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TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO EM PNEUMOFUNCIONAL Este material foi elaborado a partir de uma revisão bibliográfica com o objetivo de facilitar o estudo das técnicas e recursos fisioterapêuticos utilizados dentro da Fisioterapia Respiratória. Eles são empregados de acordo com a necessidade de cada patologia, baseado no conhecimento da anatomia e fisiologia pulmonar, visando melhorar a ventilação-perfusão e a dinâmica respiratória. As técnicas e recursos fisioterapêuticos foram distribuídos em quatro grandes grupos, de acordo com o seu objetivo principal: • Higiene Brônquica: aqueles que visam mobilizar e depurar as secreções traqueobrônquicas (clearance mucociliar). • Reexpansão Pulmonar: aqueles que objetivam incrementar os volumes e capacidades pulmonares. • Treinamento Muscular Respiratório: trabalhar a força e endurance da musculatura respiratória. HIGIENE BRÔNQUICA 1. ACELERAÇÃO DO FLUXO EXPIRATÓRIO (AFE): Esta técnica tem como objetivo acelerar o fluxo exalatório através do aumento da pressão intratorácica, modificar o tipo de fluxo (turbulento), facilitar a eliminação de secreções. É mais indicado para pacientes pediátricos. Técnica: uma das mãos do fisioterapeuta é colocada sobre o tórax e a outra sobre o abdome, a mão torácica, exerce uma pressão oblíqua de cima para baixo e de frente para trás e, ao mesmo tempo, a mão abdominal, efetua uma pressão também obliqua, mas em sentido oposto de baixo para cima e de frente para trás na fase expiratória. É necessário sensibilidade para observar o ritmo da respiração e aplicar a técnica no tempo exato. 2. TÉCNICA DE EXPIRAÇÃO FORÇADA (TEF) Compressão torácica na fase expiratória com objetivo de remover secreções. A aplicação deve ser feita de forma brusca, com objetivo de aumentar o fluxo expiratório e deslocar secreções. 3. EXPIRAÇÃO LENTA E PROLONGADA (ELPr) Técnica passiva de ajuda expiratória, obtida por meio de pressão manual toracoabdominal lenta, inicia ao final da expiração e prolonga até o volume residual de forma lenta. Utilizada na população pediátrica. Mesmo posicionamento do AFE. 4. DRENAGEM POSTURAL São posturas que favorecem o deslocamento das secreções pulmonares, das áreas mais periféricas para a região central, facilitada pela ação da gravidade. Pode ser contínua (tempo prolongado, orientando a tosse e ex. respiratórios) ou intermitente (utilizada apenas durante a terapia, associada com outras manobras terapêuticas). Contraindicações: dispneia, suspeita de embolia pulmonar, após as refeições, fraturas. Posições segmentares da drenagem postural: Lobo Superior: a) Seg. Apical: sentado com inclinação do tronco b) Seg. Posterior (PD): DLE com inclinação de 15° do tronco para o lado esq. c) Seg. Posterior (PE): DLD com inclinação de 15° do tronco para a direita. d) Seg. Anterior: DD Lobo Medial: a) Seg. Medial e Lateral: DD com inclinação de 15° do tronco para frente (semi-dorsal), travesseiro na parte posterior, pé da cama elevado a 35cm do chão. Segmento medial e lateral do lobo médio: Paciente em decúbito dorsal com inclinação para esquerda apoiado com travesseiro para o lado direito. Pé da cama elevado a 35cm. Língula: a) DD com inclinação (15°) do tronco, travesseiro apoiado do lado E, pé da cama elevado à 35cm. Segmento posterior do lobo superior esquerdo: Paciente em decúbito lateral direito com inclinação do tronco para direita. Segmento apical de ambos os lobos superiores: Paciente sentado em posição vertical. Segmento posterior do lobo superior direito: Paciente em decúbito lateral esquerdo com inclinação anterior do tronco para esquerda. Segmento anterior de ambos os lobos superiores: Paciente em decúbito dorsal. Lobo Inferior: a) Seg. Apical: DV com travesseiro no quadril b) Seg. Basal Anterior: DD c/ travesseiro sobre o quadril, pernas ligeiramente