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REUSO DA ÁGUA 1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR Reuso da Água Numa população global de sete bilhões de pessoas, 2,5 bilhões vivem em regiões com insuficiência de água. Este número deve saltar para 3,5 bilhões até 2025. O aumento da população, desenvolvimento desordenado das cidades, incremento das atividades industriais e rurais, entre outros, são fatores que contribuem para agravamento deste cenário. Neste contexto, o uso consciente dos recursos hídricos do planeta, incluindo o reuso da água, é um dos temas mais relevantes nas políticas ambientais, bem como em pesquisas de desenvolvimento de novas tecnologias. O reuso da água pode ser definido como uso de água residuária, ou água de qualidade inferior, tratada ou não, podendo ser: • Indireto planejado: quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas à jusante de forma controlada. • Indireto não planejado: quando a água utilizada em alguma atividade humana é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada à jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. • Direto planejado: quando a água de reuso é direcionada diretamente no local de utilização, sem diluição ou lançamento prévio em corpos hídricos superficiais ou subterrâneos. Os efluentes tratados podem ser utilizados para fins potáveis e não potáveis. Para fins potáveis, os riscos são maiores, associados à possibilidade da presença de organismos patogênicos e de compostos orgânicos sintéticos. Assim, o uso para fins potáveis pode ser inviável, em função do alto custo do tratamento e do risco à saúde pública. Em função disso, o uso para não potáveis deve ser a primeira opção. De acordo com a Resolução nº 54, artigo 3º, de 28 de novembro de 2005 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH – água de reuso pode ser aplicada para fins: • Urbanos: irrigação paisagística, lavagem de logradouros públicos e veículos, desobstrução de tubulações, construção civil, edificações, combate a incêndio dentro da área urbana; • Agrícolas e florestais: produção agrícola e cultivo de florestas plantadas; • Ambientais: implantação de projetos de recuperação do meio ambiente; • Industriais: processos, atividades e operações industriais; • Aquicultura: criação de animais ou cultivo de vegetais aquáticos. O mesmo artigo determina que as diretrizes, critérios e parâmetros específicos para cada modalidade de reuso serão definidas pelos órgãos competentes. Para ser considerada água potável para consumo humano, os parâmetros são definidos na Portaria 518 do Ministério da Saúde, de 25 de março de 2004, e devem obedecer a critérios mínimos quanto aos padrões: • Microbiológico de potabilidade da água para consumo humano (ausência de Escherichia coli e coliformes). • Turbidez para água pós-filtração ou pré-desinfecção, ou seja, medição da resistência da água à passagem da luz por conta de material fino em suspensão na água. • De potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde, sendo eles inorgânicos (Fluoreto 1,5 mg/L, Cobre 2,0 mg/L, Arsênio 0,01 mg/L e Chumbo 0,01 mg/L), orgânicos (Acrilamida 0,5 ug/L, Benzeno 5 ug/L, Cloreto de vinila 5 ug/L e Tetracloreto de carbonato 2 ug/L) ou desinfetantes (Cloro livre: 5 mg/L). A ausência de sistemas adequados de reuso de água acarretam em riscos de contaminação ao meio ambiente, riscos à saúde pública, esgotamento dos recursos hídricos e prejuízos às atividades econômicas. REUSO DA ÁGUA 2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR Quais as diferenças entre reúso de água e aproveitamento de água das chuvas? Os problemas da escassez da água são enfrentados por países de todo o mundo em decorrência do desenvolvimento desordenado das cidades, da poluição dos recursos hídricos, do crescimento populacional e industrial, entre outros. Esses fatores geram um aumento na demanda pela água, provocando o esgotamento desse recurso. Outro fator importante é a disponibilidade dos recursos hídricos nas regiões do mundo e até no Brasil, pois mesmo que tenhamos 13,7% de toda a água superficial da Terra, desse total, 70% está localizado na região amazônica e apenas 30% está distribuído pelo resto do país. Além disso, ao passo que há industrialização, também existe um grande potencial de contaminação, o que vai restringindo ainda mais as fontes de água e cada vez mais as pessoas tentam utilizar novas técnicas para conseguir diminuir o gasto e consumo. Em muitas cidades ou locais em que não há disponibilidade de água, necessita-se de soluções que lidem com o contexto, especificidade e características da área. Essa solução pode ser, por exemplo, reúso e reaproveitamento de água de chuva para fins não potáveis, no caso das áreas rurais. Com o tratamento correto, podem ser destinadas a fins potáveis também. No entanto, existe uma diferença entre reúso e reaproveitamento de água, pois cada tipo tem uma necessidade diferente de tratamento, manejo e da localidade (rural ou urbana). Vamos entender qual a diferença desses tipos de águas: Águas residuárias Também chamadas de águas residuais, são todas as águas descartadas que resultam da utilização de diversos processos. O artigo 2º da Resolução nº 54 de 28 de novembro de 2005, do Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRHclassifica essas águas como: “esgoto, água descartada, efluentes líquidos de edificações, indústrias, agroindústrias e agropecuária, tratados ou não”. Já a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) exemplifica que águas residuais domésticas são oriundas de banheiros, cozinhas, lavagens de pavimentos domésticos; águas residuais