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CURSO DE FORMAÇÃO DE CABOS PMAM - CFC/2019 PRESERVAÇÃO E VALORIZAÇÃO DA PROVA 1. GENERALIDADES No Estado Democrático do Direito moderno a solução de conflitos de interesses é exercida por meio da função jurisdicional do Estado no que se denomina de processo e, em se tratando de uma lide penal, processo penal, no entanto o direito de punir não é absoluto. A Polícia possui a função principal de impedir a prática de ilícitos (prevenção) e apurar a ocorrência desses e de sua autoria (investigativa). Vamos estudar notadamente a fase da apuração da ocorrência e de sua autoria. À Polícia Judiciária, exercida pelas Polícias Civis, cabe a apuração preliminar das infrações penais e de sua autoria que dará sustentação à ação penal, que é o impulso inicial do processo penal. Muito embora a apuração da polícia tenha caráter extrajudicial, ele tem relativa importância na formação do livre convencimento do Juiz no julgamento da causa, até porque está integrada ao contexto do processo. A prova é a alma do processo. Tem ela, como foco, a reconstrução de fatos e de sua autoria, de todas as circunstâncias objetivas e subjetivas que possam ter influência na responsabilidade penal do autor, bem como na fixação da pena ou na imposição da medida de segurança. A produção da prova pelas partes é uma das formas de tutela das garantias fundamentais no Estado Democrático de Direito. Portanto, precisa ser bem cuidada desde o primeiro momento de sua construção que, via de regra, ocorre na fase policial. Qualquer descuido na produção da prova prejudica a justa aplicação da lei. Nenhuma acusação penal se presume provada. O ônus da prova dos fatos e da autoria incumbe ao Estado, portanto, no primeiro momento, à Polícia. A reconstrução da verdade deverá obedecer aos limites impostos pela Constituição Federal e pela lei processual penal. Tanto o Código de Processo Penal como outras leis esparsas estabelecem os meios pelos quais poderão ser produzidas as provas. Esses meios legais de coleta dos elementos de prova nos levam à constatação de que nesse contexto, necessariamente, ela terá que ser considerada em dois aspectos: material e subjetivo. No local de crime, onde as provas são mais evidentes, a regra é que, pelo menos, atuem as Polícias Militar e Civil. Aquela, via de regra, chegando ao primeiro momento, tomando as primeiras providências, especialmente no que diz respeito aos cuidados iniciais com a preservação das provas, tanto materiais, quanto subjetivas. Em determinadas situações, além dessas organizações, também participam dessa tomada de decisão inicial, o Corpo de Bombeiros, o Departamento de trânsito ou a Guarda Municipal, como exemplo podemos citar o trágico incêndio no Bairro do Educandos em Manaus, ocorrido em dezembro de 2018. Nesse contexto, considerando não haver uma hierarquia de provas, pois o convencimento do Juiz depende de uma apreciação sistêmica, é fundamental que o sentido de preservação e de cuidados com a prova, seja também sistêmico. É preciso que o agente de segurança pública tenha essa percepção de que os elementos de produção da prova são complementares entre si. São partes de um todo. São ângulos diferentes de um mesmo fato, portanto precisam ser tratados com o mesmo cuidado. Valorizar a prova requer, antes de tudo, reconhecê-la, para assim saber preservá-la. Requer também a capacidade de responder as questões: por que preservar? Quais os prejuízos para o meu trabalho e para o trabalho dos demais profissionais envolvidos na cadeia deste processo? Que ações executar visando esta preservação? O que evitar? Assim sendo, a finalidade da disciplina é o de alcançar o agente que não é aquele encarregado institucionalmente da coleta e validação das provas, como o perito e o delegado de polícia, mas aquele encarregado dos cuidados iniciais nesse processo de validação. No contexto estão os demais agentes cujo trabalho consolida toda uma proposta de ações integradas e complementares da segurança pública. São conhecimentos básicos necessários à sustentação dos procedimentos e atitudes que deverão ser adotadas por esses agentes na preservação da prova, seja ela material ou subjetiva. (MATRIZ CURRICULAR NACIONAL – MIN. JUSTIÇA – SENASP) 2. PROVA Conceito de prova – A palavra "prova" é originária do latim "probatio", que por sua vez emana do verbo "probare", com o significado de examinar, persuadir, demonstrar. Assim, prova é todo elemento que pode levar o conhecimento de um fato a alguém. O direito processual regula os meios de prova, que são instrumentos pelos quais trazemos elementos de prova aos autos. No processo, a prova não tem um fim em si mesma ou um fim moral ou filosófico; sua finalidade é prática, qual seja convencer o juiz. Não se busca a certeza absoluta, a qual, aliás, é sempre impossível, mas a certeza relativa suficiente na convicção do magistrado. 2.1 Classificação da Prova 2.1.1 Quanto ao objeto: a. Direta - quando por si só demonstra o fato; quando dá a certeza dele por testemunhas, documentos etc.; b. Indireta - quando, comprovada em um outro fato, se permite concluir o alegado diante de sua ligação com o primeiro, como a hipótese de um álibi, em que a presença comprovada do acusado em lugar diverso do crime permite concluir que não praticou o ilícito. 