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U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Universidade Nove de Julho – UNINOVE Rua Vergueiro, 235/249 – 12º andar CEP: 01504-001 – Liberdade – São Paulo, SP – Brasil Tel.: (11) 3385-9191 – editora@uninove.br U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o São Paulo 2017 Sandra Kalil BuSSadori lara JanSiSKi Motta Marcelo MendeS Pinto organizadoreS Manual de ProtocoloS clÍnicoS eMPregadoS eM odontoPediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o © 2017 UNINOVE Todos os direitos reservados. A reprodução desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação do copyright (Lei nº 9.610/98). Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio, sem a prévia autorização da UNINOVE. Conselho Editorial: Eduardo Storópoli Maria Cristina Barbosa Storópoli Patricia Miranda Guimarães Cinthya Cosme Gutierrez Duran Renata Mahfuz Daud Gallotti Os conceitos emitidos neste livro são de inteira responsabilidade dos autores Capa: Big Time Serviços Editoriais Criança da capa: Lívia Motta Cannavan Diagramação: Marcella Mendonça Cavalheiro Revisão: Big Time Serviços Editoriais Catalogação na Publicação (CIP) Cristiane dos Santos Monteiro - CRB/8 7474 -------------------------------------------------------------------------------------------------- Manual de protocolos clínicos empregados em odontopediatria / organizadores, Sandra Kalil Bussadori, Lara Jansiski Motta, Marcelo Mendes Pinto. — São Paulo : Universidade Nove de Julho – UNINOVE, 2017. 210 p. ; il. (algumas color.) ISBN: 978-85-89852-56-2 (e-book) ISBN: 978-85-89852-59-3 (impresso) I. Odontopediatria – Protocolos clínicos. II. Autores. III. Título CDU 616.314-053.2 -------------------------------------------------------------------------------------------------- U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Sumário Apresentação ...............................................................8 Capítulo 1 Dentições decídua e mista: características e alterações........................................................................ 9 Sandra Kalil Bussadori; Marcelo Mendes Pinto; Olga Maria Altavista; Eugênio Garcia Capítulo 2 Anatomia de dentes decíduos ..................................22 Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; Sandra Kalil Bussadori Capítulo 3 Psicologia aplicada à odontopediatria ...............36 Katia Lumi Tanikawa-Vergilio Capítulo 4 Anamnese e exame clínico ........................................55 Sandra Kalil Bussadori; Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; Carolina Carvalho Bortoletto Capítulo 5 Técnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria ........................................................61 Lara Jansiski Motta; Marcelo Mendes Pinto; Camila Haddad Leal de Godoy; Olga Maria Altavista; Sandra Kalil Bussadori U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 6 Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas ................................................ 70 Sandra Kalil Bussadori; Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; Eugênio Garcia Capítulo 7 Terapêutica medicamentosa em odontopediatria ........................................................86 Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; Sandra Kalil Bussadori Capítulo 8 Diagnóstico de lesões de cárie ............................ 108 Silvia Regina Garcia Olivan; Ravana Angelini Sfalcin; Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; Sandra Kalil Bussadori Capítulo 9 O papel do flúor na prevenção e tratamento da doença cárie ....................................................... 116 Lara Jansiski Motta; Marcelo Mendes Pinto; Katia Lumi Tanikawa- Vergilio; Carolina Carvalho Bortoletto; Sandra Kalil Bussadori Capítulo 10 Materiais dentários aplicados na odontopediatria ...................................................... 130 Sandra Kalil Bussadori; Ravana Angelini Sfalcin; Lara Jansiski Motta; Marcelo Mendes Pinto U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 11 Procedimentos restauradores em odontopediatria ...................................................... 149 Camila Haddad Leal de Godoy; Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; Sandra Kalil Bussadori Capítulo 12 Tratamento endodôntico de dentes decíduos ........158 Lara Jansiski Motta; Marcelo Mendes Pinto; Sandra Kalil Bussadori Capítulo 13 Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria .....173 Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; Sandra Kalil Bussadori Capítulo 14 Remoção química e mecânica da cárie ................ 192 Sandra Kalil Bussadori; Lara Jansiski Motta; Marcelo Mendes Pinto Os Autores ............................................................... 198U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 8 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Apresentação A Odontologia acompanha as constantes inovações tecnológicas e a atualização do conhecimento se faz necessária. Acreditamos que um dos nossos papéis como docentes é contribuir na condução do caminho de desenvolvimento dos profissionais. A Odontopediatria segue a evolução científica sem perder a prin- cipal filosofia de promover saúde desde a infância. Neste contexto, este livro compreende os temas mais relevantes para o cotidiano clínico no atendimento odontopediátrico, apresentados de maneira clara e objetiva tanto para o aluno de graduação quanto para o profissional em exercício. Ao planejarmos este material, a maior preocupação foi organizar a apresentação dos conceitos e técnicas com a visão do atendimento inte- gral à criança. Os temas abordados contemplam a nossa ideologia huma- nista de promover saúde nos diferentes níveis de atenção, que abrangem desde a educação e orientação para manutenção da saúde e prevenção das doenças até a necessidade de reabilitação bucal. Este livro fortalece a nossa missão de compartilhar a experiência clínica e os novos conhecimentos com os estudantes. Acreditamos tam- bém que estamos sempre aprendendo e nunca o fazemos sozinhos, por- tanto agradecemos especialmente aos professores Eduardo e Cristina, que nos concederam esta linda oportunidade, e aos nossos valiosos co- laboradores no desenvolvimento deste importante material. Desejamos aos leitores que, ao entrar em contato com os protoco- los aqui sugeridos, mergulhem conosco no propósito maior, que é favo- recer a possibilidade do maior número de sorrisos saudáveis. Os Autores Dentições decídua e mista: características e alterações - 9 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 1 Dentições decídua e mista: características e alterações Sandra Kalil Bussadori Marcelo Mendes Pinto Olga Maria Altavista Eugênio Garcia Introdução O conhecimento das características normais de cada uma das den- tições é de suma importância, pois no transcurso da vida do paciente po- dem acontecer processos cariosos, traumatismos, instalação de hábitos ou perdas precoces de elementos dentários que podem provocar proble- mas futuros de maloclusões na dentição permanente. Dentição decídua (do nascimento aos 3 anos de idade) Ao nascimento as crianças apresentam uma relação posterior da mandíbula em relação à maxila; situação que vai se corrigir antes da erup- ção dentária. O terço inferior do rosto é o menor se comparado aos ou- tros terços. Os incisivos e caninos encontram-se com alguma frequência apinhados e os molares decíduos situam-se sem apinhamento e inclusive com algum espaçoentre eles. Os arcos alveolares (roletes gengivais) são predominantemente em forma de “U” (inferior) e de ferradura no superior. Temos nessa fase pequenos movimentos mandibulares devido ao pouco desenvolvimento da cavidade articular e do côndilo. Por isso não podemos em momento algum dissociar a função muscular e seu desen- volvimento para o correto arranjo oclusal. Entre os 6-8 meses de vida pós-natal, a maxila e a mandíbula cres- cem extensivamente. A mandíbula vai para uma posição mais anteriori- zada em relação à maxila, promovendo uma relação similar à mantida quando se estabelecerá o completo desenvolvimento da dentição decí- 10 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o dua. O crescimento transversal é atribuído à presença da sutura palatina e da sínfise mandibular. É nesta idade que acontece a erupção dos dentes anteriores. Após os 12 primeiros meses, o crescimento da região ante- rior dos maxilares fica limitado, sendo que os setores posteriores con- tinuam crescendo criando espaço para a erupção dos molares. A partir dos 16 meses aparece um contato vertical entre ambas as arcadas a par- tir dos primeiros molares decíduos. A dentição decídua se completa no período entre 24-30 meses, quando acontece a erupção dos segundos molares decíduos (Tabela 1). O crescimento vai somente reiniciar com a erupção dos dentes perma- nentes. Neste período, a formação coronária dos permanentes acontece de forma simultânea, podendo observar-se radiograficamente o posi- cionamento das coroas dos permanentes lingualmente (incisivos), api- calmente (caninos e pré-molares) em relação aos ápices dos decíduos. Tabela 1 – Crescimento e desenvolvimento da dentição decídua DENTIÇÃO DECÍDUA Início da calcificação Formação completa Erupção Esfoliação Superiores Inferiores Superiores Inferiores Incisivos centrais 4º mês fetal 18º-24º mês 6-10 meses 5-8 meses 7-8 anos 6-7 anos Incisivos laterais 4º mês fetal 18º-24º mês 8-12 meses 7-10 meses 8-9 anos 7-8 anos Caninos 4º mês fetal 30º-39º mês 16-20 meses 16-20 meses 11-12 anos 9-11 anos Primeiros molares 4º mês fetal 24º-30º mês 11-18 meses 11-18 meses 9-11 anos 10-12 anos Segundos molares 4º mês fetal 36º mês 20-30 meses 20-30 meses 9-12 anos 11-13 anos Fonte: Logan et al. 1933 Dentições decídua e mista: características e alterações - 11 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Vista vestibulolingual da dentição decídua completa A arcada decídua carece das inclinações características da den- tição permanente (Curva Spee). Os dentes estão implantados vertical- mente na base óssea e, como consequência, as faces oclusais estão num mesmo plano. A Articulação Temporomandibular (ATM) encontra-se si- tuada na altura deste plano. A presença ou não de diastemas na região anterior (superior e in- ferior) permitirá classificar a arcada decídua em tipo I ou II (Baume): ✓ Tipo I: há diastemas nos dentes anteriores, favorecendo a erup- ção dos permanentes. ✓ Tipo II: sem diastemas nos dentes anteriores, favorecendo a aparição de apinhamento quando há erupção dos permanentes. O espaço primata é um diastema que pode aparecer na dentição decídua entre o canino e o primeiro molar decíduo (mandíbula) e entre o incisivo lateral e o canino (maxila). Nos molares decíduos podem apa- recer alguns espaçamentos que tendem a fechar-se em função do cresci- mento ósseo e das forças oclusais. A relação distal dos segundos molares decíduos superiores e infe- riores (antes da erupção dos permanentes) pode ser de 3 tipos: ✓ Em plano: 76% dos casos e mais comum aos 3 anos de idade. A erupção do primeiro molar permanente transforma a relação em degrau mesial. ✓ Degrau mesial para a mandíbula (14%): favorecerá a oclusão dos molares permanentes em Classe I. ✓ Degrau distal para a mandíbula (10%): favorece a oclusão dos molares permanentes em Classe II (maloclusão). 12 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Vista ântero-posterior da dentição decídua completa Ausência da curva de Wilson. Também se observa uma discre- ta inclinação do longo eixo dos inferiores para lingual e dos superiores para vestibular. Vista oclusal da dentição decídua completa A arcada dentária pode apresentar várias formas (cônica 5%; oval 30% e trapezoidal 65% dos casos), tomando como referência a linha que passa pela face vestibular dos dentes. Outra forma é traçando uma circunferência passando pelas bordas incisais de canino a canino e pelo sulco principal do primeiro molar, cor- tando a cúspide distopalatina do segundo molar na arcada superior. Na arcada inferior, a circunferência passa pelas bordas incisais de canino a canino, pela cúspide vestibular do primeiro molar e pelo sulco principal do segundo molar decíduo (Análise de Carrea). Dentição mista Com a erupção dos primeiros molares permanentes começam a surgir novas transformações (aparecimento das curvas de Spee e Wilson e modificações na ATM). Acontece o segundo ganho de dimensão verti- cal, que se completa com a erupção dos segundos molares permanentes. A correta acomodação dos dentes permanentes dependerá do crescimento das bases ósseas nos três planos do espaço: ✓ Ântero-posterior: crescimento da porção distal dos ossos man- dibular e maxilar para acomodação dos molares permanentes; ✓ Lateral: crescimento (por volta dos 5 anos) na região intercani- nos precedendo a erupção dos incisivos, que ajuda a compensar a discrepância entre o tamanho da base óssea e os dentes (cer- ca de 6 mm). O segundo surto nesta região acontece durante a transição dos caninos. Dentições decídua e mista: características e alterações - 13 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ✓ Altura: para permitir a acomodação dos dentes decíduos e per- manentes (ainda dentro da base óssea). A substituição dos dentes decíduos pelos permanentes determina a aparição da curva de Spee, pois estes possuem uma inclinação típica para mesial. Da mesma forma, o longo eixo dos dentes permanentes in- feriores apresenta uma inclinação axial para lingual e nos superiores para vestibular, determinando a aparição da curva de Wilson. A relação distal dos molares decíduos e a presença de espaço prima- ta influenciará a “chave” da oclusão dos primeiros molares permanentes: 1. Plano terminal reto: Os molares permanentes alcançam uma re- lação de Classe I favorecidos pelo deslocamento mesial após perda do segundo molar decíduo, maior crescimento anterior da mandíbula, soma do diâmetro mesiodistal dos molares decíduos maior que dos pré-molares e pelo “espaço livre de Nance” ser maior na mandíbula. Em situações onde falte o espaço primata ou haja uma tendência esquelética de maxila para anterior, se instalará uma Classe II no final da dentição mista. 2. Relação em degrau mesial: favorece a erupção imediata dos primeiros molares em Classe I. Nos casos de degrau excessi- vo, pode tornar-se uma má oclusão de Classe III. 3. Relação degrau distal: resultaria sempre numa oclusão em Classe II na dentição permanente, já que reflete diretamen- te no padrão esquelético de Classe II sem oportunidade de autocorreção. Numa oclusão normal, a sobremordida (distância entre a borda dos incisivos superiores que trespassam sobre a borda dos incisivos in- feriores no sentido vertical) pode variar em até 3 mm. De forma geral, a coroa dos incisivos inferiores está coberta em aproximadamente um terço pelos superiores. 14 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o A sobressaliência (distância horizontal entre a superfície palatinados incisivos superiores e a superfície vestibular dos inferiores) é con- siderada normal e esteticamente aceitável quando varia de 0-3 mm e é acompanhada das seguintes condições: numa posição de repouso dos ma- xilares, deve haver contato labial sem esforço; e se os incisivos inferiores não se sobrepuserem ao lábio oposto quando em repouso ou em função. Observa-se uma maior inclinação para vestibular na base óssea dos incisivos permanentes, comparados aos decíduos. Esse fato leva ao au- mento do perímetro da arcada facilitando a acomodação dos dentes. E en- tre os 8 aos 12 anos de idade surge a “fase do patinho feio” [Broadbent] devido a maior vestibuloversão e divergência do longo eixo de apical para incisal dos incisivos superiores permanentes, determinando dias- temas. Esta fase fisiológica tende a desaparecer com a erupção dos ca- ninos permanentes. A partir da erupção dos primeiros molares permanentes também se observam modificações acentuadas na ATM, estendendo-se até os 16 anos de idade. A cronologia da formação e erupção da dentição permanente de- pende de vários fatores (alimentação, clima, gênero, etnias), mas de for- ma simplificada pode ser resumida na tabela 2. Dentições decídua e mista: características e alterações - 15 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Tabela 2 – Crescimento e desenvolvimento da dentição permanente DENTIÇÃO PERMANENTE Início da calcificação Coroa (esmalte) completa Raiz completa Erupção Superiores Inferiores Incisivos centrais 3-4 meses 4-5 anos 9-10 anos 7-8 anos (4) 6-7 anos (2) Incisivos laterais Superiores: 10-12 meses Inferiores: 3-4 meses 4-5 anos 11 anos 10 anos 8-9 anos (5) 7-8 anos (3) Caninos 4-5 meses 6-7 anos 12-15 anos 11-12 anos (11) 9-11 anos (6) Primeiros pré- molares 18-24 meses 5-6 anos 12-13 anos 10-11 anos (8) 10-12 anos (7) Segundos pré- molares 24-30 meses 6-7 anos 12-14 anos 10-12 anos (10) 11-13 anos (9) Primeiros molares Nascimento 30-36 meses 9-10 anos 5,5-7 anos (1a) 5,5-7 anos (1) Segundos molares 30-36 meses 7-8 anos 14-16 anos 12-14 anos (12a) 12-14 anos (12) Terceiros molares Superiores: 7-9 anos Inferiores: 8-10 anos 17-30 anos (13a) 17-30 anos (13) Os números entre parêntese indicam a ordem na erupção segundo Lö e Moyers. A dentição mista vai desde os 6 até os 13 anos de idade aproximadamente, sendo que a criança possui ambas as dentições. Fonte: Logan et al. 1933 Considerações sobre as alterações da dentição decídua e mista O desenvolvimento da dentição deve ser monitorado durante todo o processo eruptivo. O exame radiográfico, quando necessário e viável, deve acompanhar o exame clínico. O diagnóstico de anomalias do de- senvolvimento dentário primário ou permanente e de erupção deve ser feito para informar os pais do paciente e para planejar e recomendar a intervenção apropriada. Esta avaliação deve acontecer em todas as fa- ses do desenvolvimento: 16 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ✓ Dentição primária: As anomalias dos dentes decíduos e da erup- ção podem não ser evidentes antes da erupção propriamente dita, devido a que a criança pode não estar sendo levada para exame dentário ou porque o exame radiográfico não é possível em uma criança pequena. Os objetivos da avaliação incluem identifica- ção de: anomalias de número e tamanho dos dentes; mordidas cruzadas anterior/posterior; presença de hábitos ou sequelas des- tes a nível dental ou esquelético; e problemas das vias aéreas. ✓ Dentição mista: Os objetivos da avaliação continuam iguais. A palpação de dentes inclusos deve ser parte de cada exame. Radiografias panorâmicas, oclusais e periapicais, fornecem in- formações de diagnóstico em matéria de: dentes inclusos; au- sência/agenesia, supranumerários; tamanho e forma dos dentes; posições (por exemplo, primeiros molares permanentes ectópi- cos); discrepâncias esqueléticas (apinhamento dentário ou dias- temas); e saúde periodontal. Hábitos orais Os hábitos orais podem aplicar forças aos dentes e às estruturas dentoalveolares e dependendo da sua frequência, duração e intensidade podem estar associados a deformações como overjet aumentado, over- bite reduzido, mordida cruzada posterior ou altura facial aumentada. A identificação de hábitos anormais (sucção sem base nutricional, bruxismo, interposição lingual na deglutição, comportamentos de auto- mutilação [sucção labial, mordida labial ou lingual], respiração bucal, síndrome da apneia obstrutiva do sono) e a avaliação de seus potenciais efeitos imediatos e de longo prazo sobre o complexo craniofacial e na dentição deve ser feita o mais cedo possível. Os pacientes e seus pais de- vem ser devidamente informados sobre as consequências destes hábitos. Inclusive, os pais podem estar desempenhando um papel negativo na correção de um hábito oral; às vezes, certas mudanças no ambiente do- méstico podem ser necessárias antes de corrigir um hábito. Dentições decídua e mista: características e alterações - 17 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o O tratamento específico será direcionado para diminuir ou elimi- nar o hábito e minimizar os efeitos deletérios potenciais sobre o com- plexo dentofacial. Alterações no número de dentes Ausência congênita de dentes A ausência congênita de um ou mais dentes decíduos (hipodontia) tem uma prevalência de 0,1-0,9%, e quase sempre afeta os incisivos su- periores e os primeiros molares decíduos. Na dentição permanente tem uma prevalência maior, de 3,5 a 6,5 %. Excluindo os terceiros molares, o dente permanente mais frequentemente ausente é o segundo pré-mo- lar inferior, seguido pelo incisivo lateral superior. O tratamento deve ser dirigido para uma oclusão esteticamente agra- dável e que funcione bem para cada paciente em particular dependendo do momento do diagnóstico e das condições bucais e anseios a serem atingidos. Dentes supranumerários (decíduos, permanentes e mesiodens) Os dentes supranumerários (hiperdontia) são cinco vezes mais comuns na dentição permanente. A prevalência nas dentições decídua e mista é de 0,52-2%. Entre 80-90% dos supranumerários acontecem no maxilar, sendo que metade deles aparece no setor anterior e quase todos na região palatina. E em 1/3 dos casos, todo supranumerário decíduo é seguido de um supranumerário permanente. O manejo e o tratamento da hiperdontia difere se o dente é decí- duo ou permanente. Em geral, supranumerários decíduos estão alinha- dos na arcada dentária e esfoliam normalmente. A cirurgia para remoção de supranumerários decíduos retidos é desaconselhada para evitar da- nos aos dentes permanentes. Por outro lado, e remoção de supranume- rários permanentes facilita a erupção do dente permanente e promove 18 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o o correto alinhamento destes. Nos casos em que o alinhamento normal ou erupção espontânea não ocorre, o tratamento ortodôntico é indicado. Alterações na posição da erupção dentária Erupção ectópica A erupção ectópica dos primeiros molares permanentes ocorre de- vido ao trajeto anormal da erupção (mesioangulado), resultando em uma impactação na proeminência distal do segundo molar primário. Esta con- dição ocorre em até 3% da população, mas é mais comum em crianças com fissura de lábiopalatinas. No canino superior aparece em 1,5-2 % da população, enquanto que nos incisivos superiores se dá em até 2% da população. Os incisivos também podem ter alterada sua erupção de- vido à necrose pulpar (após trauma ou cárie) ou tratamento pulpar do incisivo decíduo. A intervenção nos dentes com erupção ectópica deve resultarnum melhor posicionamento eruptivo dos dentes. Nos casos em que o alinha- mento normal não ocorre, o tratamento ortodôntico subsequente pode ser necessário para alcançar uma adequada forma de arco e intercuspidação. Anquilose Anquilose é uma condição na qual o cemento da raiz de um den- te funde diretamente com o osso circundante. O ligamento periodontal é substituído por tecido ósseo, tornando imóvel o dente para o processo esfoliativo/eruptivo. Pode ocorrer nas dentições decídua e permanente, sendo mais comum molares decíduos. A incidência é entre 7-14% na den- tição primária. Na dentição permanente, a anquilose ocorre com maior frequência em casos de lesões por luxação. A anquilose pode ser verificada por meios clínicos e radiográficos. O dente afetado em infraoclusão é um sinal reconhecível primário, mas também pode ser utilizada a percussão e a palpação. O exame radiográ- Dentições decídua e mista: características e alterações - 19 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o fico também pode revelar a perda do ligamento periodontal e a forma- ção da junção óssea. Em todos os casos, o tratamento da anquilose deveria resultar no desenvolvimento normal contínuo da dentição permanente. Discrepância entre tamanho dentário/arco dentário (apinhamento) O inadequado comprimento do arco, com o consequente apinha- mento dentário, é uma ocorrência comum na dentição mista precoce e traz várias sequelas negativas. Este tipo de discrepância geralmente vem em conjunto com outras anomalias como agenesia, dentes supranumerá- rios etc. O diagnóstico precoce, quando os incisivos inferiores começam a entrar em erupção, ajudará a: prevenir o apinhamento dos incisivos; aumentar a estabilidade das posições dos incisivos a longo prazo; dimi- nuir a erupção ectópica e impactação dos caninos permanentes; reduzir o tempo de tratamento ortodôntico e sequelas; melhorar a saúde gengi- val e a saúde dental geral. Manutenção e recuperação de espaços A perda prematura de dentes decíduos por cárie, traumatismo, erupção ectópica ou outras causas pode levar a movimentos dentários indesejáveis de dentes decíduos/ permanentes, incluindo a perda de comprimento do arco. As deficiências no comprimento do arco podem produzir ou aumentar a gravidade das más oclusões com apinhamento, rotações, erupção ectópica, mordida cruzada, overjet/overbite excessi- vo, e relações molares desfavoráveis. O objetivo da manutenção ou recuperação de espaços é evitar alte- rações no comprimento, largura e perímetro do arco, conservando a posi- ção relativa dos dentes pré-existentes. A decisão pelo uso de dispositivos com este fim deve estar baseada em evidências científicas e levar em consideração fatores como: dente perdido; tempo transcorrido; oclusão pré-existente; análise do espaço favorável; presença e desenvolvimento 20 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o radicular do sucessor permanente; quantidade de osso alveolar cobrin- do o sucessor permanente; o estado de saúde do paciente; a capacidade de cooperação do paciente; presença de hábitos bucais; e higiene oral. Mordida cruzada (dental, funcional ou esqueletal) Mordidas cruzadas são definidas como qualquer relação vestíbu- lo-lingual anormal entre incisivos, molares ou pré-molares antagonistas em relação cêntrica. Se as linhas médias sofrem uma mudança habitual ou compensatória durante a oclusão, a alteração é denominada funcio- nal. A mordida cruzada pode ser de origem dentária ou esquelética ou uma combinação de ambas. A decisão do tratamento dependerá de alguns fatores como: quan- tidade e tipo de movimento; do espaço disponível; das relações esquelé- ticas; do estado de crescimento; da cooperação do paciente. O objetivo final deve buscar melhorar o alinhamento intramaxilar e uma oclusão e função aceitável entre as arcadas dentárias. Más oclusões Classe II e Classe III A classificação de Angle das maloclusões considera a relação ânte- ro-posterior normal dos caninos e da cúspide mésio-vestibular do primei- ro molar superior permanente com o sulco vestibular do primeiro molar inferior permanente. A má oclusão Classe II (distoclusão) pode ser uni- lateral ou bilateral e envolve uma relação distal da mandíbula à maxila ou dos dentes inferiores aos dentes superiores. Essa relação pode resultar de fatores dentais (mau posicionamento dos dentes nas arcadas), esque- léticos (retrusão mandibular e/ou protrusão maxilar), ou uma combina- ção de ambas. Já na Classe III, os dentes inferiores se encontram numa relação mesial com os superiores provocando geralmente mordida cru- zada no setor anterior e uma inclinação excessiva dos incisivos inferio- res pela pressão da musculatura do lábio inferior nas faces vestibulares destes durante o fechamento da boca. Dentições decídua e mista: características e alterações - 21 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o O tratamento deve devolver uma aparência estética e perfil com- patível com a morfologia do esqueleto do paciente. Para isto, certos fa- tores deverão ser considerados: padrão de crescimento facial, grau de discrepância ântero-posterior, idade do paciente, analise do espaçamen- to dentário, dispositivos ortodônticos, exodontia e complementação com cirurgia ortognática entre outros. ____________________ Referências GUEDES-PINTO, A.C. MYAKI ISSÁO, E. Manual de odontopediatria. 11. ed. São Paulo: Santos. 2006. LOGAN W.H.G, KRONFELD R. Development of the human jaws and sur- rounding structures from birth to the age of fifteen years. Journal of American Dental Association (1922), [Chicago], v. 20, n. 3, p. 379-427, 1933. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.14219/jada.archive.1933.0080> ASH, M.M; NELSON, J.S. Wheeler: anatomia dental, fisiologia e oclusão. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. CHEDID, S.J. Ortopedia e ortodontia para a dentição decídua: atendimen- to integral ao desenvolvimento da oclusão infantil. São Paulo: Santos, 2013. 22 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 2 Anatomia de dentes decíduos Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Sandra Kalil Bussadori Introdução É comum o paciente leigo na odontologia fazer referência aos den- tes de “leite” da criança quando precisam informar ao cirurgião dentista quaisquer alterações observadas nos dentes das crianças. O termo de- cíduo vem do latim “decidere”, e significa tudo o que se perde de for- ma fisiológica no organismo, ou seja, se o dente é considerado decíduo, em condições fisiológicas é esperado que no final do seu ciclo biológico ele esfolie. Algumas características do dente decíduo podem envolver aspectos relacionados à formação e desenvolvimento (odontogênese), cronologia de erupção, perda fisiológica e diferenças anatômicas que o distingue do dente permanente. Características gerais dos dentes Os dentes apresentam características comuns para as duas den- tições: decídua e permanente. Em conjunto, desempenham funções de mastigação, proteção e sustentação dos tecidos moles, auxiliam na fo- nação e são fundamentais para a estética facial. Os dentes fixam-se no tecido ósseo através do ligamento dento alveolar. Os dentes compreendem os grupos dos incisivos, caninos, pré- -molares e molares, cada qual adaptado a sua função. O humano apre- senta no arco decíduo 20 dentes e no permanente 32 dentes, dispostos de acordo com a tabela 1. Anatomia de dentes decíduos - 23 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Tabela 1 – Descrição das características dos arcos decíduos e permanentes Tipo de arco Número de dentes Grupos dos dentes Tipo dos dentes Decíduo 20 Incisivos decíduos (8) Caninos decíduos (4) Molares decíduos (8)Incisivo Central Decíduo Incisivo Lateral Decíduo Canino Decíduo 1º Molar Decíduo 2º Molar Decíduo Permanente 32 Incisivos (8) Caninos (4) Pré-molares (8) Molares (12) Incisivo Central Incisivo Lateral Canino 1º Pré-molar 2º Pré-molar 1º Molar 2º Molar 3º Molar Fonte: Os autores Os dentes apresentam-se bem delimitados e são formados pela coroa e raiz(es), unidas na porção cervical pelo colo, que pode ser deli- mitada por uma linha chamada de linha cervical. (Figura 1) 24 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 1 – Divisão anatômica do elemento dental em coroa e raiz. A linha em vermelho indica a junção entre coroa e raiz, denominada de linha cervical. Fonte: Os autores A coroa dental possui diferentes faces. Recebe o nome de vesti- bular (V) a face do dente que está voltada para o vestíbulo da boca e a que se volta para a lingual é denominada de face lingual (L). Essas faces se opõem e são conhecidas como faces livres. As faces proximais, que contactam um dente a outro, são chamadas de mesial (M) e distal (D). A face mesial é a porção do dente mais próxima ao plano sagital mediano, enquanto que a face distal é aquela distante do plano sagital mediano. As Figuras 2 e 3 mostram a relação das faces em dentes anteriores e posteriores decíduos. Anatomia de dentes decíduos - 25 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 2 – Incisivo central decíduo inferior esquerdo com as indicações das faces mesial, distal, vestibular e lingual Fonte: Os autores Figura 3 – Coroa do 2º Molar decíduo inferior com as indicações das faces mesial (M), distal (D), vestibular, lingual e oclusal. Fonte: Os autores Com o objetivo de descrever uma porção específica do dente ou mesmo localizar algum detalhe anatômico ou alteração, os dentes po- dem ser divididos em terços delimitados por linhas virtuais verticais e horizontais. Se as linhas são verticais tem-se o dente dividido nos ter- ços mesial, médio e distal. Se as linhas forem horizontais, divide-se o 26 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o dente nos terços cervical, médio e incisal (anteriores) ou oclusal (pos- teriores) (Figura 4). Figura 4 – Divisão dos terços. As linhas verticais (esquerda) dividem o dente decíduo nos terços mesial, médio e distal. As linhas horizontais (direita) dividem o dente decíduo nos terços cervical, médio e incisal. Fonte: Os autores Detalhes anatômicos da coroa (terminologia) Os elementos morfológicos que os dentes apresentam são carac- terizados por estruturas elevadas e depressões que podem ser conceitu- adas da seguinte forma: ✓ Cíngulo – proeminência arredondada localizada no terço cer- vical e médio da face lingual dos incisivos e caninos. É a por- ção mais elevada nesses dentes. ✓ Cúspide – proeminência em forma de pirâmide de base qua- drangular, presente nos dentes pré-molares e molares. São for- madas por vertentes lisas e triturantes. ✓ Crista Marginal – eminência linear situada nas bordas mesial e distal da face lingual dos dentes anteriores, que liga o cíngulo Anatomia de dentes decíduos - 27 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o aos ângulos incisais. Nos pré-molares e molares as cristas mar- ginais estão situadas nas bordas mesial e distal da face oclusal e estende-se das cúspides vestibulares às linguais. São estrutu- ras de reforço anatômico importantes. ✓ Ponte de Esmalte – eminência linear que une as cúspides, interrom- pendo o caminho de um sulco principal. A ponte de esmalte está presente no primeiro molar decíduo inferior, segundo molar decí- duo superior, primeiro pré-molar inferior e primeiro molar superior. ✓ Tubérculo – proeminência menor que a cúspide. O tubérculo de Carabelli, localizado na região mesial da face lingual do pri- meiro molar superior, e o Tubérculo molar (Zuckerkandl), mais evidente na região mesial e cervical da face vestibular do pri- meiro molar inferior decíduo, são estruturas constantes. ✓ Bossa – é a porção mais elevada, arredondada, situada no terço cervical da face vestibular de todos os dentes, entre os terços cer- vical e médio da face lingual dos pré-molares e molares. Também estão presentes nas faces proximais na região do ponto de contato. ✓ Sulco Principal e Sulco Secundário – o sulco principal é uma depressão aguda, evidente e estreita que separa as cúspides. O sulco principal mesiodistal separa as cúspides vestibulares das linguais, enquanto que o sulco oclusovestibular e oclusolingual separam as cúspides em mesial e distal. O sulco secundário é pequeno e raso, distribuídos pela face oclusal sobre as cúspi- des e crista marginal. Tem a função de aumentar a rugosidade da superfície e melhorar a eficiência da trituração do alimento. ✓ Fóssulas – são depressões localizadas na terminação do sulco principal, junto à crista marginal, na face vestibular dos mola- res ou no cruzamento entre dois sulcos principais. As Figuras 5 e 6 mostram os principais detalhes anatômicos en- contrados nos dentes decíduos. 