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Universidade Nove de Julho – UNINOVE
Rua Vergueiro, 235/249 – 12º andar
CEP: 01504-001 – Liberdade – São Paulo, SP – Brasil
Tel.: (11) 3385-9191 – editora@uninove.br
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São Paulo
2017
Sandra Kalil BuSSadori
lara JanSiSKi Motta
Marcelo MendeS Pinto
organizadoreS
Manual de ProtocoloS 
clÍnicoS eMPregadoS eM 
odontoPediatria
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© 2017 UNINOVE
Todos os direitos reservados. A reprodução desta publicação, no todo ou em parte, 
constitui violação do copyright (Lei nº 9.610/98). Nenhuma parte desta publicação 
pode ser reproduzida por qualquer meio, sem a prévia autorização da UNINOVE.
Conselho Editorial: Eduardo Storópoli
Maria Cristina Barbosa Storópoli
Patricia Miranda Guimarães 
Cinthya Cosme Gutierrez Duran 
Renata Mahfuz Daud Gallotti 
Os conceitos emitidos neste livro são de inteira responsabilidade dos autores
Capa: Big Time Serviços Editoriais
Criança da capa: Lívia Motta Cannavan
Diagramação: Marcella Mendonça Cavalheiro
Revisão: Big Time Serviços Editoriais
Catalogação na Publicação (CIP)
Cristiane dos Santos Monteiro - CRB/8 7474
--------------------------------------------------------------------------------------------------
Manual de protocolos clínicos empregados em odontopediatria /
organizadores, Sandra Kalil Bussadori, Lara Jansiski Motta,
Marcelo Mendes Pinto. — São Paulo : Universidade Nove de Julho – 
UNINOVE, 2017.
210 p. ; il. (algumas color.)
ISBN: 978-85-89852-56-2 (e-book)
ISBN: 978-85-89852-59-3 (impresso)
I. Odontopediatria – Protocolos clínicos. II. Autores. III. Título
 CDU 616.314-053.2
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Sumário
Apresentação ...............................................................8
Capítulo 1
Dentições decídua e mista: características
e alterações........................................................................ 9
Sandra Kalil Bussadori; Marcelo Mendes Pinto; Olga Maria Altavista; 
Eugênio Garcia
Capítulo 2
Anatomia de dentes decíduos ..................................22
Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; Sandra Kalil Bussadori
Capítulo 3
Psicologia aplicada à odontopediatria ...............36
Katia Lumi Tanikawa-Vergilio
Capítulo 4
Anamnese e exame clínico ........................................55
Sandra Kalil Bussadori; Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; 
Carolina Carvalho Bortoletto
Capítulo 5
Técnicas radiográficas aplicadas à
odontopediatria ........................................................61
Lara Jansiski Motta; Marcelo Mendes Pinto; Camila Haddad Leal de 
Godoy; Olga Maria Altavista; Sandra Kalil Bussadori
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Capítulo 6
Anestesia local em odontopediatria: técnicas
e considerações básicas ................................................ 70
Sandra Kalil Bussadori; Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; 
Eugênio Garcia
Capítulo 7
Terapêutica medicamentosa em
odontopediatria ........................................................86
Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; Sandra Kalil Bussadori
Capítulo 8
Diagnóstico de lesões de cárie ............................ 108
Silvia Regina Garcia Olivan; Ravana Angelini Sfalcin; Marcelo Mendes 
Pinto; Lara Jansiski Motta; Sandra Kalil Bussadori
Capítulo 9
O papel do flúor na prevenção e tratamento
da doença cárie ....................................................... 116
Lara Jansiski Motta; Marcelo Mendes Pinto; Katia Lumi Tanikawa-
Vergilio; Carolina Carvalho Bortoletto; Sandra Kalil Bussadori
Capítulo 10
Materiais dentários aplicados na
odontopediatria ...................................................... 130
Sandra Kalil Bussadori; Ravana Angelini Sfalcin; Lara Jansiski Motta; 
Marcelo Mendes Pinto
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Capítulo 11
Procedimentos restauradores em
odontopediatria ...................................................... 149
Camila Haddad Leal de Godoy; Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski 
Motta; Sandra Kalil Bussadori
Capítulo 12
Tratamento endodôntico de dentes decíduos ........158
Lara Jansiski Motta; Marcelo Mendes Pinto; Sandra Kalil Bussadori
Capítulo 13
Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria .....173
Marcelo Mendes Pinto; Lara Jansiski Motta; Sandra Kalil Bussadori
Capítulo 14
Remoção química e mecânica da cárie ................ 192
Sandra Kalil Bussadori; Lara Jansiski Motta; Marcelo Mendes Pinto
Os Autores ............................................................... 198U
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8 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria
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Apresentação
A Odontologia acompanha as constantes inovações tecnológicas 
e a atualização do conhecimento se faz necessária. Acreditamos que um 
dos nossos papéis como docentes é contribuir na condução do caminho 
de desenvolvimento dos profissionais.
A Odontopediatria segue a evolução científica sem perder a prin-
cipal filosofia de promover saúde desde a infância. Neste contexto, este 
livro compreende os temas mais relevantes para o cotidiano clínico no 
atendimento odontopediátrico, apresentados de maneira clara e objetiva 
tanto para o aluno de graduação quanto para o profissional em exercício.
Ao planejarmos este material, a maior preocupação foi organizar a 
apresentação dos conceitos e técnicas com a visão do atendimento inte-
gral à criança. Os temas abordados contemplam a nossa ideologia huma-
nista de promover saúde nos diferentes níveis de atenção, que abrangem 
desde a educação e orientação para manutenção da saúde e prevenção 
das doenças até a necessidade de reabilitação bucal.
Este livro fortalece a nossa missão de compartilhar a experiência 
clínica e os novos conhecimentos com os estudantes. Acreditamos tam-
bém que estamos sempre aprendendo e nunca o fazemos sozinhos, por-
tanto agradecemos especialmente aos professores Eduardo e Cristina, 
que nos concederam esta linda oportunidade, e aos nossos valiosos co-
laboradores no desenvolvimento deste importante material. 
Desejamos aos leitores que, ao entrar em contato com os protoco-
los aqui sugeridos, mergulhem conosco no propósito maior, que é favo-
recer a possibilidade do maior número de sorrisos saudáveis.
Os Autores
Dentições decídua e mista: características e alterações - 9
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Capítulo 1
Dentições decídua e mista: 
características e alterações
Sandra Kalil Bussadori
Marcelo Mendes Pinto
Olga Maria Altavista
Eugênio Garcia
Introdução 
O conhecimento das características normais de cada uma das den-
tições é de suma importância, pois no transcurso da vida do paciente po-
dem acontecer processos cariosos, traumatismos, instalação de hábitos 
ou perdas precoces de elementos dentários que podem provocar proble-
mas futuros de maloclusões na dentição permanente.
Dentição decídua (do nascimento aos 3 anos de idade)
Ao nascimento as crianças apresentam uma relação posterior da 
mandíbula em relação à maxila; situação que vai se corrigir antes da erup-
ção dentária. O terço inferior do rosto é o menor se comparado aos ou-
tros terços. Os incisivos e caninos encontram-se com alguma frequência 
apinhados e os molares decíduos situam-se sem apinhamento e inclusive 
com algum espaçoentre eles. Os arcos alveolares (roletes gengivais) são 
predominantemente em forma de “U” (inferior) e de ferradura no superior.
Temos nessa fase pequenos movimentos mandibulares devido ao 
pouco desenvolvimento da cavidade articular e do côndilo. Por isso não 
podemos em momento algum dissociar a função muscular e seu desen-
volvimento para o correto arranjo oclusal.
Entre os 6-8 meses de vida pós-natal, a maxila e a mandíbula cres-
cem extensivamente. A mandíbula vai para uma posição mais anteriori-
zada em relação à maxila, promovendo uma relação similar à mantida 
quando se estabelecerá o completo desenvolvimento da dentição decí-
10 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria
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dua. O crescimento transversal é atribuído à presença da sutura palatina 
e da sínfise mandibular. É nesta idade que acontece a erupção dos dentes 
anteriores. Após os 12 primeiros meses, o crescimento da região ante-
rior dos maxilares fica limitado, sendo que os setores posteriores con-
tinuam crescendo criando espaço para a erupção dos molares. A partir 
dos 16 meses aparece um contato vertical entre ambas as arcadas a par-
tir dos primeiros molares decíduos. 
A dentição decídua se completa no período entre 24-30 meses, 
quando acontece a erupção dos segundos molares decíduos (Tabela 1). 
O crescimento vai somente reiniciar com a erupção dos dentes perma-
nentes. Neste período, a formação coronária dos permanentes acontece 
de forma simultânea, podendo observar-se radiograficamente o posi-
cionamento das coroas dos permanentes lingualmente (incisivos), api-
calmente (caninos e pré-molares) em relação aos ápices dos decíduos.
Tabela 1 – Crescimento e desenvolvimento da dentição decídua
DENTIÇÃO DECÍDUA 
Início da 
calcificação
Formação 
completa Erupção Esfoliação
Superiores Inferiores Superiores Inferiores
Incisivos 
centrais 4º mês fetal
18º-24º 
mês 6-10 meses 5-8 meses 7-8 anos 6-7 anos
Incisivos 
laterais 4º mês fetal
18º-24º 
mês 8-12 meses
7-10 
meses 8-9 anos 7-8 anos
Caninos 4º mês fetal 30º-39º mês
16-20 
meses
16-20 
meses 11-12 anos 9-11 anos
Primeiros 
molares 4º mês fetal
24º-30º 
mês
11-18 
meses
11-18 
meses 9-11 anos
10-12 
anos
Segundos 
molares 4º mês fetal 36º mês
20-30 
meses
20-30 
meses 9-12 anos
11-13 
anos
Fonte: Logan et al. 1933
Dentições decídua e mista: características e alterações - 11
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Vista vestibulolingual da dentição decídua completa
A arcada decídua carece das inclinações características da den-
tição permanente (Curva Spee). Os dentes estão implantados vertical-
mente na base óssea e, como consequência, as faces oclusais estão num 
mesmo plano. A Articulação Temporomandibular (ATM) encontra-se si-
tuada na altura deste plano. 
A presença ou não de diastemas na região anterior (superior e in-
ferior) permitirá classificar a arcada decídua em tipo I ou II (Baume):
 ✓ Tipo I: há diastemas nos dentes anteriores, favorecendo a erup-
ção dos permanentes.
 ✓ Tipo II: sem diastemas nos dentes anteriores, favorecendo a 
aparição de apinhamento quando há erupção dos permanentes.
O espaço primata é um diastema que pode aparecer na dentição 
decídua entre o canino e o primeiro molar decíduo (mandíbula) e entre 
o incisivo lateral e o canino (maxila). Nos molares decíduos podem apa-
recer alguns espaçamentos que tendem a fechar-se em função do cresci-
mento ósseo e das forças oclusais. 
A relação distal dos segundos molares decíduos superiores e infe-
riores (antes da erupção dos permanentes) pode ser de 3 tipos:
 ✓ Em plano: 76% dos casos e mais comum aos 3 anos de idade. 
A erupção do primeiro molar permanente transforma a relação 
em degrau mesial. 
 ✓ Degrau mesial para a mandíbula (14%): favorecerá a oclusão 
dos molares permanentes em Classe I. 
 ✓ Degrau distal para a mandíbula (10%): favorece a oclusão dos 
molares permanentes em Classe II (maloclusão). 
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Vista ântero-posterior da dentição decídua completa
Ausência da curva de Wilson. Também se observa uma discre-
ta inclinação do longo eixo dos inferiores para lingual e dos superiores 
para vestibular. 
Vista oclusal da dentição decídua completa
A arcada dentária pode apresentar várias formas (cônica 5%; oval 
30% e trapezoidal 65% dos casos), tomando como referência a linha que 
passa pela face vestibular dos dentes.
Outra forma é traçando uma circunferência passando pelas bordas 
incisais de canino a canino e pelo sulco principal do primeiro molar, cor-
tando a cúspide distopalatina do segundo molar na arcada superior. Na 
arcada inferior, a circunferência passa pelas bordas incisais de canino a 
canino, pela cúspide vestibular do primeiro molar e pelo sulco principal 
do segundo molar decíduo (Análise de Carrea).
Dentição mista
Com a erupção dos primeiros molares permanentes começam a 
surgir novas transformações (aparecimento das curvas de Spee e Wilson 
e modificações na ATM). Acontece o segundo ganho de dimensão verti-
cal, que se completa com a erupção dos segundos molares permanentes. 
A correta acomodação dos dentes permanentes dependerá do 
crescimento das bases ósseas nos três planos do espaço:
 ✓ Ântero-posterior: crescimento da porção distal dos ossos man-
dibular e maxilar para acomodação dos molares permanentes;
 ✓ Lateral: crescimento (por volta dos 5 anos) na região intercani-
nos precedendo a erupção dos incisivos, que ajuda a compensar 
a discrepância entre o tamanho da base óssea e os dentes (cer-
ca de 6 mm). O segundo surto nesta região acontece durante a 
transição dos caninos. 
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 ✓ Altura: para permitir a acomodação dos dentes decíduos e per-
manentes (ainda dentro da base óssea).
A substituição dos dentes decíduos pelos permanentes determina 
a aparição da curva de Spee, pois estes possuem uma inclinação típica 
para mesial. Da mesma forma, o longo eixo dos dentes permanentes in-
feriores apresenta uma inclinação axial para lingual e nos superiores para 
vestibular, determinando a aparição da curva de Wilson. 
A relação distal dos molares decíduos e a presença de espaço prima-
ta influenciará a “chave” da oclusão dos primeiros molares permanentes:
1. Plano terminal reto: Os molares permanentes alcançam uma re-
lação de Classe I favorecidos pelo deslocamento mesial após 
perda do segundo molar decíduo, maior crescimento anterior da 
mandíbula, soma do diâmetro mesiodistal dos molares decíduos 
maior que dos pré-molares e pelo “espaço livre de Nance” ser 
maior na mandíbula. Em situações onde falte o espaço primata 
ou haja uma tendência esquelética de maxila para anterior, se 
instalará uma Classe II no final da dentição mista. 
2. Relação em degrau mesial: favorece a erupção imediata dos 
primeiros molares em Classe I. Nos casos de degrau excessi-
vo, pode tornar-se uma má oclusão de Classe III. 
3. Relação degrau distal: resultaria sempre numa oclusão em 
Classe II na dentição permanente, já que reflete diretamen-
te no padrão esquelético de Classe II sem oportunidade de 
autocorreção.
Numa oclusão normal, a sobremordida (distância entre a borda 
dos incisivos superiores que trespassam sobre a borda dos incisivos in-
feriores no sentido vertical) pode variar em até 3 mm. De forma geral, 
a coroa dos incisivos inferiores está coberta em aproximadamente um 
terço pelos superiores.
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A sobressaliência (distância horizontal entre a superfície palatinados incisivos superiores e a superfície vestibular dos inferiores) é con-
siderada normal e esteticamente aceitável quando varia de 0-3 mm e é 
acompanhada das seguintes condições: numa posição de repouso dos ma-
xilares, deve haver contato labial sem esforço; e se os incisivos inferiores 
não se sobrepuserem ao lábio oposto quando em repouso ou em função.
Observa-se uma maior inclinação para vestibular na base óssea dos 
incisivos permanentes, comparados aos decíduos. Esse fato leva ao au-
mento do perímetro da arcada facilitando a acomodação dos dentes. E en-
tre os 8 aos 12 anos de idade surge a “fase do patinho feio” [Broadbent] 
devido a maior vestibuloversão e divergência do longo eixo de apical 
para incisal dos incisivos superiores permanentes, determinando dias-
temas. Esta fase fisiológica tende a desaparecer com a erupção dos ca-
ninos permanentes.
A partir da erupção dos primeiros molares permanentes também 
se observam modificações acentuadas na ATM, estendendo-se até os 16 
anos de idade. 
A cronologia da formação e erupção da dentição permanente de-
pende de vários fatores (alimentação, clima, gênero, etnias), mas de for-
ma simplificada pode ser resumida na tabela 2.
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Tabela 2 – Crescimento e desenvolvimento da dentição permanente
DENTIÇÃO PERMANENTE
Início da 
calcificação 
Coroa 
(esmalte) 
completa
Raiz 
completa
Erupção Superiores 
Inferiores
Incisivos 
centrais 3-4 meses 4-5 anos 9-10 anos
7-8 anos 
(4)
6-7 anos 
(2)
Incisivos 
laterais
Superiores: 10-12 
meses
Inferiores: 3-4 meses
4-5 anos
11 anos
10 anos
8-9 anos 
(5)
7-8 anos 
(3)
Caninos 4-5 meses 6-7 anos 12-15 anos 11-12 anos (11)
9-11 anos 
(6)
Primeiros 
pré-
molares
18-24 meses 5-6 anos 12-13 anos 10-11 anos (8)
10-12 
anos (7)
Segundos 
pré-
molares
24-30 meses 6-7 anos 12-14 anos 10-12 anos (10)
11-13 
anos (9)
Primeiros 
molares Nascimento
30-36 
meses 9-10 anos
5,5-7 
anos (1a)
5,5-7 
anos (1)
Segundos 
molares 30-36 meses 7-8 anos 14-16 anos
12-14 
anos 
(12a)
12-14 
anos (12)
Terceiros 
molares
Superiores: 7-9 anos
Inferiores: 8-10 anos
17-30 
anos 
(13a)
17-30 
anos (13)
Os números entre parêntese indicam a ordem na erupção segundo Lö e Moyers. A 
dentição mista vai desde os 6 até os 13 anos de idade aproximadamente, sendo que a 
criança possui ambas as dentições. 
Fonte: Logan et al. 1933
Considerações sobre as alterações da dentição decídua e mista
O desenvolvimento da dentição deve ser monitorado durante todo 
o processo eruptivo. O exame radiográfico, quando necessário e viável, 
deve acompanhar o exame clínico. O diagnóstico de anomalias do de-
senvolvimento dentário primário ou permanente e de erupção deve ser 
feito para informar os pais do paciente e para planejar e recomendar a 
intervenção apropriada. Esta avaliação deve acontecer em todas as fa-
ses do desenvolvimento:
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 ✓ Dentição primária: As anomalias dos dentes decíduos e da erup-
ção podem não ser evidentes antes da erupção propriamente dita, 
devido a que a criança pode não estar sendo levada para exame 
dentário ou porque o exame radiográfico não é possível em uma 
criança pequena. Os objetivos da avaliação incluem identifica-
ção de: anomalias de número e tamanho dos dentes; mordidas 
cruzadas anterior/posterior; presença de hábitos ou sequelas des-
tes a nível dental ou esquelético; e problemas das vias aéreas. 
 ✓ Dentição mista: Os objetivos da avaliação continuam iguais. 
A palpação de dentes inclusos deve ser parte de cada exame. 
Radiografias panorâmicas, oclusais e periapicais, fornecem in-
formações de diagnóstico em matéria de: dentes inclusos; au-
sência/agenesia, supranumerários; tamanho e forma dos dentes; 
posições (por exemplo, primeiros molares permanentes ectópi-
cos); discrepâncias esqueléticas (apinhamento dentário ou dias-
temas); e saúde periodontal.
Hábitos orais
Os hábitos orais podem aplicar forças aos dentes e às estruturas 
dentoalveolares e dependendo da sua frequência, duração e intensidade 
podem estar associados a deformações como overjet aumentado, over-
bite reduzido, mordida cruzada posterior ou altura facial aumentada. 
A identificação de hábitos anormais (sucção sem base nutricional, 
bruxismo, interposição lingual na deglutição, comportamentos de auto-
mutilação [sucção labial, mordida labial ou lingual], respiração bucal, 
síndrome da apneia obstrutiva do sono) e a avaliação de seus potenciais 
efeitos imediatos e de longo prazo sobre o complexo craniofacial e na 
dentição deve ser feita o mais cedo possível. Os pacientes e seus pais de-
vem ser devidamente informados sobre as consequências destes hábitos. 
Inclusive, os pais podem estar desempenhando um papel negativo na 
correção de um hábito oral; às vezes, certas mudanças no ambiente do-
méstico podem ser necessárias antes de corrigir um hábito.
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O tratamento específico será direcionado para diminuir ou elimi-
nar o hábito e minimizar os efeitos deletérios potenciais sobre o com-
plexo dentofacial.
Alterações no número de dentes
Ausência congênita de dentes
A ausência congênita de um ou mais dentes decíduos (hipodontia) 
tem uma prevalência de 0,1-0,9%, e quase sempre afeta os incisivos su-
periores e os primeiros molares decíduos. Na dentição permanente tem 
uma prevalência maior, de 3,5 a 6,5 %. Excluindo os terceiros molares, 
o dente permanente mais frequentemente ausente é o segundo pré-mo-
lar inferior, seguido pelo incisivo lateral superior.
O tratamento deve ser dirigido para uma oclusão esteticamente agra-
dável e que funcione bem para cada paciente em particular dependendo do 
momento do diagnóstico e das condições bucais e anseios a serem atingidos. 
Dentes supranumerários 
(decíduos, permanentes e mesiodens)
Os dentes supranumerários (hiperdontia) são cinco vezes mais 
comuns na dentição permanente. A prevalência nas dentições decídua e 
mista é de 0,52-2%. Entre 80-90% dos supranumerários acontecem no 
maxilar, sendo que metade deles aparece no setor anterior e quase todos 
na região palatina. E em 1/3 dos casos, todo supranumerário decíduo é 
seguido de um supranumerário permanente. 
O manejo e o tratamento da hiperdontia difere se o dente é decí-
duo ou permanente. Em geral, supranumerários decíduos estão alinha-
dos na arcada dentária e esfoliam normalmente. A cirurgia para remoção 
de supranumerários decíduos retidos é desaconselhada para evitar da-
nos aos dentes permanentes. Por outro lado, e remoção de supranume-
rários permanentes facilita a erupção do dente permanente e promove 
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o correto alinhamento destes. Nos casos em que o alinhamento normal 
ou erupção espontânea não ocorre, o tratamento ortodôntico é indicado.
Alterações na posição da erupção dentária
Erupção ectópica 
A erupção ectópica dos primeiros molares permanentes ocorre de-
vido ao trajeto anormal da erupção (mesioangulado), resultando em uma 
impactação na proeminência distal do segundo molar primário. Esta con-
dição ocorre em até 3% da população, mas é mais comum em crianças 
com fissura de lábiopalatinas. No canino superior aparece em 1,5-2 % 
da população, enquanto que nos incisivos superiores se dá em até 2% 
da população. Os incisivos também podem ter alterada sua erupção de-
vido à necrose pulpar (após trauma ou cárie) ou tratamento pulpar do 
incisivo decíduo. 
A intervenção nos dentes com erupção ectópica deve resultarnum 
melhor posicionamento eruptivo dos dentes. Nos casos em que o alinha-
mento normal não ocorre, o tratamento ortodôntico subsequente pode ser 
necessário para alcançar uma adequada forma de arco e intercuspidação.
Anquilose
Anquilose é uma condição na qual o cemento da raiz de um den-
te funde diretamente com o osso circundante. O ligamento periodontal 
é substituído por tecido ósseo, tornando imóvel o dente para o processo 
esfoliativo/eruptivo. Pode ocorrer nas dentições decídua e permanente, 
sendo mais comum molares decíduos. A incidência é entre 7-14% na den-
tição primária. Na dentição permanente, a anquilose ocorre com maior 
frequência em casos de lesões por luxação. 
A anquilose pode ser verificada por meios clínicos e radiográficos. 
O dente afetado em infraoclusão é um sinal reconhecível primário, mas 
também pode ser utilizada a percussão e a palpação. O exame radiográ-
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fico também pode revelar a perda do ligamento periodontal e a forma-
ção da junção óssea. 
Em todos os casos, o tratamento da anquilose deveria resultar no 
desenvolvimento normal contínuo da dentição permanente.
Discrepância entre tamanho dentário/arco dentário 
(apinhamento)
O inadequado comprimento do arco, com o consequente apinha-
mento dentário, é uma ocorrência comum na dentição mista precoce e 
traz várias sequelas negativas. Este tipo de discrepância geralmente vem 
em conjunto com outras anomalias como agenesia, dentes supranumerá-
rios etc. O diagnóstico precoce, quando os incisivos inferiores começam 
a entrar em erupção, ajudará a: prevenir o apinhamento dos incisivos; 
aumentar a estabilidade das posições dos incisivos a longo prazo; dimi-
nuir a erupção ectópica e impactação dos caninos permanentes; reduzir 
o tempo de tratamento ortodôntico e sequelas; melhorar a saúde gengi-
val e a saúde dental geral.
Manutenção e recuperação de espaços
A perda prematura de dentes decíduos por cárie, traumatismo, 
erupção ectópica ou outras causas pode levar a movimentos dentários 
indesejáveis de dentes decíduos/ permanentes, incluindo a perda de 
comprimento do arco. As deficiências no comprimento do arco podem 
produzir ou aumentar a gravidade das más oclusões com apinhamento, 
rotações, erupção ectópica, mordida cruzada, overjet/overbite excessi-
vo, e relações molares desfavoráveis. 
O objetivo da manutenção ou recuperação de espaços é evitar alte-
rações no comprimento, largura e perímetro do arco, conservando a posi-
ção relativa dos dentes pré-existentes. A decisão pelo uso de dispositivos 
com este fim deve estar baseada em evidências científicas e levar em 
consideração fatores como: dente perdido; tempo transcorrido; oclusão 
pré-existente; análise do espaço favorável; presença e desenvolvimento 
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radicular do sucessor permanente; quantidade de osso alveolar cobrin-
do o sucessor permanente; o estado de saúde do paciente; a capacidade 
de cooperação do paciente; presença de hábitos bucais; e higiene oral.
Mordida cruzada (dental, funcional ou esqueletal)
Mordidas cruzadas são definidas como qualquer relação vestíbu-
lo-lingual anormal entre incisivos, molares ou pré-molares antagonistas 
em relação cêntrica. Se as linhas médias sofrem uma mudança habitual 
ou compensatória durante a oclusão, a alteração é denominada funcio-
nal. A mordida cruzada pode ser de origem dentária ou esquelética ou 
uma combinação de ambas. 
A decisão do tratamento dependerá de alguns fatores como: quan-
tidade e tipo de movimento; do espaço disponível; das relações esquelé-
ticas; do estado de crescimento; da cooperação do paciente. O objetivo 
final deve buscar melhorar o alinhamento intramaxilar e uma oclusão e 
função aceitável entre as arcadas dentárias. 
Más oclusões Classe II e Classe III
A classificação de Angle das maloclusões considera a relação ânte-
ro-posterior normal dos caninos e da cúspide mésio-vestibular do primei-
ro molar superior permanente com o sulco vestibular do primeiro molar 
inferior permanente. A má oclusão Classe II (distoclusão) pode ser uni-
lateral ou bilateral e envolve uma relação distal da mandíbula à maxila 
ou dos dentes inferiores aos dentes superiores. Essa relação pode resultar 
de fatores dentais (mau posicionamento dos dentes nas arcadas), esque-
léticos (retrusão mandibular e/ou protrusão maxilar), ou uma combina-
ção de ambas. Já na Classe III, os dentes inferiores se encontram numa 
relação mesial com os superiores provocando geralmente mordida cru-
zada no setor anterior e uma inclinação excessiva dos incisivos inferio-
res pela pressão da musculatura do lábio inferior nas faces vestibulares 
destes durante o fechamento da boca. 
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O tratamento deve devolver uma aparência estética e perfil com-
patível com a morfologia do esqueleto do paciente. Para isto, certos fa-
tores deverão ser considerados: padrão de crescimento facial, grau de 
discrepância ântero-posterior, idade do paciente, analise do espaçamen-
to dentário, dispositivos ortodônticos, exodontia e complementação com 
cirurgia ortognática entre outros. 
____________________
Referências
GUEDES-PINTO, A.C. MYAKI ISSÁO, E. Manual de odontopediatria. 11. 
ed. São Paulo: Santos. 2006.
LOGAN W.H.G, KRONFELD R. Development of the human jaws and sur-
rounding structures from birth to the age of fifteen years. Journal of American 
Dental Association (1922), [Chicago], v. 20, n. 3, p. 379-427, 1933. Disponível 
em: <http://dx.doi.org/10.14219/jada.archive.1933.0080> 
ASH, M.M; NELSON, J.S. Wheeler: anatomia dental, fisiologia e oclusão. 9. 
ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. 
CHEDID, S.J. Ortopedia e ortodontia para a dentição decídua: atendimen-
to integral ao desenvolvimento da oclusão infantil. São Paulo: Santos, 2013.
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Capítulo 2
Anatomia de dentes decíduos
Marcelo Mendes Pinto
Lara Jansiski Motta
Sandra Kalil Bussadori
Introdução
É comum o paciente leigo na odontologia fazer referência aos den-
tes de “leite” da criança quando precisam informar ao cirurgião dentista 
quaisquer alterações observadas nos dentes das crianças. O termo de-
cíduo vem do latim “decidere”, e significa tudo o que se perde de for-
ma fisiológica no organismo, ou seja, se o dente é considerado decíduo, 
em condições fisiológicas é esperado que no final do seu ciclo biológico 
ele esfolie. Algumas características do dente decíduo podem envolver 
aspectos relacionados à formação e desenvolvimento (odontogênese), 
cronologia de erupção, perda fisiológica e diferenças anatômicas que o 
distingue do dente permanente.
Características gerais dos dentes
Os dentes apresentam características comuns para as duas den-
tições: decídua e permanente. Em conjunto, desempenham funções de 
mastigação, proteção e sustentação dos tecidos moles, auxiliam na fo-
nação e são fundamentais para a estética facial. Os dentes fixam-se no 
tecido ósseo através do ligamento dento alveolar.
Os dentes compreendem os grupos dos incisivos, caninos, pré-
-molares e molares, cada qual adaptado a sua função. O humano apre-
senta no arco decíduo 20 dentes e no permanente 32 dentes, dispostos 
de acordo com a tabela 1.
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Tabela 1 – Descrição das características dos arcos decíduos e permanentes
Tipo de arco Número de dentes Grupos dos dentes Tipo dos dentes
Decíduo 20 Incisivos decíduos (8)
Caninos decíduos (4)
Molares decíduos (8)Incisivo Central Decíduo
Incisivo Lateral Decíduo
Canino Decíduo
1º Molar Decíduo
2º Molar Decíduo
Permanente 32 Incisivos (8)
Caninos (4)
Pré-molares (8)
Molares (12)
Incisivo Central 
Incisivo Lateral
Canino 
1º Pré-molar
2º Pré-molar
1º Molar 
2º Molar 
3º Molar
Fonte: Os autores
Os dentes apresentam-se bem delimitados e são formados pela 
coroa e raiz(es), unidas na porção cervical pelo colo, que pode ser deli-
mitada por uma linha chamada de linha cervical. (Figura 1) 
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Figura 1 – Divisão anatômica do elemento dental em coroa e raiz. A 
linha em vermelho indica a junção entre coroa e raiz, denominada 
de linha cervical.
Fonte: Os autores
A coroa dental possui diferentes faces. Recebe o nome de vesti-
bular (V) a face do dente que está voltada para o vestíbulo da boca e a 
que se volta para a lingual é denominada de face lingual (L). Essas faces 
se opõem e são conhecidas como faces livres. As faces proximais, que 
contactam um dente a outro, são chamadas de mesial (M) e distal (D). A 
face mesial é a porção do dente mais próxima ao plano sagital mediano, 
enquanto que a face distal é aquela distante do plano sagital mediano. 
As Figuras 2 e 3 mostram a relação das faces em dentes anteriores e 
posteriores decíduos.
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Figura 2 – Incisivo central decíduo inferior esquerdo com 
as indicações das faces mesial, distal, vestibular e lingual
Fonte: Os autores
Figura 3 – Coroa do 2º Molar decíduo inferior com as indicações 
das faces mesial (M), distal (D), vestibular, lingual e oclusal.
