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Diferencie o Estado Unitário Centralizado do Descentralizado. Estado Unitário Centralizado: Estado simples ou unitário é aquele não divisível em partes internas que mereçam o nome de Estados e que possui unidade do poder político interno. Em outras palavras, há um único centro de poder criador do ordenamento jurídico. No Centralizado todo o poder político e atribuições administrativas ficam concentradas na figura do Estado central. Estado Unitário Descentralizado: Estado unitário em que o poder central delega algumas atribuições administrativas a algumas localidades territoriais, submetendo-as à sua vontade política, controlando e fiscalizando. Em que se diferencia o Estado Simples ou Unitário Descentralizado do Estado Composto ou Complexo? No Estado Simples ou Unitário Descentralizado (a exemplo da França) o órgão descentralizado exerce suas atribuições em decorrência de delegação do Poder Central, a quem é submetido, devendo obediência e sendo fiscalizado. No Estado Composto ou Complexo a unidade menor que compõe a União (Estado-membro) também é um centro produtor de normas, atuando de modo autônomo e sem subordinação jurídica ao ente central. Cite e explique as formas de Estado Composto ou Complexo. União Pessoal: ocorre quando, em virtude de uma sucessão hereditária, casamentos entre membros de dinastia ou mesmo pela violência, o mesmo monarca vem a ocupar o trono de dois ou mais Estados. Exemplos: União Ibérica (Espanha e Portugal sob o trono de Felipe II da Espanha de 1580 a 1640), Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves de 1815 a 1822). A união pessoal tem as seguintes características: 1) é temporária, se bem que de duração indefinida, pois depende das leis de sucessão dinástica de cada Estado; 2) respeita a independência de cada Estado, que se mantém com sua própria organização política e jurídica, e com a individualidade própria da vida internacional; 3) o único ponto em comum é o soberano, que, no entanto, reina de acordo com a organização de cada Estado. União Real: somente possível também em Estados monárquicos, ocorre também com a união de dois ou mais Estados sob o mesmo soberano. Distingui-se da União Pessoal uma vez que, apesar cada Estado manter a sua organização política e jurídica interna, aparece na vida internacional como um único Estado. Exemplo: Império Austro– Húngaro de 1914 a 1918. União Incorporada: resulta da fusão de dois ou mais Estados independentes para formar um novo Estado, conservando aqueles apenas virtualmente a designação de Estados ou reinos. De fato e de direito os Estados assim incorporados desaparecem na constituição da nova entidade, e somente na linguagem protocolar guardam a antiga designação. O Reino Unido da Grã-Bretanha é uma monarquia formada pela incorporação dos antigos reinos da Inglaterra, Escócia e Irlanda; outro exemplo é a URSS. Protetorado: união entre Estados cujo fim é guiar e proteger uma coletividade estatal muito mal organizada ou muito fraca para dirigir-se politicamente por si mesma ou para prover sua segurança. O Estado protegido perde toda a autonomia em assuntos de ordem política e econômica, mesmo que internamente. Sua iniciativa na esfera internacional se acha igualmente paralisada. Toda a capacidade para a gestão dos negócios internacionais cabe ao Estado protetor. Confederação: é a união permanente e contratual de Estados independentes que se unem com uma finalidade específica, onde cada ente estatal mantém sua soberania precípua podendo até mesmo se desligar da referida Confederação. Essa união, pois, para atingir seus objetivos, necessita de uma organização permanente, mas não fere a soberania dos seus confederados, que se obrigam apenas em exercer em comum certas funções ou a exercê-las em casos determinados. Federação: é a união de dois ou mais Estados para a formação de um novo ente estatal, em que as unidades conservam a autonomia política enquanto a soberania é transferida para o Estado Federal, sem direito nenhum de desligar-se do novo ente estatal. A constituição da Federação pode se dar de duas formas, a saber: 1) Centrípeta ou por agregação: EUA é uma Federação por agregação ou centrípeta formada