industriais são provenientes de processos industriais. Água de reúso No artigo já citado da CNRH, é considerada água de reuso aquela água residuária encontrada dentro dos padrões exigidos para sua utilização nas modalidades pretendidas, ou seja, o reúso de água consiste no reaproveitamento de determinada água que foi insumo ao desenvolvimento de uma atividade humana. Este reaproveitamento ocorre a partir da transformação da água residuária gerada em determinada atividade em água de reúso. Esta transformação ocorre mediante tratamento. Segundo bases científicas, a reutilização pode ser direta ou indireta, decorrente de ações planejadas ou não: Reúso indireto não planejado da água Ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada à jusante (rio-abaixo), em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Reúso indireto planejado da água Ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas à jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico. Prevê que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outros efluentes que também atendam ao requisito de qualidade do reúso pretendido. Reúso direto planejado da água REUSO DA ÁGUA 3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR Acontece quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reúso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação. Água Pluvial As águas de chuva são consideradas muitas vezes como esgoto, pois, usualmente, passam pelos telhados e pisos e vão para as bocas de lobo onde, como "solvente universal", carregam todo tipo de impureza dissolvida ou apenas levadas mecanicamente para um córrego e, posteriormente, ao rio. Porém, se for captada em áreas de acesso restrito antes desse caminho, pode ser aproveitada para fins não potáveis sem a necessidade de um tratamento mais complexo. Mas, para isso, é recomendávelque se descarte o primeiro 1 mm ou em áreas urbanizadas até 2 mm, pois estudos comprovaram que esse descarte inicial (first flush) carrega as impurezas suspensas no ar e no telhado que podem conter fezes de animais e matéria orgânica. Esses primeiros milímetros são decorrentes do cálculo do projeto, por exemplo, ao captar a água de um telhado, o seu tamanho e o quanto chove na região (que pode ser encontrado aqui). Esses serão fatores determinantes para o projeto do descarte inicial e do tamanho do tanque de armazenamento. Usualmente, adota-se 1 mm de chuva em 1 m² de telhado que é igual a 1 litro de água, ou seja, se o seu telhado for de 50 m², o primeiro 1 mm de chuva seria de 50 litros, que devem ser descartados inicialmente, conduzidas ao sistema de drenagem pluvial e jamais serem conectados a sistemas de coleta de esgoto. Contudo, o projetista de sistemas deve seguir a norma da ABNT NBR 15527 de 2007, que estabelece as diretrizes para os projetos quanto aos parâmetros da água, pois esse tipo de água não é potável e pode trazer riscos ao ser ingerida e ao entrar em contato com mucosas, assim sendo necessário uma dosagem de cloro no tanque. Aplicações da Água Segundo a Cetesb, é possível utilizar água de reúso em algumas situações: • Irrigação paisagística: parques, cemitérios, campos de golfe, faixas de domínio de auto- estradas, campus universitários, cinturões verdes, gramados residenciais e telhados verdes; • Irrigação de campos para cultivos: plantio de forrageiras, plantas fibrosas e de grãos, plantas alimentícias, viveiros de plantas ornamentais, proteção contra geadas; • Usos industriais: refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento; • Recarga de aquíferos: recarga de aquíferos potáveis, controle de intrusão marinha, controle de recalques de subsolo. • Usos urbanos não-potáveis: irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos sanitários, sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de ônibus, etc. • Finalidades ambientais: aumento de vazão em cursos de água, aplicação em pântanos, terras alagadas, indústrias de pesca. • Usos diversos: aquicultura, construções, controle de poeira, dessedentação de animais. A consciência ambiental e a valorização do nosso recurso hídrico é de suma importância e deve ser cada vez mais disseminada a ideia de aproveitamento e reúso. Mas lembre-se: existem no mercado profissionais capacitados para projetar e construir esses sistemas dentro dos parâmetros estabelecidos, então, em qualquer dúvida, procure-os. Reúso de Água: Tipos, Processos Específicos e Contaminantes Há mais de dois mil anos com os romanos, a política de importar água de bacias cada vez mais distantes para atender ao crescimento da demanda deu origem aos notáveis aquedutos. A prática REUSO DA ÁGUA 4 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR ainda existe, resolvendo, precariamente, o problema de abastecimento de água de uma região, em prejuízo daquela que a fornece. As soluções mais modernas em termos de gestão de recursos hídricos consistem em tratar e reusar esgotos já disponíveis nas próprias áreas urbanas para complementar o abastecimento público. A prática de reúso para fins não potáveis já é reconhecida em diversos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Atualmente, a proposta avança para reúso potável por meio da utilização dos sistemas de distribuição existentes, eliminando os custos associados a linhas paralelas para distribuir água de reúso. Os fundamentos ambientais, de saúde pública e gerenciais, assim como os sistemas de tratamento avançados e as técnicas de certificação da qualidade da água atualmente disponíveis, permitem fazer uso de recursos hídricos locais, produzindo “água segura”, que não é, certamente, proporcionada por sistemas convencionais, tratando