2.1.2 Quanto ao seu efeito ou valor: a. Plena (completa, convincente) - exigida, por exemplo, para a condenação; b. Não plena - uma probabilidade de procedência de alegação (suficiente para medidas preliminares, como arresto, sequestro, prisão preventiva, apreensão etc.). Entre estas últimas destaca-se, por exemplo, a chamada prova prima facie, “aquela que deixa desde logo no espírito do juiz a convicção da veracidade de um fato embora possa ser infirmada por outras provas”. Para exemplificar: se uma pessoa indefesa, à noite, dentro da própria casa, atira em um indivíduo que tenta arrombar sua casa e este vem a óbito, isto é, à primeira vista, tudo convence de que o homicídio foi praticado em legítima defesa. São elas indicadas na nossa lei como “indícios veementes”, “indícios suficientes” e outras expressões semelhantes. Ademais disso, as provas também podem ser classificadas em: a. Reais (ou materiais) - são reais as provas que consistem em uma coisa ou bem exterior e distintas do indivíduo (a arma, o lugar do crime, o cadáver, as pegadas, as impressões digitais etc.); b. Pessoais (ou subjetivas) - são pessoais as que exprimem o conhecimento subjetivo e pessoal atribuído a alguém: o interrogatório, os depoimentos, as conclusões dos peritos etc. Tem-se ainda que, no tocante à sua forma ou aparência, as provas podem ser documentais, testemunhais e materiais (corpo de delito, exames, vistorias, instrumentos do crime etc.). 2.2 Estrutura analítica da prova O instituto jurídico da prova, segundo Leal (2004, p. 181-182) é constituído da articulação entre as categorias do elemento de prova, meio de prova e do instrumento de prova, que são os aspectos de sua configuração teórica. Caso não se verifique no momento de produção da prova a incidência dessas categorias, não se pode afirmar a configuração da mesma, ao menos no sentido jurídico- processual, pois esta resulta do concurso das referidas categorias e tal deve ocorrer segundo a disciplina inferida das normas processuais. Um elemento de prova, por si só, não é prova e nem possui aptidão para contribuir na formação da cognitio, pois apenas após a obtenção deste elemento pelo meio de prova lícito e legal e de sua fixação nos autos do processo pelo instrumento de prova, é que se tem prova em sentido jurídico-processual, sendo que somente esta é idônea à formação da cognitio. O meio de prova é a categoria que disciplina a obtenção dos elementos de prova. É através desta categoria que se realiza a captação/apreensão dos dados da realidade objetiva para sua introdução no processo. No processo penal brasileiro destacam-se como meiosde prova, regulados pelo Código de Processo Penal (CPP): o Interrogatório, disciplinado nos art. 185 ao 196; a Acareação, prevista nos arts. 229 e 230; o Depoimento do Ofendido, disposto no art. 201 e o das Testemunhas, disposto nos arts. 202 ao 225; a Perícia, constante dos arts. 158 ao 184; o Reconhecimento de Pessoas e Coisas, regulado nos arts. 226, 227 e 228; e a Busca e Apreensão reguladas nos arts. 240 ao 250 do CPP. Na legislação especial podemos citar a Lei n.º 12.859/2013, que dispõe sobre a utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas, alguns meios de prova ali definidos e regulamentados; a Lei n.º 9.296/96 encontra-se a regulamentação do inciso XII, parte final, do art. 5º da Constituição Federal, disciplinando a interceptação de comunicações telefônicas como meio de prova para instruir a investigação criminal ou a instrução processual; a Lei Complementar nº 105/01, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, encontra-se a previsão, como meio de prova, da quebra de sigilo prevista em seu art. 1º, § 4º. E, ainda, na Lei n.º 11.343/06 que estabeleceu regras e metas para o combate ao Tráfico de Drogas. A restrição constitucional à obtenção do elemento de prova faz-se necessária em uma ordem democrática, vez que: "[...] a busca obsessiva da certeza há de se conter, em Direito, nos limites dos meios de obtenção da prova legalmente permitidos. A existência do elemento de prova, ainda que de certeza inegável, não autoriza, por si mesma, a coleta da prova contra-legem." (LEAL, 2004, p. 182). No dizer de Dias (2004, v. I): "A legalidade dos meios de prova, bem como as regras gerais de produção da prova [...] são condições de validade processual da prova e, por isso mesmo, critérios da própria verdade material." (DIAS, 2004, v. I, p. 197) (Grifo do autor). Após a obtenção do elemento de prova por meio lícito e legalmente permitido tem-se, ainda, que fixar o mesmo nos autos de processo. Para tanto faz-se necessária a utilização da categoria do instrumento de prova, que se destina a materializar de modo gráfico- formal os elementos obtidos. A prova em sentido jurídico-processual deve ser compreendida como a resultante da extração na faticidade dos elementos de prova pelos meios legalmente previstos, formalizados nos instrumentos que os fixam aos autos do procedimento, servindo de base para a formação da cognitio. "Provar em direito é representar e demonstrar, instrumentando, os elementos de prova pelos meios de prova." (LEAL, 2001, p. 182). Ao tratarmos sobre a prova dita ilegal, temos que corresponde àquela obtida com violação de princípios gerais do ordenamento jurídico. A prova ilegal se divide em: a. Prova ilegítima: é aquela que importa em violação de uma norma processual. Ex: a confissão do réu feita no interrogatório judicial sem a presença do advogado (art. 185 do CPP). b. Prova ilícita: é aquela que afronta a um princípio constitucional. A Constituição veda expressamente, o