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Índice
Introdução	1
Objectivos do estudo	1
Objectivo geral	1
Objectivos específicos	1
Metodologia	1
Capítulo I	2
Os Yao e as Suas Instituições Políticas	2
1.Génese, Historial e Significado de Yao	2
1.2.Localização geográfica	3
1.3.Povoamento dos Yao em Cabo Delgado	3
1.4.Organizaçao sócio-política dos Estados Yao	4
1.4.1.Dinastias que dominaram no Estado Yao no século XIX	6
1.5.Organização político-administrativa	6
1.7.O poder judicial entre os Yao	8
1.8.Poder e espiritualidade	8
1.8.1.Idelogia dos Estados Yao	9
1.9.Actividades económicas	9
Conclusão	10
Referênciais Bibliográficas	13
Introdução
O presente trabalho tem como objecto de estudo “Os Estados Yao e as Suas Instituições Políticas ” duma forma genérica. Este tema é desenvolvido no âmbito da disciplina de História das Instituições Políticas em Moçambique.
Objectivos do estudo
Os objectivos do presente estudo, encontram-se sudivididos em: Objectivo geral e objectivos especificos.
Objectivo geral 
Compreender os Estados Yao e as Suas Instituições Políticas
Objectivos específicos 
· Descrever a génese, o historial e a localização geográfica dos Estados Yao;
· Identificar a organização sócio-político e administrativa dos Estados Yao;
· Analisar o exercício do poder político e símbolos de poderes das chefias dos Yao.
· Caracterizar a ideologia dos Estados Yao
Metodologia
A metodologia aplicada no presente estudo, consistirá na consulta bibliográfica, registo, análise e comparação de dados e a respectiva documentação. Deste modo, na busca dos dados serão usadas fontes escritas da autoria de Eduardo da Conceição Medeiros,: História de Cabo Delgado e do Niassa (c. 1836 – 1929), Carlos Serra: História de Moçambique, vol. II, Sengulane:. História das Instituições do Poder Político em Moçambique. 2016 e Newitt (1995), com título: História de Moçambique
Capítulo I
Os Yao e as Suas Instituições Políticas
1.Génese, Historial e Significado de Yao
 De acordo com Souto (1994, p.66), Os Yao[footnoteRef:1] tem este epónimo porque consideram-se originários dos montes, Yao, por isso dizem-se “WAYAO”, palavras que significam “ monte sem capim e sem qualquer vegetação" [1: De acordo com Sengulane (2016, p.30), citado por António e Omar (2007, p11) "os Yao são um grupo étnico que ocupa actualmente a província do Niassa, ao lado dos nianjas, macuas e angonis. Diz-se serem oriundos do monte Yao, situado na região de Lichinga".] 
 Para Sengulane (2016, p.30) "os Yao constituem um dos povos que tem a designaçao do seu grupo bastante deturpado, sendo ele escrito das seguintes formas: ayo, ayawa, achawa, adjao, adsawa,hiao, myao, zaus, mudsau, mudjoa, mujanos, wahiao, whayao, wajao, wahjão, yhao e weiao".
 Sengulane refere ainda que "antes dos yao se dispersarem viveram no monte e que nesse entretanto, parece terem vivido na prosperidade proporcionada por um clima favorável, abundância de cursos de água, solos férteis e riqueza em espécies, que reduziram as possibilidades de conflitos internos e, também que não sofreram invasões ou entraram em conflito com os povos vizinhos, favorecidos pelas altas montanhas que os rodeavam" (Idem) 
 Para Serra (1988), por volta de 1850, os grupos Yao emigraram para Nasasi, na actual Tanzânia, como resultado da expulsão a que foram movidos pelos Nguni nas terras entre Lugenda e Unango. Em seguida os macuas obrigaram-nos a dispersar uns indo para as margens do baixo Rovuma para Nasasi e outros ao sudoeste do planalto dos Maconde do Tanganyika. 
