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1
Fabio Batalha Monteiro de Barros
Profissão Fisioterapeuta
História social, legislação, problemas e desafios 
1a Edição
Rio de Janeiro
Junho de 2011
2
A obra Profissão Fisioterapeuta - História social, legislação, problemas e desafios de 
Fabio Batalha Monteiro de Barros foi licenciada com uma Licença Creative Com-
mons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adap-
tada.
Compartilhe! Você tem a liberdade de copiar, transmitir ou distribuir este livro, des-
de que citada a obra e o autor e de que não seja para fins comerciais.
A versão impressa mais atualizada deste livro pode ser adquirida no site da livraria 
em www.agbook.com.br. Adquira seu exemplar impresso diretamente da editora.
Contatos com o autor pelo e-mail fabiobmb@gmail.com
Monteiro de Barros, Fabio Batalha.
 Profissão Fisioterapeuta: História social, 
legislação, problemas e desafios / Fabio Ba­
talha Monteiro de Barros. – Rio de Janeiro: 
Editora Agbook, 2011.
 251 p. 
 ISBN 978­85­911855­1­1 
 
 1. Fisioterapeuta 2. Fisioterapia 3. Poliomie­
lite 4. História das profissões 5. Legislação 
profissional II. Título
3
http://www.agbook.com.br/
mailto:fabiobmb@gmail.com
Agradecimentos
Gostaria de agradecer aqui aos muitos colegas fisioterapeutas que conheci pessoal-
mente. Nas salas de aula, nos eventos e locais de trabalho. Pessoas admiráveis, mui-
tos apaixonados pela profissão. Foram muitas conversas, debates, leituras e pesqui-
sas, diferenças, discordâncias e pontos em comum. Grande parte deste livro devo a 
estes encontros. A todos vocês minha gratidão e meu reconhecimento.
Adriana Almeida Liu Leal
Adriana Macedo Laura Oliveira
Adriane Batiston Levi Santarosa
Alberto Galvão de Moura Filho Luciana Mamede 
Alessandra Mello Luciana Sogame
Alessandro Luz Mabel Moreira
Alini Ploszaj Marcelo Sidney Gonçalves
Allan Ponts Marcia Mayrinck
Ana Claudia Barbosa Marcos Freitas
Ana Rosa Maria Alice Junqueira Caldas
Andre Luis Santos Marinômio Carneiro (in memoriam)
Anke Bergman Mariza Gusmão
Caio Villalón e Tramont Mary Lee
Carla Centurião Mirella Veras
Carlos A.C. Azeredo (in memoriam) Monica Romitelli
Célia Cunha Nilton Petrone
Clarice Baldoto Odiléa Alves de Souza 
Claudia Guilherme Paula Chagas
Claudia Oliveira Rafaela Souza
Denise Ricieri Raquel Pimentel
Edneia Leme Regina Figueirôa
Elirez Bezerra da Silva Renata Contador
Ernani Costa Mendes Renato Teixeira
Euclides Arreguy Ricardo Pereira
Eudoberto Figueiredo Rita Vereza
Fabio Feitosa Rivaldo Novaes 
Fatima Erthal Rosa Carvalho
Felipe Reis Ruy Gallart de Menezes
Fernanda Torres Sandroval Torres
Fernando Guimarães Simone Jesus
Fernando Prati Solange Canavarro
George Sabino Sônia Gusman
Giselle Oliveira Tatiana Maia Azevedo
Henrique Alves Valéria Oliveira 
Henrique Rossi Vania Priamo
Jeferson Catunda Vera Maria da Rocha
José Rubens Rebelatto Waleska da Silveira
Kleber Orlando Pinto Themis Goretti
4
Aos colegas trabalhadores da saúde, docentes e pesquisadores, meu muito obrigado:
Alexandre Magno Teixeira de Carvalho
Ana Beatriz de Sá Almeida 
Ana Luz Frances
Angela Deise Santos
Elizabeth Benjó
Fernanda Marinho
Gilberto Hochman 
Inez Maria da Silva
Janaína Soares
Jane Dutra Sayd
José Flavio Pessoa de Barros (in memoriam)
Laurinda Rosa Maciel 
Léa Soares 
Lizete Ribeiro Vaz
Marcia Cabral
Marcos Vinicius Machado de Almeida
Maria Antonia Pedrosa Campos 
Marly Silva da Motta 
Nilton dos Santos
Pablo Zaffaroni
Renee Lutz-Delaney
Sandra Pacheco
Silvia da Silveira Mello Vargas
5
Dedicatória
Romualdo Luiz Monteiro de Barros, jornalista, caminhante da política e da 
vida, e acima de tudo meu Pai, que me ensinou a escrever e me ajudou a dar 
os primeiros passos na vida.
Eduarda Medeiros Ferraz, minha esposa e companheira, pela inspiração, in-
centivo e amor, sem o qual não poderia seguir adiante.
Ao Pai Pingo, por sua caminhada espiritual de luz, paz e caridade preser-
vando as raízes indígenas e africanas em Belém do Pará.
Aos estudantes, grandes mestres nesta jornada de eterna aprendizagem.
6
Prefácio
“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posi-
ção que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a 
uva e quem lucra com esse trabalho.”
Paulo Freire
Primeiramente é um prazer poder apresentar esta produção de um colega fi-
sioterapeuta, professor universitário, mestre em Saúde Coletiva e Doutor em 
História das Ciências, que em tão pouco tempo conseguiu produzir uma 
obra importantíssima.
Embora o prefácio possa ser entendido somente como uma apresentação 
deste livro, sabemos que a história do autor é também tão importante quanto 
sua obra. Quem a escreve tem vida, experiência, vivência, que contextuali-
zada, nos justifica o porquê dessas ideias, da condução de suas palavras. 
Formado na primeira turma da UFRJ (primeiro curso público em fisiotera-
pia no Estado do Rio de Janeiro e criado somente em 1993), época em que o 
Brasil tinha um pouco mais de 50 cursos e que, considerando os números 
apresentados, tem atualmente 442 cursos, Fabio viu este estrondoso cresci-
mento, não somente de cursos como também de números de profissionais.
Sua inquietude lhe levou a estudar referenciais teóricos da sociologia das 
profissões, para buscar o entendimento do que é profissão, como uma deter-
minada profissão alcança sua autonomia, sua valorização profissional, seu 
ideal de serviço, como se dão as disputas profissionais, o mercado, etc. 
Em sua prática docente pode ter contato com diversas instituições de ensino, 
alunos, dirigentes, professores, além de participar da Associação Brasileira 
de Ensino em Fisioterapia, bem como da aproximação de um conselho pro-
fissional. Isso demonstrou seu grande interesse em participar ativamente da 
construção da história da fisioterapia no Brasil. 
A preocupação com a saúde e a educação pública também sempre foram, e 
ainda é, sua veia mestra. Parte do entendimento que todo cidadão deve ter 
garantido o acesso de qualidade aos bens e serviços de saúde e educação; 
que nossos governantes, e outros que ocupam cargos de poder, têm o dever 
de promover melhoria de vida a população. 
Sendo assim, buscou em diversas áreas do saber explicações, definições, 
conceitos, para ajudarmos a pensar sobre nossa profissão. Esta obra não é 
somente importantíssima no meio acadêmico da fisioterapia, também passa 
a ser leitura obrigatória a todos os fisioterapeutas e, ousaria mais, também a 
outras profissões. O conteúdo acrescenta também reflexões a outras profis-
7
sões da saúde. Com certeza temos caminhos parecidos com outras profis-
sões e vice-versa. 
Neste contexto, Fabio nos conduz, com sua didática de um bom professor, 
caminho de reflexão em nossa profissão. Momentos raros de poder refletir 
sobre nossa verdadeira práxis. De como estamos e o que podemos mudar no 
nosso futuro. A realidade que nos apresenta não é pessimista, mas recheada 
de ações que podemos todos, unidos, fazermos para mudar nosso futuro. 
Sem ação não há futuro promissor. Sem reflexão, não saberemos como agir. 
O que não podemos é ficar parados, reclamando, deixando que outros pou-
cos façam por nós. Este é o grande convite!
Maria Alice Junqueira Caldas
Professora da Faculdade de Fisioterapia da UFJF, mestre em Educação Es-
pecial, doutora em Saúde Coletiva e Vice-coordenadora da Associação Bra-
sileira de Ensino em Fisioterapia – ABENFISIO (gestão 2009/2011)
8
Apresentação
Este livro é fruto de mais de uma década de atuação como professor das dis-
ciplinas de história e fundamentos da fisioterapia, ética e deontologia, e saú-
de coletiva em diferentes instituições públicas e privadas de ensino no país.
O texto aqui apresentado é baseado principalmente em minhas pesquisas de 
mestrado e doutorado relacionadas à profissão de fisioterapeuta no Brasil. 
Tais pesquisas não seriam possíveis sem o diálogo com diversos professores 
e pesquisadores das mais diferentes áreas, aos quais, desde já, registro mi-
nha gratidão. 
O presente trabalho foi também influenciadopelos anos de militância em 
diferentes espaços políticos da profissão. Neste ponto foram relevantes mi-
nha participação como fundador do Centro Acadêmico de Fisioterapia da 
UFRJ, fundador da Associação dos Acadêmicos de Fisioterapia do Estado 
do Rio de Janeiro (ASAFERJ), fundador e editor da revista técnico-científi-
ca Fisiobrasil, membro da Associação dos Fisioterapeutas do Estado do Rio 
de Janeiro (AFERJ) e do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupa-
cionais do Rio de Janeiro (SINFITO-RJ), integrante da Associação Brasilei-
ra de Ensino em Fisioterapia (ABENFISO) e conselheiro do Conselho Regi-
onal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 2a. Região – CREFITO2. 
Mais do que participar de instituições e grupos, foi fundamental o contato 
humano, a troca de conhecimentos, experiências, reflexões, críticas, angús-
tias, decepções, alegrias e esperanças. 
Neste texto, procuro compartilhar o que aprendi ao longo destes anos com o 
leitor, trata-se de um convite/desafio à reflexão, ao pensar e agir sobre a rea-
lidade da qual fazemos parte coletivamente.
O ponto de partida é a história como ferramenta de análise da construção da 
identidade social da profissão de fisioterapeuta no país. De onde viemos e 
quem somos como profissão organizada é entendimento fundamental para 
compreendermos nossas tendências e superarmos desafios na construção 
coletiva do presente e futuro. Esta construção tem relação com a história, 
com doenças, desenvolvimento de técnicas, com disputas entre categorias 
profissionais, com a política, sociedade e diferentes outros setores e interes-
ses. 
Ao produzir este livro, parti do pressuposto de que a realidade é produzida 
histórica e socialmente por nós. Temos, portanto, a capacidade de interferir 
positiva ou negativamente em nossas vidas e também na realidade, no pre-
sente e no futuro de nossa profissão.
9
Em função deste pressuposto, optei por organizar didaticamente o livro em 
três partes, seguindo orientações gerais da metodologia da problematiza-
ção1. 
A partir da observação da realidade da profissão de fisioterapeuta, analisei 
diferentes pontos de vista, incômodos, contradições e/ou problemas a serem 
superados, para então buscar embasamento teórico necessário para intervir 
na realidade. Seguindo esta orientação, a primeira parte do livro intitula-se 
“Observação da realidade”, onde o leitor será convidado a refletir sobre a 
realidade do fisioterapeuta de hoje, buscando identificar possíveis contradi-
ções.
Na segunda parte do livro os diversos textos apresentam as “bases teóricas” 
(história e legislação profissional) que permitem o aprofundamento na dis-
cussão sobre a profissão de fisioterapeuta e suas múltiplas relações.
Na terceira parte são discutidas algumas das alternativas de enfrentamento e 
superação dos problemas, a “aplicação à realidade”, com base nos achados 
teóricos discutidos anteriormente. 
Este livro destina-se a todos que queiram refletir e aprofundar questões rela-
cionadas à profissão de fisioterapeuta no Brasil. Professores e estudantes 
podem utilizar este livro também como guia para as disciplinas dos cursos 
de graduação e pós-graduação em fisioterapia, especialmente as relaciona-
das à história e fundamentos de fisioterapia, ética e deontologia profissional 
e legislação em fisioterapia2.
Espera-se com este livro oferecer informações relevantes sobre a profissão 
de fisioterapeuta no Brasil, e, também, criar oportunidades de profunda re-
flexão e ação sobre a realidade profissional.
Boa leitura!
Fabio Batalha Monteiro de Barros
fabiobmb@gmail.com
1 Berbel, N.AN. (Org.) Metodologia da Problematização: Fundamentos e Aplicações. Eduel, 
Londrina, 1999.
2Para utilização didática durante as disciplinas da graduação e pós-graduação sugiro a leitura 
do anexo ao final do livro intitulado “Guia didático para professores e estudantes”.
10
Índice
Prefácio..............................................................................7
Apresentação......................................................................9
Observação da realidade...............................................17
Introdução........................................................................18
O senso comum................................................................19
A opinião dos fisioterapeutas...........................................21
A visão oficial..................................................................25
Definições oficiais sobre a profissão de fisioterapeuta....27
Formação dos fisioterapeutas no país..............................35
Entidades da fisioterapia e a importância do coletivo......38
Qual o problema?.............................................................40
Bases teóricas.................................................................45
Produção bibliográfica sobre a profissionalização da fisioterapia.46
Mas o que é afinal uma profissão?...................................51
A fisioterapia antes do fisioterapeuta ..............................56
Profissões e Modernidade................................................61
Apropriação dos saberes populares..................................63
Reabilitação: campo de disputas profissionais.................67
A Formação de fisioterapeutas no cenário internacional. 69
A expansão da fisioterapia e da reabilitação no Brasil....73
Reabilitação e a cura social..............................................75
Organismos internacionais e a multiplicação de centros de 
reabilitação.......................................................................78
Poliomielite......................................................................82
Poliomielite e o desenvolvimento da fisioterapia............87
As epidemias de poliomielite no Brasil...........................95
Filantropia e a fundação da ABBR..................................99
Os primeiros fisioterapeutas brasileiros.........................104
Identidade e disputas profissionais................................112
O Reconhecimento da profissão....................................117
Os projetos de lei no Congresso Nacional anos antes da 
regulamentação da profissão..........................................125
11
O processo de reconhecimento da ERRJ no Conselho Na-
cional de Educação.........................................................127
Uma história de luta ......................................................133
A regulamentação..........................................................136
Criação do sistema COFFITO/CREFITOS....................138
Disputas no Supremo Tribunal Federal.........................141
O currículo mínimo de 1983..........................................147
A Fisioterapia na virada do século XXI.........................149
Desafios e tendências.....................................................152
Legislação referente a profissão de Fisioterapeuta .....................154
Leis Federais........................................................................154
Decreto-Lei 938/69 – Reconhece a profissão de Fisiotera-
peuta e de Terapeuta Ocupacional no país.....................154
Lei 6.316/75 – Cria o Sistema COFFITO-CREFITOS .156
Inclui o Fisioterapeuta na categoria funcional de nível su-
perior..............................................................................163
Jornada de trabalho máxima de 30 horais semanais......165
Principais resoluções do COFFITO.....................................166
Código de Ética Profissional..........................................166
Diagnóstico Fisioterapêutico, exames complementares e 
registro de empresas.......................................................174
Relação com empresas de Planos de Saúde...................176
Proibição de atender por convênio de plano de saúde 
quando este desrespeitar normas legais. Responsabiliza os 
CREFITOs pela fiscalização sob pena de omissão........179
Responsabilidade Técnica..............................................182
Relação professor/aluno nos estágios............................185Emissão de laudos, atestados e pareceres......................186
Práticas integrativas e complementares.........................188
Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapaci-
dade e Saúde - CIF.........................................................190
Referencial Nacional de Honorários Fisioterapêuticos - 
RNHF.............................................................................192
Resoluções e leis do Ministério da Saúde............................200
CNS define as 14 profissões de saúde no Brasil............200
Estratégia de Saúde da Família - NASF.........................201
Resoluções e leis do Ministério da Educação......................205
Diretrizes Curriculares Nacionais da Fisioterapia.........205
Carga Horária Mínima dos cursos de graduação...........211
Tempo mínimo de integralização dos cursos ................215
12
Aplicação à realidade..................................................219
Bibliografia e fontes....................................................227
Anexos..........................................................................237
Guia didático para professores e estudantes..................238
Bases de dados sobre fisioterapia e saúde na internet....241
Lista de debates via e-mail.............................................242
SITES.............................................................................243
Parecer 602 de 1961, do Conselho Nacional de Educação
........................................................................................244
Texto do Parecer 388/63 antes de sofrer alterações no ple-
nário do CFE..................................................................247
Texto final do Parecer 388/63 aprovado com correções no 
plenário do CFE e Portaria Ministerial 511/64..............249
Reconhecimento da Escola de Reabilitação...................250
Atualização e contatos...................................................251
13
“É preciso que saibamos que, sem certas qualidades ou virtudes como amo-
rosidade, respeito aos outros, tolerância, humildade, gosto pela alegria, gos-
to pela vida, abertura ao novo, disponibilidade à mudança, persistência na 
luta, recusa aos fatalismos, identificação com a esperança, abertura à justiça, 
não é possível a prática pedagógico-progressista, que não se faz apenas com 
ciência e técnica. ”
Pedagogia da Autonomia, Paulo Freire.
14
Observação da realidade
15
Introdução
Há diversas formas de perceber a realidade. Por mais objetiva que seja a vi-
são da realidade, sempre será parcial e relativa. Por isso cada um de nós, ao 
observarmos a realidade que nos cerca pode (e deve) perceber a realidade de 
maneira diferente, e esta percepção poderá ser modificada cada vez que se 
volta a observar. Nossa observação, portanto, depende de nossa história pes-
soal ou profisisonal, nível de escolaridade, experiências pregressas, estado 
de humor entre tantas outras variáveis.
Já dizia o filósofo Heráclito (aprox. 500 a.C.) que um homem nunca toma 
banho duas vezes no mesmo rio, pois no tempo entre duas ações o homem e 
o rio já não são mais os mesmos. Tudo se modifica, a todo o tempo.
Isso não significa, no entanto, que não se possa observar criticamente a rea-
lidade, mas que devemos, ao observa-la, escutar ou ler a opinião de outros 
observadores, nos questionar sobre qual o ponto de vista de determinada ob-
servação, seja ela resultado de uma conversa, entrevista, matéria de jornal, 
artigo ou documento oficial. Quais interesses estão em jogo? Qual a conjun-
tura social e histórica? De onde fala este observador? A quais interesses 
procura atender?
Obviamente, tal postura crítica vale também para a observação da realidade 
descrita aqui neste livro. Por mais ampla que seja, bem realizada e atualiza-
da, sempre será relativa, provisória e parcial. De forma didática apresentare-
mos três análises diferentes sobre a profissão de fisioterapeuta, “o senso co-
mum”, “a visão dos fisioterapeutas” e a “visão oficial”. 
16
O senso comum
Quando nos referimos ao senso comum temos as mais variadas opiniões so-
bre a profissão de fisioterapeuta. É possível perceber isso ao entrevistar pes-
soas que não tenham formação na área da saúde, donas de casa, trabalhado-
res em geral. Inclusive estudantes de primeiro período, em sua maioria, tra-
zem ainda muito do senso comum sobre a profissão de fisioterapeuta. Cada 
um dos leitores está convidado a pesquisar e refletir sobre qual é o senso co-
mum sobre a profissão de fisioterapeuta, em sua casa, seu bairro, local de 
trabalho/estudo e em sua cidade.
Em minhas observações, o senso comum vem tratando o fisioterapeuta prin-
cipalmente como profissional da reabilitação. Isso não é estranho, tendo em 
vista que ainda muitos fisioterapeutas tem forte identificação com este con-
ceito. “Profissional que trata de pessoas em reabilitação após acidente”, “es-
pécie de médico”, “reabilita pacientes com massagem”. Muitas pessoas con-
fundem o fisioterapeuta com médico, massagista ou mesmo com educador 
físico. 
Não é raro também a população associar o trabalho do fisioterapeuta com o 
atendimento de pessoas com algum tipo de lesão, ou pessoas com deficiên-
cia física.
O que reina, de maneira geral, é um enorme desconhecimento por parte da 
população sobre quem é o fisioterapeuta e o que ele realmente faz. Não é de 
se estranhar tamanho desconhecimento quando entendemos uma outra quei-
xa recorrente da população: a dificuldade de acesso ao profissional. Mesmo 
aqueles que têm lesões importantes como sequelas de acidente vascular en-
cefálico, encontram dificuldades para ter acesso ao fisioterapeuta na rede 
pública de saúde. Com tamanha falta de contato com o fisioterapeuta, é 
compreensível que a população não o reconheça.
As referências à palavra reabilitação, reabilitar, readaptar, restaurar, recon-
dicionar são muito utilizadas na fala da população e indicam normalmente a 
crença de que caberia ao fisioterapeuta devolver ao paciente algo que lhe foi 
tirado (função/movimento), seja por um acidente, lesão ou outro processo 
de adoecimento.
Normalmente as pessoas também se referem a ida a um fisioterapeuta com a 
expressão “fazer fisioterapia”. E as consultas como “sessões”. Tais expres-
sões são muitíssimo comuns.
É interessante, pois trata-se de uma forma diferenciada de referir-se ao trata-
mento com o fisioterapeuta, uma vez que com outras profissões da saúde 
normalmente não se encontra tal forma de expressão (irei ao médico, ao in-
vés de “vou fazer medicina”; irei ao dentista, ao invés de “vou fazer odonto-
logia”). Tal referência parece indicar que a população sabe da importância 
17
da fisioterapia como tratamento, no entanto tem dificuldade em reconhecer 
o fisioterapeuta como responsável desta área. Obviamente pessoas que já 
foram atendidas por um bom fisioterapeuta guardam boas opiniões sobre o 
trabalho deste profissional e normalmente o reconhecem como membro im-
portante da área da saúde. 
Mais pesquisas com relação à satisfação da população e relevância social do 
fisioterapeuta deveriam ser realizadas para identificar com maior precisão a 
visão da população sobre esta categoria profissional, tanto por usuários do 
SUS (Sistema Único de Saúde), quanto por clientes de planos privados de 
saúde e consultas particulares.
18
A opinião dos fisioterapeutas
Nas listas e grupos de discussão da internet3, em congressos e eventos, ou 
mesmo nos locais de trabalho é fácil perceber diversas reclamações dos fisi-
oterapeutas quanto ao exercício de sua profissão. Sugiro que você leitor, 
procure conversar com alguns fisioterapeutas com atuação em áreas e locais 
de trabalho diferentes da profissão. Certamente ouvirá queixas, opiniões 
mais otimistas ou pessimistas.
Baixa remuneração nos planos de saúde privados, mercado de trabalho satu-
rado, falta de autonomia nos serviços de saúde, baixos salários, jornadas du-
plas ou triplas de trabalho, poucos pacientes particulares, excesso de facul-
dades, poucas vagasem concursos públicos etc. Muitas destas queixas, ob-
viamente, também são comuns a todas as categorias profissionais da saúde, 
em maior ou menor grau.
As reclamações com relação aos Conselhos de fiscalização do exercício 
profissional (CREFITOs) também são frequentes e estão relacionadas nor-
malmente a falta de reconhecimento da profissão por parte da população, a 
falta de empregos/concursos públicos e a existência de quantidade exagera-
da de novos profissionais sendo colocados no mercado de trabalho.
Obviamente tais opiniões divergem muito em função da colocação do pro-
fissional no mercado de trabalho. Em geral, quanto melhor a remuneração, 
mais otimista sua opinião com relação a realidade observada (e vice-versa). 
Muitos profissionais recebem boa remuneração tanto no SUS quanto no 
atendimento particular. Nas grandes cidades, mas também em municípios 
menores é possível identificar profissionais realmente satisfeitos com seu 
nível de remuneração.
A seguir, veremos um trecho da mensagem de uma fisioterapeuta recém for-
mada em uma lista de discussão na internet, relatando diferentes problemas 
da profissão que a levaram a cancelar seu registro profissional. A mensagem 
é forte e costuma provocar um bom debate.
“Se arrependimento matasse...
Pois é... Infelizmente, as notícias que venho dar não são as melhores... Con-
clui o curso de Fisioterapia super motivada... Queria mesmo ser Fisiotera-
peuta, e até cheguei a sentir desdém por aquelas pessoas que entram num 
curso, mas depois querem mudar... Bem! O curso afinal não é o que parece 
ser. Infelizmente! Se houvesse escala para desilusão, eu estaria bem no 
topo. De qualquer forma, os motivos que me levam a querer desistir da Fisi-
3 Nos anexos finais do livro são divulgadas algumas das listas de discussão sobre fisioterapia e 
sites existentes na internet.
19
oterapia e não querer sequer considerar, ou reconsiderar como atividade 
profissional para o resto da minha vida são:
1- O desemprego! Pois é, desiludam-se aqueles que pensam que entrar para 
Fisioterapia é sinônimo de emprego garantido e bons ordenados! O 
desemprego é uma realidade dessa profissão e os baixos salários também. 
Após a faculdade esse mercado é cruel! Há casos de alunos que acabaram 
há três anos passados o curso com boa média e estão desempregados, por-
que não há trabalho! E quando há são muito fracamente remunerados. Mas 
como se isso não bastasse, o Crefito diz que esse não é problema dele e não 
faz nada! A abertura de mais cursos em faculdades privadas não ajuda nada, 
além desses cursos só possuírem 1/3 de professores mestres e doutores, o 
mínimo exigido, a qualidade com base científica passa longe da maioria. E 
depois não adianta se especializar, como eu fiz em Saúde Coletiva, não é di-
ferencial nenhum na carreira, é só dinheiro jogado fora! A realidade é que, 
para se levar uma vida digna como Fisioterapeuta, o profissional precisa tra-
balhar pelo menos em 3 lugares, se já é difícil uma única oportunidade ima-
gine 3!!!
2- Outro problema é a desunião dos profissionais que também não facilita o 
emprego e não têm posição política... Os Fisioterapeutas não se mobilizam 
para melhorar a categoria, não lutam por interesses comuns, a começar pelo 
Crefito que não está nem aí para os problemas do mercado profissional, a 
instituição que deveríamos contar e que era para nos representar é omissa! 
Parece que o Crefito só quer ir a eventos e sair bonito na foto da revista que 
nós pagamos! 
3- Poucos Fisioterapeutas conseguem entrar no SUS. Não há concurso para 
Fisioterapeuta, e quando tem colocam 1 vaga para 10 mil candidatos, um 
absurdo! O mesmo que nada! E não basta passar na prova escrita, tem a pro-
va de títulos, geralmente quem passa possui mestrado ou doutorado e anos 
de experiência profissional. E o PSF? Somos sempre os últimos a entrar nos 
programas do governo a custo de muito blá blá blá e sacrifício, por quê? 
Cadê o reconhecimento profissional?
4- Os planos de saúde pagam uma miséria para os tratamentos de Fisiotera-
pia! No hospital ou na clínica lá estão os planos de saúde e somos meros 
prestadores de serviços, praticamente trabalhando de graça. Nesse caso as 
saídas são viver de filantropia ou abrir seu próprio consultório e seguir no 
barco sozinho, viver dos pacientes/clientes que acreditam no seu trabalho, 
pagando um preço justo, pode até ser compensador e parece muito bonito, 
mas não funciona e não ajuda a mudar a realidade da profissão, ainda é um 
investimento tão caro que você trabalha para pelo menos conseguir o retor-
no investido e nem sempre consegue. Ainda tem que depender dos médicos 
20
encaminharem pacientes, que autonomia profissional é essa? Por isso a mai-
oria vai a falência!
5- Terminar o curso onde aprendemos milhares de técnicas de diagnóstico e 
tal e tal e tal, para depois, mais tarde, se limitar a ler na receita o que o mé-
dico mandou fazer. Para que então perder tempo com Fisiologia, 
Patologia... Estatística!!!???
Quem sofre com tudo isso é o próprio paciente, é a sociedade que necessita 
dos nossos conhecimentos e trabalho!!!”
A ideia aqui não é julgar se a colega que escreveu o texto tem razão ou não, 
mas refletir sobre o que foi dito. O pior que podemos fazer é ignorar um de-
poimento de um colega, mesmo que seja uma opinião isolada pode sim pro-
vocar questionamentos importantes para o coletivo da profissão. Confrontar 
essa opinião com o senso comum e a versão oficial é importante para com-
preendermos mais profundamente a realidade da profissão no país, entender 
suas contradições.
Certamente que cada um de nós, individualmente, tem responsabilidades so-
bre a qualidade de sua formação, sua trajetória de estudos e capacitação per-
manente após a graduação e também sobre sua colocação no mercado de 
trabalho. Não se trata de retirar do indivíduo suas responsabilidades, mas, 
por outro lado, não se pode ficar alienado ignorando as influências da reali-
dade social e profissional na qual estamos inseridos. Tomar consciência dis-
so é passo fundamental para superar os problemas da realidade apresenta-
dos. 
Faço esse alerta em razão de um discurso muito presente que procura culpa-
bilizar o indivíduo por todos os males, como se fosse possível nos isolarmos 
do contexto mais geral, coletivo. 
A grande mídia e muitos colegas reforçam esta ideologia individualista do-
minante e afirmam que se você está desempregado é por incompetência sua, 
você é que não fez cinco pós-graduações e diversos cursos caríssimos, não 
fala três idiomas, não fez estágios na Europa e Estados Unidos, não traba-
lhou de graça por alguns anos junto a profissionais de renome, enfim, a cul-
pa é única e exclusivamente sua. Trata-se, portanto, de questão puramente 
individual. Ora, tal culpabilização só interessa as classes dominantes que 
ganham com a exploração e alienação dos trabalhadores. 
Na verdade este discurso esconde causas importantes do problema, mais co-
letivas: formação universitária deficiente, limitante e inadequada que não 
atende nem à profissão nem tampouco às necessidades de saúde da popula-
ção dificultando a inserção no mercado de trabalho; desemprego provocado 
para criar um contingente de reserva, criando disputas internas entre os tra-
21
balhadores, baixando salários e precarizando vínculos empregatícios; lide-
ranças da profissão e gestores do SUS mais preocupados com seus interes-
ses próprios do que com a coletividade; alienação política e social que au-
menta a competitividade predatória entre os membros de uma mesma pro-
fissão conduzindo à desunião e perda de força da coletividade; incapacidade 
de mobilizar a categoria e exercer pressão sobre as entidades profissionais e 
mercado público e privado de trabalho empobrecendo as condições de em-
pregabilidade etc.
Na definição de problemas, algumas páginas adiante, voltaremos à análise 
destas questões. 
22
A visão oficial
Nesta seção reproduziremos um pouco da visão dos órgãos oficiais e repre-sentantes do Estado brasileiro na área da fisioterapia. O ponto de vista ofici-
al pode ser obtido na legislação da profissão, resoluções dos conselhos regi-
onais e federal, em conversas com fisioterapeutas membros de associações, 
conselhos, sindicatos e demais entidades. Uma pesquisa de jurisprudência 
sobre ações na justiça relacionadas ao exercício profissional do fisioterapeu-
ta pode oferecer também uma visão oficial/judicial sobre a área.
A profissão de fisioterapeuta foi regulamentada no Brasil através do Decre-
to-Lei 938/69, em 13 de outubro de 1969. 
O fisioterapeuta pode ser definido como um profissional de nível superior 
da área de saúde, pleno, autônomo que atua isoladamente ou em equipe em 
todos os níveis de assistência à saúde, incluindo a prevenção, promoção, de-
senvolvimento, tratamento e recuperação da saúde em indivíduos, grupos de 
pessoas ou comunidades. É o profissional de saúde que se ocupa do movi-
mento humano em toda sua plenitude, com o objetivo de preservar, manter, 
desenvolver e restaurar a integridade de órgãos, sistemas e funções corpo-
rais.
No exercício de sua profissão, o fisioterapeuta poderá atuar em diferentes 
áreas e segmentos. Na atuação clínica, de tratamento e recuperação em saú-
de, este profissional pode trabalhar em clínicas privadas, consultórios e hos-
pitais, seja integrando uma equipe com outros fisioterapeutas e/ou outros 
profissionais de saúde, seja atuando isoladamente. 
Especialidades e áreas de atuação
Na área clínica o fisioterapeuta utiliza métodos diagnósticos específicos, 
prescreve e administra tratamento através de diferentes técnicas manuais, 
biomecânicas, neurofisiológicas utilizando as próprias mãos, induzindo mo-
vimentos e posturas terapêuticas, agregando equipamentos elétricos e ele-
trônicos tais como gerador de ultra-som, microondas terapêutico, ondas cur-
tas, laser, infravermelho, indutores de correntes galvânicas, farádicas, russa, 
interferencial, entre outros diversos aparelhos com funções estabelecidas de 
analgesia, eletroestimulação, cicatrização de tecidos etc. Os recursos utiliza-
dos pelo fisioterapeuta vão desde a hidroterapia, eletroterapia, até a mecano-
terapia, fototerapia, cinesioterapia dentre outros. Os recursos terapêuticos 
estabelecidos na fisioterapia têm utilidade em diferentes quadros patológi-
cos e disfunções, desdobrando-se em diversas áreas de atuação profissional, 
como, apenas exemplificando, a atuação na prevenção e tratamento das dis-
funções uro-ginecológicas, em alterações cutâneas tais como úlceras de de-
23
cúbito e no campo da estética, na saúde da criança, do idoso, nas disfunções 
dos sistemas neurolocomotor e cardio-respiratório, nas disfunções têmporo-
mandibulares, dentre muitas outras.
Além da fisioterapia clínica, este profissional pode atuar na área da saúde 
coletiva, como por exemplo, em programas e projetos de saúde pública, nas 
ações básicas em saúde, na área de vigilância sanitária e no campo de fisio-
terapia do trabalho ou saúde do trabalhador. 
Na área de educação e pesquisa sua atuação poderá ser como professor es-
pecialmente em universidades lecionando disciplinas básicas nos cursos de 
graduação da área de saúde e todas as disciplinas e conteúdos básicos e es-
pecíficos na graduação em fisioterapia, além de coordenar ou dirigir cursos 
e realizar projetos de pesquisa científica. Outras possibilidades de atuação 
encontram-se na área esportiva, no desenvolvimento, tratamento e recupera-
ção do atleta e na prevenção de lesões e na indústria de equipamentos e ma-
teriais fisioterapêuticos.
Em conseqüência das habilidades e competências adquiridas na graduação e 
em cursos de pós-graduação, o fisioterapeuta, atualmente, exerce a profissão 
atuando nos mais diferentes locais, tais como: hospitais (ambulatórios, en-
fermarias, UTIs, serviços especializados), clínicas, consultórios, indústrias, 
postos de saúde, creches, escolas, universidades, centros de pesquisa, clu-
bes, órgãos governamentais, dentre outros.
Até início de 2011 o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacio-
nal – COFFITO havia reconhecido as seguintes especialidades do fisiotera-
peuta:
Especialidades reconhecidas pelo COFFITO
• Acupuntura
• Fisioterapia Dermato-Funcional
• Fisioterapia Esportiva
• Fisioterapia do Trabalho
• Fisioterapia Neuro-Funcional
• Fisioterapia Onco-Funcional
• Fisioterapia Respiratória
• Fisioterapia Traumato-Ortopédica
• Fisioterapia Urogineco-Funcional
• Osteopatia e Quiropraxia
• Fisioterapia em Saúde coletiva
• Fisioterapia em Saúde da Mulher
24
O fisioterapeuta é responsável por todo o processo fisioterapêutico: diag­
nóstico fisioterapêutico (incluindo avaliação físico­funcional, diagnóstico 
cinesiológico­funcional e diagnóstico diferencial em fisioterapia) solicita­
ção de exames complementares (se necessário), prognóstico, prescrição 
do tratamento, realização do tratamento propriamente dito, reavaliações 
suscessivas e alta do tratamento.
Definições oficiais sobre a profissão de fisioterapeuta
Trazemos aos leitores três visões sobre a profissão de fisioterapeuta. A pri-
meira definição é a do site institucional do COFFITO, a segunda do Minis-
tério do Trabalho - Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e a tercei-
ra é a do site institucional da Associação Brasileira de Ensino em Fisiotera-
pia (ABENFISIO).
COFFITO:
Fisioterapia é uma ciência da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios 
cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, 
gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas. 
Fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematiza-
dos pelos estudos da Biologia, das ciências morfológicas, das ciências fisio-
lógicas, das patologias, da bioquímica, da biofísica, da biomecânica, da ci-
nesia, da sinergia funcional, e da cinesia patologia de órgãos e sistemas do 
corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais. 
Fisioterapeuta é o Profissional de Saúde, com formação acadêmica Superi-
or, habilitado à construção do diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcio-
nais (Diagnóstico Cinesiológico Funcional), a prescrição das condutas fisio-
terapêuticas, a sua ordenação e indução no paciente bem como, o acompa-
nhamento da evolução do quadro clínico funcional e as condições para alta 
do serviço. 
Atividade de saúde, regulamentada pelo Decreto-Lei 938/69, Lei 6.316/75, 
Resoluções do COFFITO, Decreto 9.640/84, Lei 8.856/94. 
25
Áreas de atuação
FISIOTERAPIA CLÍNICA 
1.1 - Atribuições Gerais 
1.1.1 - Prestar assistência fisioterapêutica (Hospitalar, Ambulatorial e em 
Consultórios) 
1.1.2 – Elaborar o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, prescrever, plane-
jar, ordenar, analisar, supervisionar e avaliar os projetos fisioterapêuticos, a 
sua eficácia, a sua resolutividade e as condições de alta do cliente submeti-
do a estas práticas de saúde. 
1.2 - Atribuições Específicas 
1.2.1 - Hospitais, Clínicas e Ambulatórios 
a) Avaliar o estado funcional do cliente, a partir da identidade da patologia 
clínica intercorrente, de exames laboratoriais e de imagens, da anamnese 
funcional e exame da cinesia, funcionalidade e sinergismo das estruturas 
anatômicas envolvidas. 
b) Elaborar o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, planejar, organizar, su-
pervisionar, prescrever e avaliar os projetos terapêuticos desenvolvidos nos 
clientes. 
c) Estabelecer rotinas para a assistência fisioterapêutica, fazendo sempre as 
adequações necessárias. 
d) Solicitar exames complementares para acompanhamento da evolução do 
quadro funcional do cliente, sempre que necessário e justificado. 
e) Recorrer a outros profissionais de saúde e/ou solicitar pareceres técnicos 
especializados, quando necessário. 
f) Reformular o programa terapêutico sempre que necessário. 
g) Registrar no prontuário do cliente, as prescrições fisioterapêuticas, sua 
evolução, as intercorrências e as condições de alta da assistência fisiotera-
pêutica. 
h) Integrar a equipe multiprofissionalde saúde, sempre que necessário, com 
participação plena na atenção prestada ao cliente. 
i) Desenvolver estudos e pesquisas relacionados a sua área de atuação. 
j) Colaborar na formação e no aprimoramento de outros profissionais de 
saúde, orientando estágios e participando de programas de treinamento em 
serviço. 
k) Efetuar controle periódico da qualidade e da resolutividade do seu traba-
lho. 
l) Elaborar pareceres técnicos especializados sempre que solicitados. 
1.2.2 - Em Consultórios 
26
a) Elaborar o Diagnóstico Cinesiológico Funcional, a partir da identidade da 
patologia clínica intercorrente, de exames laboratoriais e de imagens, da 
anamnese funcional e exame da cinesia, da funcionalidade e do sinergismo 
das estruturas anatômicas envolvidas. 
b) Estabelecer o programa terapêutico do cliente, fazendo as adequações ne-
cessárias. 
c) Solicitar exames complementares e/ou requerer pareceres técnicos espe-
cializados de outros profissionais de saúde, quando necessários. 
d) Registrar em prontuário ou ficha de evolução do cliente, a prescrição fisi-
oterapêutica, a sua evolução, as intercorrências e as condições de alta em Fi-
sioterapia. 
e) Colaborar com as autoridades de fiscalização profissional e/ou sanitária. 
f) Efetuar controle periódico da qualidade e funcionalidade dos seus equipa-
mentos, das condições sanitárias e da resolutividade dos trabalhos desenvol-
vidos. 
1.2.3 - Centros de Recuperação Bio-Psico-Social (Reabilitação) 
a) Avaliar o estado funcional do cliente, através da elaboração do Diagnósti-
co Cinesiológico Funcional a partir da identidade da patologia clínica inter-
corrente, de exames laboratoriais e de imagens, da amnese funcional e do 
exame da cinesia, da funcionalidade e do sinergismo das estruturas anatômi-
cas envolvidas. 
b) Desenvolver atividades, de forma harmônica na equipe multiprofissional 
de saúde. 
c) Zelar pela autonomia científica de cada um dos membros da equipe, não 
abdicando da independência científico-profissional e da isonomia nas suas 
relações profissionais. 
d) Participação plena na atenção de saúde prestada a cada cliente, na inte-
gração das ações multiprofissionalizadas, na sua resolutividade e na delibe-
ração da alta do cliente. 
e) Participar das reuniões de estudos e discussões de casos, de forma ativa e 
contributiva aos objetivos pretendidos. 
f) Registrar no prontuário do cliente, todas as prescrições e ações nele de-
senvolvidas. 
SAÚDE COLETIVA 
2.21 - Atribuição Principal 
Educação, prevenção e assistência fisioterapêutica coletiva, na atenção pri-
mária em saúde. 
2.2 - Atribuições Específicas 
2.2.1 - Programas Institucionais 
27
a) Participar de equipes multiprofissionais destinadas a planejar, implemen-
tar, controlar e executar políticas, programas, cursos, pesquisas ou eventos 
em Saúde Pública. 
b) Contribuir no planejamento, investigação e estudos epidemiológicos. 
c) Promover e participar de estudos e pesquisas relacionados a sua área de 
atuação. 
d) Integrar os órgãos colegiados de controle social. 
e) Participar de câmaras técnicas de padronização de procedimentos em saú-
de coletiva. 
f) Avaliar a qualidade, a eficácia e os riscos a saúde decorrentes de equipa-
mentos eletro-eletrônicos de uso em Fisioterapia. 
2.2.2 - Ações Básicas de Saúde 
a) Participar de equipes multiprofissionais destinadas ao planejamento, a 
implementação, ao controle e a execução de projetos e programas de ações 
básicas de saúde. 
b) Promover e participar de estudos e pesquisas voltados a inserção de pro-
tocolos da sua área de atuação, nas ações básicas de saúde. 
c) Participar do planejamento e execução de treinamentos e reciclagens de 
recursos humanos em saúde. 
d) Participar de órgãos colegiados de controle social. 
2.2.3 - Fisioterapia do Trabalho 
a) Promover ações terapêuticas preventivas a instalações de processos que 
levam a incapacidade funcional laborativa. 
b) Analisar os fatores ambientais, contributivos ao conhecimento de distúr-
bios funcionais laborativos. 
c) Desenvolver programas coletivos, contributivos à diminuição dos riscos 
de acidente de trabalho. 
2.2.4 - Vigilância Sanitária 
a) Integrar a equipe de Vigilância Sanitária. 
b) Cumprir e fazer cumprir a legislação de Vigilância Sanitária. 
c) Encaminhar às autoridades de fiscalização profissional, relatórios sobre 
condições e práticas inadequadas à saúde coletiva e/ou impeditivas da boa 
prática profissional. 
d) Integrar Comissões Técnicas de regulamentação e procedimentos relati-
vos a qualidade, a eficiência e aos riscos sanitários dos equipamentos de uso 
em Fisioterapia. 
e) Verificar as condições técnico-sanitárias das empresas que ofereçam as-
sistência fisioterapêutica à coletividade. 
EDUCAÇÃO 
3.1 - Atribuição Principal 
28
a) Dirigir, coordenar e supervisionar cursos de graduação em 
Fisioterapia/Saúde. 
b) Lecionar disciplinas básicas e profissionalizantes dos Cursos de Gradua-
ção em Fisioterapia e outros cursos na área da saúde. 
c) Elaborar planejamento de ensino, ministrar e administrar aulas, indicar 
bibliografia especializada e atualizada, equipamento e material auxiliar ne-
cessários para o melhor cumprimento do programa. 
d) Coordenar e/ou participar de trabalhos inter e transdisciplinares. 
e) Realizar e/ou participar de atividades complementares à formação profis-
sional. 
f) Participar de estudos e pesquisas em Fisioterapia e Saúde. 
g) Supervisionar programas de treinamento e estágios. 
h) Executar atividades administrativas inerentes à docência. 
i) Planejar, implementar e controlar as atividades técnicas e administrativas 
do ano letivo, quando do exercício de Direção e/ou Coordenação de cursos 
de graduação e pós-graduação. 
j) Orientar o corpo docente e discente quanto à formação do Fisioterapeuta, 
abordando visão crítica da realidade política, social e econômica do país. 
k) Promover a atualização didática pedagógica em relação à formação pro-
fissional do Fisioterapeuta. 
OUTRAS 
4.1 - Equipamentos e produtos para Fisioterapia (industrialização e comer-
cialização) 
a) Desenvolver/Projetar protótipos de produtos de interesse do Fisioterapeu-
ta e/ou da Fisioterapia. 
b) Desenvolver e avaliar a utilização destes produtos no meio social. 
c) Elaborar manual de especificações. 
d) Promover a qualidade e o desempenho dos produtos. 
e) Coordenar e supervisionar as demonstrações técnicas do produto junto 
aos profissionais Fisioterapeutas. 
f) Assessorar tecnicamente a produção. 
g) Supervisionar e coordenar a apresentação do produto em feiras e eventos. 
h) Desenvolver material de apoio para treinamento. 
i) Participar de equipes multiprofissionais responsáveis pelo desenvolvi-
mento dos produtos, pelo seu controle de qualidade e análise de seu desen-
volvimento e risco sanitário. 
4.2 - Esporte 
a) Planejar, implantar, coordenar e supervisionar programas destinados à re-
cuperação funcional de atletas. 
29
b) Realizar avaliações e acompanhamento da recuperação funcional do cli-
ente. 
c) Elaborar programas de assistência fisioterapêutica ao atleta de competi-
ção. 
d) Integrar a equipe multiprofissional de saúde do esporte com participação 
plena na atenção prestada ao atleta. 
EXIGÊNCIAS LEGAIS 
5.1 - Responsabilidade Técnica de empresas 
a) Toda empresa ligada a produção de equipamentos de utilização em Fisio-
terapia e as que prestam assistência fisioterapêutica, são obrigadas ao regis-
tro nos Órgãos de controle e fiscalização do exercício da atividade profissi-
onal da Fisioterapia (Lei n.º 6.316/75). 
b) No momento da solicitação de seu registro, deverão apresentar profissio-
nal Fisioterapeuta, para assumir a responsabilidade técnica da Empresa pe-
rante o órgão de fiscalização, a quem serão imputadas as responsabilidades 
pelas quebras da ética social que não sanear ou denunciar. 
5.2 - Registro Profissional 
a) Para o exercício da atividade profissional de Fisioterapeuta no país, é exi-
gível além da formação em curso universitário superior, o registro do seu tí-
tulo no ConselhoProfissional da categoria. 
b) A atividade profissional só é permitida após o trâmite processual e a con-
cessão de Carteira de Identidade Profissional de Fisioterapeuta (Lei nº 
6.316/75). 
Fonte: www.coffito.org.br
30
Ministério do Trabalho:
Classificação Basileira de Ocupações – CBO:
A Classificação Brasileira de Ocupações – CBO identifica ocupações no 
mercado de trabalho para fins classificatórios junto aos registros administra-
tivos e domiciliares. Os efeitos de uniformização pretendida pela CBO são 
de ordem administrativa e não se estendem a relações de trabalho.
Nomenclatura adotada: Família é a unidade do sistema de classificação. 
Ocupação é o conjunto articulado de funções, tarefas e operações destinadas 
à obtenção de produtos ou serviços. É representada pelo código de 4 
números.
Família: Fisioterapeutas
Código: 2236
Código - ocupação
2236-05 - Fisioterapeuta geral
2236-25 - Fisioterapeuta respiratória
2236-30 - Fisioterapeuta neurofuncional
2236-35 - Fisioterapeuta traumato-ortopédica funcional
2236-40 - Fisioterapeuta osteopata
2236-45 - Fisioterapeuta quiropraxista 
2236-50 - Fisioterapeuta acupunturista 
2236-55 - Fisioterapeuta esportivo
2236-60 - Fisioterapeuta do trabalho
Descrição Sumária da CBO
Aplicam técnicas fisioterapêuticas para prevenção, readaptação e recupera-
ção de pacientes e clientes. Atendem e avaliam as condições funcionais de 
pacientes e clientes utilizando protocolos e procedimentos específicos da fi-
sioterapia e suas especialidades. Atuam na área de educação em saúde atra-
vés de palestras, distribuição de materiais educativos e orientações para me-
lhor qualidade de vida. Desenvolvem e implementam programas de preven-
ção em saúde geral e do trabalho. Gerenciam serviços de saúde orientando e 
supervisionando recursos humanos. Exercem atividades técnico-científicas 
através da realização de pesquisas, trabalhos específicos, organização e par-
ticipação em eventos científicos.
Fonte: CBO-MTE (10/2010)
Site CBO: www.mtecbo.gov.br
31
Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia:
REFERENCIAL DE FISIOTERAPIA 
Carga horária mínima dos cursos de graduaçaõ em fisioterapia: 4000 h 
Tempo de integralização mínimo do curso: 5 anos 
PERFIL DO EGRESSO 
O fisioterapeuta é um profissional de saúde que atua em todos os níveis da 
atenção à saúde e em todos os ciclos de vida, objetivando a prevenção, a 
promoção e a recuperação, participando direta e indiretamente do processo 
de reabilitação de seres humanos, o que faz por meio do estudo e aplicação 
de um referencial teórico-prático, baseado em evidências científicas, dos 
distúrbios cinético-funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo 
humano gerados por alterações genéticas, por traumas, por doenças adquiri-
das ou de origem psicossomática, mediante ações preventivas ou de promo-
ção da saúde, de tratamento humanizado, globalizado e holístico, que bus-
cam a recuperação da saúde funcional dos indivíduos. 
Intervém, sobretudo, no movimento do corpo humano em todas as suas for-
mas de expressão e de potencialidades, quer nas alterações patológicas, ci-
nético-funcionais, quer nas repercussões psíquicas e orgânicas, preservando, 
desenvolvendo, restaurando a integridade de órgãos, sistemas e funções, 
desde a elaboração dos diagnósticos cinesiológicos funcionais, por meio da 
consulta fisioterapêutica, com base na Classificação Internacional de Funci-
onalidade, Incapacidade e Saúde (CIF/OMS), a eleição e a prescrição de 
condutas fisioterapêuticas convencionais e/ou integrativas e complementa-
res, sua ordenação e indução no paciente, execução, bem como, o acompa-
nhamento da evolução do quadro clínicofuncional e as condições de alta do 
serviço de Fisioterapia. 