água extremamente poluída. REÚSO POTÁVEL DIRETO PARA ABASTECIMENTO PÚBLICO A prática de reúso potável direto para abastecimento público já está instituída nos Estados Unidos, na África do Sul, Austrália, Bélgica, Namíbia e Singapura, sem que tenham sido encontrados problemas de saúde pública associados. A existência de precedentes bem-sucedidos, a visão de segurança adicional no abastecimento de água e a disponibilidade de água com alta qualidade são fatores positivos para a aceitação comunitária da prática de reúso potável direto. Em contrapartida, fatores negativos associados à percepção e aceitação pública podem, se não forem adotadas estratégias de comunicação e de educação comunitária, se caracterizar como elementos inibidores da prática. O maior fator limitante, entretanto, se origina nos órgãos reguladores, que insistem em adotar posturas conservadoras, propondo normas irracionalmente restritivas, que apenas contribuem para impedir a fundamental prática de reúso de água no Brasil. O reúso tido como uma opção exótica até pouco tempo, é atualmente uma alternativa importante, observando-se distinção cada vez menor entre técnicas de Tratamento de água x Técnicas de tratamento de esgotos. De fato, o tratamento de água deve ser visto como um meio de purificar a água de qualquer grau de impureza para um grau de pureza que seja adequada ao uso requisitado. Medidas, como conservar, aumentar a eficiência no consumo e reusar, postergam a escassez que se aproxima e permitem um desenvolvimento sustentável. Conceitos de Reúso de Água O reúso pode ser definido como uso de água residuária ou água de qualidade inferior tratada ou não. O artigo 2º da Resolução nº 54 de 28 de novembro de 2005, do Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRHpossui as seguintes definições: I- água residuária: esgoto, água descartada, efluentes líquidos de edificações, indústrias, agroindústrias e agropecuária, tratados ou não; II – reúso de água: utilização de água residuária; III – água de reúso: água residuária, que se encontra dentro dos padrões exigidos para sua utilização nas modalidades pretendidas; IV – reúso direto de água: uso planejado de água de reuso, conduzida ao local de utilização, sem lançamento ou diluição prévia em corpos hídricos superficiais ou subterrâneos; V – produtor de água de reúso: pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que produz água de reuso; VI – distribuidor de água de reúso: pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que distribui água de reuso; e REUSO DA ÁGUA 5 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR VII – usuário de água de reúso: pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que utiliza água de reuso. De maneira geral, o reúso da água pode ocorrer de forma direta ou indireta, por meio de ações planejadas ou não. De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS tem-se: – Reúso indireto: Ocorre quando a água já utilizada, uma ou mais vezes para uso doméstico e industrial, é descarregada nas águas superficiais ou subterrâneas e utilizada novamente a jusante, de forma diluída; – Reúso direto: É o uso planejado e deliberado de esgotos tratados para certas finalidades como uso industrial, irrigação, recarga de aqüífero e água potável; – Reciclagem interna: É o reúso da água internamente às instalações industriais, tendo como objetivo a economia de água e o controle de poluição. Já a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) adota uma classificação de reúso de águaem duas grandes categorias: potável e não potável. Esta classificação é amplamente adotada por sua praticidade e facilidade. Reúso Potável: • Reúso Potável Direto: quando o esgoto recuperado, por meio de tratamento avançado, é diretamente reutilizado no sistema de água potável. • Reúso Potável Indireto: caso em que o esgoto, após tratamento, é disposto na coleção de águas superficiais ou subterrâneas para diluição, purificação natural e subseqüente captação, tratamento e finalmente utilizado como água potável. • Reúso Não Potável: Este tipo de reúso apresenta um potencial muito amplo e diversificado.Por não exigir níveis elevados de tratamento, vem se tornando um processo viável economicamente e, consequentemente, com rápido desenvolvimento. Em função da diversidade de uso, pode ser classificado em: – Reúso não potável para fins agrícolas: embora, quando se pratica essa modalidade de reúso haja como subproduto, recarga do lençol subterrâneo o objetivo dela é a irrigação de plantas alimentícias, tais como árvores frutíferas, cereais, etc, e plantas não alimentícias, tais como pastagens e forrações, além de ser aplicável para dessedentação de animais. – Reúso não potável para fins industriais: abrange os usos industriais de refrigeração, águas de processo, para utilização em caldeiras, etc. – Reúso não potável para fins recreacionais: classificação reservada à irrigação de plantas ornamentais, campos de esportes, parques e também para enchimento de lagos ornamentais, etc. – Reúso não potável para fins domésticos: são considerados aqui os casos de reúso de água para a rega de jardins para descargas sanitárias e utilização desse tipo de água em grandes edifícios. – Reúso para manutenção de vazões: a manutenção de vazões de cursos de água promove a utilização planejada de efluentes tratados, visando a uma adequada diluição de eventuais cargas poluidoras a eles carreadas, incluindo-se fontes difusas, além de propiciar uma vazão mínima na estiagem • Aquicultura: consiste na produção de peixes e plantas aquáticas visando a obtenção de alimentos e/ou energia, utilizando –se os nutrientes presentes nos efluentes