Fonte: Os autores
Com o objetivo de descrever uma porção específica do dente ou 
mesmo localizar algum detalhe anatômico ou alteração, os dentes po-
dem ser divididos em terços delimitados por linhas virtuais verticais e 
horizontais. Se as linhas são verticais tem-se o dente dividido nos ter-
ços mesial, médio e distal. Se as linhas forem horizontais, divide-se o 
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dente nos terços cervical, médio e incisal (anteriores) ou oclusal (pos-
teriores) (Figura 4).
Figura 4 – Divisão dos terços. As linhas verticais (esquerda) 
dividem o dente decíduo nos terços mesial, médio e distal. 
As linhas horizontais (direita) dividem o dente decíduo nos 
terços cervical, médio e incisal.
Fonte: Os autores
Detalhes anatômicos da coroa (terminologia)
Os elementos morfológicos que os dentes apresentam são carac-
terizados por estruturas elevadas e depressões que podem ser conceitu-
adas da seguinte forma:
 ✓ Cíngulo – proeminência arredondada localizada no terço cer-
vical e médio da face lingual dos incisivos e caninos. É a por-
ção mais elevada nesses dentes.
 ✓ Cúspide – proeminência em forma de pirâmide de base qua-
drangular, presente nos dentes pré-molares e molares. São for-
madas por vertentes lisas e triturantes.
 ✓ Crista Marginal – eminência linear situada nas bordas mesial e 
distal da face lingual dos dentes anteriores, que liga o cíngulo 
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aos ângulos incisais. Nos pré-molares e molares as cristas mar-
ginais estão situadas nas bordas mesial e distal da face oclusal 
e estende-se das cúspides vestibulares às linguais. São estrutu-
ras de reforço anatômico importantes.
 ✓ Ponte de Esmalte – eminência linear que une as cúspides, interrom-
pendo o caminho de um sulco principal. A ponte de esmalte está 
presente no primeiro molar decíduo inferior, segundo molar decí-
duo superior, primeiro pré-molar inferior e primeiro molar superior.
 ✓ Tubérculo – proeminência menor que a cúspide. O tubérculo 
de Carabelli, localizado na região mesial da face lingual do pri-
meiro molar superior, e o Tubérculo molar (Zuckerkandl), mais 
evidente na região mesial e cervical da face vestibular do pri-
meiro molar inferior decíduo, são estruturas constantes.
 ✓ Bossa – é a porção mais elevada, arredondada, situada no terço 
cervical da face vestibular de todos os dentes, entre os terços cer-
vical e médio da face lingual dos pré-molares e molares. Também 
estão presentes nas faces proximais na região do ponto de contato.
 ✓ Sulco Principal e Sulco Secundário – o sulco principal é uma 
depressão aguda, evidente e estreita que separa as cúspides. O 
sulco principal mesiodistal separa as cúspides vestibulares das 
linguais, enquanto que o sulco oclusovestibular e oclusolingual 
separam as cúspides em mesial e distal. O sulco secundário é 
pequeno e raso, distribuídos pela face oclusal sobre as cúspi-
des e crista marginal. Tem a função de aumentar a rugosidade 
da superfície e melhorar a eficiência da trituração do alimento.
 ✓ Fóssulas – são depressões localizadas na terminação do sulco 
principal, junto à crista marginal, na face vestibular dos mola-
res ou no cruzamento entre dois sulcos principais.
As Figuras 5 e 6 mostram os principais detalhes anatômicos en-
contrados nos dentes decíduos.
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Figura 5 – Detalhes anatômicos encontrados nos dentes 
anteriores decíduos vistos por vestibular, proximal e lingual. 
1, 2 e 3 – Bossas específicas da região; 4 – Cíngulo; 5 – Cristas 
marginais.
Fonte: Os autores
Figura 6 – Detalhes anatômicos encontrados nos dentes molares 
decíduos. 1 – Posição da ponte de esmalte; 2 – Tubérculo molar 
(ZuckerKandl); 3 – Sulco principal mesiodistal e oclusolingual; 
4 – Fóssulas; 5 – Cúspides; 6 – Crista marginal; 7 – Tubérculo 
de Carabelli.
Fonte: Os autores
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Diferenças entre as dentições
As principais diferenças entre as dentições decíduas e permanen-
tes são descritas a seguir:
Número de dentes – a dentição decídua possui um total de 20 den-
tes, distribuídos nos arcos superiores e inferiores. São 12 dentes a 
menos que a dentição permanente que, completa, possui 32 den-
tes. Os 20 dentes decíduos são divididos em: 4 incisivos centrais 
decíduos; 4 incisivos laterais decíduos; 4 caninos decíduos; 4 pri-
meiros molares decíduos; 4 segundos molares decíduos. Essa dife-
rença de 12 dentes está associada à ausência dos dentes pré-molares 
(8 dentes) e dos terceiros molares (4 dentes), que estão presentes 
apenas na dentição permanente.
Grupos dentários – a dentição decídua apresenta 3 grupos dentá-
rios (incisivos, caninos e molares), enquanto que a dentição per-
manente apresenta 4 grupos (incisivos, caninos, pré-molares e 
molares). A diferença está relacionada ao grupo dos pré-molares, 
ausente na dentição decídua. 
Comprimento desigual dos arcos – os dentes decíduos, por se-
rem menores e em menor número, necessitam de menos espaço 
nos arcos.
Descontinuidade do arco – devido ao fato da soma das distâncias 
mesiodistais ser menor nos dentes decíduos que nos dentes perma-
nentes, formam-se diastemas decorrentes do crescimento da maxila 
e mandíbula, que o tornam descontínuo. Essa é uma característica 
fisiológica da dentição decídua.
Tamanho dos molares – na dentição permanente o primeiro molar 
é maior que o segundo, que consequentemente é maior que o ter-
ceiro. Na dentição decídua isso não acontece, pois o segundo mo-
lar decíduo é maior que o primeiro.
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Características anatômicas dos dentes decíduos
O quadro abaixo mostraas principais características gerais dos 
dentes decíduos:
Ø Os decíduos são menores em todas as suas dimensões.
Ø O dente decíduo tem coloração branca, clara e opaca; possui como cores: 
branco-azulado; branco-leitoso; branco-argiloso, distribuídas de forma uniforme.
Ø O esmalte do dente decíduo é mais permeável.
Ø A profundidade do esmalte é maior e mais fina proporcionalmente em 
relação ao permanente. Sua espessura fica em torno de 0,5 a 1,0 mm; essa 
espessura é semelhante em todas as faces da coroa.
Ø As superfícies vestibulares e linguais são mais planas.
Ø A distância vestibulolingual da superfície oclusal é menor que o diâmetro 
cervical.
Ø As raízes dos decíduos são menores, mais delgadas e claras do que os 
permanentes. Nos dentes anteriores as raízes são maiores em proporção à 
coroa e no sentido mesiodistal são mais estreitas.
Ø A câmara pulpar é mais ampla proporcionalmente à coroa e acompanha a 
morfologia externa da coroa. Os cornos pulpares são mais altos e próximos à 
junção amelodentinária.
Ø Nos dentes decíduos existe menor estrutura de dentina para proteção pulpar.
Fonte: Os autores
Incisivo decíduo
O grupo dos dentes incisivos decíduos é composto por oito dentes, 
sendo quatro em cada arco dentário. Os incisivos decíduos têm morfolo-
gia semelhante aos sucessores permanentes. Os superiores apresentam 
um volume que diminui de mesial para a distal, ou seja, os incisivos cen-
trais são maiores que os laterais. Nos inferiores ocorre de forma contrá-
ria, assim os centrais são menores em volume que os laterais (Tabela 2). 
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A coroa dos incisivos é cuneiforme, semelhante a dos permanen-
tes. A raiz pode ser cônica, conóide ou piramidal, podendo ou não ser 
levemente achatada no sentido mesiodistal.
O ápice radicular apresenta-se levemente curvado para a vestibu-
lar, devido à presença do germe do sucessor, que desloca o terço apical 
da raiz para a vestibular. Os incisivos apresentam uma borda incisal cor-
tante nos dentes sem desgaste e, com o desgaste fisiológico, se tornam 
facetas de desgaste inclinadas para a distal (Figura 7).
Tabela 2 – Dimensões médias dos dentes incisivos decíduos
Incisivo Comprimento (mm)
Distância M/D 
(mm)
Altura da coroa 
(mm)
Central Superior 16,0 6,0-7,1 6,0-7,3
Lateral Superior 14,5-17,0 4,2-6,6 5,5-6,8
Central Inferior 15,0-19,0 3,6-5,5 5,0-6,6
Lateral Inferior 15,0-19,0 3,8-5,9 5,6-7,0
Fonte: Os autores (adaptado de Guedes-Pinto, AC. Odontopediatria, 2010)
Figura 7 – Ilustração das coroas dos dentes incisivos centrais e 
laterais decíduos superiores e inferiores. Nota-se a ausência da 
raiz, pela sua reabsorção fisiológica. 
Fonte: Os autores
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Canino decíduo
O grupo dos caninos decíduos é composto por quatro dentes, sen-
do dois dentes posicionados em cada arco dentário. Estão localizados 
entre a distal do incisivo lateral decíduo e do primeiro molar decíduo. 
O canino decíduo possui uma forma cônica, e a coroa é bem volumosa 
e com forma lanceolada. Apresenta na borda incisal uma típica cúspide 
mediana, desenvolvida e aguçada, que desaparece durante o ciclo bio-
lógico por desgaste (Tabela 3 e Figura 8).
Tabela 3 – Dimensões médias dos dentes caninos decíduos
 Comprimento 
(mm)
Distância M/D 
(mm)
Altura da coroa (mm)
Canino Superior 17,5-22,0 6,0-8,0 6,5-7,8
Canino Inferior 17,5-22,0 5,2-7,0 6,5-8,1
Fonte: Os autores (adaptado de Guedes-Pinto, AC. Odontopediatria, 2010)
Figura 8 – Ilustração das coroas dos dentes caninos decíduos superior 
e inferior. Nota-se a ausência da raiz, pela sua reabsorção fisiológica.
Fonte: Os autores
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Molar decíduo
Os grupos dos dentes molares decíduos configuram ser os den-
tes mais volumosos do arco dentário da criança. São em número de oito 
dentes, sendo quatro primeiros molares decíduos e quatro segundos mo-
lares decíduos.
Primeiro molar decíduo – Na dentição decídua é o quarto dente 
e o primeiro molar a partir da linha mediana. O superior apresenta uma 
posição bem vertical e no sentido mesiodistal a coroa apresenta-se le-
vemente inclinada para a vestibular. Esse dente é o que mais se parece 
com o sucessor, em volume e características. Apresenta quatro cúspi-
des, sendo duas vestibulares e duas linguais; possui três raízes, cada qual 
com seu respectivo canal. As raizes são: mesiovestibular, distovestibu-
lar e palatina. 
Os inferiores apresentam uma anatomia única e dificilmente é 
comparado com qualquer outro molar. É o menos volumoso dos molares 
decíduos. Apresenta uma marcante característica na face vestibular, na 
região cérvico-mesial, o tubérculo molar ou tubérculo de Zuckerkandl. 
Apresenta quatro cúspides, sendo duas verstibulares e duas linguais. O 
primeiro molar inferior possui duas raizes, uma mesial (com dois canais) 
e outra distal (com um canal). Tem como característica marcante a posi-
ção da crista marginal mesial, que é transversa, assim é possível encon-
trar na literatura a denominação de crista marginal transversa.
Segundo molar decíduo – É o dente mais volumoso do arco 
temporário, sendo o quinto e o último da série; ocupa o lugar do segun-
do pré-molar. Os segundos molares decíduos são muitas vezes confun-
didos com os dentes permanentes, pois apresentam detalhes anatômicos 
semelhantes aos primeiros molares permanentes, porem em menor es-
cala e volume. Os superiores apresentam o tubérculo de Carabelli e a 
ponte de esmalte, estruturas comuns dos primeiros molares permanen-
tes. Possuem quatro cúspides, sendo duas vestibulares e duas linguais. 
Suas raízes são divergentes e em número de três raízes (duas vestibula-
res e um palatina) com seus respectivos canais. 
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Os segundos molares inferiores são pentacuspidais (5 cúspides – 
3vestibulares e 2 linguais), assim como os primeiros molares permanen-
tes inferiores. Possuem duas raízes (uma mesial e outra distal) com três 
canais. A tabela 4 mostra as dimensões médias dos molares decíduos, e, 
as Figuras 9 e 10, as ilustrações características dos elementos.
Tabela 4 – Dimensões médias dos dentes primeiros e 
segundos molares decíduos
Molar Comprimento (mm)
Distância M/D 
(mm)
Altura da coroa 
(mm)
1o Superior 14,0-17,0 6,6-7,8 5,8-6,5
2o Superior 16,5-18,5 8,3-9,3 6,0-6,7
1o Inferior 14,0-17,0 3,6-5,5 5,0-6,6
2o Inferior 17,5-19,6 10,0-11,5 6,5-7,2
Fonte: os autores (adaptado de Guedes-Pinto, AC. Odontopediatria, 2010)
Figura 9 – Ilustração das coroas dos dentes primeiro e segundo molar 
decíduo superior. Nota-se a ausência da raiz, pela sua reabsorção 
fisiológica.
Fonte: Os autores
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Figura 10 – Ilustração das coroas dos dentes primeiro e segundo 
molar decíduo inferior. Nota-se a ausência da raiz, pela sua 
reabsorção fisiológica.
Fonte: Os autores
____________________
Referências
HUBERTUS, J.W. Odontopediatria: atlas colorido de odontologia. São Paulo: 
Artmed, 2002.
GUEDES PINTO, Antonio Carlos. Odontopediatria. 8. ed. São Paulo: Santos, 
2010.
MELFI, RC, ALLEY, KE. Embriologia e histologia oral de permar. 10. ed. 
São Paulo: Santos, 2010.
MADEIRA, Miguel Carlos. Anatomia do dente. 7. ed. São Paulo: Sarvier, 2014.
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Capítulo 3
Psicologia aplicada à odontopediatria
KatiaLumi Tanikawa-Vergilio
O profissional que exerce odontopediatria, além do conhecimento 
técnico-científico, deve estar disposto a desenvolver a capacidade de li-
dar com a criança, de forma a conseguir melhorar a relação humana de 
empatia e confiança a fim de facilitar o tratamento odontológico. 
A visão psicológica do paciente é fundamental no processo de co-
nhecimento da criança, pois permite que se faça uma imagem do uni-
verso infantil e torne possível uma abordagem psicossocial. Assim, é 
importante integrar todas as estratégias psicológicas num contexto de 
educação global de modo que a criança aprenda a ver o dentista como 
um amigo e compreenda que os tratamentos dentários, apesar de serem 
experiências diferentes, são inevitáveis para a prevenção de repercussões 
negativas para a sua saúde oral e sistêmica.
Conhecimentos básicos de psicologia das fases de desenvolvimen-
to humano são essenciais no bom estabelecimento da relação pessoal en-
tre o profissional e o paciente infantil.
Psicologia de desenvolvimento
A área da psicologia que trabalha com todo o processo de desen-
volvimento humano durante determinado período é denominada psico-
logia de desenvolvimento.
O profissional que exerce Odontopediatria deve ter ciência do:
 ✓ Desenvolvimento Somático (motricidade, fala);
 ✓ Desenvolvimento Emocional (comportamento social, adapta-
ções e personalidade).
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O direcionamento do relacionamento entre criança e dentista ten-
de a tornar o tratamento mais prazeroso e positivo.
Comportamento adaptativo
O conhecimento do Comportamento adaptativo da criança consiste 
em ter conhecimento do grau de aprendizagem e raciocínio e também em 
saber da capacidade da criança em se adaptar às mais diversas situações.
É importante, por exemplo, saber que o vocabulário da criança vai 
desde o balbuciar até a construção de sentenças e entendimento de di-
versas palavras. 
A classificação desse estágio de evolução deve ser realizada para 
facilitar a comunicação entre dentista e paciente infantil.
A comunicação é fundamental para poder se relacionar e o trata-
mento fluir satisfatoriamente.
Comportamento social e personalidade
Para avaliação deste tipo de comportamento leva-se em conta:
 ✓ Relacionamento com os pais;
 ✓ Relacionamento com outros adultos (inclusive odontopediatra);
 ✓ Relação com colegas, parentes, professores.
Fases de desenvolvimento humano
1 Fase oral
Esta fase abrange o período de 0 a 18 meses de vida.
A criança explora o corpo através da boca, pele e passa a ter a sen-
sação de segurança e satisfação.
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Nesta fase, a boca é o órgão mais importante do corpo, pois é atra-
vés dela que a criança obtém ar e alimento e faz contato com o meio am-
biente que a cerca.
Até os 6 meses de vida, ocorre o chamado fator de simbiose, em 
que a criança sente-se fusionada à mãe (não distingue limites de duas 
pessoas separadamente).
Após os 6 meses de idade, a criança:
 ✓ Começa a distinguir limites entre ela e a mãe;
 ✓ Aprende a mastigar e a morder;
 ✓ Desenvolve a capacidade motora;
 ✓ Aumenta a atividade mental;
 ✓ Distingue entre si mesma e o meio ambiente; 
 ✓ Desenvolve a Fase de Individualização, onde passa a tolerar 
insatisfações, separações, e a ausência da mãe pode aumentar 
gradativamente.
Sucção
A necessidade de sucção é importante para a sobrevivência física 
e psicológica do bebê.
Essa necessidade diminui com a introdução de alimentação sóli-
da (mastigação).
A Necessidade Fisiológica de sucção cessa dos 9 aos 12 meses 
de vida.
A Necessidade Psicológica de sucção existe quando a criança se 
sente cansada ou infeliz (consolo) e deve cessar até os 3 anos.
A persistência da sucção após os 3 anos deixa de ser uma neces-
sidade e se torna um hábito deletério, com consequências como proble-
mas de oclusão e no desenvolvimento da fala.
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2 Fase anal, primeira infância
A fase anal abrange o período de 18 meses a 3 anos de idade, onde 
a criança:
 ✓ Alcança o controle da bexiga e intestinos;
 ✓ Desenvolve autonomia: controle do próprio corpo;
 ✓ Experimenta as próprias vontades e começa a ter visão clara 
do seu “eu”.
Porém, vive a “Idade do Desafio”, onde sentimentos fortes e contra-
ditórios são aflorados e percebe o quanto é capaz de agir e decidir sozinha.
Aos 3 anos de idade, a Maturidade para Tratamento significa que é:
 ✓ Capaz de ficar sentada 10 a 20 minutos;
 ✓ Capaz de sentar e abrir a boca, realizar estas 2 atividades 
concomitantemente;
 ✓ Capaz de compreender explicações simples.
Nesta fase ainda destacamos a importância:
	Em elogiar as capacidades da criança;
	Do contato físico
Falar-mostrar-fazer
A técnica do falar-mostrar-fazer é um método eficaz para fami-
liarizar a criança ao ambiente odontológico, diminuindo seus medos e 
ansiedades, assim como consiste em apresentar gradativamente alguns 
instrumentos e procedimentos odontológicos. 
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A criança deve ser preparada sobre a situação que viverá, portanto, 
o dentista deve informar de forma amena sobre o procedimento (FALAR).
O dentista deve demonstrar a ação do equipamento ou efeito de 
um material odontológico antes da execução profissional, para evitar re-
ações de ansiedade pelo medo do inesperado (MOSTRAR).
Se necessário, o dentista deve deixar a criança tocar ou manipu-
lar algum dos equipamentos ou materiais para a constatação do benefí-
cio (FAZER).
Após a explicação e demonstração, a técnica poderá ser realizada 
com mais tranquilidade.
Corrêa et al. (2002) e Klatchoian (2002) sugeriam a utilização de 
bonecos ou brinquedos para realizar esta demonstração e permitir a par-
ticipação direta da criança no condicionamento, uma vez que, a partir 
dos 15 meses de idade, as crianças apresentam-se em pleno desenvolvi-
mento sensório-motor e, portanto, exploram os ambientes por meio do 
tato e da apreensão dos objetos, constatando-se que permitir a participa-
ção ativa da criança no condicionamento para o tratamento odontológi-
co aumenta seu grau de cooperação e os benefícios obtidos. 
Na maioria das vezes, a criança muito curiosa gostará de experi-
mentar nela mesma os objetos apresentados. Em outras, porém, as crian-
ças podem ficar mais receosas, e necessitar de mais tempo e contato com 
os novos “equipamentos”, para permitir tal contato. 
Naquelas crianças que se demonstrarem um pouco receosas, o uso 
de bonecos ou outros brinquedos que tenham dentes pode auxiliar mui-
to nesse processo de condicionamento psicológico. 
Nestes casos, é interessante permitir que a criança atue como au-
xiliar e nos ajude a realizar o procedimento odontológico no brinquedo. 
Geralmente, as crianças gostam de exercer o papel de Cirurgião-dentista 
ou de Auxiliar.
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3 Fase fálica (edipiana, fase genital inicial)
Esta fase abrange o período da segunda infância (3 a 5 anos).
Nesta fase, as crianças começam a perceber e questionar diferen-
ças entre meninos e meninas, os pais transmitem ideias de feminilidade 
e masculinidade; as crianças buscam identificação com pessoas próxi-
mas para imitá-las.
 ✓ Complexo de Édipo:
Período em que a criança se apaixona pelo adulto do sexo 
oposto.
Criança passa a ter valores morais e estilo de vida dos pais.
Nesta fase, a criança desenvolve:
o Desejo de explorar
o Curiosidades
o Fazem regras
Porém, a criança precisa de orientação e limites bem definidos, 
pois oexcesso de proibições com sentimento de culpa pode transformar 
curiosidade em PASSIVIDADE.
A Maturidade para o Tratamento até os 5 anos caracteriza-se pela 
criança sentar e ficar concentrada até 30 minutos.
Nesta fase, deve-se elogiar a aparência e as correções devem ter 
conotação POSITIVA.
Nesta fase, a criança usa a IMAGINAÇÃO e entende metáforas.
Faz de conta
O universo mental infantil deve ser compreendido e respeitado 
pelo profissional que exerce a odontopediatria.
Em pré-escolares, o “faz de conta” pode ser explorado nos argu-
mentos educativos e orientações técnicas no âmbito odontológico atra-
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vés de macromodelos, personagens, estórias, paródias musicais, entre 
outras abordagens sempre divertidas e criativas.
Representações e comparações a eventos simples e objetivos, en-
tretanto de caráter familiar pela criança denotam clareza na compreen-
são dos conhecimentos que se deseja inserir.
Nestes moldes preconizados, a explicação de uma técnica de hi-
giene bucal seria primeiramente verbalizada pelo profissional, ele apre-
sentaria uma personagem conhecida pela criança (desenho animado, 
história infantil) ou não conhecida ainda (criados pelo dentista e batiza-
dos pela criança), na forma de fantoche ou boneco.
Uma estória personalizada sobre os hábitos de higiene e dieta seria 
narrada de modo “fantástico” e incentivador, enfatizando a importância da 
limpeza dos dentes, comparando esta atividade a uma sensação de bem-estar 
e saúde conhecida pela criança, como o banho que é submetida diariamente.
A técnica de escovação é demonstrada utilizando macromodelos 
odontológicos ou fantoches específicos. A seguir, pede-se para a crian-
ça repetir os movimentos, perpetuando o conhecimento mental e motor 
da técnica de higiene de modo atraente e agradável.
A fixação da informação se concretizará quando do prosseguimen-
to da aplicação da técnica na própria boca da criança, que acompanhará 
visualmente pelo espelho.
Desta forma, o exercício da habilidade motora e responsabilidade 
pelo hábito poderá ser constatada e avaliada pelo dentista, sendo impres-
cindível para o sucesso da assistência profissional ao paciente infantil.
Brincadeira e desenvolvimento infantil
O conhecimento e desenvolvimento da abordagem lúdica é carac-
terística importante para o dentista que exerce odontopediatria.
As informações de hábitos e técnicas de higiene bucal, dieta cario-
gênica, importância dos dentes, tipos de dentições, troca de dentições, 
cárie, entre outros temas, devem ser inseridos pelo profissional de modo 
divertido e com conotação positiva.
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A brincadeira pode ser explorada na motivação para o exercício 
destas informações.
De acordo com a faixa etária da criança, atividades como jogos, 
pinturas, teatros, estórias improvisadas, músicas são interessantes para 
a fixação de novos hábitos de manutenção de saúde bucal.
A brincadeira na sua imensa diversidade de aplicações deve ser 
inserida nas abordagens do odontopediatra para o aprendizado lúdico e 
prazeroso, essenciais para o progresso no atendimento infantil.
4 Fase de latência
Esta fase abrange a faixa etária escolar (6 a 12 anos).
Neste período, a criança frequenta a escola e em seu novo contexto 
deixa de ser o “centro das atenções” para participar do ambiente social.
São características desta fase:
 ✓ Criança deseja explorar o mundo;
 ✓ Compara-se aos outros;
 ✓ A criança dá importância à escola, amigos, atividades recreati-
vas e a outros adultos (professores, inspetores);
 ✓ Ela estabelece diálogos e discussões abstratas;
 ✓ E gosta de colecionar e competir.
O amadurecimento das capacidades motoras, o desenvolvimen-
to mais realista do social, a visão mais real do tratamento odontológi-
co e a solicitação de explicações para receber atendimento demonstram 
a maior maturidade e tranquilidade para as manobras de atendimento 
odontológico.
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5 Fase genital
Esta fase abrange o período da ADOLESCÊNCIA (13 a 19 anos).
A fase da Puberdade caracteriza-se pelo início da maturidade se-
xual, início das responsabilidades do mundo adulto, por mudanças físi-
cas e psicológicas.
O adolescente busca a identidade própria: autoestima e 
autoconhecimento.
O Perfil desse grupo é o desinteresse (não ouvem o que lhe fa-
lam), são sonhadores e “esquecidos”, importam-se demais com a aparên-
cia pessoal e roupas, centralizam o EGO, possuem Ídolos e ideologias.
Desejam ser adultos com todos os privilégios das crianças (depen-
dentes e protegidos).
Ao mesmo tempo que sentem medo e solidão, andam em grupos.
Relação humana: dentista e criança
O comportamento da criança está diretamente ligado à sua relação 
com o meio e particularmente à mãe.
O Odontopediatra deve:
 ✓ Observar e compreender as reações das crianças;
 ✓ Estar munido de autoconhecimento e segurança;
 ✓ Estabelecer um BOM RELACIONAMENTO COM A 
CRIANÇA para alcançar o equilíbrio entre necessidades da 
criança e do profissional;
 ✓ Entender e respeitar a criança;
 ✓ Ter sensibilidade e percepção do estado emocional e cansaço; 
 ✓ Ter paciência para transformar situações desagradáveis em re-
solução positiva;
 ✓ Compreender as necessidades básicas da criança: Afeição, 
Aprovação, Autoridade.
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Conotação positiva na comunicação
Se pudéssemos resgatar as mais remotas lembranças de músicas e 
estórias infantis clássicas, perceberíamos que as mensagens positivas da 
formação individual geralmente foram construídas a partir dos primeiros 
sentimentos de medo e nem sempre com conotação positiva e agradável.
A maioria das estórias clássicas infantis exibem personagens feios, 
como bruxas, lobos malvados e monstros terríveis, que causam medo e 
assustam as personagens bonitas e frágeis como princesas e animaizi-
nhos da floresta.
Músicas antigas de ninar citam seres assustadores, como “Boi da cara 
preta” ou a “Cuca” para “pegar” as crianças que se recusarem a dormir.
Portanto, a conotação positiva nas mensagens educativas em odon-
tologia é essencial para a instalação de um hábito como o de higieniza-
ção bucal de maneira agradável e construtiva.
A aplicação desta linguagem construtivista positiva na comunicação 
com o paciente infantil seria, por exemplo, convencê-la a escovar os dentes 
para ficar com o sorriso brilhante de uma princesa, ou ficar com dentes fortes 
como os de um super-herói, e NUNCA apenas para evitar dor ou as etapas 
desagradáveis de um tratamento dentário como a anestesia e uso do motor.
O gerenciamento do comportamento através da comunicação é usa-
do universalmente em Odontopediatria, tanto nos casos de cooperação 
dos pacientes como diante da não cooperação, sendo esta a base para a 
criação de uma relação amigável com a criança, permitindo, assim, um 
tratamento odontológico com sucesso e a criação de uma atitude positi-
va frente a ele (Guidelines for Behavior Management of the American 
Academy of Pediatric Dentistry, 1999-2000).
As afirmações positivas aumentam as oportunidades de êxito no 
tratamento das crianças. Elas são muito mais efetivas que perguntas ou 
comentários descuidados. Para ser bem-sucedido com as crianças é pre-
ciso prever o sucesso. 
É importante que a comunicação venha de uma única fonte. Quando 
tanto o dentista como a auxiliar ficam dando orientações, o resultado 
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pode provocar uma resposta indesejável, simplesmente porque a criança 
se torna confusa. 
A mensagem tem de ser entendida da mesma maneira por quem 
envia e por quem recebe. Ouvir o paciente também é importante no tra-
tamento de crianças. 
Medo e ansiedade
É comum que as crianças fiquem assustadas na primeira consulta 
odontológica, principalmente se adultos ou crianças maiores lhes 
descreveram sensações desagradáveis pelos sabores ruins ou pela vi-
sualização de instrumentos desconhecidos e assustadores como brocas, 
motores e agulhas.
O medo do desconhecido é um dos fatores mais relevantes que 
contribuem para a ansiedade e pode fazer a criança se sentir ameaça-
da, impotente.
Uso de E.P.I. e vestimenta branca
Trabalhos sobre a ansiedade causada no atendimento odontológico 
de crianças relatam que o uso da roupa branca e do E.P.I. (Equipamentos 
de Proteção Individual) pelo profissional não significam um empecilho 
para o tratamento quando é apresentada gradativamente a estes acessórios. 
 A experiência odontológica em psicologia e abordagem de comu-
nicação com conotação positiva favorece uma maior aceitação do E.P.I. 
pelo paciente infantil. 
É importante que o Odontopediatra estabeleça sua maneira de 
abordagem, considerando a individualidade de cada criança.
Medo
Estado emocional diante do perigo, caracterizado pelo conhecimen-
to intelectual do mesmo, provocando somente a sensação psicológica.
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Medo biológico
É um fator biológico de defesa e proteção. Medo natural e necessário.
A evolução do medo biológico para o tipo de medo psicológico 
pode tornar o medo condicionado e o sentimento de Ansiedade evoluir 
para a patologia Fobia.
Medo objetivo
Este tipo de medo é ligado a experiências dolorosas, desagradá-
veis e cansativas.
A experiência profissional pregressa desagradável e consequen-
te elaboração da própria criança, associada à interferência da ansie-
dade familiar, pode gerar os tipos de medos: OBJETIVO DIRETO ou 
OBJETIVO INDIRETO.
Medo objetivo direto
Ocorre quando a experiência anterior dolorosa ou desagradável 
sofrida pela criança foi através de ações provocadas DURANTE o tra-
tamento odontológico.
Medo objetivo indireto
Oriundo de experiências que ocorreram em ambientes semelhantes 
ao do consultório odontológico (médico, hospital, farmácia) e há corre-
lação com o que passou anteriormente. 
A criança prevê o que poderá acontecer no tratamento odontológico.
Medo subjetivo
Ocorre principalmente por informações de adultos ou crianças maiores.
A criança ouve falar de experiências desagradáveis vividas por pais, 
parentes ou amigos no dentista e passa a fantasiar, exagerando o quadro.
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Este tipo de medo NÃO é obrigatoriamente ligado à verbalização. 
O medo subjetivo é mais difícil de ser controlado, pois não temos 
dados concretos (objetivos) para explicar por que ela tem medo.
Quadros clínicos do medo
O Perfil da criança com medo é tímido e retraído, agarra-se à mãe.
O Dentista deve passar confiança e tranquilidade, mostrar que es-
ses acontecimentos (choro, birra) não vão mudar o que temos que fazer 
(tratamento) e descondicionar o medo pela associação de experiências 
prazerosas diante de situações traumáticas.