uso da prova obtida ilicitamente nos processos judiciais (art.5º, LVI), positivando uma das ideias básicas que integram o amplo conceito de devido processo legal. Ex: a confissão produzida mediante tortura; ingresso no domicílio de pessoa à noite ou sem mandado judicial, não sendo caso de flagrante; condutas proibidas pela Constituição. c. Prova ilícita por derivação: a prova ilícita é aquela que viola a um princípio constitucional, e tudo o que vier a ser produzido em função desta será considerado ilícito. Ex: uma carta que foi interceptada ilegalmente e que noticia um crime, a partir daí a polícia atenta à indicação da carta, consegue apreender objetos de origem criminosa. Obs1: A jurisprudência do STF é pacífica pela não admissão dessa prova, com ressalva para a produção da prova ilícita em favor do réu. Obs2: Ressalte-se que nesse contexto, que, em alguns casos, a prova ilícita poderá ser produzida pelo próprio interessado, como único meio de sustentar sua inocência, configurando, dessa forma, o estado de necessidade que exclui a ilicitude do ato. Obs3: A doutrina e a jurisprudência proíbem a produção de prova ilícita pelo Estado. . 2.2.1 Elemento de Prova O elemento da prova são as afirmações e os fatos comprovados que se encontram no mundo real e leva-se para o processo, v.g., exame de corpo de delito. 2.2.2 Meio de prova Modo pelo qual se formaliza a prova no processo, ou seja, tudo quanto possa comprovar o fato ou a afirmação. São admitidas todas as provas obtidas por meio licito e, não somente aquelas insertas no CPP, v.g., filmagens, interceptações telefônicas, etc. 2.2.3 Instrumento de prova É a forma pela qual o meio de prova será instrumentalizado no processo, v.g., laudo pericial, ata da prova. O elemento da prova é introduzido no processo penal pelo meio de prova e efetivado pelo instrumento de prova. Exemplificativamente, temos que: O corpo de delito é o elemento de prova. A prova pericial é o meio de prova. E o laudo pericial é o instrumento da prova. - Precisam de prova: a. Os costumes; b. Regulamentos e Portarias; c. Direito Estrangeiro. - Não necessitam de prova: a. Fatos notórios: assim considerados aqueles de conhecimento público e geral. Ex: Não se precisa provar que o dia 25 de dezembro se comemora o Natal. b. Fatos intuitivos: assim considerados aqueles que se evidenciam por si só, prescindem de provas. Ex: o cadáver em adiantado estado de putrefação é prova incontestável de morte. c. Fatos presumidos em lei: assim considerados aqueles tomados como verdadeiros independentemente da produção de qualquer prova. Ex: O menor de 18 anos é presumido incapaz de conhecer o fato ilícito que cometeu, sendo desnecessária a sua comprovação de inimputabilidade. 2.3 Ônus da prova no processo penal É a responsabilidade de provar. O ônus da prova cabe sempre a quem alega (Art. 156 do CPP). No processo penal o juiz pode determinar a produção de provas “ex officio”. É o Princípio da Inquisitividade. Segundo parte da doutrina, os fatos jurídicos são divididos em: a. Fatos constitutivos (que dão vida a uma vontade concreta da lei e à expectativa de um bem por parte de um indivíduo: ato lícito, testamento etc.); b. Fatos extintivos (que extinguem a vontade concreta da lei ou expectativa de um bem); e c. Fatos impeditivos (os que impedem que se formem os fatos constitutivos). São fatos extintivos o pagamento e remissão da dívida e fatos impeditivos o dolo, a violência, a ilicitude, etc. Com relação aos fatos constitutivos do seu direito, o autor tem de prová-los e o réu, por sua vez, tem de provar os fatos extintivos, modificativos ou impeditivos do direito alegado pelo autor. Tendo o autor de provar aquilo que constitui seu direito, poderíamos dizer que a prova não é somente um direito, mas um ônus. É como se diz: “o ônus da prova cabe a quem alega”. Esse adágio é consequência do princípio dispositivo, pelo qual o Juiz está impedido, para manter sua imparcialidade, de ex-officio, participar da produção da prova. No entanto, em nosso ordenamento jurídico esse princípio é mitigado, pois, o juiz pode determinar a produção de prova, não pedida pelas partes, desde que relevante para a reconstituição do fato. 3. A PROVA MATERIAL: VESTÍGIO, EVIDÊNCIA E INDÍCIO 3.1 Vestígio Os peritos criminais, ao examinarem um local de crime, procuram todos os tipos de objetos, marcas ou sinais sensíveis, que possam ter relação com o fato investigado. Todos estes elementos, individualmente, são chamados de vestígio. Portanto, vestígio é o material bruto que o perito constata no local do crime ou faz parte do conjunto de um exame pericial qualquer. Porém somente após analisá-lo adequadamente é que se pode saber se aquele vestígio está ou não relacionado ao evento periciado. Para que o vestígio exista, é necessária a presença de três elementos: a.Agente provocador: é o que produziu o vestígio – ou contribuiu para tal; b. Suporte: é o local onde fora produzido tal vestígio (em se tratando de algo material); c. Vestígio em si: é o produto da ação do agente provocador. Assim, vestígio é tudo o que é encontrado no local do crime que, após estudado e interpretado pelos peritos, possa se transformar em prova, individualmente ou associado a outros. Porém, antes de se transformar em uma prova, passará pela fase da evidência. Todos os vestígios encontrados em um local de crime, num primeiro momento, são importantes e necessários para elucidar os fatos, ou seja, na prática, o vestígio é assim chamado para definir qualquer informação concreta que possa ter, ou não, alguma relação com o crime. 