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Tecnologia e Inovação do Trabalho em Saúde W B A 0 0 3 1_ v2 _ 0 2/237 Tecnologia e Inovação do Trabalho em Saúde Autoria: Fernanda Maria de Miranda Como citar este documento: MIRANDA, Fernanda Maria de. Tecnologia e Inovação do Trabalho em Saú- de. Valinhos: 2017. Sumário Apresentação da Disciplina 04 Unidade 1: Princípios básicos: história da informática e principais conceitos 06 Assista a suas aulas 25 Unidade 2: A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa 34 Assista a suas aulas 52 Unidade 3: Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde 60 Assista a suas aulas 80 Unidade 4: Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no pro- cesso de trabalho em saúde 88 Assista a suas aulas 109 2/201 3/2373 Unidade 5: Inovações tecnológicas na segurança do paciente 117 Assista a suas aulas 140 Unidade 6: Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção 148 Assista a suas aulas 170 Unidade 7: Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 179 Assista a suas aulas 201 Unidade 8: Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científi- co e tecnológico e ética profissional 209 Assista a suas aulas 229 Sumário Tecnologia e Inovação do Trabalho em Saúde Autoria: Fernanda Maria de Miranda Como citar este documento: MIRANDA, Fernanda Maria de. Tecnologia e Inovação do Trabalho em Saú- de. Valinhos: 2017. 4/237 Apresentação da Disciplina Nesta disciplina você estudará como o avanço tecnológico influenciou e ainda in- fluencia o trabalho nas organizações de saúde, na perspectiva das inovações tecno- lógicas que envolvam o uso de informáti- ca como suporte para seu desenvolvimen- to. O percurso envolve desde as definições dos principais fundamentos da história da informática, assim como a relação entre os conceitos de computador, computação e informática. Também serão definidos os conceitos ligados à internet, seus princi- pais avanços evolutivos, o conceito de re- des e suas correlações como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pes- quisa. Assim, como serão apresentados os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde a partir da ótica da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em saúde. A partir de então serão apresentadas as inovações mais relevantes em cada cenário, ou seja: para o processo de trabalho em saúde, sendo identificada a utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no proces- so de trabalho em saúde, para a segurança do paciente. Por fim, para os diversos ce- nários e níveis de atenção, dando enfoque para a telessaúde, realidade virtual e video- conferências e as modalidades e aplicações da informática na educação em saúde, ou seja, os conceitos relacionados à educação a distância, os jogos sérios (serious game) e a simulação realística. Em conclusão, de- pois de apresentados todos estes conceitos, será proposta uma reflexão acerca da atual 5/237 conjuntura do desenvolvimento científico e tecnológico e do embasamento legal e ético por trás dessas transformações. 6/237 Unidade 1 Princípios básicos: história da informática e principais conceitos Objetivos • Conhecer a história da informática e dos computadores. • Identificar os principais conceitos e fundamentos relacionados à informática. • Refletir sobre o avanço científico e tecnológico associado ao uso de informática no traba- lho. Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito7/237 1. INTRODUÇÃO Os computadores surgem da necessidade de se realizar cálculos numéricos, em gran- de quantidade, em tempo hábil e com se- gurança, ou seja, livre de erros. A história da computação mostra que os primeiros com- putadores foram baseados no próprio ser humano (KOPPLIN, 2002). Esta associação se dá pelo fato de os primeiros computa- dores terem surgido da necessidade de se calcular coisas, por exemplo, tabelas de na- vegação, gráficos de maré e posições pla- netárias para almanaques astronômicos, e dessa necessidade ser suprida a princípio por seres humanos, em sua maioria, mu- lheres, que faziam manualmente os cálcu- los necessários (KOPPLIN, 2002). Desde os primeiros computadores, a intenção do de- senvolvimento de tecnologias surgiu como uma maneira de facilitar o trabalho huma- no, e atualmente a informática também contribui para o apoio do trabalho em saú- de. Como se deu essa evolução? Como o uso dos computadores está estruturado? Quais são os principais elementos associados à computação e à informática? Essas serão as lacunas que serão estudadas na aula de hoje. Link KOPPLIN, J. An Illustrated History of Computers. 2002. Disponível em: <http://www.computersciencelab. com/ComputerHistory/History.htm> Acesso em 07 jun. 2017. Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito8/237 2. Informática: evolução dos computadores Neste momento da disciplina vamos tra- çar um panorama geral sobre os principais marcos históricos da evolução dos com- putadores. Para iniciarmos esse panorama é preciso conhecer que a primeira máquina construída pelo homem para auxiliá-lo na elaboração de cálculos foi o ábaco (Figura 1) utilizado por povos da antiguidade (GU- GIK, 2009). Sua primeira aparição na litera- tura data de 5500 a.C. e embora sua estru- tura seja simples, ele se caracteriza como um instrumento muito eficiente na resolu- ção de problemas matemáticos (GONICK, 1984; GUGIK, 2009). Após o Renascimento, surge a régua de cálculo (Figura 2), criada pelo inglês William Oughtred em 1638 (GU- GIK, 2009). Este instrumento baseava-se no conceito de logaritmos para facilitar o cálculo de grandes multiplicações (GUGIK, 2009). A partir do Renascimento houve um fomento à pesquisa científica e consequen- te avanço científico e tecnológico que cul- minou no primeiro computador. Para saber mais Se você quiser estudar de maneira mais aprofun- dada os marcos históricos da história da compu- tação, recomendo a leitura da obra de Fonseca Filho (2007) intitulada “História da Computação: O Caminho do Pensamento e da Tecnologia”. Dis- ponível em: <http://www.pucrs.br/edipucrs/ online/historiadacomputacao.pdf> Acesso em 08 jun. 2017. Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito9/237 Figura 1 – Ábaco Fonte: Google Images. Disponível em: <http://wycellosweb.blogspot.com.br/2013/01/abaco.html> Acesso em 08 jul. 2017. Figura 2 – Régua de Cálculo Fonte: Google Images. Disponível em: <http://producao.virtual.ufpb.br/books/camyle/introducao- -a-computacao-livro/livro/livro.chunked/ch01s01.html> Acesso em 08 jul. 2017. Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito10/237 A partir da primeira metade do século XX surgem os computadores pré-modernos, ou seja, aquelas máquinas que começaram timidamente a utilizar componentes ele- trônicos em sua engenharia (GUGIK, 2009). Partindo da descoberta do sistema binário, por George Boole em 1847, os computado- res pré-modernos foram um grande salto na história da computação (FONSECA FI- LHO, 2007). Outro marco significativo foi a famosa teoria de Alan Turing, conhecida como “Máquina de Turing”, que “através de um número finito de operações, resol- via problemas computacionais de diversas ordens diferentes” (FONSECA FILHO, 2007; GUGIK, 2009, s/p). A partir do momento em que começaram a ser utilizados computadores digitais, ou seja, que não utilizavam componentes ana- lógicos para embasar seu funcionamen- to, surgiu a Computação Moderna (GUGIK, Para saber mais O sistema binário é um sistema de numeração posicional que reduz a representação de todas as quantidades na associação de apenas dois resul- tados: 0 e 1. Para aprofundar seus conhecimentos em sistemas de numeração, consulte: MIYASCHI- TA, W. Y.; NASCIMENTO, M. C. Sistemas de Numera-ção: como funcionam e como são estruturados os números. 2002. Disponível em: <http://wwwp. fc.unesp.br/~mauri/TN/SistNum.pdf> Acesso em 07 jun. 2017. Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito11/237 2009). A computação moderna é didaticamente dividida em quatro gerações. A primeira geração (1946-1959) tinha como característica definidora o uso de válvulas eletrô- nicas de grandes dimensões (FÁVERO, 2011; GUGIK, 2009). O primeiro computador de uso ge- ral (Figura 3) foi criado nesta era e ficou conhecido como ENIAC (do inglês, Eletronic Numerical Integrator and Computer), sendo que seus programas típicos demoravam de meia hora a um dia inteiro para serem elaborados e executados (FONSECA FILHO, 2007). Figura 3 – Ilustração do primeiro computador de uso geral, ENIAC Fonte: Google Images (2017) Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito12/237 A segunda geração (1959–1964) foi marca- da pela substituição das válvulas eletrônicas por transistores, sendo que os computado- res aqui inclusos podem ser divididos em duas categorias a partir de suas dimensões: os supercomputadores e os microcomputa- dores (FÁVERO, 2011; GUGIK, 2009). Neste sentido, nota-se que os primeiros computa- dores que tinham em sua composição tran- sistores eram grandes, mas nem tão gran- des quanto os a válvulas (GONICK, 1984). Já a terceira geração (1964–1970) foi defi- nida pela criação dos circuitos integrados (FÁVERO, 2011; GUGIK, 2009). Um circuito integrado é aquele que permite que uma mesma placa armazene vários circuitos que se comunicavam com hardwares distintos ao mesmo tempo (GUGIK, 2009). Desta for- ma, a partir da evolução dos componentes eletrônicos e a criação de circuitos integra- dos, os computadores diminuíram conside- ravelmente de preço e tamanho (GONICK, 1984; GUGIK, 2009), aumentando também sua velocidade e funcionalidade (GUGIK, 2009). Por fim, a quarta geração (1970–atual) foi marcada pelo desenvolvimento de micro- processadores e computadores pessoais (FÁVERO, 2011; GUGIK, 2009). Essa geração modificou o paradigma referente ao uso de computadores no cotidiano da sociedade atual. Foi a partir deste marco que pode- mos, por exemplo, estar aprendendo juntos sobre tecnologia e inovação em um curso à distância. Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito13/237 3. O computador: definições e conceitos Um computador é definido como “uma má- quina ou dispositivo capaz de executar uma sequência de instruções definidas pelo ho- mem para gerar um determinado resultado o qual atenda a uma necessidade específi- ca” (FÁVERO, 2011, p. 15). Destaca-se na li- teratura que os estudos de János Louis von Neumann (1903-1957) foram cruciais para o entendimento das unidades funcionais de um computador (FÁVERO, 2011). Sobre a atualidade de sua obra, Fonseca Filho (2007, p. 122) enfatiza: O relatório de Von Neu- mann ficou incompleto, mas sua leitura é instruti- va. Muitas ideias continu- am válidas até hoje: a se- paração entre arquitetura lógica e física, a divisão do projeto em unidades de controle, aritmética, memória, entrada e saída, precursoras de todos os projetos posteriores. Além disso, devido ao interes- se nos trabalhos relativos a sistemas neurais de Mc- Culloch e Pitts, ele des- creveu vários dispositivos do computador fazendo analogia com o sistema nervoso (mesmo porque na época não existia ainda uma linguagem adequada para tais descrições). Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito14/237 Neste sentido, com base nestes conceitos, pode-se dizer que os computadores são compostos de dois tipos de elementos principais: os hardwares e os softwares. Os hardwares são aqueles componentes físicos, ou seja, os componentes eletrônicos que desenvolvem uma ação especí- fica (FÁVERO, 2011). O hardware possui quatro componentes (Figura 4) principais inter-relacio- nados (FÁVERO, 2011): Figura 4 – Unidades Funcionais Básicas de um Computador Fonte: Adaptado de Fávero (2011) Estes elementos estão descritos a seguir (FÁVERO, 2011): Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito15/237 • O UCP (do inglês, CPU) é o principal componente do computador, sendo ele responsável pela execução dos da- dos e instruções que estão armazena- dos. • A memória armazena todos os pro- gramas que executam no computa- dor e os dados que utilizam. É preciso atentar que existem diversos tipos de memórias. Ex.: RAM (principal), ROM, cache, registradores, entre outros. • As unidades de entrada e de saída são responsáveis pela entradas e saí- das de dados, respectivamente, sendo consequentemente responsável pelas interações entre o computador e seus usuários. Ex.: monitor de vídeo, tecla- do, impressora, mouse, caixa de som, entre outros. Observa-se ainda a existência de um ele- mento chamado de barramento, nos mi- croprocessadores, que é responsável por interligar todos os elementos citados acima (FÁVERO, 2011). O barramento é composto de fios ou condutores elétricos onde os da- dos circulam dentro do computador. Link Quer estudar sobre a situação brasileira na fabricação e comercialização de componentes eletrônicos? Acesse: MELO, P. R. S.; RIOS, E. C. S. D.; GUTIERREZ, R. M. V. Componentes eletrônicos: Perspectivas para o Brasil. Disponível em: <https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/ handle/1408/2725> Acesso em 08 jun. 2017. Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito16/237 Já os softwares são os “programas” execu- tados por este computador, neste contexto compreendidos como um conjunto de al- goritmos. Mas o que seriam os algoritmos, então? Neste cenário, algoritmos são com- preendidos como “um conjunto de regras expressas por uma sequência lógica finita de instruções, que, ao serem executadas pelo computador, resolvem um problema específico” (FÁVERO, 2011, p. 15). 4. Outras definições: Computa- ção, informática, ciência e tec- nologia A partir do uso de computadores para a mediação de atividades humanas, surgem diversos conceitos utilizados sob o mesmo sentido. Mas quais são as diferenças con- ceituais entre estes termos? Neste momen- to da aula vamos nos atentar para algumas definições importantes. As primeiras delas são a computação e a informática, definições que são constan- temente confundidas (SILVA et al., 2014). A computação nasceu do verbo computar e faz menção à finalidade dos primeiros com- putadores de realizar cálculos matemáticos. É definida como “a ciência do desenvolvi- mento e implementação de softwares” (SIL- VA et al., 2014, p. 96) e sua relevância para a sociedade pode ser observada a partir de sua contribuição, “de maneira interdisci- plinar, na busca de soluções de problemas diversos, através da disseminação do cha- mado pensamento computacional” (FRAN- Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito17/237 Em contrapartida, a informática é com- preendida como “o uso de aplicativos, por exemplo, softwares de escritório (Word, Ex- cel, Power Point)” (DANTRO, 2011 apud SILVA et al., 2014, p. 96). Desta maneira, entendemos os dois termos inter-relacio- nados no sentido de sua ligação com o uso de computadores, entretanto, é observável uma nuance entre ciência e técnica. Neste momento, é preciso introduzir dois novos conceitos: Ciência e Tecnologia, de- finições estas que também são confundi- das. Para fins didáticos, os termos ciência e tecnologia são distintos e inter-relaciona- dos. Entretanto, é identificado pelos estu- diosos sobre a temática que os limites entre estes dois termos são filosoficamente con- fusos. A esse respeito, Marsden (1991, apud ÇA et al., 2013 apud SILVA et al., 2014, p. 96). Neste sentido, constrói-se também a ciência da computação como uma área do conhecimento voltada para o estudo das técnicas, metodologiase instrumentos computacionais. Para saber mais O curso de graduação em Ciências da Computa- ção é oferecido por diversas universidades brasi- leiras e faz interseções com outros cursos de gra- duação, como a Engenharia da Computação ou a Gestão da Tecnologia da Informação. Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito18/237 BARRA, 2006, p. 423) justifica: “...não pode- mos imaginar a ciência sem a sua técnica; e como a ciência é incapaz de lidar com ques- tões e valores, nos diz o que pode ser feito, mas não o que deveria ser feito”. Neste sen- tido, a aplicação prática desta similaridade é expressa através do tratamento de avan- ços científicos e tecnológicos em conjunto. Link MORAIS. Ciência e tecnologia. 2006. Disponível em: <http://www.revista.unisal.br/sj/index. php/123/article/view/73/86>. Acesso em: 22 mar. 2017. Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito19/237 Glossário Ciência: Do latim (scientĭa,ae), genericamente é entendida como sinônimo de sabedoria, sapiência etc. Pode ser caracterizada como “corpo de conhecimentos sistematizados que, adquiridos via ob- servação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, são formulados metódica e racionalmente” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Tecnologia: De etimologia grega (tekhnología,as), tem carácter polissêmico, sendo significada em cada campo de estudo. Pode ser vista como “teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Gestão: Do latim (gestĭo,ōnis), diz respeito à administração, à direção e organização (HOUAISS et al., 2009, s/p). Software: São os “programas” executáveis por um computador (FÁVERO, 2011). Hardware: São os componentes físicos, ou seja, os componentes eletrônicos que desenvolvem uma ação específica (FÁVERO, 2011). Questão reflexão ? para 20/237 Com base nos tópicos que você estudou hoje, reflita sobre qual o va- lor do uso de computadores na sociedade moderna. Considere os avanços tecnológicos no âmbito da computação e da informática e faça uma reflexão crítica sobre como o cotidiano da nossa sociedade é influenciado pelos computadores: Em quais aspectos isso aconte- ce? Quais seus benefícios? Quais seus malefícios? 21/237 Considerações Finais • Os computadores surgem da necessidade de se realizar cálculos numéricos, em grande quan- tidade, em tempo hábil e com segurança, ou seja, livre de erros. • Sua evolução perpassa desde os instrumentos de cálculo mais simples, como o ábaco, e alcan- çam os modernos chips e microprocessadores atuais. • A evolução da computação moderna é dividida em quatro gerações: A primeira geração (1946- 1959) tinha como característica definidora o uso de válvulas eletrônicas de grandes dimen- sões; a segunda geração (1959–1964) foi marcada pela substituição das válvulas eletrônicas por transistores; a terceira geração (1964–1970) foi definida pela criação dos circuitos inte- grados; e a quarta geração (1970–atual) foi marcada pelo desenvolvimento de microproces- sadores e computadores pessoais. • Um computador é “uma máquina ou dispositivo capaz de executar uma sequência de instru- ções definidas pelo homem para gerar um determinado resultado, o qual atenda a uma neces- sidade específica” (FÁVERO, 2011, p. 15). 22/237 • Seus componentes podem ser divididos em hardwares e softwares, os hardwares podem ser subdivididos em quatro unidades funcionais básicas: CPU, memória, unidade de entrada e unidade de saída. • Há diferenciações conceituais entre computação e informática, embora os termos sejam uti- lizados comumente como sinônimos. Assim como acontece entre os termos ciência e tecno- logia. Considerações Finais Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito23/237 Referências BARRA, D. C. C., et al. Evolução histórica e impacto da tecnologia na área da saúde e da enferma- gem. Rev. Eletr. Enf., v. 8, n. 3, p. 422-30, 2006. FÁVERO, E. M. B. Organização e arquitetura de computadores. Pato Branco: Universidade Tec- nológica Federal do Paraná, 2011. 114p. FONSECA FILHO, C. História da Computação: O caminho do Pensamento e da Tecnologia. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. 205p. GUGIK, G. A história dos computadores e da computação. 2009. Disponível em: <https://www. tecmundo.com.br/tecnologia-da-informacao/1697-a-historia-dos-computadores-e-da-compu- tacao.htm> Acesso em 07 jun. 2017. GONICK, L. Introdução Ilustrada à Computação. São Paulo: Harper & Row do Brasil, 1984. 242 p. p. 115-122. HOUAISS, A. et al. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. CD-ROM. KOPPLIN, J. An Illustrated History of Computers. 2002. Disponível em: <http://www.computers- ciencelab.com/ComputerHistory/History.htm> Acesso em 07 jun. 2017. Unidade 1 • Princípios básicos: história da informática e principais conceito24/237 MELO, P. R. S.; RIOS, E. C. S. D.; GUTIERREZ, R. M. V. Componentes eletrônicos: Perspectivas para o Brasil. Disponível em: <https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/handle/1408/2725> Acesso em 08 jun. 2017. MIYASCHITA, W.Y.; NASCIMENTO, M.C. Sistemas de Numeração: como funcionam e como são estruturados os números. 2002. Disponível em: <http://wwwp.fc.unesp.br/~mauri/TN/SistNum. pdf> Acesso em 07 jun. 2017. MORAIS. Ciência e tecnologia. 2006. Disponível em: <http://www.revista.unisal.br/sj/index. php/123/article/view/73/86>. Acesso em: 22 mar. 2017. SILVA, E.G. et al. Análise de ferramentas para o ensino de Computação na Educação Básica. In: XXXIV Congresso da Sociedade Brasileira de Computação – CSBC, 2014. Disponível em: <http://www. lbd.dcc.ufmg.br/colecoes/wei/2014/0019.pdf> Acesso em 08 jun. 2017. Referências 25/237 Assista a suas aulas Aula 1 - Tema: Princípios Básicos: História da Informática e Principais Conceitos. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 4200fe3cdf9a25b5d06073d61be5170c>. Aula 1 - Tema: Princípios Básicos: História da Informática e Principais Conceitos. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 21363fde74740d2dfb62303f7e81c609>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/4200fe3cdf9a25b5d06073d61be5170c https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/4200fe3cdf9a25b5d06073d61be5170c https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/4200fe3cdf9a25b5d06073d61be5170c https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/21363fde74740d2dfb62303f7e81c609 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/21363fde74740d2dfb62303f7e81c609 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/21363fde74740d2dfb62303f7e81c609 26/237 1. Acerca da evolução da computação moderna, leia a proposição abaixo e assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas. A evolução da computação moderna possui _______ fases, sendo pontuados como mar- cos conceituais: o uso de válvulas eletrônicas de grande dimensão para a _______ geração, o surgimento dos transistores para a _________ geração e os microcomputadores e com- putadores pessoais para a ______ geração. a) Quatro; primeira; segunda; terceira. b) Quatro; primeira; terceira; quarta. c) Quatro; primeira; segunda; quarta. d) Três; primeira; segunda; terceira. e) Três; segunda; terceira; primeira. Questão 1 27/237 2. O computador é uma máquina ou dispositivo capaz de executar uma sequência de instruções definidas pelo homem. Seus elementos são divi- didos em dois tipos básicos, os softwares e os hardwares. Neste contexto, conceitualmente um software é definido como: Questão 2 a) As partesfísicas do computador. b) As unidades responsáveis pelas entradas de dados. c) As unidades responsáveis pelas saídas de dados. d) Os programas executáveis no computador. e) Os fios condutores responsáveis por transmitir os dados. 28/237 3. Leia atentamente as proposições acerca das unidades funcionais bási- cas de um computador e julgue como verdadeiras (V) ou falsas (F) as afir- mações: ( ) O UCP é um componente acessório do computador, ele é responsável pela execução dos dados e instruções que estão armazenados. Um computador pode funcionar ade- quadamente sem o uso de um UCP. ( ) A memória armazena todos os programas que executam no computador e os dados que utilizam, sendo que a principal memória do computador é chamada de ROM. ( ) As unidades de entrada e de saída são responsáveis pelas interações entre o compu- tador e seus usuários, sendo um exemplo de unidade de entrada o teclado. Assinale a alternativa correta: a) V; V; V. b) F; F; V. c) V; F; F. d) F; F; F. e) V; F; V. Questão 3 29/237 4. Observe atentamente a figura abaixo e assinale a alternativa que apresenta a definição correta desse tipo de dispositivo: a) Trata-se de um mouse, ou seja, software, um programa executável. b) Trata-se de um mouse, ou seja, o elemento responsável pela execução dos dados e instru- ções que estão armazenados. c) Trata-se de um mouse, ou seja, uma unidade de entrada responsável pela interação entre máquina e usuário. d) Trata-se de um barramento, ou seja, o elemento responsável pela execução de programas. Questão 4 Fonte: Google Images. 30/237 e) Trata-se de um barramento, ou seja, a unidade responsável pela interação entre máquina e usuário. Questão 4 31/237 5. Acerca da relação entre a computação e a informática, considere as proposições a seguir: I – Informática e computação são sinônimos. II – A informática é entendida como a ciência do desenvolvimento e implementação de softwares. II – A computação é entendida como o uso de aplicativos. Assinale a alternativa que contenha todas as afirmações corretas: a) Nenhuma das afirmações. b) Apenas a I. c) Apenas a II. d) Apenas a III. e) Todas as afirmações. Questão 5 32/237 Gabarito 1. Resposta: C. A evolução da computação moderna possui quatro fases, sendo pontuados como mar- cos conceituais: o uso de válvulas eletrô- nicas de grande dimensão para a primeira geração, o surgimento dos transistores para a segunda geração, o surgimento dos siste- mas integrados para a terceira geração e os microcomputadores e computadores pes- soais para a quarta geração. 