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REUSO DA ÁGUA 
 
 
1 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Reuso da Água 
Numa população global de sete bilhões de pessoas, 2,5 bilhões vivem em regiões com insuficiência 
de água. Este número deve saltar para 3,5 bilhões até 2025. O aumento da população, 
desenvolvimento desordenado das cidades, incremento das atividades industriais e rurais, entre 
outros, são fatores que contribuem para agravamento deste cenário. Neste contexto, o uso 
consciente dos recursos hídricos do planeta, incluindo o reuso da água, é um dos temas mais 
relevantes nas políticas ambientais, bem como em pesquisas de desenvolvimento de novas 
tecnologias. 
O reuso da água pode ser definido como uso de água residuária, ou água de qualidade inferior, 
tratada ou não, podendo ser: 
• Indireto planejado: quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma 
planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas à jusante de forma 
controlada. 
• Indireto não planejado: quando a água utilizada em alguma atividade humana é descarregada no 
meio ambiente e novamente utilizada à jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e 
não controlada. 
• Direto planejado: quando a água de reuso é direcionada diretamente no local de utilização, sem 
diluição ou lançamento prévio em corpos hídricos superficiais ou subterrâneos. 
Os efluentes tratados podem ser utilizados para fins potáveis e não potáveis. Para fins potáveis, os 
riscos são maiores, associados à possibilidade da presença de organismos patogênicos e de 
compostos orgânicos sintéticos. Assim, o uso para fins potáveis pode ser inviável, em função do alto 
custo do tratamento e do risco à saúde pública. Em função disso, o uso para não potáveis deve ser a 
primeira opção. De acordo com a Resolução nº 54, artigo 3º, de 28 de novembro de 2005 do 
Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH – água de reuso pode ser aplicada para fins: 
• Urbanos: irrigação paisagística, lavagem de logradouros públicos e veículos, desobstrução de 
tubulações, construção civil, edificações, combate a incêndio dentro da área urbana; 
• Agrícolas e florestais: produção agrícola e cultivo de florestas plantadas; 
• Ambientais: implantação de projetos de recuperação do meio ambiente; 
• Industriais: processos, atividades e operações industriais; 
• Aquicultura: criação de animais ou cultivo de vegetais aquáticos. 
O mesmo artigo determina que as diretrizes, critérios e parâmetros específicos para cada modalidade 
de reuso serão definidas pelos órgãos competentes. Para ser considerada água potável para 
consumo humano, os parâmetros são definidos na Portaria 518 do Ministério da Saúde, de 25 de 
março de 2004, e devem obedecer a critérios mínimos quanto aos padrões: 
• Microbiológico de potabilidade da água para consumo humano (ausência de Escherichia 
coli e coliformes). 
• Turbidez para água pós-filtração ou pré-desinfecção, ou seja, medição da resistência da água à 
passagem da luz por conta de material fino em suspensão na água. 
• De potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde, sendo eles inorgânicos 
(Fluoreto 1,5 mg/L, Cobre 2,0 mg/L, Arsênio 0,01 mg/L e Chumbo 0,01 mg/L), orgânicos (Acrilamida 
0,5 ug/L, Benzeno 5 ug/L, Cloreto de vinila 5 ug/L e Tetracloreto de carbonato 2 ug/L) ou 
desinfetantes (Cloro livre: 5 mg/L). 
A ausência de sistemas adequados de reuso de água acarretam em riscos de contaminação ao meio 
ambiente, riscos à saúde pública, esgotamento dos recursos hídricos e prejuízos às atividades 
econômicas. 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
2 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Quais as diferenças entre reúso de água e aproveitamento de água das chuvas? 
Os problemas da escassez da água são enfrentados por países de todo o mundo em decorrência do 
desenvolvimento desordenado das cidades, da poluição dos recursos hídricos, do crescimento 
populacional e industrial, entre outros. Esses fatores geram um aumento na demanda pela água, 
provocando o esgotamento desse recurso. 
Outro fator importante é a disponibilidade dos recursos hídricos nas regiões do mundo e até no Brasil, 
pois mesmo que tenhamos 13,7% de toda a água superficial da Terra, desse total, 70% está 
localizado na região amazônica e apenas 30% está distribuído pelo resto do país. Além disso, ao 
passo que há industrialização, também existe um grande potencial de contaminação, o que vai 
restringindo ainda mais as fontes de água e cada vez mais as pessoas tentam utilizar novas técnicas 
para conseguir diminuir o gasto e consumo. 
Em muitas cidades ou locais em que não há disponibilidade de água, necessita-se de soluções que 
lidem com o contexto, especificidade e características da área. 
Essa solução pode ser, por exemplo, reúso e reaproveitamento de água de chuva para fins não 
potáveis, no caso das áreas rurais. Com o tratamento correto, podem ser destinadas a fins potáveis 
também. 
No entanto, existe uma diferença entre reúso e reaproveitamento de água, pois cada tipo tem uma 
necessidade diferente de tratamento, manejo e da localidade (rural ou urbana). Vamos entender qual 
a diferença desses tipos de águas: 
Águas residuárias 
Também chamadas de águas residuais, são todas as águas descartadas que resultam da utilização 
de diversos processos. O artigo 2º da Resolução nº 54 de 28 de novembro de 2005, do Conselho 
Nacional de Recursos Hídricos – CNRHclassifica essas águas como: “esgoto, água descartada, 
efluentes líquidos de edificações, indústrias, agroindústrias e agropecuária, tratados ou não”. Já a 
Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) exemplifica 
que águas residuais domésticas são oriundas de banheiros, cozinhas, lavagens de pavimentos 
domésticos; águas residuais industriais são provenientes de processos industriais. 
