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TEMPLATE DE PRODUÇÃO DE LIVRO DIDÁTICO DE GRADUAÇÃO AUTOR: Me.Camila Tecla Mortean Mendonça Me. Suzi Maria Nunes Cordeiro DISCIPLINA: Didática MODALIDADE: Graduação EAD INÍCIO DO CURRÍCULO LATTES DO PROFESSOR Professora Me. Camila Tecla Mortean Mendonça Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá - UEM, linha de Políticas e Gestão da Educação. Mestre em Educação no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Maringá - UEM, linha de História e Historiografia da Educação (2016). Especialista em Docência no Ensino Superior (2011), Gestão Escolar - Administração, Supervisão e Orientação (2012), Atendimento Educacional Especializado - AEE (2014) e Educação a distância e as tecnologias educacionais (2014) pela Unicesumar - Centro Universitário Cesumar. Graduada nos Cursos de Licenciatura e Bacharelado em Pedagogia (2008) e Licenciatura em História (2019) pela mesma instituição. É docente da Educação Básica da Rede Municipal de Ensino de Maringá e da Unicesumar. Nesta última, trabalha na Educação a Distância – EAD e orienta projeto de Iniciação Científica na área da educação. Participa do Grupo de Pesquisa EAD e as Tecnologias Educacionais - GPEaDTEC/UEM, cadastrado no CNPq. <http://lattes.cnpq.br/4187832592319972> FIM DO CURRÍCULO LATTES DO PROFESSOR. INÍCIO DO CURRÍCULO LATTES DO PROFESSOR Professora Me. Suzi Maria Nunes Cordeiro Possui Graduação em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá - UEM (2011) e Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela mesma Instituição de Ensino Superior (2014). É Especialista em EAD e as Novas Tecnologias Educacionais pela Unicesumar (2016), Mestre em Educação pela UEM (2016) e Doutora pela mesma IES (2019). Atua como professora da Pedagogia na Unicesumar, coordena o projeto de pesquisa docente sobre Teoria e Prática na formação de professores e o desenvolvimento global dos alunos, bem como orienta alunos de Iniciação Científica. Tem experiência com disciplinas de Didática, Políticas Educacionais, Estágio Supervisionado, dentre outras da Graduação e Pós-graduação, tanto com escrita de livros didáticos quanto com aulas ministradas. É participante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Escola, Família e Sociedade da UEM, cadastrado no CNPq. Possui pesquisas e livros científicos relacionados a Educação na linha de Psicologia da Educação. Ministra palestras sobre a educação no século XXI, a exemplo, a educação da família e da escola, as políticas educacionais e outras temáticas que envolvem o ensino, a aprendizagem e a formação de professores. <http://lattes.cnpq.br/1301448235769294> FIM DO CURRÍCULO LATTES DO PROFESSOR. http://lattes.cnpq.br/4187832592319972 http://lattes.cnpq.br/1301448235769294 INÍCIO DA APRESENTAÇÃO GERAL Caro(a) aluno(a), é com muita satisfação que apresentamos a leitura da presente obra, intitulada “Didática”. O estudo da Didática se faz presente em todos os cursos de licenciatura e alguns cursos de bacharelado, tendo em vista seu caráter formativo para a prática pedagógica e a necessidade de se pensar e estudar os procedimentos de ensino, que são inerentes à profissão docente. Nesse contexto, lhe convidamos para uma leitura que propõe os objetivos de conhecer e refletir sobre o processo de ensino e de aprendizagem historicamente construído; compreender como o processo de ensino se dá desde o século XIX até os dias atuais e como a escola, instituição sistematizada, organiza e gere os processos de ensino e de aprendizagem. Também são objetivos a reflexão e proposição de modelos ou sugestões de métodos, metodologias e recursos que visam auxiliar o professor em sua prática pedagógica diária e a reflexão sobre como a avaliação escolar deve seguir a metodologia adotado pelo professor e levar o aluno a construção das suas competências e habilidades. Atendendo a essas finalidades, a Unidade I, intitulada “Fundamentos históricos e filosóficos da Didática”, leva ao conhecimento da origem da Didática e sua construção histórica a partir de seu criador João Amós Comênio, intelectual e teólogo que, no final do século XVII, produziu uma das obras mais importantes para a educação, a Didática Magna. Também se farão relevantes o conhecimento do Ratio Studiorum e dos métodos de ensino aplicados no Brasil desde os meados do século XVI. A Unidade II, intitulada “Tendências pedagógicas”, aborda os estudos pertinentes às teorias educacionais que fundamentaram o processo de ensino e de aprendizagem desde o final do século XIX no Brasil. Para isso, as tendências são descritas levando em consideração o contexto histórico; o papel da escola, do professor e dos alunos; os conteúdos; os métodos e a aprendizagem. A discussão se encerra pela contextualização da didática na contemporaneidade e sua utilização nos ambientes não formais de aprendizagem. A Unidade III, intitulada “Planejamento de ensino”, mostra como se constituem os planejamentos em ambiente escolar e ambientes não formais de aprendizagem, desde as ações macro até as ações micro, a fim de proporcionar uma visão linear dos encaminhamentos pedagógicos que começam a nível nacional, por meio de documentos da Educação que embasam os currículos escolares de todo o país, passando por documentos regionais até chegar ao nível institucional e, finalmente, ao professor que colocará em prática seu plano de aula. Para isso, veremos que todo planejamento envolve pesquisa e organização docente. A Unidade IV, intitulada “Execução do planejamento”, fornece elementos que proporcionam o conhecimento das práxis pedagógicas que norteiam os métodos de ação das atividades estabelecidas no planejamento, a fim de compreender os procedimentos de ensino que aliam estratégias e técnicas eficientes e eficazes para um ensino de qualidade e uma aprendizagem significativa. Finaliza-se com a reflexão sobre as competências e as habilidades necessárias para o professor, bem como a postura adequada ao profissional. Por fim, a Unidade V, intitulada “Avaliação do processo de ensino e de aprendizagem”, apresenta o conceito de avaliação e como ela foi vista no decorrer de todas as tendências pedagógicas até chegar à concepção de avaliação que possuímos atualmente. Também realizaremos discussões em torno dos modelos de avaliação que são utilizados e a importância que tem a utilização da avaliação de forma consciente, com finalidade pedagógica, possibilitando que o professor repense sua prática pedagógica e que os alunos concretizem os conhecimentos que foram adquiridos. Esperamos que você aprecie as reflexões propostas nesta obra e as aproveite ao máximo, enriquecendo os seus conhecimentos e utilizando-os em suas práticas pedagógicas, contribuindo, assim, para que a educação ganhe novos rumos com a formação de sujeitos críticos e conscientes. Esperamos também que você amplie os seus conhecimentos sobre a temática por meio da pesquisa, e não tome esta obra como sua única fonte de saberes. Vamos lá? FIM DA APRESENTAÇÃO GERAL. INÍCIO DA UNIDADE I INÍCIO DA FOLHA DE ABERTURA FUNDAMENTOS HISTÓRICOS E FILOSÓFICOS DA DIDÁTICA Me. Camila Tecla Mortean Mendonça Objetivos de Aprendizagem ● Conhecer o surgimento da Didática e o seu precursor, João Amós Comênio, a fim de compreender o contexto histórico. ● Refletir sobre a Didática Magna e suas propostas pedagógicas, para identificar as ações presentes na educação até os dias atuais. ● Analisar a construção histórica da didática no Brasil, a fim de compreender como a educação permeia as diferentes sociedades. Plano de Estudo ● João Amós Comênio ● A Didática Magna ● A construção histórica da Didática no Brasil FIM DA FOLHA DE ABERTURA. INÍCIO DA INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Dando início aos estudos sobre a Didática, discutiremos, nesta unidade,seu nascimento. Para isso, percorreremos um caminho de conhecimento sobre seu criador, o intelectual, filósofo e teólogo João Amós Comênio. Depois, conheceremos sua maior obra para a educação institucional, intitulada Didática Magna. Continuaremos nossos estudos pela construção histórica da Didática no Brasil, iniciando com a educação Jesuíta e a sua obra didático-pedagógica, o Ratio Studiorum. Destacaremos, também, mais três métodos utilizados no Brasil no processo de ensino e de aprendizagem: o método individual, o método simultâneo e o método Lancaster. O surgimento da Didática está atrelado à gênese da educação institucional, no decorrer da construção da sociedade, das ciências e da produção, como uma atividade que possui intencionalidade, planejamento e é dedicada à instrução das pessoas (LIBÂNEO, 1994). Desde os primeiros tempos há indícios de formas rudimentares de aprendizagem, no entanto ainda não havia didática como forma de organização e estrutura do ensino. Na Antiguidade Clássica e no Período Medieval também havia presença de ações pedagógicas nos mosteiros, igrejas e universidades, porém só podemos tratar de Didática após meados do século XVII, quando se concretizou como uma teoria do processo de ensino, que sistematize o ensino e as formas de ensinar (LIBÂNEO, 1994). O termo Didática aparece quando há a intervenção de adultos no processo de aprendizagem das crianças e jovens, por meio de uma ação intencional e planejada. A escola, assim, se institucionaliza, e o processo de ensino se torna sistematizado, levando em consideração o ritmo dos alunos e a assimilação dos conteúdos. Nesse sentido, nosso objetivo nesta unidade, caro(a) aluno(a), é que você compreenda a Didática como uma teoria que investiga o processo de ensino, que faz parte do fazer diário do professor. Convidamos você a iniciar a leitura desta unidade e se deleitar com a compreensão destes conceitos, que são fundamentais para a construção de uma prática pedagógica consistente. FIM DA INTRODUÇÃO. INÍCIO DO TÓPICO 1 1. JOÃO AMÓS COMÊNIO Em tcheco, Jan Amos Komensky; no latim, Iohannes Amos Comenius; em língua portuguesa, João Amós Comênio. Ele foi um grande estudioso da História da Educação, destacando-se principalmente nos estudos da Didática. Nasceu na cidade de Nivnice, na Moravia, região da Boêmia atualmente chamada de República Tcheca e Polônia, no dia 22 de março de 1592. Comênio faleceu em 15 de novembro de 1670 na cidade de Amsterdã, na Holanda, em decorrência de intensas perseguições sofridas em seus 78 anos de existência, nos inúmeros lugares que habitou (OLIVEIRA; COSTA, 2012). Teólogo, filósofo e educador, João Comênio possui uma história de vida muito singular que contribuiu para que se tornasse um grande estudioso da Educação. Ficou órfão aos 12 anos e, no ano de 1608, aos 16, matriculou-se na escola secundária de Prerov, onde se destacou como um bom aluno (LOPES, 2008). Sua inquietação sobre a melhor forma de ensinar e aprender surgiu nos estudos de Latim, em que os alunos eram forçados a estudar de forma desordenada e distante da realidade. Aos 20 anos, cursou filosofia na Academia de Hebron. Seus estudos o aproximaram da vida espiritual e possibilitaram que ele refletisse sobre autores que marcaram profundamente seus pensamentos. Por meio de seu mestre, Alsted, conheceu os pensamentos progressistas de Francis Bacon (1561-1626) e Holfgang Ratke (1571-1635), que elaboravam novos métodos valorizando a experiência do aprendiz. Aos 22 anos, João Comênio transferiu-se para o curso de Teologia da Academia de Heildeberg (OLIVEIRA; COSTA, 2012). Após a conclusão da sua formação, retornou para a Morávia, onde desempenhou a função de pastor e de educador. 1.1 A guerra dos 30 anos Após dois anos trabalhando como pastor e educador na Morávia, João Comênio transferiu-se para Fulnek, em 1616, onde casou-se com sua primeira esposa, Madalena Vizovska, com quem teve seus dois primeiros filhos. No entanto, em 1621, o exército dos espanhóis invadiu a cidade de Fulnek em virtude da guerra dos 30 anos, causando a Comênio duas grandes perdas: a primeira se refere aos seus livros e manuscritos e a segunda à sua esposa e filhos, que morreram vítimas da peste. Comênio se viu obrigado a reiniciar a sua produção. Devido à guerra dos 30 anos (1618-1648), Comênio precisou abandonar a sua pátria e passou por vários países divulgando as suas ideias. Destacamos aqui as localidades de Lezno, Suécia, Londres, Transilvânia, Hungria e Amsterdã. Apesar das dificuldades que enfrentava, Comênio relacionava-se com os grandes pensadores da sua época (OLIVEIRA; COSTA, 2012). Na sequência desses acontecimentos, iniciou-se a perseguição contra os morávios, que fugiram para a Polônia e se estabeleceram na cidade de Leszno. Nesse período, Comênio casou-se pela segunda vez com a filha de um bispo muito conhecido e importante na região, chamada de Dorotéia Cirilo. Em Fulnek, outra tragédia destruiu a cidade e, junto com ela, a casa e a biblioteca de Comênio. No ano de 1648, Dorotéia Cirilo faleceu, deixando Comênio e os cinco filhos na cidade de Leszno. Nesse período, Comênio vivenciou uma situação aguda e foi muito criticado e incompreendido pela comunidade da Morávia. Pobre e doente, seguiu para Holanda, onde se casou pela terceira vez com Johana Gasusová, no ano de 1649. Na cidade de Amsterdã, onde viveu até a sua morte, cresceu novamente como educador e reformador social a partir de suas ideias progressistas. Em 15 de novembro de 1670, Comênio morre após adoecer gravemente. Cercado pela família e por amigos, é enterrado na igreja da pequena cidade de Naarden, onde está construído seu mausoléu. 1.2 Vida acadêmica Apesar de sua história, Comênio teve uma vida muito produtiva. Começou sua vida acadêmica destacando-se em Hebron, por volta de 1611, onde se preocupou em escrever um dicionário com expressões elegantes de sua língua materna intitulado Bohemicae Thesaurus, ou Tesouro da Língua Boêmia, cujo conteúdo descreve a gramática completa da língua tcheca. Neste mesmo período, destacou-se por defender suas duas teses de doutorado, Problemata Miscelania e Syloge Quaestiorum Controversum, que foram grandemente elogiadas por seus mestres. Após um período em Heidel- berg para estudos sobre a Matemática e a Astronomia, retornou para a Boêmia. No ano de 1614, Comênio foi designado reitor da escola de Prerov, comunidade Morávia. Nesse período, se destacou e foi notadamente elogiado pela inclusão de atividades ao processo de ensino que anteriormente não eram utilizadas, como conversas, músicas e jogos, tornando a escola um espaço agradável. Com isso, eliminou da escola os castigos corporais muito utilizados naquele período. Destacou-se pelo seu brilhantismo como educador, principalmente após a reforma educacional que culminou na implantação de métodos diferenciados para o ensino das disciplinas de Artes e de Ciências. Em 1616, estabeleceu-se em Fulnek, onde atuou como pastor morávio. Em 1623, durante sua estadia em Brandeis, escreveu Labyrint sueta a ráj srdce ou O labirinto do mundo e o paraíso do coração, para consolar os que haviam sobrevivido à guerra, a fim de que pudessem encontrar alento em Cristo e não nos bens materiais; foi uma de suas obras de maior valia (LOPES, 2008). Posteriormente foi a Londres, onde foi convidado a assumir a Reitoria da Universidade de Harvard. Negando o convite, viajou para vários países, mas acabou se fixando em Leszno. Em uma ocasião durante passagem pela Suécia, Comênio deparou-se com René Descartes no castelo de Endegeest. Apesar de se tratar de um breve encontro, acredita-se que Descartes tenha simpatizado por Comênio, tendo em vista a proximidade do pensamento de ambos com relação ao ensino realizado nas escolas da época. Tanto Comênio quanto Descartes foram intelectuais quedesenvolveram métodos e defendiam a utilização destes para o processo de ensino. Idealizavam uma ciência universal a que todos pudessem ter acesso. No entanto, em um ponto as suas ideias divergiam. Descartes acreditava que a ciência deveria ser utilizada com a finalidade exclusivamente humana, desconsiderando os aspectos religiosos. Em contrapartida, Comênio acreditava que a ciência deveria ser ensinada e utilizada como uma forma de aproximar as pessoas de Deus, ou seja, com a finalidade religiosa. Suas obras pedagógicas apareceram somente no período de 1630 e 1633: a Didática tcheca, Informatorium Skóly Materké (que se traduz por Guia da Escola Materna); Janua Linguarum Reserata (traduzido por Porta Aberta das Línguas) e a Didática Magna, a obra mais importante para a educação. Esses escritos foram desenvolvidos tanto para professores quanto para alunos. Aos professores era indicado o aprender a fazer e, a partir disso, fundamentar a prática em uma sólida teoria; aos alunos era preciso aprender a aprender (LOPES, 2008). Já em 1642, a fim de ajudar a Suécia e melhorar o seu estudo do latim, é encomendada a Comênio, pelo Chanceler Oxenstiern, a escrita da obra Methodus Linguarum Novíssima ou Novíssimo Método das Línguas, publicada em 1947. Essa é a principal obra sobre os estudos dos idiomas escrita por Comênio, que possuía uma grande preocupação com os estudos comparativos das línguas, chegando a traçar regras para a tradução de textos (LOPES, 2008). A convite do príncipe Sigismundo Rákoczy, em 1650, Comênio assume uma escola na Hungria e nela permanece por quatro anos. Nesse período, escreve a obra Orbis pictus, (Mundo Ilustrado ou Sensível), que, segundo Lopes (2008, p. 52), consiste na síntese da sua vasta experiência pedagógica, discutindo, por meio de gravuras, três objetivos: 1) reter a noção aprendida; 2) estimular a inteligência infantil; 3) facilitar a aprendizagem da leitura. Devido à grande influência da religião na vida e na formação de Comênio, utilizava a Bíblia como fonte de sabedoria e como fundamentação para a sua filosofia. Em 1670, antes de sua morte, escreveu ainda um resumo dos princípios pedagógicos: Spicilegium Didactium ou Didática Especial. Caro(a) aluno(a), após visualizarmos a vida e a obra de João Amós Comênio, você deve estar se perguntando: por que é importante saber a trajetória desse autor? Por que estudar a Didática Magna, texto escrito no século XVII? Conhecer a trajetória da vida e da obra desse autor é importante para que possamos compreender em que período histórico ele elaborou seu método. Comênio teve uma vida muito conturbada, como pudemos observar, no entanto o momento histórico em que ele viveu foi tão conturbado quanto. Foi no decorrer dos séculos XVI e XVII que a história da humanidade sofreu grandes transformações, principalmente na Europa, tendo em vista o declínio do sistema feudal e a ascensão do capitalismo, um período marcado pelo abismo entre ricos e pobres. A educação escolar era restrita, destinada à burguesia e de caráter religioso. Mesmo assim, a metodologia utilizada era rígida, desordenada e distante da realidade dos alunos. Comênio foi um reformador e, apesar de ser um homem de seu tempo, pensou para além dele. O seu projeto era criar condições para que o homem pudesse se adaptar ao novo contexto produtivo do século XVI e XVII. Para isso, escreveu obras que tinham como objetivo a “construção de uma cidadania para todos, pobres, ricos, homens e mulheres de todas as idades, para que as pessoas todas experimentassem a libertação da ignorância e do sofrimento [...]” (AHLERT, 2002, p. 450). Nesse período ocorreram intensas mudanças na forma de produção e no desenvolvimento da ciência e da cultura. O clero e a nobreza diminuíam enquanto o poder da burguesia aumentava. Assim, na medida em que a burguesia se fortalecia como classe social, disputava o poder econômico e político com a nobreza. No mesmo ritmo crescia a necessidade de um ensino que fosse ligado às exigências do mundo da produção e dos negócios, ou seja, um ensino que contemplasse o desenvolvimento da capacidade e dos interesses dos indivíduos (LIBÂNEO, 1994). Para Ahlert (2002) a Didática Magna se apresenta como uma proposta pedagógica para o processo de ensino e de aprendizagem no período de transição entre a Idade Média e o início da Modernidade. Comênio considerava a educação um instrumento necessário às transformações sociais tão urgentes no período turbulento e conflituoso no qual viveu. Nesse sentido, a educação era o caminho para se chegar à libertação e salvação de todos. Comenius foi o fundador da didática e, em parte, da pedagogia moderna. Mas foi, ainda, um pensador, um místico, um reformador social, personalidade extraordinária, em suma. Seu nome figura ao nível dos de Rousseau, Pestalozzi e Froebel, isto é, dos maiores da educação e da pedagogia (COVELLO, 1991, p. 9). A Didática Magna, ou O Tratado de Ensinar Tudo a Todos, assunto do nosso próximo tópico, é uma das obras mais importantes para a educação institucional, tendo em vista seu caráter pioneiro no processo de democratização da escola. Retomar a obra de Comênio significa resgatar a utopia de uma educação para todos, em que as mulheres e os menos favorecidos socialmente são incluídos. Significa uma possibilidade de educação que considere a multiculturalidade, “expressa no seu esforço em garantir os conteúdos universais na língua e contexto cultural onde o ser humano está inserido. Comênio via a cultura, o seu símbolo maior, como uma força libertadora para as nações oprimidas” (AHLERT, 2002, p. 450). FIM DO TÓPICO 1. INÍCIO DO TÓPICO 2 O processo seguro e excelente de instituir, em todas as comunidades de qualquer Reino cristão, cidades e aldeias, escolas tais que toda a juventude de um e de outro sexo, sem excetuar ninguém em siveiarte alguma, possa ser formada nos estudos, educada nos bons costumes, impregnada de piedade, e, desta maneira, possa ser, nos anos da puberdade, instruída em tudo o que diz respeito a vida presente e à futura, com economia de tempo e de fadiga, com agrado e com solidez (COMÊNIO, 2001, p. 11). A Didática Magna escrita por Comênio (2001) se destaca como uma das obras mais importantes da história da educação, consagrando seu autor como criador da didática moderna e um dos intelectuais mais importantes do século XVII. Comênio concebia o homem tanto pelo seu lado humano quanto espiritual, tanto que faz uma proposta pedagógica que envolve ambos e que é referência nos estudos do processo de ensino, ou seja, da Didática. Por ter estudado em uma escola muito rígida, cheia de regras e com castigos violentos aplicados às crianças, Comênio foi capaz de perceber os vários defeitos que caracterizavam o método aplicado em seu tempo. Nesse sentido, “seu ideal era ensinar a criança de maneira que sua chegada na fase adulta atingisse na plenitude de suas capacidades todo o conhecimento e sociabilidade” (BIASSETI, 2017, p. 8). Seu objetivo era que os indivíduos aprendessem para a vida, de forma que conseguissem se inserir na sociedade e fossem capazes de cumprir os seus deveres sociais. Eles aprenderão, não para a escola, mas para a vida, de forma que os jovens tornem-se enérgicos, prontos para tudo, diligentes e merecedores da atribuição de qualquer um dos deveres da vida, e ainda mais, se tiverem acrescentado à virtude uma conversação suave, e tudo tiverem coroado com o temor e o amor de Deus. Tornar-se-ão capazes de expressão e eloquência (COMÊNIO, 2001, p. 200). A escola, nesse contexto, deveria ser um lugar tranquilo, de convivência e trabalho em equipe. Os alunos teriam a oportunidade de se expressar, de se relacionar socialmente, de aprender de forma agradável, em um processo de transformação dos alunos em seres humanos, iniciado no nascimento econtinuado dentro da escola. “Os livros de textos deveriam ser padronizados e cada aluno deveria ter o seu próprio livro. Também, cada classe deveria ter um texto contendo todo o conteúdo de cada aula” (BIASSETI, 2017, p. 9). A educação pansófica ou a sabedoria universal defendida por Comênio se traduz no seu ideário de se ensinar tudo a todos, necessidade atribuída a sua crença em Deus, em sua infinita bondade. Assim, a educação pansófica se constituiu em uma organização do saber, em um projeto educativo ou um ideal de vida imaginado por Comênio. O pensador organizou a didática em quatro níveis: escola materna – de 0 a 6 anos; escola vernácula – de 7 a 12 anos; escola latina – de 13 a 18 anos; e universidades e viagens a partir dos 19 anos. Tratemos de tais níveis com mais atenção: Escola materna – de 0 a 6 anos. É o lar, considerada a primeira escola da criança. Nesse período as crianças deveriam ter o convívio familiar e aprender a partir de suas próprias observações. Além disso, as funções específicas também deveriam ser ensinadas, como a sociabilidade, a percepção e a religião, a partir do interesse das crianças dessa idade. Comênio era a favor dos contos de fadas, dos jogos, das atividades manuais, da música, do humor e das fábulas (BIASSETI, 2017). Escola vernácula – de 7 a 12 anos. Comênio acreditava que as crianças nesse período deveriam aprender todas juntas, de forma que a educação deveria ser básica e completa, aquela necessária para a vida de todos nós. A língua vernácula, ou seja, o idioma puro, tanto na linguagem oral quanto na escrita, sem utilização de palavras estrangeiras, deveria ser ensinado antes do latim. As crianças deveriam treinar os sentidos, a memória e a imaginação, desenvolvendo-se cognitivamente. Biasseti (2017, p. 10) destaca que as aulas deveriam incluir “Leitura, Escrita, Aritmética prática, Canto, Religião, Moral, Economia e Política, História geral, Cosmografia e as Artes mecânicas”. Escola latina – de 13 a 18 anos. Deveria ser destinada a desenvolver, nos meninos, a formação para alcançar os graus mais elevados do saber, independente da sua condição social. Esta escola iria treinar os alunos a compreender e julgar as informações adquiridas pelos sentidos, que seriam desenvolvidos na escola vernácula. Para isso seriam ensinadas as seguintes disciplinas: Lógica, Gramática, Retórica, Ciências e Artes, para que as mais elevadas faculdades do espírito fossem exercitadas. Quatro línguas deveriam ser aprendidas: o vernáculo, o latim, o grego e o hebraico. Nesses seis anos de escola latina as matérias seriam divididas: Gramática, Filosofia natural, Matemática, Ética, Dialética e Retórica (BIASSETI, 2017, p. 10). Universidades e Viagens – a partir dos 19 anos. Indicaria o mais alto nível de educação, seria somente para os alunos mais dedicados e com alto caráter moral. O ingresso nesse nível seria realizado por meio de exame público para avaliação dos alunos (BIASSETI, 2017). Uma função da universidade seria a pesquisa e as viagens seriam para coleta de informações sobre a natureza humana e suas instituições. Comênio também baseou seus métodos em uma teoria da vida mental e do desenvolvimento infantil. Observou cuidadosamente o desenvolvimento das plantas e animais, a execução de artes manuais e artesanato e os interesses espontâneos das crianças. Compreendia que a verdadeira base da ciência educacional deveria ser o crescimento natural da criança, e seguindo este caminho, deveria se basear o método de ensino neste princípio de sucessão natural (BIASSETI, 2017, p. 11). Comênio defendia que a escola era fundamental para a educação dos homens, por isso a sua máxima “ensinar tudo e todos”. Para ele, dar acesso ao conhecimento a todos permitiria que o homem pudesse se colocar como agente do seu desenvolvimento, ou seja, como ator e não como mero espectador. INÍCIO DO REFLITA Você acredita que a máxima de Comênio, “ensinar tudo a todos”, ainda se faz necessária nos dias atuais? FIM DO REFLITA. Nesse sentido, caro(a) aluno(a), a educação de Comênio propunha tinha como objetivo formar bons cristãos, assim, os homens seriam capazes de praticar boas ações a todos, sem distinção. Sua teoria possuía consistência e apresentava uma boa articulação entre suas diversas dimensões: religiosa, filosófica, educacional e social, mas isso não foi o suficiente para ser reconhecido, no período em que viveu, pelos seus ideais inovadores. Acreditamos que seja por sua trajetória de vida e pelo momento histórico e social em que viveu. Para Comênio (2001) a Didática é, ao mesmo tempo, um processo e um tratado; consiste tanto em um ato de ensinar como na arte de ensinar. É uma ação sublime, pois forma seres humanos, envolve professor e aluno, tornando ambos diferentes do que eram antes. Nesse contexto, ensinar supõe que há conteúdos a serem ensinados, sejam eles de natureza moral, instrucional ou sobre a religião. Esses conhecimentos também dão base para a exploração e o conhecimento de nós próprios, assim, essa natureza que deve ser explorada é a natureza social, ou seja, os conteúdos historicamente acumulados. Comênio também defendia a educação escolar das crianças pequenas, pois, assim, elas poderiam ter acesso, desde cedo, às noções das ciências básicas que viriam a estudar mais tarde. Ele acreditava que a aprendizagem iniciava pelo treino dos sentidos, pois as impressões das experiências vivenciadas com os objetos seriam internalizadas e mais tarde interpretadas pela consciência racional. A base do método didático de Comênio se constitui por três elementos: compreensão, retenção de informações e prática. Por meio destes podemos chegar a três qualidades fundamentais que devem ser desenvolvidas pelos alunos: erudição, instrução e religião, as quais nos levam às três competências que devem ser adquiridas: desenvolvimento intelectual, disposição em aprender e memória. INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: A imagem representa o “Método didático de Comênio”. Na figura existem quadros, em que, na parte superior, centralizado, existe um quadro escrito “Método Didático”. Este quadro está interligado à três colunas de quadros abaixo dele. Na primeira coluna ao lado esquerdo da imagem, o primeiro quadro está nomeado de “Compreensão”, no quadro abaixo da mesma coluna lemos “Erudição”, e no terceiro quadro está escrito “Desenvolvimento Intelectual”. Na segunda coluna, está escrito no primeiro quadro “Retenção de Informações”, no quadro abaixo está escrito “Instrução”, no terceiro quadro está escrito “Disposição em aprender”. Na terceira coluna que está na lateral direita, no primeiro quadro está escrito “Prática”, no segundo quadro lemos “Religião”, e no último quadro “Memória”. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. O método didático deveria seguir a seguinte ordem: 1. Todo o conhecimento historicamente acumulado deve ser ensinado. 2. Tudo o que se ensina deve ser ensinado relacionando com sua aplicação prática, com o seu uso social. 3. O ensino deve ser direto e claro. 4. Deve ser ensinado a partir da verdadeira natureza das coisas, ou seja, a partir do conhecimento científico. 5. Ensinar primeiramente de forma geral e posteriormente adentrar para o estudo das partes. 6. Ensinar os conteúdos no seu devido tempo. 7. Ensinar até a compreensão perfeita do conteúdo. 8. Dar a devida importância às diferenças que existem entre as coisas. Assim, o ensino seria universal. Biasseti (2017, p. 13) destaca alguns dos princípios do método de instrução de Comênio: O método de Comênio tinha como propósito dar instrução de forma: segura e completa; certa e clara; fácil e agradável. • A educação dos homens deveria ser iniciada na primavera da vida; • Ensinar coisas e linguagem juntas; • Primeiro a criança deveria compreender o assunto, antes dememorizar a definição dele; • Começar pelo universal (elementos simples e gerais), e partir para o particular (pormenores); • Todo o estudo deve ser graduado por passos minuciosos; • O ensino deveria ser dado conforme a idade e força mental da criança (BIASSETI, 2017, p. 13). A Didática Magna de Comênio se constitui como um modelo do saber sobre a educação do homem, desde sua infância até sua juventude, por meio da interação social, que passaria a ser coletiva, ou seja, passaria a acontecer na escola. Ela apresenta características que se fizeram necessárias para a instituição escolar moderna, e que, em alguns aspectos, permanece nela até os dias atuais. Podemos destacar: a valorização da infância e sua escolarização formal; a concepção da família como primeiro núcleo social da criança; a relação entre família e escola; a escola como instituição educacional; e a construção da figura do professor, educador, do mestre como elemento fundamental no processo de ensino. Esses são motivos pelos quais se faz necessário conhecer e compreender Comênio. FIM DO TÓPICO 2. INÍCIO DO TÓPICO 3 3. A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DA DIDÁTICA NO BRASIL O método didático elaborado por Comênio vai de encontro com a situação em que a Europa vivia no final do século XVI, em meio à Contra Reforma Católica. A igreja católica estava perdendo o seu espaço e o seu poder com o avanço do Protestantismo. Dessa forma, com o objetivo de deter o avanço protestante e conquistar novos fiéis, é fundada em 1539 a Companhia de Jesus, por Inácio de Loyola. A ordem surge em um momento em que as grandes navegações estão em ascensão, sendo utilizadas como uma arma da Igreja Católica na Contra Reforma. É nesse contexto que a Companhia de Jesus chega ao Brasil, pois os primeiros países colonizadores católicos eram Espanha e Portugal. No Brasil, a educação escolar iniciou-se a partir da chegada da Companhia de Jesus, em março de 1549. Trouxeram junto a eles um plano de estudos, elaborado por Inácio de Loyola e vigorado em 1552. Esse documento padronizava a educação em todas as instituições da Companhia de Jesus, apresentando métodos de ensino e orientando o professor sobre como organizar sua aula (FRANCA, 1952). Na Europa, o objetivo dessa educação, ainda voltada aos filhos dos nobres, era proteger o poder da Igreja Católica do protestantismo que se instaurava na época, ameaçando dogmas, costumes e regras já estabelecidos na sociedade. No Brasil, com a catequização dos índios, o objetivo era propagar e impor a cultura europeia, sobretudo a portuguesa, a fim de que o poder da Igreja Católica também permeasse a nova terra. Mais uma vez, vemos a educação sendo utilizada como forma de poder sobre o povo (SHIGUNOV NETO; MACIEL, 2008). Mais conhecido como Ratium Studiorum, o Plano de Estudos da Companhia de Jesus desempenha um papel muito importante na educação moderna, papel este que não pode ser diminuído ou menosprezado. Franca (2017) destaca que, historicamente, esse manual de ensino era utilizado para toda a organização das atividades desenvolvidas em todos os colégios que a Companhia de Jesus fundou e dirigiu no decorrer de aproximadamente dois séculos, em todos os continentes. A Companhia de Jesus, uma ordem consagrada a ensinar pela constituição escrita por seus fundadores, tinha a missão de exercer os seus ministérios em todo o território que entrasse. Logo depois de instituída, rapidamente multiplicava os seus estabelecimentos de ensino (FRANCA, 2017). O seu domínio era tamanho que “em 1750, poucos anos antes de sua supressão (1773) por Clemente XIV, a Ordem de Inácio dirigia 578 colégios e 150 seminários, ao todo, 728 casas de ensino” (FRANCA, 2017, p. 3). A ordem jesuíta possuía uma organização administrativa dividida em Províncias e Circunscrições territoriais, ou seja, composta por casas e colégios da ordem, localizados em um território ou em parte dele. Administrando cada província, encontrava-se um Provincial, o qual possuía a função escolher o Prefeito de estudos e das disciplinas, prezar pela formação de bons professores, promover o estudo na Província, vigiar o emprego das normas estabelecidas pelo Ratium Studiorum, assim como sugerir mudanças devido as circunstâncias de tempo e lugar específicas da Província (FRANCA, 2017). O reitor, de acordo com Franca (2017), era a figura central do colégio jesuíta. Dentre as suas funções, cabia convocar e presidir a reunião com os professores e as solenidades escolares. Dentro do colégio jesuíta, o reitor é autoridade máxima; fora dela, é subordinado ao Provincial. O prefeito de estudos era o braço direito do reitor, e possuía a função de acompanhar de perto toda a rotina escolar, visitar as aulas e primar pela execução dos regulamentos e dos programas. Se necessário, nomeava-se ainda um prefeito de disciplinas, que possuía a função de auxiliar o prefeito de estudos, principalmente com relação a manter o bom comportamento. Os cursos superiores e secundários eram minuciosamente organizados no Ratium Studiorum, de acordo com Franca (2017, p. 65): I – Currículo Teológico. 4 anos. Teologia escolástica. 4 anos; dois professores, cada qual com 4 horas por semana. Teologia moral. 2 anos. Dois professores com aulas diárias ou um professor com duas horas por dia. Sagrada Escritura. 2 anos com aulas diárias. Hebreu. 1 ano, com duas horas por semana. A revisão de 1832 ao currículo teológico acrescentou, com disciplinas autônomas, o Direito Canônico e a História Eclesiástica, estudada no século XVI, só ocasionalmente. II – Currículo filosófico. 1o. Ano – Lógica e introdução às ciências; um professor; 2 horas por dia. 2o. Ano – Cosmologia, Psicologia, Física – 2 horas por dia. Matemática – 1 hora por dia. 3o. Ano – psicologia, Metafísica, Filosofia Moral – dois professores. Duas horas por dia. III – Currículo Humanista. O currículo humanista, corresponde ao moderno curso secundário, abrange, no Ratio, cinco classes: 1 – Retórica. 2 – Humanidades. 3 – Gramática Superior. 4 – Gramática Média. 5 – Gramática Inferior. Essas classes possuíam a característica dos graus, ou estágios de progresso. De acordo com Franca (2017), só poderia ser promovido a um grau superior o aluno que havia adquirido integralmente os conhecimentos. Por esse motivo os currículos eram concluídos, muitas vezes, somente 6 ou 7 anos após o seu início. Franca (2017) apresenta como estava organizada a maior parte do currículo, ou seja, o III – Currículo Humanista: Quadro 1 - Organização do currículo Humanista do Ratium Studiorum Grau Classe Ano 1 Retórica 7 2 Humanidades 6 3 Gramática Superior 5 4 Gramática Média A 4 4 Gramática Média B 3 5 Gramática Inferior A 2 5 Gramática Inferior B 1 Fonte: Franca (2017, p. 7). Na prática, os colégios da Companhia de Jesus não eram instituições de ensino rígidas, sem vida. No entanto, continham um ar conservador e suavemente progressista que acompanhava a cultura e as mudanças sociais. A metodologia do Ratium Studiorum compreende processos didáticos com a finalidade do estímulo e a transmissão dos conteúdos. A metodologia apresentava flexibilização quanto aos processos de trabalho, uma vez que o plano de estudos possuía uma variedade de métodos e permitia liberdade de escolha. Um ponto chave da didática do Ratium Studiorum é a preleção, ou seja, a indicação de lições antecipadas, que eram indicadas para os alunos estudarem, cujos métodos aplicados variavam de acordo com o nível intelectual dos alunos (TOSHIMA; MONTAGNOLI; COSTA, 2018, p. 5). Na pedagogia jesuíta, instrução e educação caminhavam juntas. Dessa forma, esse processo não era estritamente religioso, tendo em vista que o ideal da Companhia de Jesus era “proporcionar a realização plena da natureza humana” (TOSHIMA; MONTAGNOLI; COSTA, 2018, p. 9). Assim, os jesuítas tiveram êxito na formação decristãos e de profissionais capacitados, e o Ratium Studiorum, mesmo se tratando de um texto escrito no século XVI, merece atenção ainda hoje, tendo em vista que compreendê-lo e pensá-lo de forma crítica enriquece nossa postura enquanto docentes. Os jesuítas foram expulsos do Brasil em 1773 pelo Rei Clemente XIV. As causas prováveis de sua supressão versam em duas categorias: questões políticas e ideológicas e questões educacionais. Politicamente e ideologicamente, a Companhia de Jesus havia se tornado um empecilho para os interesses do Estado Moderno; além disso, possuíam um grande poder econômico que era cobiçado pela Coroa Portuguesa. No campo educacional, as transformações sociais que decorriam do movimento Iluminista e dos princípios liberais solicitavam um sujeito novo, burguês, e não mais um homem cristão (SHIGUNOV NETO; MACIEL, 2008). Assim terminou a catequização da Companhia de Jesus no Brasil. No entanto, mesmo após a expulsão, seus métodos e escolas se mantiveram. Atualmente, no Brasil, temos várias escolas e universidades que são mantidas pela Companhia de Jesus e que estão espalhadas por todo o território brasileiro. 3.1 Método Individual Outros métodos pedagógicos foram utilizados no Brasil para a educação escolar. Aqui, destacamos o método individual. O método individual consiste na relação entre professor e aluno: o professor atente cada aluno individualmente, ou seja, o professor chama o aluno e em alguns minutos lhe passa a lição. Ao retornar ao seu lugar, o aluno deveria realizar os exercícios a fim de aprender o ensinamento do professor. Nessa época, os estudos realizados eram em torno do ensino da leitura. O methodo individual é aquele que o professor leciona cada menino em si. [...] As vantagens do método individual são o mestre tomar para si, a cada menino, a sua lição respectiva; as suas desvantagens são não se poder praticar n'uma escola, onde haja muitos meninos, porque isso rouba grande parte de tempo (SILVA; ARANTES, 2015, p. 17). Esse método de ensino, que é considerado um dos mais antigos, apresenta mais algumas vantagens para o processo de ensino, a saber: o professor conhecia o seu aluno de forma a compreendsaber se havia disposição para o conhecimento, conhecia o seu caráter, seu gênio, se poderia se tornar bom aluno. A partir deste conhecimento, o professor achava-se habilitado para formar-lhe o coração e dirigir-lhe a inteligência (SILVA; ARANTES, 2015). Algumas desvantagens também poderiam ser vistas, como o número de alunos para o professor ensinar precisava ser limitado, a disciplina era facilmente dissipada, pois o professor chamava um aluno após o outro para lhe tomar as lições (SILVA; ARANTES, 2015). Conforme exemplificamos na figura a seguir: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: A imagem representa o Método Individual. Na figura existe um quadro no qual, centralizado na parte superior, tem uma forma oval na cor marrom que representa o professor. Dele sai nas laterais quatro setas, sendo duas ao lado direito e duas ao lado esquerdo, elas apontam para figuras que representam alunos, diferenciando cada um por cores, as cores separam alunos nível 1, alunos nível 2, alunos nível 3 e alunos nível 4. Os alunos estão dispostos de forma mesclada. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. Silva e Arantes (2015) ainda destacam que este era o método utilizado na instrução doméstica, aquela que ocorria em casa, em que as mães ou irmãos que sabiam alguma coisa ensinavam para aqueles que não sabiam nada. Logo em seguida, surge o método Lancaster, que esteve presente na primeira lei sobre a educação no país, a Lei Geral relativa do Ensino Elementar, publicada em 15 de outubro de 1827. INÍCIO DO SAIBA MAIS Outro método utilizado no Brasil foi o método intuitivo. Este chegou ao Brasil por volta de 1886, por meio da publicação da obra Primeiras lições de coisas, traduzida por Rui Barbosa. O objetivo do método era resolver os problemas educacionais decorrentes da Revolução Industrial, que se tornaram ineficientes diante das novas exigências sociais. A Revolução Industrial havia viabilizado a produção de novos materiais e mobiliário escolar, mas a sua utilização dependia da adoção de novos métodos pelos professores. Dessa forma, o método intuitivo propiciava orientação aos professores por meios de manuais, neste caso a obra Primeiras lições de coisas. Para saber mais sobre este método acesse o artigo: “Primeiras lições de coisas – manual de ensino elementar para uso dos pais e professores”, de autoria de Gladys Mary Teive Auras. