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Apostila  
da Semana do Professor do AEE  
 
 
Nessa apostila vamos falar sobre o Único Caminho para a  
Inclusão Escolar e sobre Adaptação de Atividades para Alunos  
com Deficiência , na Educação Infantil, Fundamental I e II.  
 
 
 
 
 
 
Leandro Rodrigues  
 
Instituto Itard, 2020  
 
 
 
Copyright Leandro Rodrigues, 2020  
Copyright Instituto Itard, 2020  
Todos os direitos reservados.  
 
 
 
 
 
Semana do Professor do AEE  
O único caminho para a inclusão escolar.  
 
 
 
 
 
 
RODRIGUES, Leandro  
 Semana do Professor do AEE - O único caminho para a inclusão escolar / Leandro                                
Rodrigues - 1 ed. Teresópolis : Instituto Itard, 2020.  
 
Palavras-chave: educação especial; educação inclusiva; adaptar atividades; dificuldade de                  
aprendizagem.  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esse apostila é parte do conteúdo da Semana do Professor do AEE, organizada pelo                            
Instituto Itard. O conteúdo da apostila é aberto para estudos a todos que possam                            
interessar, desde que resguardados os créditos ao autor. Para fins comerciais entrar em                          
contato com o autor. Email: leandro@institutoitard.com.br  
 
 
 
 
2  
mailto:leandro@institutoitard.com.br
Nesta apostila você ver:  
 
● O Único Caminho para a Inclusão Escolar  
● Como Identificar os Objetivos Educacionais adequados para seu aluno   
● Estratégias avançadas de ensino  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3  
Introdução  
Seja bem vindo a essa apostila onde nós dois juntos vamos resolver de uma                            
vez por todas o que é o maior problema de quem trabalha com alunos com                              
deficiência ou severos transtornos de aprendizagem: fazer o aluno                  
aprender todos os dias na escola  
O que estou falando é que vou te mostrar como você vai criar atividades                            
adaptadas que atendam às necessidades específicas do seu aluno,                  
independente da deficiência que ele tenha, porque vamos utilizar                  
Aprendizagem Significativa para criar atividades baseadas em interesse.  
Talvez você já tenha ouvido falar que ...  
“é preciso criar atividades baseadas no interesse do aluno e que                      
tenham significado para ele”  
… mas nunca tenha pensado que existe um caminho claro, um passo a                          
passo para obter todas essas informações do aluno e usar isso nos seus                          
planos de aula, no seu PEI, no PDI e nas atividades adaptadas.  
Hoje vou mostrar como você vai usar o que sabemos hoje sobre a mente                            
humana para criar atividades impossíveis de serem ignoradas e fáceis de                      
serem compreendidas,   
 
Aconteceu em 2019  
Olha só, no ano passado (2019) abrimos nossa primeira turma do curso de                          
adaptação de atividades, para professores de alunos com os mais variados                      
diagnósticos: autismo, deficiência intelectual, síndromes raras…  
Como a Profª Neliane (veja o vídeo: https://youtu.be/kE6c9yfEzxQ ) que                  
conseguiu encontrar um caminho para ensinar comunicação alternativa para                  
seus alunos: um autista e um com paralisia cerebral, ambos não verbais.                        
Agora ela já vê sinais de sucesso.  
 
4  
https://youtu.be/kE6c9yfEzxQ
Ou como a Profª Janei (veja o vídeo: https://youtu.be/40rrqECrQs4 ), que                    
entendeu que, mesmo que o diagnóstico mude, ou o diagnóstico seja                      
assustador num primeiro momento, os comportamentos pré acadêmicos                
esperados para toda a criança são os mesmos, assim ela encontrou um                        
caminho de desenvolvimento através da utilização correta do Inventário                  
Portage.  
 
O maior problema  
Sabe, criar atividades adaptadas tende a ser demorado, ser confuso e com                        
a falta de recursos das escolas é praticamente impossível imaginar que seu                        
aluno com deficiência possa ter algum progresso.  
E mesmo que você tenha muitos recursos e tecnologias à disposição, a falta                          
de segurança que se tem em não contar com uma equipe acolhedora, que                          
troque experiências, que acredite no seu trabalho, faz realmente muita gente                      
paralisar diante de um diagnóstico complexo.  
 
Como resolver essa situação  
Só que seguindo esse processo do qual nós já vamos falar, você irá:  
Primeiro, terá a sua disposição as melhores práticas pedagógicas para                    
construir seus próprios recursos, com materiais simples, fáceis de usar, que                      
você encontrará na própria escola.  
Segundo, você estará em um time de pessoas incríveis que querem ajudar                        
de verdade, e   
Terceiro, o que é mais importante, tem a confiança de estar planejando                        
aulas e atividades que realmente fazem o aluno aprender.  
 
5  
https://youtu.be/40rrqECrQs4
 
Quem é esse tal de Leandro?  
Bem, eu sou o Leandro Rodrigues e posso afirmar isso com toda a certeza                            
porque já trabalho com educação inclusiva desde 2013, quando fundei o                      
Instituto Itard, e desde então venho ajudando professores a fazer seus                      
alunos, com os mais diversos diagnósticos, a terem ideias diferentes, utilizar                      
estratégias diferentes e terem resultados excepcionais, usando essas                
informações que eu estou te passando.  
 
 
Para quem tiver interesse em títulos, segue o link do Lattes:                      
http://lattes.cnpq.br/9831906946552946  
 
Em 2019, abrimos a primeira turma do curso de adaptação de atividades e                          
confirmamos que os professores que fizeram o curso tiveram resultados                    
incríveis após aplicar corretamente os 3 passos do Único Caminho para a                        
Inclusão Escolar.  
 
Onde a maioria está errando hoje  
Esqueça essa ideia de que você tem que começar a ensinar o aluno                          
obrigatoriamente pelo currículo escolar. E também que é preciso usar                    
sempre as mesmas atividades adaptadas que todos os outros professores                    
usam.  
Em ambos os casos, tanto começar pelo currículo escolar, quanto usar as                        
mesmas atividades adaptadas que deram certo para outros, você está                    
fazendo com que seu aluno deixe de aprender exatamente o que ele precisa                          
agora e você sabe disso.  
 
