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MÓDULO 8 COMPETÊNCIA CONCEITO E CRITÉRIO DETERMINATIVOS COOPERAÇÃO INTERNACIONAL COOPERAÇÃO NACIONAL

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Competência. Conceito.
            A jurisdição como Poder Estatal é una e exercida por todo o território nacional.
            Para o cumprimento desta função, são escolhidos indivíduos para atuar como julgadores, nos moldes das qualificações estabelecidas na CF e também na legislação processual, os quais exercerão sua competência nos limites autorizados, e com estrita atenção às formalidades processuais exigidas.
       Assim, para que atividade jurisdicional seja exercida de forma eficiente e organizada é feita a distribuição do poder, por meio de diversos órgãos, de acordo com critérios legais previamente estabelecidos.
     Dessa forma, podemos dizer que a competência é a medida da jurisdição e decorre do resultado da combinação entre os critérios de distribuição do poder jurisdicional, nos termos do quanto estabelecido pelo ordenamento jurídico.
 
Critérios determinativos.
            A competência é distribuída por intermédio de vários critérios, que estão disciplinados na CF, no CPC, em eventual legislação especial, nas normas de organização judiciária e ainda nas Constituições Estaduais. Assim é o que determina o artigo 44 do CPC:
Art. 44.  Obedecidos os limites estabelecidos pela Constituição Federal, a competência é determinada pelas normas previstas neste Código ou em legislação especial, pelas normas de organização judiciária e, ainda, no que couber, pelas constituições dos Estados.
            De acordo com a doutrina os critérios são classificados em três grupos principais:
i. o critério objetivo
i. em razão da matéria – depende da relação jurídica substancial,
ii. em razão do valor da causa e
iii. em razão da pessoa - a fixação da competência tendo em conta as partes envolvidas rationae personae;
ii. o critério funcional – regula a atribuição dos diversos órgãos do Poder Judiciário.
i. horizontal – mesmo grau de jurisdição;
ii. vertical – graus diversos de jurisdição, como por exemplo as hipóteses de competência originária dos Tribunais; e
iii. o critério territorial – limites territoriais de cada órgão judicante.
            Além do mais, dois são os regimes jurídicos aos quais se submetem as regras da competência, quais sejam, o absoluto e o relativo, que se relacionam com o interesse a ser tutelado seja ele público ou particular.
            A competência absoluta, norma cogente, tutela o interesse público. Ela pode ser questionada em qualquer momento e grau de jurisdição; pode ser conhecida de ofício; não gera preclusão para as partes nem para o juiz, de modo que a competência não se prorroga nem se modifica e não se sujeita à negociação das partes. Estão submetidas ao regime da competência absoluta as hipóteses em que esta é fixada por critério em razão da pessoa, da matéria, funcional e, de forma peculiar e excepcional, por critério territorial prescrito no art. 47, § 1º do CPC.
            A competência relativa tutela interesse privado, portanto, não pode ser conhecida de ofício, deve ser alegada pelas partes no prazo legal (na própria contestação como preliminar), sob pena de preclusão e consequente prorrogação da competência (ou seja, o órgão jurisdicional que era relativamente incompetente passa a ser competente para julgar a causa); as partes podem convencionar o foro, por meio de negócio jurídico processual típico (cláusula de foro de eleição). Estão submetidas a este regime as hipóteses em que a competência é fixada em razão do valor da causa e do território.
            Com relação ao critério do valor da causa para a distribuição da competência, a regra do regime relativo não se aplica no contexto do Juizado Especial, pois os Juizados Especiais Estaduais, não detêm competência para o processamento de causas cujo valor seja superior a 40 salários mínimos, salvo hipótese de conciliação. Dessa forma, nas causas abaixo de 40 salários mínimos é opção do demandante ajuizar a ação no Juizado Especial ou na Justiça Comum. Por outro lado, nos Juizados Especiais Federais o regime adotado é o da competência absoluta nos termos do artigo 3º, § 3º da Lei nº 10.259/01).