tratados. • Recarga de aquíferos subterrâneos: é a recarga dos aquíferos subterrâneos com efluentes tratados, podendo se dar de forma direta, pela injeção sob pressão, ou de forma indireta, utilizando- se águas superficiais que tenham recebido descargas de efluentes tratados a montante. A presença de substâncias químicas e organismos patogênicos na água destinada ao reúso é a preocupação central de seus potenciais consumidores. A remoção dos contaminantes dependerá da eficiência dos sistemas de tratamento, cuja tecnologia, por sua vez dependerá da qualidade desejada para a água a ser produzida para reúso. REUSO DA ÁGUA 6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR Os riscos associados às práticas de reúso têm relação com os contaminantes presentes na água recuperada, uma vez que os efluentes possuem produtos químicos tóxicos e microrganismos patogênicos em níveis muito acima dos suportados pelo homem. Tipos de reúso associados aos riscos de saúde: A água de reúso segundo especialistas pode trazer riscos à saúde. Eles pedem o monitoramento de químicos que podem permanecer na água e afetar o sistema endócrino de humanos. Atualmente só há comprovação de malefícios em animais. Para a professora do Instituto de Química da Unicamp, Gisela Umbuzeiro é possível filtrar, porém é muito caro e praticamente impossível tirar tudo. A preocupação não está na concentração de coliformes fecais, que seriam retirados facilmente, o perigo está na retirada de químicos como o hormônio presente em pílulas anticoncepcionais, além de componentes de medicamentos e antibióticos cujo processo de filtragem não seria capaz de eliminar. O químico Wilson Jardim, também pesquisador da Unicamp afirmou que é relativamente fácil fazer a remoção de microorganismos se comparado ao trabalho de retirar outros contaminantes, como os hormônios. Como a exposição a esses compostos é crônica, possíveis males se manifestam décadas depois, ao contrário da exposição por patógenos, que tem resultados imediatos. O professor associado do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica da USP, José Carlos Mierzwa salienta que o reúso da água é seguro quando planejado e quando coloca o tratamento adequado para assegurar a qualidade da água. O engenheiro destacou que o Brasil precisa fazer uma legislação sobre o tema já que ainda não temos uma legislação de água de reúso no País. Há o risco de que estrógeno natural ou sintético não filtrado na água possa provocar reações no ser humano, uma vez que esses componentes químicos atuariam no sistema endócrino das pessoas. Uma hipótese é que meninas teriam a menarca mais cedo. Há também a possibilidade de infertilidade. A endocrinologista Elaine Maria Frade Costa, supervisora do Serviço de Endocrinologia do Hospital das Clínicas de São Paulo explica que já se sabe que isto acontece em animais e já foi comprovado. Agora se isso vai acontecer com os humanos, pode ser que sim, pode ser que não. Entre as consequências observadas em animais está a ocorrência de feminização em peixes em um lago no Canadá. Em uma experiência, um lago recebeu estrógeno (etinil estradiol) e os resultados foram monitorados. Elaine afirma que há uma preocupação com o aumento de nódulos na tireoide, benignos ou malignos, na população de São Paulo. Mas que ainda não é possível provar uma relação de causa e efeito entre o aumento de casos e a contaminação da água. “A gente já tem evidências bem fortes em animais, mas não existem estudos em humanos. Estamos expostos por todos os lados e a água seria só um dos fatores. É difícil provar uma relação de causa e efeito” frisou. Em 2012, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) publicaram um relatório conjunto, “O Estado da Ciência dos Produtos Químicos Interferentes Endócrinos”, alertando para os possíveis riscos dessas substâncias. Devido a isso a União Europeia já vem discutindo outros métodos de contracepção por conta do elevado uso de anticoncepcionais e o risco de contaminação das águas. Pelo desconhecimento sobre as consequências e a necessidade urgente de água, é preciso que as decisões sejam mais transparentes e apresentadas para a população. As decisões tomadas no calor dos conflitos devem ser melhor analisadas. É uma situação que requer um estudo mais detalhado. Reuso de Água A reutilização ou o reuso de água ou o uso de águas residuárias não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos. REUSO DA ÁGUA 7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR Existem relatos de sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na irrigação. No entanto, a demanda crescente por água tem feito do reuso planejado da água um tema atual e de grande importância. Neste sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água. Dentro dessa ótica, os esgotos tratados têm um papel fundamental no planejamento e na gestão sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas e de irrigação, entre outros. Ao liberar as fontes de água de boa qualidade para abastecimento público e outros usos prioritários, o uso de esgotos contribui para a conservação dos recursos e acrescenta uma dimensão econômica ao planejamento dos recursos hídricos. O reuso reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por uma água de qualidade inferior. Essa prática, atualmente muito discutida, posta em evidência e já utilizada em alguns países é baseada no conceito de substituição de mananciais. Tal substituição é possível em função da qualidade requerida para um uso específico. Dessa forma, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza água de qualidade inferior (geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que