Água de reúso 
No artigo já citado da CNRH, é considerada água de reuso aquela água residuária encontrada dentro 
dos padrões exigidos para sua utilização nas modalidades pretendidas, ou seja, o reúso de água 
consiste no reaproveitamento de determinada água que foi insumo ao desenvolvimento de uma 
atividade humana. Este reaproveitamento ocorre a partir da transformação da água residuária gerada 
em determinada atividade em água de reúso. Esta transformação ocorre mediante tratamento. 
Segundo bases científicas, a reutilização pode ser direta ou indireta, decorrente de ações planejadas 
ou não: 
Reúso indireto não planejado da água 
Ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e 
novamente utilizada à jusante (rio-abaixo), em sua forma diluída, de maneira não intencional e não 
controlada. 
Reúso indireto planejado da água 
Ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos 
de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas à jusante, de maneira controlada, no 
atendimento de algum uso benéfico. Prevê que exista também um controle sobre as eventuais novas 
descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a 
misturas com outros efluentes que também atendam ao requisito de qualidade do reúso pretendido. 
Reúso direto planejado da água 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
3 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Acontece quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de 
descarga até o local do reúso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior 
ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação. 
Água Pluvial 
As águas de chuva são consideradas muitas vezes como esgoto, pois, usualmente, passam pelos 
telhados e pisos e vão para as bocas de lobo onde, como "solvente universal", carregam todo tipo de 
impureza dissolvida ou apenas levadas mecanicamente para um córrego e, posteriormente, ao rio. 
Porém, se for captada em áreas de acesso restrito antes desse caminho, pode ser aproveitada para 
fins não potáveis sem a necessidade de um tratamento mais complexo. 
Mas, para isso, é recomendávelque se descarte o primeiro 1 mm ou em áreas urbanizadas até 2 mm, 
pois estudos comprovaram que esse descarte inicial (first flush) carrega as impurezas suspensas no 
ar e no telhado que podem conter fezes de animais e matéria orgânica. Esses primeiros milímetros 
são decorrentes do cálculo do projeto, por exemplo, ao captar a água de um telhado, o seu tamanho 
e o quanto chove na região (que pode ser encontrado aqui). 
Esses serão fatores determinantes para o projeto do descarte inicial e do tamanho do tanque de 
armazenamento. Usualmente, adota-se 1 mm de chuva em 1 m² de telhado que é igual a 1 litro de 
água, ou seja, se o seu telhado for de 50 m², o primeiro 1 mm de chuva seria de 50 litros, que devem 
ser descartados inicialmente, conduzidas ao sistema de drenagem pluvial e jamais serem conectados 
a sistemas de coleta de esgoto. 
Contudo, o projetista de sistemas deve seguir a norma da ABNT NBR 15527 de 2007, que estabelece 
as diretrizes para os projetos quanto aos parâmetros da água, pois esse tipo de água não é potável e 
pode trazer riscos ao ser ingerida e ao entrar em contato com mucosas, assim sendo necessário uma 
dosagem de cloro no tanque. 
Aplicações da Água 
Segundo a Cetesb, é possível utilizar água de reúso em algumas situações: 
• Irrigação paisagística: parques, cemitérios, campos de golfe, faixas de domínio de auto-
estradas, campus universitários, cinturões verdes, gramados residenciais e telhados verdes; 
• Irrigação de campos para cultivos: plantio de forrageiras, plantas fibrosas e de grãos, 
plantas alimentícias, viveiros de plantas ornamentais, proteção contra geadas; 
• Usos industriais: refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento; 
• Recarga de aquíferos: recarga de aquíferos potáveis, controle de intrusão marinha, 
controle de recalques de subsolo. 
• Usos urbanos não-potáveis: irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos 
sanitários, sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de 
ônibus, etc. 
• Finalidades ambientais: aumento de vazão em cursos de água, aplicação em pântanos, 
terras alagadas, indústrias de pesca. 
• Usos diversos: aquicultura, construções, controle de poeira, dessedentação de animais. 
A consciência ambiental e a valorização do nosso recurso hídrico é de suma importância e deve ser 
cada vez mais disseminada a ideia de aproveitamento e reúso. Mas lembre-se: existem no mercado 
profissionais capacitados para projetar e construir esses sistemas dentro dos parâmetros 
estabelecidos, então, em qualquer dúvida, procure-os. 
Reúso de Água: Tipos, Processos Específicos e Contaminantes 
Há mais de dois mil anos com os romanos, a política de importar água de bacias cada vez mais 
distantes para atender ao crescimento da demanda deu origem aos notáveis aquedutos. A prática 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
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ainda existe, resolvendo, precariamente, o problema de abastecimento de água de uma região, em 
prejuízo daquela que a fornece. As soluções mais modernas em termos de gestão de recursos 
hídricos consistem em tratar e reusar esgotos já disponíveis nas próprias áreas urbanas para 
complementar o abastecimento público. 
A prática de reúso para fins não potáveis já é reconhecida em diversos países desenvolvidos e em 
vias de desenvolvimento. Atualmente, a proposta avança para reúso potável por meio da utilização 
dos sistemas de distribuição existentes, eliminando os custos associados a linhas paralelas para 
distribuir água de reúso. 
