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COORDENAÇÃO
Dl ISOLAMENTO
CURSO DE ENGENHARIA
EM SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA
- SÉRIE PTI -
RELAÇÃO DE VOLUMES E TRADUTORES
1 - Análise de Circuitos de Sistemas de Potência -
Arlindo R. Mayer
2 - Teòria das Linhas de Transmissão I - J.Wagner Kaehler
3 - Teoria das Linhas de Transmissão II - Felix A. Farret
4 - Dinâmica das Máquinas Elétricas I - Somchai Ansuj,
Arlindo R. Mayer
5 - Dinâmica das Máquinas Elétricas II - Elvio Rabenschlag
6 - Dinâmica e Controle da Geração - Almoraci S. Algarve,
João M. Soares
7 - Proteção de Sistemas Elétricos de Potência -
Fritz Stemmer
8 - Coordenação de Isolamento - J. Wagner Kaehler
9 - Operação Econômica e Planejamento - Paülo R. Wilson
10 - Métodos Probabilísticos para Projeto e
Planejamento de Sistemas Elétricos - M.Ivone Brenner
Supervisão técnica: Somchai Ansuj
Coordenação geral: Arlindo R. Mayer
Norberto U. de V. Oliveira
Waldemar C. Fuentes
CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
GE ISOLAMENTO
D. E. HEDMAN
Tradução: José Wagner M. Kaehler
Prof. Visitante do CPGEE da UFSM
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CURSO DE ÉNCÊNRARIA EM
SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA
SÉRIE P. T. I.
SANTA MARIA - RS - 1979
Título do original:.
Insulation Coordination
Direitos para ó Brasil reservados à Centrais Elétricas
Brasileiras S.À. - ELETROBRÂS
Av. Presidente Vargas, 624 - 109 andar
Rio de Janeiro - RJ
1979
F I C H A C A T A L O G R Â F I C A
H452c Hedman, D.E.
Coordenação de isolamento. Trad. /de/ J.
Wagner Kaehler. Santa Maria, Universidade
Federal de Santa Maria, 1979.
200p. ilust. 23cm. (Curso de Enge
nharia em Sistemas Elétricos de Potência -
Série PTI, 8)
Título original: " Insulation Coordination"
1. Eletricidade - Isoladores. I. Kaehler,
J. Wagner (trad.) II. Título.
CDD 621.319 37
CDU 621.316.93
Obra publicada
Com a colaboração
do Fundo de Desenvolvimento Tecnológico
da CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A — ELETROBRÁS
em Convênio com a
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
APRESENTAÇÃO
Ha cerca de 10 anos vem a ELETROBRÂS patrocinan
do a realização de Cursos na área de Sistemas Elétricos
de Potência, visando o aperfeiçoamento de engenheiros
eletricistas das Empresas do Setor de Energia Elétrica,
Assim, cerca de 200 profissionais, nesse período, recebe
ram formação a nível de Mestrado, tanto no exterior como
no Brasil, em obediência a currículos estabelecidos pela
ELETROBRÂS, tendo em vista as necessidades detectadas por
seu pessoal especializado.
Como resultado da experiência de realização des
ses e de outros Cursos, por vezes contando com a partici
pação de professores estrangeiros especialmente contrata
dos para reforçar as equipes docentes nacionais, vêm sen
do publicados livros especializados em regime de co-
edição com Universidades, e â conta de Recursos do Fundo
de Desenvolvimento Tecnológico da ELETROBRÂS.
É constante a preocupação desta Empresa em
apoiar as Instituições de Ensino Superior, razão pela qual,
entre outras ações, têm sido sistematicamente oferecidas
vagas a docentes universitários, sempre que grupos de en
genheiros são enviados ao exterior para freqüência a cur
sos especiais ainda não oferecidos regularmente no Brasil.
Isso tem propiciado mais rãpida resposta das Universidades
no atèndimento de necessidades especiais no Setor de Ener
gia Elétrica, inclusive pela imediata implantação de tais
cursos no País, a mais baixo custo e possibilitando am
pliar a faixa de atendimento de profissionais das Empre
sas .
Em uma dessas ações, a ELETROBRÂS contratou com
o Power Technologies, Inc. - P.T.I., de Schenectady -USA,
a ministração de um curso especial em Sistemas Elétricos,
e constante dos tópicos que se seguem:
1 - Analise de Sistemas Elétricos de Potência
2 - Teoria das Linhas de Transmissão
3 - Releamento - Características e Princípios
Fundamentais de Operação dos
Reles
4 - Coordenação de Isolamento
5 - Operação Econômica e Planejamento
6 - Dinâmica e Controle .da Geração
•7 - Dinâmica das Maquinas Elétricas
8 - Métodos Probabilísticos para Projeto e
Planejamento de Sistemas Elétricos
9 - Economia das Empresas de Energia Elétrica
Esses tópicos, na forma como foram inicialmente
ministrados pela equipe dò P.T.I., e posteriormente re
produzidos por outros docentes brasileiros em diversas
oportunidades, constituem, a nosso ver, uma fonte de in
formações capaz de proporcionar uma formação equilibrada
de profissionais de alto nível que se destinam âs Empresas
de Energia Elétrica e que delas precisem ter inicialmente
boa visão técnica de conjunto. Posteriormente tais profis
sionais poderão aprofundar seus estudos em tópicos especí
ficos, conforme necessário âs suas áreas de atuação.
Foi, pois, com esta intenção que a ELETROBRÂS de
cidiu adquirir ao P.T.I. os direitos de reprodução do Cur
so, e contratou com a Universidade Federal de Santa Maria
a tradução e edição do mesmo, visando sua distribuição às
Empresas do Setor de Energia Elétrica e demais Institui
ções de Ensino Superior que ministram cursos na área de
Engenharia Elétrica. Estamos certos de que a divulgação
desse material, agora em língua portuguesa,atingira apre
ciável numero de profissionais e estudantes universitários
proporcionando-lhes um nível de aperfeiçoamento mínimo ho
je desejável naquelas Empresas, e ao mesmo tempo consti
tuindo-se em obra de referência para docentes especiali
zados .
Arnaldo Rodrigues Barbalho
Presidente da ELETROBRÂS
PREFACIO
Raros são os livros publicados em português so
bre Sistemas Elétricos de Potência. Isso fez com que os
professores do Departamento de Engenharia e professores que
atuam no Curso de Põs-Graduação em Engenharia Elétrica, da
Universidade Federal de Santa Maria, aceitassem o desafio
de realizar a estafante, porem, atraente tarefa de tradu
ção, revisão e acompanhamento na impressão do Curso orga
nizado por Power Technologies, Inc. - PTI, e cujos direi-
tos de reprodução foram adquiridos pela ELETROBRÂS.
Foi muito valiosa, para a realização desta tare
fa, a união e o espírito de equipe de um conjunto de pro
fessores que, além de suas atividades docentes, administra
tivas e de pesquisa, passaram a dedicar-se a mais essa im
portante tarefa.
É nosso dever deixarmos assinalados os nossos a-
gradecimentos a todos os que contribuiram para a elaboração
dessa obra. Destacamos a ajuda'prestada pelo Diretor do Cen
tro de Tecnologia, Prof. Gilberto Aquino Benetti, pelo Che
fe do Departamento de Engenharia Elétrica, Prof. Wilson An-
tonio Barin, pelo Coordenador do Convênio UFSM/ELETROBRÂS,
Prof. Arlindo Rodrigues Mayer, como também pelo Professores
Waldemar Correia Fuentes,Milton Fabbrin,Norberto V.Oliveira
e Maria Beatriz Bolzan de Moraes.
Pela Companhia Estadual de Energia Elêtrica-CEEE-
tiveram participação destacada, nesta realização, o Eng9
Paulo Roberto Wilson, Coordenador do Convênio CEEE/UFSM ,
e os Engenheiros José Wagner Kaehler e Fritz Stemmer, todos
eles Professores visitantes do CPGEE da UFSM.
Nossos agradecimentos âs Professoras Neuza Martins
Carson e Celina Fleig Mayer e ã Jornalista Veronice Lovato
Rossato, pelos seus vãrios serviços de revisão. E ã Profes
sora June Magda Scharnberg e Carmem Silvia Taday pelo auxí
lio na organização das fichas catalogrãficas.
Nossos agradecimentos, também, ao datilografo U-
byrajara Tajes e ao desenhista Délcio Bolzan.
Aos Professores Ademir Carnevalli Guimarães e
Hélio Mokarzel, da Escola Federal de Engenharia de Itaju-
bã, agradecemos a gentileza de nos terem enviado a tradu
ção parcial de alguns dos volumes, os quais serviram como
valiosas referências em nosso trabalho.
Finalmente, ê nosso dever deixar registrado
nossos agradecimentos ã Centrais Elétricas Brasileiras
S.A. - ELETROBRÂS, por seuapoio e confiança em nós depo
sitados .
Derblay Galvão
Reitor
SUMÁRIO
Capítulo 1 - Uma visão geral da coordenação de
isolamento................................. 1
I - Introdução ..................................... 1
II - Natureza fundamental da tecnologia............. 5
IÍI - Uma perspectiva histórica...................... 8
IV - Esforços elétricos............................. 12
A. Esforços de sobretensoes de impulso......... 12
Descarga atmosférica em uma torre......... 13
Descarga atmosférica numa fase............ 14
Proteção contra sobretensoes impulsivas.... 15
B. Sobretensoes resultantes de manobras no sis
tema........ 16
Sobretensoes de manobra................... 17
Sobretensoes temporárias.................. 21
Proteção contra surtos de manobra......... 24
C. Considerações da tensão do estado permanente. 25
Considerações de condições normais em 60Hz.. 26
Condições de sobretensoes anormais em 60Hz... 27
D. Sumário das sobretensoes de manobra em 60Hz.... 28
Referências bibliográficas............ ............ 32
APÊNDICE I - Conceitos modernos de coordenação de
isolamento............................. 34
Parte I - Proteção e sobretensoes............. 34
Sobretensoes em sistemas de potência. 36
Sobretensoes atmosféricas........ 36
Sobretensoes de manobra. . ....... 37
áobretensões temporárias......... 39
As regras dos métodos de proteção.... 42
Proteção por centelhadores a ar... 43
Proteção por dissipadoçes de surto..... 45
Parte II - Procedimentos e métodos estatísticos..49
Procedimentos da coordenação de isolamento.. 50
Procedimentos convencionais............ 50
Métodos estatísticos....................51
Aplicações dos métodos de coordenação de
isolamento....... ......................... 53
Método convencional..................... 53
Métodos estatísticos de coordenação de
isolamento.............................. 54
Método estatístico simplificado.........58
Sumario.....................................59
Glossário dos termos modernos de coordena
ção de isolamento.......................... 60
Capítulo 2 - Descargas em estruturas isolantes e sua
proteção.................................... 68
I - Introdução....................... 68
II - Discussão geral dos testes de laboratório....... 69
III - Natureza generalizada da descarga disruptiva
nos centelhadores................................ 72
IV - O uso da descrição estatística da ruptura elé
trica.............................................78
V - Capabilidade do isolamento interno.............. 80
VI - Alguns dados gerais das estruturas de centelha
dores a ar........................................83
A. Centelhadores esféricos........................84
B. Centelhadores de haste.........................85
C. Centelhadores de chifres...... 87
D. Estrutura das linhas de transmissão.............92
E. Fatores de correção atmosférica. .............. 94
VII - A função de proteção......................... 96
VIII- Proteção por centelhadores...................... 96
IX - Proteção por dissipadores de surto.............. 98
A. Características físicas de um dissipador de
surto..........................................98
B. Testes padrões em dissipadores de surto...... 101
C* Tipos de dissipadores de surto............... 102
D. Considerações sobre a aplicação de dissi-
padores de surto............................ 10 3
Referências. ......................................... 107
Capítulo 3 - Padrões de relevância nas necessidades
de isolamento........................... 109
I - Introdução..................................... 10 9
II - Padrões da coordenação de isolamento.......... 109
III - Metodologia e tipos de testes padrões......... 111
IV - Algumas considerações especiais quanto à me
todologia de aceitação de equipamento do EAT... 113
A. Metodologia para surtos impulsivos........ 113
B. Metodologia para surtos de manobra........ 114
C. Metodologia em freqüência industrial....... 116
V - Considerações estatísticas nos testes de acei
tação (surtos de manobra)...................... 117
VI - Propósitos atuais nos testes de transformadores. 119
A. Revisão histórica dos níveis de testes de
transformadores............................. 120
B. Uma breve descrição dos testes de alta ten
são......................................... 121
C. Independência das condições dos surtos e da
freqüência industrial....................... 122
C. Proposição dos testes de alta tensão....... 123
VII - Testes padrões para motores e transformadores.. 124
Referências........................................ 126
Capítulo 4 - Dispositivos de interrupção de circuitos
de potência. .............................. 127
I - Introdução........... 127
II - Tipos de dispositivos de interrupção.......... 128
Disjuntores a ar.............................. 129
Disjuntores a ar com sopro magnético........... 129
Disjuntores a óleo............................ 130
Disjuntores a gãs............................. 130
Disjuntores a vãcuo........................... 130
Fusíveis....................................... 131
Chaves seccionadoras........... 132
Combinações de tipos de disjuntores........... 133
III - Descrição do mecanismo de interrupção básico... 133
A. Mecanismo de interrupção da corrente....... 134
B. Tensão de restabelecimento do sistema apõs
a interrupção...... 136
IV - Fatores a serem considerados no projeto dos
contatos dos disjuntores....................... 139
V - O processo físico da interrupção.............. 140
Características dos arcos elétricos......... 141
Produção e manutenção do arco............... 143
Corrente nula e põs-arco.................... 146
O meio ambiente do arco e disjuntores n i
trogênio e ar................................ 147
Disjuntores imersos em oleo............... 148
Haxafluoreto de enxofre (SF6)............. 148
Vãcuo...................................... 149
VI - Finalidades do circuito disruptivo............ 150
A. Chaveamento de carga........................ 150
B. Interrupção da corrente de falta........... 151
C. Chaveamento capacitivo...................... 152
D. Chaveamento de correntes indutivas......... 153
E. Interrupção de faltas em linhas de transmis
são curtas................. '................ 156
F. Chaveamento defasado....... 158
PROBLEMAS.......................................... 16 0
Capítulo 5 - Bases do projeto de coordenação de isola
mento..................................... 169
1. Introdução............. 169
2. Esforços de isolamento.......................... 171
2.1 Efeitos do tempo......... 172
2.2 Distribuição dos esforços de isolamento.... 176
2.3 Características dos espaçadores. . . .......... 176
3. Esforços no sistema...... ...................... 178
4. Comportamento em freqüência industrial......... 180
4.1 Comportamento sob condições de contaminação. 180
4.2 Condições de oscilação extrema.............. 184
5. Comportamento do surto de manobra............... 185
6. Comportamento da descarga atmosférica........... 186
6.1 Falhas de blindagem......................... 187
6.2 Descargas subseqüentes...................... 188
7. Seleção do critério de comportamento........... 189
8. Coordenação da distância condutor-torre........ 190
9 . Figuras . ......................................... 191
Referências........................................ 200
CAPITULO I
UMA VISÃO GERAL DA
COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO
I - INTRODUÇÃO
Muitos aspectos de um projeto de sistema de potên-
elêtrico, devem ser avaliados em detalhes primários quanto â
construção e operação. Este curso tratará do problema geral
da escolha das características elétricas dos equipamentos,
de forma que o sistema operará como o planejado pelo proje
tista do sistema. A escolha das necessidades de isolamento
no equipamento de um sistema de utilização de energia elé
trica ê ditada tanto pelas condições de estado permanente,
bem como pelas sobretensões que possam ocorrer no sistema,e
o projetista deve decidirna escolha entre a economia e o
comportamento.
E irrealístico esperar um projeto de engenharia com
pletamente independente em cada parte do equipamento ou com
binação de partes do equipamento.
Para evitar excessiva redundância, a industria tem
trabalhado para uma definição padronizada de termos usados
por engenheiros na aplicação de equipamentos. Em adição co
mitês de padronização esforçam-se para coordenar as neces
sidades dos usuários e a capacidade dos fabricantes. Um dos
maiores propósitos deste Capítulo ê apresentar uma visão do
problema total do planejamento de isolamento, com uma ênfa
se no fato de que muito deste planejamento deve ser apre
sentado como uma arte, em lugar de ciência. Por exemplo,po
de haver muitas razões plausíveis para a escolha de um equi
pamento padrão que depende de julgamento e não pode ser de
monstrado num aspecto quantitativo. Um conjunto de defini
ções preferidas, para um numero de termos associados com
problemas de coordenação de isolamento, são apresentados no
Apêndice 1. 0 conceito fundamental para esta proposição pa
drão para coordenação de isolamento ê:
Coordenação de Isolamento
"0 processo de correlação do esforço de isolamen
to do equipamento elétrico com respeito a sobretensões e com
as características dos dispositivos de proteção contra sur
tos" .
Então, para o desempenho da coordenação de isola
mento, ê necessário ter um entendimento completo de:
1. Solicitações dielêtricas - isto ê, o módulo, a dura
ção e a probabilidade de ocorrência de sobretensões
em sistemas de potência. Estas sobretensões são co-
mumente agrupadas em três categorias:
a) Sobretensões impulsivas resultantes de surtos
atmosféricos.
b) Sobretensões de manobra resultantes da operação
de disjuntores.
c) Solicitações de tensão na freqüência de 60Hz,
resultantes de condições normais e anormais.
2. Dispositivos de proteção - isto ê, naturezae carac
terísticas dos dispositivos, com um entendimento de
como o dispositivo de proteção pode controlar a mag
nitude do surto incluindo a influência na confiabi
lidade do próprio dispositivo
3. Esforços elétricos - isto ê, a capacidade das várias
partes do equipamento de resistir a descarga disrup-
tiva sob condições especificadas.
4. Nível de comportamento - isto é, as conseqílências
econômicas e operacionais de falhas de isolamento.
A função da coordenação de isolamento é aquela de
proporcionar a combinação entre os itens acima, ate um pon
to onde uma decisão de engenharia (ditada pela economia e
confiabilidade de operação) possa ser tomada, considerando a
capacidade do equipamento planejado. Esta função pode ser
conseguida tanto pela consideração de "condições do pior ca
so" antecipando, por exemplo, o surto máximo (solicitação
dielêtrica) que pode, possivelmente, ocorrer no sistema,co
mo especificando um valor maior de tensão nominal (esforço
elétrico), tal que o equipamento possa operar com alta con
fiabilidade sob estas condições, ou ainda, colocando mais
ênfase e confiança, nos dispositivos de proteção, em manter
o nível de surto abaixo de um certo valor, possibilitando a
redução dos níveis de isolamento do equipamento elétrico
(o objetivo econômico ê reduzir o custo do equipamento pela
redução do nível de isolamento).
A terceira alternativa seria considerar a combi
nação dos fatores acima, numa avaliação estatística dos re
quisitos nécessãrios à coordenação de isolamento. 0 equacio-
namento estatístico poderia ser usado para proporcionar uma
base científica solida para o julgamento finale decisão so
bre os requisitos de coordenação de isolamento, ou como um
fator de calibração para um equacionamento menos científico
que poderia estar baseado, em experiências anteriores, no
próprio sistema. Geralmente, as informações correspondentes
à coordenação de isolamento são traçadas numa curva tensão x
tempo similar â mostrada na Figura 1.01.Neste grafico repre
sentamos tanto a capabilidade de proteção de um pãra-raios ou
centelhador, bem como a capabilidade do isolamento ê geral
mente mostrada como uma linha ou curva tracejada, indicando
um valor mínimo de capabilidade para as ondas de longo tem
po de crista. Esta curva nada mais é que a representação gra
fica das características físicas do equipamento, observadas
em testes controlados.
Correspondentemente, a descarga do dispositivo de
proteção ê geralmente influenciada pela inclinação (taxa de
crescimento do surto de tensão incidente, tal como pode ser
P
IC
O
D
E
T
E
N
S
Ã
O
+I IO - 4—IOO 1000
TEMPO EM MICROSEGUNDOS
100
Figura 1.01
C
oorden
ação de Isolam
entos
observado pelos níveis de proteção do dispositivo.
É possível traçar outra informação com esta curva,
tal como a tensão (IR) do pãra-raios durante um impulso, ou
mesmo do nível esperado de sobretensões, as quais podem che
gar à parte do equipamento. Haverã maiores informações nos
Capítulos seguintes, numa discussão mais detalhada das va
rias partes desta curva de coordenação de isolamento.
II - NATUREZA FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA
Muitas vezes as decisões de coordenação de isola
mento devem ser baseadas em experiência prévia do sistema,
regras gerais praticas, ou hipóteses com muitos dados de pou
ca confiabilidade. Ê vantajoso considerar a qualidade dos
dados disponíveis para os estudos de coordenação de isola
mento, antes de proceder com os métodos de aplicação.
Muito embora as descargas atmosféricas sejam uma
das maiores causas de sobretensões em sistemas de potência,
após 40 anos de coleta de dados, o fenômeno ainda possui mui
tos pontos de discordância, com relação a uma detalhada des
crição da descarga incidente. Por outro lado existem apenas
poucos dados a respeito das magnitudes e forma das ondas que
atingem usualmente os equipamentos elétricos. Esta falta de
informação não é surpresa quando consideramos os limitados
dias disponíveis para leituras e o custo de instalação de
uma quantidade suficiente de registradores, a fim de permi
tir o registro de um numero estatisticamente adequado de im
pulsos.
Se medidas de surtos atmosféricos forem feitas em
pontos onde hã alta incidência de descargas, tais como o to
po do edifício Empire State1 ou o cimo de alguma montanha a-
dequada2 9 K*Ber9er ̂ nãQ segurança de que estes surtos se
rão da mesma característica dos surtos atmosféricos que po
derão atingir uma linha de transmissão (situada, digamos, em
uma planície baixa ou em um vale de montanhas). Portanto,
onde a grande maioria dos dados existem, é acompanhado por
um mínimo de confiança de sua validade. As medidas feitas em
linhas de transmissão são geralmente feitas em uma torre ou
subestação e, portanto, são os resultados tanto do surto at
mosférico propriamente, como da resposta a este surto de uma
linha particular ou estrutura de uma subestação.
Se muitas medidas são feitas num sistema de 138kV,
por exemplo, muito cuidado deve ser tomado quando se apli
car estes dados ao projeto de um sistema de transmissão em
3 / k500kV
Desde que a forma de onda das descargas atmosfé
ricas e módulos das correntes sejam conhecidos, variando em
uma larga margem, foi reconhecido, desde os primõrdios da
história da Engenharia de Potência, que alguma forma padrão
de onda teria de ser adotada como uma base para definir a
capabilidade de alternativas de isolamento de sistemas. Pa
drões desta ordem serão discutidos nos Capítulos subseqüen-
tes.
Surtos atmosféricos são geralmente referidos como
descargas geradas externamente. Em contraste, surtos de ma
nobra são comumente referidos como descargas geradas inter
namente ao sistema, porque eles resultam da operação normal
do próprio sistema. Existe um melhor entendimento a respei
to dos surtos de manobra, no que concerne à forma de onda e
magnitudes, do que a respeito dos surtos provocados por des
cargas atmosféricas5. Mas, mesmo no caso dos surtos de ma
nobra, é difícil fazer uma predição única para um sistema par
ticular. Surtos de manobra, resultantesda operação de dis
juntores monofãsicos e de disjuntores tripolares, apresentam
um certo grau de probabilidade de ocorrer dependendo do tem
po de fechamento dos mesmos. De igual importância é o fato
de que os surtos de manobra são influenciados pela configu
ração do sistema, no instante em que o surto ê gerado. As
sim sendo, quando diferentes linhas são colocadas em servi
ço, ou a medida que o sistema cresce, mudanças nos níveis de
surto podem jser esperados.
Uma ferramenta de grande importância para o enten
dimento dos surtos de manobra em sistemas elétricos é o TNA
(Analisador Transitório de Redes). 0 TNA é um análogo elé
trico, no qual um equivalente trifásico do sistema é monta
do. Testes e medidas efetuadas no modelo permitem predizer
a natureza dos surtos que podem ser esperados num sistemal.
A confirmação da credibilidade dos resultados do TNA ê obti
da em testes reais de campo e subseqüentes comparações com
os modelos de teste do TNA. Afora a dificuldade em acurada
mente descrever os esforços elétricos que podem ocorrer num
sistema, é também difícil estabelecer precisamente a capa-
bilidade elétrica do equipamento. Se, por exemplo, uma dada
tensão ou impulso é aplicada a uma cadeia de isoladores re
petitivamente, a cadeia poderá, algumas vezes, sofrer a des
carga ou não, mesmo que o módulo e forma da sobretensão per
maneça constante. Então, qualquer descrição detalhada das
capacidades de isolamento de qualquer estrutura deve ser es
tatística por natureza. Mesmo se alguém está disposto a a-
ceitar uma descrição estatística da capacidade de isolamento,
é importante ter em mente que as medidas de laboratório são
feitas sob condições controladas, enquanto que a estrutura
isolante de uma parte de um equipamento do sistema de po
tência está exposta a uma larga margem de condições de con
torno, dominadas pelo tempo.
Aceitando-se o fato de que a capabilidade de iso
lamento de uma parte do equipamento ê puramente estatística,
o problema ê criado muitas vezes pela impossibilidade (eco
nomicamente) de testar a estrutura de isolamento à descar
ga, de forma a estabelecer a sua distribuição em freqüência,
por exemplo, é irreal determinar, por teste, a probabilidade
de falha de isolamento no enrolamento de um transformador,
porque o próprio teste danificaria o transformador. Entre
tanto, em algumas partes do equipamento ê desejável, unida-
mente, demonstrar a capabilidade em um teste não destrutivo.
Em adição, pode ser desejável minimizar o numero de testes
para evitar qualquer degeneração na estrutura isolante, o que
poderia ocorrer mesmo a partir de um teste não destrutivo.
No caso de um transformador, a aptidão de julgar a capaci
dade suportável da estrutura isolante torna-se complicada
pelo envelhecimento. Testes controlados indicam indicam que
o ciclo térmico, bem como outros fatores de envelhecimento,
tenderiam a degenerar a estrutura de isolamento, tornando
sua capabilidade, por exemplo, 10 anos apõs a instalação,me
nor do que quando foi instalada. Normalmente, seria desejá
vel que a vida de um grande equipamento do sistema de po
tência fosse da ordem de 30 anos ou mais.
III - UMA PERSPECTIVA HISTÕRICA
Nos idos de 1900, as imposições de isolamento num
equipamento elétrico eram baseadas nas tensões em freqüên-
cia industrial. O teste de"isolamento pleno" era aquele onde
ao menos o dobro da tensão de linha operacional era aplica
da em cada erirolamento, em relação à terra. Este teste pre
conizava a sobretensão normal que poderia ocorrer durante u-
ma falta fase-terra em um sistema desaterrado, Experiências
eram realizadas, especialmente em estruturas isolantes, por
fabricantes isolados. Porém havia poucas maneiras de compa
ração entre uma parte do equipamento e outra. Novas prãti-
vas foram desenvolvidas, muitas vezes como resultado de mu
danças no sistema que resultaram em falhas do equipamento.
Por exemplo, as concessionárias tentaram minimizar a taxa
de desligamento por descarga em linhas aéreas de transmis
são, aumentando o número de isoladores na cadeia, o que de
fato funcionava. Mas a subseqüente elevação do nível de iso
lamento de uma linha de transmissão foi seguido por um nu
mero maior e de magnitude superior de surtos em subestações,
por conseguinte, resultando em maiores falhas de equipamen
to. Este tipo de experiência guiou os fabricantes de equi
pamentos e usuários a especificar e projetar para sobreten-
sões impulsivas, em adição aos testes normais requeridos na
freqüência nominal.
Em 1941, um comitê conjunto AIEE-EEI-NEMA, apre
sentaram um relatório de coordenação de isolamento8. O re
latório de 1941 culminou um estudo de 10 anos e apresentou u-
ma série de níveis de impulso básicos de isolamento para di
ferentes classes de tensão. Daí, o conceito de nível de iso
lamento básico (BIL) foi estabelecido. O BIL forneceu uma ca
pacidade isolante ao impulso estabelecido para cada classe de
tensão. Informações substanciais tinham sido coletadas de to
da a industria de utilização de eletricidade, para estabele
cer estes níveis de isolamento. Informações gerais, conside
rando o tipo de sobretensões no sistema, que poderiam ser es
peradas , tinham sido obtidas, e daí, testes de forma de onda
padrões foram feitos de forma a concordar com estes.Práticas
e experiências em laboratórios de teste foram revistos, tan
to que resultados repetitivos poderiam ser obtidos em qual
quer um dos muitos laboratórios. Fabricantes tinham analisa
do estruturas isolantes', em maior detalhe, de forma a asse
gurar que os níveis de isolamento fossem obtidos. A compre
ensão e a evolução dos dispositivos de proteção, tais como
centelhadores de hastes e pãra-raios, tinham sido alcançados
e incorporados nas decisões dos níveis de isolamento solici
tados. Este processo geral ê uma função contínua que deve ser
avaliada numa base regular, para assegurar que a novíssima tec
nologia possa ser aplicada prática e confiavelmente nos equi
pamentos do sistema de potência, deste modo alcançando melho-
rias econômicas no sistema. Como um exemplo, as primeiras nor
mativas para teste de impulso em transformadores especifica
vam que o teste de impulso deveria ser superposto ã onda de
tensão em freqüência nominal com a polaridade do impulso o-
posta ao pico de tensão na freqüência industrial. Ficou de
monstrado, durante este período, que, com as melhorias nos
pãra-raios, havia uma margem adequada entre a proteção do trans
formador e a capabilidade do mesmo e que a aplicação simultâ
nea de tensões de impulso e de freqüência industrial poderiam
ser dispensadas. Isto simplificou enormemente os testes de
transformadores e também simplificou a detecção de faltas du
rante os testes de impulso.
Desde os primeiros trabalhos sobre as necessidades
de isolamento dos equipamentos, novas pesquisas têm sido im
plementadas. Obviamente, melhorias nos materiais e conheci
mento das estruturas de isolamento têm permitido menores, po
rem ainda confiáveis, sistemas de isolamento para determina
das classes de tensão de equipamentos.
A evolução nos sistemas de aterramento e nos níveis
e a duração da proteção pelos pãra-raios têm resultado em
"níveis de isolamento reduzidos"(isto é, valores de BIL abai
xo do proposto nível de "teste de isolamento pleno"). O "teste
de isolamento pleno" é, realmente, visto somente pelo inte
resse histórico, porque atualmente existem relações padrões
de níveis de teste de isolamento para a maior parte dos equi
pamentos . No extremo do espectro das extra altas tensões, o
projetista pode escolher níveis de teste a partir de um con
junto de níveis de proteção possíveis, os quais estão também
relacionados nos padrões. Um melhor entendimento das neces
sidades de isolamento,para surtos de manobra em 60 Hz e con
dições de impulso, está levando a industria a novas proposi
ções na metodologia de especificação da capabilidade e neces
sidades das estruturas de isolamento de transformadores. Porexemplo, testes de Corona (a serem discutidos em Capítulo pos
terior) em transformadores podem ser usados para dar infor
mações substanciais sobre a integridade do sistema de iso-
lação acima do espectro de tensões de surto e em freqüência
industrial.
Melhoria nos níveis de proteção dos pára-raios têm
permitido uma redução nas necessidades de isolamento ditadas
por condições de impulso, especialmente em níveis altos de
tensão. Esta redução no nível de proteção dos pãra-raios tem
tido lugar com muito ênfase nas especificações de surto de
manobra dos equipamentos. Surtos de chaveamento tomam-se im
portantes, em níveis de extra e ultra altas tensões, por duas
razões básicas. Primeiro, a capabilidade de isolação do equi
pamento tem a tendência de saturação. Isto é, um aumento na
distância de ruptura não corresponde a um incremento propor
cional na capacidade de isolamento. Então, duplicando a dis
tância de ruptura teremos menos que o dobro da capacidade de
isolação nominal. Em segundo lugar, para níveis de ultra e
extra alta tensão, a energia dos surtos de manobra é substan
cialmente maior do que a energia que poderia ocorrer a par
tir de surtos atmosféricos típicos que incidem em uma subes
tação. Dispositivos de proteção devem ser projetados para
absorver estes grandes blocos de energia.
Historicamente, a maior ênfase, na coordenação de
isolamento, tem sido no equipamento, primariamente, na ca-
pabilidade de isolamento dos transformadores. Isto porque o
trânsformador tem o mais alto preço de todos os equipamentos
expostos a sobretensões excessivas. Muitos dos conceitos e
regras, que foram desenvolvidos para transformadores, têm
sido aplicados para outros equipamentos. Quando entramos em
tensões mais altas, hã incentivos econômicos, em usar con
ceitos de projeto de coordenação de isolamento, mesmo para
estudos de projetos de linhas de transmissão. No caso de e-
quipamentos isolantes, o projetista poderia escolher um pro
jeto com probabilidade nula de falha, se possível, enquanto
que, no estudo do projeto da linha, poderia ser especifica
da uma probabilidade razoável de descarga na linha, porque
um defeito de linha ê eliminado uma vez que a parte em fal
ta seja temporariamente desenergizada. Estes conceitos es
tatísticos estão também sendo discutidos na indústria, em
relação â auto-restauração de estruturas isolantes em subes
tações. Neste caso, o custo, em termos econômicos, de uma
falha de auto-restauração de parte do equipamento da subes
tação é geralmente maior do que o custo resultante da aber
tura de uma linha isolada, porque teriamos, então, uma per
da maior da capabilidade do sistema.
Com o uso de tensões cada vez altas em sistemas
elétricos de potência, haverá uma contínua reavaliação dos
conceitos de coordenação de isolamento para estes novos sis
temas. As regras fundamentais usádas nos conceitos de coor
denação de isolamento podem ser modificadas, tanto quanto
maiores detalhes das sobretensões em sistemas de potência
forem sendo acumulados. Nçvos materiais, maior conhecimento
das estruturas isolantes, e mesmo, novos tipos de equipa
mentos podem ser trazidos ã luz, no futuro, para modificar
as regras de coordenação de isolamento existentes. Mas,como
estas regras são revisadas, haverã sempre uma tendência a
manter uma certa margem entre os níveis de tensões espera
dos (esforços) e as capabilidades nominais esperadas do e-
quipamento, para assegurar-lhe uma vida longa e disponível,
tanto no sistema planejado como em suas variações alguns a-
nos mais tarde.
IV - ESFORÇOS ELÉTRICOS
O propósito desta seção ê revisar, de maneira ge
ral, os vários tipos de esforços elétricos que podem ocor
rer em sistemas de potência elétrica. A intenção aqui ê re
visar todo o espectro de surtos, em lugar de limitar a dis
cussão a, somente, alguns surtos que podem, por exemplo,in
fluenciar decisões de coordenação de isolamento em transfor
madores de potência. Então, com esta fundamentação, deci
sões posteriores poderão ser avaliadas no projeto de coor
denação de isolamento de linhas de transmissão na auto-res-
tauração do isolamento, em subestações e na inexistência desta
auto-restauração em certos equipamentos.
A. ESFORÇOS DE SOBRETENSÕES DE IMPULSO
Como foi frisado anteriormente, sobretensões de
impulso são comumente encaradas como resultantes de descar
gas atmosféricas em sistemas de transmissão. Enquanto hã uma
considerável controvérsia a respeito da detalhada natureza
dos surtos atmosféricos, existe um grande numero de obser
vações de caráter geral, as quais podem ser comumente con
sideradas 10 rl x. Descargas atmosféricas diretas podem ter um
módulo de pico de corrente desde algumas centenas , até va
lores permissíveis da ordem de 200 000 ampêres, com um tem
po de alcance db pico, que vai desde uma fração de micros-
segundo até vários microssegundos. A descarga atmosférica ê
mais comumente vista como um impulso isolado, mas hã muitos
registros que mostram a possibilidade de ocorrer ‘‘múltiplas
descargas". Estas descargas,em geral, repetem-se no mesmo
ponto da ocorrência original, podendo ocorrer em grupos va
riados em um segundo, ou o conjunto de descarga pode ocorrer
durante vários segundos10. Ha provavelmente alguma correlação
entre o módulo de pico medio da corrente e o tempo para a-
tingir o pico, mas isto não é bem entendido e geralmente não
ê fatorizado dentro de estudos analíticos, usando esta in
formação. Em estudos de aplicação, uma descarga atmosféri
ca ê comumente suposta como uma injeção de corrente no sis
tema de potência, e em tal modelo, a corrente dentro do sis
tema ê independente da tensão deste, resultante da corren
te. Se uma corrente de, digamos, 50 000 ampêres ê injetada
por um surto, numa impedância de 400 ohms, a sobretensão re
sultante poderia ser da ordem de 20 000 kV. Para razoes tí
picas de crescimento da corrente, qualquer uma poderia an
tecipar uma taxa alta típica de crescimento de tensão (1 000
â 10 000 kV por microssegundo).
Descarga atmosférica em uma torre
Este problema foi discutido em detalhe no Capítulo
9 do livro Teoria das Linhas de Transmissão e pode ser su-
marizado como segue. Quando uma descarga atmosférica incide
em uma torre, o potencial do topo da torreé determinado pri
mariamente pela corrente dè descarga e pela resistência do
pê da torre. Se a tensão da torre excede a capabilidade de
isolamento da cadeia de isoladores numa fase dos condutores,
esta rompe, resultando numa corrente de impulso fluindo nu
ma fase (observe-se que nenhuma corrente flui na fase antes
do isolamento romper). Esta corrente de impulso pode propa
gar-se em direção a uma subestação e, neste processo, pode
ser atenuada pelas perdas resistivas no sistema, bem como pe
lo efeito Corona. Se a corrente na fase flui após ocorrer a
ruptura, produz-se uma tensão através da cadeia de isola
dores de uma corrente adjacente com módulo significante, e
esta torre adjacente pode também ter sua cadeia rompida.En
tretanto, a tensão impulsiva, que pode atingir a subestação,
é limitada pela mãxima tensão nominal de isolamento da li
nha de transmissão e da corrente de impulso de descarga re
sultante, a qual pode atingir uma subestação, e serã deter
minada aproximadamente pelo impulso nominal da linha de trans
missão, dividido pela impedância de surto efetiva da linha.
Exemplo: tipicamente, uma linha de transmissão de
345kV com 18 isoladores terá uma tensão de impulso nominal
de aproximadamente 2 500kV. Supondo uma impedância de surto
efetiva de aproximadamente 350 ohms, a mãxima corrente im
pulsiva, que poderã chegar a uma subestação, é:
_____^Impulso nominal_______ 2 500 000 = ̂ 150A
Impedância de surto efetiva 350
Descarga atmosférica numa fase
Muitas linhas de transmissão são projetadas com
cabos de cobertura sobre os condutores. Os cabos reduzem o
esforço de tensão através do isolamento das fases dos con
dutores, após ocorrer uma descarga atmosférica em uma torree, adicionalmente, propõe-se a interceptar o surto atmosfé
rico, minimizando a possibilidade de incidência direta da des
carga nas fases.
Uma descarga atmosférica, incidindo nos condutores
sem atingir os cabos guarda e produzindo a ruptura do iso
lamento da linha, ê comumente chamada de falha de blindagem.
Se a descarga atmosférica alcança poucos milhares de ampê-
res, seria possível que a tensão resultante, através da ca
deia de isoladores, seja menor do que o isolamento impulsi
vo nominal da linha, permitindo, então, que um impulso de
corrente atinja a subestação. Se a descarga numa fase dos
condutores é um surto alto de corrente, a tensão, através da
cadeia de isoladores da fase atingida na proximidade da tor
re, causara a ruptura. Entretanto, mesmo por falha da blin
dagem, o modulo da corrente incidente numa subestação pró
xima, estaria limitada pelo nível de impulso nominal da iso-
lação da linha de transmissão. Nestas condições, correntes
impulsivas atmosféricas típicas numa subestação são da or
dem de poucos milhares de ampêres. Obviamente, se um impul
so atmosférico resulta de uma falha de blindagem, digamos,
nas proximidades de uma subestação, seria possível ter um
modulo muito superior de corrente impulsiva entrando na su
bestação. Freqüentemente a blindagem de uma linha de trans
missão ê projetada para manter uma proteção melhor para sur
tos atmosféricos para as primeiras milhas de linhas que par
tem da subestação.
Ê possível ter também uma descarga atmosférica di
reta numa fase dos condutores da subestação. Enquanto que o
mais alto surto de corrente registrado numa subestação se
ja da ordem de 20 000A, alguns engenheiros estimam que ní
veis de surtos de correntes mais altos poderiam ocorrer a
partir de uma falha de blindagem numa subestação. As altas
correntes dos testes padrões de curta duração em pãra-raios
determinam a necessidades destes de ter possibilidade de condu
zir surtos de corrente de curta duração sem danos mecânicos
ou descargas externas no pãra-raios. Normalmente, as subes
tações usam cabos de blindagem para efetivamente proteger os
condutores da subestação, da possibilidade de incidência di
reta de descarga. Uma descarga atmosférica no cabo de co
bertura da subestação deveria ser conduzida â terra pela ma
lha de terra da mesma.
