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História da Psicologia
A nova psicologia
Wilhelm Wundt: A descoberta de Wundt de que nós não podemos atentar a ou manter o foco em mais de uma coisa ao mesmo tempo tem, como podemos notar, uma aplicação contemporânea impactante. Wundt estava muito à frente de seu tempo quando ele escreveu que “a consciência retém só um pensamento, uma única percepção. Quando parece que temos diversas percepções simultâneas, somos enganados pela sua rápida sucessão”. Com essa descoberta, Wundt havia medido a mente. Ele foi o fundador da psicologia como disciplina acadêmica formal. A contribuição de Wundt para a fundação da psicologia moderna é devida não tanto a uma única descoberta científica quanto à promoção vigorosa da experimentação sistemática realizada por ele. Portanto, fundação não é sinônimo de criação, embora essa distinção não tenha intenção de ser depreciativa. Tanto os fundadores como os criadores são essenciais para a formação de uma ciência. Com essa distinção em mente é possível compreender por que Fechner não foi identificado como o fundador da psicologia. Na verdade, ele simplesmente não estava tentando funda uma nova ciência. Seu objetivo era compreender a relação entre os universos mental e material. Ele buscava descrever com base científica um conceito unificado de mente e corpo. O objetivo de Wundt, no entanto, era promover a psicologia como uma ciência independente. A psicologia cultural tratou de várias etapas do desenvolvimento mental humano manifestado pela linguagem, nas artes nos mitos, nos costumes sociais, na lei e na moral. Wundt acreditava que as funções mentais mais simples, como a sensação e a percepção, deviam ser estudadas por meio de métodos de laboratório. No entanto, os processos mentais superiores, como a aprendizagem e a memória, não podiam ser investigados pela experimentação científica por serem condicionas pela língua e por outros aspectos culturais. Wundt somente acreditava no estudo dos processos de pensamento superiores com o emprego de meios não experimentais como os usados na sociologia, na antropologia e na psicologia social. A noção do significativo papel das forças sociais no desenvolvimento dos processos cognitivos ainda é considerada importante; no entanto, a concussão de Wundt de que tais processos não são passíveis de estudo por meio de experimentos foi logo contestada e invalidada. A psicologia de Wundt utilizava os métodos experimentais das ciências naturais, principalmente as técnicas empregadas pelos fisiologistas. Ele adaptou esses métodos científicos de investigação para a nova psicologia e prosseguiu na sua pesquisa do mesmo modo como os cientistas físicos se dedicavam ao objeto de estudo de sua própria área. Dessa forma, o Zeitgeist (O conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo) na fisiologia e na filosofia contribuiu para moldar tanto os métodos de investigação como o objeto de estudo. O objeto de estudo de Wundt consistia para definir em uma única palavra, na consciência. No sentido mais amplo, o impacto do empirismo e do associacionismo do século XIX refletia-se, ao menos parcialmente, no sistema de Wundt. Na sua perspectiva, a consciência incluía várias partes diferentes e podia ser estudada pelo método da análise ou da redução. No entanto, a semelhança entre a abordagem de Wundt e da maioria dos empiristas e dos associacionistas concentrava-se apenas nesse ponto de vista. Wundt não aceitava a ideia de os elementos da consciência serem estáticos (assim denominados átomos da mente) e se conectarem de forma passiva mediante algum processo mecânico de associação. Ao contrário, ele acreditava no papel ativo da consciência em organizar o próprio conteúdo. Voluntarismo. Wundt concentrou-se no estudo da capacidade própria de organização da mente, dando o nome de voluntarismo ao seu sistema, em referência à palavra volição, que significa o ato ou a força de vontade. O voluntarismo se refere à força de vontade própria em organizar o conteúdo da mente em processos de pensamento superiores. Wundt enfatizava não os elementos em si, como os empiristas e associacionistas britânicos, mas o processo ativo de organização e síntese desses elementos. Experiência mediata e imediata. Na opinião de Wundt, os psicólogos deveriam dedicar-se ao estudo da experiência imediata e não da experiência mediata. A experiência mediata proporciona ao individuo as informações ou o conhecimento relacionado com algo além dos elementos de uma experiência. É a forma usual de empregar a experiência para adquirir o conhecimento do nosso mundo. Quando olhamos uma rosa e dizemos “A rosa é vermelha”, subentende-se que nosso interesse principal concentra-se na flor e não no fato de percebermos algo denominado “cor vermelha”. No entanto, a experiência imediata de visualizar a flor não está no objeto propriamente dito, e sim na experiência de perceber que alguma coisa é vermelha. Para Wundt, a experiência imediata não sofre nenhum tipo de influência de interpretações pessoais, como a descrição da experiência de visualizar a cor vermelha da rosa em termos do objeto, ou seja, da flor em si. Na perspectiva de Wundt, as experiências básicas humanas, como a percepção da cor vermelha ou a sensação de desconforto provocada pela dor, formam os estados da consciência (os elementos mentais) organizados de forma ativa pela mente. A proposta de Wundt consistia em analisar a mente com base nos seus elementos, suas partes componentes, exatamente do mesmo modo que os cientistas naturalistas trabalhavam para dividir o seu objeto de estudo, ou seja, o universo físico. Wundt descrevia a sua psicologia como a ciência da experiência consciente, e por esse motivo, o método da psicologia científica deve abranger as observações da experiência consciente. Ele estabeleceu que o método de observação devia necessariamente utilizar da introspecção, autoanálise da mente para inspecionar e relatar pensamentos ou sentimentos pessoais. Ele se referia a esse método como percepção interna. Wundt acreditava que sua forma de introspecção, a percepção interna, permitia fornecer todos os dados básicos necessários para o estudo dos problemas de interesse da psicologia, assim como a percepção externa proporcionava os dados para as ciências como a astronomia e a química. Ele praticamente não aceitava o tipo de introspecção qualitativa em que as pessoas simplesmente descreviam suas experiências íntimas. A descrição introspectiva que buscava estava relacionada principalmente aos julgamentos conscientes sobre o tamanho, a intensidade, a duração de vários estímulos físicos, ou seja, o tipo de análise quantitativa da pesquisa psicofísica. Definidos o objeto de estudo e a metodologia para a nova ciência da psicologia, Wundt traçou suas metas:
· Analisar os processos conscientes, utilizando os seus elementos básicos (reducionismo);
· Descobrir como esses elementos eram sintetizados e organizados;
· Determinar as leis da conexão que regiam a organização dos elementos.
Sensações. Wundt alegava ser a sensação uma das duas formas básicas de experiência. A sensação surge sempre que um órgão do sentido é estimulado e os impulsos resultantes atingem o cérebro. Pode ser classificada pela intensidade, duração e modalidade sensorial. Ele não reconhecia nenhuma diferença fundamental entre a sensação e a imagem, pois ambas estão associadas com a estimulação do córtex cerebral. Sentimentos. O sentimento é a outra forma elementar da experiência. A sensação e o sentimento são aspectos simultâneos da experiência imediata. O sentimento é o complemento subjetivo da sensação, embora não se origine diretamente de um órgão do sentido. Sensações são acompanhadas de certas qualidades de sentimento; quando se combinam para formar um estado mais complexo, resultam na qualidade de sentimento. Teoria tridimensional do sentimento. Explicação de Wundt para os estados do sentimento, baseada em três dimensões: prazer/desprazer, tensão/relaxamento e excitação/depressão. Cadasentimento básico era efetivamente descrito de acordo com a sua localização dentro do espaço tridimensional, ou seja, a sua posição em cada uma das dimensões. Apesar da ênfase nos elementos da experiência consciente, Wundt reconheceu que, ao olharmos para os objetos do mundo real, nossa percepção é dotada de unidade e totalidade. O processo de organização dos elementos mentais formando uma unidade é uma síntese criativa (também conhecida como a lei das resultantes psíquicas) que cria novas propriedades mediantes a mistura ou a combinação dos elementos. Nossa consciência não atua apenas sobre sensações e sentimentos básicos que experimentamos. Ao contrário, a mente atua nesses elementos de forma criativa para compor a unidade.
