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A MODÉSTIA 
 
2 
 
 
 
 
 
 
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA 
§2521-2522 
 
“A pureza exige o pudor. Este é uma parte integrante da esperança. 
O pudor preserva a intimidade da pessoa. Consiste na recusa de 
mostrar aquilo que deve ficar escondido. Está ordenado castidade, 
exprimindo sua delicadeza. Orienta os olhares e os gestos em 
conformidade com a dignidade das pessoas e de sua união. 
 
O pudor protege o mistério das pessoas e de seu amor. Convida à 
paciência e à moderação na relação amorosa; pede que sejam 
cumpridas as condições da doação e do compromisso definitivo do 
homem e da mulher entre si. O pudor é modéstia. Inspira o modo de 
vestir. Mantém o silêncio ou certa reserva quando se entrevê o risco 
de uma curiosidade malsã. Torna-se discrição.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
[INSTRUÇÃO] SOBRE A MODÉSTIA1 
 
A Modéstia na Igreja 
 
“A vossa modéstia seja conhecida de todos os homens.” Filipenses IV,5 
 
I – Em relação à pureza: 
1) As vestes devem cobrir tudo o que está 
entre os joelhos e os ombros, incluindo 
joelhos e ombros, e em qualquer posição 
(de pé, sentado, ajoelhado). As vestes 
devem, portanto, possuir mangas e devem 
ser sem decotes. 
2) As vestes não devem ser transparentes 
nem em tom de pele. 
 
3) As vestes não devem ser apertadas ou 
coladas ao corpo. 
 
 
Essas regras se aplicam a homens e mulheres, mas, sobretudo, às mulheres, 
dada a maior fraqueza do homem nesse ponto. É preceito do Apóstolo São 
Paulo: “Do mesmo modo orem também as mulheres em traje honesto, 
ataviando-se com modéstia e sobriedade […] como convém a mulheres que 
fazem profissão de piedade” (1Tim. II, 9 e 10). 
Essas são as regras mínimas. 
1 
 
 
1 Padre Daniel Pinheiro, IBP, texto extraído do site: 
https://missatridentinaembrasilia.org/2012/12/13/modestia-na-igreja-2/ 
 
4 
Ainda hoje no Vaticano é proibida a entrada de pessoas que estejam 
com joelhos ou ombros descobertos. Não há diferença essencial entre 
a Basílica de São Pedro e a mais singela Igreja: o mesmo respeito é, 
portanto, devido. 
As mulheres evitem, sobretudo na 
Igreja, roupas mais convenientes 
ao sexo masculino (calças). Usem 
saias e vestidos: também isso é 
parte da modéstia. Essas regras 
se aplicam em todo lugar, e com 
mais razão, portanto, na Igreja. 
Resumindo: cubram-se os joelhos 
em qualquer posição, cubram-se 
os ombros, cubra-se tudo o que se 
encontra entre os dois. As 
mulheres usem saias e vestidos. 
II – Em relação às circunstâncias 
 
A roupa deve ser adequada àquilo que há de mais importante na face 
da Terra: a Casa de Deus, sobretudo quando nela se realiza o Santo 
Sacrifício da Missa. A pessoa deve, então, vestir-se com dignidade 
para ir à Missa, evitando vestes demasiado informais. 
Particularmente, sejam abolidas as vestes que contenham desenhos 
ou alguma mensagem escrita, mesmo para as crianças. Também não 
sejam usadas roupas com personagens de desenho, com frases 
escritas, camisetas de times de futebol, calças rasgadas, bermudas. 
Nada disso condiz com a santidade e dignidade do lugar. Não se deve, 
 
5 
porém, cair no erro oposto. Dignidade com simplicidade e sem 
exageros. 
Convém muitíssimo que as mulheres 
usem véu enquanto estão na Igreja, em 
particular durante os Sacramentos. São 
Paulo o adverte em sua Primeira Epístola 
aos Coríntios, Capítulo 11. 
Dever do Sacerdote 
É dever do sacerdote, explicitado nos mais diversos textos da Santa 
Sé e dos Bispos, ensinar a modéstia e exortar os fiéis a ela. Também 
é seu dever não administrar os sacramentos àqueles que não se 
apresentam vestidos modestamente para receberem as graças da 
Igreja. 
A Modéstia 
A modéstia no vestir é a virtude derivada da temperança que guarda 
a devida ordem da razão em nosso aparato exterior. Ela deve ser 
observada principalmente na Igreja, Templo do Altíssimo. As nossas 
vestes mostram quem nós somos, a nossa pureza e o grau de 
importância que atribuímos a um determinado local, a uma 
determinada pessoa, a uma determinada atividade. Assim, a 
modéstia deve estar de acordo com a pureza e com as circunstâncias 
em que se encontram as pessoas. 
A modéstia no vestir diz respeito, antes de tudo, à pureza. A modéstia 
no vestir evita o próprio pecado – a pessoa não é motivo de 
escândalo para outras – e evita ao mesmo tempo o pecado do 
próximo. Trata-se, portanto, de caridade para consigo mesmo e para 
 