2. Resposta: D. Os softwares são os “programas” executados por este computador, ou seja, um conjunto de algoritmos. Algoritmos, consequente- mente, são compreendidos como “um con- junto de regras expressas por uma sequên- cia lógica finita de instruções, que ao serem executadas pelo computador, resolvem um problema específico” (FÁVERO, 2011, p. 15) 3. Resposta: B. O UCP é um componente essencial do com- putador, ele é responsável pela execução dos dados e instruções que estão armaze- nadas. Um computador não pode funcionar adequadamente sem o uso de um UCP. A memória armazena todos os programas que executam no computador e os dados que utilizam, sendo que a principal memória do computador é chamada de RAM. As unida- des de entrada e de saída são responsáveis pelas interações entre o computador e seus usuários, sendo um exemplo de unidade de entrada o teclado. 33/237 Gabarito 4. Resposta: C. Trata-se de um mouse, ou seja, um exemplo de uma unidade de entrada. As unidades de entrada são responsáveis pela interação entre máquina e usuário. 5. Resposta: A. Informática e computação NÃO são sinô- nimos. A informática é entendida como o uso de aplicativos, enquanto a computação é entendida como a ciência do desenvolvi- mento e implementação de softwares. 34/237 Unidade 2 A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa Objetivos • Conhecer a história e evolução da internet. • Conhecer o conceito de redes e refletir sobre sua importância. • Refletir sobre o papel da internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa. Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa35/237 1. INTRODUÇÃO Desde o desenvolvimento dos primeiros computadores, a computação e a informá- tica vêm evoluindo. Nos anos 70 surge a ne- cessidade de se desenvolver técnicas para interconexão de computadores, dando iní- cio ao conceito de redes que temos hoje. A internet, portanto, baseia-se neste conceito de redes interconectoras e pode ser definida como “rede de computadores dispersos por todo o planeta que trocam dados e men- sagens utilizando um protocolo comum, unindo usuários particulares, entidades de pesquisa, órgãos culturais, instituições mi- litares, bibliotecas e empresas” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Curiosamente, a internet surge da interseção entre as investigações científicas financiadas pelo setor público e a cultura libertária (CASTELLS, 2003), e é sobre ela que estudaremos hoje! Para saber mais A cultura libertária é aquela que valoriza o livre mercado e a baixa influência do Estado na econo- mia. Na cultura americana, o “libertário” qualifica uma ideologia política que significa fundamen- talmente uma desconfiança sistemática no go- verno (CASTELLS, 2003). Já no sentido europeu, o termo é compreendido como uma cultura de liberdade, sem prejulgar ou avaliar os instrumen- tos utilizados para conquistar tal liberdade (CAS- TELLS, 2003). Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa36/237 2. A internet: definições e evolu- ção funcional A internet nasce, então, do conceito de re- des como elemento conector. Sua evolu- ção perpassa por versões. O primeiro fato que devemos ter em mente é que a criação da internet se deu no contexto da Segun- da Guerra Mundial com a interconexão de computadores (CASTELLS, 2003). A internet é compreendida como um con- junto de computadores interligados, capa- zes de trocar dados através de um tipo espe- cífico de protocolo, o Protocolo de Controle de Transmissão/Protocolo de Internet (TCP/ IP), sendo o primeiro responsável pelo envio e recebimento de um dado ou informação e o segundo o número atribuído a um com- putador e que lhe permite ser identificado numa rede de dados, neste caso a internet (CRAIG, 1998). O segundo marco histórico que deve ser ressaltado foi a criação do Word Wide Web (www), uma “aplicação de compartilha- mento de informação”, criada em 1990 por Tim Berners-Lee (CASTELLS, 2003, p.17). Esta nova criação possibilitou que a inter- net abarcasse o mundo todo, permitindo uma nova forma de interação entre as pes- soas (CASTELLS, 2003). Há três momentos históricos da internet “www”, versões estas que são descritas a seguir. Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa37/237 A primeira versão, chamada de Web 1.0, caracterizava-se pela conexão das informações, sendo seu conteúdo desenvolvido e disponibilizado por uma pequena população que dominava as téc- nicas das páginas estáticas, denominadas como “webmasters” (SANTAELLA, 2012). Neste cená- rio, os usuários eram entendidos como simples consumidores de conteúdo (SANTAELLA, 2012), pois eles não tinham acesso a recursos e saberes necessários para o domínio da internet. A partir do momento em que estes consumidores passam a conhecer a internet de forma mais ampliada, dominando, assim como os webmasters, os recursos, saberes e técnicas, surgiu a Web Para saber mais O www é uma matriz de documentos conectados por hiperlinks, que são referências mútuas nestes documentos (DOROGOVTSEV; MENDES, 2003). Os links são direcionados para pares de contra-links, em princípio, para que possam produzir conexões não direcionadas (DOROGOVTSEV; MENDES, 2003). Os documentos da Web são acessíveis através da internet, e issodetermina a relação entre a internet e o www (DOROGOVTSEV; MENDES, 2003). Quer saber mais sobre a estrutura do www? Leia o livro de Dorogovtsev e Mendes (2003), intitulado: Evolution of Networks: From Biological Nets to the Internet and WWW. Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa38/237 2.0. Esta segunda versão surge com a intenção de superar algumas características da Web 1.0 (O’REILLY, 2007). Neste contexto, o usuário deixou de ser unicamente um leitor passivo para tor- nar-se também um criador de conteúdo, estabelecendo novas relações e passando a integrar um sistema Web interativo, compartilhado, aberto e meio de criação de conteúdo coletivo (O’REILLY, 2007). Além disso, iniciou-se a consolidação do conceito de comunidades por afinidade, ou ain- da, de redes (em uma nova perspectiva), passando a poder compartilhar o acesso e o desenvol- vimento de conteúdo (O’REILLY, 2007). Link FAPESP. O futuro do acesso aberto. Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp. br/2016/07/14/o-futuro-do-acesso-aberto/> Acesso em 13 jun. 2017. SCIELO. Evolução do Acesso Aberto – breve histórico. Disponível em: <http://blog.scielo.org/ blog/2013/10/21/evolucao-do-acesso-aberto-breve-historico/#.WUE0iGjyvIU> Acesso em 13 jun. 2017. Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa39/237 Por fim, a Web 3.0 surge como uma promes- sa de aprimoramento da versão anterior, onde o acesso, manuseio e utilização da in- formação são facilitados pela interação ho- mem e máquina (CARNEIRO, 2003). Existem discussões em torno da existência concreta da Web 3.0, sendo que muitos estudiosos acreditam que ainda não houve um gran- de marco histórico e que, por este motivo, a Web 2.0 ainda parece ser a melhor definição para a internet atual (CARNEIRO, 2003). 3. A internet como ferramenta de transformação social A partir dos anos 2000 houve um “boom” no crescimento de usuários de internet no Brasil, sendo que o perfil da população que acessa a internet também passou por modificações a partir deste momento (MO- RETTI; OLIVEIRA; SILVA, 2012). Pesquisas evidenciaram que a criação e populariza- ção da internet favoreceu o acesso à infor- mação, além de colaborar para a produção massificada de conteúdo das mais variadas fontes (MORETTI; OLIVEIRA; SILVA, 2012). Tendo estes fatos expostos, torna-se evi- dente sua potencialidade como instrumen- to de transformação social. Para que haja a transformação é preciso que se tenha o estranhamento e a contestação, mediados pelo pensamento crítico e reflexivo. Neste sentido, Kato (2009, p.13-14) discute so- bre a influência da internet como mediador deste processo: Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa40/237 Nesse sentido, a contesta- ção é importante. E para poder contestar, contradi- zer e transformar, o sujeito precisa saber que a socie- dade se organiza oferecen- do seus conhecimentos, oportunidades, possibili- dades de controle sobre a própria vida de maneira desigual e reconhecer que mesmo uma pesquisa pela Internet pode ser instru- mento de alienação ou de ampliação de consciência. É alienante todas as vezes que não se entende o que se localiza na Rede e o que se toma como verdade universal. Link CETIC. Panorama Setorial da Internet: Acesso à internet no Brasil. Desafios para conectar toda a população. Disponível em: <http://www.cetic. br/media/docs/publicacoes/6/Panorama_ Setorial_11.pdf> Acesso em 14 jun. 2017. Ademais, associada à influência direta da internet com a sociedade por meio da de- mocratização da informação e da facilita- ção do processo de libertação das amar- ras sociais, a internet tem se caracterizado como uma fonte de conhecimento sobre as Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa41/237 diversas áreas do conhecimento, sendo um instrumento potente de apoio à educação. Desta forma, a internet também tem democratizado o acesso a informações de saúde à população e modificado o próprio trabalho em saúde. Para saber mais Mas o que significa democratizar a informação? Primeiramente é necessário esclarecer que a partir da Revolução tecnológica a informação passou a ter valor agregado ao capital e, consequentemente, seu fluxo e distribuição não se difundiram livres e equitativos na sociedade desigual em que vivemos (STAR- CK; RADOS; SILVA, 2013). Com o advento da internet, tornou-se mais fácil e menos desigual a difusão do conhecimento, embora ainda marcada pela influência das condições sociais e culturais de determinada população. Esta facilidade de acesso e os programas públicos de incentivo à universalização dos serviços de informação e equipamentos têm contribuído para tal ação democrática. Neste sentido, estudos estimam que, no Brasil, mais de 10 milhões de usuários acessam sites so- bre saúde regularmente (MORETTI; OLIVEIRA; SILVA, 2012). Ademais, a quantidade de avanços tecnológicos associados à internet no trabalho em saúde é clara (CARLINI et al., 2012; CASTIEL; VASCONCELOS-SILVA, 2002; MIRANDA; FARIAS, 2009; MORETTI; OLIVEIRA; SILVA, 2012; SAN- Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa42/237 TOS; MARQUES, 2006). 4. Cenários Práticos: A informá- tica e a saúde Tendo em vista as potencialidades elenca- das acima, é notada uma crescente expan- são de ferramentas baseadas na internet. Essas ferramentas também estão se difun- dindo na área da saúde. Para ilustrar alguns cenários onde a internet foi utilizada para mediar a educação, a transformação social ou o trabalho em saúde, vamos enumerar alguns exemplos encontrados na literatura. Quando observada sua influência no tra- balho em saúde, foi identificado no estudo Link MAZZA, V. A. et al. Informações on-line como su- porte às famílias de crianças e adolescentes com doença crônica. Disponível em: <http://pes- quisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/mdl- 28443972> Acesso em 14 jun. 2017. SENA, L. M.; TESSER, C. D. Violência obstétrica no Brasil e o ciberativismo de mulheres mães: relato de duas experiências. Interface comum. Disponí- vel em: <http://pesquisa.bvsalud.org/portal/ resource/pt/BIBLIO-829013> Acesso em 14 jun. 2017. Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa43/237 de Santos e Marques (2006) que a internet contribui para educação em saúde tanto do profissional de saúde quanto do paciente (ex.: ambientes que favoreçam o processo de educação à distância e sites de acesso a informações de saúde), para a assistên- cia (ex.: suporte de informações para quem realiza o cuidado) e pesquisa (ex.: coleta de dados via internet). Neste sentido, observa-se que a internet pode contribuir de forma indireta através da utilização intencional de internet para buscar informações de saúde. Estima-se que, no Brasil, mais de 10 milhões de usuá- rios acessam sites sobre saúde regularmen- te (MORETTI; OLIVEIRA, 2012). Associado a este fato, cresceu também o número de sites e blogs que divulgam informações a respeito de doenças, terapias alternativas, dentre outras temáticas dentro da área da saúde (MORETTI; OLIVEIRA, 2012). Embora esta seja uma fonte ativa de comunicação entre profissionais de saúde e usuários dos sistemas de saúde, a literatura aponta que a maioria das fontes não é confiável e são acessadas de forma excedente (MORETTI; OLIVEIRA, 2012), deixando evidenciada a necessidade de criação de sites confiáveis e completos que levem a informação mais apurada para os cidadãos. Ademais, o uso de internet pode trazer tam- bém benefícios diretos à saúde. Um estudo que versava sobre as contribuições da in- ternet para o idoso mostrou que ela pode auxiliar na cognição e na prevenção de qua- dros depressivos e no estímulo da atividade Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa44/237física devido à utilização desta ferramenta para interação social e atividades culturais, por exemplo, assistir filmes, o qual é classifi- cado como agente passivo, e mudanças nos hábitos de vida, considerado como agente ativo. (MIRANDA; FARIAS, 2009) Diante do exposto, a internet tem sido apontada como uma ferramenta poten- cial para mediar também os processos em saúde. Muitos avanços têm sido apontados no sentido de criação de ferramentas cada vez mais complexas envolvendo recursos da web e que estão permeando o cuidado em saúde. Estes cenários serão estudados mais adiante em nossa disciplina, sendo eles di- vididos a partir da finalidade de seu uso. Fa- z-se ainda necessário, quando falamos de internet, reforçar que algumas precauções devem ser tomadas visando a segurança e confiabilidade das informações sigilosas envolvidas, a completude e complexidade das informações em saúde e as questões éticas envolvidas no uso de redes e o acesso a informações em saúde. Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa45/237 Glossário Interativo: Genericamente é entendida como aquilo “que permite ao indivíduo interagir com a fonte ou o emissor” através da “troca de informações e de dados” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Compartilhado: Pode ser compreendido como “ter ou tomar parte em; arcar juntamente” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Na perspectiva da internet esse termo pode se relacionar ao tipo de autoria ou pertencimento de um conjunto de dados. Boom: Do inglês (boom), pode significar “crescimento muito rápido na comercialização ou acei- tação de um determinado produto” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Questão reflexão ? para 46/237 Com base nos tópicos que você estudou hoje, reflita so- bre os recursos baseados na internet e suas aplicações na saúde: O uso e disseminação da informação via inter- net se tornou recorrente em nossa sociedade, mas qual o nível de coerência, veracidade e profundidade das in- formações cedidas? Qual a associação dessas com a li- teratura científica? Como a qualidade dessas informa- ções pode ser avaliada? 47/237 Considerações Finais • A internet é compreendida como uma “rede de computadores dispersos por todo o planeta que trocam dados e mensagens utilizando um protocolo comum, unindo usuários particu- lares, entidades de pesquisa, órgãos culturais, instituições militares, bibliotecas e empresas” (HOUAISS et al., 2009, s/p). • Nasceu durante a Segunda Guerra Mundial com a interconexão de computadores e é com- pletamente modificada nos anos 1990, com a criação da aplicação de compartilhamento de informação, chamada de Word Wide Web (www), possibilitando que a internet abarcasse o mundo todo, permitindo uma nova forma de interação entre as pessoas. • Há três momentos históricos da internet “www”: A web 1.0, marcada pelos webmasters, pági- nas estáticas e usuários passivos (consumidores de conteúdo). A web 2.0, marcada pelo em- poderamento do usuário, que deixa de ser passivo para também criar conteúdo, estabelecen- do novas relações e passando a integrar um sistema Web interativo, compartilhado, aberto e meio de criação de conteúdo coletivo. A web 3.0, marcada por um grande marco relacionado à interatividade entre homem e máquina, porém ainda divergente entre os teóricos. 48/237 • A criação e a popularização da internet favoreceram o acesso à informação, além de colaborar para a produção massificada de conteúdo das mais variadas fontes, a transformando em um instrumento de apoio à transformação social. • A internet tem modificado a forma de fazer saúde, ela tem se difundido e trazido benefícios diretos e indiretos à saúde da população. Considerações Finais Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa49/237 Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde lança plataforma exclusiva para promoção à saúde. Disponível em: <https://goo.gl/kQgY9Y> Acesso em 02 set 2017. CARNEIRO, M. L. O acoplamento tecnológico e a comunicação em rede: inventando outros do- mínios de aprendizagem. Tese. Porto Alegre: PGIE/UFRGS, 2003. CARLINI, B. H. et al. Demand for and availability of online support to stop smoking. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 46, n. 6, 2012. CASTELLS, M. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. 234p. CASTIEL, L. D.; VASCONCELOS-SILVA, P. R. Internet e o autocuidado em saúde: como juntar os trapinhos? História, Ciências e Saúde, v. 9, n. 2, p.291-314, 2002. CETIC. Panorama Setorial da Internet: Acesso à internet no Brasil. Desafios para conectar toda a população. Disponível em: <http://www.cetic.br/media/docs/publicacoes/6/Panorama_Seto- rial_11.pdf> Acesso em 14 jun. 2017. CRAIG, H. TCP/IP Network Administration. O’Reilly. 1998. FAPESP. O futuro do acesso aberto. Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.br/2016/07/14/o- -futuro-do-acesso-aberto/> Acesso em 13 jun. 2017. Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa50/237 DOROGOVTSEV, S. N.; MENDES, J. F. F. Evolution of Networks: From Biological Nets to the Inter- net and WWW. Inglaterra: Oxford University Press. 2003. 263p. HOUAISS, A. et al. Dicionário Houaiss Da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. CD-ROM. KATO, M. S. C. M. A internet como instrumento pra o trabalho social de educar. Dissertação. Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. 2009. 143p. MAZZA, V. A. et al. Informações on-line como suporte às famílias de crianças e adolescentes com doença crônica. Rev. Gaúcha Enferm., v. 38, n. 1, e63475, 2017. Disponível em: <http://pesquisa. bvsalud.org/portal/resource/pt/mdl-28443972> Acesso em 14 jun. 2017. MIRANDA, L. M.; FARIAS, S. F. As contribuições da internet para o idoso: uma revisão de literatura. Interface, v. 13, n. 29, p. 383-94, 2009. MORETTI, F. A.; OLIVEIRA, V. E.; SILVA, E. M. K. Acesso a informações de saúde na internet: uma questão de saúde pública? Rev. Assoc. Med. Bras., v. 58, n. 6, 2012, p. 650-658. O’REILLY, T. What is Web 2.0: Design Patterns and Business Models for the Next Generation of Software. Communications & Strategies, n. 65, n.1, 2007, p. 17. Referências Unidade 2 • A Internet como instrumento de comunicação, trabalho, ensino e pesquisa51/237 SANTAELLA, L. A tecnocultura atual e suas tendências futuras. Signo y Pensamiento, v. 30, p. 30-43, 2012. SANTOS, S. G. F.; MARQUES, I. R. Uso dos Recursos de Internet na Enfermagem: uma revisão. Rev. Brasileira de Enfermagem, v. 59, n.2, p. 212-6, 2006. SCIELO. Evolução do Acesso Aberto: breve histórico. Disponível em: <http://blog.scielo.org/ blog/2013/10/21/evolucao-do-acesso-aberto-breve-historico/#.WUE0iGjyvIU> Acesso em 13 jun. 2017. SENA, L. M.; TESSER, C. D. Violência obstétrica no Brasil e o ciberativismo de mulheres mães: relato de duas experiências. Interface comum. Saúde educ, v. 21, n. 60, p. 209-220, 2017. Dis- ponível em: <http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/BIBLIO-829013> Acesso em 14 jun. 2017. STARCK, K.R.; RADOS, G.J.V.; SILVA, E.L. Os estilos e os modelos de gestão da informação: alterna- tivas para a tomada de decisão. Biblios. v. 52, p.59-73, 2013. Referências 52/237 Assista a suas aulas Aula 2 - Tema: A Internet como Instrumento de Comunicação, Trabalho, Ensino e Pesquisa. Blo- co I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ ffe7adfacb6319cc275f9571561cc533>. Aula 2 - Tema: A Internet como Instrumento de Comunicação, Trabalho, Ensino e Pesquisa. Blo- co II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/54e3f5185a7aee303a2b722710079d8e>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ffe7adfacb6319cc275f9571561cc533 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ffe7adfacb6319cc275f9571561cc533https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ffe7adfacb6319cc275f9571561cc533 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/54e3f5185a7aee303a2b722710079d8e https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/54e3f5185a7aee303a2b722710079d8e https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/54e3f5185a7aee303a2b722710079d8e 53/237 1. Acerca da evolução da internet, julgue as proposições a seguir como verda- deiras (V) ou falsas (F). ( ) A internet foi criada nos anos 1990 com o desenvolvimento de uma aplicação de compar- tilhamento de informações, o WWW. ( ) A internet é compreendida como rede de computadores mundial que trocam dados e mensagens utilizando um protocolo comum. ( ) Existem quatro momentos históricos da internet WWW: web 1.0, web 2.0, web 3.0 e web 4.0. Assinale a alternativa que contém o julgamento correto: a) V, V, V. b) F, V, V. c) V, F, F. d) F, V, F. e) F, F, F. Questão 1 54/237 2. Considere a divulgação feita pelo Ministério da Saúde e assinale a alterna- tiva CORRETA: Questão 2 a) Trata-se de uma ferramenta baseada na web para educação em saúde. b) Trata-se de uma ferramenta baseada na web para a pesquisa em saúde. c) Trata-se de uma edição de cartilha educacional para educação em saúde. d) Trata-se de uma edição de cartilha educacional para a pesquisa em saúde. e) Trata-se de uma edição de cartilha educacional para a gestão em saúde. Fonte: Brasil, 2017. Disponível em: <https://goo. gl/kQgY9Y> Acesso em: 14 jun. 2017. 55/237 3. Assinale a alternativa que traz a principal mudança que marcou a transi- ção entre a web 1.0 para a web 2.0: Questão 3 a) Criação do Word Wide Web (www). b) Surgimento dos webmasters. c) Empoderamento do usuário, que passou a também produzir conteúdo. d) Desenvolvimento de páginas estáticas. e) Grande marco conceitual relacionado ao grau de interação entre homem e máquina. 56/237 Questão 4 a) Computação; sinais; protocolo comum. b) Computação; computadores; sinal digital. c) Internet; computadores; sinal digital. d) Internet; sinais; protocolo comum. e) Internet; computadores; protocolo comum. 4. Leia atentamente o trecho abaixo: A ________ nada mais é do que uma “rede de ___________ dispersos por todo o planeta que trocam dados e mensagens utilizando um ___________, unindo usuários particulares, entidades de pesquisa, órgãos culturais, insti- tuições militares, bibliotecas e empresas” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Assinale a alternativa que completa as lacunas corretamente: 57/237 5. Considere as proposições a seguir: I - A criação e popularização da internet favoreceu o acesso à informação, extinguindo a desigualdade social. II – A internet e suas ferramentas, conhecidas como recursos baseados na web, não podem ser aplicadas na área da saúde. III – A internet vem colaborando para a produção massificada de conteúdo das mais varia- das fontes. Assinale a alternativa que contém todas as proposições corretas: Questão 5 a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) I, II, III. 58/237 Gabarito 1. Resposta: D. A internet foi criada na Segunda Guerra Mundial. Nos anos 1990, com o desenvol- vimento de uma aplicação de compartilha- mento de informações, o WWW, o concei- to de internet se transformou. A internet, portanto, é compreendida como rede de computadores mundial que trocam dados e mensagens utilizando um protocolo co- mum. Existem três momentos históricos da internet WWW: web 1.0, web 2.0 e web 3.0. 2. Resposta: A. A página criada pelo Ministério da Saú- de busca conscientizar a população acerca de hábitos saudáveis e outras informações para a promoção da saúde. Portanto, tra- ta-se de uma ferramenta baseada na web para a educação em saúde. 3. Resposta: C. A web 2.0 foi marcada pelo empoderamen- to do usuário, que deixa de ser passivo para também criar conteúdo, estabelecendo no- vas relações e passando a integrar um siste- ma Web interativo, compartilhado, aberto e meio de criação de conteúdo coletivo. 4. Resposta: E. A internet nada mais é do que uma “rede de computadores dispersos por todo o plane- ta que trocam dados e mensagens utilizan- do um protocolo comum, unindo usuários 59/237 particulares, entidades de pesquisa, órgãos culturais, instituições militares, bibliotecas e empresas” (HOUAISS et al., 2009, s/p). 5. Resposta: C. A criação e a popularização da internet fa- voreceram o acesso à informação, porém ela não extinguiu a desigualdade social. A internet e suas ferramentas, conhecidas como recursos baseados na web, podem ser aplicadas em qualquer área, inclusive na área da saúde. A internet vem colaborando para a produção massificada de conteúdo das mais variadas fontes. Gabarito 60/237 Unidade 3 Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde Objetivos • Conhecer a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em saúde. • Introduzir os possíveis cenários da informática nos serviços de saúde. • Aprofundar a reflexão sobre o papel da internet como instrumento de comunicação, traba- lho, ensino e pesquisa. Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde61/237 1. INTRODUÇÃO Dentro do contexto da saúde, os serviços de saúde são aqueles locais “destinados a promover a saúde do indivíduo, protegê-lo de doenças e agravos, prevenir e limitar os danos a ele causados e reabilitá-lo quando sua capacidade física, psíquica ou social for afetada”. (BRASIL, 2002, s/p). Neste sentido, os serviços de saúde são aqueles estabelecimentos onde o trabalho em saúde é realizado. Com a evolução da informática, muitos paradigmas têm sido modificados na sociedade atual, inclusive dentro dos serviços de saúde. Desta forma, a maneira de se realizar o trabalho em saú- de tem sido transformada pelos avanços científicos e tecnológicos ligados à compu- tação, e é sobre esta incorporação que fala- remos hoje. Para isso falaremos sobre algu- mas políticas públicas que contribuem para a consolidação dessas mudanças. Para saber mais É importante compreender que serviços de saú- de e serviços de interesse à saúde são estabele- cimentos diferentes. Ao contrário dos serviços de saúde, os serviços de interesse à saúde são quais- quer estabelecimentos “que exercem atividades que, direta ou indiretamente, podem provocar benefícios, danos ou agravos à saúde” (BRASIL, 2002, s/p). Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde62/237 2. Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saú- de A Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PNCTIS) é parte in- tegrante da Política Nacional de Saúde, pilar do Sistema Único de saúde (SUS). Ela é pau- tada no artigo 200, inciso V, da Constituição Federal, que estabelece como atribuição do SUS: “incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e tecnológico” (BRASIL, 1988). Na prática, esta determinação da Constitui- ção reflete na obrigatoriedade de “compro- misso político e ético com a produção e com a apropriação de conhecimentos e tecno- logias que contribuam para a redução das desigualdades sociais em saúde, em conso- Link Quer conhecer os outros principais instrumentos políticos relacionados ao desenvolvimento cien- tífico, à pesquisa? Observe o quadro I do artigo “Políticas de fomento à ciência, tecnologia e ino- vação em saúde no Brasil e o lugar da pesquisa clínica”. Disponível em: <http://www.scielo.br/ pdf/csc/v22n5/1413-8123-csc-22-05-1441. pdf> Acesso em 19 jun. 2017. Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde63/237 nância com o controle social” (BRASIL, 2002). Desta forma, os principais princípios que regem a política em questão são, resumidamente (BRA- SIL, 2008, p.17): Melhorar a saúde da população brasileiracom equidade em saúde; Buscar supe- rar todas as formas de desigualdade e discriminação; Respeitar a vida e a dignidade das pessoas; Assegurar o desenvolvimento e a implementação de padrões elevados de ética na Pesquisa em Saúde; Assegurar a pluralidade filosófica e metodológica; Aumentar a inclusão e controle social, através de ações de educação científica, tecnológica e cultural; Contribuir para a melhoria da qualidade de vida do cidadão e respeitar o meio ambiente. Embasada por estes princípios, a PNCTIS estabelece as seguintes estratégias (BRASIL, 2008, p. 21): a) sustentação e fortalecimento do esforço nacional em ciência, tecnologia e inovação em saúde; b) criação do sistema nacional de inovação em saúde; c) construção da agenda nacional de prioridades de pesquisa em saúde; d) criação de mecanismos para superação das desigualdades regionais; e) aprimoramen- to da capacidade regulatória do Estado e criação de rede nacional de avalia- ção tecnológica; f) difusão dos avanços científicos e tecnológicos; g) formação, capacitação e absorção de recursos humanos no sistema nacional de ciência, Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde64/237 tecnologia e inovação em saúde, incentivando a produção científica e tecnoló- gica em todas as regiões do País, considerando as características e as questões culturais regionais; h) participação e fortalecimento do controle social. Para que houvesse o avanço esperado, concomitantemente com a PNCTIS foi também criada a Agenda Nacional de Prioridades na Pesquisa em Saúde (ANPPS), tendo como pressuposto aten- der as “necessidades nacionais e regionais de saúde e aumentar a indução seletiva para a pro- dução de conhecimentos e bens materiais e processuais nas áreas prioritárias para o desenvol- vimento das políticas sociais” (BRASIL, 2011, p. 5). Para saber mais A ANPPS estabelece as seguintes subagendas para a pesquisa em saúde: Saúde dos povos indígenas; saúde mental; violência, acidentes e trauma; saúde da população negra; doenças não transmissíveis; saúde do idoso; saúde da criança e do adolescente; saúde da mulher; saúde dos portadores de necessi- dades especiais; alimentação e nutrição; bioética e ética na pesquisa; pesquisa clínica; complexo pro- dutivo da saúde; avaliação de tecnologias e economia da saúde; epidemiologia; demografia e saúde; saúde bucal; promoção da saúde; doenças transmissíveis; comunicação e informação em saúde; gestão do trabalho e educação em saúde; sistemas e políticas de saúde; saúde, ambiente, trabalho e biossegu- rança; e assistência farmacêutica (BRASIL, 2011). Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde65/237 Dentre as prioridades listadas pela ANPPS, a informática aparece tanto como “bioinformática” relacionada principalmente à assistência em saúde, quanto na gestão da informação e educa- ção em saúde. Um exemplo de nicho relacionado à assistência em saúde é exemplificada a seguir (BRASIL, 2011, p. 34): “Desenvolvimento, produção e aprimoramento de equipamentos e dispositivos nas seguintes áreas estratégicas: biomateriais; engenharia de tecidos; órteses e próteses; instrumental para a área da Saúde; equipamentos de alta, média e baixa complexidade para a área da Saúde; artigos e materiais de uso hospitalar; tecnologia em reabilitação; tecnologia em bioinformática e tecnologia hospita- lar”. Observadas, portanto, as amplas dimensões das áreas férteis para o desenvolvimento da Ciên- cia, Tecnologia e Inovação em saúde, fica evidente que a informática é um instrumento potencial para se alcançar os princípios objetivados pela PNCTIS. 3. Evolução histórica e desdobramentos da informática na saúde A utilização de informática na saúde nasceu no seio dos centros universitários, principalmen- te do Sul e Sudeste do Brasil (SABBATINI, 2004). A incorporação da informática no trabalho em Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde66/237 Com a incorporação da informática na saú- de, surgem novas definições e conceitos re- lacionados ao uso desta tecnologia. Neste cenário, o termo e-saúde emerge, referin- do-se, de forma geral, ao uso de tecnologia da informação e informática para a melho- ria das condições de saúde (BRASIL, 2011). Sua definição passa por discrepâncias teó- ricas, sendo que para alguns autores o ter- saúde iniciada entre os anos 1970 e 1980, através do conceito de Sistema Nacional de Inovação em Saúde (SNIS), passou por um aumento importante em 1990 (CAVALCAN- TE et al., 2011; SABBATINI, 2004; TENÓRIO; MELLO; VIANA, 2017). Marcos legislatórios como a própria PNCTIS e a Política Nacio- nal de Informação em Saúde (PNISS), que será aprofundada posteriormente, estabe- leceram metas para o avanço do SUS, para a incorporação da informática na saúde e para a inclusão digital. Link MARIN, H. F.; CUNHA, I. C. K. O. Perspectivas atu- ais da Informática em Enfermagem. Rev. Bras. En- ferm., v. 59, n. 3, p. 354-7, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/reben/v59n3/ a19v59n3> Acesso em 19 jun. 2017. Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde67/237 mo pode ser sinônimo de informática em saúde, enquanto outros autores a limitam ao uso de internet para o apoio da prática em saúde. Os desdobramentos, por catego- ria temática, do termo e-saúde serão vistos nas próximas aulas, entretanto, é necessá- rio compreender que cada processo de tra- balho existente na saúde pode ser influen- ciado pela informática, seja em maior ou menor grau. Acerca desta temática, Cavalcante et al. (2011), estudando os avanços na utilização de recursos computacionais na saúde, ob- servaram três grandes frentes de evolução: a. O ensino e pesquisa: Esta foi a frente mais expressi- va. Recursos tecnológicos aqui elencados objetivam o apoio aos discentes e docentes para atingir seus objetivos de aprendiza- gem. Foram observados como principais recursos empregados: “implantação de disciplinas curriculares, utilização de softwares e outros recursos tecnoló- gicos, como a internet e suas possibilidades” (CA- VALCANTE, 2011, p. 132). b. A gestão: Esta frente ob- jetiva apoiar o trabalho ge- rencial nos serviços e pro- fissões de saúde. Foram observados como princi- pais recursos empregados: Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde68/237 “desenvolvimento de sof- twares para elaboração de escalas de funcionários e outros sistemas de infor- mação que promovam o suporte à tomada de deci- sões gerenciais” (CAVAL- CANTE, 2011, p. 132). c. A assistência: Esta fren- te objetiva apoiar o traba- lho assistencial em saúde. Foram observados como principais recursos empre- gados: “desenvolvimen- to de softwares voltados à operacionalização das etapas” da assistência. Por exemplo, os softwares de apoio à Sistematização da Assistência de Enfer- magem. Um fato curioso acerca desta frente é que “verifica-se que a atenção primária à saúde possui um número de experiên- cias bem inferior quando comparado com os níveis secundário e terciário” (CAVALCANTE et al., 2011, p. 133). 4. Refletindo sobre alguns desa- fios atuais Neste momento da disciplina introduzire- mos alguns pontos de reflexão sobre o uso Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde69/237 de recursos de informática na saúde. É importante destacar que os desafios inerentes de cada recurso específico serão retomados em outros momentos. Entretanto, objetiva-se com esta pri- meira discussão a sensibilização quanto aos desafios globais existentes. Link CASTIEL, L. D.; VASCONCELLOS-SILVA, P. R. A interface Internet/saúde: perspectivas e desafios. Interface – Comunic., Saúde, Educ, v. 7, n. 13, p. 47-64, 2003. Disponível em: <http://www.scielosp.org/pdf/icse/ v7n13/v7n13a03.pdf>Acesso em 20 jun. 2017. D’AGOSTINO, M. Eletronic health strategies in the Americas: current situation and perspectives. Rev. Peru Med Exp Salud Publica, v. 32, n. 2, p. 352-355, 2015. Disponível em: <http://www.rpmesp.ins.gob.pe/ index.php/rpmesp/article/view/1631/1604.pdf> Acesso em 20 jun. 2017. A caracterização das experiências identificadas por Cavalcante (2011) expõe que grande parte delas é oriunda de docentes vinculados a universidades e não a profissionais vinculados a ser- viços de saúde. Neste sentido, tendo como base este estudo atual e o contexto histórico sobre a influência dos centros universitários para a utilização de informática na saúde, assinala-se como Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde70/237 um grande desafio atual avaliar o quanto tais experiências realmente são incorpora- das na prática profissional em saúde. Neste sentido, quando falamos de incor- porar um novo instrumento ao processo de trabalho, é preciso lembrar que este proces- so tem como agente um profissional com suas qualidades e limitações. Neste senti- do, a rápida incorporação da informática no processo de trabalho e a maneira impositiva em que esta inserção se deu historicamen- te reflete em uma baixa assimilação de seus valores e objetivos por parte destes agen- tes (PERES; KURCGANT, 2004). É comum encontrar na literatura científica casos em que houve uma subutilização de recursos tecnológicos no processo de trabalho devi- do à falta de engajamento dos profissionais em questão. Torna-se, portanto, desafiador apropriar o sujeito, agente do processo de trabalho, com relação à informática. Ademais, novas perspectivas sempre car- regam novos desafios. Recursos de infor- mática agregam novos desafios no sentido de operacionalizar um ambiente seguro, completo e confiável dentro dos ambientes virtuais e do ciberespaço. A avaliação dos recursos desenvolvidos torna-se essencial para que eles reflitam na facilitação do pro- cesso de trabalho em saúde e garantam re- sultados positivos. Elencam-se, portanto, como principais de- safios da informática em saúde: • Aproximação da teoria à prática, com a consequente incorporação destas Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde71/237 tecnologias na práxis em saúde. • Necessidade de se avaliar cada passo de incorporação, garantindo sua validação pelos agentes de saúde. É importante, ainda, que as mudanças ocorridas no processo de trabalho a partir desta nova tecnologia sejam monitoradas e discutidas entre estes grupos, assim como a garantia de tecno- logias cada vez mais completas, confiáveis e seguras. Para saber mais O ciberespaço é compreendido como “o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunica- ção digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo” (LÉVY, 1999, p. 17). Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde72/237 Neste contexto, a segurança de uma mídia eletrônica consiste em sua capacidade de gerenciar riscos, ou seja, um sistema se- guro possivelmente estará menos suscetí- vel a acessos desautorizados e/ou ataques mal-intencionados (PRESSMAN, 2011). Já a confiabilidade diz respeito à sua capacida- de de manter seu funcionamento adequa- damente sem falhas (ABNT, 2003). Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde73/237 Glossário Políticas públicas: São “conjuntos de programas, ações e atividades desenvolvidas pelo Esta- do diretamente ou indiretamente, com a participação de entes públicos ou privados, que visam assegurar determinado direito de cidadania, de forma difusa ou para determinado segmento social, cultural, étnico ou econômico”. (BRASIL, s/d, p.1). Pluralidade: Do latim (pluralĭtas,ātis), diz respeito a “fato de existir em grande quantidade, de não ser único; multiplicidade, diversidade” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Ambiente Virtual: Aquele ambiente “fisicamente inexistente, e sim criado por programas de computação, para parecer real aos sentidos” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Bioinformática: Diz respeito à informática quando aplicada à análise e modelação de dados obtidos de pesquisas biológicas ou da área da saúde (HOUAISS et al., 2009, s/p). Questão reflexão ? para 74/237 Com base nos tópicos que você estudou hoje e em sua experiência com o uso de recursos de informática em seu local de trabalho, reflita: Quais os desafios e limita- ções que devem ser levados em consideração no desen- volvimento e implementação destes instrumentos? 75/237 Considerações Finais • Os serviços de saúde são os estabelecimentos destinados a promover a saúde, prevenir a do- ença, limitar danos e reabilitar o paciente quando sua capacidade física, psíquica ou social for afetada. Nos serviços de saúde é que o trabalho em saúde é realizado. • A PNCTIS pauta-se no compromisso político e ético com a produção e com a apropriação de conhecimentos e tecnologias que contribuam para a redução das desigualdades sociais em saúde, em consonância com o controle social. • Para operacionalizar e priorizar ações, conjuntamente com a PNCTIS, foi criada a ANPPS, que estabeleceu 24 agendas específicas para a pesquisa em saúde. • A e-saúde surge embasada na percepção do apoio da tecnologia para melhorar as condições de saúde da população. Sua definição passa por discrepâncias teóricas, sendo que pode signi- ficar informática em saúde para alguns autores, enquanto outros a limitam ao uso de internet para o apoio da prática em saúde. Desta forma, é inegável que os recursos tecnológicos in- fluenciam o trabalho em saúde em diferentes graus. 76/237 • Observa-se como desafios inerentes do uso de informática na saúde: avaliar o quanto tais ex- periências realmente são incorporadas na prática profissional em saúde; apropriar o sujeito, agente do processo de trabalho, com relação à informática; operacionalizar um ambiente se- guro, completo e confiável dentro dos ambientes virtuais e do ciberespaço; entre outros. Considerações Finais Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde77/237 Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISO/IEC 9126-1: Engenharia de software: qualidade de produto: Parte 1: modelo de qualidade. Rio de Ja- neiro, 2003. BRASIL. Secretaria do Meio Ambiente e recursos hídricos do Paraná. O que são políticas públi- cas? s/p. Disponível em: <http://www.meioambiente.pr.gov.br/arquivos/File/coea/pncpr/O_que_ sao_PoliticasPublicas.pdf> Acesso em 20 jun. 2017. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 1988. Disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm> Acesso em 19 jun. 2017. BRASIL. Agência da Vigilância Sanitária (ANVISA). Tecnologia da Organização dos Serviços de saúde. 2002. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/organiza/index.htm> Acesso em 19 jun. 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional de ciência, tecnologia e inovação em saúde. 2. ed.– Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2008. 44 p. BRASIL. Ministério da Saúde. Agenda nacional de prioridades de pesquisa em saúde. 2. ed., 3. reimpr. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2011. 68 p. Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde78/237 CASTIEL, L. D.; VASCONCELLOS-SILVA, P. R. A interface Internet/saúde: perspectivas e desafios. Interface – Comunic., Saúde, Educ, v. 7, n. 13, p. 47-64, 2003. Disponível em: <http://www.scie- losp.org/pdf/icse/v7n13/v7n13a03.pdf> Acesso em 20 jun. 2017. CAVALCANTE, R. B. et al. Experiências de informatização em enfermagem no Brasil: um estudo bibliográfico. J. Health Inform. v. 3, n. 3, p. 130-4, 2011. D’AGOSTINO,M. Eletronic health strategies in the Americas: current situation and perspectives. Rev. Peru Med Exp Salud Publica, v. 32, n. 2, p. 352-355, 2015. Disponível em: <http://www.rp- mesp.ins.gob.pe/index.php/rpmesp/article/view/1631/1604.pdf> Acesso em 20 jun. 2017. HOUAISS, A. et al. Dicionário Houaiss Da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. CD-ROM. LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. 260 p. MARIN, H. F.; CUNHA, I. C. K. O. Perspectivas atuais da Informática em Enfermagem. Rev. Bras. Enferm., v. 59, n. 3, p. 354-7, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/reben/v59n3/ a19v59n3> Acesso em 19 jun. 2017. PERES, H. H. C.; KURCGANT, P. O ser docente de enfermagem frente à informática. Rev. Latino- -Am. Enfermagem. v. 12, n.1, pp. 101-108. 2004. Referências Unidade 3 • Conhecendo os cenários e desdobramentos da informática nos serviços de saúde79/237 PRESSMAN, R. S. Engenharia de Software – Uma abordagem professional. 7. edição. Editora ARTMED. 2011. 780 p. SABBATINI, R. M. E. História da Informática em Saúde no Brasil. 2004. Disponível em: <http:// sites.ffclrp.usp.br/ceib/texto5.php> Acesso em 19 jun. 2017. TENÓRIO, M; MELLO, G. A.; VIANA, A. L. A. Políticas de fomento à ciência, tecnologia e inovação em saúde no Brasil e o lugar da pesquisa clínica. Ciência & Saúde Coletiva, v. 22, n. 5, p. 1441- 1454, 2017. Referências 80/237 Assista a suas aulas Aula 3 - Tema: Conhecendo os Cenários e Des- dobramentos da Informática nos Serviços de Saúde. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ e7a378dbd0bc4d7b36492005be6ab350>. Aula 3 - Tema: Conhecendo os Cenários e Des- dobramentos da Informática nos Serviços de Saúde. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ ac764f6380f42b831e9aa45a6b869118>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/e7a378dbd0bc4d7b36492005be6ab350 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/e7a378dbd0bc4d7b36492005be6ab350 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/e7a378dbd0bc4d7b36492005be6ab350 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ac764f6380f42b831e9aa45a6b869118 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ac764f6380f42b831e9aa45a6b869118 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ac764f6380f42b831e9aa45a6b869118 81/237 1. Sobre os serviços de saúde, leia as proposições abaixo e as julgue como verdadeiras (V) ou falsas (F): ( ) Serviço de saúde é o local destinado a promover a saúde do indivíduo desde a promoção da saúde até a reabilitação quando a capacidade física, psíquica ou social for afetada. ( ) Serviços de saúde e serviços de interesse à saúde são sinônimos. ( ) São exemplos de serviços de saúde: farmácias, óticas, empresas de esterilização de pro- dutos. Assinale a alternativa correta: a) F, F, F. b) V, F, F. c) V, V, V d) F, V, V. e) V, F, V. Questão 1 82/237 2. Leia atentamente as proposições sobre a Política Nacional de Ciência, Tec- nologia e Inovação em Saúde (PNCTIS): I – É pautada no artigo 200, inciso V, da Constituição, estabelecendo que cabe ao SUS incre- mentar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e tecnológico. II – Tem suas práticas no compromisso ético e político, com redução das desigualdades so- ciais e controle social. III – Estabelece 59 estratégias de ação. Assinale a alternativa que contém todas as proposições corretas: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I, II, III. Questão 2 83/237 3. Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma estratégia da Política Nacio- nal de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PNCTIS): Questão 3 a) Criação do sistema nacional de inovação em saúde. b) Construção da agenda nacional de prioridades de pesquisa em saúde. c) Criação de mecanismos para superação das desigualdades regionais. d) Emancipação da tecnologia com relação à capacidade regulatória do Estado. e) Participação e fortalecimento do controle social. 84/237 4. Considere as proposições acerca dos princípios que regem a Política Na- cional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PNCTIS): I – Diminuir as formas de desigualdade e discriminação. II – Diminuir as pluralidades filosóficas e metodológicas. III – Diminuir o controle social. Assinale a alternativa que contém todas as proposições corretas: Questão 4 a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) I, II, III. 85/237 5. Conjuntamente com a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PNCTIS) foi criada qual outra política pública no ano de 2004? Questão 5 a) Sistema Único de Saúde (SUS). b) Agenda Nacional de Prioridades na Pesquisa em Saúde (ANPPS). c) Sistema Nacional de Inovação em Saúde (SNIS). d) Política Nacional de Informação em Saúde (PNISS). e) Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI). 86/237 Gabarito 1. Resposta: B. Serviço de saúde é o local destinado a pro- mover a saúde do indivíduo desde a pro- moção da saúde até a reabilitação quando a capacidade física, psíquica ou social for afetada. Serviços de saúde e serviços de in- teresse à saúde NÃO são sinônimos, sendo exemplos de serviços de interesse à saúde: farmácias, óticas, empresas de esterilização de produtos. 2. Resposta: D. É pautada no artigo 200, inciso V, da Cons- tituição, estabelecendo que cabe ao SUS incrementar em sua área de atuação o de- senvolvimento científico e tecnológico. Tem suas práticas no compromisso ético e polí- tico, com redução das desigualdades sociais e controle social. Estabelece oito principais estratégias de ação. 3. Resposta: D. Uma das estratégias é justamente o contrá- rio do exposto na alternativa D: “aprimora- mento da capacidade regulatória do Estado e criação de rede nacional de avaliação tec- nológica”. 4. Resposta: A. São princípios da PNCTIS: Diminuir as for- mas de desigualdade e discriminação. As- segurar as pluralidades filosóficas e meto- dológicas. Aumentar o controle social. 87/237 5. Resposta: B. Em 2004, visando estabelecer prioridades e concretizar as estratégias propostas pela PNCTIS, foi estabelecida a ANPPS. Gabarito 88/237 Unidade 4 Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de tra- balho em saúde Objetivos • Introduzir os conceitos relacionados à tecnologia da informação e comunicação. • Conhecer a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNISS). • Refletir sobre o papel das TICS no processo de trabalho em saúde. Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 89/237 1. Introdução Ao pensar sobre o trabalho em saúde, a in- formação toma um lugar central na discus- são. Nos processos de trabalho da equipe de saúde troca-se informações a todo o tempo e com diferentes atores. Desta for- ma, diz-se que a informação em saúde é heterogênea (BRASIL, 2016), tendo em vis- ta que é coletada por diversos profissionais (enfermeiros, médicos, nutricionistas etc.) e em diferentes momentos (consultas, inter- nações e administração de medicamentos, por exemplo). Quando falamos do trabalho em saúde, ain- da é preciso refletir sobre o papel da infor- mação para a garantia de outras dimensões do trabalho em saúde para além da ativi- dade assistencial. Neste sentido, a função gerencial em saúde, por exemplo, objetiva a manutenção da dinâmica organizacional e garantia do sucesso empresarial (DAVEL; MELO, 2005), sendo que, para isso, um ges- tor lidera equipes, toma decisões e medeia conflitos internos e externos. Para que estas ações ocorram, um bom gestor em saúde deve estar atento a todas as melhores infor- mações sobre a organização que gerencia (DAVEL;ROCHEBRUNE apud DAVEL; MELO, 2005). Neste cenário, sem dúvidas, gerir a informação de uma maneira eficiente tam- bém é fundamental para o sucesso do tra- balho gerencial em saúde e seu reflexo po- sitivo na qualidade da assistência prestada. Tendo em vista a enorme quantidade de in- formações geradas pelo trabalho em saú- de, sua heterogeneidade e a importância da gestão dessa informação para prestar Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 90/237 um serviço de qualidade, utilizar recursos tecnológicos para apoiar esta gestão é uma prática cada vez mais comum entre as or- ganizações em saúde. E será este o tema da aula de hoje! 2. