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Manual de
Condutas
2011
Dr. ENALDO MELO DE LIMA 
Presidente
Dr. ANDERSON ARANTES SILVESTRINI 
Vice- Presidente de Organização, Planejamento e Administração
Dr. AUGUSTO CÉSAR DE ANDRADE MOTA
Vice-Presidente de Assistência Médica e Defesa Profissional 
Dra. ANA LUIZA GOMES DE MORAIS WIERMANN
Vice-Presidente para Pesquisa Clínica e Estudos Cooperativos 
Dra. CRISTIANA DE LIMA TAVARES DE QUEIROZ MARQUES
Secretaria Geral
Dr. CARLOS AUGUSTO DE MENDONÇA BEATO
Secretaria de Comunicação Social
Dr. AMÂNDIO SOARES FERNANDES JUNIOR
Tesouraria
Dra. CARLA ISMAEL
Vice-Tesouraria
Dr. LUIZ ALBERTO SILVEIRA
Conselho de Ética
Dra. RENATA PAIVA QUEIROZ
Conselho de Ética
Dra. RUTE DOLORES RAPOSO DA CÂMARA
Conselho de Ética
Dr. LUCIANO DE SOUZA VIANA
Conselho Fiscal
Dr. ADALBERTO BROECKER NETO
Conselho Fiscal
Dr. WALDIR VEIGA PEREIRA
Conselho Fiscal
SBOC
AVISO LEGAL
A adesão às condutas descritas nestes manuais é volun-
tária e o tratamento oncológico deve ser individualizado
para cada paciente. A SBOC não endossa o uso desses
manuais como critério de aprovação de procedimentos por
parte do SUS ou das empresas de medicina suplementar.
ONCOLOGIA CLÍNICA
Outubro de 2011
REVISTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA 
DE ONCOLOGIA CLÍNICA
Manuais de Condutas
ISSN 1806-6054
Editor Chefe 
Evanius Garcia Wiermann
Editores
Alexandre Andrade dos Anjos Jácome
Alexandre José da Silva Fenelon
Alexandre Pieri Chiari
Aline Lauda Freitas Chaves
Ana Luiza Gomes de Morais Wiermann
Anelisa Kruschewsky Coutinho
Artur Katz
Carlos Augusto de Mendonça Beato 
Carlos Gil Moreira Ferreira
Cristiana de Lima Tavares de Queiroz Marques
Daniel Goldberg Tabak
Gilberto Luiz da Silva Amorim 
João Nunes de Matos Neto 
Maria de Fátima Dias Gaui
Óren Smaletz
Paulo Marcelo Gehm Hoff
Rachel Simões Pimenta Riechelmann
Rafael Aron Schmerling
Ricardo Caponero
Roberto de Almeida Gil
Sérgio Lunardon Padilha
Wagner Brant Moreira 
Diagramação / Editoração / Capa
Rachel Gomes Magalhães
www.communicatio.com.br
Fotolitos / Impressão
Gráfica e Editora O Lutador
EDITOrIAL
CAPÍTULO 1 - Câncer de Mama Inicial
Introdução
1.1. Considerações Gerais Relativas ao Tratamento Adjuvante
1.2. Conteúdo Mínimo do Relatório Anátomo-patológico.
1.3. Avaliação Prognóstica e Preditiva
1.4. Recomendações Terapêuticas
1.4.1. Pacientes de Baixo Risco
1.4.2. Pacientes de Risco Intermediário
1.4.3. Pacientes de Alto Risco
1.5. Considerações Relativas a Hormonioterapia
1.5.1. Supressão da Função Ovariana em Mulheres Pré-menopáusicas
1.6. Considerações Relativas à Quimioterapia
1.6.1. Pacientes com mais de 70 anos
1.7. Considerações Relativas a Tratamento com Drogas Biológicas
1.7.1. Trastuzumabe associado à quimioterapia
1.8. Rotina de Acompanhamento após o Tratamento Adjuvante
1.9. Situações Especiais: Câncer de Mama na Gravidez e em Homens
1.9.1. Pacientes gestantes
1.9.2. Homens
1.10. Considerações sobre o Tratamento Neoadjuvante
1.10.1. Introdução
1.10.2. Vantagens de se fazer quimioterapia Neoadjuvante
1.10.3. Desvantagens de se fazer quimioterapia Neoadjuvante
1.10.4. Avaliação patológica do tumor primário antes da QT Neoadjuvante
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Sumário
1.10.5. Marcação do tumor
1.10.6. Avaliação de doença sistêmica antes do tratamento neoadjuvante
1.10.7. Qual o melhor regime?
1.10.8. Hormonioterapia Neoadjuvante
1.11. Apêndice 1: Estadiamento
1.12. Apêndice 2: Esquemas de QT mais Utilizados
CAPÍTULO 2 - Câncer de Mama Metastático
Introdução
2.1. Introdução: Diagnóstico da Doença Metastática / Fatores Prognósticos e
Fatores Preditivos
2.1.1. Introdução
2.1.2. Avaliação Diagnóstica
2.1.3. Fatores prognósticos
2.1.4. Fatores preditivos para a resposta aos tratamentos
2.2. Terapia Endócrina
2.2.1. Tratamento hormonal para paciente na pós-menopausa
2.2.2. Hormonioterapia de Primeira Linha
2.2.3. Hormonioterapia de Segunda Linha
2.2.4. Tratamento Hormonal na pré-menopáusica
2.3. Quimioterapia
2.3.1. Câncer de mama metastático: agentes isolados versuspoliquimioterapia
2.3.2. Pacientes previamente tratadas com antracíclicos e taxanos
2.3.3. Novas alternativas de tratamento sistêmico
2.4. Tratamento de Pacientes Com Câncer de Mama HER2 Positivo;
2.5. Duração do Tratamento
2.6. Manejo da Doença Mestatática Óssea com Bisfosfonatos
2.7. Considerações em Pacientes Geriátricas
2.8. Metastasectomia / Tratamento Local do Câncer de Mama Avançado
CAPÍTULO 3 - Câncer de Colo de Útero
3.1. Considerações sobre HPV e Vacinas 
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3.2. Subtipos Histológicos
3.3. Estadiamento (FIGO) / TNM (AJCC, 2010)
3.4. Exames de Estadiamento
3.5. Tratamento
3.5.1 Estágio IA1: tumores microinvasivos
3.5.2 Estágio IA2, IB1 e IIA1
3.6. Estágio IB2, IIA2: tumores invasivos iniciais volumosos
3.7. Estágio IIB, III e IVA: tumores localmente avançados
3.7.1. Cirurgia
3.7.2. Radioterapia e Quimioterapia
3.8. Recidiva Local
3.9. Doença Metastática
3.10. Cuidados Paliativos
3.11. Considerações do Câncer Cervical na Paciente HIV +
3.12. Seguimento
CAPÍTULO 4 - Câncer Epitelial de Ovário
4.1. Introdução
4.2. Estadiamento
4.3. Fatores Prognósticos
4.3.1. Estágio I
4.3.2. Estádios II a IV
4.4. Abordagem Cirúrgica
4.4.1. Introdução
4.4.2. Cirurgia para os estádios iniciais 
4.4.3. Cirurgias para os estádios avançados (ECIII–IV) – Citorredução
Cirúrgica Primária
4.4.4. Situações especiais
4.5. Abordagem no Carcinoma Limítrofe (Borderline)
4.6. Tratamento Oncológico no Estádio I
4.6.1. Tratamento
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4.7. Tratamento Oncológico nos Estádios Avançados (II a IV)
4.7.1. Pacientes operadas adequadamente 
4.7.2. Pacientes com abordagem cirúrgica inadequada
4.7.3. Paciente não operada, com doença volumosa
4.8. Procedimentos especiais
4.8.1. Quimioterapia intraperitoneal
4.8.2. Manejo da doença sensível a platina 
4.8.3. Combinação x agente único
4.8.4. Manejo da doença resistente a platina
4.9. Papel da Radioterapia
4.9.1. Radioterapia adjuvante
4.9.2. Radioterapia de consolidação
4.9.3. Radioterapia paliativa
4.9.4. Técnica e complicações da radioterapia
4.10. Critérios para Acompanhamento após o Tratamento
4.10.1. Dosagem do CA-125 sérico
4.10.2. Exame físico
4.10.3. Ultrassonografia
4.10.4. Tomografia computadorizada
4.10.5. PET-CT
4.10.6. Situações especiais
CAPÍTULO 5 - Câncer de Endométrio
5.1. Introdução
5.2. Fatores de Risco
5.3. Diagnóstico
5.4. Classificação
5.5. Estadiamento
5.6. Tratamento
5.6.1. Tratamento Cirúrgico
5.6.2. Tratamento Radioterápico Adjuvante
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5.6.3. Quimioterapia Adjuvante
5.6.4. Doença avançada ou recorrente
5.7. Situações Especiais
5.7.1. Paciente que não pode ser submetida ao tratamento cirúrgico
5.8. Seguimento
CAPÍTULO 6 - Câncer Testicular Germinativo
6.1. Introdução e Epidemiologia
6.1.1 Histologia e Patofisiologia
6.1.2. Apresentação Clínica e Formas de Disseminação
6.1.3. Diagnóstico e Estadiamento
6.2. Tratamento no Estádio I
6.2.1. Tumores Seminomatosos
6.2.2. Tumores não Seminomatosos
6.3. Tratamento dos Pacientes Estádio II
6.3.1. Tumores Seminomatosos Estádio II
6.3.2. Tumores Não Seminomatosos Estádio II
6.3.3. Demais pacientes
6.4. Doença avançada (Estádio III)
6.4.1. Tumores Estádio III, Abordagem Baseada no Risco (Modelo
Prognostico do IGCCCG)
6.5. Situações Especiais
6.5.1. Avaliação de Cirurgia Após Quimioterapia
6.5.2. Quimioterapia de Resgate
6.6. Critérios de Seguimento após Tratamento
6.7. Manejo das Toxicidades
6.7.1. Toxicidades agudas
6.7.2. Toxicidades crônicas
CAPÍTULO 7 - Câncer de Próstata
7.1. Introdução 
7.2. Doença Clinicamente Localizada- avaliação inicial e estadiamento
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7.3. Doença Clinicamente Localizada – tratamento
7.3.1. Doença Clinicamente Localizada – Risco Baixo
7.3.2. Doença Clinicamente Localizada – Risco Intermediário
7.3.3. Doença Clinicamente Localizada – Risco Alto
7.4. Seguimento pós-tratamento da doença localizada
7.5. Recidiva Bioquímica pós-prostatectomia e pós-radioterapia –
avaliação, estadiamento/risco e tratamento
7.6. Doença metastática androgênio-dependente
7.7. Doença metastática resistente a castração – hormonioterapia
7.8. Doença metastática resistente à castração– quimioterapia
CAPÍTULO 8 - Câncer da Bexiga
8.1. Introdução e Epidemiologia 
8.2. Patologia
8.3. Características Clínicas
8.4. Investigação e Estadiamento
8.5. Prognóstico
8.6. Tratamento de Câncer de Bexiga
8.6.1. Câncer da bexiga não-invasivo
8.6.2. Recorrência pós-tratamento ou doença persistente
8.6.3. Câncer de bexiga invasivo
8.6.4. Radioterapia
8.6.5. Quimioterapia Neoadjuvante
8.6.6. Quimioterapia Adjuvante
8.6.7. Câncer de bexiga metastático
8.6.8. Outros tumores da bexiga
CAPÍTULO 9 - Câncer de rim
9.1. Introdução 
9.2. Avaliação da doença inicial e estadiamento
9.3. Princípos de Cirurgia - nefrectomia radical e nefrectomia citorredutora
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193
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9.4. Seguimento dos pacientes pós-nefrectomia nos estágios I-III
9.5. Doença metastática - estadiamento/avaliação de risco
9.6. Doença metastática - tratamento sistêmico
CAPÍTULO 10 - Câncer de reto
10.1. Definição anatômica
10.2. Estadiamento
10.3. Métodos diagnósticos para estadiamento
10.4. Prognóstico e sobrevida em 5 anos
10.5. Tratamento 
10.5.1. Tratamento cirúrgico primário
10.5.2. Tratamento neoadjuvante primário
10.5.3. Tratamento sistêmico paliativo
10.5.4. Tratamento da recidiva local
10.6. Seguimento
CAPÍTULO 11 - Câncer de Cólon
11.1. Introdução
11.2. Estadiamento
11.3. Como Estadiar
11.4. Tratamento
11.4.1. Regimes quimioterápicos de resgate
11.5. Situações Especiais
11.5.1. Peculiaridades e observações em relação às drogas
11.5.2. Toxicidade dermatológica relacionada aos anti-EGFR 
11.5.3. Interação medicamentosa com warfarina
11.5.4. Deficiência de Di-hidropirimidina Desidrogenase (DPD)
11.5.5. Metástases hepáticas exclusivas
11.5.6. Metástases pulmonares exclusivas
11.5.7. Metástases hepáticas e pulmonares
11.5.8. Recidiva locorregional
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222
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11.5.9. Seguimento durante a quimioterapia
11.5.10. CEA em elevação, sem doença detectável por métodos
convencionais
11.5.11. Carcinomatose exclusiva
11.6. Acompanhamento Sugerido
CAPÍTULO 12 - Câncer de Estômago
12.1. Introdução
12.2. Diagnóstico do Câncer Gástrico
12.3. Avaliação pré-tratamento
12.4. Estadiamento
12.5. Patologia
12.6. Cirurgia
12.6.1. Princípios da cirurgia
12.6.2. Extensão da ressecção
12.6.3. Extensão da linfadenectomia
12.6.4. Videolaparoscopia
12.6.5. Ressecção endoscópica
12.6.6. Câncer gástrico difuso hereditário
12.6.7. Tratamento cirúrgico paliativo
12.7. Tratamento Adjuvante do Câncer Gástrico
12.7.1. Quimioterapia Adjuvante
12.7.2. Quimioradioterapia Adjuvante
12.7.3. Tratamento Neoadjuvante
12.7.4. Conclusão
12.8. Tratamento do câncer gástrico avançado
12.8.1. Estudo V325
12.8.2. Estudo REAL-2
12.8.3. Estudo AVAGAST
12.8.4. Estudo ToGA
12.8.5. Outras alternativas de 1ª linha 
12.8.6. Tratamento de segunda linha
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12.8.7. Tratamento com quimioterapia intraperitoneal
12.9. Perspectivas futuras
CAPÍTULO 13 - Câncer de Canal Anal
13.1. Introdução
13.1.1. Histologia
13.2. Estadiamento
13.2.1. Como Estadiar
13.2.2. Estadiamento AJCC
13.3. Tratamento da Doença inicial
13.3.1. Neoplasia intraepitelial 
13.3.2. Tratamento da doença localizada 
13.3.3. Esquema de Nigro
13.3.4. Papel da Cisplatina
13.3.5. Tratamento da doença alto risco - localmente avançada (T3-4 N2-3)
13.4. Tratamento da Doença avançada 
13.4.1. Tratamento da doença recorrente e da doença persistente
13.4.2. Tratamento da doença metastática
13.5. Seguimento clínico
CAPÍTULO 14 - Câncer de Esôfago e Junção Esofagogástrica
14.1. Introdução
14.2. Exames de Estadiamento e Avaliação Inicial
14.3. Estadiamento TNM 
14.4. Abordagem Terapêutica
14.4.1. Estádio 0
14.4.2. Estádio I
14.4.3. Estádios II e III com doença ressecável
14.4.4. Estádios II e III com doença irressecável
14.4.5. Avaliação de resposta pós-quimiorradioterapia
14.4.6. Estádio IV 
14.5. Situações Especiais
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265
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267
268
268
271
14.5.1. Abordagem do câncer de esôfago cervical
14.5.2. Abordagem da recidiva local
14.5.3. Tratamento cirúrgico da doença residual pós-quimiorradioterapia
14.5.4. Paliação da disfagia
14.5.5. Abordagem do paciente com fístula traqueo-esofágica
14.5.6. Avaliação e estadiamento inicial na ausência da ecografia endoscópica
14.5.7. As evidências atuais permitem abordagens terapêuticas distintas
conforme a histologia?
14.6. Seguimento
14.7. Recomendações Finais
CAPÍTULO 15 - Câncer de Fígado (Carcinoma Hepatocelular)
15.1. Introdução
15.2. Classificações e sistemas de estadiamento 
15.3. Estadiamento
15.4. Prognóstico
15.5. Tratamento Cirúrgico
15.6. Terapias ablativas percutâneas
15.6.1. Ablação percutânea por radiofrequência 
15.6.2. Injeção percutânea de etanol
15.6.3. Quimioembolização arterial hepática
15.7. Tratamento sistêmico
15.8. Seguimento
15.9. Prevenção
CAPÍTULO 16 - Câncer de Pâncreas Exócrino 
16.1. Epidemiologia
16.2. Estadiamento TNM - AJCC, 2010 
Agrupamento por estádios, simplificado 
16.2.1. Como estadiar
16.3. Tratamento
271
271
271
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271
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299
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301
301
301
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16.3.1. Considerações Gerais
16.3.2. Doença Clinicamente Ressecável (T1-3 N0-1 M0)
16.3.3. Doença Clinicamente Irressecável (T3-4 N1 M0)
16.3.4. Doença Metastática (qqT qqN M1)
16.4. Identificação de pacientes de alto risco para recorrência
16.5. Seguimento
CAPÍTULO 17 - Câncer de pulmão de pequenas células 
17.1. Introdução
17.2. Fatores de Decisão Terapêutica
17.3. Fatores Prognósticos
17.4. Avaliação Pré-Tratamento
17.5. Tratamentos Recomendados
17.5.1. Doença Limitada
17.5.2. Doença extensa
17.5.3. Duração e Manutenção do Tratamento
17.5.4. Tratamento de Segunda Linha
17.5.5. Pacientes Idosos e/ou com Baixa Performance
CAPÍTULO 18 - Câncer de pulmão não pequenas células 
18.1. Introdução
18.2. Avaliação Pré-Tratamento 
18.3. Recomendações Terapêuticas
18.3.1. Estádio I
18.3.2. Estádio Cirúrgico II 
18.3.3. Estádio III 
18.3.4. Estádio IV - Primeira Linha 
18.3.5. Estádio IV - Segunda e Terceira Linhas 
CAPÍTULO 19 - Câncer de Cabeça e Pescoço 
19.1. Abordagem Geral do paciente portador de Câncer de cabeça e pescoço
19.1.1. Introdução
302
302
303
303
304
304
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309
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322
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326
331
333
333
19.2. Diagnóstico e Estadiamento
19.2.1. Recomendações gerais para abordagem do paciente com CCP
19.3. Câncer de cavidade oral
19.3.1. Introdução
19.3.2. Diagnóstico
19.3.3. Estadiamento
19.3.4. Tratamento
19.3.5. Tumores de cavidade oral: recomendações
19.4. Câncer de Laringe 
19.4.1. Introdução 
19.4.2. Diagnóstico19.4.3. Estadiamento
19.4.4. Tratamento
19.4.5. Tumor de laringe: recomendações
19.5. Câncer de Hipofaringe
19.5.1. Introdução
19.5.2. Estadiamento
19.5.3. Tratamento
19.5.4. Tumores de Hipofaringe: recomendações
19.6. Câncer de Orofaringe
19.6.1. Introdução
19.6.2. Diagnóstico 
19.6.3. Estadiamento
19.6.4. Tratamento da doença locorregional avançada
19.6.5. Tumores de Orofaringe: recomendações
19.7. Câncer de Nasofaringe
19.7.1. Introdução
19.7.2. Diagnóstico 
19.7.3. Estadiamento
19.7.4. Tratamento
19.7.5. Tumores de Nasofaringe: recomendações
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349
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349
350
350
352
19.8. Tratamento da Doença Metastática ou Recidivada Locorregionalmente
19.8.1. Recidiva local ou regional
19.8.2. Doença metastática
19.8.3. Doença Metastática ou recidivada: recomendações
19.9. Esquemas de Tratamento
CAPÍTULO 20 - Câncer do Sistema Nervoso Central (Gliomas em adultos) 
20.1. Introdução
20.2. Gliomas de Alto Grau
20.2.1. Tratamento primário
20.2.2. Tratamento de recidiva
20.3. Gliomas de Baixo Grau
CAPÍTULO 21 - Tumores Neuroendócrinos 
21.1. Introdução
21.2. Tumores Neuroendócrinos Pancreáticos
21.2.1. Diagnóstico
21.2.2. Estadiamento e prognóstico
21.2.3. Abordagem terapêutica
21.2.4. Situações Especiais 
21.2.5. Orientações para seguimento
21.3. Tumores Carcinoides
21.3.1. Introdução
21.3.2. Epidemiologia
21.3.3. Clínica e Diagnóstico
21.3.4. Tratamento
21.3.5. Seguimento
21.4. Carcinomas neuroendócrinos pouco diferenciados extrapulmonares
21.4.1. Introdução 
21.4.2. Diagnóstico
21.4.3. Estadiamento 
21.4.4. Abordagem terapêutica
352
352
353
355
355
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383
384
388
389
389
389
390
390
21.4.5. Orientações para seguimento
21.5. Carcinoma Medular de Tireoide Esporádico 
21.5.1. Introdução 
21.5.2. Estadiamento 
21.5.3. Abordagem terapêutica
21.5.4. Situações Especiais 
21.5.5. Orientações para seguimento
21.6. Carcinoma da Adrenal, Feocromocitoma e Paraganglioma 
21.6.1. Carcinoma do Córtex da Adrenal 
21.6.2. Feocromocitoma e Paraganglioma
CAPÍTULO 22 - Sarcoma de Partes Moles e GIST 
22.1. Introdução 
22.2.Conceitos diagnósticos 
22.3. Estadiamento 
22.4. Princípios técnicos em cirurgia de sarcomas de partes moles 
22.4.1. Biópsias
22.4.2. Aspectos técnicos das operações em sarcomas de partes moles
22.5. Radioterapia Adjuvante
22.6. Tratamento Adjuvante Sistêmico 
22.7. Tratamento da doença recorrente/metastática 
22.7.1. Ressecção de Metástases
22.8. Sarcomas especiais
22.9. Tumor Estromal Gastrointestinal - GIST
22.9.1. Introdução
22.9.2. Tratamento cirúrgico
22.9.3. Tratamento Adjuvante
22.9.4. Doença Avançada
CAPÍTULO 23 - Melanoma e Câncer de Pele 
23.1. Melanoma 
23.1.1. Introdução 
390
391
391
392
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410
417
419
419
23.1.2. Considerações diagnósticas
23.1.3. Estadiamento
23.1.4. Cirurgia
23.1.5. Tratamento adjuvante
23.1.6. Doença Metastática
23.2. Carcinomas de Pele
23.2.1. Introdução
23.2.2. Carcinoma Baso Celular
23.2.3. Carcinoma Espino Celular
23.2.4. Carcinoma de Merkel
23.2.5. Tratamento adjuvante
23.2.6. Doença Metastática
CAPÍTULO 24 - Linfoma Não-Hodgkin 
24.1. Introdução 
24.2. Diagnóstico 
24.3. Classificação dos Linfomas Não Hodgkin 
24.4. Conceitos Gerais sobre o Estadiamento dos LNH 
24.5. Linfomas Foliculares
24.5.1. Introdução
24.5.2. Diagnóstico
24.5.3. Estadiamento
24.5.4.Tratamento
24.6. Linfoma Não Hodgkin Difuso de Grandes Células B (LDGCB)
24.6.1. Introdução
24.6.2. Índice Prognóstico Internacional (IPI) 
24.6.3. Tratamento 
24.7. Linfomas da Zona Marginal
24.8. Linfomas MALT
24.9. Linfomas da Zona Marginal Não-MALT
24.10. Linfoma de Células do Manto
24.10.1. Introdução
419
419
421
422
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447
448
448
448
24.10.2. Estadiamento
24.10.3. Fatores prognósticos
24.10.4. Abordagem terapêutica
24.10.5. Avaliação de resposta
24.10.6. Seguimento
24.11. Linfoma Primário do Sistema Nervoso Central 
24.11.1. Introdução 
24.11.2. Classificação 
24.11.3. Diagnóstico e Estadiamento 
24.11.4. Fatores Prognósticos 
24.11.5. Tratamento 
24.12. Linfomas T Periféricos 
24.12.1. Classificação
24.12.2. Diagnóstico e Estadiamento
24.12.3. Fatores Prognósticos
24.12.4. Tratamento
24.13. Linfomas de Altíssimo Risco
24.13.1. Linfoma de Burkitt
24.13.2. Linfoma de Células B com características intermediárias entre
Linfoma de Grandes Células B e Linfoma de Burkitt
24.13.3. Linfoma Linfoblástico
CAPÍTULO 25 - Linfoma de Hodgkin 
25.1. Introdução e Classificação 
25.2. Avaliação inicial e estadiamento
25.2.1. Sintomatologia
25.2.2. Diagnóstico 
25.2.3. Avaliação Inicial 
25.2.4. Estadiamento Costwold para LH
25.2.5. Fatores prognósticos
25.3. Avaliação de resposta ao tratamento
25.4. Tratamento da doença inicial (Estádios I e II)
449
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472
25.4.1. Linfoma de Hodgkin Clássico
25.4.2. Linfoma de Hodgkin Nodular com Predominância Linfocitária
25.5. Tratamento da doença avançada (Estádios III e IV)
25.6. Tratamento de crianças e adolescentes
25.6.1. Introdução
25.6.2.Tratamento da Doença inicial
25.6.3. Tratamento da doença avançada
25.6.4. Tratamento das recidivas
25.6.5. Recaída
25.7. Tratamento da doença recorrente ou Refratária
25.7.1. Introdução
25.7.2. Quimioterapia em Doses Convencionais no Tratamento das
Recidivas
25.7.3. Altas Doses de Quimioterapia e Transplante de Precursores
Hematopoéticos 
25.7.4. Avaliação da Resposta Terapêutica com o PET-CT antes do TMO 
25.7.5. Radioterapia Isolada como Forma de Resgate em Doença de
Hodgkin em Recidiva ou Refratária
25.7.6. Transplante Alogênico em Doença de Hodgkin Refratária
25.8. Tratamento do paciente HIV positivo
25.9. Seguimento pós-tratamento e complicações tardias 
25.9.1. Rastreamento de recidiva
25.9.2. Rastreamento de complicações tardias do tratamento
CAPÍTULO 26 - Leucemia Mielóide Crônica 
26.1. Conceito de LMC
26.2. Fases da LMC
26.2.1. Fase crônica
26.2.2. Fase Acelerada
26.2.3. Fase Blástica
26.3. Avaliação inicial do paciente com LMC
26.3.1. Critérios Prognósticos
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490
490
490
491
26.4. Tratamento de primeira linha da fase crônica
26.4.1. Introdução
26.4.2. Tratamento de primeira linha
26.4.3. Monitorização do tratamento
26.4.4. Recomendações
26.5. Tratamento de segunda linha da fase crônica
26.5.1. Definição e abordagem do problema
26.5.2. Recomendações
26.6. Tratamento da fase acelerada
26.6.1. Introdução
26.6.2. Critérios para o diagnóstico de Fase acelerada
26.6.3.Tratamento de pacientes sem exposição prévia ao imatinibe
26.6.4. Recomendações
26.6.5. Tratamento de pacientes previamente expostos ao imatinibe
26.7. Leucemia Mielóide Crônica em crise blástica
26.7.1. Introdução
26.7.2. Diagnóstico
26.7.3. Tratamento 
26.7.4. Transplante alogênico de célula tronco
26.7.5. Recomendações
26.8. Tratamento da LMC na infância e adolescência
26.8.1. Definição do problema
26.8.2. Recomendações
26.9. Papel do transplante alogênico na LMC
26.9.1. Introdução
26.9.2. Recomendações
CAPÍTULO 27 - Leucemia Linfática Crônica 
27.1. Introdução e diagnóstico
27.2. Avaliação inicial do paciente
27.2.1. Procedimentos a serem realizadosà suspeita diagnóstica de LLC
27.2.2. Exames para avaliação de prognóstico
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27.2.3. Sistemas de estadiamento
27.3. Indicações de tratamento
27.3.1. Sintomas relacionados à LLC
27.3.2. Evidência de progressão de doença
27.3.3. Outras complicações relacionadas à LLC 
27.4. Leucemia Linfocítica Crônica: tratamento de primeira linha
27.4.1. Tratamento do paciente com boas condições clínicas
27.4.2. Tratamento dos pacientes com anormalidade genética 17p-
27.4.3. Tratamento dos pacientes sem boas condições clínicas
27.5. Tratamento da doença recorrente ou refratária
27.6. Manejo das complicações clínicas
27.7. Transplante de Células Tronco Hematopoiéticas (TCTH)
CAPÍTULO 28 - Biomarcadores em oncologia 
28.1. Tumores de mama
28.1.1. Testes não validados
28.1.2. Testes validados
28.2. Tumores de Pulmão
28.3. Tumores do Sistema Nervos Central
28.3.1. Deleção do cromossomo 1p±19q
28.3.2. Hipermetilação do promotor de O6-Metilguanina-DNA
metiltransferase (MGMT)
28.3.3. Outros biomarcadores em fase de validação
28.4. Tumores gastrointestinais
28.4.1. Biomarcadores Prognósticos
28.4.2. Biomarcadores preditivos de resposta
28.4.3. Biomarcadores preditivos de toxicidade
28.4.4. Potenciais biomarcadores
28.5. Tumores de câncer ginecológico
28.5.1. Câncer de endométrio
28.5.2. Câncer de ovário
28.5.3. Câncer de colo uterino
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535
536
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536
538
28.6. Tumores de cabeça e pescoço
28.6.1. Receptor do Fator de Crescimento Epidérmico (EGFR)
28.6.2. Infecção pelo papilomavírus humano (HPV)
28.6.3. p53
28.7. Biomarcadores em Sarcoma
28.7.1. Ki-67
28.7.2. ERCC1, ERCC5 e BRCA1
28.7.3. VEGFR e FGFR
28.8. Tumores em Melanoma
28.8.1. Hsp90
28.8.2. HER3
28.8.3. BRAF
28.8.4. KIT
28.9. Tumores genitourinários
28.9.1. Câncer de Próstata
28.9.2. Câncer Renal
28.9.3. Câncer de bexiga
28.10. Conclusão
CAPÍTULO 29 - Medicamentos de suporte 
29.1. Bisfosfonatos e outros inibidores de osteólise
29.1.1. Uso clínico dos bisfosfonatos no tratamento de osteoporose
29.1.2. Uso clínico dos bisfosfonatos em metástases
29.1.3. Uso de bisfosfonatos no câncer de próstata 
29.1.4. Uso de bisfosfonatos no câncer de mama
29.1.5. Uso de bisfosfonatos em tumores sólidos
29.1.6. Complicações com o uso de bisfosfonatos
29.1.7. Uso clínico do Denosumabe em metastases ósseas
29.2. Eritropoietina
28.2.1. Uso da eritropoetina
28.2.2. Efeitos colaterais relacionados ao uso da Eritropoetina
29.3. Fatores estimuladores de colônias de granulócitos (FEC)
538
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29.3.1. Profilaxia Primária
29.3.2. Profilaxia Secundária 
29.3.3. Uso Terapêutico
29.3.4. Dose e administração
CAPÍTULO 30 - Cuidados Paliativos 
30.1. Introdução
30.2. Manejo dos Sintomas em Cuidados Paliativos
30.2.1. Dor oncológica
30.2.2. Síndrome Anorexia-Caquexia (SAC)
30.2.3. Náuseas e vômitos
30.2.4. Constipação Intestinal
30.2.5. Obstrução Intestinal Maligna
30.2.6. Dispneia
30.3. Transtornos Psiquiátricos em Pacientes Com Câncer
30.3.1. Transtornos do humor
30.3.2. Transtorno de ansiedade
30.3.3.Transtorno Mental Orgânico (Delirium)
30.4. Aspectos Psicológicos nos Cuidados Paliativos
30.4.1. O sofrimento do paciente
30.4.2. O sofrimento da família
30.4.3. Formas de intervenção
30.5. Conclusão
558
559
559
559
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586
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 27
Editorial
28 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 29
Caros Associados da SBOC e Congressistas do XVII Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica,
Vocês estão recebendo o 2º. Manual de Condutas da SBOC. Após trabalho exaustivo e
brilhantemente conduzido pelo Editor Geral, Dr. Evanius Garcia Wiermann, onde 22 editores
confeccionaram em conjunto com aproximadamente 156 autores os 30 capítulos constantes nesse
Manual de Conduta.
Nessa 2ª. Edição procuramos uma melhor padronização da elaboração e confecção de cada
capítulo, com normatização das regras gerais. Foram realizadas discussões presenciais, assim como
à distância, até definição final e consensual do texto, além da disponibilização pela SBOC, para os
Editores, do Programa EndNote, a fim de facilitar a busca e organização das referências.
O produto final que lhes é entregue abrange grande parte do atendimento diário da
Oncologia Clínica de uma forma atualizada, concisa e sofisticada, lastreado e suportado pelos
profissionais da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
Dedicamos esse trabalho aos pacientes que usufruirão desse material.
Agradeço imensamente a todos os autores, editores e ao Editor Chefe, Dr. Evanius, pela
dedicação e compromisso com a SBOC.
Agradeço também à Bibliotecária da SBOC, Paula Carolina de Freitas Palmeira, e à Designer
Gráfico Rachel Gomes Magalhães, pela organização, compilação e diagramação de todo o material.
Agradecemos aos Laboratórios AstraZeneca do Brasil LTDA, Novartis Biociências S.A, Produtos
Roche Químicos e Farmacêuticos S.A. e Laboratório Pfizer LTDA, pelo suporte logístico para a
realização desses Manuais. 
Agradeço aos meus amigos pessoais Dr. Roberto Porto Fonseca (Presidente da SBC), Dr. Amândio
Soares Fernandes Junior (Tesoureiro da SBOC), Dr. Anderson Arantes Silvestrini (Presidente Eleito
da SBOC), Dra. Lúcia M. P. Freitas (Gerente Jurídica da SBOC) e Sra. Vanessa Renata Ribeiro Ambrósio
(Secretária da SBOC) pela ajuda, amizade, carinho e compreensão em todos os momentos dos
últimos dois anos em que tive a honra de ser, pela 2ª. vez, Presidente da SBOC.
Por fim, agradeço ao Dr. Sebastião Cabral Filho e a todos os funcionários, residentes e médicos
do Centro de Quimioterapia Antiblástica e Imunoterapia LTDA (CQAI) pela minha acolhida,
instrução, formação e apoio ao longo dos últimos 19 anos e ao Hospital Mater Dei, nas pessoas
dos Drs. José Salvador, Dra. Norma, Dra. Maria Norma, Dra. Márcia e Dr. Henrique pela confiança e
acolhida na nova fase de minha carreira. 
Gramado-RS, 26 de outubro de 2011.
Enaldo Melo de Lima
Presidente SBOC
Editorial
30 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
A Oncologia atual provê uma quantidade imensa de informações e é neste cenário que o uso
de protocolos pode permitir que estas sejam otimizadas, ajudando nas tomadas de decisão e
uniformizando condutas. 
Em 2007, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica editou o Manual de Condutas da SBOC,
que foi um marco para a instituição e disponibilizou à classe médica nacional mais uma fonte de
consulta para atualização na especialidade.
Agora, em 2011, uma nova edição deste Manual foi preparada, ampliada com a inclusão de
novos temas relevantes à prática diária, e atualizada com as mais recentes referências para permitir
uma consulta segura e embasada em evidência científica de peso. 
Foram escolhidos editores que sabidamente são expoentes em suas áreas de atuação e com
experiência mais que suficiente para que pudessem agregar valor inestimável a esta edição. Foi
um prazer trabalhar com todos eles. 
Finalizando, este Manual não seria publicado sem o esforço sem precedentes do presidente da
SBOC, o Dr. Enaldo Melo de Lima e à dedicação de sua equipe de apoio na sede, incluindo a Srª Andrea
e a Srª Paula, bem como de todos os editores e autores associados. Além disto, não posso deixar
de lembrar o suporte e a paciência de minha família, a Ana Luiza e minhas filhas, sem os quais não
poderia executar esta função.
Uma boa leitura a todos,
Dr. Evanius Garcia Wiermann
Editor-chefe do Manual de Condutas SBOC 2011
Editorial
Capítulo 1
Câncerde Mama Inicial
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 31
Editor: Dr. Gilberto Luiz da Silva Amorim 
Autores: Dr. Antônio Carlos Buzaid, Dr. Artur Katz, Dr. Bruno Lemos Ferrari, Dr. Carlos Sampaio, Dr.
Daniel Luiz Gimenes, Dr. Jacques Bines, Dra. Leticia Carvalho Neuenschwander, Dra. Maria de Fátima
Dias Gaui, Dra. Rute Dolores Raposo da Câmara
32 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 33
Introdução
O câncer de mama é a neoplasia mais frequente em mulheres no Brasil com 49.240 casos
esperados para 2010 e um risco relativo estimado em 49/100.000 mulheres, variando de 17/100.000
na região norte a 63/100.000 na região sul. Paralelamente, é a principal causa de óbitos por câncer
em mulheres no nosso país com uma taxa de mortalidade em clara ascensão contrariando a
tendência de diminuição progressiva que evidenciamos na última década em países desenvolvidos.
Nos EUA, mais recentemente (a partir de 2003) observou-se uma redução da incidência da ordem
de 7% atribuída entre outros fatores a redução da prescrição de reposição hormonal para mulheres
na pós-menopausa. Existem variações importantes no manejo das pacientes com câncer de mama
em diferentes regiões do Brasil. O desenvolvimento de diretrizes pode resultar em melhoria da
assistência oferecida.
Este documento é exclusivamente dirigido ao médico responsável pelo cuidado e aconse-
lhamento de pacientes com um diagnóstico de câncer de mama. Mesmo com suas limitações,
pretendemos refletir um amplo consenso das diferentes alternativas de conduta aceitáveis de
acordo com as evidências científicas existentes. Reconhecemos que o manejo do câncer de mama
inicial é necessariamente multidisciplinar e que não existe processo ideal que possa estabelecer um
consenso definitivo ou que seja capaz de abranger a totalidade das informações existentes. 
Por uma questão meramente prática o conteúdo deste documento será dividido nos
seguintes temas:
1. Considerações Gerais Relativas ao Tratamento Adjuvante
2. Conteúdo Mínimo do Relatório Anátomo-patológico
3. Avaliação Prognóstica e Preditiva
4. Considerações Terapêuticas
a. Pacientes de Baixo Risco
b. Pacientes de Alto Risco
c. Pacientes de Risco Intermediário
5. Considerações Relativas a Hormonioterapia
6. Considerações Relativas a Quimioterapia
7. Considerações Relativas a Tratamento com Drogas Biológicas
8. Rotina de Acompanhamento após o Tratamento Adjuvante
9. Situações Especiais: Câncer de Mama na Gravidez e em Homens
10. Considerações sobre o Tratamento Neoadjuvante
11. Apêndice 1: Estadiamento
12. Apêndice 2: Esquemas de tratamento mais utilizados
1.1. Considerações Gerais relativas ao Tratamento Adjuvante
A abordagem adjuvante tem por objetivo o tratamento de doença oculta, tratamento de
micro-metástases, visando assim à redução do risco de recidiva da doença e aumento da sobrevida
global. As recomendações terapêuticas adjuvantes têm sido baseadas, em estimativas de risco,
Capítulo 1
Câncer de Mama Inicial
34 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
uma vez que não existe na prática, tecnologia diagnóstica que possa definir com precisão quais as
são as pacientes com câncer de mama inicial que apresentam doença subclínica. Fatores de risco
são fundamentados na valorização de algumas características clínicas, patológicas e biológicas do
tumor, particularmente tamanho e grau do tumor, status linfonodal, expressão de receptores
hormonais e da proteína cerbB2.
Estudos científicos controlados demonstram que o tratamento sistêmico adjuvante pode
reduzir o risco de recorrência da doença nos primeiros 5 anos, resultando numa redução
substancial nas taxas de mortalidade em 15 anos de acompanhamento. Evidências recentemente
apresentadas na literatura indicam claramente que apesar das diferenças relativas à recorrência
da doença permanecerem estáveis após os primeiros 5 anos de acompanhamento (entre as
mulheres tratadas vs. não tratadas), as diferenças de sobrevida continuam a aumentar ao longo dos
primeiros 15 anos de acompanhamento. Isto provavelmente reflete a eficácia do tratamento
adjuvante que é curativo numa percentagem das pacientes ao prevenir recorrências nos primeiros
5 anos depois do diagnóstico.
1.2. Conteúdo Mínimo do relatório Anátomo-patológico 
e Imunohistoquímica
A seguir salientamos as informações mínimas que devem constar no relatório anátomo-
patológico:
• Dados de Identificação
• Data da cirurgia
• Descrição (macroscópica) do espécime cirúrgico com mensuração
• Tamanho do tumor invasivo (apenas o componente de carcinoma invasivo é levado em conta
para a tomada de decisão relativa à instituição de terapia adjuvante)
• Avaliação de margens
• Classificação Histológica
• Grau Histológico/Nuclear (segundo a classificação de Nottingham)
• Invasão Angiolinfática 
• Ki-67 (em percentual)
• Linfonodo sentinela (se realizado)
• Número de linfonodos totais divididos por níveis
• Número de linfonodos comprometidos (especialmente no caso de linfonodo sentinela, a
descrição do diâmetro da lesão: células tumorais isoladas versus micro-metástases versus macro-
metástases e, sobretudo, quando for o caso, da presença de extravasamento capsular)
• Receptores de Estrógeno e de Progesterona (expressão em % ou Escore tipo Alred)
• Receptor cerbB2 ou HER2 
Nota: incluir lateralidade da mama, topografia do tumor, indicar os anticorpos usados,
inclusive clones, indicar controles internos e externos das reações imunoistoquímicas, tipo de
fixação e tempo de fixação.
