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Apostila da Semana do Professor do AEE Nessa apostila vamos falar sobre o Único Caminho para a Inclusão Escolar e sobre Adaptação de Atividades para Alunos com Deficiência , na Educação Infantil, Fundamental I e II. Leandro Rodrigues Instituto Itard, 2020 Copyright Leandro Rodrigues, 2020 Copyright Instituto Itard, 2020 Todos os direitos reservados. Semana do Professor do AEE O único caminho para a inclusão escolar. RODRIGUES, Leandro Semana do Professor do AEE - O único caminho para a inclusão escolar / Leandro Rodrigues - 1 ed. Teresópolis : Instituto Itard, 2020. Palavras-chave: educação especial; educação inclusiva; adaptar atividades; dificuldade de aprendizagem. Esse apostila é parte do conteúdo da Semana do Professor do AEE, organizada pelo Instituto Itard. O conteúdo da apostila é aberto para estudos a todos que possam interessar, desde que resguardados os créditos ao autor. Para fins comerciais entrar em contato com o autor. Email: leandro@institutoitard.com.br 2 mailto:leandro@institutoitard.com.br Nesta apostila você ver: ● O Único Caminho para a Inclusão Escolar ● Como Identificar os Objetivos Educacionais adequados para seu aluno ● Estratégias avançadas de ensino 3 Introdução Seja bem vindo a essa apostila onde nós dois juntos vamos resolver de uma vez por todas o que é o maior problema de quem trabalha com alunos com deficiência ou severos transtornos de aprendizagem: fazer o aluno aprender todos os dias na escola O que estou falando é que vou te mostrar como você vai criar atividades adaptadas que atendam às necessidades específicas do seu aluno, independente da deficiência que ele tenha, porque vamos utilizar Aprendizagem Significativa para criar atividades baseadas em interesse. Talvez você já tenha ouvido falar que ... “é preciso criar atividades baseadas no interesse do aluno e que tenham significado para ele” … mas nunca tenha pensado que existe um caminho claro, um passo a passo para obter todas essas informações do aluno e usar isso nos seus planos de aula, no seu PEI, no PDI e nas atividades adaptadas. Hoje vou mostrar como você vai usar o que sabemos hoje sobre a mente humana para criar atividades impossíveis de serem ignoradas e fáceis de serem compreendidas, Aconteceu em 2019 Olha só, no ano passado (2019) abrimos nossa primeira turma do curso de adaptação de atividades, para professores de alunos com os mais variados diagnósticos: autismo, deficiência intelectual, síndromes raras… Como a Profª Neliane (veja o vídeo: https://youtu.be/kE6c9yfEzxQ ) que conseguiu encontrar um caminho para ensinar comunicação alternativa para seus alunos: um autista e um com paralisia cerebral, ambos não verbais. Agora ela já vê sinais de sucesso. 4 https://youtu.be/kE6c9yfEzxQ Ou como a Profª Janei (veja o vídeo: https://youtu.be/40rrqECrQs4 ), que entendeu que, mesmo que o diagnóstico mude, ou o diagnóstico seja assustador num primeiro momento, os comportamentos pré acadêmicos esperados para toda a criança são os mesmos, assim ela encontrou um caminho de desenvolvimento através da utilização correta do Inventário Portage. O maior problema Sabe, criar atividades adaptadas tende a ser demorado, ser confuso e com a falta de recursos das escolas é praticamente impossível imaginar que seu aluno com deficiência possa ter algum progresso. E mesmo que você tenha muitos recursos e tecnologias à disposição, a falta de segurança que se tem em não contar com uma equipe acolhedora, que troque experiências, que acredite no seu trabalho, faz realmente muita gente paralisar diante de um diagnóstico complexo. Como resolver essa situação Só que seguindo esse processo do qual nós já vamos falar, você irá: Primeiro, terá a sua disposição as melhores práticas pedagógicas para construir seus próprios recursos, com materiais simples, fáceis de usar, que você encontrará na própria escola. Segundo, você estará em um time de pessoas incríveis que querem ajudar de verdade, e Terceiro, o que é mais importante, tem a confiança de estar planejando aulas e atividades que realmente fazem o aluno aprender. 5 https://youtu.be/40rrqECrQs4 Quem é esse tal de Leandro? Bem, eu sou o Leandro Rodrigues e posso afirmar isso com toda a certeza porque já trabalho com educação inclusiva desde 2013, quando fundei o Instituto Itard, e desde então venho ajudando professores a fazer seus alunos, com os mais diversos diagnósticos, a terem ideias diferentes, utilizar estratégias diferentes e terem resultados excepcionais, usando essas informações que eu estou te passando. Para quem tiver interesse em títulos, segue o link do Lattes: http://lattes.cnpq.br/9831906946552946 Em 2019, abrimos a primeira turma do curso de adaptação de atividades e confirmamos que os professores que fizeram o curso tiveram resultados incríveis após aplicar corretamente os 3 passos do Único Caminho para a Inclusão Escolar. Onde a maioria está errando hoje Esqueça essa ideia de que você tem que começar a ensinar o aluno obrigatoriamente pelo currículo escolar. E também que é preciso usar sempre as mesmas atividades adaptadas que todos os outros professores usam. Em ambos os casos, tanto começar pelo currículo escolar, quanto usar as mesmas atividades adaptadas que deram certo para outros, você está fazendo com que seu aluno deixe de aprender exatamente o que ele precisa agora e você sabe disso. 