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e os siste- mas de Informação em saúde Emergem da necessidade de que as infor- mações relevantes fluam dentro de um ser- viço de saúde de maneira rápida e eficien- te. Ferramentas conhecidas como TICs, que têm como função agrupar e distribuir informações, buscam tornar esse acesso ágil e menos hierarquizado, diminuindo as distâncias geográficas e agregando profis- sionais e processos (CAETANO; MALAGUT- TI, 2012). O uso das TICs favorece o cuidado em saúde através de diferentes perspecti- vas, integrando os profissionais de diferen- tes áreas do saber, e favorece a autonomia e o empoderamento do paciente e da socie- dade em geral. Link VILARINHO-REZENDE et al. Relação en- tre Tecnologias da Informação e Comuni- cação e Criatividade: Revisão da Literatu- ra. 2016. Disponível em: <http://www. scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi- d=S1414-98932016000400877>. Acesso em: 22 mar. 2017. As TICs podem ser agrupadas em três gru- Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 91/237 pos (CAETANO; MALAGUTTI, 2012): as me- diadas por computadores, as relacionadas às telecomunicações e as associadas ao conceito de redes. Abaixo seguem exemplos das três categorias existentes. Ressalta-se que neste momento da disciplina o foco é a compreensão da existência das categorias, e os exemplos aqui citados terão seus con- ceitos, objetivos e formatos aprofundados em outros momentos da disciplina: a. TICs mediadas por computadores. Exemplo: softwares e bibliotecas vir- tuais. b. TICs relacionadas às telecomunica- ções. Exemplo: telesaúde e consulto- rias via telefone. c. TICs associadas às tecnologias de co- municação em rede. Exemplo: TICs baseadas na web e nas redes sociais. Desta forma, podemos compreender que todos os recursos tecnológicos que obje- tivam transmitir ou agrupar algum tipo de informação são considerados “TIC”. Na aula de hoje, falaremos especificamente sobre um tipo de TIC: os sistemas de informação em saúde. Um sistema de informação (SI) é “um siste- ma que coleta, processa, armazena, analisa e dissemina dados e informações para um propósito específico” (TURBAN et al., 2007 apud VALLE et al., 2010, s/p). Desta forma, um sistema de informação objetiva facilitar a gestão eficiente da informação. Acerca de suas vantagens, Valle et al. (2010, s/p) iden- tificam: Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 92/237 Melhor eficiência, maior controle sobre as opera- ções, menores custos, me- nor quantidade de erros, melhoria dos serviços ao consumidor, melhor pla- nejamento e organização das atividades operacio- nais e de distribuição, de- cisões baseadas em me- lhores informações, menor dependência de processos intensivos em mão de obra não especializada. Neste contexto, os Sistemas de Informações em Saúde (SIS) caracterizam-se como sis- temas de informação voltados para a área da saúde. São definidos pelo Ministério da Saúde como “instrumentos padronizados de monitoramento e coleta de dados, que têm como objetivo o fornecimento de in- formações para análise e melhor compre- ensão de importantes problemas de saúde da população” (BRASIL, 2008, s/p). Estes sistemas são implementados em organiza- ções públicas e privadas objetivando em- basar a tomada de decisões, contribuindo para o sucesso de um cuidado em saúde de qualidade. É preciso lembrar, conforme ex- plicitado na introdução desta aula, que o processo de trabalho em saúde envolve não só a assistência em si, mas também os ou- tros processos que intermedeiam essa ação final, como a gestão em saúde, a pesquisa e a educação em saúde (MARIN, 2010) e que os SIS sustentam, portanto, o planejamen- Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 93/237 to, aperfeiçoamento e processo decisório envolvido em todos estes âmbitos. 3. A Política Nacional de Infor- mação e Informática em Saúde (PNISS) Para estudarmos os SIS utilizaremos como referencial teórico a Política Nacional de In- formação e Informática em Saúde (PNIIS). Esta política objetiva “promover o uso ino- vador, criativo e transformador da tecnolo- gia da informação a fim de melhorar os pro- cessos de trabalho em saúde”, e para isso prevê diretrizes e normas para orientar as instituições de saúde inclusas no SUS quan- to às TICs e SIS, tendo como suas principais esferas (BRASIL, 2016, p. 7): A intervenção tanto a consciência subjetiva do cidadão e o exercício do controle social, quanto o atendimento às comple- Para saber mais Fique atento, alguns autores descrevem na litera- tura científica os SIS informatizados como regis- tros eletrônicos de saúde, registro médico eletrô- nico, prontuário eletrônico, entre outros (MARIN, 2010). Faça um exercício, procure alguns artigos científicos sobre este tema, você pode aprofun- dar seus conhecimentos sobre como se dá a im- plementação destes sistemas, suas facilidades e desafios, entre outros. Experiências sobre a implantação de SIS nos serviços de saúde têm mostrado resultados positivos e potentes. Pensando nisso, ini- ciativas, tanto públicas, quanto privadas, têm priorizado a elaboração destas ferra- mentas. Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 94/237 xas estratégias de decisão do gestor público de saú- de, de desenvolvimento tecnocientífico e de arti- culação da saúde com as demais políticas sociais e econômicas do país. Dentro da PNIIS as ações de informatização são categorizadas em: “Governo Eletrônico (e-Gov), e-Saúde, que inclui o Registro Ele- trônico em Saúde (RES), gestão da PNIIS e formação de pessoal em informação e in- formática em saúde”, sendo que tais ações podem acontecer em distintos níveis de atenção à saúde. É importante ressaltar, neste momento, que a organização destes sistemas leva em consideração o nível de atenção à saúde e a configuração das Redes de Atenção à saúde (RAS), propostas pelo SUS. Os níveis de atenção à saúde são classifi- cados de acordo com o nível de complexi- dade das ações desenvolvidas e ao grau de incorporação tecnológica, sendo três deles: primário (exemplo: Estratégia de Saúde da Link CAVALCANTE, R. B.; PINHEIRO, M. M. K. Contex- to atual da construção da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde. 2013. Dis- ponível em: <http://enancib.ibict.br/index. php/enancib/xivenancib/paper/viewFi- le/4644/3767> Acesso em 26 jun. 2017. Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 95/237 Família, Unidades Básicas de Saúde etc.), secundário (exemplo: Hospitais Gerais) e terciário (Hospitais de Especialidades, por exemplo: Centros de Referência em Onco- logia, Neurologia, Cardiologia, Queimadu- ras.). Em adição, as RAS são definidas por Mendes (2010, p. 2003) como “organiza- ções poliárquicas de conjuntos de serviços de saúde, vinculados entre si (...) que per- mitem ofertar umaatenção contínua e in- tegral a determinada população” de forma coordenada. As RAS foram implementadas pela Portaria nº 4.279/2010 do Ministério da Saúde, sendo seu principal objetivo tor- nar a produção em saúde e sua gestão mais eficaz, contribuindo para o avanço do pro- cesso de efetivação do SUS (BRASIL, 2010). 4. Refletindo sobre experiências de informatização da gestão de informação Primeiramente, apresentaremos algumas experiências da implementação de ações Para saber mais Você pode conhecer melhor as RAS e sua implan- tação que tem acontecido desde o ano de 2011. Embora a implantação não tenha sido fácil, as re- des: Cegonha, de Atenção às Urgências e Emer- gências, de Atenção Psicossocial, de Cuidado à Pessoa com Deficiência e de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas já foram imple- mentadas com sucesso (BRASIL, 2014). Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 96/237 do PNIIS. Múltiplos sistemas de informação públicos têm sido implementados pensan- do-se na construção de uma grande rede de informações em saúde, sendo alguns exem- plos listados a seguir: • O Sistema de Informações sobre Mor- talidade (SIM) dispõe de dados de mortalidade consolidados nacional- mente desde 1979. • O Sistema de Informações sobre Nas- cidos Vivos (Sinasc) funciona desde 1990, contendo dados sobre a gravi- dez, parto e condições da criança ao nascer. • O Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) agrega dados do sistema de vigilância epidemioló- gica, principalmente acerca de doen- ças de notificação compulsória. • O Sistema de Informações Hospitala- res do SUS (SIH/SUS) transcreve todos os atendimentos provenientes de in- ternações hospitalares. • O Sistema de Informações Ambula- toriais do SUS (SIA/SUS), criado em 1992, transcreve todos os atendi- mentos provenientes de atendimen- tos ambulatoriais. • O Sistema de Informações do Progra- ma Nacional de Imunização (SI-PNI), através do registro das informações do PNI, possibilita aos gestores a ava- liação dinâmica do risco quanto à ocorrência de surtos ou epidemias. Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 97/237 Além destes sistemas nacionais, outras ex- periências têm se mostrado positivas na li- teratura científica. Organizações públicas e privadas têm investido recursos na imple- mentação de Sistemas de Informações. A implementação destes sistemas deve estar alinhada com a filosofia organizacional e a estratégia de negócio e os gestores e tra- balhadores envolvidos no processo devem apropriar-se tanto dos campos de TI quan- Para saber mais Eu posso ter acesso a estas informações em saúde? Sim, estas informações são de domínio público. Faça um exercício: Conheça as principais bases, busque dados públicos de pelo menos um SIS do SUS que esteja próximo à sua realidade profissional. Para isso, utilize o link: Portal da Saúde. Disponível em: <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=02>. Acesso em: 26 jun. 2017. to dos pormenores da instituição para seu sucesso. Tais sistemas podem apoiar dife- rentes etapas e processos dentro da or- ganização. Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 98/237 Link LABBARDIA, L. L. et al. Sistema Informatizado para Gerenciamento de Indicadores da Assistência de Enfer- magem do Hospital São Paulo. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo, v. 45, n. 4, p. 1013-1017, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342011000400032>. Acesso em: 26 jun. 2017. POMPERMAYER, C.B. Sistemas de Gestão de Custos: Dificuldades na implantação. Rev. FAE, Curitiba, v. 2, n. 3, set./dez., p. 21-28, 1999. Disponível em: <https://revistafae.fae.edu/revistafae/article/ view/524> Acesso em: 26 jun. 2017. PIERANTONI, C. R.; VIANNA, A. L. Avaliação de Processo na Implementação de Políticas Públicas: a Im- plantação do Sistema de Informação e Gestão de Recursos Humanos em Saúde (SIG-RHS) no Contexto das Reformas Setoriais. PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p.59-92, 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/physis/v13n1/a04v13n1.pdf>. Acesso em: 26 jun. 2017. Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 99/237 Desta forma, nota-se que o processo de trabalho em saúde, tanto na sua dimensão assistencial, quanto gerencial e educacio- nal, tem sido influenciado pelo uso de tec- nologia. Dentro deste cenário, a cultura de segurança do paciente, a comunicação e a busca por melhoria contínua são direta- mente influenciadas pelo uso de tecnolo- gia. As inovações tecnológicas favorecem a identificação do paciente. A comunicação entre os profissionais de saúde, o registro fidedigno da assistência prestada, assim como o agrupamento e recuperação da in- formação gerenciada, favorecem o desen- volvimento de indicadores, taxas e outras informações visuais que apoiem a gestão em saúde. Além disso, as novas tecnologias flexibilizam atividades como as ações de educação em saúde, possibilitando novas abordagens metodológicas. Todas estas iniciativas modificam o proces- so de trabalho dos profissionais de saúde, assim como possuem um impacto direto na qualidade da assistência prestada e, mais além, globalmente nas questões nevrálgicas da saúde de nossa sociedade. Este impacto deve ser avaliado e refletido tanto em seu âmbito positivo quanto no negativo, para que estes sistemas apoiem estas ações sem causar danos aos trabalhadores e clientes em saúde. Estudos devem ser conduzidos para avaliar como a implementação destes sistemas se dá, quais as dificuldades que enfrenta, quais os impactos reais no pro- cesso de trabalho e na saúde do trabalha- dor, quais suas vantagens para a qualidade Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 100/237 do trabalho prestado, entre outras inquie- tações que são levantadas pelo uso destas tecnologias. Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 101/237 Glossário Implantação: Pode significar “iniciar e promover o desenvolvimento de (algo ou de si mesmo); estabelecer(-se), fixar(-se)” (HOUAISS et al., 2009, s/p). É um processo que pode ser estabeleci- do de diversas formas, das mais rígidas às mais flexíveis. Indicadores: São “medidas que expressam ou quantificam um insumo, um resultado, uma ca- racterística ou o desempenho de um processo, serviço, produto ou organização, gerando infor- mações úteis à tomada de decisão” (BRASIL, s/d). Ações: Do latim (actĭo,onis), pode significar “atividade prática, concreta, que intervém no real em contraste à passividade de uma atitude puramente especulativa ou teórica” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Questão reflexão ? para 102/237 Tomando como base o excerto abaixo retirado do estudo de Labbar- dia (2011, p. 1017), os tópicos que você estudou hoje e em sua ex- periência com o uso de recursos de informática na gestão de infor- mações, reflita: Quais desafios e limitações devem ser levados em consideração no desenvolvimento e implementação destes instru- mentos? Ele possui um impacto real no trabalho em saúde? Quais os possíveis desafios de sua implantação e utilização do ponto de vista do profissional de saúde como agente do processo de trabalho? Reunindo muitos benefícios, o Sistema Informa- tizado de Indicadores (...) destaca-se por armaze- nar dados pertinentes aos processos assistenciais (...). Estes poderão ser consultados em tempo real e impressos no momento necessário. Tais recursos Questão reflexão ? para 103/237 poderão ser utilizados, (...) [como] uma moderna ferramentade trabalho, capaz de mensurar e con- tribuir para a qualidade de seu serviço. (...) No en- tanto, serão necessários mais estudos a fim de ava- liar e comprovar a eficácia deste sistema, analisar a sua utilização (...) e sensibilizá-la [a equipe] quan- to à importância da utilização dos indicadores no processo de trabalho, contribuindo para a melhoria contínua do cuidado ao paciente. 104/237 Considerações Finais • A informação é imprescindível para a qualidade das ações em saúde. Nos processos de traba- lho da equipe de saúde troca-se informações a todo o tempo e com diferentes atores, sendo esta informação caracterizada como heterogênea. • Tendo como contexto a massiva quantidade de informações geradas pelo trabalho em saúde, sua heterogeneidade e a importância da gestão dessa informação para prestar um serviço de qualidade, utilizar recursos tecnológicos para apoiar esta gestão é uma prática cada vez mais comum entre as organizações em saúde. • As tecnologias de informação e comunicação (TICs) caracterizam-se como estas ferramentas que objetivam agrupar e distribuir informações, buscando tornar esse acesso ágil e menos hierarquizado, diminuindo as distâncias geográficas e agregando profissionais e processos. • Dentro das TICs, os Sistemas de Informação (SI) são aquelas tecnologias que “coletam, proces- sam, armazenam, analisam e disseminam dados e informações para um propósito específico” (TURBAN et al., 2007 apud VALLE et al., 2010, s/p). 105/237 • Os SIS são aqueles SI voltados para o trabalho em saúde. Dentro das organizações sua imple- mentação tem se popularizado cada vez mais. Neste sentido, políticas públicas como a Política Nacional de Informação e Informática em saúde (PNIIS) fomentam cada vez mais experiências com recursos tecnológicos na gestão da informação dos serviços de saúde. Considerações Finais Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 106/237 Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Indicadores. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/in- dex.php/o-ministerio/principal/siops/mais-sobre-siops/6092-indicadores>. Acesso em: 26 jun. 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Informações estratégicas: Sistemas de Informação. 2008. Disponí- vel em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/svs/inf_sist_informacao.php>. Acesso em: 22 mar. 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece di- retrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: <http://conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2011/img/07_jan_porta- ria4279_301210.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Implantação das Redes de Atenção à Saúde e outras estratégias da SAS, Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 160p. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Informação e Informática em Saúde. 2016. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_infor_informati- ca_saude_2016.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2017. CAETANO, K. C.; MALAGUTTI, W. Informática em saúde: uma perspectiva multiprofissional dos usos e possibilidades. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora; 2012. Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 107/237 CAVALCANTE, R. B.; PINHEIRO, M. M. K. Contexto atual da construção da Política Nacional de Informação e Informática em Saúde. 2013. In: XIV Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB 2013). Disponível em: <http://enancib.ibict.br/index.php/enancib/xi- venancib/paper/viewFile/4644/3767> Acesso em 26 jun. 2017. DAVEL, E.; MELO, M. C. O. L.; Gerência em ação: singularidades e dilemas do trabalho gerencial. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005, 340p. HOUAISS, A. et al. Dicionário Houaiss Da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. CD-ROM. LABBARDIA, L. L. et al. Sistema Informatizado para Gerenciamento de Indicadores da Assis- tência de Enfermagem do Hospital São Paulo. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo, v. 45, n. 4, p. 1013-1017, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi- d=S0080-62342011000400032>. Acesso em: 26 jun. 2017. MARIN, E. F. Sistemas de informação em saúde: considerações gerais. J. Health Inform., v. 2, n. 1, p. 20-4, Jan-Mar 2010. Disponível em: <http://www.jhi-sbis.saude.ws/ojs-jhi/index.php/jhi-sbis/ article/view/4/52> Acesso em 22 mar. 2017. Referências Unidade 4 • Utilização das tecnologias da informação no contexto das práticas de saúde e no processo de trabalho em saúde 108/237 PIERANTONI, C. R.; VIANNA, A. L. Avaliação de Processo na Implementação de Políticas Públicas: a Implantação do Sistema de Informação e Gestão de Recursos Humanos em Saúde (SIG-RHS) no Contexto das Reformas Setoriais. PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 59-92, 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/physis/v13n1/a04v13n1.pdf>. Acesso em: 26 jun. 2017. POMPERMAYER, C. B. Sistemas de Gestão de Custos: Dificuldades na implantação. Rev. FAE, Curi- tiba, v. 2, n. 3, set./dez., p. 21-28, 1999. Disponível em: <https://revistafae.fae.edu/revistafae/arti- cle/view/524> Acesso em: 26 jun. 2017. VALLE, A. B.; et al. Sistemas de informações gerenciais em organizações de saúde. 1ª Edição. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010. VILARINHO-REZENDE et al. Relação entre Tecnologias da Informação e Comunicação e Criati- vidade: Revisão da Literatura. Psicol. cienc. prof. vol.36 no.4 Brasília Oct./Dec. 2016. Disponí- vel em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932016000400877>. Acesso em: 22 mar. 2017. Referências 109/237 Assista a suas aulas Aula 4 - Tema: Utilização das Tecnologias da In- formação no Contexto das Práticas de Saúde e no Processo de Trabalho em Saúde. Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/62eb2c9b1b03304d7cc6ece2b930db92>. Aula 4 - Tema: Utilização das Tecnologias da In- formação no Contexto das Práticas de Saúde e no Processo de Trabalho em Saúde. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ d5fbfb6928d833ba010f6e6f9ede9891>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/62eb2c9b1b03304d7cc6ece2b930db92 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/62eb2c9b1b03304d7cc6ece2b930db92 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/62eb2c9b1b03304d7cc6ece2b930db92 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d5fbfb6928d833ba010f6e6f9ede9891 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d5fbfb6928d833ba010f6e6f9ede9891 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d5fbfb6928d833ba010f6e6f9ede9891 110/237 1. Sobre a informação em saúde, leia as proposições abaixo e as julgue como verdadeiras (V) ou falsas (F): ( ) É homogênea, tendo em vista que é coletada por diversos profissionais em diferentes momentos. ( ) É imprescindível para a melhor tomada de decisão em saúde. ( ) O uso de recursos tecnológicos para apoiar esta gestão é uma prática cada vez mais co- mum entre as organizações em saúde. Assinale a alternativa correta: a) F, F, F. b) V, F, F. c) V, V, V. d) F, V, V. e) V, F, V. Questão 1 111/237 2. Leia atentamente as proposições sobre a Política Nacional de Informa- ção e Informática em Saúde (PNIIS): I – É pautada no artigo 200, inciso V, da Constituição, estabelecendo que cabe ao SUS incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e tecnológico, e foi instituída em 2004 em conjunto com a Agenda de Prioridades de pesquisa em saúde. II – Objetiva promover o uso inovador, criativo e transformadorda tecnologia da infor- mação a fim de melhorar os processos de trabalho em saúde. III – Suas ações incluem: Governo Eletrônico (e-Gov), e-Saúde, que inclui o Registro Ele- trônico em Saúde (RES), gestão da PNIIS e formação de pessoal em informação e informá- tica em saúde. Assinale a alternativa que contém todas as proposições corretas: a) I. b) II. c) III. d) II e III. e) I, II, III. Questão 2 112/237 3. Assinale a alternativa que NÃO apresenta um exemplo de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC): a) Biblioteca Virtual. b) Sistema de Informação em Saúde. c) Prontuário Eletrônico do Paciente. d) Web aplicação de apoio assistencial. e) Pulseira de Identificação do paciente. Questão 3 113/237 4. Considere a manchete a seguir: O prontuário eletrônico do paciente é: a) Um sistema de informação em saúde informatizado. b) Um sistema de informação em saúde não informatizado. c) Uma web aplicação voltada para a configuração de rede social. d) Uma web aplicação para consultoria via telefone. e) Uma política pública de informatização da saúde. Questão 4 114/237 5. Considere as afirmações sobre os principais sistemas de informação em saúde (SIS) do Sistema Único de Saúde (SUS): I - O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) dispõe de dados de mortalidade consolidados nacionalmente desde 1979. II – O Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) contém dados sobre a gravidez, parto e condições da criança ao nascer. III - Os sistemas de informação em saúde objetivam a construção de uma grande rede de informações em saúde, sendo estes dados apenas para o uso interno dos gestores do SUS, ou seja, inacessíveis à população. Assinale a alternativa que contém todas as proposições CORRETAS: a) I. b) II. c) III. d) II e III. e) I, II, III. Questão 5 115/237 Gabarito 1. Resposta: D. É heterogênea, tendo em vista que é coleta- da por diversos profissionais em diferentes momentos. É imprescindível para a melhor tomada de decisão em saúde. O uso de re- cursos tecnológicos para apoiar esta gestão é uma prática cada vez mais comum entre as organizações em saúde. 2. Resposta: D. A Política retratada no item I é a Política Na- cional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PNCTIS). Assim, somente os itens II e III são realmente relacionados à PNISS. 3. Resposta: E. As TICs podem ser mediadas por compu- tadores (softwares, planilhas em excel, bi- bliotecas virtuais), relacionadas às teleco- municações (telesaúde) ou baseadas nas tecnologias de comunicação em rede (web aplicações). Desta forma, a única alternati- va que não se classifica como uma TIC é a pulseira de identificação do paciente. 4. Resposta: A. A literatura científica denomina os sistemas de informação em saúde informatizados de diversas formas, como: registros eletrônicos de saúde, registro médico eletrônico, pron- tuário eletrônico, entre outros. 116/237 5. Resposta: A. A proposição I está correta. A proposição II trata do Sistema de Informações sobre Nas- cidos Vivos (Sinasc) e não do SINAN, que agrega dados do sistema de vigilância epi- demiológica, principalmente acerca de do- enças de notificação compulsória. Com re- lação à proposição III, embora os sistemas de informação em saúde objetivem a cons- trução de uma grande rede de informações em saúde, os dados não são apenas para o uso interno dos gestores do SUS, ou seja, são acessíveis à população. Gabarito 117/237 Unidade 5 Inovações tecnológicas na segurança do paciente Objetivos • Introduzir os conceitos relacionados à Política Nacional de Segurança do Paciente. • Refletir sobre o papel das inovações tecnológicas associadas à informática neste contexto. Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente118/237 1. Introdução Na aula passada introduzimos o conceito de Tecnologias de Informação e Comuni- cação (TICs) como aqueles recursos tecno- lógicos que objetivam agrupar e distribuir informações, tornando esse acesso ágil e menos hierarquizado, diminuindo as dis- tâncias geográficas e agregando profissio- nais e processos (CAETANO; MALAGUTTI, 2012). As TICs impactam a forma de se tra- balhar em saúde. Neste momento da disci- plina, passaremos a estudar a relação entre estes recursos tecnológicos e a atenção em saúde de qualidade. O conceito de qualidade da assistência sur- ge em conjunto com a história das áreas do conhecimento da saúde, sendo incorporada ao cuidado em saúde e reforçada ao longo dos anos por grandes personagens da his- tória, como Hipócrates na medicina ou Flo- rence Nightingale na enfermagem (BRASIL, 2014). Entretanto, o conceito de “seguran- ça do paciente” apenas foi incorporado efe- tivamente entre os atributos para se medir Link ALBERTIM. Valor estratégico dos projetos de tecnologia de informação. 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pi- d=S0034-75902001000300005&script=s- ci_arttext&tlng=pt> Acesso em: 03 jun. 2017. Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente119/237 qualidade da assistência no século XX, pelo Instituto de Medicina (IOM) dos Estados Unidos da América (EUA). Para o IOM, quali- dade do cuidado passou a ser definida como “grau com que os serviços de saúde, volta- dos para cuidar de pacientes individuais ou de populações, aumentam a chance de produzir os resultados desejados e são con- sistentes com o conhecimento profissional atual” (CHASSIM, GALVIN, 1988, apud BRA- SIL, 2014). Neste sentido, a segurança do paciente foi definida como o atributo relacionado à ha- bilidade de “evitar lesões e danos nos pa- cientes decorrentes do cuidado que tem como objetivo ajudá-los” (CHASSIM, GAL- VIN, 1988, apud BRASIL, 2014). Desta forma, para mediarmos o conceito de qualidade da assistência, neste momento da disciplina utilizaremos o atributo de Segurança do Pa- ciente, a partir das definições, orientações e diretrizes do Programa Nacional de Segu- rança do paciente. 2. O Programa Nacional de Se- gurança do Paciente (PNSP) Pautando-se na importância do atributo “segurança do paciente” para a qualidade Para saber mais A qualidade da assistência é medida por seis atri- butos. Além da segurança do paciente, são in- clusos: efetividade, a centralidade no paciente, a oportunidade do cuidado, a eficiência e a equida- de (CHASSIM, GALVIN, 1988, apud BRASIL, 2014). Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente120/237 da assistência em saúde, o PNSP foi instituído pela Portaria GM/MS nº 529/2013, objetivando “contribuir para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional” (BRASIL, 2017, s/p). O PNSP parte do pressuposto de abordagem sistêmica para o gerenciamento de erros ou falhas, proposto por James Reason, e ficou conhecido como Modelo do queijo suíço (BRASIL, 2014). Re- ason pressupõe que é impossível eliminar falhas humanas ou técnicas, mas existem mecanis- mos para evitar que um erro aconteça (REASON, 2000). Desta forma, um erro ou falha acontece a partir do momento que diversas barreiras são retiradas ou possuem problemas (Figura 5). Figura 5 – Modelo de queijo suíço Fonte: Reason (2000) Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente121/237 Dentro do PNSP, o Ministério da Saúde ela- borou seis protocolos básicos de seguran- ça do paciente, a se saber (Figura 6): Iden- tificação do paciente; prevenção de lesão por pressão; segurança na prescrição, uso e administração de medicamento; cirur- gia segura; prática de higiene das mãos em serviços de saúde; e prevenção de quedas (BRASIL, 2014). Para saber mais Você sabia que a Organização Mundial da Saúde desenvolveu uma Classificação Internacional de Segurança do Paciente, e nela foram definidos al- guns termos-chave para a segurança do pacien- te? No contexto do PNSP, todo “evento ou circuns- tância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente” (BRASIL, 2014, p. 7) é denominadode incidente, sendo aqueles que efetivamente resultaram em danos chama- dos de eventos adversos. Para saber mais Desde abril de 2016 o termo “Úlcera Por Pressão” passou a ser nomeado “Lesão Por Pressão” por consenso da comunidade científica internacional em anúncio da National Pressure Ulcer Advisory Pa- nel (NPUAP), que é uma organização norte-ameri- cana, sem fins lucrativos, dedicada à prevenção e ao tratamento de lesões por pressão. Para saber mais sobre as sociedades brasileiras que tam- bém tratam do tema, acesse o link disponível em: <http://www.sobest.org.br/textod/35> Aces- so em 10/08/2017. http://www.sobest.org.br/textod/35 Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente122/237 Tais protocolos têm como características se- rem sistêmicos, gerenciados, promoverem a melhoria da comunicação, constituírem instrumentos para construir uma prática assistencial segura, oportunizam a vivência do trabalho em equipes e gerenciam riscos (BRASIL, 2014). Figura 6 – Protocolos básicos para a segurança do paciente Fonte: Brasil (2014) Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente123/237 3) Ações de melhoria para aprimorar ou compensar qualquer dano ao pacien- te depois de um inciden- te. 4) Ações de redução de risco – para prevenir a ocorrência de um mesmo incidente ou de incidente similar e para melhorar a resiliência do sistema. 5) Ações que busquem com- preender a realidade e o perfil assistencial do ponto de atenção, possibilitando observar os maiores riscos envolvidos no cuidado. Além das estratégias e ações, o fomento à pesquisa científica tem agregado valor à As ações do PNSP articulam-se com os ob- jetivos de outras políticas de saúde para somar esforços aos cuidados em redes de atenção à saúde (BRASIL, 2017). A respeito destas ações, o Ministério da Saúde as orga- niza em cinco categorias, sendo elas (BRA- SIL, 2014, p. 21): 1) Ações definidas a partir da detecção de um inci- dente. 2) Ações (Fatores de Mitigação) que previ- nem ou moderam a pro- gressão de um incidente, tomadas depois da ocor- rência de um erro que te- nha colocado em xeque os mecanismos de prevenção de incidentes existentes. Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente124/237 questão da segurança do paciente. Visando compreender melhor o escopo destes proje- tos, a OMS lançou um documento denomi- nado “WHO patient safety research: better knowledge for safer care”, em 2009, que indica os tipos de pesquisa com maior po- tencial de contribuição para a segurança do paciente, sendo os principais (WHO, 2009, p. 2, tradução livre) aquelas pesquisas que: (1) medem danos ao pa- ciente, (2) compreendem causas dos incidentes de segurança, (3) desenvol- vem soluções para a segu- rança, (4) aprendem com a implementação de solu- ções para a segurança, (5) avaliam impacto das solu- ções e (6) traduzem me- lhorias das pesquisas em segurança do paciente na política e na prática. Para saber mais É importante lembrar que o conceito de tipo de pesquisa pode variar de acordo com o contexto. Uma pesquisa científica pode ser classificada de acordo com seus objetivos, métodos, natureza, abordagem do problema a ser investigado, entre outros (SILVA; MENEZES, 2005). Dentro deste contexto, a utilização de TICs tem demonstrado potencial de diminuir o número de falhas, erros e eventos adversos nos processos assistenciais, assim como Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente125/237 oferecer apoio à decisão clínica e gerencial e para a análise dos dados clínicos para as- sistência e pesquisas em saúde (PERES; MA- RIN, 2013). Diversos projetos científicos têm explorado o uso de informática para me- lhorar a qualidade da assistência e garantir a segurança do paciente. Tais projetos são caracterizados como projetos de grande complexidade, pois envolvem profissionais de distintas áreas de conhecimento que apresentam diferentes formas de expres- são e de interpretação da realidade (PERES; MARIN, 2013). 3. TICs e a segurança do pacien- te: experiências da literatura científica A inserção de recursos tecnológicos tem se tornado uma realidade nos serviços de saú- de. Neste sentido, um estudo de revisão bi- bliográfica acerca da contribuição das TICs para a segurança do paciente que utilizou como contexto de pesquisa o cenário das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) encon- trou em seus resultados que as TICs contri- buem para a segurança do paciente em três âmbitos: “sistemas de informação e infor- mática em saúde: o registro eletrônico para a continuidade do cuidado de Enferma- gem”, “sistemas de apoio à decisão: con- tribuições para a segurança do paciente” e Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente126/237 Neste contexto, O PEP é compreendi- do como (PINTO, 2006, s/p): Um documento eletrônico constituído pelo conjun- to de informações con- cernentes a uma pessoa doente, aos tratamentos e cuidados a ela dispensa- dos, bem como à gestão e fluxo de informação e co- municação atinentes ao paciente das organizações de saúde. Este tipo de prontuário facilita a rastrea- bilidade do paciente, assim como a comu- nicação entre os diferentes profissionais. Ademais, é possibilitado por meio do PEP o acesso de mais de um profissional às infor- “indicadores de qualidade do cuidado e de segurança do paciente a partir dos registros eletrônicos” (SOUSA; DAL SASSO; BARRA, 2012, p. 973). Com base nos tipos de pes- quisa orientados pela OMS como principais pesquisas na segurança do paciente e no estudo de Sousa, Dal Sasso e Barra (2012), passaremos, agora, a apresentar algumas experiências positivas existentes na litera- tura sob esta temática. I. Sistemas de informação e informá- tica em saúde: o registro eletrônico para a continuidade do cuidado de Enfermagem. O Prontuário eletrônico do paciente (PEP) garante o armaze- namento, recuperação e agrupamen- to de informações sobre o cuidado prestado de forma rápida e segura. Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente127/237 mações daquele paciente, facilitando tam- bém a integração da equipe multiprofissio- nal. É preciso ter em mente, ainda, que as infor- mações são cruciais no cuidado em saúde, portanto, há uma conexão direta entre o grau de acesso às informações, sua preci- são e completude e a segurança do pacien- te (SOUSA; DAL SASSO; BARRA, 2012). Partindo da utilização do PEP é possível pensar em duas possibilidades comple- mentares indispensáveis para a segurança do paciente: a construção de sistemas de apoio à decisão e a construção de indicado- res em saúde. II. Sistemas de Apoio à decisão para a Segurança do Paciente Os sistemas de apoio à decisão, ca- racterizados como sistemas de infor- mação em saúde que “integram uma base de conhecimento ativo a partir da utilização de dados/informações do paciente para gerar conselhos/in- dicações específicas para determina- da necessidade” (SOUSA; DAL SASSO; BARRA, 2012, p. 975) são amplamente encontrados na literatura científica. Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente128/237 mações em prol da segurança do paciente, facilitando também a construção de indica- dores de saúde (POMPILIO JUNIOR; ERMETI- CE, 2011). Tendo em vista que os indicadores “são me- didas que expressam ou quantificam um insumo, um resultado, uma característica ou o desempenho de um processo, serviço, produto ou organização, gerando informa- ções úteis à tomada de decisão” (BRASIL, 2017, s/p). O uso de TICs para o apoio à de- cisão poderia fomentar a obtenção dos in- dicadores ligados à segurança do paciente, por exemplo: Taxa de infecção hospitalar, índice de quedas, índices de prevalência de lesão por pressão, entre outros. E, conse- quentemente, fomentar ações de educação permanente dos profissionais de saúde e Link LAURENTI, T. C. et al. Gestão Informatizada de In- dicadoresde Úlcera Por Pressão. J. Health Inform., v. 7, n. 3, p. 94-8, 2015. Disponível em: <http:// www.jhi-sbis.saude.ws/ojs-jhi/index.php/ jhi-sbis/article/view/345/239> Acesso em: 29 jun. 2017. POMPILIO JUNIOR, A.; ERMETICE, E. Indicadores de uso do prontuário eletrônico do paciente. J. Health Inform., v. 3, n. 1, p. 9-12, 2011. Disponível em: <http://www.jhi-sbis.saude.ws/ojs-jhi/ index.php/jhi-sbis/article/view/81/43> Aces- so em 29 jun. 2017. A partir do uso de informações dos serviços de saúde, estes recursos tecnológicos faci- litam a recuperação e utilização de infor- Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente129/237 mudanças de conduta dentro da organiza- ção, visando diminuir a ocorrência destes incidentes e aumentando a segurança do paciente. Um exemplo desta associação pode ser ana- lisado no estudo de Laurenti et al. (2015) que objetivava criar um sistema informatizado de apoio à decisão para gestão de indica- dores de úlcera de pressão. Neste estudo, os autores identificaram que a gestão destes dados possibilitava a identificação de opor- tunidades de reestruturação do protocolo, promovendo a qualificação do cuidado e melhores práticas em saúde (LAURENTI et al., 2015). III. Dispositivos Tecnológicos de Beira de Leito Os dispositivos tecnológicos de bei- ra de leito são aquelas tecnologias de informação e comunicação que são utilizadas à beira do leito hospitalar para o registro eletrônico de saúde dos clientes ou para o apoio à decisão (BARRA; DAL SASSO, 2010). Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente130/237 Link BARRA, D. C. C.; DAL SASSO, G. T. M. Tecnologia móvel à beira do leito: processo de enfermagem infor- matizado em terapia intensiva a partir da cipe 1.0®. Texto contexto - enferm., Florianópolis, v. 19, n. 1, p. 54-63, 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/tce/v19n1/v19n1a06.pdf> Acesso em 29 jun. 2017. TIBES, C. M. S. Aplicativo Móvel para a prevenção e classificação de Úlceras por Pressão. Dissertação. Universidade Federal de São Carlos. 2014. Disponível em: <https://repositorio.ufscar.br/bitstre- am/handle/ufscar/3287/6796.pdf?sequence=1&isAllowed=y> Acesso em 29 jun. 2017. BONFÁ, J. G. et al. Análise estratégica da administração de medicamentos por código de barras no HC – estudo de caso do beira leito. Revista Qualidade HC. s/p. Disponível em: <http://www.hcrp.usp.br/ revistaqualidadehc/uploads/Artigos/154/154.pdf> Acesso em 29 jun. 2017. Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente131/237 Sperandio (2008, apud TIBES, 2015, p. 66) elenca como benefícios do uso de compu- tadores à beira de leito o fato dele: Acessar, coletar e docu- mentar informações sobre o paciente (...), realizar eta- pas do processo de enfer- magem (PE), acompanhar a necessidade de mobili- dade dos profissionais de enfermagem nas ações de assistência, reduzir o tem- po despendido na docu- mentação das atividades, diminuir a probabilidade de perda das informações e a padronização das in- formações. Outro benefício dos computadores à beira de leito vinculado diretamente à PNSP é a possibilidade de identificação em beira de leito (BONFÁ et al., s/p). Para ilustrar os benefícios elencados acima, reflita sobre o estudo de Bonfá et al. (s/d, p. 31) que buscava analisar a implementação de um sistema informatizado de beira de lei- to para a administração de medicamentos, e identificou como pontos fortes do siste- ma: “Sistema informatizado em circuito fe- chado, desde a prescrição até a administra- ção de medicamentos”, “Desenvolvimento interno do sistema, facilitando adaptações necessárias”, “Ferramenta para monitorar a prevenção e diminuição de erros e, con- sequentemente, aumento na segurança do tratamento do paciente”, “rastreamento Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente132/237 dos medicamentos, em conformidade com resolução RDC 59 da Anvisa” e “Ferramenta para acompanhamento de pesquisas clíni- cas”. Além da tecnologia beira leito descrita aci- ma, a segurança do paciente no que tange à administração segura de medicamentos pode ser garantida a partir de diferentes perspectivas. Neste sentido, é possível re- fletir que para a garantia dessa meta é pre- ciso acompanhar desde a prescrição até os efeitos da droga administrada, passando pela dispensação deste medicamento pela farmácia, pela preparação e administração pela equipe de enfermagem. As inovações tecnológicas todas estas fa- ses. Durante a etapa de prescrição, com a prescrição eletrônica através da digitaliza- ção da prescrição médica, é possível garan- tir a legibilidade e confiabilidade na prescri- ção de medicamentos. Podemos perpassar outros processos, como a automação do processo de dispensação da medicação pela farmácia, a utilização de bombas de infusão automáticas, etc. O próprio dispo- sitivo beira leito possibilita a checagem da identificação do paciente, da prescrição e do medicamento através de código de bar- ras. Chegando até à melhor monitorização deste paciente por meio de sistemas de mo- nitorização automáticos. Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente133/237 Glossário Atributo: Do latim (attributus,a,um), pode significar “aspecto, qualitativo ou quantitativo, que distingue um integrante de um conjunto observado” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Sistêmica: Do inglês (systemic), pode significar “que diz respeito à visão geral, estrutural de um sistema, seu conjunto, suas relações internas” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Partindo de teóricos como Ludwig von Bertalanffy, pode se referir à teoria geral dos sistemas. Leito Hospitalar: “É a cama numerada e identificada destinada à internação de um paciente dentro de um hospital, localizada em um quarto ou enfermaria, que se constitui no endereço exclusivo de um paciente durante sua estadia no hospital e que está vinculada a uma unidade de internação ou serviço” (BRASIL, 2002, p. 15). Questão reflexão ? para 134/237 Considerando os tópicos que você estudou hoje e em sua ex- periência com o uso de recursos de informática no apoio à se- gurança do paciente, reflita: Quais os desafios e limitações que devem ser levados em consideração no desenvolvimento e implementação destes instrumentos? Ele possui um impac- to real no trabalho em saúde? Quais as contribuições positivas das TICs para a diminuição de erros e falhas? Há relação entre a utilização de TICs sob o olhar da segurança do paciente e a qualidade do serviço prestado? 135/237 Considerações Finais • O conceito de segurança do paciente, conjuntamente com outros cinco atributos (efetivida- de, a centralidade no paciente, a oportunidade do cuidado, a eficiência e a equidade), mede a qualidade da assistência prestada em saúde. • Segurança do paciente como o atributo relacionado à habilidade de “evitar lesões e danos nos pacientes decorrentes do cuidado que tem como objetivo ajudá-los” (CHASSIM, GALVIN, 1988, apud BRASIL, 2014). • O Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) foi instituído pela Portaria GM/MS nº 529/2013 e trata da qualificação do cuidado em saúde nos serviços de saúde. O PNSP se ba- seia em uma abordagem sistêmica para o gerenciamento de falhas e erros que pressupõe que tal erro (ou falha) acontece a partir do momento em que diversas barreiras são retiradas ou possuem problemas. • As TICs, quando inseridas no contexto da segurança do paciente, podem contribuir em todos os âmbitos de abrangência das ações de segurança do paciente. Neste sentido, a OMS definiu seis nichos principais de pesquisa em segurança do paciente, sendo todos passíveis de explo- ração do apoio tecnológico. 136/237 • Na prática, as TICs têm contribuído, sob a ótica da segurança do paciente, na forma de dois grandes formatos: sistemas de apoio à decisão e dispositivos tecnológicos de beira de leito. Considerações Finais Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente137/237Referências ALBERTIM, A. L. Valor estratégico dos projetos de tecnologia de informação. Rev. adm. empres. v. 41, n. 3, p. 42-50, 2001. 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Documento de referência para o Programa Nacional de Seguran- ça do Paciente. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 40p. BRASIL. Ministério da Saúde. Indicadores. 2017. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov. br/index.php/o-ministerio/principal/siops/mais-sobre-siops/6092-indicadores>. Acesso em: 02 jun. 2017. Unidade 5 • Inovações tecnológicas na segurança do paciente138/237 BRASIL. DAHU: Programa Nacional de Segurança do Paciente. 2017. Disponível em: <http://por- talsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/sas/dahu/seguranca-do-pa- ciente> Acesso em 29 jun. 2017. CAETANO, K. C.; MALAGUTTI, W. Informática em saúde: uma perspectiva multiprofissional dos usos e possibilidades. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2012. HOUAISS, A. et al. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. CD-ROM. LAURENTI, T. C. et al. Gestão Informatizada de Indicadores de Úlcera Por Pressão. J. Health In- form., v. 7, n. 3, p. 94-8, 2015. 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Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 219fd569df84094a615c8df90b5dcb2b>. Aula 5 - Tema: Inovações Tecnológicas na Segu- rança do Paciente. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ d7f0de2b0b61ca0033b07b063fa29a6c>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/219fd569df84094a615c8df90b5dcb2b https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/219fd569df84094a615c8df90b5dcb2b https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/219fd569df84094a615c8df90b5dcb2b https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d7f0de2b0b61ca0033b07b063fa29a6c https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d7f0de2b0b61ca0033b07b063fa29a6c https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d7f0de2b0b61ca0033b07b063fa29a6c 141/237 1. Sobre as TICs na segurança do paciente, leia as proposições abaixo e as julgue como verdadeiras (V) ou falsas (F): ( ) As TICs são recursos tecnológicos que agrupam e distribuem informações. ( ) As TICs contribuem na segurança do paciente na medida em que tornam o acesso a informações mais ágil e menos hierarquizado, diminuindo as distâncias geográficas e agre- gando profissionais e processos. ( ) Dentro das contribuições das TICs para a segurança do paciente, os dispositivos de beira de leito têm demonstrado efetividade nas ações de promoção da segurança, por exemplo, no apoio à identificação do paciente. Assinale a alternativa correta: a) F, F, F. b) V, F, F. c) V, V, V. d) F, V, V. e) V, F, V. Questão 1 142/237 2. Qual das alternativas abaixo NÃO possui um exemplo de atributo medi- dor da qualidade da assistência, segundo o olhar do Instituto de Medicina (IOM): Questão 2 a) Segurança do paciente. b) Sustentabilidade. c) Efetividade. d) Centralidade no paciente. e) Equidade. 143/237 3. Considere as afirmações sobre o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP): I - Foi instituído pela Portaria GM/MS nº 529, de 2013. II – Seu principal objetivo é contribuir para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional. III - O PNSP parte do pressuposto de abordagem analítica para o gerenciamento de erros ou falhas, que ficou conhecido como Modelo do queijo suíço. Assinale a alternativa que contém todas as proposições CORRETAS: Questão 3 a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I, II, III. 144/237 4. Um evento adverso é definido como: Questão 4 a) Uma ação de redução de risco para prevenir a ocorrência de um mesmo incidente. b) Um evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente. c) Aqueles incidentes que efetivamente resultaram em danos ao paciente. d) Todo incidente que não resulta em dano real ao paciente. e) Eventos ou circunstâncias que poderiam ter resultado em um incidente. 145/237 5. Acerca dos benefícios do uso de computadores à beira de leito, consi- dere as proposições abaixo: I - Padronizar informações é um benefício que se associa com os Protocolos Básicos de Segurança do Paciente na medida de melhorar a comunicação entre os profissionais de saúde. II - Identificar o paciente é um benefício que se associa com o tópico “Prevenção de que- das” dos Protocolos Básicos de Segurança do Paciente. III – Identificar corretamente o paciente é um dos seis tópicos dos Protocolos Básicos de Segurança do Paciente, porém não é um benefício do uso de TICs para a segurança do paciente. Assinale a alternativa que contém todas as proposições CORRETAS: Questão 5 a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I, II, III. 146/237 Gabarito 1. Resposta: C. Todas as afirmações estão corretas, pois as TICs são recursos tecnológicosque agru- pam e distribuem informações, que obje- tivam tornar o acesso a informações mais ágil e menos hierarquizado, diminuindo as distâncias geográficas e agregando profis- sionais e processos. Desta forma, as con- tribuições das TICs para a segurança do paciente são inúmeras. Dentro de tais con- tribuições, os dispositivos de beira de leito têm demonstrado efetividade nas ações de promoção da segurança, por exemplo, no apoio à identificação do paciente. 2. Resposta: B. Os atributos que medem a qualidade da as- sistência estão pautados na relação entre profissionais de saúde e clientes, sendo eles: segurança do paciente, efetividade, a cen- tralidade no paciente, a oportunidade do cuidado, a eficiência e a equidade (CHAS- SIM, GALVIN, 1988, apud BRASIL, 2014). Desta forma, apenas a sustentabilidade não está relacionada à qualidade da assistência. 