6  
Tanto que se você reparar a maioria dos professores tentam copiar                      
atividades que deram muito certo para uma outra criança, mas que não tem                          
o mesmo resultado com o seu aluno.  
Aqueles professores que insistem em ensinar apenas da mesma formao                      
currículo escolar e não observam que o aluno ainda não está preparado para                          
esse conteúdo ou esse método de ensino, acabam fazendo planos de aulas                        
e atividades que não ajudam o aluno a aprender.  
É claro que isso faz com que um professor como você, perca tempo, perca                            
a confiança do seu aluno e o pior, perca a oportunidade impagável de ver                            
seu aluno aprender.  
Eu explico… Se você hoje tem vontade de fazer seu aluno com deficiência                          
aprender todos os dias e não consegue fazer as atividades adaptadas                      
adequadas para ele, pode apostar que seu aluno não irá aprender o quanto                          
poderia e você poderá estar desperdiçando o potencial do seu aluno.  
 
Então, qual o grande segredo?  
Nós criamos atividades para pessoas… e independente de como essa                    
pessoa é diferente de nós, pessoas continuam sendo pessoas.  
O nosso cérebro, que é a fonte de nossas decisões, das decisões de seus                            
alunos, tem medos, receios, interesses, vontades, gostos e preferências.  
Talvez você já tenha ouvido falar nisso, mas ao parar para Identificar os                          
Objetivos Educacionais Adequados para o Aluno, que é o nosso primeiro                      
passo, podemos mapear muito mais além de meros aspectos do                    
desenvolvimento.  
Assim, criamos um mapa que nos guiará através da personalidade do aluno,                        
mostrando o que o emociona, o que o deixa feliz, triste, zangado, bem                          
humorado, o que o deixa mais aberto para novos aprendizados.  
 
7  
É assim que, de posse desse mapa, iremos ao segundo passo: usaremos as                          
Estratégias de Ensino mais avançadas para fazer o aluno não só aprender                        
com gosto, mas não esquecer daquilo que aprendeu.  
Explico o porquê. Uma aprendizagem sem significado, sem emoção                  
associada, é desinteressante e é rapidamente esquecida. O cérebro humano                    
funciona assim.  
Por último, o terceiro passo: de posse das ferramentas inclusivas e muitas                        
ideias de adaptações de atividades que apresentamos em nossa oficina de                      
atividades, você irá a cada nova aula, causar um impacto emocional positivo                        
no seu aluno, gerando um aprendizado prazeroso e duradouro.  
Ou seja, o método é:  
 
1º IDENTIFICAR OS OBJETIVOS EDUCACIONAIS  
ADEQUADOS PARA MEU ALUNO  
 
2º ESTRATÉGIAS AVANÇADAS DE ENSINO  
 
3º USAR FERRAMENTAS INCLUSIVAS E MUITA  
CRIATIVIDADE  
 
Considero esse o único caminho para a inclusão escolar.   
Te dou certeza que, se uma criança não está aprendendo, existe uma falha                          
em algumas dessas etapas: ou os objetivos educacionais estão errados para                      
a criança, ou as estratégias usadas para ensinar são ineficientes, ou ainda, o                          
formato físico das atividades e conteúdos que são apresentados são                    
desinteressantes.  
 
 
8  
O problema do mercado educacional hoje  
É exatamente por isso que a maioria dos cursos caros de graduação e pós                            
graduação não funcionam, porque repetem de maneira absurda que OU                    
você precisa de muitos recursos para trabalhar, OU precisa de uma super                        
equipe de especialistas para poder dar um primeiro passo.  
Agora, quando você usa os 3 passos que eu considero o Único Caminho                          
para a Inclusão Escolar para criar atividade adaptadas, planos de aula ou                        
mesmo o PDI do aluno:  
Você tem mais interesse e participação do aluno  
Você vê sinais de sucesso  
Você vê seu aluno aprendendo todos os dias.  
A grande notícia é que fazer isso é muito mais simples do que você imagina,                              
você só precisa saber como trabalhar corretamente cada um desses passos                      
e ter acesso às ferramentas e ideias que fazem essas atividades serem tão                          
incríveis.  
Se você quiser minha ajuda para criar atividades impossíveis de serem                      
ignoradas, de forma fácil e rápida, fazendo seu aluno ter interesse, alegria e                          
gosto em aprender, aqui está como podemos ajudar.  
 
Como eu posso te ajudar  
No dia 13 de fevereiro de 2020 formamos uma nova turma do Curso de                            
Adaptação de Atividades para Alunos com Deficiência, um treinamento                  
completo de adaptação de atividades para alunos com algum transtorno de                      
aprendizagem, autismo síndrome de down, deficiência intelectual e outros                  
diagnósticos.  
Esse treinamento não é um produto. É uma pesquisa em andamento. A cada                          
nova turma, temos a oportunidade de ouvir novos casos, intervir de                      
maneiras nunca antes pensadas e ter resultados extraordinários.  
9  
Esse treinamento é o único que utiliza os 3 passos do Único Caminho para a                              
Inclusão Escolar para criar atividades adequadas para cada aluno.  
Os profissionais que participaram desse treinamento são os que querem se                      
diferenciar dos profissionais que acreditam que existem alunos que nunca                    
irão aprender, ao mesmo tempo que te entrega as ferramentas certas para                        
poder intervir sempre em qualquer situação.  
Assim que você acessar o Treinamento, você já encontra o módulo rápido,                        
nele você aprende quais são e como usar as ferramentas de identificação                        
dos objetivos educacionais adequados para seu aluno.  
No segundo módulo você domina as estratégias avançadas de ensino                    
fundamentais para atração, empatia, vínculo, despertar emoções e dar                  
significado para todas as atividades que você criar.  
E no terceiro módulo você aprende de uma vez por todas a utilizar da                            
maneira mais criativa as ferramentas inclusivas e uma chuva de idéias de                        
como transformar materiais simples, que você tem na escola, em atividades                      
inesquecíveis.  
É aqui que você torna seus planos de aula infalíveis.  
Foram anos e milhares de reais em cursos (fora a especialização em                        
educação), entrevistas (já entrevistei dezenas de professores de sucesso                  
para entender suas técnicas), congressos (como em 2016, na UFSCAR),                    
livros (tenho quase que uma biblioteca sobre educação especial e técnicas                      
avançadas de ensino), treinamentos (como o treinamento de comunicação                  
alternativa da Tobii, com a Profª Linnea, uma incrívelfonoaudióloga                    
americana), foram mais de 10.000 reais investidos, tirando os custos de                      
transporte e hospedagens.  
Tudo isso para trazer um método completo para você começar a criar                        
atividades que irão atender as necessidades específicas do seu aluno e                      
fazer com que ele aprenda todos os dias.  
 