Qualidades básicas do profissional que exerce 
odontopediatria
1) Amar as crianças
Ter prazer no seu convívio, alegrar-se por tê-las por perto.
2) Fazer-se gostar pelas crianças
Tornar-se amigo e envolver-se facilmente com elas. Ser acei-
to com naturalidade.
3) Gostar de tratar de crianças
Conseguir satisfação profissional. Descobre-se a vocação e 
apreciação dos resultados.
4) Conhecimento de odontologia e especificamente em odontopediatria
Clínico deve estar sempre atualizado nos conhecimentos 
específicos;
Aperfeiçoar quanto à habilidade manual para diminuir tem-
po de trabalho sem perder a qualidade.
5) Conhecimentos de psicologia infantil
Entender e avaliar o comportamento da criança para es-
tabelecer o tipo de abordagem de relacionamento e de 
trabalho.
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6) Paciência
Qualidade imprescindível;
Deve ser desenvolvida e aprimorada através do autodomínio.
7) Certa capacidade de persuadir e convencer
A criança deve ser convencida da necessidade do que nos 
propomos a fazer.
8) Intuição e bom senso
 ✓ Perceber o momento de ser firme ou mais delicado no 
trato e na voz;
 ✓ Saber discernir o momento de parar (quando a criança 
estiver cansada);
 ✓ Consulta mais rápida (quando a criança não estiver bem);
 ✓ Perceber abusos, manhas e chantagens emocionais; e
 ✓ Demonstrar interesse pela criança.
9) Certa expressão de autoridade
Desenvolver o tratamento em clima amistoso e de carinho, 
deixando claro quem é a autoridade naquele momento;
Não deixar ser dominado pela criança ou pelos pais.
10) Aptidão para a especialidade
A somatória dos fatores descritos anteriormente tornam o 
profissional apto a trabalhar com crianças.
11) Capacidade de manter diálogos
Ajustar a conversa à idade, do nível de interesse ao grau de 
cultura e sexo.
12) Níveis de diálogo
Assuntos e palavras devem ser escolhidos de acordo com a 
idade e o desenvolvimento mental da criança.
13) Tom de voz
Tranquilo e firme.
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Atributos básicos do profissional para tratar crianças
1) Aparência profissional
O atributo físico essencial é possuir dentes tratados
2) Apresentação física
Cabelos, mãos, unhas, roupas com aparência bem cuidada. 
Uniforme limpo e bem passado.
3) Segurança profissional
O profissional seguro transmite tranquilidade, que é capta-
da pela criança, que se submeterá facilmente ao tratamento.
4) Habilidade e rapidez
Proporciona conforto ao paciente.
5) Ordem e cuidado com o instrumental
Evita perda de tempo.
Tipos de crianças (Guedes-Pinto, 2006)
1) Criança que coopera
Criança que não provoca contrariedades ao tratamento e ao 
dentista.
2) Criança tímida ou assustada
Esconde o rosto atrás da mãe, olha para baixo, não responde 
quando lhes falam. Difícil de conversar. Pouca cooperação.
3) Criança medrosa
O Dentista é um estranho que estimula a aflorar sentimentos 
de Medos Subjetivo/ Objetivo. Demonstra horror de dentis-
ta e ambiente de consultório. 
4) Criança mimada
A criança choraminga, grita, sapateia e luta para não entrar 
no consultório;
Ela tenta convencer os pais a levá-la para casa, e os pais mos-
tram-se “escravos” de seus desejos.
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5) Criança teimosa
Essas crianças teimam em não permitir o tratamento. Não 
choram. Não falam muito.
6) Criança rebelde
A criança se recusa a entrar no consultório e demonstra ati-
tudes de teimosia.
7) Criança agressiva
Demostra reações de teimosa, rebeldia, ela chora e grita.
Pode desenvolver atitudes de agressão física.
8) Criança com necessidades especiais
As reações são diferentes;
O fator idade não condiz sempre com o nível intelectual;
O profissional deve conhecer antecedentes e causas da ne-
cessidade especial e preparar-se para o atendimento. Não 
deve ter medo e sim cuidados específicos.
9) Criança doente
O dentista deve considerar o estado de saúde da criança para 
realizar o atendimento.
Influência dos pais e familiares
No que concerne à ansiedade materna, a maioria dos estudos estabelece 
uma associação significativa com o comportamento cooperador da criança.
 As mães, além de influenciarem o grau de ansiedade da criança, 
são capazes de diagnosticar o comportamentoe o nível de ansiedade dos 
filhos sobre o atendimento odontológico.
Os hábitos e conhecimento dos pais sobre saúde bucal parecem 
influenciar o estado da mesma de seus filhos.
A adoção de hábitos comportamentais coerentes na infância come-
ça em casa com os pais, principalmente com a mãe, que desempenha um 
importante papel no estilo de vida relacionado à saúde bucal dos filhos.
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 Os pais devem ser informados de que seus hábitos de saúde den-
tal influenciam a saúde bucal de seus filhos e, consequentemente, sua 
qualidade de vida. 
Portanto, é necessário um programa educacional de saúde sólido 
envolvendo todos os familiares, para fornecer aos pais a orientação ade-
quada sobre como manter a saúde bucal de seus filhos, resultando em 
uma melhor qualidade de vida.
____________________
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-Crian%C3%A7a-de-Pouca-Idade-Relato-de-Caso.pdf>. 
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Capítulo 4
Anamnese e exame clínico
Sandra Kalil Bussadori
Marcelo Mendes Pinto
Lara Jansiski Motta
Carolina Carvalho Bortoletto
Anamnese
A anamnese é uma entrevista realizada pelo profissional de saúde 
ao seu paciente ou responsável, é o momento em que se conhece me-
lhor o paciente. Nessa entrevista é feito um levantamento sobre a saú-
de geral do paciente, bem como sua saúde bucal, aspectos psicológicos 
e hábitos diários desse paciente. Além de ser um documento integrante 
do prontuário do paciente, é fundamental para o sucesso do tratamento, 
pois é através da anamnese que conhecemos o paciente e, a partir disso, 
é possível realizar um plano de tratamento direcionado às característi-
cas e necessidades do indivíduo. Deve ser conduzida de maneira lógica 
e deverá ser atualizada frequentemente.
Durante a anamnese é importante a obtenção de informações bá-
sicas relacionada aos dados pessoais, queixa principal, história médica, 
história odontológica, hábitos e perfil psicológico do paciente.
Dados pessoais
Deve conter algumas informações sobre o paciente e sobre os res-
ponsáveis, como por exemplo:
 ✓ Nome;
 ✓ Data de nascimento;
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 ✓ Endereço;
 ✓ Contatos (telefone, celular, email);
 ✓ Nome e documento dos responsáveis;
 ✓ Nome e telefone do médico pediatra.
Queixa principal
Deve ser relatado o motivo da consulta, assim como o maior nú-
mero de informações sobrea queixa.
História médica
A história médica deverá englobar a saúde geral do paciente, pre-
sente e passada, assim como o uso de medicamentos e tratamentos em 
andamento. As perguntas realizadas deverão ser realizadas de maneira 
clara e objetiva, abrangendo aspectos do indivíduo relacionados como 
alterações no sistema nervoso, cardiovascular, endócrino, respiratório, 
alterações de coagulação, alergias, entre outros. Qualquer alteração de-
verá ser relatada e, quando necessário, mais profundamente avaliada. 
Durante a avaliação da história médica, é importante o levantamento da 
história gestacional e também de antecedentes familiares.
História odontológica
Deverá abordar informações sobre tratamentos prévios, caracte-
rísticas de desenvolvimento e alterações dentais, estratégias preventivas 
adotadas anteriormente. 
Hábitos
Durante a anamnese é importante a obtenção de informações so-
bre os hábitos diários dessa criança, como por exemplo:
 ✓ Hábitos de higiene – número de escovações diárias, qual den-
tifrício utilizado, se faz uso de fio dental, etc;
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 ✓ Hábitos alimentares – frequência de ingestão de alimentos ca-
riogênicos. Para se ter uma informação mais detalhada sobre 
a dieta do paciente é importante a utilização de um diário ali-
mentar, que deverá ser entregue aos responsáveis e esses de-
verão anotar tudo que o paciente ingerir num período de três 
dias (Figura 11). 
 ✓ Hábitos deletérios – uso de chupeta, mamadeira, onicofagia, 
bruxismo, entre outros.
Perfil psicológico
Também é importante a coleta de informações sobre as caracterís-
ticas psicológicas desse paciente, com informações sobre o comporta-
mento dessa criança no consultório, relacionamento da criança com os 
pais e dos pais entre si, comportamento no ambiente escolar, etc.
Após a coleta de maior número de informações úteis e possíveis 
sobre o paciente, a anamnese deverá ser datada e assinada pelo respon-
sável, atestando a veracidade das informações transmitidas, e então o 
profissional deverá proceder ao exame clínico do paciente, sendo esse 
dividido em exame extrabucal e exame intrabucal.
Exame clínico
Exame extrabucal
O profissional deverá observar a criança como um todo, avalian-
do a postura, o modo de andar, de falar, de interagir com as pessoas e 
qualquer alteração deverá ser anotada e investigada; além disso, o exa-
me extrabucal deve envolver a avaliação da musculatura mastigatória, 
da articulação temporomandibular, simetria facial, movimentos mandi-
bulares, entre outras características.
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Exame intrabucal
Dividido em avaliação dos tecidos moles e avaliação dental.
Durante a avaliação dos tecidos moles, o profissional deverá ob-
servar os lábios, bochechas, língual, orofaringe, freio labial, freio lin-
gual, entre outras, e qualquer alteração deverá ser descrita e avaliada. É 
também nesse momento que o profissional avalia a condição de higiene 
bucal do paciente, observando o acúmulo de biofilme e a condição do 
tecido gengival e periodontal.
A avaliação da condição dental deverá ser realizada após a reali-
zação de profilaxia profissional.
 ✓ Para que o exame dental seja realizado de maneira prática e 
eficiente é indicado que se adote a representação gráfica, na 
forma de odontograma (Figura 11) e que o exame clínico seja 
realizado de forma padronizada, iniciando-se pelo dente mais 
posterior do lado superior direito seguindo-se a sequência até 
atingir o último dente superior do lado esquerdo, e para a ava-
liação do arco inferior deve-se iniciar-se pelo dente posterior 
do lado esquerdo, seguindo a sequência até o dente mais pos-
terior do lado direito. 
O exame dental deverá ser realizado com os dentes secos e com 
o auxílio do refletor, deve-se observar a presença de alterações de for-
mação da estrutura dental, presença de lesões de cárie ativas e inativas, 
condição das restaurações presentes, desgastes irregulares, assim como 
a avaliação da oclusão.
Após a realização do exame físico, em alguns casos se faz necessá-
rio a utilização de exames complementares para a realização de correto 
diagnóstico e planejamento do caso. Dentre os exames complementa-
res podemos citar:
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 ✓ Exames radiográficos;
 ✓ Tomografias;
 ✓ Exames laboratoriais;
 ✓ Confecção de modelos de estudo, entre outros.
Com o diagnóstico estabelecido, o plano de tratamento deverá ser 
proposto aos responsáveis e o consentimento para execução dos proce-
dimentos deverá ser datado e assinado pelo responsável.
Tabela 1 – Modelo de diário alimentar
Diário alimentar
 Primeiro dia Segundo dia Terceiro dia
Manhã 
Tarde 
Noite 
Fonte: Os autores
Figura 11 – Modelo de odontograma utilizado na Clínica Odontológica Infantil da 
Universidade Nove de Julho.
Fonte: Os autores
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Referência
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Capítulo 5
Técnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria
Lara Jansiski Motta
Marcelo Mendes Pinto
Camila Haddad Leal de Godoy
Olga Maria Altavista
Sandra Kalil Bussadori
O exame radiográfico é um exame complementar fundamental 
para o correto diagnóstico, planejamento e tratamento odontológico na 
clínica infantil. Além de auxiliar no diagnóstico das diferentes doenças 
bucais, as imagens radiográficas permitem prever problemas futuros de 
oclusão, avaliar e acompanhar o desenvolvimento da dentição perma-
nente, acompanhar a rizólise da dentição decídua e também realizar a 
proservação de tratamentos realizados. No entanto, este exame deve ser 
sempre avaliado com os dados do exame clínico e da anamnese.
Por se tratar de um recurso que utiliza radiação ionizante para a 
produção de imagens, é necessário que o profissional fique atento aos 
procedimentos de proteção às radiações. As crianças são mais suscetí-
veis aos efeitos das radiações X, pois os efeitos são maiores nas célu-
las mais jovens e menos diferenciadas e que estão em fase de grande 
atividade reprodutora. Para minimizar qualquer risco alguns cuidados 
devem ser tomados ao realizar o exame radiográfico, além da calibra-
ção do aparelho de raios-X: uso de proteção de tireoide, uso de aven-
tal de chumbo (Figura 12), realização de técnicas adequadas para evitar 
repetições e realizar tomadas radiográficas somente das regiões consi-
deradas necessárias após exame clínico e anamnese, evitando assim ex-
posição desnecessária.
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Tecnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria
Os exames radiográficos complementares mais utilizados em odonto-
pediatria são os exames intrabucais periapicais, oclusais e interpreoximais; 
e os exames extrabucais por meio das radiografias panorâmicas e telerra-
diografias. Neste capítulo abordaremos as técnicas intrabucais realizadas 
com mais frequência no dia a dia pelo clínico, a periapical e a interproximal.
Técnica Radiográfica Periapical
As radiografias periapicais são indicadas para visualizar os dentes 
e as estruturas adjacentes e aplicadas nas seguintes situações:
•	 Estudar as relações anatômicas entre a dentiçãodecídua e per-
manente e a cronologia de irrompimento dos elementos dentais.
•	 Pesquisa e diagnóstico de lesões de cárie e profundidade da lesão.
•	 Detectar alterações pulpares. 
•	 Pesquisar anomalias dentárias, reabsorções radiculares internas 
e externas, lesões periapicais ou na região de bi ou trifurcação, 
dentes inclusos e alterações ósseas.
Figura 12 – Avental de chumbo 
para proteção da radiação.
Fonte: Foto dos autores
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•	 Planejamento e tratamento endodôntico.
•	 Proservação de tratamentos realizados.
Para realizar a tomada radiográfica periapical em crianças, o pro-
fissional pode utilizar a técnica da bissetriz ou do paralelismo. Além das 
técnicas, para este exame o clínico pode lançar mão de dois tamanhos 
de filmes radiográficos: o filme periapical adulto (31 x 41 mm) e o filme 
infantil (22 x 35 mm) (Figura 13). O tamanho do filme deverá ser deter-
minado conforme o tamanho da cavidade bucal da criança, da técnica a 
ser realizada e da região a ser avaliada. Deve ser o maior possível para 
adaptação na boca da criança e visualização de maior área radiografada. 
Em alguns casos, dependendo do tamanho da criança e eventuais limi-
tações, algumas adaptações podem ser realizadas nos filmes e nas téc-
nicas. Estas adaptações serão apresentadas neste capítulo, mais adiante.
Figura 13 – Filmes periapicais para radiografias intrabucais 
utilizados em Odontopediatria.
Fonte: Foto dos autores
Método da Bissetriz
O método da bissetriz para o exame radiográfico periapical segue 
os mesmos princípios da realização da técnica no adulto. Este método 
produz uma imagem a partir da incidência do feixe central de raios-X 
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perpendicularmente ao plano virtual bissetor formado pelo ângulo entre 
o longo eixo do dente e o filme radiográfico posicionado. Nesta técnica 
o filme é mantido em posição pelo próprio paciente. Na arcada superior 
com o polegar da mão oposta ao lado a ser radiografado e na arcada in-
ferior com o dedo indicador da mão oposta ao lado a ser radiografado 
(Figura 14). Em algumas situações, a criança não apresenta maturida-
de para manter o filme em posição, nestes casos o responsável pode au-
xiliar. Sempre que o acompanhante estiver auxiliando na realização do 
exame radiográfico, este deverá receber a proteção à radiação, como o 
avental de chumbo, da mesma maneira que a criança.
Para a correta realização da técnica da bissetriz, a posição do pa-
ciente e a incidência do feixe de raio-X são extremamente importantes. 
A posição da cabeça deve apresentar o plano sagital mediano perpen-
dicular ao plano horizontal; a linha trágus-asa do nariz paralela ao solo 
para radiografias da maxila e trágus-comissura labial para a mandíbula. 
A posição do filme segue o longo eixo do filme perpendicular ao plano 
horizontal para dentes anteriores, e, para os molares, o longo eixo para-
lelo ao plano horizontal.
Figura 14 – Manutenção do filme periapical na técnica da bissetriz.
Fonte: Foto dos autores
Método do Paralelismo
Para a realização da técnica do paralelismo, o filme ficará posicio-
nado paralelamente ao longo eixo do dente e os feixes de raios-X devem 
incidir perpendicularmente ao filme e ao longo eixo do elemento dental. 
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Neste método, para a tomada radiográfica periapical são utilizados dis-
positivos para manutenção do filme em posição, denominados posiciona-
dores radiográficos. Os posicionadores, além de manter o filme paralelo 
na posição ideal para a incidência, possuem um anel para direciona-
mento da distância e local de incidência do cone do aparelho de raios-X 
(Figuras 15 e 16). Esta técnica apresenta como vantagens a simplicida-
de de execução e menor distorção da imagem radiográfica. Na odonto-
pediatria, a desvantagem apresentada pelo uso dos posicionadores está 
na dificuldade em adaptar o dispositivo na boca de crianças pequenas.
Em alguns casos, como mencionado anteriormente, o profissional 
pode se deparar com dificuldades para realização da técnica e adapta-
ção do filme radiográfico na posição ideal. Crianças menores de 6 anos 
podem apresentar falta de maturidade motora para manter o filme em 
Figura 15 – Posicionadores utilizados 
para radiografia periapical do 
paralelismo.
Fonte: Foto dos autores
Figura 16 – Utilização do 
posicionador radiográfico para 
a tomada radiográfica periapical 
infantil.
Fonte: Foto dos autores
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posição com a pressão digital. Em casos de limitações como essas, é 
possível realizar adaptações para posicionamento do filme radiográfico. 
As modificações consistem em utilizar um filme periapical adulto 
adaptado ao tamanho da boca da criança e à região a ser radiografada. 
Para a região anterior superior e inferior, será realizada uma única 
tomada radiográfica para visualização de canino a canino. O filme peria-
pical é posicionado com o maior longo eixo entre as comissuras labiais, 
e mantidos em posição com os dentes em oclusão (Figura 17). Para os 
superiores os raios-X incidem na ponta do nariz. Nos inferiores os raios 
incidem sobre o mento.
A adaptação para a tomada radiográfica nos dentes posteriores 
(molares decíduos) superiores e inferiores pode ser realizada da seguin-
te maneira: dobrar o filme periapical adulto no terço superior, forman-
do um L. No ângulo reto formado, com fita adesiva, adaptar um rolete 
de algodão para servir de apoio para a oclusão (Figura 18). Posicionar 
o filme na região a ser radiografada. O filme será mantido em posição 
pela oclusão do paciente (Figura 19). A incidência dos feixes de raios-
-X deverá seguir o princípio da técnica da bissetriz.
Figura 17 – Representação do posicionamento 
do filme periapical na adaptação da técnica 
radiográfica para dentes anteriores.
Fonte: Foto dos autores
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Figura 18 – Adaptação do filme periapical adulto 
para tomada radiográfica para molares decíduos.
Fonte: Foto dos autores
Figura 19 – Representação do posicionamento do filme periapical adaptado 
para tomada radiográfica de molares decíduos.
Fonte: Foto dos autores
Técnica Radiográfica Interproximal
A técnica radiográfica interproximal é utilizada para pesquisa de 
cárie proximal e oclusal; estudo da relação entre a proximidade da le-
são de cárie com a câmara pulpar; avaliação do contorno das restaura-
ções; estudo da crista alveolar e pesquisa de desmineralização em sulcos 
escurecidos.
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Essa tomada radiográfica também é conhecida como bite-wing, 
pois, para a realização, utiliza-se uma asa de mordida para manuten-
ção do filme em posição ou o posicionador apropriado para este méto-
do (Figura 20).
Figura 20 – Dispositivos para tomada radiográfica interproximal.
Fonte: Foto dos autores
Para execução da técnica interproximal, o paciente deve estar com 
a cabeça posicionada da seguinte maneira: linha trágus-comissura labial 
paralela ao plano horizontal e o plano sagital mediano do paciente per-
pendicular ao solo. Para a incidência do feixe de raios-X a angulação 
vertical deverá estar entre +8º e +10º e a horizontal paralela às faces pro-
ximais dos dentes que serão avaliados radiograficamente (Figura 21).
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Figura 21 – Tomada radiográfica interproximal.
Fonte: Foto dos autores
Recomendações para tomadas radiográficas em crianças
•		 Familiarizar a criança com o aparelho radiográfico, com o fil-
me e o posicionador;
•		 Apresentar e colocar o avental de chumbo;
•		 Selecionar o filme compatível com a cavidade bucal;
•		 Regular a angulação e o tempo de exposição;
•		 Deixar a colocação do filme na cavidade bucal por último;
•		 Realizar as radiografias anteriores primeiro (pela facilidade).
____________________
Referências
GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. ISSÁO, Myaki (in memoriam). Manual de 
odontopediatria. 12. ed. São Paulo: Santos, 2013.
GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. Odontopediatria. São Paulo: Santos, 2009.
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Capítulo 6
Anestesia local em odontopediatria: 
técnicas e considerações básicas
Sandra Kalil Bussadori
Marcelo Mendes Pinto
Lara Jansiski Motta
Eugênio Garcia
Introdução
O uso da anestesia local em odontopediatria é uma técnica bas-
tante utilizada tanto para poder executar procedimentos restauradores e 
cirúrgicos quanto para o alívio e controle da dor. 
No entanto, este simples procedimento pode desencadear mais 
ansiedade e dor, e inclusive, dar origem a experiências traumáticas que 
afetarão o comportamento do paciente nas próximas consultas odontoló-
gicas ao longo da vida. Estudos mostram que a ansiedade provocada pelo 
procedimento anestésico em crianças reproduz as mesmas características 
nos pacientes, independentemente do tempo de experiência clínica dos 
diferentes profissionais. O objetivo deste guia é auxiliar quanto à tomada 
de decisão ao que ser refere à utilização da anestesia local para controlar 
a dor durante a prestação de cuidados de saúde oral em odontopediatria.
Definição e propriedades dos anestésicos locais
A anestesia local é a perda temporária de sensibilidade ou dor em 
uma parte do corpo, produzida por um agente aplicado topicamente ou 
injetado sem diminuir o nível de consciência.
Os anestésicos locais criam uma barreira química entre a origem 
da dor e o cérebro, interferindo na capacidade de um nervo de transmi-
tir sinais elétricos ou potenciais de ação bloqueando os canais de sódio. 
O único local em que as moléculas de anestésicos locais têm acesso à 
membrana nervosa é nos nódulos de Ranvier, onde estes canais estão em 
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abundância (a interrupção de sinal nervoso em fibras mielinizadas deve 
ocorrer em três nódulos consecutivos).
Protocolo prévio da administração dos anestésicos locais
– Antes da administração de qualquer fármaco em um paciente, o cirurgião 
dentista deve avaliar a saúde do paciente para determinar se este pode 
tolerar o medicamento e minimizar as possíveis complicações resultantes 
da administração da droga. A ficha de anamnese deve ser completada 
focando nos tópicos relacionados à: alergia, doenças cardíacas, tratamento 
medicamentoso sistêmico.
– Orientar a família na preparação pré-operatória e na motivação do 
paciente. Evitar falar a respeito de dor ou danos provocados pelas agulhas 
e/ou injeções colabora no controle da ansiedade e no controle do medo. 
Palavras simples devem ser empregadas na comunicação profissional-
paciente de forma tranquilizadora para controlar a ansiedade.
Os anestésicos injetáveis podem ser divididos em dois grandes 
grupos: ésteres (benzocaína e procaína) e amida (articaína, bupivacaí-
na, lidocaína, prilocaína e mepivacaína). Os agentes anestésicos são va-
sodilatadores, e seu efeito sistêmico tóxico pode suceder eventualmente 
caso haja excesso na dose ou aplicação diretamente num vaso sanguíneo. 
Para contrarrestar o efeito vasodilatador, vasoconstritores são usa-
dos para ajudar a prolongar o efeito anestésico no local de aplicação, 
reduzir a absorção sistêmica, reduzir a toxicidade, e proporcionar um 
campo ausente de sangue durante procedimentos cirúrgicos. O uso do 
vasoconstritor permite que a dose máxima total do agente anestésico 
deve ser aumentada em cerca de 40% (tabela 1). 
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Tabela 1 – Duração do efeito dos anestésicos locais injetáveis (em minutos)
Anestésico Infiltrativa Bloqueio 
mandibular
Tecido 
pulpar
Tecidos 
moles
Tecido 
pulpar
Tecidos 
moles
Lidocaína
2% sem vasoconstritor 
2% 1:50.000 epinefrina
2% 1:100.000 epinefrina
5
60
60
60
170
170
10-20
85
85
120
190
190
Mepivacaína
3% sem vasoconstritor 
3% 1:100.000 epinefrina
3% 1:20.000 levonordefrina
25
60
50
90
170
130
40
85
75
165
190
185
Articaína
4% 1:100.000 epinefrina
4% 1:200.000 epinefrina
60
45
180
120
90
60
230
180
Prilocaína
3% felipresina 0,03 UI 60 180 90 300
Bupivacaína
0,5% epinefrina 1:200.000 90 240 180 540
Fonte: Associação Americana de Odontopediatria
Outra diferença entre os agentes anestésicos injetáveis são as do-
ses máximas recomendadas. Isto é extremamente relevante em odonto-
logia pediátrica, onde há uma grande variação de peso entre os pacientes 
e, portanto, nem todos os pacientes devem receber quantidades iguais 
de anestésico local para o mesmo procedimento. Para o cálculo deve 
ser considerado o peso do paciente, a concentração do sal anestésico, a 
concentração do vasoconstritor e as doses máximas de cada um deles. 
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Tabela 2 – Dosagem máxima recomendada para anestésicos locais
Anestésico 
(sem vasoconstritor)
Dosagem máxima 
(mg/kg)
Dosagem 
máxima total
mg/1,8 mL 
tubete
Lidocaína 2% 4,4 300 mg 34 mg
Mepivacaína 3% 4,4 300 mg 54 mg
Articaína 4% 
7 (adultos)
5 (crianças)
500 mg
300 mg
72 mg
Prilocaína 3% 6 400 mg 54 mg
Bupivacaína 0,5% 1,3 90 mg 9 mg
Fonte: Associação Americana de Odontopediatria
Por exemplo, para calcular a quantidade máxima de lidocaína a 
2% e o número de tubetes que podem ser administrados com segurança 
a um paciente de 30 kg, devemos realizar o seguinte cálculo:
1) Dosagem máxima: 4,4 x 30 = 132 mg
2) Concentração do tubete 2% (1,8 mL) = 20 mg/mL x 1,8 mL = 36 mg
3) Número total máximo de tubetes = 132 ÷ 36 = 3,7 tubetes 
Assim, para uma criança de 30 kg pode-se administrar com segu-
rança 3,6 tubetes de lidocaína a 2% com adrenalina 1: 100.000.
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Técnicas para anestesia local em odontopediatria
Protocolo de administração 
– Posicionar o paciente na cadeira de modo que o mesmo fique confortável 
e previna situações como síncope causada pela ansiedade. 
– Previamente à aplicação do anestésico tópico é necessário limpar e 
manter seca a região. 
– A temperatura da solução anestésica deve estar próxima da temperatura 
corporal para evitar desconforto durante a aplicação. 
– A estabilização da cabeça e do corpo do paciente deve ser avaliada 
segundo o grau de ansiedade e necessidade de controle dos movimentos 
para evitar acidentes. 
– A falta de sensibilidade provocada pelo anestésico pode provocar a 
sensação de “perda” da região afetada, levando a criança a sentir medo. 
Usar um espelho de mão para mostrar que a região se encontra normal. 
Anestesia tópica
A aplicação de um anestésico tópico (eficaz em 2-3 mm de pro-
fundidade) pode ajudar a minimizar o desconforto causado durante a 
inserção da agulha. Entre os anestésicostópicos, a benzocaína e a li-
docaína são os mais utilizados, estando disponíveis em concentrações 
de até 20% e podem vir nas formas líquida, pulverização e gel. Em to-
dos os casos é preciso controlar a quantidade administrada para evitar 
atingir vias faríngeas. As propriedades farmacológicas do agente tópi-
co devem ser compreendidas e consideradas no cálculo da quantidade 
total de anestésico administrada. Especial atenção deve ser dada a pa-
cientes menores de 2 anos, os quais podem desenvolver metaemoglo-
binemia (Figura 22).
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Figura 22 – Material básico usado em técnicas anestésicas odontológicas: 
seringa carpule, tubete com anestésico, agulha para seringa carpule, 
anestésico tópico, haste flexível para aplicação do anestésico tópico.
Fonte: Os autores
Técnica básica de injeção 
– Na técnica infiltrativa, os tecidos vestibulares devem ser afastados e 
estendidos para facilitar a inserção da agulha o mais próximo do ápice 
do dente. 
– Introduzir 1-2 mm do extremo da agulha com o bisel orientado para o 
osso (evitar o periósteo) (Figura 23).
– Administrar aproximadamente ¼ do cartucho de anestésico à medida 
que vá se introduzindo a agulha. 
– Confirmar a aspiração negativa caso necessário.
– Introduzir o resto do agente anestésico.
– Caso haja necessidade de anestesiar o dente vizinho, remover a agulha 
parcialmente, mudar sua inclinação e depositar parte do anestésico. 
– Acompanhar os sinais nos primeiros minutos (3-5 min). NUNCA SE 
AFASTAR DO PACIENTE NESTA ETAPA. 
– Contraindicação: inflamação ou infecção na área a ser anestesiada.
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Figura 23 – Bisel da agulha orientada para o osso.
Fonte: Foto do autor
Técnicas anestésicas mandibulares 
Anestesia infiltrativa dos incisivos mandibulares
Indicada para complementar o bloqueio alveolar inferior em casos 
onde haja necessidade do tratamento do quadrante (dentes anteriores e pos-
teriores da mesma hemiarcada); para remoção de tecido cariado superficial 
ou exodontia de dentes decíduos parcialmente esfoliados. Para anestesiar 
as fibras nervosas que atravessam a linha media para o quadrante contra-
lateral, a agulha deve ser inserida de forma diagonal em direção dos ápi-
ces desde o quadrante a ser tratado previamente anestesiado (Figura 24).
Anestesia infiltrativa dos molares mandibulares
Ideal para procedimentos restauradores nos primeiros molares 
decíduos. Caso haja necessidade de instalar o grampo para isolamento 
absoluto pode ser complementada com a técnica através da papila gen-
gival vestibular previamente anestesiada. Ao evitar a anestesia da lín-
gua, esta técnica também é aconselhada para restaurações mandibulares 
bilaterais (Figura 24).
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Figura 24 – Anestesia infiltrativa na mandíbula. A) Sítio da punção no fundo do 
sulco vestibular. B) Região atingida para setor anterior (rosa) e posterior (verde).
Fonte: Foto do autor
Bloqueio do nervo alveolar inferior, bucal e lingual 
(regional pterigomandibular)
Ideal para pré-molares e molares (decíduos e permanentes). É 
preciso conhecer e identificar estruturas anatômicas que servirão como 
referência. Preferencialmente é utilizada a técnica direta, onde a serin-
ga está posicionada entre o canino e o primeiro molar decíduo do lado 
oposto a anestesiar, ligeiramente inclinada para baixo (língula mandi-
bular em crianças localizada abaixo do plano oclusal), usando o espaço 
retromolar como ponto de punção. O dedo indicador (ou polegar) deve 
deslizar-se sobre as superfícies oclusais até apalpar a linha obliqua ex-
terna. A metade da unha pode servir como referência da altura da pun-
ção. Introduzir a agulha cerca de 4 mm depositando aproximadamente 
1/3 do tubo anestésico para anestesiar o nervo lingual. Introduzir a agu-
lha mais 4 mm e depositar o restante do anestésico para atingir o nervo 
dentário inferior (Figura 25).
