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Amilcar Freitas Thiago Ottoboni ELEMENTOS CONSTITUINTES DO SORRISO e Planejamento Reverso "A vida é uma aprendizagem diária. Afasto-me do caos e sigo um simples pensamento: Quanto mais simples, melhor!" José Saramago 01 CA PÍ TU LO 004 003 Uma Abordagem Simples em Resinas Compostas S IM P L E T 01A,B § Situação inicial (A). A proporção dos dentes anteriores superiores pode ser calculada pela relação altura X largura, sendo que o incisivo central superior apresenta largura que corresponde a 80% da altura, o incisivo lateral superior a 69%, e o canino superior a 72%, aproximadamente. Na imagem superior observe a situação inicial antes do procedimento restaurador. Caso realizado pelos dentistas Amilcar Freitas e Erika Almeida, e pelo TPD José Carlos Romanini. odos os tipos de emoções vivenciadas pelas pessoas podem ser demonstradas por meio de expressões faciais, dentre as quais o sorriso é o responsável por fornecer as informações mais reveladoras da personalidade e do estado de espírito momentâneo do indivíduo1,2. Dentre os elementos constituintes do sorriso, os dentes são os que mais se destacam; no entan- to, os lábios superior, inferior e a gengiva têm igual importância na composição do sorriso. To- dos eles atuam em conjunto durante a dinâmica do sorriso, pois interagem entre si. Por razões di- dáticas, iremos estudá-los separadamente para melhor explorar cada um destes elementos. ELEMENTOS DENTÁRIOS A relação de posicionamento dos elementos dentários, especialmente no segmento ante- rior da boca, influencia na percepção estética de um sorriso. Dentre todos os elementos constituintes do arco dentário, o incisivo central superior deve ser o dominante no sorriso. Ele deve ser o que mais chama atenção durante o sorriso, sendo respon- sável por transmitir a sensação de força, unida- de, jovialidade, e até mesmo a sensualidade de um sorriso. O formato do incisivo central supe- rior deve estar em harmonia com o formato da face do indivíduo3-5. Podemos encontrar dentes com diferentes formatos, como quadrado, retan- gular, triangular e arredondado (ou ovoide)6. Independente do formato dentário, todos devem seguir alguns princípios de proporção dentária. Especialmente os seis dentes anteriores superio- res, que são aqueles geralmente mais vistos du- rante o sorriso e, por isso, devemos ter especial atenção durante a restauração dos mesmos. Dentre os diversos conceitos criados para nor- tear a proporção dos elementos dentários, a relação altura X largura parece ser extrema- mente confiável e de fácil entendimento pelos profissionais. Geralmente, o incisivo central superior deve apresentar uma largura que cor- responda a 80% da sua altura, podendo haver um limite de tolerância de 10% para mais ou para menos de acordo com o formato da arca- da dentária e do rosto do indivíduo. Sendo as- sim, um incisivo central superior pode ter sua largura variando entre 80% e 90% em relação à sua altura, conforme é possível observar na ilustração abaixo. Já o incisivo lateral e o cani- no superior podem apresentar uma média de 69% e 72%, respectivamente, para a relação altura X largura6,7 (Figuras 01A,B). Para se calcular a altura a partir da largura, pode-se fazer uma regra de três simples, con- forme ilustrado a seguir para o incisivo cen- tral superior: ou A L 0,8 = L = A x 0,8 Na prática, torna-se mais fácil calcular inicial- mente a largura, através da medição com o auxílio de uma régua ou compasso de pontas secas no modelo de estudo, ou até mesmo dire- tamente na boca do paciente. Baseado na largura média (distância mésio- -distal) encontrada para os dentes anteriores superiores, pode-se então calcular a altura cor- respondente seguindo a proporção dentária previamente estabelecida. A tabela ao lado in- dica a média da distância mésio-distal dos den- tes anteriores superiores6. INCISIVO CENTRAL INCISIVO LATERAL CANINO Largura média 8,34 mm 6,57 mm 7,47 mm Tabela 01 § Largura média dos dentes anteriores superiores com base na literatura6. Esta medida pode servir