Proteção contra sobretensões impulsivas
Pãra-raios(*) foram originalmente projetados para
proteger os equipamentos de sistemas de potência das sobre
tensões atmosféricas impulsivas e ainda são usados com este
fim. 0 pãra-raio deve disparar, provendo um caminho para a
terra para a corrente impulsiva e, apõs, restaurar-se, ou
seja, parar de conduzir a corrente resultante da tensão em
N.T. - Prefere-se usar hoje o termo "dissipador de surto",
. em lugar de pãra-raios.
freqüência nominal. O pãra-raios executa esta função de pro
teção, drenando a corrente do sistema de potência, atuando
como uma carga e, deste modo, mantendo baixa a tensão do sis
tema durante a ocorrência do impulso. Um resistor não linear
é usado em serie com centelhadores para limitar a corrente
em 60Hz, permitindo aos centelhadores auto-restaurarem-se.
Para manter a tensão impulsiva no pãra-raios baixa, mesmo du
rante correntes muito altas, é necessário usar resistores não
lineares nos pãra-raios. Valores tabulados da tensão IR
do pãra-raios para intervalos de correntes, normalmente com
preendidas entre 5kA, lOkA e 20kA, dão uma indicação do mo
dulo de tensão esperada no pãra-raios durante o intervalo em
que este está conduzindo a corrente para terra. A tensão re
sultante, no pãra-raios ê aquela em que o resto do equipamen
to estará exposto. Comumente, a coordenação de isolamento terã
a tensão IR do pãra-raios associada com uma corrente da or
dem de 5 a lOkA, a qual pode tipicamente entrar numa subes
tação (como a calculada no exemplo anterior). Este ponto se
rá discutido novamente no Capítulo das característica dos
pãra-raios.
Em alguns casos, centelhadores no ar (hastes es-
paçadoras são usadas na função de proteção)12; 0 centelhador
no ar não tem resistência limitante da corrente; então, um
centelhador rompido é equivalente a uma falta no sistema.
Quando o centelhador protege o isolamento pela descarga faz-
se necessário a operação de um disjuntor do sistema, neces
sário para eliminar a corrente no espaçador.
B. SOBRETENSÕES RESULTANTES DE MANOBRAS NO SISTEMA
Surtos de manobra são resultantes da operação de
chaveamento dos disjuntores do sistema de potência. Estes
podem ser classificados em dois tipos principais:
1. Surtos de manobra (1 ou' 2 ciclos em 60Hz)
a) energização de linhas, cabos, transformadores
reatores e barramentos
b) reenergização ou religamento de alta velocidade
de linhas
c) surto devido às tensões de restabelecimento de
vido a faltas em linhas ou cabos
2. Sobretensões temporárias (muitos ciclos em 60Hz)
a) manobras em transformadores situados em terminais
de linhas de transmissão
b) rejeição de carga
c) ferro-ressonância
Cada um destes tipos de sobretensões será discutido
brevemente.
Sobretensões de manobra
Uma energização transitória5 resulta da conexão de
uma linha, cabo, transformador, reator derivação, ou barra-
mento a um sistema energizado pelo fechamento de um disjun
tor. Normalmente, o equipamento a ser energizado estã des
ligado por algum tempo; portanto, não hã condições iniciais
no mesmo (algumas vezes referidas como condiçõesquiesoentes).
Em muitos casos, a injeção brusca de corrente produzira u-
ma tensão, a qual atingira o valor duplo da fonte de tensão
(valor típico para condições monofãsicas).
Figura 1.02
Tensão transitória de energização
Em um sistema trifãsico hã acoplamento entre as fa
ses, o que pode resultar em módulos de surto de energização*.
maiores do que aqueles que poderiam ser previstos, baseados
no estudo de circuitos monofãsicos. Tipicamente, surtos de
tensão de energização em linhas de transmissão trifãsicas es
tão na ordem de 2,5 a 3,0 p.u. Muitos disjuntores de cir
cuitos em extra alta tensão usam resistores de prê-inserção
no fechamento dos contatos do circuito do disjuntor, o qual
tende a reduzir o modulo do surto de energizaçãoa níveis da
ordem de 1,5 a 2,1 p.u..
propósitos desta discussão, da reenergização em alta velo
cidade de uma linha, transformador, cabo ou barramento do
sistema, o qual estava previamente energizado. Esta reener
gização normalmente ocorrerá após um tempo morto 15 a 30 ci
clos, depois de ter ocorrido a desenergização. Uma linha de
transmissão, energizada somente em uma extremidade,apresen
ta uma corrente avançada, ou seja, capacitiva e a interrup
ção da corrente excitação em 60Hz, tendo-se, então, corren
te nula resultando numa carga distribuída ou uma tensão i-
gual â fonte de tensão na linha. Isto ocorre porque existe
uma carga localizada na capacitância efetiva da linha. En
tretanto, o religamento da linha pode resultar num grande
transitório, se a fonte de tensão e a carga distribuída te
nha polaridade oposta, e resultará em nenhum transitório,se
a fonte de tensão e a carga distribuída tiverem a mesma po
laridade e módulo.
Os religamentos transitórios5 resultam, para os
CARGA DISTRIBUÍDA NEGATIVA
3-
I
^TRANSITÓRIO DE RELIGAMENTO
CARGA DISTRIBUÍDA
Figura 1.03
Tensão transitória de religamento
Num circuito simples monofãsico mostra-se que o transitório
resultante de um religamento pode alcançar tensões de 3,0
p.u. Como no caso de energização, o acoplamento entre fa
ses num circuito trifãsico pode resultar em níveis de sur
to elevados. Tipicamente, surtos de religamento transitórios
em sistemas de potência estão entre 2,5 e 3,5 ate 4,0 p.u.
Através do uso de resistores de pré-inserçio em disjuntores
de extra ultra tensão, os níveis de surtos de religamento podem
ser reduzidos a 1,2 ate 2,5 p.u. No caso de religamento de
linhas de transmissão, tendo-se a elas conectado reatores em
derivação, a carga distribuída normalmente, durante o tempo
morto,produzirá uma tensão oscilante de valor situado entre
zero e um por unidade da tensão do sistema. A freqüência de
oscilação ê uma função do comprimento da linha e da capaci
dade dos reatores em derivação. Em ambos os casos, isto ê,
com o religamento de uma linha de transmissão e com o reli-
gamento0desta com reatores em derivação a ela conectados, o
religamento toma lugar num sistema, com alguma carga distri
buída no mesmo. Isto resulta em sobretensões transitórias de
energização e reenergização, cada vez mais severas do que a-
quelas energizações de circuitos no estado permanente (ou
seja, com condições iniciais não nulas).
O religamento de uma combinação de linha de trans-
missão/transformador, geralmente produzirá um surto igual à-
quele resultante de uma energização, devido a que a carga terá
de decair a zero em um tempo morto normal. A capacitância da
linha e a reatância magnetizante não linear do transformador
torna um circuito oscilador não linear de grandes perdas que
dissipam energia. Neste caso, as tensões transitórias de *e-
energização normalmente será de mesmo módulo das sobretensões
de energização.
A forma de onda e a natureza dos transitórios de
energização e reenergização são basicamente as mesmas. O tran
sitório de religamento, entretanto, será naqueles casos on
de a carga distribuída está presente, mais oscilatõrio por
natureza e contém mais energia do que o transitório de ener
gização para este mesmo sistema.
Os resultados da tensão de escorvamento 13'11+,a par
tir do colapso da tensão, cresce através dos contatos de cir
cuito aberto do disjuntor, após a subseqüente abertura do cir
cuito.
Disjuntores de sistemas devem ser projetados para
um valor padrão ou especificado de taxa de crescimentoe mó
dulo da tensão de escorvamento.
Se a tensão de escorvamento cresce numa taxa maior
do que a capabilidade do dielêtrico cresce numa interrupção
normal, o disjuntor terã a formação de arco. Se isto ocorre
repetitivamente, a tensão transitória do sistema pode tor
nar- se excessiva e/ou podendo ocorrer falha no disjuntor.
INDUTANCIA DA FONTE
‘0
xmam-
. CHAVE ABERTA QUANDO OCORRE
O ARCO VOLTAICO
CARGA CAPACITIVA
L
CORRENTE
CHAVE
Figura 1.04
Tensão transitória de escorvamento
Tensões transitórias de escorvamento geralmente
tem um módulo de 2,0 a 3,0 por unidade, mas em alguns sis
temas desaterrados, escorvamentos repetidos podem teorica
mente sobrepor-se a um efeito correspondente a valores mui
to altos. Ha tentativas de projetar disjuntores que permi
tam o livre escorvamento, mas o problema ainda permanecera
com alguma extensão. Os projetos ou aproximações fundamen
tais (disjuntores a óleo, ar, gãs ou vãcuo) influenciam a
sensitividade para este tipo de sobretensões. Disjuntores
modernos têm, em geral, uma probabilidade muito menor de es-
corvar, do que o equipamento usado nos primordios da indus
tria de energia elétrica.
Tensões de escorvamento resultantes do colapso da
tensão de restabelecimento através dos contatos do disjuntor
podem também ser geradas quando são energizados transforma
dores através da corrente magnetizante. Este problema exis
te quando não hã outro equipamento no lado de alta tensão do
transformador e geralmente resulta da interrupção da cor
rente pelo disjuntor, para fracas correntes magnetizantes
do transformador. Hoje, o problema é menos severo do que al
guns anos atras. A diferença resulta do tipo de núcleo de
aço usado nos modernos transformadores.
Sobretensões temporárias
A energização ou religamento de linha de transmis-
são/transformador5 pode produzir tensões de longa duração de
vido à corrente de surto no transformador. Neste caso, o sur
to produzido não será necessariamente altamente oscilatõrio,
mas conterá tanto componentes harmônicas como sub-harmonicas,
e, como resultado, freqüentemente serão sustentadas por mui
tos ciclos. Desta forma, o surto de manobra pode ser referido
como "sobretensões dinâmicas", porque freqüentemente são in
terpretadas mais como uma tensão em 60Hz do que como um im
pulso de sobretensão.
INDUTÂNCIA da FONTE a CAPACITÂNCIA d a l i n h a d e t r a n s m is s ã o p o d e
✓ TORNAR-SE PARTE DE UM C IR C U ITO RESSONANTE
' U_.X * -
60 Hí Q 1 1 1 i |L EQUIVALENTE DO TRANSFORMADOR III®— COMO UMA DERIVAÇÃO MAQNETICA
NÃO LINEAR
TRANSITÓRIO
Figura 1.05
Energização do transformador
O modulo dos transitórios iniciais em manobras de
linha/transformador ê de mesma ordem daqueles resultantes da
energização de linha, mas as sobretensões de longa duração
seguintes podem causar problemas de coordenação de isola
mento pela influência da operação de dissipadores de surto.
Isto serã discutido em um Capítulo posterior.
A rejeição de carga15916 pode ser considerada como
uma sobretensão induzida no sistema, a qual inicialmente a-
parece a partir de uma súbita perda de carga no sistema. O
problema rejeição de carga normalmente ocorre em sistema onde
fontes de geração suprem cargas radialmente através de uma
única linha de transmissão. Isto ê mais comum em sistemas hi-
dro, onde sobrevelocidades podem ser maiores, mas algumas
usinas térmicas que podem suprir uma carga através de uma
linha radial podem também resultar sobretensões devido a re
jeição de carga.
A abertura do disjuntor do terminal de carga da
linha resultará num possível problema de rejeição de carga.
Antes da abertura do disjuntor do receptor, a tensão inter
na do gerador ê mais alta do que sua tensão terminal. Na o
corrência da abertura do disjuntor, a tensão terminal do ge
rador e sua associada no lado de alta do transformador ele
vador imediatamente tenderão para um nível de tensão interna
superior, dependendo da capacitância da linha ou cabo. De
vido à sobretensão, os transformadores podem imediatamente
saturar, e, devido â perda de carga, o gerador disparara. 0
regulador de velocidade do gerador e do controle de excita
ção tendera a reduzir seus valores controlados de velocida
de e tensão aos.valores normais. A tensão no lado receptor
da linha pode ser significantemente maior do que aquela do
gerador, devido à elevação Ferranti, enquanto o efeito adi
cional da sobrefreqüência aumenta a reatância indutiva série,
bem como a corrente de excitação da linha. Um transformador
ligado ao lado receptor da linha também satura, requerendo
correntes harmônicas que podem resultar em sobretensões no
sistema, devido a condição de ressonância. O efeito de har
mônicos gerados em transformadores aumenta consideravelmente
a extensão da sobretensão que ê sustentada pelo sistema. A-
través de todo o período de sobrevelocidade, os equipamentos
da linha, transformador e qualquer outro equipamento asso
ciado a eles experimentarão condições de sobretensão.Sobre
tensões de rejeição de carga não são, geralmente, tão seve
ras em módulo, como aquelas resultantes da energização da
linha, mas a natureza de longa duração da sobretensão pode
influenciar a aplicação de dissipadores de surto.
Ferro-ressonância 17 pode ocorrer em sistemas com
reatância de magnetização não linear de um transformador em
ressonância com alguma capacitância associada. Tais condi
ções podem existir em sistemas EAT, quando transformadores
são energizados através de capacitores série.Freqüentemente,
o problema é associado com sistemas de distribuição, onde
grandes valores de capacitâncias estão presentes na forma de
cabos subterrâneos, e transformadores estão presentes em su
bestações. A queima de fusíveis série, ou ligação das chaves
monofãsicas ou bifãsicas dentro de sistemas de distribuição
são duas condições capazes de posicionar uma rede a ter pro
priedades ferro-ressonantes. As sobretensões ferro-ressonantes
podem ser de natureza aleatória, onde a rede se posicionar,
dentro ou fora da área de ressonância, por período de alguns
ciclos, ate alguns poucos segundos. Para chaveamentos tri-
fãsicos normais, as sobretensões ferro-ressonantes geralmente_ tnão influem.
GERADOR
Figura 1.06Sobretensão de rejeição de carga
Proteção contra surtos de manobra
Geralmente, dissipadores de surtos são previstos
para proteger o sistema contra surtos transitórios decres
centes. Isto é, qualquer surto de manobra, que basicamente,
seja uma tensão de alto valor, resultará na descarga do dis-
sipador e subseqüente proteção do sistema. É necessário que
o dissipador de surto seja capaz de dissipar a energia ar
mazenada no surto de manobra. Em sistemas EAT, a proteção
contra surtos de tensão pode ser alcançada pela modificação
de disjuntores para minimizar os surtos gerados. Ito é fei
to pela pré-inserção de um resistor em serie com o disjun
tor quandoo sistema é energizado, possivelmente somente para
uma fração de ciclo. Então o resistor ê curto-circuitado pe
lo fechamento dos contatos principais do disjuntor. Neste ca
so, dois transitórios são gerados; um quando energizamos a-
travês do resistor, e outro quando curto-circuitamos este.
O efeito total destes dois transtõrios podem, por projeto,
ser menores do que os transitórios resultantes da ligação
normal sem o resistor.
A proteção contra sobretensões temporárias, ou de
longa duração, são algo diferentes.
Geralmente, um dissipador de surto não pode ser u-
sado para descarregar repetitivamente para um período demui-
tos ciclos para controlar estes surtos de longa duração. Tais
descargas repetitivas podem provavelmente causar danos ou fa
lhas mesmo em modernos dissipadores, especialmente se estas
descargas ocorrem em sistemas com alta capabilidade de cur
to-circuito em MVA. Sobretensões temporárias podem ser con
troladas através da operação do sistema, isto ê, evitando
condições de operação que produzam sobretensões , ou através
de qualquer outra técnica, tal como o uso de reatores em de
rivação de alta tensão. Sobretensões do tipo de rejeição de
carga podem ser influenciadas substancialmente pelo contro
le de excitação dos geradores das usinas do sistema.
C. CONSIDERAÇÕES DA TENSÃO DO ESTADO PERMANENTE
Todo o equipamento do sistema pode ser projetado
para tensões de linha normal em 60Hz. Isto ê verdade para to
do o caminho isolante, desde o transformador até a cadeia de
isoladores da estrutura da linha de transmissão. Alguns as
pectos do projeto de coordenação de isolamento pode ser dis
cutido com relação a tensões em 60Hz sob condições de ope
ração normal, enquanto outros aspectos do problema dividir-
se-ão em tensões anormais que são, efetivamente, sobreten
sões permanentes. Sobretensões anormais geralmente resultam
de alguma condição não usual ou temporária no sistema de trans
missão.
Considerações de condições normais em 60Hz
A distância de ruptura isolante^tanto para linhas
de transmissão como para os equipamentos da subestação de
vem ser suficientes para evitar descargas em condições nor
mais. Uma das restrições limitantes do projeto ê a mãxima
oscilação da linha próxima à cadeia de isoladores, durante
condições de vento forte (possivelmente 30 graus, ou mais,a
partir de sua posição vertical durante ventos fortes). A dis
tancia de ruptura sob condições de vento é um dos fatores que
devem ser incorporados ao projeto mínimo de transmissão. Is
so é melhor feito pela consideração estatística do vento e
predizendo características da configuração da cadeia de iso-
ladores do condutor. 0 uso de cadeia em V elimina este pro
blema.
A contaminação de isolamento 18'19 esta tomando um
dos maiores problemas em níveis altos de tensão, enquanto, em
algumas áreas, isto tem sido do maior interesse, mesmo em
níveis de baixas tensões. A contaminação normal, a partir da
neblina marítima ou respingos salgados vindos o oceano, bem
como poeira vinda de fertilizantes ou adubos para plantas,
acumula-se nas superfícies dos isoladores. A contaminação
tem pouca influência quando os isoladores estão secos; mas
com isoladores molhados, devido ao orvalho ou durante ne
blina, tendem a conduzir correntes substanciais através des
ta contaminação, resultando na formação de faixas secas.Al
ternando com regiões condutoras (região molhada) e não con-
dutoras (faixas secas) resulta em um gradiente de tensão não
muito uniforme ao longo da cadeia de isoladores, e em des
cargas, mesmo em tensão normal. Há vários estudos que estão
sendo levados a efeito em todo o mundo para desenvolver in
formações de projeto quantitativas sobre este problema.
A contaminação ê um problema de projeto importan
te tanto para todos os isoladores dos equipamentos elétri
cos numa subestação, bem como para os isoladores de subes
tação das estruturas da subestação. Além disso, a contami
nação em superfícies externas de dissipadores de surto pode
produzir gradientes diferentes ao longo da superfície do
dissipador com descarga reduzida. Se a descarga no dissipa-
dor ocorre em tensão normal, na freqüência industrial, pode
ocorrer danos ou mesmo falha no dissipador. Em algumas áreas
a grande contaminação força as companhias a periodicamente,
lavar as superfícies dos isoladores com jatos de água em al
ta pressão.
Condições de sobretensões anormais em 60Hz
(Sobretensões temporárias)
Sobretensões em 60Hz, que podem ocorrer sob con
dições anormais, incluem:
1. Faltas fase-terra
2. Acoplamento ressonante
3. Abertura de condutores
Faltas fase-terra10, em um sistema desaterrado, produzem ten
sões de linha elevadas nas duas fases sem defeito. Em sis
temas aterrados, o mõdulo da tensão nas fases sem defeito
será determinado pela impedância de aterramento (Veja Capí
tulo 9 - Analise de Sistemas de Potência).
Adicionalmente, a necessidade de reduzir as con
dições de isolamento, prevendo-se níveis garantidos de pro
teção através de dissipadores de surto tão baixos quanto
possível, resulta, então, que o problema de tensões transi
tórias causa um possível perigo para a vida do próprio dis
sipador.
Sobretensões ressonantes podem ocorrer em muitas situações.
Um exemplo ê o que resulta de uma linha com circuito duplo
com reatores em derivação20. Se um dos circuitos é energi-
zado, enquanto o outro esta desenergizado, o reator em de
rivação da linha energizado combina-se com a capacitância
mútua entre linhas formando uma malha ressonante. Tensões
elevadas poderão ser geradas nos terminais do reator em de
rivação pela tensão de seqüência zero do circuito energiza
do. Um valor típico da reatância em derivação, escolhido a
dequadamente para o controle de tensão ou potência reativa
da linha de circuito duplo, pode formar o circuito resso
nante com a capacitância entre circuitos. Este problema foi
discutido no Capítulo 10 da Teoria das Linhas de Transmis
são.
Condutores abertos 17 21, em sistemas de potência trifásicos,
introduzem um possível problema de ressonância série. Capa-
citâncias de linhas ou de cabos podem interagir com a rea-
tância magnetizante do transformador ou reatância do siste
ma para formar um circuito serie ressonante, quando uma das
três fases esta aberta. Isto pode resultar em ferro-resso-
nância. Como para faltas fase-terra isoladas, a sobretensão
que aparece entre a linha e a terra serã normalmente uma
função dos parâmetros de impedâncias de seqüência zero, po
sitiva e negativa.
D. SUMÃRIO DAS SOBKETENSÕES DE MANOBRA E EM 60Hz
As tabelas I e II sumarizam os tipos e módulos das
sobretensões geralmente esperadas em sistema. Isto inclui as
sobretensões tanto de manobra como temporárias. Os módulos
lançados dentro das tabelas são típicos e têm sido compro
vados através de muitos anos em analisadores digitais e a-
nalõgicos e testes de campo.
A Tabela I mostra o efeito significante do dis
juntor de prê-inserção durante a seqüência de energização e
religamento de linhas aéreas. Esta modificação ê indispen
sável para elevar o nível de EAT e, além disso, se o siste
ma isolante dos espaçadores da torre permanecem ainda eco
nomicamente alcançados, uma conseqüência fortuita do uso de
disjuntores modificados é que reduz-se significativamente o
esforço no dissipador de surtos,o qual tem de proteger ab
sorvendo a energia do surto transitório de manobra.
Ocorrendo sobretensões temporárias, nenhuma modi
ficação ê feita nos equipamentos de manobra, para expressa
mente limitar tais sobretensões. A escolha de reatores de
compensação, o projeto de controle da excitação de geração
e a escolha dos reles de proteção podem ser usados para con
trolar o mõdulo e a duração de tais surtos. Adicionalmente,
os sistemas de isolação requerem capacidades de longa dura
ção que permitam suportar os esforços impostos.
O estudo cuidadoso dos procedimentos de operação
do sistema serve como função de proteção, reduzindo a taxa
de ocorrências e a duração destas sobretensões temporárias.
T A B E L A X
SUMARIO DOS NlVEIS DE SOBRETENSÕES DE MANOBRA. o
Surtos de fechamento do disiuntor Surtos de abertura do disiuntor
Equipamento
manobrado
Disjuntor sem resistor de
prê-inserção
Disjuntor com'resistor de
pré-inserção
Sobretensão de
. restabelecimen-
Sobretensão
pela_inter
rupção de
corrente
C O M E N T Á R I O S
Energizaçao Rs ligamento Energizaçao Re ligamento to
Linha de
transmissão
2,5 a 3,0 p.u. 2,5 a 4,0 p.u. 1,5 a 2,1 p.u. 1.7 a 2,5 p.u. 2,0 a
3,0* p.u.
Nada
esperado
(1)* A abertura da linha ou a capabili-
dade de chaveamento com caracteris
ca capacitiva de um disjuntor fre-
qüentemente determina a probabili
dade de re acendimento do arco
Linha de
transmissão e
trans formador
2,5 a 3,0 p.u. 2,5 a 3,0 p.u. 1,5 a 2,1 p.u. 1,5 a 2,1 p.u. 2.0 a
3.0 p.u.
Nada
esperado
Transformador 1,2 a 1,5 p.u. 1,2 a 1,5 p.u. Nada
1,5 a
3,0* p.u.
(2)* Sobretensões por interrupção de
corrente não são comuns nos dis
juntores modernos de manobra dos
transformadores modernos; é mais
c o n c e r n e n t e aqui com disjuntores
a vácuo
Cabo
subterrâneo 2,0 a 2,5 p.u. 2,0 a 3,0 p.u. 1,5 a 2,0 p.u. 1,5 a 2,0 p.u. 2,0 a 3,0 p.u. Nadaesperado
Linha de trans
missão com rea
tor em deriva
ção para com
pensação
1,8 a 2,5 p.u. 2,0 a 3,5 p.u. 1,2 a 2,0 p.u. 1,5 a 2,0 p.u. 1,5 a 2,5 p.u. Nadaesperado
Manobra
em
reator
derivação
1,0 a 1,5 p.u. 1,0 a 1,5 p.u. 1,0 a
2,0* p.u.
(3)* Geralmente os disjuntores de
potência, usados para mano
bras com reatores, devem ser
especialmente projetados
Manobra em
capacitor 1,5 a 3,0 p.u. 2,0 a 3,5 p.u.
1,8 a
3,5* p.u. Nada * (Veja observação (1) acima)
Abertura de
barramento de
subestações
3,0** p.u. 1,5 a
3,0* p.u.
Nada
(4) * e ** Os disjuntores não geram
tais sobretensões, mas chaves des
ligadas podem gerar sobretensões
por múltiplos reaoendimentos no
fechamento e múltiplos reaoendi
mentos do arco quando da abertura
C
oorden
ação de Isolam
entos
TABELA II
SUMÁRIO DAS SOBKETENSÕES DE LONGA DURAÇÁO EM 60Hz
Tipo de
sobre tensão
Sistemas onde
o problema ê
mais comum
Evento in ic ia l Duração Parâmetros que afetam a duração Módulo
Parâmetros que afetam o
modulo
Energização de
linhas de
transmissão e
.transformador.
EAT & AT
Energização
trifasica
normal
2 a 20 ou 30
ciclos
Constantes do sistema:
indutância, capacitância e
perdas
1,1 â
1/5
p.u.
Os mesmos que afetam ã
duração
Rejeição
de
carga
EAT & AT
Operação de disjunto
res produzindo a per
da de carga em um
sistema radial
0,5 a 2,0
segundos
Constantes do sistema, indutância
do gerador, capacitância da linha
reatores em derivação, controle do
gerador, sobre ve locidade do gera
dor, condição in ic ia l de carga,
manobras adicionais, isto ê,
transferência de disparo
1,1 a
2,0
p.u.
São os mesmos parâmetros que afetam a
duração da sobre tensão sendo freqüen-
temente agravados pelos harmônicos
resultantes da saturação dos transfor
madores
Ferro-
ressonâncias EAT
Energização de um
ramo magnetizante de
um transformador
através de um capar
citor
Poucos ci
clos ou mais
do disparo
do disjuntor
Tamanho do transformador e do
capacitor serie
1,0 a
2,5
p.u.
Mesmos parâmetros que afetam a
duração
Perro-'
ressonâncias
Subtransmissão
e
Distribuição
Operação de manobra
monofãsica - Operar
ção de fusíveis
Função da fa
lha do equi
pamento
Capacitância do sistema, irtpedân-
cia magnetizante do transforma
dor, perdas, operação outras sec-
cionadoras ou fusíveis
1,3 a
2,5
[_£.u.
Mesmos parâmetros que afetam a
duração
Faltas
fase-terra EAT & AT
Ocorrência da
fa lta
2,0 a 5,0
ciclos
Tenpo de abertura do
disjuntor
1,1 a
1/3
p.u
Aterramento do sistema e, em alguns
casos, a sobretensão pode se agravada
pelos harmônicos devido â saturação
do transformador
Faltas
fase-terra
Subtransmissão
e
Distribuição
Ocorrência
da
fa lta
3,0 a 20,0
ciclos
Tempo de abertura dos disjunto
res ou fusíveis, também podendo
ser pela reincidência devido a
re ligamentos
1,1 a
2,0
p.u.
Aterramento do sistema; um sistema de
sate rr ado ou ocm alta iitpedância de a-
terramento resultará em tensões mais
elevadas do que as que ocorrem em sis
temas solidamente aterrados. A corren
te capacitiva em capacitores de deri
vação ou cabos podem produzir uma alta
tensão capacitiva (efeito Ferranti) a-
gravando a sobretensão.
Condutores
abertos
%— !____________ i
Subtransmissão
e
Distribuição
Fusível io u operação
de abertura monofã
sica
Poucos c i
clos até ccn-
tinuamente
Outras funções de proteção ou
falhas de equipamento determi
nando sobretensões
1,2 a
2,0
p.u.
Mesmas constantes anotadas na
ferro-ressonância
C
apítu
lo 1
U
m
a visão geral d
a coorden
ação isolam
ento
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APÊNDICE I
CONCEITOS MODERNOS DE COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO
PARTE I - PROTEÇÃO E SOBRETENSÕES
(*) D. E. Hedman
J. D. Mountford
A escolha das necessidades de isolamento elétrico
em sistemas de potência são comumente baseadas nos concei
tos de "coordenação de isolamento". O problema pode ser de
finido como o processo de correlação da rigidez isolante do
equipamento elétrico em relação às sobretensões esperadas e
com as características dos meios de proteção contra surtos,
assim reduzindo a um nível econômica e operacionalmente a-
ceitãvel da probabilidade de que os esforços de tensão re
sultantes causem danos ao isolamento do equipamento, ou a-
fetando a continuidade de serviço. A aplicação desta breve
descrição nas atuais instalações requer o conhecimento dos
surtos que podem ocorrer em sistemas, bem como o claro en
tendimento da natureza estatística do problema e da rigidez
elétrica do equipamento, bem definido por testes, tanto es
pecificados pelo comprador como imposto pelos padrões. Cer
tamente, o fator de controle na escolha da coordenação de
isolamento ê a economicidade, a qual demanda a minimização
dos investimentos para um dado nível de comportamento.
(*) Ambos do Power Technologies, Inc. - Schenectady, New York
Geralmente, esforços dielêtricos no isolamento sao
caracterizados em quatro tipos orincipais:
- sobretensões em freqüência industrial, não excedendo
a taxa mais alta de tensão do equipamento;
- sobretensões temporárias oscilantes em torno da fre
qüência industrial;
- sobretensões de manobra;
- sobretensões atmosféricas.
O modulo de cada um dos três últimos tipos de ten
sões podem ser avaliados de varias maneiras de analise, in
cluindo cálculos em computadores digitais, estudos em com
putadores analógicos, tal como usando o analisador transi
tório em redes (TNA) , e em analise final pela experiência de
campo em sistemas de potência. Aplicações com sucesso no
campo ê a melhor demonstração de que as decisões primarias
«foram adequadas do ponto de vista de comportamento, mas in-
fortunadamente, muitas das experiências de campo não dão uma
orientação definitiva dos sistemas futuros, onde ê desejá
vel, ou essencial, a redução dos níveis de isolamento do
sistema. 0 desenvolvimento de novos sistemas em 500kV e 765
kV tem demonstrado a inutilidade da analise de engenhariana
predição dos níveis de surto do sistema, bem como na avali
ação das maneiras de controlar estes níveis de surto. Em
muitos sistemas EAT, estudos específicos têm sido feitos com
o propósito de definir os níveis de surto para uso da ana
lise de coordenação de isolamento.
Qualquer analise de coordenação de isolamento po
de ser feita de forma mais efetiva se o Engenheiro tiver uma
referência bãsica,com a qual os resultados dos estudos podem
ser comparados.
O propósito da Parte I destas notas ê apresentar
uma visão geral dos níveis de sobretensões do sistema, que
podem comumente ocorrer no sistema, então, proporcionando, al
guma indicação de quais níveis de surtos de tensão podem ser
considerados mais amplamente numa analise detalhada do sis
tema. Adicionalmente, a função e comportamento dos disposi
tivos de proteção serão revistos relacionando-os a estes ní
veis de surto. A Parte II destas notas apresentara informa
ções mais interpretativas, definições detalhadas dos termos
usados nos estudos de coordenação de isolamento, e também
mostrarão o significado da interpretação estatística do pro
blema e relacionando-o aos métodos de coordenação de isola
mento convencionais.
SOBRETENSÕES EM SISTEMAS DE POTÊNCIA
Uma sobretensão de sistema e qualquer tensão va
riável no tempo, fase-terra ou entre fases, que excede ao
valor especificado correspondente à mais alta tensão contí
nua do equipamento. Comumente, as sobretensões são conside
radas em três grupos: sobretensões atmosféricas, sobreten
sões de manobra e sobretensões temporárias em torno da fre-
qüência industrial.
A maior distinção entre estes tipos de sobretensões de-
ve-se a suas durações
Sobretensões atmosféricas - vários microssegundos até
1 milissegundo;
Sobretensões de manobra - vários milissegundos até
vários ciclos;
Sobretensões temporárias - vários ciclos até vários
segundos ou mais.
Sobretensões atmosféricas
Resultam das descargas atmosféricas nas proximi
dades, ou diretamente nas linhas de transmissão, e são al
tamente atenuadas pela resistência e perdas por corona, an
tes de incidir na subestação.
Os impulsos podem viajar pelas linhas de transmis
são e incidir na subestação através das fases dos condutores,
primeiramente, e seguindo a descarga que produz a ruptura
por arco na linha de transmissão.
A rigidez ao impulso dos isoladores da li
nha de transmissão limitará o modulo do surto que pode
incidir na subestação, apôs qualquer descarga na linha de
transmissão, mais do que alguns vãos distantes da própria subes
tação, e tendo dissipadores de surto convenientemente ade
quados a proteger o equipamento de tais sobretensões impul
sivas. O mõdulo das sobretensões subseqüentes à descarga do
dissipador ê definido pela característica de tensão RI do
dissipador de surto. O nível da corrente de surto produzido
por esta tensão RI ê a razão existente entre a rigidez die-
lêtrica da torre e a impedância de surto da linha. Tipica
mente, a corrente de surto, que excede de 5 a 10 mil ampêres,
rompera o isolamento da linha, resultando na autoproteção da
linha de transmissão.
A proteção de descargas atmosféricas impulsivas de
todos os equipamentos terminais no sistema pode,geralmente,
ser alcançada sem estudos de engenharia específico, caso a
caso, de um sistema.
Sobretensões de manobra
Sobretensões de manobra, freqüentemente, ocorrem
durante operação normal de um sistema, por exemplo, a aber
tura e fechamento de disjuntores do sistema. O mais signi-
ficante surto de manobra, do ponto de vista da severidade e
probabilidade de ocorrência, são aqueles devido â energiza-
ção e religamento de alta velocidade de linhas de transmis
são, cabos e bancos de capacitores.
Além disso, a limitação ou corte de correntes em
sobretensões pode ser experimentado na desenergização de li
nhas, capacitores, reatores e transformadores por certos ti
pos de disjuntores. Do ponto de vista de coordenação de iso
lamento em sistemas EAT, a escolha da capacidade nominal do
dissipador de surto ê baseada primariamente nos surtos de e-
nergização e religamento. Tipicamente, o planejamento de
sistemas EAT proíbe o chaveamento de equipamentos de manobra
e portanto, surtos resultantes da desenergização são rele
vantes somente quando uma possibilidade de escorvamento ou
corte de corrente existe. Isso ê,•normalmente, considerado
somente no que concerne a equipamentos de manobra,tais como
cabos, reatores ou transformadores. Em muitos sistemas de
baixas tensões, a economicidade, ou restrições programadas,
freqüentemente evitam cálculos excessivos antes de escolher
o equipamento, e, como resultado, falhas do equipamento,re
sultante das deficiências de equipamentos de manobra são mais
comuns.
Surtos de manobra, em sistemas de EAT, têm como
característica transitórios com decréscimosrápidos e são de
natureza altamente oscilatõria. Surtos de energização e de
religamento de alta velocidade ocorrem em uma linha de trans
missão, a carga será distribuída da linha, durante o perío
do de desenergização. Se compensação reativa em derivação ê
ligada ã linha, a carga distribuída oscilará numa freqüên-
cia dependente tanto da capacitância da linha como da indu-
tância do reator em derivação. A presença desta carga serve
para tornar os transitórios de religamento mais severos do
que aqueles resultantes da energização da linha sem tensão.
Se um transformador de potência, ou mesmo potencial, ê li
gado ã linha de transmissão, a saturação do núcleo do trans
formador provocará a drenagem da carga distribuída da linha,
durante o período de desenergização. A carga oscilatõria
decairá a zero no circuito formado pela indutância não-li-
near do enrolamento do transformador e da capacitância da
linha e, portanto, não estará presente na reenergização. Um
fator adicional na determinação dos níveis de surto em li
nhas EAT ê a influência dos resistores para supressão de sur
tos, os quais são, algumas vezes, inseridos na seqüência de
fechamento dos disjuntores do sistema, com o propósito úni
co de reduzir o módulo dos surtos de energização e religa
mento.
Resistores para supressão de surto têm provado se
rem muito efetivos no controle dos níveis de sobretensões an
500 e 765kV, correspondendo à economidade, em isolamento de
linha e tamanho de torres. Especialmente quando as linhas são
prê-dimensionadas para níveis superiores de tensão.
Dados de sobretensões, devido a surtos de manobra,
obtidos em analisadores transitórios de redes ou em compu
tadores digitais, podem ser caracterizados de três formas.
As escolhas das técnicas de analise de coordenação de iso
lamento, a serem usadas no sistema, ditam as necessidades
descritivas do surto apropriado. As escolhas, canumente con
sideradas, são:
a. 0 nível máximo de sobretensão convencional de ma
nobra .
b. A distribuição estatística do surto de manobra.
c. 0 nível estatístico de surto de manobra.
Cada uma destas sobretensões características se-
rã discutida com mais detalhes em artigos subseqüentes,mas
um breve comentário será feito aqui. O nível máximo de sur
to de manobra ê usado como uma margem de segurança para de
finir a rigidez mínima para o equipamento operante exposto
a cada surto. A rigidez mínima seria escolhida como o “Ní
vel Básico de Impulso de Manobra" (NBIM). A distribuição
estatística do surto de manobra ê usada numa análise esta
tística completa do risco de descarga, o qual pode incluir
a influência estatística do tempo. O resultado de tais cál
culos ê a probabilidade de risco de descarga, a qual deve
ser avaliada relativamente ao comportamento e custo de cons
trução. O nível estatístico de surto de manobra ê um nível
de probabilidade de referência isolado, caracterizado por
um ünico ponto da distribuição de sobretensões de um surto
de manobra. A maioria dos Engenheiros são a favor de níveis
de tensão tendo 2%, ou menos, de probabilidade de ocorrên
cia. Este nível de sobretensão pode ser usado numa análise
estatística simplificada, resultando numa probabilidade de
descarga para o sistema.
Sobretensões temporárias
Sobretensões temporárias são uma classificação parti
cularmente importante dos esforços de tensão e, devido a sua
duração, exclue a possibilidade de limitação pela descarga
repetitiva dos dissipadores de surto. Sobretensões tempo-
rãrias resultam da operação dos disjuntores do sistema, ou
faltas nestes, e normalmente são pouco ou nada amorteci
dos. Fontes típicas de tais surtos, sãos
a. Tensões nas fases sem defeito, durante uma falta
fase-terra na linha.
b. Resposta do sistema e sobretensões dinâmicas apõs
rejeição de carga em um sistema.
c. Sobretensões ressonantes, ou quase ressonantes,
resultantes do surto de corrente que ocorre em
transformadores, quando manobramos estes, ou
linhas acopladas a transformadores, utilitaria-
mente.
d. Sobretensões resultantes de condições anormais,
ou não, previstas de operação do sistema, equi
pamentos ou dispositivos de manobra.
Em sistemas EAT, a ocorrência de uma falta fase-
terra produzira uma sobretensão temporária em 60Hz nas de
mais fases sem defeito, de modulo superior a 1,4 p.u. A
duração da sobretensão ê determinada pelos tempos de opera
ção dos disjuntores, onde o tempo deveria ser considerado-,
ao menos, igual aos tempos dos relês de retaguarda. O mo
dulo ê determinado pelo aterramento do sistema ou "fator de
falta a terra". Enquanto sistemas de baixas tensões fre-
qüentemente são projetados para operarem desaterrados, â
tensão fase-fase o fator de falta a terra ê menor do que
1,4 se a razão entre as reatâncias de seqüência zero e po
sitiva for menor do que três, e a razão da resistência de
seqüência zero, para a reatância de seqüência positiva,for
menor do que um.
Rejeição de carga ê a perda de carga súbita no
receptor de um sistema geração/transmissão, resultando em
uma ou mais linhas de transmissão descarregadas e energi-
zadas pela geração. O gerador dispara devido â perda de car
ga, a qual, em retorno, aumenta a tensão do sistema. O re
gulador de tensão e sistema de excitação tentam controlar
esta sobretensão pela redução da excitação. A conseqüência
ê que o sistema pode sofrer sobretensões de duração supe
rior a 2 segundos. Durante este intervalo, a saturação do
transformador e harmônicos resultantes podem agravar as so-
bretensões do sistema. Em cada sistema hã possibilidade a-
dicional da auto-excitação resultante do disparo da maquina
e da reatância capacitiva da linha. A auto-excitação provo
ca sobretensões que não são controladas pela excitação da
maquina. Estas sobretensões podem persistir por mais de dois
segundos e alcançar níveis perigosos.
