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Estrutura e Teorias da Personalidade Objetivo · Compreender como a personalidade se forma · Entender sua organização ao longo da vida · Relacionar com a prática clínica Conceito de Personalidade · Definição: conjunto de padrões estáveis de pensamento, emoção e comportamento moldado por interações entre a genética e o ambiente O termo “personalidade” é utilizado para nomear características pessoais que influenciam a forma que cada sujeito pensa, sente, se comporta e se relaciona. Fortes evidências sustentam a ideia da interação entre fatores genéticos e ambientais na formação da personalidade humana¹. Atualmente, as duas definições mais usadas e aceitas em psicologia são: “A personalidade é a soma total dos padrões de conduta, atuais ou potenciais, de um organismo determinados pela herança e o ambiente”. Hans Eynseck (1947) “A personalidade são os padrões típicos de conduta (incluindo emoções e pensamentos) que caracterizam a adaptação do indivíduo às situações da vida”. Michel (1976). · Características: · Relativamente estável · Individual · Influencia respostas ao ambiente Temperamento × Caráter Temperamento · Inato (biológico) · Base genética · Presente desde a infância · Dimensão biológica e instintiva da personalidade, sendo o primeiro fator a se manifestar, já sendo possível de observar nos bebês tendência de sentir e manifestar emoções positivas ou negativas. · Dificilmente pode ser modificado, manipulado ou trocado pelas circunstâncias podemos usar recursos para aumentar ou inibir as manifestações. · Tempus (tempo e espaço em latim) + mens como minha mente se adapta ao espaço-tempo característica interna que você externaliza no dia a dia. · Mesmo irmãos criados na mesma casa pelos mesmos pais possuem temperamentos diferentes cada um absorve o ambiente de uma maneira. · Por depender do contexto, que sempre muda, pode ter um caráter flexível nos comportamos diferente em casa e no trabalho. Caráter · Adquirido (ambiental/social) · Moldado por experiências · Relacionado a valores e cultura · Hábitos educacionais e relacionais aprendidos pela pessoa aspecto inato e adquirido. É consequência das experiências e interações sociais que vamos tendo em nossa vida, obtendo algum aprendizado. · Alcança sua expressão máxima na adolescência, podendo ser modificado através da educação social. · Moldado pelo ambiente · Carraso em latim esculpir. · Regras sociais, leis, proibições e permissões que definem o caráter conceito externo que influencia o interno. · Limita o temperamento, pois dá regras de como agir em cada situação Personalidade é a soma de caráter e comportamento, englobando ambos os aspectos. “eu estou fazendo por que é o que eu quero fazer (baseado no meu temperamento) ou é com base no que eu aprendi a fazer (com base no caráter)?” Teoria de Freud · O modelo estrutural da psique divide a personalidade em três componentes que interagem entre si. Esses são sistemas, não são partes do cérebro, mas conceituações hipotéticas de importantes funções mentais. · Id → prazer, impulsivo instintos e desejos básicos, que buscam gratificação imediata instinto. · Caldeirão de excitações fervilhantes, repleto de energia que anseia por liberação imediata. · Personalidade do recém-nascido é toda baseada no Id. · Quando o Id é satisfeito experimentamos o prazer, quando é negado o “desprazer” ou tensão. · Não considera lógica, segurança ou consequências sociais. · Não compreende o “não”, nem reconhece a passagem do tempo e não reconhece certo ou errado. · Inclui libido, instintos de sobrevivência e apreciação da arte: · Eros: instintos biológicos e sexual de vida: garante a sobrevivência. Atividades como respirar, comer e ter relações sexuais gera a energia da libido. · Thanatos: instintos agressivos de morte. Conjunto de forças destrutivas manifestadas por meio da agressão, violência e crueldade. · Freud acreditava que Eros era mais forte que Thanatos permitindo a sobrevivência ao invés da autodestruição. · O Id é como um cavalo que fornece a enorme energia e força para se mover, enquanto o Ego é o cavaleiro que tenta controlar essa força. No entanto, o cavaleiro muitas vezes se vê obrigado a guiar o cavalo exatamente na direção que o animal já deseja ir, apenas para se manter na sela. · Ego → realidade, equilíbrio equilibra os impulsos do Id com as normas sociais realidade. Atua como árbitro mediando conflitos entre o Id e o Superego. · Parte racional da psique que medeia entre os desejos