Deve ser realizada determinação por imunoistoquímica da expressão de receptores
hormonais (estrógeno e progesterona) assim como de HER2 no momento do diagnóstico inicial em
pacientes portadoras de carcinoma de mama invasor. É importante destacar que a experiência do
laboratório que realiza a avaliação dos receptores é crítica na valorização dos resultados. Embora
não exista um padrão definido no Brasil, em 2010, a ASCO estabeleceu, junto com o Colégio
Americano de Patologia, diretrizes bem detalhadas sobre esta análise, e na ausência de um padrão
brasileiro a SBOC sugere que sejam adotadas estas diretrizes pelos laboratórios nacionais.
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Laboratórios que realizam testes com pouca frequência apresentam resultados discrepantes numa
percentagem expressiva dos casos quando comparados a um laboratório de referência.
Recentemente tem sido recomendado que os resultados de imunohistoquímica sejam valorizados
somente quando determinados em laboratórios com um volume adequado (>250 testes ao ano)
e com procedimentos de controle de qualidade. Em relação aos receptores hormonais, e para fins
de tratamento, são consideradas portadoras de tumores hormônio sensíveis aquelas pacientes
cuja neoplasia apresente expressão do receptor hormonal (estrógeno e/ou progesterona). O limiar
específico é tema de debate, mas algum grau de resposta hormonal permanece mesmo com
expressão em 1% das células tumorais ainda que se reconheça que a magnitude do benefício seja
tanto maior quanto mais intensa for a expressão do receptor. E este limiar de 1% que é considerado
pela ASCO/CAP nesta revisão de 2010. 
Reconhecemos duas formas de mensurar HER2: (1) a imunoistoquímica, que avalia o receptor
de acordo com a intensidade da expressão e pelo número de células que o expressam e, sendo
considerado positivo quando a coloração é forte e atinge 30% ou mais de células avaliadas segundo
o último consenso da ASCO/CAP; (2) FISH (fluorescent in situ hybridization) que avalia o número de
cópias (amplificação) do gene. São consideradas como positivas para HER2 aquelas pacientes que
apresentam uma expressão de 3+ na imunohistoquímica ou que são FISH positivas com razão
superior a 2,2. As pacientes com expressão de HER2 0 ou 1+ são consideradas negativas enquanto
que as HER2 2+ pela imunohistoquímica devem ser submetidas ao teste de FISH já que entre 20 a
25% delas podem apresentar amplificação gênica.
1.3. Avaliação Prognóstica e Preditiva
As recomendações para tratamento adjuvante sistêmico estão baseadas na estimativado
risco de recidiva. Tradicionalmente são reconhecidas categorias de risco definidas de acordo com
diversos fatores. Os elementos básicos que devem ser utilizados para caracterizar o risco de recidiva
são: comprometimento de linfonodos axilares (positivos vs negativos), número de linfonodos
comprometidos, tipo histológico (carcinoma ductal invasor ou lobular invasor vs tipos histológicos
especiais), tamanho do tumor primário, grau histológico, invasão vascular peri-tumoral extensa
(presente vs ausente), expressão de receptores hormonais (positivos ou negativos), expressão ou
amplificação de receptores HER2, e a idade da paciente. O índice de proliferação Ki-67 vem
ganhando importância. Entretanto, não há ainda um consenso quanto ao emprego do mesmo
como fator de decisão da indicação de tratamento adjuvante. Existem problemas na padronização
do teste e na definição do seu ponto de corte. Recentemente, em St. Gallen, o painel de
especialistas considerou que Ki67 >14% seria considerado elevado, mas há divergências na
literatura. 
São consideradas como tipos histológicos especiais: carcinoma tubular, mucinoso (colóide),
cribiforme, adenóide cístico e papilífero. A confirmação da presença de uma histologia especial
por um patologista com experiência em patologia mamária deve ser estimulada. Em casos de
tumores com histologia especial, recomendamos tratamento adjuvante somente quando os
tumores apresentam tamanhos maiores do que 3cm ou linfonodos axilares comprometidos.
Tumores com histologia ductal invasora e áreas de histologia especial (tumores mistos) devem ser
graduados e manejados de acordo com as recomendações para tumores ductais. Nos medulares
atípicos, mesmo sem informações prospectivas, recomenda-se a mesma abordagem adjuvante
dos carcinomas ductais invasores. 
A idade é um fator de prognóstico independente com um risco relativo que varia de 1,5 a 1,8
para as categorias de idade entre 35 a 40 quando comparadas com pacientes com mais de 40 anos
de idade. 
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A presença de expressão aumentada (imunoistoquímica 3+ ou FISH positivo) do receptor
HER2, presente em aproximadamente 20-25% de todas as pacientes com câncer de mama,
identifica uma população com um risco expressivo de recidiva precoce da doença. O programa
Adjuvant! On Line atualizou a avaliação do risco relacionado ao HER2 aumentando em 50% o risco
básico de cada caso com hiper-expressão do receptor (www.adjuvantonline.com). É importante
destacar que a amplificação de HER2 é frequentemente encontrada em carcinoma ductal in situ
(CDIS). Nestas situações, a valorização deste achado é de valor questionável e não deve interferir
na seleção terapêutica. 
Utilizando estes elementos, recomendamos caracterizar o risco de recidiva das pacientes com
câncer de mama de acordo com a Tabela 1.
Tabela 1 - Diretrizes SBOC para CM Inicial: Definições de Categorias de risco para recidiva
Baixo risco *
Risco intermediário 
Alto risco 
Linfonodo negativo e todos os seguintes critérios:
ü pT ≤2 cm, 
ü Grau 1,
ü Ausência de extensa invasão vascular e peritumoral
ü RE e/ou RPg positivos
ü HER2 negativo
ü Idade ≥35 anos
Linfonodo negativo e pelo menos um dos seguintes critérios:
ü pT >2 cm, ou
ü Grau 2-3, ou
ü Presença de extensa invasão vascular e peri-tumoral Ω , ou 
ü RE e RPg ausentes, ou
ü HER2/neu gene superexpresso ou amplificado, ou
ü Idade <35 anos
Linfonodo positivo (1 a 3 LN) e todos os seguintes critérios:
ü RE e RPg positivos, 
ü HER2/neu gene negative
Linfonodo positivo (1-3 LN) e pelo menos um dos seguintes
critérios: 
ü RE and RPg ausente, ou
ü HER2/neu gene super expresso ou amplificado
Linfonodo positivo (4 ou mais envolvidos)
Categoria de risco
* Subtipos histológicos especiais também são considerados de Baixo Risco, desde que o diâmetro tumoral não exceda 3cm
e não exista comprometimento de linfonodos axilares. Ω Êmbolos neoplásicos vistos em dois ou mais blocos de tumor.
(Adaptado de acordo com a classificação de risco do Consenso de St. Gallen, 2007).
Devido às inúmeras variáveis de risco existentes e suas diferentes combinações, calcular o
risco individual de uma paciente se torna uma tarefa imprecisa. Inúmeros modelos matemáticos
foram desenvolvidos, utilizando as características acima mencionadas, aplicadas a uma base de
dados com acompanhamento prolongado de pacientes. O Adjuvant! On Line, disponibilizado na
internet é um exemplo destes programas, de grande auxilio para estimarmos o risco de recidiva de
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cada caso com e sem tratamento adjuvante. Seu emprego rotineiro deve ser estimulado para a
avaliação da melhor orientação terapêutica adjuvante.
O Oncotype DX®, teste que analisa 21 genes em material parafinado é um dos poucos testes
disponíveis que avalia o risco de pacientes com axila negativa (ou 1-3 linfonodos positivos) e RH
positivos. Pacientes com escore alto (>31) tem >30% de chance de recorrência, beneficiando-se de
quimioterapia, enquanto aquelas de escore baixo (<18) têm apenas 7% de chance, podendo
receber apenas hormonioterapia (www.genomichealth.com). O Mammaprint® é outro teste
disponível. Tanto o MammaPrint como o Oncotype DX necessitam de validação prospectiva, mas
acredita-se que a individualização molecular dos tumores seja uma ferramenta promissora na
avaliação de risco e na decisão do tratamento. Dois importantes estudos são aguardados para
avaliação prospectiva destes testes. O MINDACT (Microarray in Node-Negative Disease May Avoid
Chemotherapy) e o TAILORx (Trial Assigning Individualized Options for Treatment).
1.4. recomendações Terapêuticas
Três fatores devem ser levados em conta na decisão de se instituir tratamento sistêmico
adjuvante: 1) responsividade endócrina (através da análise dos receptores de estrógeno e
progesterona); 2) Hiperexpressão de HER2; 3) Risco de recidiva. Tumores que expressam receptores
de estrógeno e ou progesterona são considerados endócrino sensíveis. Ao contrário, tumores nos
quais não há expressão destes receptores são considerados não-responsivos. Alguns fatores como
a baixa expressão de receptores de estrógeno e/ou progesterona, ausência de expressão de
receptor de progesterona e superexpressão de HER2, são indicativos de resposta endócrina
incompleta. Tumores altamente endócrino-responsivos devem ser considerados para
endocrinoterapia ou combinação de quimioterapia e endocrinoterapia. Para os tumores nos quais
a responsividade à endocrinoterapia é incompleta, deve-se considerar quimioterapia e
endocrinoterapia. Pacientes que são claramente endócrino-resistentes devem ser considerados
para quimioterapia e não devem receber endocrinoterapia adjuvante. Do mesmo modo, pacientes
que superexpressam HER2, devem ser considerados para terapia anti-HER2 que será discutida
adiante. Em relação ao risco de recidiva, dividiremos a discussão pelas categorias de risco, conforme
a Tabela 1.
1.4.1. Pacientes de Baixo risco
Para qualificar uma paciente de Baixo Risco, devemos lembrar que todas as características
mencionadas na Tabela 1 devem estar presentes. A decisão de oferecer ou não tratamento
adjuvante nestas situações deve levar em consideração que estas pacientes apresentam o bom
prognóstico inerente a este grupo em termos de recorrência da doença e de sobrevida global e
também a responsividade à terapia endócrina. Certamente existe entre elas uma percentagem
significativa de pacientes que já estão curadas somente com o tratamento local (cirurgia associada
à radioterapia/radioterapia). A mortalidade por câncer nesta população é estimada em torno de 3-
5% de acordo com o programa Adjuvant! On Line. O melhor manejo destas pacientes passa por
uma discussão aberta entre médico e paciente, levando em consideração os riscos e benefícios
potenciais associados a qualquer tratamento proposto. Estas pacientes poderão ser acompanhadas
sem tratamento ou uma recomendação de tratamento hormonal poderá ser considerada em casos
particulares. 
1.4.2. Pacientes de risco Intermediário
As pacientes com riscointermediário representam um desafio particular. É importante
destacar que nossa capacidade de discriminar o risco potencial destas pacientes apresenta maiores
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limitações do que nas outras duas categorias. Como discutido nas pacientes de Baixo Risco é muito
importante uma discussão aberta e informativa entre médico e paciente para fazer a melhor
recomendação para um caso em particular. É neste grupo de pacientes onde vivenciamos mais
claramente a frustração de não podermos definir com precisão quais as pacientes que tem doença
micro-metastática e necessitam de tratamento daquelas que já estão curadas com o tratamento
local. Pacientes com tumores com responsividade intermediária à endocrinoterapia são candidatos
a quimioterapia e endocrinoterapia. Já pacientes portadores de tumores resistentes à
endocrinoterapia são candidatos à quimioterapia. Neste grupo, as pacientes com acesso aos testes
genômicos (Oncotype DX, p.ex.) podem se beneficiar sobremaneira, pois se o escore de recorrência
for compatível com baixo risco (<18) a paciente poderá receber apenas tratamento endócrino.
Evidente que se o escore for alto (>31) a indicação de quimioterapia seguida de endocrinoterapia
deve ser preferencial. Ressaltamos que várias pacientes, mesmo após este teste de alto custo,
continuarão com escores intermediários, precisando de decisão individualizada, embora os dados
atuais sugiram ausência de benefício com o tratamento quimioterápico. Estudos randomizados
que visam responder qual o papel da quimioterapia neste subgrupo de pacientes estão em
andamento. 
Outro desafio deste grupo é a definição do tratamento adjuvante para as pacientes com até
3 linfonodos microscopicamente positivos, receptores fortemente positivos e HER2 negativo. Em
caso de baixo RS pelo Oncotype DX, poderemos abrir mão da quimioterapia, mas esta não é uma
opinião unânime entre os especialistas, já que muitos nem solicitam o teste neste subgrupo e a
realidade é que a grande maioria não terá acesso ao teste. Existe um grupo destas pacientes onde
o benefício da quimioterapia será pequeno e a análise individualizada entre o oncologista e sua
paciente será decisiva para a melhor escolha terapêutica. 
1.4.3. Pacientes de Alto risco
A maior parte das pacientes de alto risco deverá receber quimioterapia como parte do seu
tratamento adjuvante. Aquelas pacientes de alto risco com receptores hormonais positivos que
recebem quimioterapia devem também ser tratadas com hormonioterapia. 
Opções terapêuticas:
Tabela 2 - Escolha da modalidade de tratamento de acordo com o grupo de risco
Baixo risco
Alto risco 
Altamente Hormônio-sensível 
HT 
QT→HT
Não hormônio sensível
NA
QT
HT, hormonioterapia; QT, quimioterapia; NA: Não se aplica
OBS: Deve se evitar o início do tamoxifeno concomitante à quimioterapia, não há evidências na literatura quanto a este
cuidado em relação aos inibidores de aromatase, mas também deve ser iniciado após QT.
1.5. Considerações relativas à Hormonioterapia
Tradicionalmente, durante os últimos 30 anos, o tratamento hormonal das mulheres com
tumores com expressão de receptores hormonais tem sido baseado no tamoxifeno e na
ooforectomia. Quando indicada, a administração de tamoxifeno resulta numa redução do risco de
morte por câncer de mama na ordem de 31%. Estes resultados são independentes do uso de
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quimioterapia e da idade da paciente. O tratamento por 5 anos oferece melhores resultados do
que 1 ou 2 anos. É importante lembrar que o benefício em sobrevida observado após 5 anos de
tamoxifeno extende-se após a interrupção do tratamento, sendo maior aos 15 anos de acompa-
nhamento do que 5 anos depois do diagnóstico. 
O tamoxifeno é uma droga muito bem tolerada. Trombo-embolismo, doença cerebrovascular
e carcinoma de endométrio têm sido raramente associados ao seu uso. Informações geradas por
grandes estudos randomizados indicam que, em mulheres pós-menopáusicas, a administração de
inibidores de aromatase resulta num maior intervalo livre de doença quando comparado ao uso de
tamoxifeno. Este achado tem sido demonstrado de forma reproduzível e consistente. Embora as
diferenças absolutas sejam estatisticamente significativas, elas são numericamente na ordem de 3
a 4% o que significa que existe uma percentagem importante das pacientes que ainda se beneficia do
tamoxifeno. Também observamos que ainda não existem nestes estudos de uso precoce dos
inibidores da aromatase, diferenças estatisticamente significativas na sobrevida das pacientes, quando
da comparação direta entre o uso de tamoxifeno e dos inibidores de aromatase. Até o momento,
os fatores preditivos que possam identificar quais as pacientes que se beneficiam mais dos
inibidores seriam tu >2cm, alto grau, HER2 superexpresso, invasão peri-tumoral vascular e axila
positiva com mais de 4 gânglios, mas outros estudos são necessários. Ao mesmo tempo, os inibidores
de aromatase representam uma ótima alternativa para pacientes com uma contra-indicação
absoluta ou relativa ao uso de tamoxifeno. Devemos ter particular atenção ao uso concomitante de
antidepressivos em vigência de tamoxifeno, pois como sabemos, existem interferências no metabolismo
do tamoxifeno com diminuição da disponibilidade do metabólito ativo endoxifeno em especial
com fluoxetina, paroxetina, sertralina, o que comprometeria a eficácia do tamoxifeno. A venlafaxina
e outros da classe poderiam ser utilizados. Importante ressaltar que ao longo da adjuvância outros
médicos (clínicos, geriatras, psiquiatras, neurologistas, cardiologistas, ginecologistas e endocrinologistas)
podem recomendar algum antidepressivo, o que obriga o oncologista durante o seguimento
assegurar-se de que nenhum destes medicamentos foram introduzidos posteriormente. 
A administração de um inibidor de aromatase pode ser feita desde o início do tratamento por
5 anos (anastrozol ou letrozol, mais recentemente também o exemestano – TEAM e MA-27), após
2 a 3 anos de tamoxifeno até completar 5 anos de tratamento (letrozol, exemestane ou anastrozol).
A atualização do estudo BIG 1-98 (letrozol versus tamoxifeno seguido de letrozol ou letrozol seguido
de tamoxifeno) nos ofereceu uma outra alternativa que é a de iniciar letrozol e substituir por
tamoxifeno, o que pode ser particularmente útil para aquelas pacientes que apresentam efeitos
colaterais com o inibidor de aromatase, sendo difícil manter o uso do mesmo por 5 anos. Na
adjuvância extendida utilizamos por 5 anos em pacientes que completaram 5 anos de tamoxifeno
(letrozol ou anastrozol). Nesta última situação, foi identificada uma vantagem na sobrevida do
subgrupo de pacientes com gânglios comprometidos tratadas com o letrozol. 
Não existem informações na literatura que justifiquem a administração adjuvante de
inibidores de aromatase em pacientes pré-menopáusicas, mesmo após bloqueio ovariano. Estudos
em andamento estão explorando a utilização destes agentes nesta população em combinação
com bloqueio da função ovariana. O estudo austríaco ABCSG-12 avaliou se o anastrozol em adição
a supressão ovariana com gosserrelina seria superior ao tamoxifeno mais gosserelina, ambos pelo
período de 3 anos. Após seguimento de 47.8 meses, o anastrozol não foi superior ao tamoxifeno.
O padrão de toxicidade apresentado pelos diferentes inibidores de aromatase é consistente e
parece ser mais favorável do que o do tamoxifeno com exceção para a incidência aumentada de
queixas músculo-esqueléticas e de um risco aumentado de fraturas. Em pacientes que apresentem
efeitos adversos músculoesqueléticos severos, a troca por outro inibidor/inativador de aromatase
resulta em benefício sintomático em até 50% dos casos. Podemos ainda trocar para o tamoxifeno,
pois considerando o risco que muitas pacientes ficam expostas é muito melhor manter algum
tratamento endócrino do que simplesmente parar de utilizar o inibidor. 
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É importante considerar a necessidade de acompanhar as consequências potenciaisda
inibição estrogênica extrema que ocorre com a utilização destes agentes. É recomendado o
acompanhamento anual da densidade mineral óssea neste grupo de pacientes, além do estímulo
a atividade física e aumento da reposição de cálcio e vitamina D. Usar bisfosfonatos orais nas
pacientes que apresentem osteopenia (notadamente se T<-2,0) ou osteoporose. Uma alternativa
a esta estratégia é o uso semestral de ácido zoledrônico. As comparações diretas na literatura não
indicam de forma definitiva que um inibidor seja superior a outro, mas existem efeitos colaterais
algo diferentes. A recuperação da função ovariana tardia pós quimioterapia é frequente,
notadamente em pacientes com menos de 50 anos, e em muitos casos pode demorar até mais de
1 ano. Isto posto, muita atenção na prescrição de inibidores da aromatase para estas pacientes,
pois uma dosagem isolada de níveis séricos do estradiol e do FSH com níveis compatíveis com
menopausa não é suficiente para caracterizar a menopausa definitiva. Estas pacientes devem seguir
com tamoxifeno e a troca pode ser avaliada depois, p.ex: após 2 anos. 
Quando da indicação de hormonioterapia e quimioterapia numa paciente, o tratamento deve
ser feito de forma sequencial (quimioterapia seguida de hormonioterapia) e não concomitante.29
Há indicações de que quando da combinação de quimioterapia (CAF) e tamoxifeno a administração
concomitante resultou num pior resultado de sobrevida livre de doença. 
A concomitância do tratamento com tamoxifeno e radioterapia tem sido motivo de debate.
Algumas informações retrospectivas sugerem aumento da toxicidade pulmonar (fibrose), aumento
de fibrose mamária e edema quando da utilização simultânea das duas modalidades. Outras
publicações indicam que tamoxifeno pode ser administrado tanto simultaneamente quanto após
a radioterapia sem diferenças importantes em relação tanto à eficácia quanto à toxicidade. Ainda
mais, a maioria dos estudos para avaliação do tamoxifeno adjuvante iniciou a droga durante a
administração da radioterapia. Em definitivo, a prática de iniciar o tamoxifeno e manter sua
administração durante a radioterapia pode ser considerada uma prática aceitável.
1.5.1. Supressão da Função Ovariana em Mulheres Pré-menopáusicas
A supressão da função ovariana (cirúrgica, radioterápica ou com análogos de LHRH) reduz a
mortalidade por câncer de mama, mas parece fazê-lo somente quando não consideramos a
administração de outros tratamentos sistêmicos adjuvantes não-hormonais. A duração do
tratamento de supressão ovariana quando se opta por administrar um análogo de LHRH não está
definida. Os diferentes estudos administram o tratamento por períodos que variam de 2 a 5 anos.
Uma análise da literatura revela limitações de conhecimento muito importantes nesta área.
Diversos estudos sugerem equivalência entre a terapêutica hormonal baseada em ablação ovariana
(associada ou não ao tamoxifeno) e a administração de tratamento quimioterápico. Entretanto,
muitos destes estudos utilizaram esquemas quimioterápicos que não são considerados ideais de
acordo com os padrões atuais. Nos estudos que utilizaram um regime quimioterápico com base em
antracíclicos, os resultados não foram definitivos e não foi incluído um braço com a associação de
quimioterapia seguida de tamoxifeno, uma opção considerada com frequência na prática atual.
Nenhum dos estudos de supressão ovariana incluiu esquemas terapêuticos com taxanos. O melhor
manejo hormonal de pacientes pré-menopáusicas permanece indefinido. 
O Estudo austríaco (ABCSG12) publicado mostrou sobrevida livre de doença muito elevada em
pacientes que não receberam quimioterapia, recebendo análogo, tamoxifeno ou anastrozol e ácido
zoledrônico semestral em caráter adjuvante por 3 anos. Houve uma redução de 36% nas recidivas
para as pacientes que receberam o bisfosfonato, mas o estudo recebeu críticas, pois este não seria
o padrão ideal de tratamento para esta população com câncer de mama, já que muitas pacientes
tinham linfonodos positivos. O seguimento tardio do estudo, apresentado na ASCO 2011, já com
72 meses, mostra que os benefícios da adição do ácido zoledrônico permanecem. Não houve
vantagem do inibidor sobre o tamoxifeno. como já dissemos, mas no evento de San Antonio (2010)
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em que o seguimento do estudo austríaco foi apresentado o estudo AZURE foi reportado e seus
resultados são diametralmente opostos. É possível que o valor do ácido zoledrônico se restrinja as
mulheres com baixo nível de estradiol com sugere a análise de subgrupo do estudo AZURE em
que as mulheres que estavam em menopausa por pelo menos 5 anos se beneficiaram da medicação.
Não obstante a controvérsia sobre a adição de bisfosfonato adjuvante está longe de terminar. Em
pacientes pré-menopáusicas com indicação de quimioterapia, que não podem ou não queiram
receber este tratamento, a estratégia austríaca (ABCSG 12) pode ser considerada. 
Uma outra questão ainda em aberto é qual a melhor conduta nas pacientes pré-menopáusicas
que permanecem menstruando ou que recuperam a menstruação após completar o tratamento
quimioterápico adjuvante, apesar do tratamento com tamoxifeno. Ainda que reconheçamos que
parte do beneficio do tratamento quimioterápico possa derivar da interrupção da função ovariana,
as informações atualmente disponíveis não permitem recomendar o emprego rotineiro da ablação
ovariana nestas situações. É possível que pacientes muito jovens (<35-40 anos) e de alto risco
(linfonodos positivos, tumores localmente avançados) possam beneficiar-se desta opção. Análises
retrospectivas das mulheres com menos de 35 anos que participaram em estudos de vários grupos
cooperativos sugerem que somente a quimioterapia adjuvante seguida de tamoxifeno possa ser
tratamento insuficiente. Ensaios prospectivos e randomizados atualmente em andamento
pretendem responder esta questão. Considerações dos riscos associados ao induzir uma
menopausa precoce nestas pacientes devem ser cuidadosamente avaliadas. É fundamental levar
em conta as expectativas de cada uma em relação a sua doença, o que certamente é influenciado
na maioria das vezes pela discussão com o médico.
Tabela 3 - recomendações de hormonioterapia adjuvante em tumores hormoniosensíveis
Status menopausal
Baixo risco
Alto risco 
Pré-menopausa 
TMX por 5 anos
TMX com ou sem SO*
Pós-menopausa
TMX por 5 anos
TMX 2-3anos → IA 3-2anos
TMX 5anos → IA 5anos
IA 5an ou TMX 2-3an→IA 3-2an
IA 3-2an→ TMX 2-3an
TMX, tamoxifeno; IA, inibidores de aromatase (Anastrozol, Letrozol e Exemestano); SO, supressão ovariana (cirúrgica, actínica
ou com o uso de gosserrelina).
* Não houve consenso na inclusão de supressão ovariana entre os autores neste cenário
1.6. Considerações relativas à Quimioterapia
Não existe um regime quimioterápico ideal que possa ser considerado adequado para todas
as pacientes com câncer de mama. Entretanto, dois princípios gerais aplicáveis à quimioterapia
devem ser levados em conta em todos os casos: o tratamento, quando indicado, deverá ser
administrado em doses completas e dentro dos intervalos recomendados para cada regime. A
administração e o manejo das complicações decorrentes do tratamento adjuvante requerem um
acompanhamento por um profissional adequadamente treinado e com experiência em oncologia
clínica. Com relação ao início do tratamento após a cirurgia, embora não tenha sido definitivamente
determinado com base em informações prospectivas, é recomendável iniciar o tratamento
quimioterápico adjuvante assim que a paciente esteja recuperada do procedimento cirúrgico. 
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Informações disponíveis na literatura indicam que regimes de combinação incluindo um
antracíclico (doxorrubicina ou epirrubicina) administrados em doses adequadas por pelo menos 6
ciclos de tratamento (FAC, FEC100, CAF) reduzem a taxa anual de mortalidade em 38% nas
mulheres com menos de 50 anos e em cerca de 20% nas mulheres entre 50 e 69 anos. Este resultado
é independente do uso de tamoxifeno, da positividadedos receptores hormonais, do
comprometimento ganglionar ou de outras características tumorais. Em termos de redução de
recorrência ou mortalidade, estes regimes são significativamente mais eficazes do que a
combinação de ciclofosfamida, metotrexato e 5-fluorouracil (CMF) quando administrada por 6
ciclos. O tratamento com 4 ciclos da combinação de um antracíclico e ciclofosfamida (AC ou EC) é
equivalente a 6 ciclos de CMF. A incorporação de taxanos (AC-D, AC-P (dose densa ou não), FEC100-
D, TAC, AC-P semanal x12, FEC90-Px8) a regimes com antracíclicos em pacientes com linfonodos
comprometidos e em pacientes com axila negativa de alto risco tem demonstrado vantagens
pequenas, mas consistentes em relação à sobrevida livre de doença e, em alguns estudos, também
à sobrevida global. Um estudo randomizado com 36 meses de acompanhamento demonstrou que
a administração mais intensa da quimioterapia (intervalo de duas semanas) denominado de dose
densa, resultou em vantagem na sobrevida livre de doença e sobrevida global quando comparado
ao esquema tradicional repetido a cada três semanas, notadamente no subgrupo de pacientes
receptores negativos. Este regime de tratamento requer a utilização de suporte com fatores
hematopoiéticos. O estudo que comparou 4 ciclos de AC com 4 ciclos de TC, no qual 48% dos
pacientes eram axila negativa, teve recente atualização. O esquema TC apresentava menor risco de
recorrência em 6 anos (85 vs 79%) e de morte (SG 85 vs 79%). Outros estudos também oferecem
taxanes para pacientes com axila negativa, como, por exemplo, o estudo TAC x FAC do grupo
Espanhol GEICAM (exclusivamente axila negativa neste estudo) e o estudo que avaliou as 4
possibilidades de uso de taxane (docetaxel ou paclitaxel a cada 21 dias ou semanal) após 4 ciclos
de AC (ECOG 1199). Neste estudo, pacientes eram elegíveis com axila positiva ou axila negativa de
alto risco (tumores de pelo menos 1cm com RH negativos ou 2cm com RH+). Os melhores braços
deste estudo foram o de paclitaxel semanal ou docetaxel a cada 3 semanas. É importante lembrar
que o comprometimento axilar não é um critério absoluto para avaliação de risco e que devemos
reconhecer que algumas pacientes com linfonodos negativos apresentam um maior risco de
recorrência e mortalidade que algumas pacientes com comprometimento axilar. 
A radioterapia deve ser administrada após completar o tratamento quimioterápico.
1.6.1. Pacientes com mais de 70 anos
Apesar de a média de idade para o diagnóstico de um câncer de mama é de 52 anos no Brasil,
a população de pacientes com mais de 70 anos representa uma percentagem crescente de casos
na nossa prática diária. Poucos estudos, até aqui, incluíram números expressivos de pacientes com
idade acima de 70 anos. Estas pacientes, com frequência apresentam comorbidades que podem
limitar a capacidade em tolerar um tratamento adjuvante relativamente tóxico. Não obstante, a
idade cronológica não deve ser fator determinante para contraindicar quimioterapia adjuvante. O
tratamento deve ser considerado, sobretudo, para aquelas pacientes, mesmo que idosas, que se
apresentam com doença de maior risco, receptores negativos e/ou linfonodos comprometidos e
com boa condição clínica. Na meta-análise do EBCTCG publicada, poucas pacientes com mais de
70 anos foram incluídas para estabelecermos conclusões definitivas quanto ao benefício do
tratamento neste subgrupo. Informações retrospectivas sugerem que não existem diferenças nos
benefícios obtidos por mulheres jovens ou idosas com o tratamento adjuvante, porém com maior
toxicidade. O estudo que avaliou Capecitabina vs AC vs CMF nesta população mostrou vantagem
destes 2 últimos e tradicionais esquemas, mas acabou endossando o uso de quimio nestas
pacientes já que a toxicidade foi semelhante a observada em outros estudos. Outros estudos
prospectivos estão estudando especificamente esta população de pacientes. O esquema TC nesta
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 43
população (houve uma estratificação para pacientes >65 anos) mostrou eficácia superior ao AC,
sem nenhum sinal particular de toxicidade que seja diferente das pacientes mais jovens. Atenção
para aquelas pacientes com mais de 75 anos, com reserva medular insuficiente ou diabéticas de
difícil controle, onde a incidência de neutropenia febril será mais elevada, e por causa disto, haja a
consideração para fatores de crescimento profilático, conforme diretrizes da ASCO. 
Tabela 4 - regimes de quimioterapia adjuvante aceitáveis
1ª geração 
2ª geração 
3ª geração 
regime terapêutico 
CMF, AC, FAC 
FEC100, CEF120 , TC
AC-D , AC-T dose densa, 
AC-T sem, FEC90-Psem
Número de ciclos
6 / 4 / 6 
6 / 6 / 4
8 / 8
4-12sem / 4-8sem
OBS: Tumores com HER2 positivo: Trastuzumabe 8mg/Kg na primeira dose e 6 mg/Kg nas doses subsequentes, 21/21 dias,
até completar 1 ano.
1.7. Considerações relativas a Tratamento com Drogas Biológicas
1.7.1. Trastuzumabe associado à quimioterapia
Em pacientes com hiperexpressão de HER2, informações publicadas indicam uma vantagem
expressiva quando da administração de quimioterapia associada a trastuzumabe, com redução de
recorrência da ordem de 50% e diminuição do risco de morte em 34% em pacientes com ca de
mama invasivo com pelo menos 1cm. Este anticorpo monoclonal foi administrado com base a duas
estratégias básicas: a cada 3 semanas por um ano sequencialmente a vários regimes
quimioterápicos convencionais (estudo HERA) ou após 4 ciclos de doxorrubicina e ciclofosfamida
semanalmente, e após ou de maneira concomitante com paclitaxel (também administrado
semanalmente). Após completar o paclitaxel, trastuzumabe foi continuado semanalmente até
completar um ano de tratamento adjuvante (B31/9831). O BCIRG 006 demonstrou a eficácia do
docetaxel concomitante ao trastuzumabe. Mais importante foi a constatação de que um regime
de quimioterapia, composto por docetaxel, carboplatina concomitantes ao trastuzumabe (DCT)
parece ser tão eficaz quanto o regime contendo doxorrubicina. O regime DCT apresenta como
vantagens potenciais a possibilidade de introdução mais precoce do trastuzumabe e cardiotoxicidade
muito menor comparável a esquemas sem trastuzumabe pelo não emprego do antracíclico (NEJM,
in press) A duração ideal da utilização do trastuzumabe ainda não está bem estabelecida. Um
pequeno estudo finlandês utilizando trastuzumabe por nove semanas, sequencialmente à
quimioterapia (com docetaxel ou vinorelbina) demonstrou eficácia de magnitude semelhante,
porém, a atualização em St. Gallen 2009, não demonstrou manutenção dos resultados e só a análise
do subgrupo de linfonodos positivos mantiveram persistência do benefício. Por ora, parece-nos
mais prudente recomendar a utilização do trastuzumabe por um ano concomitante com o taxane.
Um ponto crítico é a questão da monitorização da função cardíaca, que deve ser feita a cada 3-4
meses, devendo ser interrompido o anticorpo (ou não iniciado) se FE<55% (ECO ou MUGA). Nos
casos de queda da FE durante o trastuzumabe após interrompido por um mês, se nova avaliação
indicar recuperação o anticorpo pode ser reiniciado. Se houver nova queda, a droga deve ser
definitivamente abandonada. 
44 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
É importante ressaltar que os estudos randomizados com trastuzumabe incluíram pacientes
T1c, mas recentemente vários estudos retrospectivos vêm mostrando que o risco de recidiva de
tumores HER2 positivos subcentimétricos é mais alto que seus pares negativos. Isto posto, vários
grupos têm recomendado tratamento adjuvante com trastuzumabe em pacientes com T1b. O
NCCN sugere esta indicação embora o nível de evidência seja inferior. Parece-nos que a decisão
deva ser bem individualizada e numa paciente jovem com outros fatores de risco como RH ausentes
ou G3 ou tumores muito proliferativos, a consideração de Trastuzumabe adjuvante é aceitável. Esta
paciente com um tumor de 8 ou 9mm pode ter um risco maior do que uma outra RH positivo, G2
com 11mm, por exemplo.
1.8. rotina de Acompanhamento após Tratamento Adjuvante
Uma vez concluído o tratamentoadjuvante, as pacientes com câncer de mama inicial
necessitam de um acompanhamento seriado. Devemos reconhecer que o risco de recidiva da
doença, embora maior nos primeiros anos, estende-se por muitos anos. Estudos prospectivos
sugerem não haver benefício em termos de sobrevida para um acompanhamento intensivo
(história e exame clínico, mamografia anual, radiografia de tórax, cintilografia óssea a cada seis
meses, bioquímica e ecografia hepática/abdominal). Até 75% das recidivas são detectadas como
consequência de alterações que surgem nos intervalos das consultas de acompanhamento.
Também é importante considerar que não existem evidências que indiquem melhora da sobrevida
ou qualidade de vida quando do tratamento precoce de pacientes com câncer de mama
metastático assintomático. Exames subsidiários como hemograma, bioquímica do sangue,
marcadores tumorais, radiografia de tórax e cintilografia óssea, não apresentam sensibilidade e
especificidade aceitáveis para ser recomendados rotineiramente. Exames de imagem mais
apurados como tomografia computadorizada de tórax e abdômen, ressonância magnética e PET-
CT não têm sido sistematicamente testados no acompanhamento de mulheres assintomáticas.
Nos anos que se seguem ao diagnóstico e tratamento adjuvante do câncer de mama, o
médico também deve estar atento a potenciais efeitos adversos tardios do tratamento incluindo
segundos tumores (câncer de endométrio, mielodisplasia, leucemia), disfunção miocárdica e
osteoporose entre outras manifestações relacionadas à menopausa. Ao mesmo tempo, a
possibilidade de uma recorrência local ou de um segundo primário na mesma mama ou na mama
contralateral deve ser sempre lembrada. O exame endometrial por biópsia ou a avaliação
endometrial por ecografia transvaginal seriadas em pacientes (em uso de tamoxifeno) sem
sintomas de sangramento não demonstrou ter benefício clínico e não é recomendado na rotina de
acompanhamento. Uma história clínica, exame físico, mamografia anual e educação continuada das
pacientes constituem o esqueleto de um acompanhamento adequado para pacientes que se
mantêm assintomáticas após tratamento inicial de câncer de mama. Devemos também destacar
uma preocupação particular com a saúde óssea destas pacientes após o tratamento adjuvante. A
quimioterapia pode resultar numa menopausa precoce e o tratamento hormonal prolongado
(particularmente com inibidores de aromatase) apresenta um risco aumentado de
desenvolvimento ou agravamento de osteoporose. Por este motivo, é recomendável a realização
de uma densitometria óssea anual no acompanhamento destas mulheres. As visitas médicas
podem ser recomendadas a cada 3 meses por dois anos, a cada 6 meses por 3 anos e anualmente
após o quinto ano.
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 45
1.9. Situações Especiais: Câncer de Mama na Gravidez e em Homens
1.9.1. Pacientes gestantes
Embora não se trate de uma situação corriqueira, o diagnóstico e o tratamento do câncer de
mama podem ocorrer durante uma gestação. No contexto do tratamento adjuvante, quando
indicada a quimioterapia, recomenda-se iniciar o tratamento a partir do segundo trimestre. Na
literatura, as drogas mais utilizadas no tratamento adjuvante como a doxorrubicina, ciclofosfamida,
fluorouracil e os taxanos, podem ser oferecidas sem risco de má formação fetal e complicações
peri-parto. Um cuidado importante é que o último ciclo de quimioterapia deve ser administrado
até 40 dias antes da data provável do parto, desta forma, se evita que tanto a mãe como o filho não
estejam leucopênicos no ato do parto. Com relação ao trastuzumabe, há descrição de oligodrâmnio
quando utilizado e, desta forma, recomenda-se utilizá-lo somente após o parto. No contexto da
radioterapia adjuvante, recomenda-se oferecer apenas após o parto. Embora a literatura seja
escassa, os efeitos da quimioterapia a longo prazo para o feto parecem não comprometer o
desenvolvimento neuropsicomotor e psicológico, e muito menos oferecer um risco de aparecimento
de neoplasias. 
1.9.2. Homens
O câncer de mama em homens é uma neoplasia rara, com cerca de 1750 novos casos por ano
nos EUA, sendo responsável por 0,5% dos óbitos por tumores em homens. Aproximadamente 90%
dos tumores são do tipo ductal invasor, enquanto o subtipo lobular é raro. Em mulheres, 60 a 70%
dos tumores de mama são receptor de estrógeno e progesterona positivos. Em contraste, 90% dos
tumores de mama em homens expressam receptor de estrógeno e 80% de progesterona. Em
relação à superexpressão de HER2, dados recentes têm sugerido que um menor número de tumores
no sexo masculino apresentam superxpressão de HER2, quando comparado a dados da população
feminina, aproximando-se a 10%. No Brasil, em 2008 foram registrados 125 óbitos em homens.
História familiar de câncer de mama e situações de desiquilíbrio hormonal, como excesso de
estrogênio e ausência de androgênio, existentes em hepatopatias, obesidade e Síndrome de
Klinefelter são fatores de risco. Em uma população não selecionada de homens com câncer de
mama 0 a 4% tem BCRA1 e 5 a 15% BRCA2. O NCCN recomenda que o teste seja oferecido aos
homens.
A apresentação clínica do câncer de mama em homens é semelhante ao das mulheres, com
uma média de idade maior (60 vs 53 anos). O diagnóstico, porém, se faz na grande maioria dos
casos com a doença avançada devido à baixa suspeição de neoplasia de mama em homens e a
ausência de rastreamento nesta população. 
O tratamento local da doença é na maioria das vezes realizado com mastectomia radical. A
cirurgia conservadora de mama pode ser realizada, porém, a pequena quantidade de tecido
mamário dificulta a técnica cirúrgica. O esvaziamento axilar é o padrão, porém a ASCO considera,
apesar da pouca evidência na literatura, a pesquisa de linfonodo sentinela aceitável. A radioterapia
pós-mastectomia segue as mesmas indicações de tumores de mama em mulheres, bem como o
tratamento sistêmico adjuvante. A definição do tratamento baseia-se em extrapolação dos
resultados observados em mulheres e em estudos retrospectivos que mostraram ganho de
sobrevida com o uso de quimioterapia adjuvante em homens. Quimioterapia é indicada em
tumores receptores negativos maiores do que 1cm ou linfonodo positivo. Por insuficiência de
dados, recomendamos protocolos similares aos de câncer de mama feminino, inclusive para
pacientes HER2 positivos. O tamoxifeno adjuvante é o tratamento hormonal de escolha em homens
com tumores de mama que expressam receptor hormonal, também com embasamento científico
em estudos retrospectivos. Não existem dados na literatura para o uso de inibidores de aromatase
nesta circunstância. 
46 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Os homens com câncer de mama metastático são inicialmente tratados com hormonio-
terapia. O tamoxifeno é a droga de escolha com cerca de 80% de resposta. Outros hormônios
podem ser usados utilizados em segunda linha, em pacientes hormônio-responsivos. A
quimioterapia é indicada em pacientes hormônio-refratários ou com doença visceral extensa. Os
esquemas utilizados são os mesmos indicados no câncer de mama feminino.
