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Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

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nossa inferiorida- 
de. Essas experiências, em nossa adolescência, marcar-nos-iam 
profundamente, precipitando-nos ao despenhadeiro, nos mo- 
mentos críticos de nossas existências. E assim ocorria, em todas 
as esferas, com todos os atlantes-capelinos. 
Os atlantes da era de ouro eram espíritos mais evoluídos, 
porém não perfeitos. Nem percebiam nosso triste estado de es- 
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pírito, após as contínuas derrotas, assim como nos diversos mo- 
mentos em que ficava evidente sua superioridade em relação a 
nós. Se eles tivessem observado isso, durante todo o processo de 
transição para o novo ciclo, talvez pudessem ter-nos auxiliado a 
vencer nosso ego arrogante e vaidoso, mudando o triste destino 
do continente perdido. 
Entretanto, o que passou não pode ser mudado. Devemos 
apenas aprender com nossos erros e construir um novo futuro. 
Eles eram professores e também aprendizes. Assim é a vida: 
aprendemos uns com os outros; os mestres com os alunos e 
vice-versa. 
Assim, quando dei por mim, a cerimônia já estava sendo 
encerrada. Ao ver meu pai abraçando e beijando minha mãe 
com imenso carinho, corri para eles, como fazia quando era ape- 
nas uma frágil criança. 
A expressão de felicidade deles ao ver-me dessa forma, tão 
espontânea, foi algo inesquecível. Atônis ficou ainda mais con- 
tente, porque isso corroborava a importância de suas palavras 
anteriores: educar bem os filhos, ou seja, mostrar-lhes o verda- 
deiro amor, para que, no futuro, tomassem-se dignos atlantes. 
Quem me dera pudesse ser motivo de orgulho para eles, durante 
toda a vida! 
Terminada a cerimônia, todos nos dirigimos para uma am- 
pla área verde, anexa ao templo da colina do sol, e lá se inicia- 
ram as festividades com música e dança, para recebermos o 
novo ano. Em poucos minutos, a extrovertida juventude atlante 
já estava dançando e cantando, em meio àqueia exuberante na- 
tureza. Entre as árvores, em um befo dia de Sol, todos sorriam, 
refletindo perfeitamente o que era a vida na Atlântida: paz, 
amor, alegria e felicidade. 
Próximos às mesas com frutas e belas decorações, os sábios 
fiiósofos conversavam com os administradores da Grande Ilha 
sobre os rumos que nossa pátria deveria seguir, para atingir 
qualidade de vida superior e sobre os projetos para desenvolver 
as comunidades do mundo primevo, na terceira dimensão da 
Terra. 
Já os jovens como nós, ainda com a cabeça despreocupa- 
da dos problemas da vida, mas sem descuidarmos de nossas 
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responsabilidades, brincávamos e dançávamos, com um brilho 
apaixonante no olhar e com um largo sorriso no rosto. 
Eu e Evelyn adorávamos dançar. Se os amigos deixassem, 
ficaríamos por horas naquele mundo só nosso: olho no olho, 
mãos unidas, corpos próximos, em uma magnífica troca de 
energias sublimes. Somente quem um dia encontrou uma pes- 
soa verdadeiramente especial em sua vida pode mensurar o que 
estou narrando. 
Com um olhar sincero e seguro de meus sentimentos, olhei 
profundamente nos olhos de Evelyn e disse-lhe: 
— Estou a meio caminho do paraíso. 
Desde criança eu lhe dizia isso, época em que nossos cora- 
ções descobriram que havíamos nascido um para outro. Sabía- 
mos, pelas informações de nossos pais, que éramos exilados de 
Capela e tínhamos perdido o paraíso em um mundo superior. 
Eles nos estimulavam a recuperar essa condição. Então, eu sem- 
pre falava à Evelyn que eu estava a meio caminho do paraíso, 
lutando para ser melhor a cada dia. E somente o fato de estar ao 
seu lado já era meio caminho andado para chegar lá. 
Ela, então, sorriu e falou-me: 
— Hoje é um dia tão maravilhoso, que já me sinto lá. Viver 
ao teu lado é o próprio paraíso! 
Abraçamo-nos em completa felicidade e caminhamos rapi- 
damente pelo gramado verdejante, até o outro extremo da festa, 
realizando brincadeiras com os amigos e abraçando todos. Os 
atlantes sempre foram alegres e simpáticos. A Atlântida da épo- 
ca de ouro era realmente o paraíso na Terra. 
