Logo Passei Direto
Buscar

290173647-Metodologia-Do-Trabalho-Cientifico

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

1ª EDIÇÃO
EGUS 2014
METODOLOGIA DO TRABALHO 
CIENTÍFICO
João José Saraiva da Fonseca
INTA - Instituto Superior de Teologia Aplicada
PRODIPE - Pró-Diretoria de Inovação Pedagógica
Equipe de Transposição Didática e Modelagem 
Pedagógica
Anaisa Alves de Moura
Evaneide Dourado Martins
Licilange Gomes Alves
Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca
Produção e Desenvolvimento de Softwares para 
Aprendizagem em EaD
Anderson Barbosa Rodrigues
André Alves Bezerra
Luís Neylor da Silva Oliveira
Diretor-Presidente
Oscar Rodrigues Júnior 
Pró-Diretor de Inovação Pedagógica
João José Saraiva da Fonseca
Coordenadora Pedagógica e de Avaliação
Sonia Maria Henrique Pereira da Fonseca
Assessor de Gestão Administrativo 
Éder Jacques Porfírio Farias
 
Multimídia Impressa e Audiovisual
Cícero Romário Lima Rodrigues
Edney Eslley Ferreira Lima
Francisco Sidney Souza de Almeida
José Antônio Castro Braga
Juliardy Rodrigues de Sousa
Marcio Alessandro Furlani
Manutenção e Suporte do Ambiente Virtual de 
Aprendizagem
Rhomélio Anderson Sousa Albuquerque
7INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Palavras do Professor-Autor ...................................................13
Ambientação ...................................................................................16
Trocando ideias com os autores ...........................................18
Problematizando ............................................................20
1 A natureza da ciência e da pesquisa científica 
A natureza da ciência – O conhecimento .................................................25
Os Conhecimentos Teológico, Filosófico e Mítico ..................................25
O conhecimento popular ..................................................................................25
O conhecimento científico .................................................................................26
 A natureza da Ciência ........................................................................................28
A natureza da pesquisa científica
A pesquisa científica ..............................................................................................33
Pesquisa qualitativa versus quantitativa ....................................................33
Classificar as pesquisas com base em seus objetivos ..........................35
Pesquisa experimental ........................................................................................35
Pesquisa descritiva ..................................................................................................35
Pesquisa exploratória ............................................................................................36
Classificar as pesquisas com base nos procedimentos técnicos 
utilizados ......................................................................................................................36
2
Sumário
8 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Pesquisas que se baseiam em fontes bibliográficas e documentais 
para a coleta dos dados ......................................................................................37
Classificações da Pesquisa ................................................................................37
Pesquisa Bibliográfica ..........................................................................................38
Pesquisa Documental ...........................................................................................39
Pesquisas que se baseiam em dados fornecidos por pessoas .......40
Pesquisa Experimental .........................................................................................40
Pesquisa Ex-Post-Facto .......................................................................................41
Pesquisa com Survey ............................................................................................42
Estudo de caso ..........................................................................................................42
Levantamento ...........................................................................................................43
Pesquisas em que a coleta de dados ocorre por meio de uma 
interação entre pesquisadores e sujeitos da pesquisa ........................44
 Pesquisa Participante ..........................................................................................45
Pesquisa-Ação ..........................................................................................................45
Pesquisa Etnográfica .............................................................................................46
Pesquisa Etnometodológica ..............................................................................47
História oral, história de vida e depoimento pessoal ..........................48
Aspectos éticos da pesquisa envolvendo seres vivos ...........................48
Projeto de Pesquisa
Título ..............................................................................................................................55
Definição do tema ..................................................................................................55
Escolha do problema.............................................................................................56
Definição da base teórica e conceitual .......................................................56
Formulação de hipóteses ....................................................................................57
Tipos de hipóteses ...................................................................................................58
3
9INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
4
Definição de variáveis ..........................................................................................59
Variável dependente e variável independente ........................................59
Variável ativa e variável atributo (variável orgânica) .........................60
Variável contínua e variável categórica .....................................................60
Variável estranha ou interveniente ...............................................................60
Elementos que podem afetar os resultados .............................................61
Justificativa .................................................................................................................63
Definição de objetivos ..........................................................................................63
Metodologia ...............................................................................................................63
Amostra ........................................................................................................................64
Amostra probabilística (selecionada por sorteio) .................................65
Amostra não-probabilística ..............................................................................66
Questionário ..............................................................................................................68
Entrevista .....................................................................................................................73
Fases da análise de dados ..................................................................................76
Referenciais para a elaboração de um Projeto 
de Pesquisa
Como elaborar um Projeto de Pesquisa ....................................................83
Introdução ...................................................................................................................83
Justificativa .................................................................................................................84
Fundamentação Teórica .....................................................................................84
Metodologia ...............................................................................................................84
Referência Bibliográfica .......................................................................................84Escrevendo o projeto .............................................................................................84
Qualidades básicas da redação do projeto ..............................................85
Referências para a escrita de um texto ......................................................85
10 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Diretrizes para elaboração de uma monografia 
científica
Como elaborar uma monografia ..................................................................89
Etapas da Elaboração ...........................................................................................90
A construção lógica do Trabalho Científico ..............................................95
A redação do texto. ................................................................................................97
Leitura Obrigatória ..........................................................................................100
Saiba mais ...............................................................................................................102
Revisando ................................................................................................................104
Autoavaliação ......................................................................................................108
Bibliografia ............................................................................................................110
Bibliografia da Web .......................................................................................112
 
5
11INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
13INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Palavra do Professor-Autor
A intenção deste trabalho sobre Metodologia do Trabalho Científico é contribuir 
com os estudantes de graduação e pós-graduação no que diz respeito aos trabalhos 
de pesquisa acadêmica a partir do pensamento científico. 
Este livro é resultado de minha caminhada acadêmica: Pós-Doutor em Educação 
pela Universidade de Aveiro em Portugal, Doutor em Educação pela Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte (2008), Mestre em Ciências da Educação pela 
Universidade Católica Portuguesa – Lisboa (1999), (validado no Brasil pela Universidade 
Federal do Ceará-UFC), Especialista em Educação Multicultural pela Universidade 
Católica Portuguesa – Lisboa (1994) e Graduado em Ensino da Matemática e Ciências 
pela Escola Superior de Educação de Lisboa, (validado no Brasil pela Universidade 
Estadual do Ceará-UECE). Sou pesquisador na área da produção de conteúdo para 
Educação a Distância; atualmente desempenho a função de Pró-Diretor de Inovação 
Pedagógica das Faculdades INTA, Sobral (CE).
A disciplina em questão tem um valor importante na formação do profissional. 
Ela se ocupa do estudo dos métodos científicos que devem ser adotados para 
pesquisa e obtenção de conhecimento. 
A estrutura deste livro possibilita ao estudante construir seu caminho em 
busca do saber científico, não se ocupa apenas da informação do conteúdo a ser 
apreendido em sala de aula e reproduzido no dia da avaliação, mas de aprender 
fazendo, como sugerem os conceitos contemporâneos da Pedagogia.
A obra fornece orientações para elaboração de projetos e relatórios de pesquisa, 
de modo que os estudantes poderão consultá-la a qualquer hora para eliminar suas 
dúvidas quanto aos procedimentos, técnicas e normas de pesquisas e entender que 
o método científico é o caminho do saber científico. 
João José Saraiva da Fonseca
14 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Biografia dos Autores
João José Saraiva da Fonseca
É Pós-Doutor em Educação pela Universidade de Aveiro em 
Portugal, Doutor em Educação pela Universidade Federal do 
Rio Grande do Norte (2008), Mestre em Ciências da Educação 
pela Universidade Católica Portuguesa - Lisboa (1999) (validado 
no Brasil pela Universidade Federal do Ceará), Especialista em 
Educação Multicultural pela Universidade Católica Portuguesa 
- Lisboa (1994). 
Graduou-se em Ensino de Matemática e Ciências pela Escola Superior de Educação 
de Lisboa (validado no Brasil pela Universidade Estadual do Ceará). É pesquisador na 
área da produção de conteúdo para educação a distância. Atualmente desempenha 
a função de Pró-Diretor de Inovação Pedagógica das Faculdades INTA - Sobral CE.
15INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
AMBIENTAÇÃO À 
DISCIPLINA
Este ícone indica que você deverá ler o texto para ter 
uma visão panorâmica sobre o conteúdo da disciplina.
17INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Olá, estudantes
A disciplina de Metodologia do Trabalho Científico é fundamental para o 
desenvolvimento dos trabalhos científicos dos estudantes que ingressam no ensino 
superior. 
A proposta é mostrar as principais normas envolvidas na elaboração de um texto, 
tais como: estrutura de um trabalho científico, padrões de estrutura, inserção de 
citações diretas e indiretas, tipos de pesquisas e melhorar a qualidade das produções 
dos estudantes.
No entanto, sugerimos que você faça uma leitura da 
obra “Metodologia do Trabalho Científico: Métodos 
e Técnicas da Pesquisa e do Trabalho Acadêmico”, 
elaborada especialmente para estudantes em nível de 
graduação e pós-graduação, cuja proposta é auxiliar e 
direcionar esclarecimentos sobre a elaboração de trabalhos 
científicos, monografias, dissertações e teses.
TROCANDO IDEIAS 
COM OS AUTORES 
A intenção é que seja feita a leitura de obras indicadas 
pelo professor-autor numa perspectiva de dialogar com 
os autores de relevo nacional e/ou mundial. 
19INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Caro estudantes, sugerimos a leitura do livro “Fundamentos 
de Metodologia Científica” as autoras apresentam uma 
introdução da Metodologia do Trabalho Científico, enfocam 
aspectos de conhecimento científico, a diferença de 
conhecimento científico e conhecimento popular, técnicas de 
pesquisas e colocam em evidencia a estrutura da comunicação 
científica.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de 
Metodologia Científica. 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Propomos também a leitura da obra Introdução à 
Metodologia do Trabalho Científico de Maria Margarida 
de Andrade, a autora destaca a leitura muito importante para 
quem deseja realizar trabalhos acadêmicos, aborda normas 
de redação, técnicas de pesquisa, técnicas para pesquisa 
bibliográfica, de campo e relatórios de pesquisas. 
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução a Metodologia do Trabalho 
Científico. 10ª Ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Após a leitura dos livros escolha um e faça uma 
resenha crítica.
PROBLEMATIZANDO
É apresentada uma situação problema onde será feito 
um texto expondo uma solução para o problema 
abordado, articulando a teoria e a prática profissional.
21INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
A motivação do pesquisador deve ser as experiências que o levam a identificação 
do problema a ser estudado. O título deve ser escolhido de forma cuidadosa e 
a pesquisa científica deve ter início com a formulação de um problema e com o 
objetivo de procurar solucioná-lo com clareza e delimitado a uma variável.
Vamos pensar num determinado caso, uma estudante pretende pesquisar sobre 
estudantes de Educação de Jovens e Adultos. Sua pesquisa está voltada na seguinte 
questão: Qual a receptividade desta modalidade de ensino dentro da rede pública?
Portanto, a referida estudante antes de iniciar a pesquisa deve elaborar perguntas 
tais como: O que pesquisar? Por quê? (Justificando a escolha do problema), Para 
que? Qual o objetivo? Como pesquisar? Qual a metodologia? Quando pesquisar? 
Onde pesquisar? Com que recursos?
Se você fosse fazer uma pesquisa sobre o 
assunto mencionado como você responderia tais 
questionamentos? Reflita e comente com seus 
colegas. 
APRENDENDO A PENSAR
O estudante deverá analisar o tema da disciplina em 
estudo a partir das ideias organizadas pelo professor-
autor do material didático.
23INTA EAD Metodologia do Trabalho CientíficoA NATUREZA DA CIÊNCIA 
E DA PESQUISA CIENTÍFICA 
1
Conhecimentos
Compreender a ciência enquanto processo crítico de reconstrução do saber, bem 
como a sua natureza, os métodos e os processos de investigação.
Habilidades
Caracterizar o conhecimento em geral e assinalar seus pressupostos;
Identificar os diferentes tipos de conhecimento e suas formas de validação;
Reconhecer os aspectos cognitivos e sociais presentes na elaboração do 
conhecimento pela humanidade.
Atitude
Assinalar as características próprias do conhecimento científico e seus 
pressupostos.
24 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
25INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
A natureza da ciência – O conhecimento
O homem é, por natureza, um animal curioso. Desde 
o seu nascimento interage com a natureza e os objetos à 
sua volta, interpretando o universo a partir das referências 
sociais e culturais do meio em que vive. Apropria-se do 
conhecimento através das sensações que os seres e os 
fenômenos lhe transmitem e a partir dessas sensações 
elabora representações. Contudo, essas representações 
não constituem o objeto real. O objeto real existe 
independentemente do homem conhecê-lo ou não. O 
conhecimento humano é, na sua essência, um esforço para resolver contradições 
entre as representações do objeto e a realidade do mesmo.
O conhecimento, dependendo da forma pela qual se chega a essa representação, 
pode ser classificado em: popular (senso comum), teológico, mítico (ou místico), 
filosófico e científico. 
Os Conhecimentos Teológico, Filosófico e Mítico 
O conhecimento teológico se preocupa com verdades que somente a fé pode 
explicar. Acredita-se que os ensinamentos religiosos são indiscutíveis. Quanto ao 
conhecimento filosófico, preocupa-se com especulações e reflexões acerca da 
relação do homem com o cotidiano. Não é um conhecimento estático, pois sempre 
está em constante transformação não se importando com verificação; é um estudo 
racional. Já o conhecimento mítico é baseado na intuição, auxilia o ser humano a 
descobrir o mundo através de representações que não são racionais. 
O Conhecimento Popular
A nossa vida desenvolve-se em torno do conhecimento popular. Ele surge da 
necessidade de resolver problemas imediatos, adquiridos através de ações não 
planejadas. Este conhecimento surge de modo instintivo, espontâneo, subjetivo, 
acrítico, permeado pelas opiniões, emoções e valores de quem o produz. Desse 
modo, o conhecimento popular consegue atingir objetividade e racionalidade 
limitadas.
O conhecimento popular, também designado de senso comum, distingue-se 
essencialmente do conhecimento científico pelos métodos utilizados para chegar ao 
26 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
conhecimento. Saber se determinada planta necessita de uma quantidade de água 
e que deverá ser regada se não recebê-la sob a forma de chuva é um conhecimento 
verdadeiro e passível de comprovação, mas nem por isso é científico. Para que esse 
conhecimento popular se transforme em científico será necessário, por exemplo, 
conhecer as particularidades das plantas e seu ciclo de desenvolvimento. 
O senso comum varia de acordo com o conhecimento relativo da maioria dos 
sujeitos em um determinado momento histórico. De acordo com Demo (1987, p. 
30), “Não distingue entre fenômeno e essência, entre o que aparece na superfície e 
o que existe para baixo”. Um dos exemplos de senso comum mais conhecidos é o 
fato de considerar que a Terra era o centro do Universo e que o Sol girava em torno 
dela. Galileu, ao afirmar que a Terra girava em volta do Sol, quase foi queimado pela 
Inquisição.
Hoje o senso comum mudou. Quem afirmar que o sol gira em torno da Terra 
será considerado ignorante porque a cultura popular é baseada no senso comum. 
Seguem abaixo as características do conhecimento popular:
Características do Conhecimento Popular
Superficial 
Conforma-se com a aparência e não 
esqueça que “as aparências enganam”
Sensitivo
Refere-se às vivências e emoções 
enfrentadas pelo sujeito no dia a dia. 
Assistemático
Não procura a sistematização e validação 
do conhecimento. 
Acrítico 
Os conhecimentos não são sujeitos a 
uma análise crítica.
O Conhecimento Científico
O conhecimento científico é produzido pela 
investigação científica através de seus métodos resultantes 
do aprimoramento do senso comum. O conhecimento 
científico tem origem nos procedimentos de verificação 
baseados na metodologia científica. É um conhecimento 
objetivo, metódico, passível de demonstração e 
comprovação. 
27INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
O método científico permite a elaboração conceitual da realidade que se 
deseja verdadeira e impessoal, passível de ser submetida a testes de falseabilidade. 
Contudo, o conhecimento científico apresenta um caráter provisório, uma vez que 
pode continuamente ser testado, enriquecido e reformulado. Para que isso aconteça, 
deve ser de domínio público. 
Veja no quadro abaixo as características do Conhecimento Científico:
Características do Conhecimento Científico
Objetivo A ciência tenta afastar os elementos 
afetivos e subjetivos, visando apresentar-
se enquanto conhecimento válido para 
todos. 
Intersubjetivo A evolução recente da ciência, 
especialmente da física (como a teoria da 
relatividade e da física quântica), trouxe 
para a discussão o que podemos apelidar 
de intersubjetividade do conhecimento 
cientifico já que é crescente a tendência 
para considerar a impossibilidade de 
isolar adequadamente o objeto do 
sujeito e de eliminar completamente o 
observador. 
Positivo A ciência procura uma absoluta 
submissão à fiscalização da experiência. 
Racional O conhecimento científico procura 
racionalizar o real. A partir de dados 
empíricos e por meio de sínteses, procura 
incluir os fatos num sistema racional a 
partir do qual possa deduzir leis.
Reversível Todo conhecimento científico é 
provisório e sujeito a revisão, 
aperfeiçoamento e, às vezes, uma 
completa transformação. 
Autônomo O conhecimento científico procura a 
autonomia em relação à filosofia e à fé.
28 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
A natureza da Ciência
A ciência é a atividade intelectual e prática que abrange a estrutura do 
comportamento do mundo físico e do natural através do empirismo e da observação.
Ela é uma forma particular de conhecer o mundo. É o saber produzido através 
do raciocínio lógico associado à experimentação prática. Caracteriza-se por 
um conjunto de modelos de observação, identificação, descrição, investigação 
experimental e explanação teórica de fenômenos. O método científico envolve 
técnicas exatas, objetivas e sistemáticas bem como regras fixas para a formação de 
conceitos, condução de observações, realização de experimentos e validação de 
hipóteses explicativas. 
O objetivo básico da ciência não é descobrir verdades ou se constituir como 
uma compreensão plena da realidade. Deseja fornecer um conhecimento provisório 
que facilite a interação com o mundo, possibilitando previsões confiáveis sobre 
acontecimentos futuros e indicar mecanismos de controle que possibilitem uma 
intervenção sobre tais acontecimentos. 
O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, no livro Um discurso sobre 
as ciências (1987), enquadra a natureza da ciência em três momentos: 
• Paradigma da modernidade;
• A crise do paradigma dominante;
• O paradigma emergente.
O Paradigma da modernidade é o dominante hoje em dia. Substancia-se nas 
ideias de Copérnico, Kepler, Galileu, Newton, Bacon e Descartes. Construído com base 
no modelo das ciências naturais, apresenta uma forma de conhecimento verdadeiro 
e uma racionalidade experimental, quantitativa e neutra. De acordo com o autor, 
essa racionalidade é mecanicista, pois considera o homem e o universo verdadeiras 
máquinas; é reducionista, pois reduz o todo às partes e é cartesiano porque separa 
o mundo natural, empírico, dos outros mundos não verificáveis como o espiritual, 
simbólico. 