 
10  
Já deu certo antes, vai dar certo agora  
Vamos fazer seu aluno aprender todos os dias como a professora Neliane,                        
que está transformando a vida de seus 2 alunos não verbais, ensinando                        
comunicação alternativa para eles, ou como a professora Janei que está                      
ensinando habilidades pré-acadêmicas para seus alunos após identificar                
corretamente os objetivos educacionais adequados, ou ainda como a                  
professora Emiliane, que ganhou a segurança de que precisava para atuar                      
como psicopedagoga e fazer seus próprios atendimentos.  
Esses são alguns dos exemplos de que esse método dá certo. Confira outra                          
histórias no vídeo: https://youtu.be/GCajA-vwkj0  
São por esses e outros motivos que nosso curso de Adaptação de                        
Atividades já é considerado mais valioso uma pós-graduação.  
Porque ao fazer esse treinamento você vai conseguir Identificar os Objetivos                      
Educacionais adequados para qualquer aluno e escolher as estratégias de                    
ensino que melhor atendem ao seu aluno, criando atividades adaptadas                    
com muita criatividade, com as ferramentas certas, que fazem seu aluno                      
aprender todos os dias, independente da deficiência dele e da escassez de                        
recursos da sua escola.  
 
 
 
 
 
 
11  
https://youtu.be/GCajA-vwkj0
IDENTIFICANDO OS OBJETIVOS EDUCACIONAIS  
ADEQUADOS PARA SEU ALUNO  
Caro leitor, quero que esse livro digital realmente ajude sua prática diária,                        
independente se você irá ou não participar de uma de nossas turmas                        
(embora fica aqui meu convite, gostaria muito de trabalhar com você).  
Eu gosto de dividir os objetivos educacionais em  
Pré Acadêmicos  
Considere pré acadêmico tudo aqui que o aluno já deveria saber ao chegar                          
na escola (considerando a idade do aluno). Por exemplo, esperamos que                      
uma criança de 6 anos já saiba se comunicar de alguma forma (verbal ou                            
alternativa). Quando isso não ocorre, existe atraso no desenvolvimento que                    
não foi trabalhado por uma intervenção precoce adequada.  
Acadêmico  
Aqui fica o conteúdo que você está acostumado a ensinar a escola. O                          
conteúdo do currículo escolar.  
O problema  
O grande problema é que o conteúdo acadêmico tem um pré requisito para                          
ser compreendido: ele precisa do pré acadêmico.  
Às vezes recebemos um aluno que, à primeira vista, nos deixa intrigados.                        
Com ou sem um diagnóstico em mãos, as perguntas do professor são                        
sempre parecidas:  
O que esse aluno já sabe?  
O que ele não sabe?  
Por que ele não vai brincar com os outros?  
Por que ele está agindo dessa forma?  
Por que ele não fala corretamente?  
Como identificar o objetivo educacional adequado do meu aluno?  
O que devo ensinar agora?  
Por onde começar?  
12  
Você já fez alguma dessas perguntas? Mesmo que internamente? Pois é.                      
Quem nunca?  
Mas antes de pôr a mão na massa, vamos conhecer rapidamente a história                          
da ferramenta maravilhosa que temos aqui.  
 
Em 1969, nos Estados Unidos…  
O Portage surgiu nos Estados Unidos em 1969 para atender crianças de                        
comunidades rurais de Wisconsin, com necessidades educacionais              
especiais e em idade pré-escolar. Este projeto foi desenvolvido devido a                      
escassez de recursos em intervenção precoce a uma população com grande                      
dificuldade de deslocamento do domicílio para instituições especializadas.   
Uma das características do Portage é o atendimento domiciliar, mas pode                      
ser aplicado também em outros contextos, como creches, hospitais e                    
escolas. Uma das vantagens do atendimento domiciliar é a parceria entre a                        
família e os profissionais, criando um ambiente privilegiado de ensino onde                      
os pais atuam ativamente na educação dos filhos. Neste sistema, cabe aos                        
profissionais a capacitação dos pais, orientação e avaliação do processo                    
ensino-aprendizagem, definindo metas a partir da necessidade da criança e                    
da família (CAMERON, 1997).  
O Guia Portage de Educação Pré-escolar desenvolvido nos Estados Unidos,                    
na cidade de Portage, Wisconsin, cujos autores originais foram Bluma,                    
Shearer, Frohman & Hilliard, consiste em uma listagem de 580                    
comportamentos de crianças de 0 a 6 anos para as áreas de                        
Desenvolvimento Motor, Linguagem, Cognição, Socialização, Autocuidados            
e uma área específica para bebês de 0-4 meses denominada de Estimulação                        
Infantil (ou estimulação precoce).   
A família e seu contexto sociocultural e econômico são o recipiente em                        
que as forças para o bem ou para o mal são transformadas em padrões                            
de desenvolvimento para crianças de alto risco e deficientes nos                    
primeiros anos de vida. As evidências de toda uma geração de                      
pesquisa demonstram que a qualidade do comportamento dos pais,                  
13  
cuidadores e professores faz a diferença no desenvolvimento de bebês                    
e crianças pequenas.  
Samuel J. Meisels  
 
Samuel J. Meisels é especialista em avaliação da primeira infância e desenvolvimento infantil. Ele é                              
o diretor executivo fundador do Buffett Early Childhood Institute da Universidade de Nebraska,                          
presidente emérito do Erikson Institute e professor e cientista emérito da Universidade de Michigan.  
 