fletidas. Pé da cama elevado a 46cm. c) Seg. Basal Posterior: DV c/ travesseiro sobre o quadril. Pé da cama c/ 46cm de elevação. d) Seg. Basal Medial: DL (homo-lateral) de acordo c/ o pulmão a ser drenado. Pé da cama c/46cm de inclinação. e) Seg. Basal Lateral: DL (contralateral) de acordo c/ o pulmão a ser drenado. Pé da cama à 46 cm. Língula: Paciente em decúbito dorsal com inclinação para direita apoiado com travesseiro do lado esquerdo. Cama elevada a 35cm. Segmento apical dos lobos inferiores: Paciente em decúbito ventral com travesseiro sob o quadril. Segmento basal anterior dos lobos inferiores: Paciente em decúbito dorsal com travesseiro sob as nádegas. Cama elevada a 46cm ou com inclinação de 20°. Segmento basal posterior dos lobos inferiores: Paciente em decúbito ventral com travesseiro sob o quadril. Cama elevada a 46cm ou inclinada a 20°. Segmento basal medial do lobo inferior direito e segmento basal lateral do lobo inferior esquerdo: Paciente em decúbito lateral direito. Travesseiro sob o quadril. Elevação de 46cm ou inclinação de 20°. 5. DRENAGEM AUTÓGENA: A drenagem autogênica tem como objetivo aumentar o fluxo de ar nas vias aéreas para auxiliar a eliminação das secreções e melhorar a ventilação pulmonar, sendo uma combinação de controle respiratório com respiração a vários volumes pulmonares. Técnica: é realizada em três fases: 1ª) Descolar: o paciente respira com baixos volumes pulmonares (volume do pulmão inferior, é usado para mover o muco mais periférico); 2ª) Coletar: respirar em torno do volume corrente (acarreta a coleta de muco na faixa média do pulmão); 3ª) Eliminar: respirar em torno de volumes pulmonares altos (promove a expectoração das secreções oriundos das vias aéreas centrais). Quando o muco atinge as vias aéreas superiores pode então, ser expectorado através da tosse. O paciente deve assumir a posição sentada para a execução da técnica e as sessões podem durar de 30 a 45 minutos, dependendo do estado clínico e aprendizado do mesmo. A tosse só deve ser realizada no final da terceira fase. 6. DRENAGEM AUTÓGENA ASSISTIDA A DAA é uma adaptação da técnica de drenagem autógena (DA) para lactentes ou crianças pequenas. Baseada na fisiologia da respiração, utiliza o fluxo expiratório como força ativa para mobilização do muco. A DA, descrita por Chevaillier no final dos anos de 1970, é uma técnica de higiene brônquica ativa, que utiliza inspirações e expirações lentas e controladas pelo paciente. A técnica envolve a utilização de três modos ventilatórios: ventilação em baixo volume pulmonar, que objetiva o descolamento de secreções distais; ventilação em médio volume pulmonar, que visa coletar as secreções localizadas nas vias aéreas de médio calibre; e ventilação em alto volume pulmonar, que promove a eliminação das secreções das vias aéreas proximais. Na forma passiva (DAA), o paciente é posicionado em decúbito dorsal e uma faixa elástica (opcional), colocada entre as últimas costelas e as cristas ilíacas, é utilizada para estabilização do abdome. Com as mãos envolvendo bilateralmente o tórax da criança, o fisioterapeuta realiza uma pressão suave, aumentando lentamente a velocidade do fluxo expiratório (acompanhando o padrão respiratório da criança), prolongando a expiração até o volume residual. Esta pressão deve ser sustentada até que se perceba o aumento do esforço inspiratório da criança. A aplicação de pressão excessiva desencadeará respostas de proteção (bloqueio reflexo torácico de defesa), com o objetivo de resistir à manobra. 