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MANUAL DE 
PRÁTICA PENAL 
APOSTILA SISTEMATIZADA 
 
 
 
PROFESSOR ANDERSON PINHEIRO DA 
COSTA 
Segundo semestre de 2024 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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2 
2024 
 
I – COMPETÊNCIA E JURISDIÇÃO PENAL 
 
1 - JURISDIÇÃO 
 
Inicialmente, cabe consignar o sentido da palavra “Jurisdição”. Ela vem do 
latim, “jurisdictio”, e significa prerrogativa de dizer o direito, decidir. 
 
Além disso, podemos dizer que a jurisdição é: 
Uma das funções do Estado, mediante a qual este se substitui aos titulares dos 
interesses em conflito para, imparcialmente, buscar a pacificação do conflito 
que os envolve, com justiça. Essa pacificação é feita mediante a atuação da 
vontade do direito objetivo que rege o caso apresentando em concreto para ser 
solucionado; e o Estado desempenha essa função sempre mediante o processo, 
seja expressando imperativamente o preceito (através de uma sentença de 
mérito), seja realizando no mundo das coisas o que o preceito estabelece 
(através da execução forçada)1. 
 
Pode-se concluir pelo exposto, que jurisdição é o poder-dever do Estado de 
solucionar, através do processo, os conflitos de interesses (lides) que são trazidos à sua 
apreciação, isto é, o Estado tem por objetivo agir em prol da segurança jurídica e da ordem 
para que haja paz na sociedade. 
 
Cabe ressaltar que a jurisdição é una, uma só, porque tem por objetivo a 
aplicação do direito objetivo privado ou público. Contudo, se a pretensão de alguém é a 
aplicação de norma de Direito Penal, ou de Direito Processual Penal, a jurisdição 
será penal, se a finalidade é a aplicação de norma jurídica extrapenal, a jurisdição é civil. 
 
Em síntese, nota-se que jurisdição penal é o poder de solucionar o conflito 
entre os direitos relacionados à liberdade do indivíduo e a pretensão punitiva. 
1.1 Princípios da Jurisdição 
 
Convém ressaltar que a atividade jurisdicional é regida por certos princípios 
fundamentais, quais sejam: 
 
O Princípio do juiz natural diz que “ninguém será processado nem 
sentenciado senão pela autoridade competente (art.5º, LIII, da CF)”. Ademais, este 
princípio garante a proibição do juízo ou tribunal de exceção (art. 5º, XXXVII, CF). 
 
Em decorrência do Princípio do devido processo legal (due process of law) 
“ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal 
(art.5º, LIV, CF)”. 
 
Consoante o Princípio da investidura, “a jurisdição só pode ser exercida por 
quem tenha sido regularmente investido no cargo e esteja em exercício”. 
Já o Princípio da indeclinabilidade da prestação jurisdicional diz que nenhum 
juiz poderá subtrair-se do exercício da função jurisdicional. Outrossim, este princípio 
 
1 CINTRA, Antônio Carlos de A.; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do 
processo. São Paulo: Malheiros editores, 2008. p. 147. 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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2024 
determina que o legislador não poderá produzir leis que restrinjam o acesso ao Poder 
Judiciário (art.5º, XXXV, CF). 
 
Pelo Princípio da improrrogabilidade, o juiz não poderá invadir nem ter sua 
competência invadida por outro juízo. 
 
Conforme o Princípio da indelegabilidade, o juiz não poderá delegar sua 
jurisdição a outro órgão, exceto nos casos taxativamente permitidos, como ocorre, por 
exemplo, nas cartas precatórias. 
 
Já o Princípio da inevitabilidade ou irrecusabilidade, determina que as partes 
não poderão recusar o juiz que o Estado designou, salvo nos casos de incompetência, 
impedimento e suspeição. 
 
De acordo com o Princípio da inércia ou da titularidade (ne procedat judex ex 
officio) “a função jurisdicional só pode atuar mediante provocação das partes, não sendo 
lícito ao juiz instaurar ações penais de ofício, sob pena de não estar agindo com a 
necessária imparcialidade”. 
 
Segundo o Princípio da correlação ou da relatividade “ou da congruência da 
condenação com a imputação ou ainda da correspondência entre o objeto da ação e o 
objeto da sentença”, o réu não poderá ser condenado sem, previamente, ter ciência dos 
fatos criminosos que lhe são imputados pela acusação. Ademais, sob o mesmo ponto de 
vista, Mirabete diz que: 
não pode haver julgamento extra ou ultra petita (ne procedat judex ultra 
petitum et extra petitum). A acusação determina a amplitude e conteúdo da 
prestação jurisdicional, pelo que o juiz criminal não pode decidir além e fora 
do pedido em que o órgão da acusação deduz a pretensão punitiva. Os fatos 
descritos na denúncia ou queixa delimitam o campo de atuação do poder 
jurisdicional2. 
 
Por fim, o Princípio da unidade e identidade da jurisdição, ou seja, a 
jurisdição é única em si e em seus fins, diferenciando-se somente no julgamento de ações 
penais ou cíveis. 
 2 - COMPETÊNCIA 
 
É importante salientar que o poder jurisdicional é privativo do ESTADO-
JUIZ. Entretanto, em face de uma expansão territorial, de determinadas pessoas (ratione 
personae) e de determinas matérias (ratione materiae), o exercício desse poder de aplicar 
o direito (abstrato) ao caso concreto sofre limitações, nascendo daí a noção de 
competência jurisdicional. Pode-se, pois, conceituar a competência como sendo o âmbito, 
legislativamente delimitado, dentro no qual o órgão exerce seu Poder Jurisdicional. 
 
 
2 MIRABETE, Júlio Fabbrini. Processo Penal. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2008. p.153 
 
 
 
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2.1 Competência pelo lugar da infração 
 
A competência pelo lugar da infração (competência ratione loci), geralmente, 
é determinada pelo lugar em que se consumar o delito, ou, no caso de tentativa, pelo lugar 
em que for praticado o último ato de execução. 
 
Convém ressaltar que: 
A competência pelo lugar da infração, também chamada de competência de 
foro ou territorial, determina qual será a comarca competente para o 
julgamento do fato criminoso. Esse critério é o mais utilizado porque inibe a 
conduta de todas as pessoas que vivem no local e tomaram conhecimento do 
fato e, além disso, possibilita maior agilidade à colheita de provas sem que seja 
necessária a expedição de cartas precatórias para oitiva de testemunha, 
realização de perícias, etc3. 
 
Imperioso consignar que a regra da competência pelo lugar da infração foi 
adotada pelo código de processo penal em seus arts. 69 e 70 do CPP. Na lei 9099 está no 
artigo 63 da Lei 9099/95. 
 
2.1.2 Competência pelo domicílio ou residência do réu 
 
A competência pelo domicílio ou residência do réu, também chamada de foro 
subsidiário, está disposta no artigo 72 do CPP, o qual determina que; “não sendo 
conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência 
do réu”. 
 
É válido frisar um exemplo, bem ilustrativo, abordado por Tourinho Filho, 
que diz: 
Suponha-se que um cadáver apareça boiando nas águas do Tietê, na comarca 
de Bariri. Foi ele arrastado pela correnteza. Constatou-se ter havido homicídio. 
Das investigações levadas a cabo, descobriu-se quem foi o criminoso. Este não 
soube explicar o local do crime. Disse apenas que ocorrera bem distante. Nessa 
hipótese, o processo deve tramitar pelo foro do domicílio ou residência do 
réu4. 
 
Ressalta-se, ainda, que excepcionalmente, nos casos de ação penal privada 
exclusiva, o autor poderá escolher o foro de domicílio ou da residência do réu, ainda 
quando conhecido o lugar da infração. É o chamado foro alternativo, que não se aplica ao 
caso de ação penal privada subsidiária. 
2.1.3 Competência pela natureza da infração 
 
 
3 SANTOS, Vauledir Ribeiro; NETO, Arthur da Motta Trigueiros. Como se preparar para o exame de Ordem, 1ª fase: 
Processo Penal. 9. ed. São Paulo: Método, 2010. p. 65. 
4 TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo Penal. 30. ed.revista e atualizada.São Paulo: Saraiva, 2008. 2 v., 
p. 116. 
 
 
 
 
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Uma vez fixada a competência pelo lugar da infração ou pelo domicílio ou 
residência do réu (art. 69, I e II, do CPP), será necessário fixar a justiça competente em 
razão da natureza da infração (ratione materiae), melhor ainda, em razão da matéria. 
 
Oportuno se torna dizer que: 
a jurisdição (justiça) pode ser Especial, que se divide em Justiça Militar e 
Justiça Eleitoral; e Comum, que se divide em Justiça Federal e Justiça 
Estadual. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de 
organização judiciária (federal ou estadual), salvo a competência privativa do 
Tribunal do Júri, cuja competência é atribuída pela Constituição Federal5. 
 
O Tribunal do Júri tem a competência para julgar os crimes dolosos contra a 
vida, tais como o homicídio doloso, o infanticídio, previstos nos arts. 121 e 123 do CP. 
Em relação à jurisdição especial, a Constituição Federal determina que 
compete à Justiça Eleitoral (art.121 da CF), julgar os crimes eleitorais e os seus conexos. 
A Constituição Federal também prevê a competência da Justiça Militar (art.124 da CF), 
qual seja, processar e julgar os crimes militares previstos em lei. 
 
Além do mais, a Constituição Federal também prevê a competência da 
jurisdição comum (federal ou estadual), por exemplo, compete à Justiça Federal 
processar e julgar os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a 
competência da Justiça Militar (art.109, IX, da CF). 
 
Finalmente, a Justiça Comum Estadual tem a competência residual. Em outras 
palavras, é competência da Justiça Estadual tudo o que não for de competência das 
jurisdições federal e especial. 
 
2.1.4 Competência por prevenção e distribuição 
 
Através da distribuição (art. 69, IV, do CPP), haverá a fixação da competência 
do juízo quando houver mais de um juiz igualmente competente em uma mesma 
circunscrição judiciária. Se o réu tiver mais de uma residência, nos casos de competência 
pela residência do réu, também ocorre a prevenção, conforme art. 72, § 1º do CPP. 
2.1.5 Competência por conexão ou continência 
 
Há conexão (art. 69, V, do CPP) quando duas ou mais infrações estão ligadas 
por um liame, sendo que estes crimes devem ser julgados em um só processo em virtude 
da existência desse nexo. 
 
Além disso, “há continência quando uma coisa está contida em outra, não 
sendo possível a separação. No processo penal a continência é também uma forma de 
modificação da competência e não de fixação dela”. Ademais, ocorrerá a continência 
quando duas ou mais pessoas são acusadas pelo mesmo crime, ou se o comportamento do 
indivíduo configurar concurso formal, aberratio criminis (resultado diverso daquele 
pretendido) com duplo resultado e aberratio ictus (erro na execução). 
 
5 SANTOS, Vauledir Ribeiro; NETO, Arthur da Motta Trigueiros. Como se preparar para o exame de Ordem, 1ª fase: 
Processo Penal. 9. ed. São Paulo: Método, 2010. p. 67. 
 
 
 
 
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Diante do exposto, nota-se que a continência e a conexão são critérios de 
prorrogação de competência e não de fixação. Outrossim, a existência de continência e 
conexão ocasionará a reunião de processos e prorrogação da competência. Todavia, 
segundo a Súmula 235 do STJ “a conexão não determina a reunião dos processos, se um 
deles já foi julgado”. 
2.1.6 Competência por prerrogativa de função 
 
Cumpre-nos assinalar que a competência por prerrogativa de função (art. 
69, VII, do CPP) ou competência ratione personae (em razão da pessoa) é determinada 
pela função da pessoa, ou melhor, é garantia inerente ao cargo ou função. Ademais, a 
prerrogativa surge da relevância do desempenho do cargo pela pessoa e devido a isso, não 
pode ser confundida com o privilégio, uma vez que este constitui um benefício concedido 
à pessoa. 
 
Convém enfatizar que a competência pela prerrogativa de função referente, 
por exemplo, ao Supremo Tribunal Federal, está prevista na Constituição Federal. 
Vejamos: 
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a 
guarda da constituição, cabendo-lhe: 
I – Processar e julgar, originariamente: 
(...) 
b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice- 
Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus próprios 
Ministros e o Procurador-Geral da República; 
c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os 
Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica, ressalvado o disposto no artigo 52, I, os membros dos 
Tribunais Superiores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de 
missão diplomática de caráter permanente; (...) 
 
2.1.7 Modificações de competência 
 
Pela modificação de competência podemos entender que há regras sobre 
competência material e funcional, que por sua vez poderão ser modificadas nas hipóteses 
de prorrogação de foro, delegação (interna ou externa) e desaforamento. 
 
A prorrogação da competência é: 
a possibilidade de substituição da competência de um juízo por outro, podendo 
ser necessária ou voluntária; a necessária decorre das hipóteses de conexão (é 
o nexo, a dependência recíproca que as coisas e os fatos guardam entre si) e 
continência (como o próprio nome já diz é quando uma causa está contida na 
outra, não sendo possível a cisão); e a voluntária ocorre nos casos de 
incompetência territorial quando não oposta a exceção no momento oportuno 
(caso em que ocorre a preclusão), ou nos casos de foro alternativo6. 
 
 
6 SANTOS, Vauledir Ribeiro; NETO, Arthur da Motta Trigueiros. Como se preparar para o exame de Ordem, 1ª fase: 
Processo Penal. 9. ed. São Paulo: Método, 2010. p. 75. 
 
 
 
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A delegação é o ato pelo qual um juiz transfere para o outro a atribuição 
jurisdicional que é sua. Essa delegação pode ocorrer de duas formas, interna ou externa. 
A delegação interna ocorre nos casos de juízes substitutos e juízes auxiliares do titular do 
Juízo, melhor ainda, é quando um juiz cede a outro a competência para praticar atos no 
processo, inclusive decisórios, cabe entendermos que neste caso não há uma modificação 
de competência, mas sim de atribuições. Já a delegação externa é utilizada nos casos em 
que os atos são praticados em juízos diferentes, isto é, quando há o uso das cartas 
precatórias, rogatórias e de ordem. 
 
O desaforamento nada mais é do que o instituto privativo dos crimes de 
competência do Tribunal do Júri. Nos casos em que houver necessidade desse instituto, o 
pedido poderá ser proposto pela acusação (MP ou querelante, em casos de ação privada 
subsidiária), por representação do juiz, pelo assistente de acusação ou a requerimento do 
acusado e será endereçado ao Tribunal de Justiça. Neste sentido, a Súmula 712 do STF 
diz que “é nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do 
júri sem audiência da defesa”. 
 
2.1.8 Competência absoluta e relativa 
 
Chama-se competência absoluta, visto que as competências em razão da 
matéria e a por prerrogativa de função, tem conteúdo de interesse público e, por isso, não 
podem ser prorrogadas e nem modificadas pelas partes e o seu reconhecimento, que pode 
ocorrer em qualquer tempo ou grau de jurisdição, gera nulidade absoluta do processo. 
 
Para entendermos competência relativa, é indispensável uma breve análise da 
Súmula 706 do STF que diz; “é relativa a nulidade decorrente da inobservância da 
competência penal por prevenção”. Outrossim, na competência territorial, na qual o que 
prevalece é o interesse privado de uma das partes, é prorrogável se não for alegada no 
tempooportuno e é capaz de gerar, se comprovado o prejuízo pela parte interessada, 
apenas a nulidade relativa do ato ou de uma fase do processo. 
 
3 - CONCLUSÃO 
 
Diante da exposição construída ao longo do texto, observa-se que a jurisdição 
não é absoluta para um determinado juiz, isto é, a jurisdição não pode incidir sobre todos 
os tipos de demanda. Logo, para que haja uma delimitação para a atuação dessa jurisdição 
o legislador disciplinou regras sobre competência. 
 
Percebe-se, ainda, que a jurisdição é o poder do Estado decorrente de sua 
soberania, para editar leis e ministrar a justiça, além de ser um poder legal no qual são 
investidos certas pessoas e órgãos. Já a competência é a capacidade de uma autoridade 
pública de efetuar determinados atos, ou ainda, qualidade legítima de apreciar e julgar um 
pleito ou questão dentro de uma determinada divisão judiciária. 
 
 
 
 
 
 
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II - QUEIXA CRIME: 
 
 
Trata-se de ação penal privada e, como ocorre nas ações penais públicas, deve 
estar amparada por prova pré-constituída. O ofendido, antes da propositura da queixa, 
deve requerer a instauração de inquérito para ofertar justa causa à ação penal privada, 
indicando materialidade e indícios de autoria, salvo se possuir indícios suficientes para 
tal. 
O advogado deve receber poderes especiais para propositura da queixa crime, 
ou seja, a procuração deve fazer expressa menção à propositura da ação penal privada, 
com um breve resumo dos fatos. Se preferir, o ofendido pode assinar a queixa juntamente 
com o advogado (art. 44 do CPP). 
 
Cuidando-se de dois ou mais agentes, em homenagem ao princípio da 
indivisibilidade da ação penal privada, é indispensável o oferecimento de queixa contra 
ambos, sob pena de configuração de renúncia (art. 48 e 49 do CPP). Importante ressaltar 
o prazo para oferecimento da queixa, que é de 06 meses contados da data em que se tem 
conhecimento da autoria do crime. Este prazo é decadencial e de natureza penal, ou seja, 
conta-se o dia do início e exclui-se o dia do fim, diferente do que ocorre na contagem de 
prazo processual. 
 
Como saber se o crime será processado mediante queixa? 
 
O próprio tipo penal ou o capítulo em que tal crime estiver inserido irá trazer 
a ressalva de que o crime em análise se procede mediante queixa, a exemplo dos crimes 
contra honra (Art. 145 do Código Penal), Induzimento a erro essencial e ocultação de 
impedimento (art. 236, parágrafo único do CP), Exercício arbitrário das próprias razões 
sem emprego de violência (art. 345, parágrafo único, do CP) e crime de Dano (art. 167 
do CP). Mais corriqueiro e presente no cotidiano da maioria dos profissionais do direito, 
estão os crimes contra a honra. 
 
a) CRIMES CONTRA A HONRA: 
 
O Cap. V do Título I da Parte Especial do Código Penal Brasileiro trata “Dos 
Crimes Contra a Honra”. O conceito de honra abrange tanto aspectos objetivos como 
subjetivos, de maneira que, aqueles representariam o que terceiros pensam a respeito do 
sujeito – sua reputação - enquanto estes representariam o juízo que o sujeito faz de si 
mesmo – seu amor-próprio. 
 
A honra é vista como o conjunto de atributos morais, físicos e intelectuais de 
uma pessoa, que a tornam merecedora de apreço no convívio social e que promovem a 
sua autoestima. 
 
Em tal capítulo temos a presença de três modalidades de crimes que violam a 
honra, seja ela objetiva ou subjetiva, a saber: a Calúnia (art. 138), a Difamação ( art. 139) 
e a Injúria ( art. 140 ). Tais crimes são causadores de frequentes dúvidas entre os 
profissionais da área jurídica, que, muitas vezes, acabam fazendo confusão entre aqueles. 
 
Inicialmente, insta fazer a exposição da definição de cada modalidade de 
crime com alguns exemplos, para, posteriormente, diferenciá-las. Cabe ressaltar, também, 
 
 
 
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que o prazo para intentar a queixa-crime nos casos aqui expostos é decadencial (06 
meses), incluindo-se neste computo o dia do início e excluindo do mesmo a data final. Se 
o prazo cair em dia não útil, ou seja, final de semana ou feriado, deve-se ANTECIPAR o 
prazo e final e não o prorrogar para o próximo dia útil subsequente, como se faz no prazo 
processual. 
 
A calúnia consiste em atribuir, falsamente, à alguém a responsabilidade pela 
prática de um fato determinado, definido como crime. Na jurisprudência temos que “a 
calúnia exige dolo específico e exige três requisitos: imputação de um fato + qualificado 
como crime + falsidade da imputação”. Assim, se “A” diz que “B” roubou a moto de 
“C”, sendo tal imputação falsa, estamos diante de crime de calúnia. 
 
A difamação, por sua vez, consiste em atribuir à alguém fato determinado 
ofensivo à sua reputação. Assim, se “A” diz que “B” foi trabalhar embriagado semana 
passada, constitui crime de difamação, pois sua reputação perante os colegas de trabalho 
foi atingida. 
 
A injúria, de outro lado, consiste em atribuir à alguém qualidade negativa, 
que ofenda sua dignidade ou decoro. Assim, se “A” chama “B” de imbecil, ou imprime 
uma palavra ofensiva em um papel higiênico e espalha pelo condomínio, dentre outras 
condutas, constitui crime de injúria. 
 
Momento Consumativo: A Calúnia e a difamação, por serem crimes que 
atentam contra a honra objetiva, se consumam a partir do momento em que terceiros 
tomam conhecimento do fato. A injúria, por sua vez, se consuma no instante em que o 
próprio ofendido tem conhecimento do fato. 
 
b) RESUMÃO: 
 
CALÚNIA - falsa imputação de FATO CRIMINOSO a outrem. 
 
DIFAMAÇÃO - imputação a alguém de FATO OFENSIVO a sua reputação. 
 
INJÚRIA - ofensa à dignidade, decoro ou qualidade de outrem. Manifestação de 
desrespeito e desprezo. 
 
c) MACETES: 
 
 
"C" ALÚNIA - começa com "C" de CRIME 
 
DI "FA" MAÇÃO - a segunda sílaba é "FA" de FATO, pouco importante se tal fato é 
mentira ou verdade. 
 
"IN" JÚRIA – INternamente, ataquei alguém ao falar mal de atributos desta pessoa. Pode-
se pensar também nesta frase que não me agrada muito, mas... “Essa pergunta eu não sei 
responder porque quem me ensinou é muito "IN"GUINORANTE. Pronto, sem querer eu 
injuriei o meu professor”. 
 
 
 
 
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CALÚNIA 
 
Imputação de um fato a alguém determinado; 
Esse fato deve ser falso ou quando o fato em si for verdadeiro, mas o agente imputa aquele 
fato à vítima falsamente. Ex: Fulano roubou a moto de cicrano, mas beltrano diz que o 
verdadeiro autor do roubo é altrano, mesmo sabendo que é fulano. 
Esse falso deve ser definido como crime (se for contravenção o crime será de difamação) 
 
Considerações: 
A calúnia atinge a honra objetiva, ou seja, o status que a pessoa goza no meio social. 
Assim, o crime só se consuma quando terceiro toma conhecimento das alegações 
caluniosas; a vítima pode estar ausente. 
 
PESSOA JURÍDICA- não pode ser vítima de calunia (apesar da Lei 9605). No caso, as 
pessoas responsáveis pela pessoa jurídica é que podem ser caluniadas. 
 
O § 1º do art. 138 pune a conduta de quem, sabendo falsa a imputação, a propala e divulga; 
A calúnia contra os mortos é punível, mas os sujeitos passivos serão os familiares e não 
o cadáver. O crime de calúnia admite a exceção da verdade. A lei de imprensa (5.250/67) 
pune a calúnia e a difamação contra a memória dos mortos. 
 
DIFAMAÇÃO 
imputar fato; 
imputando FALSAMENTE OU NÃO; 
fato ofensivo à reputação; 
 
Considerações 
1) O crime atinge a honra objetiva (reputação). Assim, só estará consumado após terceiro 
tomar conhecimento. 
 
2) Exceção da verdade – em regra não é admitida, salvo se o ofendido é funcionário 
público e se a ofensa é relativa ao exercício das funções. 
 
INJÚRIA 
Como dito, é a ofensa à dignidade, decoro ou qualidadede outrem. Manifestação de 
desrespeito e desprezo. 
 
Tipos : a) Injúria Simples 
 b) Injúria Real (art. 140, § 2º) – por violência ou vias de fato. 
 c) Injúria Qualificada (art. 140, § 3º) – Idoso, Pessoa com deficiência e religião. 
 
 O crime de injúria não admite a exceção da verdade. 
 
d) DA TRANSAÇÃO PENAL E DA SUSPENSÃO CONDICIONAL 
DO PROCESSO: 
 
Dispõe o artigo 89 da Lei 9.099/95: 
 
 
 
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Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano (Cabe 
no crime de furto e apropriação indébita, por exemplo), abrangidas ou não por esta Lei, 
o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, 
por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha 
sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a 
suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal). 
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, recebendo 
a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob 
as seguintes condições: 
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; 
II - proibição de frequentar determinados lugares; 
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz; 
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e 
justificar suas atividades. 
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, 
desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado. 
§ 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser 
processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano. 
§ 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do 
prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta. 
§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade. 
§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo. 
§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo prosseguirá 
em seus ulteriores termos. 
Trata-se da suspensão condicional do processo, um instituto de despenalização, ou seja, 
uma alternativa à jurisdição penal que tem natureza penal material. Com sua utilização 
evita-se a aplicação da pena. 
Uma vez preenchidos os requisitos legais, a suspensão do processo é um direito do 
acusado. Logo, o termo utilizado no caput do artigo 89, da Lei 9.099/95, "poderá", 
indicando que o Ministério Público teria a faculdade de propor ao acusado a suspensão 
condicional do processo, em verdade deve ser entendido como um "deverá". 
Vale dizer que, de acordo com os ensinamentos de Damásio de Jesus, o instituto 
disciplinado no artigo 89 é aplicável dentro e fora do Juizado Especial Criminal. A 
conclusão n. 2 da Comissão Nacional de Interpretação da Lei 9.099/1995 diz o seguinte: 
"São aplicáveis pelos juízos comuns (estadual e federal), militar e eleitoral, imediata e 
retroativamente, respeitada a coisa julgada, os institutos penais da Lei 9099, como a 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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composição civil extinta da punibilidade (art. 74, parágrafo único), transação (arts. 72 
e 76), representação (art. 88) e suspensão condicional do processo (art. 89)". 
Veja-se que diante do caso concreto, o Promotor de Justiça tem duas opções: indicar a 
transação penal, prevista no artigo 76, da mesma Lei (Art. 76. Havendo representação ou 
tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de 
arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena 
restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta) ou propor a suspensão 
condicional do processo. 
Neste sentido, vale mencionar as diferenças entre a transação penal e suspensão 
condicional do processo. A transação é cabível quando a pena máxima abstrata cominada 
ao delito não seja superior a dois anos (art. 61 da Lei 9.099/95). A suspensão é para os 
crimes cuja pena mínima não seja superior a um ano (art. 89, da mesma Lei). A transação 
encerra-se com a aplicação de pena restritiva de direitos ou multa, enquanto a suspensão, 
não havendo motivos que justifiquem sua revogação, culmina com a extinção da 
punibilidade, não havendo imposição de pena. 
Os parágrafos 3º e 4º dispõem, respectivamente, sobre os casos obrigatório e facultativo 
de revogação do benefício e, de acordo com o entendimento do STF, nos termos indicados 
neste informativo, o benefício poderá ser revogado após o período de prova, desde que os 
fatos que ensejaram a revogação tenham ocorrido antes do término deste período. 
 Observação importante: Crime do art. 236 do Código Penal!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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QUEIXA – CRIME: MODELO E ESTRUTURA DA PETIÇÃO. 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DO ... JUIZADO ESPECIAL 
CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE ... 
 
 
 Querelante, (Estado Civil), (Profissão), com ... anos na data do fato, portador do 
RG nº e do CPF nº, com endereço de e-mail (incluir) residente e domiciliado em (Colocar o 
Endereço), com endereço de e-mail (analisar os requisitos da petição inicial constante do art. 319 
do CPC), por intermédio de seu advogado que esta subscreve, conforme instrumento de mandato 
em anexo em conformidade com o artigo 44 do Código de Processo Penal, vem perante Vossa 
Excelência, com fulcro nos arts. 30 e 41 e ss. do Código de Processo Penal em combinação com 
os artigos 100 §2º e 145, caput, ambos do Código Penal, oferecer (gente, lembrando que é 145 
por ser crime contra a honra. Quando não for, colocar o 100, §2º, do Código Penal e a 
fundamentação do artigo específico que se procede mediante queixa). 
 
QUEIXA CRIME 
 
em face de Querelado, com ... anos na data do fato, (Nacionalidade), (Estado Civil), (Profissão), 
portador do RG nº e do CPF nº ..., endereço de e-mail (incluir), residente e domiciliado em 
(Colocar o Endereço), com endereço eletrônico ..., visto a prática da(s) conduta (s) criminosa (s) 
abaixo alinhavada (s)7. 
 
DA TEMPESTIVIDADE 
 
 Preliminarmente, cabe mencionar que a presente ação penal de iniciativa privada é 
tempestiva visto que (trazer a tempestividade). 
 
I – DOS FATOS 
 
Trazer a narrativa de forma técnica. Aqui jamais se menciona qualquer dispositivo 
legal, visto ser uma narrativa e não a discussão jurídica do feito. 
 
II – DO DIREITO 
 
Traçar um paralelo constitucional a respeito do bem que será trazido na queixa como 
violado. 
(incluir doutrina ou jurisprudência a respeito do que é trazido).8 
 
Em sequência, fazer uma abordagem da teoria geral do crime (baseada na teoria 
tripartida), com todos os seus elementos e requisitos, desmembrando o fato típico, ilícito e 
culpável, já fazendo um enquadramento do fato em tal teoria, demonstrando o iter criminis. 
 
(incluir doutrina ou jurisprudência a respeito do que é trazido). 
 
 
Após, analisar a existência de concurso de crimes. Se houver, trabalhar. Não 
havendo, passar para a próxima etapa. 
 
(incluir doutrina ou jurisprudência a respeito do que é trazido). 
 
 
 
7 A gratuitidade de justiça somente pode ser avocada se o probelma indicar a pobreza da parte. 
8 Sempre fazer o recuo em citação com mais de três linhas. Incluir a fonte da citação. 
 
 
 
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Analisar circunstâncias desfavoráveis, agravantes e causas de aumento de pena. 
 
(incluir doutrina ou jurisprudência a respeito do que é trazido). 
 
 
III – DOS PEDIDOS 
 
Diante do exposto, requer o Querelante: 
 
 Trazer o rol depedidos que guardam pertinência com o que foi exposto no Direito. 
 
 
Dá à causa o valor de R$ ... 
 
Nestes termos, pede deferimento. 
 
Local, (antes do prazo decadencial, ficar atento!). 
 
 
 
Advogado 
 OAB 
 
 
ROL DE TESTEMUNHAS 
 
1) , qualificado à fl. ; 
2) , qualificado à fl. ; 
3) , qualificado à fl; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
 
Cleuza Abrão, brasileira, 32 anos, casada, inscrita no CPF 005111888-09, 31 anos, 
estudante de fisioterapia de conceituada universidade localizada na Asa Sul – Distrito 
Federal, reside na QSB 1, conjunto 23, casa 102, Guará-DF, com seus dois filhos e seu 
marido. 
 
No dia 28 de novembro de 2023, uma segunda feira, Cleuza encontrava-se na 
faculdade de enfermagem, fazendo um trabalho em grupo, quando começou uma 
discussão com Sandronélia Caldeirão, colega de classe, brasileira, 42 anos, solteira, 
técnica em enfermagem, Residente e domiciliada na Quadra 08, casa 07, Ceilândia – DF. 
 
Por divergências de opiniões a respeito da resposta a ser inserida no trabalho em 
grupo, as duas passaram a se exaltar. Como já tinha um certo tempo que Cleuza não 
aguentava Sandronélia, passou a trazer alguns fatos para elucidar o motivo pelo qual não 
poderiam mais fazer trabalhos juntas. Perto do intervalo da aula, quando Cleuza havia ido 
ao banheiro, Sandronélia passou a falar para outros colegas de classe que ainda estavam 
reunidos lá (em torno de 35 pessoas) que Cleuza só estava matriculada no curso porque 
“dava” para o diretor da faculdade toda sexta feira no período vespertino, mesmo sendo 
casada. 
 
Três dias depois, quando estava saindo do trabalho e aguardava o ônibus na 
parada, Cleuza foi surpreendida por uma colega de sala, Salomé Santana, brasileira, 28 
anos, bibliotecária, inscrita no CPF 187654222-00, residente e domiciliada em Planaltina-
DF, que veio lhe contar o que Sandronélia havia dito para os demais alunos da sala na 
ausência da moça. Revoltada, Sônia foi tirar satisfações com a sua desafeta no mesmo 
dia, na faculdade, oportunidade em que Sandronélia, olhando diretamente para Sônia 
quando ambas estavam na praça de alimentação, na frente de mais de 50 pessoas, gritou 
bem alto e em tom de desprezo, que “feia e burra daquele jeito, Sônia jamais conseguiria 
ser aprovada no vestibular”. 
 