6 
com o próximo. Para observar a modéstia no vestir, é preciso que a 
veste esconda mais do que mostre. 
Embora haja certa variação em relação 
às épocas e localidades, há um limite a 
partir do qual uma veste será sempre 
imodesta e causará danos para os 
indivíduos e para a sociedade. Para esse 
tipo de veste (roupas de banho, 
minissaias, etc.) dizem os moralistas, é 
inválida a lei de que o que é comum e 
habitual não causa paixões. Pio XII dizia 
que “as vestes devem ser avaliadas não 
segundo a estimação de uma sociedade 
em decadência, mas segundo as 
aspirações de uma sociedade que preza 
pela dignidade e pela seriedade dos 
costumes.” Dizia também que “a moda 
não pode jamais ser uma ocasião 
próxima de pecado” (Discurso aos participantes do I Congresso de 
Alta Moda, 8/11/57). 
Esse limite é posto pelos joelhos e os ombros, que devem estar 
sempre cobertos, assim como deve estar coberto tudo o que se 
encontra entre os dois. 
É necessária a modéstia não porque o corpo seja mau em si, mas 
justamente por sua nobreza, porque ele é templo do Espírito Santo e 
por causa das feridas do pecado original. Adão e Eva se cobriram 
depois do pecado original e Deus os vestiu ainda mais: “Fez também 
 
7 
o Senhor Deus a Adão e a sua mulher umas túnicas de peles e os 
vestiu” (Gen. III, 21). 
No entanto, tal modéstia não consiste unicamente em não ser motivo 
de pecado para outros, mas também em vestir-se conforme ao 
próprio estado, às circunstâncias, ao grau de formalidade do lugar, 
da atividade e levando em conta a dignidade da pessoa com quem 
se está. 
São necessárias regras concretas, sobretudo hoje em que a 
onipresença de vestes imodestas impede o bom-senso de discernir 
o que é realmente modesto ou não. Regras abstratas conduziram ao 
estado de coisas em que nos encontramos hoje. Como já dito, o 
costume não pode tornar modesta uma veste em si imodesta. 
Ademais, ninguém é um bom juiz da própria causa, particularmente 
quando se trata de modéstia. 
No Ato de Desagravo ao Sagrado Coração, redigido sob as ordens 
do Papa Pio XI (AAS 20, p. 183, 1928), nós dizemos: “De todos estes 
tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-vos, 
mas particularmente da licença dos costumes e imodéstias do 
vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência […].” 
Possamos recitar tal ato com sinceridade, começando por nos vestir 
modestamente. Deus há de recompensar os esforços dos que se 
vestem modestamente e evitam assim o próprio pecado e o pecado 
do próximo. Os exemplos de Nossa Senhora, Virgem Puríssima, e de 
São José, seu castíssimo esposo, devem ser seguidos por aqueles 
que amam a Deus sobre todas as coisas. 
 
 
 
8 
SERMÃO: A MODÉSTIA NO VESTIR2 
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. Ave Maria… 
 
“Que cada um de vós saiba possuir o seu corpo em santidade e 
honra.” 
 
