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Conceitua-se como um processo de 
mudança urbanística (social urbana), em 
que determinadas áreas da cidade são 
transformadas tanto morfologicamente, 
quanto socialmente, dentro de um 
determinado recinto. Geralmente, nos 
espaços centrais, que são ocupados pela 
classe trabalhadora, as mudanças são mais 
nítidas de se observar, haja vista que as 
transformações nesses locais alteram 
radicalmente sua fisionomia e seu 
significado. Prova disso são os velhos 
imóveis de cidades em que, através da 
intervenção do homem (com obras), são 
reabilitados, renovados e ocupados por 
uma população de classe média que, por 
sua vez, desenvolve-se tanto 
economicamente, como culturalmente na 
região. 
O que é gentrificação?
Outro exemplo é o shopping Praça Nova, localizado na cidade gaúcha de Santa 
Maria, onde a área, antes da construção, era uma região com um desenvolvimento 
basicamente zero, sem fontes de lucro e de desenvolvimento. Entretanto, com a 
construção do complexo de vendas, a localidade passou a ter um demasiado 
crescimento e desenvolvimento econômico, principalmente. Muito disso deve-se 
ao fato de que a junção de diversas lojas, muitas delas, que possuem filiais pelo 
Brasil todo, estimularam esse crescimento e valorização da área
Ademais, a gentrificação não influencia apenas no contexto econômico 
da região. Essa transformação, que ocorre em determinada área, acaba 
proporcionando também, influencias culturais, integradoras 
(segregação) e no determinado espaço. 
A gentrificação basicamente trata-se de um conjunto de medias urbanísticas que 
expulsa a população pobre de determinada região para dar lugar à classe alta (ricos). 
Por consequência disso, o espaço é influenciado de maneira direta. O transito é 
aumentado devido ao grande contingente de prédios de alto calão que são 
construídos, colocando grande contingente de carros particulares circulando em um 
mesmo metro quadrado. Além disso, outro fator influenciado por esse processo 
social cultural é a superlotação dos transportes públicos devido ao alto preço dos 
alugueis dos prédios na região central, o que ocasiona no deslocamento de pessoas 
de baixa renda para regiões periféricas da cidade, distanciando-se cada vez mais de 
seus respectivos empregos.
Ou seja, por mais que a gentrificação promova um crescimento e desenvolvimento 
econômico nas regiões centrais, ela fere fortemente os direitos a moradia que está 
posto no artigo 6 dos direitos humanos, haja vista que a população pobre, em 
contrapartida à classe alta, acaba prejudicando-se devido a essas transformações nas 
cidades.
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Principal teórico: David Lay com o artigo “Liberal Ideology and the-
industrial city” publicado em 1980
Eram três os principais pontos de sua tese, fazendo referência à 
economia, à cultura e à política 
Em primeiro: 
Blue collar (classe trabalhadora que normalmente realiza trabalho 
manual), White collar (Trabalhador administrativo, escritórios)
Passagem do período industrial para o pós-industrial 
Perda de relevância da mão de obra não qualificada 
O aumento do uso de tecnologias 
Mudança de uma sociedade produtora de bens materiais para uma 
produtora de serviços 
Em segundo: 
Papel ativo dos governos
Tomada de decisões não seriam apenas uma questão de mercado, e 
sim política 
Em terceiro: 
Uma nova classe social, service class
Dava mais importante à estética e ao individualismo 
Provável que essa nova classe surgisse em cidades como Londres, São 
Francisco ou em Glasgow ou Cleveland, por sua localização claramente 
urbana, grandes cidades e áreas metropolitanas 
Número crescente de residências de dimensões reduzidas nas 
áreas mais centrais das cidades 
A criação de entornos atrativos seria ao mesmo tempo causa e efeito 
do processo 
A participação em comunidades socialmente diversas e densas, 
com a possibilidade de uma multiplicidade de contatos sociais e de 
acesso a uma extensa oferta de atividades lazer e cultura
Revitalização das áreas centrais das cidades e a presença de entornos 
O que é especulação imobiliária?
É o ato de investir em bens imóveis – casas, edifícios, salas comerciais ou terrenos 
– com expectativa de obter lucros acima da média, através da venda ou aluguel, em um 
momento futuro.
O lucro obtido não é decorrente de investimentos feitos pelo proprietário em seu 
imóvel ou do uso que lhe é dado, mas sim de um aumento nos preços do solo urbano.