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Figura 25 – Vista lateral (a) e superior (b) da técnica anestésica regional 
pterigomandibular.
Fonte: Foto do autor
Para atingir o nervo bucal, depositar algumas gotas do anestési-
co na submucosa do trígono retromolar com a seringa paralela ao plano 
oclusal penetrando 1-4 mm com a agulha. (Figura 26).
Figura 26 – Sítio de punção para o nervo bucal.
Fonte: Foto do autor
Os sinais e sintomas de um bloqueio alveolar inferior são os seguin-
tes: formigamento e dormência do lábio inferior (no entanto, não é uma 
indicação da profundidade de anestesia); formigamento e dormência da 
língua; ausência de dor durante o tratamento odontológico (Figura 27).
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Figura 27 – Regiões inervadas por cada ramificação do 
Nervo Dentário Inferior.
Fonte: Foto do autor
Técnicas anestésicas maxilares
Anestesia infiltrativa dos incisivos e caninos (decíduos e 
permanentes) maxilares
A técnica básica é similar a descritas anteriormente. Particularmente 
orientar a agulha paralela ao longo eixo dos dentes. A região nasolabial é 
muito sensível, portanto controlar ao máximo a técnica anestésica para 
não gerar desconforto (Figura 28).
 
Figura 28 – Sítio de punção para anestesia infiltrativa no maxilar superior (a). Regiões 
inervadas pelo ramo alveolar anterior (verde), médio (amarelo) e posterior (azul). 
Fonte: Foto do autor
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Anestesia infiltrativa dos molares (e pré-molares)
Esta técnica serve para anestesiar molares decíduos, pré-molares 
e raízes mesio-vestibulares do primeiro molar permanente. Orientar a 
agulha paralela ao longo eixo dos dentes. Está contraindicada em caso 
de infecção ou inflamação desta região (Figura 29).
Se não for efetiva ou por presença de infecção, pode ser comple-
mentada com o bloqueio do nervo alveolar superior: A área de inserção 
é a altura do sulco vestibular para acima e distal à raiz disto-vestibu-
lar do último molar presente na arcada dentária. Avançar com a agulha 
lentamente no sentido: superior num ângulo de 45 graus em relação ao 
plano oclusal; medialmente (para dentro) em direção à linha média em 
um ângulo de 45 graus em relação ao plano oclusal; e posteriormente a 
um ângulo de 45 graus em relação ao eixo longitudinal do molar a uma 
profundidade de 10-14 mm (Figura 29).
 
Figura 29 – Técnica para bloqueio do nervo alveolar superior. Vista frontal (a) e 
lateral (b).
Fonte: Foto do autor
Anestesia infiltrativa da mucosa palatina
Talvez mais traumática e dolorosa que a anestesia da mucosa vesti-
bular da região nasolabial devido às características fibrosas desta mucosa 
e a forte aderência com o tecido ósseo subjacente que impede a expansão 
do tecido mole para injeção do liquido anestésico. Provoca anestesia das 
terminações nervosas dos nervos nasopalatino e palatino maior. É indi-
cado para anestesiar a mucosa palatina local em casos onde seja necessá-
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ria hemostase após cirurgia ou inserção de bandas matrizes ou grampos 
subgengivalmente. A técnica deve ser complementada com compressão 
da área de inserção da agulha para gerar isquemia e assim a dessensibili-
zação prévia. A punção deveser feita a 45 graus, seguindo as mesmas in-
dicações das técnicas anteriores. Usar preferentemente agulhas curtas e 
de médio calibre (27 G) e injetar o anestésico lentamente e sem pressão. 
Bloqueio regional do nervo nasopalatino
Indicado para procedimentos periodontais e cirúrgicos no palato 
duro, ou em procedimentos restauradores em vários dentes da região onde 
é primordial abordar a mucosa gengival palatina (ex: posicionamento de 
bandas matrizes ou grampos). A injeção do agente anestésico no forame 
palatino provoca a anestesia da região palatina dos seis dentes anteriores. 
Provocar isquemia na papila incisiva por compressão, inserir a 
agulha ao lado da papila e paralela ao longo eixo dos incisivos, aproxi-
madamente 4 mm no forame e prévia aspiração. Injetar cerca de ¼ do 
tubete (Figura 30).
 
Figura 30 – Área de inervação do Nervo nasopalatino (a), e sítio de 
punção para bloqueio anestésico (b).
Fonte: Foto do autor
Bloqueio regional do nervo palatino maior
Possui a mesma indicação da técnica anterior, mas para procedi-
mentos a serem executados nos elementos dentários da região posterior 
(pré-molares e molares). Localizar o forame palatino maior e provocar 
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isquemia por compressão (30 segundos). A punção deve ser mesialmen-
te ao forame com a agulha em 90 graus ao longo eixo dos dentes, dire-
cionada desde o lado oposto (Figura 31).
 
Figura 31 – Área de inervação do Nervo palatino maior (a), e sítio 
de punção para bloqueio anestésico (b).
Fonte: Foto do autor
Técnicas alternativas para aplicação de anestesia local
Técnicas alternativas (ex.: transpapilar, intraperiodontal, intrapul-
pares) podem ser consideradas para minimizar a dose de anestésico uti-
lizado, melhorar o conforto do paciente, e/ou melhorar a efetividade da 
técnica de anestesia (Figura 32).
 
Figura 32 – Técnicas alternativas: 
transpapilar (a-b), e intraperiodontal (c).
Fonte: Foto do autor
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Complicações das técnicas de anestesia local
Toxicidade do anestésico
Erros na técnica de injeção (intravascular ou por quantidade) po-
dem desencadear efeitos tóxicos nas crianças mais comumente devido 
ao seu menor peso corporal. Nos minutos imediatos à administração dos 
anestésicos é inevitável acompanhar o paciente caso apareçam sinais do 
sistema nervoso central e/ou cardiorrespiratórios típicos de intoxicação 
por anestésicos. 
Reações alérgicas 
Diante da suspeita de hipersensibilidade durante a anamnese, o pa-
ciente deve ser encaminhado ao especialista. 
Sinais e sintomas típicos de processos alérgicos devem ser imedia-
tamente identificados. Dentre suas reações podem ser observadas reações 
cutâneas ou até mesmo choque anafilático nos casos graves. Dependendo 
da urgência indica-se a administração de epinefrina e corticosteróides. 
Parestesia
Parestesia é a persistência dos sintomas anestésicos além do tem-
po esperado. Pode ser causado por dano mecânico com a agulha duran-
te a injeção ou por hemorragias nas proximidades ao nervo. O paciente 
e a família devem ser orientados e acompanhados durante o tempo que 
dure esta reação (até 8 semanas).
Danos aos tecidos moles circundantes (úlcera traumática)
Após procedimento anestésico orientar ao paciente e à família so-
bre os cuidados para evitar lacerações dos tecidos orais por mordidas 
autoinduzidas. Sugerir evitar alimentação ou ingestão de líquidos ime-
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diatamente após o procedimento anestésico para evitar este tipo de aci-
dente. Preferencialmente optar por anestésicos de curta duração. 
Fratura da agulha
O condicionamento do paciente e o uso de materiais e técnicas 
adequadas favorece a prevenção deste tipo de acidente.
Dicas e recomendações
Anestesia e gestação 
O uso de anestésicos locais durante a gravidez, pós-parto e ama-
mentação devem ser devidamente gerenciados. Apesar do uso de anesté-
sicos locais durante a gravidez (e amamentação) ser considerado seguro, 
deve-se evitar o uso de vasoconstritores (a duração do efeito anestésico 
pode ser alterada) e prilocaína e articaína (metaemoglobinemia). A li-
docaína é considerada a mais segura inclusive durante a amamentação. 
Injeção de anestésico em zonas com infecção e/ou 
inflamação 
Zonas de infecção retardam ou impedem o aparecimento do efeito 
anestésico por diminuição do pH extracelular do tecido a partir do seu valor 
normal (7,4 a 5-6) ou inferior. A inserção de uma agulha em um sítio ativo 
da infecção também pode levar a uma possível propagação da infecção. 
Sistemas alternativos para aplicação de anestesia local 
Com o intuito de reduzir a dor e controlar a ansiedade durante a 
técnica anestésica existem alguns dispositivos que oferecem uma alter-
nativa à técnica anestésica comum com seringa/agulha:
•		 Injeção assistida por computador: comercialmente conhecido 
como The Wand (Milestone Scientific, Livingston, NJ, EUA), 
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é um sistema que aplica o agente anestésico usando agulha com 
pressão, velocidade e volume controlado eletronicamente. 
•		 Dispositivo sem agulha: o sistema Comfort-in™ administra o 
agente anestésico local de forma subcutânea sob pressão dosa-
da através de um micro orifício (0,15 mm), preservando o teci-
do em uma fração de segundo. 
Agradecimentos
Ao Laboratório de Anatomia da UNINOVE, pelo empréstimo do 
crânio sintético para ilustração deste capítulo.
____________________
Referências
GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. ISSÁO, Myaki (in memoriam). Manual de 
odontopediatria. 12. ed. São Paulo: Santos, 2013.
MALAMED, Stanley F. Handbook of local anesthesia. 6th ed. St Louis, Mo: 
Mosby, 2013.
AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRIC DENTISTRY. Guideline use of 
local anesthesia for pediatric dental patients. Pediatr Dent. v. 37, n. 5, p. 197-
203, Sept./Oct. 2015.
86 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria
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Capítulo 7
Terapêutica medicamentosa em odontopediatria
Marcelo Mendes Pinto
Lara Jansiski Motta
Sandra Kalil Bussadori
Compreender a aplicação e o uso dos medicamentos na 
Odontopediatria é necessário não apenas para o profissional especialis-
ta, mas também para o Cirurgião Dentista generalista. O conhecimento 
e a capacitação do cirurgião dentista na prescrição de uma terapêutica 
medicamentosa adequada para crianças dependem do entendimento de 
alguns fatores, como: o uso de formas líquidas, concentrações dos fár-
macos e cálculo de doses terapêuticas individuais do analgésico, do an-
tinflamatório e do antimicrobiano oral.
O paciente infantil, diferentemente do paciente adulto, é conside-
rado um paciente que requer cuidados adicionais por apresentar diferen-
ças em relação ao adulto. Na terapêutica medicamentosa, esses cuidados 
também deverão ser observados para que, no dia a dia profissional, di-
minuam as chances de intercorrência pelo uso dos medicamentos. 
Esse capítulo irá abordar didaticamente pontos importantes na tera-
pêutica medicamentosa indicada na Odontopediatria. De forma semelhan-
te a um manual, serão vistos pontos importantes como: as características 
do paciente infantil, anamnese, uso de diferentes formas farmacêuticas, 
aplicações dos medicamentos em função do grau de complexidade do 
tratamento, cálculo de dose pediátrica e exemplos clínicos.
Importância da anamnese
Os recursos anamnéticos aplicados em Odontopediatriasão vistos 
em capítulo específico nesse manual, mas faz-se necessária uma breve 
inserção de comentários sobre o tema voltado para terapêutica medica-
mentosa em criança. A anamnese é a base para o desenvolvimento e plane-
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jamento da terapêutica em crianças, pois além de direcionar o diagnóstico 
odontológico, estabelece o perfil do paciente, para que possamos indicar a 
melhor escolha na realização da prescrição de medicamentos. O histórico 
médico relatado nesse momento pode ser indicativo de experiências de-
sagradáveis em tratamentos anteriores, complicações decorrentes do uso 
de fármacos como os anestésicos locais, reações de hipersensibilidade aos 
componentes dos medicamentos e outras situações que devem ser investi-
gadas. É importante frisar que as crianças merecem uma abordagem anam-
nética direcionada a sua condição específica e diferente do paciente adulto. 
O primeiro entendimento que devemos ter com relação a propor 
terapêutica medicamentosa para crianças atendidas pelo dentista, é que 
esse paciente requer alguns cuidados adicionais quando os agentes far-
macológicos forem necessários durante o decorrer do tratamento odon-
tológico (Quadro 1). 
A criança apresenta diferenças em relação ao adulto e, por essas 
características, o profissional, como condição básica, deve saber selecio-
nar a medicação apropriada para o uso em odontopediatria (indicação), 
estabelecer as dosagens corretas calculadas em função do peso (poso-
logia), de forma a obter um efeito máximo da droga com o mínimo de 
efeitos adversos, ação também conhecida como relação risco/benefício 
do medicamento.
– Desenvolvimento da criança é diferente do adulto;
– Menor volume corpóreo; 
– Sabor do medicamento auxilia na sua ingestão;
– Via de administração. A principal é a via oral;
– Intervalos entre doses semelhante ao adulto;
– Indicação – selecionar a medicação correta;
– Posologia – estabelecer a dosagem correta pelo número de dias 
necessários.
Quadro 1 – Principais cuidados que devemos ter para realizar a terapêutica 
medicamentosa em crianças.
Fonte: Os autores
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Outra importante informação para medicar crianças, é saber que 
a maioria delas apresentam dificuldades na ingestão de medicamentos, 
principalmente na deglutição de formas farmacêuticas sólidas. Sendo 
assim, devemos optar pelas formas líquidas. (Quadro 2)
Formas Sólidas
– Comprimidos – o princípio ativo é compactado formando 
um comprimido, esses medicamentos podem ser fracionados 
em menores quantidades;
– Drágeas – são comprimidos revestidos por uma camada de 
polímero degradável;
– Cápsulas – são dispositivos feitos de polímeros 
degradáveis, que carregam o princípio ativo no seu interior.
Formas Líquidas 
As formas líquidas são preferidas na prescrição da terapêutica 
medicamentosa em crianças. Podem ser: 
– Emulsão – Duas sustâncias terapêuticas que não se diluem 
entre si;
– Suspensão – As substâncias, após a diluição, formam um 
liquido viscoso;
– Soluções – Duas substâncias homogêneas e de baixa 
viscosidade. 
Quadro 2 – Formas Farmacêuticas.
Fonte: Os autores
Fármacos e medicamentos
De acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, “fár-
maco é qualquer preparado farmacêutico” feito para os diferentes fins; 
entre os fármacos utilizados na odontopediatria citamos o analgésico e 
antinflamatório indicados para controle da dor, antibióticos e os anesté-
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sicos locais e sedativos. Existe uma diferença nesse conceito quando se 
faz referência ao medicamento, ou seja, o medicamento é “qualquer subs-
tância de que se faz uso para combater doenças ou indisposições físicas”. 
Ao comprar um medicamento na farmácia, diferentes classifica-
ções para o mesmo produto devem ser consideradas. A indicação se o 
medicamento é referência, genérico ou similar deve ser uma orienta-
ção dada ao paciente ou seu responsável. O Quadro 3 mostra as princi-
pais características de cada grupo de medicamentos.
REFERÊNCIA GENÉRICO SIMILAR
– Inovador
– Submetidos a 
diferentes fases de 
estudo (I, II, III)
– Comprovada 
eficácia e segurança
– Investimento
– Patente (20 anos)
– Cópia do referência
– Mesma fórmula e 
efeito
– Submetidos a ensaios 
in vitro
– Submetidos a testes 
de bioequivalência
– Mesmo 
princípio ativo e 
concentração
– Submetidos a 
ensaios in vitro
– Podem diferir no 
tamanho, prazo de 
validade, veículo
Quadro 3 – Grupos de medicamentos na farmácia e suas principais características. 
Fonte: Os autores
O medicamento inovador que passou e ainda continua sob todas 
as fases de estudo do fármaco (do desenvolvimento à aplicação em mo-
delos animais e uso clínico em humanos), que apresenta comprovação 
de eficácia e segurança, com alto investimento para o desenvolvimento 
e patenteado por em média 20 anos é o chamado medicamento referên-
cia. O medicamento denominado genérico é aquele considerado a có-
pia do medicamento referência, desenvolvido após a quebra ou término 
da vigência da patente; o genérico apresenta as mesmas características 
do medicamento referência. O medicamento similar apresenta o mes-
mo princípio ativo e concentrações do referência, mas podem apresentar 
alterações quanto ao tamanho, prazo de validade, controle na produção 
(manipulados), e forma farmacêutica.
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Informações sobre o medicamento
Todo medicamento apresenta informações mínimas que devem ser 
descritas com linguagem de fácil assimilação pelo usuário. Essas infor-
mações estão relatadas na bula do medicamento e o profissional deve ter 
conhecimento sobre as informações e características do fármaco que irá 
prescrever. Entre as orientações mínimas necessárias, estão:
•	 Efeitos do medicamento – relatar os possíveis efeitos do medi-
camento prescrito, sejam desejáveis ou indesejáveis. Sobre os 
efeitos indesejáveis é importante orientar o paciente quais efei-
tos podem ocorrer, como podemos reconhecê-los, quanto tem-
po irão durar, qual a gravidade e o que fazer caso apareçam. As 
advertências no uso do medicamento também devem ser infor-
madas para o paciente, entre as quais, quando o medicamento 
é contraindicado, qual a dose máxima e porque se deve tomar 
o medicamento pelo número de dias prescritos.
•	 Por que é necessário o medicamento – essa informação é rela-
cionada à indicação de cada fármaco em odontopediatria.
•	 Que sintomas desaparecerão – associado à indicação, essa infor-
mação monitora a melhora no quadro clínico do paciente, bem 
como o desaparecimento dos sinais e sintomas da patologia.
•	 Quando inicia o efeito e qual o tempo de duração – importan-
te informação associada a posologia do medicamento, tempo 
de meia vida e início do efeito.
•	 O que pode ocorrer se não for tomado de forma correta – impor-
tante orientar o paciente durante a terapêutica medicamentosa.
•	 Como guardar o medicamento e o que fazer com sobras – na 
terapêutica medicamentosa em crianças indica-se o uso de for-
mas líquidas, assim, os medicamentos devem ser guardados sob 
refrigeração e sem contato com a luz. Quando sobra o medica-
mento líquido, a recomendação é de que se faça o descarte do 
conteúdo em água corrente.
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Aplicação terapêutica dos medicamentos em 
odontopediatria
Uma vez entendido que existem diferenças entre crianças e adul-
tos, e que as crianças requerem cuidados adicionais no que diz respeitoà prescrição de medicamentos, iremos agora iniciar a compreensão da 
indicação dos diferentes fármacos (Controle da Dor e Infecção), como 
iremos calcular as doses terapêuticas em crianças e como prescrevê-las.
Cálculo da dose para o paciente infantil
Provavelmente a maior dificuldade em entender a prescrição de 
medicamentos em odontopediatria seja a tendência do profissional 
em indicar fármacos da mesma forma que para o adulto. Por exem-
plo, quando se pergunta atualmente para um dentista qual o antibió-
tico de escolha em odontologia, responde-se ... Amoxicilina 500mg, 
tomar via oral (VO) um comprimido 8/8h por 7dias...; se a mesma 
pergunta for feita para a prescrição em odontopediatria, a resposta 
muitas vezes é igual, independente de ser criança, apesar de ser uma 
prescrição equivocada.
Existem várias fórmulas e regras para calcular o valor da dose te-
rapêutica em crianças. As principais determinam a dose da criança em 
função do peso e/ou idade, com algumas pequenas variações entre as 
diferentes regras de cálculo, todas podem ser utilizadas. Apenas como 
informação, entre as regras podemos citar a mais utilizada, chamada de 
regra de Clark, que considera no cálculo a dose do adulto para calcular 
a dose pediátrica; essa regra é indicada para crianças com peso corpó-
reo menor de 30kg. A regra de Law, para crianças menores de um ano 
de idade, e a fórmula de Young, que calcula a dose pediátrica utilizan-
do a idade entre 1 a 12 anos (Quadro 4).
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Nome da Regra/
Fórmula
Particularidade da 
regra Fórmula
Regra de Clark Peso corporal < 30Kg
Regra de Law < 1 ano de idade
Fórmula de Young 1 a 12 anos de idade
DP – Dose Pediátrica; DA – Dose adulto
Quadro 4 – Regras e fórmulas para cálculo de dose com base no peso do paciente. 
Fonte: Os autores
As regras e fórmulas utilizadas para cálculo nesse capítulo são 
apenas informativas, pois os medicamentos atuais apresentam em suas 
bulas e também em artigos e livros os valores das doses terapêuticas in-
dicadas em crianças. Essas doses são representadas em mg/kg/dose e de-
vem ser conhecidas pelos profissionais, pois são o ponto de partida para 
o cálculo e prescrição medicamentosa para a criança.
Três pontos são fundamentais para calcular a dose individual da 
criança e prescrever um medicamento em odontopediatria, a saber:
1 – Qual a dose terapêutica em crianças (mg/kg/dose);
2 – Qual a posologia e tempo de uso (via administração / frequência 
/ tempo de duração);
3 – Como é apresentado comercialmente (na farmácia) o medi-
camento, qual a concentração do princípio ativo, qual a forma 
farmacêutica.
Para todos os medicamentos apresentados nesse capítulo, daremos 
as principais informações de dose terapêutica em crianças, posologia e 
concentração do princípio ativo dos medicamentos referência, para que 
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seja possível calcular a quantidade de medicamento necessária durante 
a terapêutica indicada. 
Raciocínio clínico para prescrição em Odontopediatria
Hipoteticamente, uma criança com 3 anos de idade 15Kg procu-
rou o serviço odontológico. Sem apresentar alterações na anamnese, foi 
realizado o tratamento odontológico, após o qual o profissional verifica 
a necessidade do uso de um analgésico para controle da dor. 
Para a prescrição do analgésico para a criança, a primeira coisa a 
saber é qual a medicação o profissional irá indicar para ter o efeito de-
sejável, que nesse caso é o controle da dor pós-operatória. Imaginemos 
que o medicamento se chama AIDOR (um nome fantasia). Esse será o 
medicamento prescrito para a criança.
O próximo passo é saber a resposta para os três pontos fundamen-
tais citados acima:
1– qual a dose terapêutica do AIDOR em crianças = 10mg/kg/dose;
2– qual a posologia = via oral/5 em 5horas/4dias; 
3– vendido na farmácia = AIDOR 25mg/ml ou comprimidos de 
100mg.
Como calcular a Dose Individual da Criança (DI)? É só multipli-
car a Dose Terapêutica (DT) pelo Peso da Criança (P),
DI = DT x P assim tem-se, DI = 5mg x 15Kg = 75mg/dose
DI=75mg/dose
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O próximo passo é calcular a quantidade de medicamento que a 
criança deverá ingerir para que cada dose seja contemplada. Os cálcu-
los seguem abaixo:
Para esse cálculo é necessário que se saiba como o medicamen-
to é vendido na farmácia, e através de uma regra de três simples se tem 
a quantidade necessária. Assim, se o “AIDOR” é vendido na forma lí-
quida de 25mg/ml, precisamos ver quanto é equivalente a 50mg atra-
vés da regra de três:
25mg-----------1ml
75mg-----------X 
Desenvolvendo a conta temos: 
X=75x1/25 X=75/25 X=3ml/dose
Prescrição do medicamento para a criança acima:
Ao Menor do Caso
Uso Interno
Aidor 25mg/ml-------------------------1 frasco
Tomar Via Oral 3 ml da suspensão a cada 5 horas durante 4 dias
Data e Assinatura
Esse é o raciocínio para cálculo e prescrição de qualquer medica-
mento em odontopediatria.
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Prevenção e controle da dor odontológica no paciente 
infantil
Os medicamentos preconizados para controle da dor de origem 
odontológica em crianças podem ser classificados em analgésicos e an-
tinflamatórios. Nesse item serão descritos os medicamentos de escolha 
para as diferentes situações clínicas que envolvam uma condição de dor.
Analgésico
Os analgésicos são fármacos indicados em odontopediatria para 
prevenção e controle da dor de intensidade leve a moderada decorrentes 
de intervenções de menor complexidade (Quadro 5). Os principais anal-
gésicos utilizados em odontopediatria são: o paracetamol e a dipirona.
– Exodontia simples
– Gengivectomia/ gengivoplastia
– Ulotomia/ ulectomia
– raspagem subgengival
– dentística restauradora
– terapia pulpar
– traumatismo dental de baixa intensidade
Quadro 5 – Intervenções de menor complexidade em odontopediatria.
Fonte: Os autores
Paracetamol – É o analgésico de escolha para prevenção e controle 
da dor odontológica indicado para crianças, por apresentar maior 
segurança no uso. Apresenta efeito analgésico e antitérmico potente, 
mas o efeito antinflamatório é pouco potente. A dose terapêutica do 
paracetamol está entre 10 a 15mg/kg/dose, administrado em intervalos 
de 6 horas entre cada dose.
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Geralmente em crianças prescreve-se o paracetamol em solução 
oral de 200mg/ml, também conhecida como “solução gotas”. Para essa 
formulação do paracetamol (apenas a solução gotas), existe uma regra 
prática na literatura e que utilizamos na clínica odontopediátrica, que 
facilita a prescrição de uma dose segura e eficaz, que emprega a razão 
de 1gota/kg de peso da criança, até o limite máximo de 35 gotas. Não 
se deve exceder as doses prescritas e deve-se restringir o seu uso em 24 
horas. Para os procedimentos realizados em crianças, considerados de 
baixa complexidade, não é necessário estender o uso do analgésico no 
pós-operatório por mais de 1 dia.
É importante frisar que a regra prática somente poderá ser aplicada se 
o paracetamol for comprado como solução gotas. Outras formulações po-
dem ser adquiridas na farmácia, como suspensões com diferentes concen-
trações, dessa forma se prescrevermos um paracetamol que não seja gotas, 
termos que calcular a dose individual da criança e a quantidade de medica-
mento a ser ingerido, como vimos anteriormente noraciocínio clínico para 
o cálculo. O Quadro 6 mostra as principais características do paracetamol.
– Dose terapêutica em crianças = 10 a15mg/kg/dose
– Apresentação comercial = (concentração do paracetamol) /ml
– 200mg/ml ou solução gotas
– 160mg/5ml 
– 100mg/ml
– 32mg/ml
– Posologia = 1 dose a cada 6 horas por 24 horas
– Marcas comerciais: Tylenol 200mg/ml (ou gotas); Tylenol 100mg/ml 
(bebê); Tylenol 32mg/ml (criança), Dorico 200mg/ml; Paralgen 200mg/
ml; Paracetamol 200mg/ml; entre outros
– Regra prática – 1 gota/Kg
Quadro 6 – Características do analgésico paracetamol.
Fonte: Os autores
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Dipirona Sódica – Segunda opção em analgésico para prevenção e 
controle da dor odontológica indicado para crianças. Alguns autores re-
latam que o uso da dipirona deve ser cauteloso, pois podem causar alte-
rações na pressão arterial (PA) do paciente, causando uma diminuição. 
A criança apresenta oscilações na PA relacionadas com a idade e con-
forme vão atingindo a adolescência a pressão tende a manter-se normal. 
A literatura indica inclusive que pacientes com o valor da máxima me-
nor que 100mm/Hg, não devem utilizar a dipirona ou devem ter acom-
panhamento médico.
A dipirona em condições normais tem a indicação precisa para pa-
cientes com dor presente ou instalada. Esse tipo de dor é bem caracte-
rística de quadros de urgência odontológica, no qual o paciente chega 
ao consultório com processos de dor agudos. Nesses casos a dipirona 
parece ter melhor efeito analgésico quando comparado ao paracetamol. 
Apresenta efeito analgésico e antitérmico potente, mas o antinflamató-
rio é pouco potente. A dose terapêutica da dipirona sódica é de 10mg/
kg/dose, administrada em intervalos de 4 horas entre cada dose, não ex-
cedendo 4 doses diárias. 
Geralmente utiliza-se a dipirona em solução oral de 500mg/ml, 
também conhecida como “solução gotas”. Para essa formulação da dipi-
rona (apenas em gotas), existe uma regra prática na literatura e que uti-
lizamos na clínica odontopediátrica, que emprega a razão de ½gota/kg 
de peso da criança, até a quantidade máxima de 20 gotas. Não se deve 
exceder as doses prescritas restringindo o seu máximo em 24 horas. A 
dipirona é uma solução com sabor amargo, nada impede que seja diluí-
da em uma pequena quantidade de suco. O raciocínio da regra prática 
segue para a dipirona, como visto anteriormente para o paracetamol. O 
Quadro 7 mostra as principais características da dipirona.
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– Dose terapêutica em crianças = 10mg/kg/dose
– Apresentação comercial = (concentração da dipirona) /ml
- 500mg/ml ou solução gotas 
- 50mg/ml 
– Posologia = 1 dose a cada 4 horas não excedendo 24 horas
– Marcas comerciais: Novalgina 500mg/ml (ou gotas); Novalgina 
50mg/ml (Infantil); Anador 500mg/ml; Magnopyrol 500mg/ml; Dorilan 
500mg/ml; Dipirona Sódica 500mg/ml; Dipirona Sódica 50mg/ml; entre 
outros.
– Regra prática – ½ gota/Kg
Quadro 7 – Características do analgésico dipirona.
Fonte: Os autores
Protocolo farmacológico indicado para uso do 
analgésico em odontopediatria
No Pós-Operatório
•	 administrar a 1ª dose de paracetamol “gotas” (1gt/kg) ou so-
lução na concentração desejada, logo após a intervenção, com 
doses de manutenção a cada 6h por 24 horas. 
OU
•	 administrar a 1ª dose de dipirona “gotas” (½gt/kg) ou solução 
na concentração desejada, logo após a intervenção, com doses 
de manutenção a cada 4h não excedendo 4 doses em 24 horas. 
Mais uma vez deve ser reforçado, sobre o uso do analgésico, que 
todo analgésico indicado para criança deve ser prescrito por no máximo 
24 horas e em caso da dor persistir devemos orientar o responsável pelo 
paciente a retornar ao consultório para verificar se existe alguma ou-
tra intercorrência que está levando à manutenção do processo doloroso. 
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Antinflamatório
Os antinflamatórios são fármacos indicados em odontopediatria 
para a prevenção e controle da dor e edema de intensidade mais pronun-
ciada, decorrentes de intervenções de maior complexidade (Quadro 8). 
Os principais medicamentos antinflamatórios utilizados em odontope-
diatria são: a dexametasona ou betametasona e o ibuprofeno.
=> pré-operatório cirúrgico
=> cirurgia de odontomas e supranumerários
=> cirurgia de dentes inclusos
=> exodontia seriada
=> frenectomia labial/lingual
=> tracionamento ortodôntico
=> traumatismo dental de grande intensidade
Quadro 8 – Intervenções de maior complexidade em odontopediatria.
Fonte: Os autores
O uso de antinflamatório em odontopediatria é muito restrito e 
particularmente difícil de ser utilizado. Isso acontece porque a maioria 
dos procedimentos que realizamos no paciente infantil é considerada de 
intensidade leve à moderada, mas algumas situações clínicas necessi-
tam de uma prescrição mais elaborada. Nessas situações em que a dor e 
o edema são mais pronunciados, a primeira opção é pelo uso dos corti-
costeroides betametasona ou dexametasona, por via oral, em dose única 
pré-operatória. De forma alternativa aos corticoides, emprega-se o ibu-
profeno, um analgésico com potencial antinflamatório por tempo restri-
to (a posologia do ibuprofeno (100mg/ml) é de 1 gota/Kg a cada 6 horas 
por 24 horas). 
Geralmente indica-se para a criança a dexametasona ou betame-
tasona em solução oral de 0,5mg/ml, também conhecida como “solu-
ção gotas”. Para essa formulação do corticoide (apenas em gotas), existe 
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uma regra prática na literatura e que utilizamos na clínica odontopediá-
trica, que emprega a razão de 1gota/kg de peso da criança, em dose úni-
ca no pré-operatório. Em algumas situações não corriqueiras, o uso do 
corticoide pode ser prolongado por até 3 dias em doses únicas diárias, 
administradas preferencialmente pela manhã. O quadro 9 mostra as 
principais características do antinflamatório.
