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Terapia Comportamental Dialética – Para Transtorno de Personalidade Borderline Profa. Ms. Paula Oliveira Marsha M. Linehan TCD é um tratamento estruturado especificamente para o tratamento de pacientes borderlines graves, cronicamente suicidas e com automutilações não-letais (AMNL) Pode ser realizado individualmente e também no formato grupal. É uma abordagem dirigida por princípios, e não por protocolos. No que se refere ao entendimento da TPB, a principal diferença entre a abordagem convencional da TCC e a TCD • TCC considera a interpretação distorcida dos eventos de como associado à gênese e à manutenção da psicopatologia • TCD pressupõe que a desregulação emocional estaria associada às demais dificuldades que o paciente enfrenta em sua vida, ou seja, a desregulação emocional levaria à desregulação cognitiva, comportamental e interpessoal. DIALÉTICA NA TERAPIA COMPORTAMENTAL DIALÉTICA Dialética é um termo oriundo da filosofia que pode ter mais de um significado, pode ser um método de persuasão, quanto uma visão de mundo ou um conjunto de pressupostos acerca da natureza da realidade. Na TCD, fornece meios práticos para terapeuta e paciente manterem a flexibilidade e o equilíbrio ao longo de todo o processo terapêutico. A visão de mundo dialética permeia toda a TCD e tal perspectiva sustenta que não se pode dar sentido às partes, sem considerar o todo. Cada perspectiva é verdadeira, mas cada uma é somente parcial. Na TCD, as coisas não são interpretadas em termos de isso ou aquilo, e sim ambas as alternativas, e o que mais, além disso, pode ser. As estratégias de modificação cognitiva são baseadas na persuasão dialética. TEORIA BIOSOCIAL • Base para conceitualização • Para determinar o nível de comprometimento e gravidade do Transtorno PROBLEMA PRIMÁRIO: é um padrão invasivo de regulação do sistema emocional. Todos os problemas seguem essa premissa e são consequência da desregulação emocional • Desregulação Comportamental: Comportamentos suicidas e automutilantes • Desregulação cognitiva: Pensamento dicotômico e ideação paranoide transitória • Problemas Interpessoais: Instabilidade nos relacionamento e busca de aceitação. Pacientes TPB apresentam ativações emocionais com + frequência e > intensidade e tendem a demorar + tempo para retornar aos níveis emocionais iniciais do que indivíduos sem transtorno. AMBIENTES INVALIDANTES O conceito refere-se às variáveis ambientais implicadas na Desregulação Emocional. A invalidação das necessidades emocionais da criança estariam diretamente ligadas ao surgimento das características dos indivíduos borderlines. Em geral, há uma sondagem do ambiente por pistas de como deve interpretar, sentir e agir. Não há instruções claras de como se deve agir. O ABUSO SEXUAL INFANTIL é o protótipo de Ambiente Invalidante A criança se percebe punida por ser como é, se comportar como se comporta e sentir da maneira como se sente. OS DILEMAS DIALÉTICOS DO TPB São oriundos da necessidade de manejar a própria vulnerabilidade emocional e a convivência com ambientes invalidantes. Fazem com que o paciente oscile entre tentativas extremadas de regular a própria emoção (por estratégias inibitórias) e expressões emocionais extremas e intensas. Linehan propõe 3 Dilemas Dialéticos: (1) Crises implacáveis vs Luto Inibido (2) Vulnerabilidade emocional vs Autoinvalidação (3) Passividade ativa vs Competência aparente VULNERABILIDADE EMOCIONAL VS AUTOINVALIDAÇÃO Vulnerabilidade Emocional é o conceito que fala sobre as variáveis biológicas da Desregulação emocional, para tentar lidar com a sua experiência emocionalmente intensa, acabam internalizando os seus ambientes invalidantes e utilizando a autoinvalidação como um tentativa de regular a própria emoção. Autoinvalidação pode se apresentar de duas formas: (1) da própria desregulação emocional “Eu jamais deveria ser assim”. “Sou loca, nunca vou mudar”; e (2) negar e/ou ignorar