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104- 40602003000100021>. Fonte: elaborado pelas autoras (2018). FIM DO SAIBA MAIS. 3.2 Método Lancaster O método Lancaster, difundido na Europa no final do século XVII, chegou ao Brasil somente por volta da década de 1820, momento no qual o governo tomou a decisão de implantar o método para o processo de ensino das escolas do Império. Foi criado por Joseph Lancaster (1778-1838) em parceria com http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602003000100021 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602003000100021 Andrew Bell (1753-1832). A primeira escola brasileira de ensino mútuo foi criada oficialmente em 1º de março de 1823, e possuía como objetivo a formação de professores, especialmente os militares (MENDONÇA; COSTA, 2015). Outorgada, no ano de 1824, a primeira Constituição brasileira, a qual estabelecia a instrução primária gratuita a todos os cidadãos, houve a necessidade de propagar a instrução a todos os cidadãos brasileiros. Estabelecida essa meta, no dia 22 de agosto de 1825 o governo enviou um aviso ministerial endereçado aos presidentes de províncias, “insistindo na necessidade de propagar escolas pelo método lancasteriano” (CASTANHA, 2012, p. 5). O método de ensino mútuo espalhou-se de tal forma pelo Brasil que até mesmo no início do período republicano ainda era possível encontrá-lo aplicado em diversos estabelecimentos de ensino – públicos e particulares – não só nas aulas de primeiras letras como, igualmente, em colégios onde funcionavam cursos secundários (NISKIER, 1989, p. 105). Por ser dividido em províncias, o Brasil acabou por adotar formas diferenciadas do método Lancaster. Nesse contexto, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul implantaram, cada um à sua forma, o método Lancaster, tendo em vista que os governos estavam preocupados em apenas criar as escolas e nomear os professores. A fiscalização, o treinamento e a eficiência educacional não estavam nos planos dos governos provinciais (MENDONÇA; COSTA, 2015). Apesar disso, caro(a) aluno(a), as escolas que adotaram o método Lancaster possuíam algumas características em comum, como a sua estrutura pedagógica, os agentes da ação educativa e o mobiliário. A estrutura pedagógica era sempre a mesma: a sala em formato retangular e os alunos organizados todos juntos, a sala não possuía divisão (MENDONÇA; COSTA, 2015). Jomard [...] fixou as normas desejáveis para o número de alunos, variando de setenta a mil. Ele indica, por exemplo, para 350 alunos, a necessidade de uma sala de 18m de comprimento por 9m de largura. Na Inglaterra e na zona rural francesa, utiliza-se frequentemente um celeiro para a nova escola. Na França, os edifícios religiosos, desocupados após o período revolucionário, são numerosos e respondem perfeitamente às normas desejadas. Esses edifícios acolhem as escolas mútuas (LESAGE, 1999, p. 12). Segue a exemplificação da organização de uma sala de aula do método Lancaster: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: A imagem representa o Método Lancaster. Na figura existe um quadro. Na parte superior do quadro existe uma forma oval representando o professor. Dele originam-se três setasque indicam para baixo. Uma seta aponta para o meio, uma para a direita e outra para esquerda da imagem. Abaixo existem imagens que representam alunos, as figuras estão separadas por cores que representam Alunos nível 1, Alunos nível 2, Alunos nível 3 e Alunos nível 4. Os alunos estão dispostos da seguinte forma, de cima para baixo: nas duas primeiras fileiras, aluno nível 1, na terceira e na quarta fileira, alunos nível 2, na quinta e sexta fileiras, alunos nível 3, sétima e oitava fileiras, alunos nível 4. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. O plano escolar da escola mútua consistia na divisão dos conteúdos dentro de cada disciplina. Dentro de cada grupo eram estabelecidas as atividades que seriam realizadas. As atividades orais e de leitura eram realizadas em semicírculos espalhados na sala e nos quadros negros. As atividades de matemática eram realizadas nos bancos (MENDONÇA; COSTA, 2015). Para trazer economia, o mobiliário e os materiais eram utilizados de forma reduzida: os bancos não possuíam encosto e eram produzidos de madeira simples, havia relógios para cronometrar as atividades realizadas, estrados elevavam a mesa dos professores, quadro negro e telégrafos eram utilizados para a comunicação entre os monitores gerais e os monitores particulares (ARAÚJO, 2010). Os agentes da ação educativa eram os professores e os alunos monitores, que, diferentemente dos métodos individual e simultâneo, dividiam a responsabilidade. Ao professor cabia orientar os monitores, transmitindo os seus conhecimentos a fim de que estes pudessem retransmitir o conhecimento e aplicar o método. Os monitores, os alunos mais fortes, eram as peças essenciais desse método, pois ensinavam os conteúdos diretamente aos demais alunos da sala (MENDONÇA; COSTA, 2015). O método Lancaster não obteve o desempenho que era esperado. Por esse motivo, novas discussões foram travadas. Novos métodos, misturando o método individual e o método Lancaster, foram surgindo ao longo dos séculos e estão intimamente relacionados à forma como organizamos nossa sala de aula. 3.3 Método simultâneo O método simultâneo caracteriza uma evolução significativa no modo de ensinar, pois seu foco está na qualidade e na quantidade de alunos que se pode alcançar, ao mesmo tempo. O professor, ao invés de realizar o atendimento individual aos alunos, como proposto no método individual, pode atender de trinta a quarenta alunos ao mesmo tempo. Ou seja, os alunos realizam a mesma lição ao mesmo tempo e o professor corrige todos ao mesmo tempo. O método simultâneo consiste em dividir os discípulos em diversas classes ou termos, e fazer seguir em cada classe a mesma lição de leitura, de escrita e de cálculo, passando sucessivamente de uma a outra classe, e tendo todo o cuidado em que estão empregadas em alguma coisa, aquelas classes, que não assistem neste intervalo (SILVA; ARANTES, 2015, p. 17). Criado por Jean-Baptiste de La Salle, no final do século XVII, o método simultâneo possuía como característica a divisão da turma em classes, levando em consideração a matéria e o grau de desenvolvimento dos alunos. O Método simultâneo é coletivo e apresentado a grupos de alunos reunidos em função da matéria a ser estudada, [...] o ensino não se dirige mais a um único aluno, como no modo individual, mas pode atender a cinquenta ou sessenta alunos ao mesmo tempo. Esse ensino [...] comporta em nível de estrutura, três classes sucessivas, a primeira é consagrada unicamente a leitura, [...] a segunda destina-se a aprendizagem da escrita, [...] na terceira classe, são abordadas as disciplinas mais complexas elaboradas: gramática, ortografia e cálculo (LESAGE, 1999, p. 10-11). O autor recomendava que dentre os alunos fossem escolhidos os que se destacavam, os mais estudiosos. Estes seriam encarregados da vigilância dos demais alunos, ou seja, de “tomar” as lições dos alunos, por meio da repetição do que o mestre havia ensinado. A estes vigilantes também era permitido a repreensão dos alunos que não realizavam os seus deveres e de ensinar, guiando as mãos dos alunos que não conseguissem escrever. O método simultâneo apresentava maior vantagem para o processo de ensino em relação aos métodos individual e Lancaster. Neste modelo, o professor poderia ensinar uma quantidade proporcional de alunos, dividindo-os em classes segundo o desenvolvimento de cada um. Dessa forma, o professor poderia aplicar a toda a classe a mesma lição de leitura, cálculo e escrita. O professor poderia pedir para que um aluno lesse em voz alta a lição, enquanto os outros acompanhavam em seus livros, assim o professor poderia transitar de uma classe a outra, sem deixar os alunos ociosos (SILVA; ARANTES, 2015). Exemplificamos as classes do método simultâneo da seguinte forma: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: A imagem representa o Método Simultâneo. Na figura existem quatro quadros. Seguindo da esquerda para a direita, no primeiro quadro, na parte superior existe uma forma oval que representa o professor, do qual originam-se três setas direcionadas para baixo, apontando para dezoito figuras na cor vermelha representando alunos nível 1. Ao lado, no segundo quadro, encontramos uma representação semelhante, sendo que os alunos agora representados, são de nível 4. O terceiro quadro exemplifica a imagem anterior, porém com alunos nível 3, sendo seguido de uma representação também originada pela representação do professor direcionado por 3 setas orientadas para alunos nível 2. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. Esse método, porém, também possuía desvantagens. O número de alunos era limitado; caso contrário, o professor necessitaria de ajudantes e teria de recorrer ao método individual caso chegasse um aluno para os primeiros ensinamentos. FIM DO TÓPICO 3. INÍCIO DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), chegamos ao final das discussões sobre os fundamentos históricos e filosóficos da Didática. É indispensável pensarmos na forma como os conteúdos desta unidade foram expressos. Iniciamos nossa discussão conhecendo e compreendendo a Didática Magna e o seu criador João Amós Comênio, um intelectual e teólogo que viveu no século XVII, em meio à transição do sistema feudal para o sistema capitalista. Ele se configura como um dos mais importantes intelectuais do seu período. Partindo de uma experiência pessoal e atenta às mudanças sociais, Comênio propôs uma nova forma de se pensar o processo de aprendizagem nas escolas, a partir da sua obra mais importante para a educação, a Didática Magna. Apesar de ser um homem do seu tempo, Comênio pensou para além dele. Diante disso, suas obras permanecem atuais, servindo de base para as teorias educacionais e norteando o processo de ensino até hoje. As nossas discussões seguiram em torno da compreensão da Didática no Brasil, a partir da chegada da Companhia de Jesus para catequizar os índios. Essa é uma importante parte da história do Brasil, tanto com relação ao processo educacional quanto ao processo político, pois vemos a educação como uma ferramenta para o processo de dominação. Mesmo após a expulsão dos jesuítas do Brasil, seus métodos pedagógicos permaneceram, no entanto outros também surgiram, como o método individual, método Lancaster e método simultâneo. É importante perceber que, a partir do momento que o adulto passou a interferir no processo de aprendizagem das crianças e dos jovens, surgiu a necessidade de se pensar em métodos para o processo de ensino. Dessa forma, a partir do momento em que o saber é sistematizado, surge a preocupação com o processo de ensino, fazendo emergir intelectuais que propõem, por meio de suas teorias, novas formas de ensinar. Convidamos você a continuar o estudo sobre o processo de ensino, conhecendo, na próxima unidade, as tendências pedagógicas que fundamentam o processo de ensino e de aprendizagemdesde o final do século XIX. Vamos lá? FIM DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. INÍCIO DAS ATIVIDADES DE ESTUDO 1. Estudar a obra Didática Magna de João Amós Comênio, escrita no século XVII, se faz necessário ainda nos dias atuais, tendo em vista que refletir sobre a educação e seus aspectos de valorização da infância e da escolarização formal, por exemplo, é uma tarefa do homem moderno. Nesse contexto, partindo da teoria de Comênio, leia as afirmativas e assinale a correta: a) Comênio era um homem do seu tempo, mas que pensava além dele. Por esse motivo, defendia que somente os homens deveriam ter acesso à escolarização formal. b) Quando era criança, Comênio teve a experiência da sua escolarização em uma instituição que valorizava a criança. Foi por esse motivo que ele criou um método, para que todos tivessem acesso à escola. c) Comênio defendia que deveria ser ensinado tudo a todos, pois, na época em que viveu, a educação era um privilégio de poucos, além de estar sob a guarda da Igreja Católica; d) Comênio defendia que as crianças pequenas também deveriam frequentar a escola, tendo em vista que a educação empreendida pelos pais não era suficiente para a formação do ser humano; e) Comênio defendia que a educação deveria ser acessada por todos, tendo em vista que seria por meio da educação que o homem desenvolveria o seu lado racional e intelectual. 2. A educação escolar no Brasil iniciou-se por meio da Companhia de Jesus, os jesuítas, no ano de 1549. A chegada ao país possuía como objetivo a catequização dos índios e a propagação da cultura europeia, além de se constituir como mais uma terra onde o poder da Igreja Católica vigorava. Os jesuítas trouxeram consigo um documento que padronizava a educação em todas as instituições da Companhia de Jesus, o qual se intitula: a) Didática Magna. b) Ratio Studiorum. c) Mundo Ilustrado ou Sensível. d) Novíssimo Método das Línguas. e) Didática Tcheca. 3. A Didática Magna contempla a educação pansófica, que se constitui como uma organização do saber, um projeto educativo e um ideal de vida imaginado por Comênio. Nesse contexto, ele organizou a educação em quatro níveis. Leia as afirmativas e assinale V para verdadeiro e F para falso, considerando os quatro níveis de educação. ( ) Escola Materna; Escola Vernácula. ( ) Escola Materna; Escola superior. ( ) Escola Latina e Universidade e viagens. ( ) Escola vernácula; Estudos posteriores. ( ) Escola latina; Escola superior. As afirmações I, II, III e IV são, respectivamente: a) V, F, V, F, F b) F, V, V, V, F c) V, F, F, V, V d) V, V, F, V, F e) F, F, V, V, V 4. Foram utilizados no Brasil alguns métodos didáticos para a escolarização após a expulsão dos jesuítas, em 1773. A conhecer: o método individual, o método mútuo e o método simultâneo. No entanto, foi somente quase um século depois que a instrução primária para todos os cidadãos foi garantida por Lei. Leia a afirma e assinale a que representa o documento que garantiu a gratuidade do ensino primário a todos os cidadãos. a) Constituição Federal de 1824. b) Carta Régia. c) Decisão Imperial. d) Lei da Corte Geral. e) Lei 13 de janeiro de 1822. 5. O método Lancaster ou método mútuo chegou ao Brasil por volta de 1820, sendo implantado pelo governo como método para o processo de ensino e de aprendizagem nas escolas do Império. Todas as províncias do Brasil acabaram por adotar, cada um à sua forma, este método de ensino. Apesar disso, as escolas que adotaram o método apresentavam algumas características em comum. Leia as afirmativas e assinale a correta quanto a essas características: I – Estrutura pedagógica. II – Mobiliário. III – Atendimento individualizado. IV – Agentes da ação educativa. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) I, III e IV, apenas. c) II, III e IV, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. FIM DAS ATIVIDADES DE ESTUDO. INÍCIO DA LEITURA COMPLEMENTAR O MATERIALISMO HISTÓRICO DE KARL MARX E FRIEDRICH ENGELS Karl Marx (1818-1883) destacou-se como um importante pensador do século XIX, tornando-se um dos principais nomes das ciências humanas. Em parceria com Friedrich Engels (1820-1895), escreveu obras que se tornaram clássicas, tendo como principal objeto de estudo a sociedade capitalista. Seus estudos inspiraram e ainda inspiram formulações das vertentes teóricas e políticas. Ainda que não tenham escrito uma obra dedicada ao estudo da metodologia, Karl Marx é considerado o precursor do Materialismo Histórico- Dialético, que é utilizado como método de pesquisa em vários campos da ciência (MCLELLAN, 1988). Marx (1986) acreditava e expressou no conjunto de suas obras o nascimento, a existência, o desenvolvimento, a morte e a substituição da sociedade capitalista com base nas contradições entre as classes sociais, ou seja, no movimento dialético. Podemos ver tal movimento dialético na crença que Marx (1986) possuía no proletariado, pois acreditava que essa classe seria capaz de organizar a sociedade de forma mais séria e justa. Segundo Marx (1986), a história se constitui revolucionária, concebendo a história como produção social da existência do ser social, ontológico. Ou seja, a história se produziu dessa forma por conta dessa determinada sociedade, a capitalista. O primeiro ato histórico é, portanto, a produção dos meios que permitam a satisfação destas necessidades, a produção da própria vida material, e de fato este é um ato histórico, uma condição fundamental de toda a história, que ainda hoje, como há milhares de anos, deve ser cumprido todos os dias e todas as horas, simplesmente para manter os homens vivos (MARX; ENGELS, 1986, p. 39). O processo da história é o processo de humanização do ser social ou da produção da humanidade, ou seja, é o produto dos seres humanos ao produzir suas vidas. Ao produzir vidas se produz história. A sociedade é apresentada como uma totalidade social para Marx (1986). O homem se constitui no corpo da sociedade, sendo a sociedade capitalista uma das etapas do desenvolvimento histórico. Na teoria marxista, não há seres sociais isolados, fora da sociedade. O trabalho se apresenta como ponto fundamental no processo de humanização, ou seja, de construção do ser social. É pelo trabalho que o homem se distingue do ser da natureza e se produz como ser social. Marx (1986) acreditava que o homem é uma forma específica de ser histórico. Só existe como ser social em uma determinada sociedade, ou seja, a concepção do ser social aparece como uma síntese de determinações sociais e históricas. Temos dois tipos de relações sociais: entre homem e homem, e entre homem e natureza. Esses conceitos são estabelecidos em conformidade com os meios de produção. Podemos perceber, pelas as considerações apontadas com relação ao Materialismo Histórico-Dialético de Marx e Engels, que os estudos de Marx eram baseados nas ciências humanas, no estudo da sociedade. Escreveu obras de muita importância para entendermos a sociedade capitalista e suas crises. Marx (1986) acreditava no movimento dialético, acreditava que a luta de classes é que movimenta a história. Por isso, sua análise parte sempre do plano material para o plano das ideias. O seu estudo sobre a sociedade capitalista rompe com o conceito do ser isolado e parte para a concepção do ser social, que produz com as mãos, trabalha com as mãos e com a cabeça, transformando sua realidade. Para Marx (1986), a organização social, por meio da história – ou das transformações sociais –, possui meios de superar o seu método. Fonte: as autoras. FIM DA LEITURA COMPLEMENTAR. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – LIVRO Capa do livro: Título: Didática Autor: José Carlos Libâneo Editora: Editora Cortez Sinopse: nesse livro, aDidática é tratada como ramo de estudo da Pedagogia, partindo dos vínculos entre finalidades sócio-políticas e pedagógicas e as bases teórico-científicas e técnicas da direção do processo de ensino e aprendizagem. O autor propõe o estudo sistemático da Didática como teoria do processo de ensino de modo a unir a preparação teórica e prática na formação profissional do professor. Constitui-se, assim, como disciplina integradora que, ao buscar os conhecimentos teóricos e práticos da Teoria da Educação, Psicologia, Sociologia e Metodologias específicas das matérias de ensino, generaliza princípios, condições e meios que são muito comuns e básicos para a docência de todas as matérias escolares. Comentário: A leitura desse livro é de fundamental importância para todos os profissionais da educação que trabalharão com o processo de ensino e de aprendizagem em ambientes formais ou não formais. Compreender a Didática como uma parte da sua formação é compreender que há ciência e teoria no ato de ensinar. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - LIVRO. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – FILME Pôster do filme: Título: Escritores da liberdade Ano: 2007. Sinopse: Hilary Swank, duas vezes premiada com o Oscar, atua nessa instigante história envolvendo adolescentes criados no meio de tiroteios e agressividade e a professora que lhes oferece o que mais precisam: uma voz própria. Quando vai parar numa escola corrompida pela violência e tensão racial, a professora Erin Gruwell combate um sistema deficiente, lutando para que a sala de aula faça a diferença na vida dos estudantes. Contando suas próprias histórias e ouvindo as dos outros, uma turma de adolescentes supostamente indomáveis vai descobrir o poder da tolerância, recuperar suas vidas desfeitas e mudar seu mundo. Com eletrizantes performances de um elenco de astros, incluindo Scott Glenn (Dia de Treinamento), Imelda Stauton (Harry Potter e a Ordem da Fênix) e Patrick Dempsey (Grey's Anatomy), ganhador do Globo de Ouro. Escritores da Liberdade é baseado no aclamado best-seller O Diário dos Escritores da Liberdade. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - FILME. INÍCIO DAS REFERÊNCIAS AHLERT, A. O mundo de Comênius: entre conflitos e guerras, uma luz para a prática pedagógica. Revista de Ciências Humanas, Florianópolis, n. 32, p. 439-451, out. 2002. ARAÚJO, J. S. Esboço sobre o surgimento, as características e a implantação do método monitorial/mútuo no Brasil do século XIX. Cadernos da Pedagogia, São Carlos, ano 4, v. 4, n. 7, p. 86-95, jan./jun. 2010. Disponível em: <http://www.cadernosdapedagogia.ufscar.br/index.php/cp/article/viewFile/179/1 05> Acesso em: 19 mar 2019. BIASENTTI, S. Uma visão histórico-teológica de Jan Amos Komenský: Pai da didática moderna, segundo a ética protestante da Instrução, virtude e piedade. 2017. Disponível em: <http://uniesp.edu.br/sites/_biblioteca/revistas/20170503115121.pdf>. Acesso em: 01 abr. 2019. CASTANHA, A. P. A introdução do método Lancaster no Brasil: história e historiografia. In: Anpedsul - Reunião Nacional Da Associação Nacional De Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, 9, Máringá, 2012. Anais..., Maringá, 2012, p. 4-8. Disponível em: <http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewF ile/1257/12>. Acesso em: 19 mar. 2019. COMENIUS, I. A.. Didactica Magna. 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FIM DA UNIDADE I. INÍCIO DA UNIDADE II INÍCIO DA FOLHA DE ABERTURA TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS Me. Camila Tecla Mortean Mendonça Objetivos de Aprendizagem ● Discutir as tendências pedagógicas nos diferentes tempos históricos, a fim de compreender a aliança entre a educação e sua sociedade. ● Contextualizar a didática a partir das teorias liberais e progressistas para que possamos identificar o objetivo da educação em cada sociedade. ● Conhecer como a Didática se constitui na contemporaneidade e sua relação com o processo de ensino, a fim compreender a função social da atual educação. ● Relacionar a Didática com sua utilização nos ambientes não formais para identificar a relevância de uma didática em diferentes espaços. Plano de Estudo ● Tendências Pedagógicas Liberais ● Tendências Pedagógicas Progressistas ● A Didática na contemporaneidade ● A Didática nos ambientes não formais de aprendizagem FIM DA FOLHA DE ABERTURA. INÍCIO DA INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), dando continuidade as nossas discussões sobre a construção histórica da Didática, avançaremos nos estudos do tema e compreenderemos a Didática enquanto um campo de estudo do processo de ensino que, aliando teoria a um conjunto de métodos, recursos e procedimentos, possibilitam ao professor a realização do processo de ensino consistente. O processo de ensino nas instituições educacionais se dá a partir da mediação que o professor faz entre o conhecimento e o aluno,utilizando as metodologias, os métodos, as estratégias e os recursos, para isso é preciso que o professor tenha conhecimento destes. Diante disso, nosso objetivo nesta unidade é o de levá-los à reflexão sobre as principais tendências pedagógicas que foram e ainda são utilizadas no processo de ensino em nosso país. É importante esclarecer, de antemão, que o processo teórico de criação e consolidação de uma teoria pedagógica se dá por meio de embates e discussões. As teorias apresentadas são aquelas que se destacaram e foram adotadas nas escolas brasileiras, mas isso não quer dizer que não surgiram outras teorias e propostas nos mesmos períodos. Trouxemos os períodos em que cada teoria foi adotada no país, no entanto sabemos que o processo de transição entre as teorias é moroso: não dormimos na tendência Tradicional e acordamos na tendência Escola Nova, por exemplo. Mesmo assim, temos que ter ciência de que algumas teorias foram vencidas por outras, mas ainda são adotadas por muitas escolas de nosso país. O estudo das tendências pedagógicas visa proporcionar a compreensão da dimensão política e da dimensão educacional que estão propostas nas metodologias adotadas pelas instituições de ensino. Desta forma, é essencial o conhecimento dessas tendências, pois elas são pré-requisitos para que possamos refletir e transformar o processo educacional existente. Vamos lá? FIM DA INTRODUÇÃO. INÍCIO DO TÓPICO 1 São quatro as tendências pedagógicas liberais. Suas teorias serviram como norteadores do processo de ensino e de aprendizagem no Brasil até por volta da década de 1950. As principais características destas tendências pedagógicas quanto às categorias papel da escola, conteúdos, métodos, professor X aluno e aprendizagem encontram-se no Quadro 1. Quadro 1 - Síntese das principais características das tendências pedagógicas liberais TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS LIBERAIS Tendência Característica Tradicional Renovada Progressista Renovada não diretiva: Escola Nova Tecnicista Papel da escola Preparação dos alunos para assumir seu papel na sociedade. A escola deve se adequar as necessidades individuais dos alunos. A escola deve promover a formação de atitudes. Modela o comportamento humano. Conteúdos Conhecimento historicamente acumulado pela humanidade, transmitidos aos alunos como verdades absolutas. Os conteúdos são estabelecidos a partir dos interesses e situações vividas pelos alunos. Os alunos buscam o conhecimento. Consiste em informações ordenadas em uma sequência lógica e psicológica. Métodos Exposição oral dos conteúdos, reprodução dos modelos. Pesquisas, experiências, soluções de problemas. Facilitação da aprendizagem pelo professor. Técnicas de transmissão e recebimento de informações. Professor X Aluno Professor como autoridade, detentor de todo o conhecimento. Aluno receptor passivo. O professor é um auxiliar no desenvolvimento do aluno. O aluno é o centro do processo de ensino e de aprendizagem. O professor propicia condições para o aprendizado dos alunos. O aluno é o centro do processo de ensino e aprendizagem. O professor transmite as informações e os alunos devem fixa-las. Aprendizagem Aprendizagem mecânica, por meio de repetição, memorização e reprodução. É baseada na estimulação, nos interesses e motivação dos alunos. Ao aprender os alunos modificam as suas percepções sobre a realidade. A aprendizagem é baseada no desempenho. Fonte: Elaborado pela autora (2018). 1.1 Tendência pedagógica tradicional O termo “tendência tradicional” foi cunhado a partir do estudo das tendências pedagógicas antigas. A teoria ganhou corpo a partir da identificação dos pontos recorrentes nas práticas pedagógicas adotadas ao longo da história da educação até final do século XIX. Com a ascensão do movimento renovador, a identificação das práticas pedagógicas adotadas até então ganha essa denominação. Saviani (2018, p. 1) define que: A denominação “concepção pedagógica tradicional” ou “pedagogia tradicional” foi introduzida no final do século XIX com o advento do movimento renovador que, para marcar a novidade das propostas que começaram a ser veiculadas, classificaram como “tradicional” a concepção até então dominante. Assim, a expressão “concepção tradicional” subsume correntes pedagógicas que se formularam desde a Antiguidade, tendo em comum uma visão filosófica essencialista de homem e uma visão pedagógica centrada no educador (professor), no adulto, no intelecto, nos conteúdos cognitivos transmitidos pelo professor aos alunos, na disciplina, na memorização [...]. No Brasil, a tendência pedagógica tradicional foi adotada por volta do final do século XIX, possuindo características bem peculiares quanto ao processo de ensino e de aprendizagem. A escola era caracterizada como o único local onde os alunos poderiam ter acesso aos conhecimentos científicos. Dessa forma, qualquer conhecimento obtido fora da escola não era considerado para o processo de ensino e de aprendizagem formal, isso incluía as vivências dos alunos, seus conhecimentos cotidianos. Os conteúdos trabalhados nessa escola constituíam-se dos conhecimentos historicamente acumulados pela sociedade; estes eram transmitidos aos alunos como verdades absolutas, portanto não poderiam ser contestados. As disciplinas eram tratadas isoladamente, desvinculadas dos interesses dos alunos e da realidade concreta (LIBÂNEO, 1994). Os métodos adotados eram a exposição oral e a reprodução de modelos. Assim, o ensino acontecia por meio da repetição, memorização e reprodução. O papel do professor e do aluno era estanque. O professor era o centro do processo educativo: ele era o detentor de todo o conhecimento historicamente acumulado, tendo a responsabilidade de transmitir os conteúdos aos alunos e prepará-los para assumir seus papéis na sociedade. Ao aluno, cabia apenas aprender os conteúdos; após a compreensão dos mesmos, cabia ao discente reproduzi-los tal qual lhes foram ensinados. “O professor tende a encaixar os alunos num modelo idealizado de homem que nada tem a ver com a vida presente e futura” (LIBÂNEO, 1994, p. 64). O compromisso social dessa escola era a reprodução da cultura. Suas características eram marcadas pela disciplina rígida e castigos físicos. Possuía como finalidade ser uma instituição sistematizadora de uma cultura complexa que propicia, em seu seio, a apropriação do conhecimento por meio da transmissão dos saberes pelo professor e a confrontação de modelos de demonstração. A escola, nesse contexto, é uma reprodutora de modelos e coloca-se como único local em que se tem acesso ao conhecimento (BEHRENS, 2009). [...] a tendência liberal tradicional é caracterizada por dar ênfase ao ensino humanístico, de cultura geral. Segundo essa escola tradicional, o estudante é preparado para atingir sua plenitude através de seu próprio esforço. Dessa forma, as diferenças de classe social não são consideradas e toda a prática escolar não tem nenhuma relação com o cotidiano do aluno. Cabe ao professor conduzir o processo e ao aluno receptivo, apenas memorizar o que foi passado para ele (MARQUES, 2012, p. 2). Seria impensável uma educação nesses moldes nos dias atuais, certo? Entretanto, a didática da tendência tradicional tem resistido ao tempo e continua sendo aplicada nas práticas escolares ainda hoje. INÍCIO DO REFLITA Apesar da tendência tradicional de ensino ter sido superada teoricamente há décadas, seus resquícios ainda se mantêm enraizados nas nossas práticas pedagógicas. Que atitudes podemos adotar para que essas práticas sejam modificadas? FIM DO REFLITA. Caro(a) aluno(a), não podemos dizer que tudo que foi utilizado na tendência tradicional deve ser desconsiderado e deixado para trás, pois algumaspráticas ainda são úteis ao processo de ensino e aprendizagem; as aulas expositivas, por exemplo. As aulas ainda carecem de explicação dos professores. No entanto, aulas expositivas, apenas, não permitem que o aluno desenvolva todas as suas competências e habilidades; tais aulas devem ser aliadas a outras práticas e recursos para que sejam efetivas no processo de ensino. A crítica que nos cabe fazer sobre a tendência tradicional é que o que se tem adotado da tendência tradicional, nos dias atuais, são os aspectos que não levam os alunos a desenvolverem autonomia para os estudos, independência de raciocínio, pensamento crítico e reflexivo. Absorveu-se a reprodução, memorização, a repetição de modelos prontos e estereotipados, sem valor educativo, desprovidos de significado social, inúteis para a formação de pessoas com capacidades intelectuais para uma compreensão crítica da realidade (LIBÂNEO, 1994). A tendência tradicional é criticada por todas as tendências pedagógicas pelo fato de reproduzir a lógica da exclusão, com um conhecimento dominante, perpetuando, assim, a opressão, a divisão de classes e a cultura do silêncio. Freire (1981, p. 67) define essa tendência como uma educação bancária, que consiste no “ato de depositar, transferir, de transmitir valores e conhecimentos”. Esse modelo de educação nega a transformação e a criatividade. Será que conseguiremos deixar para trás esta tendência? Será que é necessário? Caro(a) aluno(a), é evidente que algumas características da tendência tradicional devem ser descartadas, no entanto é preciso manter os aspectos que fizeram e fazem bem à prática pedagógica vigente, que atendem às nossas necessidades e as dos nossos alunos, pois temos sempre que ter como objetivo o processo de ensino e de aprendizagem. 1.2 Tendência pedagógica renovada A tendência pedagógica renovada incluiu várias correntes provenientes das teorias de vários intelectuais, a exemplo: a ativista espiritualista (de orientação católica); a montessoriana; a piagetiana; a culturalista; a progressista (baseadas nas ideias de John Dewey) e a não diretiva ou escola nova (baseada nas ideias de Carl Rogers). Todas estas teorias são baseadas na pedagogia ativa, que surge por volta de 1930 no Brasil, em contraposição à tendência pedagógica tradicional (LIBÂNEO, 1994). No quadro 2, há uma síntese das duas tendências que mais se destacaram: tendência progressista e a não diretiva ou escola nova. No Brasil, as experiências didáticas se basearam no movimento escola nova, por este motivo, aqui ficaremos com as ideias provenientes desta tendência: a renovada diretiva ou escola nova. Os novos métodos de ensino que chegavam ao Brasil eram, a priori, restritos às escolas privadas, uma vez que havia uma luta pela manutenção das escolas católicas, que na época constituíam espaços de educação tradicional. Nesse sentido, as primeiras décadas do século XX, no Brasil, foram palco de disputas e embates entre a igreja e seus defensores e um movimento que se empenhou em dar novos rumos para a educação. (ANDREOTTI, 2018). Em 1924, tivemos a fundação da Associação Brasileira de Educação, com o objetivo de promover os debates em torno das questões educacionais e a influência da escola nova e seus defensores, em um movimento para dar novos rumos para a educação, os embates e disputas gerados em torno desse novo método evidenciaram o jogo de interesses em que estava inserida a educação escolarizada (ANDREOTTI, 2018). Assim, a década de 1930 foi proveitosa com relação à nova educação. Em 1932, temos a publicação do Manifesto dos Pioneiros, que foi defendido pelos educadores que ocupavam cargos públicos. Assim, “contrastando com a educação tradicional, as novas tendências pedagógicas visavam proporcionar espaços mais descontraídos, opondo-se, como investigação livre, à educação ensinada” (ANDREOTTI, 2018, p. 3). Os novos métodos propunham um ensino que surgia do processo ativo dos alunos e de sua autoaprendizagem. Caro(a) aluno(a), podemos perceber a correlação de forças existentes nos embates para se fazer educação. Não em benefício das pessoas, mas, sim, levando em consideração o jogo de interesses existentes na sociedade. Diante disso, é importante compreender que sempre, na história da educação, haverá os defensores de uma escola para todos e os defensores de uma educação elitizada, para poucos. Passemos agora à discussão das características dessa tendência pedagógica. A principal característica da tendência escola nova é a rejeição à tendência tradicional de ensino. A escola era caracterizada como um local onde seria formada a atitude dos alunos. A didática é entendida como uma teoria que dará direção para o processo de aprendizagem. Nesse sentido, o centro do processo de ensino e de aprendizagem não é o professor nem o conteúdo, mas, sim, o aluno, ser ativo e investigador (LIBÂNEO, 1994). Aprender é modificar suas próprias percepções. Apenas se aprende o que estiver significativamente relacionado com essas percepções. A retenção se dá pela relevância do aprendido em relação ao “eu”, o que torna a avaliação escolar sem sentido, privilegiando-se a autoavaliação. Trata-se de um ensino centrado no aluno, sendo o professor apenas um facilitador (SILVA, 2018, p. 3). O papel do professor era dar condições para que os alunos, a partir das suas necessidades e interesses, pudessem buscar os conhecimentos por si só. Assim, os conteúdos também se baseavam na busca de conhecimento pelos próprios alunos. A ideia empregada nessa tendência é que “o aluno aprende mais por si próprio” (LIBÂNEO, 1994, p. 65). Se na tendência tradicional a atividade pedagógica era centrada no professor, na escola nova é voltada para o “aprender fazendo”. Nesse sentido, o centro passou a ser o aluno, valorizando a pesquisa, a descoberta, suas tentativas experimentais, levando em consideração os interesses dos alunos (MARQUES, 2012). Não se tratava somente de colocar o aluno para fazer trabalhos manuais ou manipular objetos, mas de propiciar aos alunos situações em que fosse possível manifestar sua intelectualidade, criatividade, expressão verbal e escrita, por exemplo. De acordo com Mizukami (2009, p. 45) “a prática educativa passou a ter como foco o aluno, desta forma, a sua realização pessoal e o autodesenvolvimento, influência da psicologia, tomaram as discussões no campo educacional”. Nesse sentido, Libâneo (1994) destaca que: O professor incentiva, orienta, organiza as situações de aprendizagem, adequando-as às capacidades de características individuais dos alunos. Por isso, a didática ativa dá grande importância aos métodos e técnicas como o trabalho em grupo, atividades cooperativas, estudo individual, pesquisas, projetos, experimentações, etc., bem como aos métodos de reflexão e método científico de descobrir conhecimentos. Tanto na organização de experiência de aprendizagem como na seleção de métodos, importa o processo de aprendizagem e não diretamente o ensino (LIBÂNEO, 1994, p. 66). Para alcançar os objetivos propostos por essa tendência pedagógica, o aprendizado teria de ser espontâneo, ou seja, partir do interesse do aluno. De acordo com Saviani (2009), esse modelo trouxe mais pontos negativos do que positivos para a educação, e ainda destaca que a escola nova provocou o afrouxamento da disciplina e a despreocupação com a transmissão dos conhecimentos científicos, rebaixando a qualidade do ensino destinado às classes menos favorecidas da sociedade, que somente na escola podem acessar o conhecimento historicamente acumulado. Em contrapartida, acabou por melhorar a qualidade do ensino destinado às elites. A didática da escola nova possui muitos pontos positivos, principalmente sua proposição de basear as atividades escolares dos alunos em estudo e pesquisa, atividade mental, visando a formação depessoas autônomas. No entanto, por falta de conhecimento, condições e material, muitos professores utilizaram somente alguns métodos e técnicas da teoria escolanovista, sem levar em consideração o objetivo principal, que é propiciar ao aluno a condição de raciocinar cientificamente, de desenvolver sua independência, sua capacidade de reflexão e pensamento (LIBÂNEO, 1994). Na primeira metade do século XX a escola nova já começava a apresentar algumas das características que a levariam ao fracasso. A preocupação com a qualidade do ensino, com a didática e com instrumentos eficientes para o processo de ensino e de aprendizagem inaugurou um período de reflexão que levaria a novas formas de ensinar, novas teorias. 1.3 Tendência pedagógica tecnicista Para falarmos da tendência tecnicista é preciso, primeiramente, compreender o processo produtivo que foi sistematizado no final do século XIX e início do século XX, por meio da Teoria da Administração, empregada até os dias atuais na organização e controle do trabalho, cujo principal precursor foi Frederick Winslow Taylor (1856 -1915). A Teoria Geral da Administração possui como principal objetivo o controle do processo produtivo. O desenvolvimento gerado pelo sistema capitalista introduziu novas relações entre os trabalhadores e o processo de produção – a compra e venda da força do trabalho. Surge a figura do gerente, que planeja e controla os processos de produção (MARQUES, 2012). Antes do desenvolvimento capitalista, os trabalhadores eram independentes. Não havia organização da produção, o que ocasionava alguns problemas como a falta de padrão dos produtos, o desperdício de matéria prima, produção artesanal, horários de trabalho de acordo com a necessidade de cada um e produção desigual (MARQUES, 2012). Esses problemas não poderiam permanecer na nova sociedade que emergia; diante disso, o processo de produção precisava ser aprimorado, ser mais racional e eficiente. Esse modelo de produção que também foi inserido na educação. A tendência pedagógica tecnicista pode ser entendida a partir do momento da sua inserção no processo produtivo, ou seja, a escola adere aos conceitos produtivistas e os insere no contexto pedagógico pois é ela quem forma o sujeito necessário para atender as demandas da sociedade, sobretudo no mercado de trabalho. A tendência pedagógica tecnicista surgiu no Brasil por volta da década de 1950. De forma progressiva, ganhou espaço até ser implantada na década de 1960, momento em que se iniciava, no Brasil, a Ditadura Militar (1964-1985). No país, a implantação dessa tendência pedagógica ocorreu a partir da consultoria de empresas norte-americanas, que já desenvolviam pesquisas sobre a educação brasileira e que também tinham a necessidade de preparar mão de obra qualificada que pudesse atender ao mercado multinacional. Essa influência internacional se manifestou na forma dos planejamentos escolares e na formulação da legislação, especificamente da Lei nº 5.540/1968 (Ensino Universitário) e da Lei nº 5.692/1971 (Ensino de 1º e 2º grau). Inspiradas nas ideias de Augusto Comte (1798-1857) e sua teoria positivista, além da psicologia americana behaviorista de Burrhus Frederic Skinner (1904-1990), a tendência buscava ensinar o aluno por meio do treinamento. Dentre os princípios do positivismo, destacamos: “a sociedade humana é regulada por leis naturais, ou por leis que tem todas as características das leis naturais, invariáveis, independentes da vontade e da ação humana” (LÖWY, 2007, p. 36). Assim, os métodos empregados para conhecer a sociedade e a natureza deveriam ser os mesmos, ou seja, a metodologia das ciências sociais e das ciências naturais deveriam ser as mesmas, tendo em vista que o funcionamento da sociedade é subordinado à mesma lei que rege o funcionamento da natureza (LÖWY, 2007). Por fim, Löwy complementa que: [...] da mesma maneira que as ciências da natureza são ciências objetivas, neutras, livres de juízos de valor, de ideologia políticas, sociais ou outras, as ciências sociais devem funcionar exatamente segundo este modelo de objetividade científica (2007, p. 36). Aranha (1996, p. 176) destaca que a tendência tecnicista busca na psicologia behaviorista, também de base positivista, “os procedimentos experimentais necessários para a aplicação do condicionamento e o controle do comportamento”. A escola, portanto, passou a ter um caráter técnico, operacional e objetivo. O foco da educação não era mais o professor nem o aluno, mas a técnica, ou seja, a organização sistematizada dos meios e instrumentos da aprendizagem. À escola cabia treinar os alunos, modelando os seus comportamentos. “À escola compete a organização do processo de aquisição de habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, úteis e necessários para que o indivíduo se integre na máquina do sistema social global” (MIZUKAMI, 1986, p. 28-29). Essa tendência pedagógica emprega na escola o papel fundamental da formação das pessoas que se integrem e sejam ativos na sociedade que está se transformando. Assim, a escola deve desenvolver nos alunos os comportamentos que são esperados para a sociedade e organizar, de forma sistematizada, o processo de desenvolvimento das habilidades e conhecimentos historicamente acumulados. O professor nesta tendência pedagógica caracteriza a sua prática por meio da transmissão e reprodução do conhecimento. A partir da psicologia Behaviorista e da teoria do reforço de Skinner, o professor programava o ensino, assim poderia prever o comportamento desejado e o resultado final (BERHRENS, 2009). Neste contexto, o professor aplicava a técnica pela técnica em busca do objetivo final. O ensino tornou-se ainda mais burocrático, os professores tinham que preencher papéis onde o programa da aula deveria ser detalhado. A função do professor foi inferiorizada, se tornando apenas um executor das ordens e do planejamento que era desenvolvido por técnicos da educação, estes não tinham conhecimento da sala de aula. O aluno era mero espectador frente a realidade. A partir da teoria do reforço, de Skinner, os alunos modificam os seus comportamentos, que são observáveis e mensuráveis. O aluno ficava privado da criticidade, pois deveria seguir à risca os manuais de instruções que demonstravam a eficiência e competências que eram exigidas por essa sociedade (BERHRENS, 2009). A transferência da aprendizagem depende do treino; é indispensável a retenção, a fim de que o aluno possa responder às situações novas de forma semelhante às respostas dadas em situações anteriores. A ênfase na repetição leva o professor a propor cópia, exercícios mecânicos e premiações pela retenção do conhecimento (BERHRENS, 2009, p. 50). De acordo com Ferraz e Fusari (2009), essa tendência pedagógica provocou a descrença dos professores no planejamento escolar, tendo em vista que, ao invés de serem prazerosos, eram mecânicos e produziam aulas modeladas. Os conteúdos não dialogavam entre si e reproduzia-se sempre um modelo estanque. A metodologia utilizada era reprodutivista, enfatizando a resposta certa. As respostas formuladas pelos alunos deveriam se referir somente ao conteúdo exposto pelo professor. Assim, o aluno se tornava passivo, obediente, acrítico e ingênuo (BERHRENS, 2009). No decorrer das duas décadas seguintes à sua implantação, as orientações da tendência tecnicista foram impostas às escolas pelos organismos oficiais, pois eram compatíveis com a proposta política, econômica e ideológica do regime militar em vigência. Necessitava-se de uma formação para o mercado de trabalho, que iniciava suas atividades de maquinaria e outras revoluções industriais que antes não havia em um país com uma economia voltada ao campo. Infelizmente, ainda hoje há predominância de manuais didáticos que seguem essa metodologia nos cursos de formaçãode professores. FIM DO TÓPICO 1. INÍCIO DO TÓPICO 2 As tendências pedagógicas progressistas se constituem em um conjunto de duas tendências pedagógicas. As suas teorias norteiam o processo de ensino e de aprendizagem até os dias atuais. As principais características destas tendências pedagógicas quanto às categorias: papel da escola, conteúdos, métodos, professor X aluno e aprendizagem, encontram-se no Quadro 2. Quadro 2 - Síntese das principais características das tendências pedagógicas progressistas TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS PROGRESSISTAS Tendência Característica Libertadora Histórico-crítica Papel da escola Visa levar professores e alunos a uma consciência da realidade em que vivem, na busca de transformação social. Propagação dos conteúdos. Conteúdos Temas que são retirados da vida cotidiana dos alunos. Os conteúdos são culturais e universais, estes incorporados pela humanidade, frente a realidade social. Métodos Grupos de discussão. Parte da experiência do aluno, que é confrontada com os conteúdos sistematizados. Professor X Aluno Relação horizontal, de igual para igual. O professor é o mediador entre o aluno e o conhecimento. O aluno é participante ativo na construção dos seus conhecimentos. Aprendizagem Valorização da experiência vivida pelos alunos. Baseada nas estruturas cognitivas que já estão estruturadas nos alunos. Fonte: Elaborado pelas autoras (2018). A partir da década de 1970, com a modificação do quadro político frente às lutas sociais por maior democratização da sociedade, passou a ser possível discutir as questões educacionais e escolares a partir de uma perspectiva crítica das instituições sociais do capitalismo (LIBÂNEO, 1994). Alguns grupos de pesquisadores e militantes políticos focaram em realizar críticas ao papel ideológico e discriminador que a escola estava reproduzindo na sociedade capitalista. Outros, por sua vez, preocuparam-se em desenvolver outras teorias, articulando a escola aos interesses do povo. Nesse contexto, destacamos as teorias das tendências libertadora e histórico-crítica ou crítico social dos conteúdos. 