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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAMETRO 
CURSO DE PSICOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
FICHAMENTO 
ASPECTOS PSICOSSOCIAIS E CULTURAIS DA AMAZÔNIA 
 
 
 
Clara Eduarda Nascimento Muniz | 1907397 
Noturno 
 
 
 
 
 
 
 
 
Manaus 
2020 
 
BITAR, Eliana Freire. AMAZÔNIA – UM RELATO DE SUA (DES)CONSTRUÇÃO 
SOCIOCULTURAL 
 
 
A autora inicia o texto destacando que a atual formação sociocultural da Amazônia é 
provida da miscigenação, especialmente após a chegada dos europeus e dos 
episódios sucessores na história, como o período de exploração da borracha. 
A vivência, técnicas de pesca, agricultura e convivência na Amazônia mostravam 
que os indígenas, previamente, já possuíam cultura constituída e que essa forma de 
existência não podia ser substituída ou ignorada, contudo, seria base singular da 
construção social, cultural e política dos povos amazônicos. 
Tendo de adaptar-se aos valores dos portugueses, espanhóis, imigrantes 
nordestinos e de outras regiões do país, submetidos a exploração de suas terras e 
outras formas de submissão e apropriação a que foram expostos, o indígena 
protagonizou grande e intenso processo de transculturação. 
Posteriormente, no período da exploração da borracha, os nordestinos em uma 
imigração mal traçada buscando as riquezas e sustento da produção enfrentaram a 
realidade do trabalho escravo e subumano nos seringais e integrou, ao longo da 
história, a construção dessa cultura. 
A queda do período da borracha preencheu as cidades e passou a ser vista como 
causadora dos problemas da cidade e não como fomentadora da economia. A 
população passa a explorar as formas de sobrevivência locais. 
Inicia-se o projeto capitalista e industrial pensado para a região pelo governo e 
grandes empresas. A criação da Zona Franca transforma mais uma vez o cenário, a 
necessidade de mão de obra barata aumenta novamente de forma desordenada a 
migração para a cidade e traz consigo a favelização, mazelas sociais, aumento da 
criminalidade, doenças e outras consequências. 
Segundo a autora: 
"de uma cultura cabocla para uma cultura urbana; do ciclo extrativo para o ciclo dos 
incentivos; da transformação do seringueiro a operário; da Belle Époque à Zona 
Franca." 
Por fim, concluiu que a construção dos povos se deu na raiz cabocla e foi afetada e 
remodelada a cada invasão estrangeira, novas construções e na forma como o 
homem da amazônia adaptou-se e se integrou-se a tudo isso. 
 
 
 
GERONE, Acyr et al. A RELIGIOSIDADE EM COMUNIDADES RIBEIRINHAS DA 
AMAZÔNIA: VIVÊNCIA DA ESPIRITUALIDADE A PARTIR DE SABERES E 
CULTURA POPULAR EM RELAÇÃO COM MOVIMENTOS E ORGANIZAÇÕES 
SOCIAIS. 
 
 
O texto aborda a religiosidade no Amazônia, considerando os contextos 
socioculturais da região. Cita ações de ONGs nas comunidades ribeirinhas e no uso 
da religiosidade como forma de entender e, através disso, se integrar a comunidade. 
A Amazônia, multifacetada em sujeitos provenientes de diferentes origens e matrizes 
religiosas, de comunidades indígenas, caboclas, ribeirinhas e citadinos reflete o 
extenso processo de construção social da região que resultou, por sua vez, em 
cenários delicados e complexos. 
As situações de precariedade vivida pelos ribeirinhos, a pobreza, miséria e dos 
baixos níveis de desenvolvimento humano, anafalbetismo, falta de escolaridade, 
inserem a prática religiosidade como forma importante de consolidação da dignidade 
e identidade. Os saberes desse povo é proveniente dos saberes de vida, inclusive, 
herdado das práticas indígenas de vivência na floresta, utilização de plantas 
medicinais que curam, experiência entre a relação do clima e da pesca. Práticas que 
apesar de não validadas cientificamente, não podem ser ignoradas e desprezadas 
pois são parte da identidade cultural da Amazônia. 
É preciso pontuar a distinção entre religiosidade e espiritualidade. Religiosidade é 
vista como crenças e funções religiosas. A espiritualidade, por sua vez, refere-se a 
misticidade. 
As ONGs como representantes do combate à pobreza e da luta pela preservação 
dos direitos humanos, atuam em projetos voltados aos marginalizados e excluídos 
na área amazônica. Esses projetos sociais são de extrema relevância e levam a voz 
silenciada das comunidades em busca de políticas públicas e amparo. 
O texto cita o projeto Luz na Amazônia, voltado para a saúde, é desenvolvido 
trabalho de atendimento médico e até cirurgias simples através de um 
barco-hospital. Os atendimentos, além da promoção a saúde, levam em 
consideração a religiosidade da comunidade. A doação de literatura bíblica doada 
pelo SBB, por exemplo, incentiva a alfabetização dos adultos e auxilia na melhora do 
desempenho escolar de jovens e crianças. 
Por fim, o texto conclui que a religiosidade é forma de fortalecer a cultura e tradição 
das comunidades ribeirinhas. Levar em consideração esse fator é a forma de 
atender as necessidades dos povos sem desrespeitar o modo de vida do ribeirinho. 
 
 
 
MAGALHÃES, Gilzete. RITUAL DO CORPO E IMAGINÁRIO RIBEIRINHO DA 
LENDA AMAZÔNICA - O BOTO. 
 
 
O texto cita o folclore como fonte de compreensão psíquica e relaciona a forma 
como a comunidade lida com questões de gênero e sexualidade. 
O folclore do Boto, irrefutável na região, manifesta-se na necessidade dos caboclos 
de explicar a força da água, a violência das marés e outros fenômenos que ocorrem 
na região. 
A crença impacta diretamente no dia a dia da comunidade e até na divisão das 
atividades entre homens e mulheres, por exemplo. 
As mulheres, desde a primeira menstruação, são impedidas de exercer atividades no 
rio, dada a possibilidade de ser vítima do Boto e ser acometida por paixões e até 
gravidez. Durante os anos, esse costume é internalizado nas mulheres e formam 
complexos culturais onde o gênero é visto como desafeto e inferioridade. Outros 
problemas da comunidade, como a violência sexual sofrida desde os tempos de 
colonização, também são apontados como ação do Boto.

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