Manobra de transformadores, ou linhas com trans
formadores rigidamente acoplados como uma unidade, podem re
sultar em um tipo ressonante de sobretensão, a qual normal
mente não ê sustentada. A energização de um transformador
resulta num surto de corrente que ê rico de harmônicos. Es
ta corrente harmônica, interage com os elementos dos circui
tos do sistema produzindo tensões harmônicas através de um
ou mais caminhos ressonantes. Estes harmônicos adicionam-se
às sobretensões em 60Hz e podem ser uma seria consideração,
devido a seu modulo e duração. Esta pode ser desde alguns pou
cos, ate 20 ou mais ciclos. Alêm disso, nas sobretensões har
mônicas, 0 surto de corrente devido à saturação do transfor
mador, podem também produzir oscilações sub-harmônicas, que
podem contribuir para o problema de sobretensões.
A operação de sistema de modo anormal ou não-pre-
visto pode resultar em sobretensões em qualquer sistema,de
vido à operação inadvertida de um disjuntor por um operador,
erro de operação ou de aplicação de um relê ou causas si
milares. Em sistemas de EAT, isto pode resultar na descarga
do excesso de carga capacitiva da linha,num gerador ou trans
formador, resultando numa condição de sobretensão em 60Hz,
tipo Ferranti. Em sistemas de tensões menores, a abertura de
condutores, resultante da operação de desligamento por fu
síveis ou chaves monofásicas, pode ser severa, devido aos ní
veis de tensão em 60Hz serem sustentados acima de 2,0 p.u.,
comumente devido ã ferro-ressonância. Esta causa ê a mais
comum em sistemas de tensões menores, apôs este tipo de con
tingência monofásica, enquanto que, em sistemas de EAT, a
ferro-ressonância pode ser um fator onde a capacitância da
linha ou do cabo ê acoplada através da impedância magneti-
zante do transformador, podendo resultar quando energizamos
transformadores através de capacitores serie.
Todas as sobretensões temporárias, se elas forem
devidas à ocorrência de falta ou manobra, são geralmente tor
nadas mais severas pela distorção da forma de onda da tensão
resultando na saturação dos transformadores. Sempre que tais
sobretensões possam ocorrer,a capacidade dos dissipadoresde
surtos locais deve ser baseada acima destes mõdulos , sus
tentados de forma a limitar o risco de falha dos dissipado-
res, ou seja, não conduzirem, se ocorrer descarga. A falha
de condução pode resultar em perigo térmico, como um resul
tado da multiplicidade de descargas apõs a primeira, devido
a sobretensões impulsivas de manobra ou atmosféricas.
AS REGRAS DOS MgTODOS DE PROTEÇÃO
Nas subestações - onde um alto grau de proteção é
necessária - faz-se desejável minimizar a dispersão das dis
tribuições estatísticas de surtos, pela redução dos níveis
altos de surto através do uso de dispositivos de proteção.
Isto concorda com os projetos convencionais de coordenação
de isolamento de subestações. Tal coordenação necessita con
siderar o numero de caminhos de descarga, bem como a capa-
bilidade de isolamento dos componentes. O maior número de
componentes isolantes de uma subestação ê constituído pelos
isoladores de suporte de barras, mas, em geral, o espaço e
capabilidade mínima ocorre entre as partes internas de dis
juntores, transformadores e reatores. Em estruturas isolan
tes fechadas, o sistema de isolamento envolvido ê protegido
da atmosfera e, portanto, tem características de rigidez e-
létricas que são bem definidas quando comparadas àquelas de
isolamento de linhas, e podem ser previstas que se mantenham
inalteradas tais características através de todo o seu tem
po de vida. Descargas neste tipo de isolante são, certamen
te, um evento catastrófico, resultando em altos custos de
reparo da redução da confiabilidade do sistema(e, freqüen-
temente, custos de fornecimento de energia aumentados. Um
maior isolamento na subestação ê, entretanto,"suplementado"
por dispositivos de proteção que permitam desviar para a ter
ra todos os surtos que excedem os níveis especificados de
proteção do dispositivo e, conseqüentemente, redução da pro
babilidade de descarga do isolante protegida a um nível tal,
que para todos os propósitos práticos, podem ser reduzidos a
zero.
As características do dispositivo de proteção de
ve ser avaliada acima da faixa de condições, e esta infor
mação global ê normalmente traçada em uma curva tensãoxtempo.
A Figura 1.07 mostra uma curva tensãoxtempo de um dis
juntor de potência típico e a capabilidade nominal do trans
formador de potência, como definido pelos testes padrões.
A curva também apresenta bandas de descarga de um
dispositivo de proteção centelhador típico, bem como aquelas
de um dissipador de surtos.
Estas curvas mostram que o dissipador de surto po
de alcançar uma margem de proteção aceitável para toda a ca
racterística nominal tensãoxtempo, tanto do transformador como
do disjuntor, enquanto que o centelhador pode somente pro
porcionar uma proteção razoável para o disjuntor.
Cada um destes dois dispositivos de proteção será
discutido aqui, indicando em mais detalhes suas vantagens e
desvantagens.
Proteção por centelhadores a ar
Enquanto centelhadores a ar tenham sido usados na
proteção de sistemas de isolamento interno, a vantagem eco
nômica do reduzido isolante alcançado pela proteção com dis-
sipadores de surto, em sistemas de EAT, relega a proteção por
centelhadores a uma função secundária.
Centelhadores a ar são usados em alguns sistemas na
entradas de linhas, para cortar qualquer surto incidente ca
paz de produzir descargas no isolamento das barras, bem cano
para proteger o lado da linha com disjuntores abertos.
FAIXAS TÍP IC A S DE PESCAW A
DE CENTELHADORES A AR
I 10 100
TEMPO EM MICROSEO UNDOS
10 OO 10000
Figura 1.07
Curva tensão x tempo de coordenação de isolamento
C
oorden
ação de Isolam
en
tos
Enquanto centelhadores a ar proporcionam um meio
barato de proteção, as características de p r o t e ç ã o não são tio
desejáveis como aquelas dos dissipadores de surto. A des
carga não pode ser controlada acuradamente por ambos,porque
o gradiente de tensão não ê uniforme em centelhadores com
grandes espaçamentos e, também, porque o centelhador é ex
posto a atmosfera e a superfícies de terras adjacentes que
podem ter influência no nível do surto. Em condições extre
mas de tempo, a banda de descargas pode ser muito maior do
que aquela indicada na Figura 1.07. Também, a rãpida mudança
das características de descarga de centelhadores a ar não
proporcionam proteção para capabilidade de curto tempo de
sistemas isolantes internos típicos. Se uma margem sufici
ente for obtida nesta região por um abaixamento da caracte
rística de descarga do centelhador a ar, então, a larga dis
persão do nível de descarga do espaçador exposto permitira
a possibilidade de descarga em tensões menores, não permi
tindo surtos perigosos e resultando em operações desne
cessárias apôs ocorrer descarga no centelhador, porque o es
paçamento não se auto-restaura. Não hã resistência limitan
do a corrente em série com o centelhador, e, portanto, re
sulta numa corrente de freqüência fundamental igual a de
curto-circuito de barra.
Proteção por dissipadores de surtos
Os dissipadores são caracterizados pela habilida
de de agirem como um circuito aberto para baixos níveis de
surtos e condições normais de tensão, enquanto que, para al
tos níveis de surto, o dissipador apresenta um caminho com
baixa resistência à terra. Isso ê obtido pelo disparo sobre
uma série de centelhadores localizados dentro de um suporte
de porcelana.
A capacidade do dissipador ê definida pela sua es
pecificação nominal, ou seja, pelas descargas por sobreten-
são impulsiva e de manobra máximas, e o nível de proteção ou
seja pela capacidade de restabelecimento e tensão IR de sur
to atmosférico.
A especificação do dissipador ê a definição bási
ca, em torno da qual todas as demais devem ser correlatadas.
Normas americanas especificam um certo conjunto de testes
para cada especificação de dissipador, mas os fabricantes co-
mumente incluem outras capacidades não prescritas pelas nor
mas. Os padrões descrevem procedimentos de teste para serem
usados na medição do surto de manobra e de impulso,bem como
da tensão IR do dissipador. A tensão de descarga determina o
mais alto surto que pode ocorrer no dissipador, antes do mesmo
descarregar, e a tensão IR descreve o modulo da tensão do
surto, após uma descarga do mesmo, devido a uma tensão im
pulsiva atmosférica. A tensão IR do dissipador ê determina
da pelas características do dissipador e da corrente de sur
to que pode incidir na subestação. Consideração será feita
a um teste padrão, que descreverá essencialmente a tensão IR
do dissipador, durante a descarga de um surto de manobra que
ê comumente chamado de nível de proteção do dissipador. No
sentido convencional, a especificação de um dissipador é o
nível de tensão, no qual se extiguirã com sucesso (restabe-
lecer-se), após uma primeira descarga, por conseguinte,evi
tando múltiplas descargas. O teste cíclico de atuação padrão
demonstra esta capabilidade para sobretensões atmosféricas,
tipo impulsivas. Alguns fabricantes fornecem uma capacidade
de surto para dissipadores, isto ê, especificam uma capaci
dade de restabelecimento para o dissipador,numa tensão que
excede a nominal por vários ciclos, mesmo após conduzir a
energia de sobretensões de manobra à terra. Esta elevada ca
pacidade de restabelecimento é comumente obtida pela redução
da capacidade térmica requerida através da limitação da du
ração do fluxo de corrente em cada operação, usando dissi
padores capazes de gerar uma tensão de retorno em oposição
ao fluxo de corrente do sistema. Esta tensão que cria a ha
bilidade do centelhador ê comumente chamada "limitador de
corrente". A alta capabilidade de restabelecimento ê par
ticularmente importante nas aplicações, onde tensões tem
porárias resultantes de manobras com transformadores são en
contradas.
0 nível de descarga de dissipadores de surto mo
dernos ê, em geral, cuidadosamente projetado para ter um va
lor máximo que deve ser garantido pelo fabricante. Istoper
mite a margem de proteção entre os surtos de tensão,que são
previstos num dado sistema, e a rigidez básica necessária com
um alto grau de confiabilidade. A consistência da descarga
no dissipador ê obtida pela combinação de um gradiente de
tensão controlado através de uma serie de múltiplos cente-
lhadores com prê-ionização dos mesmos,que ficam protegidos
das variações de condições atmosféricas, devido a estarem con
tidos em uma coluna de porcelana selada.
Cada centelhador está em série com uma resistência
não-linear que serve a dois propósitos. O primeiro é apre
sentar um baixo caminho resistivo aos altos valores de cor
rente de impulso e, conseqtientemente, drená-lo para a terra,
sem permitir grandes quedas de tensão na linha. O segundo ê
prover um caminho de alta resistência à tensão do sistema e,
por conseguinte, reduzir o fluxo de potência na freqüência
fundamental, dado pela corrente apôs a descarga e,então,per
mitir o restabelecimento dos centelhadores.
Os limites operacionais dos dissipadores de surto
são determinados pela sua habilidade de manter a tensão de
descarga baixa durante a vida operante do dissipador; sua
habilidade de absorver a energia dos surtos, sua habilidade
de eliminar o fluxo de potência que segue a corrente de des
carga (restabelecimento), frente à tensão do sistema.
Para assegurar a capacidade de restabelecimento,
as regras de aplicação de dissipadores ditam que a especifi
cação do mesmo deve ser maior do que as tensões sustentadas
num sistema. Adicionalmente, a proteção de surto de manobra
por dissipadores pode impor restrições térmicas severas em
dissipadores, resultantes da alta dissipação de energia ne
cessária, especialmente se o surto ê de nível muito alto ou
ê de duração muito longa. Uma tensão que ã alta (acima da ca
pacidade de descarga do dissipador), por vários meios ciclos
de uma onda em 60Hz, pode resultar em descargas múltiplas
(falhas de restabelecimento) do dissipador e provocar peri
go térmico ao elemento resistivo não-lineareâ estrutura do
centelhador, e, conseqüentemente, falha do dissipador.
Para equipamento protegido, a função da coordena
ção de isolamento, quando usamos dissipadores de surtos,con
siste, então, na escolha da especificação do mesmo, de modo
que possa suportar impulsos, surtos de manobra e tensões no
minais que podem ocorrer no sistema. Se o dissipador ê es
colhido baseado nestas imposições do sistema, sua capacida
de de proteção determina as necessidades isolantes do iso
lamento protegido. Uma margem mínima entre o nível de pro
teção do dissipador e da capacidade especificada do isola
mento protegido ê comumente 20% na região de impulso e 15%
na região de surtos de manobra. Freqüentemente, uma mesma lar
ga margem ê usada em novos sistemas ou em equipamentos, re
querendo um comportamento de alto nível. A Figura 1.07 mostra
as relações entre os níveis de proteção de um dissipador e
a característica nominal tensão x tempo do isolamento de um
transformador.
CONCEITOS MODERNOS DE COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO
PARTE II - PROCEDIMENTOS E MÉTODOS ESTATÍSTICOS
(*) D.E. Hedman
J.D. Mountford
A Engenharia de Coordenação de Isolamento em um
sistema elétrico de potência é uma correlação feita entre os
níveis de sobretensões esperados, características dos méto
dos de proteção e da capacidade nominal de isolamento dos e-
quipamentos.
Na Parte I foram discutidos os tipos e módulos das
sobretensões, que podem ser normalmente esperadas que existam em
um sistema de potência e o efeito destas na seleção dos dis
positivos de proteção. O propósito deste artigo é o de re
visar os procedimentos de coordenação de isolamento comu-
mente usados e desenvolvidos pelas concessionárias, fabri
cantes e comitês de padronização para aplicação nos siste
mas EAT e UAT atuais e futuros. Estes métodos serão demons
trados com exemplos simples, indicando onde as aplicações de
aproximações estatísticas e convencionais são relevantes.
Os conceitos de coordenação de isolamento e pro
cedimentos têm sido desenvolvidos sobre a história global dos
(*) Ambos do Power Technologies, Inc. Schenectady, New York
sistemas de energia elétrica. As especificações dos equipa
mentos são comumente baseadas em padrões oficializados que
detalham os procedimentos de teste aceitáveis, que, em re
torno, definem níveis aceitáveis das capacidades dos equipa
mentos, em termos da terminologia convencional ou padrão.
O processo ê na escolha dos níveis de teste em fabrica, tal
que o equipamento opere satisfatoriamente sobre uma margem
ampla do sistema e condições de entorno.
Os atuais procedimentos de coordenação de isola
mento convencionais são universalmente usados abaixo de 138kV,
enquanto que, em sistemas de EAT, procedimentos estatísticos
são encontrados numa larga margem de aplicabilidade. Devido
às mudanças no "estado das ciências", modificações contínuas
da terminologia são necessárias, as quais freqüentemente re
sultam na queda de termos largamente usados que tenham per
dido relevância. O rol que aparece neste artigo mostra a ter
minologia usada no texto e indica mudanças na terminologia
anterior.
PROCEDIMENTOS DA COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO
Procedimentos convencionais
Os métodos de coordenação convencionais têm sido
largamente usados pela industria de utilização para equipa
mentos de alta e baixa tensão e para a maioria dos equipa
mentos aplicados em níveis de EAT.
No níveis de EAT ou superior, os métodos conven
cionais encontram sua maior aplicabilidade no isolamento sem
auto-restauração típica de transformadores de potênciae re
atores em derivação. O impacto econômico da falta de tais dis
positivos requer esta aproximação conservativa que são pro
jetados para minimizar os aspectos estatísticos da correla
ção esforço/capabilidade.
O método pode ser definido com maior simplicidade
pelas seguintes afirmações:
Determinando ou estimando as sobretensões atmos
féricas e de manobras máximas convencionais ê possível a es
colha de um dissipador de surto para limitar os surtos ao
nível de proteção desejado. As tensões nominais impulsivas
convencionais, são, então, escolhidas com alguma margem ou
fator de segurança. Estudos específicos com o TNA podem ser
feitos para assegurar o comportamento, a longo prazo, dos
dissipadores. Além disso, a escolha ê feita com testes de e-
quipamentos específicos, tais como, testes de impulso nomi
nal atmosférico, testes de impulso nominal de manobrae tes
tes em freqüência industrial (testes de alto potencial).
Muitos fatores são incorporados dentro da escolha
dos níveis de testes de aceitação, para uma aplicação par
ticular, incluindo as recomendações feitas em normas ou pro
cedimentos de aplicação industrial, recomendações feitas por
fabricantes, procedimentos primários e práticas das conces
sionárias e experiência ganha por outras companhias sobre o
grau de risco que pode ser considerado em uma determinada
instalação.
Os métodos de coordenação convencional são freqtien-
temente usados na aplicação em sistemas, onde sobretensões
mais severas ou níveis isolantes são determinados pelas so
bretensões temporárias. Estas sobretensões ditam a mínima
capacidade aceitável do dissipador de surto e , portanto,di
tam os níveis de isolantes mínimos permissíveis do equipa
mento.
Métodos estatísticos
Procedimentos estatísticos consideram tanto a ca
pacidade de isolamento e esforços de tensão como as quanti
dades estatísticas. O procedimento está em sua infância, mas
ê esperado no futuro para determinar maiores aplicações, quan
do todos os fatores envolvidos no procedimento forem plena
mente conhecidos. O procedimento ê aplicado somente a isola
mentos auto-restaurativos, quando a capabilidade pode ser es-
tatisticamente descrita. Isto elimina seu uso em sistemas
de isolamento sem auto-restauração.
Fundamentalmente, o método ou métodos combinam a
distribuição de surtos de sobretensões e a curva de probabi
lidade de surto para o isolamento,para fornecer o risco de
falha como um resultado desta analise. Este risco deve, en
tão, ser avaliado levando em conta, o comportamento do sis
tema e a influência econômica da descarga. O risco de falha
na aproximação estatística ê relatada, como interpretação,
para um fator, ou margem de segurança, que é usado na apro
ximação convencional, no sentido de que ambos os níveis de
vem ser escolhidos com base na experiência e bom senso. Os
métodos estatísticos podem também incluir influências meteo
rológicas pela aplicação de fatores corretivos atmosféricos
nos dados de laboratório baseados numa analise do tempo, u-
sando dados temporais históricos. Esta aproximação estatís
tica completa preferencial tem sido usada por muitas firmas
para o projeto de coordenação de isolamento de linhas de trans
missão.
Devido às informações detalhadas de entradae cál
culos computacionais sofisticados necessários para este mé
todo estatístico, um método simplificado de analise foi pro
posto pelo Comitê IEC-28. Este método requer hipóteses que
resguardam a natureza das curvas de distribuições de surtos
e descarga, a partir de cálculos simples e curvas que apre
sentam resultados generalizados. Estudos paramêtricos têm
permitido avaliar a influência das hipóteses simplificado-
ras e fazer recomendações em valores referenciais padrões
propostos para tais dados.
Com valores referenciais padrões e resultados pa-
ramétricos generalizados apresentados em curvas, ê possível
analisar estatisticamente, de forma manual e simplifiçada,o
comportamento do sistema.
O procedimento estatístico simplificado ê usado,
primariamente, na avaliação do projeto primário do equipa
mento ou do sistema onde cálculos mais detalhados podem ser
feitos para a analise do projeto final. Estes resultados dão
ao usuário e ao projetista do equipamento, bases comuns para dis
cussão dos projetos propostos e, provavelmente, com o acumu
lo de experiência e o aprimoramento de técnicas, tais méto
dos serão largamente usados no projeto final de equipamen
tos e sistemas.
APLICAÇÕES DOS MfiTODOS DE COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO
Método convencional
, A natureza do isolamento sem auto-restauração de
termina que deveriamos ter uma margem entre a capacidade
nominal isolante e o esforço de tensão máxima esperada. Com
esta margem pretende-se cobrir todas as condições,incluindo
surtos de tensão extrapolado ou anormalmente alto. A taxa
de proteção é a relação existente entre a capacidade de iso
lamento e o esforço de tensão. A margem de proteçãoé a taxa
de proteção menos um. Os mínimos recomendados são 1,15 e
1,20, para taxas de proteção de impulsos de manobrae impul
sos atmosféricos, respectivamente. Se dissipadores de surto
são empregados, os esforços de tensão máximos são superio
res à: a) tensão de descarga impulsiva de manobra, ou b)
descarga impulsiva de manobra. Se dissipadores não forem u-
sados, o esforço máximo de tensão é o surto máximo de mano
bra.
Como um exemplo, supomos que um dissipador de sur
to de 444kV está sendo usado em uma subestação de 550kV pa
ra proteger um transformador que está imediatamente adja
cente ao dissipador. A Tabela a seguir indica os esforços de
tensão que podem ser experimentados no transformador e da
capabilidade isolante requerida, para dar margem adequada a-
cima do esforço.
ESFORÇO DE TENSÃO CAPABILIDADE DE ISOLÃÇÃO REQUERIDA
Descarga no dissipador de
frente de onda = 1255V de onda
1,2x1070 = 1284kV para onda
plena
1,2x990 = 1188kV para cnda
plena
1,15x993 = 1142kV para impul-
1,2x1255 = 1506kV para frente
Descarga de 1,2x50 micros-
segundos = 1070kV
Tensão de descarga de
10,000 ampêres = 990kV
Descarga de impulso de
manobra 993kV so de manobra
O BIL de um transformador da ordem de 1300kVé ob
tido num teste de onda cortada de 1500kV e um BSL de 1080kV.
Embora o nível de teste com BIL de 130OkV seja adequado pa
ra esforços de 1,2x50 microssegundos, os valores de surtos de
manobra e testes de onda cortada são inadequados para os es
forços indicados. Alternativamente, umtransformador.de 1425kV
tem um valor de onda cortada de 1640kV e um BSL de 1180kV.
Porque esses valores são iguais ou maiores do que as capa
cidades isolantes necessárias, logo o transformador com BIL
de 1425kV poderá ser empregado.
Métodos estatísticos de coordenação de isolamento
O risco de falha ê a probabilidade cumulativa das
falhas de isolamento, e é igual à probabilidade otimizada
cumulativa, que o esforço de tensão aplicada ao isolamento
excede a capacidade isolante. 0 processo de uso do método es
tatístico de coordenação de isolamento requer conjuntos de
variáveis diferentemente combinadas dos dados estatísticos
para a capacidade de isolamento, com a distribuição esta
tística esperada dos esforços, até o risco de falha encon
trar um nível prê-determinado. Este é um procedimento cor
reto, mas a tarefa matemática tediosa ê normalmente anali
sada através de computadores digitais.
Por exemplo, o isolamento nominal de uma janela
de torre será uma função do vão livre e será estatístico por
natureza. O CFO é determinado pela distância entre a torre e
o condutor, e pode variar tanto, que o risco de descarga de
um condutor à torre, para.uma dada distribuição de esforço
de surto de manobra, alcança o risco desejado da falha. O
risco de falha ê, como o fator ou margem de seguraça na a-
proximação convencional, baseado sobre o bom senso e expe
riência, bem como das conseqüências econômicas e operacio
nais de descarga na linha. A aplicação desta aproximação re
quer uma descrição da natureza estatística do sistema, in
cluindo uma curva.de capabilidade cumulativa e a função den
sidade da probabilidade de descarga.
A distribuição da capacidade de isolamento para
centelhadores sob condições atmosféricas padrões ê,comumen-
te, um dado disponível. Afim de se ter a solução valida pa
ra uma dada região geográfica e representativa da vida to
tal de operação, a distribuição poderã ser corrigida usando
um modelo estatístico das condições do tempo na região.Tais
dados como, por exemplo, umidade relativa, densidade rela
tiva do ar, precipitação pluviométrica, etc., são disponí
veis numa base horária, a partir de relatórios meteorológi
cos permitindo a construção da função de densidade probabi-
lística para cada parâmetro temporal. Esta descrição do tem
po, complementada com os fatores de correção necessários,pode,
então, ser aplicada à distribuição da capabilidade de iso
lamento para condições padrões. Assim, é possível traçar a
distribuição característica da região em consideração.
A distribuição dos esforços de tensão pode ser des
crita como uma função de densidade probabilística, e pode
ser obtida a partir de estudos digitais ou analógicos onde
os esforços de tensão à torre são normalmente obtidos sem
interessar à forma de onda ou polaridade. Uma forma de onda
representativa de altas tensões, ou de capabilidade mínima
isolante, pode ser usada na análise subseqüente.
Supondo conhecidas as distribuições de freqüência
das sobretensões e da capabilidade isolante, o risco de fa
lha pode ser expresso numericamente. A Figura 1.08 mostra aden-
sidade probabilística pg (Vj descrevendo uma distribuição de
sobretensões e a probabilidade cumulativa PT (V) da capabili-
Figura 1.08
p (V) = A função densidade prdbabilística do esforço de tensão s
PT(V) = A probabilidade cumulativa da capabilidade de isolamento pa
ra cada dado nível de surto
p^ (V) = A função de risco de falha prdbabilística
r°°Risco de Falha = \ P̂ (V) dV
= área da seção hachurada
dade de isolamento.
A probabilidade de que um surto tenha um valor en
tre V e V+dV ocorrera como p (V).dV. A probabilidade de fa
lha do isolamento, devido à ocorrência desta mesma sobreten-
são, será então:
dR - pf(V) = PS(V).PT (V) dV
ou de probabilidade de falha para qualquer ou todos V's de
finidos por pg (V)/ como:
R = PS (V).PT (V).dV
então, a área, descrevendo o produto desta integral,ê o risco de falha. O risco que esta sendo calculado por este mé
todo ê baseado em quatro probabilidades básicas:
a) A probabilidade que retrata a influência combinada
das condições metereolõgicas (umidade,densidade do
ar, precipitação) correspondera a uma capabilidade
de descarga determinada em isoladores e centelha-
dores.
b) A probabilidade de que uma cadeia de isoladores
oscile devido ao vento, dentro de certa posição.
c) A probabilidade de incidência de um surto a uma
dada magnitude.
d) A probabilidade de que um centelhador ou cadeia de
isoladores descarregue acima ou abaixo da capabi
lidade crítica de descarga.
Tal analise estatística capacita detalhar o com
portamento de projetos alternativos a serem analisados, u-
sando descrições da geometria da torre e configuração do
barramento.
A complexidade do problema matemático pode ser re
duzido a soluções praticas somente pelo uso de computadores
digitais. Basicamente, o problema ê um dos que requer maior
quantidade de dados disponíveis, especialmente quando in
fluências meteorolõgicas são incluídas na analise. Neste úl
timo caso, registros horários dos dados meteorológicos de
uma área geográfica em consideração serão acumulados para
mais de dez ou quinze anos. A complexidade de solução é gran
demente aumentada quando consideradas muitas variações nos
caminhos de descarga, de acordo com a geometria da janela da
torre e variações no comprimento da cadeia, mesmo quando ca
minhos de descarga são supostos de serem fenômenos indepen
dentes. Comitês de padronização, reconhecendo este proble
ma, estão propondo métodos simplificados alternativos de a-
nãlise, que necessitam hipóteses considerando a natureza das
distribuições de surto e descarga.
Método estatístico simplificado
0 método estatístico de coordenação de isolamento
requer a integração numérica de funções complexas para cada
calculo de risco. Isto limita a aplicabilidade da aproxima
ção. Engenheiros trabalhando extensivamente nesta ãrea ob
servaram a similaridade dos dados de entrada, em muitos ca
sos, e propuseram uma aproximação paramêtrica para este pro
blema. Supondo conhecida a forma estatística das sobreten-
sões, a distribuição de surto pode ser descrita por um nu
mero isolado, "surto estatístico". Correspondentemente, a
curva nominal pode ser descrita por um numero isolado, "o
padrão estatístico", se a forma e o desvio padrão são man
tidos fixos. Usando as curvas definidas desta maneira sim
ples, um estudo paramétr:co, cobrindo um intervalo típico de
valores, permite a construção de uma tabela de resultados.
Neste caso, uma tabela, coma margem existente en
tre o "surto estatístico" e o "padrão estatístico", defi
ne o "risco de falha" que ê a probabilidade de descarga pa
ra esta condição.
A probabilidade de surtos de referência propostos
pela IEC ê de 2%, e a probabilidade de referência associada
com o padrão estatístico ê de 90%. Este valor mais antigo
de 90% ê preferido em lugar do valor de CFO mais convencio
nal de 50%, de modo a usar os dados, na região de comporta
mento estimado, baseado nas tensões de impulsos ncminais,sen
do para alguns equipamentos tomada a tensão padrão conven
cional .
Desvios padrões médios em geral são empregados, con
vencionalmente usa-se 3% para impulsos padrões nominais e 6%
para distribuições nominais de impulsos de manobra..
Atualmente, o Comitê IEC-28 esta desenvolvendo u-
ma norma de aplicação de coordenação de isolamento que per
mite avaliar o risco de falha usando uma tabela simples ou
conjuntos de curvas. Neste trabalho, um fator de segurança es
tatístico ê considerado e definido como a razão do padrão es
tatístico e o surto de tensão estatístico. A interpretação do
risco de falha ê a mesma para a aproximação estatística nor
mal, ccmo observado na Figura 1.08. A diferença está no método
de calculo deste resultado.
SUMÃRIO
A arte de coordenação de isolamento, agora e no
futuro, dependera mais ainda de uma avaliação estatísticado
comportamento do sistema.
Isto requer, substancialmente, uma maior quanti
dade de dados e analise. Então, a aproximação da coordenação
de isolamento convencional prevê uma maneira de alcançar e-
conomicidade através deste detalhe.
Por outro lado , nas ãreas onde a perda de uma par
te do equipamento principal ê uma catástrofe, métodos con
vencionais com grandes margens de segurança podem ser uma a-
proximação prudente. Um dos valores principais, na pesquisa
e empenho da engenharia, aplicado a uma aproximação esta
tística, atualmente abre uma porta a mais no entendimento do
problema de Coordenação de Isolamento.
GLOSSÁRIO DOS TERMOS MODERNOS
DE COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO
Coordenação de isolamento - O processo de correlação de ca-
pabilidade isolante do equipamento elétrico com sobretensoes
esperadas e com características dos dispositivos de proteção
de surto, assim como para reduzir a um nível aceitável ope
racional e econômico a probabilidade de que um esforço de
tensão resulte em perigo de dano no isolamento do equipamen
to ou afete a continuidade de serviço
Definições dos parâmetros estatísticos
Função densidade probabilidade p(V) é comumente usada pa
ra descrever a freqüência de ocorrência de surtos no siste
ma; isto ê, a ãrea sob a função pg (V) de um pequeno inter
valo ou margem AV^ (ãrea = ps (V).AV) é igualâprobabilidade
de ocorrência de surto do sistema, dentro do intervalo AV.
Função distribuição cumulativa P(V) é comumente usada pa
ra descrever a capabilidade de isolamento, e ê igual à pro
babilidade da rigidez ser menor do que, ou igual aos valo
res da função.
Desvio padrão ê o parâmetro que descreve a dispersão dos
dados, obtido pelo quadrado esperado do desvio das informa
ções, a partir da média.
Descarga de 5.0% é a chamada "descarga crítica", CFO, do ní
vel de tensão, no qual o isolamento descarregaria pela me
tade das aplicações.
Risco de falha é a probabilidade ideal de que uma sobre-
tensão existira e que e que o padrão de isolamento serã me
nor do que o surto, quando todas as tensões possíveis forem
descritas por uma densidade de distribuição estatística pg
(V) e a capàbilidade isolante for definida pela distribui
ção cumulativa PT (V).
Risco (R) Pg (V) PT (V) dV
— 00
Distribuição normal - Ê uma função bem tabulada e largamente
usada, descrevendo a estatística de muitas situações natu
rais. Embora não seja provavelmente uma descrição acurada dos
dados de capabilidade e de esforços nos estudos de coorde
nação de isolamento, a hipótese de uma distribuição normal ê
freqüentemente usada para simplificar o trabalho numérico.
Descarga desruptiva - E o súbito e largo aumento na corren
te , através do meio isolante, devido a uma falha completa do
meio sobre o esforço eletrostãtico.
Testes em equipamentos - Vãrios tipos de testes podem ser fei
tos em equipamentos elétricos, tanto durante, como após a
fabricação. Enquanto não hã uma uniformidade completa nos
nomes dos testes em todos os padrões, hã algumas observações
de caráter geral que podem ser feitas resguardando os pro
pósitos fundamentais dos testes.
Testes ou provas de aceitação - São aqueles feitos após a
fabricação do equipamento.
Testes de projeto - São feitos somente em amostras represen
tativas, ou protótipos construídos especificamente para con
substanciar as capacidades especificadas para um tipo par
ticular, estilo ou modelo de equipamento, e para mostrar suas
condições de operar satisfatoriamente sob condições de ser
viço normal.
Testes e provas de manutenção - São feitos em equipamentos
que têm estado em serviço comercial, e proveem meios para a-
valiar o grau possível de degradação que tenha resultado,de
vido a transporte, instalação e serviço. Tais testes não são
feitos ao mesmo nível dos testes correspondentes em fabrica
(por exemplo, os testes de alto potencial são geralmente de
60 a 80% dos níveis usados nos testes de fabrica).
Testes de produção - Podem ser especificados por normas pa
dronizadas oupodem ser baseados nas exigências do fabrican
te e são feitos para testar a qualidade e uniformidade dos
materiais e da mão-de-obra usada na fabricação do equipamen
to.
Aterramento - O aterramento intencional do neutro de um sis
tema trifãsico, para estabilizar a tensão dos mesmos duran
te faltas ou anormalidades.
Coeficiente de aterramento - É a razão (E0«p/E0 )̂ expressa co
mo uma porcentagem industrial de uma fase em boas condições
durante uma falta fase-terra (E^) para a tensão (E^) coma
falta removida.
Fator de falta a terra - É a razão entre a tensão mais alta
em freqüência industrial fase-terra de uma fase normal, du
rante uma falta fase-terra, e a tensão em freqüência indus
trial sem defeito com a falta removida.
Isolamento - O material usado para suportar a tensão do sis
tema.
Isolamento externo - Ê o isolamento do ar e das superfícies
expostas do isolante sólido do equipamento que estã sujeito
a esforços dielétricos e aos efeitos atmosféricos, bem como
outras condições externas.
Isolamento interno - São os elementos isolantes líquidos, só
lidos ou gasosos internos do equipamento, que estão prote
gidos dos efeitos atmosféricos, bem como outras condições
externas.
Isolamento sem auto-restauração - Ê o meio isolante que per
de suas propriedades isolantes e não se recompõe completa
mente, após uma descarga desruptiva.
Isolamento auto-restaurativo - É o isolamento que restaura a
integridade de suas propriedades isolantes, rapidamente, após
uma descarga desruptiva.
Nível de isolamento - E a capabilidade do isolamento expresso
em termos de uma tensão nominal(C92.1).
Nível de____isolamento básico a um impulso atmosférico(BIL)
E o n íve l de isolamento especificado, expresso em termos do
va lo r de pico de um impulso atmosférico padrão (C92.1).
Nível de isolamento básioo a um impulso de manobrá(BSL) - É o nível de
isolamento especificado, expresso em termos do valor de pi
co de um impulso de manobra padrão (C92.1).
Nível de isolamento a um impulso atmosférico - É um nível i-
solante expresso em termos do valor de pico de uma tensão no
minal de impulso atmosférico(C92.1).
Nível de isolamento a um impulso de manobra - É o nível i-
solante expresso em termos do valor de pico da tensão nomi
nal, para uma forma de onda transitória específica; por exem
plo, um impulso atmosférico ou de manobra. Níveis isolantes
transitória (TIL), a partir dos quais, níveis básicos de im
pulsos atmosféricos (BILs) e níveis básicos de impulsos de
manobra (BSLs) foram escolhidos e listados abaixo. Estes ní
veis são expressos em termos de valores de pico em quilovolt
do impulso padrão(C92.1).
30 300 825 1925
45 350 900 2050
60 400 975 2175
75 450 1050 2300
95 500 1175 2425
110 550 1300 2550
125 600 1425 2675
150 650 1550 2800
200 700 1675 2925
250 750 1800 3050
Fator de segurança ou de margem - Mede a diferença entre
sobretensões esperadas e a capabilidade de isolamento.
Margem de proteção - Ê o incremento de tensão percentual en
tre o nível de proteção e o nível nominal de isolamento.
Margem = 100 x Isolamento Nominal - Nível de Proteção Nível de Proteção
Fator de segurança convencional - 2 razão existente entre a
tensão nominal convencional e a sobretensão mãxima conven
cional correspondente.
Fator de segurança estatístico - 2 a razão existente entre a
tensão nominal de impulso estatístico correspondente e a so
bretensão estatística devido a um dado tipo de evento.
Sobretensão - 2 qualquer tensão variável no tempo, entre uma
fase e a terra e/ou entre fases, excedendo a tensão mais al
ta correspondente num equipamento.
Surto atmosférico ou de manobra máxima convencional - 2 uma
sobretensão atmosférica òu de manobra, queé geralmente con
siderada como a máxima sobretensão num procedimento de co
ordenação de isolamento convencionai.
Surto fase-terra em npor unidade” - 2 a relação existente en
tre os valores de pico da sobretensão fase-terra e da ten
são fase-terra base.
Surto fase-fase em "por unidade” - 2 a razão existente en
tre os valores de pico do surto fase-fase e da tensão da li
nha base.
Sobretensão atmosférica ou de manobra - 2 um surto fase-terra
ou de linha, em local determinado do sistema, devido a uma
operação específica de manobra, falha ou descarga atmosfé
rica.
Surto de manobra ou atmosférico estatístico - 2 a sobreten
são atmosférica, ou de manobra, aplicada ao equipamento co
mo resultado de uma ocorrência de tipo específico(energiza-
ção da linha, religamento, ocorrência de falta,descarga at
mosférica,. .. ) no sistema, cujo valor de pico tem uma pro
babilidade de exceder, determinada pela "probabilidade de
referência".
Sobretensão temporária - 2 um surto de linha, ou de fase- terra
de duração relativamente longa, com uma dada localização,que
não ê amortecida ou fracamente amortecida. Sobretensões tem
porárias são usualmente originadas de operações de manobra
ou falhas (por exemplo, rejeição de cargas, faltas monofã-
sicas, ou operações monofásicas de disjuntores) e podem ser
agravadas por não linearidades (ferroressonância, harmôni
cos) .
Impulso padrão - E uma onda de tensão de teste, definida co
mo padrão,para ser usada no teste de equipamentos.
Impulso atmosférico padrão - É um impulso padrão, que tem um
tempo de frente de onda de 1,2 microsegundos e um tempo de
valor médio de 50 microsegundos. É descrito como um impulso
de 1,2/50. (C92.1)(Veja C68.1)
Impulso de manobra padrão - É um impulso pleno, tendo um tem
po de frente de onda de 250 microsegundos e um tempo de va
lor médio de 2500 microsegundos. É descrito como um impulso
de 250/2500. (C92.1)(Veja C68.1)
Dissipador de surto (pára-raios ) - E um dispositivo usado com
função de proteção que dissipa surtos â terra, de uma manei
ra desejável e previsível.
Nível de proteção ao impulso atmosférico de um dispositivo
de proteção - E a tensão de impulso atm osférico máximo,ope
rado nos terminais de um dispositivo de proteção de surto,
sob condições específicas de operação (C92.1).
Nível de proteção de manobra de um dispositivo de proteção
é a tensão de impulso de manobra máxima, esperada nos ter
minais de um dispositivo de proteção de surto, sob ccndições
específicas de operação (C92.1).
Tensão RI - É a tensão através do terminal de um dissipador,
quando conduzindo uma corrente específica (I).
Restabelecimento - Ê o nível de tensão aplicado, no qual o
dissipador conduzirá por somente um meio ciclo; isto ê, a
tensão na qual o dissipador não descarregará, no primeiro meio
ciclo ou ciclos subseqüentes, imediatamente apôs a condução
de corrente.
Nominal - É a designação básica, na qual todas as capabili-
dades podem ser assinaladas.
EAT (Extra Alta Tensão) - Ê a designação usada em sistem as
com tensão nominal entre 230kV e 800kV.
AT (Alta Tensão) - E a designação usada para tensões de trans
missão abaixo de 230kV.
Tensão fase-fase ou de linha - E a tensão medida entre duas
fases de um sistema trifãsico de potência.
Tensão fase-neutro, ou fase-terra - E a tensão medida entre
uma fase e a terra, num sistema trifãsico de potência.
Tensão máxima de projeto do equipamento - É o valor eficaz
mais alto da tensão fase-fase, para o qual o equipamento é
projetado, considerando especialmente seu isolamento.
Tensão máxima de operação do sistema - E a tensão mais alta
fase-fase- eficaz, que ê esperada em condições normais de o-
peração, em qualquer instante em em qualquer ponto do sis
tema.
Tensão nominal - £ a tensão fase-fase eficaz, na qual o sis
tema ê projetado.
UAT (Ultra Alta Tensão) - E a designação dos sistemas, onde
a tensão nominal excede de 800kV.
Tensão suportável - E a tensão que o equipamento elétrico
pode suportar sem falha ou descarga desruptiva, quando tes
tado sob condições especificadas.
Tensão suportável de impulso estatístico - E o pico de ten
são, tanto no impulso de manobra como de descarga, deduzido
a partir de uma série de resultados de testes previstos pa
ra cálculos estatísticos, para os quais o isolamento expos
to à condiçõesespecíficas com uma probabilidade de suportar
o surto, igual a probabilidade de referência (comumente, a
probabilidade de referência ê de 90%).
