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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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conhecimento básico, inofensivo, com 
o objetivo de civilizar o resto do planeta e assim promover o 
avanço dos capelinos no mundo primevo, caso se confirme a 
destruição da Grande Ilha e de seu legado de amor e sabedoria. 
Todos concordaram com as palavras de Násser. 
Criste, então, falou preocupada: 
— Daqui a cem anos estaremos em avançada idade e não 
poderemos empreender essa fantástica viagem. Certamente te- 
remos poucos anos mais de vida e não poderemos ser verdadei- 
ramente úteis, sendo que nem ao menos poderemos procriar nas 
novas terras. 
O cidadão atlante alcançava facilmente os cento e trinta 
anos de idade, em razão da existência regrada, liberta de vícios 
e a elevada qualidade de vida. O continente era liberto de po- 
luição e com uma selva controlada, onde os animais selvagens 
habitavam as zonas afastadas dos grandes centros populacio- 
nais. Além do mais, a medicina era avançada, e os habitantes 
não possuíam carma para queimar em doenças degenerativas. 
Násser caminhou de um lado a outro, meditativo, e falou: 
— Você tem razão, Criste! Essa viagem não é para nós, mas 
para os discípulos que deveremos orientar. Serão os capelinos 
de boa índole que iremos instruir e trazer-lhes a luz dos co- 
nhecimentos básicos de nossa civilização. Mesmo que eles se 
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rebelem, não possuirão conhecimento tão avançado que venha 
prejudicar as novas terras em que viverão. 
Atônis sorriu e disse, com seu estilo brando e amigável: 
— Concordo com a ideia, apesar de achar que essa fuga 
para outras terras não será necessária. Mas qual será o pensa- 
mento dos planos superiores sobre essa ideia? Será que eles de- 
sejam que o conhecimento atlante siga para terras primitivas? 
Naquele instante, surgiu do nada uma luz cristalina, e ma- 
terializou-se entre eles um espírito sublime que disse: 
— A inspiração divina está em vossos corações. Essa é a 
vontade dos planos superiores! Iniciai aprendizes que demons- 
trem o coração puro, mas dentro dos limites que eles deverão 
conhecer, para que não prejudiquem o restante do globo. A 
energia Vril, elemento de discórdia entre almas primárias, deve 
ser conhecida somente em sua mais simples aplicação. Nós es- 
taremos unidos ao vosso projeto e trabalhando com afinco para 
que ele se realize! 
Logo após, o espírito de luz se desmaterializou diante de 
nossos olhos. Nossos futuros pais não ficaram surpreendidos, 
pois essas aparições espirituais eram comuns na Atlântida do pe- 
ríodo pré-apocalíptico. Já nós dois ficamos bem impressionados. 
Em seguida, Násser abaixou a cabeça e, após, concluiu: 
— Se os espíritos responsáveis pela evolução da Terra es- 
tarão conosco de tal forma é porque realmente a chance de os 
capelinos vencerem suas tendências inferiores é bem remota. 
Atônis olhou para Násser e concordou, com um gesto 
amargurado. 
Em breve nossos pais casariam e teriam seus filhos. As por- 
tas para o mundo humano se abririam novamente para nós. Se- 
riamos submetidos a mais uma oportunidade de aprendizado, 
por intermédio da encarnação na escola evolutiva terrena, mais 
especificamente, na sutil dimensão de Atlântida, com o objetivo 
de nos tornarmos pessoas melhores e úteis para a grande obra 
de Deus. 
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A manhã estava belíssima e, apresentando um céu azul es- 
petacular, brindava-nos com sua beleza, enquanto magníficos 
raios solares surgiam no horizonte, para abençoar a vegetação 
exuberante da Atlântida Ocidental. 
A capital Posseidonis estava em festa. Era o dia de reveren- 
ciarmos o começo de mais um ano, entendido como o início de 
um novo dia, no momento em que o Astro-Rei despontava no 
horizonte, o que não ocorre nos dias atuais. O ano iniciava com 
o primeiro raio de Sol do primeiro dia da primavera. Éramos 
um povo essencialmente solar. 
Sempre de mãos dadas com Evelyn, eu observava, pela ja- 
nela de nosso veículo de deslocamento aéreo, a beleza das aves, 
sobrevoando, elegantes, as frondosas árvores que contornavam 
a colina do principal templo do Sol de toda a Atlântida, onde 
meu pai, Atônis, era sumo sacerdote. 