3.2 Evidência Quando os peritos chegam à conclusão que determinado vestígio está, de fato, relacionado ao evento periciado, ele deixa de ser um vestígio e passa a denominar-se evidência. A evidência, segundo definição do dicionário, significa: qualidade daquilo que é evidente, que é incontestável, que todos vêem ou podem ver e verificar. No conceito criminalístico, evidência significa qualquer material, objeto ou informação que esteja relacionado com a ocorrência do delito. Assim, evidência é o vestígio analisado e depurado, tornando-se uma prova por si só ou em conjunto, para ser utilizada no esclarecimento dos fatos. Por outro lado, vestígio é o material bruto constatado e/ou recolhido no local do crime. Essas duas nomenclaturas – vestígio e evidência – são usadas tecnicamente no âmbito da perícia, no entanto, tais informações tomam o nome de indícios na fase processual. 3.3 Indício O CPP define indício em seu artigo 239, como sendo: “Art. 239 – Considera-se indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução concluir- se a existência de outra ou outras circunstâncias”. É claro que nesta definição legal do que seja indício, estão, além de elementos materiais, outros de natureza subjetiva, ou seja, estão incluídos todos os demais meios de prova. Em suma: Vestígio é todo objeto ou material bruto constatado e/ou recolhido em um local de crime para análise posterior. Evidência é o vestígio, que após as devidas análises, tem constatada, técnica e cientificamente, a sua relação com o crime. Indícios é uma expressão utilizada no meio jurídico que significa cada uma das informações (periciais ou não) relacionadas com o crime. 3.4 Idoneidade do Vestígio no Contexto do Exame do Local de Crime A idoneidade do vestígio deve ser vista dentro de um conjunto de fatores, que envolve desde ações diretas dos próprios peritos encarregados dos respectivos exames até os policiais que devem dos respectivos exames até os policiais que se façam presentes naquele local de crime, seguindo-se dos demais procedimentos e exames complementares no interior dos Institutos de Criminalística e de Medicina Legal. Muito se fala sobre a importância do exame pericial, considerando no seu sentido amplo. Todavia, devemos levar em consideração que essa importância está relacionada ao somatório de pequenas partes de todo esse conjunto que envolve os exames periciais. O exame pericial em um local de crime divide-se em uma serie de rotinas e procedimentos a serem observados, donde - em um deles - encontra-se o vestígio propriamente dito. Pode até parecer que ele é a fonte primária e principal e, realmente, deve assim se entendido. No entanto, sem as demais partes desse conjunto de rotinas e procedimentos, de muito pouco valerá essa importância do vestígio. O que se quer deixar claro nesse ponto é quanto à relevância que representa cada uma das fases de um exame pericial, no contexto da valorização da idoneidade do vestígio, pois ele é a nossa matéria-prima. 3.4.1 Vestígio verdadeiro É uma depuração total dos elementos encontrados no local do crime. Somente são verdadeiros aqueles produzidos diretamente pelos autores da infração e, ainda, que sejam produtos diretos das ações do cometimento do delito em si. 3.4.2 Vestígio ilusório É todo elemento encontrado no local do crime que não esteja relacionado às ações dos atores da infração e desde que a sua produção não tenha ocorrido de maneira intencional. A produção do vestígio ilusório nos locais de crime é muito grande, tendo em vista a problemática da falta de isolamento e preservação de local. Este é o maior fator da sua produção, pois contribuem para isso desde os populares que transitam pela área de produção dos vestígios, até os próprios policiais pela sua falta de conhecimento das técnicas de preservação. É também uma tarefa árdua que os peritos devem ter incorporado ao exame pericial no local do crime. Qual seja, a de saber distinguir quando se trata de um vestígio ilusório que, portanto, não estará relacionado ao evento examinado. 3.4.3 Vestígio forjado Neste grupo de vestígios os peritos terão que ter uma preocupação constante para que possam identificá-los adequadamente, visando garantir um correto exame no local do crime. A produção de um vestígio forjado poderá vir a ser muito importante para esclarecer determinadas circunstâncias da ocorrência de um crime. Por vestígio forjado entende-se todo elemento encontrado no local do crime, cujo autor teve a intenção de produzi-lo, com o objetivo de modificar o conjunto dos elementos originais produzidos pelos autores da infração. Um vestígio forjado poderá ser produzido por qualquer pessoa que tenha interesse em modificar a cena de um crime, por mais diversas razões. No entanto, neste rol de pessoas, vamos encontrar alguns grupos mais incidentes, como, por exemplo, policiais que, no exercício da função cometem excessos e findam por produzirem alguns vestígios forjados na tentativa de adequar sua ação aos limites que a lei autoriza; parentes de vítimas de suicídio que, por interesse no recebimento de seguros tentam acrescentar elementos que venham a ser entendidos como uma ocorrência de homicídio ou até acidente. 