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MANUAL DE 
PRÁTICA PENAL I 
MATERIAL SISTEMATIZADO 
 
 Conteúdo – Revisado 
 
PROFESSOR ANDERSON PINHEIRO DA COSTA 
05/12/2014 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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2014 
 
I – COMPETENCIA E JURISDIÇÃO PENAL 
 
1 - JURISDIÇÃO 
 
Inicialmente, cabe consignar o sentido da palavra “Jurisdição”. A mesma 
vem do latim, “jurisdictio”, e significa prerrogativa de dizer o direito, decidir. 
 
Além disso, podemos dizer que a jurisdição é: 
Uma das funções do Estado, mediante a qual este se substitui aos titulares dos 
interesses em conflito para, imparcialmente, buscar a pacificação do conflito 
que os envolve, com justiça. Essa pacificação é feita mediante a atuação da 
vontade do direito objetivo que rege o caso apresentando em concreto para 
ser solucionado; e o Estado desempenha essa função sempre mediante o 
processo, seja expressando imperativamente o preceito (através de uma 
sentença de mérito), seja realizando no mundo das coisas o que o preceito 
estabelece (através da execução forçada)
1. 
 
Pode-se concluir pelo exposto, que jurisdição é o poder-dever do Estado de 
solucionar, através do processo, os conflitos de interesses (lides) que são trazidos à sua 
apreciação, isto é, o Estado tem por objetivo agir em prol da segurança jurídica e da 
ordem para que haja paz na sociedade. 
 
Cabe ressaltar que a jurisdição é una, uma só, porque tem por objetivo a 
aplicação do direito objetivo privado ou público. Contudo, se a pretensão de alguém é a 
aplicação de norma de Direito Penal, ou de Direito Processual Penal, a jurisdição 
será penal, se a finalidade é a aplicação de norma jurídica extrapenal, a jurisdição foge 
desta esfera. 
 
Em síntese, nota-se que jurisdição penal é o poder de solucionar o conflito 
entre os direitos relacionados à liberdade do indivíduo e a pretensão punitiva. 
1.1 Princípios da Jurisdição 
 
Convém ressaltar que a atividade jurisdicional é regida por certos princípios 
fundamentais, quais sejam: 
 
O Princípio do juiz natural diz que “ninguém será processado nem 
sentenciado senão pela autoridade competente (art.5º, LIII, da CF)”. Ademais, este 
princípio garante a proibição do juízo ou tribunal de exceção (art. 5º, XXXVII, CF). 
 
Em decorrência do Princípio do devido processo legal (due process of law) 
“ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal 
(art.5º, LIV, CF)”. 
 
Consoante o Princípio da investidura, “a jurisdição só pode ser exercida por 
quem tenha sido regularmente investido no cargo e esteja em exercício”. 
 
1
 CINTRA, Antônio Carlos de A.; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do 
processo. São Paulo: Malheiros editores, 2008. p. 147. 
 
 
 
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Já o Princípio da indeclinabilidade da prestação jurisdicional diz que 
nenhum juiz poderá subtrair-se do exercício da função jurisdicional. Outrossim, este 
princípio determina que o legislador não poderá produzir leis que restrinjam o acesso 
ao Poder Judiciário (art.5º,XXXV, CF). 
 
Pelo Princípio da improrrogabilidade, o juiz não poderá invadir nem ter sua 
competência invadida por outro juízo. 
 
Conforme o Princípio da indelegabilidade, o juiz não poderá delegar sua 
jurisdição a outro órgão, exceto nos casos taxativamente permitidos, como ocorre, por 
exemplo, nas cartas precatórias. 
 
Já o Princípio da inevitabilidade ou irrecusabilidade, determina que as partes 
não poderão recusar o juiz que o Estado designou, salvo nos casos de incompetência, 
impedimento e suspeição. 
 
De acordo com o Princípio da inércia ou da titularidade (ne procedat judex 
ex officio) “a função jurisdicional só pode atuar mediante provocação das partes, não 
sendo lícito ao juiz instaurar ações penais de ofício, sob pena de não estar agindo com a 
necessária imparcialidade”. 
 
Segundo o Princípio da correlação ou da relatividade “ou da congruência da 
condenação com a imputação ou ainda da correspondência entre o objeto da ação e o 
objeto da sentença”, o réu não poderá ser condenado sem, previamente, ter ciência dos 
fatos criminosos que lhe são imputados pela acusação. Ademais, sob o mesmo ponto de 
vista, Mirabete diz que: 
não pode haver julgamento extra ou ultra petita (ne procedat judex ultra 
petitum et extra petitum). A acusação determina a amplitude e conteúdo da 
prestação jurisdicional, pelo que o juiz criminal não pode decidir além e fora 
do pedido em que o órgão da acusação deduz a pretensão punitiva. Os fatos 
descritos na denúncia ou queixa delimitam o campo de atuação do poder 
jurisdicional
2. 
 
Por fim, o Princípio da unidade e identidade da jurisdição, ou seja, a 
jurisdição é única em si e em seus fins, diferenciando-se somente no julgamento de 
ações penais ou cíveis. 
 
2 - COMPETÊNCIA 
 
É importante salientar que o poder jurisdicional é privativo do ESTADO-
JUIZ. Entretanto, em face de uma expansão territorial, de determinadas pessoas (ratione 
personae) e de determinas matérias (ratione materiae), o exercício desse poder de 
aplicar o direito (abstrato) ao caso concreto sofre limitações, nascendo daí a noção de 
competência jurisdicional. Pode-se, pois, conceituar a competência como sendo o 
 
2
 MIRABETE, Júlio Fabbrini. Processo Penal. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2008. p.153 
 
 
 
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âmbito, legislativamente delimitado, dentro no qual o órgão exerce seu Poder 
Jurisdicional. 
 
2.1 Competência pelo lugar da infração 
 
A competência pelo lugar da infração (competência ratione loci), via de 
regra, é determinada pelo lugar em que se consumar o delito, ou, no caso de tentativa, 
pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. 
 
Convém ressaltar que: 
A competência pelo lugar da infração, também chamada de competência de 
foro ou territorial, determina qual será a comarca competente para o 
julgamento do fato criminoso. Esse critério é o mais utilizado porque inibe a 
conduta de todas as pessoas que vivem no local e tomaram conhecimento do 
fato e, além disso, possibilita maior agilidade à colheita de provas sem que 
seja necessária a expedição de cartas precatórias para oitiva de testemunha, 
realização de perícias, etc
3. 
 
Para melhor esclarecimento podemos citar como exemplo o entendimento 
do STF e do STJ em relação à emissão de cheques sem fundos, ou seja, nesse caso será 
competente o juízo do local onde ocorreu a recusa do pagamento pelo banco. 
 
Imperioso consignar que a regra da competência pelo lugar da infração foi 
adotada pelo código de processo penal em seu art. 70 e pela lei 9099 em seu art. 63. 
 
2.1.2 Competência pelo domicílio ou residência do réu 
 
A competência pelo domicílio ou residência do réu, também chamada 
de foro subsidiário, está disposta no artigo 72 do CPP, o qual determina que; “não sendo 
conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência 
do réu”. 
 
É válido frisar um exemplo, bem ilustrativo, abordado por Tourinho Filho, 
que diz: 
Suponha-se que um cadáver apareça boiando nas águas do Tietê, na comarca 
de Bariri. Foi ele arrastado pela correnteza. Constatou-se ter havido 
homicídio. Das investigações levadas a cabo, descobriu-se quem foi o 
criminoso. Este não soube explicar o local do crime. Disse apenas que 
ocorrera bem distante. Nessa hipótese,o processo deve tramitar pelo foro do 
domicílio ou residência do réu
4. 
 
 
3
 SANTOS, Vauledir Ribeiro; NETO, Arthur da Motta Trigueiros. Como se preparar para o exame de Ordem, 1ª fase: 
Processo Penal. 9. ed. São Paulo: Método, 2010. p. 65. 
4
 TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo Penal. 30. ed. revista e atualizada.São Paulo: Saraiva, 2008. 2 v., 
p. 116. 
 
 
 
 
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Ressalta-se, ainda, que excepcionalmente, nos casos de ação penal privada 
exclusiva, o autor poderá escolher o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda 
quando conhecido o lugar da infração. É o chamado foro alternativo, que não se aplica 
ao caso de ação penal privada subsidiária. 
2.1.3 Competência pela natureza da infração 
 
Uma vez fixada a competência pelo lugar da infração ou pelo domicílio ou 
residência do réu (art.69, I e II, do CPP), será necessário fixar a justiça competente em 
razão da natureza da infração (ratione materiae), melhor ainda, em razão da matéria. 
 
Oportuno se torna dizer que: 
a jurisdição (justiça) pode ser Especial, que se divide em Justiça Militar e 
Justiça Eleitoral ; e Comum, que se divide em Justiça Federal e Justiça 
Estadual. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de 
organização judiciária (federal ou estadual), salvo a competência privativa do 
Tribunal do Júri, cuja competência é atribuída pela Constituição Federal
5. 
 
O Tribunal do Júri tem a competência para julgar os crimes dolosos contra a 
vida, tais como o homicídio doloso, o infanticídio, previstos nos arts. 121 e 123 do 
CP. Estando elencada sua competência no art. 74, §1°, do Código de Processo 
Penal. (conferir). 
 
Em relação à jurisdição especial, a Constituição Federal determina que 
compete à Justiça Eleitoral (art.121 da CF), julgar os crimes eleitorais e os seus 
conexos. A Constituição Federal também prevê a competência da Justiça Militar 
(art.124 da CF), qual seja, processar e julgar os crimes militares previstos em lei. 
 
Além do mais, a Constituição Federal também prevê a competência da 
jurisdição comum (federal ou estadual), por exemplo, compete à Justiça Federal 
processar e julgar os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a 
competência da Justiça Militar (art.109,IX,da CF). 
 
Finalmente, a Justiça Comum Estadual tem a competência residual. Em 
outras palavras, é competência da Justiça Estadual tudo o que não for de competência 
das jurisdições federal e especial. 
 
2.1.4 Competência por prevenção e distribuição 
 
Através da distribuição (art. 69, IV, do CPP), haverá a fixação da 
competência do juízo quando houver mais de um juiz igualmente competente em uma 
mesma circunscrição judiciária. 
2.1.5 Competência por conexão ou continência 
 
 
5 SANTOS, Vauledir Ribeiro; NETO, Arthur da Motta Trigueiros. Como se preparar para o exame de Ordem, 1ª fase: 
Processo Penal. 9. ed. São Paulo: Método, 2010. p. 67. 
 
 
 
 
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Há conexão (art.69, V, do CPP) quando duas ou mais infrações estão ligadas 
por um liame, sendo que estes crimes devem ser julgados em um só processo em virtude 
da existência desse nexo. 
 
Além disso, “há continência quando uma coisa está contida em outra, não 
sendo possível a separação. No processo penal a continência é também uma forma de 
modificação da competência e não de fixação dela”. Ademais, ocorrerá a continência 
quando duas ou mais pessoas são acusadas pelo mesmo crime, ou se o comportamento 
do indivíduo configurar concurso formal, aberratio criminis (resultado diverso daquele 
pretendido) com duplo resultado e aberratio ictus (erro na execução). 
 
Diante do exposto, nota-se que a continência e a conexão são critérios de 
prorrogação de competência e não de fixação. Outrossim, a existência de continência e 
conexão ocasionará a reunião de processos e prorrogação da competência. Todavia, 
segundo a Súmula 235 do STJ “a conexão não determina a reunião dos processos, se um 
deles já foi julgado”. 
2.1.6 Competência por prerrogativa de função 
 
Cumpre-nos assinalar que a competência por prerrogativa de função (art. 
69, VII, do CPP) ou competência ratione personae (em razão da pessoa) é determinada 
pela função da pessoa, ou melhor, é garantia inerente ao cargo ou função. Ademais, a 
prerrogativa surge da relevância do desempenho do cargo pela pessoa e devido a isso, 
não pode ser confundida com o privilégio, uma vez que este constitui um benefício 
concedido à pessoa. 
 
Convém enfatizar que a competência pela prerrogativa de função referente, 
por exemplo, ao Supremo Tribunal Federal, está prevista na Constituição Federal. 
Vejamos: 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a 
guarda da constituição, cabendo-lhe: 
I – processar e julgar, originariamente: 
(...) 
b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice- 
Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios 
Ministros e o Procurador-Geral da República; 
c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os 
Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica, ressalvado o disposto no artigo 52, I, os membros dos 
Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes 
de missão diplomática de caráter permanente; (...) 
 
Observe que o cargo/função ocupado pela pessoa é o delimitador do foro 
competente para julgá-lo, nos casos excepcionais previstos em lei. 
2.1.7 Modificações de competência 
 
Pela modificação de competência podemos entender que há regras sobre 
competência material e funcional, que por sua vez poderão ser modificadas nas 
hipóteses de prorrogação de foro, delegação (interna ou externa) e desaforamento. 
 
A prorrogação da competência é: 
 
 
 
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a possibilidade de substituição da competência de um juízo por outro, 
podendo ser necessária ou voluntária; a necessária decorre das hipóteses de 
conexão (é o nexo, a dependência recíproca que as coisas e os fatos guardam 
entre si) e continência (como o próprio nome já diz é quando uma causa está 
contida na outra, não sendo possível a cisão); e a voluntária ocorre nos casos 
de incompetência territorial quando não oposta a exceção no momento 
oportuno (caso em que ocorre a preclusão), ou nos casos de foro alternativo
6. 
 
A delegação é o ato pelo qual um juiz transfere para o outro a atribuição 
jurisdicional que é sua. Essa delegação pode ocorrer de duas formas, interna ou externa. 
A delegação interna ocorre nos casos de juízes substitutos e juízes auxiliares do titular 
do Juízo, melhor ainda, é quando um juiz cede a outro a competência para praticar atos 
no processo, inclusive decisórios, cabe entendermos que neste caso não há uma 
modificação de competência, mas sim de atribuições. Já a delegação externa é utilizada 
nos casos em que os atos são praticados em juízos diferentes, isto é, quando há o uso 
das cartas precatórias, rogatórias e de ordem. 
 
O desaforamento nada mais é do que o instituto privativo dos crimes de 
competência do Tribunal do Júri. Nos casos em que houver necessidade desse instituto, 
o pedido poderá ser proposto pela acusação (MP ou querelante, em casos de ação 
privada subsidiária), por representação do juiz, pelo assistente de acusação ou a 
requerimentodo acusado e será endereçado ao Tribunal de Justiça. Neste sentido, a 
Súmula 712 do STF diz que “é nula a decisão que determina o desaforamento de 
processo da competência do júri sem audiência da defesa”. 
 
2.1.8 Competência absoluta e relativa 
 
Chama-se competência absoluta, visto que as competências em razão da 
matéria e a por prerrogativa de função, tem conteúdo de interesse público e, por isso, 
não podem ser prorrogadas e nem modificadas pelas partes e o seu reconhecimento, que 
pode ocorrer em qualquer tempo ou grau de jurisdição, gera nulidade absoluta do 
processo. 
 
Para entendermos competência relativa, é indispensável uma breve análise 
da Súmula 706 do STF que diz; “é relativa a nulidade decorrente da inobservância da 
competência penal por prevenção”. Outrossim,, na competência territorial, na qual o que 
prevalece é o interesse privado de uma das partes, é prorrogável se não for alegada no 
tempo oportuno e é capaz de gerar, se comprovado o prejuízo pela parte interessada, 
apenas a nulidade relativa do ato ou de uma fase do processo. 
 
3 - CONCLUSÃO 
 
Diante da exposição construída ao longo do texto, observa-se que a 
jurisdição não é absoluta para um determinado juiz, isto é, a jurisdição não pode incidir 
 
6
 SANTOS, Vauledir Ribeiro; NETO, Arthur da Motta Trigueiros. Como se preparar para o exame de Ordem, 1ª fase: 
Processo Penal. 9. ed. São Paulo: Método, 2010. p. 75. 
 
 
 
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sobre todos os tipos de demanda. Logo, para que haja uma delimitação para a atuação 
dessa jurisdição o legislador disciplinou regras sobre competência. 
 
Percebe-se, ainda, que a jurisdição é o poder do Estado decorrente de sua 
soberania, para editar leis e ministrar a justiça, além de ser um poder legal no qual são 
investidos certas pessoas e órgãos. Já a competência é a capacidade de uma autoridade 
pública de efetuar determinados atos, ou ainda, qualidade legítima de apreciar e julgar 
um pleito ou questão dentro de uma determinada divisão judiciária. 
 
II - QUEIXA CRIME: 
 
 
Trata-se de ação penal privada e, como ocorre nas ações penais públicas, 
deve estar amparada por prova pré-constituída. O ofendido, antes da propositura da 
queixa, deve requerer a instauração de inquérito ou termo circunstanciado para ofertar 
justa causa à ação penal privada, indicando materialidade e indícios de autoria, salvo se 
possuir indícios suficientes para tal. 
 
O advogado deve receber poderes especiais para propositura da queixa 
crime, ou seja, a procuração deve fazer expressa menção à propositura da ação penal 
privada, com um breve resumo dos fatos. Se preferir, o ofendido pode assinar a queixa 
juntamente com o advogado (art. 44 do CPP). 
 
Cuidando-se de dois ou mais agentes, em homenagem ao princípio da 
indivisibilidade da ação penal privada, é indispensável o oferecimento de queixa contra 
ambos, sob pena de configuração de renúncia (art. 48 e 49 do CPP). Importante ressaltar 
o prazo para oferecimento da queixa, que é de 06 meses contados da data em que se tem 
conhecimento da autoria do crime. Este prazo é decadencial e de natureza penal, ou 
seja, conta-se o dia do início e exclui-se o dia do fim, diferente do que ocorre na 
contagem de prazo processual. Necessário consignar que na queixa o autor deve 
demonstrar a autoria, materialidade, bem como demonstrar a ocorrência do “crime” e 
suas peculiaridades. 
 
Como saber se o crime será processado mediante queixa? 
 
O próprio tipo penal ou o capítulo em que tal crime estiver inserido irá 
trazer a ressalva de que o crime em análise se procede mediante queixa, a exemplo dos 
crimes contra honra (Art. 145 do Código Penal), Induzimento a erro essencial e 
ocultação de impedimento (art. 236, parágrafo único do CP), exercício arbitrário das 
próprias razões sem emprego de violência (art. 345, parágrafo único, do CP) e crime de 
Dano (art. 167 do CP). Mais corriqueiro e presente no cotidiano da maioria dos 
profissionais do direito, estão os crimes contra a honra. 
 
a) CRIMES CONTRA A HONRA: 
 
O Cap. V do Título I da Parte Especial do Código Penal Brasileiro trata 
“Dos Crimes Contra a Honra”. O conceito de honra abrange tanto aspectos objetivos 
como subjetivos, de maneira que, aqueles representariam o que terceiros pensam a 
respeito do sujeito – sua reputação - enquanto estes representariam o juízo que o sujeito 
faz de si mesmo – seu amor-próprio. 
 
 
 
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A honra é vista como o conjunto de atributos morais, físicos e intelectuais 
de uma pessoa, que a tornam merecedora de apreço no convívio social e que promovem 
a sua autoestima. 
 
Em tal capítulo temos a presença de três modalidades de crimes que violam 
a honra, seja ela objetiva ou subjetiva, a saber: a Calúnia ( art. 138 ), a Difamação ( art. 
139 ) e a Injúria ( art. 140 ). Tais crimes são causadores de frequentes dúvidas entre os 
profissionais da área jurídica, que, muitas vezes, acabam fazendo confusão entre 
aqueles. 
 
Inicialmente, insta fazer a exposição da definição de cada modalidade de 
crime com alguns exemplos, para, posteriormente, diferenciá-las. Cabe ressaltar, 
também, que o prazo para intentar a queixa-crime nos casos aqui expostos é decadencial 
(06 meses), incluindo-se neste computo o dia do inicio e excluindo do mesmo a data 
final. Se o prazo cair em dia não útil, ou seja, final de semana ou feriado, deve-se 
ANTECIPAR o prazo e final e não prorrogá-lo para o próximo dia útil subsequente, 
como se faz no prazo processual. 
 
A calúnia consiste em atribuir, falsamente a alguém a responsabilidade pela 
prática de um fato determinado, definido como crime . Na jurisprudência temos que “a 
calúnia exige dolo específico e exige três requisitos : imputação de um fato + 
qualificado como crime + falsidade da imputação”. Assim, se “A” diz que “B” roubou 
a moto de “C”, sendo tal imputação falsa, estamos diante de crime de calúnia. 
 
A difamação, por sua vez, consiste em atribuir a alguém fato determinado 
ofensivo à sua reputação. Assim, se “A” diz que “B” foi trabalhar embriagado semana 
passada, constitui crime de difamação, pois sua reputação perante os colegas de trabalho 
foi atingida. 
 
A injúria, de outro lado, consiste em atribuir a alguém qualidade negativa, 
que ofenda sua dignidade ou decoro. Assim, se “A” chama “B” de imbecil, ou imprime 
uma palavra ofensiva em um papel higiênico e espalha pelo condomínio, dentre outras 
condutas, constitui crime de injúria. 
 
Momento Consumativo: A Calúnia e a difamação, por serem crimes que 
atentam contra a honra objetiva, se consumam a partir do momento em que terceiros 
tomam conhecimento do fato. A injúria, por sua vez, se consuma no instante em que o 
próprio ofendido tem conhecimento do fato. 
 
b) RESUMÃO: 
 
CALÚNIA - falsa imputação de FATO CRIMINOSO a outrem. Deve ser crime, não 
podendo ser contravenção. 
 
DIFAMAÇÃO - imputação a alguém de FATO OFENSIVO a sua reputação. 
 
INJÚRIA - ofensa à dignidade, decoro ou qualidade de outrem. Manifestação de 
desrespeito e desprezo. 
 
 
 
 
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c) MACETES: 
 
 
"C" ALÚNIA - começa com "C" de CRIME 
 
DI "FA" MAÇÃO ou DI “FAMA”- a segunda sílaba é "FA" de FATO, pouco 
importante se tal fato é mentira ou verdade. A palavra deriva de FAMA que significa o 
prestigio social gozado pelo individuo. 
 
"IN" JÚRIA – “INternamente, ataquei alguémao falar mal de atributos desta pessoa”. 
Pode-se pensar também nesta frase que não me agrada muito, mas... “Essa pergunta eu 
não sei responder porque quem me ensinou é muito "IN"GUINORANTE. Pronto, sem 
querer eu injuriei o meu professor”. 
 
CALÚNIA 
 
Imputação de um fato concreto a alguém determinado; 
Essa fato deve ser falso ou quando o fato em si for verdadeiro, mas o agente imputa 
aquele fato à vitima falsamente. Ex: Fulano roubou a moto de cicrano, mas beltrano diz 
que o verdadeiro autor do roubo é altrano, mesmo sabendo que é fulano. 
Esse falso deve ser definido como crime (se for contravenção o crime será de 
difamação). 
 
Considerações: 
A calúnia atinge a honra objetiva, ou seja, o status que a pessoa goza no meio social. 
Assim, o crime só se consuma quando terceiro toma conhecimento das alegações 
caluniosas; a vítima pode estar ausente. 
 
PESSOA JURÍDICA- não pode ser vítima de calunia (apesar da Lei 9605). No caso, as 
pessoas responsáveis pela pessoa jurídica é que podem ser caluniadas. Há posições 
contrarias, como a de Guilherme de Souza Nucci
7
. 
 
O § 1º do art. 138 pune a conduta de quem, sabendo falsa a imputação, a propala e 
divulga; 
 
A calúnia contra os mortos é punível, mas os sujeitos passivos serão os familiares e não 
o cadáver. O crime de calúnia admite a exceção da verdade. A lei de imprensa 
(5.250/67) pune a calúnia e a difamação contra a memória dos mortos. A calunia se 
diferencia na denunciação caluniosa (art. 339 do Codigo Penal) na medida em que esta 
ultima envolve o dolo de dar causa à instauração de investigação policial, de processo 
judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de 
improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente, 
constituindo tal conduta crime contra a administração da justiça. E também diferencia-
se da comunicação falsa de crime (art. 340 do Codigo Penal), considerando que este 
ultimo também constitui crime contra a administração já justiça, na medida em que o 
autor provoca a ação da autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou 
contravenção que sabe não ter ocorrido. 
 
 
7
 Nucci, Guilherme de Souza. Codigo penal comentado. – 13 ed. rev. e ampl. – São Paulo: Editora 
Revista dos Tribunais, 2013, pag. 716. 
 
 
 
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DIFAMAÇÃO 
imputar fato concreto; 
imputando FALSAMENTE OU NÃO; 
fato ofensivo à reputação, vez que agride a FAMA – prestigio social. 
 
Considerações 
1) O crime de difamação, assim como a calunia, atinge a honra objetiva (reputação). 
Assim, só estará consumado após terceiro tomar conhecimento. 
 
2) Exceção da verdade – em regra não é admitida, salvo se o ofendido é funcionário 
público e se a ofensa é relativa ao exercício das funções. 
 
INJÚRIA 
Como dito, é a ofensa à dignidade, decoro ou qualidade de outrem. Manifestação de 
desrespeito e desprezo. 
 
Tipos : a) Injúria Simples 
 b) Injúria Real (art. 140, § 2º) – por violência ou vias de fato. Havendo 
violência não há que se falar em queixa crime, mas sim em ação penal pública 
incondicionada. 
 c) Injúria Racial (art. 140, § 3º) – “ÍNDIO É RAÇA DE GENTE 
FEDORENTA”. Neste caso a ação penal se torna condicionada à representação do 
ofendido e a competência deixa de ser do juizado especial criminal que se limita a julgar 
crimes cuja pena máxima não ultrapasse 2 anos. 
 
 O crime de injúria não admite a exceção da verdade. 
 
IMPORTANTE: o funcionário publico que tem sua honra agredida em razão do 
desempenho de suas funções possui a chamada legitimidade concorrente para ingressar 
com a ação penal (Sumula 714 do STF), o que quer dizer que o mesmo pode representar 
para que o ministério publico ingresse com a denúncia (ação penal pública condicionada 
a representação do ofendido) ou ele mesmo pode fazer-se representar por advogado para 
ingressar com a queixa crime (ação penal privada). 
 
d) DA TRANSAÇÃO PENAL E DA SUSPENSÃO CONDICIONAL 
DO PROCESSO: 
 
Dispõe o artigo 89 da Lei 9.099/95: 
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano 
(Cabe no crime de furto e apropriação indébita, por exemplo), abrangidas ou não por 
esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do 
processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou 
não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que 
autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal). 
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, 
recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período 
de prova, sob as seguintes condições: 
 
 
 
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I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; 
II - proibição de freqüentar determinados lugares; 
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz; 
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e 
justificar suas atividades. 
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, 
desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado. 
§ 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser 
processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do 
dano. 
§ 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do 
prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta. 
§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade. 
§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo. 
§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo prosseguirá 
em seus ulteriores termos. 
Trata-se da suspensão condicional do processo, um instituto de despenalização, 
ou seja, uma alternativa à jurisdição penal que tem natureza penal material. Com sua 
utilização evita-se a aplicação da pena. 
Uma vez preenchidos os requisitos legais, a suspensão do processo é um direito 
do acusado. Logo, o termo utilizado no caput do artigo 89, da Lei 9.099/95, "poderá", 
indicando que o Ministério Público teria a faculdade de propor ao acusado a suspensão 
condicional do processo, em verdade deve ser entendido como um "poder dever". Eis o 
teor do informativo 513 do STJ: 
DIREITO PROCESSUAL PENAL. SUSPENSÃO 
CONDICIONAL DO PROCESSO. OFERECIMENTO DO 
BENEFÍCIO AO ACUSADO POR PARTE DO JUÍZO 
COMPETENTE EM AÇÃO PENAL PÚBLICA. O juízo 
competente deverá, no âmbito de ação penal pública, 
oferecer o benefício da suspensão condicional do 
processo ao acusado caso constate, mediante 
provocação da parte interessada, não só a 
insubsistência dos fundamentos utilizados pelo 
Ministério Público para negar o benefício, mas o 
preenchimento dos requisitos especiais previstos no 
art. 89 da Lei n. 9.099/1995. A suspensão condicional do 
processo representa um direito subjetivo do acusado na 
hipótese em que atendidos os requisitos previstos no 
art. 89 da Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. 
Por essa razão, os indispensáveis fundamentos da 
 
 
 
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recusa da proposta pelo Ministério Público podem e 
devem ser submetidos ao juízo de legalidade por parte 
do Poder Judiciário. Além disso, diante de uma negativa 
de proposta infundada por parte do órgão ministerial, o 
Poder Judiciárioestaria sendo compelido a prosseguir 
com uma persecução penal desnecessária, na medida 
em que a suspensão condicional do processo 
representa uma alternativa à persecução penal. Por 
efeito, tendo em vista o interesse público do instituto, a 
proposta de suspensão condicional do processo não 
pode ficar ao alvedrio do MP. Ademais, conforme se 
depreende da redação do art. 89 da Lei n. 9.099/1995, 
além dos requisitos objetivos ali previstos para a 
suspensão condicional do processo, exige-se, também, 
a observância dos requisitos subjetivos elencados no 
art. 77, II, do CP. Assim, pode-se imaginar, por exemplo, 
situação em que o Ministério Público negue a benesse 
ao acusado por consideração a elemento subjetivo 
elencado no art. 77, II, do CP, mas, ao final da instrução 
criminal, o magistrado sentenciante não encontre 
fundamentos idôneos para valorar negativamente os 
requisitos subjetivos previstos no art. 59 do CP (alguns 
comuns aos elencados no art. 77, II, do CP), fixando, 
assim, a pena-base no mínimo legal. Daí a importância 
de que os fundamentos utilizados pelo órgão ministerial 
para negar o benefício sejam submetidos, mediante 
provocação da parte interessada, ao juízo de legalidade 
do Poder Judiciário. HC 131.108-RJ, Rel. Min. Jorge 
Mussi, julgado em 18/12/2012. 5ª Turma. 
 
Insta consignar que o instituto disciplinado no artigo 89 é aplicável dentro e fora 
do Juizado Especial Criminal. A conclusão n. 2 da Comissão Nacional de Interpretação 
da Lei 9.099/1995 diz o seguinte: "São aplicáveis pelos juízos comuns (estadual e 
federal), militar e eleitoral, imediata e retroativamente, respeitada a coisa julgada, os 
institutos penais da Lei 9099, como a composição civil extinta da punibilidade (art. 74, 
parágrafo único), transação (arts. 72 e 76), representação (art. 88) e suspensão 
condicional do processo (art. 89)". 
Veja-se que diante do caso concreto, o Promotor de Justiça tem duas opções: 
indicar a transação penal, prevista no artigo 76, da mesma Lei (Art. 76. Havendo 
representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não 
sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata 
de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta) ou propor a 
suspensão condicional do processo. 
Neste sentido, vale mencionar as diferenças entre a transação penal e suspensão 
condicional do processo. A transação é cabível quando a pena máxima abstrata 
cominada ao delito não seja superior a dois anos (art. 61 da Lei 9.099/95). A suspensão 
é para os crimes cuja pena mínima não seja superior a um ano (art. 89, da mesma Lei). 
A transação encerra-se com a aplicação de pena restritiva de direitos ou multa, enquanto 
que a suspensão, não havendo motivos que justifiquem sua revogação, culmina com a 
extinção da punibilidade, não havendo imposição de pena. 
 
 
 
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Os parágrafos 3º e 4º dispõem, respectivamente, sobre os casos obrigatório e 
facultativo de revogação do benefício e, de acordo com o entendimento do STJ, nos 
termos indicados neste informativo, o benefício poderá ser revogado após o período de 
prova, desde que os fatos que ensejaram a revogação tenham ocorrido antes do término 
deste período. 
 Observação importante: Crime do art. 236 do Código Penal!! É o único crime, 
atualmente, considerado de ação penal privada PERSONALISSÍMA. Isso quer dizer 
que se a vítima falece no decurso de uma queixa crime, diferente do que ocorre com os 
demais crimes de ação penal priva em que o poder de dar prosseguimento na ação 
passa-se ao CADI – rol de legitimados (cônjuge, ascendente, descendente e irmãos, 
nesta ordem, taxativamente), no crime de ocultação e induzimento a erro essencial no 
casamento isso não ocorre, visto que a morte do ofendido enseja extinção de 
punibilidade. E mais. Enquanto o prazo decadencial de 6 meses começa a correr a partir 
do conhecimento da autoria delitiva nos demais crimes de ação penal privada, o do 
artigo 236 começa a correr do dia em que transita em julgado a sentença que anulou o 
casamento na esfera civil (artigo 236, parágrafo único do código penal). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
QUEIXA – CRIME: MODELO E ESTRUTURA DA PETIÇÃO. 
 
Caso: Danildo Salomão, em reunião de prestação de contas da empresa, da qual 
participam vários diretores e gerentes, imputou ao senhor Fausto Faustino de 65 anos, 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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sabendo-o inocente, a conduta de ter constrangido, mediante grave ameaça, o contador 
Hildebrando Fialho a não exercer sua atividade. Fausto Faustino, assim teria agido, com 
o propósito de se vingar da gerência que não o promoveu ao posto almejado. Fausto 
Faustino, sentindo-se injustiçado, contratou você para promover a medida processual 
cabível. Insta consignar que o fato ocorreu em 01 de fevereiro de 2011 e Fausto 
Faustino soube quem era o responsável por espalhar as informações aqui citadas em 05 
de junho de 2011. A empresa Millenium é situada na Asa Sul, Brasília-DF. 
 
Resoluçao da peça 
 
Se a pena máxima do crime atribuído fosse até dois anos o endereçamento passaria 
a ser assim: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DO ... JUIZADO ESPECIAL 
CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA-DF (Fora do 
Distrito Federal, seria Comarca de...) 
 
Entretanto, importantíssimo ressaltar que a calúnia por si só já tem a pena 
máxima fixada em dois anos. Com a causa de aumento de pena insculpida no art. 
141 do Código Penal, ocorre alteração no endereçamento que passa a ser: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DA 
CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA – DF (Fora do DF, seria 
COMARCA DE...) 
 
 Fausto Faustino, Nacionalidade ..., Estado Civil ..., Profissão ..., portador 
do RG ... e do CPF ..., residente e domiciliado na ... (devemos colocar três pontinhos se 
o problema não trouxer a informação. Jamais invente um dado que o problema não deu, 
isso pode ocasionar sérias consequências, tais como sua eliminação do certame da 
OAB), por intermédio de seu advogado que esta subscreve, conforme instrumento de 
mandato em anexo em conformidade com o artigo 44 do Código de Processo Penal, 
vem perante Vossa Excelência, com fulcro nos arts. 30 e 41 e ss. do Código de Processo 
Penal em combinação com os artigos 100 §2º e 145, caput, (cuidado! O art. 145 faz 
parte do fulcro da presente petição tendo em vista se tratar de um crime contra a honra. 
Se fosse dano – art. 163, no lugar do artigo mencionado seria 167 do Código Penal. Se 
fosse o crime do artigo 236, no lugar do 145 teríamos o 236, parágrafo único. Tal fato 
se dá porque temos que localizar no código o dispositivo legal que especifica que aquele 
determinado crime se procede mediante ação penal privada) ambos do Código Penal, 
oferecer 
QUEIXA CRIME 
 
em face de Danildo Salomão, Nacionalidade ..., Estado Civil ..., Profissão ..., portador 
do RG ... e do CPF ..., residente e domiciliado em (Colocar o Endereço), por ter tido sua 
conduta subsumida nas penas do art. 138 c/c 141, III e IV, ambos do Código Penal, 
baseada esta peça acusatória nas provas colhidas no inquérito policial que segue 
juntamente com esta petição e pelos motivos de fato e de direito abaixo alinhavados. 
 
No dia 01 de fevereiro de 2011, por voltas das 16:00 horas, em reunião 
realizada na sede da empresa Millenium, situada na Asa Sul, nesta cidade, na presença 
de inúmeros diretores e gerentes, muitos dos quais constam do rol de testemunhas 
 
 
 
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abaixo indicado, o querelado imputou ao querelante a prática do crime descrito no art. 
197, I, do Código Penal. Afirmou, sabendo ser o querelante inocente, que os dados 
contábeis da empresa não se encontravam regulares, tendo em vista que o querelante, 
por ter sido preterido em promoção realizada no dia 29 de dezembro de 2010, para 
vingar-se da gerência que deixou de indicá-lo ao posto, teria constrangido o contador 
Hildebrando Fialho, mediante grave ameaça, a deixar de realizar sua atividade, durante 
certo período. A ameaça fundar-se-ia na expulsão do filho do contador da escola 
particular onde atualmente cursa o ensino médio, com bolsa integral, levando-se em 
conta que a esposa do querelante é a diretora geral do referido estabelecimento de 
ensino. 
 
 A criativa história idealizada pelo querelado teve o fim de prejudicar o 
querelante, conspurcando sua reputação diante de terceiros, sendo certo saber ele que 
não foi feito nada contra Hildebrando. 
 
 Apurou-se no incluso inquérito policial ter o contador negligenciado seus 
afazeres em virtude de problemas pessoais, razão pela qual os dados estavam, de fato, 
incompletos, porém, nada disso teve por origem qualquer ameaça proferida pelo 
querelante. 
 
 Como é sabido, no ordenamento jurídico pátrio, a calúnia consiste em 
atribuir, falsamente, à alguém a responsabilidade pela prática de um fato determinado, 
definido como crime. Na jurisprudência tem-se que a calúnia exige dolo específico e 
três requisitos, a saber: imputação de um fato + fato qualificado como crime + falsidade 
da imputação. 
 
 O querelado não só sabia ser inocente o querelante como também 
engendrou a versão apresentada na reunião mencionada com o objetivo de macular sua 
imagem entre os diretores e gerentes, justamente para afastá-lo da concorrência ao 
próximo cargo de gerência a ser disputado dentro de alguns meses, quando ocorrerá a 
aposentadoria do atual ocupante. Portanto, maliciosamente, o querelado, concorrente do 
querelante, buscou vincular a negligência do contador da empresa a uma inexistente 
grave ameaça, associada a um desejo de vingança igualmente fictício, com o fim de 
prejudicar de forma leviana e covarde o querelante. 
 
 Torna-se nítida a prática do delito de calúnia por parte do querelado, sem 
perder de vista que foi o fato divulgado na presença de várias pessoas, além de possuir o 
querelante mais de sessenta anos, o que torna o delito mais grave. O fato em análise é 
indubitavelmente típico, eis que está definido na lei penal como crime. É antijurídico na 
medida em que contraria imperativo legal e agride bem alheio tutelado pelo Estado, bem 
como é culpável, visto que o agente do crime não se encontra amparado por nenhuma 
das causas que possam eximi-lo da responsabilidade de responder pelos seus atos 
perante o judiciário. 
 
 Diante do exposto, por ter o querelado infringido os ditames do art. 138 
c/c 141, III e IV, ambos do Código Penal pugna o querelante: 
 
a) Pela intimação do MP para que mesmo atue como custus legis em todos 
os termos do presente feito; 
 
 
 
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b) Pela intimação do querelado para que compareça à audiência preliminar 
a ser designada por este para eventual composição nos termo do art. 520 
do Código Penal (se fosse competência do jecrim seria com base nos 
arts. 72 a 76 da lei 9099/95), ou então, se infrutífera, que seja recebida a 
presente queixa crime em face do querelado com a consequente citação 
e designação de audiência de instrução, debates e julgamento, seguindo-
se as disposições do rito sumário previsto nos arts. 395 a 405 do Código 
de Processo Penal (Se juizado, inserir: na forma dos arts. 77 a 81 da Lei 
9099/95).. 
 
 (Obs: ( Se o processo estiver correndo perante o juízo da vara criminal, o 
pedido fica assim: 
Diante do exposto, (...) o querelante requer seja designada audiência preliminar para 
eventual composição e transação, conforme art. 520 do CPP, ou então se infrutífera, 
que seja recebida a presente queixa crime em face do querelado com a consequente 
citação e designação de audiência de instrução, debates e julgamento, na forma dos 
arts. do CPP, até final sentença de condenação. 
 
 Havendo prejuízos causados à vitima e expostos no problema, requerer a 
condenação do querelado ao pagamento relativo aos prejuízos suportados pelo 
querelante nos termos do art. 387, IV, do Código de Processo Penal. 
 
 
Requer, ao final, sejam inquiridas as testemunhas ora arroladas nesta 
petição, e colhidas suas declarações, a fim de corroborar os fatos articulados pelo 
querelante em sua peça processual. 
 
IV - ROL DE TESTEMUNHAS 
 
1) , qualificado à fl. ; 
2) , qualificado à fl. ; 
3) , qualificado à fl; 
 
Dá a causa o valor de R$ ... 
 
Nestes termos, pede deferimento. 
 
 
Brasília, 04 de dezembro de 2011. (antes do prazo decadencial, ficar atento!). 
 
 
 
Advogado 
 OAB 
 
 
Obs: importante frisar que o número de testemunhas a serem arroladas em sede de 
juizado especial é 3, por analogia ao art. 34 da lei 9099. Isso é o que sustentam alguns 
 
 
 
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doutrinadores. Outra grande porte sustenta que são até 5 testemunhas
8
. No rito comum e 
na primeira fase do júri são 8. Na segunda fase do plenário, em sede do art. 422 do CPP, 
novamente podem ser arroladas até 5. No rito sumário, também temos como número 
máximo 5. 
 
Na queixa crime e na resposta à acusação SEMPRE se arrolam testemunhas, sob 
pena de preclusão temporal, visto que é o momento processual oportuno para se fazer 
isso. 
 
 
 
8
 O Código de Processo Penal estabelece claramente o número máximo de testemunhas para os procedimentos 
ordinário e sumário. No artigo 401 regra o procedimento ordinário e deixa registrado que o número é de oito 
testemunhas. Por seu turno, no artigo 532 consigna que no procedimento sumário o número máximo de testemunhas é 
de cinco. Entretanto, a Lei 9099/95, que rege o chamado Procedimento Sumaríssimo, sempre foi lacunosa quanto ao 
número máximo de testemunhas a serem arroladas na seara criminal. À míngua de uma determinação legal expressa, 
a melhor doutrina havia se assentado no entendimento de que dever-se-ia fazer analogia ao regramento existente 
“intra lege” para os Juizados Especiais Cíveis, solucionando o caso com o artigo 34 da própria Lei 9099/95, que impõe 
o número máximo de três testemunhas. Essa solução parecia pouco discutível, embora não pacífica, tendo em vista 
não haver outras regras a ocasionarem alguma dúvida ou polêmica. 
Ocorre que com a reforma implementada pela Lei 11.719/08 perdeu o legislador a chance de tornar essa questão mais 
clara, estabelecendo expressamente um número máximo de testemunhas para o sumaríssimo e ainda ensejou um 
clima de maior dúvida com a criação de dois novos dispositivos. 
Em primeiro lugar passou a dispor o artigo 394, § 5º., CPP, que “aplicam-se subsidiariamente aos procedimentos 
especial, sumário e sumaríssimo as disposições do procedimento ordinário” (grifo nosso). Esse dispositivo, aliado ao 
artigo 92 da Lei 9099/95, que manda aplicar subsidiariamente as disposições do Código de Processo Penal que não 
conflitarem com aquele diploma, leva a crer que o número máximo de testemunhas, a partir do momento que não é 
explicitado na lei de regência, passa a ser aquele do procedimento ordinário, que se aplica subsidiariamente, ou seja, 
oito testemunhas (artigo 401, CPP). 
Não obstante, estabelece o artigo 538, CPP, que naqueles casos de infrações de menor potencialque forem 
encaminhados ao Juízo Comum, nos termos dos artigos 66, Parágrafo Único e 77, § 2º., da Lei 9099/95, aplicar-se-ão 
as normas do procedimento sumário. Agora, à vista deste outro dispositivo do mesmo Código de Processo Penal e 
novamente sua conjunção com o artigo 92 da Lei dos Juizados Especiais Criminais, parece que o número de 
testemunhas pode ser de cinco e não de oito, de acordo com o disposto no artigo 532, CPP. Ora, se as infrações 
afetas normalmente ao procedimento sumaríssimo devem assumir as regras do sumário quando remetidas ao juízo 
comum, parece sustentável que no silêncio da Lei 9099/95 quanto ao número de testemunhas deva prevalecer o 
número previsto para o procedimento sumário, mais próximo do sumaríssimo, inclusive tendo em vista os princípios de 
celeridade, simplicidade e economia processual que regem os Juizados Especiais Criminais. 
Note-se que se antes o silêncio da Lei 9099/95 era acompanhado pela omissão do Código de Processo Penal, 
tornando pouco discutível a aplicação subsidiária “intra lege” do artigo 34 da própria Lei 9099/95, apontando o número 
de três testemunhas, atualmente as novas disposições do Código de Processo Penal passaram de um silêncio 
sepulcral para uma tagarelice babélica. Agora podem surgir ao menos três posições plenamente sustentáveis em 
bases legais quanto ao número de testemunhas no procedimento sumaríssimo: oito por aplicação subsidiária do 
procedimento ordinário; cinco por aplicação subsidiária do procedimento sumário ou a reiteração do antigo 
entendimento de que o número seria mesmo de três testemunhas, considerando o disposto na própria Lei 9099/95 
para os Juizados Especiais Cíveis. 
Certamente o legislador deixou escapar duas chances de ouro: aquela de esclarecer uma questão um tanto quanto 
obscura anteriormente e outra de não obscurecer ainda mais a velha dúvida. 
Considerando os princípios peculiares a regerem os Juizados Especiais Criminais, principalmente a celeridade, 
simplicidade e economia processual seria desejável que o legislador houvesse expressamente assentado o número 
máximo de três testemunhas. Mas, como não o fez, parece ser o melhor entendimento, mesmo ante as normativas 
acima elencadas, a causarem certa confusão, aquele que aponta a antiga solução de aplicação subsidiária da regra 
expressamente prevista para os Juizados Especiais Cíveis, ou seja, o número máximo de três testemunhas nos termos 
do artigo 34 da Lei 9099/95. (Fonte: http://www.jurisite.com.br/doutrinas/Penal/douttpen103.html) 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
 
Rosicleide Dalva, brasileira, casada, inscrita no CPF 005111888-09, manicure 
no salão “Silvana Cabelereiros”, reside na QI 23, conjunto 23, casa 102, no Guará II-
DF, com seus dois filhos e seu marido. 
 