Hermann Ebbinghaus: Tornou-se o primeiro psicólogo a pesquisar experimentalmente a aprendizagem e a memória. Inventou as sílabas sem sentido, sílabas apresentadas em séries aleatórias para estudar os processos da memória.
Franz Brentano: Enquanto a psicologia de Wundt era experimental, a de Brentano era empirista. Embora não rejeitasse totalmente o experimentalismo, Brentano considerava a observação, e não a experimentação, o principal método da psicologia. Ele se opunha à ideia de Wundt de que a psicologia devia estudar o conteúdo da experiência consciente. Seu argumento era que o próprio objeto de estudo da psicologia é a atividade mental, por exemplo, o ato mental de ver, e não o conteúdo mental do que é visto. Psicologia do ato. Sistema de psicologia de Brentano que se concentra mais nas atividades mentais do que nos conteúdos mentais. Brentano aperfeiçoou duas formas de estudo dos atos mentais:
· Por meio do uso da memória (a lembrança dos processos mentais envolvidos em determinado estado mental);
· Por meio do uso da imaginação (imaginando um estado mental e observando os processos mentais que ocorrem).
Carl Stumpf: Alegava serem os fenômenos os dados mais importantes para a psicologia. Defendia a fenomenologia, método de introspecção que examina a experiência tal como ela ocorreu, sem tentar reduzi-la a seus componentes elementares. Também uma abordagem baseada em uma descrição imparcial da experiência imediata conforme ela ocorre, e não analisada ou reduzida aos elementos. 
Oswald Külpe: Desenvolveu um método que chamou de introspecção experimental sistemática, que envolvia, primeiro, a execução de uma tarefa complexa (como estabelecer conexões lógicas entre conceitos) e, em seguida, a coleta dos relatos individuais sobre os processos cognitivos ocorridos durante a realização da tarefa. Em outras palavras, as pessoas realizavam alguns processos mentais, como o pensamento ou o julgamento, e depois examinavam como haviam pensado e julgado. Enquanto a maior parte da pesquisa de Wundt concentrava-se nas medições objetivas e quantitativas, como o tempo de reação ou a percepção do peso na pesquisa psicofísica, a introspecção experimental de sistemática de Külpe dava ênfase aos relatos individuais detalhados, qualitativos e subjetivos acerca da natureza dos processos de pensamento. Em resumo, a abordagem de Külpe objetivava diretamente a investigação sobre o que acontecia na mente do individuo durante a experiência consciente. Suas metas eram expandir o conceito de Wundt sobre o objeto de estudo da psicologia para englobar os processos mentais superiores e aprimorar o método de introspecção. Wundt afirmava que toda experiência é composta de sensações e imagens e tentava reduzir a experiência consciente a essas partes componentes. Todavia os resultados da introspecção direta de Külpe nos processos de pensamento revelaram o contrário: que o pensamento pode ocorrer sem qualquer conteúdo sensorial ou imagético (pensamento sem imagens).
Funcionalismo: as influências anteriores
Edward Bradford Titchener: Fundou o estruturalismo que tem como fundamento o estudo dos elementos ou conteúdos mentais e sua conexão mecânica, mediante o processo de associação, porém, descartava a idéia de que a apercepção (processo mental através do qual cada indivíduo percebe e interpreta o mundo) tenha alguma participação nesse processo. Sua principal base de estudos concentrava-se nos elementos propriamente ditos, e acreditava que a Psicologia deveria procurar descobrir a natureza das experiências conscientes elementares, para determinar sua estrutura, através da análise das partes que a formam. Esta experiência consciente, segundo Titchener é dependente do indivíduo que a vivencia, diferindo da estudada por cientistas de outras áreas. Por exemplo, tanto a Física como a Psicologia tem condições de estudar a luz ou o som, porém, cada profissional terá orientação, métodos e objetivos diferentes. Os físicos examinam os fenômenos do ponto de vista dos processos físicos envolvidos, já os psicólogos analisam os mesmos fenômenos com base na experiência e observação pessoal de quem os vivencia. As outras ciências não dependem da experiência pessoal do sujeito que observa algum fenômeno, nem de sua descrição dos sentimentos envolvidos. Elas apenas observam e relatam os resultados. Assim, a psicologia, ainda segundo Titchener, deve ter como objeto de estudo a experiência consciente do indivíduo, diante das diversas situações as quais é exposto. Em seu livro A Textbook of Psychology, Titchener cita que “Todo conhecimento humano é derivado das experiências humanas, não há outra fonte de conhecimento”. Com base nessa afirmação, podemos concluir que toda experiência humana pode ser analisada por pontos de vistas distintos, não estando nenhum deles necessariamente incorreto, pois cada indivíduo tem suas próprias vivências e, portanto, seu próprio repertório de conhecimentos. Quando estudou a experiência consciente, Titchener alertou a respeito da possibilidade de um erro, o qual ele chamou de erro de estímulo, que gera uma confusão entre o objeto de observação e o processo mental envolvido. Por exemplo, se mostrarmos uma maçã a alguém, e pedirmos para que essa pessoa descreva o que vê, muito provavelmente dirá que se trata de uma maçã, não descrevendo suas características como cor, forma e brilho. Essa falta de descrição dos elementos componentes da maçã é o que Titchener chamava de erro de estímulo, pois as características foram deixadas de lado, em favor da descrição mais simples e conhecida. Nesse caso, o observador está interpretando o objeto e não analisando-o. Titchener definia a consciência como a soma das experiências existentes em certo momento e a mente como a soma das experiências acumuladas ao longo do tempo. Para ele, o único objetivo legítimo da Psicologia deveria ser descobrir os fatos estruturais da mente e estudá-los.
O funcionalismo se preocupa com as funções da mente, em como ela é usada por um organismo para se adaptar a seu ambiente. Os funcionalistas estudaram a mente não do ponto de vista de sua composição – seus elementos mentais ou sua estrutura – mas, sim, como um conglomerado ou acúmulo de funções e processos que levam a consequência práticas no mundo real. As pesquisas realizadas por Wundt e Titchener nada revelaram sobre os resultados ou realizações da atividade mental humana, mas este não era o objetivo. Tais preocupações utilitárias eram incompatíveis com a sua abordagem puramente científica da psicologia. Como um primeiro sistema de psicologia, puramente norte-americano, o funcionalismo foi um protesto deliberado contra a psicologia experimental de Wundt e a psicologia estrutura de Titchener, ambas vistas como restritivas demais. Essas primeiras escoas de pensamento não podiam responder às perguntas que os funcionalistas estavam fazendo: O que a mente faz? E como age?
