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1 Centro Educacional Sesc Cidadania Ensino Médio APOSTILA DE HANDEBOL I. REGRAS E PENALIDADES DO HANDEBOL Exclusão 2 minutos. Tiro livre – direção Tiro lateral – direção. Tiro de meta Advertência jogo passivo Sobrepasso ou segurar a Exclusão Invasão de área bola por mais de 3 seg. Professor (a): Maura e Marcelo Disciplina: Educação Física Aluno (a):__________________________________________________________________________________ Série: ______Turma: ______ No. ______ Data: 04 / 03 /2019 2 Golpear Falta de ataque Gol Advertência (amarelo Deter, segurar ou empurrrar Manter distância de 3 metros Desqualificação (vermelho) Permissão para que duas Drible ilegal Jogo passivo pessoas autorizadas a participar entrem na quadra durante o “tempo” QUADRA DE JOGO 3 REGRAS DO JOGO 1. A área do goleiro e o goleiro Somente o goleiro tem o direito de permanecer em sua área. Quando um jogador de quadra entrar na área de gol deve-se tomar as seguintes decisões: a) tiro de meta, quando um jogador de quadra da equipe de posse de bola no ataque entrar na área de gol com a bola ou entrar sem a bola, mas ganhar vantagem ao fazê-lo. b) tiro livre, quando um jogador de quadra da equipe defensora entrar na área de gol e ganhar vantagem, mas não impede uma clara chance de gol. c) tiro de 7 metros, quando um jogador de quadra da equipe defensora entrar na área de gol e por isso impede uma clara chance de gol. Entrar na área de gol não será penalizado quando: a) um jogador entrar na área de gol depois de jogar a bola, desde que isto não crie uma desvantagem para os adversários; b) um jogador de uma das equipes entrar na área de gol sem a bola e não ganhar vantagem fazendo isto. É proibido a qualquer outro jogador tocar na bola que ali se encontrar, parada ou rolando ou mesmo com o próprio goleiro. O goleiro pode sair da sua área e jogar como qualquer jogador, desde que não tenha a bola em seu poder no momento da saída da área. Fora de sua área, o goleiro é considerado um jogador de quadra e está sujeito às mesmas regras que os demais. Pode voltar para a sua área a qualquer momento desde que esteja sem a bola. O goleiro pode tocar a bola com qualquer parte do corpo, sempre que estiver numa tentativa de defesa, dentro de sua área de gol. É permitido tocar a bola quando ela estiver no ar sobre a área de gol. Se um jogador lançar a bola dentro de sua própria área de gol, as decisões a tomar devem ser as seguintes: a) gol, se a bola entrar na baliza; b) tiro livre, se a bola ficar dentro da área de gol ou se o goleiro tocar a bola e ela não entrar na baliza. c) tiro de canto, se a bola sair pela linha de fundo; d) o jogo continua, se a bola passar através da área de gol e voltar para a área de jogo, sem ser tocada pelo goleiro. 2. Ao jogador é permitido: Utilizar braços e mãos para se apoderar da bola; Utilizar a mão aberta para tirar a bola do adversário (sem bater): Barrar com o tronco o caminho do adversário, mesmo que ele não esteja com a posse da bola. 3. As principais faltas do jogador são: Agarrar, empurrar, segurar o adversário; 4 Invadir a área do goleiro; Usar os pés para apossar-se da bola ou defender-se; Ficar com a bola na mão por mais de três segundos sem driblar; Dar mais de três passos sem driblar a bola; Tirar a bola da mão do adversário; Jogar-se sobre a bola que se encontra rolando na área de jogo. 4. Tiro de Lateral Quando a bola sai por uma das linhas laterais é sinalizado um tiro lateral. A bola será reposta em jogo por um jogador do time contrário a aquele que tocou por último na bola, colocando um ou os dois pés sobre a linha lateral, passando a bola para um companheiro. Se o jogador que cobra o lateral não colocar um pé sobre a linha lateral, o árbitro corrige-o. No Handebol, para cobrar qualquer penalidade o jogador não pode tirar o pé de apoio do chão. 5. Tiro Livre Na cobrança do tiro livre os jogadores da defesa podem ficar alinhados um ao lado do outro, com os braços levantados, formando uma barreira. Devem estar a uma distância igual ou superior a três metros em relação ao atacante com a bola. O tiro livre é cobrado da linha de tiro livre quando a infração ocorre nas imediações da área de goleiro. Pode ser executado sem esperar a autorização do árbitro e a formação