a sua vulnerabilidade à desregulação emocional. PASSIVIDADE ATIVA VS COMPETÊNCIA APARENTE Passividade ativa envolve uma forma passiva de lidar com os problemas que ativem emocionalidade, de exigir ativamente do ambiente soluções para esses problemas ou comunicar a dor emocional de forma intensa que acabe gerando uma postura ativa dos outros “Eu estava muito frustrada por não estar conseguindo emagrecer e com muita raiva da minha mãe porque ela não fazia nada para que eu conseguisse emagrecer, nem se mostrava preocupada com isso... Por mais que eu brigasse e implorasse para ela, ainda assim ela não fazia nada para me ajudar”. Competência aparente ocorre quando, em situações específicas, o paciente apresenta respostas habilidosas para lidar com um problema, entretanto, em outras similares, parece que essas simplesmente somem. Dificuldade de generalização de aprendizagens devido à instabilidade emocional. CRISES INEXORÁVEIS VS LUTO INIBIDO Crises inexoráveis reflete o funcionamento de pacientes com desregulação emocional ao “gerar” e ser controlado por eventos aversivos constantes. O comportamento impulsivo acaba sendo utilizado por esses pacientes para regular a própria emoção, mas gera mais crises emocionais. Luto inibido refere-se à tendência dos pacientes com TPB para evitar ou inibir as experiências e as expressões de emoções intensas e dolorosas por meio de mecanismos inibitórios. Esses mecanismos inibitórios tem uma profunda relação com o intenso histórico de perdas e/ou traumas que esses pacientes possuem, o processo de inibição emocional nesses pacientes acaba intensificando a desregulação emocional. PRINCIPIOS BÁSICOS DA TCD Para ser efetiva, dever ser trabalhada sempre por equipes de TCD A equipe TCD tem a função de garantir que todos os seus membros vivenciem a TCD em seu cotidiano e que estejam motivados a continuar o seu trabalho com a TCD; A TCD possui 8 princípios básicos norteadores, que são: (1)Os pacientes estão fazendo o melhor que podem; (2)Os pacientes querem melhorar; (3)Os pacientes precisam fazer mais, tentar mais e ter mais motivação para mudar; (4)Os pacientes podem não ter causado todos os seus problemas, mas devem resolvê-los de qualquer maneira; (5)A vida de um paciente suicida é insuportável da maneira como é vivida o momento; (6)Os pacientes devem aprender novos comportamentos em todos os contextos relevantes; (7)Os pacientes não podem falhar na terapia; e (8)Os terapeutas que tratam pacientes com TPB necessitam de suporte. A DIÁLETICA DOS TERAPEUTAS O modelo terapêutico tem como uma das suas principais características o intenso “movimento”. Cabe ao terapeuta saber gerar, lidar e/ou se deixar levar por esse “movimento” com sabedoria. Similar a uma dança, na qual os terapeutas devem ter a habilidade de movimentar-se conforme o ritmo no qual a música está sendo tocada. Orientação para a aceitação Orientação para a mudança Firmeza convicta Flexibilidade empática Exigências benevolentes Estímulos ESTRUTURA DO TRATAMENTO NA TCD Importante avaliação diagnóstica envolve a busca por eventuais comorbidades, bem como demais informações clínicas relevantes para HD Estrutura de intervenção clara Necessidade de compromisso com as metas – preestabelecidas de modo adequado. ESTÁGIO OBJETIVOS Pré-tratamento Compromisso com as metas primárias do tratamento • Relação terapêutica colaborativa • 12 meses sem tentar se matar ou se mutilar • Entrevista Motivacional Primeiro estágio Estabilidade emocional e dos relacionamentos • Foco: Comportamentos do paciente e do terapeuta que interferem na terapia Segundo estágio Trabalho sobre o processamento emocional do passado Terceiro estágio Síntese e resolução de problemas. Quarto estágio Foco no senso de incompletude ESTRATÉGIAS CENTRAIS: São centro das intervenções TCD e representam a dialética fundamental da TCD: Aceitação vs Mudança; Dividem-se em Validação (aceitação) e Solução de Problemas (mudança). VALIDAÇÃO Trêselementos