7. AEROSSOLTERAPIA OU NEBULIZAÇÃO É um método terapêutico ou de prevenção de patologias que compromete a via respiratória, feita através de inalação de partículas líquidas em suspensão que vão ser chamadas de névoa tênue. Tem como objetivo melhorar o estado da mucosa respiratória, normalizara drenagem fisiológica das secreções e reduzir os espasmos brônquicos. Serve também como via de administração de medicamentos. A efetividade da terapêutica por inalação depende do tamanho das partículas que se depositam na zona mais distal possível da via aérea. Métodos: a) Nebulização com fluxo contínuo: utiliza ar comprimido ou oxigênio como fonte geradora de aerossol. É considerada a mais eficiente fórmula de nebulização. b) Nebulização ultrassônica: são ondas sonoras de frequência ultra-alta transmitidas ao líquido mediante um transdutor elétrico. Há, então, vaporização do líquido produzindo partículas menores que atingem as aéreas mais distais. c) Nebulização com RPPI: utilizada quando necessitamos levar medicamentos ou fluidificar as secreções e melhorar a ventilação do paciente ao mesmo tempo. Diluentes: a) Água Destilada: pode ser usada como agente hidratante com seu efeito diluente sobre as secreções. Em altas doses pode causar edema da mucosa. b) Solução Salina: aumenta a concentração de eletrólitos na secreção brônquica provocando uma maior sucção de água na mucosa, favorecendo a fluidificação e expectoração NEBULIZADOR DE JATO NEBULIZADOR ULTRA SÔNICO 8. ELTGOL Significa expiração lenta e total com a glote aberta em decúbito lateral. Tem o objetivo de depurar as VA distais através do deslocamento de ar nas diferentes regiões brônquicas. A manobra deve ser realizada com base na ausculta pulmonar, onde o pulmão comprometido é colocado para baixo, o fisioterapeuta fica posicionado por trás do paciente com a mão direita na parede costal infralateral fazendo uma compressão lenta de baixo para cima durante a expiração e a mão esquerda apoia-se na parede costal oposta (supralateral) exercendo um contra-apoio e estabilizando o tórax do paciente, que deve ser orientado a permanecer com a boca (glote) aberta, caso ele não consiga, emprega-se um bocal. 9. TOSSE: É um mecanismo extremamente importante para a eliminação de secreções e manutenção da limpeza das vias aéreas. Pode ser voluntária, induzida ou reflexa. É essencialmente eficaz nas grandes vias aéreas. É composta de quatro fases: irritativa (o estímulo provoca as fibras sensitivas enviando impulso ao centro da tosse, pode ser: inflamatório, mecânico, químico e térmico); inspiratória (estimulação reflexa dos mm. Respiratórios para iniciar a inspiração profunda); compressiva (fechamento da glote e uma contração forçada dos mm expiratórios, aumento da pressão pleural e alveolar); expulsiva (abertura da glote e expulsão do ar por diferença de pressão entre os alvéolos e abertura das VA). 9.1 Técnicas de tosse voluntária: a) Tosse técnica ou cinética (tosse ativa): manobra intencional que é ensinada, supervisionada e monitorizada. Deve-se avaliar o paciente para saber se ele é capaz de desenvolver a técnica. Pacientes obnubilados, paralisados, não cooperativos, com dor, desidratação sistêmica, secreções espessas, via aérea artificial, uso de drogas depressoras do SNC, etc, não realizam com eficácia a tosse. Técnica: paciente sentado, com discreta flexão da cabeça e coluna, antebraços relaxados ou apoiados inspiração lenta e profunda pelo nariz faz-se uma apneia expiração em duas fases, com os lábios semi-abertos e a última deve ser curta e brusca seguida da tosse. b) Tosse Huffing: paciente inspira suave e profundamente procurando expandir toda região basal faz-se uma apneia expiração longa com a boca aberta, pronunciando a palavra "huffing". Mobiliza as secreções mais centrais. 9.2 Tosse manualmente assistida (TMA): É a aplicação externa de pressão sobre a caixa torácica ou sobre a região epigástrica coordenada com a expiração forçada. Técnica: inspiração profunda final da inspiração aplica pressão sobre a margem costal lateral ou sobre o epigástrio aumentando a força de compressão durante a expiração. Contraindicações: paciente inconsciente, gestante, patologia abdominal aguda, aneurisma da aorta abdominal e hérnia hiatal. 