Os fundamentos ambientais, de saúde pública e gerenciais, assim como os sistemas de tratamento 
avançados e as técnicas de certificação da qualidade da água atualmente disponíveis, permitem fazer 
uso de recursos hídricos locais, produzindo “água segura”, que não é, certamente, proporcionada por 
sistemas convencionais, tratando água extremamente poluída. 
REÚSO POTÁVEL DIRETO PARA ABASTECIMENTO PÚBLICO 
A prática de reúso potável direto para abastecimento público já está instituída nos Estados Unidos, na 
África do Sul, Austrália, Bélgica, Namíbia e Singapura, sem que tenham sido encontrados problemas 
de saúde pública associados. A existência de precedentes bem-sucedidos, a visão de segurança 
adicional no abastecimento de água e a disponibilidade de água com alta qualidade são fatores 
positivos para a aceitação comunitária da prática de reúso potável direto. Em contrapartida, fatores 
negativos associados à percepção e aceitação pública podem, se não forem adotadas estratégias de 
comunicação e de educação comunitária, se caracterizar como elementos inibidores da prática. 
O maior fator limitante, entretanto, se origina nos órgãos reguladores, que insistem em adotar 
posturas conservadoras, propondo normas irracionalmente restritivas, que apenas contribuem para 
impedir a fundamental prática de reúso de água no Brasil. 
O reúso tido como uma opção exótica até pouco tempo, é atualmente uma alternativa importante, 
observando-se distinção cada vez menor entre técnicas de Tratamento de água x Técnicas de 
tratamento de esgotos. De fato, o tratamento de água deve ser visto como um meio de purificar a 
água de qualquer grau de impureza para um grau de pureza que seja adequada ao uso requisitado. 
Medidas, como conservar, aumentar a eficiência no consumo e reusar, postergam a escassez que se 
aproxima e permitem um desenvolvimento sustentável. 
Conceitos de Reúso de Água 
O reúso pode ser definido como uso de água residuária ou água de qualidade inferior tratada ou 
não. 
O artigo 2º da Resolução nº 54 de 28 de novembro de 2005, do Conselho Nacional de Recursos 
Hídricos – CNRHpossui as seguintes definições: 
I- água residuária: esgoto, água descartada, efluentes líquidos de edificações, indústrias, 
agroindústrias e agropecuária, tratados ou não; 
II – reúso de água: utilização de água residuária; 
III – água de reúso: água residuária, que se encontra dentro dos padrões exigidos para sua utilização 
nas modalidades pretendidas; 
IV – reúso direto de água: uso planejado de água de reuso, conduzida ao local de utilização, sem 
lançamento ou diluição prévia em corpos hídricos superficiais ou subterrâneos; 
V – produtor de água de reúso: pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que produz 
água de reuso; 
VI – distribuidor de água de reúso: pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que distribui 
água de reuso; e 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
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VII – usuário de água de reúso: pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que utiliza 
água de reuso. 
De maneira geral, o reúso da água pode ocorrer de forma direta ou indireta, por meio de ações 
planejadas ou não. De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS tem-se: 
– Reúso indireto: 
Ocorre quando a água já utilizada, uma ou mais vezes para uso doméstico e industrial, é 
descarregada nas águas superficiais ou subterrâneas e utilizada novamente a jusante, de forma 
diluída; 
– Reúso direto: 
É o uso planejado e deliberado de esgotos tratados para certas finalidades como uso industrial, 
irrigação, recarga de aqüífero e água potável; 
– Reciclagem interna: 
É o reúso da água internamente às instalações industriais, tendo como objetivo a economia de água 
e o controle de poluição. 
Já a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) adota uma classificação 
de reúso de águaem duas grandes categorias: potável e não potável. Esta classificação é 
amplamente adotada por sua praticidade e facilidade. 
Reúso Potável: 
• Reúso Potável Direto: quando o esgoto recuperado, por meio de tratamento avançado, é 
diretamente reutilizado no sistema de água potável. 
• Reúso Potável Indireto: caso em que o esgoto, após tratamento, é disposto na coleção de águas 
superficiais ou subterrâneas para diluição, purificação natural e subseqüente captação, tratamento e 
finalmente utilizado como água potável. 
• Reúso Não Potável: Este tipo de reúso apresenta um potencial muito amplo e diversificado.Por 
não exigir níveis elevados de tratamento, vem se tornando um processo viável economicamente e, 
consequentemente, com rápido desenvolvimento. Em função da diversidade de uso, pode ser 
classificado em: 
– Reúso não potável para fins agrícolas: embora, quando se pratica essa modalidade de reúso 
haja como subproduto, recarga do lençol subterrâneo o objetivo dela é a irrigação de plantas 
alimentícias, tais como árvores frutíferas, cereais, etc, e plantas não alimentícias, tais como 
pastagens e forrações, além de ser aplicável para dessedentação de animais. 
– Reúso não potável para fins industriais: abrange os usos industriais de refrigeração, águas de 
processo, para utilização em caldeiras, etc. 
– Reúso não potável para fins recreacionais: classificação reservada à irrigação de plantas 
ornamentais, campos de esportes, parques e também para enchimento de lagos ornamentais, etc. 
– Reúso não potável para fins domésticos: são considerados aqui os casos de reúso de água para 
a rega de jardins para descargas sanitárias e utilização desse tipo de água em grandes edifícios. 
– Reúso para manutenção de vazões: a manutenção de vazões de cursos de água promove a 
utilização planejada de efluentes tratados, visando a uma adequada diluição de eventuais cargas 
poluidoras a eles carreadas, incluindo-se fontes difusas, além de propiciar uma vazão mínima na 
estiagem 
• Aquicultura: consiste na produção de peixes e plantas aquáticas visando a obtenção de 
alimentos e/ou energia, utilizando –se os nutrientes presentes nos efluentes tratados. 