da barreira. Porém, se o árbitro apitar, o arremesso deverá ser executado dentro do tempo de 3 (três) segundos. Caso se esgote o tempo, será cobrado tiro livre pelo adversário. Durante a execução do tiro livre, nenhum jogador da equipe que está de posse da bola poderá ficar entre a linha de gol e a linha de tiro livre. Além disso, ao jogador atacante não é permitido atirar a bola contra a barreira. O jogador poderá arremessar ao gol, por cima ou pelo lado da barreira, desde que não ameace a integridade física do adversário. Essas infrações são punidas com tiro livre. O tiro livre é aplicado quando o jogador: Toca a bola com os pés; Entra e sai irregularmente do campo; Maneja a bola irregularmente; Comete infrações nas imediações da área de gol; Agarra, empurra ou segura o adversário; Dá mais de três passos com a bola na mão sem driblá-la; Atira-se sobre a bola que está rolando colocando em risco a integridade física do adversário; Soca a bola para tirá-la do adversário. Infrações cometidas pelo goleiro também são punidas com tiro livre. 5 Quando as infrações não são cometidas nas imediações da área do goleiro o tiro livre é cobrado do local exato onde ocorreu a infração, porém continua valendo a regra de nenhum jogador da equipe que está de posse da bola ficar entre a linha de gol e a linha de tiro livre. 6. Tiro de Meta O tiro de meta é cobrado quando um adversário arremessa à baliza e a bola sai pela linha de fundo, tocada ou não pelo goleiro. Somente o goleiro pode executar o tiro de meta. O tiro de meta deve ser executado dentro da área de goleiro e durante o arremesso o goleiro, se quiser, pode tirar o pé de apoio do chão. É válido o gol em consequência de um tiro de meta, de um tiro de lateral ou de um tiro de saída. Quando um arremesso é desviado por um jogador adversário (exceto pelo goleiro) para a linha de fundo, o árbitro marca tiro de canto. 7. Tiro de Sete Metros É marcado quando o adversário impede uma clara oportunidade de marcar gol cometendo uma falta sobre o adversário ou impedi o gol estando dentro da área do goleiro. Como seu próprio nome diz, na cobrança dessa penalidade a bola é arremessada da linha de tiro de sete metros. Orientações para sua execução: O tiro de sete metros deverá ser executado pelo jogador em até 3 (três) segundos; Após o apito do árbitro, o jogador não poderá bater a bola no chão. Se o fizer, o tiro será considerado cobrado; Na cobrança o jogador não poderá tirar o pé de apoio do chão, neste caso, será o pé que estiver na frente. No entanto, é permitida a queda do corpo para frente; Se o jogador que cobrar o tiro de sete metros infringir qualquer uma das regras acima, a execução será invalidada e será cobrada um tiro livre contra a equipe do infrator; Na execução do tiro de sete metros, o goleiropode movimentar-se livremente e avançar até 3 (três) metros de distância da linha de sete metros. Se na execução do tiro de sete metros o arremessador não marcar gol, devido a irregularidade da posição do goleiro, o tiro será repetido; Os jogadores da equipe adversária não poderão ultrapassar a linha de tiro livre até que o tiro de sete metros seja cobrado. Se isso acontecer, haverá repetição da cobrança do tiro de sete metros. 8. Substituições O jogador reserva deve entrar na quadra pela zona de substituição. O reserva pode entrar sem avisar a mesa de controle, desde que o jogador a ser substituído já tenha abandonado a quadra. Já a substituição do goleiro deve ser feita quando a equipe a que pertence estiver de posse da bola. Qualquer jogador poderá substituir o goleiro. O goleiro a ser substituído sai da quadra pela zona de substituição e o substituto entra na quadra pelo mesmo lugar. 6 Caso ocorra alguma irregularidade na substituição, a equipe infratora será penalizada. 9. Faltas e atitudes antidesportivas 9.1 É permitido: a) usar uma mão aberta para tirar a bola não dominada; b) usar os braços flexionados para fazer contato corporal com um adversário, e desta maneira controlá-lo e acompanhá-lo; c) usar o tronco para bloquear o adversário na luta pela posição. 