Logo Passei Direto
Buscar

Teoria Geral da Investigação e Perícia

Livro didático sobre teoria geral da investigação e perícia. Apresenta noções básicas, investigação científica e criminal, fundamentos e garantismo penal, diferenciação de conceitos; inclui trilha de aprendizagem com vídeos, materiais complementares e QR Code para AVA.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Indaial – 2019
Teoria Geral da 
invesTiGação e Perícia
Prof.a Fabiane Brião Vaz 
Prof.a Ivone Fernandes Morcilo Lixa
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2019
Elaboração:
Prof.ª Fabiane Brião Vaz
Prof.ª Ivone Fernandes Morcilo Lixa
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
V393t
Vaz, Fabiane Brião
Teoria geral da investigação e perícia. / Fabiane Brião Vaz; Ivone 
Fernandes Morcilo Lixa. – Indaial: UNIASSELVI, 2019.
126 p.; il.
ISBN 978-85-515-0430-7
1. Investigação e perícia. - Brasil. I. Lixa, Ivone Fernandes Morcilo. 
II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 340 
III
aPresenTação
Nesta unidade você será introduzido à teoria geral da investigação 
e perícia, dando início ao desenvolvimento do pensamento acerca de tão 
importante disciplina. Isto será possível através do delineamento de questões 
que abordarão desde noções básicas sobre investigação e estruturação da 
ideia acerca dos fundamentos da investigação criminal até uma finalização 
construída sobre o chamado garantismo penal, onde será possível que 
o aluno compreenda as diferentes estruturas de investigação. Isso tudo 
passando por identificação e diferenciação de conceitos como “investigação 
científica” “investigação criminal” “meios de investigação criminal” “fins de 
investigação criminal”, entre outros.
O tema a ser trabalhado neste livro, em que pese ser de fácil instigação 
ao interesse de muitos, uma vez que a prática das perícias é amplamente 
necessária dentro do ordenamento social atual. Por outro lado, ainda é uma 
área um tanto embaraçada visto as confusões que cercam a concretização do 
desempenho ideal de uma investigação criminal.
Pode-se dizer que essa execução ideal se faz efetivada no momento 
em que as barreiras da investigação ultrapassam o processo penal, adquirindo 
significado e eficácia transdisciplinar. É de simples absorção a ideia de que 
a investigação criminal, na qualidade objeto científico de estudo, se faz 
frequentemente mal interpretada tanto por juristas como pela própria sociedade.
Prof.ª Ma. Fabiane Brião Vaz
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá 
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares, 
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
LEMBRETE
VII
UNIDADE 1 – TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO .................................................................. 1
TÓPICO 1 – NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO ......................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 A INVESTIGAÇÃO .............................................................................................................................. 3
2.1 A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA ................................................................................................. 5
2.2 A INVESTIGAÇÃO CRIMINAL ................................................................................................... 9
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 17
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 18
TÓPICO 2 – FUNDAMENTOS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL ............................................. 19
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 19
2 HISTÓRICO DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL ........................................................................... 19
2.1 OS FUNDAMENTOS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL ......................................................... 21
2.2 OS FINS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL ................................................................................ 23
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 26
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 27
TÓPICO 3 – TEORIA DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL .............................................................. 29
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 29
2 A INVESTIGAÇÃO COMO PESQUISA ......................................................................................... 29
2.1 O GARANTISMO PENAL ............................................................................................................. 31
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 34
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 39
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 41
UNIDADE 2 – DAS PROVAS ................................................................................................................ 45
TÓPICO 1 – AS PROVAS NO PROCESSO PENAL BRASILEIRO ............................................... 47
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 47
2 A PROVA ................................................................................................................................................ 48
2.1 MEIOS DE PROVA .......................................................................................................................... 51
2.2 A PROVA CRIMINAL ..................................................................................................................... 53RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 58
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 59
TÓPICO 2 – A ORGANIZAÇÃO PERICIAL ..................................................................................... 61
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 61
2 O PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO ............................................................................................ 63
2.1 A PERÍCIA COMO FATOR DE PROMOÇÃO DA JUSTIÇA ................................................... 65
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 66
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 67
sumário
VIII
TÓPICO 3 – PROVA PERICIAL ............................................................................................................ 71
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 71
2 A IMPORTÂNCIA DA PROVA PERICIAL NO PROCESSO PENAL ....................................... 71
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 77
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 81
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 82
UNIDADE 3 – PROVAS E PERÍCIAS .................................................................................................. 83
TÓPICO 1 – PROVAS E PERÍCIAS CRIMINAIS ............................................................................. 85
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 85
2 A PROVA PERICIAL ............................................................................................................................ 85
2.1 TIPOS DE PROVA PERICIAIS ....................................................................................................... 87
2.2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS CARACTERÍSTICOS DAS PROVAS PERICIAIS ......... 90
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 94
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 95
TÓPICO 2 – O PERITO .......................................................................................................................... 99
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 99
2 PARTICULARIDADES DA ATIVIDADE DO PERITO .............................................................101
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................104
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................105
TÓPICO 3 – MODALIDADES DE PERÍCIA ...................................................................................107
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................107
2 EXAME DE CORPO DE DELITO ....................................................................................................107
3 EXAME NECROSCÓPICO, “AUTÓPSIA” OU NECROPSIA ...................................................110
4 EXUMAÇÃO PARA EXAME CADAVÉRICO ...............................................................................113
5 EXAME PERINECROSCÓPICO ......................................................................................................115
6 EXAME DO LOCAL DO CRIME .....................................................................................................115
7 EXAME SOBRE OS INSTRUMENTOS DO CRIME ...................................................................117
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................118
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................121
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................122
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................123
1
UNIDADE 1
TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• introduzir o acadêmico às noções básicas acerca de investigação;
• identificar os fundamentos da investigação criminal;
• constatar as ideias principais da Teoria da Investigação Criminal;
• perceber a investigação criminal no cenário brasileiro.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO
TÓPICO 2 – FUNDAMENTOS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
TÓPICO 3 – TEORIA DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO
1 INTRODUÇÃO
No presente tópico deste livro didático, como início do fio condutor que 
irá nos levar até a compreensão eficaz acerca das questões mais relevantes sobre 
perícia investigativa para a ciência nos dias atuais, pretendemos delinear os 
pontos fronteiriços que se localizam entre a investigação científica e a investigação 
criminal. Isso será possível através da elaboração de uma apreciação filosófica e 
jurídica sobre essas atividades.
Assim, inicialmente, o que pretendemos nesta primeira unidade é 
proporcionar uma análise ampla sobre os estudos da investigação, tanto científica 
quanto criminal.
2 A INVESTIGAÇÃO
A origem da palavra “investigação” é do latim, investigatione (in + 
vestígios + ato), que significa, ação dirigida de ir atrás de um vestígio e que 
levou a tradução de ato de pesquisar, indagar, investigar. Como seguir o rastro 
de alguém ou perseguir marcas e vestígios. A palavra “investigação” surgiu no 
século XV, pouco antes da revolução científica que deu origem à ciência moderna. 
Investigar não é apenas procurar à toa, e sim perseguir uma hipótese, que 
é implicitamente aceita, e procurar saber se ela está ou não correta. Caso ela se 
mostre inconsistente com a chegada de uma informação nova que antes não se 
conhecia, então terá que ser trocada ou desconsiderada. 
É aqui que habita a dificuldade do trabalho investigativo: não é apenas 
sobre procurar de uma maneira minuciosa algo que estaria ao alcance de muita 
gente, mas sim de chegar a um resultado que anteriormente não era conhecido.
Muitas vezes usa-se a palavra “investigar” numa definição corriqueira. 
Quando se estuda um determinado tema por um livro, pode-se alcançar 
conclusões novas para si, no entanto, essas conclusões certamente não são novas 
para muitos outros, por exemplo, os próprios autores do livro. 
O verdadeiro sentido de “investigar” consiste em alcançarconclusões que 
são novidades não apenas para ele, mas para muitos outros. Investigar se trata, 
além de perseverança, de inteligência e criatividade, pois deve-se enxergar além 
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
4
do que já foi visto, e, preferencialmente, tentar transmitir isso da forma mais clara 
possível para as pessoas. Para isso, se faz necessário enxergar conclusões diferentes 
das que estão estabelecidas, examinando com atenção as evidências disponíveis.
Em uma concepção teleológica de investigação criminal é possível que 
se faça uma aproximação dela com a ciência. Isso pode ocorrer tanto a partir 
da história quanto de acordo com a lógica do âmbito do direito, uma vez que 
ambos os campos proporcionam aspectos metodológicos que conjecturam uma 
racionalidade específica. 
Assim, é possível que se faça referência acerca da investigação “como” 
ciência, se este “como” estiver representado no sentido de uma semelhança, e não 
de uma total igualdade, por dois motivos basilares (BRITTO, 2014): 
• a investigação criminal é um conceito mais histórico do que científico, pois é da 
história, que se obtém acesso às suas questões intelectuais iniciais, sobretudo 
aquelas que dizem respeito à verdade acerca de fatos passados. Assim, 
qualquer ciência que se pretenda a partir dela não pode ignorar as questões 
sobre a possibilidade de uma ciência da história; 
• ainda que impugne às ciências empíricas, aos seus enunciados (teoria e leis) e 
às suas formas de pesquisa (métodos e técnicas), isso ainda não nos deixa falar 
de uma ciência da investigação criminal nem desconsiderar a incidência da 
lógica do direito na justificação do conhecimento.
No conjunto, a investigação “como” ciência possui fronteiras inerentes ao 
conhecimento, que decorrem tanto da natureza histórica da investigação quanto da 
falibilidade da ciência, além de condicionantes ético-jurídicas, sejam eles comuns 
a qualquer área de saber que se pratica em sociedade, sejam os que se impõem por 
razão de direitos garantidos em face da ação de instituições estatais (BRITTO, 2014). 
Nesse sentido é que se diz haver uma lógica do direito, que incide, 
inevitavelmente, na ideia de uma investigação como ciência, nos Estados de 
direito, e nos permite falar de um contexto jurídico da metodologia da investigação 
criminal, que se particulariza por certas normas (princípios e regras) relativas ao 
crime e ao processo penal.
A compreensão das normas jurídicas da investigação, em diálogo tanto 
com o discurso da história quanto com o da ciência, permite-nos, não apenas 
esboçar o estatuto disciplinar do domínio de saber investigativo-criminal, mas 
também evidenciar a perspectiva epistemológica dessas normas para além da 
função garantista que cumprem no âmbito do direito. 
Trata-se de percorrer as dimensões histórica e científica da investigação 
criminal para reafirmarmos com uma maior força compreensiva a sua dimensão 
jurídica, e em que sentido esta dimensão acaba por sobrepor-se às demais, nos 
Estados de direito que postulam a proeminência da dignidade da pessoa.
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO
5
Existem diferenças básicas entre a investigação científica e a investigação 
criminal. Um crime usualmente é investigado por poucas pessoas, enquanto na 
ciência, o “crime” é a própria natureza e muitos se questionam ao mesmo tempo 
sobre o tema, em várias grandes equipes, “competindo” pela mesma resposta e, 
normalmente, divulgando os resultados uns para os outros (BRITTO, 2014). 
Na investigação criminal, quem, afinal, atribui a culpabilidade não é o 
investigador, mas sim um juiz. Na investigação científica, quem anuncia uma 
determinada conclusão termina sendo a comunidade científica da área estudada, 
que trabalha como um tipo de conjunto de juízes, quando finalmente se entendem 
sobre fato a ser divulgado. 
Outra diferença pode ser notada quanto aos erros, que apesar de serem 
possíveis quando se tratam de investigações criminais, podem culminar com o 
crime resolvido e a investigação pode ser dada por encerrada. Na investigação 
científica, as conclusões obtidas só são aceitas temporariamente, até que novos 
estudos permitam rever as decisões feitas anteriormente e consigam que outras 
conclusões de alguma forma compreendam as antigas. 
A ciência é cumulativa ao incorporar, em cada situação de descoberta, o 
essencial das descobertas prévias. Outra diferença é que, tirando uma ou outra 
exceção, é possível descobrir a verdade nos casos de investigações criminais, 
enquanto nas pesquisas científicas, a verdade só é idealmente alcançável. Chegar 
realmente na verdade, ou melhor, tentar descobrir o erro, torna o trabalho dos 
investigadores científicos contínuo.
2.1 A INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA
Preliminarmente, para dar início à conceituação eficaz de nossos 
estudos, se faz importante obter um entendimento do plano filosófico acerca da 
investigação científica. Para isso, é inescusável que passemos a analisar um breve 
agrupamento das ideias de alguns pensadores que dedicaram um espaço de suas 
obras para este importante tema.
Dois nomes, com certeza, merecem destaque quando falamos em 
investigação científica analisada do ponto de vista filosófico, são eles, René 
Descartes e Francis Bacon. Estes pensadores dispensaram parte de suas obras 
para a pesquisa acerca das direções da investigação dentro da Ciência.
Descartes, em Regras para a direção do espírito, elaborou vinte e uma regras 
onde delineou seu sistema filosófico e científico, vejamos agora as que mais se 
fazem relevante para o estudo a ser elaborado neste caderno.
O filósofo inicia suas regras explicando que a maneira mais provável 
de incentivar um afastamento do caminho em busca da verdade científica é 
orientando os estudos de acordo com fins pessoais. Isso por que é fundamental que 
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
6
os atos investigativos estejam fundamentados pelo preceito da imparcialidade. 
Nas palavras de Descartes, “os estudos devem ter por finalidade a orientação do 
espírito, para que possamos formular juízos firmes e verdadeiros sobre todas as 
coisas que se lhe apresentam” (DECARTES, 1990, p. 4).
A fim de manter o foco na imparcialidade do investigador, Descartes (1990) 
rejeita completamente as formas de conhecimento que se baseiam em juízos de 
probabilidades. Por isso, ainda, são interessantes de serem lembradas aqui as regras 
número dois e três, onde ele defende que se deve acreditar somente naquilo que é 
conhecido por completo, somente nos fatos que não abrem brechas para dúvidas.
Para este pensador, a investigação científica tem como foco a busca pelo o 
que ele chama de verdade real, e não formal. De acordo com Descartes (1990, p. 4), 
“convém lidar exclusivamente com aqueles objetos cujo conhecimento certo e 
indubitável o nosso espírito é capaz de alcançar” e “acerca dos objetos considerados, 
deve-se investigar não o que os outros pensaram ou o que nós próprios suspeitamos, 
mas aquilo que podemos ter uma intuição clara e evidente, ou que podemos deduzir 
com certeza, pois de outro modo não se adquire ciência” (DESCARTES, 1990, p. 6).
Descartes (1990) também dedica um tempo para observar a diferenciar a 
intuição intelectual da simples dedução. Na dedução ocorre o firmamento de uma 
ideia através da conclusão definitiva de ideias já concebidas, enquanto na intuição 
intelectual ocorre a criação de conceitos diferenciados de qualquer ideia anteriormente 
concebida, não restando dúvidas quanto à certeza dessa compreensão.
Para o filósofo, as duas figuras descritas no parágrafo anterior elaboram 
juntas a maneira mais confiável de se fazer ciência. Uma vez que a intuição 
intelectual leva o cientista a concretizar os princípios primordiais para persecução 
de seu objetivo enquanto a dedução o auxilia a enxergar as conclusões mais 
distantes, aquelas que cercam o objeto de estudo e são igualmente importantes 
para sua percepção (DESCARTES, 1990).
Devemos observar também, a quarta regra de Descartes(1990, p. 7), a qual 
diz: “o método é necessário para a procura da verdade”. O filósofo acredita que 
regras certas e fáceis constroem o método e, com ele, é possível que o cientista não 
incorra em erro. É através do método que se alcança o verdadeiro conhecimento.
Como enunciado anteriormente, outro nome importante na filosofia para 
o estudo da investigação científica é o do filósofo Francis Bacon. Este pensador, 
também dedicou uma parte de sua obra para procurar um método que conduzisse 
à verdade científica, ele fez isso em sua obra intitulada Novum Organum.
A ideia de Bacon (2002) está fundamentalmente ligada ao que chamamos 
de indução. Isto é, a técnica pela qual se obtém uma contemplação de validade 
dos fatos através de analogia. Ou seja, ao observar um número de reações iguais 
para determinado fato, se admite que todas as situações análogas terão a mesma 
reação, em que pese não ter sido avaliado cada um dos fatos individualmente.
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO
7
Com isso, percebe-se que temos duas diferentes vertentes sobre a verdade 
científica, para René Descartes, observamos um método investigativo em busca 
de uma verdade real, enquanto para Francis Bacon (2002) podemos observar a 
busca de uma verdade formal através do método investigativo.
A investigação científica é parte fundamental e característica da ciência, pois 
sem método científico, não há ciência. Trata-se do conjunto de etapas e processos 
a serem adotados na procura da verdade sobre os fenômenos e fatos investigados. 
Entende-se que um método é um caminho escolhido para se alcançar um objetivo, 
ou seja, o conjunto de procedimentos que serão feitos até que construa o resultado. 
Tendo como objetivo a construção de uma verdade, a partir do 
esclarecimento dos fatos, a ciência utiliza métodos que imaginam os elementos 
como sendo interligados entre si por determinadas relações e, a partir disso, são 
provocadas formas de se entender essas relações como leis e princípios científicos.
A busca da verdade baseia-se em pressuposições que avaliam a razão, 
experimentação e observação da investigação de fenômenos e fatos que nos levam 
a análises de raciocínio distintos.
A era atual permite que haja valorização da experimentação e da 
observação, acompanhadas do raciocínio como portas para se fazer ciência. Tal 
pressuposição pondera que é possível descobrir os motivos dos fenômenos da 
natureza, apresentando em leis gerais o seu modo de atuação. 
Antes disso, o pressuposto predominante não levava em consideração 
a observação humana como uma forma de produzir conhecimento pois os 
únicos esclarecimentos possíveis eram o dos sistemas religiosos em que Deus 
fornecia aos homens.
Ao se fazer uma análise sobre a composição do conhecimento científico, 
pode-se ter de um lado o homem que se apoia a conhecer (sujeito) e do outro lado 
a própria realidade a ser conhecida (objeto). 
A partir disso, notam-se caminhos para a ciência cujo foco está no sujeito, 
no objeto ou em ambos. Esses caminhos metódicos identificam as bases de 
construção do saber científico e da pesquisa científica na modernidade.
Ainda que existam muitas variações conceituais e técnicas a respeito do 
método científico e, também, que haja um certo desacordo sobre como deve ser 
utilizado, as etapas básicas são fáceis de entender. A visão tradicional do método 
científico consiste nas seguintes etapas:
• Observação.
• Investigação sobre o tema.
• Formulação de uma hipótese.
• Experimentação.
• Analise de resultados e conclusão.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
8
Na observação, aplicam-se os sentidos para analisar como os objetos, 
acontecimentos ou fenômenos se apresentam na natureza. A curiosidade é o 
primeiro passo para geração de conhecimento e perguntas derivam de observação 
empírica, ou seja, no que provém do senso comum, baseado em experiências vividas, 
ainda não interpretadas de forma racional nem com comprovação científica. A 
observação é a evidência inicial que pode comprovar métodos científicos.
A investigação sobre o tema é essencial para se ter noção de como a questão 
já foi abordada por outras pessoas. É a pesquisa sobre o assunto, uma profunda 
revisão do conhecimento existente sobre o tema, a fim de descobrir informações 
que possam auxiliar nos seus questionamentos, ou, até mesmo, responde-los de 
imediato, pois pode ser que já exista uma solução que se aplique ao seu problema.
A formulação de uma hipótese que possa tentar responder às dúvidas 
sobre o objeto, acontecimento ou fenômeno, que deve marcar uma posição de 
relação causa-efeito, que gera explicação a ser experimentada pelo método. 
Uma suposição, independentemente do fato de ser verdadeira ou falsa, 
como um princípio a partir do qual se pode deduzir um determinado conjunto 
de consequências. 
Por exemplo, o carro não liga porque está sem gasolina. É importante que 
essa possibilidade possa ser testada, para não comprometer a etapa seguinte da 
pesquisa. No caso do exemplo anterior, deve ser possível, por exemplo, colocar 
gasolina, para verificar se o carro ligaria.
A experimentação pode ser feita a partir da elaboração de experiências 
controladas que testam a hipótese. O experimento deve ser imaginado para tentar 
isolar o fenômeno e as sugestões de causalidade. A experimentação controlada 
consiste em testar um fator por vez e comparar os resultados obtidos no grupo 
experimental com o que foi obtido no grupo controle para, assim, descobrir se 
houve alguma variação ou não. 
Ocorrendo diferenças entre os resultados do grupo experimental e do 
controle, elas são atribuídas ao fator que está sendo testado. Não ocorrendo 
diferenças, pode-se dizer que o fator analisado não interfere no processo em 
estudo. Seguindo o exemplo anterior, se colocaria apenas a gasolina no carro, pois, 
caso outra alteração fosse feita, não se teria certeza de qual das duas interferiu no 
resultado, ou seja, qual a verdadeira causa do fenômeno. 
Se mesmo após colocar a gasolina, o carro não funcionar, sabe-se, então, 
que esse não é o problema, ou ao menos, não é o único problema. Nesse caso 
não, o problema não poderia ser isolado em um único experimento e seria 
necessário outro carro nas mesmas condições para que outros testes fossem 
feitos, sucessivamente. Tendo isso em vista, é imprescindível manter registros 
detalhados de todos os experimentos possível de replicações.
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO
9
A análise de dados e a conclusão é o momento de analisar seus resultados. 
Nesta etapa, é preciso checar se o que foi agregado é suficiente para explicar os 
problemas que surgiram com os questionamentos iniciais. É nesta etapa, também, 
que é determinado se haverá a necessidade de inclusão de novas hipóteses, que 
irão provocar mais pesquisa e experimentação, ou se há resultados suficientes 
para determinar a conclusão. 
É possível também, presumir o resultado do teste como inconclusivo. Deve-
se fechar com um relatório, que deve conter, além dos resultados, a metodologia, 
ou seja, o passo a passo e todos detalhes que forem possíveis, incluindo as 
hipóteses, as bases teóricas e metodológicas, bem como as conclusões.
Um aspecto extraordinário da ciência é que os conhecimentos científicos se 
modificam sempre e com base no método científico novas teorias são formuladas, 
muitas vezes substituindo outras previamente aceitas. Uma teoria pode ser 
alterada frente a novas encontradas.
2.2 A INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
A investigação criminal é o aparelho pelo qual se completa a apuração de 
fatos supostamente delituosos e sua apropriada autoria a partir da ocorrência ou 
notícia, com o intuito de esclarecer se se harmonizam ou não com alguma norma 
penal tipificada. Uma apreciação mais sintética desta atividade é apresentada por 
Manoel Monteiro Guedes Valente (2009, p. 102), de acordo com trecho a seguir:
A investigação criminal, levada a cabo pela polícia, procura descobrir, 
recolher, conservar, examinar, e interpretar provas reaise também 
procura localizar, contatar e apresentar as provas pessoais que conduzam 
ao esclarecimento da verdade material judicialmente admissível dos 
factos que consubstanciam a prática de um crime, ou seja, a investigação 
criminal pode ser um motor de arranque e o alicerce do processo crime 
que irá decidir pela condenação ou pela absolvição.
Como se pode ressaltar, o objeto da investigação criminal é a isenta 
apuração da materialidade e autoria de um suposto crime, ou contravenção 
penal, mediante busca da sua verdade fática e jurídica com embasamento em um 
juízo de probabilidade indiciária.
Cabe ainda ressaltar que a compreensão de verdade pretendida pela 
investigação criminal diz respeito à verdade processual (adequada à persecução 
penal como um todo), definida por Luigi Ferrajoli (2014), que a divide entre 
verdade processual de fato e de direito, as quais não podem ser afirmadas por 
observações diretas. 
A verdade processual fática, para o referido jurista, incide em um 
tipo particular de verdade histórica, relativa a conjecturas que discorrem de 
representações passadas que não estão abertamente compreensíveis como por 
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
10
exemplo, a experiência. Enquanto isso, a verdade processual jurídica é uma 
verdade que pode se chamar de classificatória, ao referir-se à classificação ou 
qualificação dos acontecimentos históricos evidenciados segundo as categorias 
pelo léxico jurídico e elaboradas mediante a interpretação da linguagem legal.
Visto isso, podemos afirmar que a investigação criminal, assim como 
a investigação científica, pretende buscar uma verdade formal aproximada e 
corrigível, passível de aperfeiçoamento, com a particularidade de que, na primeira, 
esta verdade é ordinariamente retrospectiva, uma vez que, via de regra, diz respeito 
a fatos passados. Ou seja, fatos que não estão mais acessíveis às experiências.
Deste modo, enquanto veículo da busca pela verdade processual (formal), 
decorrem da investigação criminal três funções basilares (BRITTO, 2014): 
• resguardar a imparcialidade; 
• resguardar a economicidade;
• resguardar a eficiência da Justiça Criminal, 
Despontando da soma destas três funções o principal bem jurídico 
tutelado pela investigação criminal, qual seja, a defesa da ordem jurídica.
A imparcialidade da Justiça Criminal conserva-se agasalhada pela 
investigação criminal na avaliação em que esta aprovisiona o juiz com um 
algoritmo temporário derivado de um órgão não comprometido, ou vinculado, 
nem com a acusação nem com a defesa, assim resguardando a investigação de 
ponderações parciais.
Tal observação restou, bem ilustrada, no item IV da Exposição de Motivos 
do Código de Processo Penal vigente, ao discorrer sobre o inquérito policial:
É ele uma garantia contra apressados e errôneos juízos, formados 
quando ainda persiste a trepidação moral causada pelo crime, nas suas 
circunstâncias objetivas e subjetivas. Por mais perspicaz e circunspeta, 
a autoridade que dirige a investigação inicial, quando ainda perdura o 
alarma provocado pelo crime, está sujeita a equívocos ou falsos juízos 
a priori, ou a sugestões tendenciosas. Não raro, é preciso voltar atrás, 
refazer tudo, para que a investigação se oriente no rumo certo, até 
então desapercebido. Por que então, abolir-se o inquérito preliminar 
ou instrução provisória, expondo-se a justiça criminal aos azares do 
detetivismo, às marchas e contramarchas de uma instrução imediata e 
única? Pode ser mais expedito o sistema de unidade de instrução, mas 
nosso sistema tradicional, como inquérito preparatório, assegura uma 
justiça menos aleatória, mais prudente e serena (BRASIL, 1941a, p. 2).
A economicidade da Justiça Criminal sustenta-se ao mesmo tempo 
resguardada pela investigação criminal, enquanto evita que acusações infundadas 
ou temerárias sejam indevidamente judicializadas. Assim, impedindo que estes 
tipos de acusações sejam submetidos à Juízo, além de que salvaguarda os direitos 
individuais ao impedir que inocentes sejam submetidos ao desgaste de um 
processo penal de maneira imprudente.
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO
11
Para Aury Lopes Jr. (2001), a função de evitar acusações infundadas é o 
principal fundamento da investigação criminal, porquanto, em verdade, impedir 
acusações sem fundamentos é asseverar a sociedade de que não haverá abusos por 
parte do poder persecutório estatal. Visto que a impunidade pode gerar um grave 
desassossego social, não menos grave é o mal causado por processar um inocente. 
Essa atividade de “filtro processual”, para Aury Lopes Jr. (2001), se faz 
inteiramente concretizada quando levarmos em consideração três fatores: 
• o custo do processo judicial;
• o sofrimento que causa para o sujeito passivo;
• a estigmatização social e jurídica geral.
José Pedro Zaccariotto (2005) vai ainda mais além, ao esclarecer que 
parte considerável das notícias de crimes, que cotidianamente chegam às 
Delegacias de Polícia, dizem respeito a fatos, por vezes, até claramente ilícitos, 
contudo desprovidos de comprobação quanto à sua efetiva natureza, se civil ou 
criminal, como acontece, com grande assiduidade, em face de casos permeados 
por hipotéticos inadimplementos de obrigações, habitual e obstinadamente 
explanados, como estelionatos e apropriações indébitas, benefício da delicada 
fronteira que abaliza o território das mencionadas espécies. 
Nesses, e em tantos diferentes episódios análogos, não deve a investigação 
criminal objetivar o descobrimento do autor dos fatos que lhe são apresentados 
de forma abreviada e partidária, mas, sim, descobrir se estes fatos estão ou não de 
acordo com alguma hipótese delituosa.
Assim, podemos concluir que, para a positiva efetividade, tanto da 
investigação criminal, como da investigação científica, é essencial que enigmas, 
fundamentados em fatos com suposição criminosa, constituam indícios de 
maneira concisa e objetiva, uma vez que a metodologia da investigação criminal 
também não é autossuficiente. Ou seja, não é possível que ela germine no vácuo 
de informação ou na total indeterminação, circunstância na qual se abordam as 
notícias de crime que não carregam indicativos ínfimos de prática delituosa.
Em compensação, o que passa pelo mencionado “filtro processual”, com 
o devido desenvolvimento de materialidade de autoria delituosa, resulta em uma 
maior eficácia da Justiça Criminal, ao permitir que a parte autora da ação penal 
ingresse em juízo com informações mínimas que proporcionem que o mesmo 
possa genuinamente exercer o jus persequendi, com uma expectativa palpável de 
admissível condenação. 
 Em que pese a instrução preliminar não ser indispensável ao ajuizamento 
da ação penal, esta, via de regra, acompanha a inicial acusatória, adquirindo 
maior autoridade por ser instruída com informações adquiridas por um órgão 
alheio e imparcial em relação ao destino da causa.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
12
Infelizmente, a estigmatização social e jurídica geral é frequentemente 
mencionada pela doutrina processualista penal brasileira. Este fato faz com que 
tenhamos, como consequência, a diminuição da investigação criminal como 
uma prática unidirecional e monocular, destinada tão exclusivamente para 
proporcionar a aspiração da parte acusadora de subsequente processo penal, cuja 
condenação seria seu objetivo principal. 
Este encaminhamento, além de em claro desacerto com devido processo 
legal, se analisado sob um prisma filosófico, desemboca na compreensão de verdade 
afamada por Michel Foucault (2003). Este pensador acredita que o encontro da 
verdade é consequência de inúmeras coerções, produzindo na sociedade efeitos 
normatizados por poder, além disso, diz ainda, que a verdade é determinada e 
transmitida sob autoridade dominante de um ou mais instrumentos hegemônicos.
Com tudo, percebemos que a investigação criminal, além da compreensão 
reducionista visivelmente pacificada na doutrina jurídica do nosso país, deve ser 
desempenhadapretendendo a imparcialidade na busca da verdade formal.
