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7 A LEGISLAÇÃO E AS POLÍTICAS PÚBLICAS QUE REGEM O EJA RESUMO A educação de jovens e adultos é uma modalidade de ensino, da Educação básica do País. Essa modalidade é destinada a jovens e adultos que não deram continuidade em seus estudos e para aqueles que não tiveram o acesso ao ensino fundamental e médio na idade apropriada. O EJA é o novo nome do antigo supletivo, seu papel é garantir que os alunos passam a ser alfabetizados, trabalhando a auto-estima, conquista do aluno, valorizando o seu saber. Além de garantir a educação para todos, também é função das políticas públicas avaliar e ajudar na melhoria da qualidade do ensino do País, e são ligadas todas as medidas e decisões que são tomadas pelo governo em relação ao ensino. O papel da escola junto à sociedade é de cuidar da educação dos indivíduos. O EJA é uma conquista da sociedade brasileira, o seu conhecimento como um direito humano vem se dando de maneira gradativa ao longo do século passado. Palavras-chave: EJA. Jovens e Adultos. Direitos e Deveres. 1 INTRODUÇÃO A educação de Jovens e Adultos representa uma possibilidade capaz de contribuir para efetivar a formação escolar e o desenvolvimento das pessoas em qualquer idade. Planejar esse processo é uma grande responsabilidade social e educacional, cabendo ao professor, no seu papel de mediar o conhecimento, uma base sólida de formação. A Educação de Jovens e Adultos tem sustentado, durante muitos anos, uma história marcada por estratégias de enfrentamento ao analfabetismo e à baixa escolaridade da população brasileira que vive em zonas de vulnerabilidade. Os estudos disponíveis parecem sugerir que muitos jovens e adultos que procuram ou se encontram nessa modalidade de ensino são advindos das classes populares, pertencentes a famílias que ocupam as margens da sociedade. Alfabetizar pessoas jovens e adultas não é um ato apenas de ensino – aprendizagem é a construção de uma perspectiva de mudança. No inicio da história da educação brasileira, época da colonização, as poucas escolas existentes estavam disponíveis para a classe média e alta. Nessas famílias os filhos possuíam acompanhamento escolar na infância, não havia a necessidade de uma alfabetização para jovens e adultos, as classes pobres não tinham acesso a instrução escolar e quando a recebiam era de forma indireta. 2 A ORIGEM DO EJA (EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS) O EJA (educação para jovens e adultos) é um projeto que visa levar educação a todos, sendo aqueles que muitas vezes não tiveram oportunidades para iniciar ou concluir seus estudos; Assim sendo a educação para jovens e adultos diminui drasticamente o número de analfabetos, mostrando a essas pessoas uma nova perspectiva de vida, ampliando seus horizontes; A educação de jovens e adultos é toda educação destinada àqueles que não tiveram oportunidades educacionais em idade própria ou que tiveram de forma insuficiente, não conseguindo alfabetizar-se e obter os conhecimentos básicos necessários. (PAIVA, 1973, p.16) A educação para jovens e adultos tem início na era colonial, onde catequizaram os indígenas; A educação desta época era voltada ao ensinamento de trabalhos braçais, manuais, onde eles realizavam este trabalho, para assim ocorrer normalmente a atividade econômica colonial; Toda a educação desta época era de responsabilidade da igreja e não do estado. A educação escolar no período colonial, ou seja, a educação regular e mais ou menos institucional de tal época, teve três fases: a de predomínio dos jesuítas; a das reformas do Marquês de Pombal, principalmente a partir da expulsão dos jesuítas do Brasil e de Portugal em 1759; e a do período em que D. João VI, então rei de Portugal, trouxe a corte para o Brasil -1808- 1821(GHIRALDELLI JR.,2008, pg.24) Os jesuítas eram os responsáveis pela educação desta época, foram eles fundaram colégios; A educação jesuíta era voltada não apenas ao conhecimento cientifico, mas sim para disseminar sua religião; Quando os Jesuítas foram expulsos, iniciou-se o período pombalino, onde a educação passou a ser dever do estado, e não mais da igreja. Foi em 1940 que que o EJA passou a ser uma política pública, daí em diante a educação para jovens e adultos tomou uma proporção maior, e foi reconhecida, assim passou a ser uma modalidade obrigatória no ensino público, onde todas as pessoas tem o direito de estudar, independente da sua idade ou da sua situação econômica. 