Por esta razão, Cleuza lhe procurou em 15 de maio de 2022 para, na qualidade de 
advogado/a, apresentar a ação processual cabível, bem como para as teses a serem 
utilizadas, bem como datando a petição no último dia de prazo para propositura da 
medida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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RESPOSTA À ACUSAÇÃO 
 
É a primeira peça obrigatória da defesa num processo e DEVE ser apresentada 
num prazo de 10 dias após a citação do acusado (Ver arts. 396 e 396-A do CPP. Se for 
JURI, ver o art. 406, caput e § 3º do CPP). 
 
Na resposta à acusação, o réu poderá arguir preliminares, nulidades e alegar 
tudo o que interessar à sua defesa (pode sim adentrar o mérito da questão e se esta for a 
peça, não se esquecer de fazê-lo), oferecer documentos e justificações, especificar as 
provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, 
quando necessário. 
 
A acusação deverá arrolar até 8 testemunhas e a defesa o mesmo. Se for Júri, 
arrola-se até 8 na primeira fase e até 5 para o plenário. Se for procedimento sumário ou 
sumaríssimo, arrola-se até 5. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto da peça: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL 
DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri ou outro tipo 
relacionado à competência especial. 
 
Processo nº 
 
 
Fulano de Tal, já qualificado nos autos da ação penal em epígrafe, vem à presença 
de Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado infra constituído, conforme 
instrumento procuratório em anexo, com fulcro nos arts. 396 e 396-A (SE FOR JÚRI – 
406, § 3º) do Código de Processo Penal, oferecer: 
 
RESPOSTA À ACUSAÇÃO 
 
 Com base nos fatos que a seguir expõe: 
 
 
 
I - DOS FATOS: 
 
Faça um breve resumo da denúncia e dos atos processuais já praticados. Fatos não 
pontuam, então seja o mais suscinto possível. 
 
Ex.: O acusado foi denunciado pelo crime previsto no art. 157, caput, do 
Código Penal, nos termos da peça acusatória, por supostamente ter subtraído 
... da vítima no dia ..., por volta de 18h30min, na plataforma inferior da 
rodoviária de Brasília. 
A denúncia foi recebida em ..., oportunidade em que foi determinada a citação 
do réu. No dia ... o acusado foi pessoalmente citado. 
É o relatório. 
 
II - DA TEMPESTIVIDADE: 
 
A FGV tem pontuado o tópico específico sobre tempestividade em recursos. 
Todavia, o que abunda não prejudica. 
 
Ex.: No dia ... o acusado foi pessoalmente citado e intimado para apresentar 
resposta à acusação. 
 
 
 
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De acordo com o artigo 396 do CPP, tal peça processual deve ser apresentada 
em 10 dias. Sendo assim, a presente manifestação defensiva foi apresentada 
tempestivamente. 
 
DO DIREITO: 
Apresente as teses partindo da mais benéfica para a menos benéfica. 
 
1. DAS PRELIMINARES - Questões que devem ser decididas antes de adentrar ao 
mérito do processo, como: 
1.1 Causas Extintivas de Punibilidade – art. 107 do CP - ATENÇÃO: Apesar de 
ser uma tese preliminar, o reconhecimento da causa extintiva da punibilidade o pedido 
será de absolvição sumária - art. 397, IV/CPP. 
1.2 DAS NULIDADES – causas que acarretam rejeição da denúncia – 564 e art. 
395/CPP; 
 
1.2.1 Incompetência absoluta do juízo (em razão da matéria ou da função); 
ATENÇÃO: Segundo o art. 396-A, §1º do CPP, a incompetência 
relativa (territorial) deve ser arguida em exceção, em peça 
separada. Logo, apenas a incompetência absoluta (em razão da 
matéria ou da função) seria arguida em sede de preliminar na 
Resposta à Acusação. No entanto, não é incorreto apresentar a 
arguição de nulidade relativa em sede de preliminar no corpo da 
R.A. Assim, se na sua prova, o problema deixar bem claro que o 
juiz que recebeu a inicial é incompetente em razão do local do 
crime, não deixe de alegar a tese em sua resposta. 
1.2.2 Nulidade da citação (e outras nulidades previstas no artigo 564, III, c/CPP); 
1.2.3 Ausência de proposta de instituto despenalizador, como suspensão 
condicional do processo ou ANPP; (564, IV, do CPP); 
1.2.4 Ausência de exame de corpo de delito em crimes que deixam vestígios; (564, 
III, b) 
2. DO MÉRITO 
Neste momento processual, para o reconhecimento de uma tese de mérito, o 
juiz precisa de elementos evidentes que o leve a um juízo de certeza, logo, não se fala, 
neste momento, em in dubio pro reo, ou teses que exijam a produção de prova para serem 
analisadas. 
Principais teses que podem ser arguidas em sede de R.A.: 
1. Absolvição sumária – art. 397, incisos I, II e III/CPP. 
 
 
 
 
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2. Desclassificação do delito para outro menos gravoso ou decote de 
qualificadora ou causa de aumento de pena. Somente se, com a nova 
tipificação, houver mudança na competência ou se com a nova 
tipificação surgir direito antes inexistente, como oferecimento de 
proposta de suspensão condicional do processo e, desde que existam 
elementos contundentes para levar o juiz reconhecer tal tese. 
 
DOS PEDIDOS: 
Ex.: Por todo o exposto, requer a defesa:1. o recebimento da presente resposta à acusação; 
2. a declaração de nulidade por ... conforme 564 ... do CPP e 
rejeição da denúncia, nos termos do art. 395, ..., do CPP; 
3. não sendo este o entendimento de Vossa Excelência, requer a 
defesa a absolvição sumária por..., nos termos do art. 397 ..., do 
CPP; 
4. Subsidiariamente, caso Vossa Excelência não concorde com as 
teses apresentadas alhures e no caso de prosseguimento do feito, 
a defesa arrola as testemunhas indicadas no rol abaixo, pugnando, 
desde já, pela intimação e oitiva delas na fase de instrução e a 
juntada dos documentos anexos. 
 
 
Local, data (cuidado com o prazo) 
 
Advogado 
OAB 
 
 
IV - ROL DE TESTEMUNHAS 
 
1 – Nome completo, nacionalidade, estado civil, profissão, endereço. 
2 – Nome completo, nacionalidade, estado civil, profissão, endereço. 
3 – (...) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO – Rito Comum 
 
 
Selma Girão, nascida em 01/12/1999, residente e domiciliada na QNQ 15, lote 15, 
Taguatinga-DF, foi contratada para trabalhar na casa de sua vizinha, dona Luciana de 
Assunção, que lhe pagaria um salário mínimo, que à época dos fatos estava em $1039,00. 
 
No dia 03/01/2020, quando chegava ao trabalho, Selma viu a irmã de sua patroa, dona 
Cleuza, guardando um dos inúmeros vestidos vermelhos de sua irmã em uma das gavetas 
do quarto de dona Luciana, sendo esta senhora de muitas posses. 
 
Como Patrícia teria um encontro naquela tarde com um rapaz que estava conhecendo pela 
internet, e querendo estar bonita para ele, teve a ideia subtrair o vestido que Dona Cleuza 
havia guardado. Apesar de ser um vestido simples, que tem baixo custo no mercado, em 
torno de R$ 90,00, era uma vestimenta chamativa e bem trabalhada. Ágil, Selma 
conseguiu se assenhorear da vestimenta e a escondeu em sua bolsa, aguardando o horário 
para usar a roupa. 
 
Neste mesmo dia, à tarde, Selma se encontrou com seu pretendente, impecavelmente 
bem-vestida. Ao final do encontro, voltou à casa de sua patroa, pois sabia que ela ainda 
não estaria em casa, para devolver o vestido. 
 
No dia seguinte, Dona Cleusa foi avisada por uma vizinha de que a empregada de sua 
irmã havia saído usando um de seus vestidos, o que lhe causou revolta e fez com que ela 
efetuasse um BO em face da secretaria do lar. Na DP, pós a oitiva de Joana de Tal, 
Fernando de Tal, Marlene de Tal e Zuleika de Tal, vizinhos que confirmaram a utilização 
do vestido por Selma, ela foi indiciada pelo crime de furto, previsto no art. 155, caput, do 
Código Penal. 
 
Em 02 de janeiro de 2024, Patrícia foi denunciada pela prática da infração tipificada no 
caput do art. 155 do CP, formando-se assim a ação penal nº 2024.07.01.02222-5, em 
trâmite perante a segunda vara criminal. A denúncia foi devidamente recebida pelo juízo 
competente em 08/02/2024. Em 15 de fevereiro de 2024, uma sexta-feira, a acusada foi 
citada. Na ação, o MP postulava pelo recebimento e imediata designação da audiência de 
instrução e julgamento, suscitando que apesar da primariedade de Patrícia e de ser a 
primeira vez que ela estava a responder a uma ação penal, sua ficha penal atestava dois 
inquéritos policiais arquivados por condutas semelhantes, praticadas 3 anos antes. 
 
Diante do exposto, apresente a peça processual privativa de advogado cabível, no último 
dia de prazo, em defesa de Patrícia, se atentando para as teses e fundamentações jurídicas 
plausíveis e compatíveis com o caso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO – Rito do Júri 
 
Pedroso Maridélio, maior capaz de 28 anos, um homem fechado e apático, em 
12/03/2019, foi demitido de seu emprego, situação que aumentou seu estado depressivo. 
Diante disso, na mesma data, foi à casa de seu único amigo, Romualdo Silva, nascido em 
11 de fevereiro de 2000 objetivando desabafar e exteriorizar seu intento de tirar a própria 
vida. 
Romualdo, cansado das lamúrias de Pedroso o convidou para irem até Brazlândia-
DF, num lugar tranquilo para conversarem. Lá, Romualdo mostrou para Pedroso um 
grande morro e disse ao amigo que, com um salto, ele poderia pôr fim ao seu sofrimento 
e acabar com aquela vida bandida, já que ela não fazia mais sentido. Disse que se o amigo 
não tinha mais família, não tinha mais amigos e nem emprego, além de estar super mal 
afamado na rua em que morava e depressivo, poderia pôr fim àquele sofrimento ao pular 
daquela ribanceira. 
 
Ouvindo atentamente o amigo, Pedroso decidiu fazer o que tinha acabado de ouvir 
e se atirou morro abaixo. Contudo, ao rolar por alguns metros, sua queda foi amortecida 
por uma pedra, ficando ele nela preso. Algumas pessoas que presenciaram a cena 
chamaram os bombeiros que chegaram ao local e resgataram Pedroso. No hospital, 
Pedroso narrou que decidiu tirar a própria vida após ouvir atentamente os conselhos de 
seu amigo. A vítima teve duas luxações que lhe afastaram a possibilidade de exercer suas 
ocupações habituais por 23 dias e diversas equimoses e hematomas nos braços, pernas e 
rosto. Como passou por exames no hospital, Pedroso não compareceu ao IML para o 
corpo de delito. Na delegacia, Romualdo confessou que desejava que o “amigo” desse 
fim à própria vida, pois havia se tornado insustentável a convivência com ele. 
 
No dia 15 de fevereiro de 2023 o juízo competente recebeu a denúncia que 
imputava a Romualdo a prática do crime insculpido no art. 122, caput, do CP, visto a 
inequívoca existência de induzimento e auxílio ao suicídio por parte do acusado. Apesar 
da primariedade e bons antecedentes do réu, que não respondia por qualquer outra ação 
penal, o MP requereu de plano a designação da audiência de instrução e julgamento, visto 
a gravidade do delito, tratando-se de crime doloso contra a vida. 
 
Citado em 21 de março do mesmo ano, uma quarta-feira, Romualdo lhe procurou 
para, na qualidade de advogado, patrocinar sua defesa nos autos. 
 
Diante do feito apresente a medida processual privativa cabível, se atentando para 
todas as teses pertinentes ao feito e datando a peça no último dia de prazo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS 
 
Última peça de mérito da defesa em se tratando de primeira instância. É o 
momento em que a defesa alega todas as matérias de mérito pertinentes, se pautando pelo 
princípio da Eventualidade. 
 
No rito comum segue o disposto no art. 403, § 3º, do CPP. 
 
No Júri segue o disposto no art. 411, § 4º do Código de Processo Penal. No caso 
de alegação final do júri, tendo em vista a oralidade do rito, necessária do 
procedimento, deve ser feita a combinação do art. 411, § 4º com o artigo 403, § 3º, ambos 
do Código de Processo Penal, explicando que devido a complexidade do caso as 
alegações devem ser apresentadas em forma de memoriais. 
 
Havendo requerimento de diligências por alguma das partes, e sendo a mesma 
ordenada pelo magistrado, o fulcro da pessoa passa a ser o art. 404, parágrafo único do 
CPP. 
 
Neste momento a defesa “viaja” formulando TODAS as teses defensivas 
possíveis. 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL 
DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri ou outra área de 
competência especial. 
 
Processo nº 
 
 
Fulano de Tal, já qualificado nos autos da ação penal em epígrafe, vem à presença 
de Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado infra constituído, conforme 
instrumento de mandato em anexo, com fulcro no art. 403, § 3º, do Código de Processo 
Penal (SE FOR JÚRI – 411, § 4º, combinado com o artigo 403, § 3º, ambos do CPP), do 
Código de Processo Penal, apresentar alegações finais por: 
 
MEMORIAIS 
 
pelosfatos e fundamentos que passa a expor: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA: 
 
Narrar, de forma sucinta, a dinâmica dos fatos. Ao final, terminar com uma frase 
de impacto, por exemplo: “Entretanto, a tese acusatória não merece prosperar”. 
 
 
 
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II – DO DIREITO 
 
II.1 - DAS PRELIMINARES 
 
Se houver alguma causa prejudicial de mérito, por exemplo a prescrição, aqui é o 
momento de alegar. 
 
II.2 DAS NULIDADES 
 
Procurar observar se o processo não incidiu em algum vício de forma do art. 564 do CPP. 
Lembrar-se que sempre a acusação inicia e a defesa termina. Se esta ordem for trocada 
implica em cerceamento de defesa. Nulidade do ato que deve ser alegada antes do mérito. 
 
II.3 – DO MÉRITO 
 
Narrar todas as teses defensivas. Aqui devemos falar de absolvição 
desclassificação, afastamento de causas de aumento da pena, da substituição de pena. 
 
Sempre usamos a tese “mestra” em primeiro lugar. Se nosso objetivo principal é 
a absolvição é dela que falamos primeiro. Após, dizemos uma frase que faz um link com 
a primeira ideia e a nova tese, como: “Acreditando que esta será a tese abraçada por este 
juízo, mas por amor ao debate, a defesa argumenta, pelo princípio da eventualidade, que, 
se este juízo concluir pelo afastamento da absolvição, o crime deve ser desclassificado 
para o crime de lesão corporal”. Explicar o motivo. Após explicação, ainda abrimos um 
novo tópico onde pediremos o afastamento das causas de aumento de pena do crime, caso 
o juízo não entenda pela desclassificação. 
 
OBS: Em se tratando de crimes do rito ordinário, pode-se abrir também um tópico 
para pedir a fixação da pena no mínimo legal, caso se observe as atenuantes do artigo 
65/66 do CPB. Se a pena for inferior a quatro anos e o acusado não for reincidente em 
crime doloso, pode-se pleitear pela conversão da pena restritiva de liberdade em restritiva 
de direito. Aqui, devemos observar o artigo 44 do CPB. 
 
III – DOS PEDIDOS 
 
Se houver qualquer tipo preliminar, requerer declaração e a extinção do feito, 
antes de fazer os pedidos meritórios. 
Havendo nulidades, requerer a declaração conforme o art. 564, indicando o inciso, 
bem como a anulação de todos os atos posteriores; 
Após, devemos postular pelas teses de mérito, articuladas anteriormente, no tópico 
“do direito”. Requerer neste momento a absolvição (que não é sumária, pois já estamos 
em fase de instrução processual – art. 386 do CPP se rito ordinário. 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Em sequência analisar a possibilidade de desclassificação nos termos do art. 383, 
caput, do CPP e os desmembramentos da desclassificação. 
Por fim, trabalhar dosimetria de pena com base no sistema trifásico, regime e 
possível substituição pelo 44 do CP. 
 
Se for júri, a absolvição é sim sumária, nos moldes do art. 415 do CPP). Por 
oportuno, não sendo caso de absolvição, postula a defesa pela impronúncia do acusado, 
como reza o art. 414 do CPP (pugnar por este artigo em caso de júri, pois o pedido é de 
impronúncia). Se a tese for de desclassificação, em júri, não esquecer do artigo 419, 
pugnando pela remessa dos autos ao juízo competente para processar e julgar o feito. 
Finalmente, requerer o afastamento das qualificadoras do delito. Exemplo, se for um caso 
de homicídio qualificado, podemos pugnar pelo afastamento de alguma qualificadora que 
acompanhe o crime, requerendo que, em caso de pronúncia, que o seja pelo caput do 
artigo 121. 
 
Lembrar que em sede de primeira fase do júri JAMAIS falamos de homicídio privilegiado 
ou sustemos qualquer causa de diminuição de pena. As teses são de absolvição, 
impronúncia, desclassificação e afastamento de qualificadoras que acompanhem o crime. 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento. 
 
Local, data, 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto rito comum: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREIRO DA SEGUNDA VARA 
CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA –DF 
 
Autos do Processo nº ... 
 
 FULANO DE TAL, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem perante 
Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, nos termos da 
ação que lhe move o Ministério Público, com fulcro no art. 403, § 3º, do Código de 
Processo Penal (404, parágrafo único, caso haja diligência anterior), oferecer alegações 
finais por 
 
MEMORIAIS 
 
pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor: 
 
I – DOS FATOS 
 
 Narrar os fatos de forma resumida, mas com lógica e coerência. 
 
II. – DO DIREITO 
 
II.1 - Das Preliminares – análise de teses extintivas de punibilidade 
 
II.2 - Nulidades: Averiguar se existe alguma tese pertinente. 
 
III – DO MÉRITO 
 
 III.1 – Da Absolvição 
 
Aqui, neste tópico, a primeira coisa a ser feita é arguir TESE de ABSOLVIÇÃO, 
conforme art. 386 do Código de Processo Penal!! 
 
 
III.2 – Da Desclassificação para crime diverso (ver se este novo crime cabe sursis e 
requerer - (Ver art. 383 e §§ 1º e 2º, do CPP, bem como Súmula 337 do STJ). 
 
 Aqui trabalhamos a tese de desclassificação para outro crime menos gravoso, se 
possível, e observar se esse novo crime cabe causa extintiva de punibilidade, tese 
absolutória, sursis. Se couber, requerer. 
 
 
III.3 – DA DOSIMETRIA DA PENA 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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 A última tese a ser utilizada nesta peça é a dosimetria com base no sistema 
trifásico. Avaliar o artigo 68 do CP. Ao final, verificar o regime e a possibilidade de 
substituição pelo art. 44 do CP. 
 
 
IV – DOS PEDIDOS 
 
Por todo o exposto o acusado requer: 
 
 a) Preliminarmente, que declarada extinta a punibilidade pela prescrição e seja 
extinto o feito, nos termos do art. 107, IV, do Código Penal; 
 
 b) seja, ainda preliminarmente, declarada a nulidade da audiência por ausência do 
interrogatório do acusado, nos termos do art. 564, III, e, do CPP; 
 
 c) No mérito, seja o réu absolvido nos moldes do art. 386 (mencionar os incisos 
correspondentes), ante a patente comprovação da (citar o motivo); 
 
 d) Não sendo a absolvição o entendimento acatado, em respeito à eventualidade, 
que seja desclassificado o crime de... para ..., conforme art. 383, caput do CPP e remetido 
o processo ao MP, para oferecimento do Sursis, tendo em vista o preenchimento dos 
requisitos necessários pelo acusado nos moldes do art. 89 da Lei 9099, nos ditames da 
Súmula 337 do STJ e art. 383, §1º, do Código de Processo Penal. 
 
e) Por último, acreditando sinceramente que as teses acima serão abraçadas por 
este magistrado, requer o réu seja fixada a pena no mínimo legal de ... e o regime aberto, 
conforme art. 33, § 2º, c, do CP e ao final, seja a pena privativa de liberdade convertida 
em restritiva de direitos, conforme preconiza o art. 44 do CPB. 
 
 
 
 Pede Deferimento. 
 Local (5 dias!!!!!!) 
 Advogado 
 OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto de memoriais: Júri 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREIRO DA VARA DO TRIBUNAL 
DO JÚRI DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA –DF 
 
Autos do Processo nº ... 
 
 FULANO DE TAL, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem perante 
Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, nos termos da 
ação que lhe move o Ministério Público, com fulcro no art. 411 § 4° c/c 403, § 3º, do 
Código de Processo Penal, apresentar alegações finais por 
 
 
MEMORIAIS 
pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor: 
 
I – DOS FATOS 
 
 Narrar os fatos de forma resumida, mas com lógica e coerência. 
 
II. – DO DIREITO 
 
II. 1- DAS PREMINARES 
 
II.1.1 DaPrescrição 
 
 Este tópico pode não constar em sua peça. Só falaremos de prejudicial de mérito 
se houver alguma das causas do art. 107 do Código Penal, frise-se, prescrição. Neste 
tópico, devemos ver a data do crime (marco inicial da prescrição), bem como a data de 
recebimento da denúncia (art. 117 do CP – é causa de interrupção). Ainda nesta esteira 
de raciocínio, devemos olhar o art. 109 do CP para ver o tempo em que o crime prescreve, 
bem como o artigo 115 do mesmo diploma legal, visto que se na data crime o acusado 
tiver menos de 21 anos ou na data da sentença tiver mais de 70, a prescrição corre pela 
metade. FIQUE DE OLHO!!! 
 
II.1.2 – DAS NULIDADES 
 
 Este tópico pode não constar em sua peça. Só falaremos de preliminar de nulidade 
se houver alguma das causas do art. 564 do Código de Processo Penal!! Analise do 411 e 
não do 400 do CPP. 
 
III – DO MÉRITO 
 
 III.1 – Da Absolvição Sumária 
 
 
 
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Aqui, neste tópico, a primeira coisa a ser feita é arguir TESE de ABSOLVIÇÃO 
SUMÁRIA, conforme art. 415 do Código de Processo Penal!! 
 
 Art. 415. O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, quando: 
 I – provada a inexistência do fato; 
 II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato; 
 III – o fato não constituir infração penal; 
 IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. 
 Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV do caput deste artigo ao caso 
de inimputabilidade prevista no caput do art. 26 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de 
dezembro de 1940 – Código Penal, salvo quando esta for a única tese defensiva. 
 
III.2 – Da Impronúncia 
Diferente da absolvição, que será alegada quando houver PROVA, a impronúncia ocorre 
quando há ausência de prova. 
 
Art. 414. Não se convencendo da materialidade do fato ou da existência de indícios 
suficientes de autoria ou de participação, o juiz, fundamentadamente, impronunciará o 
acusado. 
 
III.3 – Desclassificação para ... (crime não doloso contra a vida) 
Tese de desclassificação para crime diverso da competência dos crimes do 
Tribunal do Júri (art. 419 do CPP). Deve-se requerer a remessa dos autos ao juízo 
competente, como resultado da desclassificação pleiteada. 
 Aqui trabalhamos a tese de desclassificação para outro crime menos gravoso. 
 
III.4 –Desclassificação para... (outro crime doloso contra vida) 
 
 Usamos esta tese quando desclassificamos de um crime do júri para outro, mas de 
competência do próprio júri. Exemplo, uma mãe que mata um filho está respondendo por 
homicídio. A defesa utiliza como tese a desclassificação para infanticídio. 
 
IV.5 – Dos Afastamento da Qualificadora 
 
 Como última tese, se for o entendimento pela pronúncia, que haja o decote da 
qualificadora (Exemplo – do motivo torpe quando há contenda física entre réu e vítima 
antes do delito – mesmo que seja por vingança antes do crime, se há agressão, cai o motivo 
torpe). 
 
V – DOS PEDIDOS 
 
Por todo o exposto o acusado requer: 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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 a) Preliminarmente, que seja declarada extinta a punibilidade, nos termos do art. 
107, IV, do Código Penal, tendo em vista que a prescrição pretensão punitiva que incidiu 
sobre o feito. 
 b) Não extinguindo o feito, pugna a defesa para que seja declarada a nulidade da 
audiência por ausência de defesa técnica conforme art. 564, III, c do CPP e Súmula 523 
do STF; 
 c) Não acatando as preliminares suscitadas, o réu pugna, no mérito, para que este 
juízo absolva sumariamente o acusado nos moldes do art. 415 (mencionar os incisos 
correspondentes), ante a patente comprovação da (citar o motivo). 
 d) Em tese antagônica, suscitar a impronúncia (quando não houver provas de 
materialidade ou indícios suficientes de autoria) nos moldes do art. 414 do CPP. 
 e) Acreditando que as teses acima serão abraçadas, mas por amor ao debate, a 
defesa requer a desclassificação do crime doloso contra vida insculpido na denúncia para 
(citar o crime), sendo este de competência do juízo comum, para ele devendo ser 
remetido, nos moldes do art. 419 do CPP. 
f) Em caso de pronúncia, o que defesa argumenta somente em respeito ao princípio 
da eventualidade, que esta seja feita para o crime de (citar o crime de competência do júri, 
mas sem a qualificadora). 
 
Pede Deferimento. 
Local (5 dias!!!!!!) 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MODELO DE ALEGAÇÕES FINAIS DO JÚRI 
 
 
 
Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da Vara do Tribunal do Júri da 
Circunscrição Judiciária de Taguatinga/DF/ Ou Comarca de... 
 
Processo nº. 2011.07.1.00000-0 
 
 
 
 
 
JONSON JONSON, devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, 
que lhe é movido pelo Ministério Público do Distrito Federal, por intermédio de seu advogado 
devidamente constituído, procuração em anexo, vem respeitosamente à presença de Vossa 
Excelência, nos termos do Art. 411, § 4º c/c Art. 403, § 3º, ambos do Código do Processo Penal, 
apresentar: 
ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS 
aduzindo para tanto os fatos e fundamentos que seguem: 
 
1 - BREVE RELATO DOS FATOS: 
 
 Foi oferecida denúncia pelo Ministério Público contra o acusado no dia 16 de fevereiro 
de 2011, e recebida pelo Senhor Juiz de Direito do Tribunal do Júri da Circunscrição de 
Taguatinga no dia 25 de fevereiro de 2011, estando o acusado incurso nas penas do Art. 121, § 
2º, inciso IV, c/c Art. 14, inciso II, todos do Código Penal. 
 
 O acusado foi citado no dia 02 de março de 2011, momento em que seu patrono 
apresentou resposta a acusação, na qual a defesa não suscitou preliminares nem teses de 
absolvição sumária, requerendo, oportunamente, a oitiva das testemunhas arroladas na peça 
acusatória. 
 
 Em audiência realizada no dia 18 de abril de 2011, foram ouvidas as testemunhas Jander 
Jaú, Nicho Cage e Wil Esmite; a vítima Keny Keny; bem como foi realizado o Interrogatório do 
Acusado. No termo de audiência, abriu-se prazo para oferecimento das Razões Finais por 
Memoriais. 
 
2 - DO DIREITO 
2.1 – Da Desclassificação para o crime diverso do da competência do tribunal do júri 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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 Como se depreende dos autos, o acusado, em estado de embriaguez causada por 
dependência física e psíquica, compareceu à Choperia “Beba sem moderação” e, ao tentar 
adentrar no estabelecimento foi prontamente impedido pelos seguranças daquele 
estabelecimento. Como de costume nesses casos, os seguranças, diante de um pobre coitado, 
bêbado e inconveniente, vendo-o como um incômodo para a clientela da casa, agiram de forma 
truculenta e grosseira, valendo-se da força bruta e da vantagem de estarem em maior número 
para escorraçarem o acusado do estabelecimento, como um ser inferior que não tem o mínimo 
de dignidade. 
 
 No caso em tela, o processado, logo após ser agredido, diga-se, covardemente, pelos 
seguranças da Choperia, foi tomado por fúria inexplicável e, apoderando-se de uma faca que se 
encontrava no “carrinho de churrasquinho” que estava próximo ao citado estabelecimento, foi de 
encontro aos seus agressores, desferindo golpes de faca em um de seus algozes, no intuito de 
extravasar sua ira, motivada por uma agressão anterior. É o que se observa no depoimento do 
acusado: 
 
Que é verdadeira a acusação. Que na mesma noite do fato, o 
interrogando compareceu à chopperia Coliseu, querendo entrar 
no estabelecimento, que se encontrava bastante embriagado. 
Que os seguranças, dentre os quais Keny, não permitiram a 
entrada do interrogando no local e passaram a humilhá-lo. Que 
xingaram o interrogando e o colocaram para fora. Queainda 
espancaram o interrogando. Que o espancamento foi próximo a 
um carrinho de churrasquinho. Que eram quatro seguranças que 
espancaram o interrogando. Que o interrogando pegou a faca 
no carrinho do churrasquinho e ai partiu para cima dos 
seguranças, vindo a atingir um deles. 
 
 Tal fato pode ser comprovado, ainda, pelo depoimento da testemunha Wil: 
Ainda, segundo o depoente, o churrasqueiro que trabalha 
próximo à chopperia, de nome Ticio, comentou que o autuado 
esteve em seu estabelecimento afirmando que mataria um 
indíviduo que o tinha agredido anteriormente. 
 
 Excelência, é fato que o acusado agiu dominado por violenta emoção e, 
inicialmente, teve a intenção de ceifar a vida de um de seus agressores. Porém, conforme 
informa a própria vítima, o acusado desisitiu voluntariamente de seu intento, deixando 
transparecer a total ausência de ânimus necandi em sua conduta. Eis o que diz a própria vítima 
a respeito do fato aqui relatado: 
 
“Que não houve interferência de ninguém durante os golpes. Que após 
o segundo golpe, o declarante recuou para trás, tendo o acusado 
ficado parado por um instante olhando para o declarante, porém 
não desferiu um novo golpe.” (negrito nosso) 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Pelo exposto, fica claro que, mesmo sem a interferência de ninguém, o acusado ficou 
parado e não desferiu um novo golpe, tendo em vista a ausência de vontade de matar a vítima. 
 
Ora, Excelência, se o réu quisesse matar a vítima, o teria feito, até mesmo porque Keny 
já se encontrava sem forças, conforme afirmou, também, em seu depoimento: “após levar o 
segundo golpe, o declarante começou a perder as forças”. Além disso, a vítima estava prostrada 
diante do acusado, que lhe observava com uma faca em punho. Se o objetivo real fosse a morte 
da vítima, não havia nada que obstasse o réu de prosseguir com golpes em áreas letais para 
ceifar sua vida. Fica evidente que o caso comporta o instituto da desistência voluntária, devendo 
o acusado responder somente pelos atos devidamente praticados. 
 
Eis o teor do art. 13 do Código Penal Brasileiro a respeito do assunto: 
 
Art. 13 - O agente que, voluntariamente, desiste da consumação do 
crime ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos 
já praticados. 
 
Não há a menor sombra de dúvidas de que a intenção do agente era a de cometer o 
crime de homicídio contra um de seus agressores. Porém, com base nas provas coligidas nos 
autos, em especial o depoimento da própria vítima, o ora acusado DESISITIU de prosseguir com 
os atos executórios típicos da conduta inserta no art. 121 do Código Penal, somente lesionando 
a vítima em local não letal. 
 
Com base nisso, indubitável que está ausente o animus necandi do réu, devendo o crime 
por ele cometido ser desclassificado para o crime diverso do da competência do tribunal do júri, 
sendo os autos do processo remetidos ao juízo competente, nos termos do art. 419 do Código 
de Processo Penal. 
 
2.2 – Da exclusão da qualificadora 
 
As únicas testemunhas do caso são colegas de trabalho e amigas da vítima, razão pela 
qual tentam corroborar uma tese fantasiosa e irracível, que coloca o acusado em posição de 
carrasco impiedoso e ardiloso. Nestes termos, as declarações são contraditórias e permeadas 
de informações falaciosas. Veja-se o que relata a testemunha Wil: 
 
“Que viu o momento das facadas...; Que num dado momento da 
noite o depoente e o segurança Nicho saíram até o estacionamento a 
fim de acompanhar um cliente até o carro, quando retornaram, 
observaram o acusado chamando a vítima para conversar. Que, 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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em seguida, o acusado sacou uma faca da cintura e foi para cima da 
vítima, tentando esfaqueá-la.” (negrito nosso) 
 
Agora, veja o que relata a testemunha Nicho: 
 
“Que num dado momento da noite, o depoente e o segurança Wil 
saíram do estabelecimento até o estacionamento a fim de acompanhar 
um cliente embriagado até o carro; que quando voltavam para a 
Choperia observaram o acusado correndo, atravessando a rua que 
passa em frente à Choperia”. 
 
Como pode Wil afirmar que teria observado o acusado chamar a vítima, sacar uma faca 
da cintura e desferir as facadas contra a vítima, se ele estava junto com Nicho em local diverso 
ao local dos fatos, sem ter visto o ocorrido? 
 
