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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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poderia atrair meus olhares. Minha noiva era tão per- 
feita, aos meus olhos, que me completava totalmente. As outras 
mulheres de toda a humanidade eram para mim apenas irmãs, 
às quais eu desejava toda a felicidade do mundo. 
Dessa vez, Arnach estava acompanhado de Ariane, uma lin- 
da habitante da Atlântida Oriental. Ela possuía a pele vermelha, 
assim como os antigos egípcios. Seus sedosos cabelos negros e 
os profundos olhos indagadores provocavam verdadeiro fascí- 
nio em Arnach, que parecia não se cansar de novas experiências 
amorosas, escandalizando a velha geração de nosso país. ^ 
Ele também tinha sido nomeado sacerdote do Vril. Às ve- 
zes, eu me perguntava como ele conseguia manter a concentra- 
ção necessária para dominar o quinto elemento. Parecia que 
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sua mente estava sempre voltada para o sexo feminino. Três, 
em cada quatro palavras que mencionava, referiam-se à bele- 
za das mulheres, que sempre desejava conquistar. Ele vivia em 
eterno clima de desafio amoroso. Era bater o olho em uma nova 
mulher, e ali estava ele planejando como derrubar suas defesas 
e, assim, ceder aos seus encantos de conquistador. Poucos dias 
depois, ele se cansava e perdia todo o interesse. Parecia que ele 
não desejava encontrar o amor, e, sim, apenas sentir a adrena- 
lina do desafio da conquista, algo que, na época, eu encontrava 
dificuldade para compreender. 
Ele, então, sussurrou, de forma maliciosa, em meu ouvido: 
— Coisa linda, não é, Andrey? Preciso me conter para não 
me apaixonar. Ela mora muito longe. Mesmo com nossas rápi- 
das naves, não desejo ficar cruzando o continente a todo instan- 
te, para vê-la. 
Ele esboçou um discreto sorriso e complementou: 
— O pai de Ariane é governador de parte da região que 
faz fronteira com o portal oriental de acesso para o “mundo de 
dores”. Ele é responsável por várias excursões a esse mundo 
funesto. Isso me assusta. Quero distância daquela região. Além 
do mais, ele quer um bom casamento para a filha. Tenho que es- 
capar de suas garras, pois não almejo casar tão cedo. Há muita 
coisa boa para aproveitarmos nessa vida. 
A menção de Arnach ao “mundo de dores” atiçou novamen- 
te minha curiosidade. Já éramos adultos e ainda não conhecí- 
amos o restante do globo. A saída de Atlântida era algo que 
exigia autorização formal das autoridades, algo bem burocrá- 
tico. Olhei para Evelyn, confirmando nossa conversa anterior, 
e disse-lhe: 
— Não aguento mais de curiosidade para conhecer o “mun- 
do de dores”. Hoje mesmo falarei com meus pais sobre nossa 
ida. Fale com os seus também. Chega a ser irônico não termos 
realizado ainda essa viagem. Nossa profissão e nosso conhe- 
cimento nos autorizam a isso. Até mesmo alguns filhos de fa- 
zendeiros do interior já foram conhecer a esfera primeva, em 
absurdas viagens de turismo. 
Por diversas vezes havíamos pedido autorização para par- 
ticiparmos de alguma das expedições ao mundo primitivo da 
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Terra, mas sempre ouvíamos que não estávamos preparados. 
Esse era um de meus maiores desejos para o ano novo que se 
iniciava. 
Enquanto eu estava perdido em meus pensamentos, Evelyn 
chamou a atenção de Arnach para que ele se aquietasse, pois 
meu pai já tinha subido ao altar e estava de braços erguidos em 
direção ao Sol nascente. 
Mas, antes, não perdeu a oportunidade de censurá-lo: 
— Arnach, Ariane é a irmã caçula de Nereu. Ele não me 
parece muito amigável. Controle suas atitudes. Ouvi falar que 
Nereu tem um poder incomum sobre o Vril e tem o humor mui- 
to instável. Além disso, ele é muito amigo de Atlas, que assumiu 
este ano o cargo de administrador geral da Atlântida Oriental. 
Apesar de jovem, ele conquistou a confiança do conselho dos 
anciãos. 
O genioso galanteador sorriu discretamente e manteve-se 
em silêncio, em respeito a meu pai, que estava pronto para a 
cerimônia e aguardando a atenção de todos. 