Faz uso de recursos físicos e naturais, isolados ou combinados, de caráter 
prioritariamente terapêuticos, mas podendo ter caráter estético, que envol-
vam: o movimento, a postura e a manipulação osteopática e quiropráxica 
dos segmentos do corpo humano (cinesioterapia); luz (fototerapia); sol (he-
lioterapia); frio (crioterapia); calor (termoterapia); água (hidroterapia); ele-
tricidade (eletroterapia); massagem terapêutica (massoterapia); som (soni-
doterapia); com aparatos mecânicos por meio de equipamentos que auxili-
am na movimentação dos segmentos corporais ou do corpo como um todo 
(mecanoterapia); cavalos (equoterapia); bioenergéticos (acupuntura, do-in, 
shiatsu), entre outros. 
 
32
Formação dos fisioterapeutas no país
A evolução da profissão de fisioterapeuta ao longo das últimas décadas tem 
sido marcada pela constante luta da categoria em busca de mais espaço e 
destaque na área de saúde, através de uma melhor qualidade e resolutivida-
de assistencial e da implementação de cursos de graduação e também de 
pós-graduação lato e strictu sensu nas principais universidades brasileiras.
Ao longo dos anos a fisioterapia desenvolveu-se gradualmente em todo país 
e especialmente nos últimos 15 anos ocorreu um grande crescimento na 
oferta de vagas nos cursos de graduação, não somente acompanhando o mo-
vimento de expansão dos cursos em toda área de saúde, mas indo além, fato 
verificado principalmente pela procura dos vestibulandos por esta gradua-
ção. De acordo com o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacio-
nal (Revista O COFFITO - OUTUBRO 2000) até outubro do ano de 2000 
eram cerca de 200 Instituições de Ensino Superior (IES) que ofertavam gra-
duação em fisioterapia no Brasil. No início de 2011, de acordo com o siste-
ma E-MEC esse número mais que dobrou, chegando a 442 IES. Outro dado 
que chama a atenção é que o curso de graduação em fisioterapia tem um dos 
menores percentuais de vagas públicas dentre os cursos da área da saúde.-
Veja no quadro a seguir um comparativo de vagas públicas e privadas entre 
os principais cursos da área de saúde.
 
Adaptado de MEC/INEP/DEED /2011
Neste quadro percebe-se que a graduação em fisioterapia é a que tem o me-
nor percentual de concluintes em instituições públicas e ao mesmo tempo o 
segundo maior número total de concluintes dentre todas as profissões da 
33
Número e percentual de concluintes em diferentes cursos de graduação ano 2009 
Comparação concluintes instituições de ensino públicas e privadas
cursos concl.publicas perc.públicas concl.privadas perc.privadas total concl.
 Fis io terapia 1.421 8,03% 16.278 91,97% 17.699 
 Terapia ocupaciona l 227 23,38% 744 76,62% 971 
 Nutrição 1.639 16,06% 8.565 83,94% 10.204 
 Fonoaudiologia 398 21,87% 1.422 78,13% 1.820 
 Farm ácia 3.517 19,96% 14.100 80,04% 17.617 
 Medicina 5.861 49,33% 6.020 50,67% 11.881 
 Enferm agem 4.977 12,23% 35.715 87,77% 40.692 
 O dontologia 3.071 36,09% 5.439 63,91% 8.510 
 Educação fís ica 2.167 14,63% 12.650 85,37% 14.817 
 Serv iço social 2.395 22,76% 8.129 77,24% 10.524 
 Veter inária 2.545 40,30% 3.770 59,70% 6.315 
 Psico logia 3.433 19,87% 13.847 80,13% 17.280 
área da saúde. Considerando que a meta do Plano Nacional de Educação 
(PNE) é que o setor público ofereça 40% das vagas de ensino superior, a 
graduação em fisioterapia é a que mais necessita de investimento com aber-
tura de novos cursos nas universidades públicas. 
O segundo lugar ocupado no total de concluintes (privado e geral) parece 
indicar realmente um excesso de profissionais colocados no mercado, quan-
do comparado a outras profissões da saúde. Medicina e odontologia, por ex-
emplo, encontram-se no outro extremo, com bom percentual de vagas públi-
cas e provável escassez de profissionais. Obviamente a escassez não deve 
ser desejada, pois embora valorize a profissão no mercado (lei da oferta e da 
procura) penaliza a população pela falta de profissionais. Mas também o ex-
cesso de profissionais pode criar tensões indesejáveis.
A falta de vagas públicas para formação dos fisioterapeutas é um problema 
que pode provocar baixa produção científica, baixa qualidade e pouca ade-
rência ao SUS. Emboraexistam cursos privados de excelência na formação 
(melhores que instituições públicas), o setor privado, na média, não tem um 
bom histórico de investimentos em pesquisa e formação para o SUS.
No quadro a seguir, quando verificado o número de cursos de graduação, a 
situação permanece semelhante, com excessivo número de cursos de fisiote-
rapia.
Número de cursos de graduação no país (2009)
Cursos
Psicologia 495
Farmácia 444
Medicina 185
Educação Física 381
Fisioterapia 491
Fonoaudiologia 96
Nutrição 324
Terapia Ocupacional 53
Enfermagem 752
Odontologia 196
Adaptado de MEC/INEP/DEED /2011
34
Com relação à distribuição dos fisioterapeutas no país, segundo informa-
ções do COFFITO existiam até o início de 2011, cerca de 141.747 profissio-
nais, com alta concentração na região sudeste (São Paulo com 30,11%, Rio 
de Janeiro com 16.78% e Minas Gerais com 12,82%). Mais da metade dos 
fisioterapeutas estão localizados em apenas três estados brasileiros, restando 
as demais regiões do país quantidade insuficiente de profissionais.
35
Entidades da fisioterapia e a importância do coletivo
Em termos de representação, a profissão de fisioterapeuta no país está orga-
nizada por meio de associações científicas, culturais, profissionais e de ensi-
no, sindicatos e conselhos de fiscalização profissional4.
São centenas de associações que reúnem profissionais das mais diversas 
áreas de atuação. Tais associações representam os interesses de seus afilia-
dos e buscam, em geral, aproximar os profissionais desenvolvendo a catego-
ria e oferecendo benefícios aos seus associados. Diversas associações pro-
movem eventos científicos (cursos, congressos, oficinas, seminários), incen-
tivando a publicação de trabalhos, divulgação e produção científica nas 
mais diversas áreas de atuação. Quanto mais sócios ativos tiverem as associ-
ações, maior será sua representatividade, sua força política e maiores os be-
nefícios para seus afiliados.
Os sindicatos, por sua vez, são menos numerosos e tem por objetivo reunir e 
representar fisioterapeutas na área trabalhista, nas negociações salarias, de-
finições do piso salarial e assistência jurídica aos seus sindicalizados. A par-
ticipação ativa junto aos sindicatos está diretamente ligada as condições dig-
nas de trabalho e remuneração da categoria profissional.
Já o sistema COFFITO/CREFITOS, tem legalmente atribuições bem dife-
rentes das demais entidades. Não se trata de um órgão de representação de 
classe, nem tampouco tem por objetivo defender interesses de seus afilia-
dos. Trata-se de uma autarquia pública federal que tem por objetivo garantir 
a qualidade assistencial na área da fisioterapia no país. É um órgão público 
da administração indireta, que por força de lei deve fiscalizar a prestação de 
serviços na área, criar normas que definam critérios de atuação e julgar des-
vios e problemas encontrados. O Conselho funciona também como órgão 
cartorial de registro obrigatório do profissional e tribunal de ética. 
A inscrição no Conselho e o pagamento das anuidades é condição obrigató-
ria para o exercício da profissão de fisioterapeuta no país. Dentre todas as 
entidades da fisioterapia, os Conselhos de Fiscalização são os que possuem 
os maiores recursos financeiros, da ordem de dezenas de milhões de reais 
por ano em virtude da arrecadação das anuidades e taxas obrigatórias pagas 
pelos fisioterapeutas e empresas da área. Os membros dos Conselhos Regi-
onais (CREFITOs) são eleitos a cada quatro anos pelos profissionais inscri-
tos na jurisdição do conselho. Para o Conselho Federal, as eleições são indi-
retas, um delegado de cada Conselho Regional vota para a conformação da 
chapa. O voto indireto, neste caso, herança de uma legislação criada durante 
a ditadura militar brasileira (Lei 6.316/75), tem recebido críticas de boa par-
4 No site www.coffito.org.br o leitor poderá verificar as listagens com diversos sindicatos, as-
sociaçôes e conselhos regionais da fisioterapia.
36
te dos fisioterapeutas. Uma das alternativas possíveis independentemente de 
alterações na legislação seria que cada CREFITO realizasse uma votação 
prévia para o Conselho Federal com os profissionais inscritos em sua juris-
dição e o resultado deste pleito fosse levado diretamente como voto na elei-
ção do COFFITO. 
Outras possibilidades devem ser pensadas com vistas a modernizar e demo-
cratizar o processo eleitoral e ampliar a gestão participativa, controle e 
transparência dos gastos públicos principalmente no âmbito dos Conselhos 
de Fiscalização Profissional, em função do montante de recursos públicos 
administrados, mas também em associações e sindicatos.
Além das entidades específicas da fisioterapia, constituem-se em importan-
tes espaços de participação e construção social para o fisioterapeuta (ou es-
tudante de fisioterapia) as associações de moradores, conselhos de saúde, 
centros acadêmicos, diretórios de estudantes, associações de pesquisa e pós-
graduação, sindicatos de trabalhadores da saúde, grupos de discussão na in-
ternet entre tantos outros.
Há uma frase atribuída a Frei Betto que diz que “governo é como feijoada, 
só funciona na pressão”. Em outras palavras, para que as coisas funcionem, 
para que haja conquistas e avanços, é preciso que haja diálogo entre as pes-
soas, organização coletiva, participação ativa nas reuniões, grupos e entida-
des e cobrança, pressão sobre nossos representantes. Isso vale para o Centro 
Acadêmico da faculdade, Coordenação de Curso, Sindicato, Associação, 
Conselhos, Prefeituras e tantos outros locais e sistemas de poder.
Neste sentido o velho ditado de que a “união faz a força” é totalmente ver-
dadeiro, o individualismo somente nos enfraquece, somos seres sociais, co-
letivos e a história mostra que é na construção coletiva (reflexão crítica e 
responsável, diálogo e ação) que reside nossa força de transformação da rea-
lidade e superação dos problemas.
37
Qual o problema?
“Como presença consciente no mundo não posso escapar à responsabilidade 
ética no meu mover-me no mundo. Se sou puro produto da determinação 
genética ou cultural ou de classe, sou irresponsável pelo que faço no mover-
me no mundo e se careço de responsabilidade não posso falar em ética. Isto 
não significa negar os condicionamentos genéticos, culturais, sociais a que 
estamos submetidos. Significa reconhecer que somos seres condicionados 
mas não determinados. Reconhecer que a História é tempo de possibilidade 
e não de determinismo, que o futuro, permita-se-me reiterar, é problemático 
e não inexorável”. (Freire, 1996)
Ao refletir sobre a realidade da profissão de fisioterapeuta no país, o faze-
mos com o objetivo de pensar e agir sobre esta realidade, transformando-a. 
Esta deve ser nossa responsabilidade ética, de estarmos conscientes como 
fisioterapeutas, trabalhadores da saúde e cidadãos. Este movimento de refle-
xão-ação-reflexão deve ser feito em profundidade, se reconhecemos, como 
disse Paulo Freire, que o futuro não é algo imutável ou pré-determinado, 
mas problemático. 
Se não quisermos ficar apenas na superfície, no senso comum, reclamando 
dos problemas, é necessário analisar a fundo a realidade que nos cerca, para 
depois identificar os condicionamentos que operam em nós: a história soci-
al, cultural, “genética” da profissão.
 
Quais são então os problemas que identificamos na realidade da profissão 
de fisioterapeuta? Quais incômodos, contradições? Quais as diferenças entre 
o senso comum, o profissional e a versão oficial?
Recorremos a outro educador, Saviani, para nos ajudar a pensar sobre o que 
é um problema:
"Qual é, então, a essência do problema? No processo de produção de sua 
própria existência o homem se defronta com situações ineludíveis, isto é: 
enfrenta necessidades de cuja satisfação depende a continuidade mesma da 
existência. Ora, este conceito de necessidade é fundamental para se entender 
o significado essencial da palavra problema. Trata-se, pois, de algo muito 
simples, emborafreqüentemente ignorado. A essência do problema é a ne-
38
cessidade. (...) Assim, uma questão, em si, não caracteriza o problema, nem 
mesmo cuja resposta é desconhecida; mas uma questão cuja resposta se des-
conhece e se necessita conhecer, eis aí um problema. Algo que eu não sei 
não é problema; mas quando eu ignoro alguma coisa que eu preciso saber , 
eis-me diante de um problema. Da mesma forma, um obstáculo que é neces-
sário transpor, uma dificuldade que precisa ser superada, uma dúvida que 
não pode deixar de ser dissipada são situações que se nos configuram como 
verdadeiramente problemáticas." (Saviani, 1996) 
Pois bem, cada um de nós pode, a partir do que foi até agora apresentado e 
baseado em suas experiências próprias, definir uma série de questões que 
necessita saber, dúvidas importantes para superar os obstáculos, incômodos 
ou contradições da realidade da profissão.
A seguir, retomaremos alguns dos principais problemas vistos anteriormen-
te. Caberá a nós julgar se são problemas verdadeiros (ou falsos problemas), 
se há interesse de nossa parte em aprofundar/pesquisar/ler as múltiplas rela-
ções destes problemas (causas, consequências e eventos relacionados) e se 
temos possibilidades de enfrentar/superar/intervir em algum nível com rela-
ção aos problemas selecionados.
Alguns dos possíveis problemas até aqui discutidos:
Desconhecimento da população sobre a atuação do fisioterapeuta;
Senso comum associando o fisioterapeuta como profissional somente de re-
abilitação;
Diferença da visão oficial para o que ocorre na prática profissional e no 
atendimento à população;
Poucos pacientes particulares;
Pequena participação em programas de governo (Saúde da família e outros);
Poucas vagas em concursos públicos;
Alienação, desinteresse e baixa participação política dos profissionais nos 
interesses coletivos;
Dependência do médico para receber pacientes encaminhados;
Fisioterapeutas que não fazem diagnóstico e prescrição própria e seguem 
apenas orientações médicas; 
Desemprego alto;
Dupla ou tripla jornada de trabalho;
Baixos salários;
Limitação dos planos de saúde para acesso direto ao fisioterapeuta;
39
Dificuldades de autonomia com relação a solicitação de exames comple-
mentares;
Conselhos profissionais pouco atuantes;
Desunião da categoria e baixa participação nas entidades de classe;
Excesso de faculdades formando profissionais de baixa qualidade;
Alta concentração de profissionais na região sudeste, saturando o mercado;
Especialidades com poucos profissionais atuando;
Dificuldades de acesso da população aos serviços profissionais no SUS;
Baixa produção científica na área;
De todas as questões aqui apresentadas – dentre outras que o leitor pode 
acrescentar, devemos definir, para fins didáticos, sobre qual (ou quais) pro-
blema(as) vamos nos concentrar. A ideia é que nos concentrando em algu-
mas questões principais (pontos-chaves) possamos de fato contribuir para o 
enfrentamento de um problema.
A escolha e redação do problema deverá obedecer ao seu interesse (ou de 
seu grupo) em aprofundar determinados temas, ao tempo disponível para 
pesquisa e leitura, e à posição que você ocupa com relação à profissão (se 
estudante, profissional, professor, pesquisador, dirigente de entidade etc). 
No meu caso, como exemplo, redigi o seguinte problema para aprofundar 
aqui:
“A fraca inserção do fisioterapeuta no atendimento à população. Por um 
lado, a constante reclamação dos fisioterapeutas sobre a falta de vagas no 
serviço público, por outro o desconhecimento e dificuldade de acesso da po-
pulação aos serviços deste profissional.” 
Uma vez redigido o problema, é importante definir quais assuntos ou pon-
tos-chaves ajudam a explicar/entender o problema. Tais chaves do problema 
serão transformados em tópicos à pesquisar/estudar e estarão presentes mais 
adiante nas bases teóricas deste livro.
As chaves do problema
História da profissão de fisioterapeuta – será a fraca inserção no serviço pú-
blico uma característica histórica, um condicionamento ou herança profissi-
onal? Como surgiu a profissão e como tem sido seu desenvolvimento?
40
Fisioterapeuta e a reabilitação – qual a relação histórica e atual do fisiotera-
peuta com a reabilitação? Seria essa uma identificação que limitaria a atua-
ção profissional?
Autonomia e disputas profissionais – poderia existir relação entre disputas 
por mercado profissional e baixa inserção do fisioterapeuta no atendimento 
à população?
Legislação profissional – quais são as leis que definem o exercício da pro-
fissão no país?
A partir de agora, estas e outras questões servirão de base para a discussão 
teórica neste livro. Outras questões formuladas pelos leitores poderão en-
contrar aqui e em outras fontes explicações que permitam aprofundar a re-
flexão com vistas ao enfrentamento e superação dos problemas da realidade 
profissional.
41
42
Bases teóricas
43
Produção bibliográfica sobre a 
profissionalização da fisioterapia
Ao iniciar a abordagem sobre a história da profissão de fisioterapeuta, apre-
sento uma breve revisão de alguns autores que tem contribuído para apro-
fundar este tema.
A história da profissão de fisioterapeuta no país tem sido objeto de estudo 
de professores e pesquisadores, principalmente fisioterapeutas vinculados a 
programas de pós-graduação em áreas como saúde coletiva, educação e na 
própria fisioterapia. Diversos trabalhos têm abordado períodos recentes da 
profissionalização da fisioterapia, tendo principalmente o Decreto-Lei 938, 
que regulamenta as profissões de fisioterapeuta e de terapeuta ocupacional 
no Brasil, como ponto de partida de suas análises, passando pela criação dos 
Conselhos de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional nos anos 1970 e utili-
zando, por vezes, a história como pano de fundo para suas produções acadê-
micas (Rebelatto, 1986; Rebelatto e Botomé, 1999; Moura Filho, 1999; Bar-
ros, 2002b; Nicida, 2002). 
Dentre os trabalhos pesquisados, cujo objeto de estudo está mais diretamen-
te relacionado com a história e profissionalização da fisioterapia merecem 
destaque a monografia de Figueirôa (1996), os artigos de Define e Feltrin 
(1986), Oliveira (2005), Marques (1994), Nascimento (2006), Barros (2003) 
e Sanchez (1971, 1984), as dissertações de Oliveira (2002), Nascimento 
(2004), Reis (2004) e Soares (1987).
A dissertação de Reis (2004) traz importantes contribuições a este campo de 
pesquisa, ao realizar uma análise da formação dos fisioterapeutas na Escola 
de Reabilitação do Rio de Janeiro. A partir de produções de educadores 
como Anísio Teixeira e Durmeval Trigueiro Mendes, a autora descreve as 
mudanças ocorridas na legislação educacional sobre a formação dos fisiote-
rapeutas brasileiros, a partir do parecer número 388 de 1963 até a instituição 
das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Fisioterapia, em 2002. 
Ao analisar os cursos de nível superior existentes no Brasil no ano de 1966, 
Reis (2004) descreve a existência de seis instituições de ensino superior que 
ofereciam os cursos de fisioterapia e de terapia ocupacional, sendo uma ins-
tituição federal, duas instituições estaduais e três instituições privadas. Em 
comparação com outras profissões, em 1966 existiam 40 cursos de medici-
na, 35 de serviço social, 42 de odontologia, 5 de nutrição, 29 de farmácia e 
39 de enfermagem (Teixeira, 1989, p. 178 apud Reis, p.50).
O trabalho de Figueirôa (1996) oferece também contribuições importantes 
para a história da fisioterapia ao analisar a formação dos fisioterapeutas no 
país, a criação e as resoluções dos Conselhos de Fiscalização da profissão a 
44
partir de 1975 e o estabelecimento do currículo mínimo em 1983. A autora 
traça um panorama geral das principais instituições criadas no país com atu-
ação na área de reabilitação, iniciando com a fundação da Sociedade Pesta-
lozzi do Brasil, em 1932, na cidade de Belo Horizonte.
Ao referir-se sobre a experiência paulista de formação em fisioterapia, Fi-
gueirôa ressalta a importânciado Instituto Nacional de Reabilitação (INAR) 
que, a partir de 1958, passou a chamar-se Instituto de Reabilitação da Uni-
versidade de São Paulo (USP). De acordo com a autora, e baseando-se em 
palestra de José Rodrigues de Souza, médico do INAR, nessa instituição foi 
organizado um curso regular de formação de fisioterapeutas, com duração 
de dois anos, iniciado em 1958 e que formou a primeira turma ao final de 
1959. O INAR, que contou com a apoio e assessoria de organismos interna-
cionais, foi extinto em 1968, tendo sido o curso de fisioterapia assumido 
pela Faculdade de Medicina da USP.
Para Figueirôa (1996), a criação da ABBR é atribuída a Fernando Lemos, 
cujo filho teve poliomielite aos 15 anos. Após projetar diversos aparelhos 
para recuperação do filho, em sua casa em Petrópolis, Fernando Lemos ali-
ou-se a um grupo de médicos liderados por Oswaldo Pinheiro Campos e a 
um grupo de empresários, tendo a frente Percy Charles Murray. A ERRJ, 
de acordo com a autora, teria sido criada para atender à demanda de trata-
mento do Centro de Reabilitação da ABBR. 
O trabalho de Nascimento (2004) traz importantes contribuições históricas 
sobre a profissionalização da fisioterapia em Minas Gerais. Partindo de con-
ceitos do campo da sociologia das profissões, e utilizando da análise de do-
cumentos e principalmente de entrevistas, a autora reconstituiu, a partir da 
década de 1940, práticas anteriores à fisioterapia, tais como massagistas e 
duchistas que atuavam nas fazendas de fontes termais mineiras, hotéis e 
mesmo no Palácio do Governo. Um dos casos narrados neste trabalho foi o 
de Nicola Lettieri, massagista e duchista, que iniciou sua carreira em 1945 
no Grande Hotel de Araxá, sendo responsável pelo serviço de hidroterapia. 
O livro de José Rubens Rebelatto e Silvio Paulo Botomé (1999), intitulado 
“Fisioterapia no Brasil”, é um clássico sobre a constituição e formação dos 
fisioterapeutas brasileiros. Sua análise é feita principalmente a partir do 
campo da educação, embora aspectos históricos sejam utilizados de forma 
relevante, a partir de algumas fontes documentais, com o objetivo de discu-
tir os primeiros passos da regulamentação e formação dos fisioterapeutas, 
ainda na década de 1960. Na apresentação da primeira edição desse livro, o 
professor Carlos Eduardo dos Santos Castro revela seu entendimento sobre 
o início da formação dos fisioterapeutas no país:
45
“Os profissionais fisioterapeutas surgiram no Brasil, assim como em muitos 
outros países, para executar fórmulas já prontas de terapia física, comple-
mentares aos serviços médicos”. (Rebelatto e Botomé, 1999).
Após análise do primeiro parecer do Conselho Federal de Educação, sobre a 
formação dos fisioterapeutas, Castro acrescenta:
“O que se pretendia, claramente, era manter uma estrutura de poder na área 
de Saúde, onde quem estudou mais, (não importa o quê), sabe, tem poder, e 
quem estudou menos, (ainda que temas específicos), não sabe, não tem po-
der e, portanto, é mero executor de ordens, ainda que de nível superior (Re-
belatto e Botomé, 1999).
Em seu capítulo sobre o objeto de trabalho da fisioterapia no Brasil, os auto-
res fazem uma análise de alguns documentos oficiais definidores da profis-
são. Concordando com Sanchez (1984), que afirmava que o objetivo dos 
primeiros cursos era formar fisioterapeutas para atuar exclusivamente em 
reabilitação, os autores se referem a índices alarmantes de poliomielite e al-
tas taxas de acidentes de trabalho como elementos importantes para ressaltar 
a necessidade de reabilitação de grande quantidade de pessoas, sejam crian-
ças com sequelas motoras, sejam trabalhadores que necessitavam ser reabi-
litados para reintegrar-se ao “sistema produtivo” (Rebelatto e Botomé, 
1999).
Nicida (2002) faz referência em seu trabalho à criação do curso de fisiotera-
pia da Universidade de São Paulo (USP), em 1958. De acordo com a autora, 
o curso “buscava atender aos programas de reabilitação que a Organização 
Panamericana da Saúde (OPAS) estava interessada em desenvolver na 
América Latina” (Nicida, 2002). Sobre a criação da ABF em 1959, a autora 
ressalta que em 1962, a associação foi “reconhecida oficialmente” pela As-
sociação Médica Brasileira (AMB) e, um ano mais tarde, reconhecida tam-
bém como membro da World Confederation for Physical Therapy (WCPT).
Para realização de sua pesquisa, Nicida realizou entrevistas com duas fisio-
terapeutas formadas pela USP: Ely Kögler Telg, formada em 1959 e Normi-
an de Oliveira Loureiro, formada em 1972. Sobre a formação dos fisiotera-
peutas nas primeiras turmas da USP, Ely ressalta que o curso era oferecido 
em horário integral, com teoria pela manhã e estágio à tarde. As aulas teóri -
cas eram feitas na USP e a parte prática no Hospital das Clínicas. 
De acordo com a entrevistada, Ely Kögler Telg, naquele período inicial a fi-
sioterapia era “muito confundida com massagem” tendo acrescentado: “lu-
tamos muito para não entrar na categoria de massagistas”. Em seu depoi-
mento ressalta que a formação dos fisioterapeutas era voltada, principal-
mente, para a atuação nas sequelas da poliomielite.
Marques e Sanches (1994), em artigo sobre os aspectos históricos e legais 
da origem e evolução da fisioterapia, descrevem o esforço do médico e pro-
46
fessor da Faculdade de Medicina da USP, Godoy Moreira, na criação do 
Instituto de Reabilitação. De acordo com os autores, a criação deste Institu-
to fazia parte de um projeto internacional de criação de diversos institutos 
na América Latina e surgiu da parceria entre a Organização Panamericana 
da Saúde (OPAS), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Confedera-
ção Mundial de Fisioterapia (WCPT). O curso de fisioterapia, iniciado no 
Instituto de Reabilitação, era o primeiro com “padrão internacional mínimo, 
com dois anos de duração”. Somente em 1967, a USP definiu o regulamento 
do curso de fisioterapia e, em 1970, reconheceu que os certificados dos cur-
sos expedidos entre 1958 e 1966 pelo Instituto de Reabilitação seriam equi-
valentes aos diplomas da USP. No período de 1957 a 1969, existiam seis 
instituições de ensino superior, formando fisioterapeutas: duas, no nordeste 
(Pernambuco e Bahia) e quatro, na região sudeste (São Paulo, Rio de Janei-
ro e Minas Gerais). Dos 600 fisioterapeutas formados nesse período, aproxi-
madamente 80% dedicaram-se à reabilitação, 10% abandonaram a profissão 
e 10% dedicaram-se a outras áreas da fisioterapia (Marques e Sanches, 
1994).
O primeiro curso para professores latino-americanos de fisioterapia foi rea-
lizado em 1969, na capital do México. Organizado pela OPAS/OMS em 
conjunto com a Confederação Mundial de Fisioterapia (WCPT), foram es-
colhidos dois participantes de cada país. Representando o Brasil, participa-
ram do curso dois fisioterapeutas e professores da USP, Danilo Vicente De-
fine e Eugenio Lopes Sanches (Sanchez, 1984). 
O trabalho de Soares (1987) sobre a história da profissão de terapeuta ocu-
pacional traz contribuições também para a história da fisioterapia. No de-
senvolvimento de sua pesquisa, a autora entrevistou Maria Antônia Pedrosa 
Campos, ex-secretária da ERRJ, e Fernando Lemos, um dos fundadores da 
ABBR. Foi entrevistada, também, a terapeuta ocupacional Neyde Hauck, 
que participou ativamente da implementação do Instituto de Reabilitação da 
USP. 
Para Soares, os serviços de reabilitação foram desenvolvidos no Brasil a 
partir da década de 1940 e 1950 e, para isso, o país contou com o apoio de 
organismos internacionais como a Organização Internacional do Trabalho – 
OIT, a Organização das Nações Unidas – ONU e a Organização Mundial da 
Saúde – OMS. Os serviços de reabilitação foram criados principalmente em 
hospitais gerais e especializados, reabilitação profissional ligados aos anti-
gos Institutos de Aposentadorias e Pensões- IAP´s e em entidades da socie-
dade civil, ligados à reabilitação física e mental (Soares, 1987).
Sobre a criação da ABBR, a autora ressalta que essaentidade filantrópica 
foi criada para “o tratamento clínico e cirúrgico de pessoas com poliomieli-
te, amputações e demais casos de ortopedia e neurologia”. Para suprir as ne-
47
cessidades de seu centro de reabilitação foram criados, na ERRJ, os cursos 
de fisioterapia e de terapia ocupacional. 
Oliveira (2005) também utiliza entrevistas como fonte para a análise históri-
ca. Em sua pesquisa, retrata não só a importância das primeira e segunda 
grandes guerras mundiais para o desenvolvimento da fisioterapia nos Esta-
dos Unidos e Europa, como também das epidemias de poliomielite. De 
acordo com a autora, somente na Inglaterra, a poliomielite atingiu “7.646 
crianças e jovens durante a primeira grande epidemia em 1947, matando ou 
incapacitando um total de 20.000 pacientes nos cinco anos seguintes”. Em 
1960, a Sociedade Inglesa de Fisioterapia contava com mais de 16.000 fisi-
oterapeutas associados (Oliveira, 2005)
 
A leitura crítica dos trabalhos aqui apresentados oferece um rápido panora-
ma da produção bibliográfica sobre a história da profissão de fisioterapeuta 
no país. Questões sobre a poliomielite, formação profissional, identidade 
profissional, reabilitação e disputas com outras profissões são recorrentes 
nos diversos trabalhos já produzidos. A seguir, estas e outras questões serão 
aprofundadas.
48
Mas o que é afinal uma profissão?
Ao iniciar a discussão sobre a história da profissão de fisioterapeuta, deve-
mos nos perguntar primeiro, o que define a existência de uma profissão. 
Existem pontos em comum entre as profissões? Qual a diferença entre uma 
ocupação e uma profissão? Como elas são criadas? Podemos nos referir a 
um processo de profissionalização? Qual sua relação com as leis, o Estado e 
a população?
Embora a produção de trabalhos voltados à análise do surgimento e desen-
volvimento das profissões, em especial a sociologia das profissões, tenha se 
desenvolvido principalmente a partir da década de 1970, essas pesquisas 
têm colaborado para o entendimento do processo de profissionalização de 
inúmeras categorias profissionais ao longo do século XX. 
Existem diferentes formas de análise e interpretação das estratégias de pro-
fissionalização utilizadas por grupos profissionais ao longo da história. Or-
ganização em torno de associações, formação especializada (normalmente 
de nível universitário), autonomia, criação de normas e códigos de ética são 
algumas das características atribuídas a uma ocupação que alcançou o status 
de profissão. 
De acordo com Starr (1991) esses e outros elementos, além de indicarem o 
nível de profissionalização, devem ser vistos como meios utilizados para le-
gitimar a autoridade profissional, alcançar a solidariedade entre os pares e 
conseguir que o Estado lhes conceda o monopólio da prática. 
Assim, o processo de profissionalização de uma profissão é dependente 
da capacidade de organização dos membros dessa profissão, de sua 
aceitação pelo público e, principalmente, pelo Estado.
A legitimação da autoridade profissional depende de três fatores: conheci-
mento e competência validados por seus pares; saber e competência basea-
dos na ciência e atuação desse profissional orientada a um conjunto de valo-
res essenciais, como por exemplo, a saúde. (Starr, 1991)
Para Freidson (1998), as profissões distinguem-se de outras ocupações pelas 
atividades específicas que reivindicam e "pelo caráter especial do conheci-
mento e competência exigidos para realizá-las". Para esse autor, a autorida-
de do conhecimento e a autonomia no exercício de suas funções são caracte-
rísticas decisivas para o profissionalismo. 
49
O trabalho do profissional tem caráter esotérico (corpo esotérico de conhe-
cimento), ou seja, formado por conhecimentos complexos específicos e de 
natureza abstrata, que, para serem avaliados, requerem conhecimentos teóri-
cos, competência, discernimento e experiência que os leigos, ou pessoas co-
muns, não detém. 
O trabalho do profissional, diferentemente de outro trabalhador comum, 
além de utilizar na prática um corpo de conhecimentos e competências es-
peciais requer uma relação de confiança com seus clientes (Freidson, 1994). 
Requer também um período relativamente exigente de treinamento para 
aprender como executar bem seu trabalho complexo e esotérico. Este tipo 
de treinamento, que dependeria obrigatoriamente de uma educação superior 
formal, tende a criar um compromisso com a competência e o conhecimen-
to, fazendo com que o exercício da atividade laboral se torne um elemento 
central na vida do profissional. De acordo com Freidson os profissionais 
não exercem apenas uma competência complexa, mas identificam-se com 
ela, tomam para si a identidade profissional até mesmo na vida pessoal. 
Além disso, o que os profissionais fazem tem valor especial para seus clien-
tes, embora estes não sejam capazes de avaliar fielmente seu trabalho, dada 
a complexidade do mesmo, daí a necessidade dos clientes depositarem mai-
or confiança nos profissionais do que em outros.
Para Wilensky (1970) qualquer profissão que queira exercer sua autoridade 
profissional deve ter uma boa base técnica para isso, sustentada por uma ex-
clusiva jurisdição, habilidade e leis ligadas ao treinamento padronizado, e 
conseguindo convencer a sociedade de que seus serviços são confiáveis. 
Mas também não menos importante é que o conhecimento profissional, ain-
da segundo Wilensky, deve ser relativamente tácito, esotérico, e é justamen-
te isso que dá as profissões sua aura de mistério. Esse conhecimento pode 
ser inclusive utilizado deliberadamente como um meio misterioso, de forma 
a colaborar para a construção de um poder e prestígios pouco questionáveis. 
Faz parte da estrutura de uma profissão que tenha seu vocabulário e conhe-
cimento compartilhado apenas por seus pares; essa seria a garantia da exclu-
sividade e esoterismo do seu conhecimento. Restringir o acesso da socieda-
de às informações centrais da profissão seria o mesmo que defender esta 
própria profissão da perda de poder e autonomia. O domínio do conheci-
mento, segundo Wilensky, é esotérico, ou seja, ministrado a círculo restrito 
e fechado de ouvintes e compreensível apenas por poucos. Este seria real-
mente um ponto central na definição do que venha a ser uma profissão e ex-
plicaria em grande parte a dificuldade de diálogo e a tendência de afasta-
mento do profissional na lida com seu cliente. 
Na visão de Moore (1970) a definição de profissionalismo passaria por uma 
escala de atributos, em que inicialmente o chamado profissional pratica uma 
50
ocupação em tempo integral e passa a viver da remuneração auferida desta 
atividade, posteriormente se caracteriza pela presença de indivíduos que se 
destacam pela vocação, aceitando normas e identificando-se com seus pa-
res. Em última instância se organizam em associações, entidades de classe 
ou similares, onde controlariam o acesso, seleção, desenvolvimento e regu-
lamentação dos participantes, além de adotar um código de ética para for-
malizar as normas de conduta.
Uma outra questão interessante que parece permear as profissões é o cha-
mado corporativismo. O corporativismo poderia ser definido como a capaci-
dade de cooperação mútua entre colegas de uma mesma profissão. Também 
significa que os profissionais se encontram unidos, em parte para se prote-
gerem uns aos outros e também para protegerem a sociedade dos maus pro-
fissionais (Coe, 1979). O corporativismo, embora seja um aspecto funda-
mental do comportamento profissional em alguns momentos parece servir 
menos para melhorar os padrões de prestação dos serviços profissionais e 
muito mais para ocultar os erros, controlar o número de práticas, diminuir a 
competição e aumentar a renda (Moore, 1970). 
A presença de uma organização profissional é peça chave para a auto­
nomia, poder e controle profissional. O aspecto fiscalizador de uma orga­
nização profissional como Conselho ou Associação é fundamental, pois é 
preciso que apenasos próprios pares façam a fiscalização do exercício 
da atividade profissional. Com isso eles mantêm o domínio da atividade 
executora.
Para Latour (1989) o monopólio do conhecimento, per si, não representa 
elemento nem suficiente, nem determinante, para se definir uma profissão. 
Este autor acrescenta ainda que sem o recrutamento de aliados e a utilização 
de uma tática sutil para ajustamento dos recursos humanos e não humanos, 
ou seja, sem uma estratégica conformação de forças e jogo de poder, de 
nada vale o conhecimento, por mais esotérico que seja. Portanto é muito 
mais importante a eleição de poderosas estratégias para convencimento dos 
seus próprios pares, da sociedade e do Estado quanto a sua utilidade, neces-
sidade de sua existência, e até mesmo, necessidade de sua continuidade (La-
tour, 1989). 
Wilensky (1970) defende que o monopólio de determinada profissão depen-
de diretamente de intensa atividade política no interior de diferentes instân-
cias de poder, público e privado. Só assim a profissão atuante pode ser regu-
lamentada e ter seu espaço respeitado pela sociedade e pelo Estado.
51
Os autores que avaliam as profissões de acordo com certos atributos ou ca-
racterísticas, dentro de uma visão atributiva-funcionalista, consideram que 
uma ocupação está mais avançada ou não, na escala de profissionalismo, 
dependendo do grau de ocorrência de um ou mais atributos que caracteri-
zam uma profissão plena. Segundo essa corrente de pensamento, quanto 
mais uma ocupação possui autonomia no exercício profissional, autoridade 
social, corpo de conhecimentos sistematizados e esotéricos, solidariedade e 
coesão entre seus próprios pares, controle sobre a entrada de novos profissi-
onais (credenciamento) e código de ética, mais chances esta ocupação tem 
de se tornar uma profissão. (Diniz, 2001). 
As críticas feitas às teorias funcionalistas sobre profissões afirmam que tais 
autores generalizam a experiência de profissionalização nos Estados Unidos 
e Inglaterra, desconsiderando as diferenças entre países e regiões. (Diniz, 
2001). 
Para Diniz, as noções de coleguismo, autonomia, solidariedade, lealdade, 
autorregulação, altruísmo, entre outras, atribuídas como características uni-
versais das profissões pelas teorias funcionalistas, não são mais do que ele-
mentos de uma "ideologia do profissionalismo". Seria preciso adotar con-
cepções macro-históricas para analisar o processo de profissionalização 
dentro de diferentes estruturas sociais, políticas e econômicas que influenci-
am a forma organizativa de determinada profissão. 
Do ponto de vista da análise histórica, está também colocada a crítica à pró-
pria categorização das profissões como grupos sociais, que agem de forma 
coerente, à semelhança de uma massa uniforme. Embora membros de um 
determinado grupo possam ter objetivos em comum, os indivíduos que o 
compõem podem, também, ser repletos de discordâncias, tornando a análise 
por categorias profissionais um permanente risco de generalização.
A análise das relações dos diferentes atores sociais no interior das institui-
ções, categorias profissionais e Estado é de extrema relevância para a com-
preensão dos processos de profissionalização no país. O Estado, especial-
mente no Brasil, exerce papel não apenas de facilitador ou inibidor de deter-
minada categoria profissional, mas é capaz de influenciar diretamente no es-
tabelecimento de monopólios profissionais por meio das credenciais educa-
cionais. Somente o Estado pode definir privilégios legais a determinada pro-
fissão, mantendo seu monopólio e eliminando competidores. Essa seria uma 
das estratégias de profissionalização conhecida como fechamento ou exclu-
são. Os monopólios profissionais, nesta visão macro-histórica, são parte im-
portante da estrutura de sistemas de desigualdades sociais, pois através de 
táticas legalistas e credencialistas, apoiadas pela força do Estado, controlam 
e restringem o acesso a determinadas posições ocupacionais. (Diniz, 2001).
52
Embora o Estado possa ser considerado peça fundamental para o processo 
de profissionalização, no caso brasileiro, isso não diminui o papel de associ-
ações e sociedades em seus movimentos pela regulamentação e monopólio 
de sua área de atuação. No Brasil, o processo de desenvolvimento das pro-
fissões inicia com a criação de escolas profissionais. Em seguida, surgem as 
associações profissionais que reúnem seus membros para buscar o apoio do 
Estado, a fim de garantir vantagens e privilégios ocupacionais com base nas 
credenciais educacionais. Em terceiro lugar, o Estado normalmente cria re-
servas de mercado na burocracia pública aos diplomados. A partir daí, as as-
sociações se mobilizam para ampliar a reserva de mercado e excluir servi-
ços não qualificados, com o apoio do Estado. Em seguida, o Estado regula-
menta as profissões, criando o monopólio de atuação e, a partir desse ponto, 
as profissões tentam criar escassez por meio do controle das credenciais 
acadêmicas (Diniz, 2001). Como veremos diante, esta descrição é plena-
mente aplicável ao processo de profissionalização da fisioterapia no país.
53
A fisioterapia antes do fisioterapeuta 
Conta-se que a prática da fisioterapia teve início quando o primeiro homem 
da pré-história machucou a perna e, para aliviar a dor, friccionou com as 
próprias mãos o local próximo à pancada sentindo uma melhora instantânea 
da sensação dolorosa. Lendas à parte, o uso dos recursos naturais com fina-
lidades terapêuticas, especificamente a água, o calor, as mãos, são tão anti-
gos quanto o próprio homem. É impossível precisar em que momento da 
história foram iniciados os cuidados com a saúde e a recuperação desta. A 
utilização do calor do sol, do fogo, água, atividades físicas, das próprias 
mãos através de fricções e massagens, são recursos de cura, alívio de dores, 
utilizados desde tempos imemoriais, seja para cultivar a beleza, desenvolver 
força, recuperar ou combater espíritos “malignos” ou outros inimigos.5
No Papiro de Ebers, encontrado pelo egiptólogo alemão George Moritz 
Ebers são descritas práticas de cura (massagens, hidroterapia e helioterapia) 
relativas à primeira dinastia egípcia há cerca de 3.000 anos antes de cristo. 
Na China existem registros de obras abordando a cura pelo movimento (mo-
dernamente chamada de cinesioterapia) desde o ano de 2.698 antes de Cris-
to (Lindemann, 1975). As teorias chinesas de manutenção da saúde através 
do equilíbrio dos elementos yin e yang utilizavam amplamente recursos 
como massagens, banhos, aplicação de calor através da moxabustão, exercí-
cios físicos e respiratórios intensos em dinastias seculares, bem antes de 
Cristo (Koster, 1956). Assim como na Índia, práticas de cura milenares utili-
zavam-se dos movimentos corporais, posturas e intensamente dos exercícios 
respiratórios conhecidos como pranayama, dentre outros tantos recursos. 
A palavra Fisioterapia teve sua origem na Grécia antiga, sendo composta 
dos elementos gregos physis, que significa o princípio de tudo, produzir, ge-
rar, crescer e desenvolver, e therapeuien – que significa servir, prestar assis-
tência. A physis, modernamente traduzida por natureza, tem na verdade uma 
concepção bem mais abrangente (Sayd, 1998). Physis compreendia a totali-
dade de tudo aquilo que é, não havia contraposição entre natural, psíquico e 
social, pois todas essas dimensões pertenceriam à physis, até mesmo os deu-
ses (Czeresnia, 2001). 
5Embora tais práticas de cura e seus praticantes provavelmente sempre existiram na humanida-
de, seria um equívoco histórico atribuir a estas práticas conceitos desenvolvidos milênios de-
pois e utilizados hoje em dia. Por exemplo, é um erro dizer que nas cavernas já haviam fisiote -
rapeutas, médicos ou enfermeiros, assim como dizer que a medicina ou a fisioterapia existem 
desde o egito antigo. Atribuir ao passado um conceito do presente é um erro histórico. Embora 
no presente fisioterapeutas ou dentistas por exemplo, utilizemtécnicas cujas origens remontam 
a tempos antigos, não é correto atribuir conceitos atuais de profissão e ciência a um passado 
onde tais conceitos não existiam.
54
Como physis therapeuien, o fisioterapeuta, originalmente, pode ser consi­
derado como um assistente das forças da natureza e do princípio gera­
dor, da saúde, da vida, em cada indivíduo e nas coletividades.
É a Tales de Mileto, um dos sábios da Grécia que se atribui a primeira tenta-
tiva de explicação do Universo a partir de um elemento único, a physis. Para 
Tales “todas as coisas são feitas de água”. Nas práticas de cura e “auxílio da 
natureza” na Escola de Cós, Hipócrates e seus discípulos utilizavam-se prin-
cipalmente de dietas, ervas, purgativos, sangrias, banhos e exercício físico. 
A sistematização de uma série de conceitos e práticas populares de trata-
mento realizadas até então, confere a Hipócrates um papel de destaque na 
história, sendo sua filiação direta reivindicada por diversas categorias pro-
fissionais do campo da saúde. Hipócrates também ficou conhecido por 
“combater os ritos mágicos, a superstição e o charlatanismo”, talvez uma 
das suas contribuições mais lembradas nos processos de institucionalização 
das diversas profissões de saúde ao longo dos séculos (Nogueras, 2002).
Os cuidados com o corpo sempre fizeram parte da humanidade, assim como 
seus cuidadores. Embora a concepção de corpo e sua relação com a saúde 
tenha se modificado ao longo dos séculos e milênios, sempre existiram pes-
soas que se dedicavam a arte de curar os males do corpo e da alma, por mui-
tas vezes até simultaneamente. Conceitos de corpo, saúde e doença são 
construídos social e historicamente, obedecem a um jogo de forças e inte-
resses e, a partir destas resultantes transformam-se ao longo dos tempos. A 
compreensão da dinâmica destes conceitos e dos interesses que estão em 
jogo, é fundamental para a análise histórica da realidade (Chauvenett, 
1991).
Na Grécia antiga, o filósofo Aristóteles (384 a.C.) já descrevia a ação dos 
músculos, ficando conhecido como o “Pai da Cinesiologia”. Na medicina 
Trácia e Grega, a terapia pelo movimento constituía uma parte fixa do plano 
de tratamento. Galeno (130 a 199 DC) descrevia uma ginástica planificada 
do tronco e dos pulmões que teria corrigido o tórax deformado de um rapaz 
até alcançar condições normais. No Império Romano ficaram consagradas 
as casas de banho, ou termas romanas, grandes construções espalhadas por 
toda a Península Ibérica que popularizaram as práticas de hidroterapia.
Durante a maior parte da Idade Média, a cultura e dominação religiosa eram 
muito presentes, gerando inúmeras conseqüências, dentre elas, a desvalori-
zação do corpo e da própria saúde, pois, sendo o corpo considerado apenas 
como um mero recipiente do espírito, caberiam os cuidados e a valorização 
apenas ao espírito, a alma. Uma influência importante neste período é atri-
buída à cultura árabe. Com o advento das cruzadas e conquistas árabes as 
55
práticas de cura sofreram novas sistematizações reintroduzindo conceitos de 
dietética, higiene e, principalmente aproximando as práticas de cura da al-
quimia. Os alquimistas utilizavam fórmulas de cura com ingredientes metá-
licos, como arsênico e mercúrio (Sayd, 1998).
Durante o período histórico compreendido como Renascimento (séc. XV e 
XVI) houve grandes avanços nas manifestações artísticas, políticas e uma 
maior valorização do homem, da cultura física e saúde. O movimento enten-
dido como Humanismo, no aspecto relativo à saúde, trouxe uma preocupa-
ção não só com o tratamento das doenças, mas com a própria manutenção 
das condições de saúde e beleza corporal. No século XVI, o artista e pesqui-
sador italiano Leonardo Da Vinci realizou diversos estudos sobre a mecâni-
ca corporal e a marcha humana e outros cientistas que também contribuíram 
para o desenvolvimento da cinesiologia foram Galileo Galilei, Afonso Bo-
relli, Giorgio Baglivi entre outros. Na transição entre o Renascimento e a 
Revolução Industrial, diferentes autores desenvolveram trabalhos sobre 
exercícios físicos e a terapia através dos movimentos. 
Das teorias e visões de mundo de Hipócrates, Galeno e Aristóteles, os sécu-
los XVI e XVII passaram, não sem inúmeras controvérsias, às concepções 
mecanicistas de natureza feitas por Descartes, a física newtoniana, a mate-
mática de Galileu. Invenções como o microscópio, telescópio, bombas de 
ar, termômetro, barômetro e posteriormente máquinas elétricas favoreceram 
uma série de novas concepções sobre a vida, a natureza e o próprio corpo 
humano. É o período conhecido como revolução científica, que trouxe em 
seu seio as fundações do mundo e das ciências modernas, influenciando 
profundamente a produção e organização das práticas em saúde (Henry, 
1998).
A relação dos “novos saberes” (saberes científicos) com as crenças popula-
res, magia, misticismo e religiosidade sempre foi conflituosa. Se por um 
lado os pensadores do século XVII apropriavam-se direta ou indiretamente 
das experiências e saberes da alquimia, astrologia, da metafísica, magia e 
religião, por outro lado negavam-lhe a validação “científica”.
Muito além das concepções de natureza, filosóficas e terapêuticas, esta­
vam em jogo desejos e aspirações individuais, necessidade de reconhe­
cimento e ascensão social, disputas por poder, e diversas outras ques­
tões de ordem cultural, social e política. 
Na Europa, durante a Idade Média, começaram-se a organizar os embriões 
do que conhecemos hoje como profissional médico. O imperador Frederico 
56
II, em meados do século XIII estabeleceu as primeiras regras para o exercí-
cio das práticas médicas e esclareceu que “todos que desejassem praticar te-
riam que obter uma licença.” Caberia ao poder eclesiástico emitir as licen-
ças (Lindemann, 2002).
Na França do século XVII existiam cerca de 300 corporações de boticários, 
número semelhante de corporações de cirurgiões barbeiros e no máximo 
quarenta escolas ou colégios de médicos. Tanto na Inglaterra quanto na 
França as organizações de “profissionais” médicos ganhavam mais ou me-
nos poder e prestígio dependendo do apoio ou não do monarca. Do ponto de 
vista sociológico, havia diversos projetos de profissão em desenvolvimento, 
e por vezes, em conflito.
As exigências e restrições impostas para exercer as práticas “oficiais” médi-
cas iam ampliando-se, sem que houvesse necessariamente interesse em veri-
ficar a competência dos profissionais, mas principalmente sua fluência em 
Latim e seus conhecimentos eruditos sobre Hipócrates e Galeno, desde que, 
é claro, o candidato dispusesse de recursos financeiros para pagar a licença.