Excelência, se o acusado cometeu o crime, foi por uma forte motivação, qual seja a 
agressão física e moral da qual foi vítima. Diferente do que afirmam as supostas testemunhas, o 
réu foi agredido, espancado e humilhado por elas mesmas e não houve queda alguma em ilusória 
corrente. Não há nenhum popular que ateste tal situação, e a queda na corrente, se fosse 
verídica, deveria ter causado no acusado diversas escoriações advindas do deslizamento e 
choque com o asfalto, o que não ocorreu. O réu teve ferimentos no supercilho e na boca em 
virtude dos socos e chutes que levou. Conforme as testemunhas, foram populares que 
imobilizaram e agrediram o réu, mas nenhum deles foi arrolado como para atestar a veracidade 
de tais fatos. 
 
A fim de corroborar, ainda, a tese expendida pela defesa, há de se evidenciar as 
inverdades que são observadas nos depoimentos das testemunhas, inverdades estas, 
corroboradas pela própria vítima. É o que se observa do depoimento da testemunha Wil: 
 
Por volta das 2 horas estava na portaria da Chopperia, onde 
trabalha como segurança, quando avistou seu colega de 
trabalho o Sr. Keny conversando com o autuado. Assim que o 
Sr. Keny se virou de costas o autuado puxou a faca da cintura e 
desferiu um golpe na região abdominal. Antes de ser contido por 
populares o autuado ainda tentou atingir a vítima com outro 
golpe de faca na altura do peito. O autuado tentou fugir na 
direção da concessionária de carros Orca onde tropeçou em 
uma corrente e caiu com a face no chão. 
 
É a própria vítima que desmente tal informação: 
 
Que o declarante trabalhava como segurança na choperia; que 
num dado momento estava passando próximo à porta do 
estabelecimento, momento em que foi chamado pelo acusado, 
o qual sacou uma faca e passou a tentar golpear o declarante. 
 
 
 
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Que o primeiro golpe pegou de raspão, próximo à clavícula 
direita do declarante, que o segundo efetivamente atingiu o 
declarante na costela do lado esquerdo; que foram dados outros 
golpes, porém, o declarante conseguiu se esquivar, sendo 
atingido apenas pelos dois golpes citados; que após levar o 
segundo golpe, o declarante começou a perder as forças, porém 
se manteve consciente e, em seguida, o declarante viu o 
acusado correndo, evadindo-se do local. (...) Que entre o 
primeiro e o segundo golpe, o declarante chegou a desferir um 
tapa no acusado, visando se defender, porém, não atingiu o 
acusado. Que a ação do acusado foi rápida, sendo que a 
primeira reação do declarante foi tentar tomar a faca. 
 
Já a testemunha Nicho informa que: 
 
Estava na parte externa da Chopperia, onde trabalha como 
segurança, em frente a porta de entrada quando viu o autuado 
atravessando, correndo em direção a pista. No seu encalço 
estavam alguns populares e seguranças da casa noturna. Viu 
que quando o autuado chegou próximo a concessionária de 
veículos que existe próxima à choperia, tropeçou em uma 
corrente e caiu de cara no chão momento em que foi detido. 
Pensou em conter o autuado, mas quando o viu correndo com 
uma faca na mão desistiu de seu intento.(...) Que, num dado 
momento da noite, o depoente e o segurança Wil saíram do 
estabelecimento até o estacionamento a fim de acompanhar um 
cliente embriagado até o carro; que quando voltavam para a 
chopperia observaram, juntos, o acusado correndo, 
atravessando a rua que passa em frente à chopperia. Que mais 
adiante, o acusado caiu, após tropeçar em uma corrente.Que 
alguns populares, indignados com a atitude do acusado, 
chegaram a agredi-lo. (...) Que no momento em que o acusado 
puxou a faca, a vítima tentou se defender, tentando tomar a faca. 
Que Wil, juntamente com o depoente, viu a filmagem. Que Wil 
trabalha sempre junto com o depoente e estava junto deste, por 
ocasião dos fatos. 
 
 
 Excelência é nítido que as versões apresentadas pelas testemunhas encontram-
se permeadas de divergências e incongruências, mas a narrativa do Sr. Nicho corrobora o que 
foi expendido pela vítima: ao analisar as filmagens, percebeu que a vítima tentou se defender e 
retirar a faca do agressor. O Sr. Wil, apesar de informar algo totalmente diferente, demonstra, 
por seu depoimento, que não acompanhou nada e criou uma versão leviana para prejudicar o 
acusado, maquiando uma possível atitude espúria por ele cometida. 
 
Não houve nenhuma emboscada, nenhum meio que dificultasse ou impossibilitasse a 
defesa da vítima. Ao contrário, tal defesa foi devidamente exercida conforme explicitou a própria 
vítima em seu depoimento. Se o acusado almejasse agir nos moldes previstos no inciso IV do § 
2º do Art. 121, não teria chamado a vítima e indagado qualquer coisa; teria, ao contrário, se 
aproximado dissimuladamente e efetuado os golpes de forma que a vítima não teria qualquer 
reação. E mais, não tiraria a faca da cintura e a desembrulharia de um plástico, mas sim, a teria 
cravado fulminantemente no corpo de seu desafeto. 
 
 
 
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Ademais, pelo ofício que exerce e pelo local que trabalha, qual seja segurança de uma 
casa de Shows, é indubitável que o indivíduo esteja atento e preparado para os perigos atinentes 
à profissão, evitando ser surpreendido por situações que comprometam sua segurança, como é 
de se esperar nesses ambientes. Tal fato retira o efeito surpresa advindo da qualificadora que é 
imputada ao acusado. 
 
Diante do exposto, inconteste que a qualificadora inserta na denúncia não encontra 
nenhum respaldo nas provas insertas nos autos da ação penal em análise. Por conta de tal 
situação, se for a pronúncia o entendimento esposado por este emérito Juízo, fato que a defesa 
articula por mero amor ao debate, pugna o acusado pelo afastamento da qualificadora que 
acompanha o delito que lhe é imputado pela peça acusatória, devendo, assim, a pronúncia ser 
decretada com base no “caput” do art. 121 c/c Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal Brasileiro. 
 
3 - DO PEDIDO: 
 
 Diante do exposto, a defesa requer a DESCLASSIFICAÇÃO do crime de homicídio 
previsto no Art. 121 para crime diverso do da competência do tribunal do júri, qual seja lesão 
corporal, bem como a remessa dos autos ao Juizo competente, com fulcro no Art. 419 do Código 
de Processo Penal; eventualmente, sendo a pronúncia o entendimento perfilhado por este juízo, 
pugna a defesa pelo afastamento da qualificadora prevista no inciso IV, do § 2º, do Art. 121, para 
que o réu, com fundamento no Art. 413, § 1º, seja pronunciado como incurso nas penas do caput 
do Art. 121 c/c Art. 14, inciso II, todos do Código Penal. 
 
Termos em que, 
Pede e aguarda deferimento. 
Taguatinga/DF, 12 de maio de 2011. 
 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MODELO MEMORIAIS RITO COMUM 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA SEGUNDA VARA 
CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA – DISTRITO 
FEDERAL / OU COMARCA DE 
 
Processo nº 2012.07.1.000000-0 
 
 
 
 
 
MILENA DAIANE, já devidamente qualificada nos autos do processo 
em epígrafe que lhe move o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, 
por intermédio de seu advogado devidamente constituído, procuração em anexo, 
vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fulcro no art. 403, §3º, do 
Código de Processo Penal, apresentar alegações finais em forma de 
 
MEMORIAIS 
 
pelos motivos de fato e de direito que adiante passará a expor. 
 
 
1. DOS FATOS 
 
Trata-se de Denúncia na qual o Ministério Público atribui à acusada a 
prática do ilícito tipificado no art. 155, caput, c/c art. 14, II, ambos do Código 
Penal. 
 
Em resumo, conforme se extrai da peça exordial, no dia 07 de 
fevereiro de 2012, por volta de 15:00h, na QI 13, lotes 1/14, Feirão Popular dos 
Fabricantes, ala 00, nesta cidade, a acusada, de forma livre e consciente, tentou 
subtrair, para si, uma bolsa feminina de material semelhante a couro, cor cinza, 
contendo em seu interior documentos pessoais e objetos de higiene pessoal, 
pertencentes a Compralgina Silva. 
 
A acusação apresentou alegações finais postulando pela condenação 
da acusada nos termos da denúncia. 
 
Em que pese a respeitável tese esposada pelo ilustre representante 
do Ministério Público, não merece prosperar a pretensão acusatória, conforme 
dispõe a defesa a seguir: 
 
 
 
 
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1 – DO DIREITO 
1.1. Da Absolvição da Acusada por atipicidade material da conduta pelo princípio 
da insignificância 
 
 
Postula o Ministério Público pela condenação da acusada pelo 
suposto furto de uma bolsa feminina adquirida pelo valor de R$ 35,00 (trinta e 
cinco reais), conforme especificado pela própria vítima em seu depoimento (fl. 
08). 
 
De acordo com entendimento reiterado no Supremo, é pacífico que, 
para incidência do princípio da insignificância, devem ser relevados o valor do 
bem e os aspectos objetivos do fato – tais como a mínima ofensividade da 
conduta do agente, a ausência de periculosidade social da ação, o reduzido grau 
de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão causada. 
 
Diante da presença cumulativa dos elementos, inexistirá a tipicidade 
material – capaz de lesar ou colocar em perigo o bem jurídico penalmente 
tutelado – o que determina o afastamento da conduta criminosa. Equivale à 
desconsideração típica pela não materialização de um prejuízo efetivo, pela 
existência de danos de pouquíssima importância. 
 
A aplicação do princípio da insignificância permite que haja a 
necessária proporcionalidade da atuação estatal na pretensão punitiva (jus 
puniendi) em face da lesividade da conduta. Assim, somente será necessária a 
ação do Poder Público quando a lesão for efetivamente relevante. 
 
Tal fato se dá porque a sociedade busca uma resposta do Estado, a 
fim de que seja o agente criminoso compelido a responder por sua conduta 
lesiva, toda vez que os valores penalmente tutelados se exponham a dano, efeito 
ou potencial, resguardada, assim, a ideologia punitivista da segurança. O caso 
dos autos deixa claro que o acusado se enquadra nos requisitos para absolvição 
pela bagatela, e este Egrégio TJDFT, unido ao entendimento manso e pacífico 
do Supremo, corrobora tal tese: 
 
PENAL E PROCESSO PENAL. FURTO SIMPLES DE R$ 30,00. 
IRRISORIEDADE. AUSÊNCIA DE LESIVIDADE MATERIAL E 
RELEVÂNCIA PENAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. 
APLICABILIDADE. ABSOLVIÇÃO. RECURSO PROVIDO. 
1. Demonstrado que o réu furtou da vítima a ínfima quantia de R$ 
30,00, esta hipótese está a autorizar a aplicação do princípio da 
insignificância, porque, embora presente a tipicidade formal, ausente a 
material. 
2. Impõe-se a absolvição do réu quando, evidenciado, no caso 
concreto, que a ação do agente se adequa aos requisitos legitimadores 
ao acolhimento da tese do delito de bagatela, eis que mínimo o dano 
sofrido pela vítima e reduzido o grau de reprovabilidade da conduta. 
3. Recurso provido. (20070810023066APR, Relator NILSONI DE 
FREITAS CUSTÓDIO, 2ª Turma Criminal, julgado em 12/11/2009, DJ 
13/01/2010 p. 336) 
 
 
 
 
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PENAL E PROCESSUAL PENAL. ROUBO SIMPLES. 
ARREBATAMENTO DE BOLSA EM VIA PÚBLICA. 
DESCLASSIFICAÇÃO PARA FURTO SIMPLES. AUSÊNCIA DE 
VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA À PESSOA. PRISÃOEM 
FLAGRANTE. AUSENCIA DE PREJUÍZO. PRINCÍPIO DA 
BAGATELA. VALOR INSIGNIFICANTE DA RES. APLICABILIDADE. 
PROVIMENTO DO APELO. 
1 O pedido absolutório por insuficiência probatória não resiste ao 
confronto dos fatos, eis que o réu foi preso em flagrante e reconhecido 
formalmente pela vítima, minutos depois de ter sofrido o arrebatamento 
da bolsa, cujo valor, somado ao do seu conteúdo, era mínimo. 
2 A subtração de coisa móvel alheia sem o uso de violência ou grave 
ameaça à pessoa não configura o crime de roubo. O réu pretendeu 
arrebatar a bolsa de supetão, prevalecendo-se da desprevenção da 
vítima, que caminhava distraidamente na via pública. Apesar de 
inesperada e tênue resistência, conseguiu êxito no intento, mas foi 
preso minutos depois sentado no meio fio e conferindo o conteúdo da 
bolsa, de parco significado econômico. 
 
3 Aplica-se o princípio da insignificância para absolver o réu, na forma 
do artigo 386, III, em razão do módico valor da res furtiva e sua 
restituição integral à vítima, conferindo-se especial relevo ao fato se 
tratar de agente com trinta e quatro anos de idade que não registra 
nenhum antecedente na senda do crime. A excepcionalidade da 
hipótese implica a atipicidade material do fato, atraindo a incidência do 
princípio bagatelar. 
 
4 Recuso provido para absolver o réu. 
(20071010001260APR, Relator GEORGE LOPES LEITE, 1ª Turma 
Criminal, julgado em 16/10/2008, DJ 19/11/2008 p. 161) 
 
HABEAS CORPUS. PENAL. RÁDIO COMUNITÁRIA. OPERAÇÃO SEM 
AUTORIZAÇÃO DO PODER PÚBLICO. IMPUTAÇÃO AOS 
PACIENTES DA PRÁTICA DO CRIME PREVISTO NO ARTIGO 183 DA 
LEI 9.472/1997. BEM JURÍDICO TUTELADO. LESÃO. 
INEXPRESSIVIDADE. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. 
APLICABILIDADE. CRITÉRIOS OBJETIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 
PRESENÇA. APURAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. 
POSSIBILIDADE. ORDEM CONCEDIDA. I – Consta dos autos que o 
serviço de radiodifusão utilizado pela emissora é considerado de baixa 
potência, não tendo, deste modo, capacidade de causar interferência 
relevante nos demais meios de comunicação. II – Rádio comunitária 
localizada em pequeno município do interior gaúcho, distante de outras 
emissoras de rádio e televisão, bem como de aeroportos, o que 
demonstra que o bem jurídico tutelado pela norma – segurança dos 
meios de telecomunicações – permaneceu incólume. III - A aplicação do 
princípio da insignificância deve observar alguns vetores objetivos: (i) 
conduta minimamente ofensiva do agente; (ii) ausência de risco social 
da ação; (iii) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e (IV) 
inexpressividade da lesão jurídica. IV – Critérios que se fazem presentes, 
excepcionalmente, na espécie, levando ao reconhecimento do 
denominado crime de bagatela. V – Ordem concedida, sem prejuízo da 
possível apuração dos fatos atribuídos aos pacientes na esfera 
administrativa (STJ - HC 104530 / RS - RIO GRANDE DO SUL. 
Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI. Julgamento: 28/09/2010. 
Órgão Julgador: Primeira Turma). 
CRIME MILITAR (CPM, ART. 290) - PORTE (OU POSSE) DE 
SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE - QUANTIDADE ÍNFIMA - USO 
 
 
 
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PRÓPRIO - DELITO PERPETRADO DENTRO DE ORGANIZAÇÃO 
MILITAR - PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA - APLICABILIDADE - 
IDENTIFICAÇÃO DOS VETORES CUJA PRESENÇA LEGITIMA O 
RECONHECIMENTO DESSE POSTULADO DE POLÍTICA CRIMINAL - 
CONSEQÜENTE DESCARACTERIZAÇÃO DA TIPICIDADE PENAL EM 
SEU ASPECTO MATERIAL - PEDIDO DEFERIDO. - Aplica-se, ao delito 
castrense de porte (ou posse) de substância entorpecente, desde que 
em quantidade ínfima e destinada a uso próprio, ainda que cometido no 
interior de Organização Militar, o princípio da insignificância, que se 
qualifica como fator de descaracterização material da própria tipicidade 
penal. Precedentes (HC 97131 / RS - RIO GRANDE DO SUL. 
Relator(a): Min. CELSO DE MELLO. Julgamento: 10/08/2010. Órgão 
Julgador: Segunda Turma). 
HABEAS CORPUS. FURTO SIMPLES, NA FORMA TENTADA. 
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. MÍNIMO 
DESVALOR DA AÇÃO. VALOR ÍNFIMO DAS RES FURTIVAE. 
IRRELEVÂNCIA DA CONDUTA NA ESPERA PENAL. PRECEDENTES 
DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E DESTA CORTE. 
1. A conduta perpetrada pelo Paciente - tentativa de furto na forma 
simples de res furtiva avaliada em R$ 80,00 - insere-se na concepção 
doutrinária e jurisprudencial de crime de bagatela. 
2. Não se descura existir, no caso, tipicidade formal, pois a conduta do 
Paciente adequa-se ao paradigma abstrato definido na lei. Entretanto, 
não ocorre, na espécie, a tipicidade material: não houve lesão efetiva e 
concreta a bem jurídico tutelado pelo ordenamento penal, dado o 
reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente, o 
mínimo desvalor da ação e a ausência de qualquer consequência 
danosa. E a atipia material, segundo doutrina e jurisprudências 
hodiernas, exclui a própria tipicidade penal (HC 104.070⁄SP, Rel. Min. 
GILMAR MENDES, decisão monocrática, Informativo⁄STF n.º 592, v.g.). 
3. Habeas corpus concedido, para absolver o Paciente (art. 386, inciso 
III, do Código de Processo Penal). 
(HC 133.520⁄MG, Relatora a Ministra Laurita Vaz, DJe de 25⁄4⁄2011) 
 
PENAL. RECURSO ESPECIAL. TENTATIVA DE FURTO. 
ESTABELECIMENTO COMERCIAL VIGIADO. CRIME IMPOSSÍVEL. 
NÃO-CARACTERIZAÇÃO. 
RECONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. 
RECURSO PROVIDO. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO. 
1. O sistema de vigilância eletrônica instalado em estabelecimento 
comercial ou a existência de vigias, a despeito de dificultar a prática de 
furtos no seu interior, não é capaz de impedir, por si só, a ocorrência do 
fato delituoso, não autorizando o reconhecimento do crime impossível 
(REsp 1.109.970⁄SP, Rel. Min. PAULO GALLOTTI, DJ 17⁄6⁄09). 
2. O princípio da insignificância surge como instrumento de interpretação 
restritiva do tipo penal que, de acordo com a dogmática moderna, não 
deve ser considerado apenas em seu aspecto formal, de subsunção do 
fato à norma, mas, primordialmente, em seu conteúdo material, de cunho 
valorativo, no sentido da sua efetiva lesividade ao bem jurídico tutelado 
pela norma penal, consagrando os postulados da fragmentariedade e da 
intervenção mínima. 
3. A tentativa de furto de cinco ovos de páscoa, no valor de R$ 70,00, 
embora se amolde à definição jurídica do crime de furto, não ultrapassa 
o exame da tipicidade material, mostrando-se desproporcional a 
imposição de pena privativa de liberdade, uma vez que a ofensividade 
da conduta foi mínima, tendo sido os bens restituídos à vítima. 
4. Recurso especial provido para afastar a aplicação do art. 17 do CP. 
 
 
 
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5. Habeas corpus concedido de ofício para extinguir a ação penal, em 
razão do reconhecimento do princípio da insignificância. 
(REsp 1.171.091⁄MG, Relator o Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe de 
19⁄4⁄2010) 
 
Ressalte-se, ainda, que, segundo a jurisprudência consolidada no 
Colendo STJ, bem como no Supremo Tribunal Federal, a existência de 
condições pessoais desfavoráveis, tais como maus antecedentes, reincidência 
ou ações penais em curso, não impedem a aplicação do princípio da 
insignificância. 
 
A propósito, veja-se os seguintes precedentes: 
 
HABEAS CORPUS. FURTO TENTADO. PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. 
1. A intervenção do Direito Penal apenas se justifica quando o 
bem jurídico tutelado tenha sido exposto a um dano com 
relevante lesividade. Inocorrência de tipicidade material, mas 
apenas a formal, quando a conduta não possui relevância 
jurídica, afastando-se, por consequência, a ingerência da tutela 
penal, em face do postulado da intervenção mínima. 
2. No caso, não há como deixar de reconhecer a mínima 
ofensividade do comportamento do paciente, que tentou subtrair 
um botijão de gás, avaliado em R$ 30,00 (trinta reais), sendo de 
rigor o reconhecimento da atipicidade da conduta. 
3. Segundo a jurisprudência consolidada nesta Corte e também 
no Supremo Tribunal,a existência de condições pessoais 
desfavoráveis, tais como maus antecedentes, reincidência ou 
ações penais em curso, não impedem a aplicação do princípio 
da insignificância. 
4. Ordem concedida. 
(HC 148.663⁄RS, de minha relatoria, DJe de 5.4.2010), com 
destaques; 
 
 
HABEAS CORPUS. FURTO TENTADO. PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. MÍNIMO DESVALOR 
DA AÇÃO. VALOR ÍNFIMO DAS RES FURTIVAE. 
IRRELEVÂNCIA DA CONDUTA NA ESFERA PENAL. 
PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E 
DESTA CORTE. RÉU PORTADOR DE MAUS 
ANTECEDENTES. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. 
1. A conduta perpetrada pelo Paciente – tentativa de furto de 
dois pares de óculos escuros e um litro de licor Amarula – insere-
se na concepção doutrinária e jurisprudencial de crime de 
bagatela. 
2. O furto não lesionou o bem jurídico tutelado pelo ordenamento 
positivo, excluindo a tipicidade penal, dado o reduzido grau de 
reprovabilidade do comportamento do agente, o mínimo 
desvalor da ação e o fato não ter causado maiores 
conseqüências danosas. 
3. Conforme iterativa jurisprudência desta Corte Superior, o fato 
de o Paciente ostentar maus antecedentes não constitui 
motivação suficiente para impedir a aplicação do Princípio da 
Insignificância. 
4. Ordem concedida para cassar o acórdão impugnado e a 
sentença de primeiro grau, absolvendo o Paciente do crime 
imputado, por atipicidade da conduta. 
 
 
 
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(HC 148.863⁄MG, Relatora Ministra Laurita Vaz, DJe de 
22.3.2010), com destaques. 
 
HABEAS CORPUS. TENTATIVA DE FURTO. AUSÊNCIA DE 
TIPICIDADE MATERIAL. INEXPRESSIVA LESÃO AO BEM 
JURÍDICO TUTELADO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA 
INSIGNIFICÂNCIA. 
1. A intervenção do Direito Penal apenas se justifica quando o 
bem jurídico tutelado tenha sido exposto a um dano com 
relevante lesividade. Inocorrência de tipicidade material, mas 
apenas a formal quando a conduta não possui relevância 
jurídica, afastando-se, por consequência, a ingerência da tutela 
penal, em face do postulado da intervenção mínima. É o 
chamado princípio da insignificância. 
2. Reconhece-se a aplicação do referido princípio quando 
verificadas "(a) a mínima ofensividade da conduta do agente, (b) 
a nenhuma periculosidade social da ação, (c) o reduzidíssimo 
grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a 
inexpressividade da lesão jurídica provocada" (HC 84.412⁄SP, 
Ministro Celso de Mello, Supremo Tribunal Federal, DJ de 
19⁄11⁄2004). 
3. No caso, não há como deixar de reconhecer a mínima 
ofensividade do comportamento da paciente, que tentou subtrair 
de um supermercado uma chupeta, um prendedor de chupeta, 
duas mamadeiras, um condicionador e dois kits de xampu e 
condicionador. 
4. Segundo a jurisprudência consolidada nesta Corte e também 
no Supremo Tribunal Federal, a existência de condições 
pessoais desfavoráveis, tais como maus antecedentes, 
reincidência ou ações penais em curso, não impedem a 
aplicação do princípio da insignificância. 
5. Ordem concedida9. 
 
Pelo exposto, Excelência, indubitável que o fato cometido pela 
denunciada é totalmente atípico aos olhos da doutrina e jurisprudência, tendo 
em vista a aplicabilidade do princípio da insignificância. A vítima teve irrisório 
constrangimento diante da conduta da acusada, não havendo se falar em 
considerável lesividade da conduta, inclusive considerando o fato de que quando 
admoestada pela vítima, a acusada soltou a bolsa e ainda pediu desculpas por 
diversas vezes, conforme disposto pela própria vítima à fl.. 
 
2.2 – Da absolvição por atipicidade da conduta em virtude da Desistência 
Voluntária 
 
Caso a tese acima esposada não seja acatada, em privilégio ao 
princípio da eventualidade, a acusada deve ainda sim ser absolvida, visto a 
incidência da desistência voluntária. 
 
Na tentativa de furto, a não ocorrência do resultado lesivo por qual a 
lei faz depender a existência de crime, se dá por circunstâncias alheias à vontade 
 
9 STJ - HABEAS CORPUS Nº 221.913 - SP (2011⁄0248241-5). RELATOR: MINISTRO OG FERNANDES. 
IMPETRANTE : DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO. ADVOGADO : RICARDO LOBO DA 
LUZ - DEFENSOR PÚBLICO E OUTRO. IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. 
PACIENTE : ANDRÉIA APARECIDA SILVEIRA DIAS. Data do Julgamento: 14 de fevereiro de 2012. 
 
 
 
 
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do agente. Na desistência voluntária do agente não ocorre o resultado criminoso, 
devido o fato de o agente ter desistido voluntariamente de seu intento. Diz a lei 
no seu artigo 15 do código penal: “o agente que voluntariamente desiste de 
prosseguir na execução ou evita que o resultado se produza, só responde pelos 
atos praticados”. 
 
Na desistência voluntária o agente interrompe o curso dos atos 
executórios, voluntariamente, e assim, evita a consumação do crime. Convêm 
notar que os atos já praticados não têm idoneidade para causar a consumação 
no delito. 
 
Apesar de estar comprovado que a acusada agiu com animus furandi, 
restou evidenciado que esta desistiu voluntariamente de prosseguir na execução 
do furto, evadindo-se do local, após o apelo da vítima, tendo, inclusive, pedido 
desculpas, conforme afirmado pela própria vítima em suas declarações em sede 
de inquérito policial. 
 
Nota-se que a agente não tinha terminado os atos de execução do 
furto, uma vez que ainda não havia saído da esfera de vigilância da vítima, tendo 
desistido da prática do delito por um ato livre de vontade sua, visto que jogou a 
bolsa no chão, mas poderia ter se evadido do local com a bolsa. 
 
Não encontra sustentação a alegação do ministério público de que o 
agente somente teria ido embora do local sem o bem porque a vítima começou 
a gritar e ela ficou com medo e correu. 
 
Pelas circunstâncias do caso, observa-se que a vítima gritou apenas 
para que a ré soltasse a bolsa, o que foi feito, tendo comunicado acerca da 
subtração somente após tal fato. 
 
Também não há que se falar que a acusada somente fugiu e deixou 
o bem por ter sido surpreendida pelo segurança, haja vista que a mesmo 
somente foi abordada por um segurança após ter desistido de levar a bolsa, ou 
seja, quando já havia desistido voluntariamente de praticar o furto, conforme 
especifica o depoimento do próprio segurança. 
 
Ressalta-se que, para que reste configurada a previsão do artigo 15, 
do CP, não é necessário que o ato de desistência seja espontâneo, mas somente 
voluntário. A respeito do assunto, Rogério Greco (2009, p. 270) destaca que 
impõe a lei penal que a desistência seja voluntária, mas não espontânea. Isso 
quer dizer que não importa se a idéia de desistir no prosseguimento da execução 
criminosa partiu do agente, ou se foi ele induzido a isso por circunstâncias 
externas que, se deixadas de lado, não o impediriam de consumar a infração 
penal. O importante aqui, como diz Johannes Wessels, "é que o agente continue 
sendo dono de suas decisões". 
 
Assim, restou claramente caracterizada a desistência voluntária, que 
é causa pessoal de exclusão da punibilidade do agente no caso de furto, pois o 
dolo foi quebrado de forma voluntária antes da subtração do bem. 
 
 
 
 
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2.3 – Da dosimetria da pena. 
 
 Por amor ao debate, considerando a defesa, sinceramente, que as teses 
retro delineadas serão abraçadas por este juizo, mas em nome do princípio da 
eventualidade, insta consignar a necessidade de se averiguar a dosimetria da 
pena em caso de condenação. 
 
 Ora, conforme exposto, trata-se de crime tentado, no qual a acusada 
confessou perante este juizo a prática delitiva, bem como era menor de 21 anos 
na data da infração. Sabe-se que de acordo com a Súmula 231 do STJ, a 
incidência de circunstância atenuante não pode conduzir à reduçao da pena 
abaixo do mínimo legal, e que no caso exposto militam em favor da acusada 
duas atenuantes, quaissejam, a prevista no art. 65, I, bem como aquela prevista 
no art. 65, III, d, ambos no código penal, conforme dito alhures. 
 
 Tendo em vista o exposto, a defesa pugna para que a pena base seja 
fixada no mínimo legal, considerando todas as situações favoráveis presentes 
no art. 59 do Código Penal. Mesmo não sendo este o entendimento deste juízo, 
quando da dosimetria na segunda fase, a defesa pugna para que a pena seja 
fixada no mínimo legal, visto a incidência das duas atenuantes mencionadas e 
nenhuma agravante. Quando da dosimetria na terceira fase, requer a acusada 
que a pena seja minorada no máximo legal permitido, ou seja, em 2/3, conforme 
preceitua o art. 14, II, parágrafo único do CP. Não obstante tal situação, a defesa 
ainda requer a incidência de outra causa de diminuição de pena prevista no caso 
em análise, qual seja o furto privilegiado. 
 
 Quando o acusado for primário e for de pequeno valor a coisa furtada, 
pode o magistrado, nos ditames do §2°, do art. 155, do Código Penal, reduzir a 
pena de 1 a 2/3, convertê-la em restritiva de direitos ou aplicar somente multa. 
Pelo exposto, a defesa requer que a pena seja convertida em multa, conforme 
dispõe o artigo em comento. 
 
 
3. Dos Pedidos 
 
Diante do exposto, espera e requer a acusada: 
 
a) Seja absolvida com base no art. 386, III, do CPP, frente 
o princípio da insignificância; 
b) Eventualmente, requer a defesa a absolvição da 
acusada frente a incidência da desistência voluntária, 
conforme art. 386, III, do CPP; 
c) Pelo princípio da eventualidade, em caso de 
condenação, que seja fixada a pena no mínimo legal, 
com a incidência das minorantes da tentativa e do furto 
privilegiado no máximo permitido, culminando, ao final, 
na conversão da pena privativa de liberdade em multa, 
conforme especifica o § 2° do art. 155 do Código Penal. 
 
 
 
 
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Termos em que pede deferimento. 
 
Taguatinga, 08 de junho de 2012. 
 
 
 
 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 CASOS PARA RESOLUÇÃO 
 
1 
 
Marcílio de Tal, brasileiro, divorciado, primário e portador de bons antecedentes, 
carpinteiro, nascido em Curvelo - MG, em 7/9/1950, residente e domiciliado no Gama– 
DF, foi denunciado pelo Ministério Público como incurso nas penas previstas no art. 244, 
caput, c/c art. 61, inciso II, "e", ambos do Código Penal, em 10/11/2010. Na exordial 
acusatória, a conduta delitiva atribuída ao acusado foi narrada nos seguintes termos: 
 
Desde janeiro de 2016 até, pelo menos, 4/4/2019, em 
Samambaia – DF, o denunciado Marcílio de Tal, livre e 
conscientemente, deixou, em diversas ocasiões e por 
períodos prolongados, sem justa causa, de prover a 
subsistência de seu filho Vando de Tal, menor de 16 anos, 
não lhe proporcionando os recursos necessários para sua 
subsistência e faltando ao pagamento de pensão 
alimentícia fixada nos autos n.º 001/2005 – 5.ª Vara de 
Família de Planaltina – DF (ação de alimentos) e executada 
nos autos do processo n.º 002/2006 do mesmo juízo. 
Arrola como testemunha Mauana de Tal, genitora e 
representante legal da vítima. 
 
A denúncia foi recebida em 01/12/2023, tendo o réu sido citado e apresentado, através 
de um colega advogado que acostou procuração somente para o ato — visto que não 
tinha condições de contratar advogado sem prejuízo de seu sustento próprio e do de 
sua família — resposta à acusação, arrolando as testemunhas Margarida e Clodoaldo. 
 
A audiência de instrução e julgamento foi designada e Marcílio compareceu 
desacompanhado de advogado. Na oportunidade, o juiz não nomeou defensor ao réu, 
aduzindo que o Ministério Público estaria presente e que a prova produzida na vara de 
família, órfãos e sucessões era o bastante. 
 