No dia 28 de abril de 2009, Rosicleide encontrava-se em sua residência, quando 
bateram na porta e a manicure foi atender. Neste instante, Rosicleide recebeu, por uma 
vizinha, a noticia de que sua honra estava abalada na vizinhança, pois Maricreuza, 
Joelitana e Odileuzina estavam afirmando que Rosicleide era uma “safada” que, mesmo 
casada, corria atrás dos maridos das outras. Estariam dizendo, ainda, que Rosicleide de 
dia era manicure, mas que a noite era “mulher da vida”, que explorava os homens 
cobrando preços altos pelos programas. 
 
Revoltada, Rosicleide foi se informar acerca da veracidade e autoria dos fatos, 
concluindo, com certeza, que quem falou a seu respeito foi Maricreuza, brasileira, 
solteira, desempregada, vizinha de Rosicleide que residia na casa 104, não tendo 
Joelitana e nem Odileuzina nada a ver com esta história. Tal informação foi descoberta 
no dia 06 de maio de 2009, momento em que Rosicleide foi tirar satisfações com 
Macricreuza que lhe proferiu os seguintes dizeres: “Sua gorda estúpida! Você é uma 
vaca e não me arrependo de nada do que disse na rua e falo agora na sua cara!”. 
 
Por esta razão, Rosicleide lhe procurou em 22 de maio de 2009 para, na 
qualidade de advogado, apresentar a medida processual privativa cabível, bem como 
para as teses a serem utilizadas e último dia de prazo para propositura da medida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONSIDERAÇÕES PERTINENTES A CONCESSÃO DE 
LIBERDADE PROVISÓRIA: 
 
 
É concedida a liberdade provisória quando houver prisão em flagrante 
válida, mas o indiciado/acusado não necessita ficar detido enquanto transcorre o 
processo. Tal fato se dará quando os requisitos para a decretação da prisão preventiva 
não estiverem presentes (art. 312 do CPP) e isto for observado em sede de PRISÃO EM 
FLAGRANTE. A prisão em flagrante é a “MÃE” da liberdade provisória. 
 
A liberdade provisória com ou sem arbitramento de fiança, conforme art. 
321, do CPP, é cabível sempre que os requisitos da preventiva não estiverem presentes, 
podendo o juiz, caso se mostrem adequadas ou suficientes outras medidas cautelares 
que não a prisão, aplicá-las ao agente. (Medidas cautelares – art. 319 do CPP - Prisão 
domiciliar – art. 317/318; comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições 
fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades; proibição de acesso ou 
frequência em determinados lugares; proibição de manter contato com pessoa 
determinada; proibição de ausentar-se da Comarca; recolhimento domiciliar noturno e 
nos dias de folga; suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza 
econômica ou financeira quando houver justo receio de que delas poderá advir prática 
criminosa; fiança, quando admitido; internação provisória do acusado em caso de 
crimes praticados com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem que o 
agente é inimputável ou semi-imputável e houver risco de reiteração). 
 
Pode ser a liberdade provisória pleiteada para qualquer delito. Exemplo: Se 
alguém for preso em flagrante por roubo, pode o magistrado determinar a sua soltura, 
mediante liberdade provisória sem fiança. DICA: Sempre que o problema falar em 
crime apenado com reclusão, sempre caberá liberdade provisória sem fiança. Não 
precisa adentrar o mérito do instituto, basta citar na petição: LIBERDADE 
PROVISÓRIA. 
 
O art. 310, III, parágrafo único, do CPP, trata da liberdade provisória nos 
casos de legitima defesa, estado de necessidade e estrito cumprimento do dever legal ou 
exercício regular do direito (conhecidas como excludentes de ilicitude). Se o Juiz, pelo 
auto de prisão em flagrante, observar que o agente praticou a infração abrangido por 
qualquer destas situações, poderá, de forma fundamentada, conceder ao acusado 
liberdade provisória compromissada. 
 
A liberdade provisória, com arbitramento de fiança, destina-se aos delitos 
considerados afiançáveis. Conforme o art. 322 do CPP, a autoridade policial somente 
poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima 
 
 
 
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não seja superior a 04 anos. Em outros casos afiançáveis, a fiança será requerida ao Juiz, 
que decidirá em 48 horas. 
 
a) São inafiançáveis: 
 
Art. 323 do CPP – Racismo, Tortura, Tráfico ilícito de entorpecentes e 
drogas afins, terrorismo, crimes definidos como hediondos, crimes cometidos pos 
grupos armados – civis ou militares – contra a ordem constitucional e o Estado 
Democrático; 
Art. 324 – Aos que, no mesmo processo, tiverem quebrado fiança 
anteriormente concedida ou infringido, sem justo motivo, qualquer das obrigações a quese referem os arts. 327 e 328 do CPP – comparecimento quando intimado e mudança de 
endereço ou ausência do domicílio por mais de 8 dias sem comunicar a autoridade). 
 
Os valores da fiança estão dispostos no art. 325 do CPP. Entretanto, 
conforme entendimento uníssono da doutrina, não há mais sentido para se arbitrar 
fiança para crimes menos graves, quando delitos mais graves admitem a liberdade 
provisória sem fiança. 
 
Com base em tal fato, Guilherme Nucci (in Prática Forense Penal, 2009, 
pág. 169/170), informa que “os magistrados têm optado por conceder, sempre, liberdade 
provisória sem fiança (a única exceção tem ficado por conta dos crimes contra a 
economia popular, sonegação fiscal, crimes de violência doméstica e crimes por direção 
de veículo automotor, estando o motorista alcoolizado. Nestes dois últimos casos, a 
pena é de detenção e comporta fiança). Entretanto, com a mudança na lei, em que a 
fiança se tornou uma medida cautelar, o instituto voltou a ter força na concessão da 
liberdade provisória condicionada ao seu pagamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DA 
CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri. 
 
Referência ao auto de prisão em flagrante n... 
 
 Fulano de tal, nacionalidade, profissão, residente e domiciliado na ... , portador 
do RG e do CPF ..., (temos que qualificar por ser uma peça que vai apartada aos autos 
principais) vem à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado que 
esta subscreve, conforme procuração acostada, com fulcro no art. 310, III, e art. 321, 
ambos do Código de Processo Penal (Temos que observar aqui se é o caso de 
excludente de ilicitude ou ausência de requisitos que autorizam a prisão preventiva do 
acusado. Sendo o caso é de ausência de requisitos do art. 312 do CPP, a fundamentação 
passa a ser art. 310, III e 321, do CPP. Se for excludente de ilicitude teremos o art. 310, 
parágrafo único, do código de processo penal, c/c também com o artigo 321), 
combinado com o artigo art. 5º, inciso LXVI, da Carta Constitucional, requerer 
 
LIBERDADE PROVISÓRIA 
 
pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA: 
 
Informar aqui, de forma sucinta, o caso que ensejou a prisão em flagrante. 
 
EX: O requerente foi preso em flagrante delito no dia tal, pela prática do crime de 
estelionato, tendo em vista que o mesmo foi flagrado induzindo a loja “doce mais”, 
localizada em tal local em erro, a fim de obter vantagem indevida. 
 
O relatório policial enviado a ser enviado ao magistrado aponta para a necessidade de 
converter o presente flagrante em prisão preventiva sob a argumentação de que o 
conduzido já havia sido processado anteriormente, apesar de inexistir sentença 
condenatória irrecorrível. 
 
II – DO DIREITO 
 
Explicar aqui que, conforme o auto de prisão em flagrante, a autoridade policial 
presumiu que o indiciado tinha personalidade voltada para o crime. Neste momento, 
devemos falar dos requisitos do art. 312 do CPP e debater todos aqueles que podem ter 
ensejado a prisão, mostrando ao juízo que não há necessidade de o indiciado ficar preso. 
Falar, neste momento, da liberdade como regra e dissertar acerca dos requisitos do 312 
do CPP confrontando-os com os argumentos da defesa, a fim de tornar a prisão 
desnecessária. Pode-se, inclusive, falar de outras medidas cautelares mais benéficas ao 
requerente, que não a prisão. 
 
EX: A prisão em flagrante faz presumir que o indiciado tem a personalidade voltada 
para o crime, devido o fato de já ter sido processado. Ora, Excelência, a personalidade 
de uma pessoa deve ser atestada como “perigosa” somente quando há uma sentença 
penal transitada em julgado afirmando tal situação. Não se pode manter o acusado em 
 
 
 
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cárcere com suposições de que, se solto, poderá cometer novos delitos, desestabilizando 
a ordem pública. (Falar de cada um dos requisitos). 
 
III – DO PEDIDO 
 
 Aqui, fazemos o pedido de concessão da liberdade, mediante compromisso de 
comparecer a todos os atos do processo, com a consequente expedição de alvará de 
soltura em favor do requerente. 
 
 Subsidiariamente, se for do entendimento do juízo, que seja concedida a 
liberdade provisória pleiteada condicionada à imposição de uma das medidas cautelares 
elencadas no art. 319 do Código de Processo Penal, observadas as disposições expressas 
no art. 282 do mesmo diploma legal. 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento 
 
Local, data. 
 
Assinatura. 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
Marcolino Jorgito, técnico em enfermagem do hospital Anchieta, em Taguatinga-DF, 
profissional regular da instituição há 13 anos, reside na SQS 100, Bloco H, apartamento 
701 (há 6 anos, sendo proprietário do referido imóvel) com sua esposa e seus três filhos 
pequenos, sendo um de 3 anos e dois de 6 anos, cada. 
 
No dia 12 de abril de 2011, Marcolino foi desrespeitado por um paciente dentro do 
hospital em que labora. Altamente alterado, Viníciusley Romério pegou um bisturi e 
tentou agredir o referido técnico em enfermagem que lhe prestava atendimento, 
momento em que Marcolino teve que quebrar o braço do agressor visivelmente 
transtornado para desarmá-lo, causando-lhe as lesões que foram descritas no laudo de 
exame de corpo de delito lavrado no mesmo dia, sendo que em tal documento constava 
que o agredido iria ficar afastado de suas ocupações habituais por no mínimo 45 dias. 
 
Uma enfermeira que estava no momento do ocorrido e uma secretária que estava 
presenciando o fato, prestaram declarações na DP, informando que se o técnico não 
agisse da forma que agiu, o paciente poderia ter lhe ferido letalmente, pois demonstrou 
inequívoca intenção de atentar contra a vida do Sr. Marcolino, tendo em vista este ter 
pedido que o paciente aguardasse mais alguns minutos para ser atendido. 
 
Dois enfermeiros que chegaram ao local logo após o ocorrido informaram que o Sr. 
Marcolino possui um temperamento difícil, sendo “grosso” com os pacientes do 
hospital, afirmando que o técnico quebrou o braço do paciente de forma desnecessária, 
pois é uma pessoa de temperamento difícil e de convivência insuportável dentro do 
hospital. 
 
Diante de tal situação, Marcolino foi preso em flagrante delito pelo crime de lesão 
corporal grave, pois a autoridade policial entendeu que a conduta do técnico pode ter 
constituído um crime doloso, pois dois enfermeiros não corroboraram a versão das duas 
outras testemunhas. Lavrado o auto de prisão em flagrante em 24 horas, a autoridade 
policial o encaminhou à autoridade judicial, ao Ministério Público e ao Defensor 
Público para verificação. 
 
Diante da situação de Marcolino e dos fundamentos legais que possam interessar para 
sua defesa, redija a peça processual privativa de advogado, que seja cabível na situação 
exposta, se atentando para as formalidades atinentes ao caso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PRISÃO PREVENTIVA / REVOGAÇÃODE PRISÃO PREVENTIVA 
 
 
É a principal modalidade de prisão cautelar, de cuja base nascem as demais. 
Portanto, para se sustentar uma prisão preventiva, torna-se imperioso checar se os 
requisitos desta prisão estão presentes. Do contrário, o correto é permitir ao indiciado ou 
réu aguardar o julgamento em liberdade, com ou sem arbitramento de fiança. 
 
Para a sua decretação são exigidos, ao menos, três requisitos: 
 
a) materialidade do crime; 
b) indícios suficientes de autoria; 
 
Estes acima narrados são básicos. Os abaixo elencados, basta a presença de 
ao menos um deles, quais sejam (art. 312 do CPP): 
 
a) Fundamentos 
 
Provada a existência do crime e havendo indícios suficientes de autoria – 
fumus comissi delicti e periculum libertatis, elementos que fundamentam a medida 
cautelar (art. 312 CPP), a prisão preventiva poderá ser decretada : 
 
 como garantia da ordem pública – evitar que o delinquente pratique novos crimes 
contra a vítima e seus familiares; 
 como garantia da ordem econômica – Lei nº 8.884/84, 8.137/90 (crimes contra a 
economia popular e sonegação fiscal); 
 por conveniência da instrução criminal – para assegurar a prova processual, de 
modo a impedir a ação do criminoso no sentido de fazer desaparecer as provas do 
crime, apagar vestígios, subornar, aliciar testemunhas ou ameaçá-las, etc; 
 para assegurar a aplicação da lei penal - impede-se o desaparecimento do autor da 
infração que pretenda se subtrair aos efeitos penais da eventual condenação. 
 Descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas 
cautelares (art. 282, parágrafo 4º, do CPP). 
 
Cabimento da prisão preventiva – art. 313 do CPP: Nos casos de crimes 
dolosos punidos com reclusão, cuja pena máxima seja superior a 4 anos; condenação 
por outro crime doloso, com sentença transitada em julgado (reincidência); violência 
doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa 
com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; ou no 
caso de dúvida acerca da identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer 
elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente 
em liberdade após identificação, exceto se outra hipótese recomendar a manutenção da 
medida. 
 
O despacho do juiz que decretar a preventiva deverá ser sempre 
fundamentado. Deixando de subsistir o motivo pelo qual a preventiva foi decretada, o 
Juiz poderá revogá-la, bem como poderá decretá-la novamente se o motivo de sua 
decretação voltar a perdurar. 
 
 
 
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A garantia da ordem pública abrange enorme aspecto de subjetividade do 
magistrado. Configura-se, em regra, levando-se em conta os seguintes pontos: 
 
- gravidade da infração penal + periculosidade do réu + repercussão causada 
pelo crime. 
 
A garantia da ordem econômica, leva em consideração a magnitude da lesão 
concreta causada pela lesão à ordem econômico-financeira 
 
A conveniência da instrução criminal concentra-se na produção de provas. 
 
Assegurar a aplicação da lei penal – se finda a instrução, a lei deve ter 
condições de ser devidamente aplicada. Visa evitar a potencial fuga do acusado. 
 
Quando o juiz decretar a prisão preventiva, se, porventura, cessar a razão 
que a determinou, deve o magistrado revogá-la, simplesmente, tornando o 
indiciado/acusado à situação de liberdade anterior. O art. 316 do Código de Processo 
Penal é o que dá fulcro ao pedido de revogação da prisão preventiva. 
 
b) Decretação 
 
A prisão preventiva pode ser decretada em qualquer fase do inquérito 
policial (não sendo o caso de prisão em flagrante) ou da instrução criminal, tanto nos 
casos de ação penal pública ou privada, desde que presentes os pressupostos, 
fundamentos e condições de admissibilidade previstos em lei (art. 311 CPP). 
 
Não há recurso, somente o pedido de habeas corpus com fundamento em 
constrangimento ilegal, decorrente da inadmissibilidade da medida amparada em falta 
de fundamentação adequada, na inexistência de pressupostos, etc. 
 
c) Fundamentação 
 
O despacho que decretar ou denegar a prisão preventiva será sempre 
fundamentado (art. 315 CPP). É indispensável que se fundamente em fatos concretos 
que lhe proporcionem fomento. A fundamentação do pedido da revogação da prisão 
preventiva é o art. 316 do CPP c/c art. 5°, LXVI da CF/88. 
 
No caso da Lei Maria da Penha a possibilidade de decretação de preventiva 
está no art. 20 da citada Lei e a sua revogação está inserida no parágrafo único do 
mesmo artigo. 
 
Dentre todos os tipos de violência contra a mulher, existentes no mundo, 
aquela praticada no ambiente familiar é uma das mais cruéis e perversas. O lar, 
identificado como o local acolhedor e de conforto passa a ser, nesses casos, um 
ambiente de perigo contínuo que resulta num estado de medo e ansiedade permanentes. 
Envolta no emaranhado de emoções e relações afetivas, a violência doméstica contra a 
mulher se mantém, até hoje, como uma sombra em nossa sociedade. 
 
 
 
 
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A violência praticada contra mulheres é conhecida como violência de 
gênero porque se relaciona à condição de subordinação da mulher na sociedade, que 
constitui na razão implícita do número estarrecedor de casos de agressões físicas, 
sexuais, psicológicas, morais e econômicas (patrimoniais), perpetrados em desfavor de 
mulheres, revelando a incontestável desigualdade de poder entre homens e mulheres, 
sobretudo nas relações domésticas. 
 
O efeito da violência doméstica e familiar contra a mulher, decorrentes de 
maus tratos, humilhações, agressões físicas, sexuais, morais, patrimoniais e 
psicológicas, é, sem dúvida, devastador para sua auto-estima, sem falar no medo 
vivenciado cotidianamente, temor aterrorizante causador de insegurança e instabilidade, 
agravados pelo fato das vítimas nunca saberem a razão capaz de desencadear nova fúria 
dos agressores e na vergonha que passam diante de familiares, vizinhos, amigos e 
conhecidos. Essa situação provoca ansiedade, depressão, dores crônicas, dentre outras 
moléstias. Estando tal quadro instalado, necessária se faz a intervenção do Estado, por 
meio de efetivação de políticas públicas adequadas, com mecanismos de discriminação 
positiva ou de ações afirmativas, capazes de reduzir a tragédia da violência de gênero, 
fim a que se destina a Lei 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha. 
 
No dia 22 de setembro de 2006 entrou em vigor a Lei 11.340, de 07 de 
agosto de 2006, que cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e 
familiar contra a mulher, dispondo sobre a criação dos Juizados de violência doméstica 
e familiar contra a mulher (são os competentes para julgar casos de violência doméstica 
contra a mulher!) e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em 
situação de violência doméstica e familiar. Esse diploma legal, tão aguardado 
especialmente pelas instituições e organizações que militam na tutela dos direitos de 
gênero e de enfrentamento da violência doméstica, evidencia a preocupação de 
minudenciamento e pormenorização de direitos e garantias da mulher. 
 
É uma lei inovadora, porque nela o legislador incluiu a instituição de 
medidas protetivas de urgência, com possibilidade inclusive de concessão de alimentos 
provisórios ou provisionais, em favor da mulher, bem como aumento da pena do crime 
de lesão corporal praticado com violência doméstica, dando elasticidade 
considerável ao conceito para nele imbutir toda e qualquerforma de violência, seja ela 
física, psicológica, moral ou sexual, elevando-a, inclusive, ao patamar de violação de 
direitos humanos. 
 
Dentre as inovações da Lei, destaca-se: 
 tipifica e define a violência doméstica e familiar contra a mulher; 
 estabelece as formas da violência doméstica contra a mulher como física, 
psicológica, sexual, patrimonial e moral; 
 determina que a mulher somente poderá se retratar de sua representação perante 
o juiz e ministério público, com audiência específica para tanto; 
 determina que a violência doméstica contra a mulher independa de sua 
orientação sexual; 
 ficam proibidas as penas pecuniárias (pagamento de multas ou cestas básicas); 
 é vedada a entrega da intimação pela mulher ao agressor; 
 a mulher vítima de violência doméstica será notificada dos atos processuais, em 
especial quando do ingresso e saída da prisão do agressor; 
 
 
 
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 a mulher deverá estar acompanhada de seu advogado(a) ou defensor(a) em todos 
os atos processuais; 
 retira dos juizados especiais criminais a competência para julgar os crimes de 
violência doméstica contra a mulher; 
 altera a Lei de Execuções Penais para permitir que o juiz determine o 
comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e 
reeducação; 
 determina a criação de juizados especiais de violência doméstica e familiar 
contra a mulher com competência cível e criminal para abranger as questões de 
família decorrentes da violência; 
 altera o Código de Processo Penal para possibilitar ao juiz a decretação da prisão 
preventiva quando houver riscos à integridade física ou psicológica da mulher; 
 caso a violência doméstica seja cometida contra mulher com deficiência, a pena 
será aumentada em 1/3. 
 O juiz poderá conceder, no prazo de 48 horas, medidas protetivas de urgência 
(suspensão do porte de armas do agressor, afastamento do agressor do lar, 
distanciamento da vítima, dentre outras), dependendo da situação, a 
requerimento do Ministério Público ou da ofendida. 
 Modifica a ação penal no crime de lesão corporal leve, que passa a ser pública 
incondicionada. 
 Aumenta a pena de lesão corporal no caso dela ser praticada contra ascendente, 
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha 
convivido, ou ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de 
coabitação ou hospitalidade. 
 Permite a autoridade policial prender o agressor em flagrante sempre que houver 
qualquer das formas de violência contra a mulher 
 Proíbe a aplicação da lei dos juizados especiais criminais (Lei 9.099/1995) aos 
crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher. 
Uma vez feita a ocorrência na delegacia de polícia, o Ministério Público 
apresentará a denúncia ao juiz e poderá propor penas de 3 meses a 3 anos de detenção. 
d) Tipos de violência 
 
Conforme o artigo 5º da Lei Maria da Penha, a violência doméstica e 
familiar contra a mulher é entendida como qualquer ação ou omissão baseada no gênero 
que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou 
patrimonial. 
 
A violência pode se dar no espaço de convívio permanente de pessoas, com 
ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas (âmbito da unidade 
doméstica), ou na comunidade formada por indivíduos que são ou que se consideram 
aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa (âmbito 
da família) ou ainda em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou 
tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. Vale ressaltar ainda 
que essas relações pessoais mencionadas acima independem de orientação sexual. 
 
Formas de violência doméstica e familiar contra a mulher: 
 
 
 
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1. Violência Física – entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou 
a saúde corporal da mulher. A infração penal que configura essa forma de 
violência é a lesão corporal e as vias de fato. A ação penal é pública 
incondicionada. 
2. Violência Psicológica – entendida como qualquer conduta que lhe cause dano 
emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno 
desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, 
crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, 
manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, 
chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou 
qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à 
autodeterminação. Infrações penais: Perturbação da tranqüilidade, Injúria, 
Constrangimento ilegal, Cárcere Privado, Ameaça, Vias de fato e Abandono 
material. A Ação Penal é pública incondicionada. 
Obs: o crime de ameaça (Art. 147, CP) é condicionado a representação. 
3 Violência Sexual – entendida como qualquer conduta que a constranja a 
presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante 
intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a 
utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer 
método contraceptivo ou que a force a matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à 
prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que 
limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. Infrações 
penais: estupro. A ação penal é pública condicionada à representação. Se resultar 
violência lesão corporal grave ou a morte, a ação penal é pública incondicionada. 
4 Violência Patrimonial – entendida como qualquer conduta que configure 
retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de 
trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, 
incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. Infrações Penais: Roubo, 
Furto, Extorsão, Estelionato etc. Quanto à Ação Penal, se for cônjuge 
separado(a), deverá haver a representação criminal por parte da ofendida para 
iniciar o procedimento policial (Art. 182, I, CP). Se houver violência ou grave 
ameaça, a ação será pública incondicionada. 
5 Violência Moral – entendida como qualquer conduta que configure calúnia, 
difamação ou injúria. As infrações penais são injúria, calúnia e difamação. A 
ação penal é privada. 
e) Medidas Protetivas 
 
A ofendida poderá pedir à Justiça as providências necessárias para a sua 
proteção por meio da Autoridade Policial. No prazo de 48 horas deverá ser 
encaminhado pelo Delegado de Polícia, o expediente referente ao pedido, juntamente 
com os documentos necessários à prova, para que este seja conhecido e decido pelo juiz. 
 
De acordo com a Lei 11.340, em seus artigos 22, 23 e 24, as MEDIDAS 
PROTETIVAS DE URGÊNCIA podem ser: 
 
 
 
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I. Suspensão da posse ou restrição do porte de armas do agressor, com 
comunicação ao órgão competente nos termos da Lei 10.826 de 22 de dezembro 
de 2003; 
II. Afastamento do lar, domicílio ou local de convivência do agressor com a 
ofendida; 
III. Proibição de determinadas condutas do agressor, entre as quais: 
1. aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando 
o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; 
2. contato com a ofendida, seus familiares e das testemunhas por qualquer 
meio de comunicação; 
3. frequentar determinados lugares a fim de preservar a integridade física epsicológica da ofendida 
IV. Restrição ou suspensão de visitas do agressor aos dependentes menores, 
ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; 
V. Prestação de alimentos provisionais ou provisórios; 
VI. Encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou 
comunitário de proteção ou de atendimento; 
VII. Determinar a recondução da ofendida e de seus dependentes ao respectivo 
domicílio, após afastamento do agressor; 
VIII. Determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos 
relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos; 
IX. Determinar a separação de corpos; 
X. Restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida; 
XI. Proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra e 
venda e locação da propriedade em comum, salvo expressa autorização judicial; 
XII. Suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor; 
XIII. Prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e 
danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a 
ofendida. 
É Importante que a Ofendida Saiba que: 
 
Caso queira desistir da ação penal contra o agressor, se for ação penal pública 
condicionada à representação, “só será admitida a renúncia à representação perante 
o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do 
recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público” (Art. 16). Portanto, a 
ofendida deverá solicitar ao juiz a designação dessa audiência. 
 
 
 
 
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O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar, para 
preservar sua integridade física e psicológica: 
a) acesso prioritário à remoção quando servidora pública, integrante da adimistração 
direta ou indireta; 
b) manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de 
trabalho, por até seis meses. 
Por opção da ofendida, a competência da ação judicial para os processos cíveis 
regidos pela Lei 11.340 será o Juizado: 
 
a) do domicílio da ofendida ou de sua residência; 
 
b) do lugar do fato em que se baseou a demanda; 
 
c) do domicílio do agressor. 
Depois que o juiz receber o expediente com o pedido da ofendida, ele decidirá sobre 
as medidas protetivas de urgência, no prazo de 48 horas. Poderá ainda determinar o 
encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária, quando for o caso. 
Em caso de prisão do agressor, a ofendida deverá ser notificada dos atos processuais 
relativos ao agressor, especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão. 
 
f) Questões Polêmicas 
 
Direito de representação 
 
Para que o autor da violência seja processado, permanece a necessidade de 
representação da vítima às autoridades nos casos em que o Código Penal ou leis 
especiais assim estabeleçam. Por exemplo, no crime de ameaça, em relação ao qual o 
artigo 147, parágrafo único, do Código Penal estabelece que “somente se procede 
mediante representação”. Se não estiver presente tal condição de procedibilidade, a 
defesa poderá suscitar a preliminar de ausência de legitimidade para a causa. 
 
No entanto, em relação aos crimes de lesão corporal leve e lesão corporal 
culposa não mais se exige a representação da mulher ofendida. Isto porque a 
representação, nestes crimes, vem prevista no artigo 88 da Lei 9.099/1995 e o artigo 41 
da “Lei Maria da Penha” expressamente determina que não seja aplicada a Lei 
9.099/1995 nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. Entende-se, por 
não ter a lei feito qualquer exceção, que é proscrita a aplicação da integralidade da Lei 
9.099/1995. 
 
A empregada doméstica é também vítima da violência doméstica e 
familiar contra a mulher? 
 
A empregada doméstica pode ser vítima de violência doméstica e familiar 
contra a mulher, pois está abrangida no conceito estabelecido no art. 5º da “Lei Maria 
da Penha”, especificamente em seu inciso I, que considera a violência praticada no 
 
 
 
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âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de 
pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas. 
 
As exigências contidas no artigo 12 da lei são requisitos para a 
concessão das medidas protetivas de urgência? 
 
Não. As providências previstas no artigo 12 da “Lei Maria da Penha” 
servem de guia para a autoridade policial instruir o inquérito policial. Trata-se de artigo 
muito semelhante ao artigo 6º do Código de Processo Penal referente a todos os 
inquéritos policiais. 
 
Para a concessão das medidas protetivas de urgência, a lei faz apenas uma 
única exigência: que haja requerimento da vítima ou do Ministério Público (art. 19, Lei 
11.340/2006), deixando bem claro que não é necessária a realização de uma audiência 
com as partes, ou seja, a medida pode ser determinada independentemente da prévia 
oitiva do suposto agressor. Nem mesmo o Ministério Público precisa ser ouvido na 
hipótese da medida ter sido requerida pela vítima (art. 19, §1º). 
 
O pedido de medidas protetivas de urgência em sede policial depende 
da representação a termo? 
 
Não. Nos crimes que dependem de representação da vítima, esta é apenas 
exigência para que o agressor seja processado criminalmente, não sendo necessária para 
a aplicação das medidas protetivas de urgência. 
 
A competência civil e criminal é somente para as medidas protetivas ou 
para processar as ações principais (separação, alimentos, guarda, regularização de 
visitas)? 
 
O artigo 14 da “Lei Maria da Penha” estabelece que a competência dos 
Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher pára o processo, o 
julgamento e a execução de todas as causas cíveis e criminais decorrentes da prática de 
violência doméstica e familiar contra a mulher. 
 
Não é feita qualquer exceção, assim como a competência não foi 
estabelecida apenas para o processamento das medidas protetivas de urgência, cabendo 
aos Juizados também processar as ações principais. 
 
O inciso IV do art. 7, sobre as formas de violência contra a mulher da 
Lei Maria da Penha, define a violência patrimonial, enquanto o art. 181 do Código 
Penal Brasileiro, no título sobre os crimes contra o patrimônio, declara que é 
isento de pena quem comete qualquer crime patrimonial contra o cônjuge na 
constituição da sociedade conjugal. Assim, indaga-se: este artigo do Código Penal 
continua vigendo? 
 
Sim, continua vigendo o art. 181 do Código Penal. É isento de pena quem 
pratica crime patrimonial contra cônjuge na constância do casamento (sendo possível o 
entendimento que englobe também a companheira, no caso de união estável) e também 
ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. 
Os artigos 5º, 6º e 7º da Lei Maria da Penha não criam novos crimes ou modificam 
 
 
 
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aqueles previstos no Código Penal, mas apenas auxiliam o aplicador da lei no que diz 
respeito à definição do que seja violência doméstica e familiar contra a mulher. 
 
Quando a Polícia Militar for chamada para um atendimento de 
violência contra a mulher e chegando ao local, a vítima se recusar a acompanhar o 
policial, indaga-se: Como fazer? E se algo mais grave ocorrer após sua saída? 
 
No caso de flagrante delito (hipóteses do artigo 302, do Código de Processo 
Penal), a autoridade policial não só pode como deve efetuar a prisão do agressor, 
independentemente da vontade da vítima, exceto nos casosque envolvam crimes 
dependentes de representação da vítima (lembrando que o crime de lesões corporais 
leves não mais depende de representação). Não há como obrigar a vítima a acompanhar 
o policial para que receba proteção, mas, nos crimes de ação penal pública, instaurado o 
inquérito policial, a vítima pode ser conduzida coercitivamente – levada à autoridade 
independentemente de sua vontade – para prestar depoimento. 
 
A prisão em flagrante pode ser aplicada em qualquer forma de 
violência doméstica e familiar praticada contra a mulher? 
 
Sim. O auto de prisão em flagrante é sempre lavrado. Não se aplica mais o 
Termo Circunstanciado – TC – nos casos de violência doméstica e familiar contra a 
mulher. Isso não significa que em todos os casos permanecerá o suposto agressor preso 
durante todo o processo. Dependendo da gravidade do crime, ele pode ser solto 
imediatamente pelo delegado ou, posteriormente, pelo juiz, pagando ou não fiança, 
conforme o caso. 
 
As contravenções penais, tais como vias de fato, perturbação da 
tranquilidade etc, praticadas contra a mulher nos casos de violência doméstica e 
familiar continuam na competência da lei 9.099/95, face ao previsto no artigo 41 da 
lei Maria da Penha? 
 
A lei 9.099/95 continua sendo aplicada integralmente para as contravenções 
penais, mesmo que elas configurem espécie de violência doméstica e familiar contra a 
mulher, Isto porque o artigo 41 da lei Maria da Penha, o qual afastou a aplicação da lei 
9.099/95, referiu-se tão somente aos crimes, sem mencionar as contravenções penais. Se 
quisesse o legislador afastar a aplicação da lei 9.099/95 também nos casos de 
contravenções, teria inserido no texto do artigo 41 a expressão infração penal, a qual 
abrange as duas espécies: crimes e contravenções. 
 
A suspensão condicional do processo se aplica aos casos de violência 
doméstica e familiar contra a mulher? 
 
Não, pois o artigo 41 da lei Maria da Penha afastou por completo a 
aplicação da lei 9.099/95, onde está prevista a suspensão condicional do processo. Não 
obstante, pode ser aplicada a suspensão condicional da pena – conhecida como sursis. 
Esse instituto está previsto no Código Penal, nos artigos 77 e seguintes. 
 
 
Fonte: “Lei Maria da Penha: Pontos Polêmicos e em Discussão no Movimento de Mulheres” - modificado, de Juliana 
Belloque, Mestre e Doutoranda em Processo Penal pela USP e Defensora Pública do Estado de São Paulo. 
 
 
 
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LEI ANTIDROGAS 
 
 
a) Lei de Tóxico – Das modificações legais relativas à figura do 
usuário 
Instrução criminal prevista nos artigos 54 a 59 da Lei 11.343/06. 
A Competência para julgar os crimes de tráfico é das Varas de 
Entorpecentes e Contravenções Penais das Circunscrições Judiciárias de Brasília. 
A Legislação sobre drogas era composta das Leis n. 6.368, de 21 de outubro 
de 1976, e n. 10.409, de 11 de janeiro de 2002. Esta última pretendia substituir a Lei n. 
6.368/76, mas o projeto possuía tantos vícios de inconstitucionalidade e deficiências 
técnicas que foi vetado em sua parte penal, somente tendo sido aprovada a sua parte 
processual. Com isso, estavam em vigor: 
a) No aspecto penal, a Lei n. 6.368/76, de modo que continuavam vigentes 
as condutas tipificadas pelos arts. 12 a 17, bem como a causa de aumento prevista no 
art. 18 e a dirimente estabelecida pelo art. 19, ou seja, todo o Capítulo III dessa Lei; 
b) Na parte processual, a Lei n. 10.409/2002, estando a matéria regulada nos 
seus Capítulos IV (Do procedimento penal) e V (Da instrução criminal). 
Dessa forma, a anterior legislação antitóxicos se transformara em um 
verdadeiro centauro do Direito: a parte penal continuava sendo a de 1976, enquanto a 
processual, de 2002. 
Acabando com essa lamentável situação, adveio a Lei n. 11.343, de 23 de 
agosto de 2006, a qual, em seu art. 75 revogou expressamente ambos os diplomas 
legais. 
 II. Lei n. 11.343/2006. Entrada em vigor 
 O art. 74 da Lei n. 11.343/2006 estabeleceu que a referida Lei entraria em 
vigor 45 dias após a sua publicação. Como a Lei foi publicada em 24 de agosto de 2006, 
a sua entrada em vigor, portanto, ocorreu em 08 de outubro de 2006. 
 III. Do usuário de drogas. Comentários aos arts. 28, 29, 30 e 48 da Lei 
 Dispõe o art. 28: “Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou 
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I - advertência 
sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida 
educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. § 1º Às mesmas medidas 
submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas 
destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de 
causar dependência física ou psíquica. 
 
 
 
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A Lei n. 11.343/2006 trouxe inúmeras modificações relacionadas à figura 
do usuário de drogas. Vejamos: 
· Criou duas novas figuras típicas: transportar e ter em depósito; 
· Substituiu a expressão substância entorpecente ou que determine 
dependência física ou psíquica por drogas. 
· Não mais existe a previsão da pena privativa de liberdade para o 
usuário. 
· Passou a prever as penas de advertência, prestação de serviços à 
comunidade e medida educativa; 
· Tipificou a conduta daquele que, para consumo pessoal, semeia, 
cultiva e colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou 
produto capaz de causar dependência física ou psíquica. 
 A questão da descriminalização da posse de drogas para consumo pessoal 
 O crime previsto no revogado art. 16 da Lei n. 6.368/76 era punido com a 
pena de detenção, de 6 meses a 2 anos (admissível o sursis, a progressão de regime e a 
substituição por pena restritiva de direitos, se presentes as condições gerais do Código 
Penal), e a pena de multa, de 20 a 50 dias-multa, calculados na forma do revogado art. 
38 da Lei n. 6.368/76. Tratava-se, no entanto, de crime de menor potencial ofensivo, 
sujeitando-a ao procedimento da Lei n. 9.099/95, incidindo igualmente seus institutos 
despenalizadores, desde que preenchidos os requisitos legais. 
A Lei n. 11. 343/2006 trouxe substanciosa modificação nesse aspecto. Com 
efeito, para as condutas previstas no caput e §1º do art. 28, passou a prever as penas de: 
I – advertência sobre os efeitos das drogas; 
II – prestação de serviços à comunidade; 
III – medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 
De acordo com a nova Lei, portanto, não há qualquer possibilidade de 
imposição de pena privativa de liberdade para aquele que adquire, guarda, traz consigo, 
transporta ou tem em depósito, de droga para consumo pessoal ou para aquele que 
pratica a conduta equiparada (§ 1º). 
Em virtude das sanções previstas, esse dispositivo legal gerou uma 
polêmica: Teria a Lei n. 11.343/2006 descriminalizado a posse de droga para consumo 
pessoal? 
Luiz Flávio Gomes entende que se trata de infração sui generis, inserida no 
âmbito do Direito Judicial Sancionador. Não seria norma administrativa, nem penal. 
Isso porque de acordo com a Lei de Introdução ao Código Penal, art. 1º, só é crime, se 
for prevista a pena privativa de liberdade, alternativa ou cumulativamente, o que não 
 
 
 
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ocorreria na hipótese do art. 28 da Lei n. 11.343/2006 (Luiz Flávio Gomes, Alice 
Bianchini, Rogério Sanches da Cunha, WilliamTerra de Oliveira, Nova Lei de Drogas 
Comentada, São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2006, p.108/113). 
Há, no entanto, entendimento em sentido contrário, sustentando que não 
houve a descriminalização da conduta. O fato continua a ter a natureza de crime, na 
medida em que a própria Lei o inseriu no capítulo relativo aos crimes e as pena 
(Capítulo III); além do que as sanções só podem ser aplicadas por juiz criminal e não 
por autoridade administrativa, e mediante o devido processo legal (no caso, o 
procedimento criminal do Juizado Especial Criminal, conforme expressa determinação 
legal do art. 48, § 1º, da nova Lei). A Lei de Introdução ao Código Penal está 
ultrapassada nesse aspecto e não pode ditar os parâmetros para a nova tipificação legal 
do século XXI. 
Três são as penas aplicadas: 
(a) advertência sobre os efeitos das drogas; 
(b) prestação de serviços à comunidade: será aplicada pelo prazo de 05 
meses, se primário; 10 meses se reincidente (cf. §§ 3º e 4º, do art. 28). Será cumprida 
em programas comunitários, entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, 
estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos, que se ocupem, 
preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e 
dependentes de drogas (cf. §5º). Mencione-se que não se aplica aqui a regra do art. 46 
do CP. 
(c) medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo: 
será aplicada pelo prazo de 05 meses, se primário; 10 meses se reincidente; 
Estaria a lei se referindo ao reincidente específico? Para Luiz Flávio Gomes 
(op. cit, p. 133), sim, a lei somente estaria se referindo ao reincidente específico no art. 
28 da Lei n. 11.343/06. Porém, há entendimento no sentido de que a lei não estabeleceu 
essa exigência, apenas mencionando genericamente os reincidentes. Desse modo, 
qualquer forma de reincidência torna incidente o § 4º do art. 28. Do contrário, a 
legislação estaria punindo com mais rigor o reincidente em detenção de droga para fins 
de uso, do que o infrator que tivesse condenação anterior por crimes mais graves, o que 
violaria o princípio constitucional da proporcionalidade. 
E se o crime for tentado, como ficaria a aplicação da pena com o redutor de 
1/3 a 2/3 previsto no parágrafo único do art. 14 do CP? Se não existe mais pena 
privativa de liberdade, como proceder à redução? No caso da prestação de serviços à 
comunidade e imposição de medida educativa, é possível realizar a dosagem da pena 
dentro dos prazos estabelecidos em lei (5 meses, se primário; 10 meses, se reincidente), 
o que não ocorre na advertência, a qual deverá ser aplicada sem qualquer diminuição. 
Convém ressaltar que na conduta de adquirir, é possível que alguém seja surpreendido 
tentando adquirir a droga. 
 As penas acima previstas poderão ser aplicadas isolada ou 
cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo, ouvidos o Ministério 
Público e o defensor. 
 
 
 
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E se houver o descumprimento injustificado da pena? Se o agente não 
comparecer para ser advertido, não prestar o serviço ou não comparecer ao curso, 
poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente, a admoestação verbal e depois multa. 
O juiz, atendendo à reprovação social da conduta, fixará o número de dias-
multa, em quantidade nunca inferior a 40 (quarenta) nem superior a 100 (cem), 
atribuindo depois a cada um, segunda a capacidade econômica do agente, o valor de 
trinta avos até três vezes o valor do maior salário mínimo. (cf. art. 29). Tais valores 
serão creditados à conta do Fundo Nacional Antidrogas. 
A multa deverá ser executada no próprio Juizado Especial Criminal. 
De acordo, com o art. 30, “prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a 
execução das penas, observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts. 
107 e seguintes do Código Penal”. Convém mencionar que houve aqui uma 
impropriedade técnica, na medida em que, as causas interruptivas da prescrição 
encontram-se previstas no art. 117 do CP e não no art. 107. 
Menciona-se, ainda, que, previu o § 7º, que o juiz determinará ao Poder 
Público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde, 
preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado. 
 Conduta equiparada. Plantio para consumo pessoal (art. 28, §1º). 
 A Lei n. 11.343/2006 trouxe uma grande inovação legal. Passou a 
incriminar a conduta de semear, cultivar ou colher, para consumo pessoal, plantas 
destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de 
causar dependência física ou psíquica. 
A revogada Lei 6.368/76, em seu art. 12, §1º, previa a conduta de semear, 
cultivar ou fazer a colheita de planta destinada à preparação de entorpecente ou de 
substância que determine dependência física ou psíquica, contudo, essa figura constituía 
crime equiparado ao tráfico, de forma que muito se discutia se a conduta de semear, 
cultivar ou fazer a colheita para uso próprio configurava o crime do art. 12, § 1º ou o 
revogado art. 16 (porte de drogas para uso próprio). 
Haviam três posições a respeito do tema. Vejamos: (a) O fato enquadrava-se 
no art. 16. (b) O fato enquadrava-se no art. 12, § 1.º, II. (c) O fato era atípico. Prevalecia 
a primeira posição, que tinha como justificativa a incidência da analogia in bonam 
partem. Explica-se: como não existia a previsão específica para o plantio para uso 
próprio, a solução aparente seria jogar a conduta na vala comum do plantio, figura 
equiparada ao tráfico. Assim, para evitar-se um mal maior, aplicava-se a analogia com 
relação às figuras do art. 16 (trazer consigo, guardar e adquirir para uso próprio) e nele 
se enquadrava o plantio para fins de uso. Não nos parecia a solução correta. O plantio 
para uso próprio não estava previsto em lugar nenhum, nem como figura equiparada ao 
art. 12, nem como figura analógica ao art. 16: tratava-se de fato atípico. A analogia aqui 
não consistia em estender o alcance da norma do art. 16, para evitar o enquadramento 
no art.12, mas em aplicar o art. 16 a uma hipótese não descrita como crime. Por essa 
razão, violava o princípio da reserva legal. Acabando com essa celeuma, o fato passou a 
constituir crime nos moldes da Lei n. 11.343/2006. 
 