Erasmus Darwin acreditava que havia um Deus que originalmente havia estabelecido vida na Terra em movimento, mas que não interveio depois disso para alterar a flora ou fauna ou para criar espécies. Em 1809, o naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck formulou a teoria comportamentalista da evolução, que enfatizava a modificação das características físicas do animal mediante o esforço de adaptação ao ambiente. Lamarcksugeria que essas modificações eram herdadas por gerações sucessivas. Em meados da década de 1800, o geólogo britânico Charles Lyell introduziu a noção da evolução na teoria geológica, argumentando que a Terra havia passado por vários estágios de desenvolvimento até chegar à estrutura atual. Os cientistas estavam adquirindo cada vez mais conhecimento sobre as outras espécies que habitaram a Terra. Os exploradores estavam descobrindo formas de vida animal antes desconhecidas. Para os cientistas, o crescente acúmulo desses artefatos dava indicações de que as formas vivas não podiam mais ser consideradas constantes, imutáveis desde o início dos tempos e deviam ser vistas como sujeitas a mudanças e modificações. O Zeitgeist social estava se transformando por causa da Revolução Industrial. Os valores, as relações e as normas culturais, mantidos constantes por várias gerações, de repente foram rompidos quando a migração em massa da zona rural para as pequenas cidades promoveu o rápido desenvolvimento dos centros industriais urbanos. As pessoas estavam cada vez menos convencidas das ideias a respeito da natureza humana e da sociedade baseadas nos dogmas das antigas autoridades religiosas.
Charles Darwin: Levando-se em conta o fato evidente da variação entre os membros individuais de uma espécie, Darwin deduziu ser essa variabilidade espontânea transmitida de uma geração à outra. Na natureza, o processo de seleção natural resulta na sobrevivência dos organismos mais bem adaptados a seu ambiente e na eliminação dos demais. As espécies que não se adaptam não sobrevivem. Esses seres vivos que sobrevivem à batalha e atingem a maturidade tendem a transmitir a seus descendentes as mesmas habilidades e vantagens que permitiram a eles prosperar. Além disso, com a variação é uma das leis da hereditariedade, a prole também apresenta variações; alguns descendentes acabam tendo suas boas qualidades mais desenvolvidas que as dos pais. As qualidades tendem a sobreviver e, ao longo de várias gerações, ocorrem mudanças que podem ser bastante significativas a ponto de produzirem as diferenças observadas hoje entre as espécies. Ele também concordava com a doutrina de Lamarck de que as modificações na forma, derivadas da experiência durante o ciclo de vida do animal, podem ser transferidas às gerações subsequentes. O segundo importante trabalho sobre a evolução, reunia as provas da evolução humana a partir das formas de vida mais simples, enfatizando a semelhança entre os processos mentais humanos e animais. Darwin realizou um estudo intensivo sobre as expressões emocionais nos humanos e nos animais. Sugeriu que as mudanças dos gestos e das posturas típicas de vários estados emocionais podiam ser interpretadas com base no evolucionismo. As expressões emocionais, então, evoluíram ao longo do tempo e somente aquelas que se mostraram úteis, sobreviveram. Ele alegava que as expressões faciais e a chamada linguagem corporal eram “manifestações inatas e incontroláveis” dos estados emocionais internos. Os Grants chegaram à conclusão de que Darwin havia subestimado a força da seleção natural. Atualmente, pode-se verificar que o trabalho de Darwin influenciou a psicologia contemporânea da seguinte maneira:
· O enfoque na psicologia animal, que formou a base da psicologia comparativa;
· A ênfase nas funções e não na estrutura da consciência;
· A aceitação da metodologia e dos dados de diversas áreas;
· O enfoque na descrição e mensuração das diferenças individuais.
A teoria da evolução suscitou a intrigante possibilidade da continuidade do funcionamento mental entre os humanos e os animais inferiores. Os psicólogos perceberam a importância do estudo do comportamento animal para a compreensão do comportamento humano e concentraram a pesquisa do funcionamento mental dos animais, introduzindo um novo tópico no laboratório de psicologia. A investigação da psicologia animal viria exercer grande impacto no desenvolvimento da área. O enfoque da escola de pensamento estruturalista era a análise do conteúdo da consciência. O trabalho de Darwin inspirou alguns psicólogos que trabalhavam nos EUA e analisarem as funções da consciência. As ideias de Darwin influenciaram a psicologia, ampliando os métodos que essa nova ciência passara a usar com legitimidade. Os métodos empregados no laboratório de Wundt foram derivados principalmente da fisiologia, mais especificamente dos métodos psicofísicos de Fechner. Os dados de Darwin foram obtidos de diversas fontes, incluindo a geologia, a arqueologia, a demografia, as observações de animais selvagens e domésticos e a pesquisa com reprodução. Outro efeito da evolução na psicologia foi o crescente enfoque nas diferenças individuais. Enquanto os psicólogos estruturalistas continuavam a buscar leis gerais que abrangessem toda a mente, os psicólogos influenciados pelas ideias de Darwin procuravam as diferenças mentais individuais e logo apresentaram técnicas para medir essas diferenças.
Francis Galton: O trabalho de Galton a respeito da herança mental e das diferenças individuais da capacidade humana incorporou efetivamente o espírito da evolução na nova psicologia. Antes dele, o fenômeno das diferenças individuais quase não era considerado um tema adequado para estudo. O objetivo de Galton era incentivar o nascimento de indivíduos mais notáveis ou mais aptos na sociedade e desencorajar o nascimento dos inaptos. Para essa finalidade, fundou a ciência da “eugenia”, palavra por ele cunhada. Eugenia, ele afirmou, lida com as “questões relacionadas com o termo grego, Eugenes, isto é, de boa estirpe, hereditariedade dotado de qualidades nobres”. Galton desejava impulsionar o aperfeiçoamento das qualidades herdadas da raça humana. Argumentava que os seres humanos, assim como os animais de criação, podiam ter as características melhoradas mediante a seleção artificial. Se as pessoas de muito talento fossem selecionadas e acasaladas geração após geração, o resultado seria uma raça humana extremamente talentosa. Propôs o desenvolvimento de testes de Inteligência para selecionar homens e mulheres brilhantes, destinados à reprodução seletiva, e recomendou que os melhores recebessem incentivos financeiros para se casarem e procriarem. A probabilidade de superioridade em algumas famílias não era alta o suficiente pra Galton aceitar seriamente qualquer possibilidade de influência de um ambiente superior, como melhores oportunidades educacionais ou vantagens sociais. Seu argumento era de que a eminência ou a sua ausência deviam-se exclusivamente a uma função hereditária, e não à oportunidade. Adolph Quetelet, um matemático belga que também era pintor, poeta e escritor, acreditava fortemente na utilidade da estatística, “convencido de que a estatística fornecia um insight ao comportamento humano e à compreensão da sociedade”. Quetelet foi o primeiro a usar métodos estatísticos e a curva normal de distribuição em dados biológicos e sociais. A curva normal fora empregada em trabalhos sobre a distribuição de medidas e erros na observação científica, mas não havia sido aplicada à variabilidade humana até Quetelet demonstrar que as medidas de altura de 10 mil indivíduos ficavam próximas da curva normal. A sua expressão I’homme moyen (o homem médio) explicava a descoberta de que a maioria das medidas físicas ficavam distribuídas em torno da média ou do coentro da distribuição e poucas se encontravam próximas de qualquer extremo. Galton ficou impressionado com os dados de Quetelet e presumiu que resultados similares seriam obtidos para as características mentais. Devido à simplicidade da curva normal e à sua consistência em vários traços, ele sugeriu que qualquer conjunto grande de medidas ou de valores das características humanas poderia ser descrito satisfatoriamente por dois números: o valor médio da distribuição (a média aritmética) e a dispersão ou a faixa de variação em torno desse valor médio (o desvio-padrão). O trabalho estatístico de Galton produziu um das medidas científicas importantes: a correlação. As modernas técnicasestatísticas para a determinação da validade e confiabilidade dos testes, bem como dos métodos analítico-fatoriais, são resultados direto da sua pesquisa de correlação, os quais foram baseados na observação da tendência das características herdadas de regressarem na direção média. A expressão testes mentais, testes de habilidade motora e capacidade sensorial, foi cunhada por James McKeen Cattell, discípulos norte-americano de Galton e aluno de Wundt. Entretanto foi Galton quem deu origem ao conceito de testes mentais. Ele imaginava que a inteligência podia ser medida com base na capacidade sensorial individual e que, quanto mais inteligente, mais alto seria o nível de funcionamento sensorial do indivíduo. Galton extraiu essa ideia da visão empirista de John Locke de que todo conhecimento é adquirido por meio dos sentidos. Se Locke estivesse correto, as pessoas mais inteligentes teriam os sentidos mais aguçados.
