensaio, pode-se comparar o teor de sólidos de dois fabricantes distintos e 
correlacionar o teor de sólidos, que é efetivamente o filme seco do impermeabilizante 
com relação ao custo do produto. Muitas vezes um material que pelo preço/kg é mais 
caro que outro, mas possui altos sólidos, passa a ser mais barato por metro 
quadrado, pois seu consumo é menor para atingir uma espessura de filme 
equivalente. Esta avaliação é importante, pois o fabricante pode adicionar mais água 
ou solvente no produto para baratear o custo. 
 
 39 
O ensaio é normalmente feito em estufa a 110oC, mas pode-se fazer sem a mesma. 
Pesa-se uma determinada quantidade de produto (Exemplo: 1 grama), evapora-se o 
solvente em estufa e pesa-se novamente. 
 Pela diferença de peso calcula-se o teor de sólidos. 
 
 d) Teor de Cinzas: É o ensaio que verifica-se quanto o produto tem de 
cargas minerais. Pesa-se um filme do material impermeabilizante (já com o solvente 
volatizado) coloca-se em uma mufla, com temperatura variando entre 400 a 800oc 
durante um determinado tempo. Pesa-se novamente: por diferença de peso calcula-
se quanto possui de cinzas. 
 
Neste ensaio, com temperatura entre 400 a 800oC, evapora-se todos os 
componentes orgânicos (resina, aditivos, etc.) 
 
 e) Estabilidade: Verifica-se a estabilidade do produto dentro da 
embalagem para o fabricante garantir a vida útil do material dentro da mesma. 
 
 f) Secagem ao toque: Verifica-se o tempo de secagem superficial do 
filme impermeabilizante. 
 
 g) Pot-life. Tempo de vida de utilização para produtos bi-componentes, 
após a mistura. 
 
 h) Cobertura: Ensaio para verificar se um impermeabilizante dos tipos 
acrílicos, etc., possui boa cobertura. No ensaio aplica-se uma demão sobre um papel 
cartolina branco com tarjas pretas e verifica o grau de cobrimento da tarja preta. Se o 
produto possui baixo cobrimento, significa que possui baixo teor de Dióxido de 
Titâneo, importante em alguns produtos. 
 
 i) Absorção por coluna d’água: É parecido com o anterior mas com 
baixíssima pressão hidrostática. Cola-se com epóxi um tubo de vidro de 130 a 300 
 40 
mm sobre o filme impermeabilizante e outro tubo sobre um vidro. Verifica-se o 
abaixamento da coluna d’água a cada 24 horas, descontando-se a evaporação 
calculada do tubo afixado em vidro. Normalmente, faz-se medições de 5 dias a 30 
dias, dependendo do caso. Pode ser usado para filmes impermeáveis ou para 
cristalização. 
 
Este ensaio não é o suficiente para avaliar o desempenho de um produto. 
 
 j) Flexibilidade a baixa temperatura: Avalia-se a flexibilidade de um 
determinado produto a temperaturas menor ou = a 0oC. 
 
Costuma-se dobrar uma película impermeabilizante sobre um mandril de 1 polegada 
e o mesmo não deve fissurar a uma determinada temperatura (Ex – 18oC). 
 
 k) Análise granulométrica: Normalmente executado em materiais em 
forma de pó mede-se a retenção de produto em determinadas peneiras. É utilizado 
como ensaio para impermeabilizantes por cristalização. 
 
 i) Início e fim de pega: Utilizado para impermeabilizantes de base 
cimentícia, como cristalização. 
 
 m) Resistência a microorganismos. 
 
 n) Resistência a agentes agressivos (névoa salina, ozona, produtos 
químicos, etc.). 
 
 o) Ensaio de inflamabilidade: Resistência à propagação de chama. 
 
 p) Dureza Shore A: Avalia-se o grau de dureza de um produto, muito 
utilizado para mástiques. 
 
 41 
 q) % de polímero em peso: Calcula-se a percentagem de polímero e 
materiais impermeabilizantes poliméricos. 
 
 r) Caracterização do polímero: Detecção do tipo de polímero utilizado 
em um determinado produto. 
 
 s) Transmissão de vapor: Mede a resistência de um produto à 
percolação de vapor de água ou de outro. 
 
 t) Ensaio de potabilidade: Verifica-se se o produto não altera a 
potabilidade da água. 
 