Já no século XVI e XVII registram-se as primeiras disputas nos tribunais 
imperiais entre os chamados profissionais da época. Houve uma “batalha 
prolongada entre os Mestres de Banho e os Cirurgiões-barbeiros e entre es-
tes e os Cirurgiões”. Os cirurgiões-barbeiros, no século XVIII tiveram sua 
prática restrita legalmente a apenas cortar cabelos, aplicar ventosas e san-
guessugas (Lindemann, 2002).
O campo da saúde na Europa era povoado por uma série de “praticantes de 
cura” ou “terapeutas” que incluíam curandeiros astrológicos, alquimistas, 
padres católicos, clérigos protestantes, parteiras, boticários, mestres de ba-
nho, operadores de pedra da bexiga e rim, cirurgiões-barbeiros, cirurgiões, 
aparadores de calos, oculistas, médicos e muitos estudiosos da alta burgue-
sia, carrascos e nobres, que também atendiam pacientes.
Os mestres de banho, por exemplo, ofereciam suas Casas de Banho para fa-
mílias inteiras, com mulheres, crianças e homens com banhos quentes e fri-
os, e além disso, aplicavam sanguessugas, ventosas e também aparavam o 
cabelo. As sanguessugas e ventosas eram uma forma de sangria, como as re-
alizadas pelos sangradores e cirurgiões, no entanto sem abrir veias.
Os “médicos” daquela época, não monopolizavam nem controlavam o mer-
cado da saúde. Mas ao contrário,competiam até em grande desvantagem 
com os inúmeros outros terapeutas e raramente eram a primeira opção esco-
lhida pelas pessoas quando necessitavam de auxílio. O projeto de apropria-
ção de saberes e o domínio institucional do campo da saúde, conhecido 
como medicalização da sociedade, só veio a ocorrer no final do século XIX.
Enquanto isso, no Brasil, a admiração das elites brasileiras pela sociedade 
européia era algo relevante. Um ano antes da Proclamação da República, o 
57
imperador D.Pedro II enviou Ferreira dos Santos, médico e antigo funcioná-
rio da Santa Casa, para entregar uma condecoração a Louis Pasteur, em Pa-
ris. O imperador financiou os estudos e estadia do médico brasileiro para 
aprender diretamente com o cientista Francês. Meses depois Ferreira voltou 
ao Brasil e fundou o Instituto Pasteur nas dependências da Santa Casa de 
Misericórdia do Rio de Janeiro. O “Instituto” brasileiro foi o segundo no 
mundo, depois apenas do Francês, logo depois diversos outros países tam-
bém criaram instituições de pesquisa semelhantes ao Instituto na França 
(Araújo, 1979).
58
Profissões e Modernidade
Os processos de institucionalização dos diversos grupos profissionais têm 
sido reconhecidos como um fenômeno da modernidade. A modernidade que 
se iniciou principalmente a partir da revolução industrial, foi ampliada pela 
chamada revolução científica e industrialização tecnológica, e radicalizada 
através da globalização. As sociedades modernas caracterizam-se principal-
mente pela mudança constante, rápida e permanente (Hall, 2005). 
Na fisioterapia, modernidade significa alta tecnologia, comparando-se os 
chamados recursos terapêuticos manuais, clássicos, com os “modernos” 
protocolos de recuperação aceleradas, equipamentos de laser, técnicas neu-
roproprioceptivas de estimulação baseadas em evidências científicas, venti-
lação mecânica não invasiva, alta tecnologia e complexidade. Mudanças rá-
pidas. Até o suspiro, aquela respiração profunda de encantamento comum 
aos seres humanos, agora pode ser programada na tela digital do equipa-
mento de ventilação mecânica, para ocorrer algumas vezes ao dia nos paci-
entes dos centros de terapia intensiva.
A modernidade parece ter sido condição fundamental para a institucionali-
zação do fisioterapeuta nas diversas partes do mundo. 
A formação e organização de grupos de pessoas detentoras de saberes espe-
cíficos, compartilhados apenas entre si, que agem sobre os indivíduos e a 
sociedade, independente de vínculos pessoais, representa os primórdios do 
processo de profissionalização e institucionalização junto ao poder do Esta-
do das chamadas profissões modernas. O capitalismo e o estado-nação são 
as bases principais pra promover a expansão das instituições modernas, e 
neste sentido influenciam diretamente na construção de identidades e proje-
tos de grupos profissionais (Giddens, 1991). 
Com a Revolução Industrial foram desenvolvidas ações para recuperar os 
trabalhadores acidentados e criados diversos tipos de ginástica e exercícios 
com a finalidade de aumentar a produtividade. As jornadas de trabalho abu-
sivas de mais de 16 horas diárias, o trabalho infantil e todo o contexto de 
exploração dos operários e camponeses pelas classes dominantes geraram 
uma quantidade de novas doenças em grande parte da população (Rebelatto, 
1999). 
O capitalismo, desenvolvido a partir do século XVIII e XIX, socializou o 
corpo enquanto força de produção, força de trabalho, sujeitando-o ao con-
trole da burguesia capitalista através da aliança entre categoria médica insti-
tucionalizada, burguesia e Estado. A sociedade capitalista, para o autor, in-
vestiu no somático, no corporal para controlar os indivíduos como base para 
o processo de acumulação de capitais. “O corpo é uma realidade bio-políti-
ca. A medicina é uma estratégia bio-política”(Foucault, 2003).
59
Segundo Foucault, existem três etapas na formação do poder médico, ou da 
influência da medicina sobre a sociedade, que segundo ele seriam a “medi-
cina de Estado”, que se desenvolveu principalmente na Alemanha do século 
XVII, a “medicina urbana”, com seu maior exemplo na França na mesma 
época, e a “medicina da força de trabalho”, iniciada principalmente na In-
glaterra durante a Revolução Industrial do século XIX. 
Nestas três etapas descritas percebe-se um processo de medicalização cres-
cente da sociedade, com aumento da presença dos médicos no aparelho de 
Estado, influência destes profissionais sobre as cidades, circulação de mer-
cadorias, água, construções e finalmente, o controle, por diversas vezes au-
toritário, da “saúde e do corpo das classes mais pobres para torná-las mais 
aptas ao trabalho e menos perigosas às classes mais ricas” (Foucault, 2003). 
Ficou célebre a frase atribuída a Bernard Shaw, segundo o qual “toda a 
profissão é uma conspiração contra o leigo” (Machado, 1995).
Obviamente este movimento de controle e medicalização da sociedade não 
ocorreu sem controvérsias ou conflitos com diversos atores sociais, resistên-
cia popular e atritos entre “terapeutas” institucionalizados ou não, tanto na 
Europa do século XIX quanto no Brasil, mais tardiamente em meados do 
século XX. 
No Brasil, a exemplo do ocorrido na Europa, a questão da higiene, da salu-
bridade, foi amplamente utilizada para controlar a colônia, a partir da che-
gada da corte portuguesa. Para Costa “o Estado aceitou medicalizar suas 
ações políticas, reconhecendo o valor político das ações médicas” (Costa, 
1986).
Os escravos, vagabundos, loucos e ciganos não eram objeto de interesse da 
política médica no século XVIII no Brasil, a não ser quando eram utilizados 
como exemplo negativo e alerta à família burguesa em ascensão. Sobre esta 
última, no entanto, recaía o interesse, no sentido de definir normas de “con-
duta física, intelectual, moral, sexual e social de seus membros com vistas a 
sua adaptação ao sistema econômico e político”(Costa, 1986).
Sobre este cenário cabe recordar Bourdieu, ao ressaltar que a apropriação de 
diversos saberes por um corpo de especialistas, pertencentes às classes do-
minantes, torna-os capazes de formular ideologias, definir monopólios afas-
tando a concorrência e constituindo sistemas simbólicos utilizados como 
“instrumentos de dominação” (Bourdieu, 1989).
60
Apropriação dos saberes populares
A história das práticas de saúde no Brasil tem sido normalmente contada 
por escritores médicos centrando sua narrativa nos feitos profissionais de 
seus colegas antecessores. Outros elementos importantes do universo da 
cura têm sido sistematicamente “apagados” da história ou classificados 
como charlatanismo. No entanto, esta tentativa que poderia ser chamada de 
“medicalização da história da saúde” tem sido rechaçada por alguns recen-
tes trabalhos, em sua maioria produzidos por historiadores, que procuram 
reconstruir a história das práticas de cura incorporando seus diferentes ato-
res, institucionalizados ou não.
Os cuidados em saúde, do diagnóstico à terapia, realizados no Brasil Colô-
nia do século XIX estavam a cargo de centenas de terapeutas, reconhecidos 
socialmente e procurados pela população, identificados por diversos nomes 
e “especialidades”, tais como: curandeiros, raizeiros, meizinheiro, feiticei-
ros, benzedores, benzinheiras, rezadores, milagreiros, curador de cobra, cu-
rador de espinhela caída, entendidos, ajeitador de ossos, assistentes, padres, 
barbeiros, parteiras, sangradores, boticários, hidropatas, cirurgiões, pajés, 
bruxos, sábios, tiradores de dentes e tantos outros (Chaloub, 2003). 
Diversas categorias profissionais modernas, dentre as quais a própria fi­
sioterapia, medicina, farmácia, odontologia e outras se apropriaram siste­
maticamente de práticas e saberes oriundos de terapeutas populares. 
O processo de institucionalização destas profissões, amparado pelos interes-
ses do Estado e das classes dominantes, pelo poder coercitivo policial e jurí-
dico amplamente utilizado, não foicapaz de extinguir dezenas de práticas 
de cura e outras novas que vêm se estabelecendo tanto no meio rural quanto 
urbano. Das “terapias alternativas de todas as origens” das cidades aos cu-
randeiros do Vale do Jequitinhonha a sociedade encontra espaço para trans-
gredir a “ordem” e exercer a liberdade de cura. Na religiosidade popular do 
Jequitinhonha existe o seguinte dito popular: dizem por aí que “Deus cura e 
o médico manda a conta”, e as rezadeiras ensinam que “É Deus que cura, 
não podemos cobrar.”6
A partir da formação dos primeiros médicos brasileiros, e de suas viagens à 
Europa, começaram a surgir no Brasil os primeiros serviços de fisioterapia 
6 Este dito popular foi localizado através do site sobre religiosidade popular, no seguinte ende-
reço: http://www.religiosidadepopular.uaivip.com.br/medicina.htm#Capítulo%201
61
ainda no século XIX. Os primeiros serviços de hidroterapia e de eletricidade 
médica (atualmente eletroterapia) surgiram por volta dos anos de 1879 a 
1883, sendo um dos responsáveis o médico Artur Silva. Em 1884 este mes-
mo médico participou da criação do serviço de fisioterapia no Hospital de 
Misericórdia do Rio de Janeiro. Em São Paulo, já em 1919, o médico e pro-
fessor de física biológica da faculdade de medicina da USP, Raphael Pente-
ado de Barros fundou o departamento de eletricidade médica.
Um dos fatos interessantes no contexto da fisioterapia brasileira na virada 
do século XIX para o XX é a importância que os profissionais médicos de-
positavam sobre esta área do conhecimento, ficando registradas verdadeiras 
disputas pelo conhecimento e domínio da fisioterapia. Foram produzidos 
vários trabalhos de conclusão para o curso de graduação em medicina base-
adas em estudos, por vezes entusiasmados, sobre a fisioterapia na virada do 
século.
Dados coletados de fontes primárias na Biblioteca Nacional do Rio de Ja-
neiro revelaram, entre outros trechos, informações que contextualizam o 
momento que era vivido pelos profissionais médicos com relação à fisiote-
rapia no Brasil, quando então, ainda faltavam 60 ou 70 anos para a regula-
mentação da profissão no país. 
Hoje nome de rua no centro do Rio de Janeiro, o Dr. Álvaro Alvim, na vira-
da do século passado, embora médico, se auto-intitulava 
“electrotherapeuta”. Em recorte de jornal do dia 13 de maio de 1901, a “Ga-
zeta de Notícias” (jornal de grande circulação no Rio de Janeiro, à época) 
publicava a seguinte matéria:
“A secção de phototherapia, tratamento por meio da luz, é a primeira manti-
da na América do Sul e nella se concentram todos os esforços e toda a glo-
ria do Dr. Alvim, por ser a sua especialidade, e tem sido coroada do melhor 
êxito pela segurança dos resultados scientificos que tem alcançado em sua 
numerosa clinica”.
Em seu livro intitulado “Physicotherapia – A Electricidade perante a medi­
cina”, publicado em 1902, Dr. Álvaro Alvim comenta:
“Graças á energia electrica, podemos mesmo dispensar a massagem e a 
Gymnastica, localizando o movimento a um ou mais músculos, substituin-
do-as pela electromassagem e a electrogymnastica, recursos estes preciosos 
em virtude de não exigirem esforços e fadigas da parte do doente”.
Em 1904, o médico Adolpho Gomes Pereira em sua tese intitulada “Physi-
otherapia”, apresentada para a obtenção do título de Doutor na cadeira de 
Therapeutica pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro declara textual-
mente o que segue:
“O estado actual da physiotherapia, como o demonstram recentes e impor-
tantíssimos trabalhos, é o mais auspicioso possível, si levarmos em conside-
62
ração o meticuloso estudo e extensa applicação que lhe outorgam os paizes 
civilisados do velho e novo mundo [...] Guimbail em seu arrojo convencido 
prophetisa-lhe (a physiotherapia) o domínio absoluto na medicina do 
futuro”.
E continua a tese, agora de forma inusitada, o Dr. Adolpho Pereira, fazendo 
questão de deixar claro seu “contra­gosto”: 
“No Brazil é que quase nada encontramos e o que existe está muito longe de 
um estabelecimento physiotherapico. O Dr. Alvaro Alvim que possue um 
dos melhores, conserva-o fechado aos olhos de quem quer visital-o”.
“Uma vez que desejávamos informações mais seguras sobre certos pontos 
do assumpto que tínhamos em mente escrever, queríamos ouvir a sua abali-
sada experiência e consultar sobre alguma bibliographia, mas a recepção 
que nos fez obrigando-nos a esperar mais de 5 horas, foi tão a contra-gosto 
que não houve forças que nos fizessem voltar ahi.”
Em 1923, em seu livro “Physiotherapia, suas bases scientificas e suas apli­
cações” (Barros, 1923), o médico Alencar de Barros relatava a importância 
da fisioterapia e sua preocupação com o exercício profissional pelos “lei-
gos”:
“São tantas as observações, tão numerosos os trabalhos de physiologia e cli-
nica demonstrando os magníficos resultados dos banhos de luz, de vapor, ir-
radiações, duchas, electricidade, massagem, cultura physica etc, que devem 
constituir, sem duvida, com a dietética, o ponto de apoio principal na cura 
das doenças”.
“Dahi o desenvolvimento formidavel da physiotherapia em todos os paises 
civilisados do globo, especialmente na Allemanha, Italia, França e Estados 
Unidos da América do Norte, onde é ensinada nas grandes Universidades e 
praticada, com carinho, nos hospitais e sanatórios. Entre nós, infelizmente, 
está ella ainda, com excepção da electricidade medica, nas mãos de leigos, 
ou melhor de empíricos que applicam “a torto e a direito”, sem individuali-
dade, porquanto não podem conhecer a physiologia dos organismos”.
Na tese intitulada “Dos agentes físicos: fisioterapia”, apresentada por Edil-
ton de Meneses Sampaio, para a obtenção do grau de Livre Docência, na ci-
dade de Recife no ano de 1934, além de se ressentir pela inexistência de um 
serviço de fisioterapia na cidade, faz um resumo dos recursos fisioterápicos 
utilizados à época:
“Apesar do ambiente propicio, onde o esmero educacional é pararelo á cul-
tura, Recife se ressente dalgumas particularidades indispensáveis á vida atu-
al. Um gabinete fisioterápico completo, que preenchesse os requisitos exigi-
dos pela concepção cientifica, com as finalidades tão altamente benéficas da 
sua razão de ser, não me consta até hoje tenha-se instalado nesta cidade”.
63
“A fisioterapia compreende: eletricidade e raios x, termo e fototerapia, acti-
noterapia, curieterapia, crioterapia, hidroterapia, aero, clima e helioterapia, 
mecano e cinesiterapia, ginástica medica, cultura física, curas de repouso 
etc.”
Da década de 1930 à 1950, ocorreram no Brasil uma série de mudanças no 
cenário e organização da saúde brasileira. Em 1931 foi regulamentada a 
profissão de farmacêutico no Brasil (Decreto 20377/31), um ano depois um 
novo Decreto procurou regulamentar e fiscalizar o “exercício da medicina, 
da odontologia, da medicina veterinária e das profissões de farmacêutico, 
parteira e enfermeira no Brasil” (Decreto 20931/32). A legislação em ques-
tão é a primeira do país que trata, de maneira tão abrangente, sobre as rela-
ções entre diferentes profissões e campos de atuação em saúde no país. É a 
primeira lei brasileira que traz em seu texto a expressão “fisioterapia”, qua-
se quatro décadas antes da regulamentação da profissão de fisioterapeuta.
64
Reabilitação: campo de disputas profissionais
O campo da saúde, em especial a reabilitação, em função principalmente de 
sua característica multiprofissional, tem sido, desde os anos de 1950, arena 
de disputa por controle de diferentes categorias profissionais. As epidemias 
de poliomielite e as guerras ampliaram as oportunidades tanto para o cresci-
mento de novas profissões, quanto para a expansão de novas especialidades 
da profissão médica. (Gritzer e Arluke, 1985)
Na divisão do trabalho, a criação da especialidade médica da fisiatria se co-
locava em confronto com as emergentes profissões de fisioterapeuta, tera-
peuta ocupacional e outras. A própria fisiatria encontrava resistência para 
sua expansão dentro deoutras especialidades médicas, especialmente, a or-
topedia e a neurologia. Nos Estados Unidos, a especialidade de fisiatria, de-
dicada ao médico com atuação nos centros de reabilitação, foi criada oficial-
mente pela Associação Médica Americana em 1947. (Gritzer e Arluke, 
1985)
A estratégia desenvolvida pelos médicos norte-americanos dedicados à rea-
bilitação para conquistar o controle da área multiprofissional era a de se co-
locar como o especialista que detinha a visão integral da reabilitação, o in-
termediário entre os médicos de outras especialidades e os profissionais ti-
dos como membros da equipe de reabilitação: fisioterapeutas, terapeutas 
ocupacionais, fonoaudiólogos e outros (Gritzer e Arluke, 1985).
“O rápido desenvolvimento da fisioterapia e da terapia ocupacional, espe­
cialmente as campanhas da fisioterapia durante o pós­guerra e sua forte 
participação como categoria profissional nas mobilizações no combate à 
poliomielite, fortaleceram sua participação na divisão do trabalho no cam­
po da reabilitação, enfraquecendo, nos anos de 1950, a fisiatria, cuja es­
pecialidade permanecia isolada, sendo a sua competência questionada, 
inclusive, por médicos de outras especialidades.” (Gritzer e Arluke, 1985) 
Durante alguns anos fisiatras se referiam a sua disputa com cirurgiões orto-
pédicos como uma 'batalha'. Alegavam que os ortopedistas apropriavam-se 
de suas funções profissionais. Os fisioterapeutas norte-americanos, durante 
os anos de 1950 e 1960, aproveitaram-se das disputas entre fisiatras e orto-
pedistas para, ao aliarem-se com os últimos, esquivarem-se da tentativa de 
controle proposta pelos primeiros nos serviços de reabilitação (Gritzer e Ar-
luke, 1985).
65
O uso do nome "fisioterapia" foi também objeto de disputa entre categorias 
profissionais nos Estados Unidos. Muitos médicos interessados em reabili-
tação se autointitulavam fisioterapeutas. Já os graduados em cursos de fisio-
terapia, por determinação da Associação Americana de Fisioterapia 
(APTA), passaram a assumir o título de fisioterapeutas, principalmente a 
partir dos anos de 1940, em vez de técnico em fisioterapia ou fisioterapista. 
(Echternach, 2003)
No Brasil, as disputas profissionais no campo da saúde mereceram a inter-
venção do Estado, já em 1932. O Decreto n. 20.931/32 regulamentou o 
“exercício da medicina, da odontologia, da medicina veterinária e das pro-
fissões de farmacêutico, parteira e enfermeira no Brasil” (Brasil, 1932). 
Essa lei criava regras básicas para o exercício de diversas atividades, dentre 
elas, as de medicina, odontologia, medicina veterinária, fisioterapia, psico-
terapia, optometria, farmácia, massagistas, parteiras, duchistas e outros. Co-
locava todas as atividades, à exceção da odontologia e da medicina veteriná-
ria, sob a tutela do médico e restringia o exercício de qualquer prática de 
cura aos diplomados nas universidades e registrados no Departamento Naci-
onal de Saúde Pública. 
Os institutos hospitalares de qualquer natureza, públicos ou particulares, os 
laboratórios de análises e pesquisas clínicas, os laboratórios de soros, vaci-
nas e outros produtos biológicos, os gabinetes de raios X e os institutos de 
psicoterapia, fisioterapia e os estabelecimentos de duchas ou banhos medici-
nais, só poderiam funcionar sob responsabilidade e direção técnica de médi-
cos ou farmacêuticos, nos casos compatíveis com esta profissão, sendo in-
dispensável para o seu funcionamento, licença da autoridade sanitária. (Bra-
sil, 1932).
Ao longo do Decreto, era acrescentado, ainda, com referência especifica-
mente aos estabelecimentos "eletro, radio e fisioterápicos e ortopédicos", 
que eles poderiam funcionar somente "sob a direção técnica profissional de 
médicos". O mesmo decreto, em suas disposições gerais, criava multas e 
outras penalidades criminais aos possíveis infratores, determinando ainda 
que "enfermeiros, massagistas, optometristas e ortopedistas" estavam termi-
nantemente proibidos de instalar consultórios para atender aos seus clientes. 
(Brasil, 1932)
Com a formação dos primeiros fisioterapeutas na década de 1950, as alian-
ças e os conflitos entre esta categoria profissional emergente e as diversas 
outras já estabelecidas (educação física, enfermagem e medicina) trouxeram 
novas tensões no campo da saúde, especialmente nos serviços ligados à rea-
bilitação. São essas disputas por poder, mercado de trabalho e autonomia 
que serão discutidas mais adiante.
66
A Formação de fisioterapeutas no cenário internacional
Os modelos de formação de fisioterapeutas adotados por diferentes institui-
ções de ensino brasileiras, nos anos de 1950 e 1960, sofreram influências, 
em maior ou menor grau, das experiências de formação e de criação de no-
vos serviços especializados de fisioterapia em outros países. 
As primeiras escolas formadoras de fisioterapeutas de que se tem registro 
começaram a se organizar na Europa, especificamente na Inglaterra e Ale-
manha. A partir daí, foram se multiplicando nos demais países, com a cria-
ção de novas escolas nos Estados Unidos ainda no início do século XX e 
posteriormente desenvolvendo-se no Canadá e Austrália. Entre as décadas 
de 1940 e 1960 dezenas de países das Américas, Ásia e África começaram 
também a formar fisioterapeutas. (Sanchez, 1984; Remondiere, 1998; Chip-
chase, 2006, Peat, 1970)
Na Alemanha, as primeiras instituições formadoras de fisioterapeutas foram 
as escolas de Kiel, em 1902 e Dresdem, em 1918 (Sanchez, 1984). Na In-
glaterra, em 1894, enfermeiras formadas pela escola de Florence Nightinga-
le, dedicaram-se ao tratamento com massagem e ao treinamento de novas 
enfermeiras, criando a Sociedade de Massagistas Treinadas (STM). Em 
1895, quatro fundadoras da sociedade anunciaram na revista Nursing Notes 
a realização de exame de certificação, segundo Miles-Taping (1989). Nesse 
momento, era então criada a “profissão de fisioterapeuta na Inglaterra”. Em 
1920, a STM mudou de nome para Sociedade de Massagistas e Ginastas 
Médicas e, em 1942 passou a chamar-se de Sociedade de Fisioterapia. 
(Chartered..., 1994) 
No Canadá, em 1915, homens e mulheres massagistas, que haviam sido cer-
tificados na Inglaterra pela STM, começaram a exercer suas atividades pro-
fissionais, mais precisamente nas cidades de Toronto e Montreal (Miles-Ta-
ping, 1989). Em 1929, iniciaram-se as atividades do primeiro curso de gra-
duação em fisioterapia do Canadá, na Universidade de Toronto. (Heap, 
1995)
Em Copenhagen, Dinamarca, desde 1890 eram organizados os primeiros 
serviços de hidroterapia em alguns hospitais, sendo que, entre 1912 e 1914, 
os departamentos de hidroterapia foram reestruturados e começaram a sur-
gir os primeiros departamentos de fisioterapia, com “chefia médica, alguns 
fisioterapeutas e alguns equipamentos”. Em 1914, a Associação Médica Di-
namarquesa criou regras e mecanismos de regulação profissional, iniciando 
a formação teórica e prática dos futuros fisioterapeutas, que naquele mo-
mento “não poderiam atender sem prescrição médica”. (Agersnap, 1960) 
Na Espanha, as primeiras escolas formadoras de profissionais fisioterapeu-
tas foram criadas em 1958, na Faculdade de Medicina de Madrid e na Esco-
67
la de Ajudantes Técnicos Sanitários Salus Infirmorum de Madrid (Vidal, 
2001).
“Uma condição patológica única foi a gênese primária da profissão de fi­
sioterapia no final dos anos 1800 e início dos 1900. Essa condição foi a 
recorrente epidemia mundial de paralisia infantil, ou poliomielite” (Scott, 
2002).
Além das epidemias de poliomielite que varreram o mundo na primeira me-
tade do século XX, a primeira e a segunda Guerras Mundiais, com seus mi-
lhões de feridos e sequelados, também contribuíram para aumentar a neces-
sidade pelos serviços de fisioterapia, especialmente nos Estados Unidos. A 
Associação de Fisioterapia de Mulheres Americanas foi fundada em 1921 
pela fisioterapeuta Mary McMillan e por outras 244 "auxiliares de recons-
trução"que trabalharam no tratamento dos militares da Primeira Guerra 
Mundial. Em 1922, a associação passou a chamar-se de Associação Ameri-
cana de Fisioterapia e começou a admitir homens em seus quadros. A maior 
parte dos programas de formação de fisioterapeutas naquela época era base-
ado em cursos rápidos com menos de 1 ano de duração, realizados dentro 
dos hospitais, não sendo oferecidos cursos de graduação. Durante a Segunda 
Guerra, foram cerca de 1.632 fisioterapeutas, em serviço militar, responsá-
veis pelo atendimento de fisioterapia aos feridos de guerra. (Scott, 2002) 
A prática da fisioterapia nos Estados Unidos envolveu dois grandes even­
tos históricos: as epidemias de poliomielite dos anos de 1800 até os 1950 
e os efeitos devastadores de várias guerras (Moffat, 2003).
Em 1927, a Universidade de Nova Iorque criou o primeiro curso de bacha-
relado em fisioterapia com duração de 4 anos. Ao longo da primeira metade 
do século XX, as epidemias de poliomielite, guerras, acidentes e a demanda 
social pela inclusão das pessoas com deficiências colaboraram para o cresci-
mento da fisioterapia em todo o mundo. (Swisher e Page, 2005) 
Em 1928, existiam 11 programas de formação de fisioterapeutas aprovados 
nos Estados Unidos. Durante a Grande Depressão dos anos de 1930, a oferta 
de cursos de formação em fisioterapia cresceu muito pouco. Nesse período 
muitos programas de formação foram incorporados por universidades, que 
68
passaram a realizar a formação em parceria com hospitais. (Echternach, 
2003)
Desde o final dos anos 1920 a 1950, ocorreu uma mudança gradual nos pro-
gramas de formação de fisioterapeutas dos baseados em hospital com dura-
ção de 12 meses, para programas universitários, com duração de 4 anos. 
(Gwyer, 2003)
O comitê de educação e qualificação de experiência de fisioterapeutas nas 
agências de saúde pública, da American Physical Therapy Association 
(APTA) apresentou, em 1954, um relatório sobre a inserção dos fisiotera-
peutas nas agências públicas de saúde americanas, propondo novos parâme-
tros para a formação desses profissionais. O relatório afirmava que, em 
1915, havia sido admitida a primeira fisioterapeuta no campo da saúde pú-
blica, empregada pelo Departamento de Saúde do Estado de Vermont para o 
tratamento domiciliar de pacientes de poliomielite. Ao longo dos anos de 
1930 a 1950, o número de fisioterapeutas americanos era insuficiente para 
atender às necessidades das agências públicas de saúde. (Proposed, 1954)
O relatório definia as atribuições dos fisioterapeutas nas agências públicas 
de saúde, definindo um mínimo de 4 anos de formação, em curso de gradua-
ção, ou a formação em 2 anos, para aqueles que já possuíam formação em 
outras áreas. O primeiro item do relatório ressaltava a necessidade de o fisi-
oterapeuta atender somente, após autorização e direção médica. Note-se que 
o comitê era formado quase que exclusivamente por médicos, sendo 11 mé-
dicos dentre os 15 membros do comitê. A formação deveria incluir estudos 
nas áreas sociais e humanas, das ciências físicas e biológicas, de teoria e 
procedimentos da fisioterapia relacionados com a clínica médica. (Propo-
sed, 1954)
Em 1955, a APTA, em conjunto com a Associação Médica Americana, pu-
blicou um novo documento, definindo critérios essenciais para a formação 
dos fisioterapeutas. A formação mínima não poderia ser inferior a 12 me-
ses, com 1.605 horas de ciências básicas e de procedimentos da fisioterapia, 
além de 600 horas para a formação clínica. (Nieland, 2003).
Em 1960, a APTA aprovou uma resolução, estabelecendo como nível míni-
mo exigido para a formação de fisioterapeutas a graduação universitária. A 
maioria das universidades oferecia um programa de certificação em fisiote-
rapia para os egressos de outros programas de bacharelado e, a partir desta 
resolução, começaram a se desenvolver bacharelados específicos em fisiote-
rapia. (Echternach, 2003)
Em diversos países da América Latina, as primeiras instituições formadoras 
de fisioterapeutas foram criadas nas décadas de 1940 e 50. Foi o caso da 
Colômbia, em 1952/53, com a Escola Nacional de Fisioterapia, ligada ao 
Instituto Franklin Delano Roosevelt (Ascofi, 1984). No Chile, a Escola de 
69
Fisioterapia da Universidade do Chile foi criada em 1956 e passou a formar 
fisioterapeutas, que antes eram formados como especialização da profissão 
de educador físico (Chile, 2007). Na Argentina, um dos primeiros serviços 
especializados em fisioterapia, que incluía o treinamento profissional em fi-
sioterapia, era o Instituto Municipal de Radiologia e Fisioterapia, criado em 
1925 em Buenos Aires (Organización..., 1941).
Na década de 1950, não havia critérios claros internacionalmente estabeleci-
dos para a formação dos fisioterapeutas. Em cada país eram criados novos 
cursos que procuravam atender à demanda por profissionais da área, aumen-
tada especialmente pelas pessoas com sequelas em virtude das epidemias de 
poliomielite. Em geral, países desenvolvidos possuíam cursos de formação 
mais longos, normalmente de nível universitário, enquanto nos países do 
chamado terceiro mundo era estimulada a criação de cursos com menor du-
ração.
70
A expansão da fisioterapia e da reabilitação no Brasil
Nos anos de 1940, no Rio de Janeiro, alguns importantes serviços de fisiote-
rapia foram criados no Hospital Barata Ribeiro, em 1945, no Hospital Car-
los Chagas, em 1947 e no Instituto dos Aposentados e Pensionistas da In-
dústria – IAPI, em 1949, além de outros serviços no Instituto dos Marítimos 
e no Comerciários. Em São Paulo, algumas instituições filantrópicas foram 
criadas com o objetivo de atuar diretamente na reabilitação, como foi o caso 
da Sociedade Pestalozzi , em 1932 e do Lar Escola São Francisco, criado 
em 1943 e destinado ao atendimento de crianças com deficiências físicas. 
(Soares, 1987)
Nos anos 1950 surgiram diversos serviços de fisioterapia, em geral, ligados 
a centros de reabilitação. Foi o caso da AACD (Associação de Amigos de 
Crianças Defeituosas) em São Paulo (1950), criada para reabilitar e tratar 
vítimas da paralisia infantil. Na Faculdade de Medicina da Universidade de 
São Paulo, o médico Godoy Moreira através de contatos com a OPAS/OMS 
e a Confederação Mundial de Fisioterapia – WCPT criou o Instituto Nacio-
nal de Reabilitação – INAR, em 1959. (Sanchez, 1984).
No Rio de Janeiro, a Sociedade Pestalozzi foi criada em 1945 e, em 1954, 
foi fundada a APAE carioca (Associação de Pais e Amigos do 
Excepcional). Fundada em 11 de dezembro de 1954, a APAE foi criada pelo 
casal Almirante Henry Broadbent Hoyer e Dona Beatrice, pais de uma cri-
ança com Síndrome de Down. O casal reuniu diversos professores, pais e 
técnicos na embaixada americana no Rio de Janeiro em Julho de 1954 e, a 
partir daí, foram realizadas novas reuniões com o objetivo de criar a entida-
de para atender às necessidades das crianças portadoras de deficiências 
mentais.7
No Rio de Janeiro foi criada a ABBR em 1954 e em 1955 foi fundado o Ins-
tituto Brasileiro de Recuperação Motora (IBRM), voltado para atendimento 
de crianças com disfunções neuro-musculo-esqueléticos. Em 1958, na mes-
ma cidade, foi criado também o Centro Nossa Senhora da Glória, dedicado 
à reabilitação neurológica. No mesmo ano, na cidade de Niterói (RJ) foi 
fundada a AFR (Associação Fluminense de Reabilitação), instituição tam-
bém de caráter filantrópico. (Figueirôa, 1996).
Na Bahia, em 1955, foi criado o Instituto Bahiano de Fisioterapia, que, a 
partir de 1960, contou com a atuação da fisioterapeuta Guiomar Peltz Koet-
tlen, formada pela Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro - ERRJ. Em 
Brasília, em 1960, foi criado o Centro de Reabilitação Sara Kubitschek. Em 
Pernambuco foi criado o primeiro centro de reabilitação no mesmo ano. Em 
7 História da APAE, acessado no site da APAE - Rio de Janeiro em 12 de fevereiro de 2007 
(http://www.apaerio.org.br/) 
71
Fortaleza, no Ceará, também outro aluno egressoda ABBR, Píndaro Custó-
dio Cardoso, colaborou na criação da Associação Beneficente Cearense de 
Reabilitação, em 1966 (Figueirôa, 1996). 
Em Minas Gerais, em 1954, o atendimento de reabilitação aos pacientes era 
realizado no Serviço Social da Indústria, na Fundação Benjamim Guimarães 
e, ao final da década de 1950, no Hospital Arapiara. No Paraná, o primeiro 
serviço com atendimento de fisioterapia foi implantado em 1956, no Servi-
ço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital de Crianças Cezar Permeta, 
tendo sido criada, em 1959, a Associação Paranaense de Reabilitação, para 
atendimento a crianças com até 13 anos de idade. No Rio Grande do Sul, foi 
criado, em 1960, o Centro de Reabilitação do Instituto de Aposentadoria e 
Pensões dos Comerciários e em 1964, em Porto Alegre, foi fundado o Cen-
tro de Reabilitação de Porto Alegre. (Figueirôa, 1996).
A ABBR, assim como a AFR, IBRM, APAE, AACD e diversas outras enti-
dades criadas nos anos de 1950, em diferentes regiões do país, eram institui-
ções normalmente sem finalidades lucrativas, de caráter filantrópico e fruto 
da mobilização da sociedade civil e do patrocínio de algumas elites interes-
sadas na reabilitação. Quase todas essas entidades, criadas fora do aparelho 
estatal, permanecem em funcionamento ainda hoje, atendendo a milhares de 
pessoas. 
72
Reabilitação e a cura social
O período do pós-segunda Guerra influenciou profundamente os serviços de 
saúde de diversas partes do mundo. Mesmo os países que não tomaram par-
te ativa, durante a segunda Guerra Mundial, sofreram influências de diver-
sos movimentos em prol de direitos sociais, de saúde, das pessoas portado-
ras de deficiência e outros. Um destes movimentos, composto por diversas 
instituições que se mantêm ativas até hoje, ficou conhecido por “movimento 
internacional de reabilitação”.
De acordo com o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Na-
ções Unidas, o interesse mundial pela reabilitação ocorreu principalmente 
por quatro acontecimentos históricos: as duas grandes guerras mundiais, o 
processo de urbanização e industrialização acelerados (favorecendo a propa-
gação de epidemias e o aumento dos acidentes de trabalho), os progressos 
tecnológicos, médicos e das ciências sociais que permitiram a organização 
dos centros de reabilitação e uma consciência social mais sensível à causa 
das pessoas portadoras de deficiência (Naciones Unidas, 1965).
Para diferentes pesquisadores e médicos norte-americanos, nos anos de 
1950, muitos deles ligados à Fundação Nacional para a Paralisia Infatil 
(NFIP), não havia consenso sobre a definição sobre o que seria “reabilita-
ção” e quais seriam seus principais objetivos. A definição usual de que o 
objetivo da reabilitação seria “restaurar o deficiente à sua máxima capacida-
de física, mental, social e econômica” sofreu algumas modificações nos de-
bates do comitê de estudos da NFIP. De acordo com esse comitê, os dese-
jos, interesses e objetivos de cada pessoa deveriam ser considerados dentro 
do processo de reabilitação. Ao final, reabilitação foi definida como “o pro-
cesso de ajudar o indivíduo com uma desvantagem a realizar suas potencia-
lidades e objetivos, fisicamente, mentalmente, socialmente e economica-
mente.” (Riper, 1954)
Para o comitê de reabilitação médica da Organização Mundial da Saúde 
(OMS), a reabilitação teria como finalidade principal não apenas restabele-
cer a pessoa afetada à sua condição anterior, mas também desenvolver ao 
máximo suas funções físicas e mentais. Literalmente, como consta no infor-
me do comitê, reabilitação não seria apenas a cura física, mas também a 
"cura social" e ao referir-se sobre as vantagens da reabilitação nos países 
"que se acham nas primeiras fases do seu desenvolvimento econômico e so-
cial" o texto ressalta que:
73
"uma reabilitação, que transforma em produtor útil a um consumidor inú­
til, representa uma contribuição valiosa ao bem estar geral" (OMS, 1958).
Para a terapeuta ocupacional norte-americana Anne Mosey, o movimento 
internacional de reabilitação se desenvolveu em função de “falhas de insti-
tuições sociais, como a família, a escola e a medicina organizada" (Mosey 
apud Soares, 1987).
A independência possibilitada pelos programas de reabilitação, a vantagem 
econômica para a sociedade e o aumento do número de pessoas incapacita-
das pelo próprio avanço da ciência, impulsionado pelos veteranos incapaci-
tados de guerra transformaram a reabilitação no terceiro nível de prevenção 
à saúde, praticada a partir da instalação da invalidez (por deficiências con-
gênitas, moléstias crônicas, acidentes de trabalho, trânsito, domésticos ou 
pelas doenças ocupacionais) (Soares, 1987).
Ao problematizar a adesão de muitos países ao ideário da reabilitação, Soa-
res (1987) ressalta os benefícios que ela oferece à lógica economicista da 
seguridade social e à visão assistencialista sobre a deficiência. Segundo a 
autora, a reabilitação atendia prioritariamente ao modelo econômico, mais 
do que ao próprio campo da saúde. 
Na prática, a reabilitação esteve sempre sendo determinada pelo modelo 
econômico que promove condições insalubres de vida e trabalho e novos 
contingentes marginais e, em determinados momentos específicos, requi­
sita a absorção de parcelas do exército de reserva estagnário. 
Nos outros momentos, a reabilitação cumpre funções no plano político-ide-
ológico, onde as instituições governamentais, através de lideranças populis-
tas apresentam sua aparente neutralidade quanto aos interesses contraditóri-
os das classes se propondo minorar os efeitos negativos da industrialização, 
'reparando' as desigualdades sociais ao atender necessidades específicas de 
saúde, sem alterar, de outro lado, as condições e ambientes de trabalho que 
gera os acidentados, ou a própria política econômica que gera o crescente 
pauperismo. (Soares, 1987)
74
Questões sociais e econômicas eram reiteradas vezes utilizadas nos discur-
sos favoráveis ao desenvolvimento da reabilitação no período pós-segunda 
Guerra mundial. Em muitos países, especialmente no chamado terceiro 
mundo, uma das dificuldades encontradas para a criação de centros de rea-
bilitação era a escassez ou, muitas vezes, a inexistência de profissionais es-
pecializados nessa área, incluídos aí médicos e enfermeiras, mas principal-
mente fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e outros.
O primeiro informe de reabilitação médica da OMS, em 1958, destacou a 
necessidade e, também, a dificuldade de formação de uma equipe com fisio-
terapeutas e terapeutas ocupacionais (à época, chamados de profissionais 
auxiliares ou paramédicos, fisioterapeutas e ergoterapeutas) afirmando que 
“a formação de uma equipe de fisioterapeutas e ergoterapeutas é uma tarefa 
tão ou mais difícil quanto a formação de pessoal de cirurgia e de enferma-
ria” (OMS, 1958).
No Brasil, por exemplo, categorias profissionais como médicos, psicólogos, 
assistentes sociais e enfermeiros quase não possuíam formação na área de 
reabilitação. E aumentando a gravidade do problema, como criar serviços de 
reabilitação sem que houvesse também fisioterapeutas, terapeutas ocupacio-
nais, fonoaudiólogos, orientadores profissionais e técnicos em órteses e pró-
teses? Não existiam profissionais em número suficiente no mercado brasi-
leiro nem tampouco cursos de formação no início dos anos de 1950. (Soa-
res, 1987).
O problema da escassez de profissionais para atuarem na reabilitação foi so-
lucionado, em parte, pela participação de organismos internacionais na cria-
ção de assessorias e incentivo a programas de formação em diversas partes 
do mundo. 
75
Organismos internacionais e a multiplicação de centros 
de reabilitação
No período após a segunda Guerra Mundial, começaram a se organizar e 
atuar, organismos internacionais que visavam apoiar os esforços de recons-
trução dos países afetados pela guerra e multiplicar assessorias técnicas e 
institutos formadores de profissionais voltados àreabilitação:
“O Comitê tomou nota, com satisfação, de que a OMS tem oferecido contri-
buições importantes para as atividades de reabilitação nos países que neces-
sitam de ajuda técnica, concedendo bolsas de estudos superiores desta maté-
ria, realizando pesquisas com a colaboração de experts internacionais, coo-
perando com os governos no estabelecimento de projetos experimentais e de 
demonstração e de escolas de fisioterapia e facilitando materiais e equipa-
mentos para os trabalhos de reabilitação.” (OMS, 1958).
É válido ressaltar, no primeiro relatório sobre reabilitação da OMS, a pre-
sença do Dr. Godoy Moreira, professor de ortopedia da USP, como membro 
do Comitê de Expertos em Reabilitação Médica (OMS). A reunião de que 
trata esse documento foi realizada em Genebra, de 24 a 28 de fevereiro de 
1958, e contou com a participação dos membros do Comitê (8 profissionais) 
e com representantes das Nações Unidades e Organização Internacional do 
Trabalho - OIT.8 
Dentre as agências internacionais e organizações não governamentais que 
atuaram mais fortemente nos anos 40 e 50 no chamado "movimento de rea-
bilitação", destacam-se, entre outras: Fundo Mundial de Reabilitação, Orga-
nização Mundial da Saúde, Organização Internacional do Trabalho, Reabili-
tação Internacional, UNICEF, Nações Unidas, ‘Colombo Plan’, Federação 
Mundial de Veteranos e a Administração de Assistência e Reabilitação das 
Nações Unidas (Lamm, 1986; UNICEF, 1960; Peat, 1970).
Na Europa, em 1951, foi criada a Confederação Mundial de Fisioterapia 
(WCPT), que em seu primeiro congresso internacional, realizado em 1953, 
reuniu cerca de 1.500 participantes de 25 países. Dentre os objetivos defini-
dos na fundação da WCPT constam: a cooperação com agências do sistema 
8 O professor Godoy Moreira foi um dos principais idealizadores do Instituto de Ortopedia e 
Traumatologia do Hospital das Clínicas da USP. O Instituto foi criado em meio à epidemia de 
poliomielite, que atingia São Paulo, e inaugurado em 1953. O Instituto atendia à fase aguda dos 
casos de poliomielite, contando com pulmões de aço e outros equipamentos necessários. Em 
períodos de maiores epidemias, o Instituto chegou a ter mais de 120 pacientes com necessidade 
de assistência respiratória constante em decorrência da paralisia infantil. (Corrêa e Gaspar, 
1999)
76
das Nações Unidas e outras agências internacionais “nos seus esforços para 
iniciar, desenvolver ou ampliar serviços de reabilitação através do mundo” e 
o oferecimento de consultoria, informação e assistência a agências interna-
cionais, governos e indivíduos para o desenvolvimento de escolas de fisiote-
rapia, oferecendo “pessoal e equipamentos para departamentos de fisiotera-
pia” (Agersnap, 1960). 
Onde os centros de reabilitação foram estabelecidos a questão de pessoal foi 
resolvida enviando um número de expertos patrocinados por uma organiza-
ção internacional e múltiplas funções de organização do centro, criação 
imediata e futura de treinamento de uma equipe nacional e local, e supervi-
são do tratamento (Agersnap, 1960).
Diversos fisioterapeutas norte-americanos foram enviados a outros países 
“subdesenvolvidos” como professores consultores para criação de escolas 
de fisioterapia e centros de tratamento nessa área. Embora nos Estados Uni-
dos, 95% dos fisioterapeutas pesquisados possuíssem pelo menos graduação 
completa em fisioterapia, muitos cursos de curta duração foram criados, sob 
o argumento de que era necessária a formação em caráter de urgência. 
A prioridade dos organismos internacionais era formar fisioterapeutas em 
larga escala, nos mais diferentes países, mesmo que para isso fossem neces-
sárias adequações à realidade de cada local, incluindo a formação em cursos 
de curta duração. Esses e outros profissionais deveriam compor as equipes 
dos centros de reabilitação.
Em Israel, após a criação do Estado Independente em 1948 e no início dos 
anos de 1950, houve grande necessidade da criação de serviços de reabilita-
ção. Para alguns autores, isso ocorreu devido a três fatores principais: pre-
sença de muitos soldados mutilados durante a guerra de independência; che-
gada de muitos imigrantes judeus, dentre os quais, vários sobreviventes dos 
campos de concentração; ocorrência de fortes epidemias de poliomielite, 
principalmente as de 1950 a 1956. (Blum et Fee, 2007)
A primeira escola de formação de fisioterapeutas e o primeiro centro de rea-
bilitação do governo de Israel foram criados, respectivamente em 1953 e 
1954, para atender aos milhares de crianças com deficiências físicas, em 
virtude da poliomielite. O apoio para a criação dessas duas instituições veio 
da OMS e da UNICEF que, trabalhando em cooperação com o governo Is-
raelense, assinaram um plano, no verão de 1951, chamado “Plano de Opera-
ção para a Reabilitação da Criança Deficiente”. (Blum et Fee, 2007)
A partir dos anos de 1940, organismos internacionais como a ONU, OMS e 
OIT tiveram atuação determinante na criação de centros de reabilitação no 
Brasil. Para além da participação desses organismos em cooperação com o 
Estado brasileiro, as iniciativas da sociedade civil tiveram grande responsa-
bilidade na criação de serviços especializados de reabilitação. A morosidade 
77
do Estado brasileiro em garantir o acesso das populações urbanas e rurais 
aos serviços de reabilitação parece ter incentivado a adoção de estratégias 
de organização da sociedade civil, principalmente por meio do surgimento 
de entidades beneficentes e filantrópicas. 
“Estas instituições [beneficentes de reabilitação] destinavam-se ao atendi-
mento de crianças - a maioria delas - e adultos portadores de deficiência fí-
sica e/ou mentais, introduzindo em determinados locais, recentes técnicas 
de reabilitação e promovendo também o atendimento custodial-asilar.” (So-
ares, 1987).
Foram vários profissionais enviados pela ONU para diferentes países da 
América Latina, a partir de 1951, com o intuito de escolher o local mais 
apropriado para a criação de um centro de reabilitação de padrão internacio-
nal para a região. O Hospital das Clínicas, em São Paulo, foi escolhido pela 
ONU como o que melhores condições oferecia para a instalação do centro, 
em detrimento de capitais como Santiago do Chile e Cidade do México. 
(Soares, 1987)
Outros centros de reabilitação apoiados pela ONU foram criados em Bom-
baim, na Índia, como referência para o continente asiático; em Skopje, na 
Iugoslávia, para a Europa; em Alexandria, pelo continente Africano e no Lí-
bano como referência para todo o Oriente Médio. (Soares, 1987)
Em 1958, segundo relatório das Nações Unidas, foi estabelecida cooperação 
internacional com a USP para a criação do Instituto Nacional de Reabilita-
ção - INAR. As Nações Unidas participaram do planejamento geral, próte-
ses e fisioterapia; a OIT participou da orientação profissional e da recoloca-
ção para o trabalho; e a Organização Mundial da Saúde tomou parte com a 
medicina física e a coordenação de programas. O INAR pretendia, de acor-
do com o relatório, tornar-se um modelo de reabilitação para outros países 
da América Latina. (ONU, 1965)
O INAR começou a funcionar com médicos e outros profissionais da USP, 
muitos deles formados ou atualizados em reabilitação com bolsas da OMS 
nos Estados Unidos. Em janeiro de 1957, a OMS enviou o primeiro Coorde-
nador do Projeto, Paul Albright, de Nova York que, no ano seguinte foi 
substituído por Robin Hindley-Smith, da Inglaterra9. A OMS enviou tam-
bém um técnico em prótese e órteses da Dinamarca, Erik K. Jensen, a fisio-
terapeuta Karin Lundberg e a terapeuta ocupacional Elisabeth P. Eagles. A 
OIT, por sua vez, enviou um técnico em reabilitação de cegos, Joseph Al-
bert Asenjo e o orientador profissional John Alfred Humpreys. (Soares, 
1987) 
9 Hindley-Smith, como poderá ser visto mais adiante neste livro, teve influência na criação da 
Associação Brasileira de Fisioterapeutas, em São Paulo, e defendeu a formação de nível técni-
co na áreade fisioterapia, contrariamente à proposta da Escola de Rebilitação do Rio de Janei-
ro.