Fundação e desenvolvimento do funcionalismo
Herbert Spencer: A filosofia que rendeu a ele o reconhecimento e a aclamação foi o darwinismo – a noção da evolução e da sobrevivência do mais apto. Spencer estendeu a teoria para muito além do próprio trabalho de Darwin. Spencer alegava que o desenvolvimento de todos os aspectos do universo é evolucionário, incluindo o caráter humano e as instituições sociais, em conformidade com o princípio da “sobrevivência do mais apto” (expressão cunhada por ele). Essa ênfase no chamado darwinismo social – aplicação da teoria da evolução da natureza humana e da sociedade – foi recebida com muito entusiasmo nos EUA. Na visão utópica de Spencer, se o princípio da sobrevivência do mais apto operasse com liberdade, apenas os melhores sobreviveriam. Portanto, a perfeição humana seria inevitável, desde que nenhuma ação interferisse na ordem natural das coisas. O individualismo e o sistema econômico do laissez-faire (deixar por si mesmo) eram vitais, enquanto os aspectos governamentais para regulamentar negócios e indústrias e assistência social (por meio de subsídios a educação, moradia e pobreza) eram opostas. A população e as organizações deveriam ter liberdade para se desenvolver com autonomia, utilizando-se de meio próprios, do mesmo modo que as demais espécies vivas se desenvolviam e adaptavam-se livremente ao ambiente natural. Qualquer auxílio do Estado interfere no processo evolutivo natural. As pessoas, os programas, a economia ou as instituições que não se adaptassem eram considerados inaptos para sobreviver e deviam parecer (tornarem-se extintos) para a melhoria de toda a sociedade. A ideia de Spencer era que somente com a sobrevivência dos melhores a sociedade atingiria a perfeição. Essa mensagem era compatível com o espírito individualista norte-americano e as expressões “sobrevivência do mais apto” e a “luta pela existência” rapidamente assaram a fazer parte da consciência nacional. Os norte-americanos eram voltados ao prático, útil e funcional. Os estágios iniciais da psicologia norte-americana refletiram essas qualidades. Por essa razão, a teoria evolucionista foi mais bem-aceita nos EUA do que em outras nações. A psicologia norte-americana transformou-se em uma psicologia funcional porque a evolução e o espírito funcional eram compatíveis com esse temperamento básico. Os pontos de vista de Spencer eram compatíveis com o ethos norte-americano, daí o motivo pelo qual o sistema filosófico dele influenciou todos os campos do conhecimento.
William James: Seu trabalho foi o principal precursor americano da psicologia funciona e ele o pioneiro da nova psicologia científica desenvolvida nos EUA. Uma pesquisa realizada pelos historiadores da psicologia, 80 anos após a morte de James, revelou que ele era considerado a segunda figura mais importante da psicologia, perdendo apenas para Wilhelm Wundt, além de ser apontado como principal psicólogo norte-americano. James não fundou nenhum sistema formal de psicologia e nem sequer teve discípulos; não houve uma escola de pensamento “jamesiana”. Embora a forma de psicologia a ele associada fosse uma tentativa de ser científica e experimental a própria atitude e as realizações de James não eram experimentalistas. James não fundou a psicologia funcional, mas apresentou de forma clara e eficaz as suas ideias dentro da atmosfera funcionalista impregnada na psicologia norte-americana. Dessa forma, influenciou o movimento funcionalista, inspirando as gerações posteriores de psicólogos. No livro Princípios da psicologia, James apresentou a visão que acabou tornando-se a doutrina central do funcionalismo norte-americano – a psicologia não tem como meta a descoberta dos elementos da experiência, mas o estudo sobre a adaptação dos seres humanos ao meio ambiente. A função da nossa consciência é guiar-nos aos fins necessários para a sobrevivência. A consciência é vital para as necessidades dos seres complexos em um ambiente complexo; de outra forma, a evolução humana não ocorreria. James afirmava logo no início da obra que “A psicologia é a ciência da vida mental, abrangendo tanto os seus fenômenos como as suas condições”. No que tange ao objeto de estudo, as palavras-chave são fenômenos e condições. O termo fenômenos é utilizado para indicar que o objeto de estudo da psicologia deve ser buscado na experiência imediata; já o termo condições, refere-se à importância do corpo, particularmente do cérebro, na vida mental. Ele rebela-se contra a artificialidade e a estreiteza da posição de Wundt. Acreditava serem as experiências conscientes simplesmente experiências conscientes e não grupos ou conjuntos de elementos. A descoberta de elementos mínimos da consciência, por meio da análise introspectiva, não demonstra que eles existam independentemente de um observador treinado. Atingindo o ponto central da abordagem de Wundt, James declarou que as sensações simples não existem na experiência consciente, existindo apenas como resultado de algum processo retorcido de inferência ou abstração. James dizia: “Ninguém jamais experimentou uma sensação simples por si próprio. A consciência, desde o dia do nosso nascimento, gera uma imensa multiplicidade de objetos e relações e o que denominamos sensações simples é resultado da atenção discriminativa, levada a um grau muito aberto.” No lugar da análise artificial e da redução da experiência consciente aos ditos elementos componente, James criou um programa de psicologia. A vida mental consiste em uma unidade, em uma experiência total que se modifica. A consciência é um fluxo constante e qualquer tentativa de dividi-la em fases temporariamente distintas pode distorcê-la. Como a consciência está em constante modificação, não é possível experimentar o mesmo pensamento ou a mesma sensação mais de uma vez. Pode-se pensar em um objeto ou um estímulo em mais de uma ocasião, mas os pensamentos não são idênticos em cada situação. São diferentes devido às experiências intervenientes. Desse modo, a consciência é definida como cumulativa e não recorrente. A mente é igualmente contínua. Não há interrupção abrupta no fluxo de consciência. Além disso, a mente é seletiva: como somos capazes de prestar atenção em apenas uma pequena parte do universo das nossas experiências, ela escolhe entre os vários estímulos aos quais é exposta. A mente filtra algumas experiências, combina ou separa outras, seleciona ou rejeita outras mais. Por fim, James destacou a função ou o próprio da consciência. Acreditava que ela desempenhava alguma função biológica, de outro modo não teria sobrevivido ao tempo. A função da consciência é proporcionar a capacidade de adaptação ao ambiente, permitindo-nos escolher. Para desenvolver essa ideia, James fazia a distinção entre a escolha e o hábito; acreditava que os hábitos eram involuntários e não conscientes. Quando estamos diante de um novo problema e temos de escolher uma forma de enfrenta-lo, a consciência entra em cena. Essa ênfase de intencionalidade reflete o impacto da teoria da evolução. Como a psicologia lida com a consciência pessoal e imediata, a introspecção deve ser o seu métodobásico. James dizia: “A observação introspectiva é o método em que devemos nos basear primeiramente e sempre a visão da nossa mente e a descrição do que observamos. Todos concordam que é na nossa mente que descobrimos os estados da consciência.” James tinha ciência das dificuldades da introspecção e a aceitava mesmo considerando-a um método imperfeito de observação. No entanto, acreditava na possibilidade de uma verificação mais apurada dos resultados produzidos mediante a comparação das constatações obtidas por diversos observadores. James enfatizava a importância do pragmatismo na psicologia, cuja doutrina baseia-se na comprovação da validade de uma ideia ou de um conceito mediante a análise das consequências práticas. A conhecida expressão do ponto de vista pragmático afirma que “se funcionar, é verdadeiro”. A teoria das emoções de James, publicada em um artigo em 1884 e posteriormente no livro Princípios de psicologia, contradizia o pensamento corrente sobre a natureza dos estados emocionais. Os psicólogos partiam do princípio de que a experiência mental subjetiva da emoção antecedia a expressão ou a ação corporal. James inverteu essa ordem e afirmou que a reação física ocorre antes do surgimento da emoção, principalmente das emoções que considerava grosseira s como o medo, a ira, a dor e a compaixão. James sugeriu que o sentido do eu de uma pessoa é formado por três aspectos ou componentes. O eu material consiste de tudo que chamamos de pessoal, como nosso corpo, família, lar ou estilo de se vestir. O eu social refere-se ao reconhecimento que obtemos pro meio de outras pessoas. O terceiro componente, o eu espiritual, refere-se a nosso ser interior ou subjetivo.