9.3 Técnicas de tosse induzida ou reflexa: a) Massagem circular digital: são movimentos circulares na fúrcula esternal com pressão para baixo e para dentro da traquéia. b) TIC traqueal: deslocamento lateral da traqueia durante a fase inspiratória. c) Indução por abaixador de língua: é a estimulação da orofaringe por um abaixador de língua. 10. DESOBSTRUÇÃO RINOFARÍNGEA RETRÓGRADA A técnica visa a remover secreções da via nasofaríngea. Pode ser utilizada com ou sem a instilação local de solução fisiológica (DRR + I). Seu princípio está fundamentado no aumento da velocidade do fluxo aéreo inspiratório. Para a realização da técnica com instilação (DRR+I), instila-se solução de cloreto de sódio a 0,9% (solução fisiológica) em quantidades variáveis de acordo com a idade e o tamanho do paciente e o grau de obstrução nasal, ou, ainda, substância medicamentosa (por indicação médica). 11. ASPIRAÇÃO Constitui um procedimento de rotina, pois contribui para retirada de secreções das vias aéreas através da introdução de uma sonda por via nasotraqueal, orotraqueal ou na via aérea artificial. Deve ser feito cuidado para evitar hipotensão, hipoxemia e parada cardíaca. Usar de preferência sondas com pontas arredondadas para reduzir trauma da mucosa traqueal, e que tenham vários orifícios. Se o paciente estiver predisposto a sangramentos, usar sonda de nelaton. Procedimento: técnica estéril; explicar ao paciente; fixar o regulador de pressão aspirativa (vácuo); pré-oxigenar o paciente (se necessário – apenas em pacientes com histórico de dessaturação durante o procedimento); introduzir a sonda até a resistência (carina), fechada (sem vácuo), quando o paciente tossir, introduzir um pouco mais e retirá-la lentamente, deixando a sonda parada nos locais onde houver saída de grande quantidade de secreção; aspirar durante 15 a 20 segundos, no máximo; se possível desconectar a sonda do vácuo para o paciente descansar. Se necessário, oferecer aporte de oxigênio durante o procedimento; caso ocorra sucção da mucosa, desconectar do vácuo; monitorizar SpO2 mesmo após o término do procedimento. OBS: Durante a ventilação mecânica, para evitar desconexão entre o paciente e o ventilador, pode ser usado um sistema de aspiração fechado (Trachcare®). Nesse caso não é necessário usar luva estéril, pois a sonda fica recoberta por um plástico que impede sua contaminação. SONDA DE ASPIRAÇÃO ASPIRADOR PORTÁTIL SISTEMA DE ASPIRAÇÃO FECHADO 12. OSCILAÇÃO ORAL DE ALTA FREQUÊNCIA (FLUTTER/SHAKER) É um pequeno aparelho portátil que permite gerar em cada expiração, simultaneamente, uma pressão positiva oscilatória controlada e interrupções do débito respiratório de frequência regulável. Este duplo mecanismo permite melhorar a ventilação pulmonar periférica, facilitar a eliminação das secreções brônquicas e diminuir a dispneia. Quando o indivíduo expira pela peça com ajuste na boca, a bola gira e move-se para cima e para baixo, criando um ciclo de fechamento e abertura que se repete muitas vezes por toda expiração. Esses ciclos produzem uma oscilação da pressão endobrônquica e do fluxo aéreo. A frequência das oscilações pode ser modulada pela mudança da inclinação do aparelho para cima ou para baixo de sua posição horizontal. A posição é selecionada pelo melhor efeito da vibração no tórax do paciente. Graças à pressão positiva nas vias aéreas ocorre desprendimento do muco de suas paredes, a aceleração aérea expiratória facilita o movimento do muco para cima e o aumento da pressão endobrônquica, diminui o colapso das vias aéreas durante a expiração, aumentando a probabilidade de limpeza do muco do trato respiratório, sem que seja necessáriotossir de maneira notável, diminuindo assim a resistência e o trabalho respiratório e aumentando a capacidade vital. Indicações: tosse produtiva persistente, Bronquite, Asma com