6 Tanto que se você reparar a maioria dos professores tentam copiar atividades que deram muito certo para uma outra criança, mas que não tem o mesmo resultado com o seu aluno. Aqueles professores que insistem em ensinar apenas da mesma formao currículo escolar e não observam que o aluno ainda não está preparado para esse conteúdo ou esse método de ensino, acabam fazendo planos de aulas e atividades que não ajudam o aluno a aprender. É claro que isso faz com que um professor como você, perca tempo, perca a confiança do seu aluno e o pior, perca a oportunidade impagável de ver seu aluno aprender. Eu explico… Se você hoje tem vontade de fazer seu aluno com deficiência aprender todos os dias e não consegue fazer as atividades adaptadas adequadas para ele, pode apostar que seu aluno não irá aprender o quanto poderia e você poderá estar desperdiçando o potencial do seu aluno. Então, qual o grande segredo? Nós criamos atividades para pessoas… e independente de como essa pessoa é diferente de nós, pessoas continuam sendo pessoas. O nosso cérebro, que é a fonte de nossas decisões, das decisões de seus alunos, tem medos, receios, interesses, vontades, gostos e preferências. Talvez você já tenha ouvido falar nisso, mas ao parar para Identificar os Objetivos Educacionais Adequados para o Aluno, que é o nosso primeiro passo, podemos mapear muito mais além de meros aspectos do desenvolvimento. Assim, criamos um mapa que nos guiará através da personalidade do aluno, mostrando o que o emociona, o que o deixa feliz, triste, zangado, bem humorado, o que o deixa mais aberto para novos aprendizados. 7 É assim que, de posse desse mapa, iremos ao segundo passo: usaremos as Estratégias de Ensino mais avançadas para fazer o aluno não só aprender com gosto, mas não esquecer daquilo que aprendeu. Explico o porquê. Uma aprendizagem sem significado, sem emoção associada, é desinteressante e é rapidamente esquecida. O cérebro humano funciona assim. Por último, o terceiro passo: de posse das ferramentas inclusivas e muitas ideias de adaptações de atividades que apresentamos em nossa oficina de atividades, você irá a cada nova aula, causar um impacto emocional positivo no seu aluno, gerando um aprendizado prazeroso e duradouro. Ou seja, o método é: 1º IDENTIFICAR OS OBJETIVOS EDUCACIONAIS ADEQUADOS PARA MEU ALUNO 2º ESTRATÉGIAS AVANÇADAS DE ENSINO 3º USAR FERRAMENTAS INCLUSIVAS E MUITA CRIATIVIDADE Considero esse o único caminho para a inclusão escolar. Te dou certeza que, se uma criança não está aprendendo, existe uma falha em algumas dessas etapas: ou os objetivos educacionais estão errados para a criança, ou as estratégias usadas para ensinar são ineficientes, ou ainda, o formato físico das atividades e conteúdos que são apresentados são desinteressantes. 8 O problema do mercado educacional hoje É exatamente por isso que a maioria dos cursos caros de graduação e pós graduação não funcionam, porque repetem de maneira absurda que OU você precisa de muitos recursos para trabalhar, OU precisa de uma super equipe de especialistas para poder dar um primeiro passo. Agora, quando você usa os 3 passos que eu considero o Único Caminho para a Inclusão Escolar para criar atividade adaptadas, planos de aula ou mesmo o PDI do aluno: Você tem mais interesse e participação do aluno Você vê sinais de sucesso Você vê seu aluno aprendendo todos os dias. A grande notícia é que fazer isso é muito mais simples do que você imagina, você só precisa saber como trabalhar corretamente cada um desses passos e ter acesso às ferramentas e ideias que fazem essas atividades serem tão incríveis. Se você quiser minha ajuda para criar atividades impossíveis de serem ignoradas, de forma fácil e rápida, fazendo seu aluno ter interesse, alegria e gosto em aprender, aqui está como podemos ajudar. Como eu posso te ajudar No dia 13 de fevereiro de 2020 formamos uma nova turma do Curso de Adaptação de Atividades para Alunos com Deficiência, um treinamento completo de adaptação de atividades para alunos com algum transtorno de aprendizagem, autismo síndrome de down, deficiência intelectual e outros diagnósticos. Esse treinamento não é um produto. É uma pesquisa em andamento. A cada nova turma, temos a oportunidade de ouvir novos casos, intervir de maneiras nunca antes pensadas e ter resultados extraordinários. 9 Esse treinamento é o único que utiliza os 3 passos do Único Caminho para a Inclusão Escolar para criar atividades adequadas para cada aluno. Os profissionais que participaram desse treinamento são os que querem se diferenciar dos profissionais que acreditam que existem alunos que nunca irão aprender, ao mesmo tempo que te entrega as ferramentas certas para poder intervir sempre em qualquer situação. Assim que você acessar o Treinamento, você já encontra o módulo rápido, nele você aprende quais são e como usar as ferramentas de identificação dos objetivos educacionais adequados para seu aluno. No segundo módulo você domina as estratégias avançadas de ensino fundamentais para atração, empatia, vínculo, despertar emoções e dar significado para todas as atividades que você criar. E no terceiro módulo você aprende de uma vez por todas a utilizar da maneira mais criativa as ferramentas inclusivas e uma chuva de idéias de como transformar materiais simples, que você tem na escola, em atividades inesquecíveis. É aqui que você torna seus planos de aula infalíveis. Foram anos e milhares de reais em cursos (fora a especialização em educação), entrevistas (já