Tensão suportável na freqüência industrial de curta duração
(Teste de alto potencial) - E o valor eficaz prescrito da
tensão, na freqüência industrial senoidal, que o equipamen
to pode suportar durante testes feitos sob condições espe
cíficas para um tempo usualmente não excedente a um minuto.
CAPITULO
DESCARGAS EM ESTRUTURAS ISOLANTES
E SUA PROTEÇÃO
I - INTRODUÇÃO
A maioria dos possíveis caminhos de descarga no
isolamento de um sistema de potência são através do ar. Is
to inclui qualquer isolamento externo, como: torres das li
nhas de transmissão, estruturas dos barramentos, descargas
externas dos disjuntores do sistema, transformadores ou bu
chas, bem como a descarga dos centelhadores de proteção. Mes
mo a descarga em um dissipador de surto é ,fundamentalmente,
uma descarga num centelhador a ar de uma estrutura de um es-
paçador, dentro de uma coluna de porcelana que ê mantida sob
condições ideais. Outros tipos de ruptura elétrica,comumen-
te associadas com equipamentos terminais, incluindo descar
ga através de oleo, õleo e papel, ou ruptura de um dielétri-
co solido de um motor ou cabo.
A discussão da ruptura elétrica de centelhadores
sem ar serã abordada em um Capítulo posterior. 0 propósito
deste Capítulo é apresentar os dados de base dos tipos de
ruptura de espaçadores a ar, comumente encontrados em sis
temas de potência. Isto incluira a discussão de alguns as
pectos fundamentais do fenômeno de ruptura, bem como infor
mação interpretativa de como os dispositivos de proteção podem
ser usados para proteger o isolamento. Dados de centelhado
res de haste e dissipadores de surto são incluídos.
II - DISCUSSÃO GERAL DOS TESTES DE LABORATÓRIO
A ruptura elétrica de um centelhador a ar em sis
temas de potência ê influenciada por um número de parâmetros
estatísticos. Mesmo sob condições de laboratório os parâme
tros estatísticos são importantes. Dentro do bom sentido,
hã um certo número de parâmetros que podem influenciar as
atuais tensões de ruptura elétrica, em situações particula
res, onde alguns dos quais são:
1. A natureza estatística do processo de ruptura elé
trica.
2. A forma de onda e a polaridade da tensão aplicada.
3. A configuração geométrica do centelhador.
4. A proximidade de um centelhador das estruturas ater
radas .
5. Condições atmosféricas
a) Condições secas ou molhadas (chuva e/ou índice
pluviomêtrico)
b) Densidade relativa do ar (fundamentada na pres
são barométrica)
c) Umidade
d) Temperatura
Para podermos usar os dados de laboratório nas ca
racterísticas de isolamento e descarga das varias estruturas,
tem sido necessário padronizar um número de procedimentos para
a realização dos testes de laboratório. Isso é feito para as
segurar que os testes realizados em um laboratório possam ser
repetidos em outros laboratórios, com propósitos comparati
vos, e também para assegurar que o usuário do equipamento
possa ter segurança ao aplicar estas informações em aplica
ções específicas. A repetição de testes, sob várias condi
ções, tem sido usada para gerar fatores de correção, tais
que os dados de laboratório obtidos 'através do tempo possam
ser corrigidos pelos fatores e apresentar as características
de equipamento sob "condições padrão". As condições de pa
drão americanas são:
1. Temperatura - 779f (25°C) |20°C para os padrões da IEC|
2. Pressão barométrica - 29,92 polegadas de Hg (7ó0mm Hg)
|0,3 polegadas de Hg para o IEC|
3. Umidade - 0,6085 polegadas de Hg (15,5mm Hg)
Além disso, ê necessário estabelecer as formas de
onda padrões que permitam a comparação dos dados em vários
equipamentos. A forma de onda é geralmente especificada por
dois números, isto ê, o tempo de crescimento(para atingir o
pico) e o tempo do valor médio (tempo para atingir o valor
médio da onda, após atingir o pico da mesma) da onda (isto
é, l,2x50ys, ou um impulso de l,5x40ys). Esta especificação
tem sido usada a muito tempo para condições de teste de im
pulso e otimamente descrito por uma dupla exponencial. Esta
descrição da forma de onda de impulso é usada ao longo dos
anos, porque, na prática, o equipamento de teste em labora
tório poderia ser facilmente usado para fornecer uma onda de
teste que fundamente esta característica.
Surtos de manobra são também descritos por uma de
signação a dois números (isto é, tempo para atingir o valor
de pico e tempo decorrente para alcançar o valor médio). U-
ma descrição mais detalhada da onda exata ê dada nos padrões
onde a definição da onda ê compatível com as formas de onda
que são obtidas em laboratório sob condições práticas.
A definição das formas de onda de laboratório de
vem ser não somente baseadas nas saídas típicas que são fa
cilmente obtidas com equipamentos de laboratório padrões,
mas também devem ser baseadas em considerações práticas e que
possam ser medidas e obtidas em condições práticas sob con
dições de laboratório.
Por exemplo, pode ser muito difícil, senão impos
sível, determinar precisamente a tensão nula, no instante ze
ro de uma onda impulsiva do oscilograma de laboratório. En
tretanto, o 11 zero virtual" da onda, e também o valor de pi
co da onda, são definidos como extrapolações dos pontos que
podem ser facilmente lidos no oscilograma (isto ê, um tempo
de 30 a 90% de alcance de pico). Isso ê mostrado na Figura
2.01.
Para um pioo de tensão de 1,2x50113 = valor máximo atingido
tzezo = zero ~ extrapolado de v0,3 e v0,9 pontos
t . = 1,67 x (t - n - t ~ 0)pico ' v0,9 v0,3
Siedio = tv0,5 _ fc0
Figura 2.01
Descrição de um impulso 1,2x50
Para todos estes valores, as tolerâncias devem ser
consideradas nas condições prãt*icas de laboratório. As to
lerâncias para uma onda de impulso são mostradas na Tabela
1 1
TABELA I
ONDAS DE TESTE IMPULSIVO E TOLERÂNCIA1
Ondas Outros tipos
Grandeza média_______ 1,2x50_______________de ondas
Valor de pico ± 3% + 10%
Tempo de frente
de onda ± 30% + 10%
Tempo do valor
médio ± 20% ± 10%
Razão nominal de
crescimento da
frente de onda + 10%
Testes de surto de manobra são, agora, comumente
executados, se especificados, em transformadores de potên
cia. O teste de surto de manobra para um transformador ê de-2finido na literatura como :
"Um teste de surto de manobra consiste na aplicação ou
inclusão, em cada fase de uma linha, de um surto de ten
são transitória de manobra. ... A tensão transitória ex
cedera os 90% do valor de pico, num mínimo de 200ys. O
tempo de ascendência ao pico, atualmente, é maior do
que lOOys, e o instante de tensão nula da queda da onda
não será menor do que lOOOys, à excessão onde a satu
ração dos núcleos provoquem o decréscimo num tempo me
nor" .
Nos testes de interruptores de extra alta tensão, a
forma de onda do surto de manobra é definida com alguma di-
ferença^.
"A onda de surto de manobra, para propósitos de testes
dielêtricos, consiste de um surto unidirecional cres
cendo para seu valor de pico, num tempo que admite uma
margem de 70 a 250ys, e decrescendo para seu valor mé
dio, num tempo não inferior a 3000ys. O tempo de cres
cimento deve ser admitido como 1,67 vezes o tempo reque
rido para alcançar 90% do valor de pico da frente de
onda. Quando, devido à instrumentação, o tempo zero ê
dificultado para ser determinado acuradamente, o ponto
de tempo nulo virtual pode ser considerado como a in
terseção com abcissa de uma linha traçada entre os pon
tos de tensão correspondentes a 30 e 90% da frente de
onda. O tempo para atingir o valor de pico destes ca
sos deve, então, ser considerado como duas vezes a di
ferença entre o tempo para alcançar 30 e 90% do valor
de pico".
III - NATUREZA GENERALIZADA DA CESCARGA DISRUPTIVA NOS CENTELHADORES
Quando uma tensão ê aplicada entre dois eletrodos,
um campo elétrico serã estabelecido entre estes eletrodos.
O gradiente do campo elétrico (taxa de variação do campo e-
létricoem relação à distância) serã uma função do modulo da
tensão aplicada, bem como da forma da superfície de que ê
feita a estrutura do eletrodo. Um campo elétrico traçado po-
deria mostrar que hã um gradiente maior do campo elétrico na
vizinhança das mudanças abruptas na superfície do eletrodo.
Então, um ponto agudo ou uma haste saliente de uma superfí
cie grande e plana resultaria, geralmente, num gradiente de
campo elétrico de alto valor, nas proximidades desta protu-
berância.
A tensão de ruptura ou de descarga da estrutura de
um centelhador ê altamente relacionada com o gradiente de
campo elétrico no dielétrico (neste caso,o ar). Se o gradi
ente de campo elétrico excede a rigidez elétrica do ar, a
ionização (corona) ocorrera, isto é, as moléculas do ar dis-
sociar-se-ão, deixando elétrons livres (carga negativa) e ions
positivos (uma molécula que tenha perdido elétrons). Um gran
de numero destes pares ionizados atuarão como um caminho de
/condução e, neste "condutor", modificarão o gradiente no ar
não ionizado nas vizinhanças da descarga por corona. Se a
tensão ê somente um pouco superior ao nível limite de coro
na, a ionização invisível, ou levemente visível, resultará,
automanifestanao-se com a geração de rãdio-interferência,
no ponto de ionização. Com a tensão bem maior do que o nível
limite de corona, uma fluorescência visual mais intensa a-
parecerã. Tal efeito corona requer energia substancial para
manter a ionização, e desta energia pode resultar em grandes
perdas de potência em 60Hz, sob condições anormais de sobre-
tensões. É também antecipado que tal efeito corona pode in
fluenciar o modulo do surto de manobra no sistema, pela ex
tração desta energia do surto de manobra. No caso da ruptu
ra do centelhador, a tensão ê geralmente muito superior ao
nível limite de corona, e o efeito corona ê mesmo muito in
tenso. Tal efeito ê geralmente manifestado como eflüvio e-
manando do condutor, que eventualmente propagam-se através
do espaçador, resultando na ruptura elétrica ou descarga.
Ha alguns comentários de caráter geral que podem
ser feitos, resguardando os aspectos fundamentais da ruptu
ra elétrica sob impulso e condições de surto de maçobra,sem
entrar em grandes detalhes dos aspectos físicos do fenômeno.
Primeiro, a descarga elétrica, mesmo sob condições quase
ideais, tem natureza estatística, isto ê, não podemos pre
dizer, numa forma definitiva, exatamente onde o efeito co-
rona no condutor serã iniciado, exatamente qual a direção de
um efluvio particular que poderá iniciar com a propagação de
um eletrodo.
Ê possível ter um efluvio iniciado a partir de um
eletrodo sem ter completado seu percurso para um outro ele
trodo falhando na produção da descarga. Entretanto, quando
uma série de testes são realizados num laboratório, alguns
testes com módulo de tensão idênticos produzirão descargas,
enquanto outros não. Portanto, a representação deste fenô
meno é geralmente apresentado com um parâmetro estatístico.
Em geral, um grande número de testes devem ser realizados pa
ra descrever a função estatística que caracteriza o compor
tamento de um centelhador, em particular sob condições es
pecificas. Isto poderia incluir a determinação da tensão de
descarga média e o desvio padrão (CFO a ser discutido mais
tarde) da característica de descarga estatística.
Segundo, é difícil extrapolar dados a partir da confi
guração de um centelhador e usá-los para predizer o compor
tamento de outras estruturas diferentes de centelhadores.
Portanto, testes laboratoriais devem ser feitos independen
temente para cada tipo de estrutura de centelhador que for
desejado para ser usado num sistema.
Terceiro, a polaridade da onda aplicada à estrutura po
de influenciar a tensão de descarga do centelhador. Por exem
plo, para um centelhador tipo haste-plano, se um surto de
polaridade positiva ê aplicado à haste, com o plano aterra
do, a tensão de descarga serã bastante menor do que se um
surto de polaridade negativa ê aplicada â haste, com o pla
no aterrado. Esta diferença ê caracterizada pelo fato de que
os eflüvios emanados do eletrodo de polaridade positiva, no
limite de corona, ê menor do que um de terminal de polari
dade negativa correspondente. Também, a natureza fundamen
tal dos eflúvios de corona são diferentes para as condições
positivas e negativas. A discussão das razões para este fe
nômeno envolveria uma interpretação detalhada, a partir do
ponto de vista físico, e não serã considerado aqui, mas es
te fato é notado como uma indicação do porquê ambos os tes
tes de polaridade positiva e negativa devam ser feitos numa
estrutura de centelhador.
Dados de teste indicam que, sob condições de im
pulso, a rigidez do centelhador de polaridade negativa êmaior
do que a rigidez do centelhador de polaridade positiva. Sob
condições de surto de manobra, em geral, o mesmo é verdade,
enquanto alguns dados sugerem que, sob condições úmidas do
surto de manobra, a rigidez do centelhador de ar negativo ê
menor do que a rigidez do centelhador de ar positivo corres
pondente. Também, pode ser explicado, com alguma extensão,o
porquê da rigidez entre fases de um centelhador. Isto é, um
surto negativo em um eletrodo do centelhador e um positivo
no outro eletrodo, resultará numa rigidez inerentemente di
ferente, como uma função da razão existente entre os níveis
de surto positivo e negativo dos dois eletrodos.
Adicionalmente, a natureza da descarga serã dife
rente para diferentes formas de onda e espaçamentos dos cen-
telhadores. Há um substancial" quadro para especulação res
guardando os vários fenômenos físicos que podem ser intro
duzidos dentro do problema, para cada uma das possíveis es
truturas do centelhador e formas de ondas testadas.Por exem
plo, alguns de teste sugeririam que a natureza física do fe
nômeno de ruptura pode ser agrupada de acordo com o tempo de
descarga, sob algumas condições especiais3. Mas a maioria dos
dados acumulados em testes de laboratório são meramente com
pilados e analisados como um fenômeno estatístico sem Inter
pretação especial ou classe dos dados, dentro das regiões de
ruptura característica, por algum detalhe particular ou fe
nômeno físico. Existe a separação dos dados entre testes tí
picos dos surtos de manobra e de impulso mas, digamos, den
tro de um dado conjunto de testes de impulso não hã geral
mente classes. Então, do ponto de vista pratico,todo o pro
cesso é visto como um acumulo de dados que podem ser inter
pretados por processos estatísticos. Isto, prova ser uma a-
proximação pratica em geral, mesmo neste nível, ê mais de
talhado do que o usuário típico requer.
A definição estatística dos dados de laboratório,
usualmente, incluem informações do CFO (tensão de descarga
crítica), que é a tensão que produzira uma descarga em uma
amostra com 50% do tempo e a (desvio padrão) dos dados de
teste, que ê uma medida da extensão dos mesmos sobre o CFO.
O exame das publicações técnicas detalhadas dos dados de la
boratório em parâmetros estatísticos das características de
descarga de isolamento mostra que alguma interpretação adi
cional deve ser feita nos próximos dados. Ao mesmo tempo em
que completos resultados acurados de CFO podem ser obtidos,
as informações relativas ao o (desvio padrão), geralmente,
devem ser baseadas em um grande numero de testes e é inter
pretado com base na acumulação de dados a partir de uma sé
rie de testes0.
Além disso, para a descrição estatística do fenô
meno da descarga por tensão, hã uma característica tensãox
tempo da descarga de um centelhador. Isto ê, um centelhador
típico pode suportar uma tensão elevada por um curto espaço
de tempo, o que jã não ocorre quando ê de longa duração. O
tempo de descarga ê comumente interpretado como sendo asso
ciado com o "atraso de tempo formativo" do próprio arco(como
ê o tempo requerido para formar o caminho do arco no cente
lhador) . Isto ê, considera-se um tempo finito para que o e-
flüvio positivomova-se do eletrodo positivo para o. eletro
do negativo.
Também, este atraso de tempo ou de velocidade de
propagação é relacionado â tensão aplicada (a velocidade de
propagação do arco é maior do que a alta intensidade de cam
po) . Isto ê, o tempo para descarga por uma alta tensão serã,
em geral, menor do que o tempo para a descarga de uma onda
de tensão menor.
A descrição da característica tensãoxtempo da des
carga de um centelhador é melhor executada usando uma onda
de impulso padrão. Isto é, dado um impulso padrão (onda de
l,2x50ys) e uma peça de teste (estrutura centelhadora) , a ten
são aplicada poderia crescer para cada teste sucessivo,dan
do uma forma fundamental de impulso constante.
Se oscilogramas da tensão através da peça de tes
te forem observados, seria notado que descargas de tensões
mínimas poderiam ocorrer fora do ponto de corte da onda pos
sivelmente para um nível de tensão igual a somente 50% do
pico da onda aplicada. Isto implica que o eflüvio positivo
iniciado prõximo do pico de onda, tenha sido acelerado pelo
campo elétrico, mesmo quando este esteja declinando em mo
dulo, resultando num tempo de descarga mais longo para o pi
co da onda. Com o aumento do pico da onda de teste, o ins
tante para a descarga ocorre cada vez mais prõximo do pico
da onda e, finalmente, ocorrera na frente de onda. O traça
do da característica tensãoxtempo para um impulso típico é
mostrado na Figura 2.02^ . Observe, na característica tem-
poxtensão, o ponto assinalado como "instante de descarga” e
pico da tensão aplicada.
Figura 2 . 0 2
Séries de ondas de impulso que ilustram a termino
logia e as definições relacionadas com o Ensaio de
Tensões de Impulso
Então, mesmo através do traçado grafico da onda de
impulso, encontra-se completamente sob a característica de
tempo traçada, que pode ainda esperar uma descarga na peça
de teste sob algumas condições.
Certamente, cada um destes pontos de teste poderia
4propriamente ter a estatística associada com seu valor .
IV - O USO DA DESCRIÇÃO ESTATÍSTICA DA RUPTURA EIÉTRICA
As informações anteriores têm dado alguma apreci
ação do fato de que a ruptura elétrica é estatística em na
tureza, na vizinhança de 50% do ponto de descarga, e pode ser
definida pelo CFO e desvio padrão da descarga. No sentido
tensãoxtempo, o instante para a descarga pode ser relacio
nado com a duração da tensão aplicada, no mínimo para uma
onda padrão ou para uma forma de onda usada nos testes de
laboratório. Tais testes podem ser feitos em alguns equipa
mentos elétricos, onde a própria descarga não danifique o e-
quipamento sob teste. Para tais casos, um teste de CFO pode
usualmente ser determinado com um número relativamente pe
queno de testes. Para testar uma peça de equipamento numa re
gião com probabilidade de descarga baixa, a analise estatís
tica do problema mostra que um grande numero de testes teria
de ser feito para definir um ponto da curva; isto é, pode
ser feito varias centenas de testes para definir a probabi
lidade de 1% de descarga. A única alternativa para um gran
de número de testes nesta região é conhecer a descrição fun
cional atual da estatística que define o fenômeno de descar
ga, isto ê, se pode ser suposto, ou se pode ser conhecido que
a característica de descarga de um centelhador é uma função
de Gauss por natureza, um teste de laboratório pode definir
o CFO e o desvio padrão da característica de descarga nas
proximidadp.s do CFO. Então, estes dados de teste podem ser
extrapolados para outras regiões da curva estatística (por
exemplo, o ponto 1%), mas, devido àdistribuição de Gauss ter
algum valor, mesmo para muitos a's a partir do médio,então,
poderiamos concluir que descargas ocasionais ocorreriam em
tensões muito baixas, mesmo na tensão nominal do sistema. Isto
conduz à conclusão de que provavelmente nenhuma função ma
temática descreverá o fenômeno sobre toda a região. Pode ser
razoável supor uma descrição funcional e adequada sobre par
te da região disponível.
Comumente, hipóteses são feitas resguardando a " su
portabilidade " da peça do equipamento onde a sustentação ê
definida como a tensão para a ou possivelmente 3a abaixo de
CFO. Por tal definição, é suposto que a distribuição esta
tística da descarga é na forma de Gauss por natureza, e que
para o nnível suportável", há, de fato, 15% (CFO - a) de pro
babilidade de descarga ou 0,1% (CFO - 3a) de probabilidade
de descarga. Isto é, então,uma definição intuitivamente sa
tisfatória da suportabilidade, mas, quando tal definição é
usada, implica num valor dentro do bom senso em importância
da definição. Isto se o (CFO - a) é escolhido como o "nível
suportável", implica que uma descarga é tolerávele é somen
te de conseqüência menor. Quando o (CFO - 3a) é escolhido
como o "nível suportável", implica que uma importância maior
ê a de evitar as descargas e os consequentes resultados e-
conômicos de tais descargas. Fatores adicionais devem também
ser tomados dentro da consideração, em tal valor de bom sen
so. Isto ê, a definição da suportabilidade da estrutura de
isolamento de uma linha de transmissão, deve considerar cui
dadosamente o fato de que poderá haver centenas de torres em
paralelo, especialmente sob condições de surto de manobra.
Isto se deve por ser o surto de manobra de baixa
freqüência, sendo mais ou menos uniforme quando considerado
em grandes distâncias. Portanto, a definição da capacidade
de uma linha de transmissão deve considerar não só o fato de
que as descargas por surto atmosférico na linha possam ser
toleradas do ponto de vista estatístico, mas, também, do fa
to de que caminhos paralelos resultaram em uma maior proba
bilidade de descarga, do que um caminho isolado.
Exemplo; Se uma estrutura de isolamento tem uma probabili
dade de descarga de 10%, qual ê a probabilidade de
um dos 10 caminhos em paralelo.
Pg = Probabilidade de descarga de uma estrutura.
(1 - P ) = É a probabilidade de não ocorrer a descarga
de uma estrutura.
(1 - Ps)n= Ê a probabilidade de não ocorrer a descarga
em n estruturas.
1 - (1 - Ps)n = É a probabilidade de descarga em uma das
n estruturas.
Para Pc = 0,1, (1 - P ) = 0,9; (1 - P )n = 0,910 = 0,348s s s
1 - (1 - pg)n = 0,752
Podemos então concluir que, para um oentelhador u-
sado como um dispositivo de proteção, de modo geral, serã ne
cessário fazer uma analise estatística para avaliar o com
portamento4'7. Isso ê verdade, em especial, para um centelha-
dor com um grande o (dispersão do desvio padrão).
V - CAPABILIDADE DO ISOLAMENTO INTERNO
Em alguns equipamentos, é desejável determinar al
guma medida da "suportabilidade" sem produção de descarga no
próprio equipamento. Isso ê verdade, em especial, para o i-
solamento da transformação ou para o isolamento de outros e-
quipamentos, nos quais uma descarga poria em risco a estru
tura do isolamento. Em tais casos, a capacidade é definida
com base em um teste particular e poderia ser mais acurada
mente chamada de uma medida da capacidade de suporte. Enge
nheiros do setor teriam a completa definição da suportabi
lidade neste sentido, pois esta é a forma que o termo "ten
são suportável" é comumente usado. Como ê encpntrado nos pa
drões : ̂
"Uma tensão de impulso suportável é o valor de pico de
um impulso que, sob condições específicas, pode ser a-
plicada sem causar descarga disruptiva".
"Descarga disruptiva ê um súbito e grande aumento da cor
rente através de um meio isolante, devido à completa fa
lha do meio sob esforço eletrostático".
Portanto, a tensão suportável para uma parte do equipamento
é definida como a tensão que pode ser aplicada ao equipamento
sem provocar falha, sob um conjunto específico de condições.
Este conjunto pode ser para um surto ou para um grupo de sur
tos, dependendo do equipamento, mas, em qualquer caso, deve
ser especificado pelas normas, pelo fornecedor ou pelo usu
ário. Vários padrões usados comumente nos U.S.A. serão con
siderados, em Capítulos posteriores,neste conjunto de no
tas .
No caso de muitos tipos de equipamentos de siste
mas de potência, um teste de suportabilidade ê especificado
para níveis de teste de frente de onda, onda cortada e onda
plena.
Para o teste de onda plena, o impulso é aplicado
de acordo com as condições do teste especificado e não deve
haver descarga disruptiva. Em ambos os testes de frente de
onda e onda cortada, um centelhador auxiliar,normalmente um
centelhador esférico, ê colocado em paralelo com a amostra a
ser testada. O espaçamento do centelhador esférico ê acura
damente ajustado para produzir uma descarga em um ponto par
ticular do corte da onda, logo apõs o pico. Correspondente
mente, no teste de frente de onda, o centelhador esférico ê
ajustado para descarregar, antes de atingir o pico do impul
so de teste aplicado. Tipicamente, a tensão do teste de on
da cortada ê aproximadamente 15% acima do nível de teste de
impulso â onda plena, e o teste com frente de onda é tipi
camente 30%, ou mais, acima do nível de teste com onda ple
na. Estas normas de onda típicas são mostrada na Figura 2.03.
A curva tensãoxtempo associada com estas formas de
onda sugeriria que a estrutura de isolamento sob teste po-
deria ter uma característica tensãoxtempo um pouco superior
ao nível de teste. Isto deixa ao fabricante projetar seu e-
quipamento dentro do mínimo, se nenhuma falha ocorrer durante
os testes de produção dos mesmos. 0 usuário, então, pode
projetar sua coordenação de isolamento, ou dispositivos de
proteção, com uma curva tensãoxtempo, suficiente abaixo da
curva tensãoxtempo mínima esperada do equipamento, permitindo
uma margem adequada, Como ê mostrado da Figura 1.01 do Ca
pítulo 1, muitas das características de coordenação de iso
lamento são similares âs características tensãoxtempo da Fi
gura 2.03. Certamente, na análise final, as decisões de co
ordenação de isolamento devem ser tomadas com base nas ex
periências de campo.
Curva tensão x tempo suportável
obtida por teste padrão
Além disso as características de surto de impulso
e de manobra, dados de teste em 60Hz também são previstos em
muitos tipos de equipamentos elétricos. Estes são referidos
como testes em baixa freqüência, ou testes de altos poten
ciais. Novamente, especificações ou padrões determinam as
condições, sob as quais os testes são feitos, mas, tipica
mente, estes podem ser especificados como testes a seco, de
um minuto, ou testes sob chuva, de 10 segundos. No caso de
transformadores, o teste de baixa freqüência ê geralmente não
analisado em 60Hz, porque sobretensões, nesta freqtiência de
2 p.u. ou mais, causariam saturação e aquecimento do núcleo.
Portanto, testes em baixa freqüência são feitos normalmente
em 240 ou 400Hz. Na maioria dos equipamentos hã uma relação
íntima razoável entre os testes em 60Hz e os níveis de tes
te de surto de manobra. Tipicamente, os testes em 60Hz in
dicam a capacidade de aproximadamente 5% menos do que a ca
pacidade de surto de manobra. Antes uma larga aplicação do
teste de surto de manobra o nível de teste em 60Hz era usa
do para definir a rigidez ao surto de manobra do equipamento.
Quando um teste de surto de manobra adequado ê usado no e-
quipamento, hã provavelmente menor necessidade para um teste
em 60Hz de tão alto nível como foi definido antes de usar o
teste de surto de manobra. Os testes em 60Hz fornecem uma
noção compreensível do teste na qualidade da fabricação de
uma parte do equipamento e, devido à duração do teste, tuna
maior fidelidade estatística pode ser colocada no teste, o
que não seria conseguido em um teste, digamos, de descarga
isolada.
VI - ALGUSÍS DADOS GERAIS DAS ESTRUTURAS DE CENTEIHADORES A AR
Hã uma grande quantidade de dados publicados das
medidas de laboratório de vãrias estruturas de isolamento de
centelhadores de ar. Algumas poucas referências são citadas,
as quais sumarizam a maioria dos dados aplicáveis. Estes po
dem, geralmente, ser enquadrados dentro das características
de estruturas típicas, como
a) Centelhadores esféricos
b) Centelhadores de haste
c) Centelhadores tipo chifres
d) Estruturas de torres de linhas de transmissão
e) Isoladores de suspensão e ancoragem
f) Equipamentos característicos
Alguns dados dos quatro primeiros itens acima se
rão apresentados neste Capítulo.
Os dados de teste em equipamentos deveriam ser re
ferenciados especificamente aos equipamentos sob teste, e
não serão apresentados aqui como informações generalizadas.
Comumente, as características das varias estrutu
ras de centelhadores, sob condições de surto de manobra e
impulso, são diferentes e, adicionalmente, a polaridade dos
surtos, tanto em condições a seco como sob chuva, devem ser
dadas para uma interpretação completa dos resultados, todos
estes parâmetros devem ser fatorados dentro da aplicação do
equipamento particular pelo usuário dò equipamento. Tanto os
dados como os comentários, em cada um destes pontos, serão
apresentados para as configurações dos centelhadores dis
cutidos .
A. Centelhadores esféricos
Estes são usados em laboratório, historicamente
como dispositivos de medida de tensão, bem como os métodos
de corte das ondas de impulso usados durante testes de su-
portabilidade. Centelhadores esféricos são meramente esfe
ras polidas com posicionadores de espaçamento ajustáveis. Os
tipos usados nos trabalhos de laboratório devem ser mantidos
limpos e polidos. Tais dispositivos têm um nível de descar
ga previsível (a ou desvios padrões pequenos), especialmen
te para posições de centelhadores pequenos. Níveis de des-
carga em centelhadores esféricos típicos são mostrados na
Tabela II.
T A B E L A II
Diâmetro Espaçamento do Impulso negativo Impulso positivoesférico centelhador em 60Hz em 60Hzcm cm kV kV
6,25 1,0 31 3112,25 5,0 127 13225 10,0 241 25250 30,0 573 60575 50,0 707 758100 70,0 1163 1209150 100,0 1682 1678
B. Centelhadores de haste
São freqüentemente usados em trabalhos de labora
tório e, além disso, têm sido usados em sistemas de potên
cia como um dispositivo de proteção. Tal informaçãoê melhor
sintetizada por uma série de curvas, a partir das fontes deA 9 10 ^referencia ' . Isso e mostrado nas Fiquras 2.04 ate 2.11.
«100 200 300
DISTANCIA 00 C E N TE L H A DOR (D ) EM P O LES AD A S
Figura 2.04
Capacidade de descarga de surto de manobra de
centelhadores de hastes e de haste-para plano
tfnn
soo
•* 040OS N80IS1rRADOS 00R ALCKS/IN ONO V C OUTROS
°(1 sO M»0 II
DISTÂNI
1 0 to o t
NA 00 CCNTtLHAOC
80 S(
m - p
>0 SI10 40
1» 1 a S 4 8 s T l i "
DISTÂNCIA 00 CCNTKLHAD0N
Figura 2.05
Capabilidade de descarga AC de grandes centelhadores
a ar e cadeias de isoladores relatados por Aleksandrov
CAPABILIDADE DE DESCARGA CRITICA DE IMPULSOS A SECO
DE CENTELHADORES TIPO HASTE PARA HASTE E HASTE
PARA PLANO
& & léó ilo & Ò 300 350
DISTÂNCIA 00 CENTELHAOOR (D ) EM POLEGADAS
Figura 2*06
Capabilidade de descarga critica
de impulsos a seco de centelhado-
res tipo haste para haste e haste
para plano
Figura 2.07
Tensão de descarga de impulso
com polaridade positiva de cen-
telhador de haste cano uma fun
ção do tempo de abertura
TE
N
S
A
O
D
E
O
ES
C
A
R
S
A
-
Q
U
IL
O
V
O
LT
S Figura 2.08
Tensão de descarga de impulso
de polaridade negativa em cen-
telhadores de haste com fun
ção do tempo para romper o
arco
Figura 2.09
Características de descarga de
impulso de centelhadores de has
te-padrões.
Distâncias curtas para ondas de
1,5 x 40 para 779F, pressão ba
rométrica 30 polegadas e pres
são do vapor 0,6085.
a) ondas positivas
b) ondas negativas t « ) ( b )
(a) (b)
Figura 2.10
Características de descargas de impulso em padrões de 40 polegadas
e centelhadores verticais tipo haste, seco e úmido, para ondas de
1̂. x 40, 0,2 polegadas por minuto de agua, 1350 ohm por polegada
cúbica.
a) ondas positivas
b) ondas negativas
A- Curva media para centelhadores padrões do tipo haste
B- Curva de teste para centelhadores padrões de 40 polegadasC- Gentelhador padrão,teste úmido
C- Gentelhador vertical
D- Gentelhador vertical,teste úmido
Figura 2.11
Tensões de descarga de impulso crítica e em 60 Hz de centelhadores
padrões do tipo haste, avaliados pelos comitês do AIEE, EEI, NEMA,
a partir dos resultados de testes de vários laboratórios
Muitos pontos gerais podem ser anotados com base na avalia
ção destes dados.
1. Sob condições de impulso, um CFO de impulso negati
vo ê maior do que um CFO de impulso positivo.
2. A rigidez a impulso ê maior do que a rigidez a 60Hz,
para uma dada posição do centelhador.
3. Um plano na vizinhança de um centelhador de haste
pode influenciar a rigidez do centelhador tanto pa
ra surtos de manobra como de impulso. Tanto para con
dições de surto de manobra e impulso, o nível CFO,
- de haste-para-plano é maior para um surto negativo
na haste.
4. Pode haver bem mais do que uma distribuição de dois-
para-um na rigidez a um surto de manobra de um cen
telhador tipo haste-para-plano, quando comparada à
capabilidade de surto de manobra positivo ou nega
tivo.
Hã alguns dados na literatura sobre desvio padrão
(a) da tensão de descarga para centelhadores tipohaste^'^'^.
Estudos de publicações mostram que hã uma distribuição nos
dados de a. Os seguintes dados dão o intervalo de o e tam
bém valores típicos de o para centelhadores tipo haste.
T A B E L A III
Valores de a para centelhadores a haste
Tipo de teste Haste-para-haste Haste-para-plano
o típico intervalo dos
o
0 típico intervalo dos
a
Freqüencia Industrial 0,02 0,01 - 0,06 0,02 0,015-0,045
Impulso 0,03 0,015-0,07 0,04 0,02 -0,08
Surto de manobra 0,04 0,025- 0,09 0,05 0,03 -0,11
C. Centelhadores de chifres
Tem sido enfatizado que cada estrutura do cente
lhador tem suas características próprias, que devem ser de
terminadas pelos testes de laboratório. Alguns testes anali
sados por Wagner e Hileman, nos idos de 1960, demonstraram
uma característica única de um centelhador entre dois chi
fres horizontais. Estes testes demonstraram que uma corren
te flui entre os eletrodos do centelhador antes de ocorrer a
descarga no mesmo (chamada corrente de prê-descarga). Istoê,
sob condições próprias, possivelmente milhares de ampêres,
pelo efeito corona, podem fluir de chifre para chifre, e,se
a sobretensão ê de duração bastante curta, o centelhador não
descarregara; ou seja, a corrente por efeito corona se extin-
guirã após a remoção da alta tensão, e qualquer tensão bai
xa residual não produzira uma corrente, como seria esperado
após uma descarga completa. O módulo da corrente ê uma fun
ção tanto da sobretensão, do espaçamento do centelhadore da
duração do surto, logo o incremento de qualquer dos itens a-
cima, pode resultar num incremento da corrente de prê-des-
carga ocorrida antes da descarga.
Este tipo de estrutura do centelhador ê especifi
camente mencionado por duas razões: primeiro, é usado como
um centelhador de proteção^, e segundo, como o conhecimento
deste centelhador ê estendido pelos testes de laboratório e
aplicado em estudos ou sistema, provavelmente serã disponí
vel para a explanação dos fenômenos do sistema. Tal infor
mação ê provavelmente essencial para uma avaliação completa
do comportamento de circuito de sistema de distribuição,on
de condutores são relativamente muito próximos e, também,
completamente expostos âs altas sobretensões atmosféricas.
Tal condutor da linha de distribuição atuaria como um cen
telhador de chifre e pode, sob condições de impulso, ter um
considerável fluxo de corrente, de condutor para condutor,an
tes da descarga.
Alguns dados em centelhadores de chifre, a partir
da Referência 7, são apresentados na Figura 2.12 e na Tabe
la IV.
i Os dados de CFO e a, nesta Tabela, não são comple
tamente consistentes com os primeiros dados em centelhadores
a haste, por isso estes pontos trazem dificuldades no uso
dos dados, a partir das referencias publicadas. Deve-se ter muitô cui
dado na interpretação e uso de tais dados e, numa aplicação específica,
o engenheiro deve decidir qual o risco que serã permitido e por aí de
cidir quão conservativa uma hipótese deva ser, para que seja aplicada
aos dados usados na analise . *
CMMNTE MtfttA DC PltÍ-OCSCAft«A CM AMPVNCS
Figura 2.12
Características volt x ampere de centêlhadores de chifre. A figura
mostra o circuito equivalente do centelhador antes do colapso corple-
to. S é fechada quando Vg>Eq . 0 numero de pontos do teste de polari
dade positiva são tempos formativos e são os mesmos para os testes
de polaridade negativa.
T A B E L A IV
COMPARAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DE RUPTURA CRlTICA
DE CENTELHADORES TIPO HASTE E CHIFRE, COM ESPAÇA
MENTO DE 36 POLEGADAS
Ruptura com impulso a seco l1/2 por 40ys
Polaridade positiva kV............
Polaridade positiva a*............
Polaridade negativa kV............
Polaridade negativa a.............
Ruptura com surto de manobra a seco 250 por525ys
Polaridade positiva kV............
Polaridade positiva a.............
Polaridade negativa kV............
Polaridade negativa o.............
Descarga a 60Hz
Pico em kV a seco................
a a seco........................
Pico em kV sob chuva..............
a sob chuva......................
Centelhador
Chifre Haste
680 530
1,5 1,0
745 675
1,3 3,0
682 515+
1,0 -
815 700+
1,0 -
808 * 495§
—
453 446
1,3 -
* desvio padrao em porcentagem
14t testes de Jacotett , testes com onda de 250 por
1250ys
+- extrapolado
§ referência 15
|| 0,9 x descarga a seco
D. Estrutura das linhas de transmissão
Muitos fatores devem ser considerados na avalia
ção da rigidez aos surtos de manobra e impulso de uma torre
da linha de transmissão. Inúmeras referências são disponí-
6 9 16veis, apresentando dados de tais estruturas ' ' . Na maio
ria das estruturas de aço de EAT, a rigidez ao impulso serã
ditada pela menor distância de descarga, enquanto que a ri
gidez ao surto de manobra serã determinada pelo projeto da
janela da torre da fase central. No caso do surto de mano
bra, a mudança em uma dimensão pode ou não afetar a rigidez
ao surto de manobra total; isto ê, os caminhos de descarga,
a partir do condutor em direção às varias partes da janela,
não serão independentes. Por esta razão, as medidas atuais da
rigidez ao surto de manobra em laboratório, têm sido feitas
em muitas estruturas atuais de EAT.
Por razões práticas, muitas torres EAT podem ser
descritas por uma dimensão característica. Isso não ê, ne
cessariamente, a distância do centelhador mínimo, mas ê uma
dimensão que caracteriza mais ou menos a dimensão mínima da
torre e uma curva de rigidez â descarga, como uma função desta
dimensão pode ser usada para avaliar mudanças relativas re
queridas na geometria da torre como uma função do surto de
sobretensão da linha. A Figura seguinte mostra as dimensões
características do surto de manobrai
Notemos aqui que a tensão de descarga numa janela
de torre é uma função da espessura do pê da torre. Então, u-
ma torre muito espessa terã uma descarga baixa, digamos,uma
estrutura tipo H de madeira com cabos de terra descendo pe-
los pês. Esta redução na rigidez â descarga ê freqüentemen-
te chamada de efeito de proximidade. A janela central de um
arranjo horizontal de condutores, geralmente dita a rigidez
ao surto de manobra na linha. As fases externas, com menor
proximidade dos elementos de aço aterrados, terão uma rigi
dez aproximadamente 5% maior.
Figura 2.i 3
Capacidade de surto de manobra de polaridade positiva de
centelhadores aéreos entre o condutor da linha e o braço
ou estrutura da torre.
A descarga impulsiva em uma torre é, basicamente,
uma função da distância mínima de arco e ê, aproximadamente
600kV por metro.
Os dados de desvio padrão da descarga em torres,não
são tão bem definidos como os dos centelhadores a arco,por
que poucos testes de laboratório identificam estruturas. Al
guns valores típicos para a são dados aqui^.
T A B E L A V
Valores típicos de o para torres de linha de transmissão
Tipode surto a Intervalo de variação de a
Surto de manobra 5% 2 - 7 %
Impulso 2% 1 - 4 %
Alguns testes indicam que o RAD (densidade re
lativa do ar) pode influenciar o a de um teste, bem como o
CFO.
E. Fatores de correção atmosférica
Como mencionado inicialmente, a maioria dos dados
de laboratório ê corrigido e apresentado como informação em
condições padrões. Este é um dos métodos de redução do des
vio padrão, ou dispersão dos dados de laboratório. Também,
qualquer desvio dos fatores de correção tenderão, portanto,
a aumentar a dispersão dos dados.