28 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 5 – Detalhes anatômicos encontrados nos dentes anteriores decíduos vistos por vestibular, proximal e lingual. 1, 2 e 3 – Bossas específicas da região; 4 – Cíngulo; 5 – Cristas marginais. Fonte: Os autores Figura 6 – Detalhes anatômicos encontrados nos dentes molares decíduos. 1 – Posição da ponte de esmalte; 2 – Tubérculo molar (ZuckerKandl); 3 – Sulco principal mesiodistal e oclusolingual; 4 – Fóssulas; 5 – Cúspides; 6 – Crista marginal; 7 – Tubérculo de Carabelli. Fonte: Os autores Anatomia de dentes decíduos - 29 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Diferenças entre as dentições As principais diferenças entre as dentições decíduas e permanen- tes são descritas a seguir: Número de dentes – a dentição decídua possui um total de 20 den- tes, distribuídos nos arcos superiores e inferiores. São 12 dentes a menos que a dentição permanente que, completa, possui 32 den- tes. Os 20 dentes decíduos são divididos em: 4 incisivos centrais decíduos; 4 incisivos laterais decíduos; 4 caninos decíduos; 4 pri- meiros molares decíduos; 4 segundos molares decíduos. Essa dife- rença de 12 dentes está associada à ausência dos dentes pré-molares (8 dentes) e dos terceiros molares (4 dentes), que estão presentes apenas na dentição permanente. Grupos dentários – a dentição decídua apresenta 3 grupos dentá- rios (incisivos, caninos e molares), enquanto que a dentição per- manente apresenta 4 grupos (incisivos, caninos, pré-molares e molares). A diferença está relacionada ao grupo dos pré-molares, ausente na dentição decídua. Comprimento desigual dos arcos – os dentes decíduos, por se- rem menores e em menor número, necessitam de menos espaço nos arcos. Descontinuidade do arco – devido ao fato da soma das distâncias mesiodistais ser menor nos dentes decíduos que nos dentes perma- nentes, formam-se diastemas decorrentes do crescimento da maxila e mandíbula, que o tornam descontínuo. Essa é uma característica fisiológica da dentição decídua. Tamanho dos molares – na dentição permanente o primeiro molar é maior que o segundo, que consequentemente é maior que o ter- ceiro. Na dentição decídua isso não acontece, pois o segundo mo- lar decíduo é maior que o primeiro. 30 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Características anatômicas dos dentes decíduos O quadro abaixo mostraas principais características gerais dos dentes decíduos: Ø Os decíduos são menores em todas as suas dimensões. Ø O dente decíduo tem coloração branca, clara e opaca; possui como cores: branco-azulado; branco-leitoso; branco-argiloso, distribuídas de forma uniforme. Ø O esmalte do dente decíduo é mais permeável. Ø A profundidade do esmalte é maior e mais fina proporcionalmente em relação ao permanente. Sua espessura fica em torno de 0,5 a 1,0 mm; essa espessura é semelhante em todas as faces da coroa. Ø As superfícies vestibulares e linguais são mais planas. Ø A distância vestibulolingual da superfície oclusal é menor que o diâmetro cervical. Ø As raízes dos decíduos são menores, mais delgadas e claras do que os permanentes. Nos dentes anteriores as raízes são maiores em proporção à coroa e no sentido mesiodistal são mais estreitas. Ø A câmara pulpar é mais ampla proporcionalmente à coroa e acompanha a morfologia externa da coroa. Os cornos pulpares são mais altos e próximos à junção amelodentinária. Ø Nos dentes decíduos existe menor estrutura de dentina para proteção pulpar. Fonte: Os autores Incisivo decíduo O grupo dos dentes incisivos decíduos é composto por oito dentes, sendo quatro em cada arco dentário. Os incisivos decíduos têm morfolo- gia semelhante aos sucessores permanentes. Os superiores apresentam um volume que diminui de mesial para a distal, ou seja, os incisivos cen- trais são maiores que os laterais. Nos inferiores ocorre de forma contrá- ria, assim os centrais são menores em volume que os laterais (Tabela 2). Anatomia de dentes decíduos - 31 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o A coroa dos incisivos é cuneiforme, semelhante a dos permanen- tes. A raiz pode ser cônica, conóide ou piramidal, podendo ou não ser levemente achatada no sentido mesiodistal. O ápice radicular apresenta-se levemente curvado para a vestibu- lar, devido à presença do germe do sucessor, que desloca o terço apical da raiz para a vestibular. Os incisivos apresentam uma borda incisal cor- tante nos dentes sem desgaste e, com o desgaste fisiológico, se tornam facetas de desgaste inclinadas para a distal (Figura 7). Tabela 2 – Dimensões médias dos dentes incisivos decíduos Incisivo Comprimento (mm) Distância M/D (mm) Altura da coroa (mm) Central Superior 16,0 6,0-7,1 6,0-7,3 Lateral Superior 14,5-17,0 4,2-6,6 5,5-6,8 Central Inferior 15,0-19,0 3,6-5,5 5,0-6,6 Lateral Inferior 15,0-19,0 3,8-5,9 5,6-7,0 Fonte: Os autores (adaptado de Guedes-Pinto, AC. Odontopediatria, 2010) Figura 7 – Ilustração das coroas dos dentes incisivos centrais e laterais decíduos superiores e inferiores. Nota-se a ausência da raiz, pela sua reabsorção fisiológica. Fonte: Os autores 32 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Canino decíduo O grupo dos caninos decíduos é composto por quatro dentes, sen- do dois dentes posicionados em cada arco dentário. Estão localizados entre a distal do incisivo lateral decíduo e do primeiro molar decíduo. O canino decíduo possui uma forma cônica, e a coroa é bem volumosa e com forma lanceolada. Apresenta na borda incisal uma típica cúspide mediana, desenvolvida e aguçada, que desaparece durante o ciclo bio- lógico por desgaste (Tabela 3 e Figura 8). Tabela 3 – Dimensões médias dos dentes caninos decíduos Comprimento (mm) Distância M/D (mm) Altura da coroa (mm) Canino Superior 17,5-22,0 6,0-8,0 6,5-7,8 Canino Inferior 17,5-22,0 5,2-7,0 6,5-8,1 Fonte: Os autores (adaptado de Guedes-Pinto, AC. Odontopediatria, 2010) Figura 8 – Ilustração das coroas dos dentes caninos decíduos superior e inferior. Nota-se a ausência da raiz, pela sua reabsorção fisiológica. Fonte: Os autores Anatomia de dentes decíduos - 33 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Molar decíduo Os grupos dos dentes molares decíduos configuram ser os den- tes mais volumosos do arco dentário da criança. São em número de oito dentes, sendo quatro primeiros molares decíduos e quatro segundos mo- lares decíduos. Primeiro molar decíduo – Na dentição decídua é o quarto dente e o primeiro molar a partir da linha mediana. O superior apresenta uma posição bem vertical e no sentido mesiodistal a coroa apresenta-se le- vemente inclinada para a vestibular. Esse dente é o que mais se parece com o sucessor, em volume e características. Apresenta quatro cúspi- des, sendo duas vestibulares e duas linguais; possui três raízes, cada qual com seu respectivo canal. As raizes são: mesiovestibular, distovestibu- lar e palatina. Os inferiores apresentam uma anatomia única e dificilmente é comparado com qualquer outro molar. É o menos volumoso dos molares decíduos. Apresenta uma marcante característica na face vestibular, na região cérvico-mesial, o tubérculo molar ou tubérculo de Zuckerkandl. Apresenta quatro cúspides, sendo duas verstibulares e duas linguais. O primeiro molar inferior possui duas raizes, uma mesial (com dois canais) e outra distal (com um canal). Tem como característica marcante a posi- ção da crista marginal mesial, que é transversa, assim é possível encon- trar na literatura a denominação de crista marginal transversa. Segundo molar decíduo – É o dente mais volumoso do arco temporário, sendo o quinto e o último da série; ocupa o lugar do segun- do pré-molar. Os segundos molares decíduos são muitas vezes confun- didos com os dentes permanentes, pois apresentam detalhes anatômicos semelhantes aos primeiros molares permanentes, porem em menor es- cala e volume. Os superiores apresentam o tubérculo de Carabelli e a ponte de esmalte, estruturas comuns dos primeiros molares permanen- tes. Possuem quatro cúspides, sendo duas vestibulares e duas linguais. Suas raízes são divergentes e em número de três raízes (duas vestibula- res e um palatina) com seus respectivos canais. 34 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Os segundos molares inferiores são pentacuspidais (5 cúspides – 3vestibulares e 2 linguais), assim como os primeiros molares permanen- tes inferiores. Possuem duas raízes (uma mesial e outra distal) com três canais. A tabela 4 mostra as dimensões médias dos molares decíduos, e, as Figuras 9 e 10, as ilustrações características dos elementos. Tabela 4 – Dimensões médias dos dentes primeiros e segundos molares decíduos Molar Comprimento (mm) Distância M/D (mm) Altura da coroa (mm) 1o Superior 14,0-17,0 6,6-7,8 5,8-6,5 2o Superior 16,5-18,5 8,3-9,3 6,0-6,7 1o Inferior 14,0-17,0 3,6-5,5 5,0-6,6 2o Inferior 17,5-19,6 10,0-11,5 6,5-7,2 Fonte: os autores (adaptado de Guedes-Pinto, AC. Odontopediatria, 2010) Figura 9 – Ilustração das coroas dos dentes primeiro e segundo molar decíduo superior. Nota-se a ausência da raiz, pela sua reabsorção fisiológica. Fonte: Os autores Anatomia de dentes decíduos - 35 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 10 – Ilustração das coroas dos dentes primeiro e segundo molar decíduo inferior. Nota-se a ausência da raiz, pela sua reabsorção fisiológica. Fonte: Os autores ____________________ Referências HUBERTUS, J.W. Odontopediatria: atlas colorido de odontologia. São Paulo: Artmed, 2002. GUEDES PINTO, Antonio Carlos. Odontopediatria. 8. ed. São Paulo: Santos, 2010. MELFI, RC, ALLEY, KE. Embriologia e histologia oral de permar. 10. ed. São Paulo: Santos, 2010. MADEIRA, Miguel Carlos. Anatomia do dente. 7. ed. São Paulo: Sarvier, 2014. 36 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 3 Psicologia aplicada à odontopediatria KatiaLumi Tanikawa-Vergilio O profissional que exerce odontopediatria, além do conhecimento técnico-científico, deve estar disposto a desenvolver a capacidade de li- dar com a criança, de forma a conseguir melhorar a relação humana de empatia e confiança a fim de facilitar o tratamento odontológico. A visão psicológica do paciente é fundamental no processo de co- nhecimento da criança, pois permite que se faça uma imagem do uni- verso infantil e torne possível uma abordagem psicossocial. Assim, é importante integrar todas as estratégias psicológicas num contexto de educação global de modo que a criança aprenda a ver o dentista como um amigo e compreenda que os tratamentos dentários, apesar de serem experiências diferentes, são inevitáveis para a prevenção de repercussões negativas para a sua saúde oral e sistêmica. Conhecimentos básicos de psicologia das fases de desenvolvimen- to humano são essenciais no bom estabelecimento da relação pessoal en- tre o profissional e o paciente infantil. Psicologia de desenvolvimento A área da psicologia que trabalha com todo o processo de desen- volvimento humano durante determinado período é denominada psico- logia de desenvolvimento. O profissional que exerce Odontopediatria deve ter ciência do: ✓ Desenvolvimento Somático (motricidade, fala); ✓ Desenvolvimento Emocional (comportamento social, adapta- ções e personalidade). Psicologia aplicada à odontopediatria - 37 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o O direcionamento do relacionamento entre criança e dentista ten- de a tornar o tratamento mais prazeroso e positivo. Comportamento adaptativo O conhecimento do Comportamento adaptativo da criança consiste em ter conhecimento do grau de aprendizagem e raciocínio e também em saber da capacidade da criança em se adaptar às mais diversas situações. É importante, por exemplo, saber que o vocabulário da criança vai desde o balbuciar até a construção de sentenças e entendimento de di- versas palavras. A classificação desse estágio de evolução deve ser realizada para facilitar a comunicação entre dentista e paciente infantil. A comunicação é fundamental para poder se relacionar e o trata- mento fluir satisfatoriamente. Comportamento social e personalidade Para avaliação deste tipo de comportamento leva-se em conta: ✓ Relacionamento com os pais; ✓ Relacionamento com outros adultos (inclusive odontopediatra); ✓ Relação com colegas, parentes, professores. Fases de desenvolvimento humano 1 Fase oral Esta fase abrange o período de 0 a 18 meses de vida. A criança explora o corpo através da boca, pele e passa a ter a sen- sação de segurança e satisfação. 38 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Nesta fase, a boca é o órgão mais importante do corpo, pois é atra- vés dela que a criança obtém ar e alimento e faz contato com o meio am- biente que a cerca. Até os 6 meses de vida, ocorre o chamado fator de simbiose, em que a criança sente-se fusionada à mãe (não distingue limites de duas pessoas separadamente). Após os 6 meses de idade, a criança: ✓ Começa a distinguir limites entre ela e a mãe; ✓ Aprende a mastigar e a morder; ✓ Desenvolve a capacidade motora; ✓ Aumenta a atividade mental; ✓ Distingue entre si mesma e o meio ambiente; ✓ Desenvolve a Fase de Individualização, onde passa a tolerar insatisfações, separações, e a ausência da mãe pode aumentar gradativamente. Sucção A necessidade de sucção é importante para a sobrevivência física e psicológica do bebê. Essa necessidade diminui com a introdução de alimentação sóli- da (mastigação). A Necessidade Fisiológica de sucção cessa dos 9 aos 12 meses de vida. A Necessidade Psicológica de sucção existe quando a criança se sente cansada ou infeliz (consolo) e deve cessar até os 3 anos. A persistência da sucção após os 3 anos deixa de ser uma neces- sidade e se torna um hábito deletério, com consequências como proble- mas de oclusão e no desenvolvimento da fala. Psicologia aplicada à odontopediatria - 39 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 2 Fase anal, primeira infância A fase anal abrange o período de 18 meses a 3 anos de idade, onde a criança: ✓ Alcança o controle da bexiga e intestinos; ✓ Desenvolve autonomia: controle do próprio corpo; ✓ Experimenta as próprias vontades e começa a ter visão clara do seu “eu”. Porém, vive a “Idade do Desafio”, onde sentimentos fortes e contra- ditórios são aflorados e percebe o quanto é capaz de agir e decidir sozinha. Aos 3 anos de idade, a Maturidade para Tratamento significa que é: ✓ Capaz de ficar sentada 10 a 20 minutos; ✓ Capaz de sentar e abrir a boca, realizar estas 2 atividades concomitantemente; ✓ Capaz de compreender explicações simples. Nesta fase ainda destacamos a importância: Em elogiar as capacidades da criança; Do contato físico Falar-mostrar-fazer A técnica do falar-mostrar-fazer é um método eficaz para fami- liarizar a criança ao ambiente odontológico, diminuindo seus medos e ansiedades, assim como consiste em apresentar gradativamente alguns instrumentos e procedimentos odontológicos. 40 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o A criança deve ser preparada sobre a situação que viverá, portanto, o dentista deve informar de forma amena sobre o procedimento (FALAR). O dentista deve demonstrar a ação do equipamento ou efeito de um material odontológico antes da execução profissional, para evitar re- ações de ansiedade pelo medo do inesperado (MOSTRAR). Se necessário, o dentista deve deixar a criança tocar ou manipu- lar algum dos equipamentos ou materiais para a constatação do benefí- cio (FAZER). Após a explicação e demonstração, a técnica poderá ser realizada com mais tranquilidade. Corrêa et al. (2002) e Klatchoian (2002) sugeriam a utilização de bonecos ou brinquedos para realizar esta demonstração e permitir a par- ticipação direta da criança no condicionamento, uma vez que, a partir dos 15 meses de idade, as crianças apresentam-se em pleno desenvolvi- mento sensório-motor e, portanto, exploram os ambientes por meio do tato e da apreensão dos objetos, constatando-se que permitir a participa- ção ativa da criança no condicionamento para o tratamento odontológi- co aumenta seu grau de cooperação e os benefícios obtidos. Na maioria das vezes, a criança muito curiosa gostará de experi- mentar nela mesma os objetos apresentados. Em outras, porém, as crian- ças podem ficar mais receosas, e necessitar de mais tempo e contato com os novos “equipamentos”, para permitir tal contato. Naquelas crianças que se demonstrarem um pouco receosas, o uso de bonecos ou outros brinquedos que tenham dentes pode auxiliar mui- to nesse processo de condicionamento psicológico. Nestes casos, é interessante permitir que a criança atue como au- xiliar e nos ajude a realizar o procedimento odontológico no brinquedo. Geralmente, as crianças gostam de exercer o papel de Cirurgião-dentista ou de Auxiliar. Psicologia aplicada à odontopediatria - 41 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 3 Fase fálica (edipiana, fase genital inicial) Esta fase abrange o período da segunda infância (3 a 5 anos). Nesta fase, as crianças começam a perceber e questionar diferen- ças entre meninos e meninas, os pais transmitem ideias de feminilidade e masculinidade; as crianças buscam identificação com pessoas próxi- mas para imitá-las. ✓ Complexo de Édipo: Período em que a criança se apaixona pelo adulto do sexo oposto. Criança passa a ter valores morais e estilo de vida dos pais. Nesta fase, a criança desenvolve: o Desejo de explorar o Curiosidades o Fazem regras Porém, a criança precisa de orientação e limites bem definidos, pois oexcesso de proibições com sentimento de culpa pode transformar curiosidade em PASSIVIDADE. A Maturidade para o Tratamento até os 5 anos caracteriza-se pela criança sentar e ficar concentrada até 30 minutos. Nesta fase, deve-se elogiar a aparência e as correções devem ter conotação POSITIVA. Nesta fase, a criança usa a IMAGINAÇÃO e entende metáforas. Faz de conta O universo mental infantil deve ser compreendido e respeitado pelo profissional que exerce a odontopediatria. Em pré-escolares, o “faz de conta” pode ser explorado nos argu- mentos educativos e orientações técnicas no âmbito odontológico atra- 42 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o vés de macromodelos, personagens, estórias, paródias musicais, entre outras abordagens sempre divertidas e criativas. Representações e comparações a eventos simples e objetivos, en- tretanto de caráter familiar pela criança denotam clareza na compreen- são dos conhecimentos que se deseja inserir. Nestes moldes preconizados, a explicação de uma técnica de hi- giene bucal seria primeiramente verbalizada pelo profissional, ele apre- sentaria uma personagem conhecida pela criança (desenho animado, história infantil) ou não conhecida ainda (criados pelo dentista e batiza- dos pela criança), na forma de fantoche ou boneco. Uma estória personalizada sobre os hábitos de higiene e dieta seria narrada de modo “fantástico” e incentivador, enfatizando a importância da limpeza dos dentes, comparando esta atividade a uma sensação de bem-estar e saúde conhecida pela criança, como o banho que é submetida diariamente. A técnica de escovação é demonstrada utilizando macromodelos odontológicos ou fantoches específicos. A seguir, pede-se para a crian- ça repetir os movimentos, perpetuando o conhecimento mental e motor da técnica de higiene de modo atraente e agradável. A fixação da informação se concretizará quando do prosseguimen- to da aplicação da técnica na própria boca da criança, que acompanhará visualmente pelo espelho. Desta forma, o exercício da habilidade motora e responsabilidade pelo hábito poderá ser constatada e avaliada pelo dentista, sendo impres- cindível para o sucesso da assistência profissional ao paciente infantil. Brincadeira e desenvolvimento infantil O conhecimento e desenvolvimento da abordagem lúdica é carac- terística importante para o dentista que exerce odontopediatria. As informações de hábitos e técnicas de higiene bucal, dieta cario- gênica, importância dos dentes, tipos de dentições, troca de dentições, cárie, entre outros temas, devem ser inseridos pelo profissional de modo divertido e com conotação positiva. Psicologia aplicada à odontopediatria - 43 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o A brincadeira pode ser explorada na motivação para o exercício destas informações. De acordo com a faixa etária da criança, atividades como jogos, pinturas, teatros, estórias improvisadas, músicas são interessantes para a fixação de novos hábitos de manutenção de saúde bucal. A brincadeira na sua imensa diversidade de aplicações deve ser inserida nas abordagens do odontopediatra para o aprendizado lúdico e prazeroso, essenciais para o progresso no atendimento infantil. 4 Fase de latência Esta fase abrange a faixa etária escolar (6 a 12 anos). Neste período, a criança frequenta a escola e em seu novo contexto deixa de ser o “centro das atenções” para participar do ambiente social. São características desta fase: ✓ Criança deseja explorar o mundo; ✓ Compara-se aos outros; ✓ A criança dá importância à escola, amigos, atividades recreati- vas e a outros adultos (professores, inspetores); ✓ Ela estabelece diálogos e discussões abstratas; ✓ E gosta de colecionar e competir. O amadurecimento das capacidades motoras, o desenvolvimen- to mais realista do social, a visão mais real do tratamento odontológi- co e a solicitação de explicações para receber atendimento demonstram a maior maturidade e tranquilidade para as manobras de atendimento odontológico. 44 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 5 Fase genital Esta fase abrange o período da ADOLESCÊNCIA (13 a 19 anos). A fase da Puberdade caracteriza-se pelo início da maturidade se- xual, início das responsabilidades do mundo adulto, por mudanças físi- cas e psicológicas. O adolescente busca a identidade própria: autoestima e autoconhecimento. O Perfil desse grupo é o desinteresse (não ouvem o que lhe fa- lam), são sonhadores e “esquecidos”, importam-se demais com a aparên- cia pessoal e roupas, centralizam o EGO, possuem Ídolos e ideologias. Desejam ser adultos com todos os privilégios das crianças (depen- dentes e protegidos). Ao mesmo tempo que sentem medo e solidão, andam em grupos. Relação humana: dentista e criança O comportamento da criança está diretamente ligado à sua relação com o meio e particularmente à mãe. O Odontopediatra deve: ✓ Observar e compreender as reações das crianças; ✓ Estar munido de autoconhecimento e segurança; ✓ Estabelecer um BOM RELACIONAMENTO COM A CRIANÇA para alcançar o equilíbrio entre necessidades da criança e do profissional; ✓ Entender e respeitar a criança; ✓ Ter sensibilidade e percepção do estado emocional e cansaço; ✓ Ter paciência para transformar situações desagradáveis em re- solução positiva; ✓ Compreender as necessidades básicas da criança: Afeição, Aprovação, Autoridade. Psicologia aplicada à odontopediatria - 45 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Conotação positiva na comunicação Se pudéssemos resgatar as mais remotas lembranças de músicas e estórias infantis clássicas, perceberíamos que as mensagens positivas da formação individual geralmente foram construídas a partir dos primeiros sentimentos de medo e nem sempre com conotação positiva e agradável. A maioria das estórias clássicas infantis exibem personagens feios, como bruxas, lobos malvados e monstros terríveis, que causam medo e assustam as personagens bonitas e frágeis como princesas e animaizi- nhos da floresta. Músicas antigas de ninar citam seres assustadores, como “Boi da cara preta” ou a “Cuca” para “pegar” as crianças que se recusarem a dormir. Portanto, a conotação positiva nas mensagens educativas em odon- tologia é essencial para a instalação de um hábito como o de higieniza- ção bucal de maneira agradável e construtiva. A aplicação desta linguagem construtivista positiva na comunicação com o paciente infantil seria, por exemplo, convencê-la a escovar os dentes para ficar com o sorriso brilhante de uma princesa, ou ficar com dentes fortes como os de um super-herói, e NUNCA apenas para evitar dor ou as etapas desagradáveis de um tratamento dentário como a anestesia e uso do motor. O gerenciamento do comportamento através da comunicação é usa- do universalmente em Odontopediatria, tanto nos casos de cooperação dos pacientes como diante da não cooperação, sendo esta a base para a criação de uma relação amigável com a criança, permitindo, assim, um tratamento odontológico com sucesso e a criação de uma atitude positi- va frente a ele (Guidelines for Behavior Management of the American Academy of Pediatric Dentistry, 1999-2000). As afirmações positivas aumentam as oportunidades de êxito no tratamento das crianças. Elas são muito mais efetivas que perguntas ou comentários descuidados. Para ser bem-sucedido com as crianças é pre- ciso prever o sucesso. É importante que a comunicação venha de uma única fonte. Quando tanto o dentista como a auxiliar ficam dando orientações, o resultado 46 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu sivo p ar a al un o pode provocar uma resposta indesejável, simplesmente porque a criança se torna confusa. A mensagem tem de ser entendida da mesma maneira por quem envia e por quem recebe. Ouvir o paciente também é importante no tra- tamento de crianças. Medo e ansiedade É comum que as crianças fiquem assustadas na primeira consulta odontológica, principalmente se adultos ou crianças maiores lhes descreveram sensações desagradáveis pelos sabores ruins ou pela vi- sualização de instrumentos desconhecidos e assustadores como brocas, motores e agulhas. O medo do desconhecido é um dos fatores mais relevantes que contribuem para a ansiedade e pode fazer a criança se sentir ameaça- da, impotente. Uso de E.P.I. e vestimenta branca Trabalhos sobre a ansiedade causada no atendimento odontológico de crianças relatam que o uso da roupa branca e do E.P.I. (Equipamentos de Proteção Individual) pelo profissional não significam um empecilho para o tratamento quando é apresentada gradativamente a estes acessórios. A experiência odontológica em psicologia e abordagem de comu- nicação com conotação positiva favorece uma maior aceitação do E.P.I. pelo paciente infantil. É importante que o Odontopediatra estabeleça sua maneira de abordagem, considerando a individualidade de cada criança. Medo Estado emocional diante do perigo, caracterizado pelo conhecimen- to intelectual do mesmo, provocando somente a sensação psicológica. Psicologia aplicada à odontopediatria - 47 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Medo biológico É um fator biológico de defesa e proteção. Medo natural e necessário. A evolução do medo biológico para o tipo de medo psicológico pode tornar o medo condicionado e o sentimento de Ansiedade evoluir para a patologia Fobia. Medo objetivo Este tipo de medo é ligado a experiências dolorosas, desagradá- veis e cansativas. A experiência profissional pregressa desagradável e consequen- te elaboração da própria criança, associada à interferência da ansie- dade familiar, pode gerar os tipos de medos: OBJETIVO DIRETO ou OBJETIVO INDIRETO. Medo objetivo direto Ocorre quando a experiência anterior dolorosa ou desagradável sofrida pela criança foi através de ações provocadas DURANTE o tra- tamento odontológico. Medo objetivo indireto Oriundo de experiências que ocorreram em ambientes semelhantes ao do consultório odontológico (médico, hospital, farmácia) e há corre- lação com o que passou anteriormente. A criança prevê o que poderá acontecer no tratamento odontológico. Medo subjetivo Ocorre principalmente por informações de adultos ou crianças maiores. A criança ouve falar de experiências desagradáveis vividas por pais, parentes ou amigos no dentista e passa a fantasiar, exagerando o quadro. 48 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Este tipo de medo NÃO é obrigatoriamente ligado à verbalização. O medo subjetivo é mais difícil de ser controlado, pois não temos dados concretos (objetivos) para explicar por que ela tem medo. Quadros clínicos do medo O Perfil da criança com medo é tímido e retraído, agarra-se à mãe. O Dentista deve passar confiança e tranquilidade, mostrar que es- ses acontecimentos (choro, birra) não vão mudar o que temos que fazer (tratamento) e descondicionar o medo pela associação de experiências prazerosas diante de situações traumáticas. Qualidades básicas do profissional que exerce odontopediatria 1) Amar as crianças Ter prazer no seu convívio, alegrar-se por tê-las por perto. 2) Fazer-se gostar pelas crianças Tornar-se amigo e envolver-se facilmente com elas. Ser acei- to com naturalidade. 3) Gostar de tratar de crianças Conseguir satisfação profissional. Descobre-se a vocação e apreciação dos resultados. 4) Conhecimento de odontologia e especificamente em odontopediatria Clínico deve estar sempre atualizado nos conhecimentos específicos; Aperfeiçoar quanto à habilidade manual para diminuir tem- po de trabalho sem perder a qualidade. 5) Conhecimentos de psicologia infantil Entender e avaliar o comportamento da criança para es- tabelecer o tipo de abordagem de relacionamento e de trabalho. Psicologia aplicada à odontopediatria - 49 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 6) Paciência Qualidade imprescindível; Deve ser desenvolvida e aprimorada através do autodomínio. 