1.10. Considerações sobre o Tratamento Neoadjuvante
1.10.1. Introdução
Estimativas de várias instituições públicas que são responsáveis por aproximadamente 80%
do atendimento dos casos no país indicam que 64% dos casos se apresentam com estádios II (30%)
e III (34%). (H. do Câncer, H. de Oncologia e H. Luísa Gomes de Lemos (INCA/RJ), H. Aristides Maltez
(Salvador), H. Erasto Gaertner (Curitiba) e H. AC Camargo (São Paulo) apontando para a relevância
do tema. A quimioterapia neoadjuvante, administração de quimioterapia antes de um tratamento
local cirúrgico potencialmente curativo, foi inicialmente utilizada para tratamento de tumores
inoperáveis (localmente avançados) com o intuito de citorredução. São designados tumores
localmente avançados, aqueles que apresentam: fixação à parede torácica, envolvimento cutâneo,
linfonodos fusionados e/ou envolvimento de fossa supraclavicular ipsilateral. Também, no
tratamento de carcinomas inflamatórios,a quimioterapia neoadjvuvante é considerada padrão. O
carcinoma inflamatório representa cerca de 2,5% dos diagnósticos de câncer de mama e está
associado a sobrevida significativamente menor que pacientes com câncer de mama localmente
avançado não inflamatório (Hance et al., JNCI 2005). Entretanto, sobrevida em 10 anos de cerca de
30% é observada após tratamento multidisciplinar que envolve quimioterapia neoadjuvante.
Nas pacientes com câncer de mama operável, mas que não são candidatas a uma cirurgia
conservadora, o tratamento neoadjuvante pode ser considerado como uma alternativa, já que a
administração pré-operatória da quimioterapia resulta em uma diminuição do tamanho do tumor
permitindo uma diminuição geral de 18% na taxa de mastectomias (EBCTCG, Peto R et al, San
Antonio, 2006). Nos carcinomas que se apresentam em estádios iniciais, o tratamento neoadjuvante
tem resultados semelhantes ao tratamento adjuvante. Numa meta-análise que utilizou dados de
pacientes individuais de 9 estudos randomizados foi demonstrada equivalência quanto a SLD, SLD
à distância, e SG. (Mauri D, et al. JNCI 97:188, 2005). Revisando mais de 4600 pacientes em 11
estudos randomizados investigadores estimam 3% a mais de recorrências intramamárias, sem
diferencias em relação à sobrevida ou recorrências à distância em pacientes tratadas com
neoadjuvância (EBCTCG, Peto R et al, San Antonio, 2006; Wood, NCI, 2007). Entre outros elementos
que podem ser considerados, idade e status menopausal não devem influenciar a indicação de
terapia neoadjuvante. Da mesma forma, pode-se dizer que quimioterapia neoadjuvante é efetiva
e segura nos dois últimos trimestres de gestação. 
Recentemente, a quimioterapia neoadjuvante tem sido bastante usada como ensaio clinico
para avaliar a sensibilidade a novos protocolos e drogas. A observação feita pelo estudo do NSABP
B18 e B27 de que a PCR se correlaciona com a sobrevida livre e global, instituiu a PCR como um
desfecho precoce. Entretanto, recentemente, este conceito tem sido reavaliado, pois reconhecemos
que os tumores luminais A são de bom prognóstico e não responsivos a quimioterapia
neoadjuvante. Desta forma, a observação de pCR como desfecho precoce não pode ser aplicada a
todos os tumores. 
1.10.2. Vantagens de se fazer quimioterapia Neoadjuvante
1) Maiores chances de realizar uma cirurgia conservadora.
2) Possibilidade de observar uma resposta in vivo do tumor.
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 47
3) Identificação de pacientes (seleção) que respondem muito bem ao tratamento (pCR)
4) Observar, acompanhar e estudar marcadores biomoleculares alternativos que podem ser
avaliados antes, durante e depois do tratamento. 
1.10.3. Desvantagens de se fazer quimioterapia Neoadjuvante
Necessidade de equipe multidisciplinar integrada: oncologista clínico, mastologista e
radioterapeuta. Aspecto positivo por existir maior discussão do caso, porém, algumas vezes difícil
na prática clinica.
Ao escolhermos a abordagem neoadjuvante, alteramos o estadiamento patológico do tumor.
Gânglios axilares que eram comprometidos podem tornar-se negativos pelo efeito do tratamento
neoadjuvante. Portanto, a quimioterapia neoadjuvante não deve alterar a indicação inicial de
tratamento quando utilizada em tumores localmente avançados. A determinação do linfonodo
sentinela em quimioterapia neoadjuvante ainda não é recomendada como padrão.
A quimioterapia neoadjuvante utilizada com o intuito de preservação da mama de fato
diminuiu o número de mastectomias, entretanto, existem evidências de um aumento no número
de recorrências intramamárias após o tratamento neoadjuvante, quando comparado com o
tratamento cirúrgico inicial. Finalmente, existe a possibilidade de progressão da doença em casos
de resistência primária ao tratamento sistêmico (ocorre em <5% das pacientes). Também, como
comentado antes, isto não compromete os parâmetros de sobrevida ou sobrevida livre de doença.
1.10.4. Avaliação patológica do tumor primário antes da QT Neoadjuvante
A avaliação anátomo-patológica antes da QT neoadjuvante requer uma biópsia por trucut
(core), não sendo aceitável somente a citologia de um aspirado por agulha fina (FNA). É necessário
fazer uma avaliação patológica e imunoistoquímica completas que inclua Grau, RE, RPg, Ki-67,
HER2 e invasão vascular nesta amostra inicial. Eventualmente, poderá ser necessário obter várias
biópsias ou até mesmo fazer o procedimento sob orientação por imagem. Com o crescente
desfecho de resposta patológica completa, é indispensável que a biópsia inicial permita a avaliação
de todos os fatores prognósticos/preditivos necessários para a completa condução do caso.
1.10.5. Marcação do tumor
Colocação de clips (marcadores ou localizadores) ou de tatuagens de pele para delimitação
do tumor antes de iniciar o tratamento quimioterápico é mandatório visto que observamos entre
15-35% de resposta clínica completa no caso de tratamento neoadjuvante. Isto não é necessário
em pacientes com contraindicação à cirurgia conservadora (isto é que, independentemente do
resultado do tratamento neoadjuvante devem ser submetidas a uma mastectomia), a saber:
microcalcificações difusas na mama, doença multicêntrica, grandes tumores centralizados, doença
do colágeno que contraindique radioterapia adjuvante.
1.10.6. Avaliação de doença sistêmica antes do tratamento Neoadjuvante
O estadiamento sistêmico é mandatório em pacientes com doença localmente avançada:
laboratório, Radiograma de tórax, ecografia abdominal e cintilografia óssea. Nas pacientes com
doença inicial, o estadiamento segue as regras gerais (deverá ser definido pelo grupo). A
investigação deve levar em consideração o risco de doença sistêmica e os sintomas que a paciente
apresente. Em pacientes abaixo de 35 anos, deve ser considerada a realização de RM de mama
devido a frequência de tumores multicêntricos ou contralaterais não identificados ao US e
mamografia. O PET-CT vem sendo usado com frequência em centros internacionais nestes casos,
mas seu exato papel, custo e acessibilidade ainda são fatores limitantes para a sua popularização.
É fato que, em muitos casos, o resultado causa impacto na decisão terapêutica cirúrgica e sistêmica. 
48 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
1.10.7. Qual o melhor regime?
Não existe nenhuma razão biológica para considerar que qualquer regime quimioterápico
que funcione depois da cirurgia não seja eficaz antes dela. Um regime adjuvante aceitável é
também e deve ser considerado como um regime neoadjuvante aceitável. Preferencialmente,
realizar toda a QT antes da cirurgia. A maior parte dos estudos em neoadjuvância empregou
esquemas contendo antraciclinas e ciclofosfamida, e mais recentemente taxanes, como o estudo
B27 (AC x4 seguido de Docetaxel x4). Pacientes com positividade para receptores hormonais têm
uma expectativa menor de resposta quando comparados a receptores ausentes. A hiperexpressão
de HER2 (FISH positivo ou IHQ 3+) em estudos randomizados tem valor preditivo para resposta
patológica completa com a associação de quimioterapia e trastuzumabe com índices próximos ou
superiores a 50% (mais do que o dobro do que se via antes sem o uso de trastuzumabe, como visto
no NOAH e no Geparquinto). Entretanto, a duração do tratamento e a combinação de escolha ainda
não estão definidos. Favorecemos o uso de esquemas que na fase do taxane incorporem o
anticorpo sendo que após a cirurgia o tempo total de 1 ano seja completado. A utilização do
esquema de Buzdar et al (Paclitaxel + T seguido de FEC com T deve ser visto como um esquema
aceitável (>50% de pCR) mas a preocupação da concomitância de trastuzumabe com a epirrubicina
é altamente relevante pelo risco de toxicidade cardíaca de longo prazo. 98 Recomendamos, portanto,
o uso de trastuzumabe em todos os casos de QT neoadjuvante, desde que não haja contraindicação
para o uso do anticorpo. Recentemente, o uso de Lapatinibe (NEO-ALTO e outros), Bevacizumabe
(ASCO 2011) e Pertuzumabe (NeoSphere) foram apresentados, mas esta indicação ainda deve ser
considerada experimentalaté o presente momento. 
1.10.8. Hormonioterapia Neoadjuvante
A hormonioterapia neoadjuvante tem sido descrita como uma opção terapêutica eficaz desde
1989 por autores ingleses. Recentemente, com a incorporação dos inibidores de aromatase no
tratamento do câncer de mama na pós-menopausa e a constatação de que os tumores com
receptores hormonais positivos respondem menos à quimioterapia, esta modalidade terapêutica
tem sido alvo de grandes estudos. O estudo IMPACT comparou na neoadjuvância anastrozol versus
tamoxifeno isolado e a associação. Demonstrou maior taxa de cirurgia conservadora com anastrozol
isolado, embora não tenha existido diferença na resposta. (JCO 23:5108, 2005). Embora, a duração
exata do tratamento neoadjuvante ainda não tenha sido estabelecido estudos demonstram que
tratamentos por mais de 6 meses aumentam a taxa de resposta clinica. (Breast Cancer Res Treatment
113:145,2009). A pCR não é um bom desfecho intermediário para este grupo de pacientes. Estudos
moleculares apontam para a redução de Ki-67 após 15 dias de tratamento como um possível
marcador precoce de resposta.
1.11. APÊNDICE 1: Estadiamento (resumido do AJCC 2002)
Tamanho do Tumor (T)
• Tx - tumor não pode ser avaliado
• T0 - Sem evidência de tumor primário
• Tis - carcinoma in situ
• T1 - tumor com até 2cm em sua maior dimensão
• T1 mic - carcinoma microinvasor (até 1mm)
• T1a - tumor com até 0,5 cm em sua maior dimensão
• T1b - tumor com mais de 0,5 e até 1cm em sua maior dimensão
• T1c - tumor com mais de 1cm e até 2cm em sua maior dimensão
• T2 - tumor com mais de 2cm e até 5cm em sua maior dimensão
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• T3 - tumor com mais de 5cm em sua maior dimensão
• T4 - qualquer T com extensão para pele ou parede torácica
• T4a- extensão para a parede torácica
• T4b - edema (incluindo peau d'orange), ulceração da pele da mama, nódulos cutâneos satélites 
na mesma mama
• T4c - associação do T4a e T4b
• T4d - carcinoma inflamatório
Observações: 
a. O comprometimento do músculo grande peitoral não caracteriza T4 
b. Presença de retração da pele ou papila não interfere no estadiamento.
Linfonodos regionais (N)
• Nx - Os linfonodos regionais não podem ser avaliados
• N0 - Ausência de metástase
• N1 - Linfonodo(s) homolateral(is) móvel(is) comprometido(s)
• N2 - Metástase para linfonodo(s) axilar(es) homolateral(is), fixos uns aos outros ou fixos a 
estruturas vizinhas ou metástase clinicamente aparente somente para linfonodo(s) da cadeia
mamária interna homolateral
• N2a - Metástase para linfonodo(s) axilar(es) homolateral(is) fixo(s) uns aos outros ou fixos à 
estruturas vizinhas
• N2b - Metástase clinicamente aparente somente para linfonodo(s) da cadeia mamária interna 
homolateral, sem evidência clínica de metástase axilar
• N3 - Metástase para linfonodo(s) infraclavicular(es) homolateral(is) com ou sem comprometimento
do(s) linfonodo(s) axilar(es), ou para linfonodo(s) da mamária interna homolateral clinicamente
aparente na presença de evidência clínica de metástase para linfonodo(s) axilar(es) homolateral(is),
ou metástase para linfonodo(s) supraclavicular(es) homolateral(is) com ou sem comprometimento
do(s) linfonodo(s) axilar(es) ou da mamária interna
• N3a - Metástase para linfonodo(s) infraclavicular(es) homolateral(is)
• N3b - Metástase para linfonodo(s) da mamária interna homolateral e para linfonodo(s) axilar(es)
• N3c - Metástase para linfonodo(s) supraclavicular(es) homolateral(is) 
Observação: 
Clinicamente aparente é definido como detectado por estudos de imagem (exceto linfocintigrafia), pelo
exame clínico ou pelo diagnóstico patológico macroscópico.
Metástases (M)
• Mx - metástase à distância não pode ser avaliada
• M0 - ausência de metástase à distância
• M1 - presença de metástase à distância
30. Fonte: UICC, 2002; * qq = qualquer
Estádio 0 Tis N0 M0
Estádio I T1 N0 M0
Estádio IIA T0 N1 M0 / T1 N1 M0 / T2 N0 M0
Estádio IIB T2 N1 M0 / T3 N0 M0 
Estádio IIIA T0 N2 M0 / T1 N2 M0 / T2 N2 M0 / T3 N1 M0 / T3 N2 M0
Estádio IIIB T4 N0 M0 / T4 N1 M0 / T4 N2 M0
Estádio IIIC Tqq N3 M0
50 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Estádio IV Tqq Nqq M1*
1.12. APÊNDICE 2: Esquemas de QT mais Utilizados
HErA
Trastuzumabe após quimioterapia adjuvante: 8mg/kg EV primeira dose, seguido de 6mg/kg
EV doses subsequentes, por 1 ano NEJM 2005; 353:1659-1672.
NSABP B31
AC a cada 3 semanas x 4 > Paclitaxel a cada 3 semanas x 4 + Trastuzumabe semanal por 52
semanas NEJM 2005; 353:1673-1684.
NCCTG
AC a cada 3 semanas x 4 > Paclitaxel semanal por 12 semanas + Trastuzumabe semanal por
52 semanas. NEJM 2005; 353:1673-1684.
BCIrG 006
DCH – Docetaxel 75mg/m2 e Carboplatina AUC6 a cada 3 semanas, por 6 ciclos, com
Trastuzumabe semanal iniciando com a quimioterapia, passando a cada 3 semanas ao término da
QT, até completar 1 ano. Breast Cancer Res Treat 2005; 94 (supp 1): S5.
FEC100 / CEF120
Ciclofosf. 500(600)mg/m2 EV D1 (D8) 5Fluorouracil 500(600)mg/m2 EV D1 (D8) Epirrubicina
100(120)mg/m2 EV D1 21 dias J Clin Oncol 2001; 19:602-611.
FEC90-P
Ciclofosf. 600mg/m2 EV D1, 5Fluorouracil 600mg/m2 EV D1, Epirrubicina 90mg/m2 EV D1 21
dias, Paclitaxel 100mg/m2 x8 GEICAM 9906 J Clin Oncol.
TAC
Ciclofosfamida 500mg/m2 EV D1, Doxorrubicina50 mg/m2 EV D1, Docetaxel 75mg/m2 EV D1
com G-CSF 21 dias NEJM 2005; 352:2302-2313.
AC
Ciclofosfamida 600mg/m2 EV D1, Doxorrubicina 60mg/m2 EV D1, 21 dias J Clin Oncol 2002;
20:3114-3121.
AC-P
Seqüência de AC (x 4) e Paclitaxel 175mg/m2(x 4) ou 80mg/m2 EV x12, 21 dias ou semanal , J
Clin Oncol 2003; 21: 976-983 e PASCO 2007:Abs 517.
AC-P dose densa
AC a cada 2 semanas (x 4), seguido de Paclitaxel 175mg/m2 cada 2 semanas (x 4) com G-CSF
após cada ciclo 5-8 dias 14 dias J Clin Oncol 2003; 21:1431-1439.
AC-D
Ciclofosfamida 600mg/m2 EV D1, Doxorrubicina 60mg/m2 EV D1, 21 dias (x4) seguido de
Docetaxel 100mg/m2 (x4)
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 51
CMF 
Ciclofosfamida 50mg/m2 VO D1-D14, 5Fluorouracil 600mg/m2 EV D1 e D8, Metotrexate
40mg/m2 EV D1 e D8, 28 dias Eur J Cancer 1991; 27:966-970.
FAC
Ciclofosfamida 500mg/m2 EV D1, 5Fluorouracil500 mg/m2 EV D1, Doxorrubicina 50mg/m2 EV
D1, 21 dias Cancer 1999; 85:1091-1097.
Buzdar Neo
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Capítulo 2
Câncer de Mama Metastático
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 59
Editor: Dr. Gilberto Luiz da Silva Amorim 
Autores: Dr. Bruno Lemos Ferrari, Dr. Carlos Sampaio, Dr. Daniel Luiz Gimenes, Dr. Gustavo Fernando
Veraldi Ismael, Dr. Jacques Bines, Dr. Jeferson Vinholes, Dra. Leticia Carvalho Neuenschwander,
Dr. Mário Alberto Dantas, Dr. Sérgio Simon
60 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 61
Introdução
Há importantes variações no manejo das pacientes com câncer de mama em diferentes
regiões do Brasil. Isto é resultado tanto de disparidades nas condições assistenciais quanto de
treinamento e conhecimento heterogêneo por parte dos responsáveis pelo cuidado das pacientes.
Evidências na literatura científica sugerem que o desenvolvimento de diretrizes pode resultar numa
maior consistência na assistência oferecida numa determinada situação clínica. É neste cenário
que a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) propõe estas diretrizes para o manejo do
câncer de mama metastático.
Este documento é exclusivamente dirigido ao médico responsável pelo cuidado e aconselha-
mento de pacientes com um diagnóstico de câncer de mama metastático. Mesmo com suas
limitações, pretendemos refletir um amplo consenso das diferentes alternativas de conduta
aceitáveis de acordo com as evidências existentes na atualidade. Estas diretrizes procuram facilitar
o processo de discussão compartilhada entre médico e paciente, o que poderá resultar na melhor
recomendação terapêutica para cada situação. 
Deve ser destacado que estas diretrizes não pretendem definir uma única alternativa correta
para o manejo de cada caso. Eventualmente, decisões fora das aqui recomendadas poderão ser
necessárias em situações clínicas especiais. Entretanto, quando alguma recomendação for feita
fora destes padrões, é razoável esperar que seja acompanhada de uma sólida justificativa. É
importante lembrar que entre muitas variáveis, a atitude filosófica frente à doença varia de
indivíduo para indivíduo assim como também podem variar os recursos diagnósticos e a disponibi-
lidade de oferecer determinados tratamentos em algumas circunstâncias.
Por uma questão meramente prática o conteúdo deste documento será dividido nos
seguintes temas:
1. Introdução: Diagnóstico da Doença Metastática / Fatores Prognósticos e Fatores Preditivos;
2. Terapia Endócrina;
3. Quimioterapia;
4. Tratamento de Pacientes Com Câncer de Mama HER2 Positivo;
5. Duração do Tratamento;
6. Manejo da Doença Mestatática Óssea com Bisfosfonatos;
7. Considerações em Pacientes Geriátricas;
8. Metastasectomia / Tratamento Local do Câncer de Mama Avançado.
2.1. Introdução: Diagnóstico da Doença Metastática / 
Fatores Prognósticos e Fatores Preditivos
2.1.1. Introdução
O câncer de mama metastático (CMM) ou recidivado é uma entidade heterogênea e requer
do oncologista clínico uma abordagem criteriosa. Esta condição já está presente, ao diagnóstico,
Capítulo 2
Câncer de Mama Metastático
62 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
em cerca de 7-10% das pacientes, mas pode desenvolver-se em até 20% das pacientes com axila
negativa e em 50-85% das pacientes com axila positiva.
Em sua fase metastática, considera-se como uma doença incurável e os principais objetivos
são a melhoria da qualidade de vida, a prevenção e o controle efetivo dos sintomas, bem como o
aumento, quando possível, do tempo de sobrevida. A sobrevida mediana destas pacientes é de 2
a 3 anos, mas cerca de 3-10% podem sobreviver por 10 ou mais anos. Há grande heterogeneidade
de apresentações clínicas, com pacientes evoluindo de forma fulminante, com rápido desenvol-
vimento de metástases para órgãos vitais, resistência à terapêutica e óbito em alguns meses,
enquanto que outras pacientes apresentam um curso indolente, com longos períodos de resposta
clínica, com longa sobrevida. O progresso no conhecimento da biologia molecular do câncer de
mama levou ao reconhecimento de distintos “subgrupos histológico/moleculares” de câncer de mama,
cada qual com uma evolução característica, e que requerem distintas abordagens terapêuticas.
Para que estes objetivos sejam atingidos, é necessária uma definição clara do diagnóstico, dos
sítios de metástases e uma avaliação de fatores prognósticos e preditivos .
2.1.2. Avaliação Diagnóstica
A confirmação anátomo-patológica não é necessária na maioria dos casos de recidiva, porém
pode ser indicada nos casos de apresentação incomum ou dúvida quanto à origem da lesão, ou
ainda para a realização de estudos da expressão de receptores hormonais – estrógeno (RE) e
progesterona (RPg) – e da proteína HER2. Recentemente várias publicações têm recomendado
sempre que possível a biópsia dametástase, pois além da possibilidade de variação da
imunohistoquímica (em até 20% para os RH e até 10% para a proteína HER2), existe a possibilidade
de que artefatos pré-analíticos, analíticos e pós-analíticos possam ter prejudicado a análise do
tumor primário. Dados de literatura indicam, ainda, que em 10 a 20% dos casos, outro tumor
primário pode ser identificado no curso da investigação da doença metastática, com óbvias
implicações clínicas. 
Além da detalhada anamnese e do completo exame físico, deve-se solicitar exame hematológico
completo, provas de função hepática (incluindo bilirrubinas, transaminases, fosfatase alcalina e
desidrogenase láctica), radiografia ou tomografia de tórax, cintilografia óssea e avaliação hepática
por tomografia computadorizada ou ultrassonografia1. Em pacientes com tumores triplo negativo
e com hiperexpressão de HER2, alguns autores recomendam a realização de RNM de crânio, mesmo
em pacientes assintomáticas, mas esta conduta é questionada por outros estudos2. O uso dos
marcadores biológicos CA 15-3, CEA, no diagnóstico, é discutível e não é indicado por todos os
autores, mas pode ser útil na monitorização da resposta clínica, não devendo ser usado de forma
isolada para a determinação de progressão ou não de doença. O PET-CT vem sendo usado
frequentemente em vários centros nestes casos, mas apesar de sua grande sensibilidade na
detecção de doença metastática, seu custo e acessibilidade ainda são fatores limitantes para o seu
acesso em nosso meio. 
2.1.3. Fatores prognósticos
Os principais fatores independentes são estado geral da paciente mensurado pela
performance status (medidas pelas escalas ECOG ou Karnofsky), o sítio de metástase, o número de
sítios de acometimento metastático, a presença de receptores hormonais e da hiperexpressão
proteína HER2, o intervalo entre o final da adjuvância e o diagnóstico da doença metastática, o
uso prévio de quimioterapia adjuvante ou paliativa e o subtipo histológico/molecular do câncer de
mama. Vale ressaltar que muitas pacientes podem se enquadrar num grupo intermediário, que
não seria nem favorável nem desfavorável. (Tabela 1).
O subtipo histológico/molecular do tumor é outro fator prognóstico importante. As pacientes
que apresentam os chamados tumores do tipo “Luminal A” (caracterizados por forte expressão do
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 63
RE e do RPg, ausência de hiperexpressão da proteína HER2 e um Ki-67 abaixo de 15%) possuem
melhor prognóstico e se caracterizam, clinicamente, por metástases preferenciais a pele, tecidos
moles, linfonodos e ossos. Os tumores caracterizados como “Luminal B” (caracterizados por uma
marcação positiva, porém mais fraca, dos receptores hormonais e por um k-i67 mais alto e cerca de
50% das pacientes com hiperexpressão de HER2) têm prognóstico significativamente pior do que
os tumores classificados como “Luminal A” e, apesar de terem receptores hormonais, frequentemente
causam metástases viscerais. O subtipo dos tumores “HER2 positivos” (HER2+) (definidos pela
hiperexpressão da proteína HER2 na superfície da célula tumoral e ausência de receptores
hormonais, geralmente com Ki-67 elevado) são tumores de prognóstico mais reservado, por terem
tendência a rápida disseminação metastática visceral, sobrevida livre de doença e sobrevida global
inferior aos tumores luminais. Finalmente, os tumores chamados de “Triplo Negativos” (definidos
pela ausência de receptores hormonais e de proteína HER2, muitas vezes com presença das
citoqueratinas 5 e 14, bem como expressão do EGFR) se constituem num grupo relativamente
heterogêneo de tumores, mas geralmente com prognóstico mais desfavorável.
Tabela 1 - Fatores prognósticos1
Fator Prognóstico
performance status
sítios de doença
número de sítios de doença
receptores hormonais
HER2
intervalo livre de doença
quimioterapia adjuvante
quimioterapia paliativa
Favorável
bom
ossos, partes moles
poucos
positivos
negativo
> 2 anos
não
não
Desfavorável
ruim
vísceras
múltiplos
negativos
positivo
< 2 anos
sim
sim
2.1.4. Fatores preditivos para a resposta aos tratamentos
A expressão de RE ou RPg pelas células tumorais é altamente preditivo de resposta à
hormonioterapia (HT). Sua determinação está, portanto, indicada em todas as pacientes. Nas
pacientes do tipo “Luminal B”, nas quais a marcação geralmente é fraca, o tratamento deve ser
individualizado, mas a terapia endócrina não deve ser omitida somente por este motivo.
Recomendações internacionais recentemente publicadas (ASCO-CAP) indicam que positividade
para receptores hormonais deve ser considerada a partir de >1% de expressão. 
A hiperexpressão de HER2 avaliada através de imunohistoquímica (IHQ) ou pela técnica de
FISH é fortemente preditiva de resposta ao trastuzumabe. Considera-se que pacientes com escore
3+ pela IHQ ou FISH positivas sejam consideradas como passíveis de resposta ao trastuzumabe.
Por outro lado, pacientes com IHQ escores 0 ou 1+ ou teste de FISH negativo são consideradas não
sensíveis ao trastuzumabe. Pacientes com escore 2+ na IHQ devem ser submetidas ao teste de FISH
, para confirmação da amplificação do gene HER2.
2.2. Terapia Endócrina
O tratamento hormonal deve ser considerado como primeira opção de tratamento em
pacientes com câncer de mama hormônio dos tipos “Luminal A” e “Luminal B” (positivos para RE e
RPg) que apresentam as seguintes características clínicas:
1. ausência de crise visceral;
64 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
2. longa expectativa de sobrevida;
3. doença metastática de evolução indolente (que pode ser difícil de definir);
2.2.1. Tratamento hormonal para paciente na pós-menopausa
O tamoxifeno foi, durante muitos anos, considerado como a primeira opção de tratamento no
tratamento do câncer de mama metastático responsivo à terapia endócrina. Com a emergência
dos inibidores de aromatase de terceira geração (anastrozol, letrozol e exemestano) e do
fulvestranto, houve um significativo incremento no arsenal terapêutico para o câncer de mama
metastático neste cenário. É importante sempre confirmar o diagnóstico de menopausa, pois
algumas mulheres em amenorréia ainda têm níveis relativamente elevados de estradiol e baixos
níveis de FSH, sugerindo função ovariana residual, o que torna inadequado o uso dos inibidores de
aromatase e do fulvestranto.
2.2.2. Hormonioterapia de Primeira Linha
Devido à superioridade terapêutica frente ao tamoxifeno em estudos randomizados, os
inibidores de aromatase de terceira geração - anastrozol4, letrozol5 ou exemestano6 são recomendados
como primeira opção de terapia endócrina, em pacientes na pós-menopausa. Uma meta-análise
publicada em 2006 favorece o uso dos inibidores da aromatase em 1ª linha, inclusive com melhora
de sobrevida. Há ainda que se considerar qual a terapia endócrina utilizada na adjuvância na
escolha da melhor estratégia de tratamento na recorrência. Em caso de uso prévio apenas de
tamoxifeno, com intervalo livre de doença inferior a dois anos, os inibidores são a melhor opção de
tratamento. Entretanto um número frequente de pacientes já recebeu tamoxifeno seguido de
inibidores da aromatase na adjuvância, ou mesmo somente um inibidor de aromatase, o que coloca
o fulvestranto como opção em tratamento de primeira linha na doença metastática. Neste cenário
também há que se considerar a questão da dose de fulvestranto: estudos recentes sugerem que a
dose de 500mg/mês pode estar associada a melhores resultados do que a dose de 250mg/mês,
atualmente aprovada no Brasil. Para pacientes que já tenham recebido letrozol ou anastrozol,
fulvestranto e exemestano apresentaram atividade bastante similar em estudo randomizado. O
tamoxifeno pode também ser considerado para as pacientes que usaram somente inibidores da
aromatase na adjuvância.
2.2.3. Hormonioterapia de Segunda Linha
Após falha ao tamoxifeno, os inibidores de aromatase de terceira geração ou o fulvestranto estão
indicados como terapia de segunda linha. Em caso de falha aos inibidores reversíveis da aromatase
de terceira geração (anastrozol e letrozol)pode-se utilizar exemestano ou fulvestranto7. O estudo
EFECT, publicado em 2010, não demonstrou diferença na resposta objetiva, sobrevida global e
tempo livre de progressão entre o uso de exemestano e fulvestranto após falha aos inibidores de
aromatase não esteroidais. Tamoxifeno8, progestágenos como o acetato de megestrol 160mg/dia
ou dietilestilbestrol (6mg/dia) são outras opções de tratamento em linhas subsequentes. 
É importante lembrar que as pacientes com tumores com receptores hormonais positivos
mais indolentes, tipo “Luminal A”, frequentemente respondem a inúmeras linhas de hormonioterapia.
Caso não haja urgência clínica ou rápida evolução da doença, a hormonioterapia deve ser sempre
sugerida como a melhor opção de tratamento para doença metastática nestas pacientes,
procurando se esgotar todas as linhas de tratamento possíveis. 
2.2.4. Tratamento Hormonal na pré-menopáusica
Tamoxifeno ou ablação/supressão ovariana competem como a melhor abordagem
terapêutica do câncer de mama metastática em mulheres na pré-menopausa. Estudos randomizados
e uma meta-análise sugerem que a combinação do tamoxifeno com ablação ovariana resultou em
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 65
melhor taxa de resposta, melhor tempo para progressão e maior sobrevida quando comparada à
ablação ovariana isolada. 
Pode-se, portanto, utilizar o tamoxifeno, supressão da função ovariana com agonista LHRH
(gosserrelina) ou preferencialmente ambos9. A ooforectomia cirúrgica ou actínica tem eficácia
semelhante aos agonistas LH-RH, porém com menor custo a longo prazo. Apesar dos dados
insuficientes sobre a utilização de inibidores de aromatase ou fulvestranto neste cenário, sua
utilização deve incluir alguma forma de ablação/supressão ovariana, seguindo a lógica das
pacientes menopausadas. 
2.3. Quimioterapia
É importante lembrar que na doença metastática devem-se escolher estratégias de
tratamento que tenham como objetivos o controle dos sintomas, a manutenção da qualidade de
vida e, sempre que possível, o ganho de sobrevida.
2.3.1. Câncer de mama metastático: agentes isolados versus poliquimioterapia
Estudos recentes evidenciaram que a poliquimioterapia apresenta maior taxa de resposta e
aumento do intervalo até a progressão em relação à monoterapia, sem, no entanto, ganho de
sobrevida global e à custa de maior toxicidade. Este assunto é polêmico, mas a decisão deve ser
individualizada e baseada na necessidade de respostas mais rápidas e nas condições clínicas da
paciente: aquelas com necessidade de uma resposta rápida devido à gravidade do quadro clínico
devem receber poliquimioterapia, enquanto que pacientes com quadros um pouco mais indolentes
geralmente são tratadas com agentes únicos.
No tratamento paliativo, o estado geral da paciente, a sensibilidade à terapia endócrina, a
expressão de HER2/neu e a extensão da doença sistêmica, ajudam a determinar qual a melhor
opção de tratamento. Pacientes com pior performance status, devem ser tratadas com esquemas
de menor toxicidade sistêmica. Eventualmente, algumas destas pacientes devem ser consideradas
para suporte paliativo exclusivo, devido aos riscos que estas pacientes apresentam quando
expostas à quimioterapia. 
Existem diferentes cenários possíveis para uma apresentação de doença metastática, gerando
uma grande variedade de opções terapêuticas iniciais e subsequentes. Alguns exemplos podem ser
vistos na Tabela 2. Os esquemas mais utilizados e suas referências podem ser encontrados no final
deste capítulo (Apêndice).
Vários agentes citotóxicos promovem respostas objetivas (redução de pelo menos 30% na
soma dos maiores diâmetros de lesões metastáticas alvos) entre 20% e 60% em pacientes sem
tratamento prévio para doença metastática. Os taxanos (paclitaxel, docetaxel e nab-paclitaxel –
este último ainda não disponível no Brasil) e as antraciclinas (doxorrubicina, doxorrubicina
lipossomal e epirrubicina) são considerados os agentes mais ativos e eficazes. Os taxanos produzem
respostas clínicas entre 30% e 50% em pacientes consideradas como resistentes às antraciclinas.
Paclitaxel semanal, docetaxel a cada 21 dias e nab-paclitaxel são superiores ao paclitaxel a
cada 21 dias. A combinação de antraciclinas e taxanos produz uma maior taxa de resposta clínica,
entretanto nenhum estudo randomizado conseguiu demonstrar superioridade da combinação em
sobrevida global quando comparada à terapia seqüencial com os mesmos agentes. Vale lembrar
que a cardiotoxicidade das antraciclinas é cumulativa e o risco de um evento cardíaco aumenta
consideravelmente após 400-450mg/m2 de doxorrubicina. Também ressaltamos que a segurança
cardíaca é maior com o uso de doxorrubicina lipossomal.
66 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Pacientes com benefício clínico em tratamentos prévios podem se beneficiar de sucessivas
linhas de tratamento, às vezes 4 ou 5 linhas, embora com tendência ao encurtamento da duração
da resposta. Cabe ao senso crítico do oncologista para julgar a oportunidade de interromper a
quimioterapia e recomendar suporte e cuidados paliativos. Pacientes com boa performance status
podem ser elegíveis para participação em estudos clínicos utilizando novas alternativas terapêuticas.
2.3.2. Pacientes previamente tratadas com antracíclicos e taxanos
O uso de antraciclinas foi durante muito tempo o alicerce do tratamento quimioterápico
adjuvante do câncer de mama. Mais recentemente, os taxanos foram incorporados ao tratamento
quimioterápico adjuvante em maior escala. Em termos gerais, tem sido frequente a abordagem
terapêutica de pacientes com recorrência do câncer de mama após uma exposição prévia a alguma
antraciclina e/ou algum taxano no seu tratamento adjuvante, o que limita a escolha dos agentes
quimioterápicos para o tratamento da doença metastática ou recidivada.
As alternativas que podem ser consideradas para o tratamento de pacientes com câncer de
mama metastático ou recidivado e previamente expostas a antraciclinas e taxanos são as seguintes:
• trocar pelo taxano não utilizado (paclitaxel ou docetaxel); 
• antracíclico lipossomal10; 
• tratamento com outros agentes quimioterápicos: gencitabina +/- cisplatina, capecitabina11,
vinorelbine12,13, quimioterapia metronômica ou cisplatina. A eribulina foi aprovada em 2010 nos
EUA após demonstrar benefício em sobrevida global em pacientes previamente tratadas com várias
linhas de tratamento, porém este agente ainda não está disponível no Brasil.
• combinações: capecitabina/vinorelbina, gencitabina/vinorelbina, capecitabina/gencitabina,
5-FU infusional +/- vinorelbina ou gencitabina/cisplatina. 
É importante destacar que a maioria dos tratamentos aqui citados são baseados em estudos
de Fase II, entretanto consagrados pela prática devido ao evidentes benefícios clínicos observados.
Tabela 2 - Tratamento do câncer de mama metastático
Doença óssea 
ou visceral
assintomática, 
em pacientes 
com receptores
hormonais
positivos.
Doença visceral
sintomática ou
extensa 
Pacientes que
superexpressam
HER2/Neu
1ª Linha
Terapia endócrina +/-
inibidor da osteólise;
radioterapia em áreas de
dor intensa ou risco de
fratura
Quimioterapia isolada ou
associada a Bevacizumabe
***
Trastuzumabe +/- QT ou
HT
2ª Linha
Se mantiver o padrão
ósseo, tentar outra
terapia endócrina.
QT****
> 3ª Linha
Nova manipulação
endócrina* OU
quimioterapia.
QT
* esgotar endócrino antes de iniciar quimioterapia
** Estudos retrospectivos sugerem trocar QT e manter Trastuzumabe
Estudos recentes sugerem a combinação de Lapatinibe com Capecitabina na progressão após falha de trastuzumabe.
*** Dar preferência a Paclitaxel semanal quando associado a Bevacizumabe
**** Análise do RIBBON2 (ASCO 2011) é positiva para a adição de Bevacizumabe em 2ª linha, mas esta indicação ainda não
consta em bula.
***** Estudo de fase 3 com duplo bloqueio do HER2 é positivo 
Manter supressão do HER2 ** com
Trastuzumabe/Lapatinibe + QT de 2ª linha
(T+L)*****
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 67
2.3.3. Novas alternativas de tratamento sistêmico
• Inibidores da PARP:Os inibidores da poli (ADP-ribose) polimerase-1 (PARP-1) são ainda
experimentais estão interessantes principalmente para as pacientes triplo-negativas. Estudo de
fase II publicado no NEJM em 01/2011 utilizou iniparibe em associação com gencitabina e
carboplatina, com dados favoráveis ao grupo tratado com o inibidor da PARP. No entanto, o estudo
de fase III apresentado na ASCO 2011 foi negativo. Nas pacientes com mutações de BRCA 1 e 2,
outra molécula em estudo, com resultados iniciais promissores, é o olaparibe. Não há indicação
uso destes agentes na prática clínica no presente momento. 
• Agentes antiangiogênicos: O bevacizumabe foi aprovado em combinação com taxanos no
tratamento de primeira linha metastática. Esta aprovação baseia-se em 3 estudos fase III (ECOG
2100, AVADO, RIBBON-1) que demonstraram que a adição do bevacizumabe a taxanos (em especial
no estudo ECOG2100, com paclitaxel semanal) aumenta significativamente a taxa de resposta
assim como o tempo livre de progressão, sem benefício na sobrevida global. Meta-análise
apresentada na ASCO 2010 confirmou estes achados, e não conseguiu observar nenhum efeito na
sobrevida global. O uso de Bevacizumabe com quimioterapia pode ser considerado em casos
selecionados na existência de metástases viscerais e/ou já refratários ao tratamento endócrino.
Nesta situação, considerar paclitaxel semanal com bevacizumabe. Devemos atentar para o risco
de maior toxicidade quando se associa bevacizumabe (mielotoxicidade, neurotoxicidade,
fenômenos tromboembólicos, sangramento). A agência reguladora européia (EMEA) aprovou a
associação com paclitaxel semanal e em Maio 2011 ampliou esta indicação também para
capecitabina. Mais recentemente (ASCO 2011) foi apresentado o benefício para aquelas pacientes
que não receberam bevacizumabe em 1ª linha, mas o receberam de forma sequencial em
associação com quimioterapia na 2ª linha (RIBBON-2). Este estudo demonstrou aumento
significativo da sobrevida livre de progressão e tendência para aumento de sobrevida global,
notadamente para pacientes com câncer de mama triplo negativo. Até o momento do fechamento
deste capítulo (Junho de 2011) ainda aguardamos a decisão acerca da retirada da indicação para
tratamento do câncer de mama metastático pelo FDA.
2.4. Tratamento de Pacientes com Câncer de Mama Her2 Positivo
Cerca de 20 a 25% das pacientes com câncer de mama apresentam hiperexpressão do proto-
oncogene HER2/neu14. Existe sólida evidência na literatura de que a presença da hiperexpressão da
proteína HER2 confere a estes tumores um pior prognóstico e interfere na resposta terapêutica à
quimioterapia e à terapia endócrina, funcionando desta forma como fator prognóstico. 
O trastuzumabe é o tratamento padrão para as pacientes com câncer de mama metastático
HER2 positivas15,16. Entretanto, a combinação com quimioterapia ou hormonioterapia assim como
a seqüência ideal ainda não estão estabelecidas. A escolha depende da extensão da doença, do
acometimento visceral e das morbidades associadas, da mesma forma como ocorre com as
pacientes HER2 negativas. Apenas deve ser lembrado que drogas cardiotóxicas devem ser evitadas
em função da possibilidade do uso prolongado do trastuzumabe. O uso concomitante de
antraciclinas e trastuzumabe é contra-indicado pela elevada incidência de cardiotoxicidade, muitas
vezes irreverssível.