Quando usamos dados de laboratório em qualquer a-
plicação particular, é necessário incluir fatores de corre
ção atmosférica nos dados, para dar uma avaliação realísti-
ca a qualquer aplicação. As condições padrão de um labora
tório não são representativas das condições medidas que pre
dominam num sistema. Uma consideração completa da estatís
tica das correções atmosféricas requeriria um programa de
1 Ç.computador . Numa média (50% do tempo), o CFO do centelha-
dor pode ser de 2,5 a 5% menor do que aquele medido em con
dições padrão; e, sob condições extremas, o CFO pode ser re
duzido para 10 a 15%.
Os maiores fatores de correção sao:
RAD (Densidade relativa do ar)
Umidade
Precipitação
O RAD é dominado pela pressão barométrica, e, por
tanto, é o fator significante na redução da rigidez do cen-
telhador a ar, em altas altitudes.
A correção de RAD ê dada por:
CFOcondutorpadrao
CFOcondutoj: nao padrao
/RADn
onde:
n = 1 para centelhadores curtos (surtos de manobra)
n = 0,7 para centelhadores a ar longos (surtos de manobra)
n = 1,0 para condiçõés de impulso
As mudanças no fator n com um comprimento do cen-
telhador podem ser explicadas pela saturação na rigidez dos
grandes centelhadores a ar, com uma mudança efetiva do com
primento dos mesmos.
O fator de correção de umidade pode ser mostrado pela
9curva .
Figura 2.14
Correção da umidade para capabilidade de isolação de surto de ma
nobra com polaridade positiva
A precipitação influencia a rigidez de isolamento.
Isso ê geralmente demonstrado por testes em 60Hz, em condi
ções a seco ou sob chuva (o teste de alto potencial a seco,
por um minuto, e o teste sob chuva, de 10 segundos). Dados
desta redução são mostrados nos dados de centelhadores a haste.
A redução atual em rigidez de 60Hz, para uma cadeia de iso-
ladores sob condições de chuva, é uma função da média de chu
va. Isto nao aparenta reduzir a rigidez de outros centelha-
dores a ar, mas reduz a descarga através da cadeia de iso-
ladores. Isto resulta devido ao fluir das gotlculas de ãgua
de um isolador para outro.
Sõ condições de chuva (não usual) extremamente pe
sadas podem reduzir a rigidez em 60Hz a mais de 30%.
VII - A FUNÇÃO DA PROTEÇÃO
Esta pode ser obtida em um certo numero de cami
nhos, incluindo:
1. As tensões suportáveis pelo equipamento da subesta
ção projetada podem ser maiores do que os surtos que
possam entrar na subestação.
2. O uso de centelhadores tipo haste ou chifre, nas en
tradas de linhas da subestação, para limitar o_ mo
dulo dos surtos incidentes na subestação, a um nível
mais baixo que o nível de tensão suportável do equi
pamento da subestação.
3. O uso de um ou mais dissipadores de surto dentro da
subestação, para manter o nível de surto dentro dos
níveis desejáveis e inferiores aos níveis suportá
veis pelos equipamentos.
Em cada um dos casos citados há uma alternância en
tre o custo da implantação e o comportamento do sistema. A a-
valiação de cada um destes métodos requer o conhecimento dos
níveis de surto que são gerados no sistema. Níveis de surto
de manobra foram discutidos em Capítulos anteriores. Níveis
de impulso que entram numa subestação são ditados pelo ní
vel suportável da linha, e podem ser estimados a partir de
dados prévios neste Capítulo. As características de proteção
dos centelhadores tipo haste podem também ser avaliados a
partir dos dados apresentados anteriormente.
VIII - PROTEÇÃO POR CENTELHADORES
Quando consideramos as características de proteção
dos centelhadores tipo haste, deveria ser considerado tanto
os aspectos estatísticos da descarga no centelhàdor, bem co
mo os fatores de correção atmosféricos. A avaliação da fun
ção da proteção deve considerar os mais altos surtos que são
possíveis de sobrepassar o centelhador.
As tensões admissíveis dos equipamentos devem ser
altas para comportar os surtos que podem ocorrer sqb algu
mas condições atmosféricas, resultando em descargas altas no
centelhador, e devem também acomodar alguns surtos que, numa
base estatística, podem ser mais altos do que o CFO, sem re
sultar em descarga no centelhador. Se os limites superiores
são considerados em cada caso, as tensões admissíveis ne
cessárias podem ser bem altas. Entretanto, a suscitação es
tatística da função de proteção, bem como a análise estatís
tica do grau de proteção devem também ser consideradas.
Adicionalmente à função de proteção, ê necessá
rio considerar o comportamento operativo do sistema. Quando
um centelhador de proteção descarrega, o resultado, sob o
ponto de vista do sistema, é quase o mesmo que uma falta do
mesmo neste ponto. Correntes altas fluirão e os disjuntores
do sistema devem operar para eliminar a condução no cente
lhador. Este tipo de operação pode interromper o atendimento
ao consumidor. Por esta razão, a descarga mínima ê importan
te quando se escolhe a capacidade do centelhador. Tempo, ou
condições atmosféricas e influências estatísticas que podem
causar descargas em 60Hz, como surtos de manobra, podem in
fluenciar a especificação mínima do centelhador.
A preferência por uma larga margem entre a descar*-
ga mínima ditada pelas condições de surto de manobra, ou em
60Hz, e a descarga máxima ditada pelas condições de impulso,
normalmente ê imposta pelos altos níveis de proteção do e-
quipamento da subestação. Isto faz o uso da proteção por cen
telhador geralmente não ser econômico para equipamento de
porte, como, por exemplo, transformadores. Porém, a proteção
por centelhadores ê algumas vezes usada em disjuntores onde
a rigidez ao impulso ê alta, podendo ser tolerada e onde o
custo de dissipadores de surto, em cada modulo de entrada da
subestação, pode ser excessivamente caro.
IX - PROTEÇÃO POR DISSIPADORES DE SURTO
Um dissipador de surto ê, num bom sentido, um dis
positivo de proteção tipo centelhador a ar. Ele se compõe de
uma serie de centelhadores com um material resistivo não-
linear, em serie com os centelhadores, para limitar a cor
rente em 60Hz (potência após a corrente) através do dissipa
dor. Os centelhadores são projetados não somente para des
carregar a um nível projetado, mas também para resistir a
corrente de impulso para a terra. Então, quando uma pequena
potência segue a corrente, tendendo para zero, o arco é in
terrompido pela conexão em série dos centelhadores.
A. Características físicas de um dissipador de surto
Os centelhadores e resistores não-lineares são em
butidos dentro de uma coluna de porcelana. Esta colunaé se
lada do contato externo para minimizar a mistura resistiva
e a corrosão resultante nos centelhadores. Enquanto a sela-
gem da coluna de porcelana ê necessária para possibilitar
a operação uniforme do dissipador por um longo tempo, há,
como desvantagem, a sobrepressão resultante, se o dissipador
falhar. Tal pressão pode explodir a estrutura de proteção,
produzindo danos nos equipamentos próximos ao dissipador. Pa
ra evitar este problema, os dissipadores são projetados com
um diafragma de alívio de pressão, o qual romperá antes da
falha explosiva do dissipador. Os testes destas caracterís
ticas são cobertos pelas normas^.
Como em qualquer coluna de porcelana ligada a um
alto potencial, em uma extremidade, o gradiente de tensão ao
longo da superfície não é uniforme. Isto se deve à capacitân-
cia a terra não uniforme, e ê uma função da localização fí
sica do dissipador relativo às superfícies de terra. Esta
tensãonão uniforme é acoplada capacitivamente aos aentelhar-
dores como a produção de um gradiente de tensão não unifor
me, ao longo da série de centelhadores. Em tal situação,se
rão produzidas descargas irregulares, e são corrigidas pela
instalação de uma impedância com resistência elevada em pa
ralelo com cada centelhador. Esta alta resistência ê chama
da de "resistência gradual" e comporta a função de graduação
da tensão ao longo da serie de centelhadores, forçando a uma
tensão uniforme através de cada centelhador. Isto permite um
controle mais completo de descarga do dissipador, e também,
faz com que a descarga seja menos susceptível à influência
de campos externos ao dissipador, que podem, por exeirplo, ser
dominados por planos de terra próximos ao dissipador, ou da
contaminação da superfície externa do dissipador.
Quando um dissipador descarrega, a corrente no oen-
telhador flui na forma de plasma. Quando a corrente nula ê
alcançada, hã uma tendência natural de extinguiro arco. Vá
rios fatores influenciam a interrupção da corrente de arco,
incluindo a queda de potencial catódico, o comprimento do ar
co, a temperatura do material nas vizinhanças do arco e a
tensão ascendente, através do centelhador. A queda de poten
cial catõdica ê aumentada pelo numero de superfícies cente-
lhadoras, e alguns dissipadores forçam o arco dentro de uma
região, na qual o arco ê desdobrado em um grande número de
pequenos arcos. Freqüentemente, campos magnéticos criados pe
la corrente do dissipador são usados para alongar e aliviar
o arco movendo-o contra uma superfície de alívio. Isto pode
ser referido como uma ação magnética de extensão do arco. Es
te não contribui significativamente para a tensão IR do dis
sipador neste caso. Neste sentido fundamental, o propósito
da ação magnética é mover e aliviar o arco para preparã-lo
para interromper a corrente em 60Hz.
Alguns dissipadores modernos são projetados para
produzir "a limitação de corrente" que ê, algumas vezes,cha
mada de sopro magnético da "potência após a corrente". Em
tal dissipador, o arco'ê enormemente alongado e aliviado,
havendo uma queda de tensão em 60Hz substancial, através da
soma dos arcos dos centelhadores que estão em série. A ten
são de arco do centelhador é produzida por um campo magné
tico gerado pelo fluxo da própria corrente. O propósito de
tal ação limitante da corrente é reduzir a energia absorvi
da necessária do dissipador, durante o fluxo da potência que
segue a corrente, a qual, de fato, permite reduzir a carac
terística de tensão IR do dissipador, sob condições de im
pulso, sem resultar numa excessiva potência apõs a corrente.
Disto é possível ver que a ação magnética do dissipador de
ve ser inativa durante condições de impulso. É também neces
sário não ter excessiva limitação da corrente pelo dissipa
dor, durante surtos de manobra ou interrupção das correntes
indutivas.
Figura 2.15
Elementos básicos da estrutura de um
dissipador de surto
A descarga do dissipador ê controlada com alguma
extensão resistores de graduação, em paralelo com os cente-
lhadores. Adicionalmente, os centelhadores são projetados com
prê-ionizadores. Antes de qualquer descarga, algumas partes
do centelhador, dentro do efeito corona que fornece ions na
região do centelhador, fornecem um caminho para a descarga
que se segue. Um pré-ionizador é uma forma de controle, por
projeto, de onde e em que tensão o centelhador serã ioniza
do. Isto pode ser implementado numa forma simples, pela co
locação de objetos com arestas na região próxima ao cente
lhador.
A ação magnética do arco, durante a potência que
segue a corrente, pode ser produzida por uma pequena bobina
em série com a corrente no centelhador. Para evitar um alto
incremento da tensão através desta bobina, durante condições
de correntes de impulso, a bobina é colocada em derivação com
uma pequena estrutura centelhadora auto-restaurativa.
B. Testes padrões em dissipadores de surto
As características dos dissipadores devem ser com
provadas por uma série de testes padronizados. Eles podem ser:
testes de projeto, testes de comportamentoe testes rotinei
ros.
Testes de projeto são realizados em dissipadores
protótipos e, no caso de dissipadores de alto potencial, em
seções prõ-nominais de dissipadores. Estes testes confirmam
a capabilidade do dissipador e podem danificar o próprio dis-
sipador (por exemplo, o teste de alívio de pressão). Os tes
tes de projeto incluem:
a) Testes de tensão admissível isolante do dissipador.
Este teste basicamente avalia a capacidade admis
sível da coluna de proteção, com as partes internas
removidas.
b) Testes de descarga em freqüência industrial admis
síveis em dissipadores completos, para provar a ca
pacidade do dissipador de não descarregar sob ten
são em 60Hz, para um nível especificado acima da ca
pabilidade do dissipador.
c) Características da tensão de impulso - Esteteste for
nece informação dos níveis de descarga (onda plena e
frente de onda). O teste também demonstra as carac
terísticas de tensão IR de descarga dos dissipado
res (a tensão IR é obtida com uma onda 8 x 20ys).
d) Corrente admissível de descarga - Este teste mostra
a capacidade do dissipador de conduzir com sucesso
altos valores de corrente por um curto espaço de tem
po (4 por lOys) e conduzir baixas correntes de lon
ga duração (isto pode ser tanto um teste de descar
ga em uma linha de transmissão, ou teste com um de
grau de corrente, conforme for especificado).
e) Teste de ciclo obrigatório - Ê uma aplicação simul
tânea de um impulso e de uma tensão em 60Hz para pro
var a capabilidade de restauração.
f) Teste de rãdio-interferência
g) Teste de alívio de pressão - Para demonstrar as ne
cessidades de não explosão sob falha do dissipador.
Testes de comportamento são testes realizados quan-
se faz necessário comprovar o comportamento das caracterís
ticas de um dissipador. Estes incluem:
a) Testes de descarga em 60Hz
b) Testes de descargas impulsivas
c) Testes de tensões desruptivas
Testes rotineiros são testes feitos pelo fabri
cante em cada dispositivo ou amostra representativa neaessã-
rias à verificação de que o produto alcança as especifica
ções.
C. Tipos de dissipadores de surto
Hã vários tipos de dissipadores projetados para a-
plicações específicas. Estes incluem:
Dissipadores tipo válvula para subestações
Dissipadores tipo válvula intermediários
Dissipadores tipo válvula para distribuição
Dissipadores tipo expulsão para distribuição
Dissipadores tipo válvula secundários
Tubos protetores
Cada um destes tipos de dissipadores tem caracte
rísticas específicas para cada aplicação. A escolha do tipo
de dissipador a ser usado ê baseado no custo e comportamen
to exigidos. Por exemplo, dissipadores de distribuição são
mais baratos do que dissipadores classificados para subes
tações ou intermediários. Estes são feitos segundo um pro
jeto e construção simplificados e imposições de testes es
pecíficos não tão severo como os dissipadores mais caros.Es
ta diferença também existe entre dissipadores da classe in
termediaria e de subestação. Os dissipadores da classe de su
bestação são mais caros e dão um altíssimo grau de proteção.
Isto ê, podem descarregar mais corrente do sistema, sem da
no do dissipador, e terão uma descarga baixa.
D. Considerações scbre a aplicação de dissipadores de surto
As considerações fundamentais da aplicabilidade para
um dissipador de surto incluem aquelas feitas para disposi
tivos de proteção tipo centelhador a ar. Isto é , a conside
ração deve ser dada para um nível de descarga mãxima, sob
condições de surto de manobra e impulso, e assegura que es
tes são suficientemente inferiores à rigidez admissível do
equipamento protegido e também à mínima descarga do dissi
pador, devendo ser considerado para evitar descargas desne
cessárias dos dissipadores. Descargas repetitivas de um dis
sipador, especialmente quando estas ocorrem sõ num meio ci
clo, alémde sobreaquecimento do dissipador, causam danos ou
falhas.
As diferenças fundamentais entre os dissipadores
de surto e os dispositivos de proteção oentelhadores tipo haste,
são que as descargas nos dissipadores podem ser controladas
mais de perto pelo projeto e, também, que o dissipador "se
reconporã"ou interromperá o fluxo de potência que acompanha a
corrente que sucede a descarga. Então, não opera o disjuntor
ou não ocorre a interrupção do sistema, mas, devido à opera
ção do dissipador, ê aparente que um fator, que deve ser in
cluído no projeto do dissipador, é o nível da potência que
acompanha a corrente, a qual deve ser mantida a um nível su
ficientemente baixo, desde que os relês não operem.Isto não
ê um problema de aplicação de dissipadores de surtos comer
ciais-, mas é um fator considerado pelos projetistas.
Os dissipadores são projetados e testados”̂ para
demonstrar suas capacidades de ” restauração " . A "ca
pacidade " do dissipador é a descrita na placa e é
normalmente colocada em quilovolts eficazes. Uma tensão
em 60Hz ê aplicada através do dissipadór e, então, um impul
so descarrega no dissipadór, gerando um fluxo de corrente
impulsiva através do mesmo. Seguindo a corrente de impulso
no dissipadór, a potência que acompanha a corrente fluirá co
mo determinado pela tensão nominal em 60Hz aplicada no dis-
sipador e no resistor não-linear em série. Quando a potência
que acompanha a corrente passa por zero, o arco ê extingui
do e a tensão através do dissipadór aumenta como uma onda
senoidal para o valor máximo da tensão nominal em 60Hz.
Se o dissipadór não toma a descarregar durante este tes
te, ele ê restaurado. Então, a restauração de um dissipadór ê
um fato que evita uma segunda descarga.
A restauração de um dissipadór é importante por
que a potência, que segue a corrente através do dissipadór,
é limitada pelo material resistivo que deve absorver consi
derável energia ou calor, que deve ser dissipada pelo dis-
sipador. 0 material resistivo não-linear, comumente usado
nos dissipadores, tem um coeficiente de resistividade tér
mico negativo, de forma que, com o aquecimento progressivo do
material resistivo, sua resistência decresce, resultando em
maior corrente e aquecimento nas descargas subseqtientes.
A capacidade do dissipadór ê geralmente muito maior
do que a tensão nominal fase-terra. Uma das razões classicas
para isto é a necessidade do dissipadór não conduzir quando
ocorrer tensões de linha plena num sistema desaterrado. Is
to ê , se uma falta ocorrer num sistema, a tensão remanescente
nas duas‘outras fases, é igual ã tensão fase-neutro. Se neste
instante o dissipadór descarrega por um impulso, este deverá
ter a capacidade de "restaurar com tensão plena (de linha)" para
evitar sobreaquecimento ou falha. Um dissipadór especificado
para tensão de linha de um sistema é comumente referido co
mo um dissipadór a 100%. Quando um sistema ê "aterrado efe
tivamente " (v. ANÁLISE DE CIRCUITOS DE SISTEMAS DE POTÊNCIA - V. 1) disjun
tores com capacidades menores são usados (comumente dissipa
dores de 80%). Este tipo de razão de que a capacidade reque
rida do dissipador seja maior do que a tensão na fase não de
feituosa durante uma falta fase-terra, ê freqüentemente u-
sada na escolha da capacidade do dissipador.
Em muitos casos, a tensão da fase não defeituosa
não é a medida adequada da tensão sustentada, sob a qual o
dissipador deve "restaurar-se". Obviamente condições não usuais,
tais como ressonância ou ferro-ressonância, podem produzir
uma tensão sustentada que poderia produzir descargas repe
titivas de um dissipador, pela manutenção da tensão, acima
da tensão nominal ou capabilidade de restauração. Também ou
tros, tais como rejeição de carga e sobrevelocidade subse-
qüente das maquinas,podem produzir tensões que devem ser a-
valiadas com relação â capabilidade de restaurar. Não hã re
gra dominante completa que pode ser aplicada neste caso.Fa
tores importantes são baseados na experiência operacional an
tiga e no desejo de minimizar o numero de falhas do dissipa
dor de surto em um custo mínimo total.
A tensão no dissipador, durante a condução da cor
rente de impulso é importante para a função de proteção dos
dissipadores. A queda de tensão através do mesmo, durante
a condução de corrente de impulso, ê chamada de tensão IR do
dissipador. Estas tensões são tabeladas para dissipadores e
devem ser "coordenadas" com a rigidez de impulso do equipa
mento protegido.
Sumarizando, a aplicação do dissipador de surto de
ve ser baseada nas seguintes considerações:
1. A tensão de descarga do dissipador deve ser menor do
que o impulso admissível do equipamento protegido com
alguma margem apropriada entre os dois. Se o dissi
pador não ê imediatamente adjacente ao equipamento
protegido, a ãrea de proteção do dissipador deve ser
deve ser determinada (veja o Capítulo 10 da "TEORIA
DE LINHAS DE TRANSMISSÃO").
2. A tensão IR de impulso do dissipador deve ser menor
do que o impulso admissível do equipamento protegi
do. A corrente usada no calculo de tensão IR é ba
seada na tensão admissível das linhas que entram na
subestação (ver o Capítulo 1).
3. A tensão sustentada que pode ocorrer nos terminais do
dissipador, durante a falta fase-terra, ou outras con
dições anormais, devem ser menores do que a capabi-
lidade de restauração do dissipador.
4. O dissipador deve ter a capacidade de dissipar a e-
nergia armazenada num sistema, durante condições de
surto (isto é, tanto a energia do surto iirpulsivo como
a do surto de manobra) . Em sistemas de EAT, a neces
sidade da dissipação da energia do surto de manobra
ê fundamental.
Como definido pelas normas, os dissipadores de sur
to são projetados para desempenhar somente em condições nor
mais de serviço^. A referência 1 define estas condições de
serviço.
REFERÊNCIAS 1 11
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ting Current Power Circuits, USAS, C62.1, 1967, IEEE
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10. Transmission & Distribuition Reference Book, Westin-
ghouse Electric Corporation.
11. "The Confidence Limits of High-Voltage Di-electric Test
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tions, PA & S, agosto 1967, pp. 968-75.
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15. "American Standard for Measurement of Voltage in Die-1-
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16. "Insulation Performance Analysis of a 500 kV Transmis-
sion Line Design", Annestrand, Bossuyt, Reppen, IEEE
Transactions, PA & S, março 1970, pp. 429-37.
17. "Switchingand Lightning Impulse Discharge Characteris
tics of Large Air Gaps and Long Insulator Strings", L.
Paris, R. Cortina, IEEE Transactions, PA & S, abril
1968, pp. 947-57.
CAPÍTULO
PADRÕES DE RELEVÂNCIA NAS
NECESSIDADES DE ISOLAMENTO
I - INTRODUÇÃO
A função da coordenação de isolamento é um dos es
tudos que requer a cooperação entre os fabricantes de equi
pamentos e usuários do mesmo. Esta cooperação é obtida atra
vés de sociedades profissionais e comitês de padronização,
incluindo a representação tanto de fabricantes como dos uti
litários. Neste Capítulo uma larga descrição dos vãrios as
pectos importantes de padrões serã discutido.Adicionalmente
serão referenciados excertos de alguns padrões, detalhando
vãrios aspectos da coordenação de isolamento, contendo in
formações .
Informações do uso da estatística, nos testes de a-
ceitação padrões e aplicações, são também apresentados. II
II - PADRÕES DA COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO
Como acontece com a maioria das capacidade dos e-
quipamentos, hã um incentivo tanto por parte dos usuários co
mo dos fabricantes, que concordam que haja um numero limi
tado de capacidades "padrões" para a rigidez isolante dos e-
quipamentos. O "Instituto Nacional Americano de Padrões"(ANSI)
ê o responsável por esta função nos Estados Unidos. Como a-
contece com a maioria dos padrões, há uma entidade similar
internacional quê, neste caso, ê a "Comissão Internacional
Eletromecânica" (IEC).
Os padrões considerados por estas organizações co
brem um largo conjunto de necessidades para equipamentos, tais
como, perdas em transformadores e motores, testes de aque
cimento devido à operação, bem como testes de coordenação de
isolamento. A ênfase deste curso é no aspecto dos testes pa
ra coordenação de isolamento.
Ha um contínuo esforço em coordenar o trabalho da
ANSI e da IEC para levar estas padronizações a uma unifor
midade. Por razões históricas, bem como devido a sinceras di
ferenças próprias, isto não tem sido alcançado; mas, espe
cialmente em anos recentes, tem sido dado grandes passos pa
ra tornar tais padrões mais uniformes.
Ainda permanecem várias diferenças significantes
entre os padrões de testes de impulso da ANSI e IEC. As sé
ries de níveis de isolamento padrão nos dois casos diferem
um tanto, e os padrões IEC especificam mais rigidamente os
níveis de isolamento a serem associados com uma dada tensão
do sistema. As normas dos Estados Unidos deixam esta asso
ciação para os comitês de padronização de equipamentos.
A forma de onda do surto de manobra, adotada tan
to pela ANSI como pelo IEC, ê de 250x2500ys. Esta forma de
onda tem tolerâncias razoavelmente largas; entretanto, uma
certa diferença da onda ê permitida nos transformadores on
de o desenvolvimento de um corte longo da onda é virtualmen
te impossível em circuitos de testes práticos.
Formas de onda apropriadas para testar cabos sub
terrâneos estão correntemente sob consideração. Para este tes
te, alguns Engenheiros argumentam que uma onda oscilante é
mais apropriada, desde que ondas desta forma têm se mostra
do que ocorrem na prática e podem representar uma condição
mais severa no cabo, do que um pulso unidirecional,devido â
constante de tempo eletrostãtica do isolamento do cabo.
III - METODOLOGIA E TIPOS DE TESTES PADRÕES
Vários tipos de testes podem ser feitos em equi
pamentos elétricos, tanto durante como apôs a fabricação. En
quanto não há uma uniformidade completa dos nomes dos tes
tes em todos os padrões, há algumas observações gerais que
podem ser feitas, resguardando os propósitos fundamsntais dos
testes.
Testes de projeto - São feitos para determinar a
adequacidade do projeto, um tipo, estilo ou modelo particular
de equipamento para encontrar sua classe e capacidade espe
cífica, e para mostrar suas condições operacionais satisfa
toriamente, sob condições normais de trabalho, ou sob con
dições não usuais, se especificadas. O teste de projeto efei
to só em amostras representativas ou em protótipos construí
dos especificamente para consubstanciar as classes especifi
cadas do equipamento.
Testes de produção - São feitos para testar a qua
lidade e uniformidade do material e mão-de-obra usados na
construção do equipamento. Estes testes podem ser especifi
cados por padrões, ou podem ser baseados nas necessidades dos
fabricantes.
Testes e provas de aceitação - São feitos em equi
pamentos, após a fabricação e antes da operação comercial, para
demonstrar a qualidade adequada da fabricação do equipamen
to. Estes testes são freqüentemente feitos em: 1) cada peça
do equipamento fabricado; 2) amostras selecionadas do equi
pamento fabricado, ou 3) algumas partes especificadas de um
comjunto (por exemplo, uma amostra de uma extensão de cabo).
Estes testes são especificados geralmente por padrões. Al
guns testes de aceitação são entendidos de serem necessários
pelos padrões, enquanto outros testes, com procedimentos de
talhados por normas, devem ser especificados pelo comprador
se ele desejar que estes sejam feitos.
Testes e provas de manutenção - São feitos em e-
quipamentos que tenham estado em operação comercial e per-
mitam um meio de avaliar o grau de degeneração, que tem co
mo resultado após o transporte, instalação e serviço. Com
freqüência, as normas dão recomendações para tais testes. Es
tes testes não são feitos nos mesmos níveis dos testes cor
respondentes aos de fabrica (por exemplo, os testes de alta
tensão são geralmente de 60 a 80% dos níveis usados nas fa
bricas) .
Testes de campo das capabilidades projetadas do e-
quipamento - São algumas vezes feitos especialmente quando é
pela primeira vez, instalado um novo nível de tensão. Fre-
qüentemente, relatórios de tais testes de campo são incluídos
na literatura. Exemplos típicos de tais testes incluem tes
tes de interrupção de disjuntores de potência, testes de a-
bertura de disjuntores por defeito em linhas, testes de sur
tos de manobra em disjuntores, testes de descarga em dissi-
padores de surtos e testes de comportamento de centelhadores
para a proteção de capacitores série.
Muitas vezes,tais testes são feitos para testarto
do o sistema, incluindo a operação dos equipamentos de pro
teção e de onda portadora, bem como o projeto de um deter
minado equipamento básico.
Cada um dos tipos de testes apresentados acima te
rão um grau diferente de importância dentro de um conjunto de
equipamentos diversos. Por exemplo, num disjuntor de potên
cia de baixa tensão, os "Testes de projeto" e os "Testes de
produção" são importantes para demonstrar a capacidade ul
timada do equipamento e também o controle de qualidade do fa
bricante. No caso de disjuntores de potência EAT, "Testes de
projeto" para observar a capacidade de interrupção, são im
portantes e, além disso, alguns usuários podem especificar
testes de aceitação em algumas amostras de uma grande par
tida. Em tais casos, os testes de aceitação podem ser obser
vados pelo comprador e são especificados por normas. Então,
resulta que tais testes são fornecidos para o comprador, en
quanto que, outras vezes, o usuário pode ter que especificar,
a tempo, quais testes irão ser feitos. Em alguns casos, um
fabricante pode fazer alguns destes testes rotineiramente,
enquanto outros, não. E, de modo geral,proveitoso para o u-
suãrio conhecer bem as necessidades e testes padrões do e-
quipamento.
IV - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS QUANTO Ã METODOLOGIA
DE ACEITAÇÃO DE EQUIPAMENTO DE EAT
A maior parte das novas técnicas e materiais para
fabricação de equipamentos sugerem mudanças nas padroniza
ções. Isto resulta numa revisão mais ou menos contínua dos
procedimentos para padronização. Em algumas vezes, como no
caso de equipamentos de EAT, as necessidades únicas do sis
tema ditam novas técnicas para projetar e testar o equipamen
to. Em particular, para sistemas de EAT, a importância dos
surtos de manobra tem encorajado o esforço substancial na
indústria, para planejar um teste de surtode manobra ple
namente justificado.
Os comentários do Capítulo 2 apontaram alguns e-
xemplos de especificações para testes de surto de manobra.
No caso de transformadores, aproximações que têm
sido usadas por um grande número de anos necessitam ser re
visadas. Estas tendências são abordadas brevemente no ítem
IV.
A. Metodologia para surtos impulsivos
Em 1930, uma série de mõdulos de testes padrões pa
ra impulsos representativos de descargas atmosféricas foi es
tabelecido. Estes eram chamados de "Níveis básicos de iso
lamento" (BIL's). A onda dupla exponencial tinha a forma de:
sendo suposto como a forma de onda padrão, e com dimensões
de 1,5x40, isto ê, tendo um tempo para atingir o pico l,5ys
40ys, para ir do ponto máximo até o valor médio. Esta foi
recentemente mudada para 1,2x50 para ajustar-se com padrões
do IEC, para esta mesma forma de onda.
Até agora, os BIL's têm sido a principal designa
ção da rigidez de isolamento para equipamentos elétricos. Na
coordenação de isolamento, o equipamento testado para um da
do BIL ê suposto ter uma rigidez igual àquela do valor de tes
te. Um número limitado das aplicações de testes é especifi
cado pelo Comitê 68 da ANSI, para o isolamento nos transfor
madores ou outro equipamento onde uma falha do teste poderia
destruir o equipamento. Enquanto este número de testes apro-
xima-se da rigidez estabelecida com qualquer validade esta
tística, ainda ê defendido que a disposição periódica de um
fabricante, para tais testes, é uma restrição suficiente pa
ra, assegurar a alta probabilidade de que a rigidez especi
ficada e a projetada para o equipamento.
Outras formas de onda, que não os impulsos atmos
féricos padrões, são, algumas vezes, especificadas. Algumas
empresas, por exemplo, optam por um teste de onda cortada,
similar à onda l,2x50ys, mas com uma queda súbita para zero
da tensão apõs o pico impulsivo. Esta forma, presumivelmen
te, duplica o* esforço sobre um transformador submetido a um
impulso, que é limitado por uma descarga do centelhador no
corte da onda. Este é um teste razoavelmente severo para trans
formadores, uma vez que a rãpida variação na tensão causa uma
alta tensão entre espiras no enrolamento. Outro teste, al
gumas vezes especificado, ê o teste de "Frente de onda" on
de a tensão ê provocada pelo seu aumento numa taxa prescrita
(usualmente 600kV por microsegundo) , até que o isolamento rom
pa eletricamente.
B. Metodologia para surtos de manobra
Até muito recentemente, o uso de formas de ondas re
presentativas dos surtos de manobra tem sido um pouco limi
tado. Módulos padrões para ondas dé surto de manobra, enquan
to ainda não estabelecidos especificamente, foram comumente
considerados como 83% do BIL. Este fator, 0,83, tem uma fi
gura "unânime" baseada nos testes de laboratórios limitados
de amostras compostas de õleo/papel.
Como os grupos da IEC e ANSI consideram a padro
nização dos testes de surto de manobra, da regra dos 83%,
retira-se duas considerações:
1. Foi baseada no surto de manobra para a razão da ri
gidez ao impulso de um sistema de isolamento espe
cifico, e não reconhece a variação das razões que o-
correm com outros sistemas de isolamento.
2. A maior parte do isolamento principal na subestação
ê protegido por dissipadores de surto. Foi defendi
do que a razão de testes dos surtos de manobra, para
os níveis de teste de impulso, seria alinhada à ra
zão dos níveis de proteção permitido pelo dissipa-
dor de surto, em vez de uma razão de rigidez de um
sistema de isolamento particular.
Nestas condições, tanto os comitês do IEC e da ANSI
abandonaram seus padrões em favor de uma serie de magnitudes
padrões, tais como as usadas para o BIL. Embora uma alter
nativa para uma serie independente tenha sido considerada ante-
riomente, ambos os grupos decidiram usar a mesma serie nu
mérica que foi, então, forçada para o BIL.
Esta série é mostrada no Padrão Nacional Americano
C92.1, como proposto para uma revisão (ver o Apêndice I, do
Capítulo 1). A proposição foi aprovada tanto pela NEMAelEEE
em 1970, e serã publicada como mostrado. Os níveis de iso
lamento listados incluem vãrios valores adicionais interme
diários na primeira lista de BIL's. Desde que se use uma sé
rie comum para impulsos atmosféricos (BIL1s) e impulso® de
manobra (BSIL*s), seria, por outro lado, impossível selecio
nar razões de BSIL's para BIL comparáveis com a razão dos ní
veis de proteção orientados pelos modernos dissipadores.
C. Metodologia em freqüência industrial
Muitos equipamentos estão sujeitos a uma forma ou
outra para testes em freqüência industrial. 0 significado des
te teste tem diminuído o impulso atmosférico, e testes de im
pulso de manobra subseqüente foram introduzidos. Normas de
transformadores anteriormente especificados para testes no
domínio da freqüência industrial, por um minuto em um dado
nível de tensão, que eram fixados em relação ao BIL. Como as
melhorias dos dissipadores de surtos permitiram aumentar bai
xos BIL's, a tensão do teste em freqüência industrial caiu,
correspondentemente. Isto foi recentemente reconhecido como
um realismo completo, desde que o esforço em freqüência in
dustrial, visto pelo transformador, não tenha relação com as
necessidades de rigidez a impulsos, como determinado por dis
sipadores de surto. Mais ainda, um trabalho fundamental p u
blicado em 1968, mostrou uma equivalência de tensãoxtempo,
para testes em freqüência industrial, e sugeriu que um tes
te mais significativo poderia ser conduzido para tensões bai
xas em freqüência industrial, em lugar do previamente usa
do. Estes testes em baixos níveis, em freqüência industrial, são
aplicados por um longo período de tempo (por exemplo,uma ho
ra) . É conveniente que um teste em freqüência industrial de
aproximadamente 1,5 vezes a tensão normal de serviço por uma
hora (independente da classe de impulsos atmosféricos ou de
manobra) seja adotado tanto pelas normas americanas como pe
lo IEC. Muitos Engenheiros argumentam que esta tensão seria
um pouco superior (da ordem de 2,0 p.u.) para um período que
vai de um segundo até um minuto no início deste teste horá
rio, de forma a permitir que a geração do efeito corona se
mostre, e que não seria excitado numa tensão de 1,5 p.u.. O
teste, nesta forma poderia tender a simular uma sobretensão
tipo rejeição de carga ou disruptiva, é acompanhado por uma
energização contínua em freqüência industrial.
O teste por uma hora, descrito acima, ê uma indi
cação melhor da longevidade do transformador do que o teste
por um minuto, especialmente quando acompanhado por especi
ficações rigorosas, como para o nível de corona que ocorre
durante o período de testes.
V - CQNSIDERAÇÕES ESTATÍSTICAS NOS TESTES CE ACEITAÇÃO
(Surtos de manobra)
As normas IEC fazem distinção entre o isolamento
auto-restaurativo (centelhadores e ar, porcelana, etc.) ei-
solamento sem auto-restauração (papel, sistemas com óleo,i-
solamento sólido, etc.).
Para isolamento sem auto-restauração é obviamente
impraticável projetar o teste que estatisticamente definira
a rigidez do isolamento, uma vez que assim feito significa
ria a ruptura de muitas amostras das estruturas de isolamento
caras. Por esta razão, testes em freqüência industrial, bem
como testes de impulsos em isolamento sem auto-restauração,
são meramente demonstrações que o isolamento suporta um tes
te com uma dada severidade de no mínimo uma vez o impulso.
Para isolamento auto-restaurativo é pratico esta
belecer a rigidez de isolamento com validade estatística,
desde que rupturas repetidas não causem danos na estrutura
de isolamento. Há um fator importante de economicidade que
deve ser considerado no estabelecimento de um teste para o
isolamento auto-restaurativo. O número de testes requeridos
para definir a rigidez estatística para um alto grau de a-
curacidade, na região de uma probabilidade baixa de descar
ga, ê elevado (possivelmente centenas de testes). Portanto,
ênecessário definir um requisito de isolamento baseado num
número razoável de testes de laboratório, tal que possam ser
feitos em cada peça do equipamento, onde este ê necessário.
Portanto, este teste seria:
1. Necessidade de poucos testes, suficiente para que o
teste possa ser economicamente realizado.
2. O teste mostraria maiores deficiências resultantes da
fabricação ou controle de qualidade, com uma proba
bilidade razoavelmente alta de sucesso.
3. O teste teria uma baixa probabilidade de um resulta
do negativo, num projeto satisfatório com deficiências
de fabricação.
Estas metas estão obviamente em conflito,e um com
promisso deve estar de acordo com as necessidades padrões de
talhadas do equipamento. Obviamente, encontrando um teste sa
tisfatório para condições de impulso, ê mais fácil do que para
um teste de surto de manobra. Isto é, porque as caracterís-
cas impulsivas têm um o (desvio padrão) mais baixo do que as
características para surtos de manobra.
Um dos propósitos de um teste de aceitação estatís
tica ê previsto pelo usuário com informação suficiente, tal
que ela possa fazer uma análise probabilística da coordena
ção das várias partes do equipamento. Tal análise deveria in
cluir considerações de: 1) um critério de comportamento; 2)
numero de pontos de exposição, e 3) o custo econômico da me
lhoria do comportamento, com consideração da influência do
custo, a partir do tipo de equipamento. Maiores discussões
deste ponto ê apresentado na Referência 1, do qual extraímos
os excertos seguintes:
"A seleção de um critério para uma freqüência "aceitá
vel" de descarga deve ser principalmente uma forma de
definição de engenharia, desde que seja levado em con
ta o risco da interrupção do serviço devido a outras cau
sas. É teoricamente possível fazer a escolha da proba
bilidade de descarga numa base econômica; neste caso, a
probabilidade ótima ê que a soma do custo da instalação
e o.preço atual das falhas futuras prováveis são míni
mos sobre um tempo de vida presumível da instalação. En
quanto não ê freqüentemente prático perseguir o crité
rio, em tal base de economia rigorosa, muitos dos prin
cípios envolvidos em taí método são completamente prá
ticos e freqüentemente fatorizados inconscientemente den
tro de muitas decisões corretas na escolha dos níveis
de i solamento".
" Ê razoável considerar que isoladores de sustenta
ção de barras, que não são caros, e ainda constituem um
ponto de grande exposição estatística de falha, devido
ao seu numero, poderia ser indicado para uma rigidez
maior do que o isolamento fase-terra da estrutura do
disjuntor, onde o numero de exposições é mais limitado
e o custo da rigidez, alêm do que for prescrito pelos
padrões da industria, pode ser bem alto. Em geralê boa
pratica aumentar o isolamento onde o custo incrementai
da redução de saídas ê menor...."
".... Não hã método pratico no estabelecimento da ri
gidez atual do isolamento sem auto-restauração, à ex-
cessão da construção de protótipos a serem sacrificados
com este propósito. Este tipo de metodologia tem sido
feito em aplicações de equipamentos incomuns, mas ê ge
ralmente muito caro para ser pratico. Por esta razão,
um teste "suportável" ê geralmente aplicado ao isola
mento não auto-restaurativo. 0 teste de suporte conven
cional poderia ser teoricamente dado de forma estatís
tica, também, se a forma e dispersão da rigidez de i-
solamento sem auto-restauração forem conhecidas. Con
siderações de testes práticos, seriam as mesmas do que
resultaria num teste de muito pouca seletividade. É ge
ralmente sentido que o conhecimento do sistema de iso
lamento deva ser, no mínimo, suportável a um dado nível
de tensão, ê o suficiente como uma restrição de contro
le de qualidade dos projetistas de equipamentos e fa
bricantes baseados nas conseqüências do mesmo numa fa
lha___"
vi - propOsitos atuais nos testes e m transformadores
Como previamente mencionado, as normas estão con
tinuamente sendo revisadas para torná-las mais atuais e sus
cetíveis às necessidades da industria. Issoé freqüentemente
feito por comitês de padronização que determinam grupos de
trabalho para rever os novos requisitos. Tais mudanças podem
também serem iniciadas por um fabricante ou um usuário que
apresente uma justificativa forte para a mudança desejável.