Nós, seres humanos, somos formados por corpo e alma. Estamos 
colocados entre os anjos, que são puro espírito e os seres puramente 
materiais. No homem, a alma e o corpo estão unidos, formando a 
própria essência dele. Evidentemente, essa união natural entre a 
alma e o corpo, querida por Deus, é algo bom. A alma precisa do 
corpo para realizar suas operações de maneira mais conveniente. A 
alma, para conhecer as coisas, precisa dos sentidos, da imaginação. 
São Tomás diz que nada está no nosso intelecto, a não ser que tenha 
passado antes pelossentidos. Todo o nosso conhecimento vem 
pelos sentidos. O corpo é, portanto, um bem para a nossa alma, um 
2 
 
 
2 Padre Daniel Pinheiro, IBP, Sermão para o Segundo Domingo da Quaresma, 24 de 
fevereiro de 2013; Texto extraído do site: 
https://missatridentinaembrasilia.org/2013/03/02/sermao-a-modestia-no-vestir/ 
 
9 
bem para o ser humano. A alma separada age de modo menos 
perfeito do que quando se encontra unida ao corpo e, por isso, ela 
deseja a ressurreição do corpo, após a morte. 
Todavia, é claro que a parte mais nobre do composto humano é a 
alma, parte espiritual, e que pode conhecer a verdade e amar o bem. 
É pela parte espiritual ou racional, quer dizer, pela inteligência e pela 
vontade, que nos distinguimos dos animais brutos. E no homem, 
como em todas as coisas, o inferior deve estar subordinado ao 
superior. Portanto, é a razão que deve dirigir as ações do nosso 
corpo, é a razão que, reconhecendo a nossa natureza e 
reconhecendo a natureza e a finalidade das nossas faculdades, deve 
ordenar todas as nossas ações. A ordenação dos nossos atos 
segundo a razão constitui a virtude. A virtude é, então, a ordenação 
dos nossos atos, de forma que eles sejam conformes à nossa 
natureza de animais racionais. 
Entre esses atos que devem ser ordenados pela razão estão os 
atos exteriores: as palavras, os gestos e também o vestir. A 
razão nos mostra com relação ao vestir que ele tem uma 
finalidade básica e principal, que nos é dada pela própria 
Revelação. Essa finalidade é a decência. 
 
Quando Deus criou Adão e Eva, os dois estavam em estado de graça 
e haviam recebido da bondade divina o dom da integridade. Isso 
significa que todas as suas paixões estavam plenamente 
subordinadas à razão. Não havia em Adão e Eva nenhuma desordem 
no campo da concupiscência e, por isso, não precisavam se vestir. A 
exposição do corpo entre eles, portanto, não era motivo para nenhum 
pensamento, desejo ou ato desordenado. Assim, a Sagrada Escritura 
diz que eles não se envergonhavam. 
 
10 
Deus fez, Ele mesmo, umas túnicas de pele e os vestiu. 
Todavia, nossos pais cometeram 
o pecado original, que foi um 
pecado de orgulho – que não 
teve nenhuma relação com o 
sexto mandamento, deixo claro. 
Ao cometerem o pecado original, 
a razão e a inteligência se 
revoltaram contra Deus e a 
faculdades inferiores e as 
paixões, que se encontravam 
plenamente submissas à razão, 
revoltaram-se contra ela. A 
Sagrada Escritura nos mostra claramente isso com relação ao corpo: 
os olhos de ambos se abriram e tendo conhecido que estavam nus, 
coseram folhas de figueira e fizeram para si cinturas. Todavia, essas 
poucas folhas de figueira não eram suficientes para evitar a 
desordem e Deus fez, Ele mesmo, umas túnicas de pele e os vestiu. 
 
Então, caros católicos, o corpo é em si mesmo bom e é a obra 
material mais perfeita que saiu das mãos do criador. A Igreja Católica 
reconhece a excelência do corpo e é a maior defensora da honra e 
da dignidade do corpo, pois ela reconhece o devido lugar do corpo, 
subordinado à alma. A Igreja reconhece a excelência do corpo ao 
ponto de não favorecer a cremação do corpo. Quem odeia o corpo 
são aqueles que não reconhecem o seu devido lugar, subordinado à 
alma. Quem odeia o corpo são aqueles que o colocam acima da 
razão e submetem a razão às paixões e usam o corpo de forma 
indevida. Ao longo da história, vemos que os que mais permitem 
 
11 
desordens com o corpo são os que o odeiam. Assim foi com os 
gnósticos e os cátaros, por exemplo. Essas heresias consideravam 
o corpo como intrinsecamente mau e, portanto, o entregavam a todo 
tipo de desordem, com a condição de que se impedisse a geração de 
uma nova vida, de um novo corpo. 
 