Ainda, pertinente à metodologia da investigação criminal, compete 
abordar as lições de André Rovegno (2005), autor que afirma que não existe no 
inquérito policial uma sucessão de atos que implique uma correlação na qual 
o antecedente acondicionaria o consequente, assim como, também não existiria 
legislação a recomendar uma ordem para a citada sucessão, diferentemente do 
que se observa nos processos e procedimentos. 
A lei confia uma espaçosa margem de discricionariedade para que a 
autoridade de polícia judiciária contemple as diversas aberturas a perseguir. Para 
isso, a autoridade policial necessita buscar de todas as maneiras possíveis o sucesso 
da investigação, ou seja, buscar pela maior aproximação possível da verdade. 
Quanto aos direitos fundamentais de investigados e indiciados, a 
legislação processual penal também são fatores que deverão ser perseguidos pela 
autoridade de polícia judiciária em toda a sua liberdade discricionária conferida 
pela lei. Ainda segundo André Rovegno (2005, p. 179) “apenas o destino está 
fixado: a reconstrução, pautada pelo imperativo de busca inarredável pela 
verdade, de um fato que se apresentou preliminarmente como criminoso”.
Como na investigação científica vista no anteriormente, as normas que 
estruturam a metodologia da investigação criminal possuem somente uma 
justificativa pragmática. Isso quer dizer que não é possível que se elabore listas 
acerca da verdade na investigação científica e, ainda, não é possível que se 
antecipe conclusões independentemente do caso concreto em questão. 
Entretanto, é imprescindível que as normas seguidas pela autoridade de 
polícia judicial agreguem não exclusivamente regras compatíveis com as leis da 
lógica e da ciência, mas, também, que se façam em concordância com o sistema 
de normas fundamentado numa estrutura jurídica. E, além disso, devem também 
estar em consonância com os direitos fundamentais dos indiciados e investigados.
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO
13
Importante salientar a ideia de Eliomar da Silva Pereira (2010) que diz 
sobre o fato de os direitos fundamentais provocarem uma verdadeira intervenção 
jurídica no método da investigação criminal, uma vez que, conquanto não seja 
verificado por regras positivas necessárias de pesquisa, encontra-se restrito por 
preceitos negativos, que extraem do seu campo de probabilidade uma quantia 
de caminhos analisados como inadmissíveis diante do direito, ou acolhidos 
exclusivamente sob determinadas espécies.
Entretanto, cabe lembrar que mesmo que em menor escala, as investigações 
científicas ainda estão sujeitas a limitações jurídicas decorrentes de direitos 
fundamentais. Como exemplo disso temos as questões polêmicas relacionadas 
ao Biodireito, onde o método da investigação científica, a depender do objeto 
de estudo, pode sugerir em transgressão a direitos fundamentais, especialmente 
aqueles relacionados à dignidade da pessoa.
NOTA
Biodireito é o ramo do Direito Público que se associa à bioética, estudando as 
relações jurídicas entre o direito e os avanços tecnológicos, normalmente obtendo foco para 
as questões referentes ao corpo e à dignidade da pessoa humana.
 O material complementar pode ser encontrado no site www.jusbrasil.com.br onde 
estão disponíveis inúmeros artigos sobre o tema.
A investigação criminal ou ainda investigação policial, já que de acordo 
com a tradição, no Brasil, a investigação criminal é realizada pela polícia, é a 
forma de indicar a procura, ou busca dos vestígios pertinentes a um crime.
No momento em que ocorre um suposto crime e essa notícia chega até a 
polícia, o sistema penal é empregado a fim de esclarecê-lo para que se possa ter 
a justa aplicação da lei penal. A partir disso são destacados investigadores para 
trabalhar no caso. 
A investigação criminal é o instrumento com o qual se realiza a apuração 
do ocorrido com a avaliação de acontecimentos supostamente delituosos e da 
correspondente autoria a partir da sua ocorrência ou notícia, com o objetivo de 
descobrir se há ou não alguma infração penal. 
Quando o crime exige uma perícia de local de crime, os peritos criminais 
se deslocam para realizar os exames periciais e quando se trata de um crime que 
não necessita de perícia no local, a investigação continua a busca por informações 
até que possa ser determinada uma perícia posterior.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
14
O ordenamento jurídico brasileiro se utiliza do inquérito policial (art. 4 ao 
23 do Código de Processo Penal) para fornecer elementos informativos que sejam 
juridicamente admissíveis e que possam colaborar com o objetivo de desvendar o caso 
sobre o qual há um interesse jurídico-criminal para, com isso, ajudar o titular da ação 
penal (art. 24 ao 62 do Código de Processo Penal) a formar convicção sobre o ocorrido.
É importante que ao solicitar uma perícia, seja pelo delegado, promotor 
ou juiz, sejam incluídos no pedido o máximo de informações possíveis sobre o 
inquérito, para que a avaliação seja feita da melhor forma possível e, também, 
dando condições para que o perito possa avaliar o que seria importante acrescentar 
ao laudo, dada as circunstancias. 
A perícia deve ser considerada como uma parte conjunta da investigação e 
deve ser feita de forma integrada e em comunicação com a investigação criminal. 
Devem ser complementares, afinal, o objetivo da investigação criminal é encontrar 
as provas referentes ao ato sob investigação. 
Como anteriormente visto neste tópico, a ciência é metodologicamente 
única, apesar da pluralidade de seus objetos e das técnicas adequadas. No que 
concerne à natureza do objeto a ser estudado, é ela quem dita os possíveis métodos 
especializados para a matéria ou campo de investigação apropriado. Isto não é 
diferente com a investigação criminal, resguardadas as particularidades do fato 
criminoso, que é o seu objeto. Desta forma, pode-se afirmar que é inteiramente 
admissível conjecturar uma interconexão metodológica entre as investigações 
científica e criminal, a partir das seguintes assertivas (FONTELES, 2001):
• A investigação criminal, assim como a investigação científica, aponta para a 
busca pela verdade, contemporaneamente arquitetada de maneira formal 
aproximada e aperfeiçoável, com a particularidade de que na investigação 
criminal esta verdade é comumente retrospectiva, uma vez que esta, via de 
regra, diz respeito a fatos passados não mais acessíveis à experiência.
• Para devida eficácia da investigação criminal, assim como na investigação 
científica, é fundamental que os impasses, motivados em fatos com suposição 
criminosas, consistam em propositura de forma concisa e prática, visto 
que ambas as metodologias não são autossuficientes. Logo, não podem se 
desenvolverem no vácuo de conhecimento ou na total indeterminação.
• Assim como na investigação científica, as normas que estruturam a metodologia 
da investigação criminal têm somente uma justificativa pragmática, e não uma 
justificação teórica. Entretanto, é imprescindível que tais regras agreguem 
um aparelho de preceitos fundamentado numa estrutura jurídica, não apenas 
ajustada com as leis da lógica e as leis da ciência, mas também com os direitos 
fundamentais dos indiciados e investigados.
• Os direitos fundamentais aludem em verdadeira intervenção jurídica na 
metodologia da investigação criminal, e, também, no método da investigação 
científica, uma vez que as duas, ainda que não sejam verificadas por regras 
positivas imprescindíveis de pesquisa, acham-se adstritas por regras 
negativas, que tiram do seu campo de probabilidade uma verba de aberturas 
consideradas inadmissíveis perante o direito, ou admitidos somente sob 
determinadas condições.
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO
15
A cientificidade é possível quando os elementos epistemológicos obedecem 
a certos critérios formais e seus enunciados obedecem a certas leis de construção 
de proposições. Essaetapa passa por compreender como a investigação criminal 
se tem apropriado do discurso da ciência, seus enunciados e suas técnicas, e o tem 
transportado para a busca da verdade acerca dos crimes e sua justificação. 
Entender em que medida ou sentido isso é possível passa pela compreensão 
da ciência e das diversas teorias que se têm proposto acerca dela, bem como ela 
se infiltra no discurso do saber investigativo-criminal. É o que abordaremos no 
Tópico 2 deste trabalho.
Entretanto, há que se entender, preliminarmente, que a ciência se 
produz dentro e a partir de um saber e nele desempenha um papel, segundo o 
seu discurso. A ciência não precisa se identificar com o saber, mas não o excluí, 
apenas se localiza nele, estrutura seu objeto, sistematiza seus métodos, orienta 
seus conceitos e enunciados. 
É nesse ponto que surge o problema da ideologia na ciência. Certo é que 
essa ciência, contudo, pode ou não aparecer; o saber pode ou não dar lugar ao 
aparecimento de uma ciência. Mas não é por causa da ideologia jurídico-penal que 
a ciência pode não se tornar possível. Afinal, tem-se entendido que “a ideologia 
não exclui a cientificidade” (FOUCAULT, 2008, p. 208).
A ideologia jurídico-penal até pode conduzir a contradições, lacunas, 
defeitos teóricos, na medida em que seus efeitos fundam a base da prática e seu 
discurso. E não basta retificar esses erros e contradições para desfazer a relação 
com a ideologia. A questão é que o papel da ideologia na ciência não diminui à 
medida que aumenta o rigor na aceitabilidade e coerência do conhecimento. E a 
ciência pode acabar até por oferecer argumentos contra a própria ideologia. 
Além disso, tem-se reconhecido que mesmo as ciências constituídas têm 
permanecido ideológicas, pois seu paradigma, ou sua matriz disciplinar, se originou 
em um contexto ideológico bem determinado. Gerard Fourez (1995) distingue, 
porém, discurso ideológico de primeiro grau e de segundo grau, conforme se 
encontrem, ou não, vestígios da construção das representações da realidade. 
No primeiro caso, temos discursos científicos com exortações normais a 
valores declarados, ao passo que no segundo, temos representações apresentadas 
como evidentes, quando ainda são discutíveis.
Essa compreensão, lançada sobre o conhecimento investigativo-criminal, 
permite-nos vislumbrar dois caminhos para uma ciência que se possa construir 
nesse contexto. Uma no sentido de legitimar o saber de domínio prático, para 
dominação e diminuição de direitos fundamentais; outra no sentido de minimizar 
o recurso ao uso da força e exclusão da violência como forma de potencializar os 
direitos fundamentais. 
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
16
Esse último caminho parece ser o único condizente com uma investigação 
criminal, segundo princípios fundamentais do Estado de direito, que giram em 
torno do seu objeto e seu método, mesmo dentro e a partir de uma ideologia 
jurídico-penal. Trata-se da construção de uma ciência que, em complemento ao 
movimento constitucionalista de limitação do poder e de garantia das liberdades, 
vise, igualmente, à limitação do poder e ao aumento da liberdade do homem.
17
Neste tópico, você aprendeu que:
• Investigar não é apenas procurar à toa, e sim perseguir uma hipótese, que é 
implicitamente aceita, e procurar saber se ela está ou não correta.
• Não é apenas sobre procurar de uma maneira minuciosa algo que estaria ao 
alcance de muita gente, mas sim de chegar a um resultado que anteriormente 
não era conhecido.
• Na investigação criminal, quem, afinal, atribui a culpabilidade não é o 
investigador, mas sim um juiz.
• Na investigação científica, quem anuncia uma determinada conclusão termina 
sendo a comunidade científica da área estudada.
• Na investigação científica, as conclusões obtidas só são aceitas temporariamente, 
até que novos estudos permitam rever as decisões feitas anteriormente.
• Dois nomes, com certeza, merecem destaque quando falamos em investigação 
científica analisada do ponto de vista filosófico, são eles René Descartes e 
Francis Bacon.
• Descartes, em Regras para a direção do espírito, elaborou vinte e uma regras onde 
delineou seu sistema filosófico e científico.
• Francis Bacon também dedicou uma parte de sua obra para procurar um 
método que conduzisse à verdade científica, ele fez isso em sua obra intitulada 
Novum Organum.
• A busca da verdade baseia-se em pressuposições que avaliam a razão, 
experimentação e observação da investigação de fenômenos e fatos que nos 
levam a análises de raciocínio distintos.
• A compreensão de verdade pretendida pela investigação criminal diz respeito 
à verdade processual (adequada à persecução penal como um todo).
RESUMO DO TÓPICO 1
18
1 De acordo com o que foi estudado neste tópico, discorra sobre a atuação das 
autoridades policiais durante o curso de uma investigação. Eles devem dar 
prioridade para a indicação de um autor para o crime investigado ou à busca 
da verdade?
2 A respeito da investigação, independentemente se científica ou criminal, 
como foi demonstrado neste primeiro tópico do presente Livro Didático, a 
primeira lição a ser aprendida é que o seu objetivo é a persecução da verdade. 
A partir disso, explique de que maneira essa verdade deve ser buscada e 
qual o obstáculo principal na busca de um investigador.
3 Ao falarmos sobre investigação científica vimos que primeiramente é 
necessário, assim como qualquer outra ciência, que seja analisado o método 
mais eficaz a ser utilizado para a concretização dos objetivos dessa ciência. 
Do ponto de vista filosófico, os nomes que se destacam para a análise da 
investigação dentro da ciência são René Descartes e Francis Bacon. Explique 
quais os pontos mais relevantes entre as ideias desses pensadores, indicando 
um ponto diferenciador entre elas.
4 Ainda sobre a investigação científica, vimos que, em que pese existirem 
inúmeras variações conceituais e técnicas a respeito do método científico e, 
também, que haja um certo desacordo sobre como deve ser utilizado, as etapas 
básicas são fáceis de entender. Assim, a visão tradicional do método científico 
consiste em cinco etapas, quais são elas e como devem ser utilizadas?
5 Sobre a investigação criminal como uma vertente da investigação científica, 
conceitue esse tipo de investigação, ressaltando quais são seus objetivos, e objeto 
principal, e discorra sobre preceitos importantes para que ela seja identificada.
AUTOATIVIDADE
19
TÓPICO 2
FUNDAMENTOS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, o aluno será direcionado para questões específicas acerca da 
investigação criminal. Uma vez que já compreendemos o conceito de investigação 
e diferenciamos os tipos que interessam para o conhecimento objeto de alcance 
com este caderno, sendo eles investigação científica e criminal. 
Passamos agora a delinear os fundamentos da investigação criminal, para 
isso, será feita uma linha lógica iniciando num breve histórico acerca desse tipo 
de investigação, em seguida observando os pilares que a embasam e fundamento 
e, finalmente, serrão analisados os fins de investigação criminal, os diferenciando 
dos chamados meios de investigação.
Ainda neste tópico, o aluno encontrará um resumo com destaque apenas 
para subtópicos importantes que aqui forem vistos, além de cinco questões de 
autoatividade para fixação do conteúdo.
2 HISTÓRICO DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
A utilização dos conhecimentos científicos para a análise de provas 
de crimes iniciou-se desde o surgimento da civilização, em decorrência da 
necessidade de esclarecimento de um fato delituoso, através de uma sistemática 
norteada por padronizações e regras cientificas e jurídicas.
Antigamente, os métodos utilizados eram baseados em violência e tortura 
em busca de autorias baseadas em confissões, que podem ter pouca credibilidade. 
Não se podia imaginar que um dia a sociedade poderia, tão certeiramente, 
descobrir o autor de um crime e ter provas para culpá-lo, com a progressãoda 
prova em sentido amplo, de maneira testemunhal e, também, material. No mundo 
todo, muitos crimes sempre passaram despercebidos por falta da prova material.
Desde meados de 1870, na França, eram utilizadas fotografias nas fichas 
criminais. O objetivo era que elas servissem como um meio de reconhecimento, 
como um banco de dados para identificação. 
Após alguns anos de tentativa, Alphonse Bertillon (Paris, 1853-1914), famoso 
criminologista francês, emplaca um método científico de reconhecimento dos 
indivíduos e classificação de suas fichas baseado em mensurações antropológicas. 
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
20
Esse método foi adotado internacionalmente e utilizado até 1970. Nesse 
movimento, ferramentas como o retrato falado, as fotografias e, mais à frente, a 
datiloscopia tornam-se procedimentos complementares. 
É que, para Bertillon, somente com a antropometria era possível entregar à 
justiça provas científicas irrefutáveis no que se refere à identificação de um criminoso 
reincidente. O oficial da polícia francesa é considerado o criador da polícia técnica 
moderna e o sistema ficou conhecido como “sistema Bertillon” ou “bertillonagem”.
A partir disso, surge a criminalística. No Brasil, a origem da criminalística 
se confunde com o surgimento da medicina legal, que recebeu forte influência 
da experiência francesa. Na época da administração colonial no Brasil, quase não 
foram feitas pesquisas científicas sobre medicina legal. 
Somente depois do ano de 1832, com o surgimento das faculdades de 
medicina, foram produzidas teses com o tema, devido ao requerimento para 
obtenção do título de graduação. Em torno de 1839, já eram possíveis de serem 
encontrados os primeiros trabalhos sobre o assunto.
Para evidenciar os métodos científicos para resolução de crimes, surgem os 
chamados Institutos de Criminalística, conhecidos também como polícia técnico-
científica, que tem como objetivo a criação dos laboratórios criminalísticos, para 
que seja possível suprir as necessidades de aplicação dos métodos científicos no 
esclarecimento dos crimes. 
A polícia técnica é um órgão da Administração Pública subordinado à 
Secretaria de Segurança Pública na maior parte dos estados nacionais e tem como 
objetivo coletar e analisar as provas periciais. 
A função dos Institutos de Criminalística é contribuir com o exercício das 
perícias criminais, oferecendo, aos peritos, materiais e ferramentas que possam 
ser importantes na descoberta do responsável e na elaboração do laudo pericial. 
Entre suas diversas áreas, cada uma especializada em um diferente tipo 
de perícia, pode-se contar, por exemplo, com áreas de acidente de trânsito, crimes 
contábeis, informática, áreas de exames, análise e pesquisas – instrumental, 
balística, biológica, bioquímica, física e química, entre inúmeras outras.
A criminalística e seus métodos de utilização dos estudos de vestígios 
descobertos no local são essenciais para o esclarecimento de crimes. O 
conhecimento é útil não somente para os peritos criminais, mas também para 
os operadores do direito que se inclinam para compreensão da matéria e sua 
aplicabilidade no âmbito penal, a fim de alcançar credibilidade e autenticidade 
dos fatos necessários para resolução do conflito.
De acordo com o Código de Processo Penal Brasileiro, é mandatório o 
exercício do exame de corpo de delito para os crimes que deixarem vestígios. Isso 
entrega ao juiz meios materiais para a resolução do apurado fato delituoso, pois se 
trata de uma prova importante, científica e isenta, considerando a materialidade. 
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
21
Desde a Constituição Federal de 1988, são confirmados os direitos e 
garantias fundamentais dos cidadãos, a fim de evitar tratamentos injustos ou 
degradantes que precedam a decisão do juiz. Essa é a presunção de inocência, 
preceituada no art. 5, inciso LVII: 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes 
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
LVII- ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de 
sentença penal condenatória (BRASIL, 1988, s.p.). 
No mesmo Art. 5, inciso LV, também é previsto o princípio do contraditório, 
observando o direito à prova para assegurar às partes os recursos suficientes a 
defesa do acusado: “LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, 
e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os 
meios e recursos a ela inerentes” (BRASIL, 1988, s.p.).
É preciso que se busque sempre a justiça nos processos penais, levando em 
consideração o princípio da dignidade humana e a Constituição Federal de 1988. 
Com a prova pericial, então, não é necessário que o magistrado se atenha apenas a 
fatos divulgados por pessoas ou pela confissão, que podem ser menos confiáveis.
2.1 OS FUNDAMENTOS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
Como parte das funções do Estado, estão a proteção dos direitos 
fundamentais e a promoção da justiça. Ao surgir a notícia da prática de um ilícito 
penal, faz-se necessário que, por meio dos órgãos competentes, aplique-se a 
persecução criminal ou penal, que é a mesma coisa que perseguir, no sentido de 
ir atrás da apuração do fato, a fim de confirmá-la, ou não, e, consequentemente, 
se for o caso, iniciar uma ação penal.
Isso é feito, no Brasil, pela polícia judiciária nas fases de averiguação e 
pelo Ministério Público, que por fim pode oferecer denúncia ao juiz, dando início 
à ação penal pública.
A persecução criminal é, portanto, o dever do Estado de promover o processo 
penal acusatório, e a própria investigação que o precede, quando for cabível.
Pode-se definir a investigação criminal, brevemente, como uma atividade 
preliminar que antecede o processo, visando à produção e obtenção de elementos 
de convicção (evidências) acerca da materialidade e da responsabilidade de 
uma ocorrência criminosa.
Quando se fala em diligências, meios e técnicas de investigação, se trata da 
prática dos atos investigativos. Eles normalmente são provenientes do inquérito 
policial, em fase preliminar expressivamente independente se comparado ao 
processo criminal.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
22
No que se refere à esfera criminal, a atividade investigativa é mais marcante. 
São determinadas pela Constituição Federal, as autoridades responsáveis pela 
apuração das infrações penais:
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e 
responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem 
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos 
seguintes órgãos:
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, 
estruturado em carreira, destina-se a:
I- apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em 
detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades 
autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja 
prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija 
repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
 § 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, 
incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia 
judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares 
(BRASIL, 1988, s.p.).
Complementarmente, o artigo 4º do CPP revela que:
Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no 
território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração 
das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº 9.043, 
de 9.5.1995)
Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a 
de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma 
função (BRASIL, 1941b, s.p.).
O Código de Processo Penal regulamentou, com muito mais precisão, 
as normas sobre a investigação, tanto sobre o inquérito policial, quanto por leisexclusivas sobre os métodos de investigação. Sabe-se que isso ocorre, pois fazem 
parte do julgamento de processo criminal vários assuntos sensíveis: direitos como 
a liberdade, honra, intimidade, segurança individual e pública. 
O simples fato de se ajuizar uma demanda judicial injustamente já pode 
estabelecer um dano irreparável ao acusado. E, em contrapartida, a falta de 
preparo do processo a que foi dado início pode culminar na impunidade de um 
indivíduo que mereça uma sanção penal.
Como foi visto no parágrafo único do artigo 4º do Código de Processo 
Penal, além da polícia judiciária, outros órgãos administrativos podem realizar o 
ato investigativo, dentro de suas atribuições legais.
A investigação criminal policial ocorre quando, após notificação de um 
crime, o sistema policial define a polícia judiciária para coordenar a investigação 
preliminar da situação, com o objetivo de obter elementos que possam servir para 
formar a convicção do órgão acusador. 
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
23
A autoridade policial determina a orientação da investigação e decide 
como deve proceder ao ato investigativo: oitiva de testemunhas, corpo de delito 
etc. E delibera, também, quem será responsável por cada função. Se for necessária 
alguma restrição de direitos, como, por exemplo, uma prisão cautelar ou 
interceptação telefônica, deve ser apresentada uma solicitação ao órgão judicial.
Nesse momento, a polícia judiciária atua de forma autônoma em sua 
forma de conduzir a investigação. Não se subordina, funcionalmente, nem ao 
ministério público e nem ao poder judiciário.
O procedimento de investigação alcançado por meio desse sistema é de 
caráter administrativo, e, apesar do nome, a polícia judiciária não está ligada ao 
poder judiciário e não é dotada de poder judicial. É um órgão da administração 
pública, da estrutura do poder executivo. 
A vantagem desse sistema é que nem a polícia tem grande alcance e 
consegue atingir com mais agilidade um local que o poder judiciário e o ministério 
público. No entanto, o fato da polícia ser armada e, consequentemente, representar 
o componente mais perceptível do controle da criminalidade, a faz ter, por vezes, 
a ação mais dirigida a grupos já estigmatizados, ignorando criminosos de classe 
social elevada. Isso fere os princípios de igualdade jurídica.
O discurso da discricionariedade (poder que é entregue para agir 
livremente, dentro dos limites da lei, sem restrição, ou seja, sem estar vinculado à 
uma conduta) pode apresentar algumas alterações na conduta policial.
2.2 OS FINS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
A investigação criminal é pesquisa orientada a estabelecer a verdade 
fática acerca de uma lesão penalmente relevante a um bem jurídico decorrente 
de conduta humana. É pesquisa que se faz a partir de uma hipótese típico-legal 
(direito penal) e segundo formas delimitadas juridicamente (direito processual 
penal). 
É atividade que não se limita a apenas uma fase do processo penal 
(inquérito), pois, paralelamente à interpretação jurídica, percorre todas as suas 
fases. É a parcela do processo que se destina a estabelecer a verdade fática, antes 
que se faça a subsunção dos fatos à norma penal (verdade jurídica), mas ao passo 
que se vai investigando, interpretações não definitivas são necessárias. 
Investigação e interpretação, portanto, não são atividades estanques que 
se realizam sucessivamente, mas simultaneamente, embora sem definitividade, 
até que se chegue a uma sentença penal condenatória. Nesse caminho, vários 
sujeitos processuais intervêm e pesquisas de naturezas diversas se realizam.
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
24
A verdade, contudo, é apenas uma condição necessária (não prescindível), 
mas não suficiente para legitimar as ações de pesquisa e sua forma. Há uma verdade 
processual, validada juridicamente, não uma verdade material. Isso nos exige 
distinguir entre um conceito de verdade, que aspira por ser uma correspondência 
com os fatos, e critérios de verdade, que no direito são delimitados juridicamente. 
São os meios, portanto, não os fins, que justificam a investigação criminal, 
salvo se a ela pudermos atribuir fins, outros além da busca da verdade, o que 
faz desta verdade um valor dependente de outros valores concorrentes. Se ao 
direito se impõe a prevenção de conflitos, ou sua solução posterior sem recurso à 
violência, como forma de promover a paz, não pode a investigação criminal, na 
busca por uma verdade, produzir mais problemas além do que tem a resolver, ou 
mesmo agravá-los.
O escopo da investigação criminal, nesse sentido, é a solução de problemas 
por meios menos gravosos a direitos fundamentais. Assim, se podemos conceber 
caminhos a uma maior eficácia da investigação:
• pelo aumento do poder com uma, cada vez maior, restrição de direitos;
• pelo aumento do saber com uma, cada vez menor, restrição de direitos. 
Apenas este último pode ser o sentido de um aperfeiçoamento da investigação 
como ciência, nas sociedades políticas que têm a forma de Estado de direito.
O fim de uma investigação criminal, ao contrário do que muitos pensam, 
não é a obtenção e produção de elementos que provem a prática de um ilícito. 
Dizer isso seria o mesmo que dizer, também, que toda a instrução preliminar teria 
como objetivo a demonstração de um ilícito, não levando em consideração outros 
elementos que estivessem apontando justamente o oposto.
Com o intuito de comprovar ou não um delito, existe a instrução processual 
propriamente dita, com todos os princípios essenciais a ela, especialmente o 
contraditório e a ampla defesa.
A busca da verdade real (art. 156 do CPP) visa a reconstrução histórica 
da situação, sob juízo, com igualdade das partes no que diz respeito a produção 
das provas, que é o contraditório e a ampla defesa, a fim de que o convencimento 
judicial da sentença seja adequadamente motivado, como prega o princípio do livre 
convencimento motivado ou princípio da persuasão racional (art. 157 do CPP).
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, 
facultado ao juiz de ofício: (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
I– ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção 
antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, 
observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da 
medida; (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
II– determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a 
realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. 
(Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
TÓPICO 2 | FUNDAMENTOS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
25
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, 
as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas 
constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, 
salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e 
outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte 
independente das primeiras. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo 
os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução 
criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. (Incluído 
pela Lei nº 11.690, de 2008)
§ 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada 
inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às 
partes acompanhar o incidente. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 
(BRASIL, 1941b, s.p.).
Pode-se entender, então, que a investigação preliminar não tem como função 
primária comprovar o delito. Se isso fosse verdade, não seria chamada de preliminar 
e quando o procedimento terminasse já se poderia ter a confirmação ou não 
confirmação, ou seja, não seria mais necessário prosseguir o processo. A investigação 
preliminar deve alimentar a ação penal, colhendo elementos para que não se faça 
necessário prosseguir com uma ação sem fundamento oufadada ao fracasso.
Sabe-se que um processo penal traz consigo muitos custos a todos os 
envolvidos. O acusado se submete ao custo de todo o rito processual penal, com 
os ônus e deveres derivados dele e o fator psicológico de estresse e ansiedade 
causados pela espera e desconhecimento do desfecho da ocorrência jurídica. 
Enquanto aguarda, ainda carrega consigo a alcunha de réu. A outra parte, 
que o acusa, seja ela da esfera pública ou privada, mobiliza o sistema judiciário 
e administrativo. Isso custa recursos materiais e ocupa recursos humanos que 
poderiam estar sendo utilizados de outra forma.
Tendo isso em vista, pode-se compreender que não se deve permitir 
que uma acusação informal dê início a abertura de um processo que não esteja 
minimamente fundamentado com indícios produzidos e alcançados no momento 
da investigação. Inclusive, cada vez mais, busca-se a proteção de direitos 
fundamentais e contenção dos poderes do Estado.
É notado, como consequência, que o direcionamento dado preliminarmente, 
pela investigação, tem como função abrir caminho para uma possível ação penal 
de forma responsável, seja ela iniciada por um particular ou pelo Estado. Assim, 
afirma-se que a investigação criminal, seja ela qual for, tem como função oferecer 
elementos que alimentem a acusação e a tornem legítima.
26
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• No Brasil, a origem da criminalística se confunde com o surgimento da 
medicina legal, que recebeu forte influência da experiência francesa.
• Para evidenciar os métodos científicos para resolução de crimes, surgem os 
chamados Institutos de Criminalística, conhecidos também como polícia 
técnico-científica.
• O objetivo da criação dos laboratórios criminalísticos é suprir as necessidades 
de aplicação dos métodos científicos no esclarecimento dos crimes.
• A polícia técnica é um órgão da Administração Pública subordinado à Secretaria 
de Segurança Pública na maior parte dos estados nacionais e tem como objetivo 
coletar e analisar as provas periciais. 
• A criminalística e seus métodos de utilização dos estudos de vestígios 
descobertos no local são essenciais para o esclarecimento de crimes.
• É preciso que se busque sempre a justiça nos processos penais, levando em 
consideração o princípio da dignidade humana e a Constituição Federal de 1988.
• A persecução criminal é o dever do Estado de promover o processo penal 
acusatório e a própria investigação que o precede, quando for cabível.
• Pode-se definir a investigação criminal, brevemente, como uma atividade 
preliminar que antecede o processo, visando à produção e obtenção de elementos 
de convicção (evidências) acerca da materialidade e da responsabilidade de 
uma ocorrência criminosa.
• No que se refere à esfera criminal, a atividade investigativa é mais marcante. 
São determinadas pela Constituição Federal, as autoridades responsáveis pela 
apuração das infrações penais
• A investigação preliminar deve alimentar a ação penal, colhendo elementos 
para que não se faça necessário prosseguir com uma ação sem fundamento ou 
fadada ao fracasso.
27
1 Como vimos, para evidenciar os métodos científicos e solucionar crimes, 
foram instituídos os chamados Institutos de Criminalística ou polícia 
técnico-científica. Explique qual o objetivo e função desses Institutos.