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Como funciona?
Diversos fatores afetam o preço de um terreno ou imóvel, como sua localização e a 
infra-estrutura disponível. Além disso, há o próprio crescimento demográfico da região, 
que modifica a relação entre a oferta e a procura. Isso significa que, quanto mais 
pessoas tiverem interesse em viver ali, maiores tendem a ficar os preços, uma vez que a 
quantidade de terrenos e imóveis possui um crescimento limitado.
Quais as consequências?
Como se criam áreas suscetíveis ao processo, 
ou seja, aquelas áreas com potencial de 
geração de lucro e sob quais condições?
Neil Smith – teoria do rent gap: que focava na relação entre o valor da terra e do 
imóvel e em como o desinvestimento produziria a possibilidade de reinvestimento 
de capital.
 século XIX: 
cidades tinham uma 
estrutura de valor 
da terra que seguia 
a forma de cone, 
com um ponto 
máximo no centro e 
uma pendente 
negativa em direção 
à periferia. 
 Com o 
crescimento 
urbano, a base do 
cone ia se 
ampliando 
enquanto o centro 
crescia em valor.
 A partir da virada do século 
deu-se uma suburbanização da 
indústria. Esse fato foi seguido 
pela migração de capitais para 
a construção residencial. 
Então, a desvalorização do capital nos centros urbanos seria o fator que criaria a 
oportunidade para o reinvestimento, e a chave desse processo é a relação entre valor da terra e 
do imóvel. 
Para explicar isso, Neil separou esses dois conceitos em quatro categorias:
 Valor da residência: depende da quantidade de trabalho necessário; da sua desvalorização 
produzida pelo uso e da revalorização resultante de investimento em reformas e manutenção.
 Preço de venda: inclui o valor e a renda da terra.
 Renda da terra capitalizada: parte da renda apropriada pelo proprietário de acordo com o uso 
que a terra tem quando o imóvel é vendido. 
 Renda potencial da terra: a terra atual pode ter uma quantidade limitada de renda, mas por 
fatores como a localização, a área pode ser capaz de capitalizar uma quantidade maior se mudar 
seu tipo de uso.
Com isso, Neil explica o processo de degradação física e econômica dos bairros centrais 
urbanos:
A partir do momento em que um bairro é construído, o preço das moradias reflete o valor 
do imóvel mais a renda da terra apropriada pelos proprietários. 
PRIMEIRO CICLO DE 
USO DO IMÓVEL:
Renda da terra ↑
Valor do imóvel ↑ 
Valor do imóvel ↓ 
Desvalorização 
Avanços na 
produtividade do 
trabalho
Bairros com 
locação como 
regime de 
propriedade
Desinteresse pela 
manutenção
Difícil 
comercialização das 
propriedades 
Abandono, pois a 
renda não cobre os 
gastos gerados pela 
edificação.
Sobra capital para 
investimento em 
outras atividaes ou 
áreas da cidade
Bairros em 
degradação 
Venda da 
propriedade e 
investimento em 
outro mais seguro
Nessa ocasião vale o que Neil denominou de rent gap:
“A lacuna de renda é a diferença entre a potencial renda do solo e a renda 
real do atual uso da terra. A lacuna de renda é produzida principalmente pela 
desvalorização do capital e pelo desenvolvimento e expansão urbanos contínuos.
A gentrificação ocorre quando a lacuna é suficientemente ampla para que os 
desenvolvedores possam comprar estruturas a baixo custo, pagar os custos e o 
lucro da construtora, pagar juros sobre empréstimos para construção e vender o 
produto final por um preço de venda que deixe um retorno satisfatório. Assim, a 
vizinhança é "reciclada" e começa um novo ciclo deuso.”
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Já nos anos 1980, começou a se tornar comum dentre os 
pesquisadores a ideia de que os tipos de análise, cultural e 
economicista, eram importantes no momento da realização das 
pesquisas sobre a gentrificação, sendo necessária uma integração 
entre elas.
Como destacava o geógrafo Chris Hamnett, a aproximação 
entre as posturas ficava mais evidente com a aceitação por parte de 
Neil Smith, de integrar o consumo a sua interpretação da 
gentrificação, mesmo de maneira específica pelo fato de considerar 
mais importante o fator econômico.