7) Certa capacidade de persuadir e convencer A criança deve ser convencida da necessidade do que nos propomos a fazer. 8) Intuição e bom senso ✓ Perceber o momento de ser firme ou mais delicado no trato e na voz; ✓ Saber discernir o momento de parar (quando a criança estiver cansada); ✓ Consulta mais rápida (quando a criança não estiver bem); ✓ Perceber abusos, manhas e chantagens emocionais; e ✓ Demonstrar interesse pela criança. 9) Certa expressão de autoridade Desenvolver o tratamento em clima amistoso e de carinho, deixando claro quem é a autoridade naquele momento; Não deixar ser dominado pela criança ou pelos pais. 10) Aptidão para a especialidade A somatória dos fatores descritos anteriormente tornam o profissional apto a trabalhar com crianças. 11) Capacidade de manter diálogos Ajustar a conversa à idade, do nível de interesse ao grau de cultura e sexo. 12) Níveis de diálogo Assuntos e palavras devem ser escolhidos de acordo com a idade e o desenvolvimento mental da criança. 13) Tom de voz Tranquilo e firme. 50 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Atributos básicos do profissional para tratar crianças 1) Aparência profissional O atributo físico essencial é possuir dentes tratados 2) Apresentação física Cabelos, mãos, unhas, roupas com aparência bem cuidada. Uniforme limpo e bem passado. 3) Segurança profissional O profissional seguro transmite tranquilidade, que é capta- da pela criança, que se submeterá facilmente ao tratamento. 4) Habilidade e rapidez Proporciona conforto ao paciente. 5) Ordem e cuidado com o instrumental Evita perda de tempo. Tipos de crianças (Guedes-Pinto, 2006) 1) Criança que coopera Criança que não provoca contrariedades ao tratamento e ao dentista. 2) Criança tímida ou assustada Esconde o rosto atrás da mãe, olha para baixo, não responde quando lhes falam. Difícil de conversar. Pouca cooperação. 3) Criança medrosa O Dentista é um estranho que estimula a aflorar sentimentos de Medos Subjetivo/ Objetivo. Demonstra horror de dentis- ta e ambiente de consultório. 4) Criança mimada A criança choraminga, grita, sapateia e luta para não entrar no consultório; Ela tenta convencer os pais a levá-la para casa, e os pais mos- tram-se “escravos” de seus desejos. Psicologia aplicada à odontopediatria - 51 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 5) Criança teimosa Essas crianças teimam em não permitir o tratamento. Não choram. Não falam muito. 6) Criança rebelde A criança se recusa a entrar no consultório e demonstra ati- tudes de teimosia. 7) Criança agressiva Demostra reações de teimosa, rebeldia, ela chora e grita. Pode desenvolver atitudes de agressão física. 8) Criança com necessidades especiais As reações são diferentes; O fator idade não condiz sempre com o nível intelectual; O profissional deve conhecer antecedentes e causas da ne- cessidade especial e preparar-se para o atendimento. Não deve ter medo e sim cuidados específicos. 9) Criança doente O dentista deve considerar o estado de saúde da criança para realizar o atendimento. Influência dos pais e familiares No que concerne à ansiedade materna, a maioria dos estudos estabelece uma associação significativa com o comportamento cooperador da criança. As mães, além de influenciarem o grau de ansiedade da criança, são capazes de diagnosticar o comportamentoe o nível de ansiedade dos filhos sobre o atendimento odontológico. Os hábitos e conhecimento dos pais sobre saúde bucal parecem influenciar o estado da mesma de seus filhos. A adoção de hábitos comportamentais coerentes na infância come- ça em casa com os pais, principalmente com a mãe, que desempenha um importante papel no estilo de vida relacionado à saúde bucal dos filhos. 52 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Os pais devem ser informados de que seus hábitos de saúde den- tal influenciam a saúde bucal de seus filhos e, consequentemente, sua qualidade de vida. Portanto, é necessário um programa educacional de saúde sólido envolvendo todos os familiares, para fornecer aos pais a orientação ade- quada sobre como manter a saúde bucal de seus filhos, resultando em uma melhor qualidade de vida. ____________________ Referências ALBUQUERQUE, Camila Moraes et al. Principais técnicas de contro- le de comportamento em Odontopediatria. Arq. Odontol., Belo Horizonte, v. 46, n. 2, jun. 2010. Disponível em <http://revodonto.bvsalud.org/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1516-09392010000200008&lng=pt&nrm=iso>. ANDRESEN, Helga. Role play and language development in the preschool years. Culture & Psychology, v. 11, n. 4, p. 387-414, 2005. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1354067X05058577>. BARBIERI, Massimo. Medo de dentista. Scientific American: mente e eére- bro: psicologia, psicanálise, neurociência. jul., 2011. Disponível em: <http:// www2.uol.com.br/vivermente/artigos/medo_de_dentista.html>. BRANCO, Angela Uchoa. 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Psicologia aplicada à odontopediatria - 53 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o GUEDES-PINTO, A. C.; ISSÁO, M. Manual de odontopediatria. 12. ed. São Paulo: Santos, 2012. GUEDES-PINTO, A. C. Odontopediatria. São Paulo: Santos, 2006. aGUIDELINES FOR BEHAVIOR MANAGEMENT OF THE AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRIC DENTISTRY, 1999-2000. JOU, Graciela Inchausti de; SPERB, Tania Mara. Teoria da mente: diferentes abordagens. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre, v. 12, n. 2, p. 287-306, 1999. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79721999000200004>. KLATCHOIAN, D.A. Psicologia odontopediátrica. São Paulo: Sarvier; 2002. LEMOS Bárbara et al. A dor no paciente pediátrico. Acta Pediatr Port, v. 42, n. 3, p. 123-8, 2011. Disponível em: <http://actapediatrica.spp.pt/article/ viewFile/4233/3137>. LITT, M. D.; NYE, C.; SHAFER, D. Coping with oral surgery by self-effica- cy enhancement and perceptions of control. J Dent Res, v. 72, n. 8, p. 1237-43, Aug. 1993. 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Anamnese e exame clínico - 55 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 4 Anamnese e exame clínico Sandra Kalil Bussadori Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Carolina Carvalho Bortoletto Anamnese A anamnese é uma entrevista realizada pelo profissional de saúde ao seu paciente ou responsável, é o momento em que se conhece me- lhor o paciente. Nessa entrevista é feito um levantamento sobre a saú- de geral do paciente, bem como sua saúde bucal, aspectos psicológicos e hábitos diários desse paciente. Além de ser um documento integrante do prontuário do paciente, é fundamental para o sucesso do tratamento, pois é através da anamnese que conhecemos o paciente e, a partir disso, é possível realizar um plano de tratamento direcionado às característi- cas e necessidades do indivíduo. Deve ser conduzida de maneira lógica e deverá ser atualizada frequentemente. Durante a anamnese é importante a obtenção de informações bá- sicas relacionada aos dados pessoais, queixa principal, história médica, história odontológica, hábitos e perfil psicológico do paciente. Dados pessoais Deve conter algumas informações sobre o paciente e sobre os res- ponsáveis, como por exemplo: ✓ Nome; ✓ Data de nascimento; 56 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ✓ Endereço; ✓ Contatos (telefone, celular, email); ✓ Nome e documento dos responsáveis; ✓ Nome e telefone do médico pediatra. Queixa principal Deve ser relatado o motivo da consulta, assim como o maior nú- mero de informações sobrea queixa. História médica A história médica deverá englobar a saúde geral do paciente, pre- sente e passada, assim como o uso de medicamentos e tratamentos em andamento. As perguntas realizadas deverão ser realizadas de maneira clara e objetiva, abrangendo aspectos do indivíduo relacionados como alterações no sistema nervoso, cardiovascular, endócrino, respiratório, alterações de coagulação, alergias, entre outros. Qualquer alteração de- verá ser relatada e, quando necessário, mais profundamente avaliada. Durante a avaliação da história médica, é importante o levantamento da história gestacional e também de antecedentes familiares. História odontológica Deverá abordar informações sobre tratamentos prévios, caracte- rísticas de desenvolvimento e alterações dentais, estratégias preventivas adotadas anteriormente. Hábitos Durante a anamnese é importante a obtenção de informações so- bre os hábitos diários dessa criança, como por exemplo: ✓ Hábitos de higiene – número de escovações diárias, qual den- tifrício utilizado, se faz uso de fio dental, etc; Anamnese e exame clínico - 57 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ✓ Hábitos alimentares – frequência de ingestão de alimentos ca- riogênicos. Para se ter uma informação mais detalhada sobre a dieta do paciente é importante a utilização de um diário ali- mentar, que deverá ser entregue aos responsáveis e esses de- verão anotar tudo que o paciente ingerir num período de três dias (Figura 11). ✓ Hábitos deletérios – uso de chupeta, mamadeira, onicofagia, bruxismo, entre outros. Perfil psicológico Também é importante a coleta de informações sobre as caracterís- ticas psicológicas desse paciente, com informações sobre o comporta- mento dessa criança no consultório, relacionamento da criança com os pais e dos pais entre si, comportamento no ambiente escolar, etc. Após a coleta de maior número de informações úteis e possíveis sobre o paciente, a anamnese deverá ser datada e assinada pelo respon- sável, atestando a veracidade das informações transmitidas, e então o profissional deverá proceder ao exame clínico do paciente, sendo esse dividido em exame extrabucal e exame intrabucal. Exame clínico Exame extrabucal O profissional deverá observar a criança como um todo, avalian- do a postura, o modo de andar, de falar, de interagir com as pessoas e qualquer alteração deverá ser anotada e investigada; além disso, o exa- me extrabucal deve envolver a avaliação da musculatura mastigatória, da articulação temporomandibular, simetria facial, movimentos mandi- bulares, entre outras características. 58 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Exame intrabucal Dividido em avaliação dos tecidos moles e avaliação dental. Durante a avaliação dos tecidos moles, o profissional deverá ob- servar os lábios, bochechas, língual, orofaringe, freio labial, freio lin- gual, entre outras, e qualquer alteração deverá ser descrita e avaliada. É também nesse momento que o profissional avalia a condição de higiene bucal do paciente, observando o acúmulo de biofilme e a condição do tecido gengival e periodontal. A avaliação da condição dental deverá ser realizada após a reali- zação de profilaxia profissional. ✓ Para que o exame dental seja realizado de maneira prática e eficiente é indicado que se adote a representação gráfica, na forma de odontograma (Figura 11) e que o exame clínico seja realizado de forma padronizada, iniciando-se pelo dente mais posterior do lado superior direito seguindo-se a sequência até atingir o último dente superior do lado esquerdo, e para a ava- liação do arco inferior deve-se iniciar-se pelo dente posterior do lado esquerdo, seguindo a sequência até o dente mais pos- terior do lado direito. O exame dental deverá ser realizado com os dentes secos e com o auxílio do refletor, deve-se observar a presença de alterações de for- mação da estrutura dental, presença de lesões de cárie ativas e inativas, condição das restaurações presentes, desgastes irregulares, assim como a avaliação da oclusão. Após a realização do exame físico, em alguns casos se faz necessá- rio a utilização de exames complementares para a realização de correto diagnóstico e planejamento do caso. Dentre os exames complementa- res podemos citar: Anamnese e exame clínico - 59 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ✓ Exames radiográficos; ✓ Tomografias; ✓ Exames laboratoriais; ✓ Confecção de modelos de estudo, entre outros. Com o diagnóstico estabelecido, o plano de tratamento deverá ser proposto aos responsáveis e o consentimento para execução dos proce- dimentos deverá ser datado e assinado pelo responsável. Tabela 1 – Modelo de diário alimentar Diário alimentar Primeiro dia Segundo dia Terceiro dia Manhã Tarde Noite Fonte: Os autores Figura 11 – Modelo de odontograma utilizado na Clínica Odontológica Infantil da Universidade Nove de Julho. Fonte: Os autores U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 60 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Referência GUEDES-PINTO, A.C. MYAKI ISSÁO, E. Manual de odontopediatria. 11. ed. São Paulo: Santos. 2006. Técnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria - 61 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 5 Técnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria Lara Jansiski Motta Marcelo Mendes Pinto Camila Haddad Leal de Godoy Olga Maria Altavista Sandra Kalil Bussadori O exame radiográfico é um exame complementar fundamental para o correto diagnóstico, planejamento e tratamento odontológico na clínica infantil. Além de auxiliar no diagnóstico das diferentes doenças bucais, as imagens radiográficas permitem prever problemas futuros de oclusão, avaliar e acompanhar o desenvolvimento da dentição perma- nente, acompanhar a rizólise da dentição decídua e também realizar a proservação de tratamentos realizados. No entanto, este exame deve ser sempre avaliado com os dados do exame clínico e da anamnese. Por se tratar de um recurso que utiliza radiação ionizante para a produção de imagens, é necessário que o profissional fique atento aos procedimentos de proteção às radiações. As crianças são mais suscetí- veis aos efeitos das radiações X, pois os efeitos são maiores nas célu- las mais jovens e menos diferenciadas e que estão em fase de grande atividade reprodutora. Para minimizar qualquer risco alguns cuidados devem ser tomados ao realizar o exame radiográfico, além da calibra- ção do aparelho de raios-X: uso de proteção de tireoide, uso de aven- tal de chumbo (Figura 12), realização de técnicas adequadas para evitar repetições e realizar tomadas radiográficas somente das regiões consi- deradas necessárias após exame clínico e anamnese, evitando assim ex- posição desnecessária. 62 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Tecnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria Os exames radiográficos complementares mais utilizados em odonto- pediatria são os exames intrabucais periapicais, oclusais e interpreoximais; e os exames extrabucais por meio das radiografias panorâmicas e telerra- diografias. Neste capítulo abordaremos as técnicas intrabucais realizadas com mais frequência no dia a dia pelo clínico, a periapical e a interproximal. Técnica Radiográfica Periapical As radiografias periapicais são indicadas para visualizar os dentes e as estruturas adjacentes e aplicadas nas seguintes situações: • Estudar as relações anatômicas entre a dentiçãodecídua e per- manente e a cronologia de irrompimento dos elementos dentais. • Pesquisa e diagnóstico de lesões de cárie e profundidade da lesão. • Detectar alterações pulpares. • Pesquisar anomalias dentárias, reabsorções radiculares internas e externas, lesões periapicais ou na região de bi ou trifurcação, dentes inclusos e alterações ósseas. Figura 12 – Avental de chumbo para proteção da radiação. Fonte: Foto dos autores Técnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria - 63 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o • Planejamento e tratamento endodôntico. • Proservação de tratamentos realizados. Para realizar a tomada radiográfica periapical em crianças, o pro- fissional pode utilizar a técnica da bissetriz ou do paralelismo. Além das técnicas, para este exame o clínico pode lançar mão de dois tamanhos de filmes radiográficos: o filme periapical adulto (31 x 41 mm) e o filme infantil (22 x 35 mm) (Figura 13). O tamanho do filme deverá ser deter- minado conforme o tamanho da cavidade bucal da criança, da técnica a ser realizada e da região a ser avaliada. Deve ser o maior possível para adaptação na boca da criança e visualização de maior área radiografada. Em alguns casos, dependendo do tamanho da criança e eventuais limi- tações, algumas adaptações podem ser realizadas nos filmes e nas téc- nicas. Estas adaptações serão apresentadas neste capítulo, mais adiante. Figura 13 – Filmes periapicais para radiografias intrabucais utilizados em Odontopediatria. Fonte: Foto dos autores Método da Bissetriz O método da bissetriz para o exame radiográfico periapical segue os mesmos princípios da realização da técnica no adulto. Este método produz uma imagem a partir da incidência do feixe central de raios-X 64 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o perpendicularmente ao plano virtual bissetor formado pelo ângulo entre o longo eixo do dente e o filme radiográfico posicionado. Nesta técnica o filme é mantido em posição pelo próprio paciente. Na arcada superior com o polegar da mão oposta ao lado a ser radiografado e na arcada in- ferior com o dedo indicador da mão oposta ao lado a ser radiografado (Figura 14). Em algumas situações, a criança não apresenta maturida- de para manter o filme em posição, nestes casos o responsável pode au- xiliar. Sempre que o acompanhante estiver auxiliando na realização do exame radiográfico, este deverá receber a proteção à radiação, como o avental de chumbo, da mesma maneira que a criança. Para a correta realização da técnica da bissetriz, a posição do pa- ciente e a incidência do feixe de raio-X são extremamente importantes. A posição da cabeça deve apresentar o plano sagital mediano perpen- dicular ao plano horizontal; a linha trágus-asa do nariz paralela ao solo para radiografias da maxila e trágus-comissura labial para a mandíbula. A posição do filme segue o longo eixo do filme perpendicular ao plano horizontal para dentes anteriores, e, para os molares, o longo eixo para- lelo ao plano horizontal. Figura 14 – Manutenção do filme periapical na técnica da bissetriz. Fonte: Foto dos autores Método do Paralelismo Para a realização da técnica do paralelismo, o filme ficará posicio- nado paralelamente ao longo eixo do dente e os feixes de raios-X devem incidir perpendicularmente ao filme e ao longo eixo do elemento dental. Técnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria - 65 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Neste método, para a tomada radiográfica periapical são utilizados dis- positivos para manutenção do filme em posição, denominados posiciona- dores radiográficos. Os posicionadores, além de manter o filme paralelo na posição ideal para a incidência, possuem um anel para direciona- mento da distância e local de incidência do cone do aparelho de raios-X (Figuras 15 e 16). Esta técnica apresenta como vantagens a simplicida- de de execução e menor distorção da imagem radiográfica. Na odonto- pediatria, a desvantagem apresentada pelo uso dos posicionadores está na dificuldade em adaptar o dispositivo na boca de crianças pequenas. Em alguns casos, como mencionado anteriormente, o profissional pode se deparar com dificuldades para realização da técnica e adapta- ção do filme radiográfico na posição ideal. Crianças menores de 6 anos podem apresentar falta de maturidade motora para manter o filme em Figura 15 – Posicionadores utilizados para radiografia periapical do paralelismo. Fonte: Foto dos autores Figura 16 – Utilização do posicionador radiográfico para a tomada radiográfica periapical infantil. Fonte: Foto dos autores 66 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o posição com a pressão digital. Em casos de limitações como essas, é possível realizar adaptações para posicionamento do filme radiográfico. As modificações consistem em utilizar um filme periapical adulto adaptado ao tamanho da boca da criança e à região a ser radiografada. Para a região anterior superior e inferior, será realizada uma única tomada radiográfica para visualização de canino a canino. O filme peria- pical é posicionado com o maior longo eixo entre as comissuras labiais, e mantidos em posição com os dentes em oclusão (Figura 17). Para os superiores os raios-X incidem na ponta do nariz. Nos inferiores os raios incidem sobre o mento. A adaptação para a tomada radiográfica nos dentes posteriores (molares decíduos) superiores e inferiores pode ser realizada da seguin- te maneira: dobrar o filme periapical adulto no terço superior, forman- do um L. No ângulo reto formado, com fita adesiva, adaptar um rolete de algodão para servir de apoio para a oclusão (Figura 18). Posicionar o filme na região a ser radiografada. O filme será mantido em posição pela oclusão do paciente (Figura 19). A incidência dos feixes de raios- -X deverá seguir o princípio da técnica da bissetriz. Figura 17 – Representação do posicionamento do filme periapical na adaptação da técnica radiográfica para dentes anteriores. Fonte: Foto dos autores Técnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria - 67 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 18 – Adaptação do filme periapical adulto para tomada radiográfica para molares decíduos. Fonte: Foto dos autores Figura 19 – Representação do posicionamento do filme periapical adaptado para tomada radiográfica de molares decíduos. Fonte: Foto dos autores Técnica Radiográfica Interproximal A técnica radiográfica interproximal é utilizada para pesquisa de cárie proximal e oclusal; estudo da relação entre a proximidade da le- são de cárie com a câmara pulpar; avaliação do contorno das restaura- ções; estudo da crista alveolar e pesquisa de desmineralização em sulcos escurecidos. 68 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Essa tomada radiográfica também é conhecida como bite-wing, pois, para a realização, utiliza-se uma asa de mordida para manuten- ção do filme em posição ou o posicionador apropriado para este méto- do (Figura 20). Figura 20 – Dispositivos para tomada radiográfica interproximal. Fonte: Foto dos autores Para execução da técnica interproximal, o paciente deve estar com a cabeça posicionada da seguinte maneira: linha trágus-comissura labial paralela ao plano horizontal e o plano sagital mediano do paciente per- pendicular ao solo. Para a incidência do feixe de raios-X a angulação vertical deverá estar entre +8º e +10º e a horizontal paralela às faces pro- ximais dos dentes que serão avaliados radiograficamente (Figura 21). Técnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria- 69 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 21 – Tomada radiográfica interproximal. Fonte: Foto dos autores Recomendações para tomadas radiográficas em crianças • Familiarizar a criança com o aparelho radiográfico, com o fil- me e o posicionador; • Apresentar e colocar o avental de chumbo; • Selecionar o filme compatível com a cavidade bucal; • Regular a angulação e o tempo de exposição; • Deixar a colocação do filme na cavidade bucal por último; • Realizar as radiografias anteriores primeiro (pela facilidade). ____________________ Referências GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. ISSÁO, Myaki (in memoriam). Manual de odontopediatria. 12. ed. São Paulo: Santos, 2013. GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. Odontopediatria. São Paulo: Santos, 2009. 70 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 6 Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas Sandra Kalil Bussadori Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Eugênio Garcia Introdução O uso da anestesia local em odontopediatria é uma técnica bas- tante utilizada tanto para poder executar procedimentos restauradores e cirúrgicos quanto para o alívio e controle da dor. No entanto, este simples procedimento pode desencadear mais ansiedade e dor, e inclusive, dar origem a experiências traumáticas que afetarão o comportamento do paciente nas próximas consultas odontoló- gicas ao longo da vida. Estudos mostram que a ansiedade provocada pelo procedimento anestésico em crianças reproduz as mesmas características nos pacientes, independentemente do tempo de experiência clínica dos diferentes profissionais. O objetivo deste guia é auxiliar quanto à tomada de decisão ao que ser refere à utilização da anestesia local para controlar a dor durante a prestação de cuidados de saúde oral em odontopediatria. Definição e propriedades dos anestésicos locais A anestesia local é a perda temporária de sensibilidade ou dor em uma parte do corpo, produzida por um agente aplicado topicamente ou injetado sem diminuir o nível de consciência. Os anestésicos locais criam uma barreira química entre a origem da dor e o cérebro, interferindo na capacidade de um nervo de transmi- tir sinais elétricos ou potenciais de ação bloqueando os canais de sódio. O único local em que as moléculas de anestésicos locais têm acesso à membrana nervosa é nos nódulos de Ranvier, onde estes canais estão em Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas - 71 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o abundância (a interrupção de sinal nervoso em fibras mielinizadas deve ocorrer em três nódulos consecutivos). Protocolo prévio da administração dos anestésicos locais – Antes da administração de qualquer fármaco em um paciente, o cirurgião dentista deve avaliar a saúde do paciente para determinar se este pode tolerar o medicamento e minimizar as possíveis complicações resultantes da administração da droga. A ficha de anamnese deve ser completada focando nos tópicos relacionados à: alergia, doenças cardíacas, tratamento medicamentoso sistêmico. – Orientar a família na preparação pré-operatória e na motivação do paciente. Evitar falar a respeito de dor ou danos provocados pelas agulhas e/ou injeções colabora no controle da ansiedade e no controle do medo. Palavras simples devem ser empregadas na comunicação profissional- paciente de forma tranquilizadora para controlar a ansiedade. Os anestésicos injetáveis podem ser divididos em dois grandes grupos: ésteres (benzocaína e procaína) e amida (articaína, bupivacaí- na, lidocaína, prilocaína e mepivacaína). Os agentes anestésicos são va- sodilatadores, e seu efeito sistêmico tóxico pode suceder eventualmente caso haja excesso na dose ou aplicação diretamente num vaso sanguíneo. Para contrarrestar o efeito vasodilatador, vasoconstritores são usa- dos para ajudar a prolongar o efeito anestésico no local de aplicação, reduzir a absorção sistêmica, reduzir a toxicidade, e proporcionar um campo ausente de sangue durante procedimentos cirúrgicos. O uso do vasoconstritor permite que a dose máxima total do agente anestésico deve ser aumentada em cerca de 40% (tabela 1). 72 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Tabela 1 – Duração do efeito dos anestésicos locais injetáveis (em minutos) Anestésico Infiltrativa Bloqueio mandibular Tecido pulpar Tecidos moles Tecido pulpar Tecidos moles Lidocaína 2% sem vasoconstritor 2% 1:50.000 epinefrina 2% 1:100.000 epinefrina 5 60 60 60 170 170 10-20 85 85 120 190 190 Mepivacaína 3% sem vasoconstritor 3% 1:100.000 epinefrina 3% 1:20.000 levonordefrina 25 60 50 90 170 130 40 85 75 165 190 185 Articaína 4% 1:100.000 epinefrina 4% 1:200.000 epinefrina 60 45 180 120 90 60 230 180 Prilocaína 3% felipresina 0,03 UI 60 180 90 300 Bupivacaína 0,5% epinefrina 1:200.000 90 240 180 540 Fonte: Associação Americana de Odontopediatria Outra diferença entre os agentes anestésicos injetáveis são as do- ses máximas recomendadas. Isto é extremamente relevante em odonto- logia pediátrica, onde há uma grande variação de peso entre os pacientes e, portanto, nem todos os pacientes devem receber quantidades iguais de anestésico local para o mesmo procedimento. Para o cálculo deve ser considerado o peso do paciente, a concentração do sal anestésico, a concentração do vasoconstritor e as doses máximas de cada um deles. Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas - 73 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Tabela 2 – Dosagem máxima recomendada para anestésicos locais Anestésico (sem vasoconstritor) Dosagem máxima (mg/kg) Dosagem máxima total mg/1,8 mL tubete Lidocaína 2% 4,4 300 mg 34 mg Mepivacaína 3% 4,4 300 mg 54 mg Articaína 4% 7 (adultos) 5 (crianças) 500 mg 300 mg 72 mg Prilocaína 3% 6 400 mg 54 mg Bupivacaína 0,5% 1,3 90 mg 9 mg Fonte: Associação Americana de Odontopediatria Por exemplo, para calcular a quantidade máxima de lidocaína a 2% e o número de tubetes que podem ser administrados com segurança a um paciente de 30 kg, devemos realizar o seguinte cálculo: 1) Dosagem máxima: 4,4 x 30 = 132 mg 2) Concentração do tubete 2% (1,8 mL) = 20 mg/mL x 1,8 mL = 36 mg 3) Número total máximo de tubetes = 132 ÷ 36 = 3,7 tubetes Assim, para uma criança de 30 kg pode-se administrar com segu- rança 3,6 tubetes de lidocaína a 2% com adrenalina 1: 100.000. 74 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Técnicas para anestesia local em odontopediatria Protocolo de administração – Posicionar o paciente na cadeira de modo que o mesmo fique confortável e previna situações como síncope causada pela ansiedade. – Previamente à aplicação do anestésico tópico é necessário limpar e manter seca a região. – A temperatura da solução anestésica deve estar próxima da temperatura corporal para evitar desconforto durante a aplicação. – A estabilização da cabeça e do corpo do paciente deve ser avaliada segundo o grau de ansiedade e necessidade de controle dos movimentos para evitar acidentes. – A falta de sensibilidade provocada pelo anestésico pode provocar a sensação de “perda” da região afetada, levando a criança a sentir medo. Usar um espelho de mão para mostrar que a região se encontra normal. Anestesia tópica A aplicação de um anestésico tópico (eficaz em 2-3 mm de pro- fundidade) pode ajudar a minimizar o desconforto causado durante a inserção da agulha. Entre os anestésicostópicos, a benzocaína e a li- docaína são os mais utilizados, estando disponíveis em concentrações de até 20% e podem vir nas formas líquida, pulverização e gel. Em to- dos os casos é preciso controlar a quantidade administrada para evitar atingir vias faríngeas. As propriedades farmacológicas do agente tópi- co devem ser compreendidas e consideradas no cálculo da quantidade total de anestésico administrada. Especial atenção deve ser dada a pa- cientes menores de 2 anos, os quais podem desenvolver metaemoglo- binemia (Figura 22). Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas - 75 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 22 – Material básico usado em técnicas anestésicas odontológicas: seringa carpule, tubete com anestésico, agulha para seringa carpule, anestésico tópico, haste flexível para aplicação do anestésico tópico. Fonte: Os autores Técnica básica de injeção – Na técnica infiltrativa, os tecidos vestibulares devem ser afastados e estendidos para facilitar a inserção da agulha o mais próximo do ápice do dente. – Introduzir 1-2 mm do extremo da agulha com o bisel orientado para o osso (evitar o periósteo) (Figura 23). – Administrar aproximadamente ¼ do cartucho de anestésico à medida que vá se introduzindo a agulha. – Confirmar a aspiração negativa caso necessário. – Introduzir o resto do agente anestésico. – Caso haja necessidade de anestesiar o dente vizinho, remover a agulha parcialmente, mudar sua inclinação e depositar parte do anestésico. – Acompanhar os sinais nos primeiros minutos (3-5 min). NUNCA SE AFASTAR DO PACIENTE NESTA ETAPA. – Contraindicação: inflamação ou infecção na área a ser anestesiada. 