componente obstrutivo, Bronquiectasia, Fibrose Cística (Mucoviscidose), Enfisema Pulmonar, pré e pós- operatório. Contraindicações: doença cardiovascular grave, pneumotórax. O SHAKER pode ser usado em pacientes sob ventilação mecânica invasiva quando adaptado à válvula expiratória após nebulização com broncodilatador. Esta manobra recebe o nome de OPEP. O nível da PEEP programado no ventilador deve estar em zero. FLUTTER SHAKER 13. ACAPELLA Aparelho capaz de produzir terapia por pressão positiva expiratória (PEP), a oscilação é transmitida até a parede das vias aéreas, para soltar e mobilizar secreções facilitando a expectoração. Pode ser utilizado em qualquer posição e simultaneamente com inaloterapia. Indicações: realização de higiene brônquica; fibrose cística; DPOC; prevenção de atelectasia pós-operatória. Contraindicações: pneumotórax não tratado; hipertensão intracraniana; instabilidade hemodinâmica; trauma facial ou oral; cirurgia de esôfago; náusea; ruptura de tímpano. Técnica: Coloca o bucal entre os lábios e o paciente deve inspirar e expirar através dele; Inspirar lenta e profundamente e depois expirar durante 3 segundos; realizar ± 10 repetições, retirar o dispositivo e tossir; repetir o processo. 14. PEP (pressão positiva expiratória): A terapia com pressão expiratória positiva é utilizada auxiliar na mobilização das secreções e no tratamento das atelectasias. Uma das formas consiste na auto-aplicação depressão positiva no final da expiração (EPAP), com máscara ou bocal acoplada à uma válvula (PEEP à spring- loaded), com resistência expiratória fixada (5 a 20 cmH20). A ação da pressão positiva expiratória gera um maior volume de ar nas vias aéreas periféricas durante a inspiração, evitando o colapso e deslocando o muco em direção as vias aéreas centrais, onde pode ser eliminado. Para a realização da técnica, o paciente deve estar sentado, inclinado para frente, com os cotovelos apoiados sobre uma superfície estável e segurando o aparelho firmemente na boca e no nariz (máscara) ou apenas na boca (bocal). O paciente deve inspirar em volume corrente e expirar ativa e levemente em torno de 6 a 10 respirações (mais ou menos 2 minutos). A máscara ou bocal é removido e uma tosse é realizada no intuito de eliminar as secreções mobilizadas. A duração e a frequência do tratamento são adaptadas individualmente, mas cada sessão é realizada normalmente durante 15 minutos. A PEP está indicada quando o tratamento objetiva reduzir o aprisionamento de ar (asma e DPOC), mobilizar secreções (fibrose cística), prevenir ou reverter atelectasias ou ainda otimizar a eficácia da administração de broncodilatadores em usuários da aerossolterapia medicamentosa. Não existem relatos de contra-indicações absolutas, mas alguns cuidados devem ser tomados com pacientes incapazes de tolerar o aumento do trabalho respiratório, com pressão intracraniana (PIC) acima de 20 mmHg, instabilidade hemodinâmica, hemoptise aguda, pneumotórax, náuseas, cirurgia ou trauma craniano ou facial recente e cirurgias esofágicas. Existem alguns riscos e complicações, por isso uma criteriosa avaliação deve ser realizada para que os ganhos e perdas possam ser previamente mensurados. Entre eles: barotrauma pulmonar, aumento da pressão craniana, comprometimentos cardiovasculares (diminuição do retorno venoso e isquemia miocárdica), vômitos e aspirações, além do aumento do trabalho respiratório, podendo acarretar hipoventilação e hipercapnia. EPAP REEXPANSÃO PULMONAR 1. MANOBRA DE COMPRESSÃO-DESCOMPRESSÃO, BLOQUEIO-DESBLOQUEIO OU MANOBRA DE PRESSÃO NEGATIVA (FARLEY CAMPOS) É uma manobra que repercute em uma reexpansão pulmonar localizada. Consiste em fazer uma pressão manual na região torácica comprometida, durante a fase expiratória, pedindo- se ao paciente que faça uma expiração forçada e prolongada, e em seguida uma inspiração também forçada, que na sua fase inicial encontrará na região em tratamento a resistência manual do Ft. que, no mesmo segundo, retirará bruscamente essa resistência, promovendo assim uma grande descompressão local. Esta descompressão acarretará um pico de negativação da pressão pleural local e, por conseguinte, um direcionamento do fluxo ventilatório para a região pulmonar correspondente. Através desta manobra atuamos tanto sobre a pressão intra-pleural e a pressão alveolar como sobre as pressões capilares, facilitando a perfusão pulmonar. 