Estudos em Legística - Profa Fabiana Meneses
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Estudos em Legística - Profa Fabiana Meneses


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FABIANA DE MENEZES SOARES
CRISTIANE SILVA KAITEL
ESTHER KÜLKAMP EYNG PRETE
(Organizadoras)
LEGÍSTICA
ESTUDOS EM
Florianópolis 
2019
Fabiana de Menezes soares
Cristiane silva Kaitel
esther KülKaMp eyng prete
(Organizadoras)
ESTUDOS EM LEGÍSTICA
Projeto Gráfico, Diagramação e Capa
Rita Motta \u2013 Ed. Tribo da Ilha
1ª Edição 2019
ISBN (DIGITAL): 978-65-80478-10-1
EDITORA TRIBO DA ILHA
Rod. Virgílio Várzea, 1991 \u2013 S. Grande
Florianópolis-SC \u2013 CEP 88032-001
Fones: (48) 3238 1262 / 9-9122-3860
editoratribodailha@gmail.com
mailto:editoratribodailha@gmail.com
SUMÁRIO
pRefÁcIO 6
IntROdUçãO 9
pORQUe SURGIU A LeGÍStIcA? antecedentes históricos de seu 
surgimento 15
Esther Külkamp Eyng Prete
BASeS teÓRIcAS dA LeGÍStIcA: a Legisprudência 58
Cristiane Silva Kaitel
Esther Külkamp Eyng Prete
SOBRe A (IR)RAcIOnALIdAde decISÓRIA: reflexões críticas para 
uma revalorização do legislar 93
Hugo Henry Martins de Assis Soares
AnÁLISe de IMpActO LeGISLAtIVO: conteúdo e desafios 
metodológicos 121
Paula Carolina de Oliveira Azevedo da Mata
Renê Morais da Costa Braga
pOdeR de decRetO dO pReSIdente dA RepÚBLIcA: delegação ou 
abdicação da função legislativa? 143
Caroline Stéphanie Francis dos Santos Maciel
nOtAS SOBRe A pOLÍtIcA BRASILeIRA de cIÊncIA, tecnOLOGIA e 
InOVAçãO: em defesa de uma elaboração legislativa de qualidade 169
Linara Oeiras Assunção
dIRetRIZeS, deSAfIOS e pOtencIALIdAdeS pARA UMA cULtURA 
LeGÍStIcA: o que podemos aprender com os guias da frança 
e da Suíça? 191
Marcus Vinícius de Freitas Teixeira Leite
REGTECHS: ferramentas de compliance e da Legística para otimização 
da atividade regulatória do estado 213
Felipe Lélis Moreira
A IncORpORAçãO dO dISSenSO nO pROceSSO LeGISLAtIVO 
e SeU pApeL nA JUStIfIcAçãO dA LeI: condições para a 
advocacy parlamentar 238
Fabiana de Menezes Soares
Flávia Pessoa Santos
6
\uf074 volta ao sUMÁrio
pRefÁcIO
A excessiva atividade regulatória dos Estados Modernos criou o problema 
da hiper-regulamentação e de seus efeitos negativos crônicos sobre a sociedade, 
economia e até sobre o próprio Estado. A seara de estudos voltada para esse fe-
nômeno e sua eventual solução \u2013 Ciência da Legislação (e suas dimensões) \u2013 é 
ainda um campo novo e relativamente desconhecido no Brasil. 
É graças, todavia, ao trabalho pioneiro do Observatório para Qualidade 
da Lei desde 2006, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas 
Gerais que esse novo campo de estudos jurídicos tem ganhado espaço e in-
fluenciado cada vez mais estudiosos, legisladores e técnicos incrementados pela 
cooperação internacional que envolveu a então EAL \u2013 European Association of 
Legislation e trouxe a vivência dos jurilinguistas da União Europeia, bem como 
o valioso aprendizado da circulação de modelos jurídicos de cunho legislativo 
típicos do bijuridismo e bilinguismo canadenses. 
Em 2007, na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais por meio 
da sua Escola do Legislativo associada à UFMG tem lugar o Congresso Interna-
cional de Legística \u2013 Qualidade da Lei e Desenvolvimento inspirado nos estudos 
e experiências internacionais que sinalizavam o papel da elaboração legislativa 
na prosperidade das nações. Em 2010 os resultados da vivência no Ministério 
da Justiça, em Berna apontaram para os benfazejos resultados da governança 
legislativo-regulatória. A observação do modelo da gestão pública de forte cará-
ter societal na qual os instrumentos da Legística confirmaram a importância da 
formação dos gestores e o reconhecimento de que o ensino jurídico necessita de 
maior espaço para a elaboração legislativa, seja sob a perspectiva da regulação, 
seja dos processos legislativos nacional, estadual, municipal. 