2.1 LEIS QUE REGEM O EJA Todos temos direito a educação, e foi com a Constituição de 1988, a LDB 5.692/71 e com a LDB 9.394/96 ,que a EJA, passou a ser uma modalidade de ensino vinculada a educação básica. A Lei 5.692 de 1971 teve um ponto favorável sobre ensino de 1º e 2º graus, que foi a implantação e regulamentação do ensino supletivo, mesmo com proteção da ditadura militar. A preocupação com os professores para essa modalidade de ensino era e continua sendo grande, e essa preocupação tem o esclarecimento na própria lei,em seu capítulo V, artigo 32 ,onde diz que o docente do ensino supletivo, terá que ter preparo adequado com as características especiais desse tipo de ensino, de acordo com as normas estabelecidas pelos Conselhos de Educação. Ainda nos dias atuais a formação do professor dessa modalidade necessita de investimento e atenção, para iniciação e continuidade. A nomenclatura EJA foi adquirida com a LDB 9.394/96 depois da lei 5.692/71 que era conhecido como ensino supletivo, que com esse termo só tinha o conceito de instruir os jovens e adultos, quando mudado a nomenclatura para Educação de Jovens e Adultos, se tornou muito mais amplo e compreendeu diversos processos de formação. Fora as leis que regem a EJA, foram elaborados pareceres e resoluções para a mesma, que será apresentado alguns deles: O Parecer 05/97 do Conselho Nacional de Educação define os limites de idade fixados para que jovens e adultos se submetem a exames supletivos, define as competências dos sistemas de ensino e explicita as possibilidades de certificação. Outro Parecer importante é o CNE/CEB nº11/2000 que reestrutura o Ensino Supletivo e o denomina Educação de Jovens e Adultos, cuja configuração estabelece as funções reparadora, equalizadora e qualificadora. Uma resolução bem importante sobre a EJA é a Resolução CNE/CEB nº 1, de 5 de julho de 2000, que define as diretrizes curriculares nacionais para EJA. A EJA precisa de atenção e inovação para se fazer presente em nosso país, para garantia de um futuro melhor para a nova geração que está por vir 2.2 AS POLÍTICAS PÚBLICAS QUE REGEM O EJA A educação está assegurada na Constituição Federal de 1988 no art.6º, como direito social, e no art.205, como direito de todos e dever do Estado. Ademais, com mais especificidade no que diz respeito à educação, no art.208, I, CF/1988 está expressa a obrigatoriedade de matrícula e a garantia de acesso gratuito á educação básica, dos 4 aos 17 anos, bem como aos que não tiveram oportunidade de frequentar a escola na idade própria. A educação de adultos começou a ganhar espaço no Brasil por volta da década de 1930, período da consolidação de um sistema público de educação de um sistema público de educação elementar no pais. A Constituição Federal de 1988 estendeu o direito do ensino fundamental aos cidadãos de todas as faixas etárias, o que implicou na necessidade de ampliar as oportunidades educacionais para os que ultrapassavam a idade de escolarização regular. Dessa forma, a qualificação pedagógica de programas de educação de jovens e adultos tornou- se uma exigência e uma necessidade de justiça social. Nos anos de 1990 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional(LDB9394/1996) a EJA passou a ser uma modalidade da Educação Básica e foi garantido por lei o atendimento aos jovens e aos adultos que não tiveram acesso ou que não deram continuidade aos estudos na idade apropriada no sistema regular. Para a EJA foi proposta a ampliação da atuação para proporcionar a formação educacional básica e o combate ao analfabetismo. A Política Nacional de Educação de Jovens e Adultos, a Educação Profissionale a Geração de Emprego e renda. Uma política voltada não