O autor apresentaoutros pormenores do paradigma: a distinção entre 
conhecimento científico e conhecimento do senso comum, entre natureza e pessoa 
humana, corpo e mente, corpo e espírito; a certeza da experiência ordenada; a 
29INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
linguagem matemática como o modelo de representação; a medição dos dados 
coletados; a análise que decompõe o todo em partes; a busca de causas que 
aspiram a formulação de leis à luz de regularidades observadas com vista a prever 
o comportamento futuro dos fenômenos; a expulsão 
da intenção; a ideia do mundo enquanto máquina; a 
possibilidade de descobrir as leis da sociedade.
O filósofo francês René Descartes (1596-1650) 
introduziu a dúvida metódica como elemento primordial 
para a investigação científica. Em seu livro Discurso sobre 
o método, publicado em 1637, o filósofo expõe que o 
melhor caminho para a compreensão de um problema é a 
ordem e a clareza com que realizamos nossas reflexões e propõe um método para 
consegui-lo.
Vamos compreender as quatro regras do método:
• Jamais aceitar como exata alguma coisa que não se conheça a clareza como 
tal, evitando a precipitação e a precaução, fazendo o espírito aceitar somente aquilo, 
claro e distinto, sobre o que não pairam dúvidas;
• Dividir cada dificuldade a ser examinada em quantas partes for possível para 
resolvê-la;
• Pôr em ordem os pensamentos, começando pelos mais fáceis de serem 
conhecidos para atingir, aos poucos, os mais complexos;
• Fazer, para cada caso, uma enumeração exata e uma revisão ampla e geral 
para ter-se a certeza de não ter esquecido ou omitido algo.
A Crise do paradigma dominante, segundo Boaventura Sousa Santos 
(1987), tem como referências as ideias de Einstein e os conceitos de relatividade e 
simultaneidade que colocaram o tempo e o espaço absolutos de Newton em debate; 
Heisenberg e Bohr, cujos conceitos de incerteza e continuum abalaram o rigor da 
medição; Gödel que provou a impossibilidade da completa medição e defendeu que 
o rigor da matemática carece de fundamento; Ilya Prigogine, que propôs uma nova 
visão de matéria e natureza.
O homem encontra-se num momento de revisão sobre o rigor científico pautado 
no rigor matemático e de construção de novos paradigmas: em vez de eternidade, 
a história; em vez do determinismo, a impossibilidade; em vez do mecanicismo, a 
espontaneidade e a auto-organização; em vez da reversibilidade, a irreversibilidade 
30 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
e a evolução; em vez da ordem, a desordem; em vez da necessidade, a criatividade 
e o acidente.
O paradigma emergente deve se alicerçar nas premissas de que todo o 
conhecimento científico-natural é científico-social, todo conhecimento é local e 
total (o conhecimento pode ser utilizado fora do seu contexto de origem), todo o 
conhecimento é autoconhecimento (o conhecimento analisado sob um prisma mais 
contemplativo que ativo), todo o conhecimento científico visa constituir-se em senso 
comum (o conhecimento científico dialoga com outras formas de conhecimento 
deixando-se penetrar por elas).
Para Santos (1987), a ciência encontra-se num movimento de transição de uma 
racionalidade ordenada, previsível, quantificável e testável, para outra que enquadra 
o acaso, a desordem, o imprevisível, o interpenetrável e o interpretável. 
31INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
A NATUREZA 
DA PESQUISA CIENTÍFICA 
2
Conhecimentos
Compreender os tipos de pesquisa científica
Habilidades
Identificar a natureza da pesquisa científica;
Identificar as características da pesquisa quantitativa e qualitativa. 
Atitude
Aplicar os tipos de pesquisa científica na elaboração de trabalhos científicos.
33INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
A pesquisa científica
A pesquisa é a atividade nuclear da ciência; seu processo é permanente e 
inacabado. Desenvolve-se através de aproximações sucessivas da realidade, 
fornecendo-nos subsídios para uma intervenção no real.
A pesquisa científica é o resultado de um inquérito ou exame minucioso, 
realizado com o objetivo de resolver um problema, recorrendo a procedimentos 
científicos. Lehfeld e Barros (1991) referem-se à pesquisa como sendo a inquisição, 
o procedimento sistemático e intensivo, que tem por objetivo descobrir e interpretar 
os fatos que estão inseridos em uma determinada realidade. 
A ciência tem áreas de conhecimento como: Ciências Humanas, Ciências Agrárias, 
Ciências Biológicas e Ciências Exatas. No Brasil, o CNPq classifica os pesquisadores e 
as profissões a partir dessas grandes áreas. Acesse: http://www.cnpq.br/
A seguir, destacaremos várias espécies e etapas de pesquisa 
científica. 
Pesquisa qualitativa versus quantitativa
A pesquisa qualitativa preocupa-se com aspectos da realidade que não podem 
ser quantificados, centrando-se na compreensão e explicação da dinâmica das 
relações sociais. Para Minayo (2001, p. 14), a pesquisa qualitativa busca analisar o 
comportamento, valores e as atitudes através de dados coletados.
Aplicada inicialmente em estudos de Antropologia e Sociologia como contraponto 
à pesquisa quantitativa dominante, a pesquisa qualitativa tem alargado o seu campo 
de atuação em áreas como a Psicologia e a Educação. Esta pesquisa é criticada pelo 
seu empirismo, subjetividade e o envolvimento emocional do pesquisador. 
Os resultados da pesquisa quantitativa podem ser quantificados. Como as 
amostras geralmente são grandes e consideradas representativas da população, os 
resultados são tomados como se constituíssem um retrato real de toda a população-
alvo da pesquisa. A pesquisa quantitativa centra-se na objetividade. Influenciada 
pelo positivismo, esta pesquisa considera que a realidade somente pode ser 
compreendida com base na análise de dados brutos, recolhidos com o auxílio de 
34 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
instrumentos padronizados e neutros. Ela recorre à linguagem matemática para 
descrever as causas de um fenômeno, as relações entre variáveis, etc. 
A pesquisa quantitativa e a pesquisa qualitativa não se substituem uma à outra, 
elas se complementam. As pesquisas qualitativas são usadas quando se buscam 
percepções e entendimento sobre a natureza geral de uma questão, abrindo 
espaço para a interpretação. Já as pesquisas quantitativas são mais adequadas 
para apurar opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos entrevistados, pois 
utilizam instrumentos estruturados (questionários). Devem ser representativas de 
determinado universo de modo que seus dados sejam generalizados e projetados 
para aquele universo. Seu objetivo é mensurar e permitir o teste de hipóteses, já que 
os resultados são mais concretos e, consequentemente, menos passíveis de erros de 
interpretação.
Em muitos casos, as pesquisas quantitativas geram índices que podem ser 
comparados ao longo do tempo, permitindo traçar um histórico da informação 
(Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística - IBOPE). A utilização conjunta 
da pesquisa qualitativa e quantitativa permite recolher mais informações do que se 
poderia conseguir isoladamente.
 Veja o quadro abaixo:
Comparação entre pesquisa qualitativa e quantitativa
Aspecto Pesquisa Quantitativa Pesquisa Qualitativa
Enfoque na interpretação 
do objeto 
Menor Maior
Importância do contexto 
do objeto pesquisado
Menor Maior
Proximidade do 
pesquisador em relação 
aos fenômenos estudados
Menor Maior
Alcance do estudo no 
tempo
Instantâneo Intervalo Maior
Instantâneo Intervalo maior
Quantidade de fontes de 
dados
Uma Várias
Ponto de vista do 
pesquisador
Externo à organização Interno à organização
Quadro teórico e 
hipóteses
Definidas rigorosamente Menos estruturadas
35INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Classificar as pesquisas com base em seus objetivos
Na forma tradicional de investigar cientificamente uma pessoa ou grupo 
capacitado (sujeito da pesquisa), a pesquisa aborda um aspecto da realidade (objeto 
da pesquisa) no sentido de comprovar experimentalmentehipóteses (pesquisa 
experimental) ou para descrevê-la (pesquisa descritiva), ou para explorá-la (pesquisa 
exploratória). 
Pesquisa experimental 
A pesquisa experimental é considerada o melhor exemplo de pesquisa científica, 
pois o isolamento de qualquer interferência do meio exterior possibilita um alto 
nível de controle. 
O conhecimento científico está ausente nos resultados oferecidos pelas 
pesquisas experimentais que têm como suporte quase exclusivamente o método 
experimental. Elas têm como preocupação principal identificar os fatores que 
determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. O que caracteriza a 
pesquisa experimental é a manipulação e o controle das variáveis com o objetivo 
de identificar qual a variável independente que determina a causa da variável 
dependente ou da situação em estudo.
A realização de pesquisas experimentais no âmbito das ciências sociais reveste-
se de algumas dificuldades pelo que se recorre a pesquisas com outras características 
tais como a pesquisa descritiva e pesquisa exploratória.
Pesquisa descritiva
A pesquisa descritiva pretende observar, registrar, analisar 
e correlacionar fenômenos ou fatos em um contexto, visando 
descobrir a frequência em que eles ocorrem, sua eventual 
relação e conexão com outros fenômenos, suas características 
e natureza, sem que o pesquisador interfira neles, nem no 
ambiente analisado. A pesquisa descritiva possibilita conhecer 
as características de determinada população ou fenômeno: distribuição por idade, 
sexo, nível de escolaridade, renda ou então possibilitar estudar as características do 
atendimento de uma entidade pública ou privada face ao público interno ou externo. 
Pode também, por exemplo, possibilitar o levantamento do desempenho local de 
uma espécie vegetal ou animal de interesse a partir da observação de aspectos como 
crescimento, produção, alimentação, saúde, dentre outros. A pesquisa descritiva é, 
36 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
junto com a exploratória, habitualmente utilizada pelas ciências sociais e aplica para 
a coleta de dados, por exemplo, questionários e observação. 
Pesquisa exploratória
A pesquisa exploratória envolve, na maioria dos casos, o levantamento 
bibliográfico, a realização de entrevistas com sujeitos que tiveram experiências 
práticas com o problema pesquisado e a análise de exemplos que possibilitem a 
compreensão da realidade estudada. De um modo geral, a pesquisa exploratória 
assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso, contudo ela pode 
também constituir um estudo preliminar ou preparatório para outro tipo de pesquisa 
proporcionando as condições para a avaliação da possibilidade de se desenvolver 
um estudo inédito e relevante sobre determinado tema ou então encontrar novos 
enfoques para a pesquisa que se está iniciando.
Classificar as pesquisas com base nos 
procedimentos técnicos utilizados
Tradicionalmente, o sujeito da pesquisa possui acesso às conclusões, não tendo 
ingerência no processo, nem nos resultados. Nas últimas décadas apareceram 
outras propostas de investigação que sem perder a cientificidade, procuram 
maior participação e apropriação do processo e dos resultados pelos objetos de 
investigação. Não aceitam a separação entre os indivíduos e o contexto no qual vivem, 
nem aceitam ignorar o ponto de vista dos investigados e as suas interpretações da 
realidade.
Para desenvolver uma pesquisa, é indispensável selecionar o tipo que será 
utilizado. De acordo com as características da pesquisa, poderão ser escolhidos 
vários tipos, sendo possível aliar o qualitativo ao quantitativo. A partir das propostas 
de Gil (2002, p. 43) definimos três grandes grupos: aqueles em que a coleta de dados 
baseia-se na pesquisa bibliográfica e na pesquisa documental; aqueles cujos dados 
são fornecidos por pessoas e as pesquisas em que na recolha de dados ocorre uma 
interação entre pesquisadores e sujeitos da pesquisa.
37INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Pesquisas que se baseiam em fontes 
bibliográficas e documentais para a coleta dos 
dados
A pesquisa bibliográfica e documental pode parecer, à primeira vista, semelhante, 
contudo existem diferenças para as quais é preciso estar atento. 
Classificações da Pesquisa 
As pesquisas são classificadas também quanto aos procedimentos. Podem ser 
divididas em pesquisas de campo e pesquisas de fonte. A pesquisa de campo baseia-
se na observação dos fatos de forma direta com formulários e entrevistas através 
de coleta de dados cujo objetivo é buscar conhecimento e encontrar respostas. 
A pesquisa de fontes pode ser de dois tipos: pesquisa bibliográfica e pesquisa 
documental.
Imagine que você lê numa revista o seguinte trecho: “A pesquisa é uma pesquisa 
bibliográfica levando o conhecimento atual veiculado na literatura especializada 
mundial sobre diabetes mellitus de forma ampla e didática, culminando com o relato 
do consenso do valor da atividade física, assim como o tipo e intensidade dessas 
atividades no controle da doença, permitindo uma vida de qualidade ao diabético”. 
De que modalidade de pesquisa o autor acima está 
falando? Quais as suas características?
38 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Pesquisa Bibliográfica
Conforme Matos e Vieira (1991, p. 40), a pesquisa bibliográfica é feita a partir do 
levantamento de referências teóricas “já analisadas e publicadas por meios escritos 
e eletrônicos, como livros, artigos científicos, página de web sites” sobre o tema a 
estudar. 
Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica que 
permite ao pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto. Existem, 
porém pesquisas científicas que se baseiam unicamente na pesquisa bibliográfica, 
procurando referências teóricas publicadas com o objetivo de recolher informações 
ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito do qual se procura a resposta. 
As conclusões não podem ser apenas um resumo. O pesquisador deve ter o cuidado 
de selecionar e analisar, habilidosamente, os documentos pesquisados evitando 
comprometer a qualidade da pesquisa com erros resultantes de dados coletados ou 
processados de forma equívoca. 
A principal vantagem da pesquisa bibliográfica, de acordo 
com Gil (2002, p. 45), é “permitir ao investigador a cobertura 
de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela 
que poderia pesquisar diretamente”. O autor dá o exemplo 
da impossibilidade de um pesquisador percorrer o Brasil 
procurando dados sobre população ou renda. Hoje a pesquisa 
bibliográfica é facilmente encontrada na Internet. 
A pesquisa bibliográfica é indispensável nos estudos 
históricos, pois em muitas situações é possível conhecer os fatos do passado somente 
a partir de dados bibliográficos. Para Gil (2002), é preciso que o pesquisador procure 
39INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
fontes originais, pois nem sempre as fontes secundárias apresentam dados coletados 
ou processados de modo correto. As fontes são constituídas de material elaborado 
por livros, artigos científicos, sobretudo localizadas nas bibliotecas. 
Pesquisa Documental
Ao ler a notícia abaixo, será que o autor ainda está falando de uma pesquisa 
bibliográfica? Em que a pesquisa bibliográfica será diferente da pesquisa documental?
Já está à venda o livro "Seguindo a canção: engajamento político e indústria 
cultural na MPB (1959-1969)", de Marcos Napolitano. Ensaio sobre a formação, o 
conceito e as variantes de Música Popular Brasileira nos anos 60, a partir de uma 
grande pesquisa documental (escrita e fonográfica), enfocando os dilemas que 
cercaram o debate em torno da função política e da inserção comercial da canção 
na sociedade brasileira. 
A pesquisa documental trilha os mesmos caminhos da pesquisa bibliográfica, 
não sendo fácil por vezes distingui-las; a diferença é a natureza das fontes. Segundo 
Gil (2002, p. 46), “o desenvolvimento da pesquisa documental segue os mesmos 
passos da pesquisa bibliográfica. Apenascabe considerar que, enquanto na pesquisa 
bibliográfica as fontes são constituídas de material impresso encontrado nas 
bibliotecas e livrarias, a pesquisa documental é muito mais diversificada e dispersa”. 
De acordo com Matos e Vieira (2001, p. 40), “ela ainda não recebeu tratamento 
analítico considerado legítimo sem engano tais como: tabelas estatísticas, jornais, 
revistas, relatórios, documentos oficiais, cartas, filmes, fotografias, pinturas, tapeçarias, 
relatórios de empresas, vídeos de programas de televisão, etc”. É apontado como uma 
das vantagens da pesquisa documental o fato de os documentos constituírem uma 
fonte rica e estável de dados, subsistindo ao tempo e tornando-se uma importante 
fonte de dados. É um processo que utiliza técnicas e métodos para compreensão e 
análise de vários documentos. 
Outra vantagem referida está no baixo custo já que a análise dos documentos, em 
muitos casos, além da capacidade do pesquisador, exige apenas disponibilidade de 
tempo. Outro benefício apontado para a pesquisa documental, conforme Gil (2002), 
é não exigir contato com os sujeitos da pesquisa, o que por um lado, muitas vezes, é 
difícil ou até mesmo impossível e por outro lado a informação proporcionada pelos 
sujeitos é prejudicada pelas circunstâncias que envolvem o contato.
40 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Pesquisas que se baseiam em dados fornecidos 
por pessoas
Para desenvolver uma pesquisa é indispensável selecionar procedimentos para 
a coleta de dados. Além das pesquisas cuja coleta dos dados é feita em fontes 
bibliográficas e documentais, é possível ter pesquisas em que os dados são 
fornecidos por pessoas. 
Pesquisa Experimental
A pesquisa experimental seleciona grupos idênticos e submete-os a tratamentos 
diferentes, checando se as diferenças observadas nas respostas são estatisticamente 
significantes. Os efeitos observados são relacionados com as variações nos estímulos, 
pois o propósito da pesquisa experimental é apreender as relações de causa-e-
efeito e eliminar explicações conflitantes às descobertas realizadas. Para conseguir 
maior positividade, os fatores externos são eliminados ou controlados. É possível 
encontrar dois elementos críticos na pesquisa experimental que está dividida em 
duas grandes categorias. 
Elementos críticos da pesquisa experimental:
• O ambiente experimental, que inclui o desenho da pesquisa, os sujeitos e a 
tarefa e outros materiais experimentais utilizados; 
• A estratégia de pesquisa, que envolve a organização de sessões experimentais 
e o controle experimental. 
A pesquisa experimental encontra-se em duas grandes categorias: 
• Experimentação em laboratório onde é criado um meio ambiente artificial; 
• Experimentação no campo onde são criadas as condições para a manipulação 
dos sujeitos. 
De acordo com o grau de controle exercido pelo pesquisador sobre as variáveis 
independentes e outros fatores, falamos de desenho experimental quando o controle 
é elevado e de desenho quase-experimental, quando o controle é menor.
Na pesquisa experimental é essencial controlar as variáveis estranhas que possam 
interferir para que o ambiente da pesquisa se torne o mais adequado possível.
41INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Você compreenderá as três modalidades de pesquisa 
“mais comuns”:
• Pesquisas experimentais com apenas dois grupos homogêneos, denominados 
de experimental e controle. Aplicado um estímulo ao grupo experimental, no final 
são comparados os dois grupos para avaliar as alterações;
• Pesquisas experimentais antes/depois como se trabalha um único grupo 
definido previamente em função das suas características e geralmente reduzido. É 
produzido no grupo estudado um estímulo e são avaliadas as transformações;
• Pesquisas experimentais antes /depois com um grupo experimental e de 
controle que são medidos no início e no fim da pesquisa. Como os dois grupos são 
medidos no início da pesquisa, ao se produzir um estímulo no grupo experimental, 
a diferença apresentada nos dois grupos ao final da pesquisa constitui a medida da 
influência do estímulo introduzido. 
Pesquisa Ex-Post-Facto 
O estudo “Relacionamento entre pais e filhos nas diferentes fases do ciclo 
vital familiar teve como objetivo principal verificar a dinâmica e estrutura do 
relacionamento entre pais e filhos nas diferentes fases do ciclo vital. Trata-se de 
uma pesquisa ex-post-facto, tendo como instrumentos para a obtenção dos dados 
entrevistas semidirigidas e formulários”. Ao ler esta informação, o que você entendeu 
sobre a modalidade de pesquisa Ex-Post-Facto? 