Brasileiros em cena  
Em 1983, aqui no Brasil, a tese de Doutorado da professora Lúcia Cavalcanti                          
de Albuquerque Williams, atualmente professora no departamento de                
psicologia na UFSCar, realizou um estudo experimental para demonstrar que                    
mães de crianças com deficiência poderiam ser orientadas em treino                    
domiciliar, de forma a acelerar o desenvolvimento dos filhos. O estudo deu                        
certo.  
Eis aí mais uma prova irrefutável de que pessoas comuns (sem formatação                        
na área) podem fazer coisas incríveis com aorientação correta.  
Posteriormente, esse estudo se tornou o livro Manual do Inventário                    
Portage Operacionalizado , cuja compra e leitura eu recomendo.  
O Portage é muito utilizado em todo o mundo, inclusive por algumas                        
secretarias de educação aqui no Brasil, mas não todas. Infelizmente nos                      
cursos de licenciatura e pedagogia ele não está no currículo (pelo menos na                          
maioria).  
 
Faça o download da escala portage e imprima para acompanhar                    
essa apostila. O material está disponível no site do Instituto Itard                      
gratuitamente..  
 
 
14  
As áreas de desenvolvimento do Portage  
A escala original do Portage passou por tradução, por uma adaptação à                        
realidade brasileira e a modificação de alguns itens. A adaptação consta de                        
mais de 500 itens divididos em 5 áreas principais do desenvolvimento. São                        
elas:  
Sociabilização: envolve o viver e o interagir com outras pessoas.  
Linguagem: o comportamento verbal e o comportamento expressivo.                
Compreensão e Emissão.  
Cuidados Próprios ou Autocuidados: comportamentos que envolvem o                
viver mais participante e independência em alimentar-se, vestir-se,                
banhar-se e etc.  
Cognição: começar com a consciência de si e do meio e depois a aquisição                            
de conceitos e a relação entre eles. Estabelecimento de relações de                      
semelhanças e diferenças.  
Psicomotora: comportamentos que envolvem habilidade de coordenação              
geral e específicas do corpo.  
Se uma criança, de qualquer idade, alcança bom desenvolvimento nessas                    
cinco áreas, ela então estará naturalmente apta para seguir em frente com o                          
currículo escolar.  
É importante entender que o professor não deve restringir-se apenas aos                      
objetivos do Portage. Deve haver dinamismo para trabalhar as dificuldades                    
que forem surgindo.  
Quem pode aplicar em quem?  
O Portage pode ser usado com a criança cujo desenvolvimento é normal até                          
a faixa de 06 anos, podendo ser utilizadas em berçários; creches; programas                        
de pré escola; e com crianças mais velhas onde há suspeita de atraso de                            
desenvolvimento.  
Pode ser aplicado por pais, professores e demais profissionais interessados.                    
Na verdade, um novo perfil de profissional está surgindo nas escolas:                        
15  
aqueles que acreditam nos pais como parceiros verdadeiros e ajudam-os no                      
cumprimento do seu papel como promotores do desenvolvimento de seu                    
filho. Não basta realizarmos um trabalho excelente na escola e a família não                          
corresponder.  
Se você trabalha em creches ou pré-escola:  
Se o seu aluno tem até 6 anos, ótimo. Siga em frente com o Portage e                                
descubra maneiras de estimular esse aluno a se desenvolver dentro da faixa                        
etária que ele se encontra. Use o Portage para identificar possíveis atrasos                        
no desenvolvimento mesmo assim. Use o Portage como guia de criação de                        
atividades correspondentes para a faixa etária.  
Se você trabalha com crianças mais velhas onde há suspeita de atraso                        
de desenvolvimento:  
Não há nada mais frustrante do que receber um aluno em determinado ano                          
que não domina os conteúdos acadêmicos do ano anterior, mas isso                      
acontece o tempo todo no Brasil.  
Professores do AEE têm de adaptar conteúdos para alunos no 9º ano que                          
ainda não estão alfabetizados. Professores de disciplinas específicas não                  
veem chance dos seus conteúdos serem ensinados para alguém que não                      
está alfabetizado.  
Será que existem casos onde a alfabetização realmente não é possível, ou                        
algo que deveria ter sido feito a alguns anos atrás não foi realizado?  
Você pode me dizer, mas e...  
… se ele tivesse intervenção precoce quando era bebê  
… se ele tivesse acompanhamento com fono  
… se ele tivesse acompanhamento com neuropediatra  
… se ele tivesse acompanhamento com psicólogo especialista em ABA  
… se ele tivesse acompanhamento com terapeuta ocupacional  
… se ele tivesse isso tudo e muitas outras coisas, poderia ter sido diferente.  
Mas estamos aqui discutindo o que é possível fazer hoje, com os recursos                          
que temos.  
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Você tem um dilema nas mãos: seguir em frente do jeito que está ou voltar                              
e tentar corrigir.  
Não posso escolher por você, afinal cada caso é um caso. Mas se você                            
acredita que seu aluno realmente pode aprender coisas que já deveria ter                        
aprendido, sugiro que comece do começo: aplique o portage para verificar                      
se existe atraso no desenvolvimento (independente da idade).  
Veja, por exemplo, alguns dos comportamentos esperados para crianças de                    
até um ano de idade:  
- Brinca sozinho por 10 minutos.   
- Bate palmas, imitando um adulto.   
- Manipula brinquedo ou objeto.   
Você pode se perguntar: mas meu aluno com nove anos não brinca sozinho                          
por 10 minutos. Essa é a questão. Antes de tentar ensinar o alfabeto, ou as                              
cores para seu aluno, se ele não consegue brincar sozinho por 10 minutos, é                            
importante desenvolver essa habilidade, caso contrário você estará, como                  
dizia meu avô: “colocando a carroça na frente dos bois”.  
Esses comportamentos fazem parte da categoria de desenvolvimento social                  
e existe explicação científica para eles serem importantes, mas não vamos                      
entrar nesse detalhe. A questão é que o comportamento de brincar sozinho                        
por 10 minutos é o esperado para crianças de até um ano de idade e, por                                
consequência, as crianças mais velhas devem ter a habilidade de se                      
comportar dessa forma também.  
Óbvio que, se meu aluno tem comprometimento motor, não consegue                    
segurar um objeto ou se mover pela sala, isso dificulta muito o “brincar                          
sozinho”, mas não o impossibilita, existem brinquedos eletrônicos de mesa,                    
uma adaptação inclusiva para quem possui limitações físicas.  
Da mesma forma, os comportamentos das demais áreas devem ser                    
entendidos levando em consideração a realidade da criança.  
Observe esses três comportamentos da área de linguagem, comuns na                    
idade de um a dois anos:  
- Nomeia5 membros da família, incluindo animais.  
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- Diz 5 palavras diferentes.  
- Produz sons de animais, ou os nomeia pelo som.  
Uma criança aos dois anos, normalmente, nomeia até cinco membros da                      
sua família (ex: mamãe, papai, vovó, vovô e tia). Se a criança possui                          
comprometimento para falar, por exemplo uma paralisia cerebral, esse                  
comportamento deverá ser estimulado utilizando comunicação alternativa, já                
que a fala será impossível, como foi provavelmente comprovado por                    
médicos e exames.  
Mas se e a criança não fala por causa desconhecida ou porque é autista?                            
Esse comportamento deve ser estimulado também. A comunicação                
alternativa é sempre bem-vinda.  
Sobre a parceria com famílias  
O contato da família e da criança com o Portage é benéfico para todos.    
Às vezes nos deparamos com uma família também carente de informações,                      
de direção e cuidados. Com o Portage pode-se oferecer atenção à família                        
como um todo, auxiliando-os no crescimento e desenvolvimento globais.                  
Importante também ressaltar a necessidade de uma visão ampla, espírito                    
crítico e muita paciência e respeito para se trabalhar com famílias. Cada um                          
tem a sua história e o seu tempo, principalmente quando estamos falando                        
de intervenção com famílias especiais, mas que esta seja o mais precoce                        
possível.  
 
