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Sociologia 
Prof. Raphael Douglas Tenório.
1. O homem, um ser social.
Aristóteles, filósofo grego do Séc. III a.C, fundamenta a tese de que “o homem é um animal social” dizendo que a união entre os homens é natural, dado que o homem é um ser naturalmente carente, que necessita de coisas e de outras pessoas para alcançar a sua plenitude. Aristóteles afirma:
“As primeiras uniões entre pessoas, oriundas de uma necessidade natural, são aquelas entre seres incapazes de existir um sem o outro, ou seja, a união da mulher e do homem para perpetuação da espécie (isto não é resultado de uma escolha, mas nas criaturas humanas, tal como no outros animais e nas plantas, há um impulso natural no sentido de querer deixar depois de individuo um outro ser da mesma espécie).” (Política, I, 1252a e 1252b, 13-4)
Aristóteles faz a diferenciação entre dois tipos de espécies, as gregárias (koinonia), e as solitárias (monadika), sendo que o homem faz parte das duas espécies. As duas espécies são passiveis de uma nova divisão, aquelas que são propensas há uma vida sociável (politika) e aquelas que vivem de maneira esparsa (sporadika). O homem faz parte do primeiro grupo (politika). Portanto, a sociabilidade faz parte da natureza humana. Segundo Aristóteles:
“a cidade é uma criação natural, e que o homem é por natureza uma animal social, e que é por natureza e não por mero acidente, não fizesse parte de cidade alguma, seria desprezível ou estaria acima da humanidade [...] Agora é evidente que o homem, muito mais que a abelha ou outro animal gregário, é um animal social. Como costumamos dizer, a natureza não faz nada sem um propósito, e o homem é o único entre os animais que tem o dom da fala. Na verdade, a simples voz pode indicar a dor e o prazer, os outros animais a possuem (sua natureza foi desenvolvida somente até o ponto de ter sensações do que é doloroso ou agradável e externá-las entre si), mas a fala tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo, e portanto também o justo e o injusto; a característica especifica do homem em comparação com os outros animais é que somente ele tem o sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e de outras qualidades morais, e é a comunidade de seres com tal sentimento que constitui a família e a cidade.” (Política, I, 1253b, 15)
Assim, “a natureza social do homem se manifesta na linguagem, no dizer ou no logos [...] O homem é o único animal que fala, e o falar é função social” (MARÍAS 2004, 91). Assim em sociedade, o homem poderá realizar a sua potencia mais elevada – vida política (politikon). 
Em suma, a sociedade é um produto natural, ou seja, oriunda de certa natureza humana: um destinamento inevitável da espécie.
2. Interação Social e relação social
A interação social é o resultado de constante relacionamento entre indivíduos através de contacto e comunicação. É a ação social, mutuamente orientada, de dois ou mais indivíduos em contato. Distingue-se da mera interestimulação em virtude de envolver significados e expectativas em relação às ações de outras pessoas. Podemos dizer que a interação social é a relação de ações sociais. A principal característica da Interação é justamente o fato de que ambas as partes tenham seus comportamentos alterados reciprocamente
A relação social dá-se no seio da natureza humana, da forçosa necessidade de associação. Aristóteles afirmava ser o homem um homem é um animal social, ou seja, um ser inexoravelmente voltado às relações e por consequência a sociedade é um resultado inevitável dessa essência relacional. Inegavelmente essa relação se estabelece desde o momento que iniciamos nossa vida em integração a coletividade.
Sem essa relação seriamos como eremitas, dependendo única e exclusivamente de nossa capacidade para superarmos solitariamente as adversidades. Da união nasce a força e dessa força a preservação da espécie.
A interação social, fenômeno cuidadosamente estudado pela psicologia social, originando um novo corpo de ciência que buscou descobrir e estudar as leis e as modalidades dos pequenos grupos, o que inclui dinâmica própria, sua origem e fases desenvolvimentais.
O aspecto mais importante da interação social é que ela modifica o comportamento dos indivíduos envolvidos, como resultado do contato e da comunicação que se estabelece entre eles. Desse modo, fica claro que o simples contato fisico não é suficiente para que haja uma interação social.
Os contatos sociais e a interação constituem, portanto, condições indispensaveis à associação humana. Os individuos se socializam por meios dos contatos e da interação social; e a interação social pode ocorrer entre uma pessoa e outra, entre uma pessoa e um grupo e outro. Em resumo, ainteração social é a relação de ações sociais.
