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10 HISTÓRIA DA MÚSICA A história é o relato e a interpretação das transformações pelas quais passaram as civilizações através dos séculos. São várias as causas determinantes dessas transformações, citando-se entre as mais ponderáveis as condições geográficas e climáticas, ou seja, o meio físico, que vai do solo cultivável e ou urbanizável, os cursos d água e do litoral. Para melhor compreensão, dividimo-la em vários constituintes e destacamos história política ou social, econômica ou militar, pensamos em história da arte, ciência ou da música. Contudo, tão logo o estudioso as aplica a qualquer dessas seções, muito bem delimitadas do assunto, percebe que não pode apreendê-la completamente sem referência a pelo menos alguma das demais. O conceito de história varia segundo o ponto de vista filosófico de quem a define. Assim sendo, para os partidários da tese de que o progresso humano é fruto da obra de homens excepcionalmente bem dotados, - a história é a história dos heróis (Nictsche, Carlyle), enquanto que para os marxistas "a história é a história da luta de classes". Para Marx os atos individuais não ocupam papel central no desenvolvimento da história. “Apesar de serem atores da história as pessoas só são capazes de agir nos limites que a realidade impõe”. Para ele, o motor da história é a luta entre as classes sociais, responsável por produzir as transformações mais importantes. De um lado estão sempre os dominadores e de outro os dominados. Os primeiros são os que detêm “os meios de produção” (terra, propriedade privada, máquinas, indústrias etc.). Já os segundos são aqueles que só possuem a própria força de trabalho e que, para sobreviver são forçados a servidão. Na antiguidade, esse posto tinha pertencido aos escravos. No feudalismo, aos servos. Já no capitalismo, essa classe é formada pelos trabalhadores assalariados – o chamado proletariado, que vende sua força de trabalho para a burguesia. As duas definições citadas se ressentem de graves limitações: a primeira ignora a participação da coletividade no seu próprio meio evolutivo e a segunda conduz à estranha conclusão de que no dia em que não houver mais luta de classes (situação pela qual lutam os defensores deste ponto de vista), não haverá mais história. Quanto tempo decorreu desde o aparecimento do homem na superfície da terra? As estimativas diferem quanto aos resultados; variam de 500.000 a 1.500.00 anos. Entretanto, mesmo tomando com base a cifra de meio milhão de anos, apenas uma pequeníssima fração desse tempo corresponde ao estágio de desenvolvimento da sociedade humana em um nível que se convencionou chamar de civilização. Embora superiormente dotado, em relação aos outros animais, o homem levou milhares de séculos antes de descobrir a escrita, esse maravilhoso instrumento de comunicação que lhe permitiu transmitir aos descendentes a experiência acumulada de sua aventura na face da terra. O vastíssimo período anterior `a escrita (período "pré-letrado") chega ao nosso conhecimento através de conclusões feitas sobre elementos de precário grau de certeza. Todavia, partindo da verificação de que determinado estágio de desenvolvimento é idêntico em diferentes povos e épocas, os historiadores puderam observar, em tribos ainda em estado primitivo, nos tempos modernos, a evolução cultural processada em remoto passado. MÚSICA PRIMITIVA - MAGIA MUSICAL A História da Música é, antes de tudo, parte do vasto e incontrolável complexo que é a História. Por sua vez ela pode também ser dividida em departamentos próprios: história das formas, dos instrumentos, dos estilos. É claro que a história dos instrumentos está intrinsecamente relacionada com a das formas, devido ao modo pelo qual os vários instrumentos foram utilizados em diferentes épocas, isoladamente ou em conjunto. A história das várias organizações musicais - orquestras, coros, óperas - e a história de seus patrocinadores, como do público, tudo contribui para a História da Música. A música só pode existir na sociedade, e está, pois, aberta a todas as influências que a sociedade pode exercer, bem como às mudanças, crenças, hábitos