Mary Whiton Calkins: Acabou desenvolvendo a técnica da associação de pares usada no estuda da memória, além de haver contribuído de forma significativa e duradoura para a psicologia. Não era muito valorizada na sua época por causa da hipótese da variabilidade, a noção de que o homem demonstrava maior gama de variação no desenvolvimento físico e mental do que a mulher; as habilidades da mulher eram consideradas mais medianas.
Helen Bradford Thompson Wooley: Os resultados de sua pesquisa revelaram não haver diferenças no funcionamento emocional entre homens e mulheres e apenas uma diferença insignificante na capacidade intelectual. Os dados também mostraram pequena superioridade das mulheres em habilidades como a memória e apercepção sensorial. Ela deu um passo inédito ao atribuir as diferenças aos fatores ambientais e sociais – às diferentes práticas na criação da criança e às expectativas distintas para os meninos e as meninas – e não às determinantes biológicas.
Leta Stetter Hollingworth: Realizou ampla pesquisa empírica a respeito da hipótese da variabilidade, o conceito de que, em relação ao funcionamento físico, psicológico e emocional, as mulheres constituíam um grupo mais homogêneo e mediano do que os homens, demonstrando, assim menor variação. Seus dados desmentiram a hipótese da variabilidade e outras noções de inferioridade feminina.
Granvile Stanley Hall: Hall deu início ao que frequentemente é considerado o primeiro laboratório de psicologia nos EUA, bem como o primeiro periódico norte-americano de psicologia. Foi um dos primeiros psicólogos norte-americanos a se interessar pela psicanálise freudiana e foi o responsável, em grande parte, pela atenção inicial que o sistema de Freud recebeu nos EUA. Seu trabalho era governado pela convicção de que o crescimento normal da mente envolvia uma série de fases evolucionárias. Hall frequentemente é chamado de psicólogo genético devido à sua preocupação com o desenvolvimento humano e animal e os problemas relacionados à adaptação. Enquanto esteve na Clark, seus interesses genéticos o levaram ao estudo psicológico da infância, onde baseou sua psicologia. Os primeiros estudos sobre crianças entusiasmaram o público em geral e levaram à formalização do movimento de estudo da criança. Entretanto, essa abordagem desapareceu em poucos anos devido à pesquisa mal executada. Apesar dessa crítica merecida, o movimento do estudo da criança promoveu tanto seu estudo empírico como o conceito de desenvolvimento psicológico. A teoria de recapitulação de Hall sobre a psicologia do desenvolvimento, em sua essência, afirmava que as crianças, no seu desenvolvimento pessoal, repetem a história de vida da raça humana, evoluindo de um estágio próximo ao selvagem quando bebês e durante a infância até um ser humano racional e civilizado na fase adulta.
A fundação do funcionalismo
Os estudiosos relacionados com a fundação do funcionalismo não ambicionavam iniciar uma nova escola de pensamento. Eles apenas protestavam contra as restrições e limitações da psicologia de Wundt e do estruturalismo de Titchener e não desejavam substitui-los por outro ismo formal. Naquela época, o funcionalismo incorporava diversas características de uma escola de pensamento, mas esse não era o objetivo dos líderes. Desse modo, o funcionalismo jamais de constituiu uma posição sistemática rígida ou diferenciada formalmente como o estruturalismo de Titchener. Não houve uma psicologia funcional única, assim como houve uma psicologia estrutural única. Várias psicologias funcionais coexistiram e, embora apresentassem algumas diferenças, todas compartilhavam o interesse no estudo das funções da consciência. Posteriormente, como resultado dessa ênfase nas funções mentais, os funcionalistas interessaram-se pelas possíveis aplicações da psicologia aos problemas cotidianos em relação ao comportamento e à adaptação do homem nos diferente ambientes. A rápida evolução da psicologia aplicada no EUA pode ser considerada a herança mais importante do movimento funcionalista. A formalização desse movimento de protesto foi imposta pelo fundador do estruturalismo Titchener. Ele fundou indiretamente a psicologia funcional ao adotar a palavra “estrutural” em oposição a “funcional”. Ao estabelecer o funcionalismo como oposição, Titchener sem querer ofereceu-lhe uma identidade e um status que talvez nunca viesse a obter. Nem todo o crédito pela fundação do funcionalismo se deve a Titchener, mas os psicólogos que a história batizou de fundadores da psicologia funcional foram, no máximo, fundadores relutantes. Dois psicólogos que contribuíram diretamente na fundação da escola de pensamento funcionalista foram John Dewey e James Rowland Angell. Em 1894, eles chegaram à recém-criada Universidade de Chicago; mais tarde, foram capa da revista Time. Foi nada menos do que William James a anunciar posteriormente Dewey e Angell como responsáveis pela fundação do novo sistema que ele designou a “escola de Chicago”.
John Dewey: O artigo de Dewey “O conceito do arco reflexo na psicologia” foi o ponto de partida da psicologia funcional. Nesse importante trabalho, Dewey criticava o aspecto molecular, elementar e reducionista psicológico do arco reflexo, conexão de estímulos sensoriais e respostas motoras, devido à sua distinção entre o estímulo e a resposta. Por meio dessa crítica, Dewey alegava não ser possível reduzir o comportamento ou a experiência consciente a seus elementos componentes, como afirmavam Wundt e Titchener. Assim, Dewey atacava o ponto principal das suas abordagens da psicologia. A percepção e o movimento (o estímulo e a resposta) devem ser vistos como uma unidade e não como uma composição de sensações e respostas individuais. Dewey argumentava não ser possível a redução do comportamento envolvido na resposta reflexiva a elementos sensório-motores básicos, assim como era impossível analisar de forma adequada a consciência, dividindo-a em partes componentes elementares. Esse tipo de análise e redução artificiais faz com que o comportamento perca todo o sentido, deixando apenas abstrações na mente do psicólogo que está realizando o exercício. Dewey observou que o comportamento não deve ser tratado como um constructo científico artificial, mas em termos de seu significado para o organismo, na adaptação ao ambiente. Ele concluiu que o objeto mais adequadopara a psicologia seria a análise do organismo inteiro e o seu funcionamento no ambiente.