9.2 Não é permitido: a) arrancar ou golpear a bola que está nas mãos do adversário; b) bloquear ou empurrar o adversário com braços, mãos ou pernas ou usar qualquer parte do corpo para deslocá-lo ou empurrá-lo para fora da posição, isto inclui o uso dos cotovelos; c) agarrar um adversário (no corpo ou pelo uniforme), mesmo se permanecer livre para continuar o jogo; d) saltar sobre um adversário. As penalidades do handebol são aplicadas progressivamente: começando com uma advertência, seguindo com exclusões por 2 minutos e uma desqualificação. I. Advertências As infrações onde a ação é principalmente ou exclusivamente dirigida ao corpo do adversário devem implicar uma sanção disciplinar de advertência. São ações passíveis de advertência (inicialmente verbal): a) protestos contra as decisões dos árbitros, ou manifestações verbais e não verbais destinadas a causar uma decisão específica dos árbitros; b) ofender um adversário ou companheiro de equipe usando palavras ou gestos, ou gritar com um adversário para distraí-lo; c) atrasar a execução de um tiro do adversário ou não respeitar os 3 metros de distância ou de qualquer outra maneira; d) por meio de “teatro”, enganar os árbitros com respeito às ações de um adversário ou exagerar o impacto de uma ação, para provocar um time-out ou uma sanção indevida ao adversário; e) bloquear ativamente um passe ou um arremesso usando o pé ou a parte abaixo do joelho; os movimentos totalmente por reflexo, por exemplo, mover as pernas para juntá-las, não devem ser sancionados; f) invadir repetidamente a área de gol por razões táticas. Para assinalar a advertência a um jogador o árbitro deve exibir claramente o cartão amarelo. 7 II. Exclusão A exclusão será sempre de dois minutos de jogo, durante os quais o jogador punido não poderá ser utilizado. Sua equipe só poderá ser completada depois de esgotado o tempo da punição. Se um mesmo jogador for excluído por três vezes, será desqualificado automaticamente. Uma exclusão deve ser dada nos seguintes casos: a) infrações cometidas com alta intensidade ou contra um adversário que está correndo em grande velocidade; b) agarrar um adversário por um longo tempo ou derrubá-lo; c) infrações contra a cabeça, garganta ou pescoço; d) golpes fortes contra o tronco ou braço de arremesso; e) tentar fazer com que o adversário perca o controle corporal (por exemplo, agarrar a perna ou pé de um adversário que está saltando); f) correr ou saltar com grande velocidade sobre um adversário; g) protestos, envolvendo gritos com gestos enérgicos ou comportamento provocativo; h) quando houver uma decisão contra a equipe em posse e o jogador em poder da bola não deixá-la imediatamente disponível para o adversário ao soltá-la ou apoiá-la ao solo; i) obstruir o acesso à bola por quem entrou na zona de substituições. Em casos excepcionais a exclusão pode ser dada sem advertência prévia. A exclusão é claramente anunciada ao jogador faltoso e ao secretário pelo gesto oficial: um braço elevado verticalmente com os dedos indicador e médio estendidos. III. Desqualificação A desqualificação será dada nos seguintes casos: Depois da terceira exclusão de um mesmo jogador; Um jogador que ataque um adversário de maneira tal que possa ser perigoso para sua saúde, deverá ser desqualificado. O especial perigo para a saúde do adversário surge da alta intensidade da infração ou do fato de que o adversário está completamente desprevenido e não pode, devido a isto, proteger a si mesmo perante a infração: a) a real perda do controle corporal enquanto correndo ou saltando, ou durante uma ação de arremesso; b) uma ação particularmente agressiva contra uma parte do corpo do adversário, especialmente, rosto, garganta ou pescoço (a intensidade do contato corporal); c) a atitude imprudente demonstrada pelo jogador culpado quando comete a infração; Para desqualificar um jogador ou um dirigente oficial, o árbitro deve mostrar claramente o cartão vermelho, após a interrupção do tempo de jogo, ao elemento punido. A equipe cujo jogador tenha sido desqualificado jogará com um elemento a menos durante um período de dois minutos. Passado esse tempo, a equipe pode colocar na quadra o mesmo número de jogadores que tinha antes da desqualificação. 8 1. Goleiro-linha: A partir de agora, não será mais necessário que o sétimo jogador de linha venha do banco com o uniforme de goleiro para fazer uso da tática do goleiro-linha. Agora, as equipes poderão jogar com sete jogadores na linha e qualquer um dos atletas poderá sair, a qualquer instante, para que o goleiro retorne para a meta. Caso não haja tempo para que a troca aconteça, fica proibido que qualquer atleta de linha entre na área do goleiro para fazer sua função. 