2 Constatamos também que o Código de Processo Penal Brasileiro obriga que 
se faça o exame de corpo delito nos crimes que deixam vestígios. Explique 
a importância dessa norma.
3 De acordo com o que foi visto neste início do estudo sobre investigação e 
perícia, já é possível concluir alguns pontos importantes sobre a importância 
fundamental que a prova pericial tem na persecução do processo penal. 
Com isso, levando em consideração também as normas constitucionais, 
disserte sobre a importância desse tipo de prova.
4 De acordo com os conhecimentos adquiridos, elabore uma linha temporal 
de um processo de investigação, pontuando os momentos de autonomia da 
autoridade policial e sua relação com o Poder Judiciário.
5 Sabemos que não se deve permitir que uma acusação informal dê início à 
abertura de um processo que não esteja minimamente fundamentado com 
indícios produzidos e alcançados no momento da investigação. Cada vez 
mais, busca-se a proteção de direitos fundamentais dos acusados e indiciados 
em detrimento da contenção dos poderes do Estado, por que isso ocorre?
AUTOATIVIDADE
28
29
TÓPICO 3
TEORIA DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Como último tópico da presente unidade deste livro didático, direcionamos 
o aluno para a teoria da investigação criminal per si. Aqui serão vistos dois pontos 
muito importante para aplicação da investigação criminal no ordenamento 
jurídico brasileiro.
Primeiramente, o aluno entenderá a importância da investigação como 
pesquisa, começando a traçar a ponte de pensamento com a obtenção de provas 
durante um processo judicial, tema da Unidade 2 deste livro. Depois, será 
analisado o garantismo penal como ponto central de motivação para a teoria da 
investigação criminal em nosso ordenamento.
Ainda nesse tópico, o aluno encontrará um resumo com destaque apenas 
para subtópicos importantes que aqui forem vistos, além de cinco questões de 
autoatividade para fixação do conteúdo.
2 A INVESTIGAÇÃO COMO PESQUISA
A investigação criminal é o ponto de partida da persecução penal. É o 
início da atividade de verificação de um fato determinado que, por qualquer 
motivo, se acredita que é criminoso.
Ainda que vista de maneira exterior ao processo-crime, a investigação 
propriamente dita, é elemento germinador da origem do saber e do conhecimento. 
É preceito inicial para todas as coisas que o ser humano ambiciona adquirir 
informação. Isso quer dizer que a totalidade das coisas que o homem possui 
conhecimento teve origem no saber e, além disso, os indivíduos estão sempre 
buscando a ampliação desse conhecimento. A investigação, então, é desde a 
pesquisa até o exercício do saber, e isso pode ocorrer tanto por simples curiosidade 
como para o desenvolvimento do intelecto.
Contudo, no âmbito do direito criminal, para mais da investigação que 
apenas procura um conhecimento específico sobre determinado assunto com 
objetivo de mera satisfação pessoal, existe, também, a necessidade de que a 
investigação siga os moldes determinados e disciplinados pelas normas legais, 
de maneira que predomine a satisfação do interesse público. 
30
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
Dessa maneira, a investigação se posiciona como preceito indispensável 
do sistema de justiça criminal, visto que ela se propaga sobre inevitabilidade de 
observação da verdade real e da capacidade de poder provar essa verdade em 
juízo, para que assim seja possibilitado o correto aproveitamento da lei penal.
A investigação criminal transpassa a totalidade de um procedimento de 
apuração da responsabilidade penal do sujeito praticante de um crime. Isso ocorre 
de maneira que, primeiramente, dá-se início à busca pelo conhecimento do fato e 
todas as suas circunstâncias e, em seguida, ocorre a análise dos fatos, levantados 
por meio da busca, pelas autoridades legitimadas pelo sistema de justiça criminal, 
possibilitando, assim, o experimento de uma verdade admissível, fundamentada 
nas informações adquiridas no procedimento de apuração.
Perpetradas as considerações iniciais acima, almejamos, agora, passar a 
estudar a compreensão de investigação criminal sob dois aspectos relevantes, 
quais sejam o prático e jurídico.
Inicialmente, cabe estruturarmos a concepção de investigação criminal 
do aspecto prático. Pode-se dizer que, nesse aspecto, a investigação é elaborada 
como um aglomerado de atividades previamente estabelecidas e devidamente 
formalizadas que, dentro das fronteiras permitidas pela lei, se propõem a 
aperfeiçoar a essência, materialidade, conjunturas e autoria de uma determinada 
infração penal, angariando provas e elementos de informações que poderão ser 
utilizadasna persecução penal.
Já no âmbito jurídico, a investigação criminal poderá ser conceituada 
como uma atividade estatal proposta ao esclarecimento de fatos supostamente 
criminosos. Neste aspecto, a investigação criminal apresentará uma tríplice 
funcionalidade, ou seja, possuirá três funções, quais sejam (DOREA; STUMVOLL; 
QUINTELA, 2006): 
• evitar imputações infundadas (função garantidora); 
• conservar a prova e os meios de sua aquisição (função preservadora); 
• propiciar justa causa para a ação penal ou impedir sua inauguração (função 
preparatória ou inibidora do processo criminal).
IMPORTANT
E
Importante elucidar que essa tríplice funcionalidade da investigação criminal é 
um ensinamento que se encontra subentendido no aparelho constitucional. Mas, na doutrina 
clássica, é amplamente sustentada a chamada função unidirecional da investigação criminal, que, 
sob o olhar desta apostila, se encontra divorciada dos ideais do Estado Democrático de Direito.
TÓPICO 3 | TEORIA DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
31
Para que o procedimento de investigação criminal se efetive 
adequadamente, é necessário que o Estado observe os preceitos constitucionais 
de direitos individuais. Isso porque as garantias fundamentais se desenvolvem 
na forma de dispositivos legais possuidores de caráter negativo, uma vez 
que explicitam as ações que não são possíveis de se efetuar no processo de 
investigação criminal.
Diante de todos os conceitos e percepções auferidas neste tópico, 
conseguimos entender que a investigação criminal oficial, ou seja, aquela que contém 
respaldo constitucional, não poderá ser percebida única e exclusivamente como um 
processo preparatório para a devida persecução penal. Mas, deverá ser percebida 
em conformidade com a tríplice funcionalidade anteriormente aqui referida.
2.1 O GARANTISMO PENAL
A teoria do garantismo penal, pensada pelo jurista italiano Luigi Frajola, em 
sua obra Direito e razão, é o conjunto de teorias penais e processuais que consiste 
basicamente em garantir ou proteger os direitos fundamentais (vida, liberdades civis 
e políticas, expectativas sociais de subsistência dos direitos individuais e coletivos).
Esses direitos representam valores, que sustentam a existência de 
construções abstratas, como o Direito e o Estado Democrático de Direito. A busca 
pelo bem comum e o respeito aos direitos fundamentais são imprescindíveis para 
a manutenção do Estado.
O termo garantismo ingressou no vocabulário jurídico pelos italianos 
dos anos de 1970, mais especificamente no campo do Direito Penal, ainda que 
possa ser ampliada a todo o sistema de garantias dos direitos fundamentais. 
Neste caso, o garantismo pode ser considerado como um sinônimo de Estado 
Constitucional de Direito.
O garantismo permite que o magistrado tenha legitimidade constitucional 
para amparo dos direitos fundamentais individuais e coletivos, mesmo que 
opostamente ao julgamento da maioria, contrariando modelos de abuso dos 
direitos de pena. Ele não deve ignorar quaisquer violações ou ameaças da perda 
de direitos fundamentais já constitucionalmente consagrados.
O sistema de garantismo penal se apoia em alguns princípios básicos 
(axiomas) que devem servir para limitar o abuso da punição e garantir direitos e 
credibilidade jurídica. De acordo com a clássica obra de Luigi Ferrajoli, Direito e 
razão (2014), são eles:
• Nulla poena sine crimine (não há pena sem crime): princípio da retributividade 
ou da consequencialidade da pena em relação ao delito.
• Nullum crimen sine lege (não há crime sem lei): princípio da legalidade, tanto 
no sentido lato quanto no sentido estrito.
32
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
• Nulla lex (poenalis) sine necessitate (não há lei penal sem necessidade): 
princípio da necessidade ou da economia do direito penal.
• Nulla necessitas sine injusria (não há necessidade sem ofensa ao bem jurídico): 
princípio da lesividade ou ofensividade do evento.
• Nulla injuria sine actione (não há ofensa ao bem jurídico sem ação): princípio 
da materialidade ou da exterioridade da ação.
• Nulla actio sine culpa (não há ação sem culpa): princípio da culpabilidade ou 
da responsabilidade pessoal.
• Nulla culpa sine judicio (não há culpa sem juízo): princípio da jurisdicionalidade 
no sentido lato ou estrito.
• Nulla judicium sine accustone (não há juízo sem acusação): princípio 
acusatório ou da separação ente o juiz e a acusação.
• Nulla accusatio sine probatione (não há acusação sem prova): princípio do 
ônus da prova ou da verificação.
• Nulla probatio sine defensione (não há prova sem defesa): princípio do 
contraditório ou da defesa ou da falseabilidade.
Sobre estes princípios que regem o garantismo penal, alguns merecem 
que destinemos um tempo para observações específicas quanto sua efetividade 
dentro do processo de investigação criminal.
Primeiramente, cabe falarmos sobre a fundamentação das decisões 
judiciais, que visam proporcionar para as partes envolvidas no processo pena 
a garantia de que existiu, por parte do magistrado, o devido cumprimento das 
normas e o respeito aos direitos e garantias do acusado. E, também, a demonstração 
da existência de provas satisfatórias para o abatimento do princípio da presunção 
da inocência de tal modo que se efetue uma condenação adequada. 
Deste modo, é possível efetuar uma avaliação sobre a investigação 
criminal observando se a figura do “poder” predominou sobre a “racionalidade” 
da decisão judicial. De acordo com Aury Lopes Junior (2001, p. 47): 
O mais importante é explicar o porquê da decisão, o que o levou a tal 
conclusão sobre a autoria e materialidade. A motivação sobre a matéria 
fática demonstra o saber que legitima o poder, pois a pena somente 
pode ser imposta a quem – racionalmente – pode ser considerado 
autor do fato criminoso imputado.
Já, quando se fala no princípio da jurisdicionalidade estamos tratando de 
manter unicamente, a cargo do Poder Judiciário, a imposição da pena por meio 
do processo como um percurso imprescindível. Assinala, também, o direito ao 
juiz natural, a independência da magistratura (que implica imparcialidade) e a 
exclusiva submissão à lei.
O princípio acusatório trata da separação das atividades de julgar e acusar 
com o objetivo de promover a imparcialidade do juiz e conter sua atuação à prévia 
provocação através de ação penal. O juiz deve ser um espectador e não um ator.
TÓPICO 3 | TEORIA DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
33
Passemos agora a avaliar o princípio da presunção de inocência. Este 
princípio determina que o imputado deverá ser respeitado como inocente até o 
momento do trânsito em julgado de sentença condenatória que o julgue culpado. 
Esse princípio também insinua que o ônus da comprovação de provas é 
incumbência da parte acusadora, e que se encontra na obrigatoriedade dentro 
um processo penal apropriado, com o cumprimento da totalidade dos direitos 
e garantias do acusado (devido processo legal, ampla defesa, contraditório etc.) 
além também da observância do julgamento, ao final, por sentença. 
Ainda, a presunção de inocência faz com que o magistrado mantenha, 
obrigatoriamente, uma “posição negativa” em face do acusado, não podendo 
avaliá-lo como culpado previamente. Mas, sobretudo, obriga também o 
magistrado a tomar uma “postura positiva”, tratando o acusado, verdadeiramente, 
como inocente até que se prove o contrário. Determinando, ao mesmo tempo, 
que a fundamentação da sentença apareça como um campo de “controle da 
racionalidade do magistrado”.
Por último, despendemos um tempo para explicar o princípio do 
contraditório, que incide no enfrentamento entre as hipóteses levantadas pela 
acusação e pela defesa, constituindo assim uma uniformidade de armações 
(igualdade processual) entre os dois lados. Assim, fazendo valer também o 
princípio da equidade entre as partes, pressuposto maior de Justiça. 
IMPORTANT
E
Cabe fixar, para aqueles que não possuem proximidade com o a estrutura 
jurídico-administrativa de nosso país, que o Brasil éum Estado Democrático de Direito. Isto 
quer dizer, que o indivíduo em nosso Estado está posicionado em evidência, juntamente 
com a persecução do bem comum como objetivo do Estado e o respeito aos direitos e 
garantias individuais.
34
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
LEITURA COMPLEMENTAR
A PERÍCIA E A PROVA NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL: 
ASPECTOS RELEVANTES
Ramatis Vozniak de Almeida
A humanidade, já à época das antigas civilizações greco-romanas, visava a 
análises mais acuradas de fatos que impunham relevância para a sociedade e para 
determinados grupos. Mas foi com o pensamento renascentista que tais análises 
ganharam contornos metodológicos, bem como principiológicos inerentes a um 
trabalho de natureza científica. 
Assim, a curiosidade do homem em conhecer os fenômenos naturais, 
os fatos sociais e, sobremaneira, a própria natureza humana, impulsionou-o a 
desenvolver técnicas de análise que justificassem, de forma palpável, com base 
na razão e não mais na fé, tais fatos e os eventos naturais. Daí nasceu o que se 
entende por perícia. 
O termo perícia, originário do latim peritia, quer dizer habilidade especial. 
Na verdade, é a técnica especializada para se realizar uma análise detida, 
minuciosa, numa determinada área de conhecimento, podendo-se, para tanto, 
valer de conhecimentos particulares a áreas diversas a do objeto em estudo, a fim 
de respaldar cientificamente o trabalho investigativo. 
O trabalho pericial e a figura do perito têm recebido, há um bom tempo, 
expressão singular em razão da importância para a sociedade em geral, inclusive 
respaldo jurídico, principalmente por tentar recompor, na seara criminal, a 
verdade real, e não a formal. 
Ou seja, através da perícia, a comunidade jurídica tem se deparado com 
propostas razoáveis, ponderadas e mais propensas a, dentre outros, recompor 
o que provavelmente ocorreu em cada caso ou a descrever, com certo grau de 
certeza, o que de fato era o objeto ou a situação em análise. 
O perito, sem dúvida, tem papel de suma relevância no trabalho cognitivo 
do juiz quando da valoração das provas, em questões que o magistrado – embora 
douto, porém humano – não detenha a habilidade e conhecimento técnico 
suficiente para motivar sua decisão.
É por isso que o perito precisa apresentar um perfil compatível com sua 
missão: a de auxiliar do juízo. Assim, além de demonstrar sua habilidade em 
determinada área, precisa considerar seu conhecimento adquirido, bem como 
as experiências de outros experts e, ainda, respaldar-se nas normas e princípios 
estabelecidos pelo ordenamento jurídico pátrio. 
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO
35
No Brasil em particular, as regras da perícia foram promulgadas em 1939, no 
Código de Processo Civil, mas foi com o Código de 1973 que se apresentaram mais 
de forma mais ampla, transparente e mais tranquila no que toca à sua aplicabilidade. 
Na esfera penal, o Código de Processo Penal previu desde 1940 as regras 
que normatizam a atuação do perito nesse campo.
A Criminalística, em síntese bem apertada, trata-se da disciplina que 
estuda os vestígios materiais relacionados ao crime e ao criminoso, a partir do 
reconhecimento e interpretação desses elementos, à luz de técnicas científicas de 
áreas diversas, como a Medicina Legal, a Física, a Informática, a Bioquímica, bem 
como as que lhe são próprias. 
A atuação investigativa de natureza técnico-científica da polícia é bem atual. 
De acordo com os dados históricos, até o século XIX, ela se valia, basicamente, dos 
conhecimentos e da atuação da Medicina Legal. Por isso, a maioria das análises 
limitava-se aos crimes cometidos contra a pessoa. 
Quando ocorria um homicídio, havia, pois, uma exigência de se identificar a 
causa mortis; quando eram constatadas lesões corporais, visava-se à análise da extensão 
do dano e do instrumento que provavelmente fora utilizado para lesar a vítima. 
Diversas técnicas de perícia foram unificadas na Idade Média, e com 
o renascimento científico e cultural dos séculos XV e XVI, começa a surgir a 
Criminalística, especializando-se, ramificando-se, sendo os ramos mais antigos 
os da Medicina Legal, da Odontologia e da Papiloscopia Forense, remontando-se 
à Idade Moderna. Atualmente há cerca de 32 especialidades forenses no Brasil.
Como dito, ao longo do tempo, foram registradas várias técnicas 
vinculadas à análise da integridade física do homem. Como exemplo, tem-se o 
estudo e classificação da impressão digital para identificação criminal, em 1892, 
por Juan Vucetich, utilizado na América Latina, e o de Edward Richard Henry, 
em 1896, bastante difundido na Europa e na América do Norte. 
Vale destacar que os chineses analisavam impressões digitais para 
identificar documentos desde os anos 700, sem que houvesse qualquer sistema de 
classificação, e que Sir Willian Herschel, em 1856, iniciou a técnica de usar digital 
de polegares com o fito de substituir a assinatura de analfabetos. 
Ainda a título de exemplo, tem-se a identificação de tipos sanguíneos, em 1900, 
por Karl Landsteiner, e adaptada por Max Richter para análise das manchas de sangue. 
A Criminalística ganhou destaque com o alemão Hans Gross (ele próprio 
um jurista austríaco de renome), em 1891, ao publicar a primeira literatura sobre 
essa disciplina e, nesse trabalho, valeu-se de evidências físicas para descrever e 
solucionar crimes. 
36
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
Mas essa terminologia só foi originada em 1893 com o seu Tratado de 
Criminalística, sendo ele considerado por muitos como o principal precursor 
da Criminalística em seu viés científico. Pode-se destacar também a obra de 
Sir Francis Galton, intitulada Fingerprints, de 1892, no sentido de estudo de 
aplicação criminalística. 
Igual destaque merecem as inovadoras – à época do século XIX – técnicas 
de investigação desenvolvidas na França e na Inglaterra, por irem além das que 
envolviam os crimes contra a pessoa. Surgia, então, a análise técnico-científica em 
documentos falsificados, a Documentoscopia, técnica própria da Criminalística. 
Não se pretende aqui fazer injustiça em não destacar as contribuições 
da América latina em pioneirismo nos trabalhos periciais, especialmente na 
Argentina, no Brasil, e no Chile, desde o início do séculos XX. Entretanto, isso 
mereceria um denso estudo à parte, especialmente em se tratando dos relatos 
históricos das perícias estaduais e federais brasileiras. 
Além dessas, houve outras inovações relevantes para a formação do que 
hoje se entende por Criminalística. Talvez urja uma reunificação das perícias 
forenses, mas, sem dúvida, em razão da complexidade e celeridade – sobretudo no 
que concerne às invenções tecnológicas e às variadas estruturas sociais – inerentes 
às sociedades contemporâneas, bem como em face da fragilidade de provas, como 
a confissão e o testemunho, e da diversificação das práticas delituosas, houve 
uma necessidade de se desenvolver novas técnicas para a investigação e combate 
a crimes como a “lavagem” de dinheiro, o dano ao meio ambiente, as infrações 
via internet, reconhecimento de voz de locutor etc. 
Alguns estudiosos consideram ramos da ciência oficial como a psiquiatria, 
a psicologia, a psicopatologia, a antropologia, a sociologia, e a própria política, 
ramos afeitos à criminologia, atualmente ainda subutilizadas para fins periciais. 
Outros consideram até o uso da parapsicologia e de pessoas sensitivas, psicografia, 
psicometria etc. A perícia poderia ser reescrita, enfocando-a em seu “sacerdócio”, 
sua proficiência. Deve-se considerar que o modelo policial e pericial atual 
encontra-se em mutação, realizando sua ruptura epidérmica.
Por isso que a Criminalística avançou no sentido de ir para além de uma 
abordagem de crimes contra pessoa, incorporando técnicas de outros ramos da 
ciência, criando também técnicas exclusivas, como dito alhures, pois sempre se 
ocupou da linha investigativa para resolução técnico-científica de crimes e, por 
consequência, para o combateà impunidade. 
Nesse sentido, destaca Rabelo sobre a Criminalística: 
[...] uma disciplina técnico-científica por natureza e jurídico-penal por 
destinação (grifou-se), a qual concorre para a elucidação e a prova das 
infrações penais e da identidade dos autores respectivos, por meio da 
pesquisa, do adequado exame e da interpretação correta dos vestígios 
materiais dessas infrações.
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS SOBRE INVESTIGAÇÃO
37
Há, pois, uma necessidade de se entrar em sintonia com a modernidade 
da perícia, fruto do trabalho investigativo de natureza técnico-científica, está 
bem estruturada organizacionalmente, de ter uma autonomia para livrar-se da 
possível parcialidade num estudo de caso em litígio. 
É preciso fomentar o investimento material, bem como humano como 
têm feito a França, a Inglaterra, a Alemanha, a Espanha, os Estados Unidos da 
América, dentre outros, mesmo do mundo oriental. É preciso estabelecer um 
léxico comum, uma retórica nacional e universal, uma compreensão dos fatores 
reais de poder da perícia, uma metrologia forense, um programa de certificação 
de qualidade para a admissibilidade das provas em juízo. 
Necessário se faria o estudo dos princípios para a admissibilidade das 
provas em juízo, aliado com a aplicação de ISOs como a 17020, para locais de 
crime, e da 17025 para exames laboratoriais. Isso envolveria, no mínimo, a 
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT e o instituto Nacional de 
Metrologia – INMETRO, senão outros, além do ambiente da segurança pública. 
Esses princípios já vem sendo discutidos nos EUA e Canadá em casos como 
Daubert v. Merrell Dow Pharmaceuticals, Inc., General Electric v. Joiner, Gross v. 
Comissioner, KW Plastics v. United States Can. Co., The Cayuga Indian Nation of New 
York v. George E. Pataki, Frye v. USA, Kumho Tire Company, Ltd., v. Carmichael, Berry 
v.CSX Transportaion, INC, R. v. Blanckard. 
No caso da perícia, como sendo atividade técnico-científica, pode-se 
ponderar a conjugação desses princípios com o princípio da incerteza ou da 
determinação, de Werner Heisenberg, no tocante à capacidade de medirmos ou 
determinarmos algo (apontado inclusive por Sigmund Freud em seus estudos 
sobre o psiquismo humano).
É nessa sintonia que o Brasil precisa estar, afinal as polícias investigativas 
reclamam por melhorias, sobretudo as da esfera estadual, por se encontrarem 
algumas em estado de calamidade pública, acarretando vários problemas sociais 
como o aumento de crimes em razão da certeza da impunidade. 
Porém, não se pode negar que a de nível federal vem obtendo maior 
expressão justamente por haver uma luta incessante dos peritos para melhoria 
institucional como um todo e por isso tem conseguido mostrar respostas céleres e 
científicas à sociedade, sendo certo que ainda há muito por se conquistar.
Sob outros pontos de vista um tanto quanto metafísicos ou jusfilosóficos, 
poder-se-ia pensar a perícia antropologicamente ou sociologicamente, percebendo 
que os peritos precisam ser atores da história, precisam pensar diferente do 
enfoque da maioria dos cidadãos comuns, precisam ver e sentir diferente (como 
poderia afirmar Michel Foucault), ou que atuam de forma neopositivista (referente 
aos estudos de Karl Popper), realizando uma reconstrução racional dos fatos a 
partir das evidências coletadas, tratando a técnica como procedimento, modo, e o 
método como estratégia de abordar o objeto. 
38
UNIDADE 1 | TEORIA GERAL DA INVESTIGAÇÃO
Marilena Chauí, em seus estudos dos princípios da razão, poderia 
afirmar que os peritos construíram uma vivência que abarca o sujeito, objeto e 
ação num mesmo momento. Alguns diriam que a perícia, como ciência, deve 
afirmar, revolucionar. 
Temos que pensar em como se sentem os peritos como profissionais: 
Angustiados, perseverantes, insatisfeitos, incompletos? Se a perícia é um 
paciente, do que ela precisa? A segurança pública e a perícia precisam completar 
seu amadurecimento no Brasil. 
Um cargo de auxiliar de perícias certamente que necessita, em função 
de acúmulos de trabalhos e de desvios de tempo e energia dos profissionais em 
tarefas menores, quando poderiam ser delegadas a auxiliares.
FONTE: ALMEIDA, R. V. A perícia e a prova na investigação criminal: aspectos relevantes. 2009, 
92f. Monografia (Bacharelado em Direito) – Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas, 
Universidade federal do Acre, Rio Branco, 2009. Disponível em: <http://www.conteudojuridico.
com.br/pdf/cj040423.pdf>. Acesso em: 7 maio 2019.
39
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A investigação criminal é o ponto de partida da persecução penal. É o início da 
atividade de verificação de um fato determinado que, por qualquer motivo, se 
acredita que é criminoso.
• No âmbito do direito criminal existe a necessidade de que a investigação siga 
os moldes determinados e disciplinados pelas normas legais, de maneira que 
predomine a satisfação do interesse público.
• A concepção de investigação criminal do aspecto prático é elaborada como 
um aglomerado de atividades previamente estabelecidas e devidamente 
formalizadas dentro das fronteiras permitidas pela lei.
• Já no âmbito jurídico, a investigação criminal poderá ser conceituada como uma 
atividade estatal proposta ao esclarecimento de fatos supostamente criminosos.
• Para que o procedimento de investigação criminal se efetive adequadamente, é 
necessário que o Estado observe os preceitos constitucionais de direitos individuais.
• A teoria do garantismo penal, é o conjunto de teorias penais e processuais que 
consiste basicamente em garantir ou proteger os direitos fundamentais.
• É fundamental que façamos uma reflexão acerca dos limites da investigação 
criminal. Para isso, inicialmente, cabe elucidar que o direito penal não possui 
como função essencial a condenação dos indivíduos às penas nele tipificadas.
• Esse tipo de ação acabaria por representar uma espécie de coerção estatal, que 
se utilizaria do processo penal como utensílio viabilizador de abuso de poder 
por parte do Estado. Esta certamente não é a intenção do legislador, até por 
que, agindo desta forma, o Estado não estaria evitando a prática de crimes, 
que é o objetivo maior da norma penal. Assim, o direito penal se dispões, 
prioritariamente, a resguardar o indivíduo perante o Estado.
• Ocorre que, em que pesa a lei penal, não possuir intenção de possibilitar o 
abuso de poder por parte do Estado, ela acaba por muitas vezes legitimando tal 
violência, estando vinculada diretamente a ela e a controlando. O princípio da 
legalidade representa, portanto, além da retomada do antropocentrismo social, 
também, uma conquista individual para os cidadãos.
• O princípio da legalidade é preceito fundamental para evitar a legitimidade 
de violência estatal em face dos cidadãos, visto que ele resguarda a justiça 
nas alterações estruturais políticas e econômicas, além de garantir a evolução 
prudente da democracia, tudo isso motivado pela limitação do poder do Estado.
40
• O direito penal e processual penal apresentam como instrumentos para 
que obtenhamos uma concretização verdadeira da figura de um Estado 
Democrático de Direito, para isso deve ser utilizado com o objetivo essencial 
de possibilitar respeito aos direitos e garantias individuais arrolados em nossa 
Carta Constitucional.
• A primazia do indivíduo em face do Estado e da sociedade é fundamento 
histórico-filosófico de todo o ordenamento jurídico brasileiro, assim sendo, 
como parte desse ordenamento, o Direito Penal não se encontra legitimado a 
exercer funções das quais não seja possível atribuir compatibilidade com os 
fins e o modelo do Estado determinados constitucionalmente.
• Por fim, lembramos que o ordenamento jurídico brasileiro não é neutro, uma vez 
que se encontra entusiasmado por importâncias, princípios e concepções, que 
evitam o aproveitamento de normas desarmônicas como texto constitucional.
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando emfacilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
41
1 (MPDFT, 2013) Assinale a alternativa que NÃO SE AJUSTA à doutrina do 
garantismo penal, em sua concepção clássica:
FONTE: <https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes/9b0b976c-26>. 
Acesso em: 7 maio 2019.
a) ( ) A interpretação da lei nunca é uma atividade exclusivamente 
recognitiva, mas é sempre fruto de uma escolha prática a respeito de 
hipóteses interpretativas alternativas. 
b) ( ) O problema do garantismo penal é elaborar técnicas no plano teórico, 
torná-las vinculantes no plano normativo e assegurar sua efetividade 
no plano prático. 
c) ( ) Na aplicação da lei penal, o julgador, preocupado com a legitimação da 
atividade jurisdicional e com a adesão social a seus atos, deve orientar 
suas decisões em conformidade com o consenso da população. 
d) ( ) O direito penal é necessário como técnica institucional de minimização 
da reação violenta ao desvio socialmente não tolerado e como garantia 
do acusado contra os arbítrios, os excessos e os erros conexos a formas 
não jurídicas de controle social. 
e) ( ) As garantias penais não servem tanto para legitimar ou validar, senão 
mais para deslegitimar o abuso da potestade punitiva.
2 (FCC, 2018) O desenvolvimento teórico do garantismo é atribuído 
especialmente a Luigi Ferrajoli. A partir de suas ideias,
FONTE: <https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes/094dacea-27>. 
Acesso em: 7 maio 2019.
a) ( ) o sistema penal oficial deve, ao fim e ao cabo, ser substituído por formas 
alternativas de resolução de conflitos.
a) ( ) mais que evitar a prática de crimes, a pena se legitima por coibir reações 
informais violentas.
a) ( ) embora tenha origem e matiz iluminista, atualmente encontra-se em 
direção oposta, como se pode extrair de seu decálogo teórico axiomático.
a) ( ) possui aplicação direta em qualquer sistema penal e encontra respaldo 
na Constituição Brasileira por via interpretativa, por se tratar de um 
sistema democrático que tem como pressuposto a prevenção geral e 
especial negativa.
a) ( ) foi adotado pelas linhas abolicionistas como uma possível solução à 
crise do sistema penal.
AUTOATIVIDADE
42
3 (FUNDEP, 2011) Sobre as possíveis leituras do garantismo, na perspectiva 
dos direitos fundamentais, é CORRETO afirmar que
FONTE: <https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes/06c2c3e9-dd>. 
Acesso em: 7 maio 2019.
a) ( ) a concepção de um “garantismo positivo” alia-se ao princípio da 
proibição de proteção deficiente, trazendo como consequência a extensão 
da função de tutela penal aos bens jurídicos de interesse coletivo.
b) ( ) o pensamento garantista se funda, em seu modelo clássico, em princípios 
que se opõem à tradição jurídica do iluminismo e do liberalismo.
c) ( ) o garantismo, na concepção de Ferrajoli, tem como objetivo principal 
edificar um conceito específico para a criminologia, a partir da discussão 
da legitimidade da intervenção penal, não se ocupando, por isso, do 
estudo da qualidade, quantidade e necessidade da pena.
d) ( ) a proposta do garantismo pode ser sintetizada na tentativa de arrefecer 
os princípios fundamentais que devem orientar o direito penal em um 
sistema. 