e costumes sociais. Tendemos a chamar de "História da Música" a descrição dos estilos musicais e sua evolução. Nestes compêndios geralmente se descreve uma sucessão de biografias de compositores, os mais importantes, em detrimento dos de segundo plano. O historiador pode também, ocasionalmente ou deliberadamente, dar mais ênfase a certos fatos que a outros, criando assim o seu próprio padrão de causas, fatos e conseqüências. Lemos essas histórias não para conhecer a verdade final inatingível, mas para, sabendo o que ela tem a dizer podemos estabelecer nossa própria verdade a partir dela e de outras interpretações à nossa disposição. A música tem o seu lugar na história geral das idéias, pois sendo, de algum modo, intelectual e expressiva, é influenciada pelo que se faz no mundo, pelas crenças políticas e religiosas, pelos hábitos e costumes ou pela decadência deles; tem sua influência, talvez velada e sutil, no desenvolvimento das idéias fora da música. A história da música compreende, inicialmente, a existência de um largo período sobre o qual as conclusões dos historiadores são precárias. É a pré-história. Alguns dos seus aspectos, entretanto, não deixam margem a dúvida. O caráter mágico da música, por exemplo. A música, no estágio primitivo da sociedade humana, foi sempre indissoluvelmente ligado à religião. E não somente a música; as outras artes também. Foi levado pelo espírito religioso que o homem primitivo desenhou e esculpiu deuses e totens nas paredes rochosas de suas cavernas. Desenhos primitivos mostram harpas, flautas, cantores, uma boa soma de informação sobre a sua música. Mas, quando já existiam a harpa, a flauta e até e mesmo conjuntos desses instrumentos, já não estaria a música atravessando um período bem distante de suas primeiras manifestações? Será justo considerar a cultura dos egípcios apenas a partir dos seus papiros? É claro que não. A existência de instrumentos musicais não representam, de modo algum, o marco inicial da história da música. Sem pretender mergulhar em indagações sobre a origem da música, impõe-se, todavia, considerar os fenômenos da Natureza como explicação para os primeiros passos do homem em muitos ramos do conhecimento. A observação que após o trovão vinha a chuva, pode ter levado o homem a tentar imitar o som do trovão na esperança que pudesse com isso gerar uma chuva. Tal como a queda de uma maçã levou Newton a descobrir a lei da gravidade, do mesmo modo que a acidental fusão de um silicato ensinou o homem a fabricar o vidro, também a Natureza deve ter exercido considerável influência nas primeiras manifestações musicais do homem. O ritmo, um dos elementos fundamentais da música, o homem primitivo encontraria com facilidade na regularidade dos seus passos, do seu pulso, na oscilação de um objeto suspenso. Quanto ao som, numerosas eram as sugestões que ele tinha diante de si, entre elas o canto dos pássaros e o som produzido pela corda distendida do seu arco, ao qual muito se assemelham as primeiras harpas. A magia musical - A prática da magia assinala uma etapa do desenvolvimento cultural. Ela é encontrada em todos os agrupamentos humanos na infância de sua evolução. Os egípcios, os orientais, os peles-vermelhas, os índios brasileiros, enfim todos os povos primitivos acreditaram no poder sobrenatural de certosprocessos para combater as forças da natureza, a ira dos deuses, a força do inimigo, etc A música sempre desempenhou importante papel como elemento de expressão da magia. Para os primitivos, ela se revestia de poder sobre os espíritos e as forças da Natureza. A palavra, as fórmulas verbais exprimiam o objetivo desejado, enquanto que a dança era um meio de agradar aos deuses. Como a voz humana era o meio de expressão musical por excelência (música predominantemente vocal), os cantores desfrutavam de invulgar prestígio. Para os egípcios, por exemplo, Thot "com a voz justa criou quatro deuses que organizaram o mundo." Que significaria a "voz justa" do texto egípcio? Maspéro explica nos seus "Estudos de Mitologia e Arqueologia Egípcias": O valor desta expressão é fácil de compreender, considerando-se bem a importância que