entrevistei dezenas de professores de sucesso para entender suas técnicas), congressos (como em 2016, na UFSCAR), livros (tenho quase que uma biblioteca sobre educação especial e técnicas avançadas de ensino), treinamentos (como o treinamento de comunicação alternativa da Tobii, com a Profª Linnea, uma incrívelfonoaudióloga americana), foram mais de 10.000 reais investidos, tirando os custos de transporte e hospedagens. Tudo isso para trazer um método completo para você começar a criar atividades que irão atender as necessidades específicas do seu aluno e fazer com que ele aprenda todos os dias. 10 Já deu certo antes, vai dar certo agora Vamos fazer seu aluno aprender todos os dias como a professora Neliane, que está transformando a vida de seus 2 alunos não verbais, ensinando comunicação alternativa para eles, ou como a professora Janei que está ensinando habilidades pré-acadêmicas para seus alunos após identificar corretamente os objetivos educacionais adequados, ou ainda como a professora Emiliane, que ganhou a segurança de que precisava para atuar como psicopedagoga e fazer seus próprios atendimentos. Esses são alguns dos exemplos de que esse método dá certo. Confira outra histórias no vídeo: https://youtu.be/GCajA-vwkj0 São por esses e outros motivos que nosso curso de Adaptação de Atividades já é considerado mais valioso uma pós-graduação. Porque ao fazer esse treinamento você vai conseguir Identificar os Objetivos Educacionais adequados para qualquer aluno e escolher as estratégias de ensino que melhor atendem ao seu aluno, criando atividades adaptadas com muita criatividade, com as ferramentas certas, que fazem seu aluno aprender todos os dias, independente da deficiência dele e da escassez de recursos da sua escola. 11 https://youtu.be/GCajA-vwkj0 IDENTIFICANDO OS OBJETIVOS EDUCACIONAIS ADEQUADOS PARA SEU ALUNO Caro leitor, quero que esse livro digital realmente ajude sua prática diária, independente se você irá ou não participar de uma de nossas turmas (embora fica aqui meu convite, gostaria muito de trabalhar com você). Eu gosto de dividir os objetivos educacionais em Pré Acadêmicos Considere pré acadêmico tudo aqui que o aluno já deveria saber ao chegar na escola (considerando a idade do aluno). Por exemplo, esperamos que uma criança de 6 anos já saiba se comunicar de alguma forma (verbal ou alternativa). Quando isso não ocorre, existe atraso no desenvolvimento que não foi trabalhado por uma intervenção precoce adequada. Acadêmico Aqui fica o conteúdo que você está acostumado a ensinar a escola. O conteúdo do currículo escolar. O problema O grande problema é que o conteúdo acadêmico tem um pré requisito para ser compreendido: ele precisa do pré acadêmico. Às vezes recebemos um aluno que, à primeira vista, nos deixa intrigados. Com ou sem um diagnóstico em mãos, as perguntas do professor são sempre parecidas: O que esse aluno já sabe? O que ele não sabe? Por que ele não vai brincar com os outros? Por que ele está agindo dessa forma? Por que ele não fala corretamente? Como identificar o objetivo educacional adequado do meu aluno? O que devo ensinar agora? Por onde começar? 12 Você já fez alguma dessas perguntas? Mesmo que internamente? Pois é. Quem nunca? Mas antes de pôr a mão na massa, vamos conhecer rapidamente a história da ferramenta maravilhosa que temos aqui. Em 1969, nos Estados Unidos… O Portage surgiu nos Estados Unidos em 1969 para atender crianças de comunidades rurais de Wisconsin, com necessidades educacionais especiais e em idade pré-escolar. Este projeto foi desenvolvido devido a escassez de recursos em intervenção precoce a uma população com grande dificuldade de deslocamento do domicílio para instituições especializadas. Uma das características do Portage é o atendimento domiciliar, mas pode ser aplicado também em outros contextos, como creches, hospitais e escolas. Uma das vantagens do atendimento domiciliar é a parceria entre a família e os profissionais, criando um ambiente privilegiado de ensino onde os pais atuam ativamente na educação dos filhos. Neste sistema, cabe aos profissionais a capacitação dos pais, orientação e avaliação do processo ensino-aprendizagem, definindo metas a partir da necessidade da criança e da família (CAMERON, 1997). O Guia Portage de Educação Pré-escolar desenvolvido nos Estados Unidos, na cidade de Portage, Wisconsin, cujos autores originais foram Bluma, Shearer, Frohman & Hilliard, consiste em uma listagem de 580 comportamentos de crianças de 0 a 6 anos para as áreas de Desenvolvimento Motor, Linguagem, Cognição, Socialização, Autocuidados e uma área específica para bebês de 0-4 meses denominada de Estimulação Infantil (ou estimulação precoce). A família e seu contexto sociocultural e econômico são o recipiente em que as forças para o bem ou para o mal são transformadas em padrões de desenvolvimento para crianças de alto risco e deficientes nos primeiros anos de vida. As evidências de toda uma geração de pesquisa demonstram que a qualidade do comportamento dos pais, 13 cuidadores e professores faz a diferença no desenvolvimento de bebês e crianças pequenas. Samuel J. Meisels Samuel J. Meisels é especialista em avaliação da primeira infância e desenvolvimento infantil. Ele é o diretor executivo fundador do Buffett Early Childhood Institute da Universidade de Nebraska, presidente emérito do Erikson Institute e professor e cientista emérito da Universidade de Michigan. Brasileiros