78
Até março de 1963, foram atendidos no INAR 2.402 casos, sendo 87,1% 
dos casos relacionados a problemas do aparelho locomotor, 5% de deficiên-
cias visuais, 3,7% de doenças cardiorrespiratórias e outros problemas. De 
todos os casos relacionados ao aparelho locomotor, 29% eram de paralisia 
cerebral, 23,64% de amputações, 10,32% de hemiplegias e 6,2% de polio-
mielites. (Soares, 1987)
Embora não se tenha localizado nenhum registro formal de investimentos fi-
nanceiros, assessorias ou de recursos humanos de agências internacionais na 
ABBR, o ideário da reabilitação também estava presente na vida da institui-
ção. O primeiro diretor do Centro de Reabilitação da ABBR, Hilton Batista, 
ocupou o cargo de vice-presidente da Rehabiliation International para a 
América Latina. Seu primeiro contato com a Rehabiliation International foi 
em 1954, no Instituto de Medicina de Reabilitação da Universidade de Nova 
Iorque, onde ele fazia um curso de pós-graduação. O diretor do Instituto era 
o professor Howard Rusk que, também, exercia o cargo de Presidente da In-
ternational Society for the Walfare of the Disabled, hoje Rehabilitation In-
ternational (ALERJ, 2004).
Mais detalhes sobre a ABBR e sua escola de formação de fisioterapeutas 
(ERRJ) serão vistos mais adiante, em virtude de sua relevância histórica 
para a profissionalização da fisioterapia.
79
Poliomielite
Não apenas no Brasil, mas em muitos países do mundo, as epidemias de po-
liomielite deixaram um rastro de morte, sofrimento e deficiências físicas. 
Embora considerada erradicada no Brasil e em muitos países (à exceção do 
continente Africano e alguns países do Leste Europeu e sudeste da Ásia), a 
poliomielite tem retornado aos noticiários em virtude de muitos sobreviven-
tes, 40 ou 50 anos depois do contágio, apresentarem agora piora considerá-
vel dos sintomas da pólio: é a chamada Síndrome Pós-Pólio, que têm afeta-
do milhares de sobreviventes nos Estados Unidos, Brasil e em diversos ou-
tros países.10
Sob o aspecto histórico, grande parte dos artigos e pesquisas acadêmicas 
aborda principalmente os aspectos em torno da descoberta da vacina, enfim, 
da “vitória” da ciência sobre a poliomielite. A história das vítimas da pólio, 
a mobilização das sociedades e governos e as formas de tratamento das se-
quelas são contadas, em geral, por elas próprias, através de livros autobio-
gráficos de sobreviventes ou de memórias de familiares de vítimas da pólio. 
As epidemias de poliomielite têm estreita relação com o desenvolvimento 
da fisioterapia em todo mundo e por essa razão será objeto de discussão 
neste livro. 
O poder de "matar, mutilar e deformar"
A primeira descrição de uma epidemia de poliomielite foi feita por Medin, 
em 1887, em Estocolmo. Depois, ocorreram outras epidemias na Suécia e 
Noruega (1905), em Nova Iorque (1907), no Alaska (1908), em Minnesota, 
na Columbia Britânica e em Alberta (1910) (Freyche et Nielsen, 1956).
Na Europa, quase todos os países apresentaram surtos epidêmicos da doen-
ça na primeira metade do século XX. Na Inglaterra, nos anos de 1926 e 
1938 foram notificados, respectivamente, 3,3 e 3,8 casos para cada cem mil 
habitantes. Já em 1947, a taxa de notificações atingiu 18,1 casos, tendo 
ocorrido 13,7 e 17,6 casos notificados nos anos de 1949 e 1950. Na Escócia, 
em 1947, foram notificados 27,7 casos para cada cem mil habitantes e, em 
1950, taxa de 21,8 casos. Na Dinamarca, as taxas ultrapassaram os 30 casos 
para cada 100 mil habitantes em 1944 e 1950. Na Noruega, entre os anos de 
1950 e 1953, a taxa de notificação ultrapassou 20 casos. Na Islândia, em 
10 A Organização Pan-Americana da Saúde certificou a erradicação do vírus da poliomielite nas 
Américas, em 1994. (BRASIL. Guia de Vigilância Epidemiológica. Ministério da Saúde. Se-
cretaria de Vigilância em Saúde. 6a. ed. – Brasília, 2005). 
80
1924 e depois entre os anos de 1945 e 1949 foram registradas as maiores ta-
xas de notificação de casos de poliomielite do mundo, com quase 500 doen-
tes para cada 100 mil habitantes. Em 1947, a capital Berlim, na Alemanha, 
apresentou taxa de 76,9 casos. Áustria, Suíssa, Bélgica, Holanda, Espanha, 
Portugal, Itália e diversos outros países apresentaram também forte incidên-
cia de poliomielite, especialmente nos anos de 1940 e 1950 (Freyche et Ni-
elsen, 1956). 
Nos Estados Unidos, em 1916, os surtos de poliomielite alcançaram o índi-
ce de 41,4 casos em cada 100 mil habitantes; 28,3 em 1949 e 37,2 casos em 
1952. (Scorzelli, 1966). 
Os dados epidemiológicos disponíveis sobre a poliomielite oferecem uma 
visão geral sobre a situação dessa doença em grande parte do mundo, duran-
te a primeira metade do século XX. Antes da análise dos dados propriamen-
te dita, é necessário considerar as diferentes possibilidades de falhas nos nú-
meros apresentados. Primeiro, em razão de que muitos países só registram 
na categoria “poliomielite” os casos de poliomielite paralítica aguda e, em 
segundo lugar, porque erros de diagnósticos são frequentes e podem incluir 
estados febris com sinais de irritação na meninge. (Freyche et Nielsen, 
1956)
Tais fontes de erros e variabilidade limitam consideravelmente o valor das 
estatísticas publicadas, mesmo no caso de nações onde o nível das condi-
ções sanitárias e sociais é mais satisfatório. (Freyche et Nielsen, 1956)
Nas Américas, tanto no Canadá quanto nos Estados Unidos, a incidência de 
poliomielite ocorreu com a mesma intensidade que na Europa. Em 1937, o 
Canadá apresentou taxas de notificação de 30,6 com epidemias menores ao 
longo dos anos até que, em 1952 e 1953, as maiores epidemias apresenta-
ram taxas de 33 e 56,5 casos para cada 100 mil habitantes. Nos Estados 
Unidos houve surtos importantes também ao longo dos anos de 1940 e, es-
pecialmente, em 1951 e 1952, ocorrendo nesse ano taxa de 36,2 casos para 
cada 100 mil habitantes, totalizando cerca de 58.000 casos de poliomielite 
somente em 1952. (Freyche et Nielsen, 1956)
Na primeira grande epidemia nos Estados Unidos, em 1916, a pólio infectou 
mais de 27.000 pessoas em 26 estados, resultando em aproximadamente 
6.000 mortes e milhares de casos de paralisia (Gould, 1995). Em agosto de 
1946, a revista Time publicou uma matéria sobre a pior epidemia de pólio 
que se estava vivendo nos Estados Unidos, desde 1916. Somente na semana 
anterior, haviam sido registrados 5.622 casos de pólio (Biography of the 
Crippler, 1946). Na primeira metade do século XX (1916 a 1955) foram in-
fectadas em média 38.000 pessoas por ano. (Neumann, 2004)
Na América Latina, o número de casos notificados foi em média mais baixo 
do que nos Estados Unidos e no Canadá. As taxas de notificação em Cuba 
81
estiveram entre 5 a 10 casos nos anos de 1940 e 1950. Uruguai, Chile, Costa 
Rica, Peru, Guatemala, Brasil e diversos outros países apresentaram surtos 
de poliomielite, principalmente entre as décadas de 1940 e 1950. Na Argen-
tina, a poliomielite alcançou seus maiores índices de morbidade (adoeci-
mento) nos anos de 1943, com 10,6 afetados por cada 100 mil habitantes, 
em 1953, com 14,0 e em 1956 com 33,3 para cada 100 mil habitantes. Di-
versos países da Oceania, África e Ásia também notificaram elevados nú-
meros de casos de poliomielite, como por exemplo, Nova Zelândia e Aus-
trália, Angola, Congo e África do Sul, Japão e Israel que, em 1950, regis-
trou cerca de 145 casos para cada 100 mil habitantes (Freyche et Nielsen, 
1956). 
Para pesquisadores e também para a população, o maior objetivo não deve-
ria ser a “eliminação da infecção da poliomielite, mas da paralisia, que era a 
consequência importante daquela infecção”. A infecção pelo vírus da polio-
mielite apresentava grande variação clínica, desde uma infecção classificada 
como inaparente, silenciosa ou assintomática, abortiva, não paralítica e a 
forma paralítica, a mais importante, porém a menos comum dentre as outras 
formas. (Sabin,1951)A pólio foi um grande fenômeno também como marketing de massa, ocu­
pando a imprensa mais em virtude do medo da invalidez e da necessida­
de de arrecadar doações dos milhares de norte­americanos do que pro­
priamente pelo número de mortes que causava (quando comparado a 
outras doenças).
Embora o número de mortes, e mesmo de internações por poliomielite, te-
nha sido bastante inferior ao de outras doenças, poucas enfermidades ocupa-
ram tanto espaço na mídia quanto a poliomielite. O fato de afetar principal-
mente crianças, a questão da deficiência física e a ocorrência de casos mais 
graves em regiões com boas condições sanitárias espalharam o terror nas fa-
mílias de classe média norte-americana e renderam muito espaço na mídia. 
Centenas de matérias em jornais e revistas, shows de música, programas de 
rádio, filmes e livros que abordavam direta ou indiretamente a pólio foram 
lançados ao longo da década de 1950 nos Estados Unidos. Era preciso man-
ter a população sempre alerta e bem informada com relação à pólio, não 
apenas pelos riscos à saúde, mas também pela necessidade permanente de 
doações em dinheiro, de acordo com o modelo de filantropia adotado nos 
Estados Unidos.
82
A "praga" da classe média
Especialistas em doenças infecciosas trabalhando na década de 1950 viam 
muito mais mortes por sarampo do que por pólio, mas o sarampo não aterro-
rizava os pais como fazia a pólio, que podia por fim para sempre ao correr e 
pular de uma criança. (Black, 1996)
Nos anos de 1950, as epidemias de pólio atingiram tanto crianças quanto 
adultos com mais de 25 anos nos Estados Unidos e na Suíça. Em Portugal, 
na Itália, na China, no Chile e no Japão, 80% dos afetados eram crianças 
com menos de 5 anos (Scorzelli, 1966). Esse perfil de contágio, principal-
mente de crianças na maior parte do mundo (inclusive no Brasil), deu à po-
liomielite também o nome popular de paralisia infantil.
Orfanatos barraram visitantes e iniciaram campanhas de limpeza, o início 
das aulas foi adiado nas escolas públicas e nos colégios, alguns colégios ex-
pulsaram alunos que passaram o verão em "lugares infectados"; a saúde pú-
blica proibiu igrejas e escolas dominicais de aceitar crianças com menos de 
16 anos durante a epidemia. (Porto, 2004)
No Canadá, de acordo com Rutty (1996), a pólio era conhecida nos anos de 
1940 e 1950 como a praga da classe média. Tendo como principal alvo a 
classe média canadense, a pólio tornou-se mais importante socialmente do 
que outras doenças que produziam mais mortes. Em 1953, a epidemia atin-
giu sua maior incidência no país, com aproximadamente 60 casos em cada 
100 mil habitantes. A resposta de um país à pólio, segundo a autora, depen-
deria da tradição das atividades de saúde pública, da relação dos governan-
tes e das autoridades sanitárias com a profissão médica e do nível de ativi-
dade entre organizações voluntárias e indivíduos. (Rutty, 1996). 
Enquanto nos Estados Unidos, a resposta social à pólio era baseada na filan-
tropia, nos indivíduos e no apoio voluntário às vitimas de pólio, no Canadá, 
cada província desenvolvia serviços especializados para prevenção e trata-
mento da poliomielite, “disponíveis gratuitamente para todos os casos de 
pólio”. (Rutty, 1996)
Cada país, de acordo com sua estrutura e tradição de sistema de saúde, e 
considerando a maior ou menor presença do Estado na prestação de serviços 
públicos à população, optou por caminhos diferentes para o enfrentamento 
das epidemias de poliomielite. 
Enfrentar a epidemia, do ponto de vista de cada país, significava definir 
quem, se o Estado e/ou a iniciativa privada (filantrópica ou não), deveria 
se responsabilizar por cada ação.
83
Essas ações compreendiam principalmente: formação de profissionais espe-
cializados para o tratamento, que envolvia criação de novas escolas e/ou 
cursos especiais para os profissionais já existentes; tratamento dos casos 
agudos, que incluía não só disponibilidade de pulmões de aço como infraes-
trutura hospitalar e de pessoal adequados; tratamento dos casos crônicos, 
que incluía a criação de centros especializados com oferta de serviços de fi-
sioterapeutas, terapeutas ocupacionais e diversos outros profissionais e, até 
mesmo, distribuição e aplicação de vacinas (após a descoberta em meados 
de 1950).
84
Poliomielite e o desenvolvimento da fisioterapia
“Vítimas de lesão da medula espinhal, doenças respiratórias e desordens 
neurológicas devem pelo menos em parte sua reabilitação e mobilidade aos 
sobreviventes da poliomielite”. (Raymond, 1986)
Diversos autores internacionais comparam a importância da pólio como 
equivalente ou superior à das duas grandes guerras, no que se refere à sua 
contribuição para o desenvolvimento das técnicas de fisioterapia e da profis-
são de fisioterapeuta no mundo (Neumann, 2004; Raymond, 1986; Matura-
na, 2002; Kranz, 1986).
Assim como fisioterapeutas ofereceram seus serviços no tratamento e 
contribuíram para a pesquisa e diminuição da mortalidade nos pacientes 
de poliomielite, o contato com a doença e suas características clínicas 
peculiares permitiu grandes avanços clínicos na área da fisioterapia. Es­
ses avanços marcam até hoje a atuação dos fisioterapeutas. 
Novos serviços e a demanda por fisioterapeutas 
Desde 1941, o Estado espanhol reconheceu a importância do tratamento e 
da recuperação de crianças com deficiências. Por meio da lei de Saúde Ma-
terno Infantil, foram criados os dispensários e centros especializados para 
“recuperação de crianças inválidas e com deformidades”. Em 1947, foram 
criados os primeiros “Centros de Luta contra a Poliomielite”, localizados 
nas cidades de Madrid, Barcelona, Sevilla e Santander. Esses centros públi-
cos, além de realizarem o tratamento dos casos de pólio, auxiliavam na noti-
ficação, no ensino e na propaganda da luta contra a poliomielite. Durante as 
primeiras epidemias de pólio na Espanha, em 1950, foi criado, por meio de 
Portaria Ministerial, o “serviço contra paralisia infantil no Hospital do Me-
nino Jesus”. A cada ano, eram criados novos centros especializados e uma 
rede de pulmões de aço que cobriam todas as províncias espanholas. (Matu-
rana, 2002)
Ao longo da década de 1950, a reabilitação se desenvolveu na Espanha 
como área de atuação profissional para atender às necessidades das pessoas 
com deficiências. Se, por um lado, o deficiente teria que receber “todos os 
cuidados necessários para levar uma vida plena”, por outro, deveria também 
“colaborar com o sustento econômico de sua família e da nação”. Nos anos 
85
de 1950, quando os níveis sanitários da população já estavam mais altos, co-
meçaram a aumentar o número de casos de pólio. Parecia haver uma relação 
direta entre níveis sanitários e a frequência de casos da doença. Quanto me-
lhores as condições sanitárias, mais aumentavam o número de casos de pó-
lio em geral e maior a proporção de casos paralíticos. (Maturana, 2002)
Na Itália, em uma cidade próxima de Roma, foi criado no início dos anos de 
1950 um Instituto para tratamento da poliomielite. O Instituto possuía 170 
leitos e três grandes setores: fisioterapia, ortopedia e cinesioterapia. Os paci-
entes eram crianças e jovens de “14 meses a 14 anos” e os tratamentos utili-
zavam diversas técnicas de fisioterapia com os principais objetivos: propor-
cionar rápida recuperação funcional, prevenção de contraturas, manutenção 
da circulação sanguínea e nutrição dos membros afetados e também, limitar 
as intervenções cirúrgicas para correção de deformidades. (Rosen, 1951)
Na opinião de Maturana, a pólio teve grande importância para a reabilita-
ção: “a reabilitação beneficiou os doentes com poliomielite, mas também 
esta propiciou uma maior consolidação desta atividade especializada duran-
te as décadas dos anos cinquenta e sessenta”. (Maturana, 2002)
A poliomielite era considerada como uma “doença escola” pelas lições 
que oferecia para o conhecimento e tratamento de diversas outras doen­
ças do sistema neuro­locomotor.
Os centrosde tratamento para a pólio deveriam ter, além das instalações de 
um centro de reabilitação tradicional, um serviço com pulmões de aço, uma 
piscina para hidroterapia e uma seção de ensino e jogos (já que a maioria 
dos pacientes eram crianças). A equipe desses centros especializados deve-
ria ser formada por médicos de diferentes especialidades, fisioterapeutas, te-
rapeutas ocupacionais, enfermeiras, assistentes sociais, professores e outros 
profissionais. (Maturana, 2002)
Nos Estados Unidos, em 1946, Basil O’Connor, presidente da NFIP, anun-
ciou a instalação de quatro Unidades de Auxílio à Epidemia com o objetivo 
de auxiliar e treinar pessoal de saúde, autoridades e hospitais no enfrenta-
mento de surtos epidêmicos de poliomielite. Cada unidade era composta por 
um ou mais médicos, dois fisioterapeutas, uma enfermeira ortopédica e, 
quando possível, um epidemiologista. Antes que a pólio atingisse níveis al-
tos da epidemia, deveria ser possível treinar voluntários e pessoal de saúde 
especializado para diminuir os danos causados. (Epidemic aid units for pó-
lio outbreaks, 1946)
86
Em Nova Iorque, no ano de 1947, foi implantado o primeiro Centro Médico 
de treinamento especializado em poliomielite para médicos, enfermeiros, fi-
sioterapeutas e outros profissionais. A equipe era chefiada por um pediatra, 
assistido por 3 médicos, 5 fisioterapeutas, 1 terapeuta ocupacional e 18 en-
fermeiras. O centro possuía 35 leitos para todas as fases de tratamento da 
poliomielite e recebia, além de pacientes, profissionais de saúde de todo o 
país. Os pacientes que não possuíam recursos para arcar com as despesas ti-
nham seu tratamento pago pela NFIP. (A poliomyelitis treatment…, 1945)
Os pulmões de aço
Muitos pacientes acometidos pela poliomielite necessitavam de respiração 
artificial em consequência da paralisia dos músculos respiratórios. O pul-
mão de aço, como ficou conhecido popularmente, consistia em um cilindro 
metálico no qual, em seu interior, o paciente permanecia inserido normal-
mente do pescoço para baixo. A variação de pressão no interior da máquina 
induzia à inspiração e expiração no paciente. (Drutz et Ligon, 2000) 
Ilustração 1. Pulmões de aço no Hospital Rancho Los Amigos, 1953. Fonte: http://en.wikipedi-
a.org/wiki/Image:Iron_Lung_ward-Rancho_Los_Amigos_Hospital.gif . Acesso em 
28/03/2008.
As primeiras pesquisas para desenvolver o pulmão de aço começaram em 
1926 nos Estados Unidos, com Philip Drinker, apoiado pelo Instituto Roc-
kefeller. Já em 1928 o pulmão de aço foi utilizado pela primeira vez por um 
paciente de oito anos com paralisia dos músculos respiratórios, causada pela 
87
poliomielite. Ao ser colocada na máquina, a criança que estava em estado 
de coma, por falência respiratória, recobrou a consciência imediatamente. 
(Drutz et Ligon, 2000) 
“O uso dos pulmões de aço junto ao desenvolvimento das técnicas de fi­
sioterapia respiratória conseguiram levar adiante pacientes com severas 
paralisias respiratórias musculares, espinhais e bulbares, contribuindo a 
reafirmar também a função do fisioterapeuta”. (Maturana, 2002)
De agosto a dezembro de 1952, em Copenhagen, somente em um único hos-
pital de doenças infecciosas, foram atendidos cerca de 3.000 pacientes com 
poliomielite, dos quais 345 tiveram a forma bulbar da doença, com paralisia 
dos músculos respiratórios e da deglutição. No entanto, o hospital possuía 
apenas um único pulmão de aço. (West, 2005)
Durante várias semanas, de 30 a 50 pacientes com sintomatologia bulbar fo-
ram internados diariamente e de 6 a 12 destes estavam terrivelmente mal. 
Durante as primeiras 3 semanas da epidemia 27 de 31 pacientes com polio-
mielite bulbar morreram, 19 deles dentro de 3 dias de internação. Claramen-
te uma catástrofe estava acontecendo. (West, 2005)
Em Copenhagen, a solução encontrada pelos profissionais foi realizar a 
ventilação, manualmente, com sacolas de borrachas durante 24 horas 
por dia em todos os pacientes com paralisia dos músculos respiratórios. 
Ao longo de várias semanas, cerca de 1.500 alunos da área de saúde fo­
ram recrutados para participarem de rodízio mantendo os pacientes sob 
ventilação respiratória manual, o que reduzia a mortalidade nestes casos 
críticos de 90% para 25%.
Durante a epidemia de 1952, foram desenvolvidos novos métodos de diag-
nóstico respiratórios por meio da medição dos níveis de dióxido de carbono, 
bicarbonato e ph no sangue. Esse foi o nascimento da fisiologia respiratória 
moderna que, ainda hoje, utiliza as descobertas do equilíbrio ácido-base e 
da mecânica ventilatória nos pacientes com insuficiências e outras disfun-
ções respiratórias críticas. (West, 2005)
A forma bulbar da doença, com severo comprometimento dos músculos res-
piratórios levava os pacientes à falência respiratória, mas com consciência, 
88
o que dificilmente ocorria em outras patologias. O elevado número de paci-
entes com disfunções respiratórias acelerou a busca por novas técnicas de 
tratamento, inclusive da fisioterapia e contribuiu para o desenvolvimento de 
centros de terapia intensiva. 
A forma bulbar da poliomielite, embora fosse a mais grave e contribuísse 
com grande parte do número de mortes por pólio, era, felizmente, a forma 
de menor ocorrência da doença. Do ponto de vista clínico, a paralisia mus-
cular causada pela poliomielite era profundamente interessante, pois preser-
vava a sensibilidade do paciente e, em muitos casos, oferecia resultados 
imediatos com relação ao ganho de força, movimento e funcionalidade no 
tratamento com fisioterapia. A motivação e otimismo causados pela melho-
ra funcional criavam um círculo virtuoso e, muitas vezes, os pacientes fazi-
am mais exercícios do que os prescritos pelos fisioterapeutas. (Neumann, 
2004)
Teste muscular e o estudo do movimento humano
Em virtude do vírus da pólio afetar aleatoriamente os neurônios motores, 
cada paciente apresentava diminuição ou ausência de força muscular em di-
ferentes músculos. Isso gerava um quadro bastante complexo e individuali-
zado para cada paciente. Foi justamente com o objetivo de documentar as 
alterações funcionais e avaliar o quadro de cada paciente de forma individu-
alizada, que foi desenvolvido o teste muscular manual, utilizado até hoje 
por fisioterapeutas em todo o mundo. Por seu contato diário junto ao paci-
ente e por seus conhecimentos de anatomia, fisiologia e prescrição de exer-
cícios terapêuticos, era responsabilidade dos fisioterapeutas a realização e 
registro dos resultados do teste muscular. (Neumann, 2004)
Médicos não poderiam, por eles mesmos, testar e re-testar o esmagador nú-
mero de pacientes. A epidemia de pólio, portanto, ofereceu uma oportunida-
de rara para os fisioterapeutas tornarem-se experts em uma área muito valo-
rizada. (Neumann, 2004) 
O teste muscular manual, amplamente utilizado na avaliação individual fun-
cional dos pacientes com sequelas de pólio, foi também útil para testar e do-
cumentar a eficácia da profilaxia com gamma globulinas e depois a vacina 
Salk11. Dezenas de fisioterapeutas norte-americanos participaram dos testes 
da vacina em 1954 (Neumann, 2004). 
O estudo do movimento humano (cinesiologia) pode ser considerado como 
a base científica principal para os tratamentos desenvolvidos pelos fisiotera-
peutas até hoje. O uso das bases da cinesiologia no tratamento de pacientes 
11 A profilaxia com gamma globulina foi utilizada nos Estados Unidos com plasma sanguíneo 
de sobreviventes da pólio, que continham anticorpos da doença, antes da utilização da vacina 
Salk.
89
foi popularizada por Brunnstrom12 por meio da edição de um clássico livro 
intitulado Cinesiologia Clínica, publicado inicialmente em 1962, e ampla-
mente utilizado por fisioterapeutas, ainda hoje, em sua prática clínica e na 
formação universitária. (Neumann, 2004)
As características clínicas específicas da paralisia muscular provocada 
pela poliomielite, associada ao enorme número de casos e aos recursos 
financeiros investidos permitiu o desenvolvimentode numerosos estudos 
e novas técnicas na área da fisioterapia.
Nos pacientes afetados, não era incomum apresentarem um único músculo 
inervado dentre diversos outros músculos de um mesmo agrupamento mus-
cular. Isto permitia que este único músculo apresentasse de forma inequívo-
ca sua real função muscular, permitindo, por assim dizer, o mapeamento da 
função muscular de centenas de músculos nunca antes analisados na cinesi-
ologia do ser humano. (Neumann, 2004) 
A pesquisa e o tratamento da paralisia infantil auxiliaram não apenas no co-
nhecimento sobre o funcionamento e patologias do sistema neurológico, 
mas também na criação de novos equipamentos como apoios, camas, esti-
muladores elétricos, cintos de pressão abdominal e respiradores (Maturana, 
2002). Suportes plásticos mais leves para articulações, ventiladores de pres-
são-positiva portáteis, rampas e cadeiras de rodas criadas sob medida foram 
outros avanços, em termos de novas tecnologias desenvolvidas para os so-
breviventes da poliomielite, amplamente utilizados também para outros do-
entes. (Raymond, 1986)
Também no que se refere à produção científica na área de fisioterapia, a po-
liomielite teve papel central. Diversos fisioterapeutas norte-americanos, 
hoje autores de livros utilizados nos cursos de graduação em fisioterapia, in-
clusive do Brasil, publicaram seus primeiros artigos nos anos de 1950. A 
Physical Therapy Review, revista científica da APTA publicava com regu-
laridade artigos sobre a poliomielite e o seu tratamento, além de números 
especiais exclusivos sobre fisioterapia na poliomielite (publicados em julho 
de 1951, 1952 e 1953, além do volume 27 de 1947). Os anos cinquenta mar-
cam, assim, as origens de uma literatura científica de autoria de fisiotera-
peutas, frequentemente orientados por médicos. Kendall, Knott, 
Worthingham, Daniels, Brunnstrom, Moore, e outros fisioterapeutas, passa-
12 As primeiras publicações de Brunnstrom, fisioterapeuta americana, foram sobre testes mus-
culares nos pacientes de pólio, no início da década de 1940. Considerada como o primeiro arti-
go de um fisioterapeuta na prestigiada revista americana Journal of Bone and Joint Surgery, 
Brunnstrom, em 1941, revolucionou a análise clínica da ação muscular com suas observações 
sobre a articulação do ombro em pacientes de pólio. (Neumann, 2004)
90
ram a escrever artigos sobre hidroterapia, estimulação elétrica, prevenção de 
deformidades, cuidados respiratórios, avaliação e fortalecimento muscular. 
(Neumann, 2004)
Precisa-se de fisioterapeutas
A necessidade de profissionais era grande: os anúncios recrutando fisiotera-
peutas eram publicados nas revistas especializadas e milhares de bolsas de 
estudo foram distribuídas para formação de novos fisioterapeutas. No final 
de 1952, estimava-se que cerca de um terço de todos os fisioterapeutas nor-
te-americanos haviam recebido bolsa de estudo da NFIP. (Neumann, 
2004).13
Para Donald Neumann, fisioterapeuta e pesquisador norte­americano, a 
“epidemia de poliomielite foi um dos fatores que mais influenciou” o reco­
nhecimento da fisioterapia nos Estados Unidos (Neumann, 2004)
Em 1945, a Fundação Nacional para Paralisia Infantil (NFIP), colaborando 
com a Associação Americana de Fisioterapia, investiu mais de um milhão 
de dólares para o avanço da fisioterapia no tratamento da poliomielite para-
lítica (O`Connor, 1945).
A NFIP possuía um programa de bolsas para estudantes e professores de fi-
sioterapia desde 1944. Em julho de 1957, havia 2.501 bolsas de estudos em 
curso, 63 bolsas para professores, 181 bolsas de curta duração e 9 bolsas 
para viagem, totalizando 2.864 bolsas concedidas para fisioterapia. Foram 
autorizados cerca de quatro milhões de dólares para este programa, um “in-
vestimento considerável para uma agência voluntária destinado a aumentar 
o número de pessoas em uma única profissão.” (Hislop e Worthingham, 
1958)
De acordo com os dirigentes da NFIP, as bolsas eram uma “solução parcial” 
para o problema da carência de profissionais, sendo necessárias também 
medidas de assistência financeira para escolas de formação e associações 
profissionais com o objetivo de recrutar estudantes qualificados e manter 
bons níveis de formação e de prática profissional no que se refere à poliomi-
elite. (Riper, 1954) Em 1953, a NFIP anunciava ajuda financeira para for-
mação de profissionais em três áreas: fisioterapia, terapia ocupacional e ser-
13 A escassez de profissionais era tal que, em abril de 1958, em uma revista científica de circu -
lação nacional nos Estados Unidos (Physical Therapy Review), foram publicadas 3 páginas 
com mais de 30 diferentes anúncios no formato classificados oferecendo vagas de trabalho (de 
uma a cinco vagas por anúncio) em hospitais e outras instituições de saúde. (Positions 
avaible..., 1958)
91
viço social. No caso da fisioterapia, a NFIP trabalhava em parceria com a 
Associação Americana de Fisioterapeutas (APTA) que possuía um progra-
ma de recrutamento específico. No esforço para recrutar novos fisioterapeu-
tas foi produzido um filme de dezessete minutos de duração intitulado 
“Dentro dessas mãos”, e um panfleto “Fisioterapia: serviço e carreira”, com 
o objetivo de despertar o interesse dos jovens pela profissão. (Clearing hou-
se..., 1953)
92
As epidemias de poliomielite no Brasil
A solução brasileira encontrada para o enfrentamento da doença incluiu ex-
periências de outros países, principalmente os da Europa e Estados Unidos, 
fazendo com que no Brasil fosse criado um modelo misto. De forma geral, 
esse modelo contou com iniciativas públicas no âmbito do Estado principal-
mente para o tratamento dos casos agudos de pólio em alguns hospitais de 
referência e, posteriormente, para a distribuição pública de vacinas. Quanto 
ao tratamento das pessoas, principalmente crianças com sequelas da doença, 
houve forte presença da iniciativa privada através de instituições filantrópi-
cas, com campanhas permanentes de arrecadação de recursos financeiros e a 
participação de rádios, jornais e televisão, com algumas semelhanças ao 
modelo norte-americano de filantropia adotado pela NFIP. 
A fisioterapia desde as primeiras epidemias
Existem relatos de casos de poliomielite no Brasil desde o século XIX. A 
partir de 1930, diversas capitais brasileiras foram afetadas pela pólio: Porto 
Alegre (1935), Santos (1937), São Paulo e Rio de Janeiro (1939). Nos anos 
40, Belém (1943), Florianópolis (1943 e 1947), Recife (1946) e Porto Ale-
gre (1945). Nos anos 1950, a epidemia atingia principalmente cidades do in-
terior e surtos importantes em algumas capitais como São Paulo e Rio de Ja-
neiro que, em 1953, teve registrada sua maior epidemia, atingindo a taxa de 
21,5 pessoas infectadas por 100 mil habitantes (Finkelman, 2002). 
Um aspecto relevante relacionado à poliomielite era sua estreita relação 
com a deficiência física. A pólio deixava um rastro de pessoas com defici­
ências físicas, muitas delas sem acesso a qualquer tipo de tratamento, 
dando maior visibilidade a questões como preconceito e discriminação. O 
medo da invalidez, das diferenças físicas incômodas, das pernas finas, 
causava grande desconforto nas famílias e marcaram muitas vidas de 
pessoas atingidas pela pólio.
O professor Godoy Moreira, em seu livro sobre o tratamento da paralisia in-
fantil, publicado no Brasil em 1939, já assinalava a importância da fisiotera-
93
pia nessa área14. Em seu livro de 208 páginas, o autor analisa somente o tra-
tamento dos membros inferiores afetados pela pólio. Essa impressionante 
publicação, com riqueza de detalhes em seu texto vastamente ilustrado, cita 
mais de 780 referências bibliográficas sobre poliomielite, de autores de di-
versas partes do mundo. 
Para o professor Godoy, passado o “estado de sensibilidade” do paciente, 
após os dois primeiros meses, era recomendado iniciar a fisioterapia, “vi-
sando obter o máximo de recuperação dos músculos atingidos”. O tratamen-to de fisioterapia, segundo esse autor, consistiria no uso de correntes elétri-
cas, diatermia, calor, massagens, balneoterapia, exercícios e mecanoterapia. 
As massagens feitas na água teriam “larga aplicação principalmente nos Es-
tados Unidos”. O autor destaca ainda que os exercícios de “reeducação dos 
movimentos e os exercícios ativos e passivos”, quando “dirigidos por pesso-
al especializado”, têm obtido resultados “os mais satisfatórios” em clinicas 
norte-americanas e em clínicas européias como o “Oskar-Helene-Heim de 
Berlim, os Institutos de Hohmann em Frankfurt e o de Scherb em Zurich”. 
(Moreira,1939)
A respeito do profissional que deveria realizar as técnicas de fisioterapia no 
paciente acometido pela paralisia infantil, Godoy Moreira afirmou: “Os 
exercícios devendo ser rigorosamente individualisados compreende-se a ne-
cessidade de dispor de um pessoal competente para executá-lo, conhecedor 
dos detalhes anatômicos e fisiológicos indispensáveis para a boa condução 
do tratamento. (Moreira, 1939)
Desde 1939, portanto, já se previa a necessidade de profissional especializa-
do para tratar das sequelas da poliomielite. O convívio principalmente de 
médicos brasileiros com as formas de tratamento utilizadas nos Estados 
Unidos e na Europa fez com que, inicialmente no Rio de Janeiro e em São 
Paulo, fossem criadas instituições para formação de fisioterapeutas e tera-
peutas ocupacionais, assim como para especialização de médicos e outros 
profissionais no tratamento da pólio. A intensidade da epidemia, seu perfil 
social e a capacidade de mobilização da sociedade e dos meios de comuni-
cação foram fatores determinantes na busca de soluções para o enfrenta-
mento da doença no caso brasileiro.
14 O professor Godoy Moreira foi médico e professor da Faculdade de Medicina da USP. Foi 
também membro do Comitê de Expertos em Reabilitação Médica da OMS, tendo sido o cria-
dor do Instituto de Reabilitação na USP, com forte atuação no tratamento dos casos de polio-
mielite em São Paulo e de diversas outras regiões do país que ali buscavam atendimento.
94
Pólio: uma doença de natureza especial
Comparativamente a outras doenças transmissíveis, em 1959, a poliomielite 
aparecia no Rio de Janeiro com taxas de mortalidade inferiores ao tétano, 
coqueluche, difteria, febre tifóide e sarampo. A referência à poliomielite fei-
ta nos Anais da 3ª. Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1963, des-
taca a poliomielite, por suas “características sociais” como uma doença “de 
natureza especial” (Brasil, 1992).
Tais características sociais de "natureza especial", como afirma o relatório 
da Conferência Nacional de Saúde, influenciaram decisivamente na mobili-
zação social, nos recursos investidos no combate à doença, e na busca por 
tratamento das sequelas. 
O perfil social da doença e o medo do contágio fizeram com que a pólio 
ocupasse lugar de destaque na imprensa carioca. Sob o título “A sombra da 
invalidez sobre uma coletividade”, o jornal Correio da Manhã, em abril de 
1953, publica matéria ressaltando alguns aspectos sociais da pólio:
“(...) chamamos a atenção para a importância médico-social da paralisia in-
fantil, que como se sabe não respeita nem raça, nem idade, nem país e nem 
clima, causando vítimas no mundo inteiro e levando uma grande percenta-
gem destas à invalidez temporária ou mesmo definitiva.” (A sombra da in-
validez..., 1953)
As melhores condições de vida e higiene normalmente presentes na clas­
se média e na alta sociedade carioca não protegiam seus filhos do flage­
lo da pólio, ao contrário do que ocorria com outras doenças normalmente 
associadas à pobreza. 
No texto da matéria é possível perceber um aspecto bastante mobilizador da 
sociedade carioca em torno da poliomielite. A doença não era “somente” as-
sociada à pobreza e à falta de instrução, mas afetava indiscriminadamente a 
população, sem respeitar raça, idade, país, clima e, especialmente, sem res-
peitar classes sociais. 
A escolha de que problemas de saúde pública deveriam ser os prioritários, e 
quais, portanto, deveriam receber maiores recursos e investimentos, estava 
em disputa. Por exemplo, somente dentre as mortes causadas por doenças 
transmissíveis, a tuberculose aparece em primeiro lugar, com coeficientes 
de 87,4 (em 1956) e 94,8 (em 1957) para cada cem mil habitantes, enquanto 
que em segundo lugar aparece a gripe e, em seguida, disenterias, febre tifói-
de, sarampo, difteria, meningite e lepra. A poliomielite figura apenas em dé-
95
cimo lugar dentre as doenças transmissíveis nas estatísticas de morte de 
1956 e 1957 e quanto a estatísticas de morbidade (adoecimento), ela aparece 
em oitavo lugar, dentre as doenças transmissíveis nesse mesmo período 
(Scorzelli, 1966).
O engajamento da “alta sociedade carioca” na luta contra a poliomielite e no 
patrocínio e filantropia de instituições destinadas ao tratamento das crianças 
afetadas (como foi o caso da ABBR) tem forte relação com o perfil social 
da doença. 
Grande parte das crianças atingidas pela poliomielite pertencia às famíli­
as das classes sociais com maior capacidade de mobilização social e po­
der aquisitivo. Embora com número de casos bastante inferior ao de ou­
tras doenças, a pólio foi considerada como prioritária dentre as inúmeras 
outras prioridades da saúde pública carioca.
96
Filantropia e a fundação da ABBR
“Um grupo de médicos, industriais, banqueiros, comerciantes, militares e 
senhoras da sociedade está empenhado em promover a recuperação das víti-
mas da paralisia infantil ou de acidentes que, por falta de um centro especia-
lizado, estão condenados a esforços puramente individuais e isolados que 
nem sempre conduz a bom resultado”. (Primeiro Centro de 
Reabilitação...,1956)
Assim, o jornal O Globo descreveu, em abril de 1956, a criação do centro 
de reabilitação da ABBR. A matéria intitulada “O Primeiro Centro de Rea-
bilitação das Vítimas de Paralisia Infantil” descrevia as instalações provisó-
rias do centro de reabilitação da ABBR em uma casa no bairro da Tijuca, no 
Rio de Janeiro. Os nomes dos integrantes da primeira diretoria estavam tam-
bém sendo divulgados. 
As matérias veiculadas na imprensa davam destaque ao envolvimento de 
grandes empresários, médicos, jornalistas e políticos com a causa da filan-
tropia. Em agosto de 1956, em nova matéria, o jornal referia-se à fundação 
da ABBR como um “humanitário movimento de assistência às vítimas de 
paralisia infantil”, que fazia parte da “campanha de socorro às vítimas de 
poliomielite”. Segundo a matéria, a ABBR teria sido idealizada “pelos vári -
os setores da sociedade carioca”, dela fazendo parte, inclusive, “vítimas da 
poliomielite ou parentes destas”. A matéria ressaltava, ainda, a dificuldade 
do tratamento e seu elevado custo como fatores determinantes para a cria-
ção da ABBR. (Associação Brasileira...,1954)
Na ata da Assembléia Geral de constituição da ABBR, Fernando Lemos era 
referido como “o grande idealizador e incansável batalhador na fundação da 
Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação”. Nos registros na ata de 
fundação da Associação consta que Fernando Lemos, em seu pronuncia-
mento durante a assembléia expôs “como lhe veio a idéia de fundar a Asso-
ciação, diante das dificuldades com que lutou no tratamento de seu único fi-
lho, vítima da paralisia infantil”. Oswaldo Pinheiro Campos, por sua vez, 
ressaltou a grave situação da poliomielite no Rio de Janeiro. Euniche Pour-
chet, que dirigia cursos de “especialidade dos professores de classes de cri-
anças deficientes” e foi, segundo consta em ata, a organizadora do primeiro 
curso de terapêutica ocupacional no Brasil, discorreu sobre a formação téc-
nica em reabilitação. O diretor da NFIP, o norte-americano Hart Van Riper, 
falou de sua alegria em participar da fundação da ABBR. O médico Jorge 
Faria falou sobre os planos de desenvolvimento da associação e sua relevân-
cia para o país. Em seu pronunciamento, o médico Alberto Coutinho, queacompanhou a doença do filho de Fernando Lemos, lembrou das dificulda-
97
des que os pais se defrontam no Brasil na recuperação dos filhos atacados 
pela paralisia infantil. (Ata da Assembléia Geral..., 1956)
O jornalista Floresta de Miranda relatou sobre o drama que viveu quando 
seu filho foi vítima de poliomielite. O engenheiro Ormeo Junqueira também 
falou do caso de sua filha que foi trazida de Minas Gerais para ser internada 
com paralisia infantil no Rio de Janeiro “tendo lutado com grandes dificul-
dades por não existir nenhum estabelecimento especializado onde pudesse 
fazer a internação”. Durante a algumas consideraçõessolenidade de funda-
ção da ABBR, antes de se passar à leitura e à aprovação do primeiro estatu-
to da entidade, fez-se uma homenagem “ao heroísmo das incansáveis mães 
brasileiras, cujos filhos tenham sido vítimas da paralisia infantil”. (Ata da 
Assembléia Geral..., 1956)
A presença de autoridades internacionais, como o diretor da NFIP, assim 
como de representantes da Prefeitura do Distrito Federal e da LBA, deu à 
solenidade o respaldo tanto do poder público, quanto de grandes entidades 
filantrópicas. Essa foi, aliás, uma das marcas da ABBR, nascida como ação 
filantrópica, mas contando com o apoio do Estado. Outro aspecto que cha-
ma a atenção nas falas registradas em ata é a ligação pessoal e familiar de 
grande parte dos presentes com a poliomielite e a deficiência física. 
Uma das primeiras preocupações da ABBR foi formar profissionais capazes 
de tratar da reabilitação das crianças e jovens vítimas da paralisia infantil. O 
primeiro presidente da ABBR, Percy Charles Murray era portador de defici-
ência e participava de todas as atividades sociais em uma cadeira de rodas 
reclinada, especialmente adaptada. A questão da poliomielite tinha signifi-
cado do ponto de vista epidemiológico, social, econômico e político, mas, 
sem dúvida, havia um fator de envolvimento pessoal e familiar com força 
suficiente para reunir mais de uma centena de pessoas da sociedade carioca 
em torno da criação da ABBR. 
Dentre os objetivos da associação, vale ressaltar, em primeiro lugar, a im-
portância da “luta contra a paralisia infantil”. O combate, especificamente a 
essa doença, é complementado pela necessidade reeducar, reabilitar, ou 
mesmo realizar a “recuperação físico-moral” de pessoas afetadas também 
por outras doenças, inclusive por acidentes. O objetivo deveria ser reabilitar 
as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência para “reintegrá-lo na 
vida e na sociedade”, para o “reaproveitamento do indivíduo”. Ainda como 
objetivos da entidade estavam a criação de uma escola formadora e de um 
hospital. (Ata da Assembléia Geral..., 1956)
Os objetivos estatutários da ABBR, dentre eles, a reabilitação física de aci-
dentados de trabalho, a reinserção social de pessoas com deficiências na so-
ciedade (e também na vida produtiva), interessava não somente à própria 
entidade, mas também a muitos empresários, especialmente do setor de se-
98
guros. O desenvolvimento da reabilitação, com suas vantagens econômicas, 
era bem visto pelas seguradoras e precisava ser estimulado no país, seja por 
meio do Estado, seja por meio da iniciativa privada através de ações filan-
trópicas. 
Além do idealismo do arquiteto Fernando Lemos, dos conhecimentos técni-
cos, interesse profissional e experiência internacional do grupo de médicos 
reunidos por Oswaldo Pinheiro Campos, havia ainda mais um grupo de ex-
trema importância para que a ABBR e a Escola de Reabilitação do Rio de 
Janeiro se tornassem realidade: os empresários. Liderados por Percy Charles 
Murray, faziam parte da diretoria da entidade ou nela colaboravam (como 
membros do conselho Fiscal) grandes empresários, principalmente do setor 
de seguros, como o próprio Percy, Celso Rocha Miranda, Carlos Luz (que 
ocupou interinamente a Presidência da República em 1955) e Ângelo Mário 
Cerne, assim como empresários de outros segmentos como Mario Simonsen 
(dono da TV Excelsior, do Banco Noroeste e outras empresas), Candido 
Guinle de Paula Machado (empresário do setor editorial, dono do Banco 
Boavista e de outras empresas) e Herbert Moses (diretor tesoureiro do jornal 
O Globo e Presidente da ABI). 
A ABBR representou, nos anos de 1950, dois papéis principais: o de uma 
instituição humanitária e de relevância pública no auxílio e tratamento dos 
que dela necessitavam, e também o de uma instituição pioneira e moderna 
sob o ponto de vista científico e de novas técnicas terapêuticas. O prestígio 
e influência política do grupo de empresários que atuava junto à ABBR, a 
presença constante na mídia e os relevantes serviços prestados à sociedade 
fizeram com que muitos políticos quisessem associar sua imagem à institui-
ção. De Juscelino Kubitschek, passando por Carlos Lacerda, Ernani do 
Amaral Peixoto, José de Sá Freire Alvim até o General Castelo Branco, de-
zenas de políticos visitaram a ABBR, assinaram o livro de visitas, posaram 
para fotos e, em menor ou maior grau, declararam seu apoio à entidade.
Considerações sobre a relação entre as epidemias de poliomielite, a criação 
da ABBR e a fisioterapia.
Para além das discussões mais diretamente ligadas à história da profissão de 
fisioterapeuta no país, a narrativa construída ao longo deste texto procurou 
contribuir também para o debate de algumas outras temáticas do campo da 
história da saúde. O papel do Estado e suas responsabilidades na assistência 
à saúde, os critérios de alocação de recursos públicos, as reações do poder 
público às epidemias, as contribuições da poliomielite para o campo da his-
tória das doenças, a influência de experiências e trajetórias pessoais e fami-
99
liares no contexto da história social e institucional, filantropia e a influência 
de organizações internacionais na criação de centros de reabilitação foram, 
de alguma forma, abordados no decorrer desta narrativa.
A poliomielite foi uma doença epidêmica em grande parte do mundo, afe-
tando milhões de pessoas, dentre elas, milhares de crianças, jovens e adultos 
das classes sociais média e alta. A pólio, ao contrário do que ocorria com 
outras doenças de massa, não estava associada à pobreza ou às baixas con-
dições de higiene. No início dos anos de 1950, seu modo de transmissão era 
desconhecido. Não havia vacina e suas características clínicas deixavam nos 
sobreviventes sequelas associadas a problemas respiratórios, neurológicos e, 
em muitos casos, graves deficiências físicas. 
Nos Estados Unidos e em muitos países da Europa, o fisioterapeuta foi o 
profissional que mais se envolveu com o tratamento dos pacientes de pólio. 
Milhões de dólares foram investidos na formação de novos fisioterapeutas e 
em pesquisas com novas técnicas de diagnóstico e tratamento na área da fi-
sioterapia. Os resultados obtidos pelos fisioterapeutas no tratamento dos pa-
cientes de pólio deram maior visibilidade à profissão, ao mesmo tempo que 
as características clínicas especiais das sequelas da pólio permitiram o rápi-
do desenvolvimento de pesquisas e descoberta de novas técnicas de trata-
mento.
Embora do ponto de vista epidemiológico, a poliomielite fosse responsável 
apenas por um pequeno número de adoecimentos e mortes, essa doença 
ocupou lugar de grande destaque em jornais e revistas, quando comparada a 
outras doenças responsáveis por taxas muito maiores de morbimortalidade. 
O estigma da deficiência física e o medo de uma doença, que não "respeita -
va" classes sociais e atingia principalmente crianças, trouxeram o pânico à 
população no início dos anos de 1950. A escolha da poliomielite como uma 
das maiores prioridades de investimento em pesquisa e tratamento obedeceu 
ao interesse das classes sociais mais influentes e com maior capacidade de 
mobilização. Na definição de prioridades, não importava tanto o número de 
vítimas da pólio, pouco expressivo com relação a outras doenças, mas a que 
classe social essas vítimas pertenciam.
Outro aspecto relevante quanto às epidemiasde poliomielite foi o tipo de 
resposta dado pelo poder público em diferentes países. Em alguns países de-
senvolvidos, o tratamento das vítimas da pólio foi assumido pelo Estado, 
nos Estados Unidos, ao contrário, Roosevelt criou uma entidade filantrópica 
de âmbito nacional, responsável por arrecadar dinheiro da população através 
de grandes campanhas. Com a pólio, inaugurava-se um novo modelo de fi-
lantropia norte-americano, baseado no uso intensivo da mídia, utilizando 
imagens de crianças com muletas com apelos emocionais e, contando com a 
100
colaboração de artistas famosos, foram arrecadadas pequenas quantias de 
milhares e milhares de pessoas. 
No caso do Brasil, no Rio de Janeiro, o poder público assumiu parte do tra-
tamento dos casos agudos da pólio, que exigiam internações e, por vezes, 
uso de pulmões de aço. Passada a fase aguda da doença, as crianças vítimas 
da pólio, muitas delas com graves sequelas físicas, não tinham, então, ne-
nhuma alternativa de tratamento. A mobilização de parte da sociedade cari-
oca (principalmente das classes média e alta) e de jornais de grande circula-
ção do Rio de Janeiro pressionou o poder público na busca de soluções com 
relação à pólio na capital federal, no início dos anos de 1950, ponto alto das 
epidemias. 
A fundação da ABBR, nesse contexto, representou uma resposta original da 
sociedade carioca à epidemia de poliomielite vigente na cidade e no país. O 
forte apelo emocional da doença, a capacidade de mobilização social da alta 
sociedade carioca cujos filhos e parentes haviam sido vitimados pela pólio, 
as isenções e subsídios à filantropia, o apoio de políticos e a liderança de in-
fluentes empresários, juntamente com a capacidade e experiência técnica de 
alguns profissionais médicos no cenário internacional da reabilitação consti-
tuíram um ambiente favorável à criação da ABBR e da primeira escola de 
reabilitação no país.
