A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
262 pág.
Atlantida no Reino da Luz - Roger Bottini Paranhos

Pré-visualização | Página 6 de 50

sempre muito im- 
portante para mim, um verdadeiro amor. Apenas teu passado 
te convoca a resgates mais difíceis, ao contrário de mim, que 
sempre fui mais regrada e tive uma vida de menor exposição. Tu 
sempre foste rebelde; genial, mas rebelde... 
Segurei firme em sua delicada mãozinha e disse-lhe, com a 
garganta asfixiada pelas lágrimas: 
— Foi na Atlântida, não é? Ali começou meu calvário. 
Ela afirmou com um gesto delicado com a cabeça e disse, 
tentando auxiliar-me a iniciar o processo de regressão de me- 
mória àquele período distante da história da humanidade: 
— Sim... A terra do Vril teve impacto significativo em tua 
caminhada. O poder que exercias sobre o “quinto elemento” 
Atlântida - No reino da luz 25 
levou-te à caminhada tortuosa de que agora te recuperas. Será 
bom tu narrares conforme tua ótica. Hermes tem razão... Her- 
mes sempre tem razão... Isso te ajudará a quebrar bloqueios 
que estão nas regiões mais profundas de teu inconsciente. Será 
como uma salutar terapia de regressão a vidas passadas, que 
permitirá a ti dar um grande salto na expansão de tua consci- 
ência. Compreenderás melhor o mundo e os homens e assim te 
tornarás mais habilitado para cumprir tua missão na Terra. 
Eu concordei com um significativo olhar e disse: 
— Aceito o desafio! Contigo ao meu lado, vencerei mais 
essa etapa. Tenho confiança em ti. Tu és grandiosa, porque nada 
te impede de ver o lado bom das coisas e das pessoas. Tu és uma 
mulher muito especial, realmente rara neste mundo. Ao lado de 
um grande homem deve existir sempre uma grande mulher. Sou 
feliz por ter tido a honra de ter sido teu esposo em mais de uma 
oportunidade. Talvez eu seja abençoado por Deus ainda nessa 
existência para encontrar uma mulher que tenha tanta nobreza 
de caráter quanto tu. Caso contrário, caminharei só. Acima de 
tudo deve estar o ideal, pois, como tu mesmo disseste, minha 
vida não é minha! Não estou aqui para viver uma vida voltada 
para meus interesses, mas sim para fazer vencer o grande proje- 
to: instaurar o Universalismo Crístico na Terra. 
Crystal ficou feliz com minha determinação e acrescentou: 
— Sim! O Universalismo Crístico precisa ser estabelecido 
na Terra. Tudo o mais é secundário, comparado a isso. É uma 
imensa responsabilidade que está em tuas mãos. Mas estamos 
contigo. Tem a certeza disso. 
Eu concordei com um gesto discreto. Ela sorriu, então, com 
seu jeito doce, quase infantil, e falou: 
— Tu te lembras de quando viemos do sistema de Capela, 
na Constelação do Cocheiro? Nossa, parece que foi ontem! 
Eu sorri, meditando sobre suas palavras, enquanto apre- 
ciávamos o Sol descendo em direção à linha do horizonte, em 
meio ao oceano. 
— Sim, parece que foi ontem... Doze mil anos atrás... Tu 
poderias já ter regressado para lá. Alcançaste e até mesmo ul- 
trapassaste o avanço espiritual necessário para regressar, no 
entanto, ficaste aqui entre nós, da mesma forma que Hermes 
26 Roger Bottini Paranhos 
decidiu abandonar a migração para um mundo superior com os 
atlantes da fase de ouro do continente perdido. 
Ela segurou minha mão e falou: 
— Nosso lar é onde está nosso coração. Somos cidadãos do 
Universo. As experiências nas escolas planetárias são apenas 
momentos efêmeros diante de nossa vida eterna. Tríade, no sis- 
tema de Capela, foi nosso lar, mas agora a Terra, o planeta azul, 
é quem reclama nossa atenção. E é aqui que devemos viver, até 
que o Criador nos convoque a outras paragens nesse céu infini- 
to, para trabalhar em Seu augusto nome. 
Concordei com um simples gesto e a abracei mais uma vez. 
Ela repousou a cabeça em meu peito, e ficamos balançando por 
alguns segundos, aproveitando aquele momento mágico de re- 
encontro, como se estivéssemos dançando ao som de uma doce 
música. Sussurrei, então, em seu ouvido: 
— Só sinto paz ao teu lado, confiança, carinho verdadeiro... 
Lamento por todos os meus erros. Sou um autêntico Capelino, 
pois “mordi a maçã do pecado e perdi o paraíso” por duas ve- 
zes, tanto em meu exílio de Capela quanto em minha primeira 
encarnação nesse mundo, na Atlântida, quando escapou de mi- 
nhas mãos a oportunidade de viver o paraíso na Terra ao teu 
lado, por todos esses séculos. 
Profundas emoções inundavam a alma da bela fada naque- 
le instante. Com suas delicadas mãozinhas segurando as minhas 
e com o olhar voltado para elas, Crystal falou, com sua voz se- 
rena e angelical embargada pelas lágrimas: 
— Agora vamos ao trabalho. Continua a realizar a tarefa 
que chamaste para ti, antes de nascer nesta vida. 
Eu apertei delicadamente suas mãos e disse-lhe, em tom de 
súplica: 
— Por favor, só mais um pouco. Deixa-me aproveitar esse 
momento raro. 
Ela concordou, e ali ficamos abraçados observando o As- 
tro-Rei mergulhando na linha do horizonte, em silêncio absolu- 
to, quebrado somente pelo incansável movimento das ondas do 
mar. Sabia que aquele era o Oceano Atlântico, mais precisamen- 
te, o Atlântico Norte, que engoliu a Atlântida, continente objeto 
deste livro. No entanto, estávamos em uma praia provavelmente 
Atlântida - No reino da luz 27 
do norte da África, porque, na América, o Sol nasce no mar, e 
não o contrário. 
Crystal sorriu com minha perspicácia e esclareceu-me: 
— Estamos em Buena Vista Del Norte, uma das praias de 
Tenerife, que compõem o arquipélago das Ilhas Canárias, o prin- 
cipal ponto de ligação da “Atlântida Européia”1 com o mundo 
antigo. Aqui neste ponto encontrava-se o “portal dimensional 
europeu” entre nossa Atlântida e o mundo comum. Deste local 
uma civilização superior saía para educar os povos do mundo, 
mas, no final de seu ciclo, quando a Atlântida mergulhou em 
trevas, passou a utilizar esse portal para dominar as civilizações 
primitivas do planeta, como irás narrar. 
Fiz um sinal de concordância e disse-lhe: 
— Sim! As lembranças começam a invadir minha mente 
como uma represa recém-aberta. Está na hora de começarmos. 
Que Deus e o Cristo nos abençoem! 
1 1 Neste trabalho utilizaremos o termo ‘Atlântida Oriental ou Européia” para 
designar o lado do continente próximo à Europa (Ilhas Canárias) e “Atlântida 
Ocidental ou Americana”para o lado da América, na região da Flórida e das ilhas 
do Caribe. No “Reino da Luz”, quando os habitantes de Posseidon se amavam e 
eram um povo só (apesar das duas raças), não havia diferenças. Mas. ao passo que 
caminhamos em direção ao “Reino das Trevas”, houve uma separação entre essas 
duas regiões, que terminou desencadeando a terrível guerra que levou o continente 
atlântico à submersão nas águas profundas do oceano de mesmo nome. 
28 Roger Bottini Paranhos 
 