4. A PROVA SUBJETIVA 4.1 Conceito e valor jurídico Consoante já fora abordado, podemos conceituar a prova subjetiva (ou pessoal) como sendo aquela que exprime o conhecimento subjetivo e pessoal atribuídos a alguém, a exemplo do interrogatório, dos depoimentos, da confissão, das conclusões dos peritos etc. No que concerne ao seu valor jurídico, não podemos olvidar do princípio da livre apreciação da prova pelo magistrado, assim elas possuem o mesmo valor que as provas materiais. 4.2 Abordagem de testemunhas, vítimas e suspeitos Quanto à abordagem de testemunhas, vítimas e suspeitos, a atuação do policial militar deve se pautar, no que couber: O tom de voz e as palavras que escolher influenciarão nas respostas que o policial irá receber. O tom de voz escolhido deve ser proporcional aos propósitos do Policial Militar, que podem variar de uma busca por informações até um pedido de cooperação (persuasão) ou ordens diretas, como devem receber as pessoas sobre as quais existam fortes suspeitas. É imperativo que o agente público seja claro, para que não haja falta de entendimento e confusão. Apelidos, insinuações, gírias e brincadeiras não devem ser utilizadas. O policial, ao dialogar durante a abordagem, precisa manter-se emocionalmente imparcial. Ao manter um diálogo claro, direto, emocionalmente equilibrado e livre de abusos, as testemunhas poderão confirmar que o eventual uso da força foi o último recurso a ser utilizado. No entanto, temos que considerar as particularidades que caracterizam e diferenciam uma testemunha de uma vítima, uma vítima de um suspeito ou ainda uma testemunha de um suspeito. Nesta seara, as técnicas de abordagens devem ser específicas à às características da prova subjetiva em questão. Por oportuno, tomando por parâmetros as circunstâncias e condições especiais a serem consideradas, alertamos quanto ao estado emocional da testemunha, vítima e suspeito(ou infrator) em decorrência da situação fática, suas respectivas idades e sexo, o local onde se encontram, dentre outras preocupações. 5. LOCAL DE CRIME 5.1 Definição e Conceito É a proporção do espaço compreendida num raio que, tendo por origem o ponto no qual é constatado o fato, se estenda de modo a abranger todos os lugares em que, aparente, necessária ou presumivelmente, hajam sido praticados, pelo criminoso, ou criminosos, os atos materiais, preliminares ou posteriores, à consumação do delito e com este diretamente relacionados. O artigo 6º, inciso I, do CPP, disciplina que: “Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: I – dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais”. Local de crime pode ser definido, genericamente, como sendo uma área física onde ocorreu um fato esclarecido ou não até então - que apresente características e/ou configurações de um delito. Eraldo Rabelo, um dos maiores peritos do Brasil, utiliza uma metáfora para explicar o significado de local de crime: “Local de crime constitui um livro extremamente frágil e delicado, cujas páginas por terem a consistência de poeira, desfazem-se, não raro, ao simples toque de mãos imprudentes, inábeis ou negligentes, perdendo-se desse modo para sempre, os dados preciosos que ocultavam à espera da argúcia dos peritos”. 5.2 Classificação 5.2.1 Quanto ao aspecto físico: Relativamente ao local em si, isto é, sua situação topográfica, o local de infração penal se apresenta sob duas formas: a. Local Interno: É a área compreendida no interior das habitações de quaisquer espécies, isto é, em todo ambiente fechado. O fato ocorrendo em terreno cercado ou murado será a área considerada como “local interno”, por constituir recinto fechado; b. Local Externo: É a área constituída por extensão aberta, ou seja, fora das habitações. Ex: rua, terreno baldio etc.; - Essa classificação não importa ao juiz, e serve somente para que seja feita uma delimitação da área onde ocorrerão os trabalhos periciais. As duas formas acima descritas poderão ainda se subdividirem em: a. Local Imediato: É a área onde ocorreu o fato. É nesse ambiente que se procede ao exame cuidadoso de todos os detalhes, presumindo-se que o local tenha sido convenientemente preservado desde o comparecimento do primeiro policial militar; b. Local Mediato: Compreende as adjacências do local onde ocorreu o fato; é, por assim dizer, a área intermediária entre o local onde ocorreu o fato (local propriamente dito) e o grande ambiente exterior. 5.2.2 Quanto à natureza do fato: Quanto à natureza do fato, o local de infração penal se apresenta sob as mais variadas formas: acidente de trânsito, acidente ferroviário, acidente aeronáutico, acidente viário, de sangue, furto, contrafação, falsificação, incêndio, inundação, desabamento, explosão, depredação, devastação, dano, etc. Estudando-se o local de infração penal sob esses dois primeiros aspectos, quanto ao local em si e quanto à natureza do fato, têm-se as seguintes finalidades: a. Determinar a natureza da área onde o mesmo ocorreu; e b. Determinar a natureza do fato ocorrido. Em resumo, a natureza da área responde à seguinte pergunta: Onde ocorreu o fato? A natureza do fato ocorrido responde à seguinte pergunta: O que aconteceu? 5.2.3 Quanto à idoneidade a. Local Idôneo: é aquele que não foi violado, isto é, que não sofreu qualquer alteração desde a ocorrência do fato ou, ao menos, desde o comparecimento do policial militar; b. Local Inidôneo: é aquele que foi alterado, isto é, que sofreu qualquer alteração após a ocorrência do fato ou depois que o policial militar tomou conhecimento do mesmo. 