 
 
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b) Procedimento 
Finalmente, cuida-se de infração de menor potencial ofensivo, estando 
sujeita ao procedimento da Lei dos Juizados Especiais Criminais (arts. 60 e seguintes), 
por expressa disposição legal, salvo se houver concurso com os crimes previstos nos 
arts. 33 a 37 da Lei (cf. art. 48, §1º). No caso, incidirá a regra do art. 60 da Lei n. 
9.099/95, com a redação determinada pela Lei n. 11.343/2006: “O Juizado Especial 
Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a 
conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial 
ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. Parágrafo único: Na reunião 
de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da aplicação das 
regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da transação penal e da 
composição dos danos civis". 
O art. 48, § 1º, merece um reparo. É que o artigo 33, § 2º (cessão ocasional e 
gratuita de drogas) constitui infração de menor potencial ofensivo, de forma que, o 
concurso dessa modalidade típica com o art. 28 (posse de droga para consumo pessoal), 
não afasta a competência dos Juizados Especiais Criminais, ao contrário do que dá a 
entender a redação daquele dispositivo, o qual, na realidade, no que tange ao art. 33, 
estáse referindo apenas ao caput e § 1º. 
c) Prisão em flagrante 
 Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, não se imporá prisão 
em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo 
competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se 
termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias 
necessários (cf. § 2º). Ora, e se o agente se recusar a assumir o compromisso de 
comparecer à sede dos Juizados, poderá a autoridade impor a prisão em flagrante? De 
acordo com o art. 69, parágrafo único, da Lei n. 9.099/95, em tal caso, é possível a 
realização da prisão em flagrante. Ocorre, contudo, que o indivíduo que é surpreendido 
com a posse de droga para consumo pessoal, por expressa determinação legal, se 
submeterá apenas às medidas educativas, jamais podendo lhe ser imposta pena privativa 
de liberdade. Com isso, não é admissível que ele seja preso em flagrante ou 
provisoriamente, quando não poderá sê-lo ao final, em hipótese alguma. Não cabe, 
portanto, a prisão em flagrante. Se tal prisão ocorrer, se tornará ILEGAL, cabendo 
relaxamento de prisão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto da Petição (Revogação de prisão preventiva): 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL 
DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri ou do juizado 
especial de violência doméstica e familiar contra a mulher, visto a possibilidade de 
decretação de prisão preventiva nestes casos) 
 
IP nº 
 
Ou 
 
Autos do processo nº 
 
 Fulano de Tal, (qualificar na íntegra, visto tratar-se de petição que vai apartada 
aos autos), vem à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado infra 
constituído, conforme instrumento de mandato em anexo, com fulcro no art. 316 do 
Código de Processo Penal c/c art. 5°, LXVI, da CF/88, requerer: 
 
REVOGAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA 
 
 Com base nos fatos que a seguir expõe: 
 
I- BREVE SÍNTESE DA DEMANDA 
 
Neste momento, devemos falar dos requisitos do art. 312 do CPP e fundamentar 
que a prisão foi decretada com base em algum (uns) deles. Porém, devemos citar o 
motivo pelo qual o motivo porventura deixou de existir. 
 
EX: O cara foi preso e não se tem informações verdadeiras acerca do endereço onde ele 
mora. A fundamentação do juiz para decretação é a possível fuga do acusado, caso haja 
condenação, tendo em vista a desconfiança de o cara ter dado endereço errado quando 
intimado. Com base nisso, informamos que a defesa junta documentos que comprovam 
onde ele mora, trabalha e estuda e também que ele compareceu voluntariamente a todos 
os atos do processo, razão pela qual a eventual aplicação da lei penal em caso de 
condenação, em hipóstese alguma restará prejudicada. 
 
II – DO DIREITO 
 
Neste momento vamos debater e confrontar todos aqueles motivos que podem 
ter ensejado a prisão, mostrando ao juízo que não há necessidade de o indiciado ficar 
preso. Falar, neste momento, da liberdade como regra e dissertar acerca dos requisitos 
do 312 do CPP confrontando-os com os argumentos da defesa, e documentos juntados, 
a fim de tornar a prisão desnecessária. Podemos falar de alguma(s) medida(s) do art. 
319 do CPP caso seja mais adequada ao requerente. 
 
III – DO PEDIDO 
 
 
 
 
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 Aqui, fazemos o pedido de revogação da prisão preventiva decretada, tendo em 
vista a ausência dos requisitos autorizadores do art. 312 do CPP, com a consequente 
expedição de alvará de soltura em favor do requerente (se tiver outra medida mais 
favorável, pedimos neste momento a substituição da medida). 
 
EX: Ex positis, (Pelo exposto), requer o suplicante a revogação da prisão preventiva, 
ante a total ausência dos requisitos autorizadores do art. 312 do CPP, com a 
consequente expedição do alvará de soltura em favor do mesmo, se comprometendo o 
requerente a comparecer periodicamente em juízo para informar acerca das atividades 
que vem desempenhando regularmente, conforme preconiza o inciso I, do art. 319, do 
Código de Processo Penal. 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento 
 
Local, data. 
 
Advogado. 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
Ryana Rux, brasileira, solteira, atendente da farmácia “Saúde Sempre” há 6 anos, 
residente e domiciliada na SQN, Quadra 1122, Bloco W, apartamento 1122, Asa Norte, 
agrediu, com uma barra de ferro o Síndico de seu Prédio, o senhor Jonisval Lacerda. Era 
a primeira vez na vida que Ryana se via diante de uma situação “contra legem”. 
 
O fato ocorreu durante uma reunião de condomínio, momento em que Ryana e Jonisval 
passaram a discutir de forma exacerbada. Após se sentir afrontada com as palavras de 
Jonisval, Ryana pegou uma barra de ferro que estava perto da portaria em que mora e 
desferiu dois golpes certeiros na cabeça de Jonisval, tendo este desmaiado e sido 
encaminhado pra o HRAN, ficando afastado de suas ocupações habituais por cerca de 
40 dias. 
 
Ryana, assustada com o ocorrido, resolveu passar uma semana na casa de sua genitora 
na Vicente Pires. Após tal época, resolveu voltar para seu apartamento, a fim de saber 
como as coisas estavam. Ryana não foi à delegacia para prestar depoimentos e nem 
fornecer informações cruciais requeridas pela autoridade policial, razão pela qual esta 
representou pela custódia cautelar da acusada. 
 
No dia seguinte, Ryana foi presa preventivamente, sobre a fundamentação de que se 
solta, poderia se eximir da responsabilidade de cumprir pena em caso de condenação 
pelo crime de lesão corporal grave, visto sua total falta de comprometimento quando de 
sua intimação para comparecer à delegacia de polícia. Ainda, conforme a decisão que 
decretou a prisão preventiva, proferida pelo Juízo da Segunda Vara Criminal, a 
indiciada poderia desestabilizar o bom andamento da instrução criminal coagindo 
testemunhas, pois outras pessoas presenciaram a agressão e poderiam se sentir coagidas 
pela indiciada. Ainda conforme a decisão proferida, Ryana ofertava enorme risco à 
garantia da ordem pública, visto a agressividade e periculosidade de sua conduta 
delitiva. 
 
Como advogado de Ryana, apresente a medida processual privativa cabível, se 
atentando para todas as teses pertinentes ao caso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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RELAXAMENTO DE PRISÃO 
 
Prisão em Flagrante: São hipóteses autorizadoras da prisão em flagrante por 
qualquer pessoa do povo (flagrante facultativo) ou pela polícia (flagrante obrigatório): 
 
a) Estar o agente cometendo a infração penal (art. 302, I, CPP, denominado 
flagrante próprio); 
b) Ter o agente acabado de cometer a infração penal (art. 302, II, do CPP, 
denominado também de flagrante próprio ou quase flagrante); 
c) Haver perseguição, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer 
pessoa, em situação que se faça presumir ser autor da infração penal (art. 302, 
III, CPP, denominado de flagrante impróprio); 
d) Ser o agente encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou 
papéis que façam presumir serele o autor da infração penal (art. 302, IV, 
CPP, denominado flagrante presumido). 
 
Realizada a prisão, o detido é encaminhado pelo condutor (aquele que lhe 
deu voz de prisão) à autoridade policial. Esta, por sua vez, entendendo válido o ato, 
lavra o auto de prisão em flagrante. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se 
encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e 
à família do preso ou à pessoa por ele indicada. Em até 24 (vinte e quatro) horas após a 
realização da prisão, será encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante 
e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia integral para a Defensoria 
Pública. No mesmo prazo (em 24 horas), será entregue ao preso, mediante recibo, a nota 
de culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e os 
das testemunhas. 
 
Se tudo estiver formalmente em ordem, o juiz mantém o flagrante, mas pode 
colocar o indiciado em liberdade provisória, com ou sem fiança. Assim, agirá, se não 
vislumbrar presentes os requisitos da prisão preventiva (art. 312 do CPP). 
a) RELAXAMENTO DE PRISÃO 
 
Quando do recebimento do Auto de Flagrante, o juiz deve apreciar a peça 
flagrancial e checar a existência dos indícios de autoria e materialidade a fim de 
homologar o flagrante. Caso entenda existir alguma ilegalidade ou desatendimento à 
exigência legal, pode relaxar a prisão Ou seja, o relaxamento da prisão em flagrante 
ocorre quando há ilegalidade ou vício insanável, resumidamente falando. 
 
Ressalte-se que, caso o juiz homologue o flagrante e a defesa entenda pela 
existência de ilegalidade, após pedido fundamentado, o juiz pode rever a decisão 
homologatória e reconhecer a ilegalidade, relaxando a prisão E nesse caso não há a 
exigência de assinar Termo de Compromisso. Cabe ressaltar, entretanto, que o 
relaxamento de prisão é cabível sempre que a prisão for ilegal. Ex: A pessoa foi presa 
preventivamente mesmo diante das gritantes provas de que cometeu o fato abrangido 
 
 
 
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por estado de necessidade. O art. 314 do Código de Processo Penal veda a prisão 
preventiva em tais casos. Assim, a pessoa está presa ilegalmente, cabendo, no caso, 
relaxamento de prisão. 
 
A prisão é imediatamente relaxada quando é constada sua ilegalidade, 
nos termos do Art. 5º, LXV da CF/88. As hipóteses são as seguintes: a) na falta de 
formalidade essencial na lavratura do auto. Ex.: falta de entrega da nota de culpa ou 
assinatura desta fora do prazo legal; b) quando não estiverem presentes os requisitos da 
prisão em flagrante presentes no Art. 304, 306 e parágrafos, bem como art. 307 do CPP; 
c) quando do fato atípico; d) quando os prazos não forem respeitados ou quando houver 
excesso no prazo da prisão, lembrando que o prazo para se findar o inquérito policial 
com réu preso é de 10 dias, improrrogáveis. Se for excedido tal prazo, o acusado DEVE 
ser posto em liberdade. É necessário que se observem estes requisitos para que a prisão 
não seja relaxada. O STF entende que a proibição de liberdade provisória nos casos de 
crimes hediondos não veda o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo. 
 
No caso de crimes envolvendo a lei 11.343 (lei antidrogas), ficar atento ao 
art. 48, §2º, tendo em vista que a conduta prevista no art. 28 desta Lei, não comporta 
prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo 
competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se 
termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias 
necessários. Se houver prisão em flagrante, cabe relaxamento, porque a lei não admite a 
referida medida. 
Ainda, com base nesta mesma Lei, conforme o Art. 51, o inquérito policial 
será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 
(noventa) dias, quando solto. Em que pese o parágrafo único estabelecer que os prazos a 
que se refere este artigo poderem ser duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Público, 
mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária, findo tal prorrogação o 
acusado DEVERÁ ser colocado em liberdade, sob penal de ilegalidade da prisão, 
comportando o caso, desta feita, o relaxamento da prisão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto da petição: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL 
DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri, ou do juizado 
especial de violência doméstica e familiar contra a mulher, visto a possibilidade de 
prisão em flagrante nestes casos. Se a prisão em flagrante for ilegal, cabe relaxamento). 
 
 
Fulano de Tal (sempre qualificar, se for caso de prisão em flagrante, pois ainda 
não há processo. Se for relaxamento por excesso de prazo na instrução criminal, que 
conforme o art. 400 do Código de Processo Penal é de 60 dias a partir da citação do 
acusado, temos que já há processo, o que denota que não existe a necessidade de 
qualificar o requerente), vem à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu 
advogado infra constituído, conforme instrumento de procuração em anexo, com fulcro 
no art. 5º, LXV da CF/88, c/c art. 310, I, do CPP, requerer: 
 
RELAXAMENTO DE PRISÃO 
 
com base nos fatos que a seguir expõe: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA: 
 
Narrar como se deu o flagrante, ressaltando o vício que será atacado no tópico 
“do direito”. 
 
EX: Fulano foi preso em flagrante pelo crime de roubo cometido em tal dia, em tal 
lugar. 
 
Após ser regularmente recolhido ao cárcere, teve lavrado contra si lavrado auto 
de prisão em flagrante 4 dias após a prisão, assinando sua nota de culpa também no 
quarto dia, fato que torna sua prisão contrária à lei, conforme disporá a defesa nas linhas 
seguintes. 
 
II – DO DIREITO 
 
Informar, aqui, o que diz o Código de Processo penal sobre tal prazo, 
transcrevendo o artigo e contrapondo-o ao caso dos autos, logo em seguida. 
 
Ex: O art. 306 do Código de processo penal estabelece o prazo de 24 horas para 
assinatura da nota de culpa, in verbis: 
 
Transcrever o artigo... 
 
 
 
 
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Ocorre, Excelência, que tal prazo não foi respeitado. Observe-se que o indiciado 
somente assinou tal documento 4 dias após sua prisão, fato que torna sua prisão em 
flagrante ilegal. Não obstante tal fato, a lavratura do auto se deu também em prazo 
diverso ao determinado pelo citado artigo do já mencionado diploma legal, in verbis: 
 
Transcrever... 
 
Pode-se concluir pelo exposto que a prisão do indiciado fere garantias e 
dispositivos constitucionais basilares, tais como dignidade da pessoa humana (falar a 
respeito), devido processo legal (falar a respeito)... Com base nisso, a prisão deve ser 
imediatamente relaxada. 
 
III – DO PEDIDO: 
 
Requer o indiciado o imediato relaxamento da prisão em flagrante ora 
combatida, com a respectiva expedição de alvará de soltura em nome do mesmo. 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento. 
 
Local, data. 
 
Advogado. 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
Elenilde Maridélia, brasileira, casada, policial civil, residente e domiciliada naSQS 315, 
Bloco W, Apartamento 1001, Asa Sul, estava em sua casa em 15 de maio de 2011, 
quando, avistando uma sombra passando pela sala, dirigiu-se sorrateiramente até o 
cômodo, momento em que presenciou um meliante arrombando a maçaneta da porta 
com um maçarico e portando na cintura uma pistola semiautomática. 
 
Apavorada, Elenilde foi até o quarto e pegou seu revólver calibre 38, se dirigindo até o 
citado elemento para afastá-lo de sua residência. Neste instante, o indivíduo já adentrava 
a sala de Elenilde e lhe apontava a arma, quando, para evitar a injusta agressão que seria 
perpetrada contra sua vida, Elenilde desferiu um único tiro no indivíduo, atingindo-lhe o 
peito, fato que levou o meliante a óbito. 
 
Após colocar o corpo no automóvel e dirigir-se à Delegacia de Polícia mais próxima, 
Elenilde entregou, perante a autoridade policial, o cadáver e a arma, narrando os fatos 
da forma como se deram. O delegado, não convencido da versão apresentada por 
Elenilde, decretou sua prisão em flagrante, lavrando o respectivo auto. 
 
Em 18 de maio de 2011, Elenilde recebeu sua nota de culpa, tendo informado que não 
possuía defensor constituído e que desejava comunicar sua prisão ao seu marido. A 
autoridade policial, munida do auto de prisão em flagrante, enviou uma cópia do auto, 
exclusivamente ao ministério público, entendendo que este por ser o dominus litis, era o 
maior interessado na causa, comunicando, em seguida, a prisão de Elenilde à seu 
esposo. 
 
Diante dos fatos, como advogado de Elenide, apresente a medida processual privativa, 
se atentando para as teses possíveis a serem alegadas em favor de Elenice. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Habeas Corpus 
 
O instituto do habeas corpus chegou ao Brasil com D. João VI, no decreto 
de 23 de maio de 1821: “Todo cidadão que entender que ele, ou outro, sofre uma prisão 
ou constrangimento ilegal em sua liberdade, tem direito de pedir uma ordem de habeas 
corpus a seu favor". A constituição imperial o ignorou mas foi novamente incluído no 
Código de Processo Criminal do Império do Brasil, de 1832 (art. 340) e foi incluído no 
texto constitucional na Constituição Brasileira de 1891 (art. 72, prágrafo 22). 
Atualmente, está previsto no art. 5°, inciso LXVIII, da Constituição Brasileira de 1988: 
"conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer 
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de 
poder". 
O habeas corpus pode ser liberatório, quando tem por âmbito fazer cessar 
constrangimento ilegal, ou preventivo, quando tem por fim proteger o indivíduo contra 
o constrangimento ilegal que esteja na iminência de sofrer tal constrangimento. 
A ilegalidade da coação ocorrerá em qualquer dos casos elencados no 
Artigo nº 648 do Código de Processo Penal Brasileiro, quais sejam: 
I - quando não houver justa causa; (Ex: em crimes tributários, sonegação – Lei 
8.132/90, quando o agente parcela o débito antes do recebimento da denúncia – o art. 
151 do CTN afirma que o parcelamento suspende a ação penal; neste diapasão, a 
quitação do débito, a qualquer tempo antes da sentença (conforme entendimento do 
STJ) extingue a ação penal. Ela retira da ação penal a justa causa para seu 
prosseguimento). Se mesmo havendo a quitação do débito, o MP insistir no 
prosseguimento da ação penal, impetra-se HC para trancar a ação penal. 
II - Quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei; (O art. 400 do 
Código de Processo Penal estipulou o prazo de 60 dias para que se encerre a instrução 
criminal em casos em que o réu esteja preso. O excesso de prazo configura 
constrangimento ilegal e pode ser atacado por HC). 
III - Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo; 
IV - Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação; (é o caso de negativa de 
concessão de liberdade provisória ou de revogação da preventiva, quando o acusado 
preencher os requisitos.) 
V - Quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza; 
VI - Quando o processo for manifestamente nulo; 
VII - Quando extinta a punibilidade. 
O habeas corpus é um tipo de ação diferenciada de todas as outras, não só 
pelo motivo de estar garantida na Constituição Federal, mas também porque é garantia 
de direito à liberdade, que é direito fundamental, e por tal motivo é ação que pode ser 
 
 
 
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impetrada por qualquer pessoa, não sendo necessária a presença de advogado ou pessoa 
qualificada, nem tampouco de folha específica para se impetrar tal procedimento, 
podendo ser, inclusive, escrito à mão. 
É plenamente cabível a concessão de liminar em habeas corpus, tanto na 
hipótese de habeas corpus preventivo, bem como na hipótese de habeas corpus 
liberatório. Basta que estejam presentes os requisitos do periculum in mora 
(probabilidade de dano irreparável à liberdade de locomoção) e do fumus boni juris 
(elementos da impetração que indiquem a existência de ilegalidade no 
constrangimento). 
Tal pedido liminar deve ser feito quando da impetração do writ de habeas 
corpus. 
É importante frisar que, como já se disse, por ser a liberdade direito de suma 
importância e garantido pela Constituição brasileira, os tribunais devem analisá-lo com 
o maior rigor e agilidade para que nenhum dano à pessoa seja causado por atos ilegais 
ou excessivos. 
Importante ressaltar que a parte que interpõe a ação de habeas corpus não é 
a que está sendo vítima da privação de sua liberdade, via de regra, e sim um terceiro que 
o faz de próprio punho. Como a ação de habeas corpus é de natureza informal, pois 
qualquer pessoa pode fazê-la, não é necessário que se apresente procuração da vítima 
para ter ajuizamento imediato. Ela tem caráter informal. Portanto, a ação tem 
características bem marcantes, a se ver: 
 Privação injusta de liberdade; 
 Direito de, ainda que preso por "justa causa", responder o processo em 
liberdade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto da Petição: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO 
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E 
TERRITÓRIOS 
 
 
Você (Faça a sua qualificação (nome completo, nacionalidade, estado civil, 
endereço, etc, pois você estará impetrando o remédio constitucional em favor de uma 
terceira pessoa, ou seja, você é o impetrante. Tendo em vista uma idéia lógica, se a 
pessoa está presa, num HC liberatório não tem como ela lhe passar uma procuração em 
tempo hábil, então, por via das dúvidas, se qualifique no HC), vem perante Vossa 
Excelência, com fulcro no art. 5º, LXVIII, da CF/88, c/c 647 do Código de Processo 
Penal, impetrar HABEAS CORPUS (se for pedido que preenche os requisitos do fumus 
boni iures e periculum in mora, peça com liminar), em favor de (qualificar o paciente), 
contra ato ilegal emanado do (qualificar a autoridade coatora), pelos fatos e 
fundamentos que passa a aduzir: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA: 
 
Explicar a restrição ilegal da liberdade. Se for advinda de pedido de LP ou 
Revogação de Preventiva, não esquecer de falar do motivo ensejador previsto no art. 
312 do CPP que determinou a prisão e instaurou a ilegalidade. 
 
II – DO DIREITO: 
 
Falar da liberdade e da ilegalidade da medida. Se for por motivo do art. 312, 
combatê-lo ferrenhamente.Se for excesso de prazo ou falta de justa causa expor a situação de forma 
fundamentada aqui. 
 
III – DO PEDIDO LIMINAR: 
 
Falar do fumus boni iures e do periculum in mora. 
 
IV – DO PEDIDO: 
 
O constrangimento ilegal, no presente caso, é de meridiana clareza, tendo em 
vista que (...). A manutenção de sua custódia, nestas condições, seria inegável abuso de 
poder, trazendo injustas e irremediáveis aflições ao paciente. 
 
À vista do exposto, requer o impetrante que seja deferida a liminar para 
concessão da ordem e imediata soltura do paciente, cessando o ato ilegal ora combatido 
(ou obstrução do ato ilegal antes de seu cometimento, se for HC preventivo, requerendo 
 
 
 
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a concessão do salvo conduto). Após, que seja notificada a autoridade coatora para 
prestar as informações necessárias no prazo legal, bem como para que sejam os autos 
remetidos ao membro do ministério público para manifestação. Ao final, requer que no 
mérito seja concedida a ordem, tornando a liminar vindicada definitiva, por ser medida 
da mais lídima justiça. 
 
Pede Deferimento. 
 
Local, data. 
 
Nome 
CPF. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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OBS: CRIME TRIBUTÁRIO E HABEAS CORPUS 
 
O plenário do STF aprovou no dia 2-12-09 a Súmula Vinculante n. 24, que 
estabelece a necessidade de lançamento definitivo do tributo para tipificar crime 
tributário, ou seja, conclusão do processo administrativo como condição de 
procedibilidade da ação penal. 
As Súmulas Vinculantes foram introduzidas pela EC 45/2004 com o objetivo de 
pacificar a discussão de questões examinadas nas instâncias inferiores do Judiciário. 
Após a aprovação, por no mínimo oito ministros, e da publicação no Diário de Justiça 
Eletrônico, o verbete deve ser seguido pelos Poderes Judiciário e Executivo, de todas as 
esferas da Administração Pública. 
A PSV 29 foi aprovada por maioria de votos, vencidos os ministros Joaquim 
Barbosa, Ellen Gracie e Marco Aurélio. A maioria dos ministros entendeu que não se 
tipifica crime material contra a ordem tributária antes do lançamento definitivo do 
tributo 
Como o art. 151 do CTN (Código Tributário Nacional), estabelece que as 
reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, temos que o 
lançamento só se torna definitivo após encerrado o processo administrativo. 
Na prática, então, todos aqueles processos criminais iniciados sem que o 
processo administrativo tenha confirmada a procedência do lançamento do crédito, não 
tipificam o crime tributário. E os novos processos, daqui por diante, terão que aguardar 
o julgamento na esfera administrativa para só então ser possível o oferecimento de 
denúncia contra o contribuinte. 
Relator da Súmula, o ministro Cezar Peluso afirmou que a jurisprudência do STF 
atualmente não admite processo-crime sem que esteja pré-definido o crédito: “O objeto 
da súmula é a conclusão da Corte de que não há possibilidade de exercício de ação 
penal antes da apuração da existência certa do crédito tributário que se supõe 
sonegado”, explicou Peluso. Se for proposta denúncia antes do final do processo 
administrativo cabe HC para trancar a ação penal tendo em vista a total ausência de 
justa causa para propositura da denúncia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
Laila Layana, 19 anos, brasileira, empresária, casada, é sócia administradora de 
conhecidíssimo supermercado conhecido na região de Samambaia-DF. No ano de 2009, 
Laila teve em seu estabelecimento a visita de um fiscal da Secretaria de Estado de 
Fazenda, que analisando os livros de registros de entradas e saídas das mercadorias da 
Empresa “Compre mais”, constatou haver omissão em alguns registros, fato que ensejou 
a lavratura de um auto de infração por sonegação de ICMS. 
 
No prazo legal, Laila ofereceu impugnação ao auto de infração, que foi julgada 
improcedente, havendo confirmação da lavratura. Tempestivamente, Laila ofereceu 
recurso administrativo para ver reformada a decisão que implicou na autuação. 
 
O Ministério Público, por entender que a autuação tinha sido lavrada nos 
conformes da Lei, ofereceu denúncia em face de Laila, tipificando o fato como crime 
tributário constante no art. 1º, I, da Lei 8.137/90. 
 
A denúncia foi recebida em 15 de Dezembro de 2009 pelo juízo da Primeira 
Vara Criminal, dando início ao processo número 2009.9.1.0008888-8, devendo Laila 
responder ao processo nos termos esposados na exordial acusatória. 
 
Com base no exposto, proponha a medida processual cabível em favor de Laila, se 
atentando para os requisitos e aspectos legais necessários para propositura da medida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR 
 
A ação mandamental do Mandado de Segurança se dá, mutatis mutantis, da 
mesma forma que na elaboração do HC, uma vez que também tem a finalidade de coibir 
ato arbitrário por parte de autoridade, desde que tal ato não seja relacionado à privação 
de liberdade, tudo dentro dos requisitos do art. 5º, LXIX da CF e da Lei do Mandado de 
Segurança (art. 1º da Lei 12.016/09). É um instrumento que exige prova pré-
constituída. 
Algumas hipóteses de cabimento do MS: Para que o cidadão não tenha que 
produzir prova contra si próprio (exame grafotécnico, análise sanguinea, teor alcóolico, 
para não falar em juízo); decisão que indefere o acessos aos autos do inquérito policial; 
para buscar a restituição de coisas apreendidas; da decisão que assegura alguma medida 
asseguratória sem a observância dos requisitos legais. 
Conforme a Lei 12.016, Conceder-se-á mandado de segurança para proteger 
direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, 
ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação 
ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e 
sejam quais forem as funções que exerça. 
Ainda conforme a citada Lei, equiparam-se às autoridades, para os efeitos 
desta Lei, os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de 
entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas 
naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a 
essas atribuições. 
Não caberá mandado de segurança contra os atos de gestão comercial 
praticados pelos administradores de empresas públicas, de sociedade de economia mista 
e de concessionárias de serviço público. 
Insta salientar, que de acordo com a citada lei, em seu art. 3º, o titular de 
direito líquido e certo decorrente de direito, em condições idênticas, de terceiro, poderá 
impetrar mandado de segurança em favor do direito originário, se o seu titular não o 
fizer, no prazo de 30 (trinta) dias, quando notificado judicialmente. 
Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: 
I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, 
independentemente de caução; 
II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; 
III - de decisão judicialtransitada em julgado. 
Endereçamento: Sempre ao órgão superior ao da autoridade coatora, da 
mesma forma que no HC. Por exemplo, ao Juiz de direito competente para a futura ação 
penal se a autoridade coatora for o delegado de polícia; ao Juiz Federal se a autoridade 
 
 
 
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coatora for delegado federal; ao desembargador presidente do Tribunal de Justiça do 
respectivo Estado ou do Distrito Federal se a autoridade coatora for um juiz de direito, o 
mesmo em relação ao desembargador federal presidente do TRF da respectiva região, se 
a autoridade for um juiz federal; ao ministro presidente do STJ, se a autoridade coatora 
for um órgão colegiado (câmara ou turma) dos tribunais de justiça ou TRF´s; e, por fim, 
ao ministro presidente do STF se a autoridade coatora for um órgão colegiado de um 
Tribunal Superior (TSE, STM ou STJ). 
Nomenclatura: Impetrante (normalmente, o advogado); paciente (o cliente 
ou ele mesmo em causa própria); e autoridade coatora (quem determinou o ato 
arbitrário). 
Prova Pré-constituída – Um exemplo no MS em matéria criminal é a 
negativa de um pedido de vista dos autos do IP. A prova pré-constituída é o pedido 
formal (escrito) do pedido de vista dos autos do inquérito policial e a decisão 
denegatória. 
Fundamentação Legal: art. 5º, LXIX da CF c/ art. 1º da Lei 12.016/09. 
Pedido: Concessão da liminar para conceder a segurança e a confirmação da 
liminar no mérito. Se houver indeferimento do pedido liminar, que seja concedida a 
segurança no mérito da ação. 
Valor da causa: O valor da causa deve ser determinado, visto ser uma ação 
mandamental que segue os moldes do art. 282 do CPC. 
Prazo: 120 dias contados da ciência do ato de afronta ao direito líquido e 
certo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Modelo da Petição: 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DA 
CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA - DF 
 
Valirvaldo Freitas, brasileiro, solteiro, advogado, inscrito na Ordem dos 
Advogado do Brasil sob o nº 0000, na Seccional de Brasília-DF, portador do CPF ..., 
com escritório profissional sito na ..., vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, 
com fulcro no art. art. 5º, LXIX da CF c/ art. 1º da Lei 12.016/09, impetrar em causa 
própria e tempestivamente 
MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO LIMINAL 
em face de ato ilegal e arbitrário advindo do ilustríssimo Delegado de Polícia da 5 
Delegacia de Polícia desta cidade, Sr. Mauscreilson Eison, ora autoridade coatora, em 
face das seguintes circunstâncias fáticas e jurídicas que passa a expor. 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA 
Dia 15 de maio, nesta cidade, o delegado de polícia da 5 DP, Sr. Mauscreilson 
Eison, ora autoridade coatora, determinou a instauração do inquérito policial nº 
0011111/11 para apurar a ocorrência de um crime de furto de veículo por parte do 
indiciado Marcolinovisk Korlovisc. 
O impetrante, munido de procuração, requereu à mencionada autoridade coatora 
o acesso aos autos da investigação policial conforme faculta o art. 7º, inciso XIV, da Lei 
8.906/94 – Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. O pedido foi indeferido pela 
autoridade policial, que despachou nos seguintes termos: “indefiro porque o inquérito é 
sigiloso, conforme artigo 20 do Código de Processo Penal”. 
II – DO DIREITO 
O Estatuto da Advocacia – Lei 8.906, de 04 de julho de 1994 – é expresso 
quando determina em seu art. 7º que é direito do advogado ter acesso aos autos do 
inquérito policial. 
Eis o teor do retro delineado dispositivo: 
Art. 7º São direitos do advogado: 
(...) 
XIV - examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem 
procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em 
andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e 
tomar apontamentos; 
 
Ao assegurar, como direito líquido e certo, o exame dos autos do inquérito 
policial, findos ou em andamento, em qualquer repartição policial, mesmo sem 
procuração, o Estatuto da OAB, que é lei especial e posterior à disposição que 
 
 
 
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especifica a sigilosidade da peça inquisitorial, demonstra ser inteiramente descabida a 
alegação da autoridade policial de que o inquérito policial está sob sigilo, consoante o 
art. 20 do CPP, entendimento este, aliás, já superado por Súmula Vinculante nº 14, 
editada pelo STF, que dispõe: 
É DIREITO DO DEFENSOR, NO INTERESSE DO 
REPRESENTADO, TER ACESSO AMPLO AOS ELEMENTOS DE 
PROVA QUE, JÁ DOCUMENTADOS EM PROCEDIMENTO 
INVESTIGATÓRIO REALIZADO POR ÓRGÃO COM 
COMPETÊNCIA DE POLÍCIA JUDICIÁRIA, DIGAM RESPEITO 
AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA. 
 
Com isso, pode-se denotar que não pode ser vedado o acesso aos autos do 
inquérito policial ao advogado do indiciado, ainda mais se estiver com poderes 
outorgados por procuração aos autos juntados, exatamente como é o caso do impetrante. 
II. 1 – DA LIMINAR 
O pedido liminar está mais do que fundamentado na necessidade de ser dado ao 
impetrante o seu direito líquido e certo do exercício profissional. O fumus boni iures a 
todo tempo oferta embasamento ao pleito do impetrante, tendo em vista a legislação que 
lhe socorre e a legitimação para pleitear a medida. O perículum in mora está 
demonstrado no instante em que se percebe que o indeferimento da medida vai de 
encontro com a CF, afrontando o exercício da ampla defesa e do contraditório do 
paciente que está a sofrer enorme violação em seu direito enquanto cidadão e indivíduo 
abrangido pelos ditames de um Estado Democrático de Direito. 
III – DO PEDIDO 
Ante o exposto, em face da urgência demonstrada, desde já requer o impetrante 
que seja deferida a ação mandamental para que, liminarmente, antes mesmo do 
requerimento de informações, seja oportunizado ao impetrante o acesso aos autos do 
inquérito policial 0011111 11 em curso perante a 5 DP da cidade de Brasília-DF, 
devendo, ao final, ser confirmada, no mérito, a segurança vindicada que concedeu o 
pleito in limine. Porém, caso Vossa Excelência não entenda por deferir o pedido liminar, 
desde já se requer que, no mérito, seja concedida a segurança para determinar à 
autoridade coatora que defira ao impetrante o acesso aos autos do inquérito policial 
nominado anteriormente. 
Termos em que pede deferimento. 
Dá-se à causa o valor de R$ 1000,00. 
Brasília, 10 de Agosto de 2011. 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
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RESPOSTA À ACUSAÇÃO 
 
É a primeira peça obrigatória da defesa num processo e DEVE ser 
apresentada num prazo de 10 dias após a citação do acusado (VER ART. 396 do CPP. 
Se for JURI, ver o art. 406). 
 
Na resposta à acusação, o réu poderá arguir preliminares e alegar tudo que 
interesse à sua defesa (pode sim adentrar o mérito da questão e se esta for a peça, não se 
esquecer de fazê-lo), oferecer documentos e justificações, especificar as provas 
pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando 
necessário. 
 
A acusação deverá arrolar até 8 testemunhas e a defesa o mesmo. Se for 
Júri, arrola-se até 8 na primeira fase e até 5 para o plenário. Se for procedimento 
sumário ou sumaríssimo, arrola-se até 5. 
 
 
Esqueleto da peça: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL 
DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri ou outro tipo 
relacionado à competência especial.Processo nº 
 
 
Fulano de Tal, já qualificado nos autos da ação penal em epígrafe, vem à 
presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado infra constituído, 
conforme instrumento procuratório em anexo, com fulcro nos arts. 396 e 396-A (SE 
FOR JÚRI – 406, § 3º), do Código de Processo Penal, apresentar: 
 
RESPOSTA À ACUSAÇÃO 
 
 Com base nos fatos que a seguir expõe: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA: 
 
Narrar como se deram os fatos. Provavelmente, o problema trará algum dos 
casos de excludente de ilicitude do art. 23 do CPB ou alguma situação do art. 397 do 
CPP. Isso deverá ser dito neste momento. 
EX: Fulano foi denunciado por crime de lesão corporal grave por ter atirado em 
uma pessoa. Porém, deve-se atentar para o fato de que a vítima estava com uma arma 
 
 
 
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em punho para ceifar a vida do autor do disparo, fato que motivou o réu a atirar para 
repelir a agressão atual e injusta que estava a ser perpetrada contra sua própria vida, 
ferindo gravemente a vítima. 
 
Se houver algum documento a ser juntado, fazer referência e requerer a juntada 
nos pedidos. 
 
II – DO DIREITO: 
 
Explicar, aqui, que os fatos se deram amparados pela legítima defesa e bater 
nesta tecla a todo instante. Falar do art. 397, I, explicando que neste caso o acusado 
deve ser absolvido sumariamente. 
 
III – DOS PEDIDOS: 
 
Requerer o regular recebimento da resposta à acusação apresentada, com a 
consequente juntada de documentos acostados a esta petição e, no mérito, absolver 
SUMARIAMENTE o réu com fulcro no art. 397, I do Código de Processo Penal. Se 
assim não entender Vossa Excelência, a defesa arrola como suas as testemunhas abaixo 
indicadas, pugnando desde já pela regular oitiva das mesmas em audiência de instrução 
e julgamento a ser designada por este Juízo. 
 
IV - ROL DE TESTEMUNHAS 
 
1 – Nome completo, nacionalidade, estado civil, profissão, endereço. 
2 – Nome completo, nacionalidade, estado civil, profissão, endereço. 
3 – (...) 
4 – (...) 
Até 8. 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento. 
 
Local, data 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
Esqueleto prático: 
 
 
 
 
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREIRO DA SEGUNDA VARA 
CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA –DF 
 
Autos do Processo nº ... 
 
 FULANO DE TAL, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, 
vem perante Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, nos 
termos da ação que lhe move o Ministério Público, com fulcro nos arts. 396 e 396-A, 
ambos do Código de Processo Penal, oferecer 
 
RESPOSTA À ACUSAÇÃO 
 
pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA 
 
Narrar os fatos de forma resumida, mas com lógica e coerência. 
 
II.1 – Da Extinção de punibilidade (Mais comumente, prescrição). 
 
Este tópico pode não constar em sua peça. Só falaremos de prejudicial de mérito 
se houver alguma das causas do art. 107 do Código Penal, frise-se, prescrição. Neste 
tópico, devemos ver a data do crime (marco inicial da prescrição – cuidado com a Lei 
12.234 de 5 de maio de 2010), bem como a data de recebimento da denúncia (art. 117 
do CP – é causa de interrupção). Ainda nesta esteira de raciocínio, devemos olhar o art. 
109 do CP para ver o tempo em que o crime prescreve, bem como o artigo 115 do 
mesmo diploma legal, visto que se na data crime o acusado tiver menos de 21 anos ou 
na data da sentença tiver mais de 70, a prescrição corre pela metade. Se houver 
concurso material entre crimes, a prescrição é contada de forma separada (art. 119 do 
CP) e em caso de concurso formal ou crime continuado, a exasperação não interfere na 
contagem. Se for o caso de majorante, considere a fração máxima na contagem. Se for 
minorante, considere a fração mínima na contagem. FIQUE DE OLHO!!! 
 
II.2.2 – Das Nulidades 
 
Este tópico pode não constar em sua peça. Só falaremos de preliminar de 
nulidade se houver alguma das causas do art. 395 ou 564 do Código de Processo Penal, 
como por exemplo, falta de citação válida. 
 
II.2.2.1 – Inépcia da Denúncia 
 
A denúncia inepta tem sua configuração a depender do art. 41 do CPP, o qual 
prevê os requisitos necessários para que uma denúncia seja considerada apta, quais 
sejam: a descrição do fato criminoso de forma pormenorizada, todavia, sem apelar para 
 
 
 
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detalhes supérfluos ao deslinde. Como se pode aperceber, o arrolado dispositivo 
apresenta um grau de generalidade considerável, o que tem levado a jurisprudência do 
STF e do STJ a estabelecer certos requisitos como, por exemplo, a individualização das 
condutas nos crimes plurissubjetivos. Do contrário, sem aqueles requisitos 
jurisprudenciais, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório 
restariam ofendidos, porquanto, em conformidade com a doutrina italiana, não há com 
defender-se se não existe clara demonstração do comportamento criminoso, afinal, o réu 
deve defender-se dos fatos. A narrativa dos fatos deve guardar pertinência com o que o 
MP alega no direito. Se isso não ocorrer, a defesa fica prejudicada, pois a busca no 
processo penal é pela verdade real. Não havendo correta descrição dos fatos com a 
individualização da conduta do indivíduo, impossível uma defesa plausível no caso. Se 
tiver inépcia, mas a denúncia foi recebida, pedimos que o juizo extinga o feito SEM 
RESOLUÇÃO DE MÉRITO, por se tratar de nulidade. 
 
JURISPRUDÊNCIA: 
PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. LESÃO CORPORAL CULPOSA. 
INÉPCIA DA DENÚNCIA. FALTA DE INDICAÇÃO DA CONDUTA 
CULPOSA. JUSTA CAUSA . I - Se a imputatio facti, em eventual crime 
culposo, não descreve em que consistiu a negligência ou a imperícia, então a 
denúncia é inepta, dada a inobservância ao disposto no art. 41 do CPP. A 
exordial acusatória deve narrar a forma concreta em que aconteceu a infração 
ao dever de cuidado .II - Não se reconhece falta de justa causa se o fato pode 
enseja ruma reconstituição juridicamente relevante.Writ concedido, 
reconhecida a inépcia da denúncia (HC 62.328/SP. Rel. Min. Arnaldo Esteve 
Lima. Quinta Turma. DJe 04/08/2008). 
 
II – 2.2.2 – Carência de ação: 
 
 Se a denúncia for oferecida em caso de ação penal privada, deve-se 
arguir preliminar de nulidade por ausência de legitimidade para causa, fato que enseja a 
extinção do processo sem resolução do mérito. 
 De igual forma, se o interesse de agir for inexistente, não há que se falar 
em ação penal, razão pela qual pedimos a extinção do feito sem resolução do mérito. Se 
por exemplo, num crime de ameaça, sendo este condicionado a representação, a vítima 
representa, mas antes de o Ministério Público oferecer denúncia, a vítima se retrata, em 
que pese o MP ser parte legítima para denunciar e possuir a condição da procedibilidade 
preenchida, a representação do ofendido, caso o mesmo se retrate da representação, o 
MP perde o interesse de agir no exercício da ação penal pública condicionada. 
 No mesmo sentido, se houver impossibilidade jurídica do pedido, o 
processo deverá incidir em extinção sem resolução do mérito. O Ministério público não 
pode pedir prisão perpétua por um crime de homicídio qualificado, por exemplo. 
 Quanto a condição de procedibilidade da ação temos a representação ou 
requisição do Ministro da Justiça nos crimes de ação penal pública condicionada. Veja 
que apesar do MP ser o titular da ação, nãopode ele denunciar sem a condição que 
 
 
 
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permite o oferecimento desta denúncia. Se isso ocorrer, pedimos a extinção do processo 
por ausência de condição de procedibilidade da ação penal. 
 
 II.2.2.3 – Da ausência de Justa Causa para a ação penal 
 
 A justa causa - identificada por parte da doutrina como uma condição da 
ação autônoma - consiste na obrigatoriedade de que exista, no momento do ajuizamento 
da ação, prova acerca da materialidade delitiva e, ao menos, indícios de autoria, de 
modo a existir fundada suspeita acerca da prática de um fato de natureza penal. 
Em outros termos, é preciso que haja provas acerca da possível existência de 
uma infração penal e indicações razoáveis do sujeito que tenha sido o autor desse delito. 
Se em resposta a acusação for suscitada preliminar de nulidade por ausência de justa 
causa da ação penal e esta for negada pelo magistrado, é pacífico o entendimento de que 
a defesa pode impetrar Habeas Corpus para pleitear o trancamento da ação penal, com 
fulcro no art. 648, I, do Código de Processo Penal. 
 
III – DAS JUSTIFICATIVAS E JUNTADA DE DOCUMENTOS 
 
 Gente!! Atençao!! Este tópico, em regra, não estará na peça de vocês, 
entretanto, atençao!! Se o caso tratar de uma incompetência territorial, você abrirá um 
tópico de justificativa só para informar que a exceção será apresentada em autos 
apartados. 
 
“Inicialmente, Excelência, antes de adentrar o mérito da questão, o acusado vem 
consignar que o art. 70 do CPP disciplina que o local do fato, em regra, é o que 
determina a competência do Juízo para julgar o feito. Considerando que este juízo que 
recebeu a denúncia é diverso do juízo competente para julgar este processo, e que tal 
fato trará sérios prejuízos para a defesa do acusado, o mesmo vem justificar que a 
petição de exceção de incompetência, nos moldes do art. 396-A, §1º, do Código de 
Processo Penal, está sendo processada em autos apartados”. (É assim mesmo... 
simples... só esse parágrafo!!) 
 
Se a defesa tiver algum documento para juntar, ou seja, se o problema disser que 
seu cliente te procurou depois de ter recebido a citação e lhe entregou algum documento 
importante, aqui é o momento de requerer a juntada deste documento ao juízo, 
informando que tal documento é indispensável para o deslinde da causa e prova 
necessária para o exercício da ampla defesa. 
 
IV – DO MÉRITO 
 
IV.1 – Da Absolvição Sumária 
 
 
 
 
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Aqui, neste tópico, a primeira coisa a ser feita é Arguir TESE de ABSOLVIÇÃO 
SUMÁRIA, conforme art. 397 do Código de Processo Penal!! Sempre que a prova for 
RESPOSTA A ACUSAÇÃO, poderá haver tese de absolvição sumária. 
 
ART 397: 
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato – Se houver 
legitima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento do dever legal ou exercício 
regular do direito, conforme art. 25 do CP. 
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo 
inimputabilidade; (Inexigibilidade de conduta diversa, ausência de potencial 
conhecimento da ilicitude do fato, coaçao moral irresistível, estrito cumprimento de 
ordem de superior hierárquico, desde que não manifestamente ilegal. A 
inimputabilidade é causa de absolviçao imprópria, razao pela qual jamais poderá ser 
sumária. 
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; (Princípio da 
insignificancia, furto de uso, enfim, arguir teses que retiram a tipicidade da conduta. Em 
caso de crime tributário por ausência de lançamento, argui-se exatamente aqui a tese). 
 IV - extinta a punibilidade do agente (Aqui, muita atençao!! Se o crime da 
denúncia estiver prescrito, argui-se a extinçao da punibilidade em forma de prejudicial 
de mérito. Porém, se o crime da denúncia não estiver prescrito e sua tese for de 
desclassificação e este novo crime estiver com a punibilidade extinta, ai sim, neste 
momento, devemos requerer a extinçao da punibilidade deste novo crime como forma 
de absolviçao sumária e não como prejudicial (Ex – o crime da denuncia é de roubo. O 
roubo prescreve em 16 anos. A denúncia foi recebida 9 anos após o cometimento do 
crime. Veja que o crime não está prescrito. Entretanto, a defesa trabalha como tese a 
desclassificaçao do crime de roubo para o de furto, demonstrando a inexistência de 
violencia ou grave ameaça para efetivaçao da subtraçao e demonstra a ocorrência de um 
furto. O furto prescreve em 8 anos. Neste caso, o “novo tipo penal” trabalhando pela 
defesa está prescrito. Entretanto, a defesa pede a absolviçao sumária do crime de furto 
porque este crime sim está com a punibilidade extinta pela prescriçao. 
 