2. BLOQUEIO TORÁCICO UNILATERAL, FLUXO DIRIGIDO OU VENTILAÇÃO SELETIVA Consiste na aplicação de uma força através das mãos do fisioterapeuta no final da expiração no hemitórax não comprometido durante 3 a 4 ciclos fazendo com que o volume de ar nas vias áreas do paciente seja direcionado para o hemitórax afetado contralateral favorecendo sua reexpansão. 3. CINESIOTERAPIA RESPIRATÓRIA Padrões Ventilatórios (PV): - PV diafragmático (PVD) ou Respiração diafragmática (RD): diminui o trabalho respiratório, pois ajuda a controlar a frequência respiratória nas dispneias e nos esforços, melhora a ventilação nas bases pulmonares e promove relaxamento da musculatura acessória. Técnica: o paciente inspira elevando o abdome mantendo a parte superior do tórax relaxada, seguida faz uma expiração passiva com uso do freno labial. Dar-se estímulos proprioceptivos no diafragma com a finalidade de obter uma melhor contração diafragmática. - PV com Soluços Inspiratórios: reexpande zonas basais aumenta CRF e VRI, promove dilatação brônquica, diminui o infiltrado intersticial e a congestão vascular pulmonar. Técnica: inspiração nasal curta e sucessiva, enérgicas sem apneia pós-inspiratória, até a CPT, sendo a última efetuada por via oral. - PV com Inspiração fracionada ou em tempos: eficaz na melhora da complacência toracopulmonar e no incremento da capacidade inspiratória (CI). Técnica: Inspiração suave e curta, por via nasal, interrompendo-a por curtos períodos de apneia pós-inspiratória e programada para 2, 3, 4 ou 6 tempos repetitivos. A expiração é oral e pode ser realizada até o repouso expiratório ou volume residual expiratório médio. - PV com Expiração Abreviada: aumenta VRI, CRF e CPT, favorece dilatação brônquica, diminui infiltrado intersticial e congestão vascular pulmonar. Técnica: ciclos intermitentes de inspiração nasal profunda, intercalada com pequenas expirações. A relação I:E é 3:1. - PV com apneia máxima pós-inspiratória ou Sustentação Máxima Inspiratória (SMI): melhora a difusão pulmonar e distribui melhor a ventilação pulmonar. Técnica: inspiração nasal lenta, suave e uniforme até a CPT, seguida de apneia variável, de 5 a 10 segundos, com expiração oral lenta, continua sem esforço até o VR. - frenolabial: tem como objetivo a regulação do gradiente de pressão respiratória na árvore brônquica, permitindo uma maior expiração, além de diminuir a velocidade de fechamento das vias aéreas. Melhora o padrão respiratório, com redução da FR e aumento do VC e diminuição do trabalho respiratório. Técnica: Inspiração lenta e profunda pelo nariz em seguida uma apneia pós-inspiratória e um expiração lenta com os lábios semifechados. Pode ser associado aos outros PVs. 4. INCENTIVADORES RESPIRATÓRIOS: São recursos terapêuticos que possibilita a reexpansão pulmonar restaurando os volumes e capacidades do pulmão. Favorece ainda os mecanismos de tosse e melhora o desempenho do paciente. São utilizados também nos pós-operatório de cirurgias cardíaca, torácica e abdominal alta. Técnica: a inspiração é feita por via oral, ativa e profunda, sendo seu inicio rápido e mantido no final.A expiração é oral até o nível de repouso. Condição do paciente: consciente, orientado, colaborativo e de preferência sentado. Inspirar do VR até a CPT. Efeitos Colaterais: hiperventilação, aumento do trabalho respiratório com