só para o jovem, mas também para os adultos que não tiveram acesso a escola ou que não concluíram na idade apropriada sua escolarização. A criação de uma secretaria responsável pelas políticas direcionadas ás populações excluídas, a Secretaria de Educação Continuada, alfabetização, Diversidade e Inclusão(SECADI). Esta secretaria tem os programas: PBA-Programa Brasil Alfabetizado, PNLDEJA Programa Nacional do Livro Didático para a Alfabetização de Jovens e Adultos, Projovem, Educação em Prisões, Projovem prisional. Programa Brasil Alfabetizado do MEC surgiu em 2003, Lei nº 10.880/2004, sendo parte integrante das medidas de combate à pobreza. ENCCEJA é uma iniciativa do Governo Federal que consiste em um exame voluntario e gratuito para aferição de habilidades e competências dos jovens e adultos residentes no Brasil e no Exterior que não tiveram a oportunidade de concluir os estudos na idade própria, visando a certificação do Ensino Fundamental. A certificação do Ensino Médio é feita pelo ENEM. Programa Nacional de Integração da Educação Básica com a Educação Profissional na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos(PROEJA). A Lei11.741/2008 alterou a LDB(Lei 9.394/1996) para inserir em seu art.37º:”A educação de jovens e adultos deverá articular-se preferencialmente, com a educação profissional, na forma do regulamento. A resolução CNE/CEB nº 02/2010 estabeleceu as Diretrizes Nacionais para a Educação para Jovens e Adultos em situação de Privação de Liberdade nos Estabelecimentos Penais. Plano Nacional de Ensino(PNE) tem que articular o sistema nacional de educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvolvimento do ensino. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA nasceu para fazer cumprir a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº9.394/96,que contempla a “Educação de Jovens e Adultos” a lei determina: Art.1º.A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. Art.4º.O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: Oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. A EJA é também é compreendida como parte do ensino fundamental e médio. CONCLUSÃO Ao estudar a legislação de EJA, percebemos que ela está num estágio de transição, saindo de uma etapa em que a modalidade conta apenas com a utilização de bibliografia e do esforço individual dos profissionais da área, partindo para uma etapa de estudo e reflexão para futuras mudanças. Com base nesse estudo, pudemos concluir que toda a teoria sobre a EJA, que perpassa décadas na história da educação, ainda continua carecendo de um estudo mais aprofundado para que prática se aproxime da teoria. A formação de professores para as classes da EJA é fundamental para que os mesmos possam refletir sobre sua prática e criar estratégias para modificar essa prática descontextualizada e, por fim, poder contar com a disposição, boa vontade e entusiasmo dos professores em assumir esse compromisso de mudança, para que esse espírito de transformação contagie e motive os educandos das classes da EJA, para que os mesmos também lutem para ser partícipes de uma prática educativa coerente com a realidade cultural por eles vivenciada. Tendo em vista, que a modalidade da Educação de Jovens e Adultos objetiva formar cidadãos críticos e participativos para sua inserção na sociedade atual, sociedade esta, complexa pelo avanço tecnológico e pelas mudanças no campo do trabalho se faz necessário, uma revisão curricular da EJA que venha a atender de forma específica as necessidades daqueles que a procuram. Para tanto, se faz necessário a qualificação dos profissionais atuantes na referida modalidade. REFERÊNCIAS https://www.colegioweb.com.br/curiosidades/educacao-para-jovens-e-adultos-eja.html, Educação para Jovens e Adultos. Acesso em: 19/10/2019 https://pedagogiaaopedaletra.com/historico-da-eja-no-brasil/, Historico do EJA no Brasil. Acesso em: 19/10/2019 PAIVA, Vanilda Pereira. Educação popular e educação de jovens e adultos. Rio de Janeiro: Edições Loyola, 1973 GHIRALDELLI JUNIOR, Paulo. História da educação brasileira/Paulo Ghiraldelli