 Newitt (1995) afirma que "devido aos efeitos provocados pela seca e pelas invasões angunes, a segunda metade do século XIX, assistiu-se à lenta desintegração da chefia Lundu…."As terras altas estavam a transformar-se num vazio político que acabaria por atrair as atenções dos negreiros, levando a migrações em grande escala que conduziram os Yao originários do Norte e de Lomwe e os falantes de Sena e oriundos das terras baixas de Moçambique" (p.255).
 Os Yao tinham emigrado por causa das secas e fome e também dos ataques dos vizinhos lómwes e macuas. (Sengulane, 2016, p.34). Comungando com a mesma ideia, o pesquisador Malyn Newitt, na sua obra: "História de Moçambique" (1995), advoga que "durante a sua passagem a leste do Malawi, os angunes de Maseko haviam por várias vezes atacado os Yao, que por seu turno haviam sido alvos de uma série de saques levados a cabo por guerreiros macuas, estes em busca de escravos". (Newitt, 1995, p.255).
 Portanto, consta que estas invasões ocorreram numa altura em que a seca e a fome se faziam sentir com muita força e em resposta à esses problemas, Newitt (1995), ensina que:
 "Como resposta à guerra à fome e à escravatura, alguns grupos Yao começaram a deslocar-se para sul, ao passo que outros se preferiram organizar em grandes assentamentos defensivos, chefiados pelos líderes mais poderoso e também mais aguerridos" (Ibid., p.256).
 Nesse sentido, antes do século XIX, os factos apontam que: "os Yao conseguido integrar os Macuas e os Macondes nas suas instituições sociais e políticas.
1.2.Localização geográfica
 O grupo etno – linguístico Yao está predominante na zona planáltica e montanhosa do Niassa entre o rio Messinge e Lugenda, prolongando-se o povoamento até, Meponda, e nalgumas zonas, nessa época até a proximidade do Lago a nordeste e sudoeste. O centro dos Yao situa-se actualmente entre o Rovuma a nordeste o Lugenda, a leste o Luambala (afluente do Lugenda a sul) e o Lucheringo (afluente do Rovuma a Este. Os Estados Yao localizavam-se nos habitantes 10 até 14 graus sul[footnoteRef:2]. (Serra, 1988). [2: Segundo Frei Bartolomeu dos Mártires citado por Carlos Serra (1988)] 
1.3.Povoamento dos Yao em Cabo Delgado 
 Os actuais grupos Yao da zona de Palma – Nangado, em Cabo Delgado são originários de Kunamaramba, no Niassa, e de algumas famílias, também do Niassa mas que v9ieram de Tanganyika. “Em Nangadi, havia muito recentemente dois grupos distintos de Yao: os de Nsaka (os Wakansaka) e os Matchemba”[footnoteRef:3] [3: Medeiros, 1997:95.] 
 Segundo Merdeiros (1997, p.95), por volta de 1906 vivia “no planalto dos Makondes” um chefe Yao de nome Machemba (ou Macemba); era um escravista que comandava m bando de antigos escravos, Lidi (Lindi) no Tanganyika e que, depois de ter resistido a várias expedições alemães, em 1899 refugiou-se à sul do rio Rovuma […]. Os primeiros grupos de povoamento Yao chegaram às terras ocidentais da província de Cabo Delgado por volta de 1880. As causas das migrações terão sido quatro:
· Os ataques dos guerreiros Angoni no Niassa Ocidental;
· A ocupação britânica nos lagos;
· Os ataques portugueses no Rovuma e no Chire;
· A guerra dos alemães contra os Angoni no Sul do Tanganyika.
 Face a isto, Segundo Madeiros (1997) "a tradição relata que um importante agrupamento Yao, comandado por Mwambe, também chamado Nyanyangu, do clã Azikoni, terá deixado a região do Unango com destino ao Oriente" (Ibi., p.96). Depois este grupo subdividiu-se:
I. Uma fracção, comandada por Mwembe, dirigiu-se para o sul e foi instalar-se na actual localidade de Retela e mais tarde alguma gente deste subgrupo atravessou o Lúrio e foi fixar-se no Mwite, na actual província de Nampula.