A ABBR, a exemplo do que ocorria nos Estados Unidos com as campanhas 
da "March of Dimes", contava com a atuação de senhoras da sociedade, o 
apoio da mídia e de artistas para a organização de festas, bailes e diversos 
outros eventos destinados à arrecadação de recursos financeiros para o Cen-
tro de Reabilitação. Foi fundamental para a ABBR, além do trabalho das 
Legionárias, a boa relação da diretoria da entidade com o Presidente JK e 
outros governantes. A ABBR representava a modernidade, o progresso no 
tratamento das vítimas da pólio e de outras doenças. A motivação pessoal-
familiar pela criação de um Centro de Reabilitação na Capital Federal ga-
nhou o apoio dos empresários. O fortalecimento da reabilitação profissional 
no país, através da ABBR, atendia aos interesses da crescente industrializa-
ção brasileira, diminuindo o tempo de afastamento dos trabalhadores aci-
dentados, tema de grande interesse de diversos setores da economia, especi-
almente o do ramo de seguros. O Estado brasileiro, com grande apoio às 
instituições filantrópicas, garantiu através de subvenções e isenções a viabi-
lidade financeira da entidade, transformando a terceirização da assistência 
também em um bom negócio para o setor privado-filantrópico.
Foi neste contexto que nasceu a profissão de fisioterapeuta no país. Vere-
mos a seguir o papel central ocupado pela ABBR e sua Escola de Reabilita-
ção (ERRJ) na formação, identidade social e profissionalização da fisiotera-
pia brasileira.
101
Os primeiros fisioterapeutas brasileiros
Logo após a cerimônia de fundação da ABBR, no auditório da Associação 
Brasileira de Imprensa (ABI), em 5 de agosto de 1954, o conselho médico 
da ABBR, presidido pelo Dr. Oswaldo Pinheiro Campos decidiu fundar a 
Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro (ERRJ). Essa foi a primeira insti -
tuição a formar fisioterapeutas, em nível superior no país. No dia 3 de abril 
de 1956 foi realizada a cerimônia de abertura do período letivo, com a pre-
sença dos primeiros alunos e professores dos cursos de fisioterapia e tam-
bém de terapia ocupacional, que iniciavam conjuntamente sua formação. 
Embora a Escola tenha iniciado suas atividades em 1956, o Ministério da 
Educação reconheceu os diplomas dos primeiros fisioterapeutas e terapeutas 
ocupacionais formados pela ERRJ somente em 1965, depois de longo pro-
cesso. 
A Escola de Reabilitação
A Escola de Reabilitação da ABBR possuía dois cursos regulares: fisiotera-
pia e terapia ocupacional. Antonio Caio do Amaral, vice-diretor da ERRJ, 
ao referir-se à formação dos fisioterapeutas e dos terapeutas ocupacionais 
ressalta que “nossa Escola procura, principalmente, formar duas especiali-
dades dentro do quadro geral da Reabilitação” (Amaral e Oliveira, 1960), 
descrevendo em seguida o perfil esperado de formação dos fisioterapeutas: 
“FISIOTERAPÊUTAS, dotados dos conhecimentos necessários à compre-
ensão, investigação e interpretação das causas e dos efeitos biológicos da fi-
sioterapia como agente colaborador, para dar ao lesionado o máximo de sua 
capacidade residual, com competência para sugerir modificações nas dosa-
gens dos diferentes agentes físicos utilizados, e, com faculdade para com-
preender o sentido social da especialidade e o seu papel na reabilitação e va-
lorização do homem”. (Amaral e Oliveira, 1960)
Sobre essa definição de Caio Amaral, é interessante ressaltar a destinação 
do fisioterapeuta para o tratamento de "lesionados". As pessoas com algum 
tipo de deficiência, ou lesão formariam a clientela desses profissionais. Ao 
mesmo tempo em que deveriam possuir conhecimentos teóricos da biologia, 
fisiologia, anatomia, entre outras áreas, sua competência seria restrita a "su-
gerir modificações nas dosagens" dos agentes físicos utilizados. Não caberia 
ao fisioterapeuta, portanto, prescrever ele mesmo as dosagens, mas apenas 
sugerir modificações, quando coubesse, nas dosagens prescritas pelos médi-
cos. O fisioterapeuta era definido claramente como um profissional da área 
da reabilitação, não como profissional da saúde e, exatamente na reabilita-
102
ção, no tratamento das pessoas com deficiências, residia seu valor social no 
início de sua formação.
A afinidade entre fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais era grande, tanto 
em termos de formação (boa parte da formação era realizada conjuntamen-
te, como se verá mais adiante), quanto com relação à atuação profissional. 
O Comitê de Experts em Reabilitação Médica da OMS assim se pronuncia 
com relação à ligação entre as duas áreas:
“A Fisioterapia vem acompanhada de uma série de práticas conhecidas que 
se tem dado o nome de ergoterapia ou terapêutica profissional. Esta discipli-
na persegue a restauração das funções defeituosas através do trabalho de ar-
tesanato ou trabalhos industriais”(OMS, 1958).
Na introdução de seu livro, dirigindo-se especialmente aos alunos da ERRJ, 
o autor pergunta “quais as finalidades desta Escola”, ao que prontamente 
responde: “formar profissionais capazes de prover as necessidades da 
ABBR, e, da sociedade”. E em seguida, questiona-se de que profissionais 
precisa a ABBR, cuja resposta provém do próprio autor: 
“(...) daqueles que tenham conhecimentos suficientes para colaborar no pro-
blema da REABILITAÇÃO (grifo do autor) do homem considerado incapa-
citado, a fim de que, usando suas capacidades residuais possa prover sua 
subsistência” (Amaral e Oliveira, 1960).
Ficava claro que o nome da Escola estava de acordo com a finalidade prin-
cipal da ABBR, a reabilitação. 
O principal objetivo da Escola criada pela ABBR deveria ser formar pro­
fissionais para atuar na reabilitação, especialmente trabalhando no pró­
prio Centro de Reabilitação da ABBR. A fisioterapia e a terapia ocupacio­
nal, nessa lógica, seriam o meio para se alcançar o objetivo maior, o de 
reabilitar.
Fisioterapeutas de nível superior
A criação dos cursos de fisioterapia e de terapia ocupacional atendia aos re-
centes informes da Organização Mundial da Saúde e ia ao encontro das ne-
cessidades sociais impostas pela poliomielite e outras doenças incapacitan-
tes. Dr.Jorge Faria, primeiro Diretor da ERRJ, em palestra proferida duran-
te um seminário na Universidade de São Paulo (USP), em 1960, ao referir-
103
se sobre a necessidade de formação em nível superior dos fisioterapeutas na 
ERRJ, ressalta:
“Era necessário em primeiro lugar resolver o problema do pessoal técnico. 
Tínhamos bons médicos, bons enfermeiros, ótimos assistentes sociais, ori-
entadores vocacionais (...) Nos faltava ainda certos elementos (...) Eram os 
Fisioterapeutas e os Terapeutas Ocupacionais (...) Era preciso formar aquela 
gente. Mas formá-los num nível em que eles merecessem ser formados”. 
(Faria, 1960, apud Figueiroa, 1996)
Para a pesquisadora Márcia Reis foi o Dr. Oswaldo Pinheiro Campos quem 
sugeriu a formação de fisioterapeutas e de terapeutas ocupacionais em nível 
superior, “ponto vital para que o projeto de um centro de reabilitação obti-
vesse sucesso” (Reis, 2004). Dr. Oswaldo, com suas próprias palavras ao re-
cordar a criação dos cursos na ERRJ ressalta o que segue:
“Dizia eu, então, que organizar uma sociedade de reabilitação em nosso 
meio sem primeiro abrir e fazer funcionar uma escola de reabilitação de ní-
vel universitário, seria condenar a idéia a um fracasso inevitável. Seria 
construir um barco e lançá-lo ao mar sem marinheiros treinados para fazê-lo 
navegar.” (Campos, 1966)
A preocupação em formar profissionais de nível universitário parece vir 
desde as primeiras reuniões de planejamento da ERRJ. Como já dito por 
Fernando Lemos, a maioria dos médicos envolvidos com a Escola não que-
riam “entregar o trabalho a massagistas” ou a pessoal que de alguma forma 
pudesse colocar em risco o trabalho de reabilitação sob sua chefia (Soares, 
1987). 
Diferenças com a formação em São Paulo
Sobre a existência de instituições formadoras em outros Estados, Sanchez 
(1971) destaca que até 1969 existiam apenas 5 escolas formando fisiotera-
peutas no país, nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, 
Bahia e Pernambuco, todas ligadas diretamente a Centros de Reabilitação. 
Essas Escolas, do ponto de vista administrativo, normalmente eram subordi-
nadas às Faculdades de Medicina (exceto a ERRJ), 95% do corpo docente 
pertenciam à classe médica, a direção das Escolas era responsabilidade de 
médicos ortopedistas ou com experiência em reabilitação e, na maioria dos 
casos a participação dos professores era feita de forma gratuita, sem paga-
mento de salário (Sanchez, 1971).
No Rio de Janeiro e em São Paulo, existiram também outras experiências de 
formação de fisioterapeutas (ou ainda de técnicos e auxiliares de fisioterapia 
104
ou reabilitação) ainda nas décadas de 1940 e 1950, todas experiências des-
continuadas em cursos de nível técnico ou de extensão universitária. 15
Em São Paulo, um dos exemplos de formação de nível técnico foi o curso 
“Raphael de Barros”, oferecido no início dos anos 50 (Define e Feltrim, 
1986). O objetivo da formação era capacitar profissionais auxiliares médi-
cos chamados de “técnicos operadores em fisioterapia”, em um curso com 
um ano de duração. A formação era uma exigência para todos os que traba-
lhavam no serviço de fisioterapia do Hospital das Clínicas da Faculdade de 
Medicina da USP (Oliveira, 2002). Esse curso teve início em 1951 e encer-
rou suas atividades em 1956 (Sanchez, 1984). 
Em São Paulo, a partir de 1958, foi iniciado um novo curso de formação na 
área de fisioterapia, no Instituto Nacional de Reabilitação – INAR (ligado à 
USP). De acordo com Robin F. Hindley-Smith, médico consultor da OMS, 
e um dos responsáveis pelo curso do INAR, a primeira turma foi formada 
no final de 1959, após a conclusão de um curso regular de dois anos de du-
ração. (Hindley-Smith e Louza, 1959)
De acordo com o relatório das Nações Unidas, a Escola de Reabilitação do 
Rio de Janeiro havia instituído antes do INAR um “programa especial para 
a formação de fisioterapeutas”, baseado em um plano de estudos de três 
anos (ONU, 1965). Embora não tenhamos por objetivo realizar um estudo 
comparativo entre a formação de fisioterapeutas no eixo Rio - São Paulo, 
cabe resumir, sobre a experiência paulista de formação dos fisioterapeutas 
nas décadas de 1950 e 1960, alguns pontos:
A) O curso Raphael Barros (1951-1957) tinha duração de um ano e exigia 
apenas o primeiro grau ou ensino fundamental para ingresso (Oliveira, 
2002); 
B) O curso oferecido pelo INAR, a partir de 1958, tinha como pré-requisito 
para ingresso o segundo grau (ensino médio) ou antigo colegial, e a forma-
ção era realizada em dois anos (Oliveira, 2002). 
C) Somente em 1970, através da Portaria 1.025 de 16 de janeiro de 1970, a 
USP reconheceu os certificados emitidos pelo INAR nos cursos de técnicos 
em Fisioterapia e em Terapia Ocupacional entre os anos de 1958 a 1966 
como equivalentes ao de nível superior da Universidade (Marques e San-
chez, 1994).
15 Existem documentos que tratam de disciplinas de fisioterapia e congêneres oferecidas aos 
alunos da Escola de Educação Física da UFRJ e da Escola de Educação Física do Exército. Em 
1944 a Escola Nacional de Educação Física e Desportos da Universidade do Brasil (atual 
UFRJ) divulgou seu programa de estudos que incluía a cadeira de Fisioterapia, sob responsabi-
lidade do professor Dr. Camilo Manoel Abud. 
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Diferente da experiência paulista e a de outros Estados, a Escola de Re­
abilitação do Rio de Janeiro – ERRJ foi a primeira instituição a formar fisi­
oterapeutas, e também terapeutas ocupacionais, desde seu início como 
profissionais de nível superior.
Outra característica que revela singularidades da ERRJ é o fato de ter sido 
uma instituição filantrópica, sem estar formalmente ligada a nenhuma Uni-
versidade ou esfera de governo.
Os primeiros anos da ERRJ
A Diretoria da ABBR, embora pretendesse rapidamente criar o Centro de 
Reabilitação da entidade, foi desencorajada por seu Conselho Técnico. Fazi-
am parte desse Conselho, inicialmente, os médicos Oswaldo Pinheiro Cam-
pos, Jorge Faria, Antonio Caio do Amaral e Hilton Baptista. A proposta, 
aceita pela Diretoria, era que antes de se criar um centro de reabilitação, se-
ria preciso formar os profissionais que ali iriam trabalhar: fisioterapeutas e 
terapeutas ocupacionais (Baptista, 1988).
O currículo utilizado como base para a Escola, segundo Hilton Baptista, foi 
o da “Escola de Reabilitação da Columbia University” (Baptista, 1988). So-
bre o modelo curricular a ser adotado pela ERRJ, Oswaldo Pinheiro ressalta 
que:
“(...) a primeira escola de reabilitação no Brasil, a ESCOLA DE REABILI-
TAÇÃO DO RIO DE JANEIRO foi fundada nos mesmos moldes e com o 
mesmo curriculum dos centros mais adiantados, ingleses, suecos ou ameri-
canos. Essa escola, sob a competente e incansável liderança de Jorge Faria, 
continua formando profissionais em reabilitação e é hoje admirada e respei-
tada”(Campos, 1966).
Em um texto pertencente ao acervo da ABBR, de autoria atribuída ao Dr. 
Hilton Baptista, professor da ERRJ e diretor do Centro de Reabilitação, o 
currículo da ERRJ é comparado como “semelhante ao das escolas america-
nas e alemãs” (Baptista, 1988). Dr. Hilton Batista, ao referir-se às dificulda-
des enfrentadas pela primeira turma de alunos da Escola, descreveu a situa-
ção da seguinte forma:
“E foi ainda, num escritório, que a ABBR funcionou dois anos, até conse-
guir da Prefeitura do Rio de Janeiro, por empréstimo, um pequeno prédio 
em grande área na Rua Jardim Botânico, 660. Neste lugar, funcionava um 
106
abrigo do Hospital Jesus, com cerca de 60 crianças deficientes, todas elas 
consideradas irrecuperáveis” (Baptista, 1988).16
Segundo Fernando Lemos, “Havia 150 alunos, cuja maioria eram mulheres, 
muito poucos rapazes. Essa escola funcionou com grande dificuldade.” E 
acrescenta ainda, sobre a situação da ERRJ, que “os professores e os médi-
cos não ganhavam nada, somente os plantonistas. Foi um sacrifício” (Soa-
res, 1987). 
Os primeiros cursos de graduação em fisioterapia e terapia ocupacional 
dopaís iniciaram suas atividades na ERRJ no dia 3 de abril de 1956. 
Segundo Hilton Baptista, a sessão solene de instalação dos cursos foi presi-
dida pelo presidente da ABBR, Percy Charles Murray e a ela compareceram 
também um representante da ONU, membros do corpo diplomático, repre-
sentantes dos ministérios da Educação e do Trabalho, Legionárias da ABBR 
e o então “presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabili-
tação, Odir Mendes Pereira”. “Estava fundada a primeira Escola de Reabili-
tação do Brasil” (Baptista, 1988). 
É interessante ressaltar a falta de clareza na definição do nome do curso. 
Embora planejado como de nível superior, em alguns documentos e notícias 
de jornal o curso era apresentado como técnico de reabilitação, em outras 
ocasiões como fisioterapia. As divergências sobre a denominação do curso e 
dos egressos seria decidida somente alguns anos depois da criação da ERRJ. 
Outro fato relevante na criação do curso na ERRJ foi a elaboração de seu 
currículo, baseado principalmente nas escolas de países desenvolvidos. Tal 
fato merece destaque, tendo em vista que a Organização Mundial da Saúde 
tinha um modelo de formação mais simples direcionado aos países subde-
senvolvidos, modelo implantado no INAR, em São Paulo. 
16 A doação definitiva do terreno da Rua Jardim Botânico n. 660, com dezessete mil metros 
quadrados de área, ocorreu em 1960, através da Lei n. 18 de 1960, aprovada pela Assembléia 
Legislativa do Estado da Guanabara e sancionada pelo Governador José Sette Câmara (Meira, 
1975). Até hoje a ABBR funciona neste mesmo endereço. 
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No caso da ERRJ, tanto médicos quanto membros da diretoria, muitos 
deles com parentes vítimas da pólio, preferiram criar um curso com currí­
culo semelhante ao dos países desenvolvidos.
De acordo com Fernando Lemos, o Dr. Jorge Farias, médico ortopedista, foi 
o principal responsável pela montagem do currículo do curso de fisiotera-
pia, assim como por recrutar os professores. A primeira turma teve um cur-
so intensivo de dois anos de duração, devido à necessidade de mão-de-obra 
para o Centro de Reabilitação. Esse primeiro curso de nível universitário 
formou dezesseis fisioterapeutas e a formatura dessa turma ocorreu em 27 
de fevereiro de 1958, também no auditório da ABI (Soares, 1987). O segun-
do curso, iniciado em 1957, teve sua duração ampliada para três anos (a tur-
ma concluiu o curso no final de 1959) e até 1978, a ERRJ realizou vestibu-
lares e formou fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais nas dependências 
da ABBR. Em 1978, a Sociedade Unificada de Ensino Augusto Motta – 
SUAM, comprou a Escola de Reabilitação da ABBR, assumindo todo o 
controle e administração da Escola que se transferiu para a sede da SUAM 
no bairro de Bonsucesso, no Rio de Janeiro.
O ingresso dos primeiros alunos na ERRJ foi feito através de prova de vesti-
bular, sendo oferecidas um total de 30 vagas para fisioterapia e terapia ocu-
pacional. Para ingressar no curso, era exigida dos alunos a conclusão do en-
sino médio (científico, normal ou clássico) ou, ainda, dos cursos de enfer-
magem, educação física ou de serviço social (Figueirôa, 1996). Dos 23 pro-
fissionais formados pela primeira turma em 1958 (dezesseis fisioterapeutas 
e sete terapeutas ocupacionais), quinze foram contratados para trabalhar 
imediatamente no próprio centro de reabilitação da ABBR.
Em 1958, foi fundado pelos alunos da ERRJ o Diretório Acadêmico Fernan-
do Lemos (DAFEL). O diretório dos estudantes teve atuação importante na 
instituição, colaborando com as atividades da Associação dos Fisioterapeu-
tas do Estado da Guanabara - AFEG e auxiliando na divulgação das profis-
sões17. 
Em dada ocasião, até mesmo a instalação de um Centro de Reabilitação si-
mulado, em plena Cinelândia, no Rio de Janeiro, foi realizada com ampla 
repercussão e a cobertura do acontecimento pela então TV Tupi. Além dis-
so, os membros do Diretório se faziam presentes junto aos veículos de co-
municação e programas de auditório, sempre com o intuito de divulgar cada 
vez mais as referidas profissões. (Figueirôa, 1996)
17 Depois da fusão do antigo Estado da Guanabara, a AFEG passou a chamar-se Associação 
dos Fisioterapeutas do Estado do Rio de Janeiro – AFERJ, em funcionamento até hoje.
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Em um catálogo sobre a ABBR, é apresentada a Escola de Reabilitação do 
Rio de Janeiro que, de acordo com o documento, adota as “recomendações 
da Confederação Mundial de Fisioterapia e Terapia Ocupacional”. Os cur-
sos divulgados são os de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, ambos de “ní-
vel universitário”. Naquele momento, de acordo com o catálogo, haviam 
sido diplomados 65 fisioterapeutas e 23 terapeutas ocupacionais, que já es-
tavam “trabalhando em todo o Brasil, além da Guanabara, em Brasília, Mi-
nas, Santa Catarina, Estado do Rio, Bahia etc.” (Catálogo..., 1963)
Um dado interessante é a grande diferença entre o número de alunos da fisi-
oterapia e o da terapia ocupacional. O curso de fisioterapia era bem mais 
procurado, com três ou quatro vezes maior número de formandos do que o 
de terapia ocupacional. Outro dado que merece destaque é o fato do número 
de matriculados, a partir do reconhecimento das profissões em 1969, ter au-
mentado e se mantido em níveis altos, com redução da evasão. A grande 
evasão nas primeiras turmas, entre outras fatores, pode ter sido causada em 
virtude da falta de perspectiva quanto ao exercício de uma profissão ainda 
não reconhecida oficialmente pelo Estado. 
Com relação à questão de gênero, é possível notar como no início da ERRJ, 
as três primeiras turmas tinham cerca de 70 a 80% de estudantes do sexo fe-
minino. A partir da quarta turma em diante, passa a ocorrer um equilíbrio 
entre homens e mulheres, em algumas turmas inclusive com preponderância 
de homens, como foi o caso principalmente da turma que colou grau em 
1965. 
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Identidade e disputas profissionais
Nos anos cinquenta, enquanto eram formadas as primeiras turmas da ERRJ, 
havia discordâncias em como deveriam ser chamados os egressos dos cur-
sos, onde e em que condições deveriam atuar e qual deveria ser a sua rela-
ção com os demais profissionais que já atuavam na área da saúde. No ma-
nual do candidato “ao curso de técnicos em reabilitação da ABBR” destaca-
se a frase, com relação à entidade: “filiada à International Society for the 
Welfare of Cripples”. A atuação do profissional a ser formado era direta-
mente ligada à reabilitação, com o objetivo de recuperar "função perdida", 
"recuperar o incapacitado", o "mutilado". Sobre os principais recursos asso-
ciados ao trabalho desse profissional, eram citadas a massagem, ginástica e 
eletroterapia. Sobre o nível de formação oferecida, o catálogo de cursos in-
formava o seguinte:
“(...) o curso é de nível universitário classificando-se logo abaixo do nível 
de um curso de medicina e acima dos cursos de enfermagem e de educação 
física”. (Catálogo..., 1962A,)
Sobre esse aspecto, nota-se a preocupação em estabelecer uma hierarquia 
entre as diferentes profissões que atuavam na chamada área de reabilitação. 
A profissão médica estaria no topo da hierarquia e as demais estariam abai-
xo, sendo que a enfermagem e a educação física eram consideradas ainda 
menos importantes do que a nascente fisioterapia. Como se verá mais adian-
te, tais definições seriam ainda fonte de muitos conflitos, especialmente en-
tre a fisioterapia e a medicina. 
O Professor Antônio Caio procurava diferenciar pelo menos quatro catego-
rias profissionais, a partir da comparação do nível e da aplicação do conhe-
cimento da cinesiologia. Segundo o autor, a cinesiologia é parte da mecâni-
ca e é, portanto, matéria básica para um engenheiro, por exemplo. No entan-
to, a cinesiologia quando aplicada ao ser humano é o estudo do movimento 
humano, que pode e deve ser utilizado de diversas formas. Ao médico fisia-
tra (especializado em medicina física e reabilitação)18, caberia o conheci-
mento da cinesiologia médica. Esta consistiria em um “caráterde estudo 
mais aprofundado, de extensa pesquisa científica, executado em laboratóri-
os” (Amaral e Oliveira, 1960).
A Cinesiologia Clínica, segundo Antônio Caio, é “própria do profissional 
especializado em reabilitação”, ou seja, do fisioterapeuta e do terapeuta ocu-
pacional. Segundo o autor, a cinesiologia clínica tem um “caráter menos de-
senvolvido, não atingindo cientificamente o âmago dos fenômenos cinesio-
lógicos”. Esse seria então o objeto de estudo na disciplina de cinesiologia 
do curso da ABBR. 
18 A fisiatria foi reconhecida pela Associação Médica Brasileira como especialidade em 1954.
110
A diferença, portanto, entre o médico que se utilizava da cinesiologia e o fi-
sioterapeuta, seria a realização de pesquisas executadas em laboratórios por 
parte dos médicos. Na opinião de Antônio Caio, que criava conceitualmente 
essa divisão, a cinesiologia médica era dirigida ao estudo e à pesquisa, en-
quanto a cinesiologia clínica, praticada pelos fisioterapeutas, era dedicada 
ao tratamento dos pacientes em reabilitação.
Com relação à diferenciação da enfermagem, o autor ressalta que nas esco-
las formadoras das enfermeiras, a massagem e a ginástica eram lecionadas 
apenas superficialmente, com a finalidade de servir como um “método salu-
tar” de forma genérica. E, embora nas escolas de educação física existissem 
disciplinas de cinesiologia, fisioterapia e massagem, segundo o autor, elas 
eram ensinadas com a finalidade exclusiva de utilização em “indivíduos 
normais”.
O que separava o fisioterapeuta do educador físico era a atuação do primei-
ro exclusivamente em pessoas doentes, incapacitados físicos, enquanto o se-
gundo, embora também utilizasse a cinesiologia, usaria seus conhecimentos 
somente em pessoas saudáveis. No caso da enfermagem, a massagem e a gi-
nástica eram complementos saudáveis de sua prática, enquanto o fisiotera-
peuta utilizava esses e outros recursos como principal método de tratamento 
de seus pacientes.
Ao comparar o fisioterapeuta com os demais profissionais, Antonio Caio sa-
lienta que “o reabilitador não é um médico; mas também, não deverá ser um 
simples massagista ou professor de educação física.” Algumas páginas adi-
ante o autor, baseado em observações da Associação Médica Americana, 
explica que a Medicina Física passou a dividir-se em duas grandes partes: 
“a diagnóstica e a terapêutica”. A diagnose seria reservada apenas à forma-
ção de médicos especializados em medicina física e a outra parte, a terapêu-
tica, seria destinada à formação dos “reabilitadores”. Nessa lógica, caberia 
ao médico realizar o diagnóstico e a prescrição do tratamento na área de re-
abilitação e ao fisioterapeuta, realizar o tratamento diretamente junto ao pa-
ciente (Amaral e Oliveira, 1960). 
Ao concluir o primeiro capítulo de seu livro, amplamente utilizado na for-
mação dos fisioterapeutas da ABBR, o autor, em uma espécie de revisão 
histórica e conceitual do ponto de vista do médico sobre a profissão de fisi-
oterapeuta, procura classificá-la como “reabilitadores à maneira de técnicos 
existentes”, tais como “técnicos de laboratório, raios X, enfermeiros, massa-
gistas, técnicos de anatomia patológica e muitos outros”. E, concluindo, de-
fine que a área de atuação do fisioterapeuta “tornou-se um ramo tão vasto e 
tão importante” que justifica ser ministrado por técnicos especializados, 
pois, segundo ele, “é uma especialidade que foge da alçada do ortopedista e 
111
do clínico, como o é também, inteiramente distinta do massagista”(Amaral e 
Oliveira, 1960).
Outro documento importante para análise é o Código de Ética do Técnico 
em Reabilitação da ABBR. Dos dezoito itens que descrevem princípios ge-
rais, responsabilidades do técnico perante o médico, em relação ao paciente 
e com os seus pares e demais empregados, nove itens descrevem proibições 
ou relações de dependência com o médico. Além de algumas frases mais 
gerais como “esforçar-se permanentemente por aprimorar seu conhecimen-
to” ou pela obrigação de “devotamento ao maior bem-estar do paciente”, a 
tônica do código de ética parecia ser outra. (Código de ética..., 195?)
Em grande parte do Código de Ética existiam principalmente as limitações, 
muito bem demarcadas, através dos seguintes itens: aplicar técnicas profis-
sionais “somente sob específicas e adequadas orientações médicas”; “em 
nenhuma hipótese o técnico” deverá assumir responsabilidades de diagnós-
tico e prescrição do tratamento das lesões; o técnico só poderá iniciar o tra-
tamento após “obter do médico informações precisas sobre o diagnóstico”; 
o “técnico não fará nenhum tratamento além da data marcada” pelo médico; 
o “técnico receberá do médico” instruções sobre o término do tratamento; o 
técnico evitará atitudes que possam “ser interpretadas pelo paciente como 
críticas ao médico”; somente “o médico pode informar sobre o prognóstico” 
do paciente; sugestões de “natureza médica” são exclusivas dos médicos; a 
clientela dos técnicos “só poderá se constituir de pacientes encaminhados 
por médicos”, sendo proibida qualquer forma de publicidade e, “em hipóte-
se alguma”, o técnico poderá ministrar o ensino da reabilitação individual-
mente (ABBR, 195?).
Pelas notícias em jornal, pelos diferentes documentos da ABBR e também 
nos livros utilizados no curso, é possível perceber a preocupação em restrin-
gir a atuação do fisioterapeuta, especialmente com relação à atuação dos 
médicos. Para alguns membros da categoria médica, era inevitável o surgi-
mento do fisioterapeuta, como já acontecia nos países desenvolvidos, mas 
era preciso garantir que a nova profissão não interferisse no pretenso poder 
médico sobre o mercado de saúde daquele período.
Seriam reabilitadores, seriam semelhantes a enfermeiros, médicos ou 
educadores físicos; seriam recuperadores funcionais, técnicos de reabili­
tação, técnicos de fisioterapia, cinesiólogos, fisioterapistas ou simples­
mente fisioterapeutas? 
Tais indefinições sobre o nome e identidade social dos fisioterapeutas 
acompanharam a formação na ERRJ até o reconhecimento do curso, em 
1965, como se verá mais adiante.
112
Professores e currículo
O currículo oferecido para a formação dos fisioterapeutas na ERRJ sofreu 
diversas alterações desde a sua concepção inicial em 1956 até o reconheci-
mento do curso, em 1965. Em 1957, o Manual do Aluno definia os cursos 
de fisioterapia e de terapia ocupacional como de nível universitário, com 
duração de três anos em horário integral. Esse documento acrescentava ain-
da que o curso era ministrado por médicos e técnicos de renome, “não só de 
brasileiros como estrangeiros” e que as aulas teóricas e práticas eram ofere-
cidas no centro de reabilitação da ABBR, nos hospitais da cidade ou ainda 
em “qualquer outro lugar onde se fizerem necessários para um melhor apro-
veitamento técnico dos alunos” (Manual do aluno, 1957)
No currículo do curso de Fisioterapia, o primeiro ano do curso tem uma or-
ganização “de modo que os alunos recebam uma instrução básica 
essencial”. Os alunos tinham duas disciplinas práticas, teoria da massagem e 
ginástica médica e sete disciplinas teóricas.
No segundo ano, o curso era organizado com “aulas de natureza teórico-prá-
ticas”. As aulas eram ministradas no Centro de Reabilitação e em diferentes 
hospitais da cidade, “de modo a que os alunos recebam noções clínicas e 
práticas dos diferentes casos tratados nas aulas”. Nesse ponto, o currículo 
possuía cinco disciplinas práticas e onze disciplinas mais teóricas. 
No terceiro e último ano, a formação era feita principalmente no Centro de 
Reabilitação, “sob controle dos professores e técnicos”. Os alunos tinham 
como atividades teóricas somente as disciplinas de "Elementos de enferma-
gem na Reabilitação", "Elementos de serviço social na reabilitação" e "Con-
ferências eventuais". As aulas práticas ocupavam a maior parte do terceiro 
ano, com as seguintes disciplinas: ginástica médica, eletroterapia, hidrotera-
pia, massagem, reeducação, manipulação,mobilização, marcha, aparelhos e 
mecanografia (ABBR, 1957).
Para a formação das primeiras turmas, além de médicos e outros profissio-
nais disponíveis na cidade do Rio de Janeiro, foram convidadas duas fisiote-
rapeutas estrangeiras. A primeira foi a fisioterapeuta escocesa Edith Mc 
Connell que, por não falar português, teve suas aulas traduzidas por uma das 
alunas, Wanda Lechowski. A outra fisioterapeuta foi a canadense Ann Win-
ter, contratada logo depois, que teve também uma participação importante 
na reformulação dos atendimentos na ABBR (Figueirôa, 1996).
De acordo com o Regimento Interno da ERRJ, as disciplinas consideradas 
como fundamentais e as disciplinas clínicas especializadas a serem ofereci-
das no primeiro ano do curso eram: anatomia descritiva, cinesiologia clíni-
ca, massoterapia, termoterapia, patologia médica, psicologia aplicada à rea-
113
bilitação, fundamentos da reabilitação, clínica ortopédica e clínica traumato-
lógica. Na parte da tarde, eram ministradas as disciplinas e, na parte da ma-
nhã, seriam realizados os trabalhos práticos dos alunos no Centro de Reabi-
litação. A frequência dos alunos no Centro de Reabilitação desde o primeiro 
ano do curso era obrigatória, com a finalidade de “pôr os alunos em contato 
com os pacientes”. No Centro de Reabilitação os alunos eram “iniciados na 
prática de exame dos pacientes, na aplicação da fisioterapia, massoterapia, 
etc...” (Regimento interno, 1958). 
No segundo ano do curso, as disciplinas fundamentais e clínicas especiali-
zadas eram: anatomia descritiva, fisiologia humana, cinesiologia clínica, ci-
nesioterapia, hidrobalneoterapia, crenoclimatoterapia, psicopatologia, clíni-
ca médica, clínica neurológica, clínica reumatológica e clínica psicossomá-
tica. No segundo ano, seriam “intensificados os trabalhos práticos no Centro 
de Reabilitação iniciados no primeiro ano letivo” e no terceiro ano (terceira 
série), a característica principal do curso era o “estágio obrigatório e intensi-
vo” realizado nos diversos “Departamentos, Sessões e Dependências” do 
Centro de Reabilitação da ABBR (Regimento interno, 1958).
O Regimento previa, ainda, a oferta de disciplinas e atividades supletivas 
com a finalidade de “completar o aperfeiçoamento do aluno” como, por ex-
emplo, as disciplinas de Inglês, Educação Física, Assistência Social, Enfer-
magem, Foniatria e Dicção, Mímica e Clínicas Especializadas Supletivas. 
As disciplinas apresentadas, incluídas as clínicas especializadas, somavam 
um total de dezenove diferentes programas, isso sem contabilizar pelo me-
nos sete disciplinas supletivas previstas. A grande diversidade dos conheci-
mentos previstos, pelo que se percebe em algumas disciplinas, deveria estar 
centrada nos principais casos tratados no Centro de Reabilitação da ABBR. 
No Capítulo IX do Regimento Interno, o artigo cento e dezenove define os 
diplomas que deverão ser concedidos pela Escola. Ao concluinte do curso 
de “Bacharel em Fisioterapia” deveria ser concedido o diploma de bacharel 
em fisioterapia. Nos primeiros parágrafos do mesmo artigo, o regimento es-
clarece que o diploma de bacharel em fisioterapia habilita o portador a exer-
cer a profissão de fisioterapeuta, sendo que o direito ao exercício da profis-
são somente será válido “após o registro do título na repartição competente 
do Ministério da Educação e Cultura”. Acrescenta ainda que os Fisiotera-
peutas poderão ser aproveitados na categoria de “auxiliar de fisioterapia” 
em serviços oficiais ou privados, “tendo em vista que a direção destes servi-
ços requer sempre a orientação de médico devidamente capacitado” (Regi-
mento interno, 1958).
114
O Reconhecimento da profissão
A preocupação com o exercício profissional dos egressos aparecia em diver-
sos artigos do Regimento Interno da ERRJ e estava diretamente ligada ao 
registro dos diplomas no Ministério da Educação e Cultura. Mas como re-
gistrar diplomas no Ministério se a própria Escola formadora não era reco-
nhecida oficialmente? E mais, como prever o que poderia acontecer com os 
egressos, ao serem formados para uma profissão que não era regulamentada 
pelo Estado brasileiro?
Associações e mobilização pelo reconhecimento profissional
Os egressos das primeiras turmas da ERRJ foram os responsáveis pela cria-
ção de umas das primeiras entidades de classe da fisioterapia brasileira, a 
Associação dos Fisioterapeutas do Estado da Guanabara (AFEG) em 1959. 
Dos dezesseis profissionais formados na primeira turma da ERRJ, em 1957, 
quatro deles participaram diretamente da fundação da AFEG. No mesmo 
ano, em São Paulo, já havia sido fundada a Associação Brasileira de Fisiote-
rapeutas (ABF). Segundo levantamento da ABF, em 1964, o Brasil possuía 
somente 300 fisioterapeutas para uma população de 70 milhões de habitan-
tes (Sanchez, 1971). 
A página de número 1 do Livro de Atas I da AFEG registra a primeira reu-
nião da entidade no dia 17 de dezembro de 1959. Nesta reunião, “convocada 
para tratar da instituição da associação” fica claro um dos mais importantes 
objetivos da associação:
“A associação deverá tomar para si a responsabilidade do problema que 
concerne à valorização do Fisioterapeuta, principalmente na parte salarial”. 
(Livro de atas I).
E não poderia ser outra a motivação dos fisioterapeutas da época em se reu-
nir e criar uma associação. A valorização do fisioterapeuta incluía o reco-
nhecimento dos diplomas e da própria profissão, além de remuneração ade-
quada e reposição de perdas salariais em tempos de inflação alta. A partir de 
1951, a inflação mostrava uma tendência de alta, o que se acelerou ainda 
mais depois de 1959, atingindo taxas de 80% ao ano no início da década de 
1960. No Rio de Janeiro, diversas categorias realizaram movimentos de gre-
ves por melhores salários. Em 1959, por exemplo, foram realizadas 32 gre-
ves; em 1960, 35 greves e em 1961, 56 greves. (Mattos, 2004)
Em setembro de 1960, em reunião realizada, como de costume, nas depen-
dências da ABBR, foram eleitos e empossados os componentes da primeira 
diretoria da associação, sendo discutido e aprovado também o primeiro esta-
tuto da AFEG. Dentre as finalidades estatutárias da associação constam, en-
115
tre outras: colaborar para o desenvolvimento científico e moral no exercício 
da profissão, estimular a cooperação entre os profissionais da classe, cola-
borar para que a fisioterapia seja exercida por profissionais devidamente 
qualificados e, finalmente, colaborar com a Sociedade Brasileira de Medici-
na Física e Reabilitação (SBMFR) e demais entidades que se relacionam 
com o ramo da fisioterapia (Livro de atas I). 
Percebe-se, dentre as finalidades da AFEG, uma tentativa de aproximação 
da associação com os médicos ligados à SBMFR. Tal fato ocorreu de ma-
neira semelhante com a ABF. Sanchez (1971), ao apresentar algumas das 
“realizações fisioterapêuticas no Brasil”, ressalta que a ABF, em 1962, ha-
via sido reconhecida pela Associação Médica Brasileira como “instituição 
legal que atua dentro dos princípios éticos e que congrega os fisioterapeutas 
do Brasil”.
No primeiro estatuto da ABF, consta em sua página de apresentação a se-
guinte expressão: "Estatutos sociais da Associação Brasileira de Fisiotera-
peutas - Reconhecida pela Associação Médica Brasileira". 
A busca de apoio na categoria médica não era, no entanto, uma constante. O 
primeiro número da revista da ABF, publicada no final de 1962, traz em seu 
editorial, uma posição forte sobre as tentativas de controle da fisioterapia 
por setores da profissão médica. Membros da diretoria da ABF pregavam, 
naquele momento, o direito à autodeterminação:
“(...) O Fisioterapeuta não pode continuar por mais tempo, desorientado e 
indiferente, frente ao seu problema vital: conhecer bem os seus direitos e 
obrigações (...) a confusão é tão profunda, que muitas vezes não se percebe, 
ou não se quer perceber, absurdos, substituindo a lógica do direito. Verifi-
cam-se assim, intromissões incompreensíveis de certos círculos sobreoutros 
que ainda estão em fase de desenvolvimento, negando-se-lhes assim, a ca-
pacidade de dirigirem seus assuntos 'Motu Próprio' (...) Deve-se extinguir 
para sempre, a falsa paternidade de constituírem-se indevidamente em advo-
gados de terceiros. O direito à soberania individual e profissional é inviolá-
vel. Defendendo e usando desse direito, nos encontramos perfeitamente ap-
tos e capacitados para traçar o futuro da profissão de Fisioterapeutas, de 
acordo com a evolução dos países mais adiantados. (...) deixamos, já faz 
tempo, a menoridade tutelar, e por isto, da mesma maneira que respeitamos 
os direitos dos outros, exigimos intransigentemente, defender o que nos per-
tence. O Fisioterapeuta de hoje, como o do futuro, não é mais o profissional 
de 10 anos atrás.” (ABF, 1962)
O texto do editorial é uma resposta às barreiras encontradas pelos fisiotera-
peutas e suas entidades representativas na década de 1960 em busca do re-
conhecimento profissional pelo Estado. Evitando citar nomes, a ABF faz a 
defesa da autonomia da categoria profissional e usa, como exemplo a ser al-
116
cançado, o padrão de desenvolvimento profissional dos fisioterapeutas nos 
países "mais adiantados". 
Em novembro de 1964, foi realizado o primeiro Congresso Brasileiro de Fi-
sioterapeutas, na cidade do Rio de Janeiro. Promovido pela ABF, o evento 
contou com a colaboração da Confederação Mundial de Fisioterapia, das as-
sociações de Fisioterapia dos Estados Unidos, Dinamarca, Alemanha, Israel, 
Nova Zelândia, Austrália, Suíça, Colômbia, Chile e Uruguai, além do apoio 
também de diversos centros de reabilitação de São Paulo e do Rio de Janei-
ro. O embaixador Assis Chateubriand foi escolhido presidente de honra do 
congresso. Foram homenageadas as seguintes personalidades: Carlos Lacer-
da, Governador da Guanabara; Raymundo Brito, Ministro da Saúde; Ed-
mundo Monteiro, diretor-presidente dos Diários e Emissoras Associados de 
São Paulo; Robin Smith, consultor de reabilitação da OMS; Godoy Moreira, 
diretor do Instituto de Reabilitação da USP; Jorge Faria, diretor da ERRJ; 
Nelson Caires de Brito, diretor médico dos Diários Associados de São Pau-
lo; Renato da Costa Bonfim, membro do conselho da International Society 
for Rehabilitation of Disabled; Roberto Taliberti, presidente da Sociedade 
Brasileira de Medicina Física e Reabilitação; e Jack Hofkosk, diretor do 
Serviço de Fisioterapia do Departamento de Medicina Física e Reabilitação 
da Universidade de Nova Iorque. (Folder do I Congresso..., 1964)
Durante o evento, foram realizadas palestras internacionais e nacionais, vi-
sitas a centros de reabilitação, apresentação de trabalhos e mesas-redondas. 
Os congressistas participaram também de uma assembléia geral extraordiná-
ria marcada antecipadamente na programação, com o objetivo de discutir o 
projeto de lei para a regulamentação da profissão, entre outros assuntos. Du-
rante o evento foram aprovadas doze "conclusões" ou recomendações do 
Congresso, sobre a fisioterapia no país. (Folder do I Congresso..., 1964)
Dentre as recomendações aprovadas, merecem destaque: pedido de urgência 
para que o Congresso aprove o projeto de lei que regulamenta a profissão; 
elevação da remuneração dos fisioterapeutas, a fim de diminuir o elevado 
percentual de abandono da profissão; proibição dos cursos de auxiliares de 
fisioterapia e aumento do número de vagas nas escolas formadoras de fisio-
terapeutas; criação de cursos de pós-graduação na área específica; maior de-
dicação dos fisioterapeutas à pesquisa científica; padronização em todo o 
país da denominação de Fisioterapeuta; execução da fisioterapia apenas por 
fisioterapeutas e médicos; melhoria no entrosamento entre o médico e o fisi-
oterapeuta. (Folder do I Congresso..., 1964)
As conclusões do congresso apontavam claramente para os objetivos priori-
tários dos profissionais naquele momento. Em primeiro lugar, estava a ne-
cessidade de que o Estado reconhecesse oficialmente a existência da profis-
são de fisioterapeuta no país, não de técnicos, auxiliares ou outra denomina-
117
ção qualquer. Os profissionais desejavam, acima de tudo, sua regulamenta-
ção como fisioterapeutas, profissionais de nível superior, mesmo que para 
isso tivessem que negociar concessões à classe médica naquele momento. 
A Associação dos Fisioterapeutas do Estado da Guanabara
Após aprovados os estatutos da AFEG, foi feita a eleição, em assembléia 
geral, de sua primeira diretoria. No dia 22 de setembro de 1960 tomaram 
posse os primeiros fisioterapeutas diretores da AFEG: Miguel Alves Vieira 
(Presidente), Carlos Alberto Esteu Tribuzy (Vice-Presidente), Marlene 
Aguiar Vieira (Primeiro secretário), Wanda Lechowski (Segundo 
secretário), Eraldo Pamplona Xavier de Brito (Primeiro tesoureiro) e Odiléa 
Alves de Souza (Segundo tesoureiro) (Livro de atas I). 
A diretoria da entidade e alguns outros colaboradores, todos ex-alunos da 
ERRJ, passaram a empreender diversos esforços na direção da valorização e 
do reconhecimento da profissão. Do final de 1960 até agosto de 1962, perío-
do de registro do Livro de Atas I da AFEG, foram realizadas reuniões men-
sais, discutindo os mais diversos assuntos, tais como: casos de exercício ile-
gal da profissão, propostas de código de ética, questões salariais, preços de 
atendimento domiciliar, tramitações no Congresso Nacional sobre o reco-
nhecimento da profissão e dos cursos de graduação em Fisioterapia, unifor-
me dos fisioterapeutas, símbolo da profissão, participação em congressos 
médicos, pós-graduação, disputas com assistentes sociais, educadores físi-
cos, massagistas e médicos.
Na reunião de 6 de outubro de 1960, foi discutida a participação de mem-
bros da AFEG na redação de um substitutivo ao anteprojeto de lei que tra-
mitava na Comissão de Educação e Saúde da Câmara Federal. Tal antepro-
jeto tinha por objetivo criar "Escolas de Reabilitação no Brasil" (Livro de 
atas I). 
Em 15 de abril de 1961, foi convocada reunião extraordinária da associação 
para deliberar sobre um suposto caso de atuação profissional por pessoa não 
qualificada. A denúncia foi encaminhada por telefone diretamente ao fisio-
terapeuta Miguel Alves Vieira, presidente da AFEG, por parte de um colega 
que trabalhava no Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek, em Brasília. 
Alegava-se que uma senhora sem formação em fisioterapia havia sido con-
tratada para atender aos pacientes em detrimento de outros fisioterapeutas. 
Os fisioterapeutas que atuavam nesse centro de reabilitação ameaçavam se 
retirar do trabalho caso a senhora permanecesse, exercendo as funções de fi-
sioterapeuta. A deliberação tomada pelos presentes à reunião da AFEG foi 
enviar uma carta ao diretor do referido centro de reabilitação, solicitando es-
clarecimentos sobre a situação da funcionária contratada (Livro de Atas I). 
118
A resposta de Brasília chegou também por carta, em maio de 1961. A carta 
do diretor do centro de reabilitação, segundo consta em ata, "enaltecia a atu-
ação de nossa associação junto aos interesses da classe" e esclarecia que a 
funcionária contratada, objeto da denúncia, era somente responsável por um 
"curso de natação para pessoas sadias", cujo objetivo era arrecadar recursos 
para o centro de reabilitação (Livro de Atas I).
Os participantes da AFEG se ocupavam de problemas não apenas domésti-
cos ou restritos ao seu Estado, como por exemplo, aumentos salariais ou 
uniformes que deveriam ser utilizados pelos funcionários da ABBR, mas 
também por questões nacionais como projetos de lei e problemas na atuação 
de fisioterapeutas em outras cidades, como no caso de Brasília. Em 1961, os 
membros da AFEG foram surpreendidos com a notícia da transformação da 
Associação de Fisioterapistas de São Paulo em Associação Brasileira de Fi-
sioterapeutas, "já com estatutos aprovados e registrados, sem a participação 
dos elementos da Guanabara" (Livro de Atas I).
Quem veio ao Rio de Janeiro explicar as razões da criação da ABF para os 
membros da AFEG foi omédico fisiatra inglês, representante da OMS e di-
retor do curso de fisioterapia do INAR, Robin Hindley-Smith. De acordo 
com ele, era preciso que fosse criada uma associação nacional de forma rá-
pida para que se pudesse conseguir a afiliação junto à confederação mundial 
de fisioterapia. Essa foi a razão alegada para a transformação da associação 
paulista em uma nova entidade de âmbito nacional. Ao responder a uma 
pergunta feita pelo presidente do Diretório Acadêmico Fernando Lemos 
(DAFEL), em assembléia realizada na ABBR, Robin Smith passou a falar 
sobre a regulamentação das escolas de formação e o reconhecimento da pro-
fissão:
“(...) (Robin Smith) disse que seria improducente e prejudicaria o reconhe-
cimento de nossas escolas e consequentemente a filiação de nossos fisiote-
rapeutas à Confederação Internacional caso insistíssemos na independência 
do fisioterapeuta, sem assistência médica no exercício da sua profissão, que 
esta medida somente viria a prejudicar a classe, pois lhe traria responsabili-
dades com as quais não poderiam arcar. De outra forma, trabalhando em es-
treita colaboração, o médico e o fisioterapeuta se beneficiariam mutuamen-
te” (Livro de Atas I).
 Após a reunião com o representante da OMS, os membros da AFEG, em 
conversa com os representantes do diretório acadêmico da ERRJ (DAFEL), 
resolveram encaminhar "após grande discussão em torno do assunto" nova 
redação ao anteprojeto de lei proposto em colaboração com a ABBR para 
regulamentar a criação das escolas de reabilitação. A alteração seria no arti-
go dezessete, no qual deveria passar a constar o seguinte:
119
“As atividades dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais somente po-
derão ser exercidas em estreita colaboração com o médico assistente, caben-
do a esses profissionais avaliar e programar o tratamento” (Livro de Atas I).
A análise de cenário naquele momento (forças e representatividade entre ca-
tegoria médica e de fisioterapeutas), provavelmente não sem inúmeras dis-
cordâncias, levou os membros da AFEG a pensar que, para conquistar o ob-
jetivo maior da regulamentação da profissão de fisioterapeuta, seria preciso 
fazer concessões aos médicos. 
A luta por mercado de trabalho e salários dignos levava os fisioterapeutas a 
constantes enfrentamentos com outras instituições e categorias profissio-
nais, além da medicina. Este foi o caso da disputa com as assistentes sociais 
que pretendiam ministrar "cursos intensivos de reabilitadores", com profes-
sores de educação física que desejavam "serem aproveitados" nos centros de 
reabilitação, e com pessoas que queriam se passar por fisioterapeutas pos-
suindo "apenas o título de massagista" (Livro de atas I). 