em cena Em 1983, aqui no Brasil, a tese de Doutorado da professora Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams, atualmente professora no departamento de psicologia na UFSCar, realizou um estudo experimental para demonstrar que mães de crianças com deficiência poderiam ser orientadas em treino domiciliar, de forma a acelerar o desenvolvimento dos filhos. O estudo deu certo. Eis aí mais uma prova irrefutável de que pessoas comuns (sem formatação na área) podem fazer coisas incríveis com aorientação correta. Posteriormente, esse estudo se tornou o livro Manual do Inventário Portage Operacionalizado , cuja compra e leitura eu recomendo. O Portage é muito utilizado em todo o mundo, inclusive por algumas secretarias de educação aqui no Brasil, mas não todas. Infelizmente nos cursos de licenciatura e pedagogia ele não está no currículo (pelo menos na maioria). Faça o download da escala portage e imprima para acompanhar essa apostila. O material está disponível no site do Instituto Itard gratuitamente.. 14 As áreas de desenvolvimento do Portage A escala original do Portage passou por tradução, por uma adaptação à realidade brasileira e a modificação de alguns itens. A adaptação consta de mais de 500 itens divididos em 5 áreas principais do desenvolvimento. São elas: Sociabilização: envolve o viver e o interagir com outras pessoas. Linguagem: o comportamento verbal e o comportamento expressivo. Compreensão e Emissão. Cuidados Próprios ou Autocuidados: comportamentos que envolvem o viver mais participante e independência em alimentar-se, vestir-se, banhar-se e etc. Cognição: começar com a consciência de si e do meio e depois a aquisição de conceitos e a relação entre eles. Estabelecimento de relações de semelhanças e diferenças. Psicomotora: comportamentos que envolvem habilidade de coordenação geral e específicas do corpo. Se uma criança, de qualquer idade, alcança bom desenvolvimento nessas cinco áreas, ela então estará naturalmente apta para seguir em frente com o currículo escolar. É importante entender que o professor não deve restringir-se apenas aos objetivos do Portage. Deve haver dinamismo para trabalhar as dificuldades que forem surgindo. Quem pode aplicar em quem? O Portage pode ser usado com a criança cujo desenvolvimento é normal até a faixa de 06 anos, podendo ser utilizadas em berçários; creches; programas de pré escola; e com crianças mais velhas onde há suspeita de atraso de desenvolvimento. Pode ser aplicado por pais, professores e demais profissionais interessados. Na verdade, um novo perfil de profissional está surgindo nas escolas: 15 aqueles que acreditam nos pais como parceiros verdadeiros e ajudam-os no cumprimento do seu papel como promotores do desenvolvimento de seu filho. Não basta realizarmos um trabalho excelente na escola e a família não corresponder. Se você trabalha em creches ou pré-escola: Se o seu aluno tem até 6 anos, ótimo. Siga em frente com o Portage e descubra maneiras de estimular esse aluno a se desenvolver dentro da faixa etária que ele se encontra. Use o Portage para identificar possíveis atrasos no desenvolvimento mesmo assim. Use o Portage como guia de criação de atividades correspondentes para a faixa etária. Se você trabalha com crianças mais velhas onde há suspeita de atraso de desenvolvimento: Não há nada mais frustrante do que receber um aluno em determinado ano que não domina os conteúdos acadêmicos do ano anterior, mas isso acontece o tempo todo no Brasil. Professores do AEE têm de adaptar conteúdos para alunos no 9º ano que ainda não estão alfabetizados. Professores de disciplinas específicas não veem chance dos seus conteúdos serem ensinados para alguém que não está alfabetizado. Será que existem casos onde a alfabetização realmente não é possível, ou algo que deveria ter sido feito a alguns anos atrás não foi realizado? Você pode me dizer, mas e... … se ele tivesse intervenção precoce quando era bebê … se ele tivesse acompanhamento com fono … se ele tivesse acompanhamento com neuropediatra … se ele tivesse acompanhamento com psicólogo especialista em ABA … se ele tivesse acompanhamento com terapeuta ocupacional … se ele tivesse isso tudo e muitas outras coisas, poderia ter sido diferente. Mas estamos aqui discutindo o que é possível fazer hoje, com os recursos que temos. 16 Você tem um dilema nas mãos: seguir em frente do jeito que está ou voltar e tentar corrigir. Não posso escolher por você, afinal cada caso é um caso. Mas se você acredita que seu aluno realmente pode aprender coisas que já deveria ter aprendido, sugiro que comece do começo: aplique o portage para verificar se existe atraso no desenvolvimento (independente da idade). Veja, por exemplo, alguns dos comportamentos esperados para crianças de até um ano de idade: - Brinca sozinho por 10 minutos. - Bate palmas, imitando um adulto. - Manipula brinquedo ou objeto. Você pode se perguntar: mas meu aluno com nove anos não brinca sozinho por 10 minutos. Essa é a questão. Antes de tentar ensinar o alfabeto, ou as cores para seu aluno, se ele não consegue brincar sozinho por 10 minutos, é importante desenvolver essa habilidade, caso contrário você estará, como dizia meu avô: “colocando a carroça na frente dos bois”. Esses comportamentos fazem parte da categoria de desenvolvimento social e existe explicação científica para eles serem importantes, mas não vamos entrar nesse detalhe. A questão é que o comportamento de brincar sozinho por 10 minutos é o esperado para crianças de até um ano de idade e, por consequência, as crianças mais velhas devem ter a habilidade de se comportar dessa forma também. Óbvio que, se meu aluno tem comprometimento motor, não consegue segurar um objeto ou se mover pela sala, isso dificulta muito o “brincar sozinho”, mas não o impossibilita, existem brinquedos eletrônicos de mesa, uma adaptação inclusiva para quem possui limitações físicas. Da mesma forma, os comportamentos das demais áreas devem ser entendidos levando em consideração a realidade da criança. Observe esses três comportamentos da área de linguagem, comuns na idade de um a dois anos: - Nomeia5 membros da família, incluindo animais. 