podem prescindir desse recurso dentro dos padrões de potabilidade. Tipos de Reuso A reutilização de água pode ser direta ou indireta, decorrentes de ações planejadas ou não: Reuso indireto não planejado da água: ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneiranão intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, a mesma está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração). Reuso indireto planejado da água: ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico. O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outros efluentes que também atendam ao requisito de qualidade do reuso objetivado. Reuso direto planejado das águas: ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação. Aplicações da Água Reciclada Irrigação paisagística: parques, cemitérios, campos de golfe, faixas de domínio de auto-estradas, campus universitários, cinturões verdes, gramados residenciais. Irrigação de campos para cultivos: plantio de forrageiras, plantas fibrosas e de grãos, plantas alimentícias, viveiros de plantas ornamentais, proteção contra geadas. Usos industriais: refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento. Recarga de aqüíferos: recarga de aqüíferos potáveis, controle de intrusão marinha, controle de recalques de subsolo. Usos urbanos não-potáveis: irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos sanitários, sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de ônibus, etc. REUSO DA ÁGUA 8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR Finalidades ambientais: aumento de vazão em cursos de água, aplicação em pântanos, terras alagadas, indústrias de pesca. Usos diversos: aqüicultura, construções, controle de poeira, dessedentação de animais. Aproveitamento de Águas de Chuva As águas de chuva são encaradas pela legislação brasileira hoje como esgoto, pois ela usualmente vai dos telhados, e dos pisos para as bocas de lobo aonde, como “solvente universal”, vai carreando todo tipo de impurezas, dissolvidas, suspensas, ou Simplesmente arrastadas mecanicamente, para um córrego que vai acabar dando num rio que por sua vez vai acabar suprindo uma captação para Tratamento de Água Potável. Claro que essa água sofreu um processo natural de diluição e autodepuração, ao longo de seu percurso hídrico, nem sempre suficiente para realmente depurá-la. Uma pesquisa da Universidade da Malásia deixou claro que após o início da chuva, somente as primeiras águas carreiam ácidos, microorganismos, e outros poluentes atmosféricos, sendo que normalmente pouco tempo após a mesma já adquire características de água destilada, que pode ser coletada em reservatórios fechados. Para uso humano, inclusive para como água potável, deve sofrer evidentemente filtração e cloração, o que pode ser feito com equipamento barato e simplíssimo, tipo Clorador Embrapa ou Clorador tipo Venturi automático. Em resumo, a água de chuva sofre uma destilação natural muito eficiente e gratuita. Esta utilização é especialmente indicada para o ambiente rural, chácaras, condomínios e indústrias. O custo baixíssimo da água nas cidades, pelo menos para residências, inviabiliza qualquer aproveitamento econômico da água de chuva para beber. Já para Indústrias, onde a água é bem mais cara, é usualmente viável sim esse uso. O Semi árido Nordestino tem projetos onde a competência e persistência combatem o usual imobilismo do ser humano, com a construção de cisternas para água de beber para seus habitantes. Reúso da água é inevitável Empresas e condomínios aderem de forma crescente a esta solução para suprir a carência de um bem cada vez mais escasso nos grandes centros urbanos Apesar de o Brasil possuir mais de 10% da água doce do mundo, a oferta em algumas áreas pode ser considerada como de estresse hídrico. “São Paulo é a região que apresenta a situação mais crítica, pior até que as cidades do Nordeste do país”, afirma o engenheiro Ricardo Franci Gonçalves, professor do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). A situação leva muitas empresas e condomínios a buscarem alternativas. “O reúso da água é inevitável e será cada vez mais usado no Brasil”, diz, lembrando que a fonte da água para reúso pode ser do banho (águas cinza); recuperação de água das chuvas ou dos vasos sanitários (águas negras). Franci defende que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) precisa criar uma norma específica para os sistemas de reuso predial de água, para evitar riscos. E alerta que os empreendimentos comerciais ou residências, que adotam o reaproveitamento da água, devem implementar uma gestão responsável. “Da mesma maneira que os condomínios terceirizam a manutenção de elevadores e das piscinas, precisam desenvolver um sistema de manutenção responsável para o reúso, caso contrário, a solução pode se tornar pior do que sua ausência”, afirma. Na Edificação O reúso de água pode ser adotado por edificações residenciais e comerciais. Ricardo Franci explica que na residencial a produção de água cinza é alta, devido aos banhos, máquinas de lavar roupas e pias, o que aumenta o volume de água a ser reutilizada. Diante disso, nesses empreendimentos não é necessária a captação de água da chuva. O tratamento é mais simples porque não utiliza águas negras, originárias do sistema sanitário. REUSO DA ÁGUA 9 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR Ele comenta que em Vitória, no Espírito Santo, a produção de água cinza é de 130 litros a 150 litros/dia por habitante, enquanto a demanda de água de reúso é de 50 litros/dia por habitante. Apenas um terço da produção de água de reúso é utilizada, sendo o restante descartado. A