76 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 23 – Bisel da agulha orientada para o osso. Fonte: Foto do autor Técnicas anestésicas mandibulares Anestesia infiltrativa dos incisivos mandibulares Indicada para complementar o bloqueio alveolar inferior em casos onde haja necessidade do tratamento do quadrante (dentes anteriores e pos- teriores da mesma hemiarcada); para remoção de tecido cariado superficial ou exodontia de dentes decíduos parcialmente esfoliados. Para anestesiar as fibras nervosas que atravessam a linha media para o quadrante contra- lateral, a agulha deve ser inserida de forma diagonal em direção dos ápi- ces desde o quadrante a ser tratado previamente anestesiado (Figura 24). Anestesia infiltrativa dos molares mandibulares Ideal para procedimentos restauradores nos primeiros molares decíduos. Caso haja necessidade de instalar o grampo para isolamento absoluto pode ser complementada com a técnica através da papila gen- gival vestibular previamente anestesiada. Ao evitar a anestesia da lín- gua, esta técnica também é aconselhada para restaurações mandibulares bilaterais (Figura 24). Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas - 77 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 24 – Anestesia infiltrativa na mandíbula. A) Sítio da punção no fundo do sulco vestibular. B) Região atingida para setor anterior (rosa) e posterior (verde). Fonte: Foto do autor Bloqueio do nervo alveolar inferior, bucal e lingual (regional pterigomandibular) Ideal para pré-molares e molares (decíduos e permanentes). É preciso conhecer e identificar estruturas anatômicas que servirão como referência. Preferencialmente é utilizada a técnica direta, onde a serin- ga está posicionada entre o canino e o primeiro molar decíduo do lado oposto a anestesiar, ligeiramente inclinada para baixo (língula mandi- bular em crianças localizada abaixo do plano oclusal), usando o espaço retromolar como ponto de punção. O dedo indicador (ou polegar) deve deslizar-se sobre as superfícies oclusais até apalpar a linha obliqua ex- terna. A metade da unha pode servir como referência da altura da pun- ção. Introduzir a agulha cerca de 4 mm depositando aproximadamente 1/3 do tubo anestésico para anestesiar o nervo lingual. Introduzir a agu- lha mais 4 mm e depositar o restante do anestésico para atingir o nervo dentário inferior (Figura 25). 78 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 25 – Vista lateral (a) e superior (b) da técnica anestésica regional pterigomandibular. Fonte: Foto do autor Para atingir o nervo bucal, depositar algumas gotas do anestési- co na submucosa do trígono retromolar com a seringa paralela ao plano oclusal penetrando 1-4 mm com a agulha. (Figura 26). Figura 26 – Sítio de punção para o nervo bucal. Fonte: Foto do autor Os sinais e sintomas de um bloqueio alveolar inferior são os seguin- tes: formigamento e dormência do lábio inferior (no entanto, não é uma indicação da profundidade de anestesia); formigamento e dormência da língua; ausência de dor durante o tratamento odontológico (Figura 27). Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas - 79 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 27 – Regiões inervadas por cada ramificação do Nervo Dentário Inferior. Fonte: Foto do autor Técnicas anestésicas maxilares Anestesia infiltrativa dos incisivos e caninos (decíduos e permanentes) maxilares A técnica básica é similar a descritas anteriormente. Particularmente orientar a agulha paralela ao longo eixo dos dentes. A região nasolabial é muito sensível, portanto controlar ao máximo a técnica anestésica para não gerar desconforto (Figura 28). Figura 28 – Sítio de punção para anestesia infiltrativa no maxilar superior (a). Regiões inervadas pelo ramo alveolar anterior (verde), médio (amarelo) e posterior (azul). Fonte: Foto do autor 80 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Anestesia infiltrativa dos molares (e pré-molares) Esta técnica serve para anestesiar molares decíduos, pré-molares e raízes mesio-vestibulares do primeiro molar permanente. Orientar a agulha paralela ao longo eixo dos dentes. Está contraindicada em caso de infecção ou inflamação desta região (Figura 29). Se não for efetiva ou por presença de infecção, pode ser comple- mentada com o bloqueio do nervo alveolar superior: A área de inserção é a altura do sulco vestibular para acima e distal à raiz disto-vestibu- lar do último molar presente na arcada dentária. Avançar com a agulha lentamente no sentido: superior num ângulo de 45 graus em relação ao plano oclusal; medialmente (para dentro) em direção à linha média em um ângulo de 45 graus em relação ao plano oclusal; e posteriormente a um ângulo de 45 graus em relação ao eixo longitudinal do molar a uma profundidade de 10-14 mm (Figura 29). Figura 29 – Técnica para bloqueio do nervo alveolar superior. Vista frontal (a) e lateral (b). Fonte: Foto do autor Anestesia infiltrativa da mucosa palatina Talvez mais traumática e dolorosa que a anestesia da mucosa vesti- bular da região nasolabial devido às características fibrosas desta mucosa e a forte aderência com o tecido ósseo subjacente que impede a expansão do tecido mole para injeção do liquido anestésico. Provoca anestesia das terminações nervosas dos nervos nasopalatino e palatino maior. É indi- cado para anestesiar a mucosa palatina local em casos onde seja necessá- Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas - 81 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ria hemostase após cirurgia ou inserção de bandas matrizes ou grampos subgengivalmente. A técnica deve ser complementada com compressão da área de inserção da agulha para gerar isquemia e assim a dessensibili- zação prévia. A punção deveser feita a 45 graus, seguindo as mesmas in- dicações das técnicas anteriores. Usar preferentemente agulhas curtas e de médio calibre (27 G) e injetar o anestésico lentamente e sem pressão. Bloqueio regional do nervo nasopalatino Indicado para procedimentos periodontais e cirúrgicos no palato duro, ou em procedimentos restauradores em vários dentes da região onde é primordial abordar a mucosa gengival palatina (ex: posicionamento de bandas matrizes ou grampos). A injeção do agente anestésico no forame palatino provoca a anestesia da região palatina dos seis dentes anteriores. Provocar isquemia na papila incisiva por compressão, inserir a agulha ao lado da papila e paralela ao longo eixo dos incisivos, aproxi- madamente 4 mm no forame e prévia aspiração. Injetar cerca de ¼ do tubete (Figura 30). Figura 30 – Área de inervação do Nervo nasopalatino (a), e sítio de punção para bloqueio anestésico (b). Fonte: Foto do autor Bloqueio regional do nervo palatino maior Possui a mesma indicação da técnica anterior, mas para procedi- mentos a serem executados nos elementos dentários da região posterior (pré-molares e molares). Localizar o forame palatino maior e provocar 82 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o isquemia por compressão (30 segundos). A punção deve ser mesialmen- te ao forame com a agulha em 90 graus ao longo eixo dos dentes, dire- cionada desde o lado oposto (Figura 31). Figura 31 – Área de inervação do Nervo palatino maior (a), e sítio de punção para bloqueio anestésico (b). Fonte: Foto do autor Técnicas alternativas para aplicação de anestesia local Técnicas alternativas (ex.: transpapilar, intraperiodontal, intrapul- pares) podem ser consideradas para minimizar a dose de anestésico uti- lizado, melhorar o conforto do paciente, e/ou melhorar a efetividade da técnica de anestesia (Figura 32). Figura 32 – Técnicas alternativas: transpapilar (a-b), e intraperiodontal (c). Fonte: Foto do autor Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas - 83 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Complicações das técnicas de anestesia local Toxicidade do anestésico Erros na técnica de injeção (intravascular ou por quantidade) po- dem desencadear efeitos tóxicos nas crianças mais comumente devido ao seu menor peso corporal. Nos minutos imediatos à administração dos anestésicos é inevitável acompanhar o paciente caso apareçam sinais do sistema nervoso central e/ou cardiorrespiratórios típicos de intoxicação por anestésicos. Reações alérgicas Diante da suspeita de hipersensibilidade durante a anamnese, o pa- ciente deve ser encaminhado ao especialista. Sinais e sintomas típicos de processos alérgicos devem ser imedia- tamente identificados. Dentre suas reações podem ser observadas reações cutâneas ou até mesmo choque anafilático nos casos graves. Dependendo da urgência indica-se a administração de epinefrina e corticosteróides. Parestesia Parestesia é a persistência dos sintomas anestésicos além do tem- po esperado. Pode ser causado por dano mecânico com a agulha duran- te a injeção ou por hemorragias nas proximidades ao nervo. O paciente e a família devem ser orientados e acompanhados durante o tempo que dure esta reação (até 8 semanas). Danos aos tecidos moles circundantes (úlcera traumática) Após procedimento anestésico orientar ao paciente e à família so- bre os cuidados para evitar lacerações dos tecidos orais por mordidas autoinduzidas. Sugerir evitar alimentação ou ingestão de líquidos ime- 84 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o diatamente após o procedimento anestésico para evitar este tipo de aci- dente. Preferencialmente optar por anestésicos de curta duração. Fratura da agulha O condicionamento do paciente e o uso de materiais e técnicas adequadas favorece a prevenção deste tipo de acidente. Dicas e recomendações Anestesia e gestação O uso de anestésicos locais durante a gravidez, pós-parto e ama- mentação devem ser devidamente gerenciados. Apesar do uso de anesté- sicos locais durante a gravidez (e amamentação) ser considerado seguro, deve-se evitar o uso de vasoconstritores (a duração do efeito anestésico pode ser alterada) e prilocaína e articaína (metaemoglobinemia). A li- docaína é considerada a mais segura inclusive durante a amamentação. Injeção de anestésico em zonas com infecção e/ou inflamação Zonas de infecção retardam ou impedem o aparecimento do efeito anestésico por diminuição do pH extracelular do tecido a partir do seu valor normal (7,4 a 5-6) ou inferior. A inserção de uma agulha em um sítio ativo da infecção também pode levar a uma possível propagação da infecção. Sistemas alternativos para aplicação de anestesia local Com o intuito de reduzir a dor e controlar a ansiedade durante a técnica anestésica existem alguns dispositivos que oferecem uma alter- nativa à técnica anestésica comum com seringa/agulha: • Injeção assistida por computador: comercialmente conhecido como The Wand (Milestone Scientific, Livingston, NJ, EUA), Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas - 85 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o é um sistema que aplica o agente anestésico usando agulha com pressão, velocidade e volume controlado eletronicamente. • Dispositivo sem agulha: o sistema Comfort-in™ administra o agente anestésico local de forma subcutânea sob pressão dosa- da através de um micro orifício (0,15 mm), preservando o teci- do em uma fração de segundo. Agradecimentos Ao Laboratório de Anatomia da UNINOVE, pelo empréstimo do crânio sintético para ilustração deste capítulo. ____________________ Referências GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. ISSÁO, Myaki (in memoriam). Manual de odontopediatria. 12. ed. São Paulo: Santos, 2013. MALAMED, Stanley F. Handbook of local anesthesia. 6th ed. St Louis, Mo: Mosby, 2013. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRIC DENTISTRY. Guideline use of local anesthesia for pediatric dental patients. Pediatr Dent. v. 37, n. 5, p. 197- 203, Sept./Oct. 2015. 86 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 7 Terapêutica medicamentosa em odontopediatria Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Sandra Kalil Bussadori Compreender a aplicação e o uso dos medicamentos na Odontopediatria é necessário não apenas para o profissional especialis- ta, mas também para o Cirurgião Dentista generalista. O conhecimento e a capacitação do cirurgião dentista na prescrição de uma terapêutica medicamentosa adequada para crianças dependem do entendimento de alguns fatores, como: o uso de formas líquidas, concentrações dos fár- macos e cálculo de doses terapêuticas individuais do analgésico, do an- tinflamatório e do antimicrobiano oral. O paciente infantil, diferentemente do paciente adulto, é conside- rado um paciente que requer cuidados adicionais por apresentar diferen- ças em relação ao adulto. Na terapêutica medicamentosa, esses cuidados também deverão ser observados para que, no dia a dia profissional, di- minuam as chances de intercorrência pelo uso dos medicamentos. Esse capítulo irá abordar didaticamente pontos importantes na tera- pêutica medicamentosa indicada na Odontopediatria. De forma semelhan- te a um manual, serão vistos pontos importantes como: as características do paciente infantil, anamnese, uso de diferentes formas farmacêuticas, aplicações dos medicamentos em função do grau de complexidade do tratamento, cálculo de dose pediátrica e exemplos clínicos. Importância da anamnese Os recursos anamnéticos aplicados em Odontopediatriasão vistos em capítulo específico nesse manual, mas faz-se necessária uma breve inserção de comentários sobre o tema voltado para terapêutica medica- mentosa em criança. A anamnese é a base para o desenvolvimento e plane- Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 87 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o jamento da terapêutica em crianças, pois além de direcionar o diagnóstico odontológico, estabelece o perfil do paciente, para que possamos indicar a melhor escolha na realização da prescrição de medicamentos. O histórico médico relatado nesse momento pode ser indicativo de experiências de- sagradáveis em tratamentos anteriores, complicações decorrentes do uso de fármacos como os anestésicos locais, reações de hipersensibilidade aos componentes dos medicamentos e outras situações que devem ser investi- gadas. É importante frisar que as crianças merecem uma abordagem anam- nética direcionada a sua condição específica e diferente do paciente adulto. O primeiro entendimento que devemos ter com relação a propor terapêutica medicamentosa para crianças atendidas pelo dentista, é que esse paciente requer alguns cuidados adicionais quando os agentes far- macológicos forem necessários durante o decorrer do tratamento odon- tológico (Quadro 1). A criança apresenta diferenças em relação ao adulto e, por essas características, o profissional, como condição básica, deve saber selecio- nar a medicação apropriada para o uso em odontopediatria (indicação), estabelecer as dosagens corretas calculadas em função do peso (poso- logia), de forma a obter um efeito máximo da droga com o mínimo de efeitos adversos, ação também conhecida como relação risco/benefício do medicamento. – Desenvolvimento da criança é diferente do adulto; – Menor volume corpóreo; – Sabor do medicamento auxilia na sua ingestão; – Via de administração. A principal é a via oral; – Intervalos entre doses semelhante ao adulto; – Indicação – selecionar a medicação correta; – Posologia – estabelecer a dosagem correta pelo número de dias necessários. Quadro 1 – Principais cuidados que devemos ter para realizar a terapêutica medicamentosa em crianças. Fonte: Os autores 88 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Outra importante informação para medicar crianças, é saber que a maioria delas apresentam dificuldades na ingestão de medicamentos, principalmente na deglutição de formas farmacêuticas sólidas. Sendo assim, devemos optar pelas formas líquidas. (Quadro 2) Formas Sólidas – Comprimidos – o princípio ativo é compactado formando um comprimido, esses medicamentos podem ser fracionados em menores quantidades; – Drágeas – são comprimidos revestidos por uma camada de polímero degradável; – Cápsulas – são dispositivos feitos de polímeros degradáveis, que carregam o princípio ativo no seu interior. Formas Líquidas As formas líquidas são preferidas na prescrição da terapêutica medicamentosa em crianças. Podem ser: – Emulsão – Duas sustâncias terapêuticas que não se diluem entre si; – Suspensão – As substâncias, após a diluição, formam um liquido viscoso; – Soluções – Duas substâncias homogêneas e de baixa viscosidade. Quadro 2 – Formas Farmacêuticas. Fonte: Os autores Fármacos e medicamentos De acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, “fár- maco é qualquer preparado farmacêutico” feito para os diferentes fins; entre os fármacos utilizados na odontopediatria citamos o analgésico e antinflamatório indicados para controle da dor, antibióticos e os anesté- Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 89 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o sicos locais e sedativos. Existe uma diferença nesse conceito quando se faz referência ao medicamento, ou seja, o medicamento é “qualquer subs- tância de que se faz uso para combater doenças ou indisposições físicas”. Ao comprar um medicamento na farmácia, diferentes classifica- ções para o mesmo produto devem ser consideradas. A indicação se o medicamento é referência, genérico ou similar deve ser uma orienta- ção dada ao paciente ou seu responsável. O Quadro 3 mostra as princi- pais características de cada grupo de medicamentos. REFERÊNCIA GENÉRICO SIMILAR – Inovador – Submetidos a diferentes fases de estudo (I, II, III) – Comprovada eficácia e segurança – Investimento – Patente (20 anos) – Cópia do referência – Mesma fórmula e efeito – Submetidos a ensaios in vitro – Submetidos a testes de bioequivalência – Mesmo princípio ativo e concentração – Submetidos a ensaios in vitro – Podem diferir no tamanho, prazo de validade, veículo Quadro 3 – Grupos de medicamentos na farmácia e suas principais características. Fonte: Os autores O medicamento inovador que passou e ainda continua sob todas as fases de estudo do fármaco (do desenvolvimento à aplicação em mo- delos animais e uso clínico em humanos), que apresenta comprovação de eficácia e segurança, com alto investimento para o desenvolvimento e patenteado por em média 20 anos é o chamado medicamento referên- cia. O medicamento denominado genérico é aquele considerado a có- pia do medicamento referência, desenvolvido após a quebra ou término da vigência da patente; o genérico apresenta as mesmas características do medicamento referência. O medicamento similar apresenta o mes- mo princípio ativo e concentrações do referência, mas podem apresentar alterações quanto ao tamanho, prazo de validade, controle na produção (manipulados), e forma farmacêutica. 90 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Informações sobre o medicamento Todo medicamento apresenta informações mínimas que devem ser descritas com linguagem de fácil assimilação pelo usuário. Essas infor- mações estão relatadas na bula do medicamento e o profissional deve ter conhecimento sobre as informações e características do fármaco que irá prescrever. Entre as orientações mínimas necessárias, estão: • Efeitos do medicamento – relatar os possíveis efeitos do medi- camento prescrito, sejam desejáveis ou indesejáveis. Sobre os efeitos indesejáveis é importante orientar o paciente quais efei- tos podem ocorrer, como podemos reconhecê-los, quanto tem- po irão durar, qual a gravidade e o que fazer caso apareçam. As advertências no uso do medicamento também devem ser infor- madas para o paciente, entre as quais, quando o medicamento é contraindicado, qual a dose máxima e porque se deve tomar o medicamento pelo número de dias prescritos. • Por que é necessário o medicamento – essa informação é rela- cionada à indicação de cada fármaco em odontopediatria. • Que sintomas desaparecerão – associado à indicação, essa infor- mação monitora a melhora no quadro clínico do paciente, bem como o desaparecimento dos sinais e sintomas da patologia. • Quando inicia o efeito e qual o tempo de duração – importan- te informação associada a posologia do medicamento, tempo de meia vida e início do efeito. • O que pode ocorrer se não for tomado de forma correta – impor- tante orientar o paciente durante a terapêutica medicamentosa. • Como guardar o medicamento e o que fazer com sobras – na terapêutica medicamentosa em crianças indica-se o uso de for- mas líquidas, assim, os medicamentos devem ser guardados sob refrigeração e sem contato com a luz. Quando sobra o medica- mento líquido, a recomendação é de que se faça o descarte do conteúdo em água corrente. Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 91 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Aplicação terapêutica dos medicamentos em odontopediatria Uma vez entendido que existem diferenças entre crianças e adul- tos, e que as crianças requerem cuidados adicionais no que diz respeitoà prescrição de medicamentos, iremos agora iniciar a compreensão da indicação dos diferentes fármacos (Controle da Dor e Infecção), como iremos calcular as doses terapêuticas em crianças e como prescrevê-las. Cálculo da dose para o paciente infantil Provavelmente a maior dificuldade em entender a prescrição de medicamentos em odontopediatria seja a tendência do profissional em indicar fármacos da mesma forma que para o adulto. Por exem- plo, quando se pergunta atualmente para um dentista qual o antibió- tico de escolha em odontologia, responde-se ... Amoxicilina 500mg, tomar via oral (VO) um comprimido 8/8h por 7dias...; se a mesma pergunta for feita para a prescrição em odontopediatria, a resposta muitas vezes é igual, independente de ser criança, apesar de ser uma prescrição equivocada. Existem várias fórmulas e regras para calcular o valor da dose te- rapêutica em crianças. As principais determinam a dose da criança em função do peso e/ou idade, com algumas pequenas variações entre as diferentes regras de cálculo, todas podem ser utilizadas. Apenas como informação, entre as regras podemos citar a mais utilizada, chamada de regra de Clark, que considera no cálculo a dose do adulto para calcular a dose pediátrica; essa regra é indicada para crianças com peso corpó- reo menor de 30kg. A regra de Law, para crianças menores de um ano de idade, e a fórmula de Young, que calcula a dose pediátrica utilizan- do a idade entre 1 a 12 anos (Quadro 4). 92 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Nome da Regra/ Fórmula Particularidade da regra Fórmula Regra de Clark Peso corporal < 30Kg Regra de Law < 1 ano de idade Fórmula de Young 1 a 12 anos de idade DP – Dose Pediátrica; DA – Dose adulto Quadro 4 – Regras e fórmulas para cálculo de dose com base no peso do paciente. Fonte: Os autores As regras e fórmulas utilizadas para cálculo nesse capítulo são apenas informativas, pois os medicamentos atuais apresentam em suas bulas e também em artigos e livros os valores das doses terapêuticas in- dicadas em crianças. Essas doses são representadas em mg/kg/dose e de- vem ser conhecidas pelos profissionais, pois são o ponto de partida para o cálculo e prescrição medicamentosa para a criança. Três pontos são fundamentais para calcular a dose individual da criança e prescrever um medicamento em odontopediatria, a saber: 1 – Qual a dose terapêutica em crianças (mg/kg/dose); 2 – Qual a posologia e tempo de uso (via administração / frequência / tempo de duração); 3 – Como é apresentado comercialmente (na farmácia) o medi- camento, qual a concentração do princípio ativo, qual a forma farmacêutica. Para todos os medicamentos apresentados nesse capítulo, daremos as principais informações de dose terapêutica em crianças, posologia e concentração do princípio ativo dos medicamentos referência, para que Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 93 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o seja possível calcular a quantidade de medicamento necessária durante a terapêutica indicada. Raciocínio clínico para prescrição em Odontopediatria Hipoteticamente, uma criança com 3 anos de idade 15Kg procu- rou o serviço odontológico. Sem apresentar alterações na anamnese, foi realizado o tratamento odontológico, após o qual o profissional verifica a necessidade do uso de um analgésico para controle da dor. Para a prescrição do analgésico para a criança, a primeira coisa a saber é qual a medicação o profissional irá indicar para ter o efeito de- sejável, que nesse caso é o controle da dor pós-operatória. Imaginemos que o medicamento se chama AIDOR (um nome fantasia). Esse será o medicamento prescrito para a criança. O próximo passo é saber a resposta para os três pontos fundamen- tais citados acima: 1– qual a dose terapêutica do AIDOR em crianças = 10mg/kg/dose; 2– qual a posologia = via oral/5 em 5horas/4dias; 3– vendido na farmácia = AIDOR 25mg/ml ou comprimidos de 100mg. Como calcular a Dose Individual da Criança (DI)? É só multipli- car a Dose Terapêutica (DT) pelo Peso da Criança (P), DI = DT x P assim tem-se, DI = 5mg x 15Kg = 75mg/dose DI=75mg/dose 94 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o O próximo passo é calcular a quantidade de medicamento que a criança deverá ingerir para que cada dose seja contemplada. Os cálcu- los seguem abaixo: Para esse cálculo é necessário que se saiba como o medicamen- to é vendido na farmácia, e através de uma regra de três simples se tem a quantidade necessária. Assim, se o “AIDOR” é vendido na forma lí- quida de 25mg/ml, precisamos ver quanto é equivalente a 50mg atra- vés da regra de três: 25mg-----------1ml 75mg-----------X Desenvolvendo a conta temos: X=75x1/25 X=75/25 X=3ml/dose Prescrição do medicamento para a criança acima: Ao Menor do Caso Uso Interno Aidor 25mg/ml-------------------------1 frasco Tomar Via Oral 3 ml da suspensão a cada 5 horas durante 4 dias Data e Assinatura Esse é o raciocínio para cálculo e prescrição de qualquer medica- mento em odontopediatria. Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 95 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Prevenção e controle da dor odontológica no paciente infantil Os medicamentos preconizados para controle da dor de origem odontológica em crianças podem ser classificados em analgésicos e an- tinflamatórios. Nesse item serão descritos os medicamentos de escolha para as diferentes situações clínicas que envolvam uma condição de dor. Analgésico Os analgésicos são fármacos indicados em odontopediatria para prevenção e controle da dor de intensidade leve a moderada decorrentes de intervenções de menor complexidade (Quadro 5). Os principais anal- gésicos utilizados em odontopediatria são: o paracetamol e a dipirona. – Exodontia simples – Gengivectomia/ gengivoplastia – Ulotomia/ ulectomia – raspagem subgengival – dentística restauradora – terapia pulpar – traumatismo dental de baixa intensidade Quadro 5 – Intervenções de menor complexidade em odontopediatria. Fonte: Os autores Paracetamol – É o analgésico de escolha para prevenção e controle da dor odontológica indicado para crianças, por apresentar maior segurança no uso. Apresenta efeito analgésico e antitérmico potente, mas o efeito antinflamatório é pouco potente. A dose terapêutica do paracetamol está entre 10 a 15mg/kg/dose, administrado em intervalos de 6 horas entre cada dose. 96 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Geralmente em crianças prescreve-se o paracetamol em solução oral de 200mg/ml, também conhecida como “solução gotas”. Para essa formulação do paracetamol (apenas a solução gotas), existe uma regra prática na literatura e que utilizamos na clínica odontopediátrica, que facilita a prescrição de uma dose segura e eficaz, que emprega a razão de 1gota/kg de peso da criança, até o limite máximo de 35 gotas. Não se deve exceder as doses prescritas e deve-se restringir o seu uso em 24 horas. Para os procedimentos realizados em crianças, considerados de baixa complexidade, não é necessário estender o uso do analgésico no pós-operatório por mais de 1 dia. É importante frisar que a regra prática somente poderá ser aplicada se o paracetamol for comprado como solução gotas. Outras formulações po- dem ser adquiridas na farmácia, como suspensões com diferentes concen- trações, dessa forma se prescrevermos um paracetamol que não seja gotas, termos que calcular a dose individual da criança e a quantidade de medica- mento a ser ingerido, como vimos anteriormente noraciocínio clínico para o cálculo. O Quadro 6 mostra as principais características do paracetamol. – Dose terapêutica em crianças = 10 a15mg/kg/dose – Apresentação comercial = (concentração do paracetamol) /ml – 200mg/ml ou solução gotas – 160mg/5ml – 100mg/ml – 32mg/ml – Posologia = 1 dose a cada 6 horas por 24 horas – Marcas comerciais: Tylenol 200mg/ml (ou gotas); Tylenol 100mg/ml (bebê); Tylenol 32mg/ml (criança), Dorico 200mg/ml; Paralgen 200mg/ ml; Paracetamol 200mg/ml; entre outros – Regra prática – 1 gota/Kg Quadro 6 – Características do analgésico paracetamol. Fonte: Os autores Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 97 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Dipirona Sódica – Segunda opção em analgésico para prevenção e controle da dor odontológica indicado para crianças. Alguns autores re- latam que o uso da dipirona deve ser cauteloso, pois podem causar alte- rações na pressão arterial (PA) do paciente, causando uma diminuição. A criança apresenta oscilações na PA relacionadas com a idade e con- forme vão atingindo a adolescência a pressão tende a manter-se normal. A literatura indica inclusive que pacientes com o valor da máxima me- nor que 100mm/Hg, não devem utilizar a dipirona ou devem ter acom- panhamento médico. A dipirona em condições normais tem a indicação precisa para pa- cientes com dor presente ou instalada. Esse tipo de dor é bem caracte- rística de quadros de urgência odontológica, no qual o paciente chega ao consultório com processos de dor agudos. Nesses casos a dipirona parece ter melhor efeito analgésico quando comparado ao paracetamol. Apresenta efeito analgésico e antitérmico potente, mas o antinflamató- rio é pouco potente. A dose terapêutica da dipirona sódica é de 10mg/ kg/dose, administrada em intervalos de 4 horas entre cada dose, não ex- cedendo 4 doses diárias. Geralmente utiliza-se a dipirona em solução oral de 500mg/ml, também conhecida como “solução gotas”. Para essa formulação da dipi- rona (apenas em gotas), existe uma regra prática na literatura e que uti- lizamos na clínica odontopediátrica, que emprega a razão de ½gota/kg de peso da criança, até a quantidade máxima de 20 gotas. Não se deve exceder as doses prescritas restringindo o seu máximo em 24 horas. A dipirona é uma solução com sabor amargo, nada impede que seja diluí- da em uma pequena quantidade de suco. O raciocínio da regra prática segue para a dipirona, como visto anteriormente para o paracetamol. O Quadro 7 mostra as principais características da dipirona. 98 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o – Dose terapêutica em crianças = 10mg/kg/dose – Apresentação comercial = (concentração da dipirona) /ml - 500mg/ml ou solução gotas - 50mg/ml – Posologia = 1 dose a cada 4 horas não excedendo 24 horas – Marcas comerciais: Novalgina 500mg/ml (ou gotas); Novalgina 50mg/ml (Infantil); Anador 500mg/ml; Magnopyrol 500mg/ml; Dorilan 500mg/ml; Dipirona Sódica 500mg/ml; Dipirona Sódica 50mg/ml; entre outros. – Regra prática – ½ gota/Kg Quadro 7 – Características do analgésico dipirona. Fonte: Os autores Protocolo farmacológico indicado para uso do analgésico em odontopediatria No Pós-Operatório • administrar a 1ª dose de paracetamol “gotas” (1gt/kg) ou so- lução na concentração desejada, logo após a intervenção, com doses de manutenção a cada 6h por 24 horas. OU • administrar a 1ª dose de dipirona “gotas” (½gt/kg) ou solução na concentração desejada, logo após a intervenção, com doses de manutenção a cada 4h não excedendo 4 doses em 24 horas. Mais uma vez deve ser reforçado, sobre o uso do analgésico, que todo analgésico indicado para criança deve ser prescrito por no máximo 24 horas e em caso da dor persistir devemos orientar o responsável pelo paciente a retornar ao consultório para verificar se existe alguma ou- tra intercorrência que está levando à manutenção do processo doloroso. Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 99 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Antinflamatório Os antinflamatórios são fármacos indicados em odontopediatria para a prevenção e controle da dor e edema de intensidade mais pronun- ciada, decorrentes de intervenções de maior complexidade (Quadro 8). Os principais medicamentos antinflamatórios utilizados em odontope- diatria são: a dexametasona ou betametasona e o ibuprofeno. => pré-operatório cirúrgico => cirurgia de odontomas e supranumerários => cirurgia de dentes inclusos => exodontia seriada => frenectomia labial/lingual => tracionamento ortodôntico => traumatismo dental de grande intensidade Quadro 8 – Intervenções de maior complexidade em odontopediatria. Fonte: Os autores O uso de antinflamatório em odontopediatria é muito restrito e particularmente difícil de ser utilizado. Isso acontece porque a maioria dos procedimentos que realizamos no paciente infantil é considerada de intensidade leve à moderada, mas algumas situações clínicas necessi- tam de uma prescrição mais elaborada. Nessas situações em que a dor e o edema são mais pronunciados, a primeira opção é pelo uso dos corti- costeroides betametasona ou dexametasona, por via oral, em dose única pré-operatória. De forma alternativa aos corticoides, emprega-se o ibu- profeno, um analgésico com potencial antinflamatório por tempo restri- to (a posologia do ibuprofeno (100mg/ml) é de 1 gota/Kg a cada 6 horas por 24 horas). Geralmente indica-se para a criança a dexametasona ou betame- tasona em solução oral de 0,5mg/ml, também conhecida como “solu- ção gotas”. Para essa formulação do corticoide (apenas em gotas), existe 100 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o uma regra prática na literatura e que utilizamos na clínica odontopediá- trica, que emprega a razão de 1gota/kg de peso da criança, em dose úni- ca no pré-operatório. Em algumas situações não corriqueiras, o uso do corticoide pode ser prolongado por até 3 dias em doses únicas diárias, administradas preferencialmente pela manhã. O quadro 9 mostra as principais características do antinflamatório. – Dose terapêutica em crianças = 0,025 a 0,05mg/kg/dose – Apresentação comercial = (concentração do corticoide)/ml - 0,5mg/ml ou solução gotas - 0,5mg/ml ou elixir - 0,1mg/ml ou elixir – Posologia = dose única no pré-operatório – Marcas comerciais: Koide 0,1mg/ml(elixir); Celestone 0,5mg/ml (gotas); Celestone 0,1mg/ml (elixir); Decadron 0,5mg/ml; Decadron 0,1mg/ml (elixir); Dexametasona 0,5mg/ml; Betametasona 0,5mg/ml, entre outros. Regra Prática – 1 gota/Kg Quadro 9 – Características do antinflamatório dexametasona e betametasona. Fonte: Os autores IMPORTANTE: A nimesulida, excelente antinflamatório indicado para pacientes adultos, não deve ser prescrita para crianças menores que 12 anos de idade, pois existe na literatura a contraindicação do uso desse medicamento nas crianças por levar a alterações no desenvolvimento dos rins, chamada de Síndrome de Reyes. Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 101 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Protocolo farmacológico indicado para uso do antinflamatório em odontopediatria No Pré-Operatório o administrar dexametasona ou betametasona solução “gotas” (0,5mg/ml) na dosagem de 1gt/kg de peso, em dose única, 45 minutos antes do procedimento. No Pós-Operatório (dependendo do trauma esperado) o administrar dexametasona ou betametasona solução “gotas” (0,5mg/ml) na dosagem de 1gt/kg de peso, em dose única diá- ria pela manhã, não estendendo a 3 dias de uso. OU o ibuprofeno (100mg/ml) na dosagem de 1gt/Kg de peso a cada 6 horas por 24 horas. Controle da infecção odontológica no paciente infantil Ao nos reportarmosà literatura, verifica-se que as moléstias da cavidade bucal são de origem infecciosa. Atualmente tem sido muito estudada a utilização de antimicrobianos como auxiliares na prevenção e tratamento das doenças bucais. No entanto, o profissional, reluta em empregar tais agentes, por desconhecimento dos grandes benefícios que tais terapias podem trazer. De forma semelhante ao que acontece para os pacientes adultos, as penicilinas são definitivamente os antibióticos mais empregados na odontopediatria. Isso acontece, pois, as penicilinas apresentam eficácia e baixíssima toxicidade. Nas infecções iniciais odontológicas de leves a moderadas, indica-se o uso da penicilina V, ampicilina e amoxicilina. Em infecções mais evoluídas, consideradas graves, pode-se associar ao antibiótico de escolha o metronidazol, mas não podemos indicar essas 102 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o associações sem antes verificar o risco/benefício delas. O Quadro 10 mostra os principais antibióticos utilizados para controle da infecção em pacientes odontopediátricos. Quando a criança apresentar alergia às penicilinas, indica-se o es- tearato de eritromicina nas infecções iniciais, ou pela claritromicina ou azitromicina em infecções mais graves. Para todos os medicamentos, deve-se sempre analisar as precauções e contraindicações do seu uso. Penicilinas Semissintéticas Penicilina V (250mg/5ml) Ampicilina (250mg/5ml) Amoxicilina (125, 200, 250, 400, 500mg/5ml) Cefalosporinas Cefalexina (250mg/5ml) Macrolídeos Eritormicina (125, 250mg/5ml) Claritromicina (125, 250mg/5ml) Azitromicina (200mg/5ml) Metronidazol Benzoilmetronidazol (200mg/5ml) Quadro 10 – Principais antibióticos utilizados para controle da infecção em pacientes Odontopediátricos. Fonte: Os autores Protocolo Farmacológico para uso de antibiótico em odontopediatria Existem três possibilidades terapêuticas para emprego dos antibi- óticos em odontopediatria, que são: Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 103 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Dose profilática para endocardite bacteriana – essa dose é ca- racterizada pela administração do medicamento apenas em dose única de 30min a 1 hora antes do procedimento. Essa dose é utili- zada em situações sistêmicas específicas que aumentam a chance de risco à endocardite. Dose de manutenção – essa dose é caracterizada pela administra- ção e manutenção do antibiótico durante o período necessário para que o efeito terapêutico seja conseguido. Essa dose varia de acor- do com o tipo de patologia e fármaco utilizado. Dose ataque – é o dobro da dose de manutenção. É administrada para que o nível sérico do antimicrobiano chegue rápido ao nível sérico. Após a administração da dose ataque o paciente continua fazendo uso da dose de manutenção, pelo tempo necessário. Os antimicrobianos empregados na odontopediatria e as concen- trações encontradas na farmácia serão discutidos nos quadros a seguir: 104 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Penicilinas Semissintéticas • Penicilina V ou Ampicilina Dose terapêutica em crianças = 15mg/kg/dose Dose ataque =30mg/kg/dose única Dose profilática = 250mg-1hora antes Apresentação comercial = (concentração do antibiótico)/ml Penicilina V ou Ampicilina 250/5ml Posologia = 1 dose a cada 6 horas durante 7 dias Marcas comerciais: Pen-Ve-Oral 80.000UI; Amplacilina 50mg/ml; Neo Ampicilin 250mg/5ml • Amoxicilina Dose terapêutica em crianças = 20mg/kg/dose Dose ataque = 40mg/kg/dose única Dose profilática = 50mg/kg/1hora antes Apresentação comercial = (concentração da amoxicilina)/ml Amoxicilina 125, 200, 250, 400, 500mg/5ml – Posologia = 1 dose a cada 8 horas durante 7 dias – Marcas comerciais: Amoxil 125, 250, 500mg/5ml; Amoxil BD 200, 400mg/5ml; Novocilin 250, 400mg/5ml. Quadro 11 – Características das Penicilinas Semissintéticas. Fonte: Os autores Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 105 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Macrolídeos • Eritromicina Dose terapêutica em crianças = 10mg/kg/dose Dose ataque =20mg/kg/dose única Dose profilática = 30mg/kg/1hora antes Apresentação comercial = (concentração da eritromicina)/ml Eritromicina (125 ou 250mg/5ml) – Posologia = 1 dose a cada 6 horas durante 10 dias – Marcas comerciais: Eritromicina 125 ou 250mg/5ml; Rubromicin 125 ou 250mg/5ml. • Claritromicina Dose terapêutica em crianças = 7,5mg/kg/dose Dose ataque =15mg/kg/dose única Dose profilática =20mg/kg/1hora antes Apresentação comercial = (concentração da claritromicina)/ml Claritromicina (25 ou 50mg/ml) – Posologia = 1 dose a cada 12 horas durante 5 dias – Marcas comerciais: Klaricid 25 e 50mg/ml • Azitromicina Dose terapêutica em crianças = 10mg/kg/dose Dose ataque =20mg/kg/dose única Dose profilática =15mg/kg/1hora antes Apresentação comercial = (concentração da azitromicina)/ml Azitromicina (200mg/5ml) – Posologia = 1 dose a cada 24 horas durante 3 dias – Marcas comerciais: Astro 200mg/5ml; Azitron 200mg/5ml; Selimax 40mg/ml. Quadro 12 – Características dos Macrolídeos. Fonte: Os autores 106 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Metronidazol Benzoilmetronidazol Dose terapêutica em crianças = 7,5mg/kg/dose Dose ataque =15mg/kg/dose única Dose profilática =15mg/kg/1hora antes Apresentação comercial = (concentração do metronidazol)/ml Metronidazol (40mg/ml) – Posologia = 1 dose a cada 12 horas durante 5 dias – Marcas comerciais: Flagyl 40mg/ml; Polibiotic 200mg/5ml. Quadro 13 – Características dos Metronidazol. Fonte: Os autores Notas Finais ● Medicar a criança exige conhecimento dos medicamentos e seus po- tenciais riscos/benefícios; ● A dose individual da criança sempre deve ser calculada em função da dose terapêutica e do peso da criança; ● Soluções orais gotas apresentam regras práticas que facilitam a ad- ministração ao paciente infantil; ● Todo medicamento indicado em odontopediatria deve ser emprega- do de forma segura pelo profissional; ● As formas líquidas são as indicadas para o paciente infantil; ● O profissional sempre deve saber a indicação e a posologia dos medicamentos. ● A quantidade de medicamento necessária para ter um efeito terapêu- tico desejável deve ser calculada utilizando a regra de três simples; ● O receituário, onde será prescrito o medicamento, deverá ser feito em três vias, a primeira para a farmácia, a segunda para os pacientes e a terceira ficará no prontuário do paciente. Terapêutica medicamentosa em odontopediatria - 107 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Referências BUSSADORI, Sandra Kalil. Remoção química e mecânica do tecido caria- do: abordagem sobre o tratamento minimamente invasivo da doença cárie. São Paulo: Santos, 2010. GUEDES PINTO, Antonio Carlos. Odontopediatria. 8. ed. São Paulo: Santos, 2010. CAMERON, Angus C; WIDMER, Richard P. Manual de odontopediatria. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. ANDRADE, Eduardo Dias de; GROPPO, Francisco Carlos; VOLPATO, Maria Cristina. Farmacologia, anestesiologia e terapêutica em odontologia. São Paulo: Artes Médicas, 2013. (Série Abeno). FONTOURA, Renato. Terapêutica e protocolos medicamentosos em odonto- logia. Campinas: Napoleão, 2013. ANDRADE, Eduardo Dias de. Terapêutica medicamentosa em odontologia. 3. ed. São Paulo: Artes Médicas, 2014. MARSILLAC, Miriam de Waele Souchois de. Controle da dor, do medo e da ansiedade em odontopediatria. São Paulo: Santos, 2014. PEREIRA José Carlos; ANAUATE-NETTO Camilo; GONÇALVES SilviaAlencar. Dentística: uma abordagem multisiciplinar. São Paulo: Artes Médicas, 2014. 108 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 8 Diagnóstico de lesões de cárie Silvia Regina Garcia Olivan Ravana Angelini Sfalcin Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Sandra Kalil Bussadori O diagnóstico de cárie tem sido definido como “a arte ou o ato de identificar a doença a partir dos seus sinais e sintomas” e a detec- ção da cárie é o sinal e sintoma identificados (NYVAD, 2004). A detec- ção de cárie no seu estágio inicial tem sido fundamental para controlar a doença a nível superficial do dente, assim como preveni-la ou tratá-la efetivamente. O método tradicional de diagnóstico se dá pela combina- ção de exames radiográficos e a inspeção visual (PITTS E RIMMER, 1992; PITTS, 2004; LILLEHAGEN et al., 2007, AGUSTSDOTTIR et al., 2010). Na última década, o método de inspeção visual através do sistema ICDAS – International Caries Detection and Assesment System – tem sido consideravelmente utilizado e submetido à pesquisa. Este sistema foi desenvolvido em 2001 e tem como objetivo a estratégia de integrar os sistemas de detecção modernos em um único sistema padrão (ISMAIL et al., 2007). O ICDAS identifica as lesões de cárie com base no seu as- pecto clínico visual e é classificado de acordo com códigos que variam de 0 a 6 como mostra a tabela 1 (ISMAIL et al., 2007). Diagnóstico de lesões de cárie - 109 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Tabela 1 – Códigos do International Caries Detection and Assesment System (ICDAS) Código Critério 0 Sadio 1 Primeira alteração visual em esmalte 2 Alteração visual nítida em esmalte 3 Quebra de esmalte localizada 4 Sombra na dentina subjacente 5 Cavidade nítida com dentina visível 6 Cavidade extensa com dentina visível Fonte: adaptado do artigo “Detection and diagnosis of the early caries lesion” (Gomez J, BMC Oral Health, 2015) Com relação aos exames radiográficos, as técnicas de radiografia mais utilizadas para este intuito são as de “bitewing”. O objetivo destas radiografias é detectar as lesões de cárie proximais que não são detec- tadas visualmente, assim como lesões de cárie presentes na superfí- cie oclusal, estimando a profundidade da lesão (BADER et al., 2002; GOMEZ et al., 2012). Porém, quando a lesão é detectada em superfí- cies oclusais pelas radiografias “bitewings”, estas lesões podem já ter alcançado o terço médio da dentina e intervenções de remineralização podem já não ser eficazes (RICKETTS et al., 1995), sendo necessário a intervenção operatória. Entretanto, estes métodos de detecção tradicionais ainda não su- prem totalmente a necessidade dos profissionais em determinar as lesões precoces de cárie, e desta forma, alguns novos métodos de diagnóstico têm sido estudados no ramo da Odontologia a fim de facilitar a detec- ção de cárie precoce com boa precisão (LUSSI et al., 1999). Algumas técnicas estão baseadas nas mudanças das propriedades ópticas do teci- do dentário doente e saudável, tais como o Quantitative Light-induced Fluorescence (QLF), o Laser-induced Fluorescence (LF), o Optical 110 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Coherence Tomography (OCT) e o Fiber Optic Transilumination (FOTI) (KARLSSON, 2010). Ainda, o DIAGNOdent (MACIEL, 2006) tam- bém pode ser utilizado, e mais recentemente, o Speckle (KOSHOJI, 2015) tem sido estudado para esta finalidade. Falaremos de cada mé- todo a seguir. Quantificação da Fluorescência Induzida por Luz – QLF Neste método, a avaliação da lesão baseia-se na perda de sinal de fluorescência (PRETTY, 2006). Há uma diferenciação entre o esmalte hígido (sadio) e o esmalte com lesão precoce (desmineralizado) devido à menor fluorescência nas áreas desmineralizadas, e dessa forma, apre- sentam-se como manchas escuras na imagem (MUJAT et al., 2004). A diminuição na fluorescência está relacionada às propriedades de dis- persão do esmalte desmineralizado e assim, o sistema fornece uma me- dida quantitativa da severidade da área afetada, ou seja, a extensão da lesão (VAN der VEEN e de JOSSELIN DE JONG 2000). Portanto, esta técnica permite a detecção das lesões de cárie em estágio inicial (BUCHALLA, 2005). Fluorescência induzida por laser – LF e DIAGNOdent Nesta técnica, irradia-se a superfície dentária com um laser emi- tindo na região entre 488 nm e 650 nm. Superfícies desmineralizadas apresentam maior fluorescência do que os tecidos sadios, possibilitan- do detectar a lesão. É um método de boa precisão no diagnóstico, mas não é eficiente para quantificar a perda mineral (RODRIGUES, 2005). Em revisões sistemáticas prévias, uma tendência à maior espe- cificidade do que sensibilidade, exceto a nível de dentina, foi observa- do. O desempenho de LF parece ser melhor para lesões mais avançadas (GIMENEZ et al., 2013). Dispositivos de LF estão baseados na captu- ra, análise e quantificação de fluorescência emitida a partir de cromófo- ros quando a superfície do dente é iluminada por um laser diodo a um comprimento de onda 655 nm (LUSSI et al., 2006). Diagnóstico de lesões de cárie - 111 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o O DIAGNOdent Pen 2190 (dispositivo de LF) é um dispositivo que quantifica o processo de cárie por meios de fluorescência induzi- da por laser (NOVAES et al., 2009). Esse dispositivo foi desenvolvido para detectar a cárie proximal e oclusal (ALJEHANI et al., 2007), po- rém eles apresentam algumas limitações tais como uma grande quantida- de de falso-positivos e a não obtenção correta da relação com o tamanho das lesões (TOMMASI, 2013). Tomografia por Coerência Óptica (Optical Coherence Tomography ou OCT) O OCT é um tipo de técnica de diagnóstico que produz uma ima- gem transversal de alta resolução do tecido dental. Baseia-se no espa- lhamento elástico de fótons pelo tecido utilizando uma fonte de luz com comprimento de onda entre 840 nm e 1310 nm (HALL et al., 2004). Este método produz imagens tridimensionais, permitindo avaliações qualita- tivas e quantitativas do tecido dental. A profundidade de resolução desta técnica é limitada principalmente devido as propriedades de absorção e dispersão dos tecidos biológicos (LARINA et al., 2008; PROSKURIN e MEGLINSKI, 2007). Entretanto, o OCT ainda é um método inviável para a prática clínica devido ao seu alto curso e indisponibilidade para a prática clínica (FREITAS et al., 2006; FREITAS et al., 2009). Transiluminação por Fibra Óptica (Fiber Optic Transilumination ou FOTI) Neste método, o tecido dental é iluminado por uma luz branca bri- lhante e a luz transmitida é vista por uma câmera. É um método quali- tativo que avalia a diferença existente nas propriedades da transmissão de luz entre o esmalte sadio e da lesão de cárie (HINTZE et al., 1988; MACIEL, 2006). Devido à sua alta dispersão de luz, a área da lesão de cárie aparece como uma mancha escura na imagem. Porém, este método não permite a quantificação da luz dispersa e dessa forma, a sua análise é subjetiva (BADER e SHUGARS, 2004). É um método fácil de ser apli- 112 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o cado, mas sua validade é restrita às lesões mais avançadas em dentina estimando apenas a profundidade das mesmas (MIALHE et al., 2009). Speckle O Speckle é uma nova técnica de diagnóstico na qual as caracte- rísticas de luz coerente dispersa são exploradas. Esse tipo de técnica tem sido estudado atualmente e permite a avaliação de características dinâmi- cas nos tecidos usando um método não invasivo,não destrutivo, de custo acessível e em tempo real. Isso tem estimulado a comunidade acadêmi- ca em concentrar esforços no estudo deste método no domínio de tempo (análise do Speckle dinâmico). Esse método aumenta o contraste entre o tecido do dente sadio e do dente cariado através do estudo das mudanças dos padrões do Speckle no domínio espacial (DEANA et al., 2013). Dessa forma, a análise de imageamento do laser Speckle no domínio espacial tem sido considerada como uma poderosa técnica de diagnóstico que for- nece a informação na microestrutura da superfície. Através desta técnica, é possível que uma lesão seja tão incipiente que não consiga ser detectada na prática clínica, mesmo por um dentista treinado, além de ser sensível à progressão de erosão do esmalte (KOSHOJI, et al., 2015). ____________________ Referências AGUSTSDOTTIR Helga et al. Caries prevalence of permanent teeth: a national survey of children in Iceland using ICDAS. Community Dent Oral Epidemiol, v. 38, n.4, p. 299-309. Aug. 2010. Disponível em: <https://doi.org/10.1111 /j.1600-0528.2010.00538.x>. ABDULAZIZ ALJEHANI; LIFANG YANG; XIE-QI SHI. In vitro quantifica- tion of smooth surface caries with DIAGNOdent and the DIAGNOdent pen. Acta Odontol Scand, v. 65, n. 1, p. 60-63, 2007. Disponível em: <http://dx.doi. org/10.1080/00016350601058051>. BADER, James D. et al. A systematic review of the performance of methods for identifying carious lesions. J Public Health Dent, v. 62, n. 4, p. 201-213, Dec. 2002. Disponível em: <https://doi.org/10.1111/j.1752-7325.2002.tb03446.x>. Diagnóstico de lesões de cárie - 113 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o BADER, James D.; SHUGARS, Dan A. A systematic review of the perfor- mance of a laser fluorescence device for detecting caries. J Am Dent Assoc, v. 135, n. 10, p. 1413-26, Oct. 2004. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.14219/ jada.archive.2004.0051>. BUCHALLA, Wolfgang; LENNON, Áine M.; ATTIN, Thomas. Comparative fluorescence spectroscopy shows differences in noncavitated enamel le- sions. Caries Res. v. 39, n.2, p. 150-6, 2005. Disponível em: <http://dx.doi. org/10.1159/000083162>. DEANA, A. M. et al. Detection of early carious lesions using contrast enhancement with coherent light scattering (speckle imaging). Laser Physics, v. 23, n.7, May 2013. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1088/1054-660X/23/7/075607>. FREITAS, A. Z.; ZEZELL, D. M; VIEIRA JUNIOR, N. D. Imaging carious hu- man dental tissue with optical coherence tomography. Journal of Applied Physics, v. 99, n. 2, 2006. 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A associação entre higiene bucal e uso de fluoretos é evidenciada cienti- ficamente como a melhor maneira de prevenir e controlar a doença. No entanto, o mecanismo de ação do flúor, muitas vezes não é bem com- preendido pelos clínicos. Neste capítulo, além de abordar o mecanismo de ação do flúor e as maneiras de administrar flúor aos pacientes, serão apresentados sub- sídios para o planejamento preventivo e curativo com o uso do flúor e a associação à higiene bucal, de acordo com o risco de cárie que cada paciente apresenta. Para um melhor entendimento do mecanismo de ação do flúor, é im- portante relembrar o processo de des e remineralização dos tecidos dentais. Os dentes, que têm na sua composição hidroxiapatita (HA), estão em constante contato com a saliva, que é rica em íons, e quando o meio bucal se encontra em condição de equilíbrio dinâmico, ocorre constan- temente a troca de íons cálcio (Ca) e fosfato (PO4) com o dente (des-re- O papel do flúor na prevenção e tratamento da doença cárie - 117 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o mineralização). Quando o pH bucal se apresenta maior que 5,5, a saliva está em condição supersaturada em relação ao dente, e nessa situação a tendência físico-química do esmalte é ganhar íons cálcio e fosfato. Porém, quando o pH bucal se encontra menor que 5,5, a saliva está sub- saturada em relação ao dente, então a tendência físico-química é de que o dente perca íons para a saliva, buscando o equilíbrio iônico (Figura 33). Se esse processo ocorrer por um longo período (desafio cariogêni- co, ou seja, produção de ácido pelo biofilme dental cariogênico quando exposto a carboidratos fermentáveis) o esmalte poderá perder íons em fluxo contínuo para a saliva, causando uma constante desmineralização. Figura 33 – Esquema do processo des-remineralização. Fonte: Os autores (adaptado de Guedes-Pinto et al. 2009) Essa desmineralização resulta na lesão de cárie. Porém, se a si- tuação de subsaturação salivar não se mantiver por um longo período, ocorre o restabelecimento do pH, a saliva retorna para uma condição de supersaturação e o dente voltará a ganhar íons cálcio e fosfato, resultan- do na remineralização. O íon flúor (F), quando presente na cavidade bucal, pode ligar-se ao dente de várias maneiras e também controlar a solubilidade do es- malte quando depositado sobre a superfície dentária. 118 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o O flúor ofertado aos pacientes, ao entrar em contato com o teci- do dental, reage com a apatita (formada por cálcio e fosfato) e forma o fluoreto de cálcio (CaF2). O fluoreto de cálcio se deposita na superfície dental e permanece com ligação estável, como uma reserva (Figura 34). Quando ocorre a diminuição do pH salivar, o CaF2 se solubiliza e ocorre a liberação do íon F, que agirá reduzindo a desmineralização e ativando a remineralização, ao se ligar com o Ca e PO4 e retornar ao tecido den- tal no formato de fluorapatita (FA). Figura 34 – Esquema da formação de CaF2 na superfície dental. Fonte: Os autores (adaptado de Guedes-Pinto et al., 2009) A formação de Fluoreto de Cálcio é dependente de diversos fato- res. São eles: • Concentração do produto – quanto maior a concentração de fluoreto, maior formação de fluoreto de cálcio; • Tempo de aplicação – quanto maior o tempo de aplicação do produto, maior a quantidade de fluoreto de cálcio formada; O papel do flúor na prevenção e tratamento da doença cárie - 119 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o • pH do meio – quanto menor o pH, maior formação de fluoreto de cálcio; • Tempo de irrompimento na cavidade bucal – maior formação de fluoreto de cálcio nos primeiros seis meses de irrompimento dental. A FA é menos solúvel que a HA, assim, a incorporação da FA na estrutura dental diminui a desmineralização quando ocorre a queda do pH. Porém, quando o CaF2 é solubilizado e o íon F utilizado, a reser- va de flúor no meio bucal se esgota, deve-se, então, fornecer mais flúor ao paciente com aplicações tópicas e periódicas para manter o repositó- rio. Essa periodicidade dependerá da frequência e do tempo de duração do desafio cariogênico experimentado por cada paciente. Quanto maior o desafio cariogênico, maior a necessidade de administração de flúor. Considerando que a oferta constante e em baixa concentração de flúor é a maneira mais efetiva na prevenção da cárie, o uso de dentifrí- cio fluoretado diariamente é sempre recomendado. A complementação com a aplicação profissional dependerá das características individuais das crianças. Essas características serão abordadas mais adiante. É importante lembrar que apesar de menos solúvel, a HA em pH abaixo de 4,5 torna-se solúvel e o mecanismo de remineralização não ocorre. Portanto, a presença do flúor como medida isolada não é suficiente. Se não houver o controle mecânico do biofilme cariogênico e da ingestão de carboidratos fermentáveis, o fluoreto não impedirá a desmineralização. Daí a importância de aliar o uso do flúor à orientação e educação quanto à higiene bucal e dieta, e a realização de profilaxia profissional periódica. Existem várias maneiras de administrar flúor aos pacientes para prevenção e controle da cárie. Independentemente do método de utiliza- ção, o mecanismo de ação será sempre o mesmo, seja a água de abaste- cimento fluoretada, dentifrícios ou aplicação profissional. Diante disso, abordaremos a seguir os diferentes tipos de aplicação de flúor. 120 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Meios de aplicação do flúor Na promoção de saúde bucal em odontopediatria devemos con- siderar a utilização do flúor pelos motivos já expostos. São conhecidos vários meios de aplicação, porém, não é tão simples definir qual o me- lhor meio, pois, cada paciente apresenta características comportamen- tais, de higiene e condições biológicas diferentes. Portanto é necessário conhecer cada método de aplicação e como cada um deles oferta íons flúor e a partir disso escolher os meios e até associá-los de acordo com a necessidade de cada paciente. Serão apresentados os meios do uso de fluoreto de acordo com sua abrangência e modo de aplicação, conforme descrito por Cury e Tenuta (2010): 1. Meios coletivos A água de abastecimentofluoretada é um meio coletivo de uso de flúor. No Brasil, a fluoretação da água de abastecimento é lei e a sua im- portância é comprovada cientificamente, quando observada que a preva- lência de cárie é menor em locais com água fluoretada quando comparada com locais sem fluoretação. No passado acreditava-se que o flúor da água de abastecimento poderia diminuir a solubilidade da estrutura dental quando ingerida e incorporada à estrutura do dente quando este está em formação, porém, como já abordado neste capítulo, não é o fluoreto incorporado à estrutura que controla a perda mineral. O que realmente ocorre é que após a ingestão da água fluoretada, o fluoreto é absorvido e circula pelo sangue alcançando as glândulas sa- livares e liberado na saliva constantemente. Uma vez presente na saliva, seu mecanismo de ação é o mesmo descrito anteriormente neste capítulo. 2. Meios individuais O dentifrício fluoretado é o meio mais racional de aplicação, pois alia a oferta de flúor com o controle e desorganização do biofilme ca- O papel do flúor na prevenção e tratamento da doença cárie - 121 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o riogênico. As evidências científicas demonstradas em ensaios clínicos e revisões sistemáticas demonstram que a escovação com dentifrício flu- oretado é responsável pela diminuição da doença cárie e, portanto, deve ser prescrito para indivíduos de todas as idades (Figura 35). O que deve ser considerado em crianças pequenas é a quantidade de dentifrício utili- zado na escovação. A quantidade em relação à idade será abordada mais adiante neste mesmo capítulo. Figura 35 – Dentifrícios infantis fluoretados. Fonte: Os autores Quando utilizado o dentifrício fluoretado, a concentração de íons flúor na saliva aumenta, formando os glóbulos de fluoreto de cálcio man- tendo o reservatório de flúor na superfície dental satisfatório. O fluoreto se mantém até 12 horas após a escovação, mesmo no biofilme remanescente. Cury e Tenuta (2010) descrevem evidências científicas de que a concentração entre 1.000 e 1.500 ppm F é a mais eficaz. A indicação de dentifrícios com menor concentração (500 ppm) não se mostrou efeti- va no controle da cárie. Além do dentifrício, os bochechos também são meios de uso diário de flúor, como a solução de NaF a 0,05% (225 pp F). A aplicação de boche- cho diário será indicada apenas para quem está mais sujeito a desenvolver a doença cárie, conforme o risco avaliado. Como por exemplo, indivíduos 122 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o que não têm bom controle do biofilme com a escovação, que ingerem com frequência carboidratos fermentáveis, alteração no fluxo salivar. 3. Meios profissionais Alguns produtos apresentam alta concentração de flúor e devem ser aplicados somente pelos profissionais. São eles: fluorfosfato acidu- lado a 1,23% em gel ou espuma, fluoreto de sódio neutro a 2,0% em gel ou espuma e verniz fluoretado (Figura 36). Esses materiais têm sua efi- ciência comprovada cientificamente. Por apresentarem maior concen- tração de fluoreto de cálcio também é maior, formando um reservatório de flúor na superfície dental. Figura 36 – Produtos para aplicação tópica de flúor pelo profissional. Fonte: Os autores Os produtos em gel ou em espuma para aplicação profissional apresentam uma concentração de 12.300 ppm F. Podem ser associados à escovação com dentifrício fluoretado em crianças que apresentem alto O papel do flúor na prevenção e tratamento da doença cárie - 123 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o risco de cárie e atividade de cárie. A frequência de aplicação dependerá das características individuais do paciente. Os géis ou espumas acidulados, como o próprio nome define, pos- suem pH ácido, entre 3 e 4, o que promove uma maior formação de fluo- reto de cálcio quando comparada ao fluoreto de sódio neutro. O fluoreto de sódio neutro, por apresentar menor concentração, pode ser indicado para pacientes que apresentem dificuldade de controlar a deglutição du- rante a aplicação, e sua maior indicação está relacionada a pacientes com tratamento estético restaurador ou após clareamento e microabrasão. Tanto em gel quanto em espuma, o flúor pode ser aplicado com moldeiras para aplicação de flúor (Figura 37) ou utilizando-se bolinhas de algodão, pincéis ou haste de algodão. Figura 37 – Moldeiras para aplicação de flúor gel ou espuma. Fonte: Os autores Seguem os passos para aplicação do flúor gel ou espuma: 124 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 1. Realizar profilaxia com pasta profilática e complementar a lim- peza interproximal com o fio dental. A aplicação pode ser reali- zada por meio de: ✓ Moldeiras o Adaptar as moldeiras de cera à boca do paciente; o Preencher o fundo das moldeiras com o gel ou espuma; o Inserir as moldeiras nas arcadas, mantendo de 1 a 4 minutos conforme instrução de cada fabricante. ✓ Bolinhas de algodão, pincéis ou hastes de algodão o A aplicação deverá ser por quadrante, com utilização do sugador. o Aplicar o produto na superfície dental e aguardar de 1 a 4 minutos por quadrante. 