17 - Diz 5 palavras diferentes. - Produz sons de animais, ou os nomeia pelo som. Uma criança aos dois anos, normalmente, nomeia até cinco membros da sua família (ex: mamãe, papai, vovó, vovô e tia). Se a criança possui comprometimento para falar, por exemplo uma paralisia cerebral, esse comportamento deverá ser estimulado utilizando comunicação alternativa, já que a fala será impossível, como foi provavelmente comprovado por médicos e exames. Mas se e a criança não fala por causa desconhecida ou porque é autista? Esse comportamento deve ser estimulado também. A comunicação alternativa é sempre bem-vinda. Sobre a parceria com famílias O contato da família e da criança com o Portage é benéfico para todos. Às vezes nos deparamos com uma família também carente de informações, de direção e cuidados. Com o Portage pode-se oferecer atenção à família como um todo, auxiliando-os no crescimento e desenvolvimento globais. Importante também ressaltar a necessidade de uma visão ampla, espírito crítico e muita paciência e respeito para se trabalhar com famílias. Cada um tem a sua história e o seu tempo, principalmente quando estamos falando de intervenção com famílias especiais, mas que esta seja o mais precoce possível. Antes de começar a aplicar Planejamento! Essa palavrinha mágica é muito importante. Leia e releia o todos os comportamentos que constam na escala portage para poder assimilar bem. Imagine-se aplicando cada um dos comportamentos com seu aluno com deficiência ou dificuldade de aprendizado, os materiais que você vai utilizar, o tempo que você vai gastar, as eventuais adaptações que você precisará fazer. 18 Na verdade, o tempo e o local onde você vai aplicar o Portage é muito importante. Manzini disse: Há fatores biológicos e fatores ambientais que podem interferir na estratégia pedagógica. Por exemplo, o cansaço do aluno ou do professor, a não aceitação do aluno em realizar atividade, o nível de complexidade da atividade (podendo ser de fácil realização, causando desmotivação ou pelo contrário, de difícil realização, causando frustração), sono, reações adversas de um provável remédio que o aluno faz uso, além de lugares com muita interferência sonora. - MANZINI, 2010. O professor Manzini está certo! Caso seu aluno tenha problemas com barulho, você precisará de um local silencioso. Observe seu aluno, descubra os horários em que ele está mais motivado. Tudo pode influenciar. Você precisará fazer adaptações. Os próprios autores do Portage revelaram que os comportamentos listados são os esperados para uma criança com desenvolvimento “normal”, mas nem mesmo as crianças com desenvolvimento “normal” atingem todos os comportamentos na ordem proposta. Seja flexível. Se seu aluno possui desafios visuais, você terá de fazer adaptações sensoriais. Se seu aluno possui desafios auditivos, você precisará fazer adaptações na comunicação, no caso de desafios intelectuais, deverá diminuir o nível de abstração, e por aí vai. Abaixo, separei uma listinha muito simples para você ter algumas ideias de adaptações de acordo com as características do seu aluno. Preenchendo a escala Portage A escala original passou por tradução, por uma adaptação à realidade brasileira e a modificação de alguns itens. O inventário não pretende ser um livro de receitas, mas sim um sistema de apoio ao professor, para ajudá-lo de forma organizada a descobrir: 19 1º - O que a criança já aprendeu 2º - Apresentar alternativas do que ensinar a seguir A escala pode ser usada com a criança cujo desenvolvimento é normal até a faixa de 06 anos, podendo ser utilizadas em: berçários; creches; programas de pré escola; e com crianças mais velhas onde há suspeita de atraso de desenvolvimento . Feito o planejamento e as eventuais adaptações, é hora de começar. Para começar a preencher você primeiramente despreza as divisões por idade e começa a preencher de acordo com a realidade do seu aluno, a partir do 0 ano, até o final (6 anos). Independente da idade do seu aluno. Não estamos preocupados com idade agora, mas sim em saber o que seu aluno já consegue fazer. Preencha a escala Portage que você baixou utilizando a seguinte legenda: S , para sim, quando o aluno consegue fazer o comportamento N , para não, quando o aluno não consegue fazer o comportamento AV , para “às vezes”, quando o aluno hora faz e hora não faz o comportamento. Obs.: você pode utilizar ajuda motora, incentivo verbal, reforçador positivo, mas tudo deve ser registrado para que você possa acompanhar a evolução do aluno quando for retirando esses elementos. Após preencher a escala Portage Terminado de preencher toda a escala Portage, desde a idade 0 até a 6 anos, agora chegou o momento de contar os pontos. Cada legenda possui uma