como ponto de partida para se calcular a altura correspondente de cada elemento dentário seguindo os valores de proporção dentária apresentados na Figura 01. AL TU RA = X AL TU RA = X AL TU RA = X LARGURA = 80%X LARGURA = 69%X LARGURA = 72%X A B 006 005 Uma Abordagem Simples em Resinas Compostas S IM P L E Outra relação que se pode obter a partir do incisivo central superior diz que sua largura (distância mésio-distal) deve corresponder à largura do incisivo central inferior mais metade da largura do incisivo lateral infe- rior6. Em algumas situações, como nos casos de fechamento de diastemas, onde se faz necessário aumentar a largura do dente, é importante aumentar também a altura des- te elemento dentário a fim de manter a pro- porção dentária (Figura 02A). Nestes casos, o alongamento dentário pode ser realizado na direção incisal, acrescentando material restaurador na borda incisal; ou o alongamento dentário pode também ser reali- zado na direção cervical, sendo necessário, nes- ses casos, a realização de cirurgia gengival. Em muitos casos, o alongamento dentário ocorre tanto na direção cervical, como na direção inci- sal, simultaneamente. Durante o exame inicial do paciente, o den- tista deve realizar uma análise estética do sorriso, observando o longo eixo dental, o posicionamento da margem gengival (zênite gengival), a localização do ponto de contato interdental, as ameias gengivais e incisais, assim como a curva do sorriso determinada pelas bordas incisais6-11(Figura 02B). 02A,B § A largura do incisivo central superior corresponde à largura do incisivo central inferior mais a metade da largura do incisivo lateral inferior (A). Checklist estético para análise de sorrisos: (1) longo eixo dental, (2) zênite gengival, (3) ponto de contato interdental, (4) ameia gengival, (5) ameia incisal, (6) curva incisal (B). LONGO EIXO DENTAL O longo eixo de cada elemento dentário deve ser inclinado, com a região cervical voltada para a distal. Quanto mais posterior for o elemento den- tário, mais acentuada deve ser essa inclinação. ZÊNITE GENGIVAL É o ponto mais elevado da margem gengival de cada dente, e normalmente está posicionado na metade distal do elemento dentário. Traçan- do-se uma linha imaginária no sentido cérvico- -incisal no centro de cada dente, o zênite gen- gival deve estar posicionado atrás dessa linha. PONTO DE CONTATO INTERDENTAL Os pontos de contato interdentais normal- mente estão posicionados mais próximos da borda incisal nos dentes mais anteriores, e vão se posicionando progressivamente mais distantes da curva incisal à medida que vão se distanciando da linha média central. Des- sa forma, entre os dois incisivos centrais su- periores, o ponto de contato deve estar loca- lizado bem próximo à borda incisal. Já entre caninos e pré-molares, os pontos de contato localizam-se mais distantes da curva incisal e, consequentemente, mais próximos da pa- pila gengival. 1,5X 1X 0,5X 1 2 3 4 5 6 A B 008 007 Uma Abordagem Simples em Resinas Compostas S IM P L E AMEIA GENGIVAL A ameia gengival está localizada acima do ponto de contato, e corresponde ao espaço onde deve estar acomodada a papila gengi- val. O ápice das papilas gengivais nos dentes superiores está sempre voltado para baixo e, idealmente, o seu posicionamento deve acom- panhar a curva incisal, ou seja, entre os in- cisivos centrais superiores, o ápice da papila gengival deve estar posicionado mais abaixo, e à medida que for localizando-se mais pos- teriormente, o ápice da papila gengival deve estar posicionado mais acima. AMEIA INCISAL A ameia incisal está localizada abaixo do ponto de contato. Normalmente a ameia in- cisal apresenta um formato triangular com seu ápice voltado para cima e delimitadopelo ponto de contato, enquanto a base des- se triângulo tangencia as bordas incisais dos dentes adjacentes. Nos dentes mais anterio- res os ângulos dentais são mais acentuados (próximos a 90°), e à medida que se desloca para a região posterior da boca, esses ângu- los vão se tornando cada vez mais arredon- dados, deixando de ser ângulo e