a magia teve no Oriente e a significação da voz nos seus rituais. A voz humana é o instrumento por excelência do sacerdote e do encantador. É ela que vai buscar ao longe os Invisíveis que se invocam; cada um dos seus sons tem um poder particular que escapa ao comum dos mortais, mas que iniciados conhecem e do qual se utilizam. Tal nota irrita os espíritos, os acalma ou os atrai; outra age sobre os corpos. Combinando-se esta com aquela, compõem-se as melodias que os mágicos entoam durante suas cerimônias. Mas, como cada uma delas tem seu poder particular, é preciso, acima de tudo, evitar uma subversão da ordem com a substituição de umas por outras. “Do contrário, o mágico se exporia a grandes desgraças.” (2) Assim, a "voz justa" de Thot corresponderia à fórmula acertada, ideal. A n t i g u i d a d e r e m o t a E g i t o "A egiptologia - diz Will Durant - é um subproduto do imperialismo napoleônico". Com efeito, foi um dos membros da comissão de cientistas que Napoleão levou para o Egito em 1798, o arqueólogo Champollion, que abriu para o mundo civilizado as portas do conhecimento dessa importante fase da história. Examinado certa vez uma inscrição referente a Ptolomeu e a Cleópatra (conforme indicava, abaixo, um texto em grego), aquele sábio considerou que dois desenhos muitas vezes repetidos deveriam significar os nomes dos dois soberanos. Partindo dessa conjectura, conseguiu, em 1822, identificar onze letras, o que provava desde logo, que os egípcios haviam conhecido o alfabeto. Aplicando esse alfabeto rudimentar, que descobrira, na decifração da grande inscrição da "Pedra da Roseta", Champollion conseguiu reconstituir o alfabeto egípcio, dando início a profundos estudos sobre a civilização do Nilo. Esses estudos permitiram constatar que os egípcios tiveram uma organização social e política bastante complexa, bem como num estágio altamente desenvolvido as ciências e as artes, entre elas a música. A música - Tal com sucedeu a todos os povos da antigüidade, a música egípcia era estreitamente vinculada ao culto religioso. Os sacerdotes tinham o privilégio da prática musical. Os baixos-relevos e gravuras mostram não apenas solistas, mas igualmente conjuntos numerosos de instrumentistas. Nesses agrupamentos aparece sempre uma pessoa que dirige a execução com movimentos de mãos, prática que se denomina quironômia. Instrumentos - Os egípcios não tinham, como os fenícios, grande variedades de instrumentos. Entre os instrumentos de sopro, contavam apenas com a flauta simples (saibit), a flauta dupla e mais tarde, sob influência dos sírios, o oboé. A harpa (bainit), a princípio em forma de arco, cedeu lugar à de forma angular trazida pelos sírios. Entre os instrumentos de percussão, contava-se o sistrum, instrumento sagrado que consistia numa parte recurvada atravessando vários discos de madeira ou de porcelana que se entrechocavam. O sistrum de madeira se denominava "Sakham" e "Sakhamit" o seu executante. O de porcelana tinha o nome de "saischit". Havia ainda os crótalos, que consistiam em duas peças de madeira percutidas uma contra outra, à maneira de castanholas. Entre os tambores, figuravam os de forma alongada, de madeira; os pandeiros (de forma circular ou retangular), e os de terracota, em forma de funil. Dentre os instrumentos mencionados, são caracteristicamente egípcios a flauta, o sistrum e a harpa. A lira foi introduzida no país durante o Médio Império. Absorção da cultura asiática - Na XVIII dinastia (cerca de 1.500 anos A.C., com a dominação do Egito pelos Hiksos e posteriormente com o alargamento do império até a Mesopotâmia, com o tráfico comercial estabelecido entre os egípcios e outros povos do Mediterrâneo, o Egito assimilou largamente a cultura asiática, inclusive a música. Os povos dominados, como os sírios, enviaram seus tributos ao dominador, inclusive orquestras que foram admitidas na corte, ao lado das orquestras egípcias. Entre as conseqüências, cita-se a substituição da flauta pelo oboé. Posteriormente, houve uma reação nacionalista, cabendo essa obra de restauração aos faraós Saítas. Influência sobre outros povos - Por sua vez, a música egípcia influenciou muito