4 (MPT, 2017) Sobre o garantismo jurídico, analise as proposições a seguir:
I- O garantismo jurídico surge nos anos 1970, na Itália, restrito ao Direito 
Penal, como movimento em oposição à redução dos direitos e garantias 
penais e processuais penais, em reação a uma legislação de exceção 
implementada sob a justificativa do combate ao terrorismo.
II- Atualmente, o garantismo jurídico é entendido de maneira mais ampla, 
sendo um modelo de Direito que subordina os poderes à garantia dos 
direitos, submetendo a sua atuação, em primeiro lugar, à efetivação dos 
direitos humanos e direitos fundamentais.
III- O garantismo jurídico pode ser entendido como sinônimo de Estado 
Constitucional de Direito, em oposição ao paradigma clássico de Estado 
Liberal, alargando-o em duas direções: de um lado, a todos os poderes 
públicos, não só submetendo o Judiciário, mas também o Legislativo e 
o Executivo; e, de outro lado, também aos poderes privados, incluindo 
nestes o poder econômico, impondo limites à liberdade de mercado.
IV- Nos dias de hoje é necessário estender o paradigma garantista aos 
novos poderes e instituições supraestatais, devido ao fato de que o 
constitucionalismo estatal é inadequado para enfrentar a crise da 
capacidade regulatória do Direito em relação a emergências planetárias, 
tais como: crise política e econômica; crise humanitária e social; crise 
ambiental; questão nuclear e questão criminal e corrupção dos poderes. 
No âmbito dos Estados Nacionais, o garantismo jurídico não encontra mais 
lugar, devido à necessidade de enfrentamento do terrorismo, da corrupção 
espraiada no poder político e da premência de crescimento econômico.
43
Assinale a alternativa CORRETA:
FONTE: <https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes/9e20cb72-76>. 
Acesso em: 7 maio 2019.
a) ( ) Apenas a assertiva IV está incorreta.
b) ( ) Apenas a assertiva I está incorreta.
c) ( ) Apenas a assertiva II está correta.
d) ( ) Todas as assertivas estão corretas.
e) ( ) Não respondida.
5 (UFMT, 2017) A investigação no exercício profissional, favorecida pelas 
atividades de pesquisa e de sistematização, colabora para o fortalecimento 
de sua dimensão.
FONTE: <https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/questoes/cf9195b8-33>. 
Acesso em: 7 maio 2019.
a) ( ) Ética.
b) ( ) Política.
c) ( ) Instrumental.
d) ( ) Teórica.
44
45
UNIDADE 2
DAS PROVAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• definir as noções básicas acerca das provas na investigação;
• identificar os fundamentos da prova no processo penal brasileiro;
• analisar as principais ferramentas de investigação pericial;
• perceber as diferenças entre investigação criminal, ciência e direito;
• identificar a organização pericial no Brasil.
Esta unidade está organizada em três tópicos. Em seu decorrer você 
encontrará dicas, textos complementares, observações e atividades que lhe 
darão maior compreensão dos temas a serem abordados.
TÓPICO 1 – AS PROVAS NO PROCESSO PENAL BRASILEIRO
TÓPICO 2 – A ORGANIZAÇÃO PERICIAL
TÓPICO 3 – PROVA PERICIAL
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
46
47
TÓPICO 1
AS PROVAS NO PROCESSO PENAL BRASILEIRO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, como início do fio condutor que nos levará à compreensão 
eficaz acerca de questões com maior relevância na perícia investigativa para a 
ciência na atualidade, pretendemos delinear pontos relevantes sobre as provas 
dentro da teoria geral da perícia, com foco em provas criminais abrangidas 
pelo ordenamento penal brasileiro. Assim, o que pretendemos é proporcionar 
uma análise ampla sobre os estudos da prova na investigação científica e, 
posteriormente, na investigação criminal. 
A absorção do conteúdo deste tópico dar-se-á com a compreensão do papel 
das provas dentro do processo penal brasileiro, distinção e identificação dos tipos 
de provas periciais aceitas no devido processo legal, e analise da organização 
pericial em nosso país, observando o papel do Ministério Público, a extensão da 
autonomia do profissional do perito e, ainda, o entendimento da perícia como 
elemento importante na promoção da justiça.
FIGURA 1 – CENA DO CRIME
FONTE: www.oarquivo.com.br/variedades/ciencia-e-tecnologia/5169-medicina-legal-e-
per%C3%ADcia-m%C3%A9dica.html. Acesso em: 29 nov. 2019.
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
48
2 A PROVA
Pretendemos dispender nosso conteúdo para análise da prova, importante 
elemento nos estudos da perícia criminal. As provas exercem papel fundamentalna perícia — a busca da verdade —, e conseguem trazer para a análise do caso a 
comprovação ou não da existência de determinado fato. Provar, basicamente, é a 
ação de evidenciar a presença da verdade dentro de fatos narrados.
Dentro do âmbito jurídico, a prova é caracterizada pelos instrumentos 
aproveitados pelas partes de determinada relação processual, ou pelo juiz, com 
a finalidade de determinar a veracidade de acontecimentos ou argumentações 
no decorrer da fase processual. Podemos afirmar, então, que a prova é um 
instrumento de averiguação.
O objetivo da persecução de provas dentro do processo, primeiramente, 
é obter o convencimento do magistrado sobre o que as partes alegam. É de suma 
importância que o juiz conheça com profundidade o objeto dos litígios jurídicos 
cujas decisões estejam sob seu julgamento, para que as decisões consigam 
alcançar a razoabilidade esperada. Para isso, é necessário que as provas, durante 
o processo, sejam apontadas de maneira idônea e legítima, pois será objeto de 
análise por meio de provas todo acontecimento, argumentação e eventualidades 
passíveis para o surgimento de dúvidas no litígio.
De acordo com o princípio da economia processual, fixamos que as produções 
de provas devem se restringir aos elementos verdadeiramente decisivos para o esclarecimento 
da causa em análise, conforme o artigo 77, inciso III, do Código de Processo Civil.
ATENCAO
Cabe, de pronto, averiguarmos a preocupação do legislador em esclarecer 
os elementos que não necessitam de provas. Para tanto, vejamos o artigo 374 do 
Código de Processo Civil:
Art. 374. Não dependem de prova os fatos:
I- notórios;
II- afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária;
III- admitidos no processo como incontroversos;
IV- em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade.
TÓPICO 1 | AS PROVAS NO PROCESSO PENAL BRASILEIRO
49
Os considerados fatos notórios pelo legislador são aqueles cuja relevância 
atingiu ramos midiáticos. Pode-se dizer que é a verdade observada por todos 
dentro de determinado grupo social, ou seja, para caracterizarmos um fato como 
notório não é suficiente apenas a publicidade na imprensa, mas também que 
parte da comunidade tenha conhecimento da veracidade do fato.
No processo civil, um dos tipos de prova admitidos é a confissão ficta, 
que ocorre quando a parte, ainda que intimada, não esteja presente em juízo ou, 
comparecendo, se negue a prestar depoimento. Nesses casos, é permitido ao juiz 
que aplique pena de confissão para esta, conforme o artigo 385 do Código de 
Processo Civil.
Já no âmbito do direito penal, ocorre que, independentemente de o 
acusado reafirmar as alegações feitas pela vítima, o magistrado poderá dispensar 
a prova seguindo o princípio da verdade real. Portanto, no ordenamento criminal 
é necessário que sejam comprovados os ocorridos de maneira fática, não sendo 
suficiente apenas a confissão do acusado.
O princípio da verdade real busca a perseguição da realidade fática. O objetivo é 
se aproximar do que realmente ocorreu por meio de provas concretas, evitando que ocorram 
presunções ou sejam consideradas ficções.
ATENCAO
Portanto, no direito penal existe a obrigatoriedade de prova categoricamente 
definitiva para que se impute pena ao réu em julgamento. Inclusive, é o princípio 
da verdade real que justifica o exposto no artigo 156 do Código de Processo Penal 
brasileiro. Vejamos:
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, 
facultado ao juiz de ofício:
I- ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção 
antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando 
a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida;
II- determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a 
realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. 
Desse modo, podemos afirmar que, no âmbito do processo penal, o 
magistrado não só poderá como deverá incentivar a produção de provas, a fim de 
esclarecer dúvidas que possam ter relevância na aplicação de sua sentença. 
Uma das maneiras de prova aceitas em nosso ordenamento é a prova 
pericial, que, inclusive, existindo mais de um processo entre as partes, poderá ser 
utilizada como prova emprestada, caso tenha sido produzida perante o mesmo 
juízo. Além disso, este tipo de prova também é submetido ao contraditório.
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
50
Em alguns casos, existirá o que chamamos de presunção legal, ou seja, fatos 
guarnecidos pela lei. Nesses casos, a prova será dispensada nos âmbitos do direito civil e 
criminal.
ATENCAO
Por fim, é de fácil absorção o fato de que o estudo sobre a prova é 
parte indispensável dentro da Ciência Processual, uma vez que são as provas 
fundamentais para todo o deslinde processual. Um processo sem a presença 
de provas válidas, embora contenha importantes discussões doutrinárias e até 
jurisprudenciais, não terá êxito em sua conclusão. Logo, para o ordenamento 
jurídico brasileiro, são válidas as provas que seguem as normas da legislação 
vigente, além de princípios doutrinários do âmbito jurídico. 
FIGURA 2 – MAPA CONCEITUAL: AS PROVAS NO PROCESSO PENAL
A REALIZAÇÃO DAS BUSCAS 
DOMICILIARES DEVEM SER 
EXECUTADAS DURANTE O DIA, 
SALVO SE O MORADOR CONSENTIR 
QUE SE REALIZEM À NOITE, E, 
ANTES DE PENETRAREM NA CASA, 
OS EXECUTORES MOSTRARÃO E 
LERÃO O MANDADO AO MORADOR, 
OU A QUEM REPRESENTE.
A BUSCA QUE ATINGIR MULHER 
SERÁ FEITA POR OUTRA MULHER, 
DESDE QUE NÃO IMPLIQUE 
RETARDAMENTO OU PREJUÍZO 
DA DILIGÊNCIA; DO CONTRÁRIO, 
PODERÁ SER REALIZADA POR 
HOMEM, NÃO CARACTERIZANDO 
CONSTRANGIMENTO LEGAL
DOMICILIAR
QUANDO A AUTORIDADE POLICIAL, 
EM PODER DO MANDADO 
EXPEDIDO, APRENDERÁ ALGUMA 
COISA NA CASA/DOMICÍLIO
PESSOAL
QUANDO HÁ FUNDADAS SUSPEITAS 
DE QUE ALGUÉM OCULTE CONSIGO 
ARMA DE FOGO, SUBSTÂNCIA 
ENTORPECENTE OU OUTROS 
OBJETOS
BUSCA
DILIGÊNCIA DESTINADA A 
ENCONTRAR PESSOAS OU COISAS
APREENSÃO
DILIGÊNCIA REALIZADA PARA 
APREENDER O BEM QUE FOI 
ENCONTRADO
TEM O INTUITO DE PRESERVAR 
AS PROVAS DO CRIME, FAZENDO 
COM QUE AS MESMAS NÃO 
DESAPAREÇAM, O QUE TORNARIA 
DIFÍCIL SEU APROVEITAMENTO 
PARA A INSTRUÇÃO DO PROCESSO
PESSOAS QUE EM RAZÃO DA FUNÇÃO, 
MINISTÉRIO, OFÍCIO OU PROFISSÃO DEVEM 
GUARDAR SEGREDO ESTÃO PROIBIDAS DE 
DEPOR, EXCETO SE FOREM DESOBRIGADAS 
PELA PARTE INTERESSADA E QUISEREM 
DAR SEU TESTEMUNHO
ASCENDENTES, DESCENDENTES, PARENTES EM 
LINHA RETA, CÔNJUGE (MESMO DESQUITADO), 
IRMÃOS, PAIS, FILHOS (INCLUSIVE ADOTADOS) DO 
ACUSADO ESTÃO LIBERADOS DA OBRIGAÇÃO DE 
DEPOR, EXCETO QUANDO NÃO FOR POSSÍVEL, 
POR OUTRO MODO, OBTER OU INTEGRAR A PROVA 
DOS FATOS.
ESSAS PESSOAS ESTÃO LIBERADAS DA 
OBRIGAÇÃO DE DIZER A VERDADE.
SE A TESTEMUNHA RESIDIR FORA DA
JURISDIÇÃO DO JUIZ PROCESSANTE, SERÁ 
INQUIRIDA PELO JUIZ DO LUGAR DE SUA 
RESIDÊNCIA, INTIMADA ATRAVÉS DA CARTA 
PRECATÓRIA (SEU CUMPRIMENTO NÃO 
SUSPENDE A INSTRUÇÃO CRIMINAL)
A PESSOA QUE DECLARA PERANTE O JUIZ 
O QUE SABE OU O QUE PERCEBEU SOBRE 
OS FATOS IMPUTADOS AO ACUSADO
TÓPICO 1 | AS PROVAS NO PROCESSO PENAL BRASILEIRO
51
FONTE: <www.passeidireto.com/arquivo/5214490/provas-no-processo-penal>.
Acesso em: 29 nov. 2019.
2.1 MEIOS DE PROVA
Caracteriza-se como meio de prova qualquer instrumento legal que seja 
cabível em um processo para verificação, direta ou indiretamente, dos fatos e 
argumentações incluídos no processo. Se assim for, podem ser considerados 
meios de prova, também, os que não estão previstos em lei, desde que não lesem 
o ordenamento vigente.
O Código de Processo Civil especifica quais serão os meios de prova 
admitidos para nosso ordenamento, conforme seu artigo 369: “As partes têm o 
direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, 
ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em 
que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz”.
Como podemos observar no artigo acima, as provas no Código de Processo 
Civil se encontram balizadas acercade sua moralidade e legalidade, mas não 
acerca de seu tipo. O âmbito processual, em seu ordenamento, cita alguns tipos 
específicos de provas de maneira expressa, como documental, testemunhal e 
pericial. Porém, já é pacificado em nossa doutrina jurídica e jurisprudências a 
consideração desse rol como sendo apenas exemplificativo, não taxativo. 
DOCUMENTO É O ESCRITO QUE 
CONDENSA GRAFICAMENTE O 
PENSAMENTO DE ALGUÉM.
A PROVA DOCUMENTAL SE FAZ COM 
A JUNTADA DE DOCUMENTOS NO 
PROCESSO PENAL PARA COMPROVAR 
UM FATO OU MESMO UMA ALEGAÇÃO
A PRODUÇÃO DO DOCUMENTO PODE SER:
ESPONTÂNEA
QUANDO PRODUZIDA PELA PRÓPRIA 
PARTE
PROVOCADA
QUANDO PROVIDENCIADA PELO JUIZ, 
INDEPENDENTE DE REQUERIMENTO
 DAS PARTES 
(O JUIZ DETERMINA A JUNTADA DE DOCUMENTOS)
O DOCUMENTO PODE TER 3 ASPECTOS:
DISPOSITIVO
NECESSÁRIO À COMPROVAÇÃO DO 
ATO JURÍDICO
CONSTITUTIVO
SERVE DE MEIO PARA CONSTITUIR 
E VALIDAR O ATO
PROBATÓRIO
É UTILIZADO COMO MEIO DE PROVA
 "CONSIDERA-SE INDÍCIO A 
CIRCUNSTÂNCIA CONHECIDA 
E PROVADA, QUE, TENDO 
RELAÇÃO COM O FATO, 
AUTORIZE, POR INDUÇÃO, 
CONCLUIR-SE A EXISTÊNCIA 
DE OUTRA OU OUTRAS 
CIRCUNSTÂNCIAS"
ARTIGO 239/CPP
NÃO TEM CONDÃO DE 
SUSTENTAR UMA 
SENTENÇA CONDENATÓRIA, 
DEVENDO SER SOMADO 
A OUTRAS PROVAS 
CARREADAS AOS AUTOS.
AO LADO DOS INDÍCIOS 
EXISTE A PRESUNÇÃO, QUE 
PODE SER CONCEITUADA 
COMO ALGO VERDADEIRO 
ATÉ QUE SE PROVE EM 
CONTRÁRIO.
PRESUNÇÕES LEGAIS OU 
ABSOLUTAS NÃO ADMITEM 
PROVAS EM CONTRÁRIO
COLOCAR FRENTE A FRENTE 
PESSOAS QUE, EM JUÍZO, 
APRESENTAM VERSÕES 
CONFLITANTES 
NO TRANSCURSO DA 
INSTRUÇÃO PROCESSUAL
A ACAREAÇÃO É POSSÍVEL 
ENTRE TODOS OS SUJEITOS 
ENVOLVIDOS NO PROCESSO 
PENAL.
OS ACAREADOS SERÇÃO 
NOVAMENTE QUESTIONADOS, 
PARA QUE EXPLIQUEM OS 
PONTOS DE DIVERGÊNCIA, 
REDUZINDO-SE A TERMO O 
ATO DA ACAREAÇÃO
QUANDO O RECONHECIMENTO FOR 
DE PESSOAS, DEVER OBEDECER AS 
REGRAS SEGUINTES, EM SE TRATANDO 
DE OBJETOS, APLICAM-SE AS MESMAS 
REGRAS, NO QUE FOR COMPATÍVEL.
QUEM FOR FAZER O RECONHECIMENTO 
DEVE DESCREVER A PESSOA OU 
OBJETO QUE DEVE SER RECONHECIDO
A PESSOA A SER RECONHECIDA SERÁ 
COLOCADA AO LADO DE OUTRAS 
PESSOAS SEMELHANTES A ELA PARA 
QUE SEJA APONTADA
EM CASO DE RECEIO, A AUTORIDADE 
PROVIDENCIARÁ PARA QUE A PESSOA 
A SER RECONHECIDA NÃO VEJA QUEM 
ESTÁ FAZENDO O RECONHECIMENTO
NO ATO DE RECONHECIMENTO, 
LAVRAR-SE-Á AUTO PORMENORIZADO, 
QUE SERÁ SUBSCRITO PELA 
AUTORIDADE, PELA PESSOA QUE 
REALIZA O RECONHECIMENTO E POR 
DUAS TESTEMUNHAS PRESENCIAIS 
SE VÁRIAS PESSOAS FOREM CHAMADAS 
PARA EFETUAR O RECONHECIMENTO, 
CADA UM FARÁ A PROVA EM 
SEPARADO, EVITANDO-SE QUALQUER 
COMUNICAÇÃO ENTRE ELES
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
52
Parte da doutrina admite flexibilização, nos casos de grande gravidade ou 
quando da existência de conflito entre os valores do ordenamento e o princípio da prova 
ilícita, para a produção e inserção de provas ilícitas no processo. Esta posição se fundamenta 
nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.
ATENCAO
Outra parte da doutrina defende que não exista tal flexibilização, buscando 
fundamento em princípios constitucionais que amparam a concretização do 
Estado Democrático de Direito, como os direitos fundamentais e o devido 
processo legal.
Portanto, a questão das provas ilegítimas é realmente complexa, o que se 
pode afirmar é o fato de que, tratando-se da esfera criminal, não existirá sempre a 
possibilidade de espera para a obtenção de resolução de questões de interesse público.
Ainda, tão importante quanto os meios de prova, é abordarmos os meios 
de investigação criminal. Estes são os meios que estabelecem a maneira pela qual 
as provas poderão ser adquiridas. Assim como os meios de prova, os meios de 
investigação ajudam na reconstrução dos acontecimentos, a fim de alcançar o 
esclarecimento de questões alegadas no processo.
No que tange ao processo penal, é importante analisarmos o artigo 155 do 
Código de Processo Penal, que faz também referência às limitações dos meios de 
provas:
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova 
produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar 
sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos 
na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e 
antecipadas. 
Parágrafo único: Somente quanto ao estado das pessoas serão 
observadas as restrições estabelecidas na lei civil. 
 
Percebemos, então, que independentemente de a prova ter sido obtida 
com o uso de meios legais, e moralmente aceitos, versando sobre estado de pessoa, 
deverá ser aceita apenas caso originária de documento público comprovante, ou 
seja, de certidão civil.
O artigo 5°, incisos LIV e LV, da Constituição Federal de 1988 resguarda 
o que no ordenamento jurídico chamamos de devido processo legal, sendo um 
princípio garantidor do desdobramento idôneo do processo. As provas adquiridas 
por métodos que desrespeitam as regras expressas pelo direito processual são 
caracterizadas como ilegítimas, uma vez que violam o devido processo legal.
TÓPICO 1 | AS PROVAS NO PROCESSO PENAL BRASILEIRO
53
2.2 A PROVA CRIMINAL
De origem latina, probatio, derivada do verbo probare, prova é definida 
pelo conceito de esclarecimento, identificação, demonstração de convicção 
sobre determinado acontecimento. Assim, podemos afirmar que prova incide na 
manifestação de veracidade sobre aquilo que se declara ao proteger um direito, 
ou ao contrapor alegações da outra parte.
 
Ocorre que, conforme vimos, as afirmações sobre os fatos manifestadas 
dentro do processo estão sujeitas a não serem correspondentes com a verdade. 
Dessa forma, a prova é um instrumento de grande relevância na construção da 
convicção do juiz.
No tocante ao assunto central deste tópico – provas criminais –, cabe 
conceituá-las como a demonstração da veracidade a respeito de alegações que 
influenciam no julgamento da responsabilidade e aplicação de penas de uma 
infração penal cometida. Assim, podemos afirmar que as provas criminais 
possuem como objetivo principal a formação da convicção do juiz no que tange à 
autoria e materialidade de determinada infração penal.
É possível determinar três importantes diferenças entre meios de investigação e 
meios de prova: o âmbito jurídico, a forma de participação e a finalidade.
No que diz respeito ao âmbito jurídico, os meios de prova são atividades 
processuais, enquanto que os meios de investigação podem ser realizados por 
autoridades fora da esfera processual. Por exemplo, nos meios de provas, há 
depoimentos testemunhais, documentos, entre outros; e nos meios de investigação 
são possíveis as atividades externas, como busca e apreensão.
Sobre a forma de participação, é perceptível o fato de que os meios de 
investigação ocorrerão sem necessidade de contraditório, sendo admitido, ainda, 
que ocorram situações inesperadas para o investigado. Enquanto isso, os meios 
de prova serão necessariamente abertos, e acontecerão com o conhecimento de 
todas as partes do processo, possibilitando o contraditório.
Por último, a diferença com maior proeminência é a finalidade buscada 
por esses meios. Como vimos, os meios de provas possuem como objetivo a 
reconstrução de situações alegadas no processo. Já os meios de investigação 
objetivam a busca de informações em sentido amplo, e têm como finalidade 
encontrar dados que poderão apontar para a situação de um crime digno de 
acarretar em sentença condenatória.
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
54
UNI
Atentando para o fato de que, nessas épocas a dificuldade para obter meios de 
prova era tamanha ao ponto de que a confissão por parte do réu caracterizava elemento 
primordial num processo inquisitório. Por isso, era comum os procedimentos de tortura, 
objetivando a confissão do acusado.
Importante fonte de leitura complementar, de fácil acesso e conteúdo 
fundamental acerca da tortura e confissão como meio central de prova criminal, 
é a obra “Dos Delitos e das Penas”, de Cesare Beccaria. No texto do livro, o 
autor demonstra a mudança do processoinquisitivo para o acusatório público, 
destacando a transformação dos meios de prova quando se observou a necessidade 
de que elas fossem claras e racionais.
Além disso, é uma obra altamente recomendada para qualquer aluno 
que pretenda adquirir conhecimentos básicos acerca de processo penal, uma vez 
que o livro traz reflexões históricas importantes, desde a separação dos Poderes 
Em nosso país, o processo penal adotou como modelo de sistema de provas 
o designado como europeu-continental. Como sabemos, ao longo da história as 
provas foram sempre utilizadas como ferramentas para a reconstrução de fatos 
ocorridos no passado. Muito antes de a sociedade observar as individualidades dos 
cidadãos, acreditavam que as provas seriam obtidas diretamente de Deus, ou seja, 
caso o cidadão fosse inocente o próprio Deus proveria sustentação de sua inocência. 
Na Idade Média, era comum a aplicação das chamadas ordálias, uma 
espécie de prova jurídica usada para determinar a culpa ou a inocência do 
acusado por meio da participação de elementos da natureza, e seu resultado era 
interpretado como um juízo divino. 
Como exemplo deste tipo de prova, podemos citar os registros das 
nomeadas provas de fogo, das quais o acusado deveria carregar barras de ferro 
em brasa ao longo de determinada distância, ou caminhar de pés descalços sobre 
ferros ferventes. Ainda, outros exemplos como prova da água fervente, em que o 
réu deveria retirar objetos submersos em água fervente e, caso isso não acarretasse 
lesões, seria absolvido.
Com o surgimento da Idade Moderna, foram instituídos na Europa os 
chamados tribunais de inquisição, quando os cidadãos que contrariavam dogmas 
da Igreja Católica eram tidos como hereges, recebendo punições conforme o que 
era considerado de acordo com a gravidade da ação julgada.
TÓPICO 1 | AS PROVAS NO PROCESSO PENAL BRASILEIRO
55
UNI
Seguem alguns pontos relevantes de impacto no entendimento da evolução 
das provas criminais advindas do texto da Declaração Universal dos Direitos do Homem e 
do Cidadão.
Segundo a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789: 
Art. 1º Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. 
As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade 
comum.
Art. 2º A finalidade de toda associação política é a conservação 
dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos 
são a liberdade, a propriedade a segurança e a resistência à 
opressão.
Art. 3º O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, 
na nação. Nenhuma operação, nenhum indivíduo pode exercer 
autoridade que dela não emane expressamente.
do Estado, a desvinculação dos conceitos de pecado e delito até a questão de 
igualdade entre os cidadãos na proporcionalidade entre os delitos cometidos e 
penas adquiridas. É a história da equidade e justiça no processo penal.
Com a evolução histórica da sociedade, os cidadãos passaram a ver 
a necessidade de enxergar os indivíduos como sujeitos de direitos e garantias 
individuais, desenvolvendo-se a ideia de proibição de tortura, de presunção de 
inocência de acusados até que se prove o contrário, de direito de defesa para os 
acusados, entre outras.
A partir disso, chegando a tempos mais austeros de individualidade, o 
mundo ocidental teve como uma das consequências da Revolução Francesa, a 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. A importância desta 
Declaração está no fato de reconheceu o chamado direito natural.
O conceito de direito natural consagra a existência de direitos inerentes 
aos seres humanos, ou seja, nascidos anteriormente à existência do Estado. O 
Estado não cria, mas reconhece os direitos naturais, e isso quer dizer que o Estado 
passou a respeitar os seres humanos simplesmente pelo motivo de o ser. 
A implicação direta disso para o presente estudo sobre as provas criminais 
está no fato de que, com o reconhecimento de direitos de dignidade subjetivos à 
simples existência do cidadão, o processo penal passou a demandar requisitos mais 
exigentes para a aceitação de provas criminais. Não basta mais apenas uma confissão 
para que o réu seja considerado culpado ou inocente, mas de provas que sigam o 
devido processo legal, adquiridas de maneira justa e julgadas imparcialmente.
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
56
O juiz, mesmo que livre de preconceitos legais na apuração das provas 
apresentadas, não possui prerrogativa de apartar-se ou se abstrair de seu conteúdo. É 
necessário motive sua sentença, isso quer dizer, demonstre base coerente para a decisão 
que está tomando de acordo com o nosso ordenamento jurídico.
ATENCAO
Temos, no Brasil, um sistema processual penal que possibilita todos os 
meios de prova aceitos constitucionalmente, ou expressamente descritos em 
textos infraconstitucionais. Assim, não basta que o magistrado fundamente suas 
decisões somente em provas apresentadas aos autos, pois deve apontar em sua 
sentença os elementos motivadores de sua decisão, estejam eles dentro ou fora 
dos autos.
Com isso, nos dias atuais, conseguimos compreender que, para se obter justiça 
penal, é fundamental que o elemento central da prova criminal enseje não apenas 
um reconhecimento à defesa, como a possibilidade de que o acusado detenha poder 
para produzir provas contrárias às da acusação, ou seja, nos dias atuais, entendemos 
que as provas, dentro do processo penal, não servem para a mera obtenção de uma 
verdade extraída de maneira inquisitória, como historicamente era feito, mas buscam 
uma verdade alcançada com meios probatórios produzidos pelas partes. 
A prova criminal, como elemento essencial de motivação para as sentenças 
dentro do processo penal, é considerada uma garantia individual do acusado, 
pois evita liberalidade na avaliação de casos concretos. O processo penal não 
pode ser ferramenta de opressão e medo para os cidadãos, mas uma garantia de 
justiça e bom andamento social. 
O sistema de análise de provas na processualística penal brasileira é o da 
certificação lógica, também denominado de sistema da livre convicção, expresso 
no artigo 155 do Código Processual Penal brasileiro: 
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova 
produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão 
exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, 
ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
Parágrafo único: Somente quanto ao estado das pessoas serão 
observadas as restrições estabelecidas na lei civil.
Entende-se, então, que o juiz formará sua análise do caso de maneira 
sincera e alinhada com a sua convicção no que diz respeito às provas 
apresentadas durante o devido processo legal. A própria confissão do acusado 
não estabelecerá, inevitavelmente, prova plena de sua responsabilidade pelo 
ato ilícito de que é acusado. 
TÓPICO 1 | AS PROVAS NO PROCESSO PENAL BRASILEIRO
57
FIGURA 3 – MAPA CONCEITUAL: PROVA CRIMINAL
FONTE: <www.pinterest.com.au/pin/225320787585891530/?lp=true>. Acesso em: 2 dez. 2019.
Com isso, concluímos que as provas criminais, no ordenamento 
brasileiro, aparecem como um direito assegurado pala Constituição Federal 
de 1988 para todas as partes relevantes dentro do processo penal. Desde às 
policiais, durante o inquérito, até a acusação da defesa, durante sua participação 
no devido processo legal.
