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Florence Nightingale contribuiu, em sua época, para a melhoria e o desenvolvimento da saúde, mantendo-se, até os dias atuais, como fonte de inspiração e alvo de pesquisa para estudiosos em todo o mundo. Nascida de família abastada, tinha sobre si expectativas da alta sociedade inglesa: passar longas tardes de conversas com a irmã, fazer passeios de carruagem para visitar amigos, frequentar festas e jantares, tocar piano e manter-se ocupada com bordados e pinturas. Tudo isso para se preparar para o casamento. Nightingale, entretanto, queria usar suas habilidades para fazer diferença no mundo1 . Graças a sua determinação, inteligência, perspicácia e influência, conseguiu alcançar seus objetivos. Foi inovadora ao utilizar a sua experiência na Guerra da Crimeia para demonstrar os primeiros exemplos da interligação entre pesquisa, teoria e prática2 . Ao retornar da guerra, usou sua influência para fazer campanhas pela saúde pública e promover sistemas educacionais por meio de suas cartas e livros3 . Seu livro mais conhecido, "Notes on Nursing: What it is and what is not"4 , é uma leitura obrigatória para os profissionais de enfermagem, pois está repleto de sabedoria, sagacidade, história e conhecimento5 .
Algumas de suas práticas de observação, pesquisa, experiência e arte estão começando a ser redescobertas, com o propósito de resgatá-las na prática atual de enfermagem, o que inclui respeito ao ser humano6 . Reconhecida como pioneira no que se refere ao pensamento filosófico, científico e ético para a enfermagem7 , deixou um legado rico em carinho e compaixão, instituindo o cuidado como base do trabalho de enfermagem8 .
A produção científica sobre Florence Nightingale é extensa e conhecida em diversos países. No Brasil, os estudos concentram-se em sua biografia e utilizações de seus escritos como referencial teórico e/ou metodológico em estudos de enfermagem. Esta revisão visa contribuir com um recorte do que vem sendo estudado sobre Florence no mundo, com o intuito de ampliar o conhecimento dos brasileiros interessados na autora e, especialmente, dos acadêmicos de enfermagem e enfermeiros. Desta forma, este artigo tem como objetivo identificar a contribuição dos feitos e escritos de Florence Nightingale nos artigos publicados entre os anos de 2004 e 2011 na percepção de seus autores.
CONCLUSÃO
Ao revisitar a vida, os feitos e os escritos de Nightingale, percebe-se que muitos são os olhares que podem ser lançados sobre eles. Inovadora para o seu tempo, teve impacto em diversas áreas do conhecimento, como explorado nos 33 artigos selecionados nesta revisão.
Como uma pessoa pública, Nightingale é alvo de comentários controversos sobre sua vida e profissão. Com uma postura mais administrativa ou cuidadora, afetuosa ou distante, é importante destacar sua contribuição para as diversas áreas de estudos. Como pioneira na saúde, continua atraindo admiradores e críticos, que aprofundam os estudos sobre esta enfermeira. Seus escritos são passíveis de adaptação e implementação nos mais variados cenários de cuidado, influenciando na experiência de ser enfermeira.
Quanto às limitações deste estudo, o extenso achado de publicações sobre Florence Nightingale somado a resumos incompletos fizeram com que os autores da revisão lessem boa parte dos artigos na íntegra para poder selecioná-los ou descartá-los. O rigor na produção de resumos completos deve ser priorizado para melhor compreensão dos escritos sem ter que recorrer ao texto completo. Conclui-se que este artigo, ao incorporar estudos realizados em vários países e englobar diferentes perspectivas, contribui para a ampliação do olhar sobre Florence Nightingale. Mostra-a como mulher e estudiosa, como uma pessoa com qualidades e defeitos que deixou um legado significativo para a enfermagem e saúde mundial.