2. Jogo Passivo: Quando uma equipe não busca o ataque e a arbitragem reverte a posse de bola. Sempre muito subjetiva, ela agora foi regulamentada. O jogo passivo ficará definido quando o árbitro erguer a mão direita. A partir daí, o time que estiver no ataque poderá trocar até seis passes para definir a jogada. Se não o fizer, perderá a posse. A contagem não será zerada em caso de falta ou lançamento bloqueado. 3. Jogadores lesionados: Se a arbitragem entender que eles podem se levantar sozinhos e deixar a quadra, os mesmos terão que fazê-lo, sob pena de cartão amarelo ou dois minutos de suspensão. Eles só podem chamar os oficiais de equipe para dentro de quadra quando os árbitros liberarem. Ele será supervisionado pelo delegado do jogo e só pode voltar para a quadra depois do terceiro ataque do seu time. A medida visa impedir ações antidesportivas e a quebra do ritmo dos jogos. 4. Cartão azul: A Federação Internacional de handebol (IHF) também instituiu o cartão azul. Antes, só existia o cartão vermelho, dado ao jogador expulso da partida. Ele é desqualificado do jogo, mas pode retornar para o jogo seguinte caso não seja feito nenhum relatório sobre sua conduta. Agora, para tornar para o público as ações mais claras, o jogador pode receber um cartão azul depois do vermelho. Ele indica que haverá relatório sobre a sua conduta na partida e que ele pode ou não ser suspenso para o próximo duelo ou até desqualificado de todo o campeonato se for o entendimento. 5. Sanções aos times no último minuto de partida: A última alteração foi em relação as sanções que eram aplicadas no último minuto de jogo. Agora, elas só serão utilizadas nos últimos 30 segundos dos confrontos. A punição comcartão vermelho seguido de tiro de sete metros só irá acontecer quando a falta trouxer riscos à integridade física do jogador, e não será utilizada em qualquer falta. 6. A duração do jogo A duração de uma partida de handebol, para todas as equipes com jogadores de idade igual ou acima de 17 anos, é de dois períodos de 30 minutos cada. O tempo de intervalo de jogo é, normalmente, igual á 10 minutos. A duração de uma partida de handebol, para todas as equipes com jogadores de equipes de adolescente com idade de 15 a 16 anos, é de dois períodos de 25 minutos cada. O tempo de intervalo de jogo é, normalmente, igual á 10 minutos. A duração de uma partida de handebol, para todas as equipes com jogadores de equipes com idades entre 12 a 14 anos, é de dois períodos de 20 minutos cada. O tempo de intervalo de jogo é, normalmente, igual á 10 minutos. 9 Caso seja necessária, a prorrogação é jogada decorridos 5 minutos de intervalo. A prorrogação é composta por dois períodos de 5 minutos cada, com um intervalo de 1 minuto entre os períodos. Caso o empate persista, poderá ser jogado um segundo tempo extra, logo após um novo intervalo de 5 minutos, nos mesmos moldes do primeiro tempo extra da prorrogação, já informado no parágrafo anterior. Se o jogo ainda estiver empatado, o vencedor será determinado de acordo com o regulamento particular da competição. Um time-out é obrigatório quando: a) ocorre uma exclusão de 2 minutos, uma desqualificação ou expulsão; b) concede-se um tempo técnico; c) o cronometrista ou Delegado técnico apita; d) os árbitros necessitam consultar um ao outro durante o jogo para esclarecer algum lance da partida. Cada uma das equipes tem o direito de pedir um tempo técnico de 1 minuto em cada período regular do jogo, porém nos períodos extras, caso ocorram, não há direito a pedido de tempo técnico.para equipes masculina e feminina de mais de 18 anos, a duração do jogo é de 2 tempos de 30 minutos com 10 minutos de intervalo. Cooperação e Compreensão no Esporte O conceito de Ética Penso que seja necessário, em primeiro lugar, porque isto me parece fortemente cunhado no pensamento profissionalizante, refletir sobre o que não é ética. Ética não é reserva de mercado. Ética não é pretexto para esconder mazelas profissionais e irresponsabilidades de pares. Ética também não é o simples filosofar e induzir a dúvidas. "Ética, enfatize-se, desserve