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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: OLIVEIRA, Luciano Amaral. 5 coisas que todo professor de português precisa saber. In: Coisas que todo professor de português precisa saber: a teoria na prática. São Paulo: Parábola Editorial, 2010. O capítulo intitulado 5 coisas que todo professor de português precisa saber, do livro Coisas que todo professor de português precisa saber: a teoria na prática, de Luciano Amaral Oliveira, vai tratar de cinco pontos básicos para a prática docente do profissional em Letras. Primeiramente, Oliveira questiona o ensino (nos cursos de graduação de licenciatura em letras) da teoria sem associação à prática, dizendo que esse ensino não pode ser unilateral num curso de formação de professores, pois estuda-se para a prática. Sendo assim, é necessário que os professores universitários façam essa ponte com os alunos durante as aulas. Em suas palavras “o professor precisa se conscientizar da necessidade de dominar determinados conhecimentos teóricos para poder tomar decisões fundamentadas no que diz respeito ao planejamento das aulas, à escolha das atividades a serem realizadas em sala, ao gerenciamento das aulas e ao processo de avaliação. Dessa forma, as cinco coisas que todo professor de português tem obrigação de saber são: o que é ensinar; o que é método de ensino; o que é língua; o que significa saber português; a razão pela qual se ensina português a brasileiros. Iniciando a discussão dessas questões, então, devemos conceituar o que é ensinar. De acordo com o autor, aprender e ensinar são termos que causam muita controvérsia quando se tenta defini-los, porque suas definições dependem da forma pela qual concebemos o ensino e a aprendizagem. Assim, dentre as concepções mais discutidas na psicologia da educação, destaca-se o inatismo, o behaviorismo e interacionismo. Qualquer uma dessas abordagens implica em ações pedagógicas distintas. Assim, o professor de português precisa ter conhecimento sobre cada uma delas e escolher a mais adequada, de acordo com seu ponto de vista e conhecimento, para planejar sua aula. Posteriormente, precisa-se ter consciência sobre o que é método de ensino. Oliveira conceitua o ensinar, sendo o ato de facilitar o aprendizado dos estudantes, o que significa que o professor precisa realizar ações concretas resultantes de um planejamento que pressupõe alguns princípios teóricos. Logo, ensinar é um método. Assim, os professores de português devem ter obrigação pedagógica de saber o que é um método de ensino. Há muitas conceituações sobre o que vem a ser um método e uma trazida pelo autor é de Richards e Rodgers (1994 [11986]), onde eles dizem que método é um conjunto de princípios teóricos, princípios organizacionais e ações práticas que norteiam a estruturação de um curso, o planejamento das aulas, a avaliação da aprendizagem e a escolha de materiais didáticos. Assim, o conceito de método é composto de três partes: a abordagem, o projeto e o procedimento. Outra coisa que o professor de português precisa saber, ou melhor, ter uma noção muito boa, é sobre o que é a língua. Oliveira defende que ter consciência de qual concepção de língua dá suporte à prática do professor, por isso é muito importante. Isso justifica-se, pois, a forma como o professor vê a língua determina a maneira como ele ensina português. Ela tem implicações diretas no planejamento das aulas, na escolha do material didático, na forma de avaliar a produção dos alunos e no reconhecimento dos dialetos trazidos por seus alunos para a sala de aula, por exemplo. Uma vez tendo uma noção bem firme sobre que vem a ser língua, é necessário ter noção sobre o que é saber português. Obviamente os alunos sabem português, afinal, essa é sua língua materna. Eles sabem se comunicar em português e não tem dificuldades para isso. Assim, a questão do ensino de português deve ir para o caminho da percepção de diferenças existentes entre as formas que as pessoas falam, sabendo que não tem nada a ver com a ideia de que determinadas formas de falar estão certas ou erradas. Assim, o ensino de português para falantes nativos têm a ver com as diferenças de comunicação e fala. Por último, mas não menos importante, questiona-se: para que ensinar português a brasileiros? Essa é uma resposta bem simples. Oliveira ressalta que, quando se chega à escola, no ensino fundamental, o estudante possui um determinado nível de competência para se comunicar e interagir na sociedade, fato que reforça a ideia de que ele sabe português. Porém, a problemática é que ele ainda não sabe como interagir em todas as situações sociais. Assim, é necessário ajudar o estudante a aprender a se comportar linguisticamente em diversas situações de interação social. Dessa forma, o ensino de gramática normativa não deveria ser o foco. Conclui-se, então, que o ensino de português serve para ajudar os estudantes a desenvolverem suas capacidades comunicativas.