assumindo o formato de cúspides. Por isso, as ameias in- cisais têm dimensões maiores entre os den- tes posteriores, e dimensões menores entre os dentes mais anteriores. Normalmente, o tamanho da ameia incisal entre os dois inci- sivos centrais superiores corresponde à me- tade do tamanho da ameia entre os incisivos central e lateral superiores, que por sua vez corresponde à metade do tamanho da ameia entre incisivo lateral e canino superior. Quando se divide em quatro partes a distância entre o ápice da papila gengival e a borda inci- sal do incisivo central superior, a ameia incisal delimitada pelos incisivos centrais superiores deve estar contida neste último quarto (1/4). Já quando se divide em três partes a distância en- tre o ápice da papila gengival e a borda incisal do incisivo lateral superior, a ameia incisal deli- mitada pelos incisivos central e lateral superio- res deve estar contida neste último terço (1/3). E quando se divide em duas metades a distân- cia entre o ápice da papila gengival e a ponta de cúspide do canino superior, a ameia incisal de- limitada pelo incisivo lateral e canino superior deve estar contida nesta última metade (1/2). CURVA INCISAL A curva incisal é delimitada pela borda incisal, ou oclusal, de cada elemento dentário do arco superior. Em uma visão frontal, a curva incisal é ascendente para distal, ou seja, apresenta-se mais abaixo na região anterior, e vai progres- sivamente localizando-se mais acima na altura dos dentes posteriores. Em uma visão frontal, quando os incisivos su- periores apresentarem-se mais curtos do que os caninos superiores, tem-se uma curva do sorriso invertida. Isso proporciona prejuízo es- tético e também funcional em virtude da au- sência da guia de desoclusão anterior. A curva incisal, que por alguns autores tam- bém é chamada de plano incisal, deve estar em harmonia com as demais linhas horizon- tais de referência da face, como a linha das comissuras labiais, linha inter-pupilar e linha das sobrancelhas. 03 § A ameia incisal entre os dentes anteriores superiores pode ter suas dimensões delimitadas pela distância entre o ápice da papila gengival e a borda incisal: entre os incisivos centrais superiores, a ameia incisal está contida no último quarto (1/4); entre os incisivos central e lateral superiores, a ameia incisal está contida no último terço (1/3); e entre o incisivo lateral e o canino superior, a ameia incisal está contida na última metade (1/2). 04A,B § A curva do sorriso “normal” (A) deve ser ascendente para distal, estando as bordas dos incisivos centrais superiores mais abaixo em relação aos de- mais elementos dentários. Quando os incisivos centrais forem mais curtos ou estiverem com suas bordas incisais posicionadas acima das bordas dos demais dentes, o sorriso passa a ser chamado “invertido” (B). A B 1/4 1/3 1/3 1/3 1/2 1/2 1/4 1/4 1/4 010 009 S IM P L E Uma Abordagem Simples em Resinas Compostas LÁBIOS SUPERIOR E INFERIOR A beleza de um sorriso não depende somente dos elementos dentários, mas sim da sua inte- ração com os tecidos moles adjacentes, como os lábios superior e inferior. A curva incisal deve acompanhar o contorno do lábio inferior. Assim, as bordas dos elementos dentários superiores não devem tocar exagerada- mente no lábio inferior. Se houver algum contato entra a borda dos dentes superiores com o lábio inferior, este contato deve ocorrer internamente ao limite da linha “seca-úmida” do lábio inferior. Caso esse contato aconteça externamente a essa linha, os dentes ficarão demasiadamente vestibu- larizados, prejudicando a estética e a fonética. Em mulheres que costumam usar batom nos lábios, quando os dentes estão muito vestibularizados, é comum as bordas dos dentes anteriores superio- res ficarem manchadas pelo batom (Figura 05). Durante o sorriso há diferentes possibilidades de posicionamento dos lábios superior e inferior. Di- daticamente, podemos separar o posicionamen- to dos lábios em linha labial baixa, média e alta. A linha labial baixa acontece quando, durante o sorriso, somente aparecem os dentes (até 