Hoje, é exatamente o que vemos em nossa sociedade. Ela exalta 
tanto o corpo porque o odeia. Ela não reconhece o lugar do 
corpo. Ela permite tudo ao corpo e todas as desordens, desde 
que uma nova vida não seja gerada. As pessoas passam a vida 
inteira submetendo-se ao corpo para, no final, queimá-lo, cremando-
o, com esse costume pagão que tem cada vez mais força entre nós. 
A Igreja respeita o corpo durante a vida da pessoa e reconhecendo 
a sua dignidade não vê com olhos favoráveis a cremação. Portanto, 
caros católicos, se alguém reconhece a bondade e a dignidade do 
corpo é a Igreja, que chega a proclamá-lo Templo do Espírito Santo, 
pois nossa alma, em que pode habitar o Espírito Santo, está unida 
ao corpo intimamente. 
Depois do pecado original, apesar de nosso 
corpo ser em si bom, devemos nos vestir, 
devemos esconder algumas partes do nosso 
corpo, a fim de não provocar nos outros 
maus pensamentos, maus desejos, maus 
atos em virtude das paixões desordenadas. 
Depois do pecado original, o pudor e a 
modéstia são indispensáveis. O pudor 
consiste na vergonha salutar no que toca ao 
sexto mandamento e que leva as pessoas a 
cobrirem as partes de seu corpo que podem 
 
12 
levar outras pessoas a caírem na impureza. Foi o que Deus fez com 
Adão e Eva, cobrindo-os com túnicas. A modéstia é a virtude que nos 
leva a ordenar nosso aparato exterior, em particular as vestes, a fim 
de que elas cumpram bem a finalidade delas: esconder certas partes 
do corpo. A primeira dessas finalidades é a decência. Para que uma 
veste seja chamada decente, ela deve cobrir aquelas partes do corpo 
que induzem o homem de virtude média ao pecado. Essas partes 
que devem ser absolutamente cobertas são aquelas que se 
encontram entre os joelhos e os ombros, incluindo os dois. Portanto, 
a roupa deve cobrir o joelho em todas as posições, inclusive quando 
se está sentado com as pernas cruzadas. As roupas devem ter 
mangas também e não basta cobrir os ombros com o véu quando se 
vem comungar. 
O Cardeal Vigário de Roma na época do Papa Pio XI diz que “um 
vestido não pode ser chamado de decente se é cortado mais que a 
largura de dois dedos sob a cova da garganta, se não cobre os 
braços pelo menos até os cotovelos, e se mal chega até um pouco 
abaixo dos joelhos. Além disso, os vestidos de materiais 
transparentes são impróprios…” A única coisa que se permite alterar 
aqui, e que é admitido por todos os sacerdotes de doutrina moral 
séria, são as mangas até os cotovelos, mas não se pode admitir a 
ausência completa de mangas. 
E para que vestir-se de modo diferente do que diz o Cardeal Vigário? 
Para que mostrar o nosso corpo? Para que atrair os olhares dos 
outros sobre nosso corpo? Isso só é lícito entre marido e 
mulher, em vista da procriação. Para que se mostrar para os 
outros? O que se ganha a expor o corpo aos outros? Isso lhe 
fará ganhar o céu? Ao contrário. Para que ser ocasião de pecado 
 
13 
para os outros? E não adianta dizer que, se o outro tem 
pensamentos ruins, a culpa é dele. Não. Nós somos 
responsáveis pela salvação das almas dos nossos irmãos. Ai 
daquele que é causa de escândalos, nos diz Nosso Senhor 
Jesus Cristo. 
 Tudo isso aqui se aplica 
sobremaneira à mulher, pois a mulher 
tem uma inclinação natural a buscar 
agradar o homem pelo seu aspecto 
físico e o homem tem uma inclinação 
natural a deixar-se levar por isso. 
Vemos isso claramente no livro do 
Gênesis, em que Eva é apresentada 
a Adão, que encontra nela agrado. Se 
essa inclinação permanece sóbria e 
moderada, dentro da modéstia, ela é 
algo bom. Se ela se torna excessiva 
pela indecência, pelo excesso de 
ornato ou pelo luxo no ornato, ela se torna ruim. Desse modo, a 
modéstia não é sinônimo de deselegância. A modéstia não se 
opõe à elegância. A elegância é perfeitamente bem-vinda, desde 
que seja modesta e sem excessos, sem atrair para si os olhares. 
Alguns pretendem dizer que a moda indecente já é tão comum 
que ela não provoca mais as paixões desordenadas. Isso é falso. 
A partir de certo ponto, dizem os moralistas, as vestes indecentes 
sempre trarãoprejuízo para o pudor, para a pureza. Esse limite é 
 