específicos deste modelo terapêutico: (1) a constante procura pelo que existe de válido nas respostas dos paciente; (2) a definição de seis níveis de validação; e (1) Envolve o terapeuta escutar o paciente com consciência plena. Responder de forma não julgadora, demonstrar interesse, fortalecer. (2) Parafrasear de maneira não julgadora e mostrando atenção. (3) Inferir sobre possíveis eventos privados – cautela. (4) Comunicar que o comportamento atual do pac faz sentido em relação as circunstâncias do passado – cautela – foco no momento presente. (5) Enfocar aquilo que na resposta atual é efetivo, adaptativo e relevante – não focar o negativo. (6) Engloba os demais e envolve uma comunicação profunda de respeito pelo paciente, que o terapeuta enxerga como igual – importante ser autentico. (3) a aplicação da validação de forma explícita (verbal) e implícita (funcional) Vinheta Clínica – 2º nível de validação Paciente T: “Estou realmente muito decepcionada com o meu pai... Toda vez que eu falo com ele sobre algo no trabalho que estou conseguindo desenvolver, ele sempre coloca que isso é insuficiente, que com os valores que ele pagou na minha educação eu deveria estar muito mais avançada na minha carreira... Isso me deixa realmente muito deprimida...” Terapeuta: “Então, você está me dizendo que se sente realmente muito triste e decepcionada porque, quando contou para o seu pai sobre algo que você está conseguindo desenvolver no trabalho, ele disse que isso não era suficiente de acordo com o que ele tinha pagado pela educação, e que você deveria ter uma carreira mais bem-sucedida, como ele já havia te colocado diversas outras vezes . Isso?” Exemplo – 3º nível de validação Quando eu falei sobre os abusos sexuais que você sofreu na infância, tive a impressão que você ficou realmente muito triste... Inclusive me parece que você começou a olhar o chão, a se encolher na poltrona apoiando os cotovelos nos joelhos e baixando a cabeça... Isso faz sentido para você? Exemplo – 4º nível de validação Ok, entendo que você está querendo que eu reassegure o que você está dizendo, isso me aprece natural tendo em vista o ambiente de imprevisibilidade em que você viveu com os seus pais. Vinheta Clínica – 5º nível de validação Paciente K: Quando eu cheguei à festa estava tudo bem... Eu e o R. (namorado da paciente) estávamos ótimos e nos divertindo muito... Contudo, quando aquela vagabunda foi cumprimentar ele... Sério... Ela só faltou agarrar ele... Para você ter noção... Ela chegou a pular no pescoço dele... Quando isso aconteceu me dei conta que estava morrendo de raiva... Ficava pensando que ele também poderia falar para aquela vagabunda sair... E ela poderia ter o mínimo de vergonha na cara... Daí parece que a minha visão nublou e só me lembro de estar jogando um copo de cerveja na cara dos dois... Na hora só assim me baixou aquela sensação horrorosa... O problema é que logo depois os seguranças da festa chegaram e me expulsaram da festa... Me senti culpada depois... Porque lá estava eu sendo a louca descontrolada de novo... Sério... Não consigo fazer nada direito...” Terapeuta: “K, eu fiquei com uma forte impressão de que essa situação é realmente muito intensa emocionalmente para você... E que, naquele momento em que ela foi cumprimentar o seu namorado, você pensou que a conduta dela evidentemente sinalizava que ela estava dando em cima do seu namorado na sua frente, certo?” K: “Isso mesmo! Me senti completamente desrespeitada por aquela vagabunda...” T: “Ok, e me parece que faz muito sentido isso, não consigo imaginar como não se sentir assim com alguém dando em cima do seu namorado na sua frente... Além disso, acredito que tenha algo muito interessante para analisarmos no seu comportamento de jogar o copo de cerveja nos dois... Eu fiquei com a impressão de que essa é uma situação onde era muito importante para você reagir frente ao comportamento dessa moça focando o teu autorrespeito, certo? K: “Claro! O