A Ex-Post-Facto tem por objetivo investigar possíveis relações de causa e efeito 
entre determinado fato identificado pelo pesquisador e um fenômeno que ocorre 
posteriormente. A principal característica desta pesquisa é o fato dos dados serem 
coletados após a ocorrência dos eventos. É utilizada quando há impossibilidade de 
aplicação da pesquisa experimental pelo fato de nem sempre ser possível manipular 
as variáveis necessárias para o estudo da causa e do seu efeito.
Gressler (1989, p. 30) aponta como exemplo um estudo sobre a evasão escolar 
Ex-Post-Facto. É após a evasão escolar que se tenta analisar as causas. Num estudo 
experimental e de acordo com a autora, seria o inverso: tomava-se primeiramente 
um grupo de estudantes a quem seria dado determinado tratamento e observar-se-
ia depois o índice de evasão.
42 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Pesquisa com Survey
Ao assistir a uma exibição, um apresentador menciona o seguinte: A pesquisa 
através do Método de Pesquisa Survey buscou levantar as características de qualidade 
ambiental no interior das duas indústrias metalmecânicas estudadas dentro do 
processo de utilização, controle, tratamento interno e destinação dos resíduos de 
fluidos de corte. Para a execução dessa etapa, em mais uma oportunidade, aplicou-
se um questionário aos funcionários responsáveis pelos departamentos de controle 
operacional dos fluidos de corte. 
A pesquisa com Survey pode ser referida como a obtenção de dados ou 
informações sobre as características, as ações ou as opiniões de determinado grupo 
de pessoas, indicado como representante de uma população-alvo, utilizando um 
instrumento de pesquisa, usualmente um questionário. É empregada em áreas como 
marketing, ciências sociais e política. De acordo com Matos e Vieira (2001, p. 45), 
“através de procedimentos estatísticos, busca conhecer atitudes, valores e crenças 
das pessoas pesquisadas”.
Estudo de caso
O estudo de caso é uma modalidade de pesquisa. O exemplo que vamos relatar 
sobre estudo de caso “procurou investigar, na prática, os métodos e as técnicas 
usadas na solução de problemas por uma empresa do ramo da mecânica, fabricante 
de produtos estampados e blanks (chapas de aço)”. 
Um estudo de caso pode ser caracterizado de acordo com o estudo de uma 
entidade bem definida como um programa, uma instituição, um sistema educativo, 
uma pessoa ou uma unidade social. Visa conhecer em profundidade o seu “como” e os 
seus “porquês”, evidenciando a sua unidade e identidade própria. É uma investigação 
caracterizada como particularística, isto é, debruça-se deliberadamente sobre uma 
situação específica que supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir 
o que há nela de mais essencial e característico. O fato de selecionarmos somente 
um objeto permite obter a seu respeito uma grande quantidade de informações. 
O pesquisador não pretende intervir sobre o objeto, mas revelá-lo tal como 
ele o percebe. O estudo de caso apresenta, deste modo, uma forte tendência 
descritiva. Pode decorrer de acordo com uma perspectiva interpretativa que procura 
compreender como é o mundo do ponto de vista dos participantes, ou uma 
perspectiva pragmática, que visa simplesmente apresentar uma visão global, tanto 
quanto possível completa e coerente, do objeto de estudo do ponto de vista do 
investigador.
43INTA EAD Metodologia do Trabalho CientíficoLevantamento
“O levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas 
Educacionais (INEP), ligado ao Ministério da Educação, apontou 353 escolas sem 
eletricidade em Santa Catarina”. Por que o estudo realizado pelo INEP se chamou 
levantamento? Quais as suas características?
Particularmente utilizado em estudos exploratórios e descritivos, o levantamento 
pode ser de dois tipos: levantamento de uma amostra ou levantamento de uma 
população (também designado de Censo). O Censo populacional constitui a 
única fonte de informação sobre a situação de vida da população nos municípios 
e localidades. Os censos produzem informações imprescindíveis para a definição 
de políticas públicas estaduais e municipais e para a tomada de decisões de 
investimento, sejam eles provenientes da iniciativa privada ou de qualquer nível de 
governo. A coleta de dados realiza-se usualmente pela utilização de questionários 
ou entrevistas. 
Entre as principais vantagens do levantamento estão o conhecimento direto da 
realidade, a economia e rapidez e a quantificação. As limitações do levantamento 
residem no fato de muitas vezes ocorrer uma diferença entre o que as pessoas 
fazem ou sentem e o que elas dizem. Por outro lado, o levantamento, apesar da 
possibilidade de elevado número de dados, mostra-se pouco adequado para a 
instigação de fenômenos sociais, pois estes são determinados essencialmente 
por fatores interpessoais e institucionais. O levantamento proporciona ainda uma 
“fotografia” do fenômeno num determinado momento, mas não proporciona 
conhecer suas tendências, nem possíveis mudanças estruturais. 
Vamos elencar dois exemplos de levantamentos: sendo recenseados todos os 
moradores em domicílios particulares (permanentes e improvisados) e coletivos 
numa data de referência, é possível através de pesquisas mensais do comércio, da 
indústria e da agricultura, recolher informações sobre o seu desempenho. Outro 
exemplo de levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas 
Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação, apontou 353 escolas sem 
eletricidade em Santa Catarina.
44 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Pesquisas em que a coleta de dados ocorre por 
meio de uma interação entre pesquisadores e 
sujeitos da pesquisa
A pesquisa-ação e a pesquisa-participante caracterizam-se pela interação entre 
pesquisadores e sujeitos da pesquisa, existindo autores que consideram as duas 
designações sinônimas. A interação entre pesquisadores e sujeitos da pesquisa é, 
por vezes, questionada em termos da sua “cientificidade”.
 A esse respeito Paulo Freire (1987, p. 50), em Pedagogia do Oprimido, 
comenta a necessidade de uma metodologia dialógica que proporcione “a tomada 
de consciência dos indivíduos em torno dos mesmos” e que investigue o seu 
pensamento-linguagem referido à realidade, aos níveis de sua percepção desta 
realidade e à sua visão do mundo. 
Segundo Freire (1987), os homens, sem uma compreensão de algo na sua 
totalidade, não podem conhecê-la por inteiro, a não ser que adquiram uma 
compreensão geral do contexto.
Para este mesmo educador, a proposta de mostrar a realidade aos indivíduos faz 
com que eles, através da análise, tenham uma postura crítica e percebam que não 
há uma divisão.
Paulo Freire defende que no fluxo da investigação os investigadores e os homens 
do povo se façam ambos sujeitos. O investigador estabelece relações comunicativas 
com as pessoas ou grupos da situação investigada no intuito de conseguir uma 
melhor aceitação. Busca participar do contexto investigado, identificando-se com 
valores e comportamentos. 
Na sua obra Cartas à Guiné-Bissau: registros de uma experiência em Processo, 
Paulo Freire (1978, p.10), reforça a importância de trabalhar com educadores e 
educando “(...) e não sobre ou simplesmente para eles”. 
Paulo Freire (1986), alerta para o fato de os homens serem sujeitos de investigação 
e investigadores; essa relação pode ferir o objetivo da investigação, pois os dados 
coletados poderão sofrer diferentes interpretações dos mais interessados. Para 
esse teórico, o risco maior não está no fato dos investigados descobrirem-se 
investigadores e adulterarem os resultados, mas em mudar o foco da investigação. 
Mas ele mesmo ressalva essa possibilidade afirmando que isto demonstra uma 
consciência ingênua dos que pensam que a realidade a investigar existiria, segundo 
Freire (1987, p. 56), “em sua pureza objetiva e original, fora dos homens, como se 
fossem coisas.”. 
45INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
A proposta metodológica de Paulo Freire (1987, p. 57) “se faz, assim, um esforço 
comum de consciência da realidade e de autoconsciência que a inscreve como ponto 
de partida do processo... da ação cultural de caráter libertador”.
Moacir Gadotti, Freire e Guimarães (1995, p. 14), na obra Pedagogia: diálogo 
e conflito, menciona que os procedimentos metodológicos não devem ser 
recebidos prontos e transplantados mecanicamente. Eles devem ser reelaborados 
“historicamente em cada contexto”. A história de um método (= caminho) somente 
pode ser “contada ao finalizar a pesquisa. A direção tomada inicialmente é sempre 
provisória”. 
Pesquisa Participante
A pesquisa participante rompe com o paradigma de não envolvimento do 
pesquisador com o objeto de pesquisa, despertando fortes reações do positivismo. 
Teve a sua origem em Bronislaw Malinowski. A pesquisa participante, de acordo com 
Matos e Vieira (2001, p. 46), “caracteriza-se pelo envolvimento e identificação do 
pesquisador com as pessoas investigadas”.
Vamos citar um exemplo: caso você queira conhecer melhor 
os nativos de determinado lugar, é necessário tornar-se um 
deles, aprender a língua, costumes e observar o cotidiano. 
Assim a sua pesquisa caracteriza-se como participante.
Pesquisa-ação
A pesquisa-ação pressupõe uma participação planejada do pesquisador na 
situação-problema a ser investigada. Recorre a uma metodologia sistemática no 
sentido de transformar as realidades observadas a partir da sua compreensão, 
conhecimento e compromisso para a ação dos elementos envolvidos na pesquisa. 
Existem três aspectos a serem atingidos: resolução de problemas, tomada de 
consciência e a produção de conhecimento.
Segundo Thiollent in Minayo (1994), a pesquisa-ação é baseada no empirismo 
associada à solução de um problema coletivo, onde tanto os pesquisadores quanto 
os participantes assumem o problema de forma cooperativa. 
46 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
O processo de pesquisa-ação envolve o planejamento, o diagnóstico, a ação, 
a observação e a reflexão, num ciclo permanente. Portanto, podemos afirmar 
que enquanto na pesquisa-participante o pesquisador adota uma postura mais 
observadora, na pesquisa-ação ele assume uma postura de intervenção junto e em 
conjunto com os sujeitos da pesquisa. 
Vamos analisar um exemplo de pesquisa-ação: O projeto tem duplo propósito, a 
difusão e, concomitantemente, produção de conhecimento sobre a escola de primeiro 
grau. Tem como objetivos de pesquisa investigar professores, seu desenvolvimento 
profissional, o papel da educação continuada e da pesquisa na transformação da 
escola. Paralelamente, tem um objetivo de ação visando desenvolver e aprimorar 
técnicas de reflexão do trabalho docente, diagnosticar dificuldades, debater e 
explicitar o papel da escola e de cada componente curricular no perfil de cidadão 
a ser formado, promover revisão básica de conteúdos, buscar alternativas para 
enfrentar dilemas e reformular continuamente o trabalho pedagógico entre tantos 
outros. 
O projeto caracteriza-se como pesquisa-ação em que universidades e escolas 
de primeiro grau são parceiras para superar problemas escolares crônicos como a 
repetência e evasão, decorrentes de inúmeras dificuldades enfrentadas em sala de 
aula por professores de todas as áreas do saber.
Pesquisa Etnográfica
A pesquisa etnográfica pode ser entendida como o estudo de um grupo ou povo. 
Associava-seinicialmente ao isolamento por um longo tempo de antropólogos em 
contextos exóticos, adaptando-se à vida da comunidade, analisando e registrando 
detalhadamente o comportamento dos nativos.
Para Malinowski (s/d), a finalidade principal do trabalho de campo em pesquisa 
etnográfica é coletar dados usando uma variedade de metodologias, informação 
direta e verbal dos nativos que possibilite caracterizar e registrar a sua visão do 
mundo a partir da revisão teórica realizada. 
De acordo com Matos e Vieira (2001, p. 50), as características específicas da 
pesquisa etnográfica são a organização e análise de dados, e a interatividade entre 
o pesquisador e o objeto com possibilidades de alterar a pesquisa sem modificar o 
resultado.
A partir dos anos 70, o campo de ação da pesquisa etnográfica alarga-se. No que 
diz respeito à escola, o interesse dos pesquisadores centra-se mais nos processos 
47INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
educativos do que na descrição da cultura dos grupos estudados. Analisam 
pormenorizadamente as relações escola, professor, estudante e sociedade com o 
intuito de conhecer profundamente os diferentes problemas que a sua interação 
levanta. 
Vamos observar um exemplo de uma pesquisa etnográfica: O objetivo do 
desenvolvimento desta pesquisa foi mostrar que as práticas da medicina alternativa 
podem concorrer com as práticas da medicina oficial. A Casa do Padre Carlos pode ser 
encarada como uma opção terapêutica, realizando assistência e tratamento médico 
alternativo gratuito a quem a procura. Para a realização deste trabalho, foi feita 
uma pesquisa etnográfica desenvolvida por meio da observação participante junto 
aos médicos e a clientela da Casa do Padre Carlos, em Trancoso. Foram realizadas 
ainda entrevistas com os profissionais de saúde que trabalham no local e entrevistas 
individuais com os doentes em suas próprias residências. 
Pesquisa Etnometodológica
O termo etnometodológica refere-se, nas suas raízes gregas, às estratégias que 
as pessoas utilizam cotidianamente para viver. Tendo essa referência por norte, 
a pesquisa etnometodológica visa compreender como as pessoas constroem ou 
reconstroem a sua realidade social. Os pesquisadores recorrem aos seus métodos 
para tentar compreender o mundo; o ser humano utiliza modelos, manipula 
informação e tem percepções da realidade para viver o seu cotidiano. 
Para a pesquisa etnometodológica, fenômenos sociais não determinam de fora a 
conduta humana. Ela é o resultado da interação social que se produz continuamente 
através da sua prática cotidiana. Os seres humanos são capazes de, ativamente, definir 
e articular procedimentos, de acordo com as circunstâncias e as situações sociais em 
que estão implicados. A conduta humana analisa deste modo os procedimentos aos 
quais os indivíduos recorrem para concretizar as suas ações diárias. A família, por 
exemplo, é encarada como uma atividade social possível de descobrir e conhecer na 
ação e a partir das explicações dadas a seu respeito pelos membros que a compõem 
e a constroem.
A pesquisa etnometodológica baseia-se em uma multiplicidade de instrumentos 
para estudar as ações dos sujeitos em sua rotina. Citando Coulon Matos e Vieira, 
(2001, p. 51) referem-se aos procedimentos da pesquisa etnometodológica em 
educação comuns à etnografia através de observação e análise na busca de várias 
metodologias. 
 
48 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
História oral, história de vida e depoimento pessoal
A história oral é um dos mais tradicionais modos 
de transmissão cultural. Atacada pelos positivistas que 
encontram nela elementos subjetivos, tem sobrevivido ao 
longo dos séculos, o que reforça a razão da sua existência. 
A história oral recupera a subjetividade tantas vezes 
negada pelo positivismo por ser considerada incompatível 
com o conhecimento científico e pertencente à literatura. 
A história oral resulta da cumplicidade entre entrevistador 
e entrevistado numa produção conjunta.
Esta modalidade de pesquisa envolve, como outra qualquer, a elaboração de um 
projeto, a realização de uma investigação exploratória para definir quem entrevistar, 
a preparação de um roteiro de entrevista ajustado às características do entrevistado 
e aos objetivos da entrevista e uma revisão de literatura profunda. A história oral 
inclui a narrativa de vida (na qual o entrevistado relata a sua trajetória de vida), 
sendo que esta pode ser depoimento pessoal (quando o entrevistado direciona as 
respostas para fatos específicos).
Vamos a um exemplo de história oral, história de vida e depoimento pessoal: 
O estudo analisa a construção da identidade de professoras afrodescendentes. A 
pesquisadora analisou as histórias de duas professoras, nascidas na década de 30, 
apresentando trajetórias semelhantes e tendo enfrentado ao longo da vida situações 
graves de preconceito racial. A pesquisa utilizou a abordagem qualitativa, recorrendo 
à história de vida e entrevista aberta. Tentou-se captar memórias subterrâneas das 
professoras, que revelaram episódios significativos - alguns nunca antes revelados 
- sobre suas vidas.
Aspectos éticos da pesquisa envolvendo seres 
vivos
No Brasil, todas as pesquisas que envolvem seres vivos são regulamentadas: as 
pesquisas com seres humanos seguem as orientações da CONEP e as pesquisas com 
animais seguem orientações do CONCEA.
As pesquisas envolvendo seres humanos devem atender às exigências éticas e 
científicas fundamentais. Para isso vale conhecer a legislação brasileira (acesse o site 
http://conselho.saude.gov.br).
49INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
 A proteção dos direitos dos sujeitos de pesquisa é uma das grandes preocupações 
do Conselho Nacional de Saúde, que através da Comissão Nacional de Ética em 
Pesquisa (CONEP) tem fortalecido a atuação nesta área. 
Os usuários desta ferramenta são: os pesquisadores; os Comitês de Ética em 
Pesquisas (CEPs); A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e a população 
em geral.
Conforme a Resolução 164/12, a eticidade da pesquisa implica em: 
• Respeito ao participante da pesquisa em sua dignidade e autonomia, 
reconhecendo sua vulnerabilidade, assegurando sua vontade sob forma de 
manifestação expressa, livre e esclarecida de contribuir e permanecer ou não na 
pesquisa; 
• Ponderação entre riscos e benefícios, tanto conhecidos como potenciais, 
individuais ou coletivos, comprometendo-se com o máximo de benefícios e o 
mínimo de danos e riscos; 
• Garantia de que danos previsíveis serão evitados; 
• Relevância social da pesquisa garantindo a igual consideração dos interesses 
envolvidos e não perdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitária. 
Todo procedimento de qualquer natureza envolvendo o ser humano, cuja 
aceitação não esteja ainda consagrada na literatura científica, será considerado 
como pesquisa e, portanto, deverá obedecer às diretrizes da presente Resolução. 
Dessa forma, as pesquisas em qualquer área do conhecimento envolvendo seres 
humanos deverão observar as seguintes exigências: 
• Ser adequada aos princípios científicos que a justifiquem; 
• Estar fundamentada em fatos científicos, experimentação prévia e/ou 
pressupostos adequados à área específica da pesquisa; 
• Ser realizada somente quando o conhecimento que se pretende obter não 
possa ser obtido por outro meio; 
• Prevalecer sempre as probabilidades dos benefícios esperados sobre os 
riscos e/ou desconfortos previsíveis; 
• Contar com o consentimento livre e esclarecido do participante da pesquisa e/
ou seu representante legal, considerando-se os casos das pesquisas que necessitam, 
por suas características, de coleta a posteriori, sempre que justificado;
50 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
• Contar com os recursos humanos e materiais necessários que garantam 
o bem-estar do participante da pesquisa, devendo o(s) pesquisador(es) possuir 
capacidade profissional adequada para desenvolver sua função no projeto proposto; 
• Prever procedimentosque assegurem a confidencialidade e a privacidade, 
a proteção da imagem e a não-estigmatização dos participantes da pesquisa, 
garantindo a não-utilização das informações em prejuízo das pessoas e/ou das 
comunidades, inclusive em termos de autoestima, de prestígio e/ou de aspectos 
econômico-financeiros; 
• Ser desenvolvida, preferencialmente, em indivíduos com autonomia plena.
 Indivíduos ou grupos vulneráveis não devem ser participantes de pesquisa 
quando a informação desejada possa ser obtida por meio de participantes com 
plena autonomia, a menos que a investigação possa trazer benefícios diretos aos 
vulneráveis. Nestes casos, o direito dos indivíduos ou grupos que queiram participar 
da pesquisa deve ser assegurado, desde que seja garantida a proteção à sua 
vulnerabilidade e incapacidade civil ou legal.