instintivos do Id e as restrições morais do superego, operando a nível consciente. · Funciona pela razão e opera pela realidade, seguindo a mente consciente. · Se desenvolve a partir do Id durante a infância, tendo como objetivo satisfazer o Id de forma segura. · Leva em consideração regras de etiqueta, sociais e morais. · Possui mecanismos de defesa inconsciente para afastar a ansiedade, fazendo com que as coisas pareçam melhor pensamentos para a resolução de problemas. · Uma educação anormal (mãe fria, rejeitadora) pode resultar em um ego frágil e fraco limitando a capacidade de manter controle dos desejos. · Superego → moral, normas consciência moral que impulsiona a seguir padrões éticos moral. Pode causar sensação de culpa, quando regras não são seguidas. · Se contrapõe aos desejos do Id, guiando o comportamento em direção à retidão moral e induzindo a culpa quando padrões não são atingidos representa padrão e moral social internalizada que são aprendidos pelos pais e pela sociedade. · O anjo da guarda que fornece o senso de certo ou errado. · Ultimo componente da personalidade a se desenvolver, surgindo entre os 3 e 6 anos de idade. se forma a medida em que a criança resolve o Complexo de Édipo ao se identificar com o progenitor do mesmo sexo a criança absorve autoridade e os padrões morais. · Opera segundo o Princípio da Moralidade: · A consciência: voz interior e sistema de “não faça” monitora o ego e aplica punições quando o indivíduo não atinge os padrões morais sentimento de culpa, vergonha e auto-reprovação. · O Ideal do ego: retrata o que deseja que a pessoa faça de forma grandiosa e elogiosa imagem imaginosa de como deveria ser: aspirações de carreira, etiqueta social e excelência moral sentimento de orgulho, alta autoestima e satisfação. · O superego hiperativo gera tendências ansiosas, depressivas, sentimento de inferioridade e culpa constante. · O superego hipoativo resulta em moral questionável e comportamentos antissociais, podendo gerar pessoas criminosas. · Como eles interagem: o Ego negocia entre o Id impulsivo e o Superego crítico, utilizando mecanismos de defesa para reduzir conflitos ou ansiedade. · Ex: Pessoas que segue uma dieta e é tentada por um bolo de chocolate na faculdade. · Id: busca recompensa imediata, se entregando ao bolo. · Superego: lembra do estilo de vida e traz um sentimento de culpa por querer quebrar a dieta. · Ego: media os dois estágios, potencializando a ideia de comer apenas uma fatia do bolo, como forma de compromisso com a dieta e satisfação com o doce. Teoria de Erikson · Descreve oito estágios de desenvolvimento, cada um definido por um conflito central que molda a personalidade e a identidade. A resolução dos conflitos leva a um desenvolvimento saudável, enquanto conflitos não resolvidos prejudicam o desenvolvimento futuro. · Baseia-se no princípio epigenético as pessoas se desenvolvem ao longo de tempo, no contexto de uma comunidade maior. · Cada estágio se baseia nos estágios precedentes e prepara para os períodos subsequentes sendo os conflitos o ponto de virada no desenvolvimento. · Os conflitos possuem grande potencial para crescimento pessoal ou fracasso. · Se a fase for bem conduzida: domínio, força ou qualidade do ego qualidade úteis o resto da vida. · Se for mal conduzida: inadequação no desenvolvimento não desenvolvem as habilidades essenciais para a identidade. 1. Confiança x Desconfiança: infância, do nascimento aos 18 meses · Confiabilidade e qualidade dos cuidadores se ela não recebero carinho e segurança, passará a sentir que não pode confiar ou depender de adultos em sua vida. · Sucesso: segurança e proteção no mundo · Derrota: desconfiança e medo · Desenvolvimento bom resulta em um equilíbrio entre os dois, adquirindo esperança para a criança. 2. Autonomia x Vergonha e Dúvida: anos da primeira infância, de 18 meses aos 3 anos · Desenvolvimento de controle pessoal, inicio da independência, tomando algumas decisões com autonomia e habilidades físicas. · Sucesso: autonomia, segurança e confiança. · Derrota: quando são envergonhadas pelos seus acidentes, sentimento de vergonha e culpa. 3. Iniciativa x Culpa: anos pré-escolares, de três a cinco anos · Começam a afirmar seu poder e controle, conduzindo brincadeiras e interações sociais, com necessidade de exercer controle sobre o seu ambiente. · Sucesso: sentimento de capaz e propósito · Derrota: culpa, insegurança e falta de iniciativa. 