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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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nou. 
— Criadora da Vida, Senhora de todos os mundos. Mais 
uma vez se manifesta aqui, aos nossos olhos, um símbolo de Teu 
poder magnânimo. As forças que manipulas no macrocosmo 
representamos aqui em nosso pequeno símbolo de Teu poder 
criador. Sabemos que Tu, nossa Mãe, geras a vida e a alimentas, 
assim como nós. Teus filhos, fazemos com nossas crianças, des- 
de o homem até os animais, nossos irmãos menores. 
Nesse momento, alguns harpistas e violinistas passaram a 
tocar, em seus instrumentos, uma meiodia divina, que encantou- 
nos todos, enquanto Atônis prosseguia com sua oração divina. 
— Senhora da Vida, abre nossos olhos para percebermos 
sempre a beleza das pequenas coisas que vemos na natureza e o 
quão é importante mantermos a harmonia da obra que criaste. 
Nós dominamos a tecnologia do Vril, manipulamos a Tua obra 
criadora, por meio da engenharia genética, aperfeiçoando nossa 
forma de manifestação física. Atingimos o saber, mapeamos a 
vida, mas, em nenhum momento, esquecemos que tudo isso nos 
foi permitido por Tua infinita bondade. Caso contrário, nada 
disso nos seria possível. Também não esquecemos que o avanço 
deve ocorrer sempre em harmonia, jamais provocando destrui- 
ção ou desarmonia. Permite-nos, ó, Grande Mãe, que jamais 
nos escape da memória que o progresso deve trilhar o caminho 
do amor. 
Atônis manteve-se em silêncio por alguns instantes e ficou 
observando o disco solar no horizonte. Em seguida, voltou-se 
para nós e passou a examinar o público presente. Eu estranhei 
aquele procedimento. Meu pai parecia estar nos suplicando 
algo, no imo de sua aima. Em seguida, vi duas grossas lágrimas 
correndo em seus olhos e apertei firme a mão de Evelyn. Senti 
um aperto no peito. O que estava se passando com Atônis? Ele, 
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então, esclareceu-nos: 
— Desculpem-me, meus irmãos, por essa minha demons- 
tração exterior que não condiz com o momento. Mas meu co- 
ração sofre com os rumos que nossa sociedade está seguindo. 
Quero aproveitar esse instante, em que essa cerimônia está sen- 
do transmitida para os sessenta e quatro miihões de habitantes 
de nosso país, para expor minhas preocupações. Mais um ano 
se inicia, e, a cada novo ano, vemos que nosso povo está perden- 
do seus valores. Todos nós sabemos que uma nova humanidade 
está reencamando neste paraíso que chamamos terra de Possei- 
don. Os pais precisam saber orientar seus filhos, para que eles 
também consigam perceber a importância de amar e proteger 
sua terra e seus semelhantes. As novas gerações trarão em seus 
corações dúvidas e dilemas internos de suas vivências anterio- 
res do mundo em que vieram. O inconsciente de nossos filhos 
está povoado de pequenos dramas, que nem mesmo eles sabe- 
rão interpretar. Cabe-nos dedicar-lhes muito amor e orientá-los 
a vencerem tendências que, algumas vezes, podem ser mais for- 
tes do que eles mesmos. 
Enquanto meu pai falava, percebi minha mãe, Criste, sen- 
tada elegantemente ao seu lado, de pernas cruzadas e com seu 
porte nobre, digno de uma rainha, olhando-me com carinho, 
como se estivesse depositando em mim toda a esperança de que 
eu correspondesse às palavras de meu pai. Atônis era um gran- 
de homem, um idealista como poucas vezes o mundo conheceu, 
um coração de ouro, ou melhor, de oricalco! 
Eu olhei para Criste com firmeza e lhe disse, telepatica- 
mente: 
— Pode confiar em mim! 
Ela sorriu e respondeu-me da mesma forma: 
— Eu sei que posso, meu amado filho. 
Os atlantes tinham bastante facilidade para se comunicar 
por pensamento, principalmente com seus afins. Mãe e filho ti- 
nham, então, capacidade de realizar isso a quilômetros de dis- 
tância, sem contato ocular. 