Pode-se escolher uma dose inicial de 4mg/kg seguida de 2mg/kg semanal ou uma dose inicial
de 8 mg/kg seguida de 6mg/kg a cada 3 semanas. O trastuzumabe pode ser administrado
associado à quimioterapia com paclitaxel +/- carboplatina, docetaxel, gencitabina +/- cisplatina17,18,
vinorelbina19 ou capecitabina20. Recente estudo demonstrou equivalência da combinação de
vinorelbina com trastuzumabe quando comparada à combinação docetaxel e trastuzumabe, tanto
em resposta clínica como em sobrevida livre de progressão e sobrevida global, com uma grande
68 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
vantagem no perfil de segurança para o grupo de pacientes que receberam vinorelbina e
trastuzumabe26. Após a resposta máxima ou estabilização da doença recomenda-se manter o
trastuzumabe até progressão. 
Em pacientes que progridem em tratamento com quimioterapia e trastuzumabe alguns
especialistas recomendam manter o trastuzumabe além da progressão e acrescentar um novo
quimioterápico como, por exemplo, capecitabina. O estudo GBG26 foi demonstrou benefício desta
estratégia: a taxa de resposta foi maior, além de maior tempo até a progressão (embora não se
tenha documentado ganho em sobrevida global). Vale lembrar que este estudo foi interrompido
precocemente, o que levou a um menor número de pacientes randomizadas. 
A alternativa padrão para as pacientes que progridem doença em vigência de trastuzumabe
é a associação de lapatinibe e capecitabina, conforme estudo de fase III no qual pacientes foram
randomizadas para capecitabina com ou sem lapatinibe. Este estudo mostrou aumento significativo
do tempo livre de progressão no braço de tratamento combinado. Outro estudo neste cenário foi
feito com a adição de lapatinibe a pacientes que já receberam trastuzumabe ou o inibidor de
tirosina-quinase isolado. O duplo bloqueio foi superior, mas ainda não há aprovação para esta
indicação. Em linhas gerais, a sugestão da literatura é que o bloqueio ao sistema HER2 deve ser
continuado, com trastuzumabe, lapatinibe ou a combinação de ambos.
Pacientes com hiperexpressão do HER2 e receptores hormonais positivos podem se beneficiar
da combinação de um agente anti-HER2 e uma terapia endócrina. O estudo TAnDEM demonstrou
aumento da sobrevida livre de progressão para pacientes na pós-menopausa que adicionaram
trastuzumabe ao anastrozol no tratamento do câncer de mama com receptor hormonal positivo e
HER2 positivo, quando comparadas à terapia isolada com anastrozol. Outro tratamento já aprovado
em pacientes que progrediram ao trastuzumabe e que têm receptores hormonais positivos é a
associação de letrozol com lapatinibe, conforme estudo GF 30008. Neste estudo, a adição de
lapatinibe ao letrozol aumentou a sobrevida livre de progressão, a taxa de resposta e o benefício
clínico, sem benefício na sobrevida global.
2.5. Duração do Tratamento
O tratamento do CMM baseado em hormonioterapia, seja com tamoxifeno, seja com
inibidores de aromatase ou com qualquer outra abordagem endócrina, pode ser extendida até a
progressão da doença. As pacientes em uso de tamoxifeno deverão ser acompanhadas quanto ao
maior risco de eventos tromboembólicos e aquelas pacientes tratadas com inibidores de aromatase
deverão ser avaliadas e seguidas quanto para a sua densidade óssea.
Ainda não há um consenso com relação à duração do tratamento do CMM com quimioterapia.
Assim, a duração ideal do tratamento na ausência da progressão de doença não é bem definida.
Pequenas vantagens em sobrevida podem representar muito para uma paciente com CMM, porém,
deve-se sempre considerar os riscos e toxicidades associados a um tratamento prolongado com
quimioterapia . Não há indicação para manutenção de quimioterapia por mais de 6-8 ciclos, salvo
situações de pacientes que continuam apresentando resposta ou benefício clínico na ausência de
efeitos colaterais limitantes. De forma prática, tem-se recomendado administrar mais 2 ciclos de
tratamento além da resposta máxima.
No uso de antraciclinas, deve-se sempre considerar a dose acumulada, respeitando-se a dose
máxima para a redução dos riscos relacionados à cardiotoxicidade. No uso de taxanos, é infrequente
a extensão além de 24 semanas (8 ciclos a cada 21 dias) pela elevada incidência de eventos
adversos.
Na ASCO de 2007, um estudo de manutenção com doxorrubicina lipossomal demonstrou
aumento do tempo até a progressão mas sem benefício de sobrevida global. O mesmo já havia
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 69
sido tentado com paclitaxel, sem sucesso. Em pacientes com doença responsiva à terapia endócrina
pode ser oportuno reintroduzir hormonioterapia após a interrupção da quimioterapia.
2.6. Manejo da Doença Metastática Óssea comBisfosfonatos
As diretrizes da ASCO publicadas em 2003 consideram os dados de superioridade do
zoledronato (Ácido Zoledrônico: 4 mg intravenoso a cada 4 semanas) sobre o pamidronato (90 mg
intravenoso a cada 3 semanas) insuficientes e recomendam igualmente os dois agentes22. O
clodronato não é aprovado nos Estados Unidos, embora seja aprovado internacionalmente,
inclusive no Brasil. O NCCN (National Comprehensive Cancer Network) de 2011 indica o uso de
zolendronato em pacientes com metástases ósseas líticas ou blásticas, com preferência para as
metástases líticas. Não está claro o tempo total de uso destes medicamentos, mas recomenda-se
atenção para o uso além de 2 anos. 
Regularmente devemos checar a função renal destas pacientes e ficar atentos para o uso
concomitante com procedimentos invasivos dentários, pelo risco de osteonecrose de mandíbula.
Em pacientes que progrediram com pamidronato, pode ser tentado o zoledronato. Existem
evidências de que o denosumabe seja superior ao zoledronato na redução da incidência de fraturas
e eventos esqueléticos, mas esta droga não está disponível no Brasil até o momento.
2.7. Considerações em Pacientes Geriátricas
O número de pacientes diagnosticadas com câncer de mama e idade superior a 65 anos é
significativo e cabem aqui algumas considerações especiais para estas pacientes. A expectativa de
vida para uma mulher sem morbidades e com 65 anos fica ao redor dos 17,5 anos em países
ocidentais, enquanto que em mulheres com 80 anos sem morbidades esta expectativa gira em
torno dos 8,5 anos. A idade cronológica não pode ser um fator determinante na terapêutica, sendo
que o oncologista deve considerar as morbidades associadas e as reservas funcionais da paciente
(função cardíaca, renal, hepática e hematológica). O grau de autonomia para as atividades diárias
e o nível cognitivo também deve ser considerado. Condições de morbidades aumentam com a
idade e usualmente são os maiores fatores limitantes para a sobrevida destas pacientes e para a
tolerância ao tratamento.
A proporção de pacientes com expressão de receptores hormonais aumenta com a idade, e
a terapia endócrina é ferramenta importante para estas pacientes, especialmente quando
consideramos o perfil de segurança destes agentes. Combinando com uma maior mortalidade e
morbidade em pacientes idosas, o benefício absoluto da quimioterapia tende a ser menor quando
comparado ao benefício em pacientes jovens sem expressão de receptores hormonais.
Alguns eventos adversos da quimioterapia são mais frequentes e de maior gravidade em
pacientes idosas do que em pacientes jovens, especialmente a neurotoxicidade (taxanos, sais de
platina, alcalóides da vinca) e toxicidade renal (sais de platina, metotrexate e bisfosfonatos).
Toxicidade cardíaca (antraciclinas e trastuzumabe) também é mais frequente em pacientes idosas,
o que pode direcionar a escolha da terapêutica. Na idosa, é particularmente importante não se
esquecer de ajustar a dose do quimioterápico para a função renal e hepática.
70 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
2.8. Metastasectomia / Tratamento Local em Pacientes com Câncer
Avançado
Cerca de 6% das pacientes com câncer de mama em nosso país já se apresentam com doença
metastática ao diagnóstico inicial. Nestas, o tratamento cirúrgico do tumor primário, frequentemente
tem sido deixado de lado, pelo caráter irreversível da doença e pela prioridade do tratamento
sistêmico. Entretanto, nos últimos anos, alguns estudos (em sua maioria série de casos uni-
institucionais ou estudos retrospectivos de vários centros) têm destacado que aquelas pacientes
que receberam algum tipo de tratamento local (cirurgia com ou sem radioterapia ou radioterapia
isolada) apresentam benefício inclusive com maior sobrevida global. Este benefício parece ser mais
significativo nas pacientes operadas com margens livres, com toda doença macroscópica ressecada.
Deve-se ponderar a ausência de estudos prospectivos, mas em pacientes com uma boa evolução
da doença sistêmica, pode-se considerar a discussão sobre o tratamento local. 
Outro cenário polêmico é o de ressecção cirúrgica de metástases, a metastasectomia. Em
diferentes cenários, esta estratégia tem recebido atenção dos pesquisadores. Em pacientes com
bom prognóstico e bom controle da doença sistêmica, alguns grupos de grandes centros (MDACC
nos EUA, por exemplo) têm apresentado resultados promissores de ressecção de metástases
hepáticas, ósseas (esterno principalmente) e mais raramente pulmonares. Há que se reforçar o caráter
excepcional destas indicações em casos altamente selecionados e por profissionais experientes
nesta estratégia. Outra alternativa que vem sendo utilizada é a ablação por radiofreqüência (ARF),
em especial nos casos extremamente selecionados de metástases hepáticas pequenas e isoladas
(de até 3cm), onde a ARF é uma alternativa à metastasectomia cirúrgica, embora o índice de falha
seja relevante. 
Apêndice - Esquemas de Tratamento mais Utilizados em Câncer de Mama
Nome
Doxorrubicina
Docetaxel
Docetaxel+
Capecitabina
Paclitaxel
Vinorelbina
Capecitabina
Gencitabina +
Cisplatina
Lapatinibe
Lapatinibe+
capecitabina
Descrição
50-75mg/m2 EV D1
75 a 100mg/m2 EV D1
75mg/m2 EV D1 +
1000mg/m2 VO D1-14
175mg/m2 EV D1
80mg/m2 EV D1, D8 e D15
25 a 30mg/m2 EV D1 e D8
1.000mg/m2 VO 12/12 h por 14 dias
(dose mais correta)
1.200mg/m2 EV D1, D8 e D15
750mg/m2 EV D1 e D8 + 
Cis 30mg/m2 EV D1 e D8
1500mg/dia VO contínuo
1250mg/dia VO contínuo +
2000mg/m2/dia D1-14 VO 
Intervalo
21 dias
21 dias
21 dias
21 dias
semanal
semanal
21 dias
28 dias
21 dias
diário
referência
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π CMF modificado em cenário paliativo tem eficácia semelhante ao CMF clássico, embora em adjuvância este último seja
considerado o padrão.
Obs: 5-FU infusional, 5-FU inf + vinorelbina podem ser usados excepcionalmente
Nome
Trastuzumabe
Doxorrubicina
lipossomal
CMFπ Modificado
FAC
Nav-Gem
GT
Paclitaxel-
Bevacizumabe
FEC
Metronômica
Mitoxantrona
Descrição
4mg/kg EV primeira dose, seguido de
2mg/kg EV doses subsequentes
8mg/kg EV primeira dose, seguido de
6mg/kg EV doses subsequentes 
40-50 mg/m2 EV D1
Ciclofosfamida 600mg/m2 EV D1
5Fluorouracil 600mg/m2 EV D1
Metotrexate 40mg/m2 EV D1
Ciclofosfamida 500 mg/m2 EV D1
5Fluorouracil 500mg/m2 EV D1
Doxorrubicina 50mg/m2 EV D1
Vinorebina 25mg/m2 + Gemcitabina
100mg/m2 EV D1 e D15
Gemcitabina 1.200mg/m2 EV D1 e
D8, com Paclitaxel 175mg/m2 EV D1
Paclitaxel 90 mg/m2 EV D1, D8, D15
Bevacizumabe 10 mg/Kg 
Ciclofosfamida 500mg/m2 EV D1
5-Fluorouracil 500mg/m2 EV D1
Epirrubicina 75-100mg/m2 EVD1
Ciclofosfamida 50mg/dia contínuo +
Metotrexate 2,5mg/dia D1 e D2 de
cada semana com hemograma
quinzenal
Mitoxantrona 12mg/m2 EV D1
Intervalo
semanal
21 dias
28 dias
21 dias
21 dias
28 dias
21 dias
28 dias
14 dias
21 dias
Contínuo
21 dias
referência
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Capítulo 3
Câncer de Colo de Útero
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 73
Editora: Dra. Cristiana de Lima Tavares de Queiroz Marques
Autores: Dr. Eriberto de Queiroz Marques, Dr. Eriberto de Queiroz Marques Jr., Dr. Diego Chaves
Rezende Morais, Dra. Káthia Cristina Abdalla, Dra. Angelina Maia, Dr. Erasto Tenório Filho, Dra. Carla
Limeira Barreto, Dra. Liliane Massad Duarte Chousinho e Dra. Eliane de Oliveira Trigueiro
74 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Capítulo 3
Câncer de Colo de Útero
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 75
3.1. Considerações sobre HPV e Vacinas 
Atualmente, são identificados mais de 100 tipos de HPV que acometem a espécie humana.
Desses, 40 tipos são responsáveis pela infecção do trato anogenital. Aproximadamente 15 tipos
são potencialmente oncogênicos. São chamados de “Alto Risco” e os mais frequentes são os 16, 18,
45, 31, 33, 52, 58 e 35. É inegável a correlação “HPV de Alto Risco” com NEOPLASIA Intraepitelial
Cervical (NIC)/Câncer do colo do útero, da vagina, e parte dos tumores de vulva e canal anal. A
incidência de HPV oncogênico é mais elevada em mulheres jovens, mas o risco de infecção e/ou
reinfecção permanece durante toda a vida. Os subtipos de HPV chamados de ”Baixo Risco” são
aqueles que podem provocar as verrugas genitais e os mais frequentes são 6 e 11, responsáveis por
90% dos condilomas. Mais de 80% das infecções por HPV sejam elas por HPV de alto ou de baixo
risco, são transitórias, assintomáticas e se resolvem espontaneamente. Os subtipos de HPV 16 e 18
são responsáveis por até 70% dos cânceres do colo do útero em todo o mundo e a infecção
persistente por um tipo de HPV oncogênico é necessária para a formação do câncer de colo de
útero. Condições que diminuem a imunidade favorecem a oncogênese, tais como infecção pelo
HIV. O HPV tem uma proteína na sua capa chamada L1 e a partir dessa proteína foram produzidas
as “partículas semelhantes a vírus”, as chamadas VLP, que quando utilizadas nas vacinas, induzem
excelente resposta imune, além de serem seguras porque não possuem o DNA do HPV, dando a
certeza de que não irão causar infecção por este último ou a oncogênese. É possível que os altos
e sustentados níveis de anticorpos provocados pela vacinação, sejam o principal fator de proteção
contra os HPV, pois na infecção, de forma natural por este vírus também aparecem esses anticorpos,
porém, seus níveis são muito inferiores aos produzidos pela vacina contra HPV. Esta vacina tem
caráter preventivo e impede a contaminação pelos subtipos de HPV mais frequentes na gênese
do câncer ano-genital e verrugas. Na bula das vacinas a idade recomendada é de 10 a 25 anos para
a da GSK (Glaxo SmithKline) e de 9 a 26 anos para a da MSD (Merck Sharp Dohme). Os estudos
mostraram que é nessa faixa etária que se encontra o maior número de mulheres sem infecção
pelo HPV. Sem dúvida, o ideal é vacinar as mulheres mais jovens, antes do contato sexual, ou com
menor número de parceiros, porém há estudos evidenciando que essas vacinas são imunogênicas
e seguras até os 55 anos de idade. Embora, haja contra-indicação para o uso da vacina na gestação,
os estudos não evidenciaram problemas nem para o feto, nem para a gestante que fez uso da
vacinano início da gravidez. Contudo, por precaução, se a mulher engravidar durante o esquema
da vacinação o mesmo deverá ser interrompido e reiniciado um mês após o parto a partir da dose
realizada, não sendo necessário reiniciar o esquema. Não é recomendada a vacinação com as duas
vacinas de forma sequencial (uma após a outra). O esquema vacinal completo é feito com três
doses em seis meses. Caso haja descontinuação das doses, será recomendado continuar o esquema
a partir da dose feita, isto é, não precisa reiniciar o esquema. Mesmo após a vacinação faz-se
necessário manter os exames preventivos de rotina (citologia e colposcopia). Existem duas vacinas
aprovadas pelos órgãos regulatórios:
• Vacina contra HPV oncogênico (16 e 18, recombinante, com adjuvante AS04) da GSK (Glaxo
Smith Kline). Esquema vacinal: três doses com 0, 1 e 6 meses, via IM.
• Vacina quadrivalente recombinante contra HPV (Tipos 6, 11, 16 e 18) da MSD (Merck Sharp
Dohme). Esquema vacinal: três doses com 0, 2 e 6 meses, via IM.
76 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
3.2. Subtipos Histológicos
Os carcinomas epidermóides representam cerca de 80% dos subtipos histológicos enquanto
os subtipos restantes são compostos pelos adenocarcinomas e suas variantes (endometrióide,
células claras, adenoescamoso, adenocístico, adenobasal e carcinoma Glassy Cell) que juntos perfazem
os 20% restantes. Há controvérsias em relação à agressividade daqueles dois tipos histológicos,
porém alguns estudos evidenciam agressividade maior nos adenocarcinomas sugerindo que os
adenocarcinomas e os carcinomas adenoescamosos têm prognóstico mais reservado quando
comparados aos carcinomas escamosos, particularmente quando há extensão extracervical1. Não
há diferença nas opções terapêuticas utilizadas em relação aos subtipos histológicos.
3.3. Estadiamento (FIGO) / TNM (AJCC, 2010)
0: carinoma in situ ou neoplasia intraepitelial grau III. IA/T1a: carcinoma invasivo
diagnosticado somente pela microscopia; invasão do estroma cervical ≤ 5mm e a extensão ≤ 7mm;
IA1/T1a1: invasão do estroma ≤ 3mm e a extensão ≤ 7mm; IA2/T1a2: invasão do estroma >3mm
e ≤ 5mm e extensão ≤ 7mm; IB/T1b: lesão clínica confinada ao colo uterino ou lesão microscópica
maior que a do estádio IA; IB1/T1b1: lesão clínica ≤ 4cm; IB2/T1b2: lesão > 4cm; II/T2: tumor invade
além do útero, mas não a parede pélvica ou o terço inferior da vagina; II/T2a: ausência de invasão
dos paramétrios; IIA1/T2a1: lesão clínica ≤ 4cm; IIA2/T2a2: lesão clínica > 4cm; IIB/T2b: invasão
de paramétrios; III/T3: extensão do tumor até parede pélvica ou envolvimento do1/3 inferior da
vagina sem extensão para a parede pélvica; IIIB/T3b: extensão até a parede pélvica e/ou
hidronefrose ou rim não funcionante; IIIB/N1: metástases para linfonodos regionais; IV: extensão
além da pelve verdadeira ou invasão (confirmada por biópsia) da mucosa da bexiga ou reto. Edema
bolhoso vesical apenas não permite que um caso seja alocado no estádio IV; IVA/T4: invasão de
órgãos adjacentes; IVB/M1: doença à distância.
I T1N0M0
II T2N0M0
III T3N0M0
IV
IA T1aN0M0
IIA T2aN0M0
IIIA T3aN0M0
IVA T4N0-1M0
IA1 T1a1N0M0
IIA1 T2a1N0M0
IIIB T3bN0M0
T1-3N1M0
IVB T1-3N0-1M1
IA2 T1a2N0M0
IIA2 T2a2N0M0 IIB T2bN0M0
3.4. Exames de Estadiamento
• Exame físico e ginecológico (especular, toque vaginal e retal);
• Hemograma completo, creatinina sérica, glicemia de jejum, fosfatase alcalina, TGO (AST),
TGP (ALT);
• ECG e parecer cardiológico;
• Marcadores virais de hepatite B e C, teste anti-HIV;
• Radiografia do tórax e Ultrassonografia do abdome total;
• TC ou RNM do abdome total devem ser solicitados em casos selecionados objetivando avaliar
o acometimento linfonodal2;
• Uretrocistoscopia com ou sem biópsia e Retossigmoidoscopia com e sem biópsia podem ser
solicitados em casos suspeitos de invasão vesical e retal nos estágios IIB, III e IV2;
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 77
• PET-CT pode adicionar informações em relação ao acometimento linfonodal para-aórtico
como fator excludente de cirurgia, porém ainda não há dados que estabelecem sua solicitação de
rotina no estadiamento do câncer cervical 2-3;
3.5. Tratamento
3.5.1. Estágio IA1: tumores microinvasivos
O tratamento de escolha é o cirúrgico sendo a histerectomia total preconizada se a
profundidade da invasão for menor que 3mm comprovadamente pela conização com as margens
de ressecção cirúrgicas livres e ausência de invasão vascular ou dos canais linfáticos. Nestes casos,
a frequência de metástase linfonodal é mínima não justificando a linfadenectomia. Conservam-se
os ovários em pacientes com idade inferior a 50 anos. A ooforectomia será indicada na presença
simultânea de patologia própria do ovário. A conização é uma opção se a profundidade da invasão
for menor que 3mm, com AUSÊNCIA de invasão vascular ou dos canais linfáticos e as margens de
ressecção cirúrgica do cone forem NEGATIVAS. Conização pura é apropriada para aquelas pacientes
que querem preservar a fertilidade.4,5,6,7,8,9 Estes tumores apresentam baixo risco de acometimento
parametrial e taxa de comprometimento dos linfonodos pélvicos inferior a 1%. Sendo assim,
pacientes inoperáveis devido a comorbidades, podem ser tratadas com sucesso com braquiterapia
exclusiva (06 inserções de 7Gy cada de braquiterapia de alta taxa de dose). Os resultados com
braquiterapia isolada para tumores microinvasivos são excelentes, comparáveis aos obtidos em
séries cirúrgicas, com taxas de sobrevida livre de progressão em 10 anos de 98-100% e com perfil
de toxicidade bastante favorável 10.
3.5.2 . Estágio IA2, IB1 e IIA1: tumores invasivos iniciais não-volumosos
3.5.2.1. Cirurgia
• Estágio IA2: a histerectomia radical modificada (Tipo II de PIVER) é selecionada em
pacientes com invasão tumoral entre 3mm e 5mm. Tal conduta é fundamentada em evidências de
até 10% de metástase linfonodal. A injeção de 2mL de azul patente no colo uterino durante a
cirurgia traz benefício ao permitir melhor identificação da rede linfática tumoral.
• Estágio IB1: a histerectomia radical com linfadenectomia pélvica bilateral (TIPO III de PIVER
ou Wertheim-meigs). Conservação dos ovários em pacientes até 50 anos. Ooforopexia nas goteiras
parieto-cólicas para retirar os ovários do campo de tratamento radioterápico em caso de
necessidade de radioterapia adjuvante. Castração cirúrgica nas pacientes climatéricas ou com
patologias próprias dos ovários. Como artifício técnico para diminuir a incidência de margens de
ressecção cirúrgica vaginal exígua ou comprometida recomenda-se uma abordagem via vaginal
para delimitar a margem vaginal adequada no primeiro tempo cirúrgico. Faz-se a mensuração
macroscópica ou criomicrotomia, em sala cirúrgica para o estudo das margens. A injeção de 2mL
de azul patente no colo uterino durante a cirurgia traz benefício ao permitir melhor identificação
da rede linfática tumoral. Na ocasião, a linfadenectomia para-aórtica é assertiva para fins de
estadiamento e prognóstico e nas mãos de um cirurgião oncológico experiente não aumentará a
morbidade. Outrossim, tal procedimento orientará o rádio-oncologista na sua programação de
tratamento adjuvante em caso de evidência de metástase na região para-aórtica11.
• Estádio IB2: a conização semiótica, APÓS O TRATAMENTO PRIMÁRIO, em casos tecnicamente
factíveis para fins de evidenciar presença de doença residual viável e neste caso realizar Wertheim-
meigs com linfadenectomia para-aórtica em pacientes operáveis(Salvage Surgery). A injeção de
2mL de azul patente no colo uterino durante a cirurgia traz benefício ao permitir melhor
identificação da rede linfática tumoral que se encontram modificados pelas reações actínicas. Como
artifício técnico para diminuir a incidência de margens de ressecção cirúrgica vaginal exígua ou
78 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
comprometida recomenda-se uma abordagem via vaginal para delimitar a margem vaginal
adequada no primeiro tempo cirúrgico. Faz-se a mensuração macroscópica ou criomicrotomia, em
sala cirúrgica para o estudo das margens 11.
• EstádioIIA: Histerectomia radical com linfadenectomia pélvica bilateral (Tipo III de PIVER
ou Wertheim-meigs), com colpectomia proximal adequada (margem vaginal mínima deverá distar
2,5cm do tumor). Como artifício técnico para diminuir a incidência de margens de ressecção
cirúrgica vaginal exígua ou comprometida recomenda-se uma abordagem via vaginal para deli-
mitar a margem vaginal adequada no primeiro tempo cirúrgico. Faz-se a mensuração macroscópica
ou criomicrotomia, em sala cirúrgica para o estudo das margens. Conservação dos ovários em
pacientes até 50 anos. Ooforopexia nas goteiras parieto-cólicas para retirar os ovários do campo de
tratamento radioterápico em caso de necessidade de radioterapia adjuvante. Castração cirúrgica
nas pacientes climatéricas ou com patologias próprias dos ovários. A injeção de 2mL de azul patente
no colo uterino durante a cirurgia traz benefício ao permitir melhor identificação da rede linfática
tumoral. Na ocasião, a linfadenectomia para-aórtica é assertiva para fins de estadiamento e
prognóstico e nas mãos de um cirurgião oncológico experiente não aumentará a morbidade.
Outrossim, tal procedimento orientará o rádio-oncologista na sua programação de tratamento
adjuvante em caso de evidência de metástase na região para-aórtica11. 
3.5.2.1. Radioterapia
Nessas pacientes, os resultados terapêuticos são excelentes. A cirurgia ou a radioterapia
proporcionam a mesma chance de cura, devendo o tratamento ser individualizado. Somente um
único estudo prospectivo de fase III, publicado por Landoni, comparou a cirurgia com a radioterapia
em pacientes com tumores iniciais de colo uterino. Este importante estudo randomizou 343
pacientes com tumores estágio IB e IIA para cirurgia radical ou radioterapia exclusiva. Os resultados
demonstraram não haver diferença entre as duas modalidades de tratamento na sobrevida global
(83% em ambos os grupos), bem como na sobrevida livre de doença (74% em ambos os grupos)12.
Além disso, a radioterapia esteve associada a um melhor perfil de toxicidade, com taxa de
complicações grau II e III de 28% no grupo da cirurgia e de 12% no grupo da radioterapia
(p=0,0004).12 Com base nos resultados deste estudo, tanto a cirurgia quanto a radioterapia são
consideradas opções de tratamento adequadas para esse grupo de pacientes, devendo a escolha
ser discutida com o paciente e particularizada para cada caso. Nos casos em que se opta pela
radioterapia, recomenda-se o uso de 45-50Gy de radioterapia externa sobre pelve com ou sem
quimioterapia semanal a base de platina e posterior braquiterapia (04 inserções de 7Gy cada ou 05
inserções de 6Gy cada com braquiterapia de alta taxa de dose) 13, 14. 
3.5.2.3. Radioterapia e Quimioterapia Adjuvantes
Em pacientes inicialmente tratadas com cirurgia, a radioterapia adjuvante exclusiva deve ser
recomendada se houver pelo menos dois dos critérios abaixo:
• presença de invasão linfovascular;
• histologia desfavorável (adenocarcinoma ou adenoescamoso);
• tumores grau III;
• presença de invasão estromal profunda;
• tumores com mais de 4cm.
Tais pacientes apresentam risco intermediário de recidiva e o uso da radioterapia adjuvante é
justificado por estudo randomizado de fase III publicado pelo GOG (GOG 92/RTOG 8706). Este estudo
incluiu 277 pacientes submetidas à histerectomia radical e linfadenectomia pélvica e que apresentavam
pelo menos dois dos critérios acima. Os resultados, recentemente atualizados, demonstraram que o
uso da radioterapia adjuvante neste contexto proporcionou redução de 46% no risco de recorrência
e redução significativa no risco de progressão ou morte (hazard ratio 0,58, p=0,007) 15, 16.
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 79
A radioterapia adjuvante em concomitância com a quimioterapia deve ser preferida em
pacientes com critérios de alto risco para recidiva após cirurgia:
• linfonodos positivos;
• margem exígua (<3mm) ou positiva;
• paramétrios comprometidos.
Em pacientes com tais achados histológicos, existem evidências de estudo de fase III, também
publicado pelo GOG (GOG 109/SWOG 8797), com 268 pacientes. Este estudo incluiu pacientes
inicialmente tratadas com cirurgia e que apresentavam pelo menos um dos critérios acima, as quais
foram randomizadas para radioterapia adjuvante com ou sem quimioterapia associada (o
tratamento quimioterápico neste estudo baseou-se em cisplatina 70mg/m2 e fluorouracil
1000mg/m2 infusão contínua por 4 ciclos). Os resultados demonstraram que a adição da
quimioterapia baseada em platina proporcionou ganho na sobrevida livre de doença em 4 anos
(63% com radioterapia adjuvante versus 80% com radioquimioterapia adjuvante, p=0,003) e na
sobrevida global em 04 anos (71% versus 81%, respectivamente, p=0,007) 17. Estudo fase III
publicado como abstract da ASCO 2010 avaliou a associação de radioterapia à quimioterapia
baseada em platina administrada de forma adjuvante em 271 pacientes portadoras de câncer
cervical de alto risco e seu objetivo foi comparar quimioradioterapia com cisplatina 40mg/m2
semanal à combinação de paclitaxel 175mg/m2 e carboplatina AUC5 a cada 3 semanas seguido de
radioterapia (50,4Gy). Os critérios de inclusão foram histerectomia e dissecção linfonodal prévia por
câncer cervical estádios IIB ou IB-IIA e pelo menos um dos seguintes fatores de risco: linfonodo
positivo, invasão vascular, invasão linfática, histologia de adenocarcinoma ou estágio > T1b1. A
sobrevida livre de progressão (objetivo primário) em dois anos foi de 82,2% (95%IC 75,1 – 89,3) para
o braço do CDDP versus 88% (95%IC: 82,1 – 93.9) no braço do taxane (p=0,126) e a sobrevida global
em 5 anos foi 85,8% para o braço do CDDP e 78,9% para o braço do taxane (p=0,251). Toxicidade
hematológica graus 3/4 foi superior no braço do CDDP e alopecia (p<0,001) e neurotoxicidade
(p<0,001) no braço do taxane 18. Este estudo não evidencia superioridade do braço contendo
taxane e por isso ele pode ser considerado uma alternativa em pacientes não candidatas ao uso da
cisplatina. Atualmente, existem dois estudos em andamento que buscam elucidar melhor o papel
do tratamento adjuvante nos tumores de colo uterino ressecados: GOG 263 e GOG 724. No GOG
263, estão sendo recrutadas pacientes com tumores de colo uterino submetidas à histerectomia e
linfadenectomia pélvica que apresentam invasão linfovascular associada a pelo menos um dos
seguintes critérios: invasão estromal profunda (terço profundo); penetração de 2/3 do estroma e
tumor com mais de 2 cm de diâmetro; penetração superficial do estroma e tumor de pelo menos
5cm de diâmetro. Já as pacientes sem invasão linfovascular devem ter invasão de pelo menos 2/3
do estroma e tumor com pelo menos 4 cm de diâmetro. A randomização é entre radioterapia
adjuvante isolada ou radioquimioterapia adjuvante com cisplatina semanal 19. Já o estudo GOG
724, está incluindo pacientes tratadas inicialmente com cirurgia com pelo menos um dos seguintes
critérios: linfonodos pélvicos positivos, paramétrios comprometidos ou linfonodos para-aórticos
positivos, complemente ressecados e com PET-CT negativo após cirurgia. Estas pacientes são
randomizadas para radioquimioterapia adjuvante baseada em cisplatina semanal seguida ou não
por carboplatina e paclitaxel por 04 ciclos20. Ambos os estudos estão atualmente recrutando pacientes
e seus resultados podem mudar o contexto da adjuvância nos tumores de colo uterino no futuro.
3.6. Estágio IB2, IIA2: tumores invasivos iniciais volumosos
Com base nos resultados do estudo prospectivo italiano citado anteriormente, a cirurgia não
representa uma boa opção de tratamento para tumores iniciais volumosos. Isso se justifica por
dois motivos. Primeiro, porque os resultados da cirurgia, em termos de sobrevida global e controle
80 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
local, são equivalentes aos obtidos com radioterapia exclusiva, não havendo diferença entre ambas
as modalidades terapêuticas em termos de curabilidade 5. Segundo, porque a maioria das pacientes
com tumores volumosos (60-80%) submetidas à cirurgia como tratamento inicialirão necessitar de
tratamento adjuvante com radioterapia, associada ou não à quimioterapia, o que resulta em um
perfil de toxicidade bastante desfavorável 5. Sendo assim, pacientes com tumores iniciais volumosos
devem ser preferencialmente tratadas com radioterapia associada à quimioterapia (categoria 1 do
NCCN). Os esquemas quimioterápicos utilizados nesse contexto serão os mesmos abordados nos
tumores localmente avançados. As doses recomendadas são semelhantes às utilizadas para
tumores não volumosos: 45-50Gy de radioterapia externa sobre pelve em associação com
quimioterapia semanal a base de platina e posterior braquiterapia (04 inserções de 7Gy cada ou 05
inserções de 6Gy cada com braquiterapia de alta taxa de dose) 6,7. 
3.7. Estágio IIB, III e IVA: tumores localmente avançados
3.7.1. Cirurgia
• Estádio IIB: a conização semiótica APÓS O TRATAMENTO PRIMÁRIO e, em casos
tecnicamente factíveis, para fins de evidenciar presença de doença residual viável e em caso de
RESSECABILIDADE, realizar WERTHEIM-MEIGS AMPLIADA com linfadenectomia para-aórtica em
pacientes operáveis (SALVAGE SURGERY). A injeção de 2mL de azul patente no colo uterino no
transcirúrgico não traz benefícios técnicos uma vez que os canais linfáticos se encontram
modificados pelas reações actínicas. Como artifício técnico para diminuir a incidência de margens
de ressecção cirúrgica vaginal exígua ou comprometida recomenda-se uma abordagem via vaginal
para delimitar a margem vaginal adequada no primeiro tempo cirúrgico. Faz-se a mensuração
macroscópica ou criomicrotomia, em sala cirúrgica para o estudo das margens.
• Estádio IIIA e IIIB: biópsias vaginais e conização semiótica APÓS O TRATAMENTO PRIMÁRIO.
Em caso de doença residual e RESSECABILIDADE realizar WERTHEIM-MEIGS AMPLIADA,
COLPECTOMIA ADEQUADA e linfadenectomia para-aórtica em pacientes operáveis (Salvage
Surgery). Como artifício técnico para diminuir a incidência de margens de ressecção cirúrgica
vaginal exígua ou comprometida (o que não deve ocorrer, pois não haveria mais terapia adjuvante
disponível), recomenda-se uma abordagem via vaginal para delimitar a margem vaginal adequada
no primeiro tempo cirúrgico. Faz-se a mensuração macroscópica ou criomicrotomia, em sala
cirúrgica para o estudo das margens. A injeção de 2mL de azul patente no colo uterino no
transcirúrgico não traz benefícios técnicos uma vez que os canais linfáticos se encontram
modificados pelas reações actínicas.
• Estádio IVA: Cirurgias exenterativas com intenção curativa em pacientes operáveis
selecionados e em caso de doença residual ressecável. Cirurgias paliativas para fins de melhorar
qualidade de vida.
3.7.2. radioterapia e Quimioterapia
Nas pacientes com tumores localmente avançados, o tratamento padrão é a radioterapia
concomitante à quimioterapia baseada em platina, ficando a cirurgia reservada para os casos de
recidiva ou persistência de doença. Diversos estudos randomizados 21, 22 bem como meta-análises24
demonstraram o benefício em termos de controle local e sobrevida global obtido com a adição da
quimioterapia à radioterapia, tornando o tratamento combinado a terapêutica padrão em tumores
localmente avançados de colo uterino. Estudos prévios demonstraram que 70% dos pacientes com
estádio III e 83% daqueles com estádio II recorriam cerca de 24 meses após a radioterapia exclusiva.
Estima-se que o benefício da adição da quimioterapia à radioterapia consista na redução de 36%
no risco de morte 25, 26. As doses de radioterapia recomendadas são as mesmas citadas
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 81
anteriormente e mesmo em pacientes com tumores avançados as taxas de sobrevida global em 5
anos são relativamente satisfatórias com o tratamento combinado, sendo de 70-80% para tumores
IIB, 50-60% para tumores IIIB e 15-25% para tumores IVA 27. Estudo fase III do GOG incluiu 526
pacientes randomizando-as em três braços sendo que o primeiro continha cisplatina em
monoterapia, o segundo cisplatina, fluorouracil e hidroxiuréia e o terceiro hidroxiuréia isolada todos
concomitantes com radioterapia. Com seguimento de 106 meses, evidenciou-se aumento da
sobrevida livre de progressão e da sobrevida global nos braços contendo platina (p< 0,001)
inclusive para os estádios IIB e III (p< 0,025 para cada estágio). O risco relativo de progressão ou
morte foi 0,57 (95% IC, 0,43-0,75) com cisplatina e 0,51 (95% IC, 0,38-0,67) com esquemas
combinados com cisplatina quando comparado com hidroxiuréia isolada 28. Estudo apresentado na
ASCO de 2009 com 515 pacientes portadoras de tumor de colo de útero com estádios IIB-IVA, sem
envolvimento em linfonodos para-aórticos, randomizadas para receber cisplatina e gencitabina
semanais por 6 semanas concomitante à radioterapia externa seguida de braquiterapia e dois ciclos
adicionais adjuvantes de cisplatina e gencitabina comparado com cisplatina isolada semanal
durante a radioterapia externa por 6 semanas seguida de braquiterapia. O braço das duas drogas
foi superior em relação à sobrevida livre de progressão em 3 anos (74,4 x 65%, HR 0,68, 95% IC
0,37–0,77, p=0,001) e sobrevida global (HR 0,68, 95%IC 0,49–0,95, p=0,022). O dado mais
importante neste estudo foi a redução da incidência de metástases à distância (8,1 x 16,4%, HR
0,45, 95%IC 0,26–0,78, p=0,005). O braço das duas drogas apresentou toxicidade considerável
quando comparado ao da monoterapia, muito embora seja uma toxicidade manejável 29. Apesar
das taxas de respostas apresentadas acima, o esquema com duas drogas ainda não é padrão e
considerado como nível de evidência 2B pelo NCCN. Ainda não há definição quanto à quimioterapia
a ser utilizada em pacientes com contra-indicação à cisplatina, porém alguns estudos evidenciam
resposta completa ou parcial com capecitabina ou taxol associado à carboplatina. O uso das novas
tecnologias na radioterapia deve ser encorajado, principalmente em situações especiais como em
pacientes com rim pélvico ou múltiplas cirúrgicas pélvicas prévias. Neste contexto, a radioterapia
de intensidade modulada (IMRT) pode reduzir a dose nos órgãos de risco, principalmente intestino
delgado e bexiga, preservando a cobertura do volume tumoral 30. As evidências disponíveis na
literatura não demonstram ganho no controle local ou na sobrevida com o uso do IMRT, mas essa
técnica pode minimizar a toxicidade aguda gastrointestinal e hematológica 31, 32. É importante
ressaltar que quando se opta pelo tratamento combinado com radioterapia, quimioterapia e
braquiterapia, é fundamental que o tempo total do mesmo seja o menor possível e não ultrapasse
08 semanas, pois o aumento na duração do tratamento acarreta piora no controle local e na
sobrevida global 33, 34. Outro aspecto relevante a ser mencionado é a importância prognóstica dos
níveis séricos de hemoglobina durante tratamento. É bem documentado o impacto adverso da
anemia nas pacientes tratadas com radioterapia 35, sendo recomendada por muitos autores a
manutenção dos níveis de hemoglobina acima de 10 ou 11 g/dL durante o tratamento 36.
Permanece incerto, porém, se o efeito prognóstico negativo da anemia representa uma relação
direta de causa e efeito ou se a anemia seria na verdade apenas uma indicação indireta de tumores
mais avançados e volumosos. É também altamente discutível o real benefício do uso da
eritropoetina na correção dos níveis séricos de hemoglobina destas pacientes, em virtude dos
resultados altamente discordantes disponíveis na literatura 37. Atualmente, há um estudo em
andamento buscando avaliar o papel da quimioterapia adjuvante ao tratamento combinado
radioquimioterápico. O estudo OUTBACK está recrutando pacientes com tumores localmente
avançados de colo uterino que estão sendo randomizadas para radioquimioterapia concomitante
baseada em cisplatina com ou sem quimioterapia adjuvante (4 ciclos de carboplatina e paclitaxel)38.
Os resultados deste estudo podem trazer novas informações sobre o possível benefício da
quimioterapia adjuvante nestas pacientes.
82 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
3.8. recidiva Local
Arecidiva local ou sistêmica, da neoplasia de colo uterino, está relacionada ao estádio inicial da
doença 39. As taxas de recorrência local variam de 10% a 20%, após tratamento da doença precoce,
com histerectomia radical, e em metade destes casos, a recorrência é limitada à pelve 40, 41. Nestes
casos de recidiva local da doença, o tratamento a ser empregado depende de qual tratamento
primário foi realizado inicialmente. Cirurgias exenterativas com intenção curativa podem ser
orientadas em pacientes operáveis altamente selecionadas em caso de doença recorrente
ressecável e cirurgias paliativas têm sua aplicabilidade para fins de melhorar a qualidade de vida,
como colostomias, derivações urinárias nos casos de fístulas, ligadura das artérias ilíacas internas
nos casos de hemorragias incontroláveis pelas méodos conservadores.