4. Produtividade x Inferioridade: anos escolares do sexto ao ensino médio · Sentimento de orgulho pelas suas conquistas e capacidades, mediada pelas interações sociais que exigem novas habilidades acadêmicas e sociais. · Sucesso: competência e confiança, ao serem elogiadas pelos pais e professores. · Derrota: dúvida de suas capacidades, quando não são elogiadas 5. Identidade x Confusão: adolescência, dos 12 aos 18 anos · Período turbulento em que precisam desenvolver um senso de si mesmos e uma identidade pessoal, explorando sua independência e seu senso de identidade. · Sucesso: ao receberem encorajamento e reforço positivo, desenvolvem senso de identidade, controle e independência, permanecendo fiel a si mesmo. · Derrota: sem certeza de suas crenças se sentem inseguros e confusos sobre si e sobre o futuro, com uma autoestima frágil 6. Intimidade x Isolamento: juventude, dos 18 aos 40 anos · Nessa fase jovens adultos precisam formar relacionamentos íntimos e afetuosos com outras pessoas, namorando e desenvolvendo conexões duradouras · Sucesso: conexões fortes, duradouras e seguras, o que era considerado como vital para Erikson · Derrota: solidão, isolamento 7. Generatividade x Estagnação: meia-vida, dos 40 aos 60 anos · Precisam criar ou cultivar coisas que os sobrevivam, geralmente tendo filhos ou mudanças positivas que beneficiem outros. Essa fase gira em torno da sensação de ter ou não ter contribuído de forma significativa no mundo. · Sucesso: sensação de utilidade e realização, alcançando a virtude do cuidado e do orgulho. · Derrota: fracasso e sensação de inutilidade da vida. 8. Integridade x Desespero: velho ano da vida adulta, dos 65 anos até a morte · Concentra-se na reflexão sobre a vida, olhando para trás e decidindo se estão felizes ou arrependidos. · Sucesso: realização, orgulho, sabedoria, vendo a vida com poucos arrependimentos e satisfação, alcançando a sabedoria mesmo diante da morte. · Derrota: arrependimento, amargura, desespero, sentindo que a vida foi desperdiçada. Comparação Assim como Sigmund Freud, Erikson acreditava que a personalidade se desenvolvia em uma série de estágios. Diferentemente da teoria dos estágios psicossexuais de Freud, no entanto, a teoria de Erikson descrevia o impacto da experiência social ao longo de toda a vida. Erikson estava interessado em como a interação e os relacionamentos sociais desempenhavam um papel no desenvolvimento e crescimento dos seres humanos. · Freud acreditava que a personalidade já se formava até a puberdade – Erikson acreditava que esse desenvolvimento ia durante toda a vida. · Freud foca muito em conflitos psicossexuais – Erikson em cresses psicossociais · Freud dá pouco ênfase no contexto cultura/social – Erikson considera muito as influências do ambiente, sociedade e família · Freud acreditava que os impulsos biológicos moldavam a personalidade – Erikson dizia que eram as experiências sociais · **Inserir tabela comparativa. Formação do Self – Identidade e construção ao longo da vida · Essência profunda do ser, o “eu total”, que inclui todas as facetas da personalidade. Simboliza o verdadeiro centro da personalidade, representando o eu mais profundo e total, além das limitações da consciência integração total que envolve autorreconhecimento. · O Self se forma ao longo do desenvolvimento individual por meio do processo de individualização, que é a integração dos aspectos conscientes e inconscientes da psique. · Começa na infância e continua a toda vida, à medida que o indivíduo se confronta com experiências e desafios. · Self = percepção de si mesmo · Inclui: · Centro da personalidade: organiza e unifica os aspectos da psique, tanto conscientes quanto inconscientes proporcionando um senso de unidade e identidade completa. · Integração dos opostos: como consciente e inconsciente, feminino e masculino, bem e mal... busca harmonizar elementos contrastantes, promovendo equilíbrio interno e paz mental. · Guia espiritual e moral: orienta a jornada da vida, representando harmonia e totalidade e guiando decisões. Construção: · Interação social · Experiências de vida · Cultura · Se constrói ao longo da vida, influenciado pelo ambiente experiências precoces, relações interpessoais e cultura. Aplicação Clínica (OBRIGATÓRIO) · Relação com saúde mental: · Transtornos de personalidade · Vulnerabilidade ao estresse · Padrões disfuncionais Personalidades mal adaptativas apresentam um padrão de pensamento, sentimento e comportamento desviante da cultura e do meio no qual o sujeito está inserido. Ou seja, o padrão de funcionamento atípico é o componente