O culto solar de Atlântida em nada se assemelhava aos ri- 
tuais dos povos primitivos do resto do mundo. Assim como ele 
faria no antigo Egito, na personalidade de Akhenaton, Atônis 
demonstrava que Deus não estava no Astro-Rei em si, mas se 
manifestava por intermédio dos raios solares, que são elementos 
criadores da vida. Da mesma forma que o Espírito Divino está 
presente em toda criação, alimentando-a e permitindo a vida, 
assim é com relação aos raios solares, sempre abençoando tudo 
e todos de forma indistinta. 
Éramos conhecedores profundos dos astros e sabíamos que 
todo o sistema planetário é regido por uma estrela, centro gera- 
dor da vida para vários mundos. A devoção ao Sol era apenas 
uma forma de reverenciar Deus, que se utiliza das estrelas como 
instrumentos mantenedores da vida, nas escolas planetárias. 
É interessante relatar, também, que Atônis personificou 
tão bem o culto aos raios solares como forma de adoração e 
reconhecimento do poder divino por intermédio do Sol que os 
antigos egípcios, herdeiros diretos dos atlantes, criaram, poste- 
riormente, a crença no deus Aton, que era uma abreviação do 
nome Atônis. Certamente, uma lembrança inconsciente de seus 
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seguidores em encarnações futuras. Séculos depois, ele próprio 
reencarnaria como o faraó Akhenaton, para reforçar a crença 
nesse deus secundário do panteão egípcio, que foi o passo ini- 
cial para devolver à humanidade (de forma definitiva) a crença 
monoteísta que havia se perdido, desde os tempos da antiga 
Atlântida, conforme relatamos no livro Akhenaton - A Revolu- 
ção Espiritual do Antigo Egito. 
Essas lembranças inconscientes são tão fortes que, no tem- 
plo do Sol da Atlântida, o Astro-Rei nascia entre duas monta- 
nhas. Quando Akhenaton estava procurando um local para fun- 
dar sua nova capital, viu esse mesmo quadro místico na região 
hoje conhecida como Tell-el-Amama, no Egito. Lá construiu a 
fabulosa cidade de Akhetaton, que revolucionou o mundo por 
fugazes trinta anos. 
Atônis se manteve, então, em silêncio, com os braços aber- 
tos e de costas para todos nós, porém voltado para o Sol, que 
despontava no horizonte. Suas vestes brancas e os adornos 
dourados ficaram misticamente iluminados ao contato com os 
primeiros raios solares da manhã; seu belo rosto, emoldurado 
por longos cabelos louros, pareceu transformar-se, no momento 
em que ele elevou aos céus uma súplica íntima ao Criador dos 
mundos. 
Naquele dia, e só naquele, os raios solares atingiam uma 
escultura de cristal de dois metros de altura, que retratava uma 
mulher grávida. Em seu ventre, em vez de uma criança, via-se 
uma magnífica pirâmide, que somente naquele dia e horário 
irradiava diversos matizes de cores, em contato com o Sol ma- 
tutino. Esse fenômeno durava pouco mais de uma hora e sim- 
bolizava o início de mais um ano. Era algo lindo de se observar. 
A construção daquela escultura era mais uma das fantás- 
ticas aplicações do Vril. Lapidar uma pirâmide dentro de ou- 
tra escultura, sem tocá-la, somente um habilidoso sacerdote do 
quinto elemento poderia realizar tal feito. A idade daquela es- 
cultura também era secular, assim como a chama de Antúlio. 
Vale relatar, também, que a palavra “Deus”, na antiga lín- 
gua atlante, era unissex, representando o masculino e o femi- 
nino. As mulheres geravam a vida, então, todo atlante dava es- 
pecial atenção à natureza feminina do Criador, ou seja, o Todo 
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Poderoso era visto como Deusa, em alguns momentos, e Deus, 
em outros. Nesse momento, Atônis estava reverenciando a Deu- 
sa que gerava a vida, em seu pleno aspecto feminino. 
Já nos primeiros segundos em que os raios solares atingi- 
ram a escultura, provocando o fenômeno de cores já relatado, 
Atônis passou a falar com sua voz doce e eloqüente. Sua devo- 
ção ao Espírito Criador sempre foi aigo que muito me emocio-

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