a de outros povos do Mediterrâneo, inclusive os gregos. Teoria – Conheciam as sete notas da escala, que eram tiradas de uma série de quintas ascendentes. Conheciam a escala petatônica. F e n í c i a Os fenícios viveram numa faixa de terra, na costa mediterrânea da Ásia Menor, compreendida entre as montanhas do Líbano e o mar. O espírito comercial que caracterizou sua civilização foi determinado por fatores geográficos. Habitando um território tão pequeno, ao mesmo tempo em que sua índole pacífica não os impelia às conquistas, os fenícios se fizeram hábeis mercadores, cruzando com suas naus todo Mediterrâneo, numa intensa atividade comercial. Sua obra de construtores navais lhes foi facilitada pela existência de abundante material nas montanhas do Líbano Várias cidades fenícias, notadamente Tiro e Sidon, desenvolveram importante papel nesse intercâmbio cultural de que foram promotoras as naus fenícias. Estes dois portos eram muito freqüentados pelos outros povos, devido à fama de libertinagem de que gozavam. Não foi à toa que o moralista Platão se insurgiu contra a introdução das harpas sírias na Grécia. A música - Embora não hajam perdurado documentos escritos da música fenícia, admite-se, pela observação dos seus instrumentos, que ela era brilhante, sensual, orgiástica. Com efeito, duplos oboés, tambores, címbalos, alaúdes e harpas com grande números de cordas são instrumentos mais adequados ao brilho do que à serenidade. A música fenícia influenciou a da Grécia, entre a de outros povos mediterrâneos. Isto se deveu não somente ao intercâmbio comercial, como a outros fatores, inclusive a importação de escravas sírias pela Grécia. Entre as escravas se distinguiam as executantes (ambubajae) de oboé (ambubae). H e b r e u s Poucos, entre os povos antigos se distinguiram tanto pelo seu amor à música, como os hebreus. Como sua religião lhes proibia a veneração de imagem, eles se voltaram para a música que levaram a um elevado grau de desenvolvimento. Uma circunstância os distingue, nesse particular, ao lado dos gregos: sua prática musical não era reservada aos profissionais nem aos sacerdotes, mas generalizada no seio do povo. Suas cerimônias religiosas se caracterizavam por uma pomposa ostentação de música. Esta teve seu período de esplendor durante o reinado de Davi, que tocava harpa. Para a unção do seu filho, o rei Salomão, organizou Davi uma festa espetacular com a participação de 4.000 músicos divididos em 24 grupos. No dia da consagração, 120 sacerdotes "fizeram soar suas trombetas" (Crônicas, II cap. V.11-14). Instrumentos - Os instrumentos hebreus eram o "tof", (pandeiro) o "kinnor" (lira de 10 cordas) que podia ser dedilhada ou tocada com uma baqueta; o "xofar" ou "kereu" (feito de chifre de carneiro,instrumento sagrado e guerreiro ao mesmo tempo); o "jasosrah" (trombeta) usado nos sacrifícios e o "nebel" (instrumento de 12 cordas de identificação ainda discutível). Ao contrário dos demais povos do Mediterrâneo e da maioria dos povos da Antigüidade, cuja música se baseava na escala pentatônica, a música dos hebreus praticava o cromatismo. A s s í r i a, C a l d é a e B a b i l ô n i a Civilização dos Assírios e Babilônios desenvolveu-se na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, onde outrora (3.000 anos a.C.) florescera a civilização suméria. Música - Como outros aspectos da cultura assírio- babilônico, sua música era vinculada à observação dos fenômenos astrológicos. Quando voltava da caçada o rei despejava vinho nos animais abatidos e consagrava uma oração aos deuses, ao som de flautas e cantos sagrados. Nos banquetes e nas cerimônias religiosas faziam-se ouvir conjuntos numerosos, construídos inclusive por mulheres escravas. Com o florescimento da Babilônia a música foi empregada como meio de educação dos jovens, que aprendiam, através do canto, os feitos dos seus deuses e heróis. Acreditavam os assírios que os cantos fúnebres executados com certas flautas de lápis-lázuli tinham a virtude de libertar, temporariamente, as almas dos mortos. Os Caldeus tinham diversas formas religiosas: hinos, lamentações, litanias, poemas divididos em partes e salmos com estrofe