apenas para adornar a retórica; é algo que pode e deve pautar a conduta de um ser consciente" (ALONSO, 2002: 83). Ética deriva do grego e significa em sua grafia original "costumes". Estamos falando, portanto, do comportamento humano, vinculado a um determinado grupo, ambiente ou cultura. Ética no esporte Não nos faltam discussões a respeito da ética no esporte, pelo menos no mundo das torcidas e da mídia. Podemos acompanhar diariamente, nos comentários pelas ruas ou pelos jornais, escritos, falados e televisionados assuntos pertinentes à moral e à ética nos esportes. Poderíamos arrolar centenas de fatos que suscitariam polêmicas discussões a respeito. Vou lembrar algumas delas: Medalhista olímpico, Ryan Lochte é pego no doping por causa de foto. 10 As supostas falcatruas da Confederação Brasileira de Futebol, os chamados "gatos" do esporte, que falsificam carteiras de identidade para tirar proveito de uma idade menor; Rubinho ter que deixar Schumacher passar à frente para somar mais pontos no Mundial de fórmula 1 em 2003; Um determinado árbitro que, no campeonato brasileiro de 2005, foi preso por manipular resultados de jogos; A descoberta constante do uso de anabolizantes por parte de atletas de alto nível. A distribuição das cotas de televisão na Série A 2018, com bolo de R$ 1,3 bilhão A mídia prega a todo instante chavão moral e de fair play, quando ela mesma, na prática profissional de seus agentes, usa de meios inescrupulosos para manter seus níveis de audiência. O canibalismo da disputa pelos direitos de transmissão do futebol, por exemplo, não condiz com os princípios do fair play, enquanto que "na disputa pelas quotas de vendas e audiências fogem do plano do fair play como o diabo da cruz e não parecem nada incomodados com isso. Resta-nos avaliar alguns pontos contraditórios para delinear novas perspectivas para uma ética no esporte. Temos um esporte que se profissionaliza cada dia mais e se submete às regras do mercado do trabalho economicamente produtivo e que, se por um lado se distancia da puritana ética protestante do trabalho, por outro, e pelos mesmos motivos, cerceia as liberdades individuais, o livre arbítrio e a possibilidade do ser humano se reconhecer no produto de seu próprio trabalho, cedendo lugar aos interesses do rendimento individualista, das vantagens econômicas e da perversidade da desestruturação trabalhista. Quais são as preocupações éticas com o fim da carreira esportiva? Os segmentos sociais que cuidam do esporte estão preocupados em como será a vida dos cidadãos, que lutaram vários anos para melhorar e manter altos índices de performance, estiveram no foco da mídia e, de repente, vivem no anonimato e muitas vezes na miséria? Não quero me referir apenas ao âmbito do alto rendimento, que é sem dúvida o desaguadouro de inúmeras mazelas éticas, mas também à iniciação esportiva e à descoberta de talentos. Cito, como exemplos, dois temas importantes: Um que diz respeito ao papel dos pais. Até que ponto pode se considerar ética a participação dos pais no desenvolvimento esportivo de seus filhos. Os pais estão conscientes e conversam com seus filhos a respeito das consequências positivas e negativas da prática esportiva? Os pais permitem a livre escolha da prática esportiva de seus filhos? As crescentes expectativas de trabalho no esporte, criadas por pais e filhos, que levam ao sonho da riqueza e do sucesso, são compatíveis com a realidade do mundo esportivo? O outro tema é o das assim denominadas "peneiras", que frequentemente mandam de volta para casa centenas de jovens decepcionados e frustrados por não terem conseguido um "lugar ao sol", como a 11 que vimos recentemente na televisão, no caso específico do futebol, inclusive com a participação de renomados técnicos nacionais. O esporte que inicialmente era apenas competição, usado para demonstrações de superioridade, agora é tratado como “esporte para todos’, o que abriu margem para grandes campanhas de valorização das práticas esportivas, reforçando muito o aumento da abrangência do renovado conceito esporte. A razão social do esporte, anteriormente atrofiada pelas próprias limitações do esporte de competição, cresceu muito em relevância, com isso passou a ser utilizado pelos canais de mídia (canais de televisão, jornais, revistas, rádio, internet) como