Normalmente, analisa-se no momento de especificação em um projeto a maioria dos 
ensaios disponíveis, selecionando-se alguns, para serem adotados no recebimento 
do material, na obra para controle de qualidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 42 
13. Dimensionamento dos Sistemas 
 
 
13.1. Sistemas 
 
A Norma Brasileira NBR 8083/83 define Sistema como o conjunto de materiais que 
uma vez aplicados conferem impermeabilidade às construções. 
 
Ao se projetar uma impermeabilização deve o especialista levar em consideração 
não apenas o desempenho do material isoladamente, mas, sobretudo, o 
comportamento deste integrado no conjunto. Portanto, é fundamental a análise da 
interdependência dos materiais com o projeto em si. 
 
O trabalho de escolha a dimensionamento de sistemas deve ser sempre executado 
de maneira independente, preferencialmente fornecendo o maior número de dados 
possíveispara quem vai executar a obra, informando sobre existência de normas e 
classificações que permitam uma fácil fiscalização por parte do contratante. 
 
 
13.2. Dimensionamento 
 
Até agora, tanto a elaboração de normas como o dimensionamento de sistemas de 
impermeabilização, baseava-se no bom senso e na experiência de projetistas e 
profissionais do ramo. Hoje em dia, vislumbra-se uma nítida tendência para medir o 
desempenho técnico de materiais e sistemas de impermeabilização, bem como os 
conjuntos de impermeabilização, isolamento térmico e pavimentação. Desta maneira, 
as opções recairiam sobre os sistemas que melhor atendessem aos diversos 
requisitos de desempenho, onde não se deve desprezar o custo. Agindo desta forma, 
o projetista deixará de ser mero especificador de materiais baseado em bom senso, 
que é o que ocorre hoje em dia na maioria dos casos. 
 43 
Note-se bem que existem materiais que aparentemente atendem perfeitamente às 
solicitações a que estarão sujeitos, não se adaptando, entretanto, às condições 
necessárias de pavimentação, trazendo para esta problemas insolúveis, sendo este 
o caso em que o sistema foi estudado, mas o conjunto em si, não. 
 
Outro fator que costuma ser esquecido é a condição local de trabalho que pode ser 
determinante, eliminando do quadro de opções aquela que parecia melhor 
(exequibilidade), seja por fator físico ou por adequação do cronograma da obra. 
 
13.3. Conhecendo os sistemas 
 
A seguir, será apresentado quatro sistemas de impermeabilização: através da prática 
de Firmino Siqueira, foi concluído que estes são os mais utilizados. 
 
Na impermeabilização, assim como nas demais áreas, não existe um produto 
(sistema) que possa ser utilizado em tudo. Os fabricantes movidos pelo interesse 
comercial, sempre tentam convencer ao contrário. Vemos que, na maioria das vezes, 
pode ocorrer dois erros: o sistema poderá ter um desempenho insatisfatório e não 
atender aos critérios de estanqueidade ou o mesmo ficará super dimensionado. 
 
A seguir, será comentado sobre os sistemas mais utilizados atualmente. 
 