água não potável é utilizada nas descargas sanitárias, na irrigação de jardins e lavagem das áreas comuns. Alguns condomínios permitem a lavagem de veículos. A economia verificada é de 25% a 30%, comparada ao consumo daqueles empreendimentos que não têm sistema de reúso. Em edifícios comerciais, a produção de água cinza é menor do que nos residenciais. Isso porque nesses empreendimentos não há consumo de água potável em banhos ou lavagem de roupas. A complementação é feita com água de outra fonte não potável, como água da chuva ou do subsolo. No caso dos condomínios comerciais, a economia pode chegar a 50%, pois evita o uso de água potável para o sistema de descarga sanitária. Na Construção Civil O reúso da água no canteiro de obras pode gerar economia de 30% a 50% do consumo e ainda reduzir a produção de esgoto, medida importante para áreas onde não há sistema de tratamento. A água de reúso pode ser utilizada na descarga sanitária dos alojamentos, na irrigação de jardins ou para molhar a terra, visando baixar a poeira do terreno em dias secos. Outra possibilidade de aproveitamento é na elaboração do concreto, mas isso é algo que precisa ser feito com cuidado. “Caso a água não potável seja procedente de água cinza, a utilização não requer cuidados. Mas se ela for obtida do tratamento de água negra ou do esgoto predial pode alterar a qualidade do concreto devido ao nitrogênio presente na urina”, alerta. Cuidados “Como o Brasil não tem norma técnica para sistema de reúso de água e o código de obras não aborda o tema de maneira específica, tem muita gente projetando e implantando sistemas de modo inadequado”, afirma Franci. Segundo informações públicas da ABNT, a norma NBR 13969:1997 - ‘Tanques sépticos - Unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos - Projeto, construção e operação’, faz parte de uma série de três normas referentes ao Sistema de Tratamento de Esgotos e complementa a primeira da série que é a NBR 7229:1993 – ‘Projeto,construção e operação de sistemas de tanques sépticos’. A terceira norma, em fase de elaboração, cujo título é ‘Tratamento e disposição final de sólidos do sistema de tanque séptico’, vai completar o assunto, abrangendo, desta forma, todos os aspectos de tratamento no sistema local de tratamento de esgotos. “Ainda fica faltando uma norma específica para a instalação do sistema de reúso da água”, diz. Instalação O professor explica que para evitar a contaminação da água potável é preciso projetar sistema de abastecimento duplo, um para água potável e outro para água de reúso. O empreendimento deve ser equipado com cisternas e reservatórios separados, tubulação independente e identificada com cores diferentes. Todo o conjunto deve receber sinalização indicando que aquela tubulação ou torneira fornece água não potável. “Até os equipamentos precisam ser diferentes. Um exemplo é a utilização de torneiras acionada no sentido anti-horário, o que não é fácil de se encontrar no Brasil. Ela deve receber uma placa indicando ser de água não potável. Além disso, é necessário treinar os funcionários e educar os usuários para evitar problemas de contaminação”, orienta. É fundamental evitar a ocorrência de ligação cruzada, que é a interconexão entre o sistema de água potável e o de água de reúso, pois isso provoca contaminação. “Se não houver identificação das tubulações, esse tipo de conexão pode ocorrer por descuido na montagem dos dois sistemas durante a obra, ou em futuras reformas. Daí a importância de normalização e treinamento profissional”, defende Franci. A contaminação também pode ocorrer em caso de vazamentos provocados por rachaduras. Esse risco existe quando os reservatórios de água potável e de água de reúso são separados por uma única parede. “É importante que os dois reservatórios sejam instalados distantes um do outro”, orienta. Investimento A instalação de um sistema de tratamento de reúso para produzir 10 m³ de água por dia, suficiente para atender 200 pessoas de um edifício de 10 andares com quatro apartamentos por andar, custa REUSO DA ÁGUA 10 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR entre R$ 55 mil e R$ 60 mil. Somado a isso, tem os gastos com reservatórios, tubulações e sistema de bombeamento, representando, segundo Franci, em torno de 0,5% do custo total de um empreendimento. Existem três tipos de sistemas de tratamento de água para uso predial: ETAC – Estação de Tratamento de Águas Cinzas; ETE – Estação de Tratamento de Esgoto para Reúso; e AAC - Aproveitamento da Água de Chuva. ETAC de reúso predial – é compacta e fácil de ser instalada. Economiza cerca de 30% de água potável nas edificações residenciais e reduz até 30% da produção de esgoto, diminuindo proporcionalmente a conta de água e de esgoto. Tem menor consumo de energia e pode ser instalada no subsolo ou na cobertura das edificações. É indicada para condomínios residenciais; edificações comerciais ou corporativas, hotéis, escolas, quartéis, canteiros de obra, shoppings, indústrias, residências ou condomínios residenciais. ETE para reúso – ideal para tratamento terciário, utiliza filtros de areia e carvão ativado. Indicada na reutilização do efluente para fins não-potáveis como irrigação de jardins, lavagem de piso, descarga sanitária e ar-condicionado. Utiliza processos biológicos e apresenta eficiência de 95% na eliminação de matéria orgânica. O sistema para Aproveitamento da água de Chuva tem baixo custo de implantação e operação. Diminui a demanda de água tratada e ajuda na prevenção de enchentes, por retardar o escoamento para a rede de drenagem. Tem baixo consumo de energia. É fácil de instalar e oferece