II. Outro subgrupo, tomou a direcção do Norte, atravessou o rio Messalo e foi viver no Sofé da Serra Pemba, no local onde nasce o rio Nikontosha. A vida desta gente tornou-se difícil e miserável. Muitos deles morreram na lagoa Enkala. Escaparam alguns homens que abandonaram a região amaldiçoada. Desde essa época que o lugar chamado Nthia Yo Mwambe, tornou-se um local de peregrinação. (Idem).
1.4.Organizaçao sócio-política dos Estados Yao
 De acordo com Newitt (1995, p.256) "os Yao estavam organizados em muitos reinos e linhagens. As linhagens organizavam-se localmente na base de um grupo de irmãos pois eram linhagens matrilineares – chamados Mbumba – de suas filhas casadas sob chefia de um irmão mais velho. Esteirmão mais velho era designado ASYENE MBUMBA (guardião da linhagem)". Desta forma, vamos descrever a organização social dos Yao com ASYENE MBUMBA (guardião da linhagem):
a) Quanto ao exercício de "guardião da linhagem"
 Para o exercício do cargo mandava a sua residência e das suas mulheres para aldeia do grupo sororal. Os maridos continuavam ligados por fortes acções de parentesco ao seu próprio grupo, para junto do qual viajavam com frequência. O mesmo acontecia com os irmãos casados que viviam longe. (Newitt, 1995, p. 265).
b) Quanto ao exercício do poder político
 Uma das estratégias políticas dos Asyene Mbumba consistia em atrair para as suas unidades residenciais os parentes aliados. O poder político dos chefes Yao sucedia-se pelo número de pessoas que controlavam. 
" O poder dos chefes era nos séculos XVII e XVIII muito limitado e não conseguiam romper definitivamente com as estruturas familiares. Daí a tendência a fragmentação e a reconstituição das pequenas unidades familiares independentes manteve-se até ao século XIX". (Serra, 1988)
c) Organização territorial
 Com o desenvolvimento do comércio do marfim no século XVIII e do comércio de escravos no século XIX, com as transformações económicas, políticas e familiares ocorridas, permitiram o aparecimento de Estados centralizados e fortaleceu o poder dos chefes. Os chefes territoriais deixaram de ser apenas os guardiões das pequenas unidades familiares e passaram a comandar parentes, aliados, clientes e escravos. As fronteiras territoriais eram definidas pelo raio de acção militar e o poder funda-se na for e nos termos ideológicos. Os grandes estados Yao eram os das dinastias Mataka, Mtalica, Macanjila e Jalas (Souto, 1994, p. 66).
d) As formas de exploração do território
 Todo o poder estava concentrado nas mãos de dignatários da capital. No entanto não havia chefes subordinados no território e nenhum tributo era aparentemente cobrado no estado. localmente fora do raio de acção do poder central, as comunidades aldeãs mantinham a sua autonomia económica e familiar, mas as capitais dos estados Yao estavam cheias de escravos. A escravidão interna institucionalizou-se. As jovens escravas obtidas nas razias, eram tornadas esposas de homens livres do grupo sobre o qual o chefe territorial exercia o seu domínio. Os filhos nascidos desses casamentos passavam a estar subordinados directamente aos pais e não aos tios maternos ou as mães. (Merdeiros, 1997, p. 99).
 O trabalho produtivo dos escravos na agricultura e no artesanato, aumentou consideravelmente o poder económico e político dos chefes e modificou o ordenamento habitacional do território Yao. Nessa época surgiram grandes aglomerações habitacionais onde viviam agrupadas as esposas dos chefes. Por exemplo, o primeiro soberano Mataca tinha 600 esposas dispersas por oito aldeias, cerca de 1/3 das quais viviam na capital, Mwembe. (Idem).
