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Universidade Estácio de Sá Curso de Psicologia Assédio no trabalho Macaé, 13 de Abril O assédio é um ato de insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém. Existe o assédio moral, aquele que tem o intuito de fragilizar, humilhar, constranger, inferiorizar, isolar e/ou desqualificar o funcionário, e existe o assédio sexual, onde o agressor pretende obter favores sexuais da vítima, mediante imposição da vontade. Com “imposição da vontade” quer dizer que não há reciprocidade da vítima e o ato causa constrangimento fazendo com que a vítima se sinta agredida, lesada, perturbada e/ou ofendida. O assédio pode ocorrer tanto no ambiente de trabalho como fora, seja em uma carona, em uma festa da empresa ou mesmo através do contato por redes sociais. Existem diferentes direções para o assédio, valendo tanto para o moral quanto para o sexual. Há o assédio horizontal, que é quando ocorre entre colegas de posições iguais ou parecidas, o vertical ascendente, ocorrendo de um subordinado para um superior, e, o mais frequente, vertical descendente, em que o superior é o assediador e a vítima é o subordinado. As vítimas de um assédio, seja moral ou sexual e independente da direção, podem sofrer consequências por esses constrangimentos, por exemplo, desenvolvendo problemas de saúde como ansiedade, depressão, agressividade, hipertensão arterial, crises de asma, taquicardia, entre outros. O assédio moral caracteriza-se por acusações, boatos, humilhações, exclusão social, imposição de situações constrangedoras, indiretas, insultos, piadas, ameaças, críticas, sobrecarga de tarefas, instruções imprecisas, imposição de horários, isolamento, restrição ao uso do banheiro, entre outros, com uma certa repetição. Quando um ato se torna ofensivo à honra, à imagem do empregado ou à sua boa fama é considerado assédio moral. Já o assédio sexual é caracterizado por expressões, comentários, indiretas, mensagens de celular, e-mails, entre outros, além do contato físico que visam obter algum proveito sexual em cima da vítima. Dependendo da situação não é necessário que haja uma repetição, como por exemplo em uma situação em que o assediador agarra a vítima, ou realiza qualquer ato mais brusco visando a obtenção de uma vantagem sexual. A simples agressão, neste caso, basta. Toda atividade apresenta certo grau de imposição, com cobranças e avaliações. Portanto, algumas situações não se configuram assédio moral no trabalho, mas apenas como a dinâmica natural do ambiente corporativo. Algumas situações são, por exemplo, transferências de postos de trabalho ou mudanças decorrentes de prioridades institucionais, exigência de que o trabalho seja cumprido com zelo, dedicação e eficiência, exigência de que cada um se comporte de acordo com as normas legais e regimentais, entre outros. Assim como, se ocorreu uma mera sedução não ofensiva, sem relevância com a função exercida e ainda não é repelida, não é considerado assédio sexual. Ao tomar consciência de que se encontra em uma situação de assédio, a vítima deve procurar o departamento de Recursos Humanos da organização, o sindicato da categoria, registrar ocorrência na delegacia e nas Superintendências Regionais do Trabalho. Algumas formas de comprovar o assédio, seja ele qual for, são anotar as humilhações sofridas com detalhes como data, hora e quem testemunhou, através de mensagens, gravações e e-mails, procurar ajuda dos colegas que já observaram a situação e evitar conversas com o agressor sem companhia. Caso não tenha provas, é possível se dirigir à Delegacia de Polícia e solicitar a abertura de um Inquérito Policial para que o crime seja investigado. A vítima ainda tem o direito de deixar o emprego e solicitar a rescisão indireta do contrato, ou seja, recebendo todos os direitos que se tem ao ser demitido sem justa causa, além de indenização por danos morais e físicos. O assediador, por sua vez, deve ser demitido por justa causa da empresa, mesmo que a vítima opte por não permanecer na vaga. A empresa é responsável pelos atos de seus funcionários e colaboradores. Assim, qualquer conduta que afetar a integridade dos trabalhadores no ambiente de trabalho também é de responsabilidade da empresa. Para prevenir e evitar o assédio sexual, a empresa tem como responsabilidade tomar uma série de medidas, que vão desde a realização de treinamentos, criação de canais de comunicação para explicar as regras internas e condutas que não são admitidas pela empresa, incluir cláusulas sociais nos acordos coletivos junto ao sindicato visando a prevenção do assédio, entre outras. Empresas que não contam com uma política interna para evitar e prevenir o assédio também podem buscar o auxílio de um advogado ou do próprio departamento jurídico, a fim de instituir boas práticas no dia a dia.