5.3 Isolamento É o ato de limitar. No caso do local de crime, o primeiro agente do Estado que tiver acesso à área deverá impedir que qualquer pessoa adentre a ele, até a chegada dos peritos. O policial militar deverá isolar o local do evento, principalmente a área imediata e suas vias de acesso, impedindo o ingresso ou permanência de parentes, vítimas, curiosos, jornalistas ou quaisquer pessoas que não sejam habilitadas. 5.4 Preservação Consiste, estando o local devidamente isolado, em manter intactos os vestígios ali existentes até a chegada dos peritos. Dessa forma, o agente do Estado deverá cuidar para que nada afete a integridade dos elementos, sejam as condições climáticas ou qualquer outra interferência, adotando as seguintes medidas: a. Não tocar ou mudar de posição todo e qualquer objeto existente no local, considerando que a posição dos moveis desarrumados ou desviados de suas posições normais, e roupas de cama em desalinho, constituem elementos objetivos para a realização dos exames periciais; b. Não mexer nem recolher armas, estojos, projéteis, documentos e papéis em geral, e o que mais houver, não permitir que outras pessoas o façam e ter sempre em mente que aquele local é intangível; c. Se houver cadáver, permanecer em suas proximidades sem tocar ou mudar de posição, não permitir também que outras pessoas assim procedam; d. Na ocorrência de incêndio, auxiliar na evacuação do prédio ou residência, conservando as pessoas “na área mediata”. Havendo o cadáver no local onde estiver ocorrendo incêndio, e não existindo outra alternativa, o mesmo deverá ser retirado; e. Nos casos de acidente por vazamento de gás, deve-se fechar o registro geral, retiras vítimas, quando vivas para a “área mediata” e abrir portas e janelas de modo a ventilar completamente o ambiente. Não adentrar ao recinto com cigarro aceso e nem acionar os interruptores, pois poderá ocasionar uma explosão; f. Nas violações de fechaduras por meio de gazua, micha ou chave falsa, não fechar nem permitir que as fechem com as chaves que lhes são próprias, preservando-se assim os eventuais vestígios; g. Os cadeados e ferrolhos destruídos por arrombamento, não devem ser reparados antes do competente exame pericial. 5.5 Situação do “Local de Crime” Os objetivos dos órgãos policiais são: para a Polícia Militar, evitar que o crime ocorra, ou seja, manter a ordem através do policiamento ostensivo. No caso da Polícia Civil (judiciária), buscar a solução para o crime ocorrido através do processo investigativo e subsidiar o poder judiciário com material probatório para que o processo judicial tenha fundamentação suficiente para seu desenvolvimento. É no local de crime que as funções se encontram. Na maioria das vezes, o primeiro agente do Estado a chegar à cena onde ocorreu o crime é um policial militar responsável pelo policiamento ostensivo da área. Seu trabalho de preservação irá influenciar diretamente na solução do crime, garantindo a preservação da cena do crime e possibilitando um trabalho pericial criminal preciso, que proporcionará uma boa investigação a ser realizada pela Polícia Civil. Não preservar o local do crime diminui em muito as chances de elucidação do delito com a consequente identificação dos responsáveis. 5.6 Antes da chegada do primeiro policial Entre a ocorrência do crime e a chegada do primeiro policial (normalmente um policial militar), curiosos costumam influir na descaracterização de muitos vestígios. Assim, ao chegar onde aconteceu o crime, o representante do Estado deve assegurar a preservação das características do lugar, isolando-o com os meios disponíveis (cordas, caixas, cones, lonas, fitas refletoras etc.) e retirando da área os curiosos. 5.7 Após a chegada do primeiro policial Após a chegada do primeiro policial, este deverá tomar todas as medidas que assegurem a preservação dos vestígios produzidos no local do crime. O primeiro policial é aquele que primeiro chegar a um local de crime. Normalmente será um policial militar, mas também poderá ser um policial civil, um bombeiro militar, um perito criminal etc. O primeiro policial, de acordo com as determinaçõeslegais do Código de Processo Penal, é o responsável por tudo que ocorrer naquele local, desde a sua chegada até o comparecimento do Delegado de Polícia. 5.8 Ações do Primeiro Policial ou Outro Representante do Estado a. Abordar o local tendo como primeira preocupação a sua segurança pessoal, dada a possibilidade de que ali ainda esteja o autor. b. Se houver vítima no local, julgando necessário, verificar se ainda está com vida; c. Para fazer essa verificação, procurar deslocar-se em linha reta até à vitima e, não sendo possível, adotar o menor trajeto. d. Se a vítima estiver viva, a prioridade é seu salvamento e, em segundo plano, com a preservação dos demais vestígios; e. Se estiver morta, não mexer nem tocar a vítima (não mexer nos bolsos, em carteiras, documentos, dinheiro, jóias etc.) em nenhuma hipótese, toda observação deve ser apenas visual; f. Enquanto permanecer junto ao cadáver, fazendo a observação visual, não deve se movimentar, permanecendo com os pés na mesma posição; g. Ao retornar, adotar o mesmo trajeto da entrada e, simultaneamente, observar atentamente onde está pisando, para ver o que possa estar sendo comprometido, a fim de informar pessoalmente aos peritos criminais; h. Ao retornar, fazê-lo lentamente para também poder observar toda a área (mantendo seu deslocamento somente pelo trajeto de entrada) e, com