Antes de começar a aplicar  
Planejamento! Essa palavrinha mágica é muito importante. Leia e releia o                      
todos os comportamentos que constam na escala portage para poder                    
assimilar bem. Imagine-se aplicando cada um dos comportamentos com                  
seu aluno com deficiência ou dificuldade de aprendizado, os materiais que                      
você vai utilizar, o tempo que você vai gastar, as eventuais adaptações que                          
você precisará fazer.  
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Na verdade, o tempo e o local onde você vai aplicar o Portage é muito                              
importante. Manzini disse:  
Há fatores biológicos e fatores ambientais que podem interferir na                    
estratégia pedagógica. Por exemplo, o cansaço do aluno ou do                    
professor, a não aceitação do aluno em realizar atividade, o nível de                        
complexidade da atividade (podendo ser de fácil realização, causando                  
desmotivação ou pelo contrário, de difícil realização, causando                
frustração), sono, reações adversas de um provável remédio que o                    
aluno faz uso, além de lugares com muita interferência sonora. -                      
MANZINI, 2010.  
O professor Manzini está certo! Caso seu aluno tenha problemas com                      
barulho, você precisará de um local silencioso. Observe seu aluno, descubra                      
os horários em que ele está mais motivado. Tudo pode influenciar.   
Você precisará fazer adaptações. Os próprios autores do Portage revelaram                    
que os comportamentos listados são os esperados para uma criança com                      
desenvolvimento “normal”, mas nem mesmo as crianças com                
desenvolvimento “normal” atingem todos os comportamentos na ordem                
proposta. Seja flexível.  
Se seu aluno possui desafios visuais, você terá de fazer adaptações                      
sensoriais. Se seu aluno possui desafios auditivos, você precisará fazer                    
adaptações na comunicação, no caso de desafios intelectuais, deverá                  
diminuir o nível de abstração, e por aí vai.  
Abaixo, separei uma listinha muito simples para você ter algumas ideias de                        
adaptações de acordo com as características do seu aluno.  
 
Preenchendo a escala Portage  
A escala original passou por tradução, por uma adaptação à realidade                      
brasileira e a modificação de alguns itens.   
O inventário não pretende ser um livro de receitas, mas sim um sistema de                            
apoio ao professor, para ajudá-lo de forma organizada a descobrir:  
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1º - O que a criança já aprendeu  
2º - Apresentar alternativas do que ensinar a seguir  
A escala pode ser usada com a criança cujo desenvolvimento é normal até a                            
faixa de 06 anos, podendo ser utilizadas em:  
berçários;  
creches;  
programas de pré escola;  
e com crianças mais velhas onde há suspeita de atraso de                      
desenvolvimento . 
Feito o planejamento e as eventuais adaptações, é hora de começar.  
Para começar a preencher você primeiramente despreza as divisões por                    
idade e começa a preencher de acordo com a realidade do seu aluno, a                            
partir do 0 ano, até o final (6 anos). Independente da idade do seu aluno.                              
Não estamos preocupados com idade agora, mas sim em saber o que seu                          
aluno já consegue fazer.  
Preencha a escala Portage que você baixou utilizando a seguinte legenda:  
S , para sim, quando o aluno consegue fazer o comportamento  
N , para não, quando o aluno não consegue fazer o comportamento  
AV , para “às vezes”, quando o aluno hora faz e hora não faz o                            
comportamento.  
Obs.: você pode utilizar ajuda motora, incentivo verbal, reforçador positivo,                    
mas tudo deve ser registrado para que você possa acompanhar a evolução                        
do aluno quando for retirando esses elementos.  
Após preencher a escala Portage  
Terminado de preencher toda a escala Portage, desde a idade 0 até a 6                            
anos, agora chegou o momento de contar os pontos. Cada legenda possui                        
uma pontuação conforme a tabela:  
Tabela de pontos Portage  
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Os S valem 1 ponto;  
Os AV valem 0,5 pontos;  
Os N valem 0 pontos.  
A contagem dos pontos deve ser feita separada para cada área, em cada                          
faixa etária correspondente. Para fazer a contagem, preparei uma tabela de                      
Excel que vai calcular automaticamente o final, entregando assim a “idade                      
de desenvolvimento” do seu aluno em anos e um gráfico para você fazer                          
comparações do desenvolvimento ao longo do tempo.  
 