A diretoria da AFEG, no mês de julho de 1962, após tomar ciência de que 
um professor da ERRJ presidia uma comissão do Ministério da Educação 
com o intuito de oficializar os cursos de reabilitação no país, deliberou por 
convocar uma reunião extraordinária com a presença do professor para dar 
maiores explicações sobre o andamento dos trabalhos da comissão. O en-
contro ocorreu no dia 4 de agosto de 1962, no salão de reuniões da ABBR, 
com a presença de representantes da ABF, DAFEL, do professor Massa 
Fontes (Comissão do MEC) e estudantes dos cursos de fisioterapia e de te-
rapia ocupacional da ERRJ. 
Foram debatidos temas como auxiliares de fisioterapia, formação de fisio­
terapeutas em nível universitário com cursos de 2, 3 ou 4 anos de dura­
ção e a terminologia adequada para o profissional em fisioterapia: fisiote­
rapista (proposta da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilita­
ção), fisioterapeuta (proposta da ABBR), ou técnico em reabilitação (pro­
posta do INAR­USP) (Livro de Atas I). 
Segundo consta em ata, o Dr. Massa Fontes agradeceu ao convite feito pela 
AFEG e “salientou a necessidade daquela reunião transcorrer num clima de 
ordem e num ambiente de camaradagem”. Em seguida, o presidente da co-
missão enunciou todos os integrantes “mais representativos” da comissão de 
peritos do Ministério, em um total de cinco, todos médicos. Ao término da 
reunião, foi acordado que a terminologia adotada para a profissão seria a de 
120
Fisioterapeuta “por ser esta de domínio público, bem como daqueles profis-
sionais filiados às entidades de classe” (Livro de Atas I). 
Em março de 1963, os representantes da AFEG entraram novamente em 
contato com Massa Fontes, a respeito de qual seria a decisão final dos traba-
lhos da comissão de peritos do MEC. De acordo com Massa Fontes, os fisi-
oterapeutas poderiam “ficar tranquilos” pois tudo estava de acordo com o 
desejado. Após a conclusão dos trabalhos da comissão, no entanto, o pare-
cer final (388/63) aprovado no plenário do Conselho Federal de Educação 
não agradou aos fisioterapeutas (Livro de atas II). Tal parecer, que se referia 
aos profissionais como auxiliares médicos e técnicos de fisioterapia, será 
analisado em detalhes mais adiante.
A luta pela regulamentação dos cursos e da profissão assumia várias frentes. 
A AFEG negociava com a ABBR e a ERRJ, com o Conselho Federal de 
Educação, com deputados na Câmara Federal e em outras instâncias. 
Em 1965, houve novas tentativas por parte da AFEG de regulamentar a pro-
fissão. O texto para um novo projeto de lei foi escrito para ser enviado ao 
Congresso e, segundo orientações de um advogado, deveria ser apresentado 
por um jurista de renome. Segundo consta em ata, deveria ser usado o nome 
de algum deputado para o projeto, “sendo sugerido o nome do Deputado 
Amaral Netto” (Livro de atas II). 
Com o golpe civil-militar de abril de 1964, a situação política do país pas-
sou por grandes transformações, como a edição dos Atos Institucionais, o 
fechamento do Congresso, cassação de mandatos políticos, suspensão de di-
reitos civis, tortura, perseguição etc. No mês de abril de 64 não consta em 
ata a realização de nenhuma reunião sequer da associação. Foi registrada 
uma única reunião em 12 de maio e, durante o restante do ano de 1964, ne-
nhuma outra reunião oficial constou em ata. Após o golpe, a associação vol-
tou a se reunir oficialmente com certa periodicidade, somente em fevereiro 
de 1965. De agosto de 1968 até fevereiro de 1969, durante o acirramento 
das manifestações e confrontos sociais, a ascensão da chamada linha dura 
militar e a edição do AI-5, as reuniões oficiais da entidade também foram 
suspensas.
Procurando adaptarem-se à nova conjuntura política do país pós-64, mem-
bros da AFEG começaram a buscar alternativas de reconhecimento da pro-
fissão, também, junto a representantes da ditadura militar. São diversas as 
referências, nesse período, a contatos com oficiais das forças armadas. Em 
agosto de 1965, os fisioterapeutas cariocas tinham no colega Pedro Paulo 
Valentim a figura de “chefe da comissão que tratava do projeto de regula-
mentação da profissão”. Segundo consta em ata, foi marcada a entrega de 
“documentação necessária, de acordo com o estabelecido em Brasília, ao te-
121
nente-coronel Ubirajara”. A comissão teria a finalidade de “apresentar os 
agradecimentos” ao tenente-coronel (Livro de atas II).
No final de 1965, de acordo com membros da AFEG, existiam no Congres-
so, pelo menos, três diferentes anteprojetos de lei sobre a regulamentação da 
fisioterapia, sendo um de autoria da ABF, outro da ERRJ e outro da própria 
AFEG19. 
19 A história da AFEG foi contada aqui em função de seu pioneirismo e pela facilidade de aces-
so aos livros de ata. Outras associações de fisioterapeutas, como a mineira, pernambucana en -
tre outras também tiveram participação ativa na luta pela regulamentação da profissão no país.
122
Os projetos de lei no Congresso Nacional anos antes da 
regulamentação da profissão
Antes mesmo da fundação da AFEG, a diretoria da ERRJ havia começado, 
a partir de 1958, a empreender esforços tanto para o reconhecimento das 
profissões, por meio de dois Projetos de Lei apresentados no Congresso Na-
cional, quanto para o próprio reconhecimento do curso, por intermédiode 
processo administrativo aberto no Conselho Nacional de Educação, com 
vistas ao reconhecimento dos cursos pelo Ministério da Educação e Cultura. 
O Projeto de Lei no. 4.789, de 1958, apresentado pelo deputado Portugal Ta-
vares, popunha regulamentar a formação de fisioterapeutas, terapeutas ocu-
pacionais e de licenciados em reabilitação (Congresso Nacional, 1958, 
p.8627). O projeto, encaminhado às Comissões de Constituição e Justiça e 
de Educação e Cultura, era praticamente uma cópia resumida, muitas vezes 
sem alterar uma vírgula sequer, do Regimento Interno da ABBR. Pretendia-
se que fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e licenciados em reabilitação 
fossem formados em Escolas de Reabilitação, com duração de curso de três 
anos para os dois primeiros e um ano para os licenciados. Estavam previstas 
também, no Projeto, exatamente as mesmas disciplinas oferecidas na 
ABBR.
Na justificativa apresentada junto ao projeto, o deputado Portugal Tavares 
declarou que, a exemplo do que ocorria em países como Estados Unidos, In-
glaterra, Canadá e Israel, existia no Rio de Janeiro (Distrito Federal), “em 
pleno funcionamento, Escola de Reabilitação cujo Centro atende cerca de 
100 pacientes por mês”. Sobre os cursos de formação ministrados, o deputa-
do lembrou que os mesmos foram iniciados em abril de 1956, “após terem 
sido instalados em sessão solene realizada na ABI, na presença de gradas 
personalidades”. Segundo o autor do projeto, o início dos cursos era impres-
cindível, pois “os técnicos disponíveis eram contratados no estrangeiro e, 
face à grande procura de seus serviços, tornaram-se exíguos”. Ao concluir a 
justificativa desse Projeto de Lei, o deputado afirmou que esta proposição 
visava “oficializar uma Escola que, no país, tem similar apenas no Instituto 
de Reabilitação de São Paulo”.
Esse projeto, após ser aprovado na Comissão de Educação do Congresso 
Nacional, foi encaminhado à Comissão de Saúde, onde foi produzido um 
texto substitutivo ao Projeto original, que, submetido à ABBR e ao Instituto 
de Reabilitação de São Paulo, foi rejeitado pelas duas instituições em razão 
de “não corresponder às determinações internacionais para a formação de 
técnicos dessa natureza”. Devido a essa rejeição, o Projeto foi definitiva-
mente arquivado pelo Congresso (Congresso Nacional, 1963, p.9508).
123
Em 1963, um novo Projeto de Lei (no.1.372), de autoria do Deputado João 
Vieira, tem por objetivo regulamentar a formação de Fisioterapeutas e Tera-
peutas Ocupacionais. Esse Projeto traz algumas poucas diferenças para o 
Projeto anterior, dentre elas, a retirada da formação de licenciados em reabi-
litação, a inclusão de um artigo que define uma carga horária mínima de 
formação de 2.500 horas, sendo 1.000 horas de aulas teórico-práticas e 
1.500 horas de treinamento (estágio). Em seu artigo treze, determina tam-
bém que “as atividades dos fisioterapeutas e dos terapeutas ocupacionais so-
mente poderão ser exercidas sob orientação e responsabilidade médica”.
Na justificativa do Projeto, o Deputado João Veiga declara que o projeto em 
análise é fruto de um “profundo estudo” dos técnicos da ABBR e do INAR, 
juntamente com a orientação de técnicos internacionais que estiveram no 
país. 
Em março de 1967 o Projeto é arquivado definitivamente pelo Congresso. 
As diversas tentativas de regulamentar a profissão de fisioterapeuta no 
congresso, mesmo com várias concessões, não obtiveram sucesso.
Sobre as dificuldades enfrentadas pelos fisioterapeutas no início dos anos de 
1960, Moura Filho (1999) faz a seguinte observação:
“As diferenças entre os Fisioterapeutas e os Médicos ligados à Reabilitação 
vão aumentando progressivamente até se transformar em um conflito profis-
sional de grande magnitude (...) Tentativas de reconhecer o Fisioterapeuta 
pela via do Congresso Nacional esbarraram no corporativismo médico re-
presentado nas Comissões Técnicas.” (Moura Filho, 1999)
Diante das dificuldades em aprovar uma Lei que regulamentasse a formação 
dos fisioterapeutas através do Congresso Nacional, restavam ainda outras 
alternativas, a via administrativa através do Conselho Nacional de Educação 
- CNE, e a aproximação com os militares que governavam o país pós-64. 
124
O processo de reconhecimento da ERRJ no Conselho 
Nacional de Educação
A Direção da ERRJ criou, no início de 1961, uma comissão responsável 
pelo reconhecimento dos cursos junto ao Conselho Nacional de Educação - 
CNE. Nesse momento já havia, além do próprio desejo institucional, uma 
forte mobilização dos estudantes e egressos dos cursos com o objetivo de 
validar seus diplomas. A comissão foi formada pela secretária da ERRJ, 
Maria Antonia Pedrosa Campos, a terapeuta ocupacional formada na pri-
meira turma, Hilêde Wanderley Catanhede, e o médico Artur de Pádua Via-
na (Figueirôa, 1996).
Por meio do Processo no. 97.990 de 1961, a ABBR solicitou ao CNE o reco-
nhecimento dos cursos da Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro. O Pare-
cer da Câmara de Ensino Superior do CNE, no. 602 de 1961, declarou que 
os cursos oferecidos pela ERRJ possuíam “altos coeficientes de utilidade 
social a ponto de atenderem a inadiáveis interesses comunitários”, e que os 
mesmos possuíam uma “auréola de benevolência” reconhecida pela opinião 
pública (vide anexos ao final do livro). A conclusão do Parecer foi encami-
nhar o processo “no sentido do reconhecimento e não mais da simples auto-
rização para funcionar”, como havia acontecido com outros pareceres 
(CNE, 1961A, p.3).
Em vista do Parecer no. 602/61, foram realizadas “numerosas verificações 
cujos relatórios constam do volumoso processo” com base no qual o recém 
criado Conselho Federal de Educação opinou, através do Parecer no. 362/63, 
pela necessidade de estabelecimento de um currículo mínimo e tempo de 
duração dos cursos de formação em questão. A ERRJ deveria proceder à 
adaptação do seu Regimento à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional - LDBEN (CFE, 1965).
O Parecer no. 362/63, cita em seu texto que em 1961 a Escola havia solicita-
do inicialmente o reconhecimento dos seus cursos, e que “sobre a matéria 
há pronunciamento do extinto CNE, opinando pela criação dos cursos atra-
vés de lei”. E refere-se a um “volumoso relatório da comissão de peritos” 
como documento “no qual se podem colher importantes informações para o 
exame do mérito em questão” (CFE, 1963A). O Parecer conclui, ao longo 
de suas três páginas, que, “sem forçar a interpretação, o fisioterapeuta e o 
terapeuta ocupacional que a ABBR pretende formar são modalidades de en-
fermagem”, e acrescenta ainda que, “poder-se-iam incluir entre os cursos de 
enfermagem, mais dois novos, tendo em vista os interesses da reabilitação”.
Ao longo do texto do Parecer, é possível perceber diversas referências aos 
médicos, normalmente ressaltando que se trata de "formar um profissional 
para-médico”, que fisioterapia e enfermagem são profissões que “executam 
125
prescrições médicas” e ainda que o conceito de profissão “seria aquela exer-
cida pelo médico, com plena responsabilidade por todos os atos”, sendo en-
fermagem e fisioterapia “meras ocupações”. Esse Parecer teve como relator 
o médico Clóvis Salgado, tendo sido assinado também por Almeida Júnior, 
médico e Presidente da Câmara de Ensino Superior e pelos conselheiros Al-
ceu Amoroso Lima, Valnir Chagas, Péricles Madureira de Pinho e Newton 
Sucupira. (CFE, 1963A)20
Ao analisar o texto integral do Parecer no. 362/63, é nítida a preocupação 
de que o reconhecimento do curso de fisioterapia, não somente não in­
terferisse com o poder da profissão médica, como a ela deveria estar su­
bordinado. 
Tal hipótese parece ganhar mais força, ao ser analisado o Parecer 388/63 
que definiu os currículos mínimos e duração de três anos para os cursos de 
fisioterapia e de terapia ocupacional.
O Parecer no. 388, sob relatoria de Clóvis Salgado (o mesmo relator do Pa-
recer anterior) declarou textualmente que a comissão de peritos nomeadapelo Diretor de Ensino Superior, “insiste na caracterização desses profissio-
nais como auxiliares médicos” que desempenham suas funções “sob a ori-
entação e responsabilidade do médico”. De acordo com esse Parecer, ao 
médico caberia “dirigir, chefiar e liderar” a equipe de reabilitação, da qual 
faziam parte o próprio médico, o assistente social, o psicólogo, o fisiotera-
peuta e o terapeuta ocupacional. E acrescentou ainda que, com relação aos 
fisioterapeutas e aos terapeutas ocupacionais, “cabe-lhes executar, com per-
feição, aquelas técnicas, aprendizagens e exercícios recomendados pelo mé-
dico” e, em virtude disso, a Comissão preferiu que “os novos profissionais 
se chamassem Técnico em Fisioterapia e Técnico em Terapia Ocupacional, 
para marcar-lhes bem a competência e as atribuições” (CFE, 1963B). 
O texto original do Parecer no. 388/63, que consta do Processo no. 
97.990/61, sofreu modificações substanciais ao ser submetido ao plenário 
da Comissão de Ensino Superior do CFE. Na versão original encaminhada 
ao plenário, havia um comentário sobre nomear as profissões como “Técni-
cos”, o trecho suprimido dizia que “a sugestão seria perfeita não fora a cir-
20 Clóvis Salgado teve uma longa carreira política, formado em medicina e tendo iniciado suas 
atividades profissionais como assistente de cirurgia, foi eleito vice-governador de Minas Gerais 
em 1950, pelo Partido Republicano (PR), na chapa com JK. A partir de 1956 foi Ministro da 
Educação e Cultura do governo JK. Apoiou o golpe civil-militar de 1964 e deste ano até 1968 
foi membro do Conselho Federal de Educação (ABREU & BELOCH, 2001) 
126
cunstância da sistemática da escola brasileira haver reservado tais nomes 
para os formados nos colégios técnicos de nível médio” (vide anexo do li-
vro). E ainda havia outro trecho, que em plenário teve seu sentido totalmen-
te alterado, que afirmava:
“No caso, o que se pretende é formar profissionais de nivel superior, tal 
como acontece a enfermeiros, obstetrizes e nutricionistas. Diante disso, não 
há como evitar os nomes de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais embo-
ra tais denominações pudessem sugerir competências e atribuições que são 
da alçada dos formados em medicina. Os nomes de técnico em fisioterapia e 
técnico em terapia ocupacional ficarão reservados para os diplomados em 
escolas de nível médio que se proponham a formar profissionais da mesma 
linhagem mas de menor graduação”. (CNE, 1961B)
O parecer final da Comissão, antes de ir a Plenário, embora fizesse diversas 
restrições sobre a atuação dos profissionais em questão, reconhecia explici-
tamente o impedimento de se chamarem esses novos profissionais de técni-
cos, cabendo essa nomenclatura somente aos egressos de cursos de nível 
médio técnico. Mas, no Plenário do CFE, tal impedimento parece não ter 
sido considerado, e a frase anteriormente apresentada como "Diante disso, 
não há como evitar os nomes de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais" 
simplesmente passou a vigorar com a seguinte redação: "Diante disso, não 
há como evitar os nomes de Técnicos em Fisioterapia e Técnicos em Tera-
pia Ocupacional".21 
Outra alteração realizada em Plenário foi com relação às matérias comuns 
definidas no Parecer no. 388. Segundo o texto original que foi ao Plenário, 
seriam matérias comuns aos cursos de fisioterapia e de terapia ocupacional: 
física, anatomia, fisiologia, psicologia, cinesiologia, patologia geral, ética e 
história da reabilitação e administração. Em Plenário, as seis primeiras ma-
térias foram reunidas em uma única matéria chamada de Fundamentos da 
Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, e a matéria de Administração passou 
a chamar-se Administração Aplicada (vide anexo). No texto aprovado do 
Parecer, a listagem com as matérias foram omitidas, aparecendo somente 
meses depois na Portaria Ministerial que, baseada no Paracer aprovado, de-
finiu os currículos e a duração dos cursos (CNE, 1961B, p. 67; CNE, 
1963B). 
Sobre a Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro, o Parecer no. 388/63 refe-
re-se ao currículo apresentado como sendo “excessivo” para a formação dos 
“técnicos” de nível superior, “preferindo esquema bem mais modesto e 
21 O trecho do Processo no. 97990/61 que traz o original do Parecer no. 388/63 foi datilografado 
em papel timbrado do Ministério da Educação e Cultura, em folha numerada, datado de 10 de 
dezembro de 1963 (mesmo dia da aprovação em plenário), constando a inscrição no alto: "Vai 
a plenário". Nesse original consta a assinatura de sete conselheiros, dentre eles o próprio Clóvis 
Salgado.
127
exequível, como convém ao meio brasileiro”. Segundo o Parecer, a falta de 
professores, instalações e equipamentos “aconselha começar de modo me-
nos ambicioso” (CNE, 1963B). 
A comparação entre o texto original do Parecer apresentado pela comissão e 
o texto aprovado em Plenário no mesmo dia revela significativas alterações. 
Durante uma reunião plenária foi possível transformar fisioterapeutas em 
técnicos de fisioterapia (embora definir nome de profissão não fosse atribui-
ção do CNE) e diminuir o número de matérias do currículo de dez para ape-
nas cinco.
O texto final aprovado durante a reunião plenária que se tornou então ofici-
al, trazia no rodapé a ressalva: “Redação final com as emendas aprovadas 
pelo Plenário” (CNE, 1963B).
É curioso notar que os Pareceres no. 602 de 1961 e no. 362 de 1963, sobre os 
quais o Parecer no. 388 foi baseado, já se referiam aos profissionais da área 
como fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais e não como técnicos. 
Em uma única reunião Plenária no CNE, portanto, sem qualquer partici­
pação de representantes da categoria profissional, foi feita a redução do 
número de matérias do currículo pela metade que, segundo o texto, de­
veriam ser "resumidas ao indispensável", assim como a mudança do 
nome da profissão para técnicos de fisioterapia. 
Ao serem informados da aprovação do Parecer no. 388, membros da direto-
ria da AFEG tomaram diversas providências com a intenção de reverter a si-
tuação, encaminhando documentos e uma representação formal junto à Câ-
mara de Ensino Superior do CFE. Segundo consta em ata, um associado en-
trou em contato diretamente com o relator Clóvis Salgado, que sugeriu que 
a associação deixasse as coisas como estavam e que, somente mais tarde, 
"depois de tudo regulamentado" fosse pensada a possibilidade de algum re-
curso. Tal sugestão foi rejeitada.
Em 23 de julho de 1964, o Ministério da Educação definiu, pela primeira 
vez no país, o currículo mínimo dos cursos de fisioterapia e de terapia ocu-
pacional, baseando-se no texto aprovado do Parecer no. 388/63. A duração 
dos cursos foi definida em três anos letivos e as matérias comuns aos cursos 
de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional eram Fundamentos de Fisioterapia 
e Terapia Ocupacional, Ética e História da Reabilitação, e Administração 
Aplicada, como matérias específicas de Fisioterapia ficaram a Fisioterapia 
Geral e Fisioterapia Aplicada (MEC, 1964).
128
Uma vez publicado o currículo mínimo pelo MEC, restava à ERRJ tentar 
fazer as adequações em seu Regimento Interno e Currículo, acrescentando 
ao processo original de reconhecimento dos cursos no Conselho Federal de 
Educação. Essas e outras providências foram solicitadas pelo relator Clóvis 
Salgado e atendidas pela ERRJ (CFE, 1961B).
No mês de julho de 1965, o Parecer no. 715/65 da Câmara de Ensino Superi-
or realizou a análise das adaptações apresentadas pela ERRJ e se manifestou 
favorável ao reconhecimento da Escola de Reabilitação, apenas com uma 
restrição do Conselheiro Rubens Maciel. Foram analisados dados sobre a 
entidade mantenedora da Escola (ABBR), capacidade econômico-financei-
ra, edifícios e instalações (incluindo biblioteca com mais de quinhentos vo-
lumes) e corpo docente (CFE, 1965).
A solução encontrada pela ABBR para adequar-se ao currículo mínimo es-
tabelecido pelo MEC consistiu em agrupar as disciplinas existentes de Ana-
tomia, Fisiologia,Cinesiologia, Patologia Geral, Psicologia e Física Aplica-
da à Reabilitação, mantendo todos os seus professores, em uma matéria cha-
mada Fundamentos de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional. Além da dis-
ciplina de Fisioterapia Geral, prevista no currículo do MEC, a disciplina de 
Fisioterapia Aplicada foi subdividida em sete novas disciplinas, Fisioterapia 
Aplicada à Reumatologia, Fisioterapia Aplicada à Ortopedia, Fisioterapia 
Aplicada à Traumatologia, Fisioterapia Aplicada à Neurologia, Fisioterapia 
Aplicada à Clinica Médica, Fisioterapia Aplicada à Clínica Cirúrgica e Fisi-
oterapia Aplicada à Psiquiatria. Além dessas, foi acrescentada a disciplina 
de Foniatria (CFE, 1965).
A restrição imposta pelo conselheiro Rubens Maciel referia-se a um item do 
corpo docente apresentado pela ABBR, especificamente à indicação da fisi-
oterapeuta Suely Nogueira Marques, como professora da disciplina de Fisi-
oterapia Geral. A referida professora, segundo consta do próprio parecer, 
formou-se pela ERRJ em 1960, tendo participado de cursos de aperfeiçoa-
mento em paralisia cerebral no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de ter 
participado de “congressos e simpósios sobre a especialidade em centros de 
reabilitação de São Paulo, Santos e Brasília”. A rejeição apresentada pelo 
conselheiro justificava-se, segundo ele, porque o cargo dependia de forma-
ção em medicina. 
No dia 26 de novembro de 1965, o Presidente Castello Branco, atendendo à 
solicitação do CFE por meio do Parecer no. 715/65, concedeu o reconheci-
mento oficial à Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro, pertencente à 
ABBR, através do Decreto no. 57.363 (vide anexos). 
Depois de reconhecidos oficialmente os cursos de Fisioterapia e de Terapia 
Ocupacional, os diplomas foram expedidos pela ABBR em 1966. O primei-
ro diploma encaminhado ao Ministério para registro foi, justamente, da fisi-
129
oterapeuta Suely Nogueira Marques, professora da disciplina de Fisioterapia 
Geral. 
Embora o Parecer no. 388/63 houvesse determinado, em sua versão 
aprovada em Plenário, que os egressos deveriam ser chamados de Téc­
nicos em Fisioterapia, a ABBR não utilizou essa nomenclatura em ne­
nhum de seus diplomas, constando do documento apenas a formação no 
Curso de Fisioterapia. 
No dia 13 de outubro de 1969, após tramitação e arquivamento de dois ou-
tros Projetos de Lei no Congresso Nacional relacionados à Fisioterapia, as 
profissões de Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacional foram oficialmente 
reconhecidas por meio do Decreto-Lei no. 938/1969. A lei que reconheceu 
as profissões de fisioterapeuta e de terapeuta ocupacional no país definiu o 
exercício da fisioterapia como privativo do fisioterapeuta, com formação 
exclusivamente de nível superior, e não fez qualquer menção à medicina em 
seu texto (leia a íntegra do Decreto-Lei 938/69 mais adiante em “Legisla-
ção”). 22
22 Em apenas um mês após a promulgação do Decreto-Lei 938/69, a comissão de saúde do 
Congresso Nacional aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei n. 2.090, de autoria da própria 
comissão, que tinha por objetivo alterar o texto do Decreto. No lugar de fisioterapeuta, deveria 
constar “técnico em fisioterapia”, ficando também totalmente proibido a estes profissionais: 
“atender a qualquer paciente que não tenha sido enviado por médico”, “promover anúncio ou 
publicidade sobre sua atividade” e até mesmo proibido “instalar consultório”. A comissão de 
saúde alegava basear-se em “estudo da Sociedade Brasileira de Ortopedia do Rio de Janeiro”. 
Anos depois o projeto da comissão de saúde foi arquivado e o Decreto-Lei 938/69 permanece 
vigente ainda hoje, sem qualquer alteração.
130
Uma história de luta 
Foram narrados os diversos conflitos e estratégias no caminho da regula-
mentação da profissão, não apenas do ponto de vista das grandes institui-
ções, mas também do grupo social dos fisioterapeutas que lutou para se es-
tabelecer, com divergências e objetivos em comum. Nesse aspecto, o movi-
mento em torno da ERRJ e da AFEG foi fundamental para a conquista da 
regulamentação da formação de fisioterapeutas - currículo mínimo do MEC 
- e pela contribuição para regulamentar a profissão, em 1969.
Uma vez criada a ABBR, em 1954, antes de fazer funcionar um Centro de 
Reabilitação para atender às crianças vítimas de pólio e outros pacientes, era 
preciso formar os fisioterapeutas que ali iriam trabalhar. O modelo de for-
mação de fisioterapeutas adotado na ERRJ foi de nível superior, baseado 
nos currículos dos países mais desenvolvidos. Os filhos dos empresários e 
diretores da ABBR mereciam o melhor tratamento, com os melhores fisiote-
rapeutas, a exemplo do que acontecia nos Estados Unidos, país onde muitos 
médicos brasileiros haviam trabalhado ou estudado. O modelo de formação 
da OMS destinado aos países de terceiro mundo, formando profissionais 
técnicos em cursos de menor duração, como implantado no INAR, em São 
Paulo, não foi a opção dos médicos e diretores da ERRJ.
A criação da ERRJ e a formatura de suas primeiras turmas, com a crescente 
necessidade de inserção no mercado de trabalho, fizeram com que os profis-
sionais egressos e a própria Escola de Reabilitação buscassem a regulamen-
tação da profissão de fisioterapeuta no país. As epidemias de poliomielite ti-
veram, portanto, papel central na criação da primeira instituição formadora 
de fisioterapeutas no país (ERRJ), assim como influenciaram fortemente no 
perfil dos primeiros fisioterapeutas como profissionais voltados para a atua-
ção na reabilitação. Esses profissionais eram formados para atender, princi-
palmente, às crianças com paralisia infantil, aos deficientes físicos e aos 
amputados, muitos deles, vítimas de acidentes de trabalho.
O movimento em torno do reconhecimento da ERRJ, iniciado pelo menos 
dez anos antes do reconhecimento oficial da profissão de fisioterapeuta, 
exerceu influência direta na regulamentação da profissão de fisioterapeuta 
no país. Outras entidades, como a AFEG, tiveram papel determinante na de-
finição da identidade profissional do fisioterapeuta e nas tentativas de regu-
lamentação da profissão durante a década de 1960.
Uma questão importante no debate histórico sobre a profissionalização da 
fisioterapia é a disputa quanto ao perfil do profissional que estava sendo for-
mado para a atuação na área. O pequeno grupo social dos fisioterapeutas, no 
final dos anos de 1950, utilizou de diferentes estratégias na busca por espa-
131
ço no mercado de trabalho. Aceitando a subordinação ao médico, mesmo 
que não desejável por alguns naquele momento, esperava-se alcançar a re-
gulamentação da profissão através do Congresso Nacional. Essa estratégia 
não surtiu o efeito desejado. 
O que estava em disputa era o espaço no mercado de trabalho, o domí­
nio, a prescrição e realização das técnicas de tratamento da fisioterapia, 
o reconhecimento social, o grau de autonomia ou de dependência de 
uma profissão em relação à outra, o acesso e a produção de conheci­
mentos científicos e o poder sobre o paciente. 
Para alguns segmentos da profissão médica que ocupavam cargos estratégi-
cos tanto no Conselho Federal de Educação quanto na Comissão de Saúde 
do Congresso Nacional, não interessava a regulamentação do fisioterapeuta 
como uma nova profissão no campo da saúde. 
O Decreto­Lei no. 938/69 foi um marco institucional importante, mas não 
foi o início de um processo, nem tampouco pôs fim às disputas, principal­
mente entre as organizações das categorias de fisioterapeutas e médi­
cos. O processo de criação e reconhecimento dos cursos da ERRJ se 
confunde com a organização e luta dos fisioterapeutas em busca de uma 
identidade própria, de reconhecimento social e regulamentação profissio­
nal pelo Estado nos anos 1960. 
O processo de profissionalização da fisioterapia nas décadas de 1950 e 1960 
seguiu diversas etapas com vistas ao reconhecimento da profissão pelo Esta-
do. Primeiro, a criação de uma escola de formação (ERRJ), depois a organi-
zação de umaassociação (AFEG) e a busca de reconhecimento pelo Estado. 
O objetivo maior era que o poder público reconhecesse oficialmente a exis-
tência e definisse as atribuições dos fisioterapeutas no disputado mercado de 
trabalho da saúde. Uma das estratégias utilizadas nesse processo foi o forta-
lecimento do diálogo interno e organização da categoria, aproximando os fi-
sioterapeutas dos representantes do poder, políticos e empresários influen-
tes. Durante o período democrático, buscava-se o apoio de parlamentares e 
empresários, após o golpe civil-militar de 1964 buscou-se a aproximação, 
também, com militares das esferas de poder.
132
As vítimas da poliomielite, a relação conflituosa principalmente com médi­
cos e suas entidades representativas, alguns como algozes e outros 
como mentores e o trabalho filantrópico, desenvolvido pela ABBR, tive­
ram papel determinante no delineamento da identidade profissional e no 
processo de profissionalização da fisioterapia brasileira. O fisioterapeuta 
foi introduzido no Brasil por uma forte demanda social por tratamento na 
área de fisioterapia.
133
A regulamentação
Apesar das dificuldades enfrentadas nos anos de 1960, a ABF procurava 
centrar suas ações no sentido do reconhecimento oficial da profissão. Se-
gundo a fisioterapeuta Dra. Sonia Gusmann, que mais tarde assumiria a Pre-
sidência da ABF e posteriormente seria a primeira Presidente do Conselho 
Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO, o trabalho e 
empenho dos membros da ABF e de suas regionais foi, neste momento, in-
cansável. 
De acordo com relatos da Dra. Sonia, foi “graças” aos anos de estratégia po-
lítica desenvolvida pela categoria e ao fato do Presidente General Costa e 
Silva ter sofrido um Acidente Vascular Encefálico (AVE) que foi conquista-
do o reconhecimento da profissão. O Presidente foi atendido por fisiotera-
peutas em um período político conturbado e em seguida veio a falecer. 
Após a morte do Presidente, a Junta Militar que assumiu o poder reconhe-
ceu a profissão de Fisioterapeuta publicando o Decreto-Lei 938/69, de 13 de 
outubro de 1969 (hoje comemorado como Dia do Fisioterapeuta), assinado 
pelos Ministros de Estado do Exército, da Marinha de Guerra e da Aeronáu-
tica Militar.
A regulamentação da profissão deve­se ao trabalho de mais de 10 anos 
de organização coletiva dos fisioterapeutas junto as associações e nas 
diversas tentativas de regulamentação no Congresso Nacional, de reco­
nhecimento do curso da ERRJ e na aproximação com os militares ligados 
ao poder naquele período ditatorial.
A conquista do Decreto-Lei foi fundamental para o desenvolvimento da fisi-
oterapia no Brasil. O profissional estava plenamente reconhecido como de 
nível superior, com a delimitação de um mercado privativo de atuação que 
consiste na execução de métodos - entendidos como métodos de diagnose, 
prescrição e terapia - e técnicas fisioterápicas. Além disso, o Decreto previa 
a atuação do Fisioterapeuta na direção de serviços em órgãos e empresas 
públicas ou particulares, o exercício do magistério e a supervisão de profis-
sionais e alunos. Embora possa não ter sido o documento idealizado pelos 
fisioterapeutas de então, foi o possível, e sem a menor dúvida, representou 
uma grande vitória para todos os fisioterapeutas brasileiros.
Ao contrário do que desejavam alguns setores influentes da categoria médi-
ca, a profissão de fisioterapeuta foi reconhecida oficialmente pelo Estado 
brasileiro de forma totalmente independente e autônoma, sem qualquer refe-
134
rência ou submissão à medicina. De acordo com o texto do Decreto-Lei 
938, o fisioterapeuta não só desfruta de plena autonomia (e de plena respon-
sabilidade), como detém legalmente a exclusividade de atuação na área da 
fisioterapia. 
Para Galvão (1999), as comemorações não duraram por muito tempo, pois 
seguiram-se inúmeras retaliações profissionais, políticas e judiciais contra a 
profissão de fisioterapeuta.
135
Criação do sistema COFFITO/CREFITOS
Logo no início dos anos de 1970, houve mais trabalho em defesa da profis-
são de Fisioterapeuta. Tramitava na Câmara Federal, por iniciativa do De-
putado pelo Estado da Guanabara, Nelson Carneiro, o Projeto de Lei 
2.090/70, que pretendia retirar a obrigatoriedade do nível superior e recon-
duzir os Fisioterapeutas à denominação de Técnico de Fisioterapia. O Proje-
to gerou enorme polêmica, e depois de muito trabalho nos bastidores da Câ-
mara Federal, a Comissão de Constituição e Justiça ao examinar o substitu-
tivo, aprovou o voto do relator, deputado Hélcio Álvares, considerando-o 
inconstitucional.
As dificuldades persistiam nos chamados Centros de Reabilitação Profissio-
nal do INPS e no enquadramento dos Fisioterapeutas no Serviço Público 
Federal ainda com a denominação de Técnico em reabilitação 
(Galvão,1999).
Na década de 1970 a ABF organizou congressos brasileiros nos anos de 
1972, 1976 e 1979, respectivamente em São Paulo, Porto Alegre e Recife.
Em 1972, a ABF realizou o II Congresso Brasileiro de Fisioterapia, na cida-
de de São Paulo, durante o qual funcionou o Congresso Nacional de Fisiote-
rapeutas, formado pelos representantes das Associações Estaduais e posteri-
ormente transformado em Conselho de Representantes – CPR, que entre ou-
tras recomendações, indicou o dia 13 de outubro como o Dia Nacional do 
Fisioterapeuta e a necessidade de acelerar o processo de Regulamentação da 
profissão. 
Embora tivesse sido conquistado o Decreto-Lei, faltavam ainda formas de 
regulamentar e colocar em prática os direitos adquiridos pelos Fisioterapeu-
tas. Foi quando a ABF, segundo a Dra. Sonia Gusmann, à época presidente 
da associação, montou o Projeto de Criação dos Conselhos Profissionais e, 
“com visitas semanais a Brasília”, fez forte pressão junto ao Ministro do 
Trabalho, Dr. Arnaldo Prieto, pelo encaminhamento do Projeto. Segundo 
Dra. Sônia, “era tudo do nosso próprio bolso, a ABF não tinha recursos para 
bancar isso”, e quando questionados pelo Ministro quanto à inviabilidade de 
se criar um Conselho com tão poucos profissionais, os fisioterapeutas da 
ABF argumentavam: “Nós somos três mil, mas somos muito organizados”. 
Foi assim que em um dia de sábado, o Ministro Dr. Arnaldo Prieto convo-
cou dois assessores que haviam encontrado o Projeto de Criação dos Conse-
lhos, proposto pela ABF, que a esta altura já se havia perdido na burocracia 
do Ministério, e, com algumas alterações e acréscimos feitos no mesmo sá-
bado, ficou resolvido. 
136
O Projeto, pelas mãos do Ministro do Trabalho, foi encaminhado ao plená-
rio do Congresso Nacional, com a presença de vários Fisioterapeutas nas 
galerias, e, de acordo com a Dra.Sônia, “foi posto em votação e aprovado 
rapidamente”. Estava devidamente regulamentada a profissão e criados os 
Conselhos Federal e Regionais, através da Lei 6.316, de 17 de dezembro de 
1975, com a função de normatizar e fiscalizar o exercício profissional da fi-
sioterapia em todo o país. Apenas dois anos depois, após terem seus nomes 
investigados pelo SNI (Serviço Nacional de Inteligência – braço investigati-
vo da ditadura militar) foram nomeados pelo mesmo Ministro do Trabalho, 
os integrantes do primeiro colegiado do Conselho Federal de Fisioterapia e 
Terapia Ocupacional, oriundos de uma lista com 50 nomes de Fisioterapeu-
tas e Terapeutas Ocupacionais, organizada pela ABF e suas regionais. 
Para montar a primeira estrutura do Conselho, foi organizado um mutirão 
entre os profissionais para arrecadação de dinheiro e, segundo relato da Dra. 
Sonia Gusman, “fomos buscar ajuda nos Conselhos Federais de Enferma-
gem e no de Psicologia que nos ajudaram bastante, do Conselho de Medici-
na não tínhamos como esperar a menor ajuda na época”. 
Em 1978 foram criados os três primeiros Conselhos Regionais, com sede 
em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Ainda neste mesmo ano o COFFITO 
publicou diversas Resoluções, dentre elas a Resolução COFFITO 08 que 
aprovou as normas para habilitaçãoao exercício das profissões de Fisiotera-
peutas e Terapeutas Ocupacionais e a resolução COFFITO 10, que criou o 
Código de Ética das profissões de Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional 
(em vigor até hoje) (Galvão, 1999).
A Resolução COFFITO 08, publicada no Diário Oficial da União, tornou 
privativos dos fisioterapeutas a direção e responsabilidade técnica dos servi-
ços e locais destinados a atividades fisioterápicas, assim como a supervisão, 
avaliação, reavaliação, prescrição, indução de tratamento e alta do cliente 
submetido à fisioterapia. Ampliou a área de atuação profissional para esco-
las, creches, asilos, consultórios, serviços de higiene e segurança do traba-
lho, clubes, indústrias etc, tornando também privativos dos fisioterapeutas a 
elaboração de testes específicos para avaliar níveis de capacidade funcional, 
prescrição e programação das chamadas atividades de vida diária, prescri-
ção e adaptação de órteses e próteses funcionais, orientação familiar refe-
rente aos padrões funcionais etc.
Na Resolução COFFITO 10, também publicada no Diário Oficial da União, 
o Conselho Federal estabeleceu o Código de Ética da profissão, que em seu 
primeiro artigo, no Capítulo I, define o fisioterapeuta como um profissional 
do campo da saúde, como segue:
“Art. 1º. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional prestam assistência ao 
homem, participando da promoção, tratamento e recuperação de sua saúde”.
137
No Capítulo II, em seus artigos sétimo (item VII), nono e décimo terceiro, o 
Código de Ética ressalta a importância do diagnóstico elaborado pelo fisio-
terapeuta e de sua autonomia:
“Art. 7º. [...]
VII - informar ao cliente quanto ao diagnóstico e prognóstico fisioterápico 
e/ou terapêutico ocupacional e objetivos do tratamento, salvo quando tais 
informações possam causar-lhe dano;
Art. 9º. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional fazem o diagnóstico fisi-
oterápico e/ou terapêutico ocupacional e elaboram o programa de tratamen-
to.
Art. 13. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional, à vista de parecer diag-
nóstico recebido e após buscar as informações complementares que julgar 
convenientes, avaliam e decidem quanto à necessidade de submeter o clien-
te à fisioterapia e/ou terapia ocupacional, mesmo quando o tratamento é so-
licitado por outro profissional”.
Em seu artigo oitavo, itens III, XIII, XIV e XV, do Capítulo II, o Código de 
Ética reafirma a importância da autonomia profissional, esclarecendo que é 
vedado ao Fisioterapeuta, entre outras coisas:
Art. 8º. [...] 
III - concorrer, de qualquer modo para que outrem exerça ilegalmente ativi-
dade privativa do fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional;
XII - trabalhar em empresa não registrada no Conselho Regional de Fisiote-
rapia e terapia ocupacional da região;
XIII - trabalhar em entidade, ou com ela colaborar onde não lhe seja assegu-
rada autonomia profissional, ou sejam desrespeitados princípios éticos, ou 
inexistam condições que garantam adequada assistência ao cliente e prote-
ção a sua intimidade;
XIV - delegar suas atribuições, salvo por motivo relevante;
XV - permitir que trabalho que executou seja assinado por outro profissio-
nal, bem como assinar trabalho que não executou, ou do qual não tenha par-
ticipado;
É interessante perceber que a obrigatoriedade de realizar o diagnóstico 
fisioterapêutico vem desde 1978, prevista na resolução COFFITO 10. Da 
mesma forma que é proibido ao fisioterapeuta aceitar a prescrição de tra­
tamento fisioterapêutico feito por médico ou qualquer profissional não ha­
bilitado. Neste caso a infração é concorrer para que outro exerça ativida­
de privativa do fisioterapeuta (prescrição).
138
Disputas no Supremo Tribunal Federal
Durante o IV Congresso Brasileiro de Fisioterapia, realizado em Recipe-PE 
no ano de 1979, os fisioterapeutas presentes tomaram ciência de que a Soci-
edade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação e o Conselho Federal de 
Medicina – CFM estavam elaborando uma ação com a finalidade de “fulmi-
nar as prerrogativas próprias do Fisioterapeuta estabelecidas em Lei”(Gal-
vão, 1999).
Foi então que, no início da década de 80, iniciou-se como representação no 
Ministério do Trabalho e evoluiu para uma ação judicial que culminou no 
Supremo Tribunal Federal, a mais alta esfera de decisão da justiça brasilei-
ra, a Representação STF 1056-2, cujo objetivo era contestar a constituciona-
lidade dos artigos 3o e 4o do Decreto-Lei 938/69 e do Parágrafo Único do ar-
tigo 12 da Lei 6.316/75.
Estavam sendo questionadas, a partir desta ação, a autonomia, compe­
tência e a exclusividade de mercado do fisioterapeuta.
Os artigos da legislação em que os médicos da Sociedade de Medicina Físi-
ca e do CFM questionavam a constitucionalidade, e que, portanto, mais lhe 
incomodavam, eram, justamente, os que tornavam os métodos e técnicas fi-
sioterápicas privativas do fisioterapeuta e o que obrigava às empresas (in-
clusive as que pertencessem aos médicos) que prestassem serviços de fisio-
terapia à inscrição no respectivo Conselho de Fisioterapia, ficando estas em-
presas, sob o poder normativo e fiscalizador do sistema COFFITO/CREFI-
TOs.
Cabe ressaltar a importância e significado destes questionamentos para o 
entendimento do percurso histórico da fisioterapia brasileira. “Pela primeira 
vez na história jurídica da nação, uma profissão confrontava outra neste ní-
vel de discussão” (Galvão, 1999).
De um lado existia o “acusado”, o Conselho de Fisioterapia, recém organi-
zado há apenas dois anos, com pouca infra-estrutura e também poucos re-
cursos financeiros e políticos, e, do outro lado, como “acusador”, estavam a 
Sociedade de Medicina Física, constituída desde 1954, e o Conselho Federal 
de Medicina, entidades tradicionais, com recursos e com forte influência po-
lítica.
No decorrer da ação, que foi concluída somente no dia 04 de maio de 1983, 
os Ministros do Supremo Tribunal Federal julgaram, em última instância, os 
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pedidos de inconstitucionalidade que, segundo os requerentes, estariam ba-
seados no artigo 153, parágrafo 23, da Constituição Brasileira, que declara 
“livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, observadas as 
condições de capacidade que a lei estabelecer”.
O Relator do referido processo foi o Ministro do Supremo Tribunal Federal 
Décio Miranda que, discutindo o mérito da representação assinalou:
“Cuidou a Lei, aqui, de conferir a necessária privatividade ao exercício de 
profissões que têm, como pressuposto inarredável, um curso de graduação 
universitária, completo e específico.”
E assim continua o Ministro, discutindo a “capacidade” a que se refere o ar-
tigo 153 da Carta Magna:
“Se o bom êxito num programa completo de graduação universitária é o 
pressuposto da capacidade para a adequada execução dos ‘métodos e técni-
cas’ a que se referem os textos em causa, será possível afirmar, sem nenhum 
desdouro para os profissionais da medicina, que a eles lhes falece tal capaci-
dade, porque de outra se fizeram titulares no curso médico”.
“Não haveria como cogitar da competência concorrente, a menos que a gra-
duação em medicina comportasse o inteiro currículo do curso de fisiotera-
pia, ou de terapia ocupacional, alcançando, dessarte, duração próxima dos 
dez anos”.
E acrescenta ainda, sobre a competência médica:
“Só um descabido preconceito elitista, por outro lado, levaria a supor que a 
cena universitária abriga mentes ‘subalternas’, precisadas de quatro ou cin-
co anos para captar aquilo que outros espíritos dominariam mediante trato 
sumário, ao longo de curso diverso”.
E ainda, referindo-se a autonomia acrescenta exemplo de outros cursos e, ao 
final, emite seu parecer conclusivo:
“É certo que os programas de graduação diferem uns dos outros, ora em ex-
tensão média – quatro, cinco, seis anos -, ora mesmo em grau de abstração 
ou de complexidade – tenha-se em mira, nesse particular, o paralelo entre a 
graduação em física nuclear e a graduação em biblioteconomia. Mas não di-
ferem, nem diferirão jamais – enquanto o ConselhoFederal de Educação se 
desimcumbir, com a costumeira seriedade, de sua importante tarefa – a pon-
to de que qualquer deles represente mera parcela incidente de qualquer ou-
tro, caso no qual a outorga de autonomia, ao primeiro, teria sido clamoroso 
absurdo”.
“[...] Ante o exposto, o parecer é por que essa alta Corte declare improce-
dente, por inteiro, a representação”.
Em sua manifestação de voto, no dia 09 de junho de 1982, o Senhor Minis-
tro Néri da Silveira, ao longo de 20 páginas datilografadas, proferiu, dentre 
várias, algumas declarações relevantes:
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“Ultrapassada se faz, assim, a quadra do tempo em que o médico, como úni-
co cientista da saúde, mantinha, sob seu controle científico, técnico e admi-
nistrativo, toda uma equipe de auxiliares, sem habilitação científica e técni-
ca, mas apenas com conhecimentos empíricos, hauridos na experiência da 
vida e na repetição, assistemática e desordenada, de atos, que as necessida-
des de sua execução, sob orientação do médico, deles exigiam. Hoje, em de-
corrência disso, não só no Brasil, [...] as definições dos campos de atuação 
profissional, com indiscutível marca de autonomia, vêm sendo objeto de le-
gislação específica, não só quanto à delimitação das áreas de desempenho, 
mas ainda no que concerne à lógica conseqüência de reserva de atividades a 
serem privativamente executadas”.
O Ministro Néri da Silveira acrescentou ainda o exemplo do reconhecimen-
to da profissão de Psicologia, através da Lei no 4.119/62, que, em seu artigo 
13, descreve como atividade privativa do Psicólogo “a utilização de méto-
dos e técnicas psicológicas com os seguintes objetivos: a) diagnóstico psico-
lógico b) orientação e seleção de pessoal[...]”. 
Em verdade, segundo a comparação feita pelo Sr. Ministro estaria também o 
Decreto-Lei 938/69, que regulamentou a fisioterapia, ao referir-se à “méto-
dos e técnicas fisioterápicas” incluindo nestes, o diagnóstico fisioterapêuti-
co, método de relevância na práxis do profissional fisioterapeuta. Ainda se-
gundo o dicionário Aurélio, a palavra método, provém do grego methodos, 
que significa “caminho para chegar a um fim”, ou, neste caso, a um objetivo 
fisioterápico, que incluiria, naturalmente em seu caminho, a execução ou re-
alização do diagnóstico fisioterapêutico, da prescrição, planejamento, indu-
ção do tratamento e alta fisioterápica.
Continuando, o Ministro afirma que “com efeito, profissionais de nível uni-
versitário, não procede afirmar-se que os fisioterapeutas e terapeutas ocupa-
cionais são meros auxiliares dos médicos”, e, ainda sobre a questão do diag-
nóstico fisioterapêutico relata haver percebido, no memorial encaminhado 
pela Sociedade de Fisiatria, a preocupação com o fato de que fisioterapeutas 
estariam extrapolando suas atividades “para desempenhar funções que se 
compreenderiam nos limites das atividades reservadas aos médicos, inclusi-
ve com a prática de diagnósticos médicos”, o que, referindo-se a tal “quei-
xa” da SBMFR, não seria examinado nos autos por tratar-se este, de um pe-
dido de inconstitucionalidade. Desta forma, conclui seu voto acompanhando 
o voto do Relator Ministro Décio Miranda, “julgando improcedente a Re-
presentação”.
Os demais Ministros do Supremo Tribunal Federal manifestaram seus votos 
acompanhando as decisões dos colegas que os antecederam. O Sr. Ministro 
Rafael Mayer ressalta em seu voto que “nem seria admissível que se crie a 
profissão sem lhe dar a privatividade, pois a privatividade é a expressão da 
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especificidade, sem a qual nem se distinguiria.” Os oito Ministros, portanto, 
por unanimidade, julgaram improcedente a Representação de inconstitucio-
nalidade argüida pelo CFM e SBMFR.
No entanto, apesar de julgar também inconstitucional a representação, o Sr. 
Ministro Moreira Alves, citando as observações da Sociedade Brasileira de 
Medicina Física e Reabilitação, pediu vistas ao processo e acrescentou uma 
“interpretação restritiva à expressão privativa”. Segundo o Sr. Ministro “não 
tem sentido que quem tenha capacidade técnica para exercitar o mais, não 
possa realizar o menos”, e acrescentando, defende em sua argumentação 
que ao médico caberia realizar o diagnóstico e a prescrição, e ao fisiotera-
peuta restaria a execução desta última, arrematando que tal separação de 
atribuições “enobrece a profissão médica, aliviando-a das práticas mais roti-
neiras” e, ainda, segundo ele, tal fato “compreende a evolução da Medicina 
para o plano exclusivamente científico, longo caminho iniciado com Hipó-
crates, que a separou da filosofia e pregou a utilidade da observação”.