REFERÊNCIAS
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Ana Justina Ferreira Neri nasceu  na Vila Nossa Senhora do Rosario do Porto de Cachoeira do Paraguaçu (Cachoeira), em 13 de dezembro de 1814. Viúva do capitão-de-fragata Isidoro Antônio Néri viu seus familiares mais próximos serem convocados para a Guerra do Paraguai e solicitou  ao presidente da Provincia da Bahia poder acompanhar os filhos e o irmão, ou pelo menos prestar serviços voluntários nos hospitais do rio Grande do Sul, no que foi atendida. Embarcou, em Salvador, com  a tropa do 10o Batalhão de Voluntários da Pátria em agosto de 1865, na qualidade de enfermeira.
Serviu, portanto, como voluntária na Guerra do Paraguai (1864-1870), como auxiliar do corpo de saúde do Exército brasileiro. A partir deste contexto ofereceu seus serviços como enfermeira ao presidente da província enquanto durasse o conflito. Durante toda a Guerra do Paraguai, prestou serviços nos hospitais militares de Salto, Corrientes (Argentina), Humaitá e Assunção (Paraguai), bem como nos hospitais da frente de operações. Viu morrer na luta um de seus filhos e um sobrinho. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1980, aos 66 anos de idade.  Ana Neri foi contemporânea de Florence Nightingale (foi quem criou a primeira escola de enfermagem no mundo, em Londres, 1860), mas não existem indicações de que elas sabiam da existência uma da outra. No entanto, foram semelhantes na maneira de agir: ambas ricas, estudadas, cultas e poliglotas, severas e disciplinadoras e dedicadas às tafefas de cuidar dos sofredores nas guerras em que participaram ativamente (Ana, na Guerra do Paraguai e Florence, na Guerra da Criméia - atual Ucrânia).
 
O que fez?
Durante a guerra Ana Neri enfrentou o caos da saúde no país quando as doenças proeminentes da época eram a Cólera, febre tifóide, disenteria, malária e varíola. Durante toda a Guerra do Paraguai prestou serviços nos hospitais militares de Salto, Corrientes (Argentina), Humaitá e Assunção (Paraguay), bem como nos hospitais de campo, na frente de operações militares. Em sua convivência diária com os médicos, no trato conjunto das obrigações, adquiriu conhecimentos terapêuticos, mas o bom senso aliado ao seu olhar de mãe quecuida  de filhos doentes muitas vezes fez prevalecer sua opinião aos médicos.
A enfermeira conseguiu transformar a realidade sanitária local, impondo condições mínimas de higiene para que doenças não se alastrassem e feridas fossem tratadas. Na luta pela recuperação dos pacientes eram usados recursos da época como iodo, cloreto de potássio, água fenicada e cauterização, além de beberagens de plantas medicinais. É considerada a primeira pessoa não-religiosa a dedicar-se aos cuidados com a saúde de uma comunidade ou população, considerada a primeira enfermeira do Brasil. O governo imperial conferiu-lhe a Medalha Geral de Campanha e a Medalha Humanitária de primeira classe.
Naquelas condições difíceis, organizou os hospitais de campanha e a primeira enfermaria foi montada em sua própria casa, em Assunção, e às suas expensas. Metodizou as tarefas em busca da eficácia, com olhos humanitários e a alma voltados tanto para os cuidados dos combatentes daTríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina), quanto para os soldados do invasor Paraguai, indistintamente.
O seu maior legado pode ser considerado a abnegação e a perseverança na prática do cuidar do próximo, a organização sistemática e a humanização no cuidar dos doentes.
Precursora da Cruz Vermelha, é considerada a primeira enfermeira do Brasil. Em sua homenagem a primeira escola oficial brasileira de enfermagem de alto padrão no país foi denominada Ana Neri (1923). Em 10 de agosto de 1938, o presidente Getúlio Vargas, assinou o decreto nº 2.956  instituindo o dia do enfermeiro, que deve ser celebrado em 12 de maio. Nessa data devem ser prestadas homenagens especiais à memória de Ana Neri, em todos os hospitais e escolas de enfermagem do país.    
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Como citar esta página: Brazil, T.K. (organizadora), Sales, S. M., Portella, S.D.C. - Ana Justina Ferreira Neri. Projeto Herois da Saúde na Bahia. Disponivel em http://www.bahiana.edu.br/herois/heroi.aspx?id=Mg==. Acesso em: 01/03/2020.

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