 Um dos maiores cuidados é respeitar sempre os valores culturais, sociais, 
morais, religiosos e éticos, como também os hábitos e costumes, quando as pesquisas 
envolverem comunidades. Vale destacar que as pesquisas em comunidades, sempre 
que possível, deverão traduzir-se em benefícios cujos efeitos continuem a se fazer 
sentir após sua conclusão.
Quando, no interesse da comunidade, houver benefício real em incentivar 
mudanças de costumes ou comportamentos, o protocolo de pesquisa deve incluir:
• Sempre que possível, disposição para comunicar tal benefício às pessoas e às 
comunidades;
• Comunicar às autoridades competentes os resultados e/ou achados da 
pesquisa, sempre que os mesmos puderem contribuir para a melhoria das condições 
de vida, da coletividade, preservando, porém, a imagem e assegurando que os 
participantes da pesquisa não sejam estigmatizados ou atingidos em sua autoestima; 
• Assegurar aos participantes da pesquisa os benefícios resultantes do projeto, 
seja em termos de retorno social, acesso aos procedimentos, produtos ou agentes 
da pesquisa; 
• Garantir aos participantes da pesquisa as condições de acompanhamento, 
tratamento, assistência incondicional e orientação, conforme o caso, enquanto 
necessário, inclusive nas pesquisas de rastreamento.
51INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe 
tendo consentimento livre e esclarecido dos participantes, indivíduos ou grupos que, 
por si e/ou por seus representantes legais, manifestem a sua anuência à participação 
na pesquisa. 
Entende-se por Processo de Consentimento Livre e 
Esclarecido todas as etapas necessárias para que o 
convidado a participar de uma pesquisa possa 
manifestar-se, de forma autônoma, consciente, 
livre e esclarecida. 
Esse processo é regulamentado pela Comissão Nacional da Ética em Pesquisa 
- CONEP/CNS/MS do Conselho Nacional de Saúde e pelos Comitês de Ética em 
Pesquisa - CEP por ela registrados, compondo um sistema que utiliza mecanismos, 
ferramentas e instrumentos próprios de inter-relação num trabalho cooperativo 
a favor dos participantes de pesquisa do Brasil, de forma descentralizada. Toda 
pesquisa envolvendo seres humanos deverá ser submetida à apreciação de um 
Comitê de Ética em Pesquisa.
As pesquisas que envolvam animais devem ser colocadas para análise de uma 
Comissão de Usos de Animais – CEUA, vinculada ao Conselho Nacional de Controle 
de Experimentação Animal (CONCEA). Este é o órgão integrante do Ministério da 
Ciência e Tecnologia. Entre as suas competências destacam-se a formulação de normas 
relativas à utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa 
científica, bem como estabelecer procedimentos para instalação e funcionamento 
de centros de criação, de biotérios e de laboratórios de experimentação animal. 
O Conselho é responsável também pelo credenciamento das instituições que 
desenvolvem atividades nesta área, além de administrar o cadastro de protocolos 
experimentais ou pedagógicos aplicáveis aos procedimentos de ensino e projetos 
de pesquisa científica realizada ou em andamento no país.
O uso de animais em experimentação, no âmbito das atividades de ensino ou 
de pesquisa científica no país, encontra total respaldo nas disposições da Lei nº 
11.794, de 2008, regulamentada pelo Decreto nº 6.899, de 2009 e pelas Resoluções 
Normativas editadas pelo CONCEA.
As orientações sobre os procedimentos éticos estão normalizadas em: 
RESOLUÇÃO No - 1.000, DE 11 DE MAIO DE 2012; AVMA Guidelines on Euthanasia; 
Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais para fins Científicos e 
Didáticos (DBCA); Diretrizes da Prática de Eutanásia do CONCEA.
Para maiores informações, acesse: http://www.mct.gov.br/index.php/content/
view/310553.html
52 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
53INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
O PROJETO 
DE PESQUISA
3
Conhecimentos
Selecionar e compreender o tipo de pesquisa adequada ao objeto de pesquisa;
Compreender as pesquisas nas quais na coleta de dados ocorre através de uma 
interação entre pesquisadores e sujeitos da pesquisa.
Habilidades
Identificar os elementos fundamentais das diretrizes básicas que se baseiam 
em dados fornecidos por pessoas e desenvolver conhecimentos, habilidades e 
competências para a elaboração de um projeto de pesquisa.
Atitude
Desenvolver um projeto de pesquisa utilizando todas as etapas segundo a ABNT.
55INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
A elaboração de um trabalho de pesquisa envolve uma reflexão sobre alguns 
pormenores considerados fundamentais, assim como: título, definição do tema, 
escolha do problema, justificativa, definição dos objetivos e metodologia.
Vamos compreender cada um deles:
Título
O título deve ser cuidadosamente escolhido, mostrando com 
clareza onde, com quem, como e quando se realizará a pesquisa 
a que o projeto se refere. O leitor deve ser capaz de, através do 
título, reconhecer a área de estudo e o tema da pesquisa. Pode-
se distinguir entre o título geral que indica genericamente o teor 
do trabalho e o subtítulo que especifica a temática a abordar 
(GRESSLER, 1989).
Exemplo: 
Título: “O futebol como mecanismo liberatório de tensões”
Indica o que vai ser pesquisado.
Subtítulo: “Um estudo realizado com espectadores da classe operária do Mato 
Grosso do Sul”.
Indica as condições e/ou circunstâncias e local onde será desenvolvido o estudo. 
Definição do tema
O tema da pesquisa é um assunto que se deseja provar ou desenvolver em 
uma área de interesse a ser analisada. O tema necessita ser restrito para que o 
pesquisador possa ter tempo, habilidades pessoais e condições financeiras para 
realizar a pesquisa. Precisa, por outro lado, ser amplo e relevante não apenas para 
o pesquisador, como também para a comunidade e contribuir para o avanço do 
estudo científico.
56 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Escolha do problema
A pesquisa científica tem início com a formulação de um problema e o objetivo 
de procurar a solução para o mesmo. O problema decorre de um aprofundamento do 
tema selecionado. É uma questão sem solução momentânea para a qual se procura 
uma resposta. O desenvolvimento da pesquisa será orientado com o objetivo de 
encontrar respostas para o problema. A relevância prática do problema encontra-se 
nos benefícios que possam decorrer da sua solução.
Exemplo: 
Tema: “Violência conjugal” 
Problema: “Quais os fatores que levam os maridos a espancarem suas esposas?”
O problema deve apresentar algumas características:
- Deve ser formulado como pergunta. Pode referir-se a: “O que acontece quando...”, 
“Qual a causa de...”, “Como deveria ser... para...”
- Deve ser claro e preciso;
- Deve ser delimitado a uma variável. 
. 
Definição da base teórica e conceitual
A definição da base teórica e conceitual da pesquisa constituirá o quadro de 
princípios, categorias e conceitos que sustentará o seu desenvolvimento, traçando 
as linhas de orientação para um processo que se deseja de reflexão permanente. A 
definição da base teórica e conceitual serve a amplos propósitos: 
• Apresenta ospressupostos teóricos subjacentes ao problema; 
• Demonstra que o pesquisador conhece suficientemente o tema da pesquisa 
e as tradições teóricas que apoiam e envolvem o estudo; 
• Mostra que o pesquisador identificou algumas lacunas no estudo realizado 
sobre a temática selecionada e se após detectar propõe preenchê-la;
• Obriga a redefinir o problema e as hipóteses, embasado no percurso da 
pesquisa.
57INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
A base teórica e conceitual deve na opinião de Severino (2001, p. 162), ser 
“consistente e coerente, ou seja, deve ser compatível com o tratamento do problema 
e com o raciocínio desenvolvido (...) formando uma unidade lógica”. Na definição da 
base teórica e conceitual, o pesquisador, de acordo com Minayo (2001, p. 40), deve 
ser sintético e objetivo, “estabelecendo, primordialmente, um diálogo entre a teoria 
e o problema a ser investigado”.
Formulação de hipóteses
Colocado o problema, o pesquisador formula as suas 
hipóteses. Mas o que é hipótese? 
É uma suposição realizada na tentativa de explicar o que se 
desconhece. De acordo com Rudio (1978, p. 78), “esta suposição 
tem por característica o fato de ser provisória, devendo, portanto, 
ser testada para se verificar sua validade”.
Uma pesquisa pode articular uma ou mais hipóteses, que devem apresentar:
• Conceitos claros;
• Especificidade;
• Não incluir valores morais;
• Serem sustentadas em uma teoria;
• O enunciado da hipótese é estabelecido de forma afirmativa e explicativa. 
Vamos conhecer agora vários tipos de hipóteses.
58 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Tipos de hipóteses
Hipóteses descritivas - Não podem ser testadas enquanto relação ou associação 
entre variáveis. De acordo com Gressler (1989, p. 53), “este tipo de hipótese conduz a 
explanações essencialmente descritivas, não envolvendo a verificação experimental”. 
De acordo com a mesma autora, é comum encontrar pesquisas descritivas que se 
orientam.
Hipótese central - O índice de evasão escolar aumenta na medida em que diminui 
o grau de instrução do corpo docente e administrativo.
Hipóteses complementares – A evasão escolar na 1a série do 1o grau, quando 
atendida por especialista em alfabetização, é menor do que a evasão escolar da 
referida série quando atendida por professora normalista. A evasão escolar na 1a 
série do 1o grau, em escolas cujo diretor é habilitado, é menor do que em escolas 
onde o diretor é leigo. 
Hipótese de pesquisa ou alternativa - A hipótese de pesquisa é a que o pesquisador 
deseja comprovar. Costuma-se representar a hipótese de pesquisa com o símbolo 
H1. De acordo com Gressler (1989, p. 55), a hipótese de pesquisa “pode ser direcional, 
isto é, estabelecer a direção da hipótese: Vamos a um exemplo: estudantes de origem 
germânica têm aproveitamento superior em ciências se comparados a estudantes 
de origem italiana. Homens apresentam “maior índice de câncer do que mulheres”, 
ou então não direcional, quando estabelece simplesmente a existência da relação 
entre variáveis. Ex.: “Homens e mulheres diferem quanto ao índice de câncer.”
Hipótese nula - Para o estudo da hipótese nula partiremos de um exemplo. Vejamos 
a hipótese de pesquisa ou alternativa (H1): “Existe diferença favorável aos estudantes 
do ensino médio da zona rural em relação aos estudantes da zona urbana no domínio 
de estruturas gramaticais da língua francesa”.
A nossa intenção é comprovar esta hipótese. Contudo, existe a possibilidade 
de que a diferença observada resulte de um erro qualquer. Perante este dilema, foi 
proposta uma solução que se tem revelado eficaz. Tal solução consiste em afirmar o 
contrário do que afirma a hipótese de pesquisa ou alternativa (H1).
Hipótese nula (Ho) - “Não há diferença estatisticamente significativa entre 
estudantes do ensino médio da zona rural e da zona urbana no domínio de estruturas 
gramaticais de língua francesa”. Se pudermos rejeitar esta hipótese, então a hipótese 
de pesquisa será verdadeira. Esta hipótese que contradiz o que é afirmado pela 
hipótese de pesquisa é chamada de hipótese nula e é representada por Ho.
59INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Exemplo I de hipótese nula
• Hipótese de pesquisa (H1) - “Jovens que se sujeitam a um treino intensivo de 
natação serão melhores nadadores do que aqueles que não receberam treino”.
• Hipótese nula (Ho) - “Não há diferença do desempenho em natação entre os 
jovens que receberam treino intensivo e aqueles que não receberam treino”.
Para demonstrar a hipótese de pesquisa, vamos tomar ao acaso uma amostra de 
jovens e distribuí-los em dois grupos. A um chamaremos experimental e receberá o 
treino e o outro que não receberá treinamento será chamado de controle. 
Exemplo II de hipótese nula
• Hipótese de pesquisa (H1) - “A aprendizagem das crianças está relacionada 
diretamente com a sua idade”.
• Hipótese nula (Ho) - “Não existe diferença entre a aprendizagem das crianças 
independentemente da sua idade”.
Definição de variáveis
Gressler (1989, p. 35) define variáveis como valores, fatos ou fenômenos que, 
numa hipótese, são considerados em sua dimensão de inter-relação causal, de modo 
que um ou mais são determinados como causa e outros como efeito. Refere também, 
a propósito, que as variáveis são sempre quantificáveis, mesmo ao nível primitivo 
da dicotomia. A autora afirma ainda que as variáveis possam ser classificadas de 
acordo a sua aplicabilidade nos desenhos de pesquisa e, consequentemente, na 
formulação de hipótese, de acordo com os seguintes aspectos:
Variável dependente e variável independente
Variável dependente: é o valor, ou fato, numa determinada hipótese, considerado 
como efeito. A variável dependente é a que sofre os efeitos do tratamento e os 
resultados são observados. 
60 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Variável independente: “é o fato ou valor que, numa relação inter-causal, é 
a causa ou o tratamento”. É possível que uma variável seja independente em um 
estudo e dependente em outro, de acordo com o propósito da investigação. O 
quociente de inteligência, em estudo sobre o efeito da inteligência na aprendizagem 
de matemática, será a variável independente. Em outro estudo sobre a influência da 
nutrição no desenvolvimento intelectual, o quociente de inteligência será a variável 
dependente.
Variável ativa e variável atributo (variável orgânica)
Esta classificação é feita com base na possibilidade de manipulação da variável. 
A variável ativa pode ser manipulada pelo pesquisador. Como exemplo, número de 
estudantes por classe, sementes por canteiro, duração da hora/aula. Já a variável 
atributo: por sua natureza, não pode ser manipulada pelo pesquisador. Exemplo: 
raça, sexo, idade, altura, etc.
Variável contínua e variável categórica
Esta classificação é feita para fins de análise de dados. A variável contínua permite 
um conjunto ordenado de valores de determinada amplitude (notas escolares, idade, 
altura, temperatura). A variável categórica assume valores descontínuos, integrando 
o tipo de medida denominada nominal. Exemplo: casados e solteiros, adeptos do 
flamengo e do fluminense, nacionalidade, naturalidade, profissão, etc.
Variável estranha ou interveniente
Apresenta-se como uma condição subjacente que se interpõe à variável 
dependente e independente numa determinada hipótese, modificando a relação 
causal entre elas. Um dos objetivos básicos da pesquisa é controlar as variáveis 
estranhas, minimizando, anulando ou isolando as mesmas. Exemplo: comparando 
o artesanato de duas tribos indígenas, um estudante do curso de história tenta 
determinar a influência de uma missão religiosa na continuação da arte.
Será que a continuação da arte resulta da influência da missão ou será o local 
onde habita o número de filhos por família, as visitas de investigadores, o estímulo 
recebido por autoridades municipais para exposição dos trabalhos artísticos? 
Constatamos que múltiplas variáveis estranhas poderão ter contribuído para a 
variáveldependente.
61INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Elementos que podem afetar os resultados
 
Entre os elementos que podem afetar os resultados tornando-os tendenciosos, 
encontramos os seguintes:
• Experimente Bias Effect - Trata-se da expectativa do investigador e 
o seu efeito no comportamento do objeto em estudo. Se o pesquisador espera 
determinado comportamento, deixando transparecer suas expectativas, as mesmas 
têm tendência de se desenvolver. Exemplo: Os conceitos negativos ou positivos 
sobre uma turma de estudantes de um professor que ministrou aulas anteriormente 
poderá influenciar a percepção de outros docentes sobre a mesma turma. 
• Hawthorne Effect (nome devido ao estudo realizado em psicologia 
industrial na fábrica de Hawthorne). Trata-se da interação entre os procedimentos e 
o objeto em estudo ou a interação entre os objetos entre si, ou ainda, por condições 
experimentais artificiais. A pessoa passa a reagir de outra forma pelo fato de fazer 
algo diferente, saindo da rotina que era acostumada e não devido ao tratamento 
que recebe.
• Placebo Effect - Refere-se à reação do grupo que recebe algo em comparação 
com o grupo estático, isto é, que não recebe nada. Exemplo: Determinada reação do 
doente pode ser resultado do simples picar da agulha e não o efeito do medicamento 
em si.
• Demand Characteristics (características de demanda) - O objeto em estudo 
percebe seu papel na investigação passando a agir de maneira diferente. Exemplo: 
Os estudantes das classes de estagiários assumem outra atitude quando visitados 
pela supervisora. 
• Mortalidade Experimental - Refere-se aos elementos que se evadem do 
experimento ou do grupo estabelecido para a investigação. 
62 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Vamos a dois exemplos de mortalidade experimental: 
1. Iniciado um estudo sobre a influência do sexo do professor na aprendizagem 
de crianças do jardim de infância, foram tomadas 120 crianças de ambos os sexos, 
passando a ser atendidas por professores do sexo feminino, enquanto que outras 
120 crianças de ambos os sexos, foram atendidas por professores do sexo masculino. 
Gradativamente, as crianças de um dos grupos se evadiam, passando a um número 
mais restrito que o inicial. Esta perda de elementos ou mortalidade experimental, 
dependendo do número, poderá afetar nos resultados da investigação. 
2. Foram encaminhados questionários a fim de serem preenchidos. Inúmeros dos 
destinatários não responderam aos questionários. Esta mortalidade experimental 
elevada poderá tornar os resultados parciais e tendenciosos.
 • História - Trata-se dos eventos ocorridos entre o pré-teste e o pós-
teste ou eventos intervenientes que antecedem a coleta de dados, acarretando 
tendenciosidade em investigações. Exemplo: Os atentados de 11 de setembro 
afetaram todos os estudos sociológicos que decorriam nos Estados Unidos.
 • Maturação - É o processo pelo qual os objetos em estudo operam com a 
passagem do tempo. Exemplo: crescer, amadurecer fisicamente, sentir fome e fadiga.
 • Problemas na mensuração - Os resultados da investigação poderão ser 
influenciados por diferentes fatores, tais como: mudanças de testes, diferentes 
pessoas corrigindo, horários diferentes, etc. Exemplo: uma mesma pessoa avalia o 
teste de dois grupos, um após o outro. A sua análise pode ser alterada na segunda 
análise em virtude de já ter conhecimento dos resultados da primeira e poder estar 
mais cansada.
 • Seleção - A seleção descuidada do objeto da pesquisa poderá tornar 
tendencioso o estudo. 
 • Multitratamento - O fato de se realizarem múltiplos trabalhos de 
investigação na mesma instituição de ensino poderá afetar os resultados dessas 
pesquisas, pois poderão ocorrer interações entre as diferentes pesquisas.
 • Efeitos produzidos pela montagem do experimento - A simples 
montagem do ambiente experimental poderá influenciar os resultados da pesquisa.
63INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Justificativa
Apresenta a relevância técnica, científica, social e pessoal da pesquisa. Deve 
apontar os motivos que a justificam do ponto de vista teórico e prático e as 
contribuições que traz para a compreensão e solução do problema. De acordo com 
Minayo (2001, p. 42) “a forma de justificar em pesquisa que produz maior impacto 
é aquela que articula a relevância intelectual e prática do problema investigado à 
experiência do investigador.”