por 13 ex- colônias inglesas independentes que renunciaram suas soberanias para formar um único Estado; e 2) Centrífuga ou por desagregação: no Brasil a Federação é por desagregação ou centrífuga, formada a partir de um único Estado centralizado. Analise a notícia a seguir: “O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, anunciou na tarde desta segunda-feira (24/03/2014) que o estado vai assumir o Conjunto de Favelas da Maré e, em seguida, passará o comando para o Exército. O secretário não quis adiantar quando e nem quanto tempo vai durar a ocupação. Ele disse que em princípio, será somente o Exército e descartou a Marinha e a Aeronáutica. A Polícia Federal vai ajudar com o serviço de inteligência e a Polícia Rodoviária Federal vai auxiliar no cerco aos acessos, nos mesmos moldes da ocupação do Complexo do Alemão, em 2008.” (Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/03/beltrame-diz-que-exercito- vai-assumir-ocupacao-do-complexo-da-mare.html) A Constituição Federal estabelece que, excetuado as hipóteses nela prevista, a repressão e investigação de crimes ficam ao encargo das respectivas polícias militares e civis do Estado- membro onde ocorre a infração. Mesmo assim, na ocupação do morro do Alemão e do complexo da Maré no Estado do Rio de Janeiro, além da força policial local foi utilizada a Polícia Federal e as Forças Armadas. Pergunta-se: pode o Estado do Rio de Janeiro impedir a participação da Polícia Federal e Forças Armadas no processo de ocupação daquelas regiões para repressão e investigação dos crimes lá cometidos? Caso o Brasil tivesse a mesma forma de Estado adotada pela França a solução seria a mesma? Justifique. No Brasil é adota a forma de Estado Federativa. Assim sendo, seus Estados-membros não são subordinados ao poder central, e sim tem competências e atribuições próprias que exerce com completa autonomia. Como a Constituição Brasileira conferiu aos Estados-membros a competência para a repressão aos crimes de um modo geral, cabe ao Estado do Rio de Janeiro realizá-la. Assim, caso a União Brasileira envie forças de segurança (Polícia Federal ou Forças Armadas) para auxiliar na segurança pública do Rio de Janeiro, este pode recusar a ajuda e até mesmo barrar a entrada de tais forças em seu território. Caso o Brasil adotasse a forma de Estado da França, a saber Estado Unitário ou Simples Descentralizado, não poderia o Rio de Janeiro recusar ou barrar a ajuda do Poder Central, uma vez que em Estados Unitários Descentralizados os poderes regionais são completamente subordinados ao Poder Central, a quem deve obediência irrestrita. Sobre as formas de governo, explique a classificação dada por Aristóteles. Aristóteles adota uma classificação dupla, levando em conta um critério numérico, ou seja, a quantidade de indivíduos que exercem o poder, e um critério moral, tomando como parâmetro se este poder é exercido em benefício de todos ou apenas dos governantes. Combinando o critério moral e numérico, pois, chega Aristóteles à seguinte classificação: Formas Puras de Governo: 1)Monarquia: governo de um só. 2) Aristocracia: governo de um grupo. 3) Democracia: governo de todo o povo. Formas Impuras de Governo: 1) Tirania: corrupção da monarquia. Monarquia que atende apenas aos interesses do monarca, desprezando o interesse geral. 2) Oligarquia: corrupção da aristocracia. Aristocracia em que o grupo exerce o poder em interesse próprio, desprezando o interesse geral. 3) Demagogia: corrupção da democracia. Quando a democracia é exercida desprezando o bem comum, quando o governo está nas mãos de uma multidão revoltada ou esta domina diretamente os governantes, implantando umregime de violência e de opressão. Sobre as formas de governo, explique a teoria dos ciclos de governo de Maquiavel. Para Maquiavel as sociedades humanas passaram ou passarão por todas as formas de governo citadas por Aristóteles. O ponto de partida é um estado anárquico, que teria caracterizado o início da vida humana em sociedade. Para melhor se defenderem, os homens escolheram o mais robusto e valoroso dos homens para governá-los, surgindo a monarquia. Com o tempo, os filhos dos reis começam fatalmente a degenerar esta forma de governo, surgindo assim