Os projetos de pesquisa desenvolvidos pelo Observatório para Qualidade 
da Lei, acumularam ao longo de uma década uma vasta documentação de mé-
todos e contribuições para um cenário de valorização do Parlamento como ins-
tância onde a polifonia de atores sociais, governamentais, de mercado pode ser 
BS\u201dD
7 PREFÁCIO
vocalizada posto que a cada ciclo normativo é densificado (e testado) o projeto 
de nação consagrado pela Constituição.
O processo de formação da legalidade pode e deve ser objeto de reflexão, 
também, dos juristas, todavia, mais acostumados com os juízos de aplicação dos 
processos judiciais do que com o ambiente da legislação, onde a escolha do con-
teúdo da lei inclui os apetites e não somente a dinâmica do impacto de novos 
atos normativos sobre o sistema das fontes do direito. Contudo, os desafios à 
legislação no Brasil, a despeito da literatura de referência, dos programas ins-
trumentalizados em práticas, guias, sistemas, manuais fazem sentido no projeto 
cultural de cada país: é preciso pensar numa agenda brasileira de melhoria da 
qualidade da gestão da elaboração legislativo-regulatória que considere o cená-
rio caracterizado por forte ativismo judicial, omissões legislativas, problemas na 
dimensão da executoriedade, ausência de harmonização com políticas públicas. 
Normas sobre produção de normas ou indutoras/conformadoras de ações 
legislativo/governamentais, sobretudo a Lei Complementar 95/98, Lei de Res-
ponsabilidade Fiscal, Lei de Acesso a Informação integram um sistema que re-
cepciona princípios compatíveis com uma elaboração legislativa preconizada 
tanto pela Legística (Metodologia), Legisprudência (Epistemologia) que por sua 
vez redesenham a Teoria da Legislação e apontam para uma hermenêutica pró-
pria dos processos de formação dos atos normativos
Mais recentemente, observa-se no cenário brasileiro uma embrionária, mas 
crescente adesão a algumas das principais metodologias da Legística na produ-
ção legislativa brasileira, como a expressa menção na Lei 13874/19 à necessida-
de de estudo de impacto regulatório para certas regulações na seara econômica 
que considera leituras e marcos regulatórios \u201caparentemente\u201d antagônicos, pois 
essa diversidade cultivada no modelo de atividade pesquisa desenvolvida pelo 
Observatório encontra o seu sentido inspirado na amplitude do contraditório 
típica do processo legislativo parlamentar.
As discussões sobre o tema dos limites e possibilidades de uma elabora-
ção legislativa apta a agregar etapas que se articulassem tanto na melhoria da 
comunicação dos atos normativos (inclusive, com instrumentos garantidores 
da participação dos afetados) quanto na reconstrução do cenário de incidência 
8 PREFÁCIO
normativa de modo a potencializar a sua implementação e executoriedade nor-
teiam a metodologia da Legística. 
Sob o ponto de vista epistemológico, o aporte da Legisprudência aponta 
para uma elaboração legislativa \u201cresponsiva\u201d que reconhece as limitações à liber-
dade próprias da legislação que nem sempre é a melhor escolha para satisfazer 
as demandas sociais e/ou incrementar a efetividade de direitos. Desse contexto, 
emerge o compromisso com a justificação do impulso para legislar. O desafio 
da elaboração de atos normativos se faz em ambiente no qual concorrem (e dis-
putam) Parlamento e Executivo e suas assimetrias processuais, com tensões em 
sede de transparência, circuito de informações, níveis de hierarquia em sistema 
multinível, proliferação legislativa, ausência de uma política de boa legislação.
A presente obra apresenta uma coletânea de estudos da área da Legística 
da autoria de integrantes do Observatório para a Qualidade da Lei, formado 
por pesquisadoras e pesquisadores da área, sob nossa orientação. Trata-se da 
primeira coletânea, em português, da matéria, conjugando tanto a apresentação 
de alguns dos fundamentos teóricos da matéria, quanto estudos voltados para a 
específica realidade brasileira. 
Belo Horizonte, Primavera de 2019
Fabiana de Menezes Soares
9
\uf074 volta ao sUMÁrio
IntROdUçãO
Segundo a concepção tradicional da ciência jurídica, o papel dos juristas 
consiste essencialmente em interpretar e aplicar as leis, consequentemente, este 
tema ocupa um papel marginal na formação dos juristas.
A criação das leis tradicionalmente