            A fixação da competência para o processamento e julgamento de uma causa é determinada no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, e segue até o final do processo. Assim, definida a competência tornam-se irrelevantes quaisquer modificações do estado de fato ou de direito, de acordo com o artigo 43 do CPC:
Art. 43.  Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta.
            O princípio da perpetuação da competência (perpetuatio jurisdictionis) implica no reconhecimento de que a análise da competência deve ser feita tendo em vista a situação de fato e de direito no momento de seu ajuizamento (sistema de estabilidade do processo). Tal princípio comporta duas exceções: supressão de órgão judiciário (redistribuição da causa para o órgão que sucedeu aquele extinto) e alteração de competência absoluta (é definido em função do interesse público, a sua alteração deve ser acompanhada pela demanda, a fim de atendê-lo).
            São de competência da Justiça Federal as ações em que a União, suas empresas públicas (sociedade de economia mista não atrai a competência da Justiça Federal), entidades autárquicas, fundações ou conselhos de fiscalização profissional intervierem na qualidade de parte ou de terceiro interveniente. São exceções as ações de: recuperação judicial, falência, insolvência civil, acidente de trabalho, e as sujeitas à justiça eleitoral e trabalhista, nos termos do artigo 45 do CPC:
Art. 45.  Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão remetidos ao juízo federal competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e fundações, ou conselho de fiscalização de atividade profissional, na qualidade de parte ou de terceiro interveniente, exceto as ações:
I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho;
II - sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho.
            Por fim, se faz importante a leitura dos artigos que seguem para a identificação da competência:
Art. 46.  A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu.
§ 1o Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles.
§ 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado ou no foro de domicílio do autor.
§ 3o Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro.
§ 4o Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor.
§ 5o A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado.
Art. 47.  Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa.
§ 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova.
§ 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta.
Art. 48.  O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro.
Parágrafo único.  Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente:
I - o foro de situação dos bens imóveis;
II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes;
III - não havendo bens imóveis,o foro do local de qualquer dos bens do espólio.
Art. 49.  A ação em que o ausente for réu será proposta no foro de seu último domicílio, também competente para a arrecadação, o inventário, a partilha e o cumprimento de disposições testamentárias.
Art. 50.  A ação em que o incapaz for réu será proposta no foro de domicílio de seu representante ou assistente.
Art. 51.  É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a União.
Parágrafo único.  Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal.
Art. 52.  É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado ou o Distrito Federal.
Parágrafo único.  Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado.
Art. 53.  É competente o foro:
I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união estável:
a) de domicílio do guardião de filho incapaz;
b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz;
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal;
II - de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos;
III - do lugar:
a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica;
b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica contraiu;
c) onde exerce suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem personalidade jurídica;
d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o cumprimento;
e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto;
f) da sede da serventia notarial ou de registro, para a ação de reparação de dano por ato praticado em razão do ofício;
IV - do lugar do ato ou fato para a ação:
a) de reparação de dano;
b) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios;
V - de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves.
 
            Assim podemos fazer os seguintes destaques:
            A regra geral de distribuição da competência territorial para as demandas que versem sobre direito pessoal ou direito real mobiliário é a do foro do domicílio do réu.
            A disciplina jurídica do domicílio está prevista no Código Civil (artigos 77/78). O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece sua residência com ânimo definitivo. Existindo mais de uma residência, o domicílio será estabelecido em qualquer uma delas. Também pode considerado como domicílio da pessoa natural, o lugar onde a profissão é exercida quanto às relações concernentes a ela. Se o réu possuir mais de um domicílio, caberá ao autor escolher o foro onde vai ajuizar a demanda. Caso incerto ou desconhecido o domicílio, o autor demandará onde o réu for encontrado ou em seu próprio domicílio. Se o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil, a ação deverá ser proposta no foro do domicílio do autor, e, se o autor também não tiver domicílio no Brasil, ele a escolherá o foro. Na hipótese de litisconsórcio passivo (vários réus), com diferentes domicílios, competirá ao autor escolher o foro de qualquer um deles. O domicílio da pessoa jurídica é considerado como sendo o lugar onde funciona a administração, ou onde for indicado no estatuto.