James Rowland Angell: Ele moldou o movimento funcionalista, transformando-o em uma escola de pensamento utilitária. Angell afirmava ser função da consciência a melhoria da capacidade de adaptação do organismo. O objetivo da psicologia era estudar de que modo a mente auxilia o organismo a se adaptar ao ambiente. A psicologia funcional, afirmou Angell, não consiste, de todo, em uma novidade e sim em uma parte significativa da psicologia desde o início. Foi a psicologia estrutural que se colocou à parte da forma de psicologia funcional mais antiga e verdadeiramente mais difusa. Assim, Angell descreveu os três principais temas do movimento funcionalista:
1. A psicologia funcional é a psicologia da operação mental, ao contrário do estruturalismo, que é a psicologia dos elementos mentais. O aspecto elementar da psicologia da Titchener ainda contava com defensores e Angell promovia o funcionalismo em oposição direta a ele. A tarefa do funcionalismo é descobrir o modus operandi do processo mental, as suas realizações e as condições sob as quais ele ocorre.
2. A psicologia funcional é a psicologia das utilidades fundamentais da consciência. Desse modo, a consciência é vista como um instrumento utilitário, já que faz a mediação entre as necessidades do organismo e as condições do ambiente. As estruturas e as funções orgânicas existem a fim de permitir que o organismo se adapte ao ambiente para, assim, sobreviver. Angell sugeria que a consciência sobrevivia pra executar alguma função essencial para o organismo. Os psicólogos funcionalistas precisavam descobrir exatamente qual era essa função, não apenas da consciência como também dos processos mentais mais específicos, como o julgamento e a vontade.
3. A psicologia funcional é a psicologia das relações psicofísicas (as relações mente-corpo) e dedica-se ao estudo de todas as relações entre o organismo e seu ambiente. O funcionalismo abrange todas as funções mente-corpo e não faz qualquer distinção entre mente e o corpo. Ele os considera pertencentes à mesma classe e admite a facilidade de transferência entre eles.
Harvey A. Carr: Aprimorou a posição teórica de Angell e seu trabalho representava o funcionalismo, quando não precisava mais batalhar contra o estruturalismo. O funcionalismo superara a oposição e adquirira direitos legítimos sobre a própria posição. Definiu a atividade mental como objeto de estudo da psicologia – os processos mentais, como a memória, a percepção, o sentimento, a imaginação, o julgamento e a vontade. A função da atividade mental é a aquisição, fixação, retenção, organização e avaliação das experiências e sua utilização para determinar a ação de uma pessoa. Carr chamou a forma específica de ação, na qual aparece a atividade mental, de comportamento de adaptação ou ajuste. É possível perceber, nas ideias de Carr, a ênfase familiar da psicologia funcional nos processos mentais e não nos elementos nem no conteúdo da consciência. Ainda, observa-se uma descrição da atividade mental quanto as realizações que permitem a adaptação do organismo a seu ambiente.
Robert Sessions Woodworth: O conhecimento psicológico deve começar com uma investigação sobre a natureza do estímulo e da resposta, que são, com objetividade, os fatos externos. Mas, quando os psicólogos consideram somente o estímulo e a resposta para explicar o comportamento, perdem o que pode ser a parte mais importante do estudo, o organismo vivo propriamente dito. O estímulo não é a única causa de determinada resposta. O organismo, com seus níveis de energia variáveis e as experiências passadas e presentes, também atua para determinar a resposta. A psicologia precisa considerar o organismo interposto entre o estímulo e a resposta. Portanto, Woodworth sugeria que o objeto de estudo da psicologia fosse tanto a consciência como o comportamento. É possível estudar o organismo de forma objetiva, analisando o estímulo externo tanto como a resposta, mas o que ocorre dentro do organismo só pode ser conhecido pela introspecção. Sendo assim, Woodworth aceitava a introspecção como uma ferramenta útil para a psicologia, juntamente com os métodos experimental e de observação. Woodworth introduziu a psicologia dinâmica, sistema de psicologia que se dedica aos fatores causais e às motivações que influenciam os sentimentos e comportamento. Embora se observem semelhanças entre a visão de Woodworth e a dos funcionalistas de Chicago, ele enfatizava os fatos psicológicos que estão pro trás do comportamento. Sua psicologia dinâmica concentrava-se nas relações causa-efeito e principalmente nas forças que direcionam ou motivam os seres humanos. Acreditava que a psicologia devia dedicar-se a identificar por que as pessoas se comportam de determinado modo.
Os ataques contra o movimento funcionalista surgiram rápida e veementemente por parte dos estruturalistas. Pela primeira vez, pelo menos nos Estados Unidos, a nova psicologia divida-se em facções rivais: o laboratório de Titchener na Universidade de Cornell com quartel general do estruturalismo e o departamento de psicologia da Universidade de Chicago, para os funcionalistas. Titchener e seus seguidores argumentavam que o funcionalismo não era, de modo, algum psicologia. Na visão de Titchener, qualquer abordagem da psicologia que se desviasse da análise introspectiva da mente com base nos elementos componentes não podia ser chamada de psicologia. Estruturalistas também consideravam equivocado o interesse dos funcionalistas pelas questões práticas, recendendo, assim, a interminável polêmica entre a ciência pura e aplicada. Os estruturalistas ignoravam qualquer aplicação do conhecimento psicológico aos problemas do mundo rela, enquanto os funcionalistas não viam a menor utilidade em manter a psicologia como uma ciência pura e jamais abriram mão do seu interesse prático. Carr e outros funcionalistas afirmavam que tanto na psicologia pura com na aplicada, poder-se-ia adotar procedimentos científicos rigorosos e também realizar pesquisas válidas. É o método e não o objeto de estudo que determina a validade científica de qualquer campo de investigação. O funcionalismo deixou a sua marca na psicologia americana contemporânea mais significativamente devido à ênfase na aplicação dos métodos e das descoberta da psicologia para a solução de problemas práticos.
Psicologia Aplicada
A psicologia funcional derivada da doutrina evolucionária, rapidamente dominou os EUA no fim do século XIX. Sabe-se que a psicologia norte-americana se orientou muito mais pelas ideias de Darwin, Galton e Spencer do que pelos trabalhos de Wundt. Wundt orientou muitos psicólogos norte-americanos da primeira geração de acordo com a sua forma de psicologia. No entanto, eles levaram consigo pouco de suas ideias. P psicologia de Wundt e o estruturalismo de Titchener não sobreviveriam por muito tempo em sua foram original no ambiente intelectual dos EUA – o Zeitgeist norte-americano – e, assim, evoluíram para o funcionalismo. Não eram formas práticas de psicologia: não lidavam com o uso da mente e não podia ser aplicada às exigências e problemas do dia a dia. A cultura norte-americana era voltada ao prático: as pessoas valorizavam o que funcionava. Os novos psicólogos norte-americanos transformaram a forma de psicologia alemã em um padrão norte-americano dinâmico. Em vez de estudarem a função da mente, começaram a analisar o seu funcionamento. Enquanto alguns psicólogos norte-americanos, em especial James, Angell e Dewey, desenvolviam a abordagem funcionalista nos laboratórios acadêmicos, outros aplicavam em ambientes fora das universidades. O movimento rua à psicologia prática ocorria simultaneamente à fundação do funcionalismo como escola de pensamento independente. O fato é que muito psicólogos da primeira geração da psicologia aplicada nos EUA foram levados a abandonar os sonhos da pesquisa experimental puramente acadêmica por não haver outra forma de escaparem das dificuldades financeiras. Eles acreditavamque só havia um modo de valorizar a psicologia: aplicando-a.