• Recarga de aquíferos subterrâneos: é a recarga dos aquíferos subterrâneos com efluentes 
tratados, podendo se dar de forma direta, pela injeção sob pressão, ou de forma indireta, utilizando-
se águas superficiais que tenham recebido descargas de efluentes tratados a montante. 
A presença de substâncias químicas e organismos patogênicos na água destinada ao reúso é a 
preocupação central de seus potenciais consumidores. A remoção dos contaminantes dependerá da 
eficiência dos sistemas de tratamento, cuja tecnologia, por sua vez dependerá da qualidade desejada 
para a água a ser produzida para reúso. 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
6 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Os riscos associados às práticas de reúso têm relação com os contaminantes presentes na água 
recuperada, uma vez que os efluentes possuem produtos químicos tóxicos e microrganismos 
patogênicos em níveis muito acima dos suportados pelo homem. 
Tipos de reúso associados aos riscos de saúde: 
A água de reúso segundo especialistas pode trazer riscos à saúde. Eles pedem o monitoramento de 
químicos que podem permanecer na água e afetar o sistema endócrino de humanos. Atualmente só 
há comprovação de malefícios em animais. 
Para a professora do Instituto de Química da Unicamp, Gisela Umbuzeiro é possível filtrar, porém é 
muito caro e praticamente impossível tirar tudo. A preocupação não está na concentração de 
coliformes fecais, que seriam retirados facilmente, o perigo está na retirada de químicos como o 
hormônio presente em pílulas anticoncepcionais, além de componentes de medicamentos e 
antibióticos cujo processo de filtragem não seria capaz de eliminar. 
O químico Wilson Jardim, também pesquisador da Unicamp afirmou que é relativamente fácil fazer a 
remoção de microorganismos se comparado ao trabalho de retirar outros contaminantes, como os 
hormônios. Como a exposição a esses compostos é crônica, possíveis males se manifestam décadas 
depois, ao contrário da exposição por patógenos, que tem resultados imediatos. 
O professor associado do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica 
da USP, José Carlos Mierzwa salienta que o reúso da água é seguro quando planejado e quando 
coloca o tratamento adequado para assegurar a qualidade da água. O engenheiro destacou que o 
Brasil precisa fazer uma legislação sobre o tema já que ainda não temos uma legislação de água de 
reúso no País. 
Há o risco de que estrógeno natural ou sintético não filtrado na água possa provocar reações no ser 
humano, uma vez que esses componentes químicos atuariam no sistema endócrino das pessoas. 
Uma hipótese é que meninas teriam a menarca mais cedo. Há também a possibilidade de 
infertilidade. 
A endocrinologista Elaine Maria Frade Costa, supervisora do Serviço de Endocrinologia do Hospital 
das Clínicas de São Paulo explica que já se sabe que isto acontece em animais e já foi comprovado. 
Agora se isso vai acontecer com os humanos, pode ser que sim, pode ser que não. Entre as 
consequências observadas em animais está a ocorrência de feminização em peixes em um lago no 
Canadá. Em uma experiência, um lago recebeu estrógeno (etinil estradiol) e os resultados foram 
monitorados. 
Elaine afirma que há uma preocupação com o aumento de nódulos na tireoide, benignos ou malignos, 
na população de São Paulo. Mas que ainda não é possível provar uma relação de causa e efeito 
entre o aumento de casos e a contaminação da água. “A gente já tem evidências bem fortes em 
animais, mas não existem estudos em humanos. Estamos expostos por todos os lados e a água seria 
só um dos fatores. É difícil provar uma relação de causa e efeito” frisou. 
Em 2012, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa das Nações Unidas para o Meio 
Ambiente (PNUMA) publicaram um relatório conjunto, “O Estado da Ciência dos Produtos Químicos 
Interferentes Endócrinos”, alertando para os possíveis riscos dessas substâncias. Devido a isso a 
União Europeia já vem discutindo outros métodos de contracepção por conta do elevado uso de 
anticoncepcionais e o risco de contaminação das águas. 
Pelo desconhecimento sobre as consequências e a necessidade urgente de água, é preciso que as 
decisões sejam mais transparentes e apresentadas para a população. As decisões tomadas no calor 
dos conflitos devem ser melhor analisadas. É uma situação que requer um estudo mais detalhado. 
Reuso de Água 
A reutilização ou o reuso de água ou o uso de águas residuárias não é um conceito novo e tem sido 
praticado em todo o mundo há muitos anos. 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
7 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Existem relatos de sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na 
irrigação. No entanto, a demanda crescente por água tem feito do reuso planejado da água um tema 
atual e de grande importância. 
Neste sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente 
que é o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle de perdas e 
desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água. 
Dentro dessa ótica, os esgotos tratados têm um papel fundamental no planejamento e na gestão 
sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas 
e de irrigação, entre outros. 
Ao liberar as fontes de água de boa qualidade para abastecimento público e outros usos prioritários, o 
uso de esgotos contribui para a conservação dos recursos e acrescenta uma dimensão econômica ao 
planejamento dos recursos hídricos. O reuso reduz a demanda sobre os mananciais de água devido 
à substituição da água potável por uma água de qualidade inferior. Essa prática, atualmente muito 
discutida, posta em evidência e já utilizada em alguns países é baseada no conceito de substituição 
de mananciais. Tal substituição é possível em função da qualidade requerida para um uso específico. 