problema é que eu sempre me comporto como uma doida.” T: “Tá, K, mas jogar o copo de cerveja neles não foi uma forma de expressar que aquilo era inadmissível para você?” K: “Claro!” T: Então me parece que esse comportamento, de certa forma, está relacionado com o teu autorrespeito. Talvez o que nós tenhamos de ver nessa situação é como você poderia ter outros comportamentos que focassem o teu autorrespeito, que não gerassem a consequência de você ser expulsa da festa... Faz sentido para você isso, K? ASPECTOS A SEREM VALIDADOS 1. As emoções (em especial aquelas respostas primárias que, muitas vezes, os pacientes acabam evitando direta ou indiretamente); 2. Os comportamentos, pensamentos e planos de solução de problemas (que podem ser válidos em muitos contextos, contudo, muitas vezes, podem ser inválidos também, e justamente por isso, os terapeutas TCD devem estar sempre procurando ativamente o que é válido nesses elementos); 3. A importância dos problemas dos pacientes; 4. A dificuldade nas tarefas; 5. A dor emocional; 6. As razões para se sentir descontrolado; 7. Os objetivos desejados; 8. A sabedoria inerente aos objetivos mais importantes do pacientes; 9. As perspectivas apresentadas pelos pacientes quando desregulados emocionalmente. SOLUÇÃO DE PROBLEMAS Podem ser divididas, da seguinte forma: 1. Análise comportamental: Definido o comportamento, a análise deve ser feita em colaboração com o paciente e enfocar os aspectos externos e internos envolvidos. Qual é o problema? Causa? O que está atrapalhando? Recursos disponíveis? Frequência, duração e intensidade? 2. Estratégias de análise de soluções: Os comportamentos podem estar sobre o controle da intensidade emocional, de processos cognitivos, de contingências de reforçamento ou da falta de alguma habilidade específica – fatores que determinar a solução. 3. Estratégias de Insight: Envolve descrever padrões recorrentes e explicitar as consequências dos comportamentos dos pacientes. 4. Estratégias didáticas: Consistem em partilhar informações que possam explicar determinados padrões comportamentais. Envolvem informações sobre o TPB e explicações sobre como os comportamentos impulsivos e autodestrutivos funcionam como métodos de solução de problemas não adaptativos. 5. Estratégias de orientação: Explicar qual é o papel do terapeuta e do paciente TCD, a importância das tarefas, em especial do cartão diário, ensaios comportamentais para verificar as estratégias de solução de problemas. 6. Estratégias de comprometimento: Comprometer com a TCD como um todo com alguma intervenção específica TÉCNICAS UTILIZADAS NAS ESTRATÉGIAS DE COMPROMETIMENTO 1. PRÓS E CONTRAS: Após algum comprometimento, propões avaliar os prós e contras em permanecer dentro desse comprometimento. 2. ADVOGADO DO DIABO: Para definir objetivos e comprometimentos. O terapeuta se posiciona levantando argumentos contrários ao comprometimento estabelecido para que, assim, o paciente seja impelido a argumentar favoravelmente ao comprometimento e fortalecendo-o 3. PÉ NA PORTA: envolve o terapeuta destacar o que o paciente necessita modificar de uma forma tão ampla que a única resposta possível para o paciente seja sim. “Nós podemos desenvolver esse tratamento para eu você possa desenvolver uma vida plena baseada nas coisas que são realmente importantes para você. Isso te interessa? Você se comprometeria com isso?” 4. PORTA NA CARA: envolve exatamente o oposto do anterior, pois aqui o terapeuta coloca para o paciente exatamente o que ele necessita parar na situação, sem avaliar ou julgar o comportamento, como no exemplo que segue: “Para que você consiga ter mais liberdade na sua casa sem que a sua mãe vigie você o tempo inteiro é fundamental que você pare completamente com o comportamento de se cortar. Eu sei que isso pode ser realmente muito difícil, mas para atingir esse objetivo é fundamental que você se comprometa com isso”; 5. LIGAR COMPROMETIMENTOS PASSADOSCOM ATUAIS: Essência dessa técnica é avaliar ao longo da história do paciente situações nas quais ele conseguiu desenvolver comprometimentos efetivamente e tentar conectá-los com a situação atual da terapia tentando aumentar o comprometimento com a mesma. 