VI.2 – Da Desclassificaçao para crime diverso (ver se este novo crime cabe 
sursis e requerer – (Ver Súmula 337 do STJ). 
 
Aqui trabalhamos a tese de desclassificaçao para outro crime menos gravoso, se 
possível, e observar se esse novo crime cabe sursis. Se couber, requerer. Se não, 
devemos observar se a denúncia imputa a conduta do caput, e se o crime realmente 
chegou a se consumar. Se não se consumou, devemos requerer a incidência da tentativa. 
 
VI.3 –Do Privilégio (Observe que todos os crimes abaixo admitem absolviçao 
pela bagatela, caso os requisitos estejam preenchidos, bem como oferecimento de sursis, 
bem como privilégio, que é causa de diminuição de pena. 
 
Furto 
 
 
 
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 Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: 
 Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o 
juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, 
ou aplicar somente a pena de multa. 
Apropriação indébita 
 Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a 
detenção: 
 Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 
155, § 2º. 
Estelionato 
 Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo 
alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer 
outro meio fraudulento: 
 Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
 § 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz 
pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, § 2º. 
Fraude no comércio 
 Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou 
consumidor: 
 I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou 
deteriorada; 
 II - entregando uma mercadoria por outra: 
 Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa. 
 § 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de 
metal ou substituir, no mesmo caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor 
valor; vender pedra falsa por verdadeira; vender, como precioso, metal de ou outra 
qualidade: 
 Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
 § 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º. 
 Receptação 
 Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito 
próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de 
boa-fé, a adquira, receba ou oculte: 
 Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo emconsideração as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se 
o disposto no § 2º do art. 155. 
 
O Privilégio é causa de diminuiçao de pena, podendo determinar a fixaçao de 
pena abaixo mínimo legal. Não se confunde com insignificancia/bagatela, visto que tal 
princípio acarreta absolviçao!! 
 
 
 
 
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IV.4 – Das Atenuantes e da Conversão em pena Restritiva de Direito 
 A última tese a ser utilizada nesta peça é o pedido de reconhecimento de 
atenuantes do art. 65 do Código Penal (perceber se existe a possibilidade de pedir o 
afastamento de alguma causa de aumento ou qualificadora do crime da denúncia – aqui 
é o momento de suscitar também). As atenuantes possuem o poder de fixar o crime 
somente ate sua pena base – Súmula 231 do STJ. 
 Como consequencia da fixaçao da pena, pedir a aplicaçao da conversao 
em pena restritiva de direito, nos moldes do art. 44 do Código Penal (Crimes que 
envolvem violência não admitem a conversão!!) 
 
V – DOS PEDIDOS 
 
Por todo o exposto o acusado requer: 
 
 a) Preliminarmente, que seja extinto o feito com resoluçao do mérito, nos 
termos do art. 107, IV, do Código Penal, tendo em vista que a prescriçao fulminou a 
pretensão punitiva que incidia sobre o feito, culminando na absolvição sumária do 
acusado conforme ditames do art. 397, IV, do CPP. 
 b) Subsidiariamente, pugna a defesa para que seja acatada de nulidade 
por inépcia da denúncia, a fim de que seja extinto o processo sem julgamento do mérito, 
nos termos do art. 395, I e 564, IV, do código de processo penal. 
 c) Nao acatando as preliminares suscitadas, o réu pugna, no mérito, para 
que este juizo absolva sumariamente o acusado nos moldes do art. 397 (mencionar os 
incisos correspondentes), ante a patente comprovação da (citar o motivo) 
 d) Ultrapassado este pedido, o que a defesa articula por amor ao debate, 
postula a mesma pela desclassificação do delito de roubo para o de furto (por exemplo), 
com a consequente remessa dos autos ao MP para oferecimento do Sursis, visto a 
determinação da Súmula 337 do STJ. 
 e) Que incida sobre o feito o privilégio especificado no art. (ver qual o 
crime), visto que o acusado preenche os requisitos necessários para tanto, aplicando este 
juízo a pena de multa. 
 e) Por último, acreditando sinceramente que as teses acima serão 
abraçadas por este magistrado, requer o réu sejam consideradas na fixação de futura 
pena, mas que oportunamente a defesa requer desde já, as atenuantes do art. 65 (citar os 
incisos), bem como a determinação da pena base do crime com a consequente conversao 
em restritiva de direito, conforme preconiza o art. 44 do CPB. 
 g) Oportunamente, a defesa suplica pela oitiva das testemunhas abaixo 
arroladas. (se tiver documento a ser juntado – bem como o recebimento dos documentos 
juntados, ora anexados a esta petiçao e já indicados no corpo da mesma). 
 
Pede Deferimento 
Local (10 dias!!!!!!) 
Advogado/OAB 
 
 
 
 
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VI – ROL DE TESTEMUNHAS 
Rito Comum (Até 8 testemunhas) 
1 – Nome, Endereço 
2 - Nome, Endereço 
3 - Nome, Endereço 
4 - Nome, Endereço 
5 - Nome, Endereço 
6 - Nome, Endereço 
7 - Nome, Endereço 
8 - Nome, Endereço 
 
Rito de juizado especial - sumaríssimo: (Até 3 testemunhas) 
1 - Nome, Endereço 
2 - Nome, Endereço 
3 - Nome, Endereço 
 
Rito Sumário – crimes com penas de 2 até 4 anos. (Até 5 testemunhas) 
1 – Nome, Endereço 
2 – Nome, Endereço 
3 – Nome, Endereço 
4 – Nome, Endereço 
5 - Nome, Endereço 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ESQUELETO DE RESPOSTA À ACUSAÇÃO NO JÚRI 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREIRO DA VARA DO TRIBUNAL 
DO JÚRI DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA –DF 
 
Autos do Processo nº ... 
 
 FULANO DE TAL, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, 
vem perante Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, nos 
termos da ação que lhe move o Ministério Público, com fulcro nos arts. 406 §3°, do 
Código de Processo Penal, oferecer 
 
RESPOSTA À ACUSAÇÃO 
 
pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA 
 
Narrar os fatos de forma resumida, mas com lógica e coerência. 
 
II – Da Prescrição 
 
Este tópico pode não constar em sua peça. Só falaremos de prejudicial de mérito 
se houver alguma das causas do art. 107 do Código Penal, frise-se, prescrição. Neste 
tópico, devemos ver a data do crime (marco inicial da prescrição), bem como a data de 
recebimento da denúncia (art. 117 do CP – é causa de interrupção). Ainda nesta esteira 
de raciocínio, devemos olhar o art. 109 do CP para ver o tempo em que o crime 
prescreve, bem como o artigo 115 do mesmo diploma legal, visto que se na data crime o 
acusado tiver menos de 21 anos ou na data da sentença tiver mais de 70, a prescrição 
corre pela metade. Se houver concurso entre crimes, material, os crimes contam-se de 
forma separada (art. 119 do CP) e em caso de concurso formal ou crime continuado, a 
exasperação não interfere na contagem. Se for o caso de majorante, considere a fração 
máxima na contagem. Se for minorante, considere a fração mínima na contagem. 
FIQUE DE OLHO!!! 
 
II.2.2 – Das Nulidades 
 
Este tópico pode não constar em sua peça. Só falaremos de preliminar de 
nulidade se houver alguma das causas do art. 395 e 564 do Código de Processo Penal. 
 
II.2.2.1 – Inépcia da Denúncia 
 
A denúncia inepta tem sua configuração dependente do art. 41 do CPP, o qual 
prevê os requisitos necessários para que uma denúncia seja considerada apta, quais 
 
 
 
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sejam: a descrição do fato criminoso de forma pormenorizada, todavia, sem apelar para 
detalhes supérfluos ao deslinde. Como se pode aperceber, o arrolado dispositivo 
apresenta um grau de generalidade considerável, o que tem levado a jurisprudência do 
STF e do STJ a estabelecer certos requisitos como, por exemplo, a individualização das 
condutas nos crimes plurissubjetivos. Do contrário, sem aqueles requisitos 
jurisprudenciais, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório 
restariam ofendidos, porquanto, em conformidade com a doutrina italiana, não há com 
defender-se se não existe clara demonstração do comportamento criminoso, afinal, o réu 
deve defende-se dos fatos. A narrativa dos fatos deve guardar pertinência com o que o 
MP alega no direito. Se isso não ocorrer, a defesa fica prejudicada, pois a busca no 
processo penal é pela verdade real. Não havendo correta descrição dos fatos com a 
individualização da conduta do indivíduo, impossível uma defesa plausível no caso. Se 
tiver inepcia, mas a denúncia foi recebida, pedimos que o juizo extinga o feito SEM 
RESOLUÇÃO DE MÉRITO, por se tratar de nulidade. 
 
JURISPRUDÊNCIA: 
 
PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. LESÃO CORPORAL CULPOSA. 
INÉPCIA DA DENÚNCIA. FALTA DE INDICAÇÃO DA CONDUTA 
CULPOSA. JUSTA CAUSA . I - Se a imputatio facti, em eventual crime 
culposo, não descreve em que consistiu a negligência ou a imperícia, então a 
denúncia é inepta, dada a inobservância ao disposto no art. 41 do CPP. A 
exordial acusatória deve narrar a forma concreta em que aconteceu a infração 
ao dever de cuidado .II - Não se reconhece falta de justa causa se o fato pode 
ensejar umareconstituição juridicamente relevante. Writ concedido, 
reconhecida a inépcia da denúncia (HC 62.328/SP. Rel. Min. Arnaldo Esteve 
Lima. Quinta Turma. DJe 04/08/2008). 
 
 
II – 2.2.2 – Carência de ação: 
 
Se a denúncia for oferecida em caso de ação penal privada, deve arguir 
preliminar de nulidade por ausência de legitimidade para causa, fato que enseja a 
extinção do processo sem resolução do mérito. 
 
De igual forma, se o interesse de agir for inexistente, não há que se falar em ação 
penal, razão pela qual pedimos a extinção do feito sem resolução do mérito. Se por 
exemplo, num crime de ameaça, sendo este condicionado a representação, a vítima 
representa, mas antes de o Ministério Público oferecer denúncia, a vítima se retrata. Em 
que pese o MP ser parte legítima para denunciar e possuir a condição da procedibilidade 
preenchida, a representação do ofendido, caso o mesmo se retrate da representação, o 
MP perde o interesse de agir no exercício da ação penal pública condicionada. 
 
 
 
 
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No mesmo sentido, se houver impossibilidade jurídica do pedido, o processo 
deverá incidir em extinção sem resolução do mérito. O Ministério público não pode 
pedir prisão perpétua por um crime de homicídio qualificado, por exemplo. 
 Quando a condição de procedibilidade da ação temos a representação ou 
requisição do Ministro da Justiça nos crimes de ação penal pública condicionada. Veja 
que apesar do MP ser o titular da ação, não pode ele denunciar sem a condição que 
permite o oferecimento desta denúncia. Se isso ocorrer, pedimos a extinção do processo 
por ausência de condição de procedibilidade da ação penal. 
 
II.2.2.3 – Da ausência de Justa Causa para a ação penal 
 A justa causa - identificada por parte da doutrina como uma condição da 
ação autônoma - consiste na obrigatoriedade de que exista, no momento do ajuizamento 
da ação, prova acerca da materialidade delitiva e, ao menos, indícios de autoria, de 
modo a existir fundada suspeita acerca da prática de um fato de natureza penal. 
 
Em outros termos, é preciso que haja provas acerca da possível existência de 
uma infração penal e indicações razoáveis do sujeito que tenha sido o autor desse delito. 
Se em resposta a acusação for suscitada preliminar de nulidade por ausência de justa 
causa da ação penal e esta for negada pelo magistrado, é pacífico o entendimento de que 
a defesa pode impetrar Habeas Corpus para pleitear o trancamento da ação penal, com 
fulcro no art. 648, I, do Código de Processo Penal. 
 
III – DAS JUSTIFICATIVAS E JUNTADA DE DOCUMENTOS 
 
Gente!! Atençao!! Este tópico, em regra, não estará na peça de vocês, entretanto, 
atençao!! Se o caso tratar de uma incompetência territorial, você abrirá um tópico de 
justificativa só para informar que a exceçao será apresentada em autos apartados. 
 
“Inicialmente, Excelência, antes de adentrar o mérito da questão, o acusado vem 
consignar que o art. 70 do CPP disciplina que o local do fato, em regra, é o que 
determina a competência do Juízo para julgar o feito. Considerando que este juízo que 
recebeu a denúnica é diverso do juízo competente para julgar este processo, e que tal 
fato trará sérios prejuízos para a defesa do acusado, o mesmo vem justificar que a 
petiçao de exceçao de incompetência, nos moldes do art. 396-A, §1º, do Código de 
Processo Penal, está sendo processada em autos apartados”. (é assim mesmo... simples... 
só esse parágrafo!!) 
 
Se a defesa tiver algum documento para juntar, ou seja, se o problema disser que 
seu cliente te procurou depois de ter recebido a citação e lhe entregou algum documento 
importante, aqui é o momento de requerer a juntada deste documento ao juízo, 
informando que tal documento é indispensável para o deslinde da causa e prova 
necessária para o exercício da ampla defesa. 
 
IV – DO MÉRITO 
 
 
 
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IV.1 – Da Absolviçao Sumária 
 
Aqui, neste tópico, a primeira coisa a ser feita é Arguir TESE de ABSOLVIÇÃO 
SUMÁRIA, deverá haver tese de absolvição sumária. Há divergência doutrinária no 
embasamento legal entre ser possível utilizar-se da tese de absolvição sumária com 
espeque no art. 397 ou ser inviável sustentar absolvição sumária em resposta à 
acusação, considerado que ao final da instrução a absolvição se dará na forma sumária. 
Entretanto, seguindo os ditames do CPP que estabelece um procedimento próprio para o 
júri, e o entendimento possivelmente adotado pela FGV, adota-se a fundamentação da 
possibilidade de tal pedido. 
 
Não se sustenta impronuncia em Resposta à acusação do Júri. 
 
IV.3 – Da Desclassificação para crime diverso 
 
Tese de desclassificação para crime diverso da competência dos crimes do 
Tribunal do Júri (art. 419 do CPP). Deve-se requerer a remessa dos autos ao juízo 
competente, como resultado da desclassificação pleiteada. 
 
Aqui trabalhamos a tese de desclassificaçao para outro crime menos gravoso. 
 
IV.4 –Desclassificação imprópria 
 
Usamos esta tese quando desclassificamos de um crime do júri para outro, mas 
de competencia do próprio júri. Exemplo, uma mae que mata um filho está respondendo 
por homicídio. A defesa utiliza como tese a desclassificação para infanticídio. 
 
IV.5 – Dos Afastamento da Qualificadora 
 
Como última tese, se for o entendimento pela pronúncia, que haja o decote da 
qualificadora (Exemplo – do motivo torpe quando há contenda física entre réu e vítima 
antes do delito – mesmo que seja por vingança antes do crime, se há agressão, cai o 
motivo torpe). 
 
V – DOS PEDIDOS 
 
Por todo o exposto o acusado requer: 
 
a) Preliminarmente, que seja extinto o feito com resoluçao do mérito, nos termos 
do art. 107, IV, do Código Penal, tendo em vista que a prescriçao fulminou a extinçao 
da punibilidade que incidia sobre o feito, com a consequente absolvição sumária do 
acusado, nos moldes do art. 415, IV, do CPP. 
 
 
 
 
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b) Subsidiariamente, pugna a defesa para que seja acatada a preliminar de 
nulidade de inépcia da denúncia, a fim de que seja extinto o processo sem julgamento 
do mérito, nos termos dos art. 395, I e 564, IV, ambos do CPP. 
 c) No mérito, o réu pugna para que este juizo absolva sumariamente o acusado 
nos moldes do art. 415 (mencionar os incisos correspondentes), ante a patente 
comprovaçao da (citar o motivo). 
 d) Em tese antagônica, suscitar a impronúncia (quando não houver provas de 
materialidade ou indícios suficientes de autoria) nos moldes do art. 414 do CPP. 
 e) Acreditando que as teses acima serão abraçadas, mas por amor ao debate, a 
defesa requer a desclassificação do crime doloso contra vida insculpido na denúncia 
para crime diverso do da competência do tribunal do júri, sendo este de competência do 
juizo comum, para ele devendo ser remetido, nos moldes do art. 419 do CPP. 
f) Em caso de pronúncia, o que defesa argumenta somente em respeito ao 
princípio da eventualidade, que esta seja feita para o crime de (citar o crime de 
competência do júri, mas diferente do da denúncia), ou que haja o decote das 
qualificadoras, sendo o denunciado pronunciado somente pelo caput do art. 121 do 
CPB. 
 
 Pede Deferimento. 
 Local (10 dias!!!!!!) 
 Advogado 
 OAB 
 
 
 
VI – ROL DE TESTEMUNHAS 
Rito Comum (Até 8 testemunhas) 
1 – Nome, Endereço 
2 - Nome, Endereço 
3 - Nome, Endereço 
4 - Nome, Endereço 
5 - Nome, Endereço 
6 - Nome, Endereço 
7 - Nome, Endereço 
8 -Nome, Endereço 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO – Rito Comum 
 
Patrícia Diana, nascida em 01/12/1985, residente e domiciliada na QNQ 15, lote 15, 
Taguatinga-DF, foi contratada para trabalhar na casa de sua vizinha, dona Meyre Jane 
de Assunção. 
 
No dia 29/11/2006, quando chegava ao trabalho, Patrícia viu a irmã de sua patroa, dona 
Cleuza, guardando um de seus inúmeros vestidos vermelhos em uma das gavetas do 
quarto de dona Meyre. Como Patrícia teria um encontro naquela tarde com um rapaz 
que estava conhecendo pela internet, e querendo estar bonita para o mesmo, teve a idéia 
subtrair o vestido que Dona Cleuza havia guardado. Apesar de seu um vestido simples, 
que tem baixo custo no mercado, em torno de R$ 30,00, era uma vestimenta chamativa 
e bem trabalhada. Ágil, Patrícia conseguiu se assenhorear da vestimenta e a escondeu 
em sua bolsa, aguardando o horário para usar a roupa. 
 
Neste mesmo dia, à tarde, Patrícia se encontrou com seu pretendente, impecavelmente 
bem vestida. Ao final do encontro, Patrícia voltou à casa de sua patroa, pois sabia que a 
mesma ainda não estaria em casa, para devolver o vestido. 
 
No dia seguinte, Dona Cleusa percebeu que seu vestido estava com um cheiro de 
perfume diferente do que ela usa, apesar de não conter nenhuma espécie de dano, e foi 
atrás de informações para saber o motivo, quando uma vizinha disse que viu Patrícia 
sair usando a vestimenta. Revoltada, Cleuza foi à DP e, após a oitiva de Joana de Tal, 
Fernando de Tal, Marlene de Tal e Zuleika de Tal, vizinhos que confirmaram a 
utilização da peça por Patrícia, esta foi indiciada pelo crime de furto, previsto no art. 
155, caput, do Código Penal. 
 
Em 01 de março de 2011, Patrícia foi denunciada, formando-se assim a ação penal nº 
2011.07.01.02222-5, em trâmite perante a segunda vara criminal. Em 07/03/2011, uma 
sexta-feira, a acusada foi citada. 
 
Diante do exposto, apresente a peça processual privativa de advogado cabível, no último 
dia de prazo, em defesa de Patrícia, se atentando para as teses e fundamentações 
jurídicas plausíveis e compatíveis com o caso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO – Rito do Júri 
Pedroso Maridélio, em 12/03/2011, após discutir com sua esposa, resolveu 
passar a noite fora de casa, situada na quadra 05 do Gama, no apartamento de sua 
genitora, situado em Sobradinho, a fim de esfriar a cabeça. Pedroso estava com ódio de 
sua esposa, visto ter descoberto que a mesma havia mantido relações sexuais com seu 
vizinho na noite anterior. 
 
Após remoer todo o ódio que lhe corroeu o estômago durante toda a madrugada, 
no dia seguinte, Pedroso foi até sua residência tirar todos os seus bens da casa e por fim 
ao relacionado com sua mulher, exigindo que a mesma se retirasse do imóvel, visto o 
bem ser exclusivamente dele. 
 
Ao chegar em casa, sua esposa o esperava com lágrimas nos olhos. Não 
aceitando o pedido de separação, Maridélia partiu para cima do marido a fim de agredi-
lo com uma faca em punho, momento em que, tentando se desvencilhar dos golpes da 
esposa, Pedroso lhe desferiu um chute no tórax. Entretanto, ao perder o equilíbrio, a 
mesma caiu da escada batendo a cabeça contra a parede, fato que culminou em 
traumatismo craniano e a levou à óbito. 
 
A empregada, Maria Dolores, e sua amiga, Romarilda Bezerra, presenciaram o 
crime e ficaram em choque diante do feito, assim como Pedroso que não tinha 
imaginava que seu chute poderia levar sua esposa à morte. 
 
No dia 15 de agosto de 2011, Pedroso foi denunciado pelo Ministério Público 
pelo crime insculpido no art. 121, §2º, inciso I, do Código Penal, visto que, conforme o 
Ministério Público, o réu teria matada sua mulher movido pelo ódio da traição. 
 
Citado em 21 de agosto do mesmo ano, uma quarta-feira, Pedroso lhe procurou 
para, na qualidade de advogado, patrocinar sua defesa nos autos. 
 
Diante do feito apresente a medida processual privativa cabível, se atentando 
para todas as teses pertinentes ao feito e para o último dia de prazo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS 
 
Última peça de mérito da defesa em se tratando de primeira instância. É o 
momento em que a defesa alega todas as matérias de mérito pertinentes, se pautando 
pelo princípio da Eventualidade. 
 
No rito comum segue o disposto no art. 403, parágrafo 3º, do CPP. 
 
No Júri segue o disposto no art. 411, § 4º do Código de Processo Penal. No caso 
de alegação final do júri, tendo em vista a oralidade do rito, necessária do 
procedimento, deve ser feita a combinação do art. 411, § 4º com o artigo 403, § 3º, 
ambos do Código de Processo Penal, explicando que devido a complexidade do caso as 
alegações devem ser apresentadas em forma de memoriais. 
 
Havendo requerimento de diligencias por alguma das partes, e sendo a mesma 
ordenada pelo magistrado, o fulcro da pessoa passa a ser o art. 404, parágrafo único do 
CPP. 
 
Neste momento a defesa “viaja” formulando TODAS as teses defensivas 
possíveis. 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL 
DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri ou outra área de 
competência especial. 
 
Processo nº 
 
 
Fulano de Tal, já qualificado nos autos da ação penal em epígrafe, vem à 
presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado infra constituído, 
conforme instrumento de mandato em anexo, com fulcro no art. 403, § 3º, do Código de 
Processo Penal (SE FOR JÚRI – 411, § 4º, combinado com o artigo 403, § 3º, ambos do 
CPP), do Código de Processo Penal, apresentar alegações finais por: 
 
MEMORIAIS 
 
pelos fatos e fundamentos que passa a expor: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA: 
 
 
 
 
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Narrar, de forma suscinta, a dinâmica dos fatos. Ao final, terminar com uma 
frase de impacto, por exemplo: “Entretanto, a tese acusatória não merece prosperar”. 
 
II – DAS PREJUDICIAIS / DAS NULIDADES 
 
Se houver alguma nulidade ou causa prejudicial de mérito, por exemplo a 
prescrição, aqui é o momento de alegar. Procurar observar se o processo não incidiu em 
algum vício de forma do art. 564 do CPP, ou do art. 212. Lembrar-se que sempre a 
acusação inicia e a defesa termina. Se esta ordem for trocada implica em cerceamento 
de defesa. Nulidade do ato que deve ser alegada antes do mérito. 
 
II – DO DIREITO 
 
Narrar toda a tese defensiva. Aqui devemos falar de desclassificação, 
impronúncia, exclusão de culpabilidade, de ilicitude, erro de tipo, de proibição, 
afastamento da qualificadora, causas de diminuição da pena, da substituição de penas. 
 
Sempre usamos a tese “mestra” em primeiro lugar. Se nosso objetivo principal é 
a absolvição é dela que falamos primeiro. Após, dizemos uma frase que faz um link 
com a primeira ideia e a nova tese, como: “Acreditando que esta será a tese abraçada 
por este juízo, mas por amor ao debate, a defesa argumenta, pelo princípio da 
eventualidade, que, se este juízo concluir pelo afastamento da absolvição, o crime de 
tentativa de homicídio deve ser desclassificado para o crime de lesão corporal”. 
Explicar o motivo. Após explicação, ainda abrimos um novotópico aonde pediremos o 
afastamento das qualificadoras do crime, caso o juízo não entenda pela desclassificação. 
 
EX: No caso de uma pessoa que lesionou outra porque esta estava armada: 
 
II – Do direito: 
 
II.1- Da absolvição sumária: 
 
Falar da excludente de ilicitude (legítima defesa), mencionando o art. 25 do CPB 
e o 415, IV do mesmo diploma legal. Sustentar esta tese. 
 
II.2 – Da desclassificação para o crime de lesão corporal: 
 
Falar que, não sendo o entendimento do juízo a absolvição sumária do acusado, 
que o crime seja desclassificado para lesão corporal, devendo os autos serem remetidos 
ao juízo competente para julgar o feito. 
 
II.3 – Do afastamento das qualificadoras do Delito: 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Aduzir que de acordo com o princípio da eventualidade, caso o juízo do júri 
tenha reais elementos para pronunciar a pessoa acusada, que o faça pelo caput do art. 
121, afastando a qualificadora. Sustentar que o motivo do crime não foi fútil. 
 
OBS: Em se tratando de crimes do rito ordinário, pode-se abrir também um 
tópico para pedir a fixação da pena no mínimo legal, caso se observe as atenuantes do 
artigo 65/66 do CPB. Se a pena for inferior a quatro anos e o acusado não for 
reincidente em crime doloso, pode-se pleitear pela conversão da pena restritiva de 
liberdade em restritiva de direito. Aqui, devemos observar o artigo 44 do CPB. 
 
III – DO PEDIDO 
 
Se houver qualquer tipo de nulidade ou preliminar, requerer declaração e a 
extinção do feito, antes de fazer os pedidos meritórios. 
Após, devemos postular pelas teses de mérito, articuladas anteriormente, no 
tópico “do direito”. Requerer neste momento a absolvição (que não é sumária, pois já 
estamos em fase de instrução processual – art.386 do CPP se rito ordinário. Se for júri, a 
absolvição é sim sumária, nos moldes do art. 415 do CPP). Por oportuno, não sendo 
caso de absolvição, postula a defesa pela impronúncia do acusado, como reza o art. 414 
do CPP (pugnar por este artigo em caso de júri, pois o pedido é de impronúncia). Se a 
tese for de desclassificação, em júri, não esquecer do artigo 419, pugnando pela remessa 
dos autos ao juízo competente para processar e julgar o feito. Finalmente, requerer o 
afastamento das qualificadoras do delito. Exemplo, se for um caso de homicídio 
qualificado, podemos pugnar pelo afastamento de alguma qualificadora que acompanhe 
o crime, requerendo que, em caso de pronúncia, que o seja pelo caput do artigo 121. 
 
Lembrar que em sede de primeira fase do júri JAMAIS falamos de homicidio 
privilegiado ou sustemos qualquer causa de diminuição de pena. As teses são de 
absolvição, impronúncia, desclassificação e afastamento de qualificadoras que 
acompanhem o crime. 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento. 
 
Local, data, 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Caso de alegações finais em caso de Drogas: 
 
Modelo: 
 
 
Acusado de traficar drogas em concurso de agentes. Teses mais utilizadas pela defesa 
em casos como o exposto, quando o acusado é pego com uma quantia relativamente 
pequena de drogas: 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA DE 
ENTORPECENTES E CONTRAVENÇOES PENAIS DO DISTRITO FEDERAL 
 
Autos nº ... 
 
CICERIANO VALERIANO, já qualificado nos autos em epígrafe vem, por 
meio de seu advogado subscritor, procuração em anexo, com fulcro no artigo 57 da Lei 
11.343/06 e 403 § 3º do Código de Processo Penal, apresentar 
 
ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS 
 
pelos fatos e fundamentos que passa a expor: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA 
 
Conforme narra a denúncia, às folhas 2 e 3, o réu foi denunciado como incurso 
nos artigos 33, caput, da lei 11.343 de 2006, c/c com artigo 29, do Código Penal, tendo 
como fundamento o fato de no dia 20 de abril de 2011, o acusado ter sido abordado por 
policiais, que o surpreenderam portando uma mochila, na qual havia seis tabletes de 
uma substancia conhecida como maconha, que havia adquirido do segundo acusado 
Raony Peterson Marcondes de Souza. 
 
Ele foi abordado na parada do DVO, na BR-20, e foram apreendidos 6 porções 
de maconha, em forma de tabletes, envolvidas em saco plástico, que estava na mochila 
que trazia consigo, pesando 255,80g. Além disso, trazia consigo a quantia de R$ 151,05 
(cento e cinqüenta e um reais e cinco centavos) em espécie. 
 
Entretanto a r. denúncia não merece prosperar pelos fundamentos que se passa a 
aduzir. 
 
II – DO DIREITO 
 
II.1 – Da Desclassificaçao para o crime de porte para uso pessoal 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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O acusado tanto em seu depoimento no inquérito policial quanto no 
interrogatório em audiência, confessou espontaneamente que ele, de posse de cinquenta 
reais, procurou uma pessoa a quem ele conhecia como “galego”, com objetivo de 
comprar a droga para consumo, pois era usuário há aproximadamente um ano e que 
aquele dizia saber onde conseguir drogas. 
De fato, essa pessoa o levou até a cidade de Planaltina e, pegando o dinheiro foi 
até o local que sabia ser a fonte de distribuição, comprou a substância e a entregou ao 
acusado, que partiu de volta. 
 
Da descrição acima, não se tem contra o acusado fundamentação para aplicar-lhe 
a imputação do tipo penal do artigo 33 da lei 11.343/06, vejamos o que diz tal artigo: 
 
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, 
vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer 
consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer 
drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar. 
 
O acusado sustentou que buscava a compra apenas para seu consumo e não 
restou provado nos autos que se tratava de tráfico, apesar dos testemunhos paradoxais 
dos condutores que afirmaram ter o acusado dito ser a compra para entregar a uma 
pessoa não identificada. Alegaram ainda, que o acusado receberia uma quantia para tal. 
 
Ocorre que o condutor Sr. Giovani Galvan Martins disse que o valor que o 
acusado receberia seria de R$ 100,00, entretanto o outro condutor Sr. Almir de Souza 
Barbosa afirmou que o acusado não revelara qual o valor que receberia. Percebe-se aqui 
uma contradição das testemunhas, pois em nenhum momento de seu depoimento, seja 
no inquérito policial ou na audiência, o acusado afirmou que entregaria a uma terceira 
pessoa, fato que mostra a inconsistência das testemunhas. 
 
Ademais, é necessário trazer aqui o que diz a Lei 11.343/06 sobre o usuário em 
seu artigo 28: 
 
Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para 
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação 
legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas [...] (grifo nosso) 
 
Percebe-se pela leitura literal do texto, que os verbos utilizados são os mesmos. 
E que em nenhum nos artigos existe a menção de que é a quantidade que faz diferença 
entre a aplicação do artigo 33 e do artigo 28 da referida lei. 
 
O que diferencia a capitulação do artigo 33 para o artigo 28 é o tipo subjetivo, 
conforme diz o renomado jurista Luiz Flávio Gomes, no caso do artigo 33: “[...] o 
agente, com consciência e vontade, pratica qualquer dos núcleos verbais trazidos pelo 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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tipo ciente de que explora substância entorpecenteproibida sem autorização ou 
determinação legal ou regulamentar”. 
 
Entretanto, no caso do artigo 28, segundo o mesmo autor [...] “além do dolo 
exige-se ademais uma finalidade especial do agente: para consumo pessoal. Esse é o 
dolo específico... ou elemento subjetivo do injusto... ou o requisito subjetivo especial 
que o tipo requer”. É exatamente o que se configura no caso em comento, pois o 
acusado confessou sua intenção de comprar para consumo próprio. 
 
Pelo exposto acima é de inteira justiça que seja aplicado ao caso em comento o 
artigo 28 da Lei 11.343/06, pois, pelas provas apresentadas nos autos não se pode inferir 
que o acusado teria outro dolo específico, a não ser o consumo próprio, razão pela qual 
pugna a defesa pela desclassificação do tipo penal capitulado no artigo 33 da Lei 
11.343/06 para o tipo penal do artigo 28, caput, da mesma Lei. 
 
Conforme entendimento jurisprudencial abaixo demonstrado: 
 
 EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS - DESCLASSIFICAÇÃO 
PARA O DELITO DE USO - NECESSIDADE - AUSÊNCIA DE PROVAS ACERCA DA 
DESTINAÇÃO MERCANTIL DA DROGA APREENDIDA EM PODER DO RÉU - 
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. - Não restando indubitavelmente 
comprovado que a substância entorpecente apreendida em poder do réu 
destinava-se a comercialização, deve-se desclassificar o crime para o delito 
de uso de DROGAS. 
APELAÇÃO CRIMINAL N° 1.0479.09.173482-8/001 - COMARCA DE PASSOS - 
APELANTE(S): THALES ROGÉRIO SANTOS MARTINS - APELADO(A)(S): 
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADO MINAS GERAIS - RELATOR: EXMO. SR. DES. 
EDUARDO MACHADO 
ACÓRDÃO 
Vistos etc., acorda, em Turma, a 5ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de 
Justiça do Estado de Minas Gerais, sob a Presidência do Desembargador 
ALEXANDRE VICTOR DE CARVALHO , na conformidade da ata dos 
julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM DAR 
PROVIMENTO PARCIAL. Belo Horizonte, 17 de agosto de 2010. 
 
EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS - NULIDADE DO 
PROCESSO - TRANSAÇÃO PENAL NÃO OFERTADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO 
- PRECLUSÃO - PRELIMINAR REJEITADA - AUSÊNCIA DE PROVAS DA 
MERCANCIA - DESCLASSIFICAÇÃO PARA O DELITO DE USO DE 
ENTORPECENTES - NECESSIDADE - APLICAÇÃO DO ARTIGO 28 DA LEI 
11.343/06 - RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1 - Não há 
que se falar em nulidade do processo por não ter o Ministério Público 
ofertado proposta de transação penal ao acusado, já que a defesa não se 
insurgiu no momento próprio, restando preclusa a matéria. 2 - Se não restou 
demonstrado nos autos, de forma inequívoca, que a droga apreendida na 
posse do apelante era destinada ao tráfico, mister a desclassificação do 
delito de delito de tráfico para a conduta prevista no art. 28, da Lei nº 
11.343/06. 
APELAÇÃO CRIMINAL N° 1.0518.08.145451-5/001 - COMARCA DE POÇOS DE 
CALDAS - APELANTE(S): VILMAR NEVES DO LAGO - APELADO(A)(S): 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADO MINAS GERAIS - CO-RÉU: LUÍS CARLOS 
CORDEIRO PREZIA - RELATOR: EXMO. SR. DES. ADILSON LAMOUNIER 
ACÓRDÃO 
Vistos etc., acorda, em Turma, a 5ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de 
Justiça do Estado de Minas Gerais, sob a Presidência do Desembargador 
ALEXANDRE VICTOR DE CARVALHO , na conformidade da ata dos 
julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM 
REJEITAR PRELIMINAR DA DEFESA, VENCIDO O DESEMBARGADOR VOGAL. 
NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL À UNANIMIDADE. 
Belo Horizonte, 11 de maio de 2010. 
 
II.2 – Da Abolviçao pelo princípio da insignificância 
 
A aplicação do princípio da insignificância, de modo a tornar a conduta atípica, 
exige que sejam preenchidos requisitos tais como a mínima ofensividade da conduta do 
agente, nenhuma periculosidade social da ação, reduzido grau de reprovabilidade do 
comportamento e relativa inexpressividade da lesão jurídica”. Tal situação é 
perfeitamente cabível no caso exposto, e encontra-se presente no entendimento hodierno 
do STF, como é possível identificar no HC 110475/12. 
 
O sistema jurídico há de considerar a relevantíssima circunstância de que a 
privação da liberdade e a restrição de direitos do indivíduo somente se justificam 
quando estritamente necessárias à própria proteção das pessoas, da sociedade e de 
outros bens jurídicos que lhes sejam essenciais, notadamente naqueles casos em que os 
valores penalmente tutelados se exponham a dano, efetivo ou potencial, impregnado de 
significativa lesividade. O direito penal não se deve ocupar de condutas que produzam 
resultado cujo desvalor - por não importar em lesão significativa a bens jurídicos 
relevantes - não represente, por isso mesmo, prejuízo importante, seja ao titular do bem 
jurídico tutelado, seja à integridade da própria ordem social. 
 
Tendo em vista que a conduta praticada pelo agente visava consumo pessoal, 
não há que se falar em repercussão social da conduta, muito menos em expressividade 
da lesão ao bem tutelado. Em diversos países altamente civilizados, o porte de maconha 
para uso pessoal é amplamente permitido, devendo o Brasil se afeiçoar a tal 
posicionamento, visto que de acordo com o princípio da fragmentariedade, não pode o 
direito penal intervir na esfera de intimidade do individuo, bem como não deve se 
preocupar com algo tao ínfimo. 
 
Nesse sentido, é o entendimento que vem sendo admitido no Egrégio STF, in 
verbis: 
 
“O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA QUALIFICA-SE COMO FATOR DE 
DESCARACTERIZAÇÃO MATERIAL DA TIPICIDADE PENAL. 
- O princípio da insignificância - que deve ser analisado em conexão com os 
postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em 
matéria penal - tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade 
penal, examinada na perspectiva de seu caráter material. Doutrina. 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Tal postulado - que considera necessária, na aferição do relevo material da 
tipicidade penal, a presença de certos vetores, tais como (a) a mínima 
ofensividade da conduta do agente, (b) a nenhuma periculosidade social da 
ação, (c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a 
inexpressividade da lesão jurídica provocada - apoiou-se, em seu processo 
de formulação teórica, no reconhecimento de que o caráter subsidiário do 
sistema penal reclama e impõe, em função dos próprios objetivos por ele 
visados, a intervenção mínima do Poder Público. 
O POSTULADO DA INSIGNIFICÂNCIA E A FUNÇÃO DO DIREITO PENAL: 'DE 
MINIMIS, NON CURAT PRAETOR'. 
- O sistema jurídico há de considerar a relevantíssima circunstância de que a 
privação da liberdade e a restrição de direitos do indivíduo somente se 
justificam quando estritamente necessárias à própria proteção das pessoas, 
da sociedade e de outros bens jurídicos que lhes sejam essenciais, 
notadamente naqueles casos em que os valores penalmente tutelados se 
exponham a dano, efetivo ou potencial, impregnado de significativa 
lesividade. 
O direito penal não se deve ocupar de condutas que produzam resultado 
cujo desvalor - por não importar em lesão significativa a bens jurídicos 
relevantes - não represente, por isso mesmo, prejuízo importante, seja ao 
titular do bem jurídico tutelado, seja à integridade da própria ordem social. 
”(HC nº 84.687/MS, Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 
27/10/06). 
 
Cumpre assinalar, neste ponto, que esse entendimento encontra suporte em 
expressivo magistério doutrinário expendido na análise do tema em referência 
(GOMES, Luiz Flávio. Delito de Bagatela: princípios da insignificância e da 
irrelevância penal do fato. In: Revista dos Tribunais, v. 789/439-456; TOLEDO, 
Francisco de Assis. Princípios Básicos de Direito Penal. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 
p. 133/134, itemnº 131; BITENCOURT, Cezar Roberto. Código Penal Comentado. São 
Paulo: Saraiva, 2002. p. 6, item nº 9; JESUS, Damásio E. de. Direito Penal - Parte 
Geral. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. v. 1/10, item nº 11, h; LOPES, Maurício 
Antonio Ribeiro. Princípio da Insignificância no Direito Penal. 2. ed. São Paulo: RT, 
2002. p. 113/118, item nº 8.2, v.g.). 
 
Revela-se significativa a lição de Edilson Mougenot Bonfim e de Fernando 
Capez (Direito Penal - Parte Geral. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 121/122, item nº 2.1,) a 
propósito da matéria em questão: 
 
“Na verdade, o princípio da bagatela ou da insignificância (...) não tem 
previsão legal no direito brasileiro (...), sendo considerado, contudo, 
princípio auxiliar de determinação da tipicidade, sob a ótica da objetividade 
jurídica. Funda-se no brocardo civil 'minimis non curat praetor' e na 
conveniência da política criminal. Se a finalidade do tipo penal é tutelar um 
bem jurídico quando a lesão, de tão insignificante, torna-se imperceptível, 
não será possível proceder a seu enquadramento típico, por absoluta falta 
de correspondência entre o fato narrado na lei e o comportamento iníquo 
realizado. É que, no tipo, somente estão descritos os comportamentos 
capazes de ofender o interesse tutelado pela norma. Por essa razão, os 
danos de nenhuma monta devem ser considerados atípicos. A tipicidade 
penal está a reclamar ofensa de certa gravidade exercida sobre os bens 
jurídicos, pois nem sempre ofensa mínima a um bem ou interesse 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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juridicamente protegido é capaz de se incluir no requerimento reclamado 
pela tipicidade penal, o qual exige ofensa de alguma magnitude a esse 
mesmo bem jurídico.” 
 
Na realidade, considerados, de um lado, o princípio da intervenção penal 
mínima do Estado (que tem por destinatário o próprio legislador) e, de outro, o 
postulado da insignificância (que se dirige ao magistrado, enquanto aplicador da lei 
penal ao caso concreto), na precisa lição do eminente Professor René Ariel Dotti (Curso 
de Direito Penal – Parte Geral. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004. p. 68, item nº 51), 
cumpre reconhecer que o direito penal não se deve ocupar de condutas que produzam 
resultado cujo desvalor - por não importar em lesão significativa a bens jurídicos 
relevantes - não represente, por isso mesmo, prejuízo importante, seja ao titular do bem 
jurídico tutelado, seja à integridade da própria ordem social. 
 
Sabe-se que a configuração da atipicidade, que permite o trancamento da 
persecução penal em face da aplicação do princípio da insignificância, tem lugar quando 
é possível verificar, no tocante à conduta perpetrada pelo agente, uma ofensividade 
mínima, quando a ação, apesar de encontrar tipificação no ordenamento jurídico pátrio, 
além de não representar periculosidade social, também revelar grau de reprovabilidade 
irrelevante, a par da ofensa levada a efeito não implicar lesão expressiva ao bem 
jurídico penalmente tutelado. Em tais circunstâncias, permite-se o reconhecimento do 
crime de bagatela, o qual é desprovido de caráter penal de maior relevância. 
 
Relativamente ao usuário de substância entorpecente, o tema ainda suscita 
discussões quanto à aplicação da tese de bagatela. O fato é que, com acertos e 
desacertos, a legislação penal especial avançou significativamente no trato da questão, 
não mais permitindo a imposição de pena privativa de liberdade. 
 
Atualmente, a Lei nº 11.343/06 prevê tratamento diferenciado ao usuário, de 
molde a possibilitar a sua recuperação, assim dispondo em seu art. 28: 
 
“Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer 
consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo 
com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes 
penas: 
I- advertência sobre os efeitos das drogas; 
II- prestação de serviços à comunidade; 
III- medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.” 
 
Nesse contexto, a conduta tida por criminosa, para além da adequação típica 
formal do revogado art. 16 da Lei nº 6.368/76, merece, nos dias atuais, acurado exame à 
luz da garantia da dignidade da pessoa humana, que impõe uma atuação seletiva, 
subsidiária e fragmentária do Direito Penal, conferindo-se, desse modo, maior 
relevância à proteção de valores tidos como indispensáveis à ordem social, a exemplo 
da vida, da liberdade e da propriedade, quando efetivamente ofendidos (tipicidade 
material). 
 
Assim, há que se averiguar a tipicidade material da conduta tida por criminosa, 
pois "crime não é apenas aquilo que o legislador diz sê-lo (conceito formal), uma vez 
que nenhuma conduta pode, materialmente, ser considerada criminosa se, de algum 
 
 
 
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modo, não colocar em perigo valores fundamentais da sociedade". (CAPEZ, Fernando. 
Curso de Direito Penal – parte geral. São Paulo: Saraiva, 2009. v. 1, p. 8). 
 
O princípio da insignificância, como destacado pelo eminente Ministro Celso de 
Mello por ocasião do julgamento do HC nº 94.809/RS (Segunda Turma, DJe de 
24/10/08), deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e 
da intervenção mínima do Estado em matéria penal, no sentido de excluir ou afastar a 
própria tipicidade penal, examinada em seu caráter material, observando-se, ainda, a 
presença de certos vetores, como (a) mínima ofensividade da conduta, (b) nenhuma 
periculosidade social da ação, (c) reduzidíssimo grau de reprovabilidade do 
comportamento incriminado e (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. 
 