            Na execução fiscal a regra geral de competência territorial é o foro do domicílio do réu, da sua residência ou ainda onde for encontrado.
            Nas ações reais e possessórias sobre imóveis, a regra de competência é a do foro da situação da coisa (competência territorial absoluta). Contudo, existe a possibilidade de foro concorrente, à escolha do autor, que pode optar pelo foro do domicílio do réu ou pelo foro de eleição, para os litígios que não versem sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. Assim, nas ações de direitos reais imobiliários, dois são os regimes de competência a serem observados, o absoluto ou relativo, que dependerão da matéria objeto da demanda.
            Nas ações que versem sobre sucessão, ela será aberta no lugar do último domicílio do falecido. A regra geral adotada pelo CPC é a de que o foro do domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as outras ações, em que o espólio for o réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no exterior. Porém se o autor não possuía domicílio certo, o foro competente será o da situação dos bens imóveis. Na hipótese dos bens imóveis estarem em localizados em foros diferentes,  será competente qualquer um deles, cabendo ao autor escolher. Caso não haja bens imóveis, o foro competente será o local de qualquer dos bens do espólio.
            Nas ações em que o réu for réu, o foro competente será o do seu último domicílio. Também será competente o do seu último domicílio para as demandas de arrecadação, inventário, partilha e cumprimento de disposições testamentárias.
            Se o réu for incapaz, será competente o domicílio do seu representante/assistente.
            A competência territorial para as ações em que a União for autora será o foro do domicílio do réu. Nas causas em a União figurar no polo passivo, a ação, será ajuizada no foro do domicílio do autor, no da ocorrência do ato ou fato que originou a ação, no da situação da coisa ou ainda no Distrito Federal, cabendo a escolha ao autor.
            Nas ações em que o Estado ou Distrito Federal seja o autor, o foro competente é o do domicílio do réu. Nas causas em que o Estado ou Distrito Federal forem réus, o foro competente será o domicílio do autor, o da ocorrência do fato ou ato que originou a demanda, o da situação da coisa ou capital do respectivo Estado ou Distrito Federal.
            As ações de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união estável terão a competência definida levando em conta o interesse do filho incapaz. Assim, o foro competente será o do domicílio do guardião do filho incapaz. Caso não haja filho incapaz, o foro competente será o do último domicílio do casal. Na hipótese de nenhuma das partes residir no último domicílio do casal, o foro competente é o do domicílio do réu.
            Para as ações de alimentos, o foro competente é o do domicílio ou residência do alimentado.
            Nas ações em que a pessoa jurídica for ré, o foro competente é o do lugar onde está sua sede. Se ação tenha por objeto a obrigação contraída pela pessoa jurídica, em nome de sua agência ou sucursal, este será o foro competente. Nas ações em que a ré for sociedade sem personalidade, a competência será do local onde exerce sua atividade principal. As causas que visam o cumprimento de obrigações terão como foro competente o do local onde deve ser satisfeita.
            As ações ajuizadas por idoso que tratem de direito previsto no Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03) o foro competente é o da sua residência.
            As ações que tenham por finalidade a reparação de dano forem decorrentes de ato praticado em razão do ofício da serventia notarial/registro, o foro competente será o da sua sede.
            Será competente o foro do lugar do ato ou fato para as ações de reparação de dano e para aquelas em que o réu for o administrador ou gestor de negócios alheios.
            Nas ações de reparação de dano decorrente de delito ou acidente de veículo o foro competente é o do domicílio do autor ou do lugar do fato.