Baixe a tabela em Excel de cálculo do Portage no material                      
complementar da aula, na plataforma EAD. Você precisará usar                  
um computador para com excel para abrir a tabela.  
 
 
Colocando os resultados na tabela de cálculo  
A tabela de cálculo que você baixou no site tem a seguinte aparência:  
Primeiro coloque a idade atual do aluno no campo de idade, conforme a                          
imagemabaixo:  
 
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Ampliei a imagem para você ver melhor onde colocar a idade atual do seu                            
aluno.  
 
No exemplo acima assumimos que meu aluno tem 8 anos, ou seja, ele deve                            
teoricamente ser capaz de realizar todos os comportamentos do inventário                    
Portage.  
Você deve colocar o total de pontos de cada área do desenvolvimento, para                          
cada faixa etária separadamente.  
Por exemplo, se meu aluno área de Socialização, na faixa etária de 0 a 1                              
ano, fez 23 pontos e meio, vou colocar na tabela o valor de 23,5 conforme                              
abaixo:  
 
Lembrando que 23,5 pontos querem dizer que, dos 28 comportamentos                    
esperados para a faixa etária entre 0 e 1 ano, da área de Socialização, meu                              
aluno fez 23 comportamentos corretamente (cada “sim” é um ponto), e um                        
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comportamento ele faz às vezes (“às vezes” é meio ponto), totalizando os                        
23,5 pontos.  
Termine de preencher a tabela para todas as áreas e faixas etárias. No                          
exemplo abaixo terminei de preencher a tabela de um aluno fictício com 8                          
anos de idade  
 
Repare a “idade resultado” de cada área de desenvolvimento. No exemplo,                      
em Socialização meu aluno alcançou 2 anos, já em desenvolvimento Motor,                      
alcançou 4 anos (lembre-se que o resultado máximo será sempre 6 anos,                        
independente da idade do aluno).  
Depois de preencher tudo, logo abaixo da tabela você terá um gráfico                        
mostrando os comportamentos que seu aluno já alcançou e o quanto falta                        
para você trabalhar com ele:  
 
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Observe no gráfico: as colunas coloridas indicam a idade nas áreas de                        
desenvolvimento que meu aluno exemplo alcançou, na coluna transparente                  
os comportamentos que ele deveria realizar para a idade dele (como ele tem                          
8 anos, deveria em tese realizar todos os comportamentos esperados para                      
crianças de 6 anos).   
Nessa situação exemplo do gráfico acima, podemos verificar que meu aluno                      
possui mais atraso no desenvolvimento da socialização, linguagem e                  
cognição. Talvez desenvolvendo melhor a linguagem, você consiga um                  
desempenho melhor na socialização e a cognição também. Claro, esse é um                        
caso hipotético.  
Imprima os resultados para arquivar na pasta do seu aluno.  
Você pode fazer essa avaliação a cada semestre, por exemplo, assim terá                        
gráficos para comparar a evolução.  
Esse é ou não é um excelente ponto de partida?  
Fazendo isso, você irá trabalhar com seu aluno o desenvolvimento de                      
comportamentos que ele realmente precisa aprender, na ordem correta, com                    
uma pauta organizada, sabendo exatamente o que fazer em seguida.  
Além disso, poderá imprimir a tabela de cálculos e o gráfico do aluno para                            
anexar ao relatório individual. Seu trabalho ficará super organizado e                    
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padronizado para outra pessoa poder continuar de onde você parou, se for                        
necessário.  
A apresentação de várias possibilidades de registros sistemáticos dos                  
resultados das avaliações e intervenções, ainda que pareçam                
"dificultar" o processo, se mostram, no uso cotidiano, como                  
indispensáveis para a visualização dos avanços de desenvolvimento da                  
criança que motivam a continuidade das intervenções contaminando                
todos os envolvidos (WILLIANS, 2018)  
Não se esqueça de comemorar sempre cada vitória. Cada comportamento                    
novo adquirido é um sucesso.  
Selecione pelo menos dois comportamentos de cada área do                  
desenvolvimento para trabalhar com seu aluno. Isso pode ser utilizado para                      
elaborar o plano de desenvolvimento individual, o PDI.  
 
Bom, o Portage é um excelente ponto de partida para identificar objetivos                        
educacionais adequados. Caso seu aluno tenha problemas de comunicação,                  
precisamos nos aprofundar em Comunicação Alternativa, assunto que trato                  
no curso de Adaptação de Atividades em detalhes e tem dado excelentes                        
resultados.  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ESTRATÉGIAS AVANÇADAS DE ENSINO  
 
Você já teve um professor de quem não gostava? Não simpatizava? É                        
possível associar a empatia e a emoção às suas aulas e atividades,                        
aumentando em muito a probabilidade de atenção e foco no que você                        
quer ensinar.  
 
Na verdade existem dezenas de estratégias de ensino e a cada dia,                        
surgem novas.  
 
Em nosso curso de adaptação de atividades abordamos hoje várias                    
dessas estratégias, mas hoje quero te mostrar as que considero mais                      
importante e que podem trazer resultados imediatos para seus alunos,                    
tanto da educação infantil, quanto do Ensino Fundamental I, II e Ensino                        
Médio.  
 