6. LIBERDADE DE ESCOLHA/AUSÊNCIA DE ALTERNATIVAS: o terapeuta evidencia para o paciente a liberdade que ele tem de mudar ou não mudar algum determinado comportamento, porém apresentando as consequências aversivas de escolher a não mudança. 7. MODELAGEM: procedimento que envolve reforçar o paciente a cada evolução que ele faz com relação aos comprometimentos dele com a TCD. ESTRATÉGIAS DIALÉTICAS NA TCD Proporcionam o equilíbrio relacional entre estratégias de aceitação e mudança dentro da TCD. PARODOXO Essa estratégia envolve o terapeuta evidenciar o paradoxo no comportamento do paciente, no processo terapêutico e na realidade em geral. Retomando o caso K, Terapeuta: “Pois bem , K... Além disso, veja só que interessante, a primeira coisas que você sentiu quando ela foi cumprimentar o seu namorado foi medo de perder ele, para após sentir raiva e jogar um copo de cerveja nele, sendo que a consequência foi a de ser expulsa da festa... Assim, o seu comportamento, que teve origem no medo de perder, acabou levando você a ser expulsa da festa e a deixar dos dois molhados lá dentro, isso?” METÁFORAS É muito comum sua utilização para ilustrar algum aspecto específico do tratamento. Em geral, elas servem para ensinar o pensamento dialético e para abrir possibilidades para novos comportamentos para o paciente. Um exemplo disso é a metáfora da “Areia Movediça” para explicar por que quanto mais se luta contra o sofrimento, mas se “afunda” no sofrimento, e que o caminho para uma vida que valha a pena ser vivida envolve invariavelmente parar, observar e aceitar o sofrimento, como se estivesse em uma areia movediça. • Comportamentos que interferem na terapia: • Alpinista que se recusa a usar o material de segurança • Comportamento passivo e evitação emocional: • Ficar no prédio em chamas • Ficar na chuva em meio a uma tempestade • Aprender a aceitar • Tulipa que tenta ser rosa porque foi plantada em um canteiro com rosas. ADVOGADO DO DIABO • O terapeuta posiciona-se argumentado favoravelmente ao padrão mal-adaptativa, “forçando o paciente a argumentar favoravelmente ao padrão mais adaptativo. Ex.: “Talvez abandonar a terapia seja uma coisas boa para você neste momento, pois terá mais tempo para resolver sozinha esses problemas” EXPANDIR/ALONGAMENTO • O terapeuta aumenta a importância de um determinado ponto da comunicação do paciente. É a versão emocional do advogado do Diabo: Ex.: “Se você está se sentindo sozinha e quer se matar por que está acima do peso e se acha feia, eu penso que isso deva ser uma boa ideia para outras pessoas também. Muitas pessoas têm problemas com a balança. Eu mesmo tenho me sentido mal com a minha aparência ultimamente e talvez deva considerar o suicídio como uma alternativa inteligente para mim. Nunca tinha pensado dessa forma, mas isso faz sentido e é muito sério”. ATIVAR A MENTE SÁBIA • Apresenta a integração entre a mente racional e a mente emocional. É a síntese da tese (razão) e da antítese (emoção). E questionar ao paciente em determinada situação “O que sua mente sábia diria a você?” ou então “Essa é uma decisão baseada em mente sábia?” FAZER DOS LIMÕES UMA LIMONADA • O terapeuta orienta o paciente a perceber as oportunidades de praticar novas habilidades nas situações problemáticas que apareçam ao longo da terapia. PERMITIR MUDANÇAS NATURAIS • Orientar o paciente sobre a natureza da vida em si de constante mudança, e que isso se estende a terapia • A organização do ambiente físico pode mudar a cada momento, a hora da consulta pode variar, as regras podem mudar e os diferentes terapeutas que interagem com a paciente podem dizer coisas diferentes. • Palavras-chaves: “Permitir” e “Naturalmente”. AVALIAÇÃO DIALÉTICA • O terapeuta