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3A - Língua Portuguesa- Roteiro de Estudo

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Roteiro de Estudo 
3A, 3B 
 
Espaço da literatura 
 
ZéliaGattai 
 
 Zélia Gattai nasceu em São Paulo - SP, no dia 02/07/1916. Em 1936, casou-se 
com Aldo Veiga, militante do Partido Comunista. Em 1945, separada do marido, 
passa a viver com Jorge Amado, a quem conhecera durante os preparativos de um 
comício em apoio a Luis Carlos Prestes. No ano seguinte, com a eleição do escritor 
para a Câmara Federal, se mudam para o Rio de Janeiro. Zélia conclui o curso de 
língua e civilização francesa, na Universidade de Sorbonne. Com a morte do escritor Jorge 
Amado, foi eleita para ocupar a cadeira n. 23 da Academia Brasileira de Letras, em 07/12/2001, 
vaga com o falecimento de seu marido. A escritora e memorialista faleceu no dia 17 de maio de 
2008. 
 
Zélia Gattai nasceu em São Paulo, em 2 de julho de 1916, filha dos imigrantes italianos Ernesto e 
Angelina Gattai. Passa sua infância e juventude no bairro de Paraíso, onde participa, junto com a 
família, do movimento operário influenciado por ideias socialistas e anarquistas, e organizado 
pelos imigrantes portugueses, espanhóis e italianos, que reivindicavam melhores condições no 
trabalho. 
Aos 19 anos, casa-se com Aldo Veiga, intelectual e militante comunista, com quem viria a ter um 
filho em 1942. Três anos depois, já separada e trabalhando na causa da anistia de presos políticos 
pelo Estado Novo, conhece o escritor baiano Jorge Amado durante o primeiro Congresso de 
Escritores Brasileiros. À semelhança de Zélia, Jorge também era engajado em causas políticas, 
como militante do Partido Comunista Brasileiro. Como o divórcio ainda não havia sido incluído na 
legislação da época, ela e o escritor passam a viver juntos. Em pouco tempo, Zélia assume a função 
de secretária de Jorge, datilografando e revisando suas obras. O relacionamento prolonga-se até 
a morte do escritor, em 2001. 
Em 1946, com o fim da ditadura Vargas, o casal muda-se para o Rio de Janeiro, devido à eleição 
de Jorge para a câmara do Distrito Federal como deputado. Contudo, apenas um ano depois, o 
Partido Comunista foi declarado ilegal, ocasionando a perda do mandato do escritor e o 
consequente exílio em Paris, onde permanece por três anos com a família. Além da França, 
passam por Itália, Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, China e Mongólia e URSS. 
Durante esse período, Zélia ingressa na Sorbonne, onde estuda Civilização, Fonética e Língua 
Francesa. Posteriormente, são obrigados a deixar o país por motivos também ideológicos. Desse 
modo, mudam-se para a Tchecoslováquia, onde permanecem entre 1950 e 1952. Nesse período, 
mais precisamente em 1951, nasce Paloma, a primeira filha do casal. Além disso, Zélia começa a 
se dedicar à fotografia, documentando momentos significativos da vida familiar e profissional do 
marido. 
Em 1952, retornam ao Brasil, passando a residir novamente no Rio de Janeiro, onde permanecem 
alguns anos, transferindo-se, em 1963, para Salvador. No mesmo ano, Zélia publica uma foto 
biografia do companheiro. A oficialização do casamento só ocorreria 13 anos depois, mais 
precisamente no dia 12 de maio de 1976. 
Em 1979, Zélia, então com 63 anos, publica sua primeira obra literária, Anarquistas, Graças a Deus, 
livro de memórias que recebeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária e foi adaptada 
posteriormente para a TV em uma minissérie dirigida Walter Avancini. 
Além disso, publicou Um Chapéu para Viagem (1982), Jardim de Inverno (1988), A Casa do Rio 
Vermelho (1999), Vacina de Sapo e Outras Lembranças (2005), todos de memórias, além do livro 
http://www.portugues.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=694
https://www.infoescola.com/historia/imigracao-portuguesa-no-brasil/
https://www.infoescola.com/brasil-republicano/estado-novo/
https://www.infoescola.com/literatura/jorge-amado/
https://www.infoescola.com/sociologia/exilio/
https://www.infoescola.com/historia/uniao-sovietica/
https://www.infoescola.com/historia/tchecoslovaquia/
infantil Pipistrelo das Mil Cores (1989) e o romance Crônica de uma Namorada (1995). Alguns de 
seus livros foram traduzidos para o espanhol, o italiano o francês, o alemão e o russo. 
Em 2001, após a morte de Jorge Amado, é eleita para a cadeira número 23 da Academia Brasileira 
de Letras, ocupada anteriormente pelo marido. A eleição, um tanto controversa, é apontada por 
alguns mais como homenagem a Jorge do que propriamente pelos méritos literários da autora. 
Em 2008, é internada com dores abdominais no Hospital Aliança, em Salvador, vindo a falecer em 
17 de maio do mesmo ano em decorrência do quadro clinico de choque circulatório irreversível. 
 