Quem é a pessoa mais importante do mundo?  
Quando vê tira uma foto em grupo com o seu celular e vira para ver se                                
a foto ficou boa, qual a primeira pessoa do grupo que você olha? Você                            
deve ter respondido: - eu mesmo! Exatamente. Isso não quer dizer que                        
somos egoístas e narcisistas, não é isso, mas temos um                    
comportamento em comum, quase que um instinto primitivo de                  
sobrevivência, de colocar-nos no topo das prioridades sempre.  
 
Você sabia? A New York Telephone Company realizou um detalhado                    
estudo das conversas telefônicas para saber qual a palavra mais                    
frequentemente usada. Veja se imagina isto: foi o pronome pessoal                    
“Eu”. Foi usado 3.990 vezes em 500 conversas telefônicas.  
“Eu” “Eu” “Eu”.  
 
As pessoas, geralmente, não estão interessadas em você nem estão                    
interessadas em mim. Estão interessadas nelas mesmas, pela manhã,                  
ao meio-dia e depois do jantar. Mas saber disso te coloca em                        
vantagem, pois você pode utilizar o interesse das pessoas para                    
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ganhá-las. Você pode utilizar o interesse que seu aluno tem nele                      
mesmo para ganhá-lo.  
 
Alguns podem chamar isso de manipulação. Eu chamo de respeito ao                      
outro. Imagine uma pessoa que nunca se mostra disposta a ouvir                      
alguém por muito tempo, ou que fale incessantemente sobre ela                    
mesma. Uma pessoa que quando tem uma ideia enquanto vocêestá                      
falando não espera você terminar, pois ela se acha mais interessante                      
que você, ela te interrompe enquanto você fala, pois ela acredita que o                          
assunto que ela tem a dizer é mais interessante e importante que o                          
seu. Conhece alguém assim?  
 
Queremos o melhor para nosso aluno e sabemos que ele precisa do                        
conteúdo que nós temos para ensiná-lo. Nada mais justo então que                      
usar de todos os artifícios possíveis para que ele de fato aprenda.  
 
 
Não critique, não condene, não se queixe.  
 
Não há meio mais capaz de matar as ambições de um aluno do que a crítica                                
de sua professora. Nunca critique. Acredite no incentivo para alcançar seus                      
objetivos. Esteja sempre pronto para elogiar e aprovar.  
 
B. F. Skinner, o mundialmente famoso psicólogo, pai da Análise do                      
Comportamento, através de seus experimentos, demonstrou que um animal                  
que é recompensado por bom comportamento aprenderá com maior rapidez                    
e reterá o conteúdo aprendido com maior habilidade do que um animal que                          
é castigado por mau comportamento. Estudos recentes mostram que o                    
mesmo se aplica ao homem. Através da crítica não operamos mudanças                      
duradouras e consequentemente ocorre o ressentimento.  
 
Hans Selye, outro notável psicólogo, afirmou: “Com a mesma intensidade da                      
sede que nós temos de aprovação, tememos a condenação”. O                    
ressentimento que as críticas geram podem desmoralizar os alunos, família e                      
os amigos, e ainda assim não melhorar a situação que tem-se condenado.  
 
Antes de criticar pense: “será que essa crítica irá mesmo ajudar em algo?”.  
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Ao invés de criticar, ouça o que seu aluno tem a dizer. Tente descobrir “o                              
porquê” daquele comportamento inadequado, o que o levou a fazer isso, o                        
que aconteceu no seu dia para que ele se comportasse assim. Você pode                          
descobrir coisas que jamais imaginou.  
 
Elogie: aprecie honesta e sinceramente.  
 
Uma das virtudes mais negligenciadas no nosso dia a dia é a valorização.                          
Qual a última vez que você foi valorizado no trabalho ou pelos seus                          
familiares?  
 
O único processo pelo qual posso conseguir que você faça alguma coisa é                          
dando-lhe o que você quer. Que quer você? Sigmund Freud disse que tudo                          
em você e em mim emana de dois motivos: a necessidade sexual e o desejo                              
de ser grande. John Dewey, o mais profundo dos filósofos da América,                        
opina um pouco diferentemente. Diz que a mais profunda das solicitações                      
na natureza humana é “o desejo de ser importante”.  
 
Não há uma forma mais eficaz de matar as ambições e sonhos de seu aluno                              
do que a crítica de seus professores ou pais. Tente nunca criticar quem quer                            
que seja. Acredite no incentivo que se dá a uma criança para estudar. Assim,                            
esteja sempre ansioso para elogiar, mas com um pé atrás para descobrir                        
erros e faltas. Se você gostar de alguma coisa em seu aluno, seja sincero na                              
aprovação e elogie com entusiasmo.  
 
A jornada do seu aluno  
É interessante quando paramos para analisar os pensamentos que podem                    
rondar a cabeça de nossos alunos desde o primeiro dia de aula. Cada um                            
deve pensar coisas diferentes, tais como “porque eu não posso ficar em                        
casa hoje?”, ou ainda “minha mãe não gosta mais de mim”, ou então “para                            
que eu devo estudar? Prefiro ficar vendo TV”.   
 
Independente do que eles pensam, todos seguem uma mesma jornada em                      
relação a você, o professor. É o seguinte:  
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1º - Me conheça  
2º - Goste de mim  
3º - Confie em mim  
4º - Aprenda comigo  
 
Seu aluno primeiro te conhece, para depois vir a gostar de você, quem sabe                            
então confiar em você, para por fim aprender alguma coisa do que você                          
ensina.  
 
É impossível um aluno aprender algo de quem ele não confie, como também                          
é improvável confiarmos em quem não gostamos, ou mais incomum ainda                      
gostarmos de quem não conhecemos.  
 
Eu acredito que seu aluno já te conhece. O fato é, será que ele gosta de                                
você? Aplique os princípios que vimos acima e você estará caminhando                      
nessa direção: logo logo seu aluno não só gostará de você, como também                          
confiará em você.  
 