Definição de objetivos
Os objetivos da pesquisa expressam a resposta à questão: “Que resultados se 
esperam da pesquisa?” Os objetivos devem ser redigidos com os verbos no infinitivo 
e podem ser avaliados, verificados e/ou refutados. A elaboração dos objetivos tem 
que contar com os domínios da memorização, compreensão, aplicação, análise, 
síntese e avaliação de acordo com as características da pesquisa.
Metodologia
A metodologia é a explicação detalhada de toda ação a ser desenvolvida durante 
o trabalho de pesquisa. A metodologia envolve, de acordo com Minayo (2001), a 
escolha do espaço de pesquisa, a escolha do grupo de pesquisa, o estabelecimento 
dos critérios de amostragem, a construção de estratégias para entrada em campo e 
a definição de instrumentos e procedimentos para a análise dos dados. 
• Elemento – unidade sobre a qual o pesquisador coleta a informação e que se 
constitui a base para sua análise (pessoas, instituições, entidades oficiais, etc). 
• Universo – agregado teórico e hipotético de todos os elementos. 
Para você compreender melhor, temos como exemplo de elemento o operário 
e como exemplo de universo: proletariado/classe operária.
64 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
• População – Para Rudio (1978), o objetivo da pesquisa científica não é estudar 
elementos isolados, mas antes, estabelecer generalizações a partir da observação de 
determinada população, entendida como a totalidade dos indivíduos que possuem 
as mesmas características, definidas para determinado estudo. Uma população 
pode apresentar uma ou mais subpopulações, também designadas de extrato de 
população ou simplesmente extrato.
Exemplo I:
População Subpopulação Características
“Todas as crianças 
residentes na cidade de 
Sobral”
“Todas as crianças do sexo 
feminino residentes na 
cidade de Sobral”
Crianças / viverem na 
cidade do Sobral.
“Todos os doentes 
atendidos no Hospital de 
Messejana”
“Doentes com mais de 
60 anos atendidos no 
Hospital de Messejana”
“Doentes / Doentes 
com mais de 60 anos / 
atendidos no Hospital de 
Messejana”
Amostra
A amostra é a menor representação de um todo maior considerado para pesquisa. 
As conclusões ou generalizações a respeito do todo serão feitas tomando como 
base a amostra. Quando realizamos um exame de sangue, o analista não retira o 
sangue todo do sujeito para exame. Retira um pouco que se supõe representante 
da totalidade.
Seguindo o mesmo raciocínio, também se costuma selecionar uma parte 
representativa da população, denominada de amostra e selecionada de acordo com 
uma regra ou plano. Quando se estuda uma amostra, pode-se obter melhor resultado 
fazendo um trabalho mais cuidadoso do que seria feito com uma população inteira. 
O estudo de uma amostra, desde que tenha tamanho apropriado e represente 
adequadamente uma população, pode proporcionar resultados mais exatos, além 
de ser mais econômico. 
No entanto, o processo de amostragem traz em si a probabilidade do erro 
amostral cujo controle será realizado através de métodos estatísticos apropriados. 
Ao selecionar a amostra devemos ter em consideração a sua representatividade (as 
suas características são as mesmas dos elementos da população da qual a amostra 
é extraída) e não tendiciosidade (todo o elemento da população que a amostra 
65INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
representa tem a mesma possibilidade de figurar na mesma), dando a garantia de 
que poderemos generalizar para o universo.
O processo de generalização a partir da amostra e aplicável ao todo é denominado 
inferência. Tendo esteaspecto por referência, apresenta-se uma proposta de 
classificação das amostras.
Amostra probabilística (selecionada por sorteio) 
A amostra probabilística inclui a amostra causal simples, a amostra causal 
estratificada e a amostra de área ou de intervalos fixos.
• Amostra causal simples - A amostra é selecionada por um processo que não 
apenas dá a cada elemento da população uma oportunidade igual de ser incluído na 
amostra, mas também torna igualmente provável a escolha de todas as combinações 
possíveis do número desejado de casos. Exemplo: desejamos uma amostra causal 
simples de dois casos numa população de quatro casos. Os casos serão A, B, C, D e 
as possíveis combinações os seis pares: AB, AC, AD, BC, BD, CD. 
O processo de seleção da amostra casual simples poderá ser realizado através de 
tiras de papel (são recortados pedaços de papel nos quais se encontra um número 
atribuído a cada elemento que compõe a população. Uma vez numerados os papéis, 
são colocados em um recipiente e, posteriormente, retirados). Dessa forma poderá 
ser encontrada uma das possíveis combinações e temos a amostra causal simples 
pretendida de dois casos numa população de quatro.
• Amostra causal estratificada - A população é dividida primeiramente em 
dois ou mais subpopulações. Destes subgrupos é retirado através de outro processo 
de seleção (amostra causal simples, etc.) o número de elementos que deverão 
compor a amostra. É importante que a escolha final seja feita de modo que cada 
subpopulação tenha igual possibilidade de ser selecionada.
• Amostra de área – Apropriada para se obter amostras representativas 
de áreas geográficas, podendo, no entanto, ser aplicada em uma série de outras 
situações.
66 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Como exemplo, podemos observar o levantamento entre os professores do 
ensino fundamental do Ceará. Se considerarmos os representantes dos municípios 
limítrofes a Fortaleza, os resultados podiam se tornar tendenciosos. O ideal será 
incluir elementos dos municípios localizados pelas diversas regiões do Ceará. Para 
que isso ocorra, deverão ser selecionados os municípios nos diferentes pontos do 
Estado de modo que todas as áreas sejam abrangidas. Para tal, selecionava-se, por 
exemplo, através de amostra causal simples, um município de cada região, e de cada 
município, três estabelecimentos do ensino fundamental.
• Amostra de área ou de intervalos fixos - O pesquisador, a partir de uma 
lista de elementos, determina o intervalo da amostra.
 Exemplo: Numa pesquisa, as vantagens e desvantagens do telefone 
nos trabalhos domésticos poder-se-ia tomar o guia telefônico e através da 
relação de nomes existentes selecionar 10%. O primeiro nome seria escolhido, por 
exemplo, através de amostra causal simples, a partir da letra A e a partir deste seria 
selecionado com intervalo de 15 em 15 minutos um elemento para a amostra até 
que se atingissem os 10% estabelecidos.
Amostra não-probabilística
 Consideram-se apenas os casos que vão aparecendo e continua-se o processo 
até que a amostra atinja determinado tamanho. 
Exemplo: Um jornalista deseja saber o que o “povo” pensa a respeito de 
determinada questão social ou política. Determina, primeiramente, quantas pessoas 
quer entrevistar, questiona os cidadãos que supostamente refletem a opinião pública 
(motoristas de táxi, barbeiros, etc.).
A amostra não-probabilística inclui amostra por quotas, amostra intencional, 
amostra em pesquisa qualitativa e coleta de dados.
• Amostra por quotas - Tem por objetivo principal selecionar uma amostra 
que seja uma réplica da população para a qual se deseja generalizar. Procura-se 
incluir na amostra os diversos elementos de que consta a população, tendo a certeza 
que estes elementos são considerados, na amostra, nas mesmas proporções que 
ocorrem na população.
 Exemplo: Sabendo que uma população tem igual número de homens e 
mulheres, são entrevistados também igual número de homens e mulheres.
67INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
• Amostra intencional - O pesquisador, intencionalmente, toma determinado 
objeto para amostra. Exemplo: Serão selecionados para amostra professores com 
especialização que possuam entre 5 a 10 anos de serviço e sejam do sexo feminino.
• A amostra em pesquisa qualitativa - De acordo com Minayo (2001), 
a pesquisa qualitativa não se baseia no critério numérico para garantir sua 
representatividade. A amostra adequada é a que possibilita abranger a totalidade 
do problema investigado em suas múltiplas abordagens.
• Coleta de dados - O pesquisador procura obter informações da realidade 
recorrendo a instrumentos de pesquisa. Os instrumentos de pesquisa devem ser 
selecionados levando em consideração o que se pretende coletar e verificar. 
São apresentados alguns instrumentos de pesquisa como observação, 
observação não estruturada, ocasional ou assistemática, observação estruturada, 
controlada ou sistemática. 
• Observação - A observação é um instrumento básico de coleta de dados. 
Poderá ser usado isoladamente ou suplementando dados recolhidos através de 
outros instrumentos da pesquisa, como por exemplo, a entrevista. A observação, 
para ser eficaz à pesquisa científica, envolve, de acordo com Matos e Vieira (2001, p. 
58), observar, compreender e registrar.
• Observação não estruturada, ocasional ou assistemática - É realizada 
sem planejamento e sem controle anteriormente elaborados como decorrência 
de fenômenos imprevistos sem que se tenha determinado de antemão quais os 
aspectos relevantes a serem observados e que meios utilizar para observá-los. A 
observação sem estrutura não fornece dados definitivos; é de grande utilidade, 
porém, no levantamento de hipóteses para pesquisas posteriores.
• Observação estruturada, controlada ou sistemática - Realiza-se em 
condições controladas para responder a propósitos que foram definidos previamente. 
Requer planejamento e necessita de operações específicas para a sua realização. 
A observação estruturada pode ser usada como técnica científica no sentido em 
que podem ser previstos, para realizá-la, procedimentos, condições e normas que 
garantam a sua eficácia, dando aos seus resultados valor de controle.
68 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
O planejamento de uma observação estruturada inclui a indicação do campo 
(população que vai ser observada), circunstâncias (quando observar), local (onde 
observar) e tempo (duração da observação). A observação estruturada pode ser 
feita de modo direto (aplicando-se diretamente os sentidos sobre os fenômenos 
que se deseja observar) ou de modo indireto (utilizando instrumentos para registrar 
ou medir a informação que se deseja obter). Ela pode ser utilizada nas pesquisas 
descritivas, pesquisas experimentais, estudos de caso, etc.
Questionário
É um instrumento de pesquisa constituído por uma série de perguntas 
organizadas com o objetivo de levantar dados para uma pesquisa, cujas respostas 
são dadas pelo elemento ou pelo pesquisador sem a assistência direta ou orientação 
do investigador. O questionário deverá incluir no cabeçalho um enquadramento da 
natureza da pesquisa, referir os objetivos do questionário, ressaltar a importância 
de uma resposta cuidada às questões, orientar para o preenchimento e garantir o 
sigilo. 
 Antes da aplicação do questionário, deverá ser realizado um pré-teste num 
universo reduzido para que se possam corrigir eventuais erros de formulação ou 
de disposição das questões. O número de pré-testes será o necessário até que 
sejam ajustadas todas as dificuldades A pré-testagem consiste numa coleta de 
dados realizada com elementos do mesmo tipo daqueles a quem as respostas serão 
solicitadas, seguindo-se uma revisão conjunta com o respondente. A pré-testagem 
do instrumento dará indicações quanto à compreensão e dificuldades das questões, 
o tempo e espaço necessários para lhes responder.
A construção do questionário deverá obedecer a um conjunto de regras básicas:tipos de perguntas e alguns conselhos práticos. Quanto ao tipo, distinguem-se a 
perguntas com resposta "fechada" e resposta "aberta".
• Perguntas com resposta fechada - A pessoa que responde deve simplesmente 
fazer uma escolha entre várias respostas que lhe são propostas. 
Como exemplo poderia perguntar: “Desejaria aprender inglês”? A resposta seria 
sim ou não.
Entre as línguas estrangeiras indicadas abaixo, sublinhe aquela(s) que gostaria 
de aprender:
69INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
 Inglês, alemão, russo.
Ao propor questões fechadas, o pesquisador priva-se de informações que, em 
alguns casos, poderiam ser úteis; por tal motivo, é, muitas vezes, vantajoso dar a 
possibilidade de uma resposta "aberta". 
Vantagens das respostas fechadas: Permite guiar a pessoa que responde.
• Perguntas com resposta aberta - As perguntas com resposta aberta 
permitem plena liberdade de resposta ao inquirido. Quando recorremos a respostas 
abertas, é bom deixarmos um espaço grande entre cada item para que o entrevistado 
possa realizar os comentários que desejar. 
Como exemplo, é lançada uma pergunta: Por que pratica um esporte? O 
entrevistado tem a liberdade de expressar suas próprias ideias.
A pessoa responde espontaneamente e usa seu próprio vocabulário, o que 
permite nomeadamente deduções mais profundas sobre os aspectos psicológicos 
e o nível cultural. São úteis (se forem convenientemente formuladas): Quando se 
tem pouca ou nenhuma informação sobre o tema; Quando se pretende estudar um 
assunto em profundidade.
Mas a análise das respostas abertas é longa e levanta, por vezes, grandes 
dificuldades de classificação e de codificação. A fim de determinar as escolhas que 
devem ser propostas nos questionários de respostas fechadas, começa-se, em 
alguns casos, por submeter um questionário de perguntas abertas a uma primeira 
sondagem da população, o que permite identificar as reações mais frequentes.
Alguns conselhos práticos
Não existe uma receita que conduza automaticamente a um questionário 
perfeito. A elaboração do questionário deve obedecer a um plano com os seguintes 
itens:
• Apresentação - A apresentação deve ser particularmente cuidada. O 
questionário deve ser tão breve quanto possível; quanto mais as respostas exigirem 
tempo, menos hipóteses há de que elas sejam fornecidas corretamente. Evite, em 
particular, pedir informações que possam facilmente ser recolhidas por outro meio 
(por exemplo, ao consultar processos escolares, os registros da população, os 
relatórios, os anuários). 
70 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
• Introdução - A introdução tem por fim motivar a pessoa que vai responder 
explicando-lhe porque solicitam a sua colaboração, indicando-lhe as vantagens 
gerais ou particulares que podem resultar do inquérito e dando todas as garantias 
de descrição necessárias. Uma carta especial substitui muitas vezes esta introdução.
• Perguntas - Agrupam-se geralmente as questões a itens que dizem respeito. 
Em cada grupo, as perguntas são apresentadas numa ordem lógica sendo esta lógica, 
preferencialmente, aquela das pessoas a que se destina e não a do pesquisador. 
Os sociólogos americanos usam a expressão funnel approach (progressão em funil) 
para indicar o percurso que vai do geral para os aspectos cada vez mais particulares.
A escolha das perguntas é realizada em função do objetivo que se pretende 
atingir. Uma análise rigorosa do problema precederá a elaboração do questionário; 
para cada item que se pretende tratar é aconselhável que o pesquisador coloque a 
pergunta de forma clara: "Em que esta resposta contribuirá para o esclarecimento 
do problema?”
A construção do questionário é feita em função das pessoas que vão respondê-
lo. Para que o questionário seja centrado sobre a pessoa que vai responder, é 
interessante que respeite a sua linguagem, o seu sistema de referência e o seu nível 
de informação. As perguntas devem ser socialmente aceitáveis.
• A linguagem - A linguagem utilizada deve empregar o vocabulário, a sintaxe 
e os clichês das pessoas a quem se dirige. Poderá por vezes considerar certos 
regionalismos.
• Nível de informação - As questões devem evitar a timidez ou bloqueamento 
dos entrevistados. Propõe-se uma precaução oratória tal como: "A maior parte 
das pessoas não tiveram a oportunidade de aprender muito sobre os problemas 
técnicos de manipulação de materiais radioativos, mas algumas pessoas estavam 
mais ou menos bem informadas." O modo como esta questão foi colocada evitou 
ao entrevistado o bloqueamento de uma eventual revelação de desconhecimento.
• O sistema de referência - Cada indivíduo tem a sua lógica própria. Ele 
interpreta as palavras e os fatos segundo a sua experiência, a sua personalidade, os 
seus conhecimentos e seu sistema de valores. O pesquisador tem interesse em ser 
preciso e claro nas suas perguntas. Uma frase curta chega normalmente para indicar 
o "sistema de referência".
71INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Exemplo: Constata-se frequentemente que existe uma relação entre os resultados 
escolares e as condições de vida familiar: casa, percurso, o fato de dispor de um 
escritório pessoal, os estudos feitos pelos pais, etc.
Tem escritório pessoal? Sim - não
Qual o grau de escolaridade de seu pai? 
A frase de introdução indica aqui que a pergunta feita não resulta de curiosidade 
gratuita e que a preocupação continua a ser diretamente pedagógica.
• Receptividade às perguntas pelo entrevistado - Em geral a pessoa não 
responde a perguntas que lhe pareçam como "uma ameaça para o seu ego" e que 
o obrigariam a reconhecer um fato que ele crê ser suscetível de desconsiderá-lo. 
Se perguntar à queima-roupa a um estudante se ele às vezes faz cola nos exames, 
arrisca-se bastante a obtenção de uma resposta sem valor. Aqui uma precaução 
pode tornar a pergunta socialmente aceitável.
Exemplo: Raros são os estudantes que apanhados desprevenidos pelo problema 
dos exames nunca fizeram cola, ao menos uma vez na vida.
"Já lhe aconteceu isso?" "Se sim, em que circunstâncias?"
Se o questionário não é anônimo, o questionador deve prevenir que as respostas 
serão estritamente confidenciais e respeitar estritamente esse compromisso.
• Ambiguidades em questionários - É raro encontrar um questionário que 
não contenha nenhuma ambiguidade.
Exemplos: Os estudantes que repetem o ano letivo devem, em sua opinião, ter um 
regime particular? Sim – Não. Nesta pergunta a expressão "regime particular" pode 
ser interpretada de muitas maneiras: regime disciplinar, organização do trabalho, 
individualização do ensino, modificação do programa, etc. Uma resposta "sim" não 
dará indicação alguma ao questionador.
 "Qual a sua ocupação?..." Esta palavra é muito vaga. Trata-se de uma ocupação 
atual ou aquela que a pessoa que responde está preparada para fazer? A pessoa 
que responde indica normalmente a sua ocupação profissional "oficial", mas talvez 
exerça outras funções remuneradas que até absorvam a maior parte do seu tempo 
que se pensava dedicado aos tempos livres, etc.
A palavra idade também não tem precisão. "Data de nascença” evitaria todo 
o equívoco. Adjetivos e advérbios vagos: medíocre, médio, superior, muitas vezes, 
raramente, muito, pouco... Estas palavras exprimem uma relatividade da qual é 
72 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
praticamente impossível discernir o significado exato no espírito da pessoa que 
responde.
Para averiguar a frequência dos fenômenos, recorre-se a perguntas tais como: 
"A quantas sessões de cinema assiste habitualmente por semana?... por mês?..."
• As negativas duplas - Elas são, muitas vezes, fonte de dificuldade e confusão. 
Exemplo: "Não daria subsídios às escolas que não possuíssem sala de ginástica 
equipada".
• As suposições gratuitas - Essas suposições embaraçam e podem indispor o 
entrevistado. Exemplo: Antes de perguntar a pessoa que vai responder qual é o uso 
que ela faz do seu aparelho de televisão, importa primeiro assegurar-sede que a 
pessoa tem um aparelho de televisão.
• Um único ponto por questão - Uma pergunta que engloba dois aspectos 
diferentes pode provocar uma resposta equívoca. Exemplo: "Acha que os estudantes 
que repetem um ano letivo devem estar agrupados numa mesma secção e receber 
um ensino individualizado”? Sim - não. Pode-se rejeitar a primeira proposição e 
aceitar a segunda.
• A tendenciosidade das perguntas – o entrevistador influencia o entrevistado 
a responder de forma que não reflete sua posição. Exemplo: "É a favor do método 
tradicional do ensino da leitura, ou do método global, que oferece ao menos a 
vantagem de responder melhor a psicologia do estudante?"
É evidente que os dois termos desta pergunta não estão colocados no mesmo 
pé de igualdade e que a pessoa que faz a pergunta impõe um julgamento de valor.