e textos mágicos. Os encantamentos eram acompanhados de música e havia música especial para os enterros e as festas populares. Entre os seus instrumentos figuram a flauta, as trombetas, os címbalos e o lilisu, este último de grande importância no culto. Os címbalos e o lilisu eram instrumentos de percussão. Em Ur na Caldéa, foi descoberto um instrumento de sopro com sons de do, ré, mi, fá, fá# e sol (2.800 A.C.). C h i n a Os chineses, que construíram uma das mais florescentes civilizações da antigüidade, emprestaram à música profundo sentido moral e religioso. Desde longínquo tempo (cerca de 2.500 anos a.C), a música participa das cerimônias religiosas e políticas. Também data de milênios da era cristã o ensino de música nas escolas, como arte mais apropriada a cultivar o espírito e desenvolver os sentimentos puros. Nos primeiros tempos, sua música se baseou na escala pentatônica, à qual foram depois agregados outros sons, inclusive os graus cromáticos. A Música era divida em duas categorias: 1 – Música ritual ou sagrada, suave parecida com o canto chão dos cristãos; com representação cênica sacra. 2 – Música popular, ou de teatro, romanzas e canções desenvolvendo a música vocal. Entre os seus instrumentos figuram o King, constituído de uma série de pedras de diferentes tamanhos, tangidas com um martelo, castanholas, tambores e outros de percussão. Entre os de sopro; flautas – Yo reta, Tche transversal e flauta de Pan, trombetas, ocarina (instrumento de sopro feito de barro em forma oval, com pequenas saliências, de poucos recursos parecendo um apito), etc.; entre os de cordas, o Kin (de cordas de seda), cítaras, o saltério, de 5 a 25 cordas. Teoria: Usavam a escala pentatônica (ré, dó, lá, sol fá) descendente sem os semitons. Í n d i a A música e a religião, na Índia, estão ligadas, afinal esta é uma arte divina e sem ela não se conseguia o ambiente propício para as cerimônias. A magia era uma ciência e o canto tomava o primeiro lugar nas cerimônias. O cantor estudava durante 12 anos. Tinha que ter a capacidade de emitir garganteio demorado e vocalize perfeito. Ao canto religioso seguia a oração. A música tinha um caráter misterioso, acreditavam que as benções divinas careciam de música. Utilizam o Raga que são pequenos motivos melódicos, mais de 800 que são utilizados simbolicamente em várias épocas do ano. Cada Raga se forma a partir de determinado número de notas escolhidas em razão de suas relações com a tônica, cuja constante repetição serve de referência ao músico e ao ouvinte. Esse pedal melódico se costuma confiar a um instrumento independente. Alaúde, de quatro cordas (tampura), oboé ou armônico. A seleção de cada nota inicial, da final, do grau principal, a colocação e forma dos adornos tudo contribui para criar a atmosfera da cada “raga”. Umas são associadas com as estações do tempo, como primavera, estação das chuvas. Outras correspondem a determinadas horas do dia e da noite. Outras perpetuam a lembrança de algum músico do passado. Instrumentos: É na índia que aparece um instrumento muito parecido com o violino chamado de Rhavanastron. Os instrumentos eram divididos em 4 classes: Cordas: Tata, Vina, Harpas e Luths - Vento: Cushira - Sopro: Flautas e Trombetas e Percussão: Tambores. Teoria: A escala era de sete graus, atribuídos sua invenção a um pássaro “Fouang-Hoang”. Também é atribuída a invenção da escala a deusa Sarawast considerada deusa da sabedoria e da música. Os graus eram divididos em terços ou quartos de tons. G r é c i a Ao contrário do que ocorre com as demais civilizações da antigüidade, na Grécia, e pela primeira vez na história, a educação é orientada no sentido do desenvolvimento da personalidade com o conseqüente estímulo a manifestações do valor individual. Animados pelo insaciável sede de saber, os gregos aplicaram a inteligência nas pesquisas sobre a natureza e sobre o próprio homem, considerado sobretudo como um ser racional. Tal atitude refletiu-se no desenvolvimento das ciências e particularmente da filosofia, que deixaram de ser ou haviam sido até então, caudatárias das crenças religiosas. Períodos da educação na Grécia - A educação grega se