1.4.1.Dinastias que dominaram no Estado Yao no século XIX
 De acordo com Souto (p.66) entre as grandes dinastias que dominaram o estado Yao no século XIX, encontram-se de: Mataka, Makanjila, Mponda, Mtalika, Macemba, Kawinga, Jalasi e Matpwiri. No entanro, Souto, refere que "o surgimento destes rfeinos entre os Yao não parece ter estimulado a criaçao de uma máquina administrativa elaborada através da qual o pudessem controlar". (Idem)
 A autra salienta ainda que, "estás políticas que tiveram lugar na sociedade Yao durante o século XIX foram acompanhadas por um certo número de mudanças sociais que ligavam à expansão do comércio e ao crescente contacto com a sociedade Swahil. Estas inovações foram uma resposta aos longos períodos de separaçao da família e de aldeia, se o homem se juntava a uma caravana que seguia para costa. Esta seoparação era precedida de uma série de cerimónias rituais e deviam ser observados certos tabaus entre o homem e a mulher durante o período de separação […]. O outro fenómeno foi o crescimento de cidades e o alargamento de aldeias. O contacto com a costa trouxe aos Yao novas mudanças, onde a maior influência foi a conversão aos islamismo de grande chefes Yao (por exemplo Mataka e Makanjila) e embora nem todos os Yao fossem islâmicos, foram sendo identificados como povo onde os islamismo era sinónimo de ser Yao". (Ibid., p. 67).
1.5.Organização político-administrativa
 Os Estados Yao tinham uma organização político-administrativa bastante complexa. A capital do Estado funcionava como centro do poder político. O aparelho administrativo estava nas mãos de homens da linhagem reinante, segundo a respectiva posição no sistema de parentesco. Todos aqueles que podiam rivalizar no acesso aos principais cargos do poder central eram afastados para os “distritos” distantes da capital. (Serra, 1988)
 Estas regiões eram relativamente autónomas e serviam de tampões a eventuais invasores militares, nestes territórios administrativos existiam chefes regionais e a nível das aldeias eram os chefes das linhagens (senhores da terra) que detinham o poder. 
 A nível do poder central existiam um chefe do comércio que controlava as caravanas, um chefe militar que organizava a defesa e as expedições de razia ou punitivas e um chefe da justiça, os cabos de guerra eram designados pelo título honroso de “Nduna” palavra Nguni, isto por influência dos guerreiros Angoni[footnoteRef:4]. (Idem). [4: Os chefes dos Ndunas usavam como distintivos um pano encalpado em volta da cabeça. Todos eles levavam ao pescoço ou em volta do braço colares que seguravam envolvidos em panos brancos, pequenos remédios e amuletos que o curandeiro tinha fornecido
] 
1.6. Símbolos de poder entre as chefias Yao
 Genericamente, como vimos antes, entyre os Yao, o chefe era designado por mwenye, salvo no caso da chefia da mbumba em que a designação específica era asyene mbumba. (Sengulane, 2016, p. 34).
 Sengulane acresce ainda que, "aos chefes que detinham jurisdição sobre várias povoações, por influência árabe, atribuíam-se o título de sultan ou sultan. (Idem).
· Símbolos de poder entre as chefias yao antes do contacto comercial com os árabes
 Na visão de Sengualne (2016, p. 34) "antes do contacto comercial com os árabes de Kilwa e de Zanzibar, os yao vestiam-se de peles, panos de casca de árvore e de um tecido grosseiro de algodão designado likamambo, fabricado localmente, os chefes reservavam para si o uso exclusivo do likamambo, das peles de leopardo e de leão. Usavam também barba crescida, argolas de marfim nos braços e nas pernas".