3. Estrutura Social
A estrutura Social se mantem nas relações que se sobrepõem e se interligam, e possuem certo grau de complexidade, não sendo momentâneas, mas sim possuindo certa constância e continuidade. De maneira mais direta, podemos afirmar que a estrutura social diz respeito à forma como a sociedade se organiza – assim como certas funções são necessárias para aquele grupo – , e à forma como estão dispostos os status (posições sociais) e papéis sociais, conforme privilégios e deveres. Além disso, é possível afirmar que estrutura social tem a ver com a expectativa do comportamento entre os indivíduos, os quais assumem papéis sociais e possuem status sociais, fatos que nos permitiriam organizar nossas vidas enquanto atores sociais. Isso significa que há uma expectativa para o papel social exercido pelo pai, pela mãe, pelo filho, pelo professor, pelo policial, enfim, por todos aqueles que estão na sociedade e interagem o tempo todo através das relações sociais. Mais do que isso, se pensarmos apenas no papel do professor, ao mesmo tempo em que há uma expectativa de seus alunos em relação a seu papel, ele também espera um comportamento de seus alunos, assim como de seus superiores, entre outros. De forma resumida, a estrutura social diz respeito à forma como uma sociedade se organiza, ou seja: principalmente através de relações complexas e constantes, que se interligam, como as relações estabelecidas entre os indivíduos, por meio dos papéis sociais que estes assumem.
3.1 Rede Social
Uma rede social é uma estrutura social composta por pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns. Pode ser medida sociometricamente, ou seja, através de um grafo social ou sociograma.  A sociometria explora, mapeia e mensura relações ou vínculos estabelecidos entre forças sociais individuais, que por um olhar direto não é perceptível, atuando em redes de interação no seio de um grupo de uma determinada organização (empresa, sala de aula, comunidade partidária ou grupamento de militares). A sociometria pode ser entendida também como o estudo dos vínculos existentes entre indivíduos, enquanto formadores sociais. Uma das características fundamentais na definição das redes é a sua abertura e porosidade, possibilitando relacionamentos horizontais e não hierárquicos entre os participantes. "Redes não são, portanto, apenas uma outra forma de estrutura, mas quase uma não estrutura, no sentido de que parte de sua força está na habilidade de se fazer e desfazer rapidamente."[1] Muito embora um dos princípios da rede seja sua abertura e porosidade, por ser uma ligação social, a conexão fundamental entre as pessoas se dá através da identidade. "Os limites das redes não são limites de separação, mas limites de identidade. (...) Não é um limite físico, mas um limite de expectativas, de confiança e lealdade, o qual é permanentemente mantido e renegociado pela rede de comunicações."
4. Status Social e Papel Social
Apesar de semelhantes, os conceitos de status e papel social definem duas coisas distintas no campo de estudos da sociologia. Por isso, devemos tomar mais atenção para sabermos qual a utilidade de cada um desses conceitos e que tipo de informação eles nos repassa ao trabalharmos com estes dois referenciais.Em primeiro lugar, é de suma importância apontar que tais conceitos são necessários para uma análise um tanto mais profunda da pirâmide social que organiza algumas coletividades.
A idéia de status social está ligada às diferentes funções que um sujeito pode ocupar no interior da sociedade em que vive. Se compreendermos ele como um sujeito oriundo das classes médias, por exemplo, podemos enxergar quais hábitos, vínculos e funções que podem definir seu status no meio em que vive. Para tanto, avaliamos qual tipo de posto de trabalho ocupado, os locais de lazer freqüentados, o partido político ao qual está filiado e sua posição no núcleo familiar.
Para se estabelecer uma definição mais bem acabada sobre os diferentes tipos de status que uma pessoa pode ter, os estudos sociológicos costumam grifar a existência de dois tipos de status: o status atribuído, onde alguém ocupa determinada posição independente de suas próprias ações (como “irmão mais velho” ou “filho de empresário”); e o status adquirido, situação em que a pessoa age em favor de certa condição (como “especialista” ou “criminoso”).
Nesse momento o conceito de papel social aparece justamente para explicar quais seriam os direitos e deveres que uma pessoa tem ao ocupar um determinado status social. Dessa forma, vemos que o papel social envolve todo o tipo de ação que a própria sociedade espera no momento em que um de seus integrantes ocupa certo status. Exemplificando de forma simples, podemos dizer que o médico deve salvar vidas, a mãe cuidar de seus filhos e o professor repassar conhecimento para os alunos.
Logo, o status social é condição necessária para entender o papel social de determinados indivíduos. 
