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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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jovem, eles eram profundamente penetrantes 
e hipnóticos. Poucas pessoas não me fixavam o olhar, fascina- 
das. Meu rosto tinha traços delicados, sem perder a masculini- 
dade. Por vivermos em uma sociedade perfeita, não sofríamos 
as iuras ações da natureza. 
Meu corpo jovem e atlético, sempre vigoroso, aliado ao do- 
mínio do Vril, fazia de mim um dos mais cobiçados partidos 
de toda a Grande Ilha. Certamente eu era um belo exemplar 
de meu povo. Mas só tinha olhos para Evelyn, pois sempre fui 
completamente apaixonado por ela. Disso ela jamais duvidou. 
Ela tinha a pele bem clara, também; seus cabelos eram mui- 
to parecidos com os meus, porém castanhos claros, como seus 
olhos. Ela media em torno de um metro e oitenta centímetros de 
altura. Sua beleza delicada me fascinava. Aparentava ser frágil 
como um beija-flor, entretanto, algumas vezes, impressionava- 
me com sua determinação, semelhante à de uma águia. 
Eu a amava mais que tudo na vida. Adorava passar horas 
apreciando seus mais despretensiosos movimentos. Suas deli- 
cadas mãos acariciando o pelo macio dos gatos; seu andar ele- 
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gante, que representava a alegria da vida; tudo nela era mágico 
ao meu olhar. Dormir cheirando seus cabelos, para mim, era o 
paraíso na Terra. Sempre, antes de deitarmos, eu beijava seus 
olhos e agradecia a Deus por estarmos juntos. 
Sim, formávamos um lindo casal! 0 que mais dois rebeldes 
exilados de Capela poderiam desejar? Nada. Éramos plenamen- 
te abençoados. 
Além de toda a beleza natural que herdamos de nossos pais, 
ainda nos destacávamos pelo porte nobre e pelo poderoso título 
que ostentávamos: sacerdotes do Vril. Isso nos alçava a uma 
categoria especial dentro de nossa sociedade. Apesar de viver- 
mos em um sistema fundamentado na mais absoluta igualdade, 
nossa condição incomum nos rendia convites especiais. Éramos 
admirados e respeitados por toda a comunidade atlante, ainda 
mais por sermos filhos de nobres cidadãos que exerciam eleva- 
dos cargos de âmbito nacional. 
Os pais de Evelyn eram muito destacados. A bela e nobre 
Ártemis era vista como uma das principais sacerdotisas do Vril, 
de todos os tempos. Alguns diziam que não havia registro de 
uma mulher que dominasse o quinto elemento de forma tão 
abrangente, em toda a história do continente. E isso que as mu- 
lheres ocupavam o mesmo espaço dos homens. Não havia dis- 
tinção alguma com relação ao gênero, sendo muito comum as 
mulheres terem elevados cargos, inclusive no sacerdócio cientí- 
fico, assim como acontecia com Ártemis. 
As mais importantes decisões sobre a grande energia pas- 
savam por suas mãos, pois ela era um dos raros sacerdotes que 
podiam interagir com o grande conselho do Vril, composto por 
quatro anciãos, sendo um deles seu próprio pai. Já seu esposo, 
Násser, exercia atividades de alta relevância na administração 
de todo o continente. 
Meus pais e os de Evelyn haviam conquistado importante 
espaço dentro da sociedade atlante, desde aquele dia em que os 
conhecemos, antes de nossa encarnação na Grande Pirâmide. 
Estávamos chegando ao pico da colina, onde seria reali- 
zada a cerimônia de ano novo, quando olhei para o relógio da 
aeronave e disse à Evelyn: 
— Meu amor, ainda é cedo, vamos sobrevoar a região. Des- 
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de criança, sempre achei as encostas da colina do sol um dos 
locais mais belos de nossa terra. 0 tumulto da cerimônia, hoje, 
será desgastante. Vamos relaxar um pouco, antes do evento. 
Ela concordou e, então, com apenas um olhar, alterei as 
rotas gravitacionais da aeronave, que era impulsionada pela si- 
lenciosa energia Vril. Poucos atlantes possuíam esse poder. As 
naves eram todas idênticas, e ninguém tinha a posse delas. Os 
veículos eram de todos, ou seja, estavam sob a administração 
do governo. 
