Orçamento Público Municipal
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Orçamento Público Municipal


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o que é o orçamento público 
municipal
Reflexões e subisídios para a participação do cidadão
Capítulo 1 - o que é \u201corçamento\u201d?
um passeio pelos marcos históricos do brasil
Capítulo 2 - O que é ciclo orçamentário
Capítulo 3 - Como se faz o ppa?
Capítulo 4 - O que é gestão participativa?
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Sumário
PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA
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Apresentação
Este material compõe as produções voltadas ao Programa de Formação Continuada do Município de 
Contagem, coordenado pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com a Secretria Municipal 
de Direitos Humanos e Cidadania. O conjunto de textos disponibilizados se vinculam aos cursos e te-
mas voltados para as Lideranças Sociais e Conselheiros Municipais, cujo objetivo central é o fortaleci-
mento da cidadania e o aumento da capacidade do cidadão de Contagem para se organizar em seus 
locais de moradia e controlar as políticas públicas (educação, obras, assistência social, saúde e tantas 
outras) do município.
Esta publicação específica tem como tema central o orçamento público municipal. O objetivo desse 
material é oferecer informações que fortaleçam a atuação tanto dos conselhos de gestão pública 
quanto de todos os cidadãos de Contagem. Compreender como funciona o orçamento público mu-
nicipal é fundamental para que o cidadão possa participar da construção do município com voz ativa.
No orçamento público municipal estão definidos como, quando e onde os recursos do município 
serão aplicados. Por isso, mais do que um material informativo, esse caderno quer se fazer um instru-
mento para a participação popular e para a construção de uma cidade mais justa, mais participativa e 
mais igualitária. Portanto, democratizar o conhecimento é passo fundamental para envolver a popu-
lação na discussão e decisão sobre os investimentos e serviços prioritários para o município de Conta-
gem. A cidadania assim se faz antes com a garantia do direito a ter direitos.
Boa leitura!
o que é orçamento público municipal?
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o que é \u201corçamento\u201d?
um passeio pelos marcos históricos do Brasil
PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA
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CONHECENDO A HISTÓRIA DO ORÇAMENTO NO BRASIL
O orçamento municipal é elaborado pelo governo, pelo Execu-
tivo Municipal (pelo Prefeito e seus secretários e dirigentes de cada 
órgão municipal).
Ele pode ou não ser discutido com a população já que a lei não 
obriga o Prefeito a fazer a discussão aberta.
Depois de elaborado, ele é enviado para a Câmara Municipal. São 
os vereadores que discutem e aprovam, votando a lei orçamentária. 
Portanto, o orçamento municipal é uma lei aprovada pelos verea-
dores.
Podemos, então, fazer um resumo geral sobre algumas infor-
mações do orçamento:
\u2022 Ele é elaborado pelo Prefeito e seus secretários de governo;
\u2022 Ele pode contar com a participação da população para sua elaboração, desde que o governo 
municipal deseje;
\u2022 Ele é aprovado pelos vereadores;
\u2022 Ele planeja o dinheiro que será aplicado em ações, compras e pagamentos divididos em recei-
tas e despesas (gastos de manutenção e investimentos);
\u2022 Há prazos definidos na sua elaboração.
Basicamente, orçamento é o cálculo de quanto e quando se recebe, e de quanto e com o que será 
gasto.
Sua origem no Brasil remonta aos tempos do Império, quando a Constituição de 1824 tornou obrig-
atória a elaboração formal de orçamento por parte de todos os órgãos que faziam parte do Império. 
Na história brasileira, o caminho até a institucionalização dessa obrigatoriedade na elaboração orça-
mentária apresenta vários episódios que demonstram o descontentamento dos cidadãos em relação 
à cobrança de impostos sem o respeito aos princípios da legalidade e do consentimento. Dentre os 
exemplos está a Revolta de Felipe dos Santos, em 1720; a Inconfidência Mineira, em 1789; a Revolta 
Farroupilha, em 1820; a Revolta do Quebra-Quilo, em 1896.