Dessa forma, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza 
água de qualidade inferior (geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que 
podem prescindir desse recurso dentro dos padrões de potabilidade. 
Tipos de Reuso 
A reutilização de água pode ser direta ou indireta, decorrentes de ações planejadas ou não: 
Reuso indireto não planejado da água: ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, 
é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneiranão intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, a 
mesma está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração). 
Reuso indireto planejado da água: 
ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos 
de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no 
atendimento de algum uso benéfico. 
O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais 
novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito 
apenas a misturas com outros efluentes que também atendam ao requisito de qualidade do reuso 
objetivado. 
Reuso direto planejado das águas: 
ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga 
até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, 
destinando-se a uso em indústria ou irrigação. 
Aplicações da Água Reciclada 
Irrigação paisagística: parques, cemitérios, campos de golfe, faixas de domínio de auto-estradas, 
campus universitários, cinturões verdes, gramados residenciais. 
Irrigação de campos para cultivos: plantio de forrageiras, plantas fibrosas e de grãos, plantas 
alimentícias, viveiros de plantas ornamentais, proteção contra geadas. 
Usos industriais: refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento. 
Recarga de aqüíferos: recarga de aqüíferos potáveis, controle de intrusão marinha, controle de 
recalques de subsolo. 
Usos urbanos não-potáveis: irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos sanitários, 
sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de ônibus, etc. 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
8 WWW.DOMINACONCURSOS.COM.BR 
Finalidades ambientais: aumento de vazão em cursos de água, aplicação em pântanos, terras 
alagadas, indústrias de pesca. 
Usos diversos: aqüicultura, construções, controle de poeira, dessedentação de animais. 
Aproveitamento de Águas de Chuva 
As águas de chuva são encaradas pela legislação brasileira hoje como esgoto, pois ela usualmente 
vai dos telhados, e dos pisos para as bocas de lobo aonde, como “solvente universal”, vai carreando 
todo tipo de impurezas, dissolvidas, suspensas, ou Simplesmente arrastadas mecanicamente, para 
um córrego que vai acabar dando num rio que por sua vez vai acabar suprindo uma captação para 
Tratamento de Água Potável. Claro que essa água sofreu um processo natural de diluição e 
autodepuração, ao longo de seu percurso hídrico, nem sempre suficiente para realmente depurá-la. 
Uma pesquisa da Universidade da Malásia deixou claro que após o início da chuva, somente as 
primeiras águas carreiam ácidos, microorganismos, e outros poluentes atmosféricos, sendo que 
normalmente pouco tempo após a mesma já adquire características de água destilada, que pode ser 
coletada em reservatórios fechados. 
Para uso humano, inclusive para como água potável, deve sofrer evidentemente filtração e cloração, 
o que pode ser feito com equipamento barato e simplíssimo, tipo Clorador Embrapa ou Clorador tipo 
Venturi automático. Em resumo, a água de chuva sofre uma destilação natural muito eficiente e 
gratuita. 
Esta utilização é especialmente indicada para o ambiente rural, chácaras, condomínios e indústrias. 
O custo baixíssimo da água nas cidades, pelo menos para residências, inviabiliza qualquer 
aproveitamento econômico da água de chuva para beber. Já para Indústrias, onde a água é bem 
mais cara, é usualmente viável sim esse uso. 
O Semi árido Nordestino tem projetos onde a competência e persistência combatem o usual 
imobilismo do ser humano, com a construção de cisternas para água de beber para seus habitantes. 
Reúso da água é inevitável 
Empresas e condomínios aderem de forma crescente a esta solução para suprir a carência de um 
bem cada vez mais escasso nos grandes centros urbanos 
Apesar de o Brasil possuir mais de 10% da água doce do mundo, a oferta em algumas áreas pode 
ser considerada como de estresse hídrico. “São Paulo é a região que apresenta a situação mais 
crítica, pior até que as cidades do Nordeste do país”, afirma o engenheiro Ricardo Franci Gonçalves, 
professor do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo 
(UFES). 
A situação leva muitas empresas e condomínios a buscarem alternativas. “O reúso da água é 
inevitável e será cada vez mais usado no Brasil”, diz, lembrando que a fonte da água para reúso pode 
ser do banho (águas cinza); recuperação de água das chuvas ou dos vasos sanitários (águas 
negras). 
Franci defende que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) precisa criar uma norma 
específica para os sistemas de reuso predial de água, para evitar riscos. E alerta que os 
empreendimentos comerciais ou residências, que adotam o reaproveitamento da água, devem 
implementar uma gestão responsável. “Da mesma maneira que os condomínios terceirizam a 
manutenção de elevadores e das piscinas, precisam desenvolver um sistema de manutenção 
responsável para o reúso, caso contrário, a solução pode se tornar pior do que sua ausência”, afirma. 
Na Edificação 
O reúso de água pode ser adotado por edificações residenciais e comerciais. Ricardo Franci explica 
que na residencial a produção de água cinza é alta, devido aos banhos, máquinas de lavar roupas e 
pias, o que aumenta o volume de água a ser reutilizada. Diante disso, nesses empreendimentos não 
é necessária a captação de água da chuva. O tratamento é mais simples porque não utiliza águas 
negras, originárias do sistema sanitário. 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
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Ele comenta que em Vitória, no Espírito Santo, a produção de água cinza é de 130 litros a 150 
litros/dia por habitante, enquanto a demanda de água de reúso é de 50 litros/dia por habitante. 