divide, como a própria história da civilização desse povo, em Período Homérico, Período Histórico e Novo Período. O primeiro compreende os tempos heróicos e lendários, desde o surgimento do povo grego e seus transição da barbárie para a civilização. Período Histórico é assinalado, principalmente, pela dualidade de orientação educacional e de ideais de vida entre Esparta e Atenas. Esse vai até a idade de Péricles (meados do século V A. C.), quando a civilização grega tomou considerável impulso. A Idade de Péricles marca o início do novo Período, que se estende até a fusão da cultura grega com a romana. Ideais da Educação Grega - Os ideais da educação grega durante o período Homérico podem resumir-se na bravura moderada pela reverência. O homem era educado para ser bravo, mas sem confundir essa virtude com a falta de pudor, a imodéstia ou a insolência para com os deuses e para com os mais velhos. No Período Histórico, assinalado pelo aparecimento da cidade - Estado (forma de organização social e política que substituiu a antiga tribo) encontramos dois tipos de educação bastante diferenciados entre eles: a educação espartana, caracterizada pelo completo domínio do Estado sobre o indivíduo (que passou a ser educado em função da defesa das instituições políticas), e a educação ateniense, fundada nos propósitos de preservação da família e tendo em vista o desenvolvimento da personalidade. Enquanto em Esparta, a sociedade se transformou numa escola, qual todos os adultos tinham de participar da educação da juventude, em Atenas as escolas eram particulares, cabendo ao Estado realizar diretamente apenas uma parcela da educação (entre os 16 e os 20 anos de idade). Por outro lado, como a educação espartana era inspirada nos deveres do futuro cidadão para com o Estado, ela visava, sobretudo, a preparação de guerreiros. Já em Atenas, o desenvolvimento das faculdades intelectuais desempenhava papel preponderante na formação do cidadão.A vida em Esparta era rígida e severa; em Atenas, não se desprezavam as amenidades, o bem estar pessoal. Dois legisladores corporificam esses ideais nas respectivas constituições que elaboraram: Licurgo e Solon em Atenas. No Novo Período, iniciado na idade de Péricles, a educação grega sofreu sensíveis transformações, sob a influência de um conceito mais amplo de liberdade individual de pensamento e de ação. Um dos reflexos mais significativos dessa transformação foi o aparecimento de uma nova classe - a dos professores (sofistas), que ofereciam aos jovens a educação reclamada pelas novas condições de vida. Importância da música na educação grega - Quando se fala na música, a propósito dos gregos, a palavra não tem significado restrito que lhe atribuímos modernamente. Por música, compreendiam os gregos as artes dos ritmos: a Poesia, o Canto, e a Dança. Esse conjunto de matérias desempenhava função da maior importância na educação, como instrumento de elevação espiritual. São bastante significativos os testemunhos dos filósofos a esse respeito. "A música - diz Platão - é a parte principal da educação porque o número e a harmonia se introduzem facilmente na alma do jovem; e através deles entra a graça e a virtude, desde a mais terna idade, antes que a criatura esteja iluminada pela razão". O grande filósofo ocupa-se com muita freqüência da música, cujo valor, como meio de aperfeiçoamento moral, não se cansa de proclamar. No livro III da "República", por exemplo, diz ele: "Se a música, meu caro Glauco, é a parte principal da educação, não é porque o ritmo e a harmonia têm, no mais alto grau, o poder de penetrar na alma, de apoderar-se dela, de nela introduzir o belo e de submetê-lo ao seu domínio, quando a educação foi apropriada, enquanto que o contrário ocorre quando ela é negligenciada? O jovem educado convenientemente pela música não aprenderá com admirável sagacidade o que há de defeituoso e de imperfeito nas obras de arte e não terá disso uma impressão justa e penosa? Por isso mesmo não louvará ele com a exaltação que há de belo e não recolherá essa beleza para dela se nutrir e tornar-se, por isso mesmo, um homem virtuoso, enquanto que tudo o que é feio será para