Sistema Argamassa Impermeável 
Classificação • Rígido 
Especificação • Para locais onde o conjunto estrutural apresenta rigidez, 
onde há pequenas variações de temperatura 
• O substrato deverá ser concreto, podendo ser aplicado 
com restrição sobre argamassas ou alvenarias 
• Adequa-se bem em pressões negativas (águas que 
percolam para o interior do ambiente, onde é somente 
possível impermeabilizar pelo lado interno) 
Utilização • Subsolos 
• Reservatórios inferiores, com fundação independente a 
 44 
do edifício 
• Túneis, galerias 
Características • Constitui-se de argamassa de cimento e areia média 
lavada traço em volume 1:3, amolentada com água + 
aditivo específico 
Aplicação • A superfície a ser revestida deverá estar limpa (sem 
detritos de construção), resistente e áspera 
• Aplica-se com ponteiro o local, recupere as eventuais 
falhas e remova todos pontos fracos, lave em seguida 
com água e pressão, removendo todas partículas soltas 
• Efetua-se um chapisco contínuo aplicado com colher, 
compostos de cimento e areia média lavada traço 1:2 
• Após 24 horas da aplicação do chapisco executar uma 
camada de argamassa com espessura de 10 a 15 cm, 
deixando a superfície áspera 
• Após 5 horas (depois que a primeira camada de 
argamassa tiver puxado) aplicar a segunda camada, 
observando as espessuras citadas 
• Repetir o processo anterior se houver necessidade da 
terceira camada 
• Passado 12 horas da aplicação da última camada, 
proceder executando o acabamento desejado 
Consumo • Estimado em 2,2 litros/metro cúbico de argamassa 
Produtividade • Estimada em 3,0 metros quadrados/hora/camada 
(espessura de 10 mm) 
Cuidados • Misturar quantidades para utilizar em 30 minutos, tempo 
máximo de aplicação 
• Intercalar as emendas dos panos 
• Curar durante as primeiras 48 horas após aplicação da 
última camada 
Observações • Verificar sempre a validade dos produtos a serem 
utilizados, aditivo e cimento 
• Quando aplicado em reservatórios, verificar se o produto 
altera a potabilidade da água 
• Seguir criteriosamente as orientações do fabricante 
 45 
 
Sistema Cristalização 
Classificação • Rígido 
Especificação • Para locais onde o conjunto estrutural apresenta rigidez, 
onde há pequenas variações de temperatura 
• O substrato da aplicação poderá ser concreto, 
argamassa ou alvenarias 
• Adequa-se em pressões negativas (águas que percolam 
para o interior do ambiente, onde é somente possível 
impermeabilizar pelo lado interno) 
Utilização • Subsolos 
• Reservatórios inferiores, com fundação independente a 
do edifício 
• Floreiras 
• Túneis, galerias 
Características • Apresenta-se em dois componentes A e B, sendo que 
um geralmente é líquido e o outro um pó (cimento + 
polímeros). Mistura-se todo o conteúdo contido nas duas 
embalagens durante 5 minutos antes da aplicação, 
assegurando a homogeneidade 
Aplicação • A superfície a ser revestida deverá estar limpa (sem 
detritos de construção, livre de graxa, nata de cimento), 
resistente e áspera 
• Umedecer o substrato 
• Aplicar o produto com auxílio de uma brocha, trincha ou 
vassoura de pêlo como se fosse uma pintura 
• Aplicar as primeiras camadas cruzadas 
• Se necessário, utilizar para aplicação uma 
desempenadeira dentada 
Consumo • Estimado em 1,5 quilos/metro quadrado/camada 
(espessura 1 mm) 
Produtividade • Estimada em 6,0 metros quadrados/hora/camada 
Cuidados • Misturar quantidades para utilizar em 40 minutos, tempo 
máximo de aplicação 
• Limpar as ferramentas utilizadas antes da cura dos 
produtos 
• Curar durante as primeiras 48 horas após aplicação da 
última camada 
Observações • Verificar sempre a validade dos produtos a serem 
 46 
utilizados 
• Seguir criteriosamente as orientações do fabricante 
 
 
Sistema Manta Asfáltica 
Classificação • Flexível 
Especificação • Para locais onde o conjunto estrutural apresenta 
movimentações 
• O substrato de aplicação poderá ser concreto, 
argamassa, alvenarias, deck de madeira 
Utilização • Coberturas 
• Estacionamentos 
• Jardineiras, Piscinas, Reservatórios 
Características • Constitui-se de uma manta feita de asfalto modificado ou 
oxidado, estruturado ou não com tecido de poliéster ou 
alma de polietileno. Nas faces poderá receber o 
acabamento com pó de areia, polietileno retrátil, lamelas 
de ardósia ou alumínio 
• A espessura pode variar de 3 a 5 mm 
• No mercado, existem duas formas de aderir ao substrato 
e fazer a colagem das emendas. Através da utilização 
de maçarico específico ou asfalto quente. Esta última 
fôrma tem diminuída sua utilização 
Aplicação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Aplicar a solução de imprimação, e aguardar a 
secagem 
• Iniciar a colocação da manta fazendo reforços nos 
cantos e quintas, tubos emergentes, ralos e detalhes 
especiais 
• Desenrolar a bobina para obtenção dos alinhamentos 
(esquadros e nível na vertical), rebobinar, observando a 
posição e proceder a colagem no substrato e das 
emendas 
• Para colagem com asfalto oxidado a quente, aplicar com 
esfregão uma camada de asfalto observando sempre o 
intervalo de temperatura de 160 a 210oC, até o máximo 
de 50cm à frente da bobina de manta. Desembobinar 
pressionando a manta sobre a camada de asfalto 
quente 
• Para a colagem com maçarico, utilizar o maçarico 
específico (característica da chama, na boca diâmetro 
de 8cm – temperatura 1500oC; comprimento máx. 
60cm – temperatura de 750oC). Apontar o maçarico 
 47 
 