• Pacientes submetidas à radioterapia prévia - Pacientes submetidas à cirurgia seguida
de radioterapia ou à radioterapia exclusiva, são candidatas à cirurgia (histerectomia radical,
vaginectomia parcial ou exenteração pélvica) com potencial curativo, na ausência de doença
metastática e sem fixação da parede pélvica, dependendo da extensão da lesão42. Quando há
fixação da parede pélvica, as pacientes são consideradas inoperáveis, sendo indicada quimioterapia
paliativa, com combinação de agentes: paclitaxel 175mg/m² EV, durante 3 horas, seguido de
cisplatina 50mg/m² EV, no D1, a cada 3 semanas; ou TIP – paclitaxel 175mg/ m² EV, em infusão de
3 horas, no D1, cisplatina 70mg/m² EV, no D2, e ifosfamida 1,5g/m² EV, do D1 ao D3, com suporte
de G-CSF do D7 ao D11, a cada 4 semanas. Alternativas incluem vinorelbina 30mg/m², nos D1 e D8,
com cisplatina, 50mg/m² EV, no D1, a cada 3 semanas, ou gencitabina 1.000mg/m², nos D1 e D8,
com cisplatina 50mg/m², no D1, a cada 3 semanas; ou topotecano 0,75mg/m², nos D1, D2 e D3, com
cisplatina 50mg/m², no D1. Em pacientes que apresentam contraindicação à cisplatina,
favorecemos carboplatina AUC5 EV, no D1, e paclitaxel 175mg/m² EV, em infusão de 3 horas, no D1,
a cada 3 semanas 43, 44, 45. Em pacientes com baixo performance status ou com importantes
comorbidades associadas recomenda-se quimioterapia paliativa com agentes únicos: cisplatina
50mg/m² EV, no D1, a cada 3 semanas, caso não haja exposição prévia, exceto se usada como
radiossensibilizante. Outras opções também podem ser usadas para paliação após falha ou contra-
indicação à cisplatina: paclitaxel 80mg/m² EV, semanalmente; vinorelbina 25-30mg/m² EV,
semanalmente; ifosfamida 1,2g/m² (com mesna) EV, do D1 ao D5, a cada 3 semanas; irinotecano
350mg/m² EV, a cada 3 semanas (ou alternativamente 125mg/m² EV, nos D1 e D8, a cada 3
semanas); gencitabina 800 mg/m² EV, nos D1, D8 e D15, a cada 4 semanas 46.
• Pacientes não submetidas a radioterapia prévia - A radioterapia é uma opção curativa, em
mulheres submetidas à tratamento primário cirúrgico exclusivo. A dose de irradiação na pelve total,
dependendo do volume tumoral, deve ser de 45-50Gy, podendo ser feito complemento de dose em
paramétrios até 60Gy. A braquiterapia intracavitária, com alta taxa de dose ou baixa taxa de dose, deve
ser considerada para melhor controle de doença em vagina47, 48. A cisplatina 40mg/m²/semana, durante
6 semanas (iniciando no primeiro dia da radioterapia externa), deve ser utilizada como radiosensibilizante49.
• recorrência isolada em linfonodos para-aórticos - Após a irradiação pélvica, a taxa de
recorrência nos linfonodos para-aórticos é de cerca de 3%, devendo ser a paciente tratada de
maneira agressiva com radioterapia externa hiperfracionada, 60Gy com 1,2Gy/fração, duas frações
ao dia, ou radioterapia com fracionamento convencional (50 Gy em 25 frações), campo de T12 a L5
(preferencialmente com IMRT), concomitante à quimioterapia baseada em cisplatina. 50, 51
3.9. Doença Metastática
Aquelas pacientes que apresentam doença metastática à distância, após tratamento inicial
com quimiorradioterapia, raramente são curáveis. Na maioria dessas pacientes, a quimioterapia
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 83
paliativa ou suporte básico com cuidados paliativos será a melhor opção. 
• Quimioterapia combinada: a cisplatina é considerada o mais efetivo agente para trata-
mento do câncer cervical metastático. No entanto a maioria dos pacientes que desenvolvem
metástases à distancia já tem história de tratamento prévio a radioquimioterapia com platina, e
estes podem não ser muito sensíveis ao tratamento com a platina isolada. Por isso, a maioria dos
estudos realizados para o tratamento da doença metastática tem sido direcionada para o
tratamento com associações da platina (cisplatina ou carboplatina) associado a outros tipos de
drogas que possam potencializar o efeito do tratamento e melhorar a sobrevida e qualidade de vida
destes pacientes 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58. Entre estes regimes combinados de quimioterapia as combinações
de cisplatina + paclitaxel e cisplatina + topotecan têm sido extensivamente estudadas. Há alguns
estudos de fase III, como o GOG 169, GOG 179 e o GOG 204, os quais avaliam o tratamento destes
pacientes com regimes de combinações associadas à quimioterapia com cisplatina. O GOG 169 foi
um estudo randomizado, fase III, o qual comparou em 264 pacientes o tratamento com cisplatina
+ paclitaxel versus o tratamento com cisplatina isolada. Neste estudo, houve uma taxa de resposta
de 36% x 19%, aumento na sobrevida livre de progressão de 4,8 x 2.8 meses, no entanto, não houve
aumento na sobrevida global. O tratamento com associação de cisplatina e paclitaxel apresentou
um significante aumento na qualidade de vida dos pacientes estudados. A associação carboplatina
e paclitaxel ainda não foi estudada em estudos randomizados e prospectivos, mas muitos médicos
a usam pela melhor facilidade de aplicação e tolerabilidade dos pacientes52. O estudo GOG 179
randomizado, fase III, 294 pacientes foram tratadas com os regimes de cisplatina + topotecano
versus cisplatina isolada. Neste estudo, as pacientes submetidas ao tratamento com topotecano
apresentaram melhores resultados. Foi demonstrada maior taxa de resposta (27x 13%), maior
sobrevida livre de progressão (4,6 x 2,9 meses) e maior sobrevida mediana (9,4 x 6,5 meses). No
entanto, os esquemas com cisplatina/ carbolatina + paclitaxel são regimes muito menos tóxicos e
com maior facilidade de administração e manejo dos pacientes do que os esquemas com cisplatina
+ topotecano 53. O estudo do GOG 204 estratificou pacientes com doença metastática ou recorrente.
Estudo randomizado, fase III, no qual 513 pacientes foram submetidas ao tratamento com
esquemas combinados de quimioterapia associadas à cisplatina. Os esquemas continham cisplatina
+ paclitaxel, cisplatina + gencitabina, cisplatina + topotecano ou cisplatina + vinorelbina. Este
estudo foi fechado precocemente porque houve uma superioridade com o esquema de cisplatina
+ paclitaxel e nenhum dos outros braços apresentou superioridade. Não houve diferença
significativa na sobrevida global, no entanto houve uma maior taxa de resposta, sobrevida livre
de progressão e sobrevida global (21,9 x 10 meses) para o regime com cisplatina + paclitaxel, bem
superior aos outros esquemas. Cisplatina + paclitaxel foi associado com menos trombocitopenia
e anemia, mas houve uma maior incidência de náuseas e vômitos, infecções e alopecia. Cisplatina
+ gencitabina não se mostrou superior, mas se mostrou bastante útil em pacientes com
neurotoxicidade importante com algum dos outros esquemas e pode ser indicado em pacientes
com neuropatia não tolerável 54.
• Carboplatina x Cisplatina - Até o momento muitos médicos preferem usar carboplatina ao
invés da cisplatina por causa da fácil administração, tolerabilidade e também da melhor preser-
vação da função renal conferida pela carboplatina. Há um estudo retrospectivo que confirma estas
afirmações sobre a carboplatina e não mostra diferença em relação à sobrevida global. Há alguns
estudos que fazem uso da carboplatina + paclitaxel, todos fase II e com pequeno número de
pacientes,os quais demonstram boa sobrevida, que vai de 13 a 21 meses. No momento, há um
estudo fase III em andamento, o qual compara o esquema cisplatina + paclitaxel x carbopaltina +
paclitaxel, mas ainda aguardamos o resultado 54,55,56,59,60,61.
• Quimioterapia com Agentes Isolados - A cisplatina é o agente quimioterápico mais usado
no tratamento da doença recorrente ou metastática e além de ser o mais ativo agente, é o mais
recomendado para ser usado como primeira linha quimioterápica como agente isolado. O seu uso
84 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
isolado tem uma taxa de resposta de ate 20-30%, e com ocasional resposta completa. A sobrevida
global conferida com a cisplatina é em torno de 6 a 9 meses. Carboplatina ou paclitaxel também
têm sido muito utilizados como agentes isolados. Estas são as principais drogas mais racionalmente
usadas no tratamento de primeira linha como agentes isolados nas pacientes com câncer de colo
uterino, nas quais não haja mais nenhuma proposta cirúrgica ou radioterápica de tratamento. Há
uma boa resposta com tratamento utilizando o topotecano, inclusive com a apresentação de
respostas completas como no caso do paclitaxel, porém o topotecano apresentou muito maior
toxicidade. Há estudos com outros agentes quimioterápicos como bevacizumabe, fluorouracil,
gencitabina, ifosfamida, irinotecano, pemetrexede e vinorelbina. Algumas dessas drogas
apresentam boa taxa de resposta e melhora da sobrevida livre de progressão e da qualidade de
vida, mas todos esses estudos não são randomizados, são de fase II e, na maioria, usados em
segunda linha terapêutica. As vacinas não têm sido aplicadas como tratamento, mas há alguns
estudos em investigação73,74 e as terapias com drogas alvo (anticorpos monoclonais ou pequenas
moléculas) também vêm sendo estudados 63,75. Nos tumores metastáticos, o tratamento deve ser
pautado fundamentalmente na quimioterapia. Porém, a radioterapia pode ser utilizada para
pacientes com tumores pélvicos volumosos com intenção anti-álgica e/ou anti-hemorrágica. São
recomendados esquemas curtos, 30Gy em 10 frações, por exemplo, os quais proporcionam boa
melhora das queixas álgicas, bem como de possíveis sangramentos vaginais. Esquemas mais curtos
tais como, duas frações de 10Gy cada ou 06 frações (02 frações diárias) de 3,7Gy cada, podem ser
usados, porém estão associados à toxicidade aguda significativamente maior16.
3.10. Cuidados Paliativos 
Pacientes podem ser acompanhados pelo serviço de cuidados paliativos, desde o início do
tratamento da doença metastática ou recorrente ou desde que sejam refratários ao tratamento
sistêmico ou apresentem muitas comorbidades, estado geral comprometido ou outras
complicações.
3.11. Considerações do Câncer Cervical na Paciente HIV +
O HPV e o vírus da imunodeficiência humana (HIV) são transmitidos sexualmente. Em
pacientes portadores do HIV, não apenas a infecção pelo HPV é mais comum70, como também a
presença de subtipos do papilomavírus de alto risco71. Além disso, há um maior risco de reativação
e recorrência do HPV 72,73 e de carcinoma invasivo do colo uterino rapidamente progressivo74,75,
principalmente nas pacientes com contagem de CD4 < 200 /mm3.72,76 Aumento de sobrevida e/ou
de sobrevida livre de doença foi encontrado apenas na presença de CD4 > 500/mm3. 75 Com
advento do uso da HAART (Terapia Anti-retroviral Altamente Ativa), embora tenha havido uma
maior taxa de redução de lesões escamosas intraepiteliais, não houve impacto na incidência do
câncer invasivo do colo do útero77,78,79, nem na ocorrência de resposta completa 80. A proposta
terapêutica oncológica obedece aos critérios utilizados em pacientes soronegativas, no entanto, em
geral, são verificados piores níveis de resposta 75.
3.12. Seguimento
• Exame físico e ginecológico (exame especular com coleta de material para citologia, toque
vaginal e retal); 
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 85
• Exames laboratoriais e de imagem (Radiografia do Tórax, USG do abdome total e TC da pelve)
de acordo com a indicação clínica da paciente2;
• Em casos de histerectomia total abdominal tipos I, II e III (com ou sem radioterapia), o
seguimento deve ser realizado a cada 6 meses durante 2 anos e anual até 5 anos 2;
• Em casos de radioterapia exclusiva ou associada à quimioterapia deve-se seguir em 3 meses
por 2 anos, em 6 meses por três anos e anualmente após 5 anos 2.
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90 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Capítulo 4
Câncer Epitelial de Ovário
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 91
Editor: Dr. Wagner Brant Moreira
Autores: Dra. Clarissa Maria de Cerqueira Mathias, Dr. Eduardo Carvalho Brandão, Dr. Leandro Alves
Gomes Ramos e Dra. Stella Sala Soares Lima
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Capítulo 4
Câncer Epitelial de Ovário
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 93
4. 1. Introdução
O câncer de ovário representa a quinta causa de morte por câncer em mulheres americanas,
sendo a causa de morte mais comum entre mulheres com tumoresginecológicos. A estimativa
para 2010 é de 21880 novos casos em mulheres nos EUA e, destas, 13850 morrerão da doença1. 
No Brasil o INCA publicou em 2009, uma estimativa de 3837 casos novos e em 2008 houve
2836 mortes por câncer de ovário 2. 
Parte deste prognóstico ruim deve-se ao fato de que aproximadamente 75 % das pacientes ser
diagnosticada com a doença nos estádios III e IV 3. No entanto, Goff et al., relataram que cerca de
95 % das pacientes apresentaram sintomas precedendo o diagnóstico4. O mais importante é que
sintomas estavam presentes em 89 % daquelas posteriormente diagnosticadas como câncer inicial.
Como podemos ver, câncer epitelial de ovário é uma doença complexa, com baixa curabilidade,
o que significa um grande desafio para o oncologista.
Neste Manual de Condutas procuramos apresentar, aos oncologistas clínicos, as alternativas
terapêuticas mais indicadas, segundo as evidências científicas disponíveis.
Não pretendemos esgotar as situações possíveis na prática médica diária, mas, somente,
fornecer um roteiro para a tomada de decisão clínica.
Entendemos que a conduta em cada caso deve ser individualizada e que a decisão do médico,
responsável pela paciente, é soberana.
4. 2. Estadiamento
O termo estadiamento, em neoplasias de ovário, aplica-se tanto à padronização anatômica
da extensão da doença quanto ao procedimento cirúrgico inicial, que faz parte do tratamento
considerado ideal.
A cirurgia como tratamento inicial da neoplasia de ovário evoluiu nas últimas décadas até
um procedimento complexo, que inclui não somente a ressecção da doença visível, mas também,
pesquisa detalhada da extensão da mesma, com finalidade de estabelecer um estadiamento mais
preciso. Assim, a cirurgia inicial possui uma importância fundamental para o diagnóstico, estadia-
mento e tratamento do câncer de ovário, e deve ser realizada por um especialista em ginecologia
oncológica sempre que possível, pois alguns estudos já demonstraram melhoras significativas no
resultado, quando a paciente é operada por tais especialistas5,6. 
Os ovários são órgãos de formato oval, com 2 a 4 centímetros de diâmetro, conectados por
ligamentos ao peritônio pélvico e à parede lateral da pelve. A drenagem linfática ocorre pelos
troncos dos ligamentos redondo, infundíbulo-pélvico e útero-ovariano, ou ainda pela rota acessória
da ilíaca externa. A disseminação preferencial é pela cavidade abdominal, mais especificamente
pelo peritônio, incluindo a superfície hepática e o diafragma. O acometimento extra-abdominal
mais comum é o pleural7. Uma radiografia simples de tórax serve como rastreio de doença
metastática pleural ou pulmonar.
A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RNM) podem delinear a
extensão da doença intra-abdominal, porém não substituem a necessidade de estadiamento
94 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
cirúrgico. Na presença de doença abdominal extensa ou suspeita de doença à distância, está
justificada a realização de propedêutica adicional tais como TC, RNM ou tomografia por emissão de
pósitrons associada a TC (PET-CT) 8.
O estadiamento das neoplasias de ovário classifica as pacientes por prognóstico, porém a
ordenação dos estádios também descreve o modo de disseminação ascendente da doença a partir
da pelve. O estádio I agrupa os tumores restritos ao ovário, enquanto o estádio II inclui a doença
restrita à pelve, com a extensão de doença extra-pélvica descrita no estádio III. Assim como em
outros tumores sólidos, o estádio IV inclui os casos de metástases para parênquima do fígado ou
qualquer doença extra-abdominal confirmada (Tabela 1).
Tabela 1 - Estadiamento da Neoplasia de Ovário(9)
FIGO
0
I
IA
IB
IC
II
IIA
IIB
IIC
III
IIIA
IIIB
IIIC
IV
O tumor primário não pode ser localizado.
Sem evidência do tumor primário.
Tumor confinado aos ovários.
Limitado a um dos ovários, com cápsula intacta, sem neoplasia na superfície
do ovário e sem células malignas no lavado peritoneal ou ascite.
Doença em ambos os ovários, com cápsula intacta, sem neoplasia na
superfície dos ovários e sem células malignas no lavado peritoneal ou ascite.
Tumor em um ou ambos os ovários, incluindo: ruptura da cápsula, tumor
na superfície do(s) ovário(s), ascite ou lavado peritoneal positivo para células
malignas.
Tumor em um ou ambos os ovários, com extensão para a pelve.
Extensão e/ou implantes para útero ou tubas uterinas, sem células malignas
no lavado peritoneal ou ascite.
Extensão e/ou implantes para outros órgãos pélvicos, sem células malignas
no lavado peritoneal ou ascite.
IIA ou IIB com células malignas no lavado peritoneal ou ascite.
Tumor em um ou ambos os ovários, com metástases peritoneais extra-
pélvicas histologicamente comprovadas e/ou doença linfonodal regional.
Doença peritoneal extra-pélvica microscópica.
Doença peritoneal extra-pélvica macroscópica ≤ 2 cm.
Metástases peritoneais extra-pélvicas > 2 cm e/ou metástases linfonodais
regionais.
Metástases além da cavidade abdominal*.
TNM
TX
T0
T1
T1a
T1b
T1c
T2
T2a
T2b
T2c
T3 e/ou
N1
T3a
T3b
T3c e/ou
N1
M1
*Implantes secundários na cápsula do fígado são considerados T3 - estádio III, enquanto as lesões hepáticas parenquimatosas
são incluídas no estádio IV (M1). O derrame pleural deve ter citologia positiva para ser considerado M1.
Os carcinomas primários de peritôneo são incluídos juntos com os de ovário pelo último
estadiamento proposto pela American Joint Comittee on Cancer (AJCC)9.
4. 3. Fatores Prognósticos
O estadiamento é o principal fator prognóstico no câncer epitelial invasivo do ovário, conforme
assinalado na Tabela 2, com sobrevida em 5 anos da ordem de 70-100% dos casos no ECI e 3-15%
no ECIV 9,10.
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 95
A presença de uma tumoração com características histológicas de neoplasia, mas sem invasão
do estroma, define o tumor borderline ou limítrofe do ovário com prognóstico melhor do que nos
tumores invasivos e que, por se tratar de uma entidade à parte, será estudado em um capítulo
específico11.
Uma abordagem deste tema visando facilitar a tomada de decisão médica envolve a divisão
das pacientes, com tumores invasivos, em dois subgrupos.
4.3.1. Estagio I
Dembo et al., relataram que apenas grau de malignidade, aderência densa do tumor e a
presença de ascite volumosa (> 300ml) foram fatores independentes de prognóstico, sendo que
estádio (IA ou IB), ruptura de cisto, invasão capsular, tamanho do tumor, subtipo histológico, idade
e terapia pós-operatória, não foram fatores condicionantes do prognóstico12.
Vergote et al., em um estudo que incluiu 1545 pacientes com câncer invasivo estádio I
concluíram que apenas grau de malignidade, ruptura do cisto antes ou durante a cirurgia, o sub-
estádio (IA ou IB) e a idade foram determinantes independentes do prognóstico. Na análise
multivariada, tipo histológico, aderência densa, crescimento extra-capsular, ascite e tamanho do
tumor não foram fatores prognósticos significativos13. Tropé et al. relataram que grau de
malignidade, ploidia do DNA e níveis séricos, pré-operatório, do CA 125 foram fatores indepen-
dentes de prognóstico14. Bondy et al., em um estudo de base populacional que incluiu 1341
pacientes com câncer de ovário estádios I e II (onde o estádio II era baseado apenas na aderência),
concluíram que, na análise multivariada, apenas idade, grau de malignidade e o acometimento da
superfície da cápsula, foram fatores independentes de prognóstico15.
Como podemos verificar os fatores mais freqüentes associados a prognóstico, no estádio I,
são o grau histológico e o subestádio (que inclui ascite, ruptura de cápsula e neoplasia na superfície
da cápsula). Baseado neles, é usual separar estas pacientes em dois subgrupos16:
• Baixo risco: compreende pacientes com doença estádios IA ou IB e grau histológico I, com
taxa de sobrevida em 5 anos de mais de 90%.
• Alto risco: inclui pacientes com estádios IA ou IB associado a graus II ou III de malignidade e
pacientes com doença estádio IC.
Embora vários autores considerem a histologia de célulasclaras como de pior prognóstico, isto
parece ser verdade para os estádios mais avançados e no estádio IC. Seu valor prognóstico nos
estádios IA e IB é controverso17.
De qualquer forma, como veremos mais adiante, os estudos de quimioterapia adjuvante no
estádio I consideraram pacientes com esta histologia como de alto risco, a despeito da falta de
evidências de alto nível.
4.3.2. Estádios II a IV
Vários autores, na era pré-platina, descreveram que os principais fatores prognósticos, neste
subgrupo de pacientes, são a idade, o estágio da neoplasia e o volume da doença residual após a
cirurgia18. 
Tabela 2 - Sobrevida por estádios
Estádio
I
II
III
IV
Sobrevida em 5 anos (%)
70-100
55-63
10-27
3-15
Adaptado de Stratton 10.
96 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Recentemente, o GOG publicou um estudo de fatores prognósticos, baseado nos resultados
de 6 protocolos em que se usou quimioterapia baseada em platina e paclitaxel, com um total de
1895 pacientes com EC III de câncer epitelial de ovário, dos quais 64,8% tinham citorredução
considerada ótima (≤ 1 cm), sendo 23,1% com resíduo microscópico. Na análise multivariada, idade
mais elevada, pior performance status, histologia de células claras ou mucinoso e doença residual
macroscópica foram fatores independentes de predição para pior sobrevida livre de progressão e
global18. 
O estudo GOG ICON 5, desenvolvido para avaliar o papel de uma terceira droga associada a
carboplatina e paclitaxel incluiu 4312 pacientes. A avaliação da sobrevida livre de progressão em
relação ao resíduo tumoral, após a cirurgia, revelou que ela foi de 13 e 16 meses respectivamente
para pacientes com resíduo tumoral maior que 1 cm e ≤ 1 cm, mas de 29 meses para pacientes com
resíduo apenas microscópico. Este achado corresponde a uma sobrevida livre de progressão em 48
meses de aproximadamente 7,4%, 12,4% e 34,6%, respectivamente, nos 3 pontos de corte.
Portanto parece que o resíduo ideal é apenas microscópico e não ≤ 1 cm (isto foi alcançado em 25%
dos casos). 19
Concluindo, o principal fator prognóstico neste subgrupo de pacientes é a dimensão da
doença residual após a cirurgia primária. Os outros fatores também relacionados, como de
importância prognóstica, são a idade, o estádio, o performance status e a histologia sendo que os
tumores mucinosos e de células claras estão associadas a pior prognóstico18.
Recomendações
A avaliação dos fatores prognósticos nos permite subdividir os tumores epiteliais de ovário nos
seguintes grupos:
1. Tumor não invasivo ou bordeline ou limítrofe.
2. Tumor invasivo estádio I:
2.1) Baixo risco
2.2) Alto risco
3. Tumor invasivo avançado (estádios II a IV): os fatores prognósticos não nos autorizam a
uma subdivisão em grupos de risco com finalidade de orientar a decisão terapêutica.
4. 4. Abordagem Cirúrgica
4.4.1. Introdução
A cirurgia desempenha um papel importante no diagnóstico, no estadiamento, e na
terapêutica dos tumores malignos do ovário. O seu emprego deve ser orientado por princípios que
respeitem a história natural e as características de disseminação desta neoplasia, assim como as
possibilidades de terapias associadas, em especial, a quimioterapia.
Com o desenvolvimento de uma lesão neoplásica expansiva maligna pode ocorrer o
desprendimento de células do tumor que tendem a se implantar em outros pontos da superfície
peritoneal e desenvolver novos focos da doença. 
Apesar do comprometimento das superfícies peritoneais, viscerais e parietais, das cavidades
pélvica e abdominal, representar uma das características do câncer ovariano, a disseminação por via
linfática também é bastante comum, mesmo quando os tumores aparentam estar restritos ao
ovário. 
4.4.2. Cirurgia para os estádios iniciais 
Do ponto de vista cirúrgico, consideram-se os estádios clínicos I e II como iniciais; ou seja,
àqueles em que a doença encontra-se restrita aos ovários ou estruturas peritoneais pélvicas.
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 97
A indicação de uma intervenção cirúrgica, nestas situações, decorre geralmente do
diagnóstico de uma “massa anexial”, ou seja, de formações císticas complexas, detectadas durante
um exame ultrassonográfico de rotina. Quando estas alterações ocorrem em uma mulher em
menopausa e estão acompanhadas de níveis elevados de marcadores tumorais (p. ex: CA -125), a
presença de uma neoplasia maligna ovariana deve ser fortemente considerada20.
O procedimento cirúrgico ideal deve cumprir três papéis fundamentais que são: primeiro,
obter material adequado para a determinação da origem, tipo e grau histopatológico da neoplasia;
segundo, estabelecer a extensão da doença na cavidade peritoneal e no espaço retroperitoneal
(linfonodos), procedimento conhecido como estadiamento cirúrgico; terceiro, proceder ao
tratamento inicial da neoplasia20. 
Para uma exploração cirúrgica adequada, a realização de biópsias ou a remoção de focos da
doença no andar superior do abdômen e diafragma, se faz necessária uma incisão abdominal
longitudinal, suficientemente ampla para permitir o acesso do cirurgião a estas regiões com
segurança, isto é, através de uma laparotomia exploradora. 
A cirurgia padrão deve começar pela coleta de líquido ascítico, se houver, ou de lavado
peritoneal após a instilação de 20 a 40 ml de soro fisiológico. 
Após o inventário meticuloso da cavidade peritoneal e das superfícies viscerais, inicia-se a
ressecção da tumoração anexial, evitando a sua ruptura. Todo o anexo removido deve ser enviado
ao patologista para a realização da biópsia por congelação per-operatória. Em 80-90% dos casos
este procedimento permite definir se estamos frente a uma lesão maligna ou benigna, primária ou
secundária.
Confirmando-se o achado de um carcinoma epitelial de ovário, complementa-se a cirurgia
com a retirada do útero e do anexo contralateral, do omento infracólico, além de biópsias
sistematizadas do peritôneo das reflexões vésico e reto-uterinas, goteiras parieto-cólicas,
mesentério, mesocólon e superfícies diafragmáticas. Áreas nodulares ou espessadas e, aderências
peri-tumorais também devem ser removidas. O apêndice cecal deve ser removido sempre que
estiver macroscopicamente comprometido por implantes, aderido à massa anexial, ou mesmo de
aparência normal quando tratar-se de tumor ovariano mucinoso; nesta última situação, o objetivo
é afastar a possibilidade de se tratar de um tumor primário de apêndice com metástase em ovário.
Concluída a fase dos procedimentos na cavidade peritoneal passa-se para as dissecções dos
linfonodos pélvicos e para-aórticos (linfonodectomias). 
O relatório da intervenção deve conter a descrição dos achados cirúrgicos antes e depois da
ressecção, especificando todos os locais biopsiados e incluindo o volume da doença residual. Estas
informações são fundamentais para a definição do estadiamento correto após o confronto com os
resultados anatomopatológicos do exame em parafina.
Sijmons et al. estudando os dados do Registro Regional de Câncer da Holanda, no período de
1991-1997, encontraram que as pacientes com estádios clínicos iniciais que receberam um
estadiamento qualificado como “ótimo” apresentaram uma sobrevida global em 5 anos de 97,6%
versus 68,5% entre as que receberam um estadiamento “não-ótimo”21. 
Vernooij et al, numa revisão de 19 séries de pacientes operadas a partir de 1990, observaram
que, quando o tratamento cirúrgico foi realizado por um oncologista ginecológico ou em um
hospital especializado, resultou em ganho na sobrevida mediana de 5 a 8 meses para o grupo de
pacientes com doença avançada22.
Estudos recentes, de base populacional, comparando categorias de especialização do
cirurgião ou do hospital, e outros avaliando o efeito da introdução de guias de referência, têm
justificado e recomendado que pacientes com massas pélvicas suspeitas de câncer de ovário devem
ser encaminhadas para tratamento em centros especializados em oncologia ginecológica por uma
equipe multidisciplinar5,6, 22. 
98 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
4.4.3. Cirurgias para os estádiosavançados (ECIII–IV) – Citorredução Cirúrgica Primária
Diferentemente de outras neoplasias abdominais, nos casos de câncer ovariano, em que a
avaliação intra-operatória criteriosa evidenciar o comprometimento pela doença além da pelve, o
cirurgião deve se empenhar na remoção de todos os focos identificados da doença. A maioria dos
autores denomina a esta situação como uma citorredução “ótima”, ou seja, quando ao final do
procedimento não restam lesões maiores que 1,0 ou 2,0 cm de diâmetro20,23.
No entanto, conforme dito anteriormente, o estudo GOG 0182-ICON5 demonstrou cabalmente
que o resíduo tumoral que realmente muda o prognóstico, quase triplicando a sobrevida livre de
progressão em 4 anos, é apenas microscópico.19
Contudo, para que este objetivo seja alcançado, pode ser necessário “um esforço cirúrgico
máximo”, muitas vezes incluindo a ressecção de outras estruturas anatômicas e vísceras que se
apresentem infiltradas pela doença, como freqüentemente ocorre com o retossigmóide e o íleo
distal24. Intervenções sobre as vias urinárias25, baço26, fígado27, diafragma20,28, também estão
indicadas quando o cirurgião avalia a possibilidade objetiva de, com estas ressecções, atingir níveis
mínimos de doença residual. 
A presença de metástases parenquimatosas hepáticas, desde que em número reduzido e
passíveis de ressecção completa com morbidade aceitável, não devem ser consideradas uma contra
indicação para se prosseguir com a intervenção27,29.
Estas são, sem dúvida, intervenções cirúrgicas de grande porte, complexas e que requerem
equipes treinadas e centros com infra-estrutura adequada para os cuidados do pré, intra, e pós-
operatórios, fundamentais para o sucesso. O ideal é que seja feita uma avaliação conjunta com o
oncologista clínico na determinação dos objetivos, oportunidade (timing), intensidade e extensão
dos procedimentos, adequados para cada caso (NIH Consensus, 1994)30. 
Portanto, pelo dito acima, recomendamos que o cirurgião faça uma cirurgia extensa apenas
se for conseguir deixar um resíduo microscópico, que é o objetivo necessário para realmente tornar
o prognóstico melhor.
4.4.4. Situações especiais
• Cirurgias conservadoras
Pacientes jovens com doença aparentemente limitada ao ovário, ou com tumores de baixo
potencial de malignidade (vide tumores borderline), podem ser submetidas ao estadiamento
cirúrgico com a conservação do útero e do anexo sadio, visando manter sua capacidade
reprodutiva. Esta conduta deve ser considerada caso a caso e deve incluir um consentimento
informado da paciente. Preconiza-se um acompanhamento rigoroso, trimestral nos primeiros 2 anos. 
• Cirurgia de intervalo e QT neoadjuvante
Quando não se atinge uma citorredução ótima na cirurgia inicial, deve ser analisado se este
objetivo não foi alcançado pela inabilidade cirúrgica do ginecologista não oncológico ou apesar da
técnica adequada, a extensão da doença realmente não permitia uma citorredução ótima. 
No primeiro cenário, a paciente deve ser reencaminhada para o onco-ginecologista. No
segundo cenário foi proposta, em 1995, a realização de cirurgia de intervalo após 3 a 4 ciclos de
quimioterapia, desde que a paciente apresente sinais de resposta clínica e performance que a
permitam31. 
Rose et al. usaram quimioterapia com cisplatina e paclitaxel em pacientes com citorredução
sub-ótima (resíduo maior do que 1,0 cm) e não encontraram vantagens na cirurgia de intervalo32. 
Rosa et al. verificaram que pacientes com câncer de ovário EC III e IV tratadas com
quimioterapia neoadjuvante com derivados de platina, apresentaram taxas de resposta e de
sobrevida mediana similares, quando comparadas com aquelas submetidas a uma cirurgia
citorredutora primária sub-ótima33.
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 99
Estudo de fase III recentemente publicado por Vergote et cols comparou quimioterapia
neoadjuvante seguida por cirurgia versus cirurgia inicial em pacientes com estágio IIIC e IV. A
sobrevida mediana foi equivalente nos dois grupos (29 versus 30 meses), mas pacientes que
receberam quimioterapia neoadjuvante seguida por cirurgia tiveram menos complicações. A
principal crítica a este estudo internacional é a sobrevida relatada no braço da cirurgia inicial inferior
aos estudos publicados pelos grupos americanos (em torno de 50 meses)34.
Portanto, apesar dos dados apresentados, o papel da quimioterapia neoadjuvante seguida por
cirurgia de intervalo permanece controverso, e não deve ser considerada conduta padrão na prática
clínica.
• Cirurgias de resgate
Cerca da metade das pacientes diagnosticadas com carcinoma epitelial de ovário (ECI-IV)
poderá apresentar recorrência da doença nos primeiros anos de seguimento, a despeito de resposta
clínica completa após a cirurgia agressiva e a quimioterapia baseada em platina e taxane35,36. 
Um subgrupo destas enfermas parece se beneficiar de nova abordagem cirúrgica, ou seja, de
“citorredução cirúrgica secundária” como parte da terapêutica multidisciplinar de “resgate”. 
Vários centros especializados têm, ao longo das últimas duas décadas, relatado séries e
análises retrospectivas com resultados objetivos positivos, isto é, com aumento superior a 50% na
sobrevida mediana, a partir da recorrência31,36. A maioria dos autores destaca a importância da
seleção criteriosa das pacientes que necessitam de reexploração cirúrgica, e do volume de doença
residual mensurável ao final da re-intervenção. 
Há indícios de que apenas as pacientes nas quais se consegue ressecção completa se
beneficiam desta abordagem35. Deve-se indicar, portanto, a cirurgia de resgate apenas naquelas
onde a chance de ressecção completa é elevada. 
Recomendações
• Cirurgia é fundamental para o estadiamento correto e tratamento adequado.
• Cirurgia deve ser realizada por um ginecologista oncológico ou cirurgião oncológico
especialmente treinado.
• Cirurgia radical deve seguir, sempre, os princípios descritos acima; 
• Quando encaminhar a paciente, o cirurgião deve fornecer um relatório detalhado do
procedimento realizado.
• Cirurgia conservadora é admissível em alguns casos de pacientes jovens com tumor
borderline ou invasivo estágio IA e que desejem engravidar.
• Cirurgia na recidiva deve ser realizada apenas se for possível a exérese total das lesões.
4.5. Abordagem no Carcinoma Limítrofe (Borderline)
Os tumores limítrofes de ovário são definidos pela Organização Mundial de Saúde como
neoplasias que apresentam epitélio com múltiplas camadas, atividade mitótica e atipia nuclear,
mas sem invasão do estroma. Tumor ovariano, não invasivo, que apresenta duas ou mais
características descritas acima envolvendo 10% ou mais da lesão, pode ser classificado como
limítrofe.
Os tumores limítrofes de ovário representam 10-20% de todos os tumores epiteliais de ovário,
acometendo mulheres jovens com idade média de 40 anos. Mulheres inférteis, ou nulíparas,
apresentam maior risco, sugerindo que gestações, assim como o uso de anticoncepcional, reduzem
o risco para neoplasia de ovário. A taxa de sobrevida para mulheres com tumor limítrofe de ovário
é superior à de outros tumores epiteliais ovarianos e a recorrência, quando ocorre, é tardia. No
100 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
momento do diagnóstico, 70% das pacientes apresentam estádios I e II 37. A sobrevida em 5 anos
para o estádio I encontra-se em torno de 98%; a sobrevida em 5 anos para os estádios mais
avançados varia de 86% a 92%. O estadiamento é o fator prognóstico mais relevante11.
Os tipos histológicos mais comuns são os serosos em 50% dos casos, mucinosos em 46% dos
casos e mistos (endometrióides, células claras e tumores de Brenner) em 3,9% dos casos. Os
tumores serosos são bilaterais em 30% dos casos e são associados com lesões extra-ovarianas,
denominadas implantes, em 35% dos casos11. Microscopicamente, estes implantes podem ser
divididos em não-invasivos ou invasivos. Discute-se se são verdadeiros implantesmetastáticos ou
manifestações de lesões multifocais in situ do peritônio. Gershenson DM et al relataram uma taxa
de recidiva de 18% para tumores que não apresentavam implantes peritoneais invasivos, com uma
mortalidade de 6%, enquanto pacientes com implantes invasivos apresentaram uma taxa de
recidiva de 36% e mortalidade de 25%38. 
Os sintomas e os exames necessários para o diagnóstico são semelhantes aos dos demais
tumores epiteliais do ovário. Vale ressaltar que o CA 125 tem pouco valor no diagnóstico e
seguimento destas pacientes.
O estadiamento segue os mesmos princípios utilizados nos demais tumores epiteliais do
ovário.
O tratamento padrão para os tumores limítrofes de ovário é cirúrgico, sendo idêntico ao das
neoplasias malignas. Em tumores limítrofes mucinosos recomenda-se sistematicamente a
apendicectomia11. 
Cirurgia conservadora é definida como uma cirurgia com estadiamento completo, conforme
descrito anteriormente, mas com preservação do útero e, pelo menos, de parte do ovário. O
tratamento cirúrgico conservador pode ser considerado, em pacientes jovens, com tumor
confinado a um ovário, estádio I, mas elas devem ser informadas do maior risco de recidiva e da
necessidade de seguimento por longo prazo. Parece seguro não realizar biópsias no ovário
contralateral, macroscopicamente normal, em pacientes candidatas a cirurgia conservadora
diminuindo, portanto, as aderências em torno do ovário e preservando a fertilidade. Um estudo
multi-institucional39 observou uma taxa de gravidez de 32% entre 162 mulheres tratadas com
cirurgia conservadora (cistectomia ou salpingooforectomia unilateral) para tumores limítrofes. 
Não existem protocolos para terapia adjuvante neste grupo de tumores11. Alguns autores têm
indicado quimioterapia adjuvante baseada em platina para pacientes com implantes peritoniais
invasivos até que estudos futuros consigam definir o papel da quimioterapia de maneira mais
precisa38.
Na recidiva, pode ser utilizada quimioterapia paliativa com protocolos contendo cisplatina,
porém as respostas são pobres e não foram demonstrados benefícios na sobrevida global, mas, na
ausência de estudos randomizados, prospectivos, existe uma concordância na recomendação de
cirurgia ótima seguida de quimioterapia11,37. 
Recomendações
• Cirurgia deve ser semelhante à do tumor invasivo de ovário.
• Cirurgia conservadora pode ser realizada em paciente jovem com doença estádio IA que
deseja engravidar.
• Tratamento sistêmico só é recomendado na progressão após cirurgia.
4.6. Tratamento Oncológico no Estádio I
Baseados nos fatores prognósticos definidos anteriormente, podemos dividir as pacientes
com câncer epitelial de ovário estádio I em 2 subgrupos:
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 101
1. Baixo risco: compreende as pacientes com doença estádio IA e IB, grau histológico I;
2 . Alto risco: pacientes com estádio IA e IB graus II ou III ou estádio IC.
4.6.1. Tratamento
Apesar do consenso de que a cirurgia corretamente realizada é fundamental para o estadia-
mento e tratamento desta neoplasia, isto ocorre, de início, em apenas 10-30% das pacientes40.
Outro complicador é que o estádio I ocorre em cerca de 20% das pacientes com câncer de
ovário e a sobrevida em 5 anos é da ordem de 50-95%41. As consequências destes fatos são a baixa
inclusão de pacientes e o pequeno número de eventos, o que dificulta a realização de estudos
clínicos controlados.
Apesar disto, dois grandes estudos que incluíram pacientes com câncer de ovário nos estádios
iniciais foram realizados na década de 1990.
O estudo ACTION incluiu 448 pacientes que foram randomizadas entre quimioterapia (QT)
com esquema contendo platina versus observação; este estudo determinou critérios rígidos para
a abordagem cirúrgica. Após 5 anos de observação, a sobrevida global foi de 85% no grupo QT e de
78% no grupo observação (p=0,10) e a sobrevida livre de doença foi, respectivamente, de 76% e 68%
(p=0,02).42 No entanto, somente 1/3 das pacientes foi operada corretamente; análise de subgrupo
revelou benefício nas sobrevidas global e livre de recidiva, com QT, apenas nas pacientes com
cirurgia sub-ótima. Atualização dos resultados, após 10,1 anos de observação, confirmaram benefício
da QT adjuvante apenas nas pacientes submetidas a cirurgia considerada não ótima. Os autores
recomendam firmemente que, nas pacientes operadas de forma inadequada, nova cirurgia deve
ser indicada e que QT deve ser limitada apenas àquelas nas quais tal conduta não for possível43.
O estudo ICON1 incluiu 477 pacientes, que foram randomizadas para QT com esquema
contendo platina versus observação; não foram estabelecidos critérios para estadiamento cirúrgico.