 
14 
justamente os ombros e os joelhos, que devem estar sempre 
cobertos. E ainda que as modas indecentes não conduzissem ao 
pecado contra o sexto mandamento, o cristão não deve se 
contentar com os padrões de uma sociedade decadente, 
corrompida e neo-pagã. Os 
jesuítas não se contentaram com a 
ausência de vestes dos índios, 
embora os índios estivessem 
habituados a isso. Eles mudaram a 
maneira de vestir dos indígenas. 
Em virtude da união que existe entre 
a alma e o corpo que falamos mais 
acima, as vestes têm duas funções 
importantes. Primeiramente, a veste 
é reflexo da alma da pessoa. 
Portanto, se vestir mal reflete uma desordem espiritual, interior. Por 
outro lado, nossas ações exteriores e, consequentemente, nossas 
vestes têm uma influência em nossa alma. Assim, por exemplo, rezar 
de joelho ou rezar de pé criam disposições distintas em nossa alma. 
Roupas indecentes geram na alma consequências prejudiciais com 
relação à pureza e levará a um jeito de se comportar indecente: a um 
jeito de andar, de sentar, de falar que não convém. Por outro lado, 
roupas modestas levam a alma a se resguardar melhor contra os 
pecados opostos ao sexto mandamento. As roupas decentes criam 
na alma uma disposição que leva a pessoa a andar, a sentar, a falar 
de um modo que convém para cristãos. 
Na segunda-feira de Carnaval falamos aqui da luxúria e de suas 
consequências graves para a sociedade. Em particular, vimos que a 
 
15 
luxúria conduz ao amor de si mesmo, ao ódio a Deus. Vimos que a 
luxúria conduz ao apego à vida presente e ao desespero das coisas 
do alto. Vimos que a luxúria mata não só a alma daquele que a 
comete, mas destrói também a sociedade, como falamos na ocasião. 
Como chegamos nessa sociedade em que tudo, praticamente, se 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
move pela luxúria? Uma das principais causas é a falta de modéstia 
no vestir. A modéstia é a guardiã da castidade. Sem a modéstia não 
há castidade. Sem castidade, não há amor a Deus. Por mais que a 
intenção da pessoa não seja ser objeto do olhar das outras pessoas, 
ela será e será ocasião de pecado, se ela se veste indecentemente. 
Uma boa intenção não é suficiente para tornar uma ação ruim, boa. 
 
16 
Assim, vestir-se imodestamente por que está calor, por exemplo, não 
se justifica. 
Portanto, caros católicos, é 
preciso usar vestes modestas. 
Espero que todos tenham 
entendido e comecem agora a 
seguir plenamente esses 
ditames. Se não 
compreenderam, passem a 
seguir por obediência ao 
sacerdote. A obediência também 
é uma virtude excelente. E, para 
deixar claro, as regras de 
modéstia não se resumem à 
Igreja. Essas regras de modéstia 
devem ser observadas sempre e em todo lugar. Repitamos: 1) As 
vestes devem cobrir tudo o que está entre os joelhos e os ombros, 
incluindo joelhos e ombros, e em qualquer posição (de pé, sentado, 
ajoelhado). As vestes devem, portanto, possuir mangas e devem ser 
sem decotes. 2) As vestes não devem ser transparentes nem em tom 
de pele e 3) não devem ser apertadas ou coladas ao corpo. Será 
necessário um grande esforço, um grande desapego. Mas ele é 
necessário. E Deus nos dá as graças para fazê-lo. E será grande a 
recompensa de quem praticar a virtude do pudor e da modéstia, tão 
esquecidas, mas tão essenciais para uma vida católica. 
Aproveitemos o tempo da quaresma. Ele é muito propício aos 
esforços. Deus saberá recompensar esse ato de caridade da pessoa 
para consigo mesma e para com o próximo. 
 