James McKeen Cattell: O espírito funcionalista da psicologia norte-americana também está bem representado na vida e no trabalho de Cattell, que promoveu uma abordagem prática com a aplicação de testes no estudo dos processos mentais. Sua psicologia concentrava-se no estudo das capacidades humanas e não do conteúdo da consciência. Cattell declarou: “A psicologia não será capaz de atingir a certeza e a exatidão das ciências físicas a menos que e baseie nos fundamentos da experiência e da medição. Um passo nessa direção pode ser dado, aplicando-se uma série de testes e mensurações mentais a um grande número de pessoas”. Testes mentais: teste de habilidade motora e capacidade sensorial. Os tipos de testes usados por Cattell para medir a amplitude e a variabilidade da capacidade humana eram diferentes dos testes de inteligência e de capacidade cognitiva, desenvolvidos mais tarde pelos psicólogos, já que eles aplicam tarefas mais complexas para testa a capacidade mental. Os testes de Cattell, assim como os de Galton, lidavam principalmente com as medidas sensório-motoras elementares, incluindo a pressão obtida no dinamômetro, a velocidade do movimento, o limiar de dois pontos para medir a sensibilidade tátil, a pressão necessária para provocar dor na testa, as diferenças mínimas perceptíveis entre dois pesos, o tempo de reação ao som e o tempo necessário para nomear as cores. A influência mais exercida pro Cattell sobre a psicóloga norte-americana foi mediante o trabalho como, organizador, executivo e administrador da ciência e da prática psicológicas e como articulador da ligação entre a psicologia e as principais comunidades científicas. Com seu trabalho a respeito dos tentes mentais, da mensuração das diferenças individuais e com a promoção da psicologia aplicada, Cattell reforçou ativamente o movimento funcionalista na psicologia norte-americana.
Embora Cattell tenha cunhado a expressão testes mentais, o primeiro teste verdadeiramente psicológico de habilidade menta foi desenvolvido por Alfred Binet, que adentrou o campo da psicologia quase por acaso, tendo fracassado totalmente, repetidas vezes e, publicamente, até que ele criou os exames que são a base para os testes de inteligência de hoje. Com medições mais complexas do eu as selecionadas por Cattell, Binet produziu uma medição efetiva das habilidades cognitivas humanas, marcando, assim, o início do teste de inteligência moderno. Binet discordava da abordagem de Galton e Cattell, que consistia na aplicação de testes de processo sensório-motor para medir a inteligência. Para ele, a avaliação das funções cognitivas, como a memória, a atenção, a imaginação e a compreensão, proporcionava medidas de inteligência mais adequadas. Idade mental: Idade na qual as crianças podem realizar certas tarefas típicas da idade. Em 1916, Lewis M. Terman desenvolveu a versão que desde então passou a ser o padrão de testes. Terman deu o nome a ele de Stanford-Binet e adotou o conceito de quociente de inteligência (QI), o número que representa a inteligência de uma pessoa, obtido pela seguinte fórmula: idade menta divida pela idade cronológica, multiplicada por 100.
A fim de dotar credibilidade científica e autoridade à recém-iniciada empreitada, os psicólogos criadores dos testes de inteligência adotavam a terminologia de outras disciplinas mais antigas, como a medicina e a engenharia. O objetivo era convencer as pessoas de que a psicologia era tão legítima, científica e fundamental quanto às demais ciências há tempos estabelecidas. Os psicólogos descreviam as pessoas testadas não como sujeitos, mas como pacientes. Afirmavam seres os testes análogos aos termômetros. Os testes eram promovidos como se fossem máquinas de raio X, que permitissem ao psicólogo enxergar dentro da mente, para dissecar os mecanismo mentais dos seus pacientes. Comparações com a engenharia também eram citadas. Mencionaram-se as escolas como fábricas de educação e os testes como forma de medir o produto fabricado (o nível de inteligência dos alunos). A sociedade era comparada a uma ponte e os teste de inteligência era ferramentas científicas pra preservar a firmeza, detectando os elementos mais fracos – os cidadãos medíocres que seria removidos da sociedade e institucionalizados.
Goddard acreditava ser o teste um instrumento de seleção útil para evitar a entrada de pessoas mentalmente fracas nos EUA. Na primeira visita à central de triagem na Ellis Island, Goddard selecionou um jovem que lhe pareceu mentalmente deficiente e confirmou o diagnóstico, aplicando o teste de Binet com a ajuda de um intérprete. Embora o intérprete salientasse que ele mesmo não teria conseguido responder às perguntas, visto que ele era recém-chegado aos EUA – e o teste não era adequado para pessoas não familiarizadas com a língua inglesa e com a cultura norte-americana – Goddard discordou. Os testes subsequentes aplicados nas populações de imigrante (cujo nível de inglês era inferior em relação ao utilizado nos testes) revelaram, de acordo com os resultados de testes de Goddard, que a maioria – 87% dos russos, 83% dos judeus, 80% dos húngaros e 79% dos italianos – era débil mental, com idade mental inferior a 12 anos. Esses resultados foram usados mais tarde como argumento para a criação de uma lei federam que restringia a entrada de imigrantes de grupos raciais e étnicos considerados de pouca inteligência. Os testes de inteligência pesquisados com mais seriedade não são distorcidos significativamente por causa da cultura. “Os testes de inteligência não são distorcidos em virtude de aspectos culturais contra afro-americanos ou pessoas de outra nacionalidade falantes de inglês nos EUA. Ao contrário, os resultados do teste de QI prognosticam igual e precisamente todos os norte-americanos, independentemente da raça e da classe social”. Um relatório preparado pelo Comitê de Assuntos Científico da APA concorda que os testes de habilidade cognitiva utilizados atualmente não discriminam grupos de minoria, mas refletem em termos quantitativos, a discriminação criada pela sociedade ao longo do tempo.
Constatamos até agora que, na maior parte da história da psicologia, a mulher foi proibida de seguir carreira acadêmica. Por isso, muitas psicólogas buscaram emprego no campo da aplicação, especialmente em profissões assistenciais, como a psicologia clínica e de aconselhamento a orientação infantil e a psicologia escolar. As mulheres ofereceram significativas contribuições nessas áreas, principalmente no desenvolvimento e na aplicação de testes psicológicos. Apesar do êxito da mulher em áreas como aplicação de testes, o trabalho com a psicologia aplicada as coloca em desvantagem profissional. Os empregos em instituições não acadêmicas raramente proporcionam tempo, suporte financeiro ou assistência de estudantes graduados pra a realização de pesquisas e a elaboração de artigos acadêmicos, que são os principais meios para se atingira a visibilidade profissional. Nos ambientes da psicologia aplicada, como em uma empresa comercial ou em uma clínica, as contribuições de um profissional não são reconhecidas fora dos limites d organização. Desse modo, o enorme desenvolvimento da psicologia aplicada nos EUA – a herança da escola funcionalista – criou oportunidades de emprego para as mulheres, mas isso também significou que elas permanecessem amplamente excluídas do ambiente acadêmico da psicologia, no qual as teorias, as pesquisas e as escolas de pensamento vinham sendo desenvolvidas. Diversos psicólogos acadêmicos tinham uma imagem negativa do trabalho aplicado, considerando-o inferior e desprezível. As áreas da aplicação com o aconselhamento, por exemplo, eram menosprezadas consideradas trabalho de mulher.