– Dose terapêutica em crianças = 0,025 a 0,05mg/kg/dose
– Apresentação comercial = (concentração do corticoide)/ml
- 0,5mg/ml ou solução gotas
- 0,5mg/ml ou elixir
- 0,1mg/ml ou elixir 
– Posologia = dose única no pré-operatório 
– Marcas comerciais: Koide 0,1mg/ml(elixir); Celestone 0,5mg/ml 
(gotas); Celestone 0,1mg/ml (elixir); Decadron 0,5mg/ml; Decadron 
0,1mg/ml (elixir); Dexametasona 0,5mg/ml; Betametasona 0,5mg/ml, 
entre outros.
Regra Prática – 1 gota/Kg
Quadro 9 – Características do antinflamatório dexametasona e betametasona. Fonte: 
Os autores
IMPORTANTE: A nimesulida, excelente antinflamatório indicado 
para pacientes adultos, não deve ser prescrita para crianças menores 
que 12 anos de idade, pois existe na literatura a contraindicação 
do uso desse medicamento nas crianças por levar a alterações 
no desenvolvimento dos rins, chamada de Síndrome de Reyes.
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Protocolo farmacológico indicado para uso do 
antinflamatório em odontopediatria
No Pré-Operatório
o administrar dexametasona ou betametasona solução “gotas” 
(0,5mg/ml) na dosagem de 1gt/kg de peso, em dose única, 45 
minutos antes do procedimento.
No Pós-Operatório (dependendo do trauma esperado)
o administrar dexametasona ou betametasona solução “gotas” 
(0,5mg/ml) na dosagem de 1gt/kg de peso, em dose única diá-
ria pela manhã, não estendendo a 3 dias de uso.
OU
o ibuprofeno (100mg/ml) na dosagem de 1gt/Kg de peso a cada 
6 horas por 24 horas.
Controle da infecção odontológica no paciente infantil
Ao nos reportarmosà literatura, verifica-se que as moléstias da 
cavidade bucal são de origem infecciosa. Atualmente tem sido muito 
estudada a utilização de antimicrobianos como auxiliares na prevenção 
e tratamento das doenças bucais. No entanto, o profissional, reluta em 
empregar tais agentes, por desconhecimento dos grandes benefícios que 
tais terapias podem trazer.
De forma semelhante ao que acontece para os pacientes adultos, 
as penicilinas são definitivamente os antibióticos mais empregados na 
odontopediatria. Isso acontece, pois, as penicilinas apresentam eficácia 
e baixíssima toxicidade. Nas infecções iniciais odontológicas de leves 
a moderadas, indica-se o uso da penicilina V, ampicilina e amoxicilina. 
Em infecções mais evoluídas, consideradas graves, pode-se associar ao 
antibiótico de escolha o metronidazol, mas não podemos indicar essas 
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associações sem antes verificar o risco/benefício delas. O Quadro 10 
mostra os principais antibióticos utilizados para controle da infecção em 
pacientes odontopediátricos. 
Quando a criança apresentar alergia às penicilinas, indica-se o es-
tearato de eritromicina nas infecções iniciais, ou pela claritromicina ou 
azitromicina em infecções mais graves. Para todos os medicamentos, 
deve-se sempre analisar as precauções e contraindicações do seu uso.
Penicilinas Semissintéticas
Penicilina V (250mg/5ml)
Ampicilina (250mg/5ml)
Amoxicilina (125, 200, 250, 400, 500mg/5ml)
Cefalosporinas
Cefalexina (250mg/5ml)
Macrolídeos
Eritormicina (125, 250mg/5ml)
Claritromicina (125, 250mg/5ml)
Azitromicina (200mg/5ml)
Metronidazol
Benzoilmetronidazol (200mg/5ml)
Quadro 10 – Principais antibióticos utilizados para controle da infecção em pacientes 
Odontopediátricos.
Fonte: Os autores
Protocolo Farmacológico para uso de antibiótico em 
odontopediatria
Existem três possibilidades terapêuticas para emprego dos antibi-
óticos em odontopediatria, que são:
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Dose profilática para endocardite bacteriana – essa dose é ca-
racterizada pela administração do medicamento apenas em dose 
única de 30min a 1 hora antes do procedimento. Essa dose é utili-
zada em situações sistêmicas específicas que aumentam a chance 
de risco à endocardite.
Dose de manutenção – essa dose é caracterizada pela administra-
ção e manutenção do antibiótico durante o período necessário para 
que o efeito terapêutico seja conseguido. Essa dose varia de acor-
do com o tipo de patologia e fármaco utilizado.
Dose ataque – é o dobro da dose de manutenção. É administrada 
para que o nível sérico do antimicrobiano chegue rápido ao nível 
sérico. Após a administração da dose ataque o paciente continua 
fazendo uso da dose de manutenção, pelo tempo necessário.
Os antimicrobianos empregados na odontopediatria e as concen-
trações encontradas na farmácia serão discutidos nos quadros a seguir:
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Penicilinas Semissintéticas
• Penicilina V ou Ampicilina 
Dose terapêutica em crianças = 15mg/kg/dose
Dose ataque =30mg/kg/dose única
Dose profilática = 250mg-1hora antes
Apresentação comercial = (concentração do antibiótico)/ml
Penicilina V ou Ampicilina 250/5ml
Posologia = 1 dose a cada 6 horas durante 7 dias
Marcas comerciais: Pen-Ve-Oral 80.000UI; Amplacilina 50mg/ml; Neo 
Ampicilin 250mg/5ml
• Amoxicilina 
Dose terapêutica em crianças = 20mg/kg/dose
Dose ataque = 40mg/kg/dose única
Dose profilática = 50mg/kg/1hora antes
Apresentação comercial = (concentração da amoxicilina)/ml
Amoxicilina 125, 200, 250, 400, 500mg/5ml
– Posologia = 1 dose a cada 8 horas durante 7 dias
– Marcas comerciais: Amoxil 125, 250, 500mg/5ml; Amoxil BD 200, 
400mg/5ml; Novocilin 250, 400mg/5ml.
Quadro 11 – Características das Penicilinas Semissintéticas.
Fonte: Os autores
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Macrolídeos
• Eritromicina
Dose terapêutica em crianças = 10mg/kg/dose
Dose ataque =20mg/kg/dose única
Dose profilática = 30mg/kg/1hora antes
Apresentação comercial = (concentração da eritromicina)/ml
Eritromicina (125 ou 250mg/5ml)
– Posologia = 1 dose a cada 6 horas durante 10 dias
– Marcas comerciais: Eritromicina 125 ou 250mg/5ml; Rubromicin 125 
ou 250mg/5ml.
• Claritromicina 
Dose terapêutica em crianças = 7,5mg/kg/dose
Dose ataque =15mg/kg/dose única
Dose profilática =20mg/kg/1hora antes
Apresentação comercial = (concentração da claritromicina)/ml
Claritromicina (25 ou 50mg/ml)
– Posologia = 1 dose a cada 12 horas durante 5 dias
– Marcas comerciais: Klaricid 25 e 50mg/ml
• Azitromicina
Dose terapêutica em crianças = 10mg/kg/dose
Dose ataque =20mg/kg/dose única
Dose profilática =15mg/kg/1hora antes
Apresentação comercial = (concentração da azitromicina)/ml
Azitromicina (200mg/5ml)
– Posologia = 1 dose a cada 24 horas durante 3 dias
– Marcas comerciais: Astro 200mg/5ml; Azitron 200mg/5ml; Selimax 
40mg/ml.
Quadro 12 – Características dos Macrolídeos.
Fonte: Os autores
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Metronidazol
Benzoilmetronidazol 
Dose terapêutica em crianças = 7,5mg/kg/dose
Dose ataque =15mg/kg/dose única
Dose profilática =15mg/kg/1hora antes
Apresentação comercial = (concentração do metronidazol)/ml
Metronidazol (40mg/ml)
– Posologia = 1 dose a cada 12 horas durante 5 dias
– Marcas comerciais: Flagyl 40mg/ml; Polibiotic 200mg/5ml.
Quadro 13 – Características dos Metronidazol.
Fonte: Os autores
Notas Finais
● Medicar a criança exige conhecimento dos medicamentos e seus po-
tenciais riscos/benefícios;
● A dose individual da criança sempre deve ser calculada em função da 
dose terapêutica e do peso da criança;
● Soluções orais gotas apresentam regras práticas que facilitam a ad-
ministração ao paciente infantil;
● Todo medicamento indicado em odontopediatria deve ser emprega-
do de forma segura pelo profissional;
● As formas líquidas são as indicadas para o paciente infantil;
● O profissional sempre deve saber a indicação e a posologia dos 
medicamentos.
● A quantidade de medicamento necessária para ter um efeito terapêu-
tico desejável deve ser calculada utilizando a regra de três simples;
● O receituário, onde será prescrito o medicamento, deverá ser feito em 
três vias, a primeira para a farmácia, a segunda para os pacientes e a 
terceira ficará no prontuário do paciente.
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Capítulo 8
Diagnóstico de lesões de cárie
Silvia Regina Garcia Olivan
 Ravana Angelini Sfalcin
Marcelo Mendes Pinto
Lara Jansiski Motta
Sandra Kalil Bussadori
O diagnóstico de cárie tem sido definido como “a arte ou o ato 
de identificar a doença a partir dos seus sinais e sintomas” e a detec-
ção da cárie é o sinal e sintoma identificados (NYVAD, 2004). A detec-
ção de cárie no seu estágio inicial tem sido fundamental para controlar 
a doença a nível superficial do dente, assim como preveni-la ou tratá-la 
efetivamente. O método tradicional de diagnóstico se dá pela combina-
ção de exames radiográficos e a inspeção visual (PITTS E RIMMER, 
1992; PITTS, 2004; LILLEHAGEN et al., 2007, AGUSTSDOTTIR 
et al., 2010).
Na última década, o método de inspeção visual através do sistema 
ICDAS – International Caries Detection and Assesment System – tem 
sido consideravelmente utilizado e submetido à pesquisa. Este sistema 
foi desenvolvido em 2001 e tem como objetivo a estratégia de integrar os 
sistemas de detecção modernos em um único sistema padrão (ISMAIL 
et al., 2007). O ICDAS identifica as lesões de cárie com base no seu as-
pecto clínico visual e é classificado de acordo com códigos que variam 
de 0 a 6 como mostra a tabela 1 (ISMAIL et al., 2007).
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Tabela 1 – Códigos do International Caries Detection and 
Assesment System (ICDAS)
Código Critério
0 Sadio
1 Primeira alteração visual em esmalte
2 Alteração visual nítida em esmalte
3 Quebra de esmalte localizada
4 Sombra na dentina subjacente
5 Cavidade nítida com dentina visível
6 Cavidade extensa com dentina visível 
Fonte: adaptado do artigo “Detection and diagnosis of the early caries 
lesion” (Gomez J, BMC Oral Health, 2015)
Com relação aos exames radiográficos, as técnicas de radiografia 
mais utilizadas para este intuito são as de “bitewing”. O objetivo destas 
radiografias é detectar as lesões de cárie proximais que não são detec-
tadas visualmente, assim como lesões de cárie presentes na superfí-
cie oclusal, estimando a profundidade da lesão (BADER et al., 2002; 
GOMEZ et al., 2012). Porém, quando a lesão é detectada em superfí-
cies oclusais pelas radiografias “bitewings”, estas lesões podem já ter 
alcançado o terço médio da dentina e intervenções de remineralização 
podem já não ser eficazes (RICKETTS et al., 1995), sendo necessário 
a intervenção operatória.
Entretanto, estes métodos de detecção tradicionais ainda não su-
prem totalmente a necessidade dos profissionais em determinar as lesões 
precoces de cárie, e desta forma, alguns novos métodos de diagnóstico 
têm sido estudados no ramo da Odontologia a fim de facilitar a detec-
ção de cárie precoce com boa precisão (LUSSI et al., 1999). Algumas 
técnicas estão baseadas nas mudanças das propriedades ópticas do teci-
do dentário doente e saudável, tais como o Quantitative Light-induced 
Fluorescence (QLF), o Laser-induced Fluorescence (LF), o Optical 
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Coherence Tomography (OCT) e o Fiber Optic Transilumination (FOTI) 
(KARLSSON, 2010). Ainda, o DIAGNOdent (MACIEL, 2006) tam-
bém pode ser utilizado, e mais recentemente, o Speckle (KOSHOJI, 
2015) tem sido estudado para esta finalidade. Falaremos de cada mé-
todo a seguir.
Quantificação da Fluorescência Induzida por Luz – QLF
Neste método, a avaliação da lesão baseia-se na perda de sinal de 
fluorescência (PRETTY, 2006). Há uma diferenciação entre o esmalte 
hígido (sadio) e o esmalte com lesão precoce (desmineralizado) devido 
à menor fluorescência nas áreas desmineralizadas, e dessa forma, apre-
sentam-se como manchas escuras na imagem (MUJAT et al., 2004). A 
diminuição na fluorescência está relacionada às propriedades de dis-
persão do esmalte desmineralizado e assim, o sistema fornece uma me-
dida quantitativa da severidade da área afetada, ou seja, a extensão da 
lesão (VAN der VEEN e de JOSSELIN DE JONG 2000). Portanto, 
esta técnica permite a detecção das lesões de cárie em estágio inicial 
(BUCHALLA, 2005).
Fluorescência induzida por laser – LF e DIAGNOdent
Nesta técnica, irradia-se a superfície dentária com um laser emi-
tindo na região entre 488 nm e 650 nm. Superfícies desmineralizadas 
apresentam maior fluorescência do que os tecidos sadios, possibilitan-
do detectar a lesão. É um método de boa precisão no diagnóstico, mas 
não é eficiente para quantificar a perda mineral (RODRIGUES, 2005).
Em revisões sistemáticas prévias, uma tendência à maior espe-
cificidade do que sensibilidade, exceto a nível de dentina, foi observa-
do. O desempenho de LF parece ser melhor para lesões mais avançadas 
(GIMENEZ et al., 2013). Dispositivos de LF estão baseados na captu-
ra, análise e quantificação de fluorescência emitida a partir de cromófo-
ros quando a superfície do dente é iluminada por um laser diodo a um 
comprimento de onda 655 nm (LUSSI et al., 2006).
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O DIAGNOdent Pen 2190 (dispositivo de LF) é um dispositivo 
que quantifica o processo de cárie por meios de fluorescência induzi-
da por laser (NOVAES et al., 2009). Esse dispositivo foi desenvolvido 
para detectar a cárie proximal e oclusal (ALJEHANI et al., 2007), po-
rém eles apresentam algumas limitações tais como uma grande quantida-
de de falso-positivos e a não obtenção correta da relação com o tamanho 
das lesões (TOMMASI, 2013).
Tomografia por Coerência Óptica (Optical Coherence 
Tomography ou OCT)
O OCT é um tipo de técnica de diagnóstico que produz uma ima-
gem transversal de alta resolução do tecido dental. Baseia-se no espa-
lhamento elástico de fótons pelo tecido utilizando uma fonte de luz com 
comprimento de onda entre 840 nm e 1310 nm (HALL et al., 2004). Este 
método produz imagens tridimensionais, permitindo avaliações qualita-
tivas e quantitativas do tecido dental. A profundidade de resolução desta 
técnica é limitada principalmente devido as propriedades de absorção e 
dispersão dos tecidos biológicos (LARINA et al., 2008; PROSKURIN 
e MEGLINSKI, 2007). Entretanto, o OCT ainda é um método inviável 
para a prática clínica devido ao seu alto curso e indisponibilidade para a 
prática clínica (FREITAS et al., 2006; FREITAS et al., 2009).
Transiluminação por Fibra Óptica (Fiber Optic 
Transilumination ou FOTI)
Neste método, o tecido dental é iluminado por uma luz branca bri-
lhante e a luz transmitida é vista por uma câmera. É um método quali-
tativo que avalia a diferença existente nas propriedades da transmissão 
de luz entre o esmalte sadio e da lesão de cárie (HINTZE et al., 1988; 
MACIEL, 2006). Devido à sua alta dispersão de luz, a área da lesão de 
cárie aparece como uma mancha escura na imagem. Porém, este método 
não permite a quantificação da luz dispersa e dessa forma, a sua análise é 
subjetiva (BADER e SHUGARS, 2004). É um método fácil de ser apli-
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cado, mas sua validade é restrita às lesões mais avançadas em dentina 
estimando apenas a profundidade das mesmas (MIALHE et al., 2009).
Speckle
O Speckle é uma nova técnica de diagnóstico na qual as caracte-
rísticas de luz coerente dispersa são exploradas. Esse tipo de técnica tem 
sido estudado atualmente e permite a avaliação de características dinâmi-
cas nos tecidos usando um método não invasivo,não destrutivo, de custo 
acessível e em tempo real. Isso tem estimulado a comunidade acadêmi-
ca em concentrar esforços no estudo deste método no domínio de tempo 
(análise do Speckle dinâmico). Esse método aumenta o contraste entre o 
tecido do dente sadio e do dente cariado através do estudo das mudanças 
dos padrões do Speckle no domínio espacial (DEANA et al., 2013). Dessa 
forma, a análise de imageamento do laser Speckle no domínio espacial 
tem sido considerada como uma poderosa técnica de diagnóstico que for-
nece a informação na microestrutura da superfície. Através desta técnica, 
é possível que uma lesão seja tão incipiente que não consiga ser detectada 
na prática clínica, mesmo por um dentista treinado, além de ser sensível à 
progressão de erosão do esmalte (KOSHOJI, et al., 2015).
____________________
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Diagnóstico de lesões de cárie - 115
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Capítulo 9
O papel do flúor na prevenção e 
tratamento da doença cárie
Lara Jansiski Motta
Marcelo Mendes Pinto
Katia Lumi Tanikawa-Vergilio
Carolina Carvalho Bortoletto
Sandra Kalil Bussadori
O processo de desenvolvimento da doença cárie já é bastante co-
nhecido, assim como os fatores que estão envolvidos nesse processo. A 
compreensão da interação dos fatores e da evolução do processo de des-
mineralização dental é essencial, tanto para o diagnóstico quanto para o 
tratamento e a prevenção da doença.
Considerando que a doença cárie depende da presença de biofil-
me e de substrato, interferir nesses fatores torna-se indispensável para 
evitar que o processo de desmineralização dos tecidos dentais ocorra. A 
associação entre higiene bucal e uso de fluoretos é evidenciada cienti-
ficamente como a melhor maneira de prevenir e controlar a doença. No 
entanto, o mecanismo de ação do flúor, muitas vezes não é bem com-
preendido pelos clínicos. 
Neste capítulo, além de abordar o mecanismo de ação do flúor e 
as maneiras de administrar flúor aos pacientes, serão apresentados sub-
sídios para o planejamento preventivo e curativo com o uso do flúor e 
a associação à higiene bucal, de acordo com o risco de cárie que cada 
paciente apresenta.
Para um melhor entendimento do mecanismo de ação do flúor, é im-
portante relembrar o processo de des e remineralização dos tecidos dentais.
Os dentes, que têm na sua composição hidroxiapatita (HA), estão 
em constante contato com a saliva, que é rica em íons, e quando o meio 
bucal se encontra em condição de equilíbrio dinâmico, ocorre constan-
temente a troca de íons cálcio (Ca) e fosfato (PO4) com o dente (des-re-
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mineralização). Quando o pH bucal se apresenta maior que 5,5, a saliva 
está em condição supersaturada em relação ao dente, e nessa situação 
a tendência físico-química do esmalte é ganhar íons cálcio e fosfato. 
Porém, quando o pH bucal se encontra menor que 5,5, a saliva está sub-
saturada em relação ao dente, então a tendência físico-química é de que 
o dente perca íons para a saliva, buscando o equilíbrio iônico (Figura 
33). Se esse processo ocorrer por um longo período (desafio cariogêni-
co, ou seja, produção de ácido pelo biofilme dental cariogênico quando 
exposto a carboidratos fermentáveis) o esmalte poderá perder íons em 
fluxo contínuo para a saliva, causando uma constante desmineralização.
Figura 33 – Esquema do processo des-remineralização.
Fonte: Os autores (adaptado de Guedes-Pinto et al. 2009)
Essa desmineralização resulta na lesão de cárie. Porém, se a si-
tuação de subsaturação salivar não se mantiver por um longo período, 
ocorre o restabelecimento do pH, a saliva retorna para uma condição de 
supersaturação e o dente voltará a ganhar íons cálcio e fosfato, resultan-
do na remineralização.
O íon flúor (F), quando presente na cavidade bucal, pode ligar-se 
ao dente de várias maneiras e também controlar a solubilidade do es-
malte quando depositado sobre a superfície dentária. 
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O flúor ofertado aos pacientes, ao entrar em contato com o teci-
do dental, reage com a apatita (formada por cálcio e fosfato) e forma o 
fluoreto de cálcio (CaF2). O fluoreto de cálcio se deposita na superfície 
dental e permanece com ligação estável, como uma reserva (Figura 34). 
Quando ocorre a diminuição do pH salivar, o CaF2 se solubiliza e ocorre 
a liberação do íon F, que agirá reduzindo a desmineralização e ativando 
a remineralização, ao se ligar com o Ca e PO4 e retornar ao tecido den-
tal no formato de fluorapatita (FA).
Figura 34 – Esquema da formação de CaF2 na superfície dental.
Fonte: Os autores (adaptado de Guedes-Pinto et al., 2009)
A formação de Fluoreto de Cálcio é dependente de diversos fato-
res. São eles:
•	 Concentração do produto – quanto maior a concentração de 
fluoreto, maior formação de fluoreto de cálcio;
•	 Tempo de aplicação – quanto maior o tempo de aplicação do 
produto, maior a quantidade de fluoreto de cálcio formada;
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•	 pH do meio – quanto menor o pH, maior formação de fluoreto 
de cálcio;
•	 Tempo de irrompimento na cavidade bucal – maior formação de 
fluoreto de cálcio nos primeiros seis meses de irrompimento dental.
A FA é menos solúvel que a HA, assim, a incorporação da FA na 
estrutura dental diminui a desmineralização quando ocorre a queda do 
pH. Porém, quando o CaF2 é solubilizado e o íon F utilizado, a reser-
va de flúor no meio bucal se esgota, deve-se, então, fornecer mais flúor 
ao paciente com aplicações tópicas e periódicas para manter o repositó-
rio. Essa periodicidade dependerá da frequência e do tempo de duração 
do desafio cariogênico experimentado por cada paciente. Quanto maior 
o desafio cariogênico, maior a necessidade de administração de flúor.
Considerando que a oferta constante e em baixa concentração de 
flúor é a maneira mais efetiva na prevenção da cárie, o uso de dentifrí-
cio fluoretado diariamente é sempre recomendado. A complementação 
com a aplicação profissional dependerá das características individuais 
das crianças. Essas características serão abordadas mais adiante.
É importante lembrar que apesar de menos solúvel, a HA em 
pH abaixo de 4,5 torna-se solúvel e o mecanismo de remineralização 
não ocorre. Portanto, a presença do flúor como medida isolada não é 
suficiente. Se não houver o controle mecânico do biofilme cariogênico 
e da ingestão de carboidratos fermentáveis, o fluoreto não impedirá a 
desmineralização. Daí a importância de aliar o uso do flúor à orientação 
e educação quanto à higiene bucal e dieta, e a realização de profilaxia 
profissional periódica.
Existem várias maneiras de administrar flúor aos pacientes para 
prevenção e controle da cárie. Independentemente do método de utiliza-
ção, o mecanismo de ação será sempre o mesmo, seja a água de abaste-
cimento fluoretada, dentifrícios ou aplicação profissional. Diante disso, 
abordaremos a seguir os diferentes tipos de aplicação de flúor.
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Meios de aplicação do flúor
Na promoção de saúde bucal em odontopediatria devemos con-
siderar a utilização do flúor pelos motivos já expostos. São conhecidos 
vários meios de aplicação, porém, não é tão simples definir qual o me-
lhor meio, pois, cada paciente apresenta características comportamen-
tais, de higiene e condições biológicas diferentes. Portanto é necessário 
conhecer cada método de aplicação e como cada um deles oferta íons 
flúor e a partir disso escolher os meios e até associá-los de acordo com 
a necessidade de cada paciente. 
Serão apresentados os meios do uso de fluoreto de acordo com sua 
abrangência e modo de aplicação, conforme descrito por Cury e Tenuta (2010):
1. Meios coletivos
A água de abastecimentofluoretada é um meio coletivo de uso de 
flúor. No Brasil, a fluoretação da água de abastecimento é lei e a sua im-
portância é comprovada cientificamente, quando observada que a preva-
lência de cárie é menor em locais com água fluoretada quando comparada 
com locais sem fluoretação.
No passado acreditava-se que o flúor da água de abastecimento 
poderia diminuir a solubilidade da estrutura dental quando ingerida e 
incorporada à estrutura do dente quando este está em formação, porém, 
como já abordado neste capítulo, não é o fluoreto incorporado à estrutura 
que controla a perda mineral. 
O que realmente ocorre é que após a ingestão da água fluoretada, 
o fluoreto é absorvido e circula pelo sangue alcançando as glândulas sa-
livares e liberado na saliva constantemente. Uma vez presente na saliva, 
seu mecanismo de ação é o mesmo descrito anteriormente neste capítulo. 
2. Meios individuais
O dentifrício fluoretado é o meio mais racional de aplicação, pois 
alia a oferta de flúor com o controle e desorganização do biofilme ca-
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riogênico. As evidências científicas demonstradas em ensaios clínicos e 
revisões sistemáticas demonstram que a escovação com dentifrício flu-
oretado é responsável pela diminuição da doença cárie e, portanto, deve 
ser prescrito para indivíduos de todas as idades (Figura 35). O que deve 
ser considerado em crianças pequenas é a quantidade de dentifrício utili-
zado na escovação. A quantidade em relação à idade será abordada mais 
adiante neste mesmo capítulo.
Figura 35 – Dentifrícios infantis fluoretados.
Fonte: Os autores
Quando utilizado o dentifrício fluoretado, a concentração de íons 
flúor na saliva aumenta, formando os glóbulos de fluoreto de cálcio man-
tendo o reservatório de flúor na superfície dental satisfatório. O fluoreto se 
mantém até 12 horas após a escovação, mesmo no biofilme remanescente.
Cury e Tenuta (2010) descrevem evidências científicas de que a 
concentração entre 1.000 e 1.500 ppm F é a mais eficaz. A indicação de 
dentifrícios com menor concentração (500 ppm) não se mostrou efeti-
va no controle da cárie.
Além do dentifrício, os bochechos também são meios de uso diário 
de flúor, como a solução de NaF a 0,05% (225 pp F). A aplicação de boche-
cho diário será indicada apenas para quem está mais sujeito a desenvolver 
a doença cárie, conforme o risco avaliado. Como por exemplo, indivíduos 
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que não têm bom controle do biofilme com a escovação, que ingerem com 
frequência carboidratos fermentáveis, alteração no fluxo salivar.
3. Meios profissionais
Alguns produtos apresentam alta concentração de flúor e devem 
ser aplicados somente pelos profissionais. São eles: fluorfosfato acidu-
lado a 1,23% em gel ou espuma, fluoreto de sódio neutro a 2,0% em gel 
ou espuma e verniz fluoretado (Figura 36). Esses materiais têm sua efi-
ciência comprovada cientificamente. Por apresentarem maior concen-
tração de fluoreto de cálcio também é maior, formando um reservatório 
de flúor na superfície dental.
Figura 36 – Produtos para aplicação tópica 
de flúor pelo profissional.
Fonte: Os autores
Os produtos em gel ou em espuma para aplicação profissional 
apresentam uma concentração de 12.300 ppm F. Podem ser associados 
à escovação com dentifrício fluoretado em crianças que apresentem alto 
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risco de cárie e atividade de cárie. A frequência de aplicação dependerá 
das características individuais do paciente.
Os géis ou espumas acidulados, como o próprio nome define, pos-
suem pH ácido, entre 3 e 4, o que promove uma maior formação de fluo-
reto de cálcio quando comparada ao fluoreto de sódio neutro. O fluoreto 
de sódio neutro, por apresentar menor concentração, pode ser indicado 
para pacientes que apresentem dificuldade de controlar a deglutição du-
rante a aplicação, e sua maior indicação está relacionada a pacientes com 
tratamento estético restaurador ou após clareamento e microabrasão. 
Tanto em gel quanto em espuma, o flúor pode ser aplicado com 
moldeiras para aplicação de flúor (Figura 37) ou utilizando-se bolinhas 
de algodão, pincéis ou haste de algodão.
Figura 37 – Moldeiras para aplicação de flúor gel ou espuma.
Fonte: Os autores
Seguem os passos para aplicação do flúor gel ou espuma:
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1. Realizar profilaxia com pasta profilática e complementar a lim-
peza interproximal com o fio dental. A aplicação pode ser reali-
zada por meio de:
 ✓ Moldeiras 
o Adaptar as moldeiras de cera à boca do paciente; 
o Preencher o fundo das moldeiras com o gel ou espuma; 
o Inserir as moldeiras nas arcadas, mantendo de 1 a 4
minutos conforme instrução de cada fabricante.
 ✓ Bolinhas de algodão, pincéis ou hastes de algodão
o A aplicação deverá ser por quadrante, com utilização do 
sugador.
o Aplicar o produto na superfície dental e aguardar
de 1 a 4 minutos por quadrante.
2. Aspirar a saliva constantemente para evitar ingestão do flúor.
3. Remover as moldeiras e solicitar que o paciente cuspa o excesso.
4. Orientar o paciente a não ingerir líquidos e alimentos por 30 minutos.
Os vernizes fluoretados apresentam maior concentração (22.600 
ppm F) de íon F em relação ao gel e espuma. Este método possui outra 
consistência com a finalidade de prolongar o tempo do flúor em conta-
to com o dente e com a liberação lenta do íon flúor. Por ficar aderido à 
superfície dental e apresentar liberação lenta é indicado para aplicação 
em bebês. Por apresentar alta concentração os vernizes promovem uma 
maior formação de fluoreto de cálcio na superfície dental e é indicado 
para remineralização de manchas ativas de cárie.
A técnica de aplicação segue os seguintes passos:
 ✓ Profilaxia com pasta profilática
 ✓ Lavar os dentes com água
 ✓ Secar a superfície dental
 ✓ Realizar isolamento relativo com roletes de gaze
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 ✓ Aplicar o produto com pincel 
 ✓ Aspirar a saliva constantemente com sugador
 ✓ Remover isolamento relativo
 ✓ Orientar o paciente a evitar ingestão de alimentos por no míni-
mo 2 horas e nas 12 horas seguintes orientar alimentação líqui-
da e pastosa e não escovar os dentes por este mesmo período.
Tanto o verniz quanto o gel e a espuma não devem ser aplicados 
em crianças em jejum. O Quadro 24 apresenta um resumo das recomen-
dações para o uso de fluoretos.
Recomendações para o uso de fluoretos em odontopediatria
Meios Indicação
Água fluoretada Sem restrições
Dentifrício 
Fluoretado 
(1000 a 1500 ppmF) 
Diariamente para todos os indivíduos em todas as idades
Observar quantidade de dentifrício utilizado em crianças 
pequenas e de maneira supervisionada 
Solução para 
bochecho 
NaF 0,05%
De acordo com risco ou atividade de cárie do paciente.