As duas luas no céu de Tríade, naquela noite, estavam es- 
tranhamente indagadoras. Pareciam perguntar-me se eu estava 
satisfeito com o plantio que havia realizado. Sim! Elas riam de 
minha desgraça, puniam-me por meu fracasso espiritual. 
Em nossas lendas, esses dois satélites naturais de nosso 
mundo representavam o anjo bom e o mau. A lua mais distan- 
te, com tonalidade azul, representava o bem, ou seja, os bons 
valores da alma. Já a mais próxima e maior, a que tinha matiz 
avermelhado, representava os caprichos inferiores do homem. 
Enquanto eu aguardava o retomo de minha esposa, fiquei 
meditando sobre aquela situação. Sempre ouvíamos da boca 
dos profetas os diversos alertas sobre a chegada do “fim dos 
tempos”, momento em que seriamos avaliados em nosso pro- 
cesso evolutivo-espiritual, assim como está ocorrendo na Terra, 
neste momento. Entretanto, os incautos que evoluíam no siste- 
ma planetário da estrela de Capela, na constelação do Cocheiro, 
assim como a humanidade atual da Terra, acreditavam que esse 
dia jamais chegaria ou, então, que se tratava apenas de mais 
uma alucinação de mentes fanáticas. 
Mas o momento havia chegado. Os rebeldes de duas das 
quatro escolas planetárias

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.