simplicidade operacional. Diferente dos sistemas de reuso de água, esta opção tecnológica não reduz a produção de esgoto sanitário na edificação. Indicada para edifícios residenciais e comerciais, casas e empreendimentos sem acesso à rede de abastecimento e indústrias. Água de reúso BIOLOGIA A água de reúso é a água residuária que apresenta características que permitem sua reutilização para algum fim específico. A água de reúso pode ser utilizada para lavar as ruas PUBLICIDADE Em todo o planeta é grande a preocupação com a disponibilidade de água potável para a população. O uso exacerbado desse recurso e a constante contaminação e poluição dos rios e lagos favorecem a crise hídrica ao redor do mundo. Diante da escassez de água, alternativas devem ser criadas para um melhor aproveitamento desse valioso bem. A água de reúso é um bom exemplo de como podemos evitar o desperdício e reaproveitar. A água de reúso pode ser definida como a água residuária que está dentro de padrões estabelecidos para a sua reutilização. Normalmente a água residuária é proveniente do banho, cozinha, processos de fabricação industrial e águas de infiltração, sendo geralmente tratada em Estações de Tratamento de Esgoto. Existem dois tipos principais de reúso: o indireto e o direto. O reúso indireto é aquele em que a água é utilizada pelo homem e liberada novamente nos corpos hídricos sem ou com tratamento prévio. O reúso direto, por sua vez, é o uso planejado da água residuária. Dessa forma, são realizados tratamentos, e essa água é transportada até seu local de uso. Nesse último caso, a água não é lançada no meio. A água de reúso possui uma qualidade inferior quando comparada à água potável e não é usada diretamente para o consumo. Em grande parte dos casos, sua utilização engloba geração de energia, refrigeração de equipamentos, lavagem de carros, irrigação de campos para cultivo, combate a incêndios, limpeza de ruas e irrigações de jardins. Todas essas atividades não necessitam da REUSO DA ÁGUA 11 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR utilização de água potável, sendo assim, a água de reúso faz com que maior quantidade de água potável seja disponibilizada, ajudando, portanto, no problema de abastecimento. A água de reúso é, sem dúvidas, uma ótima alternativa para a atual crise hídrica na qual o Brasil encontra-se. A reutilização da água promove o uso sustentável de recursos hídricos, diminui a quantidade de esgoto lançada nos rios e lagos, além, é claro, de aumentar a disponibilidade para fins em que há necessidade de potabilidade. Curiosidade: Atualmente a água de reúso não é utilizada para consumo humano no Brasil, entretanto, diversos trabalhos estão sendo realizados para que isso seja possível brevemente. Reuso de Água O ”reuso” reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por uma água de qualidade inferior. A reutilização ou reuso de água ou, ainda em outra forma de expressão, o uso de águas residuárias, não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos. Existem relatos de sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na irrigação. No entanto, a demanda crescente por água tem feito do reuso planejado da água um tema atual e de grande importância. Neste sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água. Dentro dessa ótica, os esgotos tratados têm um papel fundamental no planejamento e na gestão sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas e de irrigação, entre outros. Ao liberar as fontes de água de boa qualidade para abastecimento público e outros usos prioritários, o uso de esgotos contribui para a conservação dos recursos e acrescenta uma dimensão econômica ao planejamento dos recursos hídricos. O ”reuso” reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por uma água de qualidade inferior. Essa prática, atualmente muito discutida, posta em evidência e já utilizada em alguns países é baseada no conceito de substituição de mananciais. Tal substituiçãoé possível em função da qualidade requerida para um uso específico. Dessa forma, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza água de qualidade inferior (geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que podem prescindir desse recurso dentro dos padrões de potabilidade. Águas Residuárias Águas residuais ou residuárias são todas as águas descartadas que resultam da utilização para diversos processos. Exemplos destas águas são: Águas residuais domésticas: • Provenientes de banhos; • Provenientes de cozinhas; • Provenientes de lavagens de pavimentos domésticos. Águas residuais industriais: • Resultantes de processos de fabricação. Águas de infiltração: • Resultam da infiltração nos coletores de água existente nos terrenos. Águas urbanas: • Resultam de chuvas, lavagem de pavimentos, regas, etc. REUSO DA ÁGUA 12 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR As águas residuais transportam uma quantidade apreciável de materiais poluentes que se não forem retirados podem prejudicar a qualidade das águas dos rios, comprometendo não só toda a fauna e flora destes meios, mas também, todas as utilizações que são dadas a estes meios, como sejam, a pesca, a balneabilidade, a navegação, a geração de energia, etc. É recomendado recolher todas as águas residuais produzidas e transportá-las até a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Depois de recolhidas nos coletores, as águas residuais são conduzidas até a estação, onde se processa o seu tratamento. O tratamento efetuado é, na maioria das vezes, biológico, recorrendo-se ainda a um processo físico para a remoção de sólidos grosseiros. Neste sentido a água residual ao entrar