• Fracionamento no interior do questionário - Pode-se verificar se as 
respostas são lógicas entre elas: a idade das crianças é compatível com a dos pais, 
determinada atitude não está em contradição com as outras indicações, etc.
Por vezes, a mesma pergunta é posta em sítios diferentes e sob diversas formas 
a fim de verificar a constância das reações. Uma contradição não pode, contudo, ser 
automaticamente interpretada como falta de sinceridade. A pergunta pode ter sido 
melhor compreendida sob uma forma do que sob outra. Por outro lado, a "lógica" 
de quem responde difere consideravelmente da pessoa que faz o inquérito.
73INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
• Tratamento do questionário - Não somente o questionário deve ser 
submetido a um pré-teste, mas também o método de tratamento do questionário 
deve ser experimentado antes de começar a sua aplicação. Muitas dificuldades e 
decepções serão assim evitadas.
Os planos de tratamento e de codificação devem, contudo, permitir certa 
liberdade. Com efeito, reações imprevistas ou modificações de perspectiva ao longo 
da investigação obrigam a ajustamentos do esquema inicial.
Entrevista
A entrevista é utilizada para obter informações 
contidas nas falas dos objetos de pesquisa. A maior parte 
das referências feitas a propósito do questionário aplica-
se à entrevista. Podemos classificar as entrevistas quanto 
ao método utilizado e quanto ao número de participantes. 
Vamos abordar a classificação das entrevistas quanto ao método utilizado:
• Conversa livre ou entrevista não estruturada - Contrariamente à conversa 
ocasional, esta entrevista é provocada com o objetivo de obter uma informação 
concreta. Como exemplo, pode-se citar o caso da troca de pontos de vista que os 
professores têm com os pais dos estudantes para resolver um problema atual. A 
conversa livre presta-se dificilmente à quantificação.
• A entrevista dinâmica - É uma entrevista não estruturada à qual a psicanálise 
deu muita atenção. O examinador, através de uma série de perguntas, introduz 
um tema (problema, incidente...) e deixa a pessoa falar tanto quanto ela desejar. A 
intervenção do examinador limita-se em seguida a alguns sinais de encorajamento 
("Ah sim", "É interessante", "E então", etc.) e, no fim da conversa, a algumas perguntas 
destinadas a clarificar certos pontos.
Esta entrevista permite empreender melhor as motivações, os conflitos as atitudes 
das pessoas que, uma vez confiantes, revelam pouco a pouco a sua ansiedade, suas 
frustrações, seus sentimentos, esperanças e seus preconceitos.
74 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
• A reflexão falhada - A técnica da reflexão falhada pode ser considerada 
uma forma de entrevista. O estudante é convidado a formular em voz alta os seus 
pensamentos enquanto resolve um problema, o que permite estudar os processos 
mentais no seu desenrolar e, portanto, identificar as causas dos sucessos e dos 
erros.
• A entrevista estruturada ou conversa dirigida - Serve para recolher 
informações de uma forma estandardizada. Todas as pessoas interrogadas 
respondem as perguntas idênticas, recebem as mesmas explicações e as conversas 
desenrolam-se em condições tão idênticas quanto possível. Chega-se assim a uma 
espécie de questionário apresentado oralmente.
• Entrevista semiestruturada ou conversa guiada (ou centrada) - O 
entrevistador confere mais importância à informação do que à estandardização. 
Contudo, é necessário que ao final da conversa seja atingida uma série de 
objetivos precisos. Um roteiro define quais os principais temas a explorar e prevê 
eventualmente certas perguntas, mas a forma como os temas serão conduzidos ao 
longo da conversa, o modo como as perguntas serão formuladas e a ordem pela 
qual aparecerão os temas e as perguntas não são fixados previamente.
As entrevistas também podem ser classificadas quanto ao número de 
participantes: 
• A entrevista individual – Quando o objetivo da pesquisa é explorar a vida 
do entrevistado e quando refere-se a experiências individuais.
• A entrevista de grupo - A entrevista de grupo tem, em geral, dois objetivos 
simultâneos: reunir informações factuais (por exemplo, perguntas respeitantes à 
organização escolar); observar as atitudes das pessoas interrogadas. 
Para tal, os observadores notam como os participantes intervêm e qual é a 
característica da sua intervenção: construtiva, negativa, se têm relação com o tema, 
conciliadora, sintética, etc. Os elementos recolhidos permitem tirar certo número de 
conclusões referentes à postura e personalidade dos indivíduos. 
• Grupo focal – Consiste numa técnica de entrevista em grupo que oferece 
informações qualitativas. O coordenador guia o grupo, entre seis a quinze pessoas, 
75INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
numa discussão que tem por objetivo revelar experiências, sentimentos, percepções 
e preferências. Os grupos são formados com 7 a 12 participantes que tenham 
características em comum e são incentivados pelo moderador a conversarem entre 
si, trocando experiências e interagindo sobre suas ideias, sentimentos, valores, 
dificuldades, etc. O papel do moderador é promover a participação de todos, evitar 
a dispersão dos objetivos da discussão e a monopolização de alguns participantes 
sobre outros. O tempo de duração de cada sessão será entre uma hora e meia a 
duas horas. O coordenador registrará todos os fatos do início ao fim da sessão. 
Após cada reunião, a equipe deve elaborar relatórios com o resumo das 
informações e impressões obtidas pelo grupo bem como suas implicações para o 
estudo. A análise dos dados recolhidos no grupo focal deve considerar: palavras 
utilizadas repetidamente, o contexto no qual a informação foi obtida, concordâncias 
entre as opiniões dos participantes, alteração de opiniões ocasionadas pela pressão 
dos grupos, respostas dadas em função de experiências pessoais de maior relevância 
do que impressões vagas, ideias principais, comportamentos, gestos, reações, 
sentimentos, valores de ordem pedagógica, ideológica e ética, preconceitos, 
dificuldades de compreensão das perguntas feitas, entusiasmos, dificuldades no 
enfrentamento de desafios, aproveitamento dos espaços de liberdade e elaborar 
um quadro geral das ideias preponderantes.
As informações podem trazer dificuldades para a análise e generalizações. Neste 
sentido, elas devem ser interpretadas no contexto do grupo e complementadas com 
dados coletados através de outros instrumentos.
• Análise dos dados - Após a coleta dos dados, o pesquisador encontra-se 
perante um conjunto de respostas que necessitam ser ordenadas e organizadas 
para futura análise e interpretação. 
Para Matos e Vieira (2001, p. 65), os pesquisadores enfrentam alguns obstáculos, 
como relacionar os dados coletados com a sua pesquisa e a falta de atenção com 
uma boa elaboração do material utilizando apenas métodos.
Encontram-se ao dispor do pesquisador várias técnicas de análise de dados, 
dependente da natureza do objeto de pesquisa e das possibilidades operacionais 
do pesquisador.
 Vamos agora compreender as técnicas de análise de dados:
• Análise psicológica fenomenológica - É utilizadana pesquisa qualitativa no 
tratamento de dados descritivos obtidos através de entrevistas gravadas e transcritas 
literalmente. São considerados quatro momentos essências: ler e reler o material para 
captar o sentido do todo; fragmentar o todo em unidades de significado; transformar 
76 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
a linguagem diária do sujeito em linguagem científica; sintetizar coerentemente as 
unidades de significado transformadas.
• Análise interpretativa - Utilizada basicamente na análise de dados descritivos, 
é adequada para analisar entrevistas e observações. A análise interpretativa envolve: 
a formulação de afirmações, principalmente através de indução; a revisão do corpo 
de dados para testar e tornar a testar a veracidade das afirmações em face da 
evidência; a reformulação das afirmações, sempre que isso se tornar necessário.
• Análise de conteúdo - A análise de conteúdos surgiu durante a Segunda 
Grande Guerra na tentativa de decifrar a informação codificada e englobar um 
conjunto de técnicas de análise das mensagens visando obter, por procedimentos 
sistemáticos e objetivos, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência 
de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção das mensagens.
A análise de conteúdo envolve: a análise das características de uma mensagem 
através da comparação para receptores distintos, ou em situações diferentes com os 
mesmos receptores; analisar o contexto ou o significado de conceitos sociológicos 
e outros nas mensagens, bem como caracterizar a influência social das mesmas; 
analisar as condições que induziram ou produziram a mensagem.
A técnica de análise de conteúdo consiste em classificar os diferentes elementos 
do texto em diversas categorias, segundo determinados critérios selecionados pelo 
pesquisador. O objetivo desta técnica de análise de dados é ultrapassar a incerteza 
sobre o real conteúdo da mensagem e enriquecer a leitura através de uma releitura 
da mensagem. 
Fases da análise de dados
• Classificação - A classificação se define como a forma de distribuir e selecionar 
os dados obtidos na fase de coleta, reunindo-os em categorias de acordo com os 
objetivos da pesquisa. Exemplo: Considerando os estudantes em uma sala de aula 
como um todo, poderá ser estabelecido o critério “sexo” e serão divididos em duas 
categorias: masculino e feminino.
Visto que a fase da análise de dados é classificatória, 
vamos compreender as seguintes referências que devem ser 
obedecidas. 
77INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
• Homogeneidade: na mesma classificação não pode existir mais de um critério. 
Exemplo: não se pode dividir os estudantes de uma sala de aula em masculino, 
feminino e discentes em recuperação.
• Exaustividade: as categorias em que o todo é dividido têm que abranger 
todos os indivíduos, pertencentes ao universo, sem deixar nenhum de fora. Exemplo: 
não se pode atribuir aos professores apenas a categoria de solteiros e casados, pois 
ficariam de fora os divorciados, separados, etc.
• Exclusividade: as categorias têm de se excluir mutuamente, de forma que 
não seja possível colocar um indivíduo em mais de uma categoria. Exemplo: não se 
pode dividir a idade dos professores de acordo com as seguintes faixas etárias: 18 a 
20 anos, 20 a 25 anos, 25 a 30 anos, etc., pois existiriam professores em mais de uma 
categoria.
• Objetivas: diferentes pesquisadores devem chegar às mesmas categorias. 
Adequadas ou pertinentes, devem estar adaptadas ao conteúdo e ao objetivo da 
análise de modo que não seja demasiado minuciosa, criando excessivas categorias 
que poderão complicar a análise e a interpretação dos dados.
Você pode usar como exemplo elementar de classificação a classificação do lixo.
 
 
Ao se definir um tipo de instrumento de coleta de dados, nas situações em 
que tal seja possível, torna-se valioso categorizar antecipadamente. Isso facilitará a 
classificação e a interpretação. Para que aconteça a ordenação e organização dos 
dados, é necessário ainda codificar, quantificar e tabular os dados.
• Codificação - A codificação é o processo de classificar a informação em 
categorias, atribuindo a estas um símbolo. O símbolo pode ter a forma de letras do 
78 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
alfabeto ou linguagem numérica.
Exemplo: Sexo do informante:
Sublinhe a sua alternativa de resposta: Masculino / Feminino
“Qual o seu julgamento sobre a competência dos corredores brasileiros na 
fórmula 1?” Sublinhe a sua alternativa de resposta: Ótima, boa, regular, má e 
péssima.
A codificação proposta será a seguinte:
Categoria A – Sexo 
Subcategoria A1. Sexo masculino
Subcategoria A2. Sexo feminino
Categoria B - Competência
Subcategoria B1. Ótima
Subcategoria B2. Boa
Subcategoria B3. Regular
Subcategoria B4. Má
Subcategoria B5. Péssima
• Quantificação - A quantificação indica o número de vezes que as categorias 
são indicadas ou omitidas. 
• Tabulação - O termo tabulação serve para designar o processo de 
representação gráfica dos dados obtidos, permitindo sintetizar os dados da 
observação, de forma a serem compreendidos e interpretados rapidamente.
A forma mais simples de representar os dados da pesquisa é a distribuição por 
frequência representada graficamente sob a forma de tabela.
TÓPICO - SEXO TÓPICO - COMPETÊNCIA
B1.
ÓTIMA
B2.
 BOA
B3.
REGULAR
B4.
MÁ
B5.
PÉSSIMA
A1 - MASCULINO
A2 - FEMININO
Lehfeld (1991) recomenda que a leitura e a análise das tabelas não aconteçam 
de forma monótona, a sua apresentação seja seguida de textos ou comentários aos 
79INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
quais elas se referem. Os comentários englobem dois ou mais quadros e tabelas 
e/ou uma combinação entre os mesmos. A divisão dos dados deve ser feita entre 
tabelas, quadros e gráficos, buscando-se também um equilíbrio entre o número de 
representações gráficas e o texto geral do trabalho.
CATEGORIA A CATEGORIA B
B1. B2. B3. B4. B5.
A1
A2
Os dados representados graficamente devem ser bem organizados de forma 
que possam apresentar uma boa interpretação e alguns devem vir acompanhados 
de orçamento. 
• Interpretação – Segundo Rudio (1978, p. 103), a interpretação constituirá em 
expressar o verdadeiro significado dos dados recolhidos, em função dos propósitos 
do estudo. O pesquisador fará as ligações que a lógica lhe permitir e recomendar, 
fará comparações pertinentes, com base nos resultados alcançados, enunciará novos 
princípios e fará as generalizações apropriadas.
• Orçamento - As agências financiadoras de projetos de pesquisa exigem que 
os mesmos sejam acompanhados de orçamento que constitui um planejamento 
de valores necessários para a execução do estudo. As monografias, as dissertações 
e as teses acadêmicas não necessitam normalmente incluir planilha de recursos 
financeiros. 
• Cronograma - Os vários momentos e etapas do desenvolvimento da 
pesquisa devem ser distribuídos no tempo. O cronograma do projeto de pesquisa 
é o plano da distribuição das diferentes etapas previstas para a sua execução no 
tempo. O cronograma permite verificar se o pesquisador tem uma definição precisa 
das diferentes etapas de execução da pesquisa que planejou, do período de tempo 
necessário para concretizá-las e da organização racional do tempo disponível para 
a sua execução. 
A falta do cronograma conduz muitas pesquisas a se estenderem indefinidamente, 
com longos períodos de indefinição. 
Exemplo de cronograma: 
 
80 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
MESES - ETAPAS
MARÇO DE 
2005
ABRIL 
DE 2005
MAIO DE 
2005
JUNHO DE 
2005
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA X X X
MONTAGEM DE 
INSTRUMENTOS
X X
APLICAÇÃO DE 
INSTRUMENTOS
X X X
ANÁLISE DOS 
RESULTADOS
X X X
81INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
REFERENCIAIS PARA A 
ELABORAÇÃO DE UM PROJETO 
DE PESQUISA
4
Conhecimentos
Conhecer as normas técnicas da metodologia científica na construção de um 
projeto de pesquisa;
Conhecer os referenciais básicos paraa escrita de um projeto de pesquisa.
Habilidades
Identificar as partes de um projeto de pesquisa e aplicar os critérios básicos 
para uma boa redação. 
Atitude
Elaborar um projeto de pesquisa de acordo com as normas da ABNT.
83INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Como elaborar um Projeto de Pesquisa
O projeto de pesquisa deve conter vários 
elementos, compostos por: Introdução, 
justificativa, fundamentação teórica, metodologia, 
referências bibliográficas.
 Durante a construção do projeto o 
pesquisador responde às seguintes questões:
 
O que vou pesquisar? Delimitação do tema e formulação do problema.
Para que vou pesquisar? Objetivos da pesquisa.
Por que vou fazer a pesquisa? Motivação para a realização da pesquisa.
Por que a pesquisa é importante? Relevância da pesquisa.
Onde vou pesquisar? Local onde a pesquisa será realizada.
Com quem vou fazer? Delimitação das pessoas com quem a pesquisa será 
realizada. 
Com quantos vou fazer? Delimitação do número de pessoas que serão 
pesquisadas.
Como vou recolher a informação? Ferramentas de coleta de dados. 
Quando vou fazer? Definição do cronograma de realização de planejamento e 
execução da pesquisa.
Vamos dar como exemplo a Faculdade Integrada da Grande Fortaleza que definiu 
as etapas para a elaboração de projeto de pesquisa: 
Introdução
• Tema do estudo;
• Objetivos gerais do estudo;
• População da pesquisa.
84 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Justificativa
• Justificar o porquê da realização da pesquisa;
• Importância do tema;
• Razões pessoais.
Fundamentação Teórica
• Dizer qual é o referencial teórico;
• Fazer uma síntese desse referencial.
Metodologia
• Dizer como realizará a pesquisa;
• Revisão de literatura;
• Comparar: referencial teórico x população;
• Pesquisa de campo;
• Utilizar questionários;
• Realizar entrevistas.
Referência Bibliográfica
Relacionar bibliografias essenciais alistadas aos pressupostos teóricos do tema; 
devem ser organizadas de acordo com as normas da ABNT. 
Escrevendo o projeto
Escrever um projeto de pesquisa de qualidade obriga a pessoa a ficar atenta 
para certas referências básicas da redação. A linguagem deve ser objetiva e clara, 
evitando os rebuscamentos e o excesso de termos e frases longas. Impõe-se um 
estilo sóbrio e preciso. Evitar o plágio e a utilização de terminologia técnica excessiva 
que possa dificultar o entendimento do raciocínio e das ideias do autor.
85INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Mas o que é Plágio? É a apropriação de ideias de outros proferindo que é sua. 
É considerado um crime previsto no Código Penal Brasileiro. Você pode utilizar as 
ideias de outros, mas fazendo referência e atribuindo o devido crédito. 
Qualidades básicas da redação do projeto
Para escrever um projeto de pesquisa, deve-se obedecer, de acordo com Gil 
(2002), a sete critérios:
• Impessoalidade pelo que deve ser escrito na terceira pessoa sendo 
recomendadas expressões como: “este projeto” ou o “presente projeto”;
• Objetividade em dados e provas e não em considerações ou opiniões pessoais;
• Clareza evitando as ambiguidades, palavras supérfluas, expressões com duplo 
sentido e prolixidade;
• Precisão evitando adjetivos tais como: pequeno, médio e grande ou 
expressões como: quase todos, uma boa parte, etc. Também devem ser evitados 
advérbios que não explicitem exatamente o tempo, o modo e o lugar, tais como: 
recente, antigamente, lentamente e provavelmente; 
• Coerência apresentando as ideias numa sequência lógica e ordenada podendo 
ser utilizados capítulos, títulos e subtítulos;
• Concisão expressando as ideias em poucas palavras: cada período deve ter, 
no máximo, duas ou três linhas; 
• Simplicidade utilizando apenas as palavras necessárias.