Atônis abaixou os braços, estendeu as palmas das mãos 
para o público à sua frente e disse, sorrindo: 
— Talvez eu esteja me preocupando demasiadamente. La- 
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mento por esse imprevisto na cerimônia, mas algo dentro de 
mim me dizia que eu deveria falar-lhes sobre isso. Vamos, então, 
orar à Grande Deusa e encerrar as festividades. E que esse novo 
ano seja de grandes realizações para todo o nosso povo! Que a 
Senhora da Vida nos abençoe! 
Enquanto meu pai prosseguia com suas exposições, per- 
di-me em meus pensamentos. Olhei para Arnach e os demais 
amigos de minha geração e comecei a analisar nosso compor- 
tamento e compará-lo com o de nossos pais. Seria somente um 
conflito de gerações? Impetuosidade dos jovens? Sim! Éramos 
diferentes deles. Parecia-me que eles eram mais devotados a 
Deus e aos valores da alma. Eles ouviam de forma mais clara e 
intensa a “voz interior”. Entre os jovens, muitos colocavam isso 
em segundo plano, até mesmo por não terem a profundidade 
espiritual necessária. 
Decididamente, nossos pais eram espíritos nobres, senhores 
de si, enquanto nós possuíamos um imenso “porão” de traumas 
interiores que desconhecíamos. A nova geração de Atlântida era 
como os icebergs dos mares gelados do norte. Tínhamos uma 
gigantesca área inconsciente submersa em nossas mentes, que 
não sabíamos reconhecer, nem dominar. 
Assim, aquele mesmo medo interior que eu havia narrado 
a Evelyn, antes de chegarmos à cerimônia, tomou-me de assal- 
to repentinamente. Em meu pensamento ecoava: “O que será 
isso? Por que tantas perguntas sem respostas? Por que Atô- 
nis e Criste parecem ser tão resolvidos, enquanto eu e meus 
amigos parecemos tão instáveis e suscetíveis às paixões? O que 
era Arnach e sua estranha instabilidade emocional? E Atlas, 
então, que preocupava cada vez mais os anciãos da capital por 
causa de seu gênio instável, lá na Atlântida Européia? Por sua 
vez, Gadeir demonstrava perigosa ambição política no lado oci- 
dental da Grande Ilha. Ele era diplomático e gentil, mas todos 
sabiam que aspirava ao mesmo que Atlas: o poder absoluto!”. 
Muitas perguntas povoavam minha mente, e eu não encontrava 
as respostas. 
Além disso, havia a questão da supremacia dos atlantes 
sobre a nova geração. Eles eram mais completos e perfeitos; 
tanto nos esportes como em todas as áreas, mostravam maior 
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destreza e equilíbrio. Desde uma simples dança, passando por 
atividades esportivas e terminando na competência profissio- 
nal. Em tudo eles sempre eram superiores. 
Eu e meus amigos, pelo menos, tínhamos grande habilida- 
de com o Vril, o que diminuía esse sentimento de rancor. Já os 
milhões de habitantes comuns da nova geração nem isso pos- 
suíam, eram seres medíocres, que não se destacavam dentro da 
perfeita sociedade atlante, o que agravava seu sentimento de 
inferioridade. 
Isso, para espíritos exilados por sua arrogância, era algo 
muito amargo para digerir. Não foram poucas as vezes que vi a 
nova geração olhando com preocupante despeito para os atlan- 
tes da era de ouro. Os atlantes-capelinos irradiavam discreta 
raiva, que passava despercebida. 
Inclusive, invejávamos seu lento processo de envelhecimen- 
to. Alguns pareciam tão jovens quanto nós, mesmo tendo vinte 
ou trinta anos a mais. Nossas almas imperfeitas aceleravam o 
processo degenerativo dos perfeitos corpos que recebíamos de 
nossos pais, ao ingressar na vida física. 
Lembro-me, como se fosse hoje, do dia em que perdemos 
o campeonato de um esporte muito parecido com o voleibol 
para um time de atlantes da era de ouro. Eles eram bem mais 
velhos que nós, mas demonstravam incrível destreza, resistência 
e equilíbrio para vencer, enquanto nos desesperávamos, vítimas 
de nossa ansiedade descontrolada e imperícia. 
No final da partida, Ryu, ofegante, com as mãos sobre os 
joelhos, olhou para nós e falou, em tom de fracasso: 
— Não adianta lutarmos, eles são superiores a nós. São 
como garças elegantes, enquanto nós parecemos patos desajei- 
tados. 
Aquela triste declaração de Ryu desmoronou nossos egos. 
Caímos de joelhos no chão e reconhecemos

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