A sobrevida global em 5 anos foi de 79% no grupo QT e de 70% no grupo controle (p=0,03) e a
sobrevida livre de doença foi, respectivamente, de 73% e 62% (p=0,01).44 No entanto, atualização
dos resultados após 9,2 anos de observação, revelou benefício da QT adjuvante apenas nas
pacientes com doença de alto risco45. 
O estudo ACTION incluiu pacientes com doença nos estádios IA-B G2-3, IC e IIA ou qualquer
estádio I ou II, mas com histologia de células claras; o estudo ICON1 incluiu pacientes com doença
estádios I, II ou III.
Bell et al. compararam o uso de 3 versus 6 ciclos de carboplatina (AUC = 7,5) associada a
paclitaxel (175mg/m2) em pacientes com câncer de ovário inicial com critério de elegibilidade
semelhante ao do protocolo ACTION e não encontraram diferença estatisticamente significativa nas
taxas de recidiva ou óbito46.
Portanto, muita controvérsia ainda persiste sobre o melhor tratamento para pacientes com
câncer de ovário estádio I.
Recomendações
• É fundamental que as pacientes sejam operadas adequadamente, pelos critérios estabe-
lecidos acima, mesmo que seja necessária segunda cirurgia.
• Pacientes operadas adequadamente com doença estádio IA ou IB e grau histológico I: mais
de 90% delas estarão vivas após 5 anos e nenhum tratamento adjuvante é recomendado16.
• Pacientes com doença estádio I e, que por qualquer motivo, não puderam ser operadas
adequadamente: considerar quimioterapia adjuvante com paclitaxel + cisplatina ou carboplatina
por 3-6 ciclos.
• Pacientes com doença estádio IA ou IB graus 2 ou 3 de malignidade ou estádioIC e que foram
operadas adequadamente: o benefício da QT adjuvante é duvidoso e cada caso deve ser analisado
separadamente; quando indicada, usar mesmo esquema acima.
102 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
OBS: como vimos anteriormente, o valor prognóstico da histologia de células claras é
controverso nos estádios IA e IB; no entanto, os estudos que avaliaram tratamento na doença inicial
consideraram esta histologia como de pior prognóstico. 
4.7. Tratamento Oncológico nos Estádios Avançados (II a IV)
As pacientes com câncer de ovário avançado apresentam-se ao oncologista em três cenários
possíveis: 
1- paciente foi operada com citorredução ótima;
2- pacientes operada com citorredução inadequada;
3- paciente com doença volumosa não candidata a citorredução inicial. 
4.7.1. Pacientes operadas adequadamente 
O uso de platina é rotineiro desde o final da década de setenta e está plenamente substan-
ciado em meta-análise publicada em 200147. As comparações entre cisplatina e carboplatina
mostraram resultados terapêuticos semelhantes com perfil de toxicidade diferente, sendo a
primeira mais emetizante e neurotóxica e a segunda mais mielossupressora47.
O estudo do GOG158 consagrou a associação da carboplatina e paclitaxel como tão efetiva e
melhor tolerada que a cisplatina e paclitaxel48. A adição do paclitaxel, primeiramente avaliado pelo
estudo GOG111 e depois em outros49, mostrou vantagem sobre a associação de cisplatina e
ciclofosfamida. 
Estudo comparando carboplatina com paclitaxel versus carboplatina com docetaxel mostrou
resultados precoces semelhantes, com toxicidades diferentes, concluindo-se que o docetaxel pode
ser uma alternativa ao paclitaxel50.
Katsumata N et al compararam o esquema padrão de carboplatina e paclitaxel versus
carboplatinae paclitaxel dose densa (80 mg/m2 dias 1, 8 e 15 em ciclos de 21 dias) e encontraram
maior sobrevida livre de progressão (p=0,0015) e sobrevida global (p=0,03) em 3 anos, com o
esquema de dose densa51. No entanto, o regime de dose densa é mais tóxico, com um índice de
descontinuidade do tratamento superior ao regime padrão.
Concluindo, a quimioterapia de escolha, aceita internacionalmente, para carcinoma de ovário
é a combinação de platina com taxane, sendo a mais difundida o paclitaxel 175mg/m2 em infusão
de 3 horas e carboplatina AUC 5 (5-7), a cada 21 dias, por 6-8 ciclos. 
Se o diagnóstico histopatológico é de carcinoma mucinoso do ovário, deve-se pensar na
possibilidade de tratar-se de metástase ovariana de tumores gastrointestinais e investigar-se esta
possibilidade. Embora o carcinoma mucinoso possa se originar primitivamente no ovário, há relato
de resposta inadequada, desses casos, à terapia usual52. 
Recentemente foi aventada a hipótese de que os carcinomas de células claras responderiam pior
a esquemas baseados em platina, inclusive com proposta de outras opções terapêuticas para esta
histologia 17,53. Entretanto, na análise dos casos do GOG tratados com platina e paclitaxel, o HR foi de
1,37 (p=0,004) em favor da histologia serosa para sobrevida global quando comparado ao de
células claras e 2,18 (p<0,001) comparado com o mucinoso ou seja a resposta é pior mas não nula18.
4.7.2. Pacientes com abordagem cirúrgica inadequada
Os casos devem ser individualizados, mas em nosso meio, onde há escassez de ginecologista
oncológico, este problema é frequente. A primeira opção seria rediscutir o caso com o cirurgião
com vistas a nova abordagem com oncologista ginecológico para cirurgia adequada.
Quando esta conduta não é possível, uma abordagem prática freqüente é separar as pacientes
em dois grupos.
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 103
O primeiro, no qual as informações do cirurgião, os exames clínicos e de imagens não
demonstram haver doença em atividade, ou se há doença, ela é pequena; o CA125 pode estar
elevado ou normal. Nestas pacientes estão indicados 6-8 ciclos de quimioterapia com carboplatina
e paclitaxel. Não há evidências científicas para indicação de cirurgia após a quimioterapia. Os casos
devem ser individualizados com relação à indicação cirúrgica.
O segundo subgrupo é aquele em que as informações do cirurgião, o exame clínico e/ou
exames de imagem demonstram doença extensa intra-abdominal ou cujo estadiamento seja IV
(geralmente por derrame pleural neoplásico). Se após avaliação conjunta com ginecologista
oncológico, a paciente for considerada sem condições de citorredução ótima, deverão ser
submetidas a quimioterapia neoadjuvante com seis a oito ciclos e reavaliadas para serem
abordadas cirurgicamente se a citorredução ótima for possível54. Como vimos anteriormente, não
há vantagem aparente com quimioterapia neoadjuvante associada a cirurgia de intervalo, com os
esquemas atuais32,33,34.
4.7.3. Paciente não operada, com doença volumosa
A abordagem cirúrgica inicial seguida pela quimioterapia sistêmica não é factível se houver
doença muito volumosa e/ou morbidade cirúrgica proibitiva.
Uma alternativa para essas pacientes é a realização de quimioterapia sistêmica neoadjuvante
seguida da citorredução cirúrgica naquelas que obtiveram resposta. Uma possível vantagem para
esta estratégia é selecionar pacientes com doença quimiossensível e que possam se beneficiar da
citorredução cirúrgica e evitar a morbidade desse procedimento nas não respondedoras.
Como vimos anteriormente a quimioterapia neoadjuvante com cirurgia de intervalo ainda é
controversa32,33.
A alternativa mais comum é a realização de quimioterapia com carboplatina e paclitaxel por
6 a 8 ciclos, seguida de cirurgia34.
• Procedimentos especiais
Alguns procedimentos ainda não padronizados merecem discussão: quimioterapia
intraperitoneal, tratamento de consolidação, quimioterapia de manutenção e uso de anticorpo
monoclonal.
• Quimioterapia intraperitoneal
Sendo a disseminação do tumor epitelial de ovário basicamente intrabdominal, com a
administração intraperitoneal seria conseguida uma concentração maior da droga nos locais de
implantação das lesões. Como as drogas, geralmente, são absorvidas via peritoneal, não há prejuízo
teórico, quanto à ação sistêmica.
Esta modalidade de tratamento já foi testada algumas vezes, com vantagens nas sobrevidas
livre de progressão e global, mas não foi bem aceita pela comunidade médica. A discussão foi
avivada após recente publicação em que a modalidade foi utilizada em pacientes ECIII, com resíduo
tumoral <1 cm, comparando-se paclitaxel 135mg/m2 em 24h e cisplatina 75mg/m2 via venosa
versus paclitaxel 135mg/m2/24h EV no D1 seguida de cisplatina 100mg/m2 intraperitoneal no D2
e paclitaxel 60mg/m2 intraperitoneal no D8. Seguimento de mais de 4 anos demonstrou aumento
significativo da taxa de remissão completa (41% x 57%), da sobrevida livre de progressão mediana
(18,3 x 23,8 meses) e da sobrevida global mediana (49,7 x 65,6 meses), favorecendo o tratamento
intraperitoneal. Entretanto a toxicidade foi muito maior para o tratamento IP e apenas 42% das
pacientes conseguiram completá-lo por esta via55. Embora com maior toxicidade e pior qualidade
de vida, há pelo menos 3 meta-análises confirmando um aumento de sobrevida da ordem de 8 a
16 meses para as pacientes tratadas com quimioterapia intraperitoneal56,57,58.
Os críticos da quimioterapia intraperitoneal argumentam, com razão, que em todos os
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estudos foram utilizadas drogas e doses diferentes em cada braço, alem do que nenhum dos grupos
controle foi tratado com o tratamento hoje considerado padrão 59.
Portanto, para esse grupo de pacientes, esta é uma opção tentadora, em que se pese a
controvérsia, toxicidade e as dificuldades técnicas inerentes ao procedimento. 
• Tratamento de consolidação
Vários estudos não mostraram benefício com a administração de quimioterapia alem do
considerado padrão. No entanto, foram incluídos poucos pacientes e com baixo poder de detectar
diferença útil. Em 2010 Hess LM et al publicaram meta-análise avaliando o papel dos tratamentos
de consolidação e manutenção60. Os resultados são, no entanto, passíveis de críticas devido à
inclusão de estudos não randomizados e à heterogeneidade entre eles.
Até o presente, tratamento de consolidação com quimioterapia ou radioterapia não são
recomendados.
• Tratamento de manutenção
Quimioterapia de manutenção, ou seja, fazer uso de um tratamento mais prolongado após
indução, foi testada pelo SWOG/GOG em pacientes tratadas com 5-6 ciclos de paclitaxel e cisplatina,
sem neurotoxicidade grave, acrescentando-se 3 ou 12 ciclos de paclitaxel (175mg/m2/3h) a cada
28 dias. Na última atualização do estudo, foi demonstrado ganho de sobrevida livre de progressão,
porém, sem ganho de sobrevida global 61. O pequeno número de pacientes incluídos e o tratamento
realizado no momento da recidiva podem ter contribuído para não se observar ganho de sobrevida.
Mei L et al publicaram meta-análise com inclusão de 6 estudos randomizados e não
encontraram benefício nas sobrevidas livre de doença e global com o uso de quimioterapia de
manutenção62.
• Anticorpo monoclonal
Leary A et al avaliaram, recentemente, o papel do bevacizumabe no tratamento do câncer
epitelial de ovário63. Estudos de fase II na doença recidivada mostraram resposta objetiva em 16-
21% das pacientes, mas perfuração intestinal ocorreu em 11% delas.
Dois estudos de fase III em pacientes com doença estágio I-IIA de alto risco (ICON7) ou estágio
IIB-IV (ICON7) ou estágio III-IV (GOG 218) avaliaram a adição de bevacizumabe ao esquema padrão
de quimioterapia com carboplatina e paclitaxel. Foi relatada melhora na sobrevida livre de
progressão no grupo que recebeu o anticorpo monoclonal, mas sem benefício na sobrevida
global63. Vale lembrar que estes estudos foram apresentados sob a forma de sumário e o tempo se
seguimento é pequeno.
Portanto, não há evidência sólidapara a indicação de bevacizumabe.
Recomendações
1 – Doença residual mínima:
• Carboplatina AUC 5 ou 6, associado a paclitaxel-175 mg/m2 EV a cada 21dias por 6-8 ciclos
ou
• Paclitaxel-135 mg/m2 contínuo por 24 horas EV no D1 associado a cisplatina 100 mg/m2,
intraperitoneal, no D2, seguido de paclitaxel-60 mg/m2,intraperitoneal, no D8, a cada 21 dias por
6 ciclos.
2 – Doença residual ≥ 1,0 cm:
• Carboplatina AUC 5 ou 6 associado a paclitaxel-175 mg/m2 EV, a cada 21dias por 6-8 ciclos
ou
• Paclitaxel dose-densa 80mg/m2 IV em 1 hora nos dias 1,8 e 15 e carboplatina AUC 6 em 1
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 105
hora no dia 1 a cada 3 semanas por 6 ciclos
3 – Doença maciça:
• Carboplatina AUC 5 ou 6 associado a paclitaxel-175 mg/m2 EV, a cada 21 dias por 6-8 ciclos
• Considerar cirurgia após quimioterapia se houver resposta clínica compatível com
citorredução ótima.
4. 8. Procedimentos especiais
Carcinoma epitelial de ovário recidivado é considerado doença incurável e o objetivo do
tratamento é paliativo. A duração mediana da sobrevida após a recidiva é de 2 anos, mas pode
variar de meses a mais de 10 anos64.
A seleção do tratamento é baseada na sensibilidade da paciente a esquemas contendo
platina. Pacientes que responderam previamente a esquema contendo platina e têm tempo livre
de doença maior que 6 meses, são consideradas sensíveis à platina. Essas pacientes beneficiam-se
da utilização de esquemas com platina na segunda linha.
Em contraste, as pacientes que recidivam antes de 6 meses após o final da quimioterapia de
primeira linha contendo platina, que progridem durante esse tratamento ou que atingem doença
estável como melhor resposta ao tratamento, são chamadas de resistentes à platina. Essas mulheres
não responderão a tratamento contendo derivados de platina. Apresentam um pior prognóstico
e devem receber drogas que não apresentem resistência cruzada à platina65.
4.8.1. Quimioterapia intraperitoneal
Como o objetivo da quimioterapia nesse cenário é eminentemente paliativo, é questionável,
o real benefício do início imediato do tratamento quando a paciente ainda encontra-se
assintomática.
O estudo MRC OV05/EORTC 55955 foi desenhado para responder esta questão. Nele 1442
mulheres com doença em remissão completa e níveis séricos de CA-125 normais foram seguidas
com dosagens trimestrais desse marcador. Tanto as pacientes quanto os investigadores
desconheciam os valores do CA-125. As mulheres que apresentavam elevação do CA-125 maior ou
igual a 2 vezes o valor de referência eram, então, randomizadas para início imediato de
quimioterapia ou seguimento “cego” do CA-125 e tratamento apenas quando surgissem sintomas
ou sinais clínicos de recorrência. Após seguimento de 57 meses, a sobrevida foi similar em ambos
os braços, sendo que o grupo de início imediato de tratamento teve um impacto negativo na
qualidade de vida66.A conclusão deste estudo é de que não se deve basear apenas na elevação do
CA 125 para se indicar quimioterapia precoce na recidiva.
No estudo de Chi DS et al 35, citado anteriormente, pacientes com recidiva sensível a platina
e que foram submetidas a cirurgia citorredutora secundária com exérese de todas as lesões visíveis
seguida de quimioterapia com platina e taxane, tiveram sobrevida mediana de 56 meses.
Como no estudo MRC OVO5/EORTC 55955, a cirurgia de resgate não foi incluída no protocolo
e a questão não foi respondida adequadamente.
Recomendamos acompanhamento pós-tratamento primário conforme definido adiante, com
inclusão de dosagem de CA 125. Na eventualidade de elevação de seus níveis séricos, estudos de
imagem devem ser realizados. Se lesão anatômica for detectada, e considerada passível de
ressecção completa, cirurgia deve ser indicada, seguida de quimioterapia. Muitas destas pacientes
sobreviverão por muitos anos.
106 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
4.8.2. Manejo da doença sensível a platina 
O intervalo livre de tratamento é um importante preditor de resposta a terapia na doença
sensível a platina. A taxa de resposta é de 27% quando o intervalo livre de doença é de 6-12 meses,
de 33% quando é de 13-24 meses e de 59% quando é maior do que 24 meses67. 
O melhor regime não está estabelecido, porém é fundamental a inclusão de platina no
esquema terapêutico. Estudo fase III avaliou a utilização de agente único platina ou outra droga,
demonstrando benefício na duração de resposta e na mediana da sobrevida (35 x 26 meses) a favor
do braço que incluiu platina68.
4.8.3. Combinação x agente único
Evidências sugerem que uma combinação de agentes similares aos usados na primeira linha
possa ser efetivo. Outros acreditam que o tratamento com platina isolada poderia ser considerado
em virtude dos pequenos ganhos em sobrevida e a maior toxicidade observada nos esquemas
combinados68.
Existem 3 estudos fase III que avaliaram o papel da quimioterapia combinada versus
monoterapia neste cenário64.
O estudo ICON4/AGO OVAR 2,2 é a união de 2 estudos europeus que incluíram 802 pacientes,
randomizadas para receberem platina e taxane versus platina isolada. Pacientes que receberam a
combinação apresentaram aumento significativo na duração mediana da sobrevida livre de
progressão (13 versus 10 meses – p=0,0004) e da sobrevida global (29 versus 24 meses – p=0,02).64
O estudo AGO OVAR 2,5 incluiu 356 pacientes, randomizadas entre carboplatina mais
gencitabina versus carboplatina isolada. Pacientes que receberam a combinação apresentaram
maior taxa de resposta objetiva (47,2% versus 30,5% - p=0,0016) e maior duração mediana da
sobrevida livre de progressão (8,6 versus 5,8 – p=0,003), mas não houve diferença na sobrevida
global64. Estes dados demonstram a superioridade da combinação sobre a monoquimioterapia.
Um único estudo (CALYPSO), com grande número de casos recidivados e sensíveis a platina
(976 casos), comparou carboplatina na dose de AUC5 associada a doxorrubicina lipossomal
(30mg/m²) a cada 4 semanas ou a paclitaxel 175mg/m² a cada 3 semanas, com seguimento
mediano de 22 meses e demonstrou um aumento da sobrevida livre de progressão de 11,3 versus
9,4 meses significativamente favorável a doxorrubicina (p=0,005), com um perfil de toxicidade
diferente e considerado melhor pelos autores, principalmente por menor neuropatia > grau 2 (4%
versus 27%).69
Recomendações
- Avaliar cirurgia de resgate:
• Indicar cirurgia apenas se for possível exérese de todas as lesões
- Quimioterapia:
- associar platina a paclitaxel:
• Carboplatina AUC 5 + Paclitaxel 175 mg/m2 EV a cada 3 semanas 
• Resposta esperada: ± 60% de resposta objetiva, com remissão completa em ± 25%.
- em caso de neurotoxicidade associada ao uso de paclitaxel, considerar:
• Carboplatina AUC 5 EV D1 + Gencitabina 1000 mg/m2 EV D1+ D8 a cada 3 semanas ou
• Carboplatina AUC5 + doxorrubicina lipossomal 30mg/m2 a cada 3 semanas
4.8.4. Manejo da doença resistente a platina
Não existem estudos fase 3 demonstrando benefício da quimioterapia combinada sobre
monoterapia, neste contexto64. Poucos estudos de fase 3 compararam drogas isoladas, mas
nenhuma delas demonstrou superioridade sobre as demais, em termos de resultados clínicos64.
Portanto, não há droga de escolha baseado na resposta. A decisão depende de fatores tais
como comorbidades, perfil toxicológico e da preferência do médico64.
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 107
Merece destaque o fato de que os critérios vigentes para avaliação de resposta objetiva são
tão rigorosos que podem dar a falsa impressão de que não há benefício com o tratamento. Por
outro lado, a prática clínica demonstra que melhora de sintomas ou estabilização por tempo
significativo é muito freqüente, com evidente melhora na qualidade de vida das pacientes.
Preferimos, então, enunciar as drogas consideradas ativas com as respectivas respostas descritas
como orientação, sem fazer recomendações explícitas sobre sequências terapêuticas a serem
seguidas.
Várias drogas são ativas nessa situação:
- Taxanos:
• Paclitaxel - 135 a 175 mg/m2 a cada 3 semanas
• Paclitaxel - 80 mg/m2/semanapor 4 semanas a cada 6 semanas
Resposta esperada em 21-33% das pacientes64.
• Docetaxel 100 mg/m2 EV D1 a cada 3 semanas
Resposta esperada semelhante ao paclitaxel64.
- Etoposide:
• Etoposide oral 50 mg/m2 por 21 dias a cada 4 semanas
Resposta esperada em 8,3-27% das pacientes64.
- Doxorrubicina lipossomal:
• Doxorrubicina lipossomal 35-50 mg/m2 EV a cada 4 semanas
Resposta esperada em 9,0-27,5% das pacientes64.
- Topotecano:
• Topotecano 1 mg/m2/dia EV por 5 dias a cada 4 semanas.
Resposta esperada em 12-19% das pacientes64.
- Gencitabina:
• Gencitabina 800 mg/m2 EV D1, D8 , D15 a cada 4 semanas
Resposta esperada em cerca de 13-27% das pacientes64.
- Vinorelbina:
• Vinorelbina 30 mg/m2 EV D1 + D8 + D15 a cada 4 semanas.
Resposta esperada em 10-20% das pacientes64.
- Ifosfamida:
• Ifosfamida 1,0-1,2 g/m2/dia por 5 dias a cada 3 semanas
Resposta esperada em cerca de 10-20% das pacientes64.
- Outros agentes:
- Tamoxifeno: 
Tamoxifeno 20 mg de 12/12 horas
O uso de tamoxifeno está associado a resposta objetiva (RO) em 10-20% das pacientes70.
Estudo do GOG que incluiu 105 pacientes revelou RO em 17% delas e doença estável, com benefício
clínico, em 38%. Este estudo sugeriu, também, que a resposta é mais freqüente quando o receptor
de estrógeno é positivo71. 
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- Irinotecano:
Irinotecan 250-300 mg/m2 EV 90 min a cada 3 semanas
Resposta esperada em cerca de 16% das pacientes72.
- Oxaliplatina: 
Oxaliplatina 100 mg/m2 EV a cada 3 semanas
Resposta esperada em 11-23% das pacientes74. 
- Capecitabina:
Capecitabina 1250 mg/m2 2 X /dia por 14 dias em ciclos de 21 dias
Resposta esperada: objetiva em ±24% e bioquímica em 7-29 % das pacientes74,75. 
- Bevacizumabe:
Bevacizumabe 10 mg/kg de peso a cada 2 semanas
Resposta esperada em 16-21% das pacientes63,64
OBS: perfuração intestinal ocorreu em 0-11% das pacientes64.
Recomendações
• Paclitaxel é a droga de escolha (quando não foi usado previamente)
• Doxorrubicina lipossomal, topotecano e etoposide oral são as próximas escolhas. 
• A escolha do agente depende do perfil de toxicidade e conveniência de administração da
droga;
• Tamoxifeno é uma escolha importante em mulheres que não tolerem a toxicidade da
quimioterapia;
• Gencitabina, vinorelbine e ifosfamida têm similares níveis de resposta ao tamoxifeno, em
tumores resistentes a platina, porém, são mais tóxicos;
• Irinotecano, oxaliplatina e capecitabina têm menor atividade em doença resistente a platina,
mas podem ser consideradas em casos selecionados.
4.9. Papel da radioterapia
No tratamento da neoplasia epitelial de ovário, a radioterapia pode ser empregada em três
situações: adjuvante, em casos selecionados com contra-indicação a quimioterapia; de resgate,
naquelas pacientes com doença residual de pequeno volume após cirurgia e quimioterapia; e
paliativa.
4.9.1. radioterapia adjuvante
Um dos estudos que corrobora o papel da radioterapia adjuvante foi publicado por Dembo
et al., no qual 190 pacientes, estádios IB, II e III assintomáticas foram randomizadas para receber
radioterapia pélvica versus RT pélvica com clorambucil versus radioterapia de abdome total (WART,
do inglês whole-abdominal radiation therapy)76. Naquelas submetidas a ressecção completa, WART
apresentou elevação da sobrevida global aos 5 anos (78% versus 51%) e aos 10 anos (64% versus
40%), quando comparado com radioterapia pélvica associada a clorambucil. O benefício não foi
observado naquelas com doença residual extensa.
Várias outras séries de uso de radioterapia adjuvante, sendo a maioria retrospectiva, foram
publicadas, com resultados e toxicidades semelhantes, com sobrevida global em cinco anos de 55-
61% e em 10 anos de 41-54%, com toxicidade crônica em cerca de 10-21% das pacientes77,78,79.
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 109
Meta-análise publicada em 2003, incluindo 5 estudos e 862 pacientes, comparando
quimioterapia adjuvante (4 estudos com cisplatina e 1 estudo com melfalano) versus radioterapia
(2 estudos com radioterapia abdominal total) versus instilação intraperitoneal de 32P (3 estudos)
não encontrou diferença entre as três modalidades terapêuticas adjuvantes, embora seus
resultados devam ser avaliados com cautela, pela grande heterogeneidade das pacientes80.
Na ausência de estudos randomizados adequados que comparem esquemas atuais de
quimioterapia versus radioterapia abdominal total com técnicas mais modernas de radioterapia, a
terapia adjuvante mais empregada é a quimioterapia baseada em platina e taxane. No entanto,
radioterapia pode ser empregada naquelas pacientes estádio IB-II e III assintomáticas, com contra-
indicação a quimioterapia.
4.9.2. radioterapia de consolidação
Após cirurgia e quimioterapia, na cirurgia second-look cerca de 50% das pacientes apresentam
resposta completa, embora mesmo nesse subgrupo a persistência de doença residual subclínica
seja causa de taxa significantemente alta de recidiva, habitualmente em pelve e abdome. 
Na tentativa de se reduzir a taxa de recidiva após resposta inicial completa ou parcial, baseado
em estudos que demonstram que a WART na adjuvância é efetiva em doença residual <2 cm, a
radioterapia passou a ser avaliada em uma série de estudos. A maioria deles mostrou que WART não
é melhor que esquemas adicionais de quimioterapia, todavia o número de pacientes avaliadas foi
pequeno e a maioria de estudos não randomizados.
Dois estudos recentes avaliaram a radioterapia abdominal de consolidação em subgrupo
específico de paciente, sugerindo potencial benefício em um grupo selecionado de pacientes, sem,
ou com mínima, doença residual microscópica. No primeiro, Pickel et al. randomizaram 64 pacientes
estádio III-IV (maioria III), para WART versus observação após cirurgia citorredutora seguida de
quimioterapia, sem evidências de doença residual (embora cirurgia second-look não tenha sido
empregada). WART elevou a sobrevida livre de doença de 26% para 49% (p=0,013) e a sobrevida
global de 33% para 59% (p=0,020), em 5 anos81. 
O segundo estudo, publicado por Sorbe em 2003, incluiu exclusivamente pacientes com
doença estádio III. Aquelas com resposta patológica completa na cirurgia second-look foram
randomizadas para WART versus quimioterapia versus observação. As pacientes com doença
residual microscópica foram randomizadas para WART versus quimioterapia. O benefício em
sobrevida livre de doença em 5 anos foi observado nas pacientes com remissão patológica
completa submetidas a radioterapia (56% WART versus 36% para QT versus 35% para observação),
sem diferença estatística em sobrevida global. Nas pacientes com doença residual microscópica,
não foi observada diferença entre WART e quimioterapia82.
Embora WART de consolidação não tenha sido avaliada após esquemas atuais de
quimioterapia, essa modalidade de terapia de consolidação pode ser considerada em casos
selecionados, com doença residual mínima83.
4.9.3. radioterapia paliativa
Radioterapia paliativa é empregada nos casos de sangramento, dor, sintomas obstrutivos, e
menos freqüentemente dispneia, linfedema e metástases cerebrais. Realizada em campos
localizados para paliação dos sintomas, produz benefício significante (taxa de resposta de 34% a
73%), com duração mediana de 5 a 11 meses, e deve ser considerada em pacientes selecionados,
especialmente naquelas com doença refratária à quimioterapia.
4.9.4. Técnica e complicações da radioterapia
A técnica de radioterapia utilizada na radioterapia abdominal total é composta por campos
anterior e posterior em abdome e pelve, da borda superior do diafragma à porção inferior do
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forame obturador, e lateralmente além das reflexões peritoneais, com dose de 30Gy, seguido de
complementação de dose em região para-aórtica até 45Gy e em pelve até 45-50Gy.
Fyles et al. descreveram as toxicidades agudas e tardias em 598 pacientes tratadas com WART
no período de 1971 a 198584. As reações agudas mais freqüentes foram diarréia (70%), náusea/
vômitos (60%), leucopenia etrombocitopenia (11%), com 23% de interrupção do tratamento por
toxicidade, principalmente hematológica. As reações tardias mais frequentes foram alteração da
função hepática (44%), diarreia crônica (14%), pneumonite basal (4%) e obstrução intestinal grave
(4,2%).
Recomendações
• Radioterapia (RT) é ativa no câncer epitelial de ovário.
• RT adjuvante é eficaz, porém mais tóxica do que a quimioterapia (QT), não sendo então,
considerada como tratamento padrão.
• RT em pacientes com doença persistente ou recorrente mínima (≤ 1,0 cm) após QT parece
prolongar a sobrevida.
• RT paliativa, antiálgica ou descompressiva, pode ser considerada quando cirurgia ou QT não
forem opções viáveis. 
4.10. Critérios para Acompanhamento após o Tratamento
Como vimos anteriormente, câncer epitelial de ovário recidivado após tratamento primário
adequado, é doença incurável e infelizmente, não foi possível demonstrar benefício de sobrevida
quando se utiliza um programa de acompanhamento intensivo. Também não está definido qual
seria o momento ideal para se iniciar o tratamento de resgate, nas pacientes assintomáticas,
baseado na progressão determinada por este seguimento85,86. A seguir detalharemos os
procedimentos mais citados no seguimento do câncer epitelial de ovário, seguidos das nossas
recomendações.
4.10.1. Dosagem do CA-125 sérico
Níveis séricos elevados de CA-125 podem preceder a recorrência clinicamente detectável em
56% a 94% dos casos, com um intervalo de tempo mediano de 3 a 5 meses85,86,87. Valores como o
dobro do limite superior do valor normal, ou o dobro do valor do nadir, nas pacientes em que a
medida nunca atingiu níveis normais, têm um valor preditivo positivo de 98,8% para progressão
da doença.88
Mais recentemente, critérios de progressão baseados na elevação do CA-125 dentro da faixa
normal foram sugeridos. Uma elevação de 100% sobre o nadir ou um aumento absoluto de 5 U/mL
são preditivos de recorrência89. A taxa mais baixa de CA125, mesmo nas pacientes em que o CA-
125 se normalizou pode ter valor prognóstico quanto à recidiva90.
Para pacientes com tumores mucinosos e CA-125 normal, outros antígenos, como o CA 19.9,
o CA 72.4 ou o CEA, podem ser úteis para sua monitorização, caso estejam inicialmente elevados85.
4.10.2. Exame físico
Cerca de 50% das recorrências do câncer epitelial de ovário acometem a pelve e, por este
motivo, o exame físico nas consultas de seguimento deve incluir o exame pélvico/ginecológico85.
O exame físico combinado à dosagem do CA-125 sérico, foi capaz de identificar a recorrência em
98% de 54 pacientes em seguimento de câncer de ovário91.
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4.10.3. Ultrassonografia
A ultra-sonografia abdômino-pélvica e transvaginal, com ou sem “doppler”, pode ser útil no
seguimento, porém o exame pélvico pode ser mais sensível, bem como a tomografia computado-
rizada. Está recomendada como complementar ao exame físico por alguns grupos europeus, porém
nem é citada pelo NCCN (National Comprehensive Cancer Network), por exemplo85,92.
4.10.4. Tomografia computadorizada
A tomografia computadorizada (TC) de abdômen e pelve é utilizada no diagnóstico,
estadiamento, planejamento cirúrgico e na determinação da resposta e da recorrência do câncer
epitelial de ovário. Sua principal limitação é a baixa sensibilidade para pequenos implantes
tumorais. A maioria dos estudos sobre a acurácia do método incluía a cirurgia como padrão ouro.
A sensibilidade variou de 40% a 63%, a especificidade de 50% a 94%, o valor preditivo positivo de
67% a 83% e o valor preditivo negativo de 25% a 83%85,93.
A tomografia computadorizada de tórax está indicada apenas nas pacientes com elevação
do CA-125 sérico e TC de abdômen e pelve normais, uma vez que a recorrência torácica isolada é
rara, variando entre 2,7% e 5%85.
Ressonância Magnética
A ressonância magnética pode ser mais sensível para doença peritoneal, porém menos eficaz
para detecção de doença linfonodal. Alguns autores sugerem que deve ser reservada para os casos
onde existam achados duvidosos na TC, por ter maior custo e ser de realização mais prolongada.
A sensibilidade para detecção da recorrência variou de 67% a 91%, a especificidade de 60%
a 100%, o valor preditivo positivo de 65% a 100% e o valor preditivo negativo de 46% a 83%85.
4.10.5. PET-CT
A tomografia por emissão de pósitrons é particularmente útil nas pacientes que apresentam
elevação do CA-125, durante o seguimento, associado a exames de imagem negativos ou
inconclusivos. É mais sensível para a recorrência linfonodal no retroperitôneo que para a recorrência
peritoneal; sua acurácia, para lesões inferiores a 1 cm, é baixa. A combinação do PET com a tomografia
computadorizada melhora a localização anatômica da captação anormal. A sua sensibilidade para
detecção de recorrência varia entre 73% e 88%, a sua especificidade varia de 40% a 75%, seu valor
preditivo positivo entre 73% e 94% e seu valor preditivo negativo varia entre 40% e 55%85.
Recomendações
História, exame físico, exame pélvico e CA-125 sérico (caso elevado inicialmente) a cada 2-4
meses nos 2 primeiros anos, a cada 6 meses por 3 anos e a seguir anualmente. Hemograma e
bioquímica conforme indicação clínica. A tomografia computadorizada de abdômen e pelve, a
radiografia (ou TC) de tórax e o PET são realizados quando indicados por sintomas ou sinais, e não
rotineiramente. 
4.10.6. Situações especiais
Cirurgias conservadoras
Nas pacientes submetidas à cirurgia conservadora como tratamento de câncer epitelial de
ovário invasivo ou borderline, o seguimento deve incluir a ultrassonografia abominal e pélvica e
transvaginal (nas pacientes sexualmente ativas) e exame físico/pélvico a cada 3 meses nos
primeiros 2 anos e a cada 6 meses a seguir. A dosagem do CA-125 segue os critérios anteriores94. 
A possibilidade de gestação após tratamento conservador em pacientes jovens pode ser
considerada, e um relato francês de ovulação induzida não aumentou o risco de recidiva da
neoplasia95.
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Capítulo 5
Câncer de Endométrio
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 117
Editor: Dr. João Nunes de Matos Neto 
Autores: Dra. Cláudia Ottaiano Rogrigues, Dr. Evanius Garcia Wiermann e Dr. Juliano de Pádua
Nakashimas
118 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Capítulo 5
Câncer de Endométrio
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 119
5.1. Introdução
O câncer de endométrio é o câncer ginecológico mais comum nos Estados Unidos com 42160
casos novos anuais e 7780 mortes anuais. 1
No Brasil, segundo dados dos Registros de Câncer de Base Populacional, as maiores taxas
médias de incidência anuais, ajustadas por idade por 100 mil mulheres, foram nas cidades de Jaú,
Porto Alegre e Goiânia, com 10.1, 8.0 e 7.8 respectivamente.2
Embora a incidência seja maior na raça branca, a mortalidade é maior entre as mulheres negras.3
5.2. Fatores de risco
Aproximadamente 80% dos carcinomas de endométrio são do tipo I, cuja exposição ao
excesso de estrógenos endógenos ou exógenos sem a contraposição de exposição aos progestágenos
é o fator de risco determinante 5. Tamoxifeno é uma das drogas mais avaliadas neste contexto. (vide
tabela) 
Outro fator relacionado é a anovulação crônica, como na síndrome do ovário policístico, em
que o risco pode chegar a 3 vezes mais que na população geral. Tratamento com anticoncepcionais
e retirada de progesterona regular pode reduzir tal risco.
Síndromes hereditárias, particularmente a de Lynch, podem aumentar o risco cumulativo de
carcinoma endometrial em até 43% durante a vida, bem como de outros tumores como tumores
colorretais, gástricos, biliares, urológicos e ovarianos.
risco relativo
2-10
NA
2-4
2
3
2
2
NA
NA
2-4
Fator de risco para Carcinoma Tipo I
Terapia estrogênica não oposta crônica, por ex., TRH
Síndrome metabólica
Obesidade
Diabetes mellitus
Síndrome de ovário policístico
Longo tempo de vida com sangramento menstrual
Nuliparidade
Infertilidade 
História de câncer de mama
Terapia com tamoxifeno
5.3. Diagnóstico
A apresentação mais comum do carcinoma de endométrio é o sangramento vaginal anormal,
que inclui a menorragia, metroragia ou a menometrorragia em pacientes em menacme ou
sangramento pós-menopausal nas que já interromperam seus ciclos há mais de 12 meses, sendo
importante manter o índice de suspeição naquelas com fatores de risco presentes. Lembrar que
75% dos casos acontecem em mulheres na pós-menopausa.
120 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Quando sintomas presentes, geralmente inicia-se a investigação com a ecografia transvaginal,
mas após mantida suspeita, deve-se seguir para avaliação histológica da cavidade endometrial.
Atualmente, a biópsia endometrial ambulatorial tem uma acurácia muito alta, índices de sensibilidade
de até 82%, mas com valores preditivos negativos baixos, o que implica que em se obtendo um
resultado negativo na persistência de sintomas, ou com amostra inicial insuficiente ou naquelas
pacientes que não toleram o exame ambulatorial por desconforto ou estenose de canal cervical,
deve-se prosseguir com investigação sob visão histeroscópica ou mesmo dilatação e curetagem
de cavidade endometrial. 
5.4. Classificação
O câncer de endométrio é classificado em dois subtipos, com prognóstico e história natural
diferentes 4:
• Tipo I - Carcinoma de Endométrio relacionado ao Estímulo Estrogênico - estes tumores
tendem a aparecer em mulheres obesas, diabéticas, nulíparas e hipertensas, com forte fator indicativo
de excesso de estímulo estrogênico. Geralmente apresentam-se como tumores endometrioides de
baixo grau, com forte associação com hiperplasia endometrial prévia ou concorrente; 
• Tipo II - Carcinoma de Endométrio Não-relacionado ao Estímulo Estrogênico - Geral-
mente não são estrógeno-dependentes e apresentam-se, via de regra, como tumores agressivos,
de alto grau, do tipo seroso-papilar ou tumores de células claras.
5.5. Estadiamento
O carcinoma de endométrio é estadiado cirurgicamente. Avaliação pré-operatória deve incluir um
radiograma torácico para excluir doença extrapélvica. A ressonância nuclear magnética com contraste
é o melhor exame de imagem para avaliação de envolvimento cervical e avaliação de invasão
miometrial, mas não oferece nenhuma informação adicional se terapia cirúrgica estiver planejada.
Uma ecogrfia abdominal total pode ser útil para descartar obstrução do tratao urinário, bem como
uma cistoscopia e retoscopia, podem de forma opcional, avaliar envolvimento de estádio IVA.
O estadiamento foi recentemente reavaliado, com nova publicação pela AJCC em 2010, com a
retirada de algumas subclassificações anteriores, que foram reagrupadas. Houve, concomitantemente,
um novo realinhamento do estadiamento da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia,
que seguiu a mesma linha do AJCC6.
Tumor Primário - Achados Operatórios
FIGO
I
IA
IB
II
IIIA
IIIB
IVA
Definição
Tumor Primário não avaliável
Sem evidência de tumor primário
Carcinoma in situ 
Tumor confinado ao corpo do útero
Tumor limitado ao endométrio ou que invada menos que metade do miométrio
Tumor invade metade ou mais do miométrio
Tumor invade tecido conectivo do cérvix uterino mas não se extende através do útero
Tumor envolve serosa ou anexos por invasão direta ou metástase
Comprometimento vaginal por extensão direta ou metástase OU envolvimento
parametrial
Invasão da mucosa da bexiga ou mucosa intestinal
TNM 
TX
T0
Tis*
T1
T1a
T1b
T2
T3a
T3b
T4
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 121
5.6. Tratamento
Tratamento da Doença Localizada e Locorregionalmente Avançada
5.6.1. Tratamento Cirúrgico
A cirurgia é o tratamento primário recomendado. A histerectomia total abdominal com
salpingo-ooforectomia bilateral é um procedimento aceito quando presume-se, através da
avaliação clínica pré-operatória, o estádio I e, mesmo não trazendo informações do status linfonodal,
não interfere na sobrevida global e na sobrevida livre de doença7. Em adição, linfadenectomia deve
ser recomendada para pacientes EC I de alto risco e com histologias adversas. O estadiamento
cirúrgico padrão tradicionalmente inclui citologia peritoneal, histerectomia extrafascial total,
salpingo-ooforectomia bilateral e biópsiade qualquer lesão suspeita e tipicamente inclui
amostragem linfonodal retroperitoneal.
* FIGO não mais inclui Estádio 0 (Tis). Envolvimento endocervical glandular exclusivo é considerado estádio I. Citologia
positiva não altera o estadiamento original e deve ser reportada separadamente
Grau 1: ≤ 5% de padrão de crescimento sólido não escamoso ou não morular
Grau 2: 6 a 50% de padrão de crescimento sólido não escamoso ou não morular
Grau 3: > 50% de padrão de crescimento sólido não escamoso ou não morular, histologia serosa, células claras ou tumor
mesodérmico misto
Agrupamento Prognóstico
N0
N0
N0
N0
N0
N0
N0
N0
N1
N2
qualquer N
qualquer N
M0
M0
M0
M0
M0
M0
M0
M0
M0
M0
M0
M1
Estadiamento Linfonodal
FIGO
IIIC1
IIIC2
Definição
Linfonodos regionais não podem ser avaliados
Sem metástase linfonodal
Metástases em linfonodos pélvicos
Metástases em linfonodos para-aórticos (com ou sem comprometimento
de linfonodos pélvicos)
TNM 
NX
N0
N1
N2
Metástase à distância
FIGO
IVB
Definição
Sem metástase à distância
Metástase à distância (exclui-se metástase para linfonodos para-aórticos,
vagina, serosa da pelve ou anexos). 
