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Associação Caruaruense de Ensino Superior
Centro Universitário Tabosa de Almeida- Asces Unita
Rooanny Evangelista
Wanessa Maria Leite de Sena Patriota
PSICÓTICOS E PSICOPATAS
Trabalho apresentado para obtenção de nota da disciplina Psicologia Jurídica do curso de Direito do 2° Período Noite.
Professor: Arquimedes 
Caruaru- PE
2020
Introdução
Este trabalho mostrará a diferença sobre os psicóticos e os psicopatas, explicando as principais características de cada um deles e sua forma de agir. É um estudo que mostra como os psicopatas são frios, calculistas e não possuem nenhum sentimento de culpa. Enquanto os psicóticos agem completamente tomados de violenta emoção, ou seguindo algum tipo de alucinação ou delírio e possuem um sentimento de culpa tão grande que podem cometer suicídios.
Com esse estudo, buscaremos mostrar a melhor forma de entender um pouco como funciona a mente de um psicopata e um psicótico, o que são capazes de fazer para lesar as pessoas que vivem a sua volta, seus possíveis alvos. Este estudo é de suma importância para a sociedade, pois mostrará a importância de sabermos lidar com eles perante a nossa sociedade e a melhor forma de tratamento, para que os mesmos consiga viver em comunidade sem representar perigo.
1.0 - O Psicopata
A palavra psicopata provem do alemão psychopatisch, se formando no século XIX, sendo criada a partir do grego, com a junção da palavra psykhé, que significa mente, e a palavra pathos, que significa sofrimento. 
Para Daynes e Fellowes : 
	
”A palavra psicopata significa literalmente “mente doente”, mas, embora possam desenvolver estados temporários de doença mental como outra pessoa qualquer, os psicopatas não são dementes. Eles têm total consciência e controle do seu comportamento. Seus atos são ainda mais assustadores por não poderem ser considerados consequência de uma doença temporária, mas, sim, de uma permanente indiferença fria e calculista em relação aos outros. Os psicopatas não são loucos, mas podem ser muito, mais muito mau.” (DAYNES e FELLOWES, P.22, 2012).
	
Os psicopatas são pessoas cujo tipo de conduta chama fortemente a atenção e que não se podem qualificar de loucos e nem de débeis; elas estão num campo intermediário. São indivíduos que se separam do grosso da população em termos de comportamento, conduta moral e ética. 
Entende ainda, que a palavra psicopatia possa ser confusa para muitas pessoas, significando “doença mental” a palavra vem de psique, mente, e pathos, doença, significado que diz ser encontrado em dicionários, porém, psicopatas não podem ser considerados insanos ou loucos, ao menos não no sentido de doença, já que o psicopata não é considerado um doente. 
	Um indivíduo com uma personalidade de psicopata é considerado um individuo incapaz de incorporar valores perante a sociedade. Ele funciona sempre na relação prazer-desprazer-imediato. Eles são incapazes de se integrar a qualquer grupo, devido ao seu egoísmo absoluto e a não aceitarem qualquer tipo de regras. Só o que eles querem é o que interessa a si próprio. No inicio eles até fazem amizades com facilidade as, diante dos primeiros conflitos, a sua amoralidade aparece em todo o seu potencial. Terminam por ser rejeitados pelos grupos em pouco tempo. São por isso, em geral, indivíduos solitários, que migram de grupo em grupo até que não restem mais grupos para os aceitarem.
Esse transtorno pode aparecer ainda na infância, pois ainda criança já aparece o seu comportamento amoral, por não aceitarem regras jamais, não respeitarem qualquer limite e terem um comportamento absolutamente inadequado na escola, de onde são frequentemente expulsos. Já na adolescência tendem francamente para a marginalidade e tentam integrar-se aos grupos marginais, mas mesmo esses, com a sua ética marginal rígida, logo o rejeitam. 
1.1- Características do Psicopata
Os indivíduos que podem ser considerados psicopatas são encontrados em maior frequência em estabelecimentos prisionais, em aspecto geral, não conseguem estabelecer laços afetivos, tendem a reincidir, não tem ansiedade nem mesmo sentimento de culpa em qualquer situação, possuem o ego inflado, e são em sua maioria impulsivos. 
Para Rocha e Busato: 
“Os psicopatas possuem comportamento observáveis cujo efeito sobre as pessoas é contundente. Manipulação, sedução, desonestidade, extremo egoísmo, grandiosidade, emoções superficiais e insensibilidade emocional, dominância e controle, impulsividade e descontroles comportamentais, promiscuidade sexual, incapacidade de planejar o futuro, irresponsabilidade, necessidade de estimulação, falta de empatia, culpa e remorso.” (ROCHA e BUSATO p. 222, 2016).