No curso da instrução criminal, presidida pelo juiz de direito da 9.ª Vara Criminal, 
Mauana de Tal confirmou que Marcílio era um homem doente, mas isso não o havia 
impedido de constituir outra família depois que a deixou, no ano de 2012. 
 
As testemunhas Margarida e Clodoaldo, conhecidos de Marcílio há mais de 35 anos, 
afirmaram que ele é carpinteiro e ganha 1 salário-mínimo por mês, quantia que é 
utilizada para manter seus outros filhos menores e sua mulher, desempregada e 
incapacitada por conta de um AVC. Disseram, ainda, que todas as vezes que conversam 
com Marcílio, ele sempre diz que está tentando encontrar um bico, pois não consegue 
sustentar a si próprio nem a seus filhos, bem como que está deixando de fazer os 
pagamentos da pensão alimentícia a Vando, o que o preocupa muito, visto que deseja 
contribuir com a subsistência, também, desse filho, mas não consegue. 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Informaram, também, que o réu sofre de problemas cardíacos e de diabetes e gasta boa 
parte de seu salário na compra de remédios indispensáveis à sua sobrevivência. 
 
Após a oitiva das testemunhas, o Magistrado deu vista para que as partes 
apresentassem suas manifestações a respeito do feito. 
 
Em manifestação escrita, o Ministério Público pugnou pela condenação do réu nos 
exatos termos da denúncia. Para o feito, você foi intimado como advogado dativo do 
acusado, em 10/01/2024, quarta-feira, para apresentação da peça processual cabível. 
 
Considerando a situação hipotética acima apresentada, redija a peça processual 
pertinente, privativa de advogado, adequada à defesa de seu cliente. Em seu texto, não 
crie fatos novos, inclua a fundamentação que embase seu(s) pedido(s) e explore as teses 
jurídicas cabíveis, endereçando o documento à autoridade competente e datando-o no 
último dia do prazo para protocolo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Caso Júri 
 
Marialba e Veralúcia, amigas de infância, sempre foram altamente confidentes e 
quase irmãs. Tal amizade sempre se manteve incólume, até que as duas 
resolveram fazer o vestibular para o curso de Direito de uma conceituada 
Universidade localizada no Gama-DF. 
 
Por circunstâncias do destino, as duas amigas se apaixonaram pelo mesmo 
homem, Roberto, mas Marialba optou por manter tal paixão em segredo, 
permitindo que sua grande amiga conquistasse o rapaz, o que de fato ocorreu. 
 
Meses após, Roberto, de 18 anos, e Veralúcia, de 20 anos, subiram ao altar em 
05 de dezembro de 2014, sendo Marialba a madrinha daquela união que parecia 
tão sólida e feliz. Porém, como era confidente de Veralúcia, Marialba teve acesso 
a informações íntimas do casal e soube pela própria amiga que o casamento não 
era um conto de fadas, visto que logo no primeiro mês o casal estava a passar 
por uma crise intensa, devido aos ciúmes escabrosos de Veralúcia. 
 
Aproveitando este momento de instabilidade entre o casal, Marialba, em 
05/01/2015, resolveu procurar Roberto em sua residência, na Asa Sul, e para ele 
se declarou, expondo o amor que sempre sentiu desde o início da faculdade. 
Fragilizado por uma acalorada discussão que teve com Veralúcia momentos 
antes, Roberto cede aos encantos de Marialba e os dois passam a manter 
relação sexual. Em 12 de abril de 2015, Marialba descobre que espera um filho 
de Roberto, coisa que Veralúcia jamais poderia lhe dar, tendo em vista sua 
infertilidade. 
 
Marialba, no mesmo dia em que soube da gravidez, procurou Roberto que a 
tratou com total desprezo e determinou que Marialba tirasse aquela criança, visto 
ter sido fruto de uma única transa. Revoltada, Marialba ameaçou contar toda a 
verdade à Veralúcia, ao que Roberto afirmou que o bebê não nasceria. 
 
Passados dez dias contados deste fato, Roberto entrou em contato com Marialba 
para conversarem sobre o filho, tendo dito que assumiria a criança.Quando 
chegava ao Frans Café de Águas Claras, Marialba tropeçou em um meio fio, 
tendo caído violentamente no chão, oportunidade em que começou a ter um 
sangramento vaginal. Ao ver a cena e perceber que a moça chorava muito, 
Roberto foi ao seu encontro, prestando suporte e a colocando em seu carro, com 
outras duas pessoas que presenciaram toda a dinâmica. Sob o argumento de 
que ajudaria a aliviar a dor de Marialba, Roberto a ofereceu uma medicação, 
juntamente com um pouco de água, que afirmou ser dipirona, quando na verdade 
era uma medicação abortiva. 
 
No hospital, a hemorragia se tornou muito maior, oportunidade em que Marialba 
sentia cólicas absurdas e gritava de dor. 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Dias depois, por encaminhamento médico, Marialba foi encaminhada ao IML, 
pois o sangramento que teve não era compatível com a queda que sofreu e os 
médicos desconfiaram que a moça poderia ter ingerido alguma coisa que a levou 
a abortar. Diante do feito, foi instaurado o IP, pois o laudo constatou a existência 
de medicamento abortivo em Marialba. Na delegacia, Roberto confessou ter 
dado medicação abortiva para que a moça perdesse o bebê. Nesses termos, 
Roberto foi denunciado pelo crime previsto no art. 125, caput, do CP. 
 
A peça acusatória foi recebida no dia 05/06/2023, que passou a tramitar perante 
o juízo competente. Conforme exame pericial juntado aos autos, foi devidamente 
confirmada a existência de resquícios de saco gestacional, compatível com 
gravidez em Marialba, mas sem elementos suficientes para a confirmação de 
aborto espontâneo ou provocado, eis que a queda ocasionou diversas fraturas 
no feto, o que poderia tê-lo levado à óbito, todavia, foi identificado no organismo 
elevados índices de misoprostol, medicação altamente abortiva. 
 
Após apresentação da resposta à acusação tempestivamente, sem arguição de 
preliminares ou teses de absolvição sumária, foi designada audiência de 
instrução e julgamento. As únicas testemunhas, Vanessa e Sofia, arroladas tanto 
pela defesa quanto pela acusação, afirmaram que Marialba realmente estava 
grávida, pois eram suas vizinhas e sabiam do fato, e disseram também que, em 
data que não se recordam, Marialba tropeçou no meio fio e gritou muito, tendo 
tido um pequeno sangramento decorrente da queda. Afirmaram que ofereceram 
ajuda e quiseram levar Marialba ao hospital, mas Roberto, que estava próximo, 
prestou atendimento e deu uma medicação à moça, dizendo ser para dor. 
 
Após oitiva das testemunhas, em ato contínuo, o Magistrado encerrou a 
audiência de instrução e julgamento, dando vista dos autos para as partes se 
manifestarem, sucessivamente, acerca dos fatos colhidos na instrução 
processual. 
 
O MP diante do feito, postulou pela pronúncia de Roberto nos exatos termos da 
denúncia. 
 
Você, como patrono de Roberto, foi intimado em 21/09/2023, uma quinta-feira. 
Diante do caso exposto, apresente a medida processual cabível, articulando 
todas as teses possíveis, sem criar fatos que não estejam no processo, e date a 
peça com o último dia de prazo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Prática Penal I – 
 
Recursos 
 
Requisitos de Admissibilidade Comum a todos os recursos 
 
 
Pressupostos de Admissibilidade dos Recursos – Para que um recurso seja 
recebido, processado e conhecido, há que se respeitar determinados requisitos, quais 
sejam: 
 
1 – Objetivos: 
 
a.1 – Cabimento: Deve haver previsão legal expressa para sua interposição; 
a.2 – Adequação: Deve-se utilizar exatamente o recurso previsto em lei para tal hipótese; 
a.3 – Tempestividade: Deve haver interposição do recurso dentro do prazo legal 
previamente estabelecido pelo ordenamento jurídico pátrio; 
 
2 – Subjetivos: 
 
b.1 – Interesse: Somente pode recorrer a parte que demonstre real inconformismo (que 
tenha, de alguma forma, sucumbido); 
b.2 – legitimidade: Como regra, somente quem é parte na relação processual é quem pode 
interpor o recurso cabível. 
 
 
 
APELAÇÃO 
 
Recurso de apelação no processo penal: constitui a apelação na atualidade, 
recurso ordinário por excelência, previsto na quase totalidade das legislações modernas, 
caracterizada por ampla devolução cognitiva ao órgão ad quem. É eficaz instrumento 
processual para a atuação do princípio do duplo grau de jurisdição. 
Consoante ensina GRINOVER (2001, p. 112): 
Em face do extenso âmbito cognitivo do órgão recorrido, 
pode este reapreciar questões de fato e de direito, ainda que 
julgadas anteriormente, mormente em matéria processual 
penal onde o mais comum é não haver preclusão; pode 
também examinar questões ainda não analisadas pelo juiz, 
que estejam compreendidas na abrangência da impugnação. 
Assim, o Juízo ad quem (Tribunal) exerce duas funções: funções rescisória e 
rescindente, pois no julgamento da apelação haverá a substituição de uma sentença por 
outra. Entretanto, no caso de reconhecimento de uma nulidade não haverá função 
rescisória nem rescindente e sim a cassação da sentença nula, que foi objeto da apelação. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Apelação
http://pt.wikipedia.org/wiki/Recurso_(direito)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ad_quem
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Princípio_do_duplo_grau_de_jurisdição&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Preclusão
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Nesse passo, da análise do artigo 593, chega-se à conclusão que a apelação é um 
recurso amplo pois permite a discussão de fatos e de direitos, tendo por isso um caráter 
genérico sendo cabível nas sentenças definitivas ou com forças de definitivas, bem como 
nas decisões do Júri, sendo, obrigatoriamente nesse caso, um recurso de fundamentação 
vinculada, conforme se verá a seguir. 
Cabimento da apelação 
Cabe apelação contra: 
1. Sentenças condenatórias; 
2. Sentenças absolutórias; 
3. Nos casos do artigo 593, II do CPP. 
A apelação deve sempre ser endereçada ao juízo ad quem competente. Apesar de ser 
interposta em 1º grau, em face do juiz prolator da sentença, a apelação não permite, ao 
contrário do recurso em sentido estrito, o juízo de retratação, ou seja, a sua apreciação 
pelo prolator da decisão. 
1. Quanto à extensão do inconformismo: plena (totalidade do julgado) ou parcial (parte 
do julgado). Se não é identificada a parte impugnada presume-se que houve apelação 
plena. 
2. Quanto à forma procedimental: ordinária – aquela cabível nos crimes punidos com 
reclusão, quando é seguido o rito do artigo 613 do CPP ou sumária: aquela cabível nos 
delitos puníveis com pena de detenção, em que há previsão de forma procedimental 
abreviada (artigo 610 CPP) 
3. Principal da subsidiária ou supletiva: a primeira corresponde àquela interposta pelo 
Ministério Público, enquanto a segunda representa a formulada pelo ofendido, habilitado 
ou não como assistente, isto porque este exerce papel de auxiliar da acusação e só pode 
apelar quando o promotor de justiça deixe de faze-lo do prazo legal (artigo 598 do CPP). 
O prazo é de 15 dias e este recurso não possui efeito suspensivo (art. 598, parágrafo único, 
do CPP). 
 
Art. 593, Inciso I – são aquelas que julgam a procedência ou improcedência da acusação, 
com a condenação ou absolvição do réu e que encerram o processo em 1º grau de 
jurisdição. São também conhecidas com definitivas stricto sensu e estão prevista nos 
artigos 386 e 387 do CPP. Atualmente, contra a sentença de impronúncia ou de absolvição 
sumária caberá apelação (art. 416, CPP, com redação dada pela Lei 11.689/2008). 
Artigo 593, Inciso II – duas espécies de decisões, as definitivas e as com força de 
definitivas. São consideradas definitivas lato sensu as decisões de mérito que encerram o 
processo. Contudo tais decisões são diferentes daquelas contidas no inciso I, pois não 
condenam ou absolvem o réu.Por exemplo, são consideradas definitivas lato sensu: 
1. A decisão que extingue a punibilidade; 
2. A que concede o perdão judicial; 
3. As proferidas em Habeas Corpus ou revisão criminal, entre outras. 
São consideradas decisões com força de definitivas aquelas que solucionam 
procedimentos e processos incidentais, as terminativas (que encerram o processo sem 
julgamento do mérito) e, ainda, como sucede com a Lei 9.099/95, as decisões que 
determinam de forma definitiva a suspensão condicional do processo. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Recurso_em_sentido_estrito
http://pt.wikipedia.org/wiki/Stricto_sensu
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lato_sensu
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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Por fim, cabe lembrar que as decisões do juiz singular que não se enquadrem nos 
incisos I e II, não admitem apelação e, caso não sejam também objeto de recurso em 
sentido estrito serão, via de regra, irrecorríveis. 
Há casos em que as decisões previstas nos incisos I e II do artigo 593, não são 
atacáveis por apelação, mas sim por recurso em sentido estrito. São exemplo dessas 
decisões: 
1. de rejeição de denúncia ou queixa (artigo 581, I); 
2. a que acolhe exceção de coisa julgada, de ilegitimidade de parte ou de litispendência (art. 
581, III); 
2. a decisão que extingue a punibilidade (artigo 581, IX.) 
Da mesma maneira o Código de Processo penal estatui que não poderá ser usado 
recurso em sentido estrito nas decisões em que seja cabível apelação. Nesses termos, deve 
ser interposta apelação mesmo que a decisão seja, em outro momento processual que não 
o de decisão definitiva, guerreada por recurso em sentido estrito. 
DA APELAÇÃO DAS DECISÕES DO TRIBUNAL DO JÚRI 
No que concerne às apelações das decisões do tribunal do júri, temos a sua base 
regulada pelo art. 593, III, “a” a “d”, do CPP. Importante que se for na primeira fase, em 
se tratando de absolvição sumária ou impronúncia, também caberá apelação nos termos 
do art. 416 do CPP. 
 
Inicialmente, podemos observar ser esse tipo de recurso bem diferenciado 
daqueles originados em razão de decisões proferidas pelo juiz singular, posto que, 
enquanto das mencionadas decisões o efeito da apelação assume um caráter devolutivo, 
ou seja, a lide é devolvida para nova apreciação pelo juízo “ad quem”, nas apelações de 
decisões do tribunal do júri essa apreciação assume um caráter restrito, sem a devolução 
do conhecimento pleno da causa, limitando-se o tribunal ad quem a um conhecimento 
ditado pela lei. Em razão de sua natureza não há devolução à superior instância do 
conhecimento integral da causa criminal. Isso ocorre em razão de que as decisões do 
tribunal do júri assumiram o “status” de garantia constitucional, impossibilitando assim 
interferências em seu conteúdo. É o que foi disposto no art. 5º, XXXVIII, “c”, da CF, 
onde estabelece que é reconhecida a instituição do júri, assegurada a soberania dos 
veredictos. 
 
Partindo objetivamente para a prática dessas apelações, temos como primeira 
situação de admissibilidade aquela determinada pelo art. 593, III, “a”, onde estabelece a 
possibilidade de apelação das decisões do júri quando ocorrem nulidades posteriores à 
pronúncia. 
 
Devemos, de pronto, verificar que nulidades são essas. Constatamos que são 
aquelas nulidades estabelecidas pelo art. 564, III, “f” a “k”, estando atreladas ao inciso I, 
a causa estabelecida no artigo 448 do CPP. Deve-se observar, no entanto, a diferença para 
o caso de ser uma nulidade absoluta ou relativa, visto que esta é passível de preclusão se 
não impugnada após as formalidades para o julgamento, enquanto aquelas não sofrem 
esse tipo de restrição. 
 
Formalidade do Júri: Ordem obrigatória a ser seguida na audiência: 
 
 
 
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 Art. 473. Prestado o compromisso pelos jurados, será iniciada a 
instrução plenária quando o juiz presidente, o Ministério Público, o 
assistente, o querelante e o defensor do acusado tomarão, sucessiva e 
diretamente, as declarações do ofendido, se possível, e inquirirão as 
testemunhas arroladas pela acusação. 
 § 1o Para a inquirição das testemunhas arroladas pela defesa, o 
defensor do acusado formulará as perguntas antes do Ministério Público 
e do assistente, mantidos no mais a ordem e os critérios estabelecidos 
neste artigo. 
 § 2o Os jurados poderão formular perguntas ao ofendido e às 
testemunhas, por intermédio do juiz presidente. 
 § 3o As partes e os jurados poderão requerer acareações, 
reconhecimento de pessoas e coisas e esclarecimento dos peritos, bem 
como a leitura de peças que se refiram, exclusivamente, às provas 
colhidas por carta precatória e às provas cautelares, antecipadas ou não 
repetíveis. 
 Art. 474. A seguir será o acusado interrogado, se estiver presente, 
na forma estabelecida no Capítulo III do Título VII do Livro I deste 
Código, com as alterações introduzidas nesta Seção. 
 § 1o O Ministério Público, o assistente, o querelante e o defensor, 
nessa ordem, poderão formular, diretamente, perguntas ao acusado. 
 § 2o Os jurados formularão perguntas por intermédio do juiz 
presidente. 
 
Outras causas legais de nulidade por ausência de requisito formal: 
 
Art. 478. Durante os debates as partes não poderão, sob pena de 
nulidade, fazer referências: 
 I – à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que julgaram 
admissível a acusação ou à determinação do uso de algemas como 
argumento de autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado; 
 II – ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por falta 
de requerimento, em seu prejuízo. 
 Art. 479. Durante o julgamento não será permitida a leitura de 
documento ou a exibição de objeto que não tiver sido juntado aos autos 
com a antecedência mínima de 3 (três) dias úteis, dando-se ciência à 
outra parte. 
Parágrafo único. Compreende-se na proibição deste artigo a leitura de 
jornais ou qualquer outro escrito, bem como a exibição de vídeos, 
gravações, fotografias, laudos, quadros, croqui ou qualquer outro meio 
assemelhado, cujo conteúdo versar sobre a matéria de fato submetida à 
apreciação e julgamento dos jurados. 
 
 
A afronta a qualquer das fórmulas acima é causa de nulidade. Assim é que caso o 
tribunal “ad quem” acate, dê provimento, a uma alegação de nulidade, os atos são 
anulados para que haja uma renovação na primeira instância até que possam vir a ser 
conclusos para um novo julgamento. Devemos esclarecer que essa ocorrência não fere o 
princípio constitucional da “soberania dos veredictos” em razão de que o julgamento se 
tornou insubsistente ao passo que os atos anteriores ao seu intento estavam viciados. Não 
houve modificação da decisão e sim a declaração de sua inexistência jurídica. 
 
No art. 593, III, “b”, do CPP, temos a admissibilidade de recurso da decisão do 
tribunal do júri para casos em que a sentença for contrária à lei expressa ou à decisão dos 
jurados. 
 
 
 
 
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Verificamos ser esse um caso em o que se dispõe em apreço não é o veredicto dos 
jurados – estando eles fora de apreciação – e sim a sentença que é proferida pelo juiz-
presidente da sessão de julgamento, quando se observa ter sido a sua decisão diversa 
daquela que deveria ter sido proferida caso fossem observadas as alegações do tribunal 
do júri ou ainda no caso da própria lei. Respeita-se o regular pronunciamento dos jurados 
que não pode ser atacado. Nesse caso o tribunal de apelação fará as retificações 
necessárias, posto que profere uma nova decisão em substituição àquela prolatada pelo 
juiz-presidente da sessão. 
 
Temos ainda o caso de apelação quando houver erro ou injustiça no tocante à 
aplicação da pena ou da medida de segurança. É o que dispõeo art. 593, III, “c”, do CPP. 
 
Há de se ver inicialmente que o dispositivo legal alcançaria os casos em que, na 
sentença, o juiz-presidente não acolhe as razões dos membros do júri e interfere nas 
causas de aumento ou diminuição da pena, bem como nas agravantes ou atenuantes, para 
melhorar ou piorar a situação de quem sofreu o apenamento. Essa seria a situação lógica 
que não atingiria aquilo que foi decidido pelo júri. 
 
Por fim, no que toca a admissibilidade de apelação em razão de decisões do 
tribunal do júri, temos que é possível quando a decisão dos jurados for manifestamente 
contrária à prova dos autos. É o que está disposto no art. 593, III, “d”, do CPP. Para esse 
último caso verificamos a possibilidade da entrada no “mérito da questão” para que haja 
uma nova análise. É uma espécie de recurso diferente no que podemos dizer que interfere 
superficialmente na decisão do júri, só que não em seu conteúdo. No que concerne à 
abrangência desse dispositivo podemos entender que pode ser utilizado para os casos em 
que há total discrepância entre o que foi colhido nos autos e aquilo que foi decidido pelo 
conselho leigo quando agiu sem a menor concordância com a logicidade presumida em 
situações idênticas. Isso não significa que não possa dar interpretação que considera 
conveniente. Pode, desde que essa interpretação esteja em consonância com as provas dos 
autos. 
 
Para o caso desse último item, a nova apreciação deve ser feita por novo 
julgamento, através de conselho de jurados. É o que dispõe o art. 593, § 4º, do CPP. 
Entendemos desnecessária essa afirmação em razão da garantia constitucional, já 
mencionada, da soberania das decisões do tribunal do júri. Com isso não poderia o 
tribunal “ad quem” fazer uma apreciação do mérito da causa e tão-somente das condições 
de admissibilidade da apelação. 
 
Podemos ainda tecer considerações sobre o parágrafo terceiro do artigo 593 do 
CPP no que se refere a impossibilidade de segunda apelação por motivo idêntico ao 
anterior. O legislador pretendeu com isso evitar que a parte utilizasse da má-fé para 
acionar por diversas vezes o juízo quando o caso foi alvo de apreciação, duas vezes pelo 
tribunal do júri, onde aqueles motivos, fundamentos, que levaram à apelação já foram 
apreciados, quer modificados, quer não. Existe a possibilidade de um terceiro julgamento, 
desde que a apelação não tenha como fundamento legal situação anteriormente apreciada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto da Peça: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA 
CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri. Se for, é 
endereçada ao JUIZ PRESIDENTE da Vara do Tribunal do Júri. 
 
 
Processo nº 
 
 
 Fulano de tal, devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, 
inconformado com a sentença proferida às fls., vem tempestivamente perante Vossa 
Excelência, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, com fulcro no art. 593, 
I, do Código de Processo Penal, interpor: 
 
Apelação 
 
pugnando que, após exercido o juizo de admissbilidade do presente recurso, bem como 
das razões recursais que estão em anexo, sejam os autos remetidos ao Egrégio Tribunal 
de Justiça e Territórios, para apreciação das referidas razões. 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento. 
 
Data, local (muita atenção na data! Se o problema disser que você teve ciência da sentença 
no dia 05 de maio, este termo DEVE ser interposto até o dia 10 de maio (são cinco dias). 
O prazo começa a correr do dia seguinte e é fatal. 
Se a petição for somente RAZÕES DE APELAÇÃO, sem necessidade de interposição do 
recurso, o prazo passa a ser de 8 dias contados da interposição feita em audiência ou pelo 
próprio réu quando devidamente intimado da decisão. 
 
Advogado 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS 
 
Processo nº 
Apelante: Nome 
Apelado: Ministério Público do Distrito Federal e Territórios 
Origem: Vara de origem. 
 
Colenda Turma, 
Inclitos Julgadores! 
 
 Em que pese o ilibado saber jurídico do magistrado a quo, o recorrente vem 
perante Vossas Excelências por intermédio de seu patrono infra assinado, apresentar 
Razões de Apelação, com base nos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor: 
 
I – Da Admissibilidade do Recurso 
 
 No que tange aos requisitos extrínsecos, trata-se o presente apelo de recurso 
cabível e adequado, ante a procedência da pretensão acusatória pelo magistrado a quo, 
assim como tem por satisfeita a tempestividade, considerando que a sentença 
condenatória foi publicada no dia ... e a interposição feita em ..., ou seja, exatamente no 
quinquídio legal. 
 
 Quanto aos requisitos intrínsecos, há interesse por ter havido condenação do 
recorrente, bem como está satisfeita a questão da legitimidade, visto que o apelante é 
legalmente legitimado para interpor o presente recurso. 
 
I – Breve Resumo dos Fatos: 
 
Narrar aqui, de forma sucinta, os fatos, falando da denúncia que condenou o 
apelante. 
 
 Ao final, terminar com frase de impacto: “entretanto, a sentença proferida, com a 
máxima data vênia do entendimento do juizo a quo, merece a mais ampla reforma. 
II – Do Direito 
II.1 – Das Preliminares 
 
Se houver alguma preliminar, o momento de narrar é anterior à narrativa do 
direito. Lembrar que a apelação nada mais é que a peça de Alegações Finais 
“reapresentada” na segunda instância. As nulidades são as mesmas narradas na peça 
defensiva de primeira instância. 
 
II.2 – Das Nulidades 
 
Lembrar que quando houver alguma nulidade, o pedido será pela cassação da sentença. 
 
 
 
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II.3 – Do Mérito 
 
Falar da sentença e dos motivos pelos quais ela deve ser reformada. Aqui, falar do 
mérito propriamente dito. Teses abordadas em alegações finais que não foram 
legitimamente analisadas pelo magistrado a quo. 
 
III – Dos pedidos: 
 
Requerer o conhecimento da apelação para declarar a nulidade por ... constante no 
art. 564, inciso ... e cassar a sentença a quo, que maculou o feito (alega-se isso quando há 
alguma nulidade no problema que foi trabalhada em sua peça). No mérito, pugna-se por 
seu provimento a fim de que seja reformada a sentença primeva, absolvendo o réu 
conforme art. 386, inciso ... (ou desclassificando o delito... enfim, corroborando a tese da 
defesa). 
 
Pede Deferimento. 
Local, data. 
 
Advogado 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PROCESSAMENTO DO RECURSO DE APELAÇÃO 
 
Tratando do processamento do recurso de apelação, temos que existem duas fases 
de desenvolvimento. Uma realizada no juízo “a quo” e outra no juízo “ad quem”. 
Passaremos então a essas fases. 
 
A fase inicial, realizada no juízo de primeira instância é aquela da interposição do 
recurso, podendo o apelante utilizar-se de formas indeterminadas, desde que atenda a 
finalidade de cientificar o juízo do seu objetivo de inconformismo com o julgamento 
obtido e anseio de reavaliação da causa. Não comporta efeito regressivo como o RESE. 
 
Assim, “assinado o termo de apelação, o apelante e, depois o apelado terão o prazo 
de 8 (oito) dias cada uma para oferecer razões, (art. 600, “caput”, do CPP). Como já visto, 
a parte dispõe de um prazo para apelar, que em regra é de 5 (cinco) dias, e de outro para 
apresentar as suas razões, ou seja, a sua fundamentação, em que está se baseando para 
desejar uma nova apreciação da lide. 
 
O § 1º, do art. 600, do CPP, estabelece que “se houver assistente,este arrazoará, 
no prazo de 3 (três) dias, após o Ministério Público”. De início poderíamos imaginar que 
haveria um cerceamento no tocante ao prazo do assistente, o que não condiz com a 
realidade em razão de que dispôs, além daquele prazo oferecido ao Ministério Público, 
de mais de 3(três) dias para formular as suas razões, caso sejam necessárias. 
 
Estabelece o art. 600, § 3º, do CPP, que “sendo dois ou mais os apelantes ou 
apelados, os prazos serão comuns” Desse dispositivo se extrai a ideia de que os prazos 
devem correr em cartório caso as partes não acordem de forma diversa, visto que não se 
poderia privilegiar uma parte com prazos maiores em razão de quantidade. A exceção que 
se faz a isso é com relação ao Ministério Público, que deve ter vista dos autos fora do 
Cartório. No tocante aos demais, são intimados da decisão através da Imprensa Oficial, 
não dispondo do privilégio do órgão do “Parquet” (Lei n.º 9.271, de 17.04.1996). 
 
Seguimos então para a segunda fase do processamento, que ocorre no juízo “ad 
quem”, visto que ultrapassada a fase inicial. Caso a apelação ultrapasse as fases de 
primeira instância, com a apresentação do recurso e razões, oportunidade para 
contrarrazões, preenchimento dos requisitos para admissibilidade, então os autos serão 
remetidos à superior instância. 
 
O art. 601, “caput”, do CPP, dispõe que: “Findos os prazos para razões, os autos 
serão remetidos à instância superior, com as razões ou sem elas, no prazo de 5 (cinco) 
dias, salvo no caso do art. 603, segunda parte, em que o prazo será de 30 (trinta) dias”. O 
art. 603, do CPP, menciona os casos em que devem ficar traslado dos termos essenciais 
do processo em cartório por razão da distância, nos casos em que a comarca não é sede 
do tribunal. A distância explica o maior prazo dispensado. 
Assim, remetidos os autos ao tribunal ad quem, caso já existem razões de 
apelação, será feito um novo juízo de admissibilidade para então levá-lo a novo 
julgamento com inclusão em pauta. 
 
Há casos, porém, que o apelante prefere apresentar as suas razões no próprio 
tribunal. Situação essa prevista no art. 601, “caput”, do CPP, já mencionado, e regulada 
 
 
 
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pelo art. 600, § 4º, do CPP, onde expõe que “Se o apelante declarar, na petição ou no 
termo, ao interpor a apelação, que deseja arrazoar na superior instância, serão os autos 
remetidos ao tribunal ‘ad quem’ onde será aberta vista às partes, observados os prazos 
legais, notificadas as partes pela publicação oficial”. 
 
Como se vê, o que se diferencia da situação anterior é que para esse caso aquilo 
que deveria ter sido feito no juízo “a quo”, no tocante às intimações necessárias e prazos 
para as razões e contrarrazões, será feita no juízo “ad quem”, em razão de faculdade 
permitida por lei, o que não deixa de ser um benefício ao apelante, que disporá de maior 
prazo para as suas razões. 
 
Por último não podemos deixar de mencionar uma situação diferenciada que é o 
caso de dois ou mais réus, o que deverá ser feito caso não haja apelação de todos para não 
tumultuar o processo. O art. 601, § 1º, do CPP, resolve o problema, impondo que: “Se 
houver mais de um réu, e não houver todos sido julgados, ou não tiverem todos apelado, 
caberá ao apelante promover extração do traslado dos autos, o qual deverá ser remetido à 
instância superior no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da entrega das últimas 
razões de apelação, ou do vencimento do prazo para a apresentação das do apelado”. 
Assim, o dispositivo resolve a situação de tumulto processual, evitando que a eficácia da 
decisão fique suspensa em relação àqueles que não apelaram, contribuindo para a 
agilização processual no sentido de justiça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Modelo de Apelação com termo de interposição 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA PRIMEIRA VARA 
CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE TAGUATINGA-DF 
 
 
 
 
Processo 2012.07.1.022711-1 
 
 
 
 
 Renildo de Jesus, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem perante 
Vossa Excelência por intermédio de seu patrono subscritor, não se resignando com a 
sentença de fls. 234, com espeque no art. 593, I, do Código de Processo Penal, interpor 
 
 
RECURSO DE APELAÇÃO 
 
 
pugnando para que, após o efetivo exercício de admissibilidade por parte deste Juízo deste 
recurso, bem como das razões que lhe acompanham, possa haver a remessa dos autos ao 
Tribunal de Justiça, a fim de que possa haver o regular processamento e julgamento do 
presente apelo. 
 
Termos em que pede deferimento. 
 
Taguatinga, 14 de janeiro de 2013. 
 
 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E 
TERRITÓRIOS 
 
 
Autos n. 2012.07.1.022711-1 
Apelante: RENILDO DE JESUS 
Apelado: MINISTÉRIO PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS 
Origem: 1ª VARA CRIMINAL DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE 
TAGUATINGA-DF 
 
 
 
RAZÕES DO RECURSO DE APELAÇÃO 
 
 
 
 
COLENDA TURMA, 
ÍNCLITOS JULGADORES, 
 
 
 
I – DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. 
 
 No que tange aos requisitos extrínsecos, trata-se o presente apelo de recurso 
cabível e adequado, ante a procedência da pretensão acusatória pelo magistrado a quo, 
assim como tem por satisfeita a tempestividade, considerando que a sentença 
condenatória foi publicada no dia 07 de janeiro de 2013 e a interposição feita em 14 de 
jeneiro do mesmo ano, respeitando-se o quinquídio legal, considerando que o quinto dia 
se deu no sábado, dia 12, devendo, assim, a prorrogação do prazo se dar para o próximo 
dia útil. 
 
 Quanto aos requisitos intrínsecos, há interesse por ter havido condenação do 
recorrente, bem como está satisfeita a questão da legitimidade, visto que o apelante é 
legalmente legitimado para interpor o presente recurso. 
 