SÚMULA 74/STJ
"PARA EFEITOS PENAIS, O RECONHECIMENTO 
DA MENORIDADE DO RÉU REQUER PROVA POR 
DOCUMENTO HÁBIL"
NO PROCESSO PENAL, TODA VEZ QUE 
O FATO A SER DEMONSTRADO ESTIVER 
VINCULADO AO ESTADO DAS PESSOAS, 
O CÓDIGO IMPÕES A PRODUÇÃO 
DE PROVAS DE ACORDO COM A 
PRESCRIÇÃO DA LEI CIVIL
NESTE CASO, O JUIZ PODE 
DETERMINAR A PRODUÇÃO 
DE PROVA DE OFÍCIO 
MESMO ANTES DE INICIADA A 
PERSECUÇÃO PENAL, DESDE 
QUE CONSIDERADA URGENTE 
E RELEVANTE
A REGRA DO CPP DE QUE O ÔNUS DA PROVA INCUMBE A QUEM ALEGA
INCUMBÊNCIA QUE A PARTE POSSUI DE DEMONSTRAR A VERDADE DE 
UM FATO OU DE UMA ALEGAÇÃO FEITA NO PROCESSO PENAL
A PROVA POSSUI UMA VALOR 
E O JUIZ DEVE ANALISÁ-LADE ACORDO COM O VALOR 
ATRIBUÍDO PELA LEI. A 
CONFISSÃO É PROVA ABSOLUTA 
PARA CONDENAÇÃO
A ANÁLISE DA PROVA FICA 
A CRITÉRIO DO JUIZ, SEM 
NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO. É 
O QUE ACONTECE NO TRIBUNAL 
DO JÚRI, QUANDO OS JURADOS 
NÃO FUNDAMENTAM SEU VOTO.
TODAS AS PROVAS TEM VALOR 
RELATIVO. QUANDO O JUIZ AS 
ANALISA, DEVE FUNDAMENTAR SEU 
ENTENDIMENTO (ART. 155/CPP)
COLHIDOS COM VIOLAÇÃO 
A DIREITO MATERIAL. 
SÃO VIOLADAS REGRAS 
ESTIPULADAS PELO CÓDIGO 
PENAL E PELO CÓDIGO CIVIL
OBTIDAS COM VIOLAÇÃO 
A REGRA DO DIREITO 
PROCESSUAL
LÍCITAS EM SI, MAS PRODUZIDAS 
À PARTIR DE FATO ILÍCITO. 
ESSAS PROVAS DEVEM SER 
EXPURGADAS DO PROCESSO
EXEMPLO:
- DOCUMENTO APREENDIDO 
ATRAVÉS DE BUSCA 
E APREENSÃO SEM 
AUTORIZAÇÃO JUDICIAL;
- CONFISSÃO MEDIANTE 
TORTURA
58
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• A prova é um instrumento de averiguação.
• O objetivo da persecução de provas, dentro do processo, é obter a convencimento 
do magistrado acerca do que as partes alegam.
• No processo civil, um dos tipos de prova admitidos são as confissões fictas.
• No ordenamento criminal é necessário que se comprovem os ocorridos de 
maneira fática, não sendo suficiente apenas a confissão do acusado.
• Uma das maneiras de prova aceitas em nosso ordenamento é a prova pericial.
• A prova pericial poderá ser utilizada como prova emprestada de um processo 
para outro, caso tenha sido produzida perante o mesmo juiz.
• Para o ordenamento jurídico, são válidas as provas que seguem as normas da 
legislação vigente, bem como os princípios doutrinários de seu âmbito jurídico.
• Caracteriza-se meio de prova qualquer instrumento legal que seja cabível em um 
processo para verificação, direta ou indiretamente, dos fatos e argumentações 
incluídos no processo. 
• Pode ser considerado meio de prova, também, aqueles que não estejam 
previstos na legislação, desde que não lesem o ordenamento vigente.
• É possível determinar três importantes diferenças entre meios de investigação 
e meios de prova: o âmbito jurídico, a forma de participação e a finalidade.
• Provas criminais podem ser conceituadas como a demonstração da veracidade a 
respeito de alegações que influenciem o julgamento acerca da responsabilidade 
e aplicação de penas de uma infração penal cometida.
• As provas criminais, no ordenamento jurídico brasileiro, aparecem como um 
direito assegurado pala Constituição Federal de 1988 para todas as partes 
relevantes dentro do processo penal. 
59
AUTOATIVIDADE
1 (FCC – TJ/AP – Analista judiciário/2009). No processo penal, a prova:
a) ( ) Deverá ser produzida pelas partes, vedado ao juiz determinar, de ofício, 
a produção de qualquer outra prova.
b) ( ) Quanto ao estado das pessoas, assim como todas as provas no processo 
penal, observarão as restrições estabelecidas na lei civil.
c) ( ) Da alegação incumbirá a quem a fizer.
d) ( ) Ilícita deve ser analisada em conjunto com as lícitas, podendo servir de 
base para a condenação se estiver em consonância com estas.
e) ( ) Pericial consistente no exame de corpo de delito e outras perícias, será 
realizada por perito oficial, portador de curso superior, ou, na sua falta, 
por três pessoas idôneas, portadoras de curso médio completo.
2 (NUCEP – PC/PI – Escrivão de polícia civil/2014). Quanto à prova no Processo 
Penal, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente pode ser produzida pelas partes.
b) ( ) Os fatos notórios independem de prova.
c) ( ) As circunstâncias objetivas e subjetivas independem de prova.
d) ( ) O sistema de apreciação adotado pelo Código de Processo Penal é o da 
certeza moral do legislador.
e) ( ) Somente pode ser produzida mediante requerimento da autoridade 
judiciária.
3 (UEG – PG/GO – Agente de polícia/2013). São objeto de prova no curso do 
processo penal: 
a) ( ) As verdades axiomáticas do mundo do conhecimento. 
b) ( ) Os eventos que não interessam à causa, sejam verdadeiros ou falsos. 
c) ( ) Os fatos cientificamente demonstrados e universalmente aceitos. 
d) ( ) Os fatos não contestados ou aqueles admitidos pelo acusado. 
4 (NUCEP – PC/PI – Perito Papiloscopista/2012). Acerca da prova, no Processo 
Penal, assinale a alternativa correta:
a) ( ) Na análise da prova, o juiz formará sua convicção pela livre apreciação 
da prova produzida, podendo fundamentar sua decisão exclusivamente 
nos elementos informativos colhidos na investigação policial.
b) ( ) Na análise de prova, o juiz formará sua convicção pela livre apreciação 
da prova produzida em contraditório inquisitorial, não podendo 
fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos 
colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis 
e antecipadas.
60
c) ( ) No julgamento do processo, o juiz formará sua convicção pela livre 
apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo 
fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos 
colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis 
e antecipadas.
d) ( ) No processo penal brasileiro, dado o princípio da fundamentação, 
o juiz não pode formar sua convicção pela livre apreciação da prova 
produzida.
e) ( ) A prova da alegação incube à parte que a fizer, não cabendo ao juiz de 
ofício determinar a realização de prova suplementar àquelas requeridas 
pelas partes.
5 (MPE/SP – Promotor de justiça/2006). O Estado democrático de direito e o 
juiz natural:
a) ( ) Não exigem necessariamente a imparcialidade do juiz para proferir 
decisões nos procedimentos de jurisdição voluntária.
b) ( ) Não exigem necessariamente a imparcialidade do juiz para proferir 
decisões nos processos contenciosos.
c) ( ) Exigem a imparcialidade do juiz para proferir decisões somente nos 
processos contenciosos (objetivos e subjetivos).
d) ( ) Exigem a imparcialidade do juiz para proferir decisões tanto nos processos 
contenciosos como nos procedimentos de jurisdição voluntária.
e) ( ) Permitem a parcialidade do juiz destinada a realizar os objetivos 
fundamentais da República Federativa do Brasil.
61
TÓPICO 2
A ORGANIZAÇÃO PERICIAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
A inclusão dos peritos oficiais dentro dos órgãos de polícia é avaliada 
como elemento indispensável quando analisadas questões acerca da autonomia 
pericial, uma vez que esta inclusão possibilita intervenção de técnica pericial mais 
efetiva dentro do ordenamento jurídico. Em razão disso, a autonomia pericial 
encontra apoio de organizações e entidades nacionais e internacionais, a exemplo 
da Ordem dos Advogados do Brasil, da Organização das Nações Unidades, do 
Ministério Público, entre outros. 
O foco central do apoio à autonomia pericial está na ideia de dissociação 
entre as figuras da perícia e dos órgãos policiais, porém, é importante que seja 
analisado o contraponto desta ideia. 
Ocorre que a atuação da investigação policial poderá descobrir-se lesada 
quando estiver sem o suporte de uma ferramenta fundamental para a investigação 
criminal. É dentro dos laudos periciais que as autoridades policiais poderão 
localizar levantamento objetivo de dados que dizem respeito ao crime em questão.
Relembrando o que vimos na unidade anterior, a perícia criminal é parte 
do sistema penal, sendo a ferramenta que examina o corpo de delito, a fim de localizar 
esclarecimentos acerca da materialidade do crime e sua autoria. Assim, os resultados da 
perícia encontram métodos científicos, e tornam-se pontos relevantes na elaboração da 
decisão judicial.
ATENCAO
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
62
Contudo, em que pese essa dependência entre órgãos policiais e perícia 
criminal, ainda é possível defender a atuação pericial autônoma, desprovida de 
vínculos ou subordinação de terceiros, ou seja, de entidades passíveis de causar 
comprometimento na imparcialidade dos exames, e, consequentemente, na 
orientação cientifica dos resultados obtidos.
Assim como os mais diversos métodos de investigação científica, conforme 
visto na Unidade1, a perícia criminal deverá ser exercida em ambiente seguro, 
para a garantia de imparcialidade, estimulando a competência do profissional 
expert em atingir o resultado mais próximo possível da realidade material 
fática. Os agentes responsáveis pela elaboração dos laudos periciais possuem a 
incumbência de agir sem amarras, uma vez que seus resultados serão diretamente 
responsáveis pela decisão entre reclusão ou liberdade de um indivíduo.
Outro ponto que merece destaque no estudo da perícia criminal são 
as garantias que devem ser atribuídas aos profissionais encarregados pelo 
desenvolvimento do trabalho pericial. A proximidade exagerada destes profissionais 
com os órgãos realizadores de investigação criminal (polícia judiciária), muitas 
vezes possui como consequência a intromissão exacerbada deste órgão, por meio 
de seus agentes, no trabalho pericial, que deve ser imparcial e científico. 
No Brasil, desde os anos 1980, por meio das associações estaduais de 
criminalística e medicina legal, e da Associação Brasileira de Criminalística (ABC), 
os peritos oficiais (médicos legais e peritos criminais) levantam ampla discussão a 
respeito da autonomia concebida aos institutos de criminalística e medicina legal 
em nosso país.
O entendimento dessas associações é de que a maior autonomia do trabalho 
policial acarretará em uma contribuição logística necessária dentro as instituições, a 
fim de que os laudos periciais se tornem cada vez mais imparciais e mantenedores 
do rigor científico dentro da questão das provas no ordenamento jurídico.
IMPORTANT
E
Hoje em dia, os órgãos estaduais de perícia criminal oficiais estão divididos em 
dois grandes grupos. Um deles é o que está dentro da estrutura da polícia civil, e o outro 
grupo é o de estrutura própria. Já o órgão federal oficial de perícia criminal está inserido na 
estrutura do Departamento de Polícia Federal.
Em 17 estados federados do Brasil, temos a chamada polícia científica 
como órgão independente das polícias judiciárias. Esse tipo de instituição é que 
permite que o perito criminal exerça sua função de maneira independente.
TÓPICO 2 | A ORGANIZAÇÃO PERICIAL
63
É importante fixar que o rigor científico e imparcialidade dos laudos periciais 
proporcionam, no que tange aos direitos humanos, a melhor efetividade da garantia 
constitucional da ampla defesa e contraditório aos réus acusados criminalmente.
ATENCAO
Vejamos, ainda, o que afirma a legislação federal que versa sobre as 
perícias criminais oficiais (Lei n° 12.030/2009):
Art. 2° No exercício da atividade de perícia oficial de natureza 
criminal, é assegurado autonomia técnica, científica e funcional, 
exigido concurso público, com formação acadêmica específica, para o 
provimento do cargo de perito oficial.
Por fim, outro ponto relevante sobre a autonomia pericial, aconteceu em 
2009, quando no Decreto n° 7.037 aprovou o Plano Nacional de Direitos Humanos 
(PNHD-3), afirmando que um dos elementos para a estimulação dos direitos 
humanos seria a autonomia pericial. Este também inclui nas ações programáticas 
de democratização e modernização do sistema de segurança pública a asseveração 
da autonomia funcional dos profissionais peritos, assim como o incentivo à 
modernização dos órgãos oficiais de perícia.
2 O PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO
O Ministério Público, como órgão da administração direta do ordenamento 
brasileiro, teve suas responsabilidades e áreas de atuação dispostas na Constituição 
Federal de 1988. É o que designamos de órgão independente, uma vez que está 
subordinado a nenhum dos três Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário). 
Vejamos, então, de acordo com a Constituição Federal de 1988: 
Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à 
função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem 
jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais 
indisponíveis. 
§ 1º São princípios institucionais do Ministério Público a unidade, a 
indivisibilidade e a independência funcional. 
Ainda, o Superior Tribunal Federal (STF) também já declarou seu 
entendimento de que pode ser concedida a autonomia da perícia criminal tanto 
dentro dos órgãos de polícia, como fora deles. Esta decisão será designada ao ente 
federado, ao qual incube a competência de determinada investigação, uma vez 
que se trata se uma questão de natureza administrativa.
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
64
Assim, entende-se que a Constituição elencou apenas de maneira 
exemplificativa o rol de competências do Ministério Público, uma vez que 
somente menciona sobre funções que estejam em conformidade com a sua 
finalidade de criação, não sendo um rol taxativo de funções.
Sabe-se que, usualmente, a investigação criminal é atribuição da Polícia 
Judiciária, sendo de costume apenas que o Ministério Público fiscalize este 
trabalho, de maneira a executar o chamado controle externo.
Se pensarmos na linha da autonomia pericial, caso o promotor de justiça fosse 
ao mesmo tempo investigador e oferecedor de determinada denúncia, percebe-se que o 
Ministério Público, ao realizar investigação criminal, poderia tocar no exato ponto das amarras 
da parcialidade aos métodos científicos.
ATENCAO
Importante ressaltar que a Constituição Federal de 1988 em nenhum 
momento faz menção à possibilidade de o Ministério Público possuir condições 
de promover investigações criminais. Vejamos o que ela afirma em seu artigo 
129, cujo o texto dispõe sobre as atribuições desse órgão:
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
I- promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
II- zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de 
relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, 
promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
III- promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção 
do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros 
interesses difusos e coletivos;
IV- promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para 
fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos 
nesta Constituição;
V- defender judicialmente os direitos e interesses das populações 
indígenas;
VI- expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua 
competência, requisitando informações e documentos para 
instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;
VII- exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei 
complementar mencionada no artigo anterior;
VIII- requisitar diligências investigatórias e a instauração de 
inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas 
manifestações processuais;
IX- exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que 
compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação 
judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.
TÓPICO 2 | A ORGANIZAÇÃO PERICIAL
65
Fixa-se que o rol constitucional sobre a atuação do Ministério Público é 
apenas exemplificativo, sendo assim, em que pese não demonstre explicitamente 
a possibilidade de atuação deste nas investigações criminais, também não descarta 
a eventualidade disso. Ainda, a Constituição permite para que as legislações 
infraconstitucionais versem sobre determinada atuação.
Assim, entende-se que a atuação do Ministério Público, frente às 
investigações de perícia criminal, deve ser apenas de controle fiscalizatório. 
Porém, existe a possibilidade de que exerça a função investigativa própria, por 
meio de legislação infraconstitucional.
2.1 A PERÍCIA COMO FATOR DE PROMOÇÃO DA JUSTIÇA
O Estado Democrático de Direito, executado em nosso país por meio da 
observância e prática dos princípios normativos da Constituição Federal de 1988, tem 
como um de seus objetivos principais conseguir harmonizar o respeito aos direitos 
humanos sem que se deixe de atribuir a responsabilidade devida aos autores de 
crimes, proporcionando a estes o julgamento mais próximo do justo possível.
Seguindo essa ideia, fica de fácil entendimento aextrema importância da 
perícia criminal em nosso ordenamento, uma vez que é por meio dela que será 
determinada desde a materialidade de um crime até sua autoria. Nesse sentido, a 
perícia criminal é um elemento crucial para o desenvolvimento da justiça.
É por meio da perícia que se adquire ou não provas materiais acerca da 
existência ou não de um crime, da culpabilidade ou não de cidadãos acusados de 
prática criminosa, e, consequentemente, é por meio dela que ocorre as decisões sobre 
a liberdade ou reclusão social desses cidadãos, ou seja, quando dizemos que todo o 
cidadão possui direito à justiça, a um julgamento independente e neutro, dizemos 
também que todo cidadão tem direito a uma perícia de excelência. 
FIGURA 4 – ANÁLISE PERICIAL
FONTE: <edukavita.blogspot.com/2013/09/pericia.html>. Acesso em: 2 dez. 2019.
66
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A inclusão dos peritos oficiais dentro dos órgãos de polícia, é avaliada como 
um elemento indispensável quando se analisam questões acerca da autonomia 
pericial.
• O foco central da do apoio à autonomia pericial se encontra na ideia de 
dissociação entre as figuras da perícia e dos órgãos policiais.
• É dentro dos laudos periciais que as autoridades policiais poderão localizar 
um levantamento objetivo de dados que dizem respeito ao crime em questão.
• A perícia criminal deverá ser exercida em ambiente seguro para a garantia de 
imparcialidade.
• Deve ser estimulada a competência do profissional expert para atingir da 
melhor maneira o resultado mais próximo possível da realidade material fática.
• A proximidade exagerada dos profissionais peritos com os órgãos realizadores 
de investigação criminal, muitas vezes possui como consequência a intromissão 
exacerbada desse órgão.
• O rol constitucional sobre a atuação do Ministério Público se faz apenas 
exemplificativo.
• Constituição Federal não demonstra explicitamente a possibilidade de 
atuação do Ministério Público nas investigações criminais, mas também não 
descarta a eventualidade de que isto aconteça.
67
AUTOATIVIDADE
1 (FAPEMS – PC/MS – Delegado de Polícia/2017). Acerca da investigação 
criminal,
[...] a autoridade policial não é parte no processo penal, não tem interesse que 
possa deduzir em juízo e a investigação criminal não guarda autonomia, ela existe 
orientada ao exercício futuro da ação. A constatação de comportamentos do 
indiciado prejudiciais à investigação deve ser compartilhada entre a autoridade 
policial e o Ministério Público (ou o querelante, conforme o caso), para que o 
autor da ação penal ajuíze seu real interesse em ver a prisão decretada.
FONTE: PRADO, Geraldo. Medidas cautelares no processo penal: prisões e suas alternativas. 
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011, p. 67.
As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais 
exercidas pelo delegado de polícia são de natureza jurídica, essenciais e 
exclusivas de Estado.
(BRASIL. Lei n. 12.830. Dispõe sobre a investigação criminal conduzida pelo 
delegado de polícia).
Isso considerado, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á por ato 
discricionário, mediante análise fática da ocorrência do fato, e deverá 
indicar a autoria, materialidade e suas circunstâncias.
b) ( ) O inquérito policial em curso poderá ser avocado ou redistribuído por 
superior hierárquico, independentemente de despacho fundamentado.
c) ( ) A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória 
criminal acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento 
da denúncia.
d) ( ) Da decisão do delegado de polícia que nega o pedido de abertura de 
inquérito policial formulado pelo ofendido ou seu representante legal, 
caberá mandado de segurança.
e) ( ) Durante a investigação criminal, cabe ao delegado de polícia a 
requisição de perícia, informações, documentos e dados que interessem 
à apuração dos fatos.
2 (IBADE – PC/AC – Delegado de Polícia Civil/2017). No plano da teoria do 
garantismo, para Ferrajoli, em sua clássica obra Direito e Razão, na lógica do 
Estado de Direito, as funções de polícia judiciária deveriam ser organizadas 
de forma independente não apenas funcional, mas, também hierárquica e 
administrativamente dos diversos poderes aos quais auxiliam, ou seja, deveria 
ter a garantia de independência. Tal ideia deita raízes na estrutura acusatória 
que visa uma investigação isenta na apuração da verdade e não a serviço da 
acusação. À luz das premissas acima expostas, assinale a opção CORRETA:
68
a) ( ) Cabe ao delegado de polícia arquivar o inquérito policial.
b) ( ) A remoção do delegado de polícia dar-se-á somente por ato 
fundamentado e o indiciamento, que é privativo do delegado de polícia, 
dar-se-á por ato fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do 
fato, que deverá indicar a autoria, materialidade e suas circunstâncias.
c) ( ) O Ministério Público pode não apenas requisitara instauração do 
inquérito, como também determinar autoridade policial o indiciamento 
de um investigado.
d) ( ) O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso, 
conduzido por delegado de polícia, somente poderá ser avocado ou 
redistribuído por superior hierárquico ou pelo Ministério Público, por 
motivo de conveniência e oportunidade.
e) ( ) Durante a investigação criminal, cabe ao delegado de polícia a 
requisição de perícia, informações, proceder a buscas domiciliares, 
buscar e apreender documentos e dados que interessem à apuração 
dos fatos, independentemente da autorização judicial.
3 (FCC/Câmara Legislativa do Distrito Federal – Técnico legislativo/2018). 
A Lei no 11.473/2007, que dispõe sobre cooperação federativa no âmbito 
da segurança pública, estabelece que se forem insuficientes os convênios 
firmados entre a União e os entes federados para suprir a previsão do efetivo 
da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), e em face da necessidade 
de excepcional interesse público, as atividades de cooperação federativa 
no âmbito da segurança pública poderão ser desempenhadas, em caráter 
voluntário, entre outros, por:
a) ( ) Militares e por servidores das atividades-fim dos órgãos de segurança 
pública e dos órgãos de perícia criminal da União, dos Estados e do Distrito 
Federal que tenham passado para a inatividade há menos de cinco anos.
b) ( ) Servidores civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios 
aposentados há mais de 10 anos, para fins de realizar atividades-meio de 
apoio administrativo à Força Nacional de Segurança Pública.
c) ( ) Servidores do Poder Judiciário da União, dos Estados, do Distrito 
Federal, para fins de atividades de apoio administrativo à Força Nacional 
de Segurança Pública aposentados por invalidez há mais de 5 anos.
d) ( ) Servidores do Ministério Público da União, dos Estados e do Distrito 
Federal, para fins de realizar atividades-fim de apoio administrativo à 
Força Nacional de Segurança Pública, independentemente de estar ou 
não em inatividade.
e) ( ) Servidores ou profissionais particulares das localidades onde a Força 
Nacional de Segurança Pública irá desempenhar suas funções, cuja escolha 
se dará por iniciativa e responsabilidade do General de maior patente.
69
4 (CESPE – ABIN – Oficial técnico de inteligência/2018). Com relação à defesa 
do Estado e das instituições democráticas, julgue o item que segue.
 A exclusividade atribuída pela Constituição Federal de 1988 à Polícia 
Federal para o exercício das funções de polícia judiciária da União impede a 
realização de atividade de investigação criminal pelo Ministério Público.
( ) Certo.
( ) Errado.
5 (CESPE/Câmara dos Deputados – Analista Legislativo/2014).
Julgue o seguinte item, relativo ao mandado de segurança em matéria penal, à 
investigação criminal, ao Ministério Público, ao processo referente a ilícitos de 
improbidade administrativa, ao processo dos crimes de lavagem ou ocultação 
de bens, direitose valores, à sentença e à proteção de acusados ou condenados 
colaboradores.
Tanto o STJ quanto o STF entendem que a competência exclusiva da polícia 
judiciária para presidir o inquérito policial não impede que o Ministério 
Público promova diligências investigatórias para obter elementos de prova 
indispensáveis ao oferecimento de denúncia.
( ) Certo.
( ) Errado.
6 (ESAF – MF – Especialista em políticas públicas e gestão governamental/2013). 
Assinale a opção que corresponde a erro gramatical inserido na 
transcrição do texto.
“Para vários constitucionalistas e processualistas, como (1) não inclui a 
investigação criminal no rol das prerrogativas específicas do Ministério Público, 
a Constituição é taxativa (2) ao dispor que cabe às (3) Polícias Federal e Civil 
exercer a função de polícia judiciária e, por consequência, presidir os inquéritos 
criminais. Como a Constituição de 88 é clara quando define as competências do 
Ministério Público e das Polícias Federal e Civil, atribuindo aquele (4) o papel de 
"zela pela ordem jurídica e pelos interesses sociais e individuais indisponíveis" 
e a estas a função de atua como polícia judiciária, não há necessidade de uma 
PEC para assegurar aos delegados prerrogativas exclusivas que já lhes (5) são 
concedidas no artigo 144 da Constituição Federal.” 
(O Estado de S. Paulo, editorial, 10/6/2013, com adaptações)
a) ( ) 1.
b) ( ) 2.
c) ( ) 3.
d) ( ) 4.
e) ( ) 5.
70
71
TÓPICO 3
PROVA PERICIAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
A prova, em sua origem, é aquilo que serve para estabelecer uma verdade 
por verificação ou demonstração, aquilo que mostra ou confirma a verdade de 
um fato. Torna-se, assim, de fundamental importância para a ciência processual, 
constituindo-se elemento essencial para a decisão em um processo penal o qual 
determina mecanismos para o livre convencimento do juiz e consequentemente 
a formação da justiça como pressuposto fundamental (CORAINI DE SOUZA; 
BONACCORSO, 2017).
2 A IMPORTÂNCIA DA PROVA PERICIAL NO 
PROCESSO PENAL
Ao longo de anos, viu-se a evolução do conceito de prova e sua aplicação 
em três modalidades, sendo elas: testemunhal, material e confissão.
No Processo Penal a prova pericial enquadra-se como prova material 
e, por ser advinda de bases científicas, torna-se a prova de maior importância no 
momento em que observamos que o Legislador, em 1941, inseriu no Código de 
Processo Penal (Decreto-Lei 3.689 – 03/10/1941), em seu Artigo 158, a preocupação e a 
indispensabilidade do exame de corpo de delito em infrações que deixam vestígios.
Valendo-se do Princípio de Edmond Locard que considera que “Cada 
contato deixa um rastro”, é imprescindível a realização da perícia no local da 
infração para identificação dos vestígios ali encontrados e, consequentemente, 
aumentando a probabilidade de identificação do autor, através do estudo e 
interpretação deles.
Ao estudar o tema, pretende-se abordar o conceito de prova e a evolução 
da perícia criminal no Brasil, bem como sua cooperação no Sistema Judiciário 
Brasileiro, atribuindo à prova pericial a autenticidade dos fatos e dos elementos 
encontrados na cena do crime e, por muitas vezes, à reconstituição simulada 
dos fatos. Pretende-se ainda destacar a importância do estudo do tema e da 
Criminalística não apenas para os peritos criminais, mas também a todos aqueles 
envolvidos e atuantes do Direito, sejam eles juízes, promotores, delegados, 
advogados, e outros interessados.
72
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
Ainda, através de consultas bibliográficas, análises de teses, artigos 
científicos e da legislação brasileira pretende-se demonstrar a essencialidade da 
Prova Pericial no Processo Penal, em suas diversas modalidades, destacada com 
afinco pelo legislador e pelos autores estudados.
A definição de Prova, de acordo com Dicionário Michaelis (2009), “é tudo 
aquilo que serve para estabelecer uma verdade por verificação ou demonstração. Aquilo 
que mostra ou confirma a verdade de um fato”. À vista disso, podemos dizer que a 
prova demonstra uma verdade através de algo, material ou não, por meio de 
um fato ocorrido fora do olhar de todos. Prova é aquilo que demonstra que uma 
afirmação ou fato é verídico, que evidencia ou comprova o ocorrido.
A palavra prova vem do latim probatio que, no que lhe concerne, nasce do 
verbo probare e significa examinar, persuadir, demonstrar.
Greco Filho (2010, p. 185) descreve a prova como todo elemento que pode 
levar o conhecimento de um fato a alguém. Ademais, Greco Filho (2010, p. 186) 
destaca ainda que no processo, a prova é todo meio destinado a convencer o juiz 
a respeito da verdade de uma situação de fato.
Para Madeira Dezem (2008, p. 79), o tema prova é essencial para a ciência 
processual. Isto porque, dentre outros motivos, as consequências da atividade 
probatória projetam-se de maneira inexorável na vida das pessoas, o que torna 
fundamental para a busca da decisão mais justa possível.
Observa-se, portanto, o interesse do tema pelos doutrinadores e a 
preocupação de todos em ater-se à justiça. Em nosso entendimento, a prova 
torna-se cada vez mais relevante visto que, no processo penal, é utilizada para 
a formação do direito e comprovação da autoria do crime ou da inocência do 
acusado. Outrossim, a análise da prova pelo juiz e, consequentemente, da 
formação da acusação e da defesa, baseadas nos princípios da ampla defesa e do 
contraditório, garantem a imparcialidade do magistrado analisando os dois lados 
para a elaboração do julgamento.
No mesmo sentido, Norma Bonaccorso (2009, p. 2) esclarece que o 
contraditório garante a imparcialidade do juiz perante a causa que também deve 
exercê-la na preparação do julgamento. Por refletir garantia de imparcialidade 
do juiz na valoração daquilo que foi dialeticamente trazido ao processo, o 
contraditório é tido entre as garantias fundamentais do processo justo.
Destarte, a prova ganha grande destaque por auxiliar o juiz na formação 
de sua convicção e na fundamentação da mesma, não se atendo apenas naquilo 
que foi colhido na investigação, conforme disposto no Artigo 155 do código de 
processo penal:
TÓPICO 3 | PROVA PERICIAL
73
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova 
produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar 
sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos 
na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e 
antecipadas.
À vista disso, é importante mencionar os meios de provas e fixar alguns 
conceitos para tal. Gomes Filho (2005, p. 305) conceitua meios de prova como 
“instrumentos ou atividades por intermédio dos quais os dados probatórios 
(elementos de prova) são introduzidos e fixados no processo (produção de prova). 
São, em síntese, os canais de informação de que se serve o juiz”.
Da mesma forma, Comoglio (1995, p. 1.206) define meios de prova 
como sendo “... Sono tutti caratterizzati dall’ attitudine ad ofrire al giudice risultanze 
probatorie diretamente utilizzabili in sede di decisione, e quindi hanno in quel giudice eu 
loro naturale destinatário”.
Há ainda outra definição, de Greco Filho (2010, p. 188), que diz que os 
meios de provas são instrumentos pessoais ou materiais aptos a trazer ao processo 
a convicção da existência ou inexistência de um fato.
Valendo-se deste conceito, é de se observar que os meios de provas 
podem ser materiais ou pessoais. O código de processo penal regulamenta 
os seguintes tipos de prova: o exame de corpo de delito (prova pericial), o 
interrogatório do acusado, a confissão, as perguntas ao ofendido, as testemunhas, 
o reconhecimento de pessoas ou coisas, a acareação, os documentos, os indícios 
e a busca e apreensão.