TNM 
M0
M1
Estádio 0*
Estádio I
Estádio IA
Estádio IB
Estádio II
Estádio III
Estádio IIIA
Estádio IIIB
Estádio IIIC1
Estádio IIIC2
Estádio IVA
Estádio IVB
Tis
T1
T1a
T1b
T2
T3
T3a
T3b
T1-T3
T1-T3
T4
qualquer T
122 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Linfadenectomia sistemática pélvica tem sido avaliada para doença extrauterina e alguns
advogam sua utilidade com fim terapêutico. O estudo ASTEC avaliou se este procedimento poderia
aumentar a sobrevida de pacientes neste cenário. 26 Aproximadamente 1400 mulheres com doença
clinicamente confinada ao útero foram aleatorizadas para tratamento cirúrgico padrão com ou
sem linfadenectomia, sendo que as pacientes de doença inical de risco intermediário ou alto
também foram posteriormente randomizadas para radioterapia complementar. Após 37 meses de
seguimento, a diferença absoluta de sobrevida global e de sobrevida livre de recidiva foram de 1%
e de 5%, respectivamente, favorecendo o braço da cirurgia ampliada, o que foi considerado
negativo, mesmo após ajuste para características clínicas e patológicas desbalanceadas.
Outro estudo interessando este assunto aleatorizou pacientes com estádio clínico FIGO I para
associação ou não da linfadenectomia pélvica à cirurgia padrão e notaram taxas de complicações
pós-operatórias precoces e tardias significativamente mais altas no braço dos que se submeteram
à toalete linfonodal. Embora a linfadenectomia tenha produzido melhora significativa no
estadiamento cirúrgico, este não foi associado a melhora nos parâmetros de sobrevida. 
Além disso, assuntos como a extensão para-aótica deste procedimento têm sido debatidos.
Uma análise do GOG demonstrou que na vasta maioria dos pacientes com metástase linfonodal
aórtica comprovada, pelo menos 1 dos seguintes fatores estava presente: linfonodos pélvicos
grosseiramente positivos, metástases anexiais grosseiramente positivas ou invasão de terço externo
miometrial, podendo servir como referências para o tratamento. Mas, também de maneira
retrospectiva, identificou-se que a taxa de linfedema pós-operatório foi estatisticamente maior
nos pacientes nos quais foram removidos mais de 10 lindonodos regionais. Meta-análise recente
revela que naqueles com risco elevado para metástases infonodais (pT1b, grau 3), o risco de morte
pode ser reduzido em até 50%, se realizada a linfadenectomia estendida até nível para-aórtico,
com benefício absoluto de sobrevida a 5 anos de 10,6% (HR 0,44; 95% IC 0.30–0.64; p<0.0001).27
Estudos aleatorizados avaliando o papel da amostragem linfonodal pélvica e para-aórtica
seletivas contra a dissecção sistemática ainda não estão disponíveis, mas análises retrospectivas,
com seus sabidos viéses, têm indicado que em pacientes de risco intermediário e alto (incluindo
aqueles com estádios IB, grau 3; estádio IC e II-IV, de todos os graus), a linfadenectomia está
associada a um ganho de sobrevida doença específica. Para pacientes com estádios IIIC/IV e com
doença linfonodal, a extensão da ressecção foi ainda mais impressionante, com sobrevida livre de
doença a 5 anos de 51% para 1 linfonodo ressecado até 72% quando mais de 20 foram avaliados.
Nos estádios mais avançados, o esvaziamento linfonodal pélvico e para-aórtico pode então trazer
informações valiosas que podem ser utilizadas na estratégia de tratamento adjuvante definitivo.
Já pacientes de baixo risco não demonstraram tal benefício relacionado ao procedimento.28
O método cirúrgico também foi avaliado pelo GOG, sendo que pacientes com estádios I-IIA foram
randomizados para laparotomia ou laparoscopia, sendo detectadas taxas de conversão de até 23,7%,
especialmente se encontradas dificuldades para estadiamento para-aórtico, mas sem diferenças
nos outros parâmetros, tornando a laparoscopia um procedimento razoável nestas mulheres.
5.6.2 . Tratamento radioterápico Adjuvante
5.6.2.1. Doença confinada ao útero:
Após tratamento cirúrgico e avaliação patológica completa, as pacientes devem ser estratificadas
em grupos de risco de recorrência, que orientarão a indicação de tratamento adjuvante, principalmente
o tratamento adjuvante radioterápico.
O uso da radioterapia no câncer precoce de endométrio ainda é sujeito a debate. Diversos
estudos avaliando este assunto falharam em demonstrar benefício de sobrevida, mas o fizeram
em relação à redução de recorrência. As questões relevantes e que trazem discussões acaloradas
referem-se à indicação do tratamento adjuvante no estádio I, além da dúvida se a braquiterapia
poderia substituir a teleterapia em alguns cenários específicos. 
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 123
Além disso, um grande fator de confusão é que a classificação de risco utilizada em todos os
estudos que debatem a questão foi formulada não se levando em consideração o estadiamento da
AJCC de 2010 e sim, sistemas de estadiamentos anteriores, o que pode trazer confusão na
interpretação e transporte dos dados para o estadiamento atual.
Vários fatores como estadiamento, o grau histológico, a presença de invasão linfática/vascular,
a idade, os subtipos histológicos seroso-papilífero e células claras interferem na decisão terapêutica
quando avaliamos os estudos disponíveis, sendo difícil estabelecer um critério de risco que seja
aceito universalmente.
Inicialmente, um estudo do GOG99 avaliando radioterapia adjuvante de abdome total em
pacientes com adenocarcinoma de qualquer grau e sem envolvimento linfonodal com doença de
risco intermediário com qualquer grau de invasão miometrial estádios IB, IC e II conseguiu
demonstrar redução significativa de recorrência (12 vs 3%, HR 0.42; P 0,0007) e, em especial, em
pacientes com características de risco intermediário alto (grau 2, invasão linfovascular e invasão
miometrial de terço externo) comparado à observação, mas sem impacto em sobrevida global.29
Já o estudo PORTEC comparou radioterapia pélvica (46Gy) contra observação em pacientes
com carcinoma endometrial estádio I classificados como grau 1 com invasão miometrial profunda
(≥50%), grau 2 com qualquer nível de ou grau 3 com invasão superficial (≤50%) e identificou ganho
na sobrevida livre de recidiva locorregional (14 vs 4%, P<0,001) às custas de mais toxicidade, mas
sem ganho de sobrevida global. Os pacientes com estádios IC grau 3 não foram aleatorizados e
receberam todos radioterapia, mas ainda se detectou taxas de metástases à distância de 31% neste
subgrupo, a despeito de 14% de recidiva local, sendo o grau 3 o fator mais importante para risco
de recidiva e morte nesta doença em análise multivariada.30
O uso de braquiterapia vaginal contra radioterapia externa foi interessado no estudo PORTEC-
2 numa tentativa de melhorar o controle local com qualidade de vida. Pacientes com câncer
endometrial de risco intermediário operados (estádios IC graus 1-2, IB grau 3, IIA grau 1-2 ou grau
3 com <50% de invasão miometrial) foram aleatorizados para um destes braços. Observou-seque,
a 3 anos de seguimento, as recidivas vaginais foram de 0% e 1,6%, as pélvicas de 1,3% e 0,7%, e as
sistêmicas de 6,4% e 6,0%, respectivamente para braquiterapia e telerradioterapia, com melhor
qualidade de vida para o tratamento intravaginal.31 Estudos como o GOG 249 atualmente estudam
o papel da incorporação da quimioterapia à radioterapia adjuvante nestes pacientes.
Em torno de 20% das pacientes tratadas com radioterapia externa pélvica apresentam
sequelas leves tardias e 3% apresentam sequelas severas tardias, sendo que a indicação deste
tratamento adjuvante tem que sobrepor o risco desta estratégia8.
Frente a esta realidade, sugerimos que a classificação de risco siga os critérios de risco que
aparecem listados nos estudos utilizados de substrato para a meta-análise conduzida por Kong e
colaboradores9:
• Alto risco - presença de algum dos fatores infralistados:
- Subtipo seroso-papilar ou de células claras, grau III, citologia peritoneal positiva, ou estádio II; 
• risco Intermediário:
- IA grau II e invasão linfovascular ou IA grau II e idade >60 anos, IB grau I com invasão
linfovascular ou IB grau I e idade >60 anos e estádio IB grau II
• Baixo risco:
- Não se encaixa em nenhuma das classificações acima para o estádio I.
Utilizando-se esta classificação de risco, favorecemos a seguinte estratégia de tratamento
radioterápico (tabela1):
• Baixo risco: 
- Apenas observação;
• risco Intermediário:
- Braquiterapia endovaginal;
• Alto risco:
- Radioterapia externa + braquiterapia endovaginal.
124 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Tabela 1 - recomendações para radioterapia Adjuvante
Grau Histológico
Grau 1
Grau 2
Grau 3, histologia
adversa, citologia
peritoneal positiva
IA
-
BraquiRxT, se LVI ou >
60 anos
+ e BraquiRxT
Estádios
IB
BraquiRxT, se LVI ou >
60 anos
BraquiRxT
+ e BraquiRxT¹
IC
+ e BraquiRxT-
+ e BraquiRxT
+ e BraquiRxT
¹Após linfadenectomia completa, considerar braquiterapia sozinha devido a excesso de complicações
LVI= invasão linfovascular 
+= telerradioterapia recomendada
- = telerradioterapia não recommendada
5.6.2.2. Doença Não-Confinada ao Útero:
• Estádio III :
. Radioterapia externa associada ou não a braquiterapia endovaginal
. IIIB - incluir toda a vagina no planejamento da braquiterapia endovaginal
. IIIC2 - incluir linfonodos para-aórticos no planejamento da radioterapia
• Estádio IVA:
. Radioterapia externa
5.6.3. Quimioterapia Adjuvante
Vários estudos prospectivos e casualizados têm avaliado o papel da quimioterapia comparada
à radioterapia ou em combinação com a radioterapia no tratamento pós-operatório do carcinoma
de endométrio. Em alguns cenários específicos o papel da quimioterapia está bem determinado.
• Pacientes com doença confinado ao útero de alto risco
- Hogberg e colaboradores avaliaram a associação de quimioterapia à radioterapia.10 A
quimioterapia foi administrada antes ou após a radioterapia e foram utilizados 4 ciclos de vários
esquemas de quimioterapia com associação de doxorrubicina e cisplatina (AP), epirrubicina e
cisplatina, carboplatina e epirrubicina, além da associação de paclitaxel e carboplatina (TC) em 383
pacientes com estádios I-IIIC (a maioria com estádio I). Da análise destes dados, foi favorecido o
braço multimodal de quimioterapia seguida de radioterapia externa com ou sem braquiterapia;
- Outro estudo também avaliou o papel de 3 ciclos de doxorrubicina e cisplatina (AP) em 157
pacientes com doença IIB-IIIC, sendo que a análise conjunta destes dois trabalhos supracitados
demonstrou um ganho significativo na sobrevida doença-específica (HR=0,55, IC 95% 0,35-0,88,
p=0,01), na sobrevida livre de doença (HR=0,63, IC 95% 0,44-0,89, p=0,009) e uma tendência para
aumento da sobrevida global (HR=0,69, IC 95% 0,46-1,03, p=0,07) em favor do braço da
quimioterapia seguida de radioterapia, sendo que o regime AP emerge como a opção mais clara,
podendo-se usar o regime TC naqueles com contraindicações para antraciclinas.32
• Pacientes com estádio III/IVA
- O estudo de fase III GOG 122 11 avaliou a radioterapia abdominal total contra quimioterapia
com regime AP (doxorrubicina 60mg/m2 e cisplatina 50mg/m2 dadas a cada 3 semanas (7 ciclos),
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 125
seguida de cisplatina isolada no último ciclo) em pacientes com adenocarcinoma estádios III ou IV
com doença otimamente operada. O Hazard Ratio para progressão ajustada por estádio foi de 0,68
em favor do braço da quimioterapia, com projeção de sobrevida a 5 anos de 50% e 38%,
respectivamente para AP e radioterapia, às custas de maior toxicidade associada. Análise exploratória
identificou grau 3, idade avançada, histologia serosa e raça negra como fatores de pior prognóstico. 
- Atualmente, o GOG protocol 258 está recrutando pacientes com carcinoma endometrial
estádios III e IVA, aleatorizando-os para receber cisplatina associada a radioterapia volume-
direcionada seguida por carboplatina e paclitaxel vs carboplatina e paclitaxel isolados sem radiação
e estes resultados são ansiosamente aguardados para se tentar estabelecer um benefício do
tratamento combinado neste contexto.
Recomendações:
• Terapia Adjuvante do Carcinoma Endometrial baseada em risco (pela classificação antiga)
• Após histerectomia com remoção de anexos bilaterais e linfadenectomia sistemática (15
linfonodos pélvicos e 10 para-aórticos)
• pT1a G1/2, pT1b G1, pN0 - Sem terapia adjuvante
• pT1a G3, pT1b G2/3, pT1c, pT2, pN0 - Braquiterapia vaginal ± Telerradioterapia e/ou quimioterapia
• pT3, pT4, pN0 e todos pN1 - Telerradioterapia ± braquiterapia e/ou quimioterapia
• Carcinoma seroso e de células claras - Telerradioterapia ± braquiterapia e/ou quimioterapia
• Após histerectomia com remoção de anexos bilterais mas sem lnfadenectomia sistemática
• pT1a G1/2 e T1b G1 Nx/cN0 - Sem terapia adjuvante
• pT1b G2 Nx/cN0 - Braquiterapia vaginal
• Se estadiamento cirúrgico completo secundário não for possível
• pT1a G3, pT1b G3 Nx/cN0 - Braquiterapia vaginal; telerradioterapia adicional pode ser considerada
• pT1c, pT2 Nx/cN0 - Telerradioterapia ± braquiterapia e/ou quimioterapia
• pT3/pT4a Nx/cN0, and all cN1 - Telerradioterapia ± braquiterapia e/ou quimioterapia
Carcinoma seroso ou de células claras- Telerradioterapia ± braquiterapia e/ou quimioterapia
5.6.4. Doença avançada ou recorrente
5.6.4.1. Citorredução
Estudos retrospectivos avaliaram a utilidade da cirurgia citorredutora em pacientes com
doença avançada e metastática. Bristow e colegas identificaram que em pacientes com EC IVB e que se
submeteram a citorredução ótima, definida como doença residual ≤ 1cm tiveram a sobrevida
mediana melhorada comparada aos que não atingiram tal nível de sucesso operatório (34,3 vs11.0 meses,
P =0,0001). Da mesma forma, Chi e colegas avaliaram retrospectivamente os pacientes com
adenocarcinoma estádio IV e conseguiram identificar 3 grupos distintos: aqueles com citorredução
ótima (diâmetro do maior nódulo ≤ 2cm), aqueles com citorredução subótima e os com carcinomatose
irressecável e sem cirurgia, com medianas de sobrevida de 31, 12 e 3 meses, respectivamente (P <0,01).
Apesar da ausência de dados prospectivos que avaliem o papel da citorredução no câncer de
endométrio avançado ou recorrente, uma meta-análise condensou os diversos estudos
retrospectivos a cerca do assunto e definiu benefício de sobrevida global no grupo de pacientes
submetidos a cirurgia citorredutora sem doença residual grosseira. 12 7
5.6.4.2. Hormonioterapia
São candidatas à hormonioterapia as pacientes com câncer de endométrio grau I e grau II,
com receptores hormonais positivos, com doença indolente e oligossintomática. A melhor opção
126 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
de tratamento hormonal ainda permanece incerta. Os tumores bem diferenciados apresentam
maior taxa de resposta ao tratamento na maioria dos estudos publicados.
- Thigpen e colaboradores 13 avaliaram o papel dos progestágenos (acetato de medroxipro-
gesterona) nos pacientes com este perfil e obtiveram taxas de resposta de 25%. Nesteestudo,
houve reposta completa em 17% dos pacientes tratados e o tempo até progressão da doença foi
de 3,2 meses.
- Fiorica e colaboradores 14 estudaram a taxa de resposta e a toxicidade envolvida em esquema
com acetato de megestrol 160mg/dia por 3 semanas intercalado com tamoxifeno 20mg/dia por 3
semanas. Ficou demonstrado respostas em 27% dos pacientes, sendo que 53% dos pacientes que
responderam a terapia mantiveram resposta por período superior a 20 meses. 
5.6.4.3. Quimioterapia de primeira linha
São candidatas à quimioterapia sistêmica as pacientes com câncer de endométrio grau III
e/ou ausência de receptores hormonais positivos e/ou progressão de doença após hormonioterapia
e/ou pacientes sintomáticos e com doença de comportamento agressivo.
Fleming e colaboradores 15, no estudo de fase III do GOG 177, avaliaram o benefício da adição
dos taxanes ao esquema de Doxorrubicina e Cisplatina (AP) no contexto de pacientes com câncer
de endométrio avançado ou recorrente. O uso do esquema TAP, que consiste em Doxorrubicina
45mg/m2 (D1), Cisplatina 50mg/m2 (D1) e Paclitaxel 160mg/m2 (D2) a cada 21 dias (associado a
fator estimulador de colônias de granulócitos) e demonstraram taxa de resposta objetiva (57 vs
34%), sobrevida livre de progressão (8.3 vs 5.3 meses) e sobrevida global (15.3 vs 12.3 meses)
significativamente melhores para o regime tríplice (TAP), quando comparado ao regime padrão,
mas às custas de maior toxicidade neurológica. 
Um esquema alternativo é a utilização de Carboplatina associada a Paclitaxel, naquelas
pacientes que não apresentam condições clínicas de serem tratados com esquema TAP. Hoskins e
colaboradores 16 demonstraram eficácia e segurança deste esquema utilizando Carboplatina (AUC
5 a 7) e Paclitaxel 175mg/m2 em 3 horas a cada 28 dias, em estudo fase II. Um estudo de não
inferioridade (GOG 209) está em andamento, comparando Carboplatina (AUC 6) e Paclitaxel
(175mg/m2) ao esquema TAC 17. 
5.6.4.4. Quimioterapia de segunda linha ou pacientes com uso prévio de Taxanes e
Doxorrubicina
Pacientes com doença recorrente ou avançada que tenham utilizado esquemas de
poliquimioterapia no contexto adjuvante ou em primeira linha de tratamento paliativo, baseada
em doxorrubicina e/ou taxanes, devem ser avaliadas quanto a tratamento com os esquemas em
tabela abaixo, com as seguintes taxas de resposta:
n
52
22
42
44
54
27
50
Taxa de resposta
15%
9%
9%
27%
13%
7%
12%
Esquema
Ifosfamida 1,2g/m2 D1-D5 (28 d)
Topotecano 0,5-1,5mg/m2 D1-D5 (21 d)
Doxorrubicina peguilada 50mg/m2 D1 (28 d)
Paclitaxel 110 a 200mg/m2 D1 (21 d)
Oxaliplatina 50mg/m2 D1 (28 d)
Docetaxel 36mg/m2 (semanal)
Ixabepilona 40mg/m2 D1 (21 d)
referência 
Sutton 18
Miller 19
Muggia 20
Lincoln 21
Fracasso 22
Garcia 23
Dizon 24
5.6.4.5. Tratamento de recidiva local isolada
Recorrência vaginal isolada é tradicionalmente tratada com radiação, com taxas de controle
local de moderado a bom reportadas com braquiterapia de baixa taxa de dose na casa de 40 a
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 127
100%. Outras publicações retrospectivas avaliando a braquiterapia de alta taxa de dose obtiveram
taxas de controle mais consistentes do 90 a 100%, com poucas recidivas a 3 anos de seguimento
aliados a sobrevidas livre de doença e doença especifica muito altas (96% cada). Um estudo
revisional de Tewari e colegas avaliou retrospectivamente braquiterapia intersticial com ou sem
radioterapia externa para recorrência vaginal de carcinoma endometrial.33 A população do estudo
identificou recorrências vaginais diagnosticadas com uma mediana de 29 meses após a
histerectomia sem evidência associada de extensão para parede pélvica lateral ou doença
metastática sincrônica e demonstrou resposta clínica completa em 28 pacientes (93%). Quando
medidos do tempo de recidiva vaginal, os investigadores conseguiram obter mediana de sobrevida
de 60 meses, com taxas de morbidades maiores como proctite em 2 pacientes, fístulas em 2 e
estenose em um quinto.
O estudo PORTEC anteriormente citado documentou prospectivamente as taxas de
salvamento de radioterapia, e os resultados mostraram uma sobrevida actuarial a 3 anos de apenas
51% nas 46 mulheres com recorrência pélvica sem terapia actínica prévia. Portanto, melhores
estratégias têm que ser desenvolvidas. O GOG 238 é um estudo de fase II que está também
estudando este grupo de pacientes com recidivas confinadas à vagina ou pelve, sendo estes
pacientes aleatorizados para radioterapia pélvica total + braquiterapia ou reforço externo contra
radioterapia pélvica total + cisplatina semanal seguida de braquiterapia ou reforço externo, tanto
do ponto de vista de sobrevida livre de progressão, quanto do de sobrevida global e toxicidade.
A cirurgia também parece trazer benefícios a pacientes selecionadas, com recidivas vaginais
isoladas em área irradiada e sem envolvimento de parede pélvica e retroperitôneo. Um estudo
retrospectivo, com 35 pacientes resgatadas cirurgicamente, reportou sobrevida mediana de 39
meses contra 13 meses das pacientes submetidas à cirurgia não completa ou àquelas submetidas
ao tratamento não cirúrgico (n=26) (p=0,0005) e num seguimento mediano de 40 meses, 54% das
mulheres submetidas à cirurgia de salvamento completa continuavam sem evidência de doença.
5.7. Situações Especiais
5.7.1. Paciente que não pode ser submetida ao tratamento cirúrgico
Existe um pequeno número de pacientes que têm contraindicação para a cirurgia, por
apresentarem riscos inacetáveis de complicações, consideradas inoperáveis. As pacientes com
estádio I e II podem ser tratadas com radioterapia exclusiva e apresentam boas taxas, tanto de
sobrevida livre de doença como sobrevida global 25. As pacientes com estádio III, podem ser tratadas
com quimioterapia seguida de tratamento definitivo com radioterapia externa e braquiterapia.
5.8. Seguimento
Não existem dados que definam que o diagnóstico precoce da recidiva tumoral tem impacto
na sobrevida global. Além disso, não há uma recomendação padrão.
Baseados na história natural da doença, orientamos avaliação clínica e ginecológica semestral
nos 3 primeiros anos para doença inicialmente confinado ao útero e dosagem de CA 125.
Nos pacientes com doença inicial extrauterina, orientamos associação de exames de imagem
do abdome, preferencialmente a tomografia computadorizada de abdome total.
128 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
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130 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Capítulo 6
Câncer Testicular Germinativo
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 131
Editora: Dra. Ana Luiza Gomes de Morais Wiermann
Autores: Dr. Sérgio Lunardon Padilha e Dr. Wagner Brant Moreira
132 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Capítulo 6
Câncer Testicular Germinativo
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 133
6.1. Introdução e Epidemiologia
O câncer de testículo é o tumor maligno mais comum em homens adultos jovens (com idade
entre 15-40 anos) nos Estados Unidos.1 Uma vez que aproximadamente 95% dos tumores
testiculares são tumores de células germinativas (TCG), os termos "câncer testicular" e "TCG" são por
vezes utilizados como sinônimos. Entretanto, uma variedade de outros tipos de tumores podem
ocorrer nos testículos (Tabela 1) e 10% dos TCG surgem em localizações extragonadais.1
A incidência de câncer testicular tem aumentado nos Estados Unidos e varia significativamente
em todo o mundo. São mais altas na Escandinávia, Suíça, Alemanha e Nova Zelândia (até 10
casos/100000 homens), mais moderado nos Estados Unidos e Reino Unido (5 casos/100000
homens) e menor na África e Ásia (1 caso/100000 homens).1
Nos Estados Unidos, o câncer de testículo afeta principalmente homens brancos, com menor
incidência em hispânicos e americanos de origem asiática, e ainda menor em negros. Historicamente,
essas diferenças raciais são mal compreendidas. No entanto, recentes estudos genômicos têm
demonstrado um polimorfismo de nucleotídeo único no KITLG (codificação do ligante para a
proteína c-KIT), que é 4 vezes mais comum em brancos do que em negros e que está associado com
um risco três vezes maior de desenvolver TCG. 2
A criptorquidia, o único fator de risco comprovado para TCG testicular, é associada com um
aumento de 5 vezes na incidência.3,4 Ambos os testículos estão em risco, com aproximadamente
10% dos casos ocorridos no testículo tópico. A orquipexia antes da puberdade é recomendada e
promove redução do risco para TCG testicular, bem como o monitoramento para o seu desenvolvi-
mento.5,6 A história familiar positiva também pode aumentar a probabilidade de desenvolver TCG
testicular.7
Os estudos retrospectivos de pacientes com TCG testicular demonstraram taxas de aumento
de 2 a 4 vezes nos pais dos pacientes, 5 a 9 vezes nos irmãos, 10 vezes em gêmeos dizigóticos e de
30 vezes em gêmeos monozigóticos.8,9 Identificação do loci de susceptibilidade ao KITLG em
estudos de associação ampla de genoma pode fornecer um mecanismo plausível para uma
predisposição familiar.2
A história de câncer testicular também aumenta o risco de desenvolver um tumor contralateral
primário de novo. Aproximadamente 2% dos pacientes desenvolvem um segundo tumor testicular.10
Tais tumores são considerados e tratados como segundo tumor primário, em vez de metástases da
neoplasia anterior.
O câncer de testículo pode também ser mais comum em pacientes com subfertilidade,
infertilidade e certas doenças como a feminização testicular.11
Estudos retrospectivos sugeremque a exposição a pesticidas ou o uso da maconha é mais
frequente em pacientes com câncer testicular, mas deve isto ser visto com cuidado, pois não há
dados convincentes mostrando uma associação entre o câncer testicular e qualquer exposição
ambiental.12,13 Finalmente, TCG mediastinal é mais comum em pacientes com síndrome de
Klinefelter do que em controles pareados por idade.14
134 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
6.1.1 Histologia e Patofisiologia
Tumores de células germinativas (TCG) são derivados de células germinativas primordiais.
Consequentemente, estes tumores têm a capacidade de se diferenciar em uma vasta gama de
diferentes tecidos embrionários e tecidos extraembrionários. 
Tabela 1 - Classificação dos tumores do testículo modificada (OMS)
Tumores de células germinativas
Lesão precursora
• Neoplasia de células germinativas intratubular (carcinoma in situ)
Tumores de tipo histológico único
• Seminoma
Variante com sinciciotrofoblasto (anaplásico)
• Seminoma espermatocítico
• Carcinoma embrionário
• Tumor de saco vitelino
• Coriocarcinoma
• Teratoma 
Maduro (benigno)
Imaturo (maligno)
Variantes monodérmicas (Carcinóide e neuroectodérmico)
Tumores mistos
Tumores do estroma gonadal / cordão sexual
• Tumor de células de Leydig
• Tumor de células de Sertoli
• Tumor de células granulosas
Adulto
Juvenil
• Tumor de células da Teca
• Indiferenciados
• Mistos 
Tumores mistos de células germinativas e estroma gonadal
• Gonadoblastoma
Miscelânea
• Sarcoma
• Tumor carcinóide
• Mesotelioma maligno
Tumores de linhagem linfática
Tumor de ducto coletor e rete testis
Metastáticos
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 135
A Neoplasia intratubular de células germinativas é a lesão precursora não invasiva para TCG.
Ao tornarem-se invasivos, os TCG são separados em duas grandes categorias histológicas:
seminomas e não seminomas, cada um representando aproximadamente 50% dos casos. 
Seminomas são geralmente menos agressivos e tendem a ocorrer em homens com mais
velhos, com um pico de incidência no final dos 30 anos. Embora os seminomas já tenham sido
separados nos subtipos clássico e anaplásico, a Organização Mundial de Saúde eliminou essa
distinção, uma vez que o prognóstico e tratamento são semelhantes. 
O pico de incidência do tipo não seminoma é por volta dos 20 anos e inclui quatro diferentes
subtipos histológicos (Tabela 1): carcinoma embrionário, coriocarcinoma, tumor de saco vitelino,
e teratoma. A maioria dos não seminomas contêm uma mistura de 2 ou mais desses subtipos e
quando um único subtipo está presente o subtipo mais comum é o carcinoma embrionário.15
Enquanto o seminoma pode ser um componente de um tumor não seminomatoso misto, o
diagnóstico de seminoma puro exige que nenhum outro componente não seminomatoso esteja
presente.
O carcinoma embrionário é o subtipo histológico mais indiferenciado. Este é pluripotente e
pode estar associado com elevações em todos os três marcadores tumorais séricos (gonadotrofina
coriônica humana, alfa-fetoproteína, e lactato desidrogenase), e podem se diferenciar em todos os
outros subtipos histológicos.
O coriocarcinoma representa uma transformação neoplásica do tecido trofoblástico e, por
definição, deve conter sinciciotrofoblastos e citotrofoblastos. A presença de sinciciotrofoblasto por
si só não qualifica um tumor como não seminomatoso e ocasionalmente pode ser vista em um
seminoma puro. 
O coriocarcinoma puro é raro e está associado com altos níveis de gonadotrofina coriônica
humana, metástases pulmonares difusas e a uma maior incidência de metástases cerebrais, bem
como a uma propensão à hemorragia.
O tumor de saco vitelínico (também chamado de carcinoma do seio endodérmico) é semelhante
ao saco vitelínico embrionário e está associado com elevação de alfa-fetoproteína. Os tumores do
saco vitelínico ino puros originam-se mais comumente no mediastino do que no testículo.
O teratoma é caracterizado por uma diferenciação em tipos de células somáticas derivadas de
duas ou mais camadas de células germinativas (ectoderma, mesoderma e endoderma) e podem
ser subclassificados como maduros ou imaturos, dependendo de sua aparência de tecido adulto
ou fetal. Embora histologicamente benigno (sem a capacidade de invadir tecidos adjacentes), o
teratoma pode progredir com crescimento descontrolado local ou se transformar em um tumor
maligno somático (isto é, teratoma com transformação maligna), como por exemplo, um
rabdomiossarcoma embrionário, tumor neuroectodérmico primitivo ou adenocarcinoma. A
transformação para doenças hematológicas, como linfoma e leucemia também tem sido
observada, embora rara. Leucemia aguda pressagia um prognóstico particularmente pobre e tem
principalmente sido relatada com TCG não seminomatosos primários do mediastino.16 
Vários marcadores imunoistoquímicos ajudam a diferenciar seminoma de não seminoma.16
Ambos, seminoma e não seminoma, expressam os fatores de transcrição OCT-3/4 e NANOG.
Seminomas expressam CD117 (c-KIT), mas não marcadores de diferenciação somática, como
queratina.17 Não seminomas não expressam CD117, mas normalmente expressam citoqueratinas
de baixo peso molecular. CD30 é expresso por carcinomas embrionários, mas não por seminoma.
Dados importantes na análise do exame histopatológico
• tipo histopatológico com percentual de cada componente para tumores mistos
• extensão do tumor (túnica albugínea, rete testis, cordão espermático, epidídimo)
• invasão vascular e/ou linfática com especificação se no testículo, rete testis, paratesticular ou
cordão espermático
• margem cirúrgica
136 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
6.1.2. Apresentação Clínica e Formas de Disseminação
Apesar de uma massa testicular indolor ser muito sugestiva de malignidade testicular, é mais
comum que os homens relatem dor testicular progressiva, dureza e/ou edema, que pode ser auto-
detectado ou observado por um médico no exame de rotina. O diagnóstico diferencial é muitas
vezes entre epidídimo-orquite e malignidade. Se epidídimo-orquite é uma suspeita, um tratamento
inicial com antibióticos é razoável, com encaminhamento para uma ultrassonografia escrotal dentro
de 2 semanas, se os sintomas não se resolverem.
O benefício de modalidades adicionais de imagem escrotal, como ressonância magnética,
não foi comprovado. Os sintomas também podem acompanhar a doença metastática. Padrões de
disseminação normalmente acompanham o desenvolvimento embriológico e a descida dos
testículos através do abdome para o escroto. Portanto, o padrão mais comum de disseminação
linfática é para os gânglios linfáticos retroperitoneais. A veia gonadal esquerda se une à veia renal
esquerda no nível do hilo renal. Consequentemente, os linfonodos para-aórticos (entre o rim
esquerdo e aorta) servem como zona de pouso principal para tumores testiculares à esquerda. Por
outro lado, a veia gonadal direita drena diretamente para a veia cava inferior de tal forma que os
linfonodos interaortocavais representam a zona de aterragem natural para tumores do lado direito.
Dor nas costas é comumente relatada quando linfonodos retroperitoneais estão aumentados
e exercem efeito de massa sobre os músculos iliopsoas. Pacientes frequentemente descrevem a
dor como uma dor surda que piora com a posição deitada, possivelmente interrompendo o sono.
Raramente, o tumor pode invadir duodeno, causando sangramento gastrointestinal. O sistema
linfático mesentérico coalesce para formar a cisterna do quilo, que superiormente torna-se o ducto
torácico, entrando no tórax através do hiato aórtico do diafragma. Depois correndo pelo mediastino
posterior, o ducto torácico surge no pescoço e reentra no sistema vascular na confluência da veia
jugular interna esquerda e da veia subclávia esquerda. Linfadenopatia pode se desenvolver em
qualquer lugar ao longo deste caminho, sendo os locais mais comuns o mediastino,a região
retrocrural posterior, e a fossa supraclavicular. Ocasionalmente, os pacientes podem queixar-se de
uma massa cervical esquerda como o seu sintoma inicial como resultado doaumento dos gânglios
linfáticos supraclaviculares. 
O órgão visceral mais comum de propagação do tumor é o pulmão. Quando as metástases
pulmonares são extensas, estas podem levar à tosse ou falta de ar, mas podem ser assintomáticas.
O coriocarcinoma tem uma predileção especial para metástases de pulmão e hemorragia, podendo
manifestar-se, por vezes, como hemoptise. Metástases supraclaviculares esquerdas e de pulmão
podem ocorrer ocasionalmente, mesmo na ausência de adenopatia retroperitoneal. Outros sítios
de metástases viscerais incluem o fígado, cérebro e ossos. Sintomas constitucionais, incluindo perda
de apetite, perda de peso e suores noturnos, também podem estar presentes em casos disseminados.
6.1.3. Diagnóstico e Estadiamento
Quando o ultrassom confirma uma massa testicular, o procedimento inicial de diagnóstico e
também a terapêutica de escolha é a orquiectomia inguinal radical com pinçamento e ligadura do
cordão espermático no anel interno. A orquiectomia transescrotal não é recomendada porque a
violação da integridade escrotal pode facilitar um padrão incomum de metástases, incluindo a
pele e os linfonodos inguinais.
Após a orquiectomia, a avaliação deve incluir tomografia computadorizada (TC) do tórax,
abdome e pelve. Exame cuidadoso da região de drenagem linfática testicular, o retroperitônio é
recomendado. Linfonodos com mais de 5mm em uma zona de drenagem são suspeitos de doença
metastática em um paciente com um tumor testicular conhecido. Nos pacientes em que o contraste
iodado é contraindicado, a ressonância magnética (RM) do abdome e da pelve pode substituir a TC.
A RM pode também ser útil para definir a anatomia vascular antes de tratamento cirúrgico de
massas volumosas retroperitoneais.
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 137
Cintilografia óssea e imagem cerebral (tomografia computadorizada ou ressonância
magnética) não fazem parte do estadiamento de rotina. No entanto, se houver suspeita clínica de
metástase óssea (ou seja, dor óssea inexplicada ou fosfatase alcalina elevada) ou cerebral (sinais ou
sintomas de massa intracraniana), estes exames devem ser considerados. Imaginologia cerebral
também pode ser indicada para pacientes assintomáticos com altos níveis de gonadotrofina
coriônica humana (HCG) e numerosas metástases pulmonares difusas. 
Nenhum benefício de Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET-CT) sobre TC foi demons-
trado, e o uso rotineiro de imagem PET-CT não é recomendado.18,19 Em particular, pequenas lesões
e teratomas não podem ser identificados por este método.18,19 Os marcadores tumorais séricos alfa-
fetoproteína (AFP), HCG, e lactato desidrogenase (DHL) são essenciais para diagnóstico,
estadiamento, avaliação, resposta e acompanhamento. 
Aumento dos níveis séricos de AFP, HCG, ou ambos podem estar presentes antes da
orquiectomia e não necessariamente estão associados com doença metastática. É importante que
os níveis dos marcadores após a orquiectomia também sejam obtidos uma vez que estes valores
influenciarão nas decisões de tratamento e estimativas de prognóstico (Tabela 3). AFP é secretado
exclusivamente por tumores não seminomatosos. Níveis séricos aumentados de AFP em um
paciente com diagnóstico patológico de seminoma implica que um componente de não seminoma
está presente. Cerca de 40% a 60% dos pacientes com metástase de tumores não seminomatosos
elevaram AFP no momento do diagnóstico. Causas adicionais raras de elevação AFP que precisam
ser consideradas incluem carcinoma hepatocelular, com outras doenças malignas abdominais e
lesão hepática. O declínio esperado da meia-vida da AFP é de 5 a 7 dias. Aproximadamente 50%
dos pacientes com não seminoma metastático e 15% daqueles com seminoma metastático se
apresentam com níveis elevados de HCG. A subunidade alfa de HCG é idêntica a outros hormônios
hipofisários, incluindo os hormônios luteinizante (LH), folículo estimulante (FSH) e o estimulador
da tireoide (TSH). Por esta razão, o radioimunoensaio para HCG é direcionado à subunidade beta
(ß-HCG). No entanto, a reatividade cruzada com o hormônio luteinizante ainda pode ocorrer e levar
a elevações falsas no HCG sérico, quando o LH está elevado (por exemplo, na deficiência de
testosterona). Causas adicionais incluem anticorpos heterófilos, outros tumores malignos, e
possivelmente, alguns medicamentos. A meia-vida para o declínio HCG é de cerca de 1 a 3 dias.
Embora muito menos específico do que o AFP e HCG, a DHL também carrega um significado
prognóstico e deve ser incluída na avaliação. Lactato desidrogenase é elevada em até 80% dos
pacientes com seminoma metastático e 60% dos pacientes com não seminoma metastático.20,21
Após orquiectomia (ou outros procedimentos cirúrgicos), marcadores elevados são acompanhados
cuidadosamente no aguardo de seu tempo natural de declínio. Um declínio lento, platô, ou
aumento da AFP ou HCG, mesmo na ausência de achados radiológicos, é suficiente para indicar
doença metastática e para iniciar a terapia sistêmica22. A Tabela 2 mostra o sistema de estadiamento
do American Joint Committee on Cancer para o câncer testicular, seguido pelas tabelas de critérios
prognósticos do International Germ Cell Cancer Collaborative Group Consensus (IGCCCG).23, 24
138 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Tabela 2 - Sistema de estadiamento do câncer de testículo (TNM 2002) do American Joint
Committee on Cancer (AJCC) e da International Union Against Cancer (IUAC)
TUMOr PrIMÁrIO (T)
pTX – Tumor primário não pode ser avaliado (se não foi realizada orquiectomia radical, é usado TX)
pT0 – Não existe evidência de tumor primário (por exemplo, cicatriz histológica no testículo)
pTis – Neoplasia intratubular de célula germinativa (carcinoma in situ)
pT1 – Tumor limitado ao testículo e epidídimo, sem invasão vascular/linfática
pT2 – Tumor limitado ao testículo e epidídimo, com invasão vascular/linfática, ou tumor
estendendo-se através da túnica albugínea com envolvimento da túnica vaginal
pT3 – Tumor invade o cordão espermático com ou sem invasão vascular/linfática
pT4 – Tumor invade o escroto, com ou sem invasão vascular/linfática
LINFONODOS rEGIONAIS (N)
Clínico
NX – Linfonodo regional não pode ser avaliado
N0 – Não existe metástase em linfonodo regional
N1 – Metástase em linfonodo com massa de até 2cm na sua maior dimensão, ou massas de
linfonodos múltiplos, até 2cm na sua maior dimensão
N2 – Metástase com massa de linfonodo >2cm e <5cm em sua maior dimensão ou linfonodos
múltiplos com massa de 2cm e <5cm em sua maior dimensão
N3 – Metástase com massa de linfonodos >5cm em sua maior dimensão
Patológico
pN0 – Sem evidência de tumor em linfonodos
pN1 – Massa de linfonodo de 2cm ou menos na maior dimensão e ≤6 linfonodos positivos,
nenhum >2cm na maior dimensão
pN2 – Massa de linfonodo >2cm, mas <5cm na maior dimensão; mais que 5 linfonodos
positivos, nenhum >5cm, ou evidência de extensão extranodal do tumor
pN3 – Massa de linfonodo >5cm na maior dimensão
METÁSTASE À DISTÂNCIA (M)
M0 – Sem evidência de metástases à distância
M1 – Metástase pulmonar ou em linfonodo não regional
M2 – Massa visceral não pulmonar
MArCADOrES TUMOrAIS SÉrICOS (S)
LDH βHCG (mil/ml) αFP (ng/ml)
SO ≤ N ≤ N ≤ N 
S1 < 1,5 X N < 5.000 < 1.000
S2 < 1,5 – 10 X N 5.000 – 50.000 < 1.000 – 10.000
S3 > 10 X N > 50.000 >50.000
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 139
6.2. Tratamento no Estádio I
O tratamento dos tumores germinativos do testículo, estádios clínico I evoluiu muito a partir
do final da década de 1970, principalmente graças ao aparecimento da quimioterapia baseada em
cisplatina, no desenvolvimento do conceito de cirurgia adjuvante e na detecção de marcadores
biológicos. Nos últimos anos, a melhoria nos métodos diagnósticos com a introdução da TC, RM e
o uso do PET-CT aumentaram a capacidade de detecção precoce de metástases e/ou recidivas após
o tratamento primário.25 Após a orquiectomia, tratamento adjuvante com cirurgia (linfadenectomia
retroperitoneal com preservação de nervos), quimioterapia adjuvante ou vigilância com tratamento
em caso de recidivasão as opções terapêuticas disponíveis. Independentemente do método
empregado, cerca de 98 a 100% dos pacientes com estádio clínico I obterão a cura da doença.25 Em
uma doença altamente curável e com várias opções terapêuticas, a decisão final dependerá dos
riscos e benefícios, bem como a disponibilidade e eficiência dos centros de tratamento e as
preferências de cada paciente. Para facilitar a abordagem desta questão, estudaremos separadamente
os tumores seminomatosos e os não seminomatosos.