 
I - BREVE RELATÓRIO DO PROCESSO: 
 
 Trata-se de ação penal intentada contra o RENILDO DE JESUS, denunciado pelo 
Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, no incurso do crime do art. 157, 
caput, c/c art. 14, inciso II (duas vezes) e art. 157, caput, todos do Código Penal Brasieliro, 
conforme denúncia de fls. 02/05. 
 O réu foi condenado a pena de 05 (cinco) anos e 07 (sete) meses e 15 (quinze) dias 
de pena privativa de liberdade no regime fechado, bem como ao pagamento de 30 (trinta) 
dias-multa, sendo o dia-multa fixado em 1/30 avos do salário mínimo. 
 
 
 
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 Em sentença, quando da dosimetria da pena, o magistrado fixou pena-base no 
mínimo legal – 04 (quatro) anos, havendo a compensação entre a confissão como 
atenuante e a circunstância agravante da gravidez da vítima, e aumento de pena, em face 
da reincidência, em 6 (seis) meses de reclusão. Por fim, operou-se o aumento de pena em 
1/4 (um quarto) em razão do reconhecimento da continuidade delitiva, culminando em 
pena final de 05 (cinco) anos e 07 (sete) meses e 15 (quinze) dias de pena privativa de 
liberdade no regime fechado. 
 
 Entretanto, a conduta do apelante descrita nos autos e conforme depoimentos 
prestados nos revela a ausência das elementares indispensáveis do tipo penal de roubo, 
quais sejam, violência ou grave ameaça. A mesma linha de raciocínio não foi seguida na 
dosimetria em sua terceira etapa, sendo fixado aumento de pena de 1/4 (um quarto), ou 
seja, acima do mínimo legal, qual seja: 1/6 (um sexto). 
 
II – DO DIREITO 
 
II – DA INEXISTÊNCIA DE GRAVE AMEAÇA OU DE VIOLÊNCIA 
EXERCIDA PELO ACUSADO IMPRESCINDÍVEIS PARA A REALIZAÇÃO DO 
TIPO PENAL DESCRITO NA DENÚNCIA – DESCLASSIFICAÇÃO PARA O 
CRIME DE FURTO. 
 
 Quantoao primeiro e segundo fatos, inquestionável a ausência da grave ameaça 
apta a caracterizar o delito de roubo. Ambas as vítimas apesar de se sentirem 
constrangidas com a conduta do acusado, não foram submetidas à grave ameaça. Ora, 
cabe salientar que uma delas, Ana Cristina, em juízo (fls. 116), afirmou que após gritar, 
o réu disse tratar-se de uma brincadeira e evadiu-se para lado oposto ao que a vítima se 
encaminhava. Ora, flagrante a ausência do dolo de roubar do acusado, visto que este 
estava em vantagem em relação à vítima por estar em uma bicicleta e poder ter empregado 
qualquer ato de violência contra a mesma, o que não fez. A vitima foi enfática em juízo 
em dizer que não viu arma alguma, fato que descaracteriza a grave ameaça. 
 
 No que tange a segunda vítima, Carolina Godinho, a mesma também afirmou de 
forma concisa em juízo (fls. 115), que viu que o acusado não portava nenhum objeto por 
debaixo da camisa, razão pela qual não se sentiu ameaçada e começou a gritar, fato que, 
assim como no primeiro caso, fez com que o acusado afirmasse tratar de uma brincadeira 
e se evadir do local em sua bicicleta, sem prosseguir com os atos executórios do roubo 
por livre e espontânea vontade. Destarte, para se configurar o roubo, não basta uma mera 
ameaça, tendo esta que ser grave ao ponto de reduzir totalmente a capacidade de reação 
da vítima. 
 
 Neste diapasão, são unânimes doutrina e jurisprudência, visto que ambas 
asseveram que para a ocorrência do crime de roubo, imprescindível que o agente 
tenha empregado violência ou grave ameaça. Assinalam, outrossim, que o emprego da 
grave ameaça tem que ter o condão de intimidar; de causar temor à vítima. Se a grave 
http://jus.com.br/revista/texto/16438/desclassificacao-de-roubo-para-furto-por-inexistencia-de-violencia-ou-grave-ameaca
 
 
 
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ameaça não cumprir este papel, impossível se falar em roubo, conforme a doutrina do 
Professor Julio Fabbrini Mirabete, vejamos: 
"A violência (vis physica) consiste no desenvolvimento de força física para 
vencer resistência real ou suposta, de quem podem resultar morte ou lesão 
corporal ou mesmo sem a ocorrência de tais resultados (vias de fato), assim 
como ocorre na denominada "trombada" (item 157.6). No caso do roubo, é 
necessário que a violência seja dirigida à pessoa (vis corporalis) e não à coisa, 
a não ser que, neste caso, repercuta na pessoa, impedindo-a de oferecer 
resistência ‘a conduta da vítima"(Código Penal Interpretado. 1. ed. 1999; 3ª 
tiragem 2.000; São Paulo. Atlas). 
 O constrangimento que tipifica o roubo é aquele exercido mediante violência ou 
ameaça grave. Exige-se, para a caracterização do roubo, uma ação ostensiva, eficaz 
e idônea a intimidar e assim impossibilitar a resistência da vítima. Não havendo a grave 
ameaça e ou a violência, elementos essenciais para a caracterização do delito de roubo, 
deve haver a desclassificação para o crime de furto. Para que se configure a grave ameaça, 
é preciso que ela seja séria e efetiva, a fim de impedir que as vítimas resistam, sendo 
certo que, a simples ordem de entrega de objetos, ainda que aliada ao número de agentes, 
não se mostra bastante e suficiente para configurar o crime de roubo. 
 
 Este é também o entendimento do Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal 
e Territórios, vejamos: 
APELAÇÃO CRIMINAL. ROUBO. DESCLASSIFICAÇÃO PARA FURTO. 
AUSÊNCIA DE VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA. POSSIBILIDADE. 
MATERIALIDADE E AUTORIA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. NÃO 
OCORRÊNCIA. DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE. CUSTAS 
PROCESSUAIS. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 
I - Verificado que a prova coligida não demonstra as elementares do emprego 
de violência ou grave ameaça capazes de caracterizar o crime de roubo, 
impõe-se a desclassificação da conduta para furto simples. 
II - Comprovadas a materialidade e a autoria, bem como o intuito do apelante 
em se apossar de bens alheios, a condenação é medida que se impõe. 
III - A desclassificação do delito de roubo para o de furto simples não implica 
na atipicidade da conduta, pois a prova dos autos não deixa dúvida de que a 
vontade do apelante era dirigida à subtração dos bens da vítima. 
IV - Correta a manutenção da prisão do recorrente quando mantidos os 
requisitos que ensejaram a segregação. 
V - O Juízo das execuções é o competente para decidir eventual pedido de 
isenção do pagamento de custas processuais. 
VI - Recurso conhecido e parcialmente provido.(Acórdão n. 620007, 
20110310360588APR, Relator NILSONI DE FREITAS, 3ª Turma Criminal, 
julgado em 06/09/2012, DJ 21/09/2012 p. 398) 
 
IV – DA APLICAÇÃO DO CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO 
 
 No ordenamento jurídico, excepcionalmente, a técnica de exasperação da pena 
cede lugar ao critério da cumulação material, em sede de concurso formal. Tal situação 
ocorre quando, embora haja unidade de conduta (marca fundamental do concurso ideal) 
dolosa, os resultados criminosos resultam de desígnios autônomos. Este é o teor da 
http://jus.com.br/revista/texto/16438/desclassificacao-de-roubo-para-furto-por-inexistencia-de-violencia-ou-grave-ameaca
http://www.jurisnet.adv.br/treepad/documents/D77F42F12B9605CA5AA9632BCC7E7BEABC4AE1F0.html
 
 
 
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segunda parte do caput do art. 70 do CP: "As penas aplicam-se, entretanto, 
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de 
desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior". 
 
 Este é exatamente o caso dos autos! Com base no exposto, a defesa requer a 
aplicação da pena dos crimes em exame no mínimo legal com a incidência do concurso 
formal impróprio. 
 
V - DOS PEDIDOS 
 
Por todo o exposto, requer seja o presente recurso conhecido, porque adequado e 
tempestivo e, no mérito requer provimento para REFORMA da r. sentença 
recorrida, a fim de que seja desclassificado o crime de roubo para o de furto. Requer 
também, subsidiariamente, que seja aplicado o concurso formal impróprio, determinando-
se a pena de cada um dos crimes no mínimo legal permitido em direito. 
 
 Termos em que, 
 Pede-se o deferimento. 
 
Brasília-DF, 14 de janeiro de 2013. 
 
 
 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Risno Reinaldo, brasileiro, solteiro, residente e domiciliado na QI 10, casa 22, 
Taguatinga, nascido em 10/05/94, de reputação até então ilibada, sempre sonhou em ter 
seu primeiro automóvel, mas estava desempregado, portanto, impossibilitado de comprar 
um. 
 
No dia 10/05/2014, momento em que saia de sua residência para procurar algum bico, 
Risno encontrou Malaquias Felixiano, um vizinho altamente envolvido em práticas 
criminosas, chefe de uma quadrilha de roubo à mão armada a carros na região do Distrito 
Federal, fato que era de conhecimento de Risno. Neste momento, uma viatura da policia 
militar passava pelo local, tendo encontrado os dois rapazes conversando, nada fora do 
normal, fato que faz com que a viatura prosseguisse em seu itinerário. 
 
Minutos após este evento, Malaquias ofertou a Risno um Fiat Pálio 2003 pelo valor de 
R$ 4.000,00, veiculo que poderia ser pago em 10 vezes, dispondo que roubou o carro 2 
horas antes juntamente com um colega, e que ambos almejavam repassá-lo a alguém que 
não colocaria o negócio deles a perder, razão pela qual Risno havia sido indicado, 
deixando claro que o valor de mercado do veículo girava em torno de R$15.000. Sem 
pestanejar, Risno aceitou a oferta e se apossou do veiculo que lhe fora entregue no mesmo 
instante, agradecendo a Deus pelo presente de aniversário. 
 
Ocorre que, horas mais tarde, almejando sair de Taguatinga, conduzindo o veiculo e 
dando na oportunidade uma carona para Malaquias,Risno foi abordado por uma Blitz do 
Detran. Analisados os documentos do carro, foi constatado que o mesmo era produto 
advindo de atividade ilícita, razão pela qual Risno e Malaquias foram encaminhados à 
DP. 
 
Ao chegarem, a dona do veículo, que foi encaminhada para reconhecimento do carro e 
do suposto autor do roubo, fez o reconhecimento olhando para o vidro da porta de uma 
sala em que estavam Malaquias e mais 6 pessoas, afirmando que durante a empreitada 
criminosa, havia visto o rosto do rapaz que lhe havia apontado uma faca (Malaquias), mas 
que não tinha certeza acerca da participação de Risno, pois o outro cara estava de capuz. 
 
Dois policiais que faziam a ronda pela circunscrição afirmaram terem visto Risno e 
Malaquias conversando horas antes da apreensão do veiculo na blitz, o que os levou a 
conclusão de que ambos cometeram o crime em unidade de desígnios. 
 
Uma terceira testemunha presencial do roubo afirmou ter visto a atuação dos dois ladrões, 
pois, após subtraírem o carro da vitima, o que estava de capuz o tirou dentro do veículo, 
momento em que pôde vê-lo, e afirma, com segurança e presteza, que um deles é 
Malaquias, mas que não conseguiu reconhecer o outro como sendo Risno. 
 
Em seus interrogatórios, Malaquias ficou calado, mas Risno disse que não roubou carro 
nenhum. Perguntado pela autoridade policial do por que estava dirigindo o veículo que 
 
 
 
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Malaquias havia roubado, Risno aduziu que o carro era seu, pois havia comprado de 
Malaquias horas antes pelo valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais). 
 
Finalizada a fase inquisitória, os autos foram enviados ao MP, tendo o órgão acusador 
oferecido a denúncia no dia 09/06/18, e recebida a exordial pelo juízo competente no dia 
12 de junho do mesmo ano. A citação transcorreu regularmente, tendo o réu apresentado 
sua primeira peça defensiva nos termos ajustados no CPP. 
 
Em 19 de novembro de 2018, em audiência de instrução e julgamento designada para 
finalização do procedimento, Risno, que se encontra respondendo o processo em 
liberdade, e Malaquias, que estava preso preventivamente, compareceram juntamente 
com seus patronos. A audiência transcorreu sem máculas, tendo a prova produzida em 
sede inquisitorial sido fidedignamente reproduzida em juízo, sem qualquer discrepância. 
Após os devidos debates orais efetivados pelas partes, sobreveio sentença condenatória 
pelo crime de roubo em concurso de agentes com uso de arma, em face dos dois acusados. 
Em sua sentença, o magistrado fixou para Risno a pena de 6 anos e 4 meses em regime 
semiaberto, consignando na sentença o que se segue: 
 
Trata-se de roubo em concurso de agentes e com utilização 
de arma. A prova da autoria e da materialidade encontra-se 
consubstanciada nos depoimentos prestados pelas 
testemunhas. Em que pese a vítima não ter certeza acerca 
da participação do acusado Risno na empreitada criminosa, 
bem como a outra testemunha alegar a não participação do 
mesmo, o depoimento dos dois policiais militares 
incriminam o acusado. Há de se consignar, ainda, que o 
próprio acusado, preso em flagrante conduzindo o veiculo 
objeto do roubo, consigna ter comprado um carro advindo 
de ilícito, fato que denota que o mesmo possui, 
inequivocadamente, certa participação no crime em voga. 
A majorante da arma se justifica com base no § 2º do art. 
157 do CP, visto a data da prática no crime não se ajustar à 
modificação legal advinda da lei 13654 de junho de 2018. 
Nos termos do artigo 68 do Código Penal, passo à 
dosimetria: Nenhuma circunstância está apta a exacerbar a 
pena base. Com base em minuciosa análise ao art. 59, fixo-
a em 4 anos de reclusão e 10 dias multa. No que tange à 
segunda fase, apesar de reconhecer as atenuantes atinentes 
ao feito, deixo de aplicá-las em virtude da Súmula 231 do 
STJ, mantendo a pena intermediária no montante antes 
fixado. Noutro giro, em se tratando da terceira fase, incidem 
duas majorantes presentes no §2° do art. 157, quais sejam, 
uso de arma e concurso. Por tal circunstância, se fosse 
somente uma a pena seria majorada em 1/3, fixada a pena 
definitiva em 5 anos e 4 meses de reclusão. Como foram 
duas majorantes a reprimenda deve se dar num grau mais 
elevado, razão pela qual elevo a pena para 6 anos e 4 meses 
serem cumpridos em regime inicialmente semiaberto, nos 
termos elencados no art. 33, §2°, b, do diploma repressivo. 
 
 
 
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Após a prolação e publicização da sentença em audiência, data em que as partes 
foram devidamente intimadas no ato, uma sexta-feira, o ministério público manifestou 
desinteresse recursal. A defesa técnica e o acusado fizeram consignar em ata, pelo 
escrivão, o inequívoco inconformismo com o julgado, circunstância pela qual o 
magistrado abriu prazo para que a peça processual fosse apresentada. Diante do exposto, 
como patrono de Risno, apresente a medida processual cabível, se atentando para as teses 
possíveis, bem como para o último dia de prazo para propositura da peça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Apelação Júri 
 
DIULIAN DURAN foi denunciado por infração ao art. 121, §2º, I, c/c art. 14, II, 
ambos do Código Penal Brasileiro. Narra a denúncia que: 
“(...) no dia 22 de fevereiro de 2010, nas imediações da CNA 15 da Região Administrativa 
de Taguatinga, o acusado, imbuído de animus necandi, teria efetuado disparos de arma de 
fogo contra a vítima DIMI HENDRICK, seu vizinho, não o atingindo por circunstancias 
alheias a sua vontade já que acertou o chão. Resta consignar que o fato delituoso teria se 
dado porque réu e vítima são inimigos, e o acusado tentou ceifar a vida da vítima por 
vingança. Assim, resta incurso nas sanções do art. 121, §2º, I, c/c art. 14, II, do CP”. 
O acusado foi citado no dia 04 de junho de 2010 e apresentou resposta a acusação. 
Em audiência de instrução e julgamento, ocorrida no dia 30 de agosto de 2010, foram 
ouvidas a vítima e as testemunhas ELANO, LINDALVINA, ALBERTO, CEARINA e 
MONICA, encerrando-se com o interrogatório do réu. Posteriormente, após os debates 
orais o Juiz proferiu sentença pronunciando o acusado nos exatos termos da denúncia. As 
partes não recorreram desta. 
O plenário foi designado para o dia 20 de abril de 2011(quarta-feira). Aberta a 
sessão procedeu-se o sorteio dos seguintes jurados: 1) Maria Aparecida Silva; 2) Amélia 
Pereira; 3) Joana Prado; 4) Marcelo Rodrigues; 5) Fátima Bonfim; 6) Mariane Ferreira e 
seu esposo Kennedy Ferreira. Em seguida, prestado o compromisso dos jurados iniciou-
se a instrução plenária. 
A vítima afirmou que dias antes do ocorrido teria discutido com seu vizinho porque 
estava passeando com seu cachorro quando o mesmo defecou em frente a casa do réu. 
Irritado, o réu teria proferido uma série de palavrões, fato que ocasionou verdadeiro bate 
boca entre os dois. Dias após, a vítima teria novamente levado seu cão para passear, 
momento em que seu cão defecava novamente em frente à casa do acusado, quando este 
saiu já dando um tiro para o chão, não tendo a vítima sido atingida de forma letal porque 
conseguira fugir. 
Em seguida, a testemunha Elano afirmou que presenciou os fatos narrados na 
acusação. Que a vítima e o acusado haviam discutido dias antes tendo em vista o fato de 
que a vítima teria levado seu cão para defecar em frente à casa do réu. No dia dos fatos, 
a vítima teria, novamente, levado seu cão para fazer suas necessidades em frente à casa 
do acusado, quando o réu, tentando persuadir a vítima a não fazer mais aquilo, foi 
agredido covardemente pela vítima. Tentando parar as agressões, o acusado empunhou 
uma arma de fogoefetuando um único tiro para o chão, almejando somente fazer com 
que a vítima fosse embora da frente de sua residência, o que de fato aconteceu. As demais 
testemunhas confirmaram na íntegra a versão de Elano. 
O Acusado, por sua vez, afirmou que efetuou um único disparo para baixo após 
uma discussão com a vítima. Disse, ainda, que jamais quis atingi-lo tanto que após o 
disparo adentrou sua residência. 
Em sede de debates o nobre Representante do Ministério Público argumentou que 
o acusado agiu com intenção homicida tanto que foi pronunciado e em seguida efetuou a 
leitura da decisão de pronúncia, focando na sabedoria do juiz presidente ao entender pela 
decisão exposta. A Defesa, por sua vez, argumentou que em momento algum o acusado 
teve intenção homicida tanto que efetuou o disparo para baixo e não prosseguiu efetuando 
disparos porque não quis. Alegou ainda que, mesmo se houvesse animus necandi, incidia 
sobre a espécie o privilégio, o que denota ser improcedente a qualificadora. 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
2011 
68 
2024 
Após condenação pelo conselho de sentença, que desconsiderou a qualificadora, 
sobreveio sentença aplicando ao acusado a pena de 12 anos de reclusão, pena mínima do 
homicídio qualificado. O Juiz entendeu que o júri não possui capacidade técnica para 
entender o que se entende por motivo torpe e que não há como afastá-lo da conduta do 
acusado, sendo um absurdo reconhecer o privilégio no caso em análise. A redução pela 
tentativa foi aplicada em 1/3, sendo, assim, fixada a pena em 8 anos. O regime mantido 
continuou sendo o fechado, visto tratar-se o homicídio qualificado, ainda que na forma 
tentada, de crime hediondo. 
 
- Na qualidade de advogado constituído pelo acusado elabore a peça cabível. Não 
invente fatos, aborde todas as teses defensivas cabíveis e date a petição no último dia do 
prazo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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2024 
• Contrarrazões de Apelção!! 
 
Pela paridade de armas, TODOS os recursos exigem que a parte adversa apresente 
suas contrarrazões. No caso de apelação, a fundamentação está no art. 600, caput, do 
CPP, cujo prazo é de 8 dias. 
 
MODELO: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 1a VARA CRIMINAL DA 
COMARCA DE MACEIÓ/AL 
 
Processo no... 
 
JOÃO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com 
procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, apresentar 
as presentes CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO, com base no artigo 600 do Código de 
Processo Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa ao Tribunal de Justiça 
do Estado de Alagoas. 
 
Nestes termos, 
Pede deferimento. 
 
Local..., 13 de novembro de 2018. 
 
Advogado... 
OAB... 
 
 
 
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS 
 
 
APELANTE: Ministério Público 
APELADO: João 
CONTRARRAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO ou RAZÕES DO 
APELADO 
Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas 
Colenda Câmara Criminal 
 
I) DOS FATOS 
O réu foi denunciado pela prática do crime tráfico e associação para o tráfico, 
previstos nos artigos 33 e 35, combinado com a causa de aumento do art. 40, inciso IV, 
todos da Lei 11.343/06. 
Ao final da instrução, o Magistrado proferiu sentença parcialmente procedente 
para o fim de condenar o réu pelo crime de tráfico de drogas, aplicando a pena de 01 ano, 
11 meses e 10 dias de reclusão e 195 dias multa, a ser cumprida em regime aberto. 
Inconformado, o Ministério Público interpôs recurso de apelação, acompanhado 
das respectivas razões recursais, no dia 25 de outubro de 2018. 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10615752/artigo-600-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91622/codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91622/codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10867208/artigo-33-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10866905/artigo-35-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10866643/artigo-40-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10866494/inciso-iv-do-artigo-40-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95503/lei-de-toxicos-lei-11343-06
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
2011 
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2024 
O Magistrado recebeu o recurso de apelação do Ministério Público e intimou a 
defesa para apresentar a medida cabível no dia 05 de novembro de 2018. 
 
II) DO DIREITO 
 
A) DA NULIDADE DA INSTRUÇÃO 
B) 
O Ministério Público arguiu a nulidade da instrução, em face do interrogatório não 
ter sido o primeiro ato da instrução. 
Todavia, embora o art. 57 da Lei 11.343/06 disponha que o interrogatório é o 
primeiro ato no procedimento da Lei de Drogas, o fato é que a nulidade não foi suscitada 
no momento adequado, ou seja, na audiência, uma vez que o Ministério Público somente 
postulou a nulidade em sede de recurso. 
Além disso, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça adotam 
o entendimento no sentido de que não há nulidade quando o interrogatório for realizado 
como último ato da instrução, aplicando-se as regras do artigo 400 do Código de Processo 
Penal, sobretudo porque não há violação do princípio do contraditório e ampla defesa. 
Nesse sentido, deve a alegação da nulidade ser afastada. 
 
C) DA ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO 
 
O Ministério Público postula a condenação do réu pelo crime de associação para 
o tráfico, previsto no artigo 35 da Lei 11.343/2006. 
Todavia, para caracterizar tal delito é necessário o animus de praticar o tráfico de 
forma permanente e estável, o que não restou comprovado. Isso porque, o réu João e o 
adolescente se conheceram um dia antes dos fatos, praticando, em tese, apenas um delito, 
não caracterizando, portanto, a relação estável e permanente exigida para a incidência do 
crime de associação para o tráfico (0,40). 
Diante disso, deve ser mantida a absolvição em relação ao delito de associação 
para o tráfico. 
 
D) DA DOSIMETRIA DA PENA 
 
O Ministério Público requer o aumento da pena-base alegando que o tráfico gera 
consequências graves para a sociedade. 
Todavia, a gravidade abstrata do crime do tráfico, por si só, não é fundamentação 
idônea para elevar a pena base acima do mínimo legal. 
Além disso, a ofensa à saúde pública é inerente ao crime de associação para o 
tráfico e tráfico de drogas, ou seja, integra o delito, não podendo tal circunstância ser 
usada também para elevar a pena-base acima do mínimo legal, já que representaria 
verdadeiro bis in idem. 
Sendo assim, não deve ser aumentada a pena-base do delito de tráfico, mantendo-
se no mínimo legal. 
 
DA ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA 
 
O Ministério Público postula o afastamento da atenuante da confissão espontânea. 
Todavia, o réu admitiu que a droga apreendida seria destinada à ilícita 
comercialização, sendo a confissão utilizada pelo juiz para fundamentar a sua decisão. 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10864781/artigo-57-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95503/lei-de-toxicos-lei-11343-06
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95503/lei-de-toxicos-lei-11343-06
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641396/artigo-400-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91622/codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91622/codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10866905/artigo-35-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95503/lei-de-toxicos-lei-11343-06
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR– MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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71 
2024 
Logo, deve ser mantida a atenuante da confissão espontânea, prevista no artigo 65, 
inciso III, d, do Código Penal, já que considerada pelo Magistrado para fundamentar sua 
decisão, conforme previsão da Súmula 545 do Superior Tribunal de Justiça. 
 
DO TRÁFICO PRIVILEGIADO 
 
O Ministério Público requer o afastamento da causa de diminuição pelo tráfico 
privilegiado, previsto no artigo 33, § 4o, da Lei 11.343/2006, tendo em vista que o réu seria 
portador de maus antecedentes. 
 
Todavia, o fato de o agente apenas responder por outro processo de furto não serve 
para caracterizar maus antecedentes, conforme previsão da Súmula 444 do Superior 
Tribunal de Justiça, bem como em razão do princípio da presunção da inocência, previsto 
no artigo 5o, LVII, da Constituição Federal/88. 
Logo, deve ser mantida a causa de diminuição do art. 33, § 4o, da Lei 11.343/06. 
 
DO REGIME FECHADO 
 
O Ministério Público pugna pela aplicação do regime inicial fechado para 
cumprimento de pena, argumentando a natureza hedionda do tráfico. 
Todavia, o art. 2o, § 1o, da Lei 8.072/90, foi declarado inconstitucional pelo 
Supremo Tribunal Federal, pois viola o princípio da individualização da pena, previsto 
no art. 5o, XLVI, da Constituição Federal/88. Além disso, o Supremo Tribunal Federal e o 
Superior Tribunal de Justiça pacificaram o entendimento no sentido de que o tráfico 
privilegiado não tem natureza hedionda. 
Sendo assim, o pedido ministerial de aplicação do regime fechado deve ser 
afastado, mantendo-se o regime inicial aberto. 
 
DA PENA RESTRITIVA DE DIREITOS 
 
O Ministério Público postula pelo afastamento da substituição da pena restritiva 
de direitos diante da previsão do art. 33, § 4o, da Lei 11.343/06. 
Todavia, apesar da expressa vedação do artigo referido, é possível a substituição 
da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, uma vez que tal vedação foi 
declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como diante da 
Resolução no 5 do Senado, por conta da violação do princípio da individualização da 
pena, previsto no artigo art. 5o, XLVI, da Constituição Federal/88. 
Assim, deve ser mantida a substituição da pena privativa de liberdade por 
restritiva de direitos. 
 
III) DOS PEDIDOS 
 
Ante o exposto, requer o conhecimento e o NÃO PROVIMENTO do recurso de 
apelação interposto, MANTENDO-SE, por conseguinte, a decisão recorrida nos seus 
exatos termos. 
 
Local..., 13 de novembro de 2018. 
Advogado... 
OAB... 
 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10632120/artigo-65-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10632037/inciso-iii-do-artigo-65-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10631856/alinea-d-do-inciso-iii-do-artigo-65-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10867208/artigo-33-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10866965/paragrafo-4-artigo-33-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95503/lei-de-toxicos-lei-11343-06
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constituicao-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10728238/inciso-lvii-do-artigo-5-da-constituicao-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constituicao-federal-constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10867208/artigo-33-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10866965/paragrafo-4-artigo-33-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95503/lei-de-toxicos-lei-11343-06
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11269884/artigo-2-da-lei-n-8072-de-25-de-julho-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/11269741/paragrafo-1-artigo-2-da-lei-n-8072-de-30-de-maio-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/103283/lei-dos-crimes-hediondos-lei-8072-90
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constituicao-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10729020/inciso-xlvi-do-artigo-5-da-constituicao-federal-de-1988
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constituicao-federal-constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-1988
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10867208/artigo-33-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10866965/paragrafo-4-artigo-33-da-lei-n-11343-de-23-de-agosto-de-2006
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/95503/lei-de-toxicos-lei-11343-06
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91813/resolucao-5-01
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
2011 
72 
2024 
Recurso em Sentido Estrito 
 
 É o recurso cabível contra decisões interlocutórias, quando se tratar de hipóteses 
expressamente previstas em lei (o rol é taxativo, ou seja obrigatório – art. 581 do CPP). 
 
O RESE, como é conhecido o recurso em sentido estrito, também pode impugnar 
as decisões terminativas de mérito quando: 
 
- atacar declaração de extinção de punibilidade (art. 581, VIII, CPP); 
- atacar decisão que nega ou concede HC, considerando-se esta uma autêntica ação (art. 
581, X, CPP). 
 
Procedimento: O recurso em sentido estrito será INTERPOSTO no prazo de 05 
dias, por petição ou por termo nos autos (arts. 578 e 586 do CPP). No caso de exclusão 
de jurado da lista ( art. 581, XIV, do CPP), o prazo para interposição será de 20 dias, 
contados da data da publicação definitiva da lista de jurados (art. 586, parágrafo único). 
Após a interposição (termo), as partes terão o prazo sucessivo de 02 dias (contados da 
interposição) para apresentação das razões do recurso em sentido estrito e das respectivas 
contrarrazões (art. 588 do CPP). Mas em provas, deverá ser aposto no próprio termo que 
as razoes estão em anexo ao recurso. 
 
O processamento do recurso se dá por instrumento (formam-se autos apartados, 
que sobem ao tribunal, enquanto o principal continua na Vara de Origem.Tira-se cópia 
das peças indicadas pelas partes e daquelas obrigatórias previstas no parágrafo único do 
art. 587 do CPP). Exceções - casos do art. 583 do CPP: Sobem juntamente com os autos 
os recursos interpostos em face de decisões: 
 
- Que concedem ou deneguem ordem de HC; 
- Que não recebem denúncia ou queixa; 
- Que reconhecem a procedência das Exceções; 
- Que decretam a Pronúncia; 
- Que declaram Extinção de Punibilidade; 
- Em Hipóteses de inexistência de prejuízo para o prosseguimento da instrução. 
 
O recurso em sentido estrito, como regra, não tem efeito suspensivo, exceto no 
caso de perda da fiança e denegação da apelação ou declaração de sua deserção. Deve ser 
julgado pelo tribunal (órgão colegiado), salvo quando se tratar de inclusão ou exclusão 
de jurado, quando a decisão caberá ao presidente do Tribunal de Justiça ou ao Presidente 
do TRF (crimes de alçada federal). 
 
Insta consignar, ainda, que o RESE provoca o efeito regressivo, ou seja, possibilita 
que o juiz, conhecidas as razões e contrarrazões das partes, possa retratar-se antes de 
provocar a subida dos autos, modificando sua decisão. Se o juiz modificar sua decisão, a 
outra parte inconformada com a reforma, poderá pedir a subida dos autos (ou do traslado) 
ao tribunal, como se fosse recurso interposto, servindo as contrarrazões que apresentou 
como suas razões recursais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
2011 
73 
2024 
modelo 
 
 Felizberto Aquino foi pronunciado por homicídio qualificado pelo motivo fútil e 
recurso que impossibilitou a defesa da vítima, Geraldino Galdino, crime ocorrido em 01 
de junho de 2001. Nesta data, Felizberto estava prestes a completar sua segunda década 
de vida. 
 
Em 06 de setembro de 2011, o Juízodo Tribunal do Júri de Brasília recebeu a 
denúncia oferecida pelo MPDFT, tendo a referida peça acusatória originado a ação penal 
número 2011.01.1.04444-4. 
 
Compulsando os autos, o juiz entendeu presente a materialidade da infração penal, 
bem como a autoria do acusado, alegando que o laudo cadavérico atesta a morte da vítima 
por afogamento, e o relato de uma testemunha que viu as partes empreenderem luta 
corporal perto da ponte, tendo a vítima caído desta e desaparecido logo em seguida, 
corrobora para a existência do crime. 
 
O réu alegou em sua defesa a ocorrência de legítima defesa, igualmente afastada 
na pronúncia, bem como a desclassificação e o decote como teses subsidiárias. A decisão 
que pronunciou Felizberto, nos moldes da denúncia foi publicada em 10 de novembro de 
2011, uma segunda feira. 
 
Como advogado, proponha a medida judicial cabível se atentando para o último 
dia de prazo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
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74 
2024 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DO TRIBUNAL DO 
JÚRI DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA – DF (por se tratar de crime 
doloso contra a vida, deve-se obervar a competência fixada pelo art. 74, §1º, do CPP. O 
recurso é interposto perante o juízo que decretou a pronúncia, para que seja exercido o 
juízo de admissibilidade do recurso). 
 