Provavelmente houveram mudanças nas normas de transformado
res para os níveis e durações dos testes de alto potencial,
- ~ 2 como resultado de uma unica publicação apresentada em (1968) .
Alguns dos pontos importantes desta publicação serão apre
sentados aqui, mas, antes, vamos abordar os fatores que mu
daram as normas do que eram, para o que são hoje, através de
uma revisão breve do histórico dos testes de alto potencial.
A. Revisão histórica dos níveis de testes em transformadores
Historicamente, os transformadores têm sido testa
dos para aceitação, usando testes de alto potencial. Como
mencionado em Capítulos anteriores, estes eram testessô fei
tos em transformadores nos idos de 1900, com o teste de im
pulso introduzido mais tarde. Estes primeiros transformado
res foram testados a "isolamento pleno", que era definido co
mo um isolante suficiente para operar sob tensão de linha ple
na. Os testes de alto potencial de fabrica, para isolamento
pleno, eram definidos como duas vezes á tensão de linha,e o
pico do teste de impulso da onda plena, era calculado como:
Onda plena de tensão de pico impulsiva para isolamento pleno
= 2,25 x (valor eficaz de alto potencial)
Por exemplo, os níveis históricos de isolamento pleno para
138kV são:
Classe de isolamento Testes de alto Pico do teste Pico do teste
entre fases eficaz potencial-tensão de onda plena de onda cor
eficaz espira de impulso tada de impul
contra a terra so138kV 275kV 650kV 750kV
Estes valores do teste de isolamento estão de a-
cordo cçm os comitês de padronização e, a partir desta con
cordância, uma série de níveis de teste de isolamento foram
estabelecidos:
450kV, 550kV, 650kV, 750kV, 900kV, 1050kV, 1300kV, 1550kV
Com o aprimoramento da aplicação e entendimento dos
sistemas de aterramento dos dissipadores de surto, foram fei
tos , daí, reduções do "isolamento pleno" aplicados no sis
tema, resultando no assim chamado "isolamento reduzido".
As. normas definem a redução do isolamento como de
graus para os níveis mais altos de tensão e degraus médios
para favorecer níveis de tensão razoáveis.
Em intervalos de alta tensão: 1 degrau = 250kV
j degrau = 125kV
Em intervalos de tensões intermediárias: 1 degrau = 150kV
i degrau = 75kV
Em intervalos de tensões baixas: 1 degrau = lOOkV
degrau = não usado
Embora a redução dos níveis de isolamento tenha se justifi
cado na redução das necessidades de impulso, o teste de al
to potencial manteve-se fixo ao BIL; portanto, reduções no
nível do BIL correspondem a testes de alto potencial redu
zidos. Em anos recentes isto tem resultado em necessidades
irrealistas no isolamento do transformador.
B. Uma breve descrição dos testes de alta tensão
0 teste convencional de alto potencial é aplicado
ao enrolamento total em relação à terra. Isto ê, ambasas ex
tremidades do enrolamento são conectadas à fonte de alto po
tencial, sendo os demais enrolamentos aterrados. Isto requer,
por exemplo, que o isolamento em relação a terra, de todo o
enrolamento seja para um nível de pleno isolamento. O equi
pamento de alta tensão, para aplicação com um neutro ater
rado, tem sido um incentivo para usar isolamento gradual; is
to ê, um isolamento para terra, maior no enrolamento de alto
potencial que para a extremidade neutra do enrolamento.Para
testar tal enrolamento, especialmente para equipamentos de
alta tensão, ê necessário usar um teste de potencial indu
zido. Esta tensão orientada ê ligada ao enrolamento de baixa
tensão e por ação transformadora produz uma alta tensão nos
outros enrolamentos.
Este teste deve ser feito numa freqüência superior
à normal para evitar a saturação do núcleoe pode ser feito
de 120 a 400Hz para uma duração de 7200 ciclos. Também, em
transformadores trifãsicos com enrolamentos ligados em delta,
não hã caminhos simples para usar uma fonte de tensão mono-
fãsica que submeta propriamente todos os enrolamentos a es
forços. Por esta razão, as aproximações usadas neste teste
concordam com o especificado pelos Comitês de padronização.
Como frisado na Referência 2, o teste de alto po
tencial torna-se menos associado com a tensão operacional e
mais associado com o tipo de proteção de surto no sistema.
Também, como mencionado previamente, o teste monofãsico, po-
deria sobre-esforçar algumas partes do enrolamento, durante
o teste, numa forma que poderia ocorrer em serviço. Por exem
plo, um teste de alto potencial de 275kV, aplicado a um en
rolamento delta 138kV, impõe um esforço no enrolamento de baixa
tensão, em relação a terra. No ponto médio do enrolamento,
de aproximadamente sete vezes o esforço normal de operação.
Outras inconsistências resultam em tais testes, conforme ob
servado na Referência 2.
"As inconsistências resultam da evolução de um teste de
baixa freqüência que, originalmente, foi pretendido pa
ra provar a habilidade do transformador de suportar não
sõ tensões operacionais normais e permanentes, mas mes
mo qualquer tipo de tensão transitória. O teste envol
vido não previa o benefício de um teste de surto de ma
nobra ou de equipamento para detecção de corona, e, em
seus primeiros estágios de evolução, era mesmo substi
tuído por um teste de impulso".
C. Independência das condiçoes dos surtos e da freqüência industrial
A tecnologia de projeto de transformadores tem e
voluído e, geralmente, é permitido que o projetista possame-
lhorar, digamos, a rigidez ao impulso em transformadores,sem
modificação substancial na rigidez â freqtiência normal. 0
esforço atual da padronização procura reconhecer este fato.
Isto permite uma especificação mais ou menos independente da
rigidez de isolamento a um impulso, surto de manobra e sur
tos em freqüência fundamental. Então, a rigidez ao surto de
manobra e ao impulso poderia ser relacionada às caracterís
ticas dos dispositivos de proteção, enquanto que os testes de
alto potencial ou em freqüência normal poderiam ser relacio
nados â tensão de operação. E então necessário definir o me
lhor método de especificação da natureza do teste de alto
potencial.
D. Proposição de testes de alta tensão
A proposição atual para este teste estabelece a na
tureza estatística da falha de isolamento e tem resultadq da
avaliação detalhada da natureza do mecanismo de falha do i-
solamento õleo-sõlido. A proposição sugere que, sob condiçoes
livres de efeitos corona, o período para falha do isolamen
to ê logarítmico. Uma fórmula que descreve esta relação é:
log V = -0,04 log t
onde V ê a tensão de teste aplicada num período t, tal que
o teste produza um esforço que é equivalente ao esforço re
sultante de um ano de operação em tensão nominal, coma mes
ma probabilidade de falha. Esta ê mostrada, graficamente,na
Figura 3.01.
Ainda resta a discussão de alguns parâmetros des
critos neste teste. Como por exemplo, tal teste deveria ser
feito com l,7p.u. ou l,5p.u. por uma hora ? Haveria uma ten
são preliminar de 2,0p.u. por um minuto, imediatamente an
tes do teste de uma hora ? 0 que constitui uma definição de
operação sem efeito corona ?
A detecção mais comum do efeito corona usa um me
didor de rãdio-interferência (RI) para medida da tensão de
rãdio-influência (VRI), gerado pelo corona. A VRI é medida,
em um terminal do enrolamento sob teste, pela conexão do me
didor da capacitância da bucha terminal, usando uma indutân-
cia para sintonizar a capacitância de 0,85 a l,15mH. Os de
talhes dos procedimentos deste teste são extraídos da Refe
rência 3. Tipicamente, valores de VRI, considerados exces
sivos, são em torno de 1000 microvolts ou mais. Hã contro
vérsia sobre o nível exato do efeito corona que ê conside
rado como perigo. Ê possível não ter risco por efeito coro
na, mas não hã um caminho claro para a determinação do nível
de corona que causa danos sem destacar o transformador.
Figura 3.01
Relações tempo x tensão para ruptura do oleo
Hã outros métodos de detecção do efeito corona em
um transformador, durante um teste. É possível fazer um tes
te de ãudio, pela colocação de microfones no oleo, em vãrios
pontos, para detectar o som gerado pelo efeito corona. De
vido à baixa velocidade das ondas sonoras ê, algumas vezes,
possível detectar a localização do efeito corona, por um es
quema de rastreamento do tipo triangulação.
VII - TESTES PADRÕES PARA MOTORES E TRANSFORMADORES
As normas podem incluir.os requisitos detalhados
de equipamentos, considerações especiais em relação ãsgrande
zas medidas, com discussão geral do problema e fatores im
portantes, bem como informações de engenharia geral para o
usuário e fabricante. Para dar algum entendimento â nature
za das informações comumente encontradas em normas, extra
tos de várias publicações são indicados aqui. São aquelas on
de uma permissão escrita requerida tenha sido obtida para re
produzir as mesmas ou onde não era necessário pagar os di
reitos autorais de publicação original.>
A. Testes padrões para transformadores, regulado
res de potência e distribuição e para reatores
em derivação - USAS - C57.12.90-1968
B. Normas do IEEE para testes de impulso em trans
formadores - C57.98
C. Norma para teste de isolamento de grandes má
quinas rotativas em corrente alternada com al
ta tensão contínua - AIEE n9 95
REFERÊNCIAS
1.."Probability Methodes in Insulation Coordination", L.O.
Barthold, L. Paris, IEEE Transactions, apresentado por
Winter Power Meeting 1970.
2. "Dielectric Tests for EHV Transformers", R.B. Kaufman, J.
R. Meador, IEEE Transactions, PA & S, janeiro 1968,
pp.125-145.
3. "Tests for Damaging Corona for Oil Insulated Power Trans-
formers", IEEE Committee Report, IEEE Transactions, PA &
S, Vol. 85, agosto 1966, pp. 892-893.
4. "Transformer Engineering", Blume, Boyajian, Camilli, Len-
nox, Minneci, Montsinger, John Wiley & Sons, Inc., New
York Chapman & Hall, Ltd,. London 1951.
CAPITULO 4
DISPOSITIVOS DE INTERRUPÇÃO DE
CIRCUITOS DE POTÊNCIA
I - INTRODUÇÃO
Hã uma grande variedade de dispositivos comumen-
te usados para o chaveamento ou interrupção de circuitos e-
lêtricôs. Além disso, são dispositivos que têm caracterís
ticas únicas de fabricação para propósitos especiais de ope
ração. Embora executando a mesma função, dispositivos de in
terrupção aplicados a circuitos de EAT e ÜAT terão caracte
rísticas e especificações de projeto significantes, ou mes
mo totalmente diferentes daquelas projetadas para aplicação
em sistemas de distribuição e subtransmissão. Freqüentemen-
te aparece que não hã bases físicas comuns entre tais dis
positivos .
Serã propósito deste Capítulo revisar a natureza
fundamental dos dispositivos de interrupção mostrando as mui
tas características comuns daqueles de aplicação diversa e,
ao mesmo tempo, assinalar propriedades que são únicas. Is
to incluira uma revisão:
A. Tipos de dispositivos de interrupção
B. Tipos de interrupção média
C. O processo físico de interrupção
D. Aplicações específicas
II - TIPOS DE DISPOSITIVOS DE INTERRUPÇÃO
Dispositivos de interrupção podem ser classifica
dos tanto em função, como pelas características físicas dos
interruptores. Ambas as classificações serão usadas aqui. Em
qualquer caso, o propósito geral de um dispositivo de inter
rupção ê para ligar ou desligar um circuito elétrico, em al
gum ponto de um sistema de potência. O dispositivo deve, sob
condições próximas da normal, permitir um caminho de impe-
dância série bãixa para a corrente elétrica que flui. Adi
cionalmente, ele deve também prover uma rigidez dielêtrica
suficiente para suportar condições a vazio, quando aberto.
Estas são características de uma chave-faca comum. A função
mais difícil de um dispositivo de interrupção é ade permi
tir a mudança do estado de chave fechada, ou seja, um cami
nho condutivo para um estado que interrompa o fluxo de cor
rente. Este processo de interrupção ê um tanto simples em
famílias de dispositivos que transportam só alguns poucos am-
pêres, mas em altas tensões e, mais importante, em altas cor
rentes da ordem de milhares de ampères, esta capacidade de
interrupção torna o projeto um problema um tanto complexo.
As funções primarias de um dispositivo de interrupção
de circuito devem ser classificadas como:
A. Desconexão de circuito
B. Abertura de carga
C. Interrupção de faltas
D. Manobra de equipamentos
Vãrios dispositivos são disponíveis para executar
estas funções. Em geral, um dispositivo é projetado para e-
xecutar uma destas funções numa forma ideal, e, como um re
sultado, pode ter uma capabilidade reduzida em outras con
dições funcionais. Isto ê, um dispositivo projetado especi
ficamente para interromper correntes muito altas de falta po
de ter dificuldade de interrupção quando as correntes forem
indutivas ou capacitivas. Para condicionar estas varias fun
ções, um certo numero de tipos diferentes de interruptores
.tem sido desenvolvido. Estes incluem:
A. Disjuntores secos
B. Chaves seccionadoras
C. Disjuntores secos com sopro magnético
D. Disjuntores a oleo
E. Disjuntores a gãs
F. Disjuntores a vácuo
G. Fusíveis
Cada um destes dispositivos tem características úni
cas, que o faz idealmente adequado para uma margem de apli
cações, mas não poderia ser considerado aceitável para o in
tervalo total das funções de manobra necessária para um sis
tema elétrico de potência. Também a economicidadeé uma for
ça significante e determina que qualquer dispositivo de in
terrupção pode ser aplicado somente onde a maioria de suas
capacidades de projeto são necessárias.
Disjuntores a ar são comumente usados como "inter
ruptores de baixa tensão" (previstos para operar em circui
tos de corrente alternada superiores a 600V e circuitos de
corrente contínua superiores a 3000V). Interruptores a ar
têm muitas vantagens, tais como operação rápida, mínimo pe
rigo de incêndio, requerendo mínima manutenção sob condições
de serviço repetitivas sendo de construção e projeto rela
tivamente simples.
Disjuntores a ar com sopro magnético são comumen
te usados em circuitos de tensão média (600V a 15kV ac).Es
tes interruptores empregam a ação magnética gerada pela cor
rente de falta para forçar o arco a circular em câmaras on
de o mesmo ê alongado (isto aumenta a resistência), desaque-
cido e desionizado. Este tipo de disjuntor é comumente usa
do em cübicuios blindados.
Os interruptores não correm o risco de incêndio em
5leo e requerem menos manutenção do que os disjuntores a õ-
leo em serviço repetitivo. Geraimente, as câmaras de arco de
vem ser trocadas periodicamente baseadas num número médio de
capacidade de operação especificado pelos fabricantes.
Disjuntores a õleo são usados como interruptores
de potência para circuitos em tensões médias, altas e extra
altas. Em intervalos de tensão mêdia/ tais disjuntores são
usados para serviços externos, onde condições atmosféricas
severas são encontradas. Eles também são usados para classes
de interrupção elevadas, especialmente em tensões entre 15
e 34,5kV. Disjuntores a õleo de alta tensão (AT)(classe de
34,5kV a 230kV) são, provavelmente, os mais comuns. Eles são
disjuntores econômicos e confiáveis para esta classe de ten
são, são constituídos de um tanque repleto de õleo, com duas
buchas para conexão dos terminais ao sistema. Transforma
dores de corrente de bucha fornecem um método conveniente e
barato para coletar sinais para os relês de corrente. Dis
juntores para a classe de extra alta tensão (EAT) são usa
dos em muitos sistemas de 345kV. As vantagens são fundamen
talmente as mesmas dos disjuntores a õleo para alta tensão.
Disjuntores a gãs são comumente usados em aplica
ções tanto em alta como extra alta tensão (138kV até 700kV).
Formas comuns de disjuntores a gãs incluem os disjuntores com
sopro de ar (comprimido) e a SF6. Estes são, geralmente, de
construção muito mais leve do que disjuntores a õleo, e os
mecanismos de operação são geralmente pequenos, resultando em
tempos de interrupção relativamente curtos. Os pequenos me
canismos e espaçamentos elétricos dos disjuntores a gãs são
obtidos pela consideração da vantagem da alta rigidez die-
létrica do ar sob pressão muito elevada, 400 a 800 psi, e a
alta rigidez dielétrica do gãs SF6 sob condições nominais de
pressão (50 psi). Durante o processo de interrupção, parte
do ar sob alta pressão ê liberado para a atmosfera e,no pro
cesso, força o desaquecimento e alongamento do arco. Sob tais
condições, tensões extremamente elevadas podem ser suporta
das mesmo com espaçamento nominais de centelhadores. Em 230
kV, os contatos dos disjuntores plenamente afastados neces
sitam de um espaçamento de somente algumas poucas polegadas,
frente às 20 ou 30 polegadas no ar, em condições atmosféri
cas .
Disjuntores a vãcuo são o mais recente avanço da
técnica de interrupção de circuitos. Possuem a vantagem de
necessitar somente um pequeno movimento dos contatos, para
criar o isolamento deles, devido à alta rigidez dielétrica
do vãcuo. Os contatos devem estar contidos dentro de câmaras
sob vãcuo, tornando, então, virtualmente livre de contami
nação nas proximidades do interruptor.
Estes disjuntores têm provado ter uma alta capaci
dade de comportar milhares de interrupções sem degradação do
material dos contatos dos pólos. Disjuntores a vãcuo foram
comumente usados, primeiramente, em religadores de media ten
são e, recentemente, em cubículos de manobra superiores a
34,5kV e provavelmente tornar-se-ão mais evidentes em apli
cações de manobra em alta tensão. A dificuldade na aplicação
de disjuntores a vãcuo, em condições de alta tensão,é a ne
cessidade de se usar vãrios interruptores em série com o pro
blema conseqüente da divisão equânime do gradiente de ten
são, ou aproximada, em cada interruptor. São usados, normal-
mente, como contactores em dispositivos de comutação em trans
formadores .
Fusíveis são largamente usados em aplicações sob
tensões baixas até certos valores relativamente altos. Com
parados aos outros dispositivos mencionados acima, o fusível
é o ünico que ê um dispositivo de interrupção súbita e
deve ser manualmente reposto para restaurar a operacionali-
dade do circuito. Hã um grande numero de fusíveis, cada um
com suas próprias características. Enquanto que os disjunto
res geralmente usam um relê e um transformador de corrente
para detectar a corrente e fornecer o sinal de operação, o
fusível fornece sua própria função de detecção e interrupção.
Portanto, fusíveis usualmente têm características tensãoxteirpo
que devem ser coordenadas com outros fusíveise disjuntores.
Os fusíveis podem ser feitos com elementos metálicos siitples,
- 2os quais derretem-se devido as perdas i R no material,ou por
formas mais exóticas, que podem ser molas sob tensão as quais
podem incluir mais de uma forma de interrupção inicializante.
A interrupção do arco dentro do fusível, geralmente resul
tará no prolongamento e resfriamento do arco ou pela sucção
do mesmo para dentro de uma câmara que desgastara(produzin
do ação resfriante) e produzirá um efeito desionizante noar-
co.
0 fusível limitador de corrente ê. um dispositivo
de interrupção único, que não aguarda por uma corrente nula
para obter interrupção, mas força a mesma a anular-se. O fu
sível consiste de condutores de prata envoltos por areia. Quando
os condutores derretem-se há uma pequena quantidade de ar
ionizado na areia e esta própria não ê combustível. Isto re
sulta em poucos ou nenhum plasma sustentado por ions. Adi
cionalmente, o arco está em contato com a areia fria que de
termina o desenvolvimento de uma alta tensão e,conseqüente
mente, forçando a corrente para zero. A areia também der
rete, formando uma substância tipo líquido vítrioe, com is
to, resfriando o elemento vaporizado. Caràcterísticas de
projeto especiais são necessárias para proporcionar uma ação
que force a anulação da corrente rapidamente. Se correntes de
falta estão fluindo através de uma indutância, como normal
mente está, o corte da corrente pode produzir tensões gran
des L.di/dt no sistema. 0 fusível limitador de corrente po
de ter capacidade limitada para interromper correntes da or
dem de 1 a 3 vezes a nominal.
Chaves seccionadoras são comumente usadas para i-
solar uma porção de um circuito ou uma peça do equipamento.
Geralmente, chaves seccionadoras não têm capacidade de in
terromper corrente (mesmo corrente de carga nominal de linhas
curtas ou barramentos) e, portanto, devem ser abertas somen
te quando não há corrente na chave. Algumas seccionadoras tem
dispositivos de interrupção especiais, tal que a corrente ê
transferida, do circuito principal a ser desligado, através
de um braço com capacidade de corrente dotado de uma mola scb
tensão, a qual, abrindo rapidamente, provoca um alongamento
do arco que é facilmente interrompido. Este tipo de chave in
terromperá uma quantidade limitada de corrente de carga,cor
rente de excitação ou de magnetização de transformador. Em
uma instalação trifãsica, esta chave será operada em grupo.
Combinações de tipos de disjuntores - Varias com
binações dos dispositivos acima são usados para condições de
manobra especiais. Alguns interruptores usam um pequeno dis
juntor SF6 em série com uma chave de desligamento a ar, por
tanto, permitindo a interrupção de correntes de falta peque
nas pelo disjuntor SF6, com o subseqüente isolamento do cir
cuito a ser feito pela chave de desligamento a ar. Freqüen-
temente, dispositivos de manobra de motores usam um inter
ruptor com sopro magnético para correntes de manobra normais
do motor, mas usam um fusível limitador de corrente, em sé
rie com este dispositivo, para interrupção de correntes de
falta. A combinação de fusíveis limitadores de corrente e de
disjuntores de baixa tensão são similarmente associados pa
ra fornecer alta capabilidade de interrupção.
Disjuntores com câmara moldadas podem ser similar-
2mente protegidos. A característica de permissividade I t do
fusível é menor do que a capacidade suportável I t do disjun
tor. Ha muitas combinações de chaves de manobra de carga que
usam fusíveis em série para interromper correntes de falta.
III - DESCRIÇÃO DO MECANISMO DE INTERRUPÇÃO BÃSICO
Disjuntores de potência usam contatos orientados
mecanicamente para abrir ou fechar circuitos. Relês são usa
dos para detectar corrente de falta e enviar sinais de ope
ração para um disjuntor de potência. Estes sinais de opera
ção atuam em mecanismos de atuação pneumática, elétrica ou
de mola, que disparam os contatos do disjuntor. No instante
da separação dos contatos, a corrente não se anula, mas, ao
invés, formai-se um arco de plasma que pode conduzir corren
tes de falta onde somente uma tensão de arco relativamente
pequena decresce.
A tensão do arco é uma função não-linear da cor
rente. Com a separação dos contatos, este arco plasmãtico,
então, continua a conduzir a corrente de falta até que ela
se anule. Vários mecanismos podem ser usados para alongar e
desaquecer o arco , t a l que a in terrupção possa ocorrer na cor
rente nu la .
A. Mecanismo de in terrupção da corrente
Vários fa to res in fluenciam o processo de in te rru p
ção da corrente anulando-a, o prim eiro sendo a separação dos
contatos. Tipicam ente, em d is ju n to res a ó le o , os mecanismos
de contato são estru tu ras pesadas que não podem se r ace le
radas rapidamente e , portan to , podem n ec e ss ita r uma duração
equ iva len te a v á rio s c ic lo s da freqüência do sistem a, para
e s ta b e le ce r espaçamento su fic ie n te para e fe tu a r a permanente
in terrupção do c irc u ito . Em re lação aos d is ju n to res de ó leo*
o.s d is ju n to re s a SF6 e a sopro de ar podem ser projetados para
n ec e ss ita r somente uma pequena separação dos contatos,no es
tado de separação p lena e , portan to , os mecanismos do con
tato são muito menores. Estas estru tu ras de contato menores
podem se r rapidamente ace leradas alcançando uma condição de
contatos plenamente abertos , em torno de um ou dois c ic lo s .
In terrup to res a vácuo também usam contatos relativam ente le
ves, perm itindo ráp ida separação dos contatos. O segundo fa
to r importante na in terrupção ê a capacidade de d es locar o
gas ion izado , ou outros m ateria is do arco p lasm ãtico , para
fo ra dos contatos abertos, especialm ente no in stan te muito
próximo de corrente nu la. Isso ê freqüentemente obtido em dis
juntores a ó leo , p e la u t i l iz a ç ã o de fo rças magnéticas ou t é r
micas a p a r t i r das p róp rias correntes de f a l t a ou fo rças me
cânicas a u x il ia re s para fo rç a r o ó leo fre sco entre os con
ta to s . D isjun tores SF6 e a sopro de ar u tilizam o gás i s o -
lan te armazenado para mover os produtos do arco através de
uma v á lv u la de d iss ip ação . D isjun tores a vácuo devem depen
der de um mínimo de m ateria l de arco gerado, bem como b l in
dagens e le t ro s tá t ic a s para c o le ta r o m ateria l ion izado ,na vi
zinhança dos contatos de separação. O te rc e iro aspecto im
portante do processo de in terrupção envolve o r e s ta b e le c i
mento da r ig id e z d ie lé t r ic a , através dos contatos do disjun
to r , após a in terrupção em corrente nu la .
üm sistema de potência tem uma inerente taxa de
crescimento da tensão de restabelecimento após esta inter
rupção. Métodos de cálculo da taxa de crescimento da ten
são de restabelecimento serão discutidos em mais detalhes,a
seguir, neste Capítulo. A restauração da rigidez do dielê-
trico de um disjuntor pode ser uma função de um numero de
parâmetros, incluindo o grau de remoção dos resíduos do ar
co ionizado, a temperatura do entorno nas vizinhanças dos
contatos, distância de separação dos contatos, bem como da
natureza estatística do fenômeno de descarga, como foi o ca
so da descarga em centelhadores a ar, discutido no Capítulo
2. Devido ao movimento lento dos contatos típicos de dis
juntores a óleo, o processo de interrupção pode ser conse
guido em cada meio ciclo, por vários ciclos que os arcos re
acendem provavelmente em menos do que 1/8 de um ciclo, apôs
cada ponto nulo de corrente mas, devido aos contatos estarem
continuamente movendo-se durante este processo, a última in
terrupção é alcançada. Tipicamente, a interrupção com dis
juntores a gãs ou vãcuo é alcançada em 1/2 a 1 1/2 ciclo da
freqüência.
Um fator adicional, que tem sido um problema em
disjuntores a óleo, resulta do que é chamado de "falta en
volvida". Esta situação ocorre quando um disjuntor estã no
processo de interrupção de uma corrente relativamente peque
na (tal como corrente de carga), produzindo um fraco arco no
óleo, entre os contatos do disjuntor. Se antes da completa
interrupção, uma falta ocorre no sistema, uma corrente de falta
elevada pode ser forçada através da coluna de arco enfraque
cida. O resultado pode ser uma força explosiva na câmara de
interrupção, que pode destruir o disjuntor.
Esta discussão do comportamento físico de um pro
cesso de interrupção mostra algumas das razões físicas por
que uma simples chave seccionadora não pode ser utilizada pa
ra interromper correntes elevadas. Primeiro, a taxa de se
paração dos contatos é muito baixa, possivelmente necessi
tando 30 ciclos, ou mais, para alcançar uma posição de aber
tura plena. Segundo, não hã maneiras efetivas de alongar e
resfriar o arco plasmãtico para estabelecer a interrupção nu
ma corrente nula e, terceiro, não hã mecanismo para restau
rar uma rigidez dielétrica elevada, apõs a anulação da cor
rente. Enquanto puder haver algum prolongamento do arco com
seccionadoras abertas, não hã mecanismo específico, como hã
nos disjuntores,o qual estã removendo mais energia a par
tir do arco em um dado meio ciclo, do que o sistema de po
tência estã suprindo ao arco. Então, mesmo se a interrupção
ocorre ocasionalmente, o arco freqüentemente escorvarã ou
reacenderá, devido â grande quantidade de gãs ionizado, ain
da na vizinhança entre os contatos em separação, resultando
numa rigidez de restabelecimento do dielêtrico efetivamente
menor.
B. Tensão de restabelecimento do sistema apõs a interrupção
É aparente que quando um disjuntor estã fechado, a
tensão, através dos contatos, seja nula. Apõs a interrupção
de uma falta, a abertura do disjuntor terã de sustentar uma
tensão de circuito aberto de aproximadamente 1 p.u.. Os con
tatos do disjuntor suportam facilmente este valor, entretan
to, pode haver uma tensão transitória, através dos contatos,
maior do que 1 p.u., durante a separação dos contatos. A fo:r-
ma precisa, na qual a tensão, através dos contatos, vai a ze
ro até a sua condição de estado permanente, ê comumente re
ferida como tensão transitória de restabelecimento do sis
tema. Em um sistema simples, esta pode ser uma oscilação se-
noidal ünica de alta freqüência, enquanto que, em um siste
ma mais complexo, a tensão de restabelecimento pode ser com
posta de um certo número de componentes. Tipicamente,o cál
culo da tensão transitória de restabelecimento por meios a-
nalíticos requer a solução de uma equação diferencial de or
dem elevada. Esta complexidade do problema tem motivado aos
Engenheiros de sistemas de potência a utilizar simples cir
cuitos equivalentes aproximados no cálculo das taxas de res
tabelecimento e, também, a confiar em estudos generalizados
do sistema e experiências prévias para estabelecer as neoes-
sidades médias de restabelecimento transitório dos disjun
tores .
Os disjuntores são sensíveis aos vários aspectos
da tensão transitória de restabelecimento que ocorre no sis
tema. Esta sensibilidade variará de um tipo de disjuntor pa
ra outro e mesmo de um fabricante para outro. Mas, em ge
ral, deve ser esperado que ao menos três partes da tensão
transitória de restabelecimento sejam significantes. Estas
são:
A. A taxa inicial de crescimento da tensão de restabe
lecimento.
B. A taxa média de crescimento da tensão de restabele
cimento.
C. O pico ou valor máximo da tensão de restabelecimen
to .
Estes aspectos gerais da tensão transitória de res
tabelecimento é mostrado na Figura4.01.
Figura 4.01
Transitório da tensão de restabelecimento
Um sistema simples pode ser usado para demonstrar
o cálculo da tensão transitória de restabelecimento,e apon
tar a parte mais importante do fenômeno, sob o ponto de vis
ta do disjuntor. Para este propósito podemos considerar um
problema de calculo da tensão transitória de restabeleci
mento, num sistema composto de uma fonte indutiva, com uma
tensão constante atras desta fonte. Com a falta nos termi
nais desta indutância achar-se-ia que a tensão de restabe
lecimento idealizada seria um degrau de tensão que iria de
zero até o valor de pico da fonte de tensão, imediatamente,
após a anulação da corrente. Isto resulta porque a corrente
de falta ê indutiva e atraza a fonte de tensão de 90° e, no
instante de uma anulação da corrente, a fonte de tensão es
taria em seu valor de pico. Mas, afortunadamente, nenhum sis
tema pode ser construído com uma fonte indutiva perfeita. A
capacitância elementar dos enrolamentos do transformador, bar-
ramentos de transferência, buchas e divisores capacitivos con
tribuem para que apareça uma capacitância de barra efetiva,
no ponto de falha. Esta capacitância de barra, apesar de po
der ser mesmo de somente alguns poucos milhares de pico-farads,
pode influenciar substancialmente a taxa de crescimento da
tensão de restabelecimento nesta situação. A tensão não pode
mudar instantaneamente através de qualquer capacitância e , a
partir disto a taxa de variação da tensão, através da capa
citância, ira ser proporcional à corrente que flui na capa
citância. Neste exemplo, a corrente de excitação capacitiva
devera ser suprida através da fonte indutiva, resultando no
surgimento de uma tensão (1-cossenoidal) através da capaci
tância. Isto ê, a tensão inicializa em zero e cresce como u-
ma função cossenoidal até 2 p.u. , como pode ser observado na
Figura 4.02 e, então, oscila ou evolui na freqüência natural
determinada pela capacitância efetiva e fonte indutiva. Nes
te caso, a falta ocorre nos terminais do capacitor e a ten
são de restabelecimento, através dos contatos do disjuntor,
iguala-se à tensão do capacitor, porque um dos contatos do
disjuntor esta conectado a um dos terminais do capacitor,en
quanto o outro esta ligado ao outro terminal do capacitor,
porém aterrado. Vãrios métodos de calculo da tensão de res
tabelecimento transitória do sistema serão apresentados em
problemas no final deste Capítulo.
DEFEITO
Figura 4.02b
Tensão de restabelecimento
IV - FATORES A SEREM CONSIDERADOS NO PROJETO DOS CONTATOS DOS DISJUNTORES
Os contatos dos disjuntores devem ser protegidos
da deterioração resultante da ação do arco voltãico. Normal
mente, a separação dos contatos do disjuntor não estão sin
cronizadas com a corrente nula em freqüência industrial e,
portanto, com a separação dos contatos, um arco é estabele
cido entre os contatos, e a corrente de carga ê conduzida a-
travês do plasma resultante. Geralmente, esta tensão de ar
co ê muito baixa, mas o aquecimento dos contatos, no ponto
onde o arco liga o contato aberto, pode erodir mesmo se for
de ligas de alta dureza. Para minimizar esta ação, forças mag
néticas e térmicas são usadas para transferir o arco dos con
tatos de interrupção para contatos de arco, os quais,então,
podem conduzir a corrente perigosa até que ocorra a inter
rupção completa.
No fechamento, os contatos devem criar üm campo e-
létrico com a mínima resistência de contato, mesmo uma re
sistência de contato próxima da nominal, sob condições da
corrente elevadas, podem causar aquecimento suficiente para
limitar a capacidade de interrupção do dispositivo. Vários
métodos podem ser usados para minimizar a resistência de con
tato no fechamento. Comumente, uma ação corrediça é usada quan
do se conduz a superfície dos eletrodos ao contato mútuo.
Os contatos devem ser especificados tanto para cor
rentes momentâneas como para correntes de recondução. Este ê
um dos fatores importantes na avaliação das necessidades de
um disjuntor no fechamento. A corrente de pré-condução no
minal é necessária para fechar os contatos sob uma falta.Se
os contatos conduzem num instante, antes, de estarem com
pletamente fechados, a corrente resultante não deve produzir
a solda dos contatos ou outro dano que poderia retardar a
subseqüente interrupção da falta. A corrente momentânea no
minal é necessária para assegurar que forças eletromecânicas
(as forças são proporcionais ao quadrado da corrente), re
sultando mesmo durante o restabelecimento de correntes ple
nas durante uma operação de fechamento, não deverão impedir
o disjuntor de fechar completamente, ou influenciar asubse
qüente operação de interrupção. Um disjuntor fechado deve
suportar as forças geradas pelas correntes de falta, em pri
meiro ciclo, que podem exceder sua capacidade de interrupção.
O projeto dos contatos é um importante fator no
comportamento de interruptores a vácuo. A composição e con
figuração dos contatos dependem do tipo de serviço necessá
rio. Um tipo de contato aceitável para manobras repetitivas
em baixas correntes (menor do que uns poucos ampêres),ê ge
ralmente insatisfatório para altas correntes de interrupção.
V - O PROCESSO FÍSICO DA INTERRUPÇÃO
Fundamentalmente, o disjuntor compreende um par de
contatos metálicos, sendo um, móvel, e o outro, usualmente
estacionário. O circuito elétrico é completado pela condução
metálica com os contatos fechados. A interrupção do circui
to ê iniciada com a separação física dos contatos metálicos.
Durante o período de separação,um arco ê formado entre os
contatos. Este arco compreende um gás ionizado em alta tem
peratura, que continuará a conduzir a corrente da rede, até
que seja extinta de alguma maneira. Geralmente uma vantagem
é tomada nos pontos de corrente nula, que normalmente ocor
rem na forma de onda da corrente da rede, naquele instante
do processo físico de interrupção em que ocorrerá uma mudan
ça no plasma altamente condutivo, ou gás ionizado, dentro do
meio isolante. A existência do arco é paradoxal, uma vez que:
a) O circuito não está plenamente interrompido, até que
o arco seja extinto;
b) O arco comporta a função útil de prevenir o corte de
corrente que induz sobretensões, permitindo a dis-
sipação da energia indutiva da rede.
O problema do projeto associado com o processo de
interrupção é, portanto, não de evitar o arco, mas'sim de per
mitir um envolvimento dos contatos do disjuntor, conduzindo
o arco até o instante de ocorrência de corrente nula e, en
tão, provendo o arco da melhor maneira possível, para que
ocorra a mudança rápida de um meio altamente condutor para
um outro com isolamento igualmente eficiente. A caracterís
tica do arco e de seu comportamento, no período crítico de cor
rente nula e em torno desse período é uma função do meio, no qual
os contatos metálicos estão imersos, seja ele líquido, ga
soso ou vácuo. O sucesso da execução do processo de inter
rupção, como abordado acima, é somente possível como conhe
cimento do comportamento dos arcos sob condições permanen
tes e transitórias de temperatura, pressão e esforços elé
tricos .
Características dos arcos elétricos
A condutividade elétrica do arco é uma função ex
clusiva da temperatura. A Figura a seguir mostra a variação
da condutividade elétrica e função da temperatura em condi
ções atmosféricas do ar.
3
TEMPERATURA 10 ORAUS K
Figura 4.02
Condutividade do ar
Este é um exemplo significanté da capacidade do
plasma de um arco de variar sua condutividade de varias or
dens de grandeza, meramente como resultado da variação da
temperatura de um fator igual a dez. A velocidade com que
esta mudança pode ocorrer é um fator crítico no sucesso de
extinção do arco.
Para que ò arco exista, deve ser fornecida energia
para manter sua temperatura numa taxa igual ou superior à-
quela em que a energia ê perdida. Esta perda de energia ê
térmica, causada pela condução, convecção e radiação do ca
lor do plasma. Durante o processo de arco, antes da anulação
da corrente, a condutividade elétrica do arco necessita ser
alta e as perdas térmicas ou condutividade térmica baixas com
corrente nula e imediatamente apés. A energia térmica do ar
co deve ser imediatamente dissipada, de forma a alcançar ra
pidamente o estado de condutibilidade elétrica baixa. Isto
significa que a constante de tempo térmica do meio do arco
deve ser menor, ou feita menor, forçando-se o resfriamento.
A constante de tempo têritiica ê definida como o tempo neces
sário para reduzir a condutância do arco de um fator igual
a 1/e, pelo decréscimo da temperatura, supondo o fluxo de
corrente nula. Provavelmente, a melhor forma de descrever ou
entender o processo de interrupção como um todp ê considerar
separadamente o período que antecede â anulação de corrente
e aquele período em que ocorre e segue a corrente nula.
Produção e manutenção do arco
Com os contatos metálicos do disjuntor separados
fisicamente, o último contato que resta dissolve-se e eva
pora, devido ao aquecimento Jòule. Isto inicializa o corte
do arco que permanece estável, tánto quanto as perdas tér
micas de energia não superarem as perdas Joule da corrente de
arco. O gás ionizado ou plasma ê originado basicamente por
dois fenômenos ; um ê a dissociação das moléculas em átomose
o outro, ocorrendo em altíssimas temperaturas, é aionização
dos átomos, devido à colisão térmica. Esta ionização térmi
ca resulta da colisão aleatória no gás aquecido de elétrons
que tenham sido acelerados num campo elétrico.
G arco, tendo sido estabelecido, pode ser dividi
do distintamente em três regiões diferentes. Dentro de uma
distância muito próxima dó catodo e do anodo, ocorrem que
das de tensão da ordem de 10 ou mais, até 30 volts, respec
tivamente. Es tas regiões são conhecidas como regiões de "que
da catõdica" e "queda anõdica". Entre estas duas regiões, o
espaço está ocupado pela coluna positiva ou plasma e, neste
o gradiente de potencial, ê razoavelmente uniforme. Os elé
trons carregam mais de 99% da corrente total, dentro da re
gião plasmática, mas esta porcentagem cai para aproximadamente
90% nàs regiões de queda anõdica e catódica. Nestas regiões
mais afastadas, a corrente de ions positiva deve aumentar des
de praticamente zero no plasma, até um em torno de 10%. no
anodo e catodo.
A potência dada pelo produto da tensão de arco pe-
la corrente de arco ê dissipada pelo ambiente circunvi^i-
nho. Uma análise dos mecanismos diferentes de dissipação de
energia ê muito complexa.Condução, convecção e radiação são
os três fenômenos diferentes que envolvem a dissipação tér
mica de energia.
Condução térmica, num plasma em alta temperatura,
deve-se à colisão entre os constituintes. Adicionalmente, a
energia térmica pode sêr transportada através ou apartir do
plasma, por um fluxo radial de átomos dissociados. O retar
damento é causado basicamente pelo gradiente de temperatura
radial que existe no arco. Na presença deste gradiente' de
temperatura há um gradiente de concentração de átomos e mo
léculas. Devido a estes gradientes, o grau de dissociação e
ionização não ê uniforme através do plasma e, daí , haver uma
troca de energia de uma parte do plasma para outra. Em ou
tras palavras, é condução pelo transporte interno de energia.
A análise quantitativa da.perda.de calor pela condução é feita
de forma complexa, pelo fato de que as conduções pela coli
são como pelo transporte da energia interna são, ambos, fe
nômenos não lineares.