            E ainda, o CPC elenca algumas possibilidades em que a competência relativa pode ser modificada. A saber:
Art.54.  A competência relativa poderá modificar-se pela conexão ou pela continência, observado o disposto nesta Seção.
Art. 55.  Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir.
§ 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado.
§ 2o Aplica-se o disposto no caput:
I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico;
II - às execuções fundadas no mesmo título executivo.
§ 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles.
Art. 56.  Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais.
Art. 57.  Quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, no processo relativo à ação contida será proferida sentença sem resolução de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas.
Art. 58.  A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde serão decididas simultaneamente.
Art. 59.  O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo.
Art. 60.  Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado, comarca, seção ou subseção judiciária, a competência territorial do juízo prevento estender-se-á sobre a totalidade do imóvel.
Art. 61.  A ação acessória será proposta no juízo competente para a ação principal.
Art. 62.  A competência determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é inderrogável por convenção das partes.
Art. 63.  As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
§ 1o A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente a determinado negócio jurídico.
§ 2o O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
§ 3o Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu.
§ 4o Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de preclusão.
 
                      A conexão e a continência são causas de modificação de competência. São conexas duas ou mais ações quando lhes for comum a causa de pedir ou o pedido. Essa conexão ocorre para que não haja decisões conflitantes. Portanto, as duas ou mais ações conexas serão juntadas para serem julgadas pelo mesmo juiz. Por exemplo, quando vários passageiros de ônibus ajuízam ações distintas contra determinada empresa de transportes com fundamento na mesma causa de pedir, ou seja, no mesmo acidente. A reunião das ações se dará por meio da prevenção. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo (CPC, 59).
                      Haverá continência entre duas ou mais ações quando houver identidade quanto às partes e a causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. Havendo continência, se a ação continente (mais ampla) tiver sido ajuizada em primeiro lugar, a ação contida (menos ampla) será extinta sem resolução de mérito, porque, nessa hipótese, ocorrerá uma espécie de litispendência parcial. Por outro lado, se a ação contida tiver sido proposta antes da ação continente, as ações serão necessariamente reunidas para julgamento conjunto, evitando-se decisões conflitantes. Nesse caso, o juízo prevento é aquele competente para julgar a ação continente (mais ampla).            
                      E ainda, quando faltar competência para o órgão julgador:
Art. 64.  A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação.
§ 1o A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício.
§ 2o Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a alegação de incompetência.
§ 3o Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente.
§ 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente.
Art. 65.  Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a incompetência em preliminar de contestação.
Parágrafo único.  A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar.
Art. 66.  Há conflito de competência quando:
I - 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes;
II - 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao outro a competência;
III - entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de processos.
Parágrafo único.  O juiz que não acolher a competência declinada deverá suscitar o conflito, salvo se a atribuir a outro juízo.
                   Portanto, a regra estabelecida pelo CPC é que a incompetência absoluta e relativa podem ser alegadas em preliminar de mérito na contestação (CPC, art. 337, II). No entanto, a incompetência absoluta deve ser decidida de ofício pelo juiz ao despachar a petição inicial, caso contrário o réu poderá alegar em preliminar de mérito na contestação ou em qualquer fase processual, pois é uma norma cogente. Inclusive, o magistrado poderá decidir sobre a incompetência absoluta de ofício a qualquer tempo. Já no caso da incompetência relativa, caso o réu não alegue na primeira oportunidade, ou seja, em prelimianar de mérito na constetação ocorrerá o fenômeno da prorrogação de competência, passando a ser competente para julgar a causa. Uma vez acolhida a alegação de incompetência, absoluta ou relativa, o magistrado remeterá os autos ao juízo competente.
 
Cooperação internacional.