Os automóveis invadem a cidade 
Naqueles tempos, a vida em São Paulo era tranquila. Poderia ser ainda mais, não fosse a 
invasão cada vez maior dos automóveis importados, circulando pelas ruas da cidade; grossos 
tubos, situados nas laterais externas dos carros, desprendiam, em violentas explosões, gases e 
fumaça escura. Estridentes fonfons de buzinas, assustando os distraídos, abriam passagem para 
alguns deslumbrados motoristas que, em suas desabaladas carreiras, infringiam as regras de 
trânsito, muitas vezes chegando ao abuso de alcançar mais de 20 quilômetros à hora, velocidade 
permitida somente nas estradas. Fora esse detalhe, o do trânsito, a cidade crescia 
mansamente. Não havia surgido ainda a febre dos edifícios altos; nem mesmo o “Prédio Martinelli” 
– arranha-céu pioneiro em São Paulo, se não me engano do Brasil – fora ainda construído. Não 
existia rádio, e televisão, nem em sonhos. Não se curtia som em aparelhos de alta-fidelidade. 
Ouvia-se música em gramofones de tromba e manivela. Havia tempo para tudo, ninguém se 
afobava, ninguém andava depressa. Não se abreviavam com siglas os nomes completos das 
pessoas e das coisas em geral. Para que isso? Por que o uso de siglas? Podia-se dizer e ler 
tranquilamente tudo, por mais longo que fosse o nome por extenso – sem criar equívocos – e ainda 
sobrava tempo para ênfase, se necessário fosse. 
Os divertimentos, existentes então, acessíveis a uma família de poucos recursos como a 
nossa, eram poucos. Os valores daqueles idos, comparados aos de hoje, no entanto, eram outros; 
as mais mínimas coisas, os menores acontecimentos, tomavam corpo, adquiriam enorme 
importância. Nossa vida simples era rica, alegre e sadia. A imaginação voando solta, transformando 
tudo em festa, nenhuma barreira a impedir meus sonhos, o riso aberto e franco. Os divertimentos, 
como já disse, eram poucos, porém suficientes para encher o nosso mundo. 
Atividades 
1-)Como eram os carros? E o trânsito? 
2-) Como eram as construções? 
3-) Como era a vida das pessoas? E seus valores? Como se divertiam? 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://www.infoescola.com/literatura/academia-brasileira-de-letras/
https://www.infoescola.com/literatura/academia-brasileira-de-letras/
https://www.infoescola.com/cardiologia/choque-circulatorio/
CRÔNICA: O MENINO NO ESPELHO ( FERNANDO SABINO) 
 
 
 