2.1 Tendência pedagógica progressista Libertadora A tendência pedagógica libertadora, muito conhecida como a pedagogia do Paulo Freire (1921-1997), despontou no Brasil entre os anos de 1961 e 1964, com as contribuições de Paulo Freire, educador que obteve destaque internacional pelo seu método que revolucionou a alfabetização dos adultos, voltado para a luta e a organização da classe oprimida. No entanto, a tendência consolidou-se somente entre as décadas de 1970 e 1980. Era “voltada para o diálogo educador-educando e visando à consciência crítica, influencia principalmente movimentos populares e a educação não formal” (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 53). O método proposto por Paulo Freire expõe o antagonismo existente entre a forma como a educação era realizada – autoritária – e a forma como se pretendia construir a educação – participativa. Assim, ele defendia uma prática educativa que fosse democrática e participativa pois, desta forma, a população teria consciência da sua realidade. A tendência pedagógica libertadora apontada por Paulo Freire “partia de uma concepção de filosofia da educação em que o homem é o ‘sujeito da história’ e não seu ‘objeto’” (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 53). Consideramos que nesta perspectiva o sujeito é autor da sua própria história, o seu desenvolvimento se dá por meio da troca de ideias, informações, decisões e responsabilidades. Assim, é no ambiente educacional que o indivíduo se desenvolve nos aspectos físico e intelectual. O método de Paulo Freire, que é a base da tendência pedagógica libertadora, tem como princípio que a educação consiste em um ato político, pois permite a construção de conhecimentos e a possibilidade de criação de uma nova sociedade, mais justa, solidária, humana e ética. Nesse contexto, a educação deve ser permanentemente buscada pelas classes menos favorecidas, a fim de que tenham condições de lutar pela liberdade e pela igualdade de condições Essa tendência pedagógica propõe, de acordo com Berhrens (2009, p. 73), a: valorização da escola como agência difusora dos conteúdos vivos, concretos, indissociáveis das realidades sociais; enquanto espaço específico em que se dará a apropriação/desapropriação do saber; integrada no todo social, econômica e politicamente; capaz, por um lado, de trabalhar visando à transformação dos interesses populares. A atividade escolar era centrada nas discussões de temáticas políticas e sociais. O ensino era baseado na realidade social, ou seja, professores e alunos analisavam os problemas e a realidade da sociedade, economia e cultura da comunidade local, com seus recursos e suas necessidades, tendo em vista a ação coletiva frente a estes temas e problemas da realidade (LIBÂNEO, 1994). Desde logo, afastávamos qualquer hipótese de uma alfabetização pura e mecânica. Desde logo, pensávamos a alfabetização do homem brasileiro, em posição de tomada de consciência, na emersão que fizera no processo de nossa realidade. Num trabalho em que tentássemos a promoção da ingenuidade em criticidade, ao mesmo tempo em que alfabetizássemos (FREIRE, 2011, p. 136). O professor, nesse processo, respeita o aluno e seus limites. O aluno é atuante e responsável pelo seu desenvolvimento educacional. O método era baseado no diálogo, pesquisa e na democracia. “O trabalho escolar não se assenta, prioritariamente, nos conteúdos de ensino já sistematizados, mas no processo de participação ativa nas discussões e ações práticas sobre as questões da realidade social imediata” (LIBÂNEO, 1994, p. 69). O método era desenvolvido por meio de discussões, assembleias, relatos de experiências e trabalho em grupo, por exemplo. Assim, surgiam temas geradores que poderiam ser sistematizados, consolidando o conhecimento. A Didática, nesse contexto, busca desenvolver o processo educativo dentro dos grupos sociais, o professor é o coordenador, o animador das atividades e organiza tudo em uma ação conjunta com os alunos (LIBÂNEO, 1994). A teoria de Paulo Freire contribui no contexto da luta de classes, uma vez que se acredita que o oprimido deve ter consciência da sua situação de opressão. A elaboração de uma consciência crítica e da organização de classes é uma condição para a libertação da exploração política e econômica. A tendência pedagógica libertadora, portanto, transcende a pedagogia, atingindo também a política, as ciências sociais e a economia. A pedagogia libertadora tem sido aplicada em vários setores como sindicatos, movimentos sociais, comunidades religiosas e associações de bairros. Essa tendência alcançou êxito pelo fato de ser utilizada entre adultos que já possuem uma vivência prática e política, assim é possível debater sobre política, economia e sociedade, aprofundando as discussões com autores comprometidos com os interesses populares (LIBÂNEO, 1994). INÍCIO DO SAIBA MAIS Pedagogia Libertadora Convencionou-se denominar de “pedagogia libertadora” a concepção pedagógica cuja matriz remete às ideias de Paulo Freire. Sua inspiração filosófica se encontra no personalismo cristão e na fenomenologia existencial. Como se trata de correntes que, como o pragmatismo, se inserem na concepção humanista moderna de filosofia de educação, a pedagogia libertadora mantém vários pontos de contato com a pedagogia renovadora. Também ela valoriza o interesse e iniciativa os educandos, dando prioridade aos temas e problemas mais próximos das vivências dos educandos sobre os conhecimentos sistematizados. Diferentemente do movimento escolanovista, porém, a pedagogia libertadora põe no centro do trabalho educativo temas e problemas políticos e sociais, entendendo que o papel da educação é, fundamentalmente, abrir caminho para a libertaçãodos oprimidos. Fonte: Verbete de Dermeval Saviani. Disponível em: <http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_pedagogia_lib ertadora.htm>. FIM DO SAIBA MAIS. 2.2 Tendência Pedagógica Histórico-Crítica ou Crítico-Social dos conteúdos A tendência pedagógica histórico-crítica surgiu na década de 1970, mas sua efetivação se deu na década de 1980, a partir das discussões realizadas por Dermeval Saviani. No artigo “Escola e Democracia: para além da teoria da curvatura da vara”, o autor realiza uma crítica ao modelo pedagógico empregado no processo de ensino e de aprendizagem, que não apresentava um caráter historicizante, mas sim reprodutivista. Essa crítica era empreendida às teorias das tendências pedagógicas liberais. A pedagogia histórico-crítica surgiu no início dos anos 1980 como uma resposta à necessidade amplamente sentida entre os educadores brasileiros de superação dos limites tanto das pedagogias não críticas, representadas pelas concepções tradicional, escolanovista e tecnicista, como das visões crítico reprodutivistas, expressas na teoria da escola como aparelho ideológico do Estado, na teoria da reprodução e na teoria da escola dualista (SAVIANI, 2008, p. XIV). A proposta dessa tendência considera a questão histórica por acreditar que a educação também interfere na sociedade, podendo contribuir para sua transformação. Ela também é crítica, pois tem consciência da determinação que a sociedade exerce sobre a educação (MASHIBA; SERCONEK; MENEZES, 2012). Pautado no materialismo histórico dialético de Karl Marx (1818-1889) e Friedrich Engels (1820-1895), com afinidades relacionadas a psicologia histórico-cultural, que possui como principal autor Lev Vygotsky (1896-1934), essa tendência pedagógica possui como objetivo o resgate da “importância da escola, a reorganização do processo educativo, ressaltando o saber sistematizado, a partir do qual se define a especificidade do saber escolar” (GASPARIN; PETENUCCI, 2018, p. 4). Por meio do processo de ensino e de aprendizagem, a educação deve assumir o seu papel e sua responsabilidade de oferecer aos educandos ferramentas para que se tornem sujeitos críticos, participantes e conscientes. Diante dessa perspectiva, buscou-se a elaboração de uma tendência pedagógica mais realista, chamada de “pedagogia histórico-crítica”, ou seja, mais crítica com relação aos conteúdos, sem deixar de lado a contribuição das outras tendências pedagógicas. “Essa pedagogia escolar procura propiciar a todos os estudantes o acesso e contato com os conhecimentos culturais necessários para uma prática social viva e transformadora” (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 55, grifos do autor). Para a pedagogia histórico-crítica, a escola pública cumpre função social e política de difundir os conhecimentos historicamente acumulados a todos, pois essa é uma condição para que o povo efetivamente participe das lutas sociais. Libâneo (1994) considera que o fator mais importante é o confronto entre os conhecimentos historicamente acumulados e as experiências socioculturais, bem como a vida concreta dos alunos, pois assim haverá melhor solidez na assimilação dos conteúdos. Do ponto de vista da Didática, o processo de ensino consiste na mediação entre objetivos-conteúdos-métodos, permitindo que o aluno se encontre com as matérias escolares, que são o fator primordial da aprendizagem (LIBÂNEO, 1994). O método de ensino objetiva o estímulo do professor em propiciar e favorecer momentos de diálogo entre os alunos e com os professores, sem deixar de lado os conhecimentos historicamente acumulados. Também é preciso levar em consideração os interesses que os alunos possuem e o seu ritmo de aprendizagem. Dessa forma, de acordo com Masetto (2000, p. 144-145): [...] o professor se coloca como um facilitador ou motivador da aprendizagem [...] ativamente colabora para que o aprendiz chegue a seus objetivos. É a forma de apresentar e tratar um conteúdo ou tema que ajuda o aprendiz a coletar informações, relacioná-las, organizá-las, manipulá-las, discuti-las [...] com o professor e com outras pessoas, até chegar a produzir um conhecimento que seja significativo para ele, conhecimento que se incorpore ao seu mundo intelectual, vivencial e social. Podemos afirmar, então, que para que a pedagogia histórico-crítica seja de fato transformadora, é preciso nos comprometer com o ensino que propicie aos alunos a construção de conhecimentos verdadeiros. Não há uma fórmula para isso, também não há caminhos absolutamente seguros. No entanto, conhecer a vivência dos nossos alunos nos leva à tomada de consciência sobre a realidade social, o que culmina na busca de conhecimentos científicos. Para Libâneo (1994, p. 71) o trabalho do professor, entendido como uma atividade pedagógica, possui os seguintes objetivos: - Assegurar aos alunos o domínio mais seguro e duradouro possível dos conhecimentos científicos; - Criar as condições e os meios para que os alunos desenvolvam capacidades e habilidades intelectuais de modo que dominem métodos de estudo e de trabalho intelectual visando a sua autonomia no processo de aprendizagem e independência de pensamento; - Orientar as tarefas de ensino para objetivos educativos de formação de personalidade, isto é, ajudar os alunos a escolherem um caminho de vida, a terem atitudes e convicções que norteiem suas ações diante dos problemas e das situações da vida real. Esses objetivos devem se ligar a outros, tendo em vista que o processo de ensino consiste, ao mesmo tempo, em um processo educativo. Também é importante ressaltar que o professor deve realizar um conjunto de ações, coordenadas entre si, para alcançar efetivamente os objetivos do ensino, os quais são: planejamento, a direção do processo de ensino e aprendizagem e a avaliação. Cada um desses, desdobrados em tarefas ou funções didáticas, convergem para a realização do ensino propriamente dito (LIBÂNEO, 1994). Para Saviani (2014), nessa teoria o método pedagógico possui como ponto de referência a prática social. Dessa forma, entendemos a educação como um processo de mediação dentro dessa prática social, que se constitui como o ponto de partida e de chegada da educação. Ao sistematizar o método da pedagogia histórico-crítica, Saviani (2014) divide o processo de ensino em cinco momentos: prática social inicial; problematização; instrumentalização; catarse e prática social final. A prática social inicial consiste na identificação de como um determinado conhecimento se apresenta na sociedade atual, pois é comum a professores e alunos, porém, vivenciados de forma diferente por ambos. Professores possuem uma visão sintética, mais sucinta, mesmo que precária. Já o aluno possui uma visão sincrética, ou seja, mais global e abrangente. Desta forma, o professor deve, por meio da mediação e da teoria, levar o aluno da visão sincrética, do conhecimento mais global e fragmentado ao conhecimento sintético, um conhecimento científico, mais elaborado (LIBÂNEO, 1994). Realizado o levantamento dos problemas pela prática social inicial, é chegado o momento de identificar as questões que a escola trabalhará e problematizará, levando os alunos a discuti-las. Para isso, é preciso buscar instrumentos que permitam essa discussão e a construção de conhecimento. É aí que entra a instrumentalização (LIBÂNEO, 1994). A instrumentalização consiste no momento em que, por meio da mediação do professor, os alunos se apropriarão do conhecimento historicamente acumulado, a partir dos quais se pode responder aos problemas que foram levantados e problematizados. À medida que o professor leva os alunos à apropriação dos conhecimentos científicos, atinge-se o ponto maior do processo educativo, que é a catarse (LIBÂNEO, 1994). A catarse é o momento em que o aluno elabora a síntese final, passando da visão sincrética para a visãosintética. Por meio da mediação do professor, o aluno tem um salto qualitativo na aprendizagem, chegando a uma visão mais elaborada do que a que possuía antes. A catarse, portanto, é a expressão final da síntese que o aluno foi capaz de produzir depois do processo de ensino e de aprendizagem (MASHIBA; SERCONEK; MENEZES, 2012). Chegamos, então, ao último momento do processo de ensino e de aprendizagem: a prática social final, em que ao mesmo tempo que o aluno atinge o ponto sintético, volta ao ponto sincrético, em um movimento dialético. A prática social se constitui como o processo de partida e de chegada (LIBÂNEO, 1994). Assim, o ponto de chegada volta a ser o ponto de partida para o processo de apropriação de novos conhecimentos, constantemente. É pela mediação do trabalho pedagógico do professor que, tendo incorporado elementos teóricos e práticos no processo de ensino, se leva os alunos a desenvolverem a prática social a partir da sua nova realidade. Dessa forma, ao mesmo tempo em que a prática social é o ponto de chegada, volta a ser o ponto de partida, mas já não é o mesmo ponto de partida, pois foram incorporados novos conhecimentos. Caro (a) aluno (a), podemos afirmar, neste contexto, que a mediação do professor, juntamente com a utilização de instrumentos para o processo de ensino e de aprendizagem, levam os alunos a constantemente realizarem o movimento dialético. Diante disso, cabe dedicar uma parte da nossa discussão à mediação. INÍCIO DO REFLITA A tendência histórico-crítica é a tendência de ensino utilizada atualmente, que possui como seu precursor Dermeval Saviani. Dela, temos a didática para a pedagogia histórico-crítica, desenvolvida por João Luiz Gasparin. FIM DO REFLITA. 2.3. A mediação no processo de ensino O termo mediação deriva do latim mediator oris, que significa mediador, medianeiro. Segundo o nosso dicionário, significa “ato ou efeito de mediar, intermediação” (FERREIRA, 2010, p. 495). A mediação caracteriza-se como a relação que se estabelece entre o homem, o mundo e os outros homens, neste contexto temos: I: instrumentos, S: sujeitos e O: objeto (BERNI, 2018). A mediação é vista como eixo central neste processo, pois articulam-se os instrumentos, sujeitos e objetos, a fim de que as Funções Psicológicas Superiores (FPS), que são tipicamente humanas, se desenvolvam. Devemos considerar que a mediação se constitui como elemento essencial ao processo de ensino, uma vez que funciona como um estímulo para o processo de aprendizagem. Nesse sentido, a mediação é compreendida a partir da relação dialógica entre professores e alunos, relação esta que se estabelece constantemente pela da utilização de diferentes métodos (BARROSO; MENDONÇA; LOZANO; COSTA, 2014). Moraes (2003, p. 2010) afirma que a mediação: [...] é um processo comunicacional, conversacional, de co- construção de significados, cujo objetivo é abrir e facilitar o diálogo e desenvolver a negociação significativa de processos e conteúdos a serem trabalhados nos ambientes educacionais; bem como incentivar a construção de um saber relacional, contextualizado, gerado na interação professor/aluno. Caro(a) aluno(a), a mediação poderá ser realizada em qualquer idade e está presente em qualquer etapa, nível ou modalidade de ensino, basta que haja alunos e professor. Para o professor, o processo de mediação se torna um desafio pois, quando o aluno possui uma dúvida, o professor precisa dar significado ao objeto estudado. A mediação acontece com o auxílio de signos, os responsáveis pela relação entre o real e o pensamento. Os pensamentos, por sua vez, estão em constante elaboração e reelaboração entre as ideias e os conceitos, desta forma, no momento da mediação alguns elementos podem ser facilmente compreendidos e ilustrados, de modo que a elaboração e a reelaboração sejam cada vez mais significativas, contribuindo para a formação de indivíduos pensantes e ativos na sociedade (BARROSO; MENDONÇA; LOZANO; COSTA, 2014). Ao trabalhar com a ideia de mediação, Vygotsky ressalta que, ao ensinar, devemos levar em consideração as especificidades de cada aluno, pois cada um aprende de forma diferente. Levando em consideração que não há um padrão que atinja de maneira igualitária todos os alunos, o professor necessita adequar suas práticas a partir da necessidade de cada um e mediar o processo de ensino para que possa acontecer a aprendizagem (BARROSO; MENDONÇA; LOZANO; COSTA, 2014). O conceito de mediação é atrelado ao pensamento de uma ação realizada com a ajuda do outro. Na escola, há a figura do professor, sujeito capacitado e que possui condições de realizar um elo entre aquilo que o aluno traz consigo, o conhecimento de senso comum, e o conhecimento científico, historicamente acumulado pela humanidade. Machado e Teruya (2009) compreendem a mediação pedagógica como a ação de intervir na aprendizagem do sujeito. Essa ação é concretizada pelo professor, por meio dos métodos, recursos e procedimentos que conduzirão professores e alunos na prática educativa. Podemos perceber a responsabilidade que o professor possui no ambiente escolar, uma vez que o desenvolvimento dos alunos se dará por meio do processo de aprendizagem que passa pela mediação. Assim, o professor, observando e investigando os conhecimentos que os alunos já possuem ao chegar à escola, tem condições de intervir e organizar estes conhecimentos, agregando-os aos conhecimentos científicos, levando o aluno a outro patamar (BERNI, 2018). Visualizamos o conceito de mediação nas falas de Freire (2002): [...] ensinar não é transferir conteúdo a ninguém, assim como aprender não é memorizar o perfil do conteúdo transferido no discurso vertical do professor. Ensinar e aprender têm que ser com o esforço metodicamente crítico do professor de desvelar a compreensão de algo e com o empenho igualmente crítico do aluno de ir entrando, como sujeito de aprendizagem, no processo de desvelamento que o professor ou professora deve deflagrar (FREIRE, 2002, p. 134). Quando imaginamos uma instituição que trabalha a partir do processo de mediação e interação, não estamos pensando em uma escola em que cada um faz aquilo que bem entende, mas falamos de um espaço de valorização do ser humano e de suas ideias, de construção de conhecimentos e de interação entre os indivíduos, para que se sintam motivados a pensar e trabalhar em conjunto. Vygotsky (1991) possui, como eixo central da sua psicologia, a interação social e a mediação como centro do processo educativo, de forma que esses dois elementos, interação e mediação, estão intimamente ligados no processo de desenvolvimento do ser humano. Na escola, o professor é o sujeito que irá exercer o papel de mediador entre o conhecimento e o aluno, portanto a qualidade da mediação é de suma importância, uma vez que ela motiva os alunos, ou não, no processo de aprendizagem. Masseto (2000) ressalta que a mediação consiste em um comportamento, uma atitude do professor, que se coloca como motivador ou incentivador da aprendizagem do aluno. Ele se coloca como um elo entre o conteúdo e o aluno, valorizando, dessa forma, o debate, a interação, a troca de experiências, valorizando o diálogo. A prática docente que é mediadora possui movimentos de coordenação e descentralização, ao mesmo tempo. Veiga (2004) ressalta que, nesse contexto, o professor é o responsável por produzir e orientar as atividades didáticas, que são de fundamental importância para o desenvolvimento dos alunos, auxiliando no processo de assimilação e coordenação do conhecimento ou problematizando e estabelecendo diálogo. As conquistas e os avanços dos alunos dependem da qualidade da mediação do professor. Nesse sentido, organizar uma prática pedagógica com um pressuposto teórico que a conduza, recursos pedagógicos adequados à realidade dos alunose procedimentos que levem em consideração o desenvolvimento cognitivo dos mesmos é conceber que o educando está em constante processo de transformação, e que será por meio das interações que ele será capaz de intervir e agir na sociedade, dando novos significados à história da humanidade. FIM DO TÓPICO 2. INÍCIO DO TÓPICO 3 3. CONCEITUANDO A DIDÁTICA A Didática é um dos campos teórico-metodológicos mais específicos da docência. Ter o domínio dos conhecimentos de uma área nos faz profissionais nesta área, no entanto, para que nos tornemos professores, é preciso que sejam adicionados os saberes pedagógicos, os quais possuem eixo articulador na Didática (VASCONCELLOS, 2011). Didática – ou Didactique, no francês – consiste na: Arte de ensinar, de transmitir conhecimentos por meio do ensino. Conjunto de teorias e técnicas relativas à transmissão do conhecimento. Procedimento pelo qual o mundo da experiência e da cultura é transmitido pelo educador ao educando, nas escolas ou em obras especializadas (AURÉLIO, 2018, p. 1). Caro(a) aluno(a), a definição do dicionário é um tanto tradicional, pois utiliza os termos transmissão de conhecimento, mas basta substituí-los por mediação que damos um novo significado à Didática, mais contemporâneo, levando em consideração a teoria atual que utilizamos em nossa ação pedagógica. A Didática, conforme definição, consiste no processo de ensino, ou seja, é o conjunto de teoria, métodos e recursos que possibilitam ao professor a realização do processo de ensino dos conhecimentos científicos historicamente acumulados. Nesse sentido, a didática investiga os fundamentos e as condições necessárias para essa atividade (LIBÂNEO, 1994). Podemos ter a Didática sob duas perspectivas: uma como um ramo dos estudos da pedagogia, como uma ciência, e será por meio dela que se realizará a investigação dos fundamentos, das condições e os modos de realização do ensino. A essa didática cabe converter os objetivos pedagógicos e sócio- políticos em objetivos de aprendizagem, além de selecionar métodos e recursos para o processo de ensino destes objetivos, tendo em vista o desenvolvimento intelectual dos alunos (LIBÂNEO, 1994). A segunda perspectiva é como uma disciplina dos cursos de formação de professores, a qual faz uma integração entre a teoria e a prática, realizando uma estruturação destas em função do ensino. Para Libâneo (1994), a formação de professores abrange duas dimensões, sendo elas: a formação teórico-científica e a formação técnico-prática. A formação teórico-científica inclui a formação específica das disciplinas em que o professor irá especializar-se, assim como a formação pedagógica, que envolve os conhecimentos das disciplinas de Sociologia, História da Educação e Filosofia, que contribuem para entendimento dos fenômenos educativos no contexto histórico-social (LIBÂNEO, 1994). A formação técnico-prática destina-se à preparação para a docência, inclui-se, nas disciplinas estudadas, a Didática e as disciplinas de metodologias específicas para cada curso de formação de professores, a Psicologia da Educação e a Pesquisa Educacional (LIBÂNEO, 1994). Caro(a) aluno(a), temos certeza de que a metodologia empregada nas escolas contribui de forma significativa para o fracasso ou o sucesso do processo de ensino e de aprendizagem. Assim, não podemos concordar com práticas pedagógicas que são fundamentadas no senso comum nem com professores que, por desconhecer ou não valorizar as teorias para no processo didático, utilizam-nas de forma eclética, misturando as tendências libertadora, tecnicista e histórico-crítica, por exemplo. Temos que ter responsabilidade com a prática pedagógica e educativa, pois esta resulta no processo de aprendizagem de nossos alunos. Comênio (2001, p. 173) enfatiza a utilização de um método didático que estimule a todos os alunos, afirmando que “a alguns não falta à aptidão para os estudos, mas a vontade; e obrigá-los a estudar contra a vontade é, ao mesmo tempo, enfadonho e inútil. [...] E se se demonstrar que a causa do desgosto pelo estudo são os próprios professores?”. Dessa forma, ao professor cabe preparar os alunos, saber atrair a sua atenção, pois da mesma forma que o ferreiro aquece o ferro para depois moldá- lo, ou como o sapateiro costura os sapatos, dá forma e polimento ao couro, o professor também precisa, antes de iniciar o processo de ensino dos conteúdos historicamente acumulados, preparar os seus alunos, tornando-os ávidos pelo conhecimento (COMÊNIO, 2001). Os professores, por conta de suas formações, até possuem um discurso pedagógico próximo ao ideal, no entanto, em suas práticas, não conseguem se livrar das diretrizes tradicionais que estão enraizadas, devido à forma como fomos ensinados. A dificuldade que enfrentamos enquanto professores é ensinar da forma que não fomos ensinados. A melhoria da qualidade do ensino se dará a partir da prática pedagógica do professor. O professor deverá conhecer a teoria que sustenta a sua prática, pois somente assim poderá transformar o processo de ensino e de aprendizagem em um momento significativo, promovendo uma educação transformadora que supere as dificuldades educacionais e sociais dos alunos. Nesse sentido, caro(a) aluno(a), um professor que deseja realizar um trabalho coerente e consistente utilizará métodos e recursos necessários para realização desse processo, além do conhecimento teórico. Para além disso, é preciso ter conhecimento das tendências pedagógicas, ou seja, da teoria que embasa o fazer pedagógico em sala de aula. 3.1. A Didática nos ambientes não formais de aprendizagem Os estudos de Didática são geralmente aplicados à formação de docentes, aqueles que serão licenciados e atuarão em sala de aula. No entanto, o processo de ensino e de aprendizagem tem ultrapassado os limites dos muros escolares, tornando-se necessário, dessa forma, o estudo da Didática nos ambientes não formais de aprendizagem. Entendemos por ambientes não formais de aprendizagem aqueles espaços em que há a intencionalidade do ensino, mas que se localizam fora da escola. Exemplos: museus, parques ecológicos, institutos de pesquisa, aquários, zoológicos, presídio, empresas (educação empresarial), academia de ginástica, hospitais e Organizações Não Governamentais (ONG). Todos esses espaços possuem profissionais capacitados em sua área específica e atuam no processo de ensino, planejando, orientando equipes, trabalhando em equipes, orientando pessoas, coordenando ações, com objetivos pedagógicos explícitos e sistematizados. Por meio da educação não formal, busca-se propiciar aprendizagens em espaços educativos fora do contexto escolar, nos quais existam processos interativos e intencionais (NEVES, 2011). Em contrapartida, a educação formal é aquela ofertada dentro dos ambientes escolares que são regulamentados por lei, com intencionalidade, conteúdo previamente selecionado pelo currículo escolar, em que o professor é o mediador do processo de ensino e de aprendizagem. Esses ambientes possuem regras e modelos comportamentais pré-definidos. A Educação Formal acontece dentro da escola e necessita de um currículo estruturado cronológica e hierarquicamente para organizar os conteúdos. A Educação Não Formal dispensa essas características, no entanto possui o intuito de proporcionar a aprendizagem de certos conteúdos em espaços fora da escola. Por esse motivo, possui potencialidades em auxiliar a Educação Formal, uma vez que através de atividades previamente organizadas apresenta intenção de educar (BATISTA, 2014, p. 25). O papel da didática dentro dos ambientes formais está sendo construído no decorrer desse estudo, no entanto, cabe-nos também nos debruçarmos no estudo do papel da didática dentro dos ambientes não formais de aprendizagem. INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição:A figura 4 apresenta a organização dos espaços formais de aprendizagem, em que temos seis retângulos ligados de três em três. O primeiro grupo, disposto na parte superior da imagem, na horizontal apresenta-se respectivamente nos retângulos: Ambiente não formal; no segundo: Fora da escola; no terceiro: Museus, hospitais, penitenciárias. No grupo disposto na parte inferior da imagem em sequência apresenta-se nos retângulos: Ambiente formal; no segundo: Escola; e no terceiro: Instituições de ensino. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. Ao propor atividades em ambientes não formais, o profissional permite que os alunos construam senso crítico, relacionando ideias do senso comum com os conhecimentos científicos. Será por meio de estratégias que o profissional levará seus alunos a ampliar os conhecimentos de forma crítica e livre, criando situações colaborativas que são favoráveis à aprendizagem, possibilitando aos alunos múltiplas possibilidades de atuação (MORIN, 2001). Para que isso ocorra de forma satisfatória, o profissional deverá dispor de métodos, recursos e procedimentos que promovam os processos de aprendizagem dos alunos mesmo nos ambientes não formais de aprendizagem, ou seja, deverá utilizar a Didática. Quadro 3: Comparativo entre educação formal e educação não-formal Educação formal Educação não-formal Quem educa? Professores. Educadores. Onde se educa? Escolas, Universidades. Museus, Centros de ciência, Hospitais, Academias, Parques ecológicos, Empresas. Como se educa? Por meio de currículo. Por meio de situações intencionalmente educativas sem um currículo definido. Quais são as principais características? Organização curricular, dividido por idade ou nível de conhecimento. Auxilia na construção de conhecimento de forma individual ou coletiva. Quais objetivos? Ensino de conteúdos, Desenvolvimento de habilidades e competências. Corresponde aos objetivos de um indivíduo ou de um conteúdo em específico. Fonte: Adaptado de Batista (2014). As pesquisas no campo da Didática nos ambientes não formais entendem que há algumas especificidades que devem ser levadas em consideração nos processos formativos, como a interação, o tempo e o espaço, que diferem de forma significativa dos ambientes formais (BATISTA, 2014). A questão do tempo é bastante ressaltada nos ambientes não formais, tendo em vista que é muito breve se compararmos ao dos ambientes formais de aprendizagem. Além do tempo as relações entre os sujeitos também diferem, pois são pontuais e direcionadas à necessidade do aluno. Nesse contexto, é importante que os profissionais organizem os espaços não formais a fim de que se maximize a exploração do aluno, pois apesar da intenção didática, os conteúdos são abordados de formas pontuais, ou seja, não há a intenção de contemplar todos os conhecimentos e conteúdos curriculares presentes no contexto educacional (BATISTA, 2014). O estudo da Didática é muito importante para a formação dos profissionais que também atuarão nos ambientes não formais, pois ele estará contribuindo de forma intencional para o desenvolvimento de pessoas, necessitando se preparar pedagogicamente para as atividades e planejamento das mesmas. FIM DO TÓPICO 3. INÍCIO DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Apresentamos, nesta segunda unidade, os conteúdos que são pertinentes às tendências pedagógicas desde o final do século XIX até os dias atuais. Ousado, não? No entanto, não tivemos a intenção de esgotar esse assunto, mas sim trazer a você, caro(a) aluno(a), as principais características de cada uma destas, a fim de que, com essa compreensão, você chegue à construção histórica da educação no Brasil, principalmente com relação à Didática. Compreender essas tendências é essencial, uma vez que elas fazem parte do contexto histórico ainda na atualidade, nas legislações, nas práticas pedagógicas e nos cadernos pedagógicos, por exemplo. Assim, compreender cada um destes nos dá condições, enquanto professores, de tecer críticas e escolher qual a teoria adequada para o trabalho pedagógico, levando em consideração a perspectiva teórica de cada instituição de ensino na qual você vai trabalhar. Nossas discussões também avançaram para o estudo do que é mediação e da sua importância no processo de ensino e de aprendizagem, considerando o conceito de Didática. Levando em consideração que você, aluno(a), irá pôr em prática a sua atividade pedagógica em uma instituição de ensino contemporânea, falar de mediação é essencial, pois o processo de mediação permeia todo o fazer pedagógico na atualidade (como veremos nos métodos de ensino na Unidade III), assim como é fundamental conhecer o conceito de Didática, nosso objeto de estudo em toda a disciplina. Tendo em vista que o processo de ensino e de aprendizagem extrapola os limites da escola, encerramos o nosso estudo falando da docência nos ambientes não formais. Tratar desse assunto em um estudo sobre Didática pode parecer um tanto peculiar, no entanto é essencial, uma vez que a Didática deve ser utilizada no processo de mediação, planejamento, organização e coordenação de atividades intencionais mesmo fora das escolas, como é o caso de museus, academias, empresas, hospitais e presídios, onde você pode trabalhar futuramente. FIM DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. INÍCIO DAS ATIVIDADES DE ESTUDO 1. Algumas tendências pedagógicas, apesar de serem vencidas por outras, podem permanecer como teoria que sustenta a prática pedagógica de muitos professores ou escolas, como é o caso das teorias de Montessori e Piaget. Partindo da discussão que realizamos sobre as tendências pedagógicas e sua importância para a Didática, leia as alternativas e assinale a correta: a) O professor poderá optar por utilizar a tendência pedagógica que desejar para o processo de ensino de seus alunos, mesmo não sendo a tendência adotada pela escola. b) É coerente e comum que uma escola adote duas ou mais tendências pedagógicas para o processo de ensino, mesmo que estas se oponham. c) O professor deverá seguir a tendência pedagógica adotada pela escola em que trabalha, mesmo que essa tendência não seja sua opção pessoal. d) As tendências pedagógicas tiveram prazo de vigência, ou seja, acabado o prazo, outra tendência imediatamente a substituiu. e) A escolha das tendências pedagógicas em cada período histórico aconteceu de forma harmoniosa entre todos: professores, pesquisadores, escola e governo. 2. A Didática é a arte de ensinar, de transmitir conhecimento por meio do processo de ensino. É o conjunto das teorias e técnicas que são relativas à transmissão do conhecimento (AURÉLIO, 2018, p. 1). Partindo desse conceito, leia as alternativas e assinale a correta: a) A Didática pode ser vista como uma ciência. b) A Didática se refere ao processo de aprendizagem. c) A Didática consiste nos materiais para o ensino. d) A Didática é uma disciplina de estudo da Educação Básica. e) A Didática é uma técnica de ensino. 3. O estudo das tendências pedagógicas é indispensável, tendo em vista que é a partir da compreensão das dimensões políticas e educacionais que o professor entenderá a proposta metodológica adotada pela instituição de ensino em que atua. Diante disso, com relação às características de cada tendência, analise as assertivas e assinale V para verdadeiras e F para falsas. ( ) As tendências pedagógicas são classificadas em dois grupos de acordo com Libâneo (1996), sendo: 1) tendência liberal; 2) tendência progressista. ( ) No grupo das tendências progressista são descritas as tendências renovada progressista, tradicional e a tendência histórico-crítica. ( ) No grupo das tendências liberais são descritas as tendências tradicional, renovada progressista, a escola nova e a pedagogia tecnicista. ( ) A tendência histórico-crítica possui o professor como mediador doconhecimento e o aluno é participante do processo de construção do conhecimento. As afirmações I, II, III e IV são, respectivamente: a) V, F, V, F. b) F, V, V, V. c) V, F, V, V. d) V, V, F, V. e) F, F, V, V. 4. Ambientes não formais de educação são aqueles espaços em que há ensino intencional fora do ambiente escolar. Leia as afirmativas e assinale a que representa ambientes não formais em que há a intencionalidade do ensino. a) Parquinhos. b) Shoppings. c) Casa dos avós. d) Em casa. e) Museus. 5. De acordo com Libâneo (1996) as tendências pedagógicas são classificadas em dois grupos, sendo estes: 1) tendências liberais e as 2) tendências progressistas. No grupo das tendências liberais destacamos a tendência tradicional, a tendência renovada progressista, a escola nova e a tendência tecnicista. No grupo das tendências progressistas destacamos a tendência libertadora e a tendência histórico-crítica. Diante disso, considerando as características dessas tendências pedagógicas, analise as afirmativas: I. A nova escola trouxe mais pontos negativos do que positivos para o ensino, tendo em vista que nesse modelo pedagógico o interesse do aprendizado deve partir do aluno, ou seja, o aprendizado deve ser espontâneo. II. Na tendência pedagógica tecnicista o foco da educação era a técnica, não mais o professor nem o aluno. Dessa forma, eram priorizados os métodos, os procedimentos, o treino era indispensável, assim como a retenção dos conteúdos, a ênfase era na repetição. III. A tendência histórico-crítica possui como centro do processo educativo o professor, que é o detentor de todo o conhecimento historicamente acumulado. O aluno possui, nesse processo, papel de compreender o conteúdo e reproduzi- lo tal qual foi ensinado. IV. A tendência libertadora foi desenvolvida com as contribuições de Paulo Freire, com a visão de que o homem é sujeito da história e não o seu objeto. Nessa perspectiva, o professor respeita o ritmo de aprendizagem dos alunos, assim como os seus limites. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) I, III e IV, apenas. c) I, II e IV, apenas. d) II, III e IV, apenas. e) l, ll, lll e lV. FIM DAS ATIVIDADES DE ESTUDO. INÍCIO DA LEITURA COMPLEMENTAR UMA DIDÁTICA PARA A PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA: JOÃO LUIZ GASPARIN Autora: Camila Tecla Mortean Mendonça João Luiz Gasparin, pesquisador e professor da Universidade Estadual de Maringá – UEM, realizou seus estudos sobre a Pedagogia Histórico-Crítica partindo das teorias de seu orientador, Saviani (2014). Gasparin (2018) desenvolveu uma didática para a Pedagogia Histórico-Crítica. Ao sistematizar o método da Pedagogia Histórico-Crítica, Saviani (2014) divide o processo de ensino em cinco momentos: prática social inicial; problematização; instrumentalização; catarse; e prática social final. Para Gasparin (2014), esses cinco passos, que dão base para a Pedagogia Histórico- Crítica, exigem do professor uma nova postura diante dos conteúdos, pois estes devem ser abordados de maneira contextualizada e levando em consideração as diversas áreas do conhecimento, consequência da história que é produzida pela humanidade nas suas relações sociais e de trabalho. A didática pensada por Gasparin (2014) possui como objetivo o equilíbrio entre a teoria e a prática, de forma que envolva os alunos no seu processo de ensino e de aprendizagem e que este seja significativo tanto nos aspectos científicos quanto políticos, alcançando, por fim, a formação de pessoas participativas e críticas em uma sociedade democrática. Gasparin (2014) estruturou sua didática nos seguintes passos: prática social inicial; problematização; instrumentalização; catarse; e prática social final, os quais veremos mais detalhadamente a seguir: 1º. Na prática social inicial o professor irá verificar qual o desenvolvimento atual dos seus alunos. Esse passo possui como ponto de partida o conhecimento prévio dos educandos. Em suma, é o que os alunos já sabem sobre um assunto ou conteúdo que será trabalhado cientificamente. Este, então, será o ponto de partida do professor para o trabalho pedagógico em sala de aula. 2º. A problematização consiste no momento em que os conhecimentos que foram levantados pelos alunos na prática social inicial serão explicados e relacionados aos conteúdos que serão trabalhados pelo professor, explicitando, assim, a necessidade de se aprender determinado conteúdo escolar. Neste momento, o professor também deve problematizar os conhecimentos, levando em consideração as dimensões científica, conceitual, cultural, histórica, social, política, ética e econômica, por exemplo. 