3. Resposta: D. As proposições I e II estão corretas. Com rela- ção à proposição III, a abordagem para o ge- renciamento de falhas e erros NÃO é descrita corretamente. Desta forma, a proposição es- taria correta se estivesse redigida da seguin- te maneira: O PNSP parte do pressuposto de abordagem sistêmica para o gerenciamento de erros ou falhas, que ficou conhecido como 147/237 Modelo do queijo suíço. 4. Resposta: C. Os eventos adversos são aqueles incidentes que efetivamente resultaram em danos ao paciente. Lembrando que é denominado de incidente todo evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente. 5. Resposta: A. A primeira proposição está correta. Com re- lação à segunda, embora identificar o pa- ciente seja um benefício, ele não se asso- cia apenas com o tópico “Reduzir o risco de quedas e lesões por pressão” dos Protoco- los Básicos de Segurança do Paciente. Já em Gabarito relação à terceira proposição, que também não está correta, o problema está em afir- mar que identificar corretamente o pacien- te não é um benefício do uso de TICs para a segurança do paciente. 148/237 Unidade 6 Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção Objetivos • Introduzir os conceitos relacionados ao uso de tecnologias nos diversos cenários e níveis de atenção. • Introduzir o conceito de automação hospitalar. • Refletir sobre Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção149/237 1. Introdução O uso de tecnologias na assistência em saúde pode ser empregado em diversos cenários e contextos. Para tanto, é preciso compreender o conceito de tecnologias na saúde. Mehry et al., em 1997, classificou o termo tecnologia no contexto da saúde em três níveis, e tal classificação ainda hoje é amplamente aceita pela comunidade cien- tífica. Nela, a tecnologia em saúde é dividida em (MEHRY et al., 1997 apud BARRA, 2006): (1) Tecnologia dura: aquela constituída pelos materiais concretos. Exemplo: equipamen- tos, insumos etc. (2) Tecnologia leve-dura: aquela que inclui os saberes estruturados, ou seja, as disciplinas que atuam em saú- de. Exemplo: Farmacologia, Fisiologia etc. (3) Tecnologia leve: aquela que se refere ao processo de produção da comunicação, das relações e de vínculos que relacionam pro- fissionais e usuários de saúde. Desta forma, quando falamos em tecnologias de infor- mática, devemos ter em mente que elas se enquadram na tecnologia dura e que em conjunto a ela novas formas de tecnologia leve-dura e leve também são necessárias. Na aula passada tratamos especificamente do uso de Tecnologias de Informação e Co- municação (TICs) voltadas para a segurança do paciente. Agora, passaremos a introduzir novas tecnologias sob a perspectiva da as- sistência em saúde. Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção150/237 2. Telessaúde, Telenfermagem, Telemedicina O termo telessaúde foi concebido por Ey- senbach (2001) referindo-se a “uma nova maneira de pensar os processos de saúde, quebrando a barreira da distância, usando as tecnologias da informação e a telecomu- nicação”. Ressalta-se que nem sempre o termo é compreendido como uma modalidade de serviço em saúde (SILVA, 2014). Em alguns cenários, na literatura científica, ela pode significar uma “aplicação computacional de uso clínico em rede”, ou parte dela, ou ain- Para saber mais O termo é compreendido como um hibridismo, formado pelo radical da palavra grega “tele” que significa ao longe, à distância, e a palavra saúde (do latim salute). Desta forma, considerando o novo acordo gramatical, incluiu-se na palavra a redação dos dois “ss”, formando a palavra teles- saúde. Ressalta-se ainda que o termo telessaúde também pode ser encontrado em suas formas si- nônimas: e-saúde, saúde on-line, entre outros. Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção151/237 da, ser vista como a “transmissão de informações e dados médicos via redes de telecomunica- ções para centros especializados” (SILVA, 2014, s/p). Uma outra confusão recorrente na literatura é do termo telessaúde com outros termos relacio- nados como telemedicina ou telenfermagem. Neste sentido, é preciso ressaltar que a telessaúde, com sua caracterização mais ampla, prevê que as disciplinas da área da saúde desenvolvam atividades referentes à saúde à distância (DAL SASSO, 2012). Link MALDONADO, J. M. S. V.; MAERQUES, A. B.; CRUZ, A. Telemedicina: desafios à sua difusão no Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 32, n. 2, 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csp/ v32s2/pt_1678-4464-csp-32-s2-e00155615.pdf> Acesso em 08 jun. 2017. CORREIA, A.D.M.S. et al. Telessaúde, Brasil, Redes e Teleodontologia: Relato de Experiência em Mato Grosso do Sul. Brazilian Journal of Telehealth, v. 2, n. 2, 2013. Disponível em: <http://www.e-publi- cacoes.uerj.br/index.php/jbtelessaude/article/view/8137> Acesso em 08 jun. 2017. Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção152/237 Desta forma, o termo telemedicina, por exemplo, diz respeito ao (LEE, 2000 apud SILVA, 2014, s/p): “Uso de áudio, vídeo e ou- tros recursos tecnológicos de telecomunicações e de processamento eletrônico de informações para trans- missão de mensagens e dados relevantes para a diagnose e tratamento médicos, a fim de prover serviços de saúde ou for- necer cuidados salutares pessoais em locais distan- tes”. De forma análoga, a telenfermagem trata do: “uso das telecomunicações e das tecno- logias computacionais para prestar cuidado de enfermagem. É qualquer enfermagem à distância, mediada no todo ou em parte, por meios eletrônicos” (DAL SASSO, 2012, p. I). De maneira geral, as principais aplicações da telessaúde (e suas variáveis em áreas distintas da saúde) incluem diferentes pos- sibilidades, como o envio de e-mail entre profissionais de saúde, videoconferências, envio de imagens e resultados laboratoriais, entre outros (SANTOS et al., 2006). Assim, as principais vantagens do uso de telessaúde no contexto da saúde brasileiro dizem respeito à facilidade de acesso às in- formações em saúde e a agilidade dos pro- cessos, através de procedimentos de baixo custo, permitindo assim o aprimoramento assistencial, a educação popular em saúde e Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção153/237 a qualificação permanente dos profissionais de saúde (MOURÃO, 2016). Neste contex- to, uma aplicação prática destes benefícios está na melhoria da assistência em saú- de em regiões remotas, nas quais o acesso aos serviços de saúde é precário (MOURÃO, 2016), sendo identificada como potente do ponto de vista econômico e social, por teó- ricos, para solucionar questões nevrálgicas contemporâneas da saúde brasileira (MAL- DONADO; MARQUES; CRUZ, 2016). Em contrapartida, observa-se que a reali- zação de alguns desdobramentos dessas atividades, por exemplo, as teleconsultas,é proibida no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) (SEBRAE, 2015). Tendo em vista a aproximação geográfica ci- tada acima, associada à telessaúde encon- tra-se a ferramenta de videoconferência. O conceito de videoconferência diz respeito à “conferência realizada interativamente, com transmissão de imagem e som entre os interlocutores, via televisão, em circuito fe- chado ou rede de computadores” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Esta ferramenta também pode ser utilizada para a educação em saú- de, dentro da modalidade de Ensino à Dis- tância (EAD). 3. Jogos sérios e Realidade vir- tual no contexto da assistência em saúde Os jogos sérios (do inglês, serious game) são jogos que objetivam alcançar resultados específicos de aprendizagem, estes jogos Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção154/237 devem possuir um propósito específico e oferecer oportunidades de aprendizagem e de mudanças de comportamento (MACHA- DO et al., 2011). Eles são desenvolvidos a partir de três ele- mentos fundamentais: propósito, conteúdo e desenho. O primeiro estabelece o que se deseja desenvolver com o jogo (Ex.: cogni- ção, comportamento, técnica, teoria, habi- lidade, entre outras). O segundo situa a base de informações para chegar a um propósito, ou seja, é estabelecido um roteiro (ambien- tação) diretamente ligado ao propósito. Por fim, o terceiro define o modo como o tal pro- pósito será atingido e o conteúdo apresen- tado, estando conexo à programação e aos modelos de apresentação do conteúdo. (Ex.: simulações, criação de mundos virtuais, en- tre outros) (CRUZ, 2008). Para saber mais Jogos podem ser significados como uma designa- ção genérica de certas atividades cuja natureza ou finalidade é recreativa; diversão, entretenimento (HOUAISS et al., 2009, s/p). Os jogos podem ou não ser eletrônicos. O primeiro jogo eletrônico foi desenvolvido nos EUA, em 1958, jogo chamado “Tennis or Two” (FERREIRA; ORNELLASM; BERNI, 2009, apud DEGUIRMENDJIAN; MIRANDA; ZEM- -MASCARENHAS, 2016). Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção155/237 Link MORAIS, A. M.; MACHADO, L. S.; VALENÇA, A. M. G. Definindo a abordagem de comunicação no planejamento de um serious games voltado para saúde bucal em bebês. s/p. Disponível em: <https://pdfs.semanticscholar.org/dc0a/1cc6bb15b80abf7f7a6ae29de5f935292b7c.pdf> Acesso em 08 jun. 2017. DIAS, J. D. et al. Design e avaliação de um jogo educacional de anatomia e fisiologia digestória humana. In: SBC Proceedings of SBGames. 2016. Disponível em: <http://www.sbgames.org/ sbgames2016/downloads/anais/156951.pdf> Acesso em 08 jun. 2017. Além disso, os jogos sérios (Figura 7) podem ser classificados como ativos ou passivos (DIAS, 2015), sendo os ativos aqueles que utilizam plataformas e tecnologias de movimento, enquanto os inativos não utilizam estes recursos, focando-se em aspectos motivacionais, de persuasão e de mudança de comportamento. Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção156/237 Figura 7 – Ilustração de Serious Game Fonte: FONSECA et al. (2015) Quando falamos de jogos sérios no contexto da assistência, os jogos ativos ganham maior des- taque. Neste sentido, um estudo (DEGUIRMENDJIAN; MIRANDA; ZEM-MASCARENHAS, 2016) que buscava caracterizar os serious game desenvolvidos no contexto brasileiro identificou que 57% dos jogos encontrados na literatura científica eram jogos ativos. No contexto assistencial, os jogos sérios brasileiros contribuem para a promoção da saúde, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação (DEGUIRMENDJIAN; MIRANDA; ZEM-MASCARENHAS, 2016). Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção157/237 Para o desenvolvimento de um jogo sério, al- guma plataforma digital deve ser utilizada. Deguirmendjian, Miranda e Zem-Mascare- nhas (2016) identificaram tanto o compu- tador quanto o videogame como platafor- mas utilizadas nos jogos desenvolvidos no Brasil. Acerca dos dispositivos encontrados, os autores discutiram (DEGUIRMENDJIAN; MIRANDA; ZEM-MASCARENHAS, 2016, p. 267): Existem ainda várias outras plataformas para jogos ele- trônicos, por exemplo, vi- deogame, minigames, ce- lulares, palms, etc., sendo que cada uma possui suas características de proces- samento, relacionadas ao vídeo, memória, sistema operacional, gráfico e jo- gabilidade. Explora-se as plataformas de videogame Nintendo Wii e Microsoft Xbox. Mas, na prática, como um jogo pode contri- Para saber mais Os jogos sérios podem ser utilizados para diver- sos contextos para além da assistência, como a educação popular em saúde e a formação, tanto inicial quanto permanente, dos profissionais de saúde. Iremos retomar os âmbitos dos jogos sé- rios voltados para a educação em um outro mo- mento da disciplina. Fique atento! Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção158/237 buir para a assistência? Vamos estudar al- guns exemplos! Exemplo 1 - Jogo sério passivo: Uso de um role playing game (RPG) como uma ferra- menta em psicoterapia (LINDEMBERG; SIL- VA, 2013). Implicação para a assistência: A utilização do jogo mostrou-se para o de- senvolvimento de várias formas de desen- volvimento social, sério potencial para o apoio da psicoterapia em grupo (LINDEM- BERG; SILVA, 2013). Exemplo 2 – Jogo sério ativo: Uso de um jogo sério com tecnologia de realidade virtual para o restabelecimento de equilíbrio de um paciente com paralisia cerebral (LOPES et al., 2013). Implicações para a assistên- cia: o uso do jogo ativo mostrou-se positivo para a reabilitação do paciente, estimulan- do os sistemas sensorial, motor e cognitivo, além de oferecer um alto grau de motivação e adesão à terapia (LOPES et al., 2013). 4. Instrumentos informatizados de apoio à assistência Para finalizarmos esta aula, falaremos bre- vemente sobre a influência de instrumentos informatizados para apoiar o trabalho as- sistencial da equipe de saúde. Muito se tem pesquisado para avançar tecnologicamente e desenvolver instrumentos mais precisos e complexos. O advento da informática con- tribuiu muito para aprimorar tais ferramen- tas, possibilitando registrar dados de uma forma mais segura e completa. A automação hospitalar tem se concreti- Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção159/237 zado como área do conhecimento, abordando problemas pertinentes da realidade hospitalar e suas prováveis soluções com o uso de automação, possibilitando: o gerenciamento e controle (ex.: prontuário eletrônico do paciente), comunicação (ex.: rastreamento de materiais), desen- volvimento de equipamentos médico-hospitalares e laboratoriais, monitoramento (ex.: monito- ramento dos pacientes críticos) e auxílio ao diagnóstico (LEITE, 2011). Figura 8 – Equipamentos tecnológicos comuns no cuidado de pacientes críticos Fonte: http://odelmoleao.com.br/wp-content/uploads/2011/06/equipamentosuai2-1024x682.jpg. Acesso em 10/08/2017. http://odelmoleao.com.br/wp-content/uploads/2011/06/equipamentosuai2-1024x682.jpg Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção160/237 Neste contexto, a automação é compreendida como uma área multidisciplinar que envolve lin- guagens de programação, hardwares e atuação (mecânica) (NOF, 2009 apud LEITE, 2011). Assim, dentro da automação hospitalar, os softwares desenvolvidos, assim como os sensores e outros dispositivos desenvolvidos, são necessariamente implementados em hardwares, podendo ou não serem dispositivos reconfiguráveis (LEITE, 2011). Link LEITE, C. R. M. Arquitetura Inteligente Fuzzy para Monitoramento de Sinais Vitais de pacien- tes: Um estudo de caso em UTI. Tese. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Dispo- nível em: <https://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/15155/1/CeciliaRML_TESE.pdf> Acesso em 08 jun. 2017. HISSA, M. N.; HISSA, A. S. R.; BRUIN, V. M. S. Tratamento do Diabetes Mellitus Tipo 1 com Bom- ba de Infusão Subcutânea Contínua de Insulina e Insulina Lispro. Arq Bras Endocrinol Metab, v. 45, n. 5, 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/abem/v45n5/6866.pdf> Acesso em 08 jun. 2017. Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção161/237 Um desafio importantíssimo no contexto da automação hospitalar é que os sistemas fa- lhem quanto menos possível e, quando fa- lharem, que passem para um estado seguro, visto que tais falhas podem comprometer a integridade dos processos relativos aos pa- cientes (LEITE, 2011). Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção162/237 Glossário Rede: O conceito de redes vem da ideia de um “sistema constituído pela interligação de dois ou mais computadores e seus periféricos, com o objetivo de comunicação, compartilhamento e intercâmbio de dados” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Dados: Matéria bruta, unitária, que compõe as informações (HOUAISS et al., 2009). Hardware: “Conjunto dos componentes físicos (material eletrônico, placas, monitor, equipa- mentos periféricos etc.) de um computador” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Questão reflexão ? para 163/237 Considerando os tópicos que você estudou hoje e em sua experiência com o uso de recursos de informática no apoio à assistência em saúde, reflita: Como os jogos sé- rios contribuem para a saúde do paciente? E no contex- to pediátrico, quais os potenciais avanços relacionados ao uso de jogos sérios? Quais outras inovações podem facilitar o trabalho assistencial em saúde? Quais são os desafios legais e éticos relacionados à telessaúde? 164/237 Considerações Finais • A tecnologia na área da saúde é dividida em dura, leve-dura e leve, sendo as inovações tecno- lógicas tratadas nesta disciplina pertencentes ao âmbito da tecnologia dura. • A telessaúde refere-se a “uma nova maneira de pensar os processos de saúde, quebrando a barreira da distância, usando as tecnologias da informação e a telecomunicação” (EYSENBA- CH, 2001 apud SILVA, 2014). As vantagens da telessaúde estão associadas à facilidade de acesso às informações em saúde e à agilidade dos processos, através de procedimentos de baixo custo. • O desenvolvimento da telessaúde possibilitou que as áreas específicas da saúde desenvolves- sem atividades referentes à saúde à distância, resultando na telenfermagem, telemedicina, teleodontologia, entre outros. • Os jogos sérios são aqueles que objetivam alcançar resultados específicos de aprendizagem, estes jogos devem possuir um propósito específico e oferecer oportunidades de aprendizagem e de mudanças de comportamento. Estes jogos podem utilizar plataformas digitais para seu desenvolvimento. Eles são classificados como ativos ou passivos: os ativos são os que utilizam plataformas e tecnologias de movimento e os inativos não utilizam estes recursos. 165/237 • A automação hospitalar busca utilizar a automação para resolver problemas deste cenário. A automação envolve linguagens de programação, hardwares e atuação (mecânica). Considerações Finais Unidade 6 • Uso de tecnologias de informática nos diversos cenários e níveis de atenção166/237 Referências BARRA, D. C. C., et al. Evolução histórica e impacto da tecnologia na área da saúde e da enferma- gem. Rev. Eletr. Enf., v. 8, n. 3, p. 422-30, 2006. CORREIA, A. D. M. S. et al. Telessaúde, Brasil, Redes e Teleodontologia: Relato de Experiência em Mato Grosso do Sul. Brazilian Journal of Telehealth, v. 2, n. 2, 2013. Disponível em: <http:// www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/jbtelessaude/article/view/8137> Acesso em 08 jun. 2017. CRUZ, W. E. Serious game é Jogo sério. 2008. Disponível em: <https://www.ibm.com/develope- rworks/mydeveloperworks/blogs/tlcbr/entry/seriou s_game_e_jogo_serio?lang=en> Acesso em 08 jun. 2017. DAL SASSO, G. T. M. Telenfermagem no Brasil: concepções e avanços. J. Health Inform. v. 4, n. Especial – SIIENF, 2012, p. I. DEGUIRMENDJIAN, S. C.; MIRANDA, F. 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Referências 170/237 Assista a suas aulas Aula 6 - Tema: Uso de Tecnologias de Informá- tica nos Diversos Cenários e Níveis De Atenção.Bloco I Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ d0467d63528ef3ceb38bfd69c67fc5ca>. Aula 6 - Tema: Uso de Tecnologias de Informá- tica nos Diversos Cenários e Níveis De Atenção. Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ d8a9292d6b870b1ffba4d47588ad1aad>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d0467d63528ef3ceb38bfd69c67fc5ca https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d0467d63528ef3ceb38bfd69c67fc5ca https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d0467d63528ef3ceb38bfd69c67fc5ca https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d8a9292d6b870b1ffba4d47588ad1aad https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d8a9292d6b870b1ffba4d47588ad1aad https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/d8a9292d6b870b1ffba4d47588ad1aad 171/237 1. Quando falamos em tecnologias de informática, devemos ter em mente que: Questão 1 a) Enquadram-se apenas na tecnologia leve. b) Enquadram-se apenas na tecnologia leve-dura. c) Enquadram-se na tecnologia dura e que em conjunto a ela novas formas de tecnologia leve- -dura e leve também são necessárias. d) Enquadram-se apenas na tecnologia dura. e) Estas não se enquadram especificamente em nenhuma tecnologia. 172/237 2. Assinale a alternativa que contém as formas sinônimas de telessaúde: Questão 2 a) Telemedicina e e-saúde. b) Telenfermagem, saúde on-line. c) Telemedicina e saúde on-line. d) E-saúde e saúde on-line. e) Telenfermagem e e-saúde. 173/237 3. . Ressalta-se que nem sempre o termo telessaúde é compreendido como uma modalidade de serviço em saúde. Em alguns cenários, na li- teratura científica, ela pode significar: Questão 3 a) “Aplicação computacional de uso clínico em rede, para prestar cuidado de enfermagem” (SILVA, 2014, s/p). b) “Qualquer enfermagem à distância, mediada no todo ou em parte, por meios eletrônicos” (DAL SASSO, 2012, p. I). c) “Aplicação computacional de uso clínico em rede”, ou parte dela, ou ainda, ser vista como a “transmissão de informações e dados médicos via redes de telecomunicações para centros especializados” (SILVA, 2014, s/p). d) “Uso das telecomunicações e das tecnologias computacionais para prestar cuidado de en- fermagem” (DAL SASSO, 2012, p. I). e) “Qualquer enfermagem à distância ou envio de dados médicos via redes de telecomunica- ções para centros especializados” (DAL SASSO, 2012, p. I). 174/237 4. No contexto de assistência, os jogos ativos ganham maior destaque. Um estudo (DEGUIRMENDJIAN; MIRANDA; ZEM-MASCARENHAS, 2016) que buscava caracterizar os serious game desenvolvidos no contexto brasilei- ro identificou que 57% dos jogos encontrados na literatura científica eram jogos ativos. Acerca do contexto de assistência, assinale a alternativa cor- reta: Questão 4 a) Os jogos sérios podem ser utilizados para além da assistência, como para a gestão popular em saúde. b) Os jogos sérios não podem ser utilizados para além da assistência, a não ser que seja para educação popular em saúde. c) No contexto assistencial, os jogos sérios brasileiros contribuem para a promoção da saúde, diagnóstico, o tratamento e a reabilitação. d) Os jogos sérios podem ser utilizados para além da assistência, como para a informação po- pular sobre os profissionais de saúde. e) Os jogos sérios brasileiros não podem ser utilizados para a formação permanente dos pro- fissionais de saúde. 175/237 5. A automação hospitalar tem se concretizado como área do conheci- mento, abordando problemas pertinentes da realidade hospitalar e suas prováveis soluções com o uso de automação (LEITE, 2011). Assinale a al- ternativa correta acerca deste tema: Questão 5 a) Através da automação hospitalar é possível fazer o gerenciamento e controle (ex.: prontuá- rio eletrônico do paciente), comunicação (ex.: rastreamento de materiais), desenvolvimento de equipamentos médico-hospitalares e laboratoriais, monitoramento (ex.: monitoramento de pa- cientes críticos) e auxílio ao diagnóstico. b) Através da automação hospitalar é possível fazer o rastreamento do paciente, desenvolvimen- to de equipamentos médico-hospitalares e laboratoriais, monitoramento (ex.: monitoramento de pacientes críticos) e auxílio ao diagnóstico. c) Através da automação hospitalar é possível fazer o gerenciamento e controle (ex.: prontuário eletrônico do paciente), comunicação (ex.: distribuição de prontuários) e desenvolvimento de equipamentos médico-hospitalares e laboratoriais. 176/237 Questão 5 d) Através da automação hospitalar é possível fazer o gerenciamento e controle do paciente (ex.: prontuário manual do paciente), comunicação (ex.: rastreamento de materiais), desenvolvimen- to de equipamentos médico-hospitalares e laboratoriais, monitoramento (ex.: monitoramento de pacientes críticos) e auxílio ao diagnóstico. e) Através da automação hospitalar é possível fazer o controle de informações gerais, comunica- ção (ex.: distribuição de prontuários) e desenvolvimento de equipamentos médico-hospitalares e laboratoriais. 177/237 Gabarito 1. Resposta: C. O termo tecnologia no contexto da saúde foi classificado em três níveis, segundo Mehry et al., em 1997. Sendo os níveis: tecnolo- gia leve, tecnologia leve-dura e tecnologia dura. Tal classificação ainda hoje é ampla- mente aceita pela comunidade científica. Seguindo os conceitos da classificação é possível concluir que, quando falamos em tecnologias de informática, devemos ter em mente que elas se enquadram na tecnologia dura e que em conjunto a ela novas formas de tecnologia leve-dura e leve também são necessárias. 2. Resposta: D. O termo telessaúde também pode ser en- contrado em suas formas sinônimas: e-saú- de, saúde on-line, entre outros. Porém, uma confusão recorrente na literatura é do ter- mo telessaúde com outros termos relacio- nados, como telemedicina ou telenferma- gem. Neste sentido, é preciso ressaltar que a telessaúde, com sua caracterização mais ampla, prevê que as disciplinas da área da saúde desenvolvam atividades referentes à saúde à distância (DAL SASSO, 2012). 3. Resposta: C. Segundo Silva (2014), em alguns cenários, na literatura científica, o termo telessaúde pode significar uma “aplicação computa- cional de uso clínico em rede”, ou parte dela, ou ainda, ser vista como a “transmissão de informações e dados médicos via redes de 178/237 telecomunicações para centros especializa- dos”. Portanto, a alternativa c está correta. 