75% dos dentes ficam à mostra). A linha labial média acontece quando, durante o sorriso, as papilas gengivais e os dentes ficam à mostra (exceto o zênite gengival, região cervical dos dentes). Já a linha labial alta acontece quando, durante o sor- riso, os dentes e as papilas ficam à mostra. Nesse último caso, quando a exposição de tecido gengi- val for muito acentuada (normalmente superior a 3 mm), o que chamamos de sorriso gengival, e se isso acarretar algum desconforto estético ao paciente, pode-se planejar uma plástica gengival por meio de cirurgia periodontal ou ainda a apli- cação de proteína botulínica nos músculos res- ponsáveis pela elevação do lábio superior duran- te o sorriso a fim de amenizar o sorriso gengival. É importante ressaltar que, nos casos de linha labial alta, todos os detalhes ficam à mostra du- rante o sorriso do paciente. Dessa forma, toda va- riação de posicionamento em qualquer um dos itens do checklist apresentado na Figura 02B tor- na-se visível e dificulta sobremaneira a resolução estética do tratamento. Apesar da maioria dos profissionais somente observar o sorriso gengi- val no arco superior, a mesma atenção deve ser dada para os casos de sorriso gengival inferior. PERIODONTO Muitas vezes os tecidos periodontais são tão im- portantes quanto os elementos dentários para a melhora estética do sorriso, especialmente em casos de sorriso gengival (linha labial alta). E quando for necessária qualquer intervenção pe- riodontal, esta deve ser realizada previamente ao tratamento restaurador, seguindo o conceito de planejamento reverso, que será apresentado a seguir neste capítulo. Normalmente, as intervenções periodontais por razões estéticas são realizadas para melhorar o posicionamento dos zênites gengivais, conforme apresentado nas Figuras 06A-C. Nesse sentido, podemos classificar segundo o contorno e a morfologia gengival três diferentes padrões para o posicionamento dos zênites gen- givais dos dentes anteriores superiores: padrão sinuoso, reto e invertido6,8 (Figuras 07A-C). Padrão sinuoso acontece quando o zênite gengi- val do incisivo lateral superior está abaixo da li- nha imaginária formada pelos zênites gengivais do inciso central e canino superior. Padrão reto acontece quando o zênite gengival do incisivo la- teral superior está na mesma atura da linha for- mada pelos zênites gengivais do inciso central e canino superior. 05 § A curva incisal normal acompanha a borda interna do lábio inferior. As bordas dos dentes anteriores superiores não devem tocar demasiadamente forte no lábio inferior e devem posicionar-se internamente à linha seca-úmida do lábio inferior. 06A-C § Caso clínico mostrando a melhora estética do sorriso pela associação de novas restaurações nos quatro incisivos superiores juntamente com plástica gengival nos dois incisivos centrais. A realização da cirurgia periodontal, conforme apresentado na figura 06B, foi necessária para o reposicionamento dos zê- nites dos incisivos centrais com o objetivo de devolver o padrão sinuoso de posicionamento dos zênites gen- givais. Caso realizado pelos dentistas Amilcar Freitas, Erika Almeida, Tasiana Guedes, Keyla Meira e pelo TPD José Carlos Romanini. A B C 012 011 Uma Abordagem Simples em Resinas Compostas S IM P L E E o padrão invertido acontece quando o zênite gengival do incisivo lateral superior está acima da linha imagináriaformada pelos zênites gen- givais do incisivo central e canino superior. Considerando os três diferentes padrões de po- sicionamento dos zênites gengivais citados aci- ma, o padrão sinuoso é o ideal sob o ponto de vista estético, sendo o padrão reto considerado aceitável. Já o padrão invertido é passível de A IMPORTÂNCIA DO ENCERAMENTO DIAGNÓSTICO Até o momento, vimos algumas caracterís- ticas que um sorriso harmônico e agradável esteticamente deve apresentar. No entanto, esse conceito do que seria esteticamente satisfatório é subjetivo, e pode variar entre indivíduos. Nesse contexto, a opinião do pró- prio paciente é muito importante e deve ser considerada durante o planejamento das