aceita que a interpretação do paciente para o motivo de um dado aspecto pode estar correta, contudo o terapeuta convida o paciente a tentar ver o que pode não estar sendo visto na situação. • Uso de questionamentos, como: “Ok, entendo que isso possa ser assim... Mas, além disso, o que nós podemos estar esquecendo de considerar aqui?” “O que está sendo excluído daqui?” “O que mais, além disso, pode ser?” “Isso poderia ser interpretado de uma outra maneira?” ESTRATÉGIAS ESTILÍSTICAS Refletem a natureza dialética no processo de comunicação TCD, se observa a importância de desenvolverem habilidades de se movimentar dialeticamente conforme o contexto. Precisam aprender a utilizar 2 procedimentos estilísticos centrais: a comunicação recíproca e a comunicação irreverente. COMUNICAÇÃO RECÍPROCA É o sistema de comunicação usual da TCD, envolve 4 elementos distintos: 1. A responsividade: envolve o terapeuta estar plenamente atento ao paciente, variar as expressões de afeto e expressões não verbais conforme o que está sendo discutido na sessão, levar a sério os assuntos que o paciente quer agendar na sessão – mas sem desfocar a metas prioritárias -, resumir os conteúdos colocados pelo paciente. 2. A auto-revelação: envolve o terapeuta fazer revelações estratégicas sobre questões suas ou sobre as suas percepções do relacionamento, segundo Linehan “Falar de coração para coração” – terapeuta e paciente dois humanos que devem se enxergar como iguais, apesar de possuírem diferenças. 3. O envolvimento afetuoso 4. Ser autêntico. COMUNICAÇÃO IRREVERENTE Utilizado pelo terapeuta quando ele acredita que é necessário mover o paciente de um ponto no qual ele está fixado – A terapia parece estar empacada. ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO IRREVEREENTE 1. Reformular de maneira heterodoxa: responder a uma determinada comunicação do paciente, porém de uma forma completamente não esperada por ele. 2. Mergulhar onde os anjos temem passar: envolve colocar para o paciente uma verdade radical, que normalmente, os outros teriam medo em dizer a ele. Seria como dizer para uma paciente muito ciumenta, que sistematicamente fala na terapia que seu marido não fornece as provas que necessita para acreditar na fidelidade, que sistematicamente cobrar provas de fidelidade do marido acabará levando ao termino do casamento. Encerrar com uma estratégia de validação 3. Usar um tom confrontacional: é importante o terapeuta saber utilizar um estilo de comunicação confrontacional direto com comportamentos disfuncionais. Ex. “Honestamente, eu não sei bem por que você ainda vem à terapia se sistematicamente você rejeita tudo o que conversamos, confesso a você que eu gostaria muito de saber se você quer a minha ajuda com os seus problemas ou não?” Não confundir firmeza com invalidação. 4. Aceitar os blefes do paciente: envolve o terapeuta ter a habilidade de aceitar blefes e oferecer uma rede de suporte a ele. 5. Alternar a intensidade e usar silêncio: envolve o terapeuta ter a habilidade de alternar o seu tom de voz conforme o tema que está sendo abordado dentro da sessão. A irreverência dessa estratégia está na alternância em si, tendo em vista que a natureza das intervenções na TCD é naturalmente veloz, e a alternância de intensidade também segue esse mesmo princípio. 6. Expressar onipotência e impotência REFERÊNCIAS: MELO, W. V. Terapia Comportamental Dialética. IN: Estratégias Psicoterápicas e a Terceira Onda em Terapia Cognitiva. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2014, p. 314-343. DORNELLES, V. G. e SAYAGO, C. W. Terapia Comportamental Dialética: Princípios e Bases do Tratamento. IN: Terapias Comportamentais de Terceira Geração. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2015, p. 440-73. SAYAGO, C. W. e DORNELLES, V. G. Terapia Comportamental Dialética: Estrutura e Estratégias de Tratamento. IN: Terapias Comportamentais de Terceira Geração. Novo Hamburgo: Sinopsys, 2015, p. 474-505.