Autos nº 
 
Felizberto Aquino, devidamente qualificado nos autos da ação penal em epígrafe 
(Como já há ação penal em curso, não há necessidade de “requalificar” o acusado. Basta 
indicar que o réu já foi qualificado nos autos da ação penal, cujo número foi consignado 
no corpo da petição), vem perante Vossa Excelência, por intermédio de seu procurador 
que esta subscreve, conforme instrumento de mandato em anexo, inconformado com a 
decisão de pronúncia consignada às fls., com fulcro no art. 581, IV, do CPP, interpor 
(termo correto) 
 
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO 
 
requerendo, após o exercício de admissibilidade do presente recurso e das razões que que 
lhe acompanham, possa haver o juízo de retratação, a fim de que seja modificada a decisão 
que pronunciou o acusado, operando-se a despronúncia. (Em se tratando de RESE, 
quando há ausência de indícios de autoria ou de materialidade do crime, a defesa pugna 
pela IMPRONÚNCIA do acusado, nos moldes do art. 414 do CPP. A impronúncia é uma 
decisão com força de definitiva, não fazendo coisa julgada material, somente formal. Não 
se deve requerer a absolvição por falta de provas em sede de RESE, mas sim, a 
impronúncia, que serve como uma “absolvição indireta”, tendo em vista que os autos 
serão arquivados, só podendo haver o desarquivamento do processo se houverem novas 
provas – art. 414, parágrafo único, CPP. Em sede de RESE, pode-se requerer a absolvição 
sumária do acusado nos moldes do 415; pode-se requerer a impronúncia, que é o 
arquivamento dos autos por ausência de indícios de autoria ou materialidade; pode-se 
requerer a desclassificação do delito, nos moldes do art. 419 do CPP; pode-se requerer, 
também, o afastamento da qualificadora quando o entendimento do juízo se pautar pela 
pronúncia e esta se der por um crime doloso contra a vida, acompanhado de uma 
qualificadora) Não sendo este o entendimento de Vossa Excelência, pugna a defesa pelo 
regular processamento do recurso, remetendo-o ao Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito 
Federal e Territórios para regular processamento do feito. 
 
Pede Deferimento. 
 
Brasília, 17 de novembro de 2011. (Atenção para o prazo de 05 dias!! Se o último dia cair 
em dia não útil, prorroga-se a data para o próximo dia útil subsequente. Caso se trate 
somente de razões o prazo são dois dias e não se confecciona o termo de interposição). 
Advogado 
OAB. 
 
 
 
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E 
TERRITÓRIOS 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
2011 
75 
2024 
 
 
Recorrente: Felizberto Aquino 
Recorrido: Ministério Público do Distrito Federal e Territórios 
Autos nº 2011.01.1.04444-4 
Origem: Vara do Tribunal do Júri da Circunscrição Judiciária de Brasília-DF 
 
 
Ínclitos Julgadores, 
Colendo Tribunal! 
 
 Em que pese o notável saber jurídico do magistrado a quo, o recorrente, não se 
conformando com a decisão de pronuncia de fls., vem perante Vossas Excelências 
apresentar suas Razões de Recurso em Sentido Estrito, conforme fatos e fundamentos 
jurídicos que passa a expor: 
 
I – DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 
 
 No que tange aos requisitos extrínsecos, trata-se o presente recurso de medida 
processual cabível e adequado, ante pronúncia do acusado pelo magistrado a quo, assim 
como tem por satisfeita a tempestividade, considerando que a decisao de pronúncia foi 
publicada no dia ... e a interposição feita em ..., ou seja, exatamente no quinquídio legal. 
 
 Quanto aos requisitos intrínsecos, há interesse por ter havido a pronúncia do 
recorrente para que seja julgado pelo júri popular, bem como está satisfeita a questão da 
legitimidade, visto que o apelante é legalmente legitimado para interpor o presente 
recurso. 
 
 
 
I - BREVE RESUMO DOS FATOS 
 
 O recorrente foi pronunciado como incurso nas penas do art. 121, §2º, II e IV, do 
Código Penal, porque no dia 01 de junho de 2001, em uma ponte próxima da BR 120, por 
volta das 23:00 hs, teria empurrado a vítima Geraldo Galdino da ponte, fazendo com que 
a mesma caísse no leito de um rio, desaparecendo nas águas. 
 
 Conforme a denúncia, o acusado teria agido à traição, agindo pelas costas da 
vítima, bem como por motivo fútil, tendo em vista uma discussão anterior existente entre 
as partes por conta de uma dívida da vítima para com o recorrente. 
 
 A decisão de pronúncia, entretanto, não merece prosperar, conforme demonstrará 
a defesa a seguir. 
 
II - DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELO TRANSCURSO DO PRAZO 
PRESCRICIONAL 
 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICA PENAL I 
 
2011 
76 
2024 
 Antes de adentrar o mérito da questão, imprescindível suscitar questão preliminar 
que obsta o andamento do feito. Conforme se infere dos autos, o suposto crime teria sido 
cometido em 01/06/2001, período em que o acusado contava com 19 anos de idade. 
 
 Ora, Excelências, indubitável que a denúncia só foi oferecida em 06 de setembro 
de 2011, tendo transcorrido mais de 10 anos da prática do suposto delito. 
 O Código Penal Brasileiro em seu artigo 107, estabelece no inciso IV, que a 
punibilidade do agente se torna extinta pela prescrição, in verbis: 
 
 Art. 107. Extingue-se a punibilidade: 
 (...) 
 IV – pela prescrição, decadência ou perempção. 
 
Sabe-se que a prescrição é entendida como a perda do direito de punir do Estado 
face a sua inércia, e pode-se operar, também, antes do trânsito em julgado da sentença. 
Neste caso, a prescrição é regulada pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada 
ao crime, analisando o que diz a lei a respeito de tal prazo. Sabe-se que o crime imputado 
ao ora recorrente possui como pena máxima em abstrato o prazo de 30 anos, o que, 
segundo a lei, prescreve em 20 anos. Veja o que diz o art. 109, I, do Código Penal, ipsis 
literis: 
 
Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, 
salvo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 110 deste Código, regula-se pelo 
máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, 
verificando-se: 
I – em 20 anos, se o máximo da pena é superior a 12 anos. 
 
Ocorre, Excelências, que o diploma penal em comento determinou em seu art. 115 
que quando o autor do fato delituoso for menor de 21 anos na data do ocorrido, o prazo 
prescricional é reduzido pela metade, in verbis: 
 
Art. 115. São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o 
criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 anos, ou, na data da 
sentença, maior de 70anos. 
 
Conforme consignado na peça acusatória, o recorrente possuía 19 anos na data do 
fato. Prescrevendo o crime que lhe é imputado em 20 anos, conforme regra especificada 
no art. 109, I, do CPB, no caso sob análise, a prescrição cai para 10 anos. Tendo 
transcorridos mais de 10 anos entre a data do fato (01/06/01), e a data do oferecimento da 
denúncia (06/09/2011), possível concluir que operou-se o transcurso do prazo 
prescricional, devendo ser decretada, por isso, a extinção da punibilidade do agente. 
 
III - DO DIREITO 
 
III.1 – DA ABSOLVIÇÃO PELA LEGÍTIMA DEFESA 
 
Não sendo o entendimento deste Egrégio Tribunal o acatamento da preliminar 
suscitada, fato que a defesa articula por mero amor ao debate, o recorrente vem 
demonstrar as razões pelas quais não merece prosperar a pronúncia. 
 
Em momento algum o réu nega que tenha entrado em luta corporal com a suposta 
vítima e, em face disso, ter essa última caído nas águas do rio. O próprio recorrente, 
ofertando mostras de sua sinceridade, desde a fase policial, admitiu esse fato. Entretanto, 
 
 
 
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afirmou claramente ter agido em legítima defesa, tendo em vista que a vítima veio em sua 
direção com uma faca, a fim de intimidá-lo para não cobrar mais a dívida que tinha para 
com o recorrente, sem contar o golpe dado nas costas do recorrente, pela suposta vítima. 
Tal fato não foi satisfatoriamente considerado pelo julgador a quo. 
 
Conforme consignado pelo réu, este e a vítima se desentenderam, realmente, 
momentos antes, por questão banal, qual seja a cobrança de uma dívida. Porém, quem 
perseguiu o acusado pela BR 120, quando este se dirigia para sua residência, foi a vítima, 
almejando intimidar o recorrente para que este não mais cobrasse os valores que o 
ofendido lhe devia. Ao atingirem a ponte que passa sobre o rio da citada BR, a suposta 
vítima, portando uma faca, teria dado violento soco nas costas do recorrente, que, ato 
contínuo, entrou em luta corporal com o agressor, retirando a faca de suas mãos e lhe 
desferindo um chute na altura da perna. A partir deste instante, possivelmente por perder 
o equilíbrio, a vítima caiu no rio. 
 
Tal cena foi presenciada pela testemunha fulana de tal (fls., dos autos), que 
confirma integralmente a versão dada pelo réu. O ato de violência perpetrado pelo 
acusado foi a única forma de se defender da injusta agressão efetivada pela vítima. O 
chute foi proporcional e moderado no que concerne à faca de que dispunha a vítima para 
afrontar a integridade física do ora recorrente. Comprovada, sem sobra de dúvidas, a 
legítima defesa, caso realmente a vítima tenha morrido em decorrência da queda, somente 
para argumentar, deveria o réu ter sido absolvido sumariamente nos termos do art. 415, 
IV, do Código de Processo Penal, fato que a defesa vem novamente pleitear em sede de 
recurso. 
 
III. 3 DA DESCLASSIFICAÇÃO PARA CRIME DIVERSO DO DA COMPETÊNCIA 
DO TRIBUNAL DO JÚRI 
 
Excelências, mesmo na absurda hipótese de não se considerar a absolvição 
sumária suscitada pelo recorrente, imperiosa é a necessidade de se averiguar a total 
ausência de dolo na conduta do réu em causar a morte da vítima. Não existe a figura do 
ânimus necandi, apto a consubstanciar a pronúncia do acusado. 
 
O acusado, conforme seu depoimento, não nega o entrevero com a vítima. Em 
momento algum o recorrente nega ter de fato chutado a vítima, situação que culminou em 
sua perda de equilíbrio e queda no rio. O acusado jamais imaginou que a vítima não sabia 
nadar e que a queda resultante daquele chute poderia lhe causar afogamento. Diante da 
existência de uma concausa superveniente relativamente dependente, conforme art. 13 
§1º, do Código Penal, imperiosa a avocação ao feito do crime preterdoloso. 
 
Se houve a morte da vítima, foi por conta da queda inesperada no rio e não por 
conta do chute dado pelo recorrente a fim de se defender. O recorrente não tinha a 
intenção de derrubar a vítima no rio e nem tinha conhecimento acerca do fato de ela saber 
ou não nadar, situação que torna inválida qualquer imputação de dolo por parte do 
acusado em querer ceifar a vida da vítima. Com um chute, a lesão era inevitável, mas a 
morte foi uma consequencia do ato anterior. 
 
Com base no exposto, a desclassificação do delito é medida necessária. 
 
III.4 – DO AFASTAMENTO DAS QUALIFICADORAS 
 
 
 
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Por derradeiro, ainda somente por argumentar, caso seja do entendimento deste 
Tribunal a mantença da pronúncia, é de rigor o afastamento das qualificadoras. 
 
Não houve motivo fútil, pois este não se configura quando há discussão e agressão 
física entre réu e vítima no momento dos fatos. Tal situação pode ser atestada pela melhor 
doutrina pátria e pelo entendimento uníssino dos tribunais brasileiros, inclusive deste 
Egrégio TJDFT, in verbis: 
 
PENAL. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. TENTATIVA DE 
HOMICÍDIO QUALIFICADO. MOTIVO FÚTIL. RECURSO QUE 
DIFICULTOU A DEFESA DA VÍTIMA. MATERIALIDADE 
COMPROVADA. INDÍCIOS DE AUTORIA SUFICIENTES. PEDIDO 
PARA QUE O RÉU FOSSE IMPRONUNCIADO. TESE DEFENSIVA 
DE EXCLUSÃO DAS QUALIFICADORAS. RECURSO 
PARCIALMENTE PROVIDO. 
1. Somente haverá impronuncia do réu quando inexistentes ou 
insuficientes os indícios de autoria e materialidade, todavia, 
não é caso do autos, quando os indícios são suficientes a 
comprová-los. 
2. Não haverá motivo fútil, pois este não permanece, se houver 
agressão física anterior da vítima para com o acusado. 
3. A qualificadora referente a recurso que torne impossível ou 
dificulte a defesa da vítima também é manifestamente 
improcedente, pois no caso dos autos os tiros não foram dados 
à traição, emboscada, ao contrário, houve briga anterior, 
inclusive com ameaça de morte 
4. Recurso parcialmente provido, para afastar as 
qualificadoras, pois manifestamente contrária à prova dos 
autos (20070510016107RSE, Relator SILVÂNIO BARBOSA 
DOS SANTOS, 2ª Turma Criminal, julgado em 25/03/2010, DJ 
05/05/2010 p. 180). (Grifamos). 
 
No mesmo diapasão, inexistiu recurso que impossibilitou a defesa da vítima, 
consistente em traição. Se houve, como já mencionado, luta corporal entre as partes, 
torna-se ilógico afirmar que houve um suposto ataque “surpresa”. Logo, ambas as 
qualificadoras merecem ser afastadas, por não encontrarem respaldo na prova dos autos. 
 
IV – DO PEDIDO 
 
Por todo o exposto, conclui-se que a ação penal não deve prosseguir, tendo em 
vista a extinção da punibilidade do agente operada pela prescrição nos termos do art. 107, 
IV, e 109, I, c/c 115, ambos do CPB. 
 
Não sendo o acatamento da preliminar suscitada o entendimento perfilhado por 
este Juizo, requer a defesa seja conhecido e provido o presente recurso, a fim de que seja 
decretada a absolvição sumária do acusado, nos termos do art. 415, IV, do CPP, tendo em 
vista a configuração da legítima defesa, devidamente comprovada nos autos do processo 
sob julgamento. 
 
Entendendo este juízo ter havido um delito, que não crime doloso contra a vida, 
que haja a desclassificação do delito para crime diverso do da competência do tribunal do 
júri, havendo remessa dos autos ao juízo competente nos moldes do art. 419 do CPP. 
 
 
 
 
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Finalmente, sendo a pronúncia o entendimento deste Tribunal, pugna a defesa pelo 
provimento do recurso para que sejam afastadas as qualificadoras insertas na pronúncia 
vergastada, sendo o recorrente pronunciado pelo caput do art. 121 do Código Penal, a fim 
de que seja alcançada a mais lídima justiça tão almejada por um Estado Democrático de 
Direito. 
 
Pede Deferimento. 
Brasília, 17 de novembro de 2011 (5 dias!!! Este é o mesmo prazo do termo. Se o 
réu já tiver manifestado seu desejo de recorrer, o prazo para somente as RAZÕES passaa ser de 2 dias!!) 
 
Advogado 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Caso para resolução 
 
 Zequinha, conhecido traficante da região administrativa de Samambaia, descobriu 
que Duda, parceiro de tráfico, havia executado seu melhor amigo, bem como estava 
divulgando que atentaria, também, contra a vida de Zequinha, a fim de assumir a 
hegemonia do tráfico de drogas naquela região em que ambos moravam. 
 Em uma quarta feira, Zequinha, preocupado com o risco que incidia sobre sua 
vida, foi averiguar a procedência das informações, momento em que confirmou a 
veracidade das mesmas e, também, ficou sabendo que Duda já havia adquirido uma 
pistola para ceifar sua vida no sábado de manhã. 
 Esperto, Zequinha adquiriu um revólver calibre 38 e, acreditando que “pegaria” 
Duda de surpresa no sábado pela manhã cedo, resolveu que iria em sua casa armado para 
“convencer” o mesmo a mudar seus planos. Sabendo que Duda acordava sempre após às 
09:00, Zequinha resolveu que iria lá às 06:00 da manhã, com o propósito de dar uma surra 
em Duda e tomar a arma que seu desafeto havia adquirido para atentar contra sua vida. 
 Entretanto, ao chegar próximo à residência de Duda, Zequinha percebeu que a 
porta, acima da escada, estava entreaberta, momento em que resolveu subir os degraus 
com a arma em punho. Neste momento, Zequinha percebeu o movimento de duas pessoas 
saindo da casa de Duda, oportunidade em que viu Duda acompanhado de um homem 
desconhecido, conversando acerca da forma como executariam Zequinha. 
 Decidido a tomar satisfações, sem atentar contra a vida de seu mais novo inimigo, 
pelo menos naquele momento, mas disposto a atirar para feri-lo, caso fosse necessário, 
Zequinha se postou a frente dos dois indivíduos, momento em que presenciou Duda, 
enfurecido, levantando a camisa e deixando transparecer um objeto prateado, fixado em 
sua bermuda na altura da cintura. Certo de que era a pistola de que tinha ouvido falar, 
Zequinha disparou a arma que estava em punho uma única vez, alvejando Duda na perna 
esquerda que, em função do tiro caiu da escada, bateu a cabeça no corrimão e, em virtude 
disso, veio à óbito. O Homem que estava na companhia do recém falecido ficou 
paralisado em estado de choque e Zequinha percebeu neste instante que a suposta pistola, 
na verdade, era uma máquina fotográfica. Zequinha foi preso em flagrante. 
 Após apuração dos fatos, Zequinha foi denunciado como incurso nas penas do art. 
121, §2º, IV, do Código Penal. Na audiência de instrução, a acusação e depois a defesa 
inquiriram as testemunhas arroladas em suas respectivas peças (denúncia e resposta à 
acusação). Após as oitivas das testemunhas, em ato contínuo, Zequinha foi pronunciado 
nos termos do art. 413 do Código de Processo Penal, sendo a pronúncia publicada no dia 
10/04/2011, segunda-feira e a partes intimadas no dia seguinte. 
 Como advogado, proponha a medida processual privativa cabível, se atentando 
para as teses possíveis e para o último dia de prazo. 
 
 
 
 
 
 
 
Agravo em Execução 
 
Recurso cabível contra qualquer decisão do juiz da execução penal, o agravo está 
previsto no artigo 197 da Lei de Execuções Penais – Lei. 7210/84. Como a LEP não 
 
 
 
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disciplina o rito desse recurso, e sendo ele uma “dissidência” do recurso em sentido 
estrito, considera-se que o seu procedimento deve reger-se conforme estabelece o artigo 
581 e seguintes do Código de Processo Penal (05 dias para interposição + 02 dias para 
apresentação das razões. O prazo para interposição é determinado pela Súmula 700 do 
STF). 
 
Assim, sempre que uma decisão do juiz de execução criminal causar prejuízo a 
uma das partes da relação processual, o recurso de agravo é a alternativa disponível, para 
fins de buscar a declaração da extinção da punibilidade; a unificação das penas; a 
progressão de regime ou a detração ou remição da pena (ver artigo 66 e incisos da LEP). 
 
A interposição do recurso de Agravo à execução deverá ser feita no prazo de cinco 
dias, em petição dirigida ao juiz prolator da decisão; as razões deverão ser interpostas em 
petição separada, dirigidas ao Tribunal competente para apreciar o recurso, no prazo de 
dois dias. Esse mesmo prazo deve ser obedecido para apresentação das contra-razões. Na 
hipótese de haver juízo de retratação - tal como ocorre com o Recurso em sentido estrito 
– a parte contrária poderá recorrer da decisão, sem razões, para que a instância superior 
aprecie o recurso, tudo conforme o artigo 589, parágrafo único do CPP. 
 
Poderão interpor o recurso de agravo tanto o Ministério Público quanto o 
executado (condenado) ou o seu defensor. O assistente de acusação não tem legitimidade 
para propor Agravo à execução. 
 
Uma vez denegado o Agravo, caberá o Recurso de Carta Testemunhável – artigo 
639, II e II do Código de Processo Penal. 
 
Caso: Vantuil foi condenado pelo crime de homicidio a pena de 12 anos a serem 
cumpridos em regime inicialmente fechado. A sentença transitou em julgado em 12 de 
maio de 2009. Tendo cumprido pouco mais de 2 anos de sua pena no presídio conhecido 
por papuda, bem como tendo tido bom comprtamento carcerário devidamente atestado 
pelo Diretor do presídio, Vantuil, através de seu advogado constituído, peticionou ao 
Juizo da VEP, requerendo a progressão de seu regime. Entretanto, o Magistrado, após 
regular oitiva do MP que se manifestou desfavoravelmente ao feito, alegando que o crime 
cometido possui pena exacerbada, fato que determina o cumprimento de um prazo maior, 
proferiu a seguinte decisão: 
“Indefiro o pedido formulado pelo apenado conforme as manifestações esposadas pelo 
MP. PRI”. 
A decisão foi publicada no dia 12 de maio de 2011, uma segunda-feira. 
Como advogado redija a peça processual cabível, se atentando para o último dia de 
prazo. 
 
 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE EXECUÇÕES 
CRIMINAIS DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE BRASÍLIA – DF (O 
endereçamento é feito ao juizo que proferiu a decisão). 
 
Autos nº 
 
 
 
 
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VANTUIL, devidamente qualificado nos autos da ação penal em epígrafe (Como 
já houve ação penal, não há necessidade de “requalificar” o acusado. Basta indicar que o 
réu já foi qualificado nos autos da ação penal, cujo número foi consignado no corpo da 
petição), vem perante Vossa Excelência, por intermédio de seu procurador que esta 
subscreve, com fulcro no art. 197 da Lei 7.210/84, inconformado com a decisão que 
indeferiu a progressão de regime pleiteada, consignada às fls., interpor (termo correto) 
 
AGRAVO EM EXECUÇÃO 
 
requerendo, após o exercício de admissibilidade do presente recurso e das razões em 
anexo, possa haver o juízo de retratação, a fim de que seja deferida a progressão de regime 
pleiteada pelo apenado. Não sendo este o entendimento de Vossa Excelência, pugna a 
defesa pelo regular processamento do recurso, remetendo-o ao Juízo ad quem. 
 
Para a formação do instrumento, indica e requer o recorrente a extração de cópia 
dos documentos de fls..., bem como da certidão de intimação da decisão impugnada. 
(Assim como no RESE, os autos do Agravo sobem por instrumento. Devemos indicar os 
documentos que serão úteis para formação do instrumento). 
 
Pede Deferimento. 
 
Brasília, 17 de maio de 2011. (Atenção para o prazo de 05 dias!! Se o último dia cair em 
dia não útil, prorroga-se a data para o próximo dia útil subsequente). 
 
Advogado/OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS 
 
 
 Agravante: Vantuil 
Agravado: Ministério Público do DF 
 Autos nº 2011.01.1.04444-4 
 Execução Penal 
 
 
 
MATERIAL COMPLEMENTAR – MANUAL DE PRÁTICAPENAL I 
 
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 Ínclitos Julgadores, 
 Colendo Tribunal! 
 
 
 I - BREVE RESUMO DOS FATOS 
 
 Falar Sucintamente dos fatos (da condenação e do cumprimento de 1/6 da pena), 
bem como da decisão que vetou a progressão. 
 
III - DO DIREITO 
Fundamentar o pedido com base no art. 112 da Lei 7.210/84, bem como no art. 
93, IX, do CPP. Falar também do art. 112, §1º, da citada Lei. 
 
IV – DO PEDIDO 
Requerer o conhecimento e provimento do presente agravo em execução para, no 
mérito, reformar a decisão vergastada, a fim de ... 
 
Pede Deferimento. 
Brasília, 17 de novembro de 2011. (Se forem somente razões, o prazo é de 02 
dias!!) 
 
Advogado/OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Recurso Ordinário Constitucional - ROC 
 
Fundamentação 
 
O Recurso Ordinário Constitucional está fundamentado nos artigos 102, inciso II, 
alínea "a" e 105, inciso II, alínea "a", da CF, o qual deverá ser interposto no prazo de 5 
dias, a contar da intimação, contra decisão denegatória de Habeas Corpus em 2ª instância. 
 
Processamento 
 
O ROC é interposto através de petição dirigida ao Presidente do Tribunal que 
denegou a ordem de "Habeas Corpus" (TJ ou TRF), juntando-se à petição as razões de 
pedido de reforma. 
 
Recebido o recurso, o Presidente do Tribunal determina juntada aos autos 
respectivos e a abertura de vista ao órgão do Ministério Público (Procurador Geral da 
Justiça), que funciona perante o Tribunal coator ("a quo" - TJ ou TRF). 
 
Após esclarecimentos, eventualmente aduzidos pela autoridade coatora, ou seja, 
pelo Presidente do Tribunal, serão os autos remetidos ao Tribunal competente (STF ou 
STJ). 
 
A competência será do STJ (art. 105, II "a" CF) no caso de "Habeas Corpus" 
denegado em 2ª instância, ou seja, denegado pelo TJ ou TRF e será ao STF (art.102, II 
"a" CF) no caso de matéria constitucional ou "Habeas Corpus" denegado em única 
instância no STJ. 
 
Caso no Tribunal "a quo" o recurso for denegado ou se retarda, injustificadamente 
por mais de 30 dias, poderá o interessado interpor Agravo de Instrumento. 
 
Chegando os autos ao STF ou STJ, conforme a hipótese, serão eles protocolados, 
registrados e distribuídos e em seguida, abre-se vista a Procuradoria Geral da República, 
pelo prazo de 48 horas. Após, são encaminhados ao Relator designado, que submete o 
feito a julgamento. 
 
Se o Tribunal conceder a ordem, o recurso oponível poderá ser o Extraordinário ou o 
Especial, também no prazo de 5 dias para interposição e razões. 
 
É o único recurso em que se pede alvará de soltura e os pedidos são os mesmos 
do HC. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Modelo da Peça 
 
Excelentíssimo Senhor Desembargador Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do 
Distrito Federal e Territórios 
 
 
 
 
 
 
RECORRENTE, já qualificado nos autos do pedido de "Habeas Corpus" nº. __, 
por seu advogado infra-assinado, não se conformando, "data venia", com o venerando 
acórdão, denegatório da ordem, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, com 
fundamento no artigo 105, II "a", da Constituição Federal, combinado com os artigos 30 
e 32 da Lei 8.038/90, tempestivamente, interpor 
 
 
 
RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL. 
 
 
 
nestes termos, apresentando desde já, suas razões, postulando-se, desta feita, que sejam 
as mesmas recebidas e encaminhadas ao Egrégio Superior Tribunal de Justiça. 
 
 
Nesses Termos 
Pede Deferimento. 
 
 
 
Loca e Data 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 
 
 
Razões de Recurso Ordinário Constitucional 
 
PACIENTE: _____ 
"HABEAS CORPUS" Nº.: _____ 
 
Colenda Câmara 
Ínclitos julgadores 
Douta Procuradoria de Justiça 
 
Em que pese o alto prestígio do Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal e 
Territórios esposado no venerando acórdão proferido pela sua Colenda Câmara, 
denegando o pedido de "Habeas Corpus" impetrado em favor do paciente, não pode "data 
venta" prosperar, pelas razões abaixo aduzidas. 
 
 
I - DOS FATOS 
 
O paciente ... (copiar o problema, ou, resumi-lo quando for demasiadamente 
extenso). 
 
II - DO DIREITO 
 
Elaborar a defesa com introdução, exposição e conclusão, fazendo uma 
dissertação entre os fatos e a lei processual, reforçando o que foi acima descrito, citamos 
jurisprudência predominante pertinente ao caso (transcrever a melhor jurisprudência ou 
acórdão). 
 
Conclui-se, portanto, que ... 
 
DO PEDIDO 
 
Diante de todo o exposto, o impetrante aguarda que essa Suprema Corte dê 
provimento ao recurso para tomar sem efeito a decisão impugnada (ou decisão que 
denegou a ordem de "Habeas Corpus") e concedendo ... (completar o pedido com o que 
havia no "HC" ora denegado), como medida da mais lídima JUSTIÇA !!! 
 
Loca e Data 
 
Advogado 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
No dia 01/01/2013, Kamillo Shwez estava caminhando pelas ruas da cidade do 
Rio de Janeiro quando foi surpreendido por um rapaz que estava com uma faca em punho 
anunciando um assalto. Ágil, Kamillo conseguiu retirar a faca do indivíduo no momento 
em que ambos estavam travando luta corporal, quando Kamillo, num gesto para preservar 
a própria vida e única forma de o fazê-lo, desferiu um único golpe de faca contra o sujeito, 
levando-o a óbito. Kamillo havia tentado empreender fuga do local pelo estado de choque 
em que ficou ao matar uma pessoa, mas foi preso em flagrante por um policial que 
presenciou o ocorrido. No ato da prisão, foi coletada uma câmera que estava afixada num 
poste e que gravou toda a dinâmica do evento delituoso. 
 
 No dia 01/01/2013, foi requerido ao juízo da segunda vara criminal a concessão 
de liberdade provisória para Kamillo, pleito negado pelo juízo, que converteu o flagrante 
em preventiva no dia 02/01/2013. Impetrado o HC, o Tribunal do Justiça denegou a 
ordem, acórdão que foi publicado em 08/01/2013. 
 
 Diante do fato, apresente a medida processual pertinente, utilizando as teses 
jurídicas que guardam consonância com o feito, se atentando para o ultimo dia de prazo, 
sem inventar dados que não estejam dispostos no problema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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RELAXAMENTO DE PRISÃO 
 
Prisão em Flagrante: São hipóteses autorizadoras da prisão em flagrante por 
qualquer pessoa do povo (flagrante facultativo) ou pela polícia (flagrante obrigatório): 
 
a) Estar o agente cometendo a infração penal (art. 302, I, CPP, denominado 
flagrante próprio); 
b) Ter o agente acabado de cometer a infração penal (art. 302, II, do CPP, 
denominado também de flagrante próprio ou quase flagrante); 
c) Haver perseguição, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer 
pessoa, em situação que se faça presumir ser autor da infração penal (art. 302, 
III, CPP, denominado de flagrante impróprio); 
d) Ser o agente encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou 
papéis que façam presumir ser ele o autor da infração penal (art. 302, IV, CPP, 
denominado flagrante presumido). 
 
Realizada a prisão, o detido é encaminhado pelo condutor (aquele que lhe deu 
voz de prisão) à autoridade policial. Esta, por sua vez, entendendo válido o ato, lavra o 
auto de prisão em flagrante. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão 
comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à famíliado 
preso ou à pessoa por ele indicada. Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da 
prisão, será encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante e, caso o 
autuado não informe o nome de seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública. 
No mesmo prazo (em 24 horas), será entregue ao preso, mediante recibo, a nota de culpa, 
assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e os das 
testemunhas. 
 
Se tudo estiver formalmente em ordem, o juiz mantém o flagrante, mas pode 
colocar o indiciado em liberdade provisória, com ou sem fiança. Assim, agirá, se não 
vislumbrar presentes os requisitos da prisão preventiva (art. 312 do CPP). 
a) RELAXAMENTO DE PRISÃO 
 
Quando do recebimento do Auto de Flagrante, o juiz deve apreciar a peça 
flagrancial e checar a existência dos indícios de autoria e materialidade a fim de 
homologar o flagrante. Caso entenda existir alguma ilegalidade ou desatendimento à 
exigência legal, pode relaxar a prisão, ou seja, o relaxamento da prisão em flagrante 
ocorre quando há ilegalidade ou vício insanável, resumidamente falando. 
 
Ressalte-se que, caso o juiz homologue o flagrante e a defesa entenda pela 
existência de ilegalidade, após pedido fundamentado, o juiz pode rever a decisão 
homologatória e reconhecer a ilegalidade, relaxando a prisão E nesse caso não há a 
exigência de assinar Termo de Compromisso. Cabe ressaltar, entretanto, que o 
 
 
 
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relaxamento de prisão é cabível sempre que a prisão for ilegal. Ex: A pessoa foi presa 
preventivamente mesmo diante das gritantes provas de que cometeu o fato abrangido por 
estado de necessidade. O art. 314 do Código de Processo Penal veda a prisão preventiva 
em tais casos. Assim, a pessoa está presa ilegalmente, cabendo, no caso, relaxamento de 
prisão. 
 
A prisão é imediatamente relaxada quando é constada sua ilegalidade, 
nos termos do Art. 5º, LXV da CF/88. As hipóteses são as seguintes: a) na falta de 
formalidade essencial na lavratura do auto. Ex.: falta de entrega da nota de culpa ou 
assinatura desta fora do prazo legal; b) quando não estiverem presentes os requisitos da 
prisão em flagrante presentes no Art. 304, 306 e parágrafos, bem como art. 307 do CPP; 
c) quando do fato atípico; d) quando os prazos não forem respeitados ou quando houver 
excesso no prazo da prisão, lembrando que o prazo para se findar o inquérito policial com 
réu preso é de 10 dias, improrrogáveis. Se for excedido tal prazo, o acusado DEVE ser 
posto em liberdade. É necessário que se observem estes requisitos para que a prisão não 
seja relaxada. 
 