Os psicopatas apresentam uma pobreza emocional, referente a incapacidade de possuir sentimentos, ainda, costumam ser ótimos contadores de história, aparentemente muito instruídos e charmosos, além de exímios contadores de mentiras. 
Daynes e Fellowes, exclamam que: 
	
“Os psicopatas são incapazes de qualquer sutileza ou emoção profunda; seus sentimentos geralmente não passam de reações primitivas passageiras às suas vontades e necessidades imediatas. Portanto, eles também não têm capacidade de compreender os sentimentos alheios; são indiferentes aos direitos ou ao bem-estar das outras pessoas, que consideram meros objetos a serem manipulados a seu bel-prazer.” (DAYNES e FELLOWES, P.26, 2012).
São poucas as características dos psicopatas, é inexistente a empatia pelos outros, indivíduo que não possui nenhuma emoção, é mentiroso, sempre procura levar vantagem em qualquer situação, possuem prazer na dor alheia, em dominar e ter a vida de outros em suas mãos para fazerem o que querem. Além dessas características, geralmente são pessoas que não levantam suspeitas, já que possuem grande capacidade de simulação. 
O psicopata possui habilidades de ocultar sua natureza fria e sem emoções, através de um charme cativante. Eles conseguem observar atentamente como outras pessoas reagem em determinadas situações, e assim se tornam excelentes em imitar as emoções normais das pessoas, são muito bons na arte de enganação. Na sua maioria, são extremamente confiantes, se acham superior a todos, possuem atitude sedutora e lisonjeira, porém, não é verdadeira. 
Louzã Neto e Cordás: 
“Os caracteriza como predadores interespécies que usam charme, manipulação, intimidação e violência para controlar os outros e para satisfazer suas próprias necessidades. Em sua falta de confiança e de sentimento pelos outros, eles tomam friamente aquilo que querem, violadas normas sociais sem o menor senso de culpa ou arrependimento.” (LOUZÃ NETO e CORDÁS, p. 323, 2011).
A grande preocupação a respeito dos psicopatas e sua capacidade de emular emoções, é que muitos desses indivíduos podem estar no meio social sem que ninguém desconfie do que são capazes.
2.0- O Psicótico
Psicótico é um termo usado para identificar transtornos psiquiátricos em que a pessoa perde o contato com a realidade. Esse termo também pode ser usado para designar distúrbios nos relacionamentos pessoais e sociais ou comportamentos isolados num determinado momento, é considerado como uma doença mental, um transtorno em que a pessoa nasce com ela.
O psicótico se caracteriza, principalmente pelas alterações em nível de pensamento e da afetividade e, consequentemente, todo comportamento e toda performance existencial do individuo serão comprometidos. Enquanto nas neuroses o pensamento, os sentimentos e a efetividade se encontram quantitativamente alterados, na psicose esses atributos psíquicos se apresentam qualitativamente doentes, tal como uma novidade patológica cronologicamente localizada na história da vida do paciente e que passa, desse momento em diante, a atuar morbidamente em toda sua performance psíquica.
O processo psicótico impõe ao paciente uma maneira patológica de representar a realidade, de elaborar conceitos e de relacionar-se com o mundo objectual. Não contam tanto aqui as variações quantitativas de apercepção do real, como pode ocorrer na depressão, por exemplo, masum algo novo e qualitativamente diferente de todas as variações normalmente permitidas entre as pessoas normais, um algo essencialmente patológico, mórbido e sofrível.
O Psicótico tem uma síndrome neurológica, em que algumas partes do cérebro não estão funcionando normalmente, geralmente associada à ação de um neurotransmissor nessas áreas, chamado dopamina. A dopamina tem inúmeras funções no cérebro, sendo importante para a comunicação dos neurônios e atuando em diversos sistemas do organismo. Entretanto, o excesso de dopamina em algumas áreas do cérebro, ou o dano direto dessas áreas pode levar as pessoas a vivenciarem alucinações, delírios, alterações de personalidade ou pensamentos e comportamentos desorganizados.
2.1- Características do Psicótico
A psicose é uma perturbação da mente que causa dificuldades em determinar o que é ou não real, pode ocorrer em decorrência de uma doença psiquiátrica como a esquizofrenia.
A esquizofrenia, representante mais característica das psicoses, é uma doença da personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. Culturalmente o esquizofrênico representa o estereotipo do louco, um indivíduo que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu as amarras de concordância cultural, o esquizofrênico menospreza a razão e perde a liberdade de escapar as suas fantasias.
A loucura como sendo a somatória de dois elementos: uma causa predisponente, atrelada à personalidade, e uma causa excitante, fornecida pelo ambiente. Hoje em dia, depois de muitos anos de reflexão e pesquisa, a psiquiatria moderna reafirma a mesma coisa com palavras atualizadas. O principal modelo para a integração dos fatores etiológicos da esquizofrenia é o modelo estresse-diátese, o qual supõe o individuo possuidor de certa vulnerabilidade especifica, vulnerabilidade esta colocada sob a influência de fatores ambientais estressantes. Em determinadas circunstâncias o binômio diátese-estresse proporcionaria condições para o desenvolvimento da esquizofrenia.