a tirania. Em reação à tirania, alguns homens conspiram contra esta conseguindo derrubá-la. Ao derrubá-la, por horror ao governo de um só, resolvem instalar o governo de alguns, surgindo a aristocracia. Os filhos dos aristocratas, porém, que não experimentaram os sofrimentos dos pais sob a tirania, consideram-se em breve superiores ao povo, e se tornam uma oligarquia. O povo, não suportando mais os descalabros da oligarquia, mas, ao mesmo tempo, lembrando-se dos males da tirania, destitui os oligarcas e resolve governar-se a si mesmo, surgindo a democracia. Enquanto vive a geração que sofreu com a oligarquia, tudo vai bem; desaparecida ela, ocorre fatalmente degeneração da democracia, passando cada um a utilizar o governo em proveito próprio, gerando a demagogia. Diante dessa situação de insegurança, o povo decide voltar ao governo de um só, retornando à monarquia. Cite e explique as características da Monarquia. A monarquia apresenta as seguintes características: 1) Vitaliciedade: o monarca não governa por um tempo limitado, podendo governar enquanto viver ou enquanto tiver condições para continuar governando. 2) Hereditariedade: a escolha do monarca se faz pela simples verificação da linha de sucessão. Quando morre o monarca ou deixa o governo por qualquer outra razão, é imediatamente substituído pelo herdeiro da coroa. 3) Irresponsabilidade: o monarca não tem responsabilidade política, isto é, não perde o seu cargo em virtude de suas opções políticas ou erros cometidos. Como se deu o processo histórico de formação da República. A República surge em um contexto histórico e filosófico de reação ao absolutismo político das monarquias europeias. Primeiramente é instaurada nos EUA após a decretação de sua independência. Logo após, é adotada na França, após a Revolução Francesa. Cite e explique as características da República. A república tem como principais características: 1) Temporariedade: o Chefe de Estado recebe um mandato com prazo de duração predeterminado. Para evitar que as eleições reiteradas do mesmo indivíduo criasse um paralelo com a Monarquia, estabeleceu-se a proibição de reeleições sucessivas. 2) Eletividade: o Chefe de Estado é eleito pelo povo, não se admitindo a sucessão hereditária ou por qualquer outra forma que impeça a escolha do povo. 3) Responsabilidade: o chefe de Governo é politicamente responsável, o que quer dizer que ele deve prestar contas de sua orientação política, ou ao povo diretamente ou a um órgão de representação popular. Cite e explique as características do Parlamentarismo. São características do Parlamentarismo: 1) Distinção entre Chefe de Estado e Chefe de Governo: a função de Chefe de Estado será exercida pelo Monarca ou Presidente da República. Este não participa das decisões políticas, exercendo preponderantemente a função de representação do Estado. O Chefe de Governo, por sua vez, é a figura política central do Parlamentarismo, pois é ele que exerce no âmbito governamental o Poder Executivo. Sua investidura no cargo se dá por nomeação do Chefe de Estado, porém pela indicação do Parlamento. 2) Chefia de Governo com responsabilidade política: o Chefe de Governo, aprovado pelo Parlamento, não tem mandato com prazo determinado. O mesmo tem responsabilidade por suas opções políticas, podendo ser demitido quando não agrada a maioria do Parlamento, representante do Povo. Dois são os fatores que provocam a demissão do Chefe de Governo: 1) a perda da maioria parlamentar; e 2) o voto de desconfiança. 3) Possibilidade de dissolução do Parlamento: em duas hipóteses pode ocorrer a dissolução do Parlamento com extinção antes do prazo normal dos mandatos dos seus integrantes: 1) quando o Chefe de Governo contém apenas pequena maioria do Parlamento e acredita que novas eleições poderão ampliar essa maioria; e 2) quando o Chefe de Governo recebe o voto de desconfiança do Parlamento, mas acredita que este é quem está em desacordo com a vontade popular. Em ambas as hipóteses o Primeiro Ministro solicita ao Chefe de Estado para que este dissolva o Parlamento e convoque novas eleições gerais. Realizadas as eleições, seu resultado determinará a permanência do Primeiro Ministro, se continuar com a maioria, ou sua demissão, se contar com a minoria dos novos parlamentares. Cite e explique as características do Presidencialismo. São características do presidencialismo: 1) Chefia de Estado e Governo concentrados no mesmo órgão – Presidência da República. 