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FARACO, Carlos A., ZILLES, Ana M. Breve Histórico da Normatização do Português. In: Para conhecer norma linguística. São Paulo: Contexto, 2017. p. 123 – 171.
1) A língua em construção.
· A língua portuguesa é o desdobramento histórico dos falares românicos;
· Falares românicos são aqueles que se constituíram pela evolução do chamado “Latim Vulgar”; 
· O galego e o português são as duas línguas modernas que tiveram a mesma origem; 
· Esses falares constituíam uma língua de uso exclusivo oral;
· Enquanto toda produção escrita se fazia em latim, essa língua românica, progressivamente, passou a ganhar funções sociais para além da fala;
· Processo vinculado a própria constituição do reino de Portugal;
· A definição de uma nova unidade política trouxe a necessidade de se construir toda uma ordem jurídica;
· Direito consuetudinário;
· Livro de Registro de Chancelaria – registro de todos os atos jurídico-administrativo emanados do rei;
· Consequentemente se valorizou a escrita;
· Necessidade de um número maior de pessoas conhecendo as leis e de uma crescente ordem jurídica inovadora motivaram a substituição do latim pelo românico;
· Entretanto, esse foi um percurso longo;
· O ensino só deixou de ser de ser em latim nas últimas décadas do século XVII;
· Cinco séculos para essa transição;
· Português: De língua secundária à principal;
· Uso da língua românica em traduções, atividade impulsionada pelos filhos de D. João I;
· Dinastia Avis: período em que se deu forma a norma culta portuguesa;
· Reconquista territorial dos árabes: relativa uniformização linguística do centro-sul de Portugal;
· Fatores que corroboram para a hierarquização da língua: fixação definitiva da corte em Lisboa, o incremento da vida urbana e as atividades intelectuais centradas na própria;
· “geral bom costume do nosso falar”;
· Prosa história, Fernão Lopes;
· Qualificativos específicos;
· Vulgar, nosso vulgar, romanço/romance, linguagem, nossa linguagem;
· Chegada da imprensa a Portugal; 
2) Rumo a uma norma-padrão.
· Surgimento dos primeiros instrumentos de caráter normativo – gramáticas, dicionários e ortografias; 
· Gramatização;
· Simultâneo entre Portugal e outros países da Europa;
· A língua como um fator legitimador;
· História da Língua Portuguesa: o castelhano funcionou como segunda língua para os letrados;
· Bilinguismo;
3) A norma ortográfica.
· Ortografia pessoal – Os escribas, em geral, criavam uma espécie de método pessoal, combinando as grafias latinas tradicionais em uma tentativa de representação fonética;
· Diversidade gráfica;
· Surge a necessidade de fixar uma ortografia para as línguas modernas europeias;
· Os primeiros gramáticos defendiam a adoção de uma ortografia não etimológica, o contrário prevaleceu;
· Regras que ensinam a maneira de escrever e ortografia da língua portuguesa – Pero de Magalhães Gândavo (1540-1580);
· Orthographia ou arte de escrever e pronunciar com acerto a Língua Portuguesa – Madureira;
· Verdadeiro método de estudar – Luís Antônio Verney; 
· Em 1911 se fixa uma ortografia para a língua, dando assim um passo importante; 
· Duplicidade que caracteriza a ortografia moderna; 
· Memória etimológica; 
· Complicações tanto para o falante nativo quanto para aquele que aprende o português como uma língua estrangeira;
· A ortografia é uma questão de amplo alcance educacional, político, cultural;
· É impensável a proposta de uma nova reforma da mesma devido as repercussões;
· Pseudoetimológico;
· Bases da ortografia portuguesa – Gonçalves Viana, Guilherme Vasconcelos de Abreu; 
· “O que existe é uma cacografia alabirintada, uma escrita incerta, contraditória, arbitrária, caótica” – Mário Barreto; 
· Necessidade uma ortografia homogênea; 
· 1943: Formulário Ortográfico, publicado pela Academia Brasileira de Letras;
· Divergências entre este e o vocabulário da Academia de Ciências de Lisboa;
· Em 1980 se tenta mais uma vez unificar as bases ortográficas; 
· Os países de língua oficial portuguesa se reuniram, pela primeira vez, em 1989, em São Luís do Maranhão;
· Acordo Ortográfico de 1990;
· Abolição da dualidade ortográfica oficial;
· Estabelecimento de bases únicas; 
· A questão ortográfica do português, para prejuízo de todos, está ainda muito envolta por arroubos nacionalistas e até xenófobos;
4) 
· 
5) O discurso Purista
· Sec. XVII: Jerónimo Contador de Argote divide as variedades de fala culta e popular entre “fala dos bem-criados” e o “mau português”.