Eu olhei para minha bela noiva e disse-lhe: 
— Atônis deve estar radiante. Esse é o dia mais importante 
do ano para ele. 
Ela sorriu de forma afetuosa e falou, com sua voz suave, 
como música para meus ouvidos: 
— Sim, Andrey, para ele, o primeiro dia do ano é sempre 
muito especial. Lembro-me, até hoje, de sua emoção, quando 
nos abençoou em nosso primeiro ano como sacerdotes do Vril. 
As lágrimas corriam de seus olhos, denunciando toda a sua feli- 
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cidade por nos batizar em nosso início de carreira. 
Eu concordei com um gesto sereno e falei, enquanto acari- 
ciava sua pequena mão: 
— Lembro-me, também. Atônis queria que eu fosse um sa- 
cerdote do Sol, como ele, mas minha vocação para o Vril era 
indiscutível. Tua mãe, querida, a nobre Ártemis, nem precisou 
convencê-lo disso. Minha vocação para a ciência era indiscutí- 
vel. Não herdei a tendência de meus pais para a filosofia espi- 
rituai. 
Em Atlântida, a ciência, a arte, a filosofia e a refigião eram 
entendidas como provenientes de uma única fonte: Deus; por- 
tanto, todos os que se dedicassem a essas áreas eram conside- 
rados sacerdotes. 
Nós rimos das agradáveis lembranças de nossa adolescên- 
cia, enquanto desfrutávamos da bela vista aérea. Agora, já éra- 
mos jovens independentes, e, em breve, nosso casamento seria 
oficializado. 
Hoje, relembrando aqueles dias e mesmo considerando que 
éramos exilados de um mundo superior, em Capela, percebo 
o quanto fomos privilegiados. Creio que, de todas as encarna- 
ções que vivi na Terra, essa foi a que me proporcionou melho- 
res condições, em todos os sentidos: saúde, inteligência, beleza, 
conforto, boa formação familiar e excelente condição social e 
financeira. Tudo estava absolutamente ao meu favor. 
Acredito até que essa foi a vida em que fui mais belo, entre 
todas as que Deus me ofertou no planeta azul. Como filho de 
Atônis e Criste, herdei perfeita genética, oriunda da mais pura 
linhagem da raça branca de Posseidon. 
Eu era surpreendentemente parecido com meu pai, a ponto 
de os amigos brincarem, dizendo que eu era um clone dele (a ci- 
vilização atlante dominava perfeitamente essa técnica). Somen- 
te nossas personalidades eram diferentes. 
Como a velhice e a degradação física entre esse nobre povo 
só ocorria próximo aos cem anos de idade, nem parecíamos pai 
e filho, e, sim, gêmeos ou, então, apenas irmãos muito parecidos. 
Nossa maior diferença, quando estávamos fado a fado, 
eram nossas vestes. Efe usava os trajes sagrados de sumo sacer- 
dote do templo do Sol: uma túnica branca, com cordéis e ade- 
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reços dourados; sandálias em estilo semelhante ao grego, quase 
sempre da mesma cor dourada; seus colares solares também 
eram muito marcantes, sem contar o adorno na cabeça, que se 
assemelhava a uma coroa de ouro. Eu vestia uma roupa justa ao 
corpo, calças e blusas semelhantes às vestimentas atuais, porém 
mais confortáveis, sempre da cor bege e com o poderoso sím- 
bolo do Vril no peito. Nos momentos de lazer, usávamos vestes 
informais, mas a trabalho e em grandes celebrações vestíamos 
roupas que identificavam nossas atividades dentro da grande 
sodedade atlante. 
Assim como meu pai, eu era alto, tinha dois metros. Em 
Posseidon, raros homens mediam menos de um metro e no- 
venta centímetros de altura; e o tamanho médio dos homens 
era igual ao meu. Já as mulheres mediam em geral um metro e 
oitenta centímetros. 
Os atlantes do lado ocidental da ilha apresentavam predo- 
minantemente pele clara. Eu tinha a tez branca e possuía longos 
cabelos, bem lisos e louros; minha pele era absolutamente sem 
manchas e rugas; e meus olhos, de um azul brilhante, da cor do 
céi. Desde muito

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