pontuação conforme a tabela: Tabela de pontos Portage 20 Os S valem 1 ponto; Os AV valem 0,5 pontos; Os N valem 0 pontos. A contagem dos pontos deve ser feita separada para cada área, em cada faixa etária correspondente. Para fazer a contagem, preparei uma tabela de Excel que vai calcular automaticamente o final, entregando assim a “idade de desenvolvimento” do seu aluno em anos e um gráfico para você fazer comparações do desenvolvimento ao longo do tempo. Baixe a tabela em Excel de cálculo do Portage no material complementar da aula, na plataforma EAD. Você precisará usar um computador para com excel para abrir a tabela. Colocando os resultados na tabela de cálculo A tabela de cálculo que você baixou no site tem a seguinte aparência: Primeiro coloque a idade atual do aluno no campo de idade, conforme a imagemabaixo: 21 Ampliei a imagem para você ver melhor onde colocar a idade atual do seu aluno. No exemplo acima assumimos que meu aluno tem 8 anos, ou seja, ele deve teoricamente ser capaz de realizar todos os comportamentos do inventário Portage. Você deve colocar o total de pontos de cada área do desenvolvimento, para cada faixa etária separadamente. Por exemplo, se meu aluno área de Socialização, na faixa etária de 0 a 1 ano, fez 23 pontos e meio, vou colocar na tabela o valor de 23,5 conforme abaixo: Lembrando que 23,5 pontos querem dizer que, dos 28 comportamentos esperados para a faixa etária entre 0 e 1 ano, da área de Socialização, meu aluno fez 23 comportamentos corretamente (cada “sim” é um ponto), e um 22 comportamento ele faz às vezes (“às vezes” é meio ponto), totalizando os 23,5 pontos. Termine de preencher a tabela para todas as áreas e faixas etárias. No exemplo abaixo terminei de preencher a tabela de um aluno fictício com 8 anos de idade Repare a “idade resultado” de cada área de desenvolvimento. No exemplo, em Socialização meu aluno alcançou 2 anos, já em desenvolvimento Motor, alcançou 4 anos (lembre-se que o resultado máximo será sempre 6 anos, independente da idade do aluno). Depois de preencher tudo, logo abaixo da tabela você terá um gráfico mostrando os comportamentos que seu aluno já alcançou e o quanto falta para você trabalhar com ele: 23 Observe no gráfico: as colunas coloridas indicam a idade nas áreas de desenvolvimento que meu aluno exemplo alcançou, na coluna transparente os comportamentos que ele deveria realizar para a idade dele (como ele tem 8 anos, deveria em tese realizar todos os comportamentos esperados para crianças de 6 anos). Nessa situação exemplo do gráfico acima, podemos verificar que meu aluno possui mais atraso no desenvolvimento da socialização, linguagem e cognição. Talvez desenvolvendo melhor a linguagem, você consiga um desempenho melhor na socialização e a cognição também. Claro, esse é um caso hipotético. Imprima os resultados para arquivar na pasta do seu aluno. Você pode fazer essa avaliação a cada semestre, por exemplo, assim terá gráficos para comparar a evolução. Esse é ou não é um excelente ponto de partida? Fazendo isso, você irá trabalhar com seu aluno o desenvolvimento de comportamentos que ele realmente precisa aprender, na ordem correta, com uma pauta organizada, sabendo exatamente o que fazer em seguida. Além disso, poderá imprimir a tabela de cálculos e o gráfico do aluno para anexar ao relatório individual. Seu trabalho ficará super organizado e 24 padronizado para outra pessoa poder continuar de onde você parou, se for necessário. A apresentação de várias possibilidades de registros sistemáticos dos resultados das avaliações e intervenções, ainda que pareçam "dificultar" o processo, se mostram, no uso cotidiano, como indispensáveis para a visualização dos avanços de desenvolvimento da criança que motivam a continuidade das intervenções contaminando todos os envolvidos (WILLIANS, 2018) Não se esqueça de comemorar sempre cada vitória. Cada comportamento novo adquirido é um sucesso. Selecione pelo menos dois comportamentos de cada área do desenvolvimento para trabalhar com seu aluno. Isso pode ser utilizado para elaborar o plano de desenvolvimento individual, o PDI. Bom, o Portage é um excelente ponto de partida para identificar objetivos educacionais adequados. Caso seu aluno tenha problemas de comunicação, precisamos nos aprofundar em Comunicação Alternativa, assunto que trato no curso de Adaptação de Atividades em detalhes e tem dado excelentes resultados. 25 ESTRATÉGIAS AVANÇADAS DE ENSINO Você já teve um professor de quem não gostava? Não simpatizava? É possível associar a empatia e a emoção às suas aulas e atividades, aumentando em muito a probabilidade de atenção e foco no que você quer ensinar. Na verdade existem dezenas de estratégias de ensino e a cada dia, surgem novas. Em nosso curso de adaptação de atividades abordamos hoje várias dessas estratégias, mas hoje quero te mostrar as que considero mais importante e que podem trazer resultados imediatos para seus alunos, tanto da educação infantil, quanto do Ensino Fundamental I, II e Ensino Médio. Quem é a pessoa mais importante do mundo? Quando vê tira uma foto em grupo com o seu celular e vira para ver se a foto ficou boa, qual a primeira pessoa do grupo que você olha? Você deve ter respondido: - eu mesmo! Exatamente. Isso não quer dizer que somos egoístas e narcisistas, não é isso, mas temos um comportamento em comum, quase que um instinto primitivo de sobrevivência, de colocar-nos no topo das prioridades