· Arte da Grammatica da Língua Portuguesa¸ de Antônio José dos Reis Lobato (A Arte de Reis Lobato) já mostra preocupação com a fala da população, principalmente dos que ocupavam grandes cargos.
· Alvará Real (30/09/1770): o ensino de português se torna obrigatório nas escolas de Portugal.
· A Arte de Reais Lobato, apesar do discurso, tinha caráter levemente prescritivo. A gramática de Antônio de Moraes Silva vinha com um viés purista muito mais pesado.
· A criação de jornais e publicação de livros impressos expandiu a cultura da leitura e escrita em Portugal, passaram a acreditar que a língua se encontrava em decadência por tantos “erros dos populares”.
· As gramáticas escolares deixaram de ser levemente prescritivas para adotarem um discurso extremamente condenador.
· “Cultura do erro”: a resposta purista às mudanças sociais por que passa a língua, recusando o dinamismo histórico, pregam que a língua está em franca decadência.
· A contradição: os componentes da Real Mesa Censória passaram a encontrar “erros” até mesmo nos grandes clássicos, perdendo sua fonte segura de língua e suas ideias foram aos poucos se enfraquecendo.
· O purismo tem como base a recusa do que é diferente. E esse não é o pensamento dos linguistas atuais (salvo exceções) que buscam, pelo contrário, abordar tanto a fala culta quanto a popular, formando uma norma padrão com base no que é alcançável.
6) O Problema Normativo do Brasil
· Séc. XVIII: Após a descoberta do ouro em Minas, houve uma grande urbanização e crescimento econômico. Foi aí que se iniciou a criação da norma culta no Brasil.
· A consolidação de uma norma padrão só se deu realmente no fim do séc. XIX e início do séc. XX; e era baseada em gramáticas portuguesa do período clássico, portanto, não se adequava a realidade do nosso país; era irreal.
· O abrasileiramento da língua escrita no período pós-independência.
· Contrariedade dos intelectuais de Portugal quanto à escrita brasileira, condenando as diferenças entre o português cultos de ambos países, exaltando a “raça pura” de Portugal.
· Segundo críticas de José Veríssimo, adotou-se o discurso de que era necessário limitar o português brasileiro.
· Quem seria apto a limitar o que é bom e ruim quanto às novidades da língua? O que é o português?
· Toda pesquisa de língua para responder “O que é o português”, não é apenas uma pesquisa linguística, mas também uma pesquisa política.
· 1880: O movimento purista ganha mais força no Brasil.
· Os puristas não buscavam apenas uma língua “correta”, mas assegurar a hierarquia política dos que “falam melhor”.
· A rigidez da norma padrão se mantém forte até hoje, perpetuando a dúvida de como lidar com as diferenças linguísticas e como orientar – em sala de aula – o ensino da normal culta.
7) Outras Normas em Gestação
· O problema com a norma padrão foi o mesmo em outros países outrora colonizados por Portugal?
· Variedades não nativas da língua: emergiu em sociedades coloniais quando a língua europeia foi apropriada como segunda língua.
· Perpétua Gonçalves (2010): Trouxe ao Brasil o tema. Apresentando a visão preconceituosa que a sociedade tem para com a variedade formada a partir do Português “puro” de Portugal.
· Em algumas outras sociedades em que a língua europeia é oficial, nota-se uma eventual legitimação como “variedade em pleno direito”, tornando-se assim, sua “norma normal”.
· Apesar da força da língua fluente, ainda se propaga o discurso de que há uma língua “certa” ou “melhor” do que as demais.
· Tendo conhecimento da distância entre as normas padrão ideais e a realidade da fala brasileira, qual o papeldo linguista na sociedade ao tratar desse assunto?

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