Por último, destaco trecho da judiciosa manifestação do ilustre membro do 
Parquet no HC 110475/12, in verbis: 
 
“Com razão a impetrante quanto à tese de aplicabilidade,ao delito previsto 
no art. 28 da Lei 11.343/06, do princípio da insignificância. 
Como se sabe, o princípio da insignificância está estritamente ligado à ideia 
de que a apreensão penal da conduta deve constituir tutela de última razão, 
somente se fazendo incidir em casos de ataques graves a bens jurídicos 
relevantes. É que não se pode admitir desproporcionalidade entre meios e 
fins diante dos ditames da Constituição Federal, que afirma a dignidade da 
pessoa humana em seu art. 1º, caput. 
Por meio de sua aplicação, afasta-se a incidência do Direito Penal sobre 
comportamentos que, apesar de formalmente típicos, não apresentam 
relevância penal material. 
Nas palavras de Paulo de Souza Queiroz, ‘por meio do princípio da 
insignificância (ou bagatela), o juiz, à vista da desproporção entre a ação 
(crime) e a reação (castigo), fará um juízo (valorativo) acerca da tipicidade 
material da conduta, recusando curso a comportamentos que, embora 
formalmente típicos (criminalizados), não o sejam materialmente, dada sua 
irrelevância’ (QUEIROZ, Paulo de Souza. Direito Penal. Introdução crítica. 
São Paulo: Saraiva, 2001). 
Desse modo, observa-se que o princípio da insignificância jurídica é 
característica de um direito penal minimamente democrático, resultando 
daí, conforme preciso ensinamento de Cezar Bitencourt, a necessidade de 
‘uma efetiva proporcionalidade entre a gravidade da conduta que se 
pretende punir e a drasticidade da intervenção estatal’ (BITENCOURT, Cezar 
Roberto. Tratado de Direito Penal: Parte Geral 1. 11ª ed. atual. SP: Saraiva, 
2007). 
Isso posto, consoante dispõe a jurisprudência reiterada do Supremo 
Tribunal Federal, afere-se a incidência do princípio da bagatela pela 
presença de determinados elementos, quais sejam: a ofensividade mínima 
da conduta do agente, a ausência de periculosidade social da ação, o ínfimo 
grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividadeda lesão 
jurídica 
ocasionada. São observados, assim, os prejuízos causados pelo 
comportamento do agente, se de fato relevantes a ponto de atrair a tutela 
penal, de forma que a intervenção apenas venha a se materializar para 
prevenir ou reprimir condutas que, minimamente, provoquem lesão ao bem 
jurídico. 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Assentados tais fundamentos, parece-nos não haver qualquer óbice à 
aplicação do postulado da insignificância ao tipo previsto no art. 28 da Lei de 
Drogas. 
Com efeito, há grande controvérsia na jurisprudência brasileira acerca da 
aplicação do princípio da insignificância em casos de porte de ínfima 
quantidade de substância entorpecente para uso pessoal. 
A corrente que não reconhece o postulado da insignificância nessas 
hipóteses, o faz com suporte no argumento de que, por se tratar de delito 
de perigo presumido ou abstrato, torna-se irrelevante a quantidade de 
droga apreendida em poder do agente. Nessa esteira, muitos julgados 
afirmam que o tipo previsto no artigo 28 da Lei de Drogas esgota-se 
simplesmente no fato de o agente trazer consigo, para uso próprio, 
qualquer substância entorpecente que possa causar dependência, sendo, 
portanto, irrelevante que a quantidade de droga não produza, 
concretamente, danos ao bem jurídico 
tutelado, no caso, a saúde pública ou do próprio indivíduo (RHC 22.372/ES, 
Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 15/12/2009, DJe 
08/02/2010; AgRg no REsp 612.357/MG, 6.ª Turma, Rel. Min. PAULO 
GALLOTTI, DJ de 19/06/2006; HC 32009/MG, 5ª Turma, Rel. Min. JOSÉ 
ARNALDO DA FONSECA, DJ de 31/05/2004). 
Tais argumentos, entretanto, não são capazes de afastar a possibilidade de 
aplicação do princípio em análise aos casos em que é apreendida, em posse 
do agente, ínfima quantidade de entorpecentes para uso próprio. Senão, 
vejamos. 
Em primeiro lugar, é de se ver que o fato de o tipo descrito no artigo 28 da 
Lei 11.343/06 configurar um delito de perigo abstrato não pode impedir, 
absolutamente, a aplicação do postulado da insignificância. Isso porque, 
mesmo nesses casos, não se afasta a necessidade de aferição da lesividade 
da 
conduta, ou seja, se capaz ou não de atingir, concretamente, o bem jurídico 
resguardado pela norma. 
É indispensável, pois, que se demonstre a aptidão da conduta em lesar o 
bem jurídico, não bastando que, pelo simples fato de figurar no rol de 
substâncias proibidas pela lei, se pressuponha, de forma absoluta, que 
qualquer quantidade de droga seja capaz de produzir danos à saúde pública. 
A exigência de efetiva lesão ao objeto de proteção da norma decorre de 
uma conformação da atuação jurídico-penal aos princípios basilares de um 
Estado Democrático de Direito, tais como a subsidiariedade, 
fragmentariedade e intervenção mínima. De acordo com tais vetores, a 
atuação estatal apenas se 
legitima em situações excepcionais, vale dizer, quando efetivamente se 
mostre necessária a medida punitiva. 
(...) 
Numa teoria do delito fundada em garantias, a subsunção das condutas aos 
tipos não se dá de maneira avalorada e automática. Nem sempre a prática 
de uma conduta ilícita, civil ou administrativamente, poderá resultar em 
uma sanção penal, tudo a depender do grau de violação do bem jurídico 
atingido. 
Isso porque existem condutas que, a despeito de se encaixarem na 
formulação literal dos tipos, são socialmente suportáveis. 
(...) 
A apreensão penal da conduta, com efeito, deve constituir tutela de última 
razão, somente se fazendo incidir em casos de ataques graves a bens 
jurídicos relevantes. Não se pode admitir num Estado, cujo ordenamento 
constitucional tenha como núcleo a dignidade da pessoa humana, a 
desproporcionalidade entre meios e fins. 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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A esse respeito, dizem os ilustres professores Eugênio Raúl Zaffaroni e Nilo 
Batista: 
[...] convém repudiar a ideia de bem jurídico tutelado, que não passa de 
uma inversão extensiva racionalizante do conceito limitador de bem jurídico 
afetado, proveniente do racionalismo, e só resta manter este último como 
expressão dogmática do princípio da lesividade, que requer também uma 
entidade mínima de afetação (por dano ou perigo), excluindo bagatelas ou 
afetações insignificantes. A presença de um bem jurídico alheio afetado 
permite reconhecer o conflito jurídico, pelo extravasamento do âmbito 
pessoal da liberdade moral e pela introdução de um outro – o que implica 
na 
consideração da alteridade como pressuposto geral da intervenção penal. 
Neste sentido, pode-se afirmar que o bem jurídico lesionado ou exposto a 
perigo representa o outro no conflito jurídico-penal, constitui o seu signo no 
recorte típico, cabendo comparecer o chamado princípio da insignificância, 
que exclui a tipicidade nos casos de ínfimas e irrisórias afetações do bem 
jurídico, como defecção da alteridade (ZAFFARONI, E. Raúl et al. Direito 
Penal Brasileiro – Vol. I. Rio de Janeiro: Revan, 2003, p. 228). 
 
No caso em tela, a conduta perpetrada pelo agente, a toda evidência, não 
representa ofensa ao bem jurídico tutelado pela norma incriminadora contida no art. 28 
da Lei 11.343/06. Note-se que o fato narrado na denúncia, qual seja a apreensão, em 
posse do acusado, de pequena quantidade de maconha para uso próprio, embora 
formalmente típico, não apresenta nenhuma relevância material, por absoluta 
incapacidade de produzir um resultado que gere qualquer ameaça à saúde do próprio 
agente ou à incolumidade pública. 
 
Assim sendo, a lesividade da conduta não pode ser simplesmente desprezada nos 
delitos de perigo presumido, sob pena de se concretizar uma intervenção jurídico penal 
inócua, desnecessária e ofensiva aos instrumentos de proteção dos direitos e garantias 
fundamentais expressos na Constituição Federal. 
Não há dúvida de que o Estado deva promover a proteção de bens jurídicos 
supraindividuais, tais como a saúde pública, mas não poderá fazê-lo em casos em que a 
intervenção seja de tal forma desproporcional, a ponto de incriminar uma conduta 
absolutamente incapaz de oferecer perigo ao próprio objeto material do tipo. Pelas 
razoes expostas, indubitável que a conduta do denunciado deve ser considerada atípica. 
 
II.3 – Do Oferecimento do Sursis 
 
Há de se consignar ainda, que em decorrência da desclassificação, o STJ editou a 
Súmula n. 337, que dispõe que a desclassificação do crime viabiliza a suspensão 
condicional do processo quando a pena do crime desclassificado permite tal situação, 
situação também corroborada pelo art. 383, §1°, do Codigo de processo penal. Eis o teor 
da citada súmula, in verbis: 
 
STJ: Súmula 337 - É cabível a suspensão condicional do processo na 
desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão 
punitiva. 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Pelas razões amplamente ventiladas nesta peça defensiva, Excelência, a defesa 
pugna pela desclassificação do crime previsto no artigo 33 da Lei 11.343/06 para o art. 
28 da mesma Lei, com o conseqüente envio dos autos ao Ministério Público para que 
seja ofertada ao réu o benefício constante no art. 89 da Lei 9099/90, qual seja, a 
suspensão condicional do processo, visto o mesmo ser primário, a pena do crime ser 
inferior a 1 ano e o mesmo preencher todos os requisitos dispostos no art. 77 do Codigo 
penal. 
 
II.II - Da aplicação do trafico privilegiado 
 
Que seja aplicado o benefício máximo previsto na lei, que é a redução de dois 
terços da pena, tendo em vista a confissão espontânea, a primariedade do acusado e os 
bons antecedentes. Que seja aplicado o regime aberto, e seja convertida em duas 
restritivas de direito, semaplicação de multa, devido à situação econômica do réu. 
 
Apesar da vedação legal na conversão disposta no art. 44 do Código Penal, é 
sabido que tal óbice foi declarado inconstitucional pelo STF, inclusive já repercutindo 
na esfera de entendimento dos tribunais pátrios, in verbis: 
 
EMENTA: TRÁFICO DE DROGAS - CONDENAÇÃO MANTIDA - PROVAS 
SUFICIENTES - PRIVILÉGIO APLICADO - FRAÇÃO MEDIANA MANTIDA EM 
RAZÃO DA NATUREZA E QUANTIDADE DE DROGAS - HEDIONDEZ AFASTADA - 
REGIME ABERTO E SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. 
Havendo prova suficiente para o reconhecimento da venda e depósito de 
maconha e crack, não destinados ao consumo próprio, deve ser mantida a 
condenação pelo crime previsto no art. 33 da Lei 11.343/2006. Diante da 
apreensão de novecentos gramas de maconha e onze pedras de crack, deve 
o julgador aplicar a minorante do parágrafo quarto em uma fração mediana, 
e não aquela máxima, posto que a natureza e a quantidade de droga 
cumprem orientação relevante, segundo a lei, na fixação da pena. Para o 
tráfico privilegiado, que não é crime hediondo, não há obrigatoriedade de 
fixação do regime fechado. Regime aberto fixado. V.V.PENAL - TRÁFICO 
DE DROGAS - PRIVILÉGIO DO ARTIGO 33 §4º DA LEI 11.343/2006 - DELITO 
EQUIPARADO A HEDIONDO - MANUTENÇÃO DO REGIME FECHADO PARA O 
CUMPRIMENTO DA REPRIMENDA. - A causa de diminuição de pena prevista 
no artigo 33 §4º da Lei 11.343/2006 apenas abranda a punição do agente 
infrator quando for ele primário, de bons antecedentes e não se dedique a 
atividade criminosa, mas o crime por ele praticado continua equiparado a 
hediondo. 
APELAÇÃO CRIMINAL N° 1.0313.09.287169-5/001 - COMARCA DE IPATINGA 
- APELANTE(S): FABIO RODRIGO VIEIRA - APELADO(A)(S): MINISTÉRIO 
PÚBLICO ESTADO MINAS GERAIS - RELATOR: EXMO. SR. DES. ALEXANDRE 
VICTOR DE CARVALHO 
ACÓRDÃO 
Vistos etc., acorda, em Turma, a 5ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de 
Justiça do Estado de Minas Gerais, sob a Presidência do Desembargador 
ALEXANDRE VICTOR DE CARVALHO , na conformidade da ata dos 
julgamentos e das notas taquigráficas, EM DAR PROVIMENTO PARCIAL, 
VENCIDO O DESEMBARGADOR VOGAL. 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - TRÁFICO DE DROGAS - CONDENAÇÃO 
MANTIDA - ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO - PERMANÊNCIA NÃO 
CARACTERIZADA - ABSOLVIÇÃO - CAUSA DE DIMINUIÇÃO PREVISTA NO ART. 
33 § 4º DA LEI 11.343/06 - RECONHECIMENTO - TRÁFICO PRIVILEGIADO - 
HEDIONDEZ NÃO CARACTERIZADA. I - Havendo prova suficiente da 
propriedade da droga destinada ao comércio, deve ser mantida a 
condenação pelo tráfico. II - O animus associativo é a figura central do tipo 
penal do art. 35 da Lei 11.343/2006 e deve restar comprovado de maneira 
cabal já que o simples concurso não é o bastante para essa finalidade. III - O 
tráfico privilegiado não é crime hediondo, pelo que não se impõe a fixação 
do regime inicial fechado. 
APELAÇÃO CRIMINAL N° 1.0687.09.075233-2/001 - COMARCA DE TIMÓTEO 
- 1º APELANTE(S): JOSÉ APARECIDO BARROS - 2º APELANTE(S): TANIA 
REGINA VALADARES - APELADO(A)(S): MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADO MINAS 
GERAIS - RELATOR: EXMO. SR. DES. ALEXANDRE VICTOR DE CARVALHO 
ACÓRDÃO 
Vistos etc., acorda, em Turma, a 5ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de 
Justiça do Estado de Minas Gerais, sob a Presidência do Desembargador 
ALEXANDRE VICTOR DE CARVALHO, na conformidade da ata dos 
julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM 
REJEITAR PRELIMINAR DA DEFESA DA SEGUNDA APELANTE. NO MÉRITO, 
DAR PROVIMENTO PARCIAL AOS RECURSOS. 
Belo Horizonte, 14 de setembro de 2010. 
 
II.III – Do afastamento da agravante 
 
Pelo principio da eventualidade, caso não seja este o entendimento de Vossa 
Excelência a incidência do privilégio, a defesa pugna pelo afastamento do concurso de 
agentes previsto no artigo 29 do Código Penal. 
 
É sabido que o concurso de pessoas caracteriza-se pela ação de duas ou 
mais pessoas visando um fim comum, que é a realização do fato criminoso. 
 
Portanto não há que ser falar em concurso de agentes, haja vista que a intenção 
do réu não foi a de explorar o comércio de drogas e sim o consumo pessoal, não agindo 
em concurso com aquele que restou evidente tinha a finalidade explícita de explorar a 
atividade ilícita. 
 
III – DO PEDIDO 
 
Ante todo o exposto, a defesa pugna pela 
1. Pela desclassificação do crime do tipo narrada na denúncia para o 
artigo 28, caput, da Lei 11.343/06, com a conseqüente absolvição do 
acusado pelo principio da insignificância, conforme art. 386, III, do 
CPP; 
 
 
 
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2. Como consequência da desclassificação, em não absolvendo, que 
proceda com a remessa dos autos para o MP para oferecer a 
suspensão condicional do processo; 
3. Caso não seja este o entendimento de Vossa Excelência, a defesa 
requer a desclassificação do crime previsto no caput, para o tipo 
previsto no parágrafo 4º, o crime de tráfico privilegiado, e que seja 
aplicado o benefício máximo previsto na lei, que é a redução de dois 
terços da pena, tendo em vista a confissão espontânea, a 
primariedade do acusado e os bons antecedentes. Que seja fixado o 
regime inicial aberto com a conversão em duas penas restritivas de 
direito, nos moldes do art. 44 do Código Penal; 
4. E ainda resistindo Vossa Excelência em acatar as defesas até aqui 
apresentadas, que seja afastada a causa de aumento, tendo em vista 
não estar provado nos autos que o acusado estivesse agindo em 
concurso de pessoas, dada a afirmação do réu de que somente 
comprara para uso pessoal. 
Termos em que pede deferimento 
Brasília, 26 de setembro de 2011 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto rito comum: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREIRO DA SEGUNDA VARA 
CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA –DF 
 
Autos do Processo nº ... 
 
 FULANO DE TAL, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem 
perante Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, nos 
termos da ação que lhe move o Ministério Público, com fulcro no art. 403, § 3º, do 
Código de Processo Penal (404, parágrafo único, caso haja diligência anterior), oferecer 
alegações finais por 
 
MEMORIAIS 
 
pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA 
 
 Narrar os fatos de forma resumida, mas com lógica e coerência. 
 
II. – Da Prescrição 
 
 Este tópico pode não constar em sua peça. Só falaremos de prejudicial de mérito 
se houver alguma das causas do art. 107 do Código Penal, frise-se, prescrição. Neste 
tópico, devemos ver a data do crime (marco inicial da prescrição), bem como a data de 
recebimento da denúncia (art. 117 do CP – é causa de interrupção). Ainda nesta esteira 
de raciocínio, devemos olhar o art. 109 do CP para ver o tempo em que o crime 
prescreve, bem como o artigo 115 do mesmo diploma legal, visto que se na data crime o 
acusado tiver menos de 21 anos ou na data da sentença tiver mais de 70, a prescrição 
corre pela metade. Pedir a extinção do processo de forma definitiva ante a incidência da 
prejudicial de mérito prevista no art. 107, IV, do CPP. FIQUE DE OLHO!!! 
 
II.2.2 – Das Nulidades 
 
 Este tópico pode não constar em sua peça. Só falaremos de preliminar de 
nulidade se houver alguma das causas do art. 395 do Código de Processo Penal ou do 
art. 564 do Código de Processo Penal!! Temos que observar, por exemplo, se o MP 
começou a audiência fazendo perguntas. Se não começou, tal fato implica em nulidade. 
Observamos se teveo interrogatório do acusado. Se não tiver, há expressa nulidade, 
inclusive com cerceamento de defesa conforme a CF. Quem pergunta são as partes, 
diretamente às testemunhas. Se o juiz começa a audiência fazendo perguntas, tem-se a 
nulidade do art. 212 c/c 564, IV, do CPP. As nulidade do art 564 não ensejam extinção 
do feito sem julgamento do mérito, mas somente a nulidade dos atos posteriores ao ato. 
 
 
 
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Se a nulidade se deu em audiência, pedimos que seja reconhecida a nulidade da 
audiência com a declaração de nulidade de todos os atos posteriores com a redesignação 
de audiência de instrução, visto que aquela implicou em prejuízo para a defesa do 
acusado. 
 
 II.2.2.1 – Inépcia da Denúncia 
A denúncia inepta tem sua configuração dependente do art. 41 do CPP, o qual 
prevê os requisitos necessários para que uma denúncia seja considerada apta, quais 
sejam: a descrição do fato criminoso de forma pormenorizada, todavia, sem apelar para 
detalhes supérfluos ao deslinde. Como se pode aperceber, o arrolado dispositivo 
apresenta um grau de generalidade considerável, o que tem levado a jurisprudência do 
STF e do STJ a estabelecer certos requisitos como, por exemplo, a individualização das 
condutas nos crimes plurissubjetivos. Do contrário, sem aqueles requisitos 
jurisprudenciais, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório 
restariam ofendidos, porquanto, em conformidade com a doutrina italiana, não há com 
defender-se se não existe clara demonstração do comportamento criminoso, afinal, o réu 
deve defende-se dos fatos. A narrativa dos fatos deve guardar pertinência com o que o 
MP alega no direito. Se isso não ocorrer, a defesa fica prejudicada, pois a busca no 
processo penal é pela verdade real. Não havendo correta descrição dos fatos com a 
individualização da conduta do indivíduo, impossível uma defesa plausível no caso. Se 
tiver inepcia, mas a denúncia foi recebida, pedimos que o juizo extinga o feito SEM 
RESOLUÇÃO DE MÉRITO, por se tratar de nulidade. 
 
JURISPRUDÊNCIA: 
 
PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. LESÃO CORPORAL 
CULPOSA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. FALTA DE INDICAÇÃO 
DA CONDUTA CULPOSA. JUSTA CAUSA . I - Se a imputatio 
facti, em eventual crime culposo, não descreve em que consistiu a 
negligência ou a imperícia, então a denúncia é inepta, dada a 
inobservância ao disposto no art. 41 do CPP. A exordial acusatória 
deve narrar a forma concreta em que aconteceu a infração ao dever de 
cuidado .II - Não se reconhece falta de justa causa se o fato pode 
enseja ruma reconstituição juridicamente relevante.Writ concedido, 
reconhecida a inépcia da denúncia (HC 62.328/SP. Rel. Min. Arnaldo 
Esteve Lima. Quinta Turma. DJe 04/08/2008). 
 
 
II – 2.2.2 – Carência de ação: 
 
 Se a denúncia for oferecida em caso de ação penal privada, deve arguir 
preliminar de nulidade por ausência de legitimidade para causa, fato que enseja a 
extinção do processo sem resolução do mérito. 
 
 
 
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 De igual forma, se o interesse de agir for inexistente, não há que se falar em ação 
penal, razão pela qual pedimos a extinção do feito sem resolução do mérito. Se por 
exemplo, num crime de ameaça, sendo este condicionado a representação, a vítima 
representa, mas antes de o Ministério Público oferecer denúncia, a vítima se retrata. Em 
que pese o MP ser parte legítima para denunciar e possuir a condição da procedibilidade 
preenchida, a representação do ofendido, caso o mesmo se retrate da representação, o 
MP perde o interesse de agir no exercício da ação penal pública condicionada. 
 No mesmo sentido, se houver impossibilidade jurídica do pedido, o processo 
deverá incidir em extinção sem resolução do mérito. O Ministério público não pode 
pedir prisão perpétua por um crime de homicídio qualificado, por exemplo. 
 Quanto a condição de procedibilidade da ação temos a representação ou 
requisição do Ministro da Justiça nos crimes de ação penal pública condicionada. Veja 
que apesar do MP ser o titular da ação, não pode ele denunciar sem a condição que 
permite o oferecimento desta denúncia. Se isso ocorrer, pedimos a extinção do processo 
por ausência de condição de procedibilidade da ação penal. 
 
 II.2.2.3 – Da ausência de Justa Causa para a ação penal 
 
 A justa causa - identificada por parte da doutrina como uma condição da ação 
autônoma - consiste na obrigatoriedade de que exista, no momento do ajuizamento da 
ação, prova acerca da materialidade delitiva e, ao menos, indícios de autoria, de modo a 
existir fundada suspeita acerca da prática de um fato de natureza penal. 
 
Em outros termos, é preciso que haja provas acerca da possível existência de 
uma infração penal e indicações razoáveis do sujeito que tenha sido o autor desse delito. 
Se em resposta a acusação for suscitada preliminar de nulidade por ausência de justa 
causa da ação penal e esta for negada pelo magistrado, é pacífico o entendimento de que 
a defesa pode impetrar Habeas Corpus para pleitear o trancamento da ação penal, com 
fulcro no art. 648, I, do Código de Processo Penal. 
 
II.2.2.4 – Ver se há alguma nulidade do art 564 e relacioná-la ao caso concreto, pedindo 
a nulidade da audiência e não do processo!!!! 
 
III – DO MÉRITO 
 
 III.1 – Da Absolviçao 
 
Aqui, neste tópico, a primeira coisa a ser feita é Arguir TESE de 
ABSOLVISÃO, conforme art. 386 do Código de Processo Penal!! 
 
 
III.2 – Da Desclassificaçao para crime diverso (ver se este novo crime cabe sursis e 
requerer - (Ver art. 383 e §§ 1º e 2º, do CPP, bem como Súmula 337 do STJ). 
 
 
 
 
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 Aqui trabalhamos a tese de desclassificaçao para outro crime menos gravoso, se 
possível, e observar se esse novo crime cabe sursis. Se couber, requerer. Se não, 
devemos observar se a denúncia imputa a conduta do caput, e se o crime realmente 
chegou a se consumar. Se não se consumou, devemos requerer a incidência da tentativa. 
 
 VI.4 –Do Privilégio (Observe-se que todos os crimes abaixo admitem absolviçao 
pela bagatela, caso os requisitos estejam preenchidos, bem como oferecimento de sursis, 
bem como privilégio, que é causa de diminuiçao de pena. 
Furto 
 Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: 
 Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz 
pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou 
aplicar somente a pena de multa. 
Apropriação indébita 
 Art. 168 - Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção: 
 Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 Art. 170 - Nos crimes previstos neste Capítulo, aplica-se o disposto no art. 155, § 
2º. 
Estelionato 
 Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, 
induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro 
meio fraudulento: 
 Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
 § 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode 
aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, § 2º. 
Fraude no comércio 
 Art. 175 - Enganar, no exercício de atividade comercial, o adquirente ou 
consumidor: 
 I - vendendo, como verdadeira ou perfeita, mercadoria falsificada ou deteriorada; 
 II - entregando uma mercadoria por outra: 
 Pena - detenção,de seis meses a dois anos, ou multa. 
 § 1º - Alterar em obra que lhe é encomendada a qualidade ou o peso de metal ou 
substituir, no mesmo caso, pedra verdadeira por falsa ou por outra de menor valor; 
vender pedra falsa por verdadeira; vender, como precioso, metal de ou outra qualidade: 
 Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa. 
 § 2º - É aplicável o disposto no art. 155, § 2º. 
 Receptação 
 Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio 
ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a 
adquira, receba ou oculte: 
 Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
 
 
 
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§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em 
consideração as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se 
o disposto no § 2º do art. 155. 
 
O Privilégio é causa de diminuiçao de pena, podendo determinar a fixaçao de pena 
abaixo mínimo legal. Não se confunde com insignificancia/bagatela, visto que tal 
princípio acarreta absolviçao!! 
 
IV. 5 – VER A POSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE ALGUMA CAUSA DE 
AUMENTO OU QUALIFICADORA!! NÃO ESQUECER DE TRABALHAR ESTA 
TESE. 
 
IV.6 – Das Atenuantes, do Regime inicial de cumprimento e da Conversao em pena 
Restritiva de Direito 
 
 A última tese a ser utilizada nesta peça é o pedido de reconhecimento de 
atenuantes do art. 65 do Código Penal (perceber se existe a possibilidade de pedir o 
afastamento de alguma causa de aumento ou qualificadora do crime da denúncia – aqui 
é o momento de suscitar também). As atenuantes possuem o poder de fixar o crime 
somente ate sua pena base – Súmula 231 do STJ. 
 
 Como consequencia da fixaçao da pena, pedir a aplicaçao da conversao em pena 
restritiva de direito, nos moldes do art. 44 do Código Penal. 
 
V – DOS PEDIDOS 
 
Por todo o exposto o acusado requer: 
 
 a) Preliminarmente, que seja extinto o feito definitivamente, nos termos do art. 
107, IV, do Código Penal, tendo em vista que a prescriçao fulminou a pretensão 
punitiva que incidia sobre o feito. 
 
 b) Nao extinguindo o feito nos moldes do pedido acima, pugna a defesa para que 
seja acatada a nulidade por inépcia da denúncia, a fim de que seja extinto o processo 
sem julgamento do mérito, nos termos do art. 395, I e 564, IV, ambos do CPP. 
 
 c) Considerando a nulidade (art. 564 – erro no procedimento) que este juízo 
declare a nulidade da audiência e redesigne novo ato, tendo em vista que a nulidade 
indicada importa em prejuízo expresso para o acusado; 
 
 d) Subsidiariamente, o réu pugna, no mérito, para que este juizo absolva o 
acusado nos moldes do art. 386 (mencionar os incisos correspondentes), ante a patente 
comprovaçao da (citar o motivo); 
 
 
 
 
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 d) Não sendo a absolviçao o entendimento acatado, em respeito à eventualidade, 
que seja remetido o processo ao MP, para oferecimento do Sursis, tendo em vista o 
preenchimento dos requisitos necessários pelo acusado nos moldes do art. 89 da Lei 
9099, nos ditames da Súmula 337 do STJ e art. 383, §1º, do Código de Processo Penal. 
 
e) Que incida sobre o feito o privilégio especificado no art. (ver qual o crime), 
visto que o acusado preenche os requisitos necessário para tanto, aplicando este juizo a 
pena de multa. 
 
Ou, não cabendo o privilégio, 
 
 e) Por último, acreditando sinceramente que as teses acima serao abraçadas por 
este magistrado, requer o réu sejam consideradas na fixaçao da pena as atenuantes do 
art. 65 (citar os incisos), bem como a determinaçao da pena base do crime no mínimo 
legal, com a fixação do regime inicialmente aberto nos termos do art. 33, §2°, c, do 
código penal, com a consequente conversão da pena em restritiva de direito, conforme 
preconiza o art. 44 do CPB (ver §§ 2° e 3°). 
 
 d) Que afaste a qualificadora/causa de aumento, condenando o acusado no caput 
do art (citar), aplicando a pena no mínimo legal, como medida de lídima justiça (antes 
do pedido anterior, caso esteja no problema). 
 
 Pede Deferimento. 
 Local (5 dias!!!!!!) 
 Advogado 
 OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto de memoriais: Júri 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREIRO DA VARA DO TRIBUNAL 
DO JÚRI DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA –DF 
 
Autos do Processo nº ... 
 
 FULANO DE TAL, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem 
perante Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, nos 
termos da ação que lhe move o Ministério Público, com fulcro no art. 403, § 3º c/c 411 
§ 4°, do Código de Processo Penal, apresentar alegações finais por 
 
 
MEMORIAIS 
pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor: 
 
I – BREVE SINTESE DA DEMANDA 
 
 Narrar os fatos de forma resumida, mas com lógica e coerência. 
 
II. – Da Prescrição 
 
 Este tópico pode não constar em sua peça. Só falaremos de prejudicial de mérito 
se houver alguma das causas do art. 107 do Código Penal, frise-se, prescrição. Neste 
tópico, devemos ver a data do crime (marco inicial da prescrição), bem como a data de 
recebimento da denúncia (art. 117 do CP – é causa de interrupção). Ainda nesta esteira 
de raciocínio, devemos olhar o art. 109 do CP para ver o tempo em que o crime 
prescreve, bem como o artigo 115 do mesmo diploma legal, visto que se na data crime o 
acusado tiver menos de 21 anos ou na data da sentença tiver mais de 70, a prescrição 
corre pela metade. Pedir a absolvição Sumária conforme 415, IV, do CPP. FIQUE DE 
OLHO!!! 
 
II.2.2 – Das Nulidades 
 
 Este tópico pode não constar em sua peça. Só falaremos de preliminar de 
nulidade se houver alguma das causas do art. 395 do Código de Processo Penal ou do 
art. 564 do Código de Processo Penal!! Temos que observar, por exemplo, se o MP 
começou a audiência fazendo perguntas. Se não começou, tal fato implica em nulidade. 
Observamos se teve o interrogatório do acusado. Se não tiver, há expressa nulidade, 
inclusive com cerceamento de defesa conforme a CF. Quem pergunta são as partes, 
diretamente às testemunhas. Se o juiz começa a audiência fazendo perguntas, tem-se a 
nulidade do art. 212 c/c 564, IV, do CPP. As nulidade do art 564 não ensejam extinção 
do feito sem julgamento do mérito, mas somente a nulidade dos atos posteriores ao ato. 
Se a nulidade se deu em audiência, pedimos que seja reconhecida a nulidade da 
 
 
 
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audiência com a declaração de nulidade de todos os atos posteriores com a redesignação 
de audiência de instrução, visto que aquela implicou em prejuízo para a defesa do 
acusado. 
 
 II.2.2.1 – Inépcia da Denúncia 
A denúncia inepta tem sua configuração dependente do art. 41 do CPP, o qual 
prevê os requisitos necessários para que uma denúncia seja considerada apta, quais 
sejam: a descrição do fato criminoso de forma pormenorizada, todavia, sem apelar para 
detalhes supérfluos ao deslinde. Como se pode aperceber, o arrolado dispositivo 
apresenta um grau de generalidade considerável, o que tem levado a jurisprudência do 
STF e do STJ a estabelecer certos requisitos como, por exemplo, a individualização das 
condutas nos crimes plurissubjetivos. Do contrário, sem aqueles requisitos 
jurisprudenciais, os princípios constitucionaisda ampla defesa e do contraditório 
restariam ofendidos, porquanto, em conformidade com a doutrina italiana, não há com 
defender-se se não existe clara demonstração do comportamento criminoso, afinal, o réu 
deve defende-se dos fatos. A narrativa dos fatos deve guardar pertinência com o que o 
MP alega no direito. Se isso não ocorrer, a defesa fica prejudicada, pois a busca no 
processo penal é pela verdade real. Não havendo correta descrição dos fatos com a 
individualização da conduta do indivíduo, impossível uma defesa plausível no caso. Se 
tiver inepcia, mas a denúncia foi recebida, pedimos que o juizo extinga o feito SEM 
RESOLUÇÃO DE MÉRITO, por se tratar de nulidade. 
 
JURISPRUDÊNCIA: 
 
PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. LESÃO CORPORAL 
CULPOSA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. FALTA DE INDICAÇÃO 
DA CONDUTA CULPOSA. JUSTA CAUSA . I - Se a imputatio 
facti, em eventual crime culposo, não descreve em que consistiu a 
negligência ou a imperícia, então a denúncia é inepta, dada a 
inobservância ao disposto no art. 41 do CPP. A exordial acusatória 
deve narrar a forma concreta em que aconteceu a infração ao dever de 
cuidado .II - Não se reconhece falta de justa causa se o fato pode 
enseja ruma reconstituição juridicamente relevante.Writ concedido, 
reconhecida a inépcia da denúncia (HC 62.328/SP. Rel. Min. Arnaldo 
Esteve Lima. Quinta Turma. DJe 04/08/2008). 
 
 
II – 2.2.2 – Carência de ação: 
 
 Se a denúncia for oferecida em caso de ação penal privada, deve arguir 
preliminar de nulidade por ausência de legitimidade para causa, fato que enseja a 
extinção do processo sem resolução do mérito. 
 De igual forma, se o interesse de agir for inexistente, não há que se falar em ação 
penal, razão pela qual pedimos a extinção do feito sem resolução do mérito. Se por 
 
 
 
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exemplo, num crime de ameaça, sendo este condicionado a representação, a vítima 
representa, mas antes de o Ministério Público oferecer denúncia, a vítima se retrata. Em 
que pese o MP ser parte legítima para denunciar e possuir a condição da procedibilidade 
preenchida, a representação do ofendido, caso o mesmo se retrate da representação, o 
MP perde o interesse de agir no exercício da ação penal pública condicionada. 
 No mesmo sentido, se houver impossibilidade jurídica do pedido, o processo 
deverá incidir em extinção sem resolução do mérito. O Ministério público não pode 
pedir prisão perpétua por um crime de homicídio qualificado, por exemplo. 
 Quanto a condição de procedibilidade da ação temos a representação ou 
requisição do Ministro da Justiça nos crimes de ação penal pública condicionada. Veja 
que apesar do MP ser o titular da ação, não pode ele denunciar sem a condição que 
permite o oferecimento desta denúncia. Se isso ocorrer, pedimos a extinção do processo 
por ausência de condição de procedibilidade da ação penal. 
 
 II.2.2.3 – Da ausência de Justa Causa para a ação penal 
 
 A justa causa - identificada por parte da doutrina como uma condição da ação 
autônoma - consiste na obrigatoriedade de que exista, no momento do ajuizamento da 
ação, prova acerca da materialidade delitiva e, ao menos, indícios de autoria, de modo a 
existir fundada suspeita acerca da prática de um fato de natureza penal. 
Em outros termos, é preciso que haja provas acerca da possível existência de 
uma infração penal e indicações razoáveis do sujeito que tenha sido o autor desse delito. 
Se em resposta a acusação for suscitada preliminar de nulidade por ausência de justa 
causa da ação penal e esta for negada pelo magistrado, é pacífico o entendimento de que 
a defesa pode impetrar Habeas Corpus para pleitear o trancamento da ação penal, com 
fulcro no art. 648, I, do Código de Processo Penal. 
 
II.2.2.4 – Ver se há alguma nulidade do art 564 e relacioná-la ao caso concreto, pedindo 
a nulidade da audiência e não do processo, A NÃO SER QUE SEJA NULIDADE 
ABSOLUTA. 
 
III – DO MÉRITO 
 
 III.1 – Da Absolviçao Sumária 
 
Aqui, neste tópico, a primeira coisa a ser feita é Arguir TESE de ABSOLVISÃO 
SUMÁRIA, conforme art. 415 do Código de Processo Penal!! 
 
 Art. 415. O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, quando: 
 I – provada a inexistência do fato; 
 II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato; 
 III – o fato não constituir infração penal; 
 IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. 
 
 
 
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 Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV do caput deste artigo ao 
caso de inimputabilidade prevista no caput do art. 26 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de 
dezembro de 1940 – Código Penal, salvo quando esta for a única tese defensiva. 
 
III.2 – Da Impronúncia 
Diferente da absolvição, que será alegada quando houver PROVA, a impronúncia 
ocorre quando há ausência de prova. 
 
Art. 414. Não se convencendo da materialidade do fato ou da existência de indícios 
suficientes de autoria ou de participação, o juiz, fundamentadamente, impronunciará o 
acusado. 
 
III.3 – Desclassificaçao para crime diverso 
Tese de desclassificação para crime diverso da competencia dos crimes do 
Tribunal do Júri (art. 419 do CPP). Deve-se requerer a remessa dos autos ao juízo 
competente, como resultado da desclassificação pleiteada. 
 Aqui trabalhamos a tese de desclassificaçao para outro crime menos gravoso. 
 
III.4 –Desclassificação imprópria 
 
 Usamos esta tese quando desclassificamos de um crime do júri para outro, mas 
de competencia do próprio júri. Exemplo, uma mae que mata um filho está respondendo 
por homicídio. A defesa utiliza como tese a desclassificação para infanticídio. 
 
 IV.5 – Dos Afastamento da Qualificadora 
 
 Como última tese, se for o entendimento pela pronúncia, que haja o decote da 
qualificadora (Exemplo – do motivo torpe quando há contenda física entre réu e vítima 
antes do delito – mesmo que seja por vingança antes do crime, se há agressão, cai o 
motivo torpe). 
 
V – DOS PEDIDOS 
 
Por todo o exposto o acusado requer: 
 
 a) Preliminarmente, que seja extinto o feito com resoluçao do mérito, nos termos 
do art. 107, IV, do Código Penal, tendo em vista que a prescriçao pretensão punitiva que 
incidia sobre o feito, absolvendo o acusado sumariamente, conforme art. 415, IV, do 
CPP. 
 b) Nao extinguindo o feito com resoluçao do mérito nos moldes do pedido 
acima, pugna a defesa para que seja acatada a nulidade por inépcia da denúncia, a fim 
de que seja extinto o processo sem julgamento do mérito. 
 
 
 
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 c) Nao acatando as preliminares suscitadas, o réu pugna, no mérito, para que este 
juizo absolva sumariamente o acusado nos moldes do art. 415 (mencionar os incisos 
correspondentes), ante a patente comprovaçao da (citar o motivo). 
 d) Em tese antagônica, suscitar a impronúncia (quando não houver provas de 
materialidade ou indícios suficientes de autoria) nos moldes do art. 414 do CPP. 
 e) Acreditando que as teses acima serão abraçadas, mas por amor ao debate, a 
defesa requer a desclassificação do crime doloso contra vida insculpido na denúncia 
para (citar o crime), sendo este de competência do juizo comum, para ele devendo ser 
remetido, nos moldes do art. 419 do CPP. 
f) Em caso de pronúncia, o que defesa argumenta somente em respeito ao 
princípio da eventualidade, que esta seja feita para o crime de (citar o crime de 
competência do júri, mas sem a qualificadora). 
 
PedeDeferimento. 
Local (5 dias!!!!!!) 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MODELO DE ALEGAÇÕES FINAIS DO JÚRI 
 
 
 
Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da Vara do Tribunal do Júri da 
Circunscrição Judiciária de Taguatinga/DF. 
 
Processo nº. 2011.07.01.000-0 
 
 
 
 
 
JONSON CESARIANO, devidamente qualificado nos autos do processo em 
epígrafe, que lhe é movido pelo Ministério Público do Distrito Federal, por intermédio de seu 
patrono subscritor, procuração em anexo, vem respeitosamente à presença de Vossa 
Excelência, nos termos do Art. 411, § 4º c/c Art. 403, § 3º, ambos do Código do Processo 
Penal, apresentar: 
ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS 
 
aduzindo para tanto os fatos e fundamentos que seguem: 
 
1 - BREVE RELATO DOS FATOS: 
 
 Foi oferecida denúncia pelo Ministério Público contra o acusado no dia 16 de fevereiro 
de 2011 (fls. 03/05), e recebida pelo Senhor Juiz de Direito do Tribunal do Júri da Circunscrição 
de Taguatinga no dia 25 de fevereiro de 2011 (fl. 45), estando o acusado incurso nas penas do 
Art. 121, § 2º, inciso IV, c/c Art. 14, inciso II, todos do Código Penal. 
 
 O acusado foi citado no dia 02 de março de 2011 (fl. 61), momento em que informou 
não possuir advogado constituído e que pretenderia receber assistência jurídica gratuita (fl. 62). 
 
Na Resposta à Acusação (fl. 80), a defesa não suscitou preliminares nem teses de 
absolvição sumária, requerendo, oportunamente, a oitiva das testemunhas arroladas na peça 
acusatória. 
 
 Requerido o pedido de Liberdade Provisória Compromissada pela Defensoria Pública 
do Distrito Federal (fls. 66/71), o Ministério Público postulou pelo indeferimento do pleito, o que 
foi acolhido pelo Magistrado na Decisão Interlocutória (fls. 75/77). 
 Em audiência realizada no dia 18 de abril de 2011, foram ouvidas as testemunhas Jill 
Pereira (fl. 120), Nico dos Santos (fl. 121) e Wil Dias (fl. 122); a vítima Kenedy da Silva (fls. 
 
 
 
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119/120); bem como foi realizado o Interrogatório do Acusado (fls. 123 e 124). No termo de 
audiência, abriu-se prazo para oferecimento das Razões Finais por Memoriais. 
 
2 - DO DIREITO 
2.1 – Da Desclassificação para o crime diverso do da competência do tribunal do júri 
 
 Como se depreende dos autos, o acusado, em estado de embriaguez causada por 
dependência física e psíquica, compareceu à Choperia Coliseu e, ao tentar adentrar no 
estabelecimento foi prontamente impedido pelos seguranças daquele estabelecimento. Como 
de costume nesses casos, os seguranças, diante de um pobre coitado, bêbado e 
inconveniente, vendo-o como um incômodo para a clientela da casa, agiram de forma 
truculenta e grosseira, valendo-se da força bruta e da vantagem de estarem em maior número 
para escorraçarem o acusado do estabelecimento, como um ser inferior que não tem o mínimo 
de dignidade. 
 
 No caso em tela, o processado, logo após ser agredido, diga-se, covardemente, pelos 
seguranças da Choperia Coliseu, foi tomado por fúria inexplicável e, apoderando-se de uma 
faca que se encontrava no “carrinho de churrasquinho” que estava próximo ao citado 
estabelecimento, foi de encontro aos seus agressores, desferindo golpes de faca em um de 
seus algozes, no intuito de extravazar sua ira, motivada por uma agrassão anterior. É o que se 
observa no depoimento do acusado às fls. 123/124: 
 
Que é verdadeira a acusação. Que na mesma noite do fato, o 
interrogando compareceu à chopperia Coliseu, querendo entrar 
no estabelecimento, que se encontrava bastante embriagado. 
Que os seguranças, dentre os quais Marcelo, não permitiram a 
entrada do interrogando no local e passaram a humilhá-lo. Que 
xingaram o interrogando e o colocaram para fora. Que ainda 
espacaram o interrogando. Que o espancamento foi próximo a 
um carrinho de churrasquinho. Que eram quatro seguranças 
que espancaram o interrogando. Que o interrogando pegou a 
faca no carrinho do churrasquinho e ai partiu para cima dos 
seguranças, vindo a atingir um deles. Que na hora não 
percebeu se atingiu um dos seguranças. (...) Que chegou 
perguntando por Marcelo, por ter Marcelo já colocado o 
interrogando para fora em outro dia. Que Marcelo é chefe da 
segurança.(...) Que se recorda da vítima que prestou 
depoimento nesta assentada, sendo que esta também tentou 
bater no interrogando(...). 
 
 Tal fato pode ser comprovado, ainda, pelo depoimento da testemunha Wil, às fls. 08: 
Ainda, segundo o depoente, o churrasqueiro que trabalha 
próximo à casa Coliseu, de nome Rafael, comentou que o 
autuado esteve em seu estabelecimento afirmando que mataria 
um indíviduo de nome Marcelo. 
 
 
 
 
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 Excelência, é fato que o acusado agiu dominado por violenta emoção e, 
inicialmente, teve a intenção de ceifar a vida de um de seus agressores. Porém, conforme 
informa a própria vítima Kenedy da Silva, às fls. 119, o acusado desisitiu voluntariamente de 
seu intento, deixando transparecer a total ausência de ânimus necandi em sua conduta. Eis o 
que diz a própria vítima a respeito do fato aqui relatado: 
 
“Que não houve interferência de ninguém durante os golpes. Que 
após o segundo golpe, o declarante recuou para trás, tendo o 
acusado ficado parado por um instante olhando para o 
declarante, porém não desferiu um novo golpe.” (negrito nosso) 
 
Pelo exposto, fica claro que, mesmo sem a interferência de ninguém, o acusado ficou 
parado e não desferiu um novo golpe, tendo em vista a ausência de vontade de matar a vítima. 
 
Ora, Excelência, se o réu quisesse matar a vítima, o teria feito, até mesmo porque 
Ezequiel já se encontrava sem forças, conforme afirmou, também, em seu depoimento: “após 
levar o segundo golpe, o declarante começou a perder as forças”. Além disso, a vítima estava 
postada diante do acusado, que lhe observava com uma faca em punho. Se o objetivo real 
fosse a morte da vítima, não havia nada que obstasse o réu de prosseguir com golpes em 
áreas letais para ceifar a vida da vítima. Fica evidente que o caso comporta o instituto da 
desistência voluntária, devendo o acusado responder somente pelos atos devidamente 
praticados. 
 