2) Presidente da República é escolhido. 3) Presidente da República ocupa o cargo por prazo determinado. 4) Presidente da República tem poder de veto. Em que ocasiões o chefe de governo perde o seu cargo no sistema de governo parlamentarista? Dois são os fatores que provocam a demissão do Chefe de Governo: 1) a perda da maioria parlamentar; e 2) o voto de desconfiança. De que forma o chefe do Executivo pode fiscalizar os atos do Legislativo no sistema de governo presidencialista? O sistema presidencialista se desenvolve em Estado que preconiza o sistema de separação de Poderes, sendo atribuída ao Congresso a totalidade do Poder Legislativo. Entretanto, para que não houvesse o risco de uma verdadeira ditadura do Legislativo, reduzindo o Executivo a mero executor automático das leis, lhe foi concedida a possibilidade de interferir no processo legislativo através do veto. Os projetos de lei aprovados no Legislativo devem ser remetidos ao Presidente da República para receberem sua sanção, que é a manifestação de concordância. Se considerar o projeto inconstitucional (veto jurídico) ou inconveniente (veto político), o Presidente veta-o, comunicando imediatamente ao Congresso. O Legislativo analisará o referido veto mediante votação especial. Se considerar pertinente o veto, o projeto será rejeitado, se não, o veto será afastado e a lei será publicada mesmo sem a aprovação do Executivo. O que é o semipresidencialismo? Alguns autores afirmam que o sistema de governo parlamentarista somente existe em formas de governo monárquicas. Para estes, o Parlamentarismo exercido dentro de uma República recebe o nome de semipresidencialismo. O que significa democracia? Regime de governo em que o povo participa da formação do governo, ou seja, participa da administração do Estado. Disserte sobre a evolução da democracia na história. A palavra e o conceito de Democracia vieram da Grécia, e especialmente de Atenas, significando literalmente “poder do povo”. Entretanto, mesmo em Atenas, no áureo período democrático, poder do povo ou democracia nunca foi o governo exercido direta e exclusivamente pelo povo. Ainda assim o conceito de povo ateniense era restrito; melhor explicando, povo ateniense não era todos os indivíduos que viviam de modo permanente sob o governo de Atenas, e sim uma pequena parte, a saber, homens naturais de Atenas que gozavam de direitos políticos. Vale ainda ressaltar que o povo ateniense, em alguns períodos, decidia sobre tudo; porém não exercia diretamente o seu poder. Assim é que eram escolhidos magistrados, ministros, administradores para exercer as diversas funções estatais em nome do povo. Após o período áureo da democracia grega, a sociedade ocidental experimentou por muito tempo regimes de governo autocráticos, onde o povo foi afastado das decisões políticas.A autocracia chega ao auge com o absolutismo político, onde o poder era propriedade do Rei, e não do povo. Assim, como reação ao absolutismo político ao longo do século XVII e XVIII culminam na Europa as revoluções inglesa, norte-americana e francesa, ressurgindo a democracia. A democracia clássica, nome dado a esse novo período democrático, foi a vitória das ideias de liberdade política e civil contra o absolutismo. Quais as bases da democracia grega? A democracia grega teve como base os seguintes princípios: 1) Isonomia: todos os homens são iguais; vale lembrar que a igualdade na Grécia levava em conta o homem homens natural da Grécia e que gozava de direitos políticos; 2) Isotimia: livre acesso aos cargos públicos; todo cidadão com direito político tinha direito a ocupar cargos públicos, o que se dava por sorteio; e 3) Isagoria: direito de palavra; todos os cidadãos tinham direito de se manifestarem nas assembleias e defender suas posições políticas. Quais as principais características da democracia clássica ou moderna? São características da democracia clássica ou moderna: 1) poder político pertence ao povo (soberania popular); 2) poder político é