central de todos os transtornos de personalidade (TP)¹, enquanto personalidades adaptativas apresentam tipos de funcionamento mais esperados e desejados, diante de uma determinada cultura e sociedade. Importância clínica: · Consciência está relacionada a mais saúde · Neurociticismo (tendência a emoções negativas) está relaciona com sofrimento emocional · Personalidade dita comportamentos de risco, como tabagismo, má alimentação e sedentarismo. · Interfere na adesão ao tratamento, pela relação médico-paciente e pela organização e estabilidade emocional · Modula resposta ao estresse · Relaciona-se a transtornos psiquiátricos por desconfiança, resistência e impulsibilidade · A personalidade desempenha um papel fundamental na medicina, agindo como um fator determinante na forma como os pacientes percebem, reagem e gerenciam sua saúde e doenças. A compreensão da estrutura de personalidade do paciente permite uma abordagem integral (biopsicossocial), melhorando a adesão ao tratamento, o vínculo médico-paciente e os resultados clínicos. · Efeito do ambiente sobre a base inata do temperamento. Caso Clínico: Paciente feminina, 22 anos, com impulsividade, decisões precipitadas e sentimento frequente de culpa. Relata instabilidade emocional, medo de abandono e dificuldade em manter identidade estável. Histórico de ambiente familiar inconsistente e conflitos na adolescência quanto à identidade. Segundo a teoria de Sigmund Freud, o quadro é melhor explicado por: A) Superego dominante inibindo impulsos B) Equilíbrio entre id, ego e superego C) Id predominante + ego fragilizado + superego punitivo D) Supressão dos impulsos inconscientes E) Superego plenamente desenvolvido Impulsividade indica o Id forte, dificuldade do controle Ego fragilizado e Superego punitivo por culpa intensa Durante o atendimento, um médico observa que uma paciente jovem apresenta dificuldade em aderir ao tratamento, comportamento impulsivo e grande necessidade de validação externa. Ao explorar a história, identifica instabilidade na construção da identidade desde a adolescência. Considerando o papel do médico e a importância do entendimento da identidade, assinale a alternativa correta: A) O médico deve focar exclusivamente nos sintomas físicos, uma vez que aspectos de identidade não interferem na evolução clínica B) A compreensão da identidade do paciente permite ajustar a abordagem terapêutica, fortalecer o vínculo e melhorar a adesão ao tratamento C) Alterações na identidade são irrelevantes na práticamédica, sendo restritas ao campo da psicologia D) A conduta médica deve priorizar intervenções farmacológicas, independentemente da estrutura de personalidade E) A investigação da identidade do paciente é opcional e não impacta a relação médico-paciente A identidade influencia o comportamento, adesão ao tratamento, relação médico paciente permite individualizar a abordagem, melhorar o vínculo e aumentar a efetividade do cuidado. CHERRY, Kendra. Erik Erikson’s stages of psychosocial development. Verywell Mind, 2024. Disponível em: https://www.verywellmind.com/erik-eriksons-stages-of-psychosocial-development-2795740. Acesso em: 28 abril 2026. CHERRY, Kendra. Freud vs. Erikson: similarities and differences. Verywell Mind, 2019. Disponível em: https://www.verywellmind.com/freud-and-erikson-compared-2795959. Acesso em: 28 abril 2026. McLEOD, Saul. Oedipus complex. Simply Psychology, 2024. Disponível em: https://www.simplypsychology.org/oedipal-complex.html. Acesso em: 28 abril 2026. PERSONALIDADE, temperamento e caráter. A Mente é Maravilhosa, 2022. Disponível em: https://amenteemaravilhosa.com.br/personalidade-temperamento-e-carater/. Acesso em: 28 abril 2026. PSYCHE. Simply Psychology, [s.d.]. Disponível em: https://www.simplypsychology.org/psyche.html. Acesso em: 1 maio 2026. TEMPERAMENTO e caráter são a mesma coisa? Sonata Brasil, 2018. Disponível em: https://sonatabrasil.com.br/2018/06/15/temperamento-e-carater-sao-a-mesma-coisa/. Acesso em: 28 abril 2026. TORRES MARQUES, Daniela Gilardi. Ego e self: qual a diferença? Psicólogo e Terapia, 2024. Disponível em: https://www.psicologoeterapia.com.br/blog/rascunho-automaticodiferenca-ego-e-self/. Acesso em: 1 maio 2026. VERÍSSIMO, Tatiane. Personalidade: conceito, neurobiologia, transtornos associados e os principais riscos envolvidos. Meu Cérebro, 2024. Disponível em: https://meucerebro.com/personalidade-conceito-neurobiologia-transtornos-associados-e-principais-riscos-envolvidos/. Acesso em: 29 abril 2026. image1.png