2. Aspirar a saliva constantemente para evitar ingestão do flúor. 3. Remover as moldeiras e solicitar que o paciente cuspa o excesso. 4. Orientar o paciente a não ingerir líquidos e alimentos por 30 minutos. Os vernizes fluoretados apresentam maior concentração (22.600 ppm F) de íon F em relação ao gel e espuma. Este método possui outra consistência com a finalidade de prolongar o tempo do flúor em conta- to com o dente e com a liberação lenta do íon flúor. Por ficar aderido à superfície dental e apresentar liberação lenta é indicado para aplicação em bebês. Por apresentar alta concentração os vernizes promovem uma maior formação de fluoreto de cálcio na superfície dental e é indicado para remineralização de manchas ativas de cárie. A técnica de aplicação segue os seguintes passos: ✓ Profilaxia com pasta profilática ✓ Lavar os dentes com água ✓ Secar a superfície dental ✓ Realizar isolamento relativo com roletes de gaze O papel do flúor na prevenção e tratamento da doença cárie - 125 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ✓ Aplicar o produto com pincel ✓ Aspirar a saliva constantemente com sugador ✓ Remover isolamento relativo ✓ Orientar o paciente a evitar ingestão de alimentos por no míni- mo 2 horas e nas 12 horas seguintes orientar alimentação líqui- da e pastosa e não escovar os dentes por este mesmo período. Tanto o verniz quanto o gel e a espuma não devem ser aplicados em crianças em jejum. O Quadro 24 apresenta um resumo das recomen- dações para o uso de fluoretos. Recomendações para o uso de fluoretos em odontopediatria Meios Indicação Água fluoretada Sem restrições Dentifrício Fluoretado (1000 a 1500 ppmF) Diariamente para todos os indivíduos em todas as idades Observar quantidade de dentifrício utilizado em crianças pequenas e de maneira supervisionada Solução para bochecho NaF 0,05% De acordo com risco ou atividade de cárie do paciente. Indicado para pacientes com dificuldade de controle do biofilme Pacientes que façam uso de aparelhos ortodônticos e ortopédicos Contra indicado para crianças de pouca idade que não controlam a ingestão Gel e espuma Fluorfosfato acidulado 1,23% Indicação individual de acordo com risco e atividade de cárie Indicado para crianças com atividade de cárie, lesões cariosas e alto risco Paciente com dificuldade de controle do biofilme para prevenção da doença cárie Gel ou espuma Fluoreto de sódio 2% neutro Indicado para pacientes com restaurações estéticas, após clareamento ou microabrasão Verniz fluoretadoIndicado para remineralização de manchas brancas ativas Pacientes com alto risco de cárie e atividade de cárie Indicados para bebês por apresentar fácil aplicação, permanecer aderido à superfície dental (evitando ingestão) e apresentar liberação lenta de F Protocolos preventivos Indução de selamento biológico em molares permanentes Quadro 24 – Recomendações para o uso de fluoretos em odontopediatria. Fonte: Os autores 126 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Toxicidade do flúor Toxicidade aguda Uma das maiores preocupações dos clínicos e dos pais em relação ao uso de fluoreto é sua toxicidade. É importante saber se o flúor circu- lante no sangue apresentará algum efeito colateral. Os efeitos colaterais estão diretamente relacionados à ingestão ex- cessiva do flúor, causando intoxicação. Quando usado corretamente, ne- nhum método de utilização do flúor oferece qualquer risco ao paciente. No entanto, se houver ingestão excessiva em uma única dose poderá ser observada uma intoxicação aguda. Os sintomas de intoxicação aguda incluem desde situações mais leves como mal-estar gástrico e vômito até o óbito. Ao ser ingerido em grande quantidade poderá causar inicialmente irritação gástrica e quan- do é absorvido pelo organismo pode provocar hipersalivação, suor frio, queda de pressão, arritmia cardíaca, coma e morte. São conhecidas as doses provavelmente tóxicas (DPT) do flúor e foram estabelecidas seguindo a dose de 5mg F/kg de peso corporal da criança. Essa dose é considerada como limite máximo de risco. O Quadro 25 apresenta a quantidade ideal de uso dos produtos fluoreta- dos e a DPT, demonstrando a segurança do uso do flúor em odontologia, mas cabe ressaltar que o profissional deve ficar atento ao utilizar produ- tos com alta concentração. O papel do flúor na prevenção e tratamento da doença cárie - 127 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Meio de aplicação Quantidade ideal de produto utilizada Quantidade de produto que corresponde à DPT para uma criança de 20 kg Dentifrício Fluoretado (1100 ppm) 0,5g/escovação 90 g (1 bisnaga) Fluorfosfato acidulado (12.300 ppm) 2,5g/moldeira 8,1g Verniz fluoretado (22.600 ppm) 0,5 g 4,5g Solução para bochecho NaF (225 ppm) 10 ml/bochecho 444 ml Água fluoretada (0,7 ppm) - 143 litros Quadro 25 – Dose provavelmente tóxica dos produtos fluoretados. Fonte: Cury e Tenuta (2010) Toxicidade crônica – Fluorose A toxicidade crônica é caracterizada pela ingestão de doses elevadas por um longo período de tempo, com frequência. Após ingerido, o flúor circulante no organismo poderá causar fluorose, pois o íon flúor presen- te nã afeta o esmalte em formação no processo de maturação. Portanto, somente elementos dentais em formação poderão sofrer os efeitos da ingestão do flúor, dentes que já irromperam na cavidade bucal já es- tão formados. Assim o risco de desenvolver fluorose em dentes anterio- res permanentes, por exemplo, envolve crianças de até 3 anos de idade. Para que a fluorose seja visível clinicamente, o dente em forma- ção deverá ser exposto por um determinado período, logo, gel, espuma e verniz não estão relacionados à fluorose e sim à intoxocação aguda. A fluorose é observada clinicamente por mudanças na cor e/ou na estrutura do esmalte. As características da fluorose envolvem a simetria dentária, ou seja, o acometimento de dentes homólogos por se desen- volverem no mesmo período. Os aspectos clínicos podem ser descritos desde leves linhas brancas até manchas acastanhadas com perda de es- trutura dentária. O dente que apresenta fluorose não é mais susceptível e nem mais resistente à desmineralização. 128 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Conhecendo estes fatores, alguns cuidados devem ser tomados com o uso do flúor. Crianças que ingerem grande quantidade de dentifrício du- rante a escovação apresentam risco aumentado de fluorose. Porém não é recomendada a utilização de dentifrício sem flúor para crianças pequenas, pois o risco de cárie e destruição dental é maior e apresenta grande com- prometimento. O que é indicado é o controle da quantidade de dentifrício utilizado em cada escovação e a supervisão para evitar a ingestão excessiva. A escovação dental com dentifrícios fluoretados deverá ter início com o irrompimento do primeiro dente. A quantidade de creme dental disponibilizado na escova deverá seguir as recomendações de cada fai- xa etária, para evitar o risco de desenvolvimento de fluorose, conforme apresentado no Quadro 26. Quantidade de dentifrício, de acordo com a idade da criança IDADE QUANTIDADE DE CREME DENTAL de 0 a 2 anos 0,05g – Equivalente a meio grão de arroz cru de 2 a 4 anos 0,1g – Equivalente a 1 grão de arroz cru maiores que 4 anos 0,3g – Equivalente a 1 grão de ervilha Quadro 26 – Quantidade de dentifrício, de acordo com a idade da criança. Fonte: Os autores ____________________ Referências CURY, J. A.; TENUTA, LMA. Evidencias para o uso de fluoretos em odontolo- gia. Publicação Colgate-Palmolive. 2010. Disponível em <http://www.colgate- profissional.com.br/LeadershipBR/ProfessionalEducation/Articles/Resources/ pdf/OBE4_Fluoretos.pdf> GUEDES-PINTO, Antônio Carlos; ISSÁO, Myaki (in memoriam). Manual de odontopediatria. 12. ed. São Paulo: Santos, 2013. GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. Odontopediatria. São Paulo: Santos, 2006. O papel do flúor na prevenção e tratamento da doença cárie - 129 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o GUEDES-PINTO, Antônio Carlos; BONECKER, M.; MARTINS DELGADO RODRIGUEZ, C. R. Fundamentos de odontologia. São Paulo: Santos, 2011. MCGRADY, M. G., ELLWOOD, R. P.; PRETTY, I. A. Why fluoride? Dent Update, v. 37, n. 9, Nov. 2010. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih. gov/pubmed/21179929> SANTOS, Ana Paula Pires dos; NADANOVSKY, Paulo; OLIVEIRA, Branca Heloisa de. A systematic review and meta‐analysis of the effects of fluoride toothpastes on the prevention of dental caries in the primary dentition of pre- school children. Community Dentistry and Oral Epidemiology, v. 41, n. 1, p. 1-12, Feb. 2013. Disponível em: <10.1111/j.1600-0528.2012.00708.x> TENUTA, Livia Maria Anadaló; CURY, Jaime A. Evidências para o uso de fluoretos em odontologia–parte II: meios de usar fluoretos em odonto- logia. 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A MI objetiva delegar ao paciente (através de informação, trei- namento e motivação) a responsabilidade sobre sua própria saúde bucal, para que este requeira o mínimo de intervenção do cirurgião-dentista. Baseada no conceito de MI, a cárie é considerada uma doença bacte- riana, resultando em lesões dos tecidos duros dentários, decorrente dos áci- dos provenientes do metabolismo bacteriano. A doença começa com um distúrbio do balanço mineral (remineralização/desmineralização) na superfí- cie dentária. Estasmudanças ocorrem em níveis microscópicos inicialmente. A causa é decorrente do aumento no metabolismo bacteriano e subsequen- te produção de ácido, bem como aumento no número de bactérias. Outros fatores como aumento no consumo de carboidratos fermentáveis (em fre- quência e quantidade), ausência de flúor e redução na capacidade proteto- ra da saliva também contribuem para a instalação e progressão da doença. O princípio da MI é de primeiro paralisar a doença e depois restaurar a estrutura e a função perdidas. Para que se possa paralisar o processo ca- rioso, a história de cárie passada e presente deve ser avaliada. A experiên- cia de cárie passada pode ser avaliada pelo número de dentes restaurados; número de extrações realizadas por cárie e o número de lesões paralisadas. A experiência de cárie presente ou atividade pode ser estabelecida através Materiais dentários aplicados na odontopediatria - 131 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o do número de manchas brancas, lesões ocultas e cavitadas. A detecção pre- coce da cárie, tradicionalmente realizada com o espelho e a sonda explo- radora, bem como com radiografias interproximais é hoje auxiliada pelo uso de índices e também alguns equipamentos, conforme verão a seguir. Vernizes de flúor e clorexidina Os agentes quimioterápicos ou antimicrobianos podem ser libera- dos para a cavidade bucal por meio de vários veículos, entre eles os ver- nizes, que, por propiciar um contato prolongado entre o agente e o local de ação, têm demonstrado resultados efetivos (RIBEIRO et al., 2007; ZHANG et al., 2006; DU et al.,2006; SAJJAN et al, 2013). A clorexidina apresenta uma ação bactericida e o flúor, bacteriostática (BUSSADORI et al. 2004, BAYGIN et al, 2014). Ribeiro et al. (2007) fizeram uma revisão sistemática sobre a clorexi- dina em diferentes formas (soluções, géis e vernizes) e constataram haver em relação aos bochechos uma variabilidade acentuada concernente à con- centração e frequência, bem como, a baixa atividade sobre Streptococcus mutans. Estudos com géis e vernizes na concentração de 1% demonstram uma redução significativa de SM mas, em uma frequência alta e quando comparadas a aplicações de uma vez por mês apresentam uma variabili- dade em relação aos resultados, mas com atividade bacteriana. De acordo com Jentsch et al (2014), vernizes contendo clorexidina ou timol influen- ciaram na formação de placa bacteriana, reduzindo assim a quantidade de Streptococcus mutans na placa supragengival. Araújo et al. (2002) encon- traram resultados satisfatórios utilizando Cervitec nas superfícies oclusais de primeiros molares permanentes comparados a um grupo controle (sem verniz de clorexidina) avaliando a redução dos níveis de SM na placa e a presença de lesões de cárie nessas superfícies. As aplicações de Cervitec ocorreram na primeira consulta, após 3 e 6 meses. Os resultados sugerem que após 2 anos o tratamento com Cervitec reduziu SM na placa e permi- tiu uma redução significativa na incidência de lesões de cárie; Joharji e Adenubi (2001) e Baca et al., (2002) encontraram resultados semelhantes. Zhang et al. (2006) testaram o verniz de clorexidina numa concentração 132 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o de 40% (EC40) nas fossas e fissuras de primeiros molares permanentes, em 461 crianças de ambos os sexos, num estudo clínico controlado, ran- domizado por período de dois anos e constatou-se que houve uma inibi- ção do processo carioso em curto período de tempo, mas sua eficiência foi questionável em uma população com baixa incidência de lesões de cáries. Deve-se levar em consideração, que a clorexidina (40%) nessa concen- tração apresenta um efeito antimicrobiano mas pode ser tóxica apesar de não ser o mote desse estudo. Por isso, é muito importante analisar várias propriedades importantes dos materiais e não fatores isolados. A maioria dos agentes quimioterápicos é composta por agentes anti- microbianos de amplo espectro, que exercem efeitos bactericidas e bacte- riostáticos diretos, ligando-se à membrana bacteriana e consequentemente interferindo em suas funções, como, por exemplo, o transporte. A adsorção às membranas também pode alterar a permeabilidade, resultando em va- zamento dos componentes intracelulares com desnaturação e coagulação das proteínas contidas no citoplasma. A perturbação do metabolismo bac- teriano leva à morte do microorganismo patogênico (Bussadori & Masuda 2005). Chestnutt (2006) relatou em estudo clínico randomizado, duplo- -cego com acompanhamento de 2 anos, a avaliação do verniz de clorexi- dina (40%) em molares decíduos, sendo que o autor conclui que 6 meses de aplicações de verniz de clorexidina foram efetivos na redução de inci- dência de lesões de cárie em dentes decíduos. Cabe ressaltar que Du et al. (2006) e Baca et al. (2004) também encontraram resultados semelhantes. O flúor e a clorexidina são agentes quimioterápicos utilizados para a promoção de saúde bucal por possuírem efeito significativo sobre as bactérias bucais, principalmente Streptococcus mutans. A associação dos vernizes de flúor e clorexidina tem sido utilizada em Odontologia, uma vez que o efeito antibacteriano da clorexidina associado ao potencial re- mineralizador do flúor tem gerado resultados otimistas na manutenção da saúde bucal (CARVALHO, 1999; EKENBACK et al.2000; GARCIA et al. 2001). Vale dizer que o flúor empregado na forma de verniz ou por meio do cimento de ionômero de vidro em superfícies oclusais, princi- palmente de molares com hipoplasia ou hipocalcificação, apresenta um resultado significativo, conforme demonstrado por Flório et al., 2001. Materiais dentários aplicados na odontopediatria - 133 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o O protocolo de utilização combinada dos agentes quimioterápicos (BUSSADORI et al., 2004, 2010) está descrito no Quadro 27, princi- palmente para pacientes com alta atividade da doença e lesões de aco- metimento precoce. Protocolo para pacientes com lesão de cárie de acometimento precoce e molares em irrompimento com alta atividade da doença Tempo Procedimento 1º MÊS Dose de Ataque Profilaxia, isolamento com roletes de algodão e secagem com jato de ar. Na sequência, após aplicação com cotonete ou pincéis descartáveis, pedir para o paciente 4 aplicações intercaladas de verniz de flúor e verniz de clorexidina sobre a superfície oclusal dos molares decíduos e na face palatal dos incisivos (1ª semana – aplicação de verniz de flúor, 2ª semana – aplicação de verniz de clorexidina, 3ª semana – aplicação de verniz de flúor, 4ª semana – aplicação de verniz de clorexidina – totalizando um mês). 2º MÊS – aplicação de verniz de flúor sobre a superfície oclusal dos molares e incisivos decíduos e dos molares permanentes em irrompimento. 3º MÊS – 1 aplicação de verniz de clorexidina sobre a superfície oclusal dos molares e incisivos decíduos e dos molares em irrompimento. 4º MÊS – 1 aplicação de verniz de flúor sobre a superfície oclusal dos molares e incisivos decíduos e dos molares permanentes em irrompimento. 5º MÊS – 1 aplicação de verniz de clorexidina sobre a superfície oclusal dos molares e incisivos decíduos e dos molares permanentes em irrompimento. 6º MÊS – 1 aplicação de verniz de flúor sobre a superfície oclusal dos molares e incisivos decíduos e dos molares permanentes em irrompimento. Quadro 27 – Metodologia de uso dos vernizes de flúor e clorexidina na indução de selamento biológico. Fonte: Os autores 134 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Cimentos de ionômero de vidro Atualmente, um dos objetivos da odontologia restauradora é preser- var os tecidos dentários sadios,e recompor o tecido perdido levando-se em consideração o emprego de materiais odontológicos adequados, a fim de evitar recidivas ou o aparecimento de novas lesões de cárie (PEREIRA et al., 1999). Dentre estes materiais, o Cimento de Ionômero de Vidro (CIV) vem sendo amplamente utilizado nesse sentido (PITHON et al, 2006). Os ionômeros de vidro surgiram dos estudos pioneiros de Wilson e Kent, em 1972 na Inglaterra, e em 1975 foram introduzidos no mer- cado. Inicialmente, eles foram formulados a partir da união de dois ci- mentos utilizados na odontologia: o cimento de policarboxilato de zinco e o cimento de silicato. Desde então, estes cimentos vêm sendo aperfei- çoados e atualmente são utilizados tanto em procedimentos preventivos quanto em procedimentos restauradores. Os CIVs são materiais híbridos que consistem de partículas inorgânicas de vidro dispersas numa matriz insolúvel de hidrogel. Sua estrutura de matriz é mantida por forças co- esivas, presumidamente uma mistura de ligações iônicas, pontes de hi- drogênio e cadeias químicas complexas (HATTON e BROOK, 1992). O CIV apresenta adesão química ao esmalte e à dentina (quelação), o seu coeficiente de expansão térmica linear é muito próximo ao dente, é um material hidrófilo, biocompatível e que libera flúor para o meio bu- cal (XIE et al, 2000). Além dessas propriedades, alguns estudos mostra- ram que o CIV possui uma maior resistência aos ciclos termomecânicos que ocorrem na cavidade bucal, quando comparados às resinas compos- tas, por apresentarem módulo de elasticidade semelhante ao da estrutu- ra dental (WILSON e KENT, 1972). Os CIVs apresentam adesão ao tecido mineralizado do dente, pro- porcionando bom vedamento marginal e diminuição da progressão das lesões de cárie (Maldonado; Swartz; Phillips, 1978). Quando inseridos na estrutura dentária, tem a capacidade de se juntar quimicamente devi- do à ligação química que ocorre entre os grupos carboxílicos dos poliá- cidos (COOH) e os íons cálcio existentes no esmalte, dentina e cimento. A união adesiva ao esmalte é superior à dentina por ser uma estrutura Materiais dentários aplicados na odontopediatria - 135 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o mais mineralizada (VIEIRA et al., 2006). Lembrando que a adesivida- de do CIV depende de alguns fatores, entre eles a correta manipulação, a proporção pó-líquido utilizada e a inserção do material na cavidade (PASCOTTO e NAVARRO, 2004). Durante o estágio inicial de presa, o CIV convencional está sujeito à embebição (absorção de água) e no estágio final à sinérese (perda de água), portanto, é um material que necessita de proteção durante o perí- odo de presa para que se diminua o risco de microinfiltração (DOERR; HILTON; HERMESCH, 1996; VIRMANI; TANDON; RAO, 1997). A reação de presa ocorre nas primeiras 24 horas após a inserção do ma- terial. Esta proteção pode ser realizada com algum agente protetor como o verniz que acompanha o material, esmalte cosmético de unha incolor ou adesivos fotoativados (BRITO et al, 2010). Outra característica importante do CIV, e talvez uma das princi- pais, é sua capacidade de liberação de flúor. Através da liberação de flúor, o CIV consegue manter ao seu redor um ambiente propício à reminera- lização, pois o flúor interfere no metabolismo das bactérias, se liga ao esmalte tornando-o mais resistente aos ácidos e diminui a desmineraliza- ção (TENUTA et al. 1997). A presença de flúor nestes materiais confe- re uma propriedade anticariogênica a ele, podendo prevenir a instalação de novas lesões de cárie (MARTINS et al. 2006). De acordo com a sua natureza, o CIV pode ser classificado em convencionais (pó de partículas vítreas e líquido contendo ácido polia- crílico), convencionais de alta viscosidade, anidros (ácido liofilizado e adicionado ao pó), modificados por partículas metálicas (acréscimo de liga de amálgama e/ou metal sintetizado), e modificados por resina (substituição de parte do ácido poliacrílico por hidroxietilmetacrilato) (NAVARRO e PASCOTTO, 1998), e também podem ser classificados com relação à sua indicação clínica, assim como veremos detalhadamen- te logo a seguir. Atualmente, outros tipos de CIVs têm sido estudados e introduzidos na odontologia, tais como CIVs de alta viscosidade modi- ficados por clorexidina, CIVs modificados por zinco e também a adição de partículas de biovidros (bioglass) nos CIVs. 136 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Classificação Como descrito anteriormente, os CIVs foram classificados com relação à sua indicação clínica e composição, como mostra o quadro a seguir (Quadro 28) Classificação em relação à indicação clínica Classificação em relação à composição Tipo I: para cimentação Tipo II: para restauração ou ART Tipo III: para forramento Tipo IV: para núcleos e restaurações definitivas CIVs Convencionais CIVs modificados por partículas metálicas Selantes de fóssulas e fissuras, restaurações, bases e forramentos CIVs modificados por resina Tratamento restaurador atraumático (ART) CIVs convencionais de alta viscosidade Quadro 28 – Classificação dos CIVs quanto à indicação e composição. Fonte: Os autores Características – classificação com relação à composição Cimento de Ionômero de Vidro convencionais Os CIVs convencionais apresentam-se na forma de pó e líquido. O pó constitui-se por partículas de sílica, alumina e fluoretos de cálcio, sendo de caráter básico. Já o líquido possui o ácido policarboxílico sob a forma de copolímero com ácido itacônico, tricarbálico, malêico ou tar- tárico. Quando misturados formam um sal hidratado, que atua como ma- triz da ligação entre as partículas de vidro. Materiais dentários aplicados na odontopediatria - 137 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Cimento de Ionômero de Vidro modificado por partículas metálicas Nos CIVs reforçados por metais, partículas metálicas foram incor- poradas ao pó do cimento convencional, a fim de melhorar a resistên- cia à fratura e ao desgaste do material. Foram empregados dois métodos de modificação. No primeiro método, partículas esféricas do pó de li- gas para amálgama foi misturado ao pó do ionômero de vidro do tipo II. Este cimento é chamado de mistura com liga de prata. Já o segundo mé- todo caracteriza a união através da fusão das partículas de prata com as partículas de pó de vidro, através da sinterização a altas temperaturas. Este cimento ficou conhecido como cermet. Cimento de Ionômero de vidro modificados por resina A maior inovação destes materiais foi a adição de componentes resinosos, o que resultou nos CIVs modificados por resina (Wanderley et al, 2011). Monômeros resinosos foram incorporados no líquido tais como resinas hidrofílicas (21-41% de hidroxietilmetacrilato – HEMA) e grupos metacrílicos, e no pó, fotoiniciadores que respondem à luz vi- sível (Casalino e Pinedo, 2006). Os ionômeros de vidro modificados por resina foram introduzidos a fim de superar problemas de sensibilidade à umidade e a baixas pro- priedades mecânicas iniciais associadas aos cimentos convencionais. A reação de presa química ocorre pois é uma característica particular dos CIVs, porém, a presença de fotoiniciadores auxiliam no controle de pre- sa deste material (Navarro e Pascotto; 1998), pois estes materiais tam- bém dependem da fotoativação para que ocorra sua presa. Cimento de Ionômero de Vidro de alta viscosidade Além disso, o CIV tem sido amplamente utilizado para o Tratamento Restaurador Atraumático (ART), selamento e remoção química e mecâ- nica da lesão de cárie devido as suas propriedades físicas que envolvem 138 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o a adesão à estruturadental, a biocompatibilidade e sua liberação de íons flúor (BUSSADORI e MASUDA, 2005; FRENCKEN e HOLMGREN 1999). Para este tipo de tratamento, cimentos de alta viscosidade foram introduzidos para que pudessem ser empregados com sucesso, princi- palmente em áreas sujeitas aos esforços mastigatórios. Estes materiais apresentam propriedades melhoradas, superior resistência à compressão quando comparados aos CIVs convencionais e aos CIVs modificados por resina (Guggenberg et al, 1998). Cimento de Ionômero de Vidro de alta viscosidade modificados com clorexidina Nos últimos anos, o gluconato de clorexidina vem sendo utilizado na clínica odontológica e entre as aplicações antibacterianas, tem sido consi- derado o padrão ouro devido a sua eficácia na remoção química do biofil- me dental (Leung et al, 2005). Os CIVs contendo flúor na sua composição ganharam grande importância devido à capacidade de liberação de flúor ao longo do tempo (Komatsu et al, 2007). Entretanto, o flúor não é suficiente para combater o crescimento bacteriano (Xie et al, 2011). Sendo assim, al- guns estudos têm sido realizados com o objetivo de adicionar clorexidina aos CIVs, a fim de aumentar sua propriedade antibacteriana (Leung et al, 2005; Komatsu et al, 2007; Iz et al, 2013; Marti et al, 2014; Mittal et al, 2015) principalmente em CIVs de alta viscosidade, que são os mais indi- cados para os Tratamentos Restauradores Atraumáticos (ART) (Bussadori e Masuda, 2005; Frencken e Holmgren 1999). Cimento de Ionômero de Vidro modificados com zinco Outro tipo de modificação que tem sido estudada e introduzida nos CIVs é a adição de partículas de zinco na sua composição. De acordo com Zoergiebel e Illie (2013), a adição de zinco ao CIV mostrou uma maior longevidade do material, tornando um material favorável para res- taurações classe I e classe II. Este material não mostrou propagação de fendas e nem irregularidades visíveis na superfície, e dessa forma, me- Materiais dentários aplicados na odontopediatria - 139 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o lhorou as características macro-mecânicas. Estes materiais são indica- dos para restaurações de dentes decíduos, técnicas de ART, restaurações provisórias em dentes permanentes e também como base de restaurações definitivas e para lesões cervicais não cariosas. Cimento de Ionômero de Vidro modificados com biovidro (bioglass) O vidro bioativo, ou biovidro, são partículas que podem regular as atividades osteoblásticas através do controle de expressão de vários ge- nes (Hench 2009). Dessa forma, os vidros bioativos são utilizados como aditivos aos CIVs modificados por resina por serem altamente biocom- patíveis, e por serem biomateriais a base de silicato de cálcio osteocon- dutivos (Yuan et al, 2001). Clinicamente, este material foi inicialmente usado como um biomaterial para substituir os tecidos ósseos perdidos no corpo humano. Ele produz uma forte ligação com o osso através da produção de hidroxiapatita e formação de uma forte ligação entre o co- lágeno e a hidroxiapatita, e não é rejeitado pelo corpo (Hench, 2006). Recentemente, foi relatado que a fase sol-gel dos biovidros, especial- mente as nanopartículas, podem melhorar as atividades das células pul- pares (Wang et al, 2014). Dessa forma, Matsuya et al (1999) introduziu na Odontologia, um novo CIV a base de biovidro e ácido poliacrílica. A incorporação de nanopartículas de biovidro podem aumentar suas pro- priedades osteogênicas e odontogênicas para as aplicações clínicas tais como preenchimentos de canais e regeneração óssea. De acordo com Valanezhad et al (2016), a adição de nanopartículas de biovidro a CIVs modificados por resina aumentou a resistência flexural desses materiais, e também, o nível de crescimento celular aumentou em função da con- centração de nanopartículas de biovidros. Em vista disso, o biovidro tem sido adicionado aos CIVs para melhorar a sua bioatividade e capacida- de de regeneração dos dentes. Dessa forma, há um interesse no uso de materiais bioativos na Odontologia, particularmente na tentativa de re- mineralizar a dentina. 140 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Infiltrantes As técnicas minimamente invasivas têm sido estudadas com o ob- jetivo de desenvolver técnicas de intervenção mínimas para o tratamen- to das lesões de cárie, e assim avaliar as possíveis opções de tratamento menos invasivo a fim de diminuir a perda de tecido e o desconforto do paciente (RAO E MALHOTRA, 2011). Com o advento da odontologia restauradora minimamente invasiva, um novo material foi introduzido no mercado a fim de suprir a necessidade de intervir nas lesões iniciais de cárie em esmalte (lesões de mancha branca) através de métodos in- vasivos ou operatórios (remoção mecânica da lesão através da utiliza- ção de brocas). A ideia deste material é ocluir tanto quanto for possível os poros das lesões de mancha branca com resinas de baixa viscosidade a fim de criar uma barreira de difusão dentro da lesão, uma vez que as porosidades das lesões de cárie em esmalte agem como caminhos de di- fusão para os ácidos e minerais dissolvidos, e dessa forma a infiltração pode ocluir esses caminhos e consequentemente conter ou até mesmo impedir a progressão da lesão (MEYER-LUECKEL e PARIS 2008b; PARIS et al, 2007a, b, c). Através de muitos estudos, os pesquisadores Paris e Meyer-Lueckel (2010) confirmaram que a infiltração da lesão de cárie impede que a lesão progrida eficientemente sem a necessidade da restauração com resina composta ou a utilização de selantes. O uso de selantes convencionais para o selamento da lesão de cárie se difere dos infiltrantes pois uma camada de resina é criada apenas na superfície do esmalte, enquanto que os infiltrantes têm como objetivo principal pene- trar o corpo da lesão porosa com as resinas de baixa viscosidade, subse- quentemente polimerizadas (PARIS et al, 2007b, MEYER-LUECKEL e PARIS, 2008a). A princípio, estes materiais foram desenvolvidos para a utilização em regiões interproximais dos dentes (MEYER-LUECKEL e PARIS, 2008a; ALFAYA et al, 2012; ALTARABULSI et al, 2014), entretanto, estudos têm sido realizados a fim de utilizá-los também nas regiões oclusais dos dentes posteriores (LAUSCH et al., 2015; ARAÚJO et al., 2013). Ainda, outros estudos estão sendo realizados a fim de mas- carar algumas lesões de mancha branca ocasionadas por outros fatores Materiais dentários aplicados na odontopediatria - 141 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o que não a lesão inicial de cárie em esmalte como alguns casos de fluo- rose, manchas hipomineralizadas, etc (TIRLET et al, 2013; TORRES e BORGES, 2015). Este material é conhecido comercialmente como ICON® (DMG – Hamburg, Alemanha), e vem disposto em um kit com os seguintes produtos: Icon-Etch®, Icon-Dry® e Icon-Infiltrant®. Sua composição está descrita no quadro a seguir (Quadro 29). Produtos Composição Icon-Etch® Ácido clorídrico a 15% Icon-Dry® Etanol Icon-Infiltrant® Matriz resinosa a base do monômero trietileno glicol dimetacrilato (TEGDMA), aditivos e iniciadores Quadro 29 – Produtos comercializados em conjunto no kit dos infiltrantes, e a composição de cada um deles. Fonte: Adaptado do site da DMG – http://br.dmg-dental.com/produtos/infiltrante-de- carie/ Ao contrário do condicionamento ácido comum, realizado com gel de ácido fosfórico a 37% utilizado para a maioria dos materiais dis- poníveis à base de matriz resinosa, estudos realizados mostraram uma maior eficiência de penetração do ICON®, ou seja, houve uma pene- tração mais profunda do material nas lesões de mancha branca, quan- do um gel de ácido clorídrico a 15% foi utilizado (Paris et al, 2007c). Dessa maneira, preconizou-se o uso do gel de ácido clorídrico a 15% para o prévio condicionamento das lesões de mancha branca,na utili- zação do ICON®. Marca comercial – Icon® – DMG 142 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Técnica de aplicação (de acordo com o fabricante) para tratamen- to proximal e superfícies lisas: 1. Isolamento absoluto do campo operatório 2. Em superfícies interproximais, é feita uma separação dos den- tes com uma cunha especial para ganhar espaço interproximal 3. Condicionamento ácido (ácido clorídrico a 15%) com o uso de um aplicador proximal especial se necessário (Icon-Etch®), por 2 minutos 4. Lavagem com água por 30 segundos e secagem 5. Aplicação de álcool para desidratação da superfície por 30 se- gundos (Icon-Dry®) e secagem 6. Infiltração da resina por 3 minutos (Icon-Infiltrant®) 7. Fotoativação por 40 segundos 8. Nova aplicação do infiltrante por mais 1 minuto 9. Fotoativação por 40 segundos ____________________ Referências ALFAYA, Thays Almeida et al. Tratamento de cárie proximal com infiltran- te de resina em paciente adolescente. Rev. Assoc. Paul. Cir. Dent. v. 67, n. 1, p. 34-7, mar. 2013. Disponível em: <http://revodonto.bvsalud.org/scielo. php?pid=S0004-52762013000100006&script=sci_arttext>. ALTARABULSI, M. B. et al. Clinical safety, quality and effect of rein infil- tration for proximal caries. Eur. J. 