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Universidade Estácio de Sá Curso: Publicidade e Propaganda Aluna: Rafaela Barros Vianna Matrícula: 202001187091 • A História da Fotografia no Brasil – Insley Pacheco A história da fotografia no Brasil remonta à chegada do daguerreotipo ao Rio de Janeiro, em 1840. Dom Pedro II foi um entusiasta da fotografia pois adquiriu o equipamento, em março de 1840, mesmo ano em que o abade francês Louis Comte lhe apresentou o invento. Por sediar o Império, o Rio de Janeiro foi a capital da fotografia no Brasil, que por sua vez passou a ser o instrumento de divulgação da imagem de Dom Pedro II, “moderna como queria que fosse o reino” e tornou-se também mais um símbolo de civilização e status. O imperador foi retratado por diversos fotógrafos e dentre eles está Insley Pacheco, que é de que falarei mais agora. Joaquim José Pacheco, conhecido como Joaquim José Insley Pacheco, nasceu em Cabeceiras de Bastos, uma pequena cidade no norte de Portugal, e chegou ao Brasil ainda muito jovem, no final da década de 1840, para morar com seu irmão no Ceará. Inicialmente, trabalhou como mascate (hoje chamado de vendedor ambulante) e o início do seu contato com a fotografia se deu através de pinturas de cenários por meio do irlandês Frederick Walter, daguerreotipista que, além de retratista, exercia a atividade de mágico e foi o responsável pela introdução do invento no Ceará. Em 1849, após dedicar-se à atividade de daguerreotipista itinerante pelo nordeste do país, partiu para os Estados Unidos para aprofundar seus estudos e lá permanecendo até 1851. Na América, teria sido aluno de Mathew Brady, que entrou para a história por cobrir a Guerra da Secessão. Passou também pelos ateliês de Jeremiah Gurney e H.E. Insley, famosos daguerreotipistas de Nova Iorque, em quem se inspirou ao adotar o sobrenome Insley posteriormente. Em seu retorno ao Brasil, apesar de ainda ter passado pela região nordeste, decidiu se estabelecer no Rio de Janeiro, onde vislumbrou maiores possibilidades para desenvolver seu trabalho. Assim como Pacheco, outros fotógrafos talentosos disputavam seu espaço no maior centro comercial do país e frente a esta concorrência, os anúncios publicitários eram essenciais para a conquista da clientela. Nesses anúncios eram oferecidos serviços diversos e os endereços eram indicados, o qual, dependendo da rua, já era garantia de distinção; e isto Pacheco soube escolher bem. Instalou-se logo a Rua do Ouvidor, a mais elegante das ruas da corte. As boas relações de Pacheco, permitiram que já em seu primeiro ano na corte, ele conseguisse estabelecer contato com D. Pedro II e recebesse a condecoração de “Photographo da Casa Imperial”. Ser fotógrafo da casa imperial significava que Insley Pacheco tinha um padrão de qualidade reconhecido pelo Imperador, que era um expert em fotografia. Mesmo com a tecnologia fotográfica, nos anos 1860, já permitindo exposições relativamente rápidas, persistem poses rígidas como parte da construção de uma imagem de austeridade. Insley Pacheco, de maneira particular, muda esse aspecto ao retratar a família imperial em um cenário que não era pintado e padrão e sim uma natureza “plantada” como fundo, criando assim um clima tropical em seu ateliê. É justamente uma dessas imagens que será comentada agora. D. Pedro II, Imperador do Brasil, Rio de Janeiro 1883 Retrato em Platinotipia, P&B (37,5x29,2cm) por Joaquim Insley Pacheco. Joaquim Marçal, pesquisador da Biblioteca Nacional, questiona como o Imperador e Insley Pacheco chegaram a essa imagem. Para ele, o trabalho foi fruto de muito diálogo e essa fotografia, que retrata o imperador já idoso, chamou minha atenção justamente por sua suposta mensagem intrínseca nos valores simbólicos presentes na imagem. É uma cena montada, onde há uma busca por aproximação aos movimentos populares que eclodiam no Brasil. A ausência do trono real e outros móveis e elementos típicos da aristocracia traz sensação de uma simplicidade quase irreal e de desapego à ostentação ao dividir sua presença com os elementos naturais da terra. Ao mesmo tempo, com sua grande barba branca, traz a sensação da experiência vivida. O símbolo da sabedoria e do conhecimento vem representado pelo livro na mão esquerda Observa-se também que Dom Pedro II não fita a câmera fotográfica, nesse caso, preferiu olhar mais ao lado, evitando talvez um encontro de olhares com o espectador e mirando mais a frente em postura de líder vislumbrando o futuro, com controle dos rumos do Império. Com a implantação da República no Brasil, o imperador e toda a sua família são obrigados a partir para o exílio. O grande apoio de Insley Pacheco desaparece, no entanto o seu prestígio não; a sua atividade como um dos fotógrafos mais queridos da cidade continuou até sua morte, em 1912. Curiosidade: Insley Pacheco também era pintor. Além da pintura de cenários e de fotografias ele gostava também de pintar paisagens, de captar a natureza através do pincel. Essas paisagens quase não apareciam em suas fotografias, como é o caso de um cenário muito conhecido por nós, moradores de Niterói – a Pedra de Itapuca – pintada por ele em 1900.