Eis o teor do art. 13 do Código Penal Brasileiro a respeito do assunto: 
 
Art. 13 - O agente que, voluntariamente, desiste da consumação do 
crime ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos 
já praticados. 
 
Não há a menor sombra de dúvidas de que a intenção do agente era a de cometer o 
crime de homicídio contra um de seus agressores. Porém, com base nas provas coligidas nos 
autos, em especial o depoimento da própria vítima, o ora acusado DESISITIU de prosseguir 
com os atos executórios típicos da conduta inserta no art. 121 do Código Penal, somente 
lesionando a vítima em local não letal. 
 
Com base nisso, indubitável que está ausente o animus necandi do réu, devendo o 
crime por ele cometido ser desclassificado para o crime diverso do da competência do tribunal 
do júri, sendo os autos do processo remetidos ao juízo competente, nos termos do art. 419 do 
Código de Processo Penal. 
 
 
 
 
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2.2 – Da exclusão da qualificadora 
 
As únicas testemunhas do caso são colegas de trabalho e amigas da vítima, razão pela 
qual tentam corroborar uma tese fantasiosa e irascível, quecoloca o acusado em posição de 
carrasco impiedoso e ardiloso. Nestes termos, as declarações são contraditórias e permeadas 
de informações falaciosas. Veja-se o que relata a testemunha Wil (fl. 122): 
 
“Que viu o momento das facadas...; Que num dado momento da 
noite o depoente e o segurança Nico saíram até o estacionamento a 
fim de acompanhar um cliente até o carro, quando retornaram, 
observaram o acusado chamando a vítima para conversar. Que, 
em seguida, o acusado sacou uma faca da cintura e foi para cima da 
vítima, tentando esfaqueá-la.” (negrito nosso) 
 
Agora, veja o que relata a testemunha Nico, às fls. 121: 
 
“Que num dado momento da noite, o depoente e o segurança Wil 
saíram do estabelecimento até o estacionamento a fim de 
acompanhar um cliente embriagado até o carro; que quando voltavam 
para a Choperia observaram o acusado correndo, atravessando a rua 
que passa em frente à Choperia”. 
 
Como pode Wil afirmar que teria observado o acusado chamar a vítima, sacar uma 
faca da cintura e desferir as facadas contra a vítima, se ele estava junto com Nico em local 
diverso ao local dos fatos, sem ter visto o ocorrido? 
 
Excelência, se o acusado cometeu o crime, foi por uma forte motivação, qual seja a 
agressão física e moral da qual foi vítima. Diferente do que afirmam as supostas testemunhas, 
o réu foi agredido, espancado e humilhado por elas mesmas e não houve queda alguma em 
ilusória corrente. Não há nenhum popular que ateste tal situação, e a queda na corrente, se 
fosse verídica, deveria ter causado no acusado diversas escoriações advindas do deslizamento 
e choque com o asfalto, o que não ocorreu. O réu teve ferimentos no supercilio e na boca em 
virtude dos socos e chutes que levou. Conforme as testemunhas foram populares que 
imobilizaram e agrediram o réu, mas nenhum deles foi arrolado como testemunha para atestar 
a veracidade de tais fatos. 
 
A fim de corroborar, ainda, a tese expendida pela defesa, há de se evidenciar as 
inverdades que são observadas nos depoimentos das testemunhas, inverdades estas, 
corroboradas pela própria vítima. É o que se observa do depoimento da testemunha Wil às fls. 
08: 
 
 
 
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Por volta das 2 horas estava na portaria da boate Coliseu, onde 
trabalha como segurança, quando avistou seu colega de 
trabalho o Sr. Kenedy conversando com o autuado. Assim que 
o Sr. Kenedy se virou de costas o autuado puxou a faca da 
cintura e desferiu um golpe na região abdominal. Antes de ser 
contido por populares o autuado ainda tentou atingir a vítima 
com outro golpe de faca na altura do peito. O autuado tentou 
fugir na direção da concessionária de carros Orca onde 
tropeçou em uma corrente e caiu com a face no chão. 
 
É a própria vítima que desmente tal informação às fls. 119/120: 
 
Que o declarante trabalhava como segurança na chopperia 
Coliseu, que num dado momento estava passando próximo à 
porta do estabelecimento, momento em que foi chamado pelo 
acusado, o qual indagou ao declarante se o mesmo era 
Marcelo, e o declarante respondeu que não era, que em 
seguida, o acusado sacou uma faca e passou a tentar golpear 
o declarante. Que o primeiro golpe pegou de raspão, próximo à 
clavícula direita do declarante, que o segundo efetivamente 
atingiu o declarante na costela do lado esquerdo, que foram 
dados outros golpes, porém, o declarante conseguiu se 
esquivar, sendo atingido apenas pelos dois golpes citados; que 
após levar o segundo golpe, o declarante começou a perder as 
forças, porém se manteve consciente e, em seguida, o 
declarante viu o acusado correndo, evadindo-se do local. (...) 
Que entre o primeiro e o segundo golpe, o declarante chegou a 
desferir um tapa no acusado, visando se defender, porém, não 
atingiu o acusado. Que a ação do acusado foi rápida, sendo 
que a primeira reação do declarante foi tentar tomar a faca. 
 
Já a testemunha Nico, em seu depoimento prestado às fls. 09 e 121, informa que: 
 
Estava na parte externa da boate Coliseu, onde trabalha como 
segurança, em frente a porta da boate Coliseu, em frente à 
porta de entrada quando viu o autuado atravessando correndo 
o Pistão Sul. No seu encalço estavam alguns populares e 
seguranças da casa noturna. Viu que quando o autuado 
chegou próximo a concessionária Orca tropeçou em uma 
corrente e caiu de cara no chão momento em que foi detido. 
Pensou em conter o autuado mas quando o viu correndo com 
uma faca na mão desistiu de seu intento.(...) Que, num dado 
momento da noite, o depoente e o segurança Wil saíram do 
estabelecimento até o estacionamento a fim de acompanhar 
um cliente embriagado até o carro; que quando voltavam para 
a chopperia observaram o acusado correndo, atravessando a 
rua que passa em frente à chopperia. Que mais adiante, o 
acusado caiu, após tropeçar em uma corrente. Que alguns 
populares, indignados com a atitude do acusado, chegaram a 
agredí-lo. (...) Que no momento em que o acusado puxou a 
faca, a vítima tentou se defender, tentando tomar a faca. Que 
Wil, juntamente com o depoente, viu a filmagem. Que Wil 
trabalha sempre junto com o depoente e estava junto deste, 
por ocasião dos fatos. 
 
 
 
 
 
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 Excelência é nítido que as versões apresentadas pelas testemunhas 
encontram-se permeadas de divergências e incongruências, mas a narrativa do Sr. Nico 
corrobora o que foi expendido pela vítima: ao analisar as filmagens, percebeu que a vítima 
tentou se defender e retirar a faca do agressor. O Sr. Wil, apesar de informar algo totalmente 
diferente, demonstra, por seu depoimento, que não acompanhou nada e criou uma versão 
leviana para prejudicar o acusado, maquiando uma possível atitude espúria por ele cometida. 
 
Não houve nenhuma emboscada, nenhum meio que dificultasse ou impossibilitasse a 
defesa da vítima. Ao contrário, tal defesa foi devidamente exercida conforme explicitou a 
própria vítima em seu depoimento. Se o acusado almejasse agir nos moldes previstos no inciso 
IV do § 2º do Art. 121, não teria chamado a vítima e indagado qualquer coisa; teria, ao 
contrário, se aproximado dissimuladamente e efetuado os golpes de forma que a vítima não 
teria qualquer reação. E mais, não tiraria a faca da cintura e a desembrulharia de um plástico, 
mas sim, a teria cravado fulminantemente no corpo de seu desafeto. 
 
Ademais, pelo ofício que exerce e pelo local que trabalha, qual seja segurança de uma 
casa de Shows, é indubitável que o indivíduo esteja atento e preparado para os perigos 
atinentes à profissão, evitando ser surpreendido por situações que comprometam sua 
segurança, como é de se esperar nesses ambientes. Tal fato retira o efeito surpresa advindo 
da qualificadora que é imputada ao acusado. 
 
Diante do exposto, inconteste que a qualificadora inserta na denúncia não encontra 
nenhum respaldo nas provas insertas nos autos da ação penal em análise. Por conta de tal 
situação, se for a pronúncia o entendimento esposado por este emérito Juízo, fato que a 
defesa articula por mero amor ao debate, pugna o acusado pelo afastamento da qualificadora 
que acompanha o delito que lhe é imputado pela peça acusatória, devendo, assim, a pronúncia 
ser decretada com base no “caput” do art. 121 c/c Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal 
Brasileiro. 
 
3 - DO PEDIDO: 
 
 Diante do exposto, a defesa requer a DESCLASSIFICAÇÃO do crime de homicídio 
previsto no Art. 121 para crime diverso do da competência do tribunal do júri, bem como 
remessa dos autos ao Juizo competente com fulcro no Art. 419 do Código de Processo Penal; 
eventualmente, sendo a pronúncia o entendimentoperfilhado por este juízo, pugna a defesa 
pelo afastamento da qualificadora prevista no inciso IV, do § 2º, do Art. 121, para que o réu, 
com fundamento no Art. 413, § 1º, seja pronunciado como incurso nas penas do caput do Art. 
121 c/c Art. 14, inciso II, todos do Código Penal. 
 
 
 
 
 
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Termos em que, 
Pede e aguarda deferimento. 
Taguatinga/DF, 12 de maio de 2011. (5 dias) 
 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MODELO MEMORIAIS RITO COMUM 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA SEGUNDA VARA 
CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA – 
DISTRITO FEDERAL 
 
 
 
 
 
 
 
Processo nº 2012.07.1.00000-0 
 
 
 
 
 
 
 
MILENA CHOROSA, já devidamente qualificada nos autos do 
processo em epígrafe que lhe move o Ministério Público do Distrito Federal e 
Territórios, por intermédio de advogado devidamente constituído, procuração 
em anexo, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fulcro no art. 
403, §3º, do Código de Processo Penal, apresentar alegações finais em forma 
de 
 
MEMORIAIS 
 
pelos motivos de fato e de direito que adiante passará a expor. 
 
 
1. DOS FATOS 
 
Trata-se de Denúncia na qual o Ministério Público atribui à acusada 
a prática do ilícito tipificado no art. 155, caput, c/c art. 14, II, ambos do Código 
Penal. 
 
Em resumo, conforme se extrai da peça exordial, no dia 07 de 
fevereiro de 2012, por volta de 15:00h, na QI 13, lotes 1/14, Feirão Popular dos 
Fabricantes, ala 41, nesta cidade, a acusada, de forma livre e consciente, 
tentou subtrair, para si, uma bolsa feminina de material semelhante a couro, cor 
cinza, contendo em seu interior documentos pessoais e objetos de higiene 
pessoal, pertencentes a Aninha escandalosa. 
 
A acusação apresentou alegações finais postulando pela 
condenação da acusada nos termos da denúncia. 
 
 
 
 
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Em que pese a respeitável tese esposada pelo ilustre representante 
do Ministério Público, não merece prosperar a pretensão acusatória, conforme 
dispõe a defesa a seguir: 
 
1 – DO DIREITO 
1.1. Da Absolvição da Acusada – Princípio da Bagatela 
 
 
Postula o Ministério Público pela condenação da acusada pelo 
suposto furto de uma bolsa feminina adquirida pelo valor de R$ 35,00 (trinta e 
cinco reais), conforme especificado pela própria vítima em seu depoimento (fl. 
08). 
 
De acordo com entendimento reiterado no Supremo, é pacífico que, 
para incidência do princípio da insignificância, devem ser relevados o valor do 
bem e os aspectos objetivos do fato – tais como a mínima ofensividade da 
conduta do agente, a ausência de periculosidade social da ação, o reduzido 
grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão 
causada. 
 
Diante da presença cumulativa dos elementos, inexistirá a tipicidade 
material – capaz de lesar ou colocar em perigo o bem jurídico penalmente 
tutelado – o que determina o afastamento da conduta criminosa. Equivale à 
desconsideração típica pela não materialização de um prejuízo efetivo, pela 
existência de danos de pouquíssima importância. 
 
A aplicação do princípio da insignificância permite que haja a 
necessária proporcionalidade da atuação estatal na pretensão punitiva (jus 
puniendi) em face da lesividade da conduta. Assim, somente será necessária a 
ação do Poder Público quando a lesão for efetivamente relevante. 
 
Tal fato se dá porque a sociedade busca uma resposta do Estado, a 
fim de que seja o agente criminoso compelido a responder por sua conduta 
lesiva, toda vez que os valores penalmente tutelados se exponham a dano, 
efeito ou potencial, resguardada, assim, a ideologia punitivista da segurança. O 
caso dos autos deixa claro que o acusado se enquadra nos requisitos para 
absolvição pela bagatela, e este Egrégio TJDFT, unido ao entendimento manso 
e pacífico do Supremo, corrobora tal tese: 
 
PENAL E PROCESSO PENAL. FURTO SIMPLES DE R$ 30,00. 
IRRISORIEDADE. AUSÊNCIA DE LESIVIDADE MATERIAL E 
RELEVÂNCIA PENAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. 
APLICABILIDADE. ABSOLVIÇÃO. RECURSO PROVIDO. 
1. Demonstrado que o réu furtou da vítima a ínfima quantia de R$ 
30,00, esta hipótese está a autorizar a aplicação do princípio da 
insignificância, porque, embora presente a tipicidade formal, ausente 
a material. 
2. Impõe-se a absolvição do réu quando, evidenciado, no caso 
concreto, que a ação do agente se adequa aos requisitos 
legitimadores ao acolhimento da tese do delito de bagatela, eis que 
 
 
 
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mínimo o dano sofrido pela vítima e reduzido o grau de 
reprovabilidade da conduta. 
3. Recurso provido.(20070810023066APR, Relator NILSONI DE 
FREITAS CUSTÓDIO, 2ª Turma Criminal, julgado em 12/11/2009, DJ 
13/01/2010 p. 336) 
 
PENAL E PROCESSUAL PENAL. ROUBO SIMPLES. 
ARREBATAMENTO DE BOLSA EM VIA PÚBLICA. 
DESCLASSIFICAÇÃO PARA FURTO SIMPLES. AUSÊNCIA DE 
VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA À PESSOA. PRISÃO EM 
FLAGRANTE. AUSENCIA DE PREJUÍZO. PRINCÍPIO DA 
BAGATELA. VALOR INSIGNIFICANTE DA RES. APLICABILIDADE. 
PROVIMENTO DO APELO. 
1 O pedido absolutório por insuficiência probatória não resiste ao 
confronto dos fatos, eis que o réu foi preso em flagrante e 
reconhecido formalmente pela vítima, minutos depois de ter sofrido o 
arrebatamento da bolsa, cujo valor, somado ao do seu conteúdo, era 
mínimo. 
2 A subtração de coisa móvel alheia sem o uso de violência ou grave 
ameaça à pessoa não configura o crime de roubo. O réu pretendeu 
arrebatar a bolsa de supetão, prevalecendo-se da desprevenção da 
vítima, que caminhava distraidamente na via pública. Apesar de 
inesperada e tênue resistência, conseguiu êxito no intento, mas foi 
preso minutos depois sentado no meio fio e conferindo o conteúdo da 
bolsa, de parco significado econômico. 
3 Aplica-se o princípio da insignificância para absolver o réu, na forma 
do artigo 386, III, em razão do módico valor da res furtiva e sua 
restituição integral à vítima, conferindo-se especial relevo ao fato se 
tratar de agente com trinta e quatro anos de idade que não registra 
nenhum antecedente na senda do crime. A excepcionalidade da 
hipótese implica a atipicidade material do fato, atraindo a incidência 
do princípio bagatelar. 
4 Recuso provido para absolver o réu. 
(20071010001260APR, Relator GEORGE LOPES LEITE, 1ª Turma 
Criminal, julgado em 16/10/2008, DJ 19/11/2008 p. 161) 
 
HABEAS CORPUS. PENAL. RÁDIO COMUNITÁRIA. OPERAÇÃO 
SEM AUTORIZAÇÃO DO PODER PÚBLICO. IMPUTAÇÃO AOS 
PACIENTES DA PRÁTICA DO CRIME PREVISTO NO ARTIGO 183 
DA LEI 9.472/1997. BEM JURÍDICO TUTELADO. LESÃO. 
INEXPRESSIVIDADE. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. 
APLICABILIDADE. CRITÉRIOS OBJETIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 
PRESENÇA. APURAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. 
POSSIBILIDADE. ORDEM CONCEDIDA. I – Consta dos autos que o 
serviço de radiodifusão utilizado pela emissora é considerado de baixa 
potência, não tendo, deste modo, capacidade de causar interferência 
relevante nos demais meios de comunicação. II – Rádio comunitária 
localizada em pequeno município do interior gaúcho, distante de outras 
emissoras de rádio e televisão, bem como de aeroportos, o que 
demonstra que o bem jurídico tutelado pela norma – segurança dos 
meios de telecomunicações – permaneceu incólume. III - A aplicação 
do princípio da insignificância deve observar alguns vetores objetivos: 
(i)conduta minimamente ofensiva do agente; (ii) ausência de risco 
social da ação; (iii) reduzido grau de reprovabilidade do 
comportamento; e (IV) inexpressividade da lesão jurídica. IV – Critérios 
que se fazem presentes, excepcionalmente, na espécie, levando ao 
reconhecimento do denominado crime de bagatela. V – Ordem 
concedida, sem prejuízo da possível apuração dos fatos atribuídos aos 
pacientes na esfera administrativa (STJ - HC 104530 / RS - RIO 
 
 
 
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GRANDE DO SUL. Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI. 
Julgamento: 28/09/2010. Órgão Julgador: Primeira Turma). 
CRIME MILITAR (CPM, ART. 290) - PORTE (OU POSSE) DE 
SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE - QUANTIDADE ÍNFIMA - USO 
PRÓPRIO - DELITO PERPETRADO DENTRO DE ORGANIZAÇÃO 
MILITAR - PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - APLICABILIDADE - 
IDENTIFICAÇÃO DOS VETORES CUJA PRESENÇA LEGITIMA O 
RECONHECIMENTO DESSE POSTULADO DE POLÍTICA CRIMINAL - 
CONSEQÜENTE DESCARACTERIZAÇÃO DA TIPICIDADE PENAL 
EM SEU ASPECTO MATERIAL - PEDIDO DEFERIDO. - Aplica-se, ao 
delito castrense de porte (ou posse) de substância entorpecente, desde 
que em quantidade ínfima e destinada a uso próprio, ainda que 
cometido no interior de Organização Militar, o princípio da 
insignificância, que se qualifica como fator de descaracterização 
material da própria tipicidade penal. Precedentes (HC 97131 / RS - RIO 
GRANDE DO SUL. Relator(a): Min. CELSO DE MELLO. 
Julgamento: 10/08/2010. Órgão Julgador: Segunda Turma). 
HABEAS CORPUS. FURTO SIMPLES, NA FORMA TENTADA. 
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. MÍNIMO 
DESVALOR DA AÇÃO. VALOR ÍNFIMO DAS RES FURTIVAE. 
IRRELEVÂNCIA DA CONDUTA NA ESPERA PENAL. PRECEDENTES 
DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E DESTA CORTE. 
1. A conduta perpetrada pelo Paciente - tentativa de furto na forma 
simples de res furtiva avaliada em R$ 80,00 - insere-se na concepção 
doutrinária e jurisprudencial de crime de bagatela. 
2. Não se descura existir, no caso, tipicidade formal, pois a conduta do 
Paciente adequa-se ao paradigma abstrato definido na lei. Entretanto, 
não ocorre, na espécie, a tipicidade material: não houve lesão efetiva e 
concreta a bem jurídico tutelado pelo ordenamento penal, dado o 
reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente, o 
mínimo desvalor da ação e a ausência de qualquer conseqüência 
danosa. E a atipia material, segundo doutrina e jurisprudências 
hodiernas, exclui a própria tipicidade penal (HC 104.070⁄SP, Rel. Min. 
GILMAR MENDES, decisão monocrática, Informativo⁄STF n.º 592, v.g.). 
3. Habeas corpus concedido, para absolver o Paciente (art. 386, inciso 
III, do Código de Processo Penal). 
(HC 133.520⁄MG, Relatora a Ministra Laurita Vaz, DJe de 25⁄4⁄2011) 
 
PENAL. RECURSO ESPECIAL. TENTATIVA DE FURTO. 
ESTABELECIMENTO COMERCIAL VIGIADO. CRIME IMPOSSÍVEL. 
NÃO-CARACTERIZAÇÃO. 
RECONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. 
RECURSO PROVIDO. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO. 
1. O sistema de vigilância eletrônica instalado em estabelecimento 
comercial ou a existência de vigias, a despeito de dificultar a prática de 
furtos no seu interior, não é capaz de impedir, por si só, a ocorrência do 
fato delituoso, não autorizando o reconhecimento do crime impossível 
(REsp 1.109.970⁄SP, Rel. Min. PAULO GALLOTTI, DJ 17⁄6⁄09). 
2. O princípio da insignificância surge como instrumento de 
interpretação restritiva do tipo penal que, de acordo com a dogmática 
moderna, não deve ser considerado apenas em seu aspecto formal, de 
subsunção do fato à norma, mas, primordialmente, em seu conteúdo 
material, de cunho valorativo, no sentido da sua efetiva lesividade ao 
bem jurídico tutelado pela norma penal, consagrando os postulados da 
fragmentariedade e da intervenção mínima. 
3. A tentativa de furto de cinco ovos de páscoa, no valor de R$ 70,00, 
embora se amolde à definição jurídica do crime de furto, não ultrapassa 
 
 
 
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o exame da tipicidade material, mostrando-se desproporcional a 
imposição de pena privativa de liberdade, uma vez que a ofensividade 
da conduta foi mínima, tendo sido os bens restituídos à vítima. 
4. Recurso especial provido para afastar a aplicação do art. 17 do CP. 
5. Habeas corpus concedido de ofício para extinguir a ação penal, em 
razão do reconhecimento do princípio da insignificância. 
(REsp 1.171.091⁄MG, Relator o Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe de 
19⁄4⁄2010) 
 
Ressalte-se, ainda, que, segundo a jurisprudência consolidada no 
Colendo STJ, bem como no Supremo Tribunal Federal, a existência de 
condições pessoais desfavoráveis, tais como maus antecedentes, reincidência 
ou ações penais em curso, não impedem a aplicação do princípio da 
insignificância. 
 
A propósito, veja-se os seguintes precedentes: 
 
HABEAS CORPUS. FURTO TENTADO. PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. 
1. A intervenção do Direito Penal apenas se justifica quando o 
bem jurídico tutelado tenha sido exposto a um dano com 
relevante lesividade. Inocorrência de tipicidade material, mas 
apenas a formal, quando a conduta não possui relevância 
jurídica, afastando-se, por consequência, a ingerência da tutela 
penal, em face do postulado da intervenção mínima. 
2. No caso, não há como deixar de reconhecer a mínima 
ofensividade do comportamento do paciente, que tentou 
subtrair um botijão de gás, avaliado em R$ 30,00 (trinta reais), 
sendo de rigor o reconhecimento da atipicidade da conduta. 
3. Segundo a jurisprudência consolidada nesta Corte e também 
no Supremo Tribunal, a existência de condições pessoais 
desfavoráveis, tais como maus antecedentes, reincidência ou 
ações penais em curso, não impedem a aplicação do princípio 
da insignificância. 
4. Ordem concedida. 
(HC 148.663⁄RS, de minha relatoria, DJe de 5.4.2010), com 
destaques; 
 
 
HABEAS CORPUS. FURTO TENTADO. PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. MÍNIMO DESVALOR 
DA AÇÃO. VALOR ÍNFIMO DAS RES FURTIVAE. 
IRRELEVÂNCIA DA CONDUTA NA ESFERA PENAL. 
PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E 
DESTA CORTE. RÉU PORTADOR DE MAUS 
ANTECEDENTES. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. 
1. A conduta perpetrada pelo Paciente – tentativa de furto de 
dois pares de óculos escuros e um litro de licor Amarula – 
insere-se na concepção doutrinária e jurisprudencial de crime 
de bagatela. 
2. O furto não lesionou o bem jurídico tutelado pelo 
ordenamento positivo, excluindo a tipicidade penal, dado o 
reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente, 
o mínimo desvalor da ação e o fato não ter causado maiores 
conseqüências danosas. 
3. Conforme iterativa jurisprudência desta Corte Superior, o 
fato de o Paciente ostentar maus antecedentes não constitui 
motivação suficiente para impedir a aplicação do Princípio da 
Insignificância. 
 
 
 
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4. Ordem concedida para cassar o acórdão impugnado e a 
sentença de primeiro grau, absolvendo o Paciente do crime 
imputado, por atipicidade da conduta. 
(HC 148.863⁄MG, Relatora Ministra Laurita Vaz, DJe de 
22.3.2010), com destaques. 
 
HABEAS CORPUS. TENTATIVA DE FURTO. AUSÊNCIA DE 
TIPICIDADE MATERIAL. INEXPRESSIVA LESÃO AO BEM 
JURÍDICO TUTELADO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. 
1. A intervenção do Direito Penal apenas se justifica quando o 
bem jurídico tutelado tenha sido exposto a um dano com 
relevante lesividade. Inocorrência de tipicidade material, mas 
apenas a formal quando a conduta não possui relevância 
jurídica, afastando-se, por consequência, a ingerência da tutela 
penal, em face do postulado da intervenção mínima. É o 
chamado princípio da insignificância. 
2. Reconhece-se a aplicação do referido princípio quando 
verificadas "(a) a mínimaofensividade da conduta do agente, 
(b) a nenhuma periculosidade social da ação, (c) o 
reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) 
a inexpressividade da lesão jurídica provocada" (HC 84.412⁄SP, 
Ministro Celso de Mello, Supremo Tribunal Federal, DJ de 
19⁄11⁄2004). 
3. No caso, não há como deixar de reconhecer a mínima 
ofensividade do comportamento da paciente, que tentou 
subtrair de um supermercado uma chupeta, um prendedor de 
chupeta, duas mamadeiras, um condicionador e dois kits de 
xampu e condicionador. 
4. Segundo a jurisprudência consolidada nesta Corte e também 
no Supremo Tribunal Federal, a existência de condições 
pessoais desfavoráveis, tais como maus antecedentes, 
reincidência ou ações penais em curso, não impedem a 
aplicação do princípio da insignificância. 
5. Ordem concedida
9
. 
 
Pelo exposto, Excelência, indubitável que o fato cometido pela 
denunciada é totalmente atípico aos olhos da doutrina e jurisprudência, tendo 
em vista a aplicabilidade do princípio da insignificância. A vítima teve irrisório 
constrangimento diante da conduta da acusada, não havendo se falar em 
considerável lesividade da conduta, inclusive considerando o fato de que 
quando admoestada pela vítima, a acusada soltou a bolsa e ainda pediu 
desculpas por diversas vezes, conforme disposto pela própria vítima à fl. 08. 
 
2.2 – Da Desistência Voluntária 
 
Caso a tese acima esposada não seja acatada, em privilégio ao 
princípio da eventualidade, a acusada deve ainda sim ser absolvida, visto a 
incidência da desistência voluntária. 
 
 
9
 STJ - HABEAS CORPUS Nº 221.913 - SP (2011⁄0248241-5). RELATOR: MINISTRO OG FERNANDES. 
IMPETRANTE : DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO. ADVOGADO : RICARDO LOBO 
DA LUZ - DEFENSOR PÚBLICO E OUTRO. IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO 
PAULO. PACIENTE : ANDRÉIA APARECIDA SILVEIRA DIAS. Data do Julgamento: 14 de fevereiro de 2012. 
 
 
 
 
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Na tentativa de furto, a não ocorrência do resultado lesivo por qual a 
lei faz depender a existência de crime, se dá por circunstâncias alheias à 
vontade do agente. Na desistência voluntária do agente não ocorre o resultado 
criminoso, devido o fato de o agente ter desistido voluntariamente de seu 
intento. Diz a lei no seu artigo 15 do código penal: “o agente que 
voluntariamente desiste de prosseguir na execução ou evita que o resultado se 
produza, só responde pelos atos praticados”. 
 
Na desistência voluntária o agente interrompe o curso dos atos 
executórios, voluntariamente, e assim, evita a consumação do crime. Convêm 
notar que os atos já praticados não tem idoneidade para causar a consumação 
no delito. 
 
Apesar de estar comprovado que a acusada agiu com animus 
furandi, restou evidenciado que esta desistiu voluntariamente de prosseguir na 
execução do furto, evadindo-se do local, após o apelo da vítima, tendo, 
inclusive, pedido desculpas, conforme afirmado pela própria vítima em suas 
declarações em sede de inquérito policial. 
 
Nota-se que a agente não tinha terminado os atos de execução do 
furto, uma vez que ainda não havia saído da esfera de vigilância da vítima, 
tendo desistido da prática do delito por um ato livre de vontade sua, visto que 
jogou a bolsa no chão, mas poderia ter se evadido do local com a bolsa. 
 
Não encontra sustentação a alegação do ministério público de que o 
agente somente teria ido embora do local sem o bem porque a vítima começou 
a gritar e ela ficou com medo e correu. 
 
Pelas circunstâncias do caso, observa-se que a vítima Ana Camila 
gritou apenas para que a ré soltasse a bolsa, o que foi feito, tendo comunicado 
acerca da subtração somente após tal fato (fl. 97). 
 
Também não há que se falar que a acusada somente fugiu e deixou 
o bem por ter sido surpreendida pelo segurança, haja vista que a mesmo 
somente foi abordada por um segurança após ter desistido de levar a bolsa, ou 
seja, quando já havia desistido voluntariamente de praticar o furto, conforme 
especifica o depoimento de Joanes Alves (fl. 98). 
 
Ressalta-se que, para que reste configurada a previsão do artigo 15, 
do CP, não é necessário que o ato de desistência seja espontâneo, mas 
somente voluntário. A respeito do assunto, Rogério Greco (2009, p. 270) 
destaca que impõe a lei penal que a desistência seja voluntária, mas não 
espontânea. Isso quer dizer que não importa se a idéia de desistir no 
prosseguimento da execução criminosa partiu do agente, ou se foi ele induzido 
a isso por circunstâncias externas que, se deixadas de lado, não o impediriam 
de consumar a infração penal. O importante aqui, como diz Johannes Wessels, 
"é que o agente continue sendo dono de suas decisões". 
 
 
 
 
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Assim, restou claramente caracterizada a desistência voluntária, que 
é causa pessoal de exclusão da punibilidade do agente no caso de furto, pois o 
dolo foi quebrado de forma voluntária antes da subtração do bem. 
 
 
2.3 – Da dosimetria da pena. 
 
 Por amor ao debate, considerando a defesa, sinceramente, que as teses 
retro delineadas serão abraçadas por este juizo, mas em nome do princípio da 
eventualidade, insta consignar a necessidade de se averiguar a dosimetria da 
pena em caso de condenação. 
 
 Ora, conforme exposto, trata-se de crime tentado, no qual a acusada 
confessou perante este juizo a prática delitiva, bem como era menor de 21 
anos na data da infração. Sabe-se que de acordo com a Súmula 231 do STJ, a 
incidência de circunstância atenuante não pode conduzir à reduçao da pena 
abaixo do mínimo legal, e que no caso exposto militam em favor da acusada 
duas atenuantes, quais sejam, a prevista no art. 65, I, bem como aquela 
prevista no art. 65, III, d, ambos no código penal, conforme dito alhures. 
 
 Tendo em vista o exposto, a defesa pugna para que a pena base seja 
fixada no mínimo legal, considerando todas as situações favoráveis presentes 
no art. 59 do Código Penal. Mesmo não sendo este o entendimento deste juízo, 
quando da dosimetria na segunda fase, a defesa pugna para que a pena seja 
fixada no mínimo legal, visto a incidência das duas atenuantes mencionadas e 
nenhuma agravante. Quando da dosimetria na terceira fase, requer a acusada 
que a pena seja minorada no máximo legal permitido, ou seja, em 2/3, 
conforme preceitua o art. 14, II, parágrafo único do CP. Não obstante tal 
situação, a defesa ainda requer a incidência de outra causa de diminuição de 
pena prevista no caso em análise, qual seja o furto privilegiado. 
 
 Quando o acusado for primário e for de pequeno valor a coisa furtada, 
pode o magistrado, nos ditames do §2°, do art. 155, do Código Penal, reduzir a 
pena de 1 a 2/3, convertê-la em restriva de direitos ou aplicar somente multa. 
Pelo exposto, a defesa requer que o remanescente de pena seja convertido em 
multa, conforme dispõe o artigo em comento. 
 
 
3. Dos Pedidos 
 
Diante do exposto, espera e requer a acusada: 
 
a) Seja absolvida com base no art. 386, III, do CPP, 
frente o princípio da insignificância; 
b) Eventualmente, requer a defesa a absolvição da 
acusada frente a incidência da desistência voluntária, 
conforme art. 386, III, do CPP; 
c) Pelo princípio da eventualidade, em caso de 
condenação, que seja fixada a pena no mínimo legal, 
com a incidência das minorantes da tentativa e do furto 
 
 
 
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privilegiado no máximo permitido, culminando, ao final, 
na conversão da pena privativa de liberdade em multa, 
conforme especifica o § 2° do art. 155 do CódigoPenal. 
 
 
 
Termos em que pede deferimento. 
 
Taguatinga, 08 de Junho de 2012. 
 
 
 
 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 CASOS PARA RESOLUÇÃO 
 
1 
 
Marcílio de Tal, brasileiro, divorciado, primário e portador de bons 
antecedentes, carpinteiro, nascido em Curvelo - MG, em 7/9/1930, residente e 
domiciliado em Samambaia – DF, foi denunciado pelo Ministério Público como 
incurso nas penas previstas no art. 244, caput, c/c art. 61, inciso II, "e", ambos 
do Código Penal, em 10/11/2010. Na exordial acusatória, a conduta delitiva 
atribuída ao acusado foi narrada nos seguintes termos: 
 
Desde janeiro de 2004 até, pelo menos, 4/4/2005, 
em Samambaia – DF, o denunciado Marcílio de Tal, 
livre e conscientemente, deixou, em diversas 
ocasiões e por períodos prolongados, sem justa 
causa, de prover a subsistência de seu filho Jorge 
de Tal, menor de 18 anos, não lhe proporcionando 
os recursos necessários para sua subsistência e 
faltando ao pagamento de pensão alimentícia fixada 
nos autos n.º 001/2005 – 5.ª Vara de Família de 
Planaltina – DF (ação de alimentos) e executada nos 
autos do processo n.º 002/2006 do mesmo juízo. 
Arrola como testemunha Mauana de Tal, genitora e 
representante legal da vítima. 
 
A denúncia foi recebida em 01/12/2010, tendo o réu sido citado e apresentado, 
no prazo legal, de próprio punho — visto que não tinha condições de contratar 
advogado sem prejuízo de seu sustento próprio e do de sua família — resposta 
à acusação, arrolando as testemunhas Margarida e Clodoaldo. 
 
A audiência de instrução e julgamento foi designada e Marcílio compareceu 
desacompanhado de advogado. Na oportunidade, o juiz não nomeou defensor 
ao réu, aduzindo que o Ministério Público estaria presente e que isso seria 
suficiente. 
 
No curso da instrução criminal, presidida pelo juiz de direito da 9.ª Vara 
Criminal de Samambaia – DF, Mauana de Tal confirmou que Marcílio atrasava 
o pagamento da pensão alimentícia, mas que sempre efetuava o depósito 
parcelado dos valores devidos. Disse que estava aborrecida porque Marcílio 
constituíra nova família e, atualmente, morava com outra mulher, 
desempregada, e seus 6 outros filhos menores de idade. 
 
As testemunhas Margarida e Clodoaldo, conhecidos de Marcílio há mais de 35 
anos, afirmaram que ele é carpinteiro e ganha 1 salário mínimo por mês, 
quantia que é utilizada para manter seus outros filhos menores e sua mulher, 
desempregada, e para pagar pensão alimentícia a Jorge, filho que teve com 
Muana de Tal. Disseram, ainda, que, todas as vezes que conversam com 
Marcílio, ele sempre diz que está tentando encontrar mais um emprego, pois 
não consegue sustentar a si próprio nem a seus filhos, bem como que está 
atrasando os pagamentos da pensão alimentícia, o que o preocupa muito, visto 
 
 
 
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que deseja contribuir com a subsistência, também, desse filho, mas não 
consegue. Informaram que o réu sofre de problemas cardíacos e de diabetes e 
gasta boa parte de seu salário na compra de remédios indispensáveis à sua 
sobrevivência. 
 
Após a oitiva das testemunhas, o Magistrado deu vista para que as partes 
apresentassem suas manifestações a respeito do feito. 
 
Em manifestação escrita, o Ministério Público pugnou pela condenação do réu 
nos exatos termos da denúncia, tendo o réu, então, constituído advogado, o 
qual foi intimado, em 10/01/2011, segunda-feira, para apresentação da peça 
processual cabível. 
 
Considerando a situação hipotética acima apresentada, redija, na qualidade de 
advogado(a) constituído(a) por Marcílio, a peça processual pertinente, privativa 
de advogado, adequada à defesa de seu cliente. Em seu texto, não crie fatos 
novos, inclua a fundamentação que embase seu(s) pedido(s) e explore as 
teses jurídicas cabíveis, endereçando o documento à autoridade competente e 
datando-o no último dia do prazo para protocolo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Carlota Joaquina, Brasileira, solteira, residente e domiciliada na SQS, 200, 
Bloco Z, apartamento 001, nascida em 01 de agosto de 1984, foi denunciada 
pelo Ministério Público do Distrito Federal por ter, em 02 de maio de 2004, 
cometido furto no Shopping Pátio Brasil, de 3 blusas da loja Marisa, produtos 
estes avaliados em R$ 70,00 (setenta reais), conforme laudo de avaliação 
econômica acostado aos autos. 
 
Após regular propositura da Denúncia, que foi oferecida pelo parquet em 10 de 
Agosto de 2010, Carlota, quando da apresentação de sua resposta à acusação 
por intermédio de seu patrono, não suscitou nulidades, nem arguiu preliminares 
e nem alegou nenhuma tese de absolvição sumária. 
 
Ocorrida a audiência de instrução e julgamento em 03 de novembro de 2010, O 
MP iniciou a audiência inquirindo o condutor que deu voz de prisão à Carlota, 
tendo este dito que quando avistou a ré tentando sair da loja com a mercadoria 
objeto do furto, gritou para que a mesma parasse, tendo a mesma largado a 
sacola na porta da loja e tentado empreender fuga, mas sendo detida por um 
popular que estava fora da loja. Perguntado se havia algum equipamento de 
vigilância na loja, tal testemunha afirmou que sim, mas que pelo fato de ter 
pego a ré em flagrante, entendeu ser dispensável a juntada de tal gravação. 
 
A defesa nada perguntou ao condutor. 
 
Inquirida a próxima testemunha pela acusação, o suposto popular que teria 
detido Carlota quando esta tentava sair do estabelecimento, este afirmou que a 
moça, ao passar pelo sistema de alarmes acionou a segurança, tendo ficado 
assustada com o ocorrido. Com a aproximação do depoente, a acusada 
informou que tinha pago pela mercadora e não entendia como o sistema tinha 
apitado. Ao ser inquirida pela defesa, a citada testemunha disse que em 
momento algum a ré tentou fugir, somente que ficou muito assustada com o 
barulho dos alarmes e dizia a todo instante que tinha pago pelas mercadorias. 
Ao final, na oitiva do representante da vítima, um empregado da loja que se 
encontrava dentro do estabelecimento comercial, este afirmou que nada 
presenciou, tendo em vista que estava conversando com um cliente no 
momento dos fatos. 
 
Em seu interrogatório, a acusada informou que tinha sim pago as mercadorias, 
mas que ao sair da loja, o alarme soou, a deixando em pânico. Questionada 
pelo magistrado acerca da nota fiscal a respeito do pagamento das 
mercadorias, a acusada informou que ao pegar o documento no caixa, havia 
amassado a nota e a jogado na lixeira, pois jamais imaginou que passaria por 
tamanho constrangimento. Afirmou ainda, que nunca respondeu perante a 
justiça, fato que foi confirmado por sua FAP. 
 
 
 
 
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Em seguida, foi dada vista dos autos para o órgão da acusação que postulou 
pela condenação da acusada nos moldes da denúncia, ou seja, por ter 
incorrido nos ditames do caput do art. 155 do código penal. 
 
A defesa teve vista dos autos para manifestação em 03 de outubro de 2010, 
uma terça-feira. 
 
Acerca do ocorrido, apresente a medida processual cabível, sendo esta peça 
privativa de advogado, se atentando para todas as teses possíveis sem criar 
fatos novos ou trazer argumentos impertinentes ao feito, bem como para o 
último dia de prazo.MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Marialba e Veralúcia, amigas de infância, sempre foram altamente confidentes 
e quase irmãs. Tal amizade sempre se manteve incólume, até que as duas 
resolveram fazer o vestibular para o curso de Direito de uma conceituada 
Universidade localizada na Asa Sul, em Brasília-DF. 
 
Por circunstâncias do destino, as duas amigas se apaixonaram pelo mesmo 
homem, Roberto, mas Marialba optou por manter tal paixão em segredo, 
permitindo que sua grande amiga conquistasse o rapaz, o que de fato ocorreu. 
Meses após, Roberto, de 18 anos, e Veralúcia, de 20 anos, subiram ao altar, 
sendo Marialba a madrinha daquela união que parecia tão sólida e feliz. Porém, 
como era confidente de Veralúcia, Marialba teve acesso à informações íntimas 
do casal e soube pela própria amiga que o casamento não era um conto de 
fadas, visto que logo no início, mais ou menos 4 meses de casados, o casal 
estava a passar por uma crise intensa, devido aos ciúmes escabrosos de 
Veralúcia. Aproveitando este momento de instabilidade entre o casal, Marialba, 
em 05/01/2003, resolveu procurar Roberto em sua residência, na Asa Sul, e 
para ele se declarou, expondo o amor que sempre sentiu desde o início da 
faculdade. Fragilizado por uma acalorada discussão que teve com Varalúcia 
momentos antes, Roberto cede aos encantos de Marialba e os dois passam a 
manter relação sexual. Exatos três meses depois deste ato, período em que 
Roberto estava próximo à comemorar seus 20 anos, Marialba descobre que 
espera um filho de Roberto, coisa que Veralúcia jamais poderia lhe dar, tendo 
em vista sua infertilidade. 
 
Marialba, no mesmo dia em que soube da gravidez, 05/04/03, procurou 
Roberto que a tratou com total desprezo e determinou que Marialba tirasse 
aquela criança, visto ter sido fruto de uma única transa. Revoltada, Marialba 
ameaçou contar toda a verdade à Veralúcia, ao que Roberto afirmou que se ela 
o fizesse, ele a mataria junto com o feto. Passados dez dias contados deste 
fato, no dia 15/04/03, data em que Roberto completava sua segunda década de 
vida, amargando aquele rancor e ódio de Roberto e querendo lhe dar um 
presente “de grego”, Marialba decidiu ir ao encontro de Veralúcia para contar 
toda a verdade à amiga. Porém, quando descia as escadas, seu salto quebrou, 
razão pela qual caiu e deu início a um processo abortivo. Mesmo naquela 
situação penosa, Mrialba prosseguiu com seu intento, se dirigindo à residência 
de sua amiga. 
 
Ao chegar na casa de Veralúcia, localizada na SQS 215 Norte, percebeu que a 
amiga não estava, encontrando-se lá somente Roberto que, sorrateiramente, a 
obrigou a ingerir um medicamento abortivo para que perdesse a criança. 
Revoltada, Marialba foi até a autoridade policial mais próxima, momento em 
que prestou a noticia crime que deu origem a prolongada investigação a 
respeito do feito e consequente denúncia oferecida pelo tipo penal inserto no 
art. 125, caput, do Código Penal, em desfavor de Roberto. A peça acusatória 
foi recebida no dia 05/06/2011, sob a autuação do processo criminal número 
2011.01.1.1111, que passou a tramitar perante o Juizo competente. Ao ser 
encaminhada para perícia médica no Instituto Médico Legal, foi confirmada a 
 
 
 
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existência de resquícios de saco gestacional, compatível com gravidez, mas 
sem elementos suficientes para a confirmação de aborto espontâneo ou 
provocado. 
 
Após apresentação da resposta à acusação tempestivamente, sem arguição de 
preliminares ou teses de absolvição sumária, foi designada audiência de 
instrução e julgamento. As únicas testemunhas, Vanessa e Sofia, arroladas 
tanto pela defesa quanto pela acusação, afirmaram que Marialba realmente 
estava grávida, pois eram suas vizinhas e sabiam do fato, e disseram também 
que, em data que não se recordam, Marialba caiu das escadas e se feriu, tendo 
em vista a bolsa de sangue que se formou sobre os degraus, bem como os 
gritos dela dizendo que não queria perder o bebê. 
 
Após oitiva das testemunhas, em ato contínuo, o Magistrado encerrou a 
audiência de instrução e julgamento, dando vista dos autos para as partes se 
manifestarem, sucessivamente, acerca dos fatos colhidos na instrução 
processual. 
 