na ETAR passa por um canal onde estão montadas grades em paralelo, que servem para reter os sólidos de maiores dimensões, tais como, paus, pedras, etc., que prejudicam o processo de tratamento. Os resíduos recolhidos são acondicionados em contentores, sendo posteriormente encaminhados para o aterro sanitário. Muitos destes resíduos têm origem nas residências onde, por falta de instrução e conhecimento das conseqüências de tais ações, deixa-se para o sanitário objetos como: cotonetes, preservativos, absorventes, papel higiênico, etc. Estes resíduos devido às suas características são extremamente difíceis de capturar nas grades e, conseqüentemente, passam para as lagoas prejudicando o processo de tratamento. A seguir a água residual, já desprovida de sólidos grosseiros, continua o seu caminho pelo mesmo canal onde é feita a medição da quantidade de água que entrará na ETAR. A operação que se segue é a desarenação, que consiste na remoção de sólidos de pequena dimensão, como sejam as areias. Este processo ocorre em dois tanques circulares que se designam por desarenadores. A partir deste ponto a água residual passa a sofrer um tratamento estritamente biológico por recurso a lagoas de estabilização (processo de lagunagem). O tratamento deverá atender à legislação (Resolução do CONAMA nº 020/86) que define a qualidade de águas em função do uso a que está sujeita, designadamente, águas para consumo humano, águas para suporte de vida aquática, águas balneares e águas de rega. Tipos de Reuso A reutilização de água pode ser direta ou indireta, decorrentes de ações planejadas ou não: • Reuso indireto não planejado da água: ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, a mesma está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração). • Reuso indireto planejado da água: ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico. • O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outros efluentes que também atendam ao requisito de qualidade do reuso objetivado. • Reuso direto planejado das águas: ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação. Aplicações da Água Reciclada • Irrigação paisagística: parques, cemitérios, campos de golfe, faixas de domínio de auto-estradas, campus universitários, cinturões verdes, gramados residenciais. • Irrigação de campos para cultivos - plantio de forrageiras, plantas fibrosas e de grãos, plantas alimentícias, viveiros de plantas ornamentais, proteção contra geadas. REUSO DA ÁGUA 13 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR • Usos industriais: refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento. • Recarga de aqüíferos: recarga de aqüíferos potáveis, controle de intrusão marinha, controle de recalques de subsolo. • Usos urbanos não-potáveis: irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos sanitários, sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de ônibus, etc. • Finalidades ambientais: aumento de vazão em cursos de água, aplicação em pântanos, terras alagadas, indústrias de pesca. • Usos diversos: aqüicultura, construções, controle de poeira, dessedentação de animais. Problemática no Brasil No Brasil, a prática do uso de esgotos - principalmente para a irrigação de hortaliças e de algumas culturas forrageiras - é de certa forma difundida. Entretanto, constitui-se em um procedimento não institucionalizado e tem se desenvolvido até agora sem nenhuma forma de planejamento ou controle. Na maioria das vezes é totalmente inconsciente por parte do usuário, que utiliza águas altamente poluídas de córregos e rios adjacentes para irrigação de hortaliças e outros vegetais, ignorando que esteja exercendo uma prática danosa à saúde pública dos consumidores e provocando impactos ambientais negativos. Em termos de reuso industrial, a prática começa a se implementar, mas ainda associada a iniciativas isoladas, a maioria das quais, dentro do setor privado. A lei nº 9.433 de 8 de janeiro de 1997, em seu Capitulo II, Artigo 20, Inciso 1, estabelece, entre os objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos, a necessidade de “assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos”. Verificou-se, por intermédio dos Planos Diretores de Recursos Hídricos de bacias hidrográficas - em levantamento realizado a fim de se conhecer mais profundamente a realidade nas diversas bacias hidrográficas brasileiras - que há a identificação de problemas relativamente à questão de saneamento básico, coleta e tratamento de esgotos e propostas para a implementação de planos de saneamento básico. Entretanto, não se consegue identificar atividades de reuso de água utilizando efluentes pós-tratados per sei. Isso deve-se ao fato, talvez, do ainda relativo desconhecimento dessa tecnologia e por motivos de ordem sócio-cultural. Mesmo assim, considerando que já existe atividade de reuso de água com fins agrícolas em certas regiões do Brasil, a qual é exercida de maneira informal e sem as salvaguardas ambientais e de saúde pública adequadas, torna-se necessário institucionalizar, regulamentar e promover o setor através da criação de estruturas de gestão, preparação de legislação, disseminação de informação, e do desenvolvimento de tecnologias compatíveis com as nossas condições técnicas, culturais e socioeconômicas. É nesse sentido que a Superintendência de Cobrança e Conservação - SCC - da Agência Nacional de Águas, inova ao pretender iniciar processos de gestão a fimde fomentar e difundir essa tecnologia e ao investigar formas de se estabelecer bases políticas, legais e institucionais para o reuso de água neste país. _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________