exercido por órgãos distintos, autônomos e independentes (teoria da divisão de poderes); 3) as prerrogativas dos governantes são limitadas e expressamente previstas pela Constituição; e 4) são declarados e assegurados os direitos individuais. Quanto a forma de participação do povo, quais as espécies de democracia? Quanto a forma de participação do povo são espécies de democracia: 1) democracia direta, onde o povo governa e é governado ao mesmo tempo, ou seja, participa cotidianamente da administração do Estado decidindo sobre tudo; 2) democracia representativa, surgida com o Estado de Direito e onde o povo participa escolhendo representantes para que estes governem o Estado; e 3) democracia semidireta ou semirrepresentativa, onde o povo participa escolhendo representantes e, em algumas ocasiões, manifestando sua vontade direta na administração do Estado. Cite e explique cinco instrumentos de participação do povo na democracia semidireta, indicando quais os adotados pela Constituição brasileira. ➢ Referendum: consulta ao povo sobre determinado tema de relevância político- social. ✓ Obrigatório ou Facultativo. ✓ Consultivo (plebiscito) ou deliberativo. ✓ Constituinte ou legislativo. ✓ Arbitral – Constituição de Weimar de1919. ➢ Iniciativa popular (articulada ou não articulada) – Lei 9.709/1998: possibilidade de o povo solicitar ao Congresso Nacional a criação de leis sobre determinados assuntos. Pode ser articulada, quando o povo já envia o projeto de lei formalmente pronto, ou não articulada, quando o povo propõe ao congresso a criação de uma lei sobre determinado assunto. CF art. 61, § 2º - “1% do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por 5 Estados, com não menos de 0,3% dos eleitores de cada um”. ➢ Veto popular: trata-se de uma hipótese de referendum deliberativo facultativo em que o povo caça a validade de uma lei, que se torna inaplicável; dá-se a possibilidade aos eleitores, após a aprovação de um projeto pelo Legislativo, um prazo, geralmente de 60 a 90 dias, para que requeiram a aprovação popular. A lei não entra em vigor antes de decorrido este prazo. ➢ Recall: por esse instituto, pode se revogar a eleição de um legislador ou reformar uma decisão judicial sobre a constitucionalidade de uma lei. No primeiro caso, exige-se que um certo número de eleitores requeira uma consulta à opinião do eleitorado sobre a manutenção ou a revogação do mandato conferido a alguém, exigindo-se dos requerentes um prévio depósito judicial para garantir as custas das eleições. Em muitos casos dá-se àquele cujo mandato está em jogo a possibilidade de imprimir sua defesa na própria cédula usada pelos eleitores. Se a maioria decidir pela revogação do mandato, esta se efetiva. Se, porém, o mandato não se revogar, os requerentes perdem o dinheiro depositado para o Estado. ➢ Mandato Imperativo: o político é um mero mandatário do povo durante o seu mandato, ou seja, somente deve decidir de acordo com a vontade de seus eleitores. Assim, sempre que for tomar uma decisão, deve o político consultar os seus eleitores, não podendo ser contrário ao entendimento do eleitor. No Brasil se adota apenas o referendo (e plebiscito) e a iniciativa popular como instrumentos de participação direta do povo no governo. Diferencie referendo de plebiscito. Na Teoria Geral do Estado, referendo é o nome que se dá a qualquer consulta direta ao povo. O plebiscito, por sua vez, é uma modalidade de referendo, a saber, o referendo consultivo, ou seja, aquela consulta ao povo realizada antes da ocorrência do ato. Entretanto, a CF deu tratamento diferenciado ao tema, conceituando referendo como a consulta ao povo realizada após a ocorrência do ato e plebiscito a consulta ao povo realizada antes do ato. Exemplo de referendo: consulta ao povo sobre a lei do desarmamento para saber se deveria o comércio de armas no Brasil ser totalmente proibido. Vale lembrar que nessa ocasião o povo votou contra, permitindo a venda regulamentada de armas no Brasil. Exemplo de plebiscito: a Constituição Federal exige que, para o desmembramento de um município ou Estado-membro para a criação de outro, a população da área atingida deve obrigatoriamente ser consultada antes da divisão. Trata-se de plebiscito (consulta anterior) obrigatório. O que significa autocracia? Regime de governo em que não há a participação do povo na gestão do Estado. No que se diferenciam ditadura, totalitarismo, tirania e depostismo? Quais as principais características da ditadura? São as principais características da ditadura: 1) Concentração de poderes – geralmente o poder Executivo usurpa as funções do poder Legislativo; 2) Transitória – a ditadura tem caráter transitório, ou seja, é instaurada com a intenção de superação de uma crise que ameaça o Estado; 3) Supressão de liberdade. Quais as principais características do totalitarismo? São as principais características do totalitarismo: 1) uma ideologia oficial do Estado; 2) geralmente há um único partido político; 3) monopólio da propaganda; 4) monopólio dos armamentos; 5) economia planejada e centralizada; e 6) sistema de terror policial. No que consiste o sufrágio? DITADURA SUPRESSÃO DE LIBERDADE MONOCRÁTICO OU NÃO REPÚBLICA TEMPORÁRIO TOTALITARISMO SUPRESSÃO DE LIBERDADE MONOCRÁTICO OU NÃO REPÚBLICA OU MONARQUIA DEFINITIVA TIRANIA SUPRESSÃO DE LIBERDADE MONOCRÁTICO MONARQUIA CORRUPTA DEFINITIVA DESPOTISMO SUPRESSÃO DE LIBERDADE MONOCRÁTICO MONARQUIA LEGÍTIMA DEFINITIVA Direito e dever do cidadão participar do governo do Estado, tanto escolhendo governantes através do voto, como podendo se candidatar e se eleger a um cargo do governo. Em suma, direito de votar e ser votado. Pode o estrangeiro exercer sufrágio? Em regra não. Conforme reza o art. 14, § 2º da CF/88 “Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros”. Entretanto devemos ressalvar a condição do português que solicita tratamento diferenciado no Brasil. Conforme estudado anteriormente, o português com residência fixa no Brasil por 5 anos poderá pedir o tratamento diferenciado e exercer sufrágio no Brasil, mesmo que ainda seja considerado estrangeiro. Quais os requisitos de idade para exercício do sufrágio? 16 anos – sufrágio parcial - voto facultativo. 18 anos – voto obrigatório/vereador. 21 anos – prefeito e vice, deputado estadual e federal. 30 anos – governador e vice. 35 anos – presidente, vice-presidente e senador. Idade em que se atinge no Brasil o pleno sufrágio, já que pode se candidatar a qualquer cargo público eletivo, além de votar. 70 – voto facultativo. Como é exercido o sufrágio pelo analfabeto? O sufrágio do analfabeto é parcial, já que apenas pode votar. Vale ressaltarque o voto não é obrigatório, e sim uma faculdade. Em contrapartida, não pode ser eleito para ocupar cargo público. Em suma, pode votar, mas não pode ser votado. Como é exercido o sufrágio pelo militar? Há algumas particularidades: 1) o conscrito (aquele convocado para serviço militar obrigatório) não pode se alistar eleitoralmente. Assim não pode votar e nem ser votado enquanto durar o serviço militar obrigatório. 2) o militar de carreira (aquele que escolhe ser militar como profissão – policiais militares, bombeiros militares, exército, marinha e aeronáutica) pode exercer o voto livremente. Entretanto, quanto ao sufrágio passivo (ser votado) tem que obedecer às seguintes regras: Art. 14 CF § 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. Como é exercido o sufrágio pelo preso? Há duas espécies de presos: 1) o preso provisório – aquele que está preso enquanto ou antes de tramitar processo pelo crime cometido, ou seja, está preso antes de ser condenado; esse preso tem direitos políticos, devendo ser assegurado o seu voto; 2) o preso condenado – aquele que está preso após ser julgado e condenado; este, em virtude da condenação à pena de prisão, também perde os seus direitos políticos, não lhe sendo assegurado o direito de votar. Como é exercido o sufrágio pelo deficiente físico e mental? O deficiente físico, desde que sua deficiência não o impeça de votar em segredo, poderá exercer seu voto livremente. Também não há qualquer impedimento para ser candidato e eleito. O deficiente mental, por não gozar de sua capacidade mental plena, não tem direito a sufrágio, ou seja, não pode votar, nem ser votado. Diferencie voto direito do indireto e voto individual do plural. Voto direto: quando se vota diretamente no candidato que se quer eleger. É o caso das eleições no