Você, como patrono de Roberto, teve vista dos autos em 16/06/2011, uma 
quinta-feira. Diante do caso exposto, apresente a medida processual cabível, 
articulando todas as teses possíveis, sem criar fatos que não estejam no 
processo, e se atentando para o último dia de prazo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Prática Penal I – 
 
Recursos 
 
Requisitos de Admissibilidade Comum a todos os recursos 
 
 
Pressupostos de Admissibilidade dos Recursos – Para que um recurso seja 
recebido, processado e conhecido, há que se respeitar determinados requisitos, quais 
sejam: 
 
1 – Objetivos: 
 
a.1 – Cabimento: Deve haver previsão legal expressa para sua interposição; 
a.2 – Adequação: Deve-se utilizar exatamente o recurso previsto em lei para tal 
hipótese; 
a.3 – Tempestividade: Deve haver interposição do recurso dentro do prazo legal 
previamente estabelecido pelo ordenamento jurídico pátrio; 
 
2 – Subjetivos: 
 
b.1 – Interesse: Somente pode recorrer a parte que demonstre real inconformismo (que 
tenha, de alguma forma, sucumbido); 
b.2 – legitimidade: Como regra, somente quem é parte na relação processual é quem 
pode interpor o recurso cabível. 
 
 
 
APELAÇÃO 
 
Recurso de apelação no processo penal: constitui a apelação na atualidade, 
recurso ordinário por excelência, previsto na quase totalidade das legislações modernas, 
caracterizada por ampla devolução cognitiva ao órgão ad quem. É eficaz instrumento 
processual para a atuação do princípio do duplo grau de jurisdição. 
Consoante ensina GRINOVER (2001, p. 112): 
Em face do extenso âmbito cognitivo do órgão recorrido, 
pode este reapreciar questões de fato e de direito, ainda 
que julgadas anteriormente, mormente em matéria 
processual penal onde o mais comum é não haver 
preclusão; pode também examinar questões ainda não 
analisadas pelo juiz, que estejam compreendidas na 
abrangência da impugnação. 
Assim, o Juízo ad quem (Tribunal) exerce duas funções: funções rescisória e 
rescindente, pois no julgamento da apelação haverá a substituição de uma sentença por 
outra. Entretanto, no caso de reconhecimento de uma nulidade não haverá função 
 
 
 
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rescisória nem rescindente e sim a cassação da sentença nula, que foi objeto da 
apelação. 
Nesse passo, da análise do artigo 593, chega-se à conclusão que a apelação é um 
recurso amplo pois permite a discussão de fatos e de direitos, tendo por isso um caráter 
genérico sendo cabível nas sentenças definitivas ou com forças de definitivas, bem 
como nas decisões do Júri, sendo, obrigatoriamente nesse caso, um recurso de 
fundamentação vinculada, conforme se verá a seguir. 
Cabimento da apelação 
Cabe apelação contra: 
1. Sentenças condenatórias; 
2. Sentenças absolutórias; 
3. Nos casos do artigo 593, II do CPP. 
A apelação deve sempre ser endereçada ao juízo ad quem competente. Apesar de ser 
interposta em 1º grau, em face do juiz prolator da sentença, a apelação não permite, ao 
contrário do recurso em sentido estrito, o juízo de retratação, ou seja, a sua apreciação 
pelo prolator da decisão. 
1. Quanto à extensão do inconformismo: plena (totalidade do julgado) ou parcial (parte 
dojulgado). Se não é identificada a parte impugnada presume-se que houve apelação 
plena. 
2. Quanto à forma procedimental: ordinária - aquela cabível nos crimes punidos com 
reclusão, quando é seguido o rito do artigo 613 do CPP ou sumária: aquela cabível nos 
delitos puníveis com pena de detenção, em que há previsão de forma procedimental 
abreviada (artigo 610 CPP) 
3. Principal da subsidiária ou supletiva: a primeira corresponde àquela interposta pelo 
Ministério Público, enquanto a segunda representa a formulada pelo ofendido, 
habilitado ou não como assistente, isto porque este exerce papel de auxiliar da acusação 
e só pode apelar quando o promotor de justiça deixe de faze-lo do prazo legal (artigo 
598 do CPP). O prazo é de 15 dias e este recurso não possui efeito suspensivo (art. 598, 
parágrafo único, do CPP). 
 
Art. 593, Inciso I - são aquelas que julgam a procedência ou improcedência da 
acusação, com a condenação ou absolvição do réu e que encerram o processo em 1º 
grau de jurisdição. São também conhecidas com definitivas stricto sensu e estão prevista 
nos artigos 386 e 387 do CPP. Atualmente, contra a sentença de impronúncia ou de 
absolvição sumária caberá apelação (art. 416, CPP, com redação dada pela Lei 
11.689/2008). 
Artigo 593, Inciso II - duas espécies de decisões, as definitivas e as com força de 
definitivas. São consideradas definitivas lato sensu as decisões de mérito que encerram 
o processo. Contudo tais decisões são diferentes daquelas contidas no inciso I, pois não 
condenam ou absolvem o réu. Por exemplo, são consideradas definitivas lato sensu: 
1. A decisão que extingue a punibilidade; 
2. A que concede o perdão judicial; 
3. As proferidas em Habeas Corpus ou revisão criminal, entre outras. 
 
 
 
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São consideradas decisões com força de definitivas aquelas que solucionam 
procedimentos e processos incidentais, as terminativas (que encerram o processo sem 
julgamento do mérito) e, ainda, como sucede com a Lei 9.099/95, as decisões que 
determinam de forma definitiva a suspensão condicional do processo. 
Por fim, cabe lembrar que as decisões do juiz singular que não se enquadrem nos 
incisos I e II, não admitem apelação e, caso não sejam também objeto de recurso em 
sentido estrito serão, via de regra, irrecorríveis. 
Há casos em que as decisões previstas nos incisos I e II do artigo 593, não são 
atacáveis por apelação, mas sim por recurso em sentido estrito. São exemplo dessas 
decisões: 
1. de rejeição de denúncia ou queixa (artigo 581, I); 
2. a que acolhe exceção de coisa julgada, de ilegitimidade de parte ou de litispendência 
(art. 581, III); 
3. a decisão que extingue a punibilidade (artigo 581, IX.) 
Da mesma maneira o Código de Processo penal estatui que não poderá ser usado 
recurso em sentido estrito nas decisões em que seja cabível apelação. Nesses termos, 
deve ser interposta apelação mesmo que a decisão seja, em outro momento processual 
que não o de decisão definitiva, guerreada por recurso em sentido estrito. 
DA APELAÇÃO DAS DECISÕES DO TRIBUNAL DO JÚRI 
No que concerne às apelações das decisões do tribunal do júri, temos a sua base 
regulada pelo art. 593, III, "a" a "d", do CPP. 
 
Inicialmente, podemos observar ser esse tipo de recurso bem diferenciado 
daqueles originados em razão de decisões proferidas pelo juiz singular, posto que, 
enquanto das mencionadas decisões o efeito da apelação assume um caráter devolutivo, 
ou seja, a lide é devolvida para nova apreciação pelo juízo "ad quem", nas apelações de 
decisões do tribunal do júri essa apreciação assume um caráter restrito, sem a devolução 
do conhecimento pleno da causa, limitando-se o tribunal ad quem a um conhecimento 
ditado pela lei. Em razão de sua natureza não há devolução à superior instância do 
conhecimento integral da causa criminal. Isso ocorre em razão de que as decisões do 
tribunal do júri assumiram o "status" de garantia constitucional, impossibilitando assim 
interferências em seu conteúdo. É o que foi disposto no art. 5º, XXXVIII, "c", da CF, 
onde estabelece que é reconhecida a instituição do júri, assegurada a soberania dos 
veredictos. 
 
Partindo objetivamente para a prática dessas apelações, temos como primeira 
situação de admissibilidade aquela determinada pelo art. 593, III, "a", onde estabelece a 
possibilidade de apelação das decisões do júri quando ocorrem nulidades posteriores à 
pronúncia. 
 
Devemos, de pronto, verificar que nulidades são essas. Constatamos que são 
aquelas nulidades estabelecidas pelo art. 564, III, "f" a "k", estando atreladas ao inciso I, 
a causa estabelecida no artigo 448 do CPP. Deve-se observar, no entanto, a diferença 
para o caso de ser uma nulidade absoluta ou relativa, visto que esta é passível de 
 
 
 
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preclusão se não impugnada após as formalidades para o julgamento, enquanto que 
aquelas não sofrem esse tipo de restrição. 
 
Formalidade do Júri: Ordem obrigatória a ser seguida na audiência: 
 
 Art. 473. Prestado o compromisso pelos jurados, será iniciada a 
instrução plenária quando o juiz presidente, o Ministério Público, o 
assistente, o querelante e o defensor do acusado tomarão, sucessiva e 
diretamente, as declarações do ofendido, se possível, e inquirirão as 
testemunhas arroladas pela acusação. 
 § 1
o
 Para a inquirição das testemunhas arroladas pela defesa, o 
defensor do acusado formulará as perguntas antes do Ministério 
Público e do assistente, mantidos no mais a ordem e os critérios 
estabelecidos neste artigo. 
 § 2
o
 Os jurados poderão formular perguntas ao ofendido e às 
testemunhas, por intermédio do juiz presidente. 
 § 3
o
 As partes e os jurados poderão requerer acareações, 
reconhecimento de pessoas e coisas e esclarecimento dos peritos, bem 
como a leitura de peças que se refiram, exclusivamente, às provas 
colhidas por carta precatória e às provas cautelares, antecipadas ou 
não repetíveis. 
 Art. 474. A seguir será o acusado interrogado, se estiver 
presente, na forma estabelecida no Capítulo III do Título VII do Livro 
I deste Código, com as alterações introduzidas nesta Seção. 
 § 1
o
 O Ministério Público, o assistente, o querelante e o 
defensor, nessa ordem, poderão formular, diretamente, perguntas ao 
acusado. 
 § 2
o
 Os jurados formularão perguntas por intermédio do juiz 
presidente. 
 
Outras causas legais de nulidade por ausência de requisito formal: 
 
Art. 478. Durante os debates as partes não poderão, sob pena de 
nulidade, fazer referências: 
 I – à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que julgaram 
admissível a acusação ou à determinação do uso de algemas como 
argumento de autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado; 
 II – ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por 
falta de requerimento, em seu prejuízo. 
 Art. 479. Durante o julgamento não será permitida a leitura de 
documento ou a exibição de objeto que não tiver sido juntado aos 
autos com a antecedência mínima de 3 (três) dias úteis, dando-se 
ciência à outra parte. 
Parágrafo único. Compreende-se na proibição deste artigo a leitura de 
jornais ou qualquer outro escrito, bem como a exibição de vídeos, 
gravações, fotografias, laudos, quadros, croqui ou qualquer outro meio 
assemelhado, cujo conteúdo versar sobre a matéria de fato submetida 
à apreciação e julgamento dos jurados. 
 
 
A afronta a qualquer das fórmulas acima é causa de nulidade. Assim é que caso 
otribunal "ad quem" acate, dê provimento, a uma alegação de nulidade, os atos são 
anulados para que haja uma renovação na primeira instância até que possam vir a ser 
conclusos para um novo julgamento. Devemos esclarecer que essa ocorrência não fere o 
princípio constitucional da "soberania dos veredictos" em razão de que o julgamento se 
tornou insubsistente ao passo que os atos anteriores ao seu intento estavam viciados. 
Não houve modificação da decisão e sim a declaração de sua inexistência jurídica. 
 
 
 
 
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No art. 593, III, "b", do CPP, temos a admissibilidade de recurso da decisão do 
tribunal do júri para casos em que a sentença for contrária à lei expressa ou à decisão 
dos jurados. 
 
Verificamos ser esse um caso em o que se dispõe em apreço não é o veredicto 
dos jurados - estando eles fora de apreciação - e sim a sentença que é proferida pelo 
juiz-presidente da sessão de julgamento, quando se observa ter sido a sua decisão 
diversa daquela que deveria ter sido proferida caso fossem observadas as alegações do 
tribunal do júri ou ainda no caso da própria lei. Respeita-se o regular pronunciamento 
dos jurados que não pode ser atacado. Nesse caso o tribunal de apelação fará as 
retificações necessárias, posto que profere uma nova decisão em substituição àquela 
prolatada pelo juiz-presidente da sessão. 
 
Temos ainda o caso de apelação quando houver erro ou injustiça no tocante à 
aplicação da pena ou da medida de segurança. É o que dispõe o art. 593, III, "c", do 
CPP. 
 
Há de se ver inicialmente que o dispositivo legal alcançaria os casos em que, na 
sentença, o juiz-presidente não acolhe as razões dos membros do júri e interfere nas 
causas de aumento ou diminuição da pena, bem como nas agravantes ou atenuantes, 
para melhorar ou piorar a situação de quem sofreu o apenamento. Essa seria a situação 
lógica que não atingiria aquilo que foi decidido pelo júri. 
 
Por fim, no que toca a admissibilidade de apelação em razão de decisões do 
tribunal do júri, temos que é possível quando a decisão dos jurados for manifestamente 
contrária à prova dos autos. É o que está disposto no art. 593, III, "d", do CPP. Para esse 
último caso verificamos a possibilidade da entrada no "mérito da questão" para que haja 
uma nova análise. É uma espécie de recurso diferente no que podemos dizer que 
interfere superficialmente na decisão do júri, só que não em seu conteúdo. No que 
concerne à abrangência desse dispositivo podemos entender que pode ser utilizado para 
os casos em que há total discrepância entre o que foi colhido nos autos e aquilo que foi 
decidido pelo conselho leigo quando agiu sem a menor concordância com a logicidade 
presumida em situações idênticas. Isso não significa que não possa dar interpretação que 
considera conveniente. Pode, desde que essa interpretação esteja em consonância com 
as provas dos autos. 
 
Para o caso desse último item, a nova apreciação deve ser feita por novo 
julgamento, através de conselho de jurados. É o que dispõe o art. 593, § 4º, do CPP. 
Entendemos desnecessária essa afirmação em razão da garantia constitucional, já 
mencionada, da soberania das decisões do tribunal do júri. Com isso não poderia o 
tribunal "ad quem" fazer uma apreciação do mérito da causa e tão-somente das 
condições de admissibilidade da apelação. 
 
Podemos ainda tecer considerações sobre o parágrafo terceiro do artigo 593 do 
CPP no que se refere a impossibilidade de segunda apelação por motivo idêntico ao 
anterior. O legislador pretendeu com isso evitar que a parte utilizasse da má-fé para 
acionar por diversas vezes o juízo quando o caso foi alvo de apreciação, duas vezes pelo 
tribunal do júri, onde aqueles motivos, fundamentos, que levaram à apelação já foram 
apreciados, quer modificados, quer não. Existe a possibilidade de um terceiro 
 
 
 
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julgamento, desde que a apelação não tenha como fundamento legal situação 
anteriormente apreciada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto da Peça: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA 
CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri. Se for, é 
endereçada ao JUIZ PRESIDENTE da Vara do Tribunal do Júri. 
 
 
Processo nº 
 
 
 Fulano de tal, devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, 
inconformado com a sentença proferida às fls., vem tempestivamente perante Vossa 
Excelência, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, com fulcro no art. 593, 
I, do Código de Processo Penal, interpor: 
 
Apelação 
 
pugnando que, após exercido o juizo de admissbilidade do presente recurso, bem como 
das razões recursais que estão em anexo, sejam os autos remetidos ao Egrégio Tribunal 
de Justiça e Territórios, para apreciação das referidas razões. 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento. 
 
Data, local (muita atenção na data! Se o problema disser que você teve ciência da 
sentença no dia 05 de maio, este termo DEVE ser interposto até o dia 10 de maio (são 
cinco dias). O prazo começa a correr do dia seguinte e é fatal. 
Se a petição for somente RAZÕES DE APELAÇÃO, sem necessidade de interposição 
do recurso, o prazo passa a ser de 8 dias contados da interposição feita em audiência ou 
pelo próprio réu quando devidamente intimado da decisão. 
 
Advogado 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS 
 
Processo nº 
Apelante: Nome 
Apelado: Ministério Público do Distrito Federal e Territórios 
Origem: Vara de origem. 
 
Colenda Turma, 
Inclitos Julgadores! 
 
 Em que pese o ilibado saber jurídico do magistrado a quo, o recorrente vem 
perante Vossas Excelências por intermédio de seu patrono infra assinado, apresentar 
Razões de Apelação, com base nos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor: 
 
I - Da Admissibilidade do Recurso 
 
 No que tange aos requisitos extrínsecos, trata-se o presente apelo de recurso 
cabível e adequado, ante a procedência da pretensão acusatória pelo magistrado a quo, 
assim como tem por satisfeita a tempestividade, considerando que a sentença 
condenatória foi publicada no dia ... e a interposição feita em ..., ou seja, exatamente no 
quinquídio legal. 
 
 Quanto aos requisitos intrínsecos, há interesse por ter havido condenação do 
recorrente, bem como está satisfeita a questão da legitimidade, visto que o apelante é 
legalmente legitimado para interpor o presente recurso. 
 
I – Breve Resumo dos Fatos: 
 
Narrar aqui, de forma sucinta, os fatos, falando da denúncia que condenou o 
apelante. 
 
 Ao final, terminar com frase de impacto: “entretanto, a sentença proferida, com a 
máxima data vênia do entendimento do juizo a quo, merece a mais ampla reforma. 
 
II – Das Preliminares 
 
Se houver alguma preliminar, o momento de narrar é anterior à narrativa do 
direito. Lembrar que a apelação nada mais é que a peça de Alegações Finais 
“reapresentada” na segunda instância. As nulidades são as mesmas narradas na peça 
defensiva de primeira instância. Lembrar que quandohouver alguma nulidade, o pedido 
será pela cassação da sentença. 
 
III – Do Direito 
 
 
 
 
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Falar da sentença e dos motivos pelos quais ela deve ser reformada. Aqui, falar 
do mérito propriamente dito. Teses abordadas em alegações finais que não foram 
legitimamente analisadas pelo magistrado a quo. 
 
III – Do pedido: 
 
Requerer o conhecimento da apelação para declarar a nulidade por ... constante 
no art. 564, inciso ... e cassar a sentença a quo, que maculou o feito (alega-se isso 
quando há alguma nulidade no problema que foi trabalhada em sua peça). No mérito, 
pugna-se por seu provimento a fim de que seja reformada a sentença primeva, 
absolvendo o réu conforme art. 386, inciso ... (ou desclassificando o delito... enfim, 
corroborando a tese da defesa). 
 
Pede Deferimento. 
Local, data. 
 
Advogado 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PROCESSAMENTO DO RECURSO DE APELAÇÃO 
 
Tratando do processamento do recurso de apelação, temos que existem duas 
fases de desenvolvimento. Uma realizada no juízo "a quo" e outra no juízo "ad quem". 
Passaremos então a essas fases. 
 
A fase inicial, realizada no juízo de primeira instância é aquela da interposição 
do recurso, podendo o apelante utilizar-se de formas indeterminadas, desde que atenda a 
finalidade de cientificar o juízo do seu objetivo de inconformismo com o julgamento 
obtido e anseio de reavaliação da causa. Não comporta efeito regressivo como o RESE. 
 
Assim, "assinado o termo de apelação, o apelante e, depois o apelado terão o 
prazo de 8 (oito) dias cada uma para oferecer razões, salvo nos processos de 
contravenção em que o prazo será de 3 (três) dias" (art. 600, "caput", do CPP). Como já 
visto, a parte dispõe de um prazo para apelar, que em regra é de 5 (cinco) dias, e de 
outro para apresentar as suas razões, ou seja, a sua fundamentação, em que está se 
baseando para desejar uma nova apreciação da lide. 
 
O parágrafo 1º, do art. 600, do CPP, estabelece que "se houver assistente, este 
arrazoará, no prazo de 3 (três) dias, após o Ministério Público". De início poderíamos 
imaginar que haveria um cerceamento no tocante ao prazo do assistente, o que não 
condiz com a realidade em razão de que dispôs, além daquele prazo oferecido ao 
Ministério Público, de mais de 3(três) dias para formular as suas razões, caso sejam 
necessárias. 
 
Estabelece o art. 600, § 3º, do CPP, que "sendo dois ou mais os apelantes ou 
apelados, os prazos serão comuns" Desse dispositivo se extrai a ideia de que os prazos 
devem correr em cartório caso as partes não acordem de forma diversa, visto que não se 
poderia privilegiar uma parte com prazos maiores em razão de quantidade. A exceção 
que se faz a isso é com relação ao Ministério Público, que deve ter vista dos autos fora 
do Cartório. No tocante aos demais, são intimados da decisão através da Imprensa 
Oficial, não dispondo do privilégio do órgão do "Parquet" (Lei n.º 9.271, de 
17.04.1996). 
 
Seguimos então para a segunda fase do processamento, que ocorre no juízo "ad 
quem", visto que ultrapassada a fase inicial. Caso a apelação ultrapasse as fases de 
primeira instância, com a apresentação do recurso e razões, oportunidade para 
contrarrazões, preenchimento dos requisitos para admissibilidade, então os autos serão 
remetidos à superior instância. 
 
O art. 601, "caput", do CPP, dispõe que: "Findos os prazos para razões, os autos 
serão remetidos à instância superior, com as razões ou sem elas, no prazo de 5 (cinco) 
dias, salvo no caso do art. 603, segunda parte, em que o prazo será de 30 (trinta) dias". 
O art. 603, do CPP, menciona os casos em que devem ficar traslado dos termos 
essenciais do processo em cartório por razão da distância, nos casos em que a comarca 
não é sede do tribunal. A distância explica o maior prazo dispensado. 
Assim, remetidos os autos ao tribunal ad quem, caso já existam razões de 
apelação, será feito um novo juízo de admissibilidade para então levá-lo a novo 
julgamento com inclusão em pauta. 
 
 
 
 
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Há casos porém que o apelante prefere apresentar as suas razões no próprio 
tribunal. Situação essa prevista no art. 601, "caput", do CPP, já mencionado, e regulada 
pelo art. 600, § 4º, do CPP, onde expõe que "Se o apelante declarar, na petição ou no 
termo, ao interpor a apelação, que deseja arrazoar na superior instância, serão os autos 
remetidos ao tribunal ‘ad quem’ onde será aberta vista às partes, observados os prazos 
legais, notificadas as partes pela publicação oficial". 
 
Como se vê, o que se diferencia da situação anterior é que para esse caso aquilo 
que deveria ter sido feito no juízo "a quo", no tocante às intimações necessárias e prazos 
para as razões e contrarrazões, será feita no juízo "ad quem", em razão de faculdade 
permitida por lei, o que não deixa de ser um benefício ao apelante, que disporá de maior 
prazo para as suas razões. 
 
Por último não podemos deixar de mencionar uma situação diferenciada que é o 
caso de dois ou mais réus, o que deverá ser feito caso não haja apelação de todos para 
não tumultuar o processo. O art. 601, § 1º, do CPP, resolve o problema, impondo que: 
"Se houver mais de um réu, e não houverem todos sido julgados, ou não tiverem todos 
apelado, caberá ao apelante promover extração do traslado dos autos, o qual deverá ser 
remetido à instância superior no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da entrega das 
últimas razões de apelação, ou do vencimento do prazo para a apresentação das do 
apelado". Assim, o dispositivo resolve a situação de tumulto processual, evitando que a 
eficácia da decisão fique suspensa em relação àqueles que não apelaram, contribuindo 
para a agilização processual no sentido de justiça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Modelo de Apelação com termo de interposição 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA PRIMEIRA VARA 
CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA-DF 
 
 
 
 
Processo 2012.07.1.022711-1 
 
 
 
 
 Renildo de Jesus, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem 
perante Vossa Excelência por intermédio de seu patrono subscritor, não se resignando 
com a sentença de fls. 234, com espeque no art. 593, I, do Código de Processo Penal, 
interpor 
 
 
RECURSO DE APELAÇÃO 
 
 
pugnando para que, após o efetivo exercício de admissibilidade por parte deste Juízo 
deste recurso, bem como das razões que lhe acompanham, possa haver a remessa dos 
autos ao Tribunal de Justiça, a fim de que possa haver o regular processamento e 
julgamento do presente apelo. 
 
Termos em que pede deferimento. 
 
Taguatinga, 14 de janeiro de 2013. 
 
 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E 
TERRITÓRIOS 
 
 
Autos n. 2012.07.1.0000-0 
Apelante: RENILDO DE JESUS 
Apelado: MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS 
Origem: 1ª VARA CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE 
TAGUATINGA-DFRAZÕES DO RECURSO DE APELAÇÃO 
 
 
 
 
COLENDA TURMA, 
ÍNCLITOS JULGADORES, 
 
 
 
I – DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. 
 
 No que tange aos requisitos extrínsecos, trata-se o presente apelo de recurso 
cabível e adequado, ante a procedência da pretensão acusatória pelo magistrado a quo, 
assim como tem por satisfeita a tempestividade, considerando que a sentença 
condenatória foi publicada no dia 07 de janeiro de 2013 e a interposição feita em 14 de 
jeneiro do mesmo ano, respeitando-se o quinquídio legal, considerando que o quinto dia 
se deu no sábado, dia 12, devendo, assim, a prorrogação do prazo se dar para o próximo 
dia útil. 
 
 Quanto aos requisitos intrínsecos, há interesse por ter havido condenação do 
recorrente, bem como está satisfeita a questão da legitimidade, visto que o apelante é 
legalmente legitimado para interpor o presente recurso. 
 
 
I - BREVE RELATÓRIO DO PROCESSO: 
 
 Trata-se de ação penal intentada contra o RENILDO DE JESUS, denunciado 
pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, no incurso do crime do art. 
157, caput, c/c art. 14, inciso II (duas vezes) e art. 157, caput, todos do Código Penal 
Brasieliro, conforme denúncia de fls. 02/05. 
 O réu foi condenado a pena de 05 (cinco) anos e 07 (sete) meses e 15 (quinze) 
dias de pena privativa de liberdade no regime fechado, bem como ao pagamento de 30 
(trinta) dias-multa, sendo o dia-multa fixado em 1/30 avos do salário mínimo. 
 
 
 
 
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 Em sentença, quando da dosimetria da pena, o magistrado fixou pena-base no 
mínimo legal – 04 (quatro) anos, havendo a compensação entre a confissão como 
atenuante e a circunstância agravante da gravidez da vítima, e aumento de pena, em face 
da reincidência, em 6 (seis) meses de reclusão. Por fim, operou-se o aumento de pena 
em 1/4 (um quarto) em razão do reconhecimento da continuidade delitiva, culminando 
em pena final de 05 (cinco) anos e 07 (sete) meses e 15 (quinze) dias de pena privativa 
de liberdade no regime fechado. 
 
 Entretanto, a conduta do apelante descrita nos autos e conforme depoimentos 
prestados nos revela a ausência das elementares indispensáveis do tipo penal de roubo, 
quais sejam, violência ou grave ameaça. A mesma linha de raciocínio não foi seguida na 
dosimetria em sua terceira etapa, sendo fixado aumento de pena de 1/4 (um quarto), ou 
seja, acima do mínimo legal, qual seja: 1/6 (um sexto). 
 
II – DA INEXISTÊNCIA DE GRAVE AMEAÇA OU DE VIOLÊNCIA 
EXERCIDA PELO ACUSADO IMPRESCINDÍVEIS PARA A REALIZAÇÃO 
DO TIPO PENAL DESCRITO NA DENÚNCIA – DESCLASSIFICAÇÃO PARA 
O CRIME DE FURTO. 
 
 Quanto ao primeiro e segundo fatos, inquestionável a ausência da grave ameaça 
apta a caracterizar o delito de roubo. Ambas as vítimas apesar de se sentirem 
constrangidas com a conduta do acusado, não foram submetidas à grave ameaça. Ora, 
cabe salientar que uma delas, Ana Escandalosa, em juízo (fls. 116), afirmou que após 
gritar, o réu disse tratar-se de uma brincadeira e evadiu-se para lado oposto ao que a 
vítima se encaminhava. Ora, flagrante a ausência do dolo de roubar do acusado, visto 
que este estava em vantagem em relação à vítima por estar em uma bicicleta e poder ter 
empregado qualquer ato de violência contra a mesma, o que não fez. A vitima foi 
enfática em juízo em dizer que não viu arma alguma, fato que descaracteriza a grave 
ameaça. 
 
 No que tange a segunda vítima, Carolina Cesariano, a mesma também afirmou 
de forma concisa em juízo (fls. 115), que viu que o acusado não portava nenhum objeto 
por debaixo da camisa, razão pela qual não se sentiu ameaçada e começou a gritar, fato 
que, assim como no primeiro caso, fez com que o acusado afirmasse tratar de uma 
brincadeira e se evadir do local em sua bicicleta, sem prosseguir com os atos 
executórios do roubo por livre e espontânea vontade. Destarte, para se configurar o 
roubo, não basta uma mera ameaça, tendo esta que ser grave ao ponto de reduzir 
totalmente a capacidade de reação da vítima. 
 
 Neste diapasão, são unânimes doutrina e jurisprudência, visto que ambas 
asseveram que para a ocorrência do crime de roubo, imprescindível que o agente 
tenha empregado violência ou grave ameaça. Assinalam, outrossim, que o emprego da 
grave ameaça tem que ter o condão de intimidar; de causar temor à vítima. Se a grave 
ameaça não cumprir este papel, impossível se falar em roubo, conforme a doutrina do 
Professor Julio Fabbrini Mirabete, vejamos: 
 
 
 
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"A violência (vis physica) consiste no desenvolvimento de força física para 
vencer resistência real ou suposta, de quem podem resultar morte ou lesão 
corporal ou mesmo sem a ocorrência de tais resultados (vias de fato), assim 
como ocorre na denominada "trombada" (item 157.6). No caso do roubo, é 
necessário que a violência seja dirigida à pessoa (vis corporalis) e não à 
coisa, a não ser que, neste caso, repercuta na pessoa, impedindo-a de 
oferecer resistência ‘a conduta da vítima"(Código Penal Interpretado. 1. ed. 
1999; 3ª tiragem 2.000; São Paulo. Atlas). 
 O constrangimento que tipifica o roubo é aquele exercido mediante violência ou 
ameaça grave. Exige-se, para a caracterização do roubo, uma ação ostensiva, eficaz 
e idônea a intimidar e assim impossibilitar a resistência da vítima. Não havendo a grave 
ameaça e ou a violência, elementos essenciais para a caracterização do delito de roubo, 
deve haver a desclassificação para o crime de furto. Para que se configure a grave 
ameaça, é preciso que ela seja séria e efetiva, a fim de impedir que as vítimas resistam, 
sendo certo que, a simples ordem de entrega de objetos, ainda que aliada ao número 
de agentes, não se mostra bastante e suficiente para configurar o crime de roubo. 
 
 Este é também o entendimento do Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito 
Federal e Territórios, vejamos: 
APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO. DESCLASSIFICAÇÃO PARA FURTO. 
AUSÊNCIA DE VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA. POSSIBILIDADE. 
MATERIALIDADE E AUTORIA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. NÃO 
OCORRÊNCIA. DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE. CUSTAS 
PROCESSUAIS. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 
I - Verificado que a prova coligida não demonstra as elementares do 
emprego de violência ou grave ameaça capazes de caracterizar o crime de 
roubo, impõe-se a desclassificação da conduta para furto simples. 
II - Comprovadas a materialidade e a autoria, bem como o intuito do 
apelante em se apossar de bens alheios, a condenação é medida que se 
impõe. 
III - A desclassificação do delito de roubo para o de furto simples não 
implica na atipicidade da conduta, pois a prova dos autos não deixa dúvida 
de que a vontade do apelante era dirigida à subtração dos bens da vítima. 
IV - Correta a manutenção da prisão do recorrente quando mantidos os 
requisitos que ensejaram a segregação. 
V - O Juízo das execuções é o competente para decidir eventual pedido de 
isenção do pagamento de custas processuais. 
VI - Recurso conhecido e parcialmente provido.(Acórdão n. 620007, 
20110310360588APR, Relator NILSONI DE FREITAS, 3ª Turma Criminal, 
julgado em 06/09/2012, DJ 21/09/2012 p. 398) 
 
IV – DA APLICAÇÃO DO CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO 
 
 No ordenamento jurídico, excepcionalmente, a técnica de exasperação da pena 
cede lugar ao critério da cumulação material, em sede de concurso formal. Tal situação 
ocorre quando, embora haja unidade de conduta (marca fundamental do concurso ideal) 
dolosa, os resultados criminosos resultam de desígnios autônomos. Este é o teor da 
segunda parte do caput doart. 70 do CP: "As penas aplicam-se, entretanto, 
 
 
 
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cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de 
desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior". 
 
 Este é exatamente o caso dos autos! Com base no exposto, a defesa requer a 
aplicação da pena dos crimes em exame no mínimo legal com a incidência do concurso 
formal impróprio. 
 
V - DOS PEDIDOS 
 
Por todo o exposto, requer seja o presente recurso conhecido, porque adequado e 
tempestivo e, no mérito requer provimento para REFORMA da r. sentença 
recorrida, a fim de que seja desclassificado o crime de roubo para o de furto. Requer 
também, subsidiariamente, que seja aplicado o concurso formal impróprio, 
determinando-se a pena de cada um dos crimes no mínimo legal permitido em direito. 
 
 Termos em que, 
 Pede-se o deferimento. 
 
Brasília-DF, 14 de janeiro de 2013. (5 dias porque tem o termo) 
 
 
 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Caso para resolução 
 
Tício, brasileiro nascido em 28 de outubro de 1940, viúvo, residente e domiciliado na 
QE 10, Rua 111, Casa 111, Samambaia-DF, foi denunciado pelo Ministério Público 
como incurso nas penas do art. 171, caput, em concurso material com o crime do art. 
304 do Código Penal. 
 
Conforme a exordial acusatória, no dia 15 de maio de 2004, Tício teria, utilizando-se de 
documento falso, induzido as lojas americanas do Samambaia Shopping em erro para 
obter vantagem ilícita. Conforme a denúncia, o acusado lá teria chegado junto com uma 
mulher e estaria fazendo compras com um cartão de crédito falso, juntamente com uma 
carteira de identidade falsa. Ao efetivar as comprar, no momento em estava no 
estacionamento do estabelecimento, o acusado foi detido por um dos seguranças, tendo 
a referida mulher empreendido fuga. Com base nisso o acusado foi preso em flagrante 
delito e após os procedimentos de praze, colocado em liberdade para responder ao 
processo que lhe era imputado. 
 
Após regular denúncia que foi oferecida em 16 de maio de 2011 e recebida 4 dias após 
pelo magistrado competente, o réu foi citado para manifestação escrita através de 
profissional habilitado, o que de fato foi feito. A audiência de instrução e julgamento foi 
designada para o dia 20 de julho de 2011, estando presentes no evento o magistrado, o 
órgão do ministério público, o acusado, o condutor que o prendeu em flagrante e um 
representante da empresa. 
 
Aberta a audiência, a vítima, representante da empresa, informou que presenciou 
quando o réu foi abordado e confessou a falsidade documental e a vontade de subtração 
dos bens. 
 
Na oitiva do condutor, o MP questionou a respeito de como os fatos ocorreram. O 
depoente informou que, conforme informações, o acusado havia entrado na loja com 
uma mulher e que fizeram o cartão de crédito. Após as compras, funcionários fizeram 
uma consulta no sistema de segurança da empresa, momento em que constataram que os 
documentos eram falsos. No mesmo instante, conseguiram pegar o acusado antes que o 
mesmo saisse da loja com as mercadorias, tendo a mulher empreendido fulga. 
 
No interrogatório do réu, momento em que foi nomeado pelo magistrado um defensor 
para assisti-lo, o acusado confessou todos os atos narrados na denúncia. Disse que fez a 
falsificação do documento unicamente para fazer as compras na empresa, visto que 
estava com muitas dívidas e ia vender os produtos para pagá-las. Afirmou, ainda, que 
nunca foi processado anteriormente, fato corroborado por sua FAP. 
 
 
 
 
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Após o encerramento da instrução processual, foi dada vista dos autos ao MP que 
sustentou pela condenação nos mesmos moldes da denúncia. A defesa teve vista dos 
autos em 2 de agosto de 2011, uma segunda-feira, para manifestação, tendo a mesma 
sustentado pela improcedência da denúncia. Não obstante os argumentos da defesa, 
Tício foi condenado a pena de 4 anos pelos dois crimes em concurso material, sendo a 
pena de 2 anos para o crime de estelionato e 2 anos para o crime de falso. As partes 
foram intimadas da sentença em 21 de agosto de 2011, uma quarta feira. 
 
Como advogado, apresente a medida processual cabível, privativa de advogado, se 
atentando para as teses possíveis e para o último dia de prazo para apresentação da 
medida processual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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DIULIAN DURAN foi denunciado por infração ao art. 121, §2º, I, c/c art. 14, II, 
ambos do Código Penal Brasileiro. Narra a denúncia que: 
“(...) no dia 22 de fevereiro de 2010, nas imediações da CNA 15 da Região 
Administrativa de Taguatinga, o acusado, imbuído de animus necandi, teria efetuado 
disparos de arma de fogo contra a vítima DIMI HENDRICK, seu vizinho, não o atingindo 
por circunstancias alheias a sua vontade já que acertou o chão. Resta consignar que o fato 
delituoso teria se dado porque réu e vítima são inimigos, e o acusado tentou ceifar a vida 
da vítima por vingança. Assim, resta incurso nas sanções do art. 121, §2º, I, c/c art. 14, II, 
do CP”. 
O acusado foi citado no dia 04 de junho de 2010 e apresentou resposta a acusação. 
Em audiência de instrução e julgamento, ocorrida no dia 30 de agosto de 2010, foram 
ouvidas a vítima e as testemunhas ELANO, LINDALVINA, ALBERTO, CEARINA e 
MONICA, encerrando-se com o interrogatório do réu. Posteriormente, após os debates 
orais o Juiz proferiu sentença pronunciando o acusado nos exatos termos da denúncia. 
As partes não recorreram desta. 
O plenário foi designado para o dia 20 de abril de 2011(quarta-feira). Aberta a 
sessão procedeu-se o sorteio dos seguintes jurados: 1) Maria Aparecida Silva; 2) Amélia 
Pereira; 3) Joana Prado; 4) Marcelo Rodrigues; 5) Fátima Bonfim; 6) Mariane Ferreira e 
seu esposo Kennedy Ferreira. Em seguida, prestado o compromisso dos jurados iniciou-
se a instrução plenária. 
A vítima afirmou que dias antes do ocorrido teria discutido com seu vizinho 
porque estava passeando com seu cachorro quando o mesmo defecou em frente a casa 
do réu. Irritado, o réu teria proferido uma série de palavrões, fato que ocasionou 
verdadeiro bate boca entre os dois. Dias após, a vítima teria novamente levado seu cão 
para passear, momento em que seu cão defecava novamente em frente à casa do 
acusado, quando este saiu já dando um tiro para o chão, não tendo a vítima sido atingida 
de forma letal porque conseguira fugir. 
Em seguida, a testemunha Elano afirmou que presenciou os fatos narrados na 
acusação. Que a vítima e o acusado haviam discutido dias antes tendo em vista o fato de 
que a vítima teria levado seu cão para defecar em frente à casa do réu. No dia dos fatos, 
a vítima teria, novamente, levado seu cão para fazer suas necessidades em frente à casa 
do acusado, quando o réu, tentando persuadir a vítima a não fazer mais aquilo, foi 
agredido covardemente pela vítima. Tentando parar as agressões, o acusado empunhou 
uma arma de fogo efetuando um único tiro para o chão, almejando somente fazer com 
que a vítima fosse embora da frente de sua residência, o que de fatoaconteceu. As 
demais testemunhas confirmaram na íntegra a versão de Elano. 
O Acusado, por sua vez, afirmou que efetuou um único disparo para baixo após 
uma discussão com a vítima. Disse, ainda, que jamais quis atingi-lo tanto que após o 
disparo adentrou sua residência. 
Em sede de debates o nobre Representante do Ministério Público argumentou que 
o acusado agiu com intenção homicida tanto que foi pronunciado e em seguida efetuou 
a leitura da decisão de pronúncia. A Defesa, por sua vez, argumentou que em momento 
algum o acusado teve intenção homicida tanto que efetuou o disparo para baixo e não 
prosseguiu efetuando disparos porque não quis. 
Após condenação pelo conselho de sentença, que desconsiderou a qualificadora, 
sobreveio sentença aplicando-lhe a pena de 14 anos de reclusão, em regime inicial 
fechado ante a gravidade da conduta. O Juiz desconsiderou a atenuante da confissão e o 
fato do acusado ser menor de 21 anos de idade. 
- Na qualidade de advogado constituído pelo acusado elabore a peça cabível. Não 
invente fatos, aborde todas as teses defensivas cabíveis e date a petição no último dia 
do prazo. 
 
 
 
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Embargos de Declaração 
 
Fundamento: artigos 382 (decisões proferidas em primeiro grau) e 619 (decisões 
proferidas pelos tribunais), ambos do CPP, e artigo 83 da Lei 9.099/95 (Juizados). Os 
embargos contra a sentença são chamados, na prática forense, de “embarguinhos”. 
 
Conceito: é a peça adequada para corrigir vícios contidos em sentença ou acórdão, 
visando o seu esclarecimento ou integração. Segundo o CPP, são vícios: a obscuridade, 
a ambiguidade, a contradição e a omissão. Já para a Lei 9.099/95, os vícios são: 
obscuridade, contradição, omissão e dúvida. Obscuridade: falta de clareza, dificultando 
o entendimento do que foi dito na decisão. Ambiguidade: decisão com duplo sentido 
(para Tourinho Filho – Prática de Processo Penal, 32ª Ed., Saraiva -, “Embora o art. 
619 fale também de ambiguidade, entende a doutrina que se trata de superfetação, pois 
acórdão ambíguo é acórdão equívocado, obscuro, anfibológico). Contradição: no corpo 
de uma mesma decisão, o juiz expressa posicionamentos conflituosos (ex.: reconhece 
um direito, mas deixa de aplicá-lo). Omissão: o magistrado deixa de analisar uma das 
questões em debate (ex.: sentença citra petita). 
 
Prazo: 02 dias (CPP) e 05 dias (Juizados). 
 
Como identificá-los: o problema relatará uma omissão, contradição, ambiguidade, 
obscuridade ou dúvida (no caso do JECrim) na sentença ou acórdão. Exemplo 
(omissão): o relator deixa de analisar um dos pedidos da apelação. 
 
Dica: se o problema falar em acórdão publicado e houver menção a embargos já 
opostos, a peça da prova será, provavelmente, um recurso especial ou extraordinário 
(falaremos mais sobre o prequestionamento em momento oportuno). 
 
Importante: nos ritos regulados pelo CPP, os embargos de declaração interrompem o 
prazo para os demais recursos. Exemplo: após a publicação do acórdão, inicia-se o 
prazo de 05 (cinco) dias para a interposição de recurso de apelação. Logo, se os 
embargos foram protocolados no 2º dia de prazo, após o seu julgamento o prazo para a 
apelação voltará a contar do zero. Nos Juizados, no entanto, isso não ocorre, haja vista 
que, naquele rito, os prazos são suspensos, e não interrompidos. 
 
Atenção: os embargos são endereçados ao magistrado que prolatou a decisão viciada. 
Contra a sentença, ao juiz; contra o acórdão, ao relator. Além disso, não confunda: a 
contradição que pode ser atacada por embargos é aquela no próprio corpo da decisão. Se 
a decisão, no entanto, divergir das provas dos autos, não há o que se falar em embargos. 
 
Comentários: Os embargos servem para, como já dito, sanar vício contido na sentença 
ou no acórdão. A tese a ser defendida limita-se, portanto, à elucidação daquilo que não 
ficou claro, e nada mais. Por esse motivo, a chance de cair na segunda fase da OAB ou 
em alguma prova da instituição é mínima, pois apostamos em peças que comportam 
várias teses ao mesmo tempo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MODELO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA 
CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE ____(LOCAL DO FATO). 
Atenção: se os embargos forem opostos contra acórdão, o endereçamento será feito ao 
relator: “Excelentíssimo Senhor Desembargador Relator do Acórdão n. ____ da ____ 
Câmara Criminal do Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios”. 
Processo n. ____. 
 
“A”, já qualificado nos autos do processo criminal em epígrafe, por seu 
advogado devidamente constituído, nos autos da ação penal que lhe move o Ministério 
Público, não se conformando, “data vênia”, com a respeitável sentença condenatória, 
vem, à presença de Vossa Excelência, opor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, com 
fulcro no artigo 382 do Código de Processo Penal, pelas razões de fato e de direito a 
seguir expostas: 
Como já há um processo em trâmite, não há motivo para qualificar o réu novamente. 
 
I. BREVE SÍNTESE DA DEMANDA 
 
Segundo a denúncia, no dia ____ de ____ de ____, o recorrente, agindo com 
“animus furandi”, subtraiu, para si, sem violência ou grave ameaça, a bolsa pertencente 
à vítima. 
 
Por esse motivo, o Ministério Público, em sua peça acusatória, atribuiu ao réu a 
conduta prevista no artigo 155, “caput”, do Código Penal, inexistindo causas de 
aumento de pena ou circunstâncias agravantes. 
 
Encerrada a instrução, Vossa Excelência entendeu, em sua fundamentação, com 
base no artigo 59 do Código Penal, pela aplicação da pena mínima ao acusado, ou seja, 
01 (um) ano de reclusão e multa. 
 
No entanto, a pena foi fixada em 02 (dois) anos de reclusão e multa, estando, 
evidentemente, a pena estabelecida muito acima do mínimo legal. 
 
II. DO DIREITO 
 
Portanto, trata-se de sentença contraditória, haja vista que, ao reconhecer pela 
aplicação da pena no mínimo legal, o quantum condenatório não poderia ser superior a 
01 (um) ano de reclusão, conforme artigo 155 do Código Penal: 
 
“Art. 155 – Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia 
móvel: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa”. 
 