isso, visualizar possíveis outros vestígios, no sentido de saber qual o limite a ser demarcado para a preservação dos vestígios; i. Retornar até uma área externa mais distante possível, até sair do espaço onde possam existir vestígios do crime; j. Posicionando em ponto distante, observar – visualmente – toda a área e decidir quais limites deverá isolar com a fita zebrada; k. lembrar-se do que observou (visualmente) na vítima e durante o seu trajeto de retorno, para deduzir pela provável existência de outros vestígios na área e, portanto, tomar as providências de isolar aquele espaço; l. O primeiro policial não poderá deslocar-se no interior da área dos vestígios, excetuando-se à entrada para ver se a vitima está viva ou morta, com os cuidados já descritos; m. Ao estar colocando a fita zebrada poderá observar outros vestígios nas áreas mais adjacentes e, se isso ocorrer, ampliar mais ainda a delimitação que esteja fazendo; n. Após isolar a área (delimitar com a fita zebrada, ou qualquer outro meio físico), ninguém mais poderá entrar naquele local, ou mexer em qualquer coisa dentro daqueles limites, tais como armas de fogo, projéteis, pertences da vítima e tudo o mais que possa estar presente – nem o policial que isolou, até que os peritos criminais realizem os exames; o. Os policiais responsáveis pela preservação dos vestígios não poderão permitir, sob nenhuma hipótese, o acesso de qualquer pessoa (incluídos também patentes e/ou amigos da vítima) no interior da área isolada; p. Após delimitar a área a ser preservada e tomar as demais medidas necessárias (comunicar a central de radio e à respectiva autoridade policial da área) deve permanecer no local até a chegada dos peritos criminais, não permitindo – nesse período- que nenhum policial ou autoridade, salvo os peritos, possam tocar, mexer, movimentar, manusear ou recolher qualquer objeto, ainda que seja arma de fogo, do interior da área isolada, enquanto esta não for periciada; q. Em qualquer tipo de local de crime, estes procedimentos são aplicáveis, independentemente de haver cadáver, tendo sempre o cuidado de não se desloca nos pontos onde possam existir vestígios. 5.9 Chegada da Autoridade Policial ao Local de Crime O Delegado de Polícia, na condição de presidente do inquérito policial, tem a responsabilidade geral pelos procedimentos e providências de preservação dos locais de crime, assim como qualquer outra autoridade policial que venha a tomar providências em locais de delitos de menor potencial ofensivo, nos termos da Lei n. 9.099/95, combinado com Lei n. 10.259/01, ou ainda em locais de crime militar, nos termos do CPPM. Conforme previsto no CPP, a autoridade policial deverá comparecer ao local assim que tiver conhecimento do delito e tomar as providências da preservação dos vestígios e demais procedimentos da investigação criminal. 5.10 Ações do Delegado de Polícia ao Chegar ao Local de Crime a. Ao chegar no local, conversar com o primeiro policial e saber dele as providências já adotadas; b. Se houver vítima e julgando necessário (é questão de convencimento pessoal, pois estará assumindo a responsabilidade a partir daquele momento), entrar no local (e somente nesta situação) e fazer a verificação para saber se está viva ou morta; c. se entrar no local, deverá deslocar-se pelo mesmo trajeto que fez o primeiro policial e, também, observar possíveis alterações de vestígios que esteja produzindo, a fim de comunicar aos peritos criminais; d. Verificado que a vítima está morta, a autoridade de polícia judiciária deverá permanecer parado (sem ao menos movimentar a posição dos pés) junto ao cadáver e fazer uma acurada inspeção visual, tentando extrair o máximo de informações sobre o fato, visando colher dados para a investigação policial e para as providências de preservação dos vestígios; e. Retornar pelo mesmo trajeto de entrada, de forma lenta, observando visualmente toda a área, sem tocar, mexer, movimentar, manusear ou recolher qualquer objeto, ainda que seja arma de fogo, até que tudo seja periciado; f. Após retornar, fazer deslocamento por fora da área delimitada e verificar a possível necessidade de ampliar a área isolada pelo primeiro policial; g. Providenciar a requisição da equipe de perícia do Instituto de Criminalística e do carro de cadáver junto ao IML; h. Enquanto aguarda a chegada da equipe de perícia, dar início às investigações sobre a ocorrência, procurando saber dos fatos, a partir das informações do primeiro policial e quaisquer outras pessoas que estejam nas imediações; i. Se possível, destacar um policial de sua equipe (sem qualquer identificação visual) para descer da viatura antes do local e se infiltrar no meio das pessoas, visando ouvir e coletar informações sobre o delito; j. Os procedimentos já descritos devem ser aplicados para qualquer tipo de delito, adequando-se nos demais casos que não exista cadáver no local, utilizando-se como regra básica não se deslocar nas áreas onde possam existir vestígios. 5.11 Chegada dos Peritos Criminais Todas as preocupações iniciais do primeiro policial e da autoridade policial visam garantir a idoneidade do local de crime, a fim de ser examinado pelos peritos criminais e, com isso, reunir informações essenciais para a investigação criminal. Até que a perícia criminal realize o levantamento do local, ninguém poderá entrar na área isolada; nem mesmo o primeiro policial e, principalmente, outros policiais que compareçam ao local. 