 
 
 
Aplicação (cont.) 
para o substrato de forma que a chama bata na base e 
ricocheteie na bobina. Não é aconselhável aplicar a 
chama diretamente na manta, salvo situações 
especiais 
• Nas emendas entre mantas, retirar o plástico de 
proteção, executar, observando uma faixa mínima de 
superposição de 10 cm 
• Nos encontros dos planos horizontal e vertical, executar 
primeiro o planohorizontal subindo 15 cm no plano 
vertical. Na seqüência executar o plano vertical 
avançando sobre o plano horizontal 15 cm 
• No plano vertical (paredes, pilares, vigas, etc.) a manta 
deverá subir no mínimo 20 cm acima da cota prevista do 
piso acabado. Deverá ser previsto um friso na parede 
para engastar, caso não haja utilização de um perfil de 
alumínio para arrematar 
• Em reservatórios fixar a manta com perfil de alumínio, a 
cada 1,5m no plano vertical. Aplicar manchão de manta 
sobre o perfil 
• Instalar os extravasores, fazer o teste de estanqueidade 
deixando uma lâmina de 10 cm de água pelo período 
mínimo de 72 horas 
Consumo • Primer 400 ml/m2 
• Asfalto oxidado 1,2 kg/m2 (Só considerar se o processo 
de aderência for asfalto quente) 
• Manta 1,25 m2/m2 
Produtividade • 5 m2/hora 
Cuidados • Não colar com asfalto quente manta modificada com 
polímero APP 
• Não aderir manta de asfalto oxidado com maçarico 
• Estocar e transportar a bobina de manta em pé 
• A solução de imprimação é tóxica e inflamável, estocar 
em lugar arejado e com devidos cuidados 
Observações • Seguir as recomendações do fabricante 
• Em caso de dúvidas consultar o departamento técnico 
do fabricante da manta 
 
 
Sistema Membrana Asfáltica 
Classificação • Flexível 
 48 
Especificação • Para locais onde o conjunto estrutural apresenta 
movimentações 
• O substrato de aplicação poderá ser concreto, 
argamassa, alvenarias, deck de madeira 
Utilização • Coberturas 
• Estacionamentos 
• Jardineiras, Piscinas, Reservatórios 
Características • O sistema é constituído da aplicação de várias demãos 
de asfalto polimérico em emulsão ou solução, sendo 
estruturado com uma tela de poliéster 
• O sistema é contínuo, não tem emendas 
Aplicação • Aplicar a solução de imprimação, e aguardar a secagem 
• Iniciar a aplicação fazendo reforços nos cantos e quinas, 
tubos emergentes, ralos e detalhes especiais 
• Aplicar a primeira demão utilizando um esfregão ou 
rodinho, cobrindo todo o substrato 
• Após a secagem da primeira demão, aplicar segunda 
demão em conjunto com o estruturante (tela de 
poliéster) 
• Aplicar a terceira demão, sempre cobrindo todo o 
substrato. Se necessário aplicar mais demãos 
Consumo • Primer 400 ml/m2 
• Asfalto polimérico 2,2 kg/m2 (para 3 camadas) 
Produtividade • 20 m2/hora 
Cuidados • Nas emendas da tela estruturante, sobrepor no mínimo 
15cm 
• O asfalto em solução é tóxico e inflamável, estocar em 
lugar arejado e com os devidos cuidados 
Observações • Seguir as recomendações do fabricante 
• Em caso de dúvidas consultar o departamento técnico 
do fabricante 
 
 
13.4. Preparação da base 
 
 
 49 
Tem-se observado nas patologias relacionadas com impermeabilização, que a 
maioria dos problemas estão relacionados com descaso ou descuido na preparação 
do substrato para o recebimento do sistema impermeabilizante. 
 