maior consumo de oxigênio e fadiga muscular. TIPOS: a) Incentivadores a Fluxo (Respirex, Inspirex, Triflo ou Respiron): consiste em um fluxo variável em função do tempo de incentivo (pode ocorrer um fluxo turbulento na fase inicial, alterando o trabalho respiratório). Vantagens: menor custo Desvantagens: menos fisiológico, fluxo turbulento inicial, aumenta o trabalho respiratório, pode causar dor nos pós-operatórios. Não existe evidência científica sobre sua eficácia. b) Incentivadores a Volume (Volupack e Voldyne): é caracterizado por um volume constante até atingir a capacidade inspiratória máxima. Vantagens: mais fisiológico e não incrementa o trabalho respiratório. Desvantagens: maior custo. Não existem evidências científicas sobre sua eficácia. 5. RESPIRAÇÃO COM PRESSÃO POSITIVA INTERMITENTE (RPPI) É uma forma de respiração espontânea assistida ou complementada pelo ventilador mecânico. É indicado sempre que o paciente esteja impossibilitado de controlar sua respiração espontânea (lesão cerebral), nas fraturas de costelas, deformidades torácicas, com presença excessiva de secreção brônquica e BCE, pois diminui o trabalho respiratório, proporciona um arejamento mais eficaz dos alvéolos, promove expectoração e é também um meio de administrar medicamentos e umidade à via aérea. Com isso, a RPPI supera todas as formas de reexpansão manual na melhora da hipoxemia, prevenção ou tratamento do shunt e atelectasia. Contraindicações: pneumotórax, bolhas enfisematosas, hemoptise, tuberculose ativa, abcesso pulmonar, TU brônquico nas VA proximais, uso desnecessário. REANIMADOR DE MÜLLER TREINAMENTO DA MUSCULATURA RESPIRATÓRIA O treino dos músculos respiratórios está indicado para ganho de força ou endurance e readaptação da função global e respiratória aos esforços. Obedece aos mesmos princípios dos músculos esqueléticos. A resposta do treinamento muscular depende da intensidade, duração e frequência dos exercícios. Quando o objetivo é endurance, utiliza-se cargas menores, de 30 a 50% da pressão inspiratória máxima (PImáx) com número de repetições maiores. Já para ganho de força, é necessário grandes cargas e pequenos números de repetições. Assim, inicia-se o treinamento com uma carga que corresponde a mais de 60% da PImáx. A pressão inspiratória máxima é obtida através do manovacuômetro. O fisioterapeuta deve solicitar ao paciente três inspirações máximas a partir do VR e tomar como referência o maior valor. O treinamento deverá ser realizado pelo menos três vezes ao dia, num período de pelo menos quatro semanas, tendo como resposta adaptativa do músculo o aumento da capacidade oxidativa e da resistência à fadiga. O treinamento é realizado com a utilização de aparelhos dependentes de pressão ou com carga linear pressórica (THRESHOLD® ou POWER BREATHE®). Estes aparelhos são constituídos por uma câmara cuja extremidade tem uma válvula que é mantida fechada pela pressão positiva de uma mola. A válvula só se abre e permite a passagem de ar quando uma pressão negativa é gerada, com o valor absoluto maior que a pressão que a mola vem fazendo, ou seja, quando é gerada uma pressão mais negativa. Com este aparelho tem-se um maior controle da carga inspiratória, não altera o padrão respiratório e não depende do fluxo inspiratório do paciente. MANOVACUÔMETRO THRESHOLD (IMT e PEP) BIBLIOGRAFIA AZEREDO, C. A. C. Fisioterapia Respiratória Moderna. 3. ed. São Paulo: Manole, 1999. CARVALHO, M. Fisioterapia Respiratória: Fundamentos e Contribuições. 5. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2001. CUELLO, A. F. Bronco-Obstrução. São Paulo: Panamericana, 1987. DWNIE, P. A. Cash: Fisioterapia nas Enfermidades Cardíacas, Torácicas e Vasculares. 3. ed. São Paulo: Panamericana, 1983. GASKELL, D. V. Fisioterapia Respiratória. 2. ed. Rio de Janeiro: Colina, 1988. 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