sempre. Você sabia? A New York Telephone Company realizou um detalhado estudo das conversas telefônicas para saber qual a palavra mais frequentemente usada. Veja se imagina isto: foi o pronome pessoal “Eu”. Foi usado 3.990 vezes em 500 conversas telefônicas. “Eu” “Eu” “Eu”. As pessoas, geralmente, não estão interessadas em você nem estão interessadas em mim. Estão interessadas nelas mesmas, pela manhã, ao meio-dia e depois do jantar. Mas saber disso te coloca em vantagem, pois você pode utilizar o interesse das pessoas para 26 ganhá-las. Você pode utilizar o interesse que seu aluno tem nele mesmo para ganhá-lo. Alguns podem chamar isso de manipulação. Eu chamo de respeito ao outro. Imagine uma pessoa que nunca se mostra disposta a ouvir alguém por muito tempo, ou que fale incessantemente sobre ela mesma. Uma pessoa que quando tem uma ideia enquanto vocêestá falando não espera você terminar, pois ela se acha mais interessante que você, ela te interrompe enquanto você fala, pois ela acredita que o assunto que ela tem a dizer é mais interessante e importante que o seu. Conhece alguém assim? Queremos o melhor para nosso aluno e sabemos que ele precisa do conteúdo que nós temos para ensiná-lo. Nada mais justo então que usar de todos os artifícios possíveis para que ele de fato aprenda. Não critique, não condene, não se queixe. Não há meio mais capaz de matar as ambições de um aluno do que a crítica de sua professora. Nunca critique. Acredite no incentivo para alcançar seus objetivos. Esteja sempre pronto para elogiar e aprovar. B. F. Skinner, o mundialmente famoso psicólogo, pai da Análise do Comportamento, através de seus experimentos, demonstrou que um animal que é recompensado por bom comportamento aprenderá com maior rapidez e reterá o conteúdo aprendido com maior habilidade do que um animal que é castigado por mau comportamento. Estudos recentes mostram que o mesmo se aplica ao homem. Através da crítica não operamos mudanças duradouras e consequentemente ocorre o ressentimento. Hans Selye, outro notável psicólogo, afirmou: “Com a mesma intensidade da sede que nós temos de aprovação, tememos a condenação”. O ressentimento que as críticas geram podem desmoralizar os alunos, família e os amigos, e ainda assim não melhorar a situação que tem-se condenado. Antes de criticar pense: “será que essa crítica irá mesmo ajudar em algo?”. 27 Ao invés de criticar, ouça o que seu aluno tem a dizer. Tente descobrir “o porquê” daquele comportamento inadequado, o que o levou a fazer isso, o que aconteceu no seu dia para que ele se comportasse assim. Você pode descobrir coisas que jamais imaginou. Elogie: aprecie honesta e sinceramente. Uma das virtudes mais negligenciadas no nosso dia a dia é a valorização. Qual a última vez que você foi valorizado no trabalho ou pelos seus familiares? O único processo pelo qual posso conseguir que você faça alguma coisa é dando-lhe o que você quer. Que quer você? Sigmund Freud disse que tudo em você e em mim emana de dois motivos: a necessidade sexual e o desejo de ser grande. John Dewey, o mais profundo dos filósofos da América, opina um pouco diferentemente. Diz que a mais profunda das solicitações na natureza humana é “o desejo de ser importante”. Não há uma forma mais eficaz de matar as ambições e sonhos de seu aluno do que a crítica de seus professores ou pais. Tente nunca criticar quem quer que seja. Acredite no incentivo que se dá a uma criança para estudar. Assim, esteja sempre ansioso para elogiar, mas com um pé atrás para descobrir erros e faltas. Se você gostar de alguma coisa em seu aluno, seja sincero na aprovação e elogie com entusiasmo. A jornada do seu aluno É interessante quando paramos para analisar os pensamentos que podem rondar a cabeça de nossos alunos desde o primeiro dia de aula. Cada um deve pensar coisas diferentes, tais como “porque eu não posso ficar em casa hoje?”, ou ainda “minha mãe não gosta mais de mim”, ou então “para que eu devo estudar? Prefiro ficar vendo TV”. Independente do que eles pensam, todos seguem uma mesma jornada em relação a você, o professor. É o seguinte: 28 1º - Me conheça 2º - Goste de mim 3º - Confie em mim 4º - Aprenda comigo Seu aluno primeiro te conhece, para depois vir a gostar de você, quem sabe então confiar em você, para por fim aprender alguma coisa do que você ensina. É impossível um aluno aprender algo de quem ele não confie, como também é improvável confiarmos em quem não gostamos, ou mais incomum ainda gostarmos de quem não conhecemos. Eu acredito que seu aluno já te conhece. O fato é, será que ele gosta de você? Aplique os princípios que vimos acima e você estará caminhando nessa direção: logo logo seu aluno não só gostará de você, como também confiará em você. Agora precisamos entender as melhores estratégias para ensinar nosso aluno. Quando você estiver exercitando sua empatia de cada dia com o seu aluno, identificará inevitavelmente algumas emoções que seu aluno sente. Sabia que é possível usar essas emoções para melhorar a memória do seu aluno em relação ao conteúdo que você ensinou? Veremos a seguir. 