res- taurações estéticas. Assim, um fator-chave para se alcançar o su- cesso na odontologia estética atual é a “pre- visibilidade”. A avaliação das expectativas do paciente e a compreensão das diferentes possibilidades de tratamento, assim como as limitações inerentes a cada uma delas, são aspectos fundamentais a serem observados antes de iniciarmos qualquer plano de trata- mento que envolve odontologia estética. Para isso, conhecimento, técnica e comunicação são quesitos que o dentista deve apresentar ao longo do tratamento8,10. Para se obter um resultado restaurador de su- cesso, o planejamento reverso deve ser realiza- do para captar o máximo de detalhes possível e assim conseguir um tratamento personaliza- do e com o máximo de previsibilidade. A im- portância do enceramento diagnóstico nesse processo foi relatada por muitos autores, que descreveram uma técnica de execução do mo- ck-up (ensaio restaurador intraoral) onde é realizada a muralha de silicone através do en- ceramento diagnóstico aditivo, para a inserção de resina acrílica ou bisacrílica, antes mesmo do procedimento restaurador começar. Assim o paciente consegue pré-visualizar como será intervenção, que pode ser realizada por meio de enxerto gengival para redução do compri- mento do incisivo lateral superior quando este se apresentar alongado em relação aos dentes vizinhos; ou ainda pode ser realizado aumento de coroa clínica no incisivo central e no cani- no quando estes dois dentes estiverem curtos e o incisivo lateral se apresentar na proporção dentária adequada, conforme discutido ante- riormente no item 1 deste capítulo. o resultado do tratamento antes mesmo que ele seja executado. Isso permite ao dentista obter informações não só técnicas sobre o vo- lume restaurador, anatomia dental, desgaste a ser realizado, mas também realizar testes de função e guias para estabilização do caso. Esse procedimento de pré-visualização do resultado final das restaurações é a melhor forma para planejar o tipo de preparo para restaurações indiretas, assim como também para mensurar os contornos, os espaços e as proporções em restaurações diretas12,13. A partir dessa técnica também é possível confeccionar guias de preparos dos dentes a partir do enceramento diagnóstico. Assim, após o enceramento realizado e o mock-up realizado na boca, que serve como projeto final da futura restauração, o preparo dental pode então ser iniciado a partir do mock-up aderido sobre o dente original, criando os espaços a partir do volume final até chegar ao dente natural. COMO REALIZAR O PROCEDIMENTO O enceramento diagnóstico deve ser muito bem direcionado para cada tipo de trabalho, seja para restaurações diretas em resina com- posta ou restaurações indiretas, que podem ser de compósito ou cerâmica. ENCERAMENTO PARA RESTAURAÇÕES CERÂMICAS Cabe ao cirurgião-dentista captar todos os an- seios, as queixas estéticas, necessidades funcio- nais do paciente, obter o protoloco fotográfico, realizar uma moldagem em silicone de adição e enviar todas essas informações para o técni- co em prótese dental para assim realizarem o 07A-C § Três diferentes padrões de posicionamento dos zênites gengivais: padrão sinuoso (zênite do incisivo lateral abaixo dos zênites do incisivo central e do canino, formando um triângulo com ápice voltado para baixo) (A); padrão reto (zênite do incisivo lateral na mesma altura dos zênites do incisivo central e do canino, formando uma linha reta) (B); padrão invertido (zênite do incisivo lateral acima dos zênites do incisivo central e do canino, formando um triângulo com ápice voltado para cima) (C). A B C 014 013 Uma Abordagem Simples em Resinas Compostas S IM P L E planejamento juntos, onde o TPD vai realizar o enceramento. Cabe também informar ao TPD qual trabalho a ser realizado, se será realizada uma faceta, uma coroa ou um fragmento, para o enceramento ficar o mais próximo do resul- tado final13,14. § Vantagens: o TPD vai realizar as restaurações cerâmicas, portanto ele deve realizar o ence- ramento diagnóstico; assim vai conseguir um melhor resultado em termos de anatomia e de- senho do sorriso. § Desvantagens: custo laboratorial. 