A organização das finanças no Brasil começou a acontecer após a vinda de D. João VI. A abertura dos 
portos, com a consequente criação de tributos aduaneiros, gerou a necessidade de se criar em 1808 
um órgão responsável pela administração das contas; este órgão foi denominado de Erário Régio, 
conhecido também como Erário Público ou Tesouro Público, em 1808. Posteriormente, este órgão deu 
origem ao que atualmente se denomina de Ministério da Fazenda e ao Tribunal de Contas da União. A 
determinação imperial de que as contas públicas deveriam ser apreciadas por um Tribunal, chamado 
de Tesouro Nacional está expressa nos artigos 170 e 172 da Constituição Brasileira de 1824:
Art. 170. A Receita, e despeza da Fazenda Nacional será encarregada a um Tribu-
nal, debaixo de nome de \u2018Thesouro Nacional\u201d aonde em diversas Estações, devida-
mente estabelecidas por Lei, se regulará a sua administração, arrecadação e con-
tabilidade, em recíproca correspondência com as Thesourarias, e Autoridades das 
Províncias do Império.
Kaká Santos
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Retângulo
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o que é orçamento público municipal?
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Art. 172. O Ministro de Estado da Fazenda, havendo recebido dos outros Ministros 
os orçamentos relativos às despezas das suas Repartições, apresentará na Câmara 
dos Deputados annualmente, logo que esta estiver reunida, um Balanço geral da 
receita e despeza do Thesouro Nacional do ano antecedente, e igualmente o or-
çamento geral de todas as despezas publicas do anno futuro, e da importancia de 
todas as contribuições, e rendas públicas.
Observa-se com esses termos que na Constituição de 1824, era de responsabilidade do Executivo a 
elaboração do orçamento, e a aprovação cabia à Assembleia Geral (Câmara dos Deputados e Senado). 
A Câmara dos Deputados, por sua vez, possuía a exclusividade para propor a iniciativa pela criação de 
leis relacionadas a impostos. A partir da Constituição de 1891, a elaboração do orçamento passou a 
ser privativa do Congresso Nacional. Foi nesse período também que se instituiu um Tribunal de Contas 
para auxiliar o Congresso no controle de gastos (art. 39). A iniciativa da lei orçamentária ficou a cargo 
da Câmara, mas, conforme Arizio Viana, em seu livro Orçamento Brasileiro (1986) \u201csempre partiu do 
gabinete do ministro da Fazenda que, mediante entendimentos reservados e extraoficiais, orientava 
a comissão parlamentar de finanças na elaboração da lei orçamentária\u201d.
No período do regime autoritário do Estado Novo, a constituição de 1937 determinava que a propos-
ta orçamentária fosse elaborada por um Departamento Administrativo junto à Presidência da Repúbli-
ca e votada pela Câmara dos Deputados e pelo Conselho Federal (uma espécie de Senado com dez 
membros nomeados pelo Presidente da República, criado em 1936). Todavia, este Conselho Federal 
acabou não sendo efetivamente instalado de modo que o orçamento acabava sempre sendo elabo-
rado e decretado pelo Executivo.
Em 1964, é criado através de decreto o cargo de Ministro Extraordinário do Planejamento e Co-
ordenação Econômica, tendo entre as atribuições a função de coordenar a elaboração e a execução 
do Orçamento Geral da União e dos orçamentos dos órgãos e entidades patrocinadas pela União, 
harmonizando-os com o plano nacional de desenvolvimento econômico. A Lei nº 4.320 que traçou os 
princípios orçamentários no Brasil foi formulada também em 1964. Apesar das alterações que essa Lei 
sofreu ao longo desses anos, esta é, ainda hoje, a principal diretriz para a elaboração do Orçamento 
Geral da União. O artigo 2º da referida lei estabelece pela primeira vez os princípios da transparência 
orçamentária:
Art. 2° A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma 
a evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do Govêr-
no, obedecidos os princípios de unidade universalidade e anualidade.
§ 1° Integrarão a Lei de Orçamento:
I - Sumário geral da receita por fontes e da despesa por funções do Govêrno;
II - Quadro demonstrativo da Receita e Despesa