4. Resposta: C. Os jogos sérios podem ser utilizados para diversos contextos para além da assistên- cia, como a educação popular em saúde e a formação, tanto inicial quanto permanente, dos profissionais de saúde. E ainda no con- texto assistencial, os jogos sérios brasileiros contribuem para a promoção da saúde, o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação (DEGUIRMENDJIAN; MIRANDA; ZEM-MAS- CARENHAS, 2016). Gabarito 5. Resposta: A. A automação hospitalar tem se concretiza- do como área do conhecimento, abordando problemas pertinentes da realidade hospi- talar e suas prováveis soluções com o uso de automação, possibilitando: o gerenciamen- to e controle (ex.: prontuário eletrônico do paciente), comunicação (ex.: rastreamento de materiais), desenvolvimento de equipa- mentos médico-hospitalares e laborato- riais, monitoramento (ex.: monitoramento dos pacientes críticos) e auxílio ao diagnós- tico (LEITE, 2011). 179/237 Unidade 7 Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde Objetivos • Introduzir os conceitos relacionados à educação em saúde e educação a distância. • Conhecer algumas ferramentas pedagógicas construídas a partir da informática: ambien- tes virtuais de aprendizagem, o jogo sério e simulação realística.• Refletir sobre o papel da informática para a educação em saúde. Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 180/237 1. Introdução Na aula passada começamos a conhecer alguns desdobramentos do uso de tecnologia que ti- nham como finalidade o apoio à assistência em saúde. Neste momento, é preciso recordar que o trabalho em saúde engloba outras dimensões. Hoje falaremos sobre a dimensão da educação em saúde. O conceito de educação, visto em uma abordagem mais ampla, pode ser compreendido como a “aplicação dos métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelec- tual e moral de um ser humano” (HOUAISS, et al., 2009, s/p). O ato de educar, assim como o ato de aprender e as relações entre educandos e educadores, vêm sendo estudados. Deste processo, perspectivas distintas têm sido validadas na literatura científica, sendo que modelos e práticas pedagógicas têm se firmado no contexto educacional. Para saber mais Os modelos pedagógicos são compreendidos como “conjunto de premissas teóricas que represen- ta, explica e orienta a forma como se aborda o currículo, englobando um recorte multidimensional das variáveis participantes do processo de ensino-aprendizagem e de seus elementos” (MIRANDA, 2016). Já as práticas pedagógicas são instrumentos para a concretização de um modelo pedagógico Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 181/237 Para saber mais (MIRANDA, 2016). Vamos observar um exemplo: Um modelo socioconstrutivista de aprendizagem tem como prática pedagógica a problematização da realidade do educando. Já um modelo tradi- cional (como o behaviorista, por exemplo) tem como prática educativa a transmissão passiva do conhecimento e o ensino por repetição. Ficou confuso? Estudar os referenciais, modelos e práticas pedagógicas não é simples. Se você quiser saber mais sobre esse tema, tente conhecer o trabalho de teóricos da aprendizagem como Jean Piaget (1896-1980), Lev Vygotsky (1896-1934) e Paulo Freire (1921-1997). Neste sentido, dentro da área da saúde a educação também se faz presente e, assim como em outros âmbitos, a informática tem se mostrado potente para apoiar processos. Nesta aula, conheceremos alguns conceitos relacionados à educação em saúde, assim como exploraremos alguns termos como: A educação a distância, as simulações rea- lísticas e os jogos sérios, que agora surgem objetivando apoiar os processos educativos. 2. A educação em saúde Dentro da área da saúde a educação é vista sob dois eixos distintos: a educação popu- Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 182/237 lar em saúde e a formação de profissionais (MACHADO; WANDERLEY, s/p). Esta abran- gência ocorre, pois a “educação influencia e é influenciada pelas condições de saúde, estabelecendo um estreito contato com to- dos os movimentos de inserção nas situa- ções cotidianas em seus complexos aspec- tos sociais, políticos, econômicos, culturais, dentre outros” (MENDES; VIANA, 2001, p. 48). Quando falamos em educação popular em saúde estamos nos referindo àqueles pro- cessos educativos onde o agente facilitador da aprendizagem é o profissional de saúde e o educando é o paciente, sua família, a comunidade e a sociedade em geral. Des- ta maneira, a educação popular em saúde (BRASIL, 2007): (...) implica atos pedagógi- cos que fazem com que as informações sobre a saúde dos grupos sociais contri- buam para aumentar a visi- bilidade sobre sua inserção histórica, social e política, elevar suas enunciações e reivindicações, conhecer territórios de subjetivação e projetar caminhos inven- tivos, prazerosos e inclusi- vos. Já o eixo de formação de profissionais de saúde perpassa por três grandes conceitos: a formação inicial, a educação continuada e a educação permanente em saúde (MA- CHADO; WANDERLEY, s/p). Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 183/237 A formação inicial em saúde diz respeito ao conjunto de disciplinas, conceitos e ativida- des que devem ser realizadas para se firmar a construção do arcabouço teórico neces- sário a uma profissão. Desta forma, pode- mos compreender a formação inicial como o momento de graduação de um profissio- nal de saúde. A educação continuada em saúde diz res- peito à formação posterior àquela inicial, na perspectiva de formar aquele profissional que já está inserido no mercado de trabalho. É um conceito generalista que tem como principal escopo a aprendizagem para be- neficiar tanto profissionais quanto serviços de saúde. Entretanto, esta aprendizagem se dá de forma fragmentada e não necessaria- mente relacionada com o contexto real de trabalho. Em 2004, surge a Política Nacional de Edu- cação Permanente sob a Portaria Nº 198/ GM. A educação permanente dos profissio- nais em saúde é compreendida como um modelo de transformação social, por isso é vista como uma abordagem político-peda- gógica. A educação permanente em saúde parte do pressuposto da problematização da realidade, concretizando a “agregação entre aprendizado, reflexão crítica sobre o trabalho e resolutividade da clínica e da pro- moção da saúde coletiva” (BRASIL, 2004). Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 184/237 Link BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 198/GM, de 24 de fevereiro de 2004: Institui a Política Na- cional de Educação Permanente em Saúde como estratégia do Sistema Único de Saúde para a for- mação e o desenvolvimento de trabalhadores para o setor e dá outras providências. Disponível em: <https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/1832.pdf> Acesso em 13 jun. 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente. 2009. 64p. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/documents/33856/396770/Pol%C3%ADtica+Nacional+- de+Educa%C3%A7%C3%A3o+Permanente+em+Sa%C3%BAde/c92db117-e170-45e- 7-9984-8a7cdb111faa> Acesso em 13 jun. 2017. Na intenção de concretizar os processos educativos, diversos modelos e abordagens foram de- senvolvidos para apoiar todos os âmbitos da educação em saúde. A vertente que estudaremos hoje é a educação mediada por informática, e para isso precisamos compreender o que é a Edu- cação a Distância e como ela se relaciona com as formas de educação presencial. A Educação a Distância é definida como (BRASIL, 2005, p. 1-2): Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 185/237 A modalidade educa- cional na qual a media- ção didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informa- ção e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. O ensino a distância é mediado por diversas legislações no Brasil para garantir a integri- dade e completude dos referenciais peda- gógicos e suas práticas. Com base na legis- lação brasileira é possível se pensar que a educação a distância pode estar tanto em cursos completamente mediados por com- putadores, cursos semipresenciais e tam- bém em cursos presenciais. Para saber mais Pode haver educação à distância em cursos pre- senciais? A resposta para essa pergunta é: SIM. A Portaria MEC N° 4.059/04 instituiu que 20% da carga horária de um curso presencial pode ser realizada à distância, sem descaracterizar o caráter do curso presencial (BRASIL, 2004). Essa incorporação pode ser feita em 20% de discipli- nas totalmente à distância ou então em 20% da carga horária do curso em atividades mediadas por computador dentro de disciplinas presenciais (BRASIL, 2004). Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 186/237 É preciso compreender, por fim, que a edu- cação à distância é uma modalidade educa- cional e, portanto, também está submetida a distintos modelos e práticas pedagógicas, que inevitavelmente estarão mediadospelo uso de informática para sua concretização. 3. Ambientes virtuais de apren- dizagem Os Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) podem ser conceituados como “sis- temas que sintetizam a funcionalidade de software para Comunicação Mediada por Computador (CMC) e métodos de entrega de material de cursos on-line” (PRADO et al., 2012). Eles são sistemas que agregam espaços de aprendizagem que permitem interatividade na práxis pedagógica (PRADO et al., 2012). Ainda, os autores pontuam que com um AVA o ensino-aprendizagem e a comunica- ção entre alunos e docentes são facilitados, possibilitando maior exercício de autono- mia e desenvolvimento de novas habilida- des (PRADO et al., 2012). Os primeiros projetos de construção de AVA destinados à educação são datados de meados da década de 1990, sendo impul- sionados por uma significativa mudança na internet, a criação da web 2.0 (FRANCO; CORDEIRO; DEL CASTILLO, 2003). Como já foi definida nessa disciplina, a in- ternet passou por fases de evolução. A web 2.0 trouxe a possibilidade de maior demo- cratização e compartilhamento do saber, Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 187/237 tendo em vista que o papel de produtor de conteúdo passou do domínio exclusivo dos webmas- ters para também domínio dos consumidores em geral. Assim, pode-se concretizar o conceito de redes, tão presente hoje em nosso cotidiano. Quando falamos de AVAs, precisamos ter em vista também que, além de estarem submetidos a modelos e práticas pedagógicas, é preciso pensar em uma plataforma para abrigar o desenvolvi- mento do sistema. Os sistemas mais comuns na literatura hoje são os softwares de código aberto. Para saber mais Os softwares de código aberto são aqueles que foram desenvolvidos sob um modelo que permite o licen- ciamento e distribuição livre do código-fonte, para que assim outros desenvolvedores consigam replicar sua base de desenvolvimento. O Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment), por exemplo, é uma plataforma de código livre muito conhecida no mundo acadêmico. Ele permite a intera- ção, participação e cooperação dos alunos para a construção do conhecimento, permitindo a aprendi- zagem colaborativa (PRADO et al., 2012). Atenção para a curiosidade: O ambiente que você está agora, estudando para esta disciplina, é um ambiente virtual de aprendizagem!! Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 188/237 Além da plataforma, precisamos nos aten- tar às ferramentas que podem estar asso- ciadas a um AVA. Estas ferramentas são muito diversas e vão depender diretamente do tipo de resultado que se almeja alcançar com o AVA, além do modelo pedagógico em que este ambiente está vinculado. Neste sentido, vamos a um exemplo: Mi- randa (2016) identificou a necessidade de ferramentas para um AVA pautado na abor- dagem socioconstrutivista de portfólio re- flexivo. Os professores de uma instituição pública de Ensino Superior identificaram como ferramentas relevantes para que este AVA fosse completo (MIRANDA, 2016, p. 65): (1) Ferramentas de inser- ção de texto, imagem, som e música. (2) Ferramenta que possibilite estabeleci- mento de prazo de entrega e que encerre a postagem de relatos para a tarefa de- pois do prazo estipulado. (3) Ferramenta de devolu- tiva on-line. (4) Ferramen- Link Website do MOODLE. Disponível em: <https:// moodle.org/?lang=pt_br> Acesso em 13 jul. 2017. Website Colaborar. Disponível em: <https:// www.colaboraread.com.br/login/auth> Acesso em 13 jul. 2017. Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 189/237 ta que garanta a inserção de instruções, orientações e metas a serem alcança- das. (5) Ferramenta que garanta a mediação entre o docente e todo conteúdo compartilhado pelos alunos, desenvolvendo alternativas distintas para diferen- tes níveis de compartilhamento (compartilhar fotos, compartilhar relatos, com- partilhar devolutivas e compartilhar referências utilizadas). (6) Ferramenta de configuração dos fundos de tela. (7) Ferramenta de editor de texto (cores, fontes e tamanhos). (8) Ferramenta de inserção de fotos, imagens e avatares. (9) Ferra- menta de disponibilização de links para bibliotecas e bases de dados. (10) Fer- ramenta que liste todas as referências inseridas pelo aluno. (11) Ferramenta de mensagem privada. (12) Ferramenta de chat. (13) Ferramenta de fórum. 4. Simulação e o Jogo sério Outro avanço tecnológico amplamente utilizado no contexto da educação em saúde são as si- mulações. Uma simulação é uma reprodução da realidade a fim de estabelecer relações de apren- dizagem. Nem toda simulação é mediada por ferramentas de informática. Uma simulação de in- cêndio, por exemplo, é um tipo de simulação realística que não é dependente de informática. Já um jogo sério computacional que simula uma situação real - por exemplo, o cuidado com recém- Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 190/237 -nascidos em unidades de terapia intensiva (UTI) - pode ser considerado uma simulação informatizada. Como foi estudado, um jogo sério pode ob- jetivar apoiar a assistência em saúde. Porém, também é sabido que um jogo sério pode objetivar apoiar a educação em saúde, em seus dois eixos formadores (educação po- pular em saúde e formação de profissionais de saúde). Neste sentido, Deguirmendjian, Miranda e Zem-Mascarenhas (2016) identi- ficaram como temas dos jogos sérios relati- vos à educação em saúde: a aprendizagem sobre a doença (no eixo de educação popu- lar em saúde) e a formação de profissionais de saúde, englobando tanto a formação ini- cial quanto a atualização/capacitação pro- fissional. Outro aspecto da simulação, distinto às si- mulações dos jogos sérios, está nos centros de simulação realística. As simulações re- alísticas baseadas em ferramentas com- putacionais são compreendidas como a “representação da estrutura ou dinâmica de um objeto real ou processo com o qual o aluno interage ativamente” (SASSO; SOU- ZA, 2006). Para tanto são utilizados equipa- mentos como simuladores, que podem con- ter diversas programações para aparentar a realidade (Figura 9). Os centros de simula- ção têm sido difundidos tanto nas univer- sidades brasileiras quanto em algumas or- ganizações e serviços de saúde para formar seus alunos, colaboradores e/ou clientes. Os simuladores realísticos podem ser clas- sificados quanto à fidedignidade em rela- Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 191/237 ção à realidade. Existem aqueles classificados como de baixa fidelidade, ou seja, os simuladores estáticos ou partes anatômicas (ex.: simuladores de braços para punções intravenosas). Existem aqueles de média fidelidade, que são caraterizados como os manequins que fornecem respostas aos estímulos feitos por estudantes por meio de diversos sons fisiológicos. Por fim, os simula- dores de alta fidelidade proporcionam emissão de sons e ruídos (tosse, expressão vocal de dor e pedido de ajuda, movimentos oculares, movimentos respiratórios, etc.), possibilitando a maior interação entre homem e simulador (TEIXEIRA; FELIX, 2011). Figura 9 – Simulador realístico Fonte: EERP/USP, 2017. Disponível em: <http://www.eerp.usp.br/corporate-centro-simulacao-galery/> Acesso em 13 jun. 2017. Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 192/237 Link BARBOSA, S. F. F.; MARIN, H. F. Simulação baseada na WEB: Uma ferramenta para o ensino de enferma- gem em terapia intensiva. Rev Latino-am Enfermagem. 17, n. 1, 2009. Disponível em: <http://www. scielo.br/pdf/rlae/v17n1/pt_02> Acesso em 13 jun. 2017. SCHATKOSK, A. M. et al. Hipertexto, jogo educativo e simulação sobre oxigenoterapia: avaliando sua uti- lização junto a acadêmicos de enfermagem. On-line braz. j. nurs., v. 6, n. 0, 2007. Disponível em: <http:// pesquisa.bvsalud.org/aleitamentomaterno/resource/pt/lil-450740> Acessoem 13 jun. 2017. Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 193/237 Glossário Aprendizagem: Palavra de caráter polissêmico que tem como significado o ato, processo ou efeito de aprender, assim como a duração deste processo. (HOUAISS et al., 2009). Socioconstrutivista: Aquilo que diz respeito ao referencial pedagógico derivado do construti- vismo, chamado de socioconstrutivismo. Este referencial político-pedagógico compreende o processo de ensino-aprendizado como um processo ativo de troca de saberes, mediado pelas experiências empíricas e a problematização da realidade. Realística: Palavra derivada de realismo que significa aquilo relativo ou próprio da “qualidade, estado ou característica do que é real” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Questão reflexão ? para 194/237 Considerando os tópicos que você estudou hoje e em sua experiência com o uso de recursos de informática no apoio à educação em saúde, leia a notícia abaixo, assista ao vídeo vinculado à notícia disponível no site da EPTV e faça um comparativo entre o ensino de afecções cardíacas através da simulação realística mediada por computadores e o ensino deste tema caso não fossem disponíveis estes recursos: O que a simulação e outras ferramentas informatizadas trazem de van- tagens para a educação em saúde? Questão reflexão ? para 195/237 G1. Boneco da USP de Ribeirão Preto simula 33 problemas cardíacos. 2013. Disponível em: <http://g1.gl bo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2013/10/boneco-da-usp-de-ribeirao-preto-simula-33-proble- mas-cardiacos.html> Acesso em 14 jul. 2017. 196/237 Considerações Finais • A educação pode ser compreendida como a “aplicação dos métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano”, sendo ela mol- dada por referenciais pedagógicos, modelos pedagógicos e práticas pedagógicas. • Dentro da área da saúde a educação é vista sob dois eixos distintos: a educação popular em saúde e a formação de profissionais tanto em nível inicial quanto em nível continuado e de educação permanente. • A educação popular em saúde diz respeito aos processos educativos onde o agente facilitador da aprendizagem é o profissional de saúde e o educando é o paciente, sua família, a comu- nidade e a sociedade em geral, interferindo na saúde da população-alvo. Já a formação de profissionais visa contribuir para o desenvolvimento de profissionais de saúde com saber téc- nico-científico, ético e político. • A educação a distância é a modalidade educacional onde a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. 197/237 • Podemos conceituar como instrumentos da educação a distância os ambientes virtuais de aprendizagem, os jogos sérios e as simulações. Considerações Finais Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 198/237 BARBOSA, S. F. F.; MARIN, H. F. Simulação baseada na WEB: Uma ferramenta para o ensino de enfermagem em terapia intensiva. Rev Latino-am Enfermagem. 17, n. 1, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rlae/v17n1/pt_02> Acesso em 13 jun. 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 198/GM, de 24 de fevereiro de 2004: Institui a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde como estratégia do Sistema Único de Saúde para a formação e o desenvolvimento de trabalhadores para o setor e dá outras providências. Dispo- nível em: <https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/ 1832.pdf> Acesso em 13 jun. 2017. BRASIL. Ministério da Educação. Portaria nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/nova/acs_portaria4059.pdf> Acesso em 13 jun. 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de Educação Popular e Saúde. 2007. Disponível em:<ht- tp://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_educacao_popular_saude_p1.pdf> Acesso em 13 jun. 2017. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente. 2009. 64p. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/documents/33856/396770/Pol%C3%ADtica+ Nacional+de+E- duca%C3%A7%C3%A3o+Permanente+em+Sa%C3%BAde/c92db117-e170-45e7-9984-8a7cdb- 111faa> Acesso em 13 jun. 2017. Referências Unidade 7 • Modalidades e aplicações da informática na Educação em Saúde 199/237 DEGUIRMENDJIAN, S. C.; MIRANDA, F. M.; ZEM-MASCARENHAS, S. H. Serious Game desenvolvi- dos na Saúde: Revisão Integrativa da Literatura. J. Health Inform., v. 8, n. 3, p. 110-16, 2016. FRANCO, M. A.; CORDEIRO, L. M.; DEL CASTILLO, R. A. F. O ambiente virtual de aprendizagem e sua incorporação na Unicamp. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 29, n. 2, p. 341-353, jul./dez. 2003. HOUAISS, A. et al. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. CD-ROM. MACHADO, A. G. M.; WANDERLEY, L. C. S. Educação em saúde. s/p. Disponível em: <https://www. unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/2/unidades_conteudos/unidade09/unidade09.pdf> Acesso em 13 jun. 2017. 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Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/ 152dffd83d6ea1f90e101e003c20fc24>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/065b4e7273e5070a2d569ce76040ea08 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/065b4e7273e5070a2d569ce76040ea08 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/065b4e7273e5070a2d569ce76040ea08 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/152dffd83d6ea1f90e101e003c20fc24 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/152dffd83d6ea1f90e101e003c20fc24 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/152dffd83d6ea1f90e101e003c20fc24 202/237 1. Leia atentamente as proposições abaixo e assinale como verdadeiras (V) ou falsas (F) as proposições: ( ) Práticas pedagógicas são o conjunto de premissas teóricas que representa, explica e orienta a forma como se aborda o currículo. ( ) Um modelo pedagógico é um processo educativo onde o agente facilitador da aprendi- zagem é o profissional de saúde e o educando é o paciente, sua família, a comunidade e a sociedade em geral. ( ) As práticaspedagógicas são os instrumentos da concretização de um modelo pedagó- gico. Assinale a alternativa que apresenta o julgamento adequado: Questão 1 a) V, V, V. b) V, F, F. c) V, F, V. d) F, F, V. e) F, F, V. 203/237 2. A educação popular em saúde é definida como: Questão 2 a) Os processos educativos onde o agente facilitador da aprendizagem é o profissional de saú- de e o educando é o paciente, sua família, a comunidade e a sociedade em geral. b) A formação posterior àquela inicial, na perspectiva de formar aquele profissional que já está inserido no mercado de trabalho. c) O conjunto de disciplinas, conceitos e atividades que devem ser realizadas para se firmar a construção do arcabouço teórico necessário a uma profissão. d) Abordagem político-pedagógica que busca a agregação entre aprendizado do profissional de saúde, sua reflexão crítica sobre o trabalho, a resolutividade da clínica e a promoção da saúde coletiva. e) A modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensi- no e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comu- nicação. 204/237 3. A respeito da educação a distância, analise as proposições a seguir: I - É a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. II - Por lei, no Brasil é possível que um curso seja 30% à distância sem alteração da defini- ção do curso. Ou seja, em um curso de caráter presencial, até 30% das disciplinas podem ser disponibilizadas à distância. III - O ensino a distância também é influenciado por todas as variáveis que influenciam o ensino presencial: referências, modelos e práticas pedagógicas. Assinale a alternativa que apresenta todas as proposições corretas: Questão 3 a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) I, II, III. 205/237 4. Observe atentamente a imagem abaixo: Fonte: Google Images. Disponível em: <http://sites.unicentro.br/cedeteg/2017/05/31/simulacao-de-a- cidente-de-transito-faz-alusao-a-campanha-maio-amarelo/> Acesso em 15 jul. 2017. A imagem acima diz respeito a: Questão 4 a) Uma simulação mediada por computadores. b) Uma simulação não mediada por computadores. c) Um jogo sério mediado por computador. d) Um jogo sério não mediado por computador. e) Um ambiente virtual de aprendizagem. 206/237 5. Assinale a alternativa verdadeira sobre os ambientes virtuais de apren- dizagem (AVA): Questão 5 a) Os primeiros projetos de construção de AVA destinados à educação são datados de meados da década de 2000, sendo impulsionados por uma significativa mudança na internet, a cria- ção da web 3.0. b) Para que um AVA funcione é preciso associá-lo a uma plataforma, sendo uma das platafor- mas mais comuns atualmente os softwares de código restrito, como o Moodle. c) São sistemas que agregam espaços de aprendizagem que permitem interatividade na práxis pedagógica que facilitam o ensino-aprendizagem e a comunicação entre alunos e docentes. d) Nem todos os AVAs são mediados por computador, um exemplo disso são as simulações re- alísticas, como uma simulação de incêndio. e) Além da plataforma, as ferramentas adequadas são essenciais para o funcionamento de um AVA, sendo que estas ferramentas são padrão e não podem variar de acordo com o modelo pedagógico. 