No caso de crimes envolvendo a lei 11.343 (lei antidrogas), ficar atento ao 
art. 48, §2º, tendo em vista que a conduta prevista no art. 28 desta Lei, não comporta 
prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo 
competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se 
termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias 
necessários. Se houver prisão em flagrante, cabe relaxamento, porque a lei não admite a 
referida medida. 
Ainda, com base nesta mesma Lei, conforme o Art. 51, o inquérito policial 
será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) 
dias, quando solto. Em que pese o parágrafo único estabelecer que os prazos a que se 
refere este artigo poderem ser duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Público, mediante 
pedido justificado da autoridade de polícia judiciária, findo tal prorrogação o acusado 
DEVERÁ ser colocado em liberdade, sob penal de ilegalidade da prisão, comportando o 
caso, desta feita, o relaxamento da prisão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto da petição: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL 
DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri, ou do juizado 
especial de violência doméstica e familiar contra a mulher, visto a possibilidade de prisão 
em flagrante nestes casos. Se a prisão em flagrante for ilegal, cabe relaxamento). 
 
 
Fulano de Tal (sempre qualificar), vem à presença de Vossa Excelência, por 
intermédio de seu advogado infra constituído, conforme instrumento de procuração em 
anexo, com fulcro no art. 5º, LXV da CF/88, c/c art. 310, I (se for flagrante), do CPP, 
requerer: 
 
RELAXAMENTO DE PRISÃO 
 
com base nos fatos que a seguir expõe: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA: 
 
Narrar como se deu o flagrante, ressaltando o vício que será atacado no tópico “do 
direito”. 
 
EX: Fulano foi preso em flagrante pelo crime de roubo cometido em tal dia, em tal lugar. 
 
Após ser regularmente recolhido ao cárcere, teve lavrado contra si lavrado auto de 
prisão em flagrante 4 dias após a prisão, assinando sua nota de culpa também no quarto 
dia, fato que torna sua prisão contrária à lei, conforme disporá a defesa nas linhas 
seguintes. 
 
II – DO DIREITO 
 
Informar, aqui, o que diz o Código de Processo penal sobre tal prazo, 
transcrevendo o artigo e contrapondo-o ao caso dos autos, logo em seguida. 
 
Ex: O art. 306 do Código de processo penal estabelece o prazo de 24 horas para assinatura 
da nota de culpa, (fazer uma explanação)... 
 
Ocorre, Excelência, que tal prazo não foi respeitado. Observe-se que o indiciado 
somente assinou tal documento 4 dias após sua prisão, fato que torna sua prisão em 
flagrante ilegal. Não obstante tal fato, a lavratura do auto se deu também em prazo diverso 
 
 
 
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ao determinado pelo citado artigo do já mencionado diploma legal, (fazer uma 
explanação)... 
 
Pode-se concluir pelo exposto que a prisão do indiciado fere garantias e 
dispositivos constitucionais basilares, tais como dignidade da pessoa humana (falar a 
respeito), devido processo legal (falar a respeito)... Com base nisso, a prisão deve ser 
imediatamente relaxada. 
 
III – DO PEDIDO: 
 
Requer o indicado o imediato relaxamento da prisão em flagrante ora combatida, 
com a respectiva expedição de alvará de soltura em nome do mesmo, conforme preconiza 
o artigo ... (ver a fundamentação). 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento. 
 
Local, data. 
 
Advogado. 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
Elenilde Maridélia, brasileira, casada, policial civil, residente e domiciliada na QSD 315, 
Bloco W, Apartamento 301, Gama - DF, estava em sua casa em 15 de maio de 2022, 
quando, avistando uma sombra passando pela sala, dirigiu-se sorrateiramente até o 
cômodo, momento em que presenciou um meliante arrombando a maçaneta da porta com 
um maçarico e portando na cintura uma pistola semiautomática. 
 
Apavorada, Elenilde foi até o quarto e pegou seu revólver calibre 38, se dirigindo até o 
citado elemento para afastá-lo de sua residência. Neste instante, o indivíduo já adentrava 
a sala de Elenilde e lhe apontava a arma, quando, para evitar a injusta agressão que seria 
perpetrada contra sua vida, Elenilde desferiu um único tiro no indivíduo, atingindo-lhe o 
ombro, fato que levou o meliante a passar por uma cirurgia e ficar internado por 32 dias. 
 
Na mesma hora, Elenilde ligou para o serviço de emergência, que foi até sua casa e levou 
o indivíduo ao nosocômio. Logo em seguida, Elenilde compareceu à delegacia para 
informar o feito à autoridade policial, tendo narrado o acontecido e mencionado o nome 
de duas testemunhas que teriam presenciado o fato. O delegado, diante do fato, procedeu 
com o interrogatório dela e acabou por prendê-la em flagrante. 
 
Em 18de maio de 2022, Elenilde recebeu sua nota de culpa, tendo informado, naquela 
oportunidade, que não possuía defensor constituído e que desejava comunicar sua prisão 
ao seu marido. A autoridade policial, munida do auto de prisão em flagrante, enviou o 
auto, exclusivamente, ao ministério público, entendendo que ele, por ser o dominus litis, 
era o maior interessado na causa, comunicando, em seguida, a prisão de Elenilde ao seu 
esposo. 
 
O Ministério Público, por sua vez, requereu ao Juízo competente a designação da 
audiência de custódia, que foi designada para o dia 23 de maio de 2023. 
 
Diante dos fatos, como advogado de Elenide, apresente o requerimento cabível, se 
atentando para as teses possíveis a serem alegadas em favor de Elenilde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONSIDERAÇÕES PERTINENTES A CONCESSÃO DE 
LIBERDADE PROVISÓRIA: 
 
 
É concedida a liberdade provisória quando houver prisão em flagrante 
válida, mas o indiciado/acusado não necessita ficar detido enquanto transcorre o 
processo. Tal fato se dará quando os requisitos para a decretação da prisão preventiva não 
estiverem presentes (art. 312 do CPP) e isto for observado em sede de PRISÃO EM 
FLAGRANTE. A prisão em flagrante é a “MÃE” da liberdade provisória. 
 
A liberdade provisória com ou sem arbitramento de fiança, conforme art. 321, 
do CPP, é cabível sempre que os requisitos da preventiva não estiverem presentes, 
podendo o juiz, caso se mostrem adequadas ou suficientes outras medidas cautelares que 
não a prisão, aplicá-las ao agente. (Medidas cautelares – art. 319 do CPP - Prisão 
domiciliar – art. 317/318; comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições 
fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades; proibição de acesso ou frequência 
em determinados lugares; proibição de manter contato com pessoa determinada; 
proibição de ausentar-se da Comarca; recolhimento domiciliar noturno e nos dias de 
folga; suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica 
ou financeira quando houver justo receio de que delas poderá advir prática criminosa; 
fiança, quando admitido; internação provisória do acusado em caso de crimes praticados 
com violência ou grave ameaça, quando os peritos concluírem que o agente é inimputável 
ou semi-imputável e houver risco de reiteração). 
 
Pode ser a liberdade provisória pleiteada para qualquer delito. Exemplo: Se 
alguém for preso em flagrante por roubo, pode o magistrado determinar a sua soltura, 
mediante liberdade provisória sem fiança. DICA: Sempre que o problema falar em crime 
apenado com reclusão, sempre caberá liberdade provisória sem fiança. Não precisa 
adentrar o mérito do instituto, basta citar na petição: LIBERDADE PROVISÓRIA 
COMPROMISSADA. 
 
O art. 310, III, parágrafo único, do CPP, trata da liberdade provisória nos 
casos de legitima defesa, estado de necessidade e estrito cumprimento do dever legal ou 
exercício regular do direito (conhecidas como excludentes de ilicitude). Se o Juiz, pelo 
auto de prisão em flagrante, observar que o agente praticou a infração abrangido por 
qualquer destas situações, poderá, de forma fundamentada, conceder ao acusado 
liberdade provisória compromissada. 
 
A liberdade provisória, com arbitramento de fiança, destina-se aos delitos 
considerados afiançáveis. Conforme o art. 322 do CPP, a autoridade policial somente 
poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima 
 
 
 
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não seja superior a 04 anos. Em outros casos afiançáveis, a fiança será requerida ao Juiz, 
que decidirá em 48 horas. 
 
a) São inafiançáveis: 
 
Art. 323 do CPP – Racismo, Tortura, Tráfico ilícito de entorpecentes e drogas 
afins, terrorismo, crimes definidos como hediondos, crimes cometidos pos grupos 
armados – civis ou militares – contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; 
Art. 324 – Aos que, no mesmo processo, tiverem quebrado fiança 
anteriormente concedida ou infringido, sem justo motivo, qualquer das obrigações a que 
se referem os arts. 327 e 328 do CPP – comparecimento quando intimado e mudança de 
endereço ou ausência do domicílio por mais de 8 dias sem comunicar a autoridade). 
 
Os valores da fiança estão dispostos no art. 325 do CPP. Entretanto, conforme 
entendimento uníssono da doutrina, não há mais sentido para se arbitrar fiança para 
crimes menos graves, quando delitos mais graves admitem a liberdade provisória sem 
fiança. 
 
Com base em tal fato, Guilherme Nucci (in Prática Forense Penal, 2009, pág. 
169/170), informa que “os magistrados têm optado por conceder, sempre, liberdade 
provisória sem fiança (a única exceção tem ficado por conta dos crimes contra a economia 
popular, sonegação fiscal, crimes de violência doméstica e crimes por direção de veículo 
automotor, estando o motorista alcoolizado. Nestes dois últimos casos, a pena é de 
detenção e comporta fiança). Entretanto, com a mudança na lei, em que a fiança se tornou 
uma medida cautelar, o instituto voltou a ter força na concessão da liberdade provisória 
condicionada ao seu pagamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DA 
CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri. 
 
Distribuição por dependência ao auto de prisão em flagrante n. 
 
 Fulano de tal, nacionalidade, profissão, residente e domiciliado na ... , portador do 
RG e do CPF ..., (temos que qualificar por ser uma peça que vai apartada aos autos 
principais) vem à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado que esta 
subscreve, conforme procuração acostada, com fulcro no art. 310, III, e art. 321, ambos 
do Código de Processo Penal (Temos que observar aqui se é o caso de excludente de 
ilicitude ou ausência de requisitos que autorizam a prisão preventiva do acusado. Sendo 
o caso é de ausência de requisitos do art. 312 do CPP, a fundamentação passa a ser art. 
310, III e 321, do CPP. Se for excludente de ilicitude teremos o art. 310, § 1º, do código 
de processo penal), combinado com o artigo art. 5º, inciso LXVI, da Carta Constitucional, 
requerer 
 
LIBERDADE PROVISÓRIA 
 
pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a expor: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA: 
 
Informar aqui, de forma sucinta, o caso que ensejou a prisão em flagrante. 
 
EX: O requerente foi preso em flagrante delito no dia tal, pela prática do crime de furto, 
tendo em vista que o mesmo está sendo indiciado pelo fato de ter subtraído duas barras 
de chocolate da loja “doce mais”, localizada em tal local. 
 
A prisão em flagrante se fundamentou no fato de que o requerente já havia sido 
processado anteriormente, mas deve-se lembrar que até o momento não há sentença 
transitada em julgado, condenando-o. 
 
II – DO DIREITO 
 
Explicar aqui que, conforme o auto de prisão em flagrante, a autoridade policial presumiu 
que o indiciado tinha personalidade voltada para o crime. Neste momento, devemos falar 
dos requisitos do art. 312 do CPP e debater todos aqueles que podem ter ensejado a prisão, 
mostrando ao juízo que não há necessidade de o indiciado ficar preso. Falar, neste 
momento, da liberdade como regra e dissertar acerca dos requisitos do 312 do CPP 
confrontando-os com os argumentos da defesa, a fim de tornar a prisão desnecessária. 
Pode-se, inclusive, falar de outras medidas cautelares mais benéficas ao requerente, que 
não a prisão. 
 
EX: A prisão em flagrante faz presumir que o indiciado tem a personalidade voltada para 
o crime, devido o fato de já ter sido processado. Ora, Excelência, a personalidade de uma 
pessoadeve ser atestada como “perigosa” somente quando há uma sentença penal 
transitada em julgado afirmando tal situação. Não se pode manter o acusado em cárcere 
 
 
 
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com suposições de que, se solto, poderá cometer novos delitos, desestabilizando a ordem 
pública. (Falar de cada um dos requisitos). 
 
III – DO PEDIDO 
 
 Aqui, fazemos o pedido de concessão da liberdade, mediante compromisso de 
comparecer a todos os atos do processo, com a consequente expedição de alvará de soltura 
em favor do requerente. 
 
 Subsidiariamente, se for do entendimento do juízo, que seja concedida a liberdade 
provisória pleiteada condicionada à imposição de uma das medidas cautelares elencadas 
no art. 319 do Código de Processo Penal, observadas as disposições expressas no art. 282 
do mesmo diploma legal. 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento 
 
Local, data. 
 
ADVOGADO. 
OAB 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
Marcolino Jorgito, técnico em enfermagem do hospital Anchieta, em Taguatinga-DF, 
profissional regular da instituição há 13 anos, reside na SQS 100, Bloco H, apartamento 
701 (há 6 anos, sendo proprietário do referido imóvel) com sua esposa e seus três filhos 
pequenos, sendo um de 3 anos e dois de 6 anos, cada. 
 
No dia 15 de abril de 2022, Marcolino foi desrespeitado por um paciente dentro do 
hospital em que labora. Altamente alterado, Viníciusley Romério pegou um bisturi e 
tentou agredir o referido técnico em enfermagem que lhe prestava atendimento, momento 
em que Marcolino teve que quebrar o braço do agressor visivelmente transtornado para 
desarmá-lo, causando-lhe as lesões que foram descritas no laudo de exame de corpo de 
delito lavrado no mesmo dia, sendo que em tal documento constava que o agredido iria 
ficar afastado de suas ocupações habituais por no mínimo 45 dias. Diante do feito, a 
família do paciente acionou a polícia, tendo Viniciusley sido detido em flagrante delito. 
 
Uma enfermeira que estava no momento do ocorrido e uma secretária que estava 
presenciando o fato, prestaram declarações na DP, informando que se o técnico não agisse 
da forma que agiu, o paciente poderia ter lhe ferido letalmente, pois demonstrou 
inequívoca intenção de atentar contra a vida do Sr. Marcolino, tendo em vista este ter 
pedido que o paciente aguardasse mais alguns minutos para ser atendido. 
 
Lavrado o auto de prisão em flagrante em menos de 24 horas, com a devida comunicação 
à esposa de Marcolino, a autoridade policial o encaminhou à autoridade judicial, ao 
Ministério Público e ao Defensor Público para verificação. Os autos estavam aguardando 
conclusão ao juiz para designação de audiência de custódia. 
 
Diante da situação de Marcolino e dos fundamentos legais que possam interessar para sua 
defesa, redija o requerimento que seja cabível na situação exposta, se atentando para as 
formalidades atinentes ao caso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PRISÃO PREVENTIVA / REVOGAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA 
 
 
É a principal modalidade de prisão cautelar, de cuja base nascem as demais. 
Portanto, para se sustentar uma prisão preventiva, torna-se imperioso checar se os 
requisitos desta prisão estão presentes. Do contrário, o correto é permitir ao indiciado ou 
réu aguardar o julgamento em liberdade, com ou sem arbitramento de fiança. 
 
Para a sua decretação são exigidos, ao menos, três requisitos: 
 
a) materialidade do crime; 
b) indícios suficientes de autoria; 
 
Estes acima narrados são básicos. Os abaixo elencados, basta a presença de 
ao menos um deles, quais sejam (art. 312 do CPP): 
 
a) Fundamentos 
 
Provada a existência do crime e havendo indícios suficientes de autoria – 
fumus comissi delicti e periculum libertatis, elementos que fundamentam a medida 
cautelar (art. 312 CPP), a prisão preventiva poderá ser decretada: 
 
• como garantia da ordem pública – evitar que o delinquente pratique novos crimes 
contra a vítima e seus familiares; 
• como garantia da ordem econômica – Lei nº 8.884/84, 8.137/90 (crimes contra a 
economia popular e sonegação fiscal); 
• por conveniência da instrução criminal – para assegurar a prova processual, de modo 
a impedir a ação do criminoso no sentido de fazer desaparecer as provas do crime, 
apagar vestígios, subornar, aliciar testemunhas ou ameaçá-las, etc; 
• para assegurar a aplicação da lei penal - impede-se o desaparecimento do autor da 
infração que pretenda se subtrair aos efeitos penais da eventual condenação. 
• Descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas 
cautelares (art. 282, parágrafo 4º, do CPP). 
 
Cabimento da prisão preventiva – art. 313 do CPP: Nos casos de crimes 
dolosos punidos com reclusão, cuja pena máxima seja superior a 4 anos; condenação por 
outro crime doloso, com sentença transitada em julgado (reincidência); violência 
doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com 
deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; ou no caso de 
dúvida acerca da identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos 
suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade 
após identificação, exceto se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. 
 
O despacho do juiz que decretar a preventiva deverá ser sempre 
fundamentado. Deixando de subsistir o motivo pelo qual a preventiva foi decretada, o 
Juiz poderá revogá-la, bem como poderá decretá-la novamente se o motivo de sua 
decretação voltar a perdurar. 
 
 
 
 
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A garantia da ordem pública abrange enorme aspecto de subjetividade do 
magistrado. Configura-se, em regra, levando-se em conta os seguintes pontos: 
 
- Gravidade da infração penal + periculosidade do réu + repercussão causada 
pelo crime. 
 
A garantia da ordem econômica, leva em consideração a magnitude da lesão 
concreta causada pela lesão à ordem econômico-financeira 
 
A conveniência da instrução criminal concentra-se na produção de provas. 
 
Assegurar a aplicação da lei penal – se finda a instrução, a lei deve ter 
condições de ser devidamente aplicada. Visa evitar a potencial fuga do acusado. 
 
Quando o juiz decretar a prisão preventiva, se, porventura, cessar a razão que 
a determinou, deve o magistrado revogá-la, simplesmente, tornando o indiciado/acusado 
à situação de liberdade anterior. O art. 316 do Código de Processo Penal é o que dá fulcro 
ao pedido de revogação da prisão preventiva. 
 
b) Decretação 
 
A prisão preventiva pode ser decretada em qualquer fase do inquérito policial 
(não sendo o caso de prisão em flagrante) ou da instrução criminal, tanto nos casos de 
ação penal pública ou privada, desde que presentes os pressupostos, fundamentos e 
condições de admissibilidade previstos em lei (art. 311 CPP). 
 
Não há recurso, somente o pedido de habeas corpus com fundamento em 
constrangimento ilegal, decorrente da inadmissibilidade da medida amparada em falta de 
fundamentação adequada, na inexistência de pressupostos, etc. 
 
c) Fundamentação 
 
O despacho que decretar ou denegar a prisão preventiva será sempre 
fundamentado (art. 315 CPP). É indispensável que se fundamente em fatos concretos que 
lhe proporcionem fomento. A fundamentação do pedido da revogação da prisão 
preventiva é o art. 316 do CPP c/c art. 5°, LXVI da CF/88. 
 
No caso da Lei Maria da Penha a possibilidade de decretação de preventiva 
está no art. 20 da citada Lei e a sua revogação está inserida no parágrafo único do mesmoartigo. 
 
Dentre todos os tipos de violência contra a mulher, existentes no mundo, 
aquela praticada no ambiente familiar é uma das mais cruéis e perversas. O lar, 
identificado como o local acolhedor e de conforto passa a ser, nesses casos, um ambiente 
de perigo contínuo que resulta num estado de medo e ansiedade permanentes. Envolta no 
emaranhado de emoções e relações afetivas, a violência doméstica contra a mulher se 
mantém, até hoje, como uma sombra em nossa sociedade. 
 
 
 
 
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A violência praticada contra mulheres é conhecida como violência de gênero 
porque se relaciona à condição de subordinação da mulher na sociedade, que constitui na 
razão implícita do número estarrecedor de casos de agressões físicas, sexuais, 
psicológicas, morais e econômicas (patrimoniais), perpetrados em desfavor de mulheres, 
revelando a incontestável desigualdade de poder entre homens e mulheres, sobretudo nas 
relações domésticas. 
 
O efeito da violência doméstica e familiar contra a mulher, decorrentes de 
maus tratos, humilhações, agressões físicas, sexuais, morais, patrimoniais e psicológicas, 
é, sem dúvida, devastador para sua auto-estima, sem falar no medo vivenciado 
cotidianamente, temor aterrorizante causador de insegurança e instabilidade, agravados 
pelo fato das vítimas nunca saberem a razão capaz de desencadear nova fúria dos 
agressores e na vergonha que passam diante de familiares, vizinhos, amigos e conhecidos. 
Essa situação provoca ansiedade, depressão, dores crônicas, dentre outras moléstias. 
Estando tal quadro instalado, necessária se faz a intervenção do Estado, por meio de 
efetivação de políticas públicas adequadas, com mecanismos de discriminação positiva 
ou de ações afirmativas, capazes de reduzir a tragédia da violência de gênero, fim a que 
se destina a Lei 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha. 
 
No dia 22 de setembro de 2006 entrou em vigor a Lei 11.340, de 07 de agosto 
de 2006, que cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar 
contra a mulher, dispondo sobre a criação dos Juizados de violência doméstica e familiar 
contra a mulher (são os competentes para julgar casos de violência doméstica contra a 
mulher!) e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de 
violência doméstica e familiar. Esse diploma legal, tão aguardado especialmente pelas 
instituições e organizações que militam na tutela dos direitos de gênero e de 
enfrentamento da violência doméstica, evidencia a preocupação de minudenciamento e 
pormenorização de direitos e garantias da mulher. 
 
É uma lei inovadora, porque nela o legislador incluiu a instituição de medidas 
protetivas de urgência, com possibilidade inclusive de concessão de alimentos provisórios 
ou provisionais, em favor da mulher, bem como aumento da pena do crime de lesão 
corporal praticado com violência doméstica, dando elasticidade considerável ao conceito 
para nele embutir toda e qualquer forma de violência, seja ela física, psicológica, moral 
ou sexual, elevando-a, inclusive, ao patamar de violação de direitos humanos. 
 
Dentre as inovações da Lei, destaca-se: 
• tipifica e define a violência doméstica e familiar contra a mulher; 
• estabelece as formas da violência doméstica contra a mulher como física, 
psicológica, sexual, patrimonial e moral; 
• determina que a mulher somente poderá se retratar de sua representação perante o 
juiz e ministério público, com audiência específica para tanto; 
• determina que a violência doméstica contra a mulher independa de sua orientação 
sexual; 
• ficam proibidas as penas pecuniárias (pagamento de multas ou cestas básicas); 
• é vedada a entrega da intimação pela mulher ao agressor; 
• a mulher vítima de violência doméstica será notificada dos atos processuais, em 
especial quando do ingresso e saída da prisão do agressor; 
 
 
 
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• a mulher deverá estar acompanhada de seu advogado(a) ou defensor(a) em todos 
os atos processuais; 
• retira dos juizados especiais criminais a competência para julgar os crimes de 
violência doméstica contra a mulher; 
• altera a Lei de Execuções Penais para permitir que o juiz determine o 
comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e 
reeducação; 
• determina a criação de juizados especiais de violência doméstica e familiar contra 
a mulher com competência cível e criminal para abranger as questões de família 
decorrentes da violência; 
• altera o Código de Processo Penal para possibilitar ao juiz a decretação da prisão 
preventiva quando houver riscos à integridade física ou psicológica da mulher; 
• caso a violência doméstica seja cometida contra mulher com deficiência, a pena 
será aumentada em 1/3. 
• O juiz poderá conceder, no prazo de 48 horas, medidas protetivas de urgência 
(suspensão do porte de armas do agressor, afastamento do agressor do lar, 
distanciamento da vítima, dentre outras), dependendo da situação, a requerimento 
do Ministério Público ou da ofendida. 
• Modifica a ação penal no crime de lesão corporal leve, que passa a ser pública 
incondicionada. 
• Aumenta a pena de lesão corporal no caso dela ser praticada contra ascendente, 
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha 
convivido, ou ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de 
coabitação ou hospitalidade. 
• Permite a autoridade policial prender o agressor em flagrante sempre que houver 
qualquer das formas de violência contra a mulher 
• Proíbe a aplicação da lei dos juizados especiais criminais (Lei 9.099/1995) aos 
crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher. 
Uma vez feita a ocorrência na delegacia de polícia, o Ministério Público 
apresentará a denúncia ao juiz e poderá propor penas de 3 meses a 3 anos de detenção. 
d) Tipos de violência 
 
Conforme o artigo 5º da Lei Maria da Penha, a violência doméstica e familiar 
contra a mulher é entendida como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe 
cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial. 
 
A violência pode se dar no espaço de convívio permanente de pessoas, com 
ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas (âmbito da unidade 
doméstica), ou na comunidade formada por indivíduos que são ou que se consideram 
aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa (âmbito da 
família) ou ainda em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha 
convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. Vale ressaltar ainda que 
essas relações pessoais mencionadas acima independem de orientação sexual. 
 
Formas de violência doméstica e familiar contra a mulher: 
1. Violência Física – entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou 
a saúde corporal da mulher. A infração penal que configura essa forma de 
 
 
 
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violência é a lesão corporal e as vias de fato. A ação penal é pública 
incondicionada. 
2. Violência Psicológica – entendida como qualquer conduta que lhe cause dano 
emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno 
desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, 
crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, 
manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, 
chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou 
qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à 
autodeterminação. Infrações penais: Perturbação da tranquilidade, Injúria, 
Constrangimento ilegal, Cárcere Privado, Ameaça, Vias de fato e Abandono 
material. A Ação Penal é públicaincondicionada. 
Obs: o crime de ameaça (Art. 147, CP) é condicionado a representação. 
3 Violência Sexual – entendida como qualquer conduta que a constranja a 
presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante 
intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a 
utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer 
método contraceptivo ou que a force a matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à 
prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite 
ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. Infrações penais: 
estupro. A ação penal é pública condicionada à representação. Se resultar 
violência lesão corporal grave ou a morte, a ação penal é pública incondicionada. 
4 Violência Patrimonial – entendida como qualquer conduta que configure retenção, 
subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, 
documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo 
os destinados a satisfazer suas necessidades. Infrações Penais: Roubo, Furto, 
Extorsão, Estelionato etc. Quanto à Ação Penal, se for cônjuge separado(a), deverá 
haver a representação criminal por parte da ofendida para iniciar o procedimento 
policial (Art. 182, I, CP). Se houver violência ou grave ameaça, a ação será pública 
incondicionada. 
5 Violência Moral – entendida como qualquer conduta que configure calúnia, 
difamação ou injúria. As infrações penais são injúria, calúnia e difamação. A ação 
penal é privada. 
e) Medidas Protetivas 
 
A ofendida poderá pedir à Justiça as providências necessárias para a sua 
proteção por meio da Autoridade Policial. No prazo de 48 horas deverá ser encaminhado 
pelo Delegado de Polícia, o expediente referente ao pedido, juntamente com os 
documentos necessários à prova, para que este seja conhecido e decido pelo juiz. 
 
De acordo com a Lei 11.340, em seus artigos 22, 23 e 24, as MEDIDAS 
PROTETIVAS DE URGÊNCIA podem ser: 
 
 
 
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I. Suspensão da posse ou restrição do porte de armas do agressor, com 
comunicação ao órgão competente nos termos da Lei 10.826 de 22 de dezembro 
de 2003; 
II. Afastamento do lar, domicílio ou local de convivência do agressor com a 
ofendida; 
III. Proibição de determinadas condutas do agressor, entre as quais: 
1. aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando 
o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; 
2. contato com a ofendida, seus familiares e das testemunhas por qualquer 
meio de comunicação; 
3. frequentar determinados lugares a fim de preservar a integridade física e 
psicológica da ofendida 
IV. Restrição ou suspensão de visitas do agressor aos dependentes menores, 
ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; 
V. Prestação de alimentos provisionais ou provisórios; 
VI. Encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário 
de proteção ou de atendimento; 
VII. Determinar a recondução da ofendida e de seus dependentes ao respectivo 
domicílio, após afastamento do agressor; 
VIII. Determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos 
relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos; 
IX. Determinar a separação de corpos; 
X. Restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida; 
XI. Proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra e venda 
e locação da propriedade em comum, salvo expressa autorização judicial; 
XII. Suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor; 
XIII. Prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e 
danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a 
ofendida. 
É Importante que a Ofendida Saiba que: 
 
Caso queira desistir da ação penal contra o agressor, se for ação penal pública 
condicionada à representação, “só será admitida a renúncia à representação perante o 
juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento 
da denúncia e ouvido o Ministério Público” (Art. 16). Portanto, a ofendida deverá 
solicitar ao juiz a designação dessa audiência. 
 
 
 
 
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O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar, para 
preservar sua integridade física e psicológica: 
a) acesso prioritário à remoção quando servidora pública, integrante da adimistração 
direta ou indireta; 
b) manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do local de 
trabalho, por até seis meses. 
Por opção da ofendida, a competência da ação judicial para os processos cíveis 
regidos pela Lei 11.340 será o Juizado: 
 
a) do domicílio da ofendida ou de sua residência; 
 
b) do lugar do fato em que se baseou a demanda; 
 
c) do domicílio do agressor. 
Depois que o juiz receber o expediente com o pedido da ofendida, ele decidirá sobre 
as medidas protetivas de urgência, no prazo de 48 horas. Poderá ainda determinar o 
encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária, quando for o caso. 
Em caso de prisão do agressor, a ofendida deverá ser notificada dos atos processuais 
relativos ao agressor, especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão. 
 
f) Questões Polêmicas 
 
Direito de representação 
 
Para que o autor da violência seja processado, permanece a necessidade de 
representação da vítima às autoridades nos casos em que o Código Penal ou leis especiais 
assim estabeleçam. Por exemplo, no crime de ameaça, em relação ao qual o artigo 147, 
parágrafo único, do Código Penal estabelece que “somente se procede mediante 
representação”. Se não estiver presente tal condição de procedibilidade, a defesa poderá 
suscitar a preliminar de ausência de legitimidade para a causa. 
 
No entanto, em relação aos crimes de lesão corporal leve e lesão corporal 
culposa não mais se exige a representação da mulher ofendida. Isto porque a 
representação, nestes crimes, vem prevista no artigo 88 da Lei 9.099/1995 e o artigo 41 
da “Lei Maria da Penha” expressamente determina que não seja aplicada a Lei 9.099/1995 
nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. Entende-se, por não ter a lei 
feito qualquer exceção, que é proscrita a aplicação da integralidade da Lei 9.099/1995. 
 
A empregada doméstica é também vítima da violência doméstica e 
familiar contra a mulher? 
 
A empregada doméstica pode ser vítima de violência doméstica e familiar 
contra a mulher, pois está abrangida no conceito estabelecido no art. 5º da “Lei Maria da 
Penha”, especificamente em seu inciso I, que considera a violência praticada no âmbito 
 
 
 
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da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, 
com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas. 
 
As exigências contidas no artigo 12 da lei são requisitos para a concessão 
das medidas protetivas de urgência? 
 
Não. As providências previstas no artigo 12 da “Lei Maria da Penha” servem 
de guia para a autoridade policial instruir o inquérito policial. Trata-se de artigo muito 
semelhante ao artigo 6º do Código de Processo Penal referente a todos os inquéritos 
policiais. 
 
Para a concessão das medidas protetivas de urgência, a lei faz apenas uma 
única exigência: que haja requerimento da vítima ou do Ministério Público (art. 19, Lei 
11.340/2006), deixando bem claro que não é necessária a realização de uma audiência 
com as partes, ou seja, a medida pode ser determinada independentemente da prévia oitiva 
do suposto agressor. Nem mesmo o Ministério Público precisa ser ouvido na hipótese da 
medida ter sido requerida pela vítima (art.19, §1º). 
 
O pedido de medidas protetivas de urgência em sede policial depende da 
representação a termo? 
 
Não. Nos crimes que dependem de representação da vítima, esta é apenas 
exigência para que o agressor seja processado criminalmente, não sendo necessária para 
a aplicação das medidas protetivas de urgência. 
 
A competência civil e criminal é somente para as medidas protetivas ou 
para processar as ações principais (separação, alimentos, guarda, regularização de 
visitas)? 
 
O artigo 14 da “Lei Maria da Penha” estabelece que a competência dos 
Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher para o processo, o 
julgamento e a execução de todas as causas cíveis e criminais decorrentes da prática de 
violência doméstica e familiar contra a mulher. 
 