Após um atlante usá-lo, qualquer um poderia entrar na 
nave e partir com ela. Para isso, elas eram programadas para 
atender a rotas preestabelecidas. O usuário entrava no veículo e 
apenas mencionava em voz alta seu destino. A nave, então, ime- 
diatamente seguia o curso solicitado, avaliando as rotas mais 
adequadas e controlando o fluxo de outros veículos que cru- 
zassem seu caminho. Isso garantia a total segurança de todos e 
permitia que os passageiros se dedicassem a outras atividades, 
enquanto realizavam a viagem. 
Somente os sacerdotes do Vril ou pessoas que tinham rela- 
tivo domínio sobre a grande energia tinham como dirigir ma- 
nualmente o veículo. Eram exceções as aeronaves especiais de 
turismo, guiadas somente por pessoas autorizadas para seu uso 
manual. 
Raras vezes, intervínhamos no mecanismo automático de 
deslocamento. No entanto, naquele dia, resolvi quebrar a rotina. 
Planamos por trinta minutos pelos arredores da colina, para 
usufruir daquele espetáculo maravilhoso. 
A encosta possuía cascatas divinas. Além do mais, eu e Eve- 
lyn adorávamos ouvir os cantos dos pássaros e o som dos de- 
mais animais, ao amanhecer. Em determinado ponto do passeio, 
comandei a nave para ficar em estado estacionário, próximo a 
uma bela cachoeira, a oitenta metros de altura. Abrimos a porta 
principal da elegante aeronave e ficamos abraçados, respirando 
profundamente aquele ar puríssimo, levemente úmido, por cau- 
sa do vapor da queda d’água. 
As naves atlantes, movidas pelo Vril, não geravam nenhu- 
ma energia motriz para manterem-se em estado estacionário, 
assim como os helicópteros modernos. A inversão dos eixos gra- 
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vitacionais simplesmente as mantinha paradas no ar, como se 
estivessem no solo, no mais absoluto silêncio. Somente ouvidos 
bem treinados poderiam ouvir o sutil som da energia Vril per- 
correndo as centrais de força da aeronave, assim como ocorria 
nos corredores da Grande Pirâmide. Quando em movimento, só 
ouvíamos o som do atrito do vento na fuselagem. 
Eu, então, abracei Evelyn um pouco mais forte e disse-lhe, 
ao pé do ouvido: 
— O que posso querer mais? Nossa vida é absolutamen- 
te perfeita. Todos os dias, quando acordo, agradeço ao Espírito 
Criador por tantas dádivas. 
Ela concordou, com um meigo sorriso, enquanto retribuía 
o abraço. Ficamos assim por mais alguns segundos, como se 
nossa vida estivesse sendo embalada por uma música divina, 
até que completei: 
— Evelyn, eu creio que a amo mais do que a mim mesmo. 
Não sei o que seria de minha vida sem tê-la ao meu lado. Sinto 
grande tristeza quando a imagino longe de mim. Só de pensar 
em perdê-la, sinto um aperto no peito. Você parece ser mais im- 
portante do que o ar que respiro. 
Ela ficou séria e disse, com voz tensa: 
— Não diga isso, Andrey. Você sabe que o princípio divino 
que seguimos é amar ao próximo como a nós mesmos. Você 
deve amar-se acima de tudo, para poder irradiar a nossos se- 
melhantes o amor divino que brotar em seu coração. Ademais, 
fomos sempre ensinados a não ter apego a nada, nem a nin- 
guém. Nós estamos nesse mundo para evoluirmos, tornarmo- 
nos pessoas melhores, e não para saciarmos os anseios do ego 
humano. Sua mãe mesmo nos ensinou isso. Criste sempre diz 
para colocarmos nossos anseios pessoais em último lugar. Todo 
atlante deve viver para a sociedade, esquecendo-se de si mesmo. 
O desprendimento de Criste é tão grande, que ela mesma não 
fica enciumada por você tratar minha mãe como se fosse sua. 
Eu concordei, com um gesto confuso, e disse-lhe: 
— Sim, você tem razão. Mas não sei por que, às vezes, sinto 
essa fraqueza interior, como se a felicidade extrema pudesse fu- 
gir de minhas mãos. Em algumas noites tenho pesadelos. Criste 
já me falou sobre isso, ensinando-me que aquilo que mais te- 
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memos torna-se nosso maior inimigo na busca pela iluminação 
espiritual. Eu mesmo não compreendo esse medo. Parece que 
não sou digno dos méritos e privilégios

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