Referências para a escrita de um texto
A escrita de um texto obedece a várias regras básicas que você deverá conhecer 
muito bem. A partir das ideias de Serafini (1997) estabelecemos alguns critérios que 
o autor deverá considerar quando escrever um texto:
• Organizar um plano de trabalho que, tendo como referência o tempo 
disponível, permita: planejar, recolher bibliografia, fazer fichamento, selecionar e 
organizar a informação, desenvolver o texto, reler e corrigir, xerocar ou copiar, fazer 
releitura final e encadernação;
• Conhecer claramente antes do início da redação quais as características do 
texto que irá escrever. Para que tal aconteça é essencial que o autor: conheça o 
destinatário, o objetivo do texto, o gênero do texto, os critérios que a redação de 
acordo com esse gênero deve obedecer, o objeto da redação (bibliográfico e ou de 
campo), extensão do texto, critérios de avaliação;
86 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
• Selecionar a informação que vai substanciar a redação de modo que esteja 
facilmente acessível quando for iniciada a escrita;
• Organizar a informação recolhida, escolhendo a que será efetivamente 
utilizada;
• Definir nas redações argumentativas a ideia (tese) que o autor deseja defender; 
nos textos descritivo-narrativos, deverá escolher o ponto de vista a partir do qual ele 
vai elaborar o texto, descrevendo lugares e pessoas, contando fatos e objetos;
• Escrever o roteiro decidindo a ordem sequencial das ideias e dos argumentos 
a serem usados no texto;
• Criar o texto a partir da definição, desenvolvimento e exemplificação das 
ideias expressas no roteiro. De acordo com Serafini (1997, p. 52), “O texto é um 
continuum em que todas as partes se inter-relacionam”. O texto está dividido em 
parágrafos que normalmente expressam uma única ideia do roteiro. Ao passar 
de uma ideia para outra o autor deve usar conjunções (“portanto”, “por isso”), ou 
frases de ligação (“depois de termos falado dos barcos que atravessam os mares, 
conheçamos agora os submarinos”) que ajudem o leitor a seguir o fio condutor do 
raciocínio e a construir um fio condutor que facilite o entendimento do texto. Na 
redação o autor deve descrever, exemplificar, evitar o excesso de generalizações, 
clichês e utilizar a pontuação de modo adequado; 
• Segundo Miguel (2002), é preciso rever criticamente o texto tendo por 
referência os objetivos traçados inicialmente e analisando o que já está bom e o 
que ainda falta fazer, traçando estratégias para conseguir ultrapassar as eventuais 
dificuldades que possam surgir;
• Enviar aos profissionais para revisão gramatical e ABNT.
87INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
DIRETRIZES PARA ELABORAÇÃO DE 
UMA MONOGRAFIA CIENTÍFICA
5
Conhecimentos
Compreender as três partes fundamentais da estrutura e as etapas da elaboração 
de uma monografia.
Habilidades
Reconhecer as fases do trabalho monográfico, identificando as fases de 
introdução, desenvolvimento e conclusão. 
Atitude
Elaborar o trabalho monográfico seguindo as etapas da construção lógica.
88 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
89INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Como elaborar uma Monografia
A Monografia é um instrumento que estuda um tema específico e obedece 
a uma metodologia. É possível observar que a monografia apresenta algumas 
características.
Ela deve ser um trabalho sistemático e completo, estudo exaustivo, abordagem 
de vários aspectos do caso. É um trabalho que acrescenta informações e não 
copia a ideia de outro autor, procura relações e regularidades entre o texto escrito 
e a pesquisa e não explana meras opiniões sem antes fundamentá-las, e por fim 
comunica os resultados.
No final dos cursos de graduação você precisará realizar a monografia, ela não 
precisa ser muito extensa, mas deve ser clara, com uma estrutura dividida em: pré-
textuais, textuais e pós-textuais.
Esta unidade de ensino vai tecer considerações sobre as exigências metodológicas 
da elaboração do trabalho científico e apresentar diretrizes para sua composição. 
Como as considerações e diretrizes são bastantes práticas e gerais, aplicam-se a 
todo o trabalho de natureza teórica, científica ou filosófica que deva ser de acordocom as diretrizes impostas à monografia científica.
 Na área do pensamento e da expressão filosófica e científica, certas exigências 
de organização prévia e de metodologia de execução se impõem. Já não se pode 
conceber, a não ser depois de amadurecido o raciocínio, a elaboração do trabalho 
científico ao sabor da inspiração intuitiva e espontânea, sem obediência a um plano 
e aplicação de um método.
 No caso da formação universitária, essas exigências garantem bom êxito, 
boa aprendizagem e proporcionam raciocínio necessário para a amadurecimento 
intelectual. Ao lado, pois, da iniciação teórica e histórica à filosofia e à ciência, há 
iniciação metodológica à sua criação e expressão.
A preparação metódica e planejada de um trabalho científico supõe uma 
sequência de momentos, compreendendo as seguintes etapas:
• Determinação do tema-problema do trabalho;
• Levantamento da bibliografia referente a esse tema;
• Leitura e documentação dessa bibliografia após seleção;
• Construção lógica do trabalho;
• Redação do texto.
90 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
Etapas da elaboração
• Determinação do Tema-problema-tese do trabalho
Nesta primeira etapa, escolhe-se e determina-se o assunto sobre o qual versará 
o trabalho. Ainda quando o tema é proposto pelo professor, cabe ao estudante 
delimitar, com precisão, o tema indicado, ou seja, é preciso distingui-lo de temas 
afins, tendo presente o domínio sobre o qual vai trabalhar. Durante o estudo do 
tema delimitado pode ocorrer alguma alteração desta primeira delimitação, mas, 
ainda que isto seja frequente, é necessário que o estudante inicie seu trabalho de 
posse de um tema bem definido.
O trabalho mais do que objetivo, é importante a perspectiva sobre o qual é 
tratado. Assim, uma coisa é escrever sobre a liberdade em geral, outra sobre a 
liberdade psicológica, outra sobre a liberdade política. O conteúdo do objeto do 
estudo pode ser o mesmo, mas as perspectivas sob as quais se faz esse estudo 
é o que determina o desenvolvimento do trabalho. Outras vezes o tema deve ser 
colocado numa estrutura de relações, pois o objetivo é estudado em relação a outro, 
importando mais essa relação do que os seus termos.
 Tratando-se de trabalhos acadêmicos, com finalidades didáticas e propedêuticas, 
o tema escolhido ou delimitado deve deixar margem para a pesquisa positiva, 
bibliográfica ou de campo, com a necessária aprendizagem desses métodos de 
pesquisa, não sendo, portanto, o trabalho uma pura criação mental do estudante. 
Por isso, escolhe-se um tema já elaborado por outros, anteriormente, embora de 
outras perspectivas, para que haja obras a respeito dele, podendo o estudante 
pesquisar e consultar a documentação para a realização do seu trabalho. 
Por outro lado, a visão clara do tema do trabalho, do assunto a ser tratado, a partir 
de determinada perspectiva, deve completar-se com sua colaboração em termos de 
problema. O raciocínio – parte essencial de um trabalho – não se desencadeia quando 
não se estabelece devidamente um problema. Em outras palavras, o tema deve ser 
problematizado. Toda argumentação, todo raciocínio desenvolvido num trabalho 
logicamente construído é uma demonstração que visa solucionar determinado 
problema. A gênese dessa problemática dar-se-á pela reflexão surgida por ocasião 
das leituras, dos debates, das experiências, da aprendizagem, enfim da vivência 
intelectual em meio ao estudo universitário e no ambiente científico e cultural. 
 Portanto, antes da elaboração do trabalho, é preciso ter ideia clara do problema 
a ser resolvido, da dúvida a ser superada. Exige-se consciência da problemática 
específica relacionada com o tema abordado de determinada perspectiva, cuja 
natureza especificará o tipo e o método de pesquisa e de reflexão a serem utilizados 
no decorrer do trabalho.
91INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
 A colocação clara do problema desencadeia a formulação da hipótese geral a 
ser comprovada no decorrer do raciocínio. Quando o autor se define afinal por uma 
solução que pretende demonstrar no curso do trabalho, pode-se então falar de tese 
ou de ideia central de seu trabalho.
 O trabalho tem por objetivo último transmitir uma mensagem, comunicar o 
resultado final de uma pesquisa e de uma reflexão. Por isso, deve demonstrar uma 
única ideia, comprovar uma única hipótese, defender uma única tese, assumindo uma 
posição singular relacionada com o problema específico levantado pela consideração 
do tema. Assim, a decisão, a opção por determinada posição, é posterior à discussão 
de possíveis alternativas.
 De qualquer modo, exige-se uma ideia daquilo que se pretende dizer a respeito 
do assunto escolhido e que se apresenta como uma tomada de posição sobre o 
tema-problema. Este adquire então a forma lógica de tese, de ideia central, ou 
seja, de proposição portadora da mensagem principal do trabalho que deverá ser 
demonstrada logicamente através do raciocínio. Todo discurso científico pretende 
demonstrar uma posição a respeito do tema problematizado. 
 Ainda no âmbito dos trabalhos didáticos, o tema, o problema e a tese devem 
ser determinadas a partir de um texto. Neste caso, a etapa de delimitação temática 
é feita a partir de uma leitura analítica do mesmo.
Nos casos de dissertação de mestrado e de tese de doutorado, esta etapa nasce 
da experiência intelectual, leitura, discussão e reflexão.
 Na determinação do tema, do problema e da tese deve-se anunciar e 
garantir, senão na formulação técnica, pelos menos quanto ao significado, o caráter 
monográfico do trabalho. Isto quer dizer que a abordagem própria do trabalho 
científico deve ser a mais monográfica possível, atendo-se ao aspecto delimitado do 
tema a ser tratado. Tal exigência de maior restrição temática é tanto maior quanto 
mais científica for o tipo de trabalho a que se vise. Nas teses de doutorado e nas 
dissertações de mestrado ela será maior do que nos trabalhos didáticos, os quais, 
nem por isso, devem deixar de buscar a delimitação de sua temática.
Distinguem-se três fases no amadurecimento de um trabalho: há o momento da 
invenção, da intuição, da descoberta, da formulação de hipótese, fase eminentemente 
lógica em que o pensamento é provocador, o espírito é atuante; logo após parte-
se para a pesquisa positiva, seja experimental, seja de campo ou bibliografia. Nesta 
etapa, o espírito é posto diante dos fatos, de outras ideias; há a oportunidade 
de cotejar as primeiras intuições alheias com fatos objetivos. Do confronto nasce 
uma posição amadurecida. Abandonam-se algumas ideias, acrescentam-se outras 
novas, reformulam-se outras. Isto quer dizer que a primeira formulação não é 
necessariamente definitiva: inicialmente, do ponto de vista lógica, será tão-somente 
92 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
provisória. Já na terceira etapa, ou seja, no momento em que, amadurecida uma 
posição, se parte para a composição do trabalho, então é preciso estar de posse de 
uma formulação definitiva, que poderá confirmar a primeira ou ser modificada.
• Levantamento da Bibliografia
Estabelecido e delimitado o tema de trabalho e formulados o problema e a 
hipótese, o próximo passo é o levantamento da documentação existente sobre o 
assunto. É uma fase heurística, ciência, técnica e arte da pesquisa de documentos. 
Desencadeia-se uma série de procedimentos para a localização e busca metódica 
dos documentos que possam interessar ao tema discutido. 
Tais documentos se definem pela natureza dos temas estudados e pelas áreas 
em que os trabalhos se situam. Tratando-se de trabalhos no âmbito da reflexão 
teórica, tais documentos são basicamente textos: livros, artigos, etc.
 A bibliografia como técnica tem por objetivo a descrição e a classificação dos 
livros e documentos similares, segundo critérios, tais como autor, gênero literário, 
conteúdo temático, data, etc. Dessa técnica resultam repertório, boletins, catálogos 
bibliográficos. E é a eles que se deve recorrer quando se visaelaborar a bibliografia 
especial referente ao tema de trabalho. Fala-se de bibliografia especial porque 
a escolha das obras deve ser criteriosa, retendo apenas aquelas que interessem 
especificamente ao assunto tratado.
Os repertórios, os boletins e os catálogos são obras especializadas no 
levantamento das publicações, indistintamente de todas as áreas ou restritas a 
áreas determinadas. Assim, existem repertórios de filosofia que só assinalam obras 
referentes à filosofia. O mesmo acontece com as demais áreas do saber.
Os estudiosos encontram suas fontes de pesquisa também nas grandes 
enciclopédias, nos dicionários especializados, nas monografias, nos tratados, nos 
textos didáticos, nas revistas de informações bibliográficas para os trabalhos de 
cunho científico como os fichários das bibliotecas.
 Tais fichários catalogam livros, seja pelo critério de autor, seja pelo critério 
de assunto. No primeiro caso, através do nome de um autor identifica-se, pela 
ordem alfabética, as respectivas fichas; já no fichário por assuntos, as obras são 
classificadas de acordo com números-códigos estabelecidos por sistemas universais 
de classificação temática. Neste caso, identifica-se o número sob o qual o assunto 
é classificado, para o que se deve consultar o índice de assuntos que se encontra 
num pequeno arquivo junto aos fichários gerais na antessala das bibliotecas e, em 
seguida, procuram-se no fichário de assuntos as respectivas fichas, pela ordem 
93INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
numérica.
As informações colhidas pela heurística devem ser transcritas primeiramente 
nas fichas bibliográficas. Na face dessas fichas são transcritos os dados referentes 
ao documento em si, conforme as técnicas bibliográficas. A seguir, assinalam-se 
com grande proveito os códigos das bibliotecas onde se encontra o documento, as 
resenhas do documento e eventualmente alguma rápida apreciação. Como essas 
fichas são a base de qualquer trabalho científico, todo estudioso deveria formar um 
fichário na sua especialidade, o que lhe seria de extrema utilidade no momento de 
qualquer pesquisa. 
• Leitura e Documentação
 Terminado o levantamento bibliográfico, é chegado o momento de iniciar o 
trabalho da pesquisa propriamente dita, o momento da leitura e da documentação.
a) O plano provisório do trabalho
 Antes de começar a leitura, o estudante elabora um roteiro de seu trabalho. 
Trata-se de uma primeira estruturação do trabalho, baseada em grandes ideias 
oriundas dos vários aspectos que pode ter um problema referente ao assunto 
estudado. São estas ideias que nortearão a leitura e a pesquisa que se iniciam. Essa 
etapa é fundamental, pois que sem uma ideia-diretriz na mente será impossível 
delimitar as grandes linhas que serão as colunas mestras do trabalho. Essas ideias 
são percebidas intuitivamente pelo estudante ou são frutos da sugestão do próprio 
problema levantado pela tese ou ainda de alguma insinuação de estudos anteriores. 
Essas ideias exercem o papel de chamariz, são elas que mostram nos textos lidos 
aqueles elementos que devem ser retidos para aproveitamento na composição do 
trabalho.
 Esse roteiro provisório será reformulado no decorrer do trabalho. Novas ideias 
surgirão, exigidas pelas primeiras, outras perderão o valor. O plano definitivo só será 
estabelecido no final da pesquisa positiva.
b) A leitura da documentação
De posse de um roteiro de ideias, começa a análise dos documentos em busca 
de elementos que se revelem importantes para o trabalho.
 A primeira medida, no entanto, é operar uma triagem em todo o material 
recolhido durante a elaboração da bibliografia. Nem tudo será necessariamente lido, 
pois nem tudo interessará devidamente ao tema a ser estudado. Os documentos que 
se revelem pouco pertinentes ao tema serão deixados de lado. Para presidir a essa 
triagem, utilizem-se as resenhas, que permitem avaliar a utilidade do documento 
em questão. Na falta delas, além da opinião de especialistas, o melhor caminho 
94 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
é tomar contato direto com a obra, lendo seu índice, o prefácio, a introdução, as 
“orelhas”, assim como algumas passagens do seu texto, até o momento em que se 
possa ter dela uma opinião bem formulada.
 Uma vez definidos os documentos a serem pesquisados, procede-se à 
leitura combinando o critério de atualidade com o critério da generalidade para 
o estabelecimento da ordem da leitura. Inicia-se pelos textos mais recentes e mais 
gerais, indo para os mais antigos e mais particulares. As obras recentes geralmente 
retomam as contribuições significativas do passado, dispensando assim uma volta 
a textos superados. Há de se observar, contudo, que obras clássicas dificilmente 
perdem seu valor de atualidade. Já na questão da generalidade, atentar para as 
condições de quem está fazendo o trabalho, levando em conta o nível em que se 
encontra a dificuldade do tema, a familiaridade do autor com o assunto e com a área 
em que é tratado. Feitas essas ressalvas, a ordem lógica é partir das obras gerais – 
enciclopédias, dicionários, tratados, etc., chegando às monografias especializadas e 
aos artigos de revistas, muito importantes devido a sua atualidade.
 A essa altura dá-se início à leitura. Note-se, contudo, que já não se trata de 
uma leitura analítica desses documentos em vista da reconstituição do processo do 
raciocínio do autor. Mesmo quando a leitura integral do texto se fizer necessária, ela 
será feita tendo em vista o aproveitamento direto apenas daqueles elementos que 
sirvam para nuclear as ideias do novo raciocínio que se desenvolve. Os elementos 
retirados das várias fontes dão às várias afirmações do autor, além do material 
sobre o qual se trabalha a garantia de maior objetividade fundada no testemunho 
e na verificação de outros pensadores, com a intenção de reforçar, apoiar as ideias 
pessoais formuladas pelo autor do trabalho.
c) A documentação 
À medida que se procede à leitura e que elementos importantes vão surgindo, 
faz-se a documentação. Trata-se de tomar nota de todos os elementos que serão 
utilizados na elaboração do trabalho científico. 
 Quando se fala aqui de documentação, refere-se à tomada de apontamentos 
durante a leitura de consulta e pesquisa. Esses apontamentos servem de matéria-
prima para o trabalho e funcionam como um primeiro estágio de rascunho. É 
desaconselhável tomar nota em cadernos, de maneira sequencial, assim como 
também não é prático assinalar no próprio texto as passagens importantes que 
eventualmente serão aproveitadas através de citações na redação final do trabalho. 
Essa técnica se tiver alguma utilidade, só a terá para a leitura analítica. 
 Os elementos julgados válidos devem ser transcritos nas fichas de documentação. 
Mas o que exatamente e como se deve transcrever na ficha de documentação? 
Passa-se para a ficha alguma passagem completa do texto que se lê, caso queira 
95INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
transcrever o texto ao pé da letra, coloca-se tudo entre aspas e faz referência a fonte; 
em outros casos faz-se apenas a síntese das ideias em questão; nesta hipótese, 
as aspas são dispensadas, mas mantém-se a citação da fonte. Conforme o hábito 
pessoal, a transcrição nas fichas será feita interrompendo-se a leitura (o que é mais 
aconselhável) ou, então, primeiramente será feita uma leitura completa do texto 
pesquisado, assinalando levemente as passagens importantes, transcrevendo-as a 
seguir.
As fichas de documentação contêm, além do corpo da citação e referências 
indicadoras da fonte, um título e um subtítulo que permitem identificá-la e classificá-
la. Esses títulos, colocados no alto à direita, são definidos pelas ideias diretrizes do 
roteiro provisório. Igualmente, quando surge uma ideia nova, um aspecto até então 
desapercebido, lança-se um novo título nas fichas de documentação e o material 
passa a fazer parte do plano de trabalho.
 A técnica da documentação em fichas tem do ponto de vista didático,no 
contexto universitário brasileiro, a vantagem de permitir eficiência no trabalho em 
equipe, garantindo a participação complementar de todos os membros do grupo. 
Com efeito, parte-se de um roteiro comum e os integrantes da equipe pesquisam 
isoladamente, cada um lendo e documentando textos diferentes. No fim das 
pesquisas, as fichas de fontes diferentes são agrupadas conforme os temas definidos 
pelos títulos e subtítulos, faltando apenas a construção posterior do trabalho. As 
fichas são redistribuídas de acordo com os vários momentos do trabalho, cabendo 
a cada participante da equipe compor uma parte do trabalho. 
