Prévia do material em texto
DIREITO DAS SUCESSÕES Exercício de Revisão 1 - (OAB PR, 2/2006) Brás Cubas tinha 74 anos, era solteiro, não tinha filhos, nem outros descendentes ou ascendentes, e expirou em sua bela Chácara de Catumbi às duas horas da tarde de uma sexta-feira (dia 25) do mês de agosto de 2006, deixando um patrimônio de R$ 3.000.000,00. Em testamento público, formulado de modo a atender todos os requisitos legais de validade, nomeou como legatário Assis Machado, a quem deixou todos os direitos sobre sua invenção devidamente patenteada, o famoso “emplasto de Brás Cubas”. Brás Cubas deixou um único irmão, Quincas Borbas. Assis Machado, a seu turno é pai de Bento Casmurro Machado. Descobriu-se, porém, que Brás Cubas foi dolosamente envenenado por Assis Machado, o que lhe causou um problema respiratório agudo e sua morte. Pergunta-se a) sob que fundamento seria possível afastar o direito de Assis Machado à sucessão de Brás Cubas? A legislação civil estabelece duas modalidades de exclusão do herdeiro que ofende o sucessor, quais sejam, por indignidade ou por deserdação, sendo esta última admitida apenas na sucessão testamentária. A indignidade consiste em uma sanção que impede o herdeiro ou legatário de auferir bens e direitos do autor da herança contra quem praticou alguma ofensa, caracterizada por ato criminoso contra sua vida, sua honra ou sua liberdade de testar, sendo que as causas de exclusão do herdeiro ou legatário não admitem interpretação extensiva, devendo se restringir às hipóteses elencadas no artigo 1.814 do Código Civil. B) Qual o prazo para a propositura da ação cabível? Ocorrendo uma das causas do artigo 1.814 do CC, podem os interessados, após a morte do testador, propor a ação de indignidade para afastar o herdeiro, necessário ou facultativo, da sucessão. Essa ação pode ser proposta no prazo de quatro anos contados da abertura da sucessão. C) Trata-se de prazo prescricional ou decadencial? A natureza do prazo para demandar a exclusão de herdeiro indigno é decadencial, por ser potestativo. Os prazos prescricionais são aqueles taxativamente previstos nos artigo 205 e 206 CC, sendo certo que, de omissos quanto à sua natureza serão decadenciais. Há divergência na doutrina quanto a esta questão. D) Quem se beneficiará da eventual perda dos direitos sucessórios por parte de Assis Machado: Bento Casmurro Machado, Quincas Borba ou ambos? Por quê? Quem se beneficiará dos direitos sucessórios será o filho de Assis Machado, por direito à representação, quando a lei chama certos parentes do falecido a suceder em todos os direitos, em que ele sucederia, se vivo fosse. Art. 1.851 CC 2 - (OAB PR 2006) José casou-se com Maria em 20/02/2005, pelo regime da participação final dos aqüestos. José, quando da celebração do casamento, já era proprietário de um bem imóvel. Maria, por sua vez, quando do casamento, já era proprietária de cinco bens imóveis. Durante casamento, em 20/08/2005, nasceram quadrigêmeos Luiz, Luiza, João e Joana, filhos de José e Maria. Em 30/01/2006, José faleceu. Nenhum bem foi adquirido no curso da sociedade conjugal, permanecendo, até o falecimento de José, apenas com os bens que levaram para o matrimônio. Quando do falecimento de José, o bem imóvel de que já era proprietário antes do casamento valia R$ 60.000,00. Quanto aos bens de Maria, seus imóveis valiam R$ 30.000,00, cada um. Pergunta-se: quanto caberá à Maria a título de participação final nos aqüestos? Quais são e quanto caberá a cada herdeiro a título de herança? O artigo 1.672 diz que no regime de participação final nos aquestos, cada cônjuge possui patrimônio próprio, e lhe cabe, à época da dissolução da sociedade conjugal, direito à metade dos bens adquiridos pelo casal, a título oneroso, na constância do casamento, conforme narrado não foram adquiridos bens supervenientes ao casamento, sendo os mesmos desde a celebração. Segundo artigo 1.829 inc. I caberá a Maria a participação em concorrência com os quadrigêmeos do bem particular de José no valor de R$60.000,00. Sendo, assim, será dividido em partes iguais com os filhos. 9 - Aktiá, casado com Maravilha sob o regime de separação total de bens, faleceu deixando um patrimônio no valor de R$ 100.000,00, que recebeu de herança do seu pai. São filhos do casal: Boajete e Concuneo. São netos do de cujus: Spaghati, Zonzo, Moro e Eva, filhos de Concuneo. Um dia após a abertura da sucessão, os filhos do de cujus renunciaram à herança através de escritura pública. Como será feita a partilha? Aktiá casou-se com Maravilha sob o regime de separação total de bens. O patrimônio de Aktiá é de R$ 100.000,00 reais que recebeu de seu pai. O casal tem dois filhos: Boajete e Concuneo. Os netos de Aktiá, filhos de Concuneo, são quatro. Se Boajete e Concuneo renunciaram a herança através de escritura pública, a partilha será entre os quatro netos e a viúva. Pela regra do art. 1832, caput, a viúva recebe 1/4 da herança (R$ 25.000,00 mil) enquanto que os outros R$ 75.000,00 reais serão divididos entre os quatro netos. 