Agora precisamos entender as melhores estratégias para ensinar nosso                  
aluno. Quando você estiver exercitando sua empatia de cada dia com o seu                          
aluno, identificará inevitavelmente algumas emoções que seu aluno sente.                  
Sabia que é possível usar essas emoções para melhorar a memória do seu                          
aluno em relação ao conteúdo que você ensinou? Veremos a seguir.  
 
 
 
 
 
 
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Aprendizagem Significativa  
Você já aprendeu algo que não sabia para que servia? Difícil                      
lembrar? Isso porque esquecemos as coisas que não tem                  
relevância para nós. Aprenda a tornar o conteúdo ensinado                  
significativo e relevante para seu aluno.  
 
“Se há algum segredo de sucesso, ele consiste na habilidade de                      
aprender o ponto de vista da outra pessoa e ver as coisas tão bem pelo                              
ângulo dela como pelo seu”. (CARNEGIE, 1936)  
 
Caro aluno, chegamos a um ponto chave em nosso livro. Acredito que a esta                            
altura você já tenha identificado os objetivos educacionais do seu aluno,                      
tenha ele atraso no desenvolvimento, problemas de comunicação, ou                  
realmente dificuldades em entender o conteúdo do currículo, seja na                    
educação infantil, no fundamental ou ensino médio.  
Em outras palavras, só podemos definir COMO vamos ensinar, depois de                      
resolvermos O QUE vamos ensinar e QUE objetivos, dentro dessa área, são                        
adequados para o aluno, considerando as especificidades dele.  
Um dos pensadores brasileiros mais notáveis e preocupados no “COMO                    
vamos ensinar”, foi Rubem Alves. “Estou pensando há um tempo em propor                        
um novo tipo de professor: é um professor que não ensina nada. O objetivo                            
da educação não é ensinar coisas, porqueas coisas já estão na internet,                          
estão nos livros e estão por todos os lugares”, diz Rubem Alves. O professor                            
deve ensinar a pensar, criar na criança essa curiosidade.  
Quantas vezes você já ouviu isto: “Se ele não compreende, não faz mal;                          
compreenderá depois”. Há muito pouco “depois” para o aluno que não                      
compreende alguma coisa, porque a aprendizagem sem significação é                  
rapidamente esquecida.  
Em nosso curso de adaptação de atividades abordamos profundamente                  
como você consegue encontrar, de maneira fácil, o que tem ou não                        
significado para seu aluno. Esse é um assunto que prefiro passar para você                          
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em nossas aulas, por isso aqui vou falar de uma outra estratégia: a                          
transferência.  
A transferência pode ser positiva ou negativa.  
 
Transferência Positiva  
Segundo Ausubel, podemos dizer que o processo ideal ocorre quando uma                      
nova ideia se relaciona aos conhecimentos prévios do indivíduo. Motivado                    
por uma situação que faça sentido, proposta pelo professor, o aluno amplia,                        
avalia, atualiza e reconfigura a informação anterior, transformando-a em                  
nova.  
 
Quanto mais similares as aprendizagens, mais podemos transferi-las de uma                    
para outra. Para desenvolver essa transferência, ensinamos a nova,                  
chamando a atenção para a similaridade existente entre essa e a já                        
aprendida.  
 
 
 
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Se desejamos que uma pessoa com habilidade para ensinar crianças de                      
jardim de infância transfira essa habilidade para estudantes universitários,                  
salientaremos que os últimos lembrarão melhor se observados os princípios                    
da aprendizagem significativa, que funcionaram tão bem com os alunos do                      
jardim de infância.  
 
Se desejamos que um violinista aprenda a tocar violoncelo,                  
desenvolveremos a transferência da habilidade musical, enfatizando os                
pontos em que os dois instrumentos são semelhantes.  
 
Se um estudante conhecer a base decimal, desenvolveremos a transferência                    
para base binária, enfatizando a similaridade com a aprendizagem anterior                    
de conceitos de valores locais.  
 
Sempre que a transferência da aprendizagem anterior para outra                  
aprendizagem ajuda a nova aprendizagem, chamamos isso de transferência                  
positiva. Esse fator auxilia a retenção da nova aprendizagem.  
 
Transferência e Generalização  
 
Transferência positiva é um fundamento importante em que se apoiam todos                      
os currículos novos, e que enfatiza o ensino de generalizações mais do que                          
o de fatos. Geralmente, aprender um fato não ajudará você a aprender outro                          
ou dele lembrar-se. As generalizações são importantes por sua ampla                    
aplicabilidade. Consequentemente, você pode fazer muitas transferências              
positivas de alguma generalização.  
 
Transferência Negativa  
Porém, e quando essa informação anterior nem sempre está associada a                      
uma emoção agradável ou a um conteúdo útil?  
 
Lembrar-se de onde ficam suas roupas nas gavetas de seu guarda roupas                        
antigo não irão ajudar você a memorizar onde ficam suas roupas no seu                          
novo guarda roupas. Ou ainda, experiências infelizes nas aulas de                    
matemática ou língua estrangeira fazem com que adultos hoje não consigam                      
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fazer uma conta sem uma calculadora, ou ainda não consigam pronunciar                      
palavras simples em inglês que fazem parte do seu cotidiano, como:                      
software, networking ou cheeseburguer.  
 
Sempre que a lembrança de uma aprendizagem interfere em outra,                    
chamamos isso de Transferência Negativa. Para evitar essa indesejável                  
interferência, tornamos certas aprendizagens tão diferentes quanto possível.                
Quanto mais semelhantes as coisas, mais fazemos transferência de uma                    
para outra.   
 
Se desejamos transferência positiva, ensinamos coisas ao mesmo tempo,                  
enfatizando as semelhanças.  
 
Se desejamos EVITAR transferência negativa, não ensinamos certas coisas                  
ao mesmo tempo e enfatizamos as diferenças.  
 
Bom, chegamos ao final da nossa apostila.  
 
Espero de verdade e esse conteúdo possa ajudar você a fazer seu aluno                          
aprender todos os dias.  
 
 
Abraços Inclusivos  
 
Leandro Rodrigues  
 
 
Referências  
 
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http://institutoitard.com.br  
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