Dentre todos os meios de prova apresentados, destacaremos neste trabalho 
a prova pericial, que com a evolução de seus métodos, por estar alicerçada em 
bases científicas e por demonstrar, através do laudo pericial, maior veracidade 
dos fatos, dada sua imparcialidade, se tornou de suma importância parao 
processo penal.
A perícia consiste em um meio de prova que leva ao conhecimento do 
julgador os fatos, através de exames realizados nos vestígios encontrados, no 
local do crime. Em nossa opinião, a perícia é um dos meios probatórios de maior 
confiabilidade, uma vez que fornece ao processo bases científicas e técnicas para 
análise dos vestígios deixados no local de crime, bem como traz a possibilidade 
de reconstituição dos fatos.
Segundo Moraes Manzano (2011, p. 28), a expressão corpo de delito surgiu 
no direito medieval a partir da evolução da doutrina do constare de delicto. Evoluiu-
se, então para o conceito de “corpo de delito” de modo a diferenciar crimes que 
deixam marcas visíveis dos que não deixam, e passou também a ser utilizado 
para vestígios encontrados no local da infração.
74
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
O Código de Processo Penal Brasileiro trouxe a obrigatoriedade do exame 
de corpo de delito em infrações que deixarem vestígios. Tal exigência afasta ou 
diminui a possibilidade de aplicação de métodos de tortura para obtenção de 
confissão do crime pelo acusado, bem como acusações sem fundamentos e provas.
Tucci (1978, p. 204) conceitua o exame de corpo de delito como “meio de 
prova, prova pericial, destinada à apuração dos elementos físicos, materiais, da 
prática criminosa, mediante a sua constatação direta e documentação imediata”.
A mestre e perita Bonaccorso (2009, p. 1) cita que a prova pericial é 
importante arma para a reconstrução dos fatos no processo. Ela ganha ainda 
contornos de maior importância no processo penal, sendo, na modalidade de 
exame de corpo de delito, considerada como indispensável nas infrações que 
deixam vestígios.
Para Greco Filho (2010, p. 207), “os exames ou perícias em geral são 
verificações elaboradas por técnicos ou pessoas com conhecimento do objeto 
do exame”. Para tanto, visando a idoneidade da prova, o exame de corpo de 
delito é realizado por perito oficial, portador de diploma de curso superior e, 
em nosso entendimento, ressalta-se a importância da preparação e conhecimento 
do referido profissional na área de atuação, bem como na análise do vestígio 
encontrado para transparecer ao juiz expertise na conclusão do laudo.
Verifica-se, portanto, que a Perícia traz requisito fidedigno do que se 
ocorreu no local do crime, bem como a relevância e destaque da prova pericial 
para o processo penal por ser de cunho técnico e, em muitas vezes, possibilitar a 
reconstituição ou demonstração real dos fatos.
Equiparando-se ao direito penal brasileiro, o direito penal italiano 
também dá destaque à prova técnica (prova pericial): “Il ricorso sempre più 
frequente al metodo scientifico, specie nei casi eclatanti, rafforza la tesi della razionalità 
strumentale del diritto penale (anche nella fase di applicazione giudiziale delle norme 
penali ai casi concreti), grazie all’ utilizzazione di conoscenze empiriche ricavabili dal 
sapere scientifico” (PICOZZI; INTINI, 2009, p. 490).
Podemos disso tudo, então, concluir que o exame de corpo de delito (prova 
pericial) consiste na avaliação científica dos vestígios deixados no local do crime, 
ou até mesmo na vítima, no caso de estupro, por exemplo, para a resolução de 
uma infração penal. À vista disso, é notável que o legislador brasileiro considerou 
de grande relevância a realização da perícia, podendo ser nulo o processo na 
ausência deste exame.
Ao analisarmos a legislação brasileira, observamos a evolução e o cuidado 
do legislador ao atribuir um fato criminoso a outrem.
TÓPICO 3 | PROVA PERICIAL
75
A Constituição Federal de 1988 demonstra com afinco os direitos e 
garantias fundamentais dos cidadãos, visando evitar tratamentos degradantes ou 
injustos antes mesmo da decisão do juiz, conforme dispõe o Art. 5, LVII: “ninguém 
será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
A Constituição prevê também o princípio do contraditório em seu Art. 5, 
inciso LV, ressaltando o direito à prova para assegurar às partes os recursos 
suficientes a defesa do acusado.
Ainda, o Código de Processo Penal Brasileiro, como visto anteriormente, 
coloca como obrigatória a realização do exame de corpo de delito para os crimes 
que deixarem vestígios, atribuindo ao julgador meios materiais para a resolução 
de determinado fato delituoso.
Dentre todos os meios de prova do processo penal, em nosso entendimento, 
a prova pericial é a mais importante, ao garantir a maior veracidade dos fatos de 
forma científica e isenta, tendo em vista a sua materialidade.
De acordo com Dorea; Stumvoll e Quintela (2012, p.15), a prova pericial é 
produzida a partir de fundamentação científica dos elementos materiais deixados 
pela ação delituosa, enquanto a formação das chamadas provas subjetivas 
depende de testemunho ou interpretação de pessoas, podendo ocorrer uma série 
de erros, desde a simples falta de capacidade da pessoa em relatar o fato, até a 
situação de má-fé, onde exista intenção de distorcer os fatos para não se chegar a 
verdade, contribuindo para condenar um indivíduo por um crime que não tenha 
cometido, deixando de lado a justiça.
Em nosso entendimento, a prova testemunhal torna-se cada vez mais 
frágil pois não se sabe o caráter da pessoa, nem tampouco, se a mesma realmente 
testemunhou o fato. Desta forma, o juiz poderá se basear em uma prova sem 
plena convicção.
No mesmo sentido, a confissão como prova não detém grande força 
processual, pois sabemos que, muitas vezes, pode ter sido advinda de tortura, 
deixando, portanto, de ser tratada como o outrora a “rainha das provas”.
Segundo Madeira Dezem (2008, p. 220), a experiência havida no Direito 
Romano, na inquisição, no regime nazista e, no Brasil, no período de exceção, 
demonstra que a confissão deve ser analisada com cautela e reservas.
Ainda, Velho; Geiser e Espindula (2013, p. 444) afirmam que se o caráter 
fundamental do direito à prova reside no compromisso de assegurar às partes 
os meios necessários e suficientes à sua defesa, na medida em que se utiliza de 
recursos científicos e tecnológicos para oferecer à sociedade uma prova, sobretudo, 
isenta, robusta e confiável, cumpre a prova pericial seu papel de verdadeiro e 
efetivo remédio no esclarecimento da verdade.
76
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
Compreende-se, portanto, o interesse do legislador em colocar a 
obrigatoriedade da análise dos vestígios encontrados no local do crime por perito 
oficial, devidamente especializado para tal, buscando a maior proximidade 
possível do fato delituoso, bem como da materialidade do crime.
Seguido pelo princípio da dignidade humana e pela Constituição 
Federal de 1988, busca-se sempre a justiça nos processos penais, não podendo o 
julgador basear-se apenas em fatos expostos por pessoas, ou pela confissão, daí a 
importância da prova pericial.
FONTE: CORAINI DE SOUZA, Sara Cristina; BONACCORSO, Norma Sueli. A importância 
da prova pericial no processo penal. JusBrasil, São Paulo, 2017. Disponível em: saracoraini.
jusbrasil.com.br/artigos/418314346/a-importancia-da-prova-pericial-no-processo-penal. 
Acesso em: 2 dez. 2019.
TÓPICO 3 | PROVA PERICIAL
77
LEITURA COMPLEMENTAR
Seguindo o conteúdo, temos o interessante texto de Roberto Parentoni:
A PROVA NO PROCESSO PENAL
Roberto Parentoni
No processo penal ninguém poderá ser condenado se não houver provas 
que liguem um autor ao ato pelo qual se está sendo acusado, pois vigora o 
Princípio da Verdade Real, além do que, não se pode considerar ninguém culpado 
antes que tenha fim esse processo.
Em regra, todos os fatos terão de ser provados, mesmo que incontroversos 
ou não impugnados por quem de direito. Mas, existem fatos que dispensam a 
força probatória, ou seja, não precisam ser provados.
À acusação cabe provar sobre o fato criminoso, primeiro que ele ocorreu, 
demonstrando o nexo de causalidade, autoria, materialidade e resultado, além de 
todas as circunstâncias envolvidas; como, por exemplo, uma ação que, presente 
no fato, incorpora uma qualificadoraao crime.
O Juiz também pode produzir quaisquer provas no processo. Pode, 
inclusive, ouvir uma testemunha fora do prazo legal, em busca da verdade real.
Pode-se, inclusive, solicitar que uma testemunha seja ouvida como 
testemunha do Juízo, caso seja de importância para a defesa e o prazo para arrolar 
testemunhas tenha passado.
No processo penal, “a prova da alegação caberá a quem a fizer […]”.
PAPEL DA ACUSAÇÃO
A promotoria ou o ofendido tem de provar o fato, para que se efetive 
o direito do Estado de punir. O Promotor-Acusação ou o ofendido alegará em 
sua petição inicial que o réu cometeu o ato criminoso, contendo os seguintes 
elementos:
Autoria: identificação e qualificação da pessoa que se pretende punir;
Materialidade: vestígios deixados pelo crime, na natureza, da prática 
criminosa (o objeto do crime);
Nexo causal: é o que liga a ação do agente com o resultado;
78
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
Resultado: aquilo que foi concretizado com a última ação no crime, 
podendo ele ser consumado (o agente consegue realizar todas as etapas do crime, 
concretizando-o) ou tentado (o crime não acontece, o agente não vai até a última 
ação porque foi impedido por motivo alheio a sua vontade).
São duas as naturezas do crime: doloso (quando se tem a intenção de 
cometer o crime) e culposo (comete-se o crime por negligência, imperícia ou 
imprudência).
Se o Ministério Público denuncia o crime na sua forma dolosa, não tem de 
ser provada a culpa, há uma presunção legal. Se denuncia na forma culposa, além 
de provar o crime, deve provar a culpa.
PAPEL DA DEFESA: O acusado não tem a obrigação de provar que é 
inocente, ou seja, quem alega é que deve provar a culpa. Deve apenas produzir 
sua defesa, como se fosse uma contestação, contradizendo aquilo que o promotor 
ou o ofendido disser em sua petição inicial (denúncia ou queixa-crime).
Aqui, chamamos a atenção do leitor: o acusado deve se defender dos fatos 
narrados na denúncia, e não da tipificação penal.
PROVAS ILÍCITAS: No caso das provas ilícitas as mudanças asseguram 
o direito da ampla defesa, uma vez que apenas o art. 233 do CPP tratava desse 
assunto, além do art. 5º, LVI, da nossa Constituição Federal.
De acordo com o art. 157 do CPP, temos a afirmação da inadmissibilidade 
da prova ilícita, com consequente desentranhamento do processo.
Temos, agora, também a definição de provas ilícitas – aquelas obtidas com 
violação a normas constitucionais ou legais.
O art. 157 do CPP foi totalmente reformulado, passando a ser composto 
do caput e de quatro parágrafos.
No caput, temos a inadmissibilidade das provas ilícitas e a consequente 
declaração de ilicitude, com o desentranhamento de tais peças dos autos do 
processo. Não se previu recurso contra tal decisão, mas é possível a impetração 
de Habeas Corpus – HC para assegurar os direitos constitucionais e processuais 
do acusado/réu.
Há algumas situações especiais relacionadas à prova ilícita, das quais 
destacamos:
a) provas ilícitas por derivação (frutos da árvore venenosa), que passam a ser 
agora também ilícitas (art. 157, § 1º, primeira parte, CPP);
TÓPICO 3 | PROVA PERICIAL
79
b) quando não evidenciado o nexo de causalidade entre as provas (lícitas) 
derivadas das provas ilícitas, aquelas são admissíveis (art. 157, § 1º, segunda 
parte, a contrario sensu, CPP). A ressalva é que são admissíveis as provas 
(lícitas) derivadas das ilícitas quando puderem ser obtidas por uma fonte 
independente das provas ilícitas (art. 157, § 1º, parte final, CPP);
c) o incidente de inutilização da prova declarada inadmissível, após 
desentranhamento dos autos por decisão judicial, podendo as partes 
acompanhar o referido incidente (art. 157, § 3º, CPP). A destruição da prova, 
no entanto, só poderá dar-se após o trânsito em julgado da decisão que 
determinou o seu desentranhamento. A prova pode ser ilícita na visão do 
juiz, mas é perfeitamente possível que o Ministério Público, o assistente ou o 
querelante questione a decisão perante os Tribunais, obtendo entendimento de 
que a prova é lícita, e poderão, assim, voltar para os autos.
PROVA PERICIAL: Aqui há, na nova lei, alteração nas regras da prova 
pericial. Até então, exigia-se que dois peritos participassem do ato e assinassem 
o laudo pericial. Com a alteração na redação do art. 159, caput, basta agora que a 
perícia seja realizada por “perito oficial”.
Assim, passa a ser a regra o que era exceção, a saber, a possibilidade de 
realização de exame por perito único, já prevista na Lei n. 11.343/06 – Entorpecentes, 
quanto ao exame preliminar em substância entorpecente.
Na falta de perito oficial, o exame será realizado por duas pessoas idôneas, 
portadoras de curso de diploma superior preferencialmente na área específica 
do exame a ser realizado. Assim, se o perito não for oficial, volta a ser exigida a 
participação de duas pessoas para a realização da perícia, mas com curso superior.
Temos agora a possibilidade, prevista no novo art. 159, § 3º, do CPP, de 
indicação de assistentes técnicos, para acompanhar a perícia e formular quesitos, 
pelas partes necessárias (Ministério Público – ou querelante – e acusado) e pela 
parte contingente (assistente da acusação – a nova lei fala também em ofendido, 
razão pela qual, ainda que sem se constituir formalmente como assistente da 
acusação, o ofendido terá legitimidade para tanto).
A lei não menciona a legitimidade do indiciado ou do suspeito (sem 
indiciamento), ou seja, não trata explicitamente da possibilidade de indicação 
de assistente técnico na fase do inquérito policial. Não há razão que impeça tais 
pessoas de indicarem assistente técnico, ainda na fase investigativa da persecução 
criminal.
Não há, no entanto, obrigatoriedade de indicação de assistente técnico 
por qualquer das partes, mas simples faculdade, ficando a critério das partes 
decidirem se o indicarão ou não. Esse assistente técnico atuará depois de ser 
admitido pelo Juiz e após a conclusão dos exames e da elaboração do laudo pelos 
“peritos oficiais”.
80
UNIDADE 2 | DAS PROVAS
Admitido o assistente técnico, as partes serão intimadas da decisão (art. 
159, § 4º, CPP).
Até dez dias antes da audiência, as partes poderão requerer a oitiva dos 
peritos para prestar esclarecimentos sobre o laudo ou para responder a quesitos.
No caso de resposta a quesitos, os peritos poderão apresentar as respostas 
em laudo complementar. Poderão, também, apresentar pareceres elaborados pelo 
assistente técnico, em prazo a ser fixado pelo Juiz, sendo que o assistente técnico 
poderá ser indicado para oitiva em audiência (art. 159, § 5º, I e II, CPP).
Diante disso, podemos concluir que a indicação do assistente técnico ou 
peritos para inquirição em audiência poderá se dar ainda que ultrapassadas as 
fases da denúncia e da resposta à peça acusatória, quando, em regra, é feito o 
arrolamento de pessoas que serão ouvidas em Juízo.
Por requerimento das partes, o material probatório que serviu de base 
à perícia ficará disponível no ambiente do órgão oficial/pericial, que manterá 
sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, para exame pelos assistentes, 
a menos que seja impossível a sua conservação (art. 159, § 6º, CPP).
Por fim, estabeleceu-se que, em caso de perícia complexa envolvendo mais 
de uma área de conhecimento especializado, mais de um perito oficial poderá ser 
designado, assim como a parte poderá indicar mais de um assistente técnico (art. 
159, § 7º, CPP)”.
FONTE: PARENTONI, Roberto. A prova no processo penal. Disponível em: canalcienciascriminais.
com.br/prova-processo-penal/. Acesso em: 2 dez. 2019.
81
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A prova, em sua origem, é aquilo que serve para estabelecer uma verdade por 
verificação ou demonstração.
• No Processo Penal a prova pericial enquadra-se como prova material.
• A palavra prova vem do latim probatio que, no que lhe concerne, nasce do 
verbo probare e significa examinar, persuadir, demonstrar.
• No processo penal ninguém poderáser condenado se não houver provas que 
liguem um autor ao ato pelo qual se está sendo acusado.
• A promotoria ou o ofendido tem de provar o fato, para que se efetive o direito 
do Estado de punir.
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
82
1 Considerando as leituras realizadas responda às questões a seguir.
Em matéria processual, é tudo aquilo que sirva para estabelecer uma 
verdade por verificação ou demonstração, sendo capaz de confirmar ou refutar 
um fato. Sem dúvida, a prova é essencial para o processo, particularmente no 
processo penal, uma vez que possibilita ao julgador a formação de juízo de 
absolvição ou condenação. Nesse contexto, as provas, quanto à forma, podem 
ser de três modalidades: testemunhal, material e confissão. Pergunta-se: a 
prova pericial se enquadra em qual destas modalidades? Justifique.
2 A prova pericial é, a rigor, aquela realizada por um perito oficial – o 
especialista e/ou técnico de saber específico designado em juízo –, o 
qual deverá elaborar um laudo acerca do que for determinado, a fim de 
fornecer ao magistrado conhecimento específico, visando permitir a decisão 
adequada. Pergunta-se: em caso de inexistência de perito oficial, qual deve 
ser o procedimento?
AUTOATIVIDADE
83
UNIDADE 3
PROVAS E PERÍCIAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender o conceito de prova criminal de maneira a diferenciar as 
diversas formas e meios de provas utilizadas no processo criminal;
• identificar o perito como técnico especializado, tendo como função 
produzir conhecimento por meio um documento próprio – o laudo –, o 
qual contribui para a formação de juízo de valor, a fim de fundamentar 
uma decisão judicial justa;
• diferenciar e conceituar importantes modalidades de provas periciais, de 
maneira a compreender a produção de provas periciais relevantes.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade 
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo 
apresentado, bem como textos de base para aprofundar seus estudos.
TÓPICO 1 – PROVAS E PERÍCIAS CRIMINAIS
TÓPICO 2 – O PERITO 
TÓPICO 3 – MODALIDADES DE PERÍCIA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
84
85
TÓPICO 1
PROVAS E PERÍCIAS CRIMINAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Como você já concluiu, a prova é o elemento essencial para o processo 
penal, particularmente a prova pericial, que, com o aprimoramento da tecnologia, 
traz ferramentas cada vez mais fidedignas para o livre convencimento do juiz 
e, consequentemente, para a aplicação da justiça. Sem dúvida, entre todos os 
meios de prova admitidos, a prova pericial possui grande destaque.
Pensando nisso, na Unidade 3, serão abordados elementos importantes 
para conhecermos perícia como relevante meio de prova no processo penal. 
Vamos conhecer as bases científicas da perícia, saber o que é, e o que faz um 
perito. Por fim, estudaremos modalidades de perícias criminais.
É, sem dúvida, um estudo que trará curiosidade, e lhe levará a se 
aprofundar no tema em outras fontes. 
2 A PROVA PERICIAL
Provas são todos os elementos pelos quais se procura mostrar a existência 
e a veracidade de um fato. Sua finalidade, no processo, é influenciar no 
convencimento do juiz. Seja na esfera criminal, cível ou trabalhista, a prova pericial 
passou a ser entendida como o mais importante meio para o esclarecimento da 
verdade. 
As áreas periciais são diversificadas, e para cada finalidade há uma 
classificação, como a perícia ambiental, criminal, médica, contábil, balística, em 
veículos, e inúmeras outras, tendo o campo de atuação extrajudicial e judicial. A 
prova pericial é apresentada a partir de um exame técnico supervisionado por 
profissional especialista da área.
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
86
FIGURA 1 – ANÁLISE DA CENA
FONTE: <canalcienciascriminais.com.br/cadeia-de-custodia-da-prova-pericial>. 
Acesso em: 5 dez. 2019.
Elementos de prova são todos os fatos ou circunstâncias em que reside a 
convicção do juiz, como um depoimento de testemunha, resultado de perícia ou 
conteúdo de documento.
Já meio de prova é o conjunto de instrumentos ou atividades pelos quais os 
elementos de prova são introduzidos no processo, como testemunhas, documentos 
e resultados periciais. A perícia pode ter o status de prova, sendo realizada por 
peritos tecnicamente qualificados para a análise de fatos juridicamente relevantes 
ao litígio. Os peritos podem ser nomeados por um juiz, ou constituídos por obra 
de concurso público.
Fontes de prova são pessoas ou objetos utilizados para a obtenção de 
provas. Temos como exemplo a denúncia.
Meios de investigação da prova são os procedimentos que possuem 
como objetivo conseguir provas materiais. Podemos citar a busca e apreensão e a 
interceptação telefônica como exemplos.
Objetos de prova são os fatos principais ou secundários que reclamam 
uma apreciação judicial, e exigem uma comprovação. Sendo a prova legítima ou 
lícita, no processo penal, é essencial para que, no livre convencimento do julgador, 
seja alcançado um juízo de valor sobre o fato adequadamente apurado. 
É o elemento pelo qual se procura mostrar a existência, inexistência, 
veracidade ou não veracidade do fato e proferir um veredicto de condenação ou 
absolvição. Nesse sentido, conforme o expõe o Código de Processo Penal, em seu 
artigo 155:
TÓPICO 1 | PROVAS E PERÍCIAS CRIMINAIS
87
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova 
produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar 
sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos 
na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e 
antecipadas. 
Parágrafo único: Somente quanto ao estado das pessoas serão 
observadas as restrições estabelecidas na lei civil.
Em toda ação penal, existem dois pontos cruciais, a saber: a materialidade e 
a autoria do fato criminoso. Além disso, é importante que chegue ao conhecimento 
do juiz todas as circunstâncias objetivas (aspectos externos do crime) e subjetivas 
(motivos do crime e aspectos pessoais do agente) que possam determinar a 
certeza de sua convicção sobre a responsabilidade criminal. 
O juiz poderá indeferir as provas irrelevantes, impertinentes e protelatórias, 
de acordo com o exposto no artigo 400, parágrafo 1°, do Código de Processo Penal 
brasileiro. Vejamos:
Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada 
no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de 
declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela 
acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 
deste Código, bem como os esclarecimentos dos peritos, às acareações 
e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, 
o acusado.
§ 1º As provas serão produzidas numa só audiência, podendo o juiz 
indeferir as consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. 
Portanto, as circunstâncias que cercam o caso concreto devem ser 
provadas, em razão de sua relevância no momento de fixação da pena. Assim, 
a função probatória deve se limitar aos fatos relevantes do caso, isto é, àqueles 
pertinentes e úteis ao julgamento da ação penal.
2.1 TIPOS DE PROVA PERICIAIS
O Código de Processo Penal estabelece os seguintes tipos de prova: o 
exame de corpo de delito, que é a prova pericial, o interrogatório do acusado, 
a confissão, as perguntas ao ofendido, as testemunhas, o reconhecimento de 
pessoas ou coisas, a acareação, os documentos, os indícios e a busca e apreensão. 
O laudo pericial, por fornecer maior veracidade dos fatos, tendo em vista 
sua imparcialidade, tornou-se de maior importância. O exame de corpo de delito 
possuigrande relevância para a prova forense, pois é uma perícia técnica, e visa 
comprovar a materialidade (existência) de um delito com vestígios. 
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
88
FIGURA 2 – PROVA PERICIAL
FONTE: <portaleducacao.com.br/curso-online-medicina-pericias-criminais/p>. Acesso em: 
5 dez. 2019.
O corpo de delito pode ser separado em duas categorias, de acordo com 
sua durabilidade:
• Permanente: quando os vestígios têm durabilidade maior, como homicídio ou 
falsidade material.
• Transeunte: significa transitório, e ocorre quando a condição não deixa 
vestígios permanentes, como o crime de ameaça verbal ou contravenção de 
importunação ofensiva ao pudor.
Ademais, pode ser classificado quanto à forma de sua verificação:
• Direto: quando realizado pelo perito, diretamente sobre os vestígios deixados. 
Por exemplo, quando o perito possui a oportunidade de analisar diretamente 
o cadáver ou documento materialmente falso.
• Indireto: quando o perito necessita realizar análise que não recai diretamente nos 
vestígios para encontrar informações. É algo que não está disponível, podendo 
ser utilizados depoimentos, fotografias, gravações, objetos encontrados ou até 
um prontuário médico.
Na impossibilidade de exame de corpo de delito direto ou indireto, 
é admitida a prova testemunhal, conforme permite o artigo 167 do Código de 
Processo Penal: “Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem 
desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta”.
Ademais, o artigo 158 desta lei passou a contar com parágrafo único, que 
prevê a prioridade na realização do exame de corpo de delito quando se tratar 
de crime que envolva violência doméstica e familiar contra mulher ou violência 
contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência. Este artigo deixa 
claro a importância do exame de corpo de delito, não dando ao juiz arbitrariedade 
para decidir sobre a realização, pois está vinculada a decisão do magistrado de 
que seja realizado o exame de corpo de delito quando a infração deixar vestígios. 
TÓPICO 1 | PROVAS E PERÍCIAS CRIMINAIS
89
O Código de Processo Penal, em seu artigo 159, prevê a figura do perito 
oficial, com o seguinte texto legal: “O exame de corpo de delito e outras perícias 
serão realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior”. 
Já o artigo 184 desta lei determina que a autoridade não poderá indeferir 
a realização de exame de corpo de delito. Vejamos: “Salvo o caso de exame de 
corpo de delito, o juiz ou a autoridade policial negará a perícia requerida pelas 
partes, quando não for necessária ao esclarecimento da verdade”.
IMPORTANT
E
Corpo de delito é o conjunto de elementos, não um meio específico de prova. 
O conjunto de vestígios que apontam a existência do crime não se restringe aos referentes 
ao corpo físico da vítima. Portanto, não confunda o corpo de delito com o corpo da vítima, 
pois este é um dos vestígios que podem compor o corpo de delito.
Em outra alçada, no Código de Processo Civil, espécies de provas periciais 
estão especificadas em seu artigo 420. Temos, portanto, três categorias: o exame, 
a vistoria e a avaliação. 
O exame pericial tem como objetivo a análise e observação de pessoas 
ou objetos, como examinar uma pessoa, a fim de que se avalie seu real estado de 
saúde físico e mental; determinado material genético pode ser objeto de perícia 
em casos de exame de investigação de paternidade; um objeto pode ser analisado 
para verificar a existência de defeitos e vícios. A segunda categoria de perícia 
é a chamada vistoria, que consiste no exame de bens imóveis com o intuito de 
verificar se estão comprometidos ou danificados. Na terceira categoria, por fim, 
temos a avaliação de prova pericial, sendo que sua finalidade é a aferição de valor 
de mercado de determinado bem.
Enquanto é dada uma demanda judicial, cada parte tentará, pelos meios 
possíveis, provar ser detentora de direito com o objetivo final de convencer o juiz, 
a fim de que este possa julgar a lide a seu favor.
Quando aparecem casos em que a solução de um fato duvidoso não seja 
de conhecimento comum, ou seja, que não seja entendida pela experiência ou 
sabedoria do magistrado, será determinada a produção de prova pericial. 
O artigo 420 do Código de Processo Civil enumera três situações em 
que não será deferida sua produção: quando a prova do fato não depende do 
conhecimento especial de técnico; quando for desnecessária, em vista de outras 
provas que já foram produzidas; e quando for impossível realizar a verificação.
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
90
2.2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS CARACTERÍSTICOS 
DAS PROVAS PERICIAIS
Determinados princípios foram criados para estruturar o Estado de 
Direito. Esses princípios podem ser observados nas constituições existentes no 
mundo, pois são responsáveis por definir a estrutura básica, fundamentos e bases 
para determinado sistema.
Estado de Direito é o modelo em que a lei conduz a vida social e também 
a do Estado. Por meio da lei, todas as competências e funções dos órgãos do 
Estado são definidos, além disso, os cidadãos estarão protegidos por mecanismos 
que lhes darão o direito de pleitear, quando esse não tiver cumprindo os seus 
objetivos.
Ao analisar os princípios, é importante, primeiro, diferenciá-los das 
regras. Embora sejam parecidos em alguns aspectos, cada um tem sua relevância 
no ordenamento jurídico e, portanto, não podem ser tratados como iguais. 
Assim, os princípios são as normas, compatíveis com vários graus de 
concretização; já as regras são normas que tem caráter de exigência, as quais 
podem ou não serem cumpridas, sem grau intermediário de concretização.
Os princípios básicos da Constituição Federal de 1988 característicos das 
provas são:
• Princípio da legalidade.
• Princípio do contraditório e da ampla defesa.
• Princípio da verdade real.
• Princípio do livre convencimento do juiz.
• Princípio da proporcionalidade da lei.
O princípio da legalidade é a garantia primordial do devido processo 
legal. Está previsto na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5°, inciso LIV: 
“ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo 
legal”. Isso quer dizer que é obrigatório todos os atos processuais obedecerem ao 
que se encontra prescrito na Constituição. Todos os outros derivam dele.
O princípio do contraditório está previsto no artigo 5°, inciso LV, 
desta Carta Magna, estabelecendo que “aos litigantes, em processo judicial ou 
administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla 
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. 
É o instrumento técnico para a efetivação da ampla defesa, e consiste 
praticamente em poder contrariar a acusação. As partes que estão ligadas 
ao processo criminal têm o direito de participar diretamente do exercício da 
jurisdição. 
TÓPICO 1 | PROVAS E PERÍCIAS CRIMINAIS
91
De acordo com o Decreto n° 678, de 6 de novembro de 1992, que promulga 
a Convenção Americana sobre Direitos Humanos – o Pacto de São José da Costa 
Rica –, em seu artigo 8°, há a determinação de uma das garantias judiciais. Vejamos: 
Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e 
dentro de um prazo razoável, por um juiz ou tribunal competente, 
independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na 
apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou para 
que se determinem seus direitos ou obrigações de natureza civil, 
trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza. 
Desse modo, o contraditório busca a igualdade de oportunidade 
no processo e igual tratamento entre as partes e, a partir disso, pode dar a 
oportunidade para que ambos possam apresentar suas razões ou provas, e que, 
de formas iguais, podem influir no veredicto.
A ampla defesa está contida no artigo 5° da Constituição, no inciso LV. É 
uma garantia ligada ao princípio do contraditório, e que se estrutura no direito de 
as partes oferecerem argumentos que lhes favoreçam, utilizandotodos e qualquer 
meios de provas possíveis que sejam permitidos por lei. 