O efeito da convecção na interrupção do circuito ê
importante, de forma prática, em todas as operações de dis
juntores que dependem do fluxo de gás ou de qualquer outro
tipo de auxílio para extinguir o arco. Quando um arco está
num campo com fluxo de gás, ê difícil separar as perdas tér ̂
micas de forma a separar os fenômenos de condução,convecção
e radiação. O fluxo de gás terá efeito na pressão do arco e
daí a perda por radiação, a forma do arco e a distribuição
da temperatura são afetados, resultando em variação nas per
das por condução.
Outro efeito, dito turbulência do arco, é signi-
ficante sobre a distribuição da tensão do arco e contribui
para um aumento significativo na condução térmica. Até esta
data, entretanto, o efeito de turbulência tem desafiado as
previsões teóricas.
A radiação não ê um fator significante na dissipa-
ção da energia de um arco, em gases tais como o ar, nitro
gênio ou hidrogênio, em pressões próximas a uma atmosfera. Em
altas pressões, entretanto, a radiação serã uma tarefa mais
significante. O processo de emissão mais importante, que ccn-
tribui para as perdas por radiação, são:
1) Banda espectral
a) quando as moléculas mudam de um estado de energia
para um menor, a diferença em energia ê emitida
como radiação.
2) Linha espectral
a) quando um elétron salta de um nível de energia
mais alta para uma de mais baixa, a diferença de
energia ê emitida como radiação.
3) Radiação contínua
a) quando um elétron é defletido por um ion, a ace
leração causa a emissão de radiação. Similarmen
te, a radiação aparece quando um elétron ê enla
çado por um átomo ou ion.
Embora a radiação possa proporcionar uma iirportante
tarefa no diagnóstico e análise do plasma, não é muito im
portante para interruptores de rede que operam em pressões
baixas ou moderadas. É suposto que haja um aumento na tare
fa importante de dissipar energia en interruptores de alta
pressão, tais como disjuntores com sopro de ar.
0 mecanismo dominante de todos aqueles envolvidos
na perda de energiatérmica do arco é o da condução. Entre
tanto, a convecção e a turbulência no arco dirige uma tare
fa significante na mudança da condutividade térmica efetiva
do plasma. Durante o processo da ocorrência do arco, uma ccn-
dutividade térmica baixa permite manter a alta temperatura
do arco, e, daí, a alta condutividade elétrica do arco. Is
so ê consistente com as idéias de queda baixa do arco (isto
é, tensão), e ê necessário dissipar a energia indutiva da rede
antes da anulação da corrente.
Com a corrente aproximando-se de zero e o módulo
da corrente absoluta reduzindo-se, a energia do arco é cor
rentemente reduzida provocando a queda de temperatura. É a-
gora desejável que a condutividade térmica do arco aumente
significantemente e, em conseqüência, a condutividade elé
trica decresça. Quando a corrente nula ê alcançada, a ener
gia térmica residual, dentro do arco, deve ser de forma a
prevenir a quebra térmica do espaçador (reignição).
Corrente nula e pós-arco
A interrupção do arco é, basicamente/ um processo
transitório, durante o qual o gás condutor muda dentro de um
meio isolante. O processo ê, então, uma função do tempo e,
como todo mecanismo de transferência de energia, terã uma cons
tante de tempo. Estas podem ser calculadas e medidas para ar
cos em diferentes casos. O melhor comportamento, ou a me
nor constante de tempo ê obtida com SF6, sendo o ar o seguinte mais
próximo. Os constituintes separáveis do ar, tais como o oxi
gênio, nitrogênio e dióxido de carbono, têm constantes de
tempo significantemente maiores.
Do ponto de vista prático, a constante de tempo ê
uma medida útil da capacidade do meio de restabelecer sua ri
gidez dielêtrica, após a anulação da corrente. As constantes
de tempo menores do hidrogênio e do SF6 são as razões nas quais
SF6 e o óleo dos disjuntores são relativamente insensíveis pa
ra a taxa de crescimento das tensões de restabelecimento.
Durante o período pós-arco, dois tipos de falhas são
possíveis. O interruptor pode falhar de modo térmico devido
a tensão de restabelecimento que aparece através do espaçá-
mento, e da corrente que pós-arco flui então,eventualmente,
a tensão do interruptor entrará em colapso. Este processode
ruptura ê lento e muitos microsegundos podem escoar antes do
arco estar completamente desenvolvido. Õ outro modo de falha
ê a do dielêtricô, onde ò còlapso de tensão ê muito rápido,
mas nenhuma corrente de prêLruptura pode ser detectada. Es
te tipo de falha ocorre onde a taxa de crescimento
inerente da tensão de restabelecimento ê relativamente bai
xa.
Abaixo de uma temperatura de 2.000° Kelvin, a ten
são de ruptura é dependente, em princípio, da densidade e,
em menor escala, da temperatura. Acima deste nível, entre
tanto, a tensão de ruptura cai com o aumento da temperatura,
e a ruptura pelo modo térmico é mais comum de ocorrer. Se a
ruptura ocorrer do modo dielétrico ou térmico, depende do
campo elétrico através do centelhador. No caso de rupturatér-
mica, muitos quilowatts de potência são alimentados através
de espaçamento, antes da falha. No caso de ruptura dielêtri-
ca, praticamente nenhuma energia ê alimentada através do gãs,
antes da formação de um arco. Tem sido achado que, no caso de
ruptura dielétrica, muitos elétrons de alta energia estão pre
sentes no gãs. O numero destes ê puramente uma função do cam
po elétrico que acontece de estar presente através do cen
telhador. Isto, certamente, é influenciado pelo efeito di
visor entre a impedância do sistema e a resistividade do gãs,
e ê um bom argumento teórico pará assumir uma interrupção per
feita pelo interruptor e medida da capacidade da tensãode res
tabelecimento, considerando somente a configuração do sis
tema. Isto faz com que os detalhes de qualquer teste sejam
extremamente importantes.
O meio ambiente do arco e disjuntores, nitrogênio e ar
A figura a seguir mostra a variação da condutivi-
dade elétrica e térmica do nitrogênio, como uma função da tem
peratura. O período de alta condutividade térmica, juntamen
te com a rãpida taxa de variação da condutividade elétrica,
em torno de 7.000° Kelvin aparenta ser uma notável vantagem
para o uso do nitrogênio e ar e, desta forma para os disjun
tores. Entretanto, numa temperatura de 5.000° Kelvin, ou mais,
a ionização ainda estã bem acima do seu nível normal e o gãs
ê eletricamente condutor.
Em baixas temperaturas, a baixa condutividade tér
mica do oxigênio alcança seu mãximo e, então, serâ cpèracicnal
durante uma corrente baixa ou região de corrente nula.Traba
lhando contra isto, entretanto, ocorre' o fato de que a ener
gia de ionização do oxigênio é relativamente baixa, situan
do-se entre 2.000°K e 6.000°K.
C O N O U T IV ID A O E
T É R M IC A K
W. ©i*1 • K " *
C O N O U T IV ID A O E
E L E T R I CA f
cm. S. UNIOADES x IO13
T U R ' A 1 0 * *K -
Figura 4.03
Condutividade do nitrogênio
Disjuntores imersos em oleo
O óleo gera hidrogênio por decomposição térmica de
hidrocarbonetos. A condutividade térmica do hidrogênioé al
ta e produz, daí, altos gradientes elétricos e finas colu
nas de arco, com baixas constantes de tempo. A condução de
calor, devido ao transporte de energia dissociado e a rigi
dez dielêtrica, entretarxto, são pobres, a menos que a pres
são seja alta.
Hexafluoreto de enxofre (SF6)
Este tem vantagens que são marcantes. Primeira-*
mente, em baixas temperaturas, quando a produção de arco te
nha cessado, a molécula SF6 necessita uma energia de ioni
zação elevada e tem uma eletronegatividade forte. O nível de
condutividade térmica alcança um máximo em torno de 2.000°K
~e, 1:neste intervalo éte temperatura, -nem, SF6 , nem qualquer ra
dical contendo fluoreto é ionizável. Os elétrons aparecem de-
vido* somente, a ioniização áe enxofre- livre; mas, pela re-
'Combii*ação deste com õ^tluoreto, em torno de 2:«000°K, os e-
létrons livres desaparecem instantaneamente, devido à con
dutividade elétrica.
Em altas temperaturas, um plasma SF6 tem conduti-
vidades elétricas e térmicas elevadas e torna extremamente
baixos os valores da tensão de arco e potência dissipada. Em
altas correntes, entretanto, o arco em SF6 não se comporta
tão bem quanto o hidrogênio, porque as baixas perdas de po
tência resultam em largas seções transversais de arco e gran
des constantes de tempo, se o arco não é constrito pela con
dução forçada.
Vácuo
O uso do vácuo como um meio.teoricamente, permite
alta rigidez dielétrica, pela inexistência de moléculas i-
onizáveis. Os primeiros experimentos mostraram o aparecimento
de arcos que não extinguiam-se, Isto era devido à liberação
da camada de gás monomolecular absorvida pelos eletrodos. Nos
dias atuais, a camada de gás pode ser evitada e o arco apa
rece devido à vaporização do metal do eletrodo. Para eletro
dos com baixa pressão de vapor, o arco pode ser instável em
valores de corrente baixos, e altas sobretensões podem ser
causadas pelo corte da corrente. Para eletrodos dé pressão de
vapor elevados; as densidades altas dè vapor do metal ocor
rem, e as características inerentes do vácuo desaparecem. Em
intervalos intermediários da pressão de vapor, o arco do va
por de metal atua com uma tensão de arco extremamente bai
xa e rápido restabelecimento para uma rigidez dielétrica e-
levada.
VX - FINALIDADES DO CIRCUITO DISRUPTIVO
< Os parágrafos a seguir discutirão; brevemente os ti
pos de compromissos de um interruptor,que resulta dos dife
rentes tipos de manobra do circuito. Por exemplo, manobra de
carga, interrupção da corrente de falta, çhaveamento de ca-
pacitores e de correntes indutivas baixas.
Do ponto de vista de sistema, os conceitos físicos
envolvidos nas operações de manobra são fundamentalmente os
mesmos para qualquer tipo de disjuntor ou dispositivo de ma
nobra de carga, mas cada um destes vários dispositivos podem
ser pro jetados para. comportar uma ou mais destas: funções mui
to bem, enquanto é um pouco restrito.na sua capacidade de su
portaroutras funções de manobrai
A. Çhaveamento de carga
O çhaveamento de cargaê considerado como sendo o
tipo mais simples de■ manobra a ser executado por um inter
ruptor. Como mostrado a seguir, se supormos uma carga resis
ti va, veriamos que a corrente de carga seria aproximadamen
te em fase com a tensão interna, equivalente Thévenin, atrás
da impedancia equivalente do sistema.
Figura 4.04
Çhaveamento de carga
Por esta razão, mesmo com a interrupção de cor
rente de carga (a extinção do arco nò plasma dum sistema com
corrente nula), a tensão instantânea no lado da fonte está
muito próxima.de zero. Se esta tensão esta próxima de zero,
no instante da interrupção, não hã mudança transitória da
tensão através da chave, neste instante inicial, e ela cres
cendo através dos contatos abertos, teria uma forma, senoidal,
com freqüência em 60Hz. A tensão iria de zero ate 1. p.u. em,
aproximadamente, um quarto de ciclo ou 4.000 microsegundos.
Este crescimento relativamente lento da tensão de restabe
lecimento, do pico de tensão de restabelecimento nominal de
1 p.u. e da corrente de carga típica .relativamente pequena,
que deve ser extinta pelo interruptor, contribuem para as
necesidades nominais de manobra do interruptor.
B. Interrupção da corrente de falta
O problema de interupção dé corrente de falta foi
discutido na Seção III. O maior problema no projeto de um
disjuntor, para interromper correntes de falta elevadas,é o
de prover meios para umá efetiva remoção da energia do arco,
entre os contatos separados, numa taxa maior do qúe pode ser
suprida pelo sistema Jenergia do arco = I ^ ^ ^ x(queda de tensão do
arco) |. As correntes de; falta elevadas fornecem energia su
bstancial para o arco. Em adição à remoção da energia do ar
co, numa taxa suficientè, tal que a interrupção possa ser en
contrada numa anulação de corrente, é também necessário as
segurar uma rãpida reconstrução da rigidez do dielêtrioo, a-
travês dos contatos dó disjuntor, imediatamente após a anu
lação da corrente. Tipicamente, as constantes do sistema,que
permitem uma corrente de falta igual à capacidade nominal do
disjuntor, terão certas caraòterísticas típicas quê réául-
tam numa taxa de crescimento nominal dá tensão de •réstâbe-
lecimènto com um pico da ordem de 1,3 p.u.' Exemplos de tais
cálculos de tensões de restabelecimento serão encontrados na
seção seguinte.
C. Chaveamentp capacitivo
Pode aparentar .que qualquer dispositivo que pode
comportar uma interrupção de falta, tenha pouca ou nenhuma
dificuldade de manobrar correntes capacitivas simples, mas
isto não ê necessariamente o caso. Os problemas de manobra
de corrente capacitiva são duplamente envolventes. Primeiro,
a corrente é muito menor do que o correspondente módulo da
corrente de falta e, segundo que a tensão de restabelecimento,
através dos contatos do disjuntor, é completamente diferen
te daquele que resulta da interrupção de falta. Primeiro,ob
servemos o comportamento físico simples do problema, como se
pode ver na Figura 4.05.
Figura 4.05
Chaveamento de carga capacitiva
A corrente capacitiva avança a tensão do equivalente Thevenin
interna de 90°. Então, nas proximidades de uma anulação de
corrente, a tensão interna bem como a tensão no capacitor
são aproximadamente um mãximo. Quando a corrente é interrom
pida neste ponto nulo, a tensão ê distribuída no capacitor e
iguala-se em módulo à fonte de tensão. Esta tensão permane
ce como uma tensão CC no capacitor, enquanto que a tensão da
fonte continua numa onda senoidal em 6 0Hz e, meio ciclo mais
tarde, produz uma tensão de 2 p.u., através dos contatos da
chave. Se isto for um circuito trifásico, a tensão através dos
contatos pode exceder a 2,0 p.u., sob condições de manobra
capacitiva. Problemas de chaveamento capacitivo têm sido uma
situação particularmente difícil para disjuntores a oleo,
especialmente interruptores que requerem vários meios ciclos
de arco antes de interromperem as correntes de falta. As al
tas correntes de falta produzem a reignição do arco, resul
tando na interrupção final da falta, vários meios ciclos a-
põs a separação dos contatos, quando estes estão completa
mente afastados. Os interruptores são capazes de interrcirper
a corrente capacitiva menor mais cedo. Então, a corrente ca
pacitiva ê interrompida antes dos contatos terem alcançado
suficiente separação, para estabelecer uma rigidez dielêtrica
elevada requerida para suportar 2 p.u., ou mais, da tensão
de restabelecimento típica para chaveamento capacitivo. Em
tal situação, o disjuntor pode escorvar (veja os comentários
no Capítulo 1), resultando numa sobretensãd transitória e-
levada, após este escorvamento. Alguns disjuntores a óleo
têm sido conhecidos por escorvar um numero múltiplo de vezes,
numa operação de manobra capacitiva, ou queda de linha mo-
nofãsica. Tipicamente, disjuntores a gás (sopro de ar ouSF6)
e a vácuo têm uma capacidade de manobra capacitiva elevada,
resultando na sua rápida separação dos contatos, e incremento
rápido da rigidez do dielêtrico, para ultimar.plenamente sua
rigidez dielêtrica.
D. Chaveamento de,correntes indutivas
O chaveamento de correntes indutivas também pode
ser mais difícil para alguris interruptores, do que o chavea
mento de corrente de falta.. As razões são muito similares
àquelas discutidas para chaveamentos capacitivos. Primeiro,
a corrente indutiva relativamente pequena é interrcnpida, antes
que a correspondente corrente de falta o seja (poucos ciclos
de ocorrência de arco) e, também, a taxa de crescimento da
tensão de restabelecimento ê muito maior, em geral, paracha-
veamento de correntes indutivas, do que para chaveamento de
falta ou de correntes capacitivas. No chaveamento de corren
tes capacitivas, o pico da tensão de restabelecimento pode
ser alcançado em torno de meio ciclo da freqüência do sis
tema, em 60Hz. No caso de chaveamento de correntes indutivas,
a tensão de restabelecimento pode ser da ordem de 2 p.u.,mas
tende a alcançar este módulo num tempo relativamente curto,
possivelmente dezenas ou centenas de microsegundos. Estes
curtos espaços de tempo para atingir o pico da tensão de res
tabelecimento resulta numa taxa de crescimento muito eleva
da. Este fenômeno pode ser melhor discutido em relação àFi
gura 4.06. Um ingrediente importante no calculo da tensão de
restabelecimento, num problema de chaveamento indutivo, é a
capacitância ocasional que esta efetivamente em paralelo com
a carga indutiva. Esta capacitância ocasional, mesmo apesar
de poder ser somente uns poucos milhares dé pico-farads,po
dem substancialmente ditar o tempo de pico da tensão de res
tabelecimento do sistema.
Figura 4.06
Chaveamento de carga indutiva
A carga indutiva produz uma corrente atrasada, tal que, no
instante de interromper a corrente no ponto de anulação da
mesma, a tensão indutiva está num pico de módulo, com a ca-
pàcitância em paralelo associada também ao pico de tensão.
Então, imediatamente após a anulação de corrente,teremos ten
são nula nos contatos do interruptor. Após este instante, a
tensão do sistema estarã variando lentamente, na taxa nor
mal, em 60Hz. A carga da pequena capacitância em paralelo com
a indutância tentara descarregar através do indutor, resul
tando numa oscilação senoidal onde f = 1/2 tt / LC. Os valores
característicos típicos de um reator em derivação de alta
tensão e os efeitos da capacitância ocasional típica nos ter
minais do reator (buchas, barras, etc.) podem resultar numa
mudança de polaridade da tensão reativa, em 500 microssegun-
dos, ou mais. Num sistema de 500kV, poderia resultar uma
taxa de tensão de restabelecimento da ordem de 2kV/microsse-
gundo, ou mais. Com uma taxa de crescimento da tensão de
restabelecimento tão alta, requer uma restauração muito rá
pida da rigidez do dielêtrico através dos contatos abertos.
No caso de disjuntores a vãcuo e, ocasionalmente,
em outros tipos de disjuntores, um problema adicional pode
resultarna manobra de correntes indutivas. Se um disjuntor
é projetado para ser completamente eficiente na interrupção
de correntes, isto é, um dispositivo que forçasse a corren
te para zero justamente antes da interrupção, um fenômeno de
corte de corrente poderia ocorrer. O disjuntor pode forçar a
corrente para zero, antes da anulação da corrente normal em
6 0Hz no indutor. Em tal caso, a energia magnética armazena
da no reator deve ser descarregada através da capacitância
ocasional no terminal do reator. Isto ê, a tensão Ldi/dt tan
to deve surgir para opor-se à ação de corte de corrente do
disjuntor, como deve forçar a carga através da capacitância
ocasional dos terminais do reator. Dependendo das constantes
do circuito, isto pode resultar numa tensão elevada no rea
tor, maior do que 1,0 p.u. oscilante numa freqüência simi
lar àquela calculada para interrupção numa freqüência natu
ral de corrente nula. Esta ação de corte de corrente tanto
agrava a taxa de restabelecimento necessária para o disjun
tor como também pode produzir surtos no reator e equipamentos
adicionais que poderiam ser danificados, especialmente se
tais equipamentos não estiverem protegidos por dissipadores
de surto.
A tensão de restabelecimento resultante do chavea-
mento de correntes indutivas pode resultar num arco prolon
gado nos contatos do disjuntor. Isto é, a alta tensão de res
tabelecimento pode escorvar ou reacender através dos conta
tos do disjuntor, resultando num fluxo de corrente na chave,
a cada meio ciclo. Tais operações repetitivas em disjuntores
podem produzir impurezas no oleo, ditando, então, a maior fre-
qüência de manutenção do equipamento.
E. Interrupção de faltas em linhas de transmissão1 cartas
Disjuntores a õleo têm necessitado, como caraĉ -
terística, de vários ciclos para interromper faltas e, devi
do à natureza da interrupção em õleo, não têm sido particular
mente sensíveis â taxa de crescimento da tensão de restabe
lecimento nos primeiros microsegundos, apôs a interrupção da
falta. Disjuntores a õleo têm sido mais sensíveis ao modulo
do pico, da tensão de restabelecimento. Com o advento de dis
juntores a gãs (especialmente disjuntores do tipo sopro de
ar), a tensão de restabelecimento de faltas em linhas cur
tas é de maior importância. Em particular, disjuntores de po
tência com sopro de ar podem ser mais sensíveis à taxa de
crescimento inicial da tensão de restabelecimento, mesmo que
esta taxa possa não ter um valor particularmente elevado em
modulo. Tal condição de taxa de restabelecimento pode ocor
rer niím sistema que seja suprido por uma fonte com uma po
tência de curto-circuito elevada, com uma falta a aproxima
damente uma milha da subestação. Nesta subestação, a tensão
do equivalente Thêvenin deve cair através da impedância do
sistema equivalente Thêvenin e impedância da linha de trans
missão entre o disjuntor e a falta (uma milha de linha de
transmissão tem aproximadamente 0,6 a l,0ft). Num sistema ccm
capacidade de curto-circuito muito elevada, a impedância da
linha de transmissão pode ser igual à maior parte da impe-
dância total, e portanto, a maior parte da tensão cairã a-
través da impedância da linha de transmissão. Isso ê mostra
do no perfil de tensão da Figura 4.07.
FONTE INDUTIVA IMPE DÂNCIA DA LINHA
Perfil de tensão do sistema
No instante de anulação da corrente neste sistema, hãuma ten
são distribuída na linha de transmissão, e o perfil desta ten
são é de forma triangular, sendo um máximo no disjuntor e
nulo no ponto de falta. Para esta condição, a tensão de res
tabelecimento através do disjuntor será uma combinação de
dois efeitos, isto é, a tensão de restabelecimento do lado
da fonte e a do lado da linha. A tensão de restabelecimento
do lado da linha produzirá uma oscilação de tensão de forma
triangular, no lado da linha do disjuntor e, comumente, a
tensão de restabelecimento, do lado da fonte, irá ser osci-
latõria ou exponencial por natureza. Isto resultará numa ta
xa de restabelecimento similar àquela mostrada na Figura
4.08. A freqüência natural da oscilação triangular de ten
são é ditada pelo tempo de percurso da linha entre o disjun
tor e a falta. Para faltas nas proximidades do disjuntor,a
freqtiência básica de oscilação será maior, mas a impedância
efetiva em 60Hz é menor, resultando num pico da onda osci
lante menor em modulo. Numa aplicação de disjuntores, o En
genheiro deve considerar a taxa de variação da tensão,do mo
dulo da tensão oscilante e as características do disjuntor
para determinar qual a taxa dé restabelecimento que causara
o mais severo compromisso na aplicação do disjuntor e, por
tanto, nenhuma regra geral ou norma pode ser feita numa ma
neira precisa de avaliar este problema.
TENSÃO DE RESTABELECIMENTO
Defeito em linha curta
Alguns disjuntores utilizam um resistor através dos
contatos abertos, para minimizar este compromisso de tensão
de restabelecimento para faltas próximas do disjuntor. Este
resistor, através dos contatos principais do disjuntor, a-
mortecè a tensão de restabelecimento e reduz tanto o módulo
como a taxa de crescimento da tensão. Este método de reti
ficação do problema é completamente efetivo, mas requer um
contato adicional: para interromper a corrente no resistor. A-
dicipnalmente, o compromisso térmico, no resistor propria
mente, deve. ser avaliado.
-F> Çhaveamento defasado
Ò chaveãmento fora de fase ocorre num sistema que
tende para uma condição instável; Se é necessário que o dis
juntor abra, a separação se dã com as partes do sistema de
fasados. O compromisso de interrupção do disjuntor deve ser
severo, mesmo se o disjuntor não esteja localizado próximo
ao centro elétrico do sistema. Isto é, porque a elevada ten
são de restabelecimento de abertura no estado permanente de
2,0 p.u. resulta numa condição fora de fase.Adicionalmente,
a tensão de restabelecimento pode ter uma componente tran
sitória orientando o pico transitório para 3,0 p.u.,ou mais.
Em adição à elevada tensão de restabelecimento na interrup
ção, em condições fora de fase; íproblema esta composto por
uma corrente relativamente elevada, no instante de interrup
ção. Tipicamente, a corrente ê menor que a nominal do dis
juntor e maior do que a encontrada em chaveamentos de car
ga ou, de corrente indutiva ou capacitiva. Uma especificação
típica para um disjuntor que pode estar sujeito, a este com
promisso é que seja possível interromper, fora de fase, até
25% da corrente de interrupção nominal do disjuntor, com uma
tensão de restabelecimento permanénte dè 2,0 -p.u. alcançada
após uma sobrelevação transitória >de 25%.
PROBLEMAS
Problema 1;
Calcular a tensão de restabelecimento do disjun
tor, para o sistema simples mostrado abaixo.
• ■ E. «Ntft
IMPEDÃNCIA NULA OE FALTA
Solução:
Apõs a abertura da chave, para eliminar a falta,
a corrente da rede será descrita pela equação:
e = E cos cot = L- didt
_1_
C idt
Considerando a transformada de Laplace para esta
equação, resulta:
E S 2 = SLI - Li + ( 1 >
S +U)
onde i e e são a corrente do indutor e tensão do capacitor o o
no instante t = 0, ou seja, quando a chave abre.
Supondo que a chave abre com corrente nula,então,
a equação (1) se toma:
E s2s 2+ 0)
sLI + IsC
assim
I(s) = s _ sC2 2 X 2 (sZ+w ) (sZLC+l)
se a tensão*de restabelecimento, através da chave, é obser
vada pela V (s) , no domínio de freqtiência complexa, então:K
Vr (s ) = 1 ( 8 ) ^
= E/LC . 2 , 2. , 2 , 2.(s +0) ) (s +ü)2)
̂ 2 )
onde. (n = 2 LC
Considerando a transformada inversa, resulta:
E
VR (t) LC
( C O S O J t - C O S ü ^ t )
2 2 (02 - (Ü
( 3 )
porque w2 a equação (3) será reduzida a:
V (t) - E(cosü>t - cos t)
R /LC
( 4 )
onde X^ >> X *L ia
Comentário:
Esta solução mostra uma tensão de restabelecimento
que é aproximadamente igual à tensão orientada do sistema E
cosoot por uma função de alta freqüência cos t//LC, a qual é
uma função dos parâmetros L e C.
*N.T. : LC (w2 - oi2) = 1
Problema 2;
Determinara tensão de restabelecimento para a
chave do Problema 1, usando a técnica de injeção de corren
te.
Solução;
O artifício de injeção de corrente envolve a in
jeção de uma corrente através da chave, igual e oposta à cor
rente de falta que flui por ela. Isto faz com que a corren
te total na chave se anule e, daí, simula-se um circuito a-
berto.
A solução da rede total para tensão com a chave a-
berta, era a soma para:
a) As tensões da rede sem injeção de corrente com a
chave fechada.
b) As tensões da rede com somente injeção de corrente
com a chave fechada.
A solução por corrente total serã similar.
Para este problema, a corrente de falta da chave
serã dada por:
ic (t)
E
ü)L = sencot
ic (s)
jE
L 2s +0)2
Observando através dos contatos da chave, a impe-
dância operacional total da rede serã dada por:
Z(s) = ----^ -----
C(s +1/LC)
No domínio da freqüência complexa, a tensão de res
tabelecimento serã agora dada por:
VR (s) = Ic (s) Z(s)
_E______ 1__________ s
LC ,2^2, , 2 /Tr,v(s +0) ) (s +1/LC)
a qual é a mesma da equação (2) do problema prévio.
Comentário:
A vantagem desta técnica ê melhor demonstrada on
de sistemas de maior complexidade forem analisados. A com
plexidade da solução ê significantemente reduzida.
Problema 3:
Substituir a capacitância do problema por uma im-
pedância de surto de uma linha de transmissão, e encontrar a
tensão de restabelecimento usando a técnica de injeção de
corrente:
Solução:
A corrente de falta na chave ê dada por:
I (s) c L ,2 2.(s +Í1) )
Z(s)
Z . sL c
sL+Z
Vr (S) * T " z 'L c (s2+0)2) (s+a)
onde a = Z /L c
No domínio do tempo:
EZ
vR (t) = - r
C O S ( a ) t - l | l )
/(a2+w2)
ae-at
2 2 a +o)
onde ip = tg-1a)/a
Comentário;
O primeiro termo de solução é a tensão permanente,
a qual aparecerá através da chave, na posição aberta, e ê
simplesmente uma razão de impedância da função orientada.
1 s to e ; -j—, fj / , i \E Z cos(a)t-ií;)
i ç
/((z ) 2 + (x t )2)
C L
onde ip ê o ângulo de impedância total do circuito. .
O segundo termo é um termo transitório dc, decres
cente exponencial, próprio da operação da chave, tendo cons
tante de tempo igual a L/R
Problema 4;
Repetir o problema prévio, apôs reinstalar
pacitância*
Solução;
O circuito agora ê:
L/«rmo --------------- *c
-------------- f 0 0 0 0 — ■1 • 0 o —
= C SloT /
_ * E 1
L 2 2
S + ( ü
A corrente total aparente dos terminais da chave ê,
uma combinação em paralelo de L, C e Z .
7,_x = _______s/C
{S) 1/LC+s(s+l/Z C)
Agora, Vr (3) IC (S) Z(s)
LC (s2+0)2) (s(s+ot)+$2)
onde
a = Z C c 3 = / mV LC
Modificando a equação (1) resulta:
E s
VR (s) LC , 2 , 2(s^+oT) ( (s +-|-)2+ y 2 )
onde:
T - /S2 - 2 '
a ca-
agorá,
( 1 )
Considerando a transformada inversa resulta:
VR (t) =
[sen(ü)t+i(i1)+ i [(f)2+Y2]2'e 2 tsen(yt+H'2)]
LC r,,0L\2. 2[((õ) +Y ^ 2 20) j A ,a.\ 2 24 '2> ü) ]T
( 2
onde:
- ^ 1 — ã-
ao)
,„,2, 2 2(̂ ) +y -ü)
4»2 = tg-1 2y-a - tg
-1 aY
2 2 ,Y\2Y -u -(j)
Comentário:
A validade deste resultado pode ser testado peía
colocação de Z igual a 00, que ê feito no circuito, como no
Problema 1, se Z = «.' c
Então, a = 0 e y = £. Substituindo em (2) redu
zimos a equação a
VR (t) -
sen (<ot+^) + sen ( + * 2>
LC 7 ± \ 2\ ̂LC 10
mas 1/1̂ = tí/2 *2
TT
2
assim:
VR(t ) ELC
[cosojt
1
LC
como na equação (3) do
Problema 1.
A solução ê basicamente aquela mostrada no Pro
blema 1, mas agora o termo de freqüência alta ê exponencial-
mente decrescente, com uma constante de tempo igual a RC/2 e
ambas as componentes senoidais são defasadas em ângulos e
mõdulos modificados.
Problema 5:
Determinar o efeito da corrente de corte, no ins
tante de abertura da chave, para o circuito do Problema 1.
Solução:
Supondo que a corrente de corte estã sendo inter
rompida no instante de anulação de corrente, então, a cor
rente injetada será dada por:
i (t) = - — ^— (sen(u)t -0)+sen0)
C 0)L
onde 0 = ± tt/2, dada pela corrente de corte plena. A trans
formada serã
Ic<s> - +E s. sen(9"ig))>cos9 ü)L 2
sen0
+ 0) -]
A impedância operacional do circuito é :
Z(s) S/C
s2 + 1/LC
Agora, a tensão de restabelecimento, no domínio de freqüên-
cia complexa, serã dada por
V sl Ic (s).Z(s)
E
ü)CL
s.sen(0-0)) .cos0
“ 2“ 2
S + 0 )
sen0
J s +1/LC
-E
0)L
s o)cos9/C
. (s2+0)2) (s2+l/bC)
sen0/C
(s2+w2) ( s2+1/LC)
sen0/C 1/LC
l/LC(s2+l/LC)
Após rearranjar e obter a transformada inversa no domínio do
tempo, a tensão de restabelecimento serã dada por.
VR(t) = ■ 2 1k :(0)2- ̂
cos(ü)t-0)-n/ (cos20+o)LC sen20) °°s ~Y)J
Xr
(ir-i)c
/ 2 \ ^ tcos(o)t-0)- «y/(oos 0+— — sen 0)cx>s(-̂ jr - y)
onde y = tg-1 tg0
Comentário;
Este resultado ê similar ao Problema 1, onde a
componente de freqtiência fundamental ê modificada pela com
ponente de alta freqtiência, que tem uma freqtiência igual â
freqtiência natural do circuito L-C. Se a razão X^/Xc é mui
to pequena, então, a componente de alta freqtiência será pro
porcional a cosfr ou grandeza do corte. A elevada componente
dc devido ao corte, minimizará a magnitude da freqtiência de
oscilação natural na tensão de restabelecimento transitório.
CAPÍTULO 5
BASES DO PROJETO DE
COORDENAÇÃO DE ISOLAMENTO
1 - INTRODUÇÃO
Há, certamente, uma alternância entre o comporta
mento e o nível de isolamento tanto para um isolamento com
ar como sõlido. Quanto mais alto o nível isolante, melhor se-
rã a segurança ou comportamento do sistema. Entretanto, a
diferença fundamental entre o isolamento do ar e o sõlido é
que, neste ultimo, nunca seria permitido a descarga, ao pas
so que, no primeiro, pode ser permitido, com a possibilidade
de sõ ocorrer uma interrupção temporária do fornecimento.
Em ambos os casos, os esforços de tensão no isolamento são
os mesmos ou similares; a diferença encontra-se na natureza
do isolamento. O processo de coordenação de isolamento com
isolante sõlido consiste em nunca permitir que os esforços
excedam a rigidez. Isso é acompanhado pela coordenação da
seleção dos níveis de isolamento básico (BIL) e de descarga
dos dissipadores de surto para os esforços máximos.
A coordenação de isolamento, tendo como isolante o
ar consiste da seleção de um comportamento desejado ou de ta
xa de saída e, daí, coordenando os esforços e rigidez (com
primento da cadeia de isoladores ou isolamento) para obter
o nível de comportamento. Esta coordenação é, por natureza,
um processo estatístico, tanto para os esforços como para a
rigidez, não tendo valores fixos, mas, sim, distribuídos den
tro de um intervalo com qualquer valor, tendo uma probabi
lidade definida de ocorrência. Distribuições típicas são mos
tradas na Figura 5.01, onde a probabilidade integrada de es
forços excede a rigidez e proporciona o nível de comporta
mento.
O processo de estudo ê o de coordenar estas duas
distribuições em cada freqüência industrial, surto de mano
bra e áreas de descargas atmosféricas, tal que uma taxa de
desligamento esteja associada. Isto pode ser acompanhado pe
la redução da distribuição dos esforços ou, mais normalmen
te, pelo incremento da rigidez. Uma alternância importante
é disponível quando a envoltõria do isolamento da cadeia é
especificado para um dado comportamento. Faz-se isso varian
do o grau de isolamento da cadeia e observando os efeitos no
grau de comportamento, isto ê, permite determinar o gradien
te de comportamento. Para surtos de manobra, a relação pode
ser mostrada como na Figura 5.02 (reproduzida da Referência
1, Figura 6), onde um aumento de 7% no comprimento da cadeia
(2,3 - 2,45m) traz um aumento de 1.000% no comportamento
(0,01 - 0,001 PFO). Tendo em perspectiva o custo total da
linha, toda a melhoria no comportamento pode ser detectado
como um correspondente incremento nominal no custo global da
mesma.
Métodos convencionais de especificação das dis
tâncias não indicariam a sensibilidade deste gradiente e, pro
vavelmente, especificariam distâncias de cadeias conserva-
tivas e desnecessárias. Estes métodos usualmente assumem as
piores condiçõesdo caso e podem ser usados para especificar
dados em condições de tempo locais, ou esforços do sistema.
Números típicos podem ser supostos nestes casos. A diferen
ça nas duas aproximações pode ser grandemente associada ao
estudo de uma linha em projeto. Com base no pior caso, indi
ca que a mesma pode estar sobredimensionada sem modificar a
distância das cadeias.
Quando a envoltõria de deslocamento da cadeia de
isoladores em cada área de comportamento tenha sido estabe
lecida para satisfazer os Itens de comportamento seleciona
dos , então, o projeto de coordenação pode ser determinado.
Geralmente, sõ uma ãrea de comportamento serã limitada e o
abrandamento dos Itens de comportamento pode permitir a re
dução da cadeia de isoladores. Inversamente, os fatores de
controle do comportamento em outras áreas podem ser abran
dados de forma que as distâncias das envoltõrias sejam coin
cidentes. Isto poée ser economicamente desejável, de forma que,
por exemplo, resistências baixas de aterramento não sejam
necessárias. O ponto é que a alternância ê disponível entre
o comportamento e as distâncias de uma área de comportamen
to e outra, bem como entre o comportamento e aqueles outros
fatores, talvez a distância que controla o comportamento.
A consideração destas preferências pode aumentar ou diminuir
o custo e o bom comportamento de um projeto de linha.
2. ESFORÇOS DE ISOLAMENTO
O meio isolante ê, na maioria dos casos, o ar. Em
bora os conceitos descritos aqui apliquem-se igualmente bem
a qualquer meio isolante, serão concentrados no ar por ser
o mais popular meio (mais barato). As propriedades auto-res-
taurativas do ar permitem a descarga, sendo considerada co
mo um parâjaetsjro de projeto. A linha pode, entretanto, ser
projetada para ter uma probabilidade finita de descarga e
esta aproximação ê facilitada pelo grande desvio das variá
veis que afetam a rigidez do espaçamento de ar. Estas va
riáveis têm uma característica onde elas não têm efeito so
bre um certo nível e, apõs este, tenham um efeito de 100%;
dal, não haveria oportunidade de coordená-los para uma pro
babilidade de descarga desejada.
O efeito do tempo na rigidez ê, primariamente, de
vido à umidade, densidade do ar, chuva e vento. Estes todos
tem uma variação considerável, dependendo do local. A outra
variável principal é devido ao processo de ruptura do pró
prio ar. Este processo ê controlado pela avalanche ionizada
do ar e depende da liberação de elétrons pelos ions,pelaoo-
lisão com outros elétrons. É, por natureza, um evento alea
tório dependente da localização molecular, orientação,etc..
A probabilidade desta ocorrência obviamente incrementa com
o gradiente, mas, para qualquer gradiente dado, haverã uma
probabilidade associada de avalanche. Então, em qualquer ní
vel de tensão dada, não hã certeza de descarga, somente uma
probabilidade. Este fenômeno tem um largo desvio e ê chama
do de distribuição da rigidez de isolamento. Uma medida im
portante da rigidez é o ponto médio (50%), onde o esforço de
tensão neste nível determinara a ruptura em 50% do tempo.
Esta ê a tensão crítica de descarga, conhecida como CFO.
2.1 Efeitos do tempo
A rigidez isolante relativa (RIS) relaciona o CFO
de um dado espaçador, sob condições climáticas determinadas,
com o espaçador com CFO sob condições climáticas padrões.
Isto permite que a rigidez do espaçador seja determinada em
qualquer condição de tempo, a partir de testes de laborató
rio e sob condições climáticas padronizadas. O RIS é depen
dente da umidade, da densidade relativa do ar e da chuva, e
é definido como:
CFO = CFO _ .RIS
PADRAO
onde RIS = KH.KD.KP
e CFO CFODADO
CFOpADR^Q = CFO sob condições padrões
KH = Fator de correção da umidade
KD = Fator de correção da densidade relativa de
ar
KP = Fator de correção de precipitação
As condições padrões de tempo são definidas como:
Fator de correção
Pressão do vapor 20 milibares (6"Hg) KH = 1
Press ãc barométrica 1013,2 milibares(29,92"Hg) KD = 1
Precipitação Nula KP = 1
Tenperatura de bulbo seco 25°C(77°F) ---
A agua tem um efeito ambíguo na rigidez de um es-
paçador de ar. Na forma de vapor de agua, ele tende a supri
mir as condições de avalanche, devido a sua afinidade aos e-
lêtrons. Então, seu efeito no CFO é benéfico, como mostrado
(2)na Figura 5.03 , para vários comprimentos do espaçador. O
uso deste tipo de dados permite que o fator de correção da
umidade seja derivado da relação do RIS para qualquer com
primento de espaçador dado.
A agua, na forma de gotícuias ou de chuva contí
nua, tem um efeito oposto, geralmente reduzindo o CFO, es
pecialmente nas cadeias de isoladores. Isso é, provavelmen
te, devido ao efeito de distorção do campo elétrico. Os fa
tores de correção para varias condições de precipitação ê
mostrado abaixo.