Em uma de suas citações referentes à argumentação da Sociedade Brasileira 
de Medicina Física e Reabilitação, que, segundo ele, “têm inteira procedên-
cia”, o Sr. Ministro Moreira Alves faz constar, ressaltando como parte de 
sua explanação:
“Na saúde humana, o inter-relacionamento orgânico do corpo humano o ca-
racteriza como um todo, indivisível. Somente o médico tem formação para 
diagnosticar, avaliar, prognosticar, prescrever, programar, dosar e até exe-
cutar toda e qualquer técnica que vise ao bem estar e recuperação da saúde 
humana”.
Ao Sr. Ministro Oscar Corrêa coube manifestar seu voto em poucas linhas, 
da seguinte forma:
“Senhor Presidente, adiro à ressalva feita pelo Ministro Moreira Alves, por-
que não estava no meu propósito excluir os médicos habilitados. Julgo im-
procedente a Representação. É o voto”.
Segundo o assessor jurídico do CREFITO2 à época, Dr. Valter Vilas Boas 
de Meireles “sob todos os aspectos o voto do eminente Ministro Moreira 
Alves, é discutido e discutível” (CREFITO2, 1983). Discutido “por polemi-
zar ou criar condições para polêmicas”, e segundo o mesmo assessor, discu-
tível por: “ter sido inserido fora da propositura, como um ‘plus’, um acrésci-
mo, quando juridicamente deveria o voto, ser dado de forma direta, em ra-
zão da Representação, cuja fundamentação era: Constitucional ou Inconsti-
tucional? Sim ou não, o porquê e nada mais!”
Ao final do processo, os Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal 
decidiram, por unanimidade, julgar:
“Improcedente a Representação para declarar constitucional o art. 12, pará-
grafo único da Lei n. 6316 de 17 de dezembro de 1975, bem assim, os arti-
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gos 3o e 4o do Decreto-Lei n. 938, de 13 de outubro de 1969, sendo quanto a 
estes dois dispositivos com a interpretação constante do voto do Ministro 
Moreira Alves. Os Ministros Relator e Néri da Silveira julgavam também 
constitucionais os artigos [...], sem qualquer ressalva”.
Estava garantida a atuação profissional e autonomia, continuando as em­
presas prestadoras de serviços em fisioterapia obrigadas à inscrição no 
Conselho de Fisioterapia, mantendo a privatividade dos métodos e técni­
cas aos fisioterapeutas.
Apenas “ressalvada a atuação, nos respectivos campos operacionais” dos 
médicos fisiatras, o que corresponde a dizer que, se quisessem, os fisiatras 
poderiam também atuar utilizando-se das técnicas e métodos privativos do 
fisioterapeuta, sem que isto caracterizasse juridicamente exercício ilegal da 
fisioterapia. Tal ressalva, na prática, não gerou nenhum transtorno aos fisio-
terapeutas tendo em vista a pequena quantidade de médicos com título de 
especialistas em fisiatria assim como o desinteresse destes por atuar no lu-
gar de fisioterapeutas.
Ao longo da tramitação do processo no STF, e mesmo nos anos seguintes, a 
década de 1980 reservava muitas atividades e surpresas para a fisioterapia 
brasileira.
Em 1980 foi reconhecido pelo Ministério do Trabalho o Sindicato dos Fisi-
oterapeutas e Terapeutas Ocupacionais do Estado de São Paulo – 
SINFITO/SP, e logo após outros Sindicatos da categoria conquistaram tam-
bém a Carta Sindical, como foi o caso do SINFITO/RJ. No mesmo ano foi 
criado o Projeto de Lei n. 2726/80, de autoria do deputado federal Salvador 
Julianelli que “pretendia mudar todas as regras de convivência entre os pro-
fissionais de saúde, submetendo-os todos à tutela do médico”. Segundo o 
textodo projeto, a fisioterapia seria fracionada em várias outras novas ocu-
pações que seriam criadas, “numa expressa intenção de impedir no futuro 
qualquer alteração daquele status quo” (Galvão, 1999). 
O Projeto foi descoberto pelo COFFITO e levado ao conhecimento dos de-
mais Conselhos Profissionais da área de saúde. A partir daí, houve várias 
reuniões, segundo relatos da Dra. Sônia Gusman, inclusive uma na própria 
casa do Deputado Julianelli com a participação dos presidentes dos Conse-
lhos, à exceção, é claro, do Conselho Federal de Medicina. Após intensa 
pressão e atos públicos, o próprio deputado recuou e solicitou o arquiva-
mento do projeto.
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Já em 1981, ocorreu em Salvador - BA, o V Congresso Brasileiro de Fisio-
terapia, e em 1982 a ABF participou do Congresso Mundial de Fisioterapia, 
organizado pela WCPT, em Estocolmo.
Em 1983 aconteceu o VI Congresso Brasileiro de Fisioterapia, em Curitiba, 
Paraná, e alguns meses depois o I Encontro Paulista de Coordenadores e 
Professores de Fisioterapia, em Campinas (SP).
No ano de 1984, por meio do Decreto 90.640/84, foi criada, no Serviço Pú-
blico Federal, a categoria funcional de nível superior de fisioterapeuta (vide 
“Legislação” mais adiante).
Nos anos de 1985 e 1987, respectivamente, o COFFITO baixou, entre várias 
outras, as Resoluções COFFITO-60 e COFFITO-80. A primeira reconheceu 
a acupuntura como recurso complementar à prática do fisioterapeuta e defi-
niu critérios para sua utilização. A segunda Resolução definiu como compe-
tência do fisioterapeuta a elaboração do diagnóstico fisioterapêutico e a soli-
citação de laudos e exames complementares, esclarecendo ainda que, todas 
as empresas que utilizam a expressão Fisioterapia devem estar registradas 
no CREFITO (vide “Legislação” mais adiante) .
Ainda na década de 80, foram organizados também o VII Congresso Brasi-
leiro de Fisioterapia, no ano de 1985, em Belo Horizonte, o VIII Congresso 
em 1987, na cidade do Rio de Janeiro e no ano de 1989 o IX Congresso 
Brasileiro de Fisioterapia aconteceu em São Paulo.
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O currículo mínimo de 1983
De 1963 até 1983 permanecia vigente no Brasil um currículo mínimo esta-
belecido pelo Conselho Federal de Educação que considerava ainda o fisio-
terapeuta como auxiliar do médico, com uma formação mínima de apenas 3 
anos. A partir de 1983, até o ano de 2001, esteve em vigência o “novo” cur-
rículo mínimo, que previa a formação em um período mínimo de 4 anos e 
máximo de 8 anos, com carga horária mínima de 3.240 horas, baseada em 4 
ciclos de matérias:
I – Biológicas: Biologia; ciências morfológicas, incluindo anatomia e histo-
logia; ciências fisiológicas, compreendendo bioquímica, fisiologia e biofísi-
ca; patologias, incluindo patologia geral e patologias de órgãos e sistemas.
II – Formação geral: ciências do comportamento, compreendendo sociolo-
gia, antropologia, psicologia, ética e deontologia; introdução à saúde huma-
na, compreendendo saúde pública; metodologia de pesquisa científica, in-
cluindo estatística.
III – Pré-profissionalizantes: fundamentos de fisioterapia, compreendendo 
história da fisioterapia e administração em fisioterapia; avaliação funcional, 
compreendendo cinesiologia e bases de métodos e técnicas de avaliação em 
fisioterapia; fisioterapia geral, compreendendo eletroterapia, termoterapia, 
fototerapia, hidroterapia e macanoterapia; cinesiologia, compreendendo 
exercício terapêutico e reeducação funcional; recursos terapêuticos manuais, 
compreendendo massoterapia e manipulação.
IV – Profissionalizantes: fisioterapia aplicada às condições neuro-múscu-
lo-esqueléticas, compreendendo a fisioterapia aplicada à Ortopedia e Trau-
matologia, à Neurologia e a Reumatologia; fisioterapia aplicada às condi-
ções Cárdio-pulmonares, incluindo a fisioterapia aplicada à Cardiologia e à 
Pneumologia; fisioterapia aplicada às condições Gineco-obstétricas e pediá-
tricas compreendendo a fisioterapia aplicada à ginecologia e obstetrícia e fi-
sioterapia aplicada à pediatria; fisioterapia aplicada às condições sanitárias, 
incluindo fisioterapia preventiva; estágio supervisionado, constando de prá-
tica de fisioterapia supervisionada.
Os ciclos de matérias biológicas e de formação geral deveriam, somados, 
ocupar 20 por cento do tempo total de formação. O ciclo pré-profissionali-
zante 20 por cento, o ciclo profissionalizante 40 por cento e os 20 por cento 
restantes seriam destinados à prática de estágio supervisionado. O currículo 
mínimo, pela primeira vez, teve a participação de fisioterapeutas, embora 
estivesse ainda baseado, especialmente com relação às disciplinas “aplica-
das”, nas especialidades médicas. Segundo Sanchez (1984), “A Comissão 
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de ensino da ABF elaborou o projeto de currículo mínimo que, sofrendo vá-
rias adaptações, foi aprovado pelo MEC”. 
O Currículo Mínimo vigorou oficialmente de 1983 até 2001 (embora na 
prática até hoje matrizes curriculares ainda sejam baseadas neste mode­
lo), quando foi substituído pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Fisi­
oterapia.
146
A Fisioterapia na virada do século XXI
A década de 1990 se caracterizou principalmente por uma série de resolu-
ções emanadas do COFFITO, legislações oriundas dos governos federal e 
estaduais, em especial do Ministério da Saúde com relação à fisioterapia. 
Esta quantidade de resoluções, portarias e decretos consolidaram o campo 
assistencial da fisioterapia cada vez mais, e em verdade, reconhecendo le-
galmente, o que o fisioterapeuta já fazia, na prática, há anos atrás.
No campo legal, portanto, as novidades da década de 1990 foram principal-
mente23:
- Lei 8856/94, que definiu a jornada de trabalho máxima do fisioterapeuta 
em 30 horas semanais;
- Portaria 3.535/GM em 1998, do Ministério da Saúde, que define critérios 
para cadastramento de centros de atendimento em oncologia, incluindo a 
necessidade da presença de fisioterapeutas;
- Portaria 466 de 1998, da Secretaria de Vigilância Sanitária, e Portaria 
2918 de 1998 do Ministério da Saúde, que tornam obrigatória a presença do 
fisioterapeuta em enfermarias hospitalares de cuidados prolongados e em 
Serviços de Terapia Intensiva;
- Portaria 1217/GM/MS de 13 de outubro de 1999 que incluiu o fisiotera-
peuta na equipe de atendimento em transplantes de medula óssea;
- Resolução 218/97 do Conselho Nacional de Saúde, homologada pelo Mi-
nistro da Saúde, que define, entre outros o fisioterapeuta como profissional 
de saúde;
- Resolução COFFITO 123, de 1991 que determina critérios para a presta-
ção de serviços em fisioterapia pelas empresas de Saúde Grupo;
- Resolução COFFITO 139, de 1992, que dispõe sobre as atribuições do 
exercício da Responsabilidade Técnica no campo assistencial da fisiotera-
pia;
- Resolução COFFITO 183, de 1998, que proíbe os fisioterapeutas de cum-
prir normas oriundas das empresas de Saúde Grupo que estejam contrarian-
do a legislação e cerceando a autonomia e qualidade assistencial do fisiote-
rapeuta;
- Resolução COFFITO 188, de 1998, reconhece a especialidade de Fisiote-
rapia Pneumo Funcional (recentemente alterada para Fisioterapia Respirató-
ria).
Além destes, existem vários outros exemplos de legislações ratificando e re-
conhecendo a competência do fisioterapeuta, inclusive em nível internacio-
23 As principais leis, resoluções e normas são apresentadas na íntegra mais adiante, na seção 
“Legislação”.
147
nal, como é o caso da Organização Mundial da Saúde, que em 1999, incluiu 
o fisioterapeuta como um dos cinco membros da equipe básica no atendi-
mento as pessoas portadoras de fibrose cística.
Neste campo, cabe destacar ainda que, em 1998, o sistema COFFITO/CRE-
FITOS, a ABF e a Federação Nacional dos Fisioterapeutas e Terapeutas 
Ocupacionais – FENAFITO, criam e aprovam, em conjunto, o Referencial 
Nacional de Honorários Fisioterapêuticos – RNHF (vide “Legislação”).
Ideologicamente, os fisioterapeutas buscavam cada vez mais seu afasta­
mento do chamado processo de reabilitação, caminhando em direção ao 
campoda saúde em toda sua plenitude. 
Estar limitado à reabilitação representava uma volta à década de 1950, 
quando o profissional era formado para tratar dos pacientes sob orientação 
médica. 
Com menos problemas na esfera legal, com sua autonomia e atuação legiti-
mada pelo poderes judiciário, executivo e legislativo o fisioterapeuta se per-
mite ocupar-se dos problemas da população, dedicando-se inclusive a ques-
tões no campo da educação e promoção de saúde, atuando em postos de 
saúde em diversos municípios, atendendo grupos de pessoas na prevenção 
de doenças, assumindo cargos como secretários de saúde, diretores de hos-
pitais etc.
Esta nova perspectiva era conflitante com a caracterização de “profissional 
da reabilitação”. Embora ainda a maioria dos profissionais atuasse no nível 
terciário de atenção em saúde, tratando, recuperando e prevenindo seqüelas, 
o fisioterapeuta almejava consolidar sua atuação em todos os níveis de aten-
ção à saúde.
Segundo Carneiro (2000), quando se refere aos fisioterapeutas que atuam 
nos chamados “Centros de Reabilitação”, esclarece:
“Alguns ainda persistem em denominar de Centro ou Serviço de Medicina 
Física e Reabilitação desconhecendo que tal terminologia foi, em muito boa 
hora, extinta quando a Portaria SAS/MS nº 42, de 17 de março de 1994, pu-
blicada no D.O .U. nº 54 de 21/03/94, foi retificada pela Portaria nº 81, de 
02/05/94, item B - NORMAS ESPECÍFICAS nº 10; quando a expressão 
Medicina Física e Reabilitação, letra f, que nos aponta ‘onde se lê: f) Medi-
cina Física e Reabilitação leia-se f) Fisioterapia”.
“Desta maneira concitamos aos senhores Fisioterapeutas [...] que caso este-
jam exercendo suas profissões nos chamados Centros de Medicina e Reabi-
litação passe a ter conhecimento de que estão participando de uma distorção 
perniciosa e deletéria às próprias profissões” (Carneiro, 2000).
148
Além disso, no campo da Educação, houve uma verdadeira explosão no nú-
mero de cursos de graduação que ofereciam formação em fisioterapia. Na 
década de 70 eram seis cursos em todo o país, em 1982 existiam 23 cursos, 
em 1990, 55 cursos e até o final da década de 90 eram mais de 150 Institui-
ções de Ensino Superior formando fisioterapeutas em todo o país.
Acompanhando timidamente o aumento do número de cursos em gradua-
ção, foi aumentando também o número de fisioterapeutas titulados em cur-
sos de mestrado e doutorado em áreas correlatas, tais como engenharia de 
produção, engenharia biomédica, saúde coletiva, educação, ciências morfo-
lógicas entre outras. A partir da formação de uma pequena massa crítica de 
fisioterapeutas com nível de doutorado, foram surgindo linhas de pesquisa 
no CNPQ relacionadas diretamente à fisioterapia e aos fisioterapeutas e, na 
segunda metade da década de 90 iniciava suas atividades o primeiro curso 
de pós-graduação strictu senso, em nível de mestrado em fisioterapia, na 
Universidade Federal de São Carlos, durante a gestão do Reitor José Rubens 
Rebelatto, fisioterapeuta e professor da graduação em fisioterapia desta Uni-
versidade.
Em 1999 fundou-se a Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia, for-
mada por fisioterapeutas docentes representando todas as regiões do país. 
Neste mesmo ano iniciaram-se as discussões sobre as novas “Diretrizes 
Curriculares da Fisioterapia”, hoje em vigência em substituição ao currículo 
mínimo de 1983.
Na década de 1990 realizaram-se 5 grandes Congressos brasileiros de fisio-
terapia, em 1991, em Fortaleza, 1993, em São Paulo, 95, em Porto Alegre, 
1997, novamente em São Paulo e em 1999, com mais de 5.000 participan-
tes, em Salvador.
Nos anos 2000 novos congressos foram organizados como forma de reunir 
fisioterapeutas e estudantes, estimulando o diálogo, organização e difusão 
científica. Neste período, destaque para a criação das Diretrizes Curriculares 
Nacionais da Fisioterapia24 e da promulgação da Classificação Internacional 
de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF, pela OMS25. Ambos os do-
cumentos são de fundamental importância para a formação e exercício da 
profissão no país. A história da profissão demonstra que a união e a força do 
coletivo são responsáveis pelas diversas conquistas usufruídas por todos.
24 Por sua importância, a íntegra do texto das Diretrizes Curriculares Nacionais da Fisioterapia 
é apresentada na seção “legislação” a seguir.
25 Sugerimos fortemente a leitura da CIF, que por seu volume relativamente extenso não pode-
ria ser incluído neste livro. O texto na íntegra está disponível na internet em 
www.fsp.usp.br/cbcd/
149
Desafios e tendências
A profissão de Fisioterapeuta cresceu intensamente no país. No entanto, 
grande parte desta expansão não foi acompanhada com o aumento da quali-
dade, compromisso e responsabilidade social da formação e do exercício 
profissional. 
Mas o que fazer com isso?
Os tempos atuais exigem do Fisioterapeuta responsabilidade ética e com-
promisso social, postura pró-ativa, capacidade de analisar, diagnosticar e re-
solver problemas. A atuação profissional não termina no procedimento téc-
nico específico, mas deve considerar a complexidade do ser humano, suas 
emoções, vida social e coletiva, história familiar, aspectos polítcos e sociais 
por exemplo.
Neste sentido vem se expandindo diversas áreas de atuação do fisioterapeu-
ta que consideram a saúde funcional do ser humano/cidadão como principal 
objetivo, onde métodos e técnicas diagnósticas e de tratamento são funda-
mentais (devem ser valorizados), como o são também a sensibilidade políti-
ca, a visão global, a capacidade de análise do contexto social, a capacidade 
de trabalhar em grupos etc.
Restringir a atuação profissional somente à recuperação de lesões é despo-
tencializar o Fisioterapeuta. Não se trata de uma lesão somente, mas do 
bem-estar e da vida de uma pessoa, da funcionalidade humana nos seus di-
ferentes aspectos. 
Neste sentido a atuação na educação e promoção da saúde, na prevenção de 
doenças e disfunções, na análise social e do trabalho do ser humano devem 
ser consideradas na prática profissional plena. 
Ao assumirmos e nos responsabilizarmos efetivamente pela saúde funcional 
de homens, trabahadores, mulheres, crianças, adolescentes e idosos, nosso 
foco sai da doença e da patologia, e recai sobre os grupos humanos, cida-
dãos e sua relação com o meio social, sua funcionalidade.
Tal mudança de postura tem levado muitos profissionais a assumirem postu-
ra propositivas na determinação de melhores padrões de saúde da popula-
ção. A participação ativa em conselhos de saúde, em associações, na gestão 
de unidades e serviços de saúde públicas, na atenção básica em saúde, em 
programas de educação, promoção e prevenção em saúde são exemplos de 
novas posturas de profissionais que não esperam que a população traga seus 
problemas, mas que vão até a realidade, analisam e identificam problemas e 
propõe estratégias de enfrentamento e superação dos problemas relaciona-
dos ao campo da saúde funcional.
150
O Fisioterapeuta, assim como valoriza sua autonomia, deve também contri-
buir para que a pessoa que está recebendo seus cuidados desenvolva tam-
bém sua autonomia, desenvolvendo a capacidade de transformar sua relação 
com o meio.
Estamos todos ligados, o bom trabalho do colega que respeita e verdadeira-
mente se interessa pelo bem-estar de seu paciente e comunidade na qual está 
inserido contribui diretamente para o benefício não só da população atndida 
como para o coletivo da profissão. 
Pensar apenas individualmente é condenar a profissão à concorrência preda-
tória, desleal, onde todos saímos perdendo. Por isso é preciso desenvolver 
em sua máxima potência a colaboração e cooperação entre todos os fisiote-
rapeutas, estudantes, pacientes e comunidade. Desenvolver o senso de per-
tencimento ao coletivo (da profissão, do bairro, da universidade etc), esti-
mular o diálogo aberto e democrático, a valorização das diferenças como as-
pecto positivo de crescimento pessoal e coletivo, a gentileza,tolerância, a 
crítica que constrói, a expressão livre e a reflexão que transforma a prática.
151
Legislação referente a profissão de 
Fisioterapeuta 
Leis Federais
Decreto-Lei 938/69 – Reconhece a profissão de 
Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacional no país
DECRETO LEI N. 938 - DE 13 DE OUTUBRO DE 1969
DOU nº.197 de 14/10/69 - retificado em 16-10-1969Sec. I - Pág. 3.658
Provê sobre as profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, e dá ou-
tras providências.
Os Ministros da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica Militar, 
usando das atribuições que lhes confere o artigo 1º. do Ato Institucional nº. 
12, de 31 de agosto de 1969, combinado com o parágrafo 1º. do artigo 2º. 
do Ato Institucional nº. 5, de 13 de dezembro de 1968, decretam:
Art. 1º. É assegurado o exercício das profissões de fisioterapeuta e terapeuta 
ocupacional, observado o disposto no presente.
Art. 2º. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional, diplomados por escolas e 
cursos reconhecidos, são profissionais de nível superior.
Art. 3º. É atividade privativa do fisioterapeuta executar métodos e técnicas 
fisioterápicos com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capa-
cidade física do paciente.
Art. 4º. É atividade privativa do terapeuta ocupacional executar métodos e 
técnicas terapêuticas e recreacionais, com a finalidade de restaurar, desen-
volver e conservar a capacidade mental do paciente.
Art. 5º. Os profissionais de que tratam os artigos 3º. e 4º. poderão, ainda, no 
campo de atividades específicas de cada um:
I - dirigir serviços em órgãos e estabelecimentos públicos ou particulares, 
ou assessorá-los tecnicamente;
II - exercer o magistério nas disciplinas de formação básica ou profissional, 
de nível superior ou médio;
III - supervisionar profissionais e alunos em trabalhos técnicos e práticos.
Art. 6º. Os profissionais de que trata o presente Decreto-lei, diplomados por 
escolas estrangeiras devidamente reconhecidas no país de origem, poderão 
revalidar seus diplomas.
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Art. 7º. Os diplomas conferidos pelas escolas ou cursos a que se refere o ar-
tigo 2º. deverão ser registrados no órgão competente do Ministério da Edu-
cação e Cultura.
Art. 8º. Os portadores de diplomas expedidos até a data da publicação do 
presente Decreto-Lei, por escolas ou cursos reconhecidos, terão seus direi-
tos assegurados, desde que requeiram, no prazo de 120 (cento e vinte) dias, 
o respectivo registro, observando-se quando for o caso, o disposto no art. 6º.
Art. 9º. É assegurado, a qualquer entidade pública ou privada que mantenha 
cursos de fisioterapia ou terapia ocupacional, o direito de requerer seu reco-
nhecimento, dentro do prazo de 120 (cento e vinte) dias, a partir da data da 
publicação do presente Decreto-lei.
Art. 10. Todos aqueles que, até a data da publicação do presente Decreto-
lei, exerçam sem habilitação profissional, em serviço público, atividades de 
que cogita o artigo 1º. serão mantidos nos níveis funcionais que ocupam e 
poderão ter as denominações de auxiliar-de-fisioterapia e auxiliar de terapia 
ocupacional, se obtiverem certificado em exame de suficiência.
§ 1º. O disposto no artigo é extensivo, no que couber, aos que, em idênticas 
condições e sob qualquer vínculo empregatício, exerçam suas atividades em 
hospitais e clínicas particulares.
§ 2º. A Diretoria do Ensino Superior do Ministério da Educação e cultura 
promoverá a realização, junto às instituições universitárias competentes, dos 
exames de suficiência a que se refere este artigo.
Art. 11. Ao órgão competente do Ministério da Saúde caberá fiscalizar, em 
todo o território nacional, diretamente ou através das repartições sanitárias 
congêneres dos Estados, Distrito Federal e Territórios, o exercício das pro-
fissões de que trata o presente Decreto-lei.
Art. 12. O Grupo da Confederação Nacional das Profissões Liberais, cons-
tante do Quadro de Atividades e Profissões, anexo à Consolidação das Leis 
do Trabalho, aprovada pelo Decreto-lei no. 5.452, de 1 de maio de 1943, é 
acrescido das categorias profissionais de fisioterapeuta, terapeuta ocupacio-
nal e auxiliar de terapia ocupacional.
Art. 13. O presente Decreto-Lei entrará em vigor na data de sua publicação, 
revogando-se as disposições em contrário.
Brasília, 13 de outubro de 1969
148º da Independência e 81º. da República.
Augusto Homann Rademaker Grünewald
Aurélio de Lyra Tavares
Márcio de Souza e Mello
Tarso Dutra
Leonel Miranda
153
Lei 6.316/75 – Cria o Sistema COFFITO-CREFITOS 
LEI N. 6.316 - DE 17 DE DEZEMBRO DE 1975
Cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia 
Ocupacional e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional 
decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
CAPÍTULO I
Dos Conselhos Federal e Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional
Art. 1º São criados o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Fisiote-
rapia e Terapia Ocupacional, com a incumbência de fiscalizar o exercício 
das profissões de Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional definidas no De-
creto-lei nº 938, de 13 de outubro de 1969.
§ 1º Os Conselhos Federal e Regionais a que se refere este artigo constitu-
em, em conjunto, uma autarquia federal vinculada ao Ministério do Traba-
lho.
§ 2º O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional terá sede e 
foro no Distrito Federal e jurisdição em todo o País e os Conselhos Regio-
nais em Capitais de Estados ou Territórios.
Art. 2º O Conselho Federal compor-se-á de 9 (nove) membros efetivos e su-
plentes, respectivamente, eleitos pela forma estabelecida nesta Lei.
§ 1º Os membros do Conselho Federal e respectivos suplentes, com manda-
to de 4 (quatro) anos, serão eleitos por um Colégio Eleitoral integrado de 1 
(um) representante de cada Conselho Regional, por este eleito em reunião 
especialmente convocada.
§ 2º O Colégio Eleitoral convocado para a composição do Conselho Federal 
reunir-se-á, preliminarmente, para exame, discussão, aprovação e registro 
das chapas concorrentes, realizando as eleições 24 (vinte e quatro) horas 
após a sessão preliminar.
§ 3º Competirá ao Ministro do Trabalho baixar as instruções reguladoras 
das eleições nos Conselhos Federal e Regionais de Fisioterapia e Terapia 
Ocupacional.
Art. 3º Os membros dos Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia 
Ocupacional e os respectivos suplentes, com mandato de 4 (quatro) anos, 
serão eleitos pelo sistema de eleição direta, através do voto pessoal, secreto 
e obrigatório, aplicando-se pena de multa em importância não excedente ao 
valor da anuidade ao membro que deixar de votar sem causa justificada.
§ 1º O exercício do mandato do membro do Conselho Federal e dos Conse-
lhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, assim como a respec-
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tiva eleição, mesmo na condição de suplente, ficarão subordinados, além 
das exigências constantes do artigo 530 da Consolidação das Leis do Traba-
lho e legislação complementar, ao preenchimento dos seguintes requisitos e 
condições básicas:
I - cidadania brasileira;
II - habilitação profissional na forma da legislação em vigor;
III - pleno gozo dos direitos profissionais, civis e políticos;
IV - inexistência de condenação por crime contra a segurança nacional.
Art. 4º A extinção ou perda de mandato de membro do Conselho Federal ou 
dos Conselhos Regionais ocorrerá:
I - por renúncia;
II - por superveniência de causa de que resulte a inabilitação para o exercí -
cio da profissão;
III - por condenação a pena superior a 2 (dois) anos, em virtude de sentença 
transitada em julgado;
IV - por destituição de cargo, função ou emprego, relacionada à prática de 
ato de improbidade na administração pública ou privada, em virtude de sen-
tença transitada em julgado;
V - por falta de decoro ou conduta incompatível com a dignidade do órgão;
VI - por ausência, sem motivo justificado, a 3 (três) sessões consecutivas ou 
6 (seis) intercaladas em cada ano.
Art. 5º Compete ao Conselho Federal:
I - eleger, dentre os seusmembros, por maioria absoluta, o seu Presidente e 
o Vice-Presidente;
Il - exercer função normativa, baixar atos necessários à interpretação e exe-
cução do disposto nesta Lei e à fiscalização do exercício profissional, ado-
tando providências indispensáveis à realização dos objetivos institucionais;
III - supervisionar a fiscalização do exercício profissional em todo o territó-
rio nacional;
IV - organizar, instalar, orientar e inspecionar os Conselhos Regionais e 
examinar suas prestações de contas, neles intervindo desde que indispensá-
vel ao restabelecimento da normalidade administrativa ou financeira ou a 
garantia da efetividade do princípio da hierarquia institucional;
V - elaborar e aprovar seu Regimento, ad referendum do Ministro do Traba-
lho;
VI - examinar e aprovar os Regimentos dos Conselhos Regionais, modifi-
cando o que se fizer necessário para assegurar unidade de orientação e uni-
formidade de ação;
VII - conhecer e dirimir dúvidas suscitadas pelos Conselhos Regionais e 
prestar-lhes assistência técnica permanente;
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VIII - apreciar e julgar os recursos de penalidade imposta pelos Conselhos 
Regionais;
IX - fixar o valor das anuidades, taxas, emolumentos e multas devidas pelos 
profissionais e empresas aos Conselhos Regionais a que estejam jurisdicio-
nados;
X - aprovar sua proposta orçamentária e autorizar a abertura de créditos adi-
cionais, bem como operações referentes a mutações patrimoniais;
XI - dispor, com a participação de todos os Conselhos Regionais, sobre o 
Código de Ética Profissional, funcionando como Tribunal Superior de Ética 
Profissional;
XII - estimular a exação no exercício da profissão, velando pelo prestígio e 
bom nome dos que a exercem;
XIII - instituir o modelo das carteiras e cartões de identidade profissional;
XIV - autorizar o Presidente a adquirir, onerar ou alienar bens imóveis;
XV - emitir parecer conclusivo sobre prestação de contas a que esteja obri-
gado;
XVI - publicar, anualmente, seu orçamento e respectivos créditos adicio-
nais, ou balanços a execução orçamentária e o relatório de suas atividades.
Art. 6º Os Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional serão 
organizados nos moldes do Conselho Federal.
Art. 7º Aos Conselhos Regionais, compete:
I - eleger, dentre os seus membros, por maioria absoluta, o seu Presidente e 
o Vice-Presidente;
II - expedir a carteira de identidade profissional e o cartão de identificação 
aos profissionais registrados;
III - fiscalizar o exercício profissional na àrea de sua jurisdição, represen-
tando, inclusive, às autoridades competentes, sobre os fatos que apurar e 
cuja solução ou repressão não seja de sua alçada;
IV - cumprir e fazer cumprir as disposições desta Lei, das resoluções e de-
mais normas baixadas pelo Conselho Federal;
V - funcionar como Tribunal Regional de Ética, conhecendo, processando e 
decidindo os casos que lhe forem submetidos;
VI - elaborar a proposta de seu Regimento, bem como as alterações, subme-
tendo-a à aprovação do Conselho Federal;
VII - propor ao Conselho Federal as medidas necessárias ao aprimoramento 
dos serviços e do sistema de fiscalização do exercício profissional;
VIII - aprovar a proposta orçamentária e autorizar a abertura de créditos adi-
cionais e as operações referentes a mutações patrimoniais;
IX - autorizar o Presidente a adquirir, onerar ou alienar bens imóveis;
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X - arrecadar anuidades, multas, taxas e emolumentos e adotar todas as me-
didas destinadas a efetivação de sua receita, destacando e entregando ao 
Conselho Federal as importâncias correspondentes a sua participação legal;
XI - promover, perante o juízo competente, a cobrança das importâncias 
correspondentes a anuidades, taxas, emolumentos e multas, esgotados os 
meios de cobrança amigável;
XII - estimular a exação no exercício da profissão, velando pelo prestígio e 
bom conceito dos que a exercem;
XIII - julgar as infrações e aplicar as penalidades previstas nesta Lei e em 
normas complementares do Conselho Federal;
XIV - emitir parecer conclusivo sobre prestação de contas a que esteja obri-
gado;
XV - publicar, anualmente, seu orçamento e respectivos créditos adicionais, 
os balanços, a execução orçamentária, o relatório de suas atividades e a rela-
ção dos profissionais registrados.
Art. 8º Aos Presidentes dos Conselhos Federal e Regionais incumbe a admi-
nistração e a representação legal dos mesmos facultando-se-lhes suspender 
o cumprimento de qualquer deliberação de seu Plenário que lhes pareça in-
conveniente ou contrária aos interesses da instituição, submetendo essa de-
cisão à autoridade competente do Ministério do Trabalho ou ao Conselho 
Federal, respectivamente.
Art. 9º Constitui renda do Conselho Federal:
I - 20% (vinte por cento) do produto da arrecadação de anuidades, taxas, 
emolumentos e multas de cada Conselho Regional;
II - legados, doações e subvenções;
III - rendas patrimoniais.
Art.10. Constitui renda dos Conselhos Regionais:
I - 80% (oitenta por cento) do produto da arrecadação de anuidades, taxas, 
emolumentos e multas;
II - legados, doações e subvenções;
III - rendas patrimoniais.
Art.11. A renda dos Conselhos Federal e Regionais só poderá ser aplicada 
na organização e funcionamento de serviços úteis à fiscalização do exercí-
cio profissional, bem como em serviços de caráter assistencial, quando soli-
citados pelas Entidades Sindicais.
CAPÍTULO II
Do Exercício Profissional
Art. 12. O livre exercício da profissão de Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupa-
cional, em todo território nacional, somente é permitido ao portador de Car-
teira Profissional expedida por órgão competente.
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Parágrafo único. É obrigatório o registro nos Conselhos Regionais das em-
presas cujas finalidades estejam ligadas à fisioterapia ou terapia ocupacio-
nal, na forma estabelecida em Regulamento.
Art. 13. Para o exercício da profissão na administração pública direta e indi-
reta, nos estabelecimentos hospitalares, nas clínicas, ambulatórios, creches, 
asilos ou exercício de cargo, função ou emprego de assessoramento, chefia 
ou direção será exigida como condição essencial, a apresentação da carteira 
profissional de Fisioterapeuta ou de Terapeuta Ocupacional.
Parágrafo único. A inscrição em concurso público dependerá de prévia 
apresentação da Carteira Profissional ou certidão do Conselho Regional de 
que o profissional está no exercício de seus direitos.
Art. 14. O exercício simultâneo, temporário ou definitivo, da profissão em 
área de jurisdição de dois ou mais Conselhos Regionais submeterá o profis-
sional de que trata esta Lei às exigências e formalidades estabelecidas pelo 
Conselho Federal.
CAPÍTULO III
Das Anuidades
Art. 15. O pagamento da anuidade ao Conselho Regional da respectiva ju-
risdição constitui condição de legitimidade do exercício da profissão.
Parágrafo único. A anuidade será paga até 31 de março de cada ano, salvo a 
primeira, que será devida no ato do registro do profissional ou da empresa.
CAPÍTULO IV
Das Infrações e Penalidades
Art. 16. Constitui infração disciplinar:
I - transgredir preceito do Código de Ética Profissional;
II - exercer a profissão quando impedido de fazê-lo, ou facilitar, por qual-
quer meio, o seu exercício aos não registrados ou aos leigos;
III - violar sigilo profissional;
IV - praticar, no exercício da atividade profissional, ato que a Lei defina 
como crime ou contravenção;
V - não cumprir, no prazo assinalado, determinação emanada de órgão ou 
autoridade do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, em 
matéria de competência deste, após regularmente notificado;
VI - deixar de pagar, pontualmente, ao Conselho Regional de Fisioterapia e 
Terapia Ocupacional, as contribuições a que está obrigado;
VII - faltar a qualquer dever profissional prescrito nesta Lei;
VIII - manter conduta incompatível com o exercício da profissão.
Parágrafo único. As faItas serão apuradas, levando-se em conta a natureza 
do ato e as circunstâncias de cada caso.
Art. 17. As penas disciplinares consistem em:I - advertência;
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Il - repreensão;
III - multa equivalente a até 10 (dez) vezes o valor da anuidade;
IV - suspensão do exercício profissional pelo prazo de até 3 (três) anos, res-
salvada a hipótese prevista no § 7º;
V - cancelamento do registro profissional.
§ 1º Salvo os casos de gravidade manifesta ou reincidência, a imposição das 
penalidades obedecerá à gradação deste artigo, observadas as normas esta-
belecidas pelo Conselho Federal para disciplina do processo de julgamento 
das infrações.
§ 2º Na fixação da pena serão considerados os antecedentes profissionais do 
infrator, o seu grau de culpa, as circunstâncias atenuantes e agravantes e as 
conseqüências da infração.
§ 3º As penas de advertência, repreensão e multa serão comunicadas pelo 
Conselho Regional, em ofício reservado, não se fazendo constar dos assen-
tamentos do profissional punido, senão em caso de reincidência.
§ 4º Da imposição de qualquer penalidade caberá recurso com efeito sus-
pensivo, ao Conselho Federal:
I - voluntário, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão;
II - "ex officio", nas hipóteses dos incisos IV e V deste artigo, no prazo de 
30 (trinta) dias a contar da decisão.
§ 5º As denúncias somente serão recebidas quando assinadas, declinada a 
qualificação do denunciante e acompanhada da indicação dos elementos 
comprobatórios do alegado.
§ 6º A suspensão por falta de pagamento de anuidades, taxas ou multas só 
cessará com a satisfação da dívida, podendo ser cancelado o registro profis-
sional, após decorridos 3 (três) anos.
§ 7º É lícito ao profissional punido requerer, à instância superior, revisão do 
processo, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da punição.
§ 8º Das decisões do Conselho Federal ou de seu Presidente, por força de 
competência privativa, caberá recurso em 30 (trinta) dias, contados da ciên-
cia para o Ministro do Trabalho.(Revogado pela Lei nº 9.098, de 1995)
§ 9º As instâncias recorridas poderão reconsiderar suas próprias decisões.
§10. A instância ministerial será última e definitiva, nos assuntos relaciona-
dos com a profissão e seu exercício.(Revogado pela Lei nº 9.098, de 1995)
Art. 18. O pagamento da anuidade fora do prazo sujeitará o devedor à multa 
prevista no ReguIamento.
CAPÍTULO V
Disposições Gerais
Art. 19. Os membros dos Conselhos farão jus a uma gratificação, por sessão 
a que comparecerem, na forma estabelecida em legislação própria.
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Art. 20. Aos servidores dos Conselhos de Fisioterapia e Terapia Ocupacio-
nal aplica-se o regime jurídico da Consolidação das Leis do Trabalho.
Art. 21. Os Conselhos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional estimularão, 
por todos os meios, inclusive mediante concessão de auxílio, segundo nor-
mas aprovadas pelo Conselho Federal, as realizações de natureza cultural 
visando ao profissional e à classe.
Art. 22. Os estabelecimentos de ensino superior, que ministrem cursos de 
Fisioterapia e Terapia Ocupacional, deverão enviar, até 6 (seis) meses da 
conclusão dos mesmos, ao Conselho Regional da jurisdição de sua sede, fi-
cha de cada aluno a que conferir diploma ou certificado, contendo seu 
nome, endereço, filiação, e data da conclusão.
CAPÍTULO VI
Disposições Transitórias
Art. 23. A carteira profissional de que trata o Capítulo II somente será exigí-
vel a partir de 180 (cento e oitenta) dias contados da instalação do respecti-
vo Conselho Regional.
Art. 24. O primeiro Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional 
será constituído pelo Ministro do Trabalho.
Art. 25. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as 
disposições em contrário.
Brasília, 17 de dezembro de 1975; 154º da Independência e 87º da Repúbli-
ca.
ERNESTO GEISEL
Ney Braga
Arnaldo Prieto
Paulo de Almeida Machado
160
Inclui o Fisioterapeuta na categoria funcional de nível 
superior
DECRETO Nº 90.640, DE 10 DE DEZEMBRO DE 1984
Inclui categoria funcional no Grupo-Outras Atividades de Nível Superior a 
que se refere a Lei nº 5.645, de 10 de dezembro de 1970, e dá outras provi -
dências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o 
artigo 81, item III, da Constituição, e tendo em vista o disposto no artigo 7º 
da Lei nº 5.645, de 10 de dezembro de 1970,
DECRETA:
Art 1º - Fica incluída no Grupo-Outras Atividades de Nível Superior estru-
turado pelo Decreto nº 72.493, de 19 de julho de 1973, com as alterações 
posteriores a Categoria Funcional de Fisioterapeuta, designada pelo código 
NS-943 ou LT-NS-943.
Parágrafo único - A categoria funcional de que trata este artigo compreende 
atividades de nível superior, envolvendo supervisão, coordenação, progra-
mação e execução especializada referente a trabalhos relativos à utilização 
de métodos e técnicas fisioterápicas, avaliação e reavaliação de todo proces-
so terapêutico utilizado em prol da reabilitação física e mental do paciente.
Art 2º - As classes integrantes da categoria funcional prevista no artigo an-
terior distribuir-se-ão na forma do anexo deste decreto e terão as seguintes 
características:
Classe “C’’ ­ atividades de planejamento, supervisão, coordenação, orienta-
ção, avaliação, controle e execução em grau de maior complexidade;
Classe “B’’ - atividades de supervisão, coordenação, orientação, programa-
ção, controle, avaliação e execução especializada, em grau de maior com-
plexidade;
Classe “A’’- atividades de supervisão, coordenação, orientação, controle, 
programação e execução especializada.
Art 3º - Os ocupantes de cargos efetivos, ou empregos permanentes da anti-
ga Categoria Funcional de Técnico de Reabilitação, atual Terapeuta Ocupa-
cional, portadores de habilitação legal para o exercício da profissão de Fisi-
oterapeuta e que estejam exercendo atividades próprias dessa profissão, po-
derão ser reclassificados na Categoria Funcional de Fisioterapeuta de que 
trata este decreto, ressalvado o respectivo regime jurídico.
Parágrafo único - A reclassificação referida neste artigo será feita na refe-
rência igual à que o servidor estiver ocupando.
161
Art 4º - Ressalvado o caso previsto no artigo anterior, o ingresso na catego-
ria funcional de que trata este decreto far-se-á na referência inicial da classe 
A, mediante concurso público, no regime da legislação trabalhista, observa-
das as normas regulamentares, exigindo-se do candidato certificado ou di-
ploma do curso superior de Fisioterapia ou habilitação legal equivalente e 
registro no Conselho Regional respectivo.
Art 5º - Os integrantes da Categoria Funcional de Fisioterapeuta ficarão su-
jeitos à prestação mínima de 40 (quarenta) horas semanais de trabalho (alte-
rado para máximo de 30 horas semanais pela Lei 8.856/94).
Art 6º­Na aplicação do disposto neste decreto serão observadas, no que couber, as 
demais normas constantes do Decreto nº 72.493, de 19 de julho de 1973.
Art 7º - Este decreto entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as 
disposições em contrário.
Brasília, 10 de dezembro de 1984; 163º da Independência e 96º da Repúbli-
ca.
JOÃO FIGUEIREDO
Ibrahim Abi-Ackel
162
Jornada de trabalho máxima de 30 horais semanais
LEI Nº 8.856, DE 1º DE MARÇO DE 1994
Fixa a Jornada de Trabalho dos Profissionais Fisioterapeuta e Terapeuta 
Ocupacional.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:
Art. 1º Os profissionais Fisioterapeuta e Terapeuta Ocupacional ficarão su-
jeitos à prestação máxima de 30 horas semanais de trabalho.
Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.
163
Principais resoluções do COFFITO
Código de Ética Profissional
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIO-
NAL
D.O.U nº. 182 - de 22/09/1978, Seção I, Parte II, Págs. 5265/5268
RESOLUÇÃO COFFITO-10
Aprova o Código de Ética Profissional de Fisioterapia e Terapia Ocupacio-
nal.
A Presidente do Conselho federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, no 
exercício de suas atribuições e cumprindo deliberação do Plenário,em sua 
12ª reunião ordinária, realizada em 1 e 2 de julho de 1978, no exercício de 
competência a que alude o inciso XI do artigo 5º, da lei nº. 6.316 de 17 de 
dezembro de 1975.
RESOLVE:
Art. 1º. Fica aprovado o Código de Ética Profissional de Fisioterapia e Te-
rapia Ocupacional que com esta é publicado.
Art. 2º. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 3 de julho de 1978
CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA 
OCUPACIONAL APROVADO PELA RESOLUÇÃO COFFITO-10 DE 3 
DE JULHO DE 1978
CAPÍTULO I
DAS RESPONSABILIDADES FUNDAMENTAIS
Art. 1º. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional prestam assistência ao 
homem, participando da promoção, tratamento e recuperação de sua saúde
Art. 2º. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional zelam pela provisão e 
manutenção de adequada assistência ao cliente.
Art. 3º. A responsabilidade do fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional, 
por erro cometido em sua atuação profissional, não é diminuida, mesmo 
164
quando cometido o erro na coletividade de uma instituição ou de uma equi-
pe.
Art. 4º. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional avaliam sua competência 
e somente aceitam atribuição ou assumem encargo, quando capazes de de-
sempenho seguro para o cliente.
Art. 5º. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional atualizam e aperfeiçoam 
seus conhecimentos técnicos, científicos e culturais em benefício do cliente 
e do desenvolvimento de suas profissões.
Art. 6º. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional são responsáveis pelo de-
sempenho técnico do pessoal sob sua direção, coordenação, supervisão e 
orientação.
CAPÍTULO II
DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL
Art. 7º. São deveres do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional nas res-
pectivas áreas de atuação:
I - exercer sua atividade com zelo, probidade e decoro e obedecer aos pre-
ceitos da ética profissional, da moral, do civismo e das leis em vigor, preser-
vando a honra, o prestígio e as tradições de suas profissões;
II - respeitar a vida humana desde a concepção até a morte, jamais coope-
rando em ato em que voluntariamente se atente contra ela, ou que coloque 
em risco a integridade física ou psíquica do ser humano;
III - prestar assistência ao indivíduo, respeitados a dignidade e os direitos da 
pessoa humana, independentemente de qualquer consideração relativa à et-
nia, nacionalidade, credo político, religião, sexo e condições sócio-econômi-
ca e cultural e de modo a que a prioridade no atendimento obedeça exclusi-
vamente a razões de urgência;
IV - utilizar todos os conhecimentos técnicos e científicos a seu alcance 
para prevenir ou minorar o sofrimento do ser humano e evitar o seu exter-
mínio;
V - respeitar o natural pudor e a intimidade do cliente;
VI - respeitar o direito do cliente de decidir sobre sua pessoa e seu bem es-
tar;
VII - informar ao cliente quanto ao diagnóstico e prognóstico fisioterápico 
e/ou terapêutico ocupacional e objetivos do tratamento, salvo quanto tais in-
formações possam causar-lhe dano;
VIII - manter segredo sobre fato sigiloso de que tenha conhecimento em ra-
zão de sua atividade profissional e exigir o mesmo comportamento do pes-
soal sob sua direção;
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IX - colocar seus serviços profissionais à disposição da comunidade em 
caso de guerra, catástrofe, epidemia ou crise social, sem pleitear vantagem 
pessoal;
X - assumir seu papel na determinação de padrões desejáveis do ensino e do 
exercício da fisioterapia e/ou terapia ocupacional;
XI - oferecer ou divulgar seus serviços profissionais de forma compatível 
com a dignidade da profissão e a leal concorrência; e
XII - cumprir e fazer cumprir os preceitos contidos neste Código e levar ao 
conhencimento do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacio-
nal o ato atentório a qualquer de seus dispositivos.
Art. 8º. É proibido ao fisioterapeuta e ao terapeuta ocupacional, nas respec-
tivas áreas de atuação:
I - negar assistência, em caso de indubitável urgência;
II - abandonar o cliente em meio a tratamento, sem a garantia de continuida-
de de assistência, salvo por motivo relevante;
III - concorrer, de qualquer modo para que outrem exerça ilegalmente ativi-
dade privativa do fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional;
IV - prescrever medicamento ou praticar ato cirúrgico;
V - recomendar, prescrever e executar tratamento ou nele colaborar, quan-
do:
a) desnecessário;
b) proibido por lei ou pela ética profissional;
c) atentório à moral ou à saúde do cliente; e
d) praticado sem o consentimento do cliente ou de seu representante legal 
ou responsável, quando se tratar de menor ou incapaz;
VI - promover ou participar de atividade de ensino ou pesquisa que envolva 
menor ou incapaz, sem observância às disposições legais pertinentes;
VII - promover ou participar de atividade de ensino ou pesquisa em que di-
reito inalienável do homem seja desrespeitado, ou acarrete risco de vida ou 
dano a sua saúde;
VIII - emprestar, mesmo a título gratuito, seu nome, fora do âmbito profissi-
onal para propaganda de medicamento ou outro produto farmacêutico, trata-
mento, instrumental ou equipamento, ou publicidade de empresa industrial 
ou comercial com atuação na industrialização ou comercialização dos mes-
mos;
IX - permitir, mesmo a título gratuito, que seu nome conste do quadro de 
pessoal de hospital, casa de saúde, ambulatório, consultório clínica, policlí-
nica, escola, curso, empresa balneária hidro-mineral, entidade desportiva ou 
qualquer outra empresa ou estabelecimento congênere similar ou análogo, 
sem nele exercer as atividades de fisioterapia e/ou terapia ocupacional pres-
supostas;
166
X - receber, de pessoa física ou jurídica, comissão, remuneração, benefício 
ou vantagem que não corresponde a serviço efetivamente prestado;
XI - exigir, de instituição ou cliente, outras vantagens, além do que lhe é de-
vido em razão de contrato, honorários ou exercício de cargo, função ou em-
prego;
XII - trabalhar em empresa não registrada no Conselho Regional de Fisiote-
rapia e terapia ocupacional da região;
XIII - trabalhar em entidade, ou com ela colaborar onde não lhe seja assegu-
rada autonomia profissional, ou sejam desrespeitados princípios éticos, ou 
inexistam condições que garantam adequada assistência ao cliente e prote-
ção a sua intimidade;
XIV - delegar suas atribuições, salvo por motivo relevante;
XV - permitir que trabalho que executou seja assinado por outro profissio-
nal, bem como assinar trabalho que não executou, ou do qual não tenha par-
ticipado;
XVI - angariar ou captar serviço ou cliente, com ou sem a intervenção de 
terceiro, utilizando recurso incompatível com a dignidade da profissão ou 
que implique em concorrência desleal;
XVII - receber de colega e/ou de outro profissional, ou a ele pagar, remune-
ração a qualquer título, em razão de encaminhamento de cliente;
XVIII - anunciar cura ou emprego de terapia infalível ou secreta;
XIX - usar título que não possua;
XX - dar consulta ou prescrever tratamento por meio de correspondência, 
jornal, revista, rádio, televisão ou telefone;
XXI - divulgar na imprensa leiga declaração, atestado ou carta de agradeci-
mento, ou permitir sua divulgação, em razão de serviço profissional presta-
do;
XXII - desviar, para clínica particular, cliente que tenha atendimento em ra-
zão do exercício de cargo, função ou emprego;
XXIII - desviar, para si ou para outrem, cliente de colega;
XXIV - atender a cliente que saiba estar em tratamento com colega, ressal -
vadas as seguintes hipóteses:
a) a pedido do colega;
b) em caso de indubitável urgência; e
c) no próprio consultório, quando procurado espontamente pelo cliente;
XXV - recusar seus serviços profissionais a colega que deles necessite, sal-
vo quando motivo relevante justifique o procedimento;
XXVI - divulgar terapia ou descoberta cuja eficácia não seja publicamente 
reconhecida pelos organismos profissionais competentes;
167
XXVII - deixar de atender a convite ou intimação de Conselho de Fisiotera-
pia e Terapia Ocupacional para depor em processo ou sindicânciaético-pro-
fissional;
XXVIII - prescrever tratamento sem examinar diretamente o cliente, exceto 
em caso de indubitável urgência ou impossibilidade absoluta de realizar o 
exame; e
XXIX - inserir em anúncio profissional fotografia, nome, iniciais de nomes, 
endereço ou qualquer outra referência que possibilite a identificação de cli-
ente.