Uma das primeiras pesquisas a tentar o enfoque integrador foi a de Sharon 
Zukin, seu trabalho apresentava a relação entre acumulação econômica e cultural a 
partir do uso e da preservação da histórica, que começou sendo um exemplo 
minoritário de reconversão de usos e adaptação da velha forma urbana a um novo 
uso e acabou se tornando parte destacada no mercado residencial.
O trabalho de Sharon e o de Neil foram considerados muito próximos, já 
que a cultura era interpretada em termos de mercado e também eram mais 
próximos da tese culturalista, destacando o papel da demanda. As diferentes 
leituras do trabalho de Zukin mostram a dificuldade em conseguir o enfoque 
integrador sem sacrifício para alguma das interpretações já que a causa da 
gentrificação teria que decidir por apenas uma das causas.
A integração dos dois enfoques proposta, busca um ponto médio entre 
ambas as posições sem negar nenhuma delas por completo, mesmo não tendo um 
ponto médio para todas as situações, temas e estudos de caso. Esse ponto é 
decidido pelo momento e pela pessoa que estuda o caso.
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Principais teóricos: Neil Smith, David Ley e Chris Hamnett
A integração dos três enfoques: Economista, Cultural e Integrador.
Economista: Porcesso de produção rent gap e da classe média, 
que constitui a oferta e a demanda no processo de gentrificacao, 
apropiacao do lucro nos centros urbanos, o capital se desloca do 
primário de produção para o secundário de investimento em capital fixo e 
também para o terciário como investimento em ciência e tecnologia, 
buscando novas formas de obtenção de lucro. A crise econômica fechou 
um período caracterizado por um maciço investimento territorial, e a 
mesma forcou a mudança e a transição para uma nova etapa de 
acumulação caracterizada. O reflexo na estrutura trabalhista foi a 
desregulamentação do mercado de trabalho, coincidente com o 
processo de terceirização econômica, favoreceu o aumento de mao de 
obra qualificada e paralelamente forte demanda pouco especializada.
Cultural: Porque as áreas centrais da cidade, que durante tanto tempo não haviam 
sido atraentes para a classe média, agora são? E porque essa nova classe média 
exerce uma demanda sobre áreas centrais da cidade?
A gentrificacao se basearia no surgimento de uma nova classe media originada da 
reorganização do mercado de trabalho, caracterizada por sua boa posição 
econômica e por seus novos modelos de consumo, incluindo os residências.
Integrador: Durante os anos 80, se fazia necessária uma complementaridade ou 
integração entre economia e cultura, para realizar pesquisas sobre gentrificacao, o 
reconhecimento de uma nova classe media.
1 – Como é a adaptação das populações que 
sofreram gentrificação?
2 – Como melhorar espaços periféricos das 
cidades, sem deslocar a população?
3 – Qual a diferença entre gentrificação e projeto 
de revitalização urbana?
4- Como conciliar o desenvolvimento com a 
condição economica da população local?
Referências: 
Sergi Martinez i Rigol: “A GENTRIFICATION: CONCEITO E MÉTODO”
https://www.youtube.com/watch?v=5CE4C34BbYk (canal repórter Brasil- Arquitetura da gentrificação).
https://www.google.com/search?q=predios+de+alto+calao+em+sao+paulo&rlz=1C1OKWM_pt-
BRBR836BR836&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwil3YDr-
azhAhVUI7kGHeD5BBEQ_AUIDigB&biw=1366&bih=576#imgrc=it3xaY_oAuf3uM:
http://1.bp.blogspot.com/-
http://thecityfixbrasil.com/2016/07/19/placemaking-x-gentrificacao-a-diferenca-entre-revitalizar-e-elitizar-um-
espaco-publico/
https://tab.uol.com.br/gentrificacao/
https://gentrificacao.reporterbrasil.org.br/
https://www.youtube.com/watch?v=5CE4C34BbYk
https://www.google.com/search?q=predios+de+alto+calao+em+sao+paulo&rlz=1C1OKWM_pt-BRBR836BR836&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwil3YDr-azhAhVUI7kGHeD5BBEQ_AUIDigB&biw=1366&bih=576#imgrc=it3xaY_oAuf3uM:
http://1.bp.blogspot.com/-
http://thecityfixbrasil.com/2016/07/19/placemaking-x-gentrificacao-a-diferenca-entre-revitalizar-e-elitizar-um-espaco-publico/
https://tab.uol.com.br/gentrificacao/
https://gentrificacao.reporterbrasil.org.br/

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