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Procedimentos restauradores em odontopediatria - 149 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ara al un o Capítulo 11 Procedimentos restauradores em odontopediatria Camila Haddad Leal de Godoy Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Sandra Kalil Bussadori Os tratamentos restauradores têm por objetivo recuperar a forma, função e estética dos elementos dentais envolvidos. É muito importante que o plano de tratamento seja montado baseado nos dados obtidos no exame clínico e radiográfico e que leve em consideração: 1. O risco de cárie do paciente 2. Cronologia de erupção 3. Controle mecânico do biofilme (higiene bucal) 4. Colaboração do paciente e dos responsáveis Materiais Restauradores Amálgama de prata – é o material com maior durabilidade clínica e apresenta alta resistência mastigatória e ao desgaste, porém, necessi- ta de cavidades retentivas (requer conhecimento dos princípios de pre- paros cavitários), está sujeito à corrosão e não é um material estético. Resina composta – é um material estético e que possui adesividade (per- mitindo que sejam realizados preparos mais conservadores), entretanto, é um material que sofre contração de polimerização, tem baixa estabi- lidade de cor e é contraindicada para pacientes com alto risco de cárie. Cimento de ionômero de vidro (CIV) – é o material restaurador mais bio- compatível, com adesividade ao dente, coeficiente de expansão térmico linear semelhante ao da dentina e que pode ser considerado terapêutico, 150 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o por liberar flúor ao longo do tempo. É um material de baixa resistência mecânica, de estética comprometida e que necessita de uma aplicação de protetor de superfície. Tomada de Cor Em caso de restaurações adesivas é necessário escolher a cor do material a ser utilizado. Essa tomada de cor deve ser realizada sob luz natural e previamente a colocação do isolamento absoluto, para que o dente ainda esteja hidratado e para que a cor do lençol de borracha não altere a cor do elemento dental. Na dúvida entre mais de uma cor pode-se pegar pequenos in- crementos (bolinhas) de resina composta e polimerizar sobre a face vestibular do dente a ser restaurado ou do dente vizinho, o que é facil- mente destacado com o auxílio de uma espátula ou explorador, já que ainda não foi realizado condicionamento ácido ou aplicação de adesi- vo na superfície. Isolamento do Campo Operatório A utilização do isolamento absoluto garante a realização do pro- cedimento restaurador em um campo operatório seco e limpo, possibi- litando a confecção de uma restauração com maior longevidade. Além disso, pode-se citar algumas vantagens para a realização do isolamento absoluto durante os procedimentos clínicos: 1. Tempo: o uso do isolamento resulta em um ganho de tempo clí- nico, já que o isolamento dispensa a necessidade do paciente cuspir após as lavagens. 2. Auxilia no procedimento: o isolamento ajuda no controle da an- siedade do paciente infantil e restringe os movimentos de lá- bios e língua. Procedimentos restauradores em odontopediatria - 151 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 3. Saliva: ao realizar o isolamento é possível ter uma visão melhor do campo operatório, sendo possível detectar pequenas expo- sições pulpares e também ter o controle do fluxo salivar, já que alguns materiais quando em contato com a cavidade bucal es- timulam a produção de saliva. 4. Proteção: o isolamento previne que materiais ou objetos estra- nhos entrem em contato com as estruturas orais ou que a crian- ça os aspire ou degluta os mesmos. Escolha do grampo O grampo deve ser escolhido levando em consideração a estabili- dade do isolamento. Sendo assim, ele deve permanecer preso ao dente mesmo com a tensão do lençol de borracha ou quando em contato com os tecidos moles da cavidade oral (língua, bochecha, lábios, etc.). O grampo escolhido para o isolamento absoluto deve ser testado antes da colocação do lençol de borracha devendo estar amarrado em um pedaço de fio dental, para facilitar a sua remoção caso aconteça al- guma situação inesperada. Para a colocação do lençol de borracha no paciente recomenda-se que o grampo escolhido seja colocado no lençol previamente perfurado e adaptado ao dente com o auxílio da pinça porta-grampo. A pinça é en- tão removida e o arco para lençol de borracha posicionado, fixando-se as pontas do lençol nos pinos do arco. Para um completo selamento do dente em que foi adaptado o gram- po, é necessário liberar a borracha que ficou sobre as asas do grampo, podendo ser utilizado um instrumental/espátula de ponta arredondada. Preparos cavitários em dentes decíduos Os preparos cavitários em dentes decíduos devem ser realizados em alta rotação, com o uso de brocas carbide de menor diâmetro possí- vel (compatível com o tamanho da lesão) e de pontas arredondadas, po- 152 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o dendo em algumas vezes o preparo ser finalizado com uma única broca (em preparos conservadores). Princípios gerais do preparo cavitário Os preparos cavitários para restauração com amálgama devem se- guir uma sequência de tempos operatórios, adequando a cavidade para receber o material. Estes preparos necessitam de paredes de fundo e circundantes pla- nas. As paredes circundantes devem ser paralelas entre si e perpendicu- lares às paredes de fundo, e a parede gengival deve ser paralela à parede pulpar. O ângulo axio-pulpar deve ser arredondado e o cavo-superficial não deve ser biselado. É importante ressaltar, que nestes preparos, todo esmalte deve ser suportado por dentina, para evitar a fratura do remanescente dental e do material restaurador. Como o amálgama não apresenta adesividade, em casos onde as ca- vidades não são autorretentivas (rasas e largas) sulcos/canaletas de reten- ção devem ser confeccionados, evitando o deslocamento da restauração. E em casos de impossibilidade de realizar o isolamento absoluto, o amálgama de prata é o material mais indicado, pois tem menor sensi- bilidade à presença de umidade. Baseada nas áreas de desenvolvimento da lesão de cárie e gru- po de dentes envolvidos, Black desenvolveu uma classificação artificial para as cavidades. Procedimentos restauradores em odontopediatria - 153 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Classe I Classe II Classe III Classe IV Classe V oclusal de molares e pré-molares; 2/3 oclusais da face vestibu- lar de molares inferiores; 2/3 oclusais da face palati- na de molares superiores; palatina de in- cisivos e caninos superiores Proximais de molares e pré-molares Proximais de incisivos e caninos, sem comprometi- mento do ân- gulo incisal Proximais de incisivos e caninos com comprometi- mento do ân- gulo incisal Terço cervi- cal ou gengival das faces vesti- bulares ou lin- guais de todos os dentes Quadro 30 – Classificação artificial de Black. Fonte: Os autores Preparo classe I ✓ Realiza-se o preparo com as brocas cabide no 329, 330, 245, 256 em alta rotação; ✓ A remoção da dentina cariada deve ser realizada com auxílio de curetas de dentina e/ou brocas esféricas de diâmetro compa- tível com o tamanho da lesão em baixa rotação; ✓ Para restauração em amálgama o esmalte sem suporte deve ser removido, as paredes circundantes devem estar paralelas e a pulpar plana; ✓ Em restaurações com resina composta, o preparo deve ser con- servador, limitando-se, sempre que possível, à remoção do te- cido cariado; 154 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ✓ A proteção do complexo dentino pulpar deve ser realizada sem- pre que necessário. Preparo classe II✓ O preparo inicia-se da mesma forma que o preparo de classe I, porém, neste caso rompe-se a crista marginal na mesial e/ou distal; ✓ No término do preparo da caixa proximal, o ângulo formado pela parede vestibular, lingual e axial deve ser um ângulo reto; ✓ As paredes vestibular e lingual devem ser ligeiramente conver- gentes para a oclusal; ✓ Deve ser realizada a proteção do dente vizinho com matriz de aço, para prevenir danos do dente adjacente durante o preparo da caixa proximal; ✓ É necessário o uso de matriz, porta matriz e cunha para a realização da restauração de classe II; ✓ Caso a superfície oclusal não esteja comprometida, pode-se optar pelo preparo restrito a proximal e a restauração com re- sina composta. Preparo classe III ✓ É um preparo indicado para restaurações adesivas; ✓ O acesso é direto, podendo ser pela face vestibular, lingual ou mesmo pela próximal, em casos de ausência de dente vizinho ou presença de diastema; ✓ É essencial realizar a proteção do dente vizinho com matriz de aço, evitando o desgaste acidental da superfície proximal do dente adjacente. Procedimentos restauradores em odontopediatria - 155 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Preparo Classe IV ✓ Geralmente ocorre por trauma, mas também pode ocorrer por lesões de cárie extensas; ✓ Deve ser realizada restauração estética; ✓ É necessário verificar se existe exposição pulpar e a vitalidade pulpar previamente à restauração; ✓ Deve ser confeccionado um bisel no ângulo cavo-superficial vestibular, utilizando-se pontas diamantadas tronco-cônicas, anguladas entre 30 e 45o; ✓ Em casos de trauma pode ocorrer escurecimento do remanes- cente dental. Mínima intervenção Com a evolução dos materiais restauradores, onde a retenção do material na cavidade é realizada por adesividade, os preparos passaram a ser mais conservadores, se restringindo somente à remoção do tecido cariado, preservando assim, maior quantidade de tecido dental sadio. A escolha de materiais adesivos para restaurar permite que os pre- paros sejam mais irregulares e que em algumas situações se preserve o esmalte sem suporte. Considerando a nova filosofia de mínima intervenção, Mount & Hume propuseram em 1997, uma nova classificação para os preparos conservadores. Essa classificação avalia área (face) em que ocorre (1- 3) e o tamanho da lesão (0-4), conforme descrito nos Quadros 31 e 32. Área 1 Área 2 Área 3 Cicatrículas e fissuras na face oclusal de dentes posteriores e superfícies lisas Região de ponto de contato de qualquer dente (anterior ou posterior) Região cervical em contato com tecido gengival, incluindo exposição radicular Quadro 31 – Classificação de Mount & Hume para a área envolvida. Fonte: Os autores 156 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Tamanho 0 Tamanho 1 Tamanho 2 Tamanho 3 Tamanho 4 Lesão inicial, em qualquer face, sem cavitação (mancha branca ativa). É passível de remine- ralização. Pequenas cavitações, restritas ao esmalte. Lesão com envolvimento moderado de dentina. Ainda existe integridade do remanescente dental e o esmalte é suportado por dentina sadia. Lesão com maior acometimento da estrutura dentária. As estruturas remanescentes ficam mais fragilizadas. Lesão muito extensa com perda de cúspide ou borda incisal. Quadro 32 – Classificação de Mount & Hume para o tamanho da lesão. Fonte: Os autores A avaliação de cada lesão de acordo com Mount & Hume (1993) é dada pela composição numérica da área e do tamanho, onde o primei- ro número representa a área e o segundo o tamanho de cada lesão (ex: 1.0; 2.3; 2.4...). Tratamento restaurador atraumático O tratamento restaurador atraumático foi desenvolvido na década de 80, com o objetivo de atender a necessidade de tratamento em popu- lações subdesenvolvidas e onde não existe infraestrutura. Este método consiste na realização de restaurações sem anestesia, utilizando apenas instrumentos cortantes manuais para a remoção da dentina infectada. Esta técnica possibilita manter uma pequena camada profunda de teci- do cariado, que pode ser reorganizada estruturalmente, sob o material restaurador. O CIV é o material restaurador utilizado nesta técnica, uma vez que possui adesividade às estruturas dentais, é um material biocom- patível e libera flúor. Esta é uma técnica muito indicada na clínica infantil, principal- mente quando visamos o condicionamento e/ou motivação do paciente e onde o uso de anestésicos locais e instrumentos rotatórios podem di- ficultar a colaboração durante o atendimento. Procedimentos restauradores em odontopediatria - 157 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Restaurações indiretas Em alguns casos, onde a destruição do elemento dental foi muito grande, a reconstrução do mesmo torna-se mais difícil de ser executa- da com sucesso em uma única sessão, não só pela extensão da restau- ração, mas também pelo tempo em que a criança permanece na cadeira odontológica. Nesses casos pode-se optar pela técnica indireta, onde após o pre- paro cavitário é realizada a moldagem do paciente com material à base de silicone para obtenção do modelo de trabalho, onde será confeccio- nada a restauração em resina composta (inlay/onlay). Por ser confeccionada sobre o modelo de trabalho torna-se mais fácil a realização da escultura dental, do acabamento e polimento e é possível realizar sessões mais curtas. Porém, como o procedimento deve ser realizado em mais de uma sessão, após a moldagem é necessária a colocação de um material provisório no preparo cavitário para proteção do remanescente dental até a consulta seguinte. ____________________ Referências CORRÊA, Maria Salete Nahás P. Odontopediatria na primeira infância. 3. ed. São Paulo: Santos, 2009. DEAN, Jeffrey A.; AVERY, David R. Odontopediatria para crianças e ado- lescentes. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. Odontopediatria. 8. ed. São Paulo: Santos, 2010. MOUNT, G. J. Minimal intervention dentistry: rationale of cavity design. Oper Dent, v. 28, n. 1, p. 92-99, Jan./Feb. 2003. Disponível em: <https://www.ncbi. nlm.nih.gov/pubmed/12540125>. MOUNT, G. J., HUME, W.R. A revised classification of carious lesions by site and size. 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Alguns pontos devem ser analisados antes de eleger o tratamento endodôntico em dentes decíduos; são eles: correto diagnóstico, estágio da saúde pulpar, ciclo biológico do dente decíduo, idade e colaboração da criança. As condições do elemento dental e os tecidos adjacentes tam- bém devem ser considerados. Os dentes decíduos seguem um ciclo natural e neste período sofre mudanças estruturais, histológicas e bioquímicas. Estas mudanças po- dem contraindicar ou favorecer alguns tratamentos. Em relação ao diagnóstico da condição pulpar, deve-se investigar os sinais clínicos e radiográficos para determinar se a polpa se encontra saudável, com inflamação reversível,inflamação irreversível ou necro- se pulpar. O Quadro 33 apresenta as possíveis terapias de acordo com o estágio de saúde pulpar. Tratamento endodôntico de dentes decíduos - 159 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o CONDIÇÃO PULPAR TRATAMENTOS POSSÍVEIS Polpa Saudável Capeamento indireto (conservador) Capeamento direto (conservador) Pulpotomia (conservador) Polpa com inflamação reversível Pulpotomia Pulpectomia Polpa com inflamação irreversível Pulpectomia Necrose pulpar Pulpectomia. Quadro 33 – Terapias pulpares de acordo com a condição do tecido pulpar. Fonte: Os autores Para o correto diagnóstico, as informações da anamnese, dos exa- mes clínico e radiográfico devem ser somadas para a conclusão final. Após o diagnóstico da condição da polpa, a situação da coroa remanes- cente e o estágio de reabsorção radicular irão se somar às informações anteriores para determinar o tratamento. Durante a anamnese, deve-se considerar a história da dor. Apesar de ser difícil para a criança descrever a sensação dolorosa, este é um si- nal importante para o diagnóstico. Algumas informações passadas pelo responsável podem auxiliar na pesquisa da dor. Questionar o responsá- vel se a criança relata incômodo de maneira espontânea ou só quando provocada, ajuda a determinar se a polpa está em estágio inflamatório reversível (provocado) ou espontâneo. Dores espontâneas à noite indi- cam dano pulpar avançado. Devido às alterações fisiológicas dos dentes decíduos, a degenera- ção pulpar em dentes decíduos não é acompanhada claramente por sin- tomatologia definida. É relativamente comum mudanças inflamatórias repentinas que passam da vitalidade à necrose, de forma assintomática. Isto porque, dependendo da fase do ciclo biológico do dente decíduo, tecidos pulpares estão em transição para células fibrosas. 160 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Alguns fatores estruturais precisam ser considerados no planeja- mento do tratamento endodôntico, como por exemplo, a anatomia irregu- lar do assoalho pulpar, rizólise irregular, ou seja, a reabsorção fisiológica pode não ser igual para as diferentes raízes do mesmo dente ou na mes- ma raiz em paredes diferentes (Figura 38). Figura 38 – Reabsorção fisiológica irregular. Fonte: Os autores Capeamento pulpar indireto O capeamento indireto é um tratamento caracterizado pela remoção do tecido dentinário cariado infectado e manutenção da dentina afetada. Este tratamento reduz o risco de exposição pulpar durante a remoção de tecido cariado. Após a remoção da dentina infectada, aplica-se um medicamento biocompatível em contato com a dentina para favorecer a remineralização e estimular a neoformação de dentina reacional. O ma- terial de escolha para esta técnica é o hidróxido de cálcio. As indicações para o capeamento direto compreendem: ● Dentes com grande lesão de cárie, onde a continuidade da re- moção possa vir a expor a polpa ● Ausência de dor espontânea Tratamento endodôntico de dentes decíduos - 161 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ● Ausência de mobilidade ● Ciclo biológico compatível ● Ausência de alterações na imagem radiográfica O capeamento indireto está contraindicado para dentes com pul- pite e em fase de rizólise avançada. Os passos clínicos para a realização do capeamento indireto estão descritos no Quadro 34 e ilustrados na Figura 39. CAPEAMENTO PULPAR INDIRETO Técnica ✓ Anestesia (se houver risco iminente de exposição pulpar) ✓ Isolamento ✓ Remoção da cárie com curetas ✓ Suspender a curetagem quando a dentina começar a escamar ✓ Realizar curativo sobre a dentina remanescente com hi- dróxido de cálcio pasta-pasta ✓ Restaurar com material que proteja contra microinfiltrações Proservação Acompanhamento clínico e radiográfico até esfoliação Quadro 34 – Técnica para realização do capeamento pulpar indireto. Fonte: Os autores 162 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 39 – Ilustração do capeamento direto em dentes decíduos artificiais. Fonte: Os autores Capeamento pulpar direto O capeamento pulpar direto é uma terapia proposta em casos de micro exposição pulpar durante a remoção do tecido cariado. Se carac- teriza pela deposição de um medicamento diretamente sobre a micro exposição com o intuito de promover a cicatrização do tecido pulpar e formação de tecido dentinário com manutenção da vitalidade pulpar. Os medicamentos indicados para o capeamento direto são hidróxido de cál- cio P.A., pastas iodoformadas (Pasta Guedes-Pinto ou Vitapex) ou MTA. Este tratamento, com muita frequência, não é realizado em dentes decíduos, pois as mudanças fisiológicas do tecido pulpar podem dificultar o diagnóstico e na fase de início da rizólise, a capacidade da polpa de reparação é mais precária, podendo resultar no fracasso do tratamento. O Quadro 35 apresenta os passos clínicos para a realização da técnica. O capeamento pode ser indicado, com muita cautela, nos seguin- tes casos: Tratamento endodôntico de dentes decíduos - 163 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ● Estágio de maturação pulpar (ciclo biológico compatível) ● Diagnóstico preciso ● Micro exposição pulpar de origem mecânica ● Sem contaminação (saliva e micro-organismos) CAPEAMENTO PULPAR DIRETO Técnica ✓ Anestesia ✓ Isolamento absoluto ✓ Irrigar a ferida com soro fisiológico ✓ Secar com penso de algodão estéril ✓ Colocar agente capeador biocompatível (Pasta Guedes- Pinto, MTA ou hidróxido de cálcio P.A.) ✓ Restaurar com material que proteja contra microinfiltrações Proservação ✓ Acompanhamento clínico e radiográfico até esfoliação Quadro 35 – Técnica para realização do capeamento pulpar direto. Fonte: Os autores Pulpotomia Em alguns casos, o tratamento indicado para os dentes decíduos é a pulpotomia, que consiste na remoção cirúrgica da polpa coronária com posterior deposição de medicamento no remanescente pulpar radi- cular vital, de maneira a manter a vitalidade dessa polpa radicular e per- mitir que o dente decíduo conclua seu ciclo biológico da maneira mais natural até a esfoliação. Indicações da pulpotomia: ⇒ Dente com vitalidade pulpar ⇒ Ciclo biológico compatível ⇒ Dente que deve permanecer no arco por mais de um ano 164 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ⇒ Cárie profunda com risco iminente de exposição pulpar ⇒ Ausência de lesão na furca ou no ápice radicular ⇒ Pulpite em fase inicial ⇒ Bom estado geral de saúde Diversos medicamentos podem ser utilizados na pulpotomia, dentre eles o MTA e a pasta Guedes-Pinto. As pastas iodoformadas, de maneira geral, apresentam-se boas indicações para este tratamento. O Quadro 36 apresenta o detalhamento da técnica da pulpotomia em dentes decíduos. A ilustração da técnica está representada nas figuras 40 e 41. PULPOTOMIA Técnica ✓ Anestesia ✓ Isolamento absoluto ✓ Remoção de todo o tecido cariado ✓ Remoção do teto da câmara pulpar e exibição da polpa coronária ✓ Pulpotomia com curetas estéreis afiadas ✓ Hemostasia com penso de algodão estéril sob pressão ✓ Colocação do medicamento biocompatível: Pasta Guedes-Pinto, hidróxido de cálcio, MTA, pastas iodoformadas, ✓ Colocação de uma camada de guta-percha em bas- tão para proteção ✓ Restaurar com material que proteja contra microinfiltrações Proservação ✓ Acompanhamento clínico e radiográfico até esfoliação Quadro 36 – Técnica para realização da pulpotomia em dentes decíduos. Fonte: Os autores Tratamento endodôntico de dentes decíduos - 165 U N INO VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 40 – Ilustração dos passos da pulpotomia em dentes decíduos artificiais. Fonte: Os autores Figura 41 – Ilustração do capeamento direto em dentes decíduos artificiais. Fonte: Os autores 166 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Pulpectomia A pulpectomia é o tratamento mais radical em relação ao tecido pulpar. Quando a polpa está em estágio avançado de inflamação de ma- neira irreversível, realiza-se a extirpação da polpa radicular ainda com vitalidade. Quando o tecido pulpar já se apresenta necrótico, nesta técni- ca realiza-se a remoção do tecido necrosado e a limpeza de todo o con- duto radicular. O tratamento radical está indicado nos seguintes casos: • Estágios inflamatórios pulpares irreversíveis • Necrose pulpar causada por lesões de cárie ou traumatismos dentoalveolares A pulpectomia é contraindicada em grandes reabsorções radicu- lares (mais de 2/3 de raiz), cáries extensas que atinjam bi/trifurcações, pouca saúde do paciente e baixa resistência. Nestes casos a indicação é a exodontia. O Quadro 37 descreve os passos técnicos da pulpectomia. Antes de iniciar os passos clínicos da pulpectomia, é necessário realizar a odontometria para determinar o comprimento de trabalho e limite de obturação. A medida é realizada baseada na radiografia periapical, po- dendo recuar de 1 a 2 milímetros do limite visual, considerando a pre- sença do bisel de reabsorção (Figura 42). Tratamento endodôntico de dentes decíduos - 167 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o PULPECTOMIA Técnica ✓ anestesia ✓ isolamento absoluto ✓ abertura da câmara coronária ✓ esvaziamento da câmara coronária com auxílio da cureta ✓ irrigação com hipoclorito ✓ localização dos canais radiculares ✓ extirpação da polpa radicular (Figura 44) (com vita- lidade) ou esvaziamento do conduto (necrose pulpar) ✓ instrumentação com lima tipo Kerr (1+2) de diâme- tro proporcional (Figura 45) ✓ irrigação e aspiração concomitante (Figura 46) ✓ secagem por sucção ✓ secagem com cones de papel (Figura 47) ✓ obturação dos canais com material reabsorvível (Figura 48) como a Pasta Guedes-Pinto, pastas io- doformadas, hidróxido de cálcio ou óxido de zinco e eugenol não reforçado. ✓ base de guta percha ✓ selamento ✓ restauração com material que proteja contra microin- filtrações (Figura 47) Proservação Acompanhamento clínico e radiográfico até esfoliação Quadro 37 – Técnica para a realização da pulpectomia. Fonte: Os autores 168 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 42 – Ilustração da odontometria em dentes decíduos para determinar o comprimento de trabalho. Fonte: Os autores Figura 43 – Ilustração da extirpação da polpa radicular na técnica da pulpectomia em dentes decíduos artificiais. Fonte: Os autores Figura 44 – Ilustração da instrumentação do conduto na técnica da pulpectomia em dentes decíduos artificiais. Fonte: Os autores Tratamento endodôntico de dentes decíduos - 169 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 47 – Ilustração inserção da pasta obturadora com a lima no conduto na técnica da pulpectomia em dentes decíduos artificiais. Fonte: Os autores Figura 45 – I lus t ração da irrigação do conduto na técnica da pulpectomia em dentes decíduos artificiais. Fonte: Os autores Figura 46 – Ilustração da secagem com cone de papel absorvente na técnica da pulpectomia em dentes decíduos artificiais Fonte: Os autores 170 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o O objetivo maior da instrumentação do conduto radicular do den- te decíduo é a limpeza, pois não há necessidade de modelar o canal. O processo de limpeza é realizado com 3 limas compatíveis com o diâ- metro do conduto e é finalizado após o uso do último instrumento e as substâncias irrigadoras não se apresentarem mais turvas. A secagem com aspiração e cone de papel absorvente é essencial para evitar a formação de bolhas ao inserir a pasta obturadora no espa- ço do canal radicular. A pasta obturadora pode ser inserida com a lima (Figura 47) ou com seringa (Figura 48). A lima utilizada para inserção da pasta deverá ter o mesmo calibre da primeira ou segunda lima utili- zada para a instrumentação. Ao inserir o material obturador com a lima, deve-se realizar o movimento anti-horário para deposição da pasta no interior do conduto até completar todo o espaço do canal radicular. Figura 48 – Ilustração inserção da pasta obturadora com a seringa no conduto na técnica da pulpectomia em dentes decíduos artificiais. Fonte: Os autores Tratamento endodôntico de dentes decíduos - 171 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 49 – Ilustração do selamento da cavidade após técnica da pulpectomia em dentes decíduos artificiais. Fonte: Os autores Pastas obturadoras para dentes decíduos As pastas utilizadas para o preenchimento do canal radicular dos dentes decíduos devem apresentar características específicas, pois deve ser considerado o ciclo biológico e o processo de reabsorção fisiológi- ca destes elementos. Os requisitos ideais da pasta obturadora a ser escolhida são os se- guintes: ser reabsorvível, não provocar danos aos tecidos periapicais e ao permanente sucessor (biocompatível), ser facilmente removida quan- do necessário, promover um adequado preenchimento e ser radiopaca. Como exemplos de materiais utilizados para obturação dos dentes decíduos temos: pasta Guedes-Pinto, Feapex® (Fórmula & Ação), pasta de hidróxido de cálcio, CTZ, pastas iodoformadas. A pasta Guedes-pinto é uma excelente escolha por apresentar ca- racterísticas como propriedade antisséptica, boa tolerância tecidual (di- minui a ação irritante das drogas antissépticas), diminui a intensidade da reação inflamatória, é reabsorvível em contato com o tecido conjuntivo, é radiopaca, controla a dor pós-operatória, facilita a cura e a reparação. U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 172 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o A pasta deve ser manipulada pelo clínico em placa de vidro e é composta por três partes iguais de: • Paramonoclorofenol canforado: antisséptico; • Rifocort: o propileno-glicol (veículo) tem boa tolerância teci- dual; o antibiótico de superfície é antisséptico e o corticoste- róide diminui a intensidade da reação inflamatória; e • Pó de iodofórmio: antisséptico. A pasta CTZ é uma pasta antibiótica composta por uma parte de tetraciclina (cápsula com 250 ou 500 mg); uma parte de cloranfenicol (cápsula com 250 ou 500 mg); duas partes de óxido de zinco Tipo I; e eugenol, sendo este adicionado durante o ato operatório. As pastas à base de hidróxido de cálcio e iodofórmio também são boas escolhas para preenchimento do conduto. Apresentam biocompa- tibilidade, efeito antisséptico e são radiopacas. ____________________ Referências GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. ISSÁO, Myaki (in memoriam). Manual de odontopediatria. 12. ed. São Paulo: Santos, 2013. GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. Odontopediatria. 8. ed. São Paulo: Santos, 2010. IMPARATO, J.C.P. et al. Anuário de odontopediatria clínica. São Paulo: Napoleão, 2013. v. 1. PINHEIRO, Helder Henrique Costa et al. Terapia endodôntica em dentes de- cíduos por odontopediatras. Pesq. Bras. Odontopediatria Clín. Integr., João Pessoa, v. 13, n. 4, out./dez. 2013. Disponívelem: <http://revista.uepb.edu.br/ index.php/pboci/article/viewFile/1775/pdf_20>. Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 173 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 13 Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Sandra Kalil Bussadori Introdução Esse capítulo aborda os procedimentos e protocolos cirúrgicos re- alizados em crianças. Os procedimentos que serão descritos são aqueles passíveis de serem realizados sob anestesia local, no ambiente do con- sultório odontológico. Entre os procedimentos cirúrgicos realizados em crianças, a exo- dontia talvez seja o que ocorre com maior frequência, por isso será a base para entendimento dos princípios básicos cirúrgicos, das diferen- tes complexidades e abordagem cirúrgica da criança. Para que se tenha sucesso no tratamento odontológico cirúrgico da criança, todos os pontos fundamentais à prática da cirurgia devem ser considerados, seja relacionado às condições morfofuncionais, às patoló- gicas específicas ou às questões comportamentais. Conceitualmente a cirurgia é uma modalidade de terapêutica prati- cada de forma manual com o auxílio de instrumentos apropriados que por meio de manobras, permitem o rompimento da solução de continuidade dos tecidos bucais, levando a resolução para determinadas patologias. Essa modalidade tem particularidades quando realizada em pacientes crianças, como: as diferenças anatômicas, a anestesia local específica, manejo da criança, entre outras que serão descritas desse manual. 