17 
A modéstia é também vestir-se em conformidade com o próprio 
estado, com as circunstâncias, com o grau de formalidade do lugar, 
da atividade e levando em conta a dignidade da pessoa com quem 
se está. Assim um sacerdote que aparece em público sem a batina 
ou o hábito clerical – contrariando, aliás, o Direito Canônico – comete 
uma falta contra a modéstia, pois não se veste conforme ao seu 
estado. Em geral, como católicos, devemos nos vestir conforme ao 
nosso estado de católicos. Portanto, como pessoas que levam a vida 
à sério, buscando agradar a Deus. 
Evitem-se, então, as roupas desleixadas, com símbolos pagãos, com 
inscrições contrárias à religião, etc. Sobretudo na Igreja é 
indispensável observar a modéstia também nesse ponto. A roupa 
deve ser adequada àquilo que há de mais importante na face da 
Terra: a Casa de Deus, sobretudo quando nela se realiza o Santo 
Sacrifício da Missa. A pessoa 
deve, então, vestir-se com 
dignidade para ir à Missa, 
evitando vestes demasiado 
informais. Particularmente, 
sejam abolidas as vestes que 
contenham desenhos (de 
animais, de pessoas etc) ou 
alguma mensagem escrita, 
mesmo para as crianças. 
Também não sejam usadas 
roupas com personagens de 
desenho, com frases escritas, 
camisetas de times de 
 
18 
futebol, calças rasgadas, bermudas, moleton, etc. Nada disso condiz 
com a santidade e a dignidade do lugar. Não se deve, porém, cair no 
erro oposto. Dignidade com simplicidade e sem exageros. 
É próprio da virtude da modéstia também que homens e mulheres se 
vistam de forma a diferenciar o sexo de cada um e de forma a exprimir 
o papel de cada um na sociedade. As vestes semelhantes de homens 
e mulheres causam muitos danos às próprias pessoas e à sociedade. 
Como disse, as vestes exprimem uma disposição da alma e terminam 
também influenciando o nosso comportamento. Se homens e 
mulheres se vestem igualmente, haverá um grande problema. E esse 
problema nós vivemos hoje. Os homens são cada vez mais 
efeminados. As mulheres cada vez mais masculinizadas. O 
homossexualismo se difunde. Portanto, é preciso haver diferença na 
maneira de vestir do homem e da mulher e que essa maneira seja 
clara e modesta. E isso não só na Igreja, mas em todos os lugares. 
As vestes imodestas ofendem ao Sagrado Coração de Jesus e por 
isso dizemos no Ato de Desagravo ao Sagrado Coração: “queremos 
nós hoje desagravar-vos, particularmente da licença dos costumes e 
imodéstias do vestido, de tantos laços de corrupção armados à 
inocência […].” Nossa Senhora de Fátima também insiste na 
Modéstia, ao ponto de a letra da música de Nossa Senhora de Fátima 
nos lembrar disso. Diz a letra: “Vesti com modéstia, com muito pudor, 
olhai como veste a Mãe do Senhor!” Eis o nosso modelo para a 
modéstia no vestir: Nossa Senhora, para as mulheres, e São José, 
para os homens. 
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém. 
 
 
19 
O PIEDOSO USO DO VÉU3 
Hoje em dia muito se discute 
se é ou não permitido que a 
mulher use o véu dentro da 
Igreja. Porém, a pergunta 
correta acerca do uso do véu 
seria: é ainda obrigatório para 
a mulher o uso do véu dentro 
da Igreja? Esta sempre foi a 
disciplina da Igreja atestada 
ao longo de dois mil anos. A 
última vez que a Igreja se 
manifestou a esse respeito foi 
em 1917, no Código de Direito 
Canônico, conhecido como 
Pio Beneditino. O Cânon 1262 dizia que: 
“Os varões na igreja ou fora da Igreja enquanto assistem os sagrados ritos 
estejam com a cabeça descoberta, a não ser que os legítimos costumes dos 
povos ou as circunstâncias peçam diversamente.” 
Quanto aos costumes é possível citar os Bispos que usam mitra ou 
os padres que usam o barrete, e quanto às circunstâncias poderiam 
ser citadas as celebrações ao ar livre, sob um sol causticante ou 
ainda sob a chuva. Nesses casos, permitia-se a cabeça coberta para 
os homens.3 
 
3 Padre Paulo Ricardo, A Resposta Católica nº 143: É permitido o uso do 
véu na Igreja?; Texto extraído do site: 
https://padrepauloricardo.org/episodios/e-permitido-o-uso-do-veu-na-
igreja. 
 