meio de divulgação e comércio dos mais variados produtos. _____________________________________________________________________________________ A visão de esporte imposta pela mídia Atualmente, principalmente em países subdesenvolvidos, as pessoas não dispõem de grandes oportunidades para melhoria da qualidade de vida. Nesse ponto, o principal papel da mídia é mostrar para a sociedade o esporte como uma forma rápida, sem muito esforço e/ou prazerosa da tão sonhada oportunidade de melhoria sócio-econômica. À medida que a mídia vai promovendo mais e mais a repetição deste pensamento, a sociedade vai aceitando e encarando-o como verdadeiro. “Para tanto, a indústria midiática contribui decisivamente, pela força do apelo imagético e por seu efeito multiplicador, para que estas interpretações se tornem ‘familiares’ e sejam incorporadas à cultura esportiva” (PIRES, 2005, p. 115). Por sua vez, o Capitalismo impõe que as pessoas estejam sempre buscando a melhoria de sua situação financeira. Sendo assim, o papel da mídiaé mostrar e idolatrar alguns pouquíssimos atletas que conseguem obter sucesso através do esporte e fazer com que estes passem a servir como modelos para outros milhões de pessoas que tentarão em vão este mesmo sucesso. Analisando a afirmativa de Kenski (1995), a autora diz que “o atleta super star é valorizado comercialmente como espaço publicitário por onde podem ser veiculadas as mensagem dos patrocinadores. Divulga-se o campeão e, junto com ele uma imagem símbolo, valorizada socialmente, de saúde, força, poder, [dinheiro, fama], vitória e prestígio”. Assim, a mídia, como aliada do Capitalismo, utiliza este atleta campeão como parâmetro de sucesso para a sociedade. As empresas o utilizam para fazer propaganda de seus produtos e aumentar suas vendas. Por sua vez, a população acaba procurando e comprando os produtos anunciados pelo atleta campeão. Não significa que isto não possa ou não deva de forma alguma ser feito, significa que o esporte não pode ser resumido a isso e utilizado apenas pra esse fim, apenas com interesses econômicos. Podemos perceber que atualmente na mídia há uma predominância quase total do “Esporte Rendimento’’ (ou “Esporte Espetáculo”) em detrimento do “Esporte Saúde e/ou Social’’. Pouco se vê reportagens falando sobre os benefícios de determinado esporte para a saúde, ou, raramente se vê alguma reportagem falando sobre algum projeto social esportivo e mostrando os benefícios sociais do esporte, como inclusão, integração, socialização, fuga do mundo da criminalidade... 12 Quando algo parecido com isso aparece nos programas esportivos, é alguém que veio de origem humilde e que conseguiu se tornar um bom atleta, um campeão. Assim, fala-se de sua vida sofrida, dos obstáculos vencidos e de como obteve sucesso... Apenas do conto de fadas! Nesse caso, a mídia afirma que qualquer pessoa pode ter sucesso através do esporte, inclusive as de origem mais humilde. Isso, sem dúvida, é pura ilusão. Um ou outro conseguem, no universo de milhões. As pessoas não têm chances iguais, principalmente as menos favorecidas economicamente. No entanto, outros inúmeros milhões de pessoas, principalmente estas de origem mais humilde, cultivarão e correrão atrás deste mesmo sonho irrealizável para ver se conseguem deixar a pobreza. O espetáculo esportivo, que antes acontecia apenas para o deleite das arquibancadas, foi globalizado. A televisão multiplicou a plateia de milhares para criar a audiência e o mercado de milhões (...). A indústria do esporte cresceu e com ela a qualidade dos eventos e dos equipamentos esportivos. Os espetáculos esportivos estão cada vez mais elaborados, cada vez mais espetaculares e, ao mesmo tempo, mais ajustados ao formato exigido pela mídia. O esporte foi metamorfoseado definitivamente pelo dinheiro. Modificou-se tudo que foi necessário para seu novo formato, desde o ideal até as regras. Uma nova equação foi produzida: espetáculo esportivo mais mídia é igual a lucros milionários (PILATTI; VLASTUIN, 2004). Referências ALONSO, F.R. Requisitando os fundamentos da ética. In: J.A.A. COIMBRA (Org.). Fronteiras da Ética. São Paulo: Senac, 2002. p. 75-119). https://efdeportes.com/efd76/etica.htm www.efdeportes.com/efd123/ilusao-em-massa-o-papel-da-midia-no-esporte.htm