174 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Princípios básicos da cirurgia odontológica O conceito de princípio envolve tudo o que é inerente a algo, des- de que seja determinada a sua natureza, a sua verdadeira essência, a ver- dade geral, as leis e as regras estabelecidas para a ação específica, que no caso é a cirurgia em odontopediatria. Os princípios básicos da cirurgia são: a decisão, necessidade ci- rúrgica e a oportunidade. Decisão e Necessidade cirúrgica – nesse princípio será determi- nada, após o diagnóstico correto pelos aspectos clínicos e com exames complementares, a necessidade em realizar o procedimento cirúrgico. A necessidade cirúrgica deve ser cuidadosamente avaliada e analisada e quando for decidida a terapêutica, os pais devem ter o detalhamento do procedimento e a ciência da sua realização. A Figura 50 mostra situações clínicas em que há necessidade de procedimento cirúrgico. Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 175 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o A B C D Figura 50 – Ilustrações de situações clínicas que há necessidade cirúrgica. A – Caso de alveólise e retenção prolongada dos incisivos superiores decíduos. B – Caso de grande destruição por cárie, presença de raizes residuais dos incisivos superiores decíduos. C – Caso de anquiloglossia, com limitação funcional da língua. D – Caso de papilomatose no dorso da língua. Fonte: Fotos dos autores Para a maior parte das situações clínicas a cirurgia deve ser sem- pre considerada como a última modalidade terapêutica utilizada, sendo priorizadas as modalidades conservadoras de tratamento. Existem várias situações clínicas inerentes à cirurgia em odontopediatria que indica-se, por ex., a exodontia de um dente, mas alguns aspectos devem ser pen- sados antes de realizar a sua remoção, como acontece com dentes não irrompidos e que não terão espaço para irromper se for removido pre- cocemente o dente decíduo. 176 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Oportunidade cirúrgica – estabelecer o momento oportuno é ou- tro princípio fundamental e básico da cirurgia em criança. É importante que o Cirurgião Dentista constate se o ato operatório pode ser realizado imediatamente ou se existe algum impedimento, seja local ou sistêmi- co que contraindique a cirurgia. Situações momentâneas e/ou definiti- vas que podem contraindicar o tratamento devem ser ponderadas e, se necessário, postergadas até que o equilíbrio se reestabeleça. Os estágios finais de doenças degenerativas representam algumas situações que po- dem impedir a realização da cirurgia. Uma vez decidida a necessidade de realização do procedimento ci- rúrgico, algumas medidas pré-operatórias são importantes, entre as quais: o planejamento da técnica cirúrgica, as medidas de biossegurança e apli- cação da terapêutica medicamentosa prévia. Após realizado o procedi- mento, as medidas pós-operatórias não devem ser esquecidas, assim, ao tomar medidas pós-operatórias adequadas, pode-se obter melhores con- dições para a recuperação e evolução da reparação tecidual do paciente. Vale lembrar que o procedimento cirúrgico está diretamente as- sociado à complexidade cirúrgica, que pode ser de baixa, média ou alta complexidade. Entende-se por complexidade cirúrgica, um conjunto de fatores que devem ser considerados para o planejamento do Cirurgião Dentista. Dependendo do tipo de complexidade cirúrgica o requinte téc- nico é mais apurado. Além da dificuldade técnica, devemos, baseados nessa complexidade, estabelecer os parâmetros de: terapêutica medica- mentosa, planejamento cirúrgico, arsenal cirúrgico, previsibilidade no pós-operatório e manejo do comportamento da criança. Exodontia de dentes decíduos A remoção cirúrgica de dentes (exodontia) é, de fato, o procedi- mento mais frequente praticado em odontologia, e seus objetivos são: Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 177 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 1) Limitar o processo danoso causado pelas doenças bucais ou pelo traumatismo dentoalveolar, para evitar sequelas principalmen- te aos permanentes. 2) Beneficiar a correção de alterações anatômicas e funcionais, con- tribuindo para a reabilitação funcional do paciente infantil. Para realizar a exodontia do dente decíduo, alguns princípios pró- prios devem ser seguidos, para que favoreçam tecnicamente o profis- sional, são eles: Posição do paciente – a posição correta do profissional e da crian- ça que permita a abordagem cirúrgica segura de qualquer dente ou região. A criança deve estar sentada na cadeira odontológica, re- clinada em torno de 30o. Redução da resistência – é recomendado o uso de uma via que facilite a exérese do dente, por meio da redução da resistência da remoção, cuidar para que não traumatize o permanente e muitas vezes com estreita relação entre as raizes dos decíduos e a coroa do permanente. Usar instrumental adequado – instrumentos apropriados, usados com força adequada e controlada. É importante que os instrumen- tos sejam fabricados para remoção de dentes decíduos, pelas ca- racterísticas anatômicas diferenciadas dos dentes permanentes. Algumas diferenças entre os dentes decíduos e permanentes im- portantes que devem ser respeitadas para uma boa execução da técnica de exodontia, são relacionadas ao tamanho, pois os dentes são meno- res em todas as dimensões e as raizes configuram proporcionalmente a maior parte do dente decíduo. A forma do dente também deve ser considerada, nos decíduos são menos volumosas o que dificulta a apreensão pelo instrumental. As rai- zes divergentes torna-se as vezes um fator complicador da remoção. 178 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Outra diferença importante é a característica da reabsorção fisio- lógica das raizes dos dentes decíduos, denominada de rizólise. Na den- tição permanente, qualquer reabsorção radicular é patológica. O osso alveolar quesustenta o dente decíduo é elástico no pacien- te jovem e essa particularidade facilita a remoção dos dentes nessa fase. • Grande comprometimento do dente; • Dentes com rarefação óssea (periapical ou interradicular persistente); • Rompimento da cripta óssea do germe do sucessor permanente; • Dentes com cáries que já atingiram a bifurcação radicular; • Dentes com alveólise; • Dentes com raízes fraturadas; • Dentes anquilosados e submersos. Quadro 38 – Indicações de exodontia em dentes decíduos. Fonte: Os autores Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 179 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o A B C D Figura 51 – Ilustração dos aspectos clínicos e radiográficos de indicações de exodontia do dente decíduo. A-B mostra caso de alveólise e retenção prolongada dos dentes anteriores decíduos decorrente de traumatismo. C-D mostra dente após realizada a exodontia, decorrente de lesão interradicular persistente. Fonte: Os autores 180 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o O Quadro 39 indica as principais dificuldades que podem neces- sitar de uma intervenção com maior requinte técnico. • Reabsorção desigual das raízes; • Fratura da coroa; • Raízes de molares em estreita relação com a coroa do dente permanente; • Dentes anquilosados; • Dentes com fusão/geminação de dois dentes; • Lesões no permanente; • Perda de espaço. Quadro 39 – Dificuldades na exodontia de dentes decíduos. Fonte: Os autores Sequência Técnica Cirúrgica A exodontia de dentes decíduos pode ser realizada por diferen- tes técnicas: uso do fórceps; uso de elevadores; com odontossecção com instrumentos rotatórios; com osteotomia alveolar; pela combinação das técnicas. Independente da técnica escolhida, alguns pontos importantes de- vem ser abordados. O exame clínico e o radiográfico são fundamentais para uma boa prática cirúrgica, pois, por eles, será possível fechar o diagnóstico cor- reto que indique a terapêutica cirúrgica e favoreça o planejamento deta- lhado do procedimento. Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 181 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Baseado no planejamento é possível visualizar cada passo cirúr- gico, favorecendo a montagem do arsenal de instrumentais sem excesso ou falta durante o ato operatório. Não podem ser esquecidos os procedi- mentos de biossegurança e antissepsia intra e extra oral. Uma vez estabelecido esses cuidados parte-se para a sequência técnica de exodontia do dente decíduo, como segue: 1o Passo – Pré-anestesia – a aplicação do anestésico tópico sobre a mucosa na região da puntura da agulha deve ser realizada, após a secagem da região. É importante que o anestésico tópico fique em contato com a mucosa por um tempo suficiente que cause a dessensibilização da região. O tempo da pré-anestesia é de 4 minutos dependendo do medicamento utilizado. 2o Passo – Anestesia da região – realizar a técnica anestésica in- dicada para cada região e dentes que serão submetidos à cirur- gia (verificar o Capítulo de técnicas anestésicas). É importante respeitar as possíveis variações da técnica anestésica que são observadas em crianças e diferenciam do adulto. Figura 52 – Ilustração da técnica anestésica infiltrativa na região vestibular do canino decíduo. Fonte: Os autores 182 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o 3º Passo – Sindesmotomia – procedimento realizado com instru- mental específico (sindesmótomo) com o objetivo de romper as fibras periodontais e melhorar a exposição da coroa para a apre- ensão do fórceps. A sindesmotomia é realizada em todas as su- perfícies do dente e com o instrumento inserido no interior do sulco gengival deve ser realizado um movimento firme e único. Figura 53 – Ilustração do procedimento de sindesmotomia para a cirurgia do elemento dental. Fonte: Os autores 4º Passo – Luxação e Avulsão – a luxação pode ser realizada com instrumentos como elevadores e fórceps. Após realizada a lu- xação, o dente deve ser avulsionado com o uso de um fórceps. É importante ter o entendimento que, em decorrência da varia- ção anatômica entre decíduos e permanentes, os instrumentais para luxação e avulsão do dentes decíduo devem ser específi- cos e adequados para cada elemento. Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 183 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 54 – Ilustração da apreensão, luxação e avulsão do dente decíduo com o uso do fórceps. Fonte: Os autores 5o Passo – Curetagem do alvéolo – a curetagem do alvéolo não é con- traindicada na exodontia dos dentes decíduos, mas vale uma obser- vação importante sobre essa manobra. A curetagem do alvéolo na dentição decídua somente deverá ser realizada quando existir le- sões passíveis de remoção, que não estão próximas ou em conta- to com o germe do dente permanente, caso contrário essa manobra não deve ser indicada. 6o Passo – Hemostasia – a hemostasia em odontopediatria é reali- zada apenas por compressão e oclusão de gaze. Não é indicada a manobra de Chaumpret durante esse procedimento. 7o Passo – Sutura – a sutura deve ser sempre realizada após a exodontia de dentes decíduos com mais de um terço de raiz re- manescente. Dentes em fase final de rizólise ou com menos de um terço de raiz remanescente não necessitam de sutura. É im- portante salientar que em todo procedimento cirúrgico, a ma- nobra de sutura deve ser planejada, pois alguma intercorrência poderá acontecer. 184 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 55 – Ilustração do procedimento de sutura simples, para coaptar os tecidos após realizada a remoção cirúrgica de dente incluso. Fonte: Os autores Uso do fórceps para exodontia dos dentes decíduos O fórceps é o instrumental apropriado para apreender e avulsionar o dente decíduo no procedimento de exodontia, mas alguns cuidados de- vem ser respeitados durante a execução da técnica, principalmente rela- cionados a anatomia radicular do dente, os movimentos de luxação e a presença do germe do dente permanente. Os movimentos devem ser efetuados de forma livre, porém com suavidade, permitindo a obtenção dos resultados mecânicos esperados, sem dilaceração dos tecidos moles, fratura óssea ou dentária e sem cau- sar temores nas crianças. Em dentes anteriores, pelo posicionamento e proximidade do germe do permanente com as raizes dos dentes decíduos, existe a necessidade em realizar após a apreensão, apenas movimentos de rotação e tração, para avulsionar o dente decíduo. Não é indicado o movimento de intrusão com o fórceps durante a exodontia, para proteção efetiva do dente permanente. Nos dentes posteriores, o germe do permanente encontra-se posi- cionado próximo e/ou entre as raizes, o que dificulta a exodontia do dente decíduo. A remoção do dente permanente em conjunto com a exodontia Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 185 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o do dente decíduo posterior é um fato relatado na literatura e que apre- senta ocorrência, assim para se evitar essa intercorrência é importante um exame radiográfico com qualidade que diagnostique essa possibili- dade. Para os dentes posteriores o movimento com o fórceps no sentido vestibulo lingual é o indicado durante a exodontia. O uso do fórceps é contraindicado quando não houver porção co- ronária suficiente para receber e transmitir o efeito mecânico do instru- mento e também quando o germe do dente permanente sucessor puder ser deslocado quando do movimento das raízes do decíduo. Figura56 – Ilustração dos movimentos com o fórceps em dentes anteriores em movimento de rotação e tração. Fonte: Os autores Uso do elevador para exodontia do dente decíduo Os elevadores são instrumentais cirúrgicos muito utilizados para a exodontia de dentes. Quando bem indicados, facilitam a luxação e a remoção de raizes residuais dos dentes decíduos. As alavancas retas de- vem ser posicionadas com a ponta ativa em sentido do longo eixo radi- cular no ligamento periodontal e com um movimento de rotação de ¼ a 186 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o ½ volta. Além do deslocamento, a alavanca gera um efeito de cunha en- tre o dente e o periodonto, que facilita a extrusão da raiz. • Luxação de dentes para posterior utilização do fórceps; • Expansão do osso alveolar facilitando a exodontia; • Remoção de raízes fraturadas ou seccionadas cirurgicamente; • Remover dentes anteriores com reabsorção radicular extensa. Quadro 40 – Indicações para o uso de extratores em odontopediatria. Fonte: Os autores Manobra de Odontosecção O seccionamento das raízes dos dentes decíduos é uma manobra que se bem realizada auxilia o profissional em exodontias de maior com- plexidade. A odontossecção tem como objetivos: • Reduzir a resistência à avulsão dentária. • Evitar fraturas radiculares durante a exodontia. • Eliminar a impactação de dentes retidos. • Evitar a remoção do sucessor permanente posicionado entre as raízes do decíduo. O seccionamento deve ser feito com instrumento rotatório, no sen- tido vestibulolingual (inferiores) e nos sentidos mésio distal e vestibu- lolingual (superiores) e em seguida deve-se remover, cuidadosamente, cada raiz separadamente. Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 187 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o • fraturas coronárias; • fraturas radiculares; • sangramento abundante; • traumatismo e/ou avulsão do germe do dente permanente. Quadro 41 – Acidentes e complicações comuns na exodontia. Fonte: Os autores • Cirurgia de tecido mole – frenectomia labial e lingual; – plástica e correção gengival; – ulectomia; – papilomatoses; – mucocele. • Cirurgias complexas – inclusos como: dentes dilacerados, odontomas; • complexo e composto e supranumerários; – cistos dentígeros (Descompressão); – tracionamento dentário; – transplante de 3º em 1º. Quadro 42 – Possibilidades cirúrgicas na clínica de odontopediatria. Fonte: Os autores 188 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Caso Clínico 1 – Remoção cirúrgica de odontoma composto A B C D E F Figura 57 – Ilustração mostrando a remoção cirúrgica de odontoma composto localizado na região anterior superior. A – Aspecto clínico intrabucal, pode-se verificar o abaulamento na região do incisivo central direito. B– Aspecto radiográfico mostra com detalhes o posicionamento e as várias estruturas semelhantes ao dente. C – Após a anestesia foi realizada a incisão. D – Descolamento do tecido e luxação para a exérese dos dentículos. E – Odontoma removido. F – Sutura do retalho em posição. Fonte: Os autores Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 189 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Caso Clínico 2 – Remoção cirúrgica do freio labial superior A B C D E F Figura 58 – Ilustração da sequência cirúrgica para remoção do freio teto labial superior. A – Caso clínico inicial, mostrando a presença de um freio labial superior volumoso. B – Após a anestesia bilateral da região, faz-se duas incisões uma de cada lado na base do freio, com bisturi angulado a 45o. C – Freio liberado do tecido ósseo. D – Divulsão da mucosa e musculatura com tesoura. E – Sutura da ferida cirúrgica. F – Aspecto clínico no pós-operatório de 7 dias. Fonte: Os autores 190 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Caso Clínico 3 – Ulectomia A B C D Figura 59 – Ilustração da sequência de ulectomia/ulotomia. A – Caso clínico inicial, mostrando a presença de tecido gengival fibroso. B – Após a anestesia da região, é realizada a incisão. C – Exposição cirúrgica da borda incisal do elemento 11. D – Aspecto clínico no pós-operatório de 7 dias. Fonte: Os autores Recomendaçãos pós-operatória O pós-operatório em odontopediatria, geralmente é feito com reco- mendações básicas por no mínimo três dias sobre: – restrição alimentar que dever envolver orientações limitando a ingestão de alimento quente e de consistência endurecida; – limitação do esforço físico; – uso corre- to de uma terapia medicamentosa quando indicada. Os medicamentos analgésicos prescritos de forma adequada são capazes de controlar a dor mais intensa no primeiro dia de pós-operatório. Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 191 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Usar a oclusão de gaze sob pressão parece ser efetiva para a he- mostasia da região. Os pais ou responsáveis devem ser orientados quanto ao tipo de alimento, de preferência líquidos e frios, administrado nas primeiras 24 horas. Assim como comunicar qualquer ocorrência pós-operatória que julgarem vinculados ao procedimento cirúrgico. ____________________ Referências CAMERON, Angus C; WIDMER, Richard P. Manual de odontopediatria. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. DUARTE, Danilo Antonio. Lesões traumáticas em dentes decíduos: tratamen- to e controle. São Paulo: Santos, 2001. (Caderno de Odontopediatria). FERJESKOV, O; KIDD, E. Cárie Dentária: a doença e seu tratamento clíni- co. 2. ed. São Paulo: Santos, 2013. GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. Odontopediatria. 8. ed. São Paulo: Santos, 2010. HUBERTUS, J. W. Odontopediatria: atlas colorido de odontologia. São Paulo: Artmed, 2002. SANT’ANNA, G. R. Cariologia: diagnóstico, controle e tratamento. São Paulo: Santos, 2001. (Caderno de Odontopediatria). WELBURY, R. R; DUGGAL, M. S.; HOSEY, M. T. Odontopediatria. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 192 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Capítulo 14 Remoção química e mecânica da cárie Sandra Kalil Bussadori Lara Jansiski Motta Marcelo Mendes Pinto A remoção química e mecânica da cárie é uma técnica minimamente invasiva para remoção do tecido cariado, na qual se utilizam instrumentos não cortantes associados a agentes que amolecem quimicamente a denti- na cariada, facilitando sua remoção e assegurando ao paciente um maior conforto quando comparado ao método convencional (uso de alta rotação). Como não há estímulos cortantes, não há a necessidade do uso de anestesia. A remoção química e mecânica da cárie foi introduzida em 1972, quando surgiu um produto denominado GK101, o primeiro sistema para remoção química e mecânica da cárie. O GK101 promovia uma remoção do tecido cariado lentamente, de modo que para melhorar a velocida- de da reação foi desenvolvido o GK101E ou Caridex, como o mesmo foi denominado em 1984 pela FDA. O Caridex era composto por áci- do aminobutírico-N-monocloro-DL-2 (NMAB) e, além de não remover efetivamente o tecido cariado, apresentava outros inconvenientes, como a necessidade de aquecimento, grande quantidade de solução para a re- moção da cárie, aparatologia complexa e alto custo. Com o intuito de globalizar a utilização dos sistemas de remoção química e mecânica do tecido cariado, promovendo o emprego desta técnica principalmente no âmbito de saúde pública em 2000, Bussadori e Miziara desenvolveram um gel à base de papaína, cloramina e azul de toluidinapara remoção química e mecânica da cárie. Esse gel não tem contraindicações e pode ser utilizado tanto em dentes decíduos como permanentes, é indicado para qualquer tipo de le- são de cárie, principalmente em pacientes com necessidades especiais, crianças, adolescentes e adultos fóbicos. Tem como principais vantagens o fato de ser uma técnica atraumática, efetiva, com baixo custo, fácil apli- Remoção química e mecânica da cárie - 193 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o cabilidade e que não necessita aparatos tecnológicos para ser realizada (Bussadori et al. 2006; Abdelnur et al.2008). A literatura (Banerjee et al.,2000; Ammari & Moliterno, 2005) afirma, que como não há estímulos cortantes, não há necessidade do uso de anestesia. É biocompatível com os tecidos bucais e não é tóxico in vitro e in vivo (Araújo et al., 2008). Ao ser comparado com o método convencional, a remoção química e mecânica do tecido cariado é significantemente menos dolorosa, reduz o risco de exposição pulpar e não causa danos aos tecidos sadios sendo, portanto, um excelente aliado para remoção da cárie (BUSSADORI et al. 2005; SILVA et al. 2005). Para a remoção de tecido cariado, até os dias de hoje, as brocas de aço acopladas à caneta de baixa rotação são os instrumentos mais utili- zados (BENERJEE et al. 2000). Esta técnica proporciona remoção do tecido cariado com maior velocidade, mas por não ser seletivo, resulta na remoção de estruturas sadias (BANERJEE et al. 2000). O sistema de tratamento da doença cárie que utiliza um agente quí- mico, para remoção de dentina cariada seguida de restauração da estrutura dental com cimento de ionômero de vidro e somada à educação e controle preventivo, preenche os requisitos para um programa efetivo de promoção de saúde, que são a preservação de estrutura sadia; o não cansaço manual do operador; a ausência de dor ou desconforto; a ausência de injúria pul- par, o não uso de anestesia e eletricidade, o baixo custo e de ser uma téc- nica de simples execução (CARNEIRO et al. 2004; SILVA et al. 2004). O gel Papacárie® foi avaliado em ensaio clínico randomizado e controlado por um período de 12 meses. Neste estudo 20 dentes decíduos cariados que foram tratados com o gel e 20 dentes decíduos tratados com instrumento rotatório para comparação entre os dois tratamentos. Após a avaliação clínica e radiográfica, foi possível observar que o gel demons- trou vantagens em relação à preservação do tecido dentinário sadio e ao conforto do paciente, evitando-se o uso da anestesia (MOTTA et al. 2014). Uma série de casos clínicos com acompanhamento de 12 meses com 84 dentes decíduos tratados com o gel Papacárie demonstrou que esta técnica apresentou 98,8% de sucesso (BUSSADORI et al. 2014). 194 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o O uso clínico do gel também apresenta vantagens quanto à necessidade de anestesia durante a remoção da cárie. Matsumoto et al. (2013) realizaram um estudo no serviço público com 20 crianças entre 5 e 8 e nos casos estuda- dos não foi observada a necessidade de anestesia local quando utilizado o gel para remoção da cárie. O uso do gel no serviço público pode colaborar com o maior acesso ao tratamento das lesões de cárie por se tratar de uma técni- ca que requer pouco investimento e apresentar grande facilidade operacional. A técnica restauradora está escrita no Quadro 43. As figuras 60 a 64 ilustram o passo a passo do tratamento com o gel Papacárie®. Procedimento Periapical e/ou interproximal Radiografia Inicial Com pedra–pomes e água ou com pasta profilática Profilaxia Relativo (afastador de lábios, rolete de algodão e sugador de saliva) Isolamento Colocar o gel em pote Dappen e aplicar na cavidade por meio da própria cureta Aplicação do gel na cavidade 30 a 40 segundos para lesões de cárie ativa 40 a 60 segundos para lesões de cárie inativa Tempo para ação do gel Realizada por movimentos pendulares de raspagem, com curetas sem corte Raspagem da dentina cariada Sempre que houver necessidade, até remoção do tecido cariado (presença de “lascas” de dentina) Reaplicação do gel Inspeção visual da dentina remanescente e com instrumental sem corte Avaliação clínica Por meio de jatos de água ou bolinha de algodão com água. Pode-se limpar a cavidade com bolinha de algodão e digluconato de clorexidina 1 ou 2%. Lavagem da cavidade Pode ser feita com qualquer material restaurador, seguindo-se as normas do fabricante. Restauração Acompanhamento clínico e radiográfico do dente/ restauração Preservação Quadro 43 – Protocolo de utilização do gel Papacárie®. Fonte: Os autores Remoção química e mecânica da cárie - 195 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Figura 60 – Aspecto clínico da lesão de cárie Figura 61 – Aplicação do gel para a remoção química da cárie na cavidade Figura 62 – Remoção do tecido cariado por meio de raspagem com cureta sem corte Figura 63 – Aspecto da cavidade após a remoção do tecido cariado Figura 64 – Restauração com cimento de ionômero de vidro Fonte das imagens: Os autores 196 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Referências ABDELNUR, J. A. et al. Strategies for addressing restorative challenges in HIV-infected children. J Dent Child (Chic). v. 75, n. 1, p. 69-73, Jan./Apr. 2008. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18505652>. AMMARI, Michelle Mikhael; MOLITERNO, Luiz Flávio Martins. Remoção química e mecânica da cárie: evidências atuais. Rev. bras. odontol. v. 62, n. 1-2, p. 125-127, 2005. BANERJEE, A.; WATSON, T.; KIDD, E. Conservative dentistry: dentine exca- vation: a review of current clinical techniques. Br Dent J. n. 188, p. 476-82, 2000. Disponível em: <http://www.nature.com/bdj/journal/v188/n9/full/4800515a.html>. BUSSADORI, S. K.; CASTRO, L. C.; GALVÃO, A. C. Papain gel: a new che- mo-mechanical caries removal agent. J Clin Pediatr Dent, v. 30, n. 2, p. 115-19, Winter 2005. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16491964>. BUSSADORI, S. K. et al. Utilização do gel à base de papaína para remoção química e mecânica do tecido cariado. Rev. Assoc. Paul. Cir. Dent. v. 60, n. 6, p. 450-3, nov./dez. 2006. BUSSADORI, S. K. et al. Avaliação da biocompatibilidade “in vitro” de novo material para remoção química e mecânica da carie – papacarie. 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Disponível em: <http://ref.scielo.org/wh3ybb>. 198 - Os Autores U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Os Autores Sandra Kalil Bussadori Pós-Doutora em Pediatria pela UNIFESP/EPM, Mestre em materiais dentários e doutora em Odontopediatria pela FOUSP, Especialista em Odontopediatria, Professora dos Programas de Pós-Gaduação em Ciências da Reabilitação e Biofotônica Aplicada às Ciências da Saúde e do Curso de Odontologia da UNINOVE. Lara Jansiski Motta Doutora em Saúde Coletiva pela UNIFESP/EPM, Mestre em Ciências da Reabilitação pela UNINOVE, Especialista em Odontopediatria, Professora do Programa de Mestrado Profissional em Gestão de Sistemas de Saúde e do Curso de Odontologia da UNINOVE. Marcelo Mendes Pinto Mestre e Doutor em Materiais Dentários pela FOUSP, Especialista em Odontopediatria, Professor do Curso de Odontologia da UNINOVE. Camila Haddad Leal de Godoy Especialista em Odontopediatria, Mestre e Doutora em Ciências da Reabilitação – Uninove, Professora do Curso de Odontologia da UNINOVE. Carolina Carvalho Bortoletto Especialista em Odontopediatria, Mestre e Doutora em Ciências da Reabilitação – Uninove, Professora do Curso de Odontologia da UNINOVE. Os Autores - 199 U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Eugênio Garcia Especialista e Mestre em Dentística Restauradora, UEPG. Doutor e Pós-Doutor em Materiais Dentários, FOUSP. Pós-Doutor em Ciências da REABILITAÇÃO, UNINOVE. Professor do Curso de Odontologia da UNINOVE. Katia Lumi Tanikawa-Vergilio Mestre em Ciências – Microbiologia oral ICB -USP. Especialista em Odontopediatria SOESP. Professora das disciplinas de Microbiologia, Cariologia, Clínica Odontológica Infantil e Saúde Bucal Coletiva do curso de Graduação de Odontologia da UNINOVE. Olga Maria Altavista Doutora em Diagnóstico Bucal – Radiologia [USP]. Mestre em Odontopediatira [USP]. Especialista em Clínica Odontológica Infantil [CFO]. Professora da Universidade Nove de Julho; clinica infantil, cli- nica integrada e saúde básica comunitária em odontologia. Ravana Angelini Sfalcin Mestre e Doutora em Materiais Dentários pela UNICAMP. Especialista em Odontopediatria pela APCD CENTRAL. Pós- Doutoranda em Biofotônica Aplicada às Ciências da Saúde (UNINOVE). Professora do Curso de Odontologia da UNINOVE. Silvia Regina Garcia Olivan Especialista em Odontopediatria, UNISA. Especialista em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares, UNICID. Mestre em Biofotônica Aplicada às Ciências da Saúde, UNINOVE. Livro composto com as fontes Times New Roman 12/16 no corpo de texto e 13/15 nos títulos, impresso em papel offset 90g/m2, outubro de 2017. U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o U N IN O VE – u so e xc lu si vo p ar a al un o Apresentação Capítulo 1 Dentições Decídua e Mista: Características e Alterações Sandra Kalil Bussadori Marcelo Mendes Pinto Olga Maria Altavista Eugênio Correia Capítulo 2 Anatomia de Dentes Decíduos Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Mota Sandra Kalil Bussadori Capítulo 3 Psicologia Aplicada à Odontopediatria Katia Lumi Tanikawa-Vergilio Capítulo 4 Anamnese e exame clínico Sandra Kalil Bussadori Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Carolina Carvalho Bortoletto Capítulo 5 Técnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria Lara Jansiski Motta Marcelo Mendes Pinto Camila Haddad Leal de Godoy Olga Maria Altavista Sandra Kalil Bussadori Capítulo 6 Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas Sandra Kalil Bussadori Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Eugênio Garcia Capítulo 7 Terapêutica medicamentosa em odontopediatria Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Sandra Kalil Bussadori Capítulo 8 Diagnóstico de lesões de cárie Silvia Regina Garcia Olivan Ravana Sfalcin Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Sandra Kalil Bussadori Capítulo 9 O Papel do Flúor na Prevenção e Tratamento da Doença Cárie Lara Jansiski Motta Marcelo Mendes Pinto Katia Lumi Tanikawa-Vergilio Carolina Carvalho Bortoletto Sandra Kalil Bussadori Capítulo 10 Materiais dentários aplicados na odontopediatria Sandra Kalil Bussadori Lara Jansiski Motta Marcelo Mendes Pinto Capítulo 11 Procedimentos restauradores em odontopediatria Camila Haddad Leal de Godoy Marcelo Mendes Pinto Lara Jansiski Motta Sandra Kalil Bussadori Capítulo 12 Tratamento endodôntico de dentes decíduos Lara Jansiski Motta Marcelo Mendes Pinto Sandra Kalil Bussadori Capítulo 13 Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria Marcelo Mendes Pinto Lara Jasinski Mota Sandra Kalil Bussadori Capítulo 14 Remoção Química e Mecânica da Cárie Sandra Kalil Bussadori Lara Jansiski Motta Marcelo Mendes Pinto Os Autores