Isso abrange a defesa técnica, a autodefesa, a defesa efetiva e a utilização 
de todas as formas passíveis de demonstrar inocência do acusado. A prática 
da ampla defesa só é possível em decorrência do direito à informação, um dos 
elementos garantidos pelo contraditório.
Além de ser uma garantia fundamental, inerente ao próprio Estado 
Democrático de Direito, seu cumprimento é indispensável para permitir um 
processo justo, permitindo ao réu meios de comprovar suas alegações. 
Tão importante, pois, que o próprio Supremo Tribunal Federal editou a 
Súmula 523, com a seguinte entendimento: “No processo penal, a falta da defesa 
constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova 
de prejuízo para o réu”.
Também é disposto no Código de Processo Penal, em seu artigo 261, que 
“nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado 
sem defensor”.
O princípio da verdade real é a base para o procedimento do juiz, no 
que diz respeito à investigação de como os fatos ocorreram na realidade, não 
se conformando, apenas, com a verdade formal estabelecida. Deve existir o 
sentimento de busca do julgador, e cabe ao magistrado buscar outras fontes de 
prova e todos os mecanismos. 
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
92
A verdade real é guiada pela colheita de elementos probatórios essenciais 
e lícitos, para provar com segurança todos os pormenores da infração penal 
cometida, levando em consideração o autor, o local da infração, a vítima, as 
motivações, o modo como foi feita, quais os bens jurídicos que foram afetados e 
afins. Não apenas imprescindível para assegurar a base da Carta Magna de 1988, 
como para enraizar os métodos de busca da justiça.
O princípio do livre convencimento do juiz, também conhecido como 
o princípio da livre convicção motivada, diz que o magistrado forma o seu 
convencimento livremente em busca da justiça efetiva e ágil. 
O artigo 155 do Código de Processo Penal dispõe que o juiz formará 
sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório 
judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos 
informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não 
repetíveis e antecipadas. 
Fica a critério do juiz a produção das provas que entende necessárias 
para seu convencimento, bem como para sua motivação, podendo ser excluídos 
fatores que considere como usados para retardar as demandas judiciais, ou seja, 
evitar a produção de provas que sejam usadas com a finalidade de atrasar a lide. 
É claro que isso ocorre apenas quando o conjunto de provas existente nos autos é 
suficiente para o convencimento do magistrado.
Ele deve embasar suas decisões com base nas provas existentes nos autos, 
levando em consideração sua livre convicção pessoal motivada. A intenção é que, 
assim, possam ser feitos procedimentos mais ágeis e menos burocráticos, mas 
com a mesma segurança jurídica.
O princípio da proporcionalidade da lei não é previsto expressamente 
na Carta Magna de 1988, no entanto, é tido como um dos principais quando se 
trata de provas, pois estabelece diretriz para o que pode ser considerado lícito 
ou ilícito. É necessário que haja uma comparação entre o interesse que se quer 
defender e a intimidade que se deseja preservar. 
O princípio pautado na razoabilidade é posto em prática diante de um 
conflito entre direitos fundamentais. Baseando-se em três subprincípios para 
buscar a solução, inicialmente busca-se a adequação do meio, em seguida, a 
necessidade deste meio, e, por fim, a ponderação ou proporcionalidade em 
sentido estrito:
• Adequação: análise de que os meios usados são efetivamente capazes de atingir 
os objetivos pretendidos, não infringindo outro princípio.
• Necessidade: o ato administrativo deve ser, dentre todos os meios possíveis, 
o menos restritivo aos direitos individuais, por meio de medida que atinja em 
menor potencial o direito fundamental em questão.
TÓPICO 1 | PROVAS E PERÍCIAS CRIMINAIS
93
• Proporcionalidade em sentido estrito: após considerar a intensidade e 
a importância de intervir no direito fundamental, deve existir proporção 
adequada entre os meios utilizados e os fins pretendidos. Proíbe não só o 
excesso – exagerada utilização de meios em relação ao objetivo almejado –, mas 
também a insuficiência de proteção – ou seja, os meios utilizados estão aquém 
do necessário para alcançar a finalidade do ato.
Serve, então, como método interpretativo para a resolução de conflitos, 
visando limitar possível excesso legislativo que possa vir a cercear os direitos 
de quem deveriam protegê-los. Dividida em duas partes, a atividade pericial 
pode ser exercida na fase investigativa e na fase processual. A autoridade que 
determinar a perícia e as partes poderão oferecer quesitos.
Na fase de inquérito, o objetivo da perícia é realizar a análise antes que 
vestígios possam desaparecer ou se modificar. A prova pericial, em alguns casos, 
requer agilidade. A investigação, entretanto, não dá direito ao princípio do 
contraditório, a não ser quando a defesa pode acompanhar a perícia ou quando 
o Ministério Público possuir grande interesse e designar alguém para a função.
As provas periciais nem sempre podem ser reproduzidas em juízo após 
serem produzidas no inquérito. Isso ocorre justamente em razão das possíveis 
alterações, às quais os vestígios se submetem. No entanto, segundo o artigo 
159, parágrafos 3° e 5°, do Código de Processo Penal, as partes também podem 
apresentar quesitos.
Com a perícia de inquérito finalizada, pode acontecer o denominado 
contraditório diferido ou postergado, exercício do direito ao contraditório após 
a realização da prova pericial, normalmente contradita pela defesa e raramente 
pelo Ministério Público. 
Apesar do grande valor que a prova técnica apresenta, deve ser analisado 
todo o conjunto probatório e, caso haja um conflito, o juiz pode desconsiderar a 
perícia, como consta o artigo 182 do Código de Processo Penal: “O juiz não ficará 
adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte”.
Portanto, fazendo o uso do laudo pericial, o defensor tem a chance de 
formular quesito ou solicitar esclarecimento, mesmo que a situação não possa 
mais ser reproduzida. É possível, também, que um perito contratado pela defesa 
possa trazer argumentos que contestem a perícia anterior, como técnicas melhores 
e novos dados. Os chamados assistentes técnicos (peritos das partes) podem ter 
peso crucial no processo penal.
94
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• Provas são elementos utilizados para evidenciar a existência e a veracidade de 
um fato. 
• A finalidade da prova pericial, no processo, é influenciar no convencimento do 
julgador.
• A prova pericial é apresentada a partir de um exame técnico supervisionado 
por profissional especialista da área.
• Elementos de prova são todos os fatos ou circunstâncias em que reside a 
convicção do juiz, como um depoimento de testemunha, resultado de perícia 
ou conteúdo de documento.
• Os peritos podem ser nomeados pelo magistrado, ou podem ser oficialmente 
constituídos por obra de concurso público.
• Em toda ação penal, existem dois pontos cruciais: a materialidade e a autoria 
do fato criminoso. 
• A função probatória deve se limitar aos fatos relevantes do caso, ou seja, dos 
pertinentes e úteis ao julgamento da ação penal.
• O Código de Processo Penal estabelece como tipos de prova o exame de corpo 
de delito, o interrogatório do acusado, a confissão, as perguntas ao ofendido, 
as testemunhas, o reconhecimento de pessoas ou coisas, a acareação, os 
documentos, os indícios e a busca e apreensão. 
• O exame de corpo de delito tem grande relevância quando falamos em prova 
forense, pois se trata de perícia técnica que visa comprovar a materialidade, ou 
seja, a existência do delito que deixa vestígio.
95
1 (FCC/TRT – 6ª REGIÃO – Analista Judiciário/2018)A Constituição Federal 
autoriza o pedido de interceptação de comunicações telefônicas, por ordem 
judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de:
a) ( ) Investigação de improbidade administrativa.
b) ( ) Prova em ação civil de investigação de paternidade.
c) ( ) Investigação criminal ou instrução processual penal.
d) ( ) Instrução de inquérito civil.
e) ( ) Prova em ação civil de alimentos.
2 (FUNCA/SJUS-RO – Médico Nutrologista/2010) O Código de Processo 
Penal ao disciplinar a questão DA PROVA enuncia inúmeras regras e 
procedimentos que devem ser seguidos para que a persecução criminal 
tenha o seu trâmite normal. Tendo em vista o Código de Processo Penal, 
assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer 
hora.
b) ( ) Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente 
desempenhar o encargo.
c) ( ) Os peritos elaborarão o laudo pericial, no qual descreverão, minuciosamente, 
o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados.
d) ( ) Os exames de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois 
peritos oficiais.
e) ( ) A autópsia será feita pelo menos seis horas depois do óbito, salvo se os 
peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita 
antes daquele prazo, o que declararão no auto.
3 (FAPEMS/PC-MS – Delegado de polícia/2017) A busca e apreensão está 
prevista no Código de Processo Penal vigente como um meio de prova 
possível de ser realizada antes e durante a investigação preliminar, no curso 
da instrução criminal e, ainda, na fase recursal. A esse respeito, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) A busca pessoal será realizada pela autoridade policial, independentemente 
de mandado, no caso de prisão, quando houver fundada suspeita de que a 
pessoa esteja na posse de arma proibida, no decorrer da busca domiciliar 
nas pessoas que se encontrem no interior da casa.
b) ( ) A autoridade policial, assim que tomar conhecimento da prática da 
infração penal, deverá colher todas as provas e determinar a imediata 
busca e apreensão de objetos, o que prescinde de autorização judicial, 
pois é, um ato administrativo autoexecutável.
AUTOATIVIDADE
96
c) ( ) Autoridade policial não poderá penetrar no território de jurisdição 
alheia para o fim de apreensão, quando for no seguimento de pessoa 
ou coisa, sem antes se apresentar obrigatoriamente e sempre antes da 
diligência à competente autoridade local.
d) ( ) Dispõe do Código de Processo Penal vigente que a busca pessoal em 
mulher será sempre realizada por outra mulher, o que se estende 
às transsexuais e às travestis, uma vez reconhecido o direito de se 
identificarem como do gênero feminino, devendo a autoridade policial 
observar de maneira fidedigna essa regra.
e) ( ) Não será permitida a apreensão de documento em poder do defensor 
do acusado pela autoridade policial, mesmo que constituir elemento do 
corpo de delito, haja vista a probabilidade de servir de prova de tese 
defensiva.
4 (FUMARC/PC-MG – Delegado de polícia substituto/2018) Acerca da prova 
da materialidade através de perícia (desconsiderando-se a possibilidade 
de prova da materialidade por exame de corpo de delito indireto ou prova 
testemunhal), relativamente aos crimes de furto qualificado pela destruição 
ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa (CP, art. 155, §4º, I), de 
furto qualificado pela escalada (CP, art. 155, §4º, II), de furto qualificado pelo 
emprego de explosivo ou artefato análogo que cause perigo comum (CP, art. 
155, §4º-A), de incêndio (CP, art. 250), e de explosão simples e privilegiada 
(CP, art. 251, caput e §1º), é INCORRETO afirmar:
a) ( ) A materialidade do crime de furto qualificado pela destruição de 
obstáculo à subtração da coisa se comprova nas hipóteses em que o laudo 
pericial, além de descrever os vestígios, indique com que instrumentos, 
por que meios e em que época presume-se ter sido o fato praticado.
b) ( ) A legislação processual penal não exige a realização de perícia para a 
comprovação da materialidade do crime de furto qualificado pela escalada.
c) ( ) Para comprovar a materialidade do crime de incêndio, os peritos 
verificarão a causa e o lugar em que este houver começado, o perigo 
que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a 
extensão do dano e o seu valor, bem como as demais circunstâncias que 
interessarem à elucidação do fato.
d) ( ) Para que incida a circunstância qualificadora prevista no art. 155, §4º-A, 
do CP (crime de furto qualificado pelo emprego de explosivo ou artefato 
análogo que cause perigo comum), os peritos devem analisar a natureza 
e a eficiência dos instrumentos empregados para a prática da infração.
97
5 (FUNCAB – PC-RO – Médico Legista/2012) A respeito da prova pericial no 
âmbito do processo penal é correto afirmar:
a) ( ) As partes não poderão indicar assistentes técnicos particulares para 
acompanhamento da perícia, sob pena de prejuízo à imparcialidade 
da prova.
b) ( ) Os peritos, a seu critério, poderão elaborar laudo pericial ou responder 
oralmente aos quesitos formulados.
c) ( ) A autópsia será feita pelo menos doze horas depois do óbito, salvo se os 
peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita 
antes daquele prazo, o que declararão no auto.
d) ( ) A prova testemunhal não supre a falta de exame de corpo de delito cuja 
realização não foi possível.
e) ( ) O exame de corpo de delito poderá ser realizado a qualquer dia e a 
qualquer hora.
98
99
TÓPICO 2
O PERITO 
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Advindo do latim, peritus,a,um, perito significa “aquele que possui 
especialização”, ou “capacidade ou experiência” em certa atividade. É definido 
como o técnico que, designado pela justiça, recebe o encargo, mediante exames 
específicos, de prestar esclarecimentos necessários e indispensáveis à solução de 
uma demanda processual. É, portanto, um assessor do juiz, com função estatal, 
destinada a fornecer dados instrutórios de ordem técnica e a proceder a verificação 
e formação do corpo de delito. 
Assim, é a pessoa que, sob compromisso, torna-se responsável por 
esclarecer, por meio de laudo, uma questão de fato que pode ser apreciada por 
seus conhecimentos técnicos especializados (MIRABETE, 2000, p. 170). Por ter a 
função de fornecer elementos processuais, a atividade é regulada pelo Código de 
Processo Penal e pelo Código de Processo Civil. Os peritos, sejam criminais ou 
civis, são auxiliares da justiça, com conhecimento especializado em determinada 
área, sujeitos à disciplina judiciária e aos mesmos impedimentos dos juízes.
FIGURA 3 – A CENA DO CRIME
FONTE: <ifar.com.br/artigo/seja-perito-criminal-e-ganhe-ate-r-24mil-mês>. Acesso em:
 5 dez. 2019.
100
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
 No direito processual criminal brasileiro, a perícia criminal está inserida 
no título das provas, que se divide em dez tipos de prova: 
• Pericial.
• Interrogatório do acusado. 
• Confissão.
• Perguntas à vítima.
• Testemunhal.
• Reconhecimento de pessoas ou coisas.
• Acareação.
• Documental.
• Indiciária. 
• Busca e apreensão. 
Diferentemente do processo civil, no qual prevalece a verdade formal, ou 
seja, as produzidas no processo, conforme os argumentos e provas trazidas pelas 
partes, no processo penal prevalece o princípio da verdade real, em que "o juiz 
tem o dever de investigar como os fatos se passaram na realidade" (CAPEZ, 2003, 
p. 26). O trabalho do perito é a emissão de parecer técnico, que tem a função de 
um juízo de valor cientificamente fundamentado, e cuja área de conhecimento 
extrapola o senso comum ou especificamente o conhecimento jurídico. 
Por ser processo penal, como regra geral, as perícias são realizadas por 
peritos oficiais, policiais especializados. São integrantes das instituições de polícia 
judiciária. Porém, em alguns estados brasileiros, a perícia não integra a polícia. 
Nesses casos, normalmenteestão vinculados a uma superintendência de polícia 
técnica, a qual reúne os institutos de identificação, medicina legal e criminalística. 
Todo esse complexo é vinculado à secretaria de Segurança Pública ou de Defesa 
Social do Estado. 
Estabelece o artigo 159 do Código de Processo Penal que cabe aos peritos 
a realização dos exames de corpo de delito: 
Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados 
por perito oficial, portador de diploma de curso superior.
§ 1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) 
pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior 
preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação 
técnica relacionada com a natureza do exame.
§ 2º Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente 
desempenhar o encargo.
§ 3º Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, 
ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e 
indicação de assistente técnico.
§ 4º O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz 
e após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos 
oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão.
§ 5º Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto 
à perícia:
TÓPICO 2 | O PERITO 
101
I- requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para 
responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os 
quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados 
com antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar as 
respostas em laudo complementar;
II- indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em 
prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência.
§ 6º Havendo requerimento das partes, o material probatório que 
serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão 
oficial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, 
para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação.
§ 7º Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de 
conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais 
de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico.
Dessa forma, o perito é aquele profissional chamado a emitir o parecer, 
não apenas as observações técnicas e suas impressões pessoais, mas as deduções 
possíveis a partir daquelas. Para tanto, é preciso que o perito seja dotado de 
conhecimentos e aptidões especiais, seja profundo conhecedor, ou seja, o perito 
deve ser especialista no assunto e dispor de equipamentos que possibilitem ter a 
sua capacidade de observação ampliada, de modo a ver de modo profundo como 
correlacionar cientificamente os dados obtidos. No Brasil, os peritos podem ser 
oficiais ou ad hoc (não oficiais). 
2 PARTICULARIDADES DA ATIVIDADE DO PERITO
Assim como qualquer outra profissão, a atividade do perito possui 
características próprias, e que devem ser analisadas com atenção. A seguir, 
apresentamos quais são as modalidades, bem como a conceituação e sua legislação 
determinante:
•	 Oficiais: são os médicos legistas e peritos criminais, conforme define o artigo 
159 do Código de Processo Penal. 
•	 Louvados,	 nomeados,	 designados,	 não	 oficiais,	 ad hoc: são os peritos 
definidos pelos artigos 159, parágrafos 1° e 2°, do Código de Processo Penal, 
156, parágrafo 1°, do Código de Processo Civil, e 3° da Lei nº 5.584, de 26 de 
junho de 1970.
• Assistentes técnicos: são os peritos indicados pelas partes no juízo civil ou 
trabalhista. Sua definição está estabelecida nos artigos 131, inciso I, 421, inciso 
I, e 422, do Código de Processo Civil, e artigo 3° da Lei n° 5.584, de 26 de junho 
de 1970. 
 
Agora, vamos analisar quais são os impedimentos legais para exercício da 
função de perito: 
102
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
• Por indignidade: ocorre por inidoneidade, incompetência ou interdição 
temporária de direitos, por interdição de direitos.
• Por incompatibilidade: por ter prestado depoimento ou opinado sobre o 
objeto da perícia. em razão da matéria.
• Por incapacidade: analfabetos e menores de 21 anos. 
• Por suspeição: artigos 280 e 254 do Código de Processo Penal. 
Quanto à profissão, podemos dizer que o perito não é clínico, pois este: 
• Deve acreditar no paciente.
• Deve questionar a validade e a sinceridade.
• Tem como objetivo o tratamento (cura).
• Atua com Visum et Repetum (descrição).
• Está preso ao sigilo.
Ademais, cabe salientar que o médico clínico não pode ser perito em 
processo no qual esteja envolvido seu paciente, devendo se declarar suspeito ao 
juiz que o nomear perito do juízo. 
 
No que se refere às qualidades da atuação do perito, temos as classificações: 
Ciência; Técnica; Consciência.
E quanto à intervenção, temos estas situações: Inquérito; Sumário; 
Julgamento; Após lavrado a sentença.
 
Assim como qualquer outra profissão, o profissional da perícia recebe por 
sua atuação, por meio de honorários. A seguir, temos as seguintes possibilidades:
•	 Peritos	oficiais: são pagos pelo Estado. 
•	 Peritos	não	oficiais: são arbitrados pelo juiz. 
• Perícia civil: podem ser reivindicados judicialmente.
Portanto, o valor dos honorários a ser definido pode ser baseado no 
costume do lugar, na reputação profissional do perito, nas possibilidades 
econômicas dos envolvidos, no tempo despendido, na importância e dificuldade 
médico-judiciária da ação. 
TÓPICO 2 | O PERITO 
103
DICAS
Veja quais são as dez regras para a atuação do perito:
Decálogo dos peritos
• O perito deve atuar com a ciência do médico a veracidade do testemunho e a 
equanimidade do juiz.
• É necessário abrir os olhos e fechar os ouvidos. 
• A exceção pode ter tanto valor quanto a regra.
• Desconfiar dos sinais patognomônicos.
• Deve-se seguir o método cartesiano.
• Não confiar na memória.
• Uma autópsia não se pode refazer. 
• Pensar com claridade para escrever com precisão.
• A arte das conclusões consiste na medida. 
• A vantagem da medicina legal está em não formar uma inteligência exclusiva e estritamente 
especializada.
104
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os peritos são profissionais especializados, integrantes do quadro de 
profissionais da polícia científica, ou da polícia civil, dependendo do estado. 
• A forma de ingressar na área é por meio de concurso público. 
• A formação do perito criminal abrange inúmeras áreas do conhecimento, como 
biologia, bioquímica, farmácia, psicologia, medicina, engenharias, entre outras.
• O trabalho realizado pelo perito é a perícia, e seus laudos são enviados aos 
órgãos responsáveis, quando requisitados mediante documentos de praxe, 
dentro do ordenamento jurídico.
• Com a apresentação dos laudos produzidos por um perito criminal, a 
autoridade poderá usá-los para fornecer elementos, a fim de verificar as causas 
do crime, acidente ou incidente que produziu prejuízo.
105
AUTOATIVIDADE
1 Leia com atenção o texto a seguir, com trechos selecionados do artigo 
“Perícia criminal: uma abordagem de serviço”, de autoria de Cláudio Vilela 
Rodrigues, Márcia Terra da Silva e Oswaldo Mário Serra Truzzi, publicado 
na Revista Gestão & Produção, na edição de outubro/dezembro de 2010:
“A perícia criminal desempenha um papel relevante na rede 
interorganizacional de segurança pública e justiça criminal. O valor essencial 
do serviço é fazer o link entre a ciência e a justiça. O valor para a sociedade é 
conciliar o interesse social de que haja uma apuração eficaz dos delitos, com o 
respeito aos direitos humanos. 
Em julgamentos criminais, os juízes entrevistados destacam a 
objetividade e a imparcialidade da prova pericial. A partir das análises, inferiu-
se que esta imagem de objetividade e imparcialidade se deve à associação 
com a ciência. A Justiça tem como valor central a imparcialidade (“A Justiça é 
cega”), e a perícia contribui para a operacionalização deste valor. 
Em serviços, uma questão difícil de lidar é com a intangibilidade, porque 
elanão é objetiva, é ambígua. Quanto mais intangível um serviço, mais difícil 
de avaliar. A dualidade entre os resultados tangíveis (evidências) e intangíveis 
(informações contidas no laudo pericial) do serviço, quanto à tangibilidade 
(pessoal, artefatos tecnológicos, equipamentos) e a intangibilidade (cenário) 
presente no processo pericial, induz à reflexão sobre a objetividade, a 
imparcialidade e a legitimidade da ciência. É no cenário (cena do crime) e no 
laudo pericial que se encontram a tangibilidade e a intangibilidade do serviço. 
As evidências tangíveis só são válidas porque elas são legitimadas pela ciência. 
Pela mesma razão, as informações contidas no laudo pericial são 
utilizadas pelos juízes, para fundamentação das sentenças judiciais criminais. 
Os principais recursos do serviço são as competências dos profissionais 
oriundos de diversos campos do conhecimento, e os artefatos tecnológicos, 
que os auxiliam no desempenho de suas atividades. 
Há dois grupos de competências. No primeiro são as técnicas, que 
consistem em localizar e coletar vestígios na cena do crime, incorporar 
novas tecnologias, proceder aos exames complementares laboratoriais e/ou 
especializados, realizar análises científicas com base nos vestígios coletados 
e emitir conclusões úteis aos destinatários do serviço. No segundo, estão as 
relacionais, que são essenciais para se construir o valor do serviço. Ressalte-
se que as análises mostraram que, para entregar valor, só as competências 
técnicas não são suficientes, é preciso conhecer a atividade dos destinatários 
do serviço. 
106
A aproximação dos peritos com os destinatários do serviço, 
principalmente juízes e promotores públicos, para a construção de uma 
relação dialógica, é essencial à criação de valor nesta rede. Além disso, a falta 
de um conceito único e explícito de Justiça Criminal para todos os atores cria 
dificuldades de coordenação e integração desta rede. Finalizando, a partir da 
definição do valor que o serviço de perícia criminal deve entregar, sugerem-se 
pesquisas sobre as formas de organizar o serviço”. 
FONTE: scielo.br/pdf/gp/v17n4/a16v17n4.pdf. Acesso em: 5 dez. 2019.
Com base nisso, disserte sobre o tema “A relevância processual do perito”. 
107
TÓPICO 3
MODALIDADES DE PERÍCIA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O Código de Processo Penal descreve várias modalidades de provas 
perícias aceitas no ordenamento jurídico. Dessa forma, iremos analisá-las ao 
longo deste tópico seis espécies de perícias encontradas no diploma legal.
Sem dúvida, de todas as perícias aceitas no processo penal, o exame de 
corpo de delito é considerado o mais importante, tanto que o legislador, ao redigir 
tal diploma, ponderou sua relevância, separando-o das demais perícias. Isso está 
estabelecido no artigo 158 e seguintes deste Código.
Para esclarecer, antes de conceituar tal perícia, deve-se conceituar o que 
é vestígio e compreender o que é corpo de delito, e suas diferenças. Vestígio é o 
rastro, a pista ou indício deixado por algo ou alguém, devendo-se compreender 
rastro como alterações que ocorrem no local, pessoas ou objetos assim que 
praticada a conduta delituosa, alterações estas capazes de elucidar o caso. 
Passemos, agora, a analisar o conceito de corpo de delito. 
2 EXAME DE CORPO DE DELITO
Pode-se afirmar que corpo de delito é o conjunto de vestígios, elementos 
apreensíveis por meio dos sentidos, os quais são deixados pelo crime (BONFIM, 
2010, p. 46). Sem dúvida, o corpo representa a materialidade do crime, podendo 
ocorrer sobre a vítima, o local e sobre instrumentos e demais objetos relacionados 
ao crime. Por meio do corpo de delito é possível a elucidação de um crime e/
ou a determinação de sua autoria. A perícia realizada sobre o corpo de delito, é 
chamada de exame de corpo de delito, podendo ser de forma direta ou indireta
O exame pericial está previsto no Código de Processo Penal, em seus 
artigos 6°, inciso VII, 158, 161, 167 e 168. Ademais, o primeiro artigo citado, em seu 
inciso VII, cita o exame pericial quando dispõe que a autoridade policial deverá, 
assim que tomar conhecimento da prática do crime, determinar, se for necessário, 
que se proceda o exame de corpo de delito e também as demais perícias que se 
julguem necessárias.
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
108
Assim, este Código expõe que é indispensável a realização do exame de 
corpo de delito quando a infração cometida deixar vestígios, e que o este não 
pode ser suprido pela confissão, pois há a possibilidade de o acusado confessar 
crime não cometido por ele, a fim de ajudar o verdadeiro criminoso, conforme 
seu artigo 158.
No artigo 161 do Código está expresso que tal exame não possui dia ou hora 
para ser realizado, ou seja, poderá ser feito em qualquer tempo. Seguidamente, 
seu artigo 167 determina que, caso não seja possível a realização do exame por 
terem desaparecidos os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir tal falta.
Já seu artigo 168 traz a figura do exame de corpo de delito quando dispõe 
que, nos casos de lesões corporais, caso o primeiro exame pericial seja incompleto, 
será necessária a realização de outro exame, com cunho complementar, devendo 
ser determinado pela autoridade policial ou judiciária, de ofício ou mediante 
requerimento do parquet, do ofendido ou do próprio acusado e de seu defensor.
FIGURA 4 – A PROFISSÃO
FONTE: <blog.verbojuridico.com.br/perito-criminal-como-ingressar-na-profissao>. Acesso: 
5 dez. 2019.
Salienta-se que o exame de corpo de delito “tem a finalidade de constatar, 
definir, interpretar e registrar circunstâncias, pessoas envolvidas e todas as 
particularidades do delito” (COSTA FILHO, 2012, p. 22), devendo ser realizado de 
forma minuciosa a elaboração do laudo pelo perito. É uma espécie de perícia que 
abrange diversas outras subespécies, como o exame necroscópico, a exumação, o 
exame perinecroscópico, entre muitos outros. 
O exame necroscópico é uma das espécies do exame de corpo de 
delito, pois é realizado sobre um dos elementos deixados pelo crime: a própria 
vítima. Este exame recebe diferentes nomes, por exemplo, exame necroscópico, 
necropsia ou autópsia, sendo este último utilizado de maneira errônea, devido à 
impossibilidade da realização do exame em si. 
TÓPICO 3 | MODALIDADES DE PERÍCIA
109
A necropsia, como explica Costa Filho (2012), é o exame interno realizado 
no cadáver, com o objetivo de se constatar sua causa mortis. Já para Bonfim (2010), 
a necropsia consiste em primeiramente realizar o exame exterior do cadáver 
para, em seguida, ser realizado seu exame interno, visando estabelecer a causa 
da morte.
FIGURA 5 – MAPA CONCEITUAL: O EXAME DE CORPO DE DELITO E PERÍCIAS 
FONTE: <pinterest.se/pin/855050679223061407>. Acesso em: 20 nov. 2019.
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
110
3 EXAME NECROSCÓPICO, “AUTÓPSIA” OU NECROPSIA
Não é apenas a causa mortis que se busca por meio da necropsia. Procura-
se descobrir aspectos da trajetória do projétil, número de ferimentos existentes 
no cadáver, orifícios de entrada e saída do instrumento utilizado na conduta 
delituosa, entre outros.
O exame de necropsia também é utilizado para a identificação do tempo 
do crime, ou seja, o momento em que ocorreu, por meio da observação dos 
chamados fenômenos cadavéricos, como livores hipostáticos, rigidez cadavérica, 
resfriamento corporal, grau de putrefação e maceração.
O exame necroscópico está previsto no artigo 162 do Código de Processo 
Penal, estabelecendo o prazo de pelo menos seis horas para sua realização 
após o óbito, salvo se forem evidentes os sinais de morte, podendo os peritos 
dispensarem tal período, tendo este prazo o objetivo de “evitar equívoco sobre 
a constatação da morte, como em casos de síncopes, catalepsia e outros casos de 
morte aparente” (NICOLITT, 2010, p. 420).
A necropsia deverá ser realizada toda vez em que ocorrer crimes de 
homicídio consumado ou mortes violentas, sobre as quais existam suspeitas de 
crime, devendo ser inicialmente fotografado na posiçãoem que for encontrada a 
vítima, e as imagens farão parte do laudo, de acordo com as normas estabelecidas 
nos artigos 164 e 165 deste Código. Cabe ponderar que isso é também considerado 
um exame de corpo de delito, pois sua realização é sobre a vítima.
UNI
Como se faz uma necropsia
 Um médico legista abre e analisa os órgãos de três cavidades do corpo: crânio, tórax 
e abdome, para descobrir as circunstâncias e as causas da morte.
 Só três situações exigem esse tipo de exame: morte violenta ou suspeita, quando o 
corpo é levado para o Instituto Médico Legal (IML); morte natural em que faltou assistência 
médica ou por doença sem explicação, que fica a cargo do Serviço de Verificação de Óbitos 
(SVO); ou quando a doença é rara e precisa ser estudada, mais comum em hospitais acadêmicos.