5.12 As Ações dos Peritos Criminais no Local de Crime a. Ao chegar, entrevistar-se com a autoridade de polícia judiciária e o primeiro policial, visando obter as primeiras informações sobre o local a ser periciado; b. Observar os procedimentos de isolamento e preservação do local, para verificar se há necessidade de pequenos ajustes; c. Se o local não estiver com os vestígios adequadamente preservados, capazes de alterar qualquer coisa, os peritos criminais deverão constar isso no respectivo laudo, discutindo as consequências dessas alterações no resultado final da perícia; d. Se for o caso, informar ao primeiro policial e ao delegado de polícia a que necessita continuar com o apoio da Polícia Militar, para fins de segurança pessoal da equipe e isolamento da área; e. Observar ao delegado de polícia, sobre a importância da sua permanência no local até o término dos exames, visando adequar os termos da requisição/quesitos e buscarem – juntos – o progresso da investigação criminal; f. Iniciar o exame pericial pelas anotações preliminares/periféricasdo local; g. Realizar todo o exame pericial do local, adotando as técnicas criminalísticas necessárias e respectivas metodologias para o caso em questão; h. Recolher amostras e/ou quaisquer objetos (inclusive armas de fogo) que necessitem de exames de laboratório ou complementares, conforme determina a técnica criminalística sobre o recolhimento de vestígios; i. Após terminar os exames periciais, liberar o local à autoridade policial responsável, a fim de que esta arrecade (apreenda) os demais objetos que interessem à investigação policial; j. O exame pericial é trabalho minucioso e demanda longo tempo, sendo importante que todos os policiais tenham consciência disso, afim de disponibilizar todo apoio possível enquanto os peritos criminais estão desenvolvendo o seu trabalho; k. Após realizados os exames, os peritos criminais deverão se reunir com a autoridade de polícia judiciária e sua equipe, visando discutir sobre as informações preliminares dos vestígios materiais constatados no local e que possam ser úteis para o planejamento das linhas de investigação que a autoridade policial poderá desenvolver. 5.13 A Imprensa no Local de Crime A presença dos profissionais de imprensa nos locais de crime trazem alguns problemas, mas também determinados benefícios do ponto de vista da investigação pericial. Os problemas que ocorrem possuem, em regra, as mesmas razões já discutidas quanto ao desconhecimento da importância da preservação do local de crime. Se a maioria dos policiais desconhecem as corretas técnicas de isolamento e preservação, é compreensível que jornalistas também a desconheçam. É compreensível que a imprensa tenha o direito de informar que o seu trabalho é quase sempre executado numa corrida contra o tempo. Este último fator é que nos leva a entender o por quê do jornalista ter toda a pressa em registrar os fatos no local. Em muitos casos, devido a essa pressa ele acaba prejudicando o trabalho da perícia, quando adentra no local do crime antes do exame pericial. Na grande maioria das vezes não há necessidade do jornalista agir dessa forma, pois em se tratando de fotografia ou imagens de vídeo é possível operar de uma certa distância sem ter contato com os vestígios. Como não há uma preocupação sistemática dos policiais e da própria perícia, no sentido de esclarecer aos jornalistas sobre tais limitações, fica a cargo do bom senso e da experiência de cada um desses profissionais em não prejudicar o trabalho da perícia ao alterarem ou destruírem vestígios na cena do crime, em consequência de deslocamentos inadequados naquela área. Tais atitudes devem ser revistas, pois podem comprometer toda uma investigação. O melhor procedimento é combinar com a autoridade policial que estiver presente, para que ela ao final dos exames periciais, após ouvir algumas considerações dos peritos, converse com os jornalistas. Para tanto, deve também ter o cuidado de não adiantar informações das quais não tenham absoluta certeza do resultado, tanto das investigações periciais, quanto às demais que estão a seu cargo diretamente. Por derradeiro, ressalte-se que o isolamento do local de crime é medida imposta pelas leis, procedimentos operacionais padrões das instituições e diretrizes internas e, em sendo desta forma, a ordem de isolamento é revestida de legalidade e o seu descumprimento pode redundar em crime de desobediência e punições administrativas. REFERÊNCIAS CAVALCANTI, Ascendino. Criminalística básica. Porto Alegre: Sagra-Luzzato, 1995. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL CURSO DE LOCAL DE CRIME: ISOLAMENTO E PRESERVAÇÃO - VA, SENASP, 2017 DOREA, Luiz Eduardo Carvalho. Local de crime. Porto Alegre: Sagra-Luzzatto, 1995. DOREA, Luiz Eduardo Carvalho. Criminalística. São Paulo: Millennium, 2003. ESPINDULA, Alberi. Local de crime. Brasília: Alberi Espindula ed e colaboradores, 2002. ESPÍNDULA, Alberi, Local de Crime – Isolamento e Preservação, Exames Periciais e Investigação Criminal, Ed. Brasília, 2ª ed. 2003 MIRABETE, Julio Fabbrini, Processo Penal, Ed. Atlas, 18ª Ed. 2016 RABELO, Eraldo. Curso de criminalística. Porto Alegre: Sagra-Luzzatto, 1996. REIS, Albani Borges dos. Desenho para criminalística. São Paulo: Millennium, 2003. ROCHA, Luiz Carlos. Investigação Policial. São Paulo: Edipro, 2003. ROSSETE, Aleana Carrijo, Manual de Preservação de Local de Crime, vol. 11, Rio de Janeiro, 2008.