Lightner Witmer: Inaugurou um campo da psicologia que chamou de psicologia clínica. O tipo de psicologia praticado pro Witmer em sua clínica não era a psicologia clínica como a conhecemos atualmente. Ele não adotava a psicoterapia, técnica que detestava e que não conhecia muitobem. Em vez disso, estava interessado em avaliar e tratar problemas de aprendizagem e comportamento das crianças em idade escolar, uma área especializada da aplicação e hoje denominada psicologia escolar. Apesar de Witmer ter sido fundamental no desenvolvimento da psicologia clínica e de usar esse termo livremente, o campo tornou-se muito mais abrangente do que ele imaginava. Por ser o primeiro psicólogo clínico do mundo, ele não tinha exemplos nem precedentes para os seus casos, então, foi elaborando o diagnostico e o tratamento, conforme as necessidades. As crianças encaminhadas à clínica de Witmer apresentavam diversos problemas, alguns dos quais identificados por ele como hiperatividade, dificuldade de aprendizagem e baixo desempenho motor e oral. Quando adquiriu mais experiência e se sentiu mais confiante, desenvolveu programas-padrão de avaliação e tratamento e aumentou o quadro de pessoal da clínica, contratando mais médicos, assistentes sociais e psicólogos. No início, Witmer acreditava que os fatores genéticos fossem os principais responsáveis pelos distúrbios cognitivos e comportamentais. Mais tarde, porém, percebeu que os fatores ambientais eram mais importantes. Ele prognosticou a necessidade de proporcionar diversas experiências sensoriais, logo nos anos iniciais da vida da criança. Acreditava no envolvimento da família e da escola no tratamento dos pacientes, alegando que, se as condições da casa e da escola fossem melhoradas, o comportamento da criança também mudaria para melhor.
A obra Psicoterapia, de Hugo Münsterberg, também teve grande repercussão e descrevia técnicas de tratamento de vários distúrbios mentais. Münsterberg promoveu a psicologia clínica, descrevendo métodos específicos para o auxílio a pessoas perturbadas. A primeira clínica de orientação infantil foi fundada em 1909, por um psiquiatra de Chicago, Wiliam Healey. O propósito delas era tratar os distúrbios infantis no início a fim de que os problemas não evoluíssem para estados mais graves na vida adulta. Antes da guerra, a maior parte do trabalho clínico era dedicado às crianças com problemas de delinquência e de ajuste, mas as necessidades dos veterano de guerra trouxeram pacientes adultos com problemas emocionais ainda mais profundos. Atualmente, os psicólogos clínicos estão empregados em centros de saúde mental, escolas, empresas e clínicas particulares. A psicologia clínica é a maior área de especialização aplicada, com mais de um terço de todos os estudantes de pós-graduação matriculados nos programas clínicos.
Walter Dill Scott: O seu trabalho reflete a preocupação da escola da psicologia funcionalista com as questões práticas. Ele foi a primeira pessoa a aplicar a psicologia à seleção de pessoal, à administração e à publicidade. A marca da formação se Scott na psicologia experimental de Wundt, com base na fisiologia, e sua tentativa de estendê-la para o domínio da prática são patentes em seus trabalhos a respeito da publicidade. Ele alegava que o consumidor pode ser facilmente influenciável porque, muitas vezes, não age racionalmente. Considerava a emoção, a simpatia e o sentimentalismo fatores que aumentam a sugestionabilidade do consumidor. Também acreditava como era comum naquela época, que a mulher era mais sugestionável do que o homem. Aplicando sua lei da sugestionabilidade, recomendava às empresas que usassem comandos diretos para vender o produto, como, Use o sabão X. Ele também promoveu o uso dos cupons porque faziam com que os consumidores tomassem uma atitude direta – como recortar o cupom do jornal, preenchê-lo com nome e endereço e remetê-lo para a empresa, a fim de receber uma amostra grátis. Para a seleção dos melhores funcionários, principalmente entre o pessoal de vendas, executivos e militares, Scott criou escalas de classificação e testes em grupo para medir as características das pessoas já bem-sucedidas nessas ocupações. Scott desenvolveu testes psicológicos para medir a inteligência e outras habilidades, mas, em vez de avaliar os candidatos individualmente, criou testes para aplicação em grupo. Quando há grande número de candidatos para ser avaliado em pouco tempo, os testes em grupo são mais eficientes e mais econômicos. Esses testes eram diferentes dos que estavam sendo desenvolvidos por Cattell e outros psicólogos da aplicação. Scott não apenas media a inteligência geral, como também se interessava em saber como a pessoa empregava a inteligência. Em outras palavras, desejava saber como o individuo processava as informações e como a inteligência funcionava no mundo cotidiano. Ele definiu a inteligência não em termos de habilidades cognitivas específicas, mas em termos práticos como julgamento, rapidez e precisão. Essas são características necessárias para a realização de um bom trabalho. Ele comparava os resultados dos testes dos candidatos com os de funcionários bem-sucedidos e não se preocupava com a indicação que esses resultados pudessem dar a respeito de elementos mentais.
A Primeira Guerra Mundial provocou um aumento monumental no escopo, na popularidade e no crescimento da psicologia industrial-organizacional. Vimos que Scott voluntariou-se para prestar serviços ao exército norte-americano e desenvolveu uma escala de classificação para a seleção de capitães do exército, com base nos testes que criara para a categorização de líderes nas empresas. Depois da guerra, houve grande demanda por parte do comércio, da indústria e do governo pelos serviços dos psicólogos industriais para a reorganização dos seus procedimentos de pessoal e a preparação de testes psicológicos para a seleção de funcionários. A necessidade de identificar soldados com capacidade para aprender as qualificações exigidas levou os psicólogos a aperfeiçoarem os procedimentos de seleção e treinamento. Essas necessidades da guerra geraram uma nova especialidade na psicologia industrial, muitas vezes chamada psicologia da engenharia, engenharia humana, engenharia dos fatores humanos ou simplesmente ergonomia.
O enfoque inicial dos psicólogos industriais durante a década de 1920 consistia na seleção e na colocação dos cândidos – a escolha da pessoa certa para a posição mais adequada Em 1927, o programa da área ampliou-se consideravelmente como programa de pesquisa inovador conduzido pela Western Electric Company, na fábrica de Hawthorne, em Illinois. Esses estudos ultrapassaram o limite da seleção e da colocação pessoal, abordando problemas mais complexos das relações humanas, como a motivação e o moral. Os estudos de Hawthorne levaram os psicólogos a explorarem o aspecto social e o aspecto psicológico do ambiente de trabalho, incluindo o comportamento da liderança, a formação de grupos informais de trabalho, as atitudes dos funcionários, os padrões de comunicação entre os subordinados e seus superiores, além de outros fatores capazes de influenciar a motivação, a produtividade e a satisfação.

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