· Símbolos de poder entre as chefias yao depois do contacto comercial com os árabes
 O comércio com os árabes trouxe uma maior dignificação das funções de chefia: os chefes de maior importância, os sultani, passaram a usar em exclusivo, um confio perto (cisinho) dem bom tecido ou de feltro. Era também o privilégio seu o uso de panos de cor brilhante com franjas a modo de manto, o uso de uma coroa de cera de abelhas e a ostentação de uma longa espada, que desencadeava sobre os seus joelhos, quando presidia ao Conselho dos Notáveis ou julgava; os chefes de menos importância e a gente da linhagem real usavam cofió vermelho (msuli); os chefes espirituais (chefe ou mwalimu) usavam cofió branco (cimbandiku) com um lenço branco (pafuta) de um pano fino […]. (Ibid., p. 35).
 Portanto, "a pele de leão manteve-se ainda como símbolo de poder". Apenas os chefes grandes se podiam notar sobre ela, sob pena de graves sanções que incluíam a morte ou banimento. Aos chefes menos graduados eram-lhes consentidos que usassem peles de leopardo. (Idem).
 Para finalizar com esta ideia, relativamente à simbologia do poder, Sengulane (2016), postula que: "que a simbologia de poder incluía o facto de durante as reuniões do Conselho dos Notáveis, o sultani, sentar-se num tronco, de tal forma que estivesse acima e pudesse olhar os seus subalternos de uma posição superior, em volta sentavam-seos notáveis e mais longe, no chão, as pessoas do povo". (p. 35).
1.7.O poder judicial entre os Yao
 Os escritos sobre o poder judicial entre os Yao, encontram-se documentantas na obra de Sengualne (2016), com o título: "História das Instituições do Poder Político em Moçambique", entendendo que: 
"O exercício de julgar era monopólio do Sultani. Esta prerrogativa estendia-se aos chefes subalternos por delegação do poder. […], os chefes subalternos podiam ser julgados pelo Sultani e este só secretamente podia sê-lo". (p. 34).
 Portanto, nas povoações, todas as questões eram dirimidas pelo respectivo chefe, assessorado pelos notáveis. Em caso de gravidade era interposto recuso ao Sultani que julgava em última instância. Era costume apresentar directamente a este as questões de maior gravidade ou as que tivessem como arguido pessoa influente. (Idem).
1.8.Poder e espiritualidade 
 De acordo com Newitt (1995, p. 256) a posterior expansão da religião islâmica deu ainda aos chefes a oportunidade de desenvolver um culto dominante oposto àquele dos espíritos, sendo que o Islão incentivava o comércio e constituía uma ajuda preciosa para todos os chefes interessados em se apoderar do controlo dos rituais iniciáticos.
 Em convergência com a ideia de Newiit, por sua vez, Sengulane (2016) na sua pesquisa concluíu que : "
"As atribuições espirituais dos chefes tiveram maior relevância antes da islamizaçâo, quando apenas através dos chefes podia-se prestar culto aos antepassados. Nesse período cabia aos chefes solicitar para o bem colectivo, junto dos túmulos de ancestrais ou de árvores sagradas denominadas Msolo, chuvas e colheitas abundantes, e para tal, o chefe fazia oferendas de ukana e de família aos antepassados. Inavaiavelmente recorria-se também ao curandeiros para aferir a falta de chuvas". (p. 35)
 A chegada dos mwalimu e dos chefes que veincularam a prerrogativa islâmica de poder ser o próprio crente a dirigir as suas grandes preces e petições, diminuiu de forma acentuada a importância dos chefes no campo religioso. (Idem)
1.8.1.Idelogia dos Estados Yao
 Na visão de Serra (1998, p. 220), "nos estados Yao certas práticas mágico-religiosas utilizadas pelas classes dominantes desempenharam um papel importante quer nas expedições de caça ao escravo, quer no envio a costa de caravanas de mercadores".