Na compreensão de algumas culturas, a relação entre o status e o papel social pode nos mostrar algumas diferenças bastante interessantes. Realizando um contraponto entre duas sociedades, é possível analisar que indivíduos com status sociais semelhantes são levados a desempenhar diferentes funções. Um exemplo disso pode ser notado quando pensamos em um curandeiro de uma tribo indígena e o médico de alguma sociedade capitalista.
Enquanto o primeiro vive em contato com a comunidade e se utiliza de rituais religiosos para cumprir a função de curar pessoas, esperamos que um médico esteja em um consultório e que domine o uso de uma série de procedimentos científicos para realizar essa mesma tarefa. Assim, vemos que status e papel social são ferramentas teóricas de suma importância para o desenvolvimento de vasto leque de temas e objetos da Sociologia. 
4.1. Tipos de Status
Status atribuído: Imposto independentemente de concurso pessoal. Ex. raça, gênero, idade, ser irmão mais velho ou mais novo, ser filho de professor. 
Status adquirido: Depende de aptidões e de concurso pessoal do indivíduo para obtenção e manutenção do mesmo. Ex: se tornar advogado.
O papel social é a dinâmica do status, ou seja, o uso das propriedades e desempenho das ações relacionadas a uma certa característica ou posição social.
Numa empresa temos definidos os direitos e deveres (status) juntamente com a expectativa de comportamento correspondente ao estatuído nas normas que regem a organização e aos requisitos que determinaram nossa contratação (papel).
5. Grupos Sociais
Uma tendência natural do ser humano é a de procurar uma identificação em alguém ou em alguma coisa. Quando uma pessoa se identifica com outra e passa a estabelecer um vínculo social com ela, ocorre uma associação humana. Com o estabelecimento de muitas associações humanas, o ser humano passou a estabelecer verdadeiros grupos sociais.
Podemos definir que grupo social é uma forma básica de associação humana que se considera como um todo, com tradições morais e materiais. Para que exista um grupo social é necessário que haja uma interação entre seus participantes. Um grupo de pessoas que só apresenta uma serialidade entre si, como em uma fila de cinema, por exemplo, não pode ser considerado como grupo social, visto que estas pessoas não interagem entre si.
Os grupos sociais possuem uma forma de organização, mesmo que subjetiva. Outra característica é que estes grupos são superiores e exteriores ao indivíduo, assim, se uma pessoa sair de um grupo, provavelmente ele não irá acabar. Os membros de um grupo também possuem uma consciência grupal (“nós” ao invés do “eu”), certos valores, princípios e objetivos em comum.
Os grupos sociais se diferem quanto ao grau de contato de seus membros. Os grupos primários são aqueles em que os membros possuem contatos primários, mais íntimos. Exemplos: família, grupos de amigos, vizinhos, etc.
Diferentemente dos grupos primários, os secundários são aqueles em que os membros não possuem tamanho grau de proximidade. Exemplos: partidos políticos, relações profissionais, etc. Outro tipo de grupos sociais são os intermediários, que apresentam as duas formas de contato: primário e secundário. Exemplo: escola, igreja. 
6. Coesão Social
O conceito de coesão social resiste a uma definição unívoca. Costuma evocar um anseio da comunidade diante de um cenário de globalização e de transformações profundas que muitos associam à maior fragmentação social e à perda de laços estáveis. A reflexão crítica opõe a idéia de coesão à corrosão da legitimidade e governabilidade dos Estados nacionais, ao aprofundamento das lacunas sociais, ao surgimento de identidades auto-referidas, à excessiva racionalização econômica e à tendência, igualmente desmedida, de individualização e de enfraquecimento do que é público.
Por sua vez, esse conceito também tende a ser reabsorvido por outros de gênero aproximado, como a eqüidade, a inclusão social e o bem-estar. Observa-se tal caso quando se analisa a agenda da União Européia, cujos acordos sobre coesão social são traduzidos principalmente em um conjunto amplo de políticas e indicadores orientados para diminuir a lacuna de rendas e garantir maior acesso ao emprego, à educação e aos serviços de saúde.
Não há, por conseguinte, uma acepção clara do conceito de coesão social. Provavelmente, a própria tradição de cidadania das sociedades européias dava por assentada, a partir dos direitos sociais, a existência de uma relação intrínseca entre a inclusão social e a provisão de mecanismos de integração e pleno pertencimento à sociedade. Nesse sentido, a coesão social vincularia causalmente os mecanismos
de integração e bem-estar ao pleno pertencimento social dos indivíduos. Inclusão e pertencimento ou igualdade e pertencimento são os eixos sobre os quais a noção de coesão social em sociedades ordenadas sob a égide do Estado de bem-estar tem evoluído.