Brasil em que votamos diretamente no candidato, sem intermediários. Voto indireto: quando se vota em representantes (colégio eleitoral) para que estes escolham o candidato final. Exemplo: eleições presidenciais norte-americanas, onde o povo vota em delegados eleitorais em cada Estado-membro e esses votaram diretamente no presidente. Voto individual: segue a regra de que cada homem tem direito a apenas um único voto. Voto plural: há diferentes quantidades de votos por eleitores. Pode se dar de forma múltipla, quando um eleitor tem mais de um voto em virtude de ter maiores posses, por exemplo (em empresas por ações os sócios tem a quantidade de votos de suas ações; assim, o sócio que tem mais ações tem mais votos) ou por família, quando o chefe de família tem a quantidade de votos dos membros de sua família (exemplo, o pai tem o seu voto, o voto da esposa e o voto dos filhos). Conceitue sistema eleitoral. Quais as espécies de sistemas eleitorais existentes? Sistema eleitoral consiste nas regras de como os eleitores podem expressar seus desejos e como esses desejos são agregados para se obter um resultado final. Existe o sistema eleitoral majoritário, o sistema eleitoral proporcional e o sistema eleitoral distrital. Caracterize o sistema eleitoral majoritário brasileiro. Por esse sistema, só o grupo que recebe o número majoritário de votos elege representantes. Há duas espécies de maioria: 1) maioria simples, onde o vencedor é aquele que obtiver a maioria dos votos dentre os candidatos; e 2) maioria absoluta, onde o vencedor será aquele que obtiver a maioria absoluta dos votos depositados nas urnas; como pode ser extremamente difícil de se obter a maioria absoluta dos votos, criou-se o sistema de turno duplo, onde em uma primeira votação em que um dos candidatos não obtém maioria absoluta dos votos, realiza-se uma segunda votação entre os dois primeiros candidatos mais bem votados, sendo vitorioso o que obtiver neste último turno a maioria. No Brasil o sistema majoritário é adotado para as eleições do Poder Executivo e para o Senado Federal. Vale lembrar que é exigida maioria simples nas eleições para Senado e prefeitos de municípios com até 200 mil eleitores. Em eleições para Presidente da República, Governadores dos Estados e DF e prefeitos dos municípios com mais de 200 mil eleitores se exige maioria absoluta dos votos. Caracterize o sistema eleitoral proporcional brasileiro. Por esse sistema, todos os partidos políticos tem direito a representação, estabelecendo- se uma proporção entre o número de votos recebidos pelo partido e o número de cargos que ele obtém. Quais as espécies de sistema eleitoral proporcional? Sistema de voto em lista aberta: o voto é dado diretamente ao candidato. Aquele que obtiver a maioria do partido será eleito. Sistema de voto em lista fechada: o voto é no partido, que organiza uma listagem; o vencedor é definido pela ordem na relação. Sistema de voto em lista flexível: o partido monta uma lista com candidatos, mas o eleitor também pode escolher um nome. O candidato eleito, porém, será o que figurar em primeiro da lista. Caracterize o sistema eleitoral distrital. Por esse sistema, o colégio eleitoral é dividido em distritos, devendo o eleitor votar apenas no candidato de seu respectivo distrito. O Município de Mossoró – RN tem população estimada, pelo Censo do IBGE de 2014, de 284.288 habitantes. Por sua vez, de acordo com dados do TRE-RN, este mesmo município possui 153.027 eleitores. Pergunta-se: em eleições para prefeito deste município é exigível maioria absoluta ou relativa? Maioria simples, pois a exigência de segundo turno de votação ou maioria absoluta é apenas para municípios com mais de 200 mil eleitores. Suponhamos que nas últimas eleições municipais de Mulungu - CE havia 7.500 eleitores aptos a votar. No dia do pleito, porém, apenas 6.000 compareceram às urnas. Desses, 1.000 eleitores votaram em nulo ou branco. Vale ressaltar que no município em apreço há 5 vagas para vereador disponíveis. Suponhamos que o partido A recebeu 2.000 votos, o partido B 1.500, o partido C. 1.200 e o partido D 300, quantos candidatos a vereador foram eleitos por cada partido? Partido A – 2 Partido B – 2 Partido C – 1 Partido D – 0