 Na sua condição de dono de terreno, o soberano exercia poderes militares ao culto dos antepassados as práticas mágicas. Antes das caravanas partirem todos os homens deviam confessar púbica e livremente os crimes cometidos sob pena de graves consequências para despacho da expedição. (Idem). Por outro lado Merdeiros (1997) cita que: 
"O soberano realizava as cerimónias próprias aos antepassados e que entregavam os amuletos aos mercadores, ambos considerados indispensáveis ao bom sucesso das viagens. A islamização da Aristocracia Yao fortaleceu ainda mais o poder tesértica dos que passaram a ser todos eles designados e considerados como Xeiques […]"
 Está claro que Serra e Merdeiros comungam com a mesma ideia, pois para eles, a todos os níveis hierárquicos era a utilização dos conhecimentos mágico-religiosas que justificava o equilíbrio.
1.9.Actividades económicas
 Antes das grandes mudanças económicas e políticas surgidas durante os séculos XVIII e XIX, com o comércio de marfim e dos escravos a sociedade Yao era caracterizada por uma economia agrícola dos cereais, onde as linhagens matrilineares (Mbumba) constituíam o quadro da existência das unidades de produção. (Serra, 1988)
 A maior parte dos trabalhos agrícolas (sementes, sacha, e colheita) eram feitos pelas mulheres e filhos solteiros. Os homens adultos dedicavam-se a caça e a pesca em grande escala bem como a metalurgia. A caça e a pesca não permitiam relações de produção duráveis mas possibilitavam com o desenvolvimento do comércio de marfim a emergência de grandes chefes caçadores cujo prestígio e poder se afirmaram mesmo para fora do parentesco linhageiro. Para além da agricultura, da caça e de pesca, os Yao de antes dos grandes Estados desenvolveram o fabrico de instrumentos de ferro como enxadas, machados, armas, pois o metal abundava no território. A técnica metalúrgica foi apropriada pelos A-chisi (ferreiros) que constituíram um clã e desenvolveram o comércio regional e a longa distância tendo sido os primeiros a estabelecer contactos com a costa. (Souto, 1994, p. 66).
 Do século XVI ao século XIX os Yao estabeleceram contactos comerciais com Quiloa, com Zanzibar, Col Ibo e com a Ilha de Moçambique para o interior com a margem ocidental do Lago Niassa, com o Zumbo e com o Kazembe da Zâmbia. Nas viragens à costa do Índico os Yao trocavam tabaco, artefactos de ferro, peles e marfim por sal, tecidos e missangas. Umas partes destas mercadorias eram utilizadas para adquirir o gado nas terras a sul do Lago Niassa. Mas socialmente as mercadorias serviam para consolidar o poder dos chefes caravaneiros dentro das respectivas linhagens. (idem)
 As trocas mercantis com a costa incrementavam uma maior divisão social de trabalho. Os Yao foram grandes fornecedores de escravos para os mercados de Quelimane, Angoche, Mussuril, Ilha de Moçambique, Lúrio, Quissanga, Ibo, Tungué e para os mercados, Zanzibarila a norte de Rovuma como Kilwa, Zanzibar, Mikindani e outros. Tornou-se necessário que houvesse grupos especializados de caçadores e nos períodos de escravos, de caçadores de escravos. A partir dessa chefatura a organização do comércio a longa distância era feita pelo chefe do território. Era ele que acumulava as riquezas, que controlava e distribuía os produtos vindos da costa, o que lhes possibilitava estabelecer novas alianças e angariar novos clientes. A partir de 1840/50 os grandes Estados Yao como Mataka, Mtalica, Makanjila e Jalasi tinham no comércio de escravos em Moçambique, como pilar da economia e fonte de sua dominação de classe. (Merdeiros, 1997).