 Regularização 
Limpeza e 
preparação da 
base 
• Retirar pontas de ferro, se necessário escarear e cortar 
• Remover pedaços de madeira, nata de cimento e 
argamassa solta 
• Limpar todas as manchas de graxa e óleo, se necessário 
remover com solvente ou detergente 
• Lavar a superfície com máquina de pressão 
• Recuperar as falhas de concretagem nos locais onde 
foram removidas as pontas de ferro 
Executando a 
camada da 
regularização 
• Tirar os pontos de nível considerando os caimentos com 
declividade média de 1%, em direção aos pontos de 
drenagem 
• Considerar a espessura mínima da argamassa de 
regularização de 2 cm nos pontos mais baixos 
• Aplicar uma nata de cimento no substrato 
• Executar as mestras, após as mesmas “puxarem”. 
Preencher os intervalos entre elas com argamassa de 
areia média lavada e cimento sem aditivos, traços em 
volume 1:3 
• Quando a espessura ultrapassar 3 cm, compactar com 
soquete 
• Desempenar com desempenadeira de madeira, não usar 
feltro ou espuma para alisar a regularização 
• Executar a cura da regularização durante 48 horas 
Cuidados • No plano vertical considerar os chanfrados para 
arrematar o sistema 
• Executar arredondamento dos cantos e quintas. Para 
manta asfáltica considerar um diâmetro mínimo de 5 cm 
Observação • A execução de uma camada de regularização só é 
necessária para sistemas flexíveis 
• Para o sistema rígido considerar apenas a parte de 
limpeza e preparação da base 
 50 
13.5. Proteção da Impermeabilização 
 
 
A proteção mecânica é necessária a fim de minimizar os danos eventuais do sistema 
impermeabilizante. 
 
Os principais são os danos causados por ações físicas, como de puncionamento 
dinâmico e estático e abrasão. Os danos causados pelo intemperismo também 
deverão ser considerados, tendo em vista que a maioria dos sistemas são agredidos 
pela ação dos raios ultravioleta, o que promove o envelhecimento. 
 
A proteção mecânica deverá se adequar ao tipo de solicitação, portanto, foi adotado 
como áreas transitáveis aquelas que possuem trânsito de veículos, não transitáveis 
aquelas que possuem apenas trânsito de pessoas. Ainda poderão ser incrementados 
isolamento térmico ou não. 
 
A seguir os procedimentos considerados: 
 
 Proteção Mecânica 
Áreas não 
transitáveis sem 
isolamento 
térmico 
• Com argamassa moldada no local 
 • Aplica-se sobre a impermeabilização uma camada de 
separação com geotêxtil de 350 gramas 
 • Executa-se sobre a camada de separação, uma 
camada de argamassa de cimento e areia lavada com 
3 cm de espessura, traço em volume 1:4, formando 
placas de 1,5 por 1,5 m com juntas de 15 mm entre as 
placas e na perimetral 20 mm 
 • Deixar encaixes para os raios hemisféricos 
 • Preencher juntas com asfalto ou mástique 
 • Com placas de 30x30 cm pré-fabricadas 
 • Aplica-se sobre a impermeabilização uma camada de 
separação com geotêxtil de 350 gramas 
 • Coloca-se as placas sobre a camada de geotêxtil 
Áreas não 
transitáveis com 
• Repete as operações anteriores, apenas considerar 
sobre a camada separadora a colocação do 
 51 
isolamento 
térmico 
isolante térmico; os demais procedimentos seguem 
normalmente 
 