3º. A instrumentalização se traduz no trabalho que será realizado pelo professor e pelos alunos no processo de ensino e de aprendizagem. Nesse momento, professor e alunos deverão dispor de recursos pedagógicos, metodologias e procedimentos que propiciarão um momento de aprendizagem, levando em consideração as dimensões que foram citadas na problematização. 4º. A catarse é a expressão que os alunos utilizarão para dizer que entendem a teoria e a prática social de uma nova forma. Nesse momento, o aluno é capaz de manifestar, por meio de sua postura, a síntese mental do conteúdo que foi aprendido. A síntese poderá ser realizada por meio de uma avaliação oral ou escrita, formal ou informal. 5º. Por fim, a prática social final é o novo nível em que o aluno se encontra, que volta a ser o nível atual. Essa prática social se manifesta por meio da adoção de uma nova postura prática frente às questões sociais, ou seja, fora da sala de aula, dos conceitos científicos trabalhados. Para Gasparin (2014), a aplicabilidade dessa didática e o seu êxito dependem da figura do professor, do seu compromisso e de seus conhecimentos teóricos, tendo em vista que se exige do professor uma nova forma de pensar a educação, sendo necessário estudo, experimentação e coragem para arriscar e assumir novos desafios. REFERÊNCIAS SAVIANI, D. A pedagogia histórico-crítica. Revista RBBA: Vitória da Conquista. v. 3, n. 2, p. 11-36, dez. 2014. GASPARIN, J. L.; PETENUCCI, M. C. Pedagogia Histórico-Crítica: da teoria à prática no contexto escolar. 2018. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2289-8.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2019. FIM DA LEITURA COMPLEMENTAR. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – LIVRO Capa do livro: Título: Panorâmica das Tendências e Práticas Pedagógicas Autor: Geraldo Francisco Filho. Editora: Alínea. Sinopse: a elaboração desse texto, inicialmente, prendeu-se à necessidade de se utilizar, em sala de aula, um livro que versasse sobre as diversas tendências e práticas da educação, que fizesse uso de uma linguagem fácil, descomplicada, que englobasse ideias pedagógicas de diferentes épocas e de autores consagrados, com uma visão holística, sem perder o senso crítico. O livro enfoca as principais epistemologias (teorias do conhecimento), com suas tendências e práticas pedagógicas, desde a Idade Moderna da Europa Ocidental (séculos XV ao XVIII), com o objetivo de fornecer bases iniciais, ajudando a levar o leitor à reflexão sobre as diversas tendências pedagógicas e, em última instância, de contribuir para a popularização do conhecimento, como pensava o filósofo Antonio Gramsci, no início do século XX. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - LIVRO. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – FILME Pôster do filme: Título: Escola da vida Ano: 2005. Sinopse: Sr. D. (Ryan Reynolds) é o novo professor da cidade. Ele é bonito, simpático e adorado por todos os alunos da Escola Fallbrook Middle. Ele também faz sucesso com os colegas mestres, com exceção de Matt Warner (David Paymer), o professor de biologia do colégio. Werner está determinado a ganhar o Prêmio de Professor do Ano,mas teme perder sua chance para o novo e admirado educador. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - FILME. INÍCIO DAS REFERÊNCIAS ______. Educação como prática de liberdade. 14. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011. ______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 21 ed. São Paulo. Editora Paz e Terra, 2002. ANDREOTTI, A. L. O governo Vargas e o equilíbrio entre a pedagogia tradicional e a pedagogia nova. 2018. Disponível em: <http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/periodo_era_vargas_intro.html>. Acesso em: 01 abr. 2019. ARANHA, M. L. Filosofia da educação. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1996. BARROSO, M. L.; MENDONÇA, C. T. M.; LOSANO, T. V.; COSTA, M. L. F. Educação a Distância: mediação pedagógica. XXI Semana de Pedagogia e IX Encontro de Pesquisa em Educação. Anais... p. 1-12. 2014. BATISTA, A. Uma proposta de ensino para espaços não formais de educação: micro-situações didáticas. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências físicas e matemáticas. Programa de Pós- graduação em educação científica e tecnológica, 2014. BEHRENS, M. A. Paradigma da complexidade: metodologia de projetos, contratos didáticos e portfólios. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2009. BERNI, R. I. G. Mediação: o conceito vygotskyano e suas implicações na prática pedagógica. 2018. Disponível em: <http://filologia.org.br/ileel/artigos/artigo_334.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2019. COMENIUS, I. A. Didactica Magna. Introdução, tradução e Notas de Joaquim Ferreira Gomes. Versão para e-book. eBooksBrasil.com, 2001. FERRAZ, M. H. C. T.; FUSARI, M. F. R. Metodologia do Ensino de Arte. Fundamentos e proposições. São Paulo: Cortez, 2009. FERREIRA, A. B. H. Mini Aurélio: o dicionário da língua portuguesa. 8. ed. Curitiba: Positivo, 2018. FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1981. GASPARIN, J. L.; PETENUCCI, M. C. Pedagogia Histórico-Crítica: da teoria à prática no contexto escolar. 2018. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2289-8.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2019. http://filologia.org.br/ileel/artigos/artigo_334.pdf http://filologia.org.br/ileel/artigos/artigo_334.pdf http://filologia.org.br/ileel/artigos/artigo_334.pdf LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. LOURENÇO-FILHO, M. B. Introdução ao estudo da Escola Nova. São Paulo: Melhoramentos, 1978. LÖWY, M. As aventuras de Karl Marx contra o barão de Münchausen: marxismo e positivismo na sociologia do conhecimento. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2007. MARQUES, C. Ensino a distância começou com carta de agricultores. Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 set. 2012. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u16139.shtml>. Acesso em: 28 mar. 2019. MASETTO, M. T. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. In: MORAN, J. M.; MASETTO M. T. BEHRENS, M. A. (Orgs.). Novas tecnologias e mediação pedagógica. São Paulo: Papirus, 2000, p. 133-173. MASHIBA, G. C. X.; SERCONEK, G. S.; MENEZES, M. C. B. O processo histórico da pedagogia histórico-crítica: gênese, desenvolvimento e organização didático-metodológica. IX Seminário Nacional de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil”. Anais... p. 4516-4528. 2012. MIZUKAMI, M. G. N. Ensino: as abordagens do processo. 20. ed. São Paulo: E.P.U. Editora Pedagógica Universitária Ltda., 2009. MORAES, M. C. Educar na biologia do amor e da solidariedade. Petrópolis: Vozes, 2003. MORIN, E. A Cabeça Feita: repensar a forma, repensar o pensamento. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. NEVES, R. F. Estratégia didática em ambientes não-formais de aprendizagem: perspectivas ao ensino de ciências e biologia. 2011. Disponível em: <http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/viiienpec/resumos/R1717-1.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2019. SAVIANI, D. Escola e democracia. 41. ed. rev. Campinas: Autores Associados, 2008. ______. A pedagogia histórico-crítica. Revista RBBA: Vitória da Conquista. v. 3, n. 2, p. 11-36, dez. 2014. ______. Concepção Pedagógica Tradicional. Disponível em: <http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_concepcao_p edagogica_tradicional.htm>. Acesso em: 28 mar. 2019. ______. Verbete: pedagogia libertadora. 2018. Disponível em: <http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_pedagogia_lib ertadora.htm>. Acesso em: 28 mar. 2019. SILVA, D. B. As principais tendências pedagógicas na prática escolar brasileira e seus pressupostos de aprendizagem. Disponível em: <http://coral.ufsm.br/lec/01_00/DelcioL&C3.htm>. Acesso em: 20 mar. 2019. VASCONCELLOS, C. S. Formação didática do educador contemporâneo: desafios e pers-pectivas. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Prograd. Caderno de Formação: formação de professores didática geral. São Paulo: Cultura Acadêmica, v. 9, p. 33-58, 2011. VEIGA, I. P. A. As dimensões do processo didático na ação docente. In: ROMANOWSKY, J. P.; MARTINS, P. L. O.; JUNQUEIRA, S. (Org.). ENDIPE, 12. - Conhecimento local e conhecimento universal: pesquisa, didática e ação docente. Curitiba: Champagnat, 2004. p. 57-81. FIM DAS REFERÊNCIAS. INÍCIO DO GABARITO 1 - Opção correta é a C. 2 - Opção correta é a A. 3 - Opção correta é a C. http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_pedagogia_libertadora.htm http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_pedagogia_libertadora.htm http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_pedagogia_libertadora.htm http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_pedagogia_libertadora.htm http://coral.ufsm.br/lec/01_00/DelcioL&C3.htm http://coral.ufsm.br/lec/01_00/DelcioL&C3.htm http://coral.ufsm.br/lec/01_00/DelcioL&C3.htm 4 - Opção correta é a E. 5 - Opção correta é a C. FIM DO GABARITO. FIM DA UNIDADE II. INÍCIO DA UNIDADE III INÍCIO DA FOLHA DE ABERTURA PLANEJAMENTO DE ENSINO Me. Suzi Maria Nunes Cordeiro Objetivos de Aprendizagem ● Conhecer os documentos da Educação no âmbito nacional, estadual e institucional que implicam no planejamento escolar, a fim de compreender como é pensado o currículo escolar que embasa o plano de aula. ● Refletir sobre a pesquisa docente, para conhecer a relevância dessa ação no plano de aula. ● Analisar os elementos essenciais do plano de aula, bem como compreender a relevância desse registro, a fim de desenvolver as habilidades necessárias para realizá-lo. Plano de Estudo ● Caminhos do planejamento escolar ● Pesquisa docente ● Plano de aula FIM DA FOLHA DE ABERTURA. INÍCIO DA INTRODUÇÃO Olá, seja bem-vindo(a)! Nesta unidade, apresentamos como se constituem os planejamentos em ambientes formais (escola) e não formais de aprendizagem. Para tanto, precisamos conhecer os documentos da Educação de âmbito nacional, municipal e institucional que implicam no planejamento escolar, a fim de compreendermos como é pensado seu currículo e o que embasa o plano de aula. Dessa forma, pretendemos proporcionar uma visão linear dos encaminhamentos pedagógicos dentro da escola. Também abordamos a pesquisa docente, bem como a dos profissionais que atuam nos ambientes não formais, para que você, caro(a) aluno(a), possa refletir e compreender a relevância dessa dedicação para um plano de aula e para diversas execuções de trabalho de forma satisfatória e eficaz. Sendo assim, é importante que vocês, enquanto futuros profissionais, saibam o que é pesquisa, como pesquisar e por que ela se faz necessária. Por fim, veremos que todas essas ações são indispensáveis para o registro do plano de aula docente; ele norteará todas as ações pedagógicas, sobretudo as do professor em sala, para facilitar a mediação dos conhecimentos e promover o ensino e a aprendizagem de qualidade. Veremos também que os planos de ação nos camposde atuação não formal dependem de planejamentos que os antecedem. Para tanto, é preciso desenvolver as habilidades requisitadas na elaboração do plano de aula, por isso proporcionamos a análise dos elementos essenciais desse instrumento. Com essa unidade, esperamos que você, caro(a) aluno(a), compreenda a importância das ações pedagógicas que se iniciam, em âmbito nacional, por meio do Estado, mas que somente se efetivam pela prática docente. Por isso é tão importante que cada professor dê valor ao plano de aula, à pesquisa e à organização, a fim de estabelecer boas metas e estratégias para alcançar o ensino de excelência e a aprendizagem de qualidade para todos os alunos. FIM DA INTRODUÇÃO. INÍCIO DO TÓPICO 1 1. CAMINHOS DO PLANEJAMENTO ESCOLAR Prezado(a) aluno(a), ao longo das unidades anteriores, enfatizamos aspectos relacionados à Didática, desde os períodos mais remotos da educação até a contemporaneidade. Tudo que foi exposto sobre essa temática foi planejado por aqueles que hoje estudamos, como Comênio (2001), que para desenvolver a Didática Magna planejou desde as ações pedagógicas mais simples até as palavras certas para expressar e exemplificar de forma escrita o que pensava ser melhor para a educação de seu tempo. O que gostaríamos de salientar, portanto, é que o planejamento faz parte de uma boa didática, que por sua vez se expressa na elaboração de um plano de aula, na execução do mesmo e na avaliação honesta que o docente faz de seu aluno e de sua aula; o mesmo ocorre com os demais profissionais e seu público, visto que o ensino ocorre em diversos espaços; todo ensino, incluindo o que ocorre em ambientes não formais, necessita de planejamento. Isso significa que não existe um bom profissional sem uma boa didática e não existe didática sem planejamento. Por isso, o que veremos ao longo desse capítulo são considerações teóricas pautadas em boas didáticas. Nesse início de discussão, gostaria de lhe fazer duas perguntas para que reflita com base em sua vida cotidiana: a) o que você entende por planejamento? b) Você costuma planejar? Às vezes não nos damos conta de todas as ações planejadas que realizamos, desde atividades simples como nossa rotina diária, até eventos grandes como viagens. O intuito dessas perguntas te fazer notar a importância que o planejamento possui em nossas vidas. Para Ostetto (2000, p. 177) planejar é estabelecer metas, “[...] se programar, elaborar um roteiro para empreender uma viagem de conhecimento, de interação, de experiências múltiplas e significativas”. Dessa forma, pessoas que planejam tendem a se deparar menos com empecilhos. Vejamos: entre uma pessoa que planeja seu dia e outra que prefere fazer suas atividades sem planejamento, quem aproveita mais o tempo? Entre uma família que planeja suas despesas mensais e outra que prefere gastar sem preocupações, qual tende a chegar ao fim do mês com as finanças no vermelho? Entre um grupo que planeja sua viagem e outro que não o faz, qual possui mais chances de conhecer mais lugares em tempo hábil e com menos gastos? Assim, o planejamento se faz necessário em todas as nossas atitudes, seja no contexto pessoal, profissional e/ou acadêmico. Voltemos à primeira pergunta. Planejamento é uma antecipação mental sobre as práticas a serem realizadas, não apenas por se tratar de uma tarefa que se faz antes de agir, mas também por ser uma atividade que norteia nossas condutas (VASCONCELLOS, 2000). Se tratando de planejamento escolar, consideramos que é um processo de reflexão sobre as atitudes docentes e envolve todas as ações e situações do educador no seu cotidiano pedagógico. Essa ação precisa de uma “atitude crítica por parte do educador diante de seu trabalho docente” e não é uma fórmula pronta e acabada, pelo contrário, precisa ser flexível a ponto de permitir que o profissional repense constantemente sua prática pedagógica (OSTETTO, 2000, p. 177). Diante do exposto, podemos passar para a segunda questão: Você costuma planejar? Caso a resposta seja não, permita-me fazer um convite. Comece hoje a planejar uma ação cotidiana, como exemplo, o estudo da nossa disciplina. Monte um plano que o ajude a organizar os conteúdos, os materiais e o tempo necessário para seus estudos. Assim, poderá iniciar a vivência dessa ação e, com a prática constante da mesma, desenvolverá as habilidades necessárias para um bom planejamento. Quando for um profissional da educação já terá o costume de planejar, o que é extremamente necessário na docência, como veremos ao longo desta unidade. Segundo Vasconcellos (2000), planejar é buscar uma organização. Contudo, para que haja planejamento, precisamos saber o que buscamos. Ninguém planeja uma viagem sem saber seu destino. Dessa forma, para saber o caminho a ser trilhado devemos saber o ponto de chegada. Em palavras simples, caro(a) aluno(a), planejamento é o caminho que construímos para chegar ao nosso objetivo, por isso, tanto o caminho quanto o objetivo devem ser bem definidos. Em parágrafos anteriores mencionei que uma boa didática só é possível com planejamento. Ambos se fazem presentes nas atitudes de filósofos, educadores e outros que assumiram o papel de ensinar, seja em ambientes formais ou não formais de educação. Isso mostra que planejamento escolar não é algo recente, oriundo de uma tendência nova, porém a palavra que denomina essa organização nasce apenas no século XIX. Essa prática existe desde o início da educação institucionalizada, ainda que não com a denominação de planejamento. Antes de explanarmos sobre o planejamento que conhecemos atualmente, precisamos de uma retomada histórica para compreender como foi a caminhada desde sua origem. Na Idade Média, a educação era restrita a quem detinha o poder e ocorria apenas em mosteiros, reinos e lugares pertencentes ao clero e à nobreza. Destinada apenas a homens ricos, sendo executada em atendimentos individuais, a educação da Idade Média foi alvo de grandes críticas de Comênio (2001), que, como observamos em capítulos anteriores, se propôs a mudar a educação por meio da Didática Magna. INÍCIO DO SAIBA MAIS Ficou curioso sobre a educação da Idade Média? Assista ao filme “O nome da rosa”, direção de Jean-Jacques Annaud, lançado em 1986. Ele mostra como o saber era repassado e qual a importância de ter domínio da leitura e da escrita, que eram consideradas armas poderosas em um tempo em que apenas clero e poucos nobres detinham o poder das palavras. Veja a ficha técnica completa do filme ao final deste capítulo. FIM DO SAIBA MAIS. A educação para o povo, com ensinamentos coletivos, foi apenas uma das reivindicações de João Amós Comênio. Também é a partir de sua referida obra que podemos falar em Didática, sendo um marco no que se refere à educação institucionalizada, como ele sugeriu (COMÊNIO, 2001). Apesar de já existirem Academias (hoje conhecidas como Universidades, ou seja, instituições que ofertam ensino em nível superior) que pluralizavam a educação “superior” para jovens e adultos em grupos, bem como as escolas catedrais do século XII que repassavam os conhecimentos das sete artes liberais (gramática, retórica, dialética, geometria, aritmética, astronomia e música) para turmas de alunos, não podemos afirmar que havia planejamento, o que seria anacrônico. Contudo, sabemos que as artes supracitadas compunham um currículo, logo, os professores precisavam organizar-se para repassar os conhecimentos para todos os alunos. Aqui nos deparamos com aspectos que hoje conhecemos como planejamento. Em sua obra, Comênio (2001) rebate o ensino individualizado e restrito com o argumento de que se deveria objetivar o compartilhamento dos conhecimentos, sobretudo de leitura e escrita, para grupos de alunos. Também enfatiza a necessidade de organizar esses conteúdos, uma vez que muitas matérias eramensinadas ao mesmo tempo e de forma desordenada. Para tanto, sugeriu propostas que incluem a organização de conteúdos e outros aspectos da educação escolar institucionalizada: Na escola reina a confusão, pelo fato de se querer meter na cabeça dos alunos muitas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo: gramática latina e gramática grega, retórica e talvez ainda poética [...] abstenhamo-nos de querer ensinar a dialética a quem estuda gramática; e, enquanto a dialética afina a mente, que esta não seja perturbada pela retórica [...] para não cairmos, de uma maneira ou de outra, em embaraços, pois, quem pensa em muitas coisas ao mesmo tempo arrisca-se a não compreender seriamente nenhuma delas (COMÊNIO, 2001, p. 217-218). A partir da obra supracitada podemos discutir sobre planejamento, visto que, ainda sem mencionar essa palavra, ela propõe uma nova organização do ensino. Ao longo dos anos vemos outros modelos de educação, agora institucionalizada, que avançaram em termos de organização. Aqui no Brasil, por exemplo, a educação institucional iniciou-se com a escola jesuíta, que tinha como plano de estudo o Ratio Studiorum, que vimos em capítulos anteriores. Esse manual apresentava em seu interior métodos de ensino, orientações para organização do professor em sala de aula e o currículo, a saber: Teológico (Teologia Escolástica, Teologia Moral, Sagrada Escritura e Hebreu), Filosófico (Lógica e introdução às ciências, Cosmologia, Psicologia, Física, Metafísica e Filosofia moral) e Humanista (Retórica, Humanidades, Gramática Superior, Gramática Média e Gramática Inferior) (FRANCA, 1952). Mais tarde, essa estrutura curricular passou a ser utilizada, também, nas Universidades europeias. Caro(a) aluno(a), perceba que a história da Didática e das formas de organização do ensino é extensa, mas precisa ser compreendida. Aqui priorizamos alguns recortes históricos que são mais significativos para os objetivos da nossa disciplina, mas você pode aprofundar seus conhecimentos por meio das leituras complementares. Algumas sugestões estão no final deste capítulo, bem como indicações de filmes que ajudam a compreender o contexto em discussão. Adiante, salientamos a educação escolar no Brasil após as escolas jesuítas, a fim de traçar os caminhos até a consolidação do planejamento na escola e em ambientes não formais de aprendizagem. Conforme observado em parágrafos anteriores, a Companhia de Jesus já seguia um manual para educação escolar, que segundo Franca (1952) continha um currículo pré- estabelecido, as ações docentes e discentes esperadas e orientadas, dentre outros aspectos similares ao que conhecemos hoje, como os documentos referentes aos currículos, metas e projetos da educação escolar. Esse complexo de organização pode ser entendido, atualmente, como um planejamento. As escolas tradicionais que surgiram no Brasil após as escolas jesuítas também seguiam um planejamento, ainda que não se mencionasse essa palavra. Era um modelo rígido, engessado, em que o professor selecionava os conteúdos e transmitia o conhecimento pronto e acabado, como uma verdade absoluta, seguindo as exigências sociais da época, a fim de formar o cidadão moral e cívico ideal para sua sociedade. Essa educação permaneceu elitizada até meados do século XIX, quando as escolas públicas para atender classes populares foram inauguradas (SOUZA, 2006). Chegamos ao marco histórico em que a palavra planejamento finalmente surgiu. Segundo Saviani (2010, p. 382), o termo originou-se em meio a Revolução Industrial no século XIX. Começamos a ver nitidamente a influência da sociedade, sobretudo do mercado de trabalho, na educação escolar. Nesse ínterim, as escolas começaram a incorporar o termo. Na época, ainda com tendências pedagógicas mais tradicionais, os planejamentos escolares eram de inteira responsabilidade do docente, pois “[...] a iniciativa cabia ao professor, que era, ao mesmo tempo, o sujeito do processo, o elemento decisivo e decisório [...]”. A partir de então, iniciou-se o desenvolvimento da ação de planejar dentro dos ambientes de aprendizagem. Posteriormente, as tendências pedagógicas continuaram a utilizar o planejamento em suas ações. Na escola nova, já no século XX, por exemplo, essa ação ocorria em conjunto, ou seja, professor e alunos discutiam os conteúdos a serem estudados e, a partir de então, eram estabelecidos os procedimentos de ensino (BEHRENS, 2009). Na tendência tecnicista o planejamento do professor se embasava no estímulo/resposta necessários para atingir o desempenho esperado do aluno. De acordo com Arruda (2015, p. 243): Na década de 1970, em São Paulo, a forma de desenvolver o planejamento sofreu influências tecnicistas – produtividade, eficiência e eficácia do ensino. Foi também nessa década que se deu a aprovação da Lei n. 5.692, que forneceu as primeiras diretrizes e bases dos Ensinos Primário (Fundamental) e Médio. Além disso, ainda no contexto do regime militar, na segunda metade da década de 1960, foram firmados os acordos MEC-USAID, entre o Ministério da Educação (MEC) e a United States Agency for International Development (USAID), para promover a reforma do ensino brasileiro. Diante do exposto, podemos afirmar que a partir da década de 1970 houve uma intensificação do planejamento nas escolas e nos ambientes não formais de aprendizagem. Podemos observar que, desde a escolarização da classe popular, a educação teve como fim preparar o sujeito para sua participação na sociedade, sobretudo no mercado de trabalho. Como já exploramos em capítulos anteriores, no período tecnicista, mais do que nunca, ficou nítida a influência do mercado sobre a educação, pois a demanda social era de pessoas especializadas em determinadas atividades, logo a educação escolar para as massas deveria formar esses sujeitos. Considerando o contexto social e suas necessidades, criaram-se os currículos e, desde então, o professor realiza seus planejamentos para atingir o objetivo estabelecido. Segundo Turra et al. (1995, p. 19), a escola tecnicista teve um processo conturbado no que corresponde a “[...] racionalização das atividades do professor e do aluno, na situação de ensino e aprendizagem, possibilitando melhores resultados e, em consequência, maior produtividade”. Nesse contexto, o planejamento foi de fundamental importância para nortear as atividades docentes e chegar ao objetivo. INÍCIO DO SAIBA MAIS As instituições de ensino estão inseridas em sociedades que, a cada tempo, possuem demandas diferenciadas. Tanto a sociedade influencia a escola quanto o inverso, logo, esse condicionamento leva as instituições a formarem cidadãos que atuem de forma eficaz em sua sociedade. A educação tecnicista surgiu para atender a demanda social do contexto capitalista, em que o mercado de trabalho precisava de pessoas mais qualificadas, especialistas, que além de ler e escrever soubesse manusear máquinas, dentre outras habilidades mais complexas. Considerando o exposto, o filme “Tempos Modernos” (1936), de Charlie Chaplin, retrata bem os meios de produção em que emergiram o tecnicismo e o trabalho profissional que se pluralizava no mercado. A educação precisava atender essa demanda. Veja a ficha técnica completa do filme no final deste capítulo. Fonte: Elaborado pela autora (2018). FIM DO SAIBA MAIS. Em 1961, foi criada a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação do Brasil. Por meio dessa lei, o estado passa a delinear a educação escolar no que tange a investimentos, metas, dentre outros compromissos com a sociedade. A partir de então o professor precisou conhecer mais sobre as políticas e exigências do Estado para a educação. Na sequência dos acontecimentos históricos acerca do planejamento surgiram as escolas progressistas, nas quais o professor precisava planejar suas aulas considerando o diálogo e a mediação entre o objetode ensino e o aluno (BEHRENS, 2009). Dessa forma, percebemos que o planejamento não é algo recente, apesar de a palavra ser moderna. Essa ação vem se ampliando no contexto escolar, o que antes era apenas responsabilidade do professor tomou uma dimensão nacional. Além disso, o planejamento é presente inclusive em ambientes não formais de aprendizagem, sempre considerando a sociedade em que estamos inseridos. INÍCIO DO REFLITA Saindo do contexto escolar, você acredita que outros profissionais também precisam de planejamento? Por exemplo, um empresário ou um chefe de cozinha. Considerando os ambientes não formais de aprendizagem, será que os profissionais desse meio também necessitam de planejamento? FIM DO REFLITA. Como vimos no início deste capítulo, planejar é antecipar as ações mentais, a fim de organizá-las para suas execuções diversas. Dessa forma, qualquer profissional que não planeja suas atividades corre o risco de fracassar. Ao contrário do que muitos pensam, atualmente o planejamento escolar não se limita ao plano de aula que o professor precisa realizar para lecionar. Na verdade, esse é o produto final de todo o processo de planejamento que acontece na educação escolar. Essa ação inicia-se com o Estado, por meio de políticas educacionais que atendam as demandas da sociedade como um todo. São documentos que estabelecem as metas da educação institucional, a exemplo, o Plano Nacional de Educação (PNE). Na Educação Básica, temos a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em 15 de dezembro de 2017 para as etapas de Educação Infantil e Ensino Fundamental, e em 14 de dezembro de 2018 para o Ensino Médio. Essa Base estabelece os conteúdos mínimos que devem ser ofertados nas escolas de todo o nosso país, por isso toda a equipe pedagógica deve se familiarizar com ela. Porém não podemos chamá-la de currículo. Por currículo podemos entender um instrumento social e cultural que, segundo Moreira e Silva (2002, p. 7-8), [...] não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social. O currículo está implicado em relação de poder, o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas, o currículo produz identidades individuais e sociais particulares. O currículo não é um elemento transcendente e atemporal – ele tem uma história, vinculada a formas específicas e contingentes de organização da sociedade e da educação. Dessa forma, podemos compreender que o currículo está intimamente relacionado com a concepção de Homem que a sociedade produz para suprir suas necessidades, que geralmente estão ligadas aos meios de produção capitalista. Diante do exposto, não podemos afirmar que o currículo é um documento neutro que trata apenas da formação humana. Ele possui um viés político, permeado de intenções e visões de quem o produz e se modifica a cada mudança social. Em cada tendência pedagógica o currículo foi visto de uma forma. Assim, nas teorias tradicionais, o currículo se limitava ao “o que ensinar”. Posteriormente, as teorias críticas ampliaram as reflexões para “por que ensinar”, ou seja, “por que ensinar esse conteúdo e não outro?” (SILVA, 2002). Atualmente o currículo é pensado de forma ainda mais ampla (o que ensinar? Para quem? Por quê? Como?) e passa por diferentes discussões (nacional, regional e institucional), como veremos adiante. O currículo em discussão nacional remete-nos à BNCC (2017), que foi construída com base nos pressupostos da nossa Constituição Federal de 1988 e em nossa atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), lei nº 9.394 de 1996, com o intuito de padronizar os conteúdos de todo o Brasil, para que alunos de norte a sul tenham acesso aos mesmos conteúdos, afirmando a igualdade de oportunidades. Foi com a ajuda da população e dos professores da rede pública, sobretudo, que os governantes responsáveis puderam consolidar a Base que precisa ser seguida em todo o país, inclusive pelas instituições particulares. Na BNCC (2017) encontramos os conteúdos mínimos que devem ser trabalhados pelas escolas que ofertam a Educação Básica, bem como as exigências para atender determinadas demandas da sociedade, como o trabalho com as competências e as habilidades de cada aluno, em cada etapa da Educação Básica e em cada disciplina. Vejamos a seguir o conceito de competência para a BNCC: Ao longo da Educação Básica, as aprendizagens essenciais definidas na BNCC devem concorrer para assegurar aos estudantes o desenvolvimento de dez competências gerais, que consubstanciam, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Na BNCC, competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho (BRASIL, 2017, p. 8 – grifos no original). Em outras palavras, competência é a capacidade teórica e prática que o sujeito possui para desempenhar determinada atividade, por exemplo: você tem competência para dar uma aula de ginástica? Para responder essa pergunta precisa-se levar em consideração os conhecimentos necessários para dar essa aula, como anatomia humana, técnicas e movimentos específicos da ginástica, didática para ensinar, entre outros. Então, você tem competência para isso? Diante dessa exigência citada pela BNCC (2017), sempre que o professor pensar em um conteúdo de sua disciplina deverá pensar, também, nas competências e habilidades que deverá trabalhar com seus alunos, pois além de conhecimentos teóricos, as crianças e adolescentes da Educação Básica precisam de conhecimento prático, veja a seguir uma das competências gerais que os alunos desse nível de ensino devem adquirir com os conteúdos da BNCC: “agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários” (BRASIL, 2017, p. 10). Considerando essa exigência, os professores deverão pensar em estratégias de ensino e de aprendizagem que proporcionem aos seus alunos o desenvolvimento dessas competências. Além disso temos as habilidades, que segundo o documento são práticas cognitivas e sociais que permitem ao sujeito ter competência para exercer suas atividades (BRASIL, 2017). De um jeito mais simples, habilidades são formas de se desenvolver bem as atividades, por exemplo: imaginemos que você dê aulas para uma criança de 4 anos e tenha que explicar o que é um cavalo, pois ela nunca o viu; como você explicaria? Eu tenho habilidades para desenhar (motricidade fina aguçada, percepção visual bem desenvolvida etc.), logo, pegaria um papel e lápis de cor para desenhar um cavalo e explicar por meio de uma ilustração. Vemos que a Base (2017) estipula o currículo mínimo e estabelece exigências que norteiam todo o planejamento escolar, mas não determina a didática do professor. As metodologias, os métodos e as estratégias utilizadas para realizar os processos de ensino e de aprendizagem são de inteira responsabilidade da equipe pedagógica. Após a aprovação da BNCC pelo Estado quanto aos conteúdos mínimos a serem ensinados nas escolas de Educação Básica, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) se reúne com a União Nacional dos Dirigentes Municipais (Undime), Conselho Nacional de Educação (CNE), Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação (FNCE) e União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme) para debater sobre o currículo ideal para cada estado e seus municípios. Nessas discussões, além dos conteúdos mínimos já estipulados na Base, são consideradas as questões particulares de cada estado e de seus municípios, a fim de elaborar o Referencial Curricular do estado,que será seguido por todas as suas cidades (BRASIL, 2018a; PARANÁ, 2018). A partir do Referencial Curricular do estado, cada escola construirá o seu planejamento institucional. Sentam-se, nesse momento, diretores, supervisores, coordenadores, professores, auxiliares, equipe de limpeza, associação de pais – que envolve a comunidade escolar –, a fim de construírem o documento que apresentará o currículo e determinará a identidade da escola: o Projeto Político Pedagógico (PPP). Nesse documento é apresentada, com base em preceitos democráticos, a visão de mundo que a escola possui, revelando o que ela entende por educação, conceito que deve ser bem definido por cada professor; qual é o cidadão necessário para a comunidade local; qual é o objetivo da educação dessa instituição; qual é a tendência pedagógica que norteará as ações didáticas; dentre outras perspectivas que apresentem a escola em seus aspectos físicos, filosóficos, políticos e pedagógicos (VASCONCELLOS, 2002). Esse documento deve ser construído pelos educadores em conjunto com a comunidade local, por isso o PPP é considerado democrático, pois leva em consideração o ponto de vista da equipe diretiva, dos professores, dos pais, dos alunos e de toda a comunidade escolar. Isso ocorre pois a educação ofertada é direito de todos, e toda a comunidade será impactada pela educação a ofertada por aquela instituição (VEIGA, 1995). Nesse documento – PPP – também são pré-estabelecidas as disposições dos conteúdos determinados pela BNCC (2017) e discussões anteriores. Volta- se à reflexão sobre o currículo, agora dentro da instituição. Segundo Saviani (1991, p. 23), currículo “[...] é o conjunto das atividades nucleares desenvolvidas pela escola”. Logo, tudo o que acontece na instituição é currículo. Aqui vemos a identidade da escola, pois esse currículo inclui as experiências vividas por todos os seus integrantes. O planejamento realizado no PPP é sintetizado, posteriormente, no Plano Anual, documento em que a escola separa os conteúdos e os distribui em semestres e/ou bimestres, a fim de organizar o que será trabalhado e quando. Assim, deve-se pensar em uma sequência lógica, para não propor um conteúdo que não seja a sequência lógica do outro. Depois, cada professor planeja suas ações pedagógicas considerando os conteúdos a serem ensinados; a ordem destes; a importância de cada um; os objetivos a serem alcançados e como serão trabalhados. Tudo isso será registrado no plano de aula, que pode ser pensado por conteúdos, por meses, por quinzena ou por semana, o que varia de acordo com a organização de cada escola, considerando sua identidade, registrada no PPP. Vemos, portanto, que o planejamento do professor é o último de uma série de planejamentos que se iniciam em âmbito nacional e vão se afunilando a cada processo. Na figura abaixo podem ser observados de modo sucinto os passos do planejamento escolar: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: A figura 3 apresenta o planejamento escolar: âmbito nacional, regional e institucional. A figura é representada por uma pirâmide invertida. Ela encontra-se dividida em cinco partes, as quais, de cima para baixo, são descritas da seguinte forma: primeira parte: Pne - estabelece as metas e estratégias para a Educação Básica. Segunda parte: BNCC - estabelece os conteúdos mínimos que devem ser ensinados em todo o Brasil e em cada etapa da Educação Básica. Terceira parte: Referencial Curricular do estado - estabelece o currículo que todos os municípios do estado seguirão. Quarta parte: PPP - consolida o currículo da BNCC e do Referencial de seu estado e apresenta a identidade da escola. Na quinta parte lemos: Plano de aula - organizar os conteúdos estabelecidos no currículo, a fim de estruturar o que, por que e como ensinar. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. Dessa forma, o professor não é o único envolvido no planejamento escolar. Quando falamos em currículo devemos lembrar que ele começa a ser planejado pelo Estado em acordo com a população acadêmica e civil, passando por uma ampla discussão até chegar na escola de fato. O professor, mesmo com esses planejamentos prévios, precisa organizar os conteúdos de forma que fiquem didáticos para os alunos. Em suma, o conteúdo que já está estabelecido para o professor, nessa fase, precisa ser pensado por ele com base em sua relevância, os objetivos e a forma com que serão ensinados. Nos ambientes não formais de aprendizagem, que são assim caracterizados por não possuírem currículo definido, o profissional deverá elaborar o seu planejamento com base nas diretrizes do local em que trabalha, que pode ser uma empresa, um museu, um hospital, dentre outros lugares onde a aprendizagem ocorre de forma mais espontânea e relacionada com aspectos específicos do local de trabalho. Na etapa de registro do plano, é necessária pesquisa em muitos quesitos. Ao falarmos no campo da docência precisamos ter claro que o plano de aula não é um mero papel, mas sim um eficiente instrumento de trabalho do professor. Não é uma tarefa fácil realizá-lo, por precisa de pesquisas: identidade da turma, como aprendem, qual é o procedimento de ensino adequado para cada aluno, conhecimentos científicos dos conteúdos, formas de desenvolver competências e habilidades etc. Veremos, no próximo tópico, como o professor pode efetuar suas pesquisas para construir seu plano de aula. FIM DO TÓPICO 1. INÍCIO DO TÓPICO 2 2. PESQUISA DOCENTE A formação profissional nunca se encerra. Começamos a construir nossos conhecimentos científicos próprios da profissão na graduação, mas não para por aí. O sujeito que se contenta apenas com a formação inicial dificilmente será um profissional próspero e preparado para as demandas da sociedade, visto que são aspectos dinâmicos e o mercado apresenta novos desafios a todo o instante. A graduação é uma base, um suporte teórico e prático inicial que pode amparar as necessidades de um profissional que acaba de entrar no mercado de trabalho. Nesse meio acadêmico, o futuro professor aprende as teorias necessárias para desenvolver suas aulas e efetivar a aprendizagem, bem como proporcionar o desenvolvimento de seus alunos; por isso é tão importante o contato com as políticas, as metodologias, as psicologias educacionais, dentre outras matérias que você, caro(a) aluno(a), terá contato ao longo do curso, assim como a Didática. Ao longo do curso você perceberá que todas as disciplinas são essenciais para uma boa didática. Saviani (2003) salienta que o professor, por meio da didática, precisa saber transpor o saber científico em saber escolar, logo, em sua formação deve aprender a trabalhar com os conteúdos em forma de pesquisa, a fim de refletir sobre os mesmos e considerar aspectos como: - A capacidade de ensinar ou ajudar o aluno a se apropriar do saber; - o domínio dos conteúdos a serem ensinados, o que exige uma visão geral da disciplina (princípios organizadores, campos nacionais, tramas conceituais); - o domínio de instrumentos e habilidades ligados a situações de aprendizagem (previsão, observação, análise, gestão, regulação e avaliação), (SAVIANI, 2003, p. 154). Considerando o exposto, a formação de professores deve promover instrução, produção, simulação, documentação, retroação e observação, tudo para estimular e capacitar o profissional a fazer pesquisas sobre conteúdos, processos de ensino e de aprendizagem, modelo pedagógico, organização escolar que, como afirma Astolfi e Develay (1991), resultam em uma formação pela pesquisa. INÍCIO DO SAIBA MAIS Discutir sobre a formação de professores é muito importante, pois sempre que é analisada a situação da educação pública em nosso país vemos que os índices de desempenho dos nossos alunos, sobretudo nas áreas de português e matemática, são alarmantes. A culpa geralmente recai sobre os docentes,visto que são os responsáveis pela educação escolar. Precisamos fazer a nossa parte. Você, caro(a) aluno(a), enquanto professor em formação, precisa ser “[...] ator/autor da sua trajetória de vida e emergente da teia econômica, social e cultural em que está inserido e como profissional que busca a formação, reconhecer suas necessidades e as do contexto em que atua [...]” (SOARES; CUNHA, 2010, p. 32). Não basta as universidades oferecerem a educação superior de qualidade, o acadêmico também precisa buscar o que lhe falta, com autonomia em sua própria formação. Somente assim podemos argumentar que o bom sucesso da educação escolar está para além da formação de professores, exigindo investimentos na educação e responsabilizando, também, o Estado. Fonte: Soares e Cunha (2010). FIM DO SAIBA MAIS. Ao longo do curso o acadêmico também tem a oportunidade de ter contato com a prática docente por meio dos estágios, nos quais pode verificar como a teoria se efetiva no contexto escolar, como é a rotina de uma escola, dentre outros aspectos relacionados à práxis escolar. Essa pesquisa de campo proporciona ao acadêmico a superação da dicotomia entre a teoria aprendida durante as disciplinas e a prática vivenciada no campo de trabalho, pois no estágio o aluno deve perceber, com as mediações docentes, que toda a teoria aprendida nas aulas é necessária para colocar em prática as ações pedagógicas, desde o planejamento até o processo de ensino e aprendizagem. Esta correlação teoria e prática é um movimento contínuo entre saber e fazer na busca de significados na gestão, administração e resolução de situações próprias do ambiente da educação escolar. A prática, como componente curricular, que terá necessariamente a marca dos projetos pedagógicos das instituições formadoras, ao transcender a sala de aula para o conjunto do ambiente escolar e da própria educação escolar, pode envolver uma articulação com os órgãos normativos e com os órgãos executivos dos sistemas (BRASIL, 2001, p. 9, grifos do autor). Com essa preparação, o futuro professor deve considerar que em seu campo de atuação a teoria sempre deve permear a prática para que a ação seja significativa, sobretudo no que diz respeito ao processo de mediação, também a teoria sempre leva em consideração as práticas já vivenciadas, mas com cientificidade. Essa dicotomia, superada nos estágios, não pode voltar a aparecer quando o professor se forma e assume uma turma. Por fim, em meio a todo esse contexto, o acadêmico graduando deve aprender a realizar pesquisas científicas, o que se efetiva nas atividades de estudo, na realização de fóruns, no desenvolvimento de projetos de iniciação científica, dentre outras atividades acadêmicas das quais o aluno pode participar, por iniciativa do professor, mas, principalmente, por sua própria iniciativa. Silva e Compiani (2015) denunciam que a pesquisa por parte dos professores está abaixo do que precisamos no país, pois apenas uma parcela ligada a cursos universitários como os Stricto Sensu faz essa tarefa. Diante desse fato, os autores supracitados salientam a importância de todos os professores realizarem pesquisas dentro de suas salas e escolas de atuação, relacionadas a metodologias e outras investigações sistemáticas e intencionais no trabalho educativo: A ideia de sistemático se refere às formas de recolher e armazenar a informação, de documentar as experiências de dentro e fora da aula e de realizar registros escritos das situações. A intencionalidade vê a pesquisa do professor como uma atividade planejada e não espontânea, mesmo considerando que nem todos os resultados são provenientes de atividades planejadas. Por fim, a ideia de investigação traz a noção de que a pesquisa gera questões e reflete os desejos docentes de dar sentido às suas experiências, admitindo, com isso, que nem toda pesquisa deve, necessariamente, trazer nova informação, mas deve trazer a possibilidade de se interpretar a informação que já se possui (SILVA; COMPIANI, 2015, p. 1106). Essa pesquisa docente a que se referem as autoras é diferente da pesquisa metodológica, como ocorre em cursos Stricto Sensu (Mestrado e Doutorado, por exemplo), pois trata-se de pesquisas produzidas no próprio local de trabalho, a fim de aperfeiçoar as metodologias de ensino e de aprendizagem de um público específico, sem o rigor das pesquisas acadêmicas. INÍCIO DO REFLITA Você já ouviu a expressão: “o professor não está preparado para isso”? Diante de uma adversidade no âmbito pedagógico, qual profissional você será? Estará disposto a encarar os desafios ou dirá “não sou preparado para isso”? FIM DO REFLITA. Assim como em todas as profissões, temos aqueles profissionais que, diante de desafios, se preparam para enfrentá-los. Outros preferem usar desculpas. A pesquisa está presente em nossa vida acadêmica e deve permanecer por todos os dias da carreira docente. Depois que o discente se forma, se depara em sala de aula com inúmeras adversidades que precisam ser melhor estudadas, como exemplo: um aluno com transtorno, uma tecnologia da educação inovadora, uma nova tendência pedagógica, dentre outras novidades para as quais a graduação, apenas, não dá o suporte total. Ainda que tenhamos disciplinas que nos deem a base para conhecer sobre transtornos, tecnologias educacionais e tendências pedagógicas, sempre precisaremos de um conhecimento mais específico e aprofundado do assunto. Por isso temos a pós-graduação, para nos especializarmos naquilo que precisamos em determinado momento (SILVA; COMPIANI, 2015). Novamente, partiremos para a pesquisa e isso se repetirá sempre que o professor se deparar com algo para qual ele acredita não estar preparado. Hoje ele tem um aluno autista sobre o qual pesquisou e já sabe como ele aprende, como ensinar, quais metodologias são melhores, entre outros aspectos. Amanhã ele terá um aluno surdo, sobre o qual precisa pesquisar novamente, conhecer seu processo de ensino e de aprendizagem de formas mais específicas. Assim é com tudo que se passa na escola e demais ambientes de aprendizagem. Vimos em capítulos anteriores que há diferentes tendências pedagógicas, você pode ser contratado para trabalhar em uma escola que segue a pedagogia histórico-crítica, por exemplo, que está ainda em alta, mas amanhã você pode precisar trabalhar em uma escola que utiliza uma teoria mais tradicional ou ainda uma nova teoria revolucionária que chega ao Brasil. Assim, precisará pesquisar sobre essas tendências: qual é o papel do professor? Qual é o foco da teoria? Qual é o objetivo da educação para essa determinada tendência? A vida do professor é pesquisar e não há como fugir disso. Ser um docente sem ser um pesquisador é estar fadado ao fracasso e ser responsável pela educação escolar sem qualidade, contribuindo para as dificuldades escolares de seus alunos, a não aprendizagem, o baixo rendimento escolar e o não desenvolvimento global do sujeito. Lüdke (2001) afirma que faz parte da boa formação docente as práticas de pesquisa, visto que é por meio delas que o docente adquire as habilidades de reconhecer o seu contexto, enxergar os desafios e superar os problemas, sem considerá-los imutáveis. Ainda que o professor tenha o mais alto grau de instrução e título acadêmico, precisará continuar suas pesquisas para lecionar. Dessa forma, um professor que tenha doutorado deve continuar as pesquisas para ter uma aula de excelência. Na Educação Básica, por exemplo, as pesquisas docentes se iniciam antes mesmo do início das aulas. Como vimos no tópico anterior, há uma série de planejamentos antes que os conteúdos cheguem ao professor para elaboração do seu plano de aula. Esse percurso do planejamento escolar deve ser conhecido pelo docente, visto que são embasados em documentos educacionais que, a todo momento, podem ser atualizados,modificados e/ou substituídos. Neste exato momento, caro(a) aluno(a), estamos passando por uma atualização dos profissionais da educação que perdurará por um bom tempo, visto que a BNCC é nova e precisa ser conhecida por todos os professores, antes mesmo da elaboração de seus planos de aula. Isso significa pesquisa (BRASIL, 2017; 2018b). Os documentos educacionais devem ser constantemente pesquisados pela equipe pedagógica, bem como o PPP de sua escola, visto que o plano de aula deve estar em consonância com a visão de mundo que a instituição possui, o objetivo com a educação e demais detalhes que já observamos no tópico anterior. Imaginem que a escola tenha como ideal de educação formar alunos críticos, para tanto utiliza a teoria histórico-crítica, porém o professor é adepto de uma teoria mais tradicional, que não permite a formação de um sujeito crítico, mas sim passivo. Esse conflito acaba por formar alunos que não condizem nem com a visão de sujeito da escola nem com a da sociedade atual. Esse professor, portanto, não está apto para atuar nessa escola nem na sociedade, tornando-se obsoleto e podendo implicar negativamente na formação acadêmica de seus alunos, de forma a prejudicar seu desenvolvimento social e cognitivo. Por isso é tão importante que o professor pesquise os documentos educacionais a nível nacional, regional e principalmente os de sua escola, para então elaborar seu plano de aula. Essa pesquisa, como já salientamos, inicia-se antes mesmo das aulas, pois as reuniões com a equipe pedagógica são realizadas um pouco antes do início dos dias letivos, a fim de que as escolas já comecem suas pesquisas e seus planejamentos anuais. Para tanto, também é realizada a distribuição de turmas, para que o professor saiba com qual série trabalhará, o que também precisa ser pesquisado, pois cada etapa da educação possui um objetivo, cada série possui uma necessidade e cada turma, suas especificidades (GÓMEZ, 1998). Dessa forma, o professor habituado a trabalhar com a Educação Infantil não trabalhará da mesma forma com o Ensino Fundamental. O professor que trabalha com o 6º ano não pode trabalhar da mesma forma com o Ensino Médio. A turma do 2° ano A tem um perfil diferente do 2° ano B. Diante do exposto, como o professor pode lidar com esses diferentes perfis? Com pesquisa, antes de tudo. Pesquisar o objetivo de cada etapa da educação é fundamental para saber como trabalhar. Sempre que tiver a oportunidade de conversar com os professores anteriores da turma, faça-o, pois isso também contribui para a pesquisa da identidade da turma: são alunos mais participativos? Mais curiosos? Trabalham bem em grupo? São disciplinados? Tudo isso contribui para, posteriormente, montar o plano de aula, visto que não há como pensar o que ensinar sem pensar para quem e como. Depois de estabelecidos os conteúdos pelo planejamento escolar e realizada a distribuição de turma, o professor se empenha na pesquisa dos conteúdos e do perfil prévio da turma para montar seu primeiro plano de aula do ano. Esse é o mais difícil, pois o docente trabalha com base em informações coletadas em sua pesquisa teórica, sem ter, ainda, o primeiro contato com a turma; logo, atua sem pesquisa e conhecimento prático da identidade dos alunos. Dessa forma, deve elaborar um plano de aula flexível, ou seja, possível de ser modificado após o início das aulas, pois precisará mudar suas estratégias diante de uma adversidade (OSTETTO, 2000). Suponhamos que, em suas pesquisas, tenha constatado previamente que a turma é mais agitada e participativa. Com o início das aulas, porém, diante de sua didática e sua postura, notou a turma se mostrou mais tranquila, menos participativa. Dessa forma, precisará trocar as estratégias de controle da turma para estratégias que promovam a interação, como exemplo, trocar as atividades individuais por atividades em dupla. Ao iniciar as aulas, o professor começa de fato sua pesquisa sobre os alunos: como cada um aprende? Quais são as dificuldades de cada um? E as habilidades? Quais as metodologias mais eficazes para a turma? Tudo para saber como lidar em sala de aula, de forma que consiga ensinar e os alunos consigam aprender. Os conhecimentos dessa pesquisa se refletirão em seu plano de aula, em que deverão constar os métodos a serem utilizados. Isso nos leva a outro aspecto que precisa ser pesquisado. Precisamos, o tempo todo, saber quais são os procedimentos de ensino que estão fazendo sucesso quanto a melhoria do ensino e da aprendizagem (GASPARIN, 2007). Passamos agora a refletir sobre a pesquisa dos conteúdos. Essa pesquisa deve acontecer durante todo o ano letivo. Vivemos em uma sociedade em que a informação está por toda parte. Alunos e professores estão cercados de informação, porém devemos entender que informação é um conceito diferente de conhecimento. Fora da escola posso acessar informações, mas dentro da sala de aula o professor deve proporcionar conhecimento. Informação, no campo da educação, pode ser considerada algo superficial, que é repassado de um emissor para um receptor, podendo ser transmitida de forma oral ou, como estamos na era tecnológica, por meio de um instrumento digital (BOSI, 1995). O conhecimento, por outro lado, é aprofundado; parte de algo já produzido pelo Homem, que é reconstruído pelo sujeito aprendiz a partir de suas categorias de pensamento (GADOTTI, 2005). O professor pode utilizar a informação como instrumento de seu ensino, servindo, então, como objeto de estudo ou ponto de partida para o aluno, o que proporcionará, no processo de ensino e de aprendizagem, a produção de conhecimento. De forma alguma, porém, o professor deve apresentar apenas a informação e permanecer nessa superfície, considerando-a como conhecimento. Esse cuidado deve ser redobrado em nossa sociedade atual, porque estamos imersos na tecnologia que nos proporciona informações a todo o instante, por isso muitos alunos chegam em sala achando que sabem de tudo. O pior é quando o professor também acha que informação é conhecimento. Por isso a pesquisa docente nunca se fez tão necessária quanto agora. O professor pode utilizar as tecnologias para sua pesquisa, as informações como ferramenta para suas aulas, mas não pode ficar preso a elas. Suas aulas devem ir além da linha rasa dos assuntos discutidos, do que está posto nas mídias e nas redes sociais. É necessário estudo aprofundado do conteúdo, para que compreenda as entrelinhas das informações, consiga transformá-la em saber sistematizado e ajudar o aluno a passar do conhecimento real para um mais elaborado. Apenas assim contribuímos para o desenvolvimento e a aprendizagem (GADOTTI, 2005). Calleja (2008) nos alerta que o professor precisa passar do processo informativo e/ou reprodutivo para outro que proporcione a interpretação e análise crítica dessas e outras informações. Para tanto, o autor enfatiza que o docente precisa ser: - Preparado e atualizado em sua ciência, ou seja, em sua especificidade do saber. - Ser um investigador. Às vezes os professores acreditam que se sua docência é de pré-escola ou ensino fundamental, não tem de investigar, quando realmente a investigação deve caracterizar um docente de qualquer nível de ensino. - Deve possuir uma cultura geral, ou seja, integral. - Possuir uma formação razoável do ponto de vista da Pedagogia, da Didática e das outras Ciências da Educação. - Ser um educador exemplar, em qualquer lugar, honrado, honesto, consagrado, ético em sua profissão e com boas relações humanas (CALLEJA, 2008, p. 116). A pesquisa docente precisa sair das informações, dos livros didáticos, e passar para um nível mais elevado de produção de conhecimento, que acontece em meios científicos. Dessa forma, para pesquisa docente é necessário o currículo bem definido, livros e artigos científicos, filmese documentários, dentre outros meios de elaboração de conhecimento e de cultura. No âmbito não formal a pesquisa também se faz necessária, pois trata-se de um campo em constante atualização. O profissional que atua em empresas, academias, hospitais e outros locais onde a educação se efetiva de forma não curricular precisa se atentar às matrizes que norteiam seu trabalho, documentos, novas tendências do seu campo de atuação, por exemplo, tecnologias e técnicas que potencializam o desenvolvimento dos aprendizes etc. Ao final de todas essas pesquisas o professor poderá montar seu plano de aula com base em documentos que seguem a necessidade de sua sociedade, com conteúdos fundamentais para a formação do aluno, metodologias e métodos que facilitem o processo de ensino e de aprendizagem, o que resultará em aulas de qualidade, aprendizagem eficiente e eficaz, bem como no desenvolvimento global dos alunos. FIM DO TÓPICO 2. INÍCIO DO TÓPICO 3 3. PLANO DE AULA Após o planejamento institucional e a pesquisa do profissional, chega a hora de registrar toda essa caminhada, de modo a organizar a ação que será realizada com o aprendiz. O plano de aula é a última etapa do planejamento escolar, mas é a mais importante, pois é por meio dele e de sua execução, bem como avaliação, que poderemos saber se a trajetória anterior foi bem-sucedida. Há várias formas de registrar o plano de aula, isso vai depender de cada escola, de cada teoria norteadora, dentre outros aspectos. Algumas escolas optam por realizar o plano de aula bimestral, outras o mensal, quinzenal ou, ainda, o semanal. Essa distribuição dos conteúdos, que pode variar de bimestre a semanas, acontece a partir do Plano Anual, que já mencionamos no primeiro tópico deste capítulo. Com o currículo já estabelecido, os professores organizam os conteúdos da melhor forma, pensando em por que ensinar, para que e como ensinar seus alunos, a fim de facilitar as ações de ensino e de aprendizagem, tudo para que se torne um processo facilitado, eficaz e eficiente. Portanto, dentro do plano de aula existem elementos essenciais a serem pensados, os quais veremos detalhadamente. Quando falamos em currículo, devemos saber que tais conteúdos foram selecionados não por acaso, mas sim porque cada um tem uma relevância na formação do sujeito (SAVIANI, 2003). Sabendo disso, o professor deve refletir, em primeiro lugar: por que ensinar determinado conteúdo? Para ficar mais explícita a nossa discussão sobre esse plano, vamos juntos, caro(a) aluno(a), pensar no passo a passo da elaboração de um plano de aula fictício. Para tanto, vamos considerar, como conteúdo a ser trabalhado dentro de um bimestre, a probabilidade e a estatística, enfocando os gráficos, por um período de 15 dias. Suponhamos que nossa aula seja para uma turma de 5º ano do Ensino Fundamental, cuja identidade sabemos que apresenta dificuldades em matemática; é uma turma agitada e desinteressada nos conteúdos mais teóricos, mas que precisa aprender sobre gráficos. Diante do exposto, por que trabalhar gráficos no 5º ano? Lembramos que o professor deve estar ciente do que os documentos educacionais trazem em seu bojo. Se observarmos, por exemplo, a BNCC, verificamos que traz para o 5º ano a seguinte proposta de trabalho com probabilidade e estatística: “leitura, coleta, classificação interpretação e representação de dados em tabelas de dupla entrada, gráfico de colunas agrupadas, gráficos pictóricos e gráfico de linhas” (BRASIL, 2017, p. 294). Dessa forma, não é todo e qualquer gráfico que precisa ser trabalhado nessa etapa, mas sim gráficos de colunas agrupadas, gráficos pictóricos e gráficos de linhas. Considerando ainda a Base, temos que nos atentar às habilidades exigidas: “realizar pesquisa envolvendo variáveis categóricas e numéricas, organizar dados coletados por meio de tabelas, gráficos de colunas, pictóricos e de linhas, com e sem uso de tecnologias digitais, e apresentar texto escrito sobre a finalidade da pesquisa e a síntese dos resultados” (BRASIL, 2017, p. 295). Isso significa que além de ensinar sobre os referidos gráficos o professor precisará fazer com que o aluno conclua o 5º ano com a habilidade de realizar pesquisas com variáveis numéricas (pesquisa quantitativa, com classificações discretas e/ou contínuas) e categóricas (classificações diversas como gênero, espécie etc.). Partindo desses pressupostos, suponhamos que o PPP da escola do nosso 5º ano apresente que a Matemática se define como uma ciência que se desenvolveu desde a necessidade do Homem de resolver situações problema e que hoje está enraizada em nossa cultura. Com isso, espera-se que os conteúdos matemáticos ajudem seus alunos a participar da sociedade com conhecimentos científicos, de forma que também possam contribuir para a ampliação dos mesmos. Diante do exposto, o professor já sabe por que trabalhar gráficos no 5º ano: porque essa escola precisa formar cidadãos letrados, que saibam, além de conceitos, fazer uso social dos conteúdos. Essa resposta será necessária para construir o objetivo da aula que será registrada no plano. Esse conhecimento, como vimos no tópico anterior e exemplificado aqui, o professor adquire por meio de pesquisas contínuas aos documentos educacionais, desde os nacionais até o institucional. De acordo com Libâneo (2013) o “porquê” ensinar está intrinsecamente relacionado à função social da escola. Em essência, a função de toda instituição escolar é formar um cidadão que saiba ler, escrever e contar, de forma que saia de um conhecimento real e chegue ao seu máximo potencial por meio de leitura, escrita e contas. Deve saber interpretar, analisar e emancipar seus conhecimentos de forma que se desenvolva plenamente (cognitiva, social, afetiva e fisicamente). Contudo, o professor precisa pensar na segunda questão que norteará seu plano de aula: para que ensinar esse conteúdo? Isso pode ser esclarecido a partir do PPP, que descreve a visão de Homem, de educação e de sociedade que a escola possui, o que influencia na educação escolar dos seus alunos. Suponhamos que a escola do nosso 5º ano tenha como concepção de Homem um ser social, crítico e reflexivo, que ela veja a educação como uma forma de emancipação do sujeito, que sai da ignorância e chega à concepção plena da sociedade em que vive, sendo essa, por sua vez, capitalista. Assim, o professor pode concluir que o conteúdo gráfico será ensinado para que o aluno, por meio das pesquisas quantificadas, compreenda sua realidade e amplie seus conhecimentos científicos. Essa resposta será necessária para justificar o objetivo da aula que será registrada no plano de aula. Libâneo (2013, p. 43) salienta que os alunos devem adquirir conhecimento [...] a fim de que se tornem preparados e aptos para enfrentar as exigências objetivas da vida social como a profissão, o exercício da cidadania, a criação e o usufruto da cultura e da arte, a produção de novos conhecimentos de acordo com interesses de classe, as lutas pela melhoria das condições de vida e de trabalho. Por fim, o professor precisa refletir: como ensinar? Há inúmeras formas de ensinar gráficos, porém os métodos devem estar de acordo com a teoria da escola, que consta no PPP, além de estar em consonância com os objetivos da instituição, do professor e da disciplina. Suponhamos que, para tanto, utilizemos como método as aulas expositivas e práticas, pesquisas e resolução de situações problema. Libâneo (2013) orienta que o professor precisa pensar em métodos e procedimentos didático-pedagógicos que ajudem a viabilizar o processo de ensino, de forma que, aliados à mediação, contribuam para o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos, para que eles pensem e adquiram seus próprios métodos de aprendizagem e ação. Até aqui, caro(a) aluno(a), refletimos questões essenciaispara a elaboração do plano de aula. A partir de agora precisamos pensar sobre o seu registro. Para tanto, devemos considerar os seguintes itens: disciplina, conteúdo, objetivos, métodos e avaliação. Seguindo o nosso caso do 5º ano como exemplificação, nosso plano de aula tem como vigência 15 dias letivos e a nossa disciplina já está definida: matemática. O conteúdo também já foi estabelecido: probabilidade e estatística. Dessa forma, considerando todo o exposto, precisamos registrar nosso objetivo, retomando, então, a reflexão do professor sobre o porquê ensinar determinado conteúdo e para que, considerando a BNCC (2017) e o PPP. Da mesma forma, fazemos com os métodos (tema da próxima unidade, sobre os procedimentos de ensino), previamente elaborados a partir da reflexão sobre como ensinar, acrescentando no registro do plano de aula os instrumentos que serão utilizados, a fim de que se faça uma organização prévia do professor e da escola. Por fim, a avaliação (tema da nossa última unidade) precisa ser pensada, considerando o PPP da instituição. Nesse momento, vamos supor que nessa escola a avaliação seja diagnóstica e contínua. Assim, nosso plano de aula pode ser registrado da seguinte forma: Quadro 1 - Plano de aula hipotético Série: 5º ano Duração: 15 dias Disciplina: Matemática Conteúdo: Probabilidade e estatística Objetivo: formar cidadãos letrados, que saibam, além de conceitos, fazer uso social dos conteúdos, para que o aluno, por meio das pesquisas quantificadas, compreenda sua realidade e amplie seus conhecimentos científicos. Método: aulas expositivas e práticas, literatura, pesquisa em livros científicos na biblioteca da escola; pesquisa em sites confiáveis no laboratório de informática da escola; resolução de situações problema em sala de aula, na prática e por meio de softwares no laboratório de informática da instituição; elaboração de cartazes; elaboração de gráficos utilizando materiais concretos como bola de isopor, garrafas pet de diferentes tamanhos etc.; apresentação em grupo do resultado de uma pesquisa em malha quadriculada usando gravuras. Instrumentos e recursos: livro de literatura infanto-juvenil; quadro; caderno; lápis, borracha; biblioteca; sala de informática; papel cartolina; sucatas; tinta; pincel; malha quadriculada; revistas. Avaliação: será realizada durante as aulas, por meio da observação da participação dos alunos e o desenvolvimento de suas atividades teóricas e práticas. Disposição das aulas: 1ª aula 2ª aula 3ª aula 4ª aula 5ª aula - Apresentação e problematização do conteúdo: (vocês sabem o que é um gráfico? Para que serve?); - Exposição teórica: conceito de gráfico, informações sobre para que serve um gráfico, como pode ser utilizado; - Apresentação visual de diferentes gráficos e suas funcionalidades. - Leitura da história Onde Laura gosta de passear; - Interpretação coletiva da literatura; - Levantamento quantitativo relacionado aos lugares em que a personagem gosta de passear; - Levantamento quantitativo do lugar em que cada aluno gosta de passear; - Montagem coletiva, no quadro, de um gráfico de barras com os dados dos alunos. - Levar os alunos à biblioteca e separá-los em três grandes grupos, para que pesquisem em livros científicos o que é gráfico de barras duplas, o que é gráfico pictográfico e o que é gráfico de linhas. Todos deverão registrar, cada um em seu caderno. - Tarefa para casa: perguntar para sua família os lugares em que gostam de passear. - Retomada da literatura; - Apresentação de um cartaz elaborado pela professora a partir dos dados coletados no levantamento quantitativo dos lugares em que cada aluno gosta de passear (retomada da segunda aula); - Separar os alunos em duplas para que confeccionem em um cartaz o gráfico de barras duplas com os resultados quantitativos da tarefa de casa. - Solicitar que um representante de cada grupo de pesquisa da biblioteca (realizado na 3ª aula) apresente à sala os resultados obtidos na pesquisa; - Apresentação de curiosidades sobre parques e bosques da cidade e região; - Retomada do conceito e utilidade do gráfico de barras; - Sortear para cada aluno um lugar de passeio da cidade e da região, para que façam uma pesquisa quantitativa com a ajuda da família. Devem trazer: ano de inauguração, número de visitantes por dia etc. Fonte: Elaborado pela autora (2018). Aqui é possível ver apenas cinco dias, mas veja no final desta unidade o plano de aula completo, em anexo. Este foi elaborado por nós a partir de um caso fictício, mas que considera aspectos reais como documentos educacionais, planejamento escolar, conteúdos e habilidades exigidas no contexto escolar, elementos essenciais do plano de aula, entre outros aspectos. Tudo para que você possa compreender o passo a passo de um plano de aula. Há vários modelos de planejamento, mas todos apresentam os mesmos encaminhamentos aqui explanados. Cada escola adota o que melhor se adequa a sua realidade. Perceba que, em nossa elaboração, atendemos a todos os requisitos mencionados nos itens anteriores deste capítulo: a) Consideração dos documentos escolares: em nosso exemplo utilizamos a BNCC (2017) e o PPP da escola, mas há casos em que o professor ainda precisa recorrer às diretrizes, plano anual e outros documentos nacionais, regionais e/ou institucionais, pois não podem ser esquecidos pela equipe pedagógica; b) Pesquisa da turma: consideramos, na elaboração do plano, o perfil da turma (apresenta dificuldade em matemática, é uma turma agitada e desinteressada nos conteúdos mais teóricos), por isso primamos por breves explanações teóricas que se fazem necessárias, mas não de forma muito aprofundada e exclusiva, por isso a necessidade de realizar pesquisas, a fim de complementar os conhecimentos teóricos de forma que o próprio aluno busque as respostas e construa o conhecimento com a mediação do professor. c) Pesquisa científica do professor: foi evidenciada à medida que descrevemos os documentos consultados. Subentendemos que, para as conceituações, explicações e apresentação das curiosidades, o docente também tenha realizado uma pesquisa científica em fontes confiáveis. Achou difícil? Como observamos, não é fácil desenvolver um plano de aula, pois envolve pesquisa, tempo e conhecimento. Mas não é algo impossível e descartável. Pelo contrário, é necessário e muito útil, pois sem o planejamento o caos pode se instaurar em sala de aula. Notamos com a prática docente que um professor desorganizado (sem planejamento) transmite insegurança aos alunos, que podem reagir de diferentes formas, como exemplo: mostrando desinteresse, indisciplina, entre outros reflexos da ausência de orientação dos estudos por parte do professor. Em nosso plano hipotético consideramos uma turma de 5º ano e o conteúdo de matemática, mas o mesmo se aplica a todas as séries e disciplinas. Se fossemos exemplificar com uma atividade de identidade e autonomia para a Educação Infantil, ou de Produção textual na Língua Portuguesa para uma turma de 9º ano ou, ainda, o conteúdo de Território e fronteira na disciplina de História para uma turma do Ensino Médio, o processo de reflexão do professor seria o mesmo: por que, para que e como ensinar? Os aspectos essenciais do plano de aula, também permanecem: objetivo, métodos e avaliação. O objetivo da disciplina representa o elemento central do plano de aula, pois por meio dele emergem os demais aspectos. Os métodos, por sua vez, esclarecem os recursos e as técnicas que os docentes utilizarão para facilitar os processos de ensino e aprendizagem. Por fim, a avaliação é importante para que o professor verifique se todos os processos didático-metodológicos estão fluindo de acordo como esperado ou se é necessário modificar algo, a fim de melhorar o ensino e/ou a aprendizagem (LUCKESI, 1994). O que se modifica entre um plano e outro, além dos aspectos óbvios (série, disciplina e conteúdo) são os aspectos particulares de cada turma, por exemplo: se em nossa turma houvesse um aluno cego, deveríamos pensar em estratégias para que os demais alunos não o excluíssem dos trabalhos em grupo, a exemplo, a pesquisa na biblioteca. Uma das estratégias poderia ser a utilização de recursos sonoros ou livros em braile, caso o aluno saiba ler com esse recurso e esteja disponível na escola. Isso seria acrescentado no registro do plano de aula, nos instrumentos mencionados. Outro aspecto que se modifica é o tempo de vigência do plano, em primeiro lugar porque isso varia em cada instituição, como já mencionamos em parágrafos anteriores. Em segundo lugar, porque o tempo de aula de um professor da Educação Infantil, por exemplo, é diferente do professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental; que por sua vez é diferente do professor dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Na Educação Infantil, o tempo considerado para todo o período que o professor leciona é, geralmente, de 4 horas, mas envolve aspectos bem específicos dessa etapa: adaptação das crianças, habilidades a serem trabalhadas com a turma, maior número de intervalos e atividades lúdicas ou extraclasse, entre outros. Nas séries iniciais do Ensino Fundamental, aspectos como intervalo, atividades lúdicas e extraclasse permanecem, mas o professor também precisa considerar que há mais de uma matéria a ser trabalhada por dia. Por fim, os professores das séries finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio possuem um tempo menor para lecionar, geralmente 50 minutos. Sejam 4 horas ou 50 minutos, o professor precisa planejar sua aula para que ela seja proveitosa para os alunos, de forma que ele dê conta de ensinar o que foi previsto para aquele ano, bimestre, semana etc. Considerando todo o exposto sobre planejamento, podemos entender que o plano de aula nos ajuda a organizar as ações docentes, evitando improvisações, falta de reflexão e significação da prática pedagógica. Vasconcellos (2000) sintetiza a ajuda do planejamento em sete aspectos fundamentais para uma aula de sucesso: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM Descrição: A figura 4 apresenta as contribuições do planejamento segundo Vasconcellos (2000). A imagem expõe um lápis com sete divisões numeradas de cima para baixo, sendo que cada uma representa uma contribuição. Lemos a seguinte sequência 1: Organização; 2; comunicação; 3: Racionalização do tempo; 4: Não desperdiço de atividades e oportunidades; 5: Autoformação do professor; 6: Participação dos alunos; 7: Superação docente. FIM DA DESCRIÇÃO DA IMAGEM. Dessa forma, podemos concluir que, a partir do planejamento, é possível realizar o que nos propomos a fazer na educação escolar de forma eficiente e eficaz. Além disso, colocamos em prática todo o nosso conhecimento teórico, sem dissociação entre teoria e prática. Por fim, faz-se necessário planejar para que possamos transformar nosso trabalho, a relação com o outro (professores, alunos, pais), a escola e a sociedade como um todo (VASCONCELLOS, 2000). FIM DO TÓPICO 3. INÍCIO DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), como foi possível observar, a trajetória do planejamento se inicia bem antes do registro do professor. Conhecer esse percurso é essencial para realizarmos um bom trabalho pedagógico, que envolve desde a direção até a equipe pedagógica em sala de aula. Precisamos sempre ter em vista que o papel da escola é ensinar crianças e adolescentes a serem alfabetizados e letrados em todas as ciências. Logo, nosso ponto de partida é sempre o aluno e nosso ponto final é seu conhecimento e desenvolvimento. Nosso objetivo inicial com essa unidade foi conhecer os documentos que interferem no planejamento escolar, desde o âmbito nacional – como a BNCC (2017) –, passando níveis pelos regionais, até o institucional – como o PPP. A partir deles é montado o currículo escolar, ao qual o professor recorre para registrar seu plano de aula. Após o conhecimento dos documentos educacionais, objetivamos refletir sobre a pesquisa docente, que se faz necessária para que cada ação pedagógica tenha fundamentação teórica, suporte científico e, finalmente, dê o suporte necessário para que o professor construa um plano de aula sólido. Por fim, analisar os elementos do plano de aula se fez essencial para que você compreenda a relevância desse registro e desenvolva as habilidades necessárias para realizar um plano eficiente e eficaz, a saber: reflexão, organização e sintetização. Após planejarmos nossas ações pedagógicas, registrá-las e nos organizarmos, é chegada a hora de colocarmos tudo em prática, para tanto, devemos ter claras as diferentes formas de concretizar nosso planejamento. Portanto, no próximo capítulo, enfatizamos outro aspecto essencial para uma boa didática: a execução do plano de aula. Convido você, caro(a) aluno(a), a refletir sobre as possíveis práticas pedagógicas. FIM DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. INÍCIO DAS ATIVIDADES DE ESTUDO 1. Segundo Ostetto (2000), o planejamento é o momento de organização das ideias, de estabelecer metas e criar estratégias para atingi-las. Dentro do campo da educação, seja ela formal ou não formal, é correto considerar como planejamento: a) Uma ação impulsiva que visa a improvisação das ações docentes e discentes. b) A construção prévia de um registro diário de ações pedagógicas que poderão ou não ser executadas. c) A elaboração de documentos voltados à educação, cuja responsabilidade é do governo e suas secretarias. d) Uma reflexão de todas as ações docentes que resultam em uma atitude crítica previamente delineada. e) Uma organização de ideias específicas para o ensino dos conteúdos sistematicamente elaborados. 2. A palavra planejamento é fruto da modernidade, mais ligada à área administrativa, porém ganhou proporções no campo da educação e sua ação sempre esteve presente em todas as áreas de atuação. Considerando o exposto, é correto afirmar que: I – Nos primórdios da escola tradicional não havia planejamento, visto que o professor era responsável pela transmissão de conhecimento e o período dessa tendência antecede a modernidade. II – A tendência tecnicista foi a primeira a trabalhar com planejamento, denominando-o assim, visto que anteriormente não havia uma sistematização dessa ação, sobretudo considerando leis específicas para a educação escolar. III – Atualmente o planejamento nas escolas é essencial para uma aula eficiente e eficaz, considerando que o professor deve conhecer os documentos que norteiam a educação, fazer diferentes pesquisas e realizar um plano de aula crítico e flexível para colocar em ação de forma que ensine de modo fácil e os alunos aprendam com qualidade. IV – O plano de aula muitas vezes é visto como o único elemento caracterizado como o planejamento escolar, contudo, apesar de ser um dos elementos desse processo, há uma gama de planejamentos que o antecedem. Está correto o que se afirma em: a) ( ) I e III, apenas. b) ( ) I, III e IV, apenas. c) ( ) II, III e IV, apenas. d) ( ) I, II e III, apenas. e) ( ) l, ll, lll, e lV.. 3. Sabendo que competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos) e que habilidades são práticas (cognitivas e socioemocionais) de atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana (BRASIL, 2017). Assinale a alternativa correta: a) O professor que ensina os conceitos mais importantes de sua disciplina já está formando as competências de seus alunos. b) O aluno que consegue reproduzir o que o professor faz; ainda que não de forma reflexiva, desenvolve habilidadescognitivas, tais como, imitação. c) Trabalhar de forma que o aluno aprenda os conceitos e a partir deles coloque-os em prática para resolver situações problema é proporcionar o desenvolvimento de, respectivamente, competências e habilidades. d) Ao aluno que tem facilidade de se expressar com o corpo, dizemos que ele tem a competência para ser um professor de dança. e) Ao sujeito que tem domínio teórico e prático de uma determinada disciplina mas não possui didática, dizemos que ele tem competências e habilidades para ser professor. 4. Observe a figura a seguir, que ilustra a pesquisa docente segundo Saviani (2003), e assinale a alternativa correta: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: A figura apresenta um esquema da pesquisa docente. Nela encontramos três retângulos, um em cima e dois abaixo. Eles estão ligados por setas diretivas mostrando um processo cíclico. No retângulo de cima lê-se: Capacidade de ensinar; No retângulo inferior à esquerda está escrito: Domínio de conteúdo; e na figura à direita, finalizando o esquema: Domínio de instrumentos. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. a) A capacidade de ensinar está relacionada à pesquisa docente pelo fato de exigir do professor uma pesquisa de métodos e metodologias que facilitem a aprendizagem de seus alunos. b) O domínio de instrumentos somente é possível por meio de uma pesquisa docente que possibilite o conhecimento de técnicas específicas para o ensino de determinado conteúdo, sem considerar os aspectos práticos. c) O domínio de conteúdos exige pesquisa docente para não utilizar apenas livros científicos, visto que hoje o ensino pode ser pautado em informações superficiais. d) Tanto a capacidade de ensino quando os domínios de instrumentos e conteúdos visam uma pesquisa que preparara o professor para atuar menos e fazer os alunos trabalharem mais. e) O domínio de conteúdo e a capacidade de ensino não fazem parte da pesquisa docente, visto que são habilidades que alguns professores possuem e outros não. 5. Os aspectos essenciais de um plano de aula são os elementos que, independentemente de para quem e do porquê ensinar, devem constar no registro a partir de reflexão, pesquisa e planejamento. Considerando esses aspectos discutidos na Unidade III, assinale a alternativa correta: a) Os elementos essenciais de qualquer plano de aula são registro, exposição e aprendizagem. b) São elementos essenciais de um plano de aula o objetivo, os métodos e a avaliação. c) Os elementos essenciais do plano de aula são aqueles registros que não podem faltar, logo: série, disciplina e turma. d) Podem ser considerados elementos essenciais de um plano de aula apenas a reflexão e os métodos de ensino. e) Apenas a avaliação é considerada um elemento essencial de um plano de aula. FIM DAS ATIVIDADES DE ESTUDO. INÍCIO DA LEITURA COMPLEMENTAR A partir da pesquisa, percebemos que, para o professor desenvolver bem suas aulas, para que a aprendizagem aconteça e que o processo de avaliação seja eficaz, é necessário que haja um planejamento condizente com aquilo que ele deseja trabalhar. Podemos afirmar que o planejamento é de extrema importância para que o professor possa pensar na avaliação e promover o desenvolvimento do aluno, haja vista que esse processo significa que todo trabalho deve ser planejado com qualidade, de forma que o planejamento e a avaliação estejam diretamente direcionados à construção do conhecimento do educando. Entretanto, é necessário que o professor tenha conhecimento daquilo que vai ensinar, como vai ensinar, para quem vai ensinar. Deve buscar ações para que as metas sejam desenvolvidas, no intuito de atingir os objetivos estabelecidos, pois “[...]sempre que se buscam determinados fins, relacionam- se alguns meios necessários para atingi-los. Isso, de certa forma, é planejamento (DALMÁS, 1994, p. 23). Dessa forma, planejar é o ato de organizar ações a fim de que estas sejam bem elaboradas e aplicadas com eficiência, se possível, nos momentos relacionados da ação ou com quem se age. Por isso, para planejar bem é necessário conhecer para quem se está planejando. No caso, o professor deve conhecer a turma e mais, o aluno com quem trabalha. Quanto mais se conhece, melhor se planeja e se obtêm melhores resultados. Para Luckesi, (2011, p. 125), “Planejar significa traçar objetivos, e buscar meios para atingi-los”. Logo, entendemos que, para que haja planejamento, são necessárias ações organizadas entre si, as quais correspondem ao desejo de alcançar resultados satisfatórios em relação aos objetivos traçados. Em relação a isso, Holanda (apud LUCKESI, 2011, p. 19) afirma que: Podemos definir o planejamento como a aplicação sistemática do conhecimento humano para prever e avaliar cursos de ação alternativos, com vista a tomada de decisões adequadas e racionais, que sirvam de base para a ação futura. Planejar é decidir antecipadamente o que deve ser feito, ou seja, um plano é uma linha de ação pré-estabelecida. Nesse caso, podemos afirmar que uma aprendizagem significativa resulta de uma educação de qualidade, de acordo com as necessidades do aluno. Afirmamos também que a educação de qualidade só se faz com a construção do conhecimento, a partir de ações voltadas para o desenvolvimento cultural do aluno. De acordo com a autora Santana (1986. p. 26), o planejamento é dividido em três etapas: a primeira é a preparação ou estruturação do plano de Trabalho Docente, nela o professor prevê como será desenvolvido o seu trabalho durante certo período. O professor relaciona os conteúdos que serão trabalhados e como serão trabalhados, ou seja, busca uma metodologia adequada, recursos didáticos e tecnológicos que contribuam para melhor desenvolvimento dos conteúdos. A segunda etapa é o desenvolvimento do plano de trabalho. Nesse momento, as ações que foram organizadas durante a elaboração do planejamento são colocadas em prática para que o processo ensino e aprendizagem seja efetivado. O trabalho é direcionado e constantemente por parte do professor, para que o aluno construa seu conhecimento ou transforme o conhecimento existente, passando de senso comum a conhecimento organizado e sistematizado. A terceira etapa é a do aperfeiçoamento. Essa etapa envolve a verificação para perceber até que ponto os objetivos traçados foram alcançados. Nesse momento de avaliação é que se fazem os ajustes na aprendizagem, de acordo com os acertos dos alunos e as necessidades dos mesmos. Por meio desse excerto escrito por Santos e Perin (2013), verificamos que a ação pedagógica não se encerra com o registro do plano de aula. É necessário, ainda, colocá-lo em prática (execução) e avaliar os pontos que deram certo ou não para poder aperfeiçoar os próximos planejamentos e demais aulas (avaliação). Fonte: Santos e Perin (2013, p. 5-6). FIM DA LEITURA COMPLEMENTAR. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – LIVRO Capa do livro: Título: A didática em questão Vera Maria Candau (Org.) Editora: Vozes. Ano: 2014. Sinopse: este livro foi organizado a partir de revisões críticas sobre o ensino e a pesquisa em Didática. Aborda a formação de educadores, pressupostos teóricos do ensino de Didática, abordagens alternativas para esse ensino, propostas e realidades da pesquisa em Didática. Destaca-se o segundo capítulo, escrito por Cipriano Luckesi, que salienta a importância desse elemento fundamental para prática docente, mas que não é o único, visto que junto vem a execução e avaliação desse planejamento, aliando de forma indissociável a teoria e a prática docente. Comentário: Luckesi (2014) faz uma crítica aos cursos e, de forma implícita, aos alunos, futuros professores, que não fazem uso da praxis (teoria aliada à prática e vice-versa) nos momentos de planejamento, ou seja,não conciliam planejamento, execução e avaliação. Esse livro está disponível na Biblioteca Pearson. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - LIVRO. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – FILME Pôster do filme: Título: O nome da rosa Ano: 1986. Sinopse: o filme se passa em 1327, Idade Média, em um mosteiro italiano. O monge franciscano William de Baskerville (Sean Connery) investiga uma série de assassinatos com a ajuda do noviço Adso von Melk (Christian Slater). Isso provoca uma guerra ideológica entre os franciscanos e os dominicanos, enquanto o monge lentamente soluciona os misteriosos assassinatos. Comentário: o filme nos permite ter uma ideia do quão restrita era a educação na Idade Média, sendo uma arma poderosa para manipular a população, que não sabia ler e escrever. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - FILME. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – FILME Pôster do filme: Título: Tempos modernos Ano: 1936. Sinopse: o personagem Vagabundo, de Charlie Chaplin, é um operário empregado em uma fábrica com linha de montagem, onde as máquinas, inevitável e completamente, o dominam. Ele enfrenta vários percalços que o levam para a prisão. Entre suas passagens pela cadeia, ele conhece e faz amizade com uma garota órfã. Juntos e separados, os dois tentam lidar com as dificuldades da vida moderna, o Vagabundo trabalhando como garçom e, eventualmente, como artista. Comentário: por meio das críticas de Chaplin vemos a sociedade da década de 1930 e suas demandas para o mercado de trabalho. Essas características – um trabalhador “fixo” e especialista em uma única função, como apertar parafusos – perduraram por muitos anos e demandaram que as escolas formassem, por meio da educação, os sujeitos que atendessem a essa necessidade. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - FILME. INÍCIO DAS REFERÊNCIAS ARRUDA, H. P.B. Planejamento e plano de aula na educação: histórico e a prática de dois professores. Educativa, Goiânia, n. 1, v. 18, p. 241-265, jan./jun. 2015. ASTOLFI, J. P. DEVELAY, M. A didática das ciências. Campinas: Papirus, 1991. BEHRENS, M. A. O paradigma emergente e a prática pedagógica. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2009. BOSI, A. Considerações sobre o tempo e informação. Cidade do conhecimento. São Paulo: USP, 1995. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB. Lei nº 4.024 de 20 de dezembro de 1961. Fixa as diretrizes e bases da educação nacional. 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Opção correta é a A. 5. Opção correta é a B. FIM DO GABARITO. FIM DA UNIDADE III. INÍCIO DO ANEXO Quadro 6: Continuação do plano de aula hipotético Série: 5º ano Duração: 15 dias Disciplina: Matemática Conteúdo: Probabilidade e estatística Objetivo: formar cidadãos letrados, que saibam, além de conceitos, fazer uso social dos conteúdos, para que o aluno, por meio das pesquisas quantificadas, compreenda sua realidade e amplie seus conhecimentos científicos. Método: aulas expositivas e práticas, literatura, pesquisa em livros científicos na biblioteca da escola; pesquisa em sites confiáveis no laboratório de informática da escola; resolução de situações problema em sala de aula, na prática e por meio de softwares no laboratório de informática da instituição; elaboração de cartazes; elaboração de gráficos utilizando materiais concretos como bola de isopor, garrafas pet de diferentes tamanhos etc.; apresentação em grupo do resultado de uma pesquisa em malha quadriculada usando gravuras. Instrumento: livro de literatura infanto-juvenil; quadro; caderno; lápis, borracha; biblioteca; sala de informática; papel cartolina; sucatas; tinta; pincel; malha quadriculada; revistas. Avaliação: será realizada durante as aulas, por meio da observação da participação dos alunos e o desenvolvimento de suas atividades teóricas e práticas. Disposição das aulas: 6ª aula 7ª aula 8ª aula 9ª aula 10ª aula - Retomada do conceito de gráfico. - Perguntar aos alunos para que podemos usar gráficos e lembrar das atividades feitas com gráficos de barras duplas. - Explanar sobre o gráfico pictográfico. - Ir à sala de informática para ver alguns exemplos de gráficos pictográficos no Excel. Pedir que eles montem um gráfico a partir de uma situação problema. - Retomada da aula anterior. - Mostrar alguns gráficos pictográfico s nos slides e pedir que escolham um para resolver as situações problema passadas no quadro. - Pedir que os alunos leiam a definição de gráfico pictográfico pesquisado na biblioteca. - Pedir que os alunos façam uma pequena produção textual sobre como podem utilizar esse gráfico no dia a dia. - Ver um trecho do filme “O fantástico mundo da matemática”, para que os alunos vejam como o personagem usa os gráficos no dia a dia. - Tarefa para casa: Trazer na próxima semana 3 garrafas pet de diferentes tamanhos. - Relembrar o filme; - Separar a sala em duplas para resolver as situações problema de forma que utilizem bolas de isopor para construir os gráficos pictográficos. - Relembrar as situações problema da aula passada e pedir que cada dupla se junte com outras, formando um grupo de até 4 pessoas, para trocarem informações (quais eram os problemas, como resolveram, como ficou o gráfico, como o confecciona- ram). [Continuação...] Disposição das aulas: 11ª aula 12ª aula 13ª aula 14ª aula 15ª aula - Retomada do conceito de gráfico e das atividades já realizadas com gráfico de barras e pictográfico. - Explanar sobre o gráfico de linhas. - Pedir que cada aluno leia sobre a pesquisa feita em casa sobre os lugares de passeio da cidade e da região. - Explorar os dados quantitativos das pesquisas e anotar no quadro. - Retomada da aula anterior. - Mostrar o painel construído pela professora com os dados das pesquisas dos alunos. - Separar os alunos em grupos para que construam um gráfico de linhas a partir dos resultados sobre número de visitantes por ano, mostrados no painel. - Relembrar sobre a pesquisa e o painel que ficou em exposição na sala. - pedir que os grupos apresentem os gráficos elaborados. - Pedir que os alunos escolham um dos gráficos estudados durante as aulas e o construam em 3D com sucatas (tampinhas de garrafas, barbante, garrafas pet, isopor, jornal etc.) considerand o os resultados das pesquisas que realizaram e o exposto no painel. - Depois das aulas sobre probabilidade e estatística, espero que os alunos tenham entendido que, por meio destas, podemos resolver diversos problemas do cotidiano. Dessa forma, direi para a turma que poderemos visitar um museu na semana seguinte, e que, para isso, 80% da turma precisa se comportar nos 3 dias seguintes. Direi que, para isso, precisamos mostrar à Diretora o número de pessoas que se comportaram e em quais dias. Espero que eles cheguem à conclusão de que a probabilidade pode ser usada para o cálculo, e a estatística, pode ser o meio de mostrarmos os resultados à Diretora. Faremos, então, um gráfico na folha quadriculada, com figuras. Fonte: Elaborado pela autora (2018). FIM DO ANEXO. INÍCIO DA UNIDADE IV INÍCIO DA FOLHA DE ABERTURA EXECUÇÃO DO PLANEJAMENTO Me. Suzi Maria Nunes Cordeiro Objetivos de Aprendizagem ● Conhecer a práxis e os métodos de execução das ações estabelecidas por meio do planejamento, a fim de compreender os procedimentos de ensino com qualidade para a aprendizagem significativa. ● Explorar diferentes estratégias e técnicas da ação docente, para colocar em prática o planejamento com eficiência e eficácia. ● Refletir sobre as competências, habilidades e a postura necessárias para um professor com didática, a fim de aprender sobre o papel do docente e sua significância no processo de ensino e de aprendizagem. Plano de Estudo ● Procedimentos de ensino ● Estratégias e técnicas para ação docente ● Competências, habilidades e postura do professor FIM DA FOLHA DE ABERTURA. INÍCIO DA INTRODUÇÃO Olá, seja bem-vindo(a)! Nesta unidade, apresentamos as formas de realização das ações estabelecidas por meio do planejamento. Após o registro previamente elaborado, planejado e refletido pelo professor, chega a hora de colocá-lo em prática por meio de teorias que norteiam o planejamento e, agora, a ação docente. Devemos compreender que as ações planejadas precisam ultrapassar o registro a fim de ter significância na vida do professor e dos alunos. Por isso, a execução do planejamento se faz tão importante quanto sua elaboração. Também tratamos sobre diferentes formas de colocar em prática o plano de aula. Dessa forma, esperamos que você, caro(a) aluno(a), inicie aqui seu conhecimento acerca dos métodos de execução do planejamento, mas continue aprofundando-o ao longo de toda a sua vida docente, visto que esses métodos estão sempre sendo renovados para proporcionar um ensino eficiente e eficaz, visando a promoção da aprendizagem e do desenvolvimento pleno do aluno. Por fim, discutiremos sobre a importância da organização da e na sala de aula, bem como a postura do professor em diferentes momentos. Enquanto futuros professores, devemos saber lidar de forma ética com as situações propícias e adversas da sala de aula. A preparação do professor, para todas as circunstâncias, se inicia com a teoria e depois com a prática, tornando-se, posteriormente, um looping contínuo de teoria-prática-teoria. Com esta unidade, esperamos que você, caro(a) aluno(a), compreenda a importância da efetivação do plano de aula por meio de práticas que facilitem o processo de ensino e também envolvam o aluno, de forma que o cativem e potencializem seu processo de aprendizagem e de desenvolvimento.FIM DA INTRODUÇÃO. INÍCIO DO TÓPICO 1 1. PROCEDIMENTOS DE ENSINO Prezado(a) aluno(a), esperamos que você tenha compreendido que todas as ações escolares são norteadas por tendências pedagógicas, ou seja, por teorias da educação, bem como por filosofias que amparam a visão de mundo, de sociedade e de educação. Desde os documentos educacionais até o plano de aula, há pressupostos teóricos-metodológicos implícitos que se configuram em currículos escolares, aqui explicitados pela visão que conceitua toda a ação desenvolvida nas escolas. Ou seja, a seleção de conteúdos, passando por ações não planejadas – denominadas de currículo oculto – até as ações docentes intencionais, todas formam um currículo escolar. A partir do planejamento realizado, que considera todos os aspectos mencionados de forma implícita ou explícita, precisamos efetivá-lo para que se torne significativo. No momento da execução do planejamento, precisamos ter em mente a práxis pedagógica, ou seja, a aliança indissociável entre a teoria e a prática. Konder (1992, p. 115) explica que: A práxis é a atividade concreta pela qual os sujeitos humanos se afirmam no mundo, modificando a realidade objetiva e, para poderem alterá-la, transformando-se a si mesmos. É a ação que, para se aprofundar de maneira mais consequente, precisa da reflexão, do autoquestionamento da teoria; e é a teoria que remete à ação, que enfrenta o desafio de verificar seus acertos e desacertos, cotejando-os com a prática. Podemos entender que a teoria aprendida durante a graduação nos dá base para refletir sobre nosso contexto, nossos alunos e nossos conteúdos, a partir dos quais elaboramos um planejamento e o colocamos em prática. Durante a execução do planejamento, precisamos continuar embasados em teorias educacionais bem como nas reflexões sobre sua realização, o que une teoria e prática. INÍCIO DO REFLITA A teoria e a prática são como os dois lados de uma mesma moeda: apesar de diferentes, são indissociáveis. Juntas, caracterizam a práxis. FIM DO REFLITA. Precisamos constantemente realizar o exercício de ação-reflexão para ter a certeza de que o que planejamos pode ser colocado em prática de forma eficiente e eficaz ou se precisa ser modificado. Independentemente dos resultados ao longo do processo de implementação do planejamento, precisamos refletir sobre como as ações podem melhorar. O mecanismo ação-reflexão garantirá assim, ao educador, uma forma metodológica, racional e dinâmica, para a criação de um corpo de conhecimentos próprios e originais, independentes e inovadores, situados e não-restritivos. Conhecimentos que lhe possibilitarão, se o desejar, a condução mais adequada de uma ação politicamente definida (LUCKESI, 1994, p. 170). Esse conhecimento próprio permite que o docente construa sua própria didática, específica para seus alunos, mas que é dependente de uma sequência infinita de ação-reflexão para uma nova ação. Em consonância, Freire (2001) afirma que a reflexão deve ser um instrumento dinamizador entre teoria e prática, ou seja, apenas a reflexão não basta, é necessário agir; da mesma forma, a ação sem a reflexão se torna vazia. As formas de colocar o planejamento em ação se efetivam pelos procedimentos de ensino em busca de uma aprendizagem de qualidade. Para tanto, precisamos conhecer sobre os procedimentos de ensino, que por sua vez, estão atrelados às perspectivas teórico-filosóficas da educação que embasam os métodos de ensino. Apenas para lembrarmos, caro(a) aluno(a), na Unidade II vimos que cada tendência pedagógica utilizou determinados métodos de ensino. Aqui, nesta unidade, veremos os que mais se destacam na atualidade. Os métodos são determinados pela relação objetivo-conteúdo, e referem-se aos meios para alcançar objetivos gerais e específicos do ensino, ou seja, ao ‘como’ do processo de ensino, englobando as ações a serem realizadas pelo professor e pelos alunos para atingir os objetivos e conteúdos. [...] métodos de ensino: estão orientados para objetivos; implicam uma sucessão planejada e sistematizada de ações, tanto do professor quanto dos alunos; requerem a utilização de meios (LIBÂNEO, 2013, p. 149). Dessa forma, podemos compreender que método, na visão de Libâneo (2013), se iguala ao conceito de procedimento, ou seja, conjunto de ações, passos e condições que o professor utiliza para viabilizar o processo de ensino em função da aprendizagem do aluno. O referido autor ainda exemplifica: “[...] à atividade de explicar a matéria corresponde o método de exposição; à atividade de estabelecer uma conversação ou discussão com a classe corresponde o método de elaboração conjunta”. Além desses há vários métodos utilizados pelo professor e pelo próprio aluno, por exemplo: “[...] à atividade de observação corresponde o método de observação [...]”, assim segue outros métodos de aprendizagem (LIBÂNEO, 2013, p. 149). INÍCIO DO REFLITA Qual método você utiliza para estudar? Ele está pautado em quais procedimentos: leitura dos textos, visualização das aulas, resumo e síntese de materiais e/ou confecção de organogramas? FIM DO REFLITA. Os métodos de aprendizagem condizem com o objetivo (aprender, decorar, relacionar, entre outros). Geralmente estão ligados a nossas habilidades mais desenvolvidas (visão, audição, memória, atenção etc.), por exemplo: existem pessoas que aprendem mais quando leem os materiais da disciplina e depois, sem olhar, escrevem uma síntese do que entenderam. Salientado o conceito de método, não podemos confundi-lo com metodologia, ou seja, as teorias filosóficas que embasam as ações pedagógicas por meio da visão de mundo, de sociedade e de educação. O que vamos enfatizar neste capítulo é o método de ensino, pois as metodologias já foram explanadas nas entrelinhas de cada tendência pedagógica apresentada nos capítulos anteriores. Rangel (2005) salienta que existem métodos de ensino predominantemente individualizados e outros aplicados a grupos. No primeiro caso, o professor expõe os conteúdos de forma predominante. Há participações dos alunos, ainda que poucas ou indiretas, realizadas por meio de leituras, perguntas, relatos de caso e outros fatos. Consideramos o termo “predominante” (e não “exclusivo”) por entendermos que o aluno, ainda que diante de métodos expositivos como ocorre nas escolas tradicionais, aprende e interage com textos, reflete sobre os conteúdos e forma um conhecimento, tendo, assim, participação em sua formação escolar. Em consonância, Libâneo salienta que a utilização consciente desse método de exposição da matéria é [...] um procedimento necessário, desde que o professor consiga mobilizar a atividade interna do aluno de concentrar-se e de pensar, e a combine com outros procedimentos, como o trabalho independente, a conversação e o trabalho em grupo (2013, p. 161). O autor ainda exemplifica algumas formas de exposição, tais como verbal, demonstrativa, exemplificativa e ilustrativa. A exposição verbal é necessária quando o professor não tem possibilidade de promover o contato do aluno diretamente com o material de estudo. Nesse contexto, Libâneo (2013) afirma que a explicação sistematizada se faz necessária para despertar a atenção do aluno. Dessa forma, proporciona-se estímulos e interesse pelo conteúdo, trazendo explicações por meio de acontecimentos, leituras expressivas, entre outros instrumentos que ajudem o aluno a desenvolver suas habilidades cognitivas (atenção, memória, percepção auditiva, entre outras). Vemos, portanto, que o método expositivo não se resume ao monólogo do professor durante horas à frente da turma. É necessário preparo por parte do docente, que deve cativar, trazer informações importantes, expor de forma interessante os conteúdos científicos e promover o conhecimento de todos os alunos a fim de desenvolver competênciase habilidades. A exposição demonstrativa envolve experimentos, demonstração de situações problema, dentre outros recursos com os quais o professor evidencia ou comprova o conteúdo a ser explicado (LIBÂNEO, 2013). As demonstrações proporcionam o desenvolvimento das percepções sensoriais, da imaginação, da criatividade, da atenção, da memória, entre outras. Libâneo (2013) especifica que por exposição exemplificativa entende-se a leitura, a escrita ou a fala simples de exemplos relacionados ao conteúdo, sobretudo quando se precisa que os alunos vejam e sigam o exemplo para apreender o que está sendo ensinado. A exposição ilustrativa se caracteriza pela utilização de imagens, gráficos, cartazes, dentre outros recursos visuais que ajudam a ilustrar o que está sendo explicado. Rangel (2005) explana, ainda como método de ensino individualizado, o estudo dirigido, em que o professor conduz uma mediação entre o aluno e o objeto de estudo, de forma com que o aprendiz desenvolva autonomia em seus estudos. Para tanto, é necessário ofertar momentos de leitura, pesquisa e atividades de produção individual, tais como textos, organogramas e outros meios para sintetizar o conteúdo, de forma com que o próprio aluno chegue à conclusão do que de fato aprendeu. Como podemos observar, as aulas expositivas são indispensáveis, visto que o professor precisa apresentar o conteúdo científico para conhecimento do aluno. Contudo, esse método não se resume a uma simples técnica de fala docente e escuta discente. São necessárias técnicas que envolvam o sujeito para que desperte seu interesse, efetiva participação em sua formação e desenvolvimento de habilidades cognitivas necessárias para seu desenvolvimento. Estímulos auditivos, visuais, sensoriais, dentre outros, são de extrema relevância para que as aulas expositivas sejam significativas, demandam criatividade e saber pedagógico. Até mesmo nos estudos dirigidos não basta que o professor solicite aos alunos uma pesquisa sem ao menos explicar o que é pesquisa e como se realiza. Como o próprio nome já diz, o docente precisa conduzir os estudos do aluno. INÍCIO DO SAIBA MAIS O método expositivo, sem dúvida, nos remete ao ensino tradicional pelo qual ficou muito marcado. Apesar de exibir pontos negativos que devam ser superados, essa tendência possui aspectos positivos que merecem ser utilizados devido a sua eficiência e eficácia, tais como os métodos expositivos. Com a diferença de que o professor pode e deve envolver os alunos. Santos e Belmino (2013) salientam que esse método, muitas vezes, é o único utilizado pelos professores de escolas mais carentes, ou seja, de instituições que não possuem recursos tecnológicos ou ao menos materiais como mapas, painéis ilustrativos, dentre outros que possibilitem exposições e estimulem o interesse do aluno. Apesar de o método tradicional ser o mais viável pela simplicidade, economia e praticidade, não podemos retornar ao que já foi superado e conquistado para nossa educação. Quer relembrar as características mais marcantes da tendência tradicional que já foram superadas? Veja, no final deste capítulo, uma sugestão de vídeo que aborda o tema em forma de música. Fonte: Santos e Belmino (2013). FIM DO SAIBA MAIS. Em relação aos métodos aplicados a grupos, podemos afirmar que se baseiam em interações diretas entre alunos e objetos com a mediação do professor. Assim, o aluno se torna mais ativo na produção de conhecimento individual e coletivo (RANGEL, 2005). Alguns exemplos de métodos aplicados aos grupos são: elaboração conjunta, seminários, pesquisas e problematização. O método de elaboração conjunta envolve a atividade da conversação, que acontece quando os alunos já possuem um conhecimento prévio do conteúdo a ser estudado, ainda que não seja sistematizado, mas que por meio das mediações e conduções do professor, tornam-se sistematizados pela partilha e construção conjunta de saberes (LIBÂNEO, 2013). Isso proporciona o desenvolvimento de habilidades como análise, reflexão e comparação. Essas conversações devem suscitar atividades mentais que visam respostas sobre as causas dos fenômenos analisados pelo grupo, de forma que reconheçam a relação entre o objeto de análise, os acontecimentos, a avaliação crítica e a busca de novos caminhos para solucionar o problema. Os seminários são frequentes em muitas aulas, mas precisamos tomar cuidado para que não se tornem responsabilidade somente do aluno. A partir de um conteúdo, o professor separa a turma em grupos e cada um apresenta seu material à classe depois de estudos e pesquisas (LIBÂNEO, 2013). Para que não seja algo cansativo, composto apenas de exposição verbal, o professor precisa ter domínio do conhecimento científico e, desse método, conduzir uma discussão reflexiva que propicie a produção de novos saberes. Assim, os alunos podem desenvolver habilidades de expressão oral, reflexão, argumentação e persuasão. O método de pesquisa é versátil, pois se adequa a qualquer estratégia e técnica de ensino. Kuenzer (2005) explica que, para uma pesquisa de qualidade, o professor deve oferecer ao aluno materiais para além de livros didáticos, ou seja, textos científicos com fontes confiáveis (artigos de revistas científicas, periódicos, jornais); dicionários; documentários; entre outros que, inclusive, podem ser acessados pelos alunos na própria biblioteca da escola. Essa pesquisa deve ser conduzida pelo professor, ou seja, não basta indicar um tema sobre o qual o aluno deve buscar informações como tarefa de casa, sem orientações. É necessário, em primeiro lugar, explicar o que é pesquisa, onde pesquisar e por que pesquisar. Esses momentos devem ser realizados na própria escola, com a mediação do professor, até que os alunos aprendam a fazer sozinhos, de forma que consigam abstrair o conhecimento e não, simplesmente, escrever sobre o assunto e entregar para obter nota. Ao tratarmos do método de problematização devemos considerar que este deve proporcionar a construção do conhecimento, provocação da capacidade de pensar, de representar, de relacionar e de agir e, a partir de então, de transformar a realidade. Isso porque tem sua gênese nos métodos de Freire (2001), que considerava a educação como um meio de emancipação do oprimido, a fim de que ele reconheça sua atual condição e saia dela por meio da reflexão e ação. Por isso, ao utilizarmos a problematização, lidamos mais com a fala dos discentes do que do professor, para que se possa ouvir relatos, opiniões e, a partir destes, construir novos conhecimentos que suportarão e conduzirão o caminho do sujeito crítico e reflexivo. Vemos, portanto, que os métodos envolvendo grupos precisam atingir toda a classe com orientações e mediações do professor. Nesse meio, a produção sistematizada do conhecimento se efetiva de forma participativa, considerando o que o aluno já sabe até a (re)estruturação de novos conhecimentos, bem como desenvolvimento de competências e de habilidades cognitivas, sociais e físicas. Os métodos de ensino são utilizados para exploração e aplicação dos conteúdos, a fim de que facilitem a apresentação dos conceitos e contextos fundamentais para compreensão da matéria e apreensão por parte do aluno. Todas essas ações precisam estar em consonância com o plano de aula. Contudo, segundo Veiga (2006), os métodos de ensino não são os únicos elementos a serem pensados como procedimentos. Temos, ainda, que levar em consideração as estratégias e as técnicas adequadas a serem utilizadas para que o aluno realmente aprenda e se desenvolva de forma atuante em sua formação, com qualidade de ensino e aprendizagem. Por isso, discutimos no item a seguir os diferentes meios que o professor possui para efetivar esses processos. FIM DO TÓPICO 1. INÍCIO DO TÓPICO 2 Para que os métodos de ensinoe aprendizagem sejam eficientes, devemos pensar como procedimentos de ensino os materiais, as técnicas e os locais que utilizaremos para potencializá-los. Se com os métodos o docente apresenta, por exemplo, os conceitos e os contextos de forma significativa, ele precisa atingir, por meio de técnicas, as metas estabelecidas com o conteúdo. Para tanto, deve considerar os objetivos estipulados no plano de aula e elaborar as estratégias. Para exemplificar, vamos retomar um excerto do plano de aula elaborado na Unidade III: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: Na figura 1 é apresentado o excerto do plano de aula hipotético. Nele encontramos o desenho de um notebook, no qual no monitor aparece 5 divisões com referências cada uma delas, sendo vista de cima para baixo. Primeira divisão: Disciplina: Matemática. Segunda divisão: Conteúdo: probabilidade e estatística. Terceira divisão: Objetivo: Formar cidadãos letrados, que saibam, além de conceitos, fazer uso social dos conteúdos, para que o aluno, por meio das pesquisas quantificadas, compreenda sua realidade e amplie seus conhecimentos científicos. Quarta divisão: Métodos: aulas [...] práticas [...] apresentação em grupo do resultado de uma pesquisa em malha quadriculada usando gravuras. Na quinta divisão: Instrumentos e recursos: [...] lápis, borracha; biblioteca; sala de informática: [...] malha quadriculada; revistas. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. Na unidade anterior, vimos como elaborar um plano de aula, em essência; nesta unidade, veremos como colocá-lo em prática, por isso precisamos conhecer diferentes procedimentos de ensino. Nesse plano de aula hipotético elencamos, como um dos objetivos, “formar cidadãos letrados”, ou seja, que saibam fazer uso social do que aprenderam. Para atingi-lo, precisamos pensar em estratégias que façam o aluno explorar o conteúdo de forma ativa, se apropriando teórica e praticamente do conteúdo, para que assim ele compreenda sua significância e o veja como um possível meio de resolver problemas cotidianos. Apenas depois de elaborar a estratégia mais eficiente para atuação docente é que escolhemos o método para consecução dos objetivos da disciplina e elencamos as técnicas mais eficientes para o processo de ensino e de aprendizagem (VEIGA, 2006). Por isso, levando em consideração o plano de aula apresentado, podemos adotar como estratégia o trabalho por meio de situações problema, que proporciona aos alunos, a partir de conhecimentos sistematizados, construídos por meio de pesquisas, a resolução de problemas impostos pela professora, de forma que a solução seja obtida com o uso do conteúdo apreendido. Com essa estratégia definida, pensamos em métodos práticos para que o professor envolva a turma, tais como aula prática e pesquisa, como vemos no plano de aula. Para tanto, usa-se a técnica de resolução de problemas, conta-se com instrumentos que os alunos possam manusear (lápis, malha quadriculada etc.) para concretizar o que aprenderam e fazer o uso do conteúdo, neste caso, a probabilidade e a estatística. Na figura a seguir vemos que esses elementos do procedimento de ensino possuem diferentes opções que podem resultar em métodos distintos: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: Na figura 2 temos procedimentos de ensino adaptado de Veiga (2006). Neste temos treze triângulos distribuídos em três colunas, seis na primeira, quatro na segunda, e três na terceira coluna. Cada um deles possui referências escritas, sendo elas, seguindo da esquerda para a direita de cima para baixo, na primeira coluna: Orienta a escolha de recursos; Abordagem para uso de informações; Estratégias; Técnica; Componentes operacionais dos métodos; tem caráter instrumental. O item “Estratégias” da primeira coluna, se interliga ao item “Recursos” e o “Técnica” se interliga ao item “Instrumentos” da segunda coluna, em que estão: Meios materiais e físicos para atingir o ensino e a aprendizagem; Recursos; Instrumentos; Materiais a serem utilizados pelo professor e/ou pelos alunos. Os itens “Recursos” e “Instrumentos” se interligam à terceira coluna Consecução de objetos; Método; Apresentação e aplicação do conteúdo. Na imagem as palavras “Estratégias”, “Técnica”, “Recursos”, “Instrumentos” e “Método”, estão em destaque com o tamanho da fonte maior que dos demais itens mencionados. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. Diante do exposto, compreendemos que cada método de ensino pode derivar de uma estratégia e de uma técnica diferente. Essa ilustração nos ajuda a pensar em algumas possibilidades para o mesmo caso. Dessa forma, quais outras estratégias e técnicas podem ser pensadas para trabalhar estatística e probabilidade com o fim de formar cidadãos letrados? Elencamos, no quadro a seguir, algumas possíveis respostas a serem exploradas, que podem ser utilizadas para diversos conteúdos e disciplinas: Quadro 2: Exemplos de estratégias, técnicas, recursos e instrumentos para uso em sala de aula ESTRATÉGIAS TÉCNICAS RECURSOS INSTRUMENTOS Projetos · Artesanatos; · Confecção de maquetes. · Ateliê da escola. · Sucatas; · Isopor; · Cartolina. Metodologias ativas · Utilização de tecnologias. · Sala de metodologias ativas. · Computadores. Feira de ciência · Realização de experiências. · Laboratório. · Tubos de ensaio. Fonte: Elaborado pela autora (2018). Com relação aos projetos, trata-se de uma estratégia que pode ser utilizada desde a elaboração dos objetivos de um conteúdo, de uma disciplina ou, até, da escola como um todo. Podemos criar um pequeno projeto sobre estatística e probabilidade, por exemplo, ou maior, um projeto para a disciplina de matemática que durará um bimestre, ou ainda um grande projeto envolvendo toda a escola, com duração de um semestre, sobre a aplicabilidade da matemática na contemporaneidade (HERNÁNDEZ; VENTURA, 1998). Algumas instituições da Educação Básica trabalham apenas com projetos, ou seja, a partir dos conteúdos curriculares elabora-se um projeto para ser desenvolvido com os alunos (de uma classe, de uma série ou da escola inteira). Para tanto, ao elaborar um projeto, precisamos pensar nos objetivos que se pretende atingir, que estão para além daqueles já estabelecidos na BNCC (2017), por exemplo, e no plano de aula, pois se volta às intenções da própria escola com os alunos, como desenvolver habilidades e competências voltadas à socialização, a funções cognitivas, dentre outras mais específicas que atendam a uma necessidade dessa escola, série ou classe. Além de objetivos, os projetos apresentam em sua estrutura uma justificativa que explica sua necessidade, a seleção de conteúdos que irão compor os estudos, um cronograma com o tempo de duração e os prazos para execução das atividades previstas, além da avaliação, que deve ser específica. Para Hernández e Ventura (1998), essa avaliação deve ser realizada ao longo do projeto. Geralmente, essa estratégia resulta na apresentação das atividades (cartazes, materiais confeccionados pelos alunos etc.) para a comunidade interna e externa. Com isso, há inúmeras questões a serem trabalhadas com os alunos, e elas vão além dos aspectos de conteúdo: abrangem responsabilidade, cuidado e estética das atividades, desenvolvimento da escrita de forma que o leitor a compreenda, reflexão, síntese e persuasão para apresentações ao público, oratória, entre outros. Além de ser possível criar projetos para qualquer disciplina, há a oportunidade de se trabalhar com interdisciplinaridade, que, segundo Moraes (2005), é “[...] uma abordagem epistemológica que nos permite ultrapassar as fronteiras disciplinares e nos possibilita tratar, de maneira integrada, os tópicos comuns às diversas áreas”. Seguindo com nosso exemplo, podemos trabalhar a estatística e a probabilidade de formaque ultrapassem a barreira da matemática. Pode ser utilizada a interpretação textual, a análise de dados da economia do nosso país, dentre outras opções que envolvam as demais áreas científicas que a escola precisa trabalhar (português, história, geografia, ciências, educação física e artística). INÍCIO DO REFLITA Você já participou de algum projeto enquanto aluno na Educação Básica? Se sim, como foi? Essa estratégia de ensino costuma ser significante, pois trabalha com experiências e outras técnicas e recursos diferentes do que vemos com frequência. FIM DO REFLITA. Considerando o exposto, o projeto é uma ótima estratégia de ensino. Além de organizar os saberes escolares em direção à interdisciplinaridade, como pontua Serafim e Maia (2014), faz com que o aluno seja sujeito ativo na construção do conhecimento e faça uso dos conteúdos de forma prática. Além disso, o fato de apresentar suas criações a amigos e familiares contribui para a questão afetiva, visto que será mais um motivo para aprender, fazer as atividades de forma caprichada, proporcionando satisfação e (auto) reconhecimento. No exemplo do quadro 2, apontamos como possível técnica para projetos a confecção de artesanatos e maquetes. Contudo, há muitas outras atividades que permitem a exploração e o desenvolvimento de habilidades como percepção, motricidade, raciocínio lógico, entre outras. Quanto aos recursos, seguem o mesmo princípio, ou seja, apesar de poderem ser realizados em ateliês de arte, projetos também podem ser realizados em sala de aula, auditório, quadra esportiva e outros espaços escolares de que se disponha. Os instrumentos são mais vastos ainda, dependem apenas da criatividade do professor, dos alunos e da intencionalidade de cada atividade. Esse conjunto de procedimentos de ensino, que utiliza como estratégia os projetos e como técnica a confecção pelas mãos dos alunos, se alia bem com o método de pesquisa, por exemplo, visto que professores e alunos precisam investigar constantemente sobre conteúdos, recursos materiais, entre outros aspectos. Dentro de ambientes não formais de aprendizagem os projetos são utilizados com maior frequência, sendo uma prática comum e eficaz para atingir objetivos que as empresas e instituições possuem com os momentos de ensino e de aprendizagem. Nesses espaços não formais, os projetos ajudam a efetivar as atividades de ensino que o profissional utilizará com seus alunos, para atingir determinados objetivos e necessidades dos próprios sujeitos aprendizes. INÍCIO DO SAIBA MAIS Como já vimos em capítulos anteriores, o que caracteriza um ambiente não formal de aprendizagem é a realização de procedimentos de ensino e de aprendizagem com objetivos voltados para a atuação do sujeito em sua sociedade, sem que haja um currículo formal, como há nas escolas. Ficou curioso sobre os projetos em ambientes não formais de aprendizagem? Verifique, no final deste capítulo, em “Leitura complementar”, uma seleção de alguns projetos desenvolvidos nesses locais que podem ser seu futuro campo de trabalho. Fonte: Elaborado pela autora (2018). FIM DO SAIBA MAIS. Passamos agora a conhecer as metodologias ativas, que apesar da nomenclatura não são propriamente metodologias, visto que não se trata de teorias metodológico-filosóficas da educação, mas sim estratégias que podem ser utilizadas pelo professor para ensinar seus alunos com participações mais diligentes. Devemos destacar que não se trata de algo novo, apesar de ser muito utilizado na atualidade, como salienta Abreu (2009). Em consonância com o autor citado, vimos, na Unidade II, que a escola nova já visava uma pedagogia ativa, com foco no aluno e sua aprendizagem. Dessa forma, as metodologias deveriam voltar-se para a aprendizagem, como preconizava John Dewey (1859-1952), o nome mais citado na corrente escolanovista. Para Dewey (1979), a educação era como um processo de reconstrução e reorganização das experiências de cada um. Logo, não deveria ser uma imposição vertical, como ofertava o esquema tradicional, mas deveria proporcionar o controle do indivíduo sobre suas próprias experiências e personalidade. Sua concepção de educação, portanto, estava interligada à concepção de experiência, que por sua vez é a multiplicidade de relações existentes pelas quais os corpos agem sobre o outro (sujeito ou objeto), de forma que modifique tanto o aluno quanto o objeto. Essa é a essência das chamadas metodologias ativas, pois proporcionam o contato direto do sujeito aprendiz com o objeto de estudo, em uma relação de experiências que modificam o sujeito, por aprender, compreender e (re)significar o objeto; também modificam o objeto que, para o aluno, passa a ter novos significados. Os ideais de John Dewey para a educação foram disseminados, aqui no Brasil, na década de 1930, por meio do Manifesto dos Pioneiros da Educação, do qual Anísio Teixeira (1900-1971), que também escreveu sobre a pedagogia de Dewey, foi um dos signatários. Vejamos um excerto que explica a importância de se trabalhar com a experiência dos alunos: Quando os alunos estudam assuntos muito distantes de sua experiência, assuntos que não despertam curiosidade ativa alguma e que estão além do seu poder de compreensão, lançam mão, para as matérias escolares, de uma medida de valor e de realidade, diversa da que empregam fora da escola, para as questões de interesse vital. Tendem a tornar-se intelectualmente irresponsáveis; não perguntam a significação do que aprendem, isto é, não perguntam qual a diferença trazida pelo novo conhecimento para as outras suas crenças e ações (WESTBROOK; TEIXEIRA, 2010, p. 126). A partir de então, as tendências que seguiram à escola nova, no Brasil, também adotaram estratégias que envolviam mais o aluno na construção de seu próprio conhecimento, de forma ativa. Como exemplo podemos citar a tendência progressista, também já abordada em unidades anteriores, cujo maior representante foi Paulo Freire (1921-1997), que afirmava: As crianças precisam crescer no exercício desta capacidade de pensar, de indagar-se e de indagar, de duvidar, de experimentar hipóteses de ação, de programar e de não apenas seguir os programas a elas, mais do que propostos, impostos. As crianças precisam ter assegurado o direito de aprender a decidir, o que se faz decidindo (FREIRE, 2000, p. 25). A esse método, Freire (2000) chamava de problematização, o qual já vimos no primeiro tópico desta unidade. A valorização do diálogo é nítida na pedagogia freireana, e objetiva fazer com que o sujeito desmistifique sua condição social e seja o responsável por sua própria formação e emancipação humana. Dessa forma, a atual metodologia ativa possui semelhanças também com a teoria de Freire (2000), que, assim como a problematização da realidade e a prática reflexiva, é uma estratégia que facilita o processo de ensino, conduzindo o discente à autossuficiência ao mesmo tempo em que proporciona uma aprendizagem participativa, consciente e libertadora. Por fim, a tendência histórico-crítica foi a grande responsável, no Brasil, pela massificação da utilização de métodos, estratégias e técnicas de ensino que consideram o sujeito, sua relação com o outro e com o objeto de estudo. Esses princípios são utilizados até hoje em diversas escolas pelo país. Com base na teoria sociointeracionista, pluralizada por Vygotsky (1991), foi possível compreender que o desenvolvimento humano se faz nas relações e nas trocas sociais, por meio de interação e mediação. Por isso, mais uma vez, a atual metodologia ativa é vista como uma adequada estratégia de ensino para alcançar os objetivos de aprendizagem. Apesar de muitos considerarem que as metodologias ativas só funcionam nos casos em que o professor utiliza instrumentos tecnológicos, vimos que isso não ocorre necessariamente,sobretudo porque nos anos em que a tecnologia na educação ainda não era realidade, como na década de 30, já existiam alunos ativos. Hoje, contudo, com o recurso das salas informatizadas – que algumas escolas já possuem –, o processo de ensino é facilitado com a estratégia da metodologia ativa. Por isso, no quadro 2, exemplificamos essa estratégia com o uso de tecnologias como técnicas de ensino, em que o docente pode proporcionar momentos de aprendizagem por meio de softwares, internet, entre outros aspectos computacionais. Pode-se, ainda, utilizar como recurso as salas de metodologias ativas, as chamadas salas invertidas, que são diferenciadas por permitir que todos, professor e alunos, se comuniquem, se vejam e interajam de diversas formas. Assim, os computadores podem ser apenas um dos muitos instrumentos utilizados. Passamos a analisar, caro(a) aluno(a), a última estratégia elencada no quadro 2. Utilizar como estratégia uma feira de ciências é considerar que o aluno é capaz de promover conhecimento a partir do que foi ensinado e aprendido, sendo isso um mérito seu, quanto professor, e dele, quanto aluno. Segundo Ormastroni (1990, p. 7), a feira de ciências é “[...] uma exposição pública de trabalhos científicos e culturais realizados por alunos. Estes efetuam demonstrações, oferecem explicações orais, contestam perguntas sobre os métodos utilizados e suas condições”. Por meio dessa definição, vemos com quantas competências e habilidades o professor pode trabalhar além das exigidas para o conteúdo em si. Muito similares aos projetos, as feiras resultam em apresentações públicas que promovem troca de experiências, despertam a curiosidade entre os alunos, suscitam um compromisso com o saber e uma vontade de aprender, além de proporcionarem satisfação com os trabalhos bem apresentados. O termo “feira de ciências” é utilizado para comportar todas as grandes ciências: língua portuguesa, matemática, história, geografia, ciência, educação física, entre outras. Dessa forma, as escolas podem trabalhar com uma única área ou todas elas, conforme preferir. É muito comum, para essa estratégia de ensino, que se utilize como técnica as experiências, tanto aquelas realizadas pelo professor, a fim de explicar e exemplificar, quanto as realizadas pelos alunos, para praticar o que aprenderam. Por isso, nas feiras de ciências, vemos a interação dos alunos com o público por meio de experiências, o que coloca o discente como responsável por repassar o conhecimento. Como recurso para realização dessas experiências, sugerimos os laboratórios (de química, de física, de biologia, entre outros), que muitas escolas possuem. Contudo, a própria sala de aula, o pátio da escola ou as quadras esportivas podem ser lócus de experiências, tudo depende do que será realizado, considerando, sobretudo, a segurança dos alunos, do professor e do espaço físico. O tubo de ensaio é apenas um dos vários instrumentos que podem ser utilizados para experiências, afinal, quando se fala em feira de ciências, ele é a imagem mais projetada pela maioria. Contudo, se falamos em uma feira de História ou de Língua Portuguesa, por exemplo, os materiais utilizados serão bem diferentes dos tubos de química, correto? Devemos lembrar que cada instrumento está intimamente ligado aos objetivos estabelecidos no plano de aula. Novamente, a interdisciplinaridade pode ser facilmente utilizada na ação docente. Em uma feira de Geografia, por exemplo, qual experiência mais vemos nas escolas? Seria aquela que demonstra a atividade de um vulcão? Dessa forma, para que o aluno apresente conteúdos sobre o vulcão, precisará saber o que é um vulcão, como é a atividade vulcânica, quais elementos químicos precisa utilizar para reproduzir uma atividade vulcânica, o que acontece com o solo após essa explosão, dentre outras curiosidades que façam o público se interessar pela apresentação. O trabalho, portanto, deverá ser interdisciplinar, conciliando conhecimentos de geografia, química e física, por exemplo. Diante do exposto, caro(a) aluno(a), vemos que há muitas maneiras de colocar nosso plano de aula em ação, seja de forma mais expositiva ou mais participativa. O interessante seria um equilíbrio entre ambas, sempre visando a formação do conhecimento e o desenvolvimento pleno do sujeito aprendiz. De todas as formas, o professor precisa dominar o conhecimento ensinado e os procedimentos de ensino que serão utilizados, para que se efetive o trabalho na prática. Pensando nesse domínio docente é que veremos, no próximo tópico, quais são as competências e as habilidades de que um professor precisa para ter uma boa didática. Além disso, um aspecto fundamental na formação de qualquer profissional é a ética, por isso passamos adiante para compreender tais elementos essenciais do ser professor. FIM DO TÓPICO 2. INÍCIO DO TÓPICO 3 3. COMPETÊNCIAS, HABILIDADES E POSTURA DOCENTE Ao longo de nossa vida escolar temos muitos modelos de professores, alguns nos inspiram e, em alguns casos, são a razão de seguirmos a carreira docente. Esse contato com a figura docente desde a tenra idade reflete-se no (futuro) educador que seremos, pois, com base nas experiências sensoriais, afetivas e sociais, podemos reproduzir determinadas didáticas e/ou escolher um caminho totalmente contrário. Algumas competências e habilidades são indispensáveis para o “ser docente”, bem como algumas posturas que são exigidas desse profissional dentro e fora de sala de aula. É sobre esse perfil profissional que refletiremos a partir de agora, a fim de aprender sobre o papel do professor e sua importância no processo de ensino e de aprendizagem. Para tanto, nos basearemos na Resolução nº 2 de 2015 do CNE e do Conselho Pleno (CP), que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para formação inicial em nível de Ensino Superior, apresentando os princípios e condições de ensino e de aprendizagem para os acadêmicos, futuros professores, a fim de identificar as principais competências e habilidades exigidas pelo Ministérios da Educação (MEC). Também contamos com a ajuda de Philippe Perrenoud, sociólogo suíço, cujas obras fundamentam as teorias aqui expostas. Vimos em unidades passadas que o professor precisa proporcionar atividades e momentos que privilegiem o desenvolvimento de competências e habilidades de seus alunos, ou seja, por meio do ensino planejado, o docente ajudará seus alunos a aprender a teoria dos conteúdos, realizar atividades que desenvolvam habilidades cognitivas, físicas, sociais e psicológicas, para que, por fim, desenvolvam competências por meio da teoria e da prática, para resolver problemas do cotidiano com o conhecimento científico. Para que isso seja possível, porém, o próprio educador precisa desenvolver competências e habilidades para lecionar e provocar tudo isso. As competências, segundo Perrenoud (1999, p. 36), são “[...] importantes metas da formação. Elas podem responder a uma demanda social dirigida para a adaptação ao mercado e às mudanças e também podem fornecer os meios para apreender a realidade e não ficar indefeso nas relações sociais”. Podemos compreendê-las como domínios práticos das situações cotidianas que precisamos resolver. A Resolução nº 2 de 2015 do CNE/CP exige que os egressos dos cursos de graduação tenham algumas competências, o que o documento chama de aptidão. Dessa forma, espera-se que os acadêmicos saiam aptos a realizarem determinadas atividades que unem a teoria e a prática aprendidas durante o curso, de forma que consigam desempenhar seu trabalho de forma satisfatória. Vejamos algumas: I - atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa, equânime, igualitária; [...] III - trabalhar na promoção da aprendizagem e do desenvolvimento de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano nas etapas e modalidadesde educação básica; [...] VI - promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa, a família e a comunidade; [...] IX - atuar na gestão e organização das instituições de educação básica, planejando, executando, acompanhando e avaliando políticas, projetos e programas educacionais; XI - realizar pesquisas que proporcionem conhecimento sobre os estudantes e sua realidade sociocultural, sobre processos de ensinar e de aprender, em diferentes meios ambiental- ecológicos, sobre propostas curriculares e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas, entre outros[...] (BRASIL, 2015, p. 7-8). Essas chamadas aptidões que o MEC exige são semelhantes às competências para ensinar que Perrenoud (2000) elenca como fundamentais. Ao longo de seu livro, o referido autor explica dez competências: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: A figura é um esquema que apresenta 10 competências para ensinar. A esquema apresenta um círculo centralizado e os outros 10 ao redor. Do círculo central seguem-se 10 setas, cada uma seguindo em direção a um círculo à sua volta. Na figura central está escrito: Competências para ensinar. Iniciando o esquema no sentido horário, os círculos apresentam: 1 Organizar e dirigir situações de aprendizagem; 2 Administrar a progressão das aprendizagens; 3 Conceber e fazer evoluir dispositivos de diferenciação; 4 Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho; 5 Trabalhar em equipe; 6 Participar da administração escolar; 7 Informar e envolver os pais; 8 Utilizar novas tecnologias; 9 Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão; 10 Administrar a própria formação. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. Com a análise das competências sugeridas por Perrenoud (2000), verificamos que elas se dividem em quatro grandes grupos de competências de um bom professor contemporâneo, sendo: ensino, mediação, conhecimento e gestão. A competência para ensinar é indispensável, pois sem explicações claras e métodos de ensino eficazes, os alunos não aprendem. A competência para mediar o conteúdo entre o sujeito e o objeto parece algo simples, mas demanda um conjunto de habilidades complexas. A competência de conhecer é ampla, visto que envolve uma gama de conhecimentos. Já a competência de gestão envolve controle de tempo, de turma, da administração da escola como um todo, entre outros aspectos. INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: A figura 5 apresenta as grandes competências essenciais do professor e as dez competências de Perrenoud (2000). Temos um círculo dividido em quatro quadrantes, sendo que cada um deles possui um retângulo complementar. Ao centro desse círculo temos duas setas apresentando processo cíclico. No primeiro quadrante superior à esquerda está escrito a palavra “Ensino” complementado nos retângulos pelos tópicos: Organizar e dirigir situações de aprendizagem; trabalhar em equipe. No quadrante superior direito temos a palavra “Mediação”; acompanhado por: Administrar a progressão das atividades; conceber e fazer evoluir dispositivos de diferenciação; envolver os alunos em suas aprendizagens e em seus trabalhos. Na parte inferior à esquerda temos a palavra: Gestão, como complemento lemos: Participar da administração escolar; informar e envolver os pais. No quadrante inferior à direita temos a palavra: Conhecimento, no retângulo complementar lemos: Utilizar novas tecnologias; enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão; administrar a própria formação. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. Mas indissociáveis às competências são as habilidades. Uma habilidade, segundo Perrenoud (1999, p. 33), pode ser definida como uma [...] ‘inteligência capitalizada’, uma sequência de modos operatórios, de analogias, de intuições, de induções, de deduções, de transposições dominadas, de funcionamentos heurísticos rotinizados que se tornaram esquemas mentais de alto nível. Em outras palavras, caro(a) aluno(a), são as ações em si, os meios pelos quais colocaremos nossos domínios em prática para obtermos as competências necessárias e resolver os problemas. Retomando a Resolução nº 2 de 2015, vista em parágrafos anteriores, notamos que ainda exige que os professores tenham três habilidades, que consideramos importante destacar nesse momento: II - compreender o seu papel na formação dos estudantes da educação básica a partir de concepção ampla e contextualizada de ensino e processos de aprendizagem e desenvolvimento destes, incluindo aqueles que não tiveram oportunidade de escolarização na idade própria; [...] V - relacionar a linguagem dos meios de comunicação à educação, nos processos didático-pedagógicos, demonstrando domínio das tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento da aprendizagem; [...] XII - utilizar instrumentos de pesquisa adequados para a construção de conhecimentos pedagógicos e científicos, objetivando a reflexão sobre a própria prática e a discussão e disseminação desses conhecimentos (BRASIL, 2015, p. 7-8, grifos nossos). Ao pensarmos nas habilidades dos professores, algumas nos vem logo à mente, tais como criatividade, paciência, pesquisa e persuasão. Essas, de fato, são essenciais e algumas até já vimos ao longo das nossas unidades, mas, como cada pessoa possui sua singularidade, precisamos entender que cada professor possui diferentes habilidades. As competências e habilidades até aqui mencionadas, contudo, são indispensáveis para o ser professor e devemos lembrar que todas podem ser desenvolvidas. Caro(a) aluno(a), pensando nesse perfil, você possui as competências e habilidades para ser professor? Caso a resposta seja não, tenha calma, pois você ainda pode desenvolvê-las. Começando pela explanação da figura sobre a grande competência de ensinar. Precisamos saber “organizar e dirigir situações de aprendizagem” (PERRENOUD, 2000) ou, segundo a Resolução nº 2 de 2015, “trabalhar na promoção da aprendizagem e do desenvolvimento de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano” (BRASIL, 2015). Para tal, o professor precisa ter habilidades para colocar em prática diferentes métodos de ensino e aprendizagem, realizar boas mediações e ter bom vocabulário para se fazer entender. Saber “trabalhar em equipe” também se faz necessário, pois o professor não atua isoladamente. Seu ensino está intrinsecamente ligado ao trabalho pedagógico da coordenação, das equipes de apoio como psicólogos e outros atores que se fazem presentes sobretudo em casos especiais de alunos que demandam acompanhamento, professores de apoio e toda a equipe de educadores. Portanto, seu ensino deve estar em consonância com todos esses personagens, o que demanda certas habilidades sociais, tais como saber ouvir, ser interdisciplinar, entre outras (PERRENOUD, 2000). A segunda grande competência é mediar, no que se refere a “administrar a progressão das aprendizagens” (PERRENOUD, 2000). Precisamos ter habilidades como a de pesquisar, “utilizar instrumentos adequados para tanto” (BRASIL, 2015), a fim de encontrarmos novos conhecimentos científicos para apresentar aos alunos, de forma que eles passem de seu nível de conhecimento real para um mais elaborado. O professor, para mediar, também precisa ter a competência de “conceber e fazer evoluir dispositivos de diferenciação”, ou seja, compreender que cada aluno aprende em um ritmo diferente e por métodos diferentes. A compreensão de uma classe heterogênea é a chave para o sucesso do ensino e da aprendizagem, pois diferenciar um aluno – e sua aprendizagem – do outro exige habilidade de percepção e criatividade para elaboração de métodos diversificados a fim de promover a aprendizagem de todos os alunos (PERRENOUD, 2000). A grande competência de conhecer é primordial para que o professor contemporâneo saiba “utilizar novas tecnologias” (PERRENOUD, 2000); aquele que nãopossui essa habilidade pode se tornar obsoleto para o mercado de trabalho. Por isso, habilidades como o “domínio das tecnologias” e para “relacionar a linguagem dos meio de comunicação” para transformá-las em instrumentos de ensino e de aprendizagem são indispensáveis na atualidade (BRASIL, 2015). A competência de “enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão” também é importante. Perrenoud (2000) explica que, com a atual sociedade, fica difícil ensinar os valores cívicos e éticos, visto que tanto fora quanto dentro da escola vemos violência, discriminação, dentre outras injustiças que emanam da convivência social, tornando-se um ciclo em que a sociedade as reproduz porque a escola contribui, ainda que de forma inconsciente, com a reprodução desse caos. Por sua vez, a escola reproduz porque está imersa em uma sociedade desvirtuada. Contudo, o professor precisa “[...] atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa, equânime, igualitária [...]” (BRASIL, 2015, p. 1) para quebrar esse círculo vicioso e criar um novo círculo virtuoso. Para tanto, habilidades como liderança e persuasão são necessárias para ensinar e convencer desde crianças, jovens e até adultos que o respeito e a ética precisam prevalecer para uma sociedade melhor. Ainda como competência do conhecer, o professor precisa “administrar seu próprio conhecimento” (PERRENOUD, 2000), ou seja, continuar sua formação ao longo da vida acadêmica, para tanto, habilidades como pesquisa, autoconhecimento e automotivação são necessárias para um profissional sempre atualizado e eficiente. Lembrando que também é pesquisa docente o “conhecimento sobre os estudantes e sua realidade sociocultural” (BRASIL, 2015). A última grande competência que elencamos é a de gestão. Para um professor do século XXI, a competência para gerir precisa ser bem desenvolvida, visto que ele, além de ensinar, administra seu tempo de aula, sua classe e pode até dirigir uma escola em cargos como o de diretor, atuando na gestão e organização das instituições, “planejando, executando, acompanhando e avaliando políticas, projetos e programas educacionais” (BRASIL, 2015). Ainda que o educador não assuma essa cadeira, faz-se necessário conhecer a parte de gestão da escola onde leciona, para compreender os trabalhos burocráticos que amparam seu trabalho didático em sala de aula. Para tanto, habilidades como investigação são fundamentais. Por fim, o professor precisa ter a competência de “informar e envolver os pais” (PERRENOUD, 2000) nas questões escolares, ou segundo exige a Resolução nº 2 de 2015, precisa facilitar as “relações entre a instituição educativa, a família e a comunidade”, para isso, precisa ter a habilidade de “compreender seu papel” na formação humana (BRASIL, 2015). Esse grupo de grandes competências, caro(a) aluno(a), demandam habilidades que formam o perfil docente exigido na atualidade. O professor de hoje precisa ser ético para lidar com todas as situações de seu cotidiano, ter múltiplos conhecimentos (teóricos, práticos, metodológicos e técnicos), ser curioso, criativo e ter disposição para realizar pesquisas e investigações de sua área de atuação, tudo para que resulte em um ensino eficiente e eficaz e promova uma aprendizagem de qualidade. Esse resultado é a didática. Um professor que tem didática é um professor que tem bem desenvolvidas as competências e as habilidades aqui descritas. Com esse resultado, as aulas são esclarecedoras, motivadoras e inspiradoras. Esse perfil docente exigido para o professor do século XXI preconiza que ele tenha domínio de métodos e técnicas que promovam a qualidade do ensino, para tanto, até a forma de organização da sala de aula deve ser planejada. Como vimos em tópicos anteriores, os procedimentos de ensino são amplos e cada um demanda uma organização, logo, ainda em seu planejamento, o docente precisa pensar em como será organizada a sala de aula para trabalhar com a turma, estipulando desde a disposição das carteiras (em filas, em semicírculos, em grupos etc.) até a limpeza da sala de aula. Parecem detalhes insignificantes, mas toda a ação dentro da escola é educativa. Logo, precisamos ser exemplos e repassar essa postura. Uma sala limpa, bem iluminada e arejada, com organização adequada dos alunos e do professor sem dúvida proporciona uma aprendizagem de maior qualidade. Precisamos, ainda, dentro da ética profissional, mencionar a vestimenta adequada dos professores, que deve sempre manter o respeito ao aluno. O que deve chamar a atenção na sala de aula é o conteúdo e não as roupas do professorado. O tom de voz também promove respeito entre os integrantes da classe; um ambiente de aprendizagem não pode ser nem extremamente silencioso nem exorbitantemente barulhento: o equilíbrio está na fala ponderada do professor e dos alunos, bem como no cuidado com as atividades mais práticas, por isso o professor precisa pensar bem em quais serão desenvolvidas em sala, no pátio ou na biblioteca, para que não se instaure a anarquia na turma nem atrapalhe o restante da escola. A postura docente influencia diretamente na formação do aluno, por isso precisamos pensar em cada detalhe dos processos de ensino, para que prevaleça a aprendizagem global de qualidade, por meio de aulas prazerosas e incentivadoras, que perdurarão para além do ano letivo, para a vida daquele aluno cidadão. Pensados todos os detalhes do ensino, pautados no planejamento, ao fim desse processo é chagada a hora de verificar se tudo o que colocamos no plano de aula e executamos com os alunos foi bem-sucedido ou precisa de mudanças. Para tanto, precisamos de uma avaliação, tema da nossa próxima unidade. FIM DO TÓPICO 3. INÍCIO DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), como podemos observar, a execução do planejamento exige reflexão sobre muitos detalhes, que vão desde a escolha do método até a forma como o professor conduz suas aulas e se relaciona com os alunos. Devemos sempre lembrar que a aprendizagem é afetiva e nós, professores, somos os anfitriões desse processo, ou seja, somos os responsáveis por convidar o aluno a conhecer, a ser pesquisador. Devemos fazer isso da melhor forma, pois quando não os tratamos bem, nossos convidados se vão. Ainda que o aluno permaneça fisicamente em sala de aula, podemos perder seus pensamentos, sua atenção e sua dedicação. Nosso objetivo inicial com esta unidade foi conhecer sobre as práxis e os métodos de execução das ações estabelecidas por meio do planejamento. Sabendo que na ação pedagógica devemos sempre aliar teoria e prática fica fácil compreender a importância de conhecermos as tendências pedagógicas e a visão de mundo, Homem e sociedade que a escola possui, aliando com métodos que formam o sujeito esperado. Na sequência, exploramos algumas estratégias e técnicas da ação docente, para colocar em prática o planejamento com eficiência e eficácia. Vimos que essa escolha deve considerar as concepções e a organização que a escola possui. Por fim, refletimos sobre as competências, habilidades e a postura necessárias para um professor com didática, que tem o papel de formar cidadãos críticos, reflexivos, éticos e dotados de competências e habilidades cognitivas, físicas, socioemocionais, dentre outras. Após executarmos as ações planejadas, precisamos avaliar. A avaliação não é uma punição nem um mero processo de atribuição de notas por meio do julgamento do que o aluno realizou. Trata-se de um processo de reflexão, que avalia de forma qualitativa tanto o aluno (a fim de identificar o que ainda precisa aprender, identificar as competências e habilidades que precisam desenvolver ou potencializar) quanto o professor (para que possamos encontrar as falhas do nosso planejamento, melhorar as próximas aulas e readequar o que deu certo). Convido você, caro(a) aluno(a),a refletir sobre o processo de avaliação na próxima unidade. FIM DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. INÍCIO DAS ATIVIDADES DE ESTUDO 1. Freire (2001) nos ensina que todas as ações pedagógicas devem estar pautadas em teorias, da mesma forma que as fundamentações teóricas emergem de práticas já estudadas e sistematizadas. Sobre essas ações indissociáveis, é correto afirmarmos que: a) O professor e o sujeito aprendiz devem sempre partir de uma teoria antes de realizarem práticas dentro do ambiente de aprendizagem. b) A práxis é o elemento que define como deve ser a ação pedagógica, ou seja, a aliança entre teoria e prática, sem dicotomias. c) Os alunos precisam de professores que saibam mais sobre teoria do que prática, pois um professor sem teoria não consegue dar aula, mas um professor sem prática pode usar somente a teoria. d) É na prática que surge a teoria. Dessa forma, o professor deve estar mais preparado para atuar do que ter um repertório teórico. e) Sendo a teoria e a prática indissociáveis, precisamos que a formação de professores forneça conhecimentos dessas duas formas, o que atualmente não acontece. 2. Libâneo (2013) aborda diferentes métodos que o professor pode utilizar a fim de promover uma aula mais dinâmica e atrativa. Considerando que métodos são conjuntos de ações utilizadas para viabilizar o processo de ensino, analise as afirmativas abaixo: I - A exposição demonstrativa pode ser atrativa ao aluno pelo fato de poderem ter contato com o objeto de estudo por meio de experimentos. II - A exposição verbal é um método que, se bem dominado pelo docente, pode se tornar interessante ao aluno. Podem ser feitas, por exemplo, apresentações de curiosidades sobre o objeto de estudo. III - Os seminários também podem ser mais dinâmicos na medida em que o professor os relaciona com estudos de caso. Pode-se, então, discutir sobre o objeto de estudo a partir de casos reais ou fictícios. IV - O uso de computadores para realização de atividades também é um método atrativo para as gerações atuais, que vivem em contato com a tecnologia e possuem maior interesse por tais meios. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) I, III e IV, apenas. c) II, III e IV, apenas. d) I e III, apenas. e) l, ll, lll e lV. 3. Imagine que você possui um aluno com dificuldade de atenção e planejou realizar atividades ao ar livre. Ao verificar o local, porém, percebeu que há vários detratores (movimentação intensa de pessoas, múltiplos estímulos sonoros, entre outros elementos). Dessa forma, você precisa alterar alguns elementos para potencializar o processo de aprendizagem, de forma que o aluno, que já possui uma dificuldade de aprendizagem, não seja prejudicado por esses elementos. Sendo assim, o mais coerente seria: a) Mudar o método de ensino, de demonstrativo a expositivo. b) Alterar o recurso, levando o sujeito para um ambiente com menos estímulos externos. c) Trocar a metodologia de ensino, substituindo o ensino ao ar livre pelo local fechado. d) Reformular os instrumentos de ensino, pois se o aluno tem dificuldade de atenção, precisa de instrumentos com os quais possa ver mais do que interagir. e) Não utilizar tendências pedagógicas, pois em casos de dificuldades cognitivas nenhuma se aplica. 4. Betina é uma adolescente muito inteligente e possui algumas habilidades invejáveis. Considerando habilidades como recursos cognitivos que nos auxiliam no desenvolvimento de determinadas atividades, assinale a alternativa que corresponde a possíveis habilidades de Betina: a) Bem-estar e saúde. b) Personalidade forte. c) Boa atenção e memória. d) Disposição para realizar atividades. e) Perseverança. 5. Em todos os campos de atuação há um perfil exigido. No caso de atuações em ambientes formais e não formais, podemos elencar como necessário para o perfil do professor: I -Ter domínio de métodos e técnicas que promovam a qualidade do ensino. II - Ter competências para lidar com a diversidade. III - Ser um profissional ético. IV - Ser um pesquisador. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) I, III e IV, apenas. c) I, II e IV, apenas. d) II, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. FIM DAS ATIVIDADES DE ESTUDO. INÍCIO DA LEITURA COMPLEMENTAR Prezado(a) aluno(a), ao longo das unidades vimos que saber fazer um bom planejamento bem como dominar diferentes procedimentos de ensino é necessário em todas as profissões. Isso fica mais explícito quando tratamos de um profissional que ensina e um sujeito que aprende, tanto nas escolas, que é o caso dos docentes, quanto em ambientes não formais, caso de professores, instrutores, entre outras denominações, aos quais a didática é fundamental. A seguir, apresentamos alguns projetos que são utilizados como procedimentos para a execução de planejamentos em academias, hospitais e Organizações não Governamentais (ONGs). O primeiro ambiente que selecionamos em que há um profissional que ensina e um sujeito que aprende – logo, há promoção da aprendizagem – é a academia. Muitos acham que, ao frequentar a academia, estão apenas fazendo atividades físicas para emagrecer ou ganhar massa muscular. Na verdade, quando o personal trainer ou instrutor da academia (na condição de professor) explica ao sujeito (na condição de aluno) como executar os exercícios de forma correta e para que serve determinada atividade, está ensinando-o a cuidar da saúde (BARBANTI, 1994). Vemos, portanto, que esses profissionais também precisam ter didática para ensinar, bem como necessitam de um planejamento e procedimento de ensino para cada aluno. Muitas academias utilizam projetos que estimulam os alunos a atingirem seus objetivos; como exemplo, o projeto verão. Segundo a pesquisa de Santos (2016), os motivos que mais levam as pessoas, atualmente, a frequentarem as academias são a busca por corpos saudáveis e por um físico mais condicionado. Nessa perspectiva, muitas dessas empresas elaboram o “projeto verão”, em que os alunos que desejam participar se inscrevem e informam seus objetivos físicos. Cada aluno e seu respectivo professor elaboram o planejamento de atividades que farão ao longo do período em que o projeto será realizado, por exemplo, três meses. Dentro desse período, os professores e alunos se dedicam a alcançar os objetivos e quem consegue pode ganhar gratificações da própria academia. Esses projetos das academias são elaborados pelos donos em parceria com seus instrutores e demais funcionários. A empolgação com as possíveis premiações e a competitividade são apenas alguns dos aspectos que impulsionam o aluno a alcançar seu objetivo, mas para que esse e outros projetos das academias deem certo é necessário planejamento e professores com didática. O segundo ambiente não formal de aprendizagem que abordaremos é o hospital. Como muitas crianças e adolescentes em idade escolar precisam ficar internados por longos períodos, ficam afastados da escola. Contudo, a LDBEN 9.394/96 prevê, em seu artigo 58, parágrafo 2º, a garantia à educação mesmo quando o sujeito fica hospitalizado. Por isso temos muitos professores que atuam dentro de classes hospitalares (BRASIL, 1996). De acordo com Faria (2013, p. 43), no ambiente hospitalar a educação implica em: [...] utilizar práticas pedagógicas que desenvolvam ao mesmo tempo a razão, sensação, sentimento e intuição. Nesse cenário, educar vai além de transmitir conhecimentos e construir o saber sistematizado. Na verdade, a educação assume um sentido terapêutico, pois desperta no educando uma nova consciência que o faz deixar de lado a posição de pessoa hospitalizada para assumir uma postura positiva de transformação e aquisição de conhecimento. Com esse objetivo diferenciado, nas classes hospitalares temos projetos voltados à “Humanizaçãodo Atendimento Hospitalar”, em que o perfil dos profissionais é bem delineado, visto que precisam ser pessoas pacientes, éticas e emocionalmente preparadas para lidar com pessoas acamadas, em alguns casos em estágio terminal, a fim de promover um atendimento humano. Os professores dessa classe também precisam saber fazer planejamentos de ensino flexíveis devido às fragilidades de cada aluno/paciente. Os procedimentos de ensino devem ser cautelosamente escolhidos, devidamente esterilizados e apropriados para cada aprendiz. Por fim, temos as ONGs, ambientes não formais de aprendizagem que promovem o ensino de muitos assuntos por meio de projetos, a fim de cooperar na superação das necessidades de determinadas comunidades em que o Estado não investe em políticas públicas. Dessa forma, cada ONG possui projetos que favorecem sua comunidade. Por exemplo, a ONG Comunidade Educacional para o Trabalho, da cidade de Lins-SP, possui projetos voltados ao desenvolvimento profissional de jovens, visto que, no início de suas atividades, a comunidade apresentava um número muito alto de pessoas sem escolaridade, que não conseguiam trabalho (CASTARANELI; SANTOS; PACHECO, 2007). Considerando o exposto, muitas ONGs existem com diferentes objetivos e atuam por meio de vários projetos: saúde, lazer, musicalização, entre outros, que devem contar com a atuação de profissionais que possuam didática, saibam planejar e tenham conhecimento de diferentes procedimentos de ensino, para contribuir com a formação dos cidadãos que frequentam essas instituições. Nesse contexto, caro(a) aluno(a), vemos que os ambientes não formais de aprendizagem atuam muito mais com projetos do que as próprias escolas. Portanto é sempre bom saber como trabalhar com projetos, desde sua elaboração até a execução. Fonte: Elaborado pela autora. FIM DA LEITURA COMPLEMENTAR. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – LIVRO Capa do livro: Título: Pedagogia e pedagogos, para quê? Autor: José Carlos Libâneo Editora: Cortez Sinopse: apesar de o título ser uma chamada para pedagogos, o conteúdo do livro aborda as práticas educativas, a didática contemporânea e o papel do professor na atualidade. Dessa forma, todos que atuam com as relações de ensino podem ler esse livro e refletir sobre os meios de se fazer educação. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - LIVRO. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – FILME Pôster do filme: Título: Além da sala de aula Ano: 2011 Sinopse: baseado em fatos reais, a história se passa em uma escola de abrigo, retratando o primeiro emprego da professora Stacey Bess. A escola é improvisada e a vaga de professor seria temporária, mas ao chegar no local, Stacey vê a precariedade da instituição, que na verdade é um local improvisado, sem recursos, que mal possui quadro, carteiras e merenda escolar. Isso dificulta o trabalho docente, mas por meio da trama descobrimos que a professora consegue ensinar adequadamente, superando as dificuldades e oferecendo educação de qualidade e inspiração. Comentário: Por meio desse filme, vemos que além de estarmos preparados para dominar os procedimentos de ensino mais contemporâneos, como as tecnologias de comunicação voltadas para a educação, precisamos também dominar os procedimentos mais rudimentares, de forma que a aprendizagem seja sempre a prioridade. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - FILME. INÍCIO DAS REFERÊNCIAS ABREU, J. R. P. Contexto Atual do Ensino Médico: Metodologias Tradicionais e Ativas - Necessidades Pedagógicas dos Professores e da Estrutura das Escolas. 2011. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2009. BARBANTI, V. J. Dicionário de educação física e do esporte. São Paulo: Manole, 1994. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm>. Acesso em: 28 mar. 2019. ______. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução CNE/CP 2/2015. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Brasília, DF: MEC, CNE, CP, 2015. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/docman/agosto-2017-pdf/70431-res-cne-cp-002- 03072015-pdf/file>. Acesso em: 28 mar. 2019. ______. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular – BNCC: Educação é a base (Educação Infantil e Ensino Fundamental). Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em: <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp- content/uploads/2018/06/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2019. CASTARANELI, E. R.; SANTOS, J. P. A.; PACHECO, M. D. H. As atividades desenvolvidas na ONG Comunidade Educacional para o Trabalho e sua contribuição para a formação integral do cidadão. 2007. 60 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Educação Física) - Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, Lins, 2007. Disponível em: <http://www.unisalesiano.edu.br/biblioteca/monografias/34847.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2019. DEWEY, J. Experiência e educação. São Paulo: Nacional, 1979. FARIA, M. B. A escuta pedagógica e a criança hospitalizada: discutindo o papel da educação no hospital. Interdisciplinar: Revista Eletrônica da Univar, v. 3, n. 9, p. 41-46, 2013. FREIRE, P. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: UNESP, 2000. ______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 20. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001. HERNÁNDEZ, F.; VENTURA, M. A organização do currículo por projetos de trabalho. Porto Alegre: ArtMed, 1998. KONDER, L. 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N. A formação social da mente. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes Ltda, 1991. WESTBROOK, R. B.; TEIXEIRA, A. John Dewey. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Massangana, 2010. FIM DAS REFERÊNCIAS. INÍCIO DO GABARITO, 1. Opção correta é a B. 2. Opção correta é a A. 3. Opção correta é a B. 4. Opção correta é a C. 5. Opção correta é a E. FIM DO GABARITO. FIM DA UNIDADE IV. INÍCIO DA UNIDADE V INÍCIO DA FOLHA DE ABERTURA AVALIAÇÃO Me. Camila Tecla Mortean Mendonça Objetivos de Aprendizagem ● Compreender a avaliação como parte do processo de ensino e de aprendizagem, a fim de utilizá-la como instrumento de reflexão da práxis docente. ● Conhecer a avaliação nas suas várias formas: somativa, formativa e diagnóstica, para que possamos utilizar a mais adequada mediante os objetivos do processo de ensino e de aprendizagem. ● Entender que o processo de avaliação impacta de forma positiva ou negativa a formação do aluno, a fim de a utilizarmos com ética. Plano de Estudo ● Conceito de avaliação ● Modelos de avaliação ● Aspectos pedagógicos e psicológico da avaliação FIM DA FOLHA DE ABERTURA. INÍCIO DA INTRODUÇÃO Finalizando nossas discussões sobre Didática, nesta unidade trataremos da avaliação do processo de ensino e de aprendizagem, desde a conceituação do termo até os tipos de avaliação que são aplicados na prática escolar e que fazem parte do planejamento, tema da unidade anterior. Quando falamos em avaliação, qual é o sentimento que você tem? Medo? Ansiedade? Estresse? Esses são alguns dos sintomas que, historicamente, a avaliação tem causado nos alunos que passam pelos bancos escolares em todos os níveis, etapas ou modalidades de ensino. No entanto, depois dos estudos desta unidade, acredito que você não a enfrentará mais sob essa perspectiva, pois compreenderá, de fato, qual é a função que a avaliação deve ter no contexto escolar. Quando tratamos da avaliação, temos que levar em consideração que ela está intimamente relacionada com a teoria que escolhemos para embasar nossa prática escolar, uma vez que deve ser coerente com o processo de ensino e aprendizagem. Desta forma, se tenho a teoria histórico-crítica como base para minha prática pedagógica, não posso adotar, para o processo avaliativo, as avaliações características da tendência tradicional, por exemplo. Situações como essa são um dos fatores que fazem com que a avaliação seja vista como vilã do processo educativo. Nesse contexto, para que a nossa prática pedagógica seja coerente, nos aprofundaremos nessa discussão, além de também conhecer os tipos de avaliação que devem fazer parte do cotidiano escolar e, consequentemente, do processo de ensino e aprendizagem. Nossas discussões se encerrarão com os efeitos positivos e negativos que a avaliação poderá causar nos alunos, avaliando os aspectos pedagógicos e psicológicos que as avaliações tomam no contexto escolar. Te convido, caro(a) aluno(a), a mergulhar em mais este estudo. Vamos lá? FIM DA INTRODUÇÃO. INÍCIO DO TÓPICO 1 1. CONCEITO DE AVALIAÇÃO Avaliar e ser avaliado são ações do nosso cotidiano. No trabalho, em casa, no contexto social, nos aplicativos ou em qualquer outra ação que realizamos, a avaliação está presente, de forma direta ou indireta, quando julgamos ou comparamos. A avaliação consiste no ato de dar um parecer ou de apreciar uma atitude. Também é vista como uma ação que afere ou confere a algo ou alguém um juízo de valor. A avaliação, por meio dessa definição, é tida como uma ação em que o juízo de valor é atribuído sem levar em consideração o contexto, a trajetória ou a individualidade de cada um. Na educação acontece da mesma forma. Os alunos são avaliados a fim de verificar se aprenderam e quanto aprenderam. Luckesi (2005, p. 33) conceitua a avaliação como “um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão, a partir de um critério estabelecido”. Em outras palavras, o professor estabelece os critérios de avaliação a fim de julgar uma manifestação da realidade e, a partir do resultado obtido, toma uma decisão. Outros autores contribuem com as suas visões sobre a avaliação. Tyler (1975 apud HAYDT, 2002) define o processo de avaliação como, essencialmente, ação de determinar se os objetivos educacionais estão realmente sendo alcançados pelos programas e currículos educacionais. Tendo em vista que os objetivos educacionais visam a mudança do ser humano, a avaliação determina em que grau essas mudanças estão ocorrendo e se estão realmente ocorrendo. Em outras palavras, ao avaliarmos queremos saber se o que foi ensinado aos alunos foi aprendido pelos mesmos. Nesse sentido, a nota determinará em que “grau” essa mudança aconteceu. Se os alunos foram “bem” na avaliação, o grau de mudanças de comportamento foi elevado, se foram “mal” na avaliação, não houve mudanças de comportamento. Para Scriven (1978 apud HAYDT, 2002), a avaliação é uma atividade metodológica que consiste na coleta e combinação dos dados do desempenho dos alunos, para isso, utiliza escalas e critérios de ponderação para que seja possível classificar e comparar os números. Nesse sentido, o autor nos diz que ao avaliar, estamos comparando, classificando os alunos de acordo com seus desempenhos. Nos perguntamos, portanto: como ficam os alunos classificados nas últimas posições? O que fazemos com os alunos que não aprenderam? Para Stuffebeam (1971 apud HAYDT, 2002, p. 12), “a avaliação é o processo de delinear, obter e fornecer informações úteis para o julgamento de decisões alternativas [...]”