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CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA AULA 15 NECRÓPSIA ASPECTOS LEGAIS E TÉCNICAS NECROPSIAIS ASPECTOS LEGAIS Exame Necropsial é regido pelo Código de Ética Médica e pelo Código de Processo Penal. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA – CÓDIGO DE ÉTICA Art 118: É vedado ao médico deixar de atuar com absoluta isenção quando designado para servir como perito ou auditor, assim como ultrapassar os limites das suas atribuições e competência. Art 119: É vedado ao médico assinar laudos periciais ou de verificação médico-legal, quando não o tenha realizado ou participado pessoalmente do exame. Art 120: É vedado ser perito de paciente seu, de pessoa da família ou de qualquer pessoa com a qual tenha relações capazes de influir em seu trabalho. Art 121: É vedado intervir, quandoem função de auditor ou perito, nos atos profissionais de outro médico, ou fazer qualquer apreciação em presença do examinado, reservando suas observações para o relatório. CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA ASPECTOS LEGAIS Exame Necropsial é regido pelo Código de Ética Médica e pelo Código de Processo Penal. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL Infração penal Art. 6 – Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: I. dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; II. Apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; III. determinar, se for o caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias. CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA ASPECTOS LEGAIS CÓDIGO DE PROCESSO PENAL Infração penal Art. 112. O juiz, o órgão do Ministério Público, os serventuários ou funcionários de justiça e os peritos ou intérpretes abster-se-ão de servir no processo, quando houver incompatibilidade ou impedimento legal, que declararão nos autos. Se não se der a abstenção, a incompatibilidade ou impedimento poderá ser arguido pelas partes, seguindo-se o processo estabelecido para a exceção de suspeição. Do exame do corpo de delito Art. 158. Quando a infração deixar vestígios será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado. CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA ASPECTOS LEGAIS CÓDIGO DE PROCESSO PENAL Do exame do corpo de delito Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, em que descreverão minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados. Parágrafo único: O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 (dez) dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos peritos. Art. 162. A autópsia será feita pelo menos 6 (seis) horas depois do óbito, salvo se os peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. Parágrafo único: Nos casos de morte violenta, bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exameinterno para a verificação de alguma circunstância relevante. ASPECTOS LEGAIS CÓDIGO DE PROCESSO PENAL Do exame do corpo de delito Art. 164. Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em que forem encontrados, bem como, na medida do possível, todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime. Art. 165. Para representar as lesões encontradas no cadáver, os peritos, quando possível, juntarão ao laudo do exame provas fotográficas, esquemas ou desenhos, devidamente rubricados. Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. Art. 170. Nas perícias de laboratório, os peritos guardarão material suficiente para a eventualidade de nova perícia. Sempre que conveniente, os laudos serão ilustrados com provas fotográficas, ou microfotográficas, desenhos ou esquemas. CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA TÉCNICAS NECROPSIAIS Cada serviço utiliza uma ou mais técnicas de necropsia, que podem também ser adaptações de uma das quatro técnicas principais: de Virchow, Ghon, M. Letulle e Rokitansky. • Virchow: os órgãos são retirados um a um e examinados posteriormente. • Ghon: realizada pela retirada de monoblocos de órgãos anatomicamente ou funcionalmente relacionados. • M. Letulle: o conteúdo das cavidades torácica e abdominal é retirado em um só monobloco. • Rokitansky: os órgãos são retirados isoladamente após terem sido abertos e examinados "in situ“ (no interior do corpo). CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA TÉCNICAS NECROPSIAIS IML Técnicas mais usadas: Virchow e Rokitansky. Por que são as mais utilizadas no IML? CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA SVO e “Necrópsias Hospitalares” Técnicas mais utilizadas: Letulle e Ghon. Por que são as mais utilizadas em SVO e “Necrópsias Hospitalares”? Permitem maior rapidez na perícia, com um direcionamento para os órgãos de maior interesse. Permitem maior detalhamento na perícia, com a retirada em blocos e análise integral de todos os órgãos. É uma necrópsia explorativa. TÉCNICAS NECROPSIAIS TÉCNICA DE VIRCHOW • Desenvolvida em 1874 na Alemanha pelo médico polonês Dr. Rudolf Virchow. • Primeira padronização da técnica de necrópsia