Art. 9º. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional fazem o diagnóstico fisi-
oterápico e/ou terapêutico ocupacional e elaboram o programa de tratamen-
to.
Art. 10. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional reprovam quem infringe 
postulado ético ou dispositivo legal e representam à chefia imediata e à ins-
tituição, quando for o caso, em seguida, se necessário, ao Conselho Regio-
nal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.
Art. 11. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional protegem o cliente e a 
instituição em que trabalham contra danos decorrentes de imperícia, negli-
gência ou imprudência por parte de qualquer membro da equipe de saúde, 
advertindo o profissional faltoso e, quando não atendidos, representam à 
chefia imediata e, se necessário, à da instituição, e em seguida ao Conselho 
Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, a fim de que sejam toma-
das medidas, conforme o caso, para salvaguardar a saúde, o conforto e a in-
timidade do cliente ou a reputação profissional dos membros da equipe de 
saúde.
Art. 12. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional comunicam ao Conselho 
Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional recusa ou demissão de car-
go, função ou emprego, motivada pela necessidade de preservar os legíti-
mos interesses de suas profissões.
Art. 13. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional, à vista de parecer diag-
nóstico recebido e após buscar as informações complementares que julgar 
convenientes, avaliam e decidem quanto à necessidade de submeter o clien-
te à fisioterapia e/ou terapia ocupacional, mesmo quando o tratamento é so-
licitado por outro profissional.
Art. 14. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional zelam para que o pron-
tuário do cliente permaneça fora do alcance de estranhos à equipe de saúde 
da instituição, salvo quando outra conduta seja expressamente recomendada 
pela direção da instituição.
Art. 15. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional zelam pelo cumprimen-
to das exigências legais pertinentes a substâncias entorpecentes e outras de 
efeitos análogos, determinantes de dependência física ou psíquica.
168
Art. 16. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional são pontuais no cumpri-
mento das obrigações pecuniárias inerentes ao exercício das respectivas 
profissões.
CAPÍTULO III
DO FISIOTERAPEUTA E DO TERAPEUTA OCUPACIONAL PERAN-
TE AS ENTIDADES DAS CLASSES
Art. 17. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional, por sua atuação nos ór-
gãos das respectivas classes, participam da determinação de condições jus-
tas de trabalho e/ou aprimoramento cultural para todos os colegas.
Art. 18. É dever do fisioterapeuta e do terapeuta ocupacional:
I - pertencer, no mínimo, a uma entidade associativa da respectiva classe, de 
caráter cultural e/ou sindical, da jurisdição onde exerce sua atividade profis-
sional; e
II - apoiar as iniciativas que visam o aprimoramento cultural e a defesa dos 
legítimos interesses da respectiva classe.
CAPÍTULO IV
DO FISIOTERAPEUTA E DO TERAPEUTA OCUPACIONAL PERAN-
TE OS COLEGAS E DEMAIS MEMBROS DA EQUIPE DE SAÚDE
Art. 19. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional tratam os colegas e ou-
tros profissionais com respeito e urbanidade, não prescindindo de igual tra-
tamento e de suas prerrogativas.
Art. 20. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional desempenham com exa-
ção sua parte no trabalho em equipe.
Art. 21. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional participam de progra-
mas de assistência à comunidade, em âmbito nacional e internacional.
Art. 22. O fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional chamado a uma confe-
rência, com colega e/ou outros profissionais, é respeitoso e cordial para com 
os participantes, evitando qualquer referência que possa ofender a reputação 
moral e científica de qualquer deles.
Art. 23. O fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional solicitado para coope-
rar em diagnóstico ou orientar em tratamento considera o cliente como per-
manecendo sob os cuidados do solicitante.
Art. 24. O fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional que solicita, para clien-
te sob sua assistência, os serviços especializados de colega, não indica a este 
a conduta profissional a observar.
169
Art. 25. O fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional que recebe cliente con-
fiado por colega, em razão de impedimento eventual deste, reencaminha o 
cliente ao colega uma vez cessado o impedimento.
Art. 26. É proibido ao fisioterapeuta e ao terapeuta ocupacional:
I - prestar ao cliente assistência que, por sua natureza, incumbe a outro pro-
fissional;
II - concorrer, ainda que a título de solidariedade, para que colega pratique 
crime, contravenção penal ou ato que infrinja postulado ético-profissional;
III - pleitear cargo, função ou emprego ocupado por colega, bem como pra-
ticar ato que importe em concorrência desleal ou acarrete dano ao desempe-
nho profissional de colega;
IV - aceitar, sem anuência do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia 
ocupacional, cargo, função ou emprego vago pela razão prevista no art. 12; 
e
V - criticar, depreciativamente, colega ou outro membro da equipe de saúde, 
a entidade onde exerce a profissão, ou outra instituição de assistência à saú-
de.
CAPÍTULO V
DOS HONORÁRIOS PROFISSIONAIS
Art. 27. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional têm direito a justa remu-
neração por seus serviços profissionais.
Art. 28. o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional, na fixação de seus hono-
rários, consideram como parâmetros básicos:
I - condições sócio-ecômicas da região;
II - condições em que a assistência foi prestada: hora, local, distância, ur-
gência e meio de transporte utilizado;
III - natureza da assistência prestada e tempo despendido; e
IV - complexidade do caso.
Art. 29. O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional podem deixar de pleitear 
honorários por assistência prestada a:
I - ascendente, descendente, colateral, afim ou pessoa que viva sob depen-
dência econômica;
II - colega ou pessoa que viva sob a dependência econômica deste, ressalva-
do o recebimento do valor do material porventura despendido na prestação 
de assistência;
III - pessoa reconhecidamente carente de recursos; e
IV - instituição de finalidade filantrópica, reconhecida como de utilidade 
pública que, a critério do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocu-
170
pacional, não tenha condição de remunerá-lo adequadamente e cujos diri-
gentes não percebam remuneração ou outra vantagem, a qualquer título.
Art. 30. É proibido ao fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional prestar as-
sistência profissional gratuita ou a preço ínfimo, ressalvado o disposto no 
art. 29, e encaminhar a serviço gratuito de instituicão assistencial ou hospi-
talar, cliente possuidor de recursos para remunerar o tratamento, quando 
disso tenha conhecimento.
Art. 31. É proibido ao fisioterapeuta e/ou terapeuta ocupacional afixar tabe-
la de honorários fora do recinto de seu consultório ou clínica, ou promover 
sua divulgação de forma incompatível com a dignidade da profissão ou que 
implique em concorrência desleal.
CAPÍTULO VI
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 32. Ao infrator deste Código são aplicadas as penas disciplinares pre-
vistas no art. 17, da lei nº. 6.316, de 17 de dezembro de 1975, observadas as 
disposições do Código de Transgressões e Penalidades aprovado pelo Con-
selho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.
Art. 33. Os casos omissos serão resolvidos pelo Plenário do Conselho Fe-
deral de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.
Art. 34. Este Código poderá ser alterado pelo Conselho federal de Fisiote-
rapia e Terapia ocupacional, por iniciativa própria, ouvidos os Conselhos 
Regionais, ou mediante de um Conselho Regional. 
171
Diagnóstico Fisioterapêutico,exames complementares e 
registro de empresas
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIO-
NAL
D.O.U nº. 093 - de 21/05/87, Seção I, Págs. 7609
RESOLUÇÃO COFFITO-80 
 
Baixa Atos Complementares à Resolução COFFITO-8, relativa ao exercício 
profissional do FISIOTERAPEUTA, e à Resolução COFFITO-37, relativa 
ao registro de empresas nos Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia 
Ocupacional, e dá outras providências.
O Presidente do CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA 
OCUPACIONAL, no exercício de suas atribuições e cumprindo deliberação 
do Plenário, em sua 49ª. reunião ordinária, realizada em 09 de maio de 
1987, na conformidade com a competência prevista no inciso II, do artigo 
5º., da Lei nº. 6.316, de 17.12.75,
- Considerando que a Fisioterapia é uma ciência aplicada, cujo objeto de es-
tudos é o movimento humano em todas as suas formas de expressão e po-
tencialidades, quer nas suas alterações patológicas, quer nas suas repercus-
sões psíquicas e orgânicas, com objetivos de preservar, manter, desenvolver 
ou restaurar a integridade de órgão, sistema ou função;
- Considerando que como processo terapêutico, lança mão de conhecimen-
tos e recursos próprios, com os quais, baseando-se nas condições psico-físi-
co-social, busca promover, aperfeiçoar ou adaptar através de uma relação 
terapêutica, o indivíduo a uma melhor qualidade de vida;
- Considerando que utiliza, para alcançar os fins e objetivos propostos nas 
suas metodologias, a ação isolada ou conjugada de fontes geradoras termo-
terápicas, crioterápicas, fototerápicas, eletroterápicas, sonidoterápicas e ae-
roterápicas, bem como, agentes cinésio-mecano-terápicos, e outros, decor-
rentes da evolução e produção científica nesta área.
- Considerando que por sua formação acadêmico-profissional, pode o Fisio-
terapeuta atuar juntamente com outros profissionais nos diversos níveis de 
assistência à Saúde, na administração de serviços, na área educacional e no 
desenvolvimento de pesquisas;
- Considerando que métodos e técnicas fisioterápicas são atos privativos de 
profissional Fisioterapeuta, e que métodos compreendem um conjunto siste-
mático de procedimentos orientados para os fins de produção e/ou aplicação 
de conhecimentos e que técnicas, são todas as atividades específicas apro-
priadas aos princípios gerais delineados na metodologia, compreendendo 
172
ainda, avaliação físico-funcional, prescrição fisioterapêutica, programação e 
uso dos recursos terapêuticos, reavaliação, e alta fisioterápica;
- Considerando que a Reabilitação é um processo de consolidação de objeti-
vos terapêuticos, não caracterizando área de exclusividade profissional, e 
sim uma proposta de atuação multiprofissional voltada para a recuperação e 
o bem-estar bio-psico-social do indivíduo, onde a cada profissional compo-
nente da Equipe deve ser garantida a dignidade e autonomia técnica no seu 
campo específico de atuação, observados os preceitos legais do seu exercí-
cio profissional;
- Considerando que o Decreto nº. 20.931, de 11.01.1932, em relação à área 
da Fisioterapia está devidamente revogado pelo artigo 25, da Lei nº. 6.316, 
de 17.12.75, conforme princípio jurídico que a Lei mais nova revoga a ante-
rior, no que couber;
- Considerando o preceitua o Decreto-Lei nº. 938/69, o Decreto nº. 
90.640/84, a Lei nº. 7.439/85, a Resolução nº. 04/83 (Parecer nº. 622/82, do 
Conselho Federal de Educação), e demais dispositivos legais;
RESOLVE:
Artigo 1º. É competência do FISIOTERAPEUTA, elaborar o diagnóstico 
fisioterapêutico compreendido como avaliação físico-funcional, sendo esta, 
um processo pelo qual, através de metodologias e técnicas fisioterapêuticas, 
são analisados e estudados os desvios físico-funcionais intercorrentes, na 
sua estrutura e no seu funcionamento, com a finalidade de detectar e para-
metrar as alterações apresentadas, considerados os desvios dos graus de nor-
malidade para os de anormalidade; prescrever, baseado no constatado na 
avaliação físico-funcional as técnicas próprias da Fisioterapia, qualificando-
as e quantificando-as; dar ordenação ao processo terapêutico baseando-se 
nas técnicas fisioterapêuticas indicadas; induzir o processo terapêutico no 
paciente; dar altas nos serviços de Fisioterapia, utilizando o critério de rea-
valiações sucessivas que demonstrem não haver alterações que indiquem 
necessidade de continuidade destas práticas terapêuticas.
Artigo 2º. O FISIOTERAPEUTA deve reavaliar sistematicamente o paci-
ente, para fins de reajuste ou alterações das condutas terapêuticas próprias 
empregadas, adequando-as à dinâmica da metodologia adotada.
Artigo 3º. - O FISIOTERAPEUTA é profissional competente para buscar 
todas as informações que julgar necessárias no acompanhamento evolutivo 
do tratamento do paciente sob sua responsabilidade, recorrendo a outros 
profissionais da Equipe de Saúde, através de solicitação de laudos técnicos 
especializados, como resultados dos exames complementares, a eles ineren-
tes.
Artigo 4º. Ao profissional FISIOTERAPEUTA é vedado, em atividade pro-
fissional nos Serviços de Fisioterapia, atribuir ou delegar funções de sua ex-
173
clusividade e competência para profissionais não habilitados ao exercício 
profissional da Fisioterapia.
Artigo 5º. Somente poderão usar a expressão FISIOTERAPIA as empresas 
registradas no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - 
CREFITO - da jurisdição, na conformidade com o preceituado no § único 
do artigo 12, da lei nº. 6.316, de 17.12.75.
Artigo 6º. O uso da expressão FISIOTERAPIA por qualquer estabeleci-
mento, sob qualquer objetivo, caracteriza prestação de serviços nesta área, 
sendo, desta forma, campo de abrangência fiscalizadora desta Autarquia.
Artigo 7º. Os casos omissos serão resolvidos pelo Plenário deste Egrégio 
Conselho Federal.
Artigo 8º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revo-
gadas as disposições em contrário.
Brasília, 09 de maio de 1987.
Relação com empresas de Planos de Saúde
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIO-
NAL
D.O.U nº. 073 - de 17.04.91, Seção I, Pág. 7.120
RESOLUÇÃO Nº. 123, DE 19 DE MARÇO DE 1991.
 
Fixa critérios e atenção nos campos da Fisioterapia e/ou Terapia Ocupacio-
nal, a serem observados pelas empresas de Saúde de Grupo ou análogas, 
que ofereçam estas práticas terapêuticas, e dá outras providências. 
O Presidente do CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA 
OCUPACIONAL - COFFITO, no exercício de suas atribuições e cumprin-
do deliberação do Plenário em sua 58ª. reunião ordinária, realizada em 
19.03.1991, com fundamento no previsto no art. 1º., incisos II, III e XII do 
art. 5º., incisos III, IV, V e XII do art. 7º. da Lei nº. 6316 de 17.12.1975, e 
demais legislações pertinentes.
CONSIDERANDO que o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de 
Fisioterapia e Terapia Ocupacional são órgãos normativos-supervisionador 
174
e, fiscalizadores das profissões de Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacio-
nal e das áreas da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional;
CONSIDERANDO que é dever legal e função social do COFFITO e dos 
CREFITOS, manterem o controle ético e científico dos serviços e/ou atendi-
mentos de Fisioterapia e/ou Terapia Ocupacional, prestados à população pe-
las empresas de Saúde de Grupo análogas, direta ou indiretamente;
CONSIDERANDO que o registro de empresas prestadoras de Serviços de 
Fisioterapia e/ou Terapia ocupacional e a anotação dos profissionais Fisiote-
rapeutas e/ou Terapeutas ocupacionais por eles responsáveis, são obrigatóri-
os nos CREFITOS da jurisdição, em cumprimento ao previsto no Parágrafo 
Único do art. 12 da Lei nº. 6.316 de 17.12.1975, na Resolução COFFITO-
37, na Instrução Normativa nº. 60 de 27.04.1987 da Secretaria da Receita 
Federal, e demais legislações pertinentes;
CONSIDERANDO que as empresas de Saúde do grupo ou análogas, ao as-
sumirem a responsabilidadeda atenção Fisioterapêutica e/ou Terapêutica 
Ocupacional para os seus associados, direta ou indiretamente, têm o dever 
legal de assegurar que as prestações destas práticas terapêuticas sejam pro-
cedidas de forma séria, ética e responsável, sob a responsabilidade de pro-
fissionais das próprias áreas, observando, obrigatoriamente, as legislações 
pertinentes ao exercício das profissões de Fisioterapeuta e de Terapeuta 
Ocupacional e das áreas da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional;
CONSIDERANDO que as infrações apuradas nas prestadoras de Serviços 
de Fisioterapia e/ou Terapia Ocupacional, independente de punibilidades 
pecuniárias cabíveis a essas empresas, sujeita o respectivo responsável téc-
nico, Fisioterapeuta e/ou Terapeuta Ocupacional, a punição ético-discipli-
nar, à partir do momento em que a prestadora de serviços tenha obtido o seu 
registro nesta Autarquia, resolve:
Art. 1º. As empresas de Saúde de Grupo ou análogas, que prestem serviços 
e/ou atendimentos Fisioterapêuticos e/ou Terapêuticos Ocupacionais direta-
mente aos seus associados estão obrigados ao registro no CREFITO da ju-
risdição e a anotação dos profissionais Fisioterapeutas e/ou Terapeutas Ocu-
pacionais por eles responsáveis.
Art. 2º. As empresas de Saúde de Grupo ou análogas, contratantes de servi-
ços e/ou atendimentos Fisioterapêuticos e/ou Terapêuticos Ocupacionais, 
por intermédio de terceiros, para os seus associados, estão obrigadas a exi-
girem a comprovação prévia dos registros dos seus contratados, quer pessoa 
física ou pessoa jurídica, perante o CREFITO da jurisdição, em cumprimen-
to ao previsto no art. 12 e seu Parágrafo Único da Lei nº. 6.316 de 
17.12.1975, na Resolução COFFITO-37, na resolução COFFITO-8, na ins-
trução Normativa nº. 60 de 27.04.1987 da Secretaria da Receita Federal, e 
demais legislações pertinentes.
175
PARÁGRAFO ÚNICO - O não cumprimento do previsto no caput do artigo 
acima, determinará ao CREFITO da jurisdição autuar a empresa de Saúde 
de Grupo ou análoga, e aplicar multa correspondente a 10 UPM (Unidade 
Padrão de Multa) e em dobro, em caso de reincidência, por pessoa física ou 
pessoa jurídica contratada irregularmente.
Art. 3º. As empresas de Saúde de grupo ou análogas, não poderão, a qual-
quer título, limitar previamente o direito do associado, de acesso pleno ao 
arsenal terapêutico, existente nos campos da Fisioterapia e/ou Terapia Ocu-
pacional.
Art. 4º. As atenções Fisioterapêuticas e/ou Terapêuticas Ocupacionais terão 
seus limites de necessidade da atuação do profissional, bem como, do arse-
nal terapêutico a ser empregado, estabelecidos pelo próprio Fisioterapeuta 
e/ou Terapeuta Ocupacional, através de consultas com avaliações específi-
cas, dentro de seus respectivos campos de intervenção profissional, mani-
festado por intermédio de laudos especializados, que justifiquem as necessi-
dade das condutas terapêuticas indicadas.
Art. 5º. O laudo do profissional Fisioterapeuta e/ou do Terapeuta Ocupacio-
nal, é o instrumento único necessário, com validade ética e científica, capaz 
de justificar as práticas terapêuticas indicadas, nos seus respectivos campos 
de intervenção profissional.
Art. 6º. Será da responsabilidade do profissional Fisioterapeuta e/ou Tera-
peuta Ocupacional, responsável pelo atendimento, garantir ao paciente sob 
sua atenção, o acesso a todo arsenal terapêutico disponível e efetivamente 
necessário ao restabelecimento de sua melhor quantidade de vida.
Art. 7º. O profissional Fisioterapeuta e/ou Terapeuta Ocupacional que não 
utilizar os meios necessários, éticos e científicos ou mesmo, que não denun-
ciar tal cerceamento ao Conselho Regional - CREFITO da jurisdição, cola-
borando de forma omissa, colocando em risco a saúde de paciente submeti-
do aos seus cuidados, é passível de procedimento ético-disciplinar.
Art. 8º. Qualquer cidadão, no seu legítimo direito de consumidor, pode e 
deve denunciar ao Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacio-
nal - CREFITO da jurisdição, propaganda enganosa e/ou atos ou fatos de 
pessoa física e/ou pessoa jurídica, inclusive, as de Saúde de Grupo ou análo-
gas, ou de Instituição Pública, relativos as práticas Fisioterapêuticas e/ou 
Terapêuticas Ocupacionais, oferecidas e/ou prestadas de forma danosa ou 
prejudicial a sua saúde, devendo o Conselho regional, na forma do inciso III 
do art. 7º. da lei nº. 6.316 de 17.12.75, proceder sindicância sumária e, não 
sendo a repressão de sua alçada, representar, imediatamente, às autoridades 
competentes.
PARÁGRAFO ÚNICO - É propaganda enganosa oferecer serviços e/ou 
atendimentos de Fisioterapia e/ou Terapia Ocupacional à terceiros, sem ga-
176
rantir que a prescrição e a indução das práticas terapêuticas indicadas este-
jam sob a responsabilidade de profissional Fisioterapeuta e/ou Terapeuta 
Ocupacional, conforme o caso, únicos habilitados e qualificados nestas áre-
as, estando o infrator incurso também, na Lei nº. 8.078/90.
Art. 9º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revoga-
das as disposições em contrário.
Proibição de atender por convênio de plano de saúde 
quando este desrespeitar normas legais. Responsabiliza 
os CREFITOs pela fiscalização sob pena de omissão
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIO-
NAL
RESOLUÇÃO Nº. 183, DE 2 DE SETEMBRO DE 1998.
Proíbe o Fisioterapeuta, o Terapeuta Ocupacional e aquelas empresas cujas 
finalidades estejam ligadas diretamente aos campos assistenciais da Fisiote-
rapia e da Terapia Ocupacional e registradas no CREFITO da respectiva ju-
risdição, de cumprir normas, instruções e outras exigências oriundas de em-
presas de Saúde de Grupo, de Seguro Saúde e similares, contrárias à Lei Fe-
deral n.º 6.316, de 17.12.1975 e aos atos regulamentadores estabelecidos 
nas Resoluções do COFFITO, e dá outras providências.
O Plenário do CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA 
OCUPACIONAL - COFFITO, no exercício de suas atribuições legais e re-
gimentais, em sua 82ª Reunião Ordinária, realizada nos dias 01 e 02 de se-
tembro de 1998,
Considerando que é dever legal e competência própria e exclusiva do Egré-
gio Conselho Federal - COFFITO, nos termos da Lei Federal n.º 6.316, de 
17.12.1975, baixar atos normativos de obrigatório cumprimento pelos pro-
fissionais Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais e, empresas registradas 
no CREFITO da respectiva jurisdição para prestação de serviços nos cam-
pos assistenciais da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, no exercício do 
controle ético e científico dos seus serviços ou atendimentos prestados à po-
pulação;
177
Considerando que os profissionais Fisioterapeutas, os Terapeutas Ocupacio-
nais, bem como as empresas registradas para prestação de serviços nos cam-
pos assistenciais da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional estão obrigados 
(as) ao cumprimento dos atos normativos baixados por este Egrégio Conse-
lho Federal, no exercício de competência própria e exclusiva, consoante o 
previsto no Inc. II, do Art. 5º da Lei n.º 6.316, de 17.12.1975;
Considerando que de maneira indevida e abusiva empresas de Saúde de 
Grupo, de Seguro Saúde, e similares, vêm emitindo normas, instruções e en-
caminhando aos profissionais Fisioterapeutas e aos Terapeutas Ocupacio-
nais e as empresas registradas no CREFITO da respectiva jurisdição para 
prestação de serviços nos campos assistenciais da Fisioterapia e da Terapia 
Ocupacional, com os (as) quais mantêm convênios, contrários(as) à Lei Fe-
deral n.º 6.316 de 17.12.1975 e aos atos regulamentadores estabelecidos nas 
Resoluções do COFFITO, especialmente a COFFITO-10 (Código de Ética 
Profissional; a COFFITO-80 (Perfil de atuação do Fisioterapeuta); a COF-
FITO-81 (Perfil de Atuação do Terapeuta Ocupacional); a COFFITO-139 
(Das atribuições do Exercício da Responsabilidade Técnica nos campos as-
sistenciais da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional); e, se acolhidos, por 
partes desses profissionais e empresas, tornam os mesmos passíveis depu-
nibilidades, pela ilegalidade do ato;
Considerando que as Empresas de Saúde de Grupo, e similares, que prestem 
serviços ou atendimentos Fisioterapêuticos ou Terapêuticos Ocupacionais 
diretamente aos seus associados estão obrigadas a anotação no CREFITO da 
respectiva jurisdição, dos Fisioterapeutas e dos Terapeutas Ocupacionais 
por eles responsáveis, bem como, quando contratantes de serviços ou aten-
dimentos Fisioterapêuticos ou Terapêuticos Ocupacionais, por intermédio 
de terceiros, para os seus associados, estão obrigadas a exigirem a compro-
vação prévia dos registros dos seus contratados, quer pessoa física ou pes-
soa jurídica, perante o CREFITO da jurisdição, em cumprimento ao Art. 12 
e seu Parágrafo Único e ao Art. 13 da Lei Federal n.º 6.316, de 17.12.1975;
Considerando que o não acatamento às normas éticas e legais da atividade 
pelos profissionais Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, expõe a cli-
entela a uma assistência equivocada e não resolutiva, com evidentes riscos a 
evolução terapêutica e a integridade do próprio paciente;
Considerando que este Egrégio Conselho Federal tem como objetivo institu-
cional não permitir a violação do direito do cidadão e de assegurar à popula-
ção assistência à sua saúde nas áreas da Fisioterapia e da Terapia Ocupacio-
nal de forma ética e responsável, por profissionais qualificados e habilita-
dos, ou seja, o Fisioterapeuta ou o Terapeuta Ocupacional, conforme a res-
pectiva área de atuação, e por empresas registradas no CREFITO da respec-
tiva jurisdição para prestação de serviços nos campos assistenciais da Fisio-
178
terapia e da Terapia Ocupacional, sendo inadmissível que vontades subalter-
nas venham a violar os atos normativos emanados deste Egrégio Conselho - 
COFFITO,
RESOLVE:
Art. 1º : O Fisioterapeuta ou o Terapeuta Ocupacional que venha a fazer 
convênio com empresas de Saúde de Grupo, de Seguro Saúde, e similares, 
que acolha e cumpra normas, instruções e outras exigências contrários (as) 
aos atos regulamentadores estabelecidos nas Resoluções do Egrégio Conse-
lho Federal - COFFITO, consoante competência própria e exclusiva prevista 
no Inc. II, do Art. 5º da Lei nº 6.316, de 17.12.1975, especialmente, a Reso-
lução COFFITO-10 (Código de Ética Profissional); a Resolução COFFITO-
80 (Perfil de Atuação do Fisioterapeuta); a Resolução COFFITO-81 (Perfil 
de Atuação do Terapeuta Ocupacional); e a Resolução COFFITO-139 (Das 
atribuições do Exercício da Responsabilidade Técnica nos campos assisten-
ciais da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional), uma vez constatado, frente 
a ilegalidade do ato, responderá a processo ético-disciplinar.
Art. 2º : A empresa registrada no CREFITO da respectiva jurisdição para 
prestação de serviços nos campos assistenciais da Fisioterapia e da Terapia 
Ocupacional que venha a fazer convênio com empresas de Saúde de Grupo, 
de Seguro Saúde, e similares, que acolha e cumpra normas, instruções ou 
outras exigências contrários (as) aos atos regulamentadores estabelecidos 
nas Resoluções do Egrégio Conselho Federal - COFFITO, consoante com-
petência própria e exclusiva prevista no Inc. II, do Art. 5º da Lei n.º 6.316, 
de 17.12.1975, uma vez constatada a ilegalidade do ato, terá o seu registro 
cancelado pelo CREFITO da respectiva jurisdição, ficando proibida de 
anunciar e/ou prestar serviços nessas áreas da Saúde, independente da apli-
cabilidade de outras medidas legais cabíveis.
Art. 3º : - A empresa de Saúde de Grupo e similares, para prestação de ser-
viços ou atendimentos Fisioterapêuticos ou Terapêuticos Ocupacionais dire-
tamente aos seus associados ou mediante a contratação de terceiros, que não 
cumprir a Lei Federal nº 6.316, de 17.12.1975 e os dispositivos constantes 
da Resolução COFFITO-123 (D.O.U. de 17.04.91), fica proibida da presta-
ção desses serviços ou atendimentos ou fazer convênios nesses campos as-
sistenciais da Saúde.
Art. 4º : Os profissionais e as empresas abrangidos (as) nesta Resolução, já 
conveniados (as), com empresa de Saúde de Grupo, de Seguro Saúde, e si-
milares, terão o prazo de 60 (sessenta) dias para adequar-se ao presente ato 
normativo.
Art. 5º : O Conselho Regional – CREFITO, da respectiva jurisdição, nos 
termos do Inc. IV, do Art. 7º da Lei nº 6.316, de 17.12.1975, cumprirá e fará 
179
cumprir o disposto no presente ato normativo, sob pena de caracterizar 
omissão.
Art. 6º : Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revoga-
das as disposições em contrário
 
Responsabilidade Técnica
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIO-
NAL
D.O.U nº. 227 - de 26.11.92, Seção I, Pág. 16389/90
RESOLUÇÃO Nº. 139, DE 28 DE NOVEMBRO DE 1992.
Dispõe sobre as atribuições do Exercício da Responsabilidade Técnica nos 
campos assistenciais da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional e dá outras 
providências.
O Presidente do CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA 
OCUPACIONAL, no exercício de suas atribuições e cumprindo o delibera-
ção do Plenário em sua 61ª. Reunião Ordinária, realizada nos dias 17 e 18 
de novembro de 1992, na conformidade com a competência prevista no in-
ciso II do art. 5º., da Lei nº. 6.316 de 17/12/75, 
CONSIDERANDO que entre outras atribuições privativas nos campos da 
Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, compete ao Fisioterapeuta e/ou Tera-
peuta Ocupacional, conforme o tipo de assistência, dirigir ou assessorar tec-
nicamente serviços próprios destes tipos de assistência, em instituições pú-
blicas ou privadas, de qualquer natureza, sob qualquer título;
CONSIDERANDO que o exercício da responsabilidade técnica exigida 
para os serviços de Fisioterapia e/ou Terapia Ocupacional, isolados ou alo-
cados em clínicas, hospitais ou instituições outras, devem garantir que as 
práticas terapêuticas oferecidas a terceiros o sejam, dentro de critérios éticos 
e científicos válidos.
CONSIDERANDO que o responsável técnico tem obrigação de garantir a 
clientela, em seu respectivo campo de intervenção ético e científico, uma 
prática assistencial de validade científica comprovada, coerente com cada 
caso apresentado.
180
CONSIDERANDO o preceituado no código de ética profissional, é proibi-
do ao Fisioterapeuta e ao Terapeuta Ocupacional, em suas respectivas áreas 
de intervenção, permitir o uso de seu nome por consultórios, clínicas, hospi-
tais ou instituições outras, sem que neles compareça, exercendo com plena 
autonomia e responsabilidade, as atividades próprias da Fisioterapia e/ou 
Terapia Ocupacional, conforme o disposto nas Resoluções COFFITO-8, 
COFFITO-80 e COFFITO-81, ficando o infrator sujeito as penalidades ca-
bíveis inclusive, sob a ótica ético-disciplinar.
CONSIDERANDO que a ausência do profissional, durante os horários de 
atendimento, violenta o sentido da responsabilidade assumida perante a cli-
entela, é o mesmo passível de punibilidade pecuniária por desídia, omissão 
ou conivência, independente do aspecto ético-disciplinar.
CONSIDERANDO ser o responsável técnico, o legitimador ético e legal 
necessário para que consultórios, clínicas, hospitais e instituições outras, 
possam oferecer a comunidade, as práticas assistenciais da Fisioterapia e/ou 
da Terapia Ocupacional assim como, obter o necessário registro no Conse-
lho Regional da jurisdição (CREFITO), resolve:
Art. 1º. A responsabilidade técnica pelas atividades profissionais, próprios 
da Fisioterapia e/ou Terapia Ocupacional, desempenhadas em todos os seus 
graus de complexidade, em consultórios, clínicas, casas de saúde, hospitais, 
empresas e outras entidades, constituida ou que venha a ser constituida, no 
todo ou em parte, individualmente, em sociedade ou condomínio, inomina-
damente ou sob qualquer designação ou razão social, com finalidade lucrati-
va ou não, privada ou governamental, que ofereçam a população assistência 
terapêutica que inclua em seus serviços diagnose fisioterapêutica e/ou tera-
pêutica ocupacional, prescrição, programação e induçãodos métodos e/ou 
das técnicas próprias daquelas assistênciais, só poderá ser exercida, com ex-
clusividade e autonomia, por profissional Fisioterapeuta e/ou Terapeuta 
Ocupacional, de acordo com tipo de assistência oferecida, com registro no 
Conselho Regional da Jurisdição, em que esteja localizada a prestadora dos 
serviços.
PARÁGRAFO ÚNICO - A responsabilidade técnica somente poderá ser 
exercida por Fisioterapeuta e/ou Terapeuta Ocupacional em no máximo 2 
(dois) serviços, devendo o CREFITO da jurisdição manter controle próprio, 
através de livro, ficha ou sistema informatizado.
Art. 2º. O responsável técnico responderá perante o CREFITO, por ato de 
administração do agente empregador, que corroborar ou não denunciar e 
que concorra, de qualquer forma, para:
I - Lesão dos direitos da clientela.
II - Exercício ilegal da profissão de Fisioterapeuta ou da profissão de Tera-
peuta Ocupacional.
181
III - Não acatamento as disposições desta, de outras resoluções do COFFI-
TO bem como, às leis e outras normas emanadas dos CREFITOS.
Art. 3º. É atribuição do responsável técnico, garantir que durante os horári-
os de atendimento à clientela, estejam em atividades no serviço, profissio-
nais Fisioterapeutas e/ou Terapeutas Ocupacionais, em número compatível 
com a natureza da atenção à ser prestada.
Art. 4º. A responsabilidade técnica cessa pelo cancelamento, o qual é pro-
cessado pelo CREFITO, quando:
I - Solicitado, por escrito, pelo profissional ou pela empresa; ou
II - cancelada a inscrição do profissional ou registro da empresa; ou
III - Ocorrido o impedimento do profissional para o exercício da profissão; 
ou
IV - Transferida a residência do profissional, com ânimo definitivo, para lo-
cal que, a juízo do CREFITO, impossibilite ao mesmo o exercício da fun-
ção; ou
V - Deixar o profissional de cumprir, no prazo devido sua obrigação pecu-
niária junto ao CREFITO.
Art. 5º. A empresa, órgão, entidade ou instituição, deverá substituir o res-
ponsável técnico, no prazo máximo de 15 (quinze) dias, contados à partir da 
cessação da responsabilidade técnica anterior, estando impedido de oferecer 
estas práticas assistenciais se, no período não constar com a presença do Fi-
sioterapeuta e/ou do Terapeuta Ocupacional, de acordo com a assistência 
proposta.
Art. 6º. Ao profissional responsável técnico, que por desídia, omissão ou 
conivência, descumprir o preceituado no Art. 1º., Art. 2º. e seus incisos, Art. 
3º. e Art. 7º. e seus incisos desta resolução, será aplicada uma multa no va-
lor correspondente a 2 (duas) anuidades vigentes, na data da emissão da no-
tificação para recolhimento de multa.
PARÁGRAFO ÚNICO - Na reincidência, a multa será em dobro, ficando o 
profissional impedido de assumir responsabilidade técnica, independente de 
instauração de processo ético-disciplinar.
Art. 7º. É atribuição do profissional responsável técnico, observar que os 
estágios curriculares, sempre que oferecidos, o sejam de acordo com a Lei 
nº. 6.494/77, seguindo os seguintes critérios:
I - Só poderá ser realizado, com a interveniência, obrigatória, da Instituição 
de Ensino Superior.
II - Só poderá ocorrer a partir do 6º. período da graduação, por ser parte do 
ciclo de matérias profissionalizantes, consoante com a Resolução CFE nº. 
04/83.
III. Só poderá alcançar uma relação máxima de 1 (um) preceptor para 3 
(três) acadêmicos.
182
IV - A preceptoria de estágio curricular, nos campos assistenciais da Fisio-
terapia e/ou da Terapia Ocupacional, só poderá ser exercida, com exclusivi-
dade, por profissional Fisioterapeuta e/ou Terapeuta Ocupacional, conforme 
a área em que o mesmo ocorra.
Art. 8º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogada 
a Resolução COFFITO-127 de 26.11.1991 (D.O.U. de 10.12.91) e demais 
disposições em contrário.
 
Relação professor/aluno nos estágios
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIO-
NAL
RESOLUÇÃO Nº. 153, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1993.
(D.O.U nº. 247 - de 28.12.93, Seção I, Pág. 20925)
Inclui Inciso V, no Art. 7º., da Resolução COFFITO-139, de 18.11.1992 
(D.O.U. de 26.11.92), fixando a relação máxima de preceptor/acadêmico, 
quando o estágio curricular for promovido diretamente por Instituição de 
Ensino Superiores.
O Presidente do Conselho Federal De Fisioterapia e Terapia Ocupacional-
COFFITO, no exercício de suas atribuições e cumprindo o deliberado pelo 
Plenário em sua 64ª Reunião Ordinária, realizada nos dias 29 e 30 de 
novembro de 1993, na conformidade com a competência prevista no Inciso 
II, do Art. 5º., da Lei nº. 6.316 de 17.12.75,
CONSIDERANDO que o Inciso III, do Art. 7º. da Resolução COFFITO nº. 
139, de 18.11.1992 (D.O.U. de 26.11.92), ao fixar a relação máxima de 1 
(um) preceptor para três acadêmicos, não diferenciou a situação específica 
da Instituição de Ensino Superior - IES, quando promove diretamente o es-
tágio curricular, com preceptor do seus quadro docente, do estágio promovi-
do por outras entidades/instituições ou empresas estruturadas e legalizadas 
nos campos assistenciais de Fisioterapia e/ou Terapia Ocupacional, resolve:
Art. 1º.Incluir Inciso V, no Art. 7º., da Resolução COFFITO nº. 139, de 
18.11.1992 (D.O.U. de 26.11.92), para determinar que, a relação 
preceptor/acadêmico, quando o estágio curricular for promovido diretamen-
te por Instituição de Ensino Superior - IES, com preceptor do seu quadro 
docente, será de 1 (um) preceptor para um contigente máximo de até 6 (seis) 
acadêmicos.
Art. 2º.Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas 
as disposições em contrário.
183
Emissão de laudos, atestados e pareceres
RESOLUÇÃO Nº. 381/2010
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPA-
CIONAL
RESOLUÇÃO nº. 381, DE 03 DE NOVEMBRO DE 2010.
Dispõe sobre a elaboração e emissão pelo Fisioterapeuta de atestados, pare-
ceres e laudos periciais.
O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, no 
exercício de suas atribuições legais e regimentais, em sua 208ª Reunião Ple-
nária Ordinária, realizada no dia 03 de novembro de 2010, em sua subsede, 
situada na Rua Napoleão de Barros, nº. 471, Vila Clementino, São Pau-
lo-SP:
CONSIDERANDO suas prerrogativas legais dispostas na Lei Federal 6.316 
de 17/12/1975;
CONSIDERANDO o disposto na norma do parágrafo 1º do artigo 145, da 
Lei 5.869/73 e suas alterações;
CONSIDERANDO o disposto na norma da Resolução COFFITO nº 80, de 
09 de maio de 1987;
CONSIDERANDO o disposto na norma do artigo 5º da Resolução COFFI-
TO nº 123 de 19 de março de 1991;
CONSIDERANDO o disposto na norma da Resolução COFFITO nº 259, de 
18 de dezembro de 2003;
CONSIDERANDO o disposto na norma da Resolução do Conselho Nacio-
nal de Educação/CES nº 4 de 19/02/2002, que estabelece as diretrizes curri-
culares para a formação profissional do Fisioterapeuta;
Resolve:
Artigo 1º - O Fisioterapeuta no âmbito da sua atuação profissional é compe-
tente para elaborar e emitir parecer, atestado ou laudo pericial indicando o 
grau de capacidade ou incapacidade funcional, com vistas a apontar compe-
tências ou incompetências laborais (transitórias ou definitivas), mudanças 
ou adaptações nas funcionalidades (transitórias ou definitivas) e seus efeitos 
no desempenho laboral em razão das seguintes solicitações:
a) demanda judicial;
b) readaptação no ambiente de trabalho;
c) afastamento do ambiente de trabalho para a eficácia do tratamento fisio-
terapêutico;
184
d) instrução de pedido administrativo ou judicial de aposentadoria por in-
validez (incompetência laboral definitiva);
e) instrução de processos administrativos ou sindicâncias no setor público 
(em conformidade com a Lei 9.784/99) ou no setor privado e,
f) e onde mais se fizerem necessários os instrumentos referidos neste artigo.
Artigo 2º - Atestado trata-se de documento qualificado, afirmando a veraci-
dade sobre as condições do paciente, declarando, certificando o grau de ca-
pacidade ou incapacidade funcional com vistas a apontar as competênciasou incompetências (transitórias ou definitivas), habilidades ou inabilidades 
do cliente em acompanhamento terapêutico.
Artigo 3º - Parecer trata-se de documento contendo opinião do fisioterapeu-
ta acompanhada de documento firmado por este sobre determinada situação 
que exija conhecimentos técnicos/científicos no âmbito de sua atuação pro-
fissional decorrente de controvérsia submetida a alguma espécie de deman-
da, que não trata necessariamente de um indivíduo em especial. Portanto, 
significa emitir opinião, fundamentada, sobre aspectos gerais ou específicos 
da respectiva disciplina (Fisioterapia) em face do grau de capacidade ou in-
capacidade funcional, com vistas a apontar competências ou incompetências 
(transitórias ou definitivas), mudanças ou adaptações nas funcionalidades 
(transitórias ou definitivas) e seus efeitos no desempenho laboral objeto des-
ta Resolução.
Artigo 4º - Laudo Pericial trata-se de documento contendo opinião/parecer 
técnico em resposta a uma consulta, decorrente de controvérsia submetida a 
alguma espécie de demanda. É um documento redigido de forma clara, ob-
jetiva, fundamentado e conclusivo. É o relatório da perícia realizada pelo 
autor do documento, ou seja, é a tradução das impressões captadas por este, 
em torno do fato litigioso, por meio dos conhecimentos especiais que detém 
em face do grau de capacidade ou incapacidade funcional, com vistas a 
apontar as competências ou incompetências (transitórias ou definitivas) de 
um indivíduo ou de uma coletividade e mudanças ou adaptações nas funcio-
nalidades (transitórias ou definitivas) e seus efeitos no desempenho laboral.
Artigo 6° – Os casos omissos serão deliberados pelo Plenário do COFFITO.
Artigo 7° - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
185
Práticas integrativas e complementares
RESOLUÇÃO Nº. 380/2010
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIO-
NAL
RESOLUÇÃO COFFITO nº. 380, de 3 de novembro de 2010. (DOU nº. 
216, Seção 1, em 11/11/2010, página 120)
Regulamenta o uso pelo Fisioterapeuta das Práticas
Integrativas e Complementares de Saúde e dá outras providências.
O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, no 
uso das atribuições conferidas pelos incisos II e IX do art. 5º da Lei nº. 
6.316, de 17 de setembro de 1975, em sua 208ª Reunião Ordinária, realizada 
no dia 03 de novembro de 2010, em sua subsede, situada na Rua Napoleão 
de Barros, nº. 471, Vila Clementino, São Paulo-SP, considerando:
1) A institucionalização pelo Ministério da Saúde das Práticas Integrativas e 
Complementares de Saúde nos termos da Portaria Ministerial 971/2006;
2) O reconhecimento de sua relevância social pela Organização Mundial de 
Saúde (OMS);
3) A necessidade de fundamentá-las eticamente ao perfundi-las socialmente 
sob o manejo de profissionais de saúde regulamentados;
4) Que todas as ações elencadas no ato administrativo do Ministério da Saú-
de, estão incluídas no CBO/2002, revisado no ano de 2008, publicado em 
2009;
5) Que as Práticas Integrativas e Complementares de Saúde, em seus exatos 
termos, não concorrem com os atos profissionais previstos na reserva legal 
da assistência fisioterapêutica regulamentada;
6) Que o objeto social da assistência fisioterapêutica regulamentada está 
consolidado nos cuidados preventivos, diagnósticos e terapêuticos indicados 
para a superação dos distúrbios incidentes na saúde
cinesiológica funcional do indivíduo, intercorrentes em órgãos e/ou siste-
mas funcionais do corpo humano;
7) Que o fisioterapeuta é ator importante na promoção, na educação, na res-
tauração e na preservação da saúde.
8) Que a lei Nº 6.360, de 23 de setembro de 1976, o Decreto Nº 79.094, de 
5 de Janeiro de 1977 e demais legislação e registros da ANVISA que ver-
sam sobre os Fitoterápicos e suas restrições de prescrição, nos termos da 
RDC 138 de 29 de maio de 2003, resolve:
Artigo 1º- Autorizar a prática pelo Fisioterapeuta dos atos complementares 
186
ao seu exercício profissional regulamentado, nos termos desta resolução e 
da portaria MS número 971/2006:
a) Fitoterapia;
b) Práticas Corporais, Manuais e Meditativas
c) Terapia Floral;
d) Magnetoterapia
e) Fisioterapia Antroposófica;
f) Termalismo/ Crenoterapia/Balneoterapia
g) Hipnose.
Parágrafo primeiro: excluem-se deste artigo os procedimentos cinesiotera-
pêuticos e hidrocinesioterapêuticos componentes da reserva legal da Fisiote-
rapia regulamentada.
Parágrafo segundo: Considerar-se-á também autorizado ao fisioterapeuta à 
prática de todos os atos complementares que estiverem relacionados á saúde 
do ser humano e que vierem a ser regulamentados pelo Ministério da Saúde 
por meio de portaria específica.
Artigo 2º- O disposto nesta resolução não se aplica aos atos profissionais re-
conhecidos como especialidades fisioterapêuticas por instrumentos normati-
vos específicos do Coffito.
Artigo 3º- O Fisioterapeuta deverá comprovar perante o Coffito a certifica-
ção de conhecimento das práticas integrativas e complementares. Será habi-
litado nos termos desta resolução o Fisioterapeuta que
apresentar títulos que comprovem o domínio das Práticas Integrativas de 
Saúde objeto desta resolução. Os títulos a que alude este artigo deverão ter 
como origem:
a) Instituições de Ensino Superior;
b) Instituições especialmente credenciadas pelo MEC;
c) Entidades Nacionais da Fisioterapia intimamente relacionadas ás práticas 
autorizadas por esta resolução.
Parágrafo Único: Os cursos concedentes dos títulos de que trata este artigo, 
deverão observar uma carga horária mínima, devidamente determinada pelo 
COFFITO que consultará as entidades associativas da fisioterapia de âmbito 
nacional que sejam intimamente relacionadas ás práticas autorizadas por 
esta resolução, por meio dos seus respectivos Departamentos.
Artigo 4º- Os casos omissos deverão ser deliberados pelo Plenário do Coffi-
to.
Artigo 5º- Os efeitos desta resolução entram em vigor na data de sua publi-
cação, revogadas disposições em contrário.
187
Classificação Internacional de Funcionalidade, 
Incapacidade e Saúde - CIF
RESOLUÇÃO Nº. 370/2009
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIO-
NAL
RESOLUÇÃO Nº 370, DE 6 DE NOVEMBRO DE 2009
Dispõe sobre a adoção da Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) da Organização
Mundial de Saúde por Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais.
O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, no 
uso das atribuições conferidas pelo art. 5º da Lei nº. 6316, de 17 de setem-
bro de 1975, em sua 191ª Reunião Plenária Ordinária, realizada no dia 06 de 
novembro de 2009, em sua subsede, situada na Rua Napoleão de Barros, nº 
471, Vila Clementino, São Paulo- SP, Considerando os artigos 3º e 4º do 
Decreto-Lei 938/69;
Considerando a criação da Classificação Internacional de Funcionalidade, 
Incapacidade e Saúde (CIF) pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 
2001;
Considerando a resolução da OMS 54.21 que recomenda o uso da CIF pelos 
países membros;
Considerando o modelo multidirecional proposto na CIF que inclui os fato-
res ambientais e pessoais como determinantes da funcionalidade, da incapa-
cidade e da saúde;
Considerando as pesquisas atuais sobre o uso da CIF em Saúde Funcional;
Considerando que a CIF permite avaliar as necessidades funcionais das pes-
soas;
Considerando que a CIF pode servir como modelo para avaliação, acompa-
nhamento e determinação de tratamentos conduzidos por Fisioterapeutas e 
por Terapeutas Ocupacionais;
Resolve:
Art. 1º - O Fisioterapeuta e o Terapeuta Ocupacional adotarão a Classifica-
ção Internacional de Funcionalidade, incapacidade e saúde (CIF), segundo 
recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS), no âmbito de suas res-
pectivas competências institucionais.
PARAGRAFO ÚNICO: A Classificação de que se trata este artigo será uti-
lizada como:
a)ferramenta estatística - na coleta e registro de dados (e.g. em estudos da 
população e pesquisas

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