Indicado para pacientes com dificuldade de controle do 
biofilme
Pacientes que façam uso de aparelhos ortodônticos e 
ortopédicos
Contra indicado para crianças de pouca idade que não 
controlam a ingestão
Gel e espuma 
Fluorfosfato 
acidulado 1,23%
Indicação individual de acordo com risco e atividade de cárie
Indicado para crianças com atividade de cárie, lesões 
cariosas e alto risco
Paciente com dificuldade de controle do biofilme para 
prevenção da doença cárie
Gel ou espuma 
Fluoreto de sódio 
2% neutro
Indicado para pacientes com restaurações estéticas, após 
clareamento ou microabrasão
Verniz fluoretadoIndicado para remineralização de manchas brancas ativas
Pacientes com alto risco de cárie e atividade de cárie
Indicados para bebês por apresentar fácil aplicação, 
permanecer aderido à superfície dental (evitando 
ingestão) e apresentar liberação lenta de F
Protocolos preventivos
Indução de selamento biológico em molares permanentes
Quadro 24 – Recomendações para o uso de fluoretos em odontopediatria.
Fonte: Os autores
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Toxicidade do flúor
Toxicidade aguda
Uma das maiores preocupações dos clínicos e dos pais em relação 
ao uso de fluoreto é sua toxicidade. É importante saber se o flúor circu-
lante no sangue apresentará algum efeito colateral. 
Os efeitos colaterais estão diretamente relacionados à ingestão ex-
cessiva do flúor, causando intoxicação. Quando usado corretamente, ne-
nhum método de utilização do flúor oferece qualquer risco ao paciente. 
No entanto, se houver ingestão excessiva em uma única dose poderá ser 
observada uma intoxicação aguda.
Os sintomas de intoxicação aguda incluem desde situações mais 
leves como mal-estar gástrico e vômito até o óbito. Ao ser ingerido em 
grande quantidade poderá causar inicialmente irritação gástrica e quan-
do é absorvido pelo organismo pode provocar hipersalivação, suor frio, 
queda de pressão, arritmia cardíaca, coma e morte.
São conhecidas as doses provavelmente tóxicas (DPT) do flúor 
e foram estabelecidas seguindo a dose de 5mg F/kg de peso corporal 
da criança. Essa dose é considerada como limite máximo de risco. O 
Quadro 25 apresenta a quantidade ideal de uso dos produtos fluoreta-
dos e a DPT, demonstrando a segurança do uso do flúor em odontologia, 
mas cabe ressaltar que o profissional deve ficar atento ao utilizar produ-
tos com alta concentração.
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Meio de aplicação Quantidade ideal de produto utilizada
Quantidade de produto que 
corresponde à DPT para 
uma criança de 20 kg
Dentifrício Fluoretado 
(1100 ppm) 0,5g/escovação 90 g (1 bisnaga)
Fluorfosfato acidulado 
(12.300 ppm) 2,5g/moldeira 8,1g
Verniz fluoretado 
(22.600 ppm) 0,5 g 4,5g 
Solução para bochecho 
NaF (225 ppm) 10 ml/bochecho 444 ml
Água fluoretada 
(0,7 ppm) - 143 litros
Quadro 25 – Dose provavelmente tóxica dos produtos fluoretados.
Fonte: Cury e Tenuta (2010)
Toxicidade crônica – Fluorose
A toxicidade crônica é caracterizada pela ingestão de doses elevadas 
por um longo período de tempo, com frequência. Após ingerido, o flúor 
circulante no organismo poderá causar fluorose, pois o íon flúor presen-
te nã afeta o esmalte em formação no processo de maturação. Portanto, 
somente elementos dentais em formação poderão sofrer os efeitos da 
ingestão do flúor, dentes que já irromperam na cavidade bucal já es-
tão formados. Assim o risco de desenvolver fluorose em dentes anterio-
res permanentes, por exemplo, envolve crianças de até 3 anos de idade.
Para que a fluorose seja visível clinicamente, o dente em forma-
ção deverá ser exposto por um determinado período, logo, gel, espuma 
e verniz não estão relacionados à fluorose e sim à intoxocação aguda.
A fluorose é observada clinicamente por mudanças na cor e/ou na 
estrutura do esmalte. As características da fluorose envolvem a simetria 
dentária, ou seja, o acometimento de dentes homólogos por se desen-
volverem no mesmo período. Os aspectos clínicos podem ser descritos 
desde leves linhas brancas até manchas acastanhadas com perda de es-
trutura dentária. O dente que apresenta fluorose não é mais susceptível 
e nem mais resistente à desmineralização. 
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Conhecendo estes fatores, alguns cuidados devem ser tomados com 
o uso do flúor. Crianças que ingerem grande quantidade de dentifrício du-
rante a escovação apresentam risco aumentado de fluorose. Porém não é 
recomendada a utilização de dentifrício sem flúor para crianças pequenas, 
pois o risco de cárie e destruição dental é maior e apresenta grande com-
prometimento. O que é indicado é o controle da quantidade de dentifrício 
utilizado em cada escovação e a supervisão para evitar a ingestão excessiva.
A escovação dental com dentifrícios fluoretados deverá ter início 
com o irrompimento do primeiro dente. A quantidade de creme dental 
disponibilizado na escova deverá seguir as recomendações de cada fai-
xa etária, para evitar o risco de desenvolvimento de fluorose, conforme 
apresentado no Quadro 26.
Quantidade de dentifrício, de acordo 
com a idade da criança
IDADE QUANTIDADE DE CREME DENTAL
de 0 a 2 anos 0,05g – Equivalente a meio grão de arroz cru
de 2 a 4 anos 0,1g – Equivalente a 1 grão de arroz cru
maiores que 4 anos 0,3g – Equivalente a 1 grão de ervilha
Quadro 26 – Quantidade de dentifrício, de acordo com a idade da criança.
Fonte: Os autores
____________________
Referências
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gia. Publicação Colgate-Palmolive. 2010. Disponível em <http://www.colgate-
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pdf/OBE4_Fluoretos.pdf>
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odontopediatria. 12. ed. São Paulo: Santos, 2013.
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O papel do flúor na prevenção e tratamento da doença cárie - 129
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MCGRADY, M. G., ELLWOOD, R. P.; PRETTY, I. A. Why fluoride? Dent 
Update, v. 37, n. 9, Nov. 2010. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.
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SANTOS, Ana Paula Pires dos; NADANOVSKY, Paulo; OLIVEIRA, Branca 
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1-12, Feb. 2013. Disponível em: <10.1111/j.1600-0528.2012.00708.x>
TENUTA, Livia Maria Anadaló; CURY, Jaime A. Evidências para o uso 
de fluoretos em odontologia–parte II: meios de usar fluoretos em odonto-
logia. Odontologia baseada em evidências, Ano 2, n. 4, p. 8-12, jan. 2010. 
Disponível em: <http://www.colgateprofissional.com.br/LeadershipBR/
ProfessionalEducation/Articles/Resources/pdf/OBE4_Fluoretos.pdf>
130 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria
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Capítulo 10
Materiais dentários aplicados na odontopediatria
Sandra Kalil Bussadori
Ravana Angelini Sfalcin
Lara Jansiski Motta
Marcelo Mendes Pinto
Doença cárie dentária
Segundo Bussadori et al (2012), Mínima Intervenção (MI) é uma 
filosofia de cuidado profissional, baseada na detecção precoce da doença 
cárie e a possibilidade de tratamento em níveis micromoleculares, com a 
possibilidade de reparo da sequela da doença de forma menos invasiva 
possível. A MI objetiva delegar ao paciente (através de informação, trei-
namento e motivação) a responsabilidade sobre sua própria saúde bucal, 
para que este requeira o mínimo de intervenção do cirurgião-dentista.
Baseada no conceito de MI, a cárie é considerada uma doença bacte-
riana, resultando em lesões dos tecidos duros dentários, decorrente dos áci-
dos provenientes do metabolismo bacteriano. A doença começa com um 
distúrbio do balanço mineral (remineralização/desmineralização) na superfí-
cie dentária. Estasmudanças ocorrem em níveis microscópicos inicialmente. 
A causa é decorrente do aumento no metabolismo bacteriano e subsequen-
te produção de ácido, bem como aumento no número de bactérias. Outros 
fatores como aumento no consumo de carboidratos fermentáveis (em fre-
quência e quantidade), ausência de flúor e redução na capacidade proteto-
ra da saliva também contribuem para a instalação e progressão da doença.
O princípio da MI é de primeiro paralisar a doença e depois restaurar 
a estrutura e a função perdidas. Para que se possa paralisar o processo ca-
rioso, a história de cárie passada e presente deve ser avaliada. A experiên-
cia de cárie passada pode ser avaliada pelo número de dentes restaurados; 
número de extrações realizadas por cárie e o número de lesões paralisadas. 
A experiência de cárie presente ou atividade pode ser estabelecida através 
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do número de manchas brancas, lesões ocultas e cavitadas. A detecção pre-
coce da cárie, tradicionalmente realizada com o espelho e a sonda explo-
radora, bem como com radiografias interproximais é hoje auxiliada pelo 
uso de índices e também alguns equipamentos, conforme verão a seguir.
Vernizes de flúor e clorexidina
Os agentes quimioterápicos ou antimicrobianos podem ser libera-
dos para a cavidade bucal por meio de vários veículos, entre eles os ver-
nizes, que, por propiciar um contato prolongado entre o agente e o local 
de ação, têm demonstrado resultados efetivos (RIBEIRO et al., 2007; 
ZHANG et al., 2006; DU et al.,2006; SAJJAN et al, 2013). A clorexidina 
apresenta uma ação bactericida e o flúor, bacteriostática (BUSSADORI 
et al. 2004, BAYGIN et al, 2014).
Ribeiro et al. (2007) fizeram uma revisão sistemática sobre a clorexi-
dina em diferentes formas (soluções, géis e vernizes) e constataram haver 
em relação aos bochechos uma variabilidade acentuada concernente à con-
centração e frequência, bem como, a baixa atividade sobre Streptococcus 
mutans. Estudos com géis e vernizes na concentração de 1% demonstram 
uma redução significativa de SM mas, em uma frequência alta e quando 
comparadas a aplicações de uma vez por mês apresentam uma variabili-
dade em relação aos resultados, mas com atividade bacteriana. De acordo 
com Jentsch et al (2014), vernizes contendo clorexidina ou timol influen-
ciaram na formação de placa bacteriana, reduzindo assim a quantidade de 
Streptococcus mutans na placa supragengival. Araújo et al. (2002) encon-
traram resultados satisfatórios utilizando Cervitec nas superfícies oclusais 
de primeiros molares permanentes comparados a um grupo controle (sem 
verniz de clorexidina) avaliando a redução dos níveis de SM na placa e a 
presença de lesões de cárie nessas superfícies. As aplicações de Cervitec 
ocorreram na primeira consulta, após 3 e 6 meses. Os resultados sugerem 
que após 2 anos o tratamento com Cervitec reduziu SM na placa e permi-
tiu uma redução significativa na incidência de lesões de cárie; Joharji e 
Adenubi (2001) e Baca et al., (2002) encontraram resultados semelhantes. 
Zhang et al. (2006) testaram o verniz de clorexidina numa concentração 
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de 40% (EC40) nas fossas e fissuras de primeiros molares permanentes, 
em 461 crianças de ambos os sexos, num estudo clínico controlado, ran-
domizado por período de dois anos e constatou-se que houve uma inibi-
ção do processo carioso em curto período de tempo, mas sua eficiência foi 
questionável em uma população com baixa incidência de lesões de cáries. 
Deve-se levar em consideração, que a clorexidina (40%) nessa concen-
tração apresenta um efeito antimicrobiano mas pode ser tóxica apesar de 
não ser o mote desse estudo. Por isso, é muito importante analisar várias 
propriedades importantes dos materiais e não fatores isolados.
A maioria dos agentes quimioterápicos é composta por agentes anti-
microbianos de amplo espectro, que exercem efeitos bactericidas e bacte-
riostáticos diretos, ligando-se à membrana bacteriana e consequentemente 
interferindo em suas funções, como, por exemplo, o transporte. A adsorção 
às membranas também pode alterar a permeabilidade, resultando em va-
zamento dos componentes intracelulares com desnaturação e coagulação 
das proteínas contidas no citoplasma. A perturbação do metabolismo bac-
teriano leva à morte do microorganismo patogênico (Bussadori & Masuda 
2005). Chestnutt (2006) relatou em estudo clínico randomizado, duplo-
-cego com acompanhamento de 2 anos, a avaliação do verniz de clorexi-
dina (40%) em molares decíduos, sendo que o autor conclui que 6 meses 
de aplicações de verniz de clorexidina foram efetivos na redução de inci-
dência de lesões de cárie em dentes decíduos. Cabe ressaltar que Du et al. 
(2006) e Baca et al. (2004) também encontraram resultados semelhantes.
O flúor e a clorexidina são agentes quimioterápicos utilizados para 
a promoção de saúde bucal por possuírem efeito significativo sobre as 
bactérias bucais, principalmente Streptococcus mutans. A associação dos 
vernizes de flúor e clorexidina tem sido utilizada em Odontologia, uma 
vez que o efeito antibacteriano da clorexidina associado ao potencial re-
mineralizador do flúor tem gerado resultados otimistas na manutenção da 
saúde bucal (CARVALHO, 1999; EKENBACK et al.2000; GARCIA 
et al. 2001). Vale dizer que o flúor empregado na forma de verniz ou por 
meio do cimento de ionômero de vidro em superfícies oclusais, princi-
palmente de molares com hipoplasia ou hipocalcificação, apresenta um 
resultado significativo, conforme demonstrado por Flório et al., 2001.
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O protocolo de utilização combinada dos agentes quimioterápicos 
(BUSSADORI et al., 2004, 2010) está descrito no Quadro 27, princi-
palmente para pacientes com alta atividade da doença e lesões de aco-
metimento precoce.
Protocolo para pacientes com lesão de cárie de acometimento 
precoce e molares em irrompimento com alta atividade da doença
Tempo Procedimento
1º MÊS
Dose de 
Ataque
Profilaxia, isolamento com roletes de algodão e secagem com 
jato de ar. Na sequência, após aplicação com cotonete ou pincéis 
descartáveis, pedir para o paciente 4 aplicações intercaladas de 
verniz de flúor e verniz de clorexidina sobre a superfície oclusal 
dos molares decíduos e na face palatal dos incisivos (1ª semana 
– aplicação de verniz de flúor, 2ª semana – aplicação de verniz de 
clorexidina, 3ª semana – aplicação de verniz de flúor, 4ª semana 
– aplicação de verniz de clorexidina – totalizando um mês).
2º MÊS – aplicação de verniz de flúor sobre a superfície oclusal dos 
molares e incisivos decíduos e dos molares permanentes em 
irrompimento.
3º MÊS – 1 aplicação de verniz de clorexidina sobre a superfície oclusal 
dos molares e incisivos decíduos e dos molares em irrompimento.
4º MÊS – 1 aplicação de verniz de flúor sobre a superfície oclusal dos 
molares e incisivos decíduos e dos molares permanentes em 
irrompimento.
5º MÊS – 1 aplicação de verniz de clorexidina sobre a superfície oclusal 
dos molares e incisivos decíduos e dos molares permanentes em 
irrompimento.
6º MÊS – 1 aplicação de verniz de flúor sobre a superfície oclusal dos 
molares e incisivos decíduos e dos molares permanentes em 
irrompimento.
Quadro 27 – Metodologia de uso dos vernizes de flúor e clorexidina na indução de 
selamento biológico.
Fonte: Os autores
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Cimentos de ionômero de vidro
Atualmente, um dos objetivos da odontologia restauradora é preser-
var os tecidos dentários sadios,e recompor o tecido perdido levando-se 
em consideração o emprego de materiais odontológicos adequados, a fim 
de evitar recidivas ou o aparecimento de novas lesões de cárie (PEREIRA 
et al., 1999). Dentre estes materiais, o Cimento de Ionômero de Vidro 
(CIV) vem sendo amplamente utilizado nesse sentido (PITHON et al, 
2006). Os ionômeros de vidro surgiram dos estudos pioneiros de Wilson 
e Kent, em 1972 na Inglaterra, e em 1975 foram introduzidos no mer-
cado. Inicialmente, eles foram formulados a partir da união de dois ci-
mentos utilizados na odontologia: o cimento de policarboxilato de zinco 
e o cimento de silicato. Desde então, estes cimentos vêm sendo aperfei-
çoados e atualmente são utilizados tanto em procedimentos preventivos 
quanto em procedimentos restauradores. Os CIVs são materiais híbridos 
que consistem de partículas inorgânicas de vidro dispersas numa matriz 
insolúvel de hidrogel. Sua estrutura de matriz é mantida por forças co-
esivas, presumidamente uma mistura de ligações iônicas, pontes de hi-
drogênio e cadeias químicas complexas (HATTON e BROOK, 1992). 
O CIV apresenta adesão química ao esmalte e à dentina (quelação), o 
seu coeficiente de expansão térmica linear é muito próximo ao dente, é 
um material hidrófilo, biocompatível e que libera flúor para o meio bu-
cal (XIE et al, 2000). Além dessas propriedades, alguns estudos mostra-
ram que o CIV possui uma maior resistência aos ciclos termomecânicos 
que ocorrem na cavidade bucal, quando comparados às resinas compos-
tas, por apresentarem módulo de elasticidade semelhante ao da estrutu-
ra dental (WILSON e KENT, 1972).
Os CIVs apresentam adesão ao tecido mineralizado do dente, pro-
porcionando bom vedamento marginal e diminuição da progressão das 
lesões de cárie (Maldonado; Swartz; Phillips, 1978). Quando inseridos 
na estrutura dentária, tem a capacidade de se juntar quimicamente devi-
do à ligação química que ocorre entre os grupos carboxílicos dos poliá-
cidos (COOH) e os íons cálcio existentes no esmalte, dentina e cimento. 
A união adesiva ao esmalte é superior à dentina por ser uma estrutura 
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mais mineralizada (VIEIRA et al., 2006). Lembrando que a adesivida-
de do CIV depende de alguns fatores, entre eles a correta manipulação, 
a proporção pó-líquido utilizada e a inserção do material na cavidade 
(PASCOTTO e NAVARRO, 2004).
Durante o estágio inicial de presa, o CIV convencional está sujeito 
à embebição (absorção de água) e no estágio final à sinérese (perda de 
água), portanto, é um material que necessita de proteção durante o perí-
odo de presa para que se diminua o risco de microinfiltração (DOERR; 
HILTON; HERMESCH, 1996; VIRMANI; TANDON; RAO, 1997). 
A reação de presa ocorre nas primeiras 24 horas após a inserção do ma-
terial. Esta proteção pode ser realizada com algum agente protetor como 
o verniz que acompanha o material, esmalte cosmético de unha incolor 
ou adesivos fotoativados (BRITO et al, 2010).
Outra característica importante do CIV, e talvez uma das princi-
pais, é sua capacidade de liberação de flúor. Através da liberação de flúor, 
o CIV consegue manter ao seu redor um ambiente propício à reminera-
lização, pois o flúor interfere no metabolismo das bactérias, se liga ao 
esmalte tornando-o mais resistente aos ácidos e diminui a desmineraliza-
ção (TENUTA et al. 1997). A presença de flúor nestes materiais confe-
re uma propriedade anticariogênica a ele, podendo prevenir a instalação 
de novas lesões de cárie (MARTINS et al. 2006).
De acordo com a sua natureza, o CIV pode ser classificado em 
convencionais (pó de partículas vítreas e líquido contendo ácido polia-
crílico), convencionais de alta viscosidade, anidros (ácido liofilizado 
e adicionado ao pó), modificados por partículas metálicas (acréscimo 
de liga de amálgama e/ou metal sintetizado), e modificados por resina 
(substituição de parte do ácido poliacrílico por hidroxietilmetacrilato) 
(NAVARRO e PASCOTTO, 1998), e também podem ser classificados 
com relação à sua indicação clínica, assim como veremos detalhadamen-
te logo a seguir. Atualmente, outros tipos de CIVs têm sido estudados e 
introduzidos na odontologia, tais como CIVs de alta viscosidade modi-
ficados por clorexidina, CIVs modificados por zinco e também a adição 
de partículas de biovidros (bioglass) nos CIVs.
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Classificação
Como descrito anteriormente, os CIVs foram classificados com 
relação à sua indicação clínica e composição, como mostra o quadro a 
seguir (Quadro 28) 
Classificação em relação à 
indicação clínica
Classificação em relação à 
composição
Tipo I: para cimentação
Tipo II: para restauração ou ART
Tipo III: para forramento
Tipo IV: para núcleos e 
restaurações
definitivas
CIVs Convencionais 
CIVs modificados por partículas 
metálicas 
Selantes de fóssulas e fissuras, 
restaurações, bases e forramentos
CIVs modificados por resina 
Tratamento restaurador 
atraumático (ART)
CIVs convencionais de alta 
viscosidade
Quadro 28 – Classificação dos CIVs quanto à indicação e composição.
Fonte: Os autores
Características – classificação com relação à composição
Cimento de Ionômero de Vidro convencionais
Os CIVs convencionais apresentam-se na forma de pó e líquido. 
O pó constitui-se por partículas de sílica, alumina e fluoretos de cálcio, 
sendo de caráter básico. Já o líquido possui o ácido policarboxílico sob 
a forma de copolímero com ácido itacônico, tricarbálico, malêico ou tar-
tárico. Quando misturados formam um sal hidratado, que atua como ma-
triz da ligação entre as partículas de vidro.
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Cimento de Ionômero de Vidro modificado por partículas 
metálicas
Nos CIVs reforçados por metais, partículas metálicas foram incor-
poradas ao pó do cimento convencional, a fim de melhorar a resistên-
cia à fratura e ao desgaste do material. Foram empregados dois métodos 
de modificação. No primeiro método, partículas esféricas do pó de li-
gas para amálgama foi misturado ao pó do ionômero de vidro do tipo II. 
Este cimento é chamado de mistura com liga de prata. Já o segundo mé-
todo caracteriza a união através da fusão das partículas de prata com as 
partículas de pó de vidro, através da sinterização a altas temperaturas. 
Este cimento ficou conhecido como cermet.
Cimento de Ionômero de vidro modificados por resina
A maior inovação destes materiais foi a adição de componentes 
resinosos, o que resultou nos CIVs modificados por resina (Wanderley 
et al, 2011). Monômeros resinosos foram incorporados no líquido tais 
como resinas hidrofílicas (21-41% de hidroxietilmetacrilato – HEMA) 
e grupos metacrílicos, e no pó, fotoiniciadores que respondem à luz vi-
sível (Casalino e Pinedo, 2006).
Os ionômeros de vidro modificados por resina foram introduzidos 
a fim de superar problemas de sensibilidade à umidade e a baixas pro-
priedades mecânicas iniciais associadas aos cimentos convencionais. A 
reação de presa química ocorre pois é uma característica particular dos 
CIVs, porém, a presença de fotoiniciadores auxiliam no controle de pre-
sa deste material (Navarro e Pascotto; 1998), pois estes materiais tam-
bém dependem da fotoativação para que ocorra sua presa.
Cimento de Ionômero de Vidro de alta viscosidade
Além disso, o CIV tem sido amplamente utilizado para o Tratamento 
Restaurador Atraumático (ART), selamento e remoção química e mecâ-
nica da lesão de cárie devido as suas propriedades físicas que envolvem 
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a adesão à estruturadental, a biocompatibilidade e sua liberação de íons 
flúor (BUSSADORI e MASUDA, 2005; FRENCKEN e HOLMGREN 
1999). Para este tipo de tratamento, cimentos de alta viscosidade foram 
introduzidos para que pudessem ser empregados com sucesso, princi-
palmente em áreas sujeitas aos esforços mastigatórios. Estes materiais 
apresentam propriedades melhoradas, superior resistência à compressão 
quando comparados aos CIVs convencionais e aos CIVs modificados 
por resina (Guggenberg et al, 1998).
Cimento de Ionômero de Vidro de alta viscosidade 
modificados com clorexidina
Nos últimos anos, o gluconato de clorexidina vem sendo utilizado na 
clínica odontológica e entre as aplicações antibacterianas, tem sido consi-
derado o padrão ouro devido a sua eficácia na remoção química do biofil-
me dental (Leung et al, 2005). Os CIVs contendo flúor na sua composição 
ganharam grande importância devido à capacidade de liberação de flúor ao 
longo do tempo (Komatsu et al, 2007). Entretanto, o flúor não é suficiente 
para combater o crescimento bacteriano (Xie et al, 2011). Sendo assim, al-
guns estudos têm sido realizados com o objetivo de adicionar clorexidina 
aos CIVs, a fim de aumentar sua propriedade antibacteriana (Leung et al, 
2005; Komatsu et al, 2007; Iz et al, 2013; Marti et al, 2014; Mittal et al, 
2015) principalmente em CIVs de alta viscosidade, que são os mais indi-
cados para os Tratamentos Restauradores Atraumáticos (ART) (Bussadori 
e Masuda, 2005; Frencken e Holmgren 1999).
Cimento de Ionômero de Vidro modificados com zinco
Outro tipo de modificação que tem sido estudada e introduzida nos 
CIVs é a adição de partículas de zinco na sua composição. De acordo 
com Zoergiebel e Illie (2013), a adição de zinco ao CIV mostrou uma 
maior longevidade do material, tornando um material favorável para res-
taurações classe I e classe II. Este material não mostrou propagação de 
fendas e nem irregularidades visíveis na superfície, e dessa forma, me-
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lhorou as características macro-mecânicas. Estes materiais são indica-
dos para restaurações de dentes decíduos, técnicas de ART, restaurações 
provisórias em dentes permanentes e também como base de restaurações 
definitivas e para lesões cervicais não cariosas.
Cimento de Ionômero de Vidro modificados com biovidro 
(bioglass)
O vidro bioativo, ou biovidro, são partículas que podem regular as 
atividades osteoblásticas através do controle de expressão de vários ge-
nes (Hench 2009). Dessa forma, os vidros bioativos são utilizados como 
aditivos aos CIVs modificados por resina por serem altamente biocom-
patíveis, e por serem biomateriais a base de silicato de cálcio osteocon-
dutivos (Yuan et al, 2001). Clinicamente, este material foi inicialmente 
usado como um biomaterial para substituir os tecidos ósseos perdidos 
no corpo humano. Ele produz uma forte ligação com o osso através da 
produção de hidroxiapatita e formação de uma forte ligação entre o co-
lágeno e a hidroxiapatita, e não é rejeitado pelo corpo (Hench, 2006). 
Recentemente, foi relatado que a fase sol-gel dos biovidros, especial-
mente as nanopartículas, podem melhorar as atividades das células pul-
pares (Wang et al, 2014). Dessa forma, Matsuya et al (1999) introduziu 
na Odontologia, um novo CIV a base de biovidro e ácido poliacrílica. A 
incorporação de nanopartículas de biovidro podem aumentar suas pro-
priedades osteogênicas e odontogênicas para as aplicações clínicas tais 
como preenchimentos de canais e regeneração óssea. De acordo com 
Valanezhad et al (2016), a adição de nanopartículas de biovidro a CIVs 
modificados por resina aumentou a resistência flexural desses materiais, 
e também, o nível de crescimento celular aumentou em função da con-
centração de nanopartículas de biovidros. Em vista disso, o biovidro tem 
sido adicionado aos CIVs para melhorar a sua bioatividade e capacida-
de de regeneração dos dentes. Dessa forma, há um interesse no uso de 
materiais bioativos na Odontologia, particularmente na tentativa de re-
mineralizar a dentina.
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Infiltrantes
As técnicas minimamente invasivas têm sido estudadas com o ob-
jetivo de desenvolver técnicas de intervenção mínimas para o tratamen-
to das lesões de cárie, e assim avaliar as possíveis opções de tratamento 
menos invasivo a fim de diminuir a perda de tecido e o desconforto do 
paciente (RAO E MALHOTRA, 2011). Com o advento da odontologia 
restauradora minimamente invasiva, um novo material foi introduzido 
no mercado a fim de suprir a necessidade de intervir nas lesões iniciais 
de cárie em esmalte (lesões de mancha branca) através de métodos in-
vasivos ou operatórios (remoção mecânica da lesão através da utiliza-
ção de brocas). A ideia deste material é ocluir tanto quanto for possível 
os poros das lesões de mancha branca com resinas de baixa viscosidade 
a fim de criar uma barreira de difusão dentro da lesão, uma vez que as 
porosidades das lesões de cárie em esmalte agem como caminhos de di-
fusão para os ácidos e minerais dissolvidos, e dessa forma a infiltração 
pode ocluir esses caminhos e consequentemente conter ou até mesmo 
impedir a progressão da lesão (MEYER-LUECKEL e PARIS 2008b; 
PARIS et al, 2007a, b, c). Através de muitos estudos, os pesquisadores 
Paris e Meyer-Lueckel (2010) confirmaram que a infiltração da lesão de 
cárie impede que a lesão progrida eficientemente sem a necessidade da 
restauração com resina composta ou a utilização de selantes. O uso de 
selantes convencionais para o selamento da lesão de cárie se difere dos 
infiltrantes pois uma camada de resina é criada apenas na superfície do 
esmalte, enquanto que os infiltrantes têm como objetivo principal pene-
trar o corpo da lesão porosa com as resinas de baixa viscosidade, subse-
quentemente polimerizadas (PARIS et al, 2007b, MEYER-LUECKEL 
e PARIS, 2008a). A princípio, estes materiais foram desenvolvidos para 
a utilização em regiões interproximais dos dentes (MEYER-LUECKEL 
e PARIS, 2008a; ALFAYA et al, 2012; ALTARABULSI et al, 2014), 
entretanto, estudos têm sido realizados a fim de utilizá-los também nas 
regiões oclusais dos dentes posteriores (LAUSCH et al., 2015; ARAÚJO 
et al., 2013). Ainda, outros estudos estão sendo realizados a fim de mas-
carar algumas lesões de mancha branca ocasionadas por outros fatores 
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que não a lesão inicial de cárie em esmalte como alguns casos de fluo-
rose, manchas hipomineralizadas, etc (TIRLET et al, 2013; TORRES 
e BORGES, 2015). Este material é conhecido comercialmente como 
ICON® (DMG – Hamburg, Alemanha), e vem disposto em um kit com 
os seguintes produtos: Icon-Etch®, Icon-Dry® e Icon-Infiltrant®. Sua 
composição está descrita no quadro a seguir (Quadro 29).
Produtos Composição
Icon-Etch® Ácido clorídrico a 15%
Icon-Dry® Etanol
Icon-Infiltrant®
Matriz resinosa a base do monômero 
trietileno glicol dimetacrilato (TEGDMA), 
aditivos e iniciadores
Quadro 29 – Produtos comercializados em conjunto no kit dos infiltrantes, e a 
composição de cada um deles.
Fonte: Adaptado do site da DMG – http://br.dmg-dental.com/produtos/infiltrante-de-
carie/
Ao contrário do condicionamento ácido comum, realizado com 
gel de ácido fosfórico a 37% utilizado para a maioria dos materiais dis-
poníveis à base de matriz resinosa, estudos realizados mostraram uma 
maior eficiência de penetração do ICON®, ou seja, houve uma pene-
tração mais profunda do material nas lesões de mancha branca, quan-
do um gel de ácido clorídrico a 15% foi utilizado (Paris et al, 2007c). 
Dessa maneira, preconizou-se o uso do gel de ácido clorídrico a 15% 
para o prévio condicionamento das lesões de mancha branca,na utili-
zação do ICON®.
Marca comercial
– Icon® – DMG
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Técnica de aplicação (de acordo com o fabricante) para tratamen-
to proximal e superfícies lisas:
1. Isolamento absoluto do campo operatório
2. Em superfícies interproximais, é feita uma separação dos den-
tes com uma cunha 
especial para ganhar espaço interproximal
3. Condicionamento ácido (ácido clorídrico a 15%) com o uso de 
um aplicador proximal especial se necessário (Icon-Etch®), 
por 2 minutos
4. Lavagem com água por 30 segundos e secagem
5. Aplicação de álcool para desidratação da superfície por 30 se-
gundos (Icon-Dry®) e secagem
6. Infiltração da resina por 3 minutos (Icon-Infiltrant®)
7. Fotoativação por 40 segundos
8. Nova aplicação do infiltrante por mais 1 minuto
9. Fotoativação por 40 segundos
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<https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11319740>.