. O autor nos traz um conceito de avaliação que nos dá flexibilidade ao dizer que avaliação é traçar, obter e fornecer informações para que possamos decidir qual caminho tomar. Deixaremos nossos alunos naufragar, ou jogaremos um bote salva vidas? Quando tomamos a avaliação como ferramenta no processo de construção do conhecimento, jogamos um bote salva vidas aos nossos alunos, pois oferecemos a eles a possibilidade de reconstruir o conhecimento que ficou perdido no caminho. Os conceitos de avaliação definidos pelos autores citados são claramente conhecidos por todos nós, educadores e estudiosos da educação, pois é dessa forma que nossos alunos são avaliados. Esses conceitos ficam ainda mais claros e reais quando vistos na perspectiva de Perrenoud (1999, p. 9), que afirma: Avaliar é – cedo ou tarde – criar hierarquias de excelência, em função das quais se decidirão a progressão no curso seguindo, a seleção no início do secundário, a orientação para diversos tipos de estudos, a certificação antes da entrada no mercado de trabalho e, frequentemente, a contratação. Perrenoud (1999) afirma em seus estudos que é a avaliação que regula o trabalho, as atividades, a cooperação e, de certa forma, a relação entre a família e a escola e/ou entre os profissionais que atuam na educação. Dessa forma, os alunos são avaliados e a partir do seu desempenho, comparados e classificados em virtude de uma norma que visa à excelência. Esse autor nos traz um conceito de avaliação característico do método tradicional de ensino, em que a avaliação era utilizada como ferramenta de punição, medida de conhecimento, classificação e seleção dos alunos para a aprovação e como pré-requisito para entrada na faculdade ou no mercado de trabalho, restando aos não classificados a reprovação, bem como os empregos menos remunerados. Para Gadotti (2003 apud RABELO, 1984, p. 90), o ato de avaliar não é dispensável para a atividade humana ou para qualquer atividade educacional, dessa forma, para esse autor, a avaliação é imprescindível durante todo o processo educacional em que se realize um constante trabalho de ação-reflexão-ação, porque “educar é fazer ato de sujeito, é problematizar o mundo em que vivemos para superar as contradições, comprometendo-se com esse mundo para recriá-lo constantemente”. Rabelo (2003) nos traz uma concepção de avaliação inerente ao método construtivista de ensino, quando nos diz que a avaliação é indispensável durante o processo de ação-reflexão-ação, ou seja, a avaliação deve acontecer durante o processo de ensino e de aprendizagem, para que o aluno possa participar da construção do seu conhecimento. Barlow (2006, p. 16) tem uma visão um tanto diferenciada do conceito de avaliação apresentado até então. Para esse autor, como um retorno ao ato de avaliar, a avaliação se revela em sua função, como um estímulo a completar, como algo a modificar, como aperfeiçoar uma tarefa em andamento. Nesse contexto, para o autor, o que cabe agora é descobrir a natureza da avaliação: o que a avaliação quer fazer? O que a avaliação quer dizer? Cada autor que discute avaliação traz consigo as marcas do que entende por educação e por formação humana, partindo das suas concepções teóricas. Podemos, portanto, afirmar que a avaliação é desenvolvida levando em consideração a concepção teórica que se adota para o processo de ensino e aprendizagem. Na tendência pedagógica tradicional de ensino, a avaliação era realizada de forma sistemática. Considerava-se somente a resposta que correspondia ao padrão ensinado pelo professor, ou seja, as avaliações eram momentos de repetição dos padrões ensinados pelos professores por meio da memorização e cópia. Então, caro(a) aluno(a), quais habilidades eram cobradas dos alunos? A memorização e a reprodução, pois essas eram a únicas habilidades necessárias para a repetição dos conteúdos, que eram dados pelos professores como verdades absolutas a ser reproduzidas. A inteligência era medida pela capacidade de memorizar e guardar informações. Assim, quanto mais informações uma pessoa memoriza, mais inteligente ela é, segundo a tendência tradicional. Os processos avaliativos dessa tendência pedagógica são comuns para muitos de nós, tendo em vista que fizeram parte da nossa educação escolar. Como muito bem ilustrado pela imagem da professora, moldam o pensamento e as ideias dos alunos. Dessa forma, voltamos a afirmar: esse modelo de avaliação visa a reprodução dos conteúdos que são trabalhados na escola. Outro aspecto importante a ser ressaltado é que as avaliações visavam a quantificação. Dessa forma, a avaliação era desenvolvida e realizada a fim de mensurar o aprendizado dos alunos sobre os conteúdos estudados. Depois, eram atribuídas notas às avaliações e os alunos eram classificados. Acreditava- se que a classificação dos alunos servia como incentivo para que os alunos com menor rendimento pudessem buscar melhores notas. Os castigos físicos e as humilhações também faziam parte do processo avaliativo. Os professores utilizavam esses recursos para disciplinar o comportamento dos alunos diante dos padrões que eram considerados corretos naquela sociedade. A avaliação tradicional era aplicada respeitando os períodos considerados avaliativos: término dos períodos letivos ou de aplicação de um conteúdo, podendo ser estes bimestrais, semestrais e/ou anuais, o que caracterizava a avaliação como parte final do processo de ensino e de aprendizagem. Caro(a) aluno(a), como já dito na Unidade II, as características do ensino e da avaliação tradicionais ainda persistem na prática pedagógica de muitos professores, com exceção, é claro, dos castigos físicos e humilhações, que são proibidos por Lei – sendo uma delas o Estatuto da Criança e do Adolescente. Isso não impede, porém, que a avaliação ainda seja utilizada como um momento de coleta de informações que foram meramente decoradas pelos alunos. INÍCIO DO REFLITA Pensando na tendência tradicional de ensino, que ficou conhecida pela palmatória e seus diferentes métodos de agressão (verbal, física e psicológica), você considera, caro(a) aluno(a), que a avaliação era vista como produto final de um processo de ensino ou uma forma de agressão? FIM DO REFLITA. Na tendência renovada não diretiva ou escola nova, a avaliação era realizada por meio da autoavaliação ou autocrítica, pois quem mais poderia avaliar o aluno se não ele mesmo? Esse processo avaliativo levava em consideração que o sujeito se tornaria mais criativo, autoconfiante e independente (FERREIRA, 2009). O aluno era o responsável por suas ações, sendo estas corretas ou não, assim como também era peça fundamental no processo de elaboração do conhecimento. Nesse sentido, a avaliação perde seu significado, pois é somente realizada por meio da autocrítica. Na tendência tecnicista, em contrapartida, a avaliação voltou a ter o caráter que tinha na concepção de ensino tradicional, como foco na mensuração dos conhecimentos adquiridos pelos alunos. Era aplicada somente no final do processo de ensino e de aprendizagem, uma vez que a ênfase dessa tendência pedagógica estava na aplicação dos instrumentos e técnicas. Dos vários recursos ou instrumentos que eram utilizados para o processo avaliativo, na tendência tecnicista, podemos citar a coleta de informações por meio dos questionários, escalas de atitudes que deveriam ser incorporadas pelos alunos, ficha de registros, por exemplo. Na tendência libertadora a avaliação possuía características de uma prática emancipadora do indivíduo, dessa forma, era desenvolvida a partir do progresso que o grupo alcançava, a partir de um cronograma também definido pelo grupo. A avaliação também era realizada por meio da interação entre professor e alunos, dentro do grupo, a partir da compreensão e da reflexão crítica sobre os conteúdos discutidos e dos trabalhos escritos e autoavaliações, sempre levando em consideração o compromisso que o grupo assume com o seu desenvolvimento e com a prática social. Por fim, a tendência histórico-crítica possui como característica uma avaliação que se desenvolve no decorrer de todo o processo de ensino e aprendizagem. Gasparin (2011) nos diz que há avaliação desde o momento em que o professor elabora o conteúdo e o compreende, antes de ensinar seus alunos. Dessa forma, compreendemos que a avaliação permeia todo o processo de ensino e de aprendizagem, desde o momento do planejamento dos conteúdos pelo professor e levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos, até o momento de encerramento dos conteúdos. Quadro 1: Síntese das principais características das tendências pedagógicas quanto a avaliação Tendências Pedagógicas Características da avaliação Tradicional Escola Nova Tecnicista Libertadora Histórico- Crítica Memorização; Repetição; Reprodução. Autoavaliação; Individual. Memorização; Reprodução; Técnica. Autoavaliação; Autocrítica; Grupo. Processual; Contínua. Fonte: Elaborado pela autora (2018). Podemos, dessa forma, definir a avaliação como uma parte do processo de ensino e de aprendizagem. Por meio da verificação e qualificação dos resultados obtidos, podemos determinar a relação entre a avaliação e os objetivos propostos para a aprendizagem, para então orientar a tomada de decisão sobre as atividades didáticas que darão continuidade ao processo (LIBÂNEO, 1994). Portanto, afirmamos que vários tipos de avaliação podem ser aplicados, a fim de que a totalidade do processo educativo seja avaliada. São as avaliações diagnósticas, somativas e formativas, tema que discutiremos a seguir. FIM DO TÓPICO 1. INÍCIO DO TÓPICO 2 2. MODELOS DE AVALIAÇÃO A partir dos conceitos de avaliação trabalhados até aqui e do olhar que temos sobre o processo avaliativo, quando o assunto é avaliar, temos basicamente três funções, sendo elas: diagnosticar, controlar e classificar. A avaliação diagnóstica “é aquela realizada no início do curso, períodoletivo ou unidade de ensino” (HAYDT, 2002, p.16), ou seja, é um levantamento dos conhecimentos dos alunos, dos conhecimentos já adquiridos. [...] com a intenção de constatar se os alunos apresentam ou não o domínio dos pré-requisitos necessários, isto é, se possuem os conhecimentos e habilidades imprescindíveis para as novas aprendizagens. É também utilizada para caracterizar eventuais problemas de aprendizagens identificar suas possíveis causas, numa tentativa de saná-los (HAYDT, 2002, p. 17). Diagnosticar significa fazer um diagnóstico por meio de sinais de indicação, para conhecer uma moléstia, uma enfermidade ou avaliar (FERREIRA, 2010). Essa definição, apesar de ser voltada para a área da saúde, nos permite também entender a avaliação escolar. De acordo com a definição, podemos entender que, na educação, diagnosticar o aluno é fazer um levantamento por meio dos sinais indicativos, verificar se ele aprendeu o conteúdo ou não. Ou seja, faz-se apenas um levantamento de dados para saber se o aluno sabe ou não um determinado conteúdo. A avaliação formativa “tem a função de controle” (HAYDT, 2002, p. 17). É utilizada no decorrer do ano letivo para verificar se os objetivos estão sendo alcançados. [...] a avaliação formativa visa, fundamentalmente, “determinar se o aluno domina gradativa e hierarquicamente cada etapa da instrução”, porque “antes de prosseguir para uma etapa subsequente do ensino- aprendizagem, os objetivos em questão, de uma ou de outra forma, devem ter seu alcance assegurado” (HAYDT, 2002, apud TURRAS, 1975, p. 185-186). Nesse sentido, é por meio da avaliação formativa que o aluno percebe seus erros e acertos e aprende com os mesmos. O autor caracteriza esse tipo de avaliação como orientadora, pois orienta o trabalho do professor e o aprendizado do aluno, tirando o foco das fontes e causas do estresse que permeia a avaliação. Haydt (2002) liga, ainda, a avaliação formativa ao sistema de feedback que possibilita ao professor ajustar seu método, ou seja, indica que o professor deve rever seu sistema de mediação quando este se torna ineficiente. A avaliação, segundo o autor, deve servir como controle de qualidade. A avaliação somativa “tem a função classificatória”, ou seja, é realizada no fim do período ou ano letivo, como o intuito de observar se os alunos atingiram os objetivos propostos. Tem a função de promover – ou não – o aluno para a próxima etapa escolar (HAYDT, 2002). Somar significa fazer uma soma ou adicionar, ter uma soma ou apresentar, juntar quantidades, incluir e/ou fazer operações de soma (FERREIRA, 2010). No quadro a seguir, mostramos, de uma forma simples e clara, as funções e os propósitos das três modalidades de avaliação apresentadas. Quadro 2: Características das avaliações diagnóstica, formativa e somativa Modelos e funções da avaliação MODELOS FUNÇÃO PROPÓSITO (PARA QUE USAR) ÉPOCA (QUANDO APLICAR) Diagnóstica Diagnosticar Verificar a presença ou ausência de pré-requisitos para as novas aprendizagens. Detectar dificuldades específicas de aprendizagem, tentando identificar suas causas. Início do ano ou semestre letivos, ou no início de uma unidade de ensino. Formativa Controlar Constatar se os objetivos estabelecidos foram alcançados pelos alunos. Fornecer dados para aperfeiçoar o processo ensino- aprendizagem. Durante o ano letivo, isto é, ao longo do processo de ensino-aprendizagem. Somativa Classificar Classificar os resultados de aprendizagem alcançados pelos alunos, de acordo com níveis de aproveitamento estabelecidos. Ao final de um ano ou semestre letivos, ou ao final de uma unidade de ensino. Fonte: Haydt (2002, p. 19). Diante desse quadro, podemos dizer que, se unidos, os três modelos de avaliação apresentados poderiam dinamizar o sistema avaliativo das instituições de ensino, afastando as funções e o uso errôneos que os professores empregam à avaliação, assim como o fantasma do medo nos alunos. INÍCIO DO REFLITA Pensando nas funções das avaliações definidas, será que estamos de fato avaliando nossos alunos tendo em vista seu desenvolvimento ou aprendizagem? FIM DO REFLITA. Segundo Luckesi (2005, p. 35) Com a função classificatória, a avaliação constitui-se num instrumento estático e frenador do processo de crescimento; com a função diagnóstica, ao contrário, ela constitui-se num momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação, do crescimento para a autonomia, do crescimento para a competência etc. Como diagnóstica, ela será um momento dialético de “senso” do estágio em que se está e de sua distância em relação à perspectiva em que se está colocada como ponto a ser atingido à frente. A função classificatória subtrai da prática da avaliação aquilo que lhe é constitutivo: a obrigatoriedade da tomada de decisão quanto à ação, quanto ela está avaliando uma ação. Podemos perceber que a avaliação classificatória tem uma maior pretensão quanto a obtenção de médias ou notas, tanto para a aprovação quanto para a reprovação. Diante da forma com que os autores a veem, perguntamos o que é a avaliação afinal, qual o seu verdadeiro papel, será que as avaliações que aplicamos aos nossos alunos são realmente avaliações da aprendizagem escolar? Libâneo (1994, p. 196-197) entende que o processo avaliativo se dá em diferentes momentos do processo de ensino, sendo tarefas da avaliação a verificação, a qualificação e a apreciação qualitativa. A verificação é a coleta de dados sobre o aproveitamento dos alunos, tendo em vista o conteúdo sistemático, em provas, tarefas, exercícios, entrevistas e observação do desempenho. A qualificação consiste na comprovação de que os objetivos foram alcançados, analisando os resultados, se preciso e necessário atribui-se nota ou conceito. A apreciação qualitativa é a avaliação como a conhecemos, com notas e padrões esperados dos alunos. A partir das tarefas que a avaliação possui, ainda se atribui a ela três funções: pedagógico-didática, de diagnóstico e de controle (LIBÂNEO, 1994). Essas funções estão muito próximas da função da avaliação estabelecida por Haydt (2002). A função pedagógico-didática se refere ao processo avaliativo que cumpre os objetivos gerais e específicos do processo de ensino e de aprendizagem. Ao comprovar, por meio da avaliação, se o aluno aprendeu ou não, evidencia-se se a finalidade social do ensino, a preparação para o enfrentamento das exigências sociais, a inserção no processo global de transformação social e o acesso à cultura como meio para participação ativa na sociedade foram alcançados (LIBÂNEO, 1994). Ao mesmo tempo a função didático-pedagógica possibilita que o aluno seja mais responsável com relação aos seus estudos, assumindo-o como um dever social. Desta forma, com sua função didática a avaliação contribui para a fixação e assimilação dos conhecimentos, pois a correção dos erros possibilita o aprimoramento, a ampliação e aprofundamento de conhecimentos e habilidades e desenvolvendo suas competências (LIBÂNEO, 1994). A função diagnóstica, que possibilita que o professor acompanhe o progresso de seus alunos e sua atuação pedagógica, tornando possível que se modifique o processo de ensino e aprendizagem, é a mais importante, pois efetiva a função didático-pedagógica (LIBÂNEO, 1994). A avaliação diagnóstica ocorre no início, no meio e no fim dos conteúdos ou aulas. Ao iniciar, verifica-se quais são as condições que os alunos possuem para iniciar um novo conteúdo. Ou seja, é um momento de sondagem dos conhecimentos e experiências que os alunos já possuem e que servirão como pré-requisitos para a sequência didática. No meio do processo de ensino e de aprendizagem, é realizado o acompanhamento dos alunos para saber se houve evolução da aprendizagem.Esse momento também é propício para a correção de algumas falhas, se houver. Para o professor, esse é o momento de verificação do seu trabalho, de andamento da disciplina e adequação de métodos e recursos. Por fim, é preciso verificar os resultados finais da aprendizagem, o que ocorrerá ao final de um conteúdo, bimestre ou semestre. Essa avaliação, mesmo que final, também é importante para a verificação do processo de ensino e de aprendizagem (LIBÂNEO, 1994). A função de controle se refere aos meios e a frequência com que as avaliações são realizadas e a qualificação dos resultados escolares. Deve haver um controle contínuo no processo de interação entre professores e alunos, no decorrer das aulas e da realização de atividades que possibilitarão ao professor observar se os alunos estão desenvolvendo suas habilidades e competências. O controle parcial e final será realizado, desta forma, no final do bimestre, semestre ou do ano letivo, no caso das instituições que os possuem. Segundo Luckesi (2005, p.25) A função verdadeira da avaliação da aprendizagem escolar seria auxiliar a construção da aprendizagem satisfatória; porém, como ela está centralizada nas provas e exames, secundariza o significado do ensino e da aprendizagem como atividades significativas em si mesmas e superestima os exames. Ou seja, pedagogicamente, a avaliação da aprendizagem, na medida em que estiver polarizada pelos exames, não cumprirá a sua função de subsidiar a decisão da melhoria da aprendizagem. O autor discute um modelo de avaliação que prioriza a aprendizagem dos alunos, não o atual modelo de avaliação, que está em vigência nas escolas. Antunes (2003), em sua obra Avaliação da aprendizagem escolar, discute em quais competências os alunos deverão apresentar progresso depois de uma série de atividades escolares. Ele toma como referência de competência o conceito de Perrenoud (2009, p. 30), que a entende como “a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos – como as inteligências, saberes, habilidades e informações – para solucionar com pertinência e eficácia um conjunto de situações”. Tomando o conceito como referência, segundo Antunes (2003, p. 24-26, grifos no original), cabe aos alunos trabalhar para: a) Dominar plenamente a leitura e a escrita; b) Dominar a propriedade de fazer contas e, progressivamente, ir superando desafios lógico-matemáticos mais amplos e resolvendo problemas mais complexos; c) Perceber e compreender seu entorno social, sendo capaz de atuar sobre ele; d) Usar com propriedade, eficácia e pertinência habilidades operatórias, como analisar, comparar, classificar, deduzir, criticar, sintetizar, interpretar dados, fatos e situações; e) Compreender de maneira crítica os meios de comunicação, não se deixando manipular como consumidor e como cidadão; f) Planejar, trabalhar, selecionar metas e resolver problemas em grupo, definindo estratégias e métodos; g) Localizar, acessar e usar a informação acumulada. Ao avaliar por meio desse referencial, podemos perceber a diferença entre como se avalia nas escolas, quantitativamente, e uma avaliação que visa o progresso do aluno quanto às competências, habilidades, capacidades e inteligências. Ou seja, a avaliação tem de ser aplicada com o objetivo de aferir o desenvolvimento dos educandos. INÍCIO DO SAIBA MAIS Para saber mais sobre os processos de avaliação escolar, sugiro a leitura das obras publicadas por Celso Antunes, em especial a Avaliação da aprendizagem escolar, que apresenta de forma simples dicas, sugestões, soluções, estratégias de avaliação e modelos concretos para que os professores possam se atualizar. Fonte: Elaborado pela autora (2018). FIM DO SAIBA MAIS. Libâneo (1994) tece uma crítica à prática avaliativa em nossas escolas, pois ela se resumiu à função de controle, classificando os alunos de forma quantitativa por meio das notas que obtêm nas provas. Nesse sentido, os professores não têm conseguido utilizar as avaliações como um procedimento que visa atender a função educativa e formativa de seus alunos. Devemos, portanto, entender que a avaliação consiste em considerar os aspectos qualitativos e quantitativos. A escola possui uma função social, que é a de introduzir crianças e jovens no mundo da cultura e do trabalho. Isso será possível por meio das ações pedagógicas que o professor desenvolve em sala de aula, levando em consideração a organização do ensino e o desenvolvimento autônomo e independente dos alunos. FIM DO TÓPICO 2. INÍCIO DO TÓPICO 3 3. ASPECTOS PEDAGÓGICOS E PSICOLÓGICOS DA AVALIAÇÃO A avaliação consiste em uma tarefa necessária e permanente no trabalho do professor, o qual acompanha e orienta passo a passo o processo de ensino e de aprendizagem. Por meio da avaliação, os resultados que vão sendo obtidos por meio do trabalho conjunto de professor e alunos são comparados com os objetivos propostos para a aprendizagem, a fim de constatar progressos ou dificuldades e reorientar o trabalho pedagógico, se necessário (LIBÂNEO, 1994). Nesse sentido, podemos dizer que a avaliação é uma reflexão sobre o nível do trabalho escolar tanto de professores quanto de alunos. A avaliação é uma tarefa complexa, que não deve se resumir a provas e atribuição de notas (LIBÂNEO, 1994). A dimensão pedagógica da avaliação é entendida como aquela que implica diretamente no processo de ensino e de aprendizagem, com suas características, intencionalidade consciente e sistematização. Compreendemos que o trabalho do professor com seus alunos passa necessariamente por uma organização metodológica, com objetivos a serem atingidos, conteúdos a serem trabalhados e um processo de avaliação de resultados (BARLOW, 2006). Na discussão do que é real e o que é ideal à prática pedagógica em avaliação, ficamos com o conceito de Luckesi (2005, p. 33), que estipula que a “avaliação é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão a partir de um critério”. Luckesi (2005), em sua obra intitulada Avaliação sobre a aprendizagem escolar, discute avaliação sob vários olhares, tomando como ponto de partida seu conceito sobre a mesma. Em seu primeiro capítulo, apresenta um conjunto de observações sobre avaliação sob as visões da promoção, dos professores, dos pais, do fetiche e do medo, que transformam a avaliação em um instrumento dotado de conotações negativas: Promoção: o educando tem sua atenção na promoção, ou seja, em “passar para o próximo ano”, ser promovido para a próxima etapa escolar. Nesse contexto, não são levados em consideração os objetivos da aprendizagem, o desenvolvimento de habilidades e competências e a função social da escola. Professores: utilizam a avaliação como instrumento de ameaça, de controle sobre a turma, ou apenas sobre os indisciplinados. O professor tenta promover a avaliação como motivadora da aprendizagem. A partir desse olhar – que muitos professores possuem – a avaliação torna-se um único momento no final de um conteúdo, bimestre ou ano letivo, e visa apenas a função somativa e a promoção ou não do aluno. Pais: estão focados nas notas dos seus filhos e na promoção dos mesmos para a próxima etapa escolar. Assim, desconsidera-se o processo educativo, que é complexo e exige apoio da família. Fetiche: Segundo Luckesi (2005, p. 23), “as provas e exames são realizados conforme o interesse dos professores ou do sistema de ensino”, ou seja, estão ganhando independência da relação professor e aluno. Mais do que uma oportunidade de aprendizagem significativa, a avaliação é uma oportunidade de prova da resistência dos alunos aos ataques do professor. As avaliações são realizadas e as notas atribuídas como se não tivessem relação com o processo de aprendizagem. As notas, dessa forma, revelam por meio denúmeros a aprendizagem bem ou malsucedida dos alunos. Medo: é um fator de controle social, utilizado pelo Estado, pela Igreja e pela escola (LUCKESI, 2005). O medo não só produz uma personalidade que é submissa em comportamentos e hábitos, mas também conduz doenças respiratórias e gástricas, por exemplo, resultado de diversos tipos de estresse. Partindo da visão de Luckesi (2005) sobre a avaliação, é preciso ter conhecimento de que não podemos reproduzir em nossos alunos os mesmos medos e consequências que em nós foram um dia causados devido ao processo avaliativo. Dessa forma, compreender a avaliação e suas funções se faz necessário para que tenhamos uma prática pedagógica consistente com a teoria escolhida e praticada nas escolas. As consequências pedagógicas da avaliação são, segundo Luckesi (2005, p. 25): A função verdadeira da avaliação da aprendizagem seria auxiliar a construção da aprendizagem satisfatória: porém, como ela está centralizada nas provas e exames, secundarizadas o significado do ensino e da aprendizagem como atividades significativas a si mesmas e superestima os exames. Ou seja, pedagogicamente, a avaliação da aprendizagem, na medida em que se estiver polarizada pelos exames, não cumprirá a sua função de subsidiar a decisão da melhoria da aprendizagem. Para que este tipo de situação não seja recorrente no processo de ensino e de aprendizagem, é preciso que os objetivos e a avaliação estejam intrinsecamente ligados, uma vez que o processo avaliativo consiste em determinar em que medidas os objetivos previstos estão sendo alcançados (HAYDT, 2002). Os objetivos constituem o norte do processo de ensino e de aprendizagem; diante disso, podemos afirmar que é imprescindível a definição dos objetivos diante do processo de ensino e de aprendizagem, mas principalmente diante da avaliação. A avaliação, para ser considerada válida, deve ser realizada em função dos objetivos previstos, pois, do contrário, o professor poderá obter muitos dados isolados, mas de pouco valor para determinar o que cada aluno realmente aprendeu. É a partir da formulação dos objetivos, que vão nortear o processo de ensino- aprendizagem, que se define o que e como julgar, ou seja, o que e como avaliar. É por isso que normalmente se diz que o processo de avaliação começa com a definição dos objetivos (HAYDT, 2002, p. 35). Os objetivos precedem a avaliação, pois os mesmos norteiam a caminhada do professor, tornando a avaliação um processo natural, não um instrumento de medição, moeda de troca ou punição. Diante disso, entendemos que os objetivos de aprendizagem são essenciais, tendo em vista que são eles que indicarão o que o aluno deverá ser capaz de fazer como consequência da compreensão de um conteúdo e realização das atividades de fixação. Ou seja, os objetivos definirão as habilidades e competências que devem ser desenvolvidas pelos alunos. 3.1 Critérios de avaliação O planejamento da avaliação na educação deverá ser guiado pelos aspectos que envolvem o processo de ensino e de aprendizagem dos alunos. O discente deverá ser avaliado com relação ao seu crescimento, sua busca pelo fortalecimento do conhecimento. Em qualquer nível ou modalidade de ensino, o processo de avaliação deverá ser bem planejado, uma vez que todas as possíveis situações com relação aos alunos, material didático, professores ou componentes ambientais necessitam ser previstas e/ou antecipadas (SANTANA PINTO, 2009). A avaliação pode ser definida como a aplicação sistemática de procedimentos metodológicos para determinar, a partir dos objetivos propostos e com base em critérios internos e/ou externos, a relevância, a efetividade e o impacto de determinadas atividades com a finalidade de tomada de decisão (SANTANA PINTO, 2009, p. 4). Ao utilizarmos qualquer um dos instrumentos para avaliar os alunos, é preciso especificar o objetivo da avaliação, utilizando sempre linguagem clara. Dessa forma, o aluno terá condições de responder exatamente o que está sendo pedido, evitando, assim, ruídos na comunicação. Para que a avaliação possa ser contínua, mediadora e processual, ela deve ser elaborada levando em consideração os objetivos propostos na disciplina e no curso ofertado. Nesse sentido, o professor é quem avalia, mas os critérios devem estar claros para os alunos, conforme mostra o esquema abaixo: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: A figura 1 apresenta os “critérios de avaliação”. Em sua parte superior, encontramos um esquema representado por 5 retângulos, dispostos da esquerda para a direita. No primeiro retângulo encontramos o termo “professor avalia o aluno”. Dele surge uma reta direcionada ao segundo retângulo denominado de “obtém o resultado”, deste é originado 3 setas que direcionam-se para as três subdivisões, sendo elas “as competências foram atingidas”, “não ajusta-as” e a última denominada de “desenvolve estratégias”. A segunda parte do esquema encontra-se abaixo da descrita anteriormente. Este está disposto em 9 retângulos. O primeiro dele é denominado de critérios de avaliação. Desse se originam-se 3 retas que se ligam à 3 retângulos, são eles: Participação; Conhecimento demonstrado nas participações; Participações nas atividades. Deste surge mais 3 subdivisões, são elas: Pontualidade na realização das atividades; Colaboração e Correção. Da subdivisão chamada correção, origina-se dois retângulos que representam: Criatividade e interação com outros alunos. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. Cada sistema de ensino estabelece os seus critérios de avaliação de acordo com a legislação vigente, ou seja, de acordo com aquilo que se espera do aluno ao final de um nível de ensino. No entanto, é possível afirmar, que de forma geral, os critérios são estabelecidos de acordo com os seguintes itens: responsabilidade, cooperação, participação e autonomia. Eles envolvem processos menores como: INÍCIO DA DESCRIÇÃO DA FIGURA Descrição: A figura apresenta uma lista com dez itens, cada item apresenta um desenho com um significado ao lado, de cima para baixo temos. Relógio: Pontualidade Papel pautado: Organização quanto aos materiais e aos trabalhos Lápis: cumprimentos dos prazos estabelecidos. Livro: Porte dos materiais necessários para o desenvolvimento da aula. Estrela: Cumprimento das tarefas referentes às atividades estudadas. Símbolo de materiais reciclados: Cuidado com o material didático. Casa: Cumprimento das normas de funcionamento da instituição escolar. Caixa de diálogo: Desenvolvimento de sentido crítico. Avatar de um homem: desenvolvimento de autonomia. Globo terrestre: Capacidade de mudança a partir do conhecimento. FIM DA DESCRIÇÃO DA FIGURA. FIM DO TÓPICO 3. INÍCIO DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), nesta unidade discutimos o processo de avaliação escolar. Se acreditamos em um processo pedagógico que tenha o aluno como parte integrante e ativa da construção de seu conhecimento e o professor como mediador do processo de ensino e de aprendizagem, não podemos ter uma avaliação com caráter tradicional. Assim, devemos adotar os três modelos de avaliação em nossas práticas, a fim de que o processo avaliativo leve em consideração todas as etapas da educação escolar, desde o momento de preparação das aulas e levantamento do conhecimento prévio dos alunos, passando pelo processo de ensino e de aprendizagem, com a exploração dos conteúdos e atividades, até o momento de finalização das mesmas, quando o aluno já terá compreendido e conseguirá aplicar o novo conhecimento na prática. É preciso destacar que a avaliação escolar avalia tanto o aluno quanto o professor. O aluno deve ser avaliado em todos os momentos e aspectos, dessa forma, entendemos a avaliação como um processo contínuo na prática pedagógica. O professor também é avaliado pelo emprego de recursos, procedimentos e métodos, e pela sensibilidadepara ver que o caminho tomado não está levando os alunos a compreender os conteúdos propostos. Deve, portanto, tomar a decisão de romper com o curso e seguir por outro caminho. A prática docente é cheia de construção e reconstrução. Isso deve se refletir na avaliação, pois ela não deve ser empregada como parte final do processo. É, pelo contrário, uma possibilidade de avaliação da prática para uma tomada de decisão, sempre levando em consideração o processo de ensino e aprendizagem, a função social da escola e o desenvolvimento das competências e habilidades de nossos alunos. Esperamos que você, caro(a) aluno(a), ao final deste estudo, tenha compreendido a importância da Didática para a sua formação profissional e que possa usufruir desses conhecimentos em sua prática. FIM DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS. INÍCIO DAS ATIVIDADES DE ESTUDO 1. Segundo Ferreira (2010, p. 1) avaliação significa avaliar, estimar a qualidade ou competência de alguém, valoração de bens por um avaliador. Diante disso, leia as assertivas e assinale a correta com relação ao conceito de avaliação. I – Para Luckesi (2005), a avaliação é um julgamento de valor sobre as ações, partindo de um critério estabelecido. II – Scriven (1978), concorda com a avaliação que compara e classifica os alunos de acordo com o seu desempenho. III – Para Perrenoud (1999), os alunos são avaliados e classificados de acordo com a norma de excelência. IV – Stuffebeam (1971), apresenta um tipo de avaliação que expressa flexibilização, pois possui como objetivo delinear, obter e fornecer informações. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) I, III e IV apenas. c) I, II e IV, apenas. d) II, III e IV, apenas. e) l, ll, lll e lV. 2. Luckesi (2005), em sua obra intitulada Avaliação sobre a aprendizagem escolar, discute a avaliação sob vários olhares. Diante disso, leia e assinale a alternativa correta com relação aos aspectos pedagógicos e psicológicos das avaliações escolares e seus objetivos: I – A avaliação no contexto escolar é vista como uma etapa do processo de ensino e de aprendizagem, nunca como apenas um processo de promoção. II – Os pais veem a avaliação como uma etapa a ser cumprida antes da progressão para a próxima série. III – Os professores veem a avaliação como instrumento de controle e ameaça. IV – O medo no processo avaliativo é tido como parte do controle social, utilizado pela igreja, pelo Estado e pela escola. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) I, III e IV, apenas. c) I, II e IV, apenas d) II, III e IV, apenas. e) l, ll, lll e lV. 3. Segundo Haydt (2002), quando o assunto é avaliar temos três funções, sendo elas: diagnosticar; controlar; e classificar. Diante disso, leia as assertivas e considere V para as verdadeiras e F para as falsas com relação a avaliação diagnóstica, somativa e formativa. I – A avaliação diagnóstica possui como função fornecer os dados para aperfeiçoar o processo de ensino e de aprendizagem. II – A avaliação formativa possui como objetivo constatar se os objetivos que foram estabelecidos foram alcançados pelos alunos. III – A avaliação formativa possui como função classificar os resultados de aprendizagem alcançados pelos alunos, de acordo com níveis de aproveitamento estabelecidos. IV – As três avaliações juntas podem dinamizar o processo de avaliação escolar, que muitas vezes cai no uso errôneo. As afirmações I, II, III e IV são, respectivamente: a) V, V, V, F. b) F, V, F, V. c) F, V, V, F. d) F, V, V, V. e) V, V, V, V. 4. Luckesi (2005) define avaliação como o processo de avaliação qualitativa sobre os dados relevantes oriundos do processo de ensino e de aprendizagem, que auxilia o professor na tomada de decisão sobre o seu trabalho realizado. O resultado dessa prática deve ser a análise dos dados, que permite ao professor decidir o que deverá ser feito em seguida: retomada dos conteúdos, reorientação do processo de ensino e de aprendizagem ou continuação e inserção de novos conteúdos. A partir disso, leia e analise as afirmativas que seguem: I – A avaliação é vista por muitos como forma de controle e retenção dos conteúdos. Avalia-se o que o aluno foi capaz de memorizar e não o que de fato aprendeu e poderá aplicar nas situações práticas. II – Os resultados das avaliações devem ser encarados como resultados de uma situação didática, na qual professor e alunos estão empenhados em atingir o objetivo do ensino, que é a aprendizagem. III – Muitas avaliações não possuem relação com o que foi ensinado em sala de aula, ou seja, o professor ensina de uma forma e na prova propõe questões que não se relacionam com a forma que os conteúdos foram ensinados. IV – As avaliações são empregadas na prática escolar conforme a definição de Luckesi (2005), ou seja, levando em consideração o processo de ensino e de aprendizagem e as situações didáticas vivenciadas. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) I, III e IV, apenas. c) I, II e IV, apenas. d) II, III e IV, apenas e) l, ll, lll e lV. 5. Na última unidade do nosso livro da disciplina de Didática, discutimos sobre a avaliação escolar, e apesar da mesma ser um processo de apreciação qualitativa sobre os dados relevantes do processo de ensino e de aprendizagem, Gil (2009) nos revela que nem sempre as escolas a encaram dessa forma. Neste sentido, disserte: a) Qual a função da avaliação diagnóstica? b) Levando em consideração que se trata de um processo de apreciação qualitativa sobre os dados relevantes do processo de ensino e de aprendizagem, por que é tão importante avaliar os alunos? FIM DAS ATIVIDADES DE ESTUDO. INÍCIO DA LEITURA COMPLEMENTAR Avaliação escolar O que fazemos com os alunos que não vão bem no processo de avaliação? Quais ações temos tomado frente aos resultados das avaliações? Estes são questionamentos que todos os professores deveriam fazer no decorrer de todo o processo de ensino e aprendizagem, não somente na hora da avaliação. Considerando que o dia a dia dos alunos na escola é repleto de atividades organizadas pelos professores, questões como a gestão do tempo e do espaço tornam-se desafios. Pode ser complexo organizar atividades como brincar, se alimentar, ir ao parque, ao pátio, e também desenvolver atividades pedagógicas, resolver problemas matemáticos e compreender os conteúdos das diversas disciplinas levando em consideração o desenvolvimento dos educandos (NONO, 2011). Barbosa e Horn (2001) destacam a importância de uma sequência nas atividades diárias dos alunos, de forma que se priorize o desenvolvimento das atividades que mais gostam, a fim de que os alunos se desenvolvam. Pontuam, também, que a rotina no ambiente escolar é muito importante, uma vez que os alunos se habituam à organização e ao desenvolvimento das atividades de acordo com a sequência estabelecida pelos professores. Horn (2004, p, 15) pontua que “o olhar de um educador atento é sensível a todos os elementos que estão postos em uma sala de aula. O modo como organizamos materiais e móveis, e a forma como crianças e adultos ocupam esse espaço e como interagem com ele são reveladores de uma concepção pedagógica”. A autora destaca que é frequentemente encontrada nas escolas uma pobreza nos materiais, nas cores, nos aromas, em todo no ambiente escolar, espaço onde as crianças poderiam se desenvolver melhor se “fosse mais bem organizado e mais rico em desafios”. Essa percepção se aplica a todos os ambientes escolares, de qualquer nível ou modalidade de ensino. Vale também ressaltar a importância da sequência didática no desenvolvimento das atividades, uma vez que ela garantirá que os alunos possam entender o conteúdo e desenvolvê-lo com máximo aproveitamento. Diante disso, é possível concluir que o professor é peça chave nesseprocesso, pois cabe a ele planejar, garantindo que o tempo, o espaço e a sequência sejam contemplados, visando sempre o desenvolvimento do aluno. Seguindo essa organização, o processo avaliativo será natural dentro do contexto pedagógico. Fonte: a autora (2018). FIM DA LEITURA COMPLEMENTAR. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – LIVRO Capa do livro: Título: Avaliação da aprendizagem escolar – estudos e preposições Autor: Cipriano Carlos Luckesi Editora: Editora Cortez Sinopse: este livro destina-se a educadores, assim como a alunos dos cursos de Pedagogia e Licenciaturas. Nele são encontrados estudos críticos sobre avaliação da aprendizagem escolar, bem como proposições para de torná-la mais viável e construtiva. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - LIVRO. INÍCIO DO MATERIAL COMPLEMENTAR – FILME Pôster do filme: Título: Pro dia nascer feliz Ano: 2006 Sinopse: trata-se de um diário de observação da vida de adolescentes no Brasil em escolas públicas e particulares de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. O documentário flagra as angústias e inquietações dos alunos e como eles se relacionam no ambiente fundamental para sua formação. FIM DO MATERIAL COMPLEMENTAR - FILME. INÍCIO DAS REFERÊNCIAS ANTUNES, C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. São Paulo: Cortez, 2003. BARLOW, M. Avaliação escolar: mitos e realidades. Porto Alegre: Artmed, 2006. FERREIRA, A. B. H. Mini Aurélio: o dicionário da língua portuguesa. 8 ed. Curitiba: Positivo, 2010. FERREIRA, L. M. S. Retratos da avaliação: conflitos, desvirtuamentos e caminhos para a superação. 3 ed. Porto Alegre: Mediação, 2009. HAYDT, R. C. Avaliação do processo de ensino-aprendizagem. São Paulo: Ática, 2002. GASPARIN, J. L. Avaliação na perspectiva histórico-crítica. X Congresso Nacional de Educação – EDUCERE. Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 2011, p. 1973-1984. LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 2005. PERRENOUD, P. Avaliação da excelência à regulação das aprendizagens: entre duas lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999. RABELO, E. H. Avaliação: novos tempos, novas práticas. Petrópolis: Vozes, 2003. SANTANA PINTO, I. M. B. Avaliação da aprendizagem. Ceará: CIAED, 2009. SCRIVEN, M.; STUFFLEBEAM, D. Avaliação educacional II: perspectivas, procedimentos e alternativas. Petrópolis: Vozes, 1978. TYLER, R. W. Princípios básicos de currículo e ensino. Tradução de Leonel Vallandro. Porto Alegre: Globo, 1975. FIM DAS REFERÊNCIAS. INÍCIO DO GABARITO 1 - Alternativa correta é a B. 2 - Alternativa correta é a D. 3 - Alternativa correta é a D. 4 - Alternativa correta é a A. 5 - Sugestão de resposta: Outra função da avaliação destacada por nosso autor e a de identificar progressos e dificuldades dos alunos e dos professores. Essa função é conhecida como diagnóstica e, segundo Libâneo: Na prática escolar cotidiana, a função diagnóstica da avaliação e a mais importante porque é a que possibilita a avaliação do cumprimento da função pedagógico-didática e a que dá novo sentido a função de controle (2008, p. 197):. A avaliação diagnóstica ocorre no início, durante e ao final do desenvolvimento das aulas e conteúdos. Como podemos perceber por meio das palavras do autor, a avaliação diagnóstica ocorre em todo o processo de ensino e em diversas etapas. Na etapa inicial, sua função e a de verificar os conhecimentos e experiências já disponíveis. Esses dados serão utilizados pelo professor como pré-requisitos para a sequência ideal dos conteúdos. Durante o processo de ensino, os alunos são avaliados com o objetivo de acompanhar seus progressos, corrigir as falhas, esclarecer dúvidas e estimular a aprendizagem. Ao mesmo tempo, essa avaliação fornece preciosas informações a respeito de como o professor está conduzindo seu trabalho. É possível verificar se o ritmo do conteúdo está adequado ao ritmo de aprendizagem dos alunos, se os métodos e técnicas utilizados estão de acordo com os objetivos elencados, se os materiais escolhidos estão de acordo com o nível de compreensão e linguagem dos alunos etc. E, finalmente, a avaliação realizada ao final do conteúdo tem como objetivo específico verificar a aprendizagem da matéria ou conteúdo. Mediante as constantes avaliações, notamos que, aos poucos, temos maior controle das situações que envolvem o processo de ensino. Esse controle permite ao professor observar como os alunos estão se saindo na assimilação de novos conhecimentos e de novas habilidades. Nesse caso, a atribuição de notas não é necessária, pois a finalidade é a de fornecer informações relevantes para o professor. FIM DO GABARITO. FIM DA UNIDADE V. INÍCIO DA CONCLUSÃO GERAL Caro(a) aluno(a), chegamos ao final de mais uma disciplina! Esperamos que os conhecimentos aqui obtidos sejam significativos para sua práxis docente, tornando seu processo de ensino mais facilitador, resultando na aprendizagem de qualidade a que todos têm direito, bem como no desenvolvimento pleno de seu aluno, seja em ambientes formais ou não formais de aprendizagem. Lembramos que, em todo processo de ensino, há um professor e um aluno. Ao findar as discussões sobre a Didática, esperamos que você tenha compreendido a importância dessa ciência para sua formação. Tivemos como objetivo, neste estudo, refletir sobre o processo de ensino e de aprendizagem historicamente construídos, a fim de que você compreenda como as formas de ensino estão presentes na sociedade atual. Cada período histórico exige da sociedade um Homem que supra as necessidades de seu contexto (econômico, político, entre outros aspectos). A educação, nesse ínterim, ajuda na formação desse sujeito. Esperamos que você, caro(a) aluno(a), possa ver a escola como instituição que possui uma função social. Mais que ensinar as ciências de forma vertical, deve levar o sujeito à emancipação humana, o que somente acontece quando o próprio aprendiz vê significado nos conteúdos, de forma que se aproprie dos mesmos, transforme-os em novos conhecimentos e os utilize para sua atuação na sociedade. Para tanto, devemos ter domínio dos processos de ensino, das estratégias e a clareza dos objetivos que temos com a educação em diferentes âmbitos. Acreditamos que a formação Didática é essencial para professores, pois ela nos dá as bases pedagógicas necessárias para compreendermos as metodologias e sabermos aplicá-las, tornando nossas aulas dinâmicas, facilitadoras, eficientes e eficazes. Isto, caro(a) aluno(a), é o que nossa sociedade precisa: professores bem formados, alunos que dominem o saber e que ajudem a construir uma sociedade mais funcional para todos. FIM DA CONCLUSÃO GERAL. INÍCIO DO GLOSSÁRIO COMPETÊNCIA Capacidade teórica e/ou prática para fazer algo a partir de um conjunto de habilidades. Exemplo: competência para compreender o contexto social, partindo da habilidade de análise. CONTEÚDO Unidade temática a ser trabalhada e que compõe uma disciplina. Exemplos: gramática, trigonometria, arte barroca, dança e movimento, antiguidade, relevo, entre outras. CURRÍCULO Consiste no documento que expressa os conteúdos a serem ensinados. Dentro do currículo os conteúdos são organizados por etapas do ensino, disciplinas e grau de aprofundamento. DIDÁTICA Estudo dos processos de ensino e seus componentes. DIRETRIZES Orientações que definem e regulamentam as ações que devem ser tomadas. DISCIPLINA O conjunto de conteúdos de determinada área científica. Exemplos: português, matemática, história, geografia, educação física, artes etc. HABILIDADE Recurso cognitivo que auxilia no desenvolvimento de determinadas atividades. Exemplos: atenção, memória, criatividade, entre outras. MÉTODO Conjunto de procedimentos.No caso dos procedimentos escolares podem se referir ao ensino ou estudo. Exemplos: método de ensino - exposição visual do conteúdo. Método de aprendizagem - leitura e reprodução escrita do conteúdo. METODOLOGIA Estudo da aplicação dos métodos, ou seja, se são possíveis, se há aplicabilidade dos métodos. A metodologia é o caminho teórico pelo qual o método se efetiva na prática. Exemplo: metodologia histórico-cultural, na qual o indivíduo aprende por meio da interação com os objetos e com o meio. PLANEJAMENTO Processo reflexivo de organização de uma ação, o que implica na construção do caminho que será percorrido. Isso implica na elaboração de um plano e de um projeto. PLANO Se o planejamento é a tomada de decisão da ação, o plano é o processo de efetivação dessa ação. É um registro escrito, um documento ou outros elementos que ajudam a sistematizar a ação. PLANO ANUAL Documento que expressa a forma de organização da escola quanto aos programas e as atividades que serão desenvolvidas ao longo do ano em âmbito institucional por todos os seus agentes. PLANO DE AULA Documento que estabelece as atividades que serão realizadas em uma aula ou em um conjunto de aulas, a fim de que o professor trabalhe os conteúdos em tempo hábil, por meio de recursos que promovam a facilitação do ensino e da aprendizagem de qualidade. Esse plano é específico para cada professor. PRÁXIS União indissociável entre teoria e prática. PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO Documento que expressa a proposta pedagógica da escola. Ele é construído de forma democrática, ou seja, com a participação da equipe pedagógica, da comunidade escolar, dos pais e dos alunos, quando possível. Nesse documento as responsabilidades são assumidas para que o objetivo social da escola seja alcançado. Forma-se a identidade da instituição. TENDÊNCIA PEDAGÓGICA Teoria que propõe caminhos que podem ser seguidos pela escola com finalidades aos processos de ensino e de aprendizagem. FIM DO GLOSSÁRIO.