Áreas transitáveis 
sem isolamento 
térmico 
• Com argamassa moldada no local 
 • Aplica-se sobre a impermeabilização uma camada de 
separação com geotêxtil de 350 gramas 
 • Aplica-se uma camada de argamassa de 1 cm de 
espessura 
 • Coloca-se uma tela soldada CA60, malha 15 x 15 cm, 
fio com diâmetro de 3 mm 
 • Executa-se sobre a tela, uma camada de argamassa 
de cimento e areia lavada com 5 cm de espessura, 
traço em volume 1:4, formando placas de 1,5 por 1,5m 
com juntas de 15 mm entre as placas e na perimetral 
20 mm 
• Com bloquetes 
• Aplica-se sobre a impermeabilização uma camada de 
separação com geotêxtil de 350 gramas 
• Executa-se uma camada de 4 cm de areia média lavada 
• Coloca-se os bloquetes sobre a camada de areia, faça 
uma compactação mecânica utilizando pó de pedra 
entre as juntas 
Observação • Considerar nas jardineiras e floreiras, a camada do 
sistema drenante no fundo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 52 
14. CONHECENDO O PROJETO 
 
14.1. Condições específicas 
 
14.1.1. Tipo de estrutura e estágio de cálculo 
 
Deve-se conhecer o tipo de estrutura a ser impermeabilizada, como por exemplo, 
estrutura (laje ou estrutura de concreto: armado, laje mista, laje nervurada, pré-
moldada), alvenaria auto-portante, protendida etc., pois estas variáveis interferem na 
escolha do sistema impermeabilizante. 
 
a) Finalidade da estrutura 
 
A utilização da estrutura deve ser do conhecimento do projetista de 
impermeabilização, tanto para prever as cargas atuantes, como para dimensionar a 
exigência de desempenho da impermeabilização. Exemplo: laje com trânsito pesado, 
laje sem trânsito pesado, laje abobada, tanque de efluentes, cozinhas industriais, etc. 
 
 
 
 
 
 
 53 
b) Deformações previstas na estrutura 
 
As cargas atuantes e o tipo de estrutura poderá indicar uma deformação que poderá 
exigir maiorelasticidade, flexibilidade, resistência à fadiga do sistema 
impermeabilizante, levando-os a indicar um produto de melhores características para 
obter um desempenho adequado. 
 
 
 
c) Posicionamento de juntas 
 
O posicionamento de juntas pode interferir em uma maior ou menor dificuldade na 
execução da impermeabilização e seus arremates. Como exemplo deve-se evitar a 
passagem de uma junta de dilatação por dentro de uma piscina engastada na laje; 
juntas perimetrais ao corpo do prédio dificultando o arremate da impermeabilização 
nos pilares, paredes, etc. 
 
Deve-se também prever juntas em número suficiente para evitar fissuração da 
estrutura, sob o risco de romper a impermeabilização. 
 
Detalhar o reforço da impermeabilização nas juntas. 
 
 54 
 
 
14.1.2. Condições externas às estruturas 
 
a) Solicitação imposta às estruturas pela água 
 
 • água sobre pressão unilateral 
 
 
 
 • água sob pressão bilateral 
 
 55 
 
 
 • água de percolação 
 
 
 
 • umidade do solo 
 
 
 
 56 
b) Solicitações impostas à impermeabilização 
 
 • Cargas estáticas – peso da proteção e cargas estáticas (jardins, etc.) 
 
 
 
 • Cargas dinâmicas – passagem de veículos, etc. 
 
 
 
 • Água sob pressão, tendendo a comprimir a impermeabilização contra 
a estrutura (reservatório, piscinas) 
 
 
 
 57 
 • Água sob pressão tendendo a destacar a impermeabilização da 
estrutura, sub-solo com lençol freático com a aplicação da impermeabilização pelo 
lado interno 
 
 
 
 • Variação de temperatura 
 
 
 • Choque 
 
 58 
 
 
 • Abrasão 
 
 
 
 • Trânsito 
 
 
 
 • Vibrações 
 
 59 
 
 
 • Agressividade do meio, estudar agressividade do meio à 
impermeabilização, como por exemplo tanques de rejeitos industriais, etc. 
 
 
 
14.1.3. Detalhes construtivos 
 
a) Inclinações 
 
Deve-se sempre promover a inclinação da área impermeabilizada, devendo dar 
caimento mínimo de 1% em direção aos raios. Fazer indicação e planta de caimento. 
 