10 - (OAB PR 2/2005) Quando Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, percebeu que seu casamento havia se transformado em um tormento monstruoso. Por isso, no dia 12 de dezembro de 2004, deixou o lar conjugal, onde continuaram residindo sua esposa Leni e seus 4 filhos. Ocorre que, em 12 de janeiro de 2005, um mês depois de sua separação de fato, Gregor veio a falecer, deixando quatro filhos, todos havidos durante o casamento: Franz, KaifKa, Frieda e Klamn. Na data do falecimento, o patrimônio deste consistia exclusivamente em: 1) um apartamento na Rua do Castelo, no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais)-calculado na data do falecimento- adquirido por meio de contrato de compra e venda em 15 de dezembro de 1999 e; 2) uma grande área de terras na cidade de K, no valor de R$100.000,00 (cem mil reais) – calculado na data do falecimento- adquirido antes do casamento com Leni, ambos os bens registrados em nome de Gregor. Na data do falecimento, não havia qualquer bem adquirido em nome de Leni. Sabendo que Gregor e Leni eram casados pelo regime da comunhão universal de bens, e supondo que o falecido não deixou qualquer dívida e que seu enterro foi pago por meio de seguro-funeral, responda: a) à luz do Código Civil Brasileiro, Leni é herdeira de Gregor Samsa? Por quê? (a fundamentação deverá contemplar expressamente o (s) artigo (s) do Código Civil Brasileiro). B) Calcule o valor do quinhão (em reais) que caberá a cada um dos herdeiros. 11 - MP/MG/2011 - Marcelo Maia, nascido no município de Capim Branco (MG), no dia 2 de março de 1922, filho de Alberto Maia e Maria do Carmo Maia, veio a falecer, no município de Belo Horizonte (MG), no dia 5 de abril de 2011. Era casado com Mariana Silva (casamento realizado em 3 de março de 1944), pelo regime da comunhão universal de bens, com quem teve um único filho, Mauro Silva Maia, falecido em 5 de outubro de 1947, então com dois anos de idade, vítima de um acidente de trânsito. Traumatizados, não tiveram mais filhos. Com o falecimento de sua esposa (ocorrido no dia 15 de outubro de 1952), passou a viver, a partir de 25 de dezembro de 1953, na casa de Roberto Maia, seu irmão mais novo (o casal Alberto Maia e Maria do Carmo Maia teve apenas dois filhos homens, Marcelo e Roberto). Naquela ocasião, Roberto Maia já era viúvo da Sra. Dolores Chaves, com quem teve três filhos, Alfredo Chaves Maia, Geny Chaves Maia e Dalva Chaves Maia, únicos sobrinhos de Marcelo Maia. Alfredo Chaves Maia, o sobrinho mais velho, casou-se em 18 de dezembro de 1977, pelo regime legal, com Ilma Goulart, com quem teve dois filhos, Eduardo (nascido em 20/02/1979) e Mônica (nascida em 02/10/2005). Geny e Dalva não se casaram e não tiveram filhos. Alfredo, vítima de um acidente aéreo, veio a falecer em 1º de abril de 2008. Roberto Maia, quando soube da morte de seu filho, veio a falecer, vítima de infarto agudo do miocárdio, em 15 de abril de 2008. Em face dos óbitos ocorridosna família, Marcelo Maia, em 20 de abril de 2010, por testamento público, deixou 10% (dez por cento) de seu patrimônio apurado quando de seu óbito para Mônica, filha de Alfredo Chaves Maia. É importante ressaltar que, na data do falecimento de Marcelo Maia, em 05/04/2011, este possuía um tio ainda vivo (irmão de seu pai), que lhe era muito querido, Sr. Aristóteles Cançado Maia, bem como um patrimônio composto por um apartamento em Belo Horizonte, no valor de R$ 830.000,00 (oitocentos e trinta mil reais); um automóvel, no valor de R$ 145.000,00 (cento e quarenta e cinco mil reais); um lote em Nova Lima, no valor de R$ 325.000,00 (trezentos e vinte e cinco mil reais), e aplicações financeiras no valor de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais). Tinha dívidas no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Pergunta-se: a) como deve ser partilhada a herança deixada pelo Sr. Marcelo Maia considerando o grau de parentesco e à luz da legislação vigente. Justifique e fundamente; b) havendo herdeiro(s), legatário(s) ou sucessor, qual é o valor (em reais-números) que cada herdeiro/legatário/sucessor receberá?