Apenas um terço da produção de água de reúso é utilizada, sendo o restante descartado. A água não 
potável é utilizada nas descargas sanitárias, na irrigação de jardins e lavagem das áreas comuns. 
Alguns condomínios permitem a lavagem de veículos. A economia verificada é de 25% a 30%, 
comparada ao consumo daqueles empreendimentos que não têm sistema de reúso. 
Em edifícios comerciais, a produção de água cinza é menor do que nos residenciais. Isso porque 
nesses empreendimentos não há consumo de água potável em banhos ou lavagem de roupas. A 
complementação é feita com água de outra fonte não potável, como água da chuva ou do subsolo. 
No caso dos condomínios comerciais, a economia pode chegar a 50%, pois evita o uso de água 
potável para o sistema de descarga sanitária. 
Na Construção Civil 
O reúso da água no canteiro de obras pode gerar economia de 30% a 50% do consumo e ainda 
reduzir a produção de esgoto, medida importante para áreas onde não há sistema de tratamento. A 
água de reúso pode ser utilizada na descarga sanitária dos alojamentos, na irrigação de jardins ou 
para molhar a terra, visando baixar a poeira do terreno em dias secos. Outra possibilidade de 
aproveitamento é na elaboração do concreto, mas isso é algo que precisa ser feito com cuidado. 
“Caso a água não potável seja procedente de água cinza, a utilização não requer cuidados. Mas se 
ela for obtida do tratamento de água negra ou do esgoto predial pode alterar a qualidade do concreto 
devido ao nitrogênio presente na urina”, alerta. 
Cuidados 
“Como o Brasil não tem norma técnica para sistema de reúso de água e o código de obras não 
aborda o tema de maneira específica, tem muita gente projetando e implantando sistemas de modo 
inadequado”, afirma Franci. Segundo informações públicas da ABNT, a norma NBR 13969:1997 - 
‘Tanques sépticos - Unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos - 
Projeto, construção e operação’, faz parte de uma série de três normas referentes ao Sistema de 
Tratamento de Esgotos e complementa a primeira da série que é a NBR 7229:1993 – ‘Projeto,construção e operação de sistemas de tanques sépticos’. A terceira norma, em fase de elaboração, 
cujo título é ‘Tratamento e disposição final de sólidos do sistema de tanque séptico’, vai completar o 
assunto, abrangendo, desta forma, todos os aspectos de tratamento no sistema local de tratamento 
de esgotos. “Ainda fica faltando uma norma específica para a instalação do sistema de reúso da 
água”, diz. 
Instalação 
O professor explica que para evitar a contaminação da água potável é preciso projetar sistema de 
abastecimento duplo, um para água potável e outro para água de reúso. O empreendimento deve ser 
equipado com cisternas e reservatórios separados, tubulação independente e identificada com cores 
diferentes. Todo o conjunto deve receber sinalização indicando que aquela tubulação ou torneira 
fornece água não potável. “Até os equipamentos precisam ser diferentes. Um exemplo é a utilização 
de torneiras acionada no sentido anti-horário, o que não é fácil de se encontrar no Brasil. Ela deve 
receber uma placa indicando ser de água não potável. Além disso, é necessário treinar os 
funcionários e educar os usuários para evitar problemas de contaminação”, orienta. 
É fundamental evitar a ocorrência de ligação cruzada, que é a interconexão entre o sistema de água 
potável e o de água de reúso, pois isso provoca contaminação. “Se não houver identificação das 
tubulações, esse tipo de conexão pode ocorrer por descuido na montagem dos dois sistemas durante 
a obra, ou em futuras reformas. Daí a importância de normalização e treinamento profissional”, 
defende Franci. A contaminação também pode ocorrer em caso de vazamentos provocados por 
rachaduras. Esse risco existe quando os reservatórios de água potável e de água de reúso são 
separados por uma única parede. “É importante que os dois reservatórios sejam instalados distantes 
um do outro”, orienta. 
Investimento 
A instalação de um sistema de tratamento de reúso para produzir 10 m³ de água por dia, suficiente 
para atender 200 pessoas de um edifício de 10 andares com quatro apartamentos por andar, custa 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
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entre R$ 55 mil e R$ 60 mil. Somado a isso, tem os gastos com reservatórios, tubulações e sistema 
de bombeamento, representando, segundo Franci, em torno de 0,5% do custo total de um 
empreendimento. 
Existem três tipos de sistemas de tratamento de água para uso predial: ETAC – Estação de 
Tratamento de Águas Cinzas; ETE – Estação de Tratamento de Esgoto para Reúso; e AAC - 
Aproveitamento da Água de Chuva. 
ETAC de reúso predial – é compacta e fácil de ser instalada. Economiza cerca de 30% de água 
potável nas edificações residenciais e reduz até 30% da produção de esgoto, diminuindo 
proporcionalmente a conta de água e de esgoto. Tem menor consumo de energia e pode ser 
instalada no subsolo ou na cobertura das edificações. É indicada para condomínios residenciais; 
edificações comerciais ou corporativas, hotéis, escolas, quartéis, canteiros de obra, shoppings, 
indústrias, residências ou condomínios residenciais. 
ETE para reúso – ideal para tratamento terciário, utiliza filtros de areia e carvão ativado. Indicada na 
reutilização do efluente para fins não-potáveis como irrigação de jardins, lavagem de piso, descarga 
sanitária e ar-condicionado. Utiliza processos biológicos e apresenta eficiência de 95% na eliminação 
de matéria orgânica. 