29 Aprendizagem Significativa Você já aprendeu algo que não sabia para que servia? Difícil lembrar? Isso porque esquecemos as coisas que não tem relevância para nós. Aprenda a tornar o conteúdo ensinado significativo e relevante para seu aluno. “Se há algum segredo de sucesso, ele consiste na habilidade de aprender o ponto de vista da outra pessoa e ver as coisas tão bem pelo ângulo dela como pelo seu”. (CARNEGIE, 1936) Caro aluno, chegamos a um ponto chave em nosso livro. Acredito que a esta altura você já tenha identificado os objetivos educacionais do seu aluno, tenha ele atraso no desenvolvimento, problemas de comunicação, ou realmente dificuldades em entender o conteúdo do currículo, seja na educação infantil, no fundamental ou ensino médio. Em outras palavras, só podemos definir COMO vamos ensinar, depois de resolvermos O QUE vamos ensinar e QUE objetivos, dentro dessa área, são adequados para o aluno, considerando as especificidades dele. Um dos pensadores brasileiros mais notáveis e preocupados no “COMO vamos ensinar”, foi Rubem Alves. “Estou pensando há um tempo em propor um novo tipo de professor: é um professor que não ensina nada. O objetivo da educação não é ensinar coisas, porqueas coisas já estão na internet, estão nos livros e estão por todos os lugares”, diz Rubem Alves. O professor deve ensinar a pensar, criar na criança essa curiosidade. Quantas vezes você já ouviu isto: “Se ele não compreende, não faz mal; compreenderá depois”. Há muito pouco “depois” para o aluno que não compreende alguma coisa, porque a aprendizagem sem significação é rapidamente esquecida. Em nosso curso de adaptação de atividades abordamos profundamente como você consegue encontrar, de maneira fácil, o que tem ou não significado para seu aluno. Esse é um assunto que prefiro passar para você 30 em nossas aulas, por isso aqui vou falar de uma outra estratégia: a transferência. A transferência pode ser positiva ou negativa. Transferência Positiva Segundo Ausubel, podemos dizer que o processo ideal ocorre quando uma nova ideia se relaciona aos conhecimentos prévios do indivíduo. Motivado por uma situação que faça sentido, proposta pelo professor, o aluno amplia, avalia, atualiza e reconfigura a informação anterior, transformando-a em nova. Quanto mais similares as aprendizagens, mais podemos transferi-las de uma para outra. Para desenvolver essa transferência, ensinamos a nova, chamando a atenção para a similaridade existente entre essa e a já aprendida. 31 Se desejamos que uma pessoa com habilidade para ensinar crianças de jardim de infância transfira essa habilidade para estudantes universitários, salientaremos que os últimos lembrarão melhor se observados os princípios da aprendizagem significativa, que funcionaram tão bem com os alunos do jardim de infância. Se desejamos que um violinista aprenda a tocar violoncelo, desenvolveremos a transferência da habilidade musical, enfatizando os pontos em que os dois instrumentos são semelhantes. Se um estudante conhecer a base decimal, desenvolveremos a transferência para base binária, enfatizando a similaridade com a aprendizagem anterior de conceitos de valores locais. Sempre que a transferência da aprendizagem anterior para outra aprendizagem ajuda a nova aprendizagem, chamamos isso de transferência positiva. Esse fator auxilia a retenção da nova aprendizagem. Transferência e Generalização Transferência positiva é um fundamento importante em que se apoiam todos os currículos novos, e que enfatiza o ensino de generalizações mais do que o de fatos. Geralmente, aprender um fato não ajudará você a aprender outro ou dele lembrar-se. As generalizações são importantes por sua ampla aplicabilidade. Consequentemente, você pode fazer muitas transferências positivas de alguma generalização. Transferência Negativa Porém, e quando essa informação anterior nem sempre está associada a uma emoção agradável ou a um conteúdo útil? Lembrar-se de onde ficam suas roupas nas gavetas de seu guarda roupas antigo não irão ajudar você a memorizar onde ficam suas roupas no seu novo guarda roupas. Ou ainda, experiências infelizes nas aulas de matemática ou língua estrangeira fazem com que adultos hoje não consigam 32 fazer uma conta sem uma calculadora, ou ainda não consigam pronunciar palavras simples em inglês que fazem parte do seu cotidiano, como: software, networking ou cheeseburguer. Sempre que a lembrança de uma aprendizagem interfere em outra, chamamos isso de Transferência Negativa. Para evitar essa indesejável interferência, tornamos certas aprendizagens tão diferentes quanto possível. Quanto mais semelhantes as coisas, mais fazemos transferência de uma para outra. Se desejamos transferência positiva, ensinamos coisas ao mesmo tempo, enfatizando as semelhanças. Se desejamos EVITAR transferência negativa, não ensinamos certas coisas ao mesmo tempo e enfatizamos as diferenças. Bom, chegamos ao final da nossa apostila. Espero de verdade e esse conteúdo possa ajudar você a fazer seu aluno aprender todos os dias. Abraços Inclusivos Leandro Rodrigues Referências ARAÚJO, Rosângela Martins de Araújo - Intervenção em uma criança com autismo utilizando o inventário Portage - V Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial, p. 1806-1815 - Londrina - PR. 2009. AUSUBEL, David. Psicologia Educacional, Ed. Interamericana. 1980. BAILEY, D.B, Evaluating the effectiveness of curriculum alternatives for infants and 33 preschoolers at high risk. In: M.J. Guralnick (Ed.), The effectiveness of early intervention (pp. 227-247). Baltimore: Paul H. Brookes, 1997. CAMERON, R. J. Early intervention for young children with developmental delay: The Portage approach. Child care health develop. vol. 23. n.1. p. 11 – 27, 1997. CARNEGIE, Dale. 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