Durante a pesquisa, ou em outras circunstâncias da vivência intelectual, o leitor 
sempre pode ter ideias próprias sobre algum dos tópicos que está discutindo. As 
fichas de documentação servem também para registrar essas ideias que, se não 
forem logo registradas, acabam perdendo-se. Enfim, nesta fase do trabalho, tudo 
o que interessar ao mesmo deverá ser transposto para as fichas que formarão o 
acervo do material com o qual se trabalhará na construção formal do novo texto.
A Construção Lógica do Trabalho Cientifico
 Construção lógica ou síntese é a coordenação inteligente das ideias conforme 
as exigências racionais da sistematização própria do trabalho. Pode acontecer que, 
devido a desdobramentos ocorridos durante a pesquisa, se faça necessária uma 
reformulação do roteiro provisório para o estabelecimento do plano definitivo. 
 A ordem lógica do pensamento de quem escreve pode não coincidir com a 
ordem de descoberta e de intuição do autor. Isto é normal, já que o pensamento 
expresso não pode perder de vista a finalidade que tem de comunicar ao leitor essas 
descobertas. Por isso, o que interessa antes de tudo é a inteligibilidade do texto. 
96 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
 A construção lógica do trabalho é o arranjo encadeado dos raciocínios 
utilizados para a demonstração da hipótese formulada no início. Naturalmente, 
esses raciocínios, em trabalhos que comportem elementos de pesquisa positiva de 
bibliografia, como na maioria dos trabalhos acadêmicos, são formulados a partir 
dos dados colhidos nas fontes consultadas e a partir das ideias descobertas pela 
reflexão do autor.
 Todo trabalho científico, seja ele uma tese, um texto didático, um artigo ou uma 
simples resenha deve constituir uma totalidade de inteligibilidade, estruturalmente 
orgânica, deve formar uma unidade com sentido intrínseco e autônomo para o 
leitor que não participou de sua elaboração para que internamente as partes se 
concatenem logicamente. 
 Concretamente isto quer dizer que as partes do trabalho, seus capítulos e, 
no interior deles, os parágrafos devem ter uma consequência lógica rigorosa 
determinada pela estrutura do discurso. Não basta que as preposições tenham 
sentido em si mesmas, é necessário que o sentido esteja logicamente inserindo no 
contexto do discurso e da redação.
 Do ponto de vista da estrutura formal, o trabalho tem três partes fundamentais: 
a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. É dentro desta estrutura que se 
desenvolverá o raciocínio demonstrativo do discurso em questão.
 A introdução, quando for o caso, levanta o estado da questão, mostrando o que 
já foi escrito a respeito do tema e assinalando a relevância e o interesse do trabalho. 
Em todos os casos, manifesta as intenções do autor e os objetivos do trabalho, 
enunciando seu tema, seu problema, sua tese e os procedimentos que serão 
adotados para o desenvolvimento do raciocínio. Encerra-se com uma justificação do 
plano de trabalho. Lendo a introdução, o leitor deve sentir-se esclarecido a respeito 
do teor da problematização do tema do trabalho, assim como a respeito da natureza 
do raciocínio a ser desenvolvido. Deve ser sintética a versar única e exclusivamente 
sobre a temática intrínseca do trabalho. Note-se que é a última parte do trabalho a 
ser escrita. 
O desenvolvimento corresponde ao corpo do trabalho e será estruturado 
conforme as necessidades do plano definitivo da obra. As subdivisões dos tópicos 
do plano lógico, os itens, seções, capítulos, etc. surgem da exigência da logicidade 
e da necessidade de clareza e não de um critério puramente espacial. Não basta 
enumerar simetricamente os vários itens: é preciso que haja subtítulos portadores 
de sentido. Em trabalhos científicos, todos os títulos de capítulos ou de outros itens 
devem ser temáticos e expressivos, ou seja, devem dar a ideia exata do conteúdo do 
setor que estimulam. 
A fase de fundamentação lógica do tema deve ser exposta e provada; a 
97INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
reconstrução racional tem por objetivo explicar, discutir e demonstrar. Explicar é 
tornar evidente o que estava implícito, obscuro ou complexo; é descrever, classificar 
e definir. Discutir é comparar as várias posições que se entrechocam dialeticamente. 
Demonstrar é aplicar a argumentação apropriada à natureza do trabalho. É partir de 
verdades garantidas para novas verdades.
A conclusão é a síntese para a qual caminha o trabalho. Será breve e visará 
recapitular sinteticamente os resultados da pesquisa elaborada. Se o trabalho 
visar resolver uma tese-problema e se, para tal, o autor desenvolver uma ou 
várias hipóteses, através do raciocínio, a conclusão aparecerá como um balanço 
do empreendimento. O autor manifestará seu ponto de vista sobre os resultados 
obtidos e o alcance dos mesmos. 
 Quando o trabalho é essencialmente analítico e comporta uma pesquisa positiva 
sobre o pensamento de outros autores, esta conclusão pode ser fundamentalmente 
crítica. Quando, porém, a crítica é mais desenvolvida, entrará no corpo do trabalho 
como um capítulo. 
A redação do Texto
 A fase de redação consiste na expressão literária do raciocínio desenvolvido no 
trabalho. Guiando-se pelas exigências próprias da construção lógica, o autor redige 
o texto, confrontando as fichas de documentação, criando o texto redacional em 
que vão inserir-se. Uma vez de posse do encadeamento lógico do pensamento, esse 
trabalho é apenas uma questão de comunicação literária.
 Recomenda-se que a montagem do trabalho seja feita através de uma primeira 
redação de rascunho. Terminada a primeira composição, sua leitura completa 
permitirá uma revisão adequada do todo e a correção de possíveis falhas lógicas ou 
redacionais. Apesar da clareza e eficiência que o método de fichas possibilita para a 
redação do trabalho, muitos aspectos desnecessários acabam sobrando no mesmo 
e só depois de uma leitura atenta podem ser eliminados. 
Em trabalhos científicos, impõe-se estilo sóbrio e preciso, importando mais 
clareza do que qualquer outra característica estilística. A terminologia técnica só 
será usada quando necessária ou em trabalhos especializados, nível em que já se 
tornou terminologia básica. De qualquer modo, é preciso que o leitor entenda o 
raciocínio e as ideias do autor sem ser impedido por uma linguagem hermética ou 
esotérica. Igualmente evitem-se a pomposidade pretensiosa, o verbalismo vazio, as 
fórmulas feitas e a linguagem sentimental. O estilo do texto será determinado pela 
natureza do raciocínio específico às várias áreas de saber em que se situa o trabalho. 
98 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
• A construção do Parágrafo 
De um ponto de vista da relação do texto, é importante ressaltar a questão da 
construção do parágrafo. O parágrafo é uma parte do texto que tem por finalidade 
expressar as etapas do raciocínio. Por isso, a sequência dos parágrafos, o seu tamanho 
e sua complexidade dependem da sua própria natureza do raciocínio desenvolvido. 
Duas tendências são incorretas: ou o excesso de parágrafos – praticamente 
cada frase é tida como um novo parágrafo ou a ausência de parágrafos. Como a 
paragrafação representa, ao nível do texto, as articulações do raciocínio, percebe-
se então a insegurança de que assim escreve. Neste caso, é como se as ideias e 
as proposições a elas correspondentestivessem as mesmas funções, a mesma 
relevância no desenvolvimento do discurso e como se este não tivesse articulações. 
A mudança de parágrafos toda a vez que se avança na sequência do raciocínio 
marca o fim de uma etapa e o começo de outra. A estrutura do parágrafo reproduz 
a estrutura do próprio trabalho; constitui-se de uma introdução, de um corpo e de 
uma conclusão. 
 Na introdução, anuncia-se o que se pretende dizer; no corpo desenvolve-se 
a ideia anunciada; na conclusão, resume-se ou sintetiza-se o que se conseguiu. 
Dependendo da natureza do texto e do raciocínio que lhe é subjacente, o parágrafo 
representa a exposição de um raciocínio comum, ou seja, comporta premissas e 
conclusão. 
Portanto, a articulação de um texto em parágrafos está intimamente vinculada 
à estrutura lógica do raciocínio desenvolvido. É por isso mesmo que, na maioria das 
vezes, esses parágrafos são iniciados com conjunções que indicam as várias formas 
de se passar de uma etapa lógica à outra. 
Entretanto como a monografia apresenta uma estrutura dividida em pré-textuais, 
texto e pós textuais, sugerimos que você se aprofunde mais aos detalhes de como 
montar um trabalho monográfico e acesse: http://www.inta.edu.br/SouINTA/images/
pdf/elaboracao-monografia-inta-abnt-2013.pdf
99INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
LEITURA OBRIGATÓRIA
Este ícone apresenta uma obra indicada pelo professor-
autor que será indispensável para a formação 
profissional do estudante
101INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Propomos a obra de Metodologia do Trabalho Científico 
do autor Antonio Joaquim Severino, cujo objetivo é apresentar 
aos estudantes subsídios teóricos que o auxiliarão no processo 
de aprendizagem na formação acadêmica. 
SEVERINO, Joaquim Antonio. Metodologia do Trabalho 
Científico. Ed. 23ª. São Paulo: Editora Cortez, 2007.
Após a leitura faça um resumo de um ponto 
relevante desta obra.
 
 
SAIBA MAIS
Neste ícone será encontrado sugestões de 
aprofundamento da disciplina em outro espaço. 
Pesquisas divulgadas, em formato de entrevistas, com o 
próprio autor da investigação
103INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
Saiba mais
Neste espaço abordaremos como realizar Entrevistas 
em pesquisas qualitativas, lembrando que o pesquisador 
deve recolher dados e informações do entrevistado e 
transcrever de forma fidedigna. 
REVISANDO
É uma síntese dos temas abordados com a intenção 
de possibilitar uma oportunidade para rever os pontos 
fundamentais da disciplina e avaliar a aprendizagem
105INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
No decorrer desse estudo vimos que o conhecimento popular distingue-se 
do conhecimento científico pelos métodos utilizados. O conhecimento popular 
é superficial, sensitivo, assistemático e acrítico. A ciência caracteriza-se por um 
conjunto de modelos de observação, identificação, descrição, investigação 
experimental e explanação teórica de fenômenos. O método científico envolve 
técnicas exatas, objetivas e sistemáticas. O conhecimento científico apresenta-se 
objetivo, intersubjetivo, positivo, racional, reversível e autônomo.
A ciência é a atividade intelectual e prática que abrange a estrutura do 
comportamento do mundo físico e do natural através do empirismo e da observação.
A pesquisa científica é o resultado de um exame realizado com o objetivo de 
resolver o problema. Ela tem várias etapas como a pesquisa qualitativa e quantitativa. 
As pesquisas podem ser classificadas como base em seus objetivos, sendo que 
na forma tradicional de investigar o objeto no sentido de comprovar hipóteses, 
temos a pesquisa experimental; para descrevê-la, temos a pesquisa descritiva e para 
explorá-la, temos a pesquisa exploratória.
A pesquisa bibliográfica é feita a partir do levantamento de referências publicadas 
por meios escritos e eletrônicos. O pesquisador deve ter o cuidado de selecionar 
e analisar cuidadosamente as fontes de pesquisa, sempre que possível original, 
de modo a evitar erros resultantes de dados coletados ou processados de forma 
equívoca. A pesquisa documental recorre a fontes mais diversificadas e dispersas.
Para desenvolver uma pesquisa é indispensável selecionar procedimentos para 
a coleta de dados. Nas pesquisas em que os dados são fornecidos por pessoas 
podemos enquadrar diversos tipos: pesquisa experimental, pesquisa Ex-Post-Facto, 
pesquisa com Survey, estudo de caso e levantamento.
A interação entre pesquisadores e sujeitos da pesquisa caracteriza-se como 
pesquisa participante. Nesta o pesquisador adota uma postura mais observadora, 
enquanto na pesquisa-ação ele assume uma postura de intervenção junto e em 
conjunto com os sujeitos da pesquisa. 
As pesquisas que envolvem animais devem ser colocadas para análise de uma 
Comissão de Usos de Animais – CEUA, vinculada ao Conselho Nacional de Controle 
de Experimentação Animal (CONCEA). E toda pesquisa envolvendo seres humanos 
deverá ser submetida à apreciação de um Comitê de Ética em Pesquisa.
O projeto de pesquisa é uma carta de intenção e de explicitação da proposta do 
estudo que se pretende realizar. O projeto deve ser organizado em uma estrutura 
com os itens que respondem às perguntas: O que? Por que? Para que? Qual a 
relevância? Qual o fundamento? Como será realizada? Como será agendada? Quais 
106 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
as fontes?
O modelo de um projeto de pesquisa deverá, de acordo com a Instituição, conter 
vários elementos que irão compor o modelo seguinte: introdução, justificativa, 
fundamentação teórica, metodologia, referências bibliográficas.
Ao escrever um projeto de pesquisa, o autor deve ser cuidadoso para garantir a 
impessoalidade, objetividade, clareza, precisão, coerência, concisão e simplicidade. 
Além disso, a linguagem deve ser objetiva e clara, evitando o plágio e a utilização 
de terminologia técnica excessiva. As fontes utilizadas na pesquisa deverão ser 
referenciadas e a descrição das bibliografias deverá obedecer às normas da ABNT. 
A relação do trabalho exige o domínio prático de todo um instrumental técnico 
que deve ser utilizado devidamente. Como em outros setores da metodologia, 
aqui também há muitas divergências nas orientações. As diretrizes que se seguem 
pretendem ser as mais práticas possíveis e visam atingir os trabalhos didáticos 
mais comum à vida universitária. São normas gerais que, no caso de trabalhos 
específicos, como as dissertações de mestrado e as teses de doutorado, precisam 
ser complementadas com as exigências que lhes são específicas. 
107INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
AUTOAVALIAÇÃO
Momento de parar e fazer uma análise sobre o que o 
estudante aprendeu durante a disciplina.
109INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
1- Justifique a relação existente entre senso comum e conhecimento científico.
2 - Selecione um tipo de pesquisa para o estudo de um dos seguintes temas:
- “Desafios do uso pedagógico dos novos recursos tecnológicos, tais como: o e-mail, 
o software didático, as bases de dados e as simulações digitais”.
- “A redefinição do papel do professor face às novas linguagens multimídia e virtuais”. 
3 – A partir do objetivo abaixo, classifique o tipo de pesquisa de acordo com a 
tipologia: pesquisa exploratória, pesquisa descritiva e pesquisa experimental.
“Identificar as prováveis causas para o sucesso escolar das crianças de famílias que 
vivem em comunidade com predominância da cultura alemã”.
4- Como se diferencia a pesquisa bibliográfica da pesquisa documental?
5- Que cuidados deverão ser tomados na realização de uma pesquisa bibliográfica? 
6- Caracterize em palavras-chave cada uma das pesquisas apresentadas no tema: 
pesquisa experimental, pesquisa Ex-Post-Facto, pesquisa com Survey, estudo de 
caso e levantamento.
7 - Justifique a cientificidade da pesquisa participante e da pesquisa ação.
8 - Apresente a importância da impessoalidade, objetividade, clareza, precisão, 
coerência, concisão e simplicidade paraa redação do projeto de pesquisa.
9 - Qual a relevância das normas da ABNT para a escrita do projeto de pesquisa?
10 – As questões éticas da pesquisa são importantes? Quais os encaminhamentos a 
serem seguidos?
BIBLIOGRAFIA
Indicação de livros e sites que foram usados para a 
constituição do material didático da disciplina
111INTA EAD Metodologia do Trabalho Científico
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução a Metodologia do Trabalho Científico. 
10ª Ed. São Paulo: Atlas, 2010.
DEMO, Pedro. Introdução à metodologia da Ciência. São Paulo: Atlas, 1987. 
DESCARTES, René. Discurso sobre o método. São Paulo: Hemus, 1978. 
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Editora: Paz e Terra, 1986.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Editora: Paz e Terra, 1987.
FREIRE, Paulo. Cartas à Guiné-Bissau: registros de uma experiência em 
 Processo. 2ª ed., Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1978. 
GADOTTI, Moacir.; FREIRE P.; GUIMARÃES, Sergio. Pedagogia: diálogo e conflito 
São Paulo: Editora Cortez, 1995.
GIL. A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002. 
GRESSLER, Lori Alice. Pesquisa educacional. São Paulo: Loyola, 1989.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia 
Científica. 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2010.
 LEHFELD, N. A. S.; Barros, A. J. P. B. Projeto de pesquisa: Propostas metodológicas. 
Petrópolis: Vozes, 1991. 
MALINOWSKI, B. 1 – Objetivo, método e alcance desta pesquisa. In: 
GUIMARÃES, A. Z. (org.). Desvendando as máscaras sociais. 2ª Ed. Rio de Janeiro: 
Livraria Francisco Alves Editora, s/d. 
MATOS, K. S. L.; VIEIRA, S. L. Pesquisa educacional: o prazer de conhecer. Fortaleza: 
Demócrito Rocha, 2001. 
MIGUEL, Emilio Sanches. Compreensão e Redação de Textos: Dificuldades e Ajudas. 
Porto Alegre: Artmed. 2002.
MINAYO, Maria Cecília de Sousa (Org.). Pesquisa social: Teoria, método e 
criatividade. Petrópolis: Vozes, 2001. 
MINAYO, Maria Cecília de Sousa. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa 
em saúde. Rio de Janeiro: UCITEC-ABRASCO, 1994. 
RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. Petrópolis: 
Vozes, 1978. 
SANTOS, Boaventura de Souza. Um discurso sobre as ciências. Porto: Afrontamento, 
1987. 
SERAFINI, Maria Teresa. Como escrever textos. São Paulo: Globo, 1997.
112 Metodologia do Trabalho Científico INTA EAD
SEVERINO, Joaquim Antonio. Metodologia do Trabalho Científico. Ed. 23ª. São 
Paulo: Editora Cortez, 2007
Bibliografia da Web
DUARTE, Rosália. Entrevista em pesquisas qualitativas. Disponível em : http://www.
ia.ufrrj.br/ppgea/conteudo/T25SF/Sandra/Entrevistas%20em%20pesquisas%20
qualitativas.pdf. Acessado em 16/05/2014.
JÚNIOR, Álvaro Francisco de Britto; JÚNIOR, Nazir Feres. A utilização da técnica da 
entrevista em trabalhos científicos. Disponível em: http://www.uniaraxa.edu.br/
ojs/index.php/evidencia/article/view/200/186. Acessado em 16/05/2014.
LISTON, Paulo Cezar; SILVA, Maria Ivone. A importância da disciplina da 
Metodologia Científica na elaboração do trabalho de conclusão de curso- 
TCC nos cursos de graduação. Disponível em http://www.fecra.edu.br/controle/
paginas-revista/ed1/a_importancia_da_disciplina_de_metodologia_cientifica_na_
elaboracao_do_trabalho_de_conclusao_de_curso__tcc_nos_cursos_de_graduacao.
pdf. Acessado em 17/05/2014.
PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani César. “Metodologia do Trabalho 
Científico: Métodos e Técnicas da Pesquisa e do Trabalho Acadêmico”. Disponível 
em:
http://books.google.com.br/books?id=zUDsAQAAQBAJ&pg=PA274&dq=metodo
logia+do+trabalho+cient%C3%ADfico&hl=pt-BR&sa=X&ei=I9N0U-izI6fNsAS3xI
DIBw&ved=0CFoQ6AEwAw#v=onepage&q=metodologia%20do%20trabalho%20
cient%C3%ADfico&f=false. Acessado em 17/05/2014.

Mais conteúdos dessa disciplina