As belas moças atlantes, com seus encantadores vestidos 
brancos, tal qual a pureza de suas almas, cativavam todos. Elas 
calçavam delicadas sandálias, que realçavam ainda mais a be- 
leza de seus pezinhos, dignos das mais sedutoras fadas do ima- 
ginário popular. Tiaras ricamente floridas prendiam os sedosos 
cabelos das lindas atlantes, que dançavam com desenvoltura e 
graça. A pele imaculada, resultado de alimentação basicamente 
oriunda dos raios solares, oxigênio, água e frutas leves, tomava- 
as ainda mais angelicais. E, quando sorriam... Ah! Era um raio 
de luz, pois sua dentição perfeitamente alva, aliada ao brilho 
dos olhos, geralmente azuis ou verdes, revelava-as mais belas do 
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1 
que uma pintura dos mais renomados artistas da Terra. 
Tanto as louras da raça branca como as morenas da raça 
vermelha eram deslumbrantes. Nesses instantes, eu até ficava 
com pena de meu amigo Arnach. Ele parecia uma criança den- 
tro de uma loja de doces. 
Eu e Evelyn nos divertíamos com seu olhar perdido, mesmo 
na companhia da belíssima Ariane. Não foram poucas as vezes 
que ela teve de chamar-lhe a atenção por causa de seu olhar 
vago e perdido, em vez de concentrar-se na conversação com 
ela, aquela deslumbrante mulher. 
Os rapazes eram também muito elegantes, geralmente ves- 
tiam túnicas brancas e discretas, ou, então, confortáveis calças e 
blusas, assim como nos dias atuais, porém feitas de tecido mais 
elástico, privilegiando o conforto. 
Nossos longos cabelos pouco nos diferenciavam das mulhe- 
res. Éramos uma raça andrógina. Tanto homens como mulheres 
eram muito parecidos. Tínhamos poucos pelos no corpo, cabe- 
los muito lisos e longos e uma constituição física delicada. 
O que diferenciava os homens das mulheres eram basica- 
mente os órgãos sexuais. Além disso, éramos mais fortes. Não 
muito, pois o domínio do Vril fazia praticamente nulas as ativi- 
dades que exigiam esforço físico em Atlântida. Assim, desenvol- 
víamos a musculatura apenas para atividades esportivas. 
As mulheres também tinham delicadeza especial e corpo 
com curvas sedutoras, semelhante às das mais belas da atu- 
alidade. A diferença é que elas não usavam isso para seduzir; 
os homens também não eram vulgares, sabiam a beleza que se 
escondia por baixo dos elegantes vestidos de suas pretendentes. 
O amor entre os atlantes residia mais no olhar do que nas 
formas do corpo. Nós nos atraíamos peios espelhos da alma: 
os olhos. A mulher mais sedutora era aquela que sabia melhor 
projetar, usando o olhar, a imensa beleza que morava em sua 
alma. Em resumo: as mulheres eram fadas, e os homens pare- 
ciam elfos da mitologia escandinava. 
Mas nem tudo era alegria. Evelyn, às vezes, deparava-se 
com o olhar carregado de inveja de Electra, que também era sa- 
cerdotisa do Vril, contudo, desprezava os ensinamentos crísticos. 
Ela parecia concentrar em si somente sentimentos negativos, e 
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todos que cruzavam seu caminho eram vistos como inimigos. 
Desde muito cedo, ela preocupava os mestres da velha geração, 
que observavam seus passos tortuosos com especial atenção. 
Electra tinha obsessão por mim, e não apenas por causa de 
minha beleza, ela admirava meu poder especial sobre o Vril e 
minha elevada posição social. Além disso, desejava um bom ca- 
samento, e Evelyn lhe era um indesejável obstáculo. Logo per- 
cebi que minha noiva se fragilizou com o olhar cruel de Electra 
e disse-lhe: 
— Não dê atenção a isso, meu amor. Você sabe que só tenho 
olhos para você. 
Ela concordou, com um gesto sereno. 
— Sim. Eu confio em você, mas é impossível não se sentir 
desconfortável com a pesada energia que ela me dirige. Como 
alguém pode ter tanto ódio no coração? 
Olhei, então, com desprezo para Electra, e ela irradiou-me 
um sentimento de raiva

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