O sistema para Aproveitamento da água de Chuva tem baixo custo de implantação e operação. 
Diminui a demanda de água tratada e ajuda na prevenção de enchentes, por retardar o escoamento 
para a rede de drenagem. Tem baixo consumo de energia. É fácil de instalar e oferece simplicidade 
operacional. Diferente dos sistemas de reuso de água, esta opção tecnológica não reduz a produção 
de esgoto sanitário na edificação. Indicada para edifícios residenciais e comerciais, casas e 
empreendimentos sem acesso à rede de abastecimento e indústrias. 
Água de reúso 
BIOLOGIA 
A água de reúso é a água residuária que apresenta características que permitem sua reutilização 
para algum fim específico. 
A água de reúso pode ser utilizada para lavar as ruas 
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Em todo o planeta é grande a preocupação com a disponibilidade de água potável para a população. 
O uso exacerbado desse recurso e a constante contaminação e poluição dos rios e lagos favorecem 
a crise hídrica ao redor do mundo. 
Diante da escassez de água, alternativas devem ser criadas para um melhor aproveitamento desse 
valioso bem. A água de reúso é um bom exemplo de como podemos evitar o desperdício e 
reaproveitar. 
A água de reúso pode ser definida como a água residuária que está dentro de padrões 
estabelecidos para a sua reutilização. Normalmente a água residuária é proveniente do banho, 
cozinha, processos de fabricação industrial e águas de infiltração, sendo geralmente tratada 
em Estações de Tratamento de Esgoto. 
Existem dois tipos principais de reúso: o indireto e o direto. O reúso indireto é aquele em que a água 
é utilizada pelo homem e liberada novamente nos corpos hídricos sem ou com tratamento prévio. 
O reúso direto, por sua vez, é o uso planejado da água residuária. Dessa forma, são realizados 
tratamentos, e essa água é transportada até seu local de uso. Nesse último caso, a água não é 
lançada no meio. 
A água de reúso possui uma qualidade inferior quando comparada à água potável e não é 
usada diretamente para o consumo. Em grande parte dos casos, sua utilização engloba geração de 
energia, refrigeração de equipamentos, lavagem de carros, irrigação de campos para cultivo, combate 
a incêndios, limpeza de ruas e irrigações de jardins. Todas essas atividades não necessitam da 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
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utilização de água potável, sendo assim, a água de reúso faz com que maior quantidade de água 
potável seja disponibilizada, ajudando, portanto, no problema de abastecimento. 
A água de reúso é, sem dúvidas, uma ótima alternativa para a atual crise hídrica na qual o Brasil 
encontra-se. A reutilização da água promove o uso sustentável de recursos hídricos, diminui a 
quantidade de esgoto lançada nos rios e lagos, além, é claro, de aumentar a disponibilidade para fins 
em que há necessidade de potabilidade. 
Curiosidade: Atualmente a água de reúso não é utilizada para consumo humano no Brasil, 
entretanto, diversos trabalhos estão sendo realizados para que isso seja possível brevemente. 
Reuso de Água 
O ”reuso” reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água 
potável por uma água de qualidade inferior. 
A reutilização ou reuso de água ou, ainda em outra forma de expressão, o uso de águas residuárias, 
não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos. Existem relatos de 
sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na irrigação. No entanto, a 
demanda crescente por água tem feito do reuso planejado da água um tema atual e de grande 
importância. Neste sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais 
abrangente que é o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle de 
perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água. 
Dentro dessa ótica, os esgotos tratados têm um papel fundamental no planejamento e na gestão 
sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas 
e de irrigação, entre outros. Ao liberar as fontes de água de boa qualidade para abastecimento 
público e outros usos prioritários, o uso de esgotos contribui para a conservação dos recursos e 
acrescenta uma dimensão econômica ao planejamento dos recursos hídricos. 
O ”reuso” reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por 
uma água de qualidade inferior. Essa prática, atualmente muito discutida, posta em evidência e já 
utilizada em alguns países é baseada no conceito de substituição de mananciais. Tal substituiçãoé 
possível em função da qualidade requerida para um uso específico. Dessa forma, grandes volumes 
de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza água de qualidade inferior 
(geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que podem prescindir desse 
recurso dentro dos padrões de potabilidade. 
Águas Residuárias 
Águas residuais ou residuárias são todas as águas descartadas que resultam da utilização para 
diversos processos. Exemplos destas águas são: 
Águas residuais domésticas: 
• Provenientes de banhos; 
• Provenientes de cozinhas; 
• Provenientes de lavagens de pavimentos domésticos. 
Águas residuais industriais: 
• Resultantes de processos de fabricação. 
Águas de infiltração: 
• Resultam da infiltração nos coletores de água existente nos terrenos. 
Águas urbanas: 
• Resultam de chuvas, lavagem de pavimentos, regas, etc. 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
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As águas residuais transportam uma quantidade apreciável de materiais poluentes que se não forem 
retirados podem prejudicar a qualidade das águas dos rios, comprometendo não só toda a fauna e 
flora destes meios, mas também, todas as utilizações que são dadas a estes meios, como sejam, a 
pesca, a balneabilidade, a navegação, a geração de energia, etc. 
É recomendado recolher todas as águas residuais produzidas e transportá-las até a Estação de 
Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Depois de recolhidas nos coletores, as águas residuais são 
conduzidas até a estação, onde se processa o seu tratamento. 