CORTE A CORTE
Os procedimentos e o trabalho do legista em uma vítima de morte violenta são os seguintes:
1. Após o reconhecimento da família, o corpo é identificado com um número que remete a 
documentos como o RG e o boletim de ocorrência. Roupas e projéteis são enviados para 
o instituto de criminalística da polícia científica, que faz perícias em “cenas de crime” e 
objetos. O cadáver é pesado e lavado com água e sabão.
TÓPICO 3 | MODALIDADES DE PERÍCIA
111
2. Na sala de necropsia, o exame começa com a análise externa do corpo. Médico e auxiliar 
procuram furos de bala, lesões e até sinais que identificam o morto, como uma tatuagem 
ou uma cicatriz. Todos os detalhes são anotados e farão parte de um documento emitido 
pelo IML.
3. “O próximo passo é o exame interno, pela abertura das cavidades do cadáver e pelo exame 
minucioso de suas vísceras”, conta Roberto Souza Camargo, diretor do IML de São Paulo. 
Com um corte que vai do pescoço ao púbis e que pode ter formato de Y, de T ou de I, o 
legista tem acesso à caixa torácica e ao abdome.
4. Os órgãos agredidos que podem ajudar na descoberta da causa da morte são retirados e 
examinados – como um coração esfaqueado ou o estômago, no caso de envenenamento. 
É feita tanto uma análise geral quanto microscópica e os resultados são combinados no 
relatório final.
5. Depois dos órgãos do tórax, o médico corta o couro cabeludo de uma orelha a outra para 
remover o cérebro. A tampa do crânio é retirada com uma serra elétrica, mas o cérebro 
só pode ser arrancado se todos os nervos que o conectam ao corpo são cortados – entre 
eles, os nervos ópticos, ligados aos olhos.
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
112
6. Ao final da análise, os órgãos são reinseridos e o corpo é fechado. Os pequenos pedaços 
utilizados em exames são incinerados. O legista usa uma costura contínua, que tem um 
ponto inicial e segue do começo ao fim dos cortes. Cabelos e roupas escondem as suturas 
durante o enterro.
7. O processo inteiro, da chegada à liberação do corpo, dura de quatro a oito horas. A 
necropsia leva entre duas e três horas. Ao fim do exame, o IML emite uma Declaração de 
Óbito, com a identificação e o motivo da morte. Com esse documento, a família consegue 
retirar a Certidão de Óbito em um cartório.
 INDÍCIOS DE MORTE
 A aparência de um órgão pode indicar as causas do óbito.
 Pus no pulmão pode indicar pneumonia – em um paciente que ficou internado por 
muito tempo, a causa pode ser o próprio entubamento.
 Pulmões inchados, cheios de pintas vermelhas e face arroxeada indicam asfixia. No 
caso de afogamento, eles, claro também ficam cheios de água.
TÓPICO 3 | MODALIDADES DE PERÍCIA
113
 Massa encefálica espalhada é um sinal de fratura no crânio, que pode ser resultado 
de algum tipo de golpe na cabeça, como uma machadada.
 Órgãos pálidos representam grande perda de sangue devido a uma hemorragia. 
Pode ser a consequência de um ferimento a bala no coração, por exemplo.
 Apesar de o processo ser conhecido popularmente como autópsia, o termo 
correto é necropsia – uma vez que “auto” indica que você faria o exame em si mesmo.
 Ah! Vale lembrar: o IML não mexe só com mortos. Em São Paulo, boa parte dos 
atendimentos (92%) é feita com gente viva, como vítimas de agressões, acidentes de trânsito 
e de trabalho.
FONTE: <super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-feita-uma-autopsia>. Acesso em: 5 
dez. 2019.
4 EXUMAÇÃO PARA EXAME CADAVÉRICO
A exumação cadavérica é uma nova perícia necroscópica, porém, deverá 
precedê-la a autorização para exumar o corpo inumado. Conforme entendimento 
de Nicolitt (2010, p. 420) o exame deverá ser realizado “desde que o exame 
de corpo de delito, na época apropriada, não tenha sido realizado de forma 
completa, ou desde que o motivo relevante, superveniente, o justifique”. Assim, 
pode-se perceber que esse exame tem natureza complementar, sendo requisitado 
geralmente quando há divergências sobre a causa da morte violenta ou sobre 
suas circunstâncias (BINA, 2009). 
Deve-se sempre tomar o devido cuidado, pois exumação importa o 
desenterramento do cadáver, que é retirado da sepultura para a realização de 
exames, seja em razão de dúvida superveniente, seja pela deficiência do exame 
anterior, seja por ferir sentimentos ou inconformismos das partes. Devem ser 
obedecidas as disposições legais e todas as formalidades para que não se caracterize 
o crime de violação de sepulturas e demais crimes referentes ao respeito aos mortos.
Segundo o previsto no artigo 163 do Código de Processo Penal, a exumação 
deverá sempre ter dia e hora previamente marcados pela autoridade responsável, 
sendo lavrado autocircunstanciado, e devendo o responsável pelo cemitério 
público ou particular indicar o local da sepultura, sob pena de desobediência. 
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
114
Caso não exista administrador no cemitério, ou existindo, este se recuse 
a indicar o local da inumação, ou até mesmo caso o cadáver não esteja no local 
próprio, a autoridade deverá realizar as devidas pesquisas para encontrá-lo, 
devendo tudo ser descrito nos autos.
Depois de realizada a exumação e dirimida qualquer dúvida acerca da 
identidade do cadáver, os peritos realizarão, de certa forma, novo exame de 
corpo de delito, a fim de sanar as dúvidas motivadoras da exumação. Assim como 
ocorre na necropsia, na exumação do cadáver também deverá ser fotografado na 
posição em que for encontrado, devendo tais fotografias serem juntadas ao laudo, 
como determinam os artigos 164 e 165 deste Código.
NOTA
Exumação de corpos: o que acontece durante o processo?
Processos corretos para exumação de corpos:
É necessária a presença de um oficial de saúde ambiental durante o processo da exumação. 
Este oficial irá fazer a supervisão de todo o processo, principalmente para fins de saúde 
pública, saúde pessoal e verificar se a pessoa falecida é tratada com respeito pelos técnicos 
presentes. Este oficial irá certificar-se de que: 
• O túmulo a ser aberto é o correto.
• A exumação tem início bem cedo, pela manhã, para o máximo de privacidade.
• Todos os técnicos no local estejam seguindo as regras de segurança e saúde, como, usar 
roupas adequadas e protegidas, equipamentos de segurança pessoal, lanternas, toucas, 
luvas etc.
• Todos os que estão presentes mostram devido respeito ao falecido durante a exumação, 
e as sepulturas que ali estão.
• A placa de identificação do caixão está correta.
• O novo caixão foi aprovado pelo Comandante da Saúde Ambiental.
• Todos os restos humanos e todas as peças contidas nele irão para o novo caixão durante 
a exumação.
TÓPICO 3 | MODALIDADES DE PERÍCIA
115
• O novo caixão está corretamente lacrado.
• Qualquer possibilidade de infecção ou contágio de doenças seja controlada.
• Estão sendo tomadas as medidas corretas para a transferência dos restos durante a 
exumação.
 O oficial que irá comandar todo o processo de exumação de corpos deve também 
certificar-se que as condições para a licença foram cumpridas, também aspectos sociais, 
saúde e da parte estrutural do cemitério. Caso isso não esteja feito o processo de exumação 
não inicia.
 FONTE: <exumacaodecorpos.com.br>. Acesso em: 5 dez. 2019.
5 EXAME PERINECROSCÓPICOO vocábulo “peri” vem de periferia, logo, tal exame é realizado sobre a 
região periférica do cadáver. Em outras palavras, o local em volta deste (BINA, 
2009). Ao contrário da necropsia, feita sobre o corpo e realizada pelo médico 
legista, o exame perinecroscópico é realizado no local do crime, por peritos 
criminais, devendo ser formalizado por meio de laudos.
Só é realizado em casos de crimes que atentem contra a vida, ficando a 
cargo do exame do local do crime a análise do ambiente dos demais crimes onde 
não exista cadáver. Quando o perito estiver realizando este exame pericial, deverá 
observar “a posição do corpo, estado das vestes, presença de armas, manchas de 
sangue, ferimentos do corpo e a evolução dos fenômenos cadavéricos” (SILVEIRA, 
2012, p. 1).
O Código de Processo Penal prevê a figura do exame nos seus artigos 164 
e 169, porém, aparece de forma implícita, logo, a norma deverá ser interpretada 
ao longo de sua leitura (BINA, 2009).
O artigo 164 do Código de Processo Penal prevê o exame do local, em razão 
da necessidade de ser fotografado o cadáver na posição em que for encontrado, 
assim como todas as lesões externas e vestígios deixados no local, para que possa 
ser realizada minuciosamente a análise. Vejamos: Art. 164. Os cadáveres serão 
sempre fotografados na posição em que forem encontrados, bem como, na medida 
do possível, todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime.
6 EXAME DO LOCAL DO CRIME
No caput do artigo 169 do Código de Processo Penal este exame está 
previsto, pela necessidade do isolamento do local do crime, objetivando que os 
elementos deixados possam permanecer intactos até a chegada dos peritos, os 
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
116
quais examinarão o local. Há a possibilidade de alteração do estado das coisas, 
devendo ser registrado no laudo pelos peritos e, posteriormente, discutidas as 
consequências em relação aos fatos ocorridos.
Em síntese, o exame tem como objetivo analisar os crimes de “incêndio, 
furto qualificado pelo arrombamento ou pela escalada e crimes que sempre 
deixam vestígios, sem que exista cadáver” (SILVEIRA, 2012, p. 1), deixando o 
exame perinecroscópico para local do crime com mortos, conforme já estudamos.
Este exame é muito utilizado em crimes de trânsito, pois é elaborado por 
meio da observação das marcas feitas de pneu. Ainda, é utilizado em perícia de 
locais de ocorrência de crimes, a fim de verificar a posição em que se observa 
o aspecto de desordem, a situação dos móveis e utensílios, portanto, fendas e 
massas em paredes, assoalhos e teto devem ser atentamente observados.
UNI
Local do crime em casos de homicídio
Observe a figura abaixo e identifique os elementos importantes para a realização da perícia 
em caso de crime de homicídio. 
Veja que o local de crime é uma diligência das mais importantes na Criminalística moderna. 
Preservá-lo significa garantir a sua integridade para a colheita de vestígios que esclarecerão 
ou auxiliarão no esclarecimento da mecânica dos fatos. É, pois, a contribuição concreta e 
decisória no esclarecimento da causa jurídica da morte.
FONTE: <asbacsindicato.com.br/mais-noticias/local-de-crime>. Acesso em: 5 dez. 2019.
TÓPICO 3 | MODALIDADES DE PERÍCIA
117
Pegadas e impressões digitais devem ser colhidas, descritas e fotografadas. 
Manchas, tintados e incrustações devem ser raspadas e enviadas ao laboratório 
(SILVEIRA, 2012, p. 1). Em acidentes de trânsito verifica-se o local dos veículos, 
os pontos de impacto, a fim de verificar a imprudência, imperícia ou negligência 
(NICOLITT, 2010). 
Os artigos 6°, inciso I, e 169 do Código de Processo Penal preveem esta 
espécie de perícia, determinando que a autoridade deve isolar o local, para que 
nada nem ninguém altere o estado e a conservação das coisas até a chegada dos 
peritos. Assim, estes poderão analisar o local, colher os indícios, e instruir seus 
laudos com fotos, desenhos e esquemas ilustrativos. Vejamos:
Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a 
infração, a autoridade providenciará imediatamente para que não se 
altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir 
seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos.
Parágrafo único. Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do 
estado das coisas e discutirão, no relatório, as consequências dessas 
alterações na dinâmica dos fatos. 
7 EXAME SOBRE OS INSTRUMENTOS DO CRIME
O artigo 171 do Código de Processo Penal demonstra os crimes que este 
exame abordará, e também a necessidade da descrição dos vestígios, a indicação 
do instrumento utilizado, os meios empregados e o tempo em que os atos foram 
praticados. 
Art. 171. Nos crimes cometidos com destruição ou rompimento de 
obstáculo a subtração da coisa, ou por meio de escalada, os peritos, 
além de descrever os vestígios, indicarão com que instrumentos, por 
que meios e em que época presumem ter sido o fato praticado.
Já o artigo 173 deste Código se preocupa em nortear os casos de incêndio, 
nos quais serão necessários o exame do local do crime, devendo o perito verificar 
a causa e o lugar em que o mesmo começou, e informar o grau de perigo, a 
extensão do dano, seu valor e todos os dados importantes para sua elucidação. 
Vejamos o que diz o texto legal:
Art. 173. No caso de incêndio, os peritos verificarão a causa e o lugar 
em que houver começado, o perigo que dele tiver resultado para a 
vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as 
demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato.
Para objetos utilizados para a realização do crime – revólver, faca, pedaços 
de madeira, estilete, por exemplo – é necessário verificar sua natureza, ou seja, 
é necessário estabelecer a espécie e a qualidade, como o reconhecimento do 
calibre de uma arma de fogo. Este exame é muito utilizado no ramo da perícia 
denominado balística forense. 
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
118
LEITURA COMPLEMENTAR
Vamos ler mais sobre o que é balística forense? Leia o texto a seguir.
Balística forense: perícia em armas de fogo e munições
 
Hoje, falaremos sobre algumas noções básicas necessárias para o exame 
de balística. Vamos conhecer as classificações das armas e os tipos de munições 
mais utilizadas.
 
Quando falamos sobre tipos de armamento, podemos classificá-los 
entre leve e pesado. Dentro dos armamentos leves, podemos segmentá-los 
quanto ao seu tamanho e forma de transporte:
• Armamento de porte: quando por seu pouco peso e dimensões reduzidas, 
pode ser conduzida em um coldre. Podemos citar, a título de exemplo, a 
pistola, o revólver e a garrucha.
• Armamento portátil: pode ser transportada por um só homem, porém, 
geralmente dotada de bandoleira para comodidade no transporte. Por 
exemplo, o fuzil, a carabina e a escopeta.
Quanto ao seu tipo de funcionamento, as armas podem ser:
 
• Alimentação manual: o atirador executa as operações da arma manualmente, 
principalmente o carregamento. Este pode ser simples, e a arma comporta 
apenas uma carga para cada disparo. Para um novo disparo, o atirador deve 
carregá-la novamente; ou múltipla, quando a arma comporta duas ou mais 
cargas, sendo que o carregamento também é manual. Em regra, possui dois 
canos paralelos ou sobrepostos. Há ainda mecanismo de disparo para cada 
câmara. Podemos exemplificar com espingardas e rifles. 
Rifle de cano duplo - 
Alimentação manual
Revólver -
De repetição
Pistola - Semiautomática
Metralhadora - Automática
TÓPICO 3 | MODALIDADES DE PERÍCIA
119
• De repetição: a arma comporta várias cargas (cartuchos), sendo necessário 
recarregá-la apenas após ter disparado todas as cargas. Seu princípio motor 
é a força muscular do atirador, decorrendo a necessidade de repetir a ação 
para cada disparo. Há ainda um mecanismo de disparo para todas as cargas. 
São exemplos os revólveres e mosquetões.
• Semiautomáticas: realizam todas as operações de funcionamento, com 
exceção dos disparos, ou seja, para cada disparoo atirador deve acionar a 
tecla do gatilho, como pistolas e fuzis semiautomáticos.
• Automáticas: realizam todas as operações de funcionamento, inclusive o 
disparo, após o atirador pressionar e manter pressionado a tecla do gatilho. 
Temos como exemplo a metralhadora MT40.
 
Ademais, a munição, chamada de cartucho, é composta por projétil, 
estojo, propelente e espoleta. Vejamos:
• Espoleta: pequeno recipiente metálico, em forma de cápsula, que contém a 
mistura iniciadora, montada no alojamento localizado no centro do culote 
do estojo. Quando tocada de forma brusca pelo percussor, que gera calor 
pelo atrito, iniciando uma reação química de alta velocidade que gera uma 
fagulha, queimando da pólvora contida no estojo.
• Pólvora, propelente, ou carga de projeção: combustível sólido, granular, 
com diversos formatos de grãos, podendo inflamar com grande rapidez, 
com produção de grande volume de gases e elevação de temperatura, 
sem necessitar de oxigênio do exterior. É o elemento ativo do cartucho. 
Genericamente conhecida como pólvora, a carga de projeção é responsável 
pela produção de gases mediante sua combustão para expelir o projétil.
• Estojos: podem ser classificados como de fogo central ou de fogo circular, 
conforme a localização da espoleta. Nos estojos de fogo circular o misto 
iniciador se localiza no interior do estojo, já os de fogo central a espoleta fica 
no centro da base do estojo.
• Projéteis de chumbo: são geralmente cilíndricos compostos por base, corpo 
e ponta. Destas três, a que mais nos interessa é a ponta do projétil.
1 - Projétil
2- Estojo
3 - Propelente
4 - Espoleta
1
2
3
4
UNIDADE 3 | PROVAS E PERÍCIAS
120
 A ponta é a porção que não fica presa ao estojo. Seu tamanho e forma 
variam em função do tipo do projétil, e podem ser os seguintes:
• Ogival: é a mais comum, sendo usada para fins militares, policiais e de defesa.
• Canto-vivo: usado especificamente para tiro ao alvo.
• Semicanto-vivo: uso geral para defesa, caça e tiro ao alvo.
• Cone truncado e ogival truncada: também para uso geral, tem muita aceitação 
entre praticantes de tiro prático esportivo.
• Cônica: de uso restrito.
• Ponta oca (hollow point): ajuda na expansão do projétil quando este atinge o 
alvo, provocando ferimentos graves e dolorosos, e aumentando o sangramento. 
É usado na defesa e para caça. Seu uso militar foi proibido pela convenção de 
Genebra.
• Projéteis encamisados (jaquetados): construídos por um núcleo recoberto por 
capa externa denominada camisa ou jaqueta. Destinam-se à defesa pessoal, 
pois, ao atingir um alvo humano é capaz de se amassar e aumentar seu 
diâmetro, obtendo maior capacidade lesiva.
FONTE: Canal da Perícia (adaptado). <bit.ly/2DTPSU2>. Acesso em: 6 dez. 2019.
É importante salientar que além dos tipos de perícias abordados neste 
livro, existem as realizadas em laboratório, como os exames de sangue, DNA 
etc. Entretanto, nunca é demais lembrar que os peritos devem realizar a coleta 
de vestígios deixados pelo crime; logo após, devem enviar ao laboratório alguns 
dos materiais colhidos para as devidas análises. Para exemplificar os materiais 
enviados para análise laboratorial, temos amostras de sangue, sêmen, e saliva 
para a realização do exame de DNA. Por meio deste exame é possível comprovar, 
por exemplo, a identidade da vítima e também do criminoso, caso estejam sem 
identificação.
Ademais, nos casos de amostra de sangue e do conteúdo estomacal 
retirado durante a necropsia e enviado ao laboratório é muito comum a realização 
de exames de toxicologia para a detecção de substâncias entorpecentes proibidas, 
para o exame de dosagem alcoólica, e de confrontos balísticos. Assim, é possível 
fazer a comparação microscópica do projétil arrecadado na vítima com outro, 
disparado pelos peritos com a suposta arma.
1 2 3 4 5 6 7
Chumbo
Ponta Plana
Chumbo
Semi
Canto Vivo
Chumbo
Canto Vivo
Chumbo
Ogival
Expansivo
Ponta Oca
Expansivo
Ponta Plana
Encamisado
Total
Ponta Plana
CHPP CSCV CHCV CHOG EXPO EXPP ETPP
121
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que: 
• Por meio do exame de corpo de delito é possível detectar lesões causadas por 
qualquer ato ilegal ou criminoso, e pode ser utilizado em diversas situações, 
como prova essencial para esclarecer tentativa de suicídio, homicídio ou estupro.
• No exame de corpo de delito a vítima é minuciosamente examinada, e as lesões 
são descritas com fidelidade no laudo feito pelo perito médico. 
• Temos interessantes procedimentos de necropsia e exumação de cadáver, 
como perícias necessárias em casos específicos e realizadas com extremo zelo 
profissional e ético por envolver, além do necessário conhecimento técnico, 
sentimento familiar e pessoal que não pode ser desprezado. 
• São muitas as modalidades de perícias que podem auxiliar na elucidação de 
um crime, e de como podem ser complexas. 
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
122
AUTOATIVIDADE
1 Seguramente, todos nós temos curiosidade em saber o que há na maleta de 
um perito. A figura a seguir é uma reprodução do que ela deve conter. A 
seguir, responda à questão proposta.
FONTE: <www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u126662.shtml>. Acesso em: 6 dez. 2019.
O que é e quando ocorre uma perícia de exumação de cadáver? Quais 
são os itens da maleta necessários para a exumação? 
MALETA DO PERITO
O perito e sua maleta são inseparáveis; ela instrumentaliza 
o profissional na hora de analisar a cena do crime
>> Papel filtro
Para coleta residuográfica de 
vestígios de projéteis, que 
indicam se a pessoa efetuou ou 
não disparo com arma de fogo
>> Tesoura
Usada para cortar a roupa da 
vítima, na hora de verificar 
ferimentos. Também ajuda na 
coleta de materiais 
para o laboratório 
(como cabelo)
>> Água oxigenada
Identifica algumas substâncias.
En contato com o sangue, por 
exemplo, a água oxigenada 
borbulha
>> Inseticida
Quando há vítimas que já 
estão mortas há muito tempo, 
geralmente há insetos em 
volta, que podem transmitir 
doenças aos peritos e 
policiais. O inseticida é usado 
para espantá-los
>> Máscara com filtro
Para vapores orgânicos 
e gases ácidos. Usada 
para que o perito trabalhe 
melhor em meio ao mau 
cheiro, como o de corpos 
em decomposição
>> Luvas descartáveis
Para assepsia do perito. Há bactérias 
em cadáveres, principalmente 
naqueles em decomposição, que 
podem causar infecções graves.
>> Cartelas com números
Sinalizam vítimas (no caso 
de chacinas) ou muitos 
objetos no local
>> Setas
Para indicar ferimentos nas 
fotos tiradas das vítimas
>> Alicate
Para cortar 
arames. Em 
alguns casos, 
os peritos 
encontram 
vítimas presas 
com arames ao 
invés de cordas
>> Lanterna
Muitas vezes 
o local do crime é 
afastado e escuro
>> Esparadrapo
Para coleta 
residuográfica 
de vestígios de 
projéteis
>> Lacres numerados
Para preservar e oficializar 
apreensão de provas
123
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, J. C. Os princípios fundamentais do processo penal. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 1973.
ALMEIDA, J. C. Os princípios fundamentais do processo penal. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 1973.
ALVES, R. Filosofia	da	ciência: introdução ao jogo e suas regras. 20. ed. São Paulo: 
Brasiliense,1994.
ALVES, R. Filosofia	da	ciência: introdução ao jogo e suas regras. 20. ed. São Paulo: 
Brasiliense,1994.
BACON, F. Novum organum. Tradução de José Aluysio Reis de Andrade. Pará 
de Minas: Virtualbooks, 2002. Disponível em: http://www.ebooksbrasil.org/
adobeebook/norganum.pdf. Acesso em: 7 maio 2019.
BINA, R. Medicina legal. São Paulo: Saraiva, 2009.
BONFIM, E. M. Curso de processual penal. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/
l13105.htm. Acesso em: 6 dez. 2019.
BRASIL. Lei n. 11.690,de 9 de junho de 2008. Altera dispositivos do Decreto-Lei 
n. 3.689, de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal, relativos à prova, 
e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
Ato2007-2010/2008/Lei/L11690.htm. Acesso em: 6 dez. 2019.
BRASIL. Constituição da república federativa do Brasil de 1988, Brasília: Senado 
Federal, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicao.htm. Acesso em: 7 maio 2019.
BRASIL. Exposição de motivos do código de processos penal. Rio de Janeiro: 
Ministério da Justiça, 1941a. Disponível em: http://honoriscausa.weebly.com/
uploads/1/7/4/2/17427811/exmcpp_processo_penal.pdf. Acesso em: 7 maio 2019.
BRASIL. Decreto-lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm. 
Acesso em: 6 dez. 2019.
124
BRITTO, A. R. A	investigação	criminal	à	luz	da	investigação	científica: breves 
considerações sobre uma interface metodológica. Âmbito Jurídico, Rio Grande/
RS, p. 1 -1, 12 jun. 2018. 
BRITTO, A. R. A investigação criminal à luz da investigação científica: breves 
considerações sobre uma interface metodológica. Revista Âmbito Jurídico, Rio 
Grande, a. 17, n. 128, p. 1-4, set. 2014. Disponível em: http://ambito-juridico.com.
br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=15248#_ftn7. Acesso em: 7 
maio 2019.
CAPEZ, F. Curso de processo penal. 12. ed. São Paulo: Saraiva: 2007.
CAPEZ, F. Curso de processo penal. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. 
CARVALHO, J. L. Investigação pericial criminal. Brasil: Bookseller, 2006.
CINTRA, A. C.; GRINOVER, A. P., DINAMARCO, C. R. Teoria geral do processo. 
25. ed. São Paulo. Malheiros. 2009.
COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS. Declaração Universal dos Direitos 
do Homem e do Cidadão. 1789. Disponível em: http://www.direitoshumanos.
usp.br/index.php/Documentos-anteriores%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-
Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-de-direitos-
do-homem-e-do-cidadao-1789.html. Acesso em: 13 dez. 2019.
CORAINI DE SOUZA, S. C.; BONACCORSO, N. S. A importância da prova 
pericial no processo penal. JusBrasil, São Paulo, 2017. DOI. Disponível em: 
saracoraini.jusbrasil.com.br/artigos/418314346/a-importancia-da-prova-pericial-
no-processo-penal. Acesso em: 2 dez. 2019.
COSTA FILHO, P. G. Medicina legal e criminalística. Brasília, DF: Vestcon, 2012.
DA SILVA PEREIRA, E. Teoria da investigação criminal: uma introdução 
jurídico-científica. Brasil: Almedina, 2010.
DESCARTES, R. Regras para a direcção do espírito. Lisboa: Edições 70, 1990.
DOREA, L. E.; STUMVOLL, V. P.; QUINTELA, V. Criminalística. In: TOCHETTO, 
D. (Org.). Tratado de Perícias Criminalísticas. 3. ed. Campinas: Millennium, 
2006. 
DUTRA, L. H. Pragmática	da	investigação	científica. São Paulo: Loyola, 2008. 
FERNANDES, H. Princípios constitucionais do processo penal brasileiro. 
Brasília: Brasília Jurídica. 2006.
125
FERRAJOLI, L. Direito e razão (teoria do garantismo penal), 4. ed. São Paulo: RT, 2014. 
FERRAJOLI, L. Direito e razão (Teoria do garantismo penal), 4. ed. São Paulo, 
RT, 2014
FIGUEIREDO DIAS, J.; COSTA ANDRADE, M. Criminologia: o homem 
delinquente e a sociedade criminógena. Coimbra: Coimbra Ed., 1992.
FIGUEIREDO DIAS, J.; COSTA ANDRADE, Manuel. Criminologia – o homem 
delinquente e a sociedade criminógena. Coimbra: Coimbra Ed., 1992.
FONTELES, C. L. Investigação preliminar: significado e implicações. Revista Fund. 
Esc. Super. Minist. Público, Brasília, a. 5, n. 17, p. 52-62, jan. – jun. 2001. Disponível 
em: http://escolamp.org.br/arquivos/17_03.pdf. Acesso em: 7 maio 2019.
FONTELES, Cláudio Lemos. Investigação preliminar: significado e implicações. 
Revista da AJUFE. Brasília: Associação dos Juízes Federais, ano 19, n. 65, 2001.
FOUCAULT, M. Arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense, 2008. Disponível 
em: https://monoskop.org/images/d/d0/Foucault_Michel_A_Arqueologia_do_
Saber_7th_ed.pdf. Acesso em: 7 maio 2019.
FOUCAULT, M. Microfísica do poder. São Paulo: Graal, 2003. Disponível 
em: https://www.nodo50.org/insurgentes/biblioteca/A_Microfisica_do_Poder_-_
Michel_Foulcault.pdf. Acesso em: 7 maio. 2019.
FOUREZ, G. A Construção das ciências: introdução à filosofia e à ética 
das ciências. São Paulo: UNESP, 1995. Disponível em: https://webcache.
googleusercontent.com/search?q=cache:PoSkr9-IU5MJ:https://comum.rcaap.pt/
bitstream/10400.26/17159/1/A%2520INVESTIGA%25C3%2587%25C3%2583O%25
20COMO%2520CI%25C3%258ANCIA%2520NA%2520L%25C3%2593GICA%2520
DO%2520DIREITO.doc+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em: 7 maio 2019.
FRANÇA, G. V. Medicina Legal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.
LOPES JÚNIOR, A. L. Sistemas de investigação preliminar no processo penal. 
Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2001.
MIRABETE, J. F. Código do processo penal interpretado. 7. ed. São Paulo: Atlas, 
2000. 
MIRANDA, A. A determinação da pena privativa de liberdade. Coimbra: 
Coimbra Ed., 1995.
MORAIS, P. H.; LOPES J. B. Da prova penal. 2. ed. Campinas, SP: Copola, 1994.
126
NASCIMENTO, D. L. O papel do magistrado na produção da prova pós-
-reforma do processo penal. Rio Branco: UFAC, 2009.
NICOLITT, A. Manual de processo penal. 2. ed. atual. Rio de Janeiro: Elsevier, 
2010.
OLIVEIRA, E. P. Curso de processo penal. São Paulo: Atlas, 2013.
PEREIRA, E. S. Teoria da investigação criminal. Coimbra: Almedina, 2010.
RABELLO, E. Curso de criminalística. Porto Alegre: Sagra-Luzzatto,1996. 
ROVEGNO, A. O inquérito policial e os princípios constitucionais do 
contraditório e da ampla defesa. Campinas: Bookseller, 2005.
SILVEIRA, P. R. Exame de local. 2012. Disponível em: recantodasletras.com.br/
artigos/1625568. Acesso em: 6 dez. 2019. 
SOARES, G. T. Investigação criminal e inovações tecnológicas: perspectivas 
e limites. 2014, 307f. Tese (Doutorado em Direito) – Faculdade de Direito, 
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.
TOURINHO FILHO, F. da C. Prática de processo penal. 35. ed. rev. e atual. São 
Paulo: Saraiva, 2014.
TOURINHO FILHO, F. C. Manual de processo penal. São Paulo: Saraiva, 2002. 
VALENTE, M. M. Teoria geral do direito policial, 2. ed. Coimbra: Almedina, 
2009.
ZACARIOTTO, J. P. A polícia judiciária no estado democrático. Sorocaba: 
Brazilian Books, 2005.

Mais conteúdos dessa disciplina