08A,B § Modelo de estudo inicial (A) e após realizado o enceramento diagnóstico (B). Trabalho realizado pelo TPD Reginaldo Ferreira – Odontolab, Londrina-PR. 09A,B § Modelo de estudo inicial (A) e após realizado o enceramento diagnóstico pelo próprio dentista (B). ENCERAMENTO PARA RESINA COMPOSTA O cirurgião-dentista vai captar não somente todos os anseios, as queixas estéticas e neces- sidades funcionais do paciente, mas também realizar o protocolo fotográfico e realizar uma moldagem com silicone de adição para obter um modelo de estudo com alta precisão. Dessa forma o dentista poderá estudar o caso, planejar e realizar o próprio enceramento diagnóstico, acrescentando cera somente nas regiões que se- rão restauradas com resina composta, para re- plicar fielmente o resultado final do trabalho15-17. § Vantagens: o dentista irá treinar previamen- te a anatomia e o contorno dental específicos daquele trabalho restaurador, além de poder realizar previamente macro e microtexturas superficiais. Assim, no trabalho restaurador na boca, consegue-se um resultado com mais de- talhes, e geralmente com maior previsibilidade (pois o caso já foi treinado no enceramento) e naturalidade para o paciente. § Desvantagens: tempo que o cirurgião-den- tista vai necessitar para encerar, além de re- querer uma curva de aprendizado, já que os dentistas, normalmente, não estão habituados a realizar o enceramento12. Existem duas maneiras para se realizar o en- ceramento diagnóstico: de forma aditiva ou regressiva. A A A B 016 015 Uma Abordagem Simples em Resinas Compostas S IM P L E 10A,B § Enceramento diagnóstico realizado somente através do acréscimo de cera, sem nenhum desgaste do modelo de gesso. 11A-F § Inicialmente foi realizado o desgaste nas áreas marcadas a lápis no modelo de gesso, para em seguida confeccionar o enceramento diagnóstico. A restauração final em resina composta acompanhou as mesmas características de tamanho, forma, volume e textura do enceramento previamente realizado. ENCERAMENTO ADITIVO É quando o enceramento é realizado somen- te por meio do acréscimo de cera, sem ne- nhum tipo de desgaste do modelo de gesso, nem em dentes, nem em gengiva, devolven- do a anatomia e o contorno final do trabalho (Figuras 10A,B). ENCERAMENTO REGRESSIVO Ocorre quando antes do acréscimo de cera é necessário realizar algum tipo de desgaste do modelo de gesso, seja em dente e/ou gengiva, para melhorar e harmonizar proporções devido algum tipo de volume mesial/distal excessivo, giroversão, vestibularização e mal posiciona- mento dental. A sequência de fotos abaixo vai mostrar um caso clínico em que a restauração final apresentou as mesmas características do enceramento diagnóstico realizado pela técni- ca regressiva (Figuras 11A-F). Quando se realiza o desgaste no modelo, o mo- delo inicial deve ser preservado e marcado onde foi realizado o desgaste para que o profissional saiba qualo local preciso dos desgastes e, em seguida, reproduza na boca do paciente16. A B A C E B D F 018 017 Uma Abordagem Simples em Resinas Compostas S IM P L E Quando o enceramento é aditivo, é possível rea- lizar uma técnica de teste do resultado final na boca, antes de qualquer desgaste prévio. Com essa técnica chamada mock-up, após a confec- ção de uma muralha de silicone vestíbulo-lin- gual sobre o modelo encerado insere-se nessa muralha uma resina bisacrílica (ou acrílica), levando-a na boca para transferir todas as in- formações feitas no enceramento diagnóstico, e permitir a visualização na boca para testes estéticos, fonéticos e funcionais (avaliação das guias caninas e anterior). Dessa forma, tem-se uma previsibilidade no tratamento onde o pa- ciente pode, ou não, aprovar a arquitetura e o desenho do sorriso. Quando o enceramento é regressivo, a técnica do mock-up só é possível quando o mesmo desgaste feito no modelo de gesso previamente ao encera- mento também é realizado nos dentes antes da inserção da muralha com a resina bisacrílica. 