207/237 Gabarito 1. Resposta: E. Os modelos pedagógicos são o conjunto de premissas teóricas que representa, explica e orienta a forma como se aborda o currí- culo, e as práticas pedagógicas são os ins- trumentos da concretização de um modelo pedagógico. 2. Resposta: A. A alternativa b refere-se à educação conti- nuada, a alternativa c refere-se à formação inicial, a alternativa d refere-se à educação permanente e a alternativa e refere-se ao ensino a distância. 3. Resposta: D. As proposições I e III estão corretas. Quanto à proposição II, estaria correta se fosse redi- gida da seguinte maneira: Por lei, no Brasil é possível que um curso seja 20% à distân- cia sem alteração da definição do curso. Ou seja, em um curso de caráter presencial, até 20% das disciplinas podem ser disponibili- zadas à distância. 4. Resposta: B. Trata-se de uma simulação realística não mediada por computador, pois temos uma pessoa caracterizada como vítima ao invés de um simulador digital. 208/237 5. Resposta: C. Os primeiros projetos de construção de AVA destinados à educação são datados de meados da década de 1990, sendo im- pulsionados por uma significativa mudan- ça na internet, a criação da web 2.0. Para que um AVA funcione é preciso associá-lo a uma plataforma, sendo uma das platafor- mas mais comuns atualmente os softwares de código aberto, como o Moodle. São sis- temas que agregam espaços de aprendiza- gem que permitem interatividade na práxis pedagógica que facilitam o ensino-apren- dizagem e a comunicação entre alunos e docentes. Todos os AVAs são mediados por computador. Além da plataforma, as fer- ramentas adequadas são essenciais para o Gabarito funcionamento de um AVA, sendo que estas ferramentas não são padrão e podem variar de acordo com o modelo pedagógico. 209/237 Unidade 8 Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tec- nológico e ética profissional Objetivos • Introduzir os conceitos relacionados ao desenvolvimento científico e tecnológico. • Refletir sobre a influência da ética profissional para o desenvolvimento tecnológico. Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 210/237 1. Introdução Para finalizarmos nossa disciplina, depois de conhecer a versátil aplicação da compu- tação e da informática para os serviços de saúde, precisamos contextualizar o cenário atual e as prospecções futuras dentro des- te vasto campo. Também é necessário con- textualizar como se dá a integração entre o homem, agente do processo de trabalho, e a máquina, aqui entendida como as inova- ções tecnológicas que apoiam os agentes do processo de cuidar. Neste sentido, faz-se primordial definir o que é ciência e como o avanço científico e tecnológico está alinhado com os diversos âmbitos da sociedade moderna. Também se torna inevitável traçar um paralelo entre a teoria e a prática do processo de trabalho e refletir sobre os aspectos humanos, aqui entendidos como facilidades, competên- cias e desafios essenciais para o sucesso da aplicação da informática como suporte ao processo de trabalho em saúde, com vis- tas para a bioética. Para saber mais Processo de trabalho é a transformação de um objeto em um produto (ou serviço), por meio da intervenção do ser humano que, para fazê-lo, emprega instrumentos e métodos específicos. O principal processo de trabalho em saúde é a assistência ao paciente, comunidade e sociedade, porém outros processos também são compreendidos dentro do processo de trabalho em saúde, por exemplo, a gestão, o ensino, a pesquisa e a participação política (SANNA, 2007). Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 211/237 2. Ciência, inovação e desenvol- vimento científico e tecnológico A ciência pode significar “corpo de co- nhecimentos sistematizados que, adquiri- dos via observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, são formulados me- tódica e racionalmente” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Já a tecnologia é definida como “teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e ins- trumentos de um ou mais ofícios ou domí- nios da atividade humana” (HOUAISS et al., 2009, s/p). Suas semelhanças conceituais são perceptí- veis e, para fins didáticos, os termos ciência e tecnologia são distintos e inter-relacio- nados. Entretanto, perceba que filosofica- mente os limitespráticos entre a ciência e a tecnologia não são claros, porém eles se dis- sociam a partir das perspectivas de teoria e prática. Marsden (1991, apud BARRA, 2006, p. 423) os relaciona da seguinte maneira: “... não podemos imaginar a ciência sem a sua técnica; e como a ciência é incapaz de lidar com questões e valores, nos diz o que pode ser feito, mas não o que deveria ser feito”. Considerando o cenário acima, comumen- te observa-se na literatura o tratamento de avanço científico e tecnológico como ane- xos, e deste conjunto surge um terceiro con- ceito: a inovação. A inovação, de maneira geral, surge do avanço científico e tecnoló- gico e visa estabelecer novas formas de se lidar com um problema. As inovações po- Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 212/237 dem ser radicais ou incrementais (LEMOS, 1999). Diz-se da inovação radical aquela que intro- duz um novo produto, processo ou forma de organização da produção completamente inovador, estabelecendo uma ruptura com o padrão tecnológico a ser substituído (LE- MOS, 1999). Um exemplo histórico da área da saúde sobre inovações radicais foi a des- coberta da microbiologia, que mudou o pa- radigma da origem das doenças. Em contra- partida, a inovação incremental refere-se à introdução de qualquer tipo de melhoria sem que haja alteração na estrutura tecno- lógica existente (LEMOS, 1999). É sabido que o setor saúde tem especifici- dades que refletem também no sistema de inovação (ALBUQUERQUE; CASSIOLATO, 2002). Tal sistema de inovação e suas ten- dências é regido pela ciência e as univer- sidades e instituições de pesquisa têm um impacto expressivo nos fluxos de informa- ções tecnológicas (ALBUQUERQUE; CAS- SIOLATO, 2002). Link COSTA, L. S. Inovação nos serviços de saúde: apontamentos sobre os limites do conhecimen- to. Cad. Saúde Pública, v. 32, n. 2, Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/ pdf/csp/v32s2/pt_1678-4464-csp-32-s- 2-e00151915.pdf> Acesso em 20 jul. 2017. Os benefícios da inovação em saúde es- tão consolidados na literatura científica, Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 213/237 contribuindo para o bem-estar social e o desenvolvimento econômico (ALBUQUER- QUE; CASSIOLATO, 2002). Entretanto, para que suas potencialidades sejam exploradas é necessário avaliar cuidadosamente os ris- cos de sua aplicação, os efeitos não previs- tos ou ainda pouco avaliados, assim como as questões éticas que envolvem a incorpo- ração desta inovação nos processos de tra- balho em saúde (LORENZETTI et al., 2012). 3. Bioética, ética profissional e as inovações em saúde Os desafios que são identificados duran- te o desenvolvimento científico e tecno- lógico são muitos e podem gerar diversas discussões importantíssimas. Entretanto, pensando no escopo da disciplina, discuti- remos acerca de alguns desafios inerentes das inovações que emergem do uso de in- formática. Nesta disciplina foram apresentadas inova- ções em saúde associadas ao uso de infor- mática, como a automação dos processos de monitorização do paciente, os jogos sé- rios, os sistemas de informação em saúde, entre outras inovações oriundas da bioen- genharia. Compreender que a introdução destes re- cursos modifica o processo de trabalho e pode gerar desafios importantes para os agentes deste processo é uma reflexão ética importante. Quando pensamos que estes instrumentos podem transformar a reali- dade atual e modificar totalmente o pro- Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 214/237 cesso de trabalho, é preciso pensar que haverá, consequentemente, uma reação a esta mudança. Estas reações podem ser positivas ou negativas e vão influenciar o sucesso destas implementa- ções. Link CACHO, P. O. Dificuldades no registro de informações nos prontuários de uma unidade básica na per- cepção de trabalhadores da saúde. Dissertação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2016. Disponível em: <https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/22189> Acesso em 21 jul. 2017. NEVES, J. T. R. Impactos da implantação do prontuário eletrônico do paciente sobre o trabalho dos profissionais de saúde da prefeitura municipal de Belo Horizonte. Disponível em: <http://www.cpge. aedb.br/seget/artigos07/56_SEGET.pdf> Acesso em 21 jul. 2017. Neste contexto, é preciso compreender que os profissionais de saúde e os usuários dos serviços de saúde advêm de realidades distintas e podem ter entendimentos distintos acerca dos bene- fícios do avanço científico e tecnológico, assim como podem emergir dificuldades de adaptação para com o novo cenário, que devem ser consideradas para que em processo de melhoria contí- Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 215/237 nua os sistemas se aprimorem cada vez mais. Além disso, quando se fala em avanço científico e tecnológico, impreterivelmente a pesquisa em saúde torna-se um conceito associado. Para que haja o avanço é preciso que a pesquisa em saú- de se solidifique e traga como suas consequências a inovação em saúde. Neste sentido, Buttha (2002) reflete ludicamente que no contexto em que a pesquisa em saúde é considerada o ‘cére- bro’ de um sistema de saúde, a ética passa a constituir sua ‘consciência’. Para saber mais Um dos pilares da ética em pesquisa no Brasil advém da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inova- ção em Saúde (PNCTIS), dentre as estratégias desta política está a criação e o fortalecimento dos comi- tês de ética em pesquisa (BRASIL, 2008). Quer saber mais sobre o viés ético da PNCTIS? Acesse a Política na íntegra, disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/Politica_Portugues.pdf> Acesso em 20 jul. 2017. Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 216/237 A partir da mudança de paradigma implícita no contexto da informatização da gestão da informação e sua influência no modo como são adquiridas e compartilhadas as infor- mações, fica iminente também a necessi- dade de uma discussão mais aprofundada sobre a proteção à privacidade e o acesso às informações em saúde (KEINERT, 2015). Neste sentido, é sabido que a qualidade do planejamento de um recurso tecnológico é inversamente proporcional ao risco de apresentar um defeito ou falha que tenha dentre suas consequências a exposição de informações confidenciais dos usuários dos sistemas de saúde (PRESSMAN, 2011). Em adição, a ética profissional envolvendo as questões de gestão da informação também é primordial para o sucesso da proteção da informação em saúde. Para exemplificar a amplitude destes âmbi- tos, vamos a um exemplo: Em uma institui- ção que faz uso de prontuário eletrônico do paciente, um tipo de sistema de informa- ção em saúde, observa-se um vazamento de informações de um paciente. Para se de- tectar o problema é preciso pensar tanto da perspectiva do sistema quanto do agente que o utiliza. Desta forma, este vazamento poderia ter diversas origens, por exemplo: 1. O sistema possuía falhas de segurança e um invasor mal-intencionado invadiu o sis- tema para coletar estas informações. 2. Um profissional antiético deliberadamente va- zou estas informações para se beneficiar ou para prejudicar outra pessoa. 3. Um profis- sional imprudente deixou o sistema aberto Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 217/237 e estas informações ficaram acessíveis para pessoas indevidas. Para saber mais Para aprofundar a discussão, ainda é preciso pontuar que existem diferentes informaçõesque podem ser perdidas ou vazadas. Dentre elas, existe uma categoria que deve ter atenção especial. A categoria das informações sensíveis, ou seja, aquelas que “podem ter utilização potencialmente discriminatória ou particularmente lesiva, apresentando maiores riscos que a média, para o indivíduo e até mesmo para a coletividade (DONEDA, 2006 apud KEINERT, 2015), deve ser observada como um ponto nevrálgico para o sucesso de uma inovação como em um prontuário eletrônico do paciente ou na telessaúde. Onde chegamos com estas reflexões? Foi identificado que é preciso refletir, no contexto hospita- lar, que a ética pessoal e profissional interliga-se com os conceitos de confiabilidade e seguran- ça dos sistemas de informação. Portanto, para além das especificidades dos softwares é preciso garantir legalmente a proteção da privacidade e sigilo das informações. Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 218/237 Quando essa garantia é quebrada, acontece um crime informático. Este tipo de crime é aque- le que utiliza de computadores para práticas de delitos envolvendo manipulações, sabotagens, espionagem e uso abusivo de computadores e sistemas (FULANETO NETO; GUIMARÃES, 2003). Acerca destes crimes, Fulaneto Neto e Guimarães (2003, p. 69) definem três tipos distintos de Link Leis que contribuem para esta proteção: Lei 10.406/2002, artigo 21. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/ L10406.htm>. Acesso em: 21 abr. 2017. Lei 8.078/1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm>. Acesso em: 21 abr. 2017. Artigo 154 do Código Penal. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/ Del2848compilado.htm>. Acesso em: 21 abr. 2017. Portaria 2.073/2011 do Ministério da Saúde. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/sau- delegis/gm/2011/prt2073_31_08_2011.html>. Acesso em: 21 abr. 2017. Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 219/237 crimes: os virtuais puros, os mistos e os co- muns: O crime virtual puro seria toda e qualquer conduta ilícita que tenha por ob- jetivo exclusivo o sistema de computador, pelo aten- tado físico ou técnico ao equipamento e seus com- ponentes, inclusive dados e sistemas. Crime virtual misto seria aquele em que o uso da internet é con- dição sine qua non para a efetivação da conduta, embora o bem jurídico vi- sado seja diverso do infor- mático (...). Por derradeiro, crime virtual comum seria utilizar a internet apenas como instrumento para a realização de um delito já tipificado pela lei penal. Assim, a Rede Mundial de Computadores acaba por ser apenas mais um meio para a realização de uma conduta delituosa. Desta forma, observa-se que as inovações tecnológicas, principalmente aquelas que surgem com o advento da informática na área da saúde, são extremamente potentes para apoiar o trabalho dos profissionais de saúde. Ademais, com a mudança de para- digma relacionada ao fluxo da informação, passa a ser essencial pensar em sistemas Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 220/237 integrados que facilitem a gestão infor- macional. Entretanto, não se pode perder de vista que para que isso ocorra de ma- neira segura é preciso pensar nas questões nevrálgicas que envolvem as mudanças e transformações sociais geradas pela intro- dução de uma nova tecnologia em um am- biente. Também é preciso compreender que novas possibilidades trazem novos desafios e, assim, desafios que antes não existiam passam a compor o dia a dia das equipes de saúde, dos pacientes, dos familiares, da comunidade e da sociedade. Esses desafios podem se originar da qualidade do software desenvolvido (ex.: confiabilidade, seguran- ça, etc.), da bioética ou de outras áreas do conhecimento. Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 221/237 Glossário Bioética: De etimologia latina, a bioética diz respeito ao estudo dos problemas e implicações mo- rais despertados pelas pesquisas científicas em biologia e medicina (HOUAISS et al., 2009, s/p). Tendência: aquilo que leva alguém ou algo a seguir um determinado caminho ou a agir de certa for- ma; predisposição, propensão, disposição natural (HOUAISS et al., 2009, s/p). Sigilo: Do latim (sigĭllum,i), diz respeito a coisa ou notícia que não se pode revelar ou divulgar; segre- do (HOUAISS et al., 2009, s/p). Condição sine qua non: Diz respeito àquilo que é indispensável ou essencial para a composição de um ato ou circunstância (HOUAISS et al., 2009, s/p). Questão reflexão ? para 222/237 Leia atentamente o seguinte caso-problema: Você é gestor de uma unidade de internação hos- pitalar e flagra a seguinte fala, dita de um familiar para a enfermeira da unidade: “Acho inadmissível meu marido permanecer no mesmo quarto que aquele homem. Aquele homem tem AIDS e irá in- fectar meu marido. Eu exijo que você o troque de enfermaria”. Mais tarde naquele dia, a enfermeira te explica que um médico esqueceu o prontuário eletrônico, do paciente em questão, aberto em um dos computadores da unidade e que provavelmen- te a familiar havia obtido tal informação através do sistema do hospital. Questão reflexão ? para 223/237 Considerando os tópicos que você estudou hoje e em sua vivência com relação às questões éticas, reflita: Qual a importância da ética profissional para o avanço tecnológico em detrimento à segurança necessária aos processos de trabalho em saúde, como o sigilo das informações nos sistemas de informação em saúde? Quais as con- sequências de um vazamento de informação para o indivíduo afeta- do? E para a sociedade? 224/237 Considerações Finais • Processo de trabalho é a transformação de um objeto em um produto (ou serviço), por meio da intervenção do ser humano que, para fazê-lo, emprega instrumentos e métodos espe- cíficos. São processos de trabalho em saúde: assistência, a gestão, o ensino, a pesquisa e a participação política. • A inovação em saúde visa estabelecer novas formas de se lidar com um problema. As inova- ções podem ser radicais (aquelas que rompem com a tecnologia anterior) ou incrementais (aquelas que não modificam a estrutura tecnológica vigente, apenas a aprimora). Os benefí- cios da inovação em saúde envolvem o bem-estar social e o desenvolvimento econômico. • Os recursos informáticos na saúde modificam o processo de trabalho em saúde e devem con- siderar que os agentes do trabalho em saúde podem ser mais ou menos tolerantes a estas mudanças. Esta tolerância está relacionada ao entendimento dos benefícios da tecnologia e às facilidades/dificuldades com relação à adaptação ao novo cenário. • Outro aspecto ético importante é a ética em pesquisa. A inovação tecnológica é oriunda do desenvolvimento científico e tecnológico e a ética, tanto com os sujeitos quanto com os meios, deve ser garantida no desenvolvimento destes recursos. 225/237 • Os avanços tecnológicos e a mudança de paradigma com relação à gestão da informação mo- dificaram a estrutura do acesso às informações em saúde, por isso, torna-se indispensável pensar em questões de segurança, confiabilidade e ética profissional e pessoal. Considerações Finais Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 226/237 Referências ALBUQUERQUE, E. M. E.; CASSIOLATO, J. E. As especificidades do Sistema Inovação do Setor Saú- de. Revista de Economia Política, v. 22, n. 4, 2002, p. 134-151. 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Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/de- Unidade 8 • Desafios atuais acerca da informática nos serviços de saúde: Desenvolvimento científico e tecnológico e ética profissional 227/237 creto-lei/Del2848compilado.htm>. Acesso em: 21 abr. 2017. BUTTHA, A. Bulletin of the World Health Organization. NPq/PRE/AEI, 2002. Diretório dos Gru- pos de Pesquisa no Brasil. Censo 2002. CACHO, P. O. Dificuldades no registro de informações nos prontuários de uma unidade bási- ca na percepção de trabalhadores da saúde. Dissertação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2016. Disponível em: <https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/22189> Acesso em 21 jul. 2017. COSTA, L. S. Inovação nos serviços de saúde: apontamentos sobre os limites do conhecimento. Cad. Saúde Pública, v. 32, n. 2, Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ csp/v32s2/pt_1678-4464-csp-32-s2-e00151915.pdf> Acesso em 20 jul. 2017. FURLANETO NETO, M.; GUIMARÃES, J. 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Bloco II Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/ pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f- 1d/002715432a1f8974ee0c264fb75373ce>. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/71b9ea8eae480559791f63d76e377b18 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/71b9ea8eae480559791f63d76e377b18 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/71b9ea8eae480559791f63d76e377b18 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/002715432a1f8974ee0c264fb75373ce https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/002715432a1f8974ee0c264fb75373ce https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/002715432a1f8974ee0c264fb75373ce 230/237 1. Julgue como verdadeiras (V) ou falsas as proposições acerca dos proces- sos de trabalho em saúde. ( ) Processo de trabalho é a transformação de um objeto em um produto (ou serviço), por meio da intervenção do ser humano que, para fazê-lo, emprega instrumentos e métodos específicos. ( ) O principal processo de trabalho em saúde é a assistência ao paciente, comunidade e sociedade. ( ) Porém outros processos como a gestão, o ensino, a pesquisa e a participação política são compreendidos como complementares, não fazendo parte dos processos de trabalho em saúde. Assinale a alternativa que traz o julgamento adequado das proposições: a) V, V, V. b) F, F, F. c) V, F. V. d) V, V, F. e) V, F, F. Questão 1 231/237 2. Assinale a alternativa que define adequadamente o conceito de ciência: Questão 2 a) Corpo de conhecimentos sistematizados que, adquiridos via observação, identificação, pes- quisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, são formulados me- tódica e racionalmente. b) Teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos, métodos, meios e instru- mentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana. c) Aquilo que introduz um novo produto, processo ou forma de organização da produção com- pletamente inovador, estabelecendo uma ruptura com o padrão tecnológico a ser substitu- ído. d) Introdução de qualquer tipo de melhoria sem que haja alteração na estrutura tecnológica existente. e) Todas aquelas informações tidas como sensíveis. 232/237 3. Considere as proposições a seguir: I - O sistema possuía falhas de segurança e um invasor mal-intencionado invadiu o siste- ma para coletar estas informações. II - Um profissional antiético deliberadamente vazou estas informações para se beneficiar ou para prejudicar outra pessoa. III - Um profissional imprudente deixou o sistema aberto e estas informações ficaram acessíveis para pessoas indevidas. Assinale a alternativa que contém apenas possíveis motivos de um vazamento de infor- mações: Questão 3 a) I. b) II. c) III. d) II e III. e) I, II, III. 233/237 4. Considere o excerto a seguir e assinale a alternativa que completa as lacunas corretamente: Foi identificado que é preciso refletir, no contexto hospitalar, que a ética pessoal e pro- fissional ______________ com os conceitos de confiabilidade e segurança dos sistemas de informação. Portanto, para além das especificidades dos softwares é preciso garantir _____________ a(o) ____________ da privacidade e sigilo das informações. Questão 4 a) Correspondem, integralmente, revogação. b) Relacionam-se, legalmente, manutenção. c) Confundem-se, eticamente, revogação. d) Confundem-se, anular, manutenção. e) Relacionam-se, eticamente, revogação. 234/237 5. São leis que protegem a privacidade e o sigilo das informações, EXCETO: Questão 5 a) Lei 10.406/2002. b) Lei 8.078/1990. c) Artigo 154 do Código penal. d) Portaria 2.073/2011 do Ministério da Saúde. e) Lei 10.216/2001. 235/237 Gabarito 1. Resposta: D. As duas primeiras proposições são verda- deiras. Com relação à terceira proposição, os processos de gestão, ensino, pesquisa e participação política são processos de tra- balho em saúde, assim como a assistência em saúde. 2. Resposta: A. Ciência é o corpo de conhecimentos sis- tematizados que, adquiridos via observa- ção, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, são formulados metódica e racio- nalmente. Tecnologia é a teoriageral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, proces- sos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana. Inovação radical é aquilo que in- troduz um novo produto, processo ou forma de organização da produção completamen- te inovador, estabelecendo uma ruptura com o padrão tecnológico a ser substituí- do. Inovação incremental é a introdução de qualquer tipo de melhoria sem que haja al- teração na estrutura tecnológica existente. Todas aquelas informações tidas como sen- síveis são aquelas com poder discriminató- rio. 3. Resposta: E. Todas as proposições são verdadeiras, con- tendo, portanto, possíveis motivos de um 236/237 vazamento de informações, que podem ad- vir tanto de problemas de segurança quan- to de questões éticas. 4. Resposta: B. Foi identificado que é preciso refletir, no contexto hospitalar, que a ética pessoal e a ética profissional relacionam-se com os conceitos de confiabilidade e segurança dos sistemas de informação. Portanto, para além das especificidades dos softwares é preciso garantir legalmente a manutenção da privacidade e sigilo das informações. 5. Resposta: E. A única lei que não dispõe sobre o sigilo de Gabarito informações é a Lei 10.216/2001, conhe- cida como Lei Antimanicomial, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e re- direciona o modelo assistencial em saúde mental.