6.2.1. Tumores Seminomatosos
Classicamente, o tratamento padrão para pacientes com seminoma estádio I era orquiectomia
seguida de radioterapia nos linfonodos retroperitoneais com cura em cerca de 100% dos pacientes.
Historicamente, a radiação adjuvante foi o pilar do tratamento,no entanto, cerca de 70% deles
eram curados pela cirurgia e, portanto, recebiam radioterapia desnecessariamente.26 Além do mais,
a associação relatada entre a radiação e neoplasias secundárias e a ausência de uma vantagem de
ESTADIAMENTO AGrUPADO
Estádio T N M S
0 pTis N0 M0 S0
I T1–4 N0 M0 SX
Ia T1 N0 M0 S0
Ib T2 N0 M0 S0
T3 N0 M0 S0
T4 N0 M0 S0
Is qualquer T N0 M0 S1 - S3
II qualquer T qualquer N M0 SX
IIa qualquer T N1 M0 S0
qualquer T N1 M0 S1
IIb qualquer T N2 M0 S0
qualquer T N2 M0 S1
IIc qualquer T N3 M0 S0
qualquer T N3 M0 S1
III qualquer T qualquer N M1 SX
IIIa qualquer T qualquer N M1 S0
qualquer T qualquer N M1 S1
IIIb qualquer T qualquer N M0 S2
qualquer T qualquer N M1 S2
IIIc qualquer T qualquer N M0 S3
qualquer T qualquer N M1a S3
qualquer T qualquer N M1b qualquer S
140 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
sobrevivência da radiação sobre a vigilância têm levado muitos a favorecer a vigilância. 
A taxa de recaída de 5 anos com a vigilância é de aproximadamente 15 a 20%. Em uma série
multi-institucional, envolvimento de rete testis e tumor >4cm foram associados com uma maior
taxa de recaída.27 Pacientes sem qualquer fator apresentaram uma probabilidade de 12% de
recorrência em comparação com 16% para aqueles com 1 fator e 32 % para aqueles com ambos
os fatores.27 No entanto, estes dados devem ser vistos com cautela, pois um estudo de validação
recente não conseguiu identificar o envolvimento de rete testis como fator prognóstico, embora
este estudo tenha sido publicado apenas sob a forma de abstract.28 A vigilância é apropriada para
pacientes que irão aderir a um acompanhamento rigoroso, incluindo consultas médicas frequentes
e tomografia computadorizada periódica. Infelizmente, os estudos sugerem que até 21% dos
pacientes são perdidos de seguimento de 5,5 anos e, se a não aderência é provável, a terapia
adjuvante deve ser considerada.29
A pacientes aderentes de alto risco podem ser oferecidos tanto a radioterapia adjuvante
quanto a vigilância. Ensaios clínicos randomizados têm demonstrado que uma dose de 20-25Gy de
radioterapia em 2 a 5 semanas é eficaz. Doses mais elevadas aumentam a toxicidade.30 A forma do
campo de radiação tem permanecido um tanto controversa. Um estudo randomizado não
encontrou diferença significativa nas taxas de recorrência total (cerca de 4%) entre um campo de
retroperitônio (RP-somente) e apenas um RP mais linfonodo ipsilateral pélvico (também chamado
de campo dog-leg).39 No entanto, um aumento significativo de recorrência pélvica foi observado no
braço RP-somente, requerendo o uso de seguimento com tomografia computadorizada pélvica. Por
isso, alguns profissionais ainda preferem o campo dog-leg. Consequências a curto prazo da radiação
incluem náuseas, vômitos, leucopenia e diarréia. Consequências a longo prazo incluem
infertilidade, proctite e neoplasias secundárias31,32. A presença de um "rim em ferradura", doença
inflamatória intestinal e/ou radiação abdominopélvica anterior são contra-indicações.33
Diante deste quadro, vigilância ativa com tratamento na recidiva passou a ser uma opção
passível de investigação. Choo et al estudaram 88 pacientes e após um período mediano de
observação de 12,1 anos, descreveram sobrevida livre de recidiva de 83% em 5 anos e de 80% em
10 e 15 anos.34 Todos pacientes que recidivaram foram resgatados por um segundo ou terceiro
tratamento e nenhum paciente faleceu devido ao seminoma. 
Vários estudos revelaram que os fatores preditivos de recidiva são o tamanho do tumor
primário (≤ 4,0cm versus > 4,0cm) e a invasão da rete testis (presente versus ausente).43 Em
pacientes tratados apenas com orquiectomia, a taxa de recidiva em 5 anos é de 12% em pacientes
sem nenhum fator de risco, de 16% em pacientes com apenas 1 fator de risco e de 32% em
pacientes com os 2 fatores.
Considera-se, então, uma boa abordagem adjuvante para os pacientes de baixo risco, a
vigilância ativa; pois isto poupará cerca de 85-90% dos pacientes de receber radioterapia
desnecessária. Para pacientes com alto risco, ou seja, aqueles com os 2 fatores de mau prognóstico,
esta abordagem gera mais riscos. No entanto, no estudo de Choo et al, mesmo os pacientes com
risco mais elevado foram resgatados na recidiva, o que favorece a vigilância como uma alternativa
de menor fardo também neste grupo de risco.34
Atenção recente tem incidido sobre o uso de um ciclo de carboplatina, administrado em dose
única, como tratamento adjuvante. Oliver et al avaliaram num estudo de não inferioridade
aleatorizado,1477 pacientes com seminoma estádio clínico I, que foram randomizados após
orquiectomia para receber radioterapia em linfonodos paraórticos na dose de 20-30Gy ou
quimioterapia adjuvante com 1 ciclo de carboplatina (AUC 7,0).35 Após período mediano de
observação de 4 anos, não houve nenhuma diferença na sobrevida livre de recidiva entre os 2
tratamentos; apenas 1 paciente morreu de seminoma no grupo que recebeu radioterapia e
nenhuma morte ocorreu no grupo de quimioterapia. O perfil de toxicidade variou entre as formas
de tratamento, mas ambas foram muito bem toleradas. A maior crítica a este estudo é o curto
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 141
tempo de observação; em seminoma, há relatos de recidiva tardia e muitos dos efeitos colaterais
de ambos os tratamentos manifestam-se após muitos anos.
A Sociedade Européia de Oncologia Médica (ESMO) recomenda vigilância ativa para todos os
pacientes com seminoma estádio I independente do grupo de risco, com tratamento de resgate na
recidiva.36 Porém, se a vigilância não for possível devido à dificuldade de aderência do paciente ao
protocolo de acompanhamento, às dificuldades geográficas de acesso ao serviço de oncologia, à
ausência de disponibilidade de recursos dos serviços de saúde para uma vigilância adequada ou
à condição psicológica do paciente, que expressou não tolerar a incerteza da possibilidade de
recidiva, radioterapia ou quimioterapia adjuvantes podem ser indicadas.
6.2.2. Tumores não Seminomatosos
Cerca de 40% de todos os pacientes com tumor germinativo testicular não seminomatoso
(TGTNS) têm doença no estágio clínico I à apresentação e cerca de 99% destes pacientes curam.37
Embora vários fatores, tais como invasão vascular/linfática (ILV), predominância de carcinoma
embrionário, ausência de componentes do saco vitelino e ausência de -fetoproteína elevada
antes da orquiectomia, sejam considerados como importantes fatores prognósticos em estudos
isolados, a invasão linfovascular têm sido largamente aceita como o fator mais importante.37,38 Na
ausência de tratamento adjuvante, este grupo de pacientes com invasão linfo-vascular apresenta
uma taxa de recidiva de 41,7% em 4,7 anos, em contraste com 13,5% naqueles sem a invasão linfo-
vascular.39
O tratamento considerado clássico é orquiectomia seguida de linfadenectomia retroperitoneal,
ou dissecção linfonodal retroperitoneal (DLNRP), com índices de sobrevida livre de recidiva a longo
prazo, naqueles pacientes estágio patológico I, próximo de 100%, com baixíssimos índices de
complicação (2-3%), quando operados por equipe de cirurgiões especialmente treinados.40
O principal efeito adverso da DLNRP é a ejaculação retrógrada. Com as técnicas modernas
preservadoras dos nervos do plexosacral, a incidência de ejaculação retrógrada diminuiu
consideravelmente para ≤ 5% nos centros de excelência.41
No entanto, mais de 50% dos pacientes serão submetidos a cirurgia desnecessária, o que
estimulou o estudo de outras abordagens.
Tandstad et al publicaram os resultados do estudo SWENOTECA que incluiu 745 pacientes
com TGTNS estádio clínico I no qual àqueles sem invasão linfovascular era oferecido a escolha entre
vigilância ativa (N=338) ou 1 ciclo de quimioterapia com BEP (N=157) e àqueles com invasão
linfovascular 1 ciclo de BEP (N=157) ou 2 ciclos de BEP (N=70).39 Após um período mediano de
observação de cerca de 5 anos, 13,5% dos pacientes sem invasão linfovascular e submetidos a
vigilância ativa apresentaram recidiva e todos foram resgatados pelo tratamento subseqüente.
Entre aqueles sem invasão linfovascular e que receberam 1 ciclo de BEP, 2 recidivaram (1,3%).
No subgrupo de pacientes com invasão linfovascular e que recebeu 1 ciclo de BEP, 5 (3,2%)
recidivaram e naqueles que receberam 2 ciclos de BEP nenhum recidivou. Cerca de 80-90% de
todas as recidivas ocorreram nos primeiros 2 anos após a orquiectomia e nenhum dos 745 pacientes
morreu de câncer de testículo.
Num estudo realizado na Nova Zelândia com seguimento de 17 anos, 248 pacientes com
estádio I de tumores não-seminomatosos, foram tratados apenas com orquiectomia e seguimento,
com tratamento nas recidivas pela quimioterapia combinada; 28% recidivaram, sendo 46% com
invasão linfática ou vascular e 17% sem esta característica.42
Nguyen et al procederam a uma análise de decisão usando o modelo de Markov que leva em
consideração além dos resultados do tratamento, os seus efeitos tóxicos e as preferências dos
pacientes.40 Os autores concluíram que, para pacientes de baixo risco, a vigilância ativa oferece a
melhor taxa de sobrevida ajustada à qualidade de vida e para os pacientes de alto risco (com
invasão linfovascular) com índice de recidiva menor do que 46%, a quimioterapia era preferencial
142 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
à vigilância ou à linfadenectomia retroperitoneal.
Diante destes resultados, nos EEUU a preferência é por vigilância ativa nos pacientes de baixo
risco e linfadenectomia retroperitoneal com preservação de nervos nos pacientes de alto risco; a
sobrevida câncer-específica é da ordem de 99-100% nos centros especializados.43 Na Europa
recomenda-se a vigilância ativa nos pacientes de baixo risco e quimioterapia com 2 ciclos de BEP
nos pacientes com alto risco podendo em algumas situações ser aceitável a vigilância ativa.43
Em qualquer circunstância na qual a vigilância for escolhida é necessário o comprometimento
do paciente e a existência de condições para a realização dos exames recomendados (marcadores
biológicos e tomografia computadorizada) na frequência adequada. Na impossibilidade de
vigilância adequada, é conduta aceitável a administração de 1 a 2 ciclos de BEP após a orquiectomia.
Com esta abordagem a sobrevida livre de recidiva em 5 anos é da ordem de 97-99% com toxicidade
muito baixa.44
A manutenção de níveis elevados dos marcadores no pós-operatório (estádio IS) indica a
presença de doença sistêmica, muitas vezes fora do retroperitônio e requer tratamento com
quimioterapia sistêmica.
6.3. Tratamento dos Pacientes Estádio II
Quando os TCG extendem-se além do sítio primário são considerados como doença metastática
e a conduta vai depender de alguns fatores que discutiremos em seguida.
6.3.1. Tumores Seminomatosos Estádio II
Pacientes com seminoma estádio II têm doença metastática de baixo risco. O tratamento
padrão após a orquiectomia em seminomas em estádio IIA é a radioterapia com aproximadamente
30Gy de radiação destinadas a um campo dog-leg. Normalmente, uma dose base é administrada
a toda a região, com uma dose adicional para a área da doença visível bruta. Um campo de RP-
somente é insuficiente para o estádio II ou superior da doença. Muitos tumores no estádio IIB,
particularmente tumores solitários <3 cm, são apropriados para a radiação, usando um campo e
dose similar aos estádios IIA. Lesões maiores e multifocais devem ser tratadas com quimioterapia
com o protocolo PEB por 3 ciclos. No geral, as recidivas ocorrem em 5% a 15% dos pacientes com
seminomas estádio II tratados com radioterapia, mas a morte por seminoma continua a ser rara.45
A irradiação profilática do mediastino não é mais administrada, porque recaídas solitárias do
mediastino são incomuns, e esta prática tem sido associada a toxicidade cardíaca e neoplasias
torácicas secundárias.
6.3.2. Tumores Não Seminomatosos Estádio II
Após a dissecção linfonodal retroperitoneal (DLNRP), são encontradas metástases ocultas
em aproximadamente 30% dos pacientes em estádio clínico I não-seminomatosos.
Para os pacientes com estádio patológico IIA e IIB, as opções são a vigilância ativa ou 2 ciclos
de quimioterapia adjuvante (BEP). Cerca de 30-50% dos pacientes em vigilância ativa irão recidivar
e receber 3 a 4 ciclos de BEP. No subgrupo de pacientes que receberam 2 ciclos de BEP na adjuvância,
o índice de recidiva é de 0-7%.43
Desde que, qualquer que seja a abordagem terapêutica, a taxa de cura é de cerca de 98% dos
pacientes, a decisão final depende das preferências do paciente e das condições ideais para a
realização da vigilância ativa.
Para a maioria dos pacientes com estádio clínico IIA com tumor não-seminomatoso, o padrão
de manejo consiste em DLNRP bilateral. A abordagem preservadora dos nervos deve ser usada
quando não comprometer a integridade de ressecção ou a capacidade de atingir margens
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 143
cirúrgicas livres. O benefício de DLNRP neste grupo seria a possibilidade de evitar-se o tratamento
com quimioterapia na maioria dos pacientes, ou de utilizar-se 2 ciclos contra 3 ou 4 ciclos, reduzindo
o risco de toxicidade aguda e crônica.46 Entretanto os pacientes com níveis elevados de alfa-
fetoproteína ou fração beta da gonadotrofina coriônica humana (βHCG) ou linfonodomegalia
contralateral devem receber quimioterapia primária ao invés de DLNRP pelo risco significativamente
maior de recaída após a cirurgia. O último grupo inclui pacientes nos quais os gânglios contralaterais
são detectados nos exames de imagem, mesmo na ausência de envolvimento ipsilateral.
A necessidade de quimioterapia adjuvante é ditada pela achados patológicos no momento
da DLNRP. Além do tamanho, o sistema de estadiamento patológico nodal também incorpora o
número de linfonodos envolvidos e a presença ou ausência de extensão extranodal. Pacientes com
necrose ou fibrose (N0) e pacientes com doença N1 podem ser observados com vigilância, pois o
risco de recaída é de aproximadamente 10% a 20%. A doença N2 apresenta um risco substancial-
mente maior de recaída, que pode ser praticamente eliminado com dois ciclos de etoposido e
cisplatina com ou sem bleomicina.46
Embora a sobrevida entre a quimioterapia adjuvante ou a vigilância sejam equivalentes com
o tratamento de resgate na recidiva, os pacientes tratados com quimioterapia adjuvante não
necessitam de acompanhamento ou exames de imagem tão frequentes. Além disso, os pacientes
que tiveram recaída depois do acompanhamento, necessitam de 3 ou 4 ciclos de quimioterapia. É
raro encontrar doença N3 nos pacientes em estádio clínico IIA e recomenda-se a quimioterapia
adjuvante.
6.3.3. Demais pacientes
Pacientes com a doença nos estádios IS, II e III que não se enquadrem nos subgrupos acima,
devem ser avaliados de acordo com seu grupo de risco, baseado no modelo prognóstico do IGCCCG
para doença avançada, infradescrito. 
6.4. Doença avançada (Estádio III)
Aproximadamente 20% dos pacientes com tumores de células germinativas (TCG) apresentam
doença avançada como manifestação inicial. 
Foram desenvolvidos vários modelos prognósticos diferentes para distinguir entre grupos de
risco de acordo com o prognóstico, no intuito de adequarem-se os regimes de tratamento ao
pacientes, reduzindo a toxicidade e aumentando a eficácia. Com dados de mais de 6000 pacientes
em13 países, o Grupo Colaborativo Internacional do Câncer de Células Germinativas (IGCCCG)
desenvolveu um algoritmo prognóstico, baseado na histologia (seminoma contra nonseminoma),
local do tumor primário (mediastino contra não mediastinal), metástases viscerais não pulmonares
(presente contra ausente) e o nível de elevação dos marcadores tumorais séricos (tabela anexa).24
Utilizando estes fatores, o modelo separa os pacientes em grupos de risco baixo, intermediário e
alto, com resultados significativamente diferentes. O tempo livre de doença de 5 anos e as taxas de
sobrevida global foi de 88% e 91%, respectivamente, para os doentes de baixo risco, 75% e 79%
para pacientes de risco intermediário e 41% e 48% para os pacientes de alto risco.24
144 | MA N UA I S D E CO N D U TA S
Classificação Prognóstica 24:
Tabela IGCCCG - Modelo prognóstico para tumores de células germinativas não seminomatosos
metastáticos, segundo o IGCCCG
Grupo 
de risco
Baixo
Intermediário
Alto
Critério
Necessita todos os seguintes: tumor primário
gonadal ou retroperitonial, ausência de MPNV, 
HCG < 5000mIU/dL, AFP < 1000ng/dL, e DHL < 1.5 x
ULN
Necessita tumor primário gonadal ou retroperitonial,
ausência de MPNV, e ≥ 1 dos seguintes: HCG 5000-
50,000mIU/dL, AFP 1000-10,000ng/dL, ou DHL 1.5-
10.0 x ULN
Necessita qualquer um dos seguintes: tumor
mediastinal primário, presença de MPNV, HCG >
50,000mIU/dL, AFP > 10,000ng/dL, ou DHL > 10 x ULN
SLD
5 anos (%)
88
75
41
SG
5 anos (%)
91
79
48
Tabela IGCCCG - Modelo prognóstico para tumores de células germinativas seminomatosos
metastáticos, segundo o IGCCCG 
Grupo 
de risco
Baixo
Intermediário
Critério
Ausência de MPNV
Presença de MPNV
SLD
5 anos (%)
82
67
SG
5 anos (%)
86
72
6.4.1. Tumores Estádio III, Abordagem Baseada no risco (Modelo Prognóstico do IGCCCG)
Pacientes com a doença nos estádios IS, II e III que não se enquadrem nos subgrupos acima,
devem ser avaliados de acordo com seu grupo de risco, baseado no modelo prognóstico do IGCCCG
para doença avançada ( retira-se a palavra "infradescrito"). Aproximadamente 20% dos pacientes com
tumores de células germinativas (TCG) apresentam doença avançada como manifestação inicial.
6.4.1.1. Risco Baixo
A maioria dos pacientes com doença metastática estão classificados no grupo de baixo risco.
Inicialmente, na década de 80, o esquema clássico utilizava as seguintes drogas: vimblastina,
cisplatina, bleomicina, dactinomicina, ciclofosfamida (VAB-6), que foi comparado com a cisplatina
100 mg/m2 e etoposido 100mg/m2 dias 1 a 5 (500mg/m2 por ciclo - PE500) por 4 ciclos. Concluiu-se
que ambos apresentavam eficácia comparável, mas menor toxicidade para o PE500. Vários estudos
randomizados demonstraram uma taxa de resposta completa elevada neste grupo, utilizando-se
esquemas que incluíam cisplatina, etoposido (PE) ou ainda a bleomicina (PEB).47 Einhorn e
colaboradores compararam o esquema PEB por 3 ou 4 ciclos, demonstrando que o quarto ciclo foi
associado com excesso de toxicidade, mas sem aumento na sobrevida específica da doença.48 Até
o final da década de 1980, tanto PE500 por 4 ciclos ou BE500P por 3 ciclos foram estabelecidos
como tratamentos padrão para os tumores de células germinativas de baixo risco. Outros estudos
não conseguiram demonstrar que outros regimes poderiam oferecer melhores resultados.
*Não há risco alto para tumores seminomatosos.
AFP, alfa-fetoproteína; SLD, sobrevida livre de doença; TCG, tumor de células germinativas; HCG, gonadotrofina humana coriônica;
DHL, desidrogenase lática; MPNV, metástases pulmonares não viscerais; SG, sobrevida global; ALN, acima do limite normal
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 145
Com a intenção de reduzir a toxicidade pela cisplatina, quatro estudos compararam a
cisplatina com a carboplatina, mas em todos o regime com base em cisplatina mostrou-se superior
ao braço carboplatina.49
A Universidade de Indiana e o Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (MSKCC) numa atualização
de um seguimento mais longo comparando BE500P por 3 ciclos ou PE500 por 4 ciclos, mostrou que
a resposta completa, sobrevida livre de doença e sobrevida global foram essencialmente
idênticos.49 Uma vez que os ensaios clínicos randomizados mostram resultados desfavoráveis
quando doses mais baixas de cisplatina e etoposido são administradas, a redução da dose de ambos
deve ser evitada, e recomenda-se a administração de fator de crescimento em todos os ciclos após
um episódio de neutropenia febril. 
6.4.1.2. Riscos Intermediário e Alto
A quimioterapia baseada na cisplatina permanece o tratamento padrão para a primeira linha
em tumores de células germinativas avançado e em torno de 70% são curados com a combinação
de PEB; para os 30% restantes outras opções incluem: regimes de quimioterapia convencionais
contendo a cisplatina, vimblastina e ifosfamida (VIP), ou paclitaxel (TIP) e ainda quimioterapia em
altas doses com suporte de células tronco.50,51
Alguns fatores prognósticos tanto para o uso de quimioterapia convencional, quanto para o
tratamento com altas doses, foram identificados para selecionar a melhor abordagem. Pacientes
com tumores gonadais primários com respostas parciais ou completas e que mantém-se por mais
de 6 meses, possuem mais de 60% de chance de cura com a quimioterapia convencional de resgate;
entretanto, aqueles com doença refratária ou com progressão com menos de 6 meses, possuem
uma chance menor de 10% na sobrevida longa. O tratamento com quimioterapia de altas doses
com resgate de células tronco hematopoiéticas pode alcançar respostas completas duráveis em 30
a 60% nos pacientes de mau prognóstico. Num estudo fase II, 107 pacientes com TCG de mau
prognóstico ao tratamento de salvamento convencional, receberam o esquema de paclitaxel e
ifosfamida, seguido de alta dose de carboplatina e etoposido (TI-CE) com resgate com células
tronco hematopoiéticas. Com uma mediana de seguimento de 61 meses 50% mantiveram-se em
remissão completa e 8% parcial com marcadores negativos. A sobrevida livre de doença foi de 47%
e a sobrevida global de 52% em 5 anos. Na análise multivariada foram preditivos para os eventos
adversos: local primário mediastinal, ≥2 linhas de tratamento anterior, gonadotrofina coriônica de
base ≥1000U/L e metástases pulmonares.52
Aproximadamente 40% dos pacientes com TCG não seminomatosos classificam-se no risco
intermediário e alto. Os seminomas nunca são de alto risco e apenas cerca de 10% estão na
categoria de risco intermediário. O padrão de tratamento para ambos os grupos é PE500B por 4
ciclos. A sobrevida livre de doença com VIP por 4 ciclos é comparável ao PEB (64% para o VIP contra
60% com o PEB), maior toxicidade hematológica, mas pode ser útil nas situações onde a bleomicina
está contra-indicada.53
Recentemente, um estudo do EORTC apresentado no congresso da Associação Americana de
Oncologia Clínica (ASCO) em 2011, comparou a eficácia de 4 ciclos de T-PEB (paclitaxel 175mg/m2
administrado em 3 horas de infusão contínua no dia 1 antes de iniciar o PEB padrão) com PEB nos
pacientes com TCG de risco intermediário. Foi planejado para 498 pacientes, mas foi fechado
prematuramente pelo recrutamento baixo. Foi mais tóxico que o PEB, mas demonstrou aumento
da sobrevida livre de progressão em 3 anos de 82,7% para o T-PEB contra 70,1% para o PEB, p=0,03,
entretanto sem impacto significativo na sobrevida global.64
Os tumores de células germinativas com refratariedade à cisplatina, representam um
subgrupo de mau prognóstico. As quimioterapias com doses convencionais induzem respostas
objetivas em 10 a 20% dos pacientes, com raras remissões completas duráveis. Em 3 estudos fase
II, utilizaram-se oxaliplatina 130mg/m2 dia 1 e gencitabina 1000mg/m2 dias 1 e 8, em ciclos de 21
dias, obteve-se respostas entre 32 a 46% com 14% de sobrevidas longas.54,55
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6.5. Situações Especiais
6.5.1. Avaliação de Cirurgia Após Quimioterapia
A indicação de cirurgia após a quimioterapia dependerá de fatores como a histologiado
tumor, os níveis séricos de marcadores tumorais e das imagens após o tratamento. Ressecção de
doença residual é considerada para os pacientes com tumores não seminomatosos quando os
marcadores normalizam e lesões residuais estão presentes na imagem (geralmente numa
tomografia computadorizada). Pacientes com marcadores persistentemente elevados ou crescentes
são geralmente tratados com quimioterapia de resgate ao invés de cirurgia, exceto em casos de não
seminomatoso mediastinal primário ou casos selecionados de uma massa retroperitoneal solitária.
Há um consenso generalizado de que a dissecção retroperitoneal linfonodal é indicada
quando há lesões residuais ≥1cm no retroperitôneo (RP), porque tumor de células viáveis
germinativas (TCG) e/ou teratoma podem estar presentes. Necrose e fibrose compõem
aproximadamente 45% dos achados patológicos no RP, teratoma em 40% e GCT viável em 15%.51
Infelizmente, modelos para prever achados patológicos têm produzido resultados decepcionantes.
A ressecção de outros sítios de doença residual (por exemplo, nódulos pulmonares,
adenopatias em pescoço, lesões no fígado) também é recomendada. Os achados histológicos em
um sítio (por exemplo, RP) não prevêem a descoberta em outros locais (por exemplo, fígado,
pulmão, linfonodos mediastinais), uma vez que a patologia pode ser comumente discordante. Para
lesões <1 cm ou focos residuais relatados como dentro dos limites normais, existe controvérsia sobre
se a ressecção deve ser realizada, particularmente no RP.56 Séries retrospectivas demonstraram que
20% a 25% dessas lesões contêm teratoma, com um adicional de 5% de TCG viáveis. Embora
incomum, um TCG viável acabará progredindo, exigindo quimioterapia. Teratoma residual também
pode ocasionalmente ser problemático por causa do crescimento descontrolado podendo gerar
compressão de estruturas importantes e dor, ou transformação em um tumor maligno somático.
Considerando que a transformação maligna se comporta como o tipo de célula transformada, ela
é mais virulenta e está associada com alta mortalidade, e que um teratoma crescendo normalmente
pode ser curado com a ressecção cirúrgica, ao se tomar decisões quanto à ressecção, deve-se pesar
a história natural do teratoma e o potencial de complicações desta cirurgia. Quando teratoma ou
Tabela 3 - Quimioterapias mais utilizadas no tratamento do Câncer de Testículo
Cisplatina
Etoposido 
Vimblastina
Bleomicina
Paclitaxel
Ifosfamida
Mesna
Intervalos
(dias)
PE
20mg/m2 D1-5
100mg/m2 D1-5
-
-
21
PEB
20mg/m2 D1-5
100mg/m2 D1-5
-
30mg D1,8,15
-
-
21
VIP 
20mg/m2 D1-5
75mg/m2 D1-5
- 
-
1200mg/m2 D1-5
120mg/m2 IV D1
1200mg/m2 IC D1-5
21
TIP 
25mg/m2 D2-5
250mg/m2 D1
1500mg/m2 D2-5
500mg/m2 IV antes,
4 e 8hs após IFO,
D2-5
21
IFO: Ifosfamida; IC: infusão contínua
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necrose é encontrado, nenhum tratamento adicional é recomendado, mas em contrapartida,
quando a patologia demonstra GCT viável, 2 ciclos adicionais de quimioterapia devem ser
administrados para diminuir a chance de recidiva.57
A avaliação de lesões residuais em pacientes com seminoma difere daquela em pacientes
com tumores não seminomatosos. Ressecção cirúrgica é mais difícil por causa de uma reação
desmoplásica que, muitas vezes, ocorre após a quimioterapia, e que destrói os planos do tecido,
podendo levar à ressecção incompleta e aumento da morbidade. Além disso, teratoma residual
não precisa ser considerado em pacientes com seminoma. Critérios clínicos podem ajudar a prever
a presença de seminoma viável residual. Em uma série, 27% das lesões >3cm contidas seminoma
viável versus 3% de lesões ≤ 3 cm58. 
6.5.2. Quimioterapia de resgate
Cerca de 20% a 30% dos pacientes irão desenvolver doença progressiva após a quimioterapia
inicial, com ou sem cirurgia e exigirão terapia de resgate. Esta é uma população heterogênea, que
inclui pacientes com tumores gonadais e extragonadais; pacientes com doença refratária primária
(resposta incompleta ou progressão da doença dentro de 4 semanas após a conclusão da
quimioterapia inicial) e os reincidentes após remissão completa (CR) ou remissão parcial (RP) com
marcadores negativos; além de pacientes reincidentes nos primeiros dois anos da conclusão da
quimioterapia, ou após estes dois anos iniciais. Doses convencionais de cisplatina associada a
vimblastina e ifosfamida ou paclitaxel são os regimes mais comumente usados. Doses
convencionais de ifosfamida resultam em uma taxa de remissão durável de cerca de 25%. A taxa
de remissão duradoura melhora se apenas os pacientes com características favoráveis forem
incluídos. Pacientes com características desfavoráveis para quimioterapia em doses convencionais
incluem aqueles com tumores não seminoma e de tumor primário mediastinal, bem como aqueles
com doença refratária primária. As taxas de remissão duradoura em pacientes com tais esquemas
de dose convencional são menores que 10%, sendo que eles devem ser preferencialmente referidos
para tratamento de resgate inicial com altas doses de quimioterapia ou para protocolos de
pesquisa, se disponíveis. Taxas de sobrevida livre de doença de quase 50% foram alcançadas nesta
população, com o uso de esquemas de altas doses de quimioterapia.59 
Um estudo de quimioterapia de altas doses incluiu pacientes com características prognósticas
ruins, tais como tumores não seminomatosos mediastinais primários, doença refratária, curto
intervalo de tempo de recidiva (<6 meses), remissão parcial com marcadores negativos, ou
progressão com um esquema de resgate baseado em ifosfamida e cisplatina. Pacientes com
recaídas tardias também foram elegíveis para inclusão neste estudo. O tratamento consistiu de
dois ciclos de paclitaxel e ifosfamida “dose-densa” com a coleta de células-tronco, seguido por três
ciclos de altas doses de carboplatina e etoposido (TI-CE).52 A taxa de resposta favorável foi de 58%
e com um seguimento médio de mais de 5 anos, 52% dos pacientes estavam vivos e 48%
continuamente livres de progressão. 
Fatores associados com mau resultado da abordagem de altas doses incluem a administração
desta como terapia de terceira linha ou mais tarde (3 pontos), doença platina-resistente (2 pontos)
e pacientes de alto risco ao diagnóstico inicial (2 pontos).As taxas de sobrevida livre de doença
foram de 70% em pacientes com 0 pontos, 60% naqueles com 2-3 pontos, e 40% naqueles com ≥
4 pontos.60
Os pacientes com progressão da doença após alta doses de quimioterapia são geralmente
consideradas incuráveis. As drogas são selecionadas com base na toxicidade, atividade, e falta de
uso em linhas anteriores de tratamento. Agentes freqüentemente utilizados incluem oxaliplatina,
paclitaxel, gencitabina e etoposido oral.61 Regimes combinados, tais como paclitaxel mais
gencitabina, gencitabina com oxaliplatina, epirrubicina e cisplatina, têm demonstrado alguma
atividade, mas remissão completa durável é rara. Os princípios que regem as decisões sobre a
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cirurgia no cenário de resgate são diferentes do cenário de primeira linha. Até 50% das lesões
residuais após quimioterapia de resgate conterão TCG viável.57 Por esta razão, a ressecção de tumor,
mesmo quando <1cm, é geralmente necessária. Embora os pacientes com marcadores tumorais
elevados ou crescentes não sejam geralmente considerados para ressecção cirúrgica, esta pode
ser apropriada em casos selecionados, particularmente quando a lesão se resume a uma massa
retroperitoneal solitária. Em contraste com a configuração do tratamento de primeira linha, quando
um TCG viável é removido após quimioterapia de salvamento, quimioterapia adjuvante adicional
não é recomendada.62
6.6. Critérios de Seguimento após Tratamento
Os critérios para seguimento após tratamento primário não foram validados em estudos
prospectivos.44 As recomendações são, então, pragmáticas e podem variar entre instituições. No
entanto, naqueles pacientes com doença estádio I submetidos à vigilância após orquiectomia, o
seguimento deve ser bem severo.Uma síntese das recomendações da ESMO e do National Comprehensive Cancer Network
(NCCN), podem servir de orientação para a política de seguimento.36, 44, 63
1) Seminomas
• Marcadores e exame físico: a cada 2-3 meses nos anos 1 e 2, a cada 4-6 meses nos anos 3, 4
e 5 e anualmente nos anos 6 a 10;
• Rx de tórax: semestral nos anos 1 e 2 e anual nos anos 3, 4 e 5;
• Tc de abdome: semestral nos anos 1 e 2 e anual nos anos 3, 4 e 5.
OBS: em pacientes tratados com quimioterapia ou radioterapia é discutível a realização de
exames após o 5º ano de seguimento.
2) Não seminomas
2.1. Estádio I em vigilância:
• Marcadores, exame físico e Rx de tórax: mensal no ano 1, a cada 2-3 meses nos anos 2 e 3, a
cada 4-6 meses nos anos 4 e 5 e anualmente em seguida.
• Tc de abdome: a cada 3-4 meses no ano 1, a cada 4-6 meses no ano 2, a cada 6-12 meses nos
anos 3, 4 e 5 e é de indicação duvidosa, na ausência de anormalidades, a partir do 6º ano.
2.2. Demais estádios e situações:
• Marcadores, exame físico e Rx de tórax: a cada 2-3 meses nos anos 1 e 2, a cada 4-6 meses
nos anos 3, 4 e 5 e anualmente a partir do ano 6.
• Tc de abdome: a cada 6-12 meses nos anos 1 e 2 e anualmente até o ano 5; a partir do ano
6, a indicação é duvidosa, na ausência de anormalidades.
6.7. Manejo das Toxicidades
6.7.1. Toxicidades agudas
Efeitos agudos da quimioterapia para o tumor de células germinativas (TCG) são náuseas e
vômitos, diarreia, insuficiência renal, neutropenia febril, anemia, trombocitopenia, fadiga, desidratação,
distúrbios eletrolíticos, ototoxicidade, toxicidade pulmonar e fenômeno de Raynaud. Bleomicina,
etoposido e cisplatina (BEP) e etoposido e cisplatina (EP) são considerados regimes altamente
emetizantes, mas náuseas e vômitos são normalmente bem controlados com o uso de dexametasona,
MA N UA I S D E CO N D U TA S | 149
antagonistas 5-HT3, benzodiazepínicos e antagonistas do receptor neuroquinina-1 (aprepitanto).
Entre 5 a 25% dos pacientes tratados com EP ou BEP desenvolverão neutropenia febril, com
taxas geralmente mais elevadas para BEP. Com regimes com ifosfamida ou de altas doses, essas
taxas aumentam para ≥ 50%, e uso de suporte de fator de crescimento profilático é recomendado.
Ototoxicidade geralmente se manifesta como zumbido de alta frequência ou perda de audição,
mas raramente resulta em surdez completa ou necessidade de um aparelho auditivo. Fenômeno
de Raynaud é observado quase que exclusivamente após bleomicina. A toxicidade pulmonar da
bleomicina ocorre em 6 a 8% dos pacientes tratados com BEP por 4 ciclos e pode ser fatal em 1 a
3%. Pode se manifestar durante a quimioterapia, mas pode ser retardada ou precipitada pela
exposição ao oxigênio no momento da cirurgia. Fatores de risco para toxicidade pulmonar incluem
maior dose cumulativa de bleomicina, exposição prévia à radiação, insuficiência renal, idade
superior a 40 anos de idade, e história de tabagismo.65
6.7.2. Toxicidades crônicas
Neuropatia, ototoxicidade e nefrotoxicidade podem começar de forma aguda, mas podem
também tornar-se subaguda ou crônica. Reduções na taxa de filtração glomerular e níveis séricos
de magnésio podem resultar dos efeitos da cisplatina ou carboplatina e, especialmente em regimes
contendo ifosfamida. A maioria dos pacientes com neuropatia e ototoxicidade melhoram ao longo
do tempo, mas os sintomas podem persistir indefinidamente. Um aumento ≥2 vezes na incidência
de doenças cardiovasculares tem sido observado em pacientes tratados com quimioterapia e pode
ser causado por lesão vascular e/ou indução de fatores de risco cardiovascular, como por exemplo,
o tabagismo.66
Mecanismos de lesão endotelial podem incluir efeitos diretos vasculares (eg, bleomicina e
fenômeno de Raynaud), deficiência de testosterona, a indução de um estado pró-inflamatório ou
estresse oxidativo. Estudos têm demonstrado que a hipertensão, hiperlipidemia, obesidade e
síndrome metabólica podem ocorrer com frequência aumentada em sobreviventes de câncer
testicular tratados com quimioterapia vs aqueles tratados apenas com cirurgia ou vs controles
pareados por idade.68
Infertilidade é uma questão de qualidade de vida importante para sobreviventes de câncer
testicular. Muitos pacientes são diagnosticados antes de terem filhos por causa de sua tenra idade
ou há aumento da incidência de infertilidade ou subfertilidade em pacientes recém-diagnosticados.
Quimioterapia e radiação podem causar infertilidade através de danos às células germinativas
primordiais nos túbulos seminíferos, e cirurgia (dissecção retroperitoneal) pode resultar em
infertilidade por ejaculação retrógrada. Após o tratamento, 30% dos pacientes não pode ser capaz
de gerar um filho naturalmente. Portanto, a criopreservação de esperma é recomendada antes de
qualquer intervenção de tratamento. 
O risco de tumores secundários não de células germinativas também aumenta como resultado
do tratamento para o câncer testicular. Terapia de radiação leva a uma taxa de 2 vezes maior de um
segundo câncer vs controles pareados por idade ou sobreviventes de TCG que se submetem a
cirurgia isolada. Um excesso de risco para um segundo câncer também tem sido associada com a
quimioterapia, com um risco relativo de 1,5-2,0, semelhante ao risco relativo de tabagismo na
população em geral. O risco é ainda maior para os pacientes tratados com radio e quimioterapia.66
Leucemia, em particular, tem sido associada ao etoposido de forma dose dependente. A exposição
à radiação de frequentes tomografias pode aumentar ainda mais os riscos de neoplasia
secundária.67,68 Por razões que não são claras, TCG estão associados com um aumento da incidência
de sarcoidose, que pode se apresentar antes, durante ou após o diagnóstico de câncer, podendo
imitar metástases para linfonodos mediastinais e hilares ou mesmo pulmonares, podendo ser
considerado como um diagnóstico alternativo. Uma biópsia pode ser necessária para distinguir
entre metástase e sarcoidose.
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Diretrizes para acompanhamento de pacientes com câncer testicular após o tratamento ou
durante seguimento foram publicados por vários grupos.69,70,71 Devido ao potencial de recaída,
desenvolvimento tardio de neoplasias malignas secundárias e tumores testiculares primários
contralateriais, não está bem estabelecido qual o tempo necessário de acompanhamento. A
transferência para um médico generalista após mais de 5 anos do tratamento representa uma
decisão individualizada a ser feita em conjunto com o paciente e a equipe assistencial.
Bibliografia Sugerida
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(eds) Cancer: Principles & Practice of Oncology, 9th Edition, Philadelphia, Lippincott Williams &
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testis and risk of testicular cancer. N Engl J Med. 2007;356:1835-1841.
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associated with lower risk of testicular cancer. J Urol. 2007;178:1440-14446. 
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