Destarte, acreditamos que tenha havido erro material na elaboração da sentença, 
pois, como Vossa Excelência frisou na decisão vergastada, o réu faz jus à pena mínima 
– ou seja, 01 (ano) ano. 
 
 
 
 
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“Ex positis”, requer seja conhecido e provido o presente recurso, para que se 
corrija a contradição acima relatada, aplicando-se ao embargante a pena mínima 
prevista no artigo 155 do Código Penal, como medida de mais lídima justiça. 
 
Termos em que pede deferimento. 
 
local, data. 
 
 
Advogado, 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Recurso em Sentido Estrito 
 
 É o recurso cabível contra decisões interlocutórias, quando se tratar de hipóteses 
expressamente previstas em lei (o rol é taxativo, ou seja obrigatório – art. 581 do CPP). 
 
O RESE, como é conhecido o recurso em sentido estrito, também pode 
impugnar as decisões terminativas de mérito quando: 
 
- atacar declaração de extinção de punibilidade (art. 581, VIII, CPP); 
- atacar decisão que nega ou concede HC,considerando-se esta uma autêntica ação (art. 
581, X, CPP). 
 
Procedimento: O recurso em sentido estrito será INTERPOSTO no prazo de 05 
dias, por petição ou por termo nos autos (arts. 578 e 586 do CPP). No caso de exclusão 
de jurado da lista ( art. 581, XIV, do CPP), o prazo para interposição será de 20 dias, 
contados da data da publicação definitiva da lista de jurados (art. 586, parágrafo único). 
Após a interposição (termo), as partes terão o prazo sucessivo de 02 dias (contados da 
interposição) para apresentação das razões do recurso em sentido estrito e das 
respectivas contrarrazões (art. 588 do CPP). Mas em provas, deverá ser aposto no 
próprio termo que as razoes estão em anexo ao recurso. 
 
O processamento do recurso se dá por instrumento (formam-se autos apartados, 
que sobem ao tribunal, enquanto o principal continua na Vara de Origem.Tira-se cópia 
das peças indicadas pelas partes e daquelas obrigatórias previstas no parágrafo único do 
art. 587 do CPP). Exceções - casos do art. 583 do CPP: Sobem juntamente com os autos 
os recursos interpostos em face de decisões: 
 
- Que concedem ou deneguem ordem de HC; 
- Que não recebem denúncia ou queixa; 
- Que reconhecem a procedência das Exceções; 
- Que decretam a Pronúncia; 
- Que declaram Extinção de Punibilidade; 
- Em Hipóteses de inexistência de prejuízo para o prosseguimento da instrução. 
 
O recurso em sentido estrito, como regra, não tem efeito suspensivo, exceto no 
caso de perda da fiança e denegação da apelação ou declaração de sua deserção. Deve 
ser julgado pelo tribunal (órgão colegiado), salvo quando se tratar de inclusão ou 
exclusão de jurado, quando a decisão caberá ao presidente do Tribunal de Justiça ou ao 
Presidente do TRF (crimes de alçada federal). 
 
Insta consignar, ainda, que o RESE provoca o efeito regressivo, ou seja, 
possibilita que o juiz, conhecidas as razões e contrarrazões das partes, possa retratar-se 
antes de provocar a subida dos autos, modificando sua decisão. Se o juiz modificar sua 
decisão, a outra parte inconformada com a reforma, poderá pedir a subida dos autos (ou 
do traslado) ao tribunal, como se fosse recurso interposto, servindo as contrarrazões que 
apresentou como suas razões recursais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
 Felizberto Aquino foi pronunciado por homicídio qualificado pelo motivo fútil e 
recurso que impossibilitou a defesa da vítima, Geraldino Galdino, crime ocorrido em 01 
de junho de 2001. Nesta data, Felizberto estava prestes a completar sua segunda década 
de vida. 
 
Em 06 de setembro de 2011, o Juízo do Tribunal do Júri de Brasília recebeu a 
denúncia oferecida pelo MPDFT, tendo a referida peça acusatória originado a ação 
penal número 2011.01.1.04444-4. 
 
Compulsando os autos, o juiz entendeu presente a materialidade da infração 
penal, bem como a autoria do acusado, alegando que o laudo cadavérico atesta a morte 
da vítima por afogamento, e o relato de uma testemunha que viu as partes 
empreenderem luta corporal perto da ponte, tendo a vítima caído desta e desaparecido 
logo em seguida, corrobora para a existência do crime. 
 
O réu alegou em sua defesa a ocorrência de legítima defesa, igualmente afastada 
na pronúncia, bem como a desclassificação e o decote como teses subsidiárias. A 
decisão que pronunciou Felizberto, nos moldes da denúncia foi publicada em 10 de 
novembro de 2011, uma segunda feira. 
 
Como advogado, proponha a medida judicial cabível se atentando para o último 
dia de prazo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DO TRIBUNAL DO 
JÚRI DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA – DF (por se tratar de 
crime doloso contra a vida, deve-se observar a competência fixada pelo art. 74, §1º, do 
CPP. O recurso é interposto perante o juízo que decretou a pronúncia, para que seja 
exercido o juízo de admissibilidade do recurso). 
 
Autos nº 
 
Felizberto Aquino, devidamente qualificado nos autos da ação penal em epígrafe 
(Como já há ação penal em curso, não há necessidade de “requalificar” o acusado. Basta 
indicar que o réu já foi qualificado nos autos da ação penal, cujo número foi consignado 
no corpo da petição), vem perante Vossa Excelência, por intermédio de seu procurador 
que esta subscreve, conforme instrumento de mandato em anexo, inconformado com a 
decisão de pronúncia consignada às fls., com fulcro no art. 581, IV, do CPP, interpor 
(termo correto) 
 
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO 
 
requerendo, após o exercício de admissibilidade do presente recurso e das razões que 
que lhe acompanham, possa haver o juízo de retratação, a fim de que seja modificada a 
decisão que pronunciou o acusado, operando-se a despronúncia. (Em se tratando de 
RESE, quando há ausência de indícios de autoria ou de materialidade do crime, a defesa 
pugna pela IMPRONÚNCIA do acusado, nos moldes do art. 414 do CPP. A 
impronúncia é uma decisão com força de definitiva, não fazendo coisa julgada material, 
somente formal. Não se deve requerer a absolvição por falta de provas em sede de 
RESE, mas sim, a impronúncia, que serve como uma “absolvição indireta”, tendo em 
vista que os autos serão arquivados, só podendo haver o desarquivamento do processo 
se houverem novas provas – art. 414, parágrafo único, CPP. Em sede de RESE, pode-se 
requerer a absolvição sumária do acusado nos moldes do 415; pode-se requerer a 
impronúncia, que é o arquivamento dos autos por ausência de indícios de autoria ou 
materialidade; pode-se requerer a desclassificação do delito, nos moldes do art. 419 do 
CPP; pode-se requerer, também, o afastamento da qualificadora quando o entendimento 
do juízo se pautar pela pronúncia e esta se der por um crime doloso contra a vida, 
acompanhado de uma qualificadora) Não sendo este o entendimento de Vossa 
Excelência, pugna a defesa pelo regular processamento do recurso, remetendo-o ao 
Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios para regular processamento 
do feito. 
 
Pede Deferimento. 
 
Brasília, 17 de novembro de 2011. (Atenção para o prazo de 05 dias!! Se o último dia 
cair em dia não útil, prorroga-se a data para o próximo dia útil subsequente. Caso se 
trate somente de razões o prazo são dois dias e não se confecciona o termo de 
interposição). 
Advogado 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
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EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E 
TERRITÓRIOS 
 
 
 
Recorrente: Felizberto Aquino 
Recorrido: Ministério Público do Distrito Federal e Territórios 
Autos nº 2011.01.1.04444-4 
Origem: Vara do Tribunal do Júri da Circunscrição Judiciária de Brasília-DF 
 
 
Ínclitos Julgadores, 
Colendo Tribunal! 
 
 Em que pese o notável saber jurídico do magistrado a quo, o recorrente, não se 
conformando com a decisão de pronuncia de fls., vem perante Vossas Excelências 
apresentar suas Razões de Recurso em Sentido Estrito, conforme fatos e fundamentos 
jurídicos que passa a expor: 
 
I – DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 
 
 No que tange aos requisitos extrínsecos, trata-se o presente recurso de medida 
processual cabível e adequado, ante pronúncia do acusado pelo magistrado a quo, assim 
como tem por satisfeita a tempestividade, considerando que a decisao de pronúncia foi 
publicada no dia ... e a interposição feitaem ..., ou seja, exatamente no quinquídio legal. 
 
 Quanto aos requisitos intrínsecos, há interesse por ter havido a pronúncia do 
recorrente para que seja julgado pelo júri popular, bem como está satisfeita a questão da 
legitimidade, visto que o apelante é legalmente legitimado para interpor o presente 
recurso. 
 
 
 
I - BREVE RESUMO DOS FATOS 
 
 O recorrente foi pronunciado como incurso nas penas do art. 121, §2º, II e IV, do 
Código Penal, porque no dia 01 de junho de 2001, em uma ponte próxima da BR 120, 
por volta das 23:00 hs, teria empurrado a vítima Geraldo Galdino da ponte, fazendo 
com que a mesma caísse no leito de um rio, desaparecendo nas águas. 
 
 Conforme a denúncia, o acusado teria agido à traição, agindo pelas costas da 
vítima, bem como por motivo fútil, tendo em vista uma discussão anterior existente 
entre as partes por conta de uma dívida da vítima para com o recorrente. 
 
 A decisão de pronúncia, entretanto, não merece prosperar, conforme 
demonstrará a defesa a seguir. 
 
II - DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELO TRANSCURSO DO PRAZO 
PRESCRICIONAL 
 
 
 
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 Antes de adentrar o mérito da questão, imprescindível suscitar questão 
preliminar que obsta o andamento do feito. Conforme se infere dos autos, o suposto 
crime teria sido cometido em 01/06/2001, período em que o acusado contava com 19 
anos de idade. 
 
 Ora, Excelências, indubitável que a denúncia só foi oferecida em 06 de setembro 
de 2011, tendo transcorrido mais de 10 anos da prática do suposto delito. 
 O Código Penal Brasileiro em seu artigo 107, estabelece no inciso IV, que a 
punibilidade do agente se torna extinta pela prescrição, in verbis: 
 
 Art. 107. Extingue-se a punibilidade: 
 (...) 
 IV – pela prescrição, decadência ou perempção. 
 
Sabe-se que a prescrição é entendida como a perda do direito de punir do Estado 
face a sua inércia, e pode-se operar, também, antes do trânsito em julgado da sentença. 
Neste caso, a prescrição é regulada pelo máximo da pena privativa de liberdade 
cominada ao crime, analisando o que diz a lei a respeito de tal prazo. Sabe-se que o 
crime imputado ao ora recorrente possui como pena máxima em abstrato o prazo de 30 
anos, o que, segundo a lei, prescreve em 20 anos. Veja o que diz o art. 109, I, do Código 
Penal, ipsis literis: 
 
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, 
salvo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 110 deste Código, regula-se 
pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, 
verificando-se: 
I – em 20 anos, se o máximo da pena é superior a 12 anos. 
 
Ocorre, Excelências, que o diploma penal em comento determinou em seu art. 
115 que quando o autor do fato delituoso for menor de 21 anos na data do ocorrido, o 
prazo prescricional é reduzido pela metade, in verbis: 
 
Art. 115. São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o 
criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 anos, ou, na data da 
sentença, maior de 70 anos. 
 
Conforme consignado na peça acusatória, o recorrente possuía 19 anos na data 
do fato. Prescrevendo o crime que lhe é imputado em 20 anos, conforme regra 
especificada no art. 109, I, do CPB, no caso sob análise, a prescrição cai para 10 anos. 
Tendo transcorridos mais de 10 anos entre a data do fato (01/06/01), e a data do 
oferecimento da denúncia (06/09/2011), possível concluir que operou-se o transcurso do 
prazo prescricional, devendo ser decretada, por isso, a extinção da punibilidade do 
agente. 
 
III - DO DIREITO 
 
III.1 – DA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA PELA LEGÍTIMA DEFESA 
 
Não sendo o entendimento deste Egrégio Tribunal o acatamento da preliminar 
suscitada, fato que a defesa articula por mero amor ao debate, o recorrente vem 
demonstrar as razões pelas quais não merece prosperar a pronúncia. 
 
 
 
 
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Em momento algum o réu nega que tenha entrado em luta corporal com a 
suposta vítima e, em face disso, ter essa última caído nas águas do rio. O próprio 
recorrente, ofertando mostras de sua sinceridade, desde a fase policial, admitiu esse fato. 
Entretanto, afirmou claramente ter agido em legítima defesa, tendo em vista que a 
vítima veio em sua direção com uma faca, a fim de intimidá-lo para não cobrar mais a 
dívida que tinha para com o recorrente, sem contar o golpe dado nas costas do 
recorrente, pela suposta vítima. Tal fato não foi satisfatoriamente considerado pelo 
julgador a quo. 
 
Conforme consignado pelo réu, este e a vítima se desentenderam, realmente, 
momentos antes, por questão banal, qual seja a cobrança de uma dívida. Porém, quem 
perseguiu o acusado pela BR 120, quando este se dirigia para sua residência, foi a 
vítima, almejando intimidar o recorrente para que este não mais cobrasse os valores que 
o ofendido lhe devia. Ao atingirem a ponte que passa sobre o rio da citada BR, a suposta 
vítima, portando uma faca, teria dado violento soco nas costas do recorrente, que, ato 
contínuo, entrou em luta corporal com o agressor, retirando a faca de suas mãos e lhe 
desferindo um chute na altura da perna. A partir deste instante, possivelmente por 
perder o equilíbrio, a vítima caiu no rio. 
 
Tal cena foi presenciada pela testemunha fulana de tal (fls., dos autos), que 
confirma integralmente a versão dada pelo réu. O ato de violência perpetrado pelo 
acusado foi a única forma de se defender da injusta agressão efetivada pela vítima. O 
chute foi proporcional e moderado no que concerne à faca de que dispunha a vítima 
para afrontar a integridade física do ora recorrente. Comprovada, sem sobra de dúvidas, 
a legítima defesa, caso realmente a vítima tenha morrido em decorrência da queda, 
somente para argumentar, deveria o réu ter sido absolvido sumariamente nos termos do 
art. 415, IV, do Código de Processo Penal, fato que a defesa vem novamente pleitear em 
sede de recurso. 
 
III. 3 DA DESCLASSIFICAÇÃO PARA CRIME DIVERSO DO DA COMPETÊNCIA 
DO TRIBUNAL DO JÚRI 
 
Excelências, mesmo na absurda hipótese de não se considerar a absolvição 
sumária suscitada pelo recorrente, imperiosa é a necessidade de se averiguar a total 
ausência de dolo na conduta do réu em causar a morte da vítima. Não existe a figura do 
ânimus necandi, apto a consubstanciar a pronúncia do acusado. 
 
O acusado, conforme seu depoimento, não nega o entrevero com a vítima. Em 
momento algum o recorrente nega ter de fato chutado a vítima, situação que culminou 
em sua perda de equilíbrio e queda no rio. O acusado jamais imaginou que a vítima não 
sabia nadar e que a queda resultante daquele chute poderia lhe causar afogamento. 
Diante da existência de uma concausa superveniente relativamente dependente, 
conforme art. 13 §1º, do Código Penal, imperiosa a avocação ao feito do crime 
preterdoloso. 
 
Se houve a morte da vítima, foi por conta da queda inesperada no rio e não por 
conta do chute dado pelo recorrente a fim de se defender. O recorrente não tinha a 
intenção de derrubar a vítima no rio e nem tinha conhecimento acerca do fato de ela 
saber ou não nadar, situação que torna inválida qualquer imputação de dolo por parte do 
 
 
 
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acusado em querer ceifar a vida da vítima. Com um chute, a lesão era inevitável, mas a 
morte foi uma consequencia do ato anterior. 
 
Com base no exposto, a desclassificação do delito é medida necessária. 
 
III.4 – DO AFASTAMENTO DAS QUALIFICADORAS 
 
Por derradeiro, ainda somente por argumentar, casoseja do entendimento deste 
Tribunal a mantença da pronúncia, é de rigor o afastamento das qualificadoras. 
 
Não houve motivo fútil, pois este não se configura quando há discussão e 
agressão física entre réu e vítima no momento dos fatos. Tal situação pode ser atestada 
pela melhor doutrina pátria e pelo entendimento uníssino dos tribunais brasileiros, 
inclusive deste Egrégio TJDFT, in verbis: 
 
PENAL. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. TENTATIVA DE 
HOMICÍDIO QUALIFICADO. MOTIVO FÚTIL. RECURSO QUE 
DIFICULTOU A DEFESA DA VÍTIMA. MATERIALIDADE 
COMPROVADA. INDÍCIOS DE AUTORIA SUFICIENTES. 
PEDIDO PARA QUE O RÉU FOSSE IMPRONUNCIADO. TESE 
DEFENSIVA DE EXCLUSÃO DAS QUALIFICADORAS. RECURSO 
PARCIALMENTE PROVIDO. 
1. Somente haverá impronuncia do réu quando inexistentes 
ou insuficientes os indícios de autoria e materialidade, 
todavia, não é caso do autos, quando os indícios são 
suficientes a comprová-los. 
2. Não haverá motivo fútil, pois este não permanece, se 
houver agressão física anterior da vítima para com o acusado. 
3. A qualificadora referente a recurso que torne impossível ou 
dificulte a defesa da vítima também é manifestamente 
improcedente, pois no caso dos autos os tiros não foram 
dados à traição, emboscada, ao contrário, houve briga 
anterior, inclusive com ameaça de morte 
4. Recurso parcialmente provido, para afastar as 
qualificadoras, pois manifestamente contrária à prova dos 
autos (20070510016107RSE, Relator SILVÂNIO BARBOSA 
DOS SANTOS, 2ª Turma Criminal, julgado em 25/03/2010, DJ 
05/05/2010 p. 180). (Grifamos). 
 
No mesmo diapasão, inexistiu recurso que impossibilitou a defesa da vítima, 
consistente em traição. Se houve, como já mencionado, luta corporal entre as partes, 
torna-se ilógico afirmar que houve um suposto ataque “surpresa”. Logo, ambas as 
qualificadoras merecem ser afastadas, por não encontrarem respaldo na prova dos autos. 
 
IV – DO PEDIDO 
 
Por todo o exposto, conclui-se que a ação penal não deve prosseguir, tendo em 
vista a extinção da punibilidade do agente operada pela prescrição nos termos do art. 
107, IV, e 109, I, c/c 115, ambos do CPB. 
 
Não sendo o acatamento da preliminar suscitada o entendimento perfilhado por 
este Juizo, requer a defesa seja conhecido e provido o presente recurso, a fim de que 
seja decretada a absolvição sumária do acusado, nos termos do art. 415, IV, do CPP, 
tendo em vista a configuração da legítima defesa, devidamente comprovada nos autos 
do processo sob julgamento. 
 
 
 
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Entendendo este juízo ter havido um delito, que não crime doloso contra a vida, 
que haja a desclassificação do delito para crime diverso do da competência do tribunal 
do júri, havendo remessa dos autos ao juízo competente nos moldes do art. 419 do CPP. 
 
Finalmente, sendo a pronúncia o entendimento deste Tribunal, pugna a defesa 
pelo provimento do recurso para que sejam afastadas as qualificadoras insertas na 
pronúncia vergastada, sendo o recorrente pronunciado pelo caput do art. 121 do Código 
Penal, a fim de que seja alcançada a mais lídima justiça tão almejada por um Estado 
Democrático de Direito. 
 
Pede Deferimento. 
Brasília, 17 de novembro de 2011 (5 dias!!! Este é o mesmo prazo do termo. Se 
o réu já tiver manifestado seu desejo de recorrer, o prazo para somente as RAZÕES 
passa a ser de 2 dias, nos termos do art. 588 do CPP!!) 
 
Advogado 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Caso para resolução 
 
 Zequinha, conhecido traficante da região administrativa de Samambaia, 
descobriu que Duda, parceiro de tráfico, havia executado seu melhor amigo, bem como 
estava divulgando que atentaria, também, contra a vida de Zequinha, a fim de assumir a 
hegemonia do tráfico de drogas naquela região. 
 Em uma quarta feira, Zequinha, preocupado com o risco que incidia sobre sua 
vida, foi averiguar a procedência das informações, momento em que confirmou a 
veracidade das mesmas e, também, ficou sabendo que Duda já havia adquirido uma 
pistola para ceifar sua vida no sábado de manhã. 
 Esperto, Zequinha adquiriu um revólver calibre 38 e, acreditando que “pegaria” 
Duda de surpresa no sábado pela manhã cedo, resolveu que iria em sua casa armado 
para “convencer” o mesmo a mudar seus planos. Sabendo que Duda acordava sempre 
após às 09:00, Zequinha resolveu que iria lá às 06:00 da manhã, com o propósito de dar 
uma surra em Duda e tomar a arma que seu desafeto havia adquirido para atentar contra 
sua vida. 
 Entretanto, ao chegar próximo à residência de Duda, Zequinha percebeu que a 
porta, acima da escada, estava entreaberta, momento em que resolveu subir os degraus 
com a arma em punho. Neste momento, Zequinha percebeu o movimento de duas 
pessoas saindo da casa de Duda, oportunidade em que viu Duda acompanhado de um 
homem desconhecido, conversando acerca da forma como executariam Zequinha. 
 Decidido a tomar satisfações, sem atentar contra a vida de seu mais novo 
inimigo, pelo menos naquele momento, Zequinha se postou a frente dos dois indivíduos, 
momento em que presenciou Duda, enfurecido, levantando a camisa e deixando 
transparecer um objeto prateado, fixado em sua bermuda na altura da cintura. Certo de 
que era a pistola de que tinha ouvido falar, Zequinha disparou a arma que estava em 
punho uma única vez, alvejando Duda na perna esquerda, que, em função do tiro caiu da 
escada, bateu a cabeça no corrimão e, em virtude disso, veio à óbito. O Homem que 
estava na companhia do recém falecido ficou paralisado em estado de choque, e 
Zequinha percebeu neste instante que a suposta pistola, na verdade, era uma máquina 
fotográfica. Zequinha foi preso em flagrante. 
 Após apuração dos fatos, Zequinha foi denunciado como incurso nas penas do 
art. 121, §2º, IV, do Código Penal. Na audiência de instrução, a acusação e depois a 
defesa inquiriram as testemunhas arroladas em suas respectivas peças (denúncia e 
resposta à acusação). Após as oitivas das testemunhas, em ato contínuo, Zequinha foi 
pronunciado nos termos do art. 413 do Código de Processo Penal, sendo a pronúncia 
publicada no dia 10/04/2011, segunda-feira. 
 Como advogado, proponha a medida processual privativa cabível, se atentando 
para as teses possíveis e para o último dia de prazo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Revisão criminal 
 
A revisão criminal está erroneamente posicionada na estrutura do Código de 
Processo Penal, visto que se encontra no título referente aos recursos em geral (Título 
II). Todavia, como já foi visto neste trabalho, tal colocação não torna a revisão criminal 
um recurso, é, diversamente, uma ação de impugnação autônoma e, como tal, não se 
sujeita aos requisitos de todo e qualquer recurso e, tampouco, exige uma decisão não 
transitada em julgado, porquanto pode atacar, até mesmo, uma decisão acobertada pela 
coisa julgada formal e material. (LOPES JÚNIOR, 2011, p. 613). 
 
Quando ocorre o trânsito em julgado da sentença, torna-se definida a coisa 
julgada, e tem início a execução. A coisa julgada é a característica de imutabilidade e 
indiscutibilidade das sentenças. No direito penal, a execução corresponde ao 
cumprimento da pena privativa de liberdade, ao pagamento da multa, à internação em 
hospital psiquiátrico ou à restrição de direitos. 
 
Normalmente, não haveria o que se discutir sobre a sentença após o fim do 
processo. No entanto, como todo mundo erra, inclusive os juízes de direito (sim,eles 
erram), há uma ação específica para corrigir erros, discutir provas falsas, apresentar 
provas de inocência, reconhecer atenuantes ou continuidade delitiva etc., das sentenças 
já transitadas em julgado (art. 621 a 631, do Código de Processo Penal). 
 
Hipóteses de cabimento: 
 
- sentença for contrária a texto expresso de lei 
- sentença for contrária à evidência dos autos 
- sentença se fundar em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente 
falsos 
- após proferimento de sentença condenatória, surgirem novas provas da 
inocência do réu 
- após proferimento de sentença condenatória, aparecerem novas provas acerca 
de circunstâncias que autorizem a diminuição especial da pena. 
 
Antes da análise do art. 621 do Código de Processo Penal, é preciso esclarecer 
que a revisão criminal pode ser proposta para desconstituir sentenças tanto de juízes 
singulares ou do Tribunal do Júri, bem como acórdãos proferidos pelos tribunais. 
 
Assim, malgrado a longa discussão que se firmou a respeito do cabimento da 
revisão criminal em relação às decisões proferida pelo Tribunal do Júri, diante da 
soberania desta decisão, atualmente, a questão se pacificou no sentido da plena 
possibilidade da revisão criminal. (LOPES JÚNIOR, 2011, p. 614). 
 
Pois bem, a revisão criminal pode ter como objeto uma sentença condenatória 
(ou absolutória imprópria) ou acórdão condenatório (ou absolutório impróprio). 
 
A revisão criminal é uma ação impugnativa (e não um recurso, mas ninguém vai 
morrer se você chamá-la de recurso, essa é uma discussão muito mais doutrinária do 
que prática) que visa a substituição de uma sentença por outra. 
 
 
 
 
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É uma Peça exclusiva da defesa, e não pode piorar a situação do condenado (art. 
626), não tem prazo preclusivo e pode ser apresentada quantas vezes forem possíveis 
(ou seja, vale protocolar a qualquer momento até depois do cumprimento final da 
sentença, contando que cada nova revisão tenha por fundamento provas novas). 
 
São legítimos para propor a ação o réu, o procurador legalmente habilitado ou, 
no caso de morte do réu, o cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (art. 623) contra 
toda e qualquer sentença condenatória (inclusive das sentenças decorrentes do tribunal 
do júri). Isso porque, além da absolvição ou diminuição da pena, é possível pedir 
indenização por erro judicial (art. 630). 
 
Grande parte da doutrina entende não estar o Ministério Público legitimado à 
ação de revisão. Nesse sentido, Aury Lopes Júnior (2011, pp. 621-622) argumenta: 
 
(...) pensamos ser uma patologia processual. (...) Não vislumbramos como possa 
uma parte artificialmente criada para ser o contraditor natural do sujeito passivo (...), ter 
legitimidade para a ação de revisão criminal, a favor do réu, para desconstituir uma 
sentença penal condenatória que somente se produziu porque houve uma acusação 
(levada a cabo pelo mesmo Ministério Público, uno e indivisível). Não é necessário 
maior esforço para ver a manifesta ilegitimidade do Ministério Público. Ainda que se 
argumente em torno da miserável condição econômica do réu, nada justifica. 
 
Todavia, há posições mais abertas, a exemplo de Tourinho Filho, no sentido de 
que o posicionamento do Ministério Público no processo penal brasileiro, como parte 
parcial que é, mas também como órgão da justiça e fiscal da lei, investido 
frequentemente de poderes defensivos, também o torna legítimo à revisão criminal em 
favor do réu. 
 
Segundo Ada Pellegrini Grinover et al (2009, p. 243): 
 
O problema seria também de interesse processual do parquet à ação de revisão 
em favor do réu, mas, como já se admite seu interesse no recurso para beneficiar a 
defesa e no habeas corpus, não há porque negar o mesmo interesse em obter uma 
sentença justa pela via revisional. 
 
O Supremo Tribunal Federal, no RO em HC 80.796-8-SP, 2ª Turma, rel. Min. 
Marco Aurélio, DJU 10/08/2001, RT 795/524, assim se manifestou: 
 
O Estado-acusador, ou seja, o Ministério Público, não tem legitimidade para 
formalizar a revisão criminal, pouco importando haver emprestado ao pedido o rótulo 
de habeas corpus, presente o fato de a sentença já ter transitado em julgado há mais de 
quatro anos da impetração e a circunstância de haver-se arguido a competência da 
Justiça Federal, e não da Justiça Estadual, sendo requerente o Procurador da República”. 
 
 Em suma, o que prevalece é que o Ministério Público não é parte legítima para 
requerer a revisão criminal. Poderá impetrar habeas corpus. Revisão, não. Isso porque, 
não se deve “sacrificar o sistema acusatório e a própria estrutura dialética do processo, 
legitimando que o acusador o defenda...” (LOPES JÚNIOR, 2011, p. 622). 
 
 
 
 
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A competência para julgar a revisão é do STF quando a matéria discutida na 
revisão criminal foi alvo de recurso extraordinário, do STJ quando foi discutida por 
recurso especial, dos Tribunais Militares em crimes militares, dos Tribunais Eleitorais 
em crimes de sua competência e dos TJ’s (competência estadual) ou TRF’s 
(competência federal) em todos os outros casos. 
 
Mesmo que a sentença transitada em julgado não tenha sido apreciada pela 2ª 
instância antes do trânsito em julgado, a competência da revisão nunca será do juiz 
singular, razão pela qual denominam a revisão criminal como recurso. Entretanto, a 
ação não deve ser usada como se recurso fosse, isto é, não é cabível revisão criminal 
para dar nova interpretação aos fatos e às provas contidas no processo, nem para, 
simplesmente, reajustar a pena. Ela é instrumento de correção de erro e não um outro 
recurso para que o réu consiga atenuar a sua anterior condenação. Se por ventura o juiz 
ou tribunal deixou de apreciar uma prova essencial e, por isso, condenou o réu, a revisão 
é adequada. Caso o juiz ou tribunal não tenha tido conhecimento de uma prova inédita, 
a revisão criminal é o meio correto para combater a decisão condenatória, tudo em 
nome do princípio da busca pela verdade real. 
 
O procedimento está previsto nos art. 625 e 628 do CPP. 
 
A nova sentença não precisa se prender aos pedidos do revisionando e pode 
decidir além deles caso beneficie o condenado. Caso seja anulado o processo, a nova 
sentença não pode piorar a situação do réu. Ou seja, a nova sentença não pode ser pior 
do que a que foi anulada. 
 
A revisão criminal depende de prova pré-constituída para ser devidamente 
processada e conhecida. Exemplo: surge uma testemunha inédita, capaz de absolver o 
réu, por ter sido a única que presenciou todo o ocorrido. O condenado requer ao juiz a 
sua inquirição, promovendo-se, assim, a justificação (O juiz vai explicitar as razões a 
respeito de sua motivação no que tange ao pleito do condenado). De posse desta, a 
revisão criminal pode ser proposta, havendo, agora, prova pré-constituída. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MODELO 
 
João da Silva foi condenado pelo juizo de Taguatinga a uma pena de 6 anos de 
reclusão em regime fechado, pela pena do crime consubstanciado no art. 213 do CPB. 
Novas provas inequívocas que podem absolver o condenado foram colacionadas após o 
trânsito em julgado da decisão penal condenatória transitada em julgado, razão pela qual 
é cabível ação de revisão criminal para se rediscutir a situação do réu, somente pelo lado 
mais favorável. 
 
 
RESOLUÇÃO DAPEÇA 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR RELATOR DO EGRÉGIO 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS (art. 625 do 
CPP) 
 
 
 
 
 
 
 
 JOÃO DA SILVA, portador do RG nº x, e inscrito no CPF sob o nº x, residente 
e domiciliado em xx, atualmente recolhido na Cadeia Pública, vem perante Vossa 
Excelência, por intermédio de seu representante postulatório infra firmado, conforme 
instrumento de mandato incluso), promover a presente 
 
REVISÃO CRIMINAL 
 
fazendo-o com fulcro nos incisos II e III do art. 621, do Código de Processo Penal, 
consoante as questões fáticas e jurídicas infra elencadas: 
 
I - DOS FATOS 
 
 O revisionando, na data de XX de xxxxx de XXXX, foi denunciado frente ao 
Juizo da Primeira Vara Criminal da Circunscrição Judiciária de Taguatinga-DF pelo 
crime de estupro, capitulado no art. 213, caput, do Código Penal (conforme cópia dos 
autos de nº XXXX, em anexo). 
 
 Transcorrida normalmente a instrução probatória desse processo penal de 
conhecimento, aquele magistrado prolatou sentença processual condenando o réu a 6 
anos de reclusão, no regime prisional fechado. 
 
 Essa decisão sobreveio na data de 01/02/2011 (doc. em anexo – art. 625, § 1º do 
CPP), e transitou em julgado na data de 11/02/2011. 
 
 
II - O DIREITO 
 
 
 Fundamenta-se este pedido de revisão no art. 621, inciso II, CPP, que prevê o 
 
 
 
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remédio jurídico quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos 
comprovadamente falsos. 
 
 O douto magistrado formulou sua convicção conforme o depoimento da vítima. 
Ora, apresentou-se falso o testemunho prestado por esta, face sua retratação perante uma 
amiga, a qual figura agora como testemunha arrolada pela defesa nos autos de 
Justificação Judicial n° XXXXXXX (anexados a esta peça). 
 
 Outro fundamento para acolher este pedido está disposto no art. 621, inciso III, 
CPP, que tem a seguinte dicção: 
 
"III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de 
inocência do condenado ou de circunstância que determine ou 
autorize diminuição especial da pena". 
 
 A nova prova de inocência do condenado é a própria retratação da pretensa 
vítima que na época denunciou o revisionando por vingança, haja visto o mesmo ter 
rompido o relacionamento que mantinha com a pretensa vítima, pois conforme a 
mesma, os dois eram namorados. 
 
 Nos autos de justificação judicial n° XXXXXX, a testemunha Joana Gonçalvez, 
amiga da suposta vítima, reconhece que Maria Soares confessou-lhe a existência do 
relacionamento anterior com João da Silva e que com o mesmo já havia mantido relação 
sexual por sua própria vontade. 
 
 Pelas provas produzidas, torna-se clara a insubsistência da imputação penal 
proferida na denúncia contra o revisionando, ante a inexistência do fato alegado na 
denúncia. 
 
 Resta, assim, concluir pela inexistência da materialidade e autoria do delito que, 
diante de tais provas, ficam prejudicadas. 
 
 
III – DO PEDIDO 
 
 
 Ante o exposto, roga o revisionando à V. Exa., seja recebido o presente pedido 
revisional e, após a oitiva do Procurador-Geral da Justiça para o competente Parecer, no 
prazo de dez dias, conforme art. 625, § 5º, do CPP, sejam os autos encaminhados ao 
Revisor, para que o mesmo, após o exame e o visto, mande o feito à Mesa para 
julgamento, a fim de que se corrija o error in iudicando salientado, com a conseqüente 
cassação da sentença rescindenda, absolvendo o revisionando João da Silva. 
 
Nestes termos, 
Pede Deferimento. 
 
 
Taguatinga, XX de xxxxx de XXXX. 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
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 Documentos: 
1. Procuração. 
2. Cópia integral dos autos nº XXXXX 
3. Certidão de trânsito em julgado do processo que condenou o revisionando. 
4. Autos da Justificação Judicial nº XXXXXX. 
 
 
 
 
 
CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
 Marconildo Tavares foi acusado de ter cometido o crime insculpido no art. 121, 
§2°, I, do Código penal, tendo em vista o fato de ter matado seu vizinho a facadas por 
ter descoberto que o mesmo mantinha relacionamento secreto com sua esposa a vários 
anos. Em que pese o corpo nunca ter sido encontrado, o juízo da vara do tribunal do júri 
da cidade de São Paulo entendeu que existiam indícios suficientes de autoria, 
considerando o entrevero existente entre as partes, bem como materialidade, pois na 
casa da vítima foi encontrada uma faca com sangue, supostamente utilizada no crime, 
bem como impressões digitais do acusado. Enviado para ser julgado pelo júri popular, 
utilizando-se do princípio “in dubio pro societate”, Marcolino foi condenado em 25 de 
janeiro de 2012 a uma pena de 12 anos e 6 meses a serem cumpridos em regime 
inicialmente fechado. Não houve recurso da defesa e nem da acusação, mesmo diante da 
negativa incessante do acusado. 
 
 Dia 12 de fevereiro de 2012, a vítima apareceu viva, afirmando que estava 
passando uns dias em uma ilha e queria estar incomunicável, sem ter noção da confusão 
que se operava na cidade. 
 
 Diante do feito, apresente a medida processual privativa de advogado pertinente 
à espécie, se atentando para a fundamentação legal atinente e sem inventar fatos ou 
dados que não foram fornecidos no problema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Carta Testemunhável: 
 
 Cuida-se de um recurso peculiar, destinado a provocar o processamento ou o 
conhecimento de outro recurso, para que este possa ser devidamente encaminhado à 
instância superior (arts. 639 a 646 do CPP). Se o juiz obstar o prosseguimento do 
recurso em sentido estrito ao tribunal, sem amparo legal para tanto, cabe à parte 
interessada interpor carta testemunhável. Esta é utilizada quando não houver outro 
recurso cabível, razão pela qual é chamada de recurso residual. Ex: se o magistrado 
indeferir o processamento de apelação, cabe recurso em sentido estrito (art. 581, XV, 
CPP), logo, inexiste razão para interpor carta testemunhável. Porém, se há denegação 
também do RESE, cabe carta testemunhável. 
 
Deve ser apresentada ao escrivão, em primeiro grau, ou ao secretário do tribunal 
(em grau superior), nas 48 horas (dois dias) seguintes à decisão que indeferiu o 
processamento do recurso. Indicam-se peças necessárias para compor o instrumento, 
apresentando-se razões no prazo de dois dias. Na sequência, a parte contrária também 
tem 2 dias para oferecer contrarrazões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ILUSTRÍSSIMO SENHOR ESCRIVÃO DO CARTÓRIO DA .... VARA DO 
TRIBUNAL DO JÚRI DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE ... - DF 
 
 
 FULANO DE TAL, brasileiro, casado, eletricista, portador da cédula de 
identidade nº XXXXX e inscrito no CPF sob o nº XXXX, residente e domiciliado à 
xXx, Brasília - DF, vem, por seu Advogado, com fulcro no art. 639 e ss. Do Código de 
Processo Penal, requerer a expedição de 
 
CARTA TESTEMUNHÁVEL 
 
 pelos motivos de fato e de direito que passa a expor: 
 
I -BREVE SÍNTESE DA DEMANDA: 
 
O testemunhante, em vista da respeitável decisão proferida pelo MM Juiz de 
Direito da vara do tribunal do júri, que pronunciou o ora recorrentecomo tendo 
infringido o art. 121, caput, do Código Penal, vem se manifestar a cerca da decisão que 
indeferiu o pedido de admissibilidade e envio do recurso em sentido estrito ao juizo ad 
quem, sob alegação de que o recurso fora apresentado intempestivamente. 
 
II -DO DIREITO 
 
Ocorre que a respeitável decisão foi publicada no dia XX de XX do ano de 
XXXX e o recurso devidamente interposto no dia XX de XX do ano de XXXX, ou seja, 
cinco dias depois da publicação da sentença, exatamente conforme determina o art. 586, 
do CPP. 
 
Não obstante tal fato, as razões também foram oferecidas em momento 
oportuno, qual seja XX de XX do ano de XXXX, ou seja, dois dias após a interposição 
do termo, conforme preleciona o art. 588 do CPP. 
 
 III -DO PEDIDO 
 
Pelo exposto, requer seja o presente recurso recebido e apreciado pela Instância 
Superior com o traslado das peças abaixo elencadas, nos moldes do art. 640 do Código 
de Processo Penal para a respectiva formação da CARTA TESTEMUNHÁVEL. 
 
 Documentos indicados: 
- certidão da r. decisão que não recebeu o recurso; 
- certidão de tempestividade da interposição do recurso; 
- certidão da decisão denegatória do recurso interposto; 
- (outras peças se necessário). 
 
 Nestes termos pede deferimento. 
 
 (local e data) 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
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EMBARGOS INFRINGENTES 
 
Na esfera penal, caberão embargos infringentes quando não for unânime a 
decisão de segunda instância, desfavorável ao réu, que poderão ser opostos dentro de 10 
(dez) dias, a contar da publicação de acórdão, na forma do art. 613 do Código de 
Processo Penal virgente (CPP). 
Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto de 
divergência. Parágrafo único do artigo 609 do CPP. 
É um recurso que somente pode ser interposto pela defesa. 
Com certeza é o recurso que as pessoas mais rezam pra cair na segunda fase da 
OAB. E por que? Porque o advogado não precisa mexer um dedo, um dos 
desembargadores já fez todo o trabalho por ele... 
Previsto no art. 609, do CPP, os Embargos Infringentes e os Embargos de 
Nulidade (o primeiro é quando a discussão for material e o segundo quando for 
processual) cabem quando um acórdão (de RESE, Apelação ou Agravo em Execução) é 
vencido por maioria e só podem ser relativos ao conteúdo que for objeto da discordância 
(assim, se um desembargador decide XYZ e outro AYZ, só se pode confrontar X com 
A, uma vez que os pontos Y e Z são pacíficos). 
Estes Embargos só podem ser interpostos em favor do réu, pois, no processo 
penal, a pena injusta é muito mais grave para ele (pois um inocente pode estar indo para 
a prisão). Assim, qualquer dúvida deve ser totalmente dirimida antes de se condenar 
alguém. A dúvida deve resultar em absolvição e não o contrário. 
O prazo de interposição é de 10 dias, contados da publicação do acórdão 
recorrido, já acompanhado das razões, e os Embargos são julgados pela própria câmara 
que havia julgado o acórdão. Os embargos tem efeitos suspensivo e devolutivo somente 
sobre aqueles pontos controvertidos (assim, se você não recorrer, entrar com um RESP 
p. ex., do resto não controvertido do acórdão, tempestivamente, não adianta reclamar 
que havia embargado outra parte dele, essa parte irá precluir). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Caso: 
 
Vantuil encontra-se preso em virtude de sentença condenatória proferida pelo juizo de 
1º grau, por ter incorrido em conduta prevista no art. 213, caput, do Código Penal, pelo 
que sustentou uma condenação de 06 anos de reclusão. Interposta a apelação, o Revisor 
e o Relator negaram provimento ao apelo da defesa, mantendo a decisão recorrida, 
enquanto o terceiro juiz, vencido em parte, deu provimento parcial ao referido recurso, 
para anular desde o início o processo. Seu voto ancorou-se na ausência de poderes 
específicos para propositura da ação penal, esbarrando na necessária representação da 
vítima, demonstrada a hipótese contida no artigo 225 do cóodigo penal, gerando a 
ilegitimidade ad causam do MP. 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR RELATOR DO ACÓRDÃO nº 
... DA ... CÂMARA CRIMINAL DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO 
DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS 
 
 
 
 
Apelação nº 
 
 
 
 
 
 
 VANTUIL, já qualificado nos autos em epígrafe, por seu procurador infra-
assinado, vem perante Vossa Excelência, opor: 
 
EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE 
 
ao venerando acórdão, com fundamento no art. 609, parágrafo único, do Código de 
Processo Penal, para tanto requerendo seja recebido e ordenado o processamento do 
presente recurso, frente as razões sustentadas. 
 
Termos em que pede deferimento. 
 
Brasília, Xx de Xx de XxXx. (atenção aos 10 dias). 
 
 
 
 
Advogado 
OAB. 
 
 
 
 
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EGRÉGIA CÂMARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO 
FEDERAL E TERRITÓRIOS 
 
Embargante: Vantuil 
Embargado: Ministério Público 
Apelação nº 
 
I – BREVE SÍNTESE DOS FATOS 
 
 O embargante obteve, em sentença proferida em primeiro grau, condenação por 
conduta prevista no art. 213 do CPB, impingido-lhe pena de seis anos de reclusão. 
 
 Inconformado com o teor da decisão, houve por bem o ora embargante recorrer 
da mesma, negando os fatos de modo geral e, especificamente, sua participação em 
qualquer tipo de conduta que gerasse à vítima o aviltamento de sua liberdade para a 
prática da conjunção carnal. 
 
 A decisão em 2º grau, contudo, não foi unânime em confirmar a sentença 
proferida em juizo singular. Em verdade, foi confirmada a sentença atacada em decisão 
de cunho majoritário, a sustentar a hipótese do presente recurso, ora interposto, em 
torno do voto vencido. 
 
 Sustenta, desta feita, os presentes embargos, o voto que com acerto identificou 
flagrante ilegitimidade ad causam do parquet, que a causa exige a representação como 
condição de procedibilidade. 
 
II – DO DIREITO 
 
 Conforme salientado pelo voto vencido, a legitimação para propositura da ação 
vergastada dá-se por representação, o que não ocorreu no caso em tela. O douto 
representante do MP tomou por termo as declarações da vítima sem a acuidade que seria 
de se esperar, lavrando documento de conteúdo inconsistente, sem especificação de 
autorização para condução da competente ação. 
 Ainda que se sustente excessivo rigor, as judiciosas considerações externadas no 
voto vencido merecem ser subscritas, sob pena de se premiar flagrante nulidade, a 
macular de forma indelével a condenação suportada pelo embargante. 
 
Inequívoca a previsão do legislador, contida no art. 225 do CP, expressando a 
necessidade de formalização da autorização da vítima, em caso excepcional, migrando 
para a condição de ação pública condicionada, conduta a envolver obrigatoriamente a 
atuação da parte, que, em caráter privado, titularizaria a ação penal. 
 
Assim, de fato, padece de ilegitimidade ad causam o MP, de forma a ser 
insustentável a condenação reafirmada pelos votos vencedores, pelo que deverá 
preponderar o teor do voto vencido, que acarretará no reconhecimento da nulidade, a 
fulminar a ação processada. 
 
III - DO PEDIDO: 
 
 
 
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 Diante do exposto, postula-se se digne Vossa

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