Conclusão
Em função do desenvolvimento do tema do presente trabalho, em funçao do objectivo geral e objectivos específicos respectivamente, podemos tecer algumas considerações finais. Partido do principio de que a literatura consultada sobre os Estados Yao e as Suas Instituições Políticas, permite-nos concluir que no que se refere à simbologia do poder, organização social e político-administrativa dos Yao, podemos frisar que : A imitação dos árabes, os chefes Yao, usavam o “Kofió” e a caboia (kanzu) que pelas cores garridas os distinguiam dos homens do comum. As mulheres do Mwenye vestiam de modo diferente das outras, quem se metesse com elas, era pena de morte certa. As pessoas de comum nem sequer podiam falar com elas, era perigoso. A autoridade e o poder que o régulo tinha dava-lhe também o direito a dispor de 30 ou mais mulheres numa só povoação. Estas mulheres viviam numa espécie de “Harém”, num cercado onde havia algumas palhotas. Ninguém podia aproximar-se a este lugar. O tributo era pago aos chefes menores e depois era transferido em cadeia até ao “sultão”. Para além de significar, para o chefe territorial, uma fonte de acumulação de riqueza, significava também obediência e submissão dos seus súbditos.. 
A todos eles e ao Mwenye era devida a obediência mais absoluta. Quem não cumprisse esta regra era expulso das hostes guerreiras e obrigado a regressar à própria povoação onde por toda a vida haveria de sofrer o desprezo de todos, perdendo o direito de participar nas reuniões. Quase sempre era insultado, batido, mal tratado e considerado como mulher ou escravo. Os fugitivos eram condenados à pena capital. O Mwenye devia assistir a batalha fixando a própria residência no acampamento principal. Como vestimenta própria vestia uma espécie de batina preta, longa e ricamente bordada.
Quando uma linhagem reinante duma povoação não existia um herdeiro varão iam geralmente buscá-lo (procurá-lo)à mesma linhagemnuma outra povoação. As povoações eram aglomerados urbanos muito povoados, urbanisticamente bem organizados e com um traçado geométrico das suas ruas e uma disposição alinhada das casas. Para o controlo sanitário e distribuição da água existiam em Mwembe, por exemplo, diversos canais que atravessavam a povoação assim como um sistema rudimentar de esgotos
Sobre a ideologia dos Estados Yao, os autores (Merdeiros e Serra), foram claros ao pronunciarem que, "as cerimónias mágico-religiosas e a distribuição dos amuletos caracterizavam a ideologia nesses estados. As cerimónias mágico-religiosas eram importantes por duas razões: 1) porque davam confiança e coragem aquando das realizações de missões consideradas perigosas, como as lutas pela captura de escravos; 2) porque originavam atitudes e comportamentos que contribuíram para a manutenção e reprodução das classes dominantes, isto é, funcionavam como legitimadores do poder reinante. E só, o contacto com a Costa trouxe mudanças no seio dos Yaos, através da conversão ao islamismo. As elites passaram a designar-se de Xeiques".
Por fim, o impacto dos Estados Yao, reflectiu-se em: as trocas mercantis incrementaram mais de acção final do trabalho e da produção; Comerciantes Yao foram influenciados pelos costumes dos povos com quem comercializavam, por exemplo, foram a utilizar camas com uma base de estacas e também aprenderam a fabricar canhangulo (espingardas), Nas viagens à costa, os Yao aprenderam e foram influenciados pela prática da religião Islâmica, mas os camponeses continuaram ligados ao culto dos antepassados; Contudo, os Yao islamizados são especificamente os comerciantes e os ferreiros.
Referênciais Bibliográficas 
MADEIROS, Eduardo da Conceição, História de Cabo Delgado e do Niassa (c. 1836 – 1929), Maputo, 1997.
NEWITT Malyn. História de Moçambique. Lisboa, Publicações Europa-Americana, 1995. 
SENGULANE, Hipólito. História das Instituições do Poder Político em Moçambique. Maputo: Alcance Editores. 2016.
SERRA, Carlos, História de Moçambique, vol. I, Primeiras Sociedades Sedentárias e Impacto dos Mercadores (200/300 – 1886), Departamento de História da UEM, Maputo, 1988.
SOUTO, Amélia. Guia bibliográfico para os estudantes de história de Moçambique (200/300 -1928/30). UEM: 1994