 
 [...] 
 Levantava a perna, e ele levantava também, ao mesmo tempo. Abria os braços e ele fazia o 
mesmo. Coçava a orelha, e ele também. 
 Mas o que mais me intrigava era a única diferença entre nós dois. Sim, porque um dia descobri, 
com pasmo, que enquanto eu levantava a perna esquerda, ele levantava a direita; enquanto eu 
coçava a orelha direita, ele coçava a esquerda. Reparando bem, descobria outras diferenças. O 
escudo da escola, por exemplo, que eu trazia colado no bolsinho esquerdo do uniforme, na blusa 
dele era no direito. 
 Para testar, coloco a mão direita espalmada sobre o espelho. Como era de se esperar, ele ao 
mesmo tempo vem com sua mão esquerda, encostando-a na minha. Sorrio para ele e ele para 
mim. Mais do que nunca me vem a sensação de que é alguém idêntico a mim que está ali dentro 
do espelho, se divertindo em me imitar. Chego a ter a impressão de sentir o calor da palma da mão 
dele contra a minha. Fico sério, a imaginar o que aconteceria se isso fosse verdade. Quandovolto 
a olhá-lo no rosto, vejo assombrado que ele continua a sorrir. Como se agora estou absolutamente 
sério? 
 Um calafrio me corre pela espinha, arrepiando a pele: há alguém vivo dentro do espelho! Um 
outro eu, o meu duplo, realmente existe! Não é imaginação, pois ele ainda está sorrindo, e sinto o 
contato de sua mão na minha, seus dedos aos poucos entrelaçarem os meus. 
 Puxo a mão com cuidado, descolando-a do espelho. Em vez da outra mão se afastar, ela vem 
para fora, presa à minha. Afasto-me um passo, sempre a puxar a figura do espelho, até que ela se 
destaque de todo, já dentro do meu quarto, e fique à minha frente, palpável, de carne e osso, como 
outro menino exatamente igual a mim. 
 – Você também se chama Fernando? – pergunto, mal conseguindo acreditar nos meus olhos. 
 – Odnanref – responde ele, e era como se eu próprio tivesse falado: sua voz era igual à minha. 
 – Odnanref? 
 Sim, Odnanref. Fernando de trás para diante. Era em tudo semelhante a mim, menos em 
relação à direita e à esquerda, que nele eram o contrário, sendo natural, pois, que seu nome, isto 
é, o meu fosse ao contrário também. Por uma coincidência, Odnanref era o meu nome de guerra, 
na sociedade secreta Olho de Gato. 
 – Por isso mesmo – confirmou Odnanref, dando-me um tapinha nas costas e rindo, feliz: - Foi 
você que me desencantou, adotando o meu nome. Senão eu jamais teria vindo, pois a lei do mundo 
dos espelhos proíbe terminantemente que a gente venha ao mundo de vocês. A menos que alguém 
consiga desvendar o nosso encanto. O meu era esse, e você adivinhou. Eu só estava esperando 
que você me puxasse, como acabou de fazer. [...] 
https://1.bp.blogspot.com/-eAgb10M3P8I/XW7soHQvbCI/AAAAAAAAK2s/FHoRuAg7q74mvhWMU6aWa7QpeOXWEbXNgCLcBGAs/s1600/ESPELHO.jpg
 Deslumbrado com a perspectiva de ter alguém igual a mim, como um perfeito irmão gêmeo, 
eu não imaginava as dificuldades que iria enfrentar. A falta de minha imagem no espelho, por 
exemplo, era uma delas: me criava problemas para pentear os cabelos ou escovar os dentes sem 
poder me ver. 
 Combinamos que, a partir de então, ele me substituiria quando eu quisesse, mas jamais 
deveríamos ser vistos juntos. Ninguém poderia desconfiar de nossa existência dupla, pois com isso 
se acabaria o encanto, significando o seu imediato regresso, para todo o sempre, ao interior do 
espelho. 
 
De acordo com o texto, responda: 
 
01) Anteriormente você estudou que um texto pode ser visual, verbal ou multissemiótico. Observe 
as características do texto que acabou de ler e responda: Ele é verbal, visual ou multissemiótico? 
Explique. 
 
02) Ao se olhar no espelho, o menino vê sua imagem, isto é, seu reflexo. É normal que um espelho 
reflita imagens invertidas? 
 
03) Localize no texto o parágrafo que revela que o espelho reflete a imagem de maneira invertida 
e identifique um trecho que comprove essa afirmação. 
 
04) Releia o trecho a seguir. “Quando volto a olhá-lo no rosto, vejo assombrado que ele 
continua a sorrir. Como, se agora estou absolutamente sério?” 
 
a) O fato narrado nesse trecho surpreende o menino? Por quê? 
 
b) Identifique nesse trecho a frase que mostra o estranhamento do menino diante do outo que está 
dentro do espelho. 
 
05) No texto, o fato de a imagem do espelho ser a própria imagem do personagem, mas agir de 
outra maneira, possibilita uma relação entre o menino e o outro que está dentro do espelho? 
 
06) Mesmo agindo de maneira diferente, o outro que está dentro do espelho é o próprio menino e 
ele conversa com sua imagem. Responda: 
a) O texto narra um fato que pode acontecer na realidade ou é uma ficção, criada pela imaginação 
do autor? 
 
b) O que você achou da ideia de um personagem conversar com sua imagem refletida no espelho? 
Você já conhecia uma história assim? 
 
07) Indique a afirmativa que responde à seguinte questão: Qual foi a intenção do texto ao dar ao 
personagem uma possibilidade que não existe na vida real? 
(a) Mostrar que uma pessoa pode conversar consigo mesma diante do espelho. 
(b) Mostrar que é possível alguém se ver de uma maneira diferente. 
(c) Revelar que as coisas são vistas sempre do mesmo jeito. 
 
08) Releia este diálogo do texto: 
 “– Você também se chama Fernando? – pergunto, mal conseguindo acreditar nos meus 
olhos. 
 – Odnanref – responde ele, e era como se eu próprio tivesse falado: sua voz era igual à 
minha.” 
 
 Embora os diálogos aconteçam entre pessoas diferentes, o menino se reconhece no outro 
que está no espelho. Que trecho do diálogo confirma isso? 
 
	Roteiro de Estudo
	3A, 3B
	Os automóveis invadem a cidade
	Atividades
	CRÔNICA: O MENINO NO ESPELHO ( FERNANDO SABINO)

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