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Capítulo 11
Procedimentos restauradores em odontopediatria
Camila Haddad Leal de Godoy
Marcelo Mendes Pinto
Lara Jansiski Motta
Sandra Kalil Bussadori
Os tratamentos restauradores têm por objetivo recuperar a forma, 
função e estética dos elementos dentais envolvidos. É muito importante 
que o plano de tratamento seja montado baseado nos dados obtidos no 
exame clínico e radiográfico e que leve em consideração:
1. O risco de cárie do paciente
2. Cronologia de erupção
3. Controle mecânico do biofilme (higiene bucal)
4. Colaboração do paciente e dos responsáveis
Materiais Restauradores
Amálgama de prata – é o material com maior durabilidade clínica e 
apresenta alta resistência mastigatória e ao desgaste, porém, necessi-
ta de cavidades retentivas (requer conhecimento dos princípios de pre-
paros cavitários), está sujeito à corrosão e não é um material estético.
Resina composta – é um material estético e que possui adesividade (per-
mitindo que sejam realizados preparos mais conservadores), entretanto, 
é um material que sofre contração de polimerização, tem baixa estabi-
lidade de cor e é contraindicada para pacientes com alto risco de cárie.
Cimento de ionômero de vidro (CIV) – é o material restaurador mais bio-
compatível, com adesividade ao dente, coeficiente de expansão térmico 
linear semelhante ao da dentina e que pode ser considerado terapêutico, 
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por liberar flúor ao longo do tempo. É um material de baixa resistência 
mecânica, de estética comprometida e que necessita de uma aplicação 
de protetor de superfície.
Tomada de Cor
Em caso de restaurações adesivas é necessário escolher a cor do 
material a ser utilizado. Essa tomada de cor deve ser realizada sob luz 
natural e previamente a colocação do isolamento absoluto, para que o 
dente ainda esteja hidratado e para que a cor do lençol de borracha não 
altere a cor do elemento dental. 
Na dúvida entre mais de uma cor pode-se pegar pequenos in-
crementos (bolinhas) de resina composta e polimerizar sobre a face 
vestibular do dente a ser restaurado ou do dente vizinho, o que é facil-
mente destacado com o auxílio de uma espátula ou explorador, já que 
ainda não foi realizado condicionamento ácido ou aplicação de adesi-
vo na superfície.
Isolamento do Campo Operatório
A utilização do isolamento absoluto garante a realização do pro-
cedimento restaurador em um campo operatório seco e limpo, possibi-
litando a confecção de uma restauração com maior longevidade.
Além disso, pode-se citar algumas vantagens para a realização do 
isolamento absoluto durante os procedimentos clínicos:
1. Tempo: o uso do isolamento resulta em um ganho de tempo clí-
nico, já que o isolamento dispensa a necessidade do paciente 
cuspir após as lavagens.
2. Auxilia no procedimento: o isolamento ajuda no controle da an-
siedade do paciente infantil e restringe os movimentos de lá-
bios e língua.
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3. Saliva: ao realizar o isolamento é possível ter uma visão melhor 
do campo operatório, sendo possível detectar pequenas expo-
sições pulpares e também ter o controle do fluxo salivar, já que 
alguns materiais quando em contato com a cavidade bucal es-
timulam a produção de saliva.
4. Proteção: o isolamento previne que materiais ou objetos estra-
nhos entrem em contato com as estruturas orais ou que a crian-
ça os aspire ou degluta os mesmos.
Escolha do grampo
O grampo deve ser escolhido levando em consideração a estabili-
dade do isolamento. Sendo assim, ele deve permanecer preso ao dente 
mesmo com a tensão do lençol de borracha ou quando em contato com 
os tecidos moles da cavidade oral (língua, bochecha, lábios, etc.).
O grampo escolhido para o isolamento absoluto deve ser testado 
antes da colocação do lençol de borracha devendo estar amarrado em 
um pedaço de fio dental, para facilitar a sua remoção caso aconteça al-
guma situação inesperada.
Para a colocação do lençol de borracha no paciente recomenda-se 
que o grampo escolhido seja colocado no lençol previamente perfurado 
e adaptado ao dente com o auxílio da pinça porta-grampo. A pinça é en-
tão removida e o arco para lençol de borracha posicionado, fixando-se 
as pontas do lençol nos pinos do arco.
Para um completo selamento do dente em que foi adaptado o gram-
po, é necessário liberar a borracha que ficou sobre as asas do grampo, 
podendo ser utilizado um instrumental/espátula de ponta arredondada.
Preparos cavitários em dentes decíduos
Os preparos cavitários em dentes decíduos devem ser realizados 
em alta rotação, com o uso de brocas carbide de menor diâmetro possí-
vel (compatível com o tamanho da lesão) e de pontas arredondadas, po-
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dendo em algumas vezes o preparo ser finalizado com uma única broca 
(em preparos conservadores).
Princípios gerais do preparo cavitário
Os preparos cavitários para restauração com amálgama devem se-
guir uma sequência de tempos operatórios, adequando a cavidade para 
receber o material. 
Estes preparos necessitam de paredes de fundo e circundantes pla-
nas. As paredes circundantes devem ser paralelas entre si e perpendicu-
lares às paredes de fundo, e a parede gengival deve ser paralela à parede 
pulpar. O ângulo axio-pulpar deve ser arredondado e o cavo-superficial 
não deve ser biselado. 
É importante ressaltar, que nestes preparos, todo esmalte deve ser 
suportado por dentina, para evitar a fratura do remanescente dental e do 
material restaurador.
Como o amálgama não apresenta adesividade, em casos onde as ca-
vidades não são autorretentivas (rasas e largas) sulcos/canaletas de reten-
ção devem ser confeccionados, evitando o deslocamento da restauração. 
E em casos de impossibilidade de realizar o isolamento absoluto, 
o amálgama de prata é o material mais indicado, pois tem menor sensi-
bilidade à presença de umidade. 
Baseada nas áreas de desenvolvimento da lesão de cárie e gru-
po de dentes envolvidos, Black desenvolveu uma classificação artificial 
para as cavidades.
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Classe I Classe II Classe III Classe IV Classe V
oclusal de 
molares e 
pré-molares;
2/3 oclusais 
da face vestibu-
lar de molares 
inferiores;
2/3 oclusais 
da face palati-
na de molares 
superiores;
palatina de in-
cisivos e caninos 
superiores
Proximais 
de molares e 
pré-molares
 Proximais 
de incisivos e 
caninos, sem 
comprometi-
mento do ân-
gulo incisal
 Proximais 
de incisivos e 
caninos com 
comprometi-
mento do ân-
gulo incisal
Terço cervi-
cal ou gengival 
das faces vesti-
bulares ou lin-
guais de todos 
os dentes
Quadro 30 – Classificação artificial de Black.
Fonte: Os autores
Preparo classe I
 ✓ Realiza-se o preparo com as brocas cabide no 329, 330, 245, 
256 em alta rotação;
 ✓ A remoção da dentina cariada deve ser realizada com auxílio 
de curetas de dentina e/ou brocas esféricas de diâmetro compa-
tível com o tamanho da lesão em baixa rotação;
 ✓ Para restauração em amálgama o esmalte sem suporte deve ser 
removido, as paredes circundantes devem estar paralelas e a 
pulpar plana;
 ✓ Em restaurações com resina composta, o preparo deve ser con-
servador, limitando-se, sempre que possível, à remoção do te-
cido cariado;
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 ✓ A proteção do complexo dentino pulpar deve ser realizada sem-
pre que necessário.
Preparo classe II✓ O preparo inicia-se da mesma forma que o preparo de classe 
I, porém, neste caso rompe-se a crista marginal na mesial e/ou 
distal;
 ✓ No término do preparo da caixa proximal, o ângulo formado 
pela parede vestibular, lingual e axial deve ser um ângulo reto;
 ✓ As paredes vestibular e lingual devem ser ligeiramente conver-
gentes para a oclusal;
 ✓ Deve ser realizada a proteção do dente vizinho com matriz de 
aço, para prevenir danos do dente adjacente durante o preparo 
da caixa proximal; 
 ✓ É necessário o uso de matriz, porta matriz e cunha para a 
realização da restauração de classe II;
 ✓ Caso a superfície oclusal não esteja comprometida, pode-se 
optar pelo preparo restrito a proximal e a restauração com re-
sina composta.
Preparo classe III
 ✓ É um preparo indicado para restaurações adesivas;
 ✓ O acesso é direto, podendo ser pela face vestibular, lingual ou 
mesmo pela próximal, em casos de ausência de dente vizinho 
ou presença de diastema;
 ✓ É essencial realizar a proteção do dente vizinho com matriz de 
aço, evitando o desgaste acidental da superfície proximal do 
dente adjacente.
Procedimentos restauradores em odontopediatria - 155
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Preparo Classe IV
 ✓ Geralmente ocorre por trauma, mas também pode ocorrer por 
lesões de cárie extensas;
 ✓ Deve ser realizada restauração estética;
 ✓ É necessário verificar se existe exposição pulpar e a vitalidade 
pulpar previamente à restauração;
 ✓ Deve ser confeccionado um bisel no ângulo cavo-superficial 
vestibular, utilizando-se pontas diamantadas tronco-cônicas, 
anguladas entre 30 e 45o;
 ✓ Em casos de trauma pode ocorrer escurecimento do remanes-
cente dental.
Mínima intervenção
Com a evolução dos materiais restauradores, onde a retenção do 
material na cavidade é realizada por adesividade, os preparos passaram 
a ser mais conservadores, se restringindo somente à remoção do tecido 
cariado, preservando assim, maior quantidade de tecido dental sadio.
A escolha de materiais adesivos para restaurar permite que os pre-
paros sejam mais irregulares e que em algumas situações se preserve o 
esmalte sem suporte.
Considerando a nova filosofia de mínima intervenção, Mount & 
Hume propuseram em 1997, uma nova classificação para os preparos 
conservadores. Essa classificação avalia área (face) em que ocorre (1-
3) e o tamanho da lesão (0-4), conforme descrito nos Quadros 31 e 32.
Área 1 Área 2 Área 3
Cicatrículas e fissuras 
na face oclusal de 
dentes posteriores e 
superfícies lisas 
Região de ponto de 
contato de qualquer 
dente (anterior ou 
posterior)
Região cervical em 
contato com tecido 
gengival, incluindo 
exposição radicular
Quadro 31 – Classificação de Mount & Hume para a área envolvida.
Fonte: Os autores
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Tamanho 0 Tamanho 1 Tamanho 2 Tamanho 3 Tamanho 4
Lesão 
inicial, em 
qualquer 
face, sem 
cavitação 
(mancha 
branca 
ativa). É 
passível 
de remine-
ralização.
Pequenas 
cavitações, 
restritas ao 
esmalte.
Lesão com 
envolvimento 
moderado 
de dentina. 
Ainda existe 
integridade do 
remanescente 
dental e o 
esmalte é 
suportado por 
dentina sadia.
Lesão 
com maior 
acometimento 
da estrutura 
dentária. As 
estruturas 
remanescentes 
ficam mais 
fragilizadas.
Lesão muito 
extensa com 
perda de 
cúspide ou 
borda incisal.
Quadro 32 – Classificação de Mount & Hume para o tamanho da lesão.
Fonte: Os autores
A avaliação de cada lesão de acordo com Mount & Hume (1993) 
é dada pela composição numérica da área e do tamanho, onde o primei-
ro número representa a área e o segundo o tamanho de cada lesão (ex: 
1.0; 2.3; 2.4...).
Tratamento restaurador atraumático
O tratamento restaurador atraumático foi desenvolvido na década 
de 80, com o objetivo de atender a necessidade de tratamento em popu-
lações subdesenvolvidas e onde não existe infraestrutura. Este método 
consiste na realização de restaurações sem anestesia, utilizando apenas 
instrumentos cortantes manuais para a remoção da dentina infectada. 
Esta técnica possibilita manter uma pequena camada profunda de teci-
do cariado, que pode ser reorganizada estruturalmente, sob o material 
restaurador. O CIV é o material restaurador utilizado nesta técnica, uma 
vez que possui adesividade às estruturas dentais, é um material biocom-
patível e libera flúor.
Esta é uma técnica muito indicada na clínica infantil, principal-
mente quando visamos o condicionamento e/ou motivação do paciente 
e onde o uso de anestésicos locais e instrumentos rotatórios podem di-
ficultar a colaboração durante o atendimento.
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Restaurações indiretas
Em alguns casos, onde a destruição do elemento dental foi muito 
grande, a reconstrução do mesmo torna-se mais difícil de ser executa-
da com sucesso em uma única sessão, não só pela extensão da restau-
ração, mas também pelo tempo em que a criança permanece na cadeira 
odontológica.
Nesses casos pode-se optar pela técnica indireta, onde após o pre-
paro cavitário é realizada a moldagem do paciente com material à base 
de silicone para obtenção do modelo de trabalho, onde será confeccio-
nada a restauração em resina composta (inlay/onlay).
 Por ser confeccionada sobre o modelo de trabalho torna-se mais 
fácil a realização da escultura dental, do acabamento e polimento e é 
possível realizar sessões mais curtas. Porém, como o procedimento deve 
ser realizado em mais de uma sessão, após a moldagem é necessária a 
colocação de um material provisório no preparo cavitário para proteção 
do remanescente dental até a consulta seguinte.
____________________
Referências
CORRÊA, Maria Salete Nahás P. Odontopediatria na primeira infância. 3. ed. 
São Paulo: Santos, 2009.
DEAN, Jeffrey A.; AVERY, David R. Odontopediatria para crianças e ado-
lescentes. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. Odontopediatria. 8. ed. São Paulo: Santos, 
2010.
MOUNT, G. J. Minimal intervention dentistry: rationale of cavity design. Oper 
Dent, v. 28, n. 1, p. 92-99, Jan./Feb. 2003. Disponível em: <https://www.ncbi.
nlm.nih.gov/pubmed/12540125>.
MOUNT, G. J., HUME, W.R. A revised classification of carious lesions by site 
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158 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria
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Capítulo 12
Tratamento endodôntico de dentes decíduos
Lara Jansiski Motta
Marcelo Mendes Pinto
Sandra Kalil Bussadori
As alterações pulpares em dentes decíduos requerem um cuida-
do particular pelas características específicas anatômicas dos elementos 
dentais, além de considerar que estes dentes são temporários e sofrem 
alterações fisiológicas até a esfoliação completa.
Algumas situações podem levar à alteração da saúde pulpar, como 
por exemplo, lesões de cárie e traumatismos e dependendo do grau de 
comprometimento, diferentes tratamentos devem ser realizados.
Alguns pontos devem ser analisados antes de eleger o tratamento 
endodôntico em dentes decíduos; são eles: correto diagnóstico, estágio 
da saúde pulpar, ciclo biológico do dente decíduo, idade e colaboração 
da criança. As condições do elemento dental e os tecidos adjacentes tam-
bém devem ser considerados.
Os dentes decíduos seguem um ciclo natural e neste período sofre 
mudanças estruturais, histológicas e bioquímicas. Estas mudanças po-
dem contraindicar ou favorecer alguns tratamentos.
Em relação ao diagnóstico da condição pulpar, deve-se investigar 
os sinais clínicos e radiográficos para determinar se a polpa se encontra 
saudável, com inflamação reversível,inflamação irreversível ou necro-
se pulpar. O Quadro 33 apresenta as possíveis terapias de acordo com o 
estágio de saúde pulpar.
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CONDIÇÃO PULPAR TRATAMENTOS POSSÍVEIS
Polpa Saudável Capeamento indireto 
(conservador)
Capeamento direto (conservador)
Pulpotomia (conservador)
Polpa com inflamação 
reversível
Pulpotomia 
Pulpectomia
Polpa com inflamação 
irreversível
Pulpectomia
Necrose pulpar Pulpectomia.
Quadro 33 – Terapias pulpares de acordo com a condição do tecido pulpar.
Fonte: Os autores
Para o correto diagnóstico, as informações da anamnese, dos exa-
mes clínico e radiográfico devem ser somadas para a conclusão final. 
Após o diagnóstico da condição da polpa, a situação da coroa remanes-
cente e o estágio de reabsorção radicular irão se somar às informações 
anteriores para determinar o tratamento.
Durante a anamnese, deve-se considerar a história da dor. Apesar 
de ser difícil para a criança descrever a sensação dolorosa, este é um si-
nal importante para o diagnóstico. Algumas informações passadas pelo 
responsável podem auxiliar na pesquisa da dor. Questionar o responsá-
vel se a criança relata incômodo de maneira espontânea ou só quando 
provocada, ajuda a determinar se a polpa está em estágio inflamatório 
reversível (provocado) ou espontâneo. Dores espontâneas à noite indi-
cam dano pulpar avançado.
Devido às alterações fisiológicas dos dentes decíduos, a degenera-
ção pulpar em dentes decíduos não é acompanhada claramente por sin-
tomatologia definida. É relativamente comum mudanças inflamatórias 
repentinas que passam da vitalidade à necrose, de forma assintomática. 
Isto porque, dependendo da fase do ciclo biológico do dente decíduo, 
tecidos pulpares estão em transição para células fibrosas.
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Alguns fatores estruturais precisam ser considerados no planeja-
mento do tratamento endodôntico, como por exemplo, a anatomia irregu-
lar do assoalho pulpar, rizólise irregular, ou seja, a reabsorção fisiológica 
pode não ser igual para as diferentes raízes do mesmo dente ou na mes-
ma raiz em paredes diferentes (Figura 38).
Figura 38 – Reabsorção fisiológica irregular. 
Fonte: Os autores
Capeamento pulpar indireto
O capeamento indireto é um tratamento caracterizado pela remoção 
do tecido dentinário cariado infectado e manutenção da dentina afetada. 
Este tratamento reduz o risco de exposição pulpar durante a remoção 
de tecido cariado. Após a remoção da dentina infectada, aplica-se um 
medicamento biocompatível em contato com a dentina para favorecer a 
remineralização e estimular a neoformação de dentina reacional. O ma-
terial de escolha para esta técnica é o hidróxido de cálcio.
As indicações para o capeamento direto compreendem:
● Dentes com grande lesão de cárie, onde a continuidade da re-
moção possa vir a expor a polpa
● Ausência de dor espontânea
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● Ausência de mobilidade
● Ciclo biológico compatível
● Ausência de alterações na imagem radiográfica
O capeamento indireto está contraindicado para dentes com pul-
pite e em fase de rizólise avançada.
Os passos clínicos para a realização do capeamento indireto estão 
descritos no Quadro 34 e ilustrados na Figura 39.
CAPEAMENTO PULPAR INDIRETO
Técnica ✓ Anestesia (se houver risco iminente de exposição pulpar) 
 ✓ Isolamento 
 ✓ Remoção da cárie com curetas
 ✓ Suspender a curetagem quando a dentina começar a 
escamar
 ✓ Realizar curativo sobre a dentina remanescente com hi-
dróxido de cálcio pasta-pasta
 ✓ Restaurar com material que proteja contra 
microinfiltrações
Proservação  Acompanhamento clínico e radiográfico até esfoliação
Quadro 34 – Técnica para realização do capeamento pulpar indireto.
Fonte: Os autores
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Figura 39 – Ilustração do capeamento direto em dentes decíduos artificiais.
Fonte: Os autores
Capeamento pulpar direto
O capeamento pulpar direto é uma terapia proposta em casos de 
micro exposição pulpar durante a remoção do tecido cariado. Se carac-
teriza pela deposição de um medicamento diretamente sobre a micro 
exposição com o intuito de promover a cicatrização do tecido pulpar e 
formação de tecido dentinário com manutenção da vitalidade pulpar. Os 
medicamentos indicados para o capeamento direto são hidróxido de cál-
cio P.A., pastas iodoformadas (Pasta Guedes-Pinto ou Vitapex) ou MTA.
Este tratamento, com muita frequência, não é realizado em dentes 
decíduos, pois as mudanças fisiológicas do tecido pulpar podem dificultar 
o diagnóstico e na fase de início da rizólise, a capacidade da polpa de 
reparação é mais precária, podendo resultar no fracasso do tratamento. 
O Quadro 35 apresenta os passos clínicos para a realização da técnica.
O capeamento pode ser indicado, com muita cautela, nos seguin-
tes casos:
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● Estágio de maturação pulpar (ciclo biológico compatível)
● Diagnóstico preciso
● Micro exposição pulpar de origem mecânica
● Sem contaminação (saliva e micro-organismos)
CAPEAMENTO PULPAR DIRETO
Técnica ✓ Anestesia 
 ✓ Isolamento absoluto
 ✓ Irrigar a ferida com soro fisiológico
 ✓ Secar com penso de algodão estéril
 ✓ Colocar agente capeador biocompatível (Pasta Guedes-
Pinto, MTA ou hidróxido de cálcio P.A.)
 ✓ Restaurar com material que proteja contra 
microinfiltrações
Proservação ✓ Acompanhamento clínico e radiográfico até esfoliação
Quadro 35 – Técnica para realização do capeamento pulpar direto.
Fonte: Os autores
Pulpotomia
Em alguns casos, o tratamento indicado para os dentes decíduos 
é a pulpotomia, que consiste na remoção cirúrgica da polpa coronária 
com posterior deposição de medicamento no remanescente pulpar radi-
cular vital, de maneira a manter a vitalidade dessa polpa radicular e per-
mitir que o dente decíduo conclua seu ciclo biológico da maneira mais 
natural até a esfoliação.
Indicações da pulpotomia:
⇒	Dente com vitalidade pulpar
⇒	Ciclo biológico compatível
⇒	Dente que deve permanecer no arco por mais de um ano
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⇒	Cárie profunda com risco iminente de exposição pulpar
⇒	Ausência de lesão na furca ou no ápice radicular
⇒	Pulpite em fase inicial
⇒	Bom estado geral de saúde
Diversos medicamentos podem ser utilizados na pulpotomia, dentre 
eles o MTA e a pasta Guedes-Pinto. As pastas iodoformadas, de maneira 
geral, apresentam-se boas indicações para este tratamento. O Quadro 36 
apresenta o detalhamento da técnica da pulpotomia em dentes decíduos. 
A ilustração da técnica está representada nas figuras 40 e 41.
PULPOTOMIA
Técnica ✓ Anestesia
 ✓ Isolamento absoluto
 ✓ Remoção de todo o tecido cariado 
 ✓ Remoção do teto da câmara pulpar e exibição da 
polpa coronária
 ✓ Pulpotomia com curetas estéreis afiadas
 ✓ Hemostasia com penso de algodão estéril sob 
pressão
 ✓ Colocação do medicamento biocompatível: Pasta 
Guedes-Pinto, hidróxido de cálcio, MTA, pastas 
iodoformadas,
 ✓ Colocação de uma camada de guta-percha em bas-
tão para proteção
 ✓ Restaurar com material que proteja contra 
microinfiltrações
Proservação
 ✓ Acompanhamento clínico e radiográfico até 
esfoliação
Quadro 36 – Técnica para realização da pulpotomia em dentes decíduos.
Fonte: Os autores
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Figura 40 – Ilustração dos passos da pulpotomia em dentes decíduos artificiais.
Fonte: Os autores
Figura 41 – Ilustração do capeamento direto em dentes decíduos 
artificiais.
Fonte: Os autores
166 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria
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Pulpectomia
A pulpectomia é o tratamento mais radical em relação ao tecido 
pulpar. Quando a polpa está em estágio avançado de inflamação de ma-
neira irreversível, realiza-se a extirpação da polpa radicular ainda com 
vitalidade. Quando o tecido pulpar já se apresenta necrótico, nesta técni-
ca realiza-se a remoção do tecido necrosado e a limpeza de todo o con-
duto radicular.
O tratamento radical está indicado nos seguintes casos:
•	 Estágios inflamatórios pulpares irreversíveis
•	 Necrose pulpar causada por lesões de cárie ou traumatismos 
dentoalveolares
A pulpectomia é contraindicada em grandes reabsorções radicu-
lares (mais de 2/3 de raiz), cáries extensas que atinjam bi/trifurcações, 
pouca saúde do paciente e baixa resistência. Nestes casos a indicação é 
a exodontia. O Quadro 37 descreve os passos técnicos da pulpectomia. 
Antes de iniciar os passos clínicos da pulpectomia, é necessário realizar 
a odontometria para determinar o comprimento de trabalho e limite de 
obturação. A medida é realizada baseada na radiografia periapical, po-
dendo recuar de 1 a 2 milímetros do limite visual, considerando a pre-
sença do bisel de reabsorção (Figura 42).
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PULPECTOMIA
Técnica ✓ anestesia
 ✓ isolamento absoluto
 ✓ abertura da câmara coronária
 ✓ esvaziamento da câmara coronária com auxílio da 
cureta
 ✓ irrigação com hipoclorito
 ✓ localização dos canais radiculares
 ✓ extirpação da polpa radicular (Figura 44) (com vita-
lidade) ou esvaziamento do conduto (necrose pulpar)
 ✓ instrumentação com lima tipo Kerr (1+2) de diâme-
tro proporcional (Figura 45)
 ✓ irrigação e aspiração concomitante (Figura 46)
 ✓ secagem por sucção
 ✓ secagem com cones de papel (Figura 47)
 ✓ obturação dos canais com material reabsorvível 
(Figura 48) como a Pasta Guedes-Pinto, pastas io-
doformadas, hidróxido de cálcio ou óxido de zinco 
e eugenol não reforçado.
 ✓ base de guta percha
 ✓ selamento 
 ✓ restauração com material que proteja contra microin-
filtrações (Figura 47)
Proservação Acompanhamento clínico e radiográfico até esfoliação
Quadro 37 – Técnica para a realização da pulpectomia.
Fonte: Os autores
168 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria
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Figura 42 – Ilustração da odontometria em dentes 
decíduos para determinar o comprimento de 
trabalho.
Fonte: Os autores
 
Figura 43 – Ilustração da 
extirpação da polpa radicular 
na técnica da pulpectomia em 
dentes decíduos artificiais.
Fonte: Os autores
Figura 44 – Ilustração da 
instrumentação do conduto 
na técnica da pulpectomia 
em dentes decíduos artificiais.
Fonte: Os autores
Tratamento endodôntico de dentes decíduos - 169
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Figura 47 – Ilustração inserção da 
pasta obturadora com a lima no 
conduto na técnica da pulpectomia em 
dentes decíduos artificiais.
Fonte: Os autores
Figura 45 – I lus t ração da 
irrigação do conduto na técnica da 
pulpectomia em dentes decíduos 
artificiais.
Fonte: Os autores
Figura 46 – Ilustração da secagem 
com cone de papel absorvente na 
técnica da pulpectomia em dentes 
decíduos artificiais
Fonte: Os autores
170 - Manual de Protocolos Clínicos Empregados em Odontopediatria
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O objetivo maior da instrumentação do conduto radicular do den-
te decíduo é a limpeza, pois não há necessidade de modelar o canal. O 
processo de limpeza é realizado com 3 limas compatíveis com o diâ-
metro do conduto e é finalizado após o uso do último instrumento e as 
substâncias irrigadoras não se apresentarem mais turvas. 
A secagem com aspiração e cone de papel absorvente é essencial 
para evitar a formação de bolhas ao inserir a pasta obturadora no espa-
ço do canal radicular. A pasta obturadora pode ser inserida com a lima 
(Figura 47) ou com seringa (Figura 48). A lima utilizada para inserção 
da pasta deverá ter o mesmo calibre da primeira ou segunda lima utili-
zada para a instrumentação. Ao inserir o material obturador com a lima, 
deve-se realizar o movimento anti-horário para deposição da pasta no 
interior do conduto até completar todo o espaço do canal radicular.
Figura 48 – Ilustração inserção da pasta obturadora com a seringa no conduto na técnica 
da pulpectomia em dentes decíduos artificiais.
Fonte: Os autores
Tratamento endodôntico de dentes decíduos - 171
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Figura 49 – Ilustração do selamento da cavidade após técnica da pulpectomia 
em dentes decíduos artificiais.
Fonte: Os autores
Pastas obturadoras para dentes decíduos
As pastas utilizadas para o preenchimento do canal radicular dos 
dentes decíduos devem apresentar características específicas, pois deve 
ser considerado o ciclo biológico e o processo de reabsorção fisiológi-
ca destes elementos.
Os requisitos ideais da pasta obturadora a ser escolhida são os se-
guintes: ser reabsorvível, não provocar danos aos tecidos periapicais e 
ao permanente sucessor (biocompatível), ser facilmente removida quan-
do necessário, promover um adequado preenchimento e ser radiopaca.
Como exemplos de materiais utilizados para obturação dos dentes 
decíduos temos: pasta Guedes-Pinto, Feapex® (Fórmula & Ação), pasta 
de hidróxido de cálcio, CTZ, pastas iodoformadas.
A pasta Guedes-pinto é uma excelente escolha por apresentar ca-
racterísticas como propriedade antisséptica, boa tolerância tecidual (di-
minui a ação irritante das drogas antissépticas), diminui a intensidade da 
reação inflamatória, é reabsorvível em contato com o tecido conjuntivo, 
é radiopaca, controla a dor pós-operatória, facilita a cura e a reparação.
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A pasta deve ser manipulada pelo clínico em placa de vidro e é 
composta por três partes iguais de:
•	 Paramonoclorofenol canforado: antisséptico;
•	 Rifocort: o propileno-glicol (veículo) tem boa tolerância teci-
dual; o antibiótico de superfície é antisséptico e o corticoste-
róide diminui a intensidade da reação inflamatória; e
•	 Pó de iodofórmio: antisséptico.
A pasta CTZ é uma pasta antibiótica composta por uma parte de 
tetraciclina (cápsula com 250 ou 500 mg); uma parte de cloranfenicol 
(cápsula com 250 ou 500 mg); duas partes de óxido de zinco Tipo I; e 
eugenol, sendo este adicionado durante o ato operatório.
As pastas à base de hidróxido de cálcio e iodofórmio também são 
boas escolhas para preenchimento do conduto. Apresentam biocompa-
tibilidade, efeito antisséptico e são radiopacas.
____________________
Referências
GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. ISSÁO, Myaki (in memoriam). Manual de 
odontopediatria. 12. ed. São Paulo: Santos, 2013. 
GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. Odontopediatria. 8. ed. São Paulo: Santos, 
2010.
IMPARATO, J.C.P. et al. Anuário de odontopediatria clínica. São Paulo: 
Napoleão, 2013. v. 1.
PINHEIRO, Helder Henrique Costa et al. Terapia endodôntica em dentes de-
cíduos por odontopediatras. Pesq. Bras. Odontopediatria Clín. Integr., João 
Pessoa, v. 13, n. 4, out./dez. 2013. Disponívelem: <http://revista.uepb.edu.br/
index.php/pboci/article/viewFile/1775/pdf_20>.
Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria - 173
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Capítulo 13
Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria
Marcelo Mendes Pinto
Lara Jansiski Motta
Sandra Kalil Bussadori
Introdução
Esse capítulo aborda os procedimentos e protocolos cirúrgicos re-
alizados em crianças. Os procedimentos que serão descritos são aqueles 
passíveis de serem realizados sob anestesia local, no ambiente do con-
sultório odontológico. 
Entre os procedimentos cirúrgicos realizados em crianças, a exo-
dontia talvez seja o que ocorre com maior frequência, por isso será a 
base para entendimento dos princípios básicos cirúrgicos, das diferen-
tes complexidades e abordagem cirúrgica da criança.
Para que se tenha sucesso no tratamento odontológico cirúrgico 
da criança, todos os pontos fundamentais à prática da cirurgia devem ser 
considerados, seja relacionado às condições morfofuncionais, às patoló-
gicas específicas ou às questões comportamentais. 
Conceitualmente a cirurgia é uma modalidade de terapêutica prati-
cada de forma manual com o auxílio de instrumentos apropriados que por 
meio de manobras, permitem o rompimento da solução de continuidade 
dos tecidos bucais, levando a resolução para determinadas patologias. 
Essa modalidade tem particularidades quando realizada em pacientes 
crianças, como: as diferenças anatômicas, a anestesia local específica, 
manejo da criança, entre outras que serão descritas desse manual.