12A,B § Mock-up realizado a partir do enceramento aditivo realizado no modelo apresentado na Figura 08. Dentes naturais do paciente (A). Mock-up realizado com resina bisacrílica sobre os dentes do paciente, sem que nenhum desgaste tenha sido realizado nos dentes (B). Portanto, uma vez que o cirurgião-dentista ti- ver compreendido os tipos e as indicações de cada enceramento diagnóstico, é possível re- alizar restaurações diretas (resina composta) ou indiretas (cerâmicas ou compósitos) com previsibilidade, pois os padrões de tamanho, o volume vestibular e incisal, e a anatomia pri- mária e secundária já estarão bem definidos, selecionados e planejados. Enceramento para restaurações cerâmicas: enviar o máximo de informações para o TPD (fotos, moldes em silicone de adição e informa- ções do trabalho a ser realizado). Enceramento para resina composta: realizar o mesmo processo do enceramento para cerâmi- ca, mas o próprio dentista vai analisar tudo e realizar o enceramento. O que precisamos para encerar? § Lamparina, pavio, álcool, gotejador elétrico. § Espátula Hollenback 3 ou 3S, ou instrumen- tais para enceramento. 13A,B § Mock-up realizado a partir do enceramento regressivo. Dentes naturais do paciente após a remoção das resinas antigas (A). Mock-up realizado com resina bisacrílica sobre os dentes do paciente (B). A A B B 020 Uma Abordagem Simples em Resinas Compostas 019 S IM P L E 14A-G § Imagens dos instrumentais necessários para realização de enceramento diagnóstico: gotejador elétrico digital (A), gotejador elétrico analógico (B), e alguns dos instrumentais usados para confecção dos enceramentos anteriormente mostrados (C). Refinamento de enceramento diagnóstico realizado com instrumentos específicos (por Murilo Calgaro) (D-G). CASOS CLÍNICOS RESTAURAÇÕES DIRETAS (RESINAS COMPOSTAS) CASO 1 Necessidade de recuperação de anatomia dentária e textura de superfície, realizado com resina composta por se tratar de pa- ciente extremamente jovem. CASO 2 Necessidade de devolução da correta anato- mia do incisivo central direito. Caso de ele- vada dificuldade em virtude de ser impor- tante realizar a cópia do dente adjacente em resina composta. Neste caso, é impor- tante observar sempre a zona de transição do perfil de emergência. 15A-C § Situação inicial (A), enceramento diagnóstico para resina composta (B), e restaurações diretas finalizadas (C) para mostrar a previsibilidade da técnica. 16A-C § Situação inicial (A), enceramento diagnóstico para resina composta (B), e restauração direta finalizada (C) para mostrar a previsibilidade da técnica. A B C E G D F A A B B C C 022 021 Uma Abordagem Simples em Resinas Compostas S IM P L E RESTAURAÇÕES INDIRETAS (CERÂMICAS) Paciente adulta, sexo femini- no, desejava realizar restaura- ções indiretas cerâmicas em substituição das restaurações em resinas compostas con- feccionadas há sete anos. Foi realizado o planejamento re- verso a partir do enceramen- to diagnóstico para a confec- ção de dez facetas cerâmicas (TPD Reginaldo Ferreira). O enceramento diagnóstico serviu como referência para a estratificação das restaura- ções cerâmicas no momento da confecção laboratorial. É importante ressaltar que, so- mente após a realização do mock-up, é que foram feitos os preparos dentários, a mol- dagem e cimentação dos la- minados cerâmicos. REFERÊNCIAS 1. Romano R. The art of the smile. 1a ed. Chicago: Quintessence, 2006. 2. Levignac J. Anatomie et pathologie du sourire. J Med Esthet Chir Derm 1987, 14:181-184. 3. Telles D. Prótese total – convencional e sobre im- plantes. 1a ed. São Paulo: Ed. Santos, 2011. 4. Turano JC, Turano LM. Fundamentos de prótese to- tal. 9a ed. São Paulo: Ed. Santos, 2012. 5. Volpato C, Garbelotto LGD, Zani IM, Vasconcellos DK. Próteses odontológicas: uma visão contemporânea – fundamentos e procedimentos. 1a ed. São Paulo: Ed. Santos, 2012. 6. 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Sorriso final da paciente (D) para mostrar a previsibilidade da técnica. Caso realizado pelos dentistas Thiago Ottoboni e Valter Scalco, e pelo TPD Reginaldo Ferreira. A B C D