Os Delírios na Esquizofrenia podem sugerir ainda uma interpretação falsa da realidade percebida. É o caso por exemplo, do paciente que sente algo sendo tramado contra ele pelo fato de ver duas pessoas simplesmente conversando. Trata-se, neste caso, de uma Percepção Delirante. Desta forma, a Percepção Delirante necessita de algum estímulo para ser delirantemente interpretado (no caso, duas pessoas conversando). Outras vezes não há necessidade de nenhum estímulo à ser interpretado, como por exemplo, julgar-se deus. Neste caso trata-se de uma Ocorrência Delirante. O tipo de Delírio mais frequentemente encontrado na Esquizofrenia é do tipo Paranoide ou de Referência, ou seja, com temática de perseguição ou prejuízo no primeiro caso e de que todos se referem ao paciente (rádios, vizinhos, televisão, etc) no segundo caso.
As alucinações, outro sintoma típico (mas não exclusivo) da Esquizofrenia, podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial, ou seja, auditivas, visuais, olfativas, gustativas e táteis. As alucinações auditivas são, de longe, as mais comuns e características da Esquizofrenia, sendo geralmente experimentadas como vozes conhecidas ou estranhas, que são percebidas como distintas dos pensamentos da própria pessoa. O conteúdo pode ser bastante variável, embora as vozes pejorativas ou ameaçadoras sejam especialmente comuns. Certos tipos de alucinações auditivas, como por exemplo ouvir duas ou mais vozes conversando entre si ou comentando os pensamentos ou o comportamento da pessoa, têm sido considerados particularmente característicos da Esquizofrenia e foram incluídos na lista de sintomas de primeira ordem de Schneider.
O psicótico é uma pessoa que esta sobre efeito de surto. Geralmente age sem saber sem saber o que esta fazendo, sem ter noção do que esta praticando e não consegue se lembrar do que fez quando sai do surto. Um psicótico age de maneira perigosa para a sociedade porque alguma voz dentro da sua cabeça o mandou fazer ou porque no seu entendimento a alguém ia fazer mal a ele ou estava perseguindo-o. No surto ele age para se defender ou com alguma motivação irreal.
Conclusão
	Este trabalho possibilitou um estudo sobre como identificar um psicótico de um psicopata, suas principais características e como conviver com os mesmos.
O psicopata é um indivíduo incapaz de incorporar valores, são indivíduos incapazes de sentir amor, arrependimento e culpa. Tem como características um egoísmo e egocentrismo absoluto que faz com que eles se importem apenas com o quererem, não importando o que pode acontecer às outras pessoas envolvidas. Podem levar uma vida normal, casar, ter filhos, trabalhar, no entanto sua capacidade se seguir regras é praticamente nula. São extremamente simpáticos e encantadores quando necessitam, mas, no entanto não sentem empatia por ninguém. 
Os psicóticos agem sobre forma de um violento impulso, agindo sem premeditação e sobre forte emoção, agem por forma de delírio e alucinações. Como por exemplo: escutar vozes que mandam matar. Ao contrario do psicopata sentem uma grande culpa ou remorso ao fazerem mal a uma pessoa, podem chegar até a se suicidarem por tanta culpa. Eles agem sem saber o que estão fazendo ao contrario do psicopata que reconhece todas as regras e leis e não seguem.
	Os psicóticos não tem uma consciência precisa da dimensão dos seus atos, já os psicopatas possui uma consciência precisa do que faz, ou seja, consegue distinguir, perfeitamente, o certo do errado. 
Conforme os estudos dessa pesquisa, podemos concluir que, o psicopata é mais perigoso para a sociedade do que o psicótico. Devido ao psicopata não sentir culpa, não ter afeto, não apresentar arrependimento e por ser frio em seus atos, enquanto o psicótico age sobre efeito de um surto e este mesmo, se mantido em tratamento psiquiátrico e psicológico, devido ao controle de sua patologia ele raramente chegará ao extremo de cometer um mal para a sociedade.
Bibliografia
DAYNES, Kerry; FELLOWES, Jessica. Como identificar um psicopata. 1ª edição. Editora: Cutrix. São Paulo, 2012. 
LOUZÃ NETO; Mário Rodrigues, CORDÁS, Taki. Transtornos de Personalidade. 1ª Edição. Editora: Artmed, 2011.
ROCHA, Giovana Veloso Munhoz da; BUSATO, Paulo César. Introdução à Psicologia Forense. 22ª edição. Editora: Jurúa, 2016.

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