ele objeto de desaprovação e de repulsa?... Então é justo dizer que aquele que combina a ginástica e a música da maneira mais hábil e que souber empregá-las na justa medida com relação a alma é bem melhor músico e mais sábio em harmonia do que aquele que afina as cordas de um instrumento". A teoria musical dos gregos – Nos primeiros tempos, a música dos gregos se baseava na escala pentatônica, à qual foram ajuntados, (aproximadamente no sec. VII A.C.) mais dois sons, do que resultou a escala diatônica de sete notas. Seu sistema musical, que tinha o nome de Teleion, abrangia uma extensão de 15 sons (duas oitavas), divididos em fragmentos de quatro sons denominados tetracórdios. Os tetracórdes tinham uma designação específica, de acordo com sua posição no sistema Teleion: Hypaton - si, dó, ré mi Mezon - mi, fá, sol, lá Diezeugmenon - si, dó, ré, mi Hyperboleon - mi, fá, sol lá Como se vê, cada tetracórde começava com a última nota do tetracórde anterior, com exceção do Diezeugmenon, que era separado do anterior pelo intervalo de um tom. Os modos – Os gregos denominavam modos as escalas de oito sons consecutivos formados a partir de cada uma das notas. Os modos se diferenciavam quanto à posição dos intervalos de tom e de semitom. Os principais modos eram o Dórico (mi a mi), o frígio (ré a ré) e o Lídio (dó a dó). A estes, acrescentou-se mais tarde o Mixolídio (si a si). Com exceção do Mixolídio, os modos citados dividiam-se em dois tetracórdes iguais quanto à posição do semitom. Posteriormente, e resultantes da transposição para uma oitava abaixo do tetracórde superior dos modos citados, foram criados outros, de importância secundária: hipodórico, hipogrígio, hipolidio e hipomixolídio. Instrumentos - Embora sua música, como as dos demais povos da antigüidade, fosse predominantemente vocal, os Gregos utilizavam-se de diversos instrumentos de cordas, de sopro e de percussão. Entre os instrumentos de corda que gozavam da preferência dos gregos, destacam-se a Lira e a Cítara. A lira, instrumento milenar, comum a todos os povos do mediterrâneo, era, na Grécia, consagrada a Apolo. Correspondia plenamente ao ideal de beleza pura e serena que caracterizava a música helênica. A cítara, variante da lira, era de maior tamanho e se tocava com um plectro, pequeno bastão de osso com o qual se percutiam as cordas. O número de cordas varia em ambos os instrumentos. A lira, por exemplo, tinha a princípio sete cordas, as quais foram sendo ajuntadas outras, até que seu número se elevou a quinze. Na cítara, o número de cordas elevou-se de 4 até 11. Além da lira e da cítara, utilizavam-se os Gregos de diversos tipos de alaúde. Dos instrumentos de sopro, o mais comum é o aulos, espécie oboé, de som aguado e estridente. Instrumentos orgiásticos por excelência, o aulos era consagrado ao culto de Dionísios (Baccho). Havia também a Sirinx ou Flauta de Pan, formado pelo ajuntamento de uma série de tubos de tamanhos diferentes, bem como diversos tipos de trombetas (Keras, Salpinix, etc), e o órgão hidráulico, inventado no Egito. "Ethos" - Para os Gregos, cada um dos modos (combinação de sons; células musicais; escalas) personificava certas características morais. Assim, determinado modo era excitante e voluptuoso, outro suscitava sentimentos nobres, etc. Ao caráter particular de cada modo era dado o nome de "ethos". O modo Dórico, (mi a mi) considerado o modo nacional, era grandioso, severo, austero, venerado. Era tido como o único digno de um homem livre. Já o "ethos" do modo Frígio (ré a ré) era báquico, entusiástico, apaixonado. Aristóteles assim o caracterizava: "Entre as harmonias, a frígia possui as mesmas propriedades que o aulos entre os instrumentos, todos dois exprimem a embriaguez e a paixão. (Política, III, cap. VII). Quanto ao modo Lídio, (dó a dó) que corresponde ao nosso modo maior, atribuíam-lhe os Gregos um "ethos" efeminado, voluptuoso. O "ethos” do modo Hipodórico (lá a lá) que hoje corresponde ao nosso modo menor, era altivo, resoluto, grandioso. EPITÁFIO DE SEIKILOS Hoson zes, phainou Meden holos su lupou Pros oligon es- ti to zen To telos ho chronos apai-tei INSTRUMENTOS MUSICAIS DA GRÉCIA 1