O tratamento efetuado é, na maioria das vezes, biológico, recorrendo-se ainda a um processo físico 
para a remoção de sólidos grosseiros. Neste sentido a água residual ao entrar na ETAR passa por 
um canal onde estão montadas grades em paralelo, que servem para reter os sólidos de maiores 
dimensões, tais como, paus, pedras, etc., que prejudicam o processo de tratamento. Os resíduos 
recolhidos são acondicionados em contentores, sendo posteriormente encaminhados para o aterro 
sanitário. 
Muitos destes resíduos têm origem nas residências onde, por falta de instrução e conhecimento das 
conseqüências de tais ações, deixa-se para o sanitário objetos como: cotonetes, preservativos, 
absorventes, papel higiênico, etc. Estes resíduos devido às suas características são extremamente 
difíceis de capturar nas grades e, conseqüentemente, passam para as lagoas prejudicando o 
processo de tratamento. 
A seguir a água residual, já desprovida de sólidos grosseiros, continua o seu caminho pelo mesmo 
canal onde é feita a medição da quantidade de água que entrará na ETAR. A operação que se segue 
é a desarenação, que consiste na remoção de sólidos de pequena dimensão, como sejam as areias. 
Este processo ocorre em dois tanques circulares que se designam por desarenadores. A partir deste 
ponto a água residual passa a sofrer um tratamento estritamente biológico por recurso a lagoas de 
estabilização (processo de lagunagem). 
O tratamento deverá atender à legislação (Resolução do CONAMA nº 020/86) que define a qualidade 
de águas em função do uso a que está sujeita, designadamente, águas para consumo humano, 
águas para suporte de vida aquática, águas balneares e águas de rega. 
Tipos de Reuso 
A reutilização de água pode ser direta ou indireta, decorrentes de ações planejadas ou não: 
• Reuso indireto não planejado da água: ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade 
humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de 
maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, 
a mesma está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração). 
• Reuso indireto planejado da água: ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são 
descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem 
utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico. 
• O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais 
novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito 
apenas a misturas com outros efluentes que também atendam ao requisito de qualidade do reuso 
objetivado. 
• Reuso direto planejado das águas: ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados 
diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio 
ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação. 
Aplicações da Água Reciclada 
• Irrigação paisagística: parques, cemitérios, campos de golfe, faixas de domínio de auto-estradas, 
campus universitários, cinturões verdes, gramados residenciais. 
• Irrigação de campos para cultivos - plantio de forrageiras, plantas fibrosas e de grãos, plantas 
alimentícias, viveiros de plantas ornamentais, proteção contra geadas. 
REUSO DA ÁGUA 
 
 
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• Usos industriais: refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento. 
• Recarga de aqüíferos: recarga de aqüíferos potáveis, controle de intrusão marinha, controle de 
recalques de subsolo. 
• Usos urbanos não-potáveis: irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos sanitários, 
sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de ônibus, etc. 
• Finalidades ambientais: aumento de vazão em cursos de água, aplicação em pântanos, terras 
alagadas, indústrias de pesca. 
• Usos diversos: aqüicultura, construções, controle de poeira, dessedentação de animais. 
Problemática no Brasil 
No Brasil, a prática do uso de esgotos - principalmente para a irrigação de hortaliças e de algumas 
culturas forrageiras - é de certa forma difundida. Entretanto, constitui-se em um procedimento não 
institucionalizado e tem se desenvolvido até agora sem nenhuma forma de planejamento ou controle. 
Na maioria das vezes é totalmente inconsciente por parte do usuário, que utiliza águas altamente 
poluídas de córregos e rios adjacentes para irrigação de hortaliças e outros vegetais, ignorando que 
esteja exercendo uma prática danosa à saúde pública dos consumidores e provocando impactos 
ambientais negativos. Em termos de reuso industrial, a prática começa a se implementar, mas ainda 
associada a iniciativas isoladas, a maioria das quais, dentro do setor privado. 
A lei nº 9.433 de 8 de janeiro de 1997, em seu Capitulo II, Artigo 20, Inciso 1, estabelece, entre os 
objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos, a necessidade de “assegurar à atual e às futuras 
gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos 
usos”. Verificou-se, por intermédio dos Planos Diretores de Recursos Hídricos de bacias hidrográficas 
- em levantamento realizado a fim de se conhecer mais profundamente a realidade nas diversas 
bacias hidrográficas brasileiras - que há a identificação de problemas relativamente à questão de 
saneamento básico, coleta e tratamento de esgotos e propostas para a implementação de planos de 
saneamento básico. Entretanto, não se consegue identificar atividades de reuso de água utilizando 
efluentes pós-tratados per sei. Isso deve-se ao fato, talvez, do ainda relativo desconhecimento dessa 
tecnologia e por motivos de ordem sócio-cultural. 
Mesmo assim, considerando que já existe atividade de reuso de água com fins agrícolas em certas 
regiões do Brasil, a qual é exercida de maneira informal e sem as salvaguardas ambientais e de 
saúde pública adequadas, torna-se necessário institucionalizar, regulamentar e promover o setor 
através da criação de estruturas de gestão, preparação de legislação, disseminação de informação, e 
do desenvolvimento de tecnologias compatíveis com as nossas condições técnicas, culturais e 
socioeconômicas. 
É nesse sentido que a Superintendência de Cobrança e Conservação - SCC - da Agência Nacional 
de Águas, inova ao pretender iniciar processos de gestão a fimde fomentar e difundir essa tecnologia 
e ao investigar formas de se estabelecer bases políticas, legais e institucionais para o reuso de água 
neste país. 
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