Nenhuma
Fraca
Moderada
Forte
Condições de chuva
_____ (itity/h)_____
0
< 2,5
2,5-- 7,5
> 7,5
Correção (KP) (3)
1,0
0,98
0,96
0,94
Geralmente, o efeito da chuva não é significante na redução
do CFO, com a ocorrência de precipitação numa pequena por
centagem do tempo, quando comparado com os efeitos seirpre pre
sentes da (umidade/RAD).
A densidade relativa do ar (RAD) orienta a relação
da influência da ionização em potencial de um elétron livre
num gãs. Este elétron serã acelerado no campo, mas pode nun
ca ser encontrada energia suficiente para ionizar outro ã-
tomo devido à colisão com ele, se esta constantemente coli
dindo com outros átomos. Destas colisões, ele perdera ener
gia na forma de radiação, ou poderá ser capturado. Então, com
o aumento da densidade de ar, o potencial de ionização de-
cresce, mesmo se a probabilidade de colisão aumente, dando
um efeito redutor do CFO. Este efeito ê ainda dependente do
(3)comprimento do espaçador, como mostrado na Figura 5.04 .
Desde que as condições de tempo variem considera
velmente, dependendo da localização e altitude, ê muito im
portante o uso dos dados locais. Desta forma, cada linha ê
observada pela sua localização particular, permitindo a ple
na otimização do potencial da linha. Os parâmetros de clima
que podem ser usados são a pressão barométrica, temperatura
de bulbo seco, temperatura no ponto de orvalho e incidência
de chuva. O primeiro dos três é usado para calcular o RAD e
a pressão do vapor (VP). Uma relação importante, que foi ob
servada, é que as variáveis acima não são independentes. Is-
- - (3)to pode ser ilustrado pela referencia a Figura 5.05 , que
mostra uma correlação definida entre RAD e VP. Então, quan
do o VP é alto, o RAD tende a ser baixo, e vice-versa. A im
portância desta interrelação é que, aumentando o VP, aumen
tará o CFO, enquanto decrescendo o RAD, decrescerá o CFO.En
tão, eles tendem a compensar um o outro com restrições à a-
nálise de uso das observações simultâneas de pressão e tem
peratura.
A combinação de todos estes dados de clima produ
zirá uma distribuição do RIS, como é mostrado na Figura 5.06.
Isso é típico e mostra um intervalo de RIS de 1,05, atê 0,78
com 0,9, sendo um valor médio típico.
O vento é outro valor climático que afeta os con
dutores e provoca o balanço das cadeias de isoladores. Vis
to que a distância crítica em relação ao solo está na torre,
é necessário relacionar a oscilação dos isoladores à velo
cidade do vento. Fatores importantes na determinação do ân
gulo de oscilação são o diâmetro do condutor, peso de mesmo
e relação entre a força horizontal e a vertical na cadeia de
isoladores. A força vertical é causada pelo peso do condutor
entre os pontos de distância mínima nas distâncias adjacen
tes, e a força horizontal é causada pela ação do vento no con
dutor para uma distância média em ambos os lados da cadeia de
isoladores. Com este conceito, ê claro que uma torre, no
alto de uma colina, experimentará menor oscilação dos iso
ladores do que uma em um vale, suportando a mesma força do
vento.
Com arrazoado similar, o condutor com maior diâ
metro e menor peso estará mais propenso a oscilardo que um
com relação menor de diâmetro para massa. Os dados de en
trada, necessários para o cálculo das condições de oscilação,
são, portanto:
1. Vento
2. Razão das distâncias vertical para horizontal
3. Relação entre o diâmetro e o peso do condutor
4. Relação entre a velocidade do vento e o ângu
lo de oscilação para as condições acima.
Os dados sobre o vento são disponíveis através das
estações meteorológicas, normalmente na forma de"minutos mé
dios". A duração do período de medida é relevante, com ra
jadas de vento tendo picos de duração menores do que um mi
nuto. Também, rajadas de vento, embora elevadas em veloci
dade, provavelmente serão mínimas em extensão e terão menor
influência na oscilação dos isoladores, do qiífe ventos de in
tensidade menor, porém longos. Nesta área, uma maior pesquisa
seria desejável, mas, presentemente, médias de um minuto são
consideradas conservativamente adequadas.
A relação entre as distâncias vertical e horizon
tal, e a razão entre o diâmetro e o peso do condutor são se
lecionados a partir da consideração de balanço da linha e
escolha do condutor. 0 item remanescente necessário para o
ângulo de oscilação é a relação entre a velocidade do vento
e o ângulo de oscilação. Métodos tradicionais supõem valores
para fatores de obstrução e de incidência no cálculo da pres
são efetiva do vento no condutor. Entretanto, esta aproxi
mação é dependente dos valores assumidos para os fatores de
arraste e de intensidade. Valores de fatores de intensidade
podem estar em torno de 0,65 até 0,45. Adicionalmente qual
quer valor específico ê somente bom para uma dada velocida
de de vento. Esta conclusão ê baseada em pesquisa (Referên
cia 4) realizada em Hornesgrinde Test Site, Alemanha, onde
foi mostrado que rajadas de vento de alta velocidade tem lar
guras estreitas, e vice-versa. Outra conclusão de Hornesgrinde
foi que condutores à sotavento, num enfeixamento, não estão
protegidos do vento incidente, como tinha sido suposto. Deve,
então, ser conservativo supor que o vento age igualmente em
todos os condutores num enfeixamento. A Figura 5.07, repro
duzida da Referência 5, apresenta os dados de Hornesgrinde,
relacionando o ângulo de oscilação, para um vento com velo
cidade média de um minuto, como uma função da razão diâme-
tro-peso e razão das distâncias vertical para horizontal.
Ao ângulo de oscilação do vento deve ser adicio
nado qualquer deslocamento da cadeia de isoladores para qual
quer ângulo da linha. 0 deslocamento estático da cadeia ê
uma função da tensão do condutor, bem como do ângulo da li
nha e pode ser calculado por:
__ ,ângulo da linhasen v 2
onde T ê a tensão final do condutor e W o peso do condutor.
A 4. [ 2T= Arctg h—
2.2 Distribuição dos esforços de isolamento
Para um dado espaçamento de centelhador e tipo (haste-
plano, etc.), um certo numero de valores de rigidez podem ser
obtido. Foi obtido por testes que, para um dado esforço, hã
uma certa probabilidade de descarga.. Em outras palavras,de
um total de 100 testes sob as mesmas condições, somente uma
certa porcentagem poderá descarregar. Quando a porcentagem
ê de 50%, então, a tensão ê denominada tensão de descarga crí
tica (CFO) . Aumentando a tensãó, esta produzira maiores des
cargas, e vice-versa. A relação entre a tensão e a probabi
lidade de descarga foi estabelecida como tendo uma distri
buição normal com desvio padrão de 5% para surtos de mano
bra.
2.3 Características dos espaçadores
A configuração de espaçadores mais concernente ê a
do braço ou da perna da torre ao condutor. A rigidez deste ti
po de espaçador situa-se entre aquela de um centelhadorhas-
te para haste e haste para plano. As curvas de variação da
rigidez, como uma função do tipo de centelhador, forma de onda
e polaridade, foi mostrado previamente no Capítulo 2. Geral
mente, um centelhador tipo haste para haste ê mais forte do
que um tipo haste para plano; centelhadores têm uma rigidez
a polaridade negativa mais potente do que à polaridade po
sitiva, e são mais resistentes aos surtos de impulso do que
a sobretênsões de manobra ou em 60Hz. Então pode ser visto
que a rigidez do centelhador ê dependente tanto de suas ca
racterísticas físicas como da natureza da sobretensão inci
dente .
Para o trabalho de projeto é costumeiro supor que
todas as sobretensões serão positivas por natureza e usam as
relações de rigidez apropriadas em cada área de comportamen
to. E sabido que os surtos podem ocorrer em ambas as pola
ridades, mas, com as incertezas de condições no campo,o ocn-
servacionismo implica no uso de rigidez com polaridade po
sitiva somente, sendo, portanto, apropriado. A forma de on
da particular usada ê importante, como pode ser visto na Fi-
(3 )gura 5.08 , a qual mostra a variaçao na rigidez de espa-
çador, como uma função da forma de onda do surto de mancbra.
O espaçador tem seu ponto mais fraco com um surto com fren
te de onda de aproximadamente 175ys. Conseqüentemente, tal
tipo de onda tem sido utilizada na determinação da rigidez
do espaçador, como ê mostrado na Figura 2.13.
Tem sido determinado3 que a proximidade com outras
superfícies até o espaçador reduzir o surto de manobra CFO
do espaçador considerado, enquanto não necessariamente mudar
a localização da descarga. Isto torna a determinação da ri
gidez total de uma janela da torre um procedimento difícil,
que com a influência de outras superfícies deve ser reconhe
cido. As curvas, como as mostradas na Figura 2.13, são para
uma superfície perticular nas proximidades de outras super
fícies. Então, pode ser possível determinar a distância ne
cessária para a superfície em questão, supondo que as outras
superfícies sejam fixadas. Entretanto, a otimização das dis
tâncias da torre reconheceria a interdependência das super
fícies e permitiria que a janela da torre, como um todo, possa
ser otimizada.
Curvas de projeto para esta função não estão pre
sentemente disponíveis, mas tratamento independente de cada
superfície permite uma estimativa conservativa de que o com
portamento como um todo possa ser feito.
Uma vez que a rigidez de uma torre tenha sido de
terminada e o PFO correspondente determinado, é necessário
calcular o PFO para toda a linha, no caso de surtos de ma
nobra. Isso ê devido à natureza do surto de manobra, que im
prime uma sobretensão ao longo de todo o comprimento da li
nha. Esta ê completamente diferente das sobretensões atmos
féricas, ou em 60Hz, onde a sobretensão estará numas poucas
torres, no caso de descarga atmosférica, e a torre com um
ângulo de oscilação extrema, no caso de surto em 60Hz.
dos :3)
Testes em espaçadores em paralelo tem sido executa-
e estabelecido a lei estatística:
onde
PN = 1 - d - P1)N
PN ê o PFO para n espaçadores
P1 é o PFO para um espaçador
N ê ó numero de espaçadores.
(3) comoEsta relação está traçada na Figura 5.09
uma função do CFO e mostra a redução no CFO, como uma fun
ção do numero de espaçadores e sua probabilidade de suportar. 3
3. ESFORÇOS NO SISTEMA
A natureza dos esforços no sistema foi discutido
no Capítulo 1, com as Tabelas I ell sumarizando os módulos a
serem esperados nas várias condições. Entretanto, quando u-
samos uma aproximação estatística, a distribuição das sobre
tensões é de importância primeira. Isso é especialmente uma
verdade para o comportamento do su^to de manobra, onde, de
vido â natureza do fenômeno, a aproximação estatística é par-
ticularmente relevante.
No caso de descargas atmosféricas, a sobretensão ê
confinada a uma ou poucas torres, e a distribuição de sua
magnitude ê largamente dependente da distribuição da corrente
de descarga e da forma de onda. Estas distribuições são in
dependentes dos parâmetros do sistema e são baseados em ci
ma de dados empiricamente obtidos. Estes estudos determinam
a distribuição de surtos para cada sistema e não são, neces
sariamente, como elas são, no caso de surtos de manobra.
Sobretensões em freqüência industrial são geral
menteconfinadas às condições de falta. Também as distâncias,
quando a cadeia de isoladores estâ em repouso, são determi
nadas pelos surtos de manobra ou atmosféricos, em virtude de
seu módulo. Então, sobretensões em freqüência industrial tor
nam-se concernentes quando distâncias são consideravelmente
reduzidas, mesmo em condições naturais de extremo vento. Es
ta hipótese não ê considerada sob condições de surto, devi
do a probabilidade extremamente remota dos dois ocorrerem si
multaneamente. Pela mesma forma, sobretensões de falta em
60Hz possam ser descontadas. Entretanto, tensões normais em
freqüência industrial estão sempre presentes e a considera
ção de condições extremas de vento ê apropriada. Pela sua
natureza, tensões em 60Hz não têm uma distribuição signifi-
cante de módulos, mas, normalmente, em casos de estudos,uma
sobretensão de 5 ou 10% ê considerada para contar com va
riações mínimas.
Uma distribuição típica de sobretensões de surto
de manobra ê mostrada na Figura 5.10, obtida a partir de es
tudos digitais ou analógicos. A distribuição é quase normal,
com as áreas superior e inferior truncadas pela ação dos dis-
sipadores de surto, no primeiro caso, e tensões normais em
60Hz, no ultimo cáso. Freqüentemente, a distribuição pode
ser suposta, sem trabalho de pesquisa, pelo conhecimento do
surto de descarga de manobra máximo do dissipador, e arbi
trariamente suposto igual a 1,2 p.u., como limite inferior.
Os valores probabilísticos são também supostos, e esta apro
ximação darã uma indicação adequada do comportamento.
4. COMPORTAMENTO EM FREQÜENCIA INDUSTRIAL
O comportamento do chaveamento de linhas de trans
missão em freqüência industrial consiste de duas considera
ções: a primeira sendo a rigidez dos isoladores em tensão de
freqüência industrial, sob condições de contaminação, e a
segunda sendo a distância do condutor à torre, sob condições
extremas de oscilação sob vento. A primeira ê, normalmente,
o ponto de partida numa analise do isolamento e serã trata
da primeiramente. Em ambos os casos é apropriado considerar
somente tensões em freqüência industrial. A probabilidade de
uma ocorrência de surto de manobra, no instante de oscilação
extrema, devera ser discutido. Similarmente, para condições
de contaminação, resultados experimentais, têm mostrado que,
afora uma probabilidade estatística muito baixa de ocorrên
cia de surto de manobra, no instante de falha de potencial,
por contaminação, os isoladores, que estão muito próximos da
descarga em freqüência industrial devido a contaminação, po
dem sustentar surtos de manobra, sem aumentar a probabilida
de de descarga por contaminação.
4.1 Comportamento sob condições de contaminação
As técnicas para determinação quantitativa das con
dições de contaminação de uma linha estão ainda num estado
relativamente primitivo. A vasta quantidade de pesquisa fei
ta neste problema tem sido dirigida para a previsão de des
carga nas cadeias de isoladores cujos estados de contamina
ção estão cuidadosamente definidos em laboratório. A outra
metade do problema tem somente recebido um estudo cursivo,
isto ê, a previsão do estado de contaminação do isolador,co
mo uma função de fatores envolventes.
A dificuldade na previsão do comportamento da con
taminação ê composto por variações extremas em ambos os pa
drões climáticos vistos para varias linhas e a natureza e
quantidade de poluição nas varias ãreas. Estas dificuldades
não suportáveis, fazem com que exames muito generalizados,
tenham conduzido a regras que determinam o numero de unida
des isoladas, dando, geralmente, comportamento satisfatório.
Mesmo estas regras devem ser cuidadosamente interpretadas
como aplicação ao projeto geral de uma linha, reconhecendo-
se que em localizações específicas (por exemplo, próximo a
fábricas, áreas costeiras, etc.), a contaminação adicional
ocorre, requerendo o uso de tipos diferentes de isoladores,
programas de lavagem ou lubrificação.
As Tabelas I e II da Referência 6 mostram
as definições do IEC das ãreas de poluição, e recomen
dam distâncias das correntes de fuga requeridas para su
portar, em cada uma das categorias poluidoras. Por exemplo,
supondo que tenha sido estabelecido que a maior parte do tra
çado de uma linha esteja dentro de uma área "não poluída", a
distância para as correntes de fuga, nesta categoria, é de
2,3cm/kV eficaz e, portanto, o numero de isoladores neces
sários para uma linha de 500kV pode ser calculado a partir
de:
N = — - U- . f = 2 3,95 (24)
/ T 30' 5 —
Em 10%, a sobretensão em 60Hz pode ser suposta que o cál
culo ê baseado no tamanho padrão de isoladores 5,75 x 10 po
legadas, com 12 polegadas (30,5cm) de distância para o cami
nho da corrente de fuga.
Um outro* efeito que poderia ser observado ê o efei
to da saturação com o aumento da cadeia de isoladores em em
níveis baixos de contaminação, então, isto deve ser cuida
dosamente aplicado na determinação da rigidez por isolador
num modelo linear.
Talvez o aspecto mais importante do projeto em con
dições de contaminação ê o efeito da possibilidade de mudan
ças na configuração de isoladores ou tipo. Um grande número
de testes em laboratório tem sido feitos para comparar a ri
gidez.relativa sob condições de contaminação de isoladores,
numa orientação vertical, horizontal e diagonal ( por exem
plo, cadeia em V). A despeito das comparações de laborató
rios serem inconclusivas, um grande numero de companhias de
energia elétrica sugerem, baseado nas experiências opera
tivas, que existe vantagem na utilização de cadeias em V,
em ãreas de contaminação. Alguma corroboração desta vantagem
demonstrada em serviço tem sido obtida em testes externos. A
maioria dos investigadores, entretanto, conclüem que a van
tagem da cadeia em V sobre a horizontal é devido à melhoria
da lavagem dada nos isoladores durante a ocorrência de chu
vas naturais, do que na melhoria da rigidez para um dado es
tado de contaminação. Atualmente, a vantagem das cadeias em
V, no comportamento de contaminação, ê provavelmente limi
tado por circunstâncias onde a largura direta é um fator im
portante na justificativa da disposição 3-V e onde chuvas pe
riódicas reduzem a deposição, por longo tempo, dos contami-
nantes. Na maioria dos casos, a vantagem de uma cadeia em V
ê limitada pela fase central, sendo muito cara para justi
ficar uma estrutura 3-V. Além disso, onde longos períodos
secos podem ser esperados, a vantagem da lavagem pode nunca
ser necessário a sua execução.
Supondo que uma disposição 3-V não seja economi
camente justificável em outras regiões, não é reoonendada co
mo recurso de projeto possível, somente por motivos de con
taminação.
Tem havido grande influência do contorno do iso-
lador, no que diz respeito ao comportamento em condições de
contaminação. Desde a introdução primeira de unidades do "tipo
neblina", uma larga variedade de saias de isoladores tem si
do introduzidas na tentativa de melhorar o comportamento sdb
contaminação. Em anos recentes, um grande número de labora
tórios tem executado experências extensivas comparando for
mas alternativas de isoladores, e tem confirmado que melho
rias significantes tem sido encontradas pelo uso de unidades
com longos caminhos de correntes de fuga. Algumas unidades
têm sido projetadas com cerca de 50% de distância de percur
so da corrente de fuga, a mais em relaçao à unidade padrão.
Entretanto, à exceção de condições muito extremas
2de contaminaçao (excedendo em cerca de 0,lmg/cm de NaCl), o
ganho na rigidez de isolamento ê um pouco menor que a razão
das distâncias das correntes de fuga. Experimentos têm mos-
̂ 2 trado que, num nível de contaminaçao da ordem de 0,05mg/cm,
as unidades com grande distância para as correntes de fuga,
mostram uma vantagem de aproximadamente 20% sobre as unida
des com distâncias padrões para o mesmo comprimento total da
cadeia de isoladores.
Os resultados experimentais acima indicam que uma
redução de 20% no comprimentoda cadeia de isoladores pode-
ria ser melhorada pela mudança para unidades com elevadas dis
tâncias de circulação das correntes de fuga, sem arriscar o
comportamento da linha. A substituição por unidades com ele
vadas distâncias de fuga prediz, certamente, uma vantagem no
custo total da estrutura. Esta vantagem tornar-se-ia signi-
ficante, ou evitaria outras considerações para a adoção ló
gica de unidades com elevadas distâncias de fuga; elas se
riam, no mínimo, consideradas para a substituição por uni
dades normais, em áreas sujeitas a altos níveis de contami
nação.
Uma inovação mais significante no projeto de iso
ladores esta fluente no estágio de prova e teste. Isto é, o
isolador com resistência estabilizada usa uma superfície vi-
trificada condutora para provocar uma corrente de fuga con
tínua que circula na superfície do mesmo. O efeito desta cor
rente é de duas formas:
1. O calor gerado em cada isolador inibe a condensação
da mistura, durante a ocorrência das diversas con
dições climáticas onde a taxa de incidência de chu
va ê menor do que a necessária para lavar a super
fície dos isoladores.
2. A resistência auxilia no estabelecimento do gradi
ente do isolador, de forma que a queda de tensão se
ja uniforme em cada unidade.
Os primeiros resultados mostram vantagens da ordem
de 2:1 sobre as unidades padrões, em termos dos comprimentos
necessários para uma dada tensão e estado de contaminação.
As perdas numa unidade estabilizada são, em geral/
da ordem das perdas por corona normal/ e não apresentam con
sideração econômica significante na avaliação destas unida
des.
4.2 Condições de oscilação extrema
Com cadeias de isoladores livres e condições ex
tremas de vento/ em que ocorrem ângulos de oscilação severos/
a rigidez da distância isolante (condutor-torre) pode ser
reduzida para um nível menor do que o de descarga em 60Hz.
Tal condição ê normalmente expressa em termos de intervalo
de recorrência media (MRI) da descarga em freqüência indus
trial. 0 MRI corresponde a uma probabilidade anual de ocor
rência de vento extremo. Por exemplo/ uma a cada 50 anos. Des
de que um temporal cause um vento extremo, podendo ocorrer
nas proximidades de uma linha por um longo período, pode tor
nar-se impossível reenergizar a linha durante a duração do
temporal. Ê, então, importante determinar a máxima veloci
dade do vento que pode ser esperado num dado período e o grau
do ângulo de oscilação que este vento pode causar.
O cálculo do ângulo de oscilação foi discutido pre
viamente quando da análise das condições climáticas, e tudo
aquilo ainda permanece no cálculo da distância de isolamen
to necessária. Novamente, supondo uma linha de 500kV e uma
sobretensão de 10%, o máximo esforço em 60Hz será de 450kV
(550x/2//J) . Supondo uma rigidez de isolação relativa (RIS)
de 0>76 e desvio padrão (a) de 2%, e uma suportabilidade de
3a abaixo da tensão crítica de descarga (CFO) épossível cal
cular o CFO necessário para suportar um esforço em 60hz, dado
pela relação abaixo:
CFO (1 - 3 x 0,02) x 0,76 > 450kV
/. CFO > 630kV
A Figura 2.05 mostra que a distância de isolamen
to necessária para uma sustentação em 60Hz seria igual, ou
superior, a 45 polegadas (1,15111) . Esta distância ê aplicada
com ângulos de oscilação apropriados para determinar as dis
tâncias de isolamento adequadas.
O desvio padrão de 2% para a rigidez em freqtiência
industrial tem se mostrado valido a partir dos testes, mas,
com o objetivo de prevenir quaisquer descargas dentro do MRI,
é somente usado para determinar o nível suportável. A inte
gração com a outra distribuição (RIS) não é apropriada pela
mesma razão.
5. COMPORTAMENTO DO SURTO DE MANOBRA
A previsão da descarga por surto de manobra no i-
solamento de uma linha de transmissão não ê, geralmente,co
nhecida como uma aplicação das técnicas probabilísticas .Sur
tos de manobra têm, propriamente, uma distribuição probabi-
lística, tal como a rigidez de isolamento da própria linha.
Uma variável estatística importante, no último caso,ê a ve
locidade do vento que pode reduzir a distância de isolamen
to entre os condutores e a torre pela produção do ângulo de
oscilação. Uma discussão completa deste problema profoabilís-
tico ê dado nas Referências 7, 8 e 9. Uma discussão do sig
nificado destas hipóteses é dado na Referência 1.
Em adição às distribuições de surtos de manobra,
rigidez de isolamento e velocidade do vento, ê necessário
determinar a distribuição da rigidez relativa do isolamen
to (RIS) para a zona da linha. Outros dados de entrada ne
cessários são a geometria da torre (incluindo ã largura das
superfícies), razão diâmetro/peso do condutor, razão das dis
tâncias vertical/horizontal e dimensões dos equipamentos.To-
dos estes fatores já foram previamente discutidos. O ocxrpor-
tamento do surto de manobra ê calculado pela comparação da
rigidez com os esforços para todas as combinações de distri
buições. A probabilidade de descarga (PFO) para cada combi
nação ê obtida,e a probabilidade integrada para cada super
fície e para toda a linha poderã ser calculada. Estas pro
babilidades são conservativas por natureza e, atualmente, com
PFO significantemente baixos podem ocorrer.
6. COMPORTAMENTO DA DESCARGA ATMOSFÉRICA
O comportamento do desligamento dé uma linha de
transmissão por descarga atmosférica ê influenciado por um
grande número de fatores, muitos dos quais sem interrelação
com o nível prõprio de isolamento da própria linha. Os fa-,
tores que influenciam este comportamento sob descarga são:
1. Freqüência de descarga do surto
2. Forma de onda e módulo da descarga
3. Geometria e altura da torre
4. Angulo de proteção dos cabos guarda
5. Isolamento e distâncias isolantes
6. Comprimento do vão
7. Tensão do sistema
8. Tipo da torre
9. Resistência do pé da torre e características do solo
10. Blindagem natural da linha por arvores e terreno.
O comportamento do desligamento devido à descarga
atmosférica pode ser considerado em duas partes. Falhas de
blindagem (isto é, incidência direta de descargas nos con
dutores de fase) são quase inteiramente uma função da altu
ra da torre e do ângulo de blindagem, e relativamente inde
pendente do nível de isolamento, resistência de aterramento,
etc.. As chamadas "descargas secundarias"à por outro lado,
são causadas por descargas que são interceptadas com suces
so pelos cabos de cobertura ou torres, mas que resultam em
descargas devido a tensão induzida resultante através da ca
deia de isoladores. Neste caso, a probabilidade de descarga
é uma função muito complexa dependente das características da
descarga, comprimento dos isoladores, geometria datorre, com
primento do vão, resistência do pê da torre e tensão instan
tânea em freqüência industrial.
Observa-se que o comportamento da descarga ê di
retamente proporcional ao nível de atividade dos surtos at
mosféricos. Estes estão usualmente descritos em termos de
níveis isocerãunicos, isto ê, o número de dias em cada ano,
no qual as descargas atmosféricas são mais violentas. Esta
medida ê reconhecidamente inadequada, mesmo se escrupulosa-
mente observado pelas estações meteorológicas. Um dia comper-
turbações atmosféricas intensas e de longa duração ê trata
do da mesma forma que um dia onde ocorra uma descarga ele
vada, porém isolada. Esta inadequacidade ê devida a forma mui
to casual de registro, por parte de muitas estações meteo
rológicas. Por estas razões, o comportamento das descargas
atmosféricas conhecidas, numa linha existente numa dada ã-
rea, ê uma melhor avaliação da intensidade de perturbações
atmosféricas, do que os níveis isocenrãunicos, indiferente a
quanto escrúpulosamente foi medido.
6.1 Falhas de blindagem
A necessidade do emprego de cabos de terra para
blindagem pode ser ilustrado pela consideração das tensões de
impulso geradas nas correntes de fase, na ocorrência de uma
falha de blindagem. Para um valor típico de impedância de
surto de 300fi, e uma correntede descarga de 20kA, uma onda
de módulo de 3.000KV (IZ/2) incidira no isolamento em cada
lado do ponto de descarga. Com 24 unidades isoladoras pa
drões, a tensão impulsiva crítica de descarga ê de aproxi
madamente 1.800kV. A probabilidade de ocorrência deste mó
dulo de corrente ê da ordem de 85% (Referência 3). Então,po
de ser visto que, sem.a blindagem, uma elevada porcentagem
de descargas incidira na linha podendo produzir surtos de
tensão.
É impossível localizar os cabos guarda, tal que se
tenha a confiança de que não haverã falhas de blindagem. En
tretanto, eles podem ser cuidadosamente localizados, de for
ma que as descargas atmosféricas sejam minimizadas. Devido
â natureza da descarga atmosférica, uma correlação entre a
atividade meteorológica e a taxa de saída da linha esta ain
da sujeita â opinião de muitos pesquisadores, e diferenças
na previsão das taxas de saída atuais igual a 2:1, ou supe
rior, não são incomuns neste sentido, A necessidade básica
ê para maiores dados no mecanismo de descarga atmosférica
que é difícil armazenar, devido à notória inconsistência da
natureza da descarga. Os últimos e mais compreensivos dados
presentemente disponíveis provêm do Projeto Pathfinder
Baseado nestes dados, um modelo analítico foi criado para
previsão de falhas de blindagem. Este modelo foi baseado no
conceito de distância crítica de descarga, onde esta distân
cia foi suposta como sendo uma função da corrente de descar
ga:
rg = 6,7 x I®'® (metros)
A conjugação da amplitude de descarga e a exposição
dos condutores de fase têm produzido gráficos que dão as ta
xas de desligamento para vários níveis de isolamento de li
nhas, ângulos de blindagem e para densidade de descargas da
ordem 10/milhas quadradas/ano. Conhecendo o nível isoceráu-
nico (I) a densidade de descarga pode ser calculada pela re
lação
N = K.I
onde 0,25 < K < 0,5. Com estes dados ê possível predizer o
comportamento da blindagem de uma linha.
6.2 Descargas subseqüentes
A taxa de desligamento por descargas subseqüentes
pode ser calculada usando-se programas como os descritos an
tes. Desde que haja um amplo grau de incerteza em relação
às características dos dados de entrada, por exemplo, distri
buição da corrente de descarga, etc. e à resposta do siste
ma às descargas, poderá haver erros de mesma magnitude como
na previsão das taxas de desligamento por falhas de blinda
gem.
Entretanto, as técnicas de previsão podem, com su
cesso, dar as taxas relativas de comportamento e indicar o
melhor decurso de um projeto a ser seguido..
7. SELEÇÃO DO CRITfiRIO DE COMPORTAMENTO
Como indicado previamente, o gradiente de compor-
tamento/eliminação da falta para surtos de manobra ê muito
grande e, portanto, a escolha acertada de um critério de com
portamento poderia detectar esta sensibilidade, bem como re
fletir as condições operacionais ou outras restrições típi
cas. Um critério típico ê mostrado abaixo:
60Hz
INTERVALO DE RECORRÊNCIA SURTO DE MANOBRA SURTO AUMOSFÉRIGO
________(anos)________ (PPO)______ W /lOOtaq/ano)
5-50 0,01 - 0,001 0,1 - 1,0
Com cadeias de isoladores livres e condições ex
tremas de vento causando ângulos severos de oscilação, a ri
gidez do espaçamento condutor-torre pode ser reduzido para
um nível inferior ao de descarga em 60Hz. Tal condição é nor
ma lmente expressa em termo de um intervalo de recorrência médio
da descarga em freqüência industrial* Desde que o temporal
cause vento extremo nas proximidades da linha, por um longo
período, pode ser impossível reenergizar a linha durante a
ocorrência do temporal. Baseado nisto, um critério razoável
para o intervalo de recorrência médio da descarga em freqüên
cia industrial pode estar compreendido entre 5 e 50 anos.
A contaminação do isolamento, quando combinada com
neblina ou condições de elevada umidade, pode causar descar
gas em 60Hz. Entretanto, com a escassez atual dos dados, dos
diferentes tipos de contaminação, suas taxas de condução e
efeitos do tempo, ê sentido que hã informação insuficiente
para predizer realisticamente a descarga por contaminação,
com base probabilística.
Uma proposição razoável, entretanto, ê especificar
que não haveria saídas por contaminação dos isoladores nas
piores condições,
A probabilidade de descarga em uma linha, pela o-
peração de energização de um disjuntor, ê expressa como o
PFO. Para converter o PFO em descargas totais por ano, éne
cessário determinar o numero de operações de manobra no pe
ríodo considerado. Por exemplo, se a linha tem um PFO de 0,01
e é energizada 100 vezes ao ano, então, número total de des
ligamentos estimados por ano será de 1. Como outro exemplo,
considere-se uma linha com o mesmo PFO de 0,01, a qual, es
tando sendo energizada, descarrega. Supondo que não haja al
ta velocidade no religamento, durante a reenergização da li
nha, a probabilidade de uma segunda descarga é de 0,0001. En
tão pode ser visto que, embora a linha não tenha um compor
tamento permanentemente satisfatório, pode ser energizada a
contento.
Pelo decréscimo do PFO para 0,001, o comportamen
to permanente, no exemplo acima, pode ser elevada a um ní
vel satisfatório (0,1 por ano), com um pequeno aumento no
tamanho da torre. Em conseqüência, com um pequeno custo ex
tra, o comportamento pode ser melhorado em dez vezes mais. De
modo geral, a comparação entre o custo da torre e o compor
tamento é muito significante nesta área. Entretanto, uma re
dução adicional no PFO tem a mínima justificativa ecancmica.
Até recentemente, a maioria das linhas nos Estados Unidos e-
ram projetadas para terem níveis de comportamento da ordem
de 0,6 desligamentos por ano, ou melhor, ainda para áreas como
atividades tempestivas moderadas (níveis isòcerãunicos me
nores do que 50). Entretanto, com o advento do aumento do i-
solamento com níveis de transmissão elevados para 345, 700 e
765kV, resistências de pé de torre da ordem de 15ft ou menos,
e o entendimento melhor do processo de falha de blindagem, ê
possível esperar comportamentos de descargas atmosféricas da
ordem de 0,3 ou menos.
8. COORDENAÇÃO DA DISTÂNCIA CONDUTOR-TORRE
A coordenação necessária da distância ccndutoi?-torre,
para o comportamento satisfatório em áreas de surtos de 60Hz,
atmosféricos ou de manobra, pode ser obtidaocm um estudo pro
gressivo. Uma aproximação passo a passo pode ser conseguida
na forma mostrada acima. Isto ê, as distâncias são estabe
lecidas, primeiramente, para surtos em 60Hz, apõs, para des
cargas atmosféricas e, finalmente, para surtos de mgndbra. Nos
dois últimos, supomos que, em nenhum dos casos, haja limite
necessário para os surtos em 60Hz. A envoltõria da distân
cia condutor-torre necessária para as condições de surtos at
mosféricos pode ser estabelecida e usada como ponto de par
tida para a otimização das distâncias necessárias para os sur
tos de manobra. Então, em alguns casos, notadamente com res
trição da cadeia de isoladores, as distâncias necessárias pa
ra descargas atmosféricas podem ser limitadas e aenvoltõria
da distância resultante teria um comportamento de surto de ma
nobra melhor do que o necessário. Em outros, as superfícies
podem ser para fora da envoltõria de descargas atmosféricas, pa
ra obter o comportamento do surto de manobra necessária.
A distância condutor-torre, então determinada,re
sultará num comportamento satisfatório das necessidades de
suporte dos surtos de manobra, atmosférico e em 60Hz.
9. Figuras
Figura 5.01
Distribuição capabilidade/esforço .
DISTÂNCIA ( D ) - METROS
Figura 5.02
PnnhaVvt i -i/ta/ía <3e descarga em linha cerno una
função da distância. Casos bases em papel
semi-logaritndoo, Referência 1
TE
N
SÃ
O
DE
D
ES
CA
N
SA
C
N
ÍT
IC
A
Figura 5.03
Unidade absoluta versus ca-
pabilidade de surto de ma
nobra com polaridade posi
tiva
Figura 5.04
Correções da densidade relativa
do ar para surtos de manefora de
polaridade positiva
D
E
N
S
ID
A
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O
0.94
• * • *'• • \
O 0,1 0,2 0,3 0.4 0,5 0,6 0,7 0,8
PRESSÃO DO VAPOR - POLEGADAS DE HG
Figura 5.05
Condições do tempo durante os testes do
Projeto EAT em Pittsfiel, Mass.
CORRELAÇÃO DA DENSIDADE DO AR E UMIDADE
CAPA BI L IDADE DE ISOLAMENTO RELATI VO
Figura 5.06
Distribuição típica da C.I.R.
Â
N
G
U
LO
DE
O
S
C
IL
A
Ç
Ã
O
EM
G
R
A
U
S
VELOCIDADE DO VENTO EM UM MINUTO - MPH
Figura 5.0 7
Ângulo de oscilação corno uma função da velocidade do
vento baseado nos resultados de Homesgrinde
TE
N
SÃ
O
D
E
D
ES
CA
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R
A
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R
IT
IC
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EM
P
Q
R
-U
N
ID
A
D
E
TEMPO OE CRESCIMENTO DA TENSÃO APLICADA - M I C R 0 S E 6 U N 0 0 S
Figura 5.08
Variação da capabilidade de oentelhadores haste
para plano para o teirpo de crescimento do surto
de tensão de manobra
TE
NS
ÃO
N
OM
IN
AL
V-5Í
0,01 0,1 0,2 ,3 ,5 ,6 ,7 0,0 0,9 0,95 .97 ,99 0̂99 0, 995,997,999 ,999
P R O B A B I L 1D A D E DA TENSÃO N O M1 N A L
Figura 5.09
opi 0,1 I 5 IO 20 40 00 0 0 9 0 9 6 00
Porcentagem de valores de surto
que exoedem valores normais
Figura 5.10
TABELA I
E sc a la dos n ív e is de p o lu iç ã o n a tu ra l
Nível de
poluição
Condições am bien ta is
do entorno
Comportamento das l in h a s
e x is t e n t e s
Poluição
nula
Áreas sem in d ú s t r ia s e com b a ix a
densidade de residências equipadas ccm
instalações de calefação; áreas com a l
guma densidade de indústrias e residên
c ias, mas su jeitas a ventos e/ou chuvas
freqüentes. Todas as áreas devem ser
situadas longe do mar e/ou em elevadas
altitudes, e nunca devem estar expos
tas a ventos provindos do mar.
A inexistência de defeitos é observa
da em condições de elevada umidade
(neblina, névoa', e t c . , em linhas de
145 kV, mesmo quando equipadas ccm
menos de 9 a 10 isoladores do tipo
normal1) nem em linhas de 245 kV,mes
mo quando equipadas com menos de 15
isoladores do mesmo tipo.
Poluição
leve
Áreas ccm indústrias que não produzam
resíduos vo láteis particularmente po
luentes e/ou com densidade média de
casas equipadas ccm instalações de ca
le fação. Áreas ccm a lta densidade de
residências e/ou indústrias , mas su
je ita s a freqüentes ventos e ou chuvas
limpas; áreas expostas a ventos vindos
do mar, mas não muito próximas ã costa.
Ocorrem fa lta s em condições enevoa
das em linhas de 145 kV com menos de
9 a 10 isoladores do tipo normal1 e
em linhas de 245 kV equipadas com me
nos de 15 isoladores do mesmo tipo.
Poluição
elevada
Áreas ccm densidade a lta de indústrias
e subúrbios de grandes cidades ccm a l
ta densidade de instalações de ca le fa -
ção; produção de poluição; áreas pró
ximas ao mar e em qualquer caso expos
tas a ventos re lativamente fortes vin
dos do mar.
As fa lta s ocorrem em condições de né
voa, ou quando sopram ventos vindos
do mar, em linhas de a lta tensão equi
padas ccm isoladores do tipo normal1 (a
menos que o número de unidades is o la -
doras por cadeia se ja excepcionalmente
grande: mais do que 11 a 12 unidades
em linhas de 145 kV e mais do que 18
unidades em linhas de 245 kV ).
Poluição
muito
elevada
Áreas,geralmente de extensão moderada,
su jeitas a resíduos vo láteis industri
a is , produzindo particularmente finas
camadas condutoras por deposição; á -
reas geralmente de extensão moderada
muito próximas ã costa e expostas a
ventos muito fortes e salinos vindos
do mar.
Ocorrem fa lta s em oondioões de nebli
na ou durante temporais marítimos em
linhas de a lta tensão, mesmo quando
equipadas ccm isoladores do tipo an
tipoluente2 (a menos que o número de
Unidades por cadeia se ja excepcional
mente elevado: mais do que 11 a 12 u-
nidades antipoluente s em linhas de 1
145 kV e mais do que 18 unidades do
mesmo tipo em linhas de 245 kV ).
1) A referência é fe ita para isoladores do tipo normal com as seguintes características:
espaçamento: 146 mm
diâmetro : 255 rnn
distância de escoamento: = 300 mm
2) A referência a isoladores do tipo antipoluente é de certo modo vaga, devido ã gran
de variedade de isoladores do tipo antipoluente que estão sendo empregados presente
mente em linhas de a lta tensão.
TABELA I I
R e la ç õ e s e x i s t e n t e s e n t r e n í v e i s d e p o l u i ç ã o ,
n í v e i s de t e s t e e d i s t â n c i a s d e e s c o a m e n to
Nível de
Poluição
TIPO DE TESTE Distância de escoamento
Tensão fase- -terra
(cm/kVeficaz)
Método da neblina salina Método da película solida
Salinidadenominalkg/m3
Condutividadepeculiar(yS)
Poluição nula 2,5 1,25 2,3
Poluição leve 10,0 5,00 3,2
Poluição elevada 40,0 20,00 1,5
Poluição extremamente elevada 160,0
i
00 o o o 6,3
Nota I - Os valores transcritos na tabela foram estabelecidos com base em isoladores normais tipo pino. Para outros tipos de isoladores e, particularmente, para isoladores muito grandes em subestações, a correlação entre estes métodos de teste, entre níveis de teste, a distância de escoamento e a experiência operacional não são ainda suficientes para dar indicações mais definidas.
II -Se .o método de deposição superficial é usado, existirá então, uma correlação, aproximadamente linear, com o método da condutividade pelicular.
Nota
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IMPRENSA UNIVERSITÁRIA-UFSM
CAPA-REINALDO PEDROSO