utilizada até os dias atuais. • Os órgãos são retirados um a um, pesados e examinados separadamente. • A abertura do tórax e abdome é a padrão biacrômio esterno pubiana e a do crânio é a bimastóidea vertical. • Após o exame dos órgãos, eles são colocados novamente dentro do cadáver. CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA TÉCNICAS NECROPSIAIS TÉCNICA DE VIRCHOW CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA TÉCNICAS NECROPSIAIS TÉCNICA DE ROKITANSKY • Karl Von Rokitansky estabeleceu a técnica de necropsia com o estudo sistemático de cada órgão. • Nesta técnica os órgãos são examinados “in situ”, ou seja, dentro do cadáver, um a um. • Nesta técnica são feitos cortes em todos os órgãos internos. Depois são retirados, um a um e examinados detalhadamente. • Esta técnica possui semelhanças com a técnica de Virchow. • Quais as diferenas entre as técnicas de Virchow e Rokitansky? CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA Virchow: os órgãos são retirados um a um para depois serem examinados. Rokitansky: os órgãos são examinados ainda dentro do cadáver, para depois serem retirados, um a um, para serem examinados. CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA TÉCNICAS NECROPSIAIS TÉCNICA DE ROKITANSKY TÉCNICAS NECROPSIAIS TÉCNICA DE LETULLE • Na técnica desenvolvida pelo patologista Maurice Letulle é feita a evisceração (retirada das vísceras do cadáver) através de um único bloco. • É realizada nas cavidades torácica e abdominal seguindo as etapas abaixo: • A pele abaixo da região mentoniana (queixo) é rebatida, juntamente com os planos musculares, e é feito um corte nos músculos localizados abaixo da língua. • A língua é tracionada em sentindo ântero-inferior, e os músculos da região cervical são dissecados, liberando a traquéia e o esôfago, que são removidos juntamente com a lingua. CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA TÉCNICAS NECROPSIAIS TÉCNICA DE LETULLE • Os pulmões são liberados posteriormente. • O diafragma será cortado na porção posterior. • O fígado é liberado juntamente com o pâncreas e o estômago. • O intestino delgado e o grosso são descolados da parede abdominal, através da secção do mesentério. • No final do intestino grosso, é feito um nó-duplo, para evitar o vazamento do conteúdo intestinal quando for seccionado. • Os rins são retirados após a remoção dos intestinos. CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA TÉCNICAS NECROPSIAIS TÉCNICA DE GHON • Inicia-se com uma incisão em Y. • Aprofunda-se a incisão até se encontrar o gradil costal, iniciando-se a dissecção por baixo dos planos musculares. • Alcançada a clavícula, a dissecçãopassa a ser subcutânea, devendo-se alcançar a mandíbula e os acrômios. • Exposto o gradil costal, faz-se uma incisão mediana desde a margem do corte anterior até o púbis, desviando da cicatriz umbilical, profunda o bastante para cortar o peritôneo, mas sem lesar os órgãos subjacentes. • Disseca-se a pele e secciona-se os músculos da parede abdominal, expondo toda a cavidade abdominal. CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA TÉCNICAS NECROPSIAIS TÉCNICA DE GHON • Primeiro monobloco: órgaos torácicos e cervicais (pulmões, coração, laringe, traquéia, esôfago, grandes vasos e estruturas mediastinais). • Solta-se a extremidade superior do monobloco seccionando-se, sob a mandíbula, a base da língua e a parte inferior da orofaringe. • Traciona-se anteriormente e solta-se o esôfago da coluna vertebral e secciona-se os feixes vásculo- nervosos braquiais. • Segundo monobloco: fígado, sistema biliar, estômago, segmentos do esôfago e duodeno, baço e pâncreas. • Secciona-se ambas as cúpulas diafragmáticas na região central, ântero-posteriormente. Depois libera- se o baço, pâncreas e segmento do duodeno até a coluna vertebral, deixando a aorta intacta. • CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA TÉCNICAS NECROPSIAIS TÉCNICA DE GHON • Terceiro monobloco: rins, ureteres, bexiga, próstata e vesículas seminais/útero, tubas e ovários, reto e supra-renais. • Solta-se os rins e as supra-renais. • Continua-se a dissecção para baixo, em direção à pelve • Passa-se então para a liberação dos órgãos pélvicos. • Quarto monobloco: segmento terminal do duodeno, jejuno, íleo e cólon. Deve ser o primeiro monobloco a ser retirado e examinado após a abertura das cavidades abdominal e torácica. CURSO AUXILIAR DE NECROPSIA ATIVIDADE PRÁTICA Descreva os caracteres antropomóficos dos dois corpos apresentados na sequência ATIVIDADE PRÁTICA Descreva os caracteres antropomóficos dos dois corpos apresentados na sequência ATIVIDADE PRÁTICA Descreva os caracteres antropomóficos dos dois corpos apresentados na sequência ATIVIDADE PRÁTICA Descreva os caracteres antropomóficos dos dois corpos apresentados na sequência ATIVIDADE PRÁTICA Descreva os caracteres antropomóficos dos dois corpos apresentados na sequência ATIVIDADE PRÁTICA Descreva os caracteres antropomóficos dos dois corpos apresentados na sequência