20 
As mulheres, por sua vez, "estejam com a cabeça coberta e 
vestidas modestamente, especialmente quando se aproximam 
da mesa do Senhor", é o que diz o mesmo Código. 
O uso do véu para as mulheressempre foi uma obrigação unânime 
ao longo dos séculos. Escritos dos Santos Padres já dão notícia 
dessa disciplina e a própria Sagrada Escritura. Essa tradição 
continuou ao longo de toda a Idade Média, nos escritos de Santo 
Agostinho, ainda que ele não tenha se manifestado enfaticamente 
sobre o tema. 
Recentemente, nasceu a ideia de que o uso do véu estaria ligado à 
cultura do local e que poderia ser deixado de lado, já que não está 
enraizado na natureza humana, mas seria tão somente uma 
circunstância cultural descartável. Seja como for, atualmente, não 
existe a obrigação canônica do uso do véu. O Código de Direito 
Canônico reformado por João Paulo II não traz o cânon mencionado. 
 
21 
 
O Cardeal Raymond Burke, presidente da Assinatura Apostólica, 
respondendo à pergunta de uma fiel sobre a obrigação do uso do 
véu, afirma que não existe a obrigação, mas se a pessoa vai 
participar do rito extraordinário seu uso seria muito pertinente, pois 
este rito possibilita uma expressão ritual mais adoradora que o rito 
ordinário. 
A raiz teológica do uso piedoso do véu está na I Carta de São Paulo 
aos Coríntios, no Capítulo 11, versículos 2 a 16. São Paulo fala 
claramente sobre a obrigação do véu e o que se nota no restante do 
texto é que em toda a sua argumentação, São Paulo sempre 
relaciona a cobertura da cabeça da mulher com a glória. 
"A própria natureza não vos ensina que para o homem é vergonhoso 
deixar o cabelo crescer, ao passo que para a mulher é honroso ter 
os cabelos compridos?" (14-15), nesse trecho, São Paulo 
demonstra que não se trata apenas de algo cultural, mas de algo 
 
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natural. É próprio do feminino a elegância, a busca da expressão da 
beleza interior pelo cuidado e zelo com a aparência exterior. Da 
mesma forma, é tipicamente feminino o cuidado com os cabelos. 
Diante disso, a mulher cobrir sua cabeça no momento dar glória 
a Deus é esconder a sua própria reverenciando Aquele que 
merece toda a glória. Usar o véu em atenção aos anjos, como diz 
São Paulo, significa que ela está participando de um culto de 
adoração a Deus juntamente com os anjos. Todas as criaturas, 
homens, mulheres e anjos, se prostram diante de Deus para adorá-
lo e, nesse momento, todas elas devem esconder sua glória e dar 
glória a Deus. Cobrindo a cabeça, a mulher realiza isso de forma 
visível e ritual. 
Portanto, não existe obrigação canônica para o uso do véu. O que 
existe é uma longa 
tradição que insere a 
mulher num espírito de 
ritualidade e adoração, 
fazendo com que diante 
de Deus ela esconda a 
própria beleza, a própria 
glória para dar glória à 
beleza de Deus. 
De forma prática, o uso do véu requer prudência. Sobre ele recai a 
pecha de ser obsoleto, tradicionalista, contrário à dignidade da 
mulher, mas, embora seja justamente o contrário, é importante que a 
pessoa aja com prudência, principalmente se exercer na paróquia 
alguma função, como ministra extraordinária, catequista etc. Não se 
 
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deve por em risco a oportunidade de prestar um grande serviço a 
Cristo. 
Contudo, se a pessoa não está engajada e sente o desejo de usar o 
véu, que seja corajosa e use, ainda que sozinha. Em muitos casos 
semelhantes o que se viu foi que outras mulheres se interessaram 
por essa piedade e, após a devida instrução passaram a praticá-la. 
De qualquer forma, o uso do véu é uma disciplina que, ao longo do 
tempo, santificou muitas mulheres e diante do mundo secularizado e 
imodesto que se vive hoje ensinar as meninas desde pequenas a 
usar o véu pode resultar em frutos excelentes nas próximas 
gerações. 
OBS: Sempre foi tradição da Igreja no Brasil as moças solteiras 
usarem o véu branco, como sinal de pureza. E as casadas podem 
usar o véu preto. Porém não é regra estabelecida, nada impede que 
a casada por exemplo, use um véu na cor cinza, ou bege (o branco 
para casadas não é adequado). Até mesmo cores como azul claro, 
ou rosa podem ser usados (sempre usando o bom senso e com 
cautela).

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