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Princípios básicos da cirurgia odontológica
O conceito de princípio envolve tudo o que é inerente a algo, des-
de que seja determinada a sua natureza, a sua verdadeira essência, a ver-
dade geral, as leis e as regras estabelecidas para a ação específica, que 
no caso é a cirurgia em odontopediatria.
Os princípios básicos da cirurgia são: a decisão, necessidade ci-
rúrgica e a oportunidade.
Decisão e Necessidade cirúrgica – nesse princípio será determi-
nada, após o diagnóstico correto pelos aspectos clínicos e com exames 
complementares, a necessidade em realizar o procedimento cirúrgico. 
A necessidade cirúrgica deve ser cuidadosamente avaliada e analisada e 
quando for decidida a terapêutica, os pais devem ter o detalhamento do 
procedimento e a ciência da sua realização. A Figura 50 mostra situações 
clínicas em que há necessidade de procedimento cirúrgico. 
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Figura 50 – Ilustrações de situações clínicas que há necessidade cirúrgica. A – Caso de 
alveólise e retenção prolongada dos incisivos superiores decíduos. B – Caso de grande 
destruição por cárie, presença de raizes residuais dos incisivos superiores decíduos. C – 
Caso de anquiloglossia, com limitação funcional da língua. D – Caso de papilomatose 
no dorso da língua. Fonte: Fotos dos autores
Para a maior parte das situações clínicas a cirurgia deve ser sem-
pre considerada como a última modalidade terapêutica utilizada, sendo 
priorizadas as modalidades conservadoras de tratamento. Existem várias 
situações clínicas inerentes à cirurgia em odontopediatria que indica-se, 
por ex., a exodontia de um dente, mas alguns aspectos devem ser pen-
sados antes de realizar a sua remoção, como acontece com dentes não 
irrompidos e que não terão espaço para irromper se for removido pre-
cocemente o dente decíduo. 
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Oportunidade cirúrgica – estabelecer o momento oportuno é ou-
tro princípio fundamental e básico da cirurgia em criança. É importante 
que o Cirurgião Dentista constate se o ato operatório pode ser realizado 
imediatamente ou se existe algum impedimento, seja local ou sistêmi-
co que contraindique a cirurgia. Situações momentâneas e/ou definiti-
vas que podem contraindicar o tratamento devem ser ponderadas e, se 
necessário, postergadas até que o equilíbrio se reestabeleça. Os estágios 
finais de doenças degenerativas representam algumas situações que po-
dem impedir a realização da cirurgia. 
Uma vez decidida a necessidade de realização do procedimento ci-
rúrgico, algumas medidas pré-operatórias são importantes, entre as quais: 
o planejamento da técnica cirúrgica, as medidas de biossegurança e apli-
cação da terapêutica medicamentosa prévia. Após realizado o procedi-
mento, as medidas pós-operatórias não devem ser esquecidas, assim, ao 
tomar medidas pós-operatórias adequadas, pode-se obter melhores con-
dições para a recuperação e evolução da reparação tecidual do paciente.
Vale lembrar que o procedimento cirúrgico está diretamente as-
sociado à complexidade cirúrgica, que pode ser de baixa, média ou alta 
complexidade. Entende-se por complexidade cirúrgica, um conjunto de 
fatores que devem ser considerados para o planejamento do Cirurgião 
Dentista. Dependendo do tipo de complexidade cirúrgica o requinte téc-
nico é mais apurado. Além da dificuldade técnica, devemos, baseados 
nessa complexidade, estabelecer os parâmetros de: terapêutica medica-
mentosa, planejamento cirúrgico, arsenal cirúrgico, previsibilidade no 
pós-operatório e manejo do comportamento da criança. 
Exodontia de dentes decíduos
A remoção cirúrgica de dentes (exodontia) é, de fato, o procedi-
mento mais frequente praticado em odontologia, e seus objetivos são:
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1) Limitar o processo danoso causado pelas doenças bucais ou pelo 
traumatismo dentoalveolar, para evitar sequelas principalmen-
te aos permanentes.
2) Beneficiar a correção de alterações anatômicas e funcionais, con-
tribuindo para a reabilitação funcional do paciente infantil.
Para realizar a exodontia do dente decíduo, alguns princípios pró-
prios devem ser seguidos, para que favoreçam tecnicamente o profis-
sional, são eles:
Posição do paciente – a posição correta do profissional e da crian-
ça que permita a abordagem cirúrgica segura de qualquer dente ou 
região. A criança deve estar sentada na cadeira odontológica, re-
clinada em torno de 30o.
Redução da resistência – é recomendado o uso de uma via que 
facilite a exérese do dente, por meio da redução da resistência da 
remoção, cuidar para que não traumatize o permanente e muitas 
vezes com estreita relação entre as raizes dos decíduos e a coroa 
do permanente.
Usar instrumental adequado – instrumentos apropriados, usados 
com força adequada e controlada. É importante que os instrumen-
tos sejam fabricados para remoção de dentes decíduos, pelas ca-
racterísticas anatômicas diferenciadas dos dentes permanentes.
Algumas diferenças entre os dentes decíduos e permanentes im-
portantes que devem ser respeitadas para uma boa execução da técnica 
de exodontia, são relacionadas ao tamanho, pois os dentes são meno-
res em todas as dimensões e as raizes configuram proporcionalmente a 
maior parte do dente decíduo.
A forma do dente também deve ser considerada, nos decíduos são 
menos volumosas o que dificulta a apreensão pelo instrumental. As rai-
zes divergentes torna-se as vezes um fator complicador da remoção.
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Outra diferença importante é a característica da reabsorção fisio-
lógica das raizes dos dentes decíduos, denominada de rizólise. Na den-
tição permanente, qualquer reabsorção radicular é patológica.
O osso alveolar quesustenta o dente decíduo é elástico no pacien-
te jovem e essa particularidade facilita a remoção dos dentes nessa fase.
• Grande comprometimento do dente;
• Dentes com rarefação óssea (periapical ou interradicular persistente); 
• Rompimento da cripta óssea do germe do sucessor permanente;
• Dentes com cáries que já atingiram a bifurcação radicular; 
• Dentes com alveólise;
• Dentes com raízes fraturadas;
• Dentes anquilosados e submersos. 
Quadro 38 – Indicações de exodontia em dentes decíduos.
Fonte: Os autores
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A B
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Figura 51 – Ilustração dos aspectos clínicos e radiográficos de indicações de exodontia 
do dente decíduo. A-B mostra caso de alveólise e retenção prolongada dos dentes 
anteriores decíduos decorrente de traumatismo. C-D mostra dente após realizada a 
exodontia, decorrente de lesão interradicular persistente.
Fonte: Os autores
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O Quadro 39 indica as principais dificuldades que podem neces-
sitar de uma intervenção com maior requinte técnico.
• Reabsorção desigual das raízes; 
• Fratura da coroa; 
• Raízes de molares em estreita relação com a coroa do dente 
permanente; 
• Dentes anquilosados;
• Dentes com fusão/geminação de dois dentes;
• Lesões no permanente; 
• Perda de espaço.
Quadro 39 – Dificuldades na exodontia de dentes decíduos.
Fonte: Os autores
Sequência Técnica Cirúrgica
A exodontia de dentes decíduos pode ser realizada por diferen-
tes técnicas:
	uso do fórceps;
	uso de elevadores;
	com odontossecção com instrumentos rotatórios;
	com osteotomia alveolar;
	pela combinação das técnicas.
Independente da técnica escolhida, alguns pontos importantes de-
vem ser abordados. 
O exame clínico e o radiográfico são fundamentais para uma boa 
prática cirúrgica, pois, por eles, será possível fechar o diagnóstico cor-
reto que indique a terapêutica cirúrgica e favoreça o planejamento deta-
lhado do procedimento.
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Baseado no planejamento é possível visualizar cada passo cirúr-
gico, favorecendo a montagem do arsenal de instrumentais sem excesso 
ou falta durante o ato operatório. Não podem ser esquecidos os procedi-
mentos de biossegurança e antissepsia intra e extra oral.
Uma vez estabelecido esses cuidados parte-se para a sequência 
técnica de exodontia do dente decíduo, como segue:
1o Passo – Pré-anestesia – a aplicação do anestésico tópico sobre a 
mucosa na região da puntura da agulha deve ser realizada, após 
a secagem da região. É importante que o anestésico tópico fique 
em contato com a mucosa por um tempo suficiente que cause 
a dessensibilização da região. O tempo da pré-anestesia é de 4 
minutos dependendo do medicamento utilizado.
2o Passo – Anestesia da região – realizar a técnica anestésica in-
dicada para cada região e dentes que serão submetidos à cirur-
gia (verificar o Capítulo de técnicas anestésicas). É importante 
respeitar as possíveis variações da técnica anestésica que são 
observadas em crianças e diferenciam do adulto.
Figura 52 – Ilustração da técnica anestésica infiltrativa na região 
vestibular do canino decíduo.
Fonte: Os autores
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3º Passo – Sindesmotomia – procedimento realizado com instru-
mental específico (sindesmótomo) com o objetivo de romper as 
fibras periodontais e melhorar a exposição da coroa para a apre-
ensão do fórceps. A sindesmotomia é realizada em todas as su-
perfícies do dente e com o instrumento inserido no interior do 
sulco gengival deve ser realizado um movimento firme e único.
Figura 53 – Ilustração do procedimento de sindesmotomia para 
a cirurgia do elemento dental.
Fonte: Os autores
4º Passo – Luxação e Avulsão – a luxação pode ser realizada com 
instrumentos como elevadores e fórceps. Após realizada a lu-
xação, o dente deve ser avulsionado com o uso de um fórceps. 
É importante ter o entendimento que, em decorrência da varia-
ção anatômica entre decíduos e permanentes, os instrumentais 
para luxação e avulsão do dentes decíduo devem ser específi-
cos e adequados para cada elemento. 
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Figura 54 – Ilustração da apreensão, luxação e avulsão do dente 
decíduo com o uso do fórceps.
Fonte: Os autores
5o Passo – Curetagem do alvéolo – a curetagem do alvéolo não é con-
traindicada na exodontia dos dentes decíduos, mas vale uma obser-
vação importante sobre essa manobra. A curetagem do alvéolo na 
dentição decídua somente deverá ser realizada quando existir le-
sões passíveis de remoção, que não estão próximas ou em conta-
to com o germe do dente permanente, caso contrário essa manobra 
não deve ser indicada.
6o Passo – Hemostasia – a hemostasia em odontopediatria é reali-
zada apenas por compressão e oclusão de gaze. Não é indicada 
a manobra de Chaumpret durante esse procedimento.
7o Passo – Sutura – a sutura deve ser sempre realizada após a 
exodontia de dentes decíduos com mais de um terço de raiz re-
manescente. Dentes em fase final de rizólise ou com menos de 
um terço de raiz remanescente não necessitam de sutura. É im-
portante salientar que em todo procedimento cirúrgico, a ma-
nobra de sutura deve ser planejada, pois alguma intercorrência 
poderá acontecer.
 
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Figura 55 – Ilustração do procedimento de sutura simples, para 
coaptar os tecidos após realizada a remoção cirúrgica de dente incluso.
Fonte: Os autores
Uso do fórceps para exodontia dos dentes decíduos
O fórceps é o instrumental apropriado para apreender e avulsionar 
o dente decíduo no procedimento de exodontia, mas alguns cuidados de-
vem ser respeitados durante a execução da técnica, principalmente rela-
cionados a anatomia radicular do dente, os movimentos de luxação e a 
presença do germe do dente permanente. 
Os movimentos devem ser efetuados de forma livre, porém com 
suavidade, permitindo a obtenção dos resultados mecânicos esperados, 
sem dilaceração dos tecidos moles, fratura óssea ou dentária e sem cau-
sar temores nas crianças.
Em dentes anteriores, pelo posicionamento e proximidade do germe 
do permanente com as raizes dos dentes decíduos, existe a necessidade em 
realizar após a apreensão, apenas movimentos de rotação e tração, para 
avulsionar o dente decíduo. Não é indicado o movimento de intrusão com 
o fórceps durante a exodontia, para proteção efetiva do dente permanente. 
Nos dentes posteriores, o germe do permanente encontra-se posi-
cionado próximo e/ou entre as raizes, o que dificulta a exodontia do dente 
decíduo. A remoção do dente permanente em conjunto com a exodontia 
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do dente decíduo posterior é um fato relatado na literatura e que apre-
senta ocorrência, assim para se evitar essa intercorrência é importante 
um exame radiográfico com qualidade que diagnostique essa possibili-
dade. Para os dentes posteriores o movimento com o fórceps no sentido 
vestibulo lingual é o indicado durante a exodontia. 
O uso do fórceps é contraindicado quando não houver porção co-
ronária suficiente para receber e transmitir o efeito mecânico do instru-
mento e também quando o germe do dente permanente sucessor puder 
ser deslocado quando do movimento das raízes do decíduo.
Figura56 – Ilustração dos movimentos com o fórceps em dentes 
anteriores em movimento de rotação e tração.
Fonte: Os autores
Uso do elevador para exodontia do dente decíduo
Os elevadores são instrumentais cirúrgicos muito utilizados para 
a exodontia de dentes. Quando bem indicados, facilitam a luxação e a 
remoção de raizes residuais dos dentes decíduos. As alavancas retas de-
vem ser posicionadas com a ponta ativa em sentido do longo eixo radi-
cular no ligamento periodontal e com um movimento de rotação de ¼ a 
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½ volta. Além do deslocamento, a alavanca gera um efeito de cunha en-
tre o dente e o periodonto, que facilita a extrusão da raiz.
• Luxação de dentes para posterior utilização do fórceps;
• Expansão do osso alveolar facilitando a exodontia;
• Remoção de raízes fraturadas ou seccionadas cirurgicamente;
• Remover dentes anteriores com reabsorção radicular extensa. 
Quadro 40 – Indicações para o uso de extratores em odontopediatria.
Fonte: Os autores
Manobra de Odontosecção
O seccionamento das raízes dos dentes decíduos é uma manobra 
que se bem realizada auxilia o profissional em exodontias de maior com-
plexidade. A odontossecção tem como objetivos:
•	 Reduzir a resistência à avulsão dentária.
•	 Evitar fraturas radiculares durante a exodontia.
•	 Eliminar a impactação de dentes retidos. 
•	 Evitar a remoção do sucessor permanente posicionado entre as 
raízes do decíduo.
O seccionamento deve ser feito com instrumento rotatório, no sen-
tido vestibulolingual (inferiores) e nos sentidos mésio distal e vestibu-
lolingual (superiores) e em seguida deve-se remover, cuidadosamente, 
cada raiz separadamente.
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• fraturas coronárias;
• fraturas radiculares;
• sangramento abundante;
• traumatismo e/ou avulsão do germe do dente permanente.
Quadro 41 – Acidentes e complicações comuns na exodontia.
Fonte: Os autores
• Cirurgia de tecido mole 
– frenectomia labial e lingual;
– plástica e correção gengival;
– ulectomia;
– papilomatoses;
– mucocele.
• Cirurgias complexas
– inclusos como: dentes dilacerados, odontomas;
• complexo e composto e supranumerários;
– cistos dentígeros (Descompressão);
– tracionamento dentário;
– transplante de 3º em 1º.
Quadro 42 – Possibilidades cirúrgicas na clínica de odontopediatria.
Fonte: Os autores
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Caso Clínico 1 – Remoção cirúrgica de odontoma composto
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Figura 57 – Ilustração mostrando a remoção cirúrgica de odontoma composto localizado 
na região anterior superior. A – Aspecto clínico intrabucal, pode-se verificar o abaulamento 
na região do incisivo central direito. B– Aspecto radiográfico mostra com detalhes o 
posicionamento e as várias estruturas semelhantes ao dente. C – Após a anestesia foi 
realizada a incisão. D – Descolamento do tecido e luxação para a exérese dos dentículos. 
E – Odontoma removido. F – Sutura do retalho em posição.
Fonte: Os autores
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Caso Clínico 2 – Remoção cirúrgica do freio labial superior
A B
C D
E F
Figura 58 – Ilustração da sequência cirúrgica para remoção do freio teto labial superior. 
A – Caso clínico inicial, mostrando a presença de um freio labial superior volumoso. 
B – Após a anestesia bilateral da região, faz-se duas incisões uma de cada lado na base 
do freio, com bisturi angulado a 45o. C – Freio liberado do tecido ósseo. D – Divulsão 
da mucosa e musculatura com tesoura. E – Sutura da ferida cirúrgica. F – Aspecto 
clínico no pós-operatório de 7 dias.
Fonte: Os autores
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Caso Clínico 3 – Ulectomia
A B
C D
Figura 59 – Ilustração da sequência de ulectomia/ulotomia. A – Caso clínico inicial, 
mostrando a presença de tecido gengival fibroso. B – Após a anestesia da região, é 
realizada a incisão. C – Exposição cirúrgica da borda incisal do elemento 11. D – Aspecto 
clínico no pós-operatório de 7 dias.
Fonte: Os autores
Recomendaçãos pós-operatória
O pós-operatório em odontopediatria, geralmente é feito com reco-
mendações básicas por no mínimo três dias sobre: – restrição alimentar 
que dever envolver orientações limitando a ingestão de alimento quente 
e de consistência endurecida; – limitação do esforço físico; – uso corre-
to de uma terapia medicamentosa quando indicada. Os medicamentos 
analgésicos prescritos de forma adequada são capazes de controlar a dor 
mais intensa no primeiro dia de pós-operatório. 
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Usar a oclusão de gaze sob pressão parece ser efetiva para a he-
mostasia da região.
Os pais ou responsáveis devem ser orientados quanto ao tipo de 
alimento, de preferência líquidos e frios, administrado nas primeiras 24 
horas. Assim como comunicar qualquer ocorrência pós-operatória que 
julgarem vinculados ao procedimento cirúrgico.
____________________
Referências
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ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
DUARTE, Danilo Antonio. Lesões traumáticas em dentes decíduos: tratamen-
to e controle. São Paulo: Santos, 2001. (Caderno de Odontopediatria).
FERJESKOV, O; KIDD, E. Cárie Dentária: a doença e seu tratamento clíni-
co. 2. ed. São Paulo: Santos, 2013.
GUEDES-PINTO, Antônio Carlos. Odontopediatria. 8. ed. São Paulo: Santos, 
2010.
HUBERTUS, J. W. Odontopediatria: atlas colorido de odontologia. São Paulo: 
Artmed, 2002.
SANT’ANNA, G. R. Cariologia: diagnóstico, controle e tratamento. São Paulo: 
Santos, 2001. (Caderno de Odontopediatria).
WELBURY, R. R; DUGGAL, M. S.; HOSEY, M. T. Odontopediatria. 3. ed. 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
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Capítulo 14
Remoção química e mecânica da cárie
Sandra Kalil Bussadori
Lara Jansiski Motta
Marcelo Mendes Pinto
A remoção química e mecânica da cárie é uma técnica minimamente 
invasiva para remoção do tecido cariado, na qual se utilizam instrumentos 
não cortantes associados a agentes que amolecem quimicamente a denti-
na cariada, facilitando sua remoção e assegurando ao paciente um maior 
conforto quando comparado ao método convencional (uso de alta rotação). 
Como não há estímulos cortantes, não há a necessidade do uso de anestesia.
A remoção química e mecânica da cárie foi introduzida em 1972, 
quando surgiu um produto denominado GK101, o primeiro sistema para 
remoção química e mecânica da cárie. O GK101 promovia uma remoção 
do tecido cariado lentamente, de modo que para melhorar a velocida-
de da reação foi desenvolvido o GK101E ou Caridex, como o mesmo 
foi denominado em 1984 pela FDA. O Caridex era composto por áci-
do aminobutírico-N-monocloro-DL-2 (NMAB) e, além de não remover 
efetivamente o tecido cariado, apresentava outros inconvenientes, como 
a necessidade de aquecimento, grande quantidade de solução para a re-
moção da cárie, aparatologia complexa e alto custo. 
Com o intuito de globalizar a utilização dos sistemas de remoção 
química e mecânica do tecido cariado, promovendo o emprego desta 
técnica principalmente no âmbito de saúde pública em 2000, Bussadori 
e Miziara desenvolveram um gel à base de papaína, cloramina e azul de 
toluidinapara remoção química e mecânica da cárie.
Esse gel não tem contraindicações e pode ser utilizado tanto em 
dentes decíduos como permanentes, é indicado para qualquer tipo de le-
são de cárie, principalmente em pacientes com necessidades especiais, 
crianças, adolescentes e adultos fóbicos. Tem como principais vantagens 
o fato de ser uma técnica atraumática, efetiva, com baixo custo, fácil apli-
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cabilidade e que não necessita aparatos tecnológicos para ser realizada 
(Bussadori et al. 2006; Abdelnur et al.2008). A literatura (Banerjee et 
al.,2000; Ammari & Moliterno, 2005) afirma, que como não há estímulos 
cortantes, não há necessidade do uso de anestesia. É biocompatível com 
os tecidos bucais e não é tóxico in vitro e in vivo (Araújo et al., 2008).
Ao ser comparado com o método convencional, a remoção química 
e mecânica do tecido cariado é significantemente menos dolorosa, reduz 
o risco de exposição pulpar e não causa danos aos tecidos sadios sendo, 
portanto, um excelente aliado para remoção da cárie (BUSSADORI et 
al. 2005; SILVA et al. 2005). 
Para a remoção de tecido cariado, até os dias de hoje, as brocas de 
aço acopladas à caneta de baixa rotação são os instrumentos mais utili-
zados (BENERJEE et al. 2000). Esta técnica proporciona remoção do 
tecido cariado com maior velocidade, mas por não ser seletivo, resulta 
na remoção de estruturas sadias (BANERJEE et al. 2000).
O sistema de tratamento da doença cárie que utiliza um agente quí-
mico, para remoção de dentina cariada seguida de restauração da estrutura 
dental com cimento de ionômero de vidro e somada à educação e controle 
preventivo, preenche os requisitos para um programa efetivo de promoção 
de saúde, que são a preservação de estrutura sadia; o não cansaço manual 
do operador; a ausência de dor ou desconforto; a ausência de injúria pul-
par, o não uso de anestesia e eletricidade, o baixo custo e de ser uma téc-
nica de simples execução (CARNEIRO et al. 2004; SILVA et al. 2004).
O gel Papacárie® foi avaliado em ensaio clínico randomizado e 
controlado por um período de 12 meses. Neste estudo 20 dentes decíduos 
cariados que foram tratados com o gel e 20 dentes decíduos tratados com 
instrumento rotatório para comparação entre os dois tratamentos. Após a 
avaliação clínica e radiográfica, foi possível observar que o gel demons-
trou vantagens em relação à preservação do tecido dentinário sadio e ao 
conforto do paciente, evitando-se o uso da anestesia (MOTTA et al. 2014).
Uma série de casos clínicos com acompanhamento de 12 meses 
com 84 dentes decíduos tratados com o gel Papacárie demonstrou que 
esta técnica apresentou 98,8% de sucesso (BUSSADORI et al. 2014).
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O uso clínico do gel também apresenta vantagens quanto à necessidade 
de anestesia durante a remoção da cárie. Matsumoto et al. (2013) realizaram 
um estudo no serviço público com 20 crianças entre 5 e 8 e nos casos estuda-
dos não foi observada a necessidade de anestesia local quando utilizado o gel 
para remoção da cárie. O uso do gel no serviço público pode colaborar com 
o maior acesso ao tratamento das lesões de cárie por se tratar de uma técni-
ca que requer pouco investimento e apresentar grande facilidade operacional. 
A técnica restauradora está escrita no Quadro 43. As figuras 60 a 
64 ilustram o passo a passo do tratamento com o gel Papacárie®.
Procedimento
Periapical e/ou interproximal Radiografia Inicial
Com pedra–pomes e água ou com pasta profilática Profilaxia
Relativo (afastador de lábios, rolete de algodão e 
sugador de saliva)
Isolamento
Colocar o gel em pote Dappen e aplicar na 
cavidade por meio da própria cureta
Aplicação do gel na 
cavidade
30 a 40 segundos para lesões de cárie ativa
40 a 60 segundos para lesões de cárie inativa
Tempo para ação 
do gel
Realizada por movimentos pendulares de 
raspagem, com curetas sem corte
Raspagem da 
dentina cariada
Sempre que houver necessidade, até remoção do 
tecido cariado (presença de “lascas” de dentina)
Reaplicação do gel
Inspeção visual da dentina remanescente e com 
instrumental sem corte
Avaliação clínica
Por meio de jatos de água ou bolinha de algodão 
com água. Pode-se limpar a cavidade com bolinha 
de algodão e digluconato de clorexidina 1 ou 2%.
Lavagem da 
cavidade
Pode ser feita com qualquer material restaurador, 
seguindo-se as normas do fabricante.
Restauração
Acompanhamento clínico e radiográfico do dente/
restauração
Preservação
Quadro 43 – Protocolo de utilização do gel Papacárie®.
Fonte: Os autores
 
 
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Figura 60 – Aspecto clínico da lesão 
de cárie
Figura 61 – Aplicação do gel para a 
remoção química da cárie na cavidade
Figura 62 – Remoção do tecido cariado por 
meio de raspagem com cureta sem corte
Figura 63 – Aspecto da cavidade após a 
remoção do tecido cariado
Figura 64 – Restauração com 
cimento de ionômero de vidro
Fonte das imagens: Os autores
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Referências
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AMMARI, Michelle Mikhael; MOLITERNO, Luiz Flávio Martins. Remoção 
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BUSSADORI, S. K.; CASTRO, L. C.; GALVÃO, A. C. Papain gel: a new che-
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BUSSADORI, S. K. et al. Utilização do gel à base de papaína para remoção 
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MOTTA, Lara Jansisk et al. Randomized controlled clinical trial of 
long-term chemo-mechanicalcaries removal using PapacarieTM gel. J 
Appl Oral Sci., v. 22, n. 4, p. 307-313, July-Aug., 2014. Disponível em: 
<10.1590/1678-775720130488>.
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<http://ref.scielo.org/wh3ybb>.
198 - Os Autores
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Os Autores
Sandra Kalil Bussadori
Pós-Doutora em Pediatria pela UNIFESP/EPM, Mestre em materiais 
dentários e doutora em Odontopediatria pela FOUSP, Especialista 
em Odontopediatria, Professora dos Programas de Pós-Gaduação em 
Ciências da Reabilitação e Biofotônica Aplicada às Ciências da Saúde 
e do Curso de Odontologia da UNINOVE.
Lara Jansiski Motta 
Doutora em Saúde Coletiva pela UNIFESP/EPM, Mestre em Ciências 
da Reabilitação pela UNINOVE, Especialista em Odontopediatria, 
Professora do Programa de Mestrado Profissional em Gestão de 
Sistemas de Saúde e do Curso de Odontologia da UNINOVE.
Marcelo Mendes Pinto
Mestre e Doutor em Materiais Dentários pela FOUSP, Especialista em 
Odontopediatria, Professor do Curso de Odontologia da UNINOVE.
Camila Haddad Leal de Godoy
Especialista em Odontopediatria, Mestre e Doutora em Ciências da 
Reabilitação – Uninove, Professora do Curso de Odontologia da 
UNINOVE.
Carolina Carvalho Bortoletto
Especialista em Odontopediatria, Mestre e Doutora em Ciências da 
Reabilitação – Uninove, Professora do Curso de Odontologia da 
UNINOVE.
Os Autores - 199
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Eugênio Garcia
Especialista e Mestre em Dentística Restauradora, UEPG. Doutor e 
Pós-Doutor em Materiais Dentários, FOUSP. Pós-Doutor em Ciências 
da REABILITAÇÃO, UNINOVE. Professor do Curso de Odontologia 
da UNINOVE.
Katia Lumi Tanikawa-Vergilio
Mestre em Ciências – Microbiologia oral ICB -USP. Especialista em 
Odontopediatria SOESP. Professora das disciplinas de Microbiologia, 
Cariologia, Clínica Odontológica Infantil e Saúde Bucal Coletiva do 
curso de Graduação de Odontologia da UNINOVE.
Olga Maria Altavista
Doutora em Diagnóstico Bucal – Radiologia [USP]. Mestre em 
Odontopediatira [USP]. Especialista em Clínica Odontológica Infantil 
[CFO]. Professora da Universidade Nove de Julho; clinica infantil, cli-
nica integrada e saúde básica comunitária em odontologia.
Ravana Angelini Sfalcin
Mestre e Doutora em Materiais Dentários pela UNICAMP. 
Especialista em Odontopediatria pela APCD CENTRAL. Pós-
Doutoranda em Biofotônica Aplicada às Ciências da Saúde 
(UNINOVE). Professora do Curso de Odontologia da UNINOVE.
Silvia Regina Garcia Olivan
Especialista em Odontopediatria, UNISA. Especialista em Ortodontia 
e Ortopedia Funcional dos Maxilares, UNICID. Mestre em 
Biofotônica Aplicada às Ciências da Saúde, UNINOVE.
Livro composto com as fontes Times New Roman 12/16 no corpo 
de texto e 13/15 nos títulos, impresso em papel offset 90g/m2, 
outubro de 2017.
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	Apresentação
	Capítulo 1
	Dentições Decídua e Mista: Características e Alterações
	Sandra Kalil Bussadori
	Marcelo Mendes Pinto
	Olga Maria Altavista
	Eugênio Correia
	Capítulo 2
	Anatomia de Dentes Decíduos
	Marcelo Mendes Pinto
	Lara Jansiski Mota
	Sandra Kalil Bussadori
	Capítulo 3
	Psicologia Aplicada à Odontopediatria
	Katia Lumi Tanikawa-Vergilio
	Capítulo 4
	Anamnese e exame clínico
	Sandra Kalil Bussadori
	Marcelo Mendes Pinto
	Lara Jansiski Motta
	Carolina Carvalho Bortoletto
	Capítulo 5
	Técnicas radiográficas aplicadas à odontopediatria
	Lara Jansiski Motta
	Marcelo Mendes Pinto
	Camila Haddad Leal de Godoy
	Olga Maria Altavista
	Sandra Kalil Bussadori
	Capítulo 6
	Anestesia local em odontopediatria: técnicas e considerações básicas
	Sandra Kalil Bussadori
	Marcelo Mendes Pinto
	Lara Jansiski Motta
	Eugênio Garcia
	Capítulo 7
	Terapêutica medicamentosa em odontopediatria
	Marcelo Mendes Pinto
	Lara Jansiski Motta
	Sandra Kalil Bussadori
	Capítulo 8
	Diagnóstico de lesões de cárie
	Silvia Regina Garcia Olivan
	 Ravana Sfalcin
	Marcelo Mendes Pinto
	Lara Jansiski Motta
	Sandra Kalil Bussadori
	Capítulo 9
	O Papel do Flúor na Prevenção e Tratamento da Doença Cárie
	Lara Jansiski Motta
	Marcelo Mendes Pinto
	Katia Lumi Tanikawa-Vergilio
	Carolina Carvalho Bortoletto
	Sandra Kalil Bussadori
	Capítulo 10
	Materiais dentários aplicados na odontopediatria
	Sandra Kalil Bussadori
	Lara Jansiski Motta
	Marcelo Mendes Pinto
	Capítulo 11
	Procedimentos restauradores em odontopediatria
	Camila Haddad Leal de Godoy
	Marcelo Mendes Pinto
	Lara Jansiski Motta
	Sandra Kalil Bussadori
	Capítulo 12
	Tratamento endodôntico de dentes decíduos
	Lara Jansiski Motta
	Marcelo Mendes Pinto
	Sandra Kalil Bussadori
	Capítulo 13
	Procedimentos cirúrgicos em odontopediatria
	Marcelo Mendes Pinto
	Lara Jasinski Mota
	Sandra Kalil Bussadori
	Capítulo 14
	Remoção Química e Mecânica da Cárie
	Sandra Kalil Bussadori
	Lara Jansiski Motta
	Marcelo Mendes Pinto
	Os Autores