Não é feita qualquer exceção, assim como a competência não foi estabelecida 
apenas para o processamento das medidas protetivas de urgência, cabendo aos Juizados 
também processar as ações principais. 
 
O inciso IV do art. 7, sobre as formas de violência contra a mulher da Lei 
Maria da Penha, define a violência patrimonial, enquanto o art. 181 do Código Penal 
Brasileiro, no título sobre os crimes contra o patrimônio, declara que é isento de 
pena quem comete qualquer crime patrimonial contra o cônjuge na constituição da 
sociedade conjugal. Assim, indaga-se: este artigo do Código Penal continua vigendo? 
 
Sim, continua vigendo o art. 181 do Código Penal. É isento de pena quem 
pratica crime patrimonial contra cônjuge na constância do casamento (sendo possível o 
entendimento que englobe também a companheira, no caso de união estável) e também 
ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. 
Os artigos 5º, 6º e 7º da Lei Maria da Penha não criam novos crimes ou modificam aqueles 
 
 
 
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previstos no Código Penal, mas apenas auxiliam o aplicador da lei no que diz respeito à 
definição do que seja violência doméstica e familiar contra a mulher. 
 
Quando a Polícia Militar for chamada para um atendimento de violência 
contra a mulher e chegando ao local, a vítima se recusar a acompanhar o policial, 
indaga-se: Como fazer? E se algo mais grave ocorrer após sua saída? 
 
No caso de flagrante delito (hipóteses do artigo 302, do Código de Processo 
Penal), a autoridade policial não só pode como deve efetuar a prisão do agressor, 
independentemente da vontade da vítima, exceto nos casos que envolvam crimes 
dependentes de representação da vítima (lembrando que o crime de lesões corporais leves 
não mais depende de representação). Não há como obrigar a vítima a acompanhar o 
policial para que receba proteção, mas, nos crimes de ação penal pública, instaurado o 
inquérito policial, a vítima pode ser conduzida coercitivamente – levada à autoridade 
independentemente de sua vontade – para prestar depoimento. 
 
A prisão em flagrante pode ser aplicada em qualquer forma de violência 
doméstica e familiar praticada contra a mulher? 
 
Sim. O auto de prisão em flagrante é sempre lavrado. Não se aplica mais o 
Termo Circunstanciado – TC – nos casos de violência doméstica e familiar contra a 
mulher. Isso não significa que em todos os casos permanecerá o suposto agressor preso 
durante todo o processo. Dependendo da gravidade do crime, ele pode ser solto 
imediatamente pelo delegado ou, posteriormente, pelo juiz, pagando ou não fiança, 
conforme o caso. 
 
As contravenções penais, tais como vias de fato, perturbação da 
tranquilidade etc, praticadas contra a mulher nos casos de violência doméstica e 
familiar continuam na competência da lei 9.099/95, face ao previsto no artigo 41 da 
lei Maria da Penha? 
 
A lei 9.099/95 continua sendo aplicada integralmente para as contravenções 
penais, mesmo que elas configurem espécie de violência doméstica e familiar contra a 
mulher, isto porque o artigo 41 da lei Maria da Penha, o qual afastou a aplicação da lei 
9.099/95, referiu-se tão somente aos crimes, sem mencionar as contravenções penais. Se 
quisesse o legislador afastar a aplicação da lei 9.099/95 também nos casos de 
contravenções, teria inserido no texto do artigo 41 a expressão infração penal, a qual 
abrange as duas espécies: crimes e contravenções. 
 
A suspensão condicional do processo se aplica aos casos de violência 
doméstica e familiar contra a mulher? 
 
Não, pois o artigo 41 da lei Maria da Penha afastou por completo a aplicação 
da lei 9.099/95, onde está prevista a suspensão condicional do processo. Não obstante, 
pode ser aplicada a suspensão condicional da pena – conhecida como sursis. Esse instituto 
está previsto no Código Penal, nos artigos 77 e seguintes. 
 
 
Fonte: “Lei Maria da Penha: Pontos Polêmicos e em Discussão no Movimento de Mulheres” - modificado, de Juliana 
Belloque, Mestre e Doutoranda em Processo Penal pela USP e Defensora Pública do Estado de São Paulo. 
 
 
 
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LEI ANTIDROGAS 
 
 
a) Lei de Drogas – Das modificações legais relativas à figura do 
usuário 
Instrução criminal prevista nos artigos 54 a 59 da Lei 11.343/06. 
A Competência para julgar os crimes de tráfico é das Varas de Entorpecentes 
e Contravenções Penais das Circunscrições Judiciárias de Brasília. 
A Legislação sobre drogas era composta das Leis n. 6.368, de 21 de outubro 
de 1976, e n. 10.409, de 11 de janeiro de 2002. Esta última pretendia substituir a Lei n. 
6.368/76, mas o projeto possuía tantos vícios de inconstitucionalidade e deficiências 
técnicas que foi vetado em sua parte penal, somente tendo sido aprovada a sua parte 
processual. Com isso, estavam em vigor: 
a) No aspecto penal, a Lei n. 6.368/76, de modo que continuavam vigentes as 
condutas tipificadas pelos arts. 12 a 17, bem como a causa de aumento prevista no art. 18 
e a dirimente estabelecida pelo art. 19, ou seja, todo o Capítulo III dessa Lei; 
b) Na parte processual, a Lei n. 10.409/2002, estando a matéria regulada nos 
seus Capítulos IV (Do procedimento penal) e V (Da instrução criminal). 
Dessa forma, a anterior legislação antitóxicos se transformara em um 
verdadeiro centauro do Direito: a parte penal continuava sendo a de 1976, enquanto a 
processual, de 2002. 
Acabando com essa lamentável situação, adveio a Lei n. 11.343, de 23 de 
agosto de 2006, a qual, em seu art. 75 revogou expressamente ambos os diplomas legais. 
 II. Lei n. 11.343/2006. Entrada em vigor 
 O art. 74 da Lei n. 11.343/2006 estabeleceu que a referida Lei entraria em 
vigor 45 dias após a sua publicação. Como a Lei foi publicada em 24 de agosto de 2006, 
a sua entrada em vigor, portanto, ocorreu em 08 de outubro de 2006. 
 III. Do usuário de drogas. Comentários aos arts. 28, 29, 30 e 48 da Lei 
 Dispõe o art. 28: “Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou 
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I - advertência 
sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida 
educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. § 1º Às mesmas medidas 
submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas 
à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar 
dependência física ou psíquica. 
 
 
 
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A Lei n. 11.343/2006 trouxe inúmeras modificações relacionadas à figura do 
usuário de drogas. Vejamos: 
· Criou duas novas figuras típicas: transportar e ter em depósito; 
· Substituiu a expressão substância entorpecente ou que determine 
dependência física ou psíquica por drogas. 
· Não mais existe a previsão da pena privativa de liberdade para o usuário. 
· Passou a preveras penas de advertência, prestação de serviços à 
comunidade e medida educativa; 
· Tipificou a conduta daquele que, para consumo pessoal, semeia, cultiva 
e colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto 
capaz de causar dependência física ou psíquica. 
 A questão da descriminalização da posse de drogas para consumo pessoal 
 O crime previsto no revogado art. 16 da Lei n. 6.368/76 era punido com a 
pena de detenção, de 6 meses a 2 anos (admissível os sursis, a progressão de regime e a 
substituição por pena restritiva de direitos, se presentes as condições gerais do Código 
Penal), e a pena de multa, de 20 a 50 dias-multa, calculados na forma do revogado art. 38 
da Lei n. 6.368/76. Tratava-se, no entanto, de crime de menor potencial ofensivo, 
sujeitando-a ao procedimento da Lei n. 9.099/95, incidindo igualmente seus institutos 
despenalizadores, desde que preenchidos os requisitos legais. 
A Lei n. 11. 343/2006 trouxe substanciosa modificação nesse aspecto. Com 
efeito, para as condutas previstas no caput e §1º do art. 28, passou a prever as penas de: 
I – advertência sobre os efeitos das drogas; 
II – prestação de serviços à comunidade; 
III – medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 
De acordo com a nova Lei, portanto, não há qualquer possibilidade de 
imposição de pena privativa de liberdade para aquele que adquire, guarda, traz consigo, 
transporta ou tem em depósito, de droga para consumo pessoal ou para aquele que pratica 
a conduta equiparada (§ 1º). 
Em virtude das sanções previstas, esse dispositivo legal causou uma 
controvérsia: Teria a Lei n. 11.343/2006 descriminalizado a posse de droga para consumo 
pessoal? 
Luiz Flávio Gomes entende que se trata de infração sui generis, inserida no 
âmbito do Direito Judicial Sancionador. Não seria norma administrativa, nem penal. Isso 
porque de acordo com a Lei de Introdução ao Código Penal, art. 1º, só é crime, se for 
prevista a pena privativa de liberdade, alternativa ou cumulativamente, o que não 
ocorreria na hipótese do art. 28 da Lei n. 11.343/2006 (Luiz Flávio Gomes, Alice 
 
 
 
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Bianchini, Rogério Sanches da Cunha, William Terra de Oliveira, Nova Lei de Drogas 
Comentada, São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2006, p.108/113). 
Há, no entanto, entendimento em sentido contrário, sustentando que não 
houve a descriminalização da conduta. O fato continua a ter a natureza de crime, na 
medida em que a própria Lei o inseriu no capítulo relativo aos crimes e as penas (Capítulo 
III); além do que as sanções só podem ser aplicadas por juiz criminal e não por autoridade 
administrativa, e mediante o devido processo legal (no caso, o procedimento criminal do 
Juizado Especial Criminal, conforme expressa determinação legal do art. 48, § 1º, da nova 
Lei). A Lei de Introdução ao Código Penal está ultrapassada nesse aspecto e não pode 
ditar os parâmetros para a nova tipificação legal do século XXI. 
Três são as penas aplicadas: 
(a) advertência sobre os efeitos das drogas; 
(b) prestação de serviços à comunidade: será aplicada pelo prazo de 05 meses, 
se primário; 10 meses se reincidente (cf. §§ 3º e 4º, do art. 28). Será cumprida em 
programas comunitários, entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, 
estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos, que se ocupem, 
preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e 
dependentes de drogas (cf. §5º). Mencione-se que não se aplica aqui a regra do art. 46 do 
CP. 
(c) medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo: será 
aplicada pelo prazo de 05 meses, se primário; 10 meses se reincidente; 
Estaria a lei se referindo ao reincidente específico? Para Luiz Flávio Gomes 
(op. cit, p. 133), sim, a lei somente estaria se referindo ao reincidente específico no art. 
28 da Lei n. 11.343/06. Porém, há entendimento no sentido de que a lei não estabeleceu 
essa exigência, apenas mencionando genericamente os reincidentes. Desse modo, 
qualquer forma de reincidência torna incidente o § 4º do art. 28. Do contrário, a legislação 
estaria punindo com mais rigor o reincidente em detenção de droga para fins de uso, do 
que o infrator que tivesse condenação anterior por crimes mais graves, o que violaria o 
princípio constitucional da proporcionalidade. 
E se o crime for tentado, como ficaria a aplicação da pena com o redutor de 
1/3 a 2/3 previsto no parágrafo único do art. 14 do CP? Se não existe mais pena privativa 
de liberdade, como proceder à redução? No caso da prestação de serviços à comunidade 
e imposição de medida educativa, é possível realizar a dosagem da pena dentro dos prazos 
estabelecidos em lei (5 meses, se primário; 10 meses, se reincidente), o que não ocorre na 
advertência, a qual deverá ser aplicada sem qualquer diminuição. Convém ressaltar que 
na conduta de adquirir, é possível que alguém seja surpreendido tentando adquirir a droga. 
 As penas acima previstas poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, 
bem como substituídas a qualquer tempo, ouvidos o Ministério Público e o defensor. 
E se houver o descumprimento injustificado da pena? Se o agente não 
comparecer para ser advertido, não prestar o serviço ou não comparecer ao curso, poderá 
o juiz submetê-lo, sucessivamente, a admoestação verbal e depois multa. 
 
 
 
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O juiz, atendendo à reprovação social da conduta, fixará o número de dias-
multa, em quantidade nunca inferior a 40 (quarenta) nem superior a 100 (cem), atribuindo 
depois a cada um, segunda a capacidade econômica do agente, o valor de trinta avos até 
três vezes o valor do maior salário-mínimo. (cf. art. 29). Tais valores serão creditados à 
conta do Fundo Nacional Antidrogas. 
De acordo, com o art. 30, “prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a 
execução das penas, observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts. 
107 e seguintes do Código Penal”. Convém mencionar que houve aqui uma 
impropriedade técnica, na medida em que, as causas interruptivas da prescrição 
encontram-se previstas no art. 117 do CP e não no art. 107. 
Menciona-se, ainda, que, previu o § 7º, que o juiz determinará ao Poder 
Público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde, 
preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado. 
 Conduta equiparada. Plantio para consumo pessoal (art. 28, §1º). 
 A Lei n. 11.343/2006 trouxe uma grande inovação legal. Passou a incriminar 
a conduta de semear, cultivar ou colher, para consumo pessoal, plantas destinadas à 
preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência 
física ou psíquica. 
A revogada Lei 6.368/76, em seu art. 12, §1º, previa a conduta de semear, 
cultivar ou fazer a colheita de planta destinada à preparação de entorpecente ou de 
substância que determine dependência física ou psíquica, contudo, essa figura constituía 
crime equiparado ao tráfico, de forma que muito se discutia se a conduta de semear, 
cultivar ou fazer a colheita para uso próprio configurava o crime do art. 12, § 1º ou o 
revogado art. 16 (porte de drogas para uso próprio). 
Havia três posições a respeito do tema. Vejamos: (a) O fato enquadrava-se no 
art. 16. (b) O fato enquadrava-se no art. 12, § 1.º, II. (c) O fato era atípico. Prevalecia a 
primeira posição, que tinha como justificativa a incidência da analogia in bonam partem. 
Explica-se: como não existia a previsão específica para o plantio para uso próprio, a 
solução aparente seria jogar a conduta na vala comum do plantio, figura equiparada ao 
tráfico. Assim, para evitar-se um mal maior, aplicava-se a analogia com relação às figuras 
do art. 16 (trazer consigo, guardar e adquirir para uso próprio) e nele seenquadrava o 
plantio para fins de uso. Não nos parecia a solução correta. O plantio para uso próprio 
não estava previsto em lugar nenhum, nem como figura equiparada ao art. 12, nem como 
figura analógica ao art. 16: tratava-se de fato atípico. A analogia aqui não consistia em 
estender o alcance da norma do art. 16, para evitar o enquadramento no art.12, mas em 
aplicar o art. 16 a uma hipótese não descrita como crime. Por essa razão, violava o 
princípio da reserva legal. Acabando com essa celeuma, o fato passou a constituir crime 
nos moldes da Lei n. 11.343/2006. 
PS: O STF entendeu em 2024 não ser crime o porte para consumo pessoal a 
quantia de até 40g se a droga for maconha. Trata-se somente de infração administrativa 
sujeita à multa. 
 
 
 
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b) Procedimento 
Finalmente, cuida-se de infração de menor potencial ofensivo, estando sujeita 
ao procedimento da Lei dos Juizados Especiais Criminais (arts. 60 e seguintes), por 
expressa disposição legal, salvo se houver concurso com os crimes previstos nos arts. 33 
a 37 da Lei (cf. art. 48, §1º). No caso, incidirá a regra do art. 60 da Lei n. 9.099/95, com 
a redação determinada pela Lei n. 11.343/2006: “O Juizado Especial Criminal, provido 
por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento 
e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de 
conexão e continência. Parágrafo único: Na reunião de processos, perante o juízo comum 
ou o tribunal do júri, decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência, 
observar-se-ão os institutos da transação penal e da composição dos danos civis". 
O art. 48, § 1º, merece um reparo. É que o artigo 33, § 2º (cessão ocasional e 
gratuita de drogas) constitui infração de menor potencial ofensivo, de forma que, o 
concurso dessa modalidade típica com o art. 28 (posse de droga para consumo pessoal), 
não afasta a competência dos Juizados Especiais Criminais, ao contrário do que dá a 
entender a redação daquele dispositivo, o qual, na realidade, no que tange ao art. 33, 
está se referindo apenas ao caput e § 1º. 
c) Prisão em flagrante 
 Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, não se imporá prisão 
em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo 
competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se 
termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias 
necessários (cf. § 2º). Ora, e se o agente se recusar a assumir o compromisso de 
comparecer à sede dos Juizados, poderá a autoridade impor a prisão em flagrante? De 
acordo com o art. 69, parágrafo único, da Lei n. 9.099/95, em tal caso, é possível a 
realização da prisão em flagrante. Ocorre, contudo, que o indivíduo que é surpreendido 
com a posse de droga para consumo pessoal, por expressa determinação legal, se 
submeterá apenas às medidas educativas, jamais podendo lhe ser imposta pena privativa 
de liberdade. Com isso, não é admissível que ele seja preso em flagrante ou 
provisoriamente, quando não poderá sê-lo ao final, em hipótese alguma. Não cabe, 
portanto, a prisão em flagrante. Se tal prisão ocorrer, se tornará ILEGAL, cabendo 
relaxamento de prisão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esqueleto da Petição (Revogação de prisão preventiva): 
 
 
 
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL 
DA CIRCUNSCRIÇÃO JUDICIÁRIA DE (LOCAL DO FATO). 
 
OBS: Observar se a competência é do Juiz da Vara do Tribunal do Júri ou do juizado 
especial de violência doméstica e familiar contra a mulher, visto a possibilidade de 
decretação de prisão preventiva nestes casos) 
 
Distribuição por dependência ao IP nº 
 
Ou 
 
Distribuição por dependência aos autos do processo nº 
 
 Fulano de Tal, (qualificar na íntegra, visto tratar-se de petição que vai apartada 
aos autos), vem à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado infra 
constituído, conforme instrumento de mandato em anexo, com fulcro nos arts. 316 e 282, 
§ 5º, ambos do Código de Processo Penal, requerer: 
 
REVOGAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA 
 
 Com base nos fatos que a seguir expõe: 
 
OBS: Se for revogação de prisão temporária, ultrapassado o prazo de 5 dias fundamenta-
se no art. 7º da Lei 7960/89 c/c 282 § 5º do CPP; se for caso de medida que o motivo 
deixou de existir, fundamenta-se no 282, § 5º do CPP; 
 
I- BREVE SÍNTESE DA DEMANDA 
 
Neste momento, devemos falar dos requisitos do art. 312 do CPP e fundamentar 
que a prisão foi decretada com base em algum (uns) deles. Porém, devemos citar o motivo 
pelo qual o motivo porventura deixou de existir. 
 
EX: O cara foi preso e não se tem informações verdadeiras acerca do endereço onde ele 
mora. A fundamentação do juiz para decretação é a possível fuga do acusado, caso haja 
condenação, tendo em vista a desconfiança de o cara ter dado endereço errado quando 
intimado. Com base nisso, informamos que a defesa junta documentos que comprovam 
onde ele mora, trabalha e estuda e também que ele compareceu voluntariamente a todos 
os atos do processo, razão pela qual a eventual aplicação da lei penal em caso de 
condenação, em hipótese alguma restará prejudicada. 
 
II – DO DIREITO 
 
Neste momento vamos debater e confrontar todos aqueles motivos que podem ter 
ensejado a prisão, mostrando ao juízo que não há necessidade de o indiciado ficar preso. 
Falar, neste momento, da liberdade como regra e dissertar acerca dos requisitos do 312 
do CPP confrontando-os com os argumentos da defesa, e documentos juntados, a fim de 
tornar a prisão desnecessária. Como tese subsidiária, falamos de alguma(s) medida(s) do 
art. 319 do CPP por serem mais adequadas ao requerente. 
 
 
 
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III – DO PEDIDO 
 
 Aqui, fazemos o pedido de revogação da prisão preventiva decretada, tendo em 
vista a ausência dos requisitos autorizadores do art. 312 do CPP, com a consequente 
expedição de alvará de soltura em favor do requerente (se tiver outra medida mais 
favorável, pedimos neste momento a substituição da medida). 
 
EX: Ex positis, (Pelo exposto), requer o suplicante a revogação da prisão preventiva, ante 
a total ausência dos requisitos autorizadores do art. 312 do CPP, com a consequente 
expedição do alvará de soltura em favor do mesmo. Entendo pena necessidade, bem como 
se atentando para a conveniência e oportunidade, requer, subsidiariamente, que se for 
necessário revogue a prisão, condicionando a liberdade à imposição de medidas 
cautelares, nos termos aventados no art. 282 c/c 319 do código de processo penal. 
 
Nestes Termos 
Pede Deferimento 
 
Local, data. 
 
Advogado. 
OAB. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
Ryana Rux, brasileira, solteira, atendente da farmácia “Saúde Sempre” há 6 anos, 
residente e domiciliada na Quadra 1122, Bloco W, apartamento 1122, Paranoá - DF, teve 
seu filho sequestrado por um perigoso traficante de drogas que estava sendo procurado 
na região. 
 
Após pegar o menino de 5 anos que estava saindo da escola, Escobar disse que havia 
deixado uma quantidade de drogas na porta de Ryana. Se ela não desse um jeito de vender 
“a mercadoria” em até três dias, ele mataria o menino. Ryana morava sozinha com seu 
filho, pois seus parentes moravam no Nordeste e o pai da criança não havia assumido o 
filho, tendo sumido no mundo. 
 
Grávida de 6 meses e desesperada, Ryana pegou o pacote e, incansavelmente, vendeu até 
a última grama da cocaína deixada por Escobar em frente à sua casa. Exatos três dias 
depois, o filho de Ryanafoi devidamente devolvido, todavia, na semana seguinte, por 
conta das câmeras e ligações de três moradores daquela rua, Ryana foi intimada à 
comparecer na delegacia para prestar declarações, o que foi ignorado por ela. No início 
da semana seguinte, Ryana foi presa preventivamente pelo crime de tráfico de drogas, 
insculpido no art. 33, caput, da lei 11.343/06. 
 
Na decisão, o magistrado suscitava a garantia da ordem pública, dispondo que Ryana, 
apesar de primária e de bons antecedentes, praticou, durante três dias ininterruptos, um 
crime equiparado a hediondo, durante horas a fio, sem se importar com as pessoas que ali 
passavam e com as consequências jurídicas de seu ato. Além disso, fundamentou sua 
decisão na garantia da aplicação da Lei penal, eis que intimada para depor na delegacia, 
a indiciada havia se mantido inerte. Assim, baseou-se nos arts. 312 e 313, I, para 
fundamentar a sua decisão. 
 
Como advogado de Ryana, apresente o requerimento cabível, se atentando para todas as 
teses pertinentes ao caso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Habeas Corpus 
 
O instituto do habeas corpus chegou ao Brasil com D. João VI, no decreto de 
23 de maio de 1821: “Todo cidadão que entender que ele, ou outro, sofre uma prisão ou 
constrangimento ilegal em sua liberdade, tem direito de pedir uma ordem de habeas 
corpus a seu favor". A constituição imperial o ignorou mas foi novamente incluído no 
Código de Processo Criminal do Império do Brasil, de 1832 (art. 340) e foi incluído no 
texto constitucional na Constituição Brasileira de 1891 (art. 72, prágrafo 22). Atualmente, 
está previsto no art. 5°, inciso LXVIII, da Constituição Brasileira de 1988: "conceder-se-
á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou 
coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder". 
O habeas corpus pode ser liberatório, quando tem por âmbito fazer cessar 
constrangimento ilegal, ou preventivo, quando tem por fim proteger o indivíduo contra o 
constrangimento ilegal que esteja na iminência de sofrer tal constrangimento. 
A ilegalidade da coação ocorrerá em qualquer dos casos elencados no Artigo 
nº 648 do Código de Processo Penal Brasileiro, quais sejam: 
I - quando não houver justa causa; (Ex: em crimes tributários, sonegação – Lei 8.132/90, 
quando o agente parcela o débito antes do recebimento da denúncia – o art. 151 do CTN 
afirma que o parcelamento suspende a ação penal; neste diapasão, a quitação do débito, a 
qualquer tempo antes da sentença (conforme entendimento do STJ) extingue a ação penal. 
Ela retira da ação penal a justa causa para seu prosseguimento). Se mesmo havendo a 
quitação do débito, o MP insistir no prosseguimento da ação penal, impetra-se HC para 
trancar a ação penal. 
II - Quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei; (O art. 400 do 
Código de Processo Penal estipulou o prazo de 60 dias para que se encerre a instrução 
criminal em casos em que o réu esteja preso. O excesso de prazo configura 
constrangimento ilegal e pode ser atacado por HC). 
III - Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo; 
IV - Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação; (é o caso de negativa de 
concessão de liberdade provisória ou de revogação da preventiva, quando o acusado 
preencher os requisitos.) 
V - Quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza; 
VI - Quando o processo for manifestamente nulo; 
VII - Quando extinta a punibilidade. 
O habeas corpus é um tipo de ação diferenciada de todas as outras, não só 
pelo motivo de estar garantida na Constituição Federal, mas também porque é garantia de 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Império_do_Brasil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Constituição_Brasileira_de_1891
http://pt.wikipedia.org/wiki/Constituição_Brasileira_de_1988
 
 
 
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direito à liberdade, que é direito fundamental, e por tal motivo é ação que pode ser 
impetrada por qualquer pessoa, não sendo necessária a presença de advogado ou pessoa 
qualificada, nem tampouco de folha específica para se impetrar tal procedimento, 
podendo ser, inclusive, escrito à mão. 
É plenamente cabível a concessão de liminar em habeas corpus, tanto na 
hipótese de habeas corpus preventivo, bem como na hipótese de habeas corpus 
liberatório. Basta que estejam presentes os requisitos do periculum in mora 
(probabilidade de dano irreparável à liberdade de locomoção) e do fumus boni juris 
(elementos da impetração que indiquem a existência de ilegalidade no constrangimento). 
Tal pedido liminar deve ser feito quando da impetração do writ de habeas 
corpus. 
É importante frisar que, como já se disse, por ser a liberdade direito de suma 
importância e garantido pela Constituição brasileira, os tribunais devem analisá-lo com o 
maior rigor e agilidade para que nenhum dano à pessoa seja causado por atos ilegais ou 
excessivos. 
Importante ressaltar que a parte que interpõe a ação de habeas corpus não é a 
que está sendo vítima da privação de sua liberdade, via de regra, e sim um terceiro que o 
faz de próprio punho. Como a ação de habeas corpus é de natureza informal, pois 
qualquer pessoa pode fazê-la, não é necessário que se apresente procuração da vítima para 
ter ajuizamento imediato. Ela tem caráter informal. Portanto, a ação tem características 
bem marcantes, a se ver: 
• Privação injusta de liberdade; 
• Direito de, ainda que preso por "justa causa", responder o processo em liberdade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Esqueleto da Petição: 
 
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO 
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E 
TERRITÓRIOS 
 
Você (Faça a sua qualificação (nome completo, nacionalidade, estado civil, endereço, 
etc, pois você estará impetrando o remédio constitucional em favor de uma terceira 
pessoa, ou seja, você é o impetrante. Tendo em vista uma idéia lógica, se a pessoa está 
presa, num HC liberatório não tem como ela lhe passar uma procuração em tempo hábil, 
então, por via das dúvidas, se qualifique no HC), vem perante Vossa Excelência, com 
fulcro no art. 5º, LXVIII, da CF/88, c/c 647 do Código de Processo Penal, impetrar 
HABEAS CORPUS (preenche os requisitos do fumus boni iures e periculum in mora, 
peça com liminar), em favor de (qualificar o paciente), contra ato ilegal emanado do 
(qualificar a autoridade coatora), pelos fatos e fundamentos que passa a aduzir: 
 
I – BREVE SÍNTESE DA DEMANDA: 
 
Explicar a restrição ilegal da liberdade. Se for advinda de pedido de LP ou 
Revogação de Preventiva, não esquecer de falar do motivo ensejador previsto no art. 312 
do CPP que determinou a prisão e instaurou a ilegalidade. 
 
II – DO DIREITO: 
 
Falar da liberdade e da ilegalidade da medida. Se for por motivo do art. 312, 
combatê-lo ferrenhamente. Se for excesso de prazo ou falta de justa causa expor a situação 
de forma fundamentada aqui. 
 
III – DO PEDIDO LIMINAR: 
 
Falar do fumus boni iures e do periculum in mora. 
 
IV – DO PEDIDO: 
 
O constrangimento ilegal, no presente caso, é de meridiana clareza, tendo em vista 
que (...). A manutenção de sua custódia, nestas condições, seria inegável abuso de poder, 
trazendo injustas e irremediáveis aflições ao paciente. 
 
À vista do exposto, requer o impetrante que seja deferida a liminar para concessão 
da ordem para..., cessando o ato ilegal ora combatido (ou obstrução do ato ilegal antes de 
seu cometimento, se for HC preventivo). 
Após, que seja notificada a autoridade coatora para prestar as informações 
necessárias no prazo legal, bem comopara que sejam os autos remetidos ao membro do 
 
 
 
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ministério público para manifestação. Ao final, requer que, no mérito, seja concedida a 
ordem, para... 
 
Pede Deferimento. 
 
Local, data. 
 
Nome 
CPF. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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OBS: CRIME TRIBUTÁRIO E HABEAS CORPUS 
 
O plenário do STF aprovou no dia 2-12-09 a Súmula Vinculante n. 24, que 
estabelece a necessidade de lançamento definitivo do tributo para tipificar crime 
tributário, ou seja, conclusão do processo administrativo como condição de 
procedibilidade da ação penal. 
As Súmulas Vinculantes foram introduzidas pela EC 45/2004 com o objetivo de 
pacificar a discussão de questões examinadas nas instâncias inferiores do Judiciário. Após 
a aprovação, por no mínimo oito ministros, e da publicação no Diário de Justiça 
Eletrônico, o verbete deve ser seguido pelos Poderes Judiciário e Executivo, de todas as 
esferas da Administração Pública. 
A PSV 29 foi aprovada por maioria de votos, vencidos os ministros Joaquim 
Barbosa, Ellen Gracie e Marco Aurélio. A maioria dos ministros entendeu que não se 
tipifica crime material contra a ordem tributária antes do lançamento definitivo do tributo 
Como o art. 151 do CTN (Código Tributário Nacional), estabelece que as 
reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, temos que o 
lançamento só se torna definitivo após encerrado o processo administrativo. 
Na prática, então, todos aqueles processos criminais iniciados sem que o processo 
administrativo tenha confirmada a procedência do lançamento do crédito, não tipificam 
o crime tributário. E os novos processos, daqui por diante, terão que aguardar o 
julgamento na esfera administrativa para só então ser possível o oferecimento de denúncia 
contra o contribuinte. 
Relator da Súmula, o ministro Cezar Peluso afirmou que a jurisprudência do STF 
atualmente não admite processo-crime sem que esteja pré-definido o crédito: “O objeto 
da súmula é a conclusão da Corte de que não há possibilidade de exercício de ação penal 
antes da apuração da existência certa do crédito tributário que se supõe sonegado”, 
explicou Peluso. Se for proposta denúncia antes do final do processo administrativo cabe 
HC para trancar a ação penal tendo em vista a total ausência de justa causa para 
propositura da denúncia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CASO PARA RESOLUÇÃO 
 
Laila Layana, 20 anos, brasileira, empresária, casada, é sócia administradora de 
conhecidíssimo supermercado na região de Samambaia-DF. Em 10 de janeiro de 2018, 
Laila teve em seu estabelecimento a visita de um fiscal da Secretaria de Estado de 
Fazenda, que analisando os livros de registros de entradas e saídas das mercadorias da 
Empresa “Compre mais”, constatou haver omissão em alguns registros, fato que ensejou 
a lavratura de um auto de infração por sonegação de ICMS. 
 
No prazo legal, Laila ofereceu impugnação ao auto de infração, que foi julgada 
improcedente, havendo confirmação da lavratura. Tempestivamente, Laila ofereceu 
recurso administrativo para ver reformada a decisão que implicou na autuação, que estava 
pendente de decisão. 
 
O Ministério Público, por entender que a autuação tinha sido lavrada nos 
conformes da Lei, ofereceu denúncia em face de Laila em 19 de janeiro de 2024, 
tipificando o fato como crime tributário constante no art. 1º, I, da Lei 8.137/90, tendo sido 
o crime efetivamente cometido quando da constatação da omissão em 10 de janeiro de 
2018. 
 
A denúncia foi recebida em 23 de janeiro de 2043 pelo juízo da Primeira Vara 
Criminal. Diante do feito, o juiz determinou a citação da acusada para responder ao 
processo nos termos esposados na exordial acusatória. 
 
Com base no exposto, proponha a ação cabível em favor de Laila, se atentando para os 
requisitos e aspectos legais necessários para propositura da medida.

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