 60 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 61 
15. AS PRINCIPAIS CONSEQUENCIAS DA UMIDADE 
 
 
Tanto as estruturas quanto os ocupantes dos imóveis são vítimas da umidade. Um 
ambiente úmido e insalubre cheira a mofo e propicia o desenvolvimento de colônias 
de fungos e bactérias, condições que ameaçam diretamente a saúde dos usuários. 
Isso sem falar da possibilidade de inundação das áreas de subsolo, com grandes 
prejuízos aos condôminos. Para a edificação, as conseqüências mais visíveis da 
infiltração são a desagregação do revestimento, eflorescências no concreto e em 
argamassas, deterioração e embolhamento de pinturas, e comprometimento da 
estrutura no longo prazo. 
 
A umidade em cada área da edificação 
Áreas Problemas Soluções 
Fundações 
• Umidade 
ascendente com 
deterioração da 
argamassa de 
revestimento nos 
pés de paredes, 
podendo chegar 
até alturas > 1,00 
m. 
• Infiltração de água 
e inundação das 
áreas próximas. 
• Insalubridade do 
ambiente. 
• Impermeabilização 
rígida, como 
cristalizantes e 
argamassas 
poliméricas, ou 
flexível, como 
menbranas de 
asfalto modificado 
com polímeros em 
solução ou mantas 
asfálticas 
Lajes em 
contato com 
o solo 
• Umidade por 
capilaridade, 
causando 
deterioração de 
acabamentos, 
como madeiras, 
carpetes e pisos. 
• Destacamento e 
embolhamento de 
pisos de alta 
resistência , 
epoxídicos, 
poliuretânicos, etc. 
• Internamente, 
impermeabilização 
rígida, como 
cristalizantes e 
argamassas 
poliméricas. 
Externamente, 
antes da 
concretagem do 
piso, sobre lastro 
de concreto magro 
ou solo regular e 
compactado, 
 62 
• Insalubridade do 
ambiente. 
impermeabilizações 
pré-fabricadas, 
como mantas 
asfálticas com 
geotêxtil acoplado. 
Paredes em 
contato com 
o solo, 
cortinas e 
paredes-
diafragma 
• Deterioração da 
argamassa de 
revestimento. 
• Embolhamento e 
deterioração da 
pintura. 
• Deterioração de 
móveis 
encostados nas 
paredes, quadros, 
revestimentos. 
• Insalubridade do 
ambiente 
• Internamente, 
impermeabilização 
rígida, como 
cristalizantes 
(somente para 
substratos maciços) 
e argamassas 
poliméricas. 
Externamente, 
impermeabilizações 
pré-fabricadas, 
como mantas 
asfálticas ou 
menbranas 
moldadas no local à 
base de solução 
asfáltica modificada 
com polímeros, 
aplicadas a frio e 
estruturadas com 
tela industrial de 
poliéster. 
Pilares 
(estruturas 
de concreto) 
• Ataque as 
armaduras, com 
comprometimento 
da estrutura. 
• Os pilares recebem 
a mesma 
impermeabilização 
de pisos e paredes. 
Revestimento 
de 
argamassa 
• Desagregação. A 
argamassa perde 
resistência e 
torna-se 
pulverulenta, 
destacando-se da 
superfície. 
• Eflorescências, 
mofo e bolor. 
• Normalmente os 
revestimentos são 
executados após a 
adoção de alguma 
impermeabilização 
aplicada 
diretamente na 
estrutura. Porém, 
quando a parede ou 
cortina for de 
alvenaria revestida, 
este revestimento 
deverá ser 
executado somente 
com cimento e 
areia, no traço de 
 63 
1:3 a 1:4 e poderá 
ser 
impermeabilizado 
contra umidade de 
solo com 
argamassa 
polimérica pela face 
interna. Pela face 
externa, poderá 
receber 
impermeabilização 
elástica, como 
manta asfáltica ou 
menbrana moldada 
no local à base de 
solução asfáltica 
modificada com 
polímeros, aplicada 
a frio e estruturada 
com tela industrial 
de poliéster. 
Importante: 
infiltrações do 
subsolo que afetam 
os acabamentos 
(argamassas e 
pinturas) revelam 
patologias que têm 
origem em outras 
áreas (fundações, 
pilares, lajes etc.). 
Portanto, o 
tratamento pontual 
do acabamento 
pode ser apenas 
paliativo e ocultar 
problema mais 
grave; o ideal é 
investigar as 
causas das 
patologias e tratá-
las. 
Pintura 
• Embolhamento e 
destacamento 
• Eflorescências, 
mofo e bolor. 
• Refazer a pintura 
após 
impermeabilização 
da base, conforme 
as soluções 
propostas nos itens 
 64 
anteriores. 
Concreto 
aparente 
• Comprometimento 
da estrutura 
• Pode ser tratado 
com sistemas 
rígidos, como 
argamassa 
polimérica e 
cristalizantes, ou 
flexíveis (mantas 
asfálticas, 
emulsões ou 
soluções asfálticas, 
etc.). A opção vai 
depender das 
particularidades de 
cada obra. Por 
exemplo: em um 
solo com umidade 
constante, lençol 
freático alto e 
pressão negativa, 
somente com 
acesso interno, é 
recomendado um 
sistema rígido. 
Caso seja possível 
rebaixar o lençol 
freático, pode-se 
optar por um 
sistema flexível 
aplicado 
externamente. 
Lajes de 
subsolo (do 
1º para o 2º 
subsolo) 
• Oxidação das 
armaduras com 
comprometimento 
das estruturas no 
longo prazo. 
• Se recomendadas, 
neste caso, mantas 
asfálticas, que, no 
entanto, exigem 
altura suficiente e 
proteção mecânica 
dimensionada para 
o trânsito de 
veículos. Existem 
também alguns 
sistemas 
compostos por 
membranas de 
uretano com adição 
de agregados que 
podem ser 
utilizados como 
 65 
acabamento final e 
impermeabilizante. 
Estes, porém, são 
muito mais caros 
que os 
tradicionalmente 
utilizados em nosso 
mercado e ainda 
não há tecnologia 
nacional, 
dependendo de 
produtos 
importados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 66 
16. CONCLUSÃO 
 