A coesão social refere-se, pois, tanto à eficácia dos mecanismos instituídos de inclusão social como aos comportamentos e apreciações de parte dos sujeitos que conformam a sociedade. Esses mecanismos incluem, entre outros, o emprego, os sistemas educacionais, a titularidade de direitos e as políticas que fomentam a eqüidade, o bem-estar e a proteção social. Já os comportamentos e as apreciações de parte dos sujeitos abrangem âmbitos tão diversos quanto a confiança nas instituições, o capital social, o sentido de pertencimento e solidariedade, a aceitação de normas de convivência e a disposição para participar em espaços de deliberação e em projetos coletivos.
O conceito de coesão social costuma ser confundido com outros. Um modo aproximado de diferenciá-lo segue o critério aristotélico das definições, a saber, por gênero próximo e por diferença específica. Uma primeira noção aproximada de coesão é a de capital social, entendido como a capacidade que pessoas e grupos sociais têm de pautar-se por normas coletivas, construir e preservar redes e laços de confiança, reforçar a ação coletiva e assentar bases de reciprocidade no tratamento que se estendem progressivamente ao conjunto da sociedade.
Uma segunda noção aproximada é a de integração social, entendida como o processo que permite às pessoas usufruir. A esse respeito, cabe considerar que as mudanças recentes decorrentes das restrições impostas peloEstado de bem-estar e a situação de muitos emigrantes questionam tal relação.
Portanto, quando falamos em coesão social, de imediato vem-nos à mente tratar-se de massa aglutinante que une os membros do grupo, ou que impera nele uma predominância do sentido do “nós” sobre o “eu”. 
7. Fato social
Sendo coletivista por convicção, ao ressaltar a antecedência da sociedade em relação ao indivíduo, Durkheim – pensador francês dos séculos XIX/XX e um dos pais da Sociologia moderna - afirma que o social de forma alguma pode ser explicado com base em procedimentos individuais. Embasado nessa ideia Durkheim assevera ao denominar “Consciência Coletiva” que, o grupo pensa, age e sente de modo absolutamente diferente dos indivíduos que o compõe, não se tratando, portanto, da soma das consciências individuais, mas de uma síntese sui generis, ou seja, único em seu gênero, existindo por si só. 
Sendo assim, a consciência coletiva é a soma de sentimentos e crenças comuns distribuídos diante dos membros da sociedade, criando um sistema próprio, onde, vai persistir no tempo unindo as gerações posteriores.
É, portanto, essa generalidade no meio do grupo, essa maneira de atuar suscetível de exercer sobre os indivíduos uma coerção exterior que Durkheim chama de Fato Social.
Durkheim ao estudar sociologicamente o fato social trata-o como “coisa” tudo o que se opõe à ideia, aquilo que conhecemos a partir do exterior, algo onde a inteligência não transpõe de maneira natural e ainda, afastando no tratamento destes fatos, os preconceitos, objetivando com isso, precisão na investigação.
Ressalta-se aqui que, tais fatos estão localizados na própria sociedade e não em seus membros, portanto, são assim exteriores às consciências individuais além de uma natureza distinta se comparada com os fatos da vida do indivíduo.
Durkheim, explicando o que vem a ser “Pressão Coercitiva”, concorda que o indivíduo participa do surgimento dos fatos sociais, no entanto, para que estes aconteçam, é necessária a participação de uma pluralidade de indivíduos gerando algo novo com características próprias e independentes das partes que constituem o grupo, onde, estes fatos, uma vez constituídos, encontramos já prontos. Ressalta-se tal coerção não se faz sentir o tempo todo, mas aciona-se quando alguém tenta violar alguma norma socialmente estabelecida.
No que diz respeito à “Formas e exclusão”, a sociedade estará sempre imune àqueles que não se adequarem à vida em grupo, ou seja, a sociedade durkheimiana subordinada pela consciência coletiva, não admite o comportamento anômico (desorganizado) que ameaça a sociedade. Para Durkheim, a ordem social fundamenta-se na “Solidariedade Mecânica” explicada como sendo a coesão originada pela conformidade e semelhança existente entre seus membros a partir da evolução da consciência coletiva em relação à consciência total das pessoas em uma sociedade. Tal coesão é resultado das semelhanças.
Entendendo melhor, quanto maior a consciência coletiva, mais os indivíduos se parecem uns com os outros e, portanto, se aproximam, numa espécie de simbiose, pelo que têm em comum.

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