Art. 26 - A cooperação jurídica internacional será regida por tratado de que o Brasil faz parte e observará:
I - o respeito às garantias do devido processo legal no Estado requerente;
II - a igualdade de tratamento entre nacionais e estrangeiros, residentes ou não no Brasil, em relação ao acesso à justiça e à tramitação dos processos, assegurando-se assistência judiciária aos necessitados;
III - a publicidade processual, exceto nas hipóteses de sigilo previstas na  legislação brasileira ou na do Estado requerente;
IV - a existência de autoridade central para recepção e transmissão dos pedidos de cooperação;
V - a espontaneidade na transmissão de informações a autoridades estrangeiras.
§ 1º - Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional poderá realizar-se com base em reciprocidade, manifestada por via diplomática.
§ 2º - Não se exigirá a reciprocidade referida no § 1º para homologação de sentença estrangeira.
§ 3º - Na cooperação jurídica internacional não será admitida a prática de atos que contrariem ou que produzam resultados incompatíveis com as normas fundamentais que regem o Estado brasileiro.
§ 4º - O Ministério da Justiça exercerá as funções de autoridade central na ausência de designação específica.
            O Código de Processo Civil consolida princípios e regras gerais para a cooperação jurídica internacional. A cooperação jurídica internacional é o intercâmbio entre Estados estrangeiros para o cumprimento de atos públicos, judiciais, administrativos ou legislativos fora de seu respectivo território.
            O novo CPC dispõe tanto sobre os atos de cooperação solicitados pelo Brasil a países estrangeiros (cooperação ativa) quanto sobre os atos requeridos por países estrangeiros ao Brasil (cooperação passiva).
            Os instrumentos de cooperação jurídica internacional adotados pelo Brasil são: a homologação de decisões estrangeiras, as cartas rogatórias, e o auxílio direto. E em matéria penal, há também instrumentos específicos como a extradição, transferência de pessoas condenadas e de processospenais.
 
Cooperação nacional.
Art. 67 - Aos órgãos do Poder Judiciário, estadual ou federal, especializado ou comum, em todas as instâncias e graus de jurisdição, inclusive aos tribunais superiores, incumbe o dever de recíproca cooperação, por meio de seus magistrados e servidores.
Art. 68.  Os juízos poderão formular entre si pedido de cooperação para prática de qualquer ato processual.
            A cooperação nacional foi definida nos artigos 67 e 68 do novo CPC como sendo o dever de cooperação recíproca entre os diversos órgãos do Poder Judiciário, a ser observado pelos magistrados e servidores, para a prática de atos processuais.
            O dever de cooperação nacional se impõe especialmente nos casos em que um determinado juízo necessita do apoio de outro para a prática de ato relevante ou até mesmo indispensável ao adequado desenvolvimento de processo por ele conduzido, em razão de falta de competência para tanto.
            Sempre que um órgão do Poder Judiciário precisar do apoio de outro para a prática de ato processual necessário ao exercício de sua função em relação a processo de sua competência, poderá pedir sua cooperação.
            O § 2º do artigo 69 do CPC enumera, de forma meramente exemplificativa, algumas situações em que será possível o pedido de cooperação:
Art. 69 - O pedido de cooperação jurisdicional deve ser prontamente atendido, prescinde de forma específica e pode ser executado como:
I - auxílio direto;
II - reunião ou apensamento de processos;
III - prestação de informações;
IV - atos concertados entre os juízes cooperantes.
§ 1º - As cartas de ordem, precatória e arbitral seguirão o regime previsto neste Código.
§ 2º - Os atos concertados entre os juízes cooperantes poderão consistir, além de outros, no estabelecimento de procedimento para:
I - a prática de citação, intimação ou notificação de ato;
II - a obtenção e apresentação de provas e a coleta de depoimentos;
III - a efetivação de tutela provisória;
IV - a efetivação de medidas e providências para recuperação e preservação de empresas;
V - a facilitação de habilitação de créditos na falência e na recuperação judicial;
VI - a centralização de processos repetitivos;
VII - a execução de decisão jurisdicional.
§ 3º - O pedido de cooperação judiciária pode ser realizado entre órgãos jurisdicionais  e diferentes ramos do Poder Judiciário.

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