 
A proteção das estruturas contra infiltrações de água é condição mínima e 
necessária a qualquer edificação, independentemente do pavimento em que a 
infiltração possa se manifestar. O usuário deve exigir que todas as partes da 
edificação estejam estanques e sem nenhuma manifestação de umidade. A 
utilização de sistemas impermeabilizantes tem como função principal proteger a 
edificação, permitindo um aumento da vida útil da construção, garantindo a 
salubridade dos ambientes e melhorando a qualidade de vida dos usuários. 
 
Como em qualquer atividade humana que envolve canalização de recursos 
financeiros, temos que analisar a chamada “relação custo/benefício”. Em 
impermeabilização não é diferente.Quando feita de forma correta, com produtos e 
serviços adequados, por empresas idôneas, os custos de uma impermeabilização 
atingem, na média, 2% do valor total da obra. Se forem executados apenas depois 
de serem constatados problemas com infiltrações na edificação já pronta, a 
impermeabilização ultrapassa em muito este percentual, envolvendo até valores em 
torno de 10% do custo total da obra. 
 
Assim, fica a certeza de que prevenir é sempre melhor que remediar. Os recursos 
estão disponíveis no mercado para precaver o usuário sensato, afim de evitar 
problemas em qualquer situação em que se deseja proteger as obras de infiltrações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 67 
17. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS 
 
 
1) FILHO, Firmino Soares Siqueira. Sistemas Impermeabilizantes. Curso de 
Especialização em Construção Civil. UFMG. 
 
2) FILHO, Firmino Soares Siqueira. Tecnologia Impermeabilização. Curso de 
Especialização em Construção Civil. UFMG. 
 
3) http://pcc2339.pcc.usp.br/Arquivos/Aula%2009%20T%20impermeabilizacao.pdf 
 
4) http://www.ibisp.org.br 
